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O caso da Antena Minho: como é que o exercício de podcasting nos meios de comunicação radiofónicos portugueses é percepcionado por produtores e consumidores de rádio?

Sousa, Bruna Almeida de

Abstract

Em tempo de produção de conteúdos e presença dos mesmos no universo digital, pressupõe-se a utilização das plataformas online para a maximização de interatividade com o público e, ao mesmo tempo, o esforço de disseminação de trabalhos, ficando estes alojados em diferentes bancos de dados para consumo imediato ou posterior utilização, consoante os horários e interesses dos mais diversos públicos. Percebe-se, assim, o recurso à multimedialidade, isto é, à apresentação da informação em mais do que um suporte. Neste ecossistema mediático, não é já novidade que a rádio, caracterizada, geralmente, como apenas multisonora, tenha passado de monomédia para multimédia, no seu processo de digitalização. A pergunta que se coloca é se o podcasting pode ser entendido como a mediamorfose da rádio e, consequentemente, um possível suporte de vida para a mesma, principalmente no que toca ao âmbito regional/local.

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i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ ii AGRADECIMENTOS Aos meus, que deram voz para me perder e para me encontrar. Aqueles que não eram meus, mas que me deram permissão para entrar nas suas vidas e com elas aprender. À Antena Minho, que me abraçou. Aos profissionais do meio, que me deram alento. Ao professor Luís António Santos, que me guiou. A todos aqueles que, ao longo do caminho, foram confidentes e conselheiros. iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. iv O Caso da Antena Minho: Como é que o exercício de podcasting nos meios de comunicação radiofónicos portugueses é percepcionado por produtores e consumidores de rádio? Resumo Em tempo de produção de conteúdos e presença dos mesmos no universo digital, pressupõe-se a utilização das plataformas online para a maximização de interatividade com o público e, ao mesmo tempo, o esforço de disseminação de trabalhos, ficando estes alojados em diferentes bancos de dados para consumo imediato ou posterior utilização, consoante os horários e interesses dos mais diversos públicos. Percebe-se, assim, o recurso à multimedialidade, isto é, à apresentação da informação em mais do que um suporte. Neste ecossistema mediático, não é já novidade que a rádio, caracterizada, geralmente, como apenas multisonora, tenha passado de monomédia para multimédia, no seu processo de digitalização. A pergunta que se coloca é se o podcasting pode ser entendido como a mediamorfose da rádio e, consequentemente, um possível suporte de vida para a mesma, principalmente no que toca ao âmbito regional/local. Palavras – chave: radiofonia, radiomorfose, ambiente digital, podcasting , multimedialidade Abstract At the present moment, a time of content production and its presence in the cyberspace, it is presumed the usage of online platforms to maximize interactivity with the public. At the same time, it is known the effort to disseminate contents throughout, housing them in different databases for immediate consumption, depending on the schedules and interests of the most diverse audiences. Therefore, we recognize the resource of multimediality, that is, the presentation of information in more than one medium. In these media ecosystem, it is not new that the radio, generally characterized as only multi-sound, has gone from monomedia to multimedia in its digitalization process. The question that arises is if the podcasting exercise can be understood as the mediamorphosis of the radio and, consequently, a possible life support for it or not, especially with regard to the regional / local scope. Key – words: radiophony, radiomorphosis, cyberspace, podcasting, multimediality v Índice Introdução ________________________________________________________________________ 9 Capítulo 1 - Experiência do Estágio na Antena Minho _________________________________________ 10 1.1. Descrição do meio de comunicação _______________________________________________ 10 1.2. O porquê da Antena Minho? _____________________________________________________ 20 1.2.1. A Antena Minho é uma rádio da minha cidade ..............................................................................21 1.2.2. As promessas da rádio da minha cidade .......................................................................................21 1.2.3. De uma emissora nacional para uma emissora regional ................................................................22 1.3. A integração na Antena Minho ___________________________________________________ 24 1.4. Experiência na Antena Minho ____________________________________________________ 25 1.5. Universidade / Estágio _________________________________________________________ 31 Capítulo 2 - Enquadramento Teórico ____________________________________________________ 33 2.1. Dos estudos dos média à realidade nacional da radiofonia _______________________________ 33 2.1.1. Mediamorfose, ―quem não tem cão, caça com gato‖ ....................................................................33 2.1.1.1. Bases teóricas sobre o ciclo natural do desenvolvimento dos média__________________ 34 2.1.1.2. Mediamorfose, a possível aglutinação do determinismo tecnológico e social? ___________ 37 2.1.2. Radiomorfose ...............................................................................................................................38 2.1.3. A rádio, o consumo linear, de massa e síncrono ...........................................................................40 2.1.3.1. Posicionamento da Antena Minho __________________________________________ 40 2.1.4. Da definição tradicional de rádio, à radioweb, aos podcasts ..........................................................41 2.1.4.1 Presença atual das rádios em Portugal _______________________________________ 43 2.1.4.2. Impacto da evolução da tecnologia nas rádios tradicionais ________________________ 44 2.1.4.3. Impacto das mudanças de definição nas audiências _____________________________ 47 2.1.4.4. Surgimento e instalação do processo de podcasting _____________________________ 48 2.1.4.5. Características diferenciadoras do meio radiofónico e do podcasting _________________ 50 2.1.4.6. Processo produtivo da radiodifusão, uma realidade oligopolista _____________________ 51 2.1.5. O que se sabe sobre o consumo atual dos média? ........................................................................53 12 um espaço reservado à edição e publicação de conteúdos. Apesar de poder ser utilizada para diferentes propósitos, uma das maiores salas de gravação é reservada às emissões, em direto, da programação diária. A segunda grande sala é, usualmente, destinada à realização de entrevistas ou relatos de jogos, sendo composta por uma mesa, com microfones embutidos. O terceiro e último estúdio de gravação apresenta uma dimensão consideravelmente mais pequena e é, frequentemente, aproveitada para a gravação de programas, de voz-offs ou de spots publicitários. Um dia típico na Antena Minho começa às 8h00. Todas as salas estão vazias e o silêncio é impenetrável, até que Rui Alberto Sequeira e as notícias da atualidade iniciam a emissão. Mais tarde, a este, juntam-se Manuela Barros e Abel Lages, que trazem consigo a animação. A esta altura, também os sonoplastas já se encontram disponíveis para ajudar em tudo o que for preciso. Por sua vez, José Portugal encontra-se na rua, de onde dá conta da meteorologia e acompanha, em primeira mão, os principais acontecimentos da região. As vozes de Rui Alberto Sequeira, Manuela Barros e Abel Lages fazem-se ouvir durante toda a manhã. Fora os seus programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas / entrevistas / iniciativas pontuais, Manuela Barros e Abel Lages encarregam-se do entretenimento - trazem a música, as curiosidades do dia, por entre efemérides e notícias inusitadas, e promovem, ainda, passatempos. Esses momentos de entretenimento são interrompidos assim que toca o jingle que antecipa os serviços noticiosos, ―Cadeia de Informação Norte. Notícias‖. De segunda a sexta-feira, dá-se conta da atualidade regional, nacional e internacional de hora a hora, entre as 8h00 e as 19h00, com sínteses às 8h30 e às 9h30. Aos fins-de-semana e feriados, a informação entra em emissão às 9h00, 13h00 e 18h00. Os serviços noticiosos da Antena Minho seguem um formato rígido. Após a apresentação, em flash , dos principais acontecimentos da atualidade, dá-se o desenvolvimento de parte das notícias mencionadas. Por norma, os momentos informativos não duram mais do que 15 minutos. À programação geral acresce-se, ainda, diariamente, um segmento da bolsa de valores, pela voz de Rui Alberto Sequeira. Fora a emissão em direto, uma folha de papel dita a fluidez do dia, nela constam as reservas de salas. Por entre dias de alguma calma, o ritmo é, geralmente, acelerado, com entrevistados constantemente a entrar e a sair e estúdios de gravação livres apenas por breves instantes. Graças a esta azáfama, as emissões em direto ocorrem unicamente nas manhãs de segunda a sexta-feira. À tarde, a emissão faz- 13 se, maioritariamente, de música, noticiários pré-gravados e a transmissão de programas de autor. O mesmo se verifica durante o fim-de-semana. Durante o dia-a-dia, os sonoplastas Manuel Pinto e José Carlos Fernandes são responsáveis por preparar os espaços para os seus diferentes propósitos, monitorizar diretos e entrevistas, editar e publicar programas, atualizar a página oficial do meio de comunicação e as suas redes sociais. Há que ter em conta que os técnicos de som apresentam turnos intercalados. Sendo assim, as tarefas anteriormente descritas são realizadas à vez, por uma pessoa apenas, transformando-os naquilo a que muitos chamariam de autênticos ―canivetes suíços‖. Na verdade, a multifuncionalidade não é uma característica exclusiva aos técnicos de som. Os restantes elementos da equipa da Antena Minho transformam-se, diariamente, em soldados, que sintetizam, em si, distintas ferramentas e capacidades. As recordações de outros tempos enfatizam o poder atribuído ao som. Apesar da tentativa em manter as características originais da rádio, a instalação da era da digitalização e da hipervisualização levou o meio de comunicação a repensar os seus conteúdos. Deste modo, a Antena Minho preocupou-se em migrar os seus produtos radiofónicos para as plataformas online , com materiais, em muitos dos casos, multimédia. Agora, além da produção de programas sonoros, tem de acautelar a captação, simultânea, de som e de imagem, a respetiva edição e publicação do material final. Hoje em dia, além do conteúdo produzido passar em frequência, parte dele é arquivado no site oficial do meio, em vídeo e em podcast , e é, ainda, difundido no YouTube e Facebook da Antena Minho. Em adição ao ―programa da manhã‖, a emissão da Antena Minho faz-se de 27 programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas: 1. "Bossa Nova" - programa dedicado aos géneros musicais brasileiros, na companhia de Alex Liberalli, membro da banda Trio Pagú; 2. “Comunicar Ciência” - uma rubrica com Catarina Loureiro e Jorge Dinis Oliveira, ―que destaca assuntos menos discutidos, com menos visibilidade nos média e que podem passar ao lado do olhar mais atento‖; 3. ―Da Europa para o Minho‖ - a atualidade, em revista, pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, numa conversa com o jornalista Paulo Monteiro; 4. “Dar à Língua Portuguesa” - uma rubrica de Ana Rita Silva e Jorge Dinis Oliveira, ―que leva a conhecer melhor a língua de Camões. Desde a origem de expressões e regionalismos, a curiosidades sobre a nossa língua, imprecisões gramaticais e linguísticas recorrentes‖; 14 5. "Disco ou Nada" - uma conversa semanal entre dois amigos, Emanuel Roriz e António Melo, ―que mergulha nas canções, artwork e histórias sobre discos e músicos, transversal a todos os estilos e épocas da indústria discográfica, para que não se perca o prazer de apreciar um disco como a verdadeira obra de arte que é‖; 6. Espaço Religioso de inspiração Evangélica; 7. "Fórum Desporto" - ―o momento de entrevista sobre as instituições, as individualidades e os eventos ligados ao desporto‖; a análise do fim-de-semana desportivo, nas competições distritais da Associação Futebol de Braga e nacionais, na companhia de Joana Russo Belo / Ricardo Anselmo e de convidados de associações desportivas; 8. "Ideias com J" - programa onde os líderes das juventudes partidárias bracarenses debatem as políticas locais e nacionais para os jovens, com a moderação do jornalista Rui Alberto Sequeira; 9. "Leandro Antunes Show" - programa de autoria de Leandro Antunes, numa agregação entre as comunidades portuguesa e brasileira; 10. “Liderança na Prática” - uma rubrica de Margarida Dias e Rui Martins Ferreira, ―um olhar sobre a capacidade de liderança e ideias que podem ajudar à criação de um bom líder em diferentes negócios‖; 11. "Mercado Negro" - programa da autoria de Paulo Jorge Pereira, que apresenta ―o universo da música de influência jazz, blues, soul, funk, r&b, hip hop, rap, e nu soul, destacando os seus pontos em comum, contrastes e diferenças musicais, a linha comum e transversalidade que unifica estes estilos. Música de corpo e alma. O maravilhoso mundo da música negra‖; 12. "Minho Magazine" - programa de informação de Rui Alberto Sequeira, que se compromete com o slogan , ―a Entrevista, o Comentário, a Opinião, o Contraditório‖; 13. "OCENPSIEA Convida” - como o próprio nome indica, a banda bracarense OCENPSIEA convida artistas a falarem sobre os seus trajetos e o mundo da arte; 14. "O Melhor Da Vida é de Graça" - playlist programa da autoria de Rui Miguel Graça. Episódios que se pautam pelo mote: ―as letras que vais escrever, os livros que vais ler, as mensagens que vais querer partilhar, as viagens que vais fazer, as histórias que vais viver… Músicas calmas que marcam os teus momentos. Até porque, o melhor da vida, é de graça‖; 15. “O Estado da União” - um programa de informação sobre a União Europeia, espaço da responsabilidade do Centro de Informação Europe Direct Minho; 15 16. “Onda da Semana” - rubrica, de segunda a sexta, em torno de ―um álbum, cinco temas da música portuguesa‖; 17. "Porta Aberta" - um programa, pela mão de João Nuno Vilaça, que abre, todos os meses, tal como o seu slogan aponta, ―a porta ao jazz moderno e aos novos talentos do jazz‖; 18. Rádio Francisco Sanches - conhecida como a rádio RS, trata-se de um espaço da total responsabilidade dos professores e alunos da Escola Francisco Sanches, em Braga; 19. "Sete Mares - Som Nacional Antena Minho" - programa que José Carlos Fernandes dedica aos sons nacionais e, assim, ―dá a conhecer o que de melhor se faz em Portugal‖; 20. "SOS - Metal Radio Show" - dedicado à difusão de música heavy-metal, o ―SOS - Metal Radio Show‖ corresponde ao programa mais antigo, no ar, em Portugal. Nele, Filipe Marta convida a subir ―o elevador para o Inferno‖, lado a lado com as ramificações do género musical. Para além disso, traz ―estreias em primeira mão de novos álbuns, apresentação de novas bandas, entrevistas nacionais / internacionais, notícias várias, agenda de espetáculos, críticas a lançamentos discográficos e concertos ao vivo, espaços literários, incluindo rubrica dedicada ao panorama musical metal brasileiro e muito mais‖; 21. “Sugestões do Chefe” - A edição 2022 das ―Sugestões do Chefe‖ convida a saborear os menus gastronómicos do distrito de Braga. Este ano, a iniciativa decorre de 25 de abril a 29 de maio, visitando 34 estabelecimentos, dispersos por cinco concelhos da região: Vila Verde, Braga, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso e Terras de Bouro; 22. “SUN7 - Antena Minho” - uma hora dedicada aos sons electrónicos, na companhia de convidados especialistas na área; 23. "Tertúlia Bracarense" - mais uma vez sobre a coordenação de Joana Russo Belo ou de Ricardo Anselmo, os comentadores residentes, António Duarte e José Machado, discutem a atualidade do Sporting Clube de Braga; 24. "Tertúlia no Feminino" - tal como é apresentado, trata-se de ―um programa com mulheres singulares, genuínas e sem papas na língua, com Alex Liberalli, Dalila Monteiro, Lígia Santos e moderação de Manuela Barros‖; 25. “Território ConVida” - programa de Isabel Carvalhais, deputada ao Parlamento Europeu, que convida ―a percorrer o nosso território, de forma a conhecer vários projetos, que mostram a riqueza, a diversidade e o dinamismo das regiões do Minho, do Douro e de Trás-os-Montes‖; 26. "Vai dar uma Curva" - programa que convida a falar sobre turismo, gastronomia e vinhos; 16 27. "Vamos falar de Blues" - desta vez, o destaque é dado ao blues. Um espaço da responsabilidade do músico e produtor Budda Guedes. Como é perceptível, a maior parte das horas de emissão da Antena Minho é preenchida com música. Assim, fora a transmissão diária de variadas composições, o meio de comunicação conta com um total de 12 produções dedicadas à temática, o que representa 44,4% da totalidade dos conteúdos do meio radiofónico. Seguem-se, por ordem decrescente de representatividade, a área de Sociedade, com quatro programas distintos (14,8% do total) e a área de Turismo, com apenas três programas (11,1% do total). O terceiro lugar vai para a área Desportiva, que, com dois programas, representa 7,4% da totalidade. As restantes áreas encontram-se equiparadas, existindo apenas um programa por temática, a saber - Ciência, Economia, Educação, Infanto-juvenil, Política e Religião (3,7% cada). Gráfico 1: Distribuição da quantidade de programas da Antena Minho por áreas de atuação No que toca aos conteúdos de música, a Antena Minho percorre uma variedade extensa de géneros musicais. Por entre produções internacionais, nacionais, regionais e/ou locais, abrange o Blues, o Bossa Nova, a música Electrónica, o Funk, o Hip-Hop, o Jazz, o Metal, o Rap, o R&B e o Soul. A abrangência musical é representativa dos gostos pessoais das pessoas responsáveis pelos programas. Esta característica, além de dar uma motivação diferente aos profissionais, permite que a Antena Minho chegue a diferentes públicos-alvo. Ademais, reflete alguns dos compromissos do meio de comunicação, uma vez que serve de montra para os mais variados artistas, nomeadamente do Minho e Alto Minho. Partindo das descrições anteriormente apresentadas, percebe-se que alguns dos programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas da Antena Minho podem ser entendidos como 17 conteúdos mediáticos informativos ou de infoentretenimento. Sendo assim, podem, ainda, ser enquadrados nas diferentes áreas de atuação do jornalismo. Para a distribuição dos diferentes programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas da Antena Minho pelas diferentes áreas de atuação do jornalismo atendeu-se à presença de narrativas informativas nos mesmos, podendo estas ser apresentadas em diferentes formatos, tais como notícias, reportagens, entrevistas, mesas-redondas / debates e comentários. Desta forma, além de se excluir da análise o ―Espaço Religioso de inspiração Evangélica‖, apenas três dos programas de autor / espaços regulares dedicados à música podem ser vistos como resultado do exercício do Jornalismo Musical - ―Disco ou Nada‖, ―OCENPSIEA ConVida‖ e ―SOS - Metal Radio Show‖. Enquanto estes contemplam uma ou mais características informativas, os restantes conteúdos não passam de programas - playlist (listas de reprodução de músicas que se enquadram num certo tema ou propósito, cujo objetivo é serem ouvidas por um determinado grupo). Gráfico 2: Distribuição da quantidade de programas da Antena Minho por campos de atuação jornalística Se anteriormente o destaque era dado à Música, no que toca aos campos de atuação jornalística, percebe-se que a área com mais programas de autor / espaços regulares dedicados às respectivas temáticas é a Sociedade (enquanto que o campo social representa 23,5% da totalidade, a área musical fica equiparada à turística, representando, cada uma, 17,6% do total). A restante distribuição por campos de atuação jornalística é bastante semelhante à anterior - Desporto (11,8%), seguido da Ciência, Economia, Educação, Infanto-juvenil e, por fim, da Política (com 5,9% cada). Neste ponto, importa, também, ter em consideração os géneros jornalísticos utilizados na programação da Antena Minho. Os serviços diários de atualização da informação