Desindustrialização, ainda. Ensaios visuais e metodologias artísticas
Abstract
Desindustrialização, ainda. reúne ensaios visuais que se dedicam a olhar para paisagens industriais, as suas heranças e representações enquanto objeto de pesquisa artística. A profunda complexidade destes lugares convida a abordagens inventivas, desenvolvidas tanto através da investigação baseada em métodos artísticos, como na criação artística com base investigativa. Ao oscilarem entre a pós- e a des- industrialização, os autores partem de sítios específicos para experimentar diferentes abordagens ao passado e devolver outras narrativas e memórias aos lugares.
Full text
Desindustrialização, ainda. Ensaios visuais e metodologias artísticas Desindustrialisation, still. Visual essays and artistic methodologies Coleção Paisagens Património & Território Landscapes Heritage & Territory Collection Inês Moreira, Beatriz Duarte e Flora Paim
Desindustrialização, ainda. Ensaios visuais e metodologias artísticas Desindustrialisation, still. Visual essays and artistic methodologies Inês Moreira, Beatriz Duarte & Flora Paim (eds.)
3 Editorial Inês Moreira, Beatriz Duarte & Flora Paim Sedimentos, Arouca Sediments, Arouca Carla Cruz Prospecção em Covas Prospecting in Covas Susana Gaudêncio Diante a ruína e os seus fragmentos Facing the ruin and its fragments Beatriz Duarte O Hiperobjeto em Barcelos The Hyperobject in Barcelos João Leite O descampado urbano como arquivo The urban wasteland as an archive Flora Paim Percursos: atravessar Campanhã Urban Routes: crossing Campanhã Rachel Merlino Arqueologias da Presença Archaeology of Presence Pedro da Silva Método infinito para criações trans-… Infinite method for trans-creations… Post-Industrial Girls Do Báltico a Couros From the Baltic to Couros Inês Moreira Biografias Biographies 3 6 12 18 24 36 38 42 48 56 62 Desindustrialização, ainda reúne ensaios visuais que se dedicam a olhar para paisagens industriais, as suas heranças e representações enquanto objeto de pesquisa artística. Dando continuidade às partilhas e reflexões iniciadas no encontro demesmo nome realizado na Garagem Avenida (Escola de Artes Visuais da UMinho) em abril de 2023, organizado por Inês Moreira (Lab2PT), os nove projetos publicados traduzem os métodos e linguagens que as/os investigadoras/es empregam para apreender, problematizar, expor e ressignificar os territórios que estudam e sobre os quais criam. Não é casualidade que pensemos sobre Desindustrialização a partir da escola de artes no bairro de Couros (Guimarães), hoje em processo de requalificação e candidatura à inclusão na lista de Património Mundial. Aprofunda complexidade encontrada nestes lugares convida a abordagens inventivas, convocando também as artes a participar num tabuleiro no qual a economia, ourbanismo, ahistória e o património são usualmente os atores principais. Consideremos numa cronologia ampla as marcas deixadas pelas indústrias de extração e de manufatura nas suas diferentes etapas, desde a inicial instalação de infraestruturas, ao processo de esvaziamento e desindustrialização e, nalguns casos, a sua posterior (e atual) condição pós-industrial. Se a implantação de zonas industriais provoca mudanças e gera impactos sociais, paisagísticos e ambientais sistémicos, também os longos anos de desmantelamento e abandono que se sucedem. Seja por deslocalização, crise ou transição económica, estes são tomados pela degradação e indefinição de futuro para as comunidades locais, os assentamentos urbanos e as condições naturais, inevitavelmente alteradas. À medida que a sociedade caminha em direção a um modelo pós-industrial, onde a economia de serviços, a cultura e oconhecimento desempenham um papel central, surgem desafios relacionados à reutilização e gestão dos legados e heranças, nalguns casos patrimoniais, remanescentes. A estabilização e preservação das histórias da indústria, a atração de investimentos e a regeneração urbana, sãoaspetos que reacendem tensões e impulsionam diferentes transformações nessas zonas. Espaços que outrora evocaram o poder produtivo da atividade industrial, e de expansão das cidades e economias, hoje também retratam a degradação ambiental sentida local e globalmente, o ativismo social, a expropriação de comunidades locais, a especulação imobiliária Editorial Deindustrialisation, still gathers visual essays that look at industrial landscapes, their heritage, and their representations as subjects of artistic research. The nine published projects extend the exchanges and reflections started at the eponymous meeting organised by Inês Moreira (Lab2PT) and held in Guimarães at Garagem Avenida (School of Visual Arts, UMinho) in April 2023. The projects represent the methods and languages used by researchers to understand, question, expose and resignify the areas of their study, serving in as reference for their creative projects. Itisno coincidence that we have begun our reflections on deindustrialisation in an art school located at Couros (Guimarães), aneighbourhood currently undergoing a process of requalification and which isa candidate for nomination as a World Heritage site. The deep complexity of these places requires creative approaches and also invites art to participate in a game where economy, urbanism, history, and heritage areusually the main players. Let us consider, in a rough chronology, the traces left by the extractive and manufacturing industries in their different phases, from the initial establishment of infrastructures, through the process of exhaustion and deindustrialisation, to the subsequent (and present) post-industrial state. If the settlement of industrial sites brings changes and generates systemic social, landscape, and environmental impacts, so do the long years of dismantling and neglect that follow. Whether due to relocation, economic crises and transitions, these are inevitably altered by deterioration and by the uncertainty about the future oflocal communities, of urban settlements, and of natural conditions. As society moves toward a post-industrial model in which service economies, culture, and knowledge play a central role, challenges arise related to the reuse and management of remaining legacies and inheritances which, in some cases, are patrimonial. Stabilising and preserving industrial history, attracting investment, and urban renewal are aspects that could reignite tensions and be the driving forces for transforming these areas. Spaces that were once reminders of the productive power of industrial activity and the expansion of cities and economies, are now also expressions of locally and globally perceived environmental degradation, social activism, dispossession of local communities, real estate speculation, and rigid frameworks for past records. There are several case studies, from the Baltic
5 eos nquadramentos rígidos sobre os registos do passado. São diversos os casos de estudo, do Báltico ao norte de Portugal, que despertam o interesse desses artistas e curadores a desenvolver as suas investigações, seja no contexto académico, no âmbito dos projetos de graduação, mestrado e doutoramento, bem como em residências artísticas ou em resposta a encomendas pontuais. Relacionam-nos as leituras críticas da visão romântica e canónica da história da indústria, da ruína e da imagem, a contestar espaços, conceitos e memórias, bem como as possibilidades que apresentam para a experimentação de abordagens alternativas ao passado e de inscrição de outras narrativas e histórias. Apesar de a discussão sobre os modos de produção deconhecimento em, com e através das artes não ser inédita, umagrande carga de incompreensão paira ainda sobre os seus processos de trabalho, assim como de tradução e disseminação dos seus resultados, sobretudo em contexto académico. Referimo-nos aqui tanto a arts-based research (investigação assente em métodos artísticos), como à criação artística de base investigativa (que não necessariamente enquadrável como académica). Modelos e procedimentos da tradição científica são considerados de difícil ajuste ao pensamento artístico e, defato, são-no, já que os formatos de outros domínios disciplinares não podem, nem devem, ser literalmente transpostos às artes. Podem, no entanto, serexperimentados, subvertidos, reinterpretados, recriados a partir de relações e tensões transdisciplinares. Se a palavra “pesquisa” é comummente reservada ao universo científico clássico, os trabalhos aqui reunidos permitem vislumbrar o largo espectro de atitudes que podem animar esta atividade. Em alguns casos, a pesquisa acompanha o desenvolvimento de um projeto artístico; noutros, a especulação artística é oque catalisa a atividade crítica e científica. Neste universo de contaminações