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Delfina Esteves Caldas Dias Correia Mendonça março de 2022 O tempo da cultura e o tempo do desenvolvimento: uma análise ao projeto Namorar Portugal Delfina Esteves Caldas Dias Correia Mendonça O tempo da cultura e o tempo do desenvolvimento: uma análise ao projeto Namorar Portugal UMinho|2022 Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais
Delfina Esteves Caldas Dias Correia Mendonça março de 2022 O tempo da cultura e o tempo do desenvolvimento: uma análise ao projeto Namorar Portugal Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Emília Rodrigues Araújo Dissertação de Mestrado Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Começo por agradecer à minha orientadora, a Professora Doutora Emília Rodrigues Araújo por ter aceite este desafio e me ter acompanhado durante esta “caminhada”. Agradeço a todos aqueles com quem tive o privilégio de contactar e que tiveram a amabilidade de dispensar algum do seu tempo, quando o solicitei. Sem esse contributo, este trabalho simplesmente não seria possível! Às minhas referências, avós, pais e irmão o meu muito obrigada por tudo o que me ensinaram e transmitiram ao longo da vida. Finalmente, o meu OBRIGADA aos meus filhos, Carolina e Salvador, por toda a compreensão e ao pilar da minha vida, o meu marido Leonel, pelo companheirismo e apoio incondicional.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v O tempo da cultura e o tempo do desenvolvimento: uma análise ao projeto Namorar Portugal RESUMO A presente pesquisa tem como objetivo problematizar a relevância do projeto Namorar Portugal, enquanto resultado de uma estratégia de desenvolvimento local centrada na preservação e valorização de uma herança cultural. Nesse sentido, a dissertação debate três ideias principais: i)a importância da cultura no desenvolvimento do território; ii) a sustentabilidade dos territórios e das comunidades assenta na sua capacidade de envolver a população residente nas estratégias de procura, seleção e valorização simbólica e económica dos traços identitários dos territórios e/ou localidades; iii) os decisores políticos têm um papel relevante no desenvolvimento de uma visão estruturada e de longo prazo no sentido de definir estratégias de planeamento. Com efeito, as novas tendências sobre o desenvolvimento da indústria turística e cultural têm estado orientadas para a exploração de objetos de consumo que pertencem ao que comummente se designa “cultura imaterial”, que inclui um amplo leque de elementos característicos da história e da memória das comunidades (Jameson, 2001). Vários estudos têm demonstrado que estas tendências permitem às comunidades e, portanto, aos territórios, criar vias de desenvolvimento sustentável através da promoção da cultura, face às pressões no sentido da hipervalorização do que é global (Canclini, 2008). Esta é também a perspetiva da UNESCO que defende a importância do património cultural e imaterial, gerador da diversidade cultural e garante do desenvolvimento sustentável, enaltecendo o papel relevante que as comunidades, em especial, as autóctones, desempenham na produção, salvaguarda e recriação desse património. A dissertação desenvolve estas ideias, a partir da análise do Namorar Portugal, obtendo-se resultados que permitem evidenciar o reconhecimento deste projeto na revivificação de uma tradição - o Lenço de Namorados-, na sua afirmação enquanto ícone identitário de um território e elemento potenciador de uma estratégia de desenvolvimento local. Uma estratégia que se reveste de uma forte componente criativa, com impactos ao nível da notoriedade do território. Palavras-chave: Cultura, Globalização versus Localização, Identidade, Património, Turismo
vi Time of culture and time of development : an analysis of Namorar Portugal project ABSTRACT The present research has as its main purpose to question the relevance of the “p roject Namorar Portugal ”, as a result of a strategy of local development focused in preserving and enhancing a particular cultural heritage. Consequently, this dissertation debates over three main ideas: i) the importance of culture in the development of the territory; ii) the sustainability of the territories and communities based on their ability to engage the resident population in finding strategies of symbolic and economic selection, and enhancement of the identity characteristics of territories and/or places; iii) political decision-makers have a key role on the development of a structured and long-term vision in defining planning strategies. Consequently, new trends in development of tourist and cultural industry have been oriented to explore objects of consumption which belong to what is commonly known as “intangible cultural heritage”, which includes a wide range of characteristic elements of history and memory of communities (Jameson, 2001). Several studies have demonstrated that these trends allow communities, and therefore territories, to create sustainable development pathways to promote their culture in the eminence of pressures towards overvaluation of what is global (Canclini,2008). This is also the UNESCO perspective which defends the importance of cultural and intangible heritage as generator of cultural diversity and grantor of sustainable development, by praising the relevant role of communities, in special the indigenous communities, which play an important role in the production,protection and re-creation of that heritage. This dissertation develops these ideas from the analysis of “ Namorar Portugal” whose results allow to evidence the recognition of this project in the revival of a rooted tradition – “ Lenços de Namorados ”, in its affirmation as an identity icon of a territory and as a boosting element of a strategy for local development. A strategy that has a strong creative component with impact on the territory's notoriety. Keywords: Culture, Globalization vs localization, Identity, Heritage, Tourism
vii ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ........................................................................................................................ iii RESUMO ........................................................................................................................................... v ABSTRACT ....................................................................................................................................... vi INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 1 Capítulo IENQUADRAMENTO DO PROJETO NAMORAR PORTUGAL ....................................... 4 1.1. Contextualização turístico-cultural do concelho de Vila Verde ...................................................... 4 1.2. A tradição do Lenço de Namorados .......................................................................................... 8 1.3. O Evento “Gala Namorar Portugal” ......................................................................................... 17 1.4. A programação “Fevereiro, Mês do Romance” ........................................................................ 20 1.4.1 Estratégia de Comunicação .............................................................................................. 23 1.5. A marca Namorar Portugal ..................................................................................................... 24 1.6. Produtos Namorar Portugal .................................................................................................... 26 Capítulo IIFUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 29 2.1. Identidade, Cultura e Património ............................................................................................. 29 2.2 Globalização versus Localização: uma relação de interação ...................................................... 32 2.3. Criatividade, Turismo, Sustentabilidade ................................................................................... 33 Capítulo IIIPERCURSO METODOLÓGICO ................................................................................. 36 - Pesquisa e Análise Documental ................................................................................................... 36 - Observação Participante .............................................................................................................. 36 - Entrevistas .................................................................................................................................. 37 - Construção e Aplicação de Inquérito por Questionário .................................................................. 41 Capítulo IVRESULTADOS ............................................................................................................ 43 4.1 A Perspetiva dos Decisores Políticos e outros com poder de intervenção ................................... 43 4.1.1 A identidade do Projeto Namorar Portugal ......................................................................... 43 4.1.2: Extensão do seu reconhecimento: interno e externo ......................................................... 49 4.1.3 Grau de Envolvimento dos parceiros.................................................................................. 53 4.1.4 Contributo do projeto para a resiliência do território ........................................................... 55 4.1.5 Perspetivas Futuras: Sustentabilidade do projeto e da comunidade .................................... 56 4.1.6 Considerações sobre a pandemia Covid 19 ....................................................................... 60 4.2 Perspetivas dos residentes e não residentes sobre o Namorar Portugal .................................... 62
3 O terceiro capítulo é dedicado ao percurso metodológico, aos métodos e técnicas utilizados para a recolha de dados, designadamente a pesquisa documental, a observação participante, a realização de entrevistas a decisores políticos e outros com poder de intervenção no território e análise comparativa. Também, a realização de inquérito por questionário a uma amostra de população residente e não residente e sua análise. A realização das entrevistas e inquéritos obedeceram a um “fio condutor” assente num conjunto de temas previamente definidos. O quarto capítulo apresenta a interpretação de resultados tanto qualitativos, através da análise compreensiva das entrevistas, como quantitativos, mediante a análise das perspetivas dos residentes e não residentes. Por último, em forma de conclusão, realiza-se a discussão de dados e apresentam-se as considerações finais. Este capítulo compreende, também, um conjunto de sugestões entendidas como pertinentes para a sustentabilidade do projeto, assim como propõe novas problemáticas que poderão ser tratadas em futuras investigações.
4 Capítulo IENQUADRAMENTO DO PROJETO NAMORAR PORTUGAL 1.1. Contextualização turístico-cultural do concelho de Vila Verde O caso que sustenta este trabalho é o projeto Namorar Portugal, cuja evolução culminou com a construção de uma marca que configura a reinterpretação da simbologia do Lenço de Namorados e se apresenta como veículo de partilha e conhecimento desta herança cultural, plasmada no artesanato, na moda e no design (Concurso Internacional de Criadores de Moda/Gala Namorar Portugal), mas também na programação turístico-cultural “Fevereiro, Mês do Romance” e num universo variado de produtos inspirados no Lenço de Namorados. Trata-se de um projeto concebido e gerido pela Autarquia de Vila Verde, com os objetivos de garantir a continuidade e a consolidação de todo o trabalho de salvaguarda do Lenço de Namorados, que vem sendo efetuado desde a década de 80, e de contribuir para a sua valorização enquanto ícone identitário do território. O Plano Integrado de Desenvolvimento Estratégico do Turismo 2011-2018 (PIDETUR) elencou as grandes linhas de orientação estratégica do desenvolvimento do turismo para Vila Verde, assente em princípios como a sustentabilidade, a transversalidade, a competitividade, o benefício para a comunidade local. Neste contexto, foi definida enquanto missão para o destino: “proporcionar ao visitante e ao turista um destino turístico de experiências únicas e diferenciadoras, capazes de criar oportunidades de desenvolvimento local e de empreendedorismo no turismo, assente nos seus recursos e competências suporte do seu posicionamento competitivo” (PIDETUR, 2011, p. 31). No quadro de referência do PIDETUR foram considerados os seguintes objetivos estratégicos orientadores dos desígnios futuros do desenvolvimento do turismo em Vila Verde: i) melhorar a experiência do visitante e do turista e a comunicação dos residentes; ii) desenvolver infraestruturas, serviços e produtos; iii) criar eventos icónicos; iv) promover a qualidade de vida dos residentes e gerar desenvolvimento e prosperidade local. Este documento contemplou um plano operacional de curto prazo, para três anos (2013-2016) - o Plano de Excelência Turística/PET-, que se traduziu num conjunto de medidas, ações e projetos priorizados e implementados tendo por base o seu contributo para a qualificação do destino e para o padrão de excelência pretendido, assente em valores como o território, a identidade, a singularidade e a autenticidade. No âmbito da Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial do Cávado 2014-2020, uma das prioridades estratégicas definidas traduziu-se na valorização da qualidade do património natural, ambiental e cultural como ativo diferenciador do território e da oferta turística.
5 O Minho INovação, enquanto Estratégia de Eficiência Coletiva (Minho IN, 2014), procurou transformar os recursos únicos, inimitáveis e diferenciadores do Minho de baixa densidade, em valor e em emprego, de modo a afirmar a região como destino a partir da (re)construção de uma identidade coletiva autêntica, viva e moderna, materializando-se num mix de ofertas turísticas novas e consolidadas. A missão do Minho INovação consistiu na estruturação e operacionalização de um ecossistema de suporte ao desenvolvimento do destino e dos negócios turísticos a partir dos recursos do território, das narrativas partilhadas e de uma forte ação coletiva dirigida (Minho, IN, 2014). A Estratégia de Marketing Turístico para o Turismo do Porto e Norte de Portugal 2015-2020 e o respetivo Plano de Ação assentaram na premissa de que esta região se poderia afirmar e ser reconhecida como um destino cosmopolita e glamouroso, com história e tradição, com uma diversidade de recursos naturais e patrimoniais de referência, com uma oferta gastronómica e vínica impar, que se impõe ser experimentado num ambiente de evasão absoluta, ou de entretenimento constante (Turismo do Porto e Norte de Portugal, 2015). Por sua vez, a Estratégia de Turismo 2027 define uma visão focada nas pessoas, através da qual se procura afirmar o turismo como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território, posicionando Portugal como um dos destinos mais competitivos e sustentáveis do mundo (Turismo de Portugal, 2017). O Plano de Ação para o Turismo de Vila Verde 21-22 defende enquanto visão “posicionar Vila Verde como um destino de pessoas autênticas, capazes de preservarem a sua identidade e singularidade, num território sustentável e seguro, em que os visitantes desfrutarão de vivências únicas e exclusivas” (p. 50). O mesmo documento estratégico estabelece como objetivo geral: Dar continuidade à gestão e estruturação de uma estratégia competitiva para o Turismo em Vila Verde com base nos recursos e ativos existentes no Território, suportada num Plano de Ação organizado em produtos turísticos e experiências, alicerçados num posicionamento do destino que responde aos desafios da globalização, da segurança, da acessibilidade, do empreendedorismo, da inclusão, da criatividade e da inovação (p. 52). Sendo o turismo uma aposta estratégica da política municipal, têm vindo a ser realizados um conjunto de investimentos para valorizar o território e estruturar a oferta turística, permitindo a fruição do património cultural, a preservação e salvaguarda desse mesmo património, a afirmação e crescimento dos indicadores económicos do turismo no Concelho (Plano de Ação para o Turismo 2122). Nesta perspetiva, importa elencar a existência de um conjunto de novos equipamentos
6 culturais de suporte à atividade turístico-cultural que têm surgido nos últimos tempos e que integram a oferta de ativos de Vila Verde, tais como: o Museu do Linho, o Museu Terras de Regalados, o Centro de Artes e Cultura, o Centro de Dinamização Artesanal, a Casa do Conhecimento, o Centro Interpretativo do Património Cultural de Vila Verde, a Casa do Brinquedo e da Brincadeira, a Casa das Artes. Em fase de execução encontra-se a Adega Cultural, futuro Centro de Artes e Espetáculos e em fase de projeto, o Centro Interpretativo de Artesanato em Cerâmica e a Casa dos Sabores e Saberes Populares que se vai traduzir num espaço expositivo e de demonstração dos saberes e sabores locais, associados aos produtos agro-alimentares e à riquíssima gastronomia local. Ainda, a recente Ciclovia Urbana, a Rota de Mixões da Serra (percurso de BTT), os trilhos da Nóbrega (percurso pedestre de pequena rota), do Fojo do Lobo (percurso pedestre de pequena rota), do Vade (percurso equestre), o percurso “À volta do Museu do Linho” que tem como objetivo alargar a oferta cultural a todos os visitantes do Museu. A futura Ecovia do Cávado e Homem, projeto intermunicipal que se vai desenvolver ao longo das margens de dois importantes rios, permitindo a fruição, a preservação e valorização ambiental e a criação de um novo recurso de atração turística do território. O projeto de sinalização turística interpretativa levado a efeito, tem-se revelado uma mais-valia, uma vez que integra um conjunto de elementos do património cultural, através da instalação de placas interpretativas disseminadas pelos recursos âncora do concelho, associadas através de QR Code , a audiodescrições e com tradução bilingue (português/inglês). No sentido de proporcionar uma melhor qualidade de fruição do território e dar uma resposta diversificada em função dos distintos públicos, interesses e motivações foram desenvolvidas duas rotas culturais audioguiadas, designadamente: o “Caminho das Origens”, um percurso automóvel de 110 Km, por todo o concelho e o “Caminho dos Lenços de Namorados”, um percurso pedonal de 3 Km, pelo centro de Vila Verde. O concelho de Vila Verde é um território sobejamente conhecido pelas suas festividades e romarias. Elementos como a espiritualidade e a alegria das gentes, o colorido dos trajes e do folclore, os costumes e tradições ancestrais, fazem parte dos cartazes turísticos deste Concelho desde há várias décadas. Com efeito, existem dezenas e dezenas de eventos ao longo do ano, predominando as festas de cariz religioso presentes nas distintas freguesias de Vila Verde (Plano de Ação para o Turismo 21-22, p. 82) Detentor de uma forte dinâmica cultural, este território tem-se evidenciado pela existência de
