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O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades

Cunha, Alexandra Rodrigues Lopes

Abstract

Este relatório, realizado no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, decorre do estágio curricular realizado no Posto de Turismo de Guimarães pertencente à Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães. O principal objetivo é contextualizar e analisar as atividades realizadas ao longo de quatro meses, sendo elas a tradução de documentos turísticos, o atendimento ao público e a dinamização de atividades no Posto de Turismo. Assim sendo, pretende-se enquadrar conceitos como Tradução, Turismo e Comunicação Multilingue de forma a sustentar as atividades realizadas no decorrer do estágio, apresentar a entidade acolhedora, as funções desempenhadas pela mesma, seguindo-se uma abordagem teórica sobre o papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades, sendo a cidade de Guimarães o objeto de estudo. O presente relatório visa apresentar, ainda, uma experiência bastante enriquecedora e positiva do estágio curricular que conferiu trabalho nas minhas principais áreas de interesse: a tradução e o turismo.

Full text

Alexandra Lopes O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades UM i n h o | 2022 U n i v e r si d a d e d o Mi n h o Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Alexandra Rodrigues Lopes Cunha O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades dezembro 2022 UM i n h o | 2021 Sara Fernandes neiro 202 Alexandra Rodrigues Lopes Cunha O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades Relatório de Estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação da Prof. Doutora Maria Jesus Quintas Reis Cabral dezembro 2022 Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial CC BY-NC https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/ ii AGRADECIMENTOS À minha família por nunca me cortar as asas e sempre me incentivar a voar mais alto e mais longe. Obrigada por acreditarem sempre em mim. Aos professores do ELACH com quem aprendi muito ao longo destes cinco anos na Universidade do Minho. Obrigada por todos os ensinamentos. À minha orientadora, a Professora Doutora Maria Jesus Quintas Reis Cabral, por me ter guiado ao longo deste percurso. Obrigada pelo voto de confiança e pelo apoio incansável. À Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães e a todos os trabalhadores do Posto de Turismo que me acolheram tão bem ao longo destes meses. Obrigada por toda a bagagem que levo graças a vocês. À Lígia, que tão rapidamente se tornou uma amiga. Obrigada por todas as experiências que vivi graças a ti, por acreditares em mim e por tudo o resto, tu sabes. À Diana, a minha parceira de estágio, com quem tive a sorte de partilhar a secretária. Obrigada por todas as gargalhadas, por todos os desabafos e por todo o companheirismo e amizade. À Mariana e à Joana, as minhas pequenitas. Obrigada por terem tornado as minhas últimas semanas de estágio tão alegres. À Tininha, uma das melhores pessoas que conheci e que foi, sem dúvida, uma ajuda e um apoio fundamental. Obrigada pela mão amiga. A todos os colegas que se tornaram amigos ao longo da caminhada por este templo do saber. Obrigada por tornarem a minha vida académica tão bonita. Por último, mas não menos importante, aos meus anjos da guarda que iluminaram esta jornada desde o primeiro dia. Obrigada por estarem aí a olhar por mim. Com muita saudade. iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. iv RESUMO Este relatório, realizado no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue, decorre do estágio curricular realizado no Posto de Turismo de Guimarães pertencente à Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães. O principal objetivo é contextualizar e analisar as atividades realizadas ao longo de quatro meses, sendo elas a tradução de documentos turísticos, o atendimento ao público e a dinamização de atividades no Posto de Turismo. Assim sendo, pretende-se enquadrar conceitos como Tradução, Turismo e Comunicação Multilingue de forma a sustentar as atividades realizadas no decorrer do estágio, apresentar a entidade acolhedora, as funções desempenhadas pela mesma, seguindo-se uma abordagem teórica sobre o papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades, sendo a cidade de Guimarães o objeto de estudo. O presente relatório visa apresentar, ainda, uma experiência bastante enriquecedora e positiva do estágio curricular que conferiu trabalho nas minhas principais áreas de interesse: a tradução e o turismo. Palavras-chave: Comunicação Multilingue, Guimarães, Posto de Turismo, Tradução, Turismo. v ABSTRACT This report, written as part of the Master's in Translation and Multilingual Communication, is the result of a curricular internship carried out at the Guimarães Tourism Office, part of the Tourism Division of Guimarães City Hall. The main purpose is to contextualize and analyze the activities carried out over four months, namely the translation of tourism documents, customer service, and the promotion of activities at the Tourism Office. Therefore, it is intended to frame concepts such as Translation, Tourism and Multilingual Communication to support the activities carried out during the internship, to present the host entity, the functions performed by it, followed by a theoretical approach on the role of translation in the tourist development of cities, with the city of Guimarães as the object of study. This report also aims to present a very enriching and positive curricular internship experience that provided work in my main areas of interest: translation and tourism. Keywords: Multilingual Communication, Guimarães, Tourism Office, Translation, Tourism. vi Índice 1. Introdução ........................................................................................................................ 1 1.1. Contexto ................................................................................................................... 1 1.2. Objetivos ................................................................................................................... 1 1.3. Estrutura do relatório ................................................................................................. 2 2. Parte I – Enquadramento teórico .......................................................................................... 