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Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e do Zero Hora

Silva, Michele Dias da

Abstract

Entender os motivos pelos quais alguns assuntos tornam-se notícia e outros não e perceber qual a finalidade do jornalismo ao produzir e publicar essas notícias são os objetivos que norteiam o presente trabalho de pesquisa de Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. As questões teóricas sobre os fundamentos do jornalismo foram refletidas na dissertação através da análise de notícias sobre a violência doméstica contra a mulher, publicadas em dois jornais impressos, um do Brasil e outro de Portugal. O tema justifica-se pelo fato de a violência doméstica ser um assunto atual, um crime público que ocorre em diferentes contextos geográficos, sociais e econômicos. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica no mundo; um problema social, histórico e jurídico que desafia as autoridades competentes. E, sendo finalidade do jornalismo aspectos como ser mediador entre os fatos e o leitor, fiscalizar o poder e fortalecer a democracia, como escreve Gisele Reginato (2016), a abordagem e a forma de publicar esse tema também é um desafio ao jornalismo. A pesquisa está dividida em três capítulos. O primeiro trata das representações sociais e culturais da mulher através do tempo, a fim de mostrar como o papel da mulher na sociedade influenciou de forma significativa para transformar a violência doméstica em um crime público e, por sua vez, torná-lo pauta para os meios de comunicação. O segundo apresenta um breve resumo sobre as questões teóricas dos fundamentos do jornalismo, nomeadamente os critérios de noticiabilidade e as finalidades do jornalismo. No terceiro e último capítulo está a análise das notícias selecionadas, e logo em seguida os resultados e as considerações finais. Foram selecionadas para análise 633 peças informativas publicadas nos jornais Público (Portugal) e Zero Hora (Rio Grande do Sul, Brasil) de janeiro de 2019 até dezembro de 2020. Todas foram catalogadas e verificadas através de aspectos quantitativos e também empíricos para compor um retrato das publicações sobre violência doméstica contra a mulher nos dois jornais escolhidos para o presente trabalho.

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Michele Dias da Silva abril de 2022 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e do Zero Hora Michele Dias da Silva Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e do Zero Hora UMinho|2022 Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Michele Dias da Silva abril de 2022 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e do Zero Hora Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Madalena Oliveira Dissertação de Mestrado Mestrado em Ciências da Comunicação Área de Especialização em Investigação Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositório UM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora iii Agradecimentos “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa É difícil expressar em palavras o que esta dissertação representa. Mais do que um trabalho acadêmico, ela foi o símbolo da “virada” na minha vida. Saí da minha cidade e do meu país, o Brasil, para viver do outro lado do oceano, troquei 15 anos de trabalho em redação de TV para voltar à sala de aula, saí de perto de familiares e amigos para viver intensamente com a família que eu construí, em terras distantes e desconhecidas. Saí da zona de conforto para enfrentar meus medos e descobrir que sou capaz de coisas extraordinárias. Literalmente, esta pesquisa representa meu tempo de “travessia”. Foi um desafio e tanto – já seria em tempos normais, por estar pela primeira vez longe dos meus pais, irmã e amigos de uma vida toda; imagina com a chegada de uma pandemia que colocou a vida de cabeça para baixo de uma hora para a outra. Os estudos, inclusive, ficaram em último plano por longos meses. O confinamento em Portugal mudou a rotina, exigindo mais dedicação às crianças que também foram desafiadas a ter aulas online e a ficar longe de todos por um longo período. Manter a saúde física e mental não foi fácil, pois sou uma pessoa da rua e dos convívios – a saudade foi quase insuportável em muitos momentos. Aos poucos, veio a adaptação – ou aceitação – ao novo normal. Depois de algumas crises de ansiedade, entendi que precisava de transformar os problemas em novas possibilidades. Com determinação e a ajuda paciente e encorajadora da minha professora orientadora Doutora Madalena Oliveira, iniciei minha produção textual, mais devagar do que eu gostaria, mas no tempo que me foi possível. Obrigada a Deus pela vida e pelas oportunidades que tenho na minha jornada. Obrigada às minhas filhas, Sophia e Isabella, por incentivarem a mamãe a ir para a escola. Obrigada ao meu marido que me colocou no barco e convidou-me à travessia. Obrigada aos meus pais e minha irmã por, mesmo cheios de saudades, entenderem e incentivarem a minha mudança. Obrigada aos amigos que de longe enviaram carinho com a ajuda da tecnologia. Obrigada aos amigos que fiz em Portugal e que viraram um círculo familiar, de parceria nas horas de lazer e ajuda e cooperação em tempos difíceis. Obrigada, professora Madalena, por não desistir de mim e por acreditar na minha capacidade de concluir o Mestrado. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora v Título Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e do Zero Hora Resumo Entender os motivos pelos quais alguns assuntos tornam-se notícia e outros não e perceber qual a finalidade do jornalismo ao produzir e publicar essas notícias são os objetivos que norteiam o presente trabalho de pesquisa de Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. As questões teóricas sobre os fundamentos do jornalismo foram refletidas na dissertação através da análise de notícias sobre a violência doméstica contra a mulher, publicadas em dois jornais impressos, um do Brasil e outro de Portugal. O tema justifica-se pelo fato de a violência doméstica ser um assunto atual, um crime público que ocorre em diferentes contextos geográficos, sociais e econômicos. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica no mundo; um problema social, histórico e jurídico que desafia as autoridades competentes. E, sendo finalidade do jornalismo aspectos como ser mediador entre os fatos e o leitor, fiscalizar o poder e fortalecer a democracia, como escreve Gisele Reginato (2016), a abordagem e a forma de publicar esse tema também é um desafio ao jornalismo. A pesquisa está dividida em três capítulos. O primeiro trata das representações sociais e culturais da mulher através do tempo, a fim de mostrar como o papel da mulher na sociedade influenciou de forma significativa para transformar a violência doméstica em um crime público e, por sua vez, torná-lo pauta para os meios de comunicação. O segundo apresenta um breve resumo sobre as questões teóricas dos fundamentos do jornalismo, nomeadamente os critérios de noticiabilidade e as finalidades do jornalismo. No terceiro e último capítulo está a análise das notícias selecionadas, e logo em seguida os resultados e as considerações finais. Foram selecionadas para análise 633 peças informativas publicadas nos jornais Público (Portugal) e Zero Hora (Rio Grande do Sul, Brasil) de janeiro de 2019 até dezembro de 2020. Todas foram catalogadas e verificadas através de aspectos quantitativos e também empíricos para compor um retrato das publicações sobre violência doméstica contra a mulher nos dois jornais escolhidos para o presente trabalho. Palavras-chave jornalismo; violência doméstica; finalidades do jornalismo vi Title Domestic violence in the Portuguese and Brazilian press: the cases of Público and Zero Hora Abstract Understanding the reasons why some subjects become news and others not and realising the purpose of journalism when producing and publishing these news are the objectives that guide the present research work of Master’s in Communication Sciences at the University of Minho. Theoretical questions about the foundations of journalism were reflected in the dissertation through the analysis of news about domestic violence against women, published in two printed newspapers, one in Brazil and the other in Portugal. The theme is justified by the fact that domestic violence is a current issue, a public crime that occurs in diverse geographic, social and economic contexts. Data from the World Health Organization indicate that one in each three women is a victim of domestic violence in the world; a social, historical and legal problem that challenges the competent authorities. And, as the purpose of journalism is being a mediator between the facts and the reader, monitoring power and strengthening democracy, as Gisele Reginato (2016) writes, the approach and way of publishing this topic is also a challenge to journalism. The research is divided into three chapters. The first deals with the social and cultural representations of women over time, in order to show how the role of women in society has significantly influenced the transformation of domestic violence into a public crime and, in turn, make it an agenda for the media. The second presents a brief summary of the theoretical issues of the foundations of journalism, namely the newsworthiness criteria and the journalism purposes. In the third and final chapter we present the analysis of the selected news, followed by the results and final considerations. A total of 633 informative pieces published in Público (Portugal) and Zero Hora (Rio Grande do Sul, Brazil) newspapers from January 2019 to December 2020 were selected for analysis. All were catalogued and verified through quantitative and also empirical aspects to compose a portrait of publications on domestic violence against women in the two newspapers chosen for the present work. Keywords journalism; domestic violence; journalism’s role Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora vii Sumário Introdução ...................................................................................................................................................... 1 Por que um acontecimento vira notícia? ......................................................................................................... 1 Capítulo 1 ....................................................................................................................................................... 6 Das representações sociais e culturais da mulher à violência doméstica na mídia .............................................. 6 Breve história das representações sociais e culturais da mulher ................................................................ 6 Mercado de trabalho: mão de obra feminina e o início da transformação ................................................. 10 A violência doméstica como problemática social e crime público ............................................................. 14 Capítulo 2 ..................................................................................................................................................... 18 Das teorias do jornalismo ao retrato da violência doméstica nos média ............................................................ 18 Os critérios de noticiabilidade .................................................................................................................. 19 A finalidade do jornalismo na sociedade: informar ou transformar? .......................................................... 23 Capítulo 3 ..................................................................................................................................................... 28 Público e Zero Hora : como esses jornais mostram a violência doméstica contra a mulher ................................ 28 Metodologia ............................................................................................................................................ 28 Análise.................................................................................................................................................... 34 Síntese dos resultados ............................................................................................................................ 62 Notas conclusivas ....................................................................................................................................... 72 Referências bibliográficas ......................................................................................................................... 74 Apêndice ....................................................................................................................................................... 76 Índice de Figuras Figura 1: Capas do jornal Zero Hora, no dia 8 de março de 2019 (à esquerda) e de 2020 (à direita) ................ 34 Figura 2: Reportagem do Jornal Zero Hora, no dia 8 de março de 2020, Especial Dia da Mulher ...................... 35 Figura 3: Agenda cultural do jornal Zero Hora, no dia 8 de março de 2019 ...................................................... 36 Figura 4: Título da reportagem do jornal Zero Hora, de 8 de março de 2019 .................................................... 36 Figura 5: Título e ilustração da reportagem do Caderno Gastronomia, do jornal Zero Hora, de 8 de março de 2019 .............................................................................................................................................................. 37 Figura 6: Opinião do jornal Zero Hora, de 8 de março de 2020 ........................................................................ 37 Figura 7: Reportagem do jornal Zero Hora, de 8 de março de 2020 ................................................................. 38 Figura 8: Capas do jornal Público do adia 8 de março de 2019 (à esquerda) e 8 de março de 2020 (à direita) . 39 Figura 9: Capa do jornal Zero Hora de 25 de novembro de 2019 (à esquerda) e 25 de novembro de 2020 (à direita) ............................................................................................................................................................ 42 Figura 10: Capa do jornal Zero Hora de 26 de novembro de 2019 ................................................................... 42 Figura 11: gráfico do jornal Zero Hora, de 26 de novembro de 2019 ................................................................ 43 Figura 12: Notícias do jornal Zero Hora, do dia 26 de novembro de 2019 ........................................................ 43 Figura 13: Contracapa do jornal Zero Hora de 25 de novembro de 2020 ......................................................... 44 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 5 no conteúdo das notícias). Feitas as análises, construiu-se um “retrato” das notícias publicadas sobre o tema no período e nos jornais já especificados acima. Por fim, a pesquisa apresenta as considerações finais a respeito dos resultados da análise, propondo uma reflexão sobre a abordagem da violência doméstica na mídia e apontando possíveis questões que podem ser abordadas em estudos futuros, uma vez que as pesquisas nas áreas de Comunicação e Ciências Sociais não são necessariamente conclusivas, mas sempre abertas para novas análises. 6 Capítulo 1 Das representações sociais e culturais da mulher à violência doméstica na mídia or que a violência doméstica contra a mulher entrou para a agenda do jornalismo? Quando esse tipo de crime se transformou em uma problemática pública? Por quê? De que forma o jornalismo aborda esse tipo de pauta? A abordagem contribui para a conscientização acerca da problemática? O jornalismo, nestes casos, cumpre seu papel social de contribuir para a transformação da realidade? Para responder a essas questões, que são os objetivos deste trabalho, o primeiro capítulo da pesquisa faz um panorama teórico de três eixos fundamentais para esta discussão: o papel da mulher na sociedade, a violência doméstica como crime público e a violência doméstica contra a mulher na agenda do jornalismo. Começamos por lembrar a história da mulher, com ênfase no papel feminino na sociedade ao longos dos anos, porque entender a função da mulher em cada contexto poderá ajudar a compreender o momento em que a violência doméstica torna-se um assunto de interesse público e, por consequência, entra para a agenda do jornalismo, ou seja, um assunto que cumpre critérios de noticiabilidade. Breve história das representações sociais e culturais da mulher Poetas, filósofos e médicos envolvem o objeto-mulher num discurso que, de Homero (século VIII antes da nossa era) a Galeno (século II da nossa era) apresenta uma coerência notável. Se quiséssemos resumir numa lista as obsessões do discurso erudito, não iríamos muito longe. A mulher é passiva e, na melhor das hipóteses, inferior em relação, escusado será dizer, ao padrão anatômico, fisiológico e psicológico: o homem. Nada mais. Tudo o que se disse e se escreveu no debate sobre feminismo de Platão, que, na República, concebe uma cidade em que as mulheres deviam ser educadas como os homens, esbarra com essa evidência: façam elas o que fizerem, e podem tentar fazer de tudo, fa-lo-ão menos bem. (Duby & Pierrot, 1990, pp. 85-86) P Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 7 Numa obra composta por cinco volumes sobre a História das Mulheres no Ocidente , Georges Duby e Michelle Pierrot (1990) trazem inúmeros exemplos de como o discurso sobre a mulher sempre foi de inferioridade em relação ao homem. O trecho citado acima refere-se a conceitos e definições de milhares de anos que acabaram por se repetir ao longo da história, impondo um padrão e um rótulo de inferioridade em relação ao homem. Não é preciso recorrer à Antiguidade para encontrar exemplos desse comportamento; expressões como “a mulher é o sexo frágil”, “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, “mulher tem que apanhar”, infelizmente ainda estão muito presentes na sociedade. Resultado, provavelmente, da imagem que se desenhou sobre a mulher ao longo da história, o rótulo de fragilidade e submissão foi atribuído ao corpo feminino e persiste até hoje. A inferiorização aparece em vários períodos. Na sociedade antiga, o valor da mulher estava relacionado apenas à procriação. Na era de Esparta, por exemplo, a mulher mais valorizada era a que dava à luz filhos homens que se tornariam guerreiros. Nas sociedades ocidentais, a dominação masculina ocorre desde a civilização grega. Os homens conduziam as ações políticas, a esfera militar, as questões econômicas, ou seja, dominavam a vida em sociedade e em família, impondo por consequência uma posição subalterna à mulher. Como lêse: A historiografia trata muito frequentemente das mulheres em termos de desigualdade, de inferioridades jurídicas e políticas e de emancipação. Considera também esta disparidade como um aspecto da sociedade globalmente considerada: as incapacidades da mulher romana não seriam senão uma tradução institucional da situação inferior a que ela se encontrava relegada por uma sociedade de dominância masculina. Desde o trabalho, que continua a fruir de autoridade, de P. Gide, é argumento clássico o relacionar este estado de subordinação com uma diferenciação dos papéis sociais que confinava as mulheres à esfera das atividades domésticas, para deixar aos cidadãos machos o monopólio das relações públicas e da política. (Duby & Pierrot, 1990, p. 134) Passando para a Idade Moderna, pode-se mostrar como a mulher era vista em termos da função que exercia na vida em sociedade através do casamento: O casamento não era visto como um destino natural da mulher, mas como um agente específico de uma metamorfose que transformava a mulher num ser econômico e social diferente enquanto parte de um novo agregado familiar, a unidade primária sobre a qual se baseava toda a sociedade. A função do seu marido era proporcionar-lhe abrigo e sustento (...) O papel da mulher era de companheira e mãe. (Duby & Pierrot, 1990, pp. 47-48) O papel da mulher na sociedade começou a mudar com a Revolução Industrial, no século XVII. É no surgimento dessa sociedade industrial que a mulher acaba por conquistar espaço no mercado de trabalho. A indústria precisava de mão de obra, e as mulheres tornam-se operárias nas fábricas – deixam 8 de ter como exclusividade o trabalho doméstico, as tarefas da casa, para ingressarem no mercado. Porém, vale registrar que as tarefas da casa continuam sendo de responsabilidade das mulheres. E daí surge um conflito e uma necessidade de adaptação a uma jornada dupla de trabalho, com funções e horários rígidos. Muitas mulheres chegaram à exaustão, devido ao excesso de atividades. Essas transformações que ocorrem no modo de “ver” a mulher e a sua função na sociedade são retratadas por várias áreas. Na moda, o tipo de vestimenta se transforma: dos vestidos longos às minisaias ou às calças. O uso de calças por mulheres, por exemplo, foi motivo de polêmica nos anos 30 no Brasil, pois o modelo era considerado exclusivo dos homens. Na Europa, havia lei para proibir que as mulheres usassem calças, pois elas representavam poder masculino. No fim do século XIX, com o aumento de adeptas de atividades desportivas, cresceu também o uso de calças entre as mulheres. O modelo era largo e solto e foi chamado de “bloomer”, em homenagem à feminista Amelia Bloomer. Aliás, o final do século XIX é um período importante e de transformação dos valores e conceitos atribuídos à mulher. No entanto, na prática e na vida cotidiana, os papéis sociais aceitos ainda estavam baseados nos séculos passados, quiçá herança da Idade Média. Lilian Sarat de Oliveira explica: Desde menina era ensinada a ser mãe e esposa, sua educação limitava-se a aprender a cozinhar, bordar, costurar, tarefas estritamente domésticas. Carregava o estigma da fragilidade, da pouca inteligência, entre outros que fundamentava a lógica patriarcal de mantê-la afastada dos espaços públicos. A negação de outros espaços além da casa/quintal as afastava também da educação formal, não sendo permitido o acesso à escola. 1 Aliás, sobre a questão da visão da mulher nos espaços públicos, a literatura do século XIX representa muito bem esse “cenário de dominação masculina” em romances, por exemplo, de Machado de Assis e Eça de Queirós, escritores oitocentistas, brasileiro e português, respectivamente. A descrição dos espaços públicos sempre é composta por personagens masculinos e quando as mulheres aparecem é porque estão acompanhando seus maridos. Na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas , de Machado de Assis, é possível verificar uma relação entre o papel da mulher e o espaço ocupado por ela na sociedade da época, ao analisar duas personagens: Marcela e Virgília. Marcela é uma mulher sensual, amante de Brás Cubas (personagem narrador), e o seu espaço se restringe aos bordéis e aos cenários onde ela se encontra com o amante. A narrativa deixa claro que as mulheres “deste tipo” não são bem vindas aos espaços coletivos, porque podem causar constrangimento a quem estiver com elas. O discurso conduz para mostrar que o comportamento não é bem visto, que as relações descritas em cenas com essas personagens sempre caracterizam-se por relações de interesse: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de 1 https://pt.scribd.com/document/127103101/Educacao-e-religiao-das-mulheres-no-Brasi-do-seculo-XIXl Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 9 réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil. (Machado de Assis, 1997, p. 36). Já a descrição dos espaços frequentados pela personagem Virgília – filha de uma autoridade influente na política, herdeira de uma família de posses – está relacionada à casa, à família, ao casamento. O escritor português Eça de Queirós, no romance Os Maias, mostra uma crítica social através dos espaços e das personagens da história. Costumes e comportamentos considerados “incorretos”, inadequados para a época aparecem, por exemplo, nas personagens de Maria Monfort e condessa Gouvarinho que têm um estilo de vida nada convencional e pode se dizer escandaloso para o século XIX. São mulheres com vida fútil, que não ocupam o espaço da casa e da família, mas sim da rua e dos eventos sociais noturnos. Ainda na área das artes relacionadas à construção da imagem da mulher, o surgimento da fotografia no século XIX também contribuiu para mostrar a inferioridade e a submissão da mulher, principalmente na exploração do corpo. Em um estudo sobre a fotografia da mulher brasileira durante o período colonial, Lorena Travassos refere que “sabe-se que as relações de gênero surgiram de mãos dadas com a fotografia ao conferir um papel inferior às mulheres não-europeias, com a exibição de um corpo nu e disponível ao colonizador. Esse olhar masculino´ marcou todo o período colonial” (Lorena Travassos, 2017, p. 148). A imagem das mulheres ora como objeto sexual – disponível ao homem – ora postas como serviçais e submissas reforçam os conceitos já estigmatizados pela sociedade de que a mulher não tem um espaço próprio, mas sim está disponível para os homens. O fato de os fotógrafos serem do sexo masculino também corrobora, na área das artes, para a mulher ser aquilo que os homens veem e reproduzem. Travassos comenta ainda em seus estudos que, em se tratando da fotografia do período colonial, as mulheres eram retratadas em detalhes como se fossem produtos à “venda” dos senhores que buscavam satisfazer os seus desejos e impulsos. Aliás, o modelo de registro do corpo nu das mulheres não cessou no período colonial, uma vez que a nudez ainda é muito explorada na fotografia. Um padrão estabelecido no século XIX que certamente contribuiu, sobretudo no caso das mulheres brasileiras, para a elaboração do estereótipo da mulher sexualizada e prostituída. Os exemplos citados são retratos da realidade mostrados em livros, no cinema, na fotografia, na televisão e que podem ser comprovados mesmo em termos legais. As leis da época confirmavam o dever de obediência da mulher em relação ao homem. Havia um suporte na legislação que de certa forma mostra a inferiorização da mulher. Em Portugal, no século XIX, o Código Civil, de 1867, cita “ambos os cônjuges deviam guardar mutuamente fidelidade conjugal, viver juntos e socorrerem-se e ajudarem-se mutuamente (artigo 1184°)”. Mas acrescentava (artigo 1885°): “ao marido compete especialmente a 10 obrigação de defender a pessoa e os bens da mulher e esta tem a obrigação de prestar obediência ao marido”. Daqui resultava que a mulher tinha o mesmo domicílio do marido e era obrigada a segui-lo para toda a parte, menos para o estrangeiro. O marido tinha o direito de a fazer “regressar pela força”, diz a lei. A primeira Constituição, de 1911, exclui a mulher da vida política, dando exclusivamente ao chefe de família o direito de votar. Houve aqui um episódio interessante na política de Portugal, quando, valendo-se de uma brecha na lei – que não especificava o sexo do chefe de família –, a médica, viúva Carolina Ângelo exerceu seu direto de voto, uma vez que ela considerava-se chefe de família. Mas por causa desse episódio, a lei eleitoral foi alterada em julho de 1913 especificando que o voto poderia ser exercido “exclusivamente por chefes de família do sexo masculino”. No Brasil, mesmo as leis de proteção aos direitos da pessoa humana desconsideravam a mulher sob vários aspectos. No primeiro Código Civil Brasileiro, de 1916, o homem é citado como chefe de família e detentor de direitos, um retrato do sistema patriarcal da época que dava à mulher um papel secundário e inferior. O direito de voto da mulher brasileira é reconhecido em meados do século XX, em 1932, depois de muita luta. E ainda assim, o ato era considerado por grande parte da sociedade como algo de mulher “moderna” – aquela que não segue os padrões – devido ao preconceito existente. Esses são apenas alguns exemplos de contextos históricos e de aspectos legais que comprovam que a mulher era colocada em uma posição inferior tanto na vida em família como no meio social. Mercado de trabalho: mão de obra feminina e o início da transformação “As mulheres estão nas fábricas desde o início da Revolução Industrial - na Inglaterra, no século 18. A industrialização começa com fábricas de tecidos, onde a mão de obra é feminina. Mas a guerra força as mulheres a entrarem mais massivamente no mercado de trabalho.” E acrescenta ainda “o grande peso que as guerras têm é que elas quebram um imaginário, uma mentalidade, uma cultura que achava, desde o século 19, que mulher de mulher é em casa. Pouco tempo depois, no final dos anos 1960, explode o feminismo no mundo”. 