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Análise e avaliação de desempenho de alunos num sistema de eLearning

Lemos, Jéssica Andreia Fernandes

Abstract

A evolução da tecnologia conduziu ao aparecimento de algumas lacunas em diversos sectores. Na área da educação, uma das questões problemáticas apontadas pelos professores é a falta de dados mais específicos e detalhados sobre o processo da aprendizagem dos alunos, para além da visualização dos resultados das avaliações finais. Devido à escassez de informação sobre o processo que os seus estudantes seguem para atingirem uma dada classificação, os professores têm alguma dificuldade em atuar de forma eficaz e contínua neste processo de aprendizagem e de ensino dos seus estudantes. Tal deve-se ao facto dos professores não terem como identificar qual o conhecimento já adquirido pelos alunos e aquele que ainda precisam de adquirir para melhorar. Tal circunstância pode contribuir para o insucesso dos alunos. Sendo esta uma Era caracterizada pela evolução da tecnologia, na qual muitos dos problemas são solucionados com ela, é usual apontar-se como uma possível solução para estes problemas a adaptação do setor da educação às novas tecnologias, uma vez que dessa forma seria possível colmatar algumas das lacunas recorrendo-se a ferramentas já desenvolvidas. Uma das ferramentas que surgiu para solucionar os vários problemas associados ao acompanhamento e avaliação do desempenho dos alunos foram os sistemas de eLearning, em particular a sua vertente de análise de resultados através de dashboards especializados, uma vez que estes permitem a sua realização praticamente em tempo real. A importância de reestruturar o setor educacional, através da inserção de novas ferramentas tecnológicas, é, assim, algo incontornável. As necessidades dos estudantes como dos professores também estão a mudar e a evoluir e, para lidar com isso, precisamos de ferramentas versáteis e flexíveis como os sistemas de análise e os seus dashboards.

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Universidade do Minho Escola de Engenharia Departamento de Informática Jéssica Andreia Fernandes Lemos Análise e Avaliação de Desempenho de Alunos num Sistema de eLearning June 2022 Universidade do Minho Escola de Engenharia Departamento de Informática Jéssica Andreia Fernandes Lemos Análise e Avaliação de Desempenho de Alunos num Sistema de eLearning Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Engenharia Informática Dissertação supervisionada por Professor Orlando Manuel de Oliveira Belo June 2022 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. LICENÇA CONCEDIDA AOS UTILIZADORES DESTE TRABALHO: CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ AGRADECIMENTOS Terminada a presente dissertação e, por consequência, o meu Mestrado Integrado em Engenharia Informática, não poderia deixar de agradeçer a todos aqueles que contribuíram ao longo deste percurso. Começo por agradeçer ao meu orientador, Professor Orlando Belo, pelo seu acompanhamento e disponibilidade ao longo do último ano. De seguida, a toda a minha família, em especial à minha mãe, ao meu pai e irmão, que são os meus maiores pilares. Agradeço por me apoiarem incondicionalmente desde o primeiro dia, por acreditarem nas minhas capacidades e darem-me toda a força necessária para ultrapassar os obstáculos e seguir os meus sonhos. Por fim, quero agradecer aos meus amigos por me terem acompanhado ao longo do meu percurso académico, marcado pela partilha de conhecimento e entreajuda. Serei eternamente grata pela vossa amizade e pelo que alcançamos juntos, levo amigos para a vida. Estes anos foram os melhores e mais importantes da minha vida, marcados pelo crescimento e evolução, tanto pessoal como profissional, por isso a todos quero manifestar os meus sinceros agradecimentos. a DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. b ABSTRACT The evolution of technology has led to the appearance of some gaps in several sectors. In the area of education, one of the problematic issues pointed out by teachers is the lack of more specific and detailed data on the students’ learning process, besides the visualisation of the final assessment results. Due to the scarcity of information about the process their students follow to achieve a given grade, teachers have some difficulty in acting effectively and continuously in this process of learning and teaching their students. This is due to the fact that teachers have no way of identifying what knowledge students have already acquired and what they still need to acquire in order to improve. Such circumstance may contribute to the students’ failure. Being this an age characterized by the evolution of technology, in which many problems are solved with it, it is usual to point out as a possible solution to these problems the adaptation of the education sector to new technologies, since in that way it would be possible to fill some of the gaps using tools already developed. One of the tools that emerged to solve the various problems associated with the monitoring and evaluation of student performance were the eLearning systems, in particular its aspect of results analysis through specialized dashboards, since they allow its realization practically in real time. The importance of restructuring the educational sector, through the insertion of new technological tools, is, therefore, unavoidable. The needs of students and teachers alike are changing and evolving, and to cope with this we need versatile and flexible tools like analytics systems and their dashboards. KEYWORDS Multidimensional Data Systems, eLearning Systems, Performance Analysis Systems, Data Mining, Data Visualization, Dashboards. c RESUMO A evolução da tecnologia conduziu ao aparecimento de algumas lacunas em diversos sectores. Na área da educação, uma das questões problemáticas apontadas pelos professores é a falta de dados mais específicos e detalhados sobre o processo da aprendizagem dos alunos, para além da visualização dos resultados das avaliações finais. Devido à escassez de informação sobre o processo que os seus estudantes seguem para atingirem uma dada classificação, os professores têm alguma dificuldade em atuar de forma eficaz e contínua neste processo de aprendizagem e de ensino dos seus estudantes. Tal deve-se ao facto dos professores não terem como identificar qual o conhecimento já adquirido pelos alunos e aquele que ainda precisam de adquirir para melhorar. Tal circunstância pode contribuir para o insucesso dos alunos. Sendo esta uma Era caracterizada pela evolução da tecnologia, na qual muitos dos problemas são solucionados com ela, é usual apontar-se como uma possível solução para estes problemas a adaptação do setor da educação às novas tecnologias, uma vez que dessa forma seria possível colmatar algumas das lacunas recorrendo-se a ferramentas já desenvolvidas. Uma das ferramentas que surgiu para solucionar os vários problemas associados ao acompanhamento e avaliação do desempenho dos alunos foram os sistemas de eLearning, em particular a sua vertente de análise de resultados através de dashboards especializados, uma vez que estes permitem a sua realização praticamente em tempo real. A importância de reestruturar o setor educacional, através da inserção de novas ferramentas tecnológicas, é, assim, algo incontornável. As necessidades dos estudantes como dos professores também estão a mudar e a evoluir e, para lidar com isso, precisamos de ferramentas versáteis e flexíveis como os sistemas de análise e os seus dashboards. PALAVRAS-CHAVE Sistemas Multidimensionais de Dados, Sistemas de eLearning, Sistemas de Análise de Desempenho, Mineração de Dados, Visualização de dados, Dashboards. d CONTEÚDO 1INTRODUÇÃO 3 1.1 Contextualização ................................... 3 1.2 MotivaçãoeObjetivos ................................ 4 1.3 TrabalhoRealizado.................................. 5 1.4 Organização da Dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 2SISTEMAS DE AVALIAÇÃO 7 2.1 UmaBreveIntrodução................................ 7 2.2 SistemasExistentes.................................. 7 2.2.1 Moodle..................................... 7 2.2.2 Blackboard................................... 8 2.2.3 Claroline.................................... 9 2.2.4 ATutor..................................... 10 2.2.5 Dokeos..................................... 11 2.2.6 Docebo..................................... 12 2.3 AnáliseComparativa................................. 13 3ANÁLISE E AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS ESTUDANTES 15 3.1 Contextualização e Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 3.2 Modelos de Avaliação do Desempenho de Estudantes . . . . . . . . . . . . . . 16 3.3 Análise de Modelos de Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3.4 AnáliseComparativa................................. 21 4UM SISTEMA PARA A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 23 4.1 Caracterização do Modelo de Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 4.2 Angariação e Pré-processamento de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 4.3 Classificação de Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 4.4 PrevisãodeDesempenho .............................. 32 4.5 Clustering de Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5ANÁLISE DOS MODELOS IMPLEMENTADOS 37 5.1 Classificação do Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 5.2 Previsão ........................................ 41 5.3 Clustering do Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 6VISUALIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS DE DESEMPENHO 46 6.1 Dashboards ...................................... 46 6.2 Técnicas e Componentes de Visualização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 iii CONTEÚDO iv 6.3 Modelos e Componentes Implementados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 6.4 Caracterização e Funcionamento dos Dashboards ................. 50 7CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO 54 7.1 Conclusões....................................... 