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Universidade do Minho Escola de Psicologia Jessica Filipa Coelho Lopes Interação entre o toque afetivo e a sintomatologia da Fibromialgia Braga, dezembro de 2021 Interação entre o toque afetivo e a sintomatologia da Fibromialgia Jessica Lopes UMinho | 2019
Braga, dezembro de 2021 2021 Universidade do Minho Escola de Psicologia Jessica Filipa Coelho Lopes Interação entre o toque afetivo e a sintomatologia da Fibromialgia Dissertação de Mestrado em Psicologia Aplicada Trabalho efetuado sob a orientação: Dr. Alberto González Villar (Universidade do Minho - Escola de Psicologia - NPL
iii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Braga, 29 de dezembro de 2021
v Interação entre o toque afetivo e a sintomatologia da Fibromialgia Resumo A fibromialgia (FM) é uma condição clínica manifestada por dor crónica generalizada e acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e outros sintomas somáticos como dores de cabeça ou sintomas cognitivos como dificuldades de memória a curto prazo. Evidências científicas recentes apoiam que os pacientes com FM não só têm alterações no processamento da estimulação nociceptiva, mas também têm alterações no processamento do toque suave e afetivo. No presente estudo, procurámos explorar a interação entre o toque afetivo e a sintomatologia FM e avaliar até que ponto as diferentes modalidades de toque afetivo podem constituir uma vantagem ou uma desvantagem para os seus portadores. Após análise dos dados recolhidos de uma amostra online de 104 pacientes FM, encontrámos uma correlação significativa entre a atitude perante o tato desconhecido e os sintomas, impacto e funções gerais, perturbações do sono e dores de cabeça. Contudo, estas correlações não foram nem significativamente negativas nem positivas entre as outras dimensões do tato afetivo e a sintomatologia. Os nossos resultados sugerem que a dimensão de toque afetivo das "atitudes face ao toque não familiar" está negativamente relacionada com o impacto da fibromialgia. Palavras-chave: fibromialgia; toque afetivo; interação;
vi Interaction between affective touch and the symptoms of Fibromyalgia Abstract Fibromyalgia (FM) is a clinical condition manifested by chronic widespread pain and accompanied by fatigue, sleep disturbances and other somatic symptoms such as headaches or cognitive symptoms such as short-term memory difficulties. Recent scientific evidence supports that FM patients not only have alterations in the processing of nociceptive stimulation, but also have alterations in the processing of soft and affective touch. In the present study, we sought to explore the interaction between affective touch and FM symptomatology and assess to what extent the different modalities of affective touch may constitute an advantage or a disadvantage for its carriers. After analysing data collected from an online sample of 104 FM patients, we found a significant correlation between attitude towards unfamiliar touch and symptoms, general impact and function, sleep disturbance and headache. However, these correlations were neither significantly negative nor positive between the other dimensions of affective touch and symptomatology. Our results suggest that the affective touch dimension of "attitudes towards unfamiliar touch" is negatively related to the impact of fibromyalgia Keywords: fibromyalgia; affective touch; interaction;
vii Conteúdo Introdução ........................................................................................................................................... x Fibromialgia ..................................................................................................................................... x Toque afetivo ................................................................................................................................. xii Interação entre toque afetivo e os sintomas da fibromialgia ............................................................ xiii Objetivos ........................................................................................................................................... xv Metodologia ....................................................................................................................................... xvi Participantes ................................................................................................................................. xvi Método de recolha de dados .......................................................................................................... xvi Formulários aplicados .................................................................................................................... xvi Processamento e análise dos dados recolhidos .............................................................................. xix Resultados ........................................................................................................................................ xx Análise descritiva da