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Vamos aprender a jogar e a descobrir o mundo através dos cinco sentidos Universidade do Minho Instituto de Educação Ana do Carmo Machado Ribeiro abril de 2022 Vamos aprender a jogar e a descobrir o mundo através dos cinco sentidos Ana do Carmo Machado Ribeiro UMinho|2022
Ana do Carmo Machado Ribeiro abril de 2022 Vamos aprender a jogar e a descobrir o mundo através dos cinco sentidos Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira Relatório de Estágio Mestrado em Educação Pré-Escolar Universidade do Minho Instituto de Educação
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Dedico este relatório a todos aqueles que sempre me apoiaram e contribuíram para a realização e concretização desta etapa final, sendo esta o Mestrado em Educação Pré-Escolar. Devo o meu agradecimento a todos os docentes da Licenciatura em Educação Básica e do Mestrado em Educação Pré-Escolar por todo o conhecimento transmitindo ao longo deste caminho. E um especial agradecimento à Professora Doutora Cristina Parente pela atenção e disponibilidade Às Educadoras e auxiliares que se cruzaram comigo no decorrer deste meu percurso devo-lhes um enorme agradecimento por todo o apoio, carinho, conselhos, partilhas e por toda a atenção e disponibilidade. Agradeço à Instituição Educativa onde estagiei pela forma acolhedora que me receberem ao longo da minha prática pedagógica. Em especial, à Coordenadora Pedagógica pelo incentivo, apoio e amabilidade. Às crianças, sem as quais este relatório não seria possível, devo o meu agradecimento mais profundo por todas as boas memórias que me proporcionaram e que nunca irei esquecer. Obrigada pelos sorrisos, abraços e aprendizagens partilhadas. Nunca vos esquecerei. Aos meus pais agradeço por terem acreditado que eu era capaz e por me terem dado apoio e carinho para continuar o longo caminho. Obrigada por darem-me força para lutar num dos momentos mais difíceis e desafiantes da minha vida. Aos meus colegas de curso, obrigada por todos os momentos partilhados. À Flávia e à Vera obrigada por todo o apoio e companheirismo ao longo destes dois anos difíceis. Às minhas colegas de estágio Anabela, Mariana e Tânia obrigada pelo apoio e os momentos partilhados ao longo deste percurso. À Carla e Vânia obrigada por toda a força e carinho que me deram. Às minhas amigas Cláudia e Márcia obrigada por terem tornado o primeiro ano de licenciatura inesquecível e pela grande amizade que construímos. Aos meus amigos, Cláudia Vaz, Tânia, Alexandra, Ana, Diana, Tiago, Hélder e Angélica obrigada pelo apoio constante e por me apoiarem nos bons e nos menos bons momentos. Obrigada, pela vossa amizade. sempre manifestadas. Devo também um agradecimento à Professora Doutora Beatriz Pereira pelo seu apoio e orientação ao longo da minha prática pedagógica.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v Vamos aprender a jogar e a descobrir o mundo através dos cinco sentidos RESUMO O presente relatório de estágio dá a conhecer o plano de intervenção desenvolvida na valência da creche e na valência do pré-escolar no âmbito da Unidade Curricular Estágio do Mestrado em Educação Pré-Escolar, realizado no Instituto de Educação da Universidade do Minho. Ambos os projetos foram sustentados através da observação do contexto, das crianças, dos seus interesses e necessidades. Assim, após identificar a problemática na valência da creche, prossegui para a construção e concretização do projeto que se intitulava “À descoberta do mundo através dos cinco sentidos”. Por sua vez, após identificar a problemática na valência do pré-escolar, prossegui para a construção e concretização do projeto que se denominada “Vamos aprender a jogar!”. O trabalho desenvolvido teve por base a aproximação da metodologia Investigação-Ação. A ação pedagógica no contexto em creche foi sustentada no modelo pedagógica High-Scope e a ação pedagógica no contexto em pré-escolar foi sustentada em dois modelos: High-Scope e a Pedagogia de Projeto. O projeto de intervenção na creche surgiu da observação do interesse das crianças pela exploração de materiais tanto no interior e exterior da sala e pelo facto que neste contexto as crianças aprenderem com todos os sentidos. No desenvolvimento deste projeto tive como intuito dar a conhecer às crianças os cinco sentidos e ajudá-las a entenderem a funcionalidade de cada um. Foi possível concretizar um projeto com relevante sucesso, uma vez que todas as atividades foram concretizadas de forma entusiasmada pelas crianças, fazendo com que todos os objetivos fossem cumpridos. O projeto de Intervenção no pré-escolar, surgiu de acordo com a educadora cooperante, tendo em conta as observações realizadas foi possível perceber a necessidade e o interesse das crianças pela educação física. Assim, foram proporcionadas atividades de educação física com objetivo de ajudarem a melhorar dificuldade ao nível da expressão motora demonstradas por algumas crianças. No decorrer do projeto tive como intuito dar a conhecer às crianças jogos tradicionais. Foi possível realizar um projeto com relevante sucesso, visto que todos os objetivos foram cumpridos. No fim do projeto verifiquei alguma evolução no desempenho na prática nos jogos tradicionais e no desenvolvimento de algumas competências a nível da Educação Física. Também foi possível verificar a prática de jogos tradicionais fora do contexto do projeto, nomeadamente no recreio. Palavras-chave: Brincar, Cinco Sentidos, Educação Física; Jogos Tradicionais.
vi Let's learn to play and discover the world through the five senses ABSTRACT This internship report aims to present the intervention plan developed in the nursery and the preschool area in the scope of the Internship Course Unit of the Master in Pre-School Education, held at the Institute of Education of the University of Minho. Both projects were supported by observing the context, the children, their interests, and their needs. Therefore, after identifying the problem in the daycare center, I proceeded to build and implement the project entitled “Discovering the world through the five senses”. In turn, after identifying the problem in the kindergarten, I proceeded to build and implement the project called “Let's learn to play!”. The work developed was based on the Research-Action approach. The pedagogical action in the daycare context was based on the High-Scope pedagogical model. And the pedagogical action in the preschool context was based on two models: High-Scope and Project Pedagogy. The intervention project “Discovering the world through the five senses” arose from the observation of children's interest in exploring materials both inside and outside the classroom and the fact that in this context children learn with all their senses. By developing this project, I wanted to introduce children to the five senses and help them understand the functionality of each sense. It was possible to carry out a project with significant success, since all activities were carried out enthusiastically by the children, ensuring that all objectives were achieved. The Intervention project “Let's learn to play!”, emerged after a conversation with the kindergarten teacher, considering all the observations made in the preschool context it was possible to perceive the need and interest of children for Physical Education. Therefore, Physical Education activities were provided to help children improve their difficulties in terms of motor expression demonstrated by some children. Throughout the project, I intend to introduce children to traditional games. It was possible to carry out a successful project, since all the objectives were achieved. At the end of the project, I noticed some evolution in the performance in the practice of traditional games and the development of capacities in physical education. It was also possible to verify the practice of traditional games outside of the context of the project, namely on the playing field. Keywords: Five Senses, Physical Education, Play, traditional games.
vii Índice Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros .................................................... ii Agradecimentos ................................................................................................................................. iii Declaração de integridade .................................................................................................................. iv Resumo .............................................................................................................................................. v Abstract ............................................................................................................................................. vi Introdução .......................................................................................................................................... 1 Capítulo I– Enquadramento contextual ................................................................................................ 2 2.1 Caracterização do contexto educativo ........................................................................................ 2 2.2 Caracterização do contexto de intervenção em Creche e Pré-Escolar .......................................... 3 2.4 Caracterização da rotina diária na Creche e no Pré-Escolar ........................................................ 8 2.5 Caracterização dos grupos de intervenção ...............................................................................10 2.5.1 Caracterização do grupo no contexto de Creche ...................................................................10 2.5.2 Caracterização do grupo em contexto de Pré-Escolar ............................................................11 2.6 Dimensão investigativa e metodológica ....................................................................................12 Capítulo II – Enquadramento teórico .................................................................................................16 3.1 A importância da educação pré-escolar e a visão de criança.....................................................16 3.2 O papel fundamental do Educador de Infância .........................................................................17 3.3 A importância do brincar para as crianças ...............................................................................19 3.4 A importância da educação física para o desenvolvimento integral das crianças..................21 3.5 A importância dos jogos tradicionais na educação pré-escolar ..................................................22 3.6 A importância dos cinco sentidos na creche .............................................................................23 Capítulo III – Projeto de Intervenção Pedagógica ................................................................................24 4.1 Identificação da problemática do Contexto em Creche .............................................................24 4.1.1 Objetivos da Intervenção Pedagógica ....................................................................................24 2.3 Caracterização da sala de atividades na Creche e no Pré-Escolar ...............................................4
5 Relativamente ao espaço, apresentado no Anexo A, este está dividido em seis áreas devidamente delimitadas, sendo estas a área do acolhimento, a área da expressão plástica, a área das construções, a área da biblioteca, a área do faz de conta (dividida em duas áreas: área do quarto e a área da cozinha) e a área dos jogos. Existia ainda um espaço destinado à higiene e uma área de repouso. Área de repouso: esta área surgia quando os catres era colocados ao longo do espaço da sala enquanto as crianças se encontravam no refeitório a almoçar e eram retirados após os momentos de descanso. A disposição dos catres respeita diariamente a escolha feita pela equipa educativa, de modo a proporcionar a todas as crianças as melhores condições de descanso. Espaço de higiene: este espaço era constituído pelo fraldário e um pequeno lavatório feito à medida das crianças, permitindo o seu alcance. No fraldário existia um armário onde eram guardadas as fraldas e os resguardos das crianças que ainda não tinham realizado o desfralde. Por cima do lavatório existiam duas prateleiras onde estavam guardados os cremes das crianças, as suas escovas de cabelo e os medicamentos. À beira do lavatório encontrava-se uma caixa com as garrafas de todas as crianças. Área do acolhimento: esta área era partilhado pela área da biblioteca. Era constituída por um tapete de grandes dimensões, no qual eram realizados os momentos de acolhimento e a maior parte das atividades de grande grupo que ocorriam no espaço interior. Área das construções: esta área era composta por uma grande diversidade de materiais: blocos, carros, amimais, legos). Nesta área existiam algumas caixas de arrumação etiquetadas, com os materiais aí presentes, encostadas numa das paredes da sala. Área da biblioteca: nesta área as crianças tinham a oportunidade de explorar livros de consulta rápida, livros de imagens, histórias sobre diversos assuntos, dicionários de imagens, livros de janela surpresa e vários fantoches. Os livros organizavam-se numa prateleira e os fantoches numa caixa de madeira. Área da expressão plástica: esta área era constituída por uma mesa e cadeiras. Junto à mesa existia um armário com várias caixas de arrumação, através das quais as crianças tinham acesso a lápis de cor grossos e finos, lápis de cera, plasticina, pinceis, folhas brancas e de cor tamanho A4 e folhas de tamanho A3. Este ainda detinha: moldes, rolos, colas, tesouras, revistas e diferentes tipos de papéis.
6 Área “faz de conta”: esta área estava dividida em duas áreas distintas (área do quarto e a área da cozinha). A parte da cozinha era composta por armários da cozinha (fogão, forno, banca com torneira, armário para arrumar a loiça). Tinha também diferentes loiças de cozinha (pratos, copos, talheres, panos, aventais, panelas e bacia) e alguns alimentos (fruta, carne, peixes, pão e legumes). Na parte do quarto era possível encontrar mobiliário de quarto (cama e mesa-de-cabeceira), vários bonecos, carrinhos de bebé e diversas roupas para os bonecos. No que diz respeito ao espaço exterior, a sala detinha de uma parede composta por janelas do chão até ao teto, permitindo assim o acesso ao exterior. O exterior era composto por um espaço de areia com um escorrega, uma parte de terreno relvado, com baloiço e bastante espaço livre e tinha ainda uma parte de cimento. A sala dos 3 anos A, apresentado no Anexo B, está organizada em áreas de aprendizagem, de forma a permitir à criança deslocar-se autonomamente para cada uma destas áreas. Estão todas devidamente delimitadas, facilitando o seu reconhecimento por parte das crianças. Os materiais são variados e em quantidade suficiente. O espaço sala constitui-se como um lugar acolhedor, quente, iluminado e cómodo, sem obstáculos perigosos que possam arriscar a segurança física das crianças. Assim, está organizado de forma a proporcionar conforto, apoiando sempre a abordagem sensóriomotor das crianças. A sala de atividades está dividida em dividida em sete áreas de interesse distinta: área do acolhimento, área das construções, área da biblioteca, área das expressões plásticas, área dos jogos, área do computador, área do faz de conta. Existia também a área de repouso que surgiu apenas nos momentos de descanso e o espaço de higiene. Área de repouso: esta área surgia quando os catres era colocados ao longo do espaço da sala. A disposição dos catres respeita diariamente a escolha feita pela equipa educativa, para assim proporcionar a todas as crianças as melhores condições de descanso. Espaço de higiene: este espaço era constituído por uma casa de banho e um lavatório. Por cima do lavatório existiam duas prateleiras onde estavam guardados os cremes das crianças, as escovas de cabelo e os medicamentos. À beira do lavatório encontrava-se uma caixa com as garrafas de todas as crianças. A casa de banho possui móveis típicos desse espaço.
