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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Bárbara Francisca Ramos de Sousa A tradução técnica e as competências do tradutor na era digital – estágio curricular na SMARTIDIOM janeiro de 2023 A tradução técnica e as competências do tradutor na era digital – estágio curricular na SMARTIDIOM UMinho | 2023 Bárbara Sousa
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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Bárbara Francisca Ramos de Sousa A tradução técnica e as competências do tradutor na era digital – estágio curricular na SMARTIDIOM Relatório de estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação de: Professor Doutor Fernando Gonçalves Ferreira Alves janeiro de 2023
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao meu orientador, o Professor Doutor Fernando Gonçalves Ferreira Alves, por todo o apoio, paciência, partilha de conhecimentos, conselhos, recomendações e constante disponibilidade, não só durante esta etapa, mas também ao longo do meu percurso académico. Agradeço também à SMARTIDIOM por me ter acolhido tão bem e me ter dado esta oportunidade fantástica, e a todos os colaboradores por tudo o que me ensinaram e por terem feito com que esta experiência de estágio fosse um sucesso. Gostaria também de agradecer aos meus amigos por toda a paciência que tiveram comigo ao longo desta fase, especialmente à Diana, por todo o incentivo e por ter estado sempre presente e me ter ajudado nos momentos mais difíceis. Por fim, agradeço ao meu pai, a minha estrelinha, por estar sempre a olhar por mim, e à minha mãe, Judite Ramos, por toda a força que me deu e pelo apoio e incentivo demonstrados não só durante o meu percurso académico, mas também nesta fase final. Obrigada por teres sempre acreditado em mim, mãe!
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v RESUMO A tradução técnica e as competências do tradutor na era digital – estágio curricular na SMARTIDIOM O presente relatório de estágio foi elaborado no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue com o intuito de apresentar o estágio curricular e as tarefas que foram realizadas em contexto profissional ao longo do 2º semestre do último ano deste mestrado e desenvolver um enquadramento teórico que visa fazer ligação com essa vertente mais prática. O estágio foi realizado na empresa SMARTIDIOM, em regime remoto, e teve a duração de 3 meses, com início a 14 de fevereiro e termo a 13 de maio. O mesmo centrou-se na tradução de conteúdos, sobretudo nas áreas de marketing e tecnologias da informação, e teve como objetivo consolidar os conhecimentos teóricos e aperfeiçoar as competências que foram adquiridos durante a minha formação académica, e que estão, por exemplo, relacionados com técnicas de tradução e de pesquisa e documentação, com o domínio das línguas de trabalho, com ferramentas e recursos de apoio à tradução, como é o caso das ferramentas de tradução assistida por computador ou CAT Tools , entre outros. Esta oportunidade proporcionou-me a possibilidade de explorar diferentes domínios de especialidade relativamente às que foram abordadas no decorrer do mestrado, desenvolver outras competências e capacidades, e ganhar experiência profissional neste mercado. Palavras-chave: Competências do Tradutor; Estágio Curricular; Globalização; Qualidade; Tradução Técnica
vi ABSTRACT Technical translation and the translator's skills in the digital age - curricular internship at SMARTIDIOM This internship report was developed in the scope of the Master’s in Translation and Multilingual Communication with the purpose of describing the curricular internship and the tasks that were carried out in a professional context during the fourth semester of this Master’s, as well as elaborating a theoretical framework that aims to create a connection with this more practical component. The internship took place at SMARTIDIOM, on a remote basis, and lasted 3 months, starting on February 14 and ending on May 13. It was centered on content translation, mainly in the marketing and information technology areas, and its objective was to consolidate the theoretical knowledge and improve the skills that were acquired during my academic education, which are, for example, related to translation and research and documentation techniques, mastering my working languages, using translation support tools and resources, such as CAT tools, among others. This opportunity has given me the chance to explore different areas of expertise than those covered during my Master’s degree, develop additional skills and abilities, and gain professional experience in this market. Keywords: Translator's Skills; Curricular Internship; Globalization; Quality; Technical Translation
vii Índice DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ........................ ii AGRADECIMENTOS ............................................................................................................................ iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ......................................................................................................... iv RESUMO ............................................................................................................................................. v ABSTRACT ......................................................................................................................................... vi Índice de figuras ................................................................................................................................. ix Índice de gráficos ................................................................................................................................ x Índice de tabelas ................................................................................................................................ xi Lista de abreviaturas e siglas ............................................................................................................. xii Introdução ................................................................................................................................. 1 Enquadramento teórico .............................................................................................................. 2 2.1. Mapa heurístico ................................................................................................................... 2 2.2. Definição e importância da tradução no contexto da globalização .......................................... 2 2.2.1. Tipologia textual e tipos de tradução .............................................................................. 9 2.2.2. Problemas e estratégias de tradução ........................................................................... 11 2.3. Tradução técnica................................................................................................................ 13 2.3.1. Qualidade e noção de erro .......................................................................................... 17 2.4. Tradução automática e ferramentas de TAC ....................................................................... 21 2.5. Competências de um tradutor ............................................................................................ 22 Enquadramento prático ............................................................................................................ 27 3.1. Experiência de estágio curricular ........................................................................................ 27 3.1.1. Objetivos gerais e específicos ...................................................................................... 27 3.1.2. Entidade acolhedora ................................................................................................... 28 3.1.3. Metodologia de trabalho .............................................................................................. 29 3.1.4. Processo de revisão .................................................................................................... 36 3.1.5. O meu perfil de funções na empresa ........................................................................... 38 3.1.6. Ferramentas de apoio à tradução utilizadas ................................................................. 39 3.1.7. Dados quantitativos .................................................................................................... 45 3.1.8. Análise dos principais problemas de tradução ............................................................. 52 Conclusão ................................................................................................................................ 65 Referências bibliográficas ......................................................................................................... 67
2 Enquadramento teórico 2.1. Mapa heurístico O presente enquadramento teórico foca-se na tradução técnica e nas competências do tradutor na era digital e, como tal, aborda 4 temas importantes relacionados com esta temática – a definição e importância da tradução no contexto da globalização, a tradução técnica, a tradução automática e ferramentas de TAC e as competências de um tradutor. No seio de cada um destes temas existe uma miríade de subtemas interessantes, porém, de forma a melhor relacionar a parte mais prática deste relatório com a de cariz teórico, escolhi os tópicos que achei mais pertinentes para demonstrar essa correlação, tal como se pode observar no mapa heurístico abaixo. Figura 1 – Mapa heurístico Fonte: Criação própria 2.2. Definição e importância da tradução no contexto da globalização A tarefa de definir tradução é bastante complexa, pois, dependendo de autor para autor, poderão ser apresentadas várias definições e perspetivas. A título de exemplo, de acordo com o Dictionary of Translation Studies , a tradução é definida como:
3 “An incredibly broad notion which can be understood in many different ways. For example, one may talk of translation as a process or a product, and identify such sub-types as literary translation, technical translation, subtitling and machine translation; moreover, while more typically it just refers to the transfer of written texts, the term sometimes also includes interpreting.” (Shuttleworth e Cowie, 1997, p. 181) O termo tradução engloba, então, perspetivas distintas. Pode ser uma disciplina, o estudo de carácter interdisciplinar, um ofício, a própria atividade de traduzir, um processo, o ato de traduzir ou verter de uma língua para outra, ou um produto, a expressão escrita ou falada do significado de uma palavra, discurso, livro, entre outros, noutra língua. Relativamente às duas últimas perspetivas, a que diz respeito à da tradução como processo centra-se no papel do tradutor e no seu trabalho de transformar um texto original ou de partida (TP) num texto numa outra língua, designadamente o texto de chegada (TC), enquanto a tradução como produto se centra no resultado produzido pelo tradutor. No entanto, e conforme atestam vários autores, como Holz-Mänttäri (1984), Hurtado Albir (2001) e Daniel Gouadec (2002), a tradução como processo é bastante mais complexa do que a simples passagem de um texto de uma língua de partida para uma língua de chegada. Focando-nos na tradução como processo, este é, então, um processo que engloba todo um conjunto de etapas que se iniciam após o contacto entre o cliente e o fornecedor ou prestador de serviços de tradução. E, como é comum nesta área, existem vários autores que criaram os seus modelos representativos das etapas presentes no processo global de tradução. Um desses modelos é o de Daniel Gouadec (2002), professor da Universidade de Rennes, que concebe o desenvolvimento das tarefas do processo de tradução, que é designado por fluxo de trabalho ou workflow . Deste modo, este autor divide o processo de tradução em treze etapas: • Contratação dos serviços de tradução – Relação cliente/tradutor; • Receção e verificação do material a traduzir; • Análise do material a traduzir; • Pesquisa e exploração da informação necessária para a compreensão do material; • Tratamento e preparação da matéria-prima; • Preparação da versão para tradução e do contexto necessário;
4 • Tradução (etapa central do processo); • Releitura e revisão; • Correções e adaptações; • Validade da tradução; • Finalização, formatação e tratamento final; • Entrega; • Follow-up . Outro exemplo de Translation Workflow é o que se encontra presente na norma internacional de qualidade ISO 17100. Esta norma foi publicada pela Organização Internacional de Normalização em 2015, e tem como objetivo “definir os requisitos de qualidade e certificar os serviços de tradução durante as diferentes fases do processo de tradução, garantindo assim a qualidade dos serviços no sector da tradução, apresentando diversas competências inerentes a todos os intervenientes dos processos efetuados (gestores de projeto, tradutores, revisores) no domínio linguístico e organizacional.” (ISO17100:2015) 1 Figura 2 – Fluxo de trabalho do processo de tradução da ISO 17100 1 Citação retirada do website oficial da empresa SMARTIDIOM – https://smartidiom.pt/pt/certificacoes-iso9001-iso17100/
5 Fonte: https://www.trust2do.net/human-translation-workflow/ De uma forma geral, este modelo é composto por três fases principais: a pré-produção, a produção e a pós-produção. Na fase de pré-produção, temos como etapas, por exemplo, a identificação do tipo de texto, do público-alvo, da função, do objetivo, do formato, a compreensão do texto, entre outros. Nesta fase, o Translation Brief, que será desenvolvido em detalhe mais à frente, é uma ferramenta muito útil para o trabalho do tradutor. Depois, na fase da produção, temos a criação de glossários e de bases terminológicas, o processo de tradução em si, o processo de formatação, de revisão, de edição, de verificação (onde se insere a garantia da qualidade) e, por fim, a entrega ao cliente, e se possível, o melhoramento de conteúdo. Por último, na fase da pós-produção, recebe-se o feedback por parte do cliente e procede-se ao arquivamento do projeto. De um modo geral, a tradução acaba por ser vista como uma área interdisciplinar 2 que cobre um leque muito diversificado e abrangente de tipos de textos. É também muito importante para a comunicação à escala global, pois ajuda a diminuir as barreiras linguísticas e é capaz de juntar culturas diferentes e, ao mesmo tempo, expandir horizontes. No que diz respeito à tradução em contexto de globalização, esta última, de um modo geral, é um processo de integração e interação social, económica e cultural, que é impulsionado pelo comércio, desenvolvimento tecnológico, entre outros. A globalização acaba por ter, então, efeitos, por exemplo, na cultura, no desenvolvimento económico e na prosperidade das sociedades do mundo todo. 3 É principalmente graças ao avanço tecnológico que este fenómeno continua a crescer de dia para dia, fazendo com que mais culturas e realidades distintas e longínquas se encontrem abrangidas por este processo, através do qual ocorre uma diminuição da distância espácio-temporal e uma aproximação não só das pessoas, mas também do seu acesso a informações em tempo real (Cronin, 2010). Consequentemente, tal leva a que haja uma necessidade crescente de meios específicos que 2 cf. Munday, 2008. 3 Informação retirada do seguinte artigo escrito pelo Tenente-general PilAv Eduardo Eugénio Silvestre dos Santos – https://www.revistamilitar.pt/artigo/1039 (01/10/2022)