amostra ......................................................................................................... xx Estatísticas descritivas das variáveis em estudo ............................................................................. xxii Correlações entre variáveis ........................................................................................................... xxv Discussão......................................................................................................................................... xxx Referências .................................................................................................................................... xxxiv Anexo 1 ........................................................................................................................................ xxxviii
viii Índice de tabelas Tabela 1: Caraterização sociodemográfica da amostra ………………………………………………………………..xx Tabela 2: Variáveis físicas e de hábitos da amostra ……………………………………………………………………xxi Tabela 3: Condições médicas da amostra ……………… ………………………………………………………………xxii Tabela 4: Resultados obtidos da aplicação do FIQ-R ………………………………………………………………..xxiii Tabela 5: Resultados obtidos da aplicação do TEAQ …………………………………………………………………xxiii Tabela 6: Resultados obtidos da aplicação do PHQ. ………………………………………………………………….xxiii Tabela 7: Resultados obtidos da aplicação do SAPQ: Frequência absoluta de respostas “sim” às questões relativas ao abuso sexual (1-6) ………………………………………………………………………………………..……xxiv Tabela 8: Resultados obtidos da aplicação do SAPQ: Valores de média obtidos às questões relativas ao abuso físico (7-8) ……………………………………………………………………………………….……………………..xxiv Tabela 9: Correlação entre as variáveis do TEAQ e as variáveis do FIQ-R ……………………………………….xxvi Tabela 10: Correlação entre as variáveis do TEAQ e as variáveis do PHQ ………………………………………xxvii Tabela 11: Correlação entre as variáveis do TEAQ e a média da intensidade da dor relatada na coloração de imagens (nº de pixéis) ……………………………………………………………………………………………………xxvii Tabela 12: Correlação entre variáveis do TEAQ e os itens do SPAQ relativos a abusos sexuais: Dados referentes à infância (≤13 anos de idade) …………………………………………………………………………….xxviii Tabela 13: Correlação entre as variáveis do TEAQ e os itens do SPAQ relativos a abusos sexuais: Dados referentes à idade adulta (≥14 anos de idade) …………………………………………………………………………xxix Índice de imagens Imagem 1: Manequins apresentados no estudo (direita) e exemplo da coloração (esquerda) …………….xviii Imagem 2: Resultados obtidos na coloração do manequim: Intensidade e local da dor sentida (média geral)… ………………………………………………………………………………………………………………………….xxvx
ix Lista de abreviaturas FM – Fibromialgia FIQ-R – Fibromyalgia Impact Questionnaire Revised IASP – International Association for the Study of Pain PHQ – Phisical Health questionnaire SPAQ – Sexual and Phisical Abuse Questionnaire TC – C-tátil TEAQ – Touch Experiences and Atittudes Questionnaire
xvi Metodologia Participantes Neste estudo contou com a participação de 104 pessoas adultas com Fibromialgia. Esta amostra encontra-se entre os 21 e os 70 anos de idade (á data da recolha: Março/Abril de 2021) perfazendo a média de idades de, aproximadamente 46.09 anos (DP=10,16) e onde 96,2% são mulheres (N=100) e 3,8% são homens (N=4). Todos os participantes são residentes em Portugal. Em “Resultados: análise descritiva da amostra” consta a restante informação recolhida acerca dos participantes. A participação desta amostra obteve-se através de um pedido de divulgação do estudo a Associações Portuguesas de apoio a estes doentes e, ainda, na partilha do mesmo em grupos de apoio existentes em plataformas digitais/sociais. Todos os participantes concordaram livremente em responder aos questionários e deram o seu consentimento informado. O estudo foi previamente aprovado pela Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas (CEICSH) Ciências da Universidade do Minho (CEICSH 023/2020), e de acordo com a Declaração de Helsínquia. Método de recolha de dados A recolha de dados realizou-se através da complicação de quatro formulários de resposta totalmente online, pressupondo confidencialidade e anonimato. Formulários aplicados (1) Questionário Sociodemográfico. Inclui informação sobre data de nascimento, sexo, distrito, tipo de espaço habitacional, nível de escolaridade, situação profissional, peso, altura, número médio de minutos de atividade física diária, horas médias passadas em casa na semana antecedente e número de co habitantes na residência. Nesta parte do formulário estão, ainda, presentes algumas questões já direcionadas à Fibromialgia como a existência de diagnóstico médico, presença de outras condições médicas e medicação.