54 7.2 TrabalhoFuturo.................................... 56 1.3. Trabalho Realizado 5 sificado de questões nos domínios e subdomínios envolvidos no processo de aprendizagem e avaliação dos alunos. Para além de uma análise individual, por aluno, é ainda possível fazer uma análise geral do desempenho dos alunos ao longo do tempo bem como do desempenho previsto, nos vários domínios e subdomínios. Futuramente, pretende-se que o sistema desenvolvido seja integrado na plataforma de eLearning Leonardo (Leonardo,2018). 1.3 TRABALHO REALIZADO Para fazer a implementação de uma ferramenta que ajude a rastrear e a avaliar o desempenho dos alunos de uma dada instituição de ensino ao longo do tempo é necessário ter em conta um conjunto de requisitos e funcionalidade concretos. Assim, nesta dissertação, primeiro procedeu-se à pesquisa de sistemas similares de avaliação do conhecimento de alunos já existentes, tendo sido selecionados seis sistemas distintos. De seguida, procedeu-se a uma análise comparativa dos sistemas selecionados, com o intuito de perceber quais seriam os pontos fortes e fracos dos Learning Management System (LMS) existentes e quais os problemas que ainda não foram solucionados. Numa fase seguinte, foi estudada a aplicação de vários modelos de DM na área da educação. A investigação dos modelos e técnicas de avaliação existentes, culminou na escolha de seis modelos distintos, que foram estudados e analisados detalhadamente em termos da sua aplicação e produção de resultados. Através de uma análise comparativa, foi possível definir qual o modelo de avaliação mais adequado e que foi desenvolvido nesta dissertação. Depois da fase de estudo dos sistemas e de modelos de avaliação existentes iniciou-se o processo de desenvolvimento do sistema de avaliação de desempenho com a aplicação de técnicas de DM. Este desenvolvimento teve por base a metodologia CRoss Industry Standard Process for Data Mining (CRISP-DM), desde a fase de conhecimento da área de aplicação até à modelação e análise dos resultados obtidos. Inicialmente, para o desenvolvimento do sistema foi realizada a angariação e o pré-processamento dos dados que tínhamos à nossa disposição, para de seguida ser feita a sua classificação através dos vários algoritmos selecionados. Depois procedeu-se à implementação da previsão do desempenho para 5, 10 e 15 dias. Por último, com o objetivo de analisar os dados, foram aplicadas técnicas de clustering. Após o desenvolvimento do sistema de avaliação procedeu-se à análise crítica dos resultados obtidos. Na última etapa, foram estudados os inúmeros componentes, modelos e técnicas de visualização de dados existentes com o intuito de desenvolver um conjunto de dashboards adequados para o problema em questão. 1.4 ORGANIZAÇÃO DA D I S S E RTAÇÃO Para além deste capítulo, esta dissertação inclui mais seis capítulos, que estão organizados da seguinte forma: • Capítulo 2Sistemas de avaliação. Neste capítulo procedeu-se à pesquisa de sistemas similares de rastreio e avaliação de conhecimento de estudantes. Adicionalmente, apresenta-se as características e funcionalidades de seis sistemas bem como se faz a sua análise comparativa. 1.4. Organização da Dissertação 6 • Capítulo 3Análise e Avaliação de Desempenho. Aqui é analisada a aplicação de DM ao setor da educação e explicado os seus fundamentos. Para além disso, foi realizado um estudo dos modelos de avaliação de desempenho existentes, tendo sido explorados e descritos seis modelos distintos. Após essa análise, é feita uma breve comparação entre os vários modelos analisados. • Capítulo 4Um Sistema para a Avaliação de Desempenho. Neste capítulo estão descritos todos os passos do desenvolvimento do modelo de avaliação de desempenho, nomeadamente: o processo de angariação e pré-processamento de dados, os modelos de classificação implementados, a previsão do desempenho e, por último, a implementação de clustering. • Capítulo 5Análise dos Modelos Implementados. Após o desenvolvimento e implementação dos modelos, neste capítulo apresenta-se, em detalhe, os resultados obtidos em todos os passos do desenvolvimento e analisando-os com o intuito de definir o modelo de avaliação mais apropriado para o caso em estudo. • Capítulo 6Visualização e Análise de Dados de Desempenho. A escolha dos componentes e modelos de visualização adequados para o objetivo é explicada detalhadamente neste capítulo. Complementarmente, apresentam-se os dashboards desenvolvidos e o seu modo de funcionamento com um conjunto de dados de uma plataforma de eLearning. • Capítulo 7Conclusões e Trabalho Futuro. Neste capítulo é apresentado um resumo do trabalho realizado, bem como uma análise crítica do modelo de avaliação de desempenho desenvolvido e dos resultados obtidos. Termina-se este capítulo com uma exposição de algumas linhas de orientação para trabalho futuro. 2 SISTEMAS DE AVALIAÇÃO 2.1 UMA BREVE INTRODUÇÃO Inúmeras instituições de ensino superior, tais como as universidades, procuram cada vez mais fornecer ferramentas de visualização de dados com utilidade, tanto aos seus professores como aos seus alunos. Contudo, de momento, ainda não existem soluções que atenuem todas as necessidades existentes no setor da educação. Uma solução existente e utilizada mundialmente são os sistemas de gestão de aprendizagem - LMS (Reimers e Neovesky,2015). Existem diferentes expressões utilizadas para descrever estas aplicações informáticas educacionais, tais como sistemas de e-Learning, sistema de gestão de cursos - Course Management System (CMS) ou mesmo ambiente de aprendizagem virtual - Virtual Learning Environment (VLE) (Costa et al.,2012). Nestes sistemas, os alunos podem aceder aos conteúdos dos cursos em diferentes formatos, bem como interagir com professores e colegas, através de mensagens, fóruns, chats, videoconferência ou outros tipos de ferramentas de comunicação. Estas plataformas oferecem um conjunto de características configuráveis, de modo a permitir a criação de cursos, páginas de disciplinas, grupos de trabalho ou comunidades. Para além da dimensão pedagógica, possuem um conjunto de funcionalidades para atividades de registo, monitorização e avaliação de alunos e professores, o que permite fazer a gestão dos conteúdos de forma muito efetiva (Costa et al.,2012). Nas últimas décadas, a tecnologia de gestão de aprendizagem revolucionou o ensino e a aprendizagem, uma vez que permitiu conceber e implementar sistemas como o Moodle (Moodle,2020) ou a Blackboard (Blackboard, 2018), que permitem disponibilizar, gerir e monitorizar em tempo real todas as atividades dos alunos contribuindo para a melhoria da aprendizagem e do ensino (Park e Jo,2015). Uma vez que os LMS não oferecem soluções reais de dashboards, as instituições de ensino superior começaram a investir no desenvolvimento deste tipo de “painéis” de visualização de dados, de forma que sejam úteis para os seus alunos e professores (Reimers e Neovesky,2015). 2.2 SISTEMAS EXISTENTES 2.2.1 Moodle O Moodle (Moodle,2020) é um sistema de gestão de aprendizagem open source, lançado em 2001, que disponibiliza inúmeras ferramentas de comunicação, colaboração e avaliação. Atualmente, é uma das ferramen7 2.2. Sistemas Existentes 8 tas didáticas mais fáceis de utilizar e flexível disponível no mercado, uma vez que foi desenvolvido tendo em mente tanto a pedagogia como a tecnologia. Para além disso, possui uma excelente documentação e forte apoio à segurança e administração (Momani,2012). O Moodle é utilizado em todo o mundo por universidades, escolas, empresas e professores independentes. Em 2016, era o sistema escolhido em 234 países com mais de 88,204,960 utilizadores registados (Keles e Özel,2016). Figura 1: O ambiente de trabalho do Moodle O Moodle é um sistema robusto, seguro e integrado, que disponibiliza um meio e ferramentas para criar ambientes de aprendizagem personalizados para os professores, administradores e alunos (Moodle,2020). Como podemos observar na Figura 1, os professores podem criar e gerir cursos online, o que é fundamental para auxiliar também no ensino à distância, pois podem monitorizar os seus alunos, acedendo a estatísticas, bem como acompanhar todas as atividades realizadas (Momani,2012). O Moodle tem características que lhe permitem escalar para grandes implementações e centenas de milhares de estudantes, mas também pode ser utilizado por escolas primárias ou em ambientes de hobbies educativo. Muitas instituições utilizam-no como plataforma para realizar cursos totalmente online, enquanto algumas o utilizam simplesmente para aumentar os cursos presenciais (Reyes et al.,2009). 2.2.2 Blackboard Em 2006, os proprietários das empresas Blackboard Learning System e WebCT decidiram fundir-se no Blackboard (Keles e Özel,2016). O sistema possui uma grande variedade de produtos e serviços de software para programas educacionais. Além disso disponibiliza um ambiente de aprendizagem robusto, com grande ampli- 2.2. Sistemas Existentes 9 tude de funcionalidades, uma interface moderna, intuitiva e totalmente reativa. Estas características permitem ao Blackboard proporcionar uma experiência de ensino e aprendizagem mais simples e poderosa, que vai além dos sistemas tradicionais de gestão da aprendizagem, como podemos analisar na Figura 2(Blackboard,2018). Figura 2: O ambiente de trabalho do Blackboard No Blackboard, os professores e os alunos conseguem, de uma forma intuitiva, interagir com cursos, conteúdos, instrutores e os seus colegas (Blackboard,2018). O sistema oferece feedback útil para os professores recorrendo a dashboards que contém estatísticas instantâneas sobre o acesso dos alunos, notas e participação (Momani,2012). As características de disponibilidade, feedback rápido, comunicação melhorada e a oportunidade de interagir com os instrutores, destacaram o Blackboard das restantes aplicações LMS. Isso fez com que fosse considerado como um dos mais populares e comercializáveis sistemas de aprendizagem colaborativa adotados no ensino superior (Almekhlafy,2020). 