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Noções elementares de archeologia

Silva, Joaquin Possidonio Narciso de

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é-r^J NOCOES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA OBRA ILLÜSTRADA COM 324 GRAVURAS UMA ÍNTRÒDUCÇÂO Do Sr. Socio Effectivo da Academia Eeal das Sceebcias DEDICADA ÃMEMÓRIA DO ILLÜSTRE ARCHEOLOGO MR. A. DE CAUMONT POR JOAQUIM POSSIDONIO NARCISO DA SILVA Architecto da Casa Real, Socio coreesi^dente do Instítato de França, Honorário do Instituto Real dos Architectos Britanuicos, da Sociedade Franceza de Archeologia. da Sociedade Central dos Architectos de Paris, correspondente da Academia Real de S. Fernando, fundador do Museu de Archeologia em Lisboa, etc. etc. etc. ASUA ALTEZA REAL ,0 SEREMSSIMO PRIHCIPI DUQUE DE BRAGANÇA Com amoÍ0 «opoitosa I)miwní»S«n o. X). c. 0hnmilde anctor d’este compendio jfOAQUIM j^OSSÍDONlO JÍARClSO DA jSiLYA. INTRODUCÇAO I Não conheceram os povos da antiguidade aarcheologia, pelo menos como uma sciencia. Foi ignorada dos proprios gregos eromanos, não obstante asua brilhante civilisação, e apezar dos primeiros lhe terem creado onome, composto de dois vocábulos seus :archaios, que quer dizer antigo, e logos discurso. Etanto adesconheciam, confundindo-a com ahistoria, que alguns escriptores gregos eisraelitas do principio da era christã, deram onome de archeologia a obras que tratavam simplesmente da historia de povos, embora desde tempos remotos, ou que se occupavam de antiguidades, mas limitando-se adescreverem os monumentos, sem entrarem nas apreciações econjecturas, que levam oarcheologo ao conhecimento do viver dos povos da antiguidade. Os generaes romanos, quando voltavam d’essas emprezas guerreiras que accrescentavam ao império novas pro- INTRODUCÇiO lisou Oseu nome. N’esta obra magistral, que dividiu em 6livros, estabeleceu esellou de um modo incontroverso aalliança das artes com aarcheologia, marcando aesta, como norma ealvo aque deve mirar, seguir escrupulomente sob todos os aspectos, pela apreciação do trabalho humano nas artes ena industria, odesenvolvimento da civilisação nos seailos passados ;eestabelecendo ao mesmo tempo omethodo racional eclaro para alcançar esse fim. Teve grande importância esta obra, não só por dilatar os horisontes da nova sciencia, eabrir amplas vias aos seus cultores; mas também por diffundir ogosto dos estudos archeologicos, graças áelegancia do seu estylo, á lucidez dos seus argumentos, esobretudo ao enthusiasmo com que falia dos grandes primores da arte antiga, edos evplendores da civilisação grega eromana. D’essa benefica influencia originaram-se alguns dos mais ricos museus de antiguidades, que hoje eastem, emuitas collecções partiticulares valiosas, que promoveram efacilitaram oestudo. Seguindo ousadamente os passos do erudito auctor da Historia ãa Arte, assignalaram-se após elle outros archeologos por distinctos serviços prestados ásciencia. 0conde de Caylus classifica por ordem chronológica os monumentos das differentes edades, epenetra osegredo que produziu amaior parte das artes. 0archeologo italiano Morcelli cria um systema regular para aclassificação das inscripções, conforme oassumpto de que tratam, epara oestudo d’ellas, segundo oseu estylo. 0celebre numismata padre Eckhel, jesuita allemão, coordena methodicamente asciencia das medalhas; áqual odouto dinamarquez Rask accrescentou aordem alphabetica. Osabio philologo eantiquário padre Passeri, italiano, que organisou orico i:STRODüCÇÃO museu do grã-duque de Toscana, explica aum numeroso auditorio sob oportico de Lanzi, em Florença, com mais proficiência do que ofizera Demspter, no século antecedente, os idiomas eos monumentos da Italia, anteriores á fundação de Roma. Odescobrimento das ruinas de Herculanum, deixára ajuizar de alguns usos ecostumes dos romanos ainda mal conhecidos. Porém quando em 1735 se começou alevantar aespessa mortalha, que envolveu Pompeia em seu leito de morte durante 17séculos, fazendo surgir do sepulchro uma cidade romana com as suas praças, ruas ecasas guarnecidas eadereçadas interiormente, como na hora fatal em que as cinzas do Vesuvio asepultaram no anno 79 da era christã, revelou-se aos olhos absortos dos antiquários a vida publica eprivada do povo romano com todos os seus usos ecostumes, pois que só então foi bem conhecida uma infinidade de coisas ecircumstancias, que eram inteiramente ignoradas. Accentuando-se cada vez mais os progressos da archeologia, oabbade Barthelemy, francez, reedifica a-Grécia de Pericles, eJorge Zoega, antiquário dinamarquez, começa aerguer oveu que occultava ásciencia oantigo Egypto. Napoleão Bonaparte emprehende aconquista d’este paiz, eas aguias francezas triumphantes abrem ignotos caminhos áarcheologia, epatenteiam-lhe um immenso thesouro de preciosas reliquias da mais remota antiguidade. Vivant-Denon reproduz com oseu lapis habil edelicado, os soberbos monumentos do império dos Pharaós, ecopia com escrupulosa exactidão, dos muros ennegrecidos pelo embate de tantos séculos, esses mysteriosos caracteres, que encerram, sob mil fôrmas emblemáticas, senão os annaes, avida intellectual do antigo povo egypcio. D’entre um grande numero de sábios, que illustram a INTRODUCÇÃO archeologia com os seus escriptos, Champolion descobre 0alphabeto dos hierogl\T3hicos, eassim preenche uma lacuna de séculos, que ahistoria tinha deixado no esquecimento. Millin funda em 1792 ojornal Magmin Encyclopeãique, por meio do qual derrama epopularisa os estudos archeologicos ;publica varias obras importantes sobre esta sciencia, eum Diccionario de Bellas Artes. Raoul-Rochette enriquece alitteratura franceza com oseu excellente Curso ã’Archeologia. eentre outras publicações não menos interessantes, que fazem conhecidos edevidamente apreciados alguns sábios inglezes, italianos eallemães, Mr. A. du Caumont facilita epopularisa oestudo d’esta sciencia com seu precioso Abecedario ou rudimentos da archeologia. Os livros d’estes homens, de espirito elevado, dão um grande incitamento ás investigações archeologicas ;eas descobertas dos testemmihos authenticos da existência do homem na remotissima época quaternaria, trouxeram ao " campo das discussões scientificas aorigem da especie humana, e0seu viver nos tempos prehistoricos. Colleccionaram-se epatentearam-se ao publico os utensilios einstrumentos de que usaram os homens na sua idade primitiva, eque se iam descobrindo em excavações casuaes ou feitas expressamente com esse intuito. Enão tardou areconhecer-se aconveniência de se reunirem em congresso os homens que nos diíferentes paizes se dedicavam aestes estudos, para que da exposição das suas investigações, e das discussões de uma assembléa tão competente eauctorisada, se projectasse luz nas trevas d’esse remoto passado. Coube amr. Desor, distincto naturalista, ahonra de ser 0primeiro aapresentar aidéa de um congresso internacional de archeologia prehistorica. Este pensamento enunciado em Paris, foi abraçado com enthusiasmo ;po- INTRODUCÇÃO rém antes que podésse ser realisado na terra, onde ti\era origem, antecipou-se aItalia aencetar estas controvérsias. No outono de 1863 asociedade das sciencias naturaes, reunida em Spezzia, occupou-se dos tempos prehistoricos. No anno seguinte reunem-se os archeologos de differentes paizes em Neufchatel, na Suissa, celebram oprimeiro congresso internacional de archeologia preMstorica ;tratam largamente do assumpto ;ajustam elançam as bases para aconvocação do segundo congresso, que dá principio ás suas sessões em Paris, no anno de 1867, ao mesmo tempo que se abre n’essa cidade agrande exposição universal^ com uma secção intitulada Historiã do trãbãlho humano^ onde figuram productos variadíssimos da industria humana de todos os paizes do globo, e de todas as épocas até ás primitivas da humanidade. Desde então entrou aarcheologia em um periodo de verdadeira actividade scientifica, protegida pelos governos das nações mais cultas, reconhecida asua importância e justamente apreciada por todas as pessoas illustradas, qualquer que seja orumo dos seus conhecimentos. V Portugal não tem tomado aparte activa, que lhe cumpria tomar, como paiz civilisado, eaquem tanto deve a moderna civilisação, n’aquelie movimento scientifico. Todavia, não se pode dizer que lhe tenha ficado estranho. Varias memórias, publicadas pela academia real das sciencias de Lisboa, provam que esta corporação se occupou, desde asua instituição, de assumptos archeologicos, relativos áhistoria do paiz. Além d’isso n’estes últimos annos tem havido entre nós não poucos escriptores que se IXTRODICÇÃO tem dedicado aos estudos archeologicos, ed’entre estes, alguns zelosos investigadores do que diz respeito aos tempos prehistoricos. Temos sido muito descuidados na formação de museus archeologicos, eéuma vergonha que não tenhamos um unico estabelecimento d’este genero, digno de ser exposto aos olhos dos estrangeiros illustrados que visitam onosso paiz. Emaior vergonha équq não exista, podendo edevendo existir, independentemente do recurso ás excavaçoes muito dispendiosas. Era bastante para constituir um museu de objectos archeologicos eartisticos, muito rico e variado, os milhares de objectos, producto do trabalho humano, em diffrentes. edades, de remotas eras, em oiro, prata, bronze, vidro, barro epedra, descobertos nas provincias do reino, sobretudo na Estremadura, Alemtejo e Algarve, desde oséculo xv, em excavações casuaes, emuitos objectos preciosos ealfaias dos extinctos conventos. Por iniciativa, epode dizer-se por unico esforço do sr. J. Possidonio Narciso da Silva, fundador epresidente da real associação dos architectos earcheologos portuguezes, deu começo esta associação no edifício da egreja gothica earruinada do extincto convento do Carmo, onde se acha estabelecida, aum museu archeologico. Carece, porém, de muitas condições para preencher os fins aque são destinadas similhantes collecções, sendo uma das principaes, aorganisação scientifica echronologica, econveniente collocação dos objectos alli reunidos. Devo accrescentar, porém, que achando-se alli todos os objectos accumulados eapertados por falta absoluta d’espaço ;aquella organisação econveniente collocação estão dependentes de uma obra importantem despendiosa ;acobertura das naves da egreja. Guardam-se em differentes estabelecimentos públicos de INTRODUCÇÃO Lisboa, Porto eEvora, diversidade de objectos archeologicos eartisticos, que se estivessem reunidos .formariam uma collecção mui curiosa, ede certa importância. Também são dignas de menção as coUecções de fosseis, instrumentos eutensilios prehistoricos da secção geologica, no edifício do extincto convento de Jesus. Pois que fui mais prolixo do que desejava no quadro historico, que fíca traçado, procurarei ser conciso nas noções geraes da sciencia archeologica, noções que mr. Du Caumont julgou desnecessário explicar n’este livro. Aarcheologia éasciencia que tendo por fím, como o indica oseu nome, oestudo da antiguidade, nos ensina aconhecer oviver dos povos antigos por meio do exame eapreciação dos monumentos, que nos deixaram, ede todos ós objectos, que d’elles nos restam como manifestação do seu engenho edo seu trabalho. Ahistoria narra os successos, indica-lhes as causas, e aponta-lhes as consequências. Julga do caracter eindole dos povos, edos individuos que mais se assignalaram ;e trata dos monumentos, como provas que mostram oseu desenvolvimento intellectual eindustrial, etambém como testemunha d’aquelles successos. Aarcheologia examina attentamente todos os productos materiaes, que os antigos povos nos legaram, ed’esse estudo minucioso, comparativo ephilosophico, faz resaltar 0conhecimento das idéas, da religião, dos usos ecostumes, do desenvolvimento industrial eartistico, emfím do viver dos povos, aos quaes esses productos pertenciam. Portanto aarcheologia faz importantes serviços áhistoria, não só esclarecendo-a, com aluz que derrama onde LMRODÜCÇÃO tudo étrevas, mas também completando-a com uma infinidade de noções ede objectos reaes, que nos apresentam um quadro verdadeiro da vida intima dos povos da antiguidade, que sem os esforços dos archeologos seriam ignorados ou apenas conhecidos superficialmene. Aarcheologia divide-se em tres partes, que aseu turno se subdividem: lA litteraria —2.^ artística —usual. Comprehende aprimeira toda asorte de monumentos em que ha inscripções, quaesquer que sejam os seus caracteres eamatéria que os contenha. Subdivide-se em paleographia, diplomática eepigraphia. Apaleographia ensina a decifrar as antigas escripturas em pergaminho ou em outra substancia com caracteres alphabeticos, ou ediographicos, ou signaes emblemáticos, como os hyeroglvphicos dos egypcios, ou outros convencionaes. Adiplomática indica o modo de conhecer, pelos caracteres internos eexternos, aauthenticidade dos documentos. Aepigraphia trata da interpretação das inscripções gravadas em pedra, em metal, ou em qualquer outra matéria. Aarcheologia artística trata de todos os monumentos da antiguidade, taes como edifícios religiosos, civis emilitares, etodos os generos de obras d’arte. Subdivide-se em archeologia monumental, que diz respeito ás obras d’architectura, d’esculptura ede pintura ; em iconographia, que éoestudo dos bustos edos retratos dos personagens históricos ;em numismática, ramo consagrado ao exame das moedas emedalhas ;em glyptographia, que trata das pedras gravadas, representando quaesquer figuras; e, finalmente, em archeologia usual, que abrange toda aqualidade de alfaias, utensilios einstrumentos sagrados, domésticos, militares, funerários, etc. São estas as divisões scientificas da archeologia. Porém, considerada relativamente ás grandes épocas da vida dà INTRODUCÇiO humanidade, póde dividir-se em archeologia prehistorica, dedicada ao estudo das edades primitivas do homem, das quaes não restam memórias escriptas, nem gravadas, nem tradicionaes, existindo por únicos vestigios da sua passagem na terra alguns rudes monumentos, eutensilios e instrumentos não menos toscos egrosseiros, encontrados em excavações :em archeologia dos antigos impérios orientaes ; em archeologia classica, ou greco-romana ; eem archeologia christã, que comprehende operiodo desde onascimento de Christo até árenascença das artes eletras. Emíim aarcheologia éuma sciencia tão lata ecomplexa, que ainda precisa, para satisfazer cabalmente asua importante missão, soccorrer-se aoutras sciencias accessorias como são alinguistica, apaleontologia, ageologia, a anthropologia, eaethnologia. jl. DE yiLHENA ^ARBOSA. PROLOGO N’este século, em que acivilisação tem caminhado progressivamente nas principaes nações, não podia esquecer por mais tempo um estudo que consiste em investigar o modo como começara aexistência da raça humana desde oberço até oseu simultâneo desenvolvimento, não só dos objéctos necessários para adefeza exterior, como em relação aos usos domésticos ehabitações :conseguindo-se por este curioso estudo formar juizo seguro ácerca da existência interior do viver edos costumes dos primitivos habitantes da terra. Depois <do cataclismo que passou oplaneta em que existiram, edas lutas encarniçadas econtinuas das differentes raças, as quaes se disputavam tenazmente aposse do território mais fértil emais ameno, tendo muitas d’essas raças já desapparecido do mundo por inteiramente destruídas, eem outros se tenham confundido os elementos das suas respectivas nacionalidades, pois que nenhum d’elles 2TEMPOS PREHISTORICOS Estabeleceram na historia pertencente áesislencia do homem, anterior ás épocas conhecidas, tres grandes phases, ou estancias, asaber : Idade de pedra Idade de broaze Idade de ferro Afundição, ou reducção dos melaes, éuma operação difficil, que esteve de certo por muito tempo desconhecida : os povos atrazados na eivilisação deviam fabricar os objectos de que tivessem necessidade para aprópria defensa epara a caça, assim como para os usos communs da vida, empregando pedras rijas, como éosilex (pedreneira), os ossos dos animaes, ou amadeira. Oextraordinário numero de descobrimentos feitos nos diversos paizes, principalmente em França, na Suissa, na Inglaterra, ena Dinamarca, confirmou esta supposição. As collecções dos museus contém quantidade considerável de pontas de frechas, facas, machados, feitas com pedreneira eem rocha rija ;grande numero de instrumentos de osso, ou de pedra, se tem achado em diíferentes partes, eesses instrumentos conservam-se quasi intactos dentro do solo, onde estavam occultos. Operíodo secular em que os metaes não estavam ainda em uso recebeu, pois, adenominação de idade de pedra. As melhores qualidades de rochas para fabricar os instrumentos cortantes, eram osilex (pedreneira), felds-pa- thtcas, 0petrosilex verde, ealgumas variedades de porphyro ; porém osilex tem sido, como parece, apedra mais constantemente empregada, etalvez amais facil de preparar aforma requerida. Seguramente, se dermos com certa precaução uma martellada sobre um fragmento de silex, de forma alongada, esse silex estalará, eapedra que se desligue tomara logo aforma conoidal ;ficará chata de um dos lados, mostrando do NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 3 outro uma aresta AÜva. Podiam-se fazer por este modo facas de pederneira, de fjue em diversas localidades se tèm encontrado centenares de modelos. Fazendo-se estalar esta qualidade de pedra repetidas vezes com certa habilidade, podem-se fabricar machados, pontas para flechas eoutros instrumentos do genero d’aquelles de que apresentamos os desenhos n’esta pagina. TEMPOS PREHIST0RIC03 í Os objeplos pertencentes áidade de pedra eáidade de bronze tem sido encontrados, principalmente nos timnlos, nas cidades .lacustres, em algumas cavernas, antigamente habitadas. Examinemos os depositos que indicamos, porque nos ofTerecerão, segundo recentes explorações, matéria variada ecuriosa para onosso estudo. Tumulosí Os tumulos ou sepulchros, compõem-se d’um recinto central formado de pedras de rocha de grande dimensão, no quai se entra geralmente por um corredor de egual construcção, estando tudo encerrado em immenso montão de pedras eterra. Quer fosse porque estivesse com imperfeição orecinto central encerrado no meio do outeirinho facticio; quer, 0que parece mais natural, porque se servissem da terra ou das pedras dos tumulos em época posterior, muitas vezes foram encontrados os pedregulhos que formam aparte central sem aterra que os cobria equasi completamente separados; então n’este caso chamavam-se Antas (dolmen).