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ISBN: 978-989-54317-3-1 As intensas discussões em torno do geopatrimónio, da geoconservação e da geopromoção, promovidas por uma reduzida, mas muito ativa comunidade científica, permitiu a criação, desenvolvimento e expansão de iniciativas de caráter mundial, transformando a ideia da valorização dos elementos abióticos num ideal e numa forma de inter-relação dinâmica entre academia, instituições (públicas e privadas) e sociedade. Ao dinamismo precoce deste movimento na Europa, seguiu-se a expansão e crescimento nos demais continentes, com destaque para o sul americano. As íntimas relações entre países ibéricos e latino-americanos permitiu que a investigação nestas temáticas fluísse facilmente entre estes territórios, promovendo as interações e colaborações, com enriquecimento científico e técnico para ambas as partes. Este livro é um pequeno reflexo da evolução e do conhecimento produzido por investigadores portugueses e latino-americanos, resultado dessas múltiplas interações e colaborações, procurando contribuir para a consolidação e afirmação do geopatrimónio e da geoconservação como ideias fundamentais da relação entre o Homem e a Natureza. GEOPATRIMÓNIO GEOCONHECIMENTO, GEOCONSERVAÇÃO E GEOTURISMO: EXPERIÊNCIAS EM PORTUGAL E NA AMÉRICA LATINA EDITORES António Vieira Adriano Figueiró Lúcio Cunha Valdir Steinke Valdir Steinke Valdir Steinke Valdir Steinke Valdir Steinke Lúcio Cunha Lúcio Cunha Lúcio Cunha Adriano Figueiró Adriano Figueiró Adriano Figueiró António Vieira António Vieira António Vieira EDITORES EDITORES EDITORES António Vieira é geógrafo, doutorado em Geografia pela Universidade de Coimbra. É Mestre em Geografia, área de especialização em Geografia Física e Estudos Ambientais e Licenciado em Geografia pela Universidade de Coimbra. É professor auxiliar no Departamento de Geografia da Universidade do Minho, desenvolvendo atividades de investigação como membro integrado do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS-UMinho), do qual é coordenador da linha Comunicação, Território e Organizações. É membro da Associação Portuguesa de Geomorfólogos (presidente de 2017 a 2019), da Riscos – Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança (vice-presidente) e da Associação Portuguesa de Geógrafos. É também membro da FUEGORED (Red Temática Internacional Efectos de los Incendios Forestales sobre los Suelos) e coordenador da FESP-in (Fire Effects on Soil Properties International Network). É Colaborador estrangeiro nos grupos de pesquisa PANGEA - Patrimônio Natural, Geoconservação e Gestão da Água (UFSM/Brasil), ROTAGEO (UEPG/Brasil) e Geomorfologia e Meio Ambiente (UFPel/Brasil). Durante a sua carreira desenvolveu investigação no âmbito da geomorfologia granítica, do património geomorfológico e das alterações do uso do solo, debruçando-se atualmente sobre temáticas relacionadas com sistemas de informação geográfica e deteção remota e sua aplicação ao ordenamento do território, geomorfologia glaciar e periglaciar, património geomorfológico, processos erosivos na sequência de incêndios florestais e medidas de mitigação, entre outras. Adriano Severo Figueiró possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (1990), mestrado em Geografia (Utilização e Conservação de Recursos Naturais) pela Universidade Federal de Santa Catarina (1997), doutorado em Geografia (Planejamento Ambiental) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005) e Pós-Doutorado em Geoconservação pela Universidade do Minho-Portugal (2013). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal de Santa Maria, com experiência na área de Geografia Física, com ênfase em Geoecologia, Geoconservação e Educação ambiental. É líder do Grupo de Pesquisa em Patrimônio Natural, Geoconservação e Gestão de Águas (PANGEA) e coordenador do Laboratório de Geoecologia e Educação Ambiental (LAGED) do Departamento de Geociências da UFSM, desenvolvendo pesquisas e orientando alunos de graduação e pós-graduação na UFSM e na UFPel nas áreas de ecologia da paisagem, geoconservação, planejamento ambiental, geoturismo e educação ambiental. Lúcio Cunha é Geógrafo e Doutor (1989) com agregação (2002) em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de Coimbra (Portugal). Professor Catedrático no Departamento de Geografia e Turismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), do qual foi já coordenador científico. Pertence