7 um calendário de eventos diversificado que ocorrem ao longo do ano, o que vai ao encontro de um dos objetivos estratégicos traçados pelo PIDETUR (2011) assente na criação de eventos icónicos desenvolvendo oportunidades e iniciativas locais de animação. Data Eventos Local janeiro Encontro de Grupos de Reis Vila Verde fevereiro Fevereiro, Mês do Romance Vila Verde maio Sá de Miranda por Terras de Vila Verde Vila Verde junho Festas Concelhias em Honra de Stº António Vila Verde junho Bênção dos Animais Valdreu junho/julho Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde Vila Verde agosto a novembro Rota das Colheitas Freguesias setembro Romaria à Nossa Senhora do Alívio Soutelo outubro Festa das Colheitas-Feiura Mostra de Produtos Regionais Vila Verde novembro Fim de Semana Gastronómico Freguesias Todos os meses Feira Mensal de Artesanato Vila Verde Todos os meses Feira Mensal das Velharias Vila Verde Todos os meses Feira Mensal de usados Vila Verde Tabela 1 - Eventos a destacar em Vila Verde Fonte: Elaborado pela Autora Todos estes eventos têm como denominador comum o facto de se inspirarem e retratarem, simbolicamente, os usos e costumes do território, contribuindo para a promoção e valorização das tradições e da cultura popular. Argumento este que, só por si, justifica o grande envolvimento e participação ativa da comunidade local. No entendimento de Araújo et al. (2019) há uma tendência de se perspetivar os eventos como potenciais “produtos” turísticos, através dos quais é possível expor a singularidade das comunidades locais e atrair a atenção dos visitantes. Também Ribeiro et al. (2006) referem a importância dos eventos culturais e dos seus impactos ao nível da revitalização dos territórios em termos económicos, culturais e paisagísticos, assim como na promoção da imagem do destino. Outras particularidades caracterizam este concelho, como a ruralidade, a paisagem, a gastronomia, o vasto património, traduzido nos vestígios arqueológicos, na arquitetura civil e religiosa, nos conjuntos rurais típicos, nos aspetos etnográficos da cultura popular e no artesanato. O artesanato ocupa um lugar de destaque, pela importância económica crescente, pela preservação de técnicas de fabrico ancestrais e pela inovação na conceção de outros produtos (Município de Vila Verde)1. 1 Informação retirada de http://www.cm-vilaverde.pt/web/cultura/apresentacao
8 Medeiros et al. (2013, p. 201) entendem o artesanato enquanto: Uma atividade que traduz a cultura de um povo por meio de sentidos e das teias de significados que o constituem, guardando estreita relação com a tradição, os modos de vida e a identidade do local em que é produzido. Enquanto atividade económica, é ainda passível de promover o desenvolvimento e geração de renda para a comunidade que o produz. Consideram-no, ainda, como: Processo criativo gerador de valor simbólico que guarda forte relação com a cultura com a tradição, tradição e identidade do local em que é produzido, sendo considerado como indústria criativa capaz de viabilizar e integrar novas dinâmicas culturais, económicas, sociais e tecnológicas (p. 199) Na opinião de Ferreira (2013), o artesanato é cada vez mais recuperado e valorizado até como forma de se voltar às raízes, ao que de bom se fazia em tempos passados. É nesta perspetiva que ressalta o trabalho estruturante desenvolvido em torno de um produto artesanal, o Lenço de Namorados, do qual emergiram novas ideias e projetos que têm permitido afirmar o seu valor patrimonial, histórico e identitário, assim como alcançar um reconhecimento numa ótica de turismo criativo e sustentável. 1.2. A tradição do Lenço de Namorados A tradição do Lenço de Namorados tem raízes profundas em Vila Verde. Tal como defende Durand (2005, p. 3) “estas peças de artesanato beneficiam hoje de uma valorização consensual, como tudo o que é tido por “patrimonial”. E a sua integração na imagem de Vila Verde parece ser cada vez mais difundida.” Falar de Lenço de Namorados remete-nos, automaticamente, para uma história de amor de uma rapariga do campo apaixonada. Nele e através dele era feita uma declaração de amor, dirigida ao eleito do seu coração, a quem o oferecia como manifestação do seu afeto. Se o jovem retribuísse esse sentimento, assumia publicamente o compromisso, ostentando o Lenço ao pescoço, no bolso do fato domingueiro, ao ombro para pousar o andor do padroeiro ou na mão para segurar a vara do pálio em dia de festa. Caso a rapariga não fosse correspondida, o Lenço voltaria às suas mãos. O valor e o significado do Lenço estão precisamente nesta história, na sua motivação, numa tradição que se tem afirmado enquanto elemento intrínseco do imaginário coletivo de uma comunidade. Estas belas peças artesanais, também conhecidas como lenços marcados, bordados ou de amor,
9 encerram genuínas mensagens amorosas, uma peculiar forma de traduzir o pulsar sentimental dos jovens do meio rural e remetem-nos para costumes ancestrais que se impõe preservar e, melhor ainda, revivificar (Fernandes & Durand, 2008, p. 11). Transpondo gerações, poucos são aqueles que não conhecem a história do Lenço, a sua mensagem poética de raiz popular e os valores positivos que transmitem, para além de serem guardiões de uma cultura ancestral da qual todos se orgulham. Segundo as palavras de Conceição Pinheiro2, citada por Cunha (2002, p. 17): Acreditamos que os Lenços de Namorados são um milagre da União. E a prova é que através deles já juntamos gerações, culturas e raças. Continuaremos a bordar, bordar, bordar (…) até que o nosso universo seja Portugal bordar o mundo com o nosso Lenço de Amor. A origem do Lenço de Namorados (também conhecido como Lenço de Pedido ou de Amor) pensa-se que esteja nos lenços senhoriais do século XVIII e que foram adaptados pelas mulheres do povo. Uma afirmação discutível, fundamentada na existência de pormenores decorativos que apresentam semelhanças com o bordado fidalgo. Sem uma certeza quanto à sua origem, é um facto que é no Minho que tiveram maior expressão, uma presença mais notável, a avaliar pela ampla bibliografia relativa a esta região e pela extensão dos artigos. Apesar dos Lenços e as suas práticas sociais não serem uma exclusividade do Minho, pois há notícia da sua presença noutras regiões do país, o certo é que foi nesta região e em particular no concelho de Vila Verde que mais se investiu na sua revitalização e promoção (Durand, 2008). Se por um lado a sua história permanece pouco clarificada, quer no que toca à sua longevidade temporal, quanto à sua origem geográfica, o certo é que o simbolismo, a beleza estética e o caráter funcional do Lenço de Namorados acabaram por se sobrepor a qualquer tentativa de valorizar uma definição fixista assente no “rigor de uma data” ou numa disputa de um território “berço”. Um dos elementos mais característicos e apreciados no Lenço são as quadras escritas num português arcaico, com erros ortográficos evidenciando a literacia deficiente das suas autoras. A poesia dos lenços de namorados é manifestação singular do nosso património literário. Destina-se a transmitir emoções amorosas, não em abstracto mas dirigidas a destinatários concretos. Produtos de uma época onde a maioria das mulheres era analfabeta, as quadras são escritas com dificuldades 2 Conceição Pinheiro Silva, uma das grandes impulsionadoras de todo trabalho de pesquisa efetuado em torno do Lenço de Namorados, em Vila Verde. Acompanhou a criação da Cooperativa Aliança Artesanal e desempenhou funções de coordenação nessa entidade, durante o período de 1988 a 2001.
10 ortográficas, construindo as palavras não com a grafia correcta representando sons ou até maneiras de dizer. Os vês surgem trocados pelos bês, os ós pelos ús - como em curação - os és pelos is como em lial - e outros casos. Apesar disso (ao contrário de muita escrita sem erros), esta poesia é grande, sincera e emotiva (Gomes, 2006, pp. 101-102). Nos nossos dias, grande parte das bordadeiras são letradas, no entanto mantém voluntariamente os erros ortográficos como forma de serem fiéis à tradição e, simultaneamente, agradarem a quem compra os lenços que reconhecem e valorizam essa particularidade. “Coração por coração Amor num troques o meu Olha que o meu coração Sempre foi lial ó teu. Bai carta feliz buando Nas asas dum passarinho Cando bires o meu amor Dále um abraço e um veijinho” ( Quadras extraídas do Lenço das Quadras ) A ornamentação e a simbologia do Lenço, enriquecido com a poesia popular que o caracteriza, reveste-o de uma beleza única. Verifica-se a existência de uma diversidade de motivos e símbolos associados a sentimentos e estados de alma, tais como a pomba (a união no amor), a silva (prisão amorosa), o cão (fidelidade), a chave com dois corações (um segredo em comum que só os dois detêm), a grega (perpetuação da vida e da espécie-algo que se eterniza de uma forma mais sensível através dos filhos), a hera (emblema de amor leal), entre outros. Figura 1 - Lenço de Namorados Fonte: Arquivo Município de Vila Verde A história do Lenço reflete, também, temas ligados a fenómenos sociais, como o fluxo migratório para o Brasil, em finais do século XIX e princípios do século XX. A emigração gera uma
11 separação amorosa, pois normalmente era o elemento masculino que emigrava, procurando aí obter riqueza e melhorar o seu nível de vida, voltando depois para casar ou chamando para junto de si a noiva. “Meu Manel bai pró Brasil eu tamen vou no bapor guardada no coração daquele que é meu amor” ( Quadra extraída do Lenço das Quadras ) Tal como refere Cunha (2002, p. 14) “Indesmentivelmente, eles transportam-nos, atravessando os tempos, para uma cultura com os seus escritos, o seu arquivo, onde se encontram traços indeléveis de sentimentos de alegria, de tristeza, de ansiedade, de paz e de amor”. Outro dado prende-se com o facto da designação “Lenço de Namorados” ser algo recente, resultado de ações de revitalização e promoção que se assistiram nas últimas décadas do século XX. Este pedaço de pano bordado, intitulava-se, originariamente, de “Lenço” ou “Lencinho” e posteriormente Lenço “de Pedido” e por vezes “de Amor”. No entanto, é a expressão “Lenço de Namorados” que se impôs de forma natural, ganhou terreno e apropriou-se deste objeto artesanal, reforçando o reconhecimento e a simbologia do mesmo. Se, por um lado, se assiste à tomada de medidas com vista à preservação e salvaguarda deste património (entre as quais o registo da marca Lenço de Namorados do Minho3 e o seu processo de Certificação4), por outro lado, denotam-se sinais que caracterizam a sua evolução e adaptação a uma nova realidade sócio-cultural. Sabe-se, por exemplo, que o pano de linho caseiro, suporte físico das peças mais antigas, foi substituído pelo algodão e atualmente há um uso regular do tecido de linho industrial. Do ponto de cruz passou-se para uma gama de pontos mais vasta e variada e quanto às cores do mono ou bicromatismo verifica-se uma tendência para a policromia. A exposição a que tem sido sujeito conduziu a uma redefinição do seu carácter funcional. De uma peça artesanal única, produzida por uma motivação particular, o Lenço tem ganho expressão enquanto peça decorativa e colecionável. De um universo privado, o Lenço assume, claramente, uma exposição mediática e coletiva. Trata-se, desta forma, de uma nova dinâmica alicerçada numa maior procura do mercado e 3 O registo da marca Lenço de Namorados do Minho foi efetuado em 1999 (marca coletiva nº 335755) e em 2007 (denominação de origem nº 164), pela Adere-Minho/Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho. 4 O processo de Certificação foi levado a efeito pela Adere-Minho em 2002, facto que contribui para uma maior visibilidade pública e reconhecimento do Lenço de Namorados.
12 consequente incremento da sua produção, assim como numa maior profissionalização de quem se dedica a esta arte, como forma de garantir um rendimento adicional. Constata-se, também, uma crescente predisposição para a reprodução de peças antigas, para a produção de interpretações nelas inspiradas, assim como para as novas criações, designadas por Lenços Contemporâneos. Apesar de existirem lenços em todo Minho e espalhados pelo país, os lenços de Vila Verde tem algumas particularidades que os diferenciam dos demais, nomeadamente as cores garridas, os seus motivos e caligrafia infantis. A este respeito, Durand (2008, pp. 145-146) sublinha: Os motivos vilaverdenses agradam ao público e as acções de comunicação da Câmara têm tido sucesso: Vila Verde atrai a maior parte das atenções e ninguém contesta o facto de os seus lenços terem a mesma visibilidade histórica que os outros, mesmo se a visibilidade que chegaram a alcançar pode por vezes suscitar comentários inconformados por parte de algumas bordadeiras de concelhos vizinhos, que lamentam o esquecimento a que são votados os seus motivos”. Como já foi referido, Vila Verde, através da atuação da Autarquia e de outras entidades locais, teve um papel fundamental em todo o processo de valorização deste património cultural, bem como do reconhecimento da importância do artesanato e daqueles que se dedicam ao saber-fazer. Nesta linha de pensamento, Isaías (2012, p. 14) afirma: Todos os esforços para a salvaguarda deste património acabaram por colocar as artesãs no topo de todas as prioridades, criando-se as condições necessárias para as incentivar para a produção dos Lenços de Namorados e a transmitir o seu saber-fazer e conhecimentos a outros, em especial aos membros mais novos da sua própria comunidade, nomeadamente, através da organização de diversas ações de formação profissional garantindo a continuidade da produção destas peças.” Salienta-se, numa primeira fase, o trabalho desenvolvido pelas responsáveis da Obra das Mães5, a intervenção e dedicação de Conceição Pinheiro que deu um grande impulso à continuidade da investigação sobre os Lenços, tendo sido sóciafundadora da Aliança Artesanal e sua coordenadora durante o período de 1988-2001. Outros nomes se destacam como Alice Pinheiro e Maria do Carmo Reis. Estas três mulheres tiveram um contributo notável em todo o trabalho efetuado em torno deste 5 Em 1937 surgiu a Obra das Mães, uma organização privada que tinha o apoio do Ministério da Educação, cujo objetivo se destinava a estimular e dirigir a habilitação das Mães para a educação familiar. O trabalho social na Obra das Mães desenvolvia-se em três áreas distintas, mas interdependentes: a ação educativa, a ação familiar e a ação social. Deste modo, era ministrada uma formação dirigida para o Lar, para a Família e para a Sociedade, nas suas mais variadas vertentes.
19 uma de Itália e outra da Galiza (Santiago de Compostela). Os restantes coordenados foram apresentados por concorrentes individuais. Em 2020, desfilaram na Gala Namorar Portugal 74 coordenados, 50 oriundos de escolas de moda do país e os restantes apresentados por concorrentes individuais, com a particularidade de quatro serem de Espanha. Nesta edição, contámos com a participação de seis estilistas consagrados, designadamente Anabela Baldaque, Katty Xiomara, Natália Mil Homens Pereira, Nuno Gama, Luís Carvalho e Rafael Freitas. Figura 9 - Coordenado apresentado por Anabela Baldaque Gala Namorar Portugal 2020 Fonte: Arquivo Município de Vila Verde (www.namorarportugal.pt) Mais do que um evento de moda, o Namorar Portugal assume-se como uma “montra” para promover novos talentos, sendo uma oportunidade de estilistas e designers mostrarem o seu trabalho junto do público, do júri de avaliação, de representantes de escolas, da comunicação social, bem como de instituições, entidades empresariais e patrocinadores, que se encontram presentes no local. A sua notoriedade beneficia do apoio institucional de entidades como o Instituto de Turismo de Portugal, a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, o Instituto Português do Desporto e da Juventude, a Associação Comercial de Braga, assim como da construção e consolidação de parcerias com marcas reconhecidas, tais como a conceituada marca de automóveis BMW, a Delta Cafés do Grupo Nabeiro, a Nortempresa Perfume Lab, primeira fábrica em Portugal com total especialização na produção de perfumes. Estas empresas patrocinam três dos prémios do Concurso Internacional de Criadores de Moda. A BMW organiza, também, uma atividade no mês de fevereiro, denominada “Weekend for you BMCar”, em que para além da exposição de carros da marca, que ocorre na Praça de Santo António, em Vila Verde, garante a realização de test drives para os apreciadores. A Delta Cafés lança todos os anos uma coleção limitada de pacotes de açúcar alusivos ao evento e ao Namorar Portugal, cuja distribuição decorre ao longo do mês de janeiro, por sete distritos do país.