xvii (2) Fibromyalgia Inventory Questionaire Revised (FIQ-R) :. Adaptado à população portuguesa por Costa et al (2016). Composto por 21 itens com resposta em escala de intensidade medida de 0 a 10 (0 sem dificuldade e 10 com muita dificuldade ), Contém três sub-escalas (“ função ”; “impacto geral ”; “sintomas ”) e permite calcular os níveis de dificuldade e impacto da Fibromialgia com base no auto relato referente à semana antecedente ao seu preenchimento. De acordo com as regras de cotação do mesmo quanto maior for o valor obtido para o total de sub-escalas (compreendido entre 0 e 100%) maior foi o impacto da doença nos dias a que se refere. Da mesma forma acontece com cada uma das 3 sub-escalas embora com balizamento diferente nos valores: “Função” entre 0 e 30; “Impacto geral” entre 0 e 20; “Sintomas” entre 0 e 50 (Costa et al., 2016); (3) Touch Experiences and Attitudes Questionaire (TEAQ) : Trotter, Belovol, McGlone, & Varlamov (2018). Questionário que permite aferir com base no auto relato as experiências e atitudes ao toque. Contém 57 itens com respostas numa escala de concordância mediada entre “ Discordo fortemente ” = 1 e “ Concordo fortemente ” = 5, cujo valor da resposta é utilizado para o calculo posterior das sub-escalas ((soma dos itens da sub-escala)/nº itens da sub-escala). Os valores obtidos em cada sub-escala estão compreendidos, também, entre o valor mínimo 1 e máximo 5, sendo que quanto mais alto for o número obtido através do cálculo maior é a quantidade e/ou atitude face ao tipo de toque à qual se refere a sub-escala. As seis sub-escalas do TEAQ são: • Toque familiar/amigável : corresponde à quantidade e gosto em dar e receber toque carinhoso por parte de amigos e/ou família; • Toque íntimo atual : quantidade de toque experienciado com alguém emocionalmente ou romanticamente ligado na atualidade (parceiro, p/exemplo); • Toque na infância : relacionado com experiências positivas de toque relembrado aquando da infância. Não contém informação à cerca da atitude da altura face a esse toque; • Atitude de autocuidado : dá informação sobre o cuidado consigo próprio, por exemplo, cuidados com a pele; • Atitude face ao toque íntimo : relacionado ao quanto os indivíduos disfrutam do toque com parceiro ou alguém com quem possuam relação de intimidade; • Atitude face ao toque não familiar : diz respeito à confortabilidade que a pessoa sente face ao toque de alguém menos próximo, sem ligação familiar e/ou emocional ou até mesmo de alguém desconhecido;
xviii (4) Phisical Health Questionaire (PHQ): Schat, Kelloway & Desmarais (2005). Permite apurar o estado de saúde física geral e é composto por 14 itens respondidos através de uma escala de Likert de 7 frequências (1 = “ Nunca ” até 7 = “ Sempre ”) e dividido em quatro sub-escalas de análise: Distúrbios de sono; Dores de cabeça; Problemas gastrointestinais; Infeções respiratórias. As sub escalas são calculadas através da soma dos itens correspondentes à mesma seguida da divisão pelo número total de itens pertencentes à sub escala (Schat et al., 2005); (5) Sexual and Physical Abuse Questionaire (SPAQ) : Leserman, Drossman & Li (1995). Questionário dividido em duas partes, a primeira com foco em situações de abuso sexual (questão 1 a 6) com resposta de “ sim ” e “ não ”. A segunda parte direcionada a experiências de abuso físico/agressão (questão 7 e 8) onde a resposta é pedida em escala de frequência entre 0 “ nunca ” e 3 “ frequentemente ”. Em ambas as partes do questionário é requerido que se responda face a dois momentos da vida, a infância (considerada aqui até aos 13 anos de idade, inclusive) e a idade adulta (a partir dos 14 anos). Esta segunda parte do questionário proporciona menor nível de informação comparativamente à anterior (Kooiman et al., 2002); (6) Apresentação de duas imagens ilustrativas do corpo humano (frente e costas), onde é pedido que se pinte em vários tons de vermelho as regiões nas quais o participante tem sentido dor na semana transata. Tem como objetivo obter informação sobre o local, mas também da intensidade da dor mediante a intensidade de cor aplicada (intensidade da cor aumenta mediante a quantidade de “ cliques ” efetuados visto ser um estudo online). Ilustração do procedimento na imagem 1. Imagem 1 Manequins apresentados no estudo (direita) e exemplo da coloração (esquerda).
xix Processamento e análise dos dados recolhidos Os dados obtidos nas respostas ao formulário online foram organizados em EXCEL e, de seguida, transpostos para o programa de análise estatística SPSS. Utilizando o programa supramencionado, numa primeira fase realizou-se a análise descritiva da amostra proveniente do questionário sociodemográfico e o mesmo tipo de análise para todas as variáveis dos questionários aplicados. Os dados das imagens foram calculados como média e extraídos os seguintes: Número total de píxeis pintados, valor médio dos píxeis, e número total de píxeis que atingiram um limiar mínimo de 100 (de um intervalo original de 0 a 255). Numa segunda fase, procedeu-se às correlações de Pearson variáveis que servem o objetivo deste estudo, ou seja, correlação entre as variáveis (sub escalas) do TEAQ com todas as outras variáveis dos questionários FIQ-R, PHQ e SPAQ e, ainda, com a média de pixels obtida nas imagens.