a várias associações científicas das áreas da Geografia e da Geomorfologia, tendo sido já Presidente da Associação Portuguesa de Geomorfólogos e da Comissão Nacional de Geografia. Integra o Executive Committee da International Association of Geomorphology (IAG). É, ainda, membro da Comissão Científica do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), da Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE) e da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE). Integra a Comissão de Aconselhamento do Centro de Arquitectura da Ordem dos Arquitectos (secção Norte), o Conselho de Bacia Hidrográfico do Mondego e o Conselho Estratégico do PNSAC (Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros). Integra o conselho científico (ou editorial) de uma vintena de revistas nacionais e estrangeiras (Brasil e França). Valdir Adilson Steinke é geógrafo, mestre em Geologia e com doutorado em Ecologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é professor associado do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília. É membro do corpo docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Brasília e Coordenador do Laboratório de Geoiconografia e Multimídias – LAGIM, e do Núcleo de Estudos de Geografia da Paisagem, onde desenvolve pesquisas nas temáticas de Paisagem, Geopatrimônio, Geoiconografia, Recursos Hídricos e Análise Ambiental. É membro da União da Geomorfologia Brasileira – UGB, da Associação Brasileira de Climatologia – ABClima (Diretor científico de 2016 a 2020) e da Global Water Partership América do Sul – GWP. É também pesquisador internacional vinculado ao grupo de pesquisa Paisagem Património e Educação da Universidade Autônoma de Madrid. Pesquisador do Grupo de pesquisa em Paisagem CNPq e Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Recursos Hídricos CNPq. Durante a sua carreira tem desenvolvido estudos transdisciplinares na perspetiva de vincular a ciência geográfica com as demais áreas do conhecimento, especialmente nos estudos de climatologia, bacias hidrográficas, recursos hídricos transfronteiriços, paisagem, geopatrimónio e a Geoiconografia (fotogeografia, cinema e multimídias), focados na formação de recursos humanos, em especial a formação de professores. António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke Lúcio Cunha e Valdir Steinke António Vieira, Adriano Figueiró Lúcio Cunha e Valdir Steinke 1 C M Y CM MY CY CMY K capa livro dezembro 2020.pdf 1 22/12/2020 00:55
António Vieira, Adriano Figueiró, Lúcio Cunha, Valdir Steinke Editores GEOPATRIMÓNIO. Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo: experiências em Portugal e na América Latina CEGOT-UMinho Guimarães, 2018
Ficha Técnica: Título Editores ISBN Edição Ano de edição Comissão Científica: Capa Fotografia da capa Design da capa Impressão e acabamentos Tiragem Geopatrimónio – Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo: experiências em Portugal e na América Latina António Vieira, Adriano Figueiró, Lúcio Cunha, Valdir Steinke 978-989-54317-3-1 CEGOT-UMinho, Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade do Minho 2018 Adriano Severo Figueiró (Universidade Federal de Santa Maria) António Campar de Almeida (Universidade de Coimbra) António Avelino Batista Vieira (Universidade do Minho) António José Bento Gonçalves (Universidade do Minho) Dante F. C. Reis Júnior (Universidade de Brasília) Edson Soares Fialho (Universidade Federal de Viçosa) Eduardo Salinas Chávez (Universidad de La Habana) Ercília Torres Steinke (Universidade de Brasília) Fernando Luiz Araújo Sobrinho (Universidade de Brasília) Juliana Maria Oliveira Silva (Universidade Regional do Cariri) Kátia Leite Mansur (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Laryssa S. de Oliveira Lopes (Instituto Federal do Maranhão) Lúcio José Sobral da Cunha (Universidade de Coimbra) Roque Magno de Oliveira (Universidade de Brasília) Venícius Juvêncio de Miranda Mendes (Uniprojeção) Valdir Adilson Steinke (Universidade de Brasília) Casa do Penedo (fotografia da capa obtida e utilizada nesta publicação com autorização expressa dos proprietários) António Vieira Venícius Mendes; LAGIM-UnB. Copissáurio 100 exemplares Trabalho cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do COMPETE 2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI) e por fundos nacionais através da FCT, no âmbito do projeto POCI-01-0145-FEDER-006891 (Refª FCT: UID/GEO 04084/2013).