3 2.2. Introdução ..................................................................................................................... 3 2.2. – A tradução .................................................................................................................. 3 2.2.1. – O tradutor turístico .................................................................................................. 5 2.2.2. – A tradução de textos turísticos ................................................................................. 6 2.3. – O turismo ................................................................................................................... 8 2.4. – Conclusão ................................................................................................................ 11 3. Parte II – O estágio curricular ............................................................................................. 13 3.1. – Introdução ................................................................................................................ 13 3.2. – A entidade acolhedora .............................................................................................. 13 3.3. – Plano de estágio ....................................................................................................... 15 3.4. – Tarefas realizadas .................................................................................................... 16 3.4.1. – Tradução ............................................................................................................... 17 3.4.2. – Quiz interativo ....................................................................................................... 18 3.4.3. – Atendimento ao turista........................................................................................... 19 3.4.4. – Outras atividades ................................................................................................... 20 3.5. – Conclusão ................................................................................................................ 21 4. Parte III - O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades ............................. 22 4.1. – Introdução ................................................................................................................ 22 4.2. – O turismo na cidade de Guimarães ........................................................................... 23 4.3. – Estatísticas dos postos de turismo ............................................................................ 28 4 Podemos, ainda, caracterizar a tradução como um conceito multifacetado e uma atividade complexa, oferecendo inúmeras abordagens, simultaneamente objeto e disciplina de estudo e uma prática em crescente desenvolvimento. Encontramos na bibliografia sobre o tema diferentes definições para o termo tradução. Alguns autores consideram a tradução como uma atividade entre línguas, outros consideram-na uma atividade textual, há quem a defina como um ato de comunicação ou ainda como um processo. Aubert (1998) afirma que: “A tradução, como qualquer outro ato de comunicação (…) é algo que ocorre entre indivíduos e entre grupos sociais. (…) é, também, algo que tem lugar entre culturas, ideologias e visões de mundo distintas. (…) é, à evidência, algo que se expressa em orações, sintagmas e palavras.” (Aubert, 1998, p.99) Hurtado Albir (2001, p.25), por sua vez, descreve a tradução como “(…) una habilidad, un saber hacer que consiste en saber recorrer el proceso traductor, sabiendo resolver los problemas de traducción que se plantean en cada caso. (…) más que un saber es un saber hacer (…)”. Por sua vez, Munday (2022, p. 250) caracteriza, de forma sucinta, a tradução como sendo acima de tudo, comunicação e refere ainda que: “(…) translation is not limited to the words on the page. It is an intercultural and interlinguistic product of a complex process that involves human and institutional agents (author, commissioner, translator, editor, revisor, patron, political institutions and so on) operating in specific sociocultural, geographical and historical conditions.” (Munday, 2022, p. 250) No âmbito deste relatório e tendo em consideração o contexto de intervenção e aplicação prática a uma realidade, podemos considerar que “traduzir” consiste em transpor uma mensagem original de uma língua de partida para outra de chegada tendo em conta critérios de equivalências e não visando a produção de uma mensagem totalmente idêntica. Assim sendo, serão consideradas três questões que Hurtado Albir (2001, p.28) coloca na reflexão seguinte sobre o ato de traduzir: “Porquê, para quê e para quem se traduz?”. De acordo com a autora, traduz-se 5 porque as línguas e culturas são diferentes, traduz-se para comunicar e, por último, traduz-se para alguém que não conhece a língua e cultura de um determinado texto. Para além disso, Hurtado Albir (2001, p. 28-29) sublinha que: “(…) cualquier reflexión sobre la traducción no puede perder de vista cuatro presupuestos básicos: 1) la razón de ser de la traducción es la diferencia entre las lenguas y las culturas; 2) la traducción tiene una finalidad comunicativa; 3) la traducción se dirige a un destinatario que necesita de la traducción al desconocer la lengua y la cultura en la que está formulado el texto original; 4) la traducción se ve condicionada por la finalidad que persigue y esta finalidad varía según los casos.” O leque vasto e variado de definições mostra bem que o conceito de tradução é um conceito complexo e multifacetado mas, ao mesmo tempo, é possível compreender as suas principais características: um processo entre textos, um ato de comunicação e uma atividade cognitiva. 