7 Área do Acolhimento: esta área era constituída por um tapete, em que as crianças se reuniam para cantar os bons dias, preencherem o quadro das presenças, o quadro das tarefas e o quadro do tempo, dialogarem em grande grupo e planificarem o dia. Área das Construções: esta área era composta por uma grande variedade de materiais: blocos, carros, camiões, animais, legos, madeiras e mala de ferramentas. Esta área era constituída por um armário no qual estavam colocadas caixas de arrumação etiquetadas para facilitar a arrumação dos materiais. Área da Biblioteca: nesta área as crianças tinham a oportunidade de explorar livros de consulta rápida, livros de imagens, histórias sobre diversos assuntos, dicionários de imagens e livros de janela surpresa. Estes livros organizavam-se numa prateleira que estava alcance das crianças. Área das Expressões plásticas: Esta área estava situada num canto da sala mais afastado da porta e era constituída por duas mesas de trabalho e várias cadeiras. Esta área era constituída por duas grandes prateleiras ao alcance das crianças onde as crianças tinham acesso a diversos materiais: marcadores, lápis de cor, lápis de cera, lápis de carvão, folhas brancas e de cor tamanho A4, plasticina de cores diferentes, moldes, rolo, cola tesoura, folhas de colagem e revistas. Na parede as crianças tinham à sua disposição um quadro para pintura, bata impermeável, copos para tintas com os respetivos pinceis e folhas de tamanho A3. Áreas dos Jogos: Esta área era composta por uma mesa e algumas cadeiras. Nesta área as crianças tinham à sua disposição uma grande variedade de puzzles, jogos de encaixe, jogos de associação, dominós e outros jogos de mesa que estavam dispostos numa prateleira. Área do Computador: Esta área esta situada num dos cantos da sala e era composto por um computador, um teclado e um rato. Nesta área as crianças tem a oportunidade de aprender a ligar e desligar o computador, a partilhá-lo com os pares, a desenvolver a linguagem, o raciocínio lógico e o pensamento crítico, assim como a coordenação óculomanual com o manuseamento do rato. Área do Faz de Conta: Esta área era dividida por duas áreas distintas (o quarto e a cozinha). A parte da cozinha era constituída por armários da cozinha: fogão e forno, frigorífico e congelador, banca com torneira, armário para arrumar a loiça, mesa com três bancos e cesto para guardar alimentos. Possuía também uma variedade de loiça de cozinha (pratos,
8 copos, talheres, panos e aventais, panelas e bacias) e alguns alimentos (fruta, carne, peixes, pão e legumes). A parte do quarto era constituída por mobília de quarto, diversos bonecos, roupas das várias estações do ano e acessórios para os bonecos. Em ambas as salas todos os mobiliários e materiais se encontram à altura e alcance das crianças. Os móveis estão etiquetados, com fotografias dos materiais correspondentes, de modo que as crianças tenham autonomia na sua exploração e autonomia na sua exploração e arrumação, proporcionando, assim “a execução do ciclo encontra-brinca-arruma” (Hohmann & Weikart, 2004, p.164). Nas paredes da sala do pré-escolar para além dos trabalhos das crianças, estão presentes alguns quadros de pilotagem sendo três destes quadros utilizados diariamente pelas crianças, como o quadro das presenças, o quadro dos aniversários, quadro do planear e o quadro do tempo. Por sua vez, na sala da creche nas paredes da sala encontravam-se os trabalhos das crianças e o quadro dos aniversários. Estes quadros têm como objetivo apoiar as crianças orientando-as e tornando-as mais seguras e autónomas. De salientar que “Todos estes instrumentos são facilitadores da organização democrática e ajudam as crianças a integrar as suas próprias experiências no grupo” (Folque, 1999, p.9). 2.4 Caracterização da rotina diária na Creche e no Pré-Escolar A instituição abre às 7h30. No início do meu estágio as crianças eram recebidas por uma auxiliar que os levava para a sala dos 2 anos A, devido à situação pandémica que estamos a atravessar. Contudo, no fim do meu estágio os pais levavam as crianças à sala. Quando estão nesta sala as crianças têm oportunidade de brincar nas áreas e ainda de interagir com as crianças dessa sala e com uma auxiliar. Às 9h00 a educadora chega à sala dos 2 anos A e leva-os para o refeitório onde tomam o reforço da manhã. Quando chegamos ao refeitório o grupo senta-se nas mesas para fazermos o lanche da manhã, e em seguida, fazer a higiene. Após a higiene, por volta das 9h30 a educadora leva o grupo para a sala. Chegando à sala, as crianças sentam-se no chão em roda para cantarmos os bons dias, cantarmos algumas canções e dançarmos uma música. A seguir, pelas 10h as crianças fazem atividades de escolha livre, escolham as áreas onde querem ir brincar ou atividades de pequeno grupo ou de grande grupo. Importa referir que às segundas-feiras e quintas-feiras o grupo têm Oficina do Corpo das 10h00 às 10h30 9h30 às 10h, assim respetivamente. Contudo, por vezes a Oficina do Corpo ocorria às sextas-feiras das 9h30 às 10h. Por sua vez, às quartas-feiras têm a Oficina do Som das 11h às 11h30.
9 Seguidamente, por volta das 11h30 fazem a higiene e a seguir é o momento do Almoço. Depois por volta do 12h30 as crianças voltam a fazer a higiene e em seguida é o momento do repouso. Entre as 15h00 e as 15h30 as crianças começam a acordar e fazem a sua higiene. Posteriormente, entre as 15h30 e as 15h45 é realizado um tempo de grande grupo onde são lidas histórias e cantadas canções. Após isso, entre as 15h45 e as 16h30 as crianças lancham e depois fazem a sua higiene. Em seguida, dirigem-se até à sala na qual realizam atividades de escolha livre ou vão até ao recreio da valência de creche. Por fim, às 18h15 tomam o reforço do lanche da tarde. Segundo o Plano Curricular de Grupo 2B (2021–2022) , a rotina diária, apresentada no anexo C possui diferentes momentos que são vividos todos os dias pelo grupo de crianças sendo estes: o momento de chegada, o acolhimento, tempo de grande grupo, tempo de pequeno grupo, tempo de escolha livre, tempo de exterior, tempo de repouso, momentos de higiene, momentos de refeição, atividades de animação socioeducativa e o momento de partida. As crianças do contexto em pré-escolar são recebidas por auxiliares no pavilhão da instituição. Aqui as crianças têm a oportunidade de brincar com os diversos materiais presentes e interagir com as crianças das outras salas do pré-escolar e com os adultos. Às 9h00 a Educadora chega ao pavilhão e organização o grupo num comboio e leva-os para a sala. Chegando à sala o grupo senta-se no chão em roda nos seus lugares estipulados com figuras geométricas. Entre as 9h00 e as 9h30 realiza-se o momento do acolhimento, neste momento cantamos os bons dias, contamos as novidades, marcamos as presenças e o tempo. Em seguida, entre as 9h30 e as 9h40 realiza-se o tempo de planear. Depois entre as 9h40 e as 10h10 o grupo desenvolve atividades de pequeno grupo planeadas pela educadora ou trabalham nas áreas. Contundo, à segunda-feira as crianças realizam a ginástica no pavilhão da instituição. De seguida, entre as 10h10 e as 10h15 as crianças fazem a sua higiene para se preparem para o lanche da manhã. Seguidamente, entre as 10h30 e as 10h45 as crianças vão até ao recreio. Posteriormente, entre as 10h45 e as 11h20 as crianças retomam a atividade de pequeno grupo que estavam a realizar ou continuam a trabalhar nas áreas em que estavam. Entre as 11h20 e as 11h30 as crianças arrumam a sala e realizam o tempo de rever, neste momento partilham com o grupo o que estiveram a realizar durante o tempo de trabalho nas áreas. De seguida, entre as 11h45 e as 11h50 as crianças fazem a sua higiene para se prepararem para o almoço. A seguir, entre as 11h50 e as 12h40 as crianças almoçam e de seguida fazem a higiene oral e às 13h até às 15h fazem a sesta.
10 Das 15h até às 15h30 as crianças começam a despertar e fazem a sua higiene. Entre as 15h30 e as 15h50 há sempre uma atividade em grande grupo planeada pela Educadora. Em seguida, as crianças fazem a sua higiene e vão até ao refeitório para lanchar. Entre as 16h30 e as 17h30 realizam-se as atividades de enriquecimento curricular, trabalho nas áreas ou vão até ao recreio. Posteriormente entre as 17h30 e as 18h15 as crianças realizam atividades de animação Social, depois tomam o reforço do lanche da tarde. Por fim, às 18h30 é o tempo de saída da instituição. Segundo o Plano Curricular de Grupo 3A (2021–2022) a rotina diária, apresentada no anexo D possui: o momento de chegada, o acolhimento, tempo de grande grupo, tempo de pequeno grupo, tempo de escolha livre, tempo de exterior, tempo de repouso, momentos de higiene, momentos de refeição, atividades de animação socioeducativa e o momento de partida. 2.5 Caracterização dos grupos de intervenção 2.5.1 Caracterização do grupo no contexto de Creche O grupo de crianças no qual fui inserida pertencia à valência de Creche e era composto com crianças com dois e três anos, intitulado assim por 2B. O grupo era composto por 19 crianças, sendo 12 do sexo feminino e 7 do sexo masculino. Estavam presentes doze crianças de dois anos e sete crianças de três anos, estando uma destas a repetir novamente a sala dos dois anos. Nesta contextualização do grupo, considero importante referir que todas as crianças pertenciam a uma classe social média alta, tendo, vários pais das crianças habilitações académicas superiores, sem dificuldades financeiras aparentes. O grupo era bastante comunicativo e bastante expressivo, estando sempre disposto a comunicar e a interagir com os adultos da sala e com os pares. Era também um grupo bastante interessado por todas as atividades propostas e estavam sempre com muita vontade de realizar essas mesmas atividades. As crianças gostavam de explorar o espaço da sala de atividades e dos seus diversos materiais, bem como o espaço exterior. Verifiquei também o interesse que tinham pelas canções, pelos animais, por brincar ao faz-de-conta e brincar na área das construções. Os animais é o tema que mais lhes desperta a atenção, pois sentem bastante curiosidade sobre o mesmo, gostando de brincar com eles na área das construções e de os imitar. A área do faz de conta (cozinha e quarto) e a área das construções são as áreas mais procuradas pelas crianças.
11 Algumas crianças do grupo apresentam dificuldade em calçar e descalçar o calçado, em subir e descer uma cadeira e em desapertar o casaco da instituição. A maioria das crianças conseguem ir sozinhas à casa de banho. Para lavar e secar as mãos é necessário o auxílio do adulto, uma vez que ainda não conseguem realizar essa tarefa sem se molharem. No almoço conseguem comer sozinhos, mas gostam do apoio do adulto. 2.5.2 Caracterização do grupo em contexto de Pré-Escolar O grupo de crianças no qual fui inserida pertencia à valência de jardim de infância era composto com uma criança de quatro anos e as restantes tinham três anos e intitulava-se por 3A. Era constituído por 21 crianças,13 do sexo feminino e 8 do sexo masculino. As crianças do grupo, à exceção de quatro, já haviam frequentado o contexto e tido contacto com o grupo em anos anteriores com a Educadora quando se encontravam na sala de 1A. Destas quatro crianças duas já tinham frequentado uma instituição educativa e as restantes nunca tinham frequentado. De um modo geral, o grupo de criança que já frequentavam a instituições no ano anterior demonstraram uma boa adaptação à nova sala, como também uma boa relação com as novas crianças e também com os adultos. Contudo as crianças que entraram este ano pela primeira vez num jardim de infância tiveram uma adaptação mais difícil. De referir que referir que todas as crianças pertenciam a uma classe social média alta, tendo a maioria dos pais das crianças habilitações académicas superiores, sem dificuldades financeiras aparentes. O grupo de crianças era bastante alegre, bem-disposto, bastante curioso, com vontade de conhecer o mundo que as rodeia e sempre interessadas em descobrir coisas novas. A grande maioria era bastante participativo nas atividades desenvolvidas na sala e nas atividades da rotina. Relativamente à capacidade motora, todas as crianças apresentavam facilidade em andar sem auxílio do adulto. Ao nível da alimentação, poucas crianças precisam de auxílio, contudo é necessário várias vezes a intervenção do adulto nos momentos de refeição, nomeadamente no almoço. No que diz respeito ao nível da linguagem era um grupo bastante comunicativo e expressivo estando sempre disposto a comunicar e a interagir com os adultos e com os seus pares. Algumas crianças ainda usavam frases muito rudimentares, no entanto a maioria das crianças do grupo eram capazes de estabelecer uma comunicação verbal. O grupo demonstrava particular interesse pelos animais, por atividades de educação musical, em contar as novidades e ainda o espaço exterior.