não passam de notícias. Verdade seja dita, as informações transmitidas (salvo raras exceções) são adaptadas de textos 18 noticiosos produzidos por outros meios de comunicação, nomeadamente da Lusa, a Agência de Notícias de Portugal. Tendo em conta que o ―Programa da Manhã‖ é, ainda, composto por temáticas da atualidade, podemos considerar que o meio de comunicação recorre ao chamado infoentretenimento. Seguindo o padrão dos serviços noticiosos, os momentos de infoentretenimento não passam, novamente, de adaptações de notícias de outrem (por exemplo, as notícias inusitadas são, geralmente, retiradas do segmento ―Mundo Insólito‖, do Jornal de Notícias). Devido à permanente dificuldade de rotulação de géneros jornalísticos na radiofonia, desconsideramos as características próprias do meio e tentamos transpor, para a rádio, as classificações oriundas da média impressa. Por conseguinte, no que toca aos programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas da Antena Minho, denota-se uma prevalência do recurso a momentos de Comentário, Entrevista e Debate. Todos os programas de autor / espaços regulares dedicados a determinadas temáticas são transmitidos em frequência e, posteriormente, arquivados no site oficial da Antena Minho. Nove dos programas - ―Da Europa para o Minho‖, "Fórum Desporto", "Ideias com J", "Minho Magazine", ―O Estado da União‖, "Sete Mares - Som Nacional Antena Minho", "Tertúlia Bracarense", "Tertúlia no Feminino" e "Vai dar uma Curva" - são, ainda, publicados, na íntegra, no Youtube e Facebook do meio de comunicação; as ―Sugestões do Chefe‖ têm, apenas, presença no Facebook; os restantes programas contam, meramente, com uma publicação-lembrete na rede social. O elemento que dita a diferença é, na grande maioria das vezes, a presença, ou não, de imagem em movimento. Gráfico 3: Distribuição do recurso da Antena Minho a ferramentas de difusão / arquivo de programas 19 Com a aproximação da emissão de um determinado programa, é feita a atualização da capa de Facebook da Antena Minho, com a imagem alusiva ao mesmo. Os programas que não contam com a sua publicação, na íntegra, na rede social, contam, também, com uma publicação no feed do Facebook. Estas publicações-lembrete fazem-se acompanhar do horário de emissão e de repetição, em antena, dos mesmos. Para além disso, têm, sempre, uma chamada de atenção para o alojamento do programa no site oficial da Antena Minho, fazendo menção à hiperligação correspondente. A publicação dos programas, na íntegra, é feita ―em direto‖, como se as horas de produção e publicação fossem coincidentes. A descrição dos ―diretos‖ compõe-se pelo tema tratado no episódio e as pessoas envolvidas no resultado final (no Youtube, a estratégica de comunicação cumpre os mesmos parâmetros). Genericamente, a grelha de programação da Antena Minho dedica-se à audiência dos distritos de Braga, Viana do Castelo e parte do distrito do Porto. No que toca à informação, a redação do meio de comunicação compromete-se com a produção e transmissão de serviços noticiosos com a atualidade, por ordem decrescente, regional, nacional e internacional. O mesmo acontece com a informação desportiva, que tem maior incidência no desporto regional, dando destaque às suas equipas. A Antena Minho é, ainda, o pivot da Cadeia de Informação Norte (CIN). Sendo assim, os seus serviços noticiosos são emitidos em cadeia, integrando algumas rádios da região, como a Rádio Cávado (Barcelos) e a Rádio Barca (Ponte da Barca). Através do Estatuto Editorial da rádio 1 , são dados a conhecer os principais objetivos e ideias fundamentais do meio de comunicação. Além do compromisso em assegurar o respeito pelos princípios éticos e deontológicos presentes no Código Deontológico do Jornalista e no Estatuto do Jornalista, bem como o respeito pela ética profissional, a rádio reforça a sua abrangência regional, garantindo que: 1. No seu conteúdo jornalístico atende, com prioridade, às exigências socioculturais, económicas, políticas e desportivas da Região delimitada pelos rios Ave e Minho e dando maior destaque à sua área de localização, ou seja, ao distrito de Braga. 2. Compromete-se na defesa dos interesses gerais e na promoção das aspirações legítimas e constitucionais das populações da Região do Minho com maior destaque para o distrito de Braga. (...) 1 Ver https://www.antenaminho.pt/radio/estatuto-editorial/ 20 5. Assume a composição de uma grelha de programas que dê destaque aos grandes acontecimentos da região onde terá como objetivo promover o que existe na região ao nível cultural, desportivo e associativo bem como fomentar o que a nível discográfico se faz na região. Estatuto Editorial da Antena Minho (2022) Ademais, sublinha-se o exercício do jornalismo como serviço público. Para isso, o meio de comunicação rege-se por seis estratégias principais: a) Cooperação com as escolas, desde o ensino básico ao superior; b) Apoio continuado às atividades culturais dinamizadas por autarquias e associações; c) Parceria privilegiada com as instituições de voluntariado social e humanitário, IPSS e ONG\'s; d) Dar voz aos anseios e aspirações das forças vivas e autarquias locais; e) Aliança com as coletividades regionais, incentivando o pluralismo das modalidades desportivas; f) Estimular intercâmbio cultural, social e económico entre o Minho e a Galiza. Estatuto Editorial da Antena Minho (2022) 1.2. O porquê da Antena Minho? Aquando da ponderação dos locais de interesse para a realização do meu estágio curricular, tinha uma certeza apenas: a vontade de continuar a explorar o mundo radiofónico - a capacidade de promover o imaginário e a informação dos cidadãos através da simples (e, por outro lado, tão complexa) voz. Esta vontade nunca foi vista como uma novidade, uma vez que a decisão de ingresso no curso de Ciências de Comunicação, na Universidade do Minho, passou, também, pelo desejo em conhecer o universo radialista e perceber se seria o caminho no qual me sentiria mais completa. Ao longo da licenciatura e mestrado, as restantes dúvidas foram sendo respondidas, nomeadamente com as unidades curriculares em torno da temática sonora, com a participação, por duas vezes, no projeto Repórteres em Construção e, ainda, com a minha primeira experiência profissional, enquanto correspondente de Braga, na Rádio Renascença. Assim, aquilo que era considerado um mero impulso foi-se tornando numa ideia cada vez mais consolidada. Partindo desse pressuposto, simplesmente não poderia perder a oportunidade de prosseguir com um sonho de vida. Por entre preconceitos, foi-me questionado, frequentemente, o porquê de ter optado, como primeira escolha, por um meio radiofónico de dimensão regional, quando poderia ter tentado entrar num meio de âmbito nacional. A minha resposta, que foi sendo aprimorada (ou, talvez, sintetizada), de vez em 21 vez, resumia-se a três argumentos: (1) a Antena Minho é uma rádio da minha cidade; (2) o meio de comunicação tem muito para me oferecer e, (3) a vontade de comparar, na prática, o trabalho desenvolvido por uma emissora nacional com o trabalho desenvolvido numa emissora regional. 1.2.1. A Antena Minho é uma rádio da minha cidade Bracarense de gema, nunca tive vontade de abandonar a minha cidade natal. Dividida entre a urbanização e o campo, fui, constantemente, convidada a conhecer a riqueza da minha terra - das experiências em primeira pessoa, com visitas sistemáticas a espaços emblemáticos ou a lugares resguardados bragueses, à revisitação das histórias ancestrais da povoação brácara. Durante cinco anos (2018 - presente), através do ComUM, jornal online desenvolvido pelos alunos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, pude contribuir com a produção noticiosa diária sobre a minha região. A experiência fez com que a minha paixão sobre as terras e as gentes do Minho não se perdesse, muito pelo contrário. Na Antena Minho, poderia continuar sem quebrar esse vínculo. 1.2.2. As promessas da rádio da minha cidade Antes de oficializar as minhas opções de estágio, tive a oportunidade de visitar os espaços do Correio do Minho e de conhecer o que o meio de comunicação teria para me oferecer. Durante a minha visita, foi reforçado o ambiente vivido no espaço, garantindo-se que, graças à sua dimensão, a proximidade e a entreajuda eram palavras de ordem. Da mesma forma, foram abordadas as possibilidades de trabalho a desenvolver - além do estágio na rádio, o período de formação seria dividido com o jornal e a televisão - e as chances de posterior estágio profissional / contratualização. Tal como referido anteriormente, o meu verdadeiro campo de interesse é a radiofonia. No entanto, tendo em conta que o caminho da comunicação é incerto, a perspetiva de experimentação de diversas áreas de atuação foi, deveras, aliciante. No que toca ao cenário de empregabilidade, seria, como se costuma dizer, ―matar dois coelhos duma cajadada só‖ - o conseguir trabalhar na rádio, na minha cidade. De qualquer das formas, a hipótese de experiência televisiva caiu, rapidamente, por terra. Apesar do canal de televisão CMinhoTV ter sido anunciado em 2021, no momento de ingresso em estágio a realidade ainda estava distante de acontecer. Do mesmo modo, devido à quantidade de estagiários 28 Universidade do Minho, Manuel Sarmento, da advogada Iola Rodrigues e do diretor técnico, Édson Luís, e da psicóloga, Mafalda Malheiro, da Oficina de S. José, Casa de Acolhimento de Crianças e Jovens e Apartamento de Autonomização, em Braga. Com a chegada da época natalícia, anteciparam-se mudanças na grelha de programação, nomeadamente no que toca à véspera e ao dia de Natal. Sendo assim, das oito da manhã do dia 24 de dezembro até às quatro da manhã do dia 25 de dezembro, os ouvintes da Antena Minho foram presenteados com duas horas dos seus programas de autor favoritos. Durante 120 minutos, a edição especial de Natal do ―Minho Magazine‖ abordou a quadra na região, dos nossos que estão lá fora e, ainda, daqueles que, não sendo portugueses, escolheram o nosso país para viver e estudar. A grande reportagem conta com a voz dos mais novos, que relembraram poemas e adivinhas natalícios e com uma peça de rua, onde pessoas, das mais diferentes nacionalidades, recordaram tradições de Natal, revelaram os seus maiores desejos para mais um Ano Novo e elegeram as suas músicas favoritas da quadra. Mais tarde, Daniela Carvalho e Bernardo Rodrigues trouxeram à lembrança algumas dessas mesmas canções. Ao longo do episódio, demos a conhecer, a fundo, como é que o Natal é celebrado noutras partes do mundo, com a ajuda das brasileiras Bruna Rodrigues, do Paraná, e Micaela Altamirano, de São Paulo, da africana Cesaltina Ezequiel, de Angola, e da ucraniana Snizhana, de Chernihiv. Para além disso, fomos perceber como é que os portugueses espalhados pelo mundo lidam com as diferentes tradições, com Daniel Ferreira, emigrante em Perth, Austrália, e Catarina Sousa, emigrante em Lodi, Nova Iorque. Já, por terras bracarenses, revisitámos o tradicional Presépio ao Vivo de Priscos, na presença do coordenador da Pastoral Penitenciária de Braga, Padre João Torres. Para adoçar um pouco mais a época, os irmãos pasteleiros Paulo e Adão revelaram alguns segredos do Bolo Rei de Chocolate com frutos secos e da Tarte de Laranja; do Alto Minho, a ouvinte Dona Tina fez, também, chegar a receita dos bolinhos de arroz, doce tradicional de Monção. Como é possível observar, em três meses de estágio curricular, foram apenas efetuados quatro episódios para o programa de autor ―Minho Magazine‖. Apesar de parecer pouco à primeira vista, há que ter em consideração a exigência de execução de cada um dos episódios. Para que um episódio de uma hora estivesse completo, seriam necessários, no mínimo, cinco dias de trabalho. Neste tópico, além de se ter em consideração todas as etapas envoltas na produção de um episódio, há que salientar que as entrevistas tiveram sempre entre 20 minutos a 1 hora de duração. 29 Porém, como sabemos, o horário dos jornalistas está dependente, acima de tudo, da disponibilidade das pessoas de interesse. Sendo assim, agendar entrevistas com quatro pessoas (número mínimo de entrevistados por episódio), de uma semana para a outra, com apenas cinco dias pré-estabelecidos como passíveis de agendamento, não é tarefa fácil. Para além disso, se, por um lado, trabalhar em equipa pode ser entendido como uma vantagem - aproveitamento dos melhores recursos de cada colaborador, complementaridade de funções e, consequentemente, maior produtividade. Por outro lado, o tempo gasto em discussão / negociação de métodos de trabalho / caminhos de abordagem, pode ser visto como uma desvantagem. Na Antena Minho, lidamos, ainda, com dois grandes contratempos - a qualidade dos materiais / programas de captação / edição e, simultaneamente, a disponibilidade para utilização dos mesmos. Graças à azáfama vivida na morada da rádio, muitas vezes, vimo-nos obrigadas a realizar entrevistas com recurso a um tripé, um telemóvel e um microfone de lapela. Felizmente, a qualidade de isolamento acústico e de captação de imagem dos aparelhos utilizados era bastante elevada, não levando ao depreciamento do trabalho. Quando tivemos a oportunidade de entrevistar no maior estúdio de gravação, deparamo-nos com outras pequenas dificuldades, nomeadamente na gestão de grandes entrevistas. Apesar da sala ter uma elevada dimensão, a verdade é que tem pouco espaço para que se possa circular. Da mesma forma, é composta, apenas, por duas câmaras. Sendo assim, a gestão de uma conversa com mais do que um interveniente é bastante difícil. De qualquer dos modos, o principal entrave, em termos de tempo de execução, foi, de facto, o programa informático de edição de vídeo, o Pinnacle Studio. Tendo em conta que os episódios produzidos contavam com variados excertos de vídeo, intercalados com distintas imagens ilustrativas e um conjunto de efeitos, o software demorava a carregar cada passo e encravava sistematicamente. De mais a mais, o Pinnacle Studio encontrava-se apenas disponível nos computadores do estúdio de edição da Antena Minho. Sendo assim, a possibilidade de editar a partir de casa estava fora de questão. Ao longo dos tempos, foram sendo encontradas soluções para reduzir o peso dos projetos e, consequentemente, aligeirar o tempo despendido na pós-produção. Neste ponto, é importante, também, salientar que a autonomia de edição foi sendo conquistada, levando a que o último episódio fosse editado por mim na íntegra. 30 Por entre os obstáculos mencionados, a verdade é que a possibilidade de participação no programa de autor, onde, no fundo, também me tornei autora, veio carregada de ensinamentos. Numa perspetiva mais prática, a transição para o ―Minho Magazine‖ veio reforçar a distinção, clara, entre o discurso radiofónico de notícias e o discurso radiofónico de reportagens. Da mesma forma, levou à melhoria da escrita para a rádio, ao aperfeiçoamento da colocação de voz, a melhoramentos na prática de formulação / realização de entrevistas e ao aumento de à vontade com os programas de captação, edição e publicação. Para além disso, foi estimulada a criatividade, trabalhadas as relações interpessoais e explorado o trabalho em equipa, no qual se notou uma progressão ao nível da inteligência / gestão emocional. Após passar de noticiários gravados para a realização de grandes reportagens sonoras, acabei por ser convidada para atualizar, em direito, os ouvintes da Antena Minho com as notícias que marcaram a atualidade. Assim, com a aproximação do término do meu estágio curricular, durante cerca de uma semana e meia, entrei em emissão todos os dias úteis, de hora a hora, entre as 8h00 e as 13h00, com sínteses às 8h30 e às 9h30. Adicionalmente, fiquei encarregada pelos segmentos de bolsa de valores. O nervosismo da primeira experiência prenunciava o erro. Porém, não houve tempo para falhas. Após uma noite sem dormir, cheguei às redondezas da Antena Minho às 7h00. Uma viagem de carro que me deixou desperta, um pingo direto que salvaguardou a energia. Faltava cerca de meia hora para a emissão, quando me aproximei da porta do meio de comunicação. Algumas das suas luzes estavam ligadas. Deste modo, não hesitei em tocar à campainha. Contudo, o meu esforço foi em vão, uma vez que nenhum dos profissionais se encontrava no espaço. Na verdade, normalmente, a primeira pessoa a chegar à Antena Minho é Rui Alberto Sequeira. No entanto, eu estava a substituí-lo. Por entre chamadas e chaves trocadas à pressa, a pouco mais de 5 minutos do início da emissão, consegui, finalmente, entrar na rádio e montar tudo o que precisava. Nos minutos seguintes, restava-me apenas acalmar a minha respiração e acreditar que tudo iria correr bem. Felizmente, foi o caso. Com a prática e as sugestões de melhoria dos profissionais da Antena Minho, o nervosismo foi reduzindo. Já com a ordenação dos spots publicitários e separadores decorados, senti-me no meu habitat natural. Através da experiência, aprendi a manusear o programa de gestão da grelha de programação e de entrada em direto, a ser ainda mais rápida na procura, seleção e adaptação de 31 notícias para a rádio e a lidar com a ansiedade. Neste processo de aprendizagem, o ambiente criado pela equipa do ―programa da manhã‖ foi fundamental. 1.5. Universidade / Estágio Nos três meses de estágio curricular na Antena Minho, obtive a resposta a algumas das dúvidas que fui cultivando ao longo de três anos de licenciatura e um ano de mestrado, ambos em Ciências da Comunicação, na área de Jornalismo, na Universidade do Minho. Tal como se propõe, o curso, na sua generalidade, dá bases para o ingresso no mercado de trabalho. Contudo, poderia preparar melhor os seus estudantes para a transição. Costuma-se dizer que "a prática faz o mestre"'... E, apesar de sentir esforço por parte dos docentes do departamento de Ciências da Comunicação para trazer componentes práticas para as unidades curriculares comuns às diferentes áreas, a verdade é que o ingrediente, muitas vezes, aparenta estar em falta. A opinião que circula pelos corredores é que, efetivamente, o curso vê-se carregado de teoria e, em muitos casos, essas bases teóricas são constantemente repetidas de ano para ano e não têm aplicação no mercado de trabalho. Se a minha posição já era, muitas das vezes, coincidente com as opiniões de corredor, o ingresso na Antena Minho solidificou a teoria. Durante cerca de 90 dias, muito raramente revisitei conceitos aprendidos. Refiro tal raridade, uma vez que tenho consciência que o meu subconsciente terá, em determinados momentos, aplicado alguns dos aspetos anteriormente lecionados, nomeadamente no que toca a critérios mais ou menos estanques do que é comunicar bem. Em oposição às unidades curriculares comuns, as cadeiras específicas ao campo jornalístico já apresentavam uma componente prática bastante superior, o que permitiu que nos sentíssemos, no mínimo, à vontade com a produção de diversos géneros jornalísticos e em distintas plataformas de difusão. Este à vontade facilitou, certamente, a integração e prestação de provas para com o local de estágio curricular. Durante o curso, as cadeiras específicas ao jornalismo são lecionadas por docentes distintos. Levando isso em conta, desde cedo, percebemos que, fora as formatações base jornalísticas, chega a uma certa altura em que o jornalismo passa a reger-se por estilos de comunicação individuais. Na Antena Minho, mesmo que balizada pelos hábitos já criados e pelo seu respectivo estatuto editorial, tive, também, a possibilidade de criar o meu próprio estilo de fazer jornalismo. 