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Uminho | 2019 Catarina Raquel Fernandes da Silva Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior Catarina Raquel Fernandes da Silva Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior outubro de 2019Universidade do MinhoInstituto de Educação
Catarina Raquel Fernandes da Silva Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior outubro de 2019Relatório de Estágio Mestrado em Educação Área de Especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor José António Martin Moreno Afonso Universidade do MinhoInstituto de Educação
iii AGRADECIMENTOS No fim da concretização deste trabalho torna-se impreterível agradecer a todos os envolvidos, a todos aqueles que permaneceram ao nosso lado e acompanharam as adversidades com que nos deparamos, que cooperaram significativamente para o nosso desenvolvimento integral e permanente. Expressando assim, o meu reconhecimento. Um agradecimento particular à minha família, pelo apoio em todas as decisões da minha vida, por todo o esforço que fizeram e continuam a fazer para me proporcionar uma vida melhor, pela dedicação e empenho na representação do seu papel, não só enquanto pais, mas como amigos conselheiros, pela confiança depositada e particularmente pelo amor partilhado. A minha gratidão aos amigos de longa data e às amizades que levo desta academia por acreditarem incondicionalmente em mim, pelo companheirismo, apoio e motivação. Um grande e sincero agradecimento, ao Prof. Doutor Martin Afonso, pela orientação, acompanhamento e rigor na concretização deste projeto. Como não podia deixar de o fazer, obrigada a toda a comunidade institucional do Lar Alcide Felgueiras (Direção, Técnicos e Colaboradores) pela confiança depositada, pelo profissionalismo, pelos conhecimentos transmitidos e reconhecimento demonstrado. Uma profunda gratulação aos adultos e idosos que participaram neste projeto, com amabilidade, disposição, gentileza e satisfação. Para todos a minha infindável gratidão.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v SEMEAR O ENVELHECIMENTO ATIVO NUMA RESIDÊNCIA SÉNIOR RESUMO O envelhecimento é uma problemática de extrema atualidade. Confrontamo-nos com uma realidade demográfica caracterizada pelo aumento da esperança média de vida e pela diminuição da taxa de natalidade. Face a esta dilemática constatação, urge criar oportunidades que viabilizem às pessoas envelhecer condignamente. É neste contexto que surge o projeto - Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior - desenvolvido com idosos do Lar Alcide Felgueiras, com a finalidade de promover o envelhecimento bem-sucedido/ativo através da educação ao longo da vida, através da animação sociocultural. Abrangeu um grupo de 22 participantes com idades compreendidas entre os 55 e os 94 anos. Partindo das necessidades, interesses, objetivos e expectativas dos nossos idosos, foram desenvolvidas atividades, agrupadas nos Ateliês de Estimulação cognitiva e de Culinária e nas Oficinas Lúdico-Pedagógica e de Música com os objetivos de promover o desenvolvimento das capacidades físicas, cognitivas e emocionais, despertar as relações interpessoais, criar laços com a comunidade envolvente e estimular a partilha de saberes, conduzindo, deste modo, à valorização pessoal e social dos intervenientes no projeto. Recorrendo ao paradigma qualitativo interpretativo hermenêutico, desenvolvemos um trabalho de investigação-ação participativa com recurso às técnicas de animação sociocultural como ferramenta que promove a participação, revigora as redes sociais e fomenta a emancipação da população-alvo do projeto, tanto a nível pessoal quanto comunitário. Os resultados obtidos evidenciam que este projeto teve o impacto desejado na vida de cada sénior, uma vez que a participação ativa possibilitou-lhes reduzir o isolamento social, estimular a vivência em comunidade e aquisição de novas aprendizagens. Palavras-chave: educação de adultos e intervenção comunitária; envelhecimento; envelhecimento ativo.
vi TO SOW THE ACTIVE AGING IN A SENIOR RESIDENCE ABSTRACT Growing old, is a problematic of extreme actuality. Nowadays, we confront ourselves with a demographic reality characterized by an increase in life’s average expectancy and a decrease in the birth rate. Face to this dilemma, it is urgent to create opportunities that will allow people to age in a dignified way. It is on this context that urges this project – Sowing active ageing in a senior residence – which was developed with elderly people from the Alcide Felgueiras Home, with the aim to promote successful and active ageing through lifelong education and socio-cultural animation. This project covered a group of 22 participants aged between 55 and 94 years old. Based on the needs, interests, objectives and expectations of our elderly people some activities where developed. Grouped into Cognitive and Cooking Stimulation, the Play-Pedagogical and Music Workshops, so that we could improve the development of physical, cognitive and emotional skills, awakening interpersonal relationships, creating bonds with the surrounding community and stimulating the sharing of knowledge, and therefore, conducting the participants of the project in personal and social valuing. Using the hermeneutic qualitative-interpretative paradigm, we developed a participatory action-research work using the techniques of sociocultural animation, social networks and emancipation of the target population of the project, as a tool to promote the participation in personal and community levels. The results gotten, show that this project had the desired impact on the lives of each senior, since their active participation enabled them to reduce social isolation, stimulate community living and the acquisition of new learning. Key-word: adult education and community intervention-, aging; active aging.
vii ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ......................................................................................................................... iii RESUMO ......................................................................................................................................... v ABSTRACT .......................................................................................................................................vi ÍNDICE GERAL ................................................................................................................................ vii ÍNDICE DE GRÁFICOS ....................................................................................................................... ix ÍNDICE DE FIGURAS ......................................................................................................................... x LISTA DE ABREVIATURAS/SIGLAS .................................................................................................... xii I. Introdução ............................................................................................................................. 13 II. Enquadramento contextual do estágio ...................................................................................... 15 2.1. Caracterização do Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa .......................................... 15 2.2. Caracterização do público-alvo ............................................................................................. 16 2.3. Apresentação da problemática de intervenção do estágio ....................................................... 22 2.4. Diagnóstico de necessidades ............................................................................................... 24 III. Enquadramento teórico ........................................................................................................... 28 3.1. Referência a investigações/intervenções sobre a problemática do estágio .................................... 28 3.2. Correntes teóricas desenvolvidas .............................................................................................. 31 3.2.1. Envelhecimento ................................................................................................................ 31 3.2.2. Envelhecimento demográfico ............................................................................................. 33 3.2.3. Envelhecimento ativo ........................................................................................................ 38 3.2.4. Educação de Adultos ......................................................................................................... 42 3.2.5. Intervenção Comunitária ................................................................................................... 45 IV. Enquadramento metodológico do estágio.................................................................................. 49 4.1. Apresentação da finalidade e objetivos do estágio ....................................................................... 49 4.1.1. Finalidade da intervenção .................................................................................................. 49 4.1.2. Objetivos gerais ................................................................................................................ 49
14 o trabalho de intervenção/investigação por nós desenvolvido. Posteriormente, e com o intuito de melhor elucidar a problemática de estágio, explanamos as várias correntes teóricas que constituem referências importantes, tais como: o envelhecimento, o envelhecimento demográfico, o envelhecimento ativo, a educação de adultos e a intervenção comunitária. O terceiro capítulo centra-se no enquadramento metodológico do estágio onde se expõe o paradigma e a metodologia de investigação/intervenção. Os métodos e técnicas de investigação e intervenção adotados, a identificação dos recursos mobilizados e as limitações encontradas no desenrolar do projeto, são outros conteúdos mencionados neste capítulo. O quarto capítulo destina-se à apresentação e discussão do processo de intervenção, descrevendo-se as atividades realizadas ao longo do projeto em consonância com os objetivos previamente delineados, bem como, a evidenciação e discussão dos resultados obtidos através das avaliações periodicamente realizada. No quinto e último capítulo, estão expressas as considerações finais, baseadas na análise crítica ao projeto desenvolvido, ao impacto que o mesmo teve no público-alvo e, consequentemente, na instituição. Este capítulo termina com uma breve reflexão do desenvolvimento pessoal, na esperança que as sementes lançadas no primeiro dia, germinem e deem frutos.
15 II. Enquadramento contextual do estágio 2.1. Caracterização do Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa A instituição onde decorreu o projeto de intervenção foi o Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa (CSPMJS), que se localiza na vila de Caldas das Taipas. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos, que apoia crianças e jovens, famílias, idosos e cidadãos com invalidez e/ou em situações de carência. A sua ação processa-se através de diversas valências, tais como: Creche, Pré-Escolar, Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL), Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), Estrutura Residencial para Idosos e Atendimento e Acompanhamento Social. O nosso projeto desenvolveu-se na Estrutura Residencial para Idosos designada por Lar Alcide Felgueiras (LAF), fundada em 2014. A instituição “tem como eixo orientador a prestação de um serviço cada vez mais qualificado e certificado tendo sempre em vista a satisfação das necessidades do cliente, da família e da comunidade envolvente” (Regulamento Interno, 2015). O LAF do CSPMJS tem como principal missão “prestar um serviço de referência direcionado para as populações envolventes, promovendo a integridade social através de respostas e serviços adequados às necessidades das pessoas da nossa Comunidade ao longo do seu percurso de vida, promovendo o seu bem-estar e qualidade de vida” (Id., ib.). Esta valência oferece diferentes serviços: alojamento permanente; alimentação (pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia); cuidados de higiene e conforto diferenciados e personalizados; cuidados de saúde primários (médicos e de enfermagem); administração de fármacos quando prescritos; apoio psicossocial (psicólogo e social); lavagem e tratamento de roupas; acompanhamento nas deslocações ao exterior; apoio de transporte da Instituição para realização de consultas/exames/tratamentos; atividades culturais, de animação, de lazer (ginástica sénior, animação cognitiva, atividades lúdicorecreativas, entre outras); tratamentos de fisioterapia e apoio no desempenho das atividades de vida diárias. Relativamente aos valores pelos quais se rege a instituição são: a solidariedade, o respeito pelos valores humanos, o respeito pela especificidade de cada utente, a afetividade, a ética, a honestidade, a eficácia/eficiência, a dedicação, a sustentabilidade, a inovação, a responsabilidade social e o diálogo (Id., ib.).
16 Os espaços físicos do LAF são compostos por quatro pisos. No rés-do-chão encontra-se a cozinha e dispensa diária, o refeitório, a lavandaria, a receção, a sala de refeições e os balneários masculinos e femininos para os colaboradores, a sala de refeições, o gabinete de saúde/médico, os gabinetes técnicos/administrativo e as casas de banho para os utentes. No primeiro, segundo e terceiro pisos encontram-se os quartos (individuais, duplos e triplos), os wc especialmente adaptados, um ginásio, áreas técnicas de acesso restrito ao pessoal colaborador (arrecadações de limpeza e rouparias) e as salas de estar. Neste espaço os idosos podem ver televisão e conversar. Para fazer a ligação entre estes quatro pisos a instituição tem, para além das escadas, um elevador que permite uma maior facilidade de transporte quer de utentes acamados, quer dos restantes utentes e funcionários. Paralelamente às áreas já elencadas o edifício possui ainda um jardim, onde os idosos podem descansar e desfrutar do ar livre, e um parque de estacionamento privado. No quadro dos recursos humanos a instituição conta com quarenta e seis profissionais vinculados, sendo doze ajudantes de ação direta, dezasseis auxiliares de serviços gerais, duas cozinheiras, quatro ajudantes de cozinha, uma escriturária, uma diretora técnica, um administrativo e uma animadora sócio cultural. Ao nível dos cuidados de saúde, a instituição tem ao seu dispor uma médica de clínica geral, um psiquiatra, três enfermeiros, uma psicóloga, um dietista e uma fisioterapeuta. 2.2. Caracterização do público-alvo O diagnóstico de necessidades (apêndice I), foi analisado à luz da metodologia investigaçãoação-participativa baseada no método de investigação inquéritos por questionário. Este método permitiu recolher informações que conduziram a um maior conhecimento do público-alvo no presente projeto de intervenção.