2.2.1. – O tradutor turístico A tradução de textos turísticos não pode ser feita por uma pessoa que apenas “sabe falar línguas” uma vez que este tipo de traduções vai muito para além disso, implicando o conhecimento de terminologia específica e diversa característica do destino que está a ser apresentado. Este tipo de tradução deve, então, ser feito por um tradutor profissional e só assim se poderá garantir uma tradução fidedigna. O tradutor deve ser capaz de apresentar um destino turístico usando uma linguagem acessível e compreensível e usando termos simples e intuitivos. Para além disso, deve ser extremamente competente ao nível linguístico e comunicativo, tanto na língua de partida como na língua de chegada, para que a mensagem que se pretende transmitir não se perca na tradução. Assim sendo, o papel do tradutor turístico é o de apresentar ao turista, na sua língua materna ou numa que este melhor compreenda, os costumes, a gastronomia, os detalhes próprios da cultura de partida, tendo sempre em mente que é necessário conferir um conhecimento exímio da mesma. Em suma, o tradutor turístico tem de conferir conhecimentos acerca de características culturais, tradições, serviços de lazer e qualquer outro tipo de atividade direcionada ao turista e deve ser capaz de traduzir um vasto campo de vocabulário de diferentes áreas temáticas tais como 6 arte, história, cultura, gastronomia, hotelaria, etc. Deve ainda ser meticuloso e criativo para traduzir com rigor as emoções presentes no texto de partida para que a mensagem não seja perdida no texto de chegada. De um modo geral, o tradutor deve ser capaz de adaptar a mensagem que está a traduzir de forma que esta seja compreendida nas língua e cultura de chegada, mantendo-se fiel ao texto de partida tendo em conta a mensagem que pretende passar para uma realidade cultural completamente diferente. Estes critérios imprescindíveis para obter traduções de qualidade vão de encontro às competências exigidas aos tradutores profissionais pela Norma Europeia de Qualidade para Serviços de Tradução (EN-15038) que dita que o tradutor deve agregar as seguintes competências: 1. Competência na tradução – capacidade de traduzir um texto de uma língua de partida para uma língua de chegada de acordo com os critérios acordados com o cliente; 2. Competência linguística e textual nas línguas de partida e de chegada – compreensão e domínio dos dois sistemas linguísticos, conhecimento das convenções ao nível dos tipos de texto e capacidade de aplicar este conhecimento durante a produção de textos; 3. Competência na pesquisa, aquisição e tratamento de informações – capacidade de adquirir de forma eficiente os conhecimentos linguísticos e especializados que são necessários para compreender o texto de partida e elaborar o texto de chegada; 4. Competência cultural – referente à capacidade do tradutor utilizar informações do ambiente cultural, os comportamentos e os sistemas de valores que caracterizam as culturas de partida e de chegada; 5. Competência técnica – capacidade de realizar traduções especializadas e profissionais, utilizando ferramentas atuais de tecnologia de informação e de recolha de terminologia. 2.2.2. – A tradução de textos turísticos A atividade turística faz com que sejam produzidas imensas traduções em todo o mundo, especialmente nos destinos com uma maior afluência de visitantes (Bugnot, 2005, p.15). Em algum ponto das suas vidas, a grande maioria das pessoas já foi turista quer no próprio país quer 7 do outro lado do mundo e, nesse momento, sentiu necessidade de recorrer a textos que, originalmente não foram escritos na sua língua materna, mas foram de grande utilidade durante a sua estadia no destino escolhido. A principal função dos textos turísticos é informar o turista sobre um ou vários locais a visitar num determinado destino numa linguagem informal, acessível e adaptada ao público-alvo. De acordo com Rosenberger: “O texto turístico é um texto heterogéneo, cujas funções principais são as de informar e de apelar, frequentemente num estilo linguístico informal, pelo que a tradução de um texto turístico tem de cumprir a função publicitária na língua e na cultura de chegada.” (Rosenberger, 2013, p. 25) Por sua vez, Kelly (1997, p.35) define um texto turístico como sendo “any text published by a public or private organization of any kind intended a) to give information to any kind of visitor or b) to advertise a destination (city, hotel, restaurant, etc.) and encourage visitors to go there”. Isto engloba vários tipos de textos tais como brochuras, guias turísticos, menus, programas de eventos, etc. Alizadeh (2011, p. 261) afirma que o texto turístico deve ser curto, bem organizado, visualmente agradável e atrativo para afetar o leitor. O autor acrescenta ainda que, idealmente, o texto turístico deve ser informativo, intrigante, realista, prático, cultural, educacional, humorístico e até mesmo poético. Surge, então, a necessidade de desenvolver estratégias que facilitem a troca de informação de uma língua para outra. Isto é, para que o turista consiga encontrar informações sobre os destinos que pretende visitar, é necessário compreender o que lhe é apresentado, daí a ser necessário que existam textos turísticos em várias línguas. A tradução surge, então, para satisfazer a necessidade de culturas com diferenças linguísticas comunicarem entre si sem que existam falhas e inconvenientes durante esse processo. Importa referir que, nesta área, há que ter atenção à maneira como são traduzidos os textos, não podendo apenas ser uma transposição de palavras de uma língua de partida para uma língua de chegada. Caso a informação não seja bem 8 transmitida, o turista não terá oportunidade de conhecer devidamente o local e não terá vontade de voltar ou de recomendá-lo. A tradução de textos turísticos visa produzir um texto com o mesmo valor que o original. Desta forma, este tipo de tradução deve ser visto como um fenómeno não só cultural, mas também social, uma vez que cada cultura vê o mundo de forma diferente. De acordo com Muñoz (2012, p.108), os chamados “culturemas” – que podemos definir, segundo Nadal como quaisquer elementos culturais específicas de um país ou de um domínio cultural (Nadal, 2009, p.94) -, constituem um problema de tradução bastante comum neste tipo de texto, pois o seu principal objetivo é aproximar o turista da cultura do texto original procurando a diferenciação da mesma seja através da gastronomia, da música, dos costumes, etc. Nestes casos, em que é necessário traduzir referências culturais, é comum manter-se o termo original “para añadir un aspecto exótico y despertar la curiosidad del turista (…) para permitir el reconocimiento del término en la realidad local” (Muñoz, 2012, p.108). Quando assim acontece, o tradutor pode optar por duas estratégias sendo que a primeira consiste em oferecer uma breve explicação do termo para que o turista perceba o seu significado, e a segunda estratégia consiste em omitir essa explicação. Explicar ou não o termo irá depender se este é utilizado e conhecido na cultura de chegada. Por exemplo, não seria necessário explicar o que é um “pastel de nata” por ser um termo popularizado e um doce conhecido fora do nosso país, mas, por outro lado, talvez fizesse sentido explicar o que são “tripas à moda do Porto” ou “arroz de sarrabulho”, termos menos conhecidos. Assim sendo, cabe ao tradutor definir a melhor estratégia para atender às necessidades do turista, optando por estratégias diferentes tendo em conta o público-alvo de forma a conferir ao texto profissionalismo e qualidade. “Saber fazer corresponder a mensagem de partida ao contexto social, político e cultural de chegada, adequando-o a toda a sua conjuntura, confere ao texto a qualidade esperada e o cumprimento do seu objetivo primário.” (Albergaria, 2019, p.23). 