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 5 Parte I Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Parte II Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 ÍNDICE Prefácio António Vieira, Adriano Figueiró, Lúcio Cunha, Valdir Steinke 23 Aspetos conceptuais envolvidos no conhecimento e na conservação do geopatrimónio 25 Reflexões acerca da construção de uma estratégia de conservação geopatrimonial António Vieira 27 A geoconservação na escala da paisagem: uma abordagem Geobio-cultural Adriano Figueiró, José Mateo Rodriguez, Suzane Marcuzzo 39 Potencialidades e limites para a delimitação de hidrosítios no contexto da geoconservação Eliane Foleto, Francisco Costa 53 Geoturismo: discussão conceptual Maria Luísa Rodrigues 67 Geopatrimónio e desenvolvimento local Valdir Steinke, António Vieira 83 A geoconservação no contexto da Rede Global de Geoparques André W. Borba, Marcos A. L. Nascimento, José Patrício Melo 103 Técnicas e instrumentos metodológicos para a pesquisa do Geopatrimónio 115 Metodologias para a inventariação e avaliação do geopatrimónio António Vieira 117 Métodos de avaliação do potencial geoturístico do geopatrimónio Adriano Figueiró, Djulia Ziemann 135 A representação espacial da geodiversidade e do geopatrimônio: instrumentos para a geoconservação Adriano Luís Heck Simon, Gracieli Trentin 147 Estratégias interpretativas aplicadas ao geoturismo Adriano Figueiró, João H. Quoos, Djulia Ziemann 161 Educação geopatrimonial e conservação: exemplos de iniciativas em Caçapava do Sul, extremo sul do Brasil André W. Borba, Jaciele Carine Sell 177
Índice 6 Capítulo 6 Capítulo 7 Parte III Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Parte IV Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Potencial para o desenvolvimento do geoturismo e de geoprodutos na Bacia do Corumbataí em São Paulo – Brasil Luciana Cordeiro de Souza-Fernandes, Thais Oliveira Guimarães 189 Geoturismo urbano: possibilidades para a educação Antonio Liccardo, Carla Silva Pimentel 203 Estudos de caso em Portugal 219 O Património Geológico do Geopark Estrela e a sua valorização Emanuel de Castro, Fábio Loureiro, Hugo Gomes, Gonçalo Vieira 221 Multifuncionalidade de canais de irrigação e percursos pedestres associados com integração de geopatrimónio António Vieira; Renato Silva; Sílvio Rodrigues 235 Proposta de educação geoambiental e geoturismo: percurso das vezeiras (PNPG – Portugal) António Vieira; António Bento Gonçalves 251 Geopatrimónio e Cultura no Maciço de Sicó Carlos Silva 265 Retrato e avaliação do(s) valor(es) geopatrimonial(ais) da escarpa dos Arrifes do Maciço Calcário Estremenho (Centro de Portugal) Cátia Leal, Lúcio Cunha 279 O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota geopatrimónio pedestre do Monte de Lagedas Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 293 Estudos de caso na América Latina 309 Territórios aspirantes: o desafio dos projetos de Geoparque em construção no Brasil Marcos A. L. Nascimento, Kátia L. Mansur, Marilda Santos-Pinto 311 Una sinopsis de la geodiversidad y el geopatrimonio del Geoparque Mundial UNESCO Grutas del Palacio (Uruguay). Estrategias para su estudio César Goso Aguilar, Daniel Picchi 321 Revisión de la geodiversidad y patrimonio geológico en el Geoparque Colca y Volcanes de Andagua, Arequipa, Perú Bilberto Zavala Carrión, Igor Astete Farfán 343