17 Gráfico 1Sexo O público-alvo é constituído por vinte idosos, dois do sexo masculino e dezoito do sexo feminino. Gráfico 2Idade Como podemos verificar no gráfico acima, os utentes têm idades compreendidas entre os 55 e os 94 anos. 90% 10% Sexo Feminino Masculino 5% 5% 20% 55% 15% Idade 50-60 60-70 70-80 80-90 90-100
18 Gráfico 3Estado Civil Relativamente ao estado civil, três pessoas são solteiras, cinco pessoas casadas, onze viúvo/as e uma senhora divorciada. Gráfico 4Descendência A maior parte dos idosos teve mais de cinco filhos, sendo que a predominância se fixa entre 6 a 9 filhos. Todos responderam que a relação com os seus filhos é saudável. Apesar da emigração 15% 25% 55% 5% Estado Civil Solteiro (a) Casado (a) Viúvo (a) Divorciado (a) 85% 15% Descendência Sim Não
19 de alguns dos descendentes verificámos que, a distância, não é impedimento de manterem um contacto regular. Gráfico 5Habilitações literárias No que concerne às habilitações literárias, seis dos inquiridos não sabem ler/escrever, dois tem a 2ª classe, oito a 3ª classe e quatro a 4ª classe. Gráfico 6Profissão desempenhadas ao longo da vida 30% 10% 40% 20% Habilitações literárias Não sabe ler/escrever 2ª Classe 3ª Classe 4ª Classe 6% 18% 31% 6% 3% 3% 9% 21% 3% Profissões desempenhadas ao longo da vida Auxiliar educativa Agricultura Texteis Doméstico Construção Civil Ferreiro Restauração Comerciante Tropa
20 Cinquenta por cento dos utentes exerceu profissões essencialmente ligadas ao trabalho têxtil, havendo também quem tenha trabalhado como auxiliar educativa, empregado/a doméstico/a, trolha, ferreiro, comerciante, militar, restauração ou mesmo agricultor/a. Gráfico 7Dificuldades ao nível ao nível das habilidades cognitivas e metocognitivas No que se refere às principais dificuldades apresentadas pelos idosos que representam o público-alvo, foi possível apurar que nove têm dificuldades de audição, dez têm dificuldades de visão, nove apresentam dificuldades de locomoção, três apresentam dificuldades em dormir, dois possuem dificuldades em comer, dez afirmam ter dificuldades de equilíbrio, dois em agarrar objetos e seis têm dificuldades de memória. É de salientar que apenas três indivíduos não manifestaram quaisquer dificuldades mencionadas anteriormente. 18% 19% 18% 6% 4% 4% 19% 12% Dificuldades ao nível das habilidades cognitivas e metocognitivas Ouvir Ver Andar Dormir Comer Agarrar objetos Equlibrar-se Memorizar
21 Gráfico 8Tempo de residência no Lar Alcide Felgueiras Quando questionados sobre a permanência no LAF, seis dos inquiridos reponderam que residem na instituição há menos de dois anos e catorze há mais de dois anos. Gráfico 9Motivo de residir na instituição Questionados sobre os motivos que os levaram a recorrer à instituição, as respostas denotam que prevaleceu como que uma espécie de “imposição” (65%), por não terem condições e autonomia para permanecerem nas suas habitações; outros dos motivos mencionados foram a 10% 15% 5% 20% 35% 15% Tempo de residência no Lar Alcide Felgueiras 6 mêses 1 ano 1 ano e meio 2 anos 3 anos 4 anos 35% 65% Motivo de residir na instituição Opção própria Foi colocado/a
22 solidão e, por razões profissionais, os descendentes, não conseguirem proporcionar um bem-estar aos progenitores. Gráfico 10Visitas Importa salientar que cerca de 90% dos indivíduos responderam que receberam visitas dos seus filhos, familiares, amigos e conhecidos, contudo, dois inquiridos não recebem visitas, um deles justificou que por ser autónomo tem autorização de sair da instituição. 2.3. Apresentação da problemática de intervenção do estágio O presente projeto – Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior – trabalhou a problemática do envelhecimento ativo, junto de vinte idosos, incidindo sobre as formas de colmatar o isolamento social e estimular a vivência em comunidade. Os dados demográficos a nível mundial demonstram uma pirâmide etária invertida onde é possível verificar que a percentagem da população idosa tem vindo a crescer. Urge, portanto, que a sociedade contemporânea, se responsabilize e tome consciência deste cada vez mais premente problema social. 90% 10% Visitas Sim Não
23 Prevalecem, todavia, na atualidade visões redutoras do processo de envelhecimento, sendo ainda, considerada como uma fase em que os indivíduos já não têm nada a presentear à sociedade, devendo apenas repousar usufruindo do período da reforma. Pretendemos com este projeto contrariar esta atitude, propondo criar condições para que, numa perspetiva de promoção coletiva, que cada pessoa se desenvolva integral e harmoniosamente. No nosso ponto de vista a pertinência do projeto, no âmbito da área de especialização do mestrado Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, prende-se como essas duas vertentes se articulam, em função dos objetivos cruciais: desenvolver competências de identificação, reconhecimento e validação de aprendizagens não formais e informais de educação/formação ao longo da vida; fornecer um quadro teórico-conceptual operacionalizada ao nível dos princípios, dos modelos e das manifestações temporais da educação de adultos e intervenção comunitária; proporcionar o conhecimento e um conjunto de métodos, técnicas e estratégias aplicáveis no campo da educação de adultos e intervenção comunitária; dinamizar processos de aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em situações concretas de educação de adultos, animação e intervenção comunitária; e desenvolver competências de investigação no âmbito da educação de adultos e intervenção comunitária. Em suma, todos os objetivos mencionados anteriormente, vão de encontro à nossa intervenção, na medida em que, utilizamos uma educação não formal para transmitir conhecimentos e valores de alta importância. Segundo Antunes & Alves (2009) a intervenção comunitária, enquanto intervenção socioeducativa, que procura catalisar e rentabilizar as potencialidades e recursos das comunidades, tem vindo a afirmar-se como um meio de intervenção relevante na promoção da inclusão e mudança de situações sociais de auto e hétero exclusão. A educação é promotora da inclusão e essa deve auxiliar-se da intervenção comunitária, já que esta parte da criação de processos de participação ativa de pessoas. Ou seja, uma intervenção só é bem-sucedida se tiver o envolvimento dos intervenientes, ao longo de todo o processo, mostrando, no final, algum progresso.
30 É de salientar que as atividades foram implementadas segundo a metodologia da investigaçãoação participativa, demarcadas a partir do diagnóstico de necessidades realizado com o público-alvo. Segundo os resultados obtidos, a autora considera que a intervenção foi muito positiva e significativa na vida dos idosos, tendo contribuído para um aumento do bem-estar e qualidade de vida. As oportunidades presenteadas pelo projeto educativo consciencializaram os idosos que este pode e deve mudar as suas vidas, na medida em que atenuam o isolamento e a solidão de que muitas vezes são alvo, levando-os a recriar o sentimento de pertença a um grupo, a uma comunidade, renascendo para a vida sociocomunitária. O último relatórioUSE IT OR LOSE IT Estimulação Cognitiva em Idosos Institucionalizados: A Estimulação como Meio de Prevenção da Demência – foi projetado para uma Estrutura Residencial para Idosos (ERPI). A autora evidência que o principal objetivo a alcançar com este projeto seria a promoção do envelhecimento ativo. Deste modo foram delineados mecanismos que despertassem o interesse dos residentes em manter o seu bem-estar, contribuindo para a conservação das capacidades cognitivas. Ainda assim é de evidenciar, particularmente, o plano de ação “ Entrelaçar ” e “ Estimular e Capacitar ”. O primeiro debruçava-se na promoção da interação social, ou seja, na aquisição de aprendizagens e novas competências pessoais e relacionais. O segundo na promoção da autonomia, integração e participação social dos indivíduos. Em termos metodológicos foi empregue uma metodologia qualitativa através de algumas técnicas de recolha de dados, como por exemplo, a análise documental, observação direta e entrevistas semiestruturadas. No entanto, paralelamente, foi utilizada metodologia quantitativa como o inquérito por questionário. Importa ressalvar que nos projetos supramencionados se pode verificar que o público-alvo e a temática da promoção do envelhecimento ativo são aspetos comuns. Constatamos que as problemáticas da solidão, do isolamento social, do abandono da família e da institucionalização ainda se fazem sentir. Apesar das diversas respostas existentes, há necessidade de percorrer um longo caminho e torná-las como respostas sociais de banda larga. Quanto às opções metodológicas, os trabalhos de intervenção realçam, tal como o nosso, o paradigma qualitativo, embora determinados métodos e técnicas adotados sejam distintos. Não obstante, eleva-se a animação sociocultural como a constituinte chave comum em todas as investigações e/ intervenções, uma vez que procura concretizar um mesmo objetivo: diligenciar a
31 participação do idoso em díspares atividades que promovam o seu desenvolvimento pessoal e social. 3.2. Correntes teóricas desenvolvidas 3.2.1. Envelhecimento Cientificamente, na sua generalidade, o conceito de envelhecimento é definido como um processo natural, que, devido ao avançar da idade, atinge todos os indivíduos desde o momento em que nascem até ao momento em que morrem. Ao longo desse processo os indivíduos passam por várias etapas de desenvolvimento, sendo elas a infância, a juventude, a idade adulta e a velhice. Intentando esta perspetiva, Jacob (2007, p.15) afirma, que “o envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos grandes desafios, devido às suas consequências sociais, económicas e políticas”. Tendo a noção intrínseca de que o envelhecimento é um fenómeno biopsicossocial não podemos negar que “o envelhecimento humano nunca poderá ser descrito, explicado ou previsto sem termos em consideração as dimensões biológica, psicológica e social que lhe estão inerentes (…)” (Fonseca, 2006, p.53). Partindo desta conceção, surgem novos dados que são importantes para um novo olhar sobre a temática. Segundo Fonseca (2006), os fatores psicológicos cruzam-se, inevitavelmente, com os fatores culturais, sociais e biológicos que acabam por interagir entre si, determinando como cada género vive e envelhece. Ou seja, embora o envelhecimento seja universal cada pessoa envelhece de maneira diferente, contribuindo para esta diversidade a diferença de género. Não só cada um envelhece de modo distinto como esse processo pode variar de homem para mulher. Ainda segundo o mesmo autor, citando Papalia & Olds,(1992), divide a idade adulta em três períodos: a idade adulta jovem (20-40 anos); a meia-idade adulta (40-65 anos) e a idade adulta tardia (65 anos – em diante). Não obstante, torna-se extremamente complexo definir a idade de início da velhice, uma vez que depende das características holísticas de cada ser humano. “Velho é aquele que tem diversas idades: a idade do seu corpo, da sua história genética, da sua parte psicológica e da sua ligação com a sociedade” (Zimerman, 2000, p.19).
32 Há duas décadas podíamos considerar uma pessoa com 65 anos como velha, contudo, atualmente, isso já não corresponde à realidade. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a esperança média de vida aumentou significativamente. Por conseguinte uma pessoa de 65 anos ainda é considerada ativa aos olhos da sociedade. Com o avançar da idade as características físicas começam a sobrevir, contudo essa não é a única modificação. O desgaste é, assumidamente, inevitável e é nesta fase mais suscetível que se podem despoletar certas patologias. Porém o segredo para viver com longevidade é aprender a viver com as limitações próprias da idade. Mesmo que um problema tome proporções elevadas, os seniores devem encarar essas situações com naturalidade e positividade. Todavia, comumente deparamo-nos com o contínuo abandono e o isolamento dos idosos. Se fizermos uma rápida análise à sociedade percebemos, por exemplo, que eles não aceitam ser institucionalizados. A verdade é que o envelhecimento social traz uma alteração no status do idoso e na relação que este mantem com a sociedade. Essas alterações vão desde a crise de identidade às mudanças de papéis. Contudo, importa salientar que um individuo que ainda dispõe de um papel social ativo, uma boa autoestima, e mantem laços de afetividade com a família e a sua independência é um ser mais feliz e realizado. “Envelhecer é simplesmente passar para uma nova etapa da vida, que deve ser vivida da maneira mais positiva, saudável e feliz possível” (Id., p.28). Note-se que, embora o fenómeno do envelhecimento seja universal, ninguém envelhece da mesma forma. Por outro lado, os aspetos psicológicos têm um impacto significativo na vida de cada sujeito, pois afetam diretamente a qualidade de vida e a longevidade. “Ao longo da idade adulta e sobretudo na velhice, as componentes biológicas têm de ser articuladas com outras condições, de natureza psicológica e ambiental, para se alcançar uma visão integrada e verdadeiramente global de aspetos como a saúde, a competência, a personalidade e o bem-estar psicológico” (Fonseca, 2006, p.54). Assim entende-se que a forma como envelhecemos está relacionada com a forma como nos desenvolvemos integralmente. Dito de outro modo, neste nível, os idosos sentem que já não conseguem resolver alguns dos seus problemas, ressentem-se pelo facto de a sua opinião não ter impacto e experienciam a complexidade em adaptar-se a novos papéis. Segundo Zimerman (2000, p.25) “15% dos velhos necessitam de atendimento em saúde mental e 2% das pessoas com mais de 65 anos apresentam quadros de depressão, que, muitas vezes, não são percebidos pelos familiares e cuidadores”.
