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Conference Proceedings 7TH INTERNATIONAL CONFERENCE ON CHILDHOOD AND ADOLESCENCE
ÉVORA & ONLINE January, 25-27, 2023 Title: Conference Proceedings - International Conference on Childhood and Adolescence (Org.) Organisation: International Conference on Childhood and Adolescence (org.) eventQualia unipessoal Lda Secção de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPS-SPP) Sociedade Portuguesa para o Estudo da Criança Abusada e Negligenciada (SpeCan) Editor: eventQualia Type: Electronic publication Published: January, 2024. ISBN: 978-989-53545-6-6 All the content of this publication, except where identified, is licensed under a Creative Commons Licence. The written expression and content of the texts is the sole responsibility of the respective authors.
Index About ICCA ________________________________________________________________________________________1 Papers _____________________________________________________________________________________________3 Era uma vez… Perspetivas de Jovens Adultos sobre a sua Infância e Adolescência em Contextos de Monoparentalidade .............................4 Caraterização do perfil linguístico de crianças em modalidade de Acolhimento Residencial na Região Norte ..............................................13 Exposição e Prevenção de Resposta – Terapia Comportamental na Síndrome Gilles de la Tourette ...............................................................17 Perturbação Obsessivo-compulsiva e Perturbação de Tiques – uma fronteira ténue, a propósito de um caso clínico .....................................21 Crianças e bem-estar online: Sharenting de pais comuns e influenciadores no Instagram ...............................................................................27 Retrato da consulta de desenvolvimento de um hospital de nível II .................................................................................................................41 A utilização da internet durante a pandemia COVID-19 nos jovens ................................................................................................................47 Cuidar na diversidade em neonatologia ............................................................................................................................................................57 O lugar da excitação em identidade(s) em (co)construção ...............................................................................................................................60 O impacto da pandemia COVID-19 na saúde mental das famílias dos adolescentes .......................................................................................72 Intervenção, PLEASE! ......................................................................................................................................................................................82 Perturbação Bipolar na adolescência - Case report ...........................................................................................................................................91 Somatic Long COVID? - A Pediatric Case .......................................................................................................................................................96 O programa SMSjovens: avaliação preliminar da aceitabilidade de uma intervenção preventiva universal para adolescentes ......................99 Crianças e jovens vítimas de abuso sexual: Acompanhamento em Consulta de Psicologia do NHACJR de um hospital da área da Grande Lisboa ..............................................................................................................................................................................................................108 Experience of Smartphone Addiction among Adolescents during COVID 19 in Kerala ...............................................................................117 Abstracts _________________________________________________________________________________________128 As tecnologias assistiva como apoio pedagógico e acessibilidade para além da sala de recursos multifuncionais .......................................129 Aplicativo INTER TEA no apoio a formação de professores para o ensino de Estudantes Com Perturbação Do Espectro Autista - PEA ...129 Formação de professor para o ensino e inclusão do estudante com TEA .......................................................................................................129 Estimulação psicomotora com atividades aquáticas em crianças com transtorno do espectro autista ...........................................................130 Borboletas, casulos e outros desafios na promoção da saúde mental dos adolescentes: O programa Sucesso Mente e Saúde (SMS) para educadores .......................................................................................................................................................................................................131 A linguagem oral e escrita através da lenda do guaraná na educação pública em Manaus/AM/Brasil. .........................................................131 CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA ENTRE CRIANÇAS DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO PORTUGUÊS .............................................132 Perceção de inclusão dos alunos com autismo nas aulas de educação física ..................................................................................................133 Singular Laws for Singular Populations .........................................................................................................................................................133 Suicídio na Adolescência – a propósito de um caso de enforcamento ............................................................................................................134 Suicídio na adolescência - a propósito de um caso .........................................................................................................................................134 A ginástica artística como alternativa no tratamento de crianças com transtorno do espectro autista ............................................................135 Cuidados prestados a criança com infecção das vias aéreas superiores: abordagem no contexto familiar ....................................................135 Podcast educacional sobre hanseníase como recurso de aprendizagem .........................................................................................................136 Ciclo de Educação Alimentar: Aprender a cozinhar com o Chef ....................................................................................................................137 Um estranho caso de dermatite de contacto na zona dos calções ...................................................................................................................138 As formas patriarcais e o projeto de dominação-exploração de mulheres: uma análise do filme “Anjos do Sol” (2006) .............................138 Saúde sem fronteiras .......................................................................................................................................................................................139 Impacto das deformidades toracomamárias na Síndrome de Poland ..............................................................................................................140 Comparação microbiológica de métodos de colheita de urina numa urgência pediátrica: análise de 2 anos .................................................140 Triagem de Manchester e internamentos num hospital de nível II: casuística por cores de admissão ...........................................................141 Dismenorreia primária em adolescente - uma queixa comum, uma síndrome rara e a importância da abordagem multidisciplinar ............141 Úlcera genital aguda na adolescência: um desafio diagnóstico ......................................................................................................................142 “A comunicação num atendimento de emergência pré-hospitalar pediátrica” ...............................................................................................143
CARATERIZAÇÃO DO PERFIL LINGUÍSTICO DE CRIANÇAS EM MODALIDADE DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL NA REGIÃO NORTE Sandra Isabel Costa Miranda Instituto de Educação – Universidade do Minho, Portugal Anabela Cruz-Santos Centro de Investigação em Estudos da CriançaInstituto de Educação – Universidade do Minho, Portugal Resumo // Abstract: O progresso adequado da linguagem oral na infância é reconhecido como sendo elementar para que a criança desenvolva habilidades aos níveis da leitura e da escrita bem como da socialização (Sheridan & Gjems, 2017). Estas condições são requisitos para que possa obter um desempenho escolar satisfatório (França, Wolff, Moojen, & Rotta, 2004). Porém, sabemos que nem todas as crianças se encontram inseridas em ambientes que reúnem as condições necessárias ao seu bom desenvolvimento global e, em específico, linguístico. Um meio ambiental pobre, ou pouco estimulante na comunicação interativa e personalizada, influenciará negativamente no desenvolvimento (Sim-Sim, 1998). A literatura elenca que as dificuldades no desenvolvimento da linguagem podem interferir nos aspetos sociais e escolares da criança (Hage, Joaquim, Carvalho, Padovani, & Guerreiro, 2004). Assim, podemos asseverar que uma criança com baixas competências linguísticas está mais predisposta ao insucesso escolar do que os seus pares (Charlot, 2000). Nesse sentido, foi realizado um estudo exploratório na Região Norte que consistiu em caraterizar o perfil linguístico das crianças do ensino pré-escolar e escolar em situação de risco educacional, através da aplicação da Grelha de Observação da Linguagem (GOL-E, 2ª Edição), de Sua-Kay e Santos (2014). Este estudo, de natureza quantitativa, foi realizado em quatro instituições sociais com modalidade de acolhimento residencial, tendo sido avaliadas trinta e cinco crianças na faixa etária dos seis aos dozes anos de idade. Os resultados do mesmo permitiram construir uma caracterização do perfil linguístico destes participantes que resumidamente permite o seguinte enquadramento: a) Das trinta e cinco crianças, apenas três se encontram no P50 ou acima deste; b) Doze crianças encontram-se distribuídas pelo P5 e P25; c) Oito