20 Figura 10 - Coleção de Pacotes de Açúcar Namorar Portugal 2019 Fonte: Arquivo Município de Vila Verde Em 2010, o Namorar Portugal foi distinguido pelo Instituto de Turismo de Portugal enquanto “evento de interesse para o turismo” (Declaração 50/2010), reconhecimento este que representa uma mais-valia na sua valorização e promoção numa perspetiva cultural e turística, assente numa programação concertada e integrada que se realiza ao longo do mês de fevereiro, designado o “Mês do Romance”. 1.4. A programação “Fevereiro, Mês do Romance” Na perspetiva de vários autores, as novas políticas culturais, aliadas à criatividade conduzem a novas formas da oferta se organizar em relação à procura e influenciam a maneira como percecionamos um destino turístico. Carvalho et al. (2011) defendem o aparecimento de um novo paradigma na oferta turística, traduzido numa crescente aposta nos recursos intangíveis, como é o caso das tradições, da cultura popular, da identidade de um território. Para Lages et al. (2018, p. 16) “numa era marcada pela informação e conhecimento, torna-se imperativo a criação de valor e a diferenciação. Uma forte identidade territorial parece resultar, tudo indica, numa importante vantagem competitiva.” Em 2010, o Município de Vila Verde apostou na criação de uma programação turístico-cultural designada “Fevereiro, Mês do Romance” que compreende um conjunto de iniciativas, que ocorrem no mês dedicado a S. Valentim e organizadas em semanas temáticasTradição, Amor, Romance, Saudade, Aventura.
21 Figura 11 - Workshop de Pintura em Tecido: fevereiro 2020 Autora acompanha a iniciativa Fonte: Arquivo Município de Vila Verde (www.namorarportugal.pt) Este programa resulta de um trabalho conjunto e concertado com um leque variado de atores locais, desde associações, artesãos, instituições e agentes turísticos. Um trabalho em rede com vista à estruturação da oferta turística e ao alinhamento do território, contribuindo para a criação de novas dinâmicas, ancoradas em novas iniciativas, novos atores, implicando de forma crescente os agentes económicos e a comunidade local, neste “roteiro de emoções”. Procurou-se, deste modo, associar o mês de fevereiro ao “romance” e catapultar toda a dinâmica já criada em torno do evento Namorar Portugal e do Lenço de Namorados para um âmbito de intervenção mais alargado. A carga emotiva associada ao Lenço e ao Namorar Portugal assume-se, claramente, como um elemento diferenciador e de afirmação da vocação turística do território. Figura 12 - Assinatura associada à programação "Fevereiro, mês do Romance" Fonte: Arquivo Município de Vila Verde É, por isso, que o território da marca Namorar Portugal é definido como um território de relações, um território palco de várias dinâmicas e gerador de sinergias, um território que quebra a “tirania” das fronteiras físicas e extravasa para uma abrangência assumida. Em suma, o território do Amor! (Plano de Marketing da marca Namorar Portugal, 2014, p. 61) Na opinião de Lages et al. (2018) os turistas procuram um destino com o qual estabelecem uma ligação emocional, e não aquele que simplesmente tenha as melhores ofertas de hotéis, restaurantes, entre outros. Sublinham, ainda, que a identidade de um destino deve coincidir com a imagem projetada para o mercado e a experiência do turista no destino deve coincidir com as expectativas. Através da programação “Fevereiro, Mês do Romance” pretendeu-se contribuir para a qualificação e diversificação da oferta turística e cultural do concelho, com vista a proporcionar ao
22 turista experiências únicas, através da exploração de ativos únicos existentes no território e configurar novos produtos turísticos, dirigidos a novos segmentos de mercado, capazes de alavancar novos motivos de visita a Vila Verde. Procurou-se, também, contrariar os efeitos da sazonalidade sentida em determinadas épocas do ano e consequentemente posicionar Vila Verde, enquanto um destino turístico de excelência, a partir da valorização dos recursos, do seu património e da sua identidade (PIDETUR, 2011). Figura 13 - Cartaz ilustrativo "Fevereiro, mês do Romance 2020" Fonte: Município de Vila Verde A título de exemplo, em 2020, a programação extrapolou o mês de fevereiro e compreendeu trinta e sete dias e uma centena de atividades, distribuídas por cinco semanas, que decorreram no concelho, mas também fora deste, designadamente em Braga, no Porto, em Lisboa, em Guimarães, em Monção, em Santo Tirso e em Santiago de Compostela (Galiza). No total, estiveram envolvidos noventa e nove parceiros, o que demonstra o reconhecimento e a abrangência desta Ação. Critérios Quantidade Número de Semanas 5 Dias de Atividades 37 Atividades Desenvolvidas 100 Número de Aderentes 99 Atividades desenvolvidas em Vila Verde 86 Atividades desenvolvidas fora do concelho 14 Tabela 2 - Indicadores relativos à programação “Fevereiro, Mês do Romance 2020” Fonte: Elaborado pela Autora A Gala Namorar Portugal é a iniciativa mais emblemática e o evento-chave da programação. Porém, destacam-se outras atividades, tais como: o Desfile de Moda Sénior que envolve as Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho, o Scholl in Love dinamizado pela Escola Secundária de Vila Verde e toda a comunidade educativa, os Saraus culturais promovidos por associações locais,
23 os workshops temáticos (bordado, pintura, ilustração, trabalho em estanho, arte floral, cabaça e biscuit ) desenvolvidos pelos vários promotores da marca Namorar Portugal, abertos a todos os interessados, mediante inscrição prévia. Ainda, as exposições, o concerto de Gala Namorar Portugal, o Desfile de Acessórios de Moda e as atividades ao ar livre, designadamente os trilhos e as caminhadas. Figura 14 - Wokshop de Bordado-Programação "Fevereiro, mês do Romance 2020" Fonte: Arquivo Município de Vila Verde (www.namorarportugal.pt) De referir que em 2021, em consequência dos efeitos da pandemia COVID 19, todas as atividades previstas no âmbito da programação foram canceladas. Como resposta a esta paragem “imposta”, apostou-se no reforço da comunicação on line, através dos sites institucionais e das redes sociais (facebook e instagram), com o propósito de manter viva a dinâmica do Namorar Portugal. 1.4.1 Estratégia de Comunicação De acordo com o Plano de Marketing Estratégico da marca Namorar Portugal: Construir bom relacionamento com o cliente exige mais do que apenas o desenvolvimento de um bom produto, um preço atraente e torná-lo disponível para os clientes-alvo. As empresas/instituições também devem comunicar a sua proposta de valor para os clientes. Devem comunicar não só com os clientes, mas também com os seus intermediários e os seus diversos públicos. (Plano de Marketing Estratégico da marca Namorar Portugal, 2014, p.120) Enquanto detentor do projeto, o Município de Vila Verde tem vindo a articular um conjunto de meios que julga adequados para a promoção e comunicação das diversas ações do Namorar Portugal. A título de exemplo, em 2020 produziram-se 40.000 brochuras com o programa “Fevereiro, Mês do Romance”, 5000 cartazes, 4 telas para estruturas de outdoors colocados nos acessos ao concelho, um em Braga e outro em Guimarães. As brochuras foram distribuídas pelo concelho (14.000 via CTT), por todos os postos de turismo da região Norte, assim como pelas entidades aderentes. O site Namorar Portugal e a página de Facebook são, também, dois importantes instrumentos
24 de divulgação. O alcance médio da página facebook Namorar Portugal, entre os dias quinze de janeiro e cinco de março de 2020 foi de 5144 pessoas diferentes por dia, que realizaram um total de 697 989 impressões (visualização de qualquer conteúdo relativo à página), o que dá uma média de 13 959 impressões por dia. Ao nível dos media e de acordo com os registos efetuados7 (2020) verifica-se que as iniciativas do mês do romance captam a atenção dos órgãos de comunicação social, assim como das redes socias. Tendo como referência a segunda quinzena do mês de janeiro e a primeira semana de março de dois mil e vinte, foram publicados 465 artigos ao nível de jornais, revistas, sites, páginas de facebook e blogues. Garantiram-se diversas presenças ao nível dos diferentes canais de televisão. Durante o período em questão, o Município de Vila Verde assegura um serviço de assessoria media que trabalha exclusivamente na promoção e divulgação das iniciativas do mês do romance. Outra aposta tem incidido na participação anual em feiras de carácter internacional como a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), enquanto evento com mais expressão no setor do turismo, a Feira Internacional de Artesanato (FIL) e a Feira de Nanterre, em Paris, dirigida à comunidade de emigrantes portugueses que lá se encontra. 1.5. A marca Namorar Portugal Em 2008, o Município de Vila Verde procedeu ao registo do evento Namorar Portugal (INPI8), em 2010 estendeu o registo da marca a outras classes a nível nacional e em 2016 avançou com o registo comunitário da marca. A marca é segundo o Instituto Nacional da Propriedade Nacional (INPI), um sinal que identifica e distingue no mercado os produtos e/ou serviços de uma empresa, diferenciando-se assim das restantes. Pode ser definida como “uma conexão simbólica e afetiva estabelecida entre uma organização, sua oferta material, intangível e aspiracional e as pessoas para as quais se destina” (Perez, 2004, p. 10). Isto pressupõe que a marca é mais do que um produto, assumindo-se como um conceito, um significado e é através dela que o consumidor identifica ou diferencia um produto ou um território. Para Pimentel (2017, p. 50) “a marca é uma fonte de associações sensoriais, afetivas e cognitivas baseadas na totalidade de interações entre a empresa e o consumidor, formando a base de uma experiência holística e memorável”. 7 Registos efetuados pela assessoria de imprensa relativos ao ano de 2020. 8 Instituto Nacional de Propriedade Industrial. É o organismo público responsável pelo registo e concessão de marcas, patentes e desenhos ou modelos em Portugal.
25 Neste caso em particular, Namorar Portugal poder-se-á definir como uma marca umbrella, ancorada em valores identitários, cobrindo três dimensões essenciais de promoção de Vila Verde (evento/programação, produtos e território) e do seu ícone identitário, o Lenço de Namorados (Plano de Marketing da Marca Namorar Portugal, 2014). O território da marca Namorar Portugal é entendido como um território de relações, um território palco de várias dinâmicas e gerador de sinergias, um território que quebra a “tirania” das fronteiras físicas e extravasa para uma abrangência assumida (Plano de Marketing da Marca Namorar Portugal, 2014). A missão da marca define-se: Promover a aliança entre a tradição e a modernidade do património material e imaterial de Vila Verde, de modo a criar atrativos de índole turística para o território, assim como criar oportunidades de desenvolvimento da economia local ao nível das indústrias tradicionais e de novas indústrias assentes na criatividade e empreendedorismo. (Plano de Marketing da marca Namorar Portugal, 2014, p. 18) Como forma de identificar e comunicar a marca, foi criada a logomarca Namorar Portugal composta pelo coração, pela flor e pela pomba, todos elementos presentes no Lenço de Namorados. O coração é o elemento preponderante, tendo sido incorporado na palavra Portugal para criar uma maior identificação com o país e conferindo-lhe uma abrangência territorial nacional em termos de identidade. A utilização da cor vermelha está intimamente ligada ao Amor e a preta à tradição, sendo estas as cores originais dos Lenços. Figura 15 - Logomarca criada em 2012 e reformulada em 2014, com a introdução da assinatura by Vila Verde Fonte: Plano de Marketing da marca Namorar Portugal, Município de Vila Verde A logomarca fala uma só linguagem: a do amor! A assinatura da marca Namorar Portugal versa nesse sentido all about love . A inclusão da assinatura by Vila Verde identifica a origem da marca, o detentor da mesma e promotor das suas iniciativas, gerando uma relação de identidade inequívoca com o território. Na opinião de Lages et al. (2018), a base de diferenciação de uma marca territorial assenta em características intangíveis e uma forte identidade territorial apresenta-se como uma importante vantagem competitiva.
26 No caso aqui debatido, Namorar Portugal é uma marca de matriz cultural, que condensa a identidade de um território, o seu património e as suas tradições. É nestas particularidades que reside o seu valor, a sua génese e o seu carácter diferenciador. 1.6. Produtos Namorar Portugal Numa entrevista ao Jornal Correio do Minho (2014), António Vilela, na altura Presidente da Câmara de Vila Verde defendeu: Esta marca veio dar o seu contributo para a “promoção de Vila Verde” e para a “valorização do seu património”. Ao mesmo tempo, desafiou os empresários para que continuem a apostar na “criatividade” e “inovação”, dois fatores fundamentais para conquistar os mercados (Pereira, 2014). A marca Namorar Portugal tem-se afirmado enquanto motor para o desenvolvimento de parcerias, assim como um estímulo ao empreendedorismo materializado no desenvolvimento de novos projetos impulsionadores da economia local. Os produtos Namorar Portugal inspiram-se no ícone identitário do concelho e como tal pretende-se que se assumam enquanto produtos inovadores, mas com história, com alma, permitindo ao imaginário de quem os compra, a sua associação a uma história de amor. Este valor simbólico representa uma valia para o produto. A partir da reinterpretação de um legado patrimonial têm surgido novos produtos com significado e uso diferentes, mais apelativos e ajustados às novas necessidades do mercado, cada vez mais exigente em função dos efeitos da globalização, do desenvolvimento tecnológico e do poder de escolha do próprio consumidor. Como resposta a esta realidade, a inovação e a diferenciação são as “palavras de ordem” para projetos desta natureza, dos quais resultam produtos de matriz identitária que se pretende que sejam adquiridos por diferentes consumidores, em diversas regiões do mundo. Uma das componentes inovadoras deste projeto reside, precisamente, na aplicação de um conceito de raiz empresarial, fruto de parcerias público-privadas. Figura 16 - Apresentação do Ambientador Namorar Portugal/parceiro Nortempresa, Braga Acompanhamento da iniciativa pela Autora Fonte: Arquivo Município de Vila Verde (www.namorarportugal.pt)
27 Neste momento e sob o escrutínio do Município de Vila Verde, que na qualidade de entidade gestora da marca é responsável pela admissão de novos parceiros e da aprovação de projetos, existem 54 promotores associados à marca, de diversos setores de atividade: artesanato, gourmet, moda, decoração, têxtil-lar, merchandising, joias, perfumes, sabonetes e óleos artesanais, arte floral. Relativamente à origem de cada parceiro, verifica-se que 53% são provenientes do concelho e os demais dos concelhos limítrofes como Amares e Braga, assim como de outras localidades, tais como Leiria, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Setúbal, Porto, Maia. Trata-se de um indicador interessante, na medida em que nos confirma o facto de a marca já ter extravasado a sua fronteira geográfica. Quanto ao envolvimento dos parceiros na marca e nas ações promocionais da mesma, constata-se a existência de duas dinâmicas. Se, por um lado, existem parceiros que garantem participação total, por outro, existem aqueles que se caracterizam por um envolvimento mais pontual. Uma realidade que poderá estar associada à natureza e dimensão das entidades parceiras. Até à presente data, contabilizam-se 15 promotores que desistiram ou estão em vias de descontinuidade. As desistências surgem associadas a fatores como a alteração na situação de emprego, baixo volume de vendas dos produtos, mudança para outra região ou até de país (emigração). Os critérios de admissão e enquadramento na marca traduzem-se, essencialmente, na qualidade, na originalidade, no tipo de matéria-prima utilizado, na relação do produto com a temática, na sua imagem e comunicação, assim como nos meios a utilizar para a sua comercialização. A autorização e cedência de utilização da marca Namorar Portugal implica algumas obrigações por parte das entidades parceiras, definidas no âmbito do Plano de Marketing da marca Namorar Portugal. Figura 17 - Apresentação "Linha Chocolate Namorar Portugal", Chocolate com Pimenta fevereiro 2020 Fonte: Arquivo Município de Vila Verde (www.namorarportugal.pt) Anualmente e durante o “mês do romance” realizam-se apresentações diárias de novos produtos Namorar Portugal. Grande parte das apresentações ocorrem em Vila Verde (no Espaço Namorar Portugal, nas lojas comerciais de diversos parceiros) e as restantes nas Lojas Interativas de
28 Turismo de Braga, do Aeroporto Sá Carneiro e na Porto Welcome Center , em colaboração com a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, na Galeria Arte na Terra, em Lisboa, assim como em outros locais sugeridos pelos promotores. Estas apresentações beneficiam de uma ampla campanha promocional, quer através de órgãos de comunicação como ao nível das redes socias. Na edição de 2020, foram lançadas 33 novas linhas de produtos Namorar Portugal e entraram para o projeto mais 4 novos parceiros (um do setor agro-alimentar, um de decoração, um de joias e um de bijuteria artesanal). Após o lançamento oficial, os produtos são colocados à venda quer no Espaço Namorar Portugal, como em outros pontos de comercialização da responsabilidade de cada promotor. O Espaço Namorar Portugal constitui-se como a primeira loja física onde se concentra a exposição/venda dos produtos que integram a coleção Namorar Portugal. De referir, ainda, a parceria com a Escola Profissional Amar Terra Verde que todos os anos lança um novo produto, numa perspetiva pedagógica e não comercial e com a empresa Vista Alegre que, periodicamente, apresenta serviços ou peças alusivas ao Lenço de Namorados de Vila Verde, não tendo adotado até ao momento a chancela da marca Namorar Portugal. Em 2014, o Município de Vila Verde criou uma loja on line9 dos produtos Namorar Portugal, com o objetivo de os tornar acessíveis em qualquer parte do mundo. Este canal funciona como elemento agregador do conceito, assim como local de lançamento de novos produtos após a sua certificação enquanto “produto Namorar Portugal”. Figura 18 -- Loja online Namorar Portugal Fonte: Site Namorar Portugal (www.namorarportugal.pt) 9 A loja on line encontra-se alojada no site www.namorarportugal.pt.