33 Estes dados, com o distanciamento de 20 anos, alertam-nos para o facto desta não ser apenas uma preocupação do último século, como se verifica que perduraram nos anos seguintes. Vivemos num mundo acelerado, cheio de mudanças constantes e individualismo, que não deixa muito espaço para o desenvolvimento de competências de sociabilização e/ou preocupação pelo outro. Por isso é imperativo criarmos mecanismos de integração para que os idosos se sintam acolhidos e com um papel importante na comunidade. Em suma, o envelhecimento é um processo que ocorre ao longo da vida, não havendo por isso períodos de desvinculação. 3.2.2. Envelhecimento demográfico Na atualidade assiste-se cada vez mais, e em particular nos países mais desenvolvidos, a um progressivo envelhecimento da população. As causas que podem contribuir para este facto devem-se, particularmente, à diminuição constante da taxa de natalidade e ao aumento da esperança média de vida dos indivíduos, o que leva a um decréscimo da proporção da população jovem e ao correlativo aumento da proporção da população mais idosa, e como consequência à inversão da pirâmide etária. “O envelhecimento demográfico traduz alterações na distribuição etária de uma população expressando uma maior proporção de população em idades mais avançadas. Esta dinâmica é consequência dos processos de declínio da natalidade e de aumento da longevidade e é entendida internacionalmente como uma das mais importantes tendências demográficas do século XXI” (INE, 2015, p.1).
34 Em Portugal, como podemos verificar em seguida, a situação não é diferente. Através da leitura do gráfico, podemos verificar que o valor da esperança média de vida à nascença da população tem vindo, incessantemente, a aumentar no nosso país desde o ano de 2001 até ao ano de 2016. Refira-se que, no ano de 2001, a esperança média de vida para indivíduos do sexo feminino era de 80,1 anos, tendo aumentado para 83,4 em 2016; e para os indivíduos do sexo masculino, em 2001 era de 73,3 anos e em 2016 aumentou para os 77,7 anos. Partindo desta constatação, e segundo os dados da PORDATA (2018), o índice de envelhecimento aumentou de 101,6% em 2001 para 153,2% em 2017. Neste sentido aquilo que, de seguida, nos propomos analisar é a comparação entre o número de idosos existentes em 2001 e 2017 por cada 100 jovens, no concelho de Guimarães onde se desenvolveu o projeto. Figura 1Esperança de vida à nascença (média, idade), PORDATA, 2018
35 Observando o gráfico podemos apurar que o concelho de Guimarães, num universo de 308 concelhos existentes no país, encontra-se em 261ª lugar, no que ao índice de envelhecimento da população diz respeito. Em contrapartida, podemos também afirmar que foi um dos concelhos em que se verificou um maior aumento de idosos por cada 100 jovens pois, se em 2001 existiam cerca de 52 idosos para 100 jovens, no ano de 2017 esse número aumentou para 126 idosos por 100 jovens, o que representa um aumento de mais do dobro de indivíduos idosos comparativamente aos jovens. Não obstante, isto remete-nos para o que mencionámos anteriormente, isto é, as causas que contribuem para o envelhecimento demográfico são a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da esperança média de vida. Nesse sentido é crucial compreendermos qual a proporção destes valores no concelho de Guimarães. Figura 2Índice de envelhecimento (rácio%), PORDATA, 2018
36 No que concerne ao número de crianças entre os 0 e os 14 anos existentes no concelho de Guimarães, podemos verificar que em 2001 havia 31545 crianças, sendo que em 2017 esse número reduziu para 20374. Este decrescimento patenteia uma queda de sensivelmente 65% no número de crianças. Figura 3População residente em Guimarães: por grupo etário, PORDATA, 2018
37 Segundo os dados da PORDATA, a população residente em Guimarães com as idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, em 2001 existiam 111637 indivíduos, sendo que este número diminuiu para 107597, em 2017. Figura 4População residente em Guimarães: por grupo etário, PORDATA, 2018 Figura 5População residente em Guimarães: por grupo etário, PORDATA, 2018
38 Em contrapartida, no que diz respeito à variação do número de idosos com 65 ou mais anos apuramos que, em 2001 haviam 16393 idosos, sendo que este número aumentou em 2017 para 25674. Todavia, nem todas as projeções são negativas. Constata-se que, daqui a 60 anos, o envelhecimento demográfico tenderá a estabilizar. Segundo o INE (2017, p.1). “o índice de envelhecimento só tenderá a estabilizar na proximidade de 2060, quando as gerações nascidas num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações já se encontrarem no grupo etário 65 e mais”. Por fim, no que toca às projeções para o futuro, o INE (2017) apresentou, num documento de informação à comunicação social, cenários atinentes às exequíveis transformações da população em Portugal, entre os anos de 2015 a 2080. Neste sentido as projeções são as seguintes: o número de idosos passará de 2,1 para 2,8 milhões; o índice de envelhecimento da população poderá ser de 459 idosos por cada 100 jovens, num cenário negativo ou de 261 idosos para 100 jovens num cenário positivo. Em síntese, qualquel um destes cenários, julgamos nós, que podem vir a ser socialmente catastróficos, evidenciando-se assim a urgência em se trabalhar com e para os idosos no sentido de se fomentarem processos educacionais nos diferentes contextos das suas vidas. 3.2.3. Envelhecimento ativo O envelhecimento é um processo universal. Não obstante, por forma a minimizar e/ou retardar os efeitos do envelhecimento, tem vindo a ser reconhecido a relevância de um envelhecimento saudável, ou seja, um envelhecimento ativo. Este último já passou por várias denominações como por exemplo envelhecimento ótimo, bem-sucedido ou até satisfatório. Porém, todas elas têm o mesmo significado e propósito, que é atingir um envelhecimento saudável e feliz. “A saúde, mas também os padrões comportamentais e os afectos, as amizades e os contextos de vida, o tempo socioeconómico e histórico que experienciamos, tendem a confundir-se com os resultados dos percursos individuais, num balanço constante entre os factores da pessoa e do meio, mediados por significados e valores”. (Ribeiro & Paúl, 2011, p.1) No seguimento desta reflexão, é possível indicar os fatores que contribuem para um envelhecimento ativo, isto é, os aspetos que influenciam a vida do sujeito para que este atinja um envelhecimento mais pleno e confiante. Segundo Ribeiro & Paúl (Id., p.2) são seis os fatores,
39 sendo eles de ordem: pessoal (fatores biológicos, genéticos e psicológicos), comportamental (estilos de vida saudável e participação ativa no cuidado da própria saúde), económico (rendimentos, proteção social, oportunidades de trabalho digno), de meio físico (acessibilidade a serviços de transporte, moradias e vizinhança seguras e apropriadas, água limpa, ar puro e alimentos seguros), sociais (apoio social, educação e alfabetização, prevenção de violência e abuso), e referente a serviços sociais e de saúde (orientados para a promoção da saúde e prevenção de doenças, acessíveis e de qualidade). Este novo paradigma da ancianidade vem quebrar com a dificuldade dos padrões de sucesso surgindo, como sendo mais consensual, já que preconiza a qualidade de vida e a saúde dos seniores, com manutenção da autonomia física, psicológica e social e com a integração dos mesmos em sociedades seguras com o seu papel ativo na comunidade. Convocando Ribeiro & Paúl (Id., ib.) diremos que é “um processo de optimização de oportunidades para a saúde, participação e segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida durante o envelhecimento, (…) corresponde antes a um processo que se estende ao longo de toda a vida e em que a história individual se constrói progressivamente e se materializa em resultados profundamente heterogéneos e idiossincráticos”. A realidade que se abate sobre o nosso país é de exclusão e abandono social. Veja-se o exemplo, a maior parte dos seniores vivem isolados do resto da comunidade, nomeadamente, encontrando-se desprovidos de papéis sociais ou com falta de expectativas face ao futuro. Infelizmente, os nossos idosos ainda vivem muito o envelhecimento patológico descrito como uma fase má, associado a doenças e repleto de uma ausência de positividade Para muitos, sobretudo os que se encontram num meio rural, provavelmente, o sedentarismo é a melhor estratégia para prolongarem as suas vidas. Ou seja, é um hábito intrínseco à mentalidade deles e que aos olhos de um educador é muito difícil de converter, mas não impossível. Neste sentido torna-se uma questão educacional o envelhecimento com qualidade de vida. “Podemos ir aprendendo ao longo da vida a envelhecer com qualidade em contacto com diferentes agentes educativos, quer em contextos educativos formais, quer em contextos educativos não formais e informais apostados em promover a educação na perspetiva de um processo de transformação individual na tripla dimensão do saber (conhecimento), do saber fazer (habilidades) e do saber ser (atitudes) que permitam e promovam a qualidade de vida na última fase da vida” (Antunes, 2015, p.187). É urgente apostarmos numa progressão, ao invés de uma regressão, quase constante ao longo dos anos. Se formos ao fundo da questão entendemos que daqui a
46 realizada por assistentes sociais, sendo que, nesta fase, o trabalho comunitário dividia-se em dois ramos: o da organização da comunidade e o do desenvolvimento comunitário. O primeiro aplicavase, substancialmente, “ a las situaciones caracterizadas por el crecimiento económico y pleno empleo, en las que los diferentes servicios sociales (…) se coordinaban entre si para atender mejor las demandas particulares ”. Comparativamente ao desenvolvimento comunitário, este aplicava-se “a las escassas zonas del interior de estos países considerados subdesarrolladas y, sobre todo, a los países del Tercer Mundo o en vías de desarrollo.” (Id., ib.). Nos dias de hoje, a intervenção comunitária alberga as comunidades como um todo, já que, este procedimento visa o melhoramento das condições de vida de uma comunidade. Assim, do ponto de vista educacional, entendemos que os indivíduos para além de serem os destinatários dos projetos, também se assumem como protagonistas. Ainda segundo o mesmo autor, a comunidade são todos aqueles que, de algum modo, cooperam para que a concretização do projeto suceda de forma equilibrada. Desta forma, estão introduzidas os responsáveis institucionais e os recursos técnicos, profissionais e científicos existentes, devendo trabalhar sempre em parceria. Não existe intervenção comunitária sem que a comunidade permaneça envolta no processo de intervenção; detenha um papel de sujeito ativo e possa colaborar para a transformação da realidade em que se inserem, ou seja, o processo de intervenção comunitária é um processo participativo. Não obstante, a intervenção comunitária tem o intuito de colmatar as dificuldades das populações, já que se baseia na endógeneidade, atendendo a qualquer tipo de necessidades sociais e/ou interesses expectativas da população. García & Sánchez (1997), abordam os conceitos de intervenção comunitária e desenvolvimento comunitário como sendo sinónimos, e explanam que, o que os torna sinónimos, é a sua filosofia de renovação para convalescer as condições de vida a partir do desenvolvimento individual, processo de autorreconhecimento e comunitário, assim como, a metodologia que laboram. Antunes (2008, p.84) evidência que, “participar significa por parte da comunidade: tomada de consciência espontânea e/ou suscitada dos próprios problemas e interesses, compreensão da realidade e das situações-problema, organização, cooperação e responsabilidade, implicação e espírito de iniciativa na resolução dos problemas e promoção da qualidade de vida”. A implicação da comunidade é vista como uma variável constante no decorrer de todo o projeto de intervenção, principiando no diagnóstico, atravessando pela implementação, avaliação, supervisão e gestão do
47 projeto. Provendo a sua planificação, a educação de adultos deve ser feita a partir da comunidade, na comunidade, pela comunidade e para a comunidade (García & Sánchez, 1997). Estamos numa sociedade em constante mudança, com necessidades diversas, conforme advertem García & Sánchez (1997, p. 272): [proprias] de sociedades tecnológicamente avanzadas, que, sobre la base de un espacio democrático, aspiren al bienestar, la reducción de los desequilibrios sociales y, en geral, al desarrollo (integral, integrado, endógeno, ecológico, local, equilibrado, armónico…) de las comunidades, y de cada individuo en particular, en todos los aspectos sociales, culturales y vitales: necessidades básicas (alimentación, salud, vivenda…), niveles de vida (trabajo/ingresos, educación, cultura…) y condiciones de emancipación y libertad (económico-social ). O mesmo será dizer que o desenvolvimento comunitário é um conceito bastante complexo. Porém, deve ser entendido nesta perspetiva, pois é através deste que se pode trabalhar a educação de adultos de forma emancipatória. Estes conceitos não têm apenas em comum uma filosofia de ação, como mencionado anteriormente, mas também uma metodologia. Os autores fazem referência a três pilares: intervenção integrada, coordenada e globalizada; uma intervenção sistematizada e planificada e uma intervenção baseada na participação da comunidade. O primeiro pilar - intervenção integrada, coordenada e globalizada - responde à questão: que potencialidades tem? Quantos mais recursos utilizarmos de um local (humanos, financeiros, etc.,) mais sustentável este se torna e o grande objetivo é rentabilizar os recursos endógenos. Chama-se a isto criatividade, ou seja, capacidade de transformação. Já o segundo pilar - intervenção planificada e sistematizada - envolve um diagnóstico prévio, um estudo e profundo conhecimento da realidade com que vamos trabalhar. Este deve ser participativo, feito numa primeira fase pelos profissionais em conjunto com a comunidade, para que não se sobreponham a tudo o que já existe e não se correr o risco de fazer um projeto que não vai de encontro aos interesses do público-alvo. O último pilar - intervenção baseada na participação da comunidade - diz-nos que a comunidade deve ser o sujeito e objeto de desenvolvimento, daí ser imprescindível a sua participação. De modo a conseguirmos motivar a participação das pessoas, devem ser valorizadas as experiências e os conhecimentos de cada um. Neste seguimento, torna-se necessário abordar o papel do educador comunitário. Conceição Antunes (2008), ressalta que a educação atua numa imensa diversidade de instituições públicas e privadas e num grande leque de programas/projetos. Os educadores devem adotar uma postura informativa/comunicativa e educativa/emancipatória, de empoderamento e convivêncialidade,
48 congruentes em valores como: solidariedade, fraternidade, igualdade, liberdade e responsabilidade. Deve também ser um bom ouvinte, descartando determinados preconceitos, e consciente das diversidades culturais da população. É função dos educadores estimular, sensibilizar e motivar as populações à participação ativa dos indivíduos.