^ 1 Vista exterior de um tumulo Os defuntos eram depositados com os seus corpos inteiros eem geral apresentavam-os sentados eencostados nas pare- 1Dolmen écomposto de duas palavras celticas, dnl mesa, emen pedra. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA des do recinto central, tendo junto de si os machados eoutras armas de pederneira ;algumas vezes vasos de barro toscamente fabricados, eoutros objectos de uso commum. Veja-se odesenho n.“ 1, de um tumulo completo; o n.° 2, um tumulo aberto com dolmen; on.° 3, um dolmen 9 Vista interior de um tumulo 3 Dolmen central de um tumulo completamente desguarnecido ;eon.“ 4, aperfeita Anta de Guitamães, em Vianna do Castello. Vários antiquários tinham tomado os dolmens desguarnecidos de tumulos por altares drmdicos, porém ao presente esta ideia está quasi desprezada, por falta de provas positivas. 6TEMPOS PREHISTORICOS Ocobre com liga que lhe dá maior rijeza, foi empregado depois da pederneira, ou conjunclamenle com ella, quando os nossos antepassados apeifeiçoaram esta industria econheceram 0modo de dei’reler os metaes. Os principaes objectos de bronze, foram os machados as pontas das lanças, as espadas, os punhaes, as facas ’os braceletes; estes oi^jeclos fundidos, muitas vezes com formas elegantes apresentavam em todos os paizes omesmo feitio, tanto nà >OCÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 7 8TEMPOS PREHISTORICOS Dinamarca como em França, ena Inglaterra; eisso nos convence de que os typos tradicionaes, talvez imitados do mundo antigo pelas nações civilisadas, etrazidos para a Europa Occidental em época que não se pode fixar, foram reproduzidos sem alteração, em moldes apropriados. Esta época importante da historia dos progressos da humanidade rasgou bom horisonte no prolongado periodo antehistorico :d’ahi proveio adenominação de idade de bronze. Odiíficil era saber-se, por inducção, quando ecomo obronze apparecera nos paizes seplentrionaes. Ha annos, osr. Worsaae eos antiquados dinamarquezes publicaram que os tumulos da idade de pedi-a continham compartimentos centraes, conforme descrevemos ;nos quaes se depositavam os cadaveres sentados, com os joelhos juntos ábarba eos braços cruzados no peito ;em quanto os tumulos da idade de bronze não apresentavam esse compartimento reservado, sendo construidos com grandes pedras e os outeirinhos, compostos de terra ede pequenas pedras, não encen-avam cadaveres, mas tamsomente as cinzas dos finados, depositadas em vasos de barro; muitas vezes appareciam acompanhados de objectos de bronze eás vezes de ouro. Inferia-se d’estas differenças, que os instrumentos de bionze haviam sido trazidos por uma raça que invadira, absorvera etalvez aniquillara aindígena; raça que teria costumes diversos, armas superiores ecivilisação* mais adiantada que asubjugada. x\cceitando-se este facto, aidade de bronze seria inaugurada na Europa Occidental por um povo conquistador em época desconhecida. Os objectos de barro não nos guiam sufficientemente n’esta exploração. Os que foram achados com os instrumentos de bronze são de fabrico grosseiro, mal cosidos, epor seu feitio, ornatos eas substancias que os compõem, simelhamse muito com os vasos de barro achados nos sepulchros que encerravam unicamente objectos de pedra. N’esses diversos tumulos raramente se viam vasos com azas; aforma dos XOÇÕES ELE5IE>’TAIIES DE ARCHEOLOGIA 9 gargalos parecia não ser conhecida, nem oseu uso ;consistindo apenas aornamentação em linhas em direcções diversas; ou ponteado concavo, ou emmoldurado em xadiez. Além d’isso, apederneira era ainda de uso geral na idade de bronze, emuitas vezes se tem encontrado objectos de pedra einstrumentos de bronze nos mesmos tumulos; facto que poderia explicar-se admittindo-se que servira successivamente para sepultura em differentes povos. Acharem-se cinzas no logar dos cadaveres sentados, pareceu sufficienle característico da idade de bronze, pois que nos tumulos, que encerravam objectos de metal, havia poucos exemplos de se fazer enterramento na posição sentado, eessa pratica caracterisa aidade de pedra. Tem-se, comtudo, encontrado na mesma sepultura esqueletos sentados na proporção de 20 por cento, talvez como demonstração, segundo osr. Lubbock, dos últimos representantes "das gerações passadas que tivessem apego aos antigos usos. Habitações lacustres Precisamos de expôr, em primeiro logar, oque se entende por cidades lacustres. x. a Ha annos notava-se em muitos lagos da Suissa, abaixo do nivel natural das aguas, estacarias em grupos consideráveis ; 0dr. Keller, de Zurich, socio da sociedade de archeologia franceza, estudou com attenção esses vestigios, que por grandissima diminuição das aguas ficaram visiyeis ;edeclarou depois, que os primeiros habitantes da Suissa estabeleciam por vezes as suas casas em cima da agua, como praticavam algumas tribus da antiguidade, eaté como fazem ainda alguns povos modernos. Tal descobrimento causou sensação entie os antiquários ;muitos observadores se dedicaram depois com grande solicitude aexplorar ofundo dos lagos, nos logares das cidades lacustres indicadas pela presença da estacaria. Estas investigações foram profícuas. Poderam-se tirar, servmdo-se de dragas, grande numero de fragmentos de objectos de 10 TEMPOS PREHISTORICOS barro, eoulros utensílios, os quaes, comparados com os que foram encontrados nos tumuios, reconheceu-se pertencerem também aidenlica civilisação. Varias outras estancias lacustres foram depois descobertas na Suissa ;contaram-se até 32 no lago de Conslance ;46 no de Neufchâtel ;além das que se viram nos de Genebra, de Inkwill, de Pffikon, de Luissel etc., etc. Ainda que nem todas pertençam áidade de bronze ou de pedra, eque muitas pareçam ser do tempo da idade de ferro, edo periodo romano, todavia omaior numero édas idades de pedra ede bronze. Os museus de Lausanna, de Genebra, de Neufchâtel eoutros, tem collecções completas dos objectos chamados lacmtraes, por causa de terem sido conservados por séculos debaixo das aguas. Os habitantes das cidades lacustraes achavam sem duvida recursos alimentares na pesca, mas estabeleceram as suas habitações sobre aagua para se collocarem ao abrigo dos ataques das feras, ou dos roubos dastribusvisinhas. Erafacil separar inteiramente essas povoações fluviaes levantando para isso as pontes, que lhes serviam para communicarem com as margens. Segundo oestudo das ossadas dos animaes recolhidos pela draga, ede diversos fragmentos, conheceu-se que então já havia seis especies de animaes domesticados que deviam servir para oalimento dos habitantes ;e entre essas, encontraramse restos de veados, bois, de duas formas, porcos, cães, cabras ecavallos, notando-se porém que havia poucos vestígios do cavallo eda cabra. Cavernas -4s excavações dirigidas por vários geologos em diversas localidades, deram em resultado encontrar-se nas cavernas considerável numero de objectos devidos áindustria das raças primitivas, incluindo as da época do diluvio, assim como os machados de pederneira, toscamente fabricados, eoutros instrumentos de sites eosso, eem parte envolvidos com ossadas fie animaes giganteos, que já hoje não se encontram. XOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 11 Os objectos de silex eosso, pela maior parte, parece pertencerem áidade de pedra, eproxirem das épocas mais remotas da humanidade. Mas deve notar-se que sempre apparecem misturados com esses utensílios do homem, restos de animaes, que se não encontram hoje, eque pertencem áformação do terreno quaternário, considerado até então como anterior ao apparecimento do homem. Odescobrimento de uma queixada humana no saibro do Moulin-Quignon, proximo de Abbeville, na França, yeio estratigraphicamente conflrmar taes conjecturas eindicações. Embora isto seja do dominio da geologia eda paleontologia, os factos novamente averiguados são de summo interesse, pois que comprehendem aidéa de indeterminada eespantosa antiguidade em que ohomem vivia no estado quasi selvagem :não édifficil acreditar que assim acontecesse, quando pensarmos na situação actual dos povos de África central, dos naturaes da America, quando foi descoberta, edos habitantes das ilhas da Oceania. Ohomem que vive isolado, sem communicação com os povos mais adiantados que elle, poderá ficar muito tempo no mesmo grau de civilisação ;como aconteceu em onosso continente antigo, em quanto os romanos levavam oluxo até oextremo, havia então em 0Norte, onde já chegam hoje os caminhos de ferro, povos semi-selvagens que não tinham participado em cousa alguma dos progressos do povo rei ;ecomtudo deviam depois repartir entre si os seus despojos egosar da sua civilisação. Podemos, portanto, admittir que houve por longos annos na Europa, nas margens dos rios, uma raça de caçadores e pescadores, eque nos bosques existiam omammouth, orhinoceronte, animaes que podiam resistir ábaixa temperatura que n’essa época era própria em nossa região. Julga-se, com fundamento, que tal raça de homens vivia como succede hoje entre alguns esquimaus, ecomo os laponios viveram séculos antes. Acrescentaremos que aflora fóssil parece mostrar que as modificações occorridas na forma por effeito das mudanças climatéricas, tiveram os seus equivalentes no mundo vegetal antigo. 18 TEMPOS PREHISTORICOS eram quasi todas mais largas na base que no vertice ;tinham sido cravadas em cavidades abertas em rocha de natureza graphite, ehavia ocuidado de as consolidarem calcando-as com fragmentos de pederneira em volta das cavidades. Um largo fôsso de 30 pés, collocado entre duas trincheiras, formava oquinto recinto circular ároda das pedras do circulo exterior. ADinamarca, aNoruega eaSuécia, conteem certo numero de cromlecks, quasi todos circulares ou ellipticos, apresentando geralmente uma pedra no centro, que se suppõe ter servido de altar.' Acredita-se que estes monumentos nem sempre foram usados nas ceremonias religiosas.' Nainfancia dos povos, oslogares consagrados ao culto deviam servir também para tribunal de justiça, assim como para ponto de reunião dos conselhos patriarchaes ou de notáveis, que tratavam dos interesses da nação, das eleições, das inaugurações, etc. Em 0Norte, os nobres reuniam-se antigamente dentro de recintos circulares formados de pedras, para elegerem os seus príncipes, até apromulgação da Bulia de Ouro pelo imperador Carlos IV, em 1336. Ocirculo de pedras, no qual Eric foi proclamado rei da Suécia, existe ainda proximo de Upsal; uma grande pedra toma ocentro, como em outros recintos d’aquelle paiz. Outrotanto se praticava na Irlanda ena Escossia. Taes são os principaes monumentos de pedra dos tempos prehistoricos. Accrescentemos que ovulgo lhes attribue origens fabulosas, como obra de um ente colossal chamado Gargantua; que atradicção os tem indicado como encerrando preciosos thesouros; abrigos de fadas, de almas do outro mundo, edos espiritos que as acompanham ! 'King era da opinião de que havendo pedras erguidas no centro dos círculos, eram estes destinados para as assembléas civis; em quanto aqnelles em que havia dolmen semam para as ceremonias religiosas. ’Antigamente os orientaes tinham, como os celtas, veneração religiosa pelas grandes pedras toscas ;assim como os hebreus, aponto de Moysés lhes prohibir que as adorassem. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 19 Reclutois formaelos com terra Estes recintos consistem em um vallvm de terra, ás vezes misturada de seixos, circumdando extensões mais ou menos consideráveis ecujas formas são mui variadas. Poder-se-hia attribuir essa especie de claustros aoutra época do que aque corresponde aos tempos prehistoricos, se não houvesse tumulos encerrados no vallum, ou levantados proximo d’elles, o que faz suppôr que serão contemporâneos. .írrcliitectiira dos tempos preliistoricos Pouco sabemos ácerca de qual seria aarchitectura anterior ao dominio dos romanos. Presume-se porém que nas primitivas construcções empregariam amadeira eobarro. As habitações ei'am circulares, construídas com madeiras evimes enlaçados. No interior faziam as divisões com terra ;'o telhado formavam-n’o de ripas de carvalho ligadas com massa de argila epalha cortada, conforme os vestigios encontrados na Gallia, na Bretanha, na Germania, em Hespanha ePortugal. De investigações feitas em França ena Inglaterra, conheceu-se que muitas habitações dos celtas tinham antes aforma oval do que redonda, ealgumas vezes rectangular ;mostravam alicerces de pedra secca, emuitas eram construídas em nivel inferior ao solo que as circumdavam, quer fosse para se resguardarem dos rigores do clima, ou quer para não darem ás paredes altura considerável. Estas casas estavam em relação com asimplicidade dos costumes ;deviam ter um só andar, eapresentavam uma só abertura, que servia de porta ejanellá. Em todas aforma era egual, mas as dimensões divergiam. Onumero eagrandeza das casas deviam corresponder ácathegoria eopulência dos possuidores. 3 20 TEMPOS PREHISTORICOS Os gaulezes abastados tinham sempre junto de si séquito para oqual necessitavam de graudes habitações. Escolhiam portanto oterreno para ellas nos bosques eperto dos rios, ou em eminências, afim de servirem eguabnente de fortalezas para aprópria defensa. Itensiliois einstrumeutos diversos Em época, que não podemos determinar, os nossos antepassados souberam, que oestanho combinado com ocobre produzia uma liga mais rija emais pesada que estes dois metaes separados ;as analyses que ocelebre mineralogista Clarke repetidas vezes fez em Inglaterra, eaquellas que se fizeram em França, demonstraram que sobre 100 partes quasi todos os bronzes antigos contem 12 de estanho e88 de cobre ;porém que esta proporção não éconstante, eque a quantidade de estanho ou de chumbo combinada com ocobre, varia ás vezes desde 4até 15 por 100. Mi. Clarke verificou que os antigos bronzes descobertos na Grécia, no Egypto eem algumas partes da Asia,* continham am^esma quantidade de estanho (88 e12) :sendo esta apioporção necessária para se obter omaximum de densidade resultante d’estes dois metaes. Os machados de bronze, que tem sido encontrados em pandissimo numero em toda aparte eque se vêem em quasi 0as as collecçoes,® apresentam entre si differenças notaveis ,os ypos que damos são os mais conhecidos. Éstes machados teem um olhai nos lados, eexistem de diversos tamannos ,as taces lateraes são de feitio de uma folha lanceolada ®da junccão das duas peças do molde em que oinstrumento foi vasado. que Europa comparados com os âova Zelandi^ can-er“!í eos da .\ova Holianda eda tas vezes, egnãl material «uraçao por terem as mesmas formas, emui- NOÇÕES ELEMENTARES BE ARCHEOLOGIA 21 Em Portugal descobriu-se um muito singular, não só por suas grandes dimensões, mas por ter dois olhaes, oque o torna raro no seu genero. Estes machados deviam encavar-se de duas maneiras ; n’uns, 0cabo entrava de espiga n’uma cavidade central a, a; n’outros, dar-se-lhe-hia aforma de palmeta paia entrar nos dois lados do instrumento no logar preparado h; algumas vezes as bordas delgadas esalientes que formavam aparte ôcca ficavam reviradas sobre si, por modo aformar 5)5 TEMPOS PREHISTORICOS uma especie de calha c, apropriada para conservar aparle encavada. Uolflcis |»ai*a machados Os machados de bronze foram sem duvida fundidos em moldes compostos de duas peças symetricas, pouco mais ou menos como os que ainda hoje são empregados na fundição das colheres de estanho. iiolde fechado de de terra museus são de hi-nn- dos que se conservam n Oprimeiro mnlUA ’‘dos egualmenle como os macliadc attencão dos sábios chamou Encontrar^m-sp Zn «a Inglaterra em 177 palmente iia Normandia.