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 7 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Cartografia geomorfológica aplicada à geoconservação: estudo no geomorfossítio Guaritas do Camaquã - Brasil Adriano Luís Heck Simon, Fábio Castilhos Arruda dos Santos 355 Turismo de natureza e geoturismo, paisagens de Mato Grosso do Sul, Brasil Charlei Aparecido da Silva, Patrícia Cristina Statella Martins, Bruno de Souza Lima 369 Desafios à geoconservação da Área de Proteção Ambiental da escarpa devoniana, Campos Gerais do Paraná/BR Maria Lígia Cassol-Pinto, Ricardo Letenski 385 Geopatrimônio hídrico no Brasil: desafios, potencialidades e perspectivas Karen Aparecida de Oliveira, Venícius Juvêncio de Miranda Mendes, Valdir Steinke 399 Avaliação qualitativa dos impactos às nascentes e ao Geopatrimonio do Parque Nacional da Serra da Canastra Giliander Alan Silva, Thallita Isabela Silva Martins Nazar, Renato Emanuel Silva, Sílvio Carlos Rodrigues 409 Promoção do geopatrimônio e desenvolvimento do geoturismo no Brasil Central: desafios e perspectivas Daniela Conceição O. Teles, Vinícius Galvão Zanatto, Valdir Steinke 427
Índice 8
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 299 Tabela I: Valores do património geomorfológico. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS VALOR Fissuras poligonais – “Coelho sentado” Valor científico/ cultural “Peixe” Valor cultural “Escorrega” Valor cultural Tor – “Penedo dos ladrões” Valor científico/ cultural Domo rochoso – “Castelo de baixo” Valor científico/ cultural/ paisagístico Tafoni – “Pocarinhas” Valor científico/ cultural “Castelo de Cima” Valor científico/ cultural Pias Valor científico Pedra bolideira Valor científico No que diz respeito ao Valor Intrínseco (correspondente ao valor científico), são considerados os seguintes critérios: a raridade, a diversidade, a representatividade, a integridade e o conhecimento científico sobre os sítios. Relativamente ao Valor Adicional, este integra quatro dimensões valoráveis (cultural, estética, ecológica e económica), pelo que para o valor cultural, os critérios considerados são a importância histórico-arqueológica, a importância religiosa/espiritual e evento artístico/cultural. No respeitante ao valor ecológico, os critérios selecionados são a diversidade ecológica, importância ambiental e ocorrência de habitats específicas. Para o valor económico consideram-se os critérios importância turística, importância desportiva/prática desportiva e existência de itinerário turístico/cultural. Quanto ao valor estético, cabe a seleção dos critérios diversidade paisagística, presença de água, contraste de cor e presença de elementos não harmónicos. Finalmente, no que respeita ao valor de uso e gestão, os critérios adotados são os seguintes: acessibilidade, vulnerabilidade, proteção, condições de observação e intensidade de uso. Cada um dos critérios é avaliado numa escala de 0 a 1, posteriormente somados dentro de cada valor e divididos pelo número de critérios considerados, de acordo com a seguinte metodologia: VI = (critério 1+critério 2+...critério n)/total de critérios em que VI corresponde ao Valor Intrínseco; VA = (critério 1+critério 2+...critério n)/total de critérios
Capítulo III.6. O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota pedestre Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 300 em que VA corresponde ao Valor Adicional; VU = (critério 1+critério 2+...critério n)/total de critérios em que VU corresponde ao Valor de Uso e Gestão. O Valor Total (VT) é calculado pelo somatório dos três Valores anteriormente calculados, divididos por três: VT = (VI+VA+VU)/3 Desta forma, o Valor Total corresponde a um valor ponderado, traduzido por um índice em que os elementos de maior valor patrimonial se aproximarão de 1 e os de menor valor estarão mais próximos de 0. Tabela II: Quadro síntese da avaliação do Património Geomorfológico Fonte: Adaptado de Peixoto et al., 2017. Tendo em consideração a avaliação efetuada aos elementos geomorfológicos existentes na área em análise, e ainda que se possa considerar que estes não têm uma relevância internacional ou mesmo nacional, as suas caraterísticas e particularidades conferem-lhe uma importância local ou regional relevante, pelo que este tipo de metodologias deve ser considerada, para além da validação