35 O turismo criativo entendido enquanto atividade sustentável desempenha um papel fundamental na preservação e reabilitação da identidade local, ou seja, da herança cultural, nomeadamente dos símbolos ou traços tradicionais locais. Assim, o turismo criativo assenta numa base local, ao valorizar os recursos endógenos que simbolizam o lugar e a cultura do destino turístico, melhora a experiência do visitante e conecta os turistas com a região e a sua cultura. A Rede de Cidades Criativas da UNESCO define o turismo criativo enquanto: (…) viagens voltadas para uma experiência engajada e autêntica, com aprendizagem participativa nas artes, património ou caráter especial de um lugar, e fornece uma conexão com aqueles que residem neste lugar e criam essa cultura viva (UNESCO, 2006). Também, para Ferreira et al. (2018, p. 14), o turismo criativo assume-se como agente ativo na valorização do território e na preservação da herança cultural local/regional, sendo uma boa prática para o desenvolvimento local sustentável. Na opinião destes autores: O destino que queira apostar no turismo criativo tem de ser criativo, ter recursos culturais intangíveis que sejam característicos do destino como as tradições locais, por exemplo e desenvolver atividades em que o turista seja um coprodutor da sua experiência, ou seja, o turismo criativo depende muito do envolvimento ativo e reflexivo dos turistas. Apesar destas considerações, o turismo criativo é objeto de críticas associadas "ao risco de gerar “cópias em série”, no qual a procura da singularidade e distinção origina um conjunto semelhante de estratégias políticas, o que acaba por conduzir a uma menor distinção entre lugares” (Richards & Marques, 2012, p. 6, citado por Ferreira et al. 2018, p. 14). Neste sentido, o turismo deve ser pensado segundo os princípios do desenvolvimento sustentável, baseado no equilíbrio entre a preservação do património natural e cultural, a viabilidade económica do turismo e a equidade social. Segundo a Organização Mundial de Turismo/OMT, um turismo responsável que promove o envolvimento da comunidade nas atividades turísticas, atende às necessidades dos turistas e das regiões recetoras e ao mesmo tempo protege e fomenta as oportunidades para o turismo futuro.
36 Capítulo IIIPERCURSO METODOLÓGICO Os estudos realizados no âmbito dos temas tratados neste projeto são muito diversos, no que respeita às técnicas e aos métodos usados, conforme a tipologia de questões em investigação. Nesta investigação e considerando algumas variáveis importantes, o percurso metodológico envolveu o estudo aprofundado de um caso (projeto Namorar Portugal), cruzando diversas técnicas de investigação, usadas em fases distintas do processo. Combina-se o uso de pesquisa documental, com a realização de entrevistas semi-diretivas baseadas num guião, após a revisão da literatura e a construção da problemática, o inquérito por questionário mediante a definição de uma amostra não probabilística e a observação desenvolvida no contexto da atividade profissional da proponente do projeto. Esta metodologia, que articula informações provenientes de diferentes fontes considera-se ajustada, no contexto dos objetivos e das hipóteses traçadas, que implica, por um lado a análise de processos estruturais e, por outro, as experiências individuais. Assim, a seguir à revisão da literatura que permitiu analisar o estado da arte relativamente ao que já foi estudado e publicado acerca da temática em estudo e o estabelecimento de relações concetuais que favorecem a definição dos objetivos e da metodologia, a contextualização e aprofundamento do tema, passou-se à pesquisa documental. - Pesquisa e Análise Documental A análise documental passa pela escolha e levantamento de um conjunto de documentos sobre o assunto de forma ao investigador ter contacto com a bibliografia já existente (Neto, 2002). A consulta de dados em fontes secundárias como a Estratégia de Turismo 2027, o Plano de Marketing Estratégico da marca Namorar Portugal, o Plano Integrado de Desenvolvimento Estratégico do Turismo 2011-2018, o Plano de Ação para o Turismo em Vila Verde 2021-2022, o estudo Cultura no pós-Norte 2020, o Plano de Recuperação e Resiliência entre outros, representam também uma importante fonte de informação para sustentar este trabalho. Foram, ainda, considerados o site da UNESCO, o site Namorar Portugal e o site da Câmara Municipal de Vila Verde. - Observação Participante Para vários autores a observação participante é um método de investigação qualitativa que possibilita obter uma perspetiva holística e natural das matérias a serem estudadas. Permite aceder a situações e eventos comuns, sendo difícil de captar através de entrevistas ou através de instrumentos
37 de auto-avaliação (Atkinson & Hammersley, 2005; Silverman, 2006; Strand et al., 2015). A opção metodológica pela observação de tipo participante responde ao objetivo de proceder, dentro das realidades observadas, a uma adequada participação dos investigadores, de forma “não intrusiva”, e de modo a reduzir a variabilidade residual, nomeadamente a repressão de emoções extravasadas ou comportamentos efetuados, bem como a artificialidade dos mesmos. Os observadores, sendo levados a partilhar papéis e hábitos dos grupos observados, encontram-se, assim, em condições favoráveis para observar – situações, factos e comportamentos – que dificilmente ocorreriam, ou que seriam reprimidos ou mesmo adulterados, na presença de estranhos (Brandão, 1984; Marshall & Rossman, 1995). Neste caso, a autora pelas funções que desempenha no Município de Vila Verde tem acompanhado de perto a evolução do projeto Namorar Portugal, assim como tem estado envolvida na operacionalização do mesmo. Tal experiência, alicerçada quer no contacto com os decisores políticos e as suas opções estratégias, como na relação de proximidade com os vários interlocutores do projeto, dotam-na de um conhecimento profundo do mesmo e de um espírito crítico, enquanto princípios fundamentais para a construção de uma narrativa sustentada na discussão objetiva dos resultados e na apresentação de propostas e sugestões. - Entrevistas No âmbito desta investigação entendeu-se usar a entrevista, visto tratar-se de recolha de dados que permite obter informações e elementos de reflexão aprofundados. Segundo Bogdan e Biklen (2010), citado por Pereira (2011, p. 3) “uma entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo.” O público-alvo identificado, para o efeito, compreendeu um conjunto de pessoas que conhecem o projeto em causa e têm tido uma participação ao longo de todo o seu processo evolutivo. Podemos, deste modo, defini-las enquanto “testemunhas privilegiadas”. Na literatura não existe um consenso acerca do número de entrevistas adequadas a serem recolhidas. Neste caso, em particular, foram identificadas oito pessoas, que exercem funções em diversos setores de atividade (político, comércio e serviços, turismo, desenvolvimento rural, artesanato, comunicação, investigação e desenvolvimento), de âmbito local ou regional. Desta forma, foi possível obter um contributo transversal e abrangente, acerca do mesmo tema. Importa referir que a adesão ao desafio foi imediata, verificando-se uma atitude de extrema colaboração e disponibilidade.
38 Para a concretização da entrevista foi elaborado, previamente, um guião de questões estruturadas e resposta aberta. A utilização de perguntas de cunho aberto deu aos participantes a oportunidade de responder com as suas próprias palavras aos questionamentos propostos, deixando-os livres para mostrarem a sua perspectiva acerca do assunto, ao invés de forçá-los a escolher respostas fixas, como acontece com os métodos quantitativos (Mack et al., 2005, p. 4). A entrevista obedeceu a um modelo único e idêntico para todos os entrevistados. A última questão resultou num convite à apresentação de sugestões ou contributos que foram tidos em consideração nesta análise. Fixaram-se seis objetivos, sendo que para cada um foram definidas uma ou mais questões estruturadas de forma a responder eficazmente aos objetivos propostos. No total foram consideradas 11 questões. Os objetivos são os temas à volta dos quais se aprofundou esta análise. TEMAS QUESTÕES A. Justificação e enquadramento do Projeto. Razão de Ser. 1.O projeto Namorar Portugal resulta de uma atuação do Município de Vila Verde, com vista à valorização do seu ícone identitário, o Lenço de Namorados, assim como à promoção do território. Considera que esta missão tem sido bem-sucedida? 2.Estamos perante uma marca cuja governança é da responsabilidade de uma Autarquia. Como avalia a influência deste tipo de gestão na preservação da génese da marca, impedindo qualquer tentativa de desvalorizar a sua “razão de ser”. B. Extensão do seu reconhecimento: interno e externo 3. Na sua opinião, os vilaverdenses revêem-se na opção estratégica do Município? Identificam-se com a marca Namorar Portugal? 4.” Namorar Portugal by Vila Verde” ou “Vila Verde, onde o Amor Acontece “são duas mensagens-chave que integram a promoção externa do Município. Na sua opinião, a marca Namorar Portugal está consolidada? Pensa que as pessoas (de outros concelhos ou regiões, turistas, visitantes) associam de facto a marca Namorar Portugal a Vila Verde? C. Grau de envolvimento dos parceiros Namorar Portugal 5.Temos a ideia de que Namorar Portugal é um evento bem sucedido, com expressão a nível internacional que compreende um Concurso Internacional de Criadores de Moda. É também uma programação turístico-cultural denominada “Fevereiro, mês do Romance “e que chama a si um conjunto de parceiros. Finalmente, é uma marca que reúne milhares de produtos, fruto do empreendedorismo e criatividade de dezenas de parceiros. Como avalia as parcerias estabelecidas e o grau de envolvimento das entidades parceiras?
39 D. Contributos do projeto para a resiliência do território 6. Quais pensa serem os contributos do projeto para a resiliência do território? E. Perspetivas futuras: sustentabilidade do projeto e da comunidade 7. Na sua opinião, o projeto tem prazo de validade? 8. Na sua opinião, o que vê que o projeto deixa para o futuro de Vila Verde? E do país? 9.Consegue identificar o que foram os objetivos, a longo prazo, do projeto em relação à comunidade, ao ambiente e território, à qualificação de pessoas e desenvolvimento I & D, ao desenvolvimento local e outros. 10. Atendendo ao contexto em que nos encontrámos, resultado dos efeitos da pandemia COVID 19, quais lhe parecem ser os principais desafios de um território, ao nível da cultura e do turismo e, neste caso em concreto, do projeto Namorar Portugal? F. Sugestões/Contributos 11.Quer deixar alguma sugestão ou contributo? Tabela 3 - Guião da Entrevista Fonte: Elaborado pela Autora Atendendo ao contexto vigente, o qual exigiu medidas de distanciamento social, e após uma primeira abordagem com todos os entrevistados, no âmbito do qual lhes foi informado os objetivos deste estudo, as questões foram enviadas por email a 22.12.2020, para cada um, tendo acordado o prazo de um mês para a devolução das respostas. Durante este período, foram estabelecidos contactos via telefone ou breves reuniões via WhatsApp para esclarecimentos adicionais. Com o propósito de justificar a escolha destes oito interlocutores, torna-se importante proceder à sua apresentação e ao modo como são identificados ao longo desta análise, no sentido de não se revelar a sua identidade e assegurar o seu anonimato.
40 Entrevistados/ Cargo ou Função Identificação Vereação do Pelouro da Educação, Cultura e Ação Social da Câmara Municipal de Vila Verde. Responsável pela política cultural e turística deste concelho. F1 Direção do Departamento Operacional (Delegação de Braga), da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Esta entidade é responsável pela valorização e desenvolvimento das potencialidades turísticas da respetiva área de intervenção, pela promoção interna e pelo mercado alargado dos destinos turísticos regionais, bem como pela gestão integrada dos destinos no quadro do desenvolvimento turístico regional.10 Ao nível do projeto Namorar Portugal, é uma parceira de referência, colaborando, sempre que solicitado, na sua divulgação, assim como no acolhimento de ações promocionais nas diversas Lojas Interativas de Turismo do Aeroporto Sá Carneiro e na Porto Welcome Center. Acompanhou a candidatura do Namorar Portugal a “evento de interesse para o Turismo” junto do Instituto do Turismo de Portugal. F2 Associação Comercial de Braga/ACB cuja área de intervenção integra o concelho de Vila Verde. A ACB é um parceiro do projeto, tendo sido responsável pela criação do “Pink CakeBolo dos Namorados”, resultado de um desafio lançado às pastelarias do concelho, que sob a orientação de um Mestre Pasteleiro, passaram a confecioná-lo, todos os anos, durante o mês de fevereiro. Esta entidade é, também, patrocinadora do terceiro prémio, no valor de 250,00€, do Concurso Internacional de Criadores de Moda/ Gala Namorar Portugal. F3 Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave. sediada em Vila Verde. A ATAHCA é uma associação de desenvolvimento local, vocacionada para o desenvolvimento rural, para a preservação e valorização dos recursos naturais, culturais e patrimoniais, como garantia da salvaguarda da identidade e diversidades locais. F4 Porto Global HUB/Instituto Politécnico do Porto e Ex. Presidente da PROVIVER EEM, empresa municipal de Vila Verde que durante o período de 2006-2012 foi responsável pela gestão e operacionalização do Programa Municipal de Animação Cultural e do Programa de Desenvolvimento do Turismo de Vila Verde. No âmbito da sua intervenção, merece destaque a gestão dos eventos municipais, designadamente a Gala Namorar Portugal. F5 Jornal Correio do Minho. É um jornal de âmbito regional, sediado na cidade de Braga, o qual marca presença, nas diversas iniciativas culturais promovidas pelo Município de Vila Verde; F6 Artesão (área da tecelagem e do bordado), empresário e parceiro da marca Namorar Portugal. F7 Especialista em Turismo, Consultor para a área do Turismo na Câmara Municipal de Vila Verde. Responsável pela elaboração do PIDETUR/Plano Integrado de Desenvolvimento Estratégico do Turismo para Vila Verde (2011-2018), do Plano de Excelência Turística para Vila Verde (2013-2016) e do Plano de Ação para o Turismo (2021-2022). F8 Tabela 4 - Apresentação Amostra de Entrevistas Fonte: Elaborado pela Autora Após a receção das respostas foi efetuada, numa primeira fase, uma análise sucinta das mesmas. Considerou-se, no entanto, fundamental proceder-se a uma análise mais detalhada, assim como se avançou com a identificação, em cada tema, dos pontos positivos e negativos assinalados por 10 Turismo do Porto e Norte de Portugal, ER. http://www.portoenorte.pt/pt/porto-e-norte/
41 cada entrevistado, com exceção da última questão destinada à obtenção de contributos ou sugestões. - Construção e Aplicação de Inquérito por Questionário Na base das fases anteriores e seguindo uma investigação sustentada, também, na metodologia quantitativa, optou-se pela técnica de recolha de dados através da aplicação de inquérito por questionário. Um questionário pode ser constituído por questões “fechadas”, ou seja, de escolha múltipla, em que o inquirido seleciona a opção que mais se adequa à sua opinião e por questões abertas, onde é possível o inquirido construir a resposta com as suas próprias palavras. Também existem questionários mistos, que compreendem os dois tipos de questões. Segundo Almeida e Pinto (1995), esta técnica de recolha de dados tem vantagens, tais como: a possibilidade de atingir o maior número de pessoas, de garantir o anonimato das respostas e de permitir que as pessoas respondam no momento que lhes pareça mais apropriado. Por outro lado, não expõe os inquiridos a qualquer tipo de influência do questionador. Foi realizado um único questionário 11 de âmbito nacional, que compreendeu 17 questões dirigidas a residentes e 18 questões a não residentes. Optou-se pela integração de questões fechadas e questões abertas, assim como pela não introdução de questões de carácter obrigatório, com exceção para a do Termo de Consentimento. Da amostra alcançada, constatou-se que todos tiveram conhecimento dos objetivos e aceitaram participar. Para um melhor enquadramento, criou-se no documento uma zona destinada ao texto de apresentação e justificação do estudo, seus objetivos, assim como de identificação da aluna. Foi assegurado o carácter anónimo e confidencial da informação e a não recolha de contactos pessoais, assim como garantido a utilização dos resultados obtidos unicamente no âmbito deste Estudo. Enquanto objetivos foram definidos os seguintes: qual o entendimento/perceção que existe sobre o projeto Namorar Portugal; qual a extensão do seu reconhecimento a nível interno e externo; quais os contributos do projeto Namorar Portugal ao nível do desenvolvimento local e promoção do território. Foram colocadas questões abertas com o propósito de se recolherem contributos acerca dos desafios do projeto no período pós COVID 19 e sugestões sobre a necessidade ou não de se proceder a alterações na dinâmica existente. 11 https://docs.google.com/forms/d/1LWqFHV2j0hm6lo8ZIxpSLJ32a1Z49yUP92Dm6GBI8n4/edit?usp=sharing
42 Segundo Prodanov e Freitas (2013), qualquer questionário antes de ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num universo reduzido, para que se possa corrigir eventuais erros de formulação. Esta fase foi tida em atenção e este teste foi realizado. Atendendo aos constrangimentos ao nível dos contactos sociais, procedeu-se à difusão do questionário através de canais on line, como email, messenger e WhatsApp, solicitando-se a sua partilha. Estipulou-se a data de 17 de abril de 2021 como prazo para submissão do mesmo, o que se traduziu em cerca de um mês desde o momento em que foi lançado. Face aos questionários em papel, estes são respondidos com maior celeridade, e revelam maior cuidado no preenchimento de questões de resposta aberta, mas a taxa de resposta é inferior (Murthy, 2008). No entanto, existe uma maior facilidade em relembrar os destinatários, recorrendo a mecanismos de comunicação eletrónica. Cumprido este prazo, conseguiu-se alcançar a meta de 216 respostas ao questionário.