^*^ podem juntar uni^ dccas, que, i parte sabente chamada NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 23 de uma das peças, ese encaixa na fenda praticada na virola da outra peca. Espadas de bronze. —As espadas de bronze compõem-se de lamina ecabo (punho). São de folhas direitas, chatas, mas reforçadas no centro da lamina, eás vezes ainda com bojo no espaço comprehendido nos dois terços da folha. Cortam dos dois lados etem ponta aguda. Alargura de lamina quasi sempre éde pollegada emeia ou duas pollegadas na parte mais larga, sendo asua maior quarto grossura de um de pollegada. No punho ainda algumas tem os pregos de bronze que haviam servido para segurar aguarnição. Ás espadas eram também fundidas, eometal idêntico ao empregado nos machados. Punhaes de bronze.— Estas armas parecem-se com as espadas, exceptuando alamina que é mais curta. Ocomprimento de alguns éde 10 a14 pollegadas, ealargura da folha de 2a2V2 pollegadas na base. Pontas de lança.—Juntamente com as armas que descrevemos, encontram-se de vez em quando pontas de lanças e 24 TEMPOS PREHISTORICOS objectos que foram considerados como especies de virolas ou ferragens para guarnecer aparte inferior da hastea. Rodetas ou collares (torques). —AíBrmam alguns historiadores que os gaulezes traziam collares ou torques, como também braceletes eargolas nos braços. Ocollar era egualmente usado pelos gregos eromanos, e outros po\os; talvez não haja outro ornamento de uso mais antigo, nem mais geral. Deve-se distinguir entre os torques ; em primeiro logar, os que são formados de muitas peças encadeadas eenfiadas em especie de rosários de pérolas grossas de ambar, de zevic e, de vidro colorido, etc., como se encontraram den- NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA Iro de alguns tumulos; edepois as cadeias, cujos elos são de ouro ou bronze. Em segundo logar, os torqms, compostos de uma unica peça de metal (ouro, bronze, etc. ) arqueada de maneira aformar circulo do diâmetro mais ou menos considerável, emuitas vezes com lavores. Em muitos torques as duas extremidades da peça metalica não estão soldadas, porém ometal oíferece bastante flexibilidade para facilitar mettel-as nos punhos, podendo-se unir ou abrir, independentemente do fecho ;outros torques não apresentam nenhuma d’estas formas. 26 TEMPOS PREHISTORICOS Appareceram também chapas de ouro bastante delgadas com feitio de meias-luas, porém cujas pontas estavam arqueadas de modo aformarem circulo quasi perfeito. Vêem-se, aos lados enas extremidades de algumas d’estas pecas, festoes emolduras. Opequeno intervallo que separa as duas pontas do crescente não nos faz suppôr que este enfeite servisse para se trazer em volta do collo ;provavelmente ficava suspenso por uma corrente. ^* Alguns instrumentos achados por varias vezes nos sepulchros, ou junto dos dolmens, em França emais frequenteem outros levemente concavo. Ignora-se absolutamente par um disco, em alguns chato. ouro arqueada paia que uso seriam destinados. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 27 Finalmente, oobjecto seguinte, uma m formada de uma folha de ouro mui delgada, foi achado em Franca em diversas localidades. Collar de ouro descoberto em França As moedas chamadas celticas são provavelmente em parte contempoinneas dos ornamentos ou enfeites que desci evemos acima. Olíjectos de Ijarro São tanto mais difficeis de se distinguirem os objectos de barro celtícos, com excepção dos que se tem encontrado nos timulos, quanto em algumas partes estão muitas vezes misturados com outros similhantes aOs do tempo dos romanos ;visto que os mesmos sitios foram habitados antes edepois da conquista de Cezar na Peninsula. Os objectos de barro descobertos nos tímidos, são formados de terra preta, mal preparada ecom pequenos seixos, o que produziu massa pouco solida. Os seus fragmentos são frágeis, enão foram cozidos sufficientemente ;aparte que- 34 ERA GALLO-ROMANA Asegunda camada, chamada ruderalio, era formada de pedras britadas de dimensão menor que as anteriores. ' Aterceira camada, nucleus, compunha-se, ora de cal misturada com fragmentos de telha pisados, ora de areia misturada com argila. Seixos inteiros, apertados uns contra os outros, ou postos Columna milliar que existe em França gi‘ossa, glarea, formavam a ^Fi-a acamada, chamada simma crusta. Danfatiní!nr^^^°"r cidades, aldeias ou nos paizes Dedras toimavam asumma. crusta com calcada de peai as cubicas ou polygonaes irregulares. 35 NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA Em geral, serviam-se para estes trabalhos dos matenaes que encontravam na localidade, ou apequena distancia somente os mandavam buscar mais longe quando eiam de ma aualidade no terreno das obras. „,j ^Em muitas partes, âs vias antigas foram alteadas do solo, eum aqqer servia de base àcalçada. Estes caminhos alteados conservam ainda oseu nivel superior em espaços muito extensos, esão fáceis de reconhecer. As estradas antigas eram também cavadas, como se as preparassem para oleito de um rio. As excavações em algumas partes podiam ser consequência do uso prolongado de viandantes evecMculos ; porém, em outras, foi visivelmente praticado com ofim de tornar mais suaves as' subidas muito ingremes. 0uso das columnas milhares data do anno 183 antes da era christã. Foi determinado em lei proposta por C. S. Graccho, edepois ampliada ás provincias do império. As inscripções coUocadas n’estas columnas foram primitivamente lacônicas ;indicavam apenas onumero de milhas comprehendidas de uma a outra localidade. Augusto foi oprimeiro que mandou gravar os seus nomes equalificações nos marcos levantados por sua ordem, e os successores seguiram-lhe oexemplo. Pyramides. —As vias romanas não eram sómente guarnecidas pelas columnas itinerárias ;aos seus lados viam-se também torres massiças, ou pyramides, ora circulares, ora quadradas. 1Collocavam tanibem nas estradas pedras que serviam para descançar os viajantes, epara os cavalheiros montarem acavallo. 36 ERA GALLO-ROMAXA Consideravam-se essas pyramides como tumulos; mas a maior parte parecia terem sido levantadas para ornar os caminhos, ou antes dedicadas aMercúrio, como deus protector das estradas, das artes, edo commercio. Em algumas d’e]las abriam especies de nichos que deviam receber aestatua de Deus. Formavam-se taes construcções de bases quadradas de alvenaria, que sustentavam uma serie de grandes pedras de cantaria ;oremate apresentada aconfiguração cônica, tendo asuperfície coberta de entalhos sobrepostos, representando tolhas de arvores em camadas. Atorre de Pirelonge, em França, de 74 pés de altura, éum especimen d’este genero il/ffnsõo. ~Encontravam-se nas estradas mansões, ou pousadas, mais especialmente destinadas pai-a oserviço dos correios, epara os que viajavam com auctorisação do impei aor. Eram. administradas por uns funccionarios chamados manctpes, cathegoria pouco mais ou menos egual ádos nossos directores do correio. Os logares das mudas de menor impoitancia esituadas com pequenos intervaUos, chamavam- ®®*ío>^ÍDa^'ain-se emíim diversoria as casas Sanlfn estradas, quer pertencessem aprosem viaiflnt*^^ ospedavam ahi os seus amigos, quer recebessem viajantes como os nossos hospedeiros. romanas tinham aclassificacão de £Ls menof/ ""'v OU eos capartícularpc ndesignavam-se com os nomes de patüculares, agranos ou mcinaes. Areliitectura os Gre^^^^Dorém^^fJ^'^ architectura os Etruscos e formas*^ do Lp nn “^ooos cuidadosos na pureza das portanto procuravam da apparencia eda utilidade ; desse logar autilisar na odpotar um systema que lhes o»ai autihsai nas obras publicas otrabalho dos sol- 37 NOÇÕES EtEMENTARES DE ARCHEOLOGLA AHns Pscravos dirigidos sómente por limitado numero de architectos ou engenheiros. Comprehendiam que era noderoso meio de dominação dotar opaiz vencido com os Lnumentos que não possuissem, f^"nL^ acivilisacão, transmittindo aos subordinados as 'anta^en^ as instituições eos estabelecimentos uteis, dos quaes estavam '^^Vm^logSrpois, de empregar, como os Gregos, materiaes Petjueno aparelho, -e de espinha como está construido omonumento romano de Theséo de extraordinária dimensão, epor consequência difficies de se ajustarem, preferiam, salvo em casos excepcionaes, pôi em obra materiaes de pequena dimensão, alvenaria, tijolos reunidos entre si por abundante argamassa. üm grande facto architectonico, como foi aadopção da abobada cylindrica composta de peças em forma de cunhas, fez com que pudessem afastar-se do systema da edificação grega, no qual dominavam as architraves eos apoios verticaes. Com aabobada eas arcadas de volta perfeita, de que os romanos tiravam tão vantajoso resultado, effectuaramTse ERA GALLO-ROMAXA 38 notáveis construcções, que não se deveram nunca ao gemo ^yigmio apparelho. -As paredes de pequeno apparelho, 0modo de construir mais habitualmente empregado, tem as faces formadas de pedras symetricas,- quasi quadradas, e cuia face não tem mais de 3a4pollegadas eraras vezes de 3a6. Ocentro da parede mostra um massiço de ahenaria irregular feito com pedra miuda imbebido de cimento. INotam-se em varias construcções, de pequeno apparelho, zonas horisontaes econtinuas de grandes tijolos, destinados a sustentar 0nivel das pedras pequenas do reforço da alvenaria. Estas zonas compôem-se geralmente de dois ou tres, etambém de cinco, seis ou sete fdeiras de tijolos separados por camadas descimento, cuja espessura équasi egual ádos tijolos. Os romanos dispozeram também as pedras com ofeitio de folhas de fetos, ou em espinhas, como se vê na gravura da pagina anterior. Aargamassa era sempre applicada com grande espessura entre as pedras enenhuma das quaes estava em contacto immediato, mas de certo modo imbebidas no cimento. As dimensões dos tijolos variavam muito para poder indicar-se absolutamente amais usual; comludo era entre 14 a 13 pollegadas de comprimento por 8a10 de largura ;mas havia maiores, eaté alguns mui pequenos. Apparelho reticular. —Os architectos romanos empregavam egualmente aobra articulada, ou alvenaria em forma de malhas, diflferente do pequeno apparelho ordinário, por que as pedras do revestimento eram cortadas com esmero, de tamanhos eguaes, ecollocadas de modo que as juntas apresentavam linhas diagonaes, simelhando uma rede. Este genero de reforço de alvenaria empregavam-no geralmente como ornamento, pois não se encontra applicado exclusivamente, mas quasi sempre combinado eintercalado com opequeno apparelho. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 39 As paredes do grande apparelho encontram-se nos mais imporlLtes egrandiosos edifícios, como os templos, os arcos de triumpto, os theatros, etc. Argamassa ecmento.-M argamassas dos romanos compunham-se de cal viva ede areia, efrequentemente de t^o pizado, em proporções variaveis, equesena difficil deteiminar. Apresença do tijolo pisado distingue-se de quasi todas as que depois foram empregadas. Todayia encontram-se tam bem argamassas romanas que não contem nenhuma parcella de tijolo, assim como não apresenta nenhum caracter particiilâr Ordens:—chama-se Ordem acombinação de diversas partes salientes dispostas, com proporções fíxas, para compôi um conjuncto regular eharmonico de ornamentação das fachadas dos edifícios importantes. Divide-se uma ordem de architectura em tres partes, ou membros, que são pedestal —columna—eum entablamento. Cada membro divide-se em tres partes d’este modo ; Base. Primeiro membro ou pedestal <Soco. Cornija. Base. Segundo membro ou columna |Fuste. (Capitel. IArchitrave. Terceiro membro ou entablamento 'Friso. (Cornija. Os romanos empregavam cinco ordens : AToscana. ADorica. AJónica. ACorinthia, AComposila. ADorica, aJónica eaCorinthia, eram de origem grega. AToscana eaCompósita nasceram na Italia. Epor isso que se designam algumas vezes as tres primeiras 40 ERA GALLO-ROMANA sob a denominação ordens gregas, e as duas outras sob a de ordem latina. Nas ordens Toscana, Dorica, Jónica eCorinthia, acolumna tem proporções differentes; as da Corinthia eComposila são eguaes. Eis 0quadro d’estas proporções conforme oarchitecto Yignola, que éoauctor mais seguido pela simplicidade das subdivisões : Toscana, dè 7vezes. \Do diâmetro in- Dorica, de 8idem. Iferior, isto éa Jónica, de 9idem. lgrossura tomada Corinthia, de 10 idem. )no fuste junto da Composita, de 10 idem. base. Portanto, as quatro primeiras ordens diíferem nas proporções ;ada quinta ordem são eguaes ás da quarta. Os pedestaes eos entablamentos differem também nas quatro primeiras ordens. Em geral, opedestal tem oterço da altura da columna, e0entablamento aquarta parte, conforme oauctor citado. Omodulo émedida convencional que serve de escala para desenhar as ordens ;ésempre ametade do diâmetro inferior do fuste da columna, oqual se divide em 12 partes para as tres priineiras ordens, eem 18 partes para as duas ultimas. Amenos elevada eamais simples das cinco ordens. Cornija sem modilhões, nem denticulos. Modilhões, denticulos ou mutulos na cornija, triglyphos no friso, gottas na architrave. Capitel da mesma forma que oda Toscana, porém um pouco mais ornado, caneluras ou estrias no fuste. Capitel com volutas, cornija ornada de denticulos. Architrave dividida em tres platebandas ou faixas. Toscana < ( / Dorica | \ Jónica < Aaltura da columna vem aser para aordem ; 41 NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGU 42 ERA GALLO-ROMAXA /Capitel ornado de dois renques de folhas de ^ acantho edezeseis volutas. —Dois renques de Corinthia <denticulos eum de modilhões na cornija. —Ar- Ichitrave dividida em tres platebandas ou faixas ,por baguetas ornadas de molduras, fCapitel imitando odas Ordens Corinthia eJo- Composita }nica. —Cornija com denticulos. —Duas plate- (bandas ou faixas na ai-chitrave. Frontão dos^edffiHnr r.A applicadas para decoracão ter 0asno! .’ «f ^^^^s por pilastras, que, sem ter 0aspecto gracioso das columnas, produzem não obstante NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 43 um effeito agradavel áyista. Ks pUastras tem em geral pouca saliência, não excedendo amais da metade da ,enao se lhes diminue odiâmetro da parte superior do fuste, como acontece ás columnas. . Eis adisposição de um portico da ordem Toscana ;quando se collocam muitas ordens de columnas ou pilastras em um edifício, épreciso que as Ordens mais delicadas fiquem sobrepostas ás mais solidas; portanto, não se collocam nunca as columnas Toscanas sobre as columnas Jónicas, ese oarcbitecto empregar aJónica, ou aCorinthia, seguirá alegra e sobrepôr asegunda áprimeira. _ ?íâo julguemos que aarchitectura antiga esta representada pelas cinco ordens classificadas eregularisadas pelos msi- o-nes architectos italianos do Renascimento das artes, bicaremos muito surprehendidos quando, examinando os restos da architectura romana existentes nas antigas cidades, paiticularmente na Italia, en’este paiz em especial Roma, virmos que não diferem, quasi em parte alguma, na rigorosa smt- Ihanca, as cinco celebres Ordens desenhadas emedidas poi Vignola, Palladio, Serbo, Scamozzi eoutros architectos illustres. Pelo contrario, os typos principaes da architectura antiga apresentam infinita variedade, que augmenta nos edifícios cuja data se aproxima dos últimos tempos do império, atal ponto que vem aser realmente mui difficil determinar aOrdem aque pertencem taes ou taes entablamentos, capiteis, bases, columnas, etc. Os capiteis, principalnieiite, apresentam diversidade de formas eornamentações, que sera baldada aclassificação rigorosa ;mostram todavia na composição íiqueza edelicadeza de cinzel, sobejamente notáveis ;observando-se pelo conhecimento dos efeitos pittorescos, produzidos no claro-escuro, 0esmero do trabalho. As partes em relevo são conservadas com acerto ehabilmente .executadas. Os architectos modernos, creando typos únicos sob a denominação de cada uma das Ordens; desejando subordinar tudo aesses typos, privaram-se de produzir combinações oO ERA GALLO-ROMANA grande quantidade de agua para os usos domésticos ;sendo muito escrupulosos na boa qualidade da agua, embora afossem buscar agrandes distancias para os centros da povoação, empregando para esse fim canaes ou aqueductos. Os aqueductos antigos que ainda existem, como os que possue aIta lia, eos vêmos em outras partes, apresentam os canos de alvenaria feitos com mais ou menos solidez, emais ou menos cuidadosamenle betumados. Serviam-se geralmente das pedras de pequenas dimensões, embebidas na argamassa. Os canos, sendo proporcionados ao volume de agua que deviam levar, eram formados com abobada em volta perfeita, se ás vezes cobertos com grandes lageas assentes e sobrepostas sem cimento. Para se obter onivel das encostas que se encontravam na juncção dos encanamentos, faziam-n’os paskr então sobre arcos mais ou menos elevados, que reuniam os dois lados do valle joutras vezes sobrepunham-se dois ou tres renques de arcos, com receio de que ademasiada altura dos pilares lhes diminuisse asolidez. Quando ovalle era muito profundo, para por este meio poder íirmar-se oencanamento do aqueducto em nivel conveniente, conduziam aagua em tubos de chumbo que subiam até ocume da collina opposta, onde aagua pudesse ^guir asua corrente natural, conforme Vitruvio descreve mui claramente no seu o.° hvro de architectura. noslauraçSo do um aíiuoduclo cm siphSo 51 XOÇÕES ELEíIE>TARES DE ARCHEOiOGIA FIÍJ. 1.^ Canal subterrâneo do a(jueducto FIG. 2.