dos elementos geopatrimoniais, para a “definição de estratégias de conservação e proteção, e, acima de tudo, de planeamento de medidas e instrumentos de divulgação, de adequação aos públicos-alvo ou na elaboração de materiais pedagógicos e ilustrativos” (Vieira, 2014). VALORIZAÇÃO ID Nome V. Intrínseco V. Adicional V. Uso e gestão TOTAL SG 01 “Escorrega” 0,47 0,15 0,6 0,41 SG 04 Tor “Penedo dos Ladrões” 0,47 0,14 0,7 0,44 SG 03 Fissuras poligonais “Coelho sentado” 0,49 0,12 0,7 0,52 SG 02 “Peixe” 0,26 0,04 0,7 0,64 SG 05 Pias 0,5 0,15 0,7 0,52 SG 07 Tafoni “Pocarinhas” 0,49 0,12 0,5 0,56 SG 06 “Castelo de cima” 0,58 0,19 0,8 0,52 SG O6 Pedra bolideira 0,47 0,15 0,7 0,64 SG O8 Domo rochoso “Castelo de baixo” 0,92 0,23 0,6 0,52
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 301 Os elementos geomorfológicos inventariados encontram-se distribuídos de forma dispersa ao longo do circuito proposto, identificando-se dois aglomerados de elementos geomorfológicos, um localizado a noroeste e outro a sudeste da área do percurso (Figura 2). Figura 2. Localização dos elementos patrimoniais no percurso pedestre. Ao longo deste percurso é possível observar vários elementos geomorfológicos com formas e génese distintas, sendo que alguns se apresentam associados a lendas e ao “folclore” local. O “Castelo de baixo” (Figura 3), como é vulgarmente designado pelos locais, é um bom exemplo, e corresponde a um domo rochoso, de grandes dimensões, onde sobressaem blocos granitos retilíneos, dando uma imagem de forma acastelada, surgindo dai o nome que é dado a este local pela população local. Este domo apresenta aspetos morfológicos típicos desta tipologia, uma forma residual em granitos, dómica, de grandes dimensões, com superfícies rochosas nuas, desprovidas de cobertura e vertentes íngremes (Vieira, 2008). No passado este local foi um povoado castrejo e existem vestígios da ocupação humana daquela época. Efetivamente, este local está identificado no PDM do Município da Póvoa de Lanhoso como sítio arqueológico.
Capítulo III.6. O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota pedestre Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 302 Figura 3. Domo rochoso do “Castelo de baixo”. A existência de formas singulares, como as pias de paredes assimétricas e pias de fundo plano, é um outro fator de valor geopatrimonial, uma vez que estas formas apresentam um significativo valor científico, que decorre da sua utilidade na compreensão dos processos envolvidos na evolução das formas em litologia granítica, após a sua exposição à superfície, em função dos processos de meteorização (Vieira, 2007). Para além disso, apresentam uma forma pouco comum e enigmática (para a generalidade das pessoas), estando associada pontualmente a lendas e histórias populares, podendo também considerar-se-lhe uma função ecológica, decorrente da sua capacidade de reter água da chuva, aproveitada pelos animais (Figura 4). Figura 4. Pia de paredes assimétricas e pias de fundo plano. O “penedo dos ladrões” (Figura 5), apelidado assim pelos locais, corresponde a um Tor, identificando-se um conjunto de grandes blocos granítico que lhe conferem a morfologia saliente, e que formam um abrigo (uma espécie de gruta) no seu meio. A lenda associada a estes
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 303 blocos graníticos está relacionada com a ocorrência inúmeros furtos que eram ali efetuados no passado, pois estes blocos ficam localizados no enfiamento de um antigo caminho utilizado frequentemente pela população para se deslocar entre a freguesia de Freitas e Garfe, quando ainda não existiam carros. Dai o nome de “penedo dos ladrões”. Do ponto de vista morfogenético, de realçar alguns aspetos que contribuem para a evolução deste tipo de formas, nomeadamente a influência da alteração esferoidal nos blocos que os constituem, o