43 Capítulo IVRESULTADOS 4.1 A Perspetiva dos Decisores Políticos e outros com poder de intervenção Neste ponto procurámos compreender a evolução do projeto Namorar Portugal, sob a perspetiva dos decisores políticos e de outros interlocutores que, direta ou indiretamente, têm intervenção, nomeadamente no que respeita à relação entre a construção da marca, o alcance do seu reconhecimento, a resiliência dos territórios e o planeamento a longo prazo e dos seus interesses. 4.1.1 A identidade do Projeto Namorar Portugal Assistiu-se, ao longo de décadas, a uma atuação pautada por um conjunto de iniciativas meritosas e cuja continuidade se revelou fundamental: a recolha de lenços e sua sistematização, a criação da Aliança Artesanal enquanto entidade responsável pela promoção e comercialização do Lenço de Namorados, a profissionalização dos artesãos e a certificação deste produto artesanal. Uma continuidade materializada no projeto Namorar Portugal a partir de um modelo de desenvolvimento assente numa articulação entre a tradição e a modernidade. Se, por um lado, a recuperação e preservação de um legado patrimonial ganham prioridade, por outro, a sua valorização enquanto elemento identitário e diferenciador de um território, constituiu-se como argumento inspirador através do qual se desenhou uma estratégia de desenvolvimento local. (…) os lenços estão agora mais visíveis do que nunca no espaço público e suscitam um interesse renovado. De facto, como é sabido, a divulgação da sua imagem tem crescido de maneira regular ao longo dos últimos 20 anos, e relativamente raras são agora em Portugal as pessoas que nunca ouviram falar deles (…) (Durand, 2008, p. 17). Conforme defende Durand (2008), o Lenço de Namorados ganhou visibilidade, saiu do domínio privado e passou a estar ao alcance de todos, suscitando o interesse do público em geral. Reflexo disso e tal como refere Cunha (2002, p. 6), traduz-se “na quantidade de vezes que a comunicação social, especialmente o grande meio de comunicação que é a televisão, solicita a participação da Aliança Artesanal, para nos seus programas falarem de artesanato, mas muito especialmente do Lenço de Namorados”. É, contudo, possível pensar que, por si só, as recolhas dos anos 80 poderiam não ter alcançado o resultado que tiveram se a câmara, a partir dos anos 90, não tivesse decidido “pegar” nos lenços para fazer deles o emblema do concelho (Durand, 2008, p. 21).
44 Podemos afirmar que o Município de Vila Verde soube reconhecer as potencialidades deste produto artesanal e do que ele representa para a comunidade local e, tal como sublinha o autor, conseguiu reinventá-lo, transformando-o num símbolo identitário do seu território, razão pela qual hoje se assume oficialmente a expressão “Vila Verde, capital do Lenço de Namorados”. Tal referência foi expressa pela responsável da política cultural do Município de Vila Verde: Esta atuação tem sido bem sucedida, na medida em que tem sido possível posicionar o território enquanto terra dos “Lenços de Namorados”, atraindo visitantes que pretendem ver as bordadeiras a trabalhar ao vivo e conferindo notoriedade ao destino “onde o amor acontece.” (F1, 2021). Na opinião de vários autores a formação de estratégias com base na diferenciação está ligada à compreensão de quais são os recursos específicos disponíveis e da capacidade de organização de iniciativas que promovam o território, a partir das diferenças proporcionadas por essas especificidades. De acordo com o ponto de vista da maioria dos entrevistados, Namorar Portugal é um projeto âncora que tem contribuído para o reafirmar da importância do património cultural e para a recuperação de uma tradição e do saber-fazer, fomentando o seu reconhecimento além das suas fronteiras geográficas de produção. Favoreceu, ainda, a articulação de todo o trabalho efetuado até então, promovendo o envolvimento das coletividades e da comunidade, em geral, imprimindo uma dinâmica que fizesse convergir os interesses e ações isoladas existentes, em prol de um objetivo comum. Contribuiu, também, para a consolidação da notoriedade do território, através da construção de uma nova narrativa de destino assente em valores que exaltam emoções. A carga emotiva associada ao Lenço de Namorados e ao Namorar Portugal assume-se, claramente, como elemento de afirmação turística deste território. Namorar Portugal tem uma capacidade de atração baseada em elementos distintivos como o “Amor”, o “Romance”, o “Namoro”. De realçar que para os especialistas do Turismo a temática do romantismo é um tema forte e uma aposta no contexto europeu (Plano de Marketing Estratégico da marca, 2014, p. 28). Segundo um dos entrevistados com intervenção na área do turismo “tanto o projeto, como os Lenços de Namorados e acima de tudo o concelho de Vila Verde tem registado elevados índices de notoriedade, sendo hoje “marcas reconhecidas a nível nacional e com um crescente incremento a nível internacional.” (F2, 2021)
51 reconhecimento da estratégia, assim como a não assunção generalizada da marca, em virtude da existência de uma ambiguidade e confusão entre a marca e alguns parceiros, assim como com a Aliança Artesanal. Na minha opinião há vilaverdenses que nem (re)conhecem a marca ou os parceiros envolvidos na marca, daí não entenderem esta opção estratégica por parte da autarquia. Por outro lado, há ambiguidade e confusão entre a marca Namorar Portugal e alguns parceiros e mesmo com a Aliança Artesanal, o que dificulta a assunção generalizada da marca. Por isso, acho que há uma grande parte dos vilaverdenses que não se revêem na marca Namorar Portugal. (F7, 2021) Esta ambiguidade pode subsistir pela existência de marcas de parceiros cuja designação se aproxima demasiado, o que suscita alguma confusão. Outra situação, pode relacionar-se com a falta de clareza quanto ao âmbito de intervenção da Aliança Artesanal que incide na promoção do Lenço de Namorados e o papel do Município, enquanto responsável pela gestão da marca. Efetivamente, o envolvimento e participação da Aliança Artesanal em todas as iniciativas é opção estratégica e tem como objetivo a afirmação da génese da marca. Por norma, na maioria das ações promocionais, garante-se a presença de bordadeiras, como forma de comunicar o saber fazer, a cultura local e a origem do Namorar Portugal. Não é por acaso, a escolha do local para a instalação da loja Namorar Portugal que se encontra no edifício da Aliança Artesanal. Aspetos Positivos Aspetos Negativos - Reconhecimento da importância da intervenção do Município na valorização do saber-fazer, da tradição; - Os vilaverdenses reconhecem que o seu concelho é distinguido pelo Lenço e pela marca Namorar Portugal; - A marca Namorar Portugal contribui para a notoriedade do território; - Uma marca que transmite verdade e autenticidade e retrata uma imagem do território na qual os vilaverdenses se revêm. - Existe uma identificação parcial e não total com o projeto; - A maioria dos vilaverdenses reconhece o trabalho desenvolvido em torno da preservação e valorização do seu ícone identitário, a partir daí não se sentem envolvidos, nem se envolvem; -Falta de conhecimento ou de informação acerca da estratégia que envolve o Namorar Portugal; -Existência de uma ambiguidade e confusão entre a marca e alguns parceiros, assim como com a Aliança Artesanal, impedem o reconhecimento da estratégia e a assunção generalizada da marca; - A manutenção da marca refém da governança da Autarquia poderá conduzir à perda de valor da marca; - Necessário equacionar uma gestão profissional, externa à Autarquia. Tabela 7 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 3 Fonte: Elaborado pela Autora
52 No que se refere ao reconhecimento externo do projeto, assim como à sua associação ao território de Vila Verde, as respostas tomaram vários sentidos. Uma posição recai no princípio de que a consolidação da marca é um processo e, neste caso em particular, há um caminho que se está a trilhar, que de ano para ano, em resultado das ações desencadeadas pelo Município, está a crescer positivamente. Ainda, nesta linha de pensamento há quem defenda que a marca está consolidada a nível regional, sendo que o próximo passo será conquistar a notoriedade ao nível da Euro-Região Norte de Portugal-Galiza e, posteriormente nas restantes regiões de Portugal e Espanha. Há, também, quem considere que a marca está consolidada, havendo uma associação imediata do Lenço de Namorados e de tudo o que lhe está associado a Vila Verde. A nível nacional não tenho dúvidas, que os portugueses associam as duas mensagens ao concelho de Vila Verde. Em termos internacionais, existe um caminho a percorrer, com todas as dificuldades ao nível da forte concorrência da comunicação e marketing e do investimento associado. (F2, 2021) Um dos entrevistados refere que a consolidação da marca e a sua associação ao território é prejudicada pela ambiguidade que a assiste, traduzida numa certa confusão entre esta e o elemento identitário e na associação do lenço a outros territórios, originando uma associação da marca a outros concelhos. Autores como Durand (2008) contrariam esta observação ao defenderem uma ligação da imagem do Lenço de Namorados a Vila Verde. É esta conjugação de múltiplos fatores que faz com que muita gente hoje em dia tenha uma imagem dos lenços reduzida ao estilo vilaverdense, o qual está neste momento a ser adoptado por cada vez mais bordadeiras em toda a região ou mesmo em todo o país. Esta situação suscita, noutros concelhos, reacções que oscilam entre o lamento de ter “uma Câmara que não faz metade do que eles fazem (em Vila Verde)” e uma certa animosidade bairrista. (Durand, 2008, p. 21) Há, também, quem argumente que o facto de a marca aparecer muito associada a eventos e atividades que ocorrem, pontualmente, durante o mês de fevereiro, impede a sua consolidação. Quem não é de Vila Verde ou nunca visitou o concelho neste contexto, não associa a marca e não a reconhece como sendo de Vila Verde. Neste sentido, é efetuada uma chamada de atenção ao facto de não se ter aproveitado algumas das propostas do Plano de Marketing da marca Namorar Portugal, que defende a necessidade de uma dinâmica contínua do projeto para alcançar uma notoriedade top of the mind ou mesmo espontânea (Plano de Marketing da marca Namorar Portugal, 2014, p. 22).