32 Tendo em conta a instalação e prevalência da era da digitalização e da hipervisualização, o curso faz uma ótima aposta na análise e produção de conteúdos multimédia. No entanto, tem algumas falhas no que toca à análise e recurso de redes sociais, um mecanismo que é cada vez mais utilizado pelos meios de comunicação, uma realidade verificada na rádio Antena Minho. A grande maioria dos trabalhos desenvolvidos durante o curso é feita em grupo, um aspeto que pode ser entendido, mais uma vez, como uma vantagem, tal como uma desvantagem. Se, por um lado, são treinadas competências sociais, a capacidade de trabalhar em equipa, o saber delegar tarefas e, consequentemente, uma maior produtividade de trabalho. Por outro lado, trata-se de um aspeto que é cada vez mais distante da realidade do terreno. Sendo assim, podemos acabar por sair do curso com alguma dificuldade em saber trabalhar sozinhos. O trabalho em equipa dita um fluxo de realização de tarefas mais facilitado. No entanto, através da divisão de obrigações, baseada no aproveitamento dos melhores recursos de cada um, pode levar-se ao não desenvolvimento completo do estudante, isto é, não tendo a praticabilidade nos vários campos de produção, podemos chegar ao mercado sem as competências ou inteligência emocional para fazermos o melhor trabalho possível. Para além de tudo isto, não posso deixar de referir a importância do momento de experimentação das diferentes áreas da comunicação no primeiro ano de licenciatura - Audiovisual e Multimédia, Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Tal como nos fomos apercebendo ao longo do curso, nenhuma destas áreas consegue viver completamente desligada das outras, apesar de, em muitos dos casos, incompatíveis. Na Antena Minho, fora a produção jornalística pura e dura, houve, de facto, o recurso ao audiovisual, à multimédia, à publicidade e às relações públicas. A título de exemplo, qualquer reportagem desenvolvida para o programa de autor ―Minho Magazine‖ envolvia a escrita jornalística, a gravação de som e imagem, a edição de som e imagem, o estabelecimento de redes de contactos e a gestão dos conteúdos a produzir, tendo por base a promoção associada ao próprio episódio / programa / rádio. De facto, é interessante notar que ao rever este segmento de comparação entre a universidade e o estágio (que, na verdade, é, nada mais nada menos, do que as primeiras pisadas num ambiente profissional), dou por mim a ver-me como um fruto do jornalismo híbrido, um autêntico ―canivete suíço‖. Inconscientemente, assumo que as diferentes áreas de atuação comunicacional são já partes integrantes do trabalho de um jornalista. Sendo assim, de uma possível jornalista chego, agora, a uma possível profissional da comunicação, nas suas mais variadas áreas. 33 Anteriormente, toquei num tópico de abordagem sistemática durante o curso, a publicidade ou, melhor dizendo, a dependência do jornalismo na publicidade. Embora não tenha sentido que o meu trabalho foi condicionado por determinados apoios ao meio de comunicação, não posso negar a elevada presença de publicidade na grelha de programação da Antena Minho. No entanto, também tenho de referir a reciprocidade de dependência entre a rádio e as mais diversas empresas. Uma realidade transcrita pela elevada presença de publicidade na grelha de programação e com a constante atualização de spots publicitários. Capítulo 2 - Enquadramento Teórico 2.1. Dos estudos dos média à realidade nacional da radiofonia 2.1.1. Mediamorfose, “quem não tem cão, caça com gato” Os hábitos de consumo andaram de mãos dadas com a evolução da vida em sociedade e com o desenvolvimento tecnológico, exigindo constantes alterações nos modos de produção, distribuição e rentabilização de produtos. Já dizia o ditado português, ―quem não tem cão, caça com gato‖. Nesta realidade mutacional, os hábitos de consumo dos média e, consequentemente ou por consequência dos modos de produção, distribuição e rentabilização de produtos de média nunca ficaram indiferentes a estas mudanças. Em Mediamorfosis: Comprender los nuevos medios , Roger Fidler explora o conceito de ―mediamorfosis‖. O termo, criado para descrever as constantes mudanças que acontecem no mundo dos média, foi cunhado, como é perceptível, a partir das palavras media e morfose. A primeira consiste na adaptação fonética do latim media , plural do adjetivo neutro substantivado medium , e, atualmente, corresponde a um sinónimo de meios de comunicação. Já o substantivo feminino, morfose, derivado do grego mórph ō sis , resume-se à ―ação de dar forma‖. Segundo Roger Fidler, a aglutinação das palavras deve ser vista como ―a transformação dos meios de comunicação, geralmente, pela complexa interação das necessidades percebidas, das pressões políticas e pela competência, inovações sociais e tecnológicas‖ (Fidler, 1998, p.57). Da mesma forma, o autor explica que a mediamorfose não deve ser entendida apenas como uma teoria, mas como um modo de pensar sobre a evolução tecnológica dos meios de comunicação como um todo, Ao invés de se estudar cada forma em separado, leva-nos a ver todas as formas como integrantes de um sistema interdependente e adverte para as semelhanças e relações que existem entre as formas 34 do passado, do presente e das emergentes, que aparecem, gradualmente, por metamorfose dos media antigos. E, quando emergem novas formas de comunicação, as formas antigas não morrem, continuam a evoluir e a adaptar-se (Fidler, 1998, p.57). Para explicar que os média digitais emergentes são membros integrantes de um sistema interdependente, onde se relacionam com as suas formas do passado, presente e futuro, Mehta Niket recorda que "as ferramentas e técnicas que usamos hoje em dia eram consideradas ficção científica à cinquenta anos‖ e que, até ―na antiga mitologia, contamos com exemplos de referências a tecnologias futurísticas" (Niket, 2018, p.2). Se tivermos em vista o mundo radiofónico, facilmente entendemos que a transição da rádio dos seus moldes tradicionais para os modelos comunicacionais nos quais hoje a conhecemos não passavam de meros conceitos futuristas. Fidler aproveita-se, precisamente, do exemplo do êxito retardado da FM e da transformação da rádio, enquanto um meio para públicos massivos, para um meio para públicos específicos - ―ao começar a ascensão da televisão, a rádio de público massivo entrou numa profunda declinação, que levou alguns analistas a não prescindir da morte iminente do meio‖ (Fidler, 1998, p.58). No entanto, como conclui, a rádio não morreu. O exemplo transcreve, nas palavras de Fidler, o princípio de metamorfose - ―as formas estabelecidas entre os meios de comunicação têm de se transformar em resposta à emergência de um novo meio, de outra forma, a única opção é morrer‖ (Fidler, 1998, p.58). O princípio de metamorfose deriva de três conceitos: a coevolução, a convergência e a complexidade - fazendo parte do ―tecido do sistema de comunicação humana‖, as formas de comunicar não podem existir de forma independente, isto é, à medida que cada nova forma de comunicação surge, esta influencia o desenvolvimento de todas as outras formas já existentes; a ideia de que as diversas tecnologias e distintas formas de meios de comunicação se têm vindo a unir, transformando-se numa só e incentivando o surgimento de novas formas de comunicar; períodos de transformação entendidos como a instalação do caos, mas um caos necessário, ―o caos é uma componente essencial para a mudança. Sem ele, o universo seria um lugar morto e a vida seria impossível. Do caos surgem as novas ideias que transformam e revitalizam os sistemas‖ (Fidler, 1998, p.63). 2.1.1.1. Bases teóricas sobre o ciclo natural do desenvolvimento dos média Para que seja possível perceber o conceito de mediamorfose, importa ter em consideração as bases teóricas sobre o ciclo natural dos meios de comunicação. Merril e Lowenstein (1971) tentaram delinear um modelo para o desenvolvimento dos média, a sua proposta partiu da relação dos 35 diferentes tipos de audiências com os meios. Desta forma, os primeiros elementos da sociedade a ter acesso aos novos média seriam os membros da elite. Após a adopção dos novos média, estes migrariam para o público em geral e, posteriormente, para sub-audiências, que, a seu tempo, usariam o meio de formas especializadas. Mais tarde, Donald Lewis Shaw (1991) formulou um novo modelo, que partiu de uma metáfora relacionada com o próprio ciclo natural da vida humana. Sendo assim, contou com as etapas da juventude, maturidade e senioridade dos meios de comunicação. Por sua vez, Dan Caspi (1993) categorizou o surgimento, desenvolvimento e instalação de um novo meio de comunicação em quatro etapas, (1) a inauguração, (2) a institucionalização, (3) a defensividade e (4) a adaptação: (1) Inauguração – momento em que a atenção do público está muito direcionada para um meio de comunicação; (2) Institucionalização – momento em que se dá a adopção pública e rotinização do meio; (3) Defensividade – momento em que a homogeneidade é ameaçada por um novo meio; (4) Adaptação – o modus vivendi entre o velho e o novo meio de comunicação. (citado em Lehman-Wilzig & Cohen-Avigdor, 2004, p.709) Em 2011, Dan Caspi revisitou a proposta, declarando que esta ―demonstrou ser eficaz nas realidades dinâmicas mediáticas, nas quais os novos média penetram e ameaçam os existentes‖. Para além disso, referiu que o modelo sugere que, apesar da multiplicidade e abundância de meios de comunicação, existe espaço para todos - ―o estado da media antiga pode mudar para pior, ainda assim, os media preservam e florescem novamente, mesmo que apenas pela sua capacidade de se adaptar a novas circunstâncias‖. Por sua vez, no processo de convergência dos média, Adoni e Nossek (2001) concluíram três possíveis interações entre os antigos e os novos média - a equivalência funcional, a diferenciação funcional e a multiplicidade funcional. A equivalência funcional dá-se quando ―um meio torna outro obsoleto, enquanto cria as circunstâncias ideais para a substituição ou deslocamento do seu antecessor‖. Quando se criam ―circunstâncias em que ambos os meios de comunicação possam coexistir‖, referirmo-nos a um caso de diferenciação funcional. Por sua vez, a multiplicidade funcional ocorre quando surge uma forma alternativa de interação com o meio de comunicação, através ―da convergência entre quaisquer dois (ou mais) medias, com características distintas‖ (Adoni & Nossek, 2001, p.10). 36 Em The Natural Life Cycle of New Media Evolution , Sam Lehman-Wilzig e Nava Cohen-Avigdor (2004) apresentam um novo modelo, baseado nas ideias apresentadas anteriormente. Neste modelo, constam cinco estágios - (0) o nascimento, (1) a penetração no mercado, (2) o crescimento, (3) a maturação e a (4) resistência defensiva, etapa da qual pode surtir três efeitos distintos, (5a) a adaptação, (5b) a convergência e a (5c) obsolência. Segundo a representação gráfica do modelo, (0) o nascimento representa o começo de um novo ciclo de vida - ―um novo meio baseia-se numa tecnologia / meio existente‖, no qual ―o(s) inventor(es) pode(m) nem sempre prever o seu uso real e definitivo‖. Após o nascimento, o novo meio (1) ―entra no mercado, onde desenvolve novos usos e atrai utilizadores‖. Se o meio alcançar algum sucesso, prossegue para o próximo estágio; caso não o consiga, acaba por desaparecer. Com parte do seu êxito atingido, o meio entra na (2) fase de crescimento, onde as suas capacidades são exploradas, aplicadas e, até, expandidas. Com mais impacto no mercado, o meio entra, assim, no seu (3) processo de maturação - ―o novo meio de comunicação (ou a adaptação de media antigo) encontra o seu espaço no ambiente comunicacional‖. A certa altura, o meio de comunicação irá deparar-se com alguma (4) resistência defensiva, onde ―a competição entre o antigo e o novo meio forçam que o primeiro procure novas direções para que possa preservar a suas audiências tradicionais‖. Desta situação de conflito, podem, então, resultar os processos de (5a) adaptação, (5b) de convergência ou de (5c) obsolência. O meio tradicional pode acabar por se ajustar ―à nova situação, através do desenvolvimento de uma nova função e/ou preservando (procurando) a sua (uma nova) audiência‖. Se o meio de comunicação perceber que não consegue competir, ―pode optar por preservar a sua função, emergindo com ou incorporando o novo meio‖. Caso o ―meio tradicional não se consiga adaptar ou mudar com sucesso, acaba por declinar / desaparecer‖. A partir das bases teóricas, apercebemo-nos, mais uma vez, da repetibilidade do conceito de adaptabilidade; seja este apresentado, mesmo que indiretamente, pela própria metáfora dos estágios da vida humana, seja feita uma análise particularizada aos fenómenos de convergência dos meios de comunicação e, consequentemente, os seus resultados. 37 2.1.1.2. Mediamorfose, a possível aglutinação do determinismo tecnológico e social? Partindo das definições de mediamorfose, podemos questionar se, quando falamos do conceito, nos estamos a referir ao determinismo tecnológico ou se devemos ter, também, em conta o determinismo social. Como o próprio nome aponta, o determinismo tecnológico defende que a tecnologia é o principal estimulador das transformações sociais. Sendo assim, ―segundo os apoiantes do determinismo tecnológico, qualquer mudança social é controlada pela tecnologia, o desenvolvimento da mesma, as tecnologias de comunicação e os media‖ (Hauer, 2017, p.1). Em Technological Determinism and New Media , Thomas Hauer aponta que os defensores do determinismo tecnológico se dividem em dois ramos - ―de acordo com a versão radical, a tecnologia representa um pré requisito para mudar a sociedade; a segunda visão, vê a tecnologia apenas como um factor chave, que pode ou não representar a mudança‖ (Hauer, 2017, p.1). Independentemente do ramo, o determinismo tecnológico vê a tecnologia como um elemento isolado da sociedade, excluindo da sua abordagem as razões de emergência, perpetuação e / ou extinção da mesma. Nesse sentido, não tem em conta os atores das criações tecnológicas, incluindo os propósitos iniciais atribuídos a cada um dos desenvolvimentos tecnológicos. Para além disso, não considera as escolhas sociais de utilização - no sentido em que, por vezes, as aplicações específicas de uma tecnologia não correspondem ao objetivo para o qual esta foi criada. Além de se acreditar na homogeneidade de operação, crê-se que, perante a utilização das tecnologias, são também produzidos efeitos homogéneos, independentemente das características específicas de cada utilizador. No fundo, tal como Maria João Simões aponta, "a tecnologia é um corpo de pericialidade neutro que se desenvolve largamente imune às influências sociais" (Simões, 1996, p.4). Já o determinismo social argumenta que a esfera social determina o desenvolvimento tecnológico, ―a introdução e o uso das novas tecnologias são o resultado da ordem social‖ (Hauer, 2017, p.1). A teoria defende, ainda, que a tecnologia e a sociedade não existem ―em dois mundos heterogéneos‖ - ―a sociedade é modelada pela mudança tecnológica e a mudança técnica é criada pela sociedade‖. Sendo assim, a tecnologia deve ser entendida como um dos vários processos sociais (Hauer, 2017, p.1). Em oposição ao determinismo tecnológico, tem em consideração a complexidade envolvida na criação, na escolha e nos usos das respectivas tecnologias; aspetos fundamentais na ação social e, consequentemente, na organização da sociedade moderna. 44 No Centro, o destaque vai para a Região de Coimbra, com 19% do total de rádios na região. Segue-se o Oeste, com 14 rádios locais em FM. A Região de Aveiro e as Beiras e Serra da Estrela empatam com a presença de 13 rádios. O quarto lugar vai para Viseu Dão Lafões, apresentando 12 rádios no seu território. Por sua vez, o quinto lugar é divido pela Região de Leiria e o Médio Tejo, com 10 rádios cada uma. O último lugar vai para a Beira Baixa, com apenas quatro rádios locais. No Norte, a Área Metropolitana do Porto apresenta um número de rádios consideravelmente superior às restantes, com 31 rádios locais distintas - representando, aproximadamente, 33% das rádios do Norte. Segue-se o Douro, com 13 rádios locais e, empatados com 11 espaços radiofónicos, o Alto Minho e a Tâmega e Sousa. Por sua vez, as rádios do Cávado e do Ave ocupam, cada uma, 9% das rádios no Norte. Por último, as Terras de Trás-os-Montes preenchem 7% da totalidade das rádios e o Alto Tâmega 5%. Para finalizar a análise geral das rádios presentes em Portugal, resta mencionar a existência de estações licenciadas em Onda Média (AM). Retomando o banco de dados da ANACOM, além da Rádio e Televisão de Portugal (Antena 1, Açores - Cobertura Regional e Madeira - Cobertura Regional), da Rádio Renascença e da Rádio Comercial, existem cinco rádios AM nacionais - Rádio Altitude (Guarda), Posto Emissor do Funchal (Funchal), Rádio Clube de Angra (Angra do Heroísmo), Clube Asas do Atlântico (Vila do Porto) e Força Aérea Portuguesa (Lages). 2.1.4.2. Impacto da evolução da tecnologia nas rádios tradicionais Como referido anteriormente, a evolução tecnológica impôs alterações nos modos de produção, distribuição, rentabilização e, consequentemente, nos hábitos de consumo dos meios de comunicação. Esta realidade sentiu-se nas mais variadas formas de comunicar e a atividade radiofónica não foi um caso à parte. No ensaio Reinventar la Radio , Ángel Faus Belau cita Bellanger para afirmar que a evolução tecnológica veio libertar a rádio da limitação das frequências. Com o recurso ao satélite e à Internet, Belau explica que surgiram novos modelos comunicacionais, que vieram ampliar, tanto a quantidade, como a qualidade dos serviços, conteúdos e de distribuição radiofónica (Belau, 2001, pp. 41-42). Sendo assim, o autor recorda a advertência que fez em La Tecnología de la Información Televisiva : O principal objetivo das tecnologias é o de derrubar, uma atrás da outra, as barreiras existentes entre os distintos setores da indústria. A tecnologia não tenta unir empresarialmente os meios, mas sim integrá-los em sistemas técnicos dos media, sob bases tecnológicas idênticas, para que, deste modo, 45 possam circular todos dentro do mesmo suporte técnico. Com isso, garante-se a dependência do meio e o seu conteúdo; no que diz respeito às técnicas, lança novas bases para a nova configuração dos meios (Belau, 2001, p.42). Belau retoma, assim, o processo de convergência para explicar a urgência da rádio em entrar no mundo digital. De qualquer das formas, deixa claro que "a relação de dependência do meio e o seu conteúdo, no que diz respeito à técnica, impedem que a reinvenção da rádio seja uma simples operação de maquilhagem". Trata-se, desta forma, de algo muito mais profundo, não há que se adaptar; há que reinventar a partir de outra realidade comunicacional, económica, técnica e social. O contexto digital trouxe consigo um novo paradigma dos média, que tem por base a conectividade, a ubiquidade, a atemporalidade e a interatividade. O seu caráter móvel subentende, também, um consumo fragmentado e multisuporte. Sendo assim, deixamos de falar de um modelo radiofónico de broadcast , para falarmos de um modelo radiofónico de netcast . Se, anteriormente, se tratava de um consumo linear, de massa e síncrono, com financiamento com base na publicidade e com o recurso a tecnologias de distribuição autónoma; hoje, trata-se de um consumo a pedido, pessoal e assíncrono, baseado na convergência tecnológica e cultural. Tipicamente caracterizada como multisonora, a rádio, em ambiente digital, passa de monomédia para multimédia. Esta passagem subentende alterações estruturais na forma de se fazer e de se consumir rádio, nomeadamente o facto de, com a Internet, a linguagem da rádio deixar de ser apenas oral e passar a ser, também, textual e imagética. Segundo Nádia Alexandra Lopes Paulo, em Convergência Multimédia e os Conteúdos Móveis da Rádio , A web trouxe para a rádio novas linguagens, criando um discurso multimédia e hipertextual. Estes dois aspetos permitem adicionar novos conteúdos, que não eram possíveis on-air . Em relação ao multimédia, é agora possível integrar imagens, textos e vídeos, tornando assim a mensagem da rádio mais rica, podendo também dar mais desenvolvimento a certos conteúdos, como reportagens, entrevistas, notícias, concertos e outras iniciativas. Pelo hipertexto, é dada uma nova dimensão à mensagem da rádio, pois o ouvinte/utilizador pode ―viajar‖ dentro da informação, e no próprio site da rádio, para informação complementar, ou ir até mais além, como para outros sites que vão auxiliar na compreensão da mensagem (Paulo, 2013, p.39). Em Compartilhar, Etiquetar: interações no rádio social - Comunicação, Mídia e Consumo , Kischinhevsky (2014) refere que, hoje, "numa perspetiva não restritiva da radiofonia", entende-se que o meio emprega múltiplas plataformas de difusão. O autor começa por etiquetar a rádio quanto à sua 46 distribuição, podendo esta ser caracterizada como rádio aberto, rádio por assinatura e serviços radiofónicos de acesso misto. Quando fala de rádio aberto, Kischinhevsky refere-se à transmissão, através de ondas hertzianas, digitais e/ou via internet, "desde que sem custo para o ouvinte, exceto pela prévia aquisição do dispositivo receptor". Por sua vez, quando o autor fala de rádio por assinatura, refere-se à transmissão radiofónica, "sempre que houver mensalidades ou anuidades e, em alguns casos, taxas de adesão e de decodificação de sinal". Nesta categoria inclui, ainda, as "web rádios que integram portais e diretórios nos quais o internauta paga pelo acesso, bem como a sintonia de emissoras". Por fim, os serviços radiofónicos de acesso misto consistem em "emissoras via Internet abrigadas em portais/diretórios, que permitem a navegação em algumas áreas dos sites, mas reservam conteúdos exclusivos para assinantes". Posteriormente, Kischinhevsky classifica a rádio quanto à recepção. Nesta categoria, as rádios podem ser entendidas como síncronas - "nas transmissões em broadcast oferecidas pelo rádio em suas versões analógica, digital e via internet (streaming, ou seja, veiculação em fluxo contínuo)" - ou assíncronas - "difusão sob demanda, sem streaming com escuta direta nos sites em que os conteúdos estão postados ou mediante download ( podcasting ) para posterior fruição". Por fim, o autor aborda o posicionamento da rádio quanto à sua circulação, podendo esta ser definida como aberta ou restrita. A circulação aberta refere-se às transmissões feitas através de plataformas de livre acesso, "emissoras AM/FM em ondas hertzianas, web rádios, podcasts disponíveis em sites e/ou diretórios que não cobram assinatura". Por oposição, a circulação restrita refere-se a "serviços de microblogging, mídias sociais de base radiofónica e em diretórios de podcasting e/ou web rádios, nos quais é necessário se inscrever/cadastrar ou ser convidado, mesmo que o acesso seja gratuito". Se olharmos para o panorama nacional, apercebemos da presença dos diferentes modelos de distribuição de rádio. Restringindo a nossa análise à rádio Antena Minho, percebemos que o acesso, quer no que toca à sua radiofrequência, quer ao acesso ao seu website e às suas redes sociais, é totalmente gratuito; o mesmo se aplica à acessibilidade dos conteúdos produzidos pelo meio. Desta forma, podemos entender a Antena Minho como uma rádio aberta e com circulação aberta. Devido aos modos de funcionamento da rádio Antena Minho - conteúdos produzidos e as suas características intrínsecas -, quando abordamos o tópico da recepção de conteúdos, temos, obrigatoriamente, de nos referir à complementaridade entre a sincronia e a assincronia. O meio de comunicação mantém transmissões em broadcast , prevalecendo assim a "veiculação em fluxo 47 contínuo". No entanto, aproveita as funcionalidades digitais, de forma a disponibilizar os conteúdos produzidos "para posterior fruição", como por exemplo os podcasts . 