2.2.3 Claroline O Claroline (Claroline,2020) é uma plataforma colaborativa de aprendizagem open source, que foi desenvolvida tendo em conta a experiência e necessidades pedagógicas dos professores. Esta ferramenta permite que, centenas de organizações em todo o mundo, desde universidades, escolas e empresas, possam criar e gerir cursos. A plataforma, lançada em 2000 pela UCL - Universidade Católica de Lovaina, é agora usada em mais de 80 países e está disponível em mais de 30 idiomas (Reyes et al.,2009). Para uma melhor coordenação do desenvolvimento da plataforma e para promover a sua utilização numa comunidade de utilizadores, em 2007 foi criado o Consórcio Claroline, uma associação internacional sem fins lucrativos (Reyes et al.,2009). 2.2. Sistemas Existentes 10 Figura 3: O ambiente de trabalho do Claroline O foco do Claroline é a aprendizagem, pelo que tudo neste sistema é pensado para facilitar a integração do conhecimento. Assim, o número de recursos disponibilizados é considerável, o que o torna também adaptável às necessidades das organizações. Este sistema disponibiliza chat e fórum de discussão, para além de permitir criar e gerir a aprendizagem através de dashboards (Claroline,2020). Na Figura 3, podemos analisar como é o workspace deste sistema e alguns dos recursos que tem disponíveis. 2.2.4 ATutor O ATutor (ATutor,2020) é um sistema de gestão de aprendizagem open source escolhido por muitas universidades, centros de pesquisa e instituições de ensino (Keles e Özel,2016). O sistema foi projetado para desenvolver cursos online para além de criar e distribuir conteúdo e-learning, bem como disponibiliza recursos tanto para estudantes como professores, entre os quais a monitorização das atividades e recursos (ATutor, 2020). 2.2. Sistemas Existentes 11 Figura 4: O ambiente de trabalho do ATutor O ATutor possui uma ferramenta que permite a troca de mensagens instantâneas num chat em tempo real e também a troca de mensagens privadas, bem como um whiteboard. É considerado um sistema único, porque oferece espaço para os utilizadores desenvolverem uma rede de contactos, criarem um perfil de rede, juntaremse a grupos de interesse, partilharem imagens e discutirem sobre os materiais pedagógicos disponíveis (Cavus e Zabadi,2014). Na Figura 4, podemos verificar alguns dos recursos que o ATutor coloca à nossa disposição. Para além disso, o sistema é destacado pela sua acessibilidade aos recursos fornecidos, que são adaptados para pessoas com deficiência visual. A adequação ao ensino, uma vez que é adaptável aos diversos cenários de ensino, e a adaptação a uma grande variedade de tecnologias, com suporte web emobile, são características a realçar neste sistema (Reyes et al.,2009). Porém, o ATutor, apesar de apresentar uma grande usabilidade, carece da falta de várias outras características que ainda se encontram em desenvolvimento (Cavus e Zabadi, 2014). 2.2.5 Dokeos A Dokeos é uma das maiores e mais reconhecidas empresas dedicadas a LMS open source. O seu sistema de aprendizagem é reconhecido por empresas multinacionais e universidades em cerca de 60 países com suporte para mais de 30 línguas, num total de 1,297,000 utilizadores (Reyes et al.,2009). 2.2. Sistemas Existentes 12 Figura 5: O ambiente de trabalho do Dokeos Esta plataforma de eLearning disponibiliza ferramentas de videoconferência e um fórum de discussão para que os estudantes possam interagir entre si. Contudo não tem um whiteboard nem chat em tempo real. Na Figura 5podemos ver algumas das ferramentas fornecidas pelo sistema para gerir utilizadores, cursos e sessões (Cavus e Zabadi,2014). Além disso, o sistema e-learning permite criar facilmente programas poderosos e eficazes que treinam, validam e comunicam. É possível acompanhar e monitorizar o progresso dos participantes através da análise dos resultados de avaliações (Docebo,2020). 2.2.6 Docebo Outra plataforma e-learning LMS open source é Docebo (Docebo,2020). Esta sistema é usado tanto no setor da educação como no setor corporativo (Reyes et al.,2009). Suporta diferentes modelos didáticos, em 18 idiomas em mais 10 países, contando com mais de 53 funcionalidades diferentes (Keles e Özel,2016). 2.3. Análise Comparativa 13 Figura 6: O ambiente de trabalho do Docebo Na Figura 6podemos verificar que para além de permitir a criação e gestão de cursos ainda disponibiliza um fórum de discussão, wiki,chat e videoconferência (Reyes et al.,2009). O Docebo foi projetado para habilitar, aprimorar e transformar a aprendizagem online para as empresas modernas, proporcionando um design preciso, funcional e flexibilidade em escala (Docebo,2020). 2.3 ANÁLISE COMPAR ATIVA Todos os LMS estudados permitem a criação e gestão de cursos e quizzes, disponibilizando a análise e monitorização das atividades dos estudantes. Apesar de apresentarem uma solução para algumas das lacunas existentes no sistema de ensino e apresentarem suporte tanto para plataformas web como para plataformas móveis, todos eles apresentam, naturalmente, características e recursos diferentes, que os distinguem. Dos sistemas apresentados apenas o Blackboard e o Docebo não são open source, o que significa que para serem utilizados precisamos de ter uma licença comercial. Alguns dos recursos, como o fórum de discussão e o chat são comuns a todos os sistemas, mas a funcionalidade de vídeo conferência não está disponível no Claroline. Em termos de whiteboards, apenas o Dokeos não tem este serviço. A comparação dos seis LMS mostra que o Moodle e o ATutor possuem as melhores ferramentas de comunicação com interface amigável, o que permite um acesso fácil e eficaz à informação (Cavus e Zabadi,2014). Contudo, o Blackboard e o Moodle são bastante semelhantes em termos de recursos administrativos, colaboração e métodos de instrução. Em termos de interface, o Dokeos aparenta ter melhores funcionalidades e é menos complexo do que o Moodle. O Docebo destaca-se pelos seus recursos administrativos e desenvolvimento de cursos (Keles e Özel,2016). O sistema de gestão de aprendizagem mais complexo é o Claroline, pelo que a sua utilização é mais difícil (Cavus e Zabadi,2014). A adaptabilidade não é alcançada na totalidade em nenhum dos sistemas comparados, tal como é possível verificar na Tabela 1. Nesta tabela podemos ver um resumo de algumas das características e funcionalidades 2.3. Análise Comparativa 14 disponibilizadas por cada um dos sistemas que vimos. Contudo, todos têm fóruns de discussão que permitem desenvolver versões melhoradas, o que é um dos aspetos positivos dos LMS (Cavus e Zabadi,2014). Moodle Blackboard Claroline ATutor Dokeos Docebo Pago Não Sim Não Não Não Sim Monitorização Sim Sim Sim Não Sim Sim Quizzes Sim Sim Sim Sim Sim Sim Chat Sim Sim Sim Sim Sim Sim Conferências Sim Sim Não Sim Sim Sim WhiteBoard Sim Sim Sim Sim Não Sim Open Source Sim Não Sim Sim Sim Não Suporte web e mobile Sim Sim Sim Sim Sim Sim Tabela 1: Análise comparativa de LMS 3.4. Análise Comparativa 21 A visualização pretende ajudar os utilizadores a compreender e analisar grandes quantidades de dados. Por outro lado, as estatísticas de utilização dos alunos são frequentemente o ponto de partida para a avaliação num sistema de e-learning. O clustering é um processo de agrupamento de objetos em classes de objetos semelhantes, o algoritmo aplicado foi o k-means que é considerado um dos algoritmos de agrupamento mais simples e mais populares. Existem vários classificadores disponíveis, mas neste estudo, foi aplicado a árvore de decisão com o algoritmo C4.5 para caracterizar os alunos que passaram ou reprovaram. As regras de associação permitem descobrir relações entre atributos em bases de dados, produzindo declarações if-then relativamente aos valores de atributo. Estas são as mais gerais e conhecidas técnicas de DM, contudo existem outras técnicas de DM que também são utilizadas nos sistemas e-learning, tais como mineração de padrões sequenciais, mineração de textos, análise de outliers e análise de redes sociais. Por fim, é possível interpretar e avaliar os resultados (Romero et al.,2008b). O último modelo de EDM pretendeu, através da aplicação de técnicas de EDM, prever o fracasso e abandono escolar. Para tal, procura identificar quais os fatores, tanto pessoais como académicos, que influenciam o fracasso dos alunos. Neste modelo a metodologia é semelhante aos apresentados anteriormente, porém no pré-processamento dos dados, além da limpeza dos dados - data cleaning, a transformação de variáveis e partição dos dados - data partitioning, foram aplicadas técnicas como a seleção de atributos e balanceamento dos dados. Neste modelo é proposta a aplicação de diferentes técnicas de DM uma vez que este é um problema complexo e de grandes dimensões. No processo de DM foram utilizados cinco algoritmos de indução de regras (JRip, NNge, OneR, Prism e Ridor) e cinco de DT (J48, C4.5, SimpleCart, ADTree e RandomTree). As DM e algoritmos de indução de regras são bastante utilizadas por serem técnicas de classificação que fornecem uma explicação para o resultado da classificação e pode ser utilizado diretamente para a tomada de decisões. Para além disso, uma das vantagens das DT é que podem ser diretamente transformadas num conjunto de regras if-then, que é uma das formas mais populares de representação de conhecimento devido à sua simplicidade e compreensibilidade. Desta forma, um utilizador mesmo que não seja experiente na área de DM, pode utilizar diretamente a saída obtida por estes algoritmos para detetar estudantes com problemas (Márquez-Vera et al., 2013a). 