2.3. – O turismo O turismo começa a ser lentamente considerado uma “atividade humana geradora de múltiplos efeitos” (Cunha, 2010, p.2) sendo que é nos finais do século XIX e inícios do século XX que aparecem as primeiras tentativas de o definir enquanto conceito. Com a sua expansão e desenvolvimento enquanto atividade económica surge a necessidade de o definir para, assim, o 9 compreender e explicar. Algumas definições priorizam os aspetos económicos, outras os sociais e culturais, outras os antropológicos e outras ainda os geográficos (Cunha, 2010, p.2). Autores e investigadores tentaram definir “turismo” numa tentativa de caracterizar esta atividade complexa (Cunha, 2010, p.1) e perceber quais os elementos que o compõe, o que fez com que fossem elaboradas diversas definições, cada uma delas sublinhando diferentes aspetos da mesma atividade. Historicamente falando, o primeiro conceito que surgiu foi o de “turista” sendo que as tentativas de definir “turismo” surgem mais tarde, tendo como principal referência o “turista”. Surge, então, a necessidade de definir ambos os termos de forma individual uma vez que o “turista” passou a ser usado para fins estatísticos e o “turismo” para identificar uma atividade (Cunha, 2010, p.4). Apesar das inúmeras definições do termo “turismo” que foram surgindo ao longo dos anos, o que é deveras importante é conceber uma definição universal e consensual. A primeira definição terá sido da autoria de Herman Von Schullern zu Schrattenhofen, um economista austríaco que definiu o turismo como sendo “o conjunto de todos os fenómenos, em primeiro lugar de ordem económica, que se produzem pela chegada, estada e partida de viajantes numa comuna, província ou um estado determinado e, por consequência estão diretamente ligadas entre eles” (1910, citado por Cunha, 2010, p.9-10). Como é percetível, esta definição prioriza os fatores económicos e apenas considera como turistas os visitantes estrangeiros. Em 1942, Hunziker e Krapf definiram o turismo como “o conjunto das relações e fenómenos originados pela deslocação e permanência das pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que tais deslocações e experiências não sejam utilizadas para o exercício de uma atividade lucrativa principal, permanente ou temporária” (citado por Cunha, 2010, p.11). Esta definição aborda o turismo enquanto conjunto de relações e fenómenos sem explicitar quais, afirma que há, de facto, uma deslocação para um sítio diferente da residência habitual e que não poderá existir uma atividade que envolva uma remuneração sendo que abrange qualquer pessoa, residente ou não e, por último, não restringe a duração da permanência no destino. Posteriormente, o turismo foi definido como: "deslocações curtas e temporários de pessoas para destinos fora do seu local de residência e de trabalho, e as atividades empreendidas durante a sua estadia nesses destinos". (Burkart y Medlik, 1981, citado por Sancho, 1994, p.45). Com esta definição, o turismo aparece com uma conotação de “viagem”, excluindo as viagens por motivos de trabalho. 10 Por fim, interessa destacar a definição proposta pela OMT (Organização Mundial do Turismo) que afirma que o turismo é “o conjunto de atividades desenvolvidas por pessoas durante as viagens e estadias em locais situados fora do seu ambiente habitual por um período de tempo consecutivo que não ultrapasse um ano, por motivos de lazer, negócios e outros” (1994, citado por Sancho, 1994, p.46). Esta definição contempla as atividades desenvolvidas durante a viagem, por que motivo a mesma foi realizada, o período e a localização da atividade realizada. De um modo geral, as definições apresentadas têm sempre em comum a existência de deslocação física do turista, que tem de permanecer no destino por um tempo determinado. Fazem parte do turismo tanto as atividades realizadas no local como a viagem até esse local. Por último, qualquer que seja o motivo para viajar, o turismo deverá garantir produtos e serviços que satisfaçam as necessidades do turista. De todos os tipos de turismo que existem, importa sublinhar e aprofundar o que se entende por turismo cultural que, como a expressão indica, se prende com a história e o património, as pessoas, a gastronomia típica, a arte e os costumes, tendo sempre em mente que é a cultura do destino que torna a experiência turística única e diferenciada. Existe um debate bastante alargado em torno deste ramo do turismo havendo, assim, várias definições. Köhler e Durand (2007, p.188), afirmam que podem distinguir-se dois conjuntos de definições para turismo cultural. Enquanto o primeiro conjunto define turismo cultural a partir da procura (motivos, perceções, experiências de viagem), o segundo sublinha aspetos da oferta (consumo de atrações previamente classificadas como culturais). Sobre o primeiro conjunto de definições, os autores ditam que “o alargamento indefinido dos espaços e objetos vistos como culturais, bem como a natureza subjetiva da experiência, faz com que esse conceito seja de difícil aplicação prática” (Köhler e Durand, 2007, p.188), isto é, as definições de turismo cultural baseadas na procura ditam que são as experiências pessoais do turista e o significado que atribui a determinados espaços ou objetos, que definem o que é, ou não, uma atração cultural, o que faz com que seja difícil defini-las, uma vez que depende da perspetiva pessoal de cada turista. No que diz respeito às definições de turismo cultural segundo a oferta, estas baseiam-se na oferta de atrações culturais já classificadas como tal e equipadas para o fluxo turístico, tais como: sítios e centros históricos, festivais, gastronomia local, centros de interpretação patrimonial, mercados tradicionais, museus, objetos e eventos (Köhler e Durand, 2007, p. 187-188). 