2.1.4.3. Impacto das mudanças de definição nas audiências O ouvinte de rádio é uma categoria social, que surge pela própria emergência do meio, e que, ao longo do caminho, sofre transformações, não apenas na forma como se ouve, mas também na forma de interagir socialmente e participar em programas de rádio (Quadros et al, 2017, 190). Tendo por base a premissa anterior, em Listener 's profiles: perspectives and challenges in radio scenery , Cláudia Quadros, Flávia Bespalhok, Graziela Bianchi e Mônica Kaseker exploram as transformações que os ouvintes sofreram com as respetivas alterações na forma de se fazer rádio. A linha do tempo começa com os ouvintes entusiastas, passa pelos radiouvintes construtores, chega aos destinatários enquanto consumidores, onde se inserem os fãs da radiofonia, segue para a presença de ouvintes em cena, de destinatários utilizadores da internet, de participantes da rádio / web rádio e, por fim, de ouvintes convergentes. Quadros, Bespalhok, Bianchi e Kaseker explicam que, inicialmente, as estações de rádio funcionavam como clubes de elite, onde a essência dos seus programas passava pela "alta cultura". Consequentemente, apresentavam-se auto-ascendentes à cultura de massa. Como é perceptível, esta constituição levou a uma baixa inclusão social, ―seja pelo número de grupos existentes (pequenos e concentrados em poucas cidades), seja pelo limite orçamental, uma vez que a participação nas sessões exigia contribuições, seja porque o conteúdo não era tão atrativo‖ (Quadros et al, 2017, 196). De qualquer das formas, os autores acham justo considerar os ouvintes daqueles tempos como, sobretudo, curiosos. Sendo assim, apesar do estado preliminar da radiofonia, acabaram por se transformar em ouvintes entusiastas. Com a transformação da rádio num mercado e a consequente vontade de aumento de audiências, os ouvintes acabaram por adquirir uma nova importância, ―colaborar, em certa medida, com as estações para criação de grelhas de programação'' (Quadros et al, 2017, 196). A influência que o público ganhou na forma de se fazer rádio faz com que os autores classifiquem as audiências como radiouvintes construtores. No processo de popularização da radiofonia, os ouvintes acabaram, ainda, por se transformar em destinatários consumidores e, dentro destes, foram surgindo os fãs da radiofonia. Através de programas de interação com o público, a rádio ganhou, ainda, ouvintes em cena. 48 Como é perceptível, com a inserção da radiofonia no ambiente digital, muitos dos ouvintes passaram a consumir rádio através da reprodução de áudio ou streaming na web. Nesta nova realidade, passaram a ser tidos como ouvintes utilizadores da Internet. Em contexto online , as ―estações começaram a usar a Internet em busca de internautas ouvintes, que ganharam mais opções de participação, principalmente com as redes sociais digitais‖ (Quadros et al, 2017, 203). Deste modo, transformaramse em participantes da rádio / web rádio. Atendendo ao processo de convergência dos media, também as audiências do mercado radiofónico ganharam um ― status de receptor / emissor‖ (Quadros et al, 2017, 204) e podem, assim, segundo os autores, ser considerados como ouvintes convergentes. 2.1.4.4. Surgimento e instalação do processo de podcasting Partindo das mutações já mencionadas, percebe-se que, hoje em dia, não se pode vincular a rádio ao seu contexto analógico tradicional, uma vez que a sua transmissão passou por um processo de digitalização. Alex Primo, em Para Além da Emissão Sonora: As Interações no Podcasting , declara que a mudança da rádio para multimediática não é novidade. O autor questiona-se, no entanto, se o podcasting pode ser considerado uma nova forma de rádio. Primo salienta que, ―apesar da radiodifusão e do podcasting trabalharem com áudio, existem muitas características que os individualizam‖ (Primo, 2005, p.2). Sendo assim, remonta o conceito de ―remediação‖, que ocorre quando um novo meio pede emprestadas características de um meio anterior (Bolter, 2001). Seguindo a tendência dos fenómenos em discussão, a palavra ― podcast ‖ corresponde, igualmente, a um acrónimo. Desta vez, o processo de formação de palavras passa pela junção das palavras iPod - linha de reprodutores de médias portáteis comercializadas pela Apple Inc. - e broadcast - método de difusão de mensagens para diversos receptores ao mesmo tempo. O próprio conceito acabou por se tornar numa tendência em 2005, sendo considerado a ―palavra do ano‖ pelo New Oxford American Dictionary . Globalmente, os podcasts correspondem a ficheiros multimédia digitais que consistam em episódios de um determinado programa e que possam ser descarregados / reproduzidos num leitor portátil. O exercício de produção de podcasts é denominado de podcasting , que, por sua vez, representa a gravação e disponibilização de ficheiros multimédia digitais, que consistam em episódios de um determinado programa, que possam ser descarregados / reproduzidos num leitor portátil. Os primeiros podcasts remontam a 2004, ano em que começaram a ser produzidos por independentes. Com o surgimento da Apple iTunes , impulsionou-se o aumento de interesse pelo 49 podcasting . Assim, a prática, até então reservada a produtores autónomos, chamou a atenção de rádios de renome, como a British Broadcasting Corporation (BBC), a Canadian Broadcast Corporation (CBC), a Radio One e a National Public Radio (NPR), que, com a intenção de contrariar o declínio do meio radiofónico, começaram a produzir os seus próprios podcasts . Com o passar do tempo, o novo modelo comunicacional conseguiu alcançar o imediatismo, dando-se a sua proliferação. Em Portugal, o podcasting chegou pelas mãos de Duarte Velez Grilo, que, no primeiro trimestre de 2005, criou o Blitzkrieg Bop . Quatro anos antes, a Media Capital Rádios já havia estreado o projeto Cotonete , o primeiro portal de rádios, onde cada ouvinte tinha a possibilidade de criar uma emissão à sua medida. Em setembro de 2006, a página contava com um ―tráfego médio mensal de 6 milhões de page views , com 800 mil utilizadores únicos e 2,3 milhões de audições‖ 5 . Ao compilar episódios produzidos pelo grupo, o Cotonete transformou-se no primeiro diretório de podcasts nacionais. Em setembro de 2005, Carlos Jorge Andrade criou o Lusocast , um dos primeiros agregadores de podcasts em português. Na reportagem ― Podcast em Português‖, publicada na revista Media XXI 6 , Mário Guerreiro teve a oportunidade de conversar com o criador do diretório de podcasts , que lembrou que o Lusocast surgiu logo ―após a Apple ter anunciado que iria adicionar suporte para podcast ao iTunes e ao i Pod ‖. Na altura, não antecipava a possibilidade de instalação de uma podcast-mania , uma opinião partilhada pelo jornalista e web-ativista Paulo Querido. Na mesma entrevista, Paulo Querido referiu que, até então, ―apenas um punhado de apaixonados entre a tecnologia e o som‖ havia criado os seus podcasts , ―tendo o fenómeno passado ao lado das grandes massas que publicam na web‖. Graças à falta de ―cultura audiovisual‖, ―largura de banda‖ e ―serviços nacionais de alojamento‖ em Portugal, acreditava que o fenómeno iria ficar confinado a um nicho de entusiastas. Apesar das reticências, caso o fenómeno ganhasse mais visibilidade nacional, presumia que, ―à semelhança do fenómeno das rádios piratas, muitos‖ iriam ―ter qualidade e conquistar seguidores e outros‖ não iriam ―passar de experiências e desaparecer‖. Assim, mais rádios passariam a aderir ao podcasting e, talvez, o inverso se verificaria, que podcasters passassem para o lado da rádio tradicional. De modo a continuar a estabelecer a linha temporal da presença de podcasts em Portugal, Luís Bonixe, no artigo Potencialidades do Podcasting no Jornalismo de Saúde — Uma Análise a Três Podcasts Sobre a Covid-19 em Portugal , refere que o ano de 2006 marcou a adesão da TSF à produção do modelo comunicacional, ano em que também a SIC se tornou na primeira estação 5 Ver https://www.mediacapital.pt/p/493/article/464/cotonete-comemora-5-anos-set-06/ 6 Ver https://www.flickr.com/photos/karlus/108733558/in/photostream/ 50 televisiva nacional a disponibilizar os seus programas em podcast e o jornal Expresso criou os primeiros conteúdos de imprensa no formato. Em 2015, o Observador estreou o seu primeiro podcast e, a partir de 2017, o Público passou a disponibilizar regularmente conteúdos de podcasting (Bonixe, 2021, pp. 96 - 97). Apesar de já terem passado cerca de 20 anos após o surgimento do primeiro podcast em Portugal e dada a sua profissionalização, o podcasting não apresenta leis próprias, contrariamente à atividade da radiofonia. Estando em muitos dos casos inserido no ambiente radiofónico, subentende-se que as normas e deveres éticos aplicadas à rádio se transferem para este novo modelo comunicacional. De qualquer das formas, aquando da leitura prévia, exploratória e de reconhecimento, existem dois conceitos legais de base ao exercício do podcasting , os Direitos de Autor e a Propriedade Industrial. Antes de se avançar para as características diferenciadoras entre a rádio e os podcasts , é importante ter, ainda, em consideração a definição de podcasting apresentada por Alex Primo. Desta forma, primeiramente, o autor define-a apenas como ―um processo mediático que emerge a partir da publicação de arquivos de áudio na Internet‖ (Primo, 2005, p.1). Posteriormente, explica que o processo não se limita à fácil emissão de conteúdo numa rede e a novas formas de recepção - ―como os podcasts são, normalmente, vinculados a um blog, a interação dialogal pode ocorrer entre todos os participantes do processo, borrando a tradicional separação entre as instâncias de produção e recepção, no contexto massivo‖ (Primo, 2005, p.1). 2.1.4.5. Características diferenciadoras do meio radiofónico e do podcasting No que toca à distribuição dos podcasts , Primo considera que esta se diferencia radicalmente da radiodifusão. Enquanto na radiodifusão se subentende o recurso a ondas eletromagnéticas, ―que viajam através do éter, para serem captados e sintonizados por antenas de receptores de rádio‖ (Primo, 2005, p.5) e, assim, a escuta está sincronizada com a emissão do sinal, no podcasting subentende-se a quebra dessa sincronia, uma vez que o tempo de produção e publicação não coincide com o da escuta. Segundo o autor, a dessincronia característica do podcasting e as suas propriedades específicas trazem consigo um conjunto de desvantagens, nomeadamente a exigência de equipamentos específicos para consumo. No entanto, Primo não deixa de salientar as vantagens associadas ao podcasting - o surgimento do podcasting veio facilitar os processos de produção e distribuição de conteúdos e, enquanto os meios massivos procuram informação de interesse geral, os podcasts 51 permitem o encontro de conteúdos específicos no imediato e, inclusive, a escolha dos modos de consumo. Primo inicia a sua reflexão sobre as propriedades específicas do podcasting com as condições de produção. No que toca à ordem situacional, explana o processo produtivo da radiodifusão em comparação com o de um podcast . Desta maneira, refere que o processo produtivo da radiodifusão exige uma estrutura complexa de trabalho, enquanto um podcast pode ser produzido por uma pessoa apenas, com o recurso a material de gravação e publicação - uma produção que ―oferece ao podcaster um contato muito próximo de seu produto, em contraste com a produção de programas radiofônicos massivos, em que muitos atores do processo produtivo acabam tendo pouco (ou até mesmo nenhum) contato com o produto final‖ (Primo, 2005, pp. 7-8). Para além disso, Primo aponta para a regularização envolta em cada um destes processos, que pode condicionar, diretamente, a liberdade de expressão em torno da produção. O autor retoma, ainda, os métodos de acesso ao conteúdo produzido. Primo refere que, ao serem passíveis de uma maior liberdade de expressão e ao possuírem mecanismos facilitadores de acesso, os podcasts têm, também, consequências no modo de interação dos internautas. Primo declara que, ―enquanto o broadcasting transmite o mesmo conteúdo a partir de uma central irradiadora para toda a massa, na rede o internauta deve ir buscar as informações que deseja. Essa é a diferença entre o que se convencionou chamar de tecnologias push (o conteúdo é ―empurrado‖ até a audiência) e pull (o conteúdo é ―puxado‖ pela audiência)‖ (Primo, 2005, p.10). Ademais, refere que o público, na Internet, passa a ter escolha, mas, igualmente, um comportamento mais dispersivo. Quanto ao podcasting , conclui que passa por um processo híbrido entre os modelos de push e pull . 2.1.4.6. Processo produtivo da radiodifusão, uma realidade oligopolista Retomando o processo produtivo em volta da radiodifusão apresentado por Alex Primo, não nos podemos esquecer que a estrutura de trabalho implícita trouxe, também, consequências para o mercado radiofónico. Ao longo do tempo, os lucros publicitários da rádio passaram a ficar na mão de oligopólios. Nesta ―grande teia de interesses económicos, que vincula a publicidade com a audiência, o rádio converteu-se, para as empresas, uma simples media complementar‖ (Balsebre, 2013, p.20). Em sentido lato, os mercados são compostos por empresas que têm como função produzir, distribuir e, posteriormente, levar ao consumo dos seus produtos. As empresas podem representar escalas 52 distintas. Relativamente aos mercados de grande escala, referimo-nos a um maior número de consumidores. Nestes mercados recorre-se, sobretudo, a técnicas de segmentação, de distribuição e comunicação de massa para a conquista de consumidores. Por outro lado, surgem os mercados de pequena escala, ―os nichos‖, que se destacam pelo limite de desenvolvimento em volume e por tratarem um grupo específico de clientes. Estes mercados podem ser subdivididos em mercados fragmentados (partilhados por diferentes marcas, dispondo cada um de uma parcela), concentrados (dominados por um pequeno número de marcas ou até só uma marca) ou oligopolísticos (número reduzido de empresas que oferecem um determinado produto ou serviço). Se olharmos para o mercado radiofónico nacional, percebemos a tendência de aproximação aos oligopólios. Fora a transmissão televisiva, a produção audiovisual e a componente digital, a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) contempla um conjunto diversificado de rádios públicas, com diferentes canais de transmissão (FM/OM/Satélite/Internet) e - Antena 1, Antena 2, Antena 3, Antena 1: Açores, Antena 1: Madeira, Antena 3: Madeira, RDP Internacional, RDP África, Antena 1: Fado, Antena 1: Lusitânia, Antena 1: Memória, Antena 1: Vida, Antena 2: Jazzin, Antena 2: Ópera e Rádio Zig Zag. O Grupo Renascença Multimédia contempla as rádios Renascença, RFM e MEGA HITS e as suas respetivas Apps móveis, sites na web e redes sociais das mesmas. No digital, o grupo conta, ainda, com as webradios - RFM Oitentas, RFM On the Rock, RFM Dancefloor e RFM Oceano Pacífico. O Grupo Renascença Multimédia é, ainda, composto pela Intervoz Publicidade S.A. e pela promotora de eventos Genius y Meios. Além da transmissão televisiva, a produção audiovisual, a componente digital e a edição de música e entretenimento, a Media Capital detinha a Rádio Comercial, a m80, a Cidade FM, a Smooth e a Vodafone FM. A 3 de fevereiro deste ano, o grupo celebrou com a Bauer Media Audio Holding um contrato para a venda da totalidade das ações da Media Capital Rádio, por 69,6 milhões de euros - um negócio que inclui as cinco rádios já mencionadas 7 . A 31 de maio, deu-se a conclusão da aquisição 8 . Neste tópico de análise, podemos, também, atender ao estado atual da Bauer Media Audio para perceber, mais uma vez, esta lógica oligopolista. Na verdade, a Bauer Media Audio opera em mais de 150 marcas de áudio, incluindo o mercado de áudio do Reino Unido, Irlanda, Polónia, Eslováquia, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega. 7 Ver https://www.mediacapital.pt/p/493/article/5216/bauer-media-audio-chega-a-acordo-com-grupo-media-capital-para-a-compra-da-mcr/ 8 Ver https://www.mediacapital.pt/p/493/article/5223/bauer-media-audio-completa-a-aquisicao-da-media-capital-radios/ 53 Figura 2: Representação ilustrativa da dinâmica oligopolista descrita Apesar dos exemplos apresentados até então serem de empresas de distribuição nacional e existir uma menção a uma empresa de distribuição internacional, a verdade é que a realidade parece não se alterar no contexto regional/local. Tendo em conta o local onde o estágio foi realizado, a rádio Antena Minho pertence ao grupo Arcada Nova, que, por sua vez, é proprietário do jornal Correio do Minho, do jornal Maria da Fonte, da Vértice - Publicidade e Marketing e do canal televisivo CMinhoTV. Por último, considerando que muitos dos podcasts portugueses são produzidos por meios radiofónicos nacionais, podemos estender a realidade oligopolista da radiodifusão ao podcasting . 