49 IV. Enquadramento metodológico do estágio 4.1. Apresentação da finalidade e objetivos do estágio Após a concretização da fase de diagnóstico de necessidades, analisados os resultados da mesma e, por isso, circunscritas as linhas orientadoras por forma a direcionar as atividades e intervenções necessárias para alcançar os resultados pretendidos (Ezequiel Ander-Egg, 2000), é de mencionar a finalidade e os objetivos do projeto. Neste sentido, as “finalidades indicam a razão de ser de um projecto e a contribuição que ele pode trazer aos problemas e às situações que se torna necessário transformar” (Guerra, 2000, p.163). Segundo Ezequiel Ander-Egg (2000; 2003) elucidar e expor os objetivos e metas, de forma clara, é um requisito elementar para a elaboração de planos de ação, complementando que estes não devem ser ambíguos nem incongruentes, mas precisos, atingíveis e unidirecionais. Na mesma linha de pensamento Isabel Guerra (2000) afirma que os objetivos gerais relatam orientações para as ações e são coesas com as finalidades do projeto. Traçam as linhas de trabalho a seguir e não são, por norma, expressos em termos operacionais. No que concerne aos objetivos específicos, são os que “exprimem os resultados que se esperam atingir e que detalham os objetivos gerais, funcionando como a sua operacionalização” (Id., p.163.). É importante referir que por serem formulados em termos quantitativos e qualitativos levam à avaliação do projeto. 4.1.1. Finalidade da intervenção Com base no diagnóstico de necessidades realizado, a finalidade do presente projeto de intervenção assentou na promoção do envelhecimento bem-sucedido/ativo. 4.1.2. Objetivos gerais • Promover o envelhecimento ativo dos idosos; • Estimular os idosos a nível cognitivo e motor; • Potenciar a autonomia dos idosos e as relações interpessoais.
50 4.1.3. Objetivos específicos • Despertar as relações interpessoais; • Criar laços com a comunidade envolvente; • Estimular a partilha de saberes conduzindo à valorização pessoal e social; • Dinamizar atividades que promovam o desenvolvimento das capacidades físicas, cognitivas e emocionais. 4.2. Apresentação e fundamentação da metodologia de intervenção 4.2.1. Definição do paradigma de intervenção/investigação A seleção de um paradigma é uma fase crucial na elaboração de um projeto. Conceição Antunes (2008), defende que não são os objetivos que se devem transformar, mas as ferramentas, as metodologias e os contextos, que carecem de ser variados por forma a se alinharem às necessidades das pessoas, dos problemas e das comunidades. O conceito paradigma “consiste num conjunto aberto de asserções, conceitos ou proposições logicamente relacionadas e que orientam o pensamento e a investigação” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 52). Neste sentido a forma como investigamos, recolhemos e analisamos os dados, assim como os métodos e técnicas que utilizamos para comparação e análise, são persuadidos pelos paradigmas. Quanto à sua natureza investigativa, podemos situar este projeto no paradigma qualitativo interpretativo hermenêutico. Em conformidade com os autores Bogdan e Biklen (Id., p.53), o objetivo primordial da investigação qualitativa é o de investigar os fenómenos no seu ambiente natural analisando toda a sua complexidade, com intuito de “compreender o significado que os acontecimentos e interacções têm para pessoas vulgares, em situações particulares”. Assim, a recolha de dados é concretizada transversalmente do contacto direto com os indivíduos no seu ambiente, sendo estes o mais descritivos possíveis. Dito de outra forma, o objetivo do investigador, é compreender e decifrar a leitura que as pessoas constroem da sua situação/problema.
51 Existem duas grandes derivações metodológicas dos paradigmas de investigação denominados por: perspetiva quantitativa e perspetiva qualitativa. A perspetiva quantitativa é inspirada no paradigma positivista/quantitativo ou tecnocrático. Do ponto de vista concetual, a investigação centra-se na análise de factos e fenómenos notáveis e na avaliação em variáveis comportamentais. Do ponto de vista metodológico, caracteriza-se como um modelo hipotéticodedutivo (Id., ib.). A perspetiva qualitativa, por sua vez, procura a obtenção de resultados com objetividade, ou seja, pelo reconhecimento da subjetividade e esclarecimento dos resultados do projeto que desenvolvemos. A nível concetual os objetos do estudo são os propósitos e as situações, isto é, ocupam-se na procura de ideias e significados nas ações individuais e nas interações sociais a partir da perspetiva dos diferentes intervenientes no processo (Id., ib). Segundo Bogdan & Biklen, que tem por base as ideias de Greene (1978, cit. in id., p.54), o paradigma qualitativo tem à sua “disposição múltiplas formas de interpretar as experiências, em função das interações com os outros e que a realidade não é mais do que o significado das nossas experiências”, pelo que os mesmos autores afirmam, apoiados em Berger & Luckmann (1967, cit. in Id., ib.), que “a realidade é socialmente construída”. Deste modo, consideramos que este é o paradigma que melhor se adequa à forma como desenvolvemos este projeto na medida em que, nos ajudou a identificar as semelhanças e os aspetos comuns às histórias de vida dos nossos idoso, possibilitando-nos reconhecer que cada um deles, devido às suas experiências, lida com as situações de forma diferente. 4.2.2. Metodologia de intervenção/investigação O processo de intervenção tem como principal objetivo a melhoria das condições de vida das populações atendendo a qualquer tipo de carências sociais, interesses ou expetativas da população. García e Sánchez (1997) e Antunes (2008) salientam que a intervenção deve, permanentemente, partir da veracidade, estimular o diálogo, a participação, a atitude reflexiva e crítica, a criatividade, o desenvolvimento pessoal e social e a transformação social e cultural. Tendo em consideração estes propósitos podemos evidenciar que a metodologia educativa mais apropriada à intervenção comunitária é, segundo Ander-Egg (1990), a de investigação-ação
52 participativa. Para melhor compreender este método, o autor começa por esclarecer cada um dos elementos que o constituem. A metodologia da investigação, trata-se de um “ procedimento reflexivo, sistemático y crítico que tiene por finalidad estudiar algún aspecto de la realidad, con expressa finalidad práctica ” (Ander-Egg, 1990, p. 32). Relativamente à ação, “ significa o indica que la forma de realizar el estudio es ya un modo de intervención y que el propósito de la investigación está orientado a la acción, siendo ella a su vez fuente de conocimiento ” (Id., ib). Por fim, a participação pressupõe “ una actividad en cuyo proceso están involucrados tanto los investigadores (o equipo técnico) como la misma gente destinataria del programa, qui ya no son considerados como simples objetos de investigación ” (Id., ib.). Na mesma linha de pensamento, Guerra (2000, p.53) considera que “a investigação-ação não constitui tanto uma técnica de recolha de informação, mas uma nova aproximação da investigação, sendo uma modalidade que torna o actor investigador, e vice-versa, e que conduz a acção para considerações de investigação”. Assim, a investigação-ação resulta na recolha de informações metódicas com o objetivo de diligenciar mutações sociais. Os investigadores agrupam dados ou provas, para denunciar situações de injustiça, com o objetivo de expor exortações vocacionadas à mudança. Podemos então afirmar que o ponto forte desta metodologia é o facto de a comunidade estar envolvida no processo de intervenção, ter o papel de sujeito ativo e poder contribuir para a transformação da realidade em que se insere. Relativamente ao objetivo do estudo, este “ se decide a partir de lo que interesa a un grupo de personas o a un colectivo ” (Ander-Egg, 1990, p. 35), ou seja, o estudo é sempre feito a partir de um problema real da comunidade. A principal finalidade desta metodologia intui que haja uma “ tranformación de la situación-problema que afecta a la gente involucrada ” (Id.,ib.), no sentido do enriquecimento da população. Existe também uma “ estrecha interacción/combinación entre la investigación y la práctica; entre el proceso de investigación y la acción interventora ” (id.,ib.), ou seja, há uma preocupação em investigar para que depois se possa intervir de forma eficaz no processo de transformação. Guerra (2000, p.53-55) segue a mesma linha de pensamento, acrescentando que, o público-alvo deve ser assumido como o principal agente da mudança que se pretende alcançar, mas, para isso, é necessário que compreenda a situação-problema e que conheça as suas responsabilidades em todo o processo. Esta metodologia propõe que haja uma escuta ativa por parte dos profissionais e que estes saibam tratar todos os indivíduos de igual forma pois todos têm
53 um papel ativo e fundamental na transformação da realidade pretendida. É também elementar que se faça um “ compromiso efectivo y declarado del investigador/es con la gente involucrada en el programa y que participa en el estudio y transformación de su realidade ” (Ander-Egg, 1990, p. 36), quer isto dizer que é fulcral que seja feito um compromisso entre os técnicos e o públicoalvo de modo a que entendam que o problema do segundo, passa a ser do primeiro e vice-versa, sendo por isso crucial o trabalho em equipa. Esta metodologia é aquela que melhor se adequa a este projeto uma vez que o mesmo foi delineado a partir de uma situação/problema real. Cientes das necessidades, e após análise de diferentes problemáticas manifestadas pelo público-alvo, denota-se uma inteira importância da participação ativa deste grupo em todo o processo/projeto para que partilhem os seus interesses, necessidades, expetativas, ou seja, toda a informação necessária para a conceção, implementação e avaliação do projeto. 4.2.3. Métodos e técnicas de investigação Durante a execução do presente projeto educativo recorremos a métodos e técnicas de investigação, que nos permitiram recolher os dados que necessitávamos acerca do nosso públicoalvo, das suas necessidades e dos seus interesses, além da necessária caracterização da instituição e do contexto social. Método é um procedimento geral de recolha e análise de informação e um modo de abordagem do real para a sequência das operações e os objetivos concretos da investigação. Técnica é uma combinação de procedimentos determinados para seriar a informação resultante dos vários processos de recolha, ou seja, são recursos auxiliares que conferem ao método uma feição específica. Para tal foi necessário recorrer aos seguintes instrumentos: inquérito por questionário, observação direta, conversas informais, pesquisa e análise documental, diário de bordo, registo fotográfico e entrevista semiestruturada.