3.4 ANÁLISE COMPAR ATIVA Todos os seis modelos estudados tinham como objetivo prever o desempenho dos alunos. Para tal, foram aplicadas técnicas de DM, como foi o caso do modelo para classificação dos alunos, e métodos de EDM nos restantes. Estes diferem na medida em que analisam diferentes fatores que podem afetar o desempenho e também são aplicadas diferentes metodologias, desde as etapas do pré-processamento, bem como os algoritmos testados, tal como podemos verificar na Tabela 2. O primeiro modelo em estudo, de análise de aprendizagem, aparenta ser o menos apropriado para o caso em estudo uma vez que apenas tem em consideração comentários. Os modelos de previsão do desempenho e de previsão do fracasso e abandono escolar, apresentam uma grande variedade de variáveis em análise, englobando fatores extracurriculares e sociais, enquanto os restantes têm um maior foco no percurso escolar dos alunos, apresentando assim mais semelhanças com o problema a 3.4. Análise Comparativa 22 solucionar. Os modelos tiveram por base as etapas constituintes do processo de DM (Figura 10), sendo depois adaptados. A maior parte dos modelos estudados tinha em comum a aplicação de diferentes algoritmos de DT e de indução de regras, contudo em todos foram aplicados diversos algoritmos de classificação diferentes com o intuito de analisar os resultados obtidos e selecionar o melhor selecionador. Análise aprendizagem Análise desempenho Previsão desempenho Classificação de alunos Sistemas de aprendizagem Previsão fracasso/ abandono escolar Previsão Sim Sim Sim Sim Sim Sim EDM Sim Sim Sim Não Sim Sim Variáveis 1 8 36 11 13 77 Etapas 5 7 3 3 4 4 Algoritmos 1 1 3 5 9 10 Tabela 2: Análise comparativa dos modelos estudados 4 UM SISTEMA PARA A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO 4.1 CARACTERIZAÇÃO DO MODELO DE AVALIAÇ ÃO ODM é um processo criativo que requer uma série de diferentes competências e conhecimento. Contudo, atualmente, não existe uma framework standard para a realização destes projetos. É necessário o desenvolvimento de uma abordagem padrão que ajude a traduzir problemas empresariais em tarefas de mineração de dados, ou seja, que sugira transformações de dados apropriadas e técnicas. OCRoss Industry Standard Process for Data Mining (CRISP-DM) (Wirth,2000) aborda parte destes problemas uma vez que este define um modelo do processo de modo a fornecer uma framework para a realização de projetos de DM que seja independente tanto do sector industrial como da tecnologia utilizada. O modelo genérico do processo é útil para o planeamento, comunicação dentro e fora da equipa do projeto e documentação. Para além disso, fornece uma excelente base para o desenvolvimento de um modelo de processo especializado constituído por vários passos descritos ao pormenor e indica conselhos práticos para todas estas etapas. Desta forma, o processo torna os grandes projetos de DM menos dispendiosos, mais fiáveis, repetíveis, fáceis de gerir e mais rápidos. O ciclo de vida da DM é decomposto em seis fases: compreensão do negócio, entendimento de dados, preparação de dados, modelação, avaliação e implementação. Na Figura 11 é apresentada a sequência das várias fases, que não é rigorosa. As setas neste caso indicam as dependências mais importantes e frequentes entre fases e o círculo exterior simboliza a natureza cíclica do processo de DM. A extração de dados não termina assim que uma solução é encontrada e implementada uma vez que são aprendidas lições durante o processo de implementação da solução que podem desencadear novas questões empresariais. 23 4.1. Caracterização do Modelo de Avaliação 24 Figura 11: Modelo CRISP-DM – figura adaptada de (Wirth,2000) A primeira fase da metodologia CRISP-DM é a compreensão do negócio - business understanding - que se centra na compreensão dos objetivos e requisitos do projeto, seguida da conversão deste conhecimento numa definição detalhada do problema de DM bem como num plano preliminar para alcançar os objetivos. De seguida, a fase de compreensão de dados - data understanding começa com a recolha inicial de dados e prossegue com a análise dos mesmos para que haja uma familiarização com os dados e identificar eventuais problemas de qualidade. A fase de preparação de dados - data preparation - abrange todas as etapas de limpeza e transformação para construir o conjunto de dados final a partir dos dados em bruto iniciais, desde a limpeza dos dados - data cleaning até à redução dos mesmos - data reduction. Em seguida, na fase de modelação - modeling - são selecionadas e aplicadas diversas técnicas e analisados os parâmetros de modo a obter os valores ótimos. Esta etapa pode ser executada várias vezes, sendo até possível voltar a etapas anteriores para ajustar os dados de acordo com os requisitos da técnica a ser utilizada. Existem diversos algoritmos sendo que para este caso foram selecionados três diferentes para serem treinados, validados e testados. Os modelos selecionados foram as DT,Random Forest (RF) e Support Vector Machines (SVM). Esta escolha teve por base a sua reputação na literatura recentemente publicada (Capítulo 3) sobre DM e a sua superioridade em problemas deste tipo de previsão. Na avaliação do projeto - evaluation - estão já construídos os modelos com alta qualidade, da perspetiva da análise dos dados. No final desta fase, deve ser tomada uma decisão sobre a utilização dos resultados da prospeção dos dados sendo feita uma análise dos modelos através da accuracy e da matriz de correlação. Na fase final, que é a implementação – deployment - os conhecimentos adquiridos terão de ser organizados e apresentados de forma que o cliente possa utilizá-los (Wirth,2000). 4.2. Angariação e Pré-processamento de Dados 25 Esta foi a metodologia aplicada no desenvolvimento desta dissertação ao longo de todas as fases, desde o conhecimento da área até à modelação e análise dos resultados. 4.2 ANGARIAÇÃO E PRÉ-PROCESSAMENTO DE DADOS Os dados colecionados são compostos pela avaliação obtida por vários estudantes num determinado período de tempo em quizzes, que abrangem todas as matérias selecionadas e avaliadas estando as questões agrupadas por domínios e subdomínios. Os alunos ao longo do ano letivo estudam de forma regular e são realizadas avaliações de forma contínua, pelo que a análise das questões e respostas permite analisar e avaliar o desempenho dos estudantes. No problema em questão foram analisados os dados por aluno, domínio e subdomínio das questões. Para a aplicação de técnicas de classificação e previsão é necessário o pré-processamento de dados. Nesta fase é feita uma análise cuidadosa das variáveis e dos valores correspondentes para eliminar quaisquer anomalias e garantir a qualidade e confiabilidade das informações disponíveis. O pré-processamento é constituído por 4 etapas distintas: limpeza de dados (data cleaning), integração dos dados (data integration), transformação (data transformation) e redução de dados (data reduction). O processo de limpeza de dados é caracterizado pelo processamento de valores em falta - missing values, dados ruidosos - noisy data e dados inconsistentes - inconsistent data. Os dados reais podem ser incompletos, com a existência de dados ausentes, ruidosos, se existirem erros aleatórios ou valores discrepantes ou inconsistentes. Os dados que compõe o dataset em questão são obtidos através de uma aplicação que gere as avaliações dos alunos, ou seja, que gere todo o processo de registo dos dados pelo que não permite a existência destes problemas nos dados brutos. A integração dos dados é o processo de combinar dados derivados de várias fontes de dados num único conjunto de dados consistente sendo que há uma série de questões a serem consideradas durante a integração de dados. Contudo, os dados que são analisados são obtidos de uma única base de dados que armazena os registos obtidos de uma dada aplicação de gestão de avaliações pelo que segue padrões pré-definidos (Ahmed Mueen e Manzoor,2016). O objetivo da transformação dos dados é transformar os valores dos dados num determinado formato, escala ou unidade que seja mais adequado para análise, através de processos como a normalização, agregação ou generalização. Nesta etapa foi necessário codificar as variáveis categóricas em valores numéricos utilizando técnicas de codificação. Nos dados em estudo duas das variáveis são categóricas nominais, o tipo e subdomínio das questões, bem como uma variável categórica ordinal, o tipo da questão. As restantes variáveis são numéricas. Variáveis categóricas são variáveis que contêm etiquetas - labels em vez de valores numéricos. Existem dois tipos principais de variáveis categóricas: as nominais, que são variáveis que não estão relacionadas entre si em qualquer ordem, e ordinais, que são variáveis onde existe uma certa ordem entre elas. Existem várias as técnicas de codificação (Potdar et al.,2017), sendo que a Label Encoding (scikit learn,2022c) é uma das soluções mais simples e comuns para transformar variáveis categóricas. Contudo, o One-Hot Encoding (scikit learn,2022d) é a maneira mais comum e correta de lidar com dados categóricos não ordinais. Esta técnica 4.3. Classificação de Desempenho 26 compara cada nível da variável categórica com um nível de referência fixo e transforma uma única variável com n observações e d valores distintos em d variáveis binárias com n observações cada uma. Cada observação indica a presença, com o valor 1, ou ausência, com o valor 0, da variável binária (Potdar et al.,2017). Também foi necessário fazer encoding da variável temporal, neste caso como se pretende preservar a natureza cíclica das suas entradas a abordagem foi decompor em outras variáveis com as características como o dia, mês, ano e dia da semana. Após a transformação dos dados foi realizada a seleção de características - feature selection com o intuito de identificar os atributos que têm maior impacto no problema em questão. Embora o número de variáveis em estudo não seja elevado, algumas não estão relacionadas com o desempenho do aluno. A feature selection (Dash e Liu,1997) é o processo em que são selecionados, automaticamente ou manualmente, os recursos que mais contribuem para a variável de previsão ou saída. Neste caso foi aplicado tanto a feature selection manual como a automática recorrendo à Matriz de Correlação. A correlação indica como os recursos estão relacionados entre si ou com a variável de saída. Como resultado da feature selection, na Tabela 3são apresentadas as variáveis selecionadas. No problema em questão a análise realizada foi por domínio, subdomínio e aluno pelo que as variáveis em estudo diferem de acordo com a análise pretendida. Sendo assim, na análise por domínio e aluno todas as variáveis em análise são as indicadas. Porém, na análise por subdomínio esta mesma variável não estará em análise. Variável Descrição question.answering_time Tempo de resposta da questão question.subdomain Subdomínio da questão question.difficulty_level Dificuldade da questão question.type Tipo da questão timetag.day Dia da resposta timetag.month Mês da resposta timetag.year Ano da resposta timetag.weekday Dia da semana Tabela 3: Resultado da feature selection A análise complexa em grandes conjuntos de dados pode levar muito tempo ou mesmo ser inviável por isso a etapa final do pré-processamento dos dados é data reduction, ou seja, o processo de redução dos dados por meio de uma representação mais eficaz do conjunto de dados sem comprometer a integridade do dataset original. No caso que temos em mãos não foi necessário ser aplicado. 