6 quebrem todas estas barreiras linguísticas e culturais. É aqui que entra o papel da tradução no contexto da globalização. Segundo Cronin (2010), não pode haver globalização sem tradução, opinião que é corroborada por vários autores da área como, por exemplo, Shiyab (2010: 7) e Pym (2003: 1-2). Nas palavras destes dois autores, a globalização tem um grande impacto social e linguístico na tradução, uma vez que este processo económico e tecnológico precisa da tradução para prosperar. Posto isto, a tradução é o meio que derruba as barreiras linguísticas existentes entre os vários países e culturas. Por conseguinte, os cidadãos e as empresas de todo o mundo começam a entender verdadeiramente quão importante e necessária é a tradução e as empresas de tradução para o seu negócio e para o seu dia-a-dia. Nos dias de hoje, e com o mundo em constante evolução, o mercado tecnológico é um mercado emergente que exige, cada vez mais, um maior rigor no que diz respeito aos produtos informáticos, e uma maior presença global em todos os mercados. Este crescimento tem, por conseguinte, dinamizado a área da tradução e da localização. Impulsionado pela evolução tecnológica e pelo crescimento da distribuição de, por exemplo, software à escala mundial, todo este progresso veio dar ênfase à importância de conceitos como: globalização, internacionalização e localização, para além da reavaliação da noção de tradução. A relação entre estas 4 componentes originou o acrónimo GILT – Globalização, Internacionalização, Localização e Tradução. Apesar de muitos autores colocarem a localização na mesma área da tradução, existem muitos outros que as diferenciam. Ao passo que a tradução, como processo, é muito complexa, a localização pode ser considerada um procedimento ainda mais complexo visto que envolve não só a tradução, mas também outras atividades complementares. A localização engloba tradução, a formatação de software , gestão de programas, entre outros. Por conseguinte, a tradução é apenas uma das várias etapas presentes num projeto de localização, que contempla o processo de tradução e adaptação de um produto de software de acordo com os registos linguísticos, culturais e técnicos de um certo mercado-alvo, e tendo em mente a utilização e a comercialização do software em questão. De forma a exemplificar melhor estas 4 componentes, temos a Education Initiative Taskforce da Localization Industry Standards Association, conhecida como LISA, que define estes termos da seguinte maneira (Fry, 2001): ➢ Globalização ou G11N
7 A globalização é um elemento crucial do processo de comercialização de um produto ou informação cuja função é garantir a acessibilidade desses produtos, em todos os locais onde podem ser comercializados. Nesse sentido, este conceito é a base que suporta os restantes processos que o acrónimo GILT representa. Este processo está encarregue de desenvolver, produzir e comercializar produtos de software destinados à distribuição global. Este conceito é a combinação da possibilidade de utilizar o produto sem obstáculos culturais e/ou linguísticos (internacionalização), com a atividade de traduzir e adaptar um produto para um local específico (localização). Estas duas definições trabalham em conjunto para obter a globalização, cuja finalidade é tornar um produto ou software global. Isto é, torná-lo comercializável e destinado a utilizadores provenientes de qualquer parte do mundo. Este processo estende-se a todas as decisões comerciais necessárias para tornar algo de fácil alcance e suportável por qualquer cultura do mundo, sem qualquer barreira. ➢ Internacionalização ou I18N A internacionalização é o processo associado à formatação, mais concretamente à codificação dos caracteres. Assim, os programadores informáticos devem considerar a conceção do produto e tornar o software adequado para o consumo do público-alvo. Durante este processo, são extraídos dos programas todos os textos editáveis que os usuários conseguem aceder ( strings ), e os mesmos são substituídos por códigos simples, definidos por uma única palavra, denominada identificador. Tal simplificação impede que o tradutor altere o código fonte do software . As configurações podem estar ligadas a pequenos detalhes, tais como, formatos da hora ou data, da moeda, ícones, de modo a corresponder às várias nuances da língua de chegada ou até mesmo imagens. Todos estes detalhes definem a importância da internacionalização, já que, sem ela, seria impossível um software ser bemsucedido em termos de lançamento e aceitação de mercados internacionais. A internacionalização é, evidentemente, o processo anterior à localização, uma vez que prepara o produto para que seja possível que o mesmo seja localizado. De um modo geral, o seu objetivo é simplificar a atividade de localização e tradução de modo a aumentar a qualidade e produtividade do processo. ➢ Localização ou L10N Cada software tem o seu próprio idioma que é definido e predominantemente destinado para o seu mercado de origem. A localização é parte integrante do meio tecnológico que se preocupa principalmente com a dimensão cultural. Implica a adaptação de um produto de software a uma área
8 alvo que o pretende comercializar, englobando tanto a cultura e língua de chegada, como as convenções locais. Os fatores culturais, linguísticos e convencionais definem o conceito de locale . Este passa pela recolha de regras que incluem o ADN da cultura que vai receber o software . Esta adaptação tem de ter em consideração questões relacionadas com a linguística, formatação e até mesmo questões legais. Com efeito, cada país tem a sua representação de horas, convenções numéricas e monetárias, regras ortográficas, entre outros. Por exemplo, para se localizar um programa do português para o chinês em caracteres tradicionais, tem de haver uma grande atenção a toda a estrutura porque a formatação e o layout podem ser alterados significativamente. Por outro lado, esta etapa também especifica aspetos distintos de uma só língua falada em várias regiões. A título de exemplo, muito embora a Nova Zelândia e os Estados Unidos partilhem a mesma língua, o inglês, a representação das horas são p.m/a.m. e P.M/A.M, respetivamente. Ou seja, existem vários locales na língua inglesa. ➢ Tradução ou T9N Traduzir é um processo cognitivo e complexo que não se resume apenas à tradução de palavras de uma língua para outra. Baseia-se na interpretação de um texto e transmissão do mesmo, exprimindo e mantendo as mesmas ideias. É uma atividade que requer múltiplas capacidades, tais como um conhecimento vasto sobre aspetos gramaticais e de vocabulário, mas também uma enorme capacidade interpretativa e criativa. Seguindo esta linha de pensamento, o papel do tradutor é crucial para o processo da propagação e formatação de informação em diferentes níveis e plataformas, incluindo a Internet . Tanto a tradução como a localização exigem grande capacidade de atenção por parte dos profissionais, tanto a nível linguístico como cultural. Todavia, como já supramencionado, enquanto a tradução se centra em traduzir textos, a localização foca-se nessa atividade e muitas outras. Seguidamente, apresento um diagrama que pretende sintetizar o processo GILT acima explicado.
9 Figura 3 – Processo GILT 4 2.2.1. Tipologia textual e tipos de tradução Relativamente à tradução como processo, outro dos conceitos que é extremamente importante considerar é a tipologia textual e a forma como as suas características podem ajudar na escolha das estratégias de tradução adequadas a aplicar. Um dos modelos de tipologia textual mais conhecidos é o de Christiane Nord (1988/91), que se baseia num anterior de Katharina Reiss (1971). O modelo em questão foca-se nos fatores extratextuais e intratextuais do texto de partida. Os fatores extratextuais referem-se ao emissor, à intenção comunicativa, ao público-alvo, ao meio transmissor, ao lugar, tempo e motivo, e à função textual. Quanto aos intratextuais, estes relacionam-se com a temática, o conteúdo, as pressuposições e implícitos, os elementos não-verbais, o léxico, a sintaxe e as características suprassegmentais. Estes elementos de análise pretendem ajudar o tradutor a selecionar as melhores estratégias de tradução, isto é, as melhores soluções para os diversos problemas que vão surgindo durante o processo de tradução, e a respeitar os três aspetos que esta autora considera principais para garantir uma maior qualidade da tradução: a fidelidade, a equivalência e a liberdade. 4 Figura criada por Carolina Flávia de Henrique e presente no seguinte trabalho académico: Henrique, C. F. (2018). O software educativo TAV UFU — Editor de Comentários: tradução comentada do português para o inglês em projeto de localização [Monografia de Grau de Bacharel, Universidade Federal de Uberlândia] Repositório Institucional da Universidade Federal de Uberlândia. https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/22017
10 Também fundamental nesta abordagem é o conceito de Translation Brief, que já vimos quão importante é na fase de pré-produção do fluxo de trabalho do processo de tradução. Este termo é o nome dado ao documento onde se pode encontrar todo um conjunto de instruções que acompanha um pedido de tradução e de orientações que fornecem informações básicas sobre a tipologia textual do texto em questão e o modo como este precisa de ser traduzido para cumprir uma determinada função e objetivo. Ou seja, por exemplo, é o documento onde se podem encontrar todos os elementos de análise propostos por Nord. Posto isto, o Translation Brief é uma ferramenta útil para qualquer fornecedor ou prestador de serviços de tradução, uma vez que, assim, é possível aceder a uma miríade de informações importantes para o processo de tradução num único sítio, como por exemplo, a data de receção e o local de receção, a função do texto, o público-alvo, o meio, o motivo, entre outros, e, desta forma, o tradutor consegue facilmente enquadrar o seu trabalho e tomar as devidas decisões em termos de estratégias e técnicas de tradução. Para além da tipologia textual, também tem de se ter em conta o tipo de tradução. Existem várias propostas de classificação para os tipos de tradução, que podem estar diretamente relacionados com as tipologias textuais ou não, uma vez que, mais uma vez, depende sempre tudo da perspetiva de cada autor. Por exemplo, Hurtado Albir (2001), uma das autoras mencionadas no decorrer deste mestrado, apresenta uma proposta de classificação de acordo com o campo socioprofissional, ou seja, nesta perspetiva, os diferentes tipos de tradução possuem tipologias textuais características pertencentes ao campo ou domínio em questão. De acordo com esta autora, os tipos de tradução podem ser marcados por campo de estudo e não marcados por campo de estudo. Os que são marcados por campo referem-se às traduções de tipologias textuais especializadas, como por exemplo, a tradução técnica, científica e jurídica; e os que não são marcados por campo, incluem as traduções de tipologias textuais não especializadas, como por exemplo, a tradução literária, publicitária e jornalística. Este é apenas um de muitos exemplos, uma vez que existem opiniões muito diversas no que respeita aos tipos de tradução, como a de Gouadec (2007), por exemplo, que divide as categorias de tradução em tradução geral e tradução especializada, englobando na especializada a tradução técnica, juntamente com a jurídica, financeira, médica, etc.
11 Relativamente à tradução técnica e especializada, para além da discórdia em termos de definição, existem vários autores que as agrupam na mesma categoria e outros que as distinguem. Um dos autores que faz esta distinção é Byrne (2006), que considera um texto técnico pelo facto de este conter temas relativos à tecnologia e não apenas pelo facto de ter terminologia especializada. Como tal, afirma que “só porque um campo ou área de especialização tem uma terminologia única ou especializada não o torna técnico” 5 (Byrne, 2006, p. 3) e que a conceção de que os subtipos de tradução como a jurídica, farmacêutica e financeira se encontram incluídos na tradução técnica é errada. Não havendo uma aceção unanimemente aceite, de uma forma geral, podemos constatar que existem, então, três tipos mais abrangentes de tradução: a tradução literária, a tradução técnica e a tradução especializada. 2.2.2. Problemas e estratégias de tradução Reiss, outra das autoras mencionadas durante o mestrado, afirma que: “O tipo de texto é o principal fator que influencia a escolha de um método de tradução adequado por parte do tradutor.” 6 (Reiss, 2000, p. 17). Ou seja, a identificação prévia do tipo de texto a ser traduzido é um passo importante para identificar as dificuldades e, ao mesmo tempo, para escolher as respetivas estratégias de resolução. É de salientar que existem diversos autores que apresentam os seus modelos que permitem identificar problemas de tradução. Porém, referindo outra autora já anteriormente citada e que também está ligada às teorias de Reiss, Christiane Nord (1997) desenvolveu uma metodologia de abordagem do texto a traduzir no sentido de apoiar o tradutor na sua tomada de decisões. Este modelo abrangente de análise textual aplicada à tradução consegue identificar e categorizar problemas de tradução. Para Nord, os problemas de tradução podem ser quatro: problemas de tradução específicos do texto de partida, por exemplo, os recursos estilísticos e expressivos; problemas de tradução específicos do par de línguas, por exemplo, o confronto entre os recursos da língua de partida e da língua de chegada; problemas de tradução específicos do par de culturas, por exemplo, o contraste entre as convenções culturais de ambas as culturas; e problemas de tradução de ordem pragmática, por exemplo, o contraste entre os fatores extratextuais do texto de partida e do texto de chegada. 5 Minha tradução da seguinte afirmação de Byrne (2006: 3): “simply because a field or subject area has unique or specialised terminology does not make it technical.” 6 Minha tradução da seguinte afirmação de Reiss (2000: 17): “The type of text is the primary factor influencing the translator's choice of a proper translation method.”