12 2.6 Dimensão investigativa e metodológica O projeto de intervenção no contexto em creche e o projeto de intervenção em jardim de infância se aproximarem aos princípios de investigação-ação, passando por algumas fases. Primeiramente, considero importante clarificar melhor esta metodologia de ação. Temos de ter em conta que não existe apenas uma definição única da metodologia de investigação-ação, ou seja, cada autor que reflete sobre este tema apresenta a sua própria conceção do mesmo. Posto isto, “A investigação-ação pode ser descrita como uma família de metodologias de investigação que incluem cação (ou mudança) e investigação (ou compreensão) ao mesmo tempo utilizando um processo cíclico ou em espiral, que alterna entre acção e reflexão crítica.” (Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira & Vieira, 2009, p.360). Esta metodologia de investigação do profissional, surge como uma forma de quebrar a ideia, de que o educador ou professor, não pode ser também um investigador. O educador como investigador articula novas questões, interrogando as suas práticas educativas, recolhe dados ao longo da prática, analisa e interpreta com o objetivo final de gerar novas perguntas e hipóteses para investigação. (Latorre, 2003). No contexto em creche e no contexto de jardim de infância foram conhecidos os interesses das crianças, as suas competências e foi possível compreender o seu desenvolvimento através da observação. Posteriormente, foram recolhidas evidências sendo estas: os registos de incidentes críticos, registos contínuos, registos fotográficos e a observação de brincadeiras. Estas evidências auxiliaram e serviram de explicação para a planificação das propostas de atividades. Em seguida, passamos para a ação e posteriormente reflexão, tendo esta como intuito refletir sobre a sua ação, de registar o que poderia ter melhorado, as dificuldades e em procurar estratégias para ultrapassar as dificuldades sentidas. Assim, em ambos os projetos de intervenção foram utilizados recursos que apoiaram as práticas, sendo estes a observação, a documentação pedagógica, a planificação de atividades, a ação e a reflexão, o que auxiliou na construção de ambos os projetos de intervenção pedagógica. Relativamente à dimensão metodológica as Educadoras desenvolviam o Modelo High-Scope. Este modelo passa pelas crianças construírem uma compreensão própria do mundo através do envolvimento ativo com as pessoas, materiais e ideias. Este modelo privilegia a aprendizagem ativa e para isso contribui a forma como o espaço e o tempo estão organizados. A sala está organizada em
13 áreas de trabalho distintas e que promovem o desenvolvimento das diferentes competências. A rotina diária deve contemplar tempos de trabalho livre, trabalho orientado, trabalho em pequeno e grande grupo, assentando num conceito sequencial de planear, trabalhar e rever. Com a implementação deste currículo pretende-se o equilíbrio entre as iniciativas do educador e da criança. Deste modo, o educador inicia na estrutura geral do programa, baseado em princípios teóricos, na estrutura da rotina e do ambiente físico, coloca questões e orienta atividades de grande e pequeno grupo. As crianças têm a iniciativa de escolherem as suas atividades, planearem o que querem fazer, como e com quem. A resposta dos adultos manifesta-se observando, ajudando e colocando questões. As crianças respondem ao aprender a trabalhar na rotina e no espaço da sala que o educador criou, ao tomar parte nas atividades de cooperação, ao resolver os problemas e ao responder aos desafios do educador, e por último, ao aprender os limites de comportamento aceitáveis. Deste modo, podemos definir como características principais deste modelo: a rotina consistente; o tempo de planear, fazer e rever; a organização do espaço e dos materiais; a aprendizagem pela ação; o educador observador, participante/apoiante. A rotina diária deve ser consistente e deve incluir o planear fazer rever onde as crianças possam expressar as suas intenções, colocá-las em práticas e no fim partilharem e discutirem aquilo que fizeram. Visto que a rotina oferece uma previsibilidade dos acontecimentos e tranquilidade para as crianças terem uma maior autonomia, ou seja “um horário diário consistente proporciona às crianças um sentido de continuidade e de controlo” (Post & Hohmann, 2011, p.195). A rotina também possui o tempo de pequeno grupo e o tempo de grande grupo. O tempo de pequeno grupo é destinado à experimentação de materiais por parte das crianças. No tempo de grande grupo as crianças e os adultos juntam-se para iniciarem atividades de cantar, movimento, música, leitura de histórias, de jogo cooperativo, entre outros. Também possui o tempo de recreio, sendo este destinado às brincadeiras físicas. Aqui as crianças brincam juntas, inventam os seus próprios jogos e familiarizam-se com os ambientes naturais. Relativamente à organização do espaço e dos materiais, o educador deve organizar o espaço “de forma a que as crianças possam ter o maior número possível de oportunidades de aprendizagem pela acção e exerçam o máximo controlo sobre o seu ambiente”. (Hohmann & Weikart, 1997, p.163). Relativamente à aprendizagem pela ação, as crianças aprendem e “recolhem informação a partir de todas as suas ações.” (Post & Hohmann, 2011, p.25). A criança resolve problemas, cria
14 estratégias, procura respostas e é quem toma iniciativa nas suas ações. Nesta metodologia os educadores devem ser observadores, participantes/apoiantes do desenvolvimento das crianças e portanto têm como objetivo principal “encorajar a aprendizagem ativa por parte das crianças. Os adultos não dizem às crianças o que aprender ou como aprender – em vez disso dão às crianças o poder de terem controlo sobre a sua própria aprendizagem. Ao desempenhar este papel, os adultos não só são ativos e participantes, mas igualmente observadores e reflexivos” (Hohmann &Weikart, 1997, p. 27). Importa referir que no contexto em creche o Modelo High-Scope dá grande ênfase à estimulação da autonomia e não no ensino, uma vez que defende que a criança constrói o seu próprio desenvolvimento em interação com o mundo físico e social e por sua iniciativa com o apoio e os desafios colocados pelo educador de infância. Portanto, este modelo defende que a aprendizagem se encontra em conformidade com as capacidades, necessidades e ritmo de cada criança, fazendo com que esta se sinta interessada e motivada intrinsecamente. No contexto em pré-escolar existe o cruzamento entre dois modelos específicos: o Modelo High-Scope a Pedagogia de Projeto. A Pedagogia de projeto segue uma abordagem mais construtivista da aprendizagem, uma vez que esta metodologia de trabalha valoriza essencialmente a participação das crianças e do educador no processo de ensino -aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada Projeto de Trabalho. Nesta metodologia as crianças tem a oportunidade de decidir, opinar, debater, construir e avaliar, sendo assim membros ativos e participantes em todas as fases do projeto. O educador tem o papel de moderar, orientar e auxiliar as crianças na identificação, reflexão e concretização do respetivo projeto. Portanto, tal como defendem as autoras das Orientações Curriculares da Educação Pré-Escolar os projetos de aprendizagem “Têm como ponto de partida uma curiosidade ou interesse de uma ou várias crianças que, com o apoio do/a educador/a preveem o que vão fazer e como, realizam os processos e ações previstas, sintetizam o que aprenderam e comunicam a outros essas aprendizagens. São meios privilegiados de participação das crianças no planeamento e na avaliação e articulação de conteúdos” (2016, p.107). O Trabalho de Projeto desenvolve-se em fases, segundo Katz e Chard (1989) são 3: 1ª fase - Planeamento e Início do Projeto:
21 3.4 A importância da educação física para o desenvolvimento integral das crianças As crianças são espontaneamente curiosas e têm um desejo inato para explorar o mundo que as rodeia desde tenra idade. É através da ação e interação com as pessoas, materiais e ideias que vão construindo conhecimento sobre o mundo que as rodeia. Deste modo, é deveras importante que as crianças têm contacto com a Educação Física desde tenra idade uma vez que ocupa um lugar primordial no desenvolvimento integral da criança. Segundo as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE), a Educação Física possibilita às crianças “um desenvolvimento progressivo da consciência e do domínio do seu corpo e, ainda, o prazer do movimento numa relação consigo própria, com o espaço, com os outros e com os objetos” (2016, p.43). Para além disso, ajuda a criança a aprender a “participar em formas de cooperação e competição saudável”, de forma que a criança percebe que em jogos de competição existe sempre alguém que ganha e alguém que perca, mas que entenda que isso não é uma coisa negativa, ajuda também a criança “a seguir regras para agir em conjunto; a organizar-se para atingir um fim comum aceitando e ultrapassando as dificuldades e os insucessos”, desta forma as crianças percebem que ao trabalharem em conjunto terão maior sucesso na realização do jogo. Importa ainda referir que o domínio da Educação Física se relaciona com as outras áreas de conteúdo, demonstrando assim que a Educação Física auxilia no desenvolvimento integral das crianças. A razão pela qual se relaciona com a área de Formação Pessoal e Social passa por contribuir “para o desenvolvimento da independência e autonomia das crianças e das suas relações socias” (OCEPE, 2016). O domínio da Educação Física também se relaciona com a Área do Conhecimento do Mundo pois este domínio oferece o contacto com a natureza. Relativamente à Área de Expressão e Comunicação, mais concretamente a Dança e a Música relaciona-se também com este domínio uma vez que “favorece a vivência de situações expressivas e de movimento criativo utilizando imagens, sons, palavras, e acompanhamento musical.” Este domínio relaciona-se também com a Linguagem Oral uma vez que através da Educação Física as crianças irão aprender a realizar a “identificação e designação das diferentes partes do corpo”. Por fim, o domínio da Educação Física também se relaciona com a Matemática, visto que através da Educação Física as crianças irão aprender a realizar a “representação e orientação no espaço”. Como é sabido a Educação Física é bastante importante para a saúde do ser humano, desde o seu nascimento e em todas as restantes fases da vida.
22 A OMS (2020) alerta-nos para a importância de uma a atividade física regular, uma vez que “é um fator chave de proteção para a prevenção e o controlo das doenças não transmissíveis (DNTs), como as doenças cardiovasculares, a diabetes tipo 2 e alguns tipos de cancros. A atividade física também beneficia a saúde mental, incluindo a prevenção do declínio cognitivo e sintomas de depressão e ansiedade; e pode contribuir para a manutenção do peso saudável e do bem-estar geral” (p.2) 3.5 A importância dos jogos tradicionais na educação pré-escolar Como sabemos os jogos tradicionais foram sofrendo algumas alterações ao longo do tempo. Tal como nos diz o ditado “quem conta um conto, acrescenta um ponto.” Visto que estas jogos são transmitidos de geração em geração e são sempre interpretados por quem os jogos, apresentando assim algumas variações. Estes jogos são transmitidos por um processo natural de pais para filhos, de avós para netos e de crianças mais velhas para crianças mais novas. Importa referir que “os jogos tradicionais consentem à criança uma compreensão maior do mundo, uma maior interação com o meio, bem como vivenciar as suas próprias experiências, ou seja, propiciam à criança observar, criar, experimentar e relacionar-se com as pessoas e com o meio ambiente.” (Cunha & Silveira, 2014, p.53). Segundo Mendes e Dias (2014, p. 110) os jogos tradicionais auxiliam as crianças expressarem os seus sentimentos e transformarem o mundo ao seu redor. Este tipo de jogos também são bastante importantes para o seu desenvolvimento, uma vez que aperfeiçoam as suas capacidades físicas, cognitivas, afetivas e linguísticas. Estes autores mencionam ainda que são “um instrumento privilegiado de educação, socialização e integração socio-motora”, visto que são atividades excelentes para a integração e cooperação em grupo, orientação espacial, sentido rítmico e outras habilidades. Afirmam também que através destes jogos, a criança retrata diversas situações da vida real, devido à imposição de regras que estes jogos imploram e que estão diversas vezes ligadas ao “mundo dos adultos.” De acordo com Rodrigues (2012, p.1) “os jogos tradicionais vão proporcionar à criança seu desenvolvimento integral, visto que, os mesmos possibilitam para quem brinca uma grande variedade movimentos, atua no desenvolvimento de uma melhor consciência corporal, melhorando a motricidade, a cognição e ajuda na socialização. Suas contribuições vão além desses aspetos, por serem transmitidos de geração em geração os jogos tradicionais tem características de anonimato,
23 tradicionalidade, fazendo parte da cultura lúdica infantil. Resgatar esses jogos dentro da escola, é propiciar o resgate de nossa cultura popular.” 3.6 A importância dos cinco sentidos na creche As crianças são espontaneamente curiosas e têm um desejo inato para explorar o mundo que as rodeia desde tenra idade. É através da ação e interação com as pessoas, materiais e ideias que as crianças construem conhecimento sobre o mundo que as rodeia. Desde que nascem as crianças utilizam os seus sentidos para o seu desenvolvimento e aprendizagem e vão melhorando estas capacidades sensoriais ao longo da sua vida. Post & Hohmann (2011) afirmam que os bebés e as crianças adquirem informação a partir das suas ações com o munido e que “através da coordenação do paladar, tacto, olfacto, visão, audição, sentimentos e acções são capazes de construir sentimentos” (p.23). Desde tenra idade as crianças olham para os seus pais, brincam com as suas mãos, exploram os objetos colocando-os à boca para entenderem mais uma característica dos mesmos. A diversidade sensorial, ou seja os cinco sentidos, tornam-se o centro da aprendizagem para a educação de bebés e crianças mais pequenas. E é através dos mesmos que a criança experiência e vivencia as situações, promovendo o seu desenvolvimento. Desta forma, é bastante importante que sejam proporcionadas às crianças diversas brincadeiras que promovam um contacto direto com os materiais de modo a promoverem a exploração dos cinco sentidos, conhecendo assim o mundo que as rodeia.