empilhamento geométrico dos mesmos e o seu enraizamento em relação à superfície em que se encontram, sendo ainda importante a presença de descontinuidades e diaclases nas rochas (Vieira, 2008). Com alguma semelhança quanto à génese, encontramos outras formas, como formas em pedestal ou pedras bolideiras (Figura 5) Figura 5. Tor (“Penedo dos ladrões”) e rocha em pedestal. Além dos elementos geomorfológicos inventariados, propõe-se a integração no percurso pedestre de elementos culturais existentes no local, como a Ermida da Srª do Monte, escavações arqueológicas da Tapadinha da Srª do Monte e o marco geodésico, que se apresentam como elementos que podem valorizar a mesma. Após a identificação e inventariação dos elementos a constar no percurso pedestre, propõe-se um conjunto de estratégias de valorização do património, fundamentais para o adequado usufruto por parte dos geoturistas e demais utilizadores. As medidas a seguir apresentadas não interfiram nos elementos patrimoniais, apenas servirão de auxílio ao visitante. Assim, existe um conjunto de medidas/ações que podem ser tomadas para proporcionar ao visitante, mais informado e mais crítico, uma experiência que vá ao encontra do que espera.
Capítulo III.6. O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota pedestre Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 304 Sendo o visitante mais informado e crítico, é necessário oferecer a este material de apoio à rota, como flyers, que contenha informação fundamental para quem vai realizar o percurso (Figura 6). Figura 6. Exemplo de flyer a disponibilizar (A – frente; B – verso). Quanto a painéis informativos, estes são fundamentais num percurso, pois fornecem informação importante ao visitante. Assim, estes devem ser colocados no início e fim do percurso e devem conter um conjunto de informação sobre o mesmo, como o trajeto, a distância e duração aproximada, obstáculos, grau de dificuldade, informações sobre locais onde passa, contactos úteis, entre outros (Braga, 2007). A colocação de placas indicativas seria também uma mais valia para o percurso, principalmente nos locais onde existem vários caminhos e cruzamentos, pois iria facilitar a indicação do caminho a seguir, e qual o local mais próximo e distância. Sendo a interpretação do património fundamental para a sua valorização e promoção, são propostos a criação e implementação de painéis interpretativos, para permitir ao visitante ter uma maior capacidade de interpretação informação acerca dos elementos existentes no local. Independentemente do tipo de audiência, os painéis interpretativos devem permitir a transmissão da mensagem de forma clara e eficaz, com vocabulário, estilo e conteúdo informativo adaptados a todo o tipo de visitantes. Com a massificação da tecnologia, fazia sentido criar-se também uma aplicação para esta rota. A aplicação pretende auxiliar o visitante quando ele se desloca ao local em questão. Na aplicação são identificados locais de interesse da rota, bem como infraestruturas e equipamento de apoio à ao visitante, bem como informação adicional.
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 305 O WebSig desenvolvido foi criado na plataforma do ArcGis online. Este encontra-se disponível no link https://www.arcgis.com/apps/View/index.html?appid=74cc891ac374499db74c8d8bc0b467d1, e pode ser consultado em dispositivos móveis (telemóveis e tablets) e computadores/portáteis (Figura 7). Figura 7. Layout WebSig. Para apoiar a divulgação deste recurso, adequou-se também a aplicação para consulta em dispositivos móveis. Assim, com recurso às aplicações móveis disponibilizadas pela ESRI, é possível a consulta da informação disponibilizada no websig através de um smartphone (Figura 8), podendo a visita ser acompanhada de informação de apoio em tempo real, bastando para isso ter disponível rede móvel.