xx Resultados Análise descritiva da amostra Tabela 1 Caraterização sociodemográfica da amostra Variável N % Média DP Idade 104 46,09 10,16 Sexo Feminino 100 96,2 Masculino 4 3,8 Nível de escolaridade Ensino primário 0 2º ciclo do ensino básico (5º e 6º ano) 1 1 3º ciclo do ensino básico (7º, 8º e 9º ano) 5 4,8 Ensino Secundário (10º, 11º e 12º ano) 46 44,2 Licenciatura 34 32,7 Mestrado 13 12,5 Doutoramento 1 1 Outro 4 3,8 Situação profissional Empregado a tempo inteiro 56 53,8 Empregado a tempo parcial 7 6,7 Estudante 4 3,8 Desempregado 19 18,3 Reformado 7 6,7 Incapacidade permanente 4 3,8 Outro 7 6,7 Tipo de habitação Urbana 58 55,8 Semi urbana 32 30,8 Rural 14 13,5 Nº de habitantes com quem partilha casa 2,15 1,197 0 8 7,7 1 25 24 2 28 26,9 3 32 30,8 4 9 8,7 5 1 1 6 1 1 TOTAL 104 100
xxi Em termos sociodemográficos – tabela 1 – a amostra utilizada para o estudo contou com 104 participantes, à data da inquirição (Março/Abril de 2021) com idades compreendidas entre os 21 e os 70 anos de idade perfazendo a média de, aproximadamente 46.09 anos (DP=10,16) e onde 96,2% são mulheres (N=100) e 3,8% são homens (N=4). Todos os participantes são residentes em Portugal, 55,8% (N=58) a habitar em meio urbano, 30,8% (N=32) em meio semi urbano e 13,5% (N=14) em meio rural. A habitação é partilhada com uma ou mais pessoas para todos os participantes à exceção de oito que habitam sozinhos (7,7%). Em relação ao nível de escolaridade, a maioria dos participantes (44,2 % - N= 46) possuem o ensino secundário seguido da licenciatura (32,7% - N=34). A situação profissional com maior prevalência é de emprego a tempo inteiro com 53,8 % da amostra (N=56). Na tabela 2, estão expostos os dados relativos à condição física que os participantes da amostra possuem. Em termos de fisionomia, as mulheres apresentam uma média de 70,45kg e 162,20cm de altura e os homens 77,50kg e 173,50cm de altura. Em ambos os géneros, as médias do peso são elevadas. A atividade física feita reportada pela amostra é de 28,01 min por dia e as horas passadas dentro de casa em média na semana anterior à resposta ao questionário foi de 17,36 horas (valores médios). Tabela 2 Variáveis físicas e de hábitos da amostra Variável N % Média DP Peso (kg) Sexo Feminino 100 70,45 13,710 Sexo Masculino 4 77,50 22,457 Altura (cm) Sexo Feminino 100 162,20 5,567 Sexo Masculino 4 173,50 16,941 Atividade física diária (min) 104 28,01 70,295 Horas passadas em casa (última semana) 104 17,36 6,297 Total 104 Na tabela 3, estão os dados referentes a condições médicas que os participantes têm para além da FM e é possível ver que 16,3 % tem doenças neurológicas, 28’8% doenças psiquiátricas e 54% outro tipo de doença não mencionada. Na mesma tabela está também presente informação acerca da medicação tomada para controlo da sintomatologia da FM e verifica-se que 45,2% (N=47) tomam
xxii medicação regular e em quantidade moderada, 27,9% (N=29) necessita de medicação recorrentemente perfazendo uma quantidade elevada e 26,9% (N=28) não tem qualquer medicação ou utiliza apenas em situações agudas pontuais. Tabela 3 Condições médicas da amostra Variável N % Outras condições médicas além da FM Doenças neurológicas 17 16,3 Doenças psiquiátricas 30 28,8 Outras doenças 54 51,9 Medicação direcionada aos sintomas da Fibromialgia Ausente /apenas para situações pontuais 28 26,9 Regular/quantidade moderada 47 45,2 Recorrente/quantidade elevada 29 27,9 Total 104 Estatísticas descritivas das variáveis em estudo Um dos questionários respondidos pelas 104 pessoas da amostra em estudo – Questionário do Impacto da Fibromialgia Revisto (FIQ-R) – permitiu obter informação acerca do impacto da doença nos seus portadores nos sete dias anteriores ao seu preenchimento. Nesta amostra em concreto foi possível observar que, em valores médios, o impacto total da Fibromialgia foi de 64,73% considerando-se um impacto moderado. Todas as sub escalas mostram valores acima do valor intermédio da própria escala de cotação, como se pode observar mais detalhadamente na tabela 4. Tabela 4 Resultados obtidos da aplicação do FIQ-R Sub-escala do FIQ-R (variável) Min Max Média DP Função 0 30 19,39 6,170 Impacto geral 0 20 12,14 5,489 Sintomas 0 48 33,19 9,215 Total das sub-escalas 0 92,67 64,73 19,078 N válido = 104
xxiii De seguida e na tabela 5 estão apresentados os dados relativos a cada sub-escala do Questionário de Experiências e Atitudes ao Toque (TEAQ). É possível observar que nesta amostra e em relação ao nível quantitativo de toque os valores mais elevados em termos médios é no “ toque na infância ” e os mais baixos no “ Toque íntimo (atual) ”. Em termos de tipo de toque, percebe-se que a “ atitude face ao toque não familiar ” é que obtém o valor mais baixo, o que significa que o toque não familiar é o tipo de toque menos prazeroso/agradável para os inquiridos em oposição à “ atitude face ao toque íntimo ” com o valor mais elevado, ou seja, é o tipo de toque mais gostado entre os demais. O facto de o “ toque íntimo (atual) ” ter um valor baixo não invalida este último ponto visto que este se refere à qualidade (nível de agradabilidade