53 Aspetos Positivos Aspetos Negativos - A marca está consolidada, verificando-se uma associação imediata do Lenço de Namorados e de tudo o que lhe está associado a Vila Verde; - Há um reconhecimento da marca a nível nacional ou pelo menos a nível regional; - A consolidação da marca é um processo que em desenvolvimento. - Não há um reconhecimento da marca a nível internacional; - A consolidação da marca e a sua associação ao território é prejudicada pela ambiguidade que a assiste; - A associação da marca a eventos que ocorrem pontualmente impedem a sua consolidação; - Quem não é de vila Verde ou nunca visitou o território no contexto do mês de fevereiro, não associa a marca e não a reconhece como sendo de Vila Verde; -Necessidade de uma mensagem forte que promova a marca, em detrimento de distintas mensagens promocionais que causam ruido; - A estratégia definida para promover a consolidação da marca é frágil e ineficaz. Tabela 8 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 4 Fonte: Elaborado pela Autora 4.1.3 Grau de Envolvimento dos parceiros A construção de parcerias é entendida como uma mais valia para qualquer projeto de intervenção cultural. Santos (2012, p. 68) considera as parcerias um meio de enriquecer o projeto, de lhe atribuir escala e diversidade. Como refere: O projeto como instrumento de planeamento do desenvolvimento local, realiza-se, por isso, com, e pelos atores locais e não somente para os referidos atores locaiso que faz, bem entendido, toda a diferença. Doutro modo, corre-se o risco de não passar de um conjunto de ideias bem-intencionadas mas a que falta o necessário suporte e força motriz para levar a efeito com um mínimo de garantia de sucesso. Uma das particularidades do projeto Namorar Portugal reside na sua capacidade de envolver um número significativo de parceiros, de natureza e âmbitos de atuação diferentes, ao nível do evento Namorar Portugal, da programação “Fevereiro, Mês do Romance” e da coleção de produtos Namorar Portugal: empresas (algumas delas já internacionalizadas), associações locais, instituições regionais, estabelecimentos de ensino de diversos graus, agentes turísticos locais, artesãos, entre outros. Uma dinâmica conjunta e concertada, que se constrói e afirma todos os anos, tendo a sua maior expressão durante o mês de fevereiro. Relativamente à avaliação das parcerias e do seu grau de envolvimento as opiniões divergem. Uma perspetiva exalta a importância das parcerias e da abertura do projeto e do Município de Vila Verde a este respeito. O Namorar Portugal vive de parcerias e do seu grau de envolvimento e graças a este envolvimento, a marca ganha notoriedade e o território posiciona-se cada vez mais como a terra
54 “onde o amor acontece”, o que se constitui como um fator de atração. As programações como o “Fevereiro, Mês do Romance”, envolvem centenas de parceiros (promotores da marca Namorar Portugal, restauração, alojamento local, escolas, instituições, juntas e uniões de freguesia, grupos musicais, entre muitos outros), São estas parcerias fortes que nos permitem executar com sucesso estes eventos e ter horas de antena nos meios de comunicação social. (F1, 2021) Considera-se que, através do estabelecimento de parcerias, quer os parceiros quer o projeto têm ganhos. Segundo um dos entrevistados. Diria que é uma parceria com ganhos recíprocos, uma vez que os empreendedores também ficam a ganhar por terem a oportunidade de usar a marca Namorar Portugal que é uma garantia de qualidade e acrescenta valor aos produtos que vão sendo lançados anualmente. (F6, 2021) Ainda nesta linha de pensamento, há quem defenda que o envolvimento de parceiros locais, apesar da atração que aportam ao projeto, poder ser reduzida ou lenta dada a sua dimensão, é fundamental para garantir a ligação ao território e reforçar o sentimento de pertença. O envolvimento de parceiros de grande dimensão, oriundos de outras localidades, pode aportar maior notoriedade ao projeto, no entanto, corre-se o risco da força da marca do parceiro anular a sua associação ao projeto. Neste caso, a motivação deste tipo de parceiro é diferente e o compromisso com o projeto é menor. Foi efetuada uma referência à importância do trabalho em rede como forma de otimizar recursos, de promover uma abordagem articulada e integrada do território, assente numa estratégia de inter-relação entre as várias entidades, em prol de um objetivo comum. Há, ainda, quem considere que as parcerias vão existindo, nomeadamente aquando das atividades promovidas pelo projeto, sendo necessário assumirem um carácter permanente e contínuo. Uma observação mais crítica reconhece que a relação de parceria, é por vezes contaminada por um envolvimento pontual e “comodista” por parte do parceiro que, por sua vez está envolvido em outras dinâmicas e esta é assumida como um mero contributo. Também se verifica, decorrente do projeto a criação de sinergias, que envolvem e cruzam parceiros e parcerias entre si, desde logo na participação de alguns eventos ou na criação de produtos, nomeadamente na utilização do bordado. Isto reflete um efeito multiplicador e positivo do projeto. Um dos entrevistados considera que o grau de envolvimento dos parceiros não está à dimensão do projeto, denotando-se um “adormecimento” das parcerias ou uma descontinuidade,
55 razões que invalidam a sua consolidação. Tal argumento poderá estar relacionado com a dinâmica do projeto muito concentrada no mês do romance, assim como com as diferentes dinâmicas assumidas pelos parceiros, em virtude da sua natureza e dimensão. Há parceiros que aderiram à marca e já desistiram, outras assumem uma atitude pouco regular, envolvendo-se ocasionalmente, e há os que marcam presença nas várias iniciativas e lançam, anualmente novos produtos. Nesta linha de pensamento, advoga-se que a gestão das parcerias e o desenvolvimento do seu potencial não está a ser trabalhado. Tal pode ser ultrapassado com a colaboração de um profissional que assegure a gestão das parcerias de forma contínua e sistemática, um maior envolvimento dos parceiros e consequentemente um afirmar da interligação entre eles. Aspetos Positivos Aspetos Negativos - Importância das parcerias para o desenvolvimento do projeto, notoriedade da marca e do território; - Abertura do projeto e do Município de Vila Verde à concretização de parcerias; - Importância do trabalho em rede como forma de optimizar recursos, para a construção de uma linguagem única de comunicação do projeto; - Criação de sinergias entre parceiros, da qual resultam novas iniciativas e produtos. - O grau de envolvimento dos parceiros diverge em função da sua dimensão; - As parcerias vão existindo, tendo como ponto alto o mês de fevereiro; - Envolvimento pontual e comodista por parte de alguns parceiros; - O grau de envolvimento dos parceiros não está à dimensão do projeto, denotando-se um “adormecimento” ou uma descontinuidade das parcerias. Tabela 9 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 5 Fonte: Elaborado pela Autora 4.1.4 Contributo do projeto para a resiliência do território Autores como Teigão dos Santos (2009) defendem que num contexto de globalização, em que as regiões estão mais expostas e são confrontadas com desafios e problemas cada vez mais exigentes, com impacto regional e local, estas são obrigadas a desenvolver as suas respostas. A capacidade de adaptação está cada vez mais dependente da habilidade das regiões e dos seus agentes conseguirem inovar continuamente, renovando produtos, competências, conhecimentos que permitam manter-se numa competição global. No âmbito da reflexão sobre este tema, verificou-se uma unanimidade quanto aos contributos do projeto para a resiliência do território. É entendido enquanto motor para a valorização da cultura local, para a promoção integrada do território, para o desenvolvimento local através da criação de emprego, do fomento do empreendedorismo, da diversificação da oferta turístico-cultural. Os Lenços de Namorados e o Namorar Portugal devem ser o “porta estandarte” da promoção turística
56 do concelho. A partir dos Lenços de Namorados e do Namorar Portugal poderá promover-se a cultura, as empresas criativas, o alojamento turístico, a gastronomia, o vinho verde, a paisagem, os mitos e os ritos, os itinerários temáticos, a animação, os produtos endógenos, o património. (F5, 2021) O projeto permite criar emprego, desenvolver o tecido económico local, atrair turistas e visitantes ao território, posicionando Vila Verde como a terra dos Lenços de Namorados. (F1, 2021) Acima de tudo, a identidade do território, a criação de riqueza para o território através da criação de novos produtos, protecção das profissões ligadas ao sector e do aumento exponencial das visitas ao concelho. (F2, 2021) Um dos entrevistados considera que o contributo do projeto para a resiliência do projeto não é muito significativo e a seu ver não é uma dimensão que a comunidade espere do projeto. Uma observação que pode ser questionada, perante o princípio defendido por vários autores que advogam que o afirmar da identidade local assume-se, cada vez mais, como um trunfo, um eixo forte nas políticas de desenvolvimento local e no incremento da capacidade de adaptação do território para fazer face aos problemas que se vão conjugando de forma sucessiva ao longo do tempo, de modo a minimizarem os seus impactos. Aspetos Positivos Aspetos Negativos - Contribui para a valorização do ícone identitário do concelho; - Promove o território numa lógica de “consumo interno”; - Incentiva o empreendedorismo e o desenvolvimento local; - Posiciona Vila Verde como a “Terra dos Lenços de Namorados” - O contributo do projeto para a resiliência do território não será muito significativo. Tabela 10 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 6 Fonte: Elaborado pela Autora 4.1.5 Perspetivas Futuras: Sustentabilidade do projeto e da comunidade Para uma análise deste tema foram considerados quatro pontos: o prazo de validade do projeto, o que é que o projeto deixa para o futuro de Vila Verde e do país, a identificação dos objetivos a longo prazo do projeto e quais os desafios do projeto Namorar Portugal perante o contexto em que nos encontrámos. Iniciando pelo prazo de validade do projeto, há opiniões que assentam no princípio de que este projeto não tem prazo de validade, reunindo todas as condições para garantir a sua continuidade e crescimento. Ainda, nesta ótica, há quem reforce que o projeto está em crescimento e perspetiva-se a
57 sua afirmação a nível internacional, através da conquista de novos públicos, parceiros e mercados, com destaque para a diáspora. Uma outra linha de pensamento, partilhada por mais do que um entrevistado, defende que o prazo de validade depende da estratégia e da dinâmica que o caracterizam. Para uns, a dinâmica existente pautada pelo envolvimento dos decisores políticos e da comunidade em geral garante a sua continuidade. Porém, essa validade pode estar comprometida a médio/longo prazo, na medida em que há o risco da marca “cansar” ou não ser diferenciadora face a outras iniciativas que ocorram no país, como também em virtude de existirem produtos concorrenciais de igual temática na marca. Todavia a marca pode “cansar” ou não ser diferenciadora de outras iniciativas que se façam pelo país, quer por imitação ou aproveitamento. Acresce ainda o facto da existência de produtos e ofertas concorrenciais de igual temática e envolvimento, o que faz com que a amálgama de produtos não traduza claramente a imagem da marca. Daí que a validade da marca pode ter sua validade comprometida a médio/longo prazo. (F8, 2021) Provavelmente, este risco pode ser ultrapassado mediante uma atitude mais inovadora, que acrescente algo de novo ao projeto e que lhe traga excelência. Conforme é sublinhado “é necessário passar para uma segunda fase do projeto que permita que ele cresça. A não ser assim, corre-se o risco de definhar”. (F8, 2021) Ainda, nesta ótica, defende-se a importância de se adotarem medidas mais estruturantes que permitam ao projeto gerar receita e contribuir diretamente para o desenvolvimento da economia local. Sublinha-se que uma das componentes inovadoras reside na aplicação de um conceito de raiz empresarial e este conceito não pode ser desvalorizado, em prol de uma hipervalorização da componente social e cultural. O projeto tem condições de gerar riqueza, enquanto garante da sua sustentabilidade. Provavelmente, tal pretensão não pode ser garantida enquanto se mantiver o modelo atual de governança da marca. O planeamento estratégico de marketing territorial é apontado como uma excelente alavanca para superar este desafio e para assegurar um futuro mais promissor para a marca e para o território de Vila Verde. Um único entrevistado considera que qualquer projeto tem prazo de validade e este não é exceção. Afirma, ainda, que o momento atual em que vivemos é desafiante para o projeto Namorar Portugal, que tem que se reinventar.
58 Aspetos Positivos Aspetos Negativos - Este projeto não tem validade, reúne todas as condições que garantem a sua continuidade e crescimento; - O desenvolvimento do projeto é no sentido da sua internacionalização, na conquista de novos públicos, parceiros e mercados; -A dinâmica existente é um garante para a sua continuidade. - O prazo de validade do projeto está sempre dependente da estratégia e dinâmica do projeto, assumida pelos decisores políticos; - Risco de a marca cansar e deixar de ser diferenciadora, colocando em causa a sua validade a médio/longo prazo; - Importância de se adotarem medidas estruturantes, enquanto garante do projeto; - O atual modelo de governança não garante a sustentabilidade do projeto, em termos de criação de riqueza; - Ausência de um planeamento estratégico de marketing territorial, como forma de assegurar um futuro mais promissor para a marca e para o território. Tabela 11 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 7 Fonte: Elaborado pela Autora Quanto ao tópico do que é que o projeto deixa para o futuro de Vila Verde e do país, verificou-se uma opinião generalizada em torno da sua importância na preservação e divulgação do ícone identitário do concelho, sendo intitulado por um dos entrevistos como o “guardião de uma tradição ancestral”, salvaguardando a cultura e a arte do saber-fazer. É referido como sendo um projeto diferenciador em termos espaciais, que contribui para a promoção do concelho associando a sua matriz tradicional à de produtos inovadores, espelhados em práticas empreendedoras locais. Para o futuro fica a visibilidade do concelho à volta do seu ícone identitário, o Lenço de Namorados e da simbologia a ele associada. O projeto deixa a sua marca no concelho e no país. O caminho que está a ser desenvolvido vai no sentido de uma maior notoriedade e reconhecimento, de um posicionamento do território enquanto terra associada ao amor. (F1, 2021) A grande herança deste projeto será certamente o facto de ter associado Vila Verde como sendo a terra dos Lenços de Namorados, uma tradição que apaixona não só os portugueses como também estrangeiros que têm a oportunidade de conhecer. Se Vila Verde ganha com este projeto, obviamente que o país também sai a ganhar. (F6, 2021) Em suma, o projeto deixa uma marca no território de Vila Verde, essencialmente, ao nível da preservação das tradições minhotas, estimulando uma dimensão de inovação para que estas possam ser modernizadas e transformadas em oportunidades de negócio e serem geradoras de valor económico. No entanto, apesar de reconhecer o valor do projeto, um dos entrevistados defende que o
59 Namorar Portugal para ser um exemplo para a região e para o país necessita de um novo fôlego. Aspetos Positivos Aspetos Negativos -Reconhecido o papel relevante na preservação e divulgação da cultura popular e tradicional; - Entendido como o “guardião” de uma tradição ancestral e do saber-fazer; -Promove o concelho associando a sua matriz tradicional à de produtos inovadores; - O projeto Namorar Portugal para ser um exemplo para a região e para o país necessita de um novo fôlego. Tabela 12 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 8 Fonte: Elaborado pela Autora Relativamente à identificação dos objetivos a longo prazo do projeto, verifica-se uma maior unanimidade nas respostas que foram classificadas em função de quatro temas-chave (Comunidade/Ambiente e Território/Qualificação das Pessoas/Desenvolvimento Local). Estes objetivos encontram-se enumerados na tabela que se segue: Identificação dos objetivos a longo prazo do projeto Namorar Portugal: a) Comunidade: -Preservação e valorização da identidade local; - Reforço do sentimento de pertença da comunidade ao território; - Contributo para o bem-estar e qualidade de vida da comunidade. b) Ambiente e Território: - Alcançar um posicionamento único e distintivo do território; - Promover uma nova narrativa de destino assente em valores intrínsecos à simbologia do ícone identitário; - Assumir-se como motor de um modelo de desenvolvimento económico sustentável; c)Qualificação de Pessoas: - Contributo para a promoção de cursos/formações ligadas ao saberfazer e à atração de novas gerações para estas profissões; - Estímulo a inovação e à criatividade do território; - Promoção do empreendedorismo local através do aparecimento de novos projetos e ideias; - Incentivo ao trabalho conjunto e em rede pautado no crescimento de parcerias que contribuem para a notoriedade e crescimento do projeto. d) Desenvolvimento Local: -Valorização da atividade artesanal e dinamização da Aliança Artesanal - Criação de oportunidades de emprego; - Dinamização da economia local; - Diversificação da oferta cultural e turística; - Acrescenta valor à oferta de produtos e serviços locais, associados à marca. Tabela 13 - Aspetos Positivos e Aspetos Negativos assinalados pelos entrevistados-Questão 9 Fonte: Elaborado pela Autora
60 4.1.6 Considerações sobre a pandemia Covid 19 Tendo em linha de conta o momento atípico motivado pelos efeitos da pandemia COVID 19, foi lançado um tema acerca dos desafios de um território, ao nível da cultura e do turismo e neste caso concreto do projeto Namorar Portugal. O contexto atual representa um marco para a humanidade e verificou-se uma opinião genérica acerca dos setores da cultura e do turismo como sendo aqueles que mais têm sentido a situação de contingência, provocada pela pandemia COVID 19 que nos impôs, abruptamente, uma realidade turbulenta caracterizada por confinamentos, isolamentos, encerramento de fronteiras, limitações de circulação e acima de tudo cultivou em todos uma sensação de medo e insegurança. Os eventos, as festas e romarias, as visitas a locais de interesse foram suspensas. Tudo ficou suspenso! Os desafios são vários, mas julgo que o mais importante passa pela mensagem que deve incidir sobre as questões de segurança sanitária no destino, pois esta será a maior preocupação do turista no momento de decidir a viagem e o destino. As pessoas devem percecionar que o território é seguro nas respostas em termos de saúde pública. (F2, 2021) No âmbito do Plano de Ação para o Turismo em Vila Verde (21-22), sublinha-se que, neste contexto de mudança, é necessário produzir uma nova narrativa que tenha em consideração o estado emocional dos clientes. Gerar tranquilidade e confiança no consumidor são elementos vitais para se voltar ao crescimento da indústria. “Existe um antes e um depois” e os territórios têm de entender que o turismo mudou, que houve uma mudança de paradigma, nas visagens, nas motivações, nos comportamentos…Neste sentido, teremos de desenhar novos objetivos, novos desafios e sobretudo uma nova estratégia, baseada em valores comuns e propósitos partilhados. Assim, há necessidade de se repensar o futuro dos destinos turísticos. (F8, 2021) Neste âmbito, creio que o Projeto Namorar Portugal pode servir como um acelerador do processo de retoma da actividade económica, assim os promotores, a Câmara Municipal e empresas parceiras, sejam capazes de articular as ações de promoção e dinamização económica. (F3,2021) Considera-se, no entanto, fundamental repensar-se a dinâmica geral do projeto, apostando-se numa evolução ao nível do marketing digital, da oferta on line e na dinamização de uma programação turístico-cultural de dimensão híbrida, que permita o encontro de emoções/sensações presenciais, reforçado pelo virtual.