Capítulo III.6. O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota pedestre Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 306 Figura 8. Acesso ao websig através de smartphone. O acesso direto a estas ferramentas pode facilmente ser fornecido em todos os materiais de divulgação produzidos e distribuídos, inclusivamente nos painéis informativos, bastando para tal incluir-se um QR code como o que reproduzimos abaixo (Figura 9) e que se pode colocar em todos os materiais promocionais. Figura 9. QR code com acesso ao percurso pedestre do Monte de Lagedas. 4. Conclusões e considerações finais As rotas pedestres (ou percursos pedestres, como designadas neste trabalho) apresentam diversas finalidades, podendo ser turísticas, culturais ou profissionais, sendo que a presente proposta se enquadra nas turístico – culturais, pois engloba um pouco destas duas vertentes. O principal objetivo da nossa proposta é a promoção dos recursos endógenos de um território periférico, potenciando os elementos do Geopatrimónio e do património cultural existente no Monte de Lagedas. Apesar dos potenciais impactes ambientais negativos deste tipo de iniciativas, decorrentes de uma utilização exagerada deste território, teremos que ter em conta
Geopatrimónio - Geoconhecimento, Geoconservação e Geoturismo A. Vieira, A. Figueiró, L. Cunha e V. Steinke (Eds.) 307 também o potencial impacte económico e social positivo, pois irá contribuir para a dinamização dos territórios onde se insere. As várias as propostas que apresentamos para o território em questão têm como finalidade promover o percurso e valorizar esse mesmo território. As propostas adiantadas encontram-se condicionadas pela própria natureza dos elementos geopatrimoniais que aqui estão em causa, nomeadamente os elementos geomorfológicos, pelo que se propõe a implementação de estratégias que promovam a proteção das formas, permitindo a observação destas sem que sofram significativas alterações antrópicas. Ainda que seja importante a promoção de estratégias de geoconservação e de informação tradicionais junto dos elementos do Património Natural e Cultural presentes ao longo do percurso, como seja a colocação de painéis interpretativos para ajudar o visitante a perceber a evolução ou formação do elemento que observa, é fundamental a aposta em ferramentas tecnológicas, nomeadamente as tecnologias e informação e comunicação (TIC) e as de informação geográfica (TIG), cujo potencial é enorme, reduzindo a necessidade de elementos físicos com impacte na paisagem e no Geopatrimónio. Estas tecnologias poderão também substituir a necessidade que poderia haver por parte dos visitantes em ter visitas guiadas para lhes explicar o que observam. O desafio está, atualmente, em tornar estas ferramentas intuitivas e fáceis de utilizar, por forma a que se tornem ferramentas didáticas eficazes, ao mesmo tempo que apelativas e acessíveis para todas as faixas etárias e grupos. Bibliografia Borba, André W. (2011). Geodiversidade e geopatrimônio como bases para estratégias de geoconservação: conceitos, abordagens, métodos de avaliação e aplicabilidade no contexto do Estado do Rio Grande do Sul. Pesquisas em Geociências, Porto Alegre, 38(1), 3-13. https://doi.org/10.22456/1807-9806.23832 Braga, T. (2007). Pedestrianismo e percursos pedestres. Amigos dos Açores, Ribeira Grande. Chan, N. (2005). Circuitos Turísticos – Programación y Cotización, 3a ed. Coleção Temas de Turismo. Argentina: Ediciones Turísticas de Mario Banchik. Cunha, L., Vieira, A. (2004). Geomorfologia, património e actividades de lazer em espaços de montanha. Exemplos no Portugal Central. In Actas do III Seminário Latinoamericano de Geografia Física. Puerto Vallarta: Instituto de Geografia da UNAM; INE; Univ. Guadalajara. GMF07, 14 p. http://hdl.handle.net/1822/35550 Figueira, L. M. (2013). Manual para elaboração de roteiros de turismo cultural. Instituto Politécnico de Tomar, Centro de Estudos Politécnicos da Golegã-CESPOGA. Gray, M. (2008). Geodiversity: the origin and evolution of a paradigm. Geological Society, London, Special Publications, 300, 31-36, 1 January 2008, https://doi.org/10.1144/SP300.4 Gray, M. (2013). Geodiversity: Valuing and Conserving Abiotic Nature, 2nd Edition. Wiley-Blackwell.