obtido) e o primeiro à quantidade recebida atualmente. Tabela 5 Resultados obtidos da aplicação do TEAQ Sub-escala do TEAQ (variável) Min Max Média DP Toque familiar/amigável 1 5 3,35 ,989 Toque íntimo (atual) 1,21 4,86 2,91 ,881 Toque de infância 1,22 5 3,19 1,079 Atitude de autocuidado 1 5 3,18 ,937 Atitude face ao toque íntimo 1 5 3,72 ,931 Atitude face ao toque não familiar 1,20 5 2,72 ,888 N válido = 104 Relativamente ao Questionário de Saúde Física (PHQ), e mediante a cotação obtida nas suas 4 sub escalas percebeu-se que os participantes do estudo, em média, apresentam frequentemente distúrbios de sono e dores de cabeça (valores aproximados a 5). As infeções respiratórias são relatadas como pouco frequentes (valor na escala 3). Informação total disponível na tabela 6. Tabela 6 Resultados obtidos da aplicação do PHQ Subescala do FIQ (variável) Min Max Média DP Distúrbios de sono 1,5 7 4,92 1,199 Dores de cabeça 1 7 4,61 1,453 Problemas gastrointestinais 1 7 4,03 1,259 Infeções respiratórias 1 6 2,60 1,315 N válido = 104
xxiv A secção de perguntas que se seguiu no formulário aplicado à amostra (Questionário de Abuso Sexual e Físico – SAPQ) permitiu obter informações referentes a eventuais situações de abuso sexual (questão 1 a 6) e de abuso físico como agressões (questão 7 e 8). Ambos os grupos de questões dividem a resposta para duas épocas da vida do inquirido: a infância (considerada no questionário até aos 13 anos de idade, inclusive) e a idade adulta (14 anos em diante). Para as questões referentes ao abuso sexual, em termos gerais, os dados revelam atos de abuso sexual nas duas fases temporais, com maior expressão na infância. Tabela 7 Resultados obtidos da aplicação do SAPQ: Frequência absoluta de respostas “sim” às questões relativas ao abuso sexual (1-6) ≤ 13 anos ≥ 14 anos N % N % Exposição a órgãos sexuais de terceiros 18 17,3 21 20,2 Ameaça de relação sexual sem consentimento 9 8,7 19 18,3 Toque não desejado/autorizado nos seus órgãos sexuais 17 16,3 21 20,2 Toque por obrigação nos órgãos sexuais de terceiros 6 5,8 13 12,5 Relações sexuais forçadas 3 2,9 11 10,6 N Total = 104 Relativamente às questões do SAPQ alusivos ao abuso físico, os dados obtidos e revelados na tabela 8 mostram que: agressões físicas na infância (antes dos 13 anos) tiveram maior média face à idade adulta em oposição á ameaça sobre a própria vida por parte de um terceiro. Em ambos os casos a média situa-se em valores inferiores a 1, logo, significa que está na escala do “ raramente ”. Tabela 8 Resultados obtidos da aplicação do SAPQ: Valores de média obtidos às questões relativas ao abuso físico (7-8) ≤ 13 anos ≥ 14 anos Média DP Média DP Agressão física de um adulto 1,3 1,136 ,88 1,046 Ameaça grave à própria vida por um adulto ,22 ,607 ,38 ,754 N válido = 104
xxv A intensidade e local da dor sentida pelos participantes é um elemento importante revelado pela última parte do formulário respondido pelos participantes. Na imagem 2 estão presentes essas mesmas imagens, à direita a frente do corpo e à esquerda as costas com a coloração que corresponde à média geral com todos os participantes. Através delas, é possível verificar que os locais com maior intensidade de dor sentida são as costas e articulações, o que está em acordo com a teórica publicada acerca da FM. Imagem 2 Resultados obtidos na coloração do manequim: Intensidade e local da dor sentida (média geral). Correlações entre variáveis Na tabela 9 apresenta-se as correlações entre as sub escalas/variáveis do TEAQ e do FIQ-R e onde se pode observar que, utilizando o índice de correlação de Pearson, todas as variáveis estão correlacionadas (valores ≠ 0) embora nem todas se tratem de correlações estatisticamente significativas. A atitude ao toque não familiar correlaciona negativamente com todas as variáveis do FIQ-R, ou seja, o toque não familiar não é benéfico à sintomatologia geral da FM com todos os valores de correlação significativos em termos estatísticos. Além disso, percebe-se que o toque familiar está positivamente a a a b b Legenda: - Painel do lado esquerdo: Resultados mascarados pelos limites do manequim - Painel do lado direito: Resultados sem o mascaramento dos limites do manequim a. Frente do corpo b. Parte de trás do corpo Zona com maior intensidade de dor
xxxii Pôde observar-se, também, que as atitudes mais desfavoráveis ao toque têm um impacto negativo na sintomatologia da FM, concretamente a atitude face ao toque não familiar visto que correlaciona negativamente com todos os parâmetros avaliados através da FIQ-R. Isto significa que o toque não familiar é o tipo de toque que sendo menos agradável proporciona um aumento nos sintomas da doença e no impacto geral negativo que esta acarreta para os seus portadores. Esta observação faz sentido na medida em que se trata de toque proveniente de alguém desconhecido e/ou sem conexão emocional tornando-se um toque meramente físico/mecânico e como já previamente estudado, o toque por si só – estimulação c-tatil – é visto com maior frequência como neutro ou desagradável