4.3 CLASSIFICAÇÃO DE DESEMPENHO Num processo de classificação é constituído por duas partes, o treino e o teste. Os dados de teste – test set são utilizados para estimar a exatidão das regras de classificação. No treino, o modelo é construído utilizando parte dos dados conhecidos como conjunto de treino - training set, que conhecem todos os atributos, incluindo 4.3. Classificação de Desempenho 27 as classes. Após a construção de um modelo, este é utilizado para definir uma etiqueta ou classe para um novo registo onde o atributo da classe é desconhecido (Ahmed Mueen e Manzoor,2016). Foi utilizado um conjunto de dados para teste e treino dos modelos, utilizando a técnica train-test split, com divisão aleatória do mesmo: 70% das respostas foram utilizadas para treino e 30% para teste da qualidade dos modelos. Todos os modelos desenvolvidos utilizaram os mesmos dados de treino e de teste. O objetivo dos algoritmos de classificação é gerar resultados corretos e precisos. Existem numerosos métodos para a criação de conjuntos de classificadores, como DT,NN,Naïve Bayes eSVM. Foram selecionadas três técnicas de classificação com base na sua reputação na literatura recentemente publicada sobre mineração de dados e a sua superioridade em problemas deste tipo de previsão para analisar o problema em estudo. ADT é um algoritmo de aprendizagem de máquina supervisionado de suporte à tomada de decisão cuja estrutura é em forma de árvore, representando conjuntos de decisões que por sua vez geram regras para a classificação de um conjunto de dados (Ahmed Mueen e Manzoor,2016). Esta é uma técnica utilizada para classificação e também previsão de conjuntos de dados. A aprendizagem recorrendo a árvores de decisão é um método muito utilizado e poderoso na prospeção de dados. O objetivo é criar um modelo que preveja o valor de uma variável alvo com base em várias variáveis de entrada. Cada nodo interior da árvore corresponde a uma das variáveis de entrada e cada folha representa um valor da variável alvo dado os valores das variáveis de entrada representados pelo caminho desde a raiz até à folha (Kesavaraj e Sukumaran,2013). Basicamente, como podemos ver na Figura 12, o conhecimento é representado numa DT por: •Nó raiz: Nó raiz, que é o nó que executa a primeira divisão, que pode ser em dois ou mais sub-nós. Um sub-nó que se divide em outros sub-nós, denomina-se por nó de decisão. Quando removemos subnós de um nó de decisão, esse processo é chamado de poda - pruning. Com o método de pruning, os nós desnecessários da árvore de decisão podem ser removidos, para que se obtenham resultados mais refinados e se reduzam os erros. •Nós folhas/terminal: Nó folha/terminal que são os nós que preveem o resultado. Quando o nó é dividido em sub-nós, este é chamado de nó pai e os sub-nós de nós filhos. •Ramos: Ramos, que ligam os nós entre si e revelam o fluxo da resposta. Por isso, o nó raiz é o ponto de partida da árvore e os nós folha/terminal contêm as perguntas ou critérios que desejamos obter resposta (da Rocha e de Sousa Junior,2010). 4.3. Classificação de Desempenho 28 Figura 12: Estrutura de uma DT As DT caracterizam-se pelos resultados derivados serem fáceis de interpretar e de compreender e, para além disso, em relação a outros métodos, não requerem um grande pré-processamento dos dados. Contudo, são mais propensas a sobreajuste – overfitting -, ou seja, ajustam-se muito bem ao conjunto de dados, mas mostram-se ineficazes para prever novos resultados. Este problema pode ser atenuado com a definição de uma profundidade máxima. Porém, isso pode introduzir um enviesamento e, portanto, comprometer a precisão dos resultados. As DT são muito sensíveis em relação aos atributos relevantes no conjunto de dados. Uma pequena alteração no dataset pode causar grandes alterações na estrutura da árvore. Além disso, tornam difícil a partição de atributos com dados contínuos, pelo que não são adequadas para conjuntos de dados com este tipo de atributos . As RF são um algoritmo de aprendizagem supervisionada que cultiva muitas árvores de classificação. Na prática, produz uma coleção de árvores de decisão. Esta é uma técnica utilizada tanto em processo de classificação como em processo de regressão de conjuntos de dados. A principal diferença entre o algoritmo das DT e das RF é que o estabelecimento de nós de raiz e de nós de segregação, neste último, é feito de forma aleatória. Esta aleatoriedade provém do método Bagging que envolve a utilização de diferentes amostras de dados em vez de apenas uma amostra. As DT produzem resultados diferentes, dependendo dos dados de treino, que são posteriormente classificados e o mais elevado é selecionado como resultado final (Kha,2020). Observando a Figura 13 verificamos que as RF dependem de várias RF e cada uma consiste em nós de decisão, nós de folha, e um nó de raiz. Os nós de folha de cada árvore são o resultado final produzido por essa DT específica. Neste simples classificador de árvores aleatórias, os nodos azuis são a previsão e a seleção da produção final, que segue o sistema de votação maioritária. O resultado escolhido pela maioria das DT torna-se o resultado final do sistema de floresta tropical. 4.3. Classificação de Desempenho 29 Figura 13: Estrutura de uma RF As RF destacam-se pelo aumento da precisão e redução do problema de overfitting dos dados. Para além disso, o desempenho dos testes não diminui com o aumento do número de árvores, que é uma vantagem tendo em conta que a construção de inúmeros modelos de DT gera resultados mais exatos. Porém, este algoritmo utiliza mais recursos e consome mais tempo do que as DT, devido à sua aleatoriedade (Kha,2020). As SVM são modelos de aprendizagem supervisionados com algoritmos de aprendizagem associados, que analisam dados e reconhecem padrões. Como podemos constatar na Figura 14, a SVM básica toma um conjunto de dados de entrada e prevê, para cada uma das entradas, qual das duas classes forma a saída, tornandoa num classificador linear binário não-probabilístico. Os modelos SVM têm formas funcionais semelhantes a NN e funções de base radial, que são técnicas de DM populares. As SVM é um algoritmo de treino para a classificação da aprendizagem e regras de regressão, contudo a qualidade da generalização e facilidade de treino deste modelo está muito para além das capacidades dos mais tradicionais (Cortes e Vapnik,1995). Figura 14: Processo do classificador SVM 4.3. Classificação de Desempenho 30 Uma SVM generaliza muito bem as novas amostras quando os parâmetros são sabiamente escolhidos, sendo altamente eficaz mesmo com dados de alta dimensão, permitindo por vezes obter soluções únicas. Todavia, o resultado da SVM é dificilmente interpretável e conforme o tamanho do conjunto de dados em estudo vai aumentando o tempo necessário para fazer os cálculos associados cresce rapidamente e a interpretabilidade diminui (Karamizadeh et al.,2014). Os três modelos escolhidos para aplicar no problema em questão foram as DT, as RF e as SVM, os resultados bem como as conclusões são apresentadas no Capítulo 5. Dado que o objetivo é encontrar um modelo com um desempenho elevado ou que a taxa de erro seja menor, recorremos à otimização dos híper parâmetros - Hyperparameter Optimization (HPO) ou tuning que é o processo de afinação dos parâmetros enquanto construímos modelos de aprendizagem . Este processo apresenta vários casos de utilização importante, nomeadamente: • Reduzir o esforço humano necessário para aplicar a aprendizagem mecânica; • Melhorar o desempenho dos algoritmos de aprendizagem de máquinas; • Melhorar a reprodutibilidade e a equidade dos estudos científicos (Bergstra e Bengio,2012). Existem, principalmente, dois tipos de métodos de otimização de HPO, em concreto a pesquisa manual e os métodos de pesquisa automática. A pesquisa manual experimenta os conjuntos de híper parâmetros à mão, pelo que depende da intuição e da experiência do utilizador e à medida que o número de híper parâmetros e a gama de valores aumenta, tornando-se, assim, bastante difícil de gerir (Wu et al.,2019). Para superar os inconvenientes da pesquisa manual, foram propostos algoritmos de pesquisa automática, tais como a pesquisa em grade - grid search. O princípio deste algoritmo é a pesquisa exaustiva no qual há a formação de um modelo de aprendizagem com cada combinação de possíveis valores de híper parâmetros no conjunto de formação e avalia o desempenho de acordo com uma métrica pré-definida. Contudo, a eficiência do algoritmo diminui rapidamente à medida que o número de híper parâmetros é ajustado e a gama de valores dos híper parâmetros aumenta (Wu et al.,2019). Para resolver o problema do custo dispendioso do grid search, foi proposto o algoritmo de pesquisa aleatória - random search, uma vez que, tendo em conta que na maioria dos conjuntos de dados apenas alguns dos híper parâmetros são realmente importantes, reduz a pesquisa a híper parâmetros que não importam, e, finalmente, obtém-se a solução aproximada da função de otimização. Para tal, a pesquisa é aleatória através de combinações aleatórias de uma gama de valores (Wu et al.,2019). 