2 O trecho citado faz parte de uma entrevista publicada no site de notícias Uol, quando Margareth Rago, professora do Departamento de História da Unicamp, em São Paulo, salienta que as guerras marcaram a entrada das mulheres efetivamente no mercado de trabalho. Nesse contexto, de crescimento da força e da necessidade do trabalho feminino, começam a ocorrer muitas transformações. Nessa fase da história, surgem muitos dos movimentos feministas, na busca por igualdade, seja em relação à jornada de trabalho, seja em relação à remuneração. As ações lideradas por mulheres, que como a 2 https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/05/08/guerra-destruiu-figura-do-homem-heroi-e-consagrou-mulher-no-trabalho.htm Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 11 médica Carolina Ângelo acharam formas de driblar as leis, ganharam força e espaço. Um evento no século XX pôs em evidência o papel da mulher, quando em 8 de março de 1917, cerca de 90 mil operárias se manifestaram contra Czar Nicolau II, numa luta por melhores condições de trabalho, contra a fome e a participação russa na Guerra. O protesto ficou conhecido como Pão e Paz e mais tarde, em 1921, a data foi oficializada como Dia Internacional da Mulher. Nesse momento de lutas por direitos e igualdade e de crescimento da importância do papel da mulher na vida socioeconômica, o assunto passa a ser de interesse público. Para conquistar o seu espaço, a mulher precisou se manifestar, impor-se em diferentes situações e isso causou desconforto ao público mais tradicional que, acostumado aos padrões do sistema patriarcal, da predominância do homem, não concordava com os avanços e mudanças. Ou seja, surgem conflitos, violência, manifestações e esses episódios passam a interessar ao público em geral e, é claro, ganhar valor de notícia (mas essa relação com a mídia será assunto mais adiante nesta pesquisa). No Brasil, os movimentos em prol da igualdade e dos direitos da mulher também ganharam força no século XX, principalmente com os movimentos anarquistas, que buscavam melhores condições de trabalho e qualidade de vida. Pode-se concluir, portanto, que a organização econômica da sociedade acaba por influenciar diretamente sobre o papel da mulher. O sistema capitalista acaba com o patriarcado, e o aumento da necessidade de mão de obra faz com que a mulher seja necessária não só nas tarefas de casa, mas também na indústria. O fato de a mulher agora participar ativamente na economia e na vida em sociedade traz à tona as questões de igualdade, de direitos, a luta contra o machismo e contra a posição de inferioridade que estava intrínseca ao gênero feminino desde o início dos tempos. A partir da década de 50 em diante, o mundo de fato passa a enxergar as mudanças ocorridas no papel da mulher na sociedade. O fim da Segunda Guerra (1945) contribuiu para mostrar ao mundo a transformação ocorrida na função que a mulher exercia em sociedade. O alistamento militar, inclusive, de muitas mulheres mostrou ao Governo que o público feminino podia ser importante para o contexto, atuando inclusive em tarefas de análises de códigos do inimigo e de estratégias. Foi neste período da história que a proibição do trabalho feminino em escritórios foi anulada – uma conquista importante. Os movimentos engajados por jovens defendiam uma nova revolução e a liberação sexual, quebrando tabus em relação ao sexo feminino e a assuntos como o divórcio, por exemplo. Os movimentos feministas, o movimento hippie ... são diversos os grupos que começam a se manifestar de forma organizada pela igualdade de gênero. Essas transformações na sociedade eram retratadas também na Literatura. No momento em que os costumes e os comportamentos começam a mudar, as 12 artes também expõem essas mudanças e, pode-se dizer, até as provocam. Uma personagem do escritor Jorge Amado que serve de exemplo para essa questão é Gabriela, do romance Gabriela Cravo e Canela . Desde que foi publicado em 1958 teve notoriedade principalmente pelas características da personagem: mulher sensual, trabalhadora, irreverente e considerada “atrevida” para os costumes da época. Ambientado em Ilhéus, cidade do interior da Bahia, no Brasil, a história se passa em 1920 e mostra o romance entre Gabriela e o árabe Nacib. O livro ganhou traduções em várias línguas e o enredo foi transformado também em telenovela. Gabriela é a descrição perfeita para representar os movimentos feministas e de liberação sexual que ocorreram a partir dos anos 50 – lembrando que a obra é de 1920, ou seja, é uma demonstração prévia do que seria o retrato da mulher três décadas mais tarde. Em um trecho do romance, Gabriela põe-se a pensar quando o amante Nacib diz que tem ciúmes de a ver com outros homens: Tinha ciúmes, que engraçado... Ela não tinha, se ele sentisse vontade podia ir com outra. No princípio fôra assim, ela sabia. Deitava com ela e com as demais. Não se importava. Podia ir com outra. Não pra ficar, só pra dormir. Seu Nacib tinha ciúmes, era engraçado. Que pedaço tirava se Josué lhe tocava na mão? Se seu Tonico, beleza de moço, tão sério na vista de seu Nacib, nas suas costas tentava beijar-lhe o cangote? Se seu Epaminondas pedia um encontro, se seu Ari lhe dava bombons, pegava em seu queixo? [...] Tão bom ir ao bar, passar entre os homens. (Amado, 1971, p. 260) O romance quando transformado em telenovela gerou ainda mais polêmica por causa da censura e da exposição que a trama fez dos prazeres da vida para a mulher, quando os valores da sociedade eram exatamente o oposto. As artes não reproduzem só a realidade do papel da mulher, mas também reforçam a postura de obediência ao marido (ao homem, ao representante masculino), numa alusão à violência doméstica que, até então, é considerada “normal”. Ou seja, uma mulher pode apanhar ou ser repreendida pelo marido, pois está em posição de servir e obedecer – conforme citado anteriormente, com respaldo legal para isso. Aliás, faz-se aqui um parênteses – o conceito de violência doméstica é bem posterior a esta época, surgindo apenas na década de 70, como vai-se explicar no próximo subcapítulo. Na literatura brasileira, há diversos registros de violência contra a mulher. E esses contextos sempre são mostrados como comportamentos adequados a uma sociedade patriarcal. É como dizer que a mulher pode ser “punida” pelo marido, se este a considerar desobediente. Na obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, o personagem Bentinho não agride fisicamente Capitu, mas a mantém longe do seu espaço, numa espécie de exílio, pois desconfia que ela o tenha traído. Capitu é exposta como traidora, é rebaixada publicamente e “paga” por um crime que não cometeu, uma vez que na ficção o adultério nunca fica comprovado. O autor mostra a violência doméstica ao silenciar a personagem que precisa aceitar o Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 13 castigo (mesmo considerando injusto), pois esse comportamento segue os padrões de disciplina impostos na sociedade. A pesquisadora Maria João Silveirinha traz um contributo para este trabalho quando escreve sobre a mulher no jornalismo, juntando dois temas aqui presentes: a mulher no mercado de trabalho e a profissão de jornalista. Como no restante das áreas – política, economia, comunicação –, os homens também estavam a frente dos meios de comunicação e eram detentores dos assuntos e dos textos publicados desde a criação dos jornais. Silveirinha reflete sobre o avanço da participação da mulher no jornalismo e percebe-se que a introdução da mulher é lenta e ocorre juntamente com o avanço do papel da mulher em sociedade. As mulheres já tinham presença nos jornais no início do século XIX, mas sem uma frequência e sem o poder da escolha dos temas publicados. Os assuntos eram definidos pelos homens que estavam à frente dos jornais e que perceberam um público feminino letrado já neste período. Os assuntos tratavam principalmente de conteúdos que corroboravam para mostrar o papel da mulher, como comportamento de esposa, assuntos domésticos, receitas, folhetins e poesias, entre outros deste gênero. Silveirinha cita Ana Maria Lopes que descreve assim: Apesar de algumas mulheres colaborarem desde 1812 na imprensa masculina, só começam a aparecer regularmente nos periódicos femininos a partir de 1836. Entre 50 e 70, fazem-nos com constância e inteligentemente, e por vezes de forma ostensiva e desabrida. Cresce então a sua combatividade pública, para logo se silenciarem entre 70 e 80. Retomam gradualmente a sua atividade na década de 80 e a sua importância com alguns textos capitais. Desde então, nunca mais deixaram de fazer ouvir a sua voz. (Lopes, 2005, p. 604, citado em Silveirinha, 2012, p. 169) O jornalismo chamado industrial, ainda no século XIX, ampliou o espaço para as mulheres. Assim como em outras áreas, citadas já anteriormente neste texto, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Industrial trouxeram a necessidade de mão de obra e o público feminino veio a ocupar este espaço. É no final do século XIX e início do XX que a mulher tem seu espaço garantido no jornalismo, mas ainda com algumas restrições e subordinações em relação ao poder masculino. De notar que, em Portugal, a falta de instrução das mulheres nunca fez delas mais do que públicos muito restritos da imprensa e nem mesmo no final do século, quando a industrialização dos jornais acontece em alguns países da Europa e dos Estados Unidos e o seu número fosse suficiente para gerar mudanças no discurso jornalístico. (Silveirinha, 2012, p. 173) O jornalismo dessa época ajudou a transformar o papel e as condições das mulheres, uma vez que os assuntos publicados começaram a se ampliar e as receitas e dicas domésticas deram espaço a reflexão, à educação e ao estímulo da participação da mulher, não só como redatora nos jornais, mas 14 também na formação de um público de leitoras que acabavam por ser responsáveis pela disseminação dos novos anseios das mulheres na sociedade. Vale salientar que muitos desses anseios não foram atingidos de forma plena até hoje, uma vez que a luta pela conquista do espaço feminino segue sendo travada ao longo da história, tanto nos meios de comunicação como em outras tantas áreas do mercado de trabalho onde ainda se verifica uma diferença de posição salarial, aspectos da carreira e cargos de chefias que, muitas vezes, estão relacionadas às questões de gênero. Como vê-se nesse breve relato das questões da mulher no mercado de trabalho, a inserção foi lenta e difícil, sendo conquistada aos poucos – as questões relacionadas às profissões femininas foram evoluindo juntamente com a história e as transformações do papel da mulher na sociedade. Mesmo com as mudanças ocorridas, principalmente nos últimos 50 anos, ainda persistem diferenças entre os gêneros masculino e feminino. Assimetrias que refletem na vida em sociedade, pois os “papéis” da mulher sempre são questionados, enquanto que o homem é desde sempre o mesmo, ou seja, o homem sempre teve o seu lugar na sociedade; já para as mulheres foi necessário a ocupação dos espaços sociais. Em pleno século XXI, pode-se dizer que se vive um tempo “pós dona de casa”, que começou na década de 60 e evoluiu em termos de conquistas, mas ainda vê-se no contexto históricosocial discursos que acusam a mulher de “negligenciar o lar e contribuir para a decadência da sociedade” (Ribeiro, 2005, p. 32), pelo fato de estar mais tempo fora de casa, sem se dedicar ao marido, aos filhos e ao lar – ou seja, um conceito ainda enraizado na sociedade de que o espaço da mulher é o da família e não a esfera pública. Mas, mesmo com as diferenças e ainda questões de inferioridade, o papel da mulher mudou ao longo dos tempos e, com ele, se transformou também o conceito de alguns comportamentos em relação ao feminino. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a violência doméstica, como vai se verificar no próximo subcapítulo. A violência doméstica como problemática social e crime público O conceito violência doméstica nasce na década de 70, durante a investigação sobre as mulheres maltratadas. “A pesquisa americana, ao tentar interpretar cientificamente o fenômeno da violência conjugal, classificou-o como uma forma de ‘violência na família’ ou de ‘violência doméstica’, dando origem, assim, a este conceito” (Dias, 2004, p. 91). O termo como tal é novo, mas o ato em si não. Como já escrito anteriormente, a violência contra a mulher sempre existiu, mas antes era um assunto que ficava “entre quatro paredes” e que, mesmo quando exposto, a mulher não era considerada uma vítima e sim uma merecedora de tal castigo – provavelmente descumpriu ordens ou desviou-se dos Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 21 Hetherington importância, drama, surpresa, famosos, escândalo sexual/crime, número de pessoas envolvidas, proximidade, visual atrativo Schiemaker et all oportunidade, proximidade, importância/impacto, consequência, interesse, conflito/polêmica, controvérsia, sensacionalismo, proeminência, novidade, curiosidade/raro Wolf importância do indivíduo (nível hierárquico), influência sobre o interesse nacional, número de pessoas envolvidas, relevância quanto à evolução futura Erbolato proximidade, marco geográfico, impacto, proeminência, aventura/conflito, consequências, humor, raridade, progresso, sexo e idade, interesse pessoal, interesse humano, importância, rivalidade, utilidade, política editorial, oportunidade, dinheiro, suspense, originalidade, culto de heróis, descobertas/invenções, repercussão, confidências Chaparro atualidade, proximidade, notoriedade, conflito, conhecimento, consequências, curiosidade, dramaticidade, surpresa Lage proximidade, atualidade, identificação social, intensidade, ineditismo, identificação humana Tabela 1: Valores notícia a partir de uma síntese de Gislene Silva (2005, p. 102) A proposta de utilizar o quadro resumo da autora Gislene Silva surge como possibilidade de relacionar os valores-notícia aos fatos sobre violência doméstica. Inegavelmente, um acontecimento classificado como violência doméstica contra a mulher está, pelo menos, sempre inserido nos seguintes critérios: atualidade, crime, violência, drama e negativismo. Mas há outros valores-notícias citados que podem estar presentes no fato, dependendo das suas características e especificidades. Para mostrar como fazer esta correspondência, apesar de a violência doméstica se enquadrar em valores mais amplos (citados acima), imagine-se o seguinte acontecimento: o marido bate na esposa dentro de casa, e os vizinhos chamam a polícia. O marido é preso e a mulher socorrida. Hipótese 1: o acontecimento não vira produto noticioso, conta apenas em números para órgãos de segurança / vira estatística e vai estar, por exemplo, numa reportagem especial sobre crime contra a mulher em uma data específica, não tendo relação com a factualidade do ocorrido; Hipótese 2 : o acontecimento vira notícia e está na capa do jornal, pois o fato ocorreu em uma cidade onde não havia sido registrado até então nenhum crime de violência doméstica contra a mulher. Neste caso, contribuíram como valores-notícia: inédito, drama, surpresa, localização geográfica, importância (para o local do acontecimento). Hipótese 3 : o acontecimento é manchete em todos os jornais do mundo, porque o casal é famoso – uma atriz que apanha, um jogador de futebol que é preso por agredir a mulher. Neste caso, o escândalo, a fama, a relevância, a linha editorial, drama, impacto e outros fatores entram para a lista, como por exemplo, o interesse econômico: “o escândalo” vende jornal, o que é do interesse econômico das empresas de mídia. 22 Poderia citar aqui inúmeras possibilidades para exemplificar por que o mesmo fato pode ser ou não transformado em notícia, e ainda quando é notícia qual a intensidade ou a notoriedade da mesma. Pode-se inferir que um acontecimento de violência doméstica contra a mulher está sempre entre os assuntos propensos a virarem notícia por pelo menos três valores-notícia recorrentes: atualidade, crime / justiça, negativismo. O primeiro porque o jornalismo diário foca em mostrar os assuntos do dia e, sendo assim, tudo o que acontece naquele dia merece ser analisado como possibilidade de notícia; o segundo porque a violência contra a mulher é crime, com respaldo na lei e é um assunto acompanhado pela sociedade e pelos órgãos de segurança e autoridades, no sentido de se fazer justiça; o terceiro e último porque os assuntos negativos sempre causaram interesse às pessoas e estão classificados entre os critérios que “rendem” uma boa pauta e que vendem jornal. A questão da negatividade é explicada não só por pesquisadores das teorias do jornalismo, mas inclusive por estudiosos da área da psicologia. O ser humano é atraído pelo aspecto negativo, pelo que dá errado. Nelson Traquina salienta que as pessoas tendem a buscar o problema e acrescenta que para os profissionais de jornalismo, ou estudantes da área, essa questão deve ser abordada com profundidade e cuidado, senão o jornalismo pode se transformar em relatos de acontecimentos ruins: Partindo do critério de noticiabilidade – o que é e o que não é notícia – é difícil escapar à conclusão de que existe negativismo; creio que é humano. Por exemplo, você vai à praia levando a toalha e passa o dia ao sol. Volta para casa e qual é a notícia? Agora, se for à praia, estender a toalha e encontrar um moribundo, tenho certeza de que, quando voltar para casa vai dizer a todo mundo que encontrou um moribundo quando foi estender a toalha. Se volta para casa e está tudo normal, então não há notícia. (...). Portanto, é preciso ensinar aos futuros jornalistas quais são os critérios de noticiabilidade que existem no trabalho jornalístico. (...) Estudar os valores-notícia, entendendo quais são os critérios de noticiabilidade, é importante para alertar os alunos quanto aos efeitos perversos dos valorenotícia; para não transformar o jornalismo em uma sequência sem fim de negativismo. (Silva, 2004, p. 202) Apesar dessa observação de Traquina em relação ao negativismo, acredita-se que, no caso específico da violência doméstica contra a mulher, esse não seja o principal critério de noticiabilidade; o negativismo é óbvio por se tratar de um crime, mas não é o que determina que o fato seja uma notícia. Além dos critérios citados, é preciso observar que o tema admite uma análise sob o ponto de vista mais subjetivo e relacionado ao contexto e à construção social do papel da mulher em sociedade e em família já discutido no primeiro capítulo desta pesquisa. Foi pela transformação do papel da mulher que o tema entrou para a agenda do jornalismo, foi pela mudança na forma de ver a mulher em sociedade que o assunto passou de um comportamento aceitável e da vida privada para um problema público. E por esse motivo, o tema abrange questões como: empoderamento da mulher, manutenção da conquista Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 23 de espaço na vida em sociedade e no mercado de trabalho, da necessidade de romper com os padrões antigos de submissão, de fazer valer as leis que garantem direitos iguais a todos. A pesquisadora portuguesa Cristina Ponte expõe de forma clara essa questão em relação aos critérios de noticiabilidade quando recorre às palavras de Stuart Hall para explicar que o inesperado, a negatividade ou simplesmente a factualidade não são os principais critérios de seleção. Para a autora, “os valores-notícias operam como retaguarda social e requerem um conhecimento consensual sobre o mundo” (Ponte, 2004, p. 114). A notícia é, nessa medida, uma construção social. Ou, usando a definição de Schudson citada por Silva, (2005, p. 100), a notícia é um “produto cultural”. Mas esta pesquisa dedica-se não só a entender como a violência contra a mulher entrou para a agenda do jornalismo, como também entender se a forma como as notícias publicadas sobre o tema ajudam no conhecimento coletivo, no sentido de mostrar o problema, auxiliar as vítimas, explicar as questões legais deste crime público e quem sabe conscientizar a sociedade, reduzindo os crimes e transformando a história. Para isso, antes de analisar as peças, vai-se dedicar o próximo subcapítulo à finalidade e ao papel social do jornalismo, na busca de entender o porquê de se publicar notícias sobre esse tema. A finalidade do jornalismo na sociedade: informar ou transformar? Teorias acerca da função e do papel do jornalismo na sociedade também são relevantes ao trabalho. Esses conceitos estão muito relacionados à história da humanidade. O jornalismo vem tendo o seu papel transformado, modificado pelos avanços da tecnologia e da própria sociedade. Mas desde o século XVIII que a prática da leitura de jornais interfere no dia a dia das pessoas. O autor Carlos Eduardo Franciscato (2005) considera que o jornal possibilitou a participação em ações e decisões coletivas. E essa ideia é complementada por Daniel Woolf (citado em Franciscato, 2005) quando explica que nos séculos XVII e XVIII o papel das notícias ajudou na construção de um sentido de tempo presente. Traquina também reflete sobre o papel do jornalismo e utiliza o termo “agenda” para dizer que as notícias acabam por definir o que vai ser o assunto do dia entre os grupos sociais, tal é a importância da circulação de notícias que acaba por se traduzir numa certa responsabilidade social do jornalismo. Mas o que dizem os estudos sobre a finalidade do jornalismo? O que pretendem os meios de comunicação ao informar? E mais especificamente sobre o tema violência doméstica contra a mulher, as reportagens publicadas cumprem um papel social, no sentido de estimular a denúncia e até reduzir esse tipo de crime? A jornalista e pesquisadora Gisele Reginato, em sua tese de Doutorado intitulada As finalidades do jornalismo: o que dizem veículos, jornalistas e leitores faz no primeiro capítulo uma 24 retomada histórica sobre a função do jornalismo através dos tempos, segundo os principais autores de cada época. Baseado no texto da pesquisadora, fez-se aqui uma síntese sobre as principais funções do jornalismo. Nos séculos XVII, XVIII e XIX, os estudos citam que a principal função é informar, conceito que segue em vigor até hoje. Pode-se dizer que é a função primordial da mídia. Mas várias outras expressões aparecem associadas ao jornalismo quando o assunto é a sua função ou finalidade. “Gerar conhecimento de coisas novas” é um dos conceitos que aparecem na primeira tese sobre jornalismo defendida na Alemanha, em 1690, por Tobias Peucer. O autor Daniel Woolf vai além e diz que o hábito da leitura de jornais na sociedade dos séculos XVII e XVIII acabou por incrementar a finalidade do jornalismo, auxiliando na construção de um sentido para o dia a dia das pessoas, “o papel delas não só em motivar o debate público mas também em inculcar uma ação pública