24 CAPÍTULO III – PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA 4.1 Identificação da problemática do Contexto em Creche Nas primeiras semanas de estágio tive como principal objetivo observar o grupo de crianças, de forma a conhecer os seus interesses, necessidades e características individuais de cada criança, para assim elaborar o seguinte Projeto. Assim sendo, estive atenta às crianças, à ação que estas tinham sobre os materiais e a forma como procediam perante o meio envolvente. Como sabemos, observar implica que estejamos atentos a todos os pormenores que irão depois traduzir na recolha de novas informações. Portanto, é a partir da observação que o Educador/a fica a conhecer mais acerca das especificidades de cada criança e o torna capaz de apoiá-las e de responder à suas necessidades e interesses. Durante as primeiras semanas de estágio verifiquei que as crianças gostavam de explorar o espaço da sala de atividades e os seus diversos materiais bem como o espaço exterior e os seus materiais. Portanto, pude observar a forma como as crianças agiam sobre os objetos, tocando, olhando com atenção e explorando-os. Por exemplo, durante o tempo do almoço observei as crianças a explorarem comida, pois sempre que tinham dificuldade em colocar a comida na colher, usavam a mão. Assim, no momento de decisão do que seria o Projeto de Intervenção tendo em conta às observações realizadas e à importância de estimular sensorialmente as crianças desde tenra idade optei por lhes oferecer mais oportunidades de exploração dos cinco sentidos. Deste modo, surge o seguinte projeto “À descoberta do mundo através dos cinco sentidos”. 4.1.1 Objetivos da Intervenção Pedagógica Objetivos de ação No que diz respeito aos objetivos da intervenção pedagógica proponho-me a: Promover a aprendizagem pela ação; Promover diversas experiências sensoriais; Proporcionar a descoberta do mundo através dos sentidos;
25 Promover o conhecimento sobre os materiais, tendo a oportunidade de perceber as suas características e identificar a diferença entre eles; Ajudar as crianças a desenvolver a atenção e concentração durante as atividades. Objetivos de investigação Relativamente aos objetivos de investigação pretendia desenvolver;: Investigar e compreender de que forma os cinco sentidos ajudam a criança na descoberta do mundo que a rodeia. De forma a dar conhecer as intervenções realizadas no decorrer do estágio neste contexto, selecionei algumas atividades que considero serem mais significativas e pelas quais as crianças demonstraram bastante entusiasmo. A planificação destas atividades encontram-se no Anexo E. 1ª Atividade Esta foi a atividade desenvolvida para dar início ao Projeto de Intervenção Pedagógica: “Descobrindo o mundo através dos cinco sentidos, sendo esta designada por Exploração da obra Os meus cinco sentidos de Yoyo Books. Tendo em conta que o grupo de criança demonstrava bastante interesse pela leitura de histórias decidi então aproveitar esse interesse realizando essa atividade. Assim sendo, como primeiro momento, li a história às crianças, onde o grupo encontrava-se disposto em meia-lua para que todas as crianças pudessem ver a história à medida que esta foi contada e tentei dar enfâse às palavras-chave sendo estas o nariz, boca, ouvidos, mãos e olhos. Depois de contar a história como segundo momento, foi realizada exploração da história e num terceiro momento, foi realizado uma breve conversa com as crianças acerca dos cinco sentidos falados na história. A obra escolhida para dar início ao Projeto de Intervenção Pedagógica era curta e foi apresentada de forma interativa às crianças, uma vez que ao longo da leitura fui realizando questões às crianças sobre o que ia acontecer a seguir e elas responderam de forma apropriada pelo que no meu entender o balanço geral da atividade foi bastante positivo 4.1.2 Descrição das atividades de Intervenção Pedagógica
26 Sempre que reparava que uma criança estava a distrair-se tentava estabelecer um diálogo com com a criança, de forma a conseguir envolvê-la na leitura. Assim sendo, as crianças estavam bastante interessadas na atividade e mesmo quando alguma criança se distraia o restante grupo não se distraia demonstrando portanto atenção e concentração. Terminada a leitura foi o tempo de explorar a história e verifiquei que a maioria das crianças já tinham a noção do que eram os cinco sentidos e que muitos já sabiam alguns dos sentidos e para que serviam cada um deles. Esta avaliação inicial foi importante para o planeamento das atividades seguintes. Durante a exploração da história desenvolvemos um diálogo. Eu (estagiária): "O que estão a ver nesta imagem?" M. R. "Zebra" M. L.: "Binóculos" M. A. "Girafa" Eu (estagiária): "E como conseguem ver isso tudo?" M. R.: "Com os olhos" Eu (estagiária): "Exatamente, nós usamos os olhos então para quê?" M.R. e M. L.: "Para ver!" Figura 1 – Leitura da história “Os meus cinco sentidos” de Yoyo Books Figura 2 – Exploração da história “Os meus cinco sentidos” de Yoyo Books
27 2ª Atividade Foi realizada a 2ª atividade que tinha como título “Movimenta o teu corpo” realizei esta atividade com o intuito de responder aos interesses e as necessidades do grupo de crianças, sendo este o movimento e a música. Esta atividade tinha como objetivo as crianças experimentarem diferentes andamentos rápido e o lento e experimentarem diferentes formas de se moverem, ao responderem à música consoante as instruções dadas. Deste forma, esta atividade consiste numa espécie de jogo e num momento lúdico. Num primeiro momento foi realizado uma breve conversa com as crianças relativamente à atividade que iam realizar e apresentei os dois instrumentos e as regras associadas. Após isso, levei as crianças para o espaço exterior e introduziu a primeira regra que consistia no seguinte: quando a pandeireta tocar as crianças devem correr e quando a pandeireta parar de tocar as crianças devem parar, mantendo-se em estátua. Quando a pandeireta tocava as crianças demonstraram bastante entusiasmo, atenção e concentração. Contudo, quando a pandeireta parava de tocar as crianças revelavam maior dificuldade, pois as crianças estavam tão envolvidas na atividade que algumas crianças não percebiam, logo de imediato, que deveriam parar. Posteriormente, foi introduzida a segunda regra que consistia quando a pandeireta tocar rápido as crianças deveriam correr e quando tocava devagar as crianças deviam andar lentamente. Neste momento pude verificar que as crianças tiveram algumas dificuldades em andarem lentamente. Por fim, introduzi uma nova regra, que passava por no momento em que tocava a maracas as crianças tinham de saltar a pés juntos. Este momento causou inicialmente alguma dificuldade o que levou a ser necessário realizar algumas repetições. Figura 3 e 4 – Introdução das regras associadas à pandeireta
28 Na minha opinião o balanço geral da atividade foi bastante postivo, uma vez que as crianças demonstraram através das expressões faciais e da sua postura bastante envolvimento, concentração e motivação na atividade. 5ª Atividade A 5ª atividade que se intitulava por “Exploração da Digitinta de chocolate”. A razão pela qual decidi propor a exploração de digitinta de chocolate, passou pelo facto de esta digitinta possuir um cheiro, um tato e um paladar bastante característico e atrativo para as crianças. Num primeiro momento, apresentei o material em grande grupo e realizei com as crianças uma breve conversa dando ênfase aos sentidos do olfato, paladar e tato e, posteriormente, foi realizada em pequeno grupo uma exploração livre. Pude verificar que esta atividade foi bastante interessante para o grupo, uma vez que foi possível verificar o seu envolvimento, concentração e entusiasmo nas suas expressões e postura. A maioria das crianças passou bastante tempo a cheirar e a mexer na digitinta de chocolate e algumas crianças também provaram o chocolate. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar”, as crianças têm prazer em explorar e utilizar diferentes materiais que lhe são disponibilizados para desenhar ou pintar, cabendo ao/a educador/a alargar as suas experiências, de modo a desenvolverem a imaginação e as possibilidades de criação” (2016, p.49). Figura 5 – Introdução das regras associadas à maraca
29 Assim sendo, a exploração de digitinta possibilitou às crianças uma nova técnica de expressão plástica e descobrirem novas sensações. Como é sabido na creche as crianças exploram diversos materiais e deste modo, ao introduzir um material que estimula o tato, o paladar e o olfato, fez com que as crianças tivessem bastante envolvidas na atividade. Nesta atividade o meu papel foi como orientadora, uma vez que é importante não dar muitas indicações às crianças, dando-lhes tempo e espaço para explorarem com os sentidos a digitinta. No decorrer desta atividade foi possível observar o tipo de exploração que cada criança faz com a digitinta de chocolate. A S. que é uma criança calma, primeiramente olhou para digitinta, depois começou a tocar lentamente na digitinta com o seu dedo indicador e passados alguns instantes colocou ambas as mãos na digitinta, começando a espalhá-la lentamente. A M. F. que é uma criança mais agitada, tocou de imediato na digitinta com as duas mãos e espalhou-a rapidamente pela mesa. A M. L. foi uma das primeiras crianças a provar a digitinta, colocando na boca os dedos que continham digitinta de chocolate. No fim da exploração da digitinta de chocolate, a Educadora sugeriu que as crianças realizassem em folhas A4 algumas impressões das suas mãos. Após as crianças realizarem as impressões das mãos, estes trabalhos foram expostos numa parede da sala. Como sabemos a organização do espaço da sala de atividades não pode ainda ser descurada a forma como são utilizadas as paredes. O que está exposto constitui uma forma de comunicação, que sendo representativa dos processos desenvolvidos, os torna visíveis tanto para crianças como para adultos. Por isso, a sua apresentação deve ser partilhada com as crianças e corresponder a preocupações estéticas.” (OCEPE, p.26) Figuras 6 e 7 – Realização da atividade “Exploração da digitinta de chocolate”
30 6ª Atividade Nos dias 11 e 15 de março, as crianças realizaram a 6ª atividade “Prova de sabores”, que abordava o tema do Projeto de Intervenção Pedagógica: “À descoberta dos sentidos” Esta atividade anteriormente tinha sido planeado para ser realizada a grande grupo, contudo a Educadora sugeriu que fosse realizado em pequeno grupo. Assim sendo, as crianças realizaram a atividade em pequeno grupo de cinco elementos. Com esta atividade tencionava-se que as crianças distinguissem os sabores (doce, salgado, amargo e azedo), através da sua degustação. Como abordagem inicial realizei um diálogo em grande grupo com as crianças, acerca dos cinco sentidos, dando maior ênfase ao sentido do paladar. Após isso, conversei com as crianças acerca da relação do gosto ou não gosto com as cores dos marcadores (vermelho e verde). A maioria das crianças percebeu que o marcador vermelho correspondia a "não gosto" e o verde a "gosto". Posteriormente, houve uma degustação de alimentos (açúcar, sal, nabo e limão) em pequeno grupo. À medida que as crianças provaram os alimentos, fui perguntando às crianças acerca dos sabores dos alimentos que provavam e estas foram riscando no quadro de registo de atividade. Como já esperava o alimento que as crianças mais gostaram de provar foi o açúcar e o que as crianças menos gostaram foi o nabo. O momento mais engraçado da exploração dos sabores foi quando a M. L., questionada sobre o que tinha à sua frente na mesa, respondeu que era o "limão". Começou por dizer "Fazer cara de azedo" e depois disse aos seus colegas que o limão tinha o sabor "azedo". Em seguida, apresento o diálogo ocorrido: Eu (Estagiária): "Temos aqui muitos alimentos, não temos?" M. L.: " Sim, o limão!" Figura 8 – Impressões das mãos com a digitinta de chocolate
37 competências de investigação e reflexão, competências curriculares e pedagógico-didáticas, atitudes/posturas profissionais e participação na comunidade escolar e educativa. Relativamente às competências de investigação e reflexão, tive uma preocupação em expor os registos efetuados no decorrer da prática realizada, no entanto considero que a avaliação das diferentes intervenções poderia ter sido realizada de melhor forma. Apesar disso, tentei que existisse sempre um espirítio reflexivo das intervenções realizadas e que estas fossem adequadas ao contexto de estágio. No que toca às competências curriculares pedagógico-didáticas tive a preocupação de realizar atividades que fossem adequadas ao nível de desenvolvimento das crianças e que fossem ao encontro dos seus interesses e das suas necessidades. No decorrer das intervenções foram realizadas atividades em pequeno grupo e também em grande grupo, sendo as crianças todas desafiadas a participar nas mesmas. Por fim, importa referir que as intervenções não foram somente desenvolvidas na sala de atividades. Portanto, algumas intervenções foram desenvolvidas no espaço exterior ao lado da sala. Relativamente à postura e atitude profissional tentei mostrar uma atitude colaborativa e de abertura ao conversando com a Educadora Cooperante acerca das intervenções. No que diz respeito à participação na comunidade escolar e educativa, tentei ter em conta as diferentes comemorações a realizar, como por exemplo o Carnaval e o Dia do Pai. Assim sendo, orientei duas atividades relacionadas com a data comemorativa que o contexto se encontrava imerso, o Dia do Pai. Ao longo do estágio pude perceber que a profissão Educador/a de Infância é um grande desafio, uma vez que este deve ter em consideração vários aspetos importantes, tais como a valorização do espaço, do ambiente educativo, das interações e as experiências de aprendizagem desenvolvidas. O Educador de Infância necessita de ter sempre em consideração que as crianças são o elemento mais importante a ter em conta no seu processo de ensino aprendizagem e devemos ter em conta e respeitar as suas opiniões, necessidades e interesses. Assim sendo, devemos saber escutá-las, despertar a sua curiosidade e apoiar a sua conquista de autonomia. Por fim, considero que a intervenção pedagógica realizada nesta valência foi capaz de dar resposta a todos os objetivos delineados.