54 A. Observação direta A observação direta é uma técnica poderosíssima de investigação pois consiste em “ observar a la gente in situ, o sea, en su contexto real, donde desarrolla normalmente sus actividades, para captar aquellos aspectos que son más significativos de cara al fenómeno o hecho a investigar y para recopilar los datos que se estiman pertinentes ” (Ander-Egg, 1987, p.127), ou seja, permite aos investigadores recolher informação, de modo sistemático, através da convivência direta com a realidade, ajudando-os a identificar e a interpretar determinados comportamentos. Na mesma linha de pensamento Quivy & Campenhoudt (1992, p.196) afirmam que “a observação é um processo global de captação direta e imediata da realidade mediante o recurso a métodos e a técnicas de recolha de registo de informações”. É de ressalvar que “trata-se de um método no sentido restrito, baseado na observação visual, e não na `observação´ enquanto quinta etapa do procedimento” (Ib.). Permite a observação e registo de afirmações não-verbais, de práticas rituais de cariz cultural e social, bem como da interação social verificada. Segundo De Ketele (1999) define-se por observação um processo de impressão equiparado ao da reprodução de uma fotocópia, processo este que requer atenção que consoante os casos observados, vai alterando o seu grau. Embora a visão seja de facto o sentido de maior importância para este método, os outros sentidos podem ser utilizados de igual forma; a audição, o olfato, o tato e o gosto. Este método exige sobretudo um atento exercício mental de modo a que se possa recolher a cada observação o maior número de informações e respostas do que foi observado. Para o investigador o processo de observação é a fase exploratória que aflui na produção de uma hipótese no quadro de uma investigação experimental. Existem duas formas distintas de falarmos da observação participante. Parafraseando Bogdan & Biklen (1994, p.90), “a melhor técnica de recolha de dados consiste na observação participante e o foco do estudo numa organização particular (escola, centro de reabilitação) ou nalgum aspeto particular dessa organização”, no entanto, Chizzotti (1991, p.90) refere que “a observação direta ou participante é obtida por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observador, para recolher as ações dos atores em seu contexto natural, a partir de sua perspetiva e seus pontos de vista”. Os profissionais recorrem predominantemente a este método de investigação, sendo singular na captação de atitudes no momento em que eles ocorrem, possibilitando uma melhor perceção da realidade e operando como um aditivo relevante às restantes técnicas.
55 B. Conversas informais Esta técnica é recorrentemente utilizada porque, “ en general se trata de consultar a personas y entidades presumiblemente dotadas de información válida y utilizable de cara al programa a realizar ” (AnderEgg, 1987, p.131). Neste sentido, as conversas devem efetuar-se “ con el ‘hombre común’, con el ‘hombre de la calle’. Hay que conversar con la gente; conocer lo que piensan, lo que desean, lo que aspiran, cuáles son sus conflictos, sus luchas, sus esperanzas ” (Id., ib.). Segundo a mesma fonte, as conversas informais possibilitam não só captar as vivências in loco da população a investigar, mas também, equiparar as “palavras” com as “atitudes”, proporcionando a recolha de informação mais autêntica. O investigador, aquando a aplicação deste método, deve privilegiar os conhecimentos que deseja adquirir, possibilitando um diálogo direcionado à obtenção de dados significativos. Como tal, esta técnica é explorada ao longo do projeto nas diferentes fases, o que nos permite desde o início criar pontes de ligação com o público-alvo, ir acompanhando o desenrolar das atividades - pela perspetiva dos idosos - e reunir informações relevantes registadas no diário de bordo. C. Pesquisa e Análise Documental Segundo Ander-Egg (1987, p. 134-135), a pesquisa documental é constituída por “ ponerse en contacto con esa parte de la realidad en la que se ha de actuar, a través de lo que otros vieron o estudiaron de ella ”. Estes documentos “ son hechos o rastros de ‘algo’ que ha passado, de ahí que, como ‘testimonios’ que proporcionan información, datos o cifras, constituyen un tipo de material muy útil para la investigación socia l” (Id., p.135). Os autores Bogdan e Biklen (1994), mencionam que a documentação pode ser de vária índole: documentação interna da instituição onde aglomera esclarecimentos sobre as suas condutas, particularmente, normas e regulamentos; o organograma onde especifica a disposição hierárquica dos filiados, por sua vez, a documentação alusiva à comunicação externa apresenta, a título de exemplo, notificações à comunicação social e panfletos para consumo público. É através deste método de recolha e análise de dados que o investigador detém um maior conhecimento e compreensão de informações relevantes ao estudo.
62 pretende dar resposta a objectivos ora pedagógicos ora terapêuticos, a música tem um carácter de reeducação”. (Mourão, 1996, p.28) Seguindo a mesma linha de pensamento, Paulo Freire (1979, p.18) atenta que, “a educação deve ser desinibidora e não restritiva” potenciando ao individuo a perceção de si mesmo – autoconhecimento – bem como estimular o desejo de aprender a lidar com as suas limitações e competência - empowerment . Portanto, o processo de reeducação é único e peculiar na medida em que depende de cada pessoa. Não obstante a musicoterapia pode funcionar como instrumento impulsionador no desenvolvimento integral do ser humano. Os demais autores vêm enfatizando os benefícios da terapia pela música considerando que esta diligencia mecanismos de distração dos dilemas da vida o que remete ao indivíduo menor sofrimento. Para além de uma prática de reabilitação terapêutica, a musicoterapia poderá ser uma prática de “dar ânimo”, ou seja, de animação socioeducativa em saúde. Neste sentido, a musicoterapia é concebida como uma prática de educação para a saúde tendo por objetivo reduzir a ansiedade e os estados de desânimo, ou seja, despoletar o sentimento de esperança. Importa salientar que esta abordagem está centralizada na importância da educação para o progresso do ser humano na sua plenitude e, portanto, apresentamos a necessidade de se considerarem novas formas de educar. Em suma, abordámos esta problemática como uma prática curativa e de reabilitação, enquanto processo de educação para a saúde. Esta terapia permite auxiliar indivíduos portadores de distintas patologias ou em situações de cuidados de saúde duradouros, contribuindo para uma melhor preservação, manutenção e reabilitação da saúde de indivíduos. 4.3. Recursos mobilizados Após delinear um projeto é necessário ter em consideração os recursos essenciais, sejam materiais ou humanos, à concretização e viabilidade do mesmo. Deste modo, e em virtude da pluralidade de atividades que envolvem cada projeto, mencionamos detalhadamente a equipa que o constitui assim como os recursos físicos e materiais. No que aos recursos humanos diz respeito, este integrou: uma psicomotricista, com funções de animadora sociocultural, e uma psicóloga. Quanto aos recursos físicos usufruímos das diversas salas disponibilizadas pela instituição.
63 Relativamente aos recursos materiais utilizámos materiais de escritório, particularmente: mesas, cadeiras, material informático e de audiovisual, jornais e revistas, folhas de papel e cartolina, ferramenta de escrita, tesouras, papel em plastificador, calendário, rolo de fita-cola, tintas acrílicas, entre outros. Tivemos ainda de recorrer a diversos utensílios de cozinha e bens alimentares, nomeadamente: facas, colheres, garfos, bacias, pratos, forno, máquina de crepes, máquina de sumo, aventais, luvas, toucas, raspador, formas de bolos, copo de medir, chávenas, batedeira, peneira, guardanapos e sacos do lixo. Quanto aos bens alimentares utilizamos: sal, açúcar, ovos, farinha branca de neve, farinha Maizena, coco, leite, Nutella , chocolate, mel, vinagre, canela, óleo, azeite, água, arroz, polpa de tomate, milho, massa de pevides, atum, pêssegos, grão-de-bico, cogumelos, chouriço, maças, laranjas e limões. 4.4. Limitações do processo Todos os projetos da área social deparam-se com alguns constrangimentos que limitam o seu processo. Efetivamente, nenhum projeto é irrepreensível na medida em que neles se trabalha com pessoas com diferentes especificidades, sendo por isso indispensável, em determinadas circunstâncias, reajustar alguns aspetos do mesmo. Esta é uma particularidade que torna cada projeto único e singular. As limitações encontradas no presente projeto, quanto ao espaço físico, direcionavam-se exclusivamente à inexistência de uma área única onde decorresse o projeto, um espaço que nos identificasse e criasse determinadas rotinas nos participantes. Devido ao número excessivo de participantes nas atividades, criaram-se alguns entraves na proximidade e acompanhamento pormenorizado, ao longo do projeto. É de ressalvar, ainda, que a principal limitação deste projeto foi a temporalidade, uma vez que limita a sua ação. Apesar de todos os constrangimentos mencionados anteriormente, denotamos que, muitas das vezes parte dos profissionais a flexibilidade na resolução dos problemas que vão surgindo. Contudo, as estruturas de chefia também assumem um papel determinante na versatilidade das soluções apresentadas de forma a ultrapassar os obstáculos que ao longo do processo vão surgindo.