18 • Fazer a tradução inversa, ou seja, sem ver o original, fazer a tradução do texto traduzido na língua de chegada para a língua de partida, para verificar o rigor da interpretação do original; • Revisão da tradução para identificar erros em termos de caracteres e melhorar as expressões para aumentar a sua legibilidade; • Polir para melhorar o carácter estético da língua; • Récita do texto em voz alta para verificar a sua qualidade; • No final, o tradutor mais experiente ( senior translator ) revê tudo. Este modelo, apesar de antigo, serve de base para vários dos modelos de qualidade existentes atualmente e mostra, também, como a noção de avaliação da qualidade evoluiu ao longo dos séculos. Esta evolução foi acentuada pela globalização e pelo consequente aumento do volume de traduções feitas a nível mundial, o que tem levado à criação de normas internacionais de qualidade que têm como objetivo regulamentar e assegurar a qualidade dos serviços de tradução, como é o caso das normas ISO 9001 e ISO 17100. De acordo com Gouadec (2010: 270), a qualidade em tradução refere-se tanto à qualidade do produto final como à do serviço prestado, sendo que, nesta área, a qualidade também pode ser vista de perspetivas diferentes pelos agentes incluídos no processo de tradução, mais especificamente pelo tradutor ou gestor do projeto e pelo cliente. Desta forma, para a qualidade ser assegurada, existem vários modelos de boas práticas que os agentes envolvidos num projeto de tradução precisam de respeitar, modelos esses que se regem de acordo com as normas internacionais de qualidade, como as já supramencionadas. Referenciando novamente Gouadec (2010: 271), este autor apresenta-nos um modelo que lista uma série de pré-requisitos para a qualidade da prestação de um serviço de tradução e que dizem respeito a todos os agentes, desde o cliente, gestor do projeto, tradutor, revisor, e qualquer outro profissional que contribui para a conclusão do projeto de tradução: 8 • Especificações claras e detalhadas por parte do cliente; • Negociação construtiva de prazos e preços; • Qualidade certificada (se possível) do material a traduzir; 8 Minha tradução da informação que se encontra em Gouadec, D. (2010). Quality in Translation. In Y. Gambier e L. van Doorslaer (Eds . ), Handbook of Translation Studies – Volume 1 (p. 271). John Benjamins. https://doi.org/10.1075/hts.1
19 • Disponibilidade de todos os recursos necessários; • Disponibilidade de todas as competências exigidas pelas várias etapas que constituem o processo/serviço; • Disponibilidade e validade de qualquer material que ajude na tradução (memórias de tradução, bases terminológicas do próprio tradutor, empresa e cliente, documentos relacionados, entre outros); • Adequação do fluxo de trabalho do processo de tradução; • Adequação do modelo de prestação de serviços de tradução subjacente ao desempenho e avaliação em todas as fases; • Adequação dos procedimentos de realização de tarefas em relação aos rácios produtividade/qualidade; • Adequação da comunicação/interação entre o cliente e o prestador de serviços de tradução, bem como entre todos os outros agentes envolvidos no processo; • Relevância, rigor e eficiência das verificações de qualidade e do controlo de qualidade; • Aplicação, tanto por parte do tradutor como do cliente, de um processo contínuo de validação, feedback e análise que serve de auxílio ao processo de revisão. É de referir que este é apenas um exemplo possível e que existem inúmeras abordagens. Por exemplo, alguns modelos focam-se mais no serviço prestado pelo prestador de serviços de tradução, outros no produto em si, e outros modelos, como o da ISO 17100, bem como o de Gouadec (2010), que se focam tanto no trabalho do tradutor e de todos os envolvidos no projeto de tradução, como no papel do cliente. Posto isto, a qualidade não tem apenas como objetivo responsabilizar os fornecedores e prestadores de serviço da área da tradução e credibilizar o seu trabalho, mas também responsabilizar todas as entidades, como o cliente, que também contribuem para a conclusão de um projeto. No caso de estarmos a falar de um projeto de tradução, a qualidade está a avaliar tanto o projeto como o produto, o que, depois, acaba por resultar na atribuição de valores e noções à qualidade. Diretamente ligada à noção de qualidade, temos a noção de erro. Como supramencionado, há então uma necessidade de avaliar ou quantificar a qualidade tanto de um projeto de tradução como do produto final, com o intuito de identificar e corrigir os erros que, de certa forma, põem em causa a qualidade do produto.
20 A sistematização e categorização de erros teve a sua origem na indústria automóvel e, atualmente, na área da tradução, existem várias maneiras/modelos de avaliação da qualidade, todos envolvendo a utilização de métricas, como é o caso da norma SAE J2450 e do modelo de controlo de qualidade da LISA (Localization Industry Standards Association), que tem como origem o modelo “The J. D. Edwards’ QA Form Language Customization”. É também de salientar que as normas EN 15038, ISO 9000:2005, 17100:2015, entre outras, aconselham e defendem essa noção de necessidade de avaliar a qualidade. O modelo “The J. D. Edwards’ QA Form Language Customization” foi criado com o intuito de tentar pesar ou quantificar as categorias de erro, e configura os seus parâmetros de forma percentual relativamente a cada um dos erros, que, neste caso, se dividem em quatro categorias: precisão, estilo, gramática e formatação. Depois, dentro de cada uma destas categorias existem subcategorias, e cada uma também tem um peso percentual diferente. Tal também pode ser observado no modelo da LISA, sendo que a única diferença é que este é um modelo mais recente e se encontra mais atualizado. Desta forma, este modelo de categorização de erros da LISA classifica o tipo de erro entre sete categorias: precisão, linguagem, terminologia, estilo, funcional, regional e conformidade; assim como divide os erros de acordo com quatro graus de gravidade: menor, maior, crítico e preferencial. Relativamente às categorias, dentro de cada uma delas também existem várias subcategorias, tal como acontece no modelo em que o mesmo se baseia. Em simultâneo, cada um destes pontos possui uma percentagem diferente e, conforme o que é preenchido no relatório/formulário, no fim obter-se-á um dado valor indicativo da qualidade da tradução. Figura 5 – Amostra do relatório de QA da LISA onde se encontra toda a informação sobre o tipo/categoria e gravidade do erro
21 Categoria Gravidade • Accuracy • Terminology • Language • Style • Functional • Regional • Compliance • Preferential • Minor • Major • Critical Tabela 1 – Modelo de classificação de erros da LISA Este relatório de QA da LISA também inclui uma secção direcionada para a correção dos erros por um revisor, uma secção para os comentários do revisor e uma secção para os comentários do tradutor, sendo esta última essencial para o tradutor, uma vez que opera como uma espécie de mecanismo de defesa, de accountability e empoderamento, ou seja, é nesta secção que o tradutor se poderá defender perante as críticas que são feitas, ao justificar as suas opções. 2.4. Tradução automática e ferramentas de TAC Como já foi referido, a globalização decorrente da evolução tecnológica influenciou extraordinariamente a tradução, o tradutor e a forma como este realiza o seu trabalho. Com a globalização, os avanços tecnológicos na área da informática vieram trazer uma maior dinâmica e diversidade ao nível de ferramentas em várias áreas, especialmente na área da tradução através da evolução das ferramentas de tradução automática e de tradução assistida por computador. É de salientar que as ferramentas de tradução automática e as ferramentas de tradução assistida por computador não são a mesma coisa. De acordo com Balkan (1992), a tradução automática pode ser definida como “any system that actually performs a translation”, enquanto a tradução assistida por computador (TAC) é encarada como “any other computerised translator tool which falls short of translating as a CAT device” (Balkan, 1992 apud Baker, 1998/2001, p. 134). Ou seja, as ferramentas de TAC, mais conhecidas como CAT Tools , são recursos de software que ajudam o tradutor no seu processo de tradução, facilitando o seu trabalho, por exemplo, ao dividir o texto em segmentos, incluir sistemas de memória de tradução, isto é, bases de dados de frases ou segmentos traduzidos anteriormente, glossários e ferramentas de gramática e terminologia, manter a
22 conformidade do texto e garantir a qualidade da tradução, entre outros. É de referir que, aqui, todo o processo de tradução é realizado por um ser humano, e o principal objetivo destas ferramentas é tornar o processo de tradução mais rápido e fácil, garantindo, assim, uma maior produtividade por parte do tradutor. As ferramentas de TAC mais conhecidas e a que os estudantes de tradução e tradutores mais recorrem são o memoQ, o SDL Trados Studio, o Wordfast e o Memsource. No que diz respeito às ferramentas de Tradução Automática, estas consistem em software que executam a tradução de um texto, ou seja, transferem um texto de uma língua de partida para uma língua de chegada e, ao contrário das TAC, esta tradução é totalmente feita por uma máquina, o denominado motor de tradução automática. O principal objetivo destas ferramentas é similar ao das TAC, sendo que a única pequena distinção é que estas ferramentas facilitam o trabalho do tradutor ao poupar o tempo que este perderia a traduzir o texto completo, já que, com estes software , o tradutor não necessita de proceder a uma tradução total do texto, mas sim a uma pós-edição, definida, segundo Somers (2001: 138), como o processo de “tidying up the raw output, correcting mistakes, revising entire, or, in the worst case, retranslating entire sections”. Isto é, o tradutor precisa de editar e fazer as correções necessárias ao texto produzido pela máquina, em oposição à tradução de raiz, de forma que o mesmo cumpra, por exemplo, a estrutura sintática, a semântica, o sentido, a ambiguidade, a polissemia, as metáforas, as analogias e todas as regras linguísticas da língua de chegada, bem como todos os respetivos requisitos de qualidade. Como ferramentas de tradução automática temos o Google Translator, o DeepL, o Bing Translator, entre muitos outros. Em suma, a tradução automática acaba por substituir completamente o papel do tradutor, apresentando uma tradução feita por uma máquina, enquanto a TAC não substitui o tradutor, apenas o auxilia. E ambas as ferramentas têm como intuito ajudar o tradutor no seu processo de tradução e aumentar a sua produtividade e eficiência, colocando, naturalmente, questões como a qualidade, entre outros aspetos. 2.5. Competências de um tradutor Desde o início dos tempos que o papel do tradutor é de imensa importância, uma vez que este contribuiu e continua a contribuir para a aproximação de culturas distintas ao agir como um mediador cultural, criando, assim, uma ligação entre diferentes populações, tradições, valores e maneiras de pensar.
23 A globalização e a evolução tecnológica influenciaram bastante a área da tradução e tudo que lhe é inerente, pelo que, o papel do tradutor também tem evoluído consideravelmente, acompanhando sempre o mercado da tradução que está em constante mudança, e cada vez mais competitivo, seletivo e dinâmico (Alves, 2006). Tal significa que os tradutores, para se destacarem, têm de se reinventar, tanto a nível pessoal e profissional como também ao nível dos seus serviços prestados. Para tal, nos dias de hoje, um tradutor não é apenas um tradutor, ou seja, de acordo com a norma ISO 17100, o seu trabalho não passa só pelo processo de tradução, mas também pelo processo de edição, revisão, pósedição, localização, legendagem, transcrição, entre outros, muitas vezes recorrendo a vários processos ou a só um, dependendo do projeto que lhe é entregue. Deste modo, o tradutor deve, agora, desenvolver e possuir um vasto leque de competências, para além das que detém enquanto tradutor, que são necessárias para se destacar no mundo do trabalho e também para garantir a melhor qualidade possível, uma vez que, com todas estas mudanças e avanços, o seu novo perfil profissional passa a ser designado como prestador de serviços de tradução. De acordo com o Mestrado Europeu em Tradução (EMT – European Master’s in Translation) desenvolvido sob a égide da Comissão Europeia, que funciona como uma rede de programas universitários de mestrado em tradução cujo quadro de competências (ver fig. 6) define as competências básicas que os tradutores necessitam de possuir para ter sucesso no mercado de trabalho atual, as competências que um tradutor adquire e aperfeiçoa durante o seu percurso académico já estão designadas, consagradas e trabalhadas em algumas normas de qualidade. Conforme demonstra a imagem abaixo, as competências em questão são a competência genérica associada à prestação de serviços, a competência de língua ou linguística, a competência intercultural, a competência de identificação de informação, a competência tecnológica e a competência temática. O EMT e, consequentemente, o seu quadro, servem como referência de qualidade para os programas de mestrado em tradução e têm como principal objetivo melhorar a qualidade da formação de tradutores e facilitar a sua integração no mercado de trabalho. Figura 6 – Quadro de competências do Mestrado Europeu em Tradução (2017)
24 Fonte: https://www.germantranslationtips.com/European-Masters-in-Translation.html Tendo em conta a empresa onde realizei estágio no decorrer do 2º semestre, focar-me-ei mais concretamente na norma internacional de qualidade ISO 17100, que começa por listar vários termos e definições que estão relacionados com o mercado da tradução e estabelece e define os requisitos a que um prestador de serviços de tradução deve obedecer e cumprir. Segundo esta norma, na sua secção 3.1.3. Professional competences of translators , os tradutores devem ter as seguintes competências (ISO17100:2015) 9 : a) Competência de tradução: a capacidade de traduzir conteúdos, a capacidade de resolver os problemas decorrentes da compreensão de conteúdos linguísticos e da produção de conteúdos linguísticos, e a capacidade de produzir o conteúdo da língua de chegada de acordo com as estipulações do cliente ou outras especificações do projeto. b) Competência linguística e textual na língua de partida e na língua de chegada: a capacidade de compreender a língua de partida, a fluência na língua de chegada, e conhecimentos gerais ou especializados das convenções do tipo de texto em questão. Esta competência inclui também a capacidade de aplicar estes conhecimentos ao produzir uma tradução ou outro conteúdo na língua de chegada. c) Competência a nível de pesquisa, aquisição de informação e processamento de informação: a 9 Minha tradução da informação presente na 1.ª edição da norma de qualidade ISO17100 de 2015 referente aos serviços de tradução – requisitos para serviços de tradução.