recíprocas, cremos que as experiências aqui reunidas atestam a pertinência de metodologias de trabalho e investigação artística, de maior ou menor orientação académica, que surgem a partir de um olhar artisticamente contaminado. Ainda que direcionadas alugares e problemáticas específicas, vemos potencial deuniversalidade ou aplicabilidade a outros locais. O pensamento em artes opera a partir de modos particulares de investigação-ação que parecem emergir de uma contaminação fundamental entre teoria e prática, objeto e sujeito, método e desvio. Prospeção, sondagem, arquivamento – às práticas e terminologias de diferentes campos deconhecimento, quando ativadas pelas experiências apresentadas, são agregados outros contornos e perspetivas. Na investigação destes lugares específicos e intrincados, vemos como métodos de pesquisa qualitativa e de base tonorthern Portugal, that spark the interest of these artists and curators to further develop their research, in an academic context, as part of bachelor’s, master’s and doctoral projects, as well as in artistic residencies or in response to sporadic commissioned works. What they have in common is a critical reading of the romantic and canonical vision of industry’s history, ruins, and images, through a challenging engagement with spaces, concepts, and memories, and the possibilities they offer for testing altered approaches to the past and toinscribe other narratives and histories. Although the discussion about how knowledge is produced in, with, and through the arts is not new, there are still many misunderstandings concerning their working processes and about the translation and dissemination of their results, especially in academic contexts. We refer here to arts-based research (research based on artistic methods) and to research oriented artistic practice (not necessarily considered academic). Models and procedures from the scientific tradition are considered difficult to adapt to artistic thinking, since the formats from other disciplines cannot and should not be literally transposed tothe artistic field. However, they can beexperienced, subverted, reinterpreted, and recreated out of transdisciplinary relationships and tensions. If the word “research” is commonly reserved for the classical scientific domain, the projects hereby gathered allow us to have a glimpse of the wide range of attitudes that animate this activity. In some cases, research goes hand in hand with the development of an artistic project; in others, artistic speculation is the catalyst for a critical and scientific activity. In this universe of reciprocal contamination, we believe that the experiences published here show the relevance of more or less academically oriented working methods and artistic research that emerge from an artistically informed perspective. Although we focus on specific sites and subjects, we see a potential for universality or applicability to other places. Artistic thinking is based on certain forms of research-practice that seem to emerge from a fundamental contamination between theory and practice, object and subject, method and deviation. Prospecting, surveying, archiving are practices and terminologies used in several fields of knowledge which, when activated by the experiments hereby published, find other contours and perspectives. In examining these specific and multi-layered sites, it becomes clear how etnográfica são apropriados, ou partilhados com aqueles, das ciências sociais e humanas. Nestes, e noutros, projetos encontram-se metodologias como: caminhadas individuais ou coletivas de reconhecimento e levantamento do lugar, visitas recorrentes aos locais de estudo com propósitos específicos, recolha arquivística e de provas objetuais, mapeamentos e cartografias, registos periódicos em imagem e som, inquéritos eentrevistas à comunidade, conversas com diferentes sujeitos e recurso à história oral. Ao longo destes nove ensaios visuais, além do conhecimento recolhido sobre os lugares desindustrializados, encontramos sínteses visuais de processos e modos específicos de trabalho que deixam rastos, produzem relações e evidências concretas. Ainda, ao ultrapassar a condição de prova (científica ou forense), alimentam experimentações no domínio do estético, sejam visuais ou performativas. Os ensaios visuais seguintes fazem um balanço de pesquisas em curso em várias universidades tendo em comum a sua articulação com o Lab2PT. A sua sequência de apresentação, que estrutura esta publicação, baseia-se numa gradação de sítios específicos – os casos de estudo – que oscila entre póse desindustrialização. Inicia-se com os vestígios mais instáveis da atividade industrial, aqueles ainda ativos e com consequências violentas à superfície terrestre, aqui exemplificados pelas minas e as escombreiras – abordadas tanto pela artista Carla Cruz em Regoufe, Arouca, como pela artista Susana Gaudêncio em Covas, Vila Nova de Cerveira. Seguem-se os vestígios que encapsulam memórias espontâneas, que escapam ao desejo de ordem einiciam processos de cicatrização e renaturalização, onde oedificado robusto se apresenta fragilizado ou foi obliterado, como na Fábrica do Arquinho em Guimarães, trabalhada pela curadora/investigadora Beatriz Duarte e no Silo de Cereais de Barcelos abandonado, pelo jovem arquiteto João Costa Leite. Ainda, os conjuntos de habitação operária desaparecida, nas pesquisas da artista/investigadora Flora Paim e também da curadora/investigadora Rachel Merlino, ambas centradas em Campanhã, no Porto. Encerra-se a sequência com os ensaios que atuam sobre os registos da memória institucionalizada que, já dormentes e estáveis, são perturbadas pelas práticas que se apresentam:os sítios arqueológicos em Ovil, Espinho, apresentado pelo arqueólogo Pedro da Silva e os arquivos de indústria da Casa da Imagem, ativados pelo coletivo de artistas Post-Industrial Girls. Por fim, em modo conclusivo, apresenta-se um atlas de locais diversos sob pesquisa decampo e prospeção em projetos europeus, mestrados edoutoramentos que Inês Moreira orientou e desenvolveu entre 2022–2023 para o Lab2PT. Inês Moreira, Beatriz Duarte & Flora Paim (eds.) the methods of qualitative and ethnographic research overlap with those of the social sciences and humanities. These and other projects employ methods such as individual or collective walks to recognize and examine a place, repeated visits to study sites with specific goals, collection of archival materials and objects, mapping and cartography, regular image and sound recordings, surveys and interviews with communities, conversations with diverse subjects, and the use of oral histories. In these nine visual essays, in addition to the collected findings about the deindustrialised places, we find visual syntheses of processes and specific ways of working that leave traces and establish concrete relationships and evidence. By overcoming the condition of (scientific or forensic) evidence, they also serve aesthetic experiments, be they visual or performative. The following visual essays are an inventory of ongoing research at various universities associated with Lab2PT. The order of presentation that structures this publication is based on a gradation of specific sites – the case studies – that oscillates between post-industrialisation and de-industrialisation. It begins with the most unstable traces of industries still in operation and violently affecting the earth’s surface, here exemplified by the mines and rubbles dealt with by artists Carla Cruz in Regoufe, Arouca, and Susana Gaudêncio in Covas, Vila Nova de Cerveira. Then, there are the traces that include spontaneous memories, which escape thedesires for an ordered system and start processes of healing and renaturalization where robust buildings are crumbling or have been erased, such as Fábrica do Arquinho (Arquinho Factory) in Guimarães, worked on by curator/researcher Beatriz Duarte, and the abandoned Grain Silo in Barcelos, worked on by young architect João Costa Leite. The disappeared workers’ housing estates are also studied by the artist/researcher Flora Paim and curator/researcher Rachel Merlino, both projects based in Campanhã, Porto. The sequence ends with the essays that act on the records of institutional history, already dormant and stable, disturbed by the practices presented: the archaeological sites in Ovil, Espinho, by the archaeologist Pedro da Silva, and the industrial archives of Casa daImagem, activated by the artist collective Post-industrial Girls. Finally, we include an atlas of different sites investigated through fieldwork and prospecting in European projects, in master’s and doctoral studies supervised or developed by Inês Moreira forLab2PT, between 2022 and 2023.