11 A definição de turismo cultural proposta por McKercher e Du Cros é talvez uma das mais abrangentes e envolve quatro elementos: turismo, utilização de bens culturais, consumo de experiências e produtos e o turista: “A form of tourism that relies on a destination’s cultural heritage assets and transforms them into products that can be consumed by tourists” (McKercher e Du Cros 2005, p. 211–212 citado por McKercher e Du Cros, 2020, p. 3). De um modo geral, os autores referem-se ao turismo cultural como sendo uma forma de turismo que deve ser, em primeiro lugar, baseada em razões turísticas sólidas e só depois em questões de gestão do património. Para além disso, os bens patrimoniais devem ser identificados e conservados pelo seu valor e relevância para a comunidade, em vez do seu valor enquanto atração turística. Assim sendo, os bens patrimoniais devem ser transformados em produtos de turismo cultural para que o turista possa usufruir deles. O “turista” é, assim, o último elemento desta definição e define-se como sendo um residente não local que viaja para se divertir, para fins recreativos ou para passar tempo com a família e os amigos num determinado período (McKercher e Du Cros, 2020, p. 5-7). Para além disso, o turismo cultural pode ser entendido como uma viagem em que o turista procura conhecer e aprender sobre outras comunidades, participar em celebrações tradicionais, aceder à cultura, história e modo de viver daquele povo, fomentando uma maior interação e compreensão entre diferentes culturas. O conceito de turismo cultural torna-se assim, importante e útil para implementar políticas públicas no ramo da cultura e do turismo, dinamizar os fluxos turísticos, fazer análises comparativas entre destinos turísticos e, assim, perceber qual a melhor estratégia para expandir o turismo cultural num determinado destino. 2.4. – Conclusão Atualmente, é inegável a necessidade da tradução e a sua presença na sociedade, independentemente da área profissional, do contexto político, cultural e social ou do tipo de texto em questão. No âmbito do turismo, é fácil de compreender que a qualidade e precisão das traduções dos textos informativos influenciam o impacto da oferta turística do destino, isto é, se o turista não conseguir perceber a informação sobre o destino ou serviço que procura, terá naturalmente menos interesse em visitá-lo ou adquiri-lo. 12 Assim sendo, pode afirmar-se que o turismo é uma atividade intercultural e interlinguística que procura aproximar pessoas, culturas e línguas através da oferta de serviços turísticos em situações de comunicação multilingue onde acontece uma transferência constante de realidades culturais e linguísticas. Testemunha-se, então, uma tentativa de aproximação entre culturas através das palavras e a forma como estas descrevem a realidade do destino turístico. Esta aproximação vai, inquestionavelmente, depender da capacidade do tradutor turístico em espelhar a cultura que está a ser traduzida numa língua de chegada, tendo em conta a realidade cultural do turista, de forma a conferir às traduções um conhecimento extenso do destino abordado, quer seja uma cidade, um monumento ou ainda um local histórico. Apesar da relação entre a tradução e o setor do turismo ser crucial, nem sempre é reconhecida a sua importância e daí advém más traduções tornando-se necessário que a tradução turística seja reconhecida e valorizada de forma a evitar erros que possam comprometer a experiência do turista. 13 3. Parte II – O estágio curricular A segunda parte do relatório visa apresentar o estágio curricular realizado, assim sendo, em primeiro lugar irei apresentar a entidade acolhedora bem como as suas principais tarefas, de seguida o plano de estágio elaborado juntamente com a minha orientadora de estágio por parte da Divisão de Turismo, a Dra. Mafalda Pizarro, em terceiro lugar serão descritas as tarefas realizadas e, por último, as conclusões que retirei desta experiência. 3.1. – Introdução O plano de estudos do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue da Universidade do Minho oferece ao aluno a possibilidade de, no último semestre do segundo ano, realizar uma dissertação ou um estágio curricular. O Mestrado oferece, também, unidades curriculares que aprofundam conhecimentos em duas principais áreas, conferindo ao aluno um destes perfis: tradução ou turismo. Tendo escolhido o Perfil de turismo, procurei realizar o meu estágio numa entidade incluída nessa área. Assim sendo, contactei a Câmara Municipal de Guimarães que me encaminhou para o Posto de Turismo de Guimarães, onde realizei o meu estágio curricular. As tarefas realizadas ao longo dos quatro meses de duração do estágio, sobre as quais falarei no ponto “3.4. – Tarefas Realizadas”, complementaram, de forma prática, os conhecimentos teóricos estudados ao longo do Mestrado. 3.2. – A entidade acolhedora O estágio curricular realizou-se na Divisão de Turismo pertencente ao Departamento de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, como se pode constatar na Figura 1, abaixo discriminada. 20 3.4.4. – Outras atividades Para além das principais atividades supramencionadas, houve outras tarefas que fui realizando ao longo do estágio, algumas várias vezes, outras apenas uma vez. Nos primeiros dias, li toda a documentação disponível de forma a conhecer todos os panfletos, folhetos e brochuras disponíveis para oferecer ao turista bem como toda a informação disponível no website do turismo de Guimarães. Sempre que necessário, recolhia, transportava e organizava o material tanto para o Posto como para oferecer aos visitantes em visitas guiadas ou congressos. O material era recolhido no gabinete de Relações Públicas localizado no edifício da Câmara Municipal de Guimarães e transportado para ambos os Postos de Turismo. Fiz, também, a revisão de duas traduções em inglês e espanhol. A primeira era um panfleto informativo sobre a cidade de Guimarães que foi utilizado na BTL (Bolsa Turismo Lisboa) para apresentar a cidade e, a segunda, um folheto sobre os tipos de alojamento disponíveis na cidade. Aquando do evento “Fins de Semana Gastronómicos” e da Feira Afonsina, distribuí pelos cafés, restaurantes, hotéis e lojas locais panfletos informativos sobre o respetivo evento para que os estabelecimentos pudessem, também, divulgar informação. Durante