25 capacidade de adquirir eficientemente os conhecimentos linguísticos e especializados adicionais necessários para compreender o conteúdo da língua de partida e produzir o conteúdo na língua de chegada. A competência a nível de pesquisa também requer experiência na utilização de ferramentas de pesquisa e a capacidade de desenvolver estratégias adequadas para a utilização eficiente das fontes de informação disponíveis. d) Competência cultural: a capacidade de empregar a informação sobre os padrões de comportamento, terminologia atualizada, sistemas de valores e localidades que caracterizam tanto as culturas da língua de partida como de chegada. e) Competência técnica: os conhecimentos, aptidões e capacidades necessários para executar as tarefas técnicas no processo de tradução empregando recursos técnicos, incluindo as ferramentas e sistemas informáticos que apoiam todo o processo de tradução. f) Competência de domínio ou temática: a capacidade de compreender o conteúdo produzido na língua de partida e de o reproduzir na língua de chegada utilizando o estilo e a terminologia adequados. Um outro exemplo de modelo que lista e identifica as competências de um tradutor é o do projeto PACTE (1998), que é um projeto de carácter mais académico, desenvolvido na Universidade de Barcelona onde um grupo de investigação, coordenado por Hurtado Albir, trabalha a noção das competências em tradução de um ponto de vista científico. Figura 7 – A competência tradutória segundo o modelo holístico de PACTE (1998)
26 Fonte: http://www.ispel3.edu.ar/_paginas/biblioteca/materiales/27.pdf De acordo com este modelo, que é mais consistente e aprofundado em relação ao modelo do EMT e da norma ISO 17100, as competências que um tradutor deve ter são as seguintes: a competência de transferência/tradução, a competência comunicativa, a competência extralinguística, a competência profissional, a competência psicofisiológica, e a competência estratégica. E, como se pode observar na figura 7, todas estas competências acabam por estar ligadas entre si, uma vez que cada competência está associada à competência que lhe sucede e precede. Em suma, devido a um conjunto de fatores já citados, observa-se uma redefinição gradual do papel, função e conceito do tradutor, que teve e tem de se reinventar de forma a se destacar no mercado da tradução, transformando-se numa nova entidade multifacetada, versátil e polivalente (Alves, 2011). Como tal, o tradutor recorre, então, à utilização de ferramentas de apoio à tradução, assim como aperfeiçoa e adquire, ao longo da sua formação académica e profissional, um leque de competências essenciais e transversais que constituem a base de um bom tradutor.
27 Enquadramento prático 3.1. Experiência de estágio curricular O presente capítulo tem como principal objetivo descrever todos os aspetos referentes ao estágio curricular, desde os objetivos, a apresentação da instituição de acolhimento onde foi realizado o estágio, no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas da Universidade do Minho, assim como a metodologia de trabalho, as ferramentas utilizadas e as atividades desenvolvidas. Por fim, serão também apresentados alguns dos erros de tradução cometidos ao longo dos três meses, com a respetiva análise e reflexão. O estágio teve a duração de 3 meses, com início a 14 de fevereiro de 2022 e termo a 13 de maio de 2022, e foi realizado de forma remota. Este teve uma carga horária de 40 horas semanais, isto é, 8 horas diárias de segunda a sexta. 3.1.1. Objetivos gerais e específicos De uma forma geral, o estágio realizado teve como objetivo principal inserir a estudante num ambiente profissional, de modo a permitir-me desenvolver, aplicar e aperfeiçoar competências e conhecimentos adquiridos ao longo de todo o meu percurso académico, adquirir experiência profissional, contactar diretamente com o dia-a-dia de uma empresa de tradução e estimular a minha responsabilidade e autonomia no domínio da prestação de serviços linguísticos. No que diz respeito aos objetivos específicos, estes incluíram abordar o conceito de tipologia textual, redação e comunicação especializada, as principais dificuldades relacionadas com a tradução de textos técnicos, designadamente a tradução de terminologia técnica e a utilização de memórias de tradução, fazer a minha própria gestão de projetos, entre outros. Desta forma, é possível afirmar que ao longo do estágio desenvolvi atividades como gestão de projetos, tradução de conteúdos das minhas línguas de trabalho para a minha língua materna, sobretudo nas áreas de marketing e tecnologias de informação, controlo de qualidade dos projetos (procedimentos, verificações, avaliação), utilização de ferramentas de TAC, entre outras.
34 – revisor), o revisor responsável, entre outras. De certa forma, isto funcionava como uma espécie de Translation Brief, como se pode ver na imagem abaixo. Figura 15 – Exemplo de instruções e descrição geral de um projeto recebido Após ler tudo atentamente e transferir os ficheiros existentes, passava à leitura do texto de partida e identificava os possíveis problemas de tradução. E, em seguida, procedia à tradução do texto, mas sem a ajuda dos vários recursos externos, ou seja, só eu/a minha memória a longo prazo (os meus conhecimentos sobre tudo o que envolve a tradução, o mundo físico, a cultura de partida e de chegada, informação léxico-semântica e estruturas morfossintáticas da língua de partida e de chegada, e sobre os signos relevantes de ambas as línguas) e o texto de partida. Ou seja, sem nenhuma influência externa. O que sabia traduzir, traduzia, e o que não sabia, simplesmente colocava “…” e avançava, não perdendo muito tempo de volta do problema. Numa fase seguinte, e com uma tradução já de rascunho, voltava a traduzir o texto de partida, mas desta vez com a ajuda dos recursos externos, para me ajudarem a resolver os problemas encontrados e a preencher as partes que deixei em branco, partes estas que podiam não apresentar um problema concreto, mas que, na altura, simplesmente não me ocorreu nenhuma boa opção de tradução. De uma forma geral, utilizei recursos que se encontram maioritariamente na Internet , como as ferramentas de textos paralelos Linguee e Reverso, os dicionários Infopédia, Priberam, PONS e Cambridge Dictionary, os sites EUR-Lex, IATE e Microsoft Language Portal, e os motores de tradução
35 automática DeepL e Google Tradutor. Também utilizei o motor de busca do Google para pesquisas mais extensas. Numa última fase, seguindo a metodologia habitual prevista no contexto de gestão de projetos, revia a minha proposta de tradução do início ao fim e, quando necessário, corrigia pequenos erros que não tinha reparado na altura. Procedia também à realização e exportação do relatório de QA (garantia de qualidade), normalmente, através de tal funcionalidade presente no programa em questão. Porém, nos projetos realizados no SDL Trados Studio, apesar de existir essa funcionalidade no mesmo, o relatório de QA tinha de ser efetuado através de um programa à parte, neste caso, o ApSIC Xbench. Por fim, antes de colocar todos os documentos requisitados nas instruções (ficheiro de tradução exportado com a extensão adequada e relatório de QA) na plataforma Vendor Portal, tinha sempre de preencher e enviar juntamente um documento Word exigido pelos auditores da norma ISO 17100, designado de “Formulário de Validação do Projeto”, que servia como garantia escrita de que todos os procedimentos requeridos foram seguidos pelo tradutor. Figura 16 – Formulário de validação de um projeto É de salientar que, se necessário, também se encontrava disponível um ficheiro Excel “Queries” adaptado especificamente para o tradutor expor eventuais dúvidas ao gestor de projetos que, por sua vez, se não soubesse responder, comunicava-as ao cliente. Ao contrário dos outros documentos, este devia ser entregue com as respetivas queries , sempre que necessário, ao longo do projeto e não apenas
36 no fim do mesmo, uma vez que o cliente poderia não ter tempo para responder às mesmas e alocar tempo à empresa para implementação das respostas após a entrega. Figura 17 – Ficheiro Excel “Queries” 3.1.4. Processo de revisão Após colocar todos os documentos supramencionados na plataforma Vendor Portal XTRF, o projeto passava para a próxima fase, o processo de revisão bilingue. Segundo a norma ISO 17100:2015, o processo de revisão consiste na verificação e avaliação do conteúdo na língua de partida, em contraponto com o conteúdo na língua de chegada, com o intuito de detetar eventuais erros e outros problemas, e se este se adequa ao propósito do projeto. A revisão também inclui a avaliação da precisão do domínio/temática e do rigor das convenções da tipologia textual. Desta forma, o revisor deve corrigir todos os erros encontrados no conteúdo na língua de chegada ou, então, recomendar as correções a serem implementadas pelo tradutor, e, para tal, precisa de se guiar por uma grelha de revisão que lhe permite identificar e corrigir os erros. Como é bastante comum na área da tradução, existem vários modelos de correção, como é o caso do modelo de parâmetros da revisão de Mossop (2014), do modelo de correção de Hurtado Albir (1995), do modelo de Costello (2004), da grelha contrastiva de Baker (1992), entre outros. De certa forma, estes modelos têm como objetivo ver qual a fonte e a causa do erro e sistematizar a informação de uma forma coerente e profissional. Utilizando a grelha contrastiva de Baker (1992) como exemplo, aqui o revisor pode analisar o conteúdo na língua de chegada tendo como parâmetros os problemas de equivalência ao nível da palavra
37 (lexical, semântica), os problemas de equivalência acima do nível da palavra, ou seja, que tem a ver com idiomatismos (colocação, registo, expressões idiomáticas, expressões fixas), os problemas de equivalência gramatical (morfologia, sintaxe), os problemas de equivalência textual (estruturas temáticas e informativas, coesão, rede de relações), e os problemas de equivalência pragmática (coerência, rede de relações conceptuais). Durante o estágio, infelizmente, foram raras as revisões que recebi relativamente aos meus trabalhos de tradução, pelo que nem sempre consegui ter uma ideia do que tinha feito de errado. Sem este feedback importante, não tive a oportunidade de ter um registo contínuo das alterações aplicadas pelo revisor nem ter uma ideia dos erros cometidos por mim, de forma a poder evitá-los no futuro. Além disso, não foi possível ter uma noção do meu progresso geral. No entanto, apesar de serem poucas, as revisões que recebi vieram bastante detalhadas, como se pode ver na figura abaixo. Neste caso, os comentários e alterações foram efetuados através da funcionalidade “Registo de alterações” do Word. Figura 18 – Exemplo de feedback detalhado Independentemente de me ser enviada uma revisão do meu trabalho, por vezes, também me era atribuída uma nota de 1 a 5 pelo revisor referente à qualidade da minha tradução, em que 5 é excelente.