6 O volfrâmio ocorre em paisagens rurais de granito e quartzo, que se viram subitamente rasgadas pelo matraquear dos martelos e o explodir da dinamite, os gritos das gentes e arrastar de vagonas. Entretanto, na maioria destes complexos mineiros, o tempo como que parou, o silêncio abateu-se sobre a paisagem, agora ainda mais estéril. Pela mão do projeto de investigação transdisciplinar SHS, eueClaudia Lopes exploramos as antigas minas de volfrâmio de Regoufe em Arouca. Seguindo um método intuitivo, olhamos para os resíduos depositados nas minas e nas escombreiras, os resíduos arquitetónicos, mas também os resíduos político-poéticos deixados na paisagem e nos corpos, na memória das gentes e da terra. Este método intuitivo não tem um procedimentoespecífico para atingir um resultado, ao contrário, à medida que o processo criativo avança, ele adquire razão de ser e é revelado performativamente. Assim, o método não existe a priori, mas é constituído durante o processo criativo. Aqui, o processo de criação também não deve ser entendido como a capacidade de resolver um determinado problema, mas como a oportunidade de problematizar. Sedimentos problematiza, entre outros, a extração e o silêncio, as temporalidades earuína, o inanimado e a sua agência. Integra o projeto / Part of the project: SHS – Soil health surrounding former mining areas: characterization, riskanalysis, and intervention NORTE-01-0145-FEDER-000056. Sedimentos: projeto artístico em torno da geologia do volfrâmio de Arouca Carla Cruz Aquilino Ribeiro, 1943, Volfrâmio, Lisboa: Bertrand. Amostragem (granito), volfrâmio e cristais de quartzo, mina de volfrâmio Vale das Gatas / Sampling (granite), wolfram and quartz crystals, Vale das Gatas wolfram mine. Complexo Mineiro de Regoufe, Agostinho Martins da Silva, Anos 70 / 1970s. Escombreira e raizes no interior damina / Rubble and roots inside the mine, Regoufe 2021/22 Sediments: artistic project around thegeology of Arouca’s wolfram Wolfram is found in rural landscapes of granite and quartz that are suddenly torn apart by the rattle of hammers and the explosion of dynamite, the screams of people and the pulling of wagons. Butinmost of these mining complexes, time has stopped, the landscape has become silent and even more sterile. Aspartofthetransdisciplinary research project SHS, Claudia Lopes and I explored the oldwolfram mines of Regoufe inArouca. Following an intuitive method, we consider the wastes deposited in mines andheaps, architectural remnants, butalsothe political-poetic wastes left in the landscape and bodies, in the memory ofpeople and the earth. This intuitive method does not have a specific way of reaching a result, on the contrary, as the creative process progresses, itacquires its raison d’être and isrevealed performatively. Thus, the method does not exist a priori, butis constituted in thecourse of the creative process. In this context, the creative process is also not to be understood as the ability to solve aparticular problem, but as the possibility to problematize. Sediments problematizes, among other things, extraction and silence, temporality and decay, the inanimate andits effects.