64 V. Apresentação e discussão do processo de intervenção/ investigação No presente capítulo detalharemos as atividades desenvolvidas ao longo do projeto, assim como os seus objetivos e modalidades de avaliação. As atividades agruparam-se em dois ateliês – um ateliê de estimulação cognitiva e um ateliê de culinária – e duas oficinas, denominadas respetivamente oficina lúdico-pedagógica e oficina de música (apêndice V). Os ateliês e a oficina lúdico-pedagógica funcionaram semanalmente às quartas-feiras, tendo a duração de 60 a 90 minutos. No caso da oficina de música as suas atividades foram desenvolvidas durante todo o projeto, às terças e quintas-feiras, para os utentes acamados, tendo em média a duração de 30 minutos, cada sessão, em consonância com a condição de cada um dos utentes. É necessário clarificar antes de mais, que desde início se patenteou inteira disponibilidade e interesse por parte do público-alvo em participar. O grupo manteve-se semelhante ao longo da implementação das atividades, tendo apenas o número de participantes variado por diversas razões, que sempre foram respeitadas. 5.1. Apresentação e descrição das atividades desenvolvidas 5.1.1. Ateliê de estimulação cognitiva Este ateliê teve como objetivos específicos os seguintes: • Sensibilizar para a importância de atividades de expressão cognitiva; • Proporcionar o relacionamento interpessoal; • Desenvolver e/ou manter o bem-estar psíquico; • Promover a função mnésica (memória retrógrada); • Despertar a sensibilidade dos utentes para os diversos tipos de letras ajudandoos assim a reaprender a ler e/ou escrever; • Despertar a atenção, concentração e o raciocínio lógico; • Estimular as habilidades motoras (motricidade fina e grossa) e a coordenação oculo-manual;
65 • Estimular os cinco sentidos. De forma sucinta apresentamos as atividades desenvolvidas nesta ateliê: • “Reaprender a aprender” (desdobrou-se em 6 sessões); • “Sopa de letras”; • “O intruso”; • “Bingo de figuras geométricas”; • “Jogo do loto” (com palavras); • “Jogo dos sentidos”; • “Qual é a coisa qual é ela?”; • “Organização da despensa”; • “Mente ativa”; • “Coordena-me”. Descrição Com o avançar da idade, inevitavelmente, estamos suscetíveis a despoletar certas patologias. Nesse sentido, este ateliê surge com a ambição de minimizar tais limitações. Desde logo os seniores começaram a demonstrar particular interesse nas atividades que realizamos neste ateliê, daí ser um dos que possui mais sessões dinamizadas. Trabalhamos a estimulação, a memorização, a observação e a motricidade às vezes em simultâneo outras em assíncrono. Sabemos de antemão que vivemos num país envelhecido onde a população idosa se caracteriza maioritariamente analfabeta. No que diz respeito ao nosso público-alvo encontramos alguns casos que sofreram de alfabetização regressiva, ou seja, precedentemente adquiriram os conhecimentos básicos (leitura/escrita), mas com o passar dos anos e, por conseguinte, a falta de prática os mesmos caíram no esquecimento. Deste modo, a atividade “Reaprender a aprender” desdobrou-se em díspares sessões (6) com o objetivo de estimular tais competências que já haviam perdido. A primeira sessão, foi dividida em duas partes, iniciou-se com uma explicação da atividade, sendo que, de seguida, após a distribuição dos papeis com letras do alfabeto foi pedido a cada
66 um dos idosos que escrevesse apenas palavras com a inicial em causa. É de ressalvar que, num mundo cada vez mais heterogéneo, surge a necessidade de percebermos a importância do respeito pelo próximo e da entreajuda. Nesse sentido, foram dados alguns exemplos numa primeira fase. A segunda parte, veio complementar a parte I desta sessão, na medida em que, após se abordar as diferentes letras, introduzimos o conceito de desenhar com os dedos no sal. Depois de fazer uma demonstração, pedimos a cada idoso que retratasse as várias letras trabalhadas. Na segunda sessão, dividiu-se, repetidamente, em duas partes. Primeiramente foram apresentadas as díspares imagens a todos os participantes (como por exemplo: tomates, alhos, alface, cebolas, batatas, feijão, cabaça, brócolos, etc.). Entretanto foram distribuídos por cada idoso, os cartões com as respetivas imagens de forma a contabilizarem a quantidade de cada produto apresentado e fazer correspondência ao número correto com uma mola. Posteriormente, numa segunda parte, e indo de encontro ao objetivo desta sessão, utilizou-se a plasticina para escrever os respetivos números trabalhados. Numa terceira sessão, a atividade desdobrou-se numa adaptação ao jogo do bingo. Na medida em que esta atividade teve como objetivo a alfabetização, apropriou-se ao “Bingo das letras”, ou seja, no lugar dos números colocou-se as diversas letras do abecedário. Depois de uma breve explicação da atividade e do seu objetivo, foram colocadas todas as letras do alfabeto dentro de uma caixa e sorteadas uma a uma. Por fim, tradicionalmente, os vencedores quando completaram a cartela gritaram “bingo”. No que diz respeito à quarta sessão, dividiu-se, reiteradamente, em duas partes. Como aquecimento, numa primeira parte, cada participante à vez lançava dois dados, tendo que contabilizar o número em causa por cada jogada, e de seguida aglomerar o mesmo em botões. Posteriormente, numa segunda parte, e indo de encontro ao objetivo desta sessão, utilizou-se o tabuleiro com números. Este tinha por objetivo colocar o número antes e o número depois (através de rolhas numeradas) correspondente ao tabuleiro em causa. É de salientar que os participantes se agruparam em mesas com capacidade para quatro pessoas para se proporcionar uma melhor dinâmica de grupo. De modo a dar continuidade a atividades de alfabetização, na quinta sessão foram distribuídos por todos os participantes um exemplar com letras do abecedário e sobre a mesa estavam dispostas diversas palavras recortadas de jornais e revistas. Pretendeu-se, que cada
67 participante encontrasse uma palavra, entre muitas, com a inicial indicada na tabela e assim sucessivamente. Por último, na sexta sessão trabalhamos o cálculo de forma a manter a mente ativa. Deste modo, com o auxílio de baralhos de cartas, tornamos esta atividade interativa. Foram entregues a todos os participantes exemplares de contas de somar, de subtrair, de dividir e de multiplicar, para que executassem a atividade. Era apresentado o resultado da conta com objetivo de encontrar números que levassem aquele resultado final. A atividade “Sopa de letras” iniciou com uma breve explicação dos temas trabalhados. Os temas foram: profissões, nomes de produtos agrícolas e nomes próprios (dos participantes). A dinâmica da atividade passou por procurar as diversas palavras que se encontram dispersas no papel. O jogo “O intruso” teve como objetivo a identificação das diversas imagens apresentadas (aglomeradas por categorias). Cada participante teve a tarefa de, num segundo momento, encontrar o intruso em determinada categoria justificando sempre a sua resposta. Foram trabalhados temas que são familiares a todos os utentes, como por exemplo a vida familiar, a agricultura, a alimentação, etc. No decorrer da atividade poderem relembrar e partilhar de que forma utilizavam tais objetos. No que concerne à atividade “Bingo de figuras geométricas”, esta desdobrou-se numa adaptação ao tradicional jogo do bingo. À medida que o jogo foi avançando, cada participante teve por objetivo concluir o jogo com o seu cartão completo das figuras que foram sorteadas. No “Jogo do loto” (com palavras) dispôs-se sobre a mesa algumas palavras (objetos, verbos, cores, sentimentos e emoções, entre outras) viradas para baixo. Quando se concluiu este procedimento solicitou-se a um interveniente que retirasse uma palavra, a lê-se e menciona-se a primeira palavra que surgia na sua mente após ler a palavra que lhe saiu em sorte (exemplo: a palavra que saiu é “pente” a primeira palavra que surge é “cabelo”). Num segundo momento, solicitou-se a cada individuo que contasse quantas letras constituía a palavra que lhe saiu em sorte. Os nossos sentidos com o passar da idade vão diminuindo. Nesse sentido a atividade “Jogo dos sentidos” teve o intuito de estimular o olfato, o paladar e o tato. É de ressalvar que a atividade se realizou com os participantes de olhos vendados de forma a aumentar o grau de dificuldade. A atividade denominada “Qual é a coisa qual é ela?” teve como objetos uma caixa adaptada onde foram colocados utensílios do nosso dia-a-dia. Posteriormente foi solicitado a cada individuo,
68 à vez, que colocasse a mão no interior da caixa e através da palpação adivinhasse qual o objeto em causa. Por fim, retiraram o mesmo e confirmaram as suas suspeitas. Cada participante proferiu em voz alta o nome do objeto e a sua utilidade. De forma a estimular ou reabilitar os idosos, na atividade “Organização da despensa” utilizou-se produtos do nosso cotidiano. Primeiramente foi distribuído uma mercadoria a cada utente (ex: lata de feijão; garrafa de água, etc) com o objetivo de encontrarem a autenticidade do mesmo, mencionando o dia, mês e ano. De seguida, foi-lhes pedido que em grupo colassem os produtos por ordem, da data mais próxima à data mais distante, de acordo com a validade. Importa referir que esta atividade é importante para pessoas que sempre desempenharam funções em casa e devido à disfunção cognitiva tiveram que se ausentar. Na atividade “Mente ativa”, cada membro do público-alvo teve a oportunidade de, à vez, lançar um dado com os seguintes temas: “Qual é a coisa qual é ela?”; “Canções”; “Haja saúde” e “Provérbios”. Depois, o participante em questão teve de responder à pergunta suscitada pelo tema. Veja-se os exemplos: “O que é que nasce grande e morre pequeno? R.: Lápis” (temaQual é a coisa qual é ela); “De quem é o balão que sobe pelo ar? R.: João” (temaCanções); “A ocasião… R.: faz o ladrão” (temaProvérbios); “Quantas vezes ao dia devemos escovar os dentes? R.: Duas”. Por fim, “Coordena-me” foi a atividade de encerramento deste ateliê. Foram apresentados aos idosos figuras e objetos furados cujo o intuito, e com auxílio de um cordão, era fazer correspondência. Após esta tarefa foi-lhes pedido o inverso, ou seja, que retirassem todo o cordão envolta da figura. Este processo repetiu-se com as diversas figuras existentes. Em suma, alcançamos pequenas vitórias, sessão a sessão, pois observamos que o públicoalvo ao longo do projeto se manteve interessado e participativo. De salientar que, o presente ateliê foi o que, efetivamente, teve mais participações e foram poucas as dificuldades que se fizeram sentir, mesmo quando estas envolviam a capacidade motora. Era notório, contudo, alguma hesitação dos participantes em responder de forma espontânea a algumas questões, ou porque tinham receio de errar ou não tencionavam que os restantes membros percebessem quais as suas limitações. No entanto, com o nosso apoio conseguimos ultrapassar tais barreiras concluindo sempre com um trabalho produtivo. De referir que após as atividades alguns elementos solicitavam exercícios para desenvolver no fim de semana.
69 Avaliação contínua Importa referir que nesta oficina, dos 20 indivíduos do nosso público-alvo, a média de participantes nas 15 sessões realizadas foram de 15 elementos. Através da grelha de avaliação (apêndice II) pudemos aferir, que esta oficina fixou-se no grau de “muito bom” e “excelente”. Ao longo das atividades os participantes desmontaram-se compreensivos, motivados, colaboraram incessantemente, o empenho e entusiamo foram notórios e o respeito um valor sempre presente. Contudo denotamos dificuldades ao nível da autonomia. Não obstante, com persistência e dedicação alcançamos os objetivos traçados. No final de cada sessão, através de conversas informais, os participantes revelaram sentirse motivados para atividades deste cariz. Mencionaram sentir-se satisfeitos em participar neste ateliê, fundamentando que as atividades desenvolvidas contribuíram para o seu bem-estar, proporcionando um envelhecimento ativo. Fazendo referência às apreciações que fomos recolhendo no decorrer das atividades, verificámos que os participantes adquiriram resistência e agilidade a nível físico e mental. Inicialmente pronunciavam sentimentos de desânimo tais como “eu nunca fiz isto, não sei” ou “já não tenho idade para puxar pela cabeça”. Contudo estes sentimentos foram-se dissipando alterando o discurso dos idosos “ando tão esquecida que isto ajuda muito”, “custou, mas cheguei lá”, “graças a deus que ainda estou boa da minha cabecinha”. No nosso parecer as pessoas encontravam-se formatadas para viver num mundo da passividade. Note-se que os participantes demonstraram maior complexidade na realização de exercícios que exigiram trabalhar habilidades motoras (motricidade fina e grossa) com principal destaque para a atividade “Coordena-me”. A atividade consistiu em fazer correspondência de uma figura com o auxílio de um cordão. Porém alguns dos idosos com tremeliques intensivos nas mãos sentiram maior dificuldade, no entanto com muita concentração, empenho e paciência permitiram que estes reduzissem na execução da tarefa. Todavia as atividades “Reaprender a aprender” e “Jogo dos sentidos” foram uma mais valia nesta oficina. Pudemos trabalhar a alfabetização de forma lúdica, ou seja, não recorrendo aos métodos normais de escrita, mas sim a várias dinâmicas com o objetivo de estimular os idosos a nível cognitivo, no domínio da atenção, da concentração e da linguagem. Estes exemplos de atividades permitiram pessoas sem literacia participarem, pois através do reconhecimento visual conseguiram identificar letras/números e atingir alguns dos objetivos delineados.