o estágio tive, também, a oportunidade de participar em eventos fora do Posto de Turismo. A primeira vez que participei numa visita pela cidade pude visitar a Zona de Couros, a loja de filigrana “Filigrana com História” e a Oficina de Bordados de Guimarães juntamente com alguns Guias-Intérpretes de Portugal (ver Anexo 11). Mais tarde, assisti a uma visita guiada pelo Paço dos Duques de Bragança e pelas praças principais da cidade (Praça de S. Tiago e Largo da Oliveira) dirigida ao um grupo de jornalistas oriundos da Turquia. Voltei a visitar o Paço dos Duques de Bragança e as praças principais numa visita guiada dirigida a uma escritora grega, Barbara Athanassiadis, juntamente com uma guia oficial; visitamos também a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Juntamente com uma das minhas colegas, realizamos um peddy-paper pela cidade intitulado de “À Descoberta do Centro Histórico de Guimarães” em que, à medida que caminhávamos pelo centro histórico da cidade, respondíamos a perguntas e desafios sobre os sítios por que passávamos. 21 Nos dias 1, 2, 3 e 4 de junho realizou-se, no Multiusos de Guimarães, a European RoboCup 2022 (ver Anexo 12) onde tive o privilégio de representar o Turismo de Guimarães num balcão informativo. Por fim, uma das últimas tarefas que realizei no Posto de Turismo, foi a organização dos horários de autocarro de Guimarães para Briteiros, S. Torcato e Caldas das Taipas (ida e volta) num documento Excel que seria, posteriormente, editado e fornecido ao turista. 3.5. – Conclusão Em suma, o estágio foi bastante produtivo e enriquecedor. Pude realizar a tradução das brochuras “Guimarães – Museus e Sítios Arqueológicos”, as minhas primeiras traduções profissionais e oficiais que, sem dúvida, contribuíram para o meu crescimento na área da tradução na medida em que pude aplicar conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do meu percurso académico. O facto desses documentos estarem a ser distribuídos pelos turistas que procuram os Postos de Turismo faz com que sinta que cumpri o meu dever e contribuí, de forma positiva, para o trabalho da Divisão de Turismo. Para além disso, desenvolvi e aperfeiçoei várias habilidades tais como a comunicação oral numa língua estrangeira, principalmente inglês e espanhol, sendo que por vezes também usei o francês, nomeadamente no atendimento ao público diário. Esta tarefa foi muito importante para ganhar mais confiança para comunicar numa língua que não é a minha língua materna nem sequer a minha língua de trabalho habitual. O facto de ter tido liberdade para realizar novos projetos de interesse para os Postos de Turismo, como o Quiz Interativo, fizeram com que o estágio fosse ainda mais desafiante e interessante. Pus à prova a minha imaginação e a minha capacidade de desenvolver novas ideias que, para além de criativas, fossem úteis. Por último, importa referir que foi imensamente gratificante ter tido a oportunidade de acompanhar os Técnicos Superiores em várias visitas guiadas para perceber um pouco a dinâmica realizada por um guia turístico, assunto de interesse pessoal. De um modo geral, o estágio foi uma experiência bastante positiva e superou todas as expectativas que criei. 22 4. Parte III - O papel da tradução no desenvolvimento turístico das cidades Esta parte do relatório visa refletir sobre de que forma tradução é importante e essencial para o desenvolvimento turístico das cidades tendo, como estudo de caso, a cidade de Guimarães. Numa primeira parte irei apresentar a evolução do turismo em Guimarães ao longo dos anos, seguindo-se de uma análise aos dados estatísticos de afluência aos Postos de Turismo deste ano, 2022, durante os meses de março, abril, maio e junho. Esta análise irá ser um dos suportes que sustentará a importância e relevância da Tradução no setor do Turismo, uma vez que mostra o número de visitantes bem como de que país são oriundos. Para apresentar os dados de forma sucinta e de fácil compreensão, decidi elaborar os gráficos apresentados abaixo. 4.1. – Introdução A evolução notória do turismo tem sido acompanhada de um aumento da circulação de pessoas de diferentes nacionalidades o que torna indiscutivelmente evidente a importância da Tradução neste setor uma vez que, cada vez mais, é necessária a existência de informação percetível para qualquer turista que a procure. Bugnot (2005, p.15) afirma que “La actividad turística genera una ingente cantidad de traducciones en todo el mundo y muy especialmente en las áreas geográficas con gran afluencia de visitantes.” Compreende-se que, ao viajar para outro país, o turista irá encontrar, grande parte das vezes, uma barreira linguística que poderá dificultar a comunicação uma vez que a língua oficial desse país não é a sua língua materna. Ora, se o turista não conhecer a língua do país que visita torna-se essencial que haja informação na sua língua materna ou, pelo menos, numa língua que este compreenda e é nesse sentido que a tradução se torna extremamente importante. Através do texto turístico pretende dar-se a conhecer um local, um produto, uma cultura ou até mesmo uma tradição de forma que o turista tenha interesse em visitá-lo e conhecê-lo. Desta forma, é imprescindível perceber que a tradução destes textos tem um papel fundamental no setor do turismo uma vez que estas traduções serão, possivelmente, o primeiro contacto do turista com o país que está a visitar e a vontade de voltar pode depender delas. 23 4.2. – O turismo na cidade de Guimarães O município de Guimarães, afirma Marques (2011, p.27) “está tradicionalmente ligado à atividade industrial. A presença de um vasto número de empresas exportadoras (…) permitiu investimentos no setor hoteleiro que dotou o município de um razoável parque hoteleiro (…)”. Desta forma, foi possível criar um mercado de turismo de negócios deixando para plano secundário o turismo de lazer. Nos finais do século XX, o declínio de algumas atividades no setor da indústria, reflete um impacto negativo no setor do turismo e, por isso, é pensada, por parte da autarquia, “uma estratégia de desenvolvimento turístico apoiado na requalificação e regeneração urbana, que teve o seu principal reconhecimento na classificação do seu Centro Histórico como Património Cultural da Humanidade em 2001” (Marques, 2011, p.27). Foi necessária uma mudança de estratégia para atrair turistas que procuravam, agora, atividades de lazer no âmbito do turismo