38 4.2 Identificação da problemática do contexto em Pré-Escolar Nas primeiras semanas de estágio tive como principal objetivo observar e refletir sobre cada momento, possibilitando-me assim conhecer o espaço e o grupo de crianças, como também, ambientar-me à Instituição Educativa e à sala de atividades, com o objetivo de compreender as suas dimensões pedagógicas. Portanto, esta imersão no contexto proporcionou-me o conhecimento dos interesses, necessidades e características individuais de cada criança, de forma a elaborar o Projeto. Assim sendo, após observar o grupo, considero importante dar intencionalidades às propostas educativas. Portanto, defini intenções que me permitiram direcionar a minha intervenção, partindo delas para propor atividades. Assim, como primeira intenção decidi construir uma relação de proximidade com as crianças estável e segura, assente no afeto, respeito e confiança. Desta forma, tive como preocupação desde o começo do estágio estabelecer uma relação de afetividade, segurança e bemestar, garantindo a satisfação das necessidades básicas de cada criança do grupo. E, por sua vez, a segunda intenção consistiu na delineação de propostas de atividades adaptadas ao grupo, de acordo com os seus interesses e necessidades. No momento de decisão do que seria o Projeto de Intervenção Pedagógica, em conversa com a Educadora, consideramos bastante importante atender à necessidade do grupo crianças. Uma vez que as crianças demonstravam algumas dificuldades ao nível da expressão motora, ao equilibrarem-se num só pé, ao saltarem com os pés juntos e ao descerem as escadas julgamos fundamental proporcionar às crianças diversas atividades lúdicas, desafiantes e também significativas, com o objetivo de melhorar esses aspetos. Consideramos também importante atender ao interesse das crianças. Ao longo das primeiras semanas de estágio as crianças demonstraram um grande interesse pelas atividades motoras desenvolvidas no Pavilhão da Instituição, sendo estas atividades dinamizadas pela Educadora nas sessões de Educação Física realizadas às segundas-feiras. Estas atividades são sempre bem aceites pelas crianças, visto que participam de forma livre e espontânea, demonstrando assim que o domínio da Educação Física as motiva. Importa referir que este projeto tem como tema central Os Jogos Tradicionais. Segundo Silveira e Cunha (2014, p.51), atualmente, “grande parte dos jogos tradicionais (...) estão a desaparecer, devido à influência dos meios de comunicação de massa, que apelam ao consumo abusivo dos jogos eletrónicos (...)”. Portanto, consideramos fundamental resgatar os jogos tradicionais no contexto em educação pré-escolar, uma vez que estes jogos têm caído no
39 esquecimento. Para além disso, os jogos tradicionais são bastante importantes para o desenvolvimento integral das crianças, uma vez que aperfeiçoam as suas capacidades físicas, cognitivas, afetivas e linguísticas. São também “um instrumento privilegiado de educação, socialização e integração sociomotora” (Mendes & Dias, 2014, p. 110). Desta forma, surgiu assim o Projeto de Intervenção Pedagógica do contexto em Jardim de Infância “Vamos aprender a jogar!”. 4.2.1 Objetivos da Intervenção Pedagógica Em seguida apresento os objetivos de ação e os objetivos de investigação do Projeto de Intervenção Pedagógica “Vamos aprender a jogar!” Objetivos de ação: Dar a conhecer alguns jogos tradicionais bem como as suas principais regras; Promover a construção de valores tais como o respeito, a cooperação, participação e partilha; Promover a interação e cooperação com os colegas; Desenvolver competências pessoais e sociais; Promover estilos de vida saudável e prática do exercício físico; Motivar para a prática dos jogos tradicionais fora do contexto do projeto; Incluir e construir, com as crianças, materiais recicláveis no interior e exterior da sala. Objetivos de investigação Investigar e compreender a importância dos jogos tradicionais para o desenvolvimento de competências cognitivas, motoras, sociais, emocionais, afetivas e culturais das crianças. 4.2.2 Descrição das atividades de Intervenção Pedagógica De forma a dar conhecer as intervenções realizadas no decorrer do estágio neste contexto, selecionei algumas atividades que considero serem mais significativas. A planificação destas atividades encontram-se no Anexo F.
40 4ª e 5ª Atividade Nos dias 24 e 25 de novembro foi realizado a 4ª atividade denominado por 4 “Decoração dos sacos”; e a 5 ª atividade intitulado por “Corrida de Sacos” No dia 24 de novembro só houve a oportunidade de dois grupos realizaram a atividade de no tempo de pequeno grupo: – O primeiro grupo, mostrou-se bastante motivado e concentrado na realização da atividade. De referir que algumas crianças quando notaram a dificuldade de algum colega a tirar a película protetora do papel autocolante e a colarem o papel autocolante no saco demonstravam aos colegas como faziam essas ações e por vezes ajudavam os seus colegas a realizarem essas ações. – O segundo grupo mostrou bastante dificuldade na decoração dos sacos, pedindo diversas vezes auxílio ao tirar a película protetora do papel autocolante. No dia 25 de novembro de 2021, o terceiro e o quarto grupo não tiveram a oportunidade de realizar a atividade no dia anterior tiveram a oportunidade de realizarem neste dia: – O terceiro grupo, mostrou-se maioritariamente motivado e concentrado com esta atividade, à exceção de uma criança, nomeadamente o R. (3 anos) que durante a realização da atividade, enquanto os seus colegas pediam auxílio, esta estava distraída com o que estava a acontecer no resto da sala. – O quatro grupo, revelou também bastante dificuldade na decoração dos sacos, pedindo diversas vezes pela minha ajuda, aqui algumas crianças disseram várias vezes que não conseguiam realizar a atividade. Enquanto algumas crianças realizavam a decoração dos sacos, com o meu auxílio sempre que necessário, as outras crianças, encontravam-se nas áreas de trabalho, sendo a atividade rotativa. Verifiquei que algumas crianças, mesmo com a minha demonstração, evidenciaram muitas dificuldades em tirar a película protetora do papel autocolante. Uma vez que algumas crianças, demonstraram muitas dificuldades em tirar a película, optei por dizer às crianças uma técnica que estas podem usar para tirar a película: "Existe uma magia para conseguirmos descolar os papéis. Fazemos um pequeno bico e depois só temos de puxar os papéis”. Desta forma, a maioria das crianças começou a tentar usar essa técnica. Assim sendo, as crianças que ainda não tinham
41 conseguida descolar os papéis utilizaram essa técnica, conseguindo desta forma descolar os papéis. Contudo, algumas crianças ainda demostravam alguma dificuldade em descolar os papeis. De seguida, realizou-se a atividade “Corrida de Sacos” foi realizada da seguinte forma: duas crianças encontravam-se lado a lado, colocam-se dentro do saco, com o meu auxílio e da Educadora e, de seguida, realizaram o percurso previamente determinado. Quando as crianças terminavam o percurso eu e a Educadora auxiliamos as crianças a saírem dos sacos e entregamos os sacos a outras duas crianças, e assim sucessivamente. Tal como verifiquei nas primeiras semanas de estágio, algumas crianças demonstraram dificuldades na realização do salto com os dois pés, sendo estas a B. T. (3 anos), a C.S. e o R. Foi possível verificar aqui um desenvolvimento de uma dessas crianças, a C, uma vez que esta conseguiu realizar a “Corrida de Sacos” segurando no saco e saltando com os mesmo com os dois pés juntos. Por sua vez a B. A. e o R. não conseguiram realizar o salto com os dois pés juntos. A B.T. segurava no saco e andava com ele, por sua vez o R., saltava uma vez com os dois pés, de seguida, dava alguns passos e depois saltava mais uma vez com os dois pés juntos e assim sucessivamente. Outra criança que me despertou a atenção foi a M. V., esta criança já consegue realizar bastante bem saltos com os dois pés juntos. Contudo, não queria realizar esta a atividade, dizendo algumas vezes que tinha medo. Portanto, eu e a Educadora decidimos pedir-lhe para tentar realizar o jogo, pois estaríamos a auxiliar-lhe. Deste modo, a criança realizou este jogo com o nosso auxílio. Inicialmente, a criança saltou dentro do saco com os dois pés. Mas, à medida que saltava o saco ia Figura 20 – Criança V. a colar o papel autocolante no saco Figura 21 – Criança L. a tentar separar o papel autocolante
42 caindo, fazendo com que esta não conseguisse saltar. Assim, decidiu pedir ajuda à Educadora. A Educadora disponibilizou-se de imediato para auxiliar a criança. Assim sendo, a educadora optou por segurar com as suas mãos nos dois lados do saco e pedir à criança para contar a saltar com os dois pés juntos. Na minha opinião a M. V. (3 anos) não queria realizar esta atividade, uma vez que antes nunca tinha feito essa atividade, tendo assim medo/receio de a realizar. Como sabemos o medo é uma questão experienciada pelas crianças mas é importante ajudá-las a enfrentar desta forma, é natural que as crianças por vezes tenham medo/receio de coisas que nunca tiveram contacto anteriormente e/ou que não compreendam o seu funcionamento e/ou finalidade. Estas crianças também não queriam realizar esta atividade pelo facto de ser uma atividade nova. Ao longo das semanas de estágio pude perceber que esta criança algumas vezes não aceita o bem realizar as atividades motoras propostas nas sessões de Educação Física. 8ª e 9ª Atividade No dia 9 de dezembro, as crianças realizaram as atividades “Pintura de garrafas” e “Bowling com garrafas”. que iam realizar, em seguida, em pares. Assim, para a primeira atividade como abordagem inicial conversei com as crianças acerca da mesma. Em seguida exemplifiquei às crianças o modo como a garrafa ia ser pintada. Após essa exemplificação, a garrafa foi passando de criança em criança, sendo que todas as crianças tiveram a oportunidade de agitar a garrafa e observarem o efeito que acontecia. Todas as crianças demonstraram bastante entusiasmo na exploração da garrafa com tinta no seu interior. De seguida, o grupo de Figura 22 – Realização da atividade “Corrida de Sacos”
43 crianças foi dividido em pares. Na escolha dos pares procurei partilhar o poder com as crianças oferecendo-lhes uma oportunidade de escolha, fazendo com que assumam progressivamente determinadas responsabilidades. As crianças decidiram que gostavam de “seguir o quadro das presenças” (G.), ou seja, seguir a ordem do quadro das presenças. Contudo isso não foi possível realizar com todos os pares, uma vez que algumas crianças, estavam a dar continuidade e a finalizar alguns trabalhos que já tinham iniciado em dias anteriores. As crianças mostraram-se entusiasmadas com a realização desta atividade, pois perceberam que iriam puder deitar dentro do interior das garrafas diversas tintas de várias cores, sendo assim as crianças têm o poder de escolher as cores que queriam deitar no interior da garrafa. Também reparei que as crianças se ajudavam mutuamente, por exemplo enquanto uma criança segurava na garrafa a outra segurava na garrafa da tinta e deitava essa tinta para o seu interior. Deste modo, com a realização desta atividade, as crianças foram desenvolvendo um conjunto de competências essenciais para a vida em sociedade, como, por exemplo, a tolerância perante o outro e a cooperação. De referir que duas crianças, o T. e o S., despertaram a minha atenção, uma vez que após perceberem que apenas uma criança não conseguia fazer pressão na garrafa de tinta para esta cair na garrafa de plástico, pois a tinta estar quase a acabar, como se pode ver na Figura 12, decidiram ambas segurar na garrafa e fazerem pressão na mesma. Sendo assim foi possível verficar que as crianças se ajudarem mutuamente e foram capazes de encontrar uma solução para a resolução de um problema, sendo este a dificuldade em deitar tinta para uma garrafa de plástico. Para além disso, também é possível perceber que ambas as crianças pretendiam ver e experimentar a melhor forma de deitar a tinta no interior da garrafa de plástico.