em indivíduos com FM do que em indivíduos saudáveis (Evdokimov et al., 2019). Este facto foi demonstrado em outros estudos similares que demonstram que existe nestes pacientes uma avaliação anedónica do prazer relacionada com um processamento disfuncional ao nível da ínsula posterior direita (Boehme et al. (2020). Na mesma linha de pensamento, observámos que o tipo de toque não familiar também tem uma correlação negativa e estatisticamente significativa com os distúrbios de sono e as dores de cabeça, ambos problemas associados à FM. Numa análise complementar, mas que se revelou interessante para o estudo do toque foi a presença de eventos de abuso sexual e/ou físico (SPAQ) na infância (≤ 13 anos) e na idade adulta (≥ 14 anos). Para a discussão trouxemos apenas a questão do abuso sexual visto que na amostra não existe números significativos de abuso físico que possibilitem uma análise concisa. O abuso sexual na infância é, de forma comum visto como desencadeador de consequências negativas no momento e perpetuadas para a idade adulta, inclusive, um estudo desenvolvido por Labadie e colaboradores (2018) demonstrou que são episódios com potencial para desenvolver trauma de apego quando ocorridos em idades muito precoces (Labadie et al.,2018), no entanto, apresenta reações bastante variadas que vão desde o impacto psicológico grave até à ausência de qualquer sequela psicológica negativa (Kendall-Tackett et al., 1993) sendo diferenciado caso para caso e de pessoa para pessoa. Em relação à atitude face ao toque afetivo para estes indivíduos não existem estudos conclusivos. No nosso estudo e tendo em conta que se trata de uma amostra totalmente composta por pessoas com FM, percebe-se que a atitude face ao toque íntimo é afetada de forma negativa por episódios de abuso sexual na infância, mais concretamente, a exposição a órgãos sexuais de terceiros adultos e o toque não desejado/autorizado nos seus órgãos sexuais. Na idade adulta, considerada pelo Questionário de Abuso Sexual e Físico (SPAQ) a partir dos 14 anos de idade, a ocorrência de situações de abuso sexual não apresenta qualquer correlação estatisticamente significativa com a atitude face ao toque na amostra utilizada neste estudo.
xxxiii Em suma, neste trabalho avaliámos como a atitude em relação às diferentes dimensões do toque afectivo/interpessoal está relacionada com a gravidade dos sintomas da FM. Observámos que o resultado mais convergente foi uma relação negativa entre a atitude ao toque não familiar e um quadro pior em diferentes dimensões desta patologia. Os nossos resultados sugerem que as alterações no processamento do toque afetivo na FM podem ser mais relevantes e específicas no toque com estranhos. O presente estudo apresenta algumas limitações. Ao nível das correlações e visto que utilizámos a correlação de Pearson para a análise, esta pode revelar alguma perda de exatidão dada a ocorrência de falsos positivos com influência na significância obtida, no entanto, como se trata de uma amostra com um número de participantes já considerável (104 pessoas) e onde os resultados das correlações se verificaram convergentes em relação a uma variável comum, ou seja, o toque não familiar como correlação negativa com todas as outras variáveis, é expectável que não sejam correlações irreais. Este ponto justifica a ausência de necessidade de outros testes correlacionais de despiste. Outra questão pertinente é a discrepância nítida entre sexos. Na realidade, é conhecido que em termos estatísticos a Fibromialgia é diagnosticada duas vezes mais em mulheres do que em homens (Fitzcharles et. al, 2018) e nosso estudo obtivemos uma amostra com uma diferença maior (96,2% mulheres (N=100) e 3,8% homens (N=4)), no entanto, seria interessante realizar um estudo idêntico com uma percentagem igual entre os dois sexos de forma a analisar se as perceções face à sintomatologia FM, intensidade da dor por exemplo, e face ao toque são diferenciadas por questões de género no contexto da doença. Propomos que, para estudos futuros, também seria interessante realizar subgrupos de pacientes, por exemplo utilizando a classificação de de Souza, e avaliar se existem diferenças nas topografias da dor ou realizando análises de agrupamento (de Souza et al., 2019). Também consideramos interessante correlacionar cada um dos diferentes pixels com índices de sintomas de FM. Uma outra sugestão seria realizar o estudo com um grupo de controlo para se poder comparar a perceção das diferentes modalidades de toque em indivíduos com ou sem a doença. Assim como para as questões de abuso sexual e/ou físico, isto é, realizar um estudo onde teríamos um grupo de indivíduos com experiências de abuso na infância, um grupo com experiência de abuso na idade adulta e um grupo de controlo com indivíduos sem qualquer experiência de abuso com o objetivo de analisar eventuais diferenças na atitude face ao toque. Para concluir, podemos dizer que a temática do toque afetivo é uma área de interesse em diversos contextos e que, ainda, tem muito para explorar.