67 Gráfico 5 - Referência ao Namorar Portugal quando está fora do Concelho (N) Nada Pouco Muito Completamente 0 5 10 15 20 25 30 35 40 4 24 38 19 Fonte: Inquérito por Questionário/Residente Produzido pela Autora Foram colocadas outras questões para avaliar o grau de importância atribuída ao projeto, designadamente o nível do envolvimento ou participação da população nas atividades do projeto. Neste sentido, perante a questão se já visitou o Centro de Dinamização Artesanal, percebe-se que 27 inquiridos já visitaram muitas vezes, 46 algumas vezes e 13 nunca visitaram. O número de inquiridos que nunca visitou é de considerar, visto tratar-se de um edifício emblemático, criado há mais de três décadas e localizado no centro da vila. É neste local que se encontra a história do Lenço de Namorados pautada nas exposições e na experiência das bordadeiras que lá se encontram diariamente. Quanto à participação nas atividades do mês do romance, programação criada em 2010, verifica-se que a maioria conhece e já participou: 29 já participaram muitas vezes e 39 algumas vezes, não o fazendo com regularidade. Constata-se que 18 inquiridos nunca participaram em qualquer atividade, apesar de grande parte das atividades que integram a programação decorrerem no concelho e serem de carácter gratuito. Gráfico 6 - Participação nas atividades promovidas no âmbito do projeto Namorar Portugal, através da programação “Fevereiro, Mês do Romance” (N) Nunca Algumas Vezes Muitas Vezes 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 18 39 29 Fonte: Inquérito por Questionário/Residente Produzido pela Autora
68 No que se refere à questão relacionada com os eventos mais participados, verifica-se que a preferência recaí na Gala Namorar Portugal (46), o que se pode justificar pelo facto de se tratar do evento mais emblemático e que beneficia de uma comunicação própria. Segue-se a apresentação de produtos, o concerto de Gala e os workshops temáticos. Com menos cotação surgem as caminhadas e outros concertos. Há atividades que nem sequer foram nomeadas, tais como as Exposições, o Desfile de Acessórios de Moda, a Mostra de Talentos, o Ciclo de Bandas, os Saraus Culturais ou a apresentação de livros, o que pode levantar dúvidas quanto ao conhecimento da sua existência ou à identificação com este tipo de iniciativas. Outra questão, prende-se com o conhecimento acerca da Loja Namorar Portugal onde se encontra a coleção de produtos Namorar Portugal. Dos 86 inquiridos, 21 afirmam que conhecem bem, 26 muito bem, enquanto 24 conhecem razoavelmente ,11 conhecem mal e 4 desconhecem. De referir que a Loja Namorar Portugal está localizada no edifício da Aliança Artesanal, ou seja, no centro de Vila Verde. Uma das componentes inovadoras do projeto são os produtos Namorar Portugal, resultado de um conjunto de parcerias com artesãos, empresas e outro tipo de entidades. Trata-se de produtos identitários, inspirados na simbologia dos Lenços de Namorados, na sua maioria artesanais e com a vantagem de estarem à venda em diversos pontos do concelho e fora deste. Neste campo, 29 afirmam que conhecem bem e apenas 17 muito bem. No entanto, uma parcela da amostra evidencia conhecer razoavelmente (28), 10 conhecem mal e 1 desconhece. Constata-se, deste modo, que apesar do conhecimento expressivo acerca dos produtos, este ainda não é total. Gráfico 7 - Grau de Conhecimento dos Produtos Namorar Portugal (N) 110 28 29 17 Desconheço Conheço mal Conheço Razoavelmente Conheço bem Conheço muito bem Fonte: Inquérito por Questionário/Residente Produzido pela Autora
69 Colocou-se, ainda, uma questão relacionada com a aquisição de produtos Namorar Portugal, verificando-se que das 84 respostas recebidas, 17 confirmam que nunca adquiriram, 50 já o fez algumas vezes e apenas 17 muitas vezes. Neste sentido, apesar da maioria dos inquiridos afirmarem que já adquiriram produtos, não o faz com regularidade. Outro dado curioso é que o mesmo número de inquiridos que já o fez muitas vezes é igual aquele que nunca o fez. A reflexão que se pode retirar é que não se denota uma opção assumida e integral pela aquisição de produtos da marca, o que pode estar relacionado com fatores como sejam algum desconhecimento sobre os mesmos ou a falta de identificação com estes. Quanto à questão se recomendam a aquisição dos produtos a um amigo, das 70 respostas recebidas, 64 confirmam essa recomendação, 5 respondem talvez, enquanto 1 afirma que não recomenda. Importa realçar que 16 dos inquiridos não emitiram opinião. Apesar dos 64 inquiridos evidenciarem confiança nos produtos a tal ponto de os recomendarem, é importante atendar à pequena parcela que demonstra reserva ou não recomenda e, em particular, aqueles que não se manifestaram. A recomendação extensiva a todos os produtos, também suscitou opiniões diferentes, sendo que 49 dos inquiridos respondem que recomendariam alguns produtos e apenas 18 o fariam em relação a todos. Quatro dos inquiridos responderam “talvez”, o que pressupõe alguma indecisão. O facto de apenas 18, das 71 respostas obtidas, aludirem à recomendação de todos os produtos, poderá confirmar da parte dos restantes a não identificação com o universo total dos produtos, assim como se traduzir num indicador demonstrativo de outras variantes. Uma das recomendações deixadas perante a questão se mudaria algo no projeto incidiu, precisamente, na qualidade dos produtos e no seu carácter diferenciador, privilegiando-se critérios de seleção que valorizem a qualidade em detrimento da quantidade, a qual poderá conduzir à sua massificação. Ainda, nesta ótica, sublinha-se a necessidade de se reformular e ampliar a loja Namorar Portugal, no sentido de melhorar as suas condições de visita e valorizar a exposição dos produtos. 4.2.2.3 Contributos do projeto Relativamente ao contributo do projeto para a promoção do território, a maioria dos inquiridos tem uma opinião concordante. Verifica-se que 50 inquiridos entendem que o Namorar Portugal contribui muito para a promoção do território, 26 afirma que contribui completamente, enquanto 9 considera que pouco contribui e 1 em nada contribui. Uma parcela significativa dos inquiridos (52) considera, também, que o projeto Namorar
70 Portugal caracteriza muito bem Vila Verde, ou seja, consegue reunir em si os principais valores identificativos do território: tradição, cultura, ruralidade. Em contrapartida 20 não têm opinião, 11 discordam e 3 discordam totalmente. Mais de metade da amostra (57 inquiridos) defende que o Namorar Portugal valoriza a cultura local e as tradições, face aos 18 que não têm opinião, a 8 que discordam e 1 que discorda completamente. Ainda, 55 dos inquiridos são da opinião que o Namorar Portugal contribui para a dinamização da economia local. Em contrapartida, 11 discordam desta opinião e 20 que não têm opinião. O contributo para o incremento do empreendedorismo e inovação é outra característica partilhada por 55 dos inquiridos. Quanto a este item, 20 não têm opinião e 9 discordam. Relativamente à questão se Vila Verde deve apoiar mais o projeto, não se verificou uma concordância total: 14 concordam plenamente e 30 concordam. Em contrapartida, 23 não têm opinião, 14 discordam e 5 discordam completamente. Ainda, 49 inquiridos consideram que o governo central deveria apoiar mais o projeto, 23 não têm opinião e 14 discordam ou discordam totalmente. Quanto à sustentabilidade do projeto, 28 inquiridos entendem tratar-se de um projeto sustentável, 14 muito sustentável, enquanto 24 não têm opinião, 17 discordam e 3 discordam completamente. Na generalidade, a população inquirida tem uma opinião positiva do projeto, entende-o como uma mais-valia para a promoção do território, da sua cultura e das suas tradições. A questão da sustentabilidade não é assumida de forma expressiva enquanto característica do projeto, assim como não se verifica uma concordância absoluta quanto ao facto de este poder beneficiar de mais apoio quer da administração local, como também da central. Tal posição pode estar relacionada com a ideia de que se trata de um projeto cuja gestão é do Município de Vila Verde e como tal já é uma aposta deste. 4.2.2.4 Recomendações para o futuro do projeto Relativamente aos principais desafios do projeto no período pós-pandemia COVID 19, situação que motivou a suspensão de algumas iniciativas em 2020, assim como em 2021, obtiveram-se vários contributos. A generalidade evoca a necessidade de se reforçar a divulgação e promoção das diversas ações, no sentido de se recuperar a dinâmica existente antes da pandemia. Consideram, também, importante o recurso mais expressivo às novas tecnologias, de forma a ser possível a organização de iniciativas híbridas, em que o presencial seja reforçado pelo on line, até como estratégia de potenciar o
71 projeto e o território além-fronteiras e alcançar novos públicos. Uma opinião vai no sentido de que o projeto pode assumir um papel importante na medida em que os efeitos da pandemia geram na população uma maior necessidade de “conviver” com os afetos tão implícitos no Namorar Portugal. Evidencia-se, também, a importância de uma atuação que promova uma maior consolidação do projeto ao nível cultural, territorial e turístico. No que se refere à dimensão cultural e mais especificamente à cultura popular e ao saber-fazer, há inquiridos que entendem que o Namorar Portugal deve contribuir para a promoção do artesanato na sua generalidade e não apenas daquele que se relaciona com o motivo dos Lenços de Namorados. Elenca-se a pertinência de uma comunicação mais eficaz assente na definição de uma estratégia de marketing quer a nível interno como externo e neste campo realça-se a importância da diáspora. O projeto Namorar Portugal deve ser promovido e trabalhado junto da comunidade de emigrantes que por norma é apreciadora das suas raízes e tradições. Considera-se relevante uma maior aproximação do projeto à comunidade local, expressa na dinamização de ações diferenciadoras e de carácter regular, que motivem o seu envolvimento e participação. No que se refere ao evento “Gala Namorar Portugal”, a sugestão aponta no sentido de se apostar numa maior promoção das criações vencedoras da Gala, assim como os estilistas concorrentes. O Concurso Internacional de Criadores deve ser pensado enquanto alavanca para divulgar o trabalho dos concorrentes, das escolas e dos estilistas junto do mercado da moda, não se limitando apenas ao desfile do dia 14 de fevereiro. 4.3.2. Não Residentes Quanto aos não residentes e no sentido de se avaliar o seu conhecimento acerca do território, constata-se que dos 130 inquiridos, 38 não conhecem Vila Verde, 56 conhecem bem e 36 muito bem. As pessoas que não conhecem o concelho, quando questionadas se têm interesse em conhecer, apenas 14 evidenciam vontade em o fazer. Procurou-se, ainda, perceber a frequência de visita ao território junto daqueles que afirmam conhecer, concluindo-se que apenas 49 o fazem com muita frequência e os demais pontualmente.
72 Gráfico 8 - Grau de Conhecimento do concelho de Vila Verde (N) 6 32 56 36 Não Mal Bem Muito Bem Fonte: Inquérito por Questionário/Não Residente Produzido pela Autora 4.3.2.1 Entendimento/Perceção que existe sobre o Projeto Namorar Portugal No que se refere ao conhecimento que a população não residente possui do projeto Namorar Portugal constata-se que este não é generalizado conforme ilustra o gráfico abaixo. Apenas 25 dos inquiridos conhecem muito bem o projeto e 28 conhecem-no bem. Ainda, 47 afirmam conhecer razoavelmente e 30 respondem não o conhecer ou conhecer mal. Gráfico 9 - Grau de Conhecimento do Namorar Portugal? (N) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 12 18 47 28 25 Desconheço Totalmente Conheço Mal Conheço Razoavelmente Conheço Bem Conheço Muito Bem Fonte: Inquérito por Questionário/Não Residente Produzido pela Autora Quando questionados acerca do modo como tiveram conhecimento do projeto Namorar Portugal, obtiveram-se respostas diversas, tendo sido identificados um conjunto de meios: através de um amigo, na visita ao território, através das redes socais e órgãos de comunicação social. Também as feiras e as ações promocionais foram assinaladas, designadamente a Feira Internacional de Artesanato que ocorre, todos os anos, em Lisboa. Relativamente às características gerais que atribuem ao projeto, das 115 respostas obtidas, a maioria assinalou a opção “valorização do Artesanato/Lenço de Namorados”, seguindo-se “Marca Identitária” e “Evento Cultural de Referência”. Neste sentido, conclui-se que existe um conhecimento parcial do Namorar Portugal por parte dos não residentes. Este conhecimento foi obtido através de vários meios e canais, o que significa que
73 a promoção que tem sido efetuada revela alguma eficácia, designadamente ao nível das redes sociais, órgãos de comunicação social e ações promocionais. 4.3.2.2 Extensão do seu reconhecimento Constata-se um entendimento generalizado da importância do projeto na valorização do território e na promoção de Vila Verde enquanto destino turístico. Verifica-se que a avaliação acerca do sucesso do Namorar Portugal não é unânime, sendo que 40 dos inquiridos entendem tratar-se de uma atuação muito bem sucedida e 56 consideram completamente sucedida. Em contraponto, apenas 5 entendem que não tem tido sucesso e 24 não tem opinião. Verificou-se que 5 dos inquiridos optaram por não responder. Quando questionados sobre o facto de abordarem o Namorar Portugal ao falarem de Vila Verde a outras pessoas que também não são de Vila Verde, constata-se que apenas 29 o fazem muitas vezes, 59 pontualmente e 40 nunca o fazem. Conclui-se que, deste modo, que o Namorar Portugal não é assumido enquanto referência para a maioria dos inquiridos, facto que poderá estar relacionado com a não consolidação deste na mente dos não residentes. Gráfico 10 - Referência ao Projeto Namorar Portugal (N) 40 59 29 1. Nunca 2. Algumas vezes 3. Muitas vezes Fonte: Inquérito por Questionário/Não Residente Produzido pela Autora Porém, quando questionados se fazem referência ao Lenço de Namorados verifica-se que 75 inquiridos afirmam que o faz muitas vezes, 44 algumas vezes e apenas 10 nunca o fazem. Ainda, quando questionados se na sua opinião as pessoas associam o Lenço de Namorados a Vila Verde, 56 dos inquiridos respondem completamente e 48 muito, face aos 13 inquiridos que afirmam que associam pouco e 4 que não associam. Confirma-se que 9 dos inquiridos não têm opinião.
74 Gráfico 11 - Associação de Vila Verde ao Lenço de Namorados (N) 413 48 56 9Nada Pouco Muito Compl etamente Sem Opinião Fonte: Inquérito por Questionário Elaborado pela Autora Relativamente ao reconhecimento do projeto Namorar Portugal fora do concelho, as respostas tomaram vários sentidos. Dos 129 inquiridos que respondem, 20 não têm opinião, 38 consideram que é completamente reconhecido, 47 muito reconhecido, enquanto para 22 inquiridos é pouco reconhecido e para 2 nada reconhecido. Quanto à associação do Namorar Portugal a Vila Verde verifica-se, também, uma disparidade nas respostas. Para 46 inquiridos há uma associação completa, enquanto 45 entendem que se associa muito, face aos 14 que consideram que a associação é ínfima e 1 entende que não há uma associação. De referir, ainda, que 23 inquiridos não têm opinião. Relativamente à participação nas diversas iniciativas do Namorar Portugal, constata-se que 83, dos 128 inquiridos que respondem, nunca participam, 27 participam algumas vezes e 18 muitas vezes. Com isto, se conclui que as atividades inerentes ao projeto não são uma opção para a maioria dos não residentes, podendo ser uma consequência da falta de conhecimento acerca do mesmo, o que pode estar relacionado com a sua comunicação ou com a não identificação com as atividades, o que pode conduzir à sua desvalorização. Gráfico 12 - Participação em iniciativas promovidas no âmbito do Namorar Portugal (N) Nunca Algumas Vezes Muitas Vezes 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 83 27 18 Fonte: Inquérito por Questionário/Não Residente Produzido pela Autora
75 Aqueles que participaram em atividades evidenciam a Gala Namorar Portugal como sendo a ação mais preterida, seguindo-se a apresentação de novos produtos e os workshops temáticos. Outra questão prende-se com o conhecimento sobre a existência da Loja Namorar Portugal, local onde se encontra a coleção Namorar Portugal e onde decorrem a maioria das iniciativas: 33 desconhecem totalmente, 33 conhecem mal, enquanto 33 conhecem razoavelmente. Ainda, 19 conhecem bem e apenas 10 conhecem muito bem. Gráfico 13 - Grau de Conhecimento da Loja Namorar Portugal? (N) 33 33 33 19 10 1. Desconheço totalmente 2. Conheço mal 3. Conheço razoavelmente 4. Conheço bem 5. Conheço muito bem Fonte: Inquérito por Questionário/Não Residente Produzido pela Autora Quanto aos produtos Namorar Portugal verifica-se que do total de 129 respostas, 31 afirmam conhecer bem e 6 muito bem, face aos 48 que dizem conhecer razoavelmente, 29 conhecem mal e 15 desconhecem completamente. A aquisição de produtos é outro indicador, constatando-se que das 116 respostas obtidas, 41 inquiridos afirmam que nunca procederam à sua aquisição, 65 já o fizeram algumas vezes e 10 muitas vezes. No que se refere à sua recomendação a um amigo, obtiveram-se apenas 86 respostas: 81 dos inquiridos são da opinião que sim e 5 talvez. Quanto à recomendação de todos os produtos, a opinião não é unânime. Verificou-se que das 83 respostas recebidas, 49 recomendam alguns produtos e 34 recomendam todos. Neste campo, salienta-se uma das sugestões mencionadas que se prende com a necessidade de se apostar mais na inovação dos produtos, enquanto garante da diversificação, diferenciação e qualidade, contrariando o perigo da sua banalização. A título de recomendação foi referido a importância de se valorizar a venda on line, tornando os produtos acessíveis além-fronteiras. Foi efetuada uma referência ao atendimento na loja on line e há necessidade de se capacitar as
76 pessoas que lá se encontram, designadamente ao nível do domínio das línguas. 4.3.2.3 Contributo do Projeto Namorar Portugal Constata-se um entendimento generalizado, mas não total, acerca do facto do projeto Namorar Portugal caracterizar muito bem Vila Verde e promover o concelho enquanto destino turístico. Neste sentido, dos 120 inquiridos que responderam, 35 concordam totalmente que o projeto promove Vila Verde como destino turístico, 46 concordam, 30 não têm opinião e 9 discordam. Verificase que 10 não responderam. Denota-se que, dos 125 inquiridos que responderam, 55 entendem que o projeto contribui completamente para a promoção do concelho, 49 afirmam que tem contribuído muito, enquanto 2 acham que tem contribuído pouco e 19 não têm opinião. Cinco dos inquiridos optaram por não responder. No que se refere ao contributo do projeto para a promoção do empreendedorismo e inovação, 42 concordam totalmente, 54 concordam, 26 não concordam nem discordam, 7 discordam e 1 discorda totalmente. Quanto ao facto de o projeto contribuir para a valorização da cultura local e das tradições, dos 130 inquiridos, 41 concordam totalmente, 65 concordam, 7 discordam e 17 não concordam, nem discordam. Verifica-se, também, que 45 inquiridos entendem que o projeto contribui completamente para a dinamização da economia local, 58 concordam, 21 não têm opinião, 5 discordam e 1 discorda totalmente. No que toca à sustentabilidade do projeto, dos resultados obtidos, 22 concordam completamente tratar-se de um projeto com muita sustentabilidade, 40 concordam, 57 não têm opinião, enquanto 11 discordam. Ainda, 35 dos inquiridos concorda completamente que Vila Verde deveria apostar mais no projeto, 45 concordam, 40 não têm opinião e 10 discordam completamente. Relativamente ao facto do governo central apoiar mais o projeto, 45 concordam totalmente, 37 concordam, 34 não têm opinião, 12 discordam e 2 discordam totalmente. 4.3.2.4. Recomendações para o futuro do projeto No que se refere aos desafios do projeto no período pós pandemia, várias opiniões assentam na necessidade do projeto se reinventar, apostando na digitalização e recurso às novas tecnologias. A recuperação da confiança dos visitantes é uma conquista diária e o projeto pode colaborar nesse sentido, pelos princípios e valores que lhe estão associados e que são entendidos como essenciais para o bem-estar de cada individuo. Considera-se que o Namorar Portugal se demarca pelo cruzamento entre tradição e modernidade, cuja continuidade é relevante na estratégia de desenvolvimento.