“ Canal de aqueducto sustentado sobre arcadas ERA GALLO-ROMA.NO S2 Para evitar trabalhos sempre diíEcies edispendiosos, faziam seguir aos encanamentos subterrâneos, ^rodeios, ou sinuosidades, epor esta maneira as aguas podiam transpôr grandes espaços sem encontrarem encostas, esem íicarem impedidas pelos obstáculos das montanhas. Osaqueductos eram todavia mais communs soterrados, esó apparentes nos valles, onde necessariamente os canos passavam sobre paredões ou arcarias. Os encanamentos que distribuíam as aguas nas fontes para os banhos epara outros estabelecimentos públicos eparticulai‘es das cidades gallo-romanas, eram feitos de chumbo ou barro. Saiam de um reservatório commum, ou castello de agua, castellum; como se vê um em Evora, do tempo de Sertorio. Aprimeira gravura da pag. 31, mostra 0encanamento do aqueducto de Fréjo, um dos mais extensos que subsistem, tal qual se apresenta ávista quando se mantem subterrâneo, ou collocado nas encostas das collinas, fig. 2.“ Este exemplo explica todo osystema empregado pelos engenheiros romanos. Os aqueductos seguem aconstrucção egual das obras de arte executadas nos caminhos de ferro, transpõem como ellas os valles sobre viaduclos, eatravessam as montanhas por meio de valias ou túneis. Pontes eaqueductos serviam para transpôr os valles, ealguns tinham 90 arcos. Aponte do Gard, em França, era Visla gorai da ponte do Gard 33 noções elejeentares de ARCHEOLOGIA formada de tree renques de LSSr/e “«toTmrTdr.“i da pa,na a„- ‘"o „«“dos"âqueduelos era eatraordinario ;não só LTtS”,Snr d*reard?Smpò de limitada apparencia. Cloacas As doam. constiluiam oulra especie de terraneos para receber as aguas muteis, ou paia as a,uas “'‘Em RÒ“Sam-n'as por toda aeidade. .subçlivH diam-n’as em muitos ramaes que vinham desaguai no Oprincipal cano de despejo, com oqual os outros «u - pavam era chamado cloaca maxma. Tinha abobadas eleva te eonslruidas com grande solides, por detao das quaes se passava em barcos.^ Praças publicas Oforum era geralmente uma praça onde se reuniam as assembléas do povo, onde se administrava ajustiça eonde se tratavam os negocios públicos. Estava em certas partes lodeado de porticos, ediücios elojas. norticos Nas cidades de importância secundaria, onde os poi ticos não eram repetidos como em Roma, achavam-se P^cipa - mente perto dos monumentos públicos, taes como os Jbeatio^ as thermas, os palacios, os templos, etc. etc.; collocava muitas vezes os porticos do forum, por detraz da scena dos thealros,-afim de que, conforme diz Vitruvio, quando mopinadamente chovesse durante oespectáculo, opovo pudesse abrigar-se ali. ,, Âforma das praças, ou fora, era ado quadiilongo. iíActualmente está entulhada até anascer.ça do arco da ahobada. ERA GALLO-ROMAXA 04 truvio aíürma que devia ter um terço em comprimento, a mais de um lado que de outro. Basílicas Apalavra basihca, significa casa real : designava em Roma um edifício sumptuoso dentro do qual os magistrados faziam justiça, por isso adistinguiam do foram, onde as sessões eram celebradas ao ar livre. As basílicas tinham também afórma de um quadrilongo. Pai te^ dos porticos, interiormente decorados, ficava occupada pelos commerciantes :portanto, estes ediíicios eram ao mesmo tempo destinados aos negocios forenses, euma especie de praça de commercio. Em quanto ádisposição das basílicas as primitivas egrejas ^bansmittiram-nos aimitação, econservaram o nome. As basílicas consistiam pois em vasto recinto, tres vezes mais comprido que largo, dividido em renques de columnas oiman omuitas naves. Aão lia acerteza de que as basílicas II™ Pa‘’edes por todos os lados ;julga-se que ff-1^*^“ abertas, pelo menos de um lado, p'ara dai- ®as galerias communicassem melhor com apraça publica. nas riVlfiÍc°^^u tivessem existido basílicas aue ocnfna,.f difficil indicar ositio vestígios^ *desappai-eceram completameiite os Accos <Ie mouiiiiieutaeis cidadesTo P°' “‘^.'^antados áentrada das diante dos temnln ^^Passagem publica, perto dos forums, de indicar amemf f cabeça das pontes, etc. etc ;afim iia euma victoria, de um grande serviço N'OÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 55 prestado ao império, ealgumas vezes sem outro intuito mais que 0de aformosear as cidades onde se engiam. .,, Dâ-se também esta denominação as portas das cidades antigas, que apresentavam uma ~ disposição quasi similhante ádos arcos de triumpho. Estes, porém, eram monumentos isolados, formando um só corpo, enão se ligavam ás construções das trincheiras ou muralhas. Era 0contrario do que succedia nas portas da cidade, as quaes não obstante patenteai em •j«c n-c por vezes nas fachadas grande magnificência, todavia as etremidades lateraes' ficavam encravadas nas muralhas dos recintos fortificados, formando-lhes assim oaccessorio ou a ornamentação. , Entre as portas, adisposição mais seguida era aque a gravura apresenta, em França. copiada da de Santo André de Àutun, Tesiifílos Duas formas eram consagradas para estes edifícios religiosos, aquadrilonga eacircular. Seguiam mais geralmente aprimeira. Os templos receberam differentes denominações. EKA GALLO-KOMANA conforme adisposição das columnas que os decoravam ;distinguindo-se pela seguinte maneira : Os templos com pilastras —Os prostylos, fig. 1. —Os amphiprostylos, üg. ‘l. —Os peripteros, fig. 3.—Os diple- 3 Periptero qoadrado 4 Periptero redondo 1 A Prostylos SS 9 SS£ Pseudo-Periptero rí Amphiprostylos ros, fig. 4. —Os peudo-peripterios, fig. 3. —Os hypetheros, fig. 6. —Os monopteros. Os primeiros não tinham senão pilastras nos cunhaes da frente, esó uma columna de cada lado da porta. Os templos prostylos apresentavam quatro columnas na ace exterior, enão tinham nenhuma aos lados, nem na parte posterior. ’^ >-OCÕES ELEMENTARES DE ARCHE0L06IA 57 isasss ''“Cio renquo de columnas rodeava os templos dipteros, “ItaS?oTempr«S«™ "Presentava simplesmente a™Xs;S’entl *e coíamaas dispostas em cmeamferencia :eosantuano nao era fechado. Resulta pois, do que íica exposto, que em h>dos os tem ulos excepto nos monopteros, havia uma parte fechada que Sa ;sSSio ;em muitos templos, corriam em roda d’esse àntuariígalerias abertas, como especie de porticos para aorrarentacão externa do edifício. Aparte encerrada era des^ lanada sob onome de cella ou nau. Ahi collocavam aestatua da divindade, em honra da qual otemplo fôra Na frente da cella, epor detraz das columnas da ^^ada ' estava oprotiaus ou vestibulo, no qual abriam aporta da entrado; áextremidade opposta do " nome àe posticum. Algumas vezes reservavam mparte posterior da cella, um quarto Adestinado aguardai othe Luro do templo, eque se designava sob onome de opi^t- As columnas eram sempre em numero par nas fachadas dos templos; econforme que se contava quatro, seis, oito ou dez, os templos tomavam adenommaçao de tetrastylos (4 columnas,) hexastylos (6 columnas,) octostylos (8 co lumnas,) ou decastylos (10 columnas). Finalmente, certos templos eram rodeados de uma cerca rihohos ou antecedidos de pateo fechado, eornados com portico, ároda do qual estavam os aposentos dos sacerdotes. Aestatua da divindade, feita de bronze, mármore, ou pedra, collocava-se no fundo da cella, em pedestal um 58 ERA GAELO-ROMAXA pouco mais elevado que oaltar, efazia face áporta da entrada. Em geral, os templos ficavam voltados para o oriente. Não se deve julgar que os templos fossem muito vastos ; alguns d’elles tinham até pequeníssimas dimensões, eisso evplica-se facilmente pelo conhecimento dos usos religiosos antigos, porque oexercício do culto era individual ;cada um tinha dias proprios para osacrifício, em quanto, no chrislianismo, 0exercício do culto écollectivo. Otemplo pseudo-periptero hesastylo ha em Nimes (França,) da ordem corinthia, oqual serve actualmente para museu de archeologia. Agravura mostra as suas bei las proporções ebelleza. As dimensões e a disposição do templo de Diana, em Evo- >^OCÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGLA 59 ra, apresenta-nos outro exemplo d’esta ordem de edificios do antiso paganismo, que íelizmente se conserva em Portugal nas suas mageslosas ruinas, como se vê na presente gravur . Templo de Diana, em Évora Os templos rectangulares ficavam dispostos como iodica a trravura da pag. 60,rodeados de porticos; no meio deites havia 0logar da cella edentro opedestal para adivindade. ,, Os templos circulares dividiam-se em duas classes .aprimeira chamada monoptero, compunha-se sómente de lecinto formado por columnas collocadas em pedestal commum, stylobato ; osegundo periptero, apresentava uma cella aroda da qual havia columnas, pousada egualmente sobre um stylobato, com degraus para ganhar aaltura do pedestal, edar entrada para otemplo. _* Fragmentos achados dos templos antigos, fizeram vêr que as suas esculpturas tinham sido pintadas de branco eamarello com traços encarnados, para dar mais relevo aos contornos. NOÇÕES ELEMENTARES DA ARCHEOLOGLA 67 Muitas machinas funccionavam na scena ecoadjuvavam "E^fthSornão eram cobertos, e^endia-se actoa das paredes um grande toldo para dar sombra aos espect^ dores. Este velarinm^ estava fixo ou suspenso em mastios cravados no alto das paredes. Vitruvio recommenda que não exponham os theatros do lado do sul, para evitar que os raios do sol aqueçam demasiadamente oar. 0theatro de Òrange, em França, éuma niina digna de 1Foi Quinto Catulos oprimeiro que mandou estender um toldo de purpura. 6 68 ERA GAELO-ROMAXA ser contemplada, epoucas ainda ha que se lhe possam comparar. As suas columnas tinham 18 pés de altura e2pés e- 4pollegadas de diâmetro ;aaltura das paredes era de 108 pés com tres ordens de columnas. Afachada exterior era decorada por duas fileiras de arcadas sohre as quaes havia Exterior da scena do theatro de Orange um attico. Otheatro fôra construido com cantaria de extraordinárias dimensões ;notando-se n’estas pedras vestigios de incêndio violento. Amphitheatros De todos os monumentos romanos existentes são os ampnitheatros os que offerecem ainda as ruinas mais collossaes emage^stosas. Eram, como indica aetymologia da palavra ampktheatro, dous theatros collocados em frente um do outro eseparados por um espaço livre de forma oval destina 0paia os combates dos gladiadores eanimaes ferozes. Aeste espaço davam onome de arena arena, por causa tia areia que espalhavam pelo chão, afim de fazer desapparecer osangue dos homens edos animaes derramado du- KOÇÕES ELEMENTARES DA ARCHEOLOGIA 69 Os palanques eram dispostos ároda da arena, de maneira que de todos os lados os espectadores podessem gosar 0espectáculo. Nos amphitheatros, como nos theatros, esses logares eram divididos horisontalmente por cintas curvas ou haltei; everticalmente pelas escadas em subdivisões cuneiformes, como explicamos acima. Os degraus apoiavamse nas abobadas, que iam estreitando para olado da arena, alargando-se eelevando-se á medida que se aproximavam do portico ou galeria, contornando oedifício. Estas abobadas, inclinadas para ocentro ealargando para oexterior. eram sobrepostas umas ás outras, eformavam muitas ordens, onde havia muitas cintas curvas. 70 ERA GALiO-ROMAN"A Avista do corte de um grande amphitheatro mostra claramente esta disposição, com as cinlas eoefifeito produzido no meio dos palanques pelos vomüorios da cavea. Outro corte apresenta parte do amphitheatro de Aries, mostrando Corte do amphitheatro de Aries como as grandes escadas, partindo das galerias, conduziam fin infpriAl* níl de homens e ao interior da cavea. Na arena havia combates de gladiadores ^ animaes, esó de animaes. ’ Nos dias de combate eram os gladiadores conduzidos processionalmente em volta da arena; depois punham-n’os aos pares, juntando os de força egual. Osignal do combate era dado por uma banda de trombetas. estes combates. ®®donos, deram origem a 72 ERA GALLO-ROMANA Havia diversas classes de gladiadores, conforme as armas que empregavam no ataque ena defeza. Oamphitheatro de Aries, ruina das mais pittorescas aue existem n’este genero em França, tinha de comprimento do grande eixo 420 pés de Norte ao Sul; edo pequeno eixo 309 de Leste aOeste. Aarena tinha no grande diâmetro i09 pes, eno pequeno diâmetro 119: gravura da pag. 71. Uma das principaes entradas do amphitheatro de Bor^ Opodtum estava a14 pés acima do solo da arena. Apa- NOÇÕES ELEMENTARES DA ARCHEOLOGU 73 rede do sucalco que olevantava aesta altura, era furada na parte inferior, com oito passagens, conduzindo das galenas subterrâneas para aarena, passagens que saiam da galeria exterior. OampMtbeatro era construido com boa cantaria de gran- 74 ERA GALLO-ROMANA de apparelho, posta sem cimento algum, eera tal agrandeza das pedras que, apesar de tantos séculos decorridos, ainda se conservam solidas nos seus leitos. Oplano da gravura da pag. 73 mostra adisposição de outro amphitheatro, que pelo seu genero custava muito menos aconstruir, que outros compostos de dóis lados, porque sendo marcada ainclinação para aencosta, bastava ediflcar 0podmm do lado aberto. Podia-se lambera facilmente transformar os amphitheatros em theatros com outras disposições para oscenario eentão constituiam monumentos mixtos, que foram numerosos durante adominação romana. BauhoiS publicois Os romanos tinham muitas especies d’estes estabelecimentos, que se conheciam com os nomes de thermm, lavacra ebalnea. As thermas^ eram vastos edifícios que continham não só os banhos, mas também porticos epasseios arborisados, salas onde os pbilosophos e os rheloricos davam lições publicas e liam as suas obras ;onde se exercitavam na luta : chamavam-lhes gymnasios. Citavam, entre as mais sumptuosas de Roma, as de Agrippa, Nero, Tito, Caracalla,® Antonino eDiocleciano, das quaes existiam ainda consideráveis vestigios. Não se deve suppôr comtudo que haveria similhantes estabelecimentos em todas as cidades onde os romanos dominaram. Omais geral era construir lamcra ou halnea, de limitada dimensão, aqual estavam ás vezes reunidas algumas dependencias dos gymnasios. Taes edifícios eram mais ou menos espaçosos conforme deviam ser francos ao publico de uma cidade bastante po- Pompeu^ foi quem introduziu este uso em Roma ;eMecenas quem construiu primeiro estes monumentos públicos. ‘hermas d’este imperador havia 1:600 banheiras de porphyro e maimore ,eneste edificio podiam 3:000 pessoas tomar banho. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 73 voada, ou simplesmente destinados ao uso de pequena localidade, ou de uma unica familia. Oapodyterium era asala de vestir, ou em que licavam depositados os fatos antes do banho. Oaquariím continha os reservatórios, nos quaes aagua era recebida epodia clariüear-se antes de distribuida no edilicio. Ovasarium, tirava este nome de Ires grandes vasos, ou depósitos cheios de agua quente, de agua tépida ede agua fria. Olaconicum, estufa aquecida por um hypocausto, tinha ás vezes uma das extremidades em semicirculo, onde havia um disco de bronze, pelo movimento do qual, abaixando-se ou levantando-se, podia augmentar-se aintensidade do ca- . lor, ou diminuir atemperatura. Otepidarium era, segundo Vitruvio, aestufa menos quente que aantecedente, eem contacto com ella. Havia outra casa destinada para obanho de agua quente, que se tomava n’uma especie de tina, labra. Opequeno pateo ou vestibulo que precedia oforno do hypocausto chamava-se opropnigeum ou oproefurnium. “Aparte destinada ao banho frio era ofriyidarmm, ou sala não aquecida, onde os banhistas descançavam alguns instantes antes de sairem para arua, afim de evitarem o perigo da mudança rapida da temperatura. Apiscina natatilis ou frigida lavatio, reservatório de agua fria em que as pessoas robustas podiam banhar-se depois do banho quente, ede que se fazia uso principalmente no verão. Oeleothesiwn, onde os banhistas podiam esfregar ocorpo com oleo ou perfumes. ^ Uma curiosa pintura afresco, copiada das thermas de Tito, em Roma, eque representava ointerior de uma casa de banhos, faz comprehender muito bem adisposição ge^^al de taes estabelecimentos, como se vê na gra%Tira da pag. 76. Dislinguem-se, no primeiro plano, duas salas sob as quaes arde ofogo do hypocausto. 1Havia em Roma 836 thermas. 76 EBA GALLO*ROMANA Vista do uma pinUiva a fresco tirada dos ibaiilios de Tito. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 83 estavam otablmum{i) eduas casas mais pequenas, chamadas azas, communicando com elle (3-6). OtaUinum eas azas encerravam aimagem dos parentes fallecidos, os livros, archivos epapeis pertencentes aos ne gocios do proprietário, assim como os documentos relativos ao emprego que exercia. Operistylo apresentava, além do tablimm, uma çileiia ornada de columnas, como ado atrium corintmo (li- ), cuia extensão porém era mais considerável. Os aposentos eram distribuídos ároda destas plenas (18-19)' um espaço quadrado, inteiramente descoberto e plantado de flores *e arbustos no centro, devia parecer a imitação da parte central de alguns claimtros. Os ceci correspondiam aos nossos salões. \exedra era outra grande sala para conversação, tendo n’um dos lados apai-ede curvilinea, como se fosse construída para nicho. . Encontravam-se também, as vezes, nas haptaçoes das pessoas abastadas, jogos de péla, sphcensteriim, esaas destinadas para outros jogos. . 0banho era composto em geral de apodyterium, fngtdarium, tepidarium, sudatorium eeleothesium: Abasílica', Apinacothéca ou galeria para quadros ,.,_ As cosinhas eas oflicinas dependentes para ofabrico do pao ; As cavalhariças, cocheiras earmazéns; Finalmente, havia um numero mais ou menos considerável de quartos para dormir epara acommodar os creados.