crianças encontram-se no P10; d) Das crianças com idades entre os 11 e os 12 anos, apenas uma atingiu o P90 e o P75; e) As restantes, distribuíram-se pelo P10 e P25; f) Uma criança com 12 anos atingiu o P5. Os resultados obtidos são preocupantes. As crianças acolhidas nestas modalidades revelam um desempenho inferior na avaliação da linguagem relativamente aos seus pares de desenvolvimento típico, evidenciando a situação crítica de alunos em idade pré-escolar e escolar com perturbações da linguagem graves sem referenciação nem sinalização no sistema educativo.Esta investigação contribuiu para um fator de alerta para as assimetrias existentes entre as crianças e o que isso significa no seu percurso escolar dado que estas perturbações originam dificuldades na linguagem que poderão interferir de forma significativa no seu percurso/sucesso académico. A falta de identificação e avaliação destes alunos em acolhimento residencial permite-nos analisar a crucial importância da implementação de medidas de suporte à aprendizagem e inclusão, garantindo a educação inclusiva, os direitos e o acesso ao sucesso escolar destes alunos. Palavras-chave: acolhimento residencial; alunos em risco; avaliação; dificuldades de linguagem. 1. INTRODUÇÃO/CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA Sendo a linguagem um importante fator para o desenvolvimento e para a aprendizagem (Tomasello et al., 2007 citados em Barreira, 2015) é crucial que a avaliemos a fim de colmatar as lacunas que possam existir e contribuir, deste modo, para o esbatimento das assimetrias que possam subsistir entre as crianças e colaborar para o seu sucesso escolar. É na escola que as crianças aprendem a ler, a escrever e a fazer uso de uma linguagem diferente da que utilizamos no nosso quotidiano (Charlot, 2000). Sendo este local um mundo de cultura escrita, as competências linguísticas e o sucesso ou insucesso escolar estão relacionados. Uma criança com baixa competência linguística está mais predisposta ao insucesso escolar. of 13 232
Até à presente data, escasseiam no nosso país estudos que avaliem o desempenho linguístico das crianças que vivem em acolhimento residencial e quais as repercussões que os resultados obtidos nos instrumentos de avaliação formais terão no seu desempenho académico. 2. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO Trata-se de um estudo de natureza quantitativa realizado em quatro instituições socias de acolhimento residencial, entre os meses de dezembro de 2019 e outubro de 2020 na região Norte. A recolha dos dados foi efetuada através da avaliação da linguagem com o instrumento Grelha de Observação da Linguagem (GOL-E, 2ª Edição) desenvolvido por Kay e Santos (2014). A GOL-E destina-se a crianças entre os 5 anos e 7 meses e os 10 anos e tem como objetivo a averiguação do estado de desenvolvimento da linguagem a fim de identificar as suas possíveis perturbações/desfasamento do desenvolvimento típico de acordo com as pontuações percentílicas para a população portuguesa. O instrumento está dividido em três estruturas linguísticas – semântica, morfossintaxe e fonologia – e cada uma delas inclui várias provas. A GOL-E foi aplicada neste estudo a trinta e cinco crianças entre os seis e os doze anos de idade e a recolha dos dados foi efetuada nas instituições sociais onde as crianças habitam, numa sala individualizada e com a duração máxima de trinta minutos. O procedimento de recolha de dados foi iniciado pelo pedido de autorização da realização do estudo junto dos diretores técnicos / responsáveis de cada casa de acolhimento residencial. Depois de autorizado, e assinadas as respetivas declarações, iniciou-se a recolha de dados. O tratamento dos dados obtidos foi realizado através da utilização de métodos de estatística descritiva e estatística inferencial utilizando o IBM SPSS Statistics 26.0, SPSS (Statistical Package for the Social Science). 3. APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS No que diz respeito à pontuação do total da estrutura I – Semântica, é possível constatar que os dados recolhidos são homogéneos verificando-se que as crianças se vão espalhando entre o mínimo da pontuação 7 e o máximo de pontuação 37. Três crianças obtiveram 11, 30 e 33 pontos no total desta estrutura. No tocante ao percentil do total desta estrutura, verificamos que doze crianças se encontram no percentil mais baixo, o P5 e só uma criança atinge o P90. Relativamente à pontuação do total da estrutura II – Morfossintática asseveramos que existe uma homogeneidade na pontuação obtida pelas crianças destacando-se apenas quatro que obtiveram 34 pontos no total. As restantes, foram-se distribuindo ao longo da tabela de pontuação sendo que uma obteve 2 pontos e uma obteve 46 pontos. Quanto ao percentil do total desta estrutura (II), quinze crianças encontram-se no P10, onze crianças no P5 e apenas uma criança no P75. of 14 232