xxxiv Referências Ablin, J., Neumann, L., & Buskila, D. (2008). Pathogenesis of fibromyalgia—A review. Joint Bone Spine, 75(3), 273–279. https://doi.org/10.1016/j.jbspin.2007.09.010 Abraira, V. E., & Ginty, D. D. (2013). The sensory neurons of touch. Neuron, 79(4), 618–639. https://doi.org/10.1016/j.neuron.2013.07.051 Atzeni, F., Talotta, R., Masala, I. F., Giacomelli, C., Conversano, C., Nucera, V., Lucchino, B., Iannuccelli, C., Di Franco, M., & Bazzichi, L. (2019). One year in review 2019: Fibromyalgia. Clinical and Experimental Rheumatology, 37 Suppl 116(1), 3–10. Bair, M. J., & Krebs, E. E. (2020). Fibromyalgia. Annals of Internal Medicine, 172(5), ITC33–ITC48. https://doi.org/10.7326/AITC202003030 Bazzichi, L., Giacomelli, C., Consensi, A., Giorgi, V., Batticciotto, A., Di Franco, M., & Sarzi-Puttini, P. (2020). One year in review 2020: Fibromyalgia. Clinical and Experimental Rheumatology, 38 Suppl123(1), 3–8. Boehme, R., van Ettinger-Veenstra, H., Olausson, H., Gerdle, B., & Nagi, S. S. (2020). Anhedonia to Gentle Touch in Fibromyalgia: Normal Sensory Processing but Abnormal Evaluation. Brain Sciences, 10(5). https://doi.org/10.3390/brainsci10050306 Case, L. K., Čeko, M., Gracely, J. L., Richards, E. A., Olausson, H., & Bushnell, M. C. (2016). Touch Perception Altered by Chronic Pain and by Opioid Blockade. ENeuro, 3(1). https://doi.org/10.1523/ENEURO.0138-15.2016 Clauw, D. J. (2001). Elusive syndromes: Treating the biologic basis of fibromyalgia and related syndromes. Cleveland Clinic Journal of Medicine, 68(10), 830, 832–834. https://doi.org/10.3949/ccjm.68.10.830 Craig AD, Zhang ET. Retrograde analyses of spinothalamic projections in the macaque monkey: input to posterolateral thalamus. J Comp Neurol. 2006 Dec 20;499(6):953-64. doi: 10.1002/cne.21155. PMID: 17072831. Costa, C., Pinto, A. M., Pereira, A. T., Marques, M., Macedo, A., & Pereira da Silva, J. A. (2016). Psychometric properties of the Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR)—A contribution to the Portuguese validation of the scale. Acta Reumatologica Portuguesa, 41(3), 240–250. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27683063 Di Lernia, D., Lacerenza, M., Ainley, V., & Riva, G. (2020). Altered Interoceptive Perception and the Effects of Interoceptive Analgesia in Musculoskeletal, Primary, and Neuropathic Chronic Pain Conditions. Journal of Personalized Medicine, 10(4), E201. https://doi.org/10.3390/jpm10040201
xxxv Evdokimov, D., Frank, J., Klitsch, A., Unterecker, S., Warrings, B., Serra, J., Papagianni, A., Saffer, N., Meyer Zu Altenschildesche, C., Kampik, D., Malik, R. A., Sommer, C., & Üçeyler, N. (2019). Reduction of skin innervation is associated with a severe fibromyalgia phenotype. Annals of Neurology, 86(4), 504–516. https://doi.org/10.1002/ana.25565 Fairhurst, M. T., Löken, L., & Grossmann, T. (2014). Physiological and behavioral responses reveal 9month-old infants’ sensitivity to pleasant touch. Psychological Science, 25(5), 1124–1131. https://doi.org/10.1177/0956797614527114 Field, T. (2010). Touch for socioemotional and physical well-being: A review. Developmental Review , 30 (4), 367–383. Gordon, I., Voos, A. C., Bennett, R. H., Bolling, D. Z., Pelphrey, K. A., & Kaiser, M. D. (2013). Brain mechanisms for processing affective touch. Human Brain Mapping, 34(4), 914–922. https://doi.org/10.1002/hbm.21480 Häuser, W., Kosseva, M., Üceyler, N., Klose, P., & Sommer, C. (2011). Emotional, physical, and sexual abuse in fibromyalgia syndrome: A systematic review with meta-analysis. Arthritis Care & Research, 63(6), 808–820. https://doi.org/10.1002/acr.20328 Häuser, W., Sarzi-Puttini, P., & Fitzcharles, M.-A. (2019). Fibromyalgia syndrome: Under-, overand misdiagnosis. Clinical and Experimental Rheumatology, 37 Suppl 116(1), 90–97. Johansson, R. S., & Vallbo, A. B. (1979). Detection of tactile stimuli. Thresholds of afferent units related to psychophysical thresholds in the human hand. The Journal of Physiology, 297(0), 405–422. https://doi.org/10.1113/jphysiol.1979.sp013048 Kashikar-Zuck, S., Black, W. R., Pfeiffer, M., Peugh, J., Williams, S. E., Ting, T. V., Thomas, S., Kitchen, K., & Myer, G. D. (2018). Pilot Randomized Trial of Integrated Cognitive-Behavioral Therapy and Neuromuscular Training for Juvenile Fibromyalgia: The FIT Teens Program. The Journal of Pain, 19(9), 1049–1062. https://doi.org/10.1016/j.jpain.2018.04.003 Kooiman, C. G., Ouwehand, A. W., & ter Kuile, M. M. (2002). The Sexual and Physical Abuse Questionnaire (SPAQ). A screening instrument for adults to assess past and current experiences of abuse. Child Abuse & Neglect, 26(9), 939–953. https://doi.org/10.1016/s01452134(02)00363-0 Kosek, E., Cohen, M., Baron, R., Gebhart, G. F., Mico, J.