44 Depois do despertar e consequente higiene foi realizado o jogo do Bowling. Com este jogo pretendeu-se estimular o desenvolvimento motor e a precisão no lançamento de um objeto. Originalmente este jogo realiza-se com pinos, e com bolas com diferentes pesos e com as medidas dos furos para as mãos das pessoas, mas para prevenir acidentes efetuaram-se as devidas adaptações ao jogo por forma a garantir a segurança das crianças. Por isso substituíram-se as bolas por uma bola feita de folhas de revistas e papel de alumínio os pinos pelas garrafas anteriormente pintadas pelas crianças. Na generalidade todas as crianças envolvidas, encontram-se bastante entusiasmadas para a realização do jogo. O atirar da bola, fascinava-as e o derrube das garrafas deixava-as satisfeitas pelo sucesso alcançado. Pode-se destacar que, no desenvolvimento deste jogo, houve bastante entusiamo e motivação por parte das crianças, uma vez que estas manifestaram interesse em voltar a efetuá-lo. Importa também referir que a maioria das crianças não demonstrou dificuldade no rolamento da bola, uma vez que foram capazes de derrubar com alguma precisão as garrafas. Este jogo tinha como principal objetivo observar se as crianças tinham a capacidade de atirar uma bola contra um alvo grande, neste caso as garrafas e da precisão que tinham em derrubar objetos. Figura 23 – Criança L. entusiasmada a agitar a garrafa com tinta no seu interior Figura 24 – Duas crianças, T. e S, segurando, pressionado na garrafa de tinta e deitando a tinta para a garrafa de plástico Figura 25 – Criança entusiasmada a agitar a garrafa com tinta no seu interior
45 10ª e 11ª atividade As crianças foram convidadas a construírem uma “Malha Caseira”, que seria posteriormente utilizada no jogo da “Raiola”, que iam realizar de tarde. As crianças ficaram entusiasmadas quando lhes disse que iam utilizar feijões e copos de iogurte para a atividade que iam realizar. Assim, as crianças, tinham à sua disposição vários botões, tampas e feijões para colocarem no interior do copo e papéis autocolante previamente recortados em formas geométricas para decorarem o mesmo. Verifiquei também que algumas crianças já conseguiam descolar o papel autocolante com mais facilidade, do que na atividade “Decorar os sacos” que realizaram anteriormente. No entanto, algumas crianças iam-me pedindo auxílio para descolar o papel autocolante. Apesar de algumas crianças demonstrarem alguma dificuldade em descolar o papel autocolante, todas demostraram bastante envolvimento e entusiasmo nesta atividade. Um aspeto que me chamou atenção foi o seguinte: algumas crianças ao perceberem que ao colocar feijões no copo que produzia música, decidiram colocar apenas feijão no interior do mesmo. Depois do despertar e consequente higiene foi realizado o jogo da “Raiola” com a utilização das “malhas caseiras” que as crianças construíram no tempo de pequeno grupo. Antes da realização da atividade, como era necessário colocar fita-cola branca para realizar um quadrado, necessário para a realização da mesma, eu realizei esta tarefa, tendo algumas crianças demonstrando interesse em ajudar-me, segurando na fita cola quando necessário e puxando a mesma para eu cortar. Todas as crianças demonstraram-se bastante interessadas e motivadas na realização do jogo. Na realização da atividade percebi que a maioria das crianças não demostravam dificuldades no lançamento, conseguindo lançar as “malhas caseiras” para dentro da “raiola” (quadrado). Figuras 25, 26 e 27 – Realização da atividade “Malha Caseira”
46 Como é possível verificar na figura seguinte (figura 15) estas crianças estão no estágio elementar do arremesso, pois as crianças possuíam um deslocamento definitivo para a frendo do peso corporal, contudo nesse deslocamento a perna que vai para a frente é a do mesmo lado que o braço que lança. 14ª atividade Esta atividade intitulava-se por “Jogo da glória” aqui as crianças foram convidadas a realizarem o jogo divididas em duas equipas. Esta atividade foi realizada na semana anterior, contudo esta atividade não foi bem conseguida, uma vez que para a realização desta atividade as crianças foram dividas por pares, tendo que ficar muito tempo à espera, sendo portanto um pouco maçador para as mesmas e também por ter sido realizada dentro da sala de atividades. Portanto, após refletir sobre os conselhos feitos pela Professora Beatriz decidi então dividir as crianças em duas equipas e realizar o jogo no espaço exterior. Importa referir que esta atividade tinha como intuito verificar se as capacidades das crianças na prática dos jogos tradicionais tinha havido alguma diferença. O jogo da colher correu bastante bem, tendo a maioria das crianças já adquirido essa habilidade, e portanto conseguiram realizar bem este jogo. Figuras 28, 29 e 30 – Realização da atividade “Jogo da Raiola”
53 5ª Sessão de Educação Física No dia 24 de janeiro optei por repetir um aquecimento, jogo da corda humana, realizado já noutra sessão de Educação Física com o intuito de perceber se as crianças para além de memorizarem o jogo, já eram capazes de aperfeiçoar e pensar em estratégias para conseguirem apanhar mais depressa os amigos e, no meu ponto de vista, resultou. Uma vez que para além de correr melhor por já conheciam o jogo e as regras e por já terem estratégias de todos os elementos da corda correrem todos para o mesmo lado e por tentarem apanhar primeiro as crianças que corriam mais depressa para, posteriormente, terem ainda mais ajuda para apanharem as restantes crianças. Para além disso, esta jogo tinha como objetivo trabalhar o espírito de equipa, isto é, perceber se as crianças compreenderam que neste jogo só conseguem ser eficazes na sua realização trabalhando em conjunto. De seguida, para o desenvolvimento, realizaram o jogo da cabra-cega. Importa referir que se realizou o jogo da Cabra-cega com o objetivo de aprofundar o desenvolvimento de competências de Figura 38 e 39 – Realização do Jogo das Cadeiras Figuras 40 e 41 – Realização do Jogo “Corda Humana”
54 atenção tátil das crianças, assim como a sua perceção do espaço de jogo. Além disso, este jogo permite desenvolver outras competências que se relacionam com o aprofundar o conhecimento do outro. A utilização deste jogo permite desencadear processos que promovem o conhecimento mútuo e a troca de afetos pela valorização do estímulo sensorial que se realiza, tal como Goldschmidt (s/d) sugere, através dos órgãos dos sentidos, tais como, a audição, o tato e olfato. Para este jogo, usou-se apenas o sentido táctil, associado à característica da memória, relativamente ao conhecimento do outro. As crianças, nesta faixa etária, gostam de realizar jogos coletivos, entusiasmando-se com a sua capacidade de êxito. Também é nesta idade que, segundo Cordeiro (2007), a “vontade de imitar a realidade é uma constante” (p.340) O jogo da Cabra-cega jogo possibilita às crianças o desenvolvimento da perceção/ e da identificação sensorial das outras crianças, bem como o desenvolvimento motor ao nível da corrida, e a memorização do diálogo que as crianças têm para com a “Cabra-Cega” Tal como Cordeiro (2007) refere, no jardim de infância deve-se estimular momentos de grande grupo, momentos de jogo individuais e momentos de jogos de equipa com regras simples, porém precisas. A Cabra-Cega é um jogo de equipa que exige algum contacto físico e a confiança no outro e tem regras simples e fáceis de adotar. Para o jogo da Cabra-cega, tendo em conta que era necessário as crianças realizarem uma lengalenga, optei pela seguinte estratégia: dizer uma frase de cada vez, sendo estas depois repetidas pelas crianças. Assim sendo, apresento a seguinte nota de campo: Eu (estagiária): Ó cabra-cega! Crianças: Ó cabra-cega Eu (estagiária): “E a cabra-cega diz O que é ?” Cabra-cega: “O que é?” Eu (estagiária): “Agora vocês dizem De onde vens ?” Crianças: “De onde vens?” Eu (estagiária): “Agora tu dizes De Mirandela!” Cabra-cega: “De Mirandela” Eu (estagiária): “Vocês dizem O que comeste por lá? ”
55 Crianças: “O que comeste por lá?” Eu (estagiária): “Tens de dizer Pão e vitela! ” Cabra-cega: “Pão e vitela!” Eu (estagiária): “Agora vocês tem de dizer E não trazes nada para mim e para a minha cadela? ” Crianças: “E não trazes …” Eu (estagiária): “Nada para?” Crianças: “Mim…” Eu (estagiária): “E para a?” Criança: “Minha cadela!” Eu (estagiária): “Muito bem! Agora vocês têm de dizer busca cabra-cega busca e a cabracega vai tentar encontrar os amigos!” Crianças: “Busca cabra-cega busca…” Duas crianças, nomeadamente a M.A. e M. V despertaram a minha atenção pois fixaram rapidamente a lengalenga deste jogo, pois quando era para as crianças dizerem a lengalenga elas eram as crianças que já a sabiam toda. O J.A, inicialmente, não cumpriu as regras do jogo, uma vez que, quando encontrou um colega tirou a venda dos olhos para assim descobrir quem tinha encontrado. Ou seja, esta criança não tentou descobrir o amigo usando o sentido do tato, tocando no cabelo, rosto e nos braços da criança. Contudo, na generalidade a atividade correu bem e a maioria das crianças foi capaz de identificar os colegas através de um órgão dos sentidos, o tato. Figura 42 – Realização do Jogo “Cabra-cega”
56 6ª Sessão de Educação Física Importa referir a última sessão de Ginástica em que intervim. Assim, como aquecimento, não realizei um jogo tradicional como o costume, mas sim um aquecimento em que as crianças realizaram diversos exercícios que servirão para aquecer os músculos e mobilizar as articulações, pois o exercício seguinte era bastante exaustivo. Apesar de eu nunca ter feito o aquecimento desta forma, a educadora fazia antes das minhas intervenções e deste modo as crianças já estavam habituadas. Em seguida, foi realizada um circuito, sendo este desafiado pela Educadora. O circuito correu bem e aliás foi bem estruturado. Atendendo aos conselhos da professora Beatriz Pereira relativamente acerca da intervenção do Jogo da glória, supervisionada pela mesma decidi montar previamente o percurso para assim as crianças não ficarem nenhum tempo à espera antes da realização do circuito. Optei por realizar um percurso de forma a trabalhar a maioria das habilidades necessárias para o sucesso dos jogos tradicionais. Penso que poderia ter colocado arcos para as crianças trabalharem o salto a pé-coxinho, uma vez que esta consiste numa dificuldade da criança. Relativamente ao relaxamento, fiz exercícios de respiração e alongamento. Contudo, tive menos tempo do que o costume, uma vez que para a realização de um circuito é essencial a repetição para a exercitação das habilidades. Por fim, considero que foi uma sessão positiva o relaxamento e o circuito correram bem. O relaxamento correu bem, uma vez que as crianças já estavam habituadas à sua realização. O circuito inicialmente foi um pouco parado, fazendo com que as crianças ficassem muito tempo paradas. Contudo, com os conselhos dados pela Educadora penso ter melhorado esse aspeto. Figura 43 – Realização do “Circuito”
57 4.2.3 Avaliação do Projeto de Intervenção Pedagógica Tendo em consideração os objetos que delineei para o Projeto de Intervenção Pedagógica, presentes na 2ª Parte do presente relatório farei em seguida uma reflexão da resposta dada aos mesmos através da intervenção pedagógica realizada. Assim sendo, o primeiro objetivo consistia em dar conhecer alguns jogos tradicionais e as suas regras, ao longo das minhas intervenções tive sempre o cuidado de realizar diversos jogos tradicionais. O segundo objetivo tinha como intuito promover a construção de diversos valores, como o respeito, cooperação, participação e partilha. Este objetivo tinha como intuito as crianças aprenderem a dominar os espaços, os materiais e a relacionarem-se com os pares. O terceiro objetivo consistia em promover a interação e cooperação com os colegas, em que as crianças devem interagir e cooperarem umas com as outras de uma forma saudável e respeitosa. Com o quarto objetivo, desenvolver competências pessoais e sociais, as crianças cooperavam entre si, partilham os materiais e ajudam-se mutuamente. O quinto objetivo é deveras importante pois deve-se promover desde tenra idade estilos de vida saudável ao promover a prática de exercício físico e ter uma alimentação saudável. Com o projeto as crianças foram capazes de perceber que era benéfico para elas mesmas. O sexto objetivo diz respeito à motivação da prática dos jogos tradicionais fora do contexto do projeto também foi cumprido, uma vez que pude observar que as crianças realizavam os jogos tradicionais no recreio da instituição. Com o sétimo e o último objetivo, as crianças construíram com alguns materiais recicláveis objetivos relativos ao projeto e alguns destes encontram-se presentes na sala de atividades e outras as crianças levaram para a sua casa. No decorrer da intervenção pedagógica realizada, foi possível planificar jogos tradicionais que permitiram levar as crianças a construírem aprendizagens, foi possível perceber que as crianças se divertiram, respeitando as orientações que lhes eram dadas. Para apresentar uma visão global do trabalho realizado ao longo da intervenção pedagógica, tive em conta o Decreto-Lei n.º 241/2001 , onde se encontram os “perfis de desempenho específicos de cada qualificação profissional para a docência”, e ainda o Instrumento de Avaliação Formativa e Sumativa da Prática Profissional , referente à Prática de Ensino Supervisionada (Alonso & Silva, 2011). De acordo com o Decreto-Lei n.º 241/2001, o educador de infância deve pensar atividades integradoras, que trabalhem as diversas áreas curriculares, tendo sempre em consideração as crianças do contexto em que se encontra. Portanto, tendo em conta ao supramencionada, foram pensadas
58 atividades que trabalhassem as diversas áreas curriculares. Portanto, para além de atividades de educação física, também se tentaram relacionar outras áreas como, por exemplo, a matemática e a educação artística. Deste forma, foram pensadas atividades que abordassem o trabalho das diversas áreas curriculares Ainda segundo este documento, o educador deve ter por base um ciclo, onde esteja presente a observação, planificação e avaliação. Ao longo da intervenção realizada, houve uma observação participante o que levou à planificação de atividades que no meu ver eram adequadas para o grupo com o qual estava a trabalhar. Como é sabido através da observação somos capazes de conhecer melhor o grupo com quem vamos trabalhar, pois reconhecemos quais são os seus interesses, necessidades e gostos. De acordo com Silva, et al “observar o que as crianças fazem, dizem e como interagem e aprendem constitui uma estratégia fundamental de recolha de informação.” (2016, p.13) Importa também referir que ao longo da minha intervenção pedagógica fui refletindo sobre as minhas intervenções para poder evoluir enquanto futura educadora de infância. Como defendem as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar “a ação profissional do/a educador/a caracterizasse por uma intencionalidade, que implica uma reflexão sobre as finalidades e sentidos nas suas práticas pedagógicas e os modos como organiza a sua ação. Esta reflexão assenta num ciclo interativo – observar, planear, agir e avaliar – apoiado em diferentes formas de registo e documentação, que permitem ao/à educador/a tomar decisões sobre a prática e adequá-la às características de cada criança, do grupo e do contexto social em que trabalha (2016, p.5) Por sua vez, o documento Instrumento de Avaliação Formativa e Sumativa da Prática Profissional pretendo avaliar o desempenho do estagiário em quatro dimensões, sendo estas competências de investigação e reflexão, competências curriculares e pedagógico-didáticas, atitudes/posturas profissionais e participação na comunidade escolar e educativa. Relativamente às competências de investigação e reflexão, tive uma preocupação em expor os registos efetuados no decorrer da prática realizada, no entanto considero que a avaliação das diferentes intervenções poderia ter sido realizada de melhor forma. Apesar disso, tentei que existisse sempre um espirítio reflexivo das intervenções realizadas e que estas fossem adequadas ao contexto de estágio.
59 No que toca às competências curriculares pedagógicas, procurei com que as propostas de atividades promovessem o desenvolvimento das diversas áreas curriculares, levando assim à construção de um conhecimento integrado. No decorrer das intervenções foram realizadas atividades individuais, em pequeno grupo e também em grande grupo, sendo as crianças todas desafiadas a participar em todas as atividades. Relativamente à postura e atitude profissional tentei mostrar uma atitude colaborativa e de abertura ao conversando com a Educadora Cooperante acerca das intervenções. No que diz respeito à participação na comunidade escolar e educativa, tentei ter em conta as diferentes comemorações a realizar, como por exemplo o Magusto e as Nicolinas. Assim sendo, orientei uma atividade que ia ao encontro do Magusto. Para além disso, pensei numa atividade que fosse ao encontro das Nicolinas, sendo esta um das datas comemorativas realizadas pela instituição. Ao longo do estágio pude perceber que a profissão Educador/a de Infância é um grande desafio, uma vez que este deve ter em consideração vários aspetos importantes, tais como a valorização do espaço, do ambiente educativo, das interações e as experiências de aprendizagem desenvolvidas. O Educador de Infância necessita de ter sempre em consideração que as crianças são o elemento mais importante a ter em conta no seu processo de ensino aprendizagem e devemos ter em conta e respeitar as suas opiniões, necessidades e interesses. Assim sendo, devemos saber escutá-las, despertar a sua curiosidade e apoiar a sua conquista de autonomia. Por fim, considero que a intervenção pedagógica realizada neste contexto foi capaz de dar resposta a todos os objetivos delineados.