8 9 Regoufe, 2022 Desenho sobre fotocópia / Drawing on photocopy
10 11 Regoufe, 2022. Mulheres britam o minério / Women crush the oreRegoufe, 2022. Mulheres britam o minério / Women crush the ore (in Leal, Manuel Vaz, 1945 (in Leal, Manuel Vaz, 1945 As Minas da Panasqueira As Minas da Panasqueira Vida e HistóriaVida e História).). Regoufe, 2022.Regoufe, 2022. Desenho sobre fotocópia / drawing on photocopy.Desenho sobre fotocópia / drawing on photocopy. Caulino no interior da mina eapanha Caulino no interior da mina eapanha decaulino / Kaolin inside the mine and collecting kaolin, Regoufe 2022decaulino / Kaolin inside the mine and collecting kaolin, Regoufe 2022
1312 Chegámos ao Minho com uma ideia fixa: fazer prospeção no território de Covas, Vila Nova de Cerveira, em torno das várias hipóteses de exploração ou extração de recursos naturais e do seu património cultural. O primeiro objectivo: recuperar certas palavras dos seus sentidos mais adversos – prospecção, exploração, transformação –, e desviá-las de um sentido único. Por meio da prática artística, recorrendo a metodologias do encontro, da caminhada, do trabalho de campo, danarrativa, o projeto Prospecção interpreta e compreende algumas das dinâmicas políticas, sociais, económicas eculturais que relacionam a atividade da mineração (ex: prospecção de lítio; extracção do volfrâmio) e da exploração da energia hidroelétrica no território da Serra d’Arga, com o capitalismo e aquelas e aqueles que, pelo equilíbrio dos ecossistemas naturais e das culturas locais, lhe fazem frente. O processo de prospecção começou pela sondagem e observação, foi catalisada por um conjunto de encontros: cidadãs e cidadãos locais com prática ativista, caminhantes e livros vivos da paisagem, contadores de histórias e exuberantes oradores. Os encontros foram registados por meios áudio-visuais, desenhos, anotações erecolha de objectos. Os primeiros resultados da investigação tomaram a forma de uma publicação que materializa a prospecção artística realizada no território de Covas, em torno das várias hipóteses de exploração ou extração dos seus recursos, para daí desenhar linhas sinuosas que unem arte, natureza, paisagem, acção cívica, feminismo, política comum, ruína industrial, turismo, lugar e identidade. Este objecto é também uma ferramenta que procura traduzir material técnico e conhecimento não adquirido ou suficientemente consolidado para a linguagem artística. Projeto de investigação artística a decorrer, inicialmente desenvolvido noâmbito de uma residência artística nafreguesia de Covas, Vila Nova de Cerveira. Autoras: Sofia Gonçalves (FBAUL) e Susana Gaudêncio (EAAD – UM). Com o apoio da Fundação Bienal de Cerveira e do Lab2PT./ This research is an ongoing artistic project, originally developed during an artistic residency in the municipality of Covas, Vila Nova de Cerveira. Authors: Sofia Gonçalves (FBAUL) and Susana Gaudêncio (EAAD–UM). With the support of Fundação Bienal de Cerveira and Lab2PT. Prospecção / Prospection, 2022. Publicação em / Publication in 4 volumes ( 1. narrativa visual; 2. desenhos e minérios; 3. listas e outros acessórios à prospecção; 4. ensaios e glossário ) / (1. visual narrative; 2. drawings and ores; 3. lists and other accessories for prospecting; 4. essays and glossary) Prospecção em Covas: práticas artísticas para a expropriação de palavras malditas Susana Gaudêncio Prospecting in Covas: artistic practices for the expropriation of cursed words We came to Minho with a firm idea: toprospect in the area of Covas, Vila Nova de Cerveira, for the different hypotheses of exploration or extraction of natural resources and their cultural heritage. The main goal: to recover certain words from their most negative meanings – prospecting, exploitation, transformation – and divert them from a single sense. Through an artistic practice that uses methods such as meetings, walks, fieldwork and narrative, the Prospection project interprets and embraces some political, social, economic and cultural dynamics associated with mining (e.g. lithium prospecting; wolfram extraction) and the use of hydroelectric power in the Serra d’Arga area, with capitalism and those who stand up to it through the balance between natural ecosystems and local cultures. The process of prospecting began with surveys and observation and was catalysed by a series of meetings: locals with activist practices, hikers, and living books of the landscape, storytellers, and exuberant speakers. Audiovisual means, drawings, notes, and the collection of objects were used to record the meetings. The first results of the research have been issued in a publication that materializes the artistic prospection of the territory of Covas around the different hypotheses of exploitation or extraction of its resources, in order to draw the winding lines that link art, nature, landscape, civic engagement, feminism, common politics, industrial ruins, tourism, place, and identity. On the other hand, it can become a tool used to translate technical material and knowledge that has not yet been sufficiently acquired orconsolidated into an artistic language.
14 15 Imagens da publicação Prospecção / Images from the publication Prospection, 2022 Ilustração / Illustration – in Livro da natureza / Nature's Book, 1963, de / by Fritz Kahn. Fotografia / Photography – “Lides do campo. Numaeira do lugar de Vilarinho, Olinda, Laurinda, Palmira, Joaquina Clara Pereira e Adosinda, durante uma sachada de milho”, 1980, in Covas, Imagens que fazem história / Images that make history, 2017, de / by João Caldas. Fotografia / Photography – “Respect our existence: expect our resistance”, 24 de Agosto de2019, inDiário de Notícias, de / by Miguel Vieira da Silva/Lusa. Desenho / Drawing – Não à Mina, simà vida, 2022, de / by Susana Gaudêncio
Apropriação / Appropriation, 2022 © João Leite Vestígios / Traces, 2022 © João Leite Maquete de apresentação doprojeto / Project presentation Model, 2022 © João Leite
30 Na zona oriental do Porto, um descampado de quase três hectares permanece indefinido há cerca de quinze anos, resistindo às transformações que agem no entorno. Num primeiro contato, a aparente nulidade do espaço não permite antever o que terá existido ali. Quase todos os traços do São Vicente de Paulo, um dos primeiros conjuntos de habitação pública da cidade, foram apagados do terreno no começo dos anos 2000. Como investigar, então, um lugar onde quase nada parece existir? Entre fragmentos e invisibilidades, ocupações informais e projetos de reconversão, este vazio apresenta-se saturado de memórias, tensões e expectativas. Por sua condição espaço temporal de suspensão (entre diferentes temporalidades e ocupações), nesta investigação concebe-se o descampado como um arquivo constituído por linhas temporais descontínuas e entrecruzadas. Este arquivo, desordenado e lacunar, é tecido por linhas de passado (fabulações e vestígios de ocupações obliteradas), depresente (práticas socioculturais autónomas e germinações ruderais) e de futuro (especulações financeiras e de novos usos). A investigação adota