38 3.1.5. O meu perfil de funções na empresa No decorrer do período de estágio curricular, desempenhei a função de tradutora, ou seja, fiquei encarregue da fase de tradução de qualquer ficheiro que me foi atribuído através de e-mail e/ou aplicação Slack e reportei sempre ao gestor de projetos do projeto em questão. Apesar de as minhas combinações linguísticas principais serem EN–PT e DE–PT, realizei, maioritariamente, trabalhos em EN–PT e, infelizmente, não tive a oportunidade de realizar nenhum trabalho em DE–PT. No entanto, efetuei também algumas traduções em ES–PT, possuindo, neste último par, um menor nível linguístico de referência em comparação com os outros dois. Como tradutora, assumi as seguintes funções: 13 • Conferir se tinha disponíveis todos os recursos necessários à execução do trabalho de tradução; • Assegurar o cumprimento das especificações fornecidas pelo gestor de projetos, nomeadamente a utilização das fontes de informação; • Traduzir de acordo com o objetivo do projeto de tradução, tendo em consideração as convenções linguísticas da língua de chegada e as especificações relevantes do projeto, nomeadamente: terminologia, semântica, sintaxe, gramática, léxico, estilo, particularidades locais, formatação, grupo-alvo e objetivo do texto de chegada; • Reler integralmente todos os ficheiros após a tradução, efetuar uma verificação ortográfica e QA à tradução por mim realizada e fazer as correções necessárias antes da entrega do trabalho; • Preencher o documento Word “Formulário de Validação do Projeto” e entregá-lo juntamente com todos os documentos requisitados no sistema de gestão da empresa, o Vendor Portal XTRF; • Comunicar rápida e atempadamente qualquer impedimento que pudesse comprometer a entrega do trabalho no prazo acordado ou qualquer dúvida que tivesse surgido no decorrer da tradução, incluindo qualquer problema de compreensão do texto de partida; • Zelar pelo cumprimento de todas as regras definidas na empresa. 13 Os dados aqui presentes baseiam-se nas informações disponibilizadas pela SMARTIDIOM no plano individual de estágio enviado pela mesma.
39 3.1.6. Ferramentas de apoio à tradução utilizadas Uma das maiores vantagens da minha experiência de estágio foi a oportunidade de conhecer e me familiarizar com uma vasta gama de ferramentas de apoio à tradução que aumentam a produtividade e facilitam a vida do tradutor e não só. Atualmente, a experiência e familiaridade com diversas ferramentas de TAC é, basicamente, um requisito para as empresas de tradução em termos de competências de um prestador de serviços de tradução. Ao longo do meu estágio, aprendi, entre muitas coisas, a trabalhar com estes programas, a realizar as minhas traduções com o recurso a memórias de tradução e bases terminológicas, quando disponíveis, e a verificar a qualidade das minhas traduções. A nível de ferramentas de TAC, a SMARTIDIOM dispõe de vários recursos que auxiliam no processo de tradução e que se encontram todas instaladas e acessíveis no computador cedido pela empresa. Durante o meu estágio, trabalhei com as seguintes ferramentas de apoio à tradução (que serão de seguida apresentadas de um modo geral): memoQ, GlobalLink Project Director, Smartling, Memsource, SDL Trados Studio e ApSIC Xbench. 3.1.6.1. memoQ O memoQ é uma ferramenta de tradução assistida por computador de origem húngara que dispõe de inúmeras funcionalidades e oferece ao utilizador a possibilidade de incluir memórias de tradução e bases terminológicas e de integrar tradução automática no ambiente de trabalho e no servidor. De fácil utilização e bastante intuitivo, este programa permite aceder a projetos através da importação da encomenda de tradução ou do documento a traduzir ou, como foi o caso ao longo do estágio, através da função de exportação de um projeto de um servidor de um cliente ou do próprio servidor da empresa. Após a introdução dos dados de acesso ao servidor em questão fornecidos pela empresa, o acesso ao documento de tradução e a eventuais memórias de tradução era imediato.
40 Figura 19 – Ambiente de trabalho do memoQ Neste caso, o relatório de QA era realizado e exportado através da própria ferramenta e era sempre necessário exportar as traduções em ficheiros RTF, isto é, um documento Word bilingue com o texto de partida e o texto de chegada lado a lado. Tendo sido um dos principais software explorados nas unidades curriculares de Ferramentas e Recursos para a Tradução e de Ferramentas Avançadas para a Tradução do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue da Universidade do Minho, já estava bem familiarizada com esta ferramenta. 3.1.6.2. GlobalLink Project Director A plataforma GlobalLink Project Director é, em simultâneo, uma aplicação de gestão de fluxo de trabalho de tradução que permite aos gestores de projetos disponibilizar os materiais para tradução, bem como uma ferramenta de tradução online baseada na nuvem direcionada, especialmente, para a localização. Esta ferramenta é bastante intuitiva e facilita a vida dos tradutores durante o processo de tradução, uma vez que identifica automaticamente os segmentos comuns aos das memórias de tradução ou dos glossários. É também muito prática no que respeita ao acesso aos trabalhos de tradução e à submissão do material traduzido.
41 Figura 20 – Ambiente de trabalho da ferramenta GlobalLink Project Director A aplicação GlobalLink permite igualmente exportar o produto final num documento Word bilingue com ambos os textos de partida e de chegada lado a lado e realizar e exportar o respetivo relatório de QA. 3.1.6.3. Smartling Semelhante ao GlobalLink Project Director, o Smartling é um software de tradução online baseado na nuvem que é orientado para a localização. Esta ferramenta bastante prática e fácil de utilizar é ideal para traduzir conteúdos digitais e está equipada com várias funcionalidades de produtividade que possibilitam uma visualização e controlo em tempo real do processo de tradução, ou seja, é possível observar o texto de chegada como se estivéssemos a traduzir diretamente no próprio site. Figura 21 – Logótipo da Smartling 3.1.6.4. Memsource Assim como o Smartling e GlobalLink, o Memsource é uma ferramenta de TAC online baseada na nuvem. Estas três ferramentas são muito idênticas, no entanto, ao contrário das outras duas, esta possui também uma versão em programa para instalação no computador.
42 Figura 22 – Ambiente de trabalho do Memsource Relativamente a esta ferramenta, a mesma foi maioritariamente utilizada para a execução de projetos, geralmente, de volume reduzido, de um único cliente. Como já referi acima, havia um cliente específico da área de TI cujos projetos eram publicados pelo gestor de projetos atribuído num documento Excel no Google Drive em vez de serem enviados por e-mail. Esse Excel continha, então, as informações sobre cada projeto e a respetiva ligação para o Memsource, ferramenta escolhida para estas tarefas relacionadas com a localização. Após concluir cada trabalho de tradução, era sempre necessário fazer uma verificação de ortografia e de qualidade, funcionalidades já integradas na própria ferramenta, e exportar o documento final em formato Word. É de salientar que, não estando estes projetos registados na plataforma de gestão de projetos da empresa, o produto final tinha de ser enviado como resposta à mensagem de atribuição de projeto presente num canal específico do Slack para seguir para a fase de revisão. 3.1.6.5. SDL Trados Studio O SDL Trados Studio é um dos programas de tradução assistida por computador mais completos atualmente e é também um dos mais utilizados por tradutores em todo o mundo. De todos os disponíveis, este software desenvolvido pela empresa alemã SDL é líder de mercado e disponibiliza aos profissionais uma aplicação para tradução, gestão de projetos, tradução automática, memórias de tradução e bases de dados terminológicas. Neste programa, o sistema encontra-se organizado por ficheiros de tradução individuais ou projetos que são criados como encomendas, ou “packages”, de tradução. Tendo lidado sempre com
43 “packages”, as funções de importação (no início) e exportação (no fim) de encomendas são, como tal, bastante úteis e importantes. Nestas encomendas estão incluídos, essencialmente, os documentos a traduzir, assim como outros ficheiros já agregados como, por exemplo, bases terminológicas e memórias de tradução, quando aplicável. Figura 23 – Ambiente de trabalho do SDL Trados Studio Relativamente ao processo de tradução, este é efetuado no editor do programa, onde o texto aparece dividido por segmentos e onde também é possível ter um acesso direto a várias funcionalidades úteis que promovem a produtividade do tradutor. Figura 24 – Editor do SDL Trados Studio Como já foi mencionado, apesar de esta ferramenta possuir a funcionalidade de realizar e exportar relatórios de QA, as verificações de qualidade dos projetos aqui realizados tinham de ser
50 3.1.7.6. Frequência de utilização de ferramentas de TAC Gráfico 6 – Ferramentas de TAC utilizadas O gráfico 6 demonstra quais as ferramentas de tradução assistida por computador mais utilizadas ao longo do estágio. Como tal, é possível verificar que a ferramenta de TAC mais utilizada durante o estágio foi o memoQ (37%), com um total de 35 projetos. No entanto, o Memsource não fica muito atrás, tendo sido também frequentemente utilizado (33%) para realizar 31 projetos. A seguir, com uma frequência intermédia (17%), temos a aplicação GlobalLink Project Director que, como já foi visto anteriormente, é uma ferramenta online baseada na nuvem, tal como o Memsource e o Smartling. Foram realizados 16 trabalhos de tradução nesta aplicação. Com menor frequência, podemos observar o programa SDL Trados Studio (9%) e o Smartling (2%), com 9 e 2 projetos realizados, respetivamente. Para ser sincera, pensei que fosse trabalhar mais com o SDL Trados Studio, visto ser uma das ferramentas mais utilizadas na área da tradução atualmente. Contudo, tal não aconteceu. Por fim, encontramos 2% dos projetos em que não recorri a nenhuma ferramenta de TAC. Neste caso, utilizei o Word para realizar ambos os trabalhos. Um projeto de revisão, já mencionado, e um projeto de tradução de âmbito jurídico, no qual recebi quatro documentos de partida em formato PDF, espécie de fotocópia, e tive de os traduzir através do Word, tentando ao máximo manter a estrutura dos textos de partida nos de chegada.
51 3.1.7.7. Avaliação obtida Sempre que possível, os gestores de projetos avaliavam os projetos realizados com uma nota de 1* a 5*, onde 1 equivale a insuficiente, 2 a suficiente, 3 a bom, 4 a muito bom e 5 a excelente. Gráfico 7 – Notas atribuídas aos projetos realizados Tal como evidenciado no gráfico 7, dos 95 projetos realizados, 44 não receberem nenhuma nota, ou seja, não obtive nenhum feedback nem uma nota para a maior parte dos projetos efetuados (46%). No que diz respeito aos projetos que obtiveram avaliação, na maioria das vezes sem se fazer acompanhar por um feedback , 34 deles (36%) receberam uma nota de 5*, que corresponde a um excelente, e 15 (16%) tiveram uma nota de 4*, ou seja, muito bom. Tive também um projeto realizado no Memsource com uma avaliação de 4,5*, sendo que tal se deveu a uma pequena distração da minha parte que resultou na falta de tradução de uma das palavras. No entanto, estando o restante correto, foi-me atribuído esse valor. Relativamente à nota de 3*, esta foi-me atribuída a um projeto relacionado com o maior que recebi no decorrer do estágio, o de 26,568 palavras. Neste caso, o cliente adicionou mais informações ao manual do sistema e queria a sua tradução. Contudo, nunca tendo recebido feedback nem a correção do projeto inicial, e tendo criado, na altura, uma memória de tradução para minha referência e para facilitar a consistência dos termos ao longo do projeto, por distração minha, voltei a utilizar a mesma, o que resultou em algumas inconsistências terminológicas em relação à correção posterior do projeto inicial, pelo que, ao voltar a cometer os mesmos erros já corrigidos, obtive uma nota mais baixa. Mas tal
52 situação acabou por ser, depois, esclarecida com o gestor de projetos, de forma a explicar o porquê da repetição dos erros. 3.1.8. Análise dos principais problemas de tradução Ao longo do estágio curricular, realizei projetos que compreenderam folhetos informativos para a indústria médica, instruções de utilização para médicos, e-mails e documentos empresariais, manuais de instruções, conteúdos e comandos para sites e aplicações móveis, textos de marketing , promoções de produtos de software , logs de máquinas, regras de um jogo de tabuleiro de futebol, um pedido de execução, newsletters de cariz ambiental, tradução de uma transcrição de um vídeo para e sobre uma marca especializada em produtos dentários, documentos referentes a soluções informáticas, rótulo e instruções de um produto, entre muitos outros. Nesta secção, serão apresentados, então, alguns exemplos de segmentos de traduções efetuadas por mim, com vista a dar a conhecer uma amostra do trabalho realizado durante o estágio curricular na SMARTIDIOM, bem como dados pertinentes sobre os projetos em questão. As traduções foram agrupadas segundo o respetivo domínio, para uma melhor organização. No entanto, é importante voltar a salientar que raramente obtive feedback dos projetos realizados e nem sempre tive acesso às alterações efetuadas pelo revisor, ou seja, à versão final entregue ao cliente. É de referir também que foi assinado um acordo de confidencialidade, pelo que não serão apresentados quaisquer dados específicos dos projetos que infrinjam tal confidencialidade, tais como nomes de produtos, de empresas, de clientes, entre outros. 3.1.8.1. Domínio da tecnologia O primeiro exemplo a ser apresentado é precisamente o primeiro projeto que recebi na empresa. Este cliente, cujos trabalhos são todos atribuídos através da aplicação Slack e registados num documento Excel no Google Drive, está ligado a uma plataforma da Internet que oferece produtos e serviços como e-mail, motor de busca, mensagens instantâneas, entre outros. Este projeto, enviado a 15/02/2022 às 10h25 e com prazo (para o tradutor) para o mesmo dia às 18h, insere-se no domínio da tecnologia e refere-se à tradução de conteúdos e comandos para um site/aplicação móvel. Composto por 119 palavras totais, das quais 83,3 eram palavras WWC, este trabalho foi realizado no programa Memsource e teve o inglês como língua de partida e o português como língua de chegada. Neste caso, não obtive nenhum feedback , apenas a correção do revisor e uma nota de 4*.