2.1.5. O que se sabe sobre o consumo atual dos média? O estudo As Novas Dinâmicas do Consumo Audiovisual em Portugal , desenvolvido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), refere que a ―reconfiguração dos hábitos de consumo de media, verificada nos últimos anos, trouxe inúmeros desafios, tanto às empresas que operam no sector e ao mercado publicitário, como às entidades reguladoras e aos legisladores‖ (ERC, 2016, p.26). Sendo assim, primeiramente, importa perceber o estado atual do ecossistema mediático. No que toca ao consumo de rádio, o estudo As Novas Dinâmicas do Consumo Audiovisual em Portugal conclui que 73% dos inquiridos ouve rádio pelo menos uma vez por semana. Desta forma, "não obstante ser um meio com pouca visibilidade no espaço público em Portugal, de acordo com os resultados deste estudo, a rádio mantém-se como um meio de comunicação relevante", assumindo-se "como o 60 etiquetação de programas por categorias, apresentação de informação relativa a cada programa / episódio (nome e descrição do programa, número de episódios por programa, denominação dos episódios e respectiva data de transmissão), possibilidade de criação de playlists pessoais, oportunidade de reação aos programas / episódios, com o recurso a gostos, e opção de partilha dos mesmos (através do link gerado, embed code e/ou diretamente para o Facebook e/ou Twitter). Para além disso, convida os utilizadores à participação, através da criação dos seus próprios podcasts . Posto isto, é perceptível a instalação da possibilidade de um consumo a pedido - balizado, obviamente, pelas próprias produções do meio -, pessoal e assíncrono. Apesar de se notar uma diminuição das capacidades de interação com os podcasts , aquando do estabelecimento de uma linha entre os meios radiofónicos nacionais, regionais e locais, a verdade é que todas as características referidas contemplam as rádios que recorrem ao podcasting , independentemente do seu âmbito. A nível regional, os portugueses contam com uma oferta de cerca de 50 podcasts , onde a TSF, claramente, se destaca em comparação com a M80. Enquanto que a M80 apresenta apenas 11 produtos de podcasting , a TSF conta com 41. No que toca à presença de podcasts nas rádios regionais apontadas pela ANACOM, é possível perceber que a existência de produtos de podcasting nos meios regionais não é tão predominante como nas rádios nacionais. No entanto, existe oferta diversificada. Gráfico 5: Contabilização de presença e distribuição de podcasts nas rádios locais FM, identificadas pela ANACOM (NUT I) Em Portugal Continental, do universo de 287 rádios locais com modulação de frequência, apontadas pela ANACOM, percebe-se que, no período de tempo estipulado, 55 dos meios radiofónicos apostaram no exercício de podcasting , o que representa apenas 19% da amostra total. Já no que toca à Região Autónoma dos Açores, concluiu-se que, das 22 rádios presentes, apenas 1 produziu algum tipo de podcast (4,5%). Por sua vez, a Região Autónoma da Madeira não apresentou rádios com recurso ao 61 novo modelo comunicacional. Sendo assim, 99,6% dos podcasts , produzidos em janeiro de 2022, têm origem no continente. Caso o número de podcasts encontrados fossem distribuídos uniformemente por todas as rádios locais continentais com modulação de frequência, significaria que cada meio radiofónico teria produzido, em média, dois podcasts , no período de tempo em análise. Contudo, como será analisado posteriormente, o mesmo não se verificou. Gráfico 6: Contabilização de presença e distribuição de podcasts nas rádios locais FM, identificadas pela ANACOM (NUT II) Pelo segundo nível do sistema hierárquico de divisão do território, conclui-se uma maior prevalência de recurso a podcasting na região Centro, onde 21% das suas rádios produziu podcasts no primeiro mês de 2022. Apesar do Alentejo corresponder à terceira região do país com mais rádios, conquista o segundo lugar no que toca à percentagem de meios radiofónicos a apostarem na produção de podcasts (20%). Segue-se a região Norte, que apesar de apresentar tantas rádios como a região Centro, apenas 18% destas recorreram ao podcasting . Por último, surge o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa que apresentam, respectivamente, 17% e 16% das suas rádios com distribuição / disponibilização de episódios de programas. O maior número de podcasts produzidos centra-se nas regiões Centro (42%) e Norte (32%), representando, em conjunto, 74% da amostra total. De seguida, apresenta-se a Área Metropolitana de Lisboa, com 58 podcasts distintos (11%). Por sua vez, o Algarve compõe 9% do número de podcasts produzidos por rádios locais FM em Portugal Continental. Por último, com 35 programas diferentes, surge o Alentejo (7%). Apesar do Algarve apresentar o número mais reduzido de meios radiofónicos no seu território e o menor número de rádios a recorrer ao podcasting (no período de tempo pré-estabelecido), acaba por 62 apresentar uma média de 15 podcasts por rádio. Deste modo, apresenta-se como a região de Portugal Continental com a maior média de ficheiros multimédia digitais, que consistem em episódios de programas que podem ser descarregados / reproduzidos num leitor portátil. A partir destes dados, conferimos que não existe uma distribuição uniforme de dois podcasts por rádio em território continental. Gráfico 7: Contabilização de presença e distribuição de podcasts nas rádios locais FM, identificadas pela ANACOM (NUT III) A partir da distribuição das rádios locais FM, através do terceiro nível do sistema hierárquico de divisão do território, percebe-se que os meios de comunicação com maior adesão ao exercício de podcasting pertencem ao Alentejo Litoral e ao Alto Alentejo, com 50% das suas rádios a apresentarem podcasts nas suas grelhas. Entre os 20 e os 40%, seguem-se o Médio Tejo (com 40%), o Tâmega e Sousa (com 36%), a Região de Aveiro (com 31%), o Oeste (com 29%), o Cávado, o Ave e as Beiras Baixas (empatados com 25% cada) e, por fim, o Alentejo Central (com 23%). Com uma percentagem inferior a 20%, apresentam-se, por ordem decrescente, o Alto Minho (com 18%), a Região de Coimbra e o Algarve (com 17% cada), a Área Metropolitana do Porto e a de Lisboa (com 16% cada), o Douro e as Beiras e Serra da Estrela (com 15% cada), a Região de Leiria e o Baixo Alentejo (com 10% cada), Viseu Dão Lafões e Lezíria do Tejo (com 8% cada). Por sua vez, quer o Alto Tâmega, quer as Terras de Trás-os-Montes, não apresentam qualquer rádio com recurso ao exercício de podcasting em janeiro de 2022. Das regiões mencionadas anteriormente, aquelas com o maior número médio de podcasts produzidos por rádio correspondem ao Cávado e a Coimbra, que apresentam, respectivamente, uma média de 35 63 e 32 podcasts por rádio. O meio de comunicação com o valor mais próximo destas é o Algarve, com uma média de apenas 15 podcasts produzidos pelas suas rádios no período de tempo préestabelecido. Apesar do Alentejo Litoral e o Alto Alentejo corresponderem às regiões com maior taxa de rádios com adesão ao podcasting , estando empatadas com 50%, os valores de produção média de podcasts é bastante díspar. Enquanto o Alto Alentejo tem uma média de 8 podcasts por rádio, o Alentejo Litoral apresenta, unicamente, 2 podcasts . Esta disparidade é refletida, também, nas regiões do Cávado, do Ave e das Beiras Baixas, com uma taxa de rádios com adesão ao podcasting de 25% cada, e nas regiões de Coimbra e do Algarve, com 17% cada. No primeiro caso, o Cávado tem uma média de podcasts por rádio igual a 35, as Beiras Baixas apresentam um valor médio igual a 6 e, por fim, o Ave igual a 3. No segundo caso, a região de Coimbra apresenta 32 podcasts por rádio, enquanto a região do Algarve apresenta 15. Posto tudo isto, as entidades intermunicipais que se destacam com o maior número de podcasts em Portugal Continental são a Região de Coimbra (18%), o Cávado e a Área Metropolitana do Porto (empatados com 13% cada) e a Região de Aveiro e a Área Metropolitana de Lisboa (empatadas com 11% cada). Nenhuma entidade intermunicipal consegue atingir os 10%, sendo que a Região de Leiria e o Baixo Alentejo apresentam os valores mais baixos, não conseguindo atingir 1%. No Norte, as entidades intermunicipais com maior presença de podcasts nos seus territórios são o Cávado (42%) e a Área Metropolitana do Porto (41%), nenhuma das restantes entidades apresenta um valor superior a 7%. Já no Centro, a maior presença de podcasts remete-nos para a Região de Coimbra (43%) e a Região de Aveiro (26%), nenhuma das restantes entidades apresenta um valor superior a 12%. Mais uma vez, a Região de Leiria não consegue atingir 1% da amostra remetente ao centro do país. Por último, no Alentejo, o destaque é dado ao Alto Alentejo (43%) e ao Alentejo Central (29%), as restantes entidades apresentam um valor inferior a 18%. Durante a análise, foi, também, possível constatar que, apesar de existirem podcasts originais, isto é, produzidos para esse mesmo fim, a grande maioria dos produtos de podcasting resulta apenas do arquivo de programas radiofónicos que fazem parte da grelha de programação dos diferentes meios. Além disso, percebe-se uma componente de arquivação maioritariamente auditiva; apesar de, em determinados casos, os videocasts serem apresentados como elementos resultantes do exercício de podcasting . 64 Ao longo da análise, foram recolhidos os meios através dos quais as rádios armazenam o áudio / vídeo. Sendo assim, além do arquivo no site oficial das rádios, percebe-se o recurso às seguintes plataformas online de publicação / streaming - Anchor, Apple Podcasts, Audiomack, Google Podcasts, hearthis.at, Listen Notes, MixCloud, Popcasts, Seriously Simple Podcasting (plugin), SoundCloud, Spotify e Youtube. A partir da análise, um dos resultados que salta, imediatamente, à vista é o número elevado de podcasts produzidos por rádios universitárias (inseridas no âmbito radiofónico local, com modulação de frequência). A título de exemplo, a Rádio Universitária do Minho (RUM) apresentou, no período de tempo pré-estabelecido, um conjunto de 43 podcasts distintos. Sendo assim, a RUM produziu 61% dos podcasts do Cávado, o que, a nível Norte, representa 26% do recurso a podcasting por parte da região. Já a Rádio Universitária de Coimbra (RUC) compôs-se por cerca de 38 podcasts . Desta forma, concluiu-se que a RUC produziu 40% dos podcasts da Região de Coimbra, o que, a nível do Centro, representa 18% do recurso a podcasting por parte da região. A Rádio Universitária do Algarve (RUA) recorreu, em janeiro de 2022, a 29 produtos de podcasting . Deste modo, produziu 64% dos podcasts , quer da região do Algarve, quer da sua entidade intermunicipal. Por fim, a Rádio Universidade FM (UFM) produziu apenas 3 podcasts . Apesar do número reduzido, a entidade intermunicipal à qual pertence apresenta, unicamente, 5 podcasts . Sendo assim, os episódios da UFM representam 60% dos podcasts lançados no Douro. Anteriormente, mencionou-se a correlação entre o consumo de podcasts e a idade dos seus consumidores, sendo que faixas etárias mais jovens foram identificadas como a parte da população que mais escuta podcasts . Visto a influência das rádios universitárias na produção de podcasts nas suas regiões, podemos questionar-nos se a produção da nova modalidade comunicacional radiofónica é, também, mais atrativa para as faixas etárias mais jovens. Capítulo 3 - Análise 3.1. Metodologia A partir da explanação do estágio curricular desenvolvido, do percurso da Antena Minho e do enquadramento teórico, procurei mecanismos para responder à questão de partida proposta - ―O Caso da Antena Minho: Como é que o exercício de podcasting nos meios de comunicação radiofónicos portugueses é percepcionado por produtores e consumidores de rádio?‖. 65 Além das vantagens, desvantagens, oportunidades e desafios que os podcasts podem oferecer ao meio de comunicação, importou, acima de tudo, perceber a relação da rádio com a rede digital e se na migração de um programa, direcionado para o sistema de comunicação radiofónico, para outros formatos, este acaba por perder ou não a denominação de um produto de rádio. Neste tópico, foi, ainda, relevante perceber se estas novas designações são resultantes, apenas, de uma alteração cosmética e / ou semântica. Assim, de modo a compreender os fenómenos envoltos no estado atual do ecossistema mediático e o lugar da rádio e dos podcasts no mesmo, particularizando a análise aos meios regionais / locais e, concretamente, ao local onde foi efetuado o estágio - a Antena Minho -, optei pelo paradigma quantitativo. Na verdade, fora a grelha de contabilização da oferta de podcasts em território nacional, tinha como primeiro objetivo optar pelo paradigma interpretativo, adotando métodos qualitativos de pesquisa, isto é, angariar dados através da realização de entrevistas à equipa da Antena Minho. Por meio das entrevistas importava, essencialmente, angariar opiniões sobre as dinâmicas envoltas na rádio e a migração do sistema comunicacional para o podcasting . Tendo em conta que procurava analisar processos internos não observáveis, optei pela realização de entrevistas semiestruturadas, partindo de uma amostra intencional. Assim, formulei um guião de entrevista, com base num contacto síncrono e interativo com os participantes, com um tempo estimado de 30 minutos. O guião de entrevista apresentou diferentes blocos temáticos / tópicos de reflexão, ordenados do geral para o particular e, em alguns dos casos, por ordem cronológica, dando sempre espaço aos entrevistados para introduzir outras observações / comentários / considerações, apresentados da seguinte forma: Mediamorfose 1. Reconhece que os meios de comunicação se encontram em constante transformação? a. Sucintamente, como justificaria a sua opinião? 2. Segundo Roger Fidler, a mediamorfose - termo criado para descrever as contínuas mudanças no mundo dos média - ocorre, geralmente, ―pela completa interação das necessidades percebidas, das pressões políticas e pela competência, inovações sociais e tecnológicas‖. Concorda com a afirmação? a. (Resposta positiva) Se tivesse de estabelecer uma escala de influência, do conceito mais influente para o menos influente, como os distribuiria? 66 NECESSIDADES PERCEBIDAS PRESSÕES POLÍTICAS COMPETÊNCIAS INOVAÇÕES SOCIAIS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS i. Porquê? ii. Apresente um exemplo que ilustre a sua opinião. b. (Resposta negativa) Porque não concorda com a afirmação? i. Apresente um exemplo que ilustre a sua opinião. 3. Crê que os média são membros integrantes de um sistema interdependente, onde os meios de comunicação se relacionam com as suas formas do passado, presente e futuro? a. (Resposta positiva) Nesse sentido, concorda que: i. As formas de comunicar não podem existir de forma independente, isto é, à medida que cada nova forma de comunicar surge, esta influencia o desenvolvimento de outras formas já existentes (COEVOLUÇÃO)? ii. As diversas tecnologias e distintas formas de meios de comunicação se têm vindo a unir, transformando-se numa só (CONVERGÊNCIA)? iii. É na desordem que surgem novas ideias, que se impulsiona a transformação de ideias antigas e, assim, se pode dar a revitalização de sistemas (COMPLEXIDADE)? b. (Resposta negativa) Porque não concorda com a afirmação?´ Radiomorfose 1. Reconhece que a rádio se encontra em constante transformação? a. Tendo em conta a sua experiência profissional, quais as principais mudanças que sentiu no ambiente radiofónico com o passar dos anos? b. E no caso concreto da Antena Minho? Impacto da evolução tecnológica na rádio 1. No processo de radiomorfose, Nair Prata afirmou que ―o veículo (a rádio) não vai morrer com o impacto das novas tecnologias digitais e da Web‖, uma vez que encontrará ―o seu caminho numa nova linguagem, especialmente desenvolvida para os novos suportes‖. 67 a. Acredita que, mais uma vez, a rádio tem vindo a superar-se / a trilhar um caminho que lhe permita continuar a florescer ou que a rádio não se tem esforçado para se adaptar e, assim, a sua morte, por tantas vezes anunciada, está cada vez mais próxima? (Primeira opção) 1. Na sua opinião, porque principais caminhos a rádio optou? a. O que sente sobre essas abordagens? 2. Em Os Novos Caminhos da Rádio: Radiomorphosis, Tendências e Prospectivas , a Obercom identificou as seguintes tendências de ofertas de produtos radiofónicos: NARROWCASTING / HIPER - SEGMENTAÇÃO Sinais com maior especialização temática. DRONE STATION / RÁDIOS AUTOMÁTICOS Convergência para sites , onde se estabelece uma interação semiautomática entre as páginas pessoais e os ouvintes. CLOUD RADIO Rádio sempre disponível. ―A rádio (ou as preferências do ouvinte) está onde está o ouvinte e já não onde está o aparelho receptor‖. a. Reconhece estas tendências nos meios de comunicação radiofónicos? b. Acredita que serão o futuro da rádio? i. Porquê? (Segunda opção) 1. Na sua opinião, porque acha que isso está a acontecer? 2. O que sente um profissional da rádio quando antecipa a morte do meio para o qual dedicou a sua vida? Antena Minho – Contextualização 1. Quando começou a trabalhar na Antena Minho? a. Como era a Antena Minho desses tempos? 2. Como descreve o estado atual da Antena Minho? 68 a. Se tivesse de elencar as principais mudanças sentidas na Antena Minho desde o momento em que ingressou no meio até aos dias de hoje, o que apontaria? Antena Minho - Funcionamento atual 1. Atualmente, a Antena Minho oferece diversos serviços / mecanismos de acesso aos seus conteúdos. Além da transmissão em frequência, a sua emissão migrou para o digital. Na integração do meio de comunicação na Internet, a Antena Minho passou, ainda, a contar com podcasts (arquivos de áudio no seu site oficial), videocasts (arquivos de vídeo no seu site oficial) e programas multimédia (divulgados através das redes sociais oficiais do meio, Facebook e YouTube ). a. Na grande maioria dos casos, o processo de difusão de programas passa apenas pela retransmissão / republicação de um mesmo conteúdo. Concorda com a estratégia? Porquê? Podcasts 1. Atualmente, acredita que a generalidade das pessoas está familiarizada com o conceito de podcasting ? 2. Se tivesse de definir o conceito de podcasting , como o definiria? a. E o conceito de podcast ? 3. Sente que vivemos numa espécie de " podcast-mania "? 4. Na sua opinião, os podcasts são um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar? a. Considera o exercício de podcasting semelhante à prática da radiofonia? i. Quais as semelhanças que encontra entre as práticas? ii. Quais as principais diferenças que encontra entre as práticas? b. Tendo em conta a reflexão anterior, vê o podcasting como uma extensão da prática da radiofonia? 5. Tendo em conta que produz conteúdos que são posteriormente arquivados enquanto podcasts , diria que se considera um podcaster ? Porquê? a. Sente que, com o passar dos anos, os podcasters podem vir a substituir os profissionais da rádio? 6. Do seu ponto de vista, quais as características essenciais para o sucesso de um podcast ? 