^ Eis agora oplano de outra casa de muito menor impoitancia que aanterior, na qual não encontramos nem^as commodidades nem aregularidade das grandes habitaçop particulares; mas veremos que as residências se moditicam 1Depois do incêndio de Roma. no tempo de Nero, contavam-se ainda 48:000 casas, separadas umas das outras. 7 84 ERA GALLO-ROMANA conforme anecessidade da familia eas suas posses pecuniárias. Examinemos a disposição de uma das casas descobertas nas minas de Pompeia. Aentrada ou prothyrum n.° 1, conduz ao atrium n.® 2 chamado dísplmiatum, isto éque servia para odespejo das aguas da chuva para fora da habitação. Tiuha na grossura da parede ompluvimn n.°^ 3e4, eos alegretes para as flores. Uma escada de madeira n.“ 5, conduzia ao aposento que occupava odono da casa ea sua familia. Posto que aescada estivesse inteiramente destruida, era facil observar ofeitio do corrimão, porque oartista ariscara na parede que lhe servia de caixa. Os quartos 6e7eram destinados para receber os estrangeiros eos amigos. Oescraxm que guardava aporta da rua devia dormir no quarto n.® 8, onde se conservava lambem de dia. Era pequena acosinha n.® 9collocada ao lado do corredor. Casía €le campo (villae) Suppõe-se que as mais bellas casas de campo romanas tinham so um andar; também não se diíferençavam essencialmente das da cidade, econtinham pouco mais ou menos as mesmas divisões, mais arbitrarias, conforme exigia olerleno, abelleza do sitio, aimportância da exploração rural eoutras circumslancias da edificação. Columella, ^distingue tres partes em uma casa de campo occupanco-se de trabalhos ruraes, eomaior numero das viU(B gailo-romanas eluso-romanas estavam n’este caso. As tres partes eram : Avüla urbana, ou habitação do proprietário ; ou habitaçao dos lavradores, edos animaes necessários para alavoura; era íhrkfs" agronomo da antiguidade, nascido no século ida NOÇÕES ELEMENTAKES BE ARCHEOLOGU 85 Avilla fructmria, onde se recolhiam as colheitas eos outros fructos das terras. As casas annexas ao segundo pateo, chamadas agrarm, ou fTuctuüTiw, apresentavam menos interesse com lelaçao a arte, que avilla urbana. Eram pertenças do casal ou dos trabalhos ruraes, villa agraria. 'No centro do pateo da villa via-se, como se pratica ainda hoje, um tanque ou lagôa compluvium, pai‘a se banhar o gado. Ároda do pateo estavam dispostos, acosinha, oabrigo para os escravos, aabegoaria (bubilia), ocurral das ovelhas (ovilia), as cavallariças {equilia). Achava-se também ali 0gallinheiro (gallinaria) eochiquemo para os porcos (harce). Pode-se citar como pertenças da villa fructmria, que estava ora separada ora junta da agraria, aadega (cellw), o palheiro (horrea), acasa da fructa (apothecce), etc. Tem-se encontrado numerosos vestigios das villm ou casas de campo fabricadas durante adominação romana. Em 1874 descobrimos em Portugal uma proximo de Leiria, no logar deMartim Gil, na profundidade de 1“, 59; havia ali differentes casas com mosaicos, ena principal achámol-o de cinco côres. Fizemol-o transportar para omuseu da archeologia, que fundáramos em Lisboa em 1868. Não tem acontecido outrotanto com essas casas antigas edificadas nas cidades, pois foi arrasado osolo que ellas occupavam, eisso deu logar aaproveitarem-se os alicerces que ficaram enterrados. Para darmos idéa mais completa, descreveremos avilla de Bignor em Sussex (Inglaterra), por ser amais bem conservada que existe. - Compõe-se de dois pateos: um (A) mais vasto que ooutro, rodeado de muros bastante grossos, não formava angifio recto com os do segundo pateo. Omuin de leste tinha 277 pés de comprimento, odo norte 385 pés, eodo sul 322. iAmais importante foi ado imperador Adriano, pois comprehendia uma superfície de dez milhas. 86 ERA GALLO-ROHANA Esle pateo, que representava avilla rústica, comprehendia muitas eamplas construcções, mas nenhuma tinha vestígios de pintura nem de pavimentos de mosaicos. Ooutro pateo (B), que formava propriamente avilla urbana, estava cercado de casas ricamenle ornadas equasi todas tinham mosaicos. Um corredor ou crypto-portico (1, 2, 3, í,), que era construido ároda do quadrado do pateo servia para communicar Villa de Bignor em Snsses. com OS aposentos; ocomprimento do corredor era de 160 pes, de leste aoeste. Uma gi'ande parte d’estes corredores tinha mosaicos. Ao longo do crypto-portico septentrional estavam dispostos os aposentos (n.“^S, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13). A^A uni mosaico de 8pés de quadrado dividido em formas de rhomboides etriângulos. On.o 13, era uma das melhores casas da villa, tinha 19 87 NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA pés por 30, com uma grande camara de 12 pés, oque lhe 32 pés por todo ocomprimento do norte ao sul ,opa dos desenhos representava orapto de Ganymedes. ?so meio do aposento, eao centro da maior composição circular de mosaico, via-se uma cisterna de pedra bianca e de 4pés de diâmetro, no fundo da qual existia um oiifici ^^^stfsak eoaposento immediato eram aquecidos por um hvpoàaBÍ cuj. fomo se abrt» pela pa.-te exterior da easa “iVeíf™ atnbí.»., o« pequeno pa.eo ornado de columnas. Os aposente do pateo do ®^; 23,24,25), eram em geral ornados de pinturas, chão de mosaicos. «niioo-adas de No n“"^2 encontrou-se um fogão de 31 pollCoadas boca e17 pollegadas de fundo; tijolos ligados com ferro ao Fogíò Lma^imm-lhe as paredes lateraes. Outro fogão simi- Ihantp foi achado no quarto n.° 23. ,ii Os aposentos menos importantes occupavam olado su até 0n.» 33. Aquelles que se lhe seguiam haviam feito paite '*“™po“°'sala das estufas, vinto a_ qiie « nara obanho frio (n.» 40), que tinha 3a pes poi 30. Ochao Sava menos mal conservado ecompunha-se de pedras brancas epretas de 6pollegadas em todos os sentidos, dispostas ^”^0^ sitia do banho achava-se pouco mais ou menos no meio do aposento. Era um reservatório com aproximadamente 18 de teste a. oeste, de 3pés e«P«lleg><l=* f» dade. Descia-se por tres degraus do lado de leste, do oest ^bdla sala (n.” 41), situada aleste da P^^^cedente, apresentava um quadrado de 3o pés, porem era um tanto medular por causa da direcção diagonal da parede de leste. Ad - rava-se um mosaico mais bem conservado que os restantes. 88 era gallo-rojuxa r“io iv““'‘'‘”'‘'* “ Uouiiiucntos fiiuei*eos Depois de descrevermos os edifícios, onde os anti<^os SeTZral .0.1 af ílsp^s Vòlr‘'“ pos* Wara'"!”’? “Odassem enlerrar os cor- 1? eslc e1«„,’%"“**• °“'!>» !>«*» aolf-o dotac TLots íó ,r«»a ParODles io cinS do defuSõT '“"«a'am viuho nas Sm uma ,1 oaWadosamenle eucerc«rt„u.rd“vaso "« se collocavam em rodados máefMf™®,' .'a™”'."*. Pa» OU akum maniar riffo.! -i cheios de líquidos milt os sao em SPande numero de cecír cinzenta »m ud„ „S^ »“““as apresentam egraciosas As Sl- Í"®' «“as formas perfeitas traçaram riscos narallelòr lí ™'"'™ "* ‘1“““* ®® scos parallelos. Algumas tem estrias ao alto, ou- “.í™.’“ss "" “r““ "“s”“ tiamsmo. ®í'alia ate oestabelecimento do chris- XOÇÕES EtEME>T:AHES DE ARCHE0L0GL4. 89 tras molduras entrelaçadas, em zig-zags, etc. etc. As formas mais geraes são as das gravuras seguintes a, h, que se encontram nos antigos cemitérios. Urnas de vidro, do museu de Tours. As urnas de vidro, muito mais raras que as de bairo, eram reservadas para os finados de familias abastadas. Tem 90 ERA GALLO-RO>IA.\A um tanto ofeitio das urnas de barro, porém omais éapresentai-em aconfiguração de um grande frasco com gargallo redondo com uma ou duas azas, sendo ocorpo ora cvlindrico, ora quadrado. As urnas mais notáveis são de cobre batido elavrado, e também estas difficilmente se encontram. Em Alcácer do Sal fez-se em 1874 odescobrimento de um necropole romano, no ^al se acharam quatro urnas cinerarias com pinturas, imitando ogenero etrusco, obra executada por artista grego. Eram de differentes tamanhos, tendo amaior 0,39 de altura, 0,31 de largura; esta rara descoberta feita em Portugal causou bastante admiração entre os archeologos estrangeiros. Oorifício das urnas era tapado, ou com um prato voltado, ou com um pedaço de tijolo, ou ardozia, eaté com um bocado de lagea. geralmente junto d’estas urnas, taças de diuerentes generos epequenos vidros com gargallo estreito esobre ocompiido, especie de galheta com feitios variados; mas 0mamr numero ede barro encarnado, esuppõe-se NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA terem servido para conservar ovinho, oleite, ou algum licor offertado aos manes do finado. Amaior parte das urnas, foram mettidas dentro da terra sem caixas de resguardo ; porém muitas tiveram esses cofres para a conservação. Se amadeira que serviu para isso apodreceu aprimitiva existência parece provada pelos pregos que ligavam as taboas, que se encontram ás vezes em roda das urnas. Êpossivel que as urnas de vidro ou crystal, que pertenciam a defunctos de cathegoria, fossem mettidas nos cofres de madeira ou de pedra. Alguns d’estes últimos, encontrados em vários cemitérios, eram compostos de duas peças ebastante espaçosas para conterem aurna cineraria, eos vasos accessorios de que já fallámos. Finalmente, construiam ás vezes, no proprio local, eno momento do enterro, 0cofre ou resguardo que devia conservar aurna cineraria. 92 ERA GALLO-ROMAXA Em quanto ás cinzas do finado de humilde condicão e pobie eiam metüdas em vasos de fôrmas simples, eaccumuladas nos cemilerios sem cousa alguma que as indicasseas que pertenciam áclasse media da sociedade tinham por cima da urna um cippo, eos mais opulentos apresentavam um monumento ainda mais importante. ^ Em geral, os monumentos mais sumptuosos estavam postos em fileira nas vias que davam entrada nas cidades. As pedras sepulchraes, ou estélas,^ tomavam diferentes feitios ealgumas apresentavam inscripções eaeffigie do finado. (Pag. 91.) Não se deve cessar de recommendar as explorações dos cemitérios romanos. Quando se procede aobras publicas, ou particulares, descobre-se asua existência no meio dos campos, principalmente nos terrenos incultos, onde as urnas não tem sido conservadas por faltas de convenientes exm cavaço-es. hAm sepulturas, pertencendo áclasse inferior, são lammmonumentos importantes como se vô na presente gravura. marães). Éde*^ranito**^p^iir° f” Portugal foi achado em Citania (Guimanos davatTo signiücação que os ro- SOÇÕES ELEMENTARES DA ARCHEOLOGIA 99 muitas locaüdades pequenos vasos muito leves, de barro encarnado ou amarellento, misturado de quartzo cobertos de verniz de furta-côres, suavemente apphcado. ' Barros avermelhados, cinzentos escuros, ou esbranquiçados, etc. —São mais ou menos apurados; amassa ou argila de differentes côres foi empregada para fabricar travessas, pratos, vasos de diversos feitios destinados para vários usos, botijas, etc. Nos vasos destinados para os liquidos, como sao as nossas 100 ERA GALLO-ROMANA garrafas, encontram-se, quer de barro vermelhado, quer cinzento ou esbranquiçado, formas mui elegantes, das quaes se conservaram algumas até opresente. Os vasos, como os que se vêem em seguida, ora de barro encarnado, ora cinzento, apreciam-se um tanto com as saladeiras, ou tijelas grandes, de que ainda se faz uso. Encontram-se, egualmente, em terrenos cultivados, onde se acham também telhas evestigios de habitações romanas. Fi§;ui*inhajS de barro As estatuetas de barro cozido de côr alvacenta acompanham, muitas vezes, os fragmentos que assignalam ologar occupado pelas construcções gallo-romanas, eainda constituem objectos pertencentes áarte de oleiro. Encontra-se sobre tudo, frequentemente entre ellas, afigura de Yems Anadyomena,^ .e taes estatuetas são tão similhantes, que parece terem saido do mesmo molde; estão completamente nuas, com acabeça coberta de abundantes cabellos, amão direita apanhando-os, eaesquerda tomando aroupagem. As outras figurinhas que se encontram mais vezes junto das Venus, representam uma mulher amamentando uma ou duas creanças, sentada n’uma cadeira de braços feita de vime Que écomo aespuma; Venus saindo do mar. NOÇÕES ELEMENTARES DA ARGHEOLOGIA 101 encanastrado. Alguns archeologos suppôem sjr esta aimagem de Latona/ outros ade Lucina; porem, julpS-se que es fas figuras serviam para ex-voto, tanto das mulheres que deitavam obter feliz íarto, como d’aquellas que mostravam a sua gratidão pelo terem alcançado, ou em fim das mães que crea4m os filhos, eque ooffereciam adeusa invocada por ellas n’esta circumstancia. Aimagem de Mercúrio encontra-se em grande numero entre as estatuetas de barro cozido. .Latona, da qual nasceram, na ilha de Dfos Apollo eDiana. 2Lucina, divindade romana que presidia aos partos. 102 ERA GALLO-ROMANO Mas nem todas as figurinhas antigas que se encontrara eram destinadas para reproduzir aimagem das divindades. Eram vazadas nas formas como se faz presentemente ura grande numeio de objectos protanos, caricaturas, brinquedos para creanças, etc. Entie estes últimos, podem citar-se as figuras de aves, animaes diversos, carneiro, javali, etc., etambém chocalhos como os achados em tantas localidades diversas, eque se compõem dum pequeno globo de barro cozido tendo dentro seixosmhos que produzem oeffeito de um cascavel. Objeetos em metal,Joias ecateusilios Havia egualmente reproduzido em cobre grande parte dos vasos que se faziam de barro, principalmente as travessas, bacias, garrafas ebaldes para sacrifícios. Fizeram-se até magníficos de prata, com figuras em relevo batido: aprova d’isto são os utensilios de todas as formas, em bi onze, que existem em tantas collecções publicas epai iculares :broches, fivelas, ejoias tão variadas como as NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 103 nne aW se Tèem, mostram aque ponto os romanos tinham ''ofobjectos de melai, eos restos mais r<an^P^ àantiguidade, foram descriptos por Cavlus, mann, Chabonillet, etc., sábios antiquários que deram amais tratemos occupar das medalhas rLanas, não obstante oestudo ser util eimpoitante, porém necessitaria augmentar demasiadamente este Iitio onosso intuito foi unicamente apresentar lesumida apie dacão d^m-chitectura pertencente ^época gaU^ descrerer os yestigios dessimmados no solo habitado pe poNO-rei. Muralhas de *lefe*a ©« forticações ^em discutir aqui sobre qual seria aépoca aque pertencem as muralhas que defendiam as cidades gallo-romanas, devemorcòmtudo'Ler menção d’ellas, porque constituem ainda nrovas muito importantes dessa giande epoca. ^Ouasi sempre^ estas muralhas foram construídas com P®- dra miuda mostrando na face eNterior opequeno appaieltio, inamdo poi radeias de tijolos, ecuja base formada por ped?arde g?Le apparelho deTiam já ter servido nos monu- Lntos da architectura, que ^f^ ficar para lhe -aproveitar omaterial afim de se foititicaien %Tarlb"lTaumontjátinhaha muitos annos insistido sob?e um grande facto, que nenhum historiador indicara e n?e aiZ tfnoram quasi todos, eéaevistencia em differentes localidades d’ um castrum, cujas muralhas estão em giande nar r?o cantaria ioslrando obra de escnlplara d«a Sofre laea como oa fualoa do cotanaa t„ capiteis, tumulos, pedras com mscnpçoes, epoi isso oil ^ 104 ERA GALL0-R03L4NA tre archeologo julgou poder determinal-o como obra dos fins do século IV, sendo aexecução d’essas fortificações em todos os logares apropriados para tal fim. ^ja como fôr, tendo-se as cidades concentrado cada vez mais, era preciso restringir operímetro do recinto áparte mais fácil para ser defendido, ena possivel extensão com os materiaes disponiveis, cercado de muralhas. Podiamos citar diversos recintos fortificados com 3a10 hectares sómente, em quanto essas cidades onde os havia, occupavam antes 100 eaté 200, durante otempo que disfructavam apaz. No fim de tres séculos de espantosa prosperidade, aGallia MU, no século rv^, adesorganisação eoenfracpiecimento gradual das instituições romanas. Custa acomprehender aque grande aviltamento chegaram no século v. Um esboço rápido sobre os acontecimentos politicos da Gallia, no quarto quartel do século iii explicará claramente amarcha progressiva da decadência das artes do século iv. Depois das invasões, amiséria publica augmentou, os abusos mutiplicaram-se, aenergia moral diminuiu, as grandes obras da architectura cessaram, eogosto foi-se alterando cada vez mais. As artes, para prosperarem, tem necessidade de paz eliberdade: estas condições essenciaes faltaram-lhe no século iv; xe-se portanto declinar tanto mais rapidamente quanto os lapsos da paz eram mais curtos eraros. Todavia, assim como as instituições romanas não desappareceram com aquéda do governo romano, assim também as artes traadas para aGallia pelo grande povo sobreviveram ao imperio. «Tal era arobustez da organisação romana, diz Michelet, que, (piando aexistência parecia desemparal-a, quando até os barbaros estavam prestes adistruil-a, sujeitaram-se aella sem 0quererem. Foram obrigados, de boa ou má vontade, a namtar sob as abobadas invenciveis que não podiam abalar; acurvai acabeça ereceber ainda por cima, embora vencedores, alei de Roma vencida.» NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 103 Oque expressa Michelet com relação as instituições romanas, poderemos applical-o ás artes, com que opovo-rei dotou afellia. Os monumentos em ruinas serviram em breve de modelos aos barbaros que apparecem armados com otacho de incêndio. Os barbaros começaram atrabalhar também, aedificarem templos, palacios, mosteiros, etc, etc, foram procurar nas tradicções dos antepassidos os conhecimentos para repararem as próprias devastações. Aarchitectura gallo-romana, mais ou menos alterada nos séculos los VeVI, seguiram seu caminho, até que uma grande revolução, no fim do XII século, substituiu, por princípios inteiramente novos as antigas tradições. Eoque nos pi opomos demonstrar nos capítulos que vão seguir-se. AT>T>ITAlMCE3>iTO Inscripções Latinas Como Oestylo lapidar tem certas formulas, abreviaturas especiaes esignaes particulares, sem adquuir algumas ex plfcacões aeste respeito, ainterpretação ficma baldada para quem' não as possuísse; embora seja também preciso nao ignorar os acontecimentos históricos, todavia julgamos co veniente ajuntar aeste compendio alguns esclarecimentos epigraphicos afim de facilitar aos principiantes aleitura das lapidas; portanto, acrescentamos aesta pubhcaçao um qua 106 ERA GALLO-ROMAXA dro succinto das principaes abreviaturas que se encontram nas inscripções luso-romana, por serem estas as de mais difficil interpretação. Ainda que a mesma lettra inicial corresponda adiversas palavras, osentido geral da inscripção indicará aque fôr mais apropriada ásua significação. Épois facil distinguir, com alguma sagacidade, os nomes pioprios dos nomes substantivos. Apalavra tribu, áqual as familias romanas pertenciam, fica sempre subentendida, e só se menciona onome. -is datas, em geral, sabem-se pela indicação do anno do reinado do imperador, ao tempo do qual omonumento foi erigido. Finalmente, deu-se oepitheto de Divus, acada um dos imperadores, depois da sua morte. A. —ager; augustales: augustatis. —A. .4. —apud agrum. AB. AC. SEN. —ab actis senatus. ^£. CVR —aedilis curulis. A. FRVM. —afrumento. .4. n. D. M. —amico hoc dedit monumentum. K- —ante kalendas. —A. 0. F. C. —amico optimo faciendum curavit. A. P. —aedilitia potestate; amico posuit. A. S. L. —animo solvit libens; asignis legionis. A. T. V. —aram testamento vovit. A. XX. H. EST. —annorum viginti hic est. B. A. —bixit (pro vixit) annis. B. DE. SE. M. —bene de se meritae, vel mérito. B. M. D. S. —bene merenti, vel bene mérito de se. B. P. D. —bono publico datum. Q- Bene quiescat. —B. V. —bene vale. BX. ANOS. VII. ME. VI. Dl. XVII. —^vixit annos ptem, menses, sex, dies decem septem. 