70 A atividade “Jogo dos sentidos” consciencializou todos os participantes que ao longo das nossas vidas o corpo e a mente vão despoletando determinadas patologias e consequência disso vamo-nos deparando com algumas limitações. Esta atividade permitiu aos participantes estar no mesmo patamar, ou seja, puderam sentir diversas dificuldades que, por exemplo, pessoas portadoras de cegueira enfrentam no seu dia a dia. Temos de ter consciência que o ser humano é singular e por isso devemos de respeitar o próximo independentemente da sua condição. 5.1.2. Oficina lúdico-pedagógica Esta oficina teve como objetivos específicos os seguintes: • Oferecer atividades lúdicas de cariz pedagógico; • Proporcionar auto e hétero-descoberta de potencialidades; • Desenvolver competências artísticas; • Exercitar a capacidade de resolução de problemas lógicos; • Estimular a criatividade, expressividade e espírito critico; • Proporcionar momentos de partilha e convívio. De forma sucinta apresentamos as atividades desenvolvidas nesta oficina: • “Pinte o seu avental”; • “Pinturas sensoriais”; • “Jogo do galo”; • “Jogos tradicionais ou de mesa”; • “Contador de costumes e tradições; • “Jogo do tétris”. Descrição Na presente oficina, apesar da parte pedagógica ser fundamental, tentamos que a vertente do lúdico não fosse esquecida e se tornasse igualmente relevante. Depois de refletido as atividades
71 a desenvolver na oficina, consideramos crucial haver algum divertimento para captarmos a atenção dos seniores e ganharmos a sua confiança sem que para isso os tivéssemos de infantilizar. As atividades direcionadas para este público-alvo devem corresponder às suas necessidades e, para tal, não temos de os ver como crianças, mas como adultos que são, com gostos claros e opiniões formadas. De forma a evitar a situação, mencionada anteriormente, criamos esta oficina não só para satisfazer os pedidos do público-alvo, mas também, para quebrar alguns tabus, pois muitas pessoas tem o pensamento que os idosos já nada têm a oferecer e que já aprenderam tudo o que tinham para aprender. Este ciclo de pensamento é tão forte e intrínseco que os próprios idosos creem não ter valor. A primeira atividade dinamizada denominada por “Pinte o seu avental” consistiu em transportar-nos para um mundo imaginário repleto de criatividade através da decoração de um avental com ajuda de tintas e algumas texturas/carimbos (como por exemplo limão, garfo, maça, rolos de papel higiénico, botões, cartão, etc). Posteriormente à decoração do avental, este teve como propósito a sua utilização no ateliê de culinária. A atividade “Pinturas sensoriais” teve como tema a primavera uma vez que se iniciava a estação. Foram distribuídas imagens de flores e borboletas por todos os participantes e deixamos ao seu encargo a escolha do material (cotonete, esponja ou algodão) bem como as cores a utilizar, podendo alterar sempre que quisessem. Tendo em conta o diagnóstico de necessidades, realizamos alguns jogos tradicionais (jogo do galo, jogo de cartas, dominó adaptado e jogo do tétris), que foram ao encontro dos gostos particulares do público, não descorando a dinâmica educativa. Por fim, a atividade “Contador de costumes e tradições” foi de encontro àquilo que consideramos ser relevante para cada um deles, o diálogo. Inicialmente, e estando todos os participantes acomodados, foi pedido a cada um dos idosos que contasse um momento marcante da sua história de vida, como a adolescência, a educação e as tradições e costumes que se perderam com o tempo, etc. À medida que os idosos contavam as suas histórias, qualquer participante podia colocar questões de modo a aumentar a partilha entre geração. Assim surgiram variadas questões como: “como comunicavam com as outras pessoas se não havia telefone nem internet?”, “vocês eram felizes?”, “como era ter essa profissão?”, entre outras às quais os idosos responderam abertamente. Importa esclarecer que em algumas atividades os seniores necessitavam do nosso auxílio, contudo, podemos observar que ao longo do tempo foram perdendo a timidez e o constrangimento
78 Por fim, num último momento – avaliação final – dinamizou-se uma dinâmica de grupo no qual através de uma pergunta de partida, cada um dos participantes opinou sobre o projeto e o desempenho da estagiária, findando com uma palavra que narrasse a relevância do mesmo na sua vida. Também foram realizadas às colaboradoras da instituição (diretora técnica, animadora sociocultural e psicóloga) uma entrevista semiestruturada (apêndice IV) de forma a recolher os seus testemunhos. Deste modo, seguidamente, serão apresentados, de forma detalhada, os resultados da avaliação final ao projeto. Gráfico 16Gostou das atividades dinamizadas ao longo do projeto Após analise deste gráfico podemos constatar que o público-alvo sentiu-se satisfeito com as atividades desenvolvidas ao longo do projeto, tendo um balanço 100% positivo. Os inquiridos mencionaram que as atividades foram úteis na medida em que proporcionou novas aprendizagens e reflexões, troca de opiniões e partilha de conhecimentos. Sim 100% Não 0% Gostou das atividades desenvolvidas ao longo do projeto? Sim Não
79 Gráfico 17Preferência de atividades Esta questão foi introduzida no inquérito de satisfação justamente para auxiliar na leitura das atividades que tiveram mais e menos impacto no estender do nosso projeto. Globalmente as atividades foram apreciadas positivamente sendo que, dos 20 idosos inquiridos, 8 mencionaram ter gostado de todas as atividades implementadas, não apontando quaisquer pontos negativos. O ateliê de estimulação cognitiva salientou-se para 4 participantes. Estes referiram que as atividades de alfabetização “Reaprender a aprender”, que se desdobrou em várias sessões, o “Jogo do loto”, a “Organização da despensa” e “Mente ativa”, foram as atividades que criam mais impacto nas suas vidas porque lhes proporcionou sentimentos de conquista e superação. Todavia, o ateliê de culinária destacou-se em 5 dos participantes especificando a confeção dos crepes e do pão com chouriço as “melhores e as mais deliciosas”. A oficina de música, como mencionado anteriormente, despoletou nos 3 participantes sentimentos de nostalgia. 17% 14% 22% 13% 34% Preferência de atividades Ateliê de estimulação cognitiva Oficina lúdico-pedagógica Ateliê de culinária Oficina de música Todas
80 Gráfico 18Grau de satisfação das atividades realizadas Questionados sobre o grau de satisfação das oficinas em que participaram, os 20 inquiridos responderam sentir-se bastante satisfeitos perante o nosso projeto, o que corresponde a uma percentagem muito positiva (100%). Ainda assim podemos verificar que ninguém respondeu negativamente à questão colocada. Estes resultados são espelhados na atividade final de avaliação - dinâmica de grupo – em que os participantes afirmam o impacto que este projeto teve nas suas vidas. 0%0% 100% Grau de satisfação Pouco Muito Bastante
81 Gráfico 19Sente que aprendeu alguma coisa? Como podemos verificar através da leitura do gráfico, todos os indivíduos inquiridos percecionaram ter adquirido aprendizagens com o projeto - Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior. Responderam que as atividades realizadas contribuíram para o aumento do seu bem-estar, da sua autoestima, bem como das relações interpessoais. 5.2.1. Atividade de avaliação final do projeto A avaliação final do projeto - Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior - consistiu na realização de uma dinâmica de grupo. Estiveram presentes todos os indivíduos que pertenciam ao público-alvo deste projeto. Inicialmente começámos por visualizar fotografias e vídeos das díspares atividades desenvolvidas, momento no qual se averiguou imensa agitação e, particularmente, satisfação por parte do público-alvo. Esta atividade proporcionou reviver muitos momentos sentidos nas distintas atividades e por conseguinte foi-lhes pedido, individualmente, que refletissem sobre cada uma delas e da forma como alterado a sua vida. Num segundo momento foi lançada a questão “o que é que este projeto veio mudar na minha vida?”, à qual cada um dos participantes partilhou o seu parecer. As opiniões foram 100% 0% Sente que aprendeu alguma coisa? Sim Não
82 díspares, mas um dos aspetos apontados unanimemente foi que o projeto os fez sentir completos e úteis. Outros aspetos salientados foram: que o projeto lhes permitiu adquirir e/ou relembrar novas aprendizagens, mas também potenciou a partilha de saberes entre geração; que lhes possibilitou compreender quais as potencialidades e limitações que cada um detém e de que modo as podem contornar; que o projeto promoveu o relacionamento interpessoal a partir do respeito; e a controlar determinados instintos através da paciência adquirida. Posteriormente, foram expostas duas cartolinas com os títulos “projeto” e “estagiária”. Neste sentido solicitou-se a cada um dos elementos do público-alvo que, numa palavra, definissem cada um deles explicando a sua opção. As palavras atribuídas pelos idosos de modo a caracterizar o projeto foram: aprendizagem – pois trouxe-lhes diferentes aprendizagens; convívio – por proporcionar momentos de conversação; orgulho – porque ultrapassaram diversas barreiras; satisfação – por se sentirem úteis; alegria – por nunca ter falhado mesmo nos momentos mais difíceis; respeito – apesar das diversas opiniões, sempre houve respeito mútuo (entre idosos, estagiária e colaboradores da instituição) na partilha de opiniões; entretenimento - porque os mantinha ocupados evitando o isolamento constante; imaginação – pois desenvolveram atividades diferentes do habitual; paciência – permitiu adquirir tal competência; partilha – porque dar é também receber; diversão - pois propiciou muitos momentos de gargalhadas; união – como se “trabalhassem” como um só; único – por se diferenciar de todas as experiências já vividas; gratidão – porque sentiram-se agradecidos pela oportunidade de participar nele; e diálogo – pois conversaram sobre as perspetivas de cada um face a diversos temas. As palavras concedidas à estagiária foram: esforçada – pois esforçou-se para alcançar os seus objetivos; alegre – porque mesmo com os seus problemas pessoais mostrava boa cara; amiga – sempre disposta ajudar e a ouvir, particularmente; humilde – porque está sempre disposta a aprender, apesar dos muitos conhecimentos que já tem; madura – por ter mentalidade de um adulto com bastante experiência; agradável – porque tinha sempre boas palavras a dizer; prestável – pois mostrava-se sempre disponível a ajudar; respeitadora – por respeitar a opinião e forma de ser de cada um; brincalhona – pois tinha a capacidade de despertava sempre alguma gargalhada; mulher – por saber falar e comportar-se como tal; pacificadora – pois tentou evitar conflitos tratando todos por igual; organizada – porque nunca falhou com as suas tarefas; preocupada – por se preocupar com o bem-estar de todos; educada – por respeitar, acima de
83 tudo, cada pessoa; paciente – pois sempre teve paciência com o tempo que cada um precisava para fazer as suas tarefas; e sábia – porque transmitiu muitos conhecimentos. Concluímos a atividade com a seguinte questão “considera que o projeto transformou a visão que tinha sobre a sua idade?” à qual, com unanimidade, responderam “sim”, porque os fez compreender o valor da partilha dos seus conhecimentos, obtidos transversalmente da experiência de vida, e que os gerações vindouras não possuem. 5.2.2. Resultados das entrevistas aos colaboradores da instituição As entrevistas aos colaboradores da instituição (apêndice IV), que acompanharam o estágio, viabilizaram a sua apreciação sobre a relevância e o impacto deste projeto. Quando indagados sobre o impacto dos ateliês e oficinas desenvolvidos ao longo do projeto, a acompanhante, mencionou que “tiveram um importante contributo para a manutenção e promoção do envelhecimento ativo dos utentes que manifestaram interesse em participar nas mesmas” (entrevista 1). A animadora sociocultural, fazendo alusão ao feedback dos participantes e ao que presenciou, salienta que estas “vieram complementar as atividades que já aqui se desenvolvem, tornando o nosso plano de atividades ainda mais rico, diversificado e com a possibilidade de criação de grupos de trabalho diferentes onde desenvolvemos atividades em simultâneo” (entrevista 2). A psicóloga ressaltou que “as atividades/oficinas/ateliês desenvolvidos e dinamizados pela Catarina assumiram um papel preponderante na promoção do bem-estar físico e psíquico e consequentemente no envelhecimento saudável dos nossos seniores” (entrevista 3). Questionados sobre o contributo do projeto para um envelhecimento ativo, do ponto de vista da psicóloga “todas as dinâmicas/atividades realizadas foram devidamente estruturadas pela Catarina, com objetivos centrados na promoção de um envelhecimento ativo”. As mesmas “permitiram aos nossos seniores o aprimoramento de competências e suscitaram o interesse/motivação para novas atividades. Criaram neles sentimentos de conquista, valor próprio/ autoestima e de pertença” (entrevista 3). A animadora sociocultural acrescenta ainda que “permitiram aos utentes promoverem a sua autonomia; o bem-estar; e estimular a concentração e atenção partindo de atividades lúdicas” (entrevista 2). Na ótica das nossas entrevistadas, quando intimadas sobre a sua perspetiva face às atividades realizadas, replicaram, de forma unanima, que todo o projeto foi extremamente