resultante desse debate, solicitando resoluções para as estórias contadas pelas notícias” (Daniel Wolf, citado em Franciscato, 2005). Estimular o debate sobre assuntos de interesse público é citado como finalidade do jornalismo por diferentes autores. No século XIX, em 1866, o escritor português Eça de Queirós, que era diretor de um jornal na época, escreveu: O grande dever do jornalismo é fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os actos culposos, frouxos, velar contra actos nocivos, pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes. 3 Apesar de o discurso de Eça de Queirós estar bastante direcionado às questões políticas e do governo, a expressão “pela conservação da justiça” pode ser ampliada aqui para o tema deste estudo que é a violência doméstica. Se uma das finalidades do jornalismo pode ser relacionada com fazer a justiça, é dever da mídia mostrar a violência doméstica contra a mulher com todos os seus desdobramentos: onde ocorre, como acontece, quem é vítima, quais as punições, mas principalmente, de que forma é possível travar esse tipo de crime. Voltando aos estudiosos sobre o papel do jornalismo, a função fiscalizadora do poder, do governo e a manutenção da democracia estão entre as citações mais recorrentes, tanto que acabou por dar ao jornalismo ainda no início do século XIX o status de Quarto Poder, tornando-o porta-voz da opinião pública. Rui Barbosa, importante jornalista na história da imprensa brasileira dizia que “cabia a ela [imprensa] o papel de fiscalizar o governo em nome do povo” (Pereira, 2005, p. 103). Nos estudos sobre a Sociologia 3 https://www.newsmuseum.pt/pt/imortais/jornalismo-sec-xix Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 25 da Comunicação, Max Weber, em 1910, afirmava que o jornalismo desempenha um importante papel na formação da opinião pública. É na metade do século XIX, que a expressão “responsabilidade social” é associada às finalidades do jornalismo com maior ênfase. Resgatada por Michael Kunczik (1997) para pensar as “funções da comunicação de massa”, essa teoria postula seis funções para os meios de comunicação: 1. servir ao sistema político, fazendo com que, em geral, a informação e a consideração dos assuntos públicos sejam acessíveis; 2. informar ao público para que este possa adotar uma ação autodeterminada; 3. proteger os direitos do indivíduo como vigilante do governo; 4. servir ao sistema econômico – por exemplo, unindo compradores e vendedores através da publicidade; 5. proporcionar entretenimento (que significa somente “bom” entretenimento, seja ele qual for); 6. preservar sua autonomia financeira, para não vir a depender de interesses e influências especiais; No Brasil, os estudos sobre a função da mídia ganharam força, depois da década de 50 com a profissionalização do jornalismo. Em 1980, Cremilda Medina amplia as possibilidades de se refletir sobre o jornalismo, afirmando que é preciso analisá-lo em diferentes ângulos: sociológico, político, econômico e até sob o ponto de vista da psicologia social. Para Medina, o profissional da comunicação tem a função de “estabelecer pontes na realidade dividida, estratificada em grupos de interesse, classes sociais, extratos [...] culturais e faixas até mesmo etárias” (Medina, 1982, p. 22). Trazendo o pensamento de Medina para o tema dessa pesquisa, essa finalidade do jornalismo de ser “ponte” é de extrema relevância nos casos noticiosos de violência doméstica – a notícia seria a ponte entre o problema (crime) e as possibilidades de resolução (sociedade e autoridades responsáveis). Principalmente em se tratando desse tipo de crime – que é um problema público, mas muitas vezes ainda visto pela sociedade como assunto privado – a notícia pode ser a ponte perfeita: conhecimento do problema pelas denúncias (sociedade), divulgação do crime (jornalismo) e a penalização dos culpados (atuação das autoridades). A discussão sobre as finalidades do jornalismo não tem resposta exata, porque a questão não é estática. Ou seja, à medida que a sociedade se transforma ao passar do tempo e que muda o contexto histórico, a função da mídia também sofre influências. No século XX, por exemplo, uma das principais transformações ocorreu por conta do avanço da tecnologia. Com o aumento da velocidade da informação, o jornalismo precisou mudar e foi desafiado no sentido de ganhar concorrência – mesmo que sem qualidade ou formação profissional, a internet proporcionou que todos sejam produtores de informação. 26 Mar de Fontcuberta no final do século XX escreveu um capítulo intitulado “Para que serve o jornalismo”, no âmbito do qual diz que a resposta poderia render uma biblioteca, tamanha a complexidade do assunto. Mas cita três, como as mais tradicionais: informar (refletir a realidade), formar (interpretar a realidade) e entreter (ocupar o ócio). A autora alerta que a grande quantidade de informação (ainda não tratada como notícia) acaba por desinformar, no sentido de ressaltar cada vez mais a importância do jornalismo: A grande quantidade de notícias de todo tipo, sem nenhum filtro, supõe uma desinformação, porque não se pode digerir. O excesso de informação acaba por criar no público um efeito narcotizador, um desinteresse, que acaba por incapacitar qualquer operação de análise ou aproximação da realidade. A atenção do público só pode se fixar em um número limitado de temas e somente sobre esses temas manifestará suas opiniões e, em consequência, dará lugar à chamada opinião pública. (Fontcuberta, 1993, p. 36) Outra autora que reflete sobre as mudanças nas funções do jornalismo é Isabel Travancas. Ela resume em seus estudos já no início do século XIX que “as finalidades da imprensa são informar, opinar, prestar serviços, divertir e mediar” (Travancas, 2010, p. 99). E acrescenta que, ao analisar a rotina de jornalistas, as finalidades também variam de importância dependendo do veículo de comunicação onde o profissional atua. E surge nesta fase uma reflexão sobre a questão do jornalismo como produto – a necessidade de se vender notícia, a indústria da comunicação. Mas vai-se avançar nas finalidades relacionadas à responsabilidade social que é pertinente a este estudo. Nesse sentido, em 2004, Maxwell McCombs fala da necessidade de as notícias possuírem utilidade cívica, diz que o jornalismo tem de estabelecer a agenda para a discussão e reflexão pública (McCombs, 2009). Carlos Eduardo Franciscato, em 2005, é ainda mais enfático e diz que as notícias conduzem à tomada de decisões e visam produzir uma ação pública, na medida em que estimulam a interação entre as pessoas: Como instituição social, o jornalismo cumpre um papel social específico, não executado por outras instituições. A instituição jornalística conquistou historicamente uma legitimidade social para produzir, para um público amplo, disperso e diferenciado, uma reconstrução discursiva do mundo com base em um sentido de fidelidade entre o relato jornalístico e as ocorrências cotidianas (Franciscato, 2005, p. 167). Gisele Reginato (2016) em sua tese de Doutorado que serviu de embasamento teórico para essa síntese sobre os conceitos de finalidades do jornalismo ao longo do tempo, faz uma proposta de listagem com 12 finalidades do jornalismo: 1. informar de modo qualificado 2. investigar 3. verificar a veracidade das informações 4. interpretar e analisar a realidade 5. fazer a mediação entre os fatos e o leitor Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 27 6. selecionar o que é relevante 7. registrar a história e construir memória 8. ajudar a entender o mundo contemporâneo 9. integrar e mobilizar pessoas 10. defender o cidadão 11. fiscalizar o poder e fortalecer a democracia 12. esclarecer o cidadão e apresentar a pluralidade da sociedade Tendo em consideração a lista de finalidades e todos os conceitos já escritos até os dias atuais, não há dúvida de que o jornalismo tem um compromisso para com a sociedade, no sentido de torná-la melhor. Seja porque auxilia na manutenção da democracia, porque serve de entretenimento, porque faz o intermédio entre as pessoas, seus problemas e as autoridades responsáveis. Com essa definição de que o jornalismo tem responsabilidade social, o próximo capítulo deste trabalho examina se essa finalidade está presente nas reportagens publicadas sobre a violência doméstica contra a mulher durante os anos de 2019 e 2020 nos jornais Público (Portugal) e Zero Hora (Brasil). 28 Capítulo 3 Público e Zero Hora : como esses jornais mostram a violência doméstica contra a mulher o desenvolvimento empírico dos objetivos desta dissertação, conforme mencionado na introdução, foi realizada uma análise da cobertura noticiosa de dois jornais – o Público (Portugal) e o Zero Hora (Brasil). A metodologia e os resultados desse trabalho são o objeto principal deste capítulo, o mais extenso dessa pesquisa. Metodologia Para analisar as peças publicadas nos jornais Zero Hora (Brasil) e Público (Portugal) de janeiro de 2019 a dezembro de 2020 sobre o tema violência doméstica contra a mulher e refletir sobre os questionamentos e objetivos apresentados nesta pesquisa, optou-se por uma metodologia mista, com critérios quantitativos e qualitativos. No aspecto quantitativo, procurou-se verificar:  a quantidade de notícias encontradas em cada um dos jornais e a sua distribuição nos meses do ano;  quantas vezes o tema violência doméstica teve espaço na capa dos jornais neste intervalo de tempo de dois anos;  quais as editorias (seções) em que as peças noticiosas estão publicadas; No aspecto qualitativo, quis-se analisar o conteúdo de cada notícia no sentido de verificar e responder às seguintes questões:  que critérios de noticiabilidade - valores-notícia - parecem ter sido considerados em cada peça para justificar a publicação do tema violência doméstica como notícia?  a forma de publicação do conteúdo cumpre a finalidade do jornalismo, no sentido de informar/transformar a sociedade? N Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 29  o conteúdo estimula a responsabilidade social e o debate público do tema? (o conteúdo incentiva/encoraja a denúncia desse tipo de crime? o conteúdo auxilia as vítimas, informando onde devem procurar ajuda?) O primeiro passo foi selecionar o corpus para a pesquisa. O método foi a utilização da ferramenta de busca da área de assinantes dos dois jornais através do uso das expressões “violência doméstica”, “violência doméstica contra a mulher” e “feminicídio”, considerando a versão impressa disponível no site dos jornais Público e Zero Hora , no período de 1 de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2020. Nos dois casos foi utilizado o perfil de assinante para ter acesso completo ao material produzido pelos jornais. No caso do Público , tratou-se de uma assinatura pessoal normal e no caso de Zero Hora , o veículo disponibilizou uma assinatura gratuita de um ano, com possível prorrogação, para fins acadêmicos. A escolha pela versão impressa dos jornais, em vez das suas edições online, justificou-se pela procura de maior rigor e melhor controle sobre o conteúdo encontrado, uma vez que as versões online sofrem modificações (edições) posteriores à publicação, sendo o jornalismo online mais dinâmico e, portanto, mais exigente para uma análise que se pretendia fazer em retrospectiva e não a cada dia/momento do site de cada jornal. Depois de utilizar as palavras-chave “feminicídio”, “violência doméstica contra a mulher” e “violência doméstica”, descartou-se as notícias que não tinham relação com violência doméstica contra a mulher, uma vez que os termos utilizados para fins de pesquisa também identificaram peças jornalísticas que não necessariamente referiam-se às mulheres, mas a outras vítimas de violência doméstica, como, por exemplo, idosos ou crianças. No caso de Zero Hora , percebeu-se que o termo “violência doméstica” é pouco usado. Na maioria das notícias encontradas, o jornal dá preferência para a denominação feminicídio. Neste caso, foi preciso filtrar o que se enquadrava em violência doméstica contra a mulher e o que se referia apenas à violência de gênero, que não é o tema específico deste trabalho. Isto porque, para se enquadrar em violência doméstica contra a mulher, o agressor tem que ser pessoa conhecida ou próxima da vítima, como está especificado no capítulo 1 no trecho do texto que trata sobre as leis que amparam este tipo de crime. No Público , a questão foi inversa. Em Portugal, a expressão feminicídio (ou femicídio ) é pouco utilizada, sendo inclusive mais fácil a seleção de peças específicas sobre violência doméstica, pelo uso constante do termo exato violência doméstica contra a mulher e violência contra a mulher em contexto de intimidade. Foram levadas em consideração as peças jornalísticas em seus mais diversos formatos, artigos de opinião, editorial e entrevistas, além das manchetes de capa, deixando de lado cartas ao leitor (no 30 caso de Zero Hora ) e cartas ao diretor (no caso do Público ). Com essa busca foi possível selecionar no jornal Público um total de 153 notícias no ano de 2019 e 92 no ano de 2020. No Jornal Zero Hora , o número de peças selecionadas foi de 185 em 2019 e 203 em 2020. Para facilitar a visualização desses números, elaborou-se uma tabela com o número de vezes que a violência foi notícia, divididas pelos meses do ano e o total em cada ano. A Tabela 2 apresenta também uma coluna com o número de vezes que o tema pesquisado esteve presente na capa dos jornais. Público 2019 Zero Hora 2019 Público 2020 Zero Hora 2020 Peça Capa Peça Capa Peça Capa Peça Capa Janeiro 8 2 21 3 4 1 18 1 Fevereiro 28 5 11 1 11 1 17 2 Março 35 4 21 0 10 0 21 3 Abril 10 1 15 0 17 1 17 2 Maio 6 1 16 0 8 2 22 1 Junho 6 0 17 2 6 2 17 1 Julho 7 1 7 1 6 2 15 1 Agosto 12 1 6 1 5 0 20 2 Setembro 7 0 16 2 6 0 11 0 Outubro 13 3 19 2 5 0 15 1 Novembro 14 2 13 2 8 2 19 1 Dezembro 7 0 23 5 6 0 11 1 Total em cada ano 153 20 185 19 92 11 203 16 Tabela 2: Síntese do número de peças sobre violência doméstica publicadas pelos dois jornais, por mês, ao longo de 2019 e 2020 A lista com todas as notícias encontra-se no Apêndice 1 e tem a seguinte configuração: Numeração - letra(s) inicial(s) do nome jornal onde foi publicada (P para o Público e ZH para Zero Hora ) – data de publicação – manchete – seção ou editoria (localização no jornal) e número da página Algumas referências têm ainda um breve resumo explicativo, principalmente quando o título não deixa claro que a notícia é sobre violência doméstica contra a mulher. Depois da listagem de cada mês, consta também um resumo que descreve e detalha os números que estão no quadro acima. Como o corpus da pesquisa é amplo, foi necessário fazer alguns recortes para fins de análise. As 633 peças relacionadas foram contabilizadas para dados numéricos, gráficos e análises quantitativas e também para uma verificação global do conteúdo. Para exemplificar e detalhar o “olhar” sobre as peças, foi feito um recorte (figuras inseridas no texto da análise) daquelas que tratavam especifica e exclusivamente do tema “violência doméstica contra mulher” e com conteúdo gráfico e textual diferenciados e relevantes, ou seja, que trouxeram contributo para a questão desta pesquisa focada em entender a finalidade do jornalismo quando trata da violência doméstica contra a mulher. Entraram para esse recorte, independentemente da relevância do conteúdo, as peças jornalísticas que foram publicadas Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 37 Figura 5: Título e ilustração da reportagem do Caderno Gastronomia, do jornal Zero Hora, de 8 de março de 2019 Nestas notícias, a ênfase é a questão da presença da mulher na enologia e na gastronomia, áreas onde é mais comum se ver a atuação masculina. Na edição de 8 de março de 2020, o tema aparece na capa como já foi analisado acima, na reportagem especial sobre o “tempo da mulher” e também está presente em outras sete publicações. São notícias distribuídas em diferentes editorias do jornal que fazem alusão ao Dia da Mulher. Na maioria, encontra-se uma referência à violência contra a mulher como um dos desafios a ser vencido, como assunto a ser discutido entre as mulheres e a sociedade. No espaço de opinião, uma colunista do jornal Zero Hora escreve um texto com o título “o que é urgente no Dia da Mulher” e na primeira frase já aparece o tema do combate à violência contra as mulheres. O tema da atual situação da mulher na sociedade também aparece em outros artigos de opinião, na política e na agenda cultural do fim de semana com um título que faz referência a espetáculos feitos para mulheres ou por mulheres “Um findi delas, com elas, por elas”. Na editoria de Esporte, há uma entrevista com a primeira vice-presidente de um clube de futebol do Rio Grande do Sul e os desafios de ser “mulher” no contexto esportivo, ainda mais numa posição de liderança. O título é bem sugestivo: “A guria briguenta do Beira Rio”, sendo “guria” uma expressão típica do sul do Brasil para se referir à menina, à mulher e “Beira Rio” é o nome do estádio do Esporte Clube Internacional, do qual a entrevistada é vice-presidente. Figura 6: Opinião do jornal Zero Hora , de 8 de março de 2020 38 Também na edição de 8 de março de 2020, uma reportagem sobre mulheres empreendedoras faz alusão ao fato de a mulher estar sempre em busca do seu espaço e de vencer preconceitos e questões como a violência de gênero. Figura 7: Reportagem do jornal Zero Hora , de 8 de março de 2020 Como mostra a figura 7, o título da reportagem é “Unidas para empreender e liderar” e traz em destaque as frases: “Empoderá-las é o nosso dever” – “Mulheres podem decidir por duas vidas” – “Vivemos um cenário de evolução”. A escolha das imagens das mulheres em posição de poder, de orgulho, de donas da situação, reforça a linha semântica utilizada no texto para tratar do empoderamento feminino. Pode-se concluir após a análise das edições do jornal Zero Hora dos dias 8 de março de 2019 e 8 de março de 2020, que ambas confirmam a importância de se discutir sobre a mulher e o seu papel na sociedade. Apesar de o tema não estar na capa das edições, o Dia da Mulher é lembrado em diferentes editorias do jornal, sempre com a mesma ênfase nas questões de necessidade de afirmação, conquista de espaços e luta por direitos. A violência contra a mulher também é apresentada nas edições como um assunto atual e necessário de ser tratado pelo jornalismo. O critério de noticiabilidade que prevalece em todas as peças analisadas é a data específica, alusiva ao Dia da Mulher. Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 39 Público 2019 e 2020 Figura 8: Capas do jornal Público do adia 8 de março de 2019 (à esquerda) e 8 de março de 2020 (à direita) Na capa do Público de 8 de março de 2019, o principal destaque visual foi a violência doméstica contra a mulher. Já no ano seguinte, no Dia da Mulher em 2020, o destaque foi a pandemia, uma vez que no início de março o número de pessoas contaminadas pelo vírus covid-19 começou a aumentar e foram tomadas as primeiras medidas do governo, como o fechamento das escolas, que é o assunto da manchete. Na capa de 2020, a única referência ao Dia da Mulher foi a chamada no centro inferior do jornal sobre o número de mulheres na política de Portugal, não estando o assunto diretamente relacionado com a violência doméstica. Em relação à reportagem especial sobre violência doméstica que ocupa as páginas no intervalo de 2 a 7 do jornal em 8 de março de 2019, a machete traz a expressão “violência doméstica” em destaque na cor vermelha e segue com o seguinte texto: “o que fazer para pôr fim ao flagelo? Oito mulheres respondem”. O destaque não especifica se as oito mulheres que vão responder à questão foram vítimas ou se vão debater o assunto – isso é esclarecido apenas no início da reportagem dentro do jornal. A escolha das fotos das mulheres chama a atenção porque mostra fisionomias bem diferentes. Pelas imagens, pode-se inferir que sendo elas vítimas ou não, o problema deve ser falado e refletido por todas as mulheres, independentemente da idade, classe social ou profissão. O título da reportagem especial é: “Onze mulheres mortas. O que fazer para acabar com isso?” O título deixa claro que é preciso agir, fazer alguma coisa para mudar a realidade e reduzir ou até extinguir os casos de violência doméstica contra a mulher no país. Nesse sentido, o jornal admite que a violência 40 doméstica é um problema público em Portugal e ao selecionar o assunto para a manchete principal deixa claro que os meios de comunicação devem publicar o tema e ampliar o conhecimento e o comprometimento da sociedade – dos leitores – em relação ao fato. Depois do título, o subtítulo explica que as oito mulheres que se manifestam sobre o assunto são de diferentes pontos geográficos do país – de norte a sul – e que elas não foram vítimas de violência, mas que têm “algo a dizer”. O texto começa citando um crime de violência doméstica ocorrido a 6 de março, em Vieira do Minho. A mulher de 39 anos foi morta pelo marido, sendo a décima primeira vítima deste tipo de crime. Segundo o texto do jornal, do início de 2019 até o dia 8 de março, 11 mulheres foram mortas por parceiros, ex-maridos ou familiares. Depois de a reportagem citar o crime, seguem os depoimentos das mulheres. Elas falam sobre as suas impressões, citando quais as causas e quais as possíveis soluções para a violência contra a mulher no ambiente doméstico. Ganham voz nesta reportagem a dona de um café, uma produtora de queijo, uma diretora de escola, uma profissional de saúde, uma estudante de jornalismo, uma pesquisadora, uma enóloga e uma advogada. Da empresária à advogada, a questão da falta de apoio às vítimas está presente em todos os depoimentos, no sentido de justificar que muitas mulheres não saem da situação de vítima porque dependem do agressor financeiramente, ou mantêm-se com ele porque têm filhos em comum ou ainda porque sentem vergonha de expor a sua vida íntima problemática. Nos textos, as mulheres também citam a importância do papel da sociedade no sentido de denunciar os casos, de tornar público os acontecimentos e de cobrar justiça e punição para o agressor. As expressões “machismo” e “sociedade patriarcal” também estão presentes nos discursos de duas mulheres ouvidas na reportagem. A dona do café conta que, mesmo nós estando no século XXI, os homens ainda se referem às mulheres como objeto e como algo sobre o qual eles têm posse e poder. Ela cita exemplos de termos utilizados por eles nas conversas na cafeteria como “aquela mulher”, “minha mulher” e diz ainda que sabe de casos de mulheres que não saem de uma relação por vergonha do divórcio, principalmente nas cidades pequenas. Ou seja, é a manutenção de uma submissão feminina criada ao longo da história, como citado no primeiro capítulo deste trabalho. A advogada que aparece na reportagem é brasileira e conta que o primeiro caso que ela atendeu em Portugal foi de um divórcio, em que a mulher era vítima de agressões. Quando a advogada estava a tratar do caso, a mulher foi morta pelo ex-marido. Pela situação, pode-se reforçar a questão do sentimento de posse dos homens sobre as mulheres que se estabeleceu histórica e socialmente e que até hoje tem reflexo no comportamento da sociedade. A advogada sugere que as mulheres devem Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 41 estar em alerta às relações abusivas desde o namoro. Ela cita que normalmente o homem dá sinais de que tem comportamento agressivo ou possessivo desde o início da relação. Estão presentes nos depoimentos também questões como o comportamento agressivo de crianças que muitas vezes são reflexo do que eles vivem em casa, as crianças replicam a realidade. E sobre a importância da escola de falar sobre o tema com crianças e jovens, mostrando que a violência doméstica é crime. Depois dos depoimentos, o jornal mostra ainda uma entrevista com a Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, em exercício à data daquela publicação. A reportagem em destaque ainda traz um gráfico sobre a desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho. Vale destacar os números sobre o salário: enquanto a média é de 6,10 € por hora entre os homens, o valor cai para 5,80 € entre as mulheres. Sobre as denúncias de assédio sexual, 8,6% são registradas por homens e 14,4% por mulheres. Em relação às tarefas domésticas, a diferença é surpreendente, as mulheres dedicam quase o dobro do número de horas dos homens em cuidar da casa e dos filhos (8h para os homens, 18h para as mulheres entre 30 e 49 anos). No gráfico sobre a distribuição por área de profissionais, as mulheres superam os homens, temos mais juízas, mais procuradoras, mais médicas e mais advogadas mulheres do que homens nestas mesmas profissões. Entende-se que esses dados sejam interessantes para mostrar que as mulheres têm capacidades profissionais elevadas – antigamente, muitas profissões só podiam ser exercidas pelos homens. No entanto, apesar de fazerem as mesmas coisas – terem funções equiparadas – a remuneração ainda é discriminatória. O editorial que segue à reportagem em destaque também trata sobre a violência doméstica. No texto, Amílcar Correia cita uma série de projetos, leis e providências que começaram a ser tomadas em relação a esse tipo de crime. O texto tem um tom de “deboche”, uma vez que ele usa por várias vezes a palavra “ontem” para salientar que só depois de um crime, ou quando um assunto se torna público é que as autoridades se manifestam. O texto cita ainda o caso do juiz que foi afastado do cargo e sofreu uma punição por usar o adultério como pretexto para suspender a pena num caso de violência doméstica. O juiz terá citado a Bíblia para justificar que a mulher teria sido morta por ser infiel. O editorial diz “que essa decisão não se deve somente a uma mera conveniência de serviço à avalanche de protestos e ao fato de os seus acórdãos (do juiz) tecnicamente irrepreensíveis terem sido noticiados pela imprensa internacional. O problema não é de ontem, é de sempre”. Por se tratar de um editorial, o jornal Público deixa clara a opinião de que faltam políticas públicas e ações efetivas em relação aos crimes de violência doméstica. 