7. —centúria ;centurio. —C. —centurio. C. B. M. —conjugi bene merenti; et F. —coniugi bem merenti fecit. se- NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 107 CENS. PERP. P. P., vel CENS. PERP. p. r-, vel CENS. pp. p. —ceDsor perpeluus; pater patrise _ COH IÂFR CR. —cohors prima africanorum civium romanorum.—FL. RF.-flavia beneadariorium. CION. B. M. F. —dvium lüms omnium nomine bene merenti fecit. ... CKL. C. S.L.F. C. —conjugí caríssimo loco concesso sibi libenter lieri cura\it. C. P. T. —curavit poni titulum. C. R. chis romanus ;civium romanorum ;curaverun CSH. S. T. T. L. —communi sumptu hceredum, sit tibi terra levis. , p. —Decimus; decuria; decurio; dedicavit; dedit, a- \otus; dies; diis; divus; dominus; domo; domus; quin- C. D. P. —deeuriones coloniae dederunt publice. D. D. —dedit, dedicavit. D. D. B. S. —decreto decurionum datum sibi; dono aedit de suo. ,.. D. K. OCX. —dedicatum kalendis octobris. D. M. ET. M. —diis manibus et memorice. D. N. M. E. —devotus numini majestati ejus. p‘ 0. S. —deo oplirao sacrum; diis omnibus sa- ^™B.'p. P. D. D. —de própria pecunia dedicaverunt ;de pecunia publica dono dedit. D. S. F. C. H. S. E. —de suo faciundum curaAit, tiic sitUS 6St* ppgp—dedit tumulum sumptu proprio. E. CVr! —erigi curavit. —EDV. P. D. —edulium populo dedit. E. E. es edicto; ejus setas. E. H. T. N. N. S. —esterum bseredem titulus nostre non sequitur. E. I. M. C. V. —ex jure manium consertum voco. 108 ERA GALLO-ROMAXA E. S. ET. LIB. M. E. —et sibi et liberlis monumentum erexit. E. T. F. I. S. —ex testamento fieri jussit’sibi. E. V. L. S. —ei votum libens solvit. FAC. C. —faciendum curavit. F. C. —facere curaxit; faciendum curavit; fevit conditorium ;felix constans ;fidci commissum :fieri curavit. F. H. F. —fieri haeres fecit: fieri liseredes fecerunt. F. I. D. P. S. —fieri jussit de pecunia sua. F. M. D. D. D. —fecit monumentum datum decreto decurionum. F. P. D. D. L. M. —fecit publice decreto decurionum locum monumenti. F. Q. —flamen quirinalis. F. T. C. —fieri testamento curavit. F. V. F. —fieri vivens fecit. L. —genio loci. —G. M. —genio maio. G. P.R. —genio seu gloria, populi romani. G. R. D. —grátis datus, vel dedit. S- —genio sacrum; genio senatus. G. "V .S. ^—genio urbis sacrum ;grátis votum solvit. II. habet ;hac hastalus ;hsres ;hic ;homo ;honesta ; honor; hora; horis; hostis. H. R. M. F. —haeres bene merenti fecit. —F. C. —faciendum curavit. H. C. C\. —hic condi curavit; hoc cinerarium constiluit. II. D. D. haeredes dono dedere; honori domns divina?. HE. M. F. S. P. —haeres monumentum fecit sua pecunia . LOC. IIER. N. S.—®e/HIC. LOC. HER. NON. hic locus haeredum non sequitur. XI !v ^í’ locum haeres non teneat. II. M. AD. H. N. T. —vel H. M. AD. II. N. TRAN. — üoc monumentum ad haeredes non transit. NOÇÕES ELEaiENTARES DE ARCHEOLOGU 115 tistico antecedente, apenas com aalteração nas formas, pela inhabilidade progressiva dos operários earchitectos. Os elementos de decora- ’"" ção ficaram como estavam; as esculpturas, os mosaicos, as pinturas, foram empregadas como no século iv ;as composições foram copiadas ou reproduzidas com significantes variantes. Infelizmente, possuimos bem poucos d’esses restos authenticos dos edificios do primeiro período roman ; épreciso recorrer aos últimos tempos do império, reunir mentalmente os mosaicos, as molduras das decorações, as pinturas decorativas, então usadas, para completar aescala da ornamentação durante os séculos V, VI, vu eAvii. Ao passo de se aproveitarem os fragmentos preexistentes nos edificios, que resistiram ás dcAmstaçOes dos barbaros, fazia-se úm trabalho de assimilação que devemos ler em conta : além de construir bastantes edificios novos que lhes deviam ser indispensáveis, precisavam também de supprir as faltas de outros, reparar as paredes eas es- 9 Tumulo do marmoro dos primeiros séculos christ5os 116 IDABE-MEDIA —ERA ROMAN PRIJUTEVA culpturas, construir eornar as igrejas novas. Oelemento christão, com oseu symbolismo novo, seus especiaes assumptos, fez nascer uma nova escola de escuiptura ede pintura, posto que se inspirassem dos modelos romanos. Basta citar para prova d’isto os tumulos dos primeiros séculos da idade media com as suas scenas biblicas, eas figuras cujos typos existiam nas pinturas das catacumbas. As primeiras igrejas cbristãs foram copiadas das basilicas romanas. As basilicas eram como edifícios para os tribunaes, centros commerciaes (bolsas) ou bazares. Dois renques parallelos de columnas dividiam oedifício em tres partes, no sentido da largura. Agrande nave central era mais larga emais elevada que as outras duas. Na extremidade das tres galerias, ena central havia um espaço pouco profundo, ede forma circular, onde se assentava o presidente ou oprimeiro juiz, tendo aos lados todos os juizes accessores; o bispo ahi collocava asua cadeira, eas ceremonias religiosas eram apropriadas ádisposição do local. Ha em Abrantes uma igreja que é perfeito especimen d’esta disposição; é aunica que suppômos haver em Portugal com este typo. As abbadias, ou communidades religiosas, foram egualmente imitadas das grandes habitações lomanas, tanto da cidade como do campo, de que apresentamos um specimen na pagina 82 ;oantigo atrium, o perystilo, tem sido representado na disposição dos claustros. • Otablium, ou grande sala, foi representada na casa do capitulo. No mais foi tudo imitado das outras partes das habitações romanas com as modificações que necessitava avida commum os religiosos. Aigreja veio sómente trazer novo elemen oacomposição da parte central dos conventos ;porém SOCÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGU 117 0pateo esterno, com os seus celeiros, curraes, lagares, etc., apresentava asunilhança de uma villa rústica dos romanos mnida áhabitação do proprietário. Esculptura mérovingia do museu d’Arles 118 IDADE MEDIA —ERA R03IAN PRIMITIVA arcadas como os claustros, eram, como estes, areproduccão exacta do atrium edo perystilo. (Veja-se apag. 82.) ' uintenor da crypta de Saint-Avit, em Orleans (ix século) __os capiteis NOÇÕES ELEMENTARES BE ARCHEOLOGIA 119 4s habitações ruraes dos proprietários abastados reproduziam também as disposições principaes das villm galloromanas. Passemos rapUamenle sobre esta P™™ riodo roman do qual existe mm pouco para citai, e^^mo já occupar-nòs do segundo periodo, que nos apresenta grau 120 IDADE-MEDIA ERA ROMAÍÍ PRIMITIVA numero de monumentos notáveis, dando porém alguns fragmentos de ai-cMtectura eesculptura pertencentes ao pe- Capitel da igreja de Jouarre (vii século ) Pavões e^aniinaes symbolicos Frontão do baptisterio de Poitiers »****aw,Vi» tíHjyjLXXjXJS fomar^mplhif °Psgina enas 'seguintes para se ni sLIl"" e?’ f"*” í"' ilo estado da arte noções elementares de archeologia 121 período roman secundário 0século IX, de tão cruéis provações, vira desapparecer arande numero de edifícios pertencentes aos séculos anteriores. Estes edifícios não teriam grande solidez, porque os normandos facilmente os destruiram eincendiaram^ na occasião dos seus saques evandalismos, eos que não fícaram expostos aesta barbaria apresentam já oaspecto vetusto. Quando quizeram reparar similbantes damnos, reconstruiram 0que já estava destruído, enão encontraram, como succedera no venos seguintes séculos, senão fustes de columnas capiteis, esculpturas provenientes dos monumentos em ruinas dos gallo-romanos ;foi preciso, no século x, cortar nova cantaria, extrahir outros materiaes, executar esculpturas, ainda que grosseiramente, para os ornamentos com (pe desejavam dar realce ás igrejas, aos palacios, eoutros edm cios públicos, ou particulares :portanto, nova ordem áe cousas devia resultar das novas exigencias enecessidades. Vm-se, pois, no ultimo quartel do século x, eP™cipalmente no xi aarchitectoa em via de transformação, . gradualmente para oestado de esplendor aque altiUaiu no S6CI1I0 XII . As esculpturas provenientes dos inonumentos rombos ou muito bem imitados, deram certo brilho ao mterior das gran des construccões dos séculos intermediários, s, as pinturas eestuques, occultavam apobreza dos materiaes 'Tíerto Bdispe«ram os ommenlos “ habitações, porém exigiram mais solidez ®^* contra os incêndios; construiram ..jjg pedra, pensaram em substituir com_ ^"as 0tectos d^ madeira, que haviam sido ate então quasi ““Sífades arohitoetos, eos deoais ® berdade para innovar, construiram as igrqas eos edifícios. 122 IDADE-MEDIA —ERA ROMAN SECODARIA onde havia necessidade de taes obras, combinando novos planos edisposições inteiramente desconhecidas. As proporções antigas exigidas na architeclura não continuaram aser observadas quanto ao modulo das columnas, esuas subdivisões. Ocolorete fez então sempre parte do capitel, de certo contrario ás regras da architectura romana, porque ocolorete andava ligado com ocorpo da columna! As esculpturas mais rudimentares apresentavam series de figuras repetidas, que se agrupavam, seguindo, conforme as escolas, systemas differentes. Estes factos, que oséculo xi apresenta ao observador prespicaz, fazem de certo modo, d’esta época, que vamos tratar, 0ponto, de partida dos desenvolvimentos da architectura tal como se nos apresenta hoje ávista, examinado oextraordinário numero dos edifícios antigos que existem na Europa. Passamos portanto aapresentar, século por século, comparativamente, os typos dos edifícios religiosos, civis, eas fortificações, eindicaremos successivamente os seus caracteres principaes, por modo que possa demonstrar-se claramente amarcha eodesenvolvimento da architectura edas artes accessorias durante operíodo indicado. .4.I£CIHTECTUI£A reeig-iosa Descrevendo os caracteres principaes da architectura religiosa do periodo roman secundário, comprehenderemos ao mesmo tempo os séculos xi exii. Os ornatos do século xi teem mui pouco relevo, eestão executados com bastante rudeza; mas aquelles do século xii ja apresentam os contornos mais correctos, com ornamentação mais variada, ede acabamento infinitamente mais superior; pode aflfírmar-se que aarchitectura roman chegára ámaxima perfeição. Forma das igrejas Como já dissemos, as igrejas foram imitadas primitivamente das basílicas romanas, porém algumas, logo desde os NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGLA 123 primeiros tempos, tiveram no risco afórma da cruz, pelo augmento da parte aque chamamos cruzeiro. Afôrma geral das igrejas um pouco vastas no século xi, enos seguintes, era ada cruz, c cujos braços se estendiam de Norte ao Sul, ecuja cabeça estava ii figurada pelo côro voltado para i Leste. Aentrada principal era do lado Occidental ;ás vezes nas pa.- redes lateraes da nave bavia frestas. Ocomprimento da nave comparado com 0do côro ecapella mór, 0maior ou menor desenvolvimento dos cruzemos, estabeleceu nas fôrmas geraes das igre-. jas mudanças importantíssimas. Ocôro, menos comprido que a nave, apresentava quasi sempre aterça ou quarta parte do comprimento total do edificio. •-•„„ ^ümas vezes os lados terminavam onde principiava acurva da aíSL, como se vê na figura B, pag. 124 ;outras vezes prolongavam-se em volta do côro como na figura A. Havia também igrejas rectangulares, ou com o fundo do côro recto. Nos paizes do Norte, as igrejas acabavam a Leste eaOeste, por absides semicirculares, figura B, como egualmente existem em algumas igre- TmirAnen de Grenoble, ias antieas prineipalmente em S. Lourenço ae weiiouie, jas aniigds, pu pmais como mdica aj^^ve terminando em fôrma antigas eram compostas auma nave 124 IDADE-MEDIA ERA ROMAX SECENDARIA circular, fig. C; ou com os lados polygonaes, cercada por naves lateraes ou galerias; havendo aLeste, um altar collo- Córte da igreja de Ottmarsheim (Alto Rhin) cado num appendice encostado sobre as paredes circulares, saorma foi imitada pelo imperador Carlos Magno, na ceere igreja de Aix-la-Chapelle, aqual também depois imitaram na Igreja d’Ottmarsheim, na Allemanha. 228 ERA OGIVAL (SECULO XEV) Hospital de Xnremberg mente as capellinhas sem que apresentem interesse alffum architectomco/ oasas da camara Algump casas dos municípios do século xiv, como ade «runswich, mostra qual aimportância adquirida por estes monumentos desde oséculo xin (vêde apag. 193,acasa ®como se conservou até no século xrv, sendo então decorada com coruchéos, balaustradas eestatuas, ecom as molduras mais elegantes d’aquella época. gios ainda em 1872 existiam os vestiestrada ha um tumulo ^sua capellinha ;quasi ao meio da Saindo da estacão ali d’essa enfermidade, ira-se ádireita Lo dos caminhos de ferro em Setúbal, enconde uma outra safarL ™Portal, nnico vestígio aoutra gafaria, que houve n’aquelle sitio. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGU 229 Mercados, açougues earmazéns Mercado coberto de Bruges. Omercado de Bruges, que node ser considerado como monumento mixto, PO|s que e Sraado do campanario communal, forma um quadrilátero de 84 metros por^43. As casas mais vismhas do campanario Lavam d’mites isoladas; acrescentai-am-lhe as azas desde ^^0 Srcado de Evron, em França, construido de madura, data do século xiv, como igualmente ocôro da dal: compunha-se de duas naves formadas por tres filas de XJX EXl rir1 Prumos qiie sustentam ogrande madeiramento dos mercados em Evron 230 ERA OGIVAL (SECÜLO XIV) Apresentemos otraçado das peças de madeira de uma asna d’este grande madeiramento, eque se apoiam sobre o renque dos prumos de vigas, que separam as duas naves Este madeiramento merece estudo particular, eserá apreciado pelos constructores, visto que estes grandes edifícios construídos por esta fórma acabaram de todo, eainda não foram sufficientemente estudados. Mercado de Dives. Oantigo mercado de Dives, em madeira, tem igualmente certa importância. Aparte menos antiga, Córte transvei^al do mercado de Dives que está do lado leste, pertence ao século xiv ;os dez vãos mais bem construídos que compõem omercado primitivo, datam certamente da idade media; tem 32 metros de comprimento e11 metros de largura, decompondo-se da maneira seguinte :anave central, 1metros ;as lateraes 4” 32. Agravura mostra ocorte transversal do madeiramento. mcertas cidades bastante povoadas, onde acorporação dos carniceiros era poderosa, como em Gand (Bélgica) ena Inglaterra, omercado coberto formava um monumento. noções elementares de archeologia 231 icoMpe de Gand. Este grande edificio, do qual os_Yia- iantes Algares não fazem caso, eque os itmemnos nao se dão ao incommodo de descrever, ecomtudo digno de ser citado. Édividido no interior ^g”pÒrtas^*das fachadas binadas divisões de madeira. As construcção do correspondem as duas naves. Itata 232 ERA OGIVAL (SECLLO XIV) aním^ século XIV, 0açougue de Gand foi consideravelmente ®reconstruído em grande parte no reinado de Carlos v, em 1S42. Grande armazém de deposito na cidade de Constanco NOÇÕES ELEMENTARES BE ARCHEOLOGIA 233 Oarmazém de deposito de Conslance, pag. 232, pode dar-nos idéa dos grandes armazéns do século xvf; compoe-se de muitos andares, cujos pavimentos de madeira são sustentados por grossas vigas aprumo. Casas particulares As casas particulares do século xiv culo xin, construídas de cantaria ou > 234 ERA 06IVAL (SECÜLO XH") havia na proximidade bons materiaes, que facilmente se extrahiam etransportavam, davam-lhe apreferencia; porém achar-se em similhantes condiçSes era raro, epor isso pre^ feriam amadeira; veio d’ahi certa combinação no systema particular das construcções, de que se encarregavam especialmenle os entalhadores para ornamentar as madeiras apparentes ;além de facilitarem as suas edificações. Escolhemos como especimen das casas construídas de cantaria, uma das mais notáveis que existem em Corães, como se vê na gravura da pag. 233. ARCHITECXURA IMttLIXAR Formas geraes Acomeçar do século xiv, as partes habitadas dos castellos tomam formas mais regulares, encaminhando-a ase aproximai do estylo moderno. No pateo principal, que éor- Galeria saliente de cantaria mariamente quadrado, apresentam grandes evastas habitaintimamente com as muralhas de recinto. annaonfno defensa estão alternadas com os P,ícando as construcções civis augmentaãas em pre- NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 235 iuizo das fortificações. Muitos caslellos do século xiii se com- Dletam no xw com grandes addicionamentos. As torres dos ângulos encerravam geralmente as escadas nara se subir aos differentes andares. Collocavam também uma escada principal na torre levantada ao centro da fachada nobre do edifício. ^jjr Os cachorros de madeira que coroavam as paredes das torlifícacões apresentavam, como já dissemos, bastantes inconvenientes, aos quaes procuravam dar remedio. ^o século xr as galerias salientes de cantaria com besteiras, gravura da pag. 23i, substituiram pouco apouco os cachorros nas praças fortes. As muralhas á’Avignon, eas de Cahors, reconstruídas no século xiv, offerecem bellos exemplos. Interior de uma porta com ponte levamça besteiras não existiam antes dos ^^confirde outro tvpo, pela sua construcçao pode-se conti 236 ERA OGIVAL (SECCLO XIV) mar aantiguidade das muralhas, quando ellas lhe servem de remate sem nenhuma interrupção. As portas dos recintos são constantemente defendidas por duas torres, etendo na parte superior, como no século xiii, uma sala onde faziam mover aponte levadiça. Foi no século xiv, que principiaram, como já referimos, aser munidas de pontes levadiças, ^movidas por contrapesos. Apequena porta destinada aos pedestres tinha ponte levadiça particular, como se vê na gra-vmra da pag. 235. Citaremos entre os castellos mais completos do século xrv 0de Pierrefont, que fomos vêr em 1867 quando a sua restauração era dirigida pelo eminente architecto earcheologo, 0nosso confrade mr. Viollet-le-Duc. Aformidável Bastilha de Paris, destruida em 1789, cujo fac-simüe se encontra em grande numero de bibliothecas pu- Vista exterior da Bastilha blicas, fôra começada em 1369 por ordem do rei Carlos v. Esta fortaleza compunha-se de habitações em grande altura, dispostas regularmente em roda de um pateo quadrilongo ; tmha quatro torres semiesphericas nos ângulos do quadrado emais duas no centro dos dois maiores lados. *Como ainda ha na praça de guerra de Eivas. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 237 Diversas janellas quadradas se abriam para ointerior dos nateos ealgumas nas muralhas exteriores. ^Tincemes éantes uma praça forte do que um castello propriamente dito; afórma regular do recinto otorreão, Ltorres os parapeitos, este todo offerece um bello exemnlo do grande monumento militar do século xiv,^ esempre Sue se pudesse, dever-se-bia adoptar um plano symetnco, ^ando 0terreno fosse aproprido para similhante construe Esta fortaleza conserva ainda algumas construcções muito ^^0 rai Filippe Augusto foi oprimeiro soberano que mandou edificar n’este logar uma casa de campo para suas caçadas. Amaior parte das fortificações foram demolidas em 1337, para se construirem as que e^^tem; assim como obe o torreão do castello, que veio aser prisao do Estado no leinado de Luiz XI. Este torreão éum dos melhores, no seu genei , 'Sv" reSancia da galeria dos antigos ap^ntos reaes, bem como aarchitectura da capella, eon^ j tencentes aos reinados de Francisco ieda lai i Medieis. 1Como foi construída apraça forte completa ruina. de Villa Viçosa; aclualmente em 244 ERA OGIVAL (SECÜLO XV) Haveria um estudo interessante afazer-se sobre as toi-res do século XV, as que existem na cidade de Ruão, pois são todas de notável elegancia, embora não tenham como remate nem frechas, nem agulhas. Altares Oaltar, representado na gravura seguinte, tem 2“ 40 de comprido por 0”,90 de fundo e1“,80 de altura. Sustentam-no Üm dos altares da igreja do Flogoat (Finisterra) ííe frente compõe-se Inmíf eurvaturas alternadamente separadas por uií^a columna epor um pendurai. Tabernáculos ned^rnno tabernáculos ou cihoriums de SZegualmente ser considerados como accessenandns oestejam amaior parte das vezes encaixados nas paredes próximas, como também NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 245 estão as credencias. Oespecimen seguinte mostra a ração dos que existem em muitas igrejas ja desta epoca. umas credencias, do fim do moldm-as, como iveis pelo numero eacabamento de suas mo ?è na gravura seguinte. ERA OGIVAL (SECULO XV) Credencia dos nlíimos annos do secnio xv. na capella de Jucov noções elementares de ARCHEOLOGIA m Pias baptismaes \forma mais usada no século mv para as pias baptismaes for‘ím egualmente imitadas no nv, porem as pias de.te ul- Pia baptismal na igreja de S. Sebaldo • • Tvi mostram, emquanlo as estimo século edo principio do x\ .„^pnte com molduculpturas, que foram executadas pri nichos os dóceis ras prismatLs, similhaiites ás que oimam eos pináculos da archileclura ogival ia epoea teiciai 249 NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA As pias mompediculadas com reservatório epé octogono lião são raras no século sv :algumas imitam ofeitio d’um calix e apresentam da parte externa aforma hemispherica ou ovoide. Apia baptismal da cathedra! de Bale épediculada; o calix teuL oito faces com adata de 1463. Estão representados sobre os oito lados d’este calix; Jesus Cliristo bapíisado no Jordão; S. Lourenço, S. Thiago, S. Paulo, S. Pedro e S. Martinbo. Opé tem egualmente afórma oclogoaa._ As pias de bronze da igreja de S. Sebaldo, em Nuremberg, apresentam afórma cylindra ornada com circulos em relevo. Os contornos são graciosos, eestá dividida em duas partes ecom arcadas collocadas apar. Os quatro evangelistas se destacam no socco, eparece que sustentam aparte superior da mesma pia. * Tribunas —Separações formadas de cantaria Era do uso fazer-se um âmbito gradado, especie de barreira ou separação muito enfeitada, posta entre anave pimcipal e0coro' pstentando geralmente uma tribuna ea estante onde se lia oEvangelho, como praticavam anies servindo-se do púlpito. As mais primorosas datani oim do século XV, ás barreiras em cantaria que separavam o côro das naves, eque, desde oséculo xiii, pexistiam em algumas igrejas; ellas vieram aser nos séculos xv^e xvi grande riqueza de trabalho ede merecida admiraçao. Tumulos ecampas No íinal do século xv eno XVI empregava-se quasi constantemente, para os tumulos arqueados, arcos postos apar, similhante aeste exemplo que damos: collocavam um certo numero de tumulos d’este genero ao correr das paredes nas grandes igrejas. “250 ERA OGIVAL (SECULO XT) No século XV, encontram-se as pedras das campas cobertas por uma grande quantidade de detalhes d’architectura como se executavam nos tumulos em vulto. Ofinado era representado occupando ocentro de um historiado portal, composto de nichos, dentro dos quaes ornam pequenas figuras de santos em differentes alturas, ou então postas em nicho coberto por um docel ;gravura de pag. 249. Cmz dos cemitérios No século XV, tem-se lavrado muitas cruxes em pedra para se porem no meio dos cemitérios, e 0estylo das molduras caracterisa suíTicientemente aépoca da execução. Em algumas cruzes da Bretanha, distinguem-se grupos de personagens bastante complicados, ede trabalho muito mais apurado por serem em pedra muito rija. ^RCHITECTURA. CIVIL Ocaracter da architectura civil do século xv, emquanto as molduras com ornatos, éegual ao empregado na architeclura religiosa. Areliiteetura monastica Aarchitectura civil monastica segue ogosto do tempo e adoptou-se nas arcadas dos claustros, nas janellas ogivaes, Cmz clc Scaol) (Finislcrra) NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 251 Fragmento d’um claustro do século sv eom contornos cunilincos, como já espuzcmos quando fallámos da architectura religiosa. 252 ERA OGIVAL (SECULO XV) Para comprovar, será suíEciente apresentarmos odesenho de um claustro do flm do seculo xv, com os seus arcos a compartimentos em labaredas, ficando como esmagados pelos frontões de ramalhetes, uns apar eesguios (fig. B), os outros separados de vários segmentos, cujas curvaturas são mui desagradaveis (fig. A, estampa da pag. 231). As folhagens golpeadas com as quaes ornavam as curvaturas dos portaes, são ás vezes vasadas com exaggeração, mas de aprimorada execução. As janellas quadradas com pinasios de pedra multiplicamse nos andares superiores das construcções civis. Nota-se do mesmo modo tendencia apôr-se de parte o arco traçado por tres pontos, adoptando-se as aberturas rectaugulares, que vieram aser quasi exclusivamente empregadas um seculo depois. Oportal de entrada das abbadias epriorados ficava sempre collocado em um pavilhão cpie tinha superiormente aposentos ;emquanto ádisposição geral, era amesma do seculo anterior. Paços de coneellio Na segunda metade do seculo xv constituiu-se grande numero de novas municipalidades, afim de enfraquecer cada vez mais opoder feudal etodas as cidades rivalisaram entre si na edificação dos seus paços de concelho, muito dos quaes subsistem ainda eapresentam uma serie de edificios extremamente interessantes para se eiaminarem. Ocampanario que lhe pertencia, veio aser então uma torre elegante ede extrema delicadeza, ornada de variados contornos, como as que se executavam nas igrejas. 3Iuitas das cidades applicavam quantias avultadas para construir eornar seu campanario, afim de que ovissem agrande distancia, e também para dar maior importância ásua representação. Acasa da camara de Douai, éda segunda metade do seculo^xv, sendo mais notável pelo seu campanario que pela extensão ou elevação do edifício municipal. Afachada municipal apresenta no-plano terreo tres portaes ornados de fo- NOÇÕES ELE.MENTAIIES DE ARCIIEOLOGIA 253 Casa da camara Douai 260 EHA OGIVAL (SECÜLO Xv) lecimento agrícola, oífereciam uma importância tamanha como ados ediflcios públicos. Opalacio de Jacques-Coeur, em Bourges, era um dos monumentos civis mais sumptuosos da segunda metade do século XV. Citaremos ainda como exemplo aquelle de Clmy, e grande numero de grandes palacios dos séculos xv exvi. Damos na pagina seguinte avista geral de uma casa de campo, onde ahabitação senhorial está junta ápropriedade rural. N’estas residências campestres onde se occupavam de agricultura, as diversas casas para esse serviço cercavam opateo, ora quadrado, ora de forma irregular; eahi estabeleciam as cocheiras, as cavallariças, os celleiros eos curraes, além da habitação do proprietário. Nos palacios enas residências do campo construídas de cantaria, aescada ficava collocada mui frequentemente em uma torrinha saliente sobre afachada do edifício. Esta torrinha de arestas chanfradas era coberta com telhado em duas aguas, epara se construir esse telhado davam áparte superior da torrinha aforma quadrada, para oque era necessário fazerem-lhe duas abobadas pendentes, afim de ligar os lados cortaíjos com oquadrado de telhado. As inclinações d’estes telhados eram guarnecidas de crochets em relevo. Não obstante, havia outras torres que conservavam amesma forma que tinham na base até ao telhado. As casas do século xv edo principio do xvi, são ainda hoje muito numerosas nas cidades das provdncias, as quaes nao soífrerara, como na capital, transformação completa; apresentam inleiramente os mesmos detalhes na ornamentação, como havia nos outros edificios da mesma época. As esculpluras dos cardos postos nas linhas inclinadas, as folhas de repolho encrespadas, eoutras molduras similhantes, ornavam os porlaes em ogivas, ealgumas vezes tamhem as cornijas. As paredes divididas em almofadas guarneciam parte d’ellas. As janellas, quasi todas quadradas esubdivididas por uma Grande mansão com casas dc exploração rural em CuUy (Calvados) 262 ERA OGIVAL (SECULO XV) cruzeta de pedra, tinham em roda muitos renques de nervuras prismáticas ;um cordão descançando sobre carvatides lhe servia de remate. As janellas abertas no madeiramento, ou trapeiras, eram coroadas por frontões pyramidaes extremamenle delicados e por vezes acompanhados de contrafortes ou arcos butantes Torre eescada sustentada por abobadas pendentes com recortes epináculos cheios de crochéts elavores Este systema de ornamentação existiu durante aprimeira metade coséculo XVI. Encontramos um bello especimen no palacio de justiça em Ruão. - Em certos sitios, onde seria facil achar-se boa pedra, as casas cie madeira foram menos numerosas que as casas consliuidas de cantaria. Palacio de Jusúça de Ruão 264 ERA OGIVAL (SECULO XV) N^aquellas que ainda existem, os andares são bastante salientes, ficando em sacada uns sobre os outros, eas partes reentrantes, que apparecem no comprimento da edificação, são ornadas com molduras. Nas gravuras das paginas *266 Casa de cantaria em Saint-Pierre-sur-Dive e267 vêem-se essas sacadas progressivas dos andares uns so re os outros ;nas cidades de grande população viam-se mufias vezes dois andares superiores ao rez-do-*chão, eum ei ceii 0andar posto ainda sobre otelhado, oqual recebia luz NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 265 por grandes trapeiras. Omaior numero das casas particulares tinha aempena voltada para olado da rua ;esta disposição era menos frequente nos palacios ou nas habitações das pessoas abastadas. ,^. Damos, por exemplo, duas casas do fim do século x\', construídas de cantaria, primeiramente aquella que existe em S. Pedro-sur-Dive, pag. 264, na margem do rio, edependentes do mosteiro dos benedictinos :suppõe-se que serviam de tribunal de justiça d’aquella ordem. Atorrinha octogona que guarnece os ângulos encerra um oratorio inuito elegante, às vigas apparentes do tecto das casas, principalmente as das grandes salas, eram ornadas com obras de falha nn ffosto da éooca. das em 1494, eaoutra que Taholetas eesculpturas emblemáticas Nas cas; ângulos en malicas pa Smlt, em XV servia ( applicação uma figura mãos um c vidar apr via-se air mello; e 266 EEA OGIVAL (SECCLO XV) 267 NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA Casa de madeira do Poids-Royal, em Saint-Lo 268 ERA OGIVAL (SECULO XV) Casa de madeira, em Honfleur noções ELESIENTARES DE ARCHEOLOGIA 269 bordão echapéo de peregrino, allusão bem evidente ás viagens eaos viajantes. «a madeira, em Saint-Julien-de-Sault (Yonne) Ipturas sobre uma casa de No oui™ cunhal apparece atoagem do ““ 0livro, atorre eapalma .alto-relevo ;apresença aimagem da loucura representado em alto reievo ,p 276 ERA OGIVAL (SECÜtO XV) pelos muros enlre os baluartes, fôra adoptado desde oxiv seculo; porém mais geralmente empregado no xvi; posto que, em algumas partes, sejam vistos os dois systemas no mesmo castello. Os castellos, que citamos, cujas datas s<ão verdadeiras, apresentam-nos otypo de muitos outros edifícios em diversas localidades, durante asegunda metade do século xv e nos primeiros annos do xvi século. CAPITULO AII ESTYLO DO RENASCIMENTO Chama-se Renascimento, aarte ^ad^ fôrmas antigas da architectura, como se aarte tivesse t™;: ;rpetr aperfeimamcnlo ede ““poíKa™ — com avolta inteira, que aprnio xir portanto, uma pela inlroducção da ogiva extraordmana revolução la po psuccessivos As guerras dos francezes na Italia em i ^ reinados, levaram a^orenascimento italiano recebeu ella ogosto tudo, qinnovação e produzira nas artes enas °^sómente os artisreforma que tanto agitava arep espiritos para esta tas, mas Imbem os theologos, preparara os espir p grande mudança ^u„n,ada do Renascimento não foi Porém, aarchitectura g^g religiosas do xvi geralmente empregada ,g^ebldo para estes edifícios século. Afôrma da tempo depois da adouma especie de consagraçao, jj-y^côes civis, fôra prepcão do estylo clássico para religiosos, eaté do século ferida depois para os monumentos religiosos. 