-A., Rice, A. S. C., Rief, W., & Sluka, A. K. (2016). Do we need a third mechanistic descriptor for chronic pain states? Pain, 157(7), 1382–1386. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000000507 Kuner, R., & Flor, H. (2016). Structural plasticity and reorganisation in chronic pain. Nature Reviews. Neuroscience, 18(1), 20–30. https://doi.org/10.1038/nrn.2016.162 Liljencrantz, J., Strigo, I., Ellingsen, D. M., Krämer, H. H., Lundblad, L. C., Nagi, S. S., Leknes, S., & Olausson, H. (2017). Slow brushing reduces heat pain in humans. European Journal of Pain (London, England), 21(7), 1173–1185. https://doi.org/10.1002/ejp.1018
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xxxviii Anexo 1 Appendix A. European Portuguese version of the Touch Experiences and Attitudes Questionnaire (TEAQ) Por favor, leia com atenção as seguintes afirmações e selecione a opção que indica o quanto concorda ou discorda com cada uma das afirmações. Discordo completamente Discordo um pouco Não concordo nem discordo Concordo um pouco Concordo completamente 1. Eu não gosto quando as pessoas são muito afetuosas fisicamente em relação a mim. 2. Eu gosto de usar loções corporais. 3. Eu tenho de conhecer alguém relativamente bem para desfrutar do seu abraço. 4. Eu considero que é natural cumprimentar os meus amigos e familiares com um beijo na bochecha. 5. Houve muito afeto físico durante a minha infância. 6. Em criança, eu costumava abraçar os membros da minha família frequentemente. 7. Eu gosto de usar essências de banho quando tomo banho. 8. Eu considero que acariciar o cabelo de uma pessoa que gosto é muito agradável. 9. Os meus pais não foram muito afetuosos fisicamente em relação a mim durante a minha infância.
xxxix 10. Eu gosto de adormecer nos braços de alguém de quem sou próximo(a). 11. Eu costumo aconchegar-me no sofá com alguém. 12. Eu gosto da intimidade física dos preliminares sexuais. 13. Eu gosto de dar o braço aos meus amigos e familiares enquanto ando. 14. Eu normalmente abraço os meus familiares e amigos quando estou a despedir-me. 15. Em criança, receber um abraço dos meus pais quando eu estava triste fazia com que eu me sentisse muito mais feliz. 16. É bom quando amigos e membros da família me cumprimentam com um beijo. 17. Eu costumo dar as mãos a alguém que conheço intimamente. 18. Quando eu estou triste, geralmente há alguém que me consegue confortar. 19. Beijar é uma boa forma de expressar atração física. 20. Sabe muito bem quando alguém de quem gosto passa os seus dedos pelo meu cabelo. 21. Eu abraço regularmente pessoas de quem sou próximo(a).
xl 22. Em criança, os meus pais aconchegavam-me na cama todas as noites e davam-me um abraço e um beijo de boa noite. 23. A minha vida carece de afeto físico. 24. Eu gosto quando a minha pele é acariciada. 25. Eu costumo tomar um duche ou um banho com alguém. 26. Eu gosto de fazer sexo. 27. Eu faço sexo frequentemente. 28. Eu não gosto de ter proximidade física com pessoas que não conheço bem. 29. Eu consigo sempre encontrar alguém para me confortar fisicamente quando não me sinto bem. 30. Eu cumprimento sempre os meus amigos e familiares dando-lhes um abraço. 31. Eu aprecio ser abraçado(a) por alguém de quem gosto. 32. A minha mãe dava-me banho regularmente quando eu era criança. 33. Em criança, os meus pais confortavam-me sempre quando eu estava triste. 34. Eu gosto da sensação da minha pele a tocar na de outra pessoa se eu a conhecer intimamente.
xli 35. Em criança, os meus pais costumavam dar-me a mão quando eu caminhava com eles. 36. Na maioria dos dias eu recebo um abraço ou um beijo. 37. Se alguém que eu não conheço muito bem coloca a sua mão de forma amigável no meu braço, isso faz-me sentir desconfortável. 38. Eu costumo ter contacto físico com os meus amigos e familiares quando estou com eles. 39. Faz-me sentir desconfortável se alguém que eu não conheço muito bem me toca de uma maneira amigável. 40. Eu aprecio dar a mão a alguém de quem gosto. 41. Eu costumo partilhar um beijo romântico com frequência. 42. Em criança, a minha mãe escovava o meu cabelo regularmente. 43. Eu gosto de exfoliar a minha pele. 44. Beijar é uma parte agradável de expressar sentimentos românticos. 45. A minha pele é acariciada frequentemente. 46. Eu costumo dar a mão a alguém de quem gosto. 47. Eu gosto de acariciar a pele de alguém que eu conheço intimamente.