5 ANÁLISE DOS MODELOS IMPLEMENTADOS 5.1 CLASSIFICAÇÃO DO DESEMPENHO Para a análise dos modelos discutidos e implementados foi utilizado um conjunto de dados - dataset constituído por dados sintetizados, gerados com um script em Python que construiu um conjunto de respostas bastante amplo, relativo a um período de 180 dias, tendo cada um dos dias cerca de 50 registos. O dataset final integrou cerca de 340 000 entradas. Cada modelo desenvolvido foi testado e treinado com os dados de acordo com o pretendido, isto porque se pretendia uma análise bastante detalhada, em particular, por aluno, por domínio e por subdomínio de estudo. Foi implementado as DT, inicialmente sem qualquer tipo de otimização, recorrendo à classe DecisionTreeClassifier. Os dados usados para treinar e testar o modelo em questão são apenas constituídos por questões de um dado domínio. Na Figura 19 é possível ver a árvore resultante da aplicação do algoritmo de DT ostandard, na qual podemos analisar a impureza Gini (scikit learn,2022a), que é o valor do método de divisão do nó, em que quanto menor seja este valor, maior é a homogeneidade do nó, bem como o número total de amostras, os critérios de classificação e o número de amostras nós à esquerda e à direita do nó em questão. No início obtivemos 7000 amostras todas elas misturadas. Contudo, o valor da impuzera de Gini já está próximo de zero, o valor já é relativamente baixo por isso já existem dados que estão bem separados. Escolhendo um dia menor que 19.5 passamos a ter um valor de impureza um pouco mais baixo, tendo já apenas 263 amostras. Neste caso foi verificado o valor do subdomínio, que tal como foi indicado em secções anteriores foi utilizado o método One Hot Encoding para processar estas variáveis categóricas pelo que se o valor do subdomínio for “Introdução aos Sistemas NoSQL” será 1 ou será 0 caso seja outro subdomínio. Desta forma, ao escolher um subdomínio “Introdução aos Sistemas NoSQL”, a condição é falsa e passamos a ter um valor de Gini bastante mais inferior e apenas 19 amostras, contudo se escolhermos um subdomínio que não seja este o valor aumenta um pouco e o número de amostras mantem-se elevado, 244. Esta análise pode ser assim feita ao longo de toda a árvore. 37 5.1. Classificação do Desempenho 38 Figura 19: Resultado obtido: Árvore resultante da aplicação do modelo DT Como se pode ver na Tabela 5aaccuracy obtida no treino foi de 77.3% e no teste de 56.0%, pelo que o modelo de base não é muito bom, uma vez que os valores obtidos são relativamente baixos. Desta forma, apesar de o modelo ter uma aprendizagem melhor com os dados de treino do que generalizar sobre novos dados (dados de teste), apresenta alguma dificuldade em generalizar. Contudo, não estamos perante um caso de overfitting nem underfitting. Este problema pode estar associado à própria natureza dos dados e dos parâmetros utilizados no algoritmo, que neste caso foram os standards. Por isso, recorreu-se aos métodos grid search e random search com CV para tentar melhorar o desempenho do nosso modelo. Primeiro foi aplicado o grid search, com o objetivo de testar as várias combinações possíveis dos híper parâmetros, selecionando aqueles que obtiveram menor erro. Os parâmetros selecionados permitiram definir valores como a profundidade máxima da árvore de 12 ou o número mínimo de amostras de cada folha e para fazer corte ser 4 e 10, respetivamente. A aplicação deste algoritmo afetou os resultados obtidos, tendo a accuracy do treino diminuído para 59% e 50% de teste. De seguida foi aplicado o random search com os mesmos híper parâmetros em análise. Como já era espectável neste caso, os valores ótimos mudaram. Por exemplo, a profundidade máxima da árvore foi agora de 18 e o número mínimo de observações de cada folha foi de 2. Com a aplicação deste algoritmo os valores da accuracy mantiveram-se semelhantes aos obtidos anteriormente, sendo 58% no treino e no teste 50%. O tempo de execução deste algoritmo foi muito menor do que o anterior, o grid search. De seguida foi analisado o mesmo modelo com os dados explorados por subdomínio de conhecimento. Neste caso utilizámos o subdomínio “Álgebra Relacional” no processo de análise. Foi analisado o modelo base e também o modelo com a otimização dos híper parâmetros. Os resultados obtidos foram muito semelhantes aos obtidos anteriormente, tal como podemos observar na Tabela 5. Por último, foram analisados os dados por aluno, tendo-se selecionado, a título de exemplo, o aluno ‘u001 - Ana Castro e Cunha’. Neste caso a accuracy do treino obtida no modelo base foi muito elevada 96% e a de teste 5.1. Classificação do Desempenho 39 manteve-se semelhante, o que nos permite observar um caso de overfitting no qual o modelo tem dificuldade em generalizar. Através da aplicação dos algoritmos grid search e do random search tornou-se possível melhorar a performance do algoritmo de DT aplicado anteriormente, não se tendo verificado overfitting. Em análise Modelo Precison Recall Accuracy treino Accuracy teste Domínio DT 0.51 0.60 0.773 0.56 DT Grid Search 0.51 0.55 0.59 0.50 DT Random Search 0.50 0.61 0.58 0.50 Subdomínio DT 0.52 0.60 0.77 0.51 DT Grid Search 0.51 0.71 0.51 0.50 DT Random Search 0.52 0.58 0.52 0.57 Aluno DT 0.54 0.53 0.96 0.52 DT Grid Search 0.51 0.58 0.69 0.53 DT Random Search 0.50 0.51 0.62 0.53 Tabela 5: Síntese dos resultados obtidos com o modelo DT Analisando os dados obtidos na fase de treino e de teste, apresentados na Tabela 5, o modelo DT apresenta resultados abaixo do esperado com uma accuracy de treino a rondar os 70% e uma accuracy de teste de apenas 50%. Para além disso, a otimização dos híper parâmetros com CV habitualmente permite obter melhores resultados pelo que era expectável uma melhoria da accuracy, o que não se verificou. Existem diversas justificações para a obtenção de resultados como estes, contudo tendo em conta que o processo de implementação decorreu de forma normal e o processo adotado foi o correto, a justificação mais plausível para este caso em específico será uma limitação dos dados ou então do modelo em análise. Foram implementados e analisados outros modelos de modo a comparar os resultados obtidos e, desta forma, perceber o modelo mais adequado para o caso em estudo. O modelo analisado posteriormente foi as RF, primeiro o modelo base através da classe RandomForestClassifier com os parâmetros standard. Também foi feita a análise dos resultados por domínio, subdomínio e aluno uma vez que pretendemos que o modelo fosse adequado para os requisitos inicialmente definidos. Na Figura 20 podemos ver a DT resultante do primeiro estimador do modelo RF. A análise desta árvore difere da obtida no modelo anterior na Figura 19 porque o número de amostras é bastante menor uma vez que este modelo é a combinação de várias DT. 5.1. Classificação do Desempenho 40 Figura 20: Resultado obtido: Árvore resultante da aplicação do modelo RF - 1º estimador Na Tabela 6, podemos observar que o modelo RF sem qualquer tipo de otimização se comportou de forma semelhante ao modelo DT analisado anteriormente, como tal voltou-se a aplicar o grid search para otimizar os híper parâmetros. Pela análise dos resultados obtidos (Tabela 6) verificou-se um aumento da performance em relação ao modelo DT, tanto na análise por domínio como por aluno. Além disso, deixou também de existir overfitting neste último caso. Por fim, foi ainda aplicado o random search. Verificámos que a performance melhorou em todos os casos e que o tempo de execução do random search foi bastante inferior. Em análise Modelo Precison Recall Accuracy treino Accuracy teste Domínio RF 0.51 0.50 0.72 0.50 RF Grid Search 0.51 0.55 0.58 0.50 RF Random Search 0.50 0.55 0.65 0.50 Subdomínio RF 0.49 0.51 0.76 0.50 RF Grid Search 0.51 0.54 0.59 0.50 RF Random Search 0.51 0.57 0.67 0.51 Aluno RF 0.52 0.49 0.95 0.52 RF Grid Search 0.48 0.68 0.58 0.51 RF Random Search 0.51 0.50 0.74 0.5 Tabela 6: Síntese das métricas obtidas com o modelo RF Analisando os dados obtidos na fase de treino e de teste, apresentados na Tabela 6, o modelo RF também apresenta resultados abaixo do esperado com uma accuracy de treino a rondar os 75% e uma accuracy de teste de apenas 50%. Neste modelo mesmo com a otimização dos híper parâmetros o comportamento foi semelhante ao obtido no modelo DT analisado anteriormente. O último modelo que foi treinado e testado foram as SVM tanto o modelo base como com a otimização dos híper parâmetros. Os resultados obtidos foram bastante baixos relativamente aos obtidos nos modelos anteriores, com uma accuracy de treino e teste a rondar os 50%, como podemos observar Tabela 6. 5.2. Previsão 41 Em análise Modelo Precison Recall Accuracy treino Accuracy teste Domínio SVM 0.51 0.42 0.51 0.49 SVM Grid Search 0.49 0.57 0.60 0.50 SVM Random Search 0.47 0.53 0.60 0.50 Subdomínio SVM 0.49 0.48 0.53 0.50 SVM Grid Search 0.51 0.48 0.62 0.50 SVM Random Search 0.49 0.50 0.51 0.50 Aluno SVM 0.49 0.51 0.52 0.50 SVM Grid Search 0.50 0.55 0.53 0.50 SVM Random Search 0.49 0.51 0.54 0.51 Tabela 7: Síntese dos resultados obtidos com o modelo SVM Terminada a análise de todos os modelos, verificámos que nenhum deles apresentou uma performance relativamente boa, uma vez que a accuracy de treino rondou os 60/70% e a de teste manteve-se apenas pelos 50%, mesmo tendo-se feito a otimização dos híper parâmetros e com a utilização de CV. Contudo, foram resolvidos alguns problemas de overfitting nos modelos DT eRF. Tendo sido feita uma análise de três modelos diferentes, o que poderemos concluir é que o problema em questão será derivado dos dados em análise, ou seja, a sua natureza e não o modelo em questão. Uma vez que os dados foram gerados de forma aleatória por um script, o modelo conseguiu aprender relativamente bem as relações existentes nos dados de treino, mas apresenta dificuldades a generalizar dado que apresenta dificuldades a encontrar os mesmos padrões nos dados de teste. Desta forma, apesar dos resultados obtidos não terem ido de encontro às expectativas, foi selecionado o modelo RF, uma vez que foi o modelo que apresentou melhores resultados e que se mantiveram estáveis nos vários casos analisados. A otimização selecionada foi com random search uma vez que os resultados obtidos com ambos os métodos de otimização foi semelhante, mas o tempo de execução do grid search é extremamente elevado em comparação com o random search. 