69 7. Por outro lado, quais os principais entraves para o sucesso de um podcast ? Atendendo à natureza profissional dos entrevistados, o guião de entrevista sofreria, sempre que necessário, alterações. Assim, aos sonoplastas não seria colocada a seguinte questão - "Tendo em conta que produz conteúdos que são posteriormente arquivados enquanto podcasts , diria que se considera um podcaster ? Porquê?". No entanto, seriam acrescidas as seguintes questões - "Na prática, o que é que o acréscimo desta oferta ( podcasting ) implicou no seu trabalho enquanto sonoplasta?" e "Tendo em conta as características de cada oferta (radiofonia e a podcasting ), hoje em dia, considerase um sonoplasta ou um profissional do audiovisual?". No final de contas, acabei por conseguir apenas dois testemunhos (Anexo IV), do jornalista Rui Alberto Sequeira (a 27 de setembro de 2022) e do técnico de som Manuel Pinto (a 29 de setembro de 2022). Após a realização das entrevistas, passei para a fase de transcrição, de forma a, posteriormente, fazer uma leitura livre e, assim, me familiarizar com os conteúdos e iniciar a categorização dos materiais angariados. Tendo por base a análise, passei para o processo de agrupamento / estabelecimento de relações de / entre temas. Posteriormente, comparei as informações recolhidas para, assim, construir uma rede articulada de significados sobre a questão de pesquisa. Com o intuito de complementar o documento com mais dados sobre a produção do meio de comunicação, envolta na prática da radiofonia e do podcasting , decidi aplicar o questionário online "O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho" (Anexo V), via Google Forms , aos restantes autores de programas / espaços dedicados a determinadas temáticas do meio. Para além disso, procurei obter informações sobre a recepção dos programas de rádio e dos podcasts por parte da população, de modo a estabelecer relações entre a percepção dos membros da Antena Minho e dos inquiridos sobre as práticas e perceber o/a atual consumo/opinião dos participantes do questionário acerca do recurso ao podcasting por parte do meio de comunicação. Deste modo, apliquei, ainda, o questionário online " Podcasting : a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia" (Anexo VI). Antes de avançar, é importante salientar que o número de respostas obtidas ao questionário "O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho" não corresponde ao número total de autores dos programas / espaços dedicados a determinadas temáticas dos meios de comunicação. Após um pré-teste, de 1 de setembro a 1 de outubro de 2022, foram obtidas, no total, 13 respostas. A técnica quantitativa de pesquisa foi composta por 16 questões, incluindo perguntas, apresentadas por ordem decrescente de aplicação, de resposta única (7, das quais 4 apresentam caráter dicotómico), de escolha múltipla (6), de resposta aberta (2) e de escala (1 questão de concordância). Para além disso, 76 também, à dimensão da redação. Manuel Pinto entrou no meio de comunicação dois anos após o jornalista e comprova as suas palavras. Afirma que eram uma equipa numerosa, o que permitia a existência de uma emissão, em direto, 24 horas por dia. Com os cortes orçamentais, a equipa foi ficando reduzida e, assim, tornou-se impensável manter o ritmo de cobertura, nomeadamente noticiosa e desportiva. O jornalista constatou, ainda, que o meio de comunicação sempre apresentou lacunas a nível tecnológico, mas que a transição se foi fazendo. Entre sorrisos, relembrou as reticências em torno do aparecimento dos computadores e, ao mesmo tempo, o alívio por passar a ter acesso a um instrumento que não o obrigasse a reescrever, do início ao fim, uma determinada informação, como outrora acontecia com o recurso às máquinas de escrever. Apesar de não ver a Antena Minho como um meio de grandes tecnologias, Rui Alberto Sequeira não deixa de sublinhar, que, curiosamente, ainda no tempo da pirataria, a Antena 2000 foi uma das primeiras rádios a ter acesso ao telex da ANOP (Agência Noticiosa Portuguesa), conhecida, hoje, como a agência Lusa. Reconheceu que a falta de presença na rua é um dos antigos pecadilhos da Antena Minho. No que toca à participação dos ouvintes no meio radiofónico, recordou o programa de Discos Pedidos, sublinhando a importância que tinha - ―havia pessoas que ligavam para aqui só para deixar uma mensagem para o amigo tal ou para a amiga tal que estava doentinha. Pode parecer um pouco caricato, um pouco estranho, mas não passava de uma prestação de companhia; uma função social, uma função quase que terapêutica para muitas pessoas que viam na rádio esse escape‖. Com a extinção da rubrica, Rui Alberto Sequeira conta que se foi perdendo alguma da relação umbilical entre a rádio e a população. Tal como visto anteriormente, atualmente, a Antena Minho oferece diversos serviços / mecanismos de acesso aos seus conteúdos. Além da transmissão em frequência, a sua emissão migrou para o digital. Na integração do meio de comunicação na Internet, a Antena Minho passou, ainda, a contar com podcasts (arquivos de áudio no seu site oficial), videocasts (arquivos de vídeo no seu site oficial) e programas multimédia (divulgados através das redes sociais oficiais do meio, Facebook e YouTube). Na grande maioria dos casos, o processo de difusão desses programas passa apenas pela retransmissão / republicação de um mesmo conteúdo. Apesar de contarem com o apoio de toda a equipa, hoje em dia, os responsáveis pela edição e publicação dos diversos conteúdos da Antena Minho são os sonoplastas. Manuel Pinto reconhece que o acréscimo de oferta exigiu que se fosse adaptando à evolução dos conteúdos do meio, deixando de 77 ser só sonoplasta e passando a recorrer ao audiovisual. De qualquer das formas, não se assume como profissional do audiovisual. ―Sou um sonoplasta que vai acrescentando o audiovisual ao meu trabalho‖, afirmou. Em entrevista, Rui Alberto Sequeira demonstrou nunca ter refletido sobre o trabalhar de forma diferente um mesmo conteúdo atendendo à plataforma através da qual este será difundido. Durante a conversa, admitiu que se trata de uma ideia que ―merece um olhar em frente‖, ―se calhar, a publicação em vídeo obrigaria a uma captação e a um tratamento de imagem diferente; a divulgação de áudio, em formato podcast , obrigaria a uma sonorização diferente; a divulgação, através das redes sociais, obrigaria a uma reavaliação de formatos. Penso que, efetivamente, deveria trabalhar-se em função do meio em que se está a colocar o respectivo conteúdo‖. De qualquer das formas, sabe que essa atualização de conteúdos não seria fácil. Do seu ponto de vista, ―implicaria uma redação maior, implicaria gente que trabalhe bem o digital, implicaria um investimento superior nas tecnologias à disposição‖. Já Manuel Pinto concorda com a estratégia, garantindo que, assim, acima de tudo, o ―ouvinte pode sempre ouvir algo que passou e que é do seu interesse‖. Tal como foi referido anteriormente, de modo a avaliar a percepção do exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho, foi pedido aos elementos envolvidos nos programas de autor / espaços dedicados a determinadas temáticas do meio de comunicação, mencionados na descrição do local de estágio, para responderem a um curto questionário. No total foram obtidas 13 respostas. A partir destas, concluiu-se que a maior parte dos inquiridos concorda com a estratégia, havendo 2 elementos do meio a classificar o método com o nível 5 de concordância e 5 elementos a classificar o método com o nível 4 de concordância. Numa escala de 0 a 5, a moda mantém-se no quarto nível. De qualquer das formas, a média aponta para o terceiro nível. Assim, poderia extrapolar-se que, apesar de haver incerteza se esta será ou não uma estratégia eficaz, a maior parte dos inquiridos tende a afirmar que sim. 78 Gráfico 8: Nível de concordância com a estratégia de republicação de conteúdos (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) Ainda relativamente à estratégia, a maioria dos inquiridos concorda que a disponibilização de conteúdos em múltiplas plataformas traz vantagens para o meio de comunicação, uma vez que, assim, este poderá conseguir alcançar diferentes públicos-alvo (10 inquiridos selecionaram a opção como uma possível justificação). Na relação público - rádio, acredita, também, que, ao disponibilizar os seus conteúdos em diferentes plataformas, o meio de comunicação permite ao utilizador ter mais opções de consumo (8 inquiridos), rever o que passou em antena (8 inquiridos) e partilhar momentos específicos de um programa (7 inquiridos). Na mesma questão, apenas quatro inquiridos apontaram limitações à estratégia de republicação. Um dos inquiridos, que havia avaliado o método com nível 2, assinalou que, perante o processo, os conteúdos nem deveriam ser classificados como podcasts , uma vez que não foram produzidos para esse efeito. Da mesma forma, dois dos inquiridos, que haviam avaliado o método com nível 4, selecionaram a mesma opção, dando a entender que concordam com a estratégia de republicação, mas que os produtos não deveriam passar a ter uma nova denominação. Um outro, que havia, mais uma vez, classificado o método com nível 4, referiu que ―a repetitividade de conteúdos faz com que quem acompanha diariamente o meio de comunicação não tenha acesso a produtos novos‖. 79 Gráfico 9: Justificações apresentadas para a estratégia de republicação de conteúdos (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) 3.2.6. De radialistas a podcasters ? Rui Alberto Sequeira descreve o podcasting como o exercício de produção de podcasts , que, nas suas palavras, correspondem a conteúdos de rádio colocados na Internet de forma intemporal. Já Manuel Pinto entende o podcasting como uma ―plataforma tecnológica que permite a quem cria conteúdos, publicá-los, editá-los e gerir a sua publicidade‖. Para si, esses conteúdos, os podcasts , correspondem a ―ficheiros digitais áudio ou vídeo, disponíveis online, através de streaming , ou offline, através do respectivo download ‖. O sonoplasta não acredita que, hoje, vivemos numa podcast-mania , crendo que apenas ―consumimos muitos conteúdos na Internet, nos quais o podcast está inserido‖. 80 A maioria dos inquiridos (7 em 13 respostas) afirmou concordar totalmente com a definição de podcast apresentada - "um podcast é um ficheiro áudio digital, correspondente a um episódio de um programa, que pode ser reproduzido num leitor portátil / descarregado da Internet". Atendendo às características dos podcasts , aproveitaram, ainda, para sublinhar que, através dos produtos de podcasting , as pessoas ―têm o poder de decidir, quando, onde e o que ouvir‖. Por sua vez, 5 inquiridos afirmaram apenas concordar parcialmente com a afirmação. Destes, se, por um lado, houve quem não concordasse que um podcast corresponde a um episódio apenas, mas sim a um programa na íntegra; por outro lado, houve quem reconhecesse que um podcast nem tem de fazer parte de um programa, podendo tratar-se de um produto singular. Para além disso, um dos profissionais referiu que um podcast corresponde a ―mais do que um ficheiro áudio‖, vendo-o como ―um tipo de conteúdo‖. Unicamente um inquirido afirmou discordar completamente da definição, defendendo que um podcast corresponde a um ―programa cujos episódios podem ser consultados ou descarregados on-demand ‖. Gráfico 10: Nível de concordância com a definição apresentada (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) Na sua relação com o meio radiofónico, o jornalista Rui Alberto Sequeira vê os podcasts como um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar. Apesar de encontrar semelhanças entre o exercício de podcasting e a prática da radiofonia, recupera aspetos que os distinguem. Afirma que ―a rádio é efémera e um podcast não, o suporte da rádio são as ondas hertzianas e o suporte dos podcasts é o próprio ambiente digital. Assim, na rádio, não ouviu? Tivesse ouvido. No podcast , ainda não ouviu? Vai à procura e ouve as vezes que quiser‖. À semelhança do que acontece ―com o jornal que é deixado num café e a pessoa pede para ler ou com a capacidade de parar a emissão, fazer fast 81 forward ou fast rewind , na televisão‖, crê que ―os podcasts são a forma que a rádio encontrou de acompanhar os outros meios de comunicação e manter uma presença na nuvem‖. Além do mais, refere que ―não é preciso existir uma rádio para existirem podcasts ‖, uma vez que um indivíduo, sozinho, consegue criar, publicar e partilhar o seu trabalho. Manuel Pinto vê o podcasting como uma extensão da prática da radiofonia e acrescenta que uma das principais diferenças entre os exercícios consiste no tom utilizado em cada um dos formatos. Acredita, assim, que ―a rádio aborda os temas de uma forma mais séria enquanto o podcast usa uma linguagem mais descontraída‖. No seguimento do questionário, quando interrogados sobre as principais semelhanças entre a prática da radiofonia e do podcasting , a maioria dos inquiridos apontou o facto dos programas de rádio e dos podcasts consistirem em formas de comunicar (10 respostas), de estabelecerem essa comunicação através do som (9 respostas), de poderem ser consumidos via streaming (9 respostas) e de terem a capacidade de criar uma atmosfera de intimidade com o ouvinte (8 respostas). Menos de metade dos inquiridos mencionou o facto que, quer a escuta de rádio, quer a escuta de podcast s, exigirem o recurso a tecnologias específicas de consumo (com 6 respostas). Gráfico 11: Principais semelhanças entre a prática da radiofonia e do podcasting (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) Ademais, a maioria dos inquiridos concordou que as principais diferenças entre a prática da radiofonia e do podcasting consistem no facto de, na radiofonia, o conteúdo ser transmitido a partir de uma 82 central irradiadora, enquanto, no podcasting , o internauta poder ir ao encontro do conteúdo, e, na radiodifusão, a escuta estar sincronizada com a emissão do sinal, enquanto que, no podcasting , subentende-se a quebra dessa sincronia, opções empatadas com 9 respostas. De seguida, apontaram que a escuta de podcasts é mais individualista do que a escuta de programas de rádio (8 respostas), que a radiofonia é dirigida para públicos massivos, enquanto os podcasts atraem públicos mais específicos (7 respostas), e que a radiodifusão exige uma estrutura complexa de trabalho, enquanto um podcast pode ser produzido por uma pessoa apenas, desde que tenha acesso a material de gravação e publicação (7 respostas). Gráfico 12: Principais diferenças entre a prática da radiofonia e do podcasting (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) 83 O jornalista Rui Alberto Sequeira considera que a principal característica para o sucesso de um podcast é a continuidade de publicação e arquivo. ―Se você fizer aqui um programa de rádio e este não for publicado em formato de podcast , as pessoas poderão perder o comboio. A regularidade e arquivo, associados aos podcasts , permitem captar a atenção volátil do consumidor de informação‖. Uma opinião partilhada por Manuel Pinto. ―Atualmente, muitas pessoas não têm tempo para ler posts ou assistir aos programas em direto. O formato de conteúdo em áudio tem ganho muitos simpatizantes, pois é muito prático e pode ser ouvido a qualquer momento‖, afirmou. Assumindo-se como podcasters ou não, os inquiridos refletiram, também, sobre as características que consideram essenciais para o sucesso de um podcast . A qualidade do produto aparece em primeiro lugar (sendo que, das 13 respostas, 11 elementos apontaram o atributo), seguida da originalidade do respectivo podcast , isto é, a capacidade de se destacar dos já existentes (com 9 elementos a apontarem o atributo). Mais de metade dos inquiridos (7 respostas) mencionaram, ainda, a importância do comunicador conseguir estabelecer elos de ligação com os ouvintes (proximidade) e a consistência de publicação (regularidade). Já, com 6 respostas, seguiu-se a eficácia de divulgação do podcast (promoção). Enquanto que não consideram o acompanhamento das tendências do podcasting (modernização) essencial, a abordagem de temáticas atuais (atualidade) mantém-se relevante para o sucesso de um podcast (6 respostas). Gráfico 13: Características essenciais para o sucesso de um podcast (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) De seguida, vêm a falta de conhecimento sobre a existência de podcasts (9 respostas) e a monetização dos mesmos (6 respostas) como os principais entraves para o sucesso de um podcast. 84 Ademais, dois inquiridos referiam a efetiva falta de interesse por podcasts , havendo um inquirido a sublinhar a atual falta de conteúdo de interesse. Gráfico 14: Principais entraves para o sucesso de um podcast (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) Apesar dos seus programas contarem com republicação em formato podcast , Rui Alberto Sequeira não se intitula como profissional do podcasting . De qualquer das formas, sente que a rádio faz de si um podcaster . Ademais, considera que, ―se virmos sobre a perspectiva de que cada um pode ser um podcaster ‖, este ―pode ser considerado um profissional de rádio, não da rádio‖. Acredita que ―a rádio tem de ser feita por pessoas e que as pessoas têm, acima de tudo, de respirar o meio rádio‖, por isso prevê que os profissionais da radiofonia terão sempre o seu lugar. Apesar de não acreditarem que a generalidade das pessoas está familiarizada com o conceito de podcasting (opção selecionada por 10 elementos), mais de metade dos inquiridos considera que vivemos numa podcast-mania (8 respostas) e que os podcasts são um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar e, de algum modo, sobreviver (10 respostas). De qualquer das formas, os profissionais mostram-se divididos no que toca às preferências de consumo dos ouvintes, mantendo-se empatadas, com 6 respostas, as seguintes opções - ―a generalidade das pessoas consome mais rádio do que podcasts ‖ e ―a generalidade das pessoas consome mais podcasts do que rádio‖. 85 Gráfico 15: Análise comparativa da percepção da rádio e dos podcasts na atualidade (dados angariados através do questionário ―O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho‖, Anexo 5) Apenas um dos inquiridos concorda que, com o passar dos anos, os podcasters podem vir a substituir os profissionais da rádio, sendo que perto de um quarto dos profissionais prevê essa possibilidade e a maioria não antecipa essa alteração de paradigma (9 inquiridos). De qualquer das formas, hoje em dia, atendendo à natureza dos seus programas, 5 inquiridos já se consideram podcasters . 92 De acordo com os dados angariados, as pessoas nascidas entre 1965 e 1998 (Geração X) são as que mais ouvem rádio pelo menos uma vez por semana. As Gerações Y e Baby Boomers não estão distantes da realidade, mantendo percentagens de indivíduos que não ouvem rádio pelo menos uma vez por semana inferiores a 10%. A Geração Z já se mantém mais distante, com uma percentagem igual a 16,5% de indivíduos a afirmarem não consumirem produtos radiofónicos semanalmente. Por fim, as pessoas nascidas após 2012 (Geração Alpha), demonstraram o maior desinteresse na radiofonia. Deste modo, a audição de rádio tradicional aparenta diminuir de forma consistente com a idade. Gráfico 25: Ouve rádio pelo menos uma vez por semana, por geração (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 3.2.7.3. Sou um rádio - ouvinte… Deste modo, a amostra em análise voltou a estreitar. Aos 346 ―radiouvintes‖ foi perguntado quantas horas por semana, em média, ocupavam com a escuta de rádio. A moda aponta para a escuta semanal de apenas 1 hora. No entanto, a média sobe para mais de 3 horas. 93 Gráfico 26: Em média, quantas horas por semana ouve rádio? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) No que toca à distribuição de consumo semanal de rádio por gerações, denota-se que a Geração Alpha, Y e Baby Boomers apresenta duas modas. Apesar de bimodais, todas mantêm como moda o consumo de 1 hora de conteúdos radiofónicos. Por sua vez, a Geração Z apresenta uma moda equivalente a 2 horas. Apesar de algumas oscilações entre as gerações, a verdade é que estas apresentam uma distribuição similar. A Geração Alpha é a única que se destaca das restantes, devido ao número reduzido de respostas. Gráfico 27: Em média, quantas horas por semana ouve rádio, por geração (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 94 Num dia típicos, os inquiridos recorrem, maioritariamente, ao autorrádio (81,8%) para, durante as deslocações (88,7%), ouvirem a frequência escolhida. Apesar de residuais, alguns indivíduos revelaram recorrer usualmente a um telemóvel (23,1%), a um computador portátil / fixo (17,9%), a um aparelho de rádio (16,2%), a um televisor (5,2%) ou a um tablet (0,9%). Estes dispositivos de acesso são utilizados, por ordem decrescente, enquanto as pessoas trabalham / estudam (22%), fazem as suas tarefas domésticas (20,8%), usufruem do seu tempo livre (19,4%) e praticam atividades desportivas (7,8%). Para além disso, 5,8% dos inquiridos tem por hábito ouvir rádio antes de adormecer e 1,2% dos inquiridos tem por hábito ouvir rádio ao acordar. Gráfico 28: Num dia típico, através de que dispositivo(s) ouve rádio? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 95 Gráfico 29: Em que momentos costuma ouvir rádio? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 3.2.7.4. A minha relação com a Internet… Seguidamente, tornou-se essencial perceber a relação dos inquiridos com a Internet. Deste modo, semelhantemente ao tópico da radiofonia, foi questionado ao número inicial de inquiridos (453 respostas) se possuíam dispositivos tecnológicos de acesso à Internet. Na verdade, apenas 0,9% da amostra revelou não possuir ferramentas de consumo de conteúdos digitais. Atendendo à distribuição dos dados angariados pelas diferentes gerações, percebe-se que as pessoas nascidas entre 1946 e 1964 (Baby Boomers) são as únicas onde a totalidade dos inquiridos não possui mecanismos para consumo digital (17,4%). Grande parte dos restantes afirmou ter acesso através de um telemóvel (99,1%) ou de um computador portátil/fixo com Internet (96,4%). Além disso, mais de metade dos inquiridos referiu, ainda, conseguir aceder à Internet através de um televisor (61,9%). Por fim, os inquiridos apontaram possuir tablets (36,3%) consolas de jogos (32,3%) e relógios inteligentes (22,3%) para o respetivo acesso. Gráfico 30: Possui dispositivos tecnológicos de acesso à Internet? Que dispositivos tecnológicos de acesso à Internet possui? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) Se, anteriormente, o número de pessoas que tinham acesso a dispositivos tecnológicos de acesso à rádio (399 inquiridos) não correspondia totalmente ao número de pessoas que consumiam produtos radiofónicos (346 inquiridos); no ambiente digital, as pessoas com acesso a dispositivos tecnológicos 96 de acesso (449 inquiridos) correspondem, quase na totalidade, a internautas, isto é, utilizadores de Internet pelo menos uma vez por semana (445 inquiridos). Mais uma vez, a principal diferença faz-se sentir nas pessoas nascidas entre 1946 e 1964, uma vez que 15,79% destes inquiridos revelou não aceder pelo menos uma vez por semana à Internet. Não obstante, 0,4% da Geração Z afirmou o mesmo. Gráfico 31: É utilizador de Internet pelo menos uma vez por semana? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 3.2.7.5. Sou um internauta… Os internautas inquiridos referiram recorrer à Internet, tipicamente, para o acesso a sites de redes sociais (92,4%) e utilizar programas de mensagens instantâneas (90,6%). Por ordem decrescente, apontaram que as principais atividades para que usam a Internet são enviar / receber e-mails (84,5%), ler conteúdos de interesse (82%), pesquisar informações para fins profissionais (74,2%) e para fins lúdicos (67,9%), para ver vídeos produzidos por profissionais (66,7%) e por amadores (56,6%), para ver programas de televisão (55,1%) e para ouvir podcasts (50,1%). Na comparação do uso da Internet para o consumo de podcasts e de rádio, denota-se uma diferença percentual de 32,1% - assim, poderia afirmar-se que menos de metade dos consumidores de podcasting também consome rádio online. 97 Gráfico 32: Para que principais atividades usa a Internet? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 3.2.7.6. A minha relação com os podcasts ... Retomando, novamente, a amostra inicial (453 respostas), foi questionado se os inquiridos estavam familiarizados com o conceito de podcasting . A grande parte dos mesmos afirmou que sim (90,9%). Da amostra (412 indivíduos que reconhecem o termo), 71,1% dos inquiridos constatou ter tido o seu primeiro contacto com a terminologia através das redes sociais. A recomendação por amigos, familiares ou colegas surge em segundo lugar (40,5%) e a pesquisa autónoma na Internet (40%) em terceiro lugar. Fora a publicidade (25,2%) e os meios de comunicação tradicionais (22,8%), um inquirido referiu ter tido contacto com os podcasts no próprio ambiente profissional e um outro por recomendação de influencers . 98 Gráfico 33: Está familiarizado com o conceito de podcasting? Como descobriu os podcasts? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) Atendendo à distribuição do tópico em análise pelas diferentes gerações, denota-se que os inquiridos da geração Baby Boomer demonstram-se menos familiarizados com o conceito de podcasting . Mais uma vez, os dados angariados sobre a Geração Alpha não são suficientemente significativos para retirar conclusões. De qualquer das formas, as informações angariadas levam a concluir um decréscimo de familiarização das gerações mais jovens para as gerações mais velhas. Gráfico 34: Está familiarizado com o conceito de podcasting, por geração (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 99 De modo a perceber se os inquiridos não familiarizados com o conceito de podcasting havia, em algum momento, consumido produtos do seu exercício, foi, ainda, colocada a seguinte questão - ―um podcast é um ficheiro áudio digital, correspondente a um episódio de um programa, que pode ser reproduzido num leitor portátil / descarregado da Internet. A partir da definição apresentada, acredita já ter consumido algum podcast ?‖. Dos 41 inquiridos, 34,1% corrigiu a resposta anterior, admitindo que já havia consumido algum podcast , 34,1% manteve a sua resposta e 31,7% admitiu que talvez já o tenha feito. Apesar de 412 inquiridos estarem familiarizados com o conceito de podcasting , até ao momento, nem todos tiveram interesse em consultar o produto de comunicação (8,3% dos inquiridos apontou não ter escutado algum podcast ao longo da sua vida). Além disso, ainda que 91,7% dos inquiridos já tenha consultado algum tipo de podcast ao longo da sua vida, apenas pouco mais da metade (51,3%) se demonstrou consumidor ávido de podcasts (ouve podcasts pelo menos uma vez por semana). Não obstante, por gerações, os inquiridos que revelaram estar familiarizados com o conceito de podcasting , em algum momento das suas vidas, já consumiu algum podcast , sendo que nenhum dos valores se mostra abaixo dos 15%. Como é perceptível, o consumo semanal por geração sofreu um decréscimo, sendo que a diminuição é praticamente equivalente de geração para geração. Gráfico 35: Escutou algum podcast ao longo da sua vida? Ouve podcasts pelo menos uma vez por semana? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 100 Gráfico 36: Escutou algum podcast ao longo da sua vida? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) Gráfico 37: Ouve podcasts pelo menos uma vez por semana? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) De modo a analisar o porquê de alguns indivíduos estarem familiarizados com o conceito de podcasting , mas nunca terem consumido ou não terem por hábito consumir podcasts , foi pedido aos inquiridos que justificassem a decisão. 101 Gráfico 38: Apesar de estar familiarizado com o conceito de podcasting, nunca consumiu um podcast / não tem por hábito consumir podcasts. Assinale os principais motivos. (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 3.2.7.7. Vivemos uma podcast-mania ? A partir dos consumidores semanais do exercício de podcasting (um total de 194 inquiridos), percebeu-se que a moda de consumo mantem-se num podcast por semana. Além disso, a maior parte dos inquiridos passa, aproximadamente, uma hora por semana a consumir os produtos de comunicação. Gráfico 39: Em média, quantas horas por semana passa a escutar podcasts? (dados angariados através do questionário ―Podcasting: a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia‖, Anexo 6) 108 jovens aparentam ser aquelas que mais começaram a aderir à prática de consumo. Contudo, as gerações mais velhas começam já a penetrar no mercado. Um mercado que, como foi visto anteriormente, pode ser feito de conteúdos originais ou tratar-se da retransmissão única de produtos produzidos para outros efeitos. Apesar de reconhecerem limitações, os inquiridos aparentam não se importar com a estratégia de republicação. Uma percepção que vai, novamente, de acordo com a vontade da população em ter acesso a diferentes opções de consumo, consoante as suas disponibilidades. Na Antena Minho, a transição de programas radiofónicos para formatos podcast não passa de alterações semânticas / cosméticas. Tal como o jornalista Rui Alberto Sequeira admitiu, o pensar de forma diferente um conteúdo consoante a plataforma para o qual este será difundido, é algo sobre o qual não havia refletido. De qualquer das formas, foi algo que afirmou merecer atenção. A maioria dos inquiridos, que afirmou consumir conteúdos do meio de comunicação, fá-lo, principalmente, através da emissão em direto. Tanto os vídeos, como os podcasts da Antena Minho, apresentam uma taxa de adesão bastante reduzida. Fora a possível perda da relação umbilical da rádio com a população e a falta de divulgação dos respetivos conteúdos, as limitações da estratégia podem ser entendidas como possíveis justificações. Esta pequena investigação descreve e analisa o estágio curricular na Antena Minho e procura iniciar uma reflexão sobre o lugar do podcasting em meios, que, similarmente ao espaço radiofónico, se enquadram no âmbito regional / local. Contudo, devem ficar claras as limitações deste documento: a dimensão da investigação é residual, sendo necessário estender a análise a outros meios de comunicação radiofónicos. Assim, numa futura etapa da investigação, seria necessário entrar em contacto com todas as rádios regionais / locais para fazer um levantamento mais aprofundado da oferta de podcasts das mesmas e, assim, estabelecer uma relação com os conteúdos, entendidos como produtos a radiofonia, de cada meio. Do mesmo modo, seria essencial difundir um questionário pelos profissionais da rádio e podcasters , para, assim, retirar mais conclusões sobre a possível alteração de paradigma radiofónico e o local que o podcasting apresenta na mesma. Neste momento, a investigação está focalizada nos universos regionais e locais da rádio. No entanto, trata-se de um estudo que poderá ser estendido ao espaço radiofónico nacional e / ou internacional. 109 Referências Adoni, H., & Nossek, H. (2001). The new media consumers: Media convergence and the displacement effect. Communications: The European Journal of Communication Research , 26 (1), 59-83. Balsebre A. (2013). ―O rádio está morto... Viva o som!‖ ou como o rádio pode se transformar em uma nova mídia. Significação - Revista de Cultura Audiovisual , 40 (39), 14-23. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2013.59946 Belau, Á. (2001). Reinventar la radio. Chasqui. 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"Bossa Nova"; 2. ―Comunicar Ciência‖; 3. ―Da Europa para o Minho‖; 4. ―Dar à Língua Portuguesa‖; 5. "Disco ou Nada"; 6. Espaço Religioso de inspiração Evangélica; 7. "Fórum Desporto"; 8. "Ideias com J"; 9. "Leandro Antunes Show"; 10. ―Liderança na Prática‖; 11. "Mercado Negro"; 12. "Minho Magazine"; 13. "OCENPSIEA Convida‖; 14. "O Melhor Da Vida é de Graça"; 15. ―O Estado da União‖; 16. ―Onda da Semana‖; 17. "Porta Aberta"; 18. Rádio Francisco Sanches; 19. "Sete Mares - Som Nacional Antena Minho"; 20. "SOS - Metal Radio Show"; 21. ―Sugestões do Chef‖; 22. ―SUN7 - Antena Minho‖; 23. "Tertúlia Bracarense"; 24. "Tertúlia no Feminino"; 25. ―Território ConVida‖; 26. "Vai dar uma Curva"; 27. "Vamos falar de Blues‖ 107 Gráfico 1 Áreas de atuação Nº total de programas Valor percentual Música 12 44,4% Sociedade 4 14,8% Turismo 3 11,1% Desporto 2 7,4% Ciência 1 3,7% Economia 1 3,7% Educação 1 3,7% Infanto-juvenil 1 3,7% Política 1 3,7% Religião 1 3,7% Total 27 100% Gráfico 2 Campos de atuação jornalística Nº total de programas Valor percentual Social 4 23,5% Musical 3 17,6% Turístico 3 17,6% Desportivo 2 11,8% Científico 1 5,9% Económico 1 5,9% Educativo 1 5,9% Infanto-juvenil 1 5,9% Político 1 5,9% Religioso 0 0% Total 17 100% 108 Gráfico 3 Métodos de difusão dos programas Nº total de programas Valor percentual Em antena 27 100% Arquivo de áudio (formato podcast ) 27 100% Arquivo multimédia (Facebook e Youtube oficial) 10 37% Arquivo multimédia (Youtube oficial) 9 33,3% Publicação - lembrete (Facebook oficial) 17 63% 109 Anexo II Gráfico 4 Tipologia de rádio Nº total de rádios Nacional 6 Regional 2 Total 8 NUT I NUT II NUT III Nº total de rádios locais Continente Norte Alto Minho 11 Cávado 8 Ave 8 Área Metropolitana do Porto 31 Alto Tâmega 5 Tâmega e Sousa 11 Douro 13 Terras de Trás-osMontes 7 Total 94 Centro Oeste 14 Região de Aveiro 13 Região de Coimbra 18 Região de Leiria 10 Viseu Dão Lafões 12 110 Beira Baixa 4 Médio Tejo 10 Beiras e Serra da Estrela 13 Total 94 Área Metropolitana de Lisboa Área Metropolitana de Lisboa 37 Alentejo Alentejo Litoral 4 Baixo Alentejo 10 Lezíria do Tejo 13 Alto Alentejo 4 Alentejo Central 13 Total 44 Algarve Algarve 18 Total 287 Região Autónoma dos Açores Região Autónoma dos Açores Região Autónoma dos Açores 22 Região Autónoma da Madeira Região Autónoma da Madeira Região Autónoma da Madeira 14 Total 323 117 ii. As diversas tecnologias e distintas formas de meios de comunicação se têm vindo a unir, transformando-se numa só (CONVERGÊNCIA)? R: ―Eu acho que aqui se mantém sempre aquela velha ideia de que a televisão mostra, o jornal explica, a rádio diz… Haverá sempre, apesar dessa interligação necessária… No fundo, eu penso que as diversas tecnologias dos meios de comunicação social têm convergido, têm sumido na forma como projetam a informação, mas não se têm fundido‖. iii. É na desordem que surgem novas ideias, que se impulsiona a transformação de ideias antigas e, assim, se pode dar a revitalização de sistemas (COMPLEXIDADE)? R: ―Eu sou um pouco avesso ao caos. Eu, se calhar, diria que é da necessidade de resolver situações que surjam no dia-a-dia, imediatas. E, se calhar, a médio e longo prazo, para quem pensa na projeção dos meios de comunicação, já não se tratará de desordem, mas, sim, uma tentativa constante em atualizar os sistemas comunicacionais. Pode ajudar-nos a resolver problemas pontuais, não nos ajuda a resolver problemas do futuro‖. Radiomorfose 1. Classificada como meio de comunicação, reconhece que também a rádio se encontra em constante transformação? R: ―Sim‖. a. Tendo em conta a sua experiência profissional, quais as principais mudanças que sentiu no ambiente radiofónico com o passar dos anos? R: ―Acima de tudo, tecnológicas e noticiosas. Se calhar, hoje, em relação àquilo que era no passado, damos muito mais atenção a determinado tipo de notícias do que a outras. Na Antena Minho, o próprio facto de ser uma rádio local, transmite uma especificidade um pouco diferente… Sempre com aqueles exemplos que davam nas escolas de jornalismo, de que, se calhar, um indivíduo ser atropelado aqui interessava muito mais do que a morte massiva de indivíduos noutra parte do mundo, embora, toda aquela ideia de aldeia global. Eu 118 acho que, acima de tudo, mudou a questão tecnológica, que veio facilitar o nosso trabalho, foi o facilitador do trabalho. Depois, a questão noticiosa, também o tipo de informação que se começou a dar. Se calhar, aqui, começou-se a ir ao encontro daquilo que falamos há pouco falávamos, que são as necessidades percebidas da população. Se calhar, hoje dá-se mais notícias relacionadas com a economia, com saúde, com medicina, coisas que, no passado, eram um pouco fechadas, em termos da própria divulgação de informação. A forma de dizer as coisas. Eu creio que nós também nos adaptamos um bocadinho na forma de dizer as coisas, sempre evitando cair naqueles chavões que já falamos algumas vezes, mas, enfim, às vezes tentar fugir a esses chavões, numa estrutura pequena como é esta, é quase como a impossibilidade de fugir aos pingos da chuva, molhamonos sempre. E, também, uma transformação interessante, que teve a ver com a predisposição das pessoas que ouvem, houve também uma mudança na pessoa que nos escuta. Hoje em dia, nos meios mais pequenos, incluindo a Antena Minho, ainda se encontra uma relação mais umbilical entre a população e a rádio local. No princípio, quando as rádios locais surgiram, ainda no tempo da pirataria, como as rádios nacionais não davam respostas às pessoas - rádios como a Antena 1 e a Renascença não vinham, por exemplo, aqui à freguesia de Ferreiros ouvir o Presidente da Junta a propósito de um cano, não vinham ouvir a população que, entretanto, estava ali a protestar porque caiu um poste no decorrer de uma obra - as rádios locais começaram a colmatar esse papel. Com o passar do tempo, as rádios nacionais começaram a perder algum terreno com esse conceito de proximidade. E, então, como tinham outros meios e outras capacidades, começaram, também elas, a dar mais atenção. E o que é que isso levou? Levou a que as pessoas quisessem ouvir rádio, as pessoas faziam fila para se fazerem ouvir na rádio. Nos passatempos que se faziam na rua, apareciam sempre centenas e centenas de pessoas, às vezes, com as coisas mais caricatas. E, portanto, houve uma mudança efetiva, as pessoas não eram tão exigentes, como, aparentemente, são hoje. Deu-se, assim, uma mudança para com o público para quem e com quem se trabalha. 119 Esta rádio tem um pecadilho grande, que não é de agora -, por razões técnicas e de investimento, nunca foi uma rádio que tenha andado demasiado na rua. Pontualmente, vai andando, agora talvez um pouco mais, com o José Portugal que anda pela rua fazer reportagens. Mas esta rádio, muitas das vezes, não tinha essa componente, porque se parte do princípio de que estamos numa cidade e que, numa cidade, a ligação das pessoas à rádio não é tão forte como seria numa vila. Acho que é um puro engano! Porque quem não aparece esquece… Hoje as pessoas têm o comodismo total no que toca aos meios de comunicação, quer seja no consumo, quer na própria participação. Se nós não formos para a rua, se nós não formos ao encontro das pessoas, se não criarmos proximidade com os ouvintes, dificilmente vamos ter sucesso. Nos meios mais pequenos, eu ainda hoje constato e isso vê-se muito nos programas dos Discos Pedidos, que é o facto de as pessoas quererem participar. O programa de Discos Pedidos aqui na Antena Minho acabou, mas eu acho que nunca deveria ter acabado, porque, logo à partida, este tipo de programas tem uma função social, de acompanhamento e vai contra o isolamento de muitas pessoas. Havia pessoas que ligavam para aqui só para deixar uma mensagem para o amigo tal ou a amiga tal que estava doentinha. Pode parecer um pouco caricato, um pouco estranho, mas não passava de uma prestação de companhia. Uma função social, uma função quase que terapêutica para muitas pessoas que viam na rádio esse escape‖. i. Retomando alguns dos tópicos que mencionou, como lidou / se adaptou (com) as/às mudanças tecnológicas ao longo dos anos? R: ―Acho que foi uma adaptação português suave. Fui-me adaptando. Há uma expressão muito engraçada de Jethro Tull, que diz ―novo demais para morrer, velho demais para o rock n roll‖, mas, sim, fui-me adaptando. No meu caso, nunca deixei de me importar com aquilo que eram as alterações tecnológicas que foram aparecendo, nomeadamente a nível dos RMs. Nós, antigamente, utilizávamos cassetes e é completamente trabalhar com um leitor de cassetes do que trabalhar com os programas digitais que hoje temos. Sobretudo, fui 120 sempre pensando que, se não me adaptar, ia ter muitas dificuldades no futuro‖. ii. Mais uma vez, referiu a importância das ―necessidades percebidas‖, isto é, a urgência em dar às pessoas aquilo que elas precisam / querem. Neste tópico, como olham / devem olhar os jornalistas para temas que se tornam populares nas redes sociais, mostrando, assim, o interesse da população? R: ―Nós não devemos ter uma certa jactância de acharmos que somos donos e senhores daquilo que interessa às pessoas. Enquanto jornalistas, não podemos ter essa atitude de grandes líderes daquilo que deve interessar. Aquilo que para mim pode ser uma futilidade, para a pessoa que mora aqui à frente pode não ser. Eu vou deixar de dar uma notícia baseada nos meus gostos? Isso é o mesmo que eu só passar a música que eu gosto na rádio. Se eu quero ouvir a música de que eu gosto, ouço em casa. Eu tenho de perceber de uma forma geral, aquilo que as pessoas mais gostam de ouvir. Portanto, em termos de informação, parece-me que acontece um pouco o mesmo. Nós temos de utilizar as fontes. Nada de mal vem ao mundo se nós formos à Internet procurar informação, mas temos sempre de trilhar a informação que encontramos e iniciar um processo de confirmação da informação disponibilizada. É isso que nos distingue dos indivíduos que passam os seus dias a colocar informação na Internet‖. iii. Referiu que, no passado, as pessoas não eram tão exigentes no que toca à radiofonia. Sente que, hoje, as pessoas passaram a escutar mais do que ouvir? R: ―Ouvir sempre vão ouvir, por isso é que o ouvir leva a interpretações erradas… Eu acho que passaram a escutar mais um bocadinho‖. Impacto da evolução tecnológica na rádio 121 1. No processo de radiomorfose, Nair Prata afirmou que ―o veículo (a rádio) não vai morrer com o impacto das novas tecnologias digitais e da Web‖, uma vez que encontrará ―o seu caminho numa nova linguagem, especialmente desenvolvida para os novos suportes‖. a. Acredita que, mais uma vez, a rádio tem vindo a superar-se / a trilhar um caminho que lhe permita continuar a florescer ou que a rádio não se tem esforçado para se adaptar e, assim, a sua morte, por tantas vezes anunciada, está cada vez mais próxima? R: ―Eu quero acreditar que não. Embora não tenha muitos mais anos de atividade, eu quero acreditar que a rádio não vai morrer. Agora, depende da capacidade de ela se reinventar. E a reinvenção e a adaptação da rádio às novas exigências da sociedade, se calhar, não é toda igual. E, se calhar, por isso é que muitas rádios locais ficaram pelo caminho, porque não tiveram essa capacidade de evoluir, o investimento necessário para a sua evolução. Agora, as rádios têm condições, têm é de refletir sobre aquilo que são os seus caminhos, aquilo que podem oferecer e de que forma o podem fazer. Porque, acima de tudo, há uma coisa que as rádios têm de perceber - trabalham para pessoas e não é necessário um investimento exacerbado para ir ao encontro delas. Com um telemóvel, hoje, um jornalista tem a capacidade de fazer qualquer trabalho sonoro, desde a captação de som à respectiva sonorização. E, mais do que isso, aquela coisa que, nos dias de hoje, entrou na vida rádio, que é a imagem. Apesar de antagónico, isso tem a ver, mais uma vez, com as necessidades da população. Se calhar, hoje, para as pessoas nos ouvirem, têm, também, de ver. O poder da imagem é fantástico. Aqui há uns anos, fui fazer uma reportagem a propósito de um aterro sanitário. A população estava contra a sua construção e foi fazer uma manifestação para o Largo do Município. As pessoas levaram um caixão para simbolizar a morte do ambiente. Estavam à espera que as televisões chegassem, mas estas acabaram por demorar. Na presença das rádios e dos jornais, lá iniciaram a tal manifestação… Entraram pela Câmara dentro, veio o Presidente da Câmara esbaforido a descer as escadas, a manifestação acabou e as pessoas começaram a mobilizar-se para o Largo em frente à câmara municipal. Nesse instante, chega o carro da TVI, na altura, o Canal Quatro, 122 e pedem por imagens. A verdade é que lá replicaram tudo o que tinha acontecido, com a agravante do presidente da câmara ter vindo novamente ver o que se passava e ter ficado admirado com a situação. No fundo, era preciso passar, também na televisão, aquela ideia de protesto‖. 