60 CAPÍTULO IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS Terminado a minha prática pedagógica e da escrita do presente relatório de estágio posso afirmar que esta foi sem dúvida uma experiência enriquecedora, repleta de aprendizagens, conquistas, mas também de desafios. O começo da prática pedagógica não foi fácil, uma vez que me sentia constantemente nervosa, e com bastante ansiedade. Contudo, com o apoio da instituição educativa, das educadoras e das auxiliares fui ganhando mais confiança em mim, e fazendo-me sentir capaz de desenvolver atividades para as crianças para desenvolver as competências necessárias. Relativamente ao projeto de intervenção “À descoberta do mundo através dos cinco sentidos” tive a oportunidade de realizar intervenções desenvolvidas dentro e fora da sala e em pequeno grupo e grande grupo. Foram desenvolvidas atividades que tiverem sempre em consideração os interesses e necessidades das crianças do grupo. Sendo o tema dos cinco sentidos um tema fundamental para ser desenvolvido com as crianças neste contexto, uma vez que as crianças na creche desenvolvem as suas aprendizagens através das suas ações, sensações e perceções acerca do mundo que as rodeia, e também pelo facto deste tema ser um dos seus maiores interesses, sendo possível verificar que as crianças exploraram tanto no interior como no exterior da sala diversos materiais com os seus sentidos, tornou-se pertinente abordar este tema junto das crianças da creche. Portanto, o facto deste projeto ter sido baseado nos interesses das crianças contribui para o sucesso do mesmo. O estágio neste contexto foi uma novidade para mim, uma vez que nunca tinha tido oportunidade de ter contacto com este contexto ao longo da licenciatura. Desta forma, o tempo em que estive neste contexto foi recheado de novas descobertas, experiências enriquecedoras e desafios. Tendo em conta que nunca tinha tido contacto com este contexto, inicialmente foi bastante desafiante desenvolver atividades para esta faixa etária, mas foi bastante gratificante conseguir desenvolver atividades interessantes e motivadoras para as crianças. O maior desafio para a realização de atividades neste contexto foi o tempo, uma vez que tinha somente oito semanas de estágio e pelo facto de o tempo de atividades ser reduzido devido às atividades de enriquecimento curricular coincidirem com dois dos meus dias de estágio (quarta e sexta) o que afetou as atividades de grande grupo e pelo facto da hora de almoço ser às 11:40. Porém, apesar destes contratempos foi capaz de ultrapassá-los, ajudando-me assim a crescer profissionalmente. No desenvolvimento do projeto de intervenção “Vamos aprender a jogar!” tive a oportunidade de realizar atividades de Educação Física que fossem ao encontro dos interesses e necessidades das crianças. Tenho plena consciência que a prática pedagógica não foi perfeita, uma vez que ao longo das
61 minhas intervenções senti alguns receios e cometi algumas falhas. Contudo, as falhas fizeram com que eu refletisse e percebesse o que poderia fazer para melhorar a minha prática e para que futuramente consiga evoluir enquanto futura profissional de educação e não repetir as mesmas falhas. Porém, as atividades desenvolvidas neste contexto também contribuíram para o desenvolvimento das crianças a nível do desempenho motor, nomeadamente às habilidades de salto a pés juntos e salto a pé-coxinho. Além disso, também contribui para o desenvolvimento de outras competências tais como a cooperação, interação, entreajuda e a partilha das crianças. Ao longo das atividades tentei transmitir sempre apoio e motivá-las a fazerem o melhor na realização das mesmas. Assim sendo, faço um balanço positivo do projeto, visto que os objetivos traçados no início do projeto foram alcançados. Este percurso, foi sem dúvida, uma experiência bastante enriquecedora e uma mais-valia para mim uma vez que me permitiu observar, planificar, realizar intervenções e avaliar. Além disso, permitiu-me compreender que a profissão de Educador/a de Infância requer bastante trabalho, dedicação e empenho de modo a sermos bons profissionais e que consigamos proporcionar às crianças bem-estar, apoio, compreensão, entre outros para assim contribuirmos de uma forma positiva para a vida delas. Por fim, ao longo deste percurso pude perceber que a profissão de Educador/a de Infância é um grande desafio, uma vez que este deve ter em consideração vários aspetos importantes, tais como a valorização do espaço, do ambiente educativo, das interações e as experiências de aprendizagem desenvolvidas. O Educador de Infância necessita de ter sempre em consideração que as crianças são o elemento mais importante a ter em conta no seu processo de ensino aprendizagem e devemos ter em conta e respeitar as suas opiniões, necessidades e interesses.
62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alonso, L. & Silva, C. (2011). Instrumento de avaliação formativa e sumativa da prática profissional nos Mestrados em Ensino de Educação Básica (Prática de Ensino Supervisionada - PES). Braga: Universidade do Minho / Instituto de Educação (documento policopiado, pp. 06). Cardona, M., Lopes da Silva, I., Marques, L., & Rodrigues, P. (2021). Planear e Avaliar na Educação Pré-Escolar. Ministério da Educação/Direção-Geral da Educação (DGE) Chard, S. C., & PhD (1998). The Project Approach: Managing Sucessful Projects. U.S.A.: Scholast Coutinho, C., Sousa, A., Dias, A., Bessa, F., Ferreira, M., & Vieira, S. (2009). Investigação-Acção: Metodologia Preferencial nas Práticas Educativas. Psicologia Educação e Cultura, XIII (2), pp. 355-379. Folque, M. A. (1999). A influência de Vigotsky no modelo curricular do Movimento da Escola Moderna para a educação pré-escolar. Escola Moderna (5), pp. 5-12 Formosinho (org.), J. O. (2002). A Supervisão na Formação de Professores IIDa Organização à Pessoa (Vol. 2). Porto: Porto Editora Hohmann, M. & Weikart, D. (1997). Educar a Criança. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian Huizinga, J. (2007). Homo ludens. O jogo como elemento da cultura . Editora: Perspetiva. Lisboa Katz, L. & Chard, S. (1989). Engaging Children s Minds: The Project Approach. Norood, NJ: Ablex Latorre, A. (2003). La investigación-acción: Conocer y cambiar la práctica educativa. Barcelona: Graó. Mendes, R.; Dias, G. (2014). Jogos Tradicionais e Desenvolvimento Motor da Criança. In B. Pereira, A. Nídio, A. C. Cunha e J. Nascimento (Org) Atividade Física, Saúde e Lazer: Olhar e pensar o corpo (pp. 104-112). Florianópolis: Edições Tribo da Ilha Neto, C. (2020) Libertem as crianças. A urgência de brincar e ser ativo. Contraponto. Oliveira-Formosinho, J. (2007). Pedagogia(s) da Infância: Reconstruindo uma Praxis de Participação. In J. Oliveira-Formosinho (Ed.). Modelos Curriculares para a Educação de Infância. Construindo uma práxis de participação. (3th ed.,pp. 15-40). Porto Editora. Oliveira-Formosinho, J. (2013). A Contextualização do Modelo Curricular High-Scope no Âmbito do Projeto Infância. In J. Oliveira-Formosinho. (Ed). Modelos Curriculares para a Educação de Infância (pp. 61-108). Porto Editora OMS (2020) Recomendações da OMS para atividade física e comportamento sedentário. Plano Curricular de Grupo 2021-2022 (2B) Plano Curricular de Grupo 2021-2022 (3ª)
69 Anexo E – Planificação das atividades desenvolvidas no contexto em creche 1ª Atividade Data: 2 de março Atividade: Exploração da obra “Os meus cinco sentidos” de Yoyo Books Descrição da atividade Organizaç ão do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiai s Avaliação Esta atividade irá dar início ao projeto de intervenção pedagógica: “Descobrindo o mundo através dos sentidos.” Em grande grupo será lida e explorada a história “Os Meus 5 Sentidos” de Yoyo Books. A história aborda o tema dos cinco sentidos, assim, no decorrer da história será chamada a atenção das crianças para os mesmos. Grande grupo Estimular e desenvolver o conhecimento dos cinco sentidos; Dar a conhecer os sentidos; Identificar e distinguir os sentidos; De acordo com os Indicadores-Chave de Desenvolvimento: Linguagem, Literacia e comunicação Apreciar a linguagem: as crianças tiram prazer de histórias; Comunicar bilateralmente: as crianças participam numa comunicação bilateral; Falar: as crianças falam. Livro; Compreensão da história e se compreenderem a mensagem que esta pretende transmitir; Consciencializaçã o da importância dos cinco sentidos; Envolvimento e participação na atividade.
70 2ª Atividade Data: 4 de março Atividade: Movimenta o teu corpo! Descrição da atividade Organizaçã o do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Será realizada a atividade “Movimenta o teu corpo”. Em primeiro lugar será apresentada uma pandeireta e as regras do jogo: quando a pandeireta tocar as crianças devem andar pelo espaço envolvente; quando parar de tocar as crianças devem parar. Após isso, será apresentada outra regra que consiste em: quando o instrumento (maracas) tocar rápido as crianças devem andar rápido e quando tocar devagar as crianças devem andar devagar. Grande grupo Ampliar a perceção auditiva; Desenvolver a atenção e a perceção auditiva; Estimular o sentido da audição; Estimular o raciocínio rápido. De acordo com os Indicadores-Chave de Desenvolvimento: Artes Criativas Ouvir a música: as crianças ouvem a música; Responder à música: as crianças respondem à música. Desenvolvimento Físico e Saúde Mover o corpo todo: as crianças movem todo o corpo (rolando, rastejando, andando, correndo e baloiçando). Desenvolvimento Cognitivo Experimentar o “rápido” e o “lento”. Instrumentos musicais: pandeireta e maraca; Interesse, envolvimento e motivação das crianças na realização da atividade; Capacidade do grupo de distinguir ruído e silêncio; Capacidade de distinguir e compreender os conceitos rápido e devagar.
71 5ª Atividade Data: 8 e 9 de março Atividade: Exploração da Digitinta de chocolate Descrição da atividade Organizaçã o do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em pequeno grupo será realizada a atividade “Digitinta de chocolate”. Num primeiro momento será realizada uma breve conversa sobre o tato e o que sabem acerca deste sentido. Num segundo momento, as crianças serão convidadas a sentarem-se à mesa na área da expressão plástica. Em seguida, será colocada à frente das crianças a digitinta de chocolate. Pequeno grupo Desenvolver a criatividade; Estimular o sentido do tato; Explorar a digitinta com o tato, a visão, o paladar e olfato. De acordo com os Indicadores-Chave de Desenvolvimento: Abordagens à aprendizagem Iniciativa: as crianças expressam iniciativa. Artes Criativas Exploração de materiais de expressão artística: as crianças exploram materiais de expressão artística. Desenvolvimento Físico e Saúde Mover partes do corpo: as crianças movem partes do corpo Digitinta de chocolate Interesse, envolvimento e motivação das crianças na realização da atividade; Participação ativa na atividade;
72 6ª Atividade Data: 11 de março Atividade: Prova de sabores Descrição da atividade Organização do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em grande grupo, será realizada a atividade “Prova de sabores”. Em primeiro lugar, será dado início a um breve diálogo sobre o sentido do paladar e o que as crianças sabem acerca do mesmo. Após isso, irei conversar com as crianças acerca da atividade que irão realizar. De seguida, cada criança terá de provar quatro alimentos, sendo estes os seguintes: café, limão, sal e chocolate. Depois na tabela terão de colocar ao lado de cada alimento um risco a verde se gostaram do alimento e um risco vermelho se não gostaram. Grande grupo Estimular o sentido do paladar Estimular o paladar de forma conseguirem diferenciar os diferentes sabores (amargo, doce, salgado e doce); Explorar os diferentes alimentos; De acordo com os Indicadores-Chave de Desenvolvimento: Linguagem, literacia e comunicação Comunicação bilateral: as crianças participam numa comunicação bilateral; Fala: as crianças falam; Ouvir e responder: as crianças ouvem e respondem. Desenvolvimento Cognitivo Explorar objetos: as crianças exploram objetos com as mãos, pés, boca, olhos e nariz. Alimentos (açúcar, sal, limão e nabo); Colheres; Quadro de registo da atividade; Marcadores (cor verde e cor vermelha); Várias taças. Interesse, envolvimento e motivação na realização da atividade; Participação ativa na realização da atividade; Atenção e concentração na atividade; Capacidade de diferenciar os sabores.