5.2 PREVISÃO A análise de uma série temporal pretende, por norma, alcançar dois objetivos: a modelação e a previsão dos valores futuros. O primeiro objetivo consiste em encontrar um modelo que tenha em conta as relações existentes entre as observações, permitindo a descrição da série temporal e o segundo objetivo diz respeito à previsão de valores futuros. A previsão é o processo de fazer previsões sobre o futuro com base em dados do passado e tem um grau de risco e incerteza ligado a ela. A aplicação do modelo selecionado anteriormente, RF, tornou possível analisar qual seria o comportamento do(s) aluno(s) no futuro, tendo em conta os dados que temos até ao momento, ou seja, da série temporal. Esta série temporal que será analisada pode ser definida pelo utilizador, podendo ser de dias, semanas, meses ou até mesmo anos. Desta forma, é agora possível observar o desempenho de um aluno nos 5, 10 ou 15 dias seguintes ao último dia com dados de questões respondidas no quiz. Para cada um dos dias é possível observar 5.2. Previsão 42 a taxa de acerto, ou seja, o número de questões acertadas, tendo em conta o número de respostas que foram dadas. Na Figura 21 podemos analisar o comportamento de um determinado aluno, ou seja, analisar qual foi o desempenho do aluno num determinado período de tempo (19 de novembro a 24 de novembro) bem como o desempenho que é previsto obter nos dias seguintes (5 dias). Apesar da accuracy obtida pelo modelo RF desenvolvido ter sido relativamente baixa (cerca de 75%) verificámos que as previsões obtidas habitualmente mantem a tendência do desempenho que o aluno apresentava recentemente, não sendo verificadas grandes irregularidades. Figura 21: Previsão do desempenho (taxa de acerto) de um aluno São vários os tipos de previsão disponíveis, para além do desempenho de um determinado aluno (Figura 21), é possível obter a previsão do desempenho por domínio e subdomínio. Figura 22: Previsão do desempenho (taxa de acerto) por subdomínio A previsão apresentada anteriormente (Figura 21) é uma previsão do desempenho em geral, mas também foi possível fazer previsões mais específicas como é o caso do desempenho por subdomínios (Figura 22). Analisando as previsões obtidas verificamos que estas habitualmente mantêm-se semelhantes ao longo dos dias, não existindo casos que evidenciem previsões sem sentido. 5.3. Clustering do Desempenho 43 As previsões obtidas foram de encontro aos objetivos definidos inicialmente, uma vez que permitem uma análise clara e explícita do desempenho dos alunos. Os resultados foram bons dado que mantêm a tendência de desempenho obtido pelo aluno ao longo do tempo e não foram encontradas previsões que realçassem grandes problemas no modelo desenvolvido. Contudo, a previsão tem um grau de risco e incerteza associado e o modelo desenvolvido apresenta uma accuracy de apenas de cerca de 75%. 5.3 CLUSTERING DO DESEMPENHO Nesta fase o objetivo é criar grupos homogéneos, identificando os clusters. Para tal nesta dissertação foram implementados dois algoritmos distintos de clustering, o algoritmo k-prototypes, que é uma combinação dos algoritmos k-means ek-modes, e o algoritmo k-means com One Hot encoding. Nas Figura 23 e Figura 24, podemos observar os gráficos obtidos com a aplicação do algoritmo k-prototypes. Como podemos observar existem 3 diferentes clusters. Na Figura 23 temos dois gráficos, com o tempo de resposta e a dificuldade da questão. Existem 3 clusters distintos, o primeiro cluster,cluster 0, é constituído por questões com maior dificuldade (dificuldade 2 a 5) e o tempo de resposta mais baixo a médio. O segundo cluster,cluster 1, o algoritmo agrupou questões com menos dificuldade (dificuldade entre 1 e 4) e um tempo de resposta baixo a elevado. Por fim, o terceiro cluster é constituído por todos os níveis de dificuldade (dificuldade 1 a 5) e o tempo de resposta médio a alto. Desta forma, podemos concluir que o tempo de resposta não está diretamente relacionada a dificuldade das questões. Na Figura 24 estão apresentados gráficos com os subdomínios e tipos das questões. Analisando os resultados obtidos, verificamos que todos os clusters são constituídos por todos os subdomínios e tipos de questões. Normalmente, numa análise dos resultados obtidos no clustering, é fácil e intuitivo identificar os clusters. Porém, neste caso isso não se verificou neste caso, tendo sido difícil tirar conclusões dos resultados obtidos. O dataset em estudo é constituído por dados sintetizados e a geração aleatória dos dados não varia muito o que pode justificar a distribuição dos dados e a dificuldade de agregação dos mesmos. Figura 23: Resultados obtidos: clustering com k-prototypes 5.3. Clustering do Desempenho 44 Figura 24: Resultados obtidos: clustering com k-prototypes De seguida foi aplicado o algoritmo k-means com One Hot Encoding, tendo sido os resultados obtidos os apresentados na Figura 25. Como podemos observar foram obtidos também 3 clusters, tal como no algoritmo apresentado anteriormente. Contudo, neste caso todos os clusters apresentados são constituídos por questões dos vários níveis de dificuldade. No primeiro cluster,cluster 0, as questões são respondidas em tempo médio; no segundo cluster,cluster 1, o tempo é baixo; e no último cluster o tempo de resposta é elevado. Os resultados obtidos nos gráficos do subdomínio e tipo da questão são exatamente iguais aos obtidos pelos algoritmos kprototypes (Figura 24). Com a aplicação deste algoritmo tornou-se ainda mais difícil identificar os clusters do que com o algoritmo anterior e conseguir interpretar os resultados, não sendo possível concluir qualquer tipo de relação entre as variáveis em estudo. 5.3. Clustering do Desempenho 45 Figura 25: Resultados obtidos: clustering com k-means Aqui, esperava-se que os resultados obtidos com os dois algoritmos fossem significativamente diferentes, uma vez que no k-prototypes os atributos categóricos e os numéricos têm o mesmo peso enquanto que o kmeans pesa mais as variáveis categóricas devido ao método de encoding utilizado. Porém, os gráficos obtidos tanto do subdomínio como do tipo das questões, ambas variáveis categóricas, foi igual em ambos os algoritmos. Com nenhum dos métodos utilizados foi possível encontrar uma relação direta entre as variáveis em estudo e identificar facilmente os clusters. Os resultados obtidos evidenciaram problemas no conjunto de dados, utilizado tanto para teste e treino. É percetível através da observação dos gráficos que os dados são sintetizados, tendo sido gerados de forma aleatória. 6 VISUALIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS DE DESEMPENHO 6.1 DA S H B OARDS A visualização de dados permite converter o que é abstrato e complexo em concreto e simples (Park e Jo, 2015). Ferramentas de visualização adequadas, tais como os dashboards, fornecem uma forma útil de visualizar dados e informações, da perspetiva de quem toma decisões (Teasley,2017). O principal objetivo destas ferramentas é que seja possível uma perceção clara da informação, possibilitando identificar novas ligações ou padrões entre os dados, ter uma compreensão mais aprofundada dos dados ou gerar novas maneiras de pensar. Estes painéis de visualização de dados são considerados mais do que uma simples coleção de indicadores e de gráficos, com formas e interfaces ariados, são capazes de fornecerem visualmente os elementos de dados necessários para responder às mais diversas perguntas, de acordo com as dimensões de análise que neles possam estar refletidas (Bolos et al.,2014a). Por norma, os resultados exibidos pelos dashboards refletem a combinação de várias métricas de análise do domínio em questão, revelando tendências, reportando graficamente alarmes ou mesmo grelhas de resultados muito sofisticadas, como as pivot tables. Todos os elementos que um dashboard possa conter (e.g. valores, aspetos gráficos, grelhas ou indicadores de desempenho) podem ser configurados e geridos ao longo do tempo de forma acessível e flexível (Muntean et al.,2010). Os dashboards são um dos casos mais comuns de utilização para visualização de dados, e a sua conceção e contextos de utilização são consideravelmente diferentes das ferramentas de visualização e análise exploratória de dados. Em comparação, os painéis interativos para a visualização de dados reúnem inúmeros desafios, como permitir a leitura de relance, pontos de vista coordenados e rastreamento de dados. Existem duas grandes perspetivas de design diferentes dos dashboards, os visuais em que os dados são estruturados em gráficos simples ou mais complexos, e os funcionais constituídos por um ecrã interativo que permite a monitorização em tempo real de dados atualizados dinamicamente (Sarikaya et al.,2019). O desenho de dashboards não é uma tarefa simples, a maioria falha na comunicação eficiente e eficaz, devido a escolhas não certeiras dos componentes de visualização da informação, detalhe ou precisão excessiva, má codificação de dados quantitativos ou qualitativos, medidas apresentadas de forma errada, entre outros. Para não serem cometidos erros e sejam feitas representações contextualmente adequadas e com uma linguagem 46 6.4. Caracterização e Funcionamento dos Dashboards 53 Figura 29: Dashboard de clustering 7 CONCLUSÕES E TRABALHO FUTURO 7.1 CONCLUSÕES Atualmente, a avaliação do desempenho de alunos é considerada como uma parte integrante do processo de aprendizagem, uma vez que é algo que acontece ao longo da aprendizagem dos alunos. Além disso, professores e investigadores defendem que a capacidade de analisar e prever o desempenho do aluno é extremamente importante em ambientes educacionais. Através desta análise é possível revelar o conhecimento já adquirido pelos alunos e aquilo que ainda possam precisar de aprender ou de melhorar. Através da previsão do desempenho dos seus alunos ao longo do tempo, os professores podem identificar e analisar o processo de ensino e de aprendizagem e, desta forma, desenvolver uma estrutura de aprendizagem melhorada e mais adequada para cada um dos seus alunos. Por este motivo, várias instituições de ensino, tais como as universidades, procuram cada vez mais fornecer ferramentas de avaliação de desempenho que possam ser úteis tanto para os professores