scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Por uma habitação básica: cidadania, democracia associativa e metodologias participativas

Abstract

[Excerto] Esta obra coletiva, organizada no âmbito do projeto de investigação «Modos de Vida e Formas de Habitar: ‘ilhas’ e bairros populares no Porto e em Braga», financiado pela FCT e enquadrado no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.Nova) da Universidade do Minho, resulta da realização de vários seminários e encontros a nível regional, nomeadamente no Porto e em Braga, com a colaboração do Laboratório de Habitação Básica (LAHB) e com a participação de cidadãos/ãs, associações de moradores, membros da equipa e outros especialistas nacionais e internacionais em metodologias participativas, tendo como foco nuclear a questão da Habitação Básica. Nesta obra é evidenciado o relativo abandono por parte do Estado português de bairros populares carenciados em termos de condições objetivas de vida e habitação, uma considerável insatisfação dos seus moradores/as e, simultaneamente, um ensaio de explicação sobre o porquê da débil ou mesmo ausente ação coletiva, sem ignorar casos excecionais bem sucedidos como o da Bela Vista no Porto.[...]

Full text

X a POR UMA HABITAÇÃO BÁSICA POR UMA HABITAÇÃO BÁSICA Cidadania, democracia associativa e metodologias participativas www.edicoesafrontamento.pt X MANUEL CARLOS SILVA FERNANDO MATOS RODRIGUES JOÃO TEIXEIRA LOPES ANTÓNIO CEREJEIRA FONTES TERESA MORA (ORGS.) MANUEL CARLOS SILVA Sociólogo, Doutorado em Ciências Sociais, Culturais e Políticas na Universidade de Amesterdão, Diretor do Centro de Investigação em Ciências Sociais (2002-2014) e Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (2010-2012), é Professor Catedrático e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.Nova), Universidade do Minho, e do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília, sendo o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais as suas principais áreas de investigação. FERNANDO MATOS RODRIGUES Mestre em Antropologia e com Curso de Doutoramento em Teoria da Arquitetura e Projeto Arquitetónico pela Universidade de Valladolid, Doutorando em Sociologia e investigador no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.Nova) na Universidade do Minho, docente de Antropologia do Espaço no Curso de Arquitetura da ESAP (1991-2013), é Diretor do Laboratório de Habitação Básica e tem investigado e publicado em áreas da antropologia do espaço, da cidade, da habitação e das metodologias participativas. Esta obra coletiva, organizada no âmbito do projeto de investigação «Modos de Vida e Formas de Habitar: ‘ilhas’ e bairros populares no Porto e em Braga», financiado pela FCT e enquadrado no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.Nova) da Universidade do Minho, resulta da realização de vários seminários e encontros a nível regional, nomeadamente no Porto e em Braga, com a colaboração do Laboratório de Habitação Básica (LAHB) e com a participação de cidadãos/ãs, associações de moradores, membros da equipa e outros especialistas nacionais e internacionais em metodologias participativas, tendo como foco nuclear a questão da Habitação Básica. Nesta obra é evidenciado o relativo abandono por parte do Estado português de bairros populares carenciados em termos de condições objetivas de vida e habitação, uma considerável insatisfação dos seus moradores/as e, simultaneamente, um ensaio de explicação sobre o porquê da débil ou mesmo ausente ação coletiva, sem ignorar casos excecionais bem sucedidos como o da Bela Vista no Porto. São avançadas reflexões de cariz interdisciplinar sobre democracia e o sistema associativo no quadro de um horizonte ecossocialista colorido para o século XXI, a sociopraxis com uma malha de metodologias participativas em vista da transformação e emancipação social, o direito à habitação no quadro do direito à cidade e à justiça espacial, postos em causa pela financiarização dos mercados e fenómenos de especulação imobiliária, gentrificação e turistificação em prejuízo das classes populares e mesmo intermédias. Estas reflexões são permeadas por análises geo-históricas e empíricas, ensaios sobre registos fotográficos (e subjacentes reivindicações), abordagens etnográficas, instrumentos de participação inclusive digitais, estudos de caso e metodologias participativas em ‘ilhas’ e bairros no Porto, em Lisboa e em Braga, um estudo sobre influências brasileiras entre arquitetos portugueses sobre habitação básica e, por fim mas não menos importante, uma reflexão amadurecida sobre a marca da arquitetura e o relevante papel dos arquitetos/as no desenho das cidades, posicionando-se contra a predominante lógica mercantil, o ‘pânico moral’ e eventuais atitudes derrotistas e pugnando pela redução de assimetrias socioespaciais, pelos direitos humanos, nomeadamente pelo direito à habitação, ao habitat , à cidade e à justiça espacial. JOÃO TEIXEIRA LOPES Sociólogo, Doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, é Professor Catedrático do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Coordenador do Instituto de Sociologia da mesma universidade e Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia desde 2016, tendo investigado e publicado nas áreas da cultura, da cidade, da juventude e da educação, bem como na da museologia e em estudos territoriais. ANTÓNIO J. CEREJEIRA FONTES Engenheiro Civil desde 1992 e Arquiteto desde 2000, é Especialista em Planeamento Urbano. Doutorando na Universidade do Minho, é Docente Convidado na Universidade do Minho e em várias instituições de ensino superior na Europa. Sócio-fundador da Cerejeira Fontes Architects, foi vencedor de diversos prémios (inter)nacionais e selecionado para várias exposições internacionais, além de (co)autor em diversas publicações sobre espaço urbano e habitação. TERESA MORA Socióloga, Doutorada em Sociologia pela Universidade do Minho (2006), Professora Auxiliar de Sociologia no Departamento de Sociologia e Investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.Nova), Universidade do Minho, sendo as suas áreas de investigação e publicação a arte política e social e os estudos sobre utopias.