84 importante e correspondeu inteiramente às suas expectativas, acrescentando que as “atividades tiveram um impacto muito positivo na dinamização da instituição e naquilo que assumimos ser como fundamental na prestação de cuidados: envelhecimento ativo e promoção do bem-estar físico e psíquico” (entrevista 3). Por sua vez, a animadora sociocultural, adita que as atividades de culinária “foram as mais surpreendentes na medida em que a Catarina utilizou este ateliê para fazer com os utentes coisas que lhes fizeram relembrar os seus tempos (ex: pão com chouriço)”, como também “lhes apresentou novos sabores (ex: crepes com Nuttela )”. Rematando que essa diversidade cativou e incentivou a participação dos idosos nas atividades. Sondadas sobre o trabalho desenvolvido pela estagiária, na sua análise, mencionaram que possui uma grande capacidade de ação e o perfil adequado para trabalhar com esta faixa etária. Apresentando inúmeras qualidades e competências: disponível “sempre que verificava ser necessário ajudar fora do seu horário prontificava-se para trabalhar” (entrevista 2), proativa, dinâmica “desperta neles à-vontade e o interesse em se manterem ativos e proporcionando momentos de conforto e tranquilidade” (entrevista 3), ativa, motivada “na realização do seu projeto” (entrevista 1), empática, dedicada “tem paixão pelo trabalho neste contexto” (entrevista 3), criativa, presente “não se cingiu a aplicar o seu plano de atividade, foi um grande apoio em todas as outras atividades que desenvolvemos durante o seu estágio” (entrevista 2) e “extremamente trabalhadora” (entrevista 3). Concluindo que foi realizado um “excelente trabalho” (entrevista 1 e 3). Interpeladas pela evidência de que ainda há muito por fazer, concluindo ser uma realidade absoluta, frisam que este é o caminho a seguir! “É este o espírito, a ambição, o trabalho, o querer mais e melhor que desperta sorrisos, vontades e sentimentos de valoração pessoal nos nosso seniores”. Contudo ressalva que “o bem-estar e qualidade de vida passa, também, por trabalhos como este que foi desenvolvido pela Catarina” (entrevista 3). 5.3. Discussão dos resultados de avaliação No presente tópico, apresentamos a análise dos resultados obtidos. Na ótica de Guerra (2002) trata-se do cumprimento dos objetivos que nos propusemos alcançar, tendo em consideração os dados adquiridos através dos inquéritos de satisfação, da dinâmica de grupo
85 realizada no final do projeto, das conversas informais com o público-alvo e alguns colaboradores da instituição e dos registos efetuados no diário de bordo. Importa ressalvar que, depois de confirmados os dados, o grau de satisfação do públicoalvo reverenciado a cada atividade desenvolvida foi bastante satisfatório e com utilidade para os mesmos, uma vez que foi notório o progresso da participação nas atividades desenvolvidas, o entusiasmo e vontade de instruir-se e, especialmente, de partilhar conhecimentos. O objetivo primordial deste projeto – promover o envelhecimento ativo dos idosos – foi alcançado com sucesso, comprovado na resposta dos participantes e dos colaboradores da instituição. As propostas lançadas nas diferentes oficinas e ateliês resultaram numa massiva participação do público-alvo. O facto de direcionar as atividades para o bem-estar físico, psicológico e social, bem como, o reconhecimento da relevância das mesmas para a conservação e/ou aprimoramento destas mesmas capacidades são indicadores positivos no processo de autoavaliação. O segundo objetivo delineado – estimular os idosos a nível cognitivo e motor – foi conquistado ao longo do projeto, uma vez que este se cingiu em trabalhar o individuo holísticamente. Consequentemente o estímulo de partilha de saberes orientando à valorização pessoal e social, reiteramos tê-lo obtido na sua plenitude ao longo do desenrolar das oficinas e ateliês. Importa salientar que o funcionamento destes estava muito direcionado para a partilha de conhecimentos e vivências. O último objetivo, importante como os demais, – potenciar a autonomia dos idosos e as relações interpessoais – foi de igual modo conseguido com sucesso. A maior visibilidade deste alcance verifica-se na entreajuda criada, irradiado na satisfação demonstrada por vários indivíduos, nos laços afetivos estabelecidos, na medida em que após o término do projeto, se mantiveram. Na construção do nosso projeto, intrinsecamente ligado à ressocialização de adultos, tivemos sempre presente os ensinamentos de García & Sánchez (1997) e Antunes (2008), particularmente aqueles que nos alertam para que devamos sempre conhecer as histórias de vida dos idosos com quem trabalhamos, com o objetivo de melhorar o seu desenvolvimento pessoal e social. Retivemos também desses ensinamentos que é fundamental estimular a participação e a interação com o intuito de perspetivar um novo sentido para as suas vidas. Com os estímulos à criatividade, quisemos aumentar a sua autoestima e proporcionar momentos de felicidades e de autoconfiança para que se mantenham ativos, preservando-se por esta via o seu bem-estar físico, psíquico e social.
86 Assim sendo, comprovamos a congruência das atividades dinamizadas em função das necessidades, interesses, objetivos e expectativas do público-alvo. Seguindo a mesma linha de pensamento, é legítimo afirmar que alcançamos os objetivos propostos. Tal como se vem verificando analogamente no relatório, o projeto fomentou o progresso das competências pessoais e sociais nos idosos, testemunhadas pela aprendizagem realizada, pela confraternização e pela partilha de conhecimentos. Segundo os vários autores, que ao longo do relatório foram parafraseados, torna-se imperativo realçar que a investigação-ação participativa teve como principal função a promoção de conhecimentos e o empoderamento dos sujeitos, concebido pela edificação e utilização dos respetivos saberes e experiências, de modo a alcançar um envelhecimento ativo. Através das técnicas de intervenção - como a animação sociocultural e a musicoterapia - conseguimos, nutridos por uma motivação constante e um diálogo constante, uma vigorosa implicação dos intervenientes. A participação ativa proporcionou ao público-alvo assumir o papel de protagonistas de todo o processo, pelo que houve a necessidade de os cativar e envolver no processo de intervenção, transformando-os em sujeitos mais autónomos, com capacidade de reflexão crítica e apreensão dos distintos dilemas e interesses. De extrema relevância é percecionar que os referenciais teóricos mobilizados que serviram de suporte para este projeto, assumiram um papel preponderante na conceção, implementação e avaliação do projeto. O recurso a autores de renome permitiu-nos depreender os fenómenos da problemática estudada. Aquilo que se procura salientar nesta abordagem, tendo presente as ideias dos vários autores estudados, está centrado no profundo conhecimento da realidade que conduz ao sucesso de qualquer projeto, já que atenta qualquer tipo de necessidades sociais e/ou interesses e expectativas da população.
87 VI. Considerações finais Este projeto de investigação e/ou intervenção – Semear o envelhecimento ativo numa residência sénior – teve como finalidade a promoção do envelhecimento ativo, numa perspetiva de educação ao longo da vida, desenvolvido numa residência sénior. Ao longo deste projeto, procuramos cooperar para a transformação do público-alvo em sujeitos mais ativos, cientes, entusiastas e reflexivos. Neste sentido, desenvolvemos diversas atividades de cariz sociocultural divididas em oficinas e ateliês, que permitiram o desenvolvimento de capacidades físicas, cognitivas, emocionais, socias, assim como, a estimulação da relação interpessoal. Importa salientar que projetos educativos, que diligenciam as dimensões descritas anteriormente, são pertinentes e benéficos para a população adulta, na medida em que proporcionam momentos de partilha, permite estabelecer vínculos afetivos e dota os indivíduos de habilidades, práticas e ferramentas emancipatórias, de empoderamento e convivialidade. Partilhamos da opinião de vários autores quando referem, que a educação é determinante para o desenvolvimento do universo, pois acreditamos que o educador tem um papel hegemónico na transformação da realidade social e na resolução dos dilemas com que se vai deparando. Peculiarmente, a nível institucional, o presente projeto, teve um impacto significativo na medida em que, respeitando as características da instituição e o conhecimento que detém da realidade do seu público, complementou as dinâmicas desenvolvidas na instituição tornando o plano de atividades mais diversificado. Este projeto, além de se apresentar como um culminar de um ciclo de estudos, trouxe implicações a nível pessoal. Possibilitou aprofundar, realizar e consolidar as aprendizagens obtidas ao longo do nosso percurso académico, como por exemplo o desenvolvimento e aprimoramento de competências transversais, nomeadamente competências de observação, comunicação, gestão de conflitos, liderança, espírito de equipa, capacidade adaptativa a situações de improviso e stress, autorreflexão, entre outras. Primitivamente, aquando o começo do estágio, pairavam sentimentos de ansiedade pela oportunidade de colocar em prática todas as aprendizagens previamente adquiridas e receio pela consciencialização de que as bases teóricas não seriam suficientes para, em determinadas circunstâncias, solucionar as adversidades que surgissem. Todavia, estes sentimentos foram cruciais para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Porque a integração na instituição permitiu-nos compreender, essencialmente, que
94 4. Tem filhos? Sim Não 4.1. Se sim, quantos? __________________ 5. Habilitações académicas: Não sabe ler/escrever 1ª Classe 2ª Classe 3ª Classe 4ª Classe Ensino básico Ensino secundário Licenciatura Outro Qual?________________________________________________________ 6. Qual/quais as profissões que desempenhou ao longo da sua vida? _____________________________________________________________________ Informação complementar (utente) 7. Apresenta dificuldades a nível de alguma/s das seguintes funções/capacidades? Ouvir Cheirar Ver Andar Dormir Comer Respirar Agarrar objetos Equilibrar-se Memorizar Outra Qual?________________________________________________________ Não, nenhuma
95 8. Por que motivo veio residir para a instituição? Opção própria Porque fui colocado (a) 9. Há quanto tempo está no Lar Alcide Felgueiras? ____________________________________________________________________ _____ 10. Costuma receber visitas? Sim Não 10.1. Se sim, de quem? ________________________________________________________________ Relação do Utente com a Instituição 11. O que mais gosta nesta instituição? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 12. O que menos gosta nesta instituição? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 13. Como gosta de ocupar os seus tempos livres? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 14. Costuma participar nas atividades realizadas na instituição? (caso a sua resposta seja não, prossiga para a questão 18) Sim Não 15. Gosta das atividades que se realizam nesta instituição? Sim Não
96 15.1. Se sim, porquê? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 16. Em que atividades, disponíveis na instituição, mais gosta de participar? Atividades religiosas Passeios Trabalhos manuais Festejo de dias temáticos Ginástica 17. Que outras atividades gostariam de realizar? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Obrigada pelo tempo disponibilizado! A estagiária, Catarina Silva.
97 Apêndice IIGrelha da avaliação contínua das atividades Nome da atividade: ________________________________________________________ Data de realização: ___________________ Participantes: _____________ Sendo 0 – Muito Fraco (a) 1 – Fraco (a) 2 – Razoável 3 – Bom 4 – Muito Bom 5 – Excelente Apreciações: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 0 1 2 3 4 5 Participação Compreensão Motivação Colaboração Satisfação Empenho Entusiasmo Autonomia Respeito Atenção
98 Apêndice IIIInquérito de satisfação Inquérito de Satisfação De forma a avaliar as atividades, bem como a sua execução, solicitamos que preencha o inquérito que se segue, de acordo com as seguintes escalas de avaliação: Questões: 1. Gostou das atividades desenvolvidas ao longo do projeto? a) Sim b) Não 2. Qual/quais a(s) atividade(s) que mais gostou? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 3. Qual o grau de satisfação? a) Pouco b) Muito c) Bastante 4. Sente que aprendeu alguma coisa? a) Sim b) Não 4.1. Se respondeu “sim” à questão, exemplifique. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________
99 Apêndice IVEntrevista semiestruturada Entrevista 1. Como Diretora Técnica/Animadora Sociocultural/Psicóloga qual o impacto das oficinas e ateliês desenvolvidos ao longo do projeto? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2. Na sua opinião, em que medidas as atividades realizadas contribuíram para um envelhecimento ativo ao nível do bem-estar físico, mental e social? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 3. Em que medida as atividades desenvolvidas corresponderam às suas expectativas? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________
100 4. Qual a sua opinião sobre o trabalho realizado pela estagiária? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 5. Contudo ainda há muita coisa a fazer! ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________
101 Apêndice VRegistos fotográficos dos Ateliês e Oficinas Figura 6 - Atividade "Reaprender a aprender" (1ª e 2ª sessão) Figura 7 - Atividade "Reaprender a aprender" (3ª sessão) Figura 8 - Atividade "Reaprender a aprender" (4ª sessão)
102 Figura 9 - Atividade "Reaprender a aprender" (5ª sessão) Figura 10 - Atividade "Reaprender a aprender" (6ª sessão) Figura 11 - Atividade "Reaprender a aprender" (7ª sessão)
103 Figura 14 - Atividade "Sopa de letras" Figura 13 - Atividade "O intruso" Figura 12Atividade "Bingo de figuras geométricas"
110 Anexo IDeclaração da instituição
111 Anexo IICarta de recomendação
112