53 Seguem-se alguns excertos exemplificativos com erros e a respetiva correção: Seg. Original Tradução Correção 2 Open Settings to customize the look of your inbox or switch back to classic XXX. Abrir Definições para personalizar o aspeto da caixa de entrada ou voltar para o XXX clássico. Abra as Definições para personalizar o aspeto da caixa de entrada ou voltar para o XXX clássico. 5 Just go back Voltar Voltar atrás 6 {1} {2}characters{3}character{4}ch aracters{5} remaining {1} {2}carateres{3}carateres{4}carat eres{5} restantes {1} {2}carateres{3}carácter{4}carat eres{5} restante(s) 9 I am unsatisfied with the new XXX's features and experience Estou insatisfeito com as funcionalidades e experiência do novo XXX Estou insatisfeito/a com as funcionalidades e experiência do novo XXX Tabela 2 – Exemplos de segmentos de tradução do projeto 1 Relativamente ao segmento 2, a escolha da forma verbal foi uma dúvida recorrente nestes projetos, isto é, quando é que se deve utilizar o infinitivo ou o imperativo. Neste projeto, utilizei sempre o infinitivo, como se pode observar neste segmento e no segmento 5, muito embora nem sempre seja esse o caso. Um dos principais problemas deste tipo de tradução é mesmo esse, ou seja, a falta de contexto e de ajuda visual, o que acaba por dificultar a vida do tradutor em certas situações. No entanto, com a prática comecei a notar certos aspetos que ajudam nesta decisão. Por exemplo, geralmente, as frases sem ponto final podem ser títulos de janelas, secções ou botões, pelo que se deve utilizar o infinitivo. Por outro lado, deve-se utilizar o imperativo nas frases com ponto final, uma vez que podem se referir a instruções para fazer algo ou indicações de como proceder. No que diz respeito ao segmento 9, não tendo o nosso idioma adjetivos neutros como se verifica na língua de partida, utilizei o masculino, pois, normalmente, é assim que costumo ver em vários sites na Internet e em documentação paralela. Contudo, cada cliente tem as suas especificações e, suponho, que este cliente dê prioridade a uma linguagem neutra, apesar de tal indicação não constar das instruções do projeto. Como tal, o revisor aplicou tanto o masculino como o feminino no adjetivo em questão.
54 De forma a dar outro exemplo de um trabalho realizado no domínio da tecnologia que não envolva a tradução de strings , seguem-se outros segmentos extraídos de um outro projeto: Seg. Original Tradução Correção 17 XXX Solutions: [1} XXX, Continuous Availability, XXX Backup{2] Soluções XXX: [1}XXX, disponibilidade contínua, XXX Backup{2] Soluções XXX: [1} XXX, Continuous Availability, XXX Backup{2] 26 More than 1,000 employees provide care to around 18,000 inpatients and 27,800 outpatients every year. Todos os anos, mais de 1000 funcionários prestam cuidados a cerca de 18 000 pacientes internados e 27 800 pacientes externos. Todos os anos, mais de 1000 funcionários prestam cuidados a cerca de 18 000 doentes internados e 27 800 pacientes em regime de ambulatório. 52 Ensuring business continuity for highly sensitive data and applications in a cost-effective manner Assegurar a continuidade de negócio para aplicações e dados altamente sensíveis de forma rentável Assegurar a continuidade de negócio para aplicações e dados altamente sensíveis de forma económica Tabela 3 – Exemplos de segmentos de tradução do projeto 42 Esta tradução refere-se a uma história de sucesso de um hospital que utiliza uma solução informática fornecida pelo cliente, uma empresa que oferece, entre outras coisas, produtos antivírus e serviços de proteção de dados e soluções de recuperação. Com a combinação linguística EN–PT, este foi o meu 42.º projeto, enviado a 14/04/2022 às 15h e entregue no dia seguinte de manhã, apesar de o prazo ser até ao dia 18/04/2022 às 18h. O mesmo foi realizado no memoQ, continha 1303 palavras totais, sendo que 1124,85 eram WWC, e obteve uma avaliação de 4*. De uma forma geral, é um texto que, apesar de ser do domínio da tecnologia, contém, de certa forma, alguma terminologia da área dos cuidados de saúde, mas num grau mínimo, e conta também com a presença da publicidade e do marketing .
55 É de referir que este foi um dos raros projetos em que obtive um feedback detalhado, o que me permitiu ter noção da razão pela qual os erros apontados são considerados erros e aprender com os mesmos, para não os repetir no futuro, assim como entender o porquê das escolhas tomadas pela revisora. Focando-nos em alguns dos erros cometidos ao longo da tradução, no segmento 17, por distração minha, acabei por traduzir o nome de um produto, que é considerado um termo DNT (do not translate – não traduzir), isto é, um termo presente numa lista específica do cliente a que o tradutor tem acesso e que não deve ser traduzido. Relativamente ao segmento 26, estamos perante uma correção relacionada com termos da área médica. Neste caso, “doente” é um termo preferencial na área em questão e distinto de paciente. Ou seja, um doente tem sintomas e um paciente pode ou não estar doente, pelo que a revisora optou por usar aqui os dois termos e evitar repetições. No segmento 52, apliquei um termo que não é o mais indicado para o contexto e para transmitir a mensagem de “redução dos custos” presente no texto de partida, uma vez que a palavra “rentável” está relacionada com “dar lucro”, enquanto “económica”, a escolha da revisora e que, a meu ver, melhor se adequa ao texto, está ligada a “poupança nos custos”. 3.1.8.2. Domínio jurídico O projeto do domínio jurídico aqui apresentado trata-se de um pedido de execução e foi o meu 10.º projeto, e o primeiro que recebi em ES–PT e com urgência. O trabalho de tradução foi-me enviado no dia 15/03/2022 às 10h20, com prazo para o dia 16/03/2022 às 14h, e realizei-o na ferramenta de TAC SDL Trados Studio. Sendo este um projeto urgente e de grande volume, o mesmo foi dividido a meio, de forma a conter quase o mesmo número de palavras em ambas as partes. A primeira parte foi atribuída a uma colega estagiária e a segunda a mim, tendo esta última 3549 palavras totais. É de salientar que, aqui, o número total de palavras e o WWC é o mesmo, uma vez que este projeto não possuía nenhuma memória de tradução nem base terminológica. Seg. Original Tradução Correção
56 92 <1595> El </1595><1596> artículo 517.2 </1596><1602> , apartado 4º de la </1602><1603> LEC </1603>< 1609> , establece que son títulos que llevan aparejada ejecución las escrituras públicas, siempre que sean primera copia. </1609> <1595> O n.º 4 do </1595><1596> artigo 517.2.º </1596><1602> do </1602><1603> CPC espanhol </1603><1609> , estabelece que as escrituras públicas são títulos que implicam execução, desde que sejam a primeira cópia. </1609> <1595> O n.º 2.4 do </1595><1596> artigo 517.º </1596><1602> do </1602><1603> CPC espanhol </1603><1609> , estabelece que as escrituras públicas são títulos que implicam execução, desde que sejam a primeira cópia. </1609> 98 En este caso, el título en que se funda la presente ejecución es la “ <1635><1632> escritura de ratificación y elevación a público de reconocimiento de deuda” </1632> otorgada en fecha XXX por XXX a favor de D. XXX </1635> ”, ante el Notario de Madrid Don XXX con el número XXX de su protocolo, cuya copia Autorizada (Documento Nº1 de la demanda), que cumple con los requisitos el citado artículo 517.2 de la LEC, por lo que procede el despacho de la ejecución que por medio de esta demanda se solicita. Neste caso, o título em que se baseia a presente execução é a “ <1635><1632> escritura de ratificação e notarial de reconhecimento de dívida” </1632> outorgada no dia XXX pela XXX a favor do Sr. XXX </1635> ”, perante o Notário de Madrid Sr. XXX com o número XXX do seu protocolo, cuja cópia Autorizada (Documento N.º1 da ação judicial), que cumpre os requisitos do supramencionado artigo 517.2.º do CPC espanhol, pelo que procede a ordem da execução solicitada através desta ação judicial. Neste caso, o título em que se baseia a presente execução é a “ <1635><1632> escritura de ratificação e notarial de reconhecimento de dívida” </1632> outorgada no dia XXX pela XXX a favor de XXX </1635> ”, perante o Notário de Madrid XXX com o número XXX do seu protocolo, cuja cópia Autorizada (Documento N.º1 da ação judicial), que cumpre os requisitos do supramencionado n.º 2 do artigo 517.º do CPC espanhol, pelo que procede a ordem da execução solicitada através desta ação judicial. 114 xx.xxx,xx € al 15% = xx.xxx,xx/365x74 días = <1811> x.xxx,xx euros. </1811> xx.xxx,xx € a 15% = xx.xxx,xx/365x74 dias = <1811> x.xxx,xx euros. </1811> xx xxx,xx € a 15% = xx xxx,xx/365x74 dias = <1811> x xxx,xx euros. </1811> 139 La pretensión se ve además reforzada por lo dispuesto en el artículo 476 de la Ley 14/2014, de 24 de julio, de Navegación Marítima en cuya virtud “ <2332> Se presumirá que en el embargo de buques concurren el peligro por mora procesal y la urgencia de que tratan los A pretensão é ainda fortalecida pelo disposto no artigo 476.º da Lei n.º 14/2014, de 24 de julho, relativa à navegação marítima, em virtude do qual “ <2332> Presumese que na apreensão de navios existe o perigo de morosidade processual e a urgência tratada nos artigos 728.º, 730.2.º e A pretensão é ainda fortalecida pelo disposto no artigo 476.º da Lei n.º 14/2014, de 24 de julho, relativa à navegação marítima, em virtude do qual “ <2332> Presume-se que na apreensão de navios existe o perigo de morosidade processual e a urgência tratada no artigo
57 artículos 728, 730.2 y 733.2 de la Ley de Enjuiciamiento Civil”. </2332> 733.2.º do Código de Processo Civil espanhol”. </2332> 728.º, no n.º 2 do artigo 730.º e no n.º 2 do artigo 733.º do Código de Processo Civil espanhol”. </2332> Tabela 4 – Exemplos de segmentos de tradução do projeto 10 Relativamente às correções do revisor, surpreendentemente, estas foram mínimas e estão relacionadas com termos da área, mais especificamente, no que diz respeito à apresentação dos números dos artigos, uma vez que estes aparecem de forma distinta, no texto de partida, em relação ao que se costuma observar em documentos do mesmo género da língua de chegada. No que diz respeito ao segmento 114, o erro cometido deveu-se à falta de experiência da minha parte. Neste caso, estamos, de certa forma, perante dois erros englobados num só. Isto é, de acordo com o guia de estilo da empresa, quando se trata de números superiores a 10 000, estes devem ter um espaço a separar os primeiros dígitos dos restantes. Porém, não se trata de um espaço normal, mas sim de um non-breaking space , um espaço específico que costuma acompanhar unidades, por exemplo, de tempo e quantidade, e que impede uma quebra de linha, de modo a não ocorrer uma separação entre o conjunto em questão. 3.1.8.3. Domínio da indústria médica Este projeto do domínio da indústria médica, composto por 3574,62 palavras WWC e totais (sem memórias de tradução e bases terminológicas), foi o meu 35.º trabalho de tradução e consistiu na tradução de instruções de utilização de implantes mamários para médicos, através do memoQ. Recebi a notificação automática desta tradução de EN–PT no dia 03/04/2022, um domingo, ao fim do dia, com prazo para o dia 05/04/2022 às 18h. De um modo geral, os poucos erros assinalados foram, maioritariamente, de terminologia, como se pode observar na tabela abaixo: Seg. Original Tradução Correção