Capítulo III.6. O contributo do geopatrimónio para a promoção do território: o caso da rota pedestre Ana Cláudia Peixoto, António Vieira 308 Hilário, M. M. (2013). Projeto de Criação da “Rota do Granito” no âmbito da Liga dos Amigos de Alpedrinha. Dissertação de doutoramento. IPCB. Hose, T. 2000. Geoturismo europeo. Interpretacíon geológica y promoción de la conservación geológica para turistas. In: Barretino, D; Winbledon, W.A.P; Gallego, E (eds.). Patrimonio geológico: conservación y gestión. Istituto Tecnológico Geomineiro de España, Madrid Neto, C., Rodrigues, J. (2009). Geotourism’s contribution to Local and Regional Development. Geotourism & Local Development, Idanha-a-Nova, 15-37. Peixoto, A., Bastos, M., Pereira, A. (2017). Avaliação do Património Geomorfológico no Monte de Garfe. Universidade do Minho. Pereira, Ana Ramos (1995). Património geomorfológico no litoral sudoeste de Portugal. Finisterra, XXX, 59-60, 7-25. https://doi.org/10.18055/Finis1813 Quebec Association for the Interpretation of the National Heritage (1982). Charter for the preservation of Quebec's Heritage (Deschambault Declaration). Disponível em 17/11/2018, em: https://www.icomos.org/en/supportus/179-articles-en-francais/ressources/charters-and-standards/192-the-deschambault-charter. Reis, B., Castro, E., Lopes, A., Magalhães, V. (2015). O Geoturismo com estratégia de valorização territorial em contextos educativos: o caso do Arouca Geopark. Reis, M. (2009). Instalação de um Centro Interpretativo no Centro Histórico de Vila Nova de Vila Nova de Gaia, alicerçado num Percurso Pedestre Local. Licenciatura em Turismo, Instituto Superior Politécnico de Gaya. Silva, R., Maruschi, V., Rodrigues, S., Vieira, A. (2017). Geosítios, levadas e regos d’água: o geopatrimônio sob a perspectiva e acessibilidade de pequenas obras de transposição. Caderno de Geografia, PUC Minas, 27(2), 293-313. https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2017v27nesp2p293 Vieira, A. (2007). A morfologia granítica e o seu valor patrimonial: exemplos na Serra de Montemuro. In Atas do VI Congresso da Geografia Portuguesa. Lisboa: Associação Portuguesa de Geógrafos, 16 p. http://hdl.handle.net/1822/35547 Vieira, A. (2008). Serra de Montemuro. Dinâmicas geomorfológicas, evolução da paisagem e património natural. Dissertação de Doutoramento, Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316/9006 Vieira, A. (2014). O Património Geomorfológico no contexto da valorização da geodiversidade: sua evolução recente, conceitos e aplicação. Cosmos, 7(1), 28–59. http://hdl.handle.net/1822/34835 Vieira, A., Cunha, L. (2004a). A importância dos elementos geomorfológicos na valorização da paisagem: exemplos em morfologias cársica e granítica. In J. A. Dominguez & M. G. Marquez (Eds.), Fronteras en Movimiento, Collectanea 2 (81). Huelva: Universidad de Huelva, p. 357-366. Vieira, A., Cunha, L. (2004b). Património Geomorfológico – tentativa de sistematização. III Seminário Latinoamericano de Geografia Física, 1-14. http://hdl.handle.net/1822/35546 Vieira, A., Silva, R., Rodrigues, S. (2018). O Percurso Pedestre da ‘Levada de Piscaredo’ (Noroeste de Portugal): potencialidades geopatrimoniais em espaços multifuncionais. Terr@ Plural, Ponta Grossa, 12(3), 307-319. http://dx.doi.org/10.5212/TerraPlural.v.12i3.0002