42 Percebe-se que nessa reportagem em destaque o jornal mostra a finalidade do jornalismo já tratada nesta pesquisa no sentido de tornar público os assuntos que precisam de atenção, mostrar a realidade e suas problemáticas e noticiar possíveis iniciativas de transformação dessa realidade. O fato de a violência doméstica ter sido escolhida para estar na capa do jornal do Dia Internacional da Mulher tem como critérios de noticiabilidades o factual da data sobre a mulher, o fato de o crime ter ocorrido dois dias antes da data específica e ainda a incidência deste tipo de crime, uma vez que o jornal destaca fato de nos primeiros meses do ano 11 mulheres terem sidos mortas em casos de violência doméstica. 1.1) 25 de novembro – Dia Internacional pela eliminação da violência contra a mulher Zero Hora 2019 e 2020 Figura 9: Capa do jornal Zero Hora de 25 de novembro de 2019 (à esquerda) e 25 de novembro de 2020 (à direita) Em Zero Hora , as capas dos dias 25 de novembro de 2019 e 25 de novembro de 2020 não trazem nenhum assunto relacionado à Mulher ou à violência contra a mulher, como mostra a Figura 9. Em 2019, no dia 25 de novembro, o tema é referido apenas na seção da agenda onde aparece a data e se especifica que é o Dia Internacional de Não Violência contra a Mulher. No dia 26 de novembro de 2019, dia seguinte ao marco da luta pela não violência, a edição trata do tema em quatro notícias, sendo uma delas destaque na capa do jornal. Figura 10: Capa do jornal Zero Hora de 26 de novembro de 2019 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 43 Na capa, o título “A violência contra a mulher em um ranking” é a chamada para a coluna do jornalista Túlio Milman. A notícia está na página 2 do jornal, local específico dos textos do colunista em questão, que trata de assuntos de temas diversos, com predomínio de assuntos políticos. A coluna mostra os municípios do Brasil, Colômbia e México como os que tem mais casos de violência contra a mulher. Duas cidades do Rio Grande do Sul estiveram no topo do ranking em 2018, o que representa que esses municípios concentram grande número de crimes deste tipo, mas também que nestas cidades são realizadas denúncias, uma vez que os dados são baseados nos registros dos órgãos de segurança pública dos estados. Também no dia 26, na editoria de Política, foi destaque um protesto ocorrido em Brasília, com a colocação de cruzes que representam as mulheres vítimas de violência. E ainda na área política, um registro de um programa pelo fim da violência contra a mulher, lançado pelo presidente Jair Bolsonaro. Figura 12: Notícias do jornal Zero Hora, do dia 26 de novembro de 2019 Percebe-se que no caso do jornal Zero Hora , no ano de 2019, o principal critério de noticiabilidade foi a factualidade, os acontecimentos ocorridos. A edição do dia 25 só referiu o Dia de luta pela não violência contra a mulher na agenda. Mas no dia 26 de novembro, trouxe as notícias dos fatos ocorridos durante o dia de luta pela não violência. No ano de 2020, o Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher foi lembrado com uma notícia na contracapa do jornal do dia 25 de novembro, sobre o lançamento do filme sobre a história de Lorena Bobbit, a mulher que durante quatro anos de casamento sofreu atos violentos e acabou por Figura 11: gráfico do jornal Zero Hora , de 26 de novembro de 2019 44 cortar o pênis do marido. O filme é baseado na vida real de Lorena. O caso ocorreu nos Estados Unidos em 1993. Figura 13: Contracapa do jornal Zero Hora de 25 de novembro de 2020 Da mesma forma que ocorreu no ano anterior, o jornal abordou o tema do dia de luta pela fim da violência contra a mulher no dia 26 de novembro de 2020. O jornal Zero Hora publicou a notícia sobre a campanha com 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. Um kit com uma cartilha com informações sobre o que é considerado crime, como denunciar, onde pedir ajuda foi distribuída no centro de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. O jornal também publicou a agenda das atividades programadas durante os dias da campanha. A notícia refere ainda que as denúncias de crimes de violência doméstica reduziram desde o início do isolamento social, imposto pela pandemia; mas que esse fato não quer dizer que os crimes reduziram. As autoridades criaram mais canais online para este tipo de denúncia. Os números de telefone e WhatsApp estão publicados na notícia. Figura 14: notícia do jornal Zero Hora , de 26 de novembro de 2020 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 45 Público 2019 e 2020 Figura 15: Capas do jornal Público de 25 de novembro de 2019 (à esquerda) e 25 de novembro de 2020 (à direita) No jornal Público , as capas dos dias 25 de novembro de 2019 e 25 de novembro de 2020 não fazem referência ao Dia Internacional para a eliminação da violência contra as mulheres, como mostra a Figura 15. No ano de 2019, na editoria Sociedade, o tema aparece duas vezes. Primeiro, em uma notícia sobre o número de salas de acolhimento para mulheres vítimas de violência (existem 457 em Portugal). Segundo o Governo, 28 mulheres foram mortas no país até àquela data. Já os dados publicados na mesma notícia de outra fonte de informação – Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA) – permitem destacar que 28 mulheres foram mortas em contexto de violência doméstica de 1 de janeiro a 12 de novembro, e que ocorreram outras 27 tentativas de feminicídio. Depois dessa notícia, o editorial do jornal fala sobre a violência contra as mulheres e é enfático sobre a problemática. O texto traz dados do número de vítimas, destacando que é preciso agir em relação a este tipo de crime. E divulga uma conferência sobre o tema, destacando que estariam presentes vítimas para dar depoimentos reais das questões de violência e discriminação. Nota-se que a questão da imagem também é escolhida para causar impacto: uma mulher com as mãos na cabeça, num gesto de medo ou desespero ou ainda preocupação. Figura 16: Editorial do jornal Público de 25 de novembro de 2019 46 No ano de 2020, o Público abordou a violência contra as mulheres, no dia 24 de novembro, um dia antes da data específica sobre a luta pelo fim da violência contra a mulher. O assunto está na capa da edição, como mostra a Figura 17, abaixo: Figura 17: Capa do jornal Público , de 24 de novembro de 2020 Na edição do jornal, a reportagem trabalha a questão da imagem como fonte de informação e para chamar a atenção do leitor: uma mulher apanhando que nitidamente remete à submissão, à violência, à dor. Figura 18: reportagem do jornal Público , de 24 de novembro de 2020 Em termos de conteúdo, a notícia traz o dado interessante de que a maioria das denúncias de casos de violência doméstica é feita por testemunhas. Por um lado, esse é um ponto positivo da questão, uma vez que, de acordo com a lei, é dever da sociedade denunciar este tipo de crime. Mostra que a máxima de “em briga de marido e mulher não se mete a colher” já não é válida e nem deve ser. É dever do cidadão não ser omisso à criminalidade. Por outro lado, o aspecto negativo desse dado é o fato de as vítimas não denunciarem, de não serem as mulheres a buscar os seus diretos e de pôr fim a um contexto de violência. O medo, a dependência financeira, os filhos em comum são alguns aspectos que levam as mulheres a não Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 53 Na segunda reportagem, o jornal acompanhou dois julgamentos: um motorista de aplicativo e um professor de Direito Penal. A profissão dos acusados é relevante aqui para mostrar que a violência doméstica é um crime sem parâmetros geográficos, financeiros ou intelectuais. Ocorre nas famílias de classes menos favorecidas até às milionárias; pode estar presente no início de um namoro até numa relação de mais de 50 anos de casamento; o agressor pode ser um analfabeto ou um doutor, em qualquer lugar do mundo. O texto traz alguns dados sobre a diferença das agressões de acordo com o contexto sócio econômico. Nas classes médias, diz a reportagem, a violência é mais verbal e psicológica; nas classes altas, o crime sexual é recorrente e as ameaças em relação ao fato de ser vergonhoso uma família abastada ter “problemas” e nas classes menos favorecidas, é comum a agressão física. Isso é uma tendência, não uma regra, porque todos os tipos de violência podem estar presentes nos casos de violência doméstica. Chama atenção na segunda reportagem é que o professor de Direito Penal tenta intimidar a vítima e até a magistrada durante o julgamento: acusa-as de feministas, diz que agem contra os padrões da Igreja, isso porque o inquérito mostra uma relação complicada entre o casal desde o início do namoro quando ele já enviava mensagens desrespeitosas para a namorada; e a mesma respondia à altura e uma das advogadas diz que a relação deles era “tóxica”. O julgamento acompanhado pelo Público não chegou a um veredito, ficou marcada outra data para a sentença. E o caso mostra mais uma vez a impunidade ou ineficiência da Justiça. No caso do motorista de aplicativo, ele perseguia a ex-namorada. Não aceitava o fim da relação e então passou a importuná-la e ameaçá-la, às vezes por telefone, outras mesmo presenciais, como o episódio em que quebrou o retrovisor do carro da vítima. O homem já era monitorado eletronicamente, por causa das denúncias feitas pela vítima. Neste julgamento, o homem foi condenado a dois anos de prisão. Sobre a terceira reportagem da série, o tema já foi analisado anteriormente, porque trata dos casos em que as mulheres são as acusadas pelo crime. 54 A questão da impunidade como barreira para travar a violência doméstica também é tratada pelo Público em 4 de julho de 2020. A questão foi capa de jornal. A escolha da foto e da frase dita pela vítima exemplificam a gravidade do assunto. O texto diz que um homem foi absolvido em um caso de violência doméstica por falta de testemunhas. E as palavras da vítima são “senti que a Justiça me tinha posto uma faca no estômago”. Em duas páginas, Josina Machel – filha de Samora e enteada de Nelson Mandela, conta que quase ficou cega depois das agressões do excompanheiro. Denunciou e foi até o fim para pedir justiça. Quase cinco anos depois, a resposta foi a anulação da sentença pelo Tribunal, por falta de testemunhas. A entrevista também conta sobre como Josina atua na luta pelo fim da violência doméstica. Ela criou uma organização não-governamental para ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo que ela passou. É pertinente destacar a reportagem do Público publicada em 5 de fevereiro de 2019, que destacou a violência doméstica em uma notícia sobre as estatísticas de mulheres mortas. A manchete diz “Nove mulheres assassinadas desde o início do ano”. A reportagem ocupa das páginas 14 e 15 do jornal, na seção Sociedade. O Público não tem por hábito descrever os crimes em notas ou reportagens diariamente, mas coloca os detalhes dos casos quando publica uma notícia mais ampla sobre o tema. É o que se pode ver em destaque na imagem ao lado – recorte da reportagem completa que está em análise – em que o jornal faz uma síntese dos oito assassinatos de mulheres ocorridos no mês de janeiro de 2019. Com o título “Oito homicídios só em janeiro”, o Público descreve os oito casos, relatando as motivações do crime, quem são as vítimas, etc. Esta é umas das principais diferenças entre a forma de tratamento dos crimes entre os jornais Público e Zero Hora . O Público costuma reunir os dados e publicar uma Figura 24: Capa do Público , de 4 de julho de 2020 Figura 25: Notícia do Público , de 5 de fevereiro de 2019 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 55 notícia mais ampla sem descrever em detalhe os crimes. Em Zero Hora , as notícias sobre criminalidade estão diariamente no jornal, na editoria chamada Segurança, que trata dos temas policiais. Os crimes são mostrados um a um. Vê-se o exemplo na Figura 26 abaixo: Zero Hora costuma escolher o crime mais factual para destacar e cita outros, no caso da notícia replicada acima (Figura 26), o jornal relembra o assassinato de uma juíza e cita outro feminicídio ocorrido no mesmo dia. Uma questão que vale ressaltar é que o jornal Zero Hora acrescenta a quase todas as notícias de violência um quadro com informações úteis, como onde denunciar, onde buscar ajuda, quais os números e endereço para contato. Essa é uma tendência que se percebe no jornal e vem ao encontro da finalidade do jornalismo, ou seja, mostrar as alternativas para transformar (melhorar) a realidade. Outra tendência a destacar é que Zero Hora costuma acompanhar o desenvolvimento da investigação policial, principalmente de casos de maior repercussão. O assassinato de uma juíza, no Rio de Janeiro, por exemplo causou repercussão no Brasil inteiro. Ela foi morta na véspera do Natal em frente às filhas. Mesmo Zero Hora sendo um veículo de comunicação do sul do país, o jornal acompanhou o caso ocorrido na região sudeste. A morte é relembrada na notícia exemplificada acima (Figura 26) e, ao lado (Figura 27), o jornal também publica sobre o caso da juíza morta. O jornal Zero Hora , da mesma forma que o Público , muitas vezes compila dados para fazer publicações mais detalhadas deste tipo de crime. É muito comum o jornal mostrar as operações policiais em determinadas áreas da segurança pública. O exemplo que segue (Figura 28) é um deles, em que uma operação policial foi realizada para cumprir mandados de prisão Figura 26: Notícia de Zero Hora , de 30 de dezembro de 2020 Figura 27: Notícia de Zero Hora , de 27 de dezembro de 2020 56 para suspeitos de violência doméstica. Neste caso, o jornal utiliza-se do factual da operação para “ler” os indicadores de violência, crimes contra a mulher e feminicídio, e publica um estudo com possíveis causas, motivações, tendências e mais uma vez acrescenta um quadro com informações indispensáveis para vítimas e/ou testemunhas que queiram fazer denúncias. Figura 28: Notícia de Zero Hora , de 6 de março de 2020 Além do quadro com informações de onde as mulheres vítimas de violência ou pessoas que testemunhem violência doméstica podem pedir ajuda, notícias sobre material informativo também estão presentes em Zero Hora . Percebe-se uma preocupação do jornal para informar os leitores sobre o que é considerado crime e o que pode ser feito não só pela vítima, mas também pela sociedade para auxiliar na luta contra a violência. No dia 25 de outubro de 2019, Zero Hora mostrou uma notícia sobre uma cartilha digital. O lançamento da cartilha faz parte de uma campanha do Ministério Público chamada “Todas e Todos pelo fim da violência contra mulher” que tem como objetivo ampliar as informações sobre este tipo de crime e estimular o combate à violência. Exemplo de estratégia jornalística usada pelos dois jornais analisados são os gráficos. Em Zero Hora , como os indicadores de violência são calculados e publicados todos os meses pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, o jornal costuma publicar os índices e Figura 29: Notícia de Zero Hora , de 25 de outubro de 2019 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 57 percentuais de cada um dos crimes, destacando os que tiveram redução ou aumento. Como nos exemplos abaixo: Figura 30: Gráfico Zero Hora , de 13 de setembro de 2019 (á esquerda) e 14 de junho de 2019 (à direita) No caso do Público , o recurso de gráficos também é utilizado para mostrar os dados, mas normalmente o jornal amplia o assunto, fazendo a partir do gráfico um “retrato” da violência doméstica e outros crimes. No dia 13 de fevereiro de 2019, o Público trouxe na capa do jornal a manchete “Um terço das mulheres já foi vítima de violência doméstica”. A reportagem especial ocupa as páginas 2, 3, 4 e 5 do jornal, na seção Destaque e trata não só da violência, mas de várias questões relacionadas à mulher e às situações cotidianas em que o sexo feminino aparece em posição de inferioridade, como por exemplo a média salarial que é mais baixa, e ainda, como mostra o gráfico (Figura 31), a repartição das tarefas domésticas entre homens e mulheres. Em 2020, pelo contexto excecional de pandemia de covid-19, principalmente a partir do mês de março, as questões de saúde dominaram os jornais, tanto em Portugal como no Brasil. Sendo assim, seguindo a análise, é pertinente destacar de que forma a pandemia teve influência na questão da violência doméstica contra a mulher e de qual a abordagem dada por cada um dos jornais sobre essas temáticas. No caso do Público , foram publicadas diversas reportagens que fazem a relação entre o crime e o contexto pandêmico, isso porque uma das medidas adotadas por Portugal de forma bastante antecipada em relação a outros países para conter a disseminação do vírus foi a imposição de isolamento Figura 31: Gráfico do Público , de 13 de fevereiro de 2019 58 social e confinamento. E esse contexto obrigou a que vítimas e agressores ficassem “presos” na mesma casa, com o agravante de restrições também nas relações sociais e até de trabalho. Nota-se que o Governo português debateu muito sobre o tema porque foram publicadas notícias, como por exemplo, a do dia 19 de março, na seção Destaque (Figura 32). Lembrando que Portugal iniciou as ações contra a covid-19 em 16 de março, com o fechamento das escolas. Figura 32: Notícia do Público , de 19 de março de 2020 Da mesma questão das preocupações da violência doméstica contra a mulher em tempos de pandemia e confinamento segue o exemplo da reportagem do dia 20 de abril que é capa de jornal com a frase “Violência doméstica é uma epidemia escondida. Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 59 Figura 33: Notícia do Público , de 20 de abril de 2020 Foi neste contexto de pandemia que o jornal publicou um quadro com informações de onde pedir ajuda e de que forma vítimas ou testemunhas podem agir, em caso de violência doméstica. As denúncias foram também uma preocupação das autoridades, uma vez que estando a vítimas junto do agressor, poderia ser um desafio a mais fazer uma ligação ou sair de casa para registrar uma ocorrência. Figura 34: Público , de 28 de dezembro de 2020 No caso de Zero Hora , os quadros com informações de como e onde denunciar e pedir ajuda já eram uma tendência do jornal – como exposto anteriormente nesta análise – e continuaram sendo em 60 tempos de pandemia. E, assim como no Público , as manchetes sobre violência doméstica estiveram diretamente relacionadas à pandemia a partir de abril de 2020 em Zero Hora . Figura 35: Manchete de Zero Hora , de 7 de abril de 2020 (à esquerda) e 21 de abril de 2020 (à direita) Nota-se que, no Brasil, mais uma vez as preocupações com a violência doméstica estiveram mais relacionadas à área de segurança pública – polícia – do que com os setores políticos, diferentemente de Portugal. O jornal Zero Hora também publicou muito material na coluna de opinião neste período, com questionamentos dos seus colunistas sobre o que a pandemia estaria a causar na sociedade em diferentes setores, incluindo, claro, as questões de violência. Se, por um lado, alguns crimes tiveram redução pelo fato de as pessoas estarem “presas” em casa, por outro, outros crimes poderiam estar sendo escondidos neste contexto doméstico. Percebeu-se também que muitas ações foram realizadas por órgãos não governamentais e entidades, no sentido de seguir as ações de luta contra a violência e, principalmente, de auxílio às vítimas. Figura 36: Publicação de Zero Hora , de 4 de maio de 2020 Uma notícia interessante foi de um trabalho integrado entre farmácias, órgãos de segurança e políticos para auxiliar vítimas de violência doméstica a serem identificadas de forma segura, sem que o agressor, caso estivesse junto, percebesse. A dinâmica era ao chegar em uma farmácia pedir por uma Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 61 “Máscara Roxa”, como se fosse uma espécie de código para sinalizar de que a mulher era uma vítima de violência. Além da notícia, o jornal publicou por várias vezes essa informação no rodapé da edição. Figura 37: Publicação de Zero Hora , de 11 de junho de 2020 Outra notícia que mostra a importância do envolvimento da sociedade em relação à violência em contexto de pandemia, foi a do projeto de lei aprovado pelos deputados gaúchos que prevê que pessoas responsáveis por condomínios têm o dever de comunicar a polícia sobre agressões e casos de violência dentro do condomínio. A manchete da notícia chama a atenção porque faz relação a uma máxima que já não deve existir “Papel do síndico é meter a colher”. Através do uso da expressão, que em sua originalidade está associada a não se envolver em brigas de marido e mulher, o jornal chama a atenção para a necessidade de inverter a ordem e, sim, intrometer-se e denunciar casos de violência entre marido e mulher. Zero Hora chama a atenção da necessidade de as pessoas perderem o medo de fazer denúncias, destacando essa notícia em que a lei ampara o papel do síndico para casos de brigas e violência doméstica dentro dos condomínios. Figura 38: Notícia de Zero Hora , de 10 e 11 de outubro de 2020 62 Essa foi a análise global das peças selecionadas para este estudo nos jornais Público e Zero Hora , publicadas entre janeiro de 2019 a dezembro de 2020. Segue agora, a síntese das questões verificadas nos recortes e exemplos citados acima, a fim de fazer o retrato das publicações sobre a violência doméstica contra a mulher. Síntese dos resultados Inicia-se esta síntese dos resultados pelo aspecto quantitativo, em relação ao número de peças informativas encontradas em cada um dos jornais estudados, no período de dois anos (2019 e 2020). Ano Público Zero Hora 2019 153 185 2020 92 203 Total 245 388 Global 633 Tabela 7: Número de peças noticiosas em cada ano, em cada jornal Nota-se que o Público reduziu o número de peças sobre a violência doméstica contra a mulher no ano de 2020. No ano pandêmico, foram 61 peças noticiosas a menos em relação ao ano anterior sobre o tema estudado no jornal português. A justificativa que se percebeu na análise foi o aumento de peças sobre a Covid-19, o que tomou espaço de outros assuntos. Em contrapartida, Zero Hora aumentou o número de peças sobre a violência doméstica de 185 para 203, foram 18 publicações a mais no ano da pandemia. Pode-se dizer que o jornal brasileiro seguiu a tendência do critério da factualidade e continuou a publicar os crimes, além de inserir a violência contra a mulher nas peças noticiosas sobre a Covid-19. Em relação à distribuição das publicações ao longo dos meses, o mês de março está entre os que tem o maior número de peças noticiosas sobre o tema, tanto em Zero Hora , como no Público . Abaixo, o número de peças encontradas em cada jornal no mês de março de cada ano, e o mês com maior número de publicações em cada ano. Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 69 Figura 47: Quadro informativo do jornal Público , de 28 de dezembro de 2020 É válido observar que o quadro foi publicado no final do primeiro ano de pandemia, a edição é do dia 28 de dezembro de 2020. Esses são os resultados obtidos da análise das peças publicadas sobre violência doméstica no Público e Zero Hora , de acordo com aspectos quantitativos e teóricos: número de notícias publicadas, principais critérios de noticiabilidade, localização das notícias dentro das seções dos jornais, aspecto visual das notícias. Os resultados foram obtidos a partir da análise feita com o propósito de fazer um retrato sobre a forma como os jornais mostram a violência doméstica contra a mulher e tentar entender a finalidade do jornalismo ao publicar notícias sobre esse tema. Em se tratando de uma Ciência Social, é notório que muitos outros estudos podem ser feitos, e a análise pode ser ampliada utilizando as mesmas notícias, pelo fato de que as interpretações são amplas assim como são vastas as possibilidades de análise. Leitura crítica dos resultados Depois da síntese dos resultados, segue ainda uma leitura crítica que pode ser feita, através de uma interpretação empírica das notícias e do conteúdo estudado. Ao verificar e analisar as 633 peças noticiosas que integram o corpus desta pesquisa, podemos inferir algumas questões bem nítidas que diferenciam os dois jornais no tratamento do tema violência doméstica contra a mulher. Para começar, a escolha do nome da seção ou editoria onde o tema está localizado dentro de casa veículo. Sob o aspecto semântico, vale destacar que no Público , a seção chama-se Sociedade, que, segundo o dicionário da língua portuguesa significa “conjunto de pessoas que vivem na mesma época e no mesmo espaço, orientadas por leis comuns”, ou seja, tem um significado relacionado às pessoas, às questões sociológicas, a um assunto de interesse e de responsabilidade da sociedade. Em Zero Hora , a 70 editoria chama-se Segurança, que significa “situação ou estado do que não apresenta nenhum perigo; regras de segurança; pessoa cuja profissão é vigiar algo ou proteger as pessoas”, estando claramente mais ligado às questões dos órgãos policiais, de autoridades de segurança pública, assuntos relacionados a quem deve garantir a segurança, à justiça. Em relação ao tipo de notícia produzida em cada um dos jornais – Público com mais reportagens especiais e ampliação do tema; Zero Hora com mais relatos criminais – podemos dizer que elas estão relacionadas ao contexto em que cada jornal está inserido e ao tipo de cobertura realizada por cada um dos veículos de comunicação. Muito provavelmente, essas designações e enquadramentos justificam-se pela realidade de cada país. Os índices de criminalidade no Brasil são maiores que em Portugal e, por isso, o tema violência no dia a dia tem mais repercussão na mídia. As diferenças confirmam-se ainda mais pelo fato de em Zero Hora , por exemplo, ser capa de jornal em quase todos os meses do ano, as estatísticas de criminalidade. A própria divulgação das autoridades de segurança tem uma frequência diferente nos dois países em análise. No Brasil, os números são divulgados pelas Secretarias de Segurança Pública para os órgãos de imprensa mensalmente e existe a cultura – e podemos dizer interesse público – em ver esses números de forma noticiosa. É do interesse das autoridades e da população saber como estão as questões de segurança pública, pois o medo da violência é inerente ao cotidiano dos brasileiros. Em Portugal, a divulgação de relatórios sobre a violência contra a mulher, por exemplo, é anual, com algumas divulgações parciais, quando os números estão fora do padrão (mais casos do que os registrados no ano anterior). Por esse motivo, provavelmente, é que o jornal do Brasil utiliza nas capas e mesmo dentro das reportagens mais dados numéricos e mais gráficos do que Portugal. Ainda em relação ao fato de os índices de criminalidade serem maiores e mais midiáticos no Brasil, muitas peças são relatos de crimes, são assuntos factuais e seus desdobramentos. Muito provavelmente, isso possa ter relação com o tipo de cobertura realizada. Apesar de os números de habitantes e possível público leitor serem parecidos entre Portugal e o estado do Rio Grande do Sul, por se tratar de um estado, a cobertura de Zero Hora é regional e tem mais assuntos “locais”. O Público produz notícias para o país, ou seja, trabalha com cobertura nacional. E ainda tem o fato, subjetivo, mas de entendimento popular de que a violência no Brasil está banalizada, e as pessoas têm interesse em saber, por exemplo, sobre a prisão de um criminoso, ou sobre o tipo de arma que ele usou, ou sobre a forma como age quando agride as mulheres. Sobre os inputs visuais, mostramos na análise que o Público usa mais artes gráficas e fotos conceituais e Zero Hora mais fotos da cena do crime ou de vítimas ou condenados – fotos reais. Nesta Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 71 fase de análise crítica, podemos dizer que a escolha deste tipo de ilustração mais realista também esteja ligada ao modo como a violência é vista, sentida e tratada no Brasil. Tanto no Público , como em Zero Hora , a escolha das imagens estará ligada à ideia de impacto e à necessidade de mostrar a gravidade dos crimes de violência contra a mulher, mas, quando Zero Hora mostra uma mulher real, vítima de um homem que aparece algemado na foto, o jornal quer mostrar “a realidade nua e crua”, é a violência explícita e no caso do homem algemado a ação explícita, necessária e eficiente da polícia. No caso das imagens de punição, condenação, elas quase têm o objetivo de causar uma catarse no leitor, nas pessoas que convivem com a violência diariamente e que estão saturadas dos crimes e do medo nas ruas – no caso da violência doméstica, medo que se estende dentro das paredes da própria casa. Podemos refletir sobre o fato de diferentes áreas da cultura no Brasil escolherem o tema violência doméstica para ser tratado, como na música, no cinema, nas mini séries. Muitas notícias catalogadas que se encontram na editoria de Cultura tratam desse problema através da arte. Os textos são de pedidos de denúncia, de incentivo ao empoderamento feminino, de independência financeira da mulher. Atrevemo-nos a dizer que as notícias transparecem que o país tem um envolvimento maior no sentido de expor o problema, de mostrar a realidade, quase uma “militância” das pessoas envolvidas na causa. Nota-se grupos que são engajados em temas específicos como a causa LGBT, o feminismo, mais do que se pode perceber no jornal de Portugal. Apesar de que o olhar da análise foi apenas para as questões de violência contra a mulher e não de grupos organizados ou militâncias, o maior engajamento fica explícito em algumas publicações do jornal do Brasil. Entendemos que as publicações de violência doméstica contra a mulher analisadas nesta pesquisa nos jornais Público e Zero Hora tem formatos, enfoques e abordagens diferentes, mas os dois utilizam-se do critério factualidade e do critério repercussão e relevância para a sociedade para mostrar os crimes, as histórias e as políticas públicas que envolvem os casos de violência doméstica contra a mulher. Tendo o jornal do Brasil, uma abordagem mais direta, diária e realista; e o jornal Público um tratamento de dados mais global, para elaboração de reportagens aprofundadas do tema. Cada um com as suas características, que consideram aspectos contextuais, sociais e históricos de cada região como já citado, os jornais buscam o cumprimento de uma responsabilidade social, ao publicar peças noticiosas sobre a violência doméstica contra a mulher. 72 Notas conclusivas eito um retrato de como Público e Zero Hora mostraram a violência doméstica contra a mulher, no período de 1 de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2020, podemos concluir que o jornalismo tem buscado, tanto no Brasil como em Portugal, apresentar este tipo de crime de diferentes formas – predominantemente, em reportagens especiais no Público , em estatísticas numéricas em Zero Hora – utilizando informação, gráficos, fotos reais e ilustrações de maneira a chamar a atenção do leitor para a importância de se refletir sobre os casos de violência. Quanto mais o assunto estiver nas páginas dos jornais, mais informação estará disponível e maior será a necessidade de reflexão de como a sociedade ainda precisa amadurecer sobre as questões de igualdade de gênero e de respeito e direito à vida. Quanto ao problema real da violência, foi possível entender que o número de casos registrados pelas autoridades responsáveis por este tipo de crime é maior do que o número de notícias que são publicadas, uma vez que muitas ocorrências não ganham repercussão, nem status de noticiável, por não estarem relacionadas a pessoas de destaque na sociedade, por não apresentarem muita violência, enfim por não entrarem nos critérios de noticiabilidade e, por consequência, não serem transformadas em publicações jornalísticas. É importante observarmos também que essa relação de número de registros e de notícias sobre o crime em questão não mostram a realidade. Em várias peças noticiadas que integram o corpus , encontramos a informação de que nem todas as vítimas de violência fazem denúncias e de que muitas retiram as queixas, ou seja, as estatísticas divulgadas são apenas uma amostra parcial do problema. Como cita uma das reportagens analisadas o que se publica e se conhece é apenas a “ponta do iceberg” da violência doméstica contra a mulher. Podemos concluir ainda que a presença constante dos crimes de violência doméstica contra a mulher nos jornais, seja no Brasil ou em Portugal, traduz uma triste realidade: as mulheres continuam a ser vítimas dos homens, continuam a ter uma posição de subordinação em relação à figura masculina, provando que as mudanças do papel da mulher na sociedade ainda estão ocorrendo e que é preciso evoluir ainda mais. Se foi possível dar status de crime público para a violência que durante muito tempo foi “legalizada” entre quatro paredes, se foi possível transformar a violência contra a mulher em um assunto de interesse e de estudo da sociedade, se os meios de comunicação tornaram esse tema uma F Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 73 necessidade de constante discussão, tudo isso é apenas uma parte do desafio que se mostra pela frente quando a questão é a igualdade de gênero. Ler textos com descrição de histórias reais em detalhes de formas como os companheiros, maridos ou namorados agridem e ameaçam as mulheres remete-nos ainda para os padrões estabelecidos no período do sistema patriarcal, que enraizado no contexto sócio cultural da sociedade, ainda está presente em pleno século XXI. A análise dos jornais ajudou-nos a compreender a relação entre os aspectos históricos e culturais do papel da mulher através dos tempos, a relação de notícia e violência doméstica e ainda fez-nos refletir sobre as formas como as publicações trazem os elementos gráficos, as ilustrações e a infirmação na busca pela responsabilidade social e finalidade do jornalismo. Entendemos que, principalmente em temas como a violência doméstica que está legitimada como crime e amparada por lei, as notícias devem ter um propósito que vai além de informar, ou seja, é preciso que cause impacto, que faça diferença para as pessoas. Quem lê nos jornais que uma mulher foi morta a facadas pelo marido enquanto dormia ou na frente dos filhos do casal não pode sair indiferente ao acontecimento. Pelo que se analisou ao longo das 633 peças noticiosas selecionadas neste trabalho de Mestrado, os meios de comunicação, ao escolher a pauta, ao apresentar histórias de mulheres de diferentes idades, em contextos diversificados, em geografias distintas mostram a necessidade de reflexão sobre o assunto. E vai além, as notícias sobre elaboração de políticas públicas que abordam a violência doméstica, sobre a ampliação de centros de ajuda às vítimas, ou a respeito da criação de leis que incentivam e legitimam as denúncias são formas de mostrar que a sociedade deve estar engajada na busca pela redução deste tipo de crime. Acreditamos que o jornalismo do Público e de Zero Hora neste intervalo de tempo analisado buscou essa finalidade do jornalismo de informar para transformar. O jornal português apostando em reportagens mais aprofundadas e recorrendo às ilustrações para mostrar o drama da mulher; e o jornal brasileiro sendo mais objetivo e explícito na busca pelo apoio das pessoas, ao mostrar repetidamente as formas de denunciar ou de ajudar as vítimas e de recorrer a números e gráficos para apresentar os crimes de violência doméstica. Ao ler a pesquisa concluída, percebemos que ainda há muitas possibilidades de se analisar a violência doméstica contra a mulher nos meios de comunicação. O assunto pode ser estudado por diferentes áreas do conhecimento e sob diferentes ângulos. Não temos aqui uma conclusão fechada sobre o retrato que os jornais Público e Zero Hora construíram ao publicar os crimes de violência doméstica, mas temos informações e análises que podem nos levar à reflexão sobre jornalismo, violência e responsabilidade social, despertando quem sabe outros estudos e futuras pesquisas sobre o tema. 74 Referências bibliográficas Amado, J. (1971). Gabriela, cravo e canela: crônica de uma cidade do interior . São Paulo: Livraria Martins, 1971. (Obras Ilustradas de Jorge Amado). Assis, M. (1997). Memórias póstumas de Brás Cubas . São Paulo: Globo. Dias, I. (s.d.). A violência doméstica em Portugal: contributos para a sua visibilidade. IV Congresso Português de Sociologia Dias, I. (2004). Violência na família – uma abordagem sociológica . Porto: Edições Afrontamento Duby, G.& Perrot, M. (1990). História das mulheres no ocidente: a antiguidade . V. 1 . Porto: Edições Afrontamentos. Fontcuberta, M. (1993). La notícia: pistas para percibir el mundo . Barcelona: Paidós. Franciscato, C. E. (2003). A atualidade no jornalismo: bases para sua delimitação teórica . Tese de Doutorado. Universidade Federal da Bahía, Salvador, Brasil. Franciscato, C. E. (2005). A fabricação do presente: como o jornalismo reformulou a experiência do tempo nas sociedades ocidentais . São Cristóvão: Editora UFS/Fundação Oviedo Teixeira Kunczic, M. (1997). 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As finalidades do jornalismo: o que dizem veículos, jornalistas e leitores . Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Maria, Porto Alegre. Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 75 Ribeiro, S. M. (2005). Retratos de mulher. Construções sociais e representações visuais no feminino . Porto: Campo das Letras Silva, G. (2004). Da necessidade dos estudos de jornalismo. Estudos em Jornalismo e Mídia, 1 (2), 199.207. https://doi.org/10.5007/%25x Silva, G. (2005). Para pensar critérios de noticiabilidade. Estudos em Jornalismo e Mídia, 2 (1), 95-107. https://doi.org/10.5007/%25x Silveirinha, M. J. (2012). As mulheres e a afirmação histórica da profissão jornalística: contributos para uma não-ossificação da História do jornalismo. Comunicação e Sociedade, 21 , 165182. https://doi.org/10.17231/comsoc.21(2012).707 Schudson, M. (2014). A norma da objetividade no jornalismo americano. In I. Sacramento & L. 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Lisboa: APAV Guia de boas práticas dos órgãos de Comunicação Social na prevenção e combate à violência contra as mulheres e violência doméstica . https://www.portugal.gov.pt/downloadficheiros/ficheiro.aspx?v=%3D%3DBAAAAB%2BLCAAAAAAABACzMDM3AgDEZ%2B1sBAAAAA%3D %3D Lei Maria da Penha - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul - https://ssp.rs.gov.br/inicial 76 Apêndice Público 2019 Janeiro: 1. P - 3 de janeiro - Portugal legisla depressa nos direitos humanos, mas falha na prática - SOCIEDADE – p. 16 2. P - 4 de janeiro - Abuso psicológico pode afectar um quinto dos idosos - SOCIEDADE – p. 12 e 13 3. P - 9 de janeiro - Parlamento discute proposta do BE e do PAN para mudar crime de violação - SOCIEDADE – p. 18 4. P - 12 de janeiro - Idoso que cometeu duplo homicídio também morreu - SOCIEDADE – p. 17 5. P - 19 de janeiro - Sindicato dos jornalistas condena TVI por expor filhos de Bárbara Guimarães - SOCIEDADE – p. 15 P - 21 de janeiro - Ainda há falhas no combate à violência doméstica - CAPA 6. P - 21 de janeiro - Portugal já avançou meio caminho no combate à violência doméstica - SOCIEDADE – p. 16 e 17 7. P - 21 de janeiro - MP prepara estratégia contra violência doméstica - SOCIEDADE – p. 17 P - 30 de janeiro - Juiz Neto de Moura vai ser punido por infração - desvalorização da violência doméstica resulta em infração disciplinar - CAPA 8. P - 30 de janeiro - Juiz que desvalorizou violência sobre “mulher adúltera” vai ser punido - SOCIEDADE – p. 17 RESUMO - o tema violência doméstica foi capa de jornal em duas edições; a violência doméstica apareceu em oito notícias, sendo somente uma sobre o crime propriamente dito; caso de um homem que matou a esposa e a cunhada e depois tirou a própria vida. A maioria cita a violência doméstica como questão a ser tratada pelas políticas públicas. Fevereiro P - 5 de fevereiro - Número de mortes por violência doméstica disparou em janeiro. Nove mulheres assassinadas desde que o ano começou, mais do dobro das vítimas de janeiro de 2018 - CAPA. 9. P - 5 de fevereiro - Nove mulheres assassinadas desde o início do ano - SOCIEDADE – p. 14 e 15 P - 6 de fevereiro - Violência doméstica 85% dos casos não resultam em acusação - CAPA 10. P - 6 de fevereiro - “Dizia que se não ficasse com a filha a mãe também não ficava” - DESTAQUE – p. 2 a 4 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 77 11. P - 7 de fevereiro - Na saúde, os enfermeiros continuam a ser a dor de cabeça de António Costa - da esquerda à direita, as bancadas estiveram em sintonia na condenação da violência doméstica - POLÍTICA – p. 12 12. P - 8 de fevereiro - As nove mulheres que não deviam ter morrido - ESPAÇO PÚBLICO – p. 8 13. P - 8 de fevereiro - PSP propôs que bebé fosse sinalizada à proteção de menores. Em 2017, quando fez queixa à polícia por violência doméstica, a mãe da criança que apareceu morta eta semana declarou-se também como vítima - SOCIEDADE – p.16 14. P - 8 de fevereiro - Gabinete de apoio às vítimas no MPSOCIEDADE – p. 17 15. P - 8 de fevereiro - Que país é este que tolera o feminicídio? - CONSOANTE MUDA - contra capa 16. P - 9 de fevereiro - “Não podemos ter tribunais a mandar mensagens contraditórias” nos casos de violência doméstica - SOCIEDADE – p. 21 17. P - 10 de fevereiro - A vida humana é uma abstração? - A ESQUINA DO MUNDO - contra capa 18. P - 11 de fevereiro - Marcha silenciosa lembrou as vítimas de violência doméstica - SOCIEDADE | BREVES – p. 18 P - 13 de fevereiro - Um terço das mulheres já foi vítima de violência psicológica - CAPA 19. P - 13 de fevereiro - Portuguesas vivem em passos de corrida e sem tempo para elas - DESTAQUE – p. 2 a 5 P - 14 de fevereiro - Violência doméstica: mais de metade dos jovens já sofreram violência doméstica em contexto de namoro - CAPA 20. P - 14 de fevereiro - Notícias sobre casos de violência doméstica incentivam agressores - SOCIEDADE – p. 16 a 18 21. P - 15 de fevereiro - Combate às disparidades salariais na UE e à violência doméstica são alguns dos temas a incluir no programa eleitoral do PS - POLÍTICA – p. 11 22. P - 15 de fevereiro - Houve troca de datas no interrogatório a Carrilho sob ameaça de morte a ex-mulher - SOCIEDADE – p. 18 23. P - 15 de fevereiro - “Sou pai, sou marido e quero que os meus netos vivam numa sociedade diferente” - no dia dos namorados, homens e mulheres juntaram-se no Porto contra a violência doméstica - SOCIEDADE – p. 20 24. P - 15 de fevereiro - Lorena castrou Bobbitt: uma história de violência doméstica - CULTURA – p. 34 e 35 25. P - 16 de fevereiro - Juízes obrigados a explicar por que duvidam de mulher “autônoma” e “não submissa” - SOCIEDADE – p. 15 26. P - 19 de fevereiro - Enquanto justiça investigava, mulher foi morta na Golegã - SOCIEDADE – p. 16 78 27. P - 20 de fevereiro - Elas são modernas e não se queixam - ESPAÇO PÚBLICO – p. 6 28. P - 24 de fevereiro - “Como se começa uma nova vida sem teto?” - LOCAL – p. 18 e 19 P - 25 de fevereiro - Juiz Neto de Moura assina novo acórdão polêmico sobre violência doméstica - CAPA 29. P - 25 de fevereiro - Rebentou o tímpano à mulher. Juiz tirou-lhe a pulseira eletrónica - SOCIEDADE – p. 14 e 15 30. P - 25 de fevereiro - “O Brasil nunca perdeu o status colonial” - CULTURA – p. 34 e 35 31. P - 26 de fevereiro - Por uma Europa feminista - POLÍTICA – p. 11 32. P - 27 de fevereiro - A culpa é da Eva - ESPAÇO PÚBLICO - EDITORIAL – p. 4 33. P - 27 de fevereiro - Os dois lados do espelho - ESPAÇO PÚBLICO – p. 7 34. P - 27 de fevereiro - Não é possível responsabilizar os juízes pela decisão - SOCIEDADE – p. 18 35. P - 28 de fevereiro - O BE faz 20 anos. “Não estamos nada cansados, temos muito pela frente - DESTAQUE – p. 2 a 5 36. P - 28 de fevereiro - Justas ou injustas? Discriminatórias ou não? Juízes querem olhar para sentenças - SOCIEDADE – p. 19 RESUMO - O tema violência doméstica foi capa de jornal em cinco edições; a violência doméstica apareceu em 28 notícias, sendo que seis citam os crimes propriamente ditos; chama atenção a reportagem de capa sobre o Dia dos Namorados que não trata de romantismo, mas da violência doméstica no contexto de namoro. Segue a presença do tema nas peças sobre política. O número considerável de crimes desde o início do ano é tema de reportagens especiais, com gráficos e detalhes sobre o cenário da violência contra a mulher em Portugal. O tema também aparece na cultura (livro sobre o Brasil que trata entre outros temas da violência doméstica e da manutenção de um sistema patriarcal). Março: P - 1 de março - Há 126 detidos por violência doméstica desde o início do ano - CAPA 37. P - 1 de março - Duas pessoas por dia são detidas pelo crime de violência doméstica - SOCIEDADE – p. 18 38. P - 2 de março - Juízes voltam a afirmar que testemunho de mulher “autônoma” não é credível - SOCIEDADE – p. 18 39. P - 2 de março - Juíza diz não poder voltar a interrogar Carrilho - SOCIEDADE | BREVE – p. 18 40. P - 3 de março - Lista negra de Neto de Moura tem 20 nomes - SOCIEDADE – p. 14 41. P - 5 de março - Neto de Moura pediu para deixar de julgar violência doméstica. Supremo não autorizou - SOCIEDADE – p. 28 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 85 126. P - 17 de outubro - Violência Doméstica: novas equipas geram críticas no MP - SOCIEDADE – p. 17 127. P - 19 de outubro - Pulseiras eletrônicas pouparam ao Estado mais de 13,8 milhões de euros - SOCIEDADE – p. 18 128. P - 28 de outubro - Inventar uma casa de emergência para vítimas de violência doméstica LGBTI - SOCIEDADE – p. 16, 17 129. P - 28 de outubro - Precisamos de uma internacional feminista, diz Justa Monteiro - MUNDO – p.30 e 31 130. P - 29 de outubro - Mulher suspeita de regar companheiro com álcool - contra o homem - SOCIEDADE | BREVES – p. 15 (caso em que o homem é a vítima) P - 30 de outubro - Violência doméstica leva à agressão de 10 mil crianças - CAPA 131. P - 30 de outubro - Do aumento do salário mínimo ao fim dos chumbos e ao provedor do Animal - POLÍTICA – p. 10 e 11 (sobre projeto para criar base de dados da violência doméstica) 132. P - 30 de outubro - Violência doméstica: quase dez mil crianças agredidas em quatro anos - SOCIEDADE – p. 18 (sobre agressão a mulheres grávidas ou com filhos menos de 18 meses) RESUMO - O tema violência doméstica está presente em 13 notícias, sendo capa de jornal por três vezes. Duas notícias chamam atenção no mês em questão: no dia 29 de outubro foi publicado um caso de violência doméstica em que a vítima é o homem e no dia 30 de outubro, uma reportagem que 9.200 mulheres agredidas, vítimas de violência doméstica, estavam grávidas no momento do crime. Novembro: 133. P - 6 de novembro - Juiz condenado por violência doméstica é absolvido pelo Supremo - SOCIEDADE | BREVES – p. 21 134. P - 7 de novembro - Eles são “mais iguais” do que elas - ESPAÇO PÚBLICO – p. 4 (editorial) 135. P - 12 de novembro - Rebeldes com uma causa: muita coisa mudou na relação entre homens e mulheres. Mas muitas coisas essenciais permanecem, hoje como ontem - ESPAÇO PÚBLICO – p. 9 (apesar da evolução do papel da mulher na sociedade, muita coisa básica ainda não avançou) P - 19 de novembro - MP quer passar a ouvir todas as crianças expostas à violência doméstica. Procuradora geral da República emite novas orientações para lidar com crime que já matou 30 mulheres este ano em Portugal. Todos os menores, sejam ou não vítimas directas, passarão a ser ouvidos para memória futura - CAPA 136. P - 19 de novembro - MP quer todas as crianças ouvidas em casos de violência doméstica - SOCIEDADE – p. 14 137. P - 20 de novembro - Mãe a quem tiraram crianças exige 50 euros por dia que esteve sem elas - SOCIEDADE – p. 20 (mãe era vítima de violência doméstica) 86 138. P - 23 de novembro - Governo contabiliza 33 vítimas mortais em 2019, entre as quais uma criança e sete homens - SOCIEDADE – p. 19 (25 mulheres mortas) 139. P - 25 de novembro - Portugal já tem 457 salas de atendimento à vítima - mais de 63% dos postos e esquadras tem espaços adequados para atender vítimas de violência doméstica - SOCIEDADE – p.18 140. P - 25 de novembro - Violência e discriminação: ouvir para agir - SOCIEDADE – p. 20 (sobre conferência e entrega de prêmios para trabalhos desenvolvidos na área de combate à violência contra a mulher, no dia para a Eliminação da Violência contra as Mulheres) 141. P - 26 de novembro - PEV quer subsídio para vítimas de violência doméstica - POLÍTICA|BREVES – p.10 (projeto de verba para vítimas de violência doméstica) 142. P - 26 de novembro - Combate à violência doméstica falha “mudança profunda” - MUNDO – p.27 (Primeiro-Ministro da França apresenta medidas para eliminar a violência e críticos dizem que as propostas são decepcionantes) 143. P - 26 de novembro - Voltar a enviar de repente casos para mediação penal “seria perigoso” - SOCIEDADE – p.14 e 15 (sobre a formação de profissionais para facilitar negociações entre vítimas e agressores; os casos de violência doméstica tem difícil mediação e precisa de atenção, pela delicadeza do tema) - reportagem e entrevista P - 27 de novembro - Violência Doméstica: pais arguidos vão poder ser logo afastados - CAPA 144. P - 27 de novembro - Mulheres de Braga entregam petição a Ferro Rodrigues - POLÍTICA | BREVES – p.12 (petição com cerca de 8 mil assinaturas pede prioridade na proteção às vítimas de violência doméstica) 145. P - 27 de novembro - Arguidos por violência doméstica poderão ser afastados dos filhos - SOCIEDADE – p.14 (juízes querem tomar como medida a suspensão das responsabilidades parentais) 146. P - 30 de novembro - 435,76 valor, em euros, do subsídio para as vítimas de violência doméstica proposto pelo Partido Ecologistas os Verdes esta semana. O apoio serve para garantir a autonomia da vítima face ao agressor - POLÍTICA | BREVE – p.14 (proposta de subsídio mensal para vítimas de violência doméstica) RESUMO - A violência doméstica foi capa de jornal duas vezes no mês de novembro. O tema está presente em 14 notícias. Destaque para a reportagem do dia 19 de novembro sobre o número de vítimas que chega a 30 mulheres e a proposta de ouvir os menores que vivem no mesmo contexto familiar, sejam eles vítimas diretas, ou não, de violência doméstica. Dezembro: 147. P - 5 de dezembro - Violência Doméstica. Supremo confirma absolvição de juíz de Famalicão - SOCIEDADE | BREVES – p.19 (absolvição de caso suspeito de violência doméstica) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 87 148. P - 6 de dezembro - Estratégia Local de Habitação terá 119 milhões para três mil famílias - LOCAL – p.22 (habitação social para comunidades em situação de vulnerabilidade, como os casos de vítimas de violência doméstica) 149. P - 7 de dezembro - OE 2020: esquerda olha mais para o social, direita para a economia - POLÍTICA – p.10 (propostas políticas sobre investimentos em que cita orçamento para vítimas de violência doméstica) 150. P - 12 de dezembro - Violência doméstica: o debate que não cabe num título de jornal - POLÍTICA – p.19 151. P - 28 de dezembro - Pontapeou e asfixiou namorada mas juiz diz que foi sem intenção e ilibouo - SOCIEDADE – p.16 152. P - 28 de dezembro - GNR detém 217 pessoas, a maioria por condução sob efeito do álcool - SOCIEDADE – p.17 (foram realizadas 5 prisões por violência doméstica) 153. P - 30 de dezembro - Violência doméstica: 35 mortes só este ano - SOCIEDADE – p.15 RESUMO - A violência doméstica é tema de sete notícias. A notícia do dia 30 de dezembro traz o número total de 27 de mulheres mortas vítimas de violência doméstica no ano de 2019 em Portugal. Público 2020 Janeiro: 154. P - 3 de janeiro - Mãe que fez desaparecer bebé no lixo foi condenada a sete anos de cadeia - SOCIEDADE – p.16 (a mãe disse que sofria violência doméstica, nomeadamente psicológica) 155. P - 14 de janeiro - Impostos, saúde, educação: OE já tem 157 propostas de alteração - POLÍTICA – p.8 e 9 (partidos apresentam propostas para combate violência, um deles sugere baixa de dez dias paga pela Segurança Social para vítimas de violência doméstica; outro pede mais profissionais especializados para atendimento de vítimas) 156. P - 22 de janeiro - Vem aí uma estratégia europeia para a igualdade de gênero - MUNDO – p.31 P - 29 de janeiro - Queixas de violência doméstica subiram 11,5% - PSP e GNR receberam no ano passado perto de 30 mil queixas, revelou ministro da Administração Interna - CAPA 157. P - 29 de janeiro - Queixas de violência doméstica à PSP e CNR subiram 11,5% - SOCIEDADE – p.19 (em 45% dos casos as crianças assistem cenas de violência dentro de casa) RESUMO - No mês de janeiro, a violência doméstica esteve presente em quatro edições; maior destaque para a reportagem dia 29 que ganhou inclusive destaque na capa do jornal e que mostra que as queixas de violência doméstica aumentaram. Fevereiro: 88 158. P - 3 de fevereiro - Preso por forçar contacto com vítimas - SOCIEDADE – p.19 (homem indiciado por violência doméstica tem prisão domiciliar. Ele forçou a entrada na casa da excompanheira e da ex-sogra) 159. P - 6 de fevereiro - Recurso de Juiz Neto de Moura rejeitado - SOCIEDADE – p.21 (Tribunal considerou que acórdãos do Juiz sobre violência doméstica usam expressões impróprias) 160. P - 8 de fevereiro - PCP é o partido com mais propostas de alteração ao OE 2020 aprovadas - POLÍTICA – p.12 (entre as propostas está a isenção de taxas jurídica para vítimas de violência doméstica) P -10 de fevereiro - “Tem-se a ideia de que a justiça é mais demorada do que é”, advogado em quase todos os mega processos, Rui Patrício dá, em entrevista, a sua visão crítica sobre alguns temas na “agenda”, como a violência doméstica e a corrupção - CAPA 161. P - 10 de fevereiro - Há países europeus onde a justiça é mais demorada do que a nossa - SOCIEDADE – p.14 e 15 (entrevista em destaque na capa do jornal) 162. P - 12 de fevereiro - Juiz diz que mensagens cm que “atormentou” ex-mulher foram "descontextualizadas" - SOCIEDADE – p.17 (sobre casos do magistrado julgado por violência doméstica) 163. P - 14 de fevereiro - Dez anos de maus tratos: “sou capaz de matar os teus filhos para te magoar” - SOCIEDADE – p. 22 (sobre homem condenado por violência doméstica, coacção e detenção de arma proibida - o homem fabricava artefatos para agredir a mulher) 164. P - 16 de fevereiro - Detidos por violência doméstica no Dia dos Namorados - SOCIEDADE | BREVES – p.13 165. P - 16 de fevereiro - O México mata-nos, dizem as mulheres revoltadas contra o Estado e a imprensa - MUNDO – p. 21 (em média, 10 mulheres são mortas por dia no México diz a reportagem) 166. P - 24 de fevereiro - GNR deteve 92 pessoas, maioria por excesso de álcool - SOCIEDADE | BREVES – p.17 (na abordagem uma pessoa foi presa por violência doméstica) 167. P - 25 de fevereiro - No carnaval, vale tudo, menos assediar - MUNDO – p.26 e 17 (reportagem fala sobre campanhas feitas no Brasil para combater a violência de gênero e informa que no mundo em 2019, em média, foram mortas mais de cem mulheres por mês) 168. P - 27 de fevereiro - Pessoas, animais, bom senso e Código Penal - ESPAÇO PÚBLICO – p.10 (sobre as constantes reivindicações de penas mais rígidas para crimes como os de violência doméstica) RESUMO - Em fevereiro, o tema violência doméstica está em 11 notícias, uma delas foi capa de jornal. Chama atenção a notícia do dia 14 de fevereiro sobre um homem condenado por violência doméstica que além de agredir a mulher, ameaçava matar os filhos. Março: Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 89 169. P - 3 de março - Violência doméstica: quatro anos de prisão por agressões a mulher e enteado - SOCIEDADE | BREVESp.21 170. P - 14 de março - Fichas da polícia para vítimas de violência doméstica pouco eficazes - SOCIEDADE – p.28 (sobre pesquisa da Universidade do Porto que faz críticas às questões da ficha usada pela PSP e GNR em casos de violência doméstica) 171. P - 17 de março - Quando teu único crime é ser mãe - SOCIEDADE – p.27 (sobre a polêmica de afastar ou não pai se filhos, quando os pais são agressores e praticam violência doméstica contra a companheira) 172. P - 19 de março - Preocupação com a violência doméstica: vai haver mais cem camas em casas-abrigo - DESTAQUE – p.17 (reportagem sobre o coronavírus e a orientação de confinamento - na China os casos de violência doméstica aumentaram durante quarentena por causa da pandemia; governo português está preocupado com a questão) 173. P - 20 de março - Notas dos dias negros - ESPAÇO PÚBLICO – p.24 (crônica sobre o estado de emergência e as várias áreas que geram preocupação, nomeadamente a violência doméstica, no momento em que as pessoas são obrigadas a ficar em casa e não há controle social nem da escola nem do local de trabalho) 174. P - 24 de março - Há muitas famílias a viver em casas onde o isolamento é impossível - DESTAQUE – p.10 (sobre os desafios do confinamento mais visíveis ainda em contexto de desigualdade social, o risco do aumento da violência doméstica) 175. P - 25 de março - Mulher detida por violência doméstica - SOCIEDADE | BREVES – p.27 176. P - 27 de março - Este ano o Dia Mundial do Teatro é ao domicílio - CULTURA – p.40 (sobre o uso das redes sociais para divulgar as peças teatrais e a presença de temas como violência doméstica, racismo, homofobia e isolamento) 177. P - 29 e março - Os criminosos estão à espreita em tempos de pandemia - DESTAQUE – p.12 (sobre os crimes que aumentaram com o isolamento; na França, em uma semana os casos de violência doméstica aumentaram 30%) 178. P - 30 de março - Autarquias reinventam-se e criam apoios para vencer a pandemia - LOCAL – p.22 (sobre o trabalho das Câmaras e Juntas de Freguesia em tempo de confinamento. As ações vão desde entrega de alimento até prevenção a crimes de violência doméstica) RESUMO - Em março, o tema está em 10 notícias. O que chama atenção é que o mês de março foi a data do início do confinamento em Portugal por causa da pandemia. Logo, a violência doméstica não está em destaque maior, mas é tema recorrente nas ações do governo e da sociedade, por ser uma preocupação manter fechados em casa vítimas e agressores. Abril 90 179. P - 1 de abril - Juízes de execução admitem perdão para tirar 1500 pessoas da prisão - SOCIEDADE – p.23 (perdão da pena não abrange condenados por violência doméstica e abuso de menores) 180. P - 1 de abril - GNR apreendeu armas em caso de violência doméstica - SOCIEDADE | BREVES – p.23 181. P - 1 de abril - Rodrigo Guedes de Carvalho: “como não desatar a chorar?” - CULTURA – p.30 (sobre romance digital do pivô de telejornal que trata entre outros temas de violência doméstica) 182. P - 3 de abril - Costa proíbe a Páscoa e fecha aeroportos - DESTAQUE – p.2 (ações realizadas em período de confinamento tem preocupação em relação à violência doméstica; presos por esse tipo de crime, não recebem indulto e nem redução de pena no sistema prisional) 183. P - 4 de abril - Do outro lado da linha está o medo da solidão - DESTAQUE – p.14 (sobre o atendimento psicológico às pessoas em período de confinamento. Na China, o número de divórcios aumentou e em Portugal, a preocupação aumentou em relação aos casos de violência doméstica) 184. P - 9 de abril - Menos queixas por violência doméstica - DESTAQUE – p.6 (as queixas feitas à GNR caíram 26% em março em relação ao mesmo período de 2019) 185. P - 9 de abril - A sul da quarentena - ESPAÇO PÚBLICO – p.18 (confinamento dá visibilidade às diferenças sócio econômicas e aumentam os riscos como casos de violência doméstica) 186. P - 9 de abril - Elizeth, Elza e Maysa, uma viagem a três vozes por um Brasil de ouro - CULTURA – p.31 (notícia relata as situações trágicas vividas ela cantora Elza Soares que sofreu violência doméstica) 187. P - 14 de abril - APAV recebeu 699 denúncias de pornografia infantil em 2019. Por semana,28 crianças foram vítimas de crimes, bem como 26 idosos e 192 adultos, dos quais 161 mulheres. Relatório da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima é publicado hoje - SOCIEDADE – p.22 (sobre os casos de violência doméstica, cita que as brigas e agressões entre casais ou familiares acaba por refletir nas crianças - as que também sofrem agressões físicas e ainda os danos psicológicos causados pelo contexto) 188. P - 15 de abril - Primeiro, há que ganhar a quarentena - CONSOANTE MUDA – p.40 (contra capa - crônica sobre os desafios da quarentena, entre as obrigações está a criação de casas-abrigo para vítimas de violência doméstica) 189. 18 de abril - Governo antecipa 15 milhões em publicidade institucional para ajudar os media - DESTAQUE – p.18 (Governo faz publicidade de campanhas institucionais como a de combate à violência doméstica) 190. P - 19 de abril - Covid-19 causa escassez de drogas e, teme-se, mais overdoses - DESTAQUE – p.12 (o encerramento das fronteiras diminuiu a oferta de drogas e as disponíveis em circulação estão sendo adulteradas para render mais, entretanto ficam perigosas. Usuário que sofrem de abstinência ficam mais agressivos o que aumenta a violência doméstica) P - 20 de abril - Violência doméstica é uma “epidemia” escondida - CAPA Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 91 191. P - 20 de abril - Violência doméstica é uma “epidemia escondida” no confinamento: o isolamento social é fundamental para combater o coronavírus, mas e quando se vive com um agressor? A quarentena é uma prisão com o seu torturador para milhões de mulheres - DESTAQUE – p.14 e 15 (sobre o aumento de casos de violência doméstica no mundo) 192. P24 de abril - IVA das máscaras e gel desinfetante desce já para 6%: Conselho de Ministros também aprovou ontem a criação de um Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência - DESTAQUE – p.4 (aprovada medida de reforço de proteção às vítimas de violência doméstica) 193. P - 27 de abril - Juiz de instrução a ditar guarda de crianças? Falta preparar o sistema - SOCIEDADE – p.20 (sobre decisões provisórias urgentes para proteger vítimas de violência doméstica. A proposta foi aprovada seguindo uma recomendação do Grupo de Peritos para o combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica) 194. P - 28 de abril - Covid-19 e violência: mais risco para as mulheres - ESPAÇO PÚBLICO – p.17 195. P - 30 de abril - Queixas de violência doméstica baixaram durante o confinamento - DESTAQUE – p.10 (medo é que a redução das queixas não reflita a realidade, apenas ocorra porque o agressor está junto à vítima) RESUMO - O tema violência doméstica aparece em 17 notícias, sendo uma a capa do jornal. Quase todas notícias estão na secção DESTAQUE por estarem relacionadas à pandemia. Destaque para a reportagem do dia 20 de abril que foi capa do Público "Violência doméstica é uma epidemia escondida”. Maio: 196. P - 1 de maio - Menos queixas e menos mortes por violência doméstica - SOCIEDADE – p.32 (não houve escala de participações de crimes de violência doméstica como se temia. “Houve um alarme social. Isso dá mais conforto e capacidade às vítimas e condiciona os agressores”, diz secretária de Estado). P - 6 de maio - Juízes contra mudança da lei para a violência doméstica - CAPA 197. P - 6 de maio - Juízes arrasam planos do Governo para a violência doméstica - SOCIEDADE – p.22 198. P - 7 de maio - De máscara pela primeira vez, o plenário quase só falou de covid-19 - DESTAQUE – p. 6 (entre os assuntos estão as medidas para combate à violência doméstica) 199. P - 12 de maio - Queixas por cibercrime disparam durante o estado de emergência: em contraste, as autoridades tiveram de estimular meios para atender vítimas de violência doméstica - DESTAQUE – p.8 (sobre o atendimento às vítimas por e-mail, mensagem a fim de manter o sigilo e a segurança das vítimas) 92 200. P - 14 de maio - Violência doméstica: proteger as vítimas é um dever - não uma opção - ESPAÇO PÚBLICO – p.14 (sobre número de feminicídios em 2019 - 30 mulheres mortas em relações de intimidade) P - 23 de maio - Violência doméstica no banco dos réus: acompanhamos 10 julgamentos, da investigação à sentença - CAPA 201. P - 23 de maio -Violência doméstica no banco dos réuso que chega a julgamento ainda é “a ponta das pontas do iceberg" - DESTAQUE | SÉRIE DE REPORTAGENS – p.2 a 5 (reportagem reproduz as falas de um dos acusados de violência doméstica, um linguajar chulo e com detalhes aterrorizantes) 202. P - 29 de maio - Morreu estrangulada pelo marido. Idas a médico e à GNR não ficaram registadas - SOCIEDADE – p.19 (notícia com detalhes da morte de Ana, 50 anos. O corpo foi pendurado com uma corrente metálica, na adega de sua casa) 203. P - 30 de maio - Violência doméstica no banco dos réus - um professor de Direito Penal em julgamento queixa-se de “nazismo de gênero" - DESTAQUE – p.10 a 12 (relato de casos acompanhados pelo jornal com detalhes dos depoimentos de vítimas e arguidos - muitos homens usam mensagens, telefonemas e perseguição presencial para colocar medo nas companheiras e excompanheiras) RESUMO - O tema está presente em oito edições, sendo duas vezes capa de jornal. Destaque para a edição de 23 de maio quando o jornal iniciou uma série de reportagens chamada Violência Doméstica: no banco dos réus. Junho: 204. P - 6 de junho - Quando as festas acabam em mais outra agressão: um jovem consumidor de droga e um alcoólico de meia-idade. Casos em que os consumos “revelam” algo que já existia. Peritos analisam efeitos de substâncias no comportamento. Perfis de agressores variam. Entre setembro e março, o Público assistiu a vários julgamentos de violência doméstica. Terceiro capítulo da série no Banco dos réus - SOCIEDADE – p.20 e 21 205. P - 13 de junho - Quando os filhos testemunham contra os pais em tribunal - Que efeitos colaterais tem a violência doméstica nas crianças? Quarto capítulo da série no Banco dos réus - SOCIEDADE – p. 18 e 19 P - 15 de junho - Idosas vítimas de violência doméstica vão ter casas-abrigo - CAPA 206. P - 15 de junho - Três lares para idosas vítimas de violência doméstica - SOCIEDADE – p. 14 e 15 P - 20 de junho - É raro, mas há mães julgadas por violência doméstica - CAPA 207. P - 20 de junho - É raro, mas há mães e mulheres no banco dos réus por violência doméstica - SOCIEDADE – p. 20 e 21 (último capítulo da série Violência Doméstica no banco dos réus mostra que existem mulheres que vão a julgamento, mas são casos raros) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 93 208. P - 24 de junho - “As férias judiciais deviam ter sido encurtadas” - SOCIEDADE – p. 16 e 17 (em entrevista Joana Marques Vidal fala que a pandemia atrasou os processos, que a tecnologia potencializou crimes cibernéticos, violência doméstica, violência psicológica entre outras questões) 209. P - 26 de junho - Mais suspeitos afastados das vítimas - SOCIEDADE – p.18 (Tribunais estão a forçar mais suspeitos de violência doméstica a manterem-se longe das vítimas) RESUMO - O tema aparece em seis edições. A violência doméstica no mês de junho ganhou destaque em duas capas de jornal. Destaque para a reportagem da Série Violência doméstica no banco dos réus que mostra que é raro, mas que mulheres também são acusadas deste tipo de crime. Julho: P - 4 de julho - Violência doméstica “é uma grande traição para as mulheres” - CAPA 210. P - 4 de julho - “Senti que a Justiça me tinha posto uma faca no estômago” - MUNDO – p.30 e 31 (por não ter testemunhas, Josina Machel, filha de Samora, viu anulada a sentença ao seu excompanheiro que a deixou parcialmente cega) 211. P - 17 de julho - Almada dá voz às mulheres assassinadas e ao fim da juventude - CULTURA – p.30 (sobre produção espanhola sobre feminicídio que será mostrada no Festival de Almada) P - 22 de julho - Mais de 45 mil pedem estatuto de vítima para crianças: petição que visa proteger menores da violência doméstica chega à AR - CAPA 212. P - 22 de julho - Maia de 45 mil reclamam estatuto de vítima para crianças - SOCIEDADE – p.14 e 15 (o título é sobre violência doméstica infantil, mas a notícia explica que as crianças também são vítimas quando assistem ou vivem no contexto de violência doméstica. Chega a usar a expressão “mulher vítima''. Criança vítima) 213. P - 24 de julho - Bens arrestados em processos de alta criminalidade duplicam - SOCIEDADE – p. 14 (relatório mostra que foram abertos 137 inquéritos sobre violência doméstica) 214. P - 29 de julho - As mortes não são racistas, os filhos não podem ter educação sexual e o país do bafio - ESPAÇO PÚBLICO - p.8 (cita que na violência doméstica muitas vezes as casas são associadas a um homem que amou e que queria ainda a mulher para si, deixando de lado questões como a situação de inferioridade que ainda existe na sociedade) 215. P - 31 de julho - Se “já sabes cozinhar, já podes casar”? Não, diz a Câmara de Matosinhos - LOCAL – p.20 (campanha para igualdade de gênero que cita também a mulher como o maior número de vítimas da violência doméstica) RESUMO - Em julho, seis edições trazem a violência doméstica como tema de notícia. Duas capas. Em 4 de julho, a reportagem da capa chama a atenção para a complexidade deste tipo de crime quando o assunto são os julgamentos e as condenações. Uma mulher que ficou quase cega por causa das agressões do marido não viu o agressor condenado, por falta de testemunhas. 94 Agosto: 216. P - 3 de agosto - O que os partidos aprovaram desde as legislativas - POLÍTICA – p.10 (sobre aprovação de reforço da proteção às vítimas de violência doméstica, ocultando do agressor a sua morada). 217. P - 19 de agosto - Mulheres mortas em contexto de intimidade. Número caiu pela metade - SOCIEDADE – p.14 (até 15 de agosto houve 10 homicídios de mulheres provocados por “relações de intimidade atuais, passadas ou pretendidas”. Assim que acabou o confinamento, pedidos de ajuda dispararam). 218. P - 20 de agosto - Autoridades receberam menos queixas e registaram menos homicídios - SOCIEDADE – p.15 (as queixas por violência doméstica às autoridades policiais caíram 6,2% e o total de homicídios baixou 28,6%) 219. P - 21 de agosto - Jovem de 19 anos sequestra e ameaça de morte a namorada - LOCAL – p.21 (jovem não aceitou o fim da relação e sequestrou a namorada; ele já tinha um inquérito a decorrer por violência doméstica em que a queixa foi feita pela mesma companheira) 220. P - 27 de agosto - Cerca de 70% dos femicídios “ocorre nos primeiros meses após separação” em agosto houve vários casos de violência doméstica ou homicídio em que a separação foi referida como motivação - SOCIEDADE – p.15 RESUMO - No mês de agosto, a violência doméstica está em cinco edições do jornal. Chama a atenção o estudo divulgado na notícia do dia 27 de agosto que explica que os crimes quase sempre têm como motivação a separação do casal. Setembro: 221. P - 3 de setembro - A Cidadania não é facultativa: o que é doutrinação ideológica? Educar para a diminuição da violência doméstica? - POLÍTICA – p.12 222. P - 16 de setembro - Uma associação para pôr o fotojornalismo na parede - CULTURA – p.26 (sobre exposição de fotos de vários fotojornalistas, entre eles Sara Naomi Lewkowicz que expõe fotos sobre violência doméstica) 223. P - 23 de setembro - A extrema-direita em perseguição às mulheres - ESPAÇO PÚBLICO – p.8 224. P - 24 de setembro - Professor de Direito compara o feminismo ao nazismo: docente está a ser julgado por violência doméstica. Faculdade de Direito da <universidade de Lisboa retirou da Net programas de cadeiras do mestrado em que o professor fala de mulheres como pessoas “desonestas” - SOCIEDADE – p.14 Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 101 283. ZH - 8 de março - Por que elas quase não tem vez – COMPORTAMENTO | ESPECIAL – p.23 (sobre o número de mulheres que já foram indicadas ao Prêmio Nobel e as desigualdades em relação ao sexo masculino) 284. ZH – 8 de março – Futebol Feminino: presente e futuro – ESPORTE – p.32 e 33 (sobre a histórias de duas mulheres que se destacam no futebol, esporte considerado por algum tempo “coisa apenas de homem”) 285. ZH - 8 de março/2019 - Dia para pensar o lugar da mulher – CULTURA – p.4 do Segundo caderno (agenda cultural com programação sobre o Dia da Mulher, sendo que a maioria faz algum tipo de referência às desigualdades de gênero e às lutas das mulheres para conquistarem espaço) 286. ZH - 8 de março - Mulheres, seremos firmes contra os retrocessos – OPINIÃO – p.19 (artigo sobre as leis que não podem retroceder, numa citação ao presidente do país que tem discursos machistas) 287. ZH – 8 de março – Ubuntu, Mulher! – OPINIÃO – p.19 (artigo sobre os casos de feminicídios no país, citando o número de 117 mulheres mortas no ano de 2018 no Rio Grande do Sul) 288. ZH – 8 de março – Empoderada – SEGUNDO CADERNO | CULTURA – CAPA do Segundo Caderno (sobre o lançamento do filme “Capitã Marvel” no Dia Internacional da Mulher) 289. ZH – 8 de março – O vinho e as mulheres – SEGUNDO CARDERNO | ESPECIAL – p.6 (sobre mulheres enólogas e a atuação feminina no setor da vitivinicultura, o que foi considerado um “espaço masculino” durante muitos ano, cita que na antiguidade as mulheres eram proibidas de tomar vinho) 290. ZH – 8 de março – Elas por Elas – SEGUNDO CARDERNO | ESPECIAL GASTRONOMIA – p.9 (sobre sete mulheres bem sucedidas no setor gastronômico) 291. ZH – 9 e 10 de março – Feminicídio – OPINIÃO – p.3 (escritora cita o feminicídio como uma palavra que simplifica o assassinato de mulheres e comenta os novos termos usados em relação às questões de gênero) 292. ZH – 9 e 10 de março - Mulher é morta em motel, com pancadas na cabeça – SEGURANÇA – p.25 (notícia sobre o primeiro caso de feminicídio de 2019 em Porto Alegre, na capital do Rio Grande do Sul. Notícia amplia dados e cita que 84% dos casos de violência, os companheiros das vítimas são os autores) 293. ZH - 14 de março - A inovação é feminina – OPINIÃO – p.11 (sobre a necessidade da mulher enfrentar as desigualdades e a violência, usando a inteligência, a busca de informação) 294. ZH – 18 de março – Do Colégio Santa Inês para os gabinetes da ONU – EDUCAÇÃO | IGUALDADE DE GÊNERO – p.20 (sobre aluna que vai participar de fórum da ONU para discutir situação da mulher) 295. ZH - 20 de março - Homicídios têm queda recorde no RS – SEGURANÇA – p.19 (notícia que divulga os dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul e cita que ocorreram 5 feminicídio no primeiro bimestre do ano) 296. ZH – 23 e 24 de março – Todas nós – CULTURA – p. 6 (agenda sobre o espetáculo que propõe discutir a violência contra a mulher) 102 297. ZH – 26 de março – Exposição sobre a ditadura marca 40 anos de movimento – POLÍTICA – p.16 (notícia sobre inauguração de exposição que tem também palestras programadas sobre o tema racismo e violência contra a mulher) 298. ZH – 30 e 31 de março - A cidade que Rozeli governa – ESPECIAL | COMPORTAMENTO – p.26 (notícia sobre a presidente de uma ONG, em que cita que ela já sofreu violência doméstica em dois casamentos e hoje luta para mudar para melhor a vida de outras pessoas) RESUMO - o mês de março tem 21 notícias relacionadas à mulher. Abril: 299. ZH – 1 de abril – Homem mata companheira e fere enteada e idosa de 81 anos – SEGURANÇA – p.13 (notícia sobre crime de feminicídio em Caxias do Sul – jovem de 22 anos foi morta a tiros e facada pelo companheiro que também feriu a tiros a avó da jovem e a enteada de 4 anos) 300. ZH – 8 de abril – Universo feminino em tempos de guerra – CULTURA|CINEMA – p.4 (sobre filme Duas Rainhas que trata de liberdade sexual, violência de gênero e restrições e tabus do corpo feminino, durante o enredo de disputa de poder) 301. ZH – 9 de abril - Latrocínios têm redução de 23,3% no RS – SEGURANÇA – p.16 (sobre os índices de criminalidade no estado, citam os casos de feminicídios. Foram registados 18 em 2018 e 15 nos primeiros meses de 2019 e trazem dados sobre os casos de estupro, lesão corporal e tentativas de feminicídio) 302. ZH – 13 e 14 de abril – “É importante saber que não estamos sozinhas” – REVISTA DONNA – p.6 (entrevista com cantora, rapper de Curitiba que fala sobre a importância das mulheres se ajudarem, e de insistirem na luta pelo fim da violência de gênero) 303. ZH - 13 e 14 de abril - Quinze meses depois, a despedida da contadora – SEGURANÇA – p.22 (sobre a mulher desaparecida que foi encontrada morta, suspeita é que o marido tenha encomendado a morte da esposa) 304. ZH – 15 de abril – Suspense do passado ilumina dramas atuais – CULTURA | TELEVISÃO – p.4 (sobre minissérie de TV que trata de temas como racismo e a opressão à mulher) 305. ZH - 16 de abril - Mulher tem corpo queimado – SEGURANÇA – p.15 (nota sobre mulher teve 50% do corpo queimado pelo companheiro) 306. ZH – 18 de abril – A cara da Rua – SEGURANÇA | BREVE – p.25 (nota sobre homem que já foi preso de forma preventiva 10 vezes por violência doméstica contra a mesma mulher desde 2010) 307. ZH - 22 de abril - Hipótese de feminicídio seguido de suicídio – SEGURANÇA – p.15 (nota enteado mata a companheira do pai e logo comete suicídio, num contexto de violência doméstica já era sabida pelos familiares) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 103 308. ZH - 24 de abril - Idoso de 76 anos é preso como principal suspeito de matar mulher – SEGURANÇA – p.15 (sobre o idoso que é suspeito de matar a esposa e enterrar o corpo no pátio de casa, possível enforcamento da vítima que tinha roupa amarrada ao pescoço) 309. ZH – 27 e 28 de abril – Projeto Iris – REVISTA DONNA – p.32 (agenda sobre projeto engajado no combate à alta taxa de feminicídio no Brasil) 310. ZH – 27 e 28 de abril – Polícia Civil criará plantão para casos de intolerância – SEGURANÇA – p. 21 (para casos de racismo, violência de gênero, violência doméstica) 311. ZH – 27 e 28 de abril – Sinal de alerta: com o parceiro, no trabalho ou na família: como identificar se você está vivendo uma relação abusiva – ESPECIAL | COMPORTAMENTO – p.12 (sobre como identificar relações abusivas). 