2. Em Os Novos Caminhos da Rádio: Radiomorphosis, Tendências e Prospectivas , a Obercom identificou as seguintes tendências de ofertas de produtos radiofónicos: NARROWCASTING / HIPER - SEGMENTAÇÃO Sinais com maior especialização temática. DRONE STATION / RÁDIOS AUTOMÁTICOS Convergência para sites, onde se estabelece uma interação semiautomática entre as páginas pessoais e os ouvintes. CLOUD RADIO Rádio sempre disponível. ―A rádio (ou as preferências do ouvinte) está onde está o ouvinte e já não onde está o aparelho receptor‖. a. Reconhece estas tendências nos meios de comunicação radiofónicos? R: ―Um dos caminhos da rádio passa, precisamente, pela capacidade em especializar-se, trazer temas específicos, com pessoas que sabem falar sobre os mesmos. Hoje, sente-se que, cada vez mais, as pessoas participam na nuvem. No passado, as pessoas juntavam-se ao lado do aparelho da rádio para ouvir. As pessoas não viam televisão, portanto, ouviam rádio. Eu próprio fui um ouvinte / um escutador de rádio quando era mais novo, porque gostava de ouvir os relatos de hóquei em patins de Portugal no campeonato do mundo e tive sorte de ter um rádio lá em casa, de ondas curtas, que apanhava uma vez um relato que era feito na Argentina‖. Antena Minho - Contextualização 1. Quando começou a trabalhar na Antena Minho? Como era a Antena Minho desses tempos? Como descreve o estado atual da Antena Minho? Se tivesse de elencar as principais mudanças sentidas na Antena Minho desde que ingressou no meio até aos dias de hoje, o que apontaria? 123 R: Comecei em 1990. A rádio Antena Minho desses tempos tinha mais gente nas redações. Foi uma rádio que sempre apresentou lacunas em termos tecnológicos. Aquando comecei a trabalhar ainda eram máquinas de escrever que começaram a ser substituídas, paulatinamente, por computadores. Em primeiro, alguma dúvida em relação ao computador, mas, depois, quando chegamos à conclusão que, com o computador, poderíamos apagar o que já tínhamos escrito, ao invés de nos vermos obrigados a reescrever tudo, foi um alívio. Contudo, há uma coisa que é curiosa. Porque a rádio não era um meio de grandes tecnologias, mas foi uma rádio que, já naquela altura, no tempo da pirataria, enquanto Antena 2000, foi das primeiras a ter o telex da Lusa, naquela altura a ANOP. Nesse aspecto, conseguimos ter acesso àquela fonte de informação. Era uma rádio que ocupava muito mais espaço, o material era analógico, digamos, era mecânico, os gravadores, as bobinas… Hoje, está tudo num programazinho metido no computador‖. Antena Minho - Funcionamento atual 1. Atualmente, a Antena Minho oferece diversos serviços / mecanismos de acesso aos seus conteúdos. Além da transmissão em frequência, a sua emissão migrou para o digital. Na integração do meio de comunicação na Internet, a Antena Minho passou, ainda, a contar com podcasts (arquivos de áudio no seu site oficial), videocasts (arquivos de vídeo no seu site oficial) e programas multimédia (divulgados através das redes sociais oficiais do meio, Facebook e YouTube). Na grande maioria dos casos, o processo de difusão de programas passa apenas pela retransmissão / republicação de um mesmo conteúdo. Concorda com a estratégia? Porquê? R: ―Se calhar, em muitos aspetos, deveria haver um refresh dos próprios conteúdos. Não é fácil, implicaria uma redação maior, implicaria gente que trabalhe bem o digital, porque acho que, acima de tudo, é um trabalho de produção digital, implicaria um investimento superior nas tecnologias à disposição... Eu penso que merece um olhar em frente essa ideia de adaptar um mesmo conteúdo tendo em consideração o espaço através do qual será divulgado. Se 124 calhar, a publicação em vídeo obrigaria a uma captação e a um tratamento de imagem diferente; divulgação de áudio, em formato podcast , obrigaria a uma sonorização diferente; a divulgação, através das redes sociais, obrigaria a uma reavaliação de formatos. Penso que, efetivamente, deveria trabalhar-se em função do meio em que se está a colocar o respectivo conteúdo‖. Podcasts 1. Atualmente, acredita que a generalidade das pessoas está familiarizada com o conceito de podcasting ? R: ―Creio que não‖. 2. Se tivesse de definir o conceito de podcasting , como o definiria? R: O podcasting será o exercício de produção de podcasts , arquivos de áudio, que, pensado que este sufixo, ing , significa movimento, uma permanência no tempo, uma continuidade, passava pela capacidade de, continuamente, manter uma produção de conteúdos de podcast . a. E o conceito de podcast ? R: O podcast , acima de tudo, é aúdio. É um programa de rádio, é um conteúdo essencialmente de rádio, que é colocado na Internet de forma intemporal. Nessa nuvem imensa da rádio, entendo assim o conceito. 3. Na sua opinião, os podcasts são um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar? a. Considera o exercício de podcasting semelhante à prática da radiofonia? R: ―Os podcasts são, efetivamente, um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar e, apesar do exercício do podcasting ser semelhante à prática da radiofonia, há algumas características que, claramente, os distinguem. 125 A rádio é efémera e um podcast não, o suporte da rádio são as ondas hertzianas e o suporte dos podcast é o próprio ambiente digital. Assim, na rádio, não ouviu? Tivesse ouvido. No podcast, ainda não ouviu? Vai à procura e ouve as vezes que quiser. Uma característica semelhante ao jornal que é deixado num café e a pessoa pede para ler ou a capacidade de parar a emissão, fazer fast forward ou fast rewind , na televisão. No fundo, os podcasts são a forma que a rádio encontrou de acompanhar os outros meios de comunicação e manter uma presença na nuvem. E, há poucos dias, apercebi-me que até há rádios que só trabalham para podcasts , que só trabalham para essa rádio digital. Uma das diferenças é que não é preciso existir uma rádio para existirem podcasts . Você pode, na sua página pessoal, criar, sozinho, o seu próprio podcast . No que toca às características essenciais para um podcasts , acho que essas passam pela continuidade de publicação. Você só consegue afirmar um produto se tornar as pessoas consumidoras dele, interessadas por ele. Se você fizer aqui um programa de rádio e este não for publicado em formato de podcast , as pessoas poderão perder o comboio. A regularidade e arquivo, associados aos podcasts , permitem captar a atenção volátil do consumidor de informação‖. 4. Tendo em conta que produz conteúdos que são posteriormente arquivados enquanto podcasts , diria que se considera um podcaster ? Porquê? R: ―Não, porque não faço aquele trabalho, que eu acho que deve ser específico, de cuidar um produto com um certo requinte de qualidade, quer em termos de audição, quer em termos dos próprios conteúdos, ou seja, não há uma continuidade temática. Eu não me assumo como podcaster , mas, se calhar, a rádio faz de mim um podcaster ‖. a. Sente que, com o passar dos anos, os podcasters podem vir a substituir os profissionais da rádio? 126 R: ―Se virmos sobre a perspectiva de que cada um pode ser um podcaster , se virmos desse perspectiva que você, em casa, pode ter a sua página e produzir informação como você entende, pode ser considerado um profissional de rádio, não da rádio. Os profissionais da rádio terão, com certeza, sempre o seu cantinho, a nossa reserva. Porque a rádio tem de ser feita por pessoas e as pessoas têm, acima de tudo, de respirar o meio rádio!‖ Entrevista a Manuel Pinto Mediamorfose 1. Reconhece que os meios de comunicação se encontram em constante transformação? R: ―Sim‖. a. Sucintamente, como justificaria a sua opinião? R: ―Os meios de comunicação adaptam-se às constantes evoluções tecnológicas para estarem cada vez mais próximos das pessoas e de forma célere‖. 2. Segundo Roger Fidler, a mediamorfose - termo criado para descrever as contínuas mudanças no mundo dos média - ocorre, geralmente, “pela completa interação das necessidades percebidas, das pressões políticas e pela competência, inovações sociais e tecnológicas”. Concorda com a afirmação? Se tivesse de estabelecer uma escala de influência, do conceito mais influente para o menos influente, como os distribuiria? NECESSIDADES PERCEBIDAS 5 PRESSÕES POLÍTICAS 1 COMPETÊNCIAS 4 INOVAÇÕES SOCIAIS 3 INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS 2 a. Porquê? Apresente um exemplo que ilustre a sua opinião. 133 2. Nome (s) dos programa(s) radiofónico(s) em que está envolvido * ____________________________________________ Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ "Bossa Nova" ⬜ "Comunicar Ciência" ⬜ "Da Europa para o Minho" ⬜ "Dar à Língua Portuguesa" ⬜ "Disco ou Nada" ⬜ "Fórum Desporto" ⬜ "Ideias com J" ⬜ "Leandro Antunes Show" ⬜ "Liderança na Prática" ⬜ "Mercado Negro" ⬜ "Minho Magazine" ⬜ "OCENPSIEA Convida" ⬜ "O Melhor da Vida é de Graça" ⬜ "O Estado da União" ⬜ "Onda da Semana" ⬜ "Porta Aberta" ⬜ Rádio Francisco Sanches ⬜ "Sete Mares - Som Nacional Antena Minho" ⬜ "SOS - Metal Radio Show" ⬜ "Sugestões do Chefe" 134 ⬜ "Sun7 - Antena Minho" ⬜ "Tertúlia Bracarense" ⬜ "Tertúlia no Feminino" ⬜ "Território ConVida" ⬜ "Vai dar uma Curva" ⬜ "Vamos falar de Blues" ⬜ Outro _______________________ O exercício da radiofonia e do podcasting na Antena Minho 3. ―Um podcast é um ficheiro áudio digital, correspondente a um episódio de um programa, que pode ser reproduzido num leitor portátil / descarregado da Internet". Concorda com a definição de podcast apresentada? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Concordo totalmente ⬜ Concordo parcialmente ⬜ Discordo totalmente ⬜ Discordo parcialmente 4. Justifique a sua resposta. _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ________________________ 5. Quais as principais semelhanças entre a prática da radiofonia e do podcasting ?* 135 Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ Os programas de rádio e os podcasts comunicam através do som. ⬜ Os programas de rádio e os podcasts consistem em formas de comunicar. ⬜ Os programas de rádio, tal como os podcasts , podem ser consumidos via streaming . ⬜ Os programas de rádio, tal como os podcasts , têm a capacidade de criar uma atmosfera de intimidade com o ouvinte. ⬜ Quer a escuta de rádio, quer a escuta de podcasts , exige o recurso a tecnologias específicas de consumo. ⬜ Outra _______________________ 6. Quais as principais diferenças entre a prática da radiofonia e do podcasting ? * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ A escuta de podcasts é mais individualista do que a escuta de programas de rádio. ⬜ A radiofonia é dirigida para públicos massivos, enquanto que os podcasts atraem públicos mais específicos. ⬜ A radiodifusão exige uma estrutura complexa de trabalho, enquanto que um podcast pode ser produzido por uma pessoa apenas, desde que tenha acesso a material de gravação e publicação. ⬜ Enquanto que na radiofonia o conteúdo é transmitido a partir de uma central irradiadora, no podcasting o internauta vai ao encontro do conteúdo. ⬜ Na radiodifusão, a escuta está sincronizada com a emissão do sinal; no podcasting , subentende-se a quebra dessa sincronia. ⬜ Na radiodifusão, o tempo de produção e publicação são coincidentes com o tempo de escuta; no podcasting , o tempo de produção e publicação não são coincidentes com o tempo de escuta. ⬜ Na radiofonia, tende-se a tratar temas de interesse geral; no podcasting , tende-se a particularizar a temas específicos. 136 ⬜ Os podcasts são mais interativos do que a rádio. ⬜ Outra _______________________ 7. Acredita que a generalidade das pessoas está familiarizada com o conceito de podcasting ? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não 8. Sente que vivemos numa podcast-mania ? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não 9. Crê que, nos dias de hoje, a generalidade das pessoas consome: * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Mais rádio do que podcasts ⬜ Mais podcasts do que rádio ⬜ Rádio e podcasts de igual forma 10. Acredita que os podcasts são um dos caminhos pelos quais a rádio optou para se reinventar / sobreviver? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não 137 11. Na Antena Minho, tal como noutros meios de comunicação, os podcasts resultam, em muitos casos, apenas do arquivo de programas emitidos noutros âmbitos, nomeadamente nas emissões em direto. Numa escala de 0 a 5, o quanto concorda com a estratégia? * Selecionar apenas uma resposta. 0 1 2 3 4 5 Discordo completamente ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ Concordo completamente 12. Justifique a sua escolha. * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ A disponibilização de conteúdos em múltiplas plataformas traz vantagens para o meio de comunicação, uma vez que permite minimizar exigências de produção. ⬜ A disponibilização de conteúdos em múltiplas plataformas traz vantagens para o meio de comunicação, uma vez que, assim, poderá conseguir alcançar diferentes públicos-alvo ⬜ Ao disponibilizar os seus conteúdos em diferentes plataformas, o meio de comunicação permite ao utilizador rever o que passou em antena. ⬜ Ao disponibilizar os seus conteúdos em diferentes plataformas, o meio de comunicação permite ao utilizador ter mais opções de consumo. ⬜ Ao disponibilizar os seus conteúdos em diferentes plataformas, o meio de comunicação permite ao utilizador partilhar momentos específicos de um programa. ⬜ A repetitividade de conteúdos faz com que quem acompanha diariamente o meio de comunicação não tenha acesso a produtos novos. ⬜ Nesses casos, os conteúdos não deveriam ser classificados como podcasts , uma vez que não foram produzidos para esse efeito. ⬜ Nesses casos, os conteúdos não deveriam ser classificados como podcasts , uma vez que não passam da compilação de conteúdos passados. ⬜ Outra _______________________ 138 13. Que características considera essenciais para o sucesso de um podcast ? * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ Atualidade - abordar temáticas atuais ⬜ Modernização - manter-se atualizado sobre as tendências do podcasting. ⬜ Originalidade - destacar-se dos podcasts existentes. ⬜ Promoção - alcançar ouvintes / novos ouvintes. ⬜ Proximidade - estabelecer elos de ligação com os ouvintes ⬜ Qualidade - produzir podcasts com qualidade. ⬜ Regularidade - horário de publicação consistente. ⬜ Outra _______________________ 14. Quais acredita serem os principais entraves para o sucesso de um podcast ? * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ Desconhecimento - falta de conhecimento sobre a existência de podcasts . ⬜ Desinteresse - falta de interesse por podcasts . ⬜ Monetização - rentabilizar os podcasts . ⬜ Outra _______________________ 15. Sente que, com o passar dos anos, os podcasters podem vir a substituir os profissionais da rádio? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não ⬜ Talvez 139 16. Hoje em dia, considera-se um podcaster ? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não O presente questionário termina aqui. Recorde-se que este questionário é parte integrante do relatório de estágio "O Caso da Antena Minho: Como é que o exercício de podcasting nos meios de comunicação radiofónicos portugueses é percepcionado por produtores e consumidores de rádio?", desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação, na área de especialização em Informação e Jornalismo, do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho. Agradeço, desde já, a disponibilidade de colaboração. Encontro-me disponível para responder a qualquer eventual dúvida. Bruna Sousa (PG43268), [email protected] 17. Se quiser acrescentar alguma reflexão sobre a temática, aproveite este espaço. _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ________________________ 140 Anexo VI Formato do questionário aplicado, “ Podcasting : a realidade nacional e a sua relação com a radiofonia” O presente questionário destina-se a avaliar o consumo nacional de produtos de áudio resultantes do exercício da radiofonia e do podcasting , incluindo as justificações de utilização. Apesar das inúmeras plataformas de acesso a podcasts , importa, no âmbito do trabalho investigativo, perceber o recurso a páginas oficiais de rádios para o consumo dos mesmos. Posteriormente, é feita uma particularização aos conteúdos da rádio Antena Minho, de modo a analisar-se o sucesso de cada um dos produtos / serviços fornecidos pelo meio radiofónico. O questionário é de caráter anónimo. Sendo assim, os dados recolhidos serão utilizados exclusivamente para fins científicos. O seu preenchimento total tem uma duração aproximada de 6 minutos. Não existem respostas certas ou erradas. Desta forma, solicita-se que responda de forma espontânea e sincera a todas as questões. Este questionário é parte integrante do relatório de estágio "O Caso da Antena Minho: Como é que o exercício de podcasting nos meios de comunicação radiofónicos portugueses é percepcionado por produtores e consumidores de rádio?", desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação, na área de especialização em Informação e Jornalismo, do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho. Agradeço, desde já, a disponibilidade de colaboração. Encontro-me disponível para responder a qualquer eventual dúvida. Bruna Sousa (PG43268), [email protected] *Obrigatório Informação Pessoal 1. A que geração pertence? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Geração Alpha (nascido após 2012) ⬜ Geração Z (nascido entre 1998 e 2012) ⬜ Geração Y (nascido entre 1981 e 1997) ⬜ Geração X (nascido entre 1965 e 1980) ⬜ Baby Boomers (nascido entre 1946 e 1964) 141 2. Qual é o seu sexo biológico? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Feminino ⬜ Masculino 3. Qual o seu nível de escolaridade concluído? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sem nível de escolaridade ⬜ Ensino Básico - 1.º Ciclo (1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos de escolaridade) ⬜ Ensino Básico - 2.º Ciclo (5.º e 6.º anos de escolaridade) ⬜ Ensino Básico - 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade) ⬜ Ensino Secundário (10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade) ⬜ Ensino Pós-Secundário Não Superior (Cursos de Especialização Tecnológica - CET) ⬜ Ensino Superior - Curso Técnico Superior Profissional ⬜ Ensino Superior - Licenciatura ⬜ Ensino Superior - Mestrado ⬜ Ensino Superior - Doutoramento 4. Nasceu em Portugal? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não 5. Atualmente, reside em Portugal? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim ⬜ Não (avançar para pergunta 6) A minha relação com a rádio… 142 6. Possui dispositivos tecnológicos para a escuta de rádio? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim (avançar para pergunta 7) ⬜ Não (avançar para pergunta 12) 7. Que dispositivos tecnológicos para a escuta de rádio possui? * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ Aparelho de rádio ⬜ Autorrádio (aparelho de rádio próprio para veículos automóveis) ⬜ Computador (portátil / fixo) ⬜ Tablet ⬜ Telemóvel ⬜ Televisor ⬜ Outra: _______________________ 8. Ouve rádio pelo menos uma vez por semana? * Selecionar apenas uma resposta. ⬜ Sim (avançar para pergunta 9) ⬜ Não (avançar para pergunta 12) Sou um rádio - ouvinte… 9. Em média, quantas horas por semana ouve rádio? * Selecionar apenas uma resposta. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Até 1 hora ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ ⬜ 10 ou mais horas 10. Num dia típico, através de que dispositivo(s) ouve rádio? * Marcar tudo o que for aplicável. ⬜ Aparelho de rádio