58 11 CAUTION PRECAUÇÃO CUIDADO 51 The Intraoperative, Single-Use, Sterile Silicone Breast Sizers XXX should only be used by licensed surgeons certified by the corresponding national medical board of their countries, with qualified training in breast implant procedures under sterile conditions, in compliance with good aseptic practices. Os medidores mamários intraoperatórios de silicone, de utilização única e estéreis XXX só devem ser utilizados por cirurgiões licenciados e certificados pela ordem dos médicos dos seus países, e com formação qualificada em procedimentos de implantes mamários em condições estéreis, em conformidade com as boas práticas asséticas. Os medidores mamários intraoperatórios de silicone, de utilização única e estéreis XXX só devem ser utilizados por cirurgiões licenciados e certificados pela ordem dos médicos dos respetivos países, e com formação qualificada em procedimentos de implantes mamários em condições estéreis, em conformidade com as boas práticas asséticas. 93 The surgeon should inform the patient about the potential complications and that medical management of serious complications. O cirurgião deve informar a paciente sobre as potenciais complicações e como é efetuado o tratamento médio em caso de complicações graves. O cirurgião deve informar a paciente sobre as potenciais complicações e como é efetuado o tratamento médico em caso de complicações graves. 137 A higher rate of capsular contracture is reported in primary breast augmentation cases whereby intraoperative sizers are used[1}[2]{3]; however, using aseptic surgical techniques and a single-use device, it is considerably reduced. É relatada uma maior ocorrência de contratura capsular nos casos de aumento mamário primário, nos quais são utilizados medidores intraoperatórios[1}[2]{3]; no entanto, através da utilização de técnicas cirúrgicas asséticas e de um dispositivo de utilização única, é consideravelmente reduzida. É relatada uma maior ocorrência de contratura capsular nos casos de aumento mamário primário, nos quais são utilizados medidores intraoperatórios[1}[2]{3]; no entanto, através da utilização de técnicas cirúrgicas asséticas e de um dispositivo de utilização única, esta é consideravelmente reduzida. 172 To prevent contamination of the device and potential complications, rigorous Para prevenir a contaminação do dispositivo e potenciais complicações, deve ser mantida Para prevenir a contaminação do dispositivo e potenciais complicações, deve ser mantido
59 observance to aseptic techniques should be kept. uma observância rigorosa das técnicas asséticas. um cumprimento rigoroso das técnicas asséticas. 225 In case local health codes do not allow for the implant to be returned, please contact us directly at [1}https://XXX/patientssupport/{2] for specific instructions. Caso os códigos de saúde locais não permitam a devolução do implante, contacte-nos directamente em [1}https://XXX/patientssupport/{2] para obter instruções específicas. Caso os códigos de saúde locais não permitam a devolução do implante, contacte-nos diretamente em [1}https://XXX/patientssupport/{2] para obter instruções específicas. 261 XXX, The Netherlands. XXX, Holanda. XXX, Países Baixos. Tabela 5 – Exemplos de segmentos de tradução do projeto 35 No segmento 11, apesar de não ter recebido nenhum feedback , com a experiência que tenho vindo a ganhar, reparei que o termo “caution” presente em instruções ou folhetos informativos está sempre relacionado com o termo “cuidado” na língua de chegada, daí a alteração por parte do revisor, para manter a consistência técnica deste tipo de documentos. Relativamente ao segmento 172, estamos perante uma situação semelhante à do segmento 11, onde a tradução literal não é a melhor opção, pois, nesta área e neste contexto, o termo “observance” costuma significar “respeitar”, “estar em conformidade”, “de acordo” ou, neste caso, “cumprimento”. No que diz respeito aos segmentos 93 e 225, por descuido meu, é possível observar dois erros ortográficos. No segmento 93, a palavra “médico” não foi escrita na sua totalidade, e no 225, escrevi a palavra “diretamente” com a grafia utilizada antes do Acordo Ortográfico de 1990. Infelizmente, a ferramenta de TAC utilizada nesta tradução, o memoQ, não detetou estes erros ortográficos, pelo que não foram corrigidos antes de proceder à entrega da mesma. Por último, a minha opção para o segmento 261 está incorreta, pois, atualmente, já não é correto chamar ao país “Netherlands” de Holanda, uma vez que o governo holandês decidiu abandonar esse nome e manter apenas a designação Países Baixos. 3.1.8.4. Domínio das ciências da vida Esta tradução do domínio das ciências da vida foi o meu projeto n.º 4 e refere-se a uma newsletter mensal do mês de fevereiro de uma fundação de carácter ambiental, que aborda as respetivas conquistas e os eventos realizados pela mesma. Enviado a 22/02/2022, às 11h, com prazo (para o tradutor) para o mesmo dia às 18h, este trabalho de tradução de EN–PT foi realizado no SDL Trados Studios e entregue por mim às 15h25. Das 584 palavras totais, 537,89 correspondiam a palavras WWC.
66 disponíveis através da aplicação Slack e ao manterem constantemente uma comunicação aberta e positiva entre todos. O segundo diz respeito à falta de um feedback contínuo e detalhado por parte dos revisores, uma vez que foram raras as vezes que obtive estas informações, o que, de certa forma, impossibilitou o meu acesso às alterações realizadas por estes e à respetiva explicação de tais correções, não podendo, assim, ter sempre uma noção dos erros cometidos por mim ao longo dos meus projetos de tradução, de modo a evitar repeti-los no futuro. É de referir que compreendo que o grande volume de trabalho da empresa não tenha sempre possibilitado este aspeto, mas teria ajudado imenso, visto que estes dados são pertinentes para a evolução dos tradutores. Ao longo do estágio, para além de consolidar e aperfeiçoar todos os conhecimentos e competências adquiridas no decorrer do meu percurso académico, desenvolvi capacidades relacionadas com a gestão do tempo, pesquisa, organização, trabalho em equipa, entre outras. Esta experiência permitiu-me igualmente melhorar os meus conhecimentos em termos de terminologia e o meu vocabulário, e também possibilitou a oportunidade de conhecer e aperfeiçoar a utilização de várias ferramentas e recursos que são úteis para o processo de tradução, o que contribuiu para a minha evolução como tradutora, uma vez que estes recursos vão facilitar e ajudar o meu trabalho no futuro. Em suma, o estágio curricular realizado na empresa SMARTIDIOM foi uma experiência positiva e pude aprender imenso. Além disso, todas as tarefas realizadas ao longo deste estágio proporcionaramme a oportunidade de estimular a minha responsabilidade, autonomia e organização, de poder aplicar a teoria, abordada desde o 1º ano do mestrado até agora, à prática, entre outros. Deste modo, consegui aprofundar ainda mais os meus conhecimentos, tornar-me ainda mais familiarizada com recursos e ferramentas pertinentes, e consegui desenvolver e melhorar as minhas competências como futura tradutora num mercado digital, competitivo e que está em constante mudança. E também me fez perceber o quanto gosto desta área e o quanto a quero continuar a explorar durante os próximos largos anos.
67 Referências bibliográficas Akpaca, S. M., Minaflinou, E., & Afolabi, S. (2020). Translation in the Era of Globalisation. International Journal of Linguistics and Communication , 8(2), 13-21. https://doi.org/10.15640/ijlc.v8n2a2 Ala, F., & Gonçalves, V. (2017). GILT: Tradução e Localização de Software. Adolesciência: Revista Júnior de Investigação , 4(1), 91-95. http://hdl.handle.net/10198/14203 Albir, A. H. (2001). Traducción y Traductología – Introducción a la Traductología . Cátedra. https://doi.org/10.1075/babel.51.2.07rod Albuquerque, A., & Guimarães, M. L. (2003). A Tradução num mundo globalizado – da arte à linha de montagem. POLISSEMA – Revista De Letras Do ISCAP , (3), 137-150. http://hdl.handle.net/10400.22/1731 Aliança Traduções. (2022). Pós-edição . https://aliancatraducoes.com/servico/pos-edicao/ Alves, F. F. (2005). Da Profissão à Formação: O reenquadramento da formação de tradutores em contexto de trabalho [Seminário]. VIII Seminário de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa, Lisboa. http://hdl.handle.net/1822/7175 Alves, F. F. (2006). GILTy OR NOT GILTy: o reenquadramento da profissão de tradutor face ao evangelho da normalização [Conferência]. Conferência de Tradução Portuguesa “Contrapor 2006”, Lisboa. http://hdl.handle.net/1822/7168 Alves, F. F. (2012). As faces de Jano: contributos para uma cartografia identitária e socioprofissional dos tradutores da região norte de Portugal [Tese de Doutoramento, Universidade do Minho]. RepositóriUM. https://hdl.handle.net/1822/19816 Alves, S. R. (2018). Competências do tradutor e gestor de projetos na aplicação da Norma ISO em contexto de estágio [Tese de Mestrado, Universidade de Aveiro]. Repositório Institucional da Universidade de Aveiro. http://hdl.handle.net/10773/24105 AP Portugal. (s.d.). Tecnologia . https://www.apportugal.com/sobre-nos/tecnologia-pt/ Araújo, J. P. M. (2017). Tradução, Localização e Internacionalização do Website do Departamento de Produção e Sistemas da Escola de Engenharia da Universidade do Minho [Tese de Mestrado, Universidade do Minho]. RepositóriUM. http://hdl.handle.net/1822/56168
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73 Veloso, A. R. F. (2018). A complexidade do processo de tradução: experiência profissional na SMARTIDIOM [Tese de Mestrado, Universidade do Minho]. RepositóriUM. https://hdl.handle.net/1822/59772 Vermeer, H. J. (1989). Skopos and commission in translational action. In L. Venuti (Ed.), The Translation Studies Reader (pp. 221-232). Routledge. Vieira, P. M. S. (2019). Revisão e qualidade na tradução: reflexões teóricas e práticas [Tese de Mestrado, Instituto Politécnico do Porto]. Repositório Científico do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/16038 Villas-Boas, C. (2015). Conceitos Gerais e Metodologia [PPT]. Download feito em: 2019, em: https://moodle.up.pt/pluginfile.php/66261/mod_resource/content/1/Aula%202%20- %20Conceitos%20Gerais%20e%20Metodologia.pptx Vinay, J. P., & Darbelnet. (1958). Stylistique comparée du français et de l’anglais . Didier. Translated and edited into English by J.C. Sager & M.J. Hamel, 1995. Comparative Stylistics of French and English. A Methodology for Translation . John Benjamins Publishing Company. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/17199/mod_resource/content/1/09_Vinay_e_D arbelnet.pdf wisdom TRANSLATIONS. (2022). CAT Tools . https://wisdomtranslations.com/cat-tools/ Xbench. (s.d.). Easy Quality Assurance and Terminology . https://www.xbench.net/ Zethsen, K. (1999). The Dogmas of the Technical Translation - Are They Still Valid? In Hermes - Journal of Language and Communication in Business , 23, p. 65-75. https://pure.au.dk/portal/files/9952/H23_05.pdf%20(8
74 Anexos 6.1. Parecer de estágio 14 14 O motivo para aqui serem mencionados menos projetos é porque os projetos recebidos pelo Slack/Excel referentes a um único cliente eram agrupados no ficheiro Excel no Google Drive numa folha semanal. E, depois, no final de cada semana, esses projetos eram inseridos através de uma única entrada na plataforma de gestão de projetos da empresa, o Vendor XTRF. Posto isto, aqui, contaram os vários projetos realizados ao longo de cada semana como 1 único projeto e não como individuais, como eu fiz.