312. ZH - 29 de abril - Irmãos condenados por morte de jovem – SEGURANÇA – p.20 (caso de feminicídio. A jovem foi morta pelo namorado, com a ajuda do irmão que escondeu o corpo) 313. ZH – 30 de abril – Mulher é assassinada dentro de hospital de Santa Catarina – SEGURANÇA – p.15 (uma mulher encontrou o ex-namorado em uma boate e agrediu o ex com garrafadas nas costas e nos braços; o homem foi procurar ajuda no hospital acompanhado por uma amiga; a ex do ferido foi ao hospital e matou a amiga dele a facadas) RESUMO – No mês de abril, foram encontradas 15 notícias sobre o tema da violência contra a mulher. Maio: 314. ZH – 4 e 5 de maio – As metáforas da lealdade – REVISTA DONNA | ENTREVISTA – p.10 e 11 (escritor Fabrício Carpinejar fala sobre seu novo trabalho “Minha esposa tem a senha do meu celular” cujo tema trabalha a traição, a frustração, violência e feminicídio como resultado da não aceitação de um “não”) 315. ZH – 4 e 5 de maio – 25 anos diante da tela em branco – REVISTA DONNA | COLUNISTA – p.34 (colunista fala no que mudou nos 25 anos que ela escreve para a coluna e cita as palavras “feminicídio, violência doméstica, feminismo” como os termos que entraram na “moda” e que comprovam que a mulher tem litado pela sua liberdade) 316. ZH – 9 de maio – As sete vidas de Elza – CULTURA – p.2 (espetáculo da cantora Elza Soares será apresentado em Porto Alegre. A cantora fala sobre as lutas que viveu enquanto mulher, o casamento aos 13 anos que foi forçado pelo pai, a violência doméstica e o preconceito sofrido ao longo dos anos) 317. ZH – 11 e 12 de maio – Espetáculos – CULTURA |AGENDA – p.5 (sobre espetáculo cearense intitulado Aquelas: uma dieta para caber no mundo – que discute o feminicídio 318. ZH – 11 e 12 de maio – Se essa rua fosse minha – REVISTA DONNA | COMPORTAMENTO – p.5 (arquiteta cria projeto para tornar as ruas das cidades mais seguras, baseada no fato de que as pessoas tem medo de andar por causa da insegurança e, no caso das mulheres, o fato de caminhar 104 sozinha é quase impensável, ela andava 10 minutos entre a casa e a universidade e tinha muito medo de assaltos, mas principalmente de ser violentada – a mulher sofre mais com a insegurança) 319. ZH - 14 de maio - Homicídios e latrocínios têm queda na capital e no estado – SEGURANÇA – p.17 (sobre os índices de violência divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, em que citam o número de feminicídios registados até a data, assim como estupros e violência contra a mulher) 320. ZH - 16 de maio - Mulher que sumiu há um ano estava enterrada - SEGURANÇA – p.18 (corpo estava enterrado em baixo de um piso cerâmico na casa do ex-companheiro. O autor se entregou à polícia logo depois que o corpo foi encontrado) 321. ZH – 17 de maio – Rafuagi no Agulha – CULTURA | AGENDA – p.8 (sobre banda de rap gaúcho chamada Rafuagi que lançou 10 faixas inéditas que destacam temas como o racismo e a violência contra a mulher) 322. ZH – 18 e 19 de maio – O Gênero na teoria – CULTURA | COMPORTAMENTO – p.12 (sobre nova edição de livro que fala sobre os conceitos de família, feminismo, gênero etc) 323. ZH – 18 e 19 de maio - A pirâmide da Violência Sexual – SEMINÁRIO | ESPECIAL – p.5 (sobre o conferencista do Fronteiras do Pensamento congolês Denis Mukwege que ganhou o Nobel da Paz. A reportagem não tratar explicitamente de violência doméstica, mas de violência sexual que está presente na maioria dos casos das vítimas de violência doméstica) 324. ZH - 20 de maio - Mulher é encontrada morta dentro de carro no norte do RS – SEGURANÇA – p.19 (sobre feminicídio que está sendo investigado pela polícia; nota cita outro caso de feminicídio em que a mulher foi morta pelo ex-companheiro em Caçapava do Sul) 325. ZH - 24 de maio - “Malu Mulher”, um marco na TV brasileira – CULTURA | TELEVISÃO – p.4 (sobre a série de TV estreada em 1979 e que tratou de temas polêmicos em relação ao universo feminino, como divórcio, violência doméstica, sexo. O Brasil ainda vivia sob censura e muitos temas precisaram ser tratados por metáforas. Foi considerada uma produção de TV de vanguarda que conseguiu mostrar a nova geração de mulheres) 326. ZH – 24 de maio – Celebração à mulher de ontem e de hoje – CULTURA | SHOW – p.5 (sobre espetáculo feminista que está na agenda do dia na capital – página inteira sobe o show) 327. ZH – 28 de maio – A cada seis assaltos, um tem indiciamento enviado à Justiça – SEGURANÇA – p.15 (polícia civil quer dar prioridade a crimes como homicídios, feminicídios e latrocínios) 328. ZH - 29 de maio - Sumiço de jovem é mistério há uma semana em Pelotas – SEGURANÇA – p.17 (sobre jovem desaparecida, companheiro havia sido preso por tráfico três dias depois do sumiço da menina, ela já havia feito registo de violência doméstica contra o namorado) 329. ZH - 31 de maio - Corpo de jovem que sumiu há uma semana é localizado – SEGURANÇA – p.21 (seguimento da notícia sobre a jovem que estava desaparecida; caso está sendo tratado como feminicídio, suspeito é o ex-namorado da jovem; a notícia cita outra caso de feminicídio ocorrido em Morro Redondo, região Metropolitana – mulher foi morta a facadas pelo ex-companheiro) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 105 RESUMO – Foram catalogadas no mês de maio 16 notícias sobre o tema da violência doméstica contra a mulher. Junho: 330. ZH - 3 de junho - Mobilização para permitir pente-fino no INSS – POLÍTICA – p.14 (sobre medida provisória para combater fraudes em instituições, cita que agressores terão que ressarcir a Previdência Social que gasta com as vítimas de violência doméstica) 331. ZH - 4 de junho - De mulher para mulher – POLÍTICA – p.8 (sobre órgãos de segurança pública que assinaram acordo de dar prioridade na investigação de denúncias de violência doméstica, órgão terá autonomia para oferecer medidas protetivas, mesmo que a vítima não peça - através da análise dos riscos – e outra medida aprovada é desarmar o agressor em casos de violência contra a mulher) 332. ZH - 4 de junho - Atendimento para mulheres vítimas de crimes padronizado – SEGURANÇA – p.19 (sobre formulário que será usados nas Delegacias da Mulher, no sentido de verificar a gravidade dos casos e os riscos que as mulheres vítimas de violência doméstica correm) 333. ZH – 4 de junho – “O polvo” estreia hoje na sala Álvaro Moreyra – CULTURA – p.8 (sobre espetáculo que trata de temas como violência contra a mulher, pedofilia, incesto, empoderamento feminino, entre outros) 334. ZH - 5 de junho - Combate á violência doméstica no Rio Grande do Sul – INFORME – p.2 (sobre a padronização dos atendimentos das vítimas de violência doméstica que começou a ser utilizado) 335. ZH – 6 de junho – RS tem maior taxa de homicídios em 10 anos – SEGURANÇA – p.18 (sobre dados da violência, notícia cita que chama a atenção o número de mortes violentas intencionais de mulheres no ambiente doméstico – cresceu 17% entre 2012 e 2017) ZH - 6 de junho - Neymar: lesionado, acusado – CAPA 336. ZH – 6 de junho – Neymar em noite de pesadelos – ESPORTE – p.32 e 33 (sobre a denúncia de violência sexual, jogador teria usado de violência depois de a mulher ter se negado a ter relações sem o uso de preservativo) 337. ZH - 6 de junho - Julgamentos sumários – OPINIÃO – p.20 (sobre as críticas à mulher que denunciou Neymar por violência sexual, cita que um ato consensual pode tornar-se não consensual em algum momento e que é leviano criticar sem análise profunda) 338. ZH – 9 de junho – Guerra dos sexos – ESPORTE – p.48 (sobre o caso da mulher que acusou Neymar de violência sexual – notícia fala sobre os avanços da Lei Maria da Penha e do combate à violência contra a mulher e diz que o caso do jogador virou briga entre “esquerda e direita” na política) 339. ZH – 11 de junho – Assassinato por engano em posto de combustíveis – SEGURANÇA – p.15 (sobre caso de duas amigas que estavam em um posto de gasolina nas proximidades de uma festa quando o ex-companheiro de uma delas chegou e atirou – por engano, errou o tiro na ex-namorada, atingindo a amiga dela) 106 340. ZH - 12 de junho - Mulher é vítima de crime sexual e assassinada a pedrada em túnel – SEGURANÇA – p.18 (sobre uma mulher que foi morta em Porto Alegre, crime é considerado feminicídio, a vítima era prostituta e ainda não se sabe se conhecida o autor do crime - ainda não identificado) 341. ZH - 13 de junho - Mulher morta no viaduto tinham 19 anos e morava com pais e filho – SEGURANÇA – p.20 (sobre o caso de suspeita de feminicídio - família diz que o comportamento da jovem mudou há cerca de 3 meses depois de se separar do pai do filho dela) ZH - 14 de junho - Homicídios e latrocínios em queda no estado. Feminicídio é um dos raros indicadores que cresceram em relação a maio de 2018 – CAPA 342. ZH – 14 de junho – RS tem queda de homicídios e latrocínios – SEGURANÇA – p.16 (sobre índices de criminalidade, feminicídios bateram recorde no último mês, 13 feminicídios em maio) 343. 15 e 16 de junho – O que é seu direito – REVISTA DONNA | COMPORTAMENTO – p.5 (sobre o que está garantido na Lei Maria da Penha para proteger as mulheres – direitos previstos na Lei para socorrer vítimas de violência doméstica) 344. ZH – 18 de junho – MP não descarta nenhuma hipótese – ESPORTE – p.30 (notícia em que promotora de Enfrentamento à violência doméstica diz que todas as hipóteses estão sendo avaliadas no caso Neymar – modelo denunciou o jogador por violência sexual) 345. ZH – 18 de junho – “Acuados” será apresentado em Santa Maria – CULTURA | AGENDA – p.8 (sobre espetáculo de dança que busca denunciar e sensibilizar o público para a questão da violência contra a mulher, especialmente no âmbito doméstico) 346. ZH – 29 e 30 de junho – Vozes do Empoderamento – ESPECIAL – p.6 a 9 (sobre a maior conferência mundial de igualdade de gênero, saúde e bem estar das mulheres, realizada no Canadá) RESUMO – Em unto, no jornal Zero Hora, foram encontradas 17 notícias sobre o tema pesquisando, sendo que duas estão na capa do jornal Julho: 347. ZH – 1 de julho – Ex-companheiro teria matado mulher no Norte – SEGURANÇA – p.21 (mulher é morta a tiros, o principal suspeito é o ex-companheiro) ZH – 3 de julho – Violência doméstica: polícia cria nova forma de tratar mulheres vítimas - CAPA 348. ZH – 3 de julho – Vítimas de violência transformadas – SEGURANÇA – p.13 (uma iniciativa da polícia de Santa Cruz do Sul realiza projeto para recuperação da auto estima e independência financeira de mulheres que foram vítimas de violência) 349. ZH – 8 de julho – Entenda quando a OAB pode recusar inscrição – POLÍTICA – p.26 (a Ordem dos Advogados do Brasil pode recusar a inscrição na ordem de pessoas que tenham registro por violência doméstica, homofobia e outros crimes de intolerância) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 107 350. ZH – 10 de julho – Estado tem menor número de assassinatos desde 2011 – SEGURANÇA – p.15 (sobre os dados divulgados pelos Órgãos de Segurança – feminicídio reduziu 22% na comparação de 2018 com 2019) 351. ZH – 11 de julho – Cartão Vermelho – INFORME ESPECIAL – p.4 (sobre a proposta para proibir a contratação de pessoas que tenham envolvimento em atos de violência doméstica contra mulher, criança, adolescentes ou idosos, em serviços públicos) 352. ZH – 12 de julho – Tragicomédia leva à cena uma secretária frustrada – CULTURA – p.4 (texto fala sobre a atriz da peça que já fez sucesso com o espetáculo “Pois é, vizinha” que denuncia a violência doméstica) 353. ZH – 20 e 21 de julho – Funarte – POLÍTICA – p.14 (atriz vai comandar a Diretoria de Artes Visuais da Funarte, ela se destaca por documentários que abordam a questão da violência contra a mulher) RESUMO – Em julho, foram encontradas sete notícias, sendo que uma delas teve destaque na capa do jornal Agosto: 354. ZH – 1 de agosto – Canoas lança programa para combater violência familiar – POLÍTICA – p.23 (prefeitura de Canoas lança programa com objetivo de promover a autonomia financeira de mulheres que sofrem violência doméstica) ZH – 9 de agosto – Casos de feminicídios praticamente dobram - CAPA 355. ZH – 9 de agosto – Julho tem menor número de assassinato para o mês – SEGURANÇA – p.18 (sobre os índices de criminalidade, onde consta que os feminicídios quase dobraram). 356. ZH – 14 de agosto – Tentativa de feminicídio: autor de disparo se entrega – SEGURANÇA – p.17 (sobre homem que atirou na ex-companheira na loja em que ela trabalhava) 357. ZH – 16 de agosto – Tentativa de feminicídio: “pedi a Deus que me salvasse” - SEGURANÇA – p.17 (seguimento da notícia do dia 14 de agosto sobre mulher que levou tiro do ex-companheiro) 358. ZH – 24 e 25 de agosto – Mulher finge morte para não ser executada – SEGURANÇA – p.23 (sobre tentativa de feminicídio em Taquara, mulher levou tiros do ex-companheiro) 359. ZH – 27 de agosto – Sem saidinha – POLÍTICA – p.10 (sobre projeto de lei que proíbe a saída e datas especiais de presos condenados por feminicídio) RESUMO – Seis peças noticiosas estão nas edições de ZH do mês de agosto, uma delas ganhou espaço na capa do jornal 108 Setembro: 360. ZH – 2 de setembro – Filha encontrou a mãe morta em Porto Alegre – SEGURANÇA – p.21 (sobre a filha de 7 anos que encontrou a mãe morta dentro de casa ao acordar; principal suspeito é o ex-companheiro da vítima e pai da criança – ele não aceitava o rompimento da relação. A mulher tinha medida protetiva contra o ex-companheiro) 361. ZH – 3 de setembro – Polícia Civil terá DP para crimes contra vulneráveis – SEGURANÇA – p.16 (delegacia vai atender casos específicos de crimes de violência sexual, mulheres vítimas de violência doméstica, racismo) 362. ZH – 4 de setembro – Mulher é assassinada a facadas em Pelotas – SEGURANÇA – p.18 (sobre mulher de 49 anos que foi morta na casa onde morava, principal suspeito é o ex-marido da vítima que também foi encontrado morto – polícia acredita que seja um caso de homicídio seguido de suicídio) 363. ZH – 4 de setembro – Desfecho de júri será hoje em Porto Alegre – SEGURANÇA – p.19 (sobre julgamento do homem que em 2013 colocou fogo no apartamento onde a mulher e os filhos moravam. Morreram as duas crianças, uma menina de 2 anos e um menino de 2 meses, e morreu também um vizinho. A mulher teve o rosto queimado e foi jogada pela janela pelo ex-marido, ela ficou 4 meses hospitalizada e fez mais de 230 cirurgias) 364. ZH – 4 de setembro – Projeto de violência contra a mulher irá para Roma – SEGURANÇA – p.19 (sobre alunas de escola de Sapiranga que fizeram um projeto para ampliar o diálogo sobre a violência contra a mulher. O projeto chama-se E se fosse com você? O projeto ganhou concurso Criativo da escola e as 3 alunas e a orientadora vão a Roma como prêmio) 365. ZH – 5 de setembro – Homem é condenado por matar filhos e tentar assassinar a ex – SEGURANÇA – p.20 (seguimento da notícia do dia 4 de setembro, sobre homem que incendiou o apartamento da ex-mulher, ferindo a jovem e matando os dois filhos do casal – a jovem se tornou símbolo de luta contra violência doméstica; homem foi condenado a 28 anos de prisão) 366. ZH – 6 de setembro – Quando “stalking” dá medo – SEGURANÇA – p.21 (sobre o crime – ameaça por mensagens, perseguição e agressões sofridas principalmente por mulheres e que segundo polícia costuma anteceder um feminicídio – caso de uma jovem que foi perseguida pelo ex-namorado durante meses) 367. ZH – 6 de setembro – Ação prende 14 suspeitos de violência doméstica – SEGURANÇA – p.21 (14 homens foram presos no cumprimento de mandados de prisão de suspeitos de violência doméstica e familiar, na região metropolitana) 368. ZH – 9 de setembro – Homem teria matado esposa em Cachoeirinha – SEGURANÇA – p.16 (o casal estava em processo de separação, depois de 25 anos de relação) ZH – 11 de setembro – RS tem aumento de 41% nos feminicídios - CAPA 369. ZH – 11 de setembro – Feminicídios sobem 41% no RS em um ano – SEGURANÇA – p.16 (117 feminicídios em 2018) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 109 370. ZH – 11 de setembro – Polícia indicia Najila por extorsão contra Neymar – ESPORTE – p.33 (caso sobre Neymar está arquivado, mas poderá ser reaberto se surgirem provas. Modelo foi indiciada porque teria mentido sobre o fato de sexo não consensual com o jogador para extorquir dinheiro) ZH – 13 de setembro – Estado registra o agosto menos violento em 13 anos: estatísticas mostram redução nos roubos de veículos, feminicídios e estupros - CAPA 371. ZH – 13 de setembro – Assassinatos, feminicídios e roubos de veículos têm queda – SEGURANÇA – p. 20 (agosto foi o mês menos violento desde 2006 no Rio Grande do Sul, levando em conta o número de vítimas de homicídios) 372. ZH – 13 de setembro – Soluções – INFORME ESPECIAL – p. 2 (sobre pacote de medidas do Ministro Sérgio Moro que apresenta políticas de apoio a mulheres vítimas de violência) 373. ZH – 18 de setembro – Bolsonaro sanciona lei para posse de arma na área rural – POLÍTICA – p.19 (sobre novas leis aprovadas entre elas uma que obriga agressores a ressarcirem o SUS – sistema único de saúde – às vítimas de violência doméstica) 374. ZH – 19 de setembro – Homem confessa ter assassinado adolescente – SEGURANÇA – p.22 (homem confessou que teria matado a adolescente com 40 facadas para se vingar da mãe dela – eles haviam namorado e o homem não aceitava o fim do relacionamento; ele chegou a consolar a excompanheira e foi ao enterro da menina para não levantar suspeita. No dia seguinte, tentou se matar ingerindo remédios e álcool) 375. ZH – 19 de setembro – Leis - POLÍTICA – p.16 (presidente Bolsonaro sancionou duas leis importantes no avanço à valorização da mulher, a lei que obriga o agressor de mulheres a ressarcir gastos com o SUS e que garante às mães o direito de amamentar durante concursos públicos) RESUMO – Em setembro foram encontradas 16 peças noticiosas, sendo que duas delas estão na capa de ZH Outubro: 376. ZH – 1 de outubro – Como funciona a “delegacia do futuro” em Santa Cruz do Sul – SEGURANÇA – p.16 (sobre prédio da delegacia que passou por reformas e tem sala especial para atendimento de mulheres vítimas de violência) 377. ZH – 6 de outubro – A reinvenção de Camila – REVISTA DONNA – p.14 a 16 (sobre atriz Camila Pitanga que vai apresentar programa sobre assuntos feministas e que que é embaixadora da ONU Mulheres e participa de campanhas contra o feminicídio) 378. ZH – 6 de outubro – De matador a herói sedutor – CULTURA | TELEVISÃO – p.8 (sobre ator Sérgio Guizé que vai estrear em nova novela e fala do papel que fez recentemente e que tratava da violência doméstica, ele diz que as novelas podem ter uma função social quando tratam de assuntos como este) 110 379. ZH – 8 de outubro – Solidariedade no Outubro Rosa – ESPECIAL – p.3 (ação da Delegacia da Mulher que tem projeto que ensina tricô para mulheres que foram vítimas de algum tipo de violência; aulas foram lançadas junto com a campanha contra o câncer de mama) ZH – 11 de outubro – Homicídios caem em setembro no Rio Grande do Sul – Feminicídios apresentam queda de 41,6% - CAPA 380. ZH – 11 de outubro – Foco em 18 cidades explica diminuição de crimes no RS – SEGURANÇA – p.16 (sobre dados de segurança pública, os casos de feminicídios diminuíram em setembro de 2019 em relação a 2018) ZH – 12 e 13 de outubro - 95,6% das cidades não têm DPs especializadas para mulheres - CAPA 381. ZH – 12 e 13 de outubro – Como driblar falta de DPs especializadas para a mulher: dos 497 municípios, apenas 22 têm atendimento específico às vítimas de violência doméstica no Rio Grande do Sul – SEGURANÇA – p.20 e 21 (sobre a criação da tarja lilás para identificar casos de violência contra mulher – vários projetos para driblar a falta de pessoal e não deixar as vítimas desassistidas) 382. ZH – 15 de outubro – “Respeito à mulher deve ser ensinado em sala de aula” – SEGURANÇA | ENTREVISTA – p.16 (entrevista com a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, mulher que virou símbolo da violência doméstica e da nome à Lei de proteção às mulheres – 13 anos da Lei Maia da Penha) 383. ZH – 17 de outubro – Homem é condenado por matar esposa – SEGURANÇA – p.21 384. ZH – 17 de outubro – Detido por feminicídio – SEGURANÇA – p.21 (homem é preso por matar a ex-companheira em Júlio de Castilhos) 385. ZH – 18 de outubro – Evolução – INFORME ESPECIAL – p.2 (encontro da chef de polícia com Maria da Penha, falam sobre o projeto de patrulha que ocorre em 38 cidades gaúchas para acolhimento de vítimas que tenham medidas protetivas) 386. ZH – 19 e 20 de outubro – Onde elas (ainda) não têm vez – ESPECIAL | REPORTAGEM – p.7 a 9 (reportagem sobre setores que ainda tem pouca representatividade feminina, um deles é a área policial e de políticas públicas o que poderia ajudar a reduzir o feminicídio, pois mulheres seriam atuantes na causa) 387. ZH – 19 e 20 de outubro – Mérito ao quadrado – SEGURANÇA | BREVE – p.3 (sobre o reforço que a Brigada Militar deu ao projeto de patrulhamento Maria da Penha que previne e combate a violência contra a mulher) 388. ZH – 21 de outubro – Militar da reserva irá a júri na quarta-feira por morte de ex – SEGURANÇA – p.18 (sobre crime de feminicídio em São Gabriel, mulher foi morta a facadas aos 23 anos pelo ex-marido) 389. ZH - 21 de outubro – Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis na capital – ESPECIAL |RELIGIÃO – p.26 (o evento realizou uma série de atividades de cunho social, entre elas uma ação social de prevenção à violência contra a mulher) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 117 mídias por ter engordado 20Kg. Ela conta sobre novos trabalhos e projetos e sobre canal no YouTube onde publica assuntos sobre as mulheres, um dos vídeos é sobre feminicídio) 453. ZH – 10 de fevereiro – Na Redenção, mulheres se unem pelo fim da violência – SEGURANÇA – p.17 (manifestação iniciou com amigas de mulher que foi morta no estado do Paraná e ganhou força durante o dia, apresentações artísticas, cartazes e debates foram realizados para mobilizar as pessoas a favor do fim da violência contra a mulher) ZH – 11 de fevereiro – Homicídios e latrocínios caem, mas feminicídios triplicam no RS - CAPA 454. ZH – 11 de fevereiro – Feminicídios mais do que triplicam em janeiro no RS – SEGURANÇA – p.17 (sobre os índices de criminalidade divulgados pelas autoridades, 10 mulheres foram mortas no mês de janeiro de 2020) 455. ZH – 11 de fevereiro – Por que “Maria” não vai embora do lar? – OPINIÃO – p.21 (colunista escreve sobre a violência contra as mulheres, ele diz que é difícil romper o ciclo de violência, porque as mulheres não querem uma punição efetiva aos agressores, elas esperam que eles mudem) 456. ZH – 12 de fevereiro – Agressor é preso no centro de Porto Alegre – SEGURANÇA – p.19 (sobre homem que tentou matar a ex-namorada; cinco mulheres que tiveram relacionamento com o homem, relatam casos de agressão) 457. ZH – 17 de fevereiro – A construção de um estado empoderado – OPINIÃO – p.19 (colunista diz que as mulheres não conhecem os seus direitos ou que não se sentem encorajadas a denunciar casos de violência) 458. ZH – 19 de fevereiro – Equoterapia para atenuar traumas – SEGURANÇA – p.20 (sobre projeto pioneiro que oferece equoterapia a crianças que vivem em situação de vulnerabilidade e que presenciaram crimes - maioria casos de violência doméstica, como o menino que viu o pai matar a mãe – as crianças fazem a terapia sobre cavalos, são entrevistadas e ajudam a desvendar crimes domésticos) 459. ZH – 19 de fevereiro – Bolsonaro foi indigno do cargo que ocupa – POLÍTICA – p.14 (sobre o fato do presidente Bolsonaro ter xingado e desrespeitado uma jornalista, com uma insinuação sexual que acaba por estender a ofensa às mulheres) 460. ZH – 20 de fevereiro – Moro com elas – POLÍTICA – p.8 (sobre o Ministro da Justiça e Segurança Públia, Sérgio Moro, que junto a parlamentares está elaborando projeto para aumentar as penas nos crimes de violência contra a mulher) 461. ZH – 20 de fevereiro – Grávida é assassinada com facada no noroeste do RS – SEGURANÇA – p.17 (sobre grávida morta pelo jovem que estava com ela, os dois eram usuários de drogas, não se sabem se relação de intimidade) 462. ZH – 22 e 23 de fevereiro – Pela vida das mulheres – OPINIÃO – p. 23 (colunita fala sobre o aumento dos casos de feminicídio e diz que a violência contra a mulher vem sendo negligenciada pela sociedade) 463. ZH – 22 e 23 de fevereiro – Por uma vida real – REVISTA DONNA – p.1 (entrevista com a atriz Nanda Costa que está na novela Amor de Mãe e faz uma personagem forte como mulher; ela descobre 118 na trama que a mãe dela foi vítima de violência doméstica. A novela trata de vários temas femininos através da personagem de Nanda) 464. ZH – 25 de fevereiro – Modelo do RS morta no México é sepultada – SEGURANÇA – p. 16 (sobre modelo que foi encontrada caída e morta em frente ao prédio onde morava com o companheiro, um empresário mexicano; suspeita de feminicídio) 465. ZH – 26 de fevereiro – Uma personagem que ilustra