278 ESTYLO DP RENASCIMENTO XVII se encontram exemplos do emprego da ogiva. Na verdade, estava então oestyio ogival privado dos seus ornamentos, mostrando grande pobreza decorativa ;apparecia apenas oesqueleto do antigo estyio; porém aogiva era ainda usada sómente para as janellas earcadas. Poderiamos citar centenares de igrejas edificadas n’este es^lo, quando odo Renascimento ostentava já todo oseu brilho nos palacios acastellados enas construcções civis. Como quer que fosse, as construcções do Renascimento foram mais civis que religiosas :isto é, construiram-se n’este estyio menos igrejas que palacios ecasas. ^KOHITECTURA KEUiGIOSA Plano das igrejas Oplano das igrejas do século xvi foi pouco mais ou menos 0mesmo que no século antecedente. Monumentos As almofadas efrizos, as pilastras eos outros membros architectonicos foram cobertos de grande profusão das imitações do reino animal evegetal. Gênios representando amor, figuras diversas, muitas de phantasia, se entrelaçavam em contornos caprichosos ;porém sempre em combinações graciosas que foram chamadas arabescos, denominação extravagante, porque os arabes proscreveram anatureza animada das suas obras de imitação. Aigreja de Semur offerece-nos magnificos arabescos. Os arabescos, para nos servir d’este termo improprio, que tem prevalecido, eram imitação das decorações afresco que se acharam em muitos monumentos antigos, eque se vêem ainda hoje nas galerias eabobadas sombrias dos banhos de lito, em Roma. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 279 Janellas Muitas vezes as janellas eram de volta perfeita, esem cruzetas de pedra; as portas earcadas igualmente tinham afórma semicircular. Ajanella, que representamos, foi tirada da igreja de S. Pedro de Caen, apresentando oestylo do Renascimento mais bem caracterisado, não somente na sua forma, mas igualmente nos seus accessorios (contrafortes, pdastras, campanâriosinhos, candelabros, etc., etc.), nas figuras, nos modilhões, os quaes formam oremate; enos entablamentos com balaustrada que corôa oedihcio. Esta balaustrada com os seus gra- ™ transição se formou quan oei. inteira, resultando recia outra que tornava a^classicas d’ahi um estylo ff?Pf a‘volta perfeita da archicom os ornamentos do secuto «oberta de vistosos enlectura romana, „“g pgava-se aos arabescos e feites do estylo ogival, eaogiva ligava frontões antigos. i^^perté-Bernard (França) dá-nos Ajanella da igreja cênico, apresentando-nos um exemplo ff^"gcimento, no mem divisões no estylo do Re j^século xv , ogiva lavrada com molduras no esiuo pag. 280 . 280 ESmO DO REXASCDIEMO Abobadas N’esta época, as abobadas conservam afórma olival porem tendem abaixar asua elevação, epor vezes são de VXa-VZ\/\ JVA, L'ma jaaella da -igreja de la Ferté-Bernard ornatof afíh ‘amiíicam-se, vendo-se cobertos de kreil de %? observa nas da Igreja de Satnt Lttenne-du-31onl (França), de que damos NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 281 Igreja Saint-Étienne-du-Mont agravura, ecuja" consirucíão. priucipiada cm 1517, não estava concluída em 1363. 282 ESTYLO DO RENASCIMENTO Muitas igrejas ruraes, e até outras de maiores dimensões tinham no século xvi, unicamente abobadas imitadas com madeira, ecomo estes forros cheios de obra de talha são importantes pela sua construcção, seria conveniente fallarmos ees ,tinham como nos edifícios civis da mesma época, NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 283 collocadas as vigotas sobre agrossura das paredes, ao que cbamam freixaes, eos ponlaes formando aogiva ou avolta Estfô eram firmados sobre vigas transversaes, chamadas linhas Opau de fileira era sustentado de distancia em distancia por peças de madeira, penduraes, erguendo-se verticalmente das linhas até ao tecto de forma abobadada. Oforro que occultava os curvos eformava ocontorno apparente da abobada era coberto de pinturas, eas juntas dL linhas ficavam dissimuladas por fasquias ornamentadas. Altares Oestvlo do Renascimento mudou também, como deve suppôr-sé, 0syslema da ornamentaçao dos altares, fôrmas antigas foram modificadas. ..otqhnlns em Evistem ainda, em algumas igrejas rurae ; letabub^^^^^^ .adein, d. sec* X* tamos agravura na pag. 284, encimauo ^nneervacão Não será nunca demasiado, 4gmãos dos dos antigos altares, ese esse hyro »fj^pcaem isto em reverendos parochos, dispostos a atlençâo. embora. 'vZo a“ SS oJiSSle destruir tudo oque eantigo, com _|ii„ Santaao bellissimo tecto da igreja moderno de mau gosto rem, para osubstituir por trabalho moderno cie mau , esem nenhum estylo! .Christo, ou Alguns retóbulos repraseotam ^ ado orago da igreja, ™delicadeza exrtraoções cujas figurinhas são modeladas com üeiicau dinaria ebom colorido. gggulo svi, Muitos retábulos de madeira c»,^j^^g igrejas, ficaram desprezados epéssimas pinturas, e depois de terem sido substituídos por ara ahi ficarem até que os especuladoies os descon 28iESTYLO DO RENASCIMENTO Altar de madeira do seculo xvi sepai ar as peças umas das outras, evendel-as por bom preco inculcando-as como objectos raros. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 285 Pias baptismaes Appaceceram pias baplismaes, novamente collocadas, sendo cobertas de folhagem ecercaduras. Em algumas, acircumferencia édividida em quatro almofadas encaixilhando Pia baptismal do século xvi composições religiosas com medalhões, como esta de que damos exemp ,hemispherico Porém, as pias baplismaes com foima de caiix ue p são sempre em maior numero. 292 ESTYLO DO RENASCIMENTO Chaminé do secnio xvi que se destacam sobre otelhado, são de uma notável ele gancia. Outio exemplo, na mesma localidade, em que se vô ocor NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGlA 293 rirnão de cantaria eas abobadas pendentes, ornadas de figuras em baiso-relevo, patenteiam aimportância que se dava no século xvi aesta parte dos edificios, grav. da pag. 288 ; assim como odesenho d’uma vistosa janella do palacio de Puv-Guilhem (França), grav. da pag. 289. As casas construidas de madeira são algumas vezes mais cheias de ornamentações que as outras edificadas de cantai ia, eos enlalhadores d’ãquella época desenvolveram superior talento na execução de lavores dos madeiros que molduravam as ianellas, as trapeiras eos prumos dos cunhaes. \hi está afachada de uma casa de Lisieux (pag. -90), cidade que possue ainda bellos exemplos em architectura do século XVI ;assim como outro fragmento, representado pe a gravura de pag. 291, da decoração de uma casa de Gaen Estes dois eLmplos, tomados ao acaso, entre mil, bastarao para demonstrar como oestylo do , gnalado sobre amadeira nas construcçoes do século xv i Muitas vezes os grandes aposentos se distinguem por de coracões especiaes epor magnificas f as cristas, as espigas construídas em ^«0 ou ba. o^ zido que coroavam os telhados, apresentam no século xm extraordinária elegancia eexcessiva altuia. Castello de Chevillon 294 ESTYLO DO RENASCIMENTO ^RCHITECTUK^\. MILITAR, Os caslellos do Renascimento, posto que cercados de fossos cheios d’agua emuitas vezes guarnecidos de torres, todavia já não são praças fortes na verdadeira accepção da palavra, mas elegantes habitações,, nas quaes tinharn em vista sómente conservar as apparencias feudaes. Éoque facilmente se comprehenderá examinando aperspectiva do castello de Chevillon (França), pag. 293, cujas torres, que se reflectem na agua, não mostram absolulamente nada de fortaleza que podesse resistir aos ataques da infanteria emuito menos da arlilheria. Aarchitectura dos castelfos, além das muralhas que os cingiam eos seus fossos cheios de agua, confunde-se muito com aarchitectura civil; as salas, as escadas, as galerias não são menos ornadas do que os palacios eas casas das camaras ;os arabescos e as molduras são até, às vezes, prodigalisadas com excesso, como indica agrav. da pag. .293. Grande numero de castellos compõe-se simplesmente de um paleo quadrado, rodeado de construcções ruraes, no fundo do qual está collocada ahabitação senhorial ;as janellas destas casas quasi sempre foram depois mudadas ou alteradas, mas conservando quasi intacta atorre com os ângulos cortados que encerra aescada, eque occupa omeio do edifício :estas fidalguias, como eram designadas ás vezes, são bastante communs nos campos. AFrança possue ainda centenares de notáveis castellos do século XVI, xmui conhecidos dos touristes. Lembram os typos mais grandiosos emagestosos das construcções d’esta ordem. Limitar-nos-hemos aapresentar dois lindos monumentos do Renascimento :taes como, ocastello de Azay-le- mdeau, dislincto pela sua rica ornamentação, eode Bernesq, pag. 296 e297. Em seguida apresentamos um especimen dos modestos solares de que ha grande numero edifícados no paiz. NOÇÕES ELEMENTARES DE ARGHEOLOGIA do c-stello Je Oin .mcnlaçao Cbantelou (França) 296 ESTYLO DO REXASCIMEXTO Os castellos, construídos de madeira, continuaram aser notáveis no século xvi, nas localidades onde esse material ba eÁtP n uT cantaria só na «lartem rSeiS Visla sferal do castello d'Azay-liídoau (Iqdi NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 297 Para entrar no pateo d’estes solares ideados de agua era preciso geralmente atravessar um torreão desligado das 298 ESTYLO DO RENASCniEXTO >-OÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 299 outras habitações, tal como aquelle que existe ainda em Beuvillers, do qual em seguida damos agravura. Estando os castellos menos expostos que as casas urbanas ás mudanças ereconstrucções, teem por este motivo conservado melhor os madeiramentos elevados, eos espigões de chumbo ou de barro cosido. Entrada do caslello de Beuvillers P„a qual =TS flricaT^MÍ», Pagl“jiaSnãTob“latóÕ“subidõ aiada muilas oulras n’esla ‘«“'f ““ as oatilado preço que os Sirilica de cérlo os objoelos juizo dos seus possuidore.. na d’arte ao vil interesse. Fabrica de Prédauge (França) CAPITULO vm período moderno Diremos apenas algumas palavras acerca do período molerno da architecluia. «APnmn se imitar uma certa No século XV,Ieuo xvm luiia oas lisposiç3o architectonica, qiie P,cooachadas das igrejas, no ulli qcolumoas que úsUndo em colloear »/”' 1‘”„S easduaslaleraes; ibrangessem aJ^e architectura por cima iepois em sobrepoi odr ^^esse ao espaço occuda primeira, ainda ^^abobadas se erguiam pado pela nave ’°"^„pHencentes ás naves lateraes. acima dos telhados P,xg ^fachada, na parte Esta diminuição ‘i® accessorio do feisuperior, era disfarçada p.gelevação da tio de um Sdeitado, quai Pdecorava oportal, segunda Ordem com a eao mesmo tempo s®‘‘'’f' f®-gssa epoca as suas igrejas Os jesuitas, que ^g promotores principaes de adoptando esta lo^nas que não correspontal incoherencia, sobrepo motivo ficou designada diam ás divisões dos and^-g^^ygdo nas igrejas do século Estylo dos Jesuítas, que foi aaopiau XVII. 308 período moderno Casa allemã da primeira metade do século xvii NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGLi 309 Ediftcação do começo do seculo xvii 310 período moderno construía grande numero de casas com elevadíssimas empenas com os lados em fórma de degraus erematadas por grandíssimas quartellas, que datam do século xvi, pag. 308. Aempena da gravura que damos para exemplo d’esta especie de construcções éde 1620. No século XVII, as casas mais importantes tinham as escadas com patamares mui espaçosos; eos pontos de apoio eram executados com demasiada grossura. Os balaustres da grade da escada tinham afórma quadrangular eoseu corrimão era também de grande grossura. As duas gravuras das pag. 309 e310, mostram oestylo das casas do século xvii. Na primeira gravura, já as janellas não têem pinazios de cantaria, assim como as vidraças não têem os caixilhos guarnecidos de chumbo para segurar os NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 311 vidros, sendo substituídos por pinazios de madeira. As trapeiras conservam as primitivas fôrmas, mostrando os prumos recortados em fôrma de quartellas, eos seus frontões de feitio circular ou triangular, conforme eram empregados no século XYi. Os pannos das chaminés tinham afôrma quadrangular, eterminavam em frontões. Fachada com portal em Trévières, de 1647 Aoutra casa, que éde estylo mais adiantado, pois data de 1664, apresenta um bello portal terminado por frontão, os telhados com bastante elevação, eas chaminés extremamente altas. Estas combinações são características do século xvii. Ha nos suburbios de Lisboa, no palacio de Palhavã (que foi por nôs restaurado eampliado no anno de 1862), um bellissimo portal, no estylo Toscano, de perfeita composição e obra de acabamento apurado, ehaverá poucos nos outros 312 PERIOOO MOBERSO paizes que lhe possam ser comparados, esem duvida ocelebre architecto Vignola não se negaria afirmar com asua assignatura odesenho para esta construcção, tanto mais por ser delineado segundo aescola d’este artista. Oestylo da primeira metade do século xvii, oqual pre- Uma parte do castollo de llarcourl NOÇÕES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA 313 dominou durante oprincipio do século seguinte, apresenta um caracter grandioso, eos monumentos d’essa época distinguem-se, pelo seu nobre aspecto, das outras ediflcações mais importantes do tempo presente. .As outras gravuras apresentam construcções pertencentes ao ultimo quartel do seculo xvn, eseguem aordem da antiguidade de suas edificações. Aprimeira gravura pertence auma azenha, posto que na sua fachada parecerá um palacete. Édo anno de 1664, pag. 311. As duas partes symetricas flanqueadas por pilastras eo fronlão separado por muitas ordens de frizos sobrepostos, (de péssimo effeito) que occupa aparte central, parecem caracterisar uma data um pouco mais antiga, posto que este estylo se perpetuou, em alguns monumentos, até ao principio do seculo sviii. Aparte da casa de Harcourt, que representa a outra gravura, pag. 312, pertence ao principio do seculo xviii, mas foi edifício delineado com mais talento eapresenta um aspecto mais regular enobre. No seculo xaiii aarchitectura modificou-se sensivelmente, eogrande numero dos edifícios d’esta época está bem patente, eserá escusado descrever o seu caracter architectonico. No actual seculo xix, tem-se feito bastantes alterações na architectura, epor isso não apresenta um caracter bem distincto, 0que se deverá attribuir ao estado presente social ; portanto, não se póde definir afórma do estylo que deverá representar asua architectura. Finalmente para que qualquer estudo offereça sempre interesse para ser cultivado pelos estudantes, épreciso não se explicar tudo aos principiantes, sobre amatéria de que se occupam, mui principalmenle n’esta moderna sciencia; para que acuriosidade de aprofundar lhes desperte odesejo de se instruirem cada vez mais, oque lhes facilitará gradualmente 0seu desenvolvimento; afím de evitar que uma demasiada applicação venha aproduzir-lhes ocansaço em conhecer todos os segredos da archeologia, porque oestudo 314 período moderno se não éfacil, ésobejamente agradavel eutil. Por minha parte, julgar-me-hei feliz se as noções que deixo n’estas paginas, poderem suscitar oamor atão profícuos estudos, porque d’ahi, no meu entender, virá engrandecimento para o nosso fim. FIM índice Pag. Introddcção. Prologo CAPITULO I Tempos prehistorieos Tempos prehistoricos Archilectura dos tempos prehistoricos Utensilios einstrumentos diversos Objectos de barro - Mappa synoplico das antiguidades prehistoricas . . . i 19 20 27 30 CAPITULO II Tü-r-n. gallo-romana Era gallo-romana. . Archilectura. . . . Muralhas de defeza. Inscripções latinas . CAPITULO III Idade media Idade media Periodo romano primitivo Archilectura religiosa. . Idem civil Idem militar 32 36 103 lOS 112 122 1S2 1S8 CAPITULO IV SiTEi ogi-va,! Pag. Era ogival ;166 Arehitectura religiosa 167 Idem civil 183 Idem militar 196 CAPITULO V Era ogival secundaria Arehitectura religiosa 208 Idem civil 224 Idem militar 234 CAPITULO VI Séculos XV eXVI Arehitectura religiosa 23g Idem civil 250 Idem militar 270 CAPITULO VII Eístylo do renascimento Eslylo do renascimento 277 Arehitectura religiosa 278 Idem civil 286 Idem militar !!!." 293 CAPITULO VIII I*eriodo moderno Periodo moderno 30j Arehitectura religiosa 302 Idem civil 309 ERRATAS Pag. Lik. Bsbos 114 como 215 ante-historico 88esteve 10 16 alimentares 12 12 -quUdade 19 5 a õ6 4dipteros 66 28 quando 92 27 não tem »31 pertencendo 93 9alados marinhos 115 9signiôcantes >24 de se aproveitarem 122 27 aquelles 123 21 lados >36 compostas 124 4Rhin 126 5joncçâo 128 132 8cabeças para lhe servir 136 •3Naquelia »*gravura 140 11 pag. 146 23 como 154 4operado 156 23 devoluto 167 2procurava >19 exeeptuando *20 no fondo do coro >23 eram 170 11 o 171 2Treves 177 6causam 171 27 Pediriamos 192 21 Era 200 30 muita 212 5Clerestory 219 10 Portas 220 25 As pinturas >27 foi igualmente prodigalisado >29 polycromos —desmerecidas 221 15 em Portugal 224 25 edificios 238 5do 239 23 feitio 242 10 chammejante 243 13 apresentam 250 10 249 >12 tem-se 260 16 edificio 261 1mansão ^ 265 21 Poids-Royal ^ »22 Hanfieur >34 também 269 6representado 276 3dois systemas COBBECÇÕES pela prehistorico foi alimentícios qualidade á monoptero quando estes tem destinados marintios alados insignificantes que se aproveitaram os naves lateraes compostas sempre Rheno facíia de cimento nos interstícios serpes que sorviam Xa gravura junta pag. 126 e127 assim que se dá devalúta teve excepto na curva da abside corriam em fôrma de galeria a Trier dão Poderiamos É muitas clerestorium Portaes Apintura foram igualmente prodigalisadas polycromaticas—apagadas na Bélgica edificios civis no estylo flamejante flamejante apresentam; grav. pag. 245 248 tinha-se edificio, grav. pag. 262 solar Poids-Koyal, em São Ló Honfleur também aimagem representadas dois systemas de construcções K. B. As variantes de orthographia eas erratas de pouca monta abstivemo-nos de as indicar, porque facil será ao leitor emendal-as.