73 7ª Atividade Data: 18 de março Atividade: Sentir o cheiro Descrição da atividade Organização do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em pequeno grupo, será realizada a atividade “Sentir o cheiro”. Em primeiro lugar, irei conversar com as crianças sobre o sentido do olfato. Em seguida, será realizada uma breve conversa com as crianças acerca da atividade que irão realizar. Assim sendo, em cima da mesa estarão colocadas as garrafas com alimento/especiarias no seu interior, os sabonetes, as folhas de cidreira e as folhas do pinheiro para as crianças cheiraram e ficarem a conhecer os diferentes cheiros. Por fim, as será perguntado às crianças o cheiro que mais gostaram. Grande grupo Estimular o sentido do olfato; Explorar especiarias e outros elementos através do olfato. De acordo com os Indicadores-Chave de Desenvolvimento: Abordagens da aprendizagem Iniciativa: as crianças expressam iniciativa. Linguagem, Alfabetização e comunicação Comunicação bilateral: as crianças participam numa comunicação bilateral; Fala: as crianças falam; Ouvir e responder: as crianças ouvem e respondem. Desenvolvimento Cognitivo Explorar objetos: as crianças exploram objetos com as mãos, pés, boca, olhos e nariz; Explorar mais: as crianças experimentam “mais”. Garrafas de diferentes cheiros (alecrim, canela, laranja e pimenta); Sabonete Folhas de cidreira; Folhas de pinheiro. Interesse, envolvimento e motivação das crianças na realização da atividade; Participação na atividade; Reconhecer cheiros agradáveis e desagradáveis
74 8ª Atividade Data: 22 de março Atividade: Circuito das cores Descrição da atividade Organização do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em grande grupo, será realizada a atividade “Circuito das cores”. Em primeiro lugar, será realizada uma breve conversa com as crianças sobre esta atividade. De seguida, a estagiária irá exemplificar o circuito que terão de realizar. Após isso, as crianças irão realizar o circuito. Para realizarem o percurso as crianças primeiramente terão de procurar numa caixa os legos de uma determinada cor (verde, amarelo, azul e vermelho), em seguida, terão de procurar no chão a fita com a mesma cor do lega retirado da caixa. Depois terá de passar por cima dessa linha e no fim da mesma terá uma caixa da mesma cor e colocará o lego que tem na mão. Grande grupo Estimular o sentido da visão; Promover o desenvolvimento de movimentos que implicam deslocamentos e equilíbrios; Promover o desenvolvimento de perícia e manipulação (transportar). De acordo com os Indicadores Chave de Desenvolvimento Desenvolvimento Físico e Saúde Mover o corpo todo: as crianças movem todo o corpo (rolando, rastejando, andando, correndo e baloiçando); Mover com objetos: as crianças movem-se com objetos. Linguagem, Alfabetização e Comunicação Comunicação bilateral: as crianças participam numa comunicação bilateral; Fala: as crianças falam; Ouvir e responder: as crianças ouvem e respondem. Papel autocolante; Caixas de diferentes cores (verde, amarelo, azul e vermelho); Legos de diferentes cores (verde, amarelo, azul e vermelho). Interesse, envolvimento e motivação das crianças na realização da atividade; Participação na atividade; Reconhecer e identificar as cores.
75 9ª Atividade Data: 23 e 25 de março Atividade: Vamos mexer! Descrição da atividade Organização do grupo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em pequeno grupo será realizada a atividade “Vamos mexer!”. Num primeiro momento, será realizada com as crianças uma breve conversa sobre a atividade que irão realizar. Num segundo momento, as crianças irão ter à sua disposição uma caixa surpresa que contem tecidos com texturas diferentes. De seguida, as crianças irão tocar nos vários tecidos e perceber a textura de cada. Pequeno grupo Estimular o sentido do tato; Promover a exploração do sentido do tato; Desenvolver o conhecimento de várias texturas; De acordo com os indicadores chave de desenvolvimento Abordagens da aprendizagem Iniciativa: as crianças expressam iniciativa. Desenvolvimento Cognitivo Explorar objetos: as crianças exploram objetos com as mãos, pés, boca, olhos e nariz; Explorar mais: as crianças experimentam “mais”. Linguagem, Alfabetização e Comunicação Fala: as crianças falam; Ouvir e responder: as crianças ouvem e respondem. Papel autocolante; Caixas de diferentes cores (verde, amarelo, azul e vermelho); Legos de diferentes cores (verde, amarelo, azul e vermelho). Interesse, envolvimento e motivação das crianças na realização da atividade; Participação ativa na atividade; Reconhecer e identificar várias texturas;
76 Anexo F– Planificação das atividades desenvolvidas no contexto em pré-escolar 4ª Atividade Data: 24 e 25 de novembro de 2021 Atividade: Decoração dos sacos Descrição da atividade Organização do grupo Áreas de conteúdo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em grande grupo, será iniciado um diálogo com as crianças relativamente à atividade de educação artística, descrita em seguida, que irão realizar. Para realizarem esta atividade, as crianças serão divididas em quatro grupos de cinco elementos, com a exceção de um grupo que terá seis elementos. Cada grupo irá enfeitar o saco com uma forma geométrica. Assim, depois da explicação da atividade artística, em pequeno grupo, as crianças irão decorar os sacos de plástico com papel autocolante. Para decorarem os sacos com os papeis autocolantes, as crianças terão de os descolar e colá-los nos sacos. Pequeno grupo Área de Formação Pessoal e Social Área de Expressão e Comunicação Domínio da Educação artística: Subdomínio das Artes Visuais Área de Expressão e Comunicação Domínio da Matemática ● Desenvolver a interação, cooperação e entreajuda com os colegas; ● Colaborar em atividades de pequeno grupo; ● Promover a interação entre os pares; ● Utilizar corretamente e com responsabilidade os materiais disponíveis para a realização da atividade; ● Obter um progressivo controlo da motricidade fina; ● Identificar quantidades através de diferentes formas de representação: símbolos, neste caso de formas geométricas; ● Classificar e organizar por grupos; ● Identifica e nomeia algumas Sacos de plástico resistentes; Papel autocolante recortado. Interesse, envolvimento e motivação das crianças durante a realização da atividade de educação artística.
77 formas geométricas ● Identifica diferentes tamanho e ordena segundo tamanho (pequeno/médio/grande); ● Identificar formas iguais. 5ª Atividade 8ª Atividade Data: 24 e 25 de novembro de 2021 Atividade: Corrida de Sacos Descrição da atividade Organizaçã o do grupo Áreas de conteúdo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Em grande grupo, será iniciado um diálogo com as crianças relativamente ao jogo “Corrida de Sacos”. Para a realização desta atividade, as crianças serão divididas em três equipas de cinco elementos, e um grupo de seis elementos. Após a divisão do grupo por equipas as crianças irão se colocar dentro do saco de batatas, segurar as abas com as mãos e percorrer uma pequena distância. Depois disso, irão sair do saco e entregá-lo ao colega seguinte. Grande grupo Área de Formação Pessoal e Social Área de Expressão e Comunicação Domínio da Educação Física Promover a aceitação das regras; Colaborar em atividades de grande grupo; Dominar movimentos que implicam deslocamentos equilíbrios; Saltar com os dois pés juntos; Promover o desenvolvimento de motricidade grossa. Sacos de plástico resistentes Interesse, envolvimento e motivação das crianças durante a realização da atividade;
78 Data: 9 de dezembro Atividade: Pintura de garrafas Descrição da atividade Organização do grupo Áreas de conteúdo Aprendizagens a promover Recursos materiais Avaliação Nesta atividade as crianças irão duas a duas pintar o interior de uma garrafa de plástico. Assim sendo irão deitar para dentro da garrafa um bocado de tinta e agitarão a garrafa de maneira a que fique toda pintada. Pequeno grupo Área de Formação Pessoal e Social Área de Expressão e Comunicação Domínio da Educação Artística Subdomínio das Artes Visuais Área de Expressão e Comunicação Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita Componente: Comunicação Oral Cooperar com outros no processo de aprendizagem Desenvolver a interação, cooperação e entreajuda com os colegas; Colaborar em atividades de pequeno grupo; Desenvolver capacidades expressivas e criativas através de experimentações e produções plásticas: Compreender mensagens orais em situações diversas de comunicação; Usar a linguagem oral em contexto, conseguindo comunicar eficazmente de modo adequado à situação (produção e funcionalidade). 10 Garrafas de 1,5 l; Tintas. Interesse, envolvimento e motivação das crianças durante a realização da atividade de educação artística. 9ª Atividade
85 5ª sessão de Educação Física Organização do tempo Momento Breve descrição Aprendizagens a desenvolver Recursos 10 minutos 1º Aquecimento: Rei Manda Aumentar a frequência cardíaca e a mobilização articular Trabalhar o equilíbrio Trabalhar o salto a pés juntos e salto ao pé-coxinho 20 minutos 2º Jogo das cadeiras Desenvolver a destreza do movimento e a velocidade de reação; Estimular a estratégia de jogo; Promover a relação do corpo com os objetos; Promover a interação com os colegas. Objetos de várias cores: cones, legos, objetos da área da cozinha 5 minutos 3º Relaxamento: roda com exercícios de alongamento e respiração. Retorno à frequência cardíaca; Relaxar os músculos.
86 6ª Sessão de Educação Física Organização do tempo Momento Breve descrição Aprendizagens a desenvolver/promover Recursos 10 minutos 1º Exercícios de aquecimento Aumento da frequência cardíaca e mobilização articular 20 minutos 2º Circuito Aperfeiçoar a subida de escadas; Aperfeiçoar o rastejar; Aperfeiçoar o lançamento em precisão; Desenvolver a destreza do movimento; Desenvolver a orientação espacial do corpo Desenvolver o equilíbrio; Desenvolver o salto a pés juntos Promover o domínio de movimentos de contornar e saltar sobre obstáculos; Trabalhar a subida e descida de e para um ponto elevado. Arcos; Baliza; Bola; Cones com barreiras; Cadeiras; Colchões; Escorrega. 5 minutos 3º Relaxamento: exercícios de alongamento e respiração. Retorno à frequência cardíaca Relaxar os músculos
87 Anexo H – Descrição dos Jogos Tradicionais desenvolvidos no contexto em Pré-Escolar Jogo/Atividade em grupo Descrição Apanhada Uma criança tem como função apanhar os colegas, as restantes têm de fugirem para não serem apanhados. Quando uma criança é apanhada deverá ficar em estátua com as pernas afastadas e os braços esticados à espera de serem salvas. Camaleão Uma das crianças é o camaleão, tendo assim que definir uma cor para as restantes tocarem num objeto dessa cor. Se o camaleão conseguir apanhar algum colegas antes que toquem na cor, essa criança passará a ser o camaleão. Corrida de Sacos Divide-se as crianças em grupos ou em pares e estas colocam-se dentro do saco. Depois seguram os sacos com as mãos e puxam-no até ao nível da sua cintura. Ao sinal de partida as crianças percorrem o mais rapidamente possível a distância até ao fim do percurso previamente delimitado. Jogo das Colheres As crianças são dividias em dois grupos. Os elementos do primeiro grupo têm de pegar na bola que moldaram previamente com a plasticina e colocarem-na numa colher. Após isso, realizam um percurso com a colher numa mão e depois de o finalizarem, realizam o mesmo percurso, mas desta vez com a colher na boca. Depois deste grupo finalizar o jogo, é a vez do segundo grupo realizar o jogo e efetuar o mesmo percurso realizado pelo grupo anterior. Corda Humana Uma criança tem como função apanhar os colegas, desta forma os restantes têm de fugir para não serem apanhados. À medida que a criança apanha os outros colegas, estes vão dando a mão entre si, de forma a formar uma corda. Apenas os elementos que se encontram nas extremidades podem apanhar os seus colegas. Só podem apanhar os seus colegas se a corda estiver unida. O último jogador a ser apanhado é o vencedor. Barra do lenço de Natal O grupo de crianças é dividido em duas equipas e coloca-se cada equipa nos extremos do pavilhão. No centro de ambas as equipa fica a estagiária que tem um lenço na mão, sendo então a pessoa que irá coordenar o jogo. Como se aproximava o Natal cada criança tinha um símbolo relacionado com o Natal. Cada uma das crianças da equipa deve tentar retirar o lenço e ganha o primeiro que conseguir fazer. A equipa que conseguir retirar o lenço mais vezes ganha o jogo.
88 Rei Manda No jogo do Rei Manda uma criança é denominada de rei. Este vai dando várias ordenas às restantes crianças, que terão de as cumprir. Neste caso, inicialmente a estagiária assume o papel de “rei” dando tarefas que tenham como intuito de aumentar a frequência cardíaca e mobilização articular, trabalhar o equilíbrio e trabalhar o salto a pé juntos e o salto a pé-coxinho. Posteriormente as crianças terão a oportunidade de serem o “rei” dando ordens às outras crianças. Jogo das cadeiras No jogo tradicional colam-se cadeiras no meio do pavilhão, em número inferior às crianças que vão jogar. De forma a prevenir acidentes, decidiu-se colocar arcos no meio do pavilhão. Assim, quando começa a música, circulam em volta dos arcos e quando esta termina, procuram ocupar um arco rapidamente. A criança que ficar sem arco, será eliminada e é retirado um arco, de forma a que esteja sempre menos um arco, relativamente ao número de crianças. Cabra-cega As crianças estão em roda, exceto uma que está no centro da mesma vendada com um lenço. Enquanto a criança esta vendada existe um pequeno diálogo entre ela e as restantes crianças: Crianças: Cabra-cega; Cabra-cega: O que é? Crianças: De onde vens?; Cabra-cega: De Mirandela; Crianças: O que comeste por lá?; Cabra-cega Pão e Vitela; Crianças: E não trazes nada para mim e para a minha cadela?; Crianças: Busca cabra-cega, busca…Depois de finalizarem este diálogo, a criança tem de tentar encontrar uma criança. Após encontrar uma criança, tem de descobriu usando o sentido do tato quem encontrou. Raiola Neste jogo as crianças têm de tentar acertar dentro da Raiola com a “malha caseira” que construíram previamente. Macaca Lança-se uma almofada para a casa 1, salta-se para a casa 2 e percorrem-se as casas em salto monopodial, exceto algumas casas onde os dois pés são colocados em simultâneo. Depois efetua-se o percurso contrário. Ao regressar à casa 1 a almofada é apanhada e lançada para a casa 2 e depois todo o percurso é realizada como anteriormente. Tendo em conta que as crianças têm ainda dificuldade no salto a pé-coxinho irão saltar na macaca a pés juntos. Figura 63 – Tabela referente aos Jogos Tradicionais dinamizadas no contexto em Pré-Escolar
89 Anexo I – Crianças a realizarem por sua iniciativa jogos tradicionais na sala de atividades e na sala de atividades Figuras 64, 65 e 66 – Crianças a realizarem o jogo da Macaca no exterior Figuras 67 e 68 – Crianças a realizarem o jogo da Macaca na sala de atividades Figura 69 – Crianças a realizarem o jogo da Cabra-Cega Figura 70 – Crianças a brincarem ao Camaleão Figura 71 – Crianças a brincarem às Escondidas Figura 72 – Crianças a brincarem ao Rei Manda