como métodos a caminhada e a permanência no terreno, assim como a recolha de objetos, histórias orais, documentos, materiais visuais e sonoros. Estes elementos têm sido reformatados em projetos artísticos continuados que se formalizam em ações de ativação (intervenções, percursos e encontros no descampado), publicação e instalações. Diante do vazio e da sub-representação do lugar nos arquivos oficiais, busca-se construir um contra-arquivo pelo cruzamento das diversas narrativas, temporalidades e dinâmicas multidimensionais que constituem o sítio. Esta investigação integra-se ao projecto de doutoramento em Estudos Artísticos – Arte e Mediações (NOVA–FCSH) financiado por fundos nacionais através daFundação para aCiência e a Tecnologia, I.P. (referência 2021.05836.BD) / This research is part of the author’s Ph.D. project in Artistic Studies – Art and Mediations (NOVA–FCSH), financed with national funds by the Foundation for Science and Technology, I.P. (reference 2021.05836. BD). Descampado do antigo Bairro de São Vicente de Paulo (SVP) / Wasteland of the former São Vicente de Paulo neighbourhood (SVP), 2021 © Flora Paim O descampado urbano como arquivo Flora Paim The urban wasteland as an archive In the east side of Porto lies a wasteland of almost three hectares, which has remained undefined for about fifteen years, resisting the surrounding changes. At first glance, the apparent nullity of the space does not allow us to foresee what might have existed there. Almost all traces of São Vicente de Paulo, one of the city’s first public housing developments, were erased from the site in the early 2000s. So, how can one investigate a place where seemingly nothing exists? Between fragments and invisibilities, informal occupations and redevelopment projects, this void is imbued with memories, tensions, and expectations. Due to its spatiotemporal limbo-like state (in-between different temporalities and occupations), the wasteland is considered in this study as an archive composed of discontinuous and interlocking timelines. This disordered and patchy archive is interwoven with lines of the past (memories and traces of extinct occupations), the present (autonomous socio-cultural practices and ruderal ecosystems), and the future (financial speculation and expectations about a future use). Research methods include walks and residencies on site, as well as the collection of objects, oral histories, documents, visual, and audio materials. These elements have been transformed into ongoing artistic projects that find expression in spatial activation actions (interventions, collective walks and gatherings in the wasteland), publications, and installations. Faced with the physical emptiness of the site and its under-representation in official archives, weseek to build a counter-archive by connecting the different narratives, temporalities, and the multidimensional dynamics that it comprises. Imagens páginas seguintes: 1, 8, 15. Banquete baldio / Wasteland feast, Flora Paim, 2018 © Inés Ballesteros. 2. Miradouro do SVP / SVP’s viewpoint, 1947 © Teófilo Rego. 3, 14. Inventário de espécies baldias / Archive of wasted species, Flora Paim, 2018 4, 6, 10, 13. Arqueologia do Vazio / Archeology of the void, Flora Paim, 2019 (1º ed.) © Flora Paim + Maria Kemmer. 5. NLD Video screenshot – Projeção futura para o descampado do SVP / Future projection for the SVP area, 2017 © CMP. 7. Nenhum Lugar Desaparece / No place ever vanishes (NLD), Flora Paim 2021 9. Interior de uma das casas do SVP / Interior of one of the SVP's houses © Fátima Cavalheiro. 11. NLD Video screenshot – Fachada de uma antiga casa do SVP / Facade of a former SVP house © Ana Santos. 12. Arqueologia dovazio / Archeology of the void, Flora Paim, 2021 (2ª ed.) © Inês Costa + Thiago Liberdade. 16. NLD Video screenshot – Último São João no SVP / Last Saint John’s Day in the SVP neighbourhood, 2007 © Telmo Guerra
12 3 4 56 78 9 10 13 14 11 15 16 12
34 35 Foto do arquivo pessoal de Fátima Cavalheiro sobre fotografia de Flora Paim / Photo from the personal archive of Fátima Cavalheiro on a photograph by Flora Paim, 2023 Colagem digital / Digital Collage
36 Esta investigação integra-se no projeto de mestrado em Estudos Museológicos e Curatoriais (U.Porto/FBAUP) apresentada em 2022, com o título: “Percursos Urbanos como práticas curatoriais insurgentes: uma análise sobre Campanhã”. / This research is part of the Master’s project in Museology and Curatorial Studies (U.Porto/FBAUP) presented in 2022, with the title: “Urban Routes as insurgent curatorial practices: ananalysisof Campanhã” Das quintas aos cantos, das Côrtes aos cortes, das eras pré, pósou ainda industriais, a zona oriental do Porto é marcada pela dinâmica literal e metafórica dos universos das especulações. Qual futuro pertence a Campanhã? As transformações no campo da curadoria, resultantes de uma revisão crítica que transcende os modelos acadêmicos e institucionais clássicos, permitiu o desenvolvimento de um pensar e fazer curatorial plural e interdisciplinar. Este contexto estimulou a aproximação entre curadoria e espaços urbanos e o posterior desenvolvimento dedispositivos para investigar as narrativas e disputas inseridas nas cidades. Através destes dispositivos, buscou-se desregular o parâmetro geográfico ao trazer ooriente do Porto para o norte, incluindo-o nas discussões sobre curadoria e cidade. A metodologia baseia-se no acompanhamento empírico de percursos urbanos como Práticas insurgentes, postuladas por Miraftab (2009; 2016), assim como o desenvolvimento de cartografias críticas como forma de buscar desvelar as múltiplas camadas quecompõem a freguesia. Afinal, quantas narrativas cabemem uma mesma cidade? Percursos: atravessar Campanhã como prática insurgente Rachel Merlino Campanhã Invertida / Inverted Campanhã, 2022 Intervenção sobre cartografia do Google Map / Intervention onGoogleMapscartography Urban Routes: crossing Campanhã asinsurgent practice From the farms to the street corners, fromthe royal Courts to the cuts, from the pre-, to the postand to the stillindustrial ages, the eastern side of Porto is marked by the literal and metaphorical dynamics of the world of speculation. What future awaits Campanhã? The changes in the field of curating, resulting from a critical review that goes beyond the classical academic and institutional models, haveallowed the development of a plural andinterdisciplinary curatorial thinking and action. This context stimulated the convergence between curating and urban spaces and the subsequent development of tools to study the narratives and disputes embedded in the city. Through these tools, we sought to deregulate the geographical parameter by bringing the east of Porto to the north and including it in discussions about curating and the city. The methodology is based on empirical observation of urban routes as insurgent practices, as posited by Miraftab (2009; 2016), and the development of critical cartographies as a means to unravel the multiple layers that make up the territory. After all, how many narratives fit into thesame city?