como para os seus alunos. Após o estudo de diversos sistemas de gestão de aprendizagem verificou-se que, na generalidade, estes não oferecem soluções de dashboards adequadas para as necessidades dos professores e alunos, uma vez que não permitem monitorizar em tempo real o desempenho dos alunos. Devido a isso, algumas instituições de ensino começaram a investir no desenvolvimento de soluções para a avaliação de desempenho dos seus alunos, suportadas por elementos de análise flexíveis, como painéis de visualização e de monitorização especialmente orientados para esses processos. A aplicação de modelos de DM permite encontrar padrões, relações e anomalias em conjuntos de dados. Assim, é possível identificar, o mais cedo possível, eventuais questões problemáticas nos métodos e nos modelos de ensino ou em alunos que precisem de um acompanhamento especial e, consequentemente, atuar atempadamente na atenuação desse tipo de problemas. Uma possibilidade bastante concreta para o fazer é através de ações de investimento em processos de aprendizagem das instituições de ensino. Esta é uma solução considerada muito promissora para reduzir o fracasso e abandono escolar, existindo atualmente vários estudos nesta área pelo que já foram desenvolvidos vários modelos de avaliação de desempenho. Numa fase inicial deste trabalho de dissertação foram analisados modelos já desenvolvidos com o intuito de perceber quais as melhores metodologias e tecnologias para realizar o processo de construção do sistema de avaliação de desempenho pretendido. Esta dissertação foi elaborada com base na metodologia CRISP-DM, desde a fase de conhecimento da área até à modelação e análise dos resultados. A primeira fase do trabalho envolveu a angariação e o pré54 7.1. Conclusões 55 processamento dos dados, tarefas de extrema importância em qualquer processo de análise de dados. Como tal, esta fase deve ser efetuada de forma ponderada, dadas as suas possíveis consequências, que tanto podem ser boas como más a longo prazo. Um correto pré-processamento permite não só ter um conhecimento absoluto do conjunto de dados como do problema em análise, uma vez que é responsável por efetuar todas as transformações no conjunto de dados, como, por exemplo, a remoção de dados não relevantes, ou a normalização dos dados, entre outros. Nesta fase foi importante fazer a seleção das features relevantes para o problema em questão, bem como o encoding dos atributos categóricos. Após o processamento dos dados foram explorados e implementados vários classificadores, isto porque para qualquer problema de aprendizagem automática é essencial utilizar mais do que um classificador – um classificador não é garantidamente o mais adequado para todos os problemas e dados. No nosso caso, os classificadores utilizados foram DT,RF eSVM. Com o intuito de otimizar os classificadores implementados recorreu-se à hiperparametrização, na qual foram aplicados os algoritmos grid search erandom search com CV. Já no processo de previsão os dados foram classificados de acordo com a previsão de comportamentos futuros ou com valores estimados futuros, pelo que foi feita a previsão do desempenho dos alunos no futuro tendo em conta o histórico. O último algoritmo implementado foi o de clustering. A sua utilização permitiu encontrar agrupamentos naturais nos dados. Desta forma, através da criação de subconjuntos foi feita a separação dos dados potencialmente maliciosos dos dados normais. Das várias técnicas existentes, dada a natureza dos dados, aplicámos duas distintas, nomeadamente o k-prototypes e o k-means. O sistema desenvolvido permite a monitorização do desempenho dos alunos em avaliações de questionários –quizzes –, que são compostos por vários domínios diferentes, que, por usa vez, são constituídos por inúmeros subdomínios. De modo a validar e analisar os modelos desenvolvidos foi utilizado um conjunto de dados constituído por dados sintetizados, gerados com um script que constituiu um conjunto de respostas bastante amplo, relativo a um período de 180 dias, tendo cada um dos dias cerca de 50 registos, contando com cerca de 340 000 entradas. Cada modelo desenvolvido foi testado e treinado com os dados de acordo com o pretendido, isto porque se pretendia uma análise bastante detalhada, em particular, por aluno, por domínio e por subdomínio de estudo. Todos os modelos base que foram desenvolvidos não apresentaram um bom desempenho. Tanto as DT como as RF obtiveram uma accuracy de treino de 60%/70% e de teste 50%. No caso das SVM aaccuracy, tanto de treino como de teste, não passou dos 50%. A accuracy de treino variou um pouco dependendo do modelo implementado e das otimizações feitas. Contudo, os resultados obtidos não foram os esperados, uma vez que mesmo com otimização dos hiperparâmetros, com CV, não se verificou uma melhoria significativa do desempenho. Em alguns casos, piorou mesmo com uma descida da accuracy de treino em cerca de 10% não se verificando qualquer alteração na accuracy de teste. A natureza do conjunto de dados em análise, que foi gerado com métodos aleatórios, pode ter um grande impacto nos resultados obtidos uma vez que os dados não são de uma situação real. Desta forma, a qualidade destes dados, mesmo após o tratamento dos dados na fase do pré-processamento, terá comprometido os resultados dado que dificultou o treino e a generalização dos modelos. Este problema tornou-se evidente com os resultados obtidos no clustering, tanto com o método k-prototypes como com o k-means, uma vez que não foi possível encontrar uma relação direta entre as variáveis em estudo e identificar facilmente os clusters. Através da análise dos resultados obtidos foi percetível a natu- 7.2. Trabalho Futuro 56 reza dos dados, que o conjunto de dados analisados eram sintetizados. Foi difícil tirar conclusões dos clusters obtidos, apenas tendo sido notória uma relação entre o tempo de resposta e a dificuldade da questão. Após a modelação e implementação conceptual do sistema passou-se à implementação do sistema de dashboards adaptativos para apoiar e monitorizar o desempenho dos estudantes. Esta aplicação pretende auxiliar na tomada de decisões construtivas, informadas e conscientes, que permitam aos professores e alunos executar as tarefas de forma mais eficiente de modo a evitar e/ou reduzir o fracasso escolar. De modo permitir a monitorização dos alunos ao longo do tempo e auxiliar na análise e tomada de decisão recorremos aos dashboards. Para o desenvolvimento destes painéis de visualização utilizámos modelos, componentes e técnicas de visualização de dados que seguiram a literacia e padrões existentes. Foram implementados três dashboards para apresentar os resultados obtidos em fases anteriores, um para a classificação, previsão e clustering. O utilizador pode escolher o período que pretende analisar e o tipo de análise, que pode ser por domínio, subdomínio e aluno. Através destes painéis de visualização é possível observar padrões e sequências, sendo inferidas tendências no desempenho dos alunos. Assim, foram desenvolvidos dashboards que exibem os resultados obtidos pelos alunos e as previsões de desempenhos, mas também dashboards que permitem analisar o conjunto de dados em questão, através da observação e análise dos modelos de classificação e de clustering. Por fim, refira-se que, nesta dissertação, pudemos verificar que as técnicas de DM em conjunto com os dashboards adaptativos ajudam a melhorar o ensino através da monitorização em tempo real do desempenho dos alunos. É, assim, possível analisar as perspetivas de sucesso e insucesso que um estudante tem, minimizando o risco de abandono escolar. 7.2 TRABALHO FUTURO Os resultados obtidos pelos modelos implementados ficaram aquém das expectativas devido aos dados utilizados para teste e treino terem sido sintetizados, pelo que existem melhorias que podem levar à obtenção de resultados mais reais. Um dos próximos passos será integrar o sistema de avaliação de desempenho numa plataforma específica de avaliação de estudantes. Desta forma, seria possível analisar o comportamento do sistema desenvolvido com dados reais e verificar a sua performance. Será necessário também adaptar o design dos dashboards à plataforma de avaliação em questão. Apesar de terem sido desenvolvidos vários modelos nesta dissertação, muitos outros podiam ser também concebidos e implementados. São várias as hipóteses de modelos a serem implementados futuramente. Contudo, um potencial candidato poderia ser as Recurrent Neural Network (RNN), do tipo Long Short-term Memory (LSTM), porque apresentam uma potencial de melhoria dos resultados dado que estas são utilizadas em modelos de previsão de séries cronológicas, permitindo prever valores futuros tendo por base dados anteriores sequenciais. Contudo, a utilização de NN não é garantidamente melhor do que os métodos de aprendizagem mais tradicionais, porque existem vários fatores que podem influenciar negativamente a capacidade de aprendizagem de modelos desse tipo como a dimensão e qualidade do conjunto de dados. O desenvolvimento destes modelos seria interessante para efeitos comparativos. 7.2. Trabalho Futuro 57 Nos dashboards atuais é permitido ao utilizador configurar algumas opções, como o tipo de dashboard que pretende analisar e filtrar os dados por domínio e subdomínio, bem como por aluno. Outra melhoria seria permitir uma maior configuração nos dashboard, como permitir a configuração do modelo desenvolvido por parte do utilizador, dando a possibilidade de alterar valores como os híper parâmetros por exemplo. Estas são algumas das possíveis linhas de trabalho que se poderiam adotar e desenvolver no futuro para melhorar a solução implementada. BIBLIOGRAFIA License to evaluate: Preparing learning analytics dashboards for educational practice. 2018. ISBN 9781450364003. doi: 10.1145/3170358.3170421. A comparative study on decision tree and random forest using konstanz information miner (knime). International Journal of Advanced Science and Technology, 29:2365–2376, 4 2020. ISSN 22076360. Bassam Zafar Ahmed Mueen e Umar Manzoor. 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