83 consolidação. Neste sentido e como já foi referido, a aposta numa maior regularidade das iniciativas, demasiado concentradas no mês de fevereiro, pode ajudar no concretizar deste objetivo assim como pode funcionar como estímulo a uma maior adesão e participação e consequentemente num maior conhecimento das mesmas e do projeto, em termos gerais. Perante a análise dos resultados obtidos quer ao nível dos residentes, mas em particular dos não residentes, este objetivo ainda não se encontra concretizado e no que toca à oferta cultural associada à programação “Fevereiro, Mês do Romance” esta, ainda, não foi assimilada na sua plenitude, algo comprovado pelo facto das diversas iniciativas, na sua maioria gratuitas e abertas ao público em geral, não beneficiarem de uma participação ativa e plena. Denota-se que a Gala Namorar Portugal, decorrente do Concurso Internacional de Criadores de Moda é a atividade mais apreciada e participada, o que se pode justificar pela ampla campanha promocional que a caracteriza, para além de se tratar do evento-chave da programação e que esteve na origem da mesma. Apesar desta preferência, há uma opinião partilhada pelos residentes que revela a necessidade de se alterar o conceito deste evento e apostar mais na sua internacionalização, como forma de divulgar o trabalho dos designers e estilistas além-fronteiras. Considera-se que a opção pelo carácter regular, sistemático e diversificado das atividades associadas ao Namorar Portugal, concretiza de forma mais eficiente o objetivo do projeto se constituir, definitivamente, como fator de atração para território e contribuir para a sua notoriedade enquanto destino associado ao Amor. Evidencia-se e tal como já foi referido a relevância em se adotar uma estratégia de comunicação e marketing eficaz, ancorada nas novas tecnologias, que contribua para o fortalecimento do projeto, mitigando os efeitos nocivos gerados pela existência de alguma ambiguidade em torno do mesmo, assim como pela tendência marcada pelo sentimento de “mais do mesmo”, razão que poderá conduzir ao tal cansaço mencionado ao nível das entrevistas. Esta estratégia surge como pertinente num contexto póspandemia em que se recomenda a implementação das novas tecnologias com vista à promoção do destino e dos produtos e como forma de se manter a relação com o visitante e com a própria comunidade. Um contexto que na opinião de alguns dos entrevistados, assim dos residentes e não residentes se pode assumir como uma oportunidade de afirmação do Namorar Portugal. Neste sentido, considera-se necessário repensar a sua dinâmica, apostando-se no reforço da oferta on line e na dinamização de uma programação turístico-cultural de dimensão híbrida, que
84 permita o encontro de emoções/sensações presenciais reforçado pelo virtual. Algo que a concretizar-se permite um maior alcance do projeto através da captação de potenciais públicos, como a diáspora, que na opinião dos vários interlocutores pode constituir-se, claramente, como agente difusor do Namorar Portugal. Outra dimensão do projeto que merece atenção ao nível deste estudo, refere-se aos produtos Namorar Portugal que representam a vertente criativa e empreendedora do projeto. Apesar de se assistir a um conhecimento generalizado desta componente, principalmente junto dos locais, este não é absoluto, denotando-se também que estes produtos não são uma opção de compra prioritária e nem todos são alvo de recomendação, quer pelos residentes, como pelos não residentes. Esta realidade é constatada, também, pela existência de residentes e em particular não residentes que não conhecem quer a Aliança Artesanal como a Loja Namorar Portugal, onde se encontra a coleção de produtos. Tratando-se de produtos identitários com valor comercial, inspirados numa manifestação ancestral à qual lhe foi atribuída um novo significado é pertinente melhorar a comunicação em torno dos produtos, de modo que o consumidor entenda o seu real valor, pautado na sua génese. Importa refletir nas sugestões facultadas nos inquéritos acerca da necessidade de se apostar mais na qualidade e na diferenciação dos produtos, privilegiando-se critérios de seleção, em detrimento da quantidade que poderá conduzir à sua massificação e até banalização. Outro contributo prende-se com a importância de se investir mais nas vendas on line, tornando os produtos acessíveis à escala planetária. Ao nível das entrevistas foi realçado o facto dos promotores dos produtos Namorar Portugal apresentarem formas de estar distintas, por vezes contaminadas por um certo “adormecimento e comodismo”. Há parceiros que encaram a dinâmica do projeto como um mero contributo e não numa perspetiva de ganhos recíprocos. Esta situação relaciona-se com uma outra questão estrutural e que se traduz na gestão de parcerias. Uma das características deste projeto assenta na sua capacidade de impulsionar o fomento de parcerias, entendidas como uma mais-valia, na medida em que conferem escala, permitem uma maior diversidade e imputam maior notoriedade quer ao território como ao seu ícone identitário. Um efeito positivo desta dinâmica traduz-se na criação de sinergias que envolvem e cruzam parceiros e parcerias entre si ao nível, por exemplo, da criação de novos produtos que implicam a utilização do bordado. O efeito de “contágio empreendedor” do Namorar Portugal é confirmado pela adesão e integração, todos os anos e em particular durante a programação “Fevereiro, Mês do Romance”, de novos atores responsáveis pela dinamização de atividades ou apresentação de novos produtos que passam a fazer
85 parte da coleção Namorar Portugal. No entanto, o crescimento em número de parceiros, nem sempre é acompanhado pelo incremento da sua dinâmica ao nível do projeto denotando-se, por vezes, um cenário de envolvimento ocasional ou no limite de descontinuidade, fatores que prejudicam a vinculação e a interação com o projeto. Neste sentido e tal como sublinha Gama, M. (2013) mais importante do que a criação ou a integração numa rede é a capacidade dos seus membros em potenciar os benefícios, preferencialmente coletivos, obtidos através desta relação de trabalho articulado. A dinâmica do projeto, demasiado concentrada temporalmente, influencia a dinâmica das parceiras que, por norma, são trabalhadas pontualmente. Destaca-se, mais uma vez, a necessidade, por parte do promotor do projeto, de um trabalho contínuo junto dos parceiros de forma a promover uma maior ligação ao projeto, ao território e uma maior consolidação do sentimento de pertença. Considera-se, também, relevante a existência de um compromisso formalizado entre promotor e parceiro orientado por um conjunto de direitos e obrigações entre ambos e que defina, de forma clara, as especificidades que cada produto tem e que o torna diferenciador e a sua associação com os valores culturais, enquanto condições essenciais para integrar a marca. Parece pertinente a revisão das diretrizes definidas no Plano de Marketing da marca Namorar Portugal (2014), uma vez que se entendem como desajustadas face ao crescimento considerável do número de parceiros e consequentemente do número de produtos colocados no mercado. Como já foi referido, a vertente comercial do projeto é entendida como fundamental, no entanto, carece de um trabalho mais incisivo sob o ponto de vista da gestão de parcerias, como dos canais de comercialização de modo a elevar a sua eficiência. Relativamente ao contributo do projeto para a resiliência do território interessa realçar o ponto central da sua existência que se traduz no assumir de uma estratégia de preservação local inserida numa sociedade contemporânea que segue uma tendência inevitável à cultura global (Appadurai, 1990), entendida como um processo alternativo de afirmação da cultura local, de uma tradição que passou de geração em geração, a qual reflete a memória coletiva de uma comunidade. Esta tradição e a simbologia associada ao Lenço de Namorados têm sido alvo de uma reinterpretação e difusão através do Namorar Portugal, quer através das diversas atividades que caracterizam a programação “Fevereiro, Mês do Romance”, com destaque para o Concurso Internacional de Criadores de Moda/Gala Namorar Portugal, como dos inúmeros produtos que integram a coleção Namorar Portugal. Uma dinâmica sustentada numa relação tradição-modernidade através da qual se procura fortalecer a coesão social e territorial mediante o envolvimento da comunidade e da ativação das forças
86 locais, no sentido da criação de microdinâmicas que favoreçam o aparecimento de novos projetos baseados na preservação e na promoção deste património cultural. Este contributo do projeto é partilhado de forma unanime pelos decisores políticos e outros com poder de intervenção. Certo é que a identificação da dimensão identitária do projeto, que lhe transmite autenticidade, bem como a identificação do território de Vila Verde com o seu ícone identitário é evidenciada pelos residentes e não residentes, assim como é partilhada pelos entrevistados, o que demonstra o efeito multiplicador do projeto ao nível do fortalecimento da sua referência identitária. O valor do Namorar Portugal reside na sua essência e na sua capacidade de manter viva e presente no quotidiano das pessoas um conjunto de significados e símbolos que integram essa essência. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento local endógena, que partiu de dentro do território e nunca baseada em interesses externos dos quais resultam, por vezes, projetos desgarrados e sem qualquer ligação ao território. Não obstante esta característica ser o garante da sua sustentabilidade, o Namorar Portugal pauta-se por uma dinâmica híbrida através da qual tem impulsionado a sua dimensão criativa e inovadora. Apesar de se defender de forma clara a necessidade de se efetuarem ajustes ao projeto e à dinâmica que lhe é imprimida no sentido do seu crescimento e afirmação total, o que dependerá em muito das opções dos decisores políticos, o Namorar Portugal é reconhecido enquanto intervenção cultural, com uma forte componente criativa e com impactos ao nível da notoriedade do território e na criação de uma imagem diferenciadora que se encontra em fase de consolidação. Considera-se, deste modo, que não se trata de um projeto efémero e tal como foi referido pela maioria dos entrevistados não tem prazo de validade, enquanto os seus objetivos coincidirem com os interesses e pretensões defendidas para o território e para a comunidade local. Os decisores políticos e outros com poder de intervenção são unânimes no seu reconhecimento enquanto guardião de uma tradição ancestral e impulsionador do tecido produtivo local, através da transformação de recursos endógenos em cadeias de valor, numa lógica de sustentabilidade económica, social e ambiental. Considera-se, também, por parte dos residentes um assumir da pertinência do Namorar Portugal através da concordância não plena, mas generalizada, dos seus efeitos ao nível da valorização da cultura local, da recuperação das tradições e do seu contributo para a dinamização da economia local, para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida da comunidade. Trata-se de uma intervenção pensada localmente e para os locais, mas também direcionada para o exterior como forma
87 de comunicar o que de melhor existe no território. Estes atributos evidenciam o Namorar Portugal enquanto projeto que atende aos interesses e ao futuro da comunidade local. No entanto, apesar de estar demonstrado tratar-se de um projeto de matriz cultural, pensado localmente enquanto estratégia promotora de desenvolvimento local, ficou evidenciado que para a maioria dos residentes a sustentabilidade do projeto ainda não é uma variável alcançada, demonstrado pela falta de opinião ou pela sua discordância. Também não se verifica uma concordância expressiva quanto ao facto de o projeto dever ser mais apoiado quer por Vila Verde, como pelo governo central. Um paradoxo que ganha mais expressão, quando se verifica que para os não residentes, menos conhecedores do Namorar Portugal, apesar de não evidenciarem uma unanimidade em termos de respostas, são mais defensores de um maior investimento de âmbito local e nacional. Constata-se de forma clara que o projeto, através do seu ícone identitário e da estratégia seguida em torno da sua valorização, deixa uma marca distintiva no território e no posicionamento do mesmo. Baseado neste entendimento, e na perspetiva de que é importante para os territórios o fomento de formas de emancipação sustentadas, internamente e externamente, por laços de relacionamento e condições únicas, entende-se que este projeto beneficia de uma plasticidade que lhe permite reajustar-se ao longo do seu processo de crescimento. O contexto em que nos encontramos, em que os efeitos da pandemia estão bem vincados, exige uma adaptação dos territórios, para responder aos novos desafios e às exigências que se avizinham ao nível económico, social e cultural, a que a atividade turística não ficará alheia. A grande aposta passará por um investimento ao nível da infraestruturação e capacitação digital conforme indica o Plano de Recuperação e Resiliência. Deste modo, as experiências on line devem ser trabalhadas no âmbito da organização e diversificação de toda a atividade turística, com particular incidência, nas metodologias e nas dinâmicas da oferta turística. O turismo caracteriza-se por uma nova dinâmica, em que este se vai balancear entre o físico e o virtual. Na perspetiva dos decisores políticos e outros com poder de intervenção, assim como na opinião de alguns residentes, o Namorar Portugal atendendo às suas especificidades assentes num conjunto de valores únicos, poderá assumir um papel central enquanto acelerador da retoma económica, perante uma oferta turístico-cultural com forte sentido emocional. Por outro lado, o momento atual é entendido como uma oportunidade do projeto se redimensionar ou reajustar,
88 apostando numa evolução ao nível do marketing digital, do reforço da oferta on line e na dinamização de uma programação turístico-cultural de dimensão híbrida, que permita o encontro e partilha de experiências emocionais in loco, reforçadas pelo virtual, afirmando-se a imagem do destino “onde o amor acontece!”. Compete, mais uma vez, aos decisores políticos repensar a estratégia do projeto, alinhando-o de acordo com os novos desafios com que os territórios estão sendo confrontados, em que a criatividade aliada às novas tecnologias se apresenta como pilar fundamental no sentido da criação de valor e na geração de vantagens competitivas em relação a outros locais. Podemos dizer com Conceição Pinheiro que “Vila Verde continuará a bordar até que o universo seja Portugal a bordar o mundo com o Lenço de Amor” e sob a égide do Namorar Portugal. Uma história de amor que culminará com o reconhecimento pleno de Vila Verde enquanto o território “Onde o Amor acontece!”. Propõe-se como foco de reflexões futuras o modelo de governança do Namorar Portugal, aspeto que foi abordado superficialmente neste estudo, mas que se revela um tema controverso. Considera-se, também, como necessário um outro estudo acerca dos efeitos e reais impactos diretos do projeto no território.
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