Campanhã em Autocolante / Campanhã in Sticker, 2022 Intervenção sobre o Mapa de Arte Pública do Porto / Intervention on Porto’s public art map Cartografia das vivências / Cartography ofexperiences, 2022 Colagem em acetato / Collage printed onacetate Cartografia das Cicatrizes / Cartography of scars, 2022 Costura em acetato / Sewing on acetate Cartografia das Especulações / Cartography of speculations, 2022 Colagem de anúncios imobiliários sobre acetato / Collage of real estate ads on acetate Cartografias sobrepostas / Overlapped Cartographies, 2022 Sobreposição de colagens em acetato / Overlapping acetatecollages
Campanhã em Autocolante / Campanhã in Sticker, 2022 Intervenção sobre Mapa de turismo oficial do Porto / Intervention on Porto’s official tourism map Registro da Fixação dos Autocolantes / Sticker Fixation Record, 2022 © Laís França Campanhã, 2022 © Laís França
42 A ‘desindustrialização’ é um tema que se aparenta persistente, ainda... No entanto, encaramos essa persistência como uma oportunidade para promover a preservação e a reutilização de espaços industriais em ruínas. Neste contexto, as Arqueologias da Presença oferecem uma abordagem curatorial abrangente e criativa para reviver o passado e explorar novas narrativas contemporâneas. Isto é, pode ser uma metodologia eficaz para criar novas formas curatoriais de Take-over em espaços arqueológicos encerrados e em ruínas. Esta abordagem é exemplificada na performance-arqueologia realizada no Monte Ovil (Espinho) com o artista João Gomes Gago. Através da reencenação do percurso das pedras entre oassentamento proto-histórico e o complexo industrial de época moderna (processo a que designamos de rolling stones), essa intervenção cultural libertou o local das metanarrativas românticas dos séculos XIX e XX, criando um diálogo entre arte, arquitetura e arqueologia. A partir de instalações artísticas, aquela performance permitiu à arqueologia trazer uma nova vida àquele local histórico, revelando novas narrativas e aspetos anteriormente desconhecidos de um passado arqueológico que é, tambémele, contemporâneo. Esta investigação integra o projecto de Doutoramento em Arqueologia (CEAACP/FLUCoimbra) financiado por fundos nacionais através da Fundação para aCiência e a Tecnologia, I.P. (referência UI/BD/151198/2021). / This research is part of the author’s Ph.D. project in Archaeology (CEAACP/FLUCoimbra) financed with national funds by the Foundation for Science and Technology, I.P. (reference UI/BD/151198/2021). Ruínas do povoado proto-histórico de Ovil / Ruins of the proto-historic village ofOvil,2022 © Cristianne Melo Ruínas da Fábrica de Papel de Ovil / Ruins of the Ovil paper mill, 2022 © César Guedes Arqueologias da Presença: reviver o passado de espaços industriais em ruínas através da curadoria em arte/arqueologia Pedro da Silva Archaeology of Presence: reviving thepast of industrial spaces in ruins bycurating art/archaeology ‘Deindustrialisation’ is a theme that seems to persist… However, we see this persistence as an opportunity to promote the preservation and reuse of industrial ruins. In this context, Archaeology of Presence offers a comprehensive and creative curatorial approach to reviving the past andexploring new contemporary narratives. In other words, it can be an effective way to create new Take-over curatorial forms in closed and ruined archaeological sites. An example of this approach is the archaeological performance carried out in Monte Ovil (Espinho) with the artist João GomesGago. By re-enacting the ancient stone path between the proto-historic settlement and the modern industrial complex (aprocess we call rolling stones), this cultural intervention liberated the site from the romantic metanarratives of the 19th and 20th centuries, creating a dialogue between art, architecture, and archaeology. Through the artistic installations, archaeology was able to revitalise this historic site and uncover new narratives and previously unknown aspects of an archaeological pastthat is also contemporary.
Pano cru de algodão estendido no percurso a oeste do povoado proto-histórico / Raw cotton cloth laid on the path west of the proto-historic village, 2022 © António Paulo Gonçalves Plano de obra finalizada no percurso oeste do povoado proto-histórico / Plan of completed work in the west route of the proto-historic village, 2022 © Cristianne Melo Plano de obra finalizada na ruína de estrutura circular proto-histórica / Plan of completed work in the ruins ofthe proto-historic circular structure, 2022 ©CristianneMelo O artista João Gomes Gago escavando a imaginação arqueológica em pano cru dealgodão, estendido dentro da ruína de estrutura circular proto-histórica / Artist João Gomes Gago excavating the archaeological imagination in raw cotton cloth laid inside the ruins of a proto-historic circular structure, 2022 © Pedro da Silva
Performance-arqueologia / Performance-archaeology Following the Path of the Rolling Stones, 2022 © Cristianne Melo Instalação artística com exposição de pano cru de algodão / Art installation with raw cotton cloth exhibition, 2022 © Cristianne Melo Instalação artística com exposição de pano cru de algodão / Art installation with raw cotton cloth exhibition, 2022 © Cristianne Melo
Research Guide Press Here – a Living Archive of European Industry, 2022 © Inês Moreira Press Here – a Living Archive of European Industry. Trabalho decampo na / Fieldwork in Bulgaria, 2022 © Inês Moreira Conferências de Rachel Merlino na EAAD no âmbito da discplina EmCouros: Investigação Artística em Contexto Urbano / Conference byRachel Merlino at EEAD within the scope of the discipline InCouros: Artistic Research in Urban Context (org. Inês Moreira &PedroChamusca), 2023 © Inês Moreira Desindustrialização, ainda. / Deindustrialziation, still. Encontro realizado na / Meeting held at EAAD (org. Inês Moreira), 2023 ©InêsMoreira
is an artist, teacher (EAAD–UMinho) and researcher integrated in Lab2PT. She holds a degree in Sculpture (FBAUP) and a master’s degree in Visual Arts (Piet Zwart Institute, Rotterdam). She also has a Ph.D. in artistic practices (Goldsmiths College of London) with support from the FCT. She developed the project Finding Money with Antonio Contador between 2011–2021, and has mobilized the Associação de Amigos da Praça do Anjo with Ângelo Ferreira de Sousa since 2007. Co-founder of the feminist collective of artistic intervention ZOiNA (1999–2004) and of Associação Caldeira 213 (1999–2002); between 2005 and 2013, she coordinated the feminist exhibition project All My Independent Women, and since 2019 leads the study group Leituras Feministas (i2ADS); she is currently developing a speculative art project on non-human temporalities with Claudia Lopes. is an artist, teacher (EAAD–UMinho) and researcher integrated in Lab2PT. She holds a Degree in Painting (FBAUL). Master in Fine Arts – MFA Combined Media (Hunter College – CUNY) as a scholarship holder of FCG/FLAD. She has a Ph.D. in Fine Arts – Audiovisual (FBAUL) with the support of FCT. She forms the artist collective Pessoa Colectiva (since 2010) with Mafalda Santos and the Círculo das Leitoras Peripatéticas (Circle of Peripatetic Readers) (since 2015) with Susana Pomba and Sofia Gonçalves. She coordinated the educational service of the Lisbon Architecture Triennial (2010–2016) and Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura (Portuguese Architecture Centre) (2017–2020). Her work is represented in: Colecção de Arte do Estado; Calouste Gulbenkian Foundation; EDP Foundation; PLMJ Foundation, etc. is a curator and researcher, Ph.D. candidate in Art Education affiliated to the Institute for Research in Art, Design and Society (i2ADS–FBAUP/ UPorto), supported by the Foundation for Science and Technology. She has a Master’s degree in Curating and Museology (UPorto) and a degree in Architecture and Urbanism (UFMG, Brazil). She has developed curatorial projects and workshops in/on contemporary ruins, such as Mapeamento coletivo do Freixo (2020), Materialidades Persistentes (2020), Takeover do Arquinho (2023) and Pontuando Entropias (2023). She researches critical spatial practices as curatorial, artistic, and pedagogical approaches to mediate contemporary ruins and experiment debates related to memory, heritage, urban transformations, and the relationship between nature and culture, among others. Beatriz Duarte é curadora e investigadora doutoranda em Educação Artística, filiada ao Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS–FBAUP/UPorto) com apoio da FCT. Mestre em Curadoria eMuseologia (UPorto) e licenciada em Arquitetura e Urbanismo (UFMG, Brasil). Tem desenvolvido projetos curatoriais e workshops em/sobre ruínas contemporâneas, como o Mapeamento coletivo do Freixo (2020), Materialidades Persistentes (2020), Takeover do Arquinho (2023) e Pontuando Entropias (2023). Investiga práticas espaciais críticas como abordagens curatoriais, artísticas e pedagógicas para mediar ruínas contemporâneas e experimentar debates relacionados à memória, ao patrimônio, às transformações urbanas, às relações entre natureza e cultura, entre outros. Susana Gaudêncio é artista, professora (EAAD–UMinho) e investigadora integrada no Lab2PT. Licenciada em Pintura (FBAUL). Mestre em Belas Artes – MFA Combined Media (Hunter College – CUNY) como bolseira FCG/ FLAD. Doutorada em Belas Artes – Audiovisuais (FBAUL) com o apoio da FCT. Compõe o colectivo artístico Pessoa Colectiva (desde 2010) com Mafalda Santos e o Círculo das Leitoras Peripatéticas (desde 2015) com Susana Pomba e Sofia Gonçalves. Coordenou o Serviço Educativo da Trienal de Arquitectura de Lisboa (2010–2016) e da Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura (2017–2020). A sua obra artística está representada na: Colecção deArte do Estado; Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação EDP; Fundação PLMJ, etc. Carla Cruz é artista, professora (EAAD–UMinho) einvestigadora integrada no Lab2PT. Licenciada em Escultura (FBAUP) e mestre em Artes Visuais (Piet Zwart Institute, Roterdão). Doutorada em práticas artísticas (Goldsmiths University of London) com apoio da FCT. Desenvolveu entre 2011–2021 o projeto Finding Money comAntonio Contador, e mobiliza desde 2007 com Ângelo Ferreira de Sousa a Associação de Amigos da Praça do Anjo. Cofundadora do coletivo feminista de intervenção artística ZOiNA (1999–2004), e da Associação Caldeira 213 (1999–2002); entre 2005 e 2013 coordenou o projeto expositivo feminista All My Independent Women; desde 2019 dinamiza o grupo de estudo Leituras Feministas (i2ADS); atualmente desenvolve um projeto artistico especulativo sobre temporalidades não-humanas com Claudia Lopes. is an artist and a researcher, Ph.D. candidate affiliated to the Art History Institute (NOVA–FCSH). She holds a degree in Architecture and Urbanism (UFAL, Brazil) and a Master’s in Art and Design for Public Spaces (FBAUP). From her artistic work stand out the installation Border practices, developed as a grantee of the Visual Arts Laboratory (MAC–CE, Fortaleza/ BR, 2015); the video installation No place ever vanishes, as resident artist at RESIDIR (CRL–Central Elétrica, Porto, 2021); the tour Archeology of the void (PDB, 2019; ERRE Bonjóia, Porto, 2021); and co-curatorship of Journeys to the In-Between (MAAT, Lisbon, 2020), as a member of the architecture collective Artéria. Flora Paim é artista e investigadora doutoranda no Instituto de História da Arte (NOVA–FCSH). Licenciada em Arquitetura e Urbanismo (UFAL, Brasil), é mestre em Artee Design para o Espaço Público (FBAUP). Na sua produção artística destacam-se a instalação Práticas de fronteira, enquanto bolseira do Laboratório de Artes Visuais (MAC–CE, Fortaleza/BR, 2015); a videoinstalação Nenhum lugar desaparece, enquanto artista-residente do RESIDIR (CRL–Central Elétrica, Porto, 2021); o percurso Arqueologia do vazio (PDB, 2019; ERRE Bonjóia, Porto, 2021); e a co-curadoria do ciclo de caminhadas e conversas Journeys to the In-Between (MAAT, Lisboa, 2020), como integrante do coletivo de arquitetura Artéria. holds a degree in Architecture and Urbanism from the Fluminense Federal University (EAU–UFF) in Rio de Janeiro (Brazil), and a Master’s in Museology and Curatorial Studies from the Faculty of Fine Arts of theUniversity of Porto (FBAUP). During her academic career, she dedicated herself to the study of insurgent curatorial practices in public space, including urban routes as curatorial means of representing and reading the city. She has also worked on subjects related to gender representations in museological spaces. She is currently coordinator, along with Laís França, of the project (DES) ORIENTE, with the support of Criatório 2022 of Porto’s City Council. Rachel Merlino é licenciada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense (EAU–UFF) Rio de Janeiro – Brasil, e Mestra em Estudos Museológicos e Curatoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, (FBAUP). Durante sua trajetória acadêmica dedicou-se à pesquisa das práticas curatoriais insurgentes no espaço público, incluindo os percursos urbanos como dispositivos curatoriais para representação e leitura da cidade. Assim como temáticas relacionadas às representações de gênero nos espaços museológicos. Atualmente, coordena em parceria com Laís França o projeto (DES)ORIENTE, com o apoio do Criatório 2022 pela Câmara Municipal do Porto. is an archaeologist, Ph.D. student in Archaeology (FLUC) and FCT fellow. He is an integrated researcher at the Centre for Archaeology, Art and Cultural Heritage Research/Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP). Bachelor and Master in Archaeology (FLUP). He collaborated with the administration of the Serralves Foundation and had the support of several institutions todevelop his research, namely the University of Basel (2015–2018), C.M. Santa Maria da Feira (2017) and the German Archaeological Institute of Madrid (2016). Heis working on new mechanisms for communicating scientific content and developing interpretive models through curatorship in art archaeology for communicating archaeological knowledge to the public. Pedro da Silva é arqueólogo, Doutorando Bolseiro FCT em Arqueologia (FLUC). ÉInvestigador Integrado no Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP). Licenciado e Mestre em Arqueologia (FLUP). Colaborou com os serviços administrativos da Fundação de Serralves e teve apoio de diversas instituições para desenvolver a sua investigação, nomeadamente a Universidade da Basileia (2015–2018), a C.M. Santa Maria da Feira (2017) e o Instituto Arqueológico Alemão de Madrid (2016). Trabalha novos mecanismos