75 6.2. Exemplo de projeto de tradução completo 1 (com correção) Original Tradução Correção April is Celebrate Diversity Month Abril é o mês que celebra a diversidade Abril é o mês que celebra a diversidade This April, we’re recognizing Celebrate Diversity Month because we know we’re made stronger by the diversity of people, thoughts, skills and experiences at XXX. Neste mês de abril, reconhecemos e celebramos o mês da diversidade aqui na XXX porque sabemos que nos tornamos mais fortes com a diversidade das pessoas, pensamentos, competências e experiências. Neste mês de abril, reconhecemos e celebramos o mês da diversidade na XXX porque sabemos que nos tornamos mais fortes com a diversidade de pessoas, pensamentos, competências e experiências. Our commitment to diversity, equity and inclusion (DEI) starts at the very top of our organization, with our CEO XXX. O nosso compromisso com a diversidade, equidade e inclusão (DEI) começa logo no topo da nossa organização, com o nosso CEO XXX. O nosso compromisso com a diversidade, equidade e inclusão (DEI) começa logo no topo da nossa organização, com o nosso CEO XXX. XXX recently joined CEO Action for Diversity & Inclusion, a global network of CEOs who have pledged to advance DEI practices in the workplace. O nosso CEO XXX juntou-se recentemente à CEO Action for Diversity & Inclusion (Ação dos CEOs pela diversidade e inclusão), uma iniciativa dirigida por CEOs que se comprometeram a desenvolver e progredir as práticas de DEI no local de trabalho. XXX juntou-se recentemente à CEO Action for Diversity & Inclusion (Ação dos CEO pela diversidade e inclusão), uma rede global de CEO que se comprometem a desenvolver e progredir as práticas de DEI no local de trabalho. As part of XXX’s pledge, we’ll continue having open and honest conversations about DEI, educate colleagues on topics like managing bias, and share our progress on embracing diversity, creating equity and driving inclusion. Como parte do compromisso do nosso CEO, continuaremos a ter conversas abertas e honestas sobre a DEI, a educar os colegas sobre assuntos como a gestão de preconceitos, e a partilhar o nosso progresso na aceitação e adoção da diversidade, na criação de equidade e na promoção da inclusão. Como parte do compromisso do nosso CEO, continuaremos a ter conversas abertas e honestas sobre a DEI, a formar os colegas sobre assuntos como a gestão de preconceitos, e a partilhar o nosso progresso na aceitação e adoção da diversidade, na criação de equidade e na promoção da inclusão.
82 The best part about robotic process automation is its dynamism. A melhor parte da automatização robótica de processos é o seu dinamismo. O melhor aspeto da automatização robótica de processos é o seu dinamismo. It has the ability to adapt itself to any running process. Esta tem a capacidade de se adaptar a qualquer processo em execução. Esta tem a capacidade de se adaptar a qualquer processo em execução. Implementing such a technology does not disrupt a current process, instead, it adjusts itself accordingly. A implementação desta tecnologia não perturba um processo atual, em vez disso, ajusta-se a si mesma em conformidade. A implementação desta tecnologia não perturba um processo atual, em vez disso, ajusta-se a si mesma em conformidade. · <28> Optimum resource utilization: </28> · <28> Utilização otimizada de recursos: </28> · <28> Utilização otimizada de recursos: </28> Another great advantage of robotic process automation is that it improves employee productivity and maintains their morale. Outra grande vantagem da automatização robótica de processos é o facto de melhorar a produtividade dos funcionários e manter o seu estado de espírito elevado. Outra grande vantagem da automatização robótica de processos é o facto de melhorar a produtividade dos funcionários e manter o seu estado de espírito elevado. By automating mundane and boring tasks, it can help companies achieve more in less time. Ao automatizar tarefas básicas e monótonas, pode ajudar as empresas a alcançar mais em menos tempo. Ao automatizar tarefas básicas e monótonas, pode ajudar as empresas a alcançar mais em menos tempo. Cons: Contras: Contras: · <34> High initial investment: </34> · <34> Elevado investimento inicial: </34> · <34> Elevado investimento inicial: </34> Implementing a robotic process automation technology involves a high initial investment. A implementação de uma tecnologia de automatização robótica de processos envolve um elevado investimento inicial. A implementação de uma tecnologia de automatização robótica de processos envolve um elevado investimento inicial. There’s no doubt that the ROI is substantial, but the significant initial investment can deter many companies. Não há dúvida de que o ROI é substancial, mas o investimento inicial significativo pode dissuadir muitas empresas. Não há dúvida de que o ROI é substancial, mas o investimento inicial significativo pode dissuadir muitas empresas. · <37> Need for skilled staff: </37> · <37> Necessidade de funcionários qualificados: </37> · <37> Necessidade de funcionários qualificados: </37>
83 The burden of cost tends to increase also due to the need to hire new employees who can handle the technology. O encargo dos custos tende também a aumentar devido à necessidade de contratar novos funcionários que consigam utilizar a tecnologia. O encargo dos custos tende também a aumentar devido à necessidade de contratar novos funcionários que consigam utilizar a tecnologia. Additional costs may also occur if the company has to re-skill or re-train its existing employees. Podem também ocorrer custos adicionais se a empresa tiver de reconverter ou requalificar os seus funcionários atuais. Podem também ocorrer custos adicionais se a empresa tiver de reconverter ou requalificar os seus funcionários atuais. Closing lines Conclusão Conclusão In essence, intelligent process automation using AI or robotic technology is akin to the “thinking” process of the human brain to make decisions based on the available information (i.e., data, trends, patterns, analysis). Em suma, a automatização inteligente de processos que utiliza IA ou tecnologia robótica é semelhante ao processo de “raciocínio” do cérebro humano para tomar decisões baseadas nas informações disponíveis (por ex.: dados, tendências, padrões, análises). Em suma, a automatização inteligente de processos que utiliza IA ou tecnologia robótica é semelhante ao processo de “raciocínio” do cérebro humano para tomar decisões baseadas nas informações disponíveis (por exemplo: dados, tendências, padrões, análises). It is a largely data-centric process and can use natural language processing and machine learning to process unstructured data. É um processo essencialmente centrado em dados e pode utilizar o processamento de linguagem natural e a aprendizagem automática para processar dados não estruturados. É um processo essencialmente centrado em dados e pode utilizar o processamento de linguagem natural e a aprendizagem automática para processar dados não estruturados. The technology can train itself using algorithms to recognize incoming information and take immediate action. A tecnologia pode programarse a si mesma utilizando algoritmos para reconhecer as informações recebidas e tomar medidas imediatas. A tecnologia pode programarse a si mesma utilizando algoritmos para reconhecer as informações recebidas e tomar medidas imediatas. Robotic process automation, on the other hand, completes tasks based on rules. Por outro lado, a automatização robótica de processos completa tarefas com base em regras. Por outro lado, a automatização robótica de processos completa tarefas com base em regras. This is more like what the human body does to survive. Isto é, de certa forma, o que o corpo humano faz para sobreviver. Isto é, de certa forma, o que o corpo humano faz para sobreviver.
84 It is more focused on getting a process done or being process-centric. Está mais focada em conseguir concluir um processo ou ser centrada no processo. Está mais focada em conseguir concluir um processo ou ser centrada no processo. The RPA tools are created to automate repetitive human tasks that are simple and rule based. As ferramentas de RPA foram concebidas para automatizar tarefas humanas repetitivas que são simples e baseadas em regras. As ferramentas de RPA foram concebidas para automatizar tarefas humanas repetitivas que são simples e baseadas em regras. It must be trained to execute a particular process and depends on clearly defined structured data. A RPA tem de ser programada para executar um determinado processo e depende de dados estruturados bem definidos. A RPA tem de ser programada para executar um determinado processo e depende de dados estruturados bem definidos. While making a transition to automation, do make sure you assess the needs of your company so that you get the right solution. Ao fazer uma transição para a automatização, certifique-se de que avalia as necessidades da sua empresa de modo a obter a solução mais adequada. Ao fazer uma transição para a automatização, certifique-se de que avalia as necessidades da sua empresa de modo a obter a solução mais adequada. For more information, you can contact us at <38> [email protected] </38> or call us on XXX. Para mais informações, entre em contacto connosco através do e-mail <38> [email protected] </38> ou contacte-nos através do XXX. Para mais informações, entre em contacto connosco através do e-mail <38> [email protected] </38> ou contacte-nos através do XXX. [email protected] [email protected] [email protected]
85 6.4. Exemplo de projeto de tradução completo 3 (com correção) Original Tradução Correção [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1} [2] {3] [1} [2] {3] [1} [2] {3] Data Resilient-EmailBanner.png Data Resilient-EmailBanner.png Data Resilient-EmailBanner.png Good morning [1], Bom dia [1], Bom dia [1], [1] [1] [1] Businesses saw a 50% increase in cyberattacks per week in 2021, due, in part, to the [1}Log4j vulnerability{2], which helped [3}push hacker attempts to an all-time high in Q4 2021{2]. As empresas assistiram a um aumento de 50% nos ciberataques por semana em 2021, devido, em parte, à [1}vulnerabilidade Log4j{2], que ajudou [3}a elevar as tentativas de ataque de hackers para um máximo histórico no 4.º trimestre de 2021{2]. Em 2021, as empresas assistiram a um aumento de 50% por semana nos ciberataques devido, em parte, à [1}vulnerabilidade Log4j{2], que ajudou [3}a impulsionar as tentativas de ataque de hackers para um máximo histórico no 4.º trimestre de 2021{2]. A recent XXX headline proclaimed, “[1}[2}Ransomware in 2022: Uma recente manchete da XXX declarou, “[1}[2}Ransomware em 2022: Uma recente manchete da XXX anunciou, “[1}[2}Ransomware em 2022: We’re all screwed{1][2}.{3]{3][2}”{3][7] Estamos todos feitos ao bife{1][2}.{3]{3][2}”{3][7] estamos todos tramados{1][2}.{3]{3][2}”{3][7] Every small, medium and large business needs to take these threats seriously — especially companies that don’t have security experts on their internal team. Todas as pequenas, médias e grandes empresas precisam de levar estas ameaças a sério — especialmente as empresas que não têm especialistas em matéria de segurança na sua equipa interna. Todas as pequenas, médias e grandes empresas precisam de levar estas ameaças a sério, especialmente as empresas que não têm especialistas em matéria de segurança na sua equipa interna. XXX delivers[1]a unified data resilience[1]platform that includes cybersecurity and data protection with immutable storage for onpremises, cloud, and SaaSbased data. A XXX dispõe de uma plataforma[1]unificada de resiliência de dados[1]que inclui cibersegurança e proteção de dados com armazenamento imutável para dados locais, na nuvem e baseados em SaaS. A XXX dispõe de uma plataforma[1]unificada de resiliência de dados[1]que inclui cibersegurança e proteção de dados com armazenamento imutável para dados locais, na nuvem e baseados em SaaS.
86 The end result: O resultado final: O resultado final: [1}Be highly resilient in the face[2]of Ransomware{3]. [1}Ser altamente resiliente perante[2]ransomware{3]. [1}ser altamente resiliente perante[2]o ransomware{3]. Check out all of our resources below. Confira abaixo todos os nossos recursos. Consulte abaixo todos os nossos recursos. [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1} [1} [1} [1}[2}[3}Ransomware Recovery{4]{5]{6]{6] [1}[2}[3}Recuperação de ransomware{4]{5]{6]{6] [1}[2}[3}Recuperação de ransomware{4]{5]{6]{6] [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1}[2]{3] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1}[2}[3}Ransomware Defense Solution Brief{4]{5]{6] [1}[2}[3}Resumo da solução de defesa contra ransomware{4]{5]{6] [1}[2}[3}Resumo da solução de defesa contra ransomware{4]{5]{6] [1}[2}[3}Immutable Storage Educational Brief{4]{5]{6] [1}[2}[3}Resumo educacional do armazenamento imutável{4]{5]{6] [1}[2}[3}Resumo didático do armazenamento imutável{4]{5]{6] [1}{2] [1}{2] [1}{2] [1}[2}[3}XXX Ransomware Recovery Solutions{4]{5]{6] [1}[2}[3}Soluções de recuperação de ransomware da XXX{4]{5]{6] [1}[2}[3}Soluções de recuperação de ransomware da XXX{4]{5]{6] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1] [1} [2]{3] [1} [2]{3] [1} [2]{3] [1}www.XXX.com{2] [1}www.XXX.com{2] [1}www.XXX.com{2] [1}XXX XXX Road, Suite XXX, XXX, XXX XXX USA{2] [1}XXX XXX Road, Suite XXX, XXX, XXX XXX EUA{2] [1}XXX XXX Road, Suite XXX, XXX, XXX XXX EUA{2] [1}[2}Unsubscribe{3] {4] [1}[2}Anular subscrição{3] {4] [1}[2}Anular subscrição{3] {4] [1}CONNECT WITH US:{2] [3} [4}[5]{6][7] [8}[9]{6] {2] [1}LIGUE-SE A NÓS:{2] [3} [4}[5]{6][7] [8}[9]{6] {2] [1}LIGUE-SE A NÓS:{2] [3} [4}[5]{6][7] [8}[9]{6] {2] LinkedIn LinkedIn LinkedIn Twitter Twitter Twitter