Na III e última estrutura – Fonológica, averiguamos que onze crianças obtiveram 39 pontos, seis crianças alcançaram 38 e cinco crianças obtiveram 40 pontos. Quanto ao percentil, aferimos que a maioria das crianças se encontra no P50, duas no P5 e duas no P90. Em conclusão, analisando a GOL-E na sua totalidade, verificamos uma homogeneidade na distribuição de crianças pelas pontuações sendo a mínima obtida de 33 pontos e a máxima de 120. Só se destacam três crianças com uma pontuação de 104 pontos. No que concerne ao percentil, aferimos que doze crianças se encontram no P5 e no P25, oito crianças no P10 e as restantes distribuem-se entre o P50 e P90. Assim, concluímos que as crianças que habitam na região norte do país, em acolhimento residencial, em idade pré-escolar e escolar que estão numa situação de risco, encontram-se (tendo em consideração os dados analisados) com graves perturbações da linguagem. Das trinta e cinco crianças submetidas à prova GOL-E neste estudo exploratório só três se encontram no percentil previsto para a sua faixa etária. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Sendo este um estudo com uma amostra relativamente diminuta derivado da situação pandémica global derivada pela Covid-19, os resultados obtidos não são passiveis de generalização para a população portuguesa. No entanto, pelos dados recolhidos podemos constatar que existe um fator de alerta no que diz respeito ao desenvolvimento e aprendizagem da linguagem e às perturbações das mesmas, resultantes de um desenvolvimento atípico em crianças de idade pré-escolar e escolar em modalidade de acolhimento residencial. Os alunos em risco educacional devem ser alvo de preocupação e de intervenções especificas e especializadas por parte do sistema escolar pois constituem cerca de 10 a 20% da população estudantil (Correia, 2013). Se o sistema educacional ignorar as problemáticas destes alunos não está a respeitar os seus direitos (Decreto-Lei nº54/2018 de 6 de julho) e o princípio da igualdade de oportunidades, base de uma educação de qualidade. Após a identificação das dificuldades na linguagem, estes alunos poderão aceder aos meios disponibilizados pela escola para potencializarem as suas aprendizagens, através da mobilização de medidas de suporte à aprendizagem e inclusão, que devem ser acionadas de acordo com as necessidades e caraterísticas dos discentes, delineadas no Decreto-Lei nº 54/2018 de 6 de julho que regula a Educação Inclusiva em Portugal e no Manual de Apoio à Prática à Educação Inclusiva. São, por isso, necessários mais estudos no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem e às repercussões sentidas pelos alunos em situação de risco educacional. É também premente a aplicação de instrumentos de avaliação de carater periódico e precoce de forma a avaliar e identificar as crianças com dificuldades na linguagem, e promover a of 15 232
monitorização e evolução das suas aprendizagens, uma vez que as dificuldades na linguagem podem limitar as aprendizagens académicas a longo prazo (Cruz-Santos, 2019). Quanto mais prematuramente atuarmos, mais cedo conseguiremos detetar possíveis perturbações da linguagem e auxiliar os alunos no seu caminho para o êxito escolar e não para o insucesso (Cruz-Santos, 2019). Uma avaliação e intervenção realizadas numa fase primária promoverá um maior sucesso educativo e desenvolvimental de alunos em risco garantindo uma educação inclusiva de qualidade. Agradecimentos Este trabalho foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito dos projetos do CIEC (Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho) com as referências UIDB/00317/2020 e UIDP/ 00317/2020. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Barreira, A. (2015). Estudo comparativo sobre as intenções e formas de comunicação usadas por crianças residentes em núcleo familiar natural e em centros de acolhimento temporário [MasterThesis, Universidade Fernando Pessoa]. Repositório Institucional da Universidade Fernando Pessoa. http://hdl.handle.net/10284/4990 Charlot, B. (2000). Práticas linguageiras e fracasso escolar. Estilos da Clinica, 5(9), 124-133. https://doi.org/ 10.11606/issn.1981-1624.v5i9p124-133 Correia, L. (2013). Inclusão e necessidades educativas especiais: Um guia para educadores e professores (2a ed.). Porto Editora. Cruz-Santos, A. (2019). Perturbações da linguagem: Uma revisão do conceito. In M.L. Correia (Org.), Educação Inclusiva & Necessidades educativas Especiais. Vol. 2 (pp. 61-87). Flora Editora. DGE. (2018). Para uma educação inclusiva - Manual de apoio à prática. Retirado de: https://www.dge.mec.pt/ sites/default/files/EEspecial/manual_de_apoio_a_pratica.pdf França, C., Moojen, S., Rotta, N., & Wolfl, M. (2004). Aquisição da linguagem oral: relação e risco para a linguagem escrita. Arquivos de Neuro-psiquiatria, 62(2-B), 469-472. Hage, S., Joaquim, R., Carvalho, K., Padovani, C., & Guerreiro, M. (2004). Diagnóstico de crianças com alterações específicas de linguagem por meio da escala de desenvolvimento. Arquivos de Neuro-psiquiatria, 62(3), 649-653. Kay, E., & Santos, M. (2014). Grelha de Observação da Linguagem - Nível Escolar - GOL-E (2nd ed.). Oficina Didática. Sheridan, S., & Gjems, L. (2017). Preschool as an arena for developing teacher knowledge concerning children's language learning. Early Childhood Education Journal, 347-357. Sim-Sim, I. (1998). Desenvolvimento da linguagem. Universidade Aberta. Legislação Decreto-Lei nº 54/2018 (2018, 6 de julho) (Portugal). Diário da República I Série, (129/2018). https://dre.pt/ application/conteudo/115652961 of 16 232