de transmissão de conteúdo científico e desenvolve modelos interpretativos pela curadoria em arte-arqueologia para a exposição doconhecimento arqueológico para opúblico geral. is an architect. He recently completed his Master's degree in Architecture (EAAD-U.Minho) andhis dissertation, entitled Architecture of Disaster: theHyperobject in Barcelos, deals with the social, cultural and spatial effects of hyperobjects. He presents works onthe extrasensory perception of space. João Leite é arquiteto. Recém Mestre em Arquitetura (EAAD–U–Minho) a sua dissertação aborda os impactos sociais, culturais e espaciais de hiperobjetos, intitulada deArquitetura do Desastre: o Hiperobjeto em Barcelos. Apresenta trabalhos no âmbito da percepção extrassensorial do espaço. are Joana Mateus and Inês Azevedo. They studied Painting and Sculpture at FBAUP and have amaster’s degree in Multimedia Art, Contemporary Artistic Practices and in Visual Arts Education. They have started their Ph.D. in Communication and Linguistics (FCSH–UNL) and in Heritage Studies – Museology (FLUP). They are both associate researchers of CEAA–ESAP and CITCEM– FLUP. Together they create the Casa da Imagem on a daily basis, and allow themselves to get carried away with the post-industrial context in which they operate, where they create and study images as artists, mediators, researchers, curators, producers, and conservators. They propose practices and reflections that combine mediation, education, and art, to create ademocratic, participatory, and equitable society capable of imagining and recreating itself. They have carried out numerous projects, of which the Museu Casa da Imagem and “PressHere – a living archive of industry in Europe” stand out. Post-Industrial Girls são Joana Mateus e Inês Azevedo. Licenciadas em Pintura e Escultura (FBAUP), têm mestrados em Arte Multimédia, Práticas Artísticas Contemporâneas e em Ensino de Artes Visuais. Iniciaram doutoramento emCiências da Comunicação e Linguagem (NOVA–FCSH) e em Estudos do Património – Museologia (FLUP). São investigadoras colaboradoras do CEAA–ESAP e uma doCITCEM–FLUP. Juntas, criam diariamente a Casa da Imagem eentusiasmam-se com ocontexto pós-industrial de que se rodeiam, onde criam e investigam sobre imagem como artistas, mediadoras, investigadoras, curadoras, produtoras econservadoras. Propõem práticas e reflexões que articulam mediação, educação e arte, procurando a construção de uma sociedade democrática, participada e justa, capaz de se imaginar e recriar. Têm realizado numerosos projetos, destacando o Museu Casa das Imagens e o “PressHere – umarquivo vivo sobre aindústria na Europa”. Inês Moreira é arquitecta, curadora, docente universitária e Investigadora Principal em Artes Visuais (Lab2PT – Universidade do Minho). Doutora em Curatorial/ Knowledge (Goldsmiths University of London), Mestre em Cultura Urbana (UPC/CCCB) e Arquitecta (FAUP). Concluiu Pós-Doutoramento em História da Arte (NOVA– FCSH), onde criou o Cluster Curating the Contemporary: on Architectures, Territories and Networks (2018–2022). Foi Professora Auxiliar Convidada na FBAUP (2014–22) e assistente convidada naFLUP (2007–10); editora do Jornal Arquitectos, com Paula Melâneo (2015–19). Foi programadora de arquitectura em Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura (2010–12) e coordenadora de Gabinete no Instituto das Artes do Ministério da Cultura (2003–05). +inesmoreira.org is an architect, curator, university professor and senior researcher in visual arts (Lab2PT – University of Minho). She has a Ph.D. in Curatorial/Knowledge (Goldsmiths University of London), a Master’s in Urban Culture (UPC/ CCCB), as well as a Degree in Architecture (FAUP). Sheconcluded her postdoc in Art History (NOVA–FCSH), where she founded the cluster Curating the Contemporary: onArchitectures, Territories and Networks (2018–2022). She was guest assistant professor at FBAUP (2014–22) and invited assistant at FLUP (2007–10); editor of Jornal Arquitectos, with Paula Melâneo (2015–19). She was an architectural programmer inGuimarães 2012, European Capital of Culture (2010–12), and office coordinator at the Institute of Arts oftheMinistry of Culture (2003–05) +inesmoreira.org
Ficha técnica / Colophon Desindustrialização, ainda. Ensaios visuais e metodologias artísticas. Desindustrialisation, still. Visual essays and artistic methodologies. Edição / Edited by: Inês Moreira; Beatriz Duarte; Flora Paim Autores / Authors: Beatriz Duarte; Carla Cruz; Flora Paim; InêsMoreira; JoãoCosta Leite; Pedro da Silva; Post-Industrial Girls (Joana Mateus eInês Azevedo); Rachel Merlino; Susana Gaudêncio Design Gráfico / Graphic Design: Macedo Cannatà Editado por / Published by: Lab2PT Coleção Paisagens, Património & Território / Ensaio Landscapes, Heritage and Territory Collection / Essay Impressão e acabamento / Printed and bound: Greca Tiragem / Total print run: 300 exemplares ISBN: 978-989-8963-89-5 Depósito legal / Legal deposit: 524781/23 Lab2PT www.lab2pt.net Instituto de Ciências Sociais / Institute of Social Sciences Universidade do / University of Minho Campus de Gualtar / Gualtar Campus 4710–057 Braga Escola de Arquitetura, Arte e Design / School of Architecture, Art and Design Universidade do / University of Minho Campus de Azurém 4800–058 Guimarães © 2023, Lab2PT e autores / and authors Esta iniciativa foi apoiada através do Financiamento Plurianual do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT), Ref.ª UID/04509/2020, financiado por fundos nacionais (PIDDAC) através da FCT/MCTES. / This initiative was supported through the Multiannual Funding of the Landscape, Heritage and Territory Laboratory (Lab2PT), Ref. UID/04509/2020, financed by national funds (PIDDAC) through the FCT/MCTES.
Desindustrialização, ainda. reúne ensaios visuais quese dedicam a olhar para paisagens industriais, as suas heranças e representações enquanto objeto de pesquisa artística. A profunda complexidade destes lugares convida aabordagens inventivas, desenvolvidas tanto através da investigação baseada em métodos artísticos, como na criação artística com base investigativa. Ao oscilarem entre a pós-e a desindustrialização, os autores partem de sítios específicos para experimentar diferentes abordagens ao passado e devolver outras narrativas ememórias aoslugares. Deindustrialization, still. brings together visual essays that focus on industrial landscapes, their heritage and representations as an object of artistic research. The profound complexity of these sites invites inventive approaches, developed both through research based on artistic methods as through research-based artistic practice. By oscillating between postand de-industrialization, the authors start from specific sites to experiment with different approaches to the past and to return other narratives and memories to places. O Lab2PT é um laboratório de investigação multidisciplinar da Universidade do Minho. A Coleção Paisagens, Património & Território publicaconteúdos que resultam da produção científica dos seusmembros. Lab2PT is a multidisciplinary research unit at the University of Minho. The Landscapes Heritage & Territory Collection publishes content derived fromthe scientific work ofitsmembers. Ensaio VisualDesindustrialização, ainda. Ensaios visuais e metodologias artísticas