dramas cotidianos do Brasil – CULTURA – p. 3 (sobre telenovela que trata de questões de preconceito e violência contra a mulher através da personagem de uma professora de escola pública) RESUMO: 17 peças foram encontradas em fevereiro, sendo que duas ganharam espaço na capa do jornal Março: 466. ZH – 1 de março – Mulheres empilhadas – REVISTA DONNA – p.21 (sobre o livro Mulheres Empilhadas que conta a história de uma advogada paulista que vai para o Acre, ela viu a mãe ser morta pelo pai, e ela mesma está tentando sair de um relacionamento abusivo; o livro é citado por iniciar o mês de março, quando se comemora o Dia da Mulher) 467. ZH – 1 de março – Pergunte – REVISTA DONNA – p.19 (Fabrício Carpinejar escreve sobre a violência contra a mulher e começa dizendo que mulher não gosta de apanhar, e que os homens tem que perguntar do que elas gostam antes de responder por elas e praticar ações que as desrespeitem) 468. ZH – 5 de março - Um manifesto feminista materializado em disco – CULTURA – p.4 (sobre disco das cantoras Zélia Duncan e Ana Costa chamado “Sou mulher e sou feliz”, lançado num momento em que o país registra números recordes de feminicídios) ZH – 6 de março – 56 presos em ação contra violência doméstica no RS – 71% dos feminicídios foram cometidos em casa em 2019 - CAPA ZH – 6 d e março – Elas tomam a frente - CAPA 469. ZH – 6 de março - Ofensiva contra violência doméstica prende 56 no RS – SEGURANÇA – p.18 (ação da polícia é intensificada, autoridades fazem mapa da violência doméstica: 51% dos casos ocorreram entre sábado e segunda-feira; 71% das vítimas foram mortas na própria residência ou na do agressor; 52% dos crimes ocorreram de dia) 470. ZH – 6 de março – Bombeiras unem forças por visibilidade – SEGURANÇA – p.22 (durante 24 horas, todas as ocorrências foram atendidas mulheres que trabalham no Corpo de Bombeiros; elas contam que estão sempre lutando pela igualdade) 471. ZH – 6 de março – Sem fiança – POLÍTICA – p.16 (sobre proposta de deputado para endurecer o combate à violência doméstica) ZH – 7 e 8 de março – Passou a época de julgar mulheres pela aparência -– CAPA Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 119 472. ZH – 7 e 8 de março – O meu tempo é agora – CADERNO DONNA – p.8 a 12 (sobre as preocupações em relação à idade, maturidade, rugas, corpo perfeita e as cobranças que as mulheres sofrem em relação à aparência) 473. ZH – 7 e 8 de março – Mais do que flores no 8 de março – POLÍTICA – p.14 (Governador do Estado publica um vídeo em que conversa com quatro mulheres que trabalham na linha de frente no combate à violência contra a mulher) 474. ZH – 7 e 8 de março – O que é urgente no Dia da Mulher – OPINIÃO – p.18 (colunista inicia falando que o combate à violência contra a mulher precisa sair do papel e dos discursos políticos e ser realizada na prática) 475. ZH – 7 e 8 de março - Unidas para empreender e liderar – ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER – p.36 e 37 (sobre histórias de mulheres que são empoderadas e mudaram seus destinos e querem mostrar a outras mulheres o poder feminino. A reportagem especial traz em destaque as frases: Empoderá-las é o nosso dever – Mulheres podem decidir por duas vidas – Vivemos um cenário de evolução) 476. ZH – 7 e 8 de março – A guria briguenta do Beira Rio – ESPORTE – p.50 (sobre a primeira vice-presidente eleita do Clube de Futebol Internacional, entrevista sobre a mulher no exporte e na sociedade) 477. ZH – 7 e 8 de março - Anjos em voo – ESPECIAL DIA DA MULHER - (duas escritoras falam sobre a condição da mulher na sociedade atual) p.13 478. ZH – 7 e 8 de março – Festa para quem? REVISTA DONA – p. 22 (artigo sobre o fato de que a mulher tem muito mais pelo que lutar neste 8 de março, do que comemorar) 479. ZH – 7 e 8 de março – O findi é delas, com elas, por elas – ESPECIAL DIA DA MULHER – p.5 (sobre agenda cultural com espetáculos para mulheres ou feito por mulheres para marcar o 8 de março) 480. ZH – 9 de março – Dia da Mulher tem atos no Brasil e no mundo – MUNDO – p.26 (sobre as manifestações que foram realizadas em 8 de março e a questão do aumento do feminicídio em várias partes do mundo) 481. ZH – 10 de março – Violência doméstica – INFORME ESPECIAL – p.2 (sobre sarau literário chamado Capitu e outras mulheres, com temática de combate a violência contra a mulher) 482. ZH – 12 de março – Um país inovador – OPINIÃO – p.27 (colunista fala sobre o fato de a ONU divulgar a igualdade de gênero como algo real, sendo que a mulher segue sendo desvalorizada, sendo que os feminicídios aumentam, sendo que os salários são desiguais, etc…) 483. ZH – 13 de março – Homicídios aumentam 10,6% - SEGURANÇA – p.16 (sobre os índices de criminalidade e o fato do aumento dos feminicídios) 484. ZH – 14 e 15 de março – Marcha de Mulheres: a semana que eu vi – MUNDO – p.28 (sobre o fato de várias manifestações pelo mundo no dia da mulher mostrarem bandeiras contra o feminicídio) 120 485. ZH – 14 e 15 de março – Vítimas de violência doméstica se unem e criam campanha – SEGURANÇA – p.40 (sobre as cinco mulheres que foram agredidas pelo mesmo homem, elas se uniram e fazem campanha contra a violência; elas também criaram grupo de acolhimento) 486. ZH – 16 de março – Mulher é morta pelo ex em Gravataí – SEGURANÇA – p.24 (mulher foi morta a tiros pelo ex-marido; reportagem mostra o caso e quadro com informações de onde pedir ajuda) RESUMO – 21 peças foram encontradas no mês de março, sendo que três estão na capa do jornal Abril: 487. ZH – 3 de abril – Homem mata ex no Vale dos Sinos – SEGURANÇA – p.24 (homem invade a casa da ex-mulher e atira nela; suicidou-se logo depois) 488. ZH – 6 de abril – Relatório aponta redução de ocorrências em Porto Alegre – SEGURANÇA – p.25 (sobre índices de criminalidade, notícia cita que ocorrências de violência doméstica diminuíram, mas não se sabe se reduziu o crime ou se diminuíram os registros com o fato do confinamento) 489. ZH – 7 de abril – Risco de aumento da violência doméstica preocupa autoridades – SEGURANÇA – p.23 (notícia cita que o isolamento social aumenta o risco para as vítimas que vivem com os agressores, Brigada Militar amplia patrulha Maria da Penha, notícia divulga telefones e canais de contato para pedir ajuda) 490. ZH – 8 de abril - Investigado por matar irmã e ex-mulher é procurado – SEGURANÇA – p.30 (sobre homem que matou a irmã e a ex-mulher a facadas dentro da casa onde moravam; notícia cita os contatos de onde pedir ajuda em caso de violência doméstica) 491. ZH – 8 de abril – Norte – SEGURANÇA – p.30 (notícia de outro caso de feminicídio no norte do estado, homem matou a ex-mulher com golpes de facão) ZH – 9 de abril – Menor número de latrocínio m março desde 2002: feminicídios e homicídios têm estabilidade - CAPA 492. ZH – 9 de abril – Número de latrocínios é o menor desde 2002 – SEGURANÇA – p.26 (notícia sobre índices de criminalidade, notícia cita que os casos de feminicídios se mantiveram estáveis e que o receio de aumento da violência doméstica com o isolamento, não se confirmou por enquanto, polícia divulga número de whatsapp para denúncia) 493. ZH – 9 de abril – Tecnologia será ferramenta para conectar fiéis na Páscoa – PÁSCOA|CORONAVÍRUS – p.25 (notícia cita de que forma as instituições religiosas vão celebrar a Páscoa, algumas igrejas terão palestras on line e entre os assuntos em debate está a violência doméstica) 494. ZH – 12 de abril – Você tem medo de quê? – COMPORTAMENTO|CORONAVÍRUS – p.6 (especialistas de diferentes áreas falam sobre como enfrentar os medos que surgiram com a Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 121 pandemia, desde o medo da doença em si até os efeitos do isolamento, medo da violência doméstica, medo da solidão, etc) 495. ZH – 17 de abril – CORONAVÍRUS – p.21 (grupo de técnicos, enfermeiros e médicos faz programa improvisado de rádio para debater temas importantes, entre outros, os profissionais falaram sobre a violência doméstica) 496. ZH – 18 e 19 de abril – Advogada é assassinada com tiro na casa de PM da reserva – SEGURANÇA – p.32 (notícia sobre policial aposentado que deu um tiro na mulher e depois tentou suicídio; a mulher tinha chamado o irmão do homem para dizer que ele não estava tomando o remédio para ansiedade indicado pelo médico) ZH – 20 de abril – Videochamadas para mulheres com medidas protetivas - CAPA 497. ZH – 20 de abril – Videochamadas e mensagens contra a violência doméstica – SEGURANÇA – p. 19 (trabalho da Patrulha Maria da Penha foi ampliado para contato por videochamada e mensagem para que a polícia consiga acompanhar a vítima e ganhar confiança; suporte emocional e aconselhamento também é um serviço feito pelo whatsapp) 498. ZH – 20 de abril – Advogada é sepultada – SEGURANÇA – p.19 (seguimento do caso da advogada morta pelo marido que é policial aposentado) 499. ZH – 21 de abril – Como a pandemia atinge as mulheres – SEGURANÇA | CORONAVÍRUS – p.22 (sobre a preocupação em relação à violência contra as mulheres em contexto de pandemia; ações realizadas pela ONU Mulheres) 500. ZH – 24 de abril – RS traça plano para conter feminicídios – SEGURANÇA – p.26 (sobre os feminicídios que seguem a aumentar – outros indicadores de violência reduziram, notícia mostra contatos para pedir ajuda e fazer denúncia) 501. ZH – 25 e 26 de abril – O risco é de todos – COMPORTAMENTO | CORONAVÍRUS – p.10 (psicanálise explica a dificuldade do ser humano em compreender a gravidade de uma pandemia e o aumento da violência, desde a doméstica até a coletiva, aumento de ansiedade e outros problemas de saúde mental) 502. ZH – 27 de abril – Tempo de cuidar uns dos outros – OPINIÃO – p.21 (colunista fala sobre a importância de as pessoas se ajudarem em tempos de pandemia; dados tem mostrado o contrário, com aumento por exemplo da violência doméstica, dos divórcios) 503. ZH – 28 de abril – Polícia procura suspeito de matar mulher em casa – SEGURANÇA – p.25 (mulher é morta a tiros pelo companheiro, ela estava com a filha de 7 anos em casa, notícia publica onde pedir ajuda) 504. RESUMO – 17 peças foram catalogadas em abril Maio: 122 505. ZH – 1 de maio – Adolescente atirou para se defender, afirma o advogado – SEGURANÇA – p.25 (sobre jovem morto a tiros pela namorada, que diz ter atirado para se defender, ela foi agredida pelo namorado que não aceitou o fim do namoro) 506. ZH – 1 de maio – Ação para combater violência doméstica em 62 cidades – SEGURANÇA – p.25 (nota breve sobre ação que foi realizada para verificar casos de mulheres com medidas protetivas) 507. ZH – 2 e 3 de maio – Cláudia Leite em clima de rebolada – MÚSICA | CULTURA – p.5 (cantora fala sobre a importância do empoderamento feminino, da luta por igualdade salarial, pelo fim da violência doméstica) 508. ZH – 2 e 3 de maio – Na linha de frente pela saúde – TELEVISÃO | CULTURA – p.6 (sobre série brasileira que terá temporada sobre temas como aborto, violência contra mulher, racismo, etc…) 509. ZH – 2 e 3 de maio – Mulher teria matado ex-candidato a prefeito – SEGURANÇA – p.28 (mulher matou ex-marido a tiros e facadas, segundo familiares ela não aceitava o fim do casamento) 510. ZH – 4 de maio – Máscaras contra a violência doméstica – CORONAVÍRUS | AÇÃO POSITIVA – p.26 (sobre campanha pelo fim da violência doméstica, iniciativa da Ajam troca máscaras por doações de alimentos, elas montam cestas básicas e entregam para as mulheres que tem medidas protetivas, informações sobre como e onde denunciar casos de violência) 511. ZH – 6 de maio – Polícia aguarda laudos da perícia – SEGURANÇA – p.33 (sobre morte de advogada dentro de casa, caso de feminicídio, mulher foi morta pelo marido) 512. ZH – 7 de maio – Ex-namorado é suspeito de matar jovem em Porto Alegre – SEGURANÇA – p.31 (ex-namorado esperou a jovem em frente à casa dela e a matou a facadas, depois fugiu, notícia publica contato para denúncias e ajuda) 513. ZH – 8 de maio – Jovem morta havia se formado em Nutrição – SEGURANÇA – p. 25 (sobre a jovem morta pelo ex-namorado em frente à casa dela, caso de feminicídio, notícia publica quadro de ajuda e contatos para denúncias) 514. ZH – 8 de maio - Violência Doméstica – MUNDO – p.18 (sobre dados divulgados no mundo, Europa registrou aumento de 60% nas denúncias de violência doméstica) 515. ZH – 11 de maio – Insustentável Leveza – OPINIÃO – p. 4 (colunista faz crítica à atriz Regina Duarte que se destacou no seriado Malu Mulher inspirando o feminismo, o combate à violência contra a mulher e agora trabalha com o presidente Bolsonaro que tem discursos machistas) 516. ZH – 12 de maio – Homem é morto pela BM após feminicídio – SEGURANÇA – p.23 (homem matou a mulher a facadas e tentou agredir o policial que atendeu a ocorrência, quando foi morto) 517. ZH – 14 de maio – O que mostram os novos números da violência no RS – INFORME ESPECIAL – p. 2 (expectativa pela divulgação dos indicadores da violência que estão reduzindo, com exceção do feminicídio) ZH – 15 de maio – Feminicídios têm alta de 66,7% em abril no estado - CAPA 518. ZH – 15 de maio – Feminicídios têm alta de 66,7% - SEGURANÇA – p.23 (10 mulheres foram mortas no primeiro mês completo de distanciamento social, aumento da violência doméstica) Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 123 519. ZH – 18 de maio – Família quer respostas para sumiço de garota – SEGURANÇA – p. 26 (jovem de 17 anos desapareceu depois de sair da casa do namorado) 520. ZH – 18 de maio – Universitária desaparecida é achada morta em Araricá – SEGURANÇA – p.26 (caso de feminicídio, em que o companheiro confessou que matou a mulher por ciúmes) 521. ZH – 19 de maio – “Ela lutou”, conta mãe de jovem morta pelo ex – SEGURANÇA – p.22 (mãe da vítima conta que o ex namorado da filha estava ficando violento, com muito ciúmes e que ela chegou a tentar fazer ocorrência contra ele, mas que ao ligar disseram que ela teria que ir presencialmente à delegacia, ela acabou desistindo) 522. ZH – 20 de maio – Precisamos falar - POLÍTICA – p.14 (sobre a necessidade de se falar sobre a violência contra a mulher na sociedade, na escola, na família) 523. ZH – 22 de maio – Modelo do RS é encontrada morta na casa do namorado – SEGURANÇA – p.28 (modelo teria dado seis tiros no namorado e depois atirou na própria cabeça, o namorado ficou gravemente ferido) 524. ZH – 25 de maio – Whatsapp é aliado das vítimas de violência – SEGURANÇA – p.26 (mensagens são usadas para fazer denúncia, para contactar mulheres com medidas protetivas, vítimas e testemunhas podem se comunicar com a polícia) 525. ZH – 26 de maio – Família de modelo não acredita em suicídio, diz defesa – SEGURANÇA – p.23 (sobre o caso da modelo que foi encontrada morta na casa do namorado, namorado contou no hospital que a modelo deu seis tiros nele e depois se matou) 526. ZH – 30 e 31 de maio – Sem crise de ideias – REVISTA DONNA – p.6 (sobre jornalista que tem canal sobre finanças no Youtube e fala também sobre empoderamento, violência contra a mulher e independência financeira) RESUMO – 22 peças foram encontradas em maio Junho: 527. ZH – 1 de junho – Mulher é assassinada em Soledade – SEGURANÇA – p.20 (mulher foi morta a golpes de faca e o suspeito é o companheiro dela) 528. ZH – 4 de junho – PM da reserva vira réu por feminicídio de advogada – SEGURANÇA – p. 23 (marido matou a mulher dentro de casa) ZH – 11 de junho – Maio tem redução de feminicídios e latrocínios - CAPA 529. ZH – 11 de junho – Feminicídios têm queda, mas homicídios aumentam no RS – SEGURANÇA – p. 20 (sobre índices de criminalidade, o número de feminicídios reduziu em relação ao mesmo período do ano passado, foram seis em maio de 2020) 530. ZH – 11 de junho – Vítimas podem pedir ajuda em farmácias – SEGURANÇA – p. 20 (sobre a campanha Máscara Roxa, lançada para identificar vítimas de violência doméstica) 124 531. ZH – 12 de junho – Criminalidade em baixa – EDITORIAL – p.24 (sobre a baixa nos índices de criminalidade que neste mês abrangem também os casos de feminicídio) 532. ZH – 12 de junho – Protesto por morte de menina de 12 anos – SEGURANÇA – p.26 (menina foi até a casa da vizinha que era costureira, e o filho da vizinha asfixiou e estuprou a menina; o caso está sendo tratado como feminicídio qualificado) 533. ZH – 13 e 14 de junho – Casa de preso por morte de menina é alvo de buscas – SEGURANÇA – p. 28 (seguimento do caso da menina de 112 anos encontrada morta na casa de uma vizinha) 534. ZH – 13 e 14 de junho – Elas querem ser ouvidas – REVISTA DONNA – p. 6 a 8 (duas mulheres contam suas histórias como vítimas de violência doméstica; e campanha Máscara Roxa ajuda a identificar vítimas, quadro de como pedir ajuda) 535. ZH – 16 de junho – “Só quero ela de volta”, diz mãe de jovem desaparecida – SEGURANÇA – p.26 (jovem foi até a casa de um homem com que já teve um relacionamento e desde então está desaparecida) 536. ZH – 17 de junho – Jovem foi carregada para dentro de carro antes de sumir – SEGURANÇA – p. 26 (seguimento do caso da jovem que está desaparecida; imagens de câmeras de segurança mostra a jovem sendo carregada para dentro de um carro) 537. ZH – 20 e 21 de junho – Força feminina para superar barreiras – TELEVISÃO | CULTURA – p.4 (série “Coisa mais linda” trata de temas do universo feminino, e dá ênfase à violência e ao feminicídio, temas tão falados em tempos de pandemia) 538. ZH – 22 de junho – Homem confessa morte de menina – SEGURANÇA – p.22 (seguimento do caso da menina de 12 anos morta por um vizinho) 539. ZH – 24 de junho – Atacante Dudu acusado de agressão pela ex-mulher – ESPORTE – p.31 (jogador de futebol foi acusa de violência doméstica pela ex-mulher, o casal está separado há 5 meses e a ex foi a casa dele buscar o computador do filho) 540. ZH – 24 de junho – “A gente não perde a esperança” – SEGURANÇA – p.23 (seguimento da jovem que está desparecida, ela sumiu depois de ir na casa de um homem com quem já se relacionou) 541. ZH – 25 de junho – Lançado protocolo contra feminicídio – POLÍTICA – .p.11 (Ministra Damares Alves lançou protocolo dizendo que os homens devem proteger as mulheres) 542. ZH – 25 de junho – Vítima de feminicídio tinha protetiva havia 13 dias – SEGURANÇA – p.29 (sobre mulher que foi morta pelo ex-companheiro; ela tinha feito queixa e ganhou medida protetiva, mas foi atacada com 10 facadas quando parou em um posto de combustível) 543. ZH – 25 de junho – As mulheres e a pandemia – OPINIÃO – p.31 (colunista fala sobe o crescimento da violência doméstica na pandemia) RESUMO – Em junto, foram catalogadas 17 peças noticiosas Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 125 Julho: 544. ZH – 2 de julho – Denuncie a violência contra a mulher: peça “Máscara Roxa” – INFORME COMERCIAL – p.14 (anúncio da campanha Máscara Roxa para identificar e ajudar vítimas de violência doméstica) 545. ZH – 2 de julho – Rapaz é procurado por suspeita de sumiço de jovem – SEGURANÇA – p.22 (seguimento da notícia da jovem que foi visitar um rapaz cm quem teve relacionamento e nunca mais foi vista) 546. ZH – 8 de julho – Relator na Assembleia acata emendas à LDO de 2021 – POLÍTICA – p.6 (sobre a lei de Diretrizes Orçamentais que teve propostas da bancada feminina, com incentivo à qualificação de políticas públicas para o atendimento de mulheres vítimas de violência) 547. ZH – 9 de julho – Avanço no combate à violência – POLÍTICA – p.6 (presidente Bolsonaro sancionou Lei com medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher) ZH – 10 de julho – Semestre teve homicídios e latrocínios em queda, mas feminicídios em alta - CAPA 548. ZH – 10 de julho – Feminicídios crescem 24% no Estado: enquanto mortes de mulheres por questões de gênero têm aumento no primeiro semestre, outros delitos registram queda – SEGURANÇA – p.25 (sobre os indicadores de violência no primeiro semestre de 2020, promotora diz que os feminicídios representam a “ponta do iceberg” da violência contra a mulher) 549. ZH – 13 de julho – Alento no combate ao crime – EDITORIAL – p.24 (sobre a redução da criminalidade em geral no primeiro semestre do ano; único indicador que está em alta é o feminicídio) 550. ZH – 15 de julho – Buscas por corpo de jovem são retomadas no norte do RS – SEGURANÇA – p.22 (sobre a jovem que desapareceu depois de visitar um rapaz com que teve relacionamento) 551. ZH – 16 de julho – França revida a estratégia de confinamento total – CORONAVÍRUS|MUNDO – p.12 (sobre a análise feita pela França dos aspectos negativos resultados pelo confinamento como depressão, ansiedade, aumento de violência doméstica, diminuição de busca de tratamento de outras doenças) 552. ZH – 20 de julho – Mulher é resgatada de cativeiro em Viamão - SEGURANÇA – p.25 (sobre mulher de 20 anos que foi mantida em cativeiro por mais de 18 anos pelo ex-namorado, excompanheiro não aceitava o fim do relacionamento e já tinha antecedentes por violência doméstica) 553. ZH – 21 de julho – Suspeito de manter ex em cativeiro é preso – SEGURANÇA – p.21 (seguimento da notícia da mulher de 20 anos que foi colocada em um cativeiro pelo ex-namorado) 554. ZH – 21 de julho – Debate sobre racismo na Falange TV hoje – TELEVISÃO | CULTURA – p.4 (sobre programa que debate sobre temas polêmicos e urgentes, o próximo falará sobre a violência contra a mulher) 555. ZH – 25 e 26 de julho – Uma trama perversa – HISTÓRIA | CULTURA – p. 15 (historiado escreve que o machismo, o preconceito, a inferiorização da mulher, todos estão estruturados na sociedade gaúcha, perpetuando os episódios do passado, do sistema da mulher obediente e submissa) 126 556. ZH – 28 de julho – Violência contra a mulher em debate – TELEVISÃO | CULTURA – p.4 (programa Falange TV vai debater sobre a violência doméstica contra a mulher) 557. ZH – 30 de julho – Hebe volta à TV. E agora, na Globo – CULTURA – p.1 (minissérie amplia o filme sobre a apresentadora Hebe Camargo, Hebe foi vítima de violência doméstica) 558. ZH – 31 de julho - Por qué nos gustan tanto? – TELEVISÃO | CULTURA – p.1 (sobre série espanholas que fazem sucesso no Brasil e que tratam de temas impactantes como racismo, homofobia, violência contra a mulher) RESUMO – 15 peças foram encontradas em julho Agosto: 559. ZH – 3 de agosto – Mais do que super-heróis, humanos com problemas – TELEVISÃO | CULTURA – p.4 (sobre série da NetFlix que mostra problemas reais como violência doméstica contra a mulher e aborda a causa LGBT) 560. ZH – 5 de agosto – Bolsa de jovem desaparecida é localizada em lago – SEGURANÇA – p.22 (seguimento da notícia da jovem desaparecida depois de ir a casa de um rapaz com quem já teve relacionamento, suspeito segue foragido) 561. ZH – 6 de agosto – Estudante de Enfermagem do RS é morta na Austrália – SEGURANÇA – p.24 (gaúcha de 33 anos foi morta a facadas e o principal suspeito é o homem com quem ela se relacionava, suspeita de feminicído) 562. ZH – 8 e 9 de agosto – O tempo da mudança: criada há exatos 14 anos, lei que tipifica criminalmente casos de violência contra a mulher trouxe uma revolução na sociedade, argumenta advogada – SEGURANÇA | ESPECIAL – p.12 (sobre os 14 anos da lei Maria da Penha) 563. ZH – 8 e 9 de agosto – O Brasil precisa de nós – OPINIÃO – p.23 (colunista fala sobre o fato de a pandemia ter aprofundado as desigualdades entre homens e mulheres, evidenciando, por exemplo, o aumento da violência doméstica em vários lugares do mundo durante o confinamento) 564. ZH – 8 e 9 de agosto – Um olhar generoso – REVISTA DONNA – p.1 e 2 (sobre a atriz Leticia Colin que realiza trabalho nas redes sociais para ajudar outras mulheres sobre questões de relacionamento, depressão, violência doméstica) 565. ZH – 10 de agosto – RS lança plano contra violência doméstica – POLÍTICA – p.22 (governador do Estado lançou plano de enfrentamento à violência contra a mulher, entre outras medidas estão sistemas de monitoramento de agressores) 566. ZH – 13 de agosto – Corpo de gaúcha será cremado – SEGURANÇA – p. 22 (sobre gaúcha que foi morta na Austrália, companheiro foi preso como principal suspeito) ZH – 14 de agosto – Julho tem redução nos homicídios e feminicídios no estado - CAPA Violência doméstica na imprensa portuguesa e brasileira: os casos do Público e da Zero Hora 133 tem filha de 11 meses com o ex-companheiro e todo tempo de relacionamento foi marcado por episódios de violência doméstica) 629. ZH - 23 de dezembro – No Radar – CAMPO E LAVOURA – p. 21 (botão do pânico será distribuído de graça para mulheres em situação de risco, o botão faz parte do sistema de um aplicativo para alertar sobre os casos de violência contra a mulher e foi desenvolvido por um criador de cavalos, empresário do ramos do agronegócio) 630. ZH – 26 de dezembro - Ex-marido de juízo é preso por morte de juíza no Rio – SEGURANÇA – p. 27 (juíza morava na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro) 631. ZH – 26 de dezembro – Elas falam por nós – REVISTA DONNA – p. 6 a 9 (20 mulheres deixam uma mensagem pelas situações que viveram em 2020, Mariana Ferrer virou símbolo da luta pelo fim da violência contra a mulher) 632. ZH – 28 de dezembro - Bloqueados R$640 mil de ex-marido da juíza – SEGURANÇA – p.21 (juíza morta com 16 facadas, TJ ressalta que o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking em feminicídios) 633. ZH – 30 de dezembro - Preso suspeito de matar companheira – SEGURANÇA – p.24 (homem bateu na mulher e efetuou 3 disparos, notícia amplia os casos de feminicídios: repercussão juíza morta com 16 facadas na frente das 3 filhas; jovem de 23 anos morta a tiros) 634. ZH – 31 de dezembro – Ano de pandemia traz boas notícias na segurança pública – SEGURANÇA – p. 22 (sobre os índices de criminalidade, o saldo negativo é o aumento dos feminicídios e o aumento da violência doméstica em um ano em que as pessoas foram “trancadas” em casa por casa da pandemia) RESUMO – Em dezembro, foram encontradas 11 peças noticiosas sobre a violência contra a mulher