cultural. Enquanto a estratégia anterior era dirigida “para dentro”, ou seja, a sua área de ação era o Município, com esta nova estratégia tornou-se necessário alargar a área de ação para todo o país e até mesmo para outros países obrigando “os agentes turísticos locais a abordar o mercado de outra forma (…) rompendo com o paradigma ao qual estavam habituados” (Marques, 2011, p.28). Neste sentido e, de forma a compreender a evolução do turismo na “Cidade Berço”, irei analisar os seguintes dados estatísticos dos últimos 10 anos (2012-2021): a Afluência aos Postos de Turismo, a Taxa de Ocupação-Quarto (O.Q.) e a Afluência de Visitantes a Equipamentos Culturais e as Visitas aos principais Museus e Sítios Arqueológicos. De acordo com os dados recolhidos pela Divisão de Turismo que podemos observar na Figura 2, verifica-se que, sem sombra de dúvidas, o ano de 2012 foi o que conferiu uma maior afluência aos Postos de Turismo talvez porque, nesse ano, a cidade de Guimarães foi intitulada de Capital Europeia da Cultura. Francisca Abreu, vereadora da Cultura à data, afirmou que “Numa época em que Portugal vivia uma crise económica profunda, sob assistência financeira, Guimarães foi uma espécie de oásis. Cresceram lojas, negócios, aumentou o turismo”. Nos dois anos seguintes, o número de visitantes diminui para menos de metade do que se verificava no ano de 2012 e, entre 2015 e 2019, confirma-se um aumento gradual, nunca atingindo aos valores altíssimos do ano de 2012. Em 2020, quando o mundo é afetado pela Pandemia da Covid 19, a afluência aos Postos de Turismo desce acentuadamente, como seria de esperar, graças às imensas restrições impostas pela Direção Geral de Saúde para combater o vírus. Já em 2021 o 24 surgimento de novas variantes da doença traduziu-se numa inegável quebra em toda a atividade turística tornando-se difícil retomar o modo de vida pré-pandémico e voltar à “normalidade”. Desta forma, a retoma do turismo será feita, certamente, de uma forma lenta e gradual, mas, apesar de todas estas condicionantes, verifica-se um ligeiro crescimento na afluência aos Postos de Turismo no ano de 2021. Em relação à Taxa de Ocupação-Quarto (O.Q.), constata-se, pela imagem abaixo, que os valores vão ao encontro dos anteriormente descritos. Dos 10 anos discriminados, 2012 foi o ano em que houve uma maior O.Q. tendo registado um valor de 64% e, após um ligeiro decréscimo nos valores dos anos seguintes, em 2017 verifica-se uma tendência a aumentar sendo que em 2018 e 2019, atingem-se valores próximos aos do ano de 2012 (62%). Mais uma vez, graças ao surto pandémico que o mundo enfrentava em 2020, os valores da O.Q. descem para 25% apresentando uma quebra gigantesca. Felizmente, “depois da tempestade vem a bonança” e no ano de 2021 verifica-se um aumento deste valor (36%). Figura 2 - Afluência aos Postos de Turismo 25 Para realizar uma análise o mais fiável possível, importa ter também em consideração os dados referentes à visitação de Equipamentos Culturais (neste caso, teremos em conta os dados referentes ao Paço dos Duques de Bragança, ao Museu de Alberto Sampaio, à Plataforma das Artes e à Casa da Memória entre 2012 e 2018 (Figura 4) em que, uma vez mais, a tendência verifica-se a mesma. Apesar da quebra inegável no ano de 2013, em relação ao ano anterior, a principal tendência é o aumento do número de visitantes até ao ano de 2018 onde os valores são próximos aos registados em 2012. Figura 3 - Taxa de Ocupação-Quarto (O.Q.) 26 No que diz respeito à visitação aos principais Monumentos, Museus e Sítios Arqueológicos serão analisados os dados referentes aos principais: Castelo de Guimarães e Paço dos Duques de Bragança, Citânia de Briteiros, Museu de Alberto Sampaio, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Casa da Memória, Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento e o Museu da Cultura Castreja. Como é percetível da figura abaixo, 2020 (303 386 visitantes) interrompeu uma tendência de crescimento contínua que se verificava nos anos anteriores, tendo no ano de 2019 atingido o valor de 939 882 visitantes, mas, como seria previsível concluir tendo em conta os dados analisados anteriormente, o ano de 2021 iria inverter essa situação registando um crescimento na procura destes espaços (377 632 visitantes). Figura 4 - Visitação de Equipamentos Culturais 27 “Um centro histórico classificado de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, a sua importância cultural pela associação à origem da nação Portuguesa e (…) a sua indicação como Capital Europeia da Cultura em 2012, assumem-se como os seus principais destaques e elementos diferenciadores no contexto da oferta turística nacional e internacional.” (Marques, 2011, p.34) Figura 5 - Visitação aos principais Monumentos, Museus e Sítios Arqueológicos 28 4.3. – Estatísticas dos postos de turismo No seguimento do ponto anterior, onde fiz uma breve análise dos dados estatísticos relativos ao turismo na cidade de Guimarães, irei, agora, fazer uma análise mais pormenorizada das estatísticas que ajudei a elaborar durante o período de duração do meu estágio (março, abril, maio e junho de 2022) que ditam a afluência aos Postos de Turismo da cidade de Guimarães – Posto de Turismo da Praça de S. Tiago e Welcome Center, o que permitirá ter uma maior noção do panorama atual. Agora, para além de analisar o número de turistas, importa também analisar o país de onde vêm. Ao examinar estes dados é possível compreender melhor as necessidades do turista de forma a poderem definir-se estratégias específicas de promoção e comunicação para atraí-lo a visitar os mais diversos pontos de interesse que a cidade de Guimarães oferece. 4.3.1. – Organização das estatísticas O documento de registo das estatísticas está organizado de uma forma bastante intuitiva e de fácil compreensão, o que facilita o processo de recolha de dados aquando do atendimento ao turista. É composto por seis folhas sendo que na primeira estão discriminados alguns países e o sítio para anotar os grupos que visitam a cidade bem como os países de onde vêm, na segunda aparecem os nomes de mais alguns países e algumas linhas em branco para acrescentar outros, se assim for necessário. A terceira e quarta folhas são destinadas aos distritos do nosso país bem como as ilhas da Madeira e dos Açores. Por fim, nas últimas duas folhas, recolhem-se os dados sobre as comunidades autónomas de Espanha. À frente de cada nome, seja país, cidade ou comunidade, tem vários quadrados com números que vão sendo riscados à medida que os turistas aparecem no Posto. No final de cada dia, é feita a contagem dividida por três categorias: Total, Grupos e Espanha (uma vez que é o país com maior representação nas estatísticas). Para a análise pretendida, irei priorizar os dados relativos aos países de onde os turistas “individuais” são oriundos, isto é, sem contabilizar os grupos. 29 4.3.2. – Análise de dados estatísticos Começando pelo mês de março, visitaram os Postos de Turismo de Guimarães, em busca de informação turística sobre a cidade, 1698 turistas oriundas dos mais distintos países. Os cinco países com maior representação são, por ordem decrescente, Espanha, França, Portugal, Brasil e Estados Unidos da América (EUA) com 719, 285, 205, 114 e 62 turistas, respetivamente. Em relação aos países com um menor número de turistas temos, com apenas 1 registo, o Chile, o Equador, a Dinamarca e a Letónia. Com apenas 2 turistas a representar o país, seguemse Bulgária, China, Croácia, Egito, Eslovénia, Estónia, Irlanda, Japão, Lituânia, Luxemburgo, Macedónia, Malta, México, Noruega, Perú, República Checa, Ucrânia e Venezuela. De Israel, visitaram a cidade 3 turistas, da Suíça e da Suécia 4, do Uruguai 6, da Áustria e da Polónia 7, da Hungria 8, da Colômbia 9 e da Argentina 10 sendo estes os 31 países menos presentes nas estatísticas do mês de março. Os últimos países a ter em conta são a Itália com 18 turistas, o Canadá com 24, a Bélgica com 28, a Holanda com 41, a Inglaterra com 51 e, por último, a Alemanha com 53 turistas. Na figura abaixo, estão discriminados os países supramencionados e a percentagem que representam face ao total de turistas que estiveram nos Postos de Turismo. Podemos constatar que é de Espanha que vêm quase metade dos turistas (cerca de 42%), ocupando a posição de maior e principal mercado emissor. 36 5. Considerações finais Dizer que a tradução está presente em vários momentos do nosso dia a dia torna-se bastante óbvio, uma vez que há uma constante partilha de informação e conhecimento interlinguístico e intercultural. No setor do turismo, a qualidade das traduções realizadas influencia, de uma maneira ou de outra, a perspetiva do turista sobre o destino que ele está a visitar uma vez que é através delas que consegue adquirir informações pertinentes para a sua estadia ou experiência. A tradução é necessária e importante pois é através das palavras que conseguimos transmitir uma mensagem que seja percetível para diferentes povos, culturas e realidades. No caso da tradução turística, dela advém uma grande responsabilidade uma vez que o tradutor precisa de conferir conhecimentos culturais e linguísticos bem como ser versátil para poder encontrar estratégias para resolver os inúmeros problemas de tradução que possam surgir. Sendo o turismo um setor económico de grande importância, torna-se necessário trabalhar e aperfeiçoar todas as áreas envolvidas nele, para isso, torna-se necessário que haja profissionais de tradução na área, capazes de dar respostas às exigências do mercado e, assim, assegurar a credibilidade do destino turístico bem como atrair novos visitantes. O principal objetivo desde relatório foi descrever o estágio curricular realizado na Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, tendo em conta uma abordagem teórica e de reflexão sobre a relação entre o turismo e a tradução bem como a importância da última no desenvolvimento turístico das cidades, usando a cidade de Guimarães como estudo de caso. A realização deste estágio proporcionou-me, entre muitas outras coisas positivas, a possibilidade de ter um contacto profissional com a tradução, nomeadamente a tradução turística, o que permitiu pôr em prática conhecimentos teóricos instrumentais que adquiri ao longo da minha formação académica. Esta foi a minha primeira experiência de tradução profissional e foi tão desafiante e gratificante tanto a nível profissional como a nível pessoal quanto eu podia esperar quando nela ingressei. Para além disso, o atendimento ao público fez com que melhorasse a comunicação usando as minhas principais línguas de trabalho (inglês e espanhol) e, dessa forma, me sentisse mais capaz de o fazer, procurando sempre corrigir e esclarecer pequenos erros e dúvidas que foram surgindo. Sempre tive interesse na área do turismo por tudo aquilo que engloba e, por essa 37 razão, tinha as expectativas muito elevadas em relação ao estágio curricular que, felizmente, foram superadas. Com o virar desta página, e ao redigir este relatório que também é um exercício de revivência fica um sentimento agridoce; se por um lado me sinto recompensada pelo sentimento do dever cumprido e dos resultados obtidos, por outro não posso deixar de sentir alguma nostalgia pois “deixei para trás” uma casa que me ajudou, ensinou e acolheu tão bem durante quatro meses. Mais do que uma aprendizagem, este estágio fez desabrochar em mim uma confiança que eu achava que não tinha o que contribuirá, sem dúvida, positivamente para os desafios que me esperam na vida profissional. “Every new beginning comes from some other beginning’s end.” (Lucious Annaeus Seneca) 38 6. Bibliografia 1. Albergaria, Inês. (2019). A tradução da cultura para o turismo em contexto digital. [Relatório de Estágio de Mestrado, Universidade do Minho, Braga]. RepositoriUM. http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/64640 2. Alizadeh, A. (2011). Bridging cultures: Tourism and the art of translation. 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Anexos Anexo 1 - Mapa da Cidade (frente) Anexo 2 - Mapa da Cidade (verso) 41 Anexo 3 - Guia da Cidade em várias línguas 42 Anexo 4 - “Use It” (espanhol, português e inglês) Anexo 5 - Mapa da Montanha da Penha (inglês, português, francês e espanhol) 43 Anexo 6 - Mapa das Caldas das Taipas (português, inglês, francês e espanhol) Anexo 7 - Mapa de São Torcato (inglês, português, francês e espanhol) 44 Anexo 8Rota das Camélias (espanhol, português, inglês e francês) Anexo 9 - Rota do Enoturismo (inglês, português, espanhol e francês) 45 Anexo 10 - Guia de Percursos Pedestres (português, inglês e espanhol) Anexo 11 - Participação na visita com os Guias-Intérpretes de Portugal 52 53 Anexo 15 - Avaliação final do estágio por parte da Entidade Acolhedora 54 8. Apêndices Apêndice A - Quiz Interativo “Abrir Horizontes” 55 56 57 58 59