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Responsabilidade social das empresas: um estudo empírico da realidade portuguesa

Leal, Susana Cristina Henriques

Abstract

Nesta comunicação, após uma revisão da literatura dos principais desenvolvimentos da Responsabilidade Social das Empresas, apresenta-se os resultados de um estudo empírico envolvendo 54 organizações portuguesas. O objectivo do estudo foi relacionar os outcomes/resultados das organizações portuguesas com as suas políticas e comportamentos de Responsabilidade Social.

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661 RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS: UM ESTUDO EMPÍRICO DA REALIDADE PORTUGUESA Susana Cristina Henriques Leal RESUMO: Nesta comunicação, após uma revisão da literatura dos principais desenvolvimentos da Responsabilidade Social das Empresas, apresenta-se os resultados de um estudo empírico envolvendo 54 organizações portuguesas. O objectivo do estudo foi relacionar os outcomes/resultados das organizações portuguesas com as suas políticas e comportamentos de Responsabilidade Social. PALAVRAS-CHAVE: Responsabilidade Social das Empresas, Estudo empírico, Portugal ABSTRACT: On this paper, after a review of the last developments at CSR, it presents the results from an empirical study conducted over 54 Portuguese organizations. The objective of the study was to relate the performance of the Portuguese organizations with their Corporate Social Responsibility politics and behaviours. KEY WORDS: Corporate Social Responsibility, Empirical study, Portugal. 1. INTRODUÇÃO A tese aduzida pelo Livro Verde da Comissão Europeia – intitulado Promover um Quadro Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas – é atravessada pela argumentação, tanto explícita quanto implícita, de que a Responsabilidade Social das Empresas (RSE) contribui para uma maior produtividade, maior rendibilidade e maior competitividade das mesmas. Quando se sabe que a maioria das empresas com comportamentos socialmente responsáveis, utilizam-nos para, através da publicidade e relações públicas, capitalizar e obter retornos desses investimentos, questiona-se se têm um verdadeiro valor estratégico ou se tais investimentos não são apenas realizados porque estão alinhados com a política de marketing da empresa. Posto isto, pretende-se com este trabalho: Apresentar um breve resumo do conceito de Responsabilidade Social das Empresas e principais desenvolvimentos (revisão da literatura); Realizar o estudo empírico, que vise salientar quais as variáveis de Responsabilidade Social das Empresas que mais influenciam os resultados das organizações. O trabalho está estruturado em quatro partes, a saber: Na primeira parte – Introdução – apresenta-se o tema em estudo, o objectivo e a estrutura do trabalho; CITIES IN COMPETITION 662 Na segunda parte – Revisão da Literatura – apresenta-se uma revisão da literatura internacional com realce para a definição defendida pela Comissão Europeia, bem como, a sua relação com a estratégia e competitividade das empresas; Na terceira parte – Estudo Empírico – apresenta-se a amostra considerada, a forma de administração do questionário, e procede-se ao tratamento dos dados. Na quarta parte apresentam-se as principais conclusões. 2. REVISÃO DA LITERATURA A responsabilidade social das empresas está intimamente ligada às obrigações que a empresa tem para com a sociedade onde actua. Esta relação de compromisso para com a sociedade fica mais acentuada quando se trata do consumidor. Este é um participante activo na vida das empresas que além de exigente está, hoje em dia, mais consciente do seu papel na sociedade. Por esta razão, questiona o ciclo produtivo, a actuação dos accionistas e a cidadania corporativa, preferindo, por exemplo, adquirir um produto mais caro, por saber que este não resulta de mão-de-obra infantil ou de concorrência desleal. 2.1. EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS O conceito de Responsabilidade Social das Empresas tem uma história longa e variada. A literatura sobre RSE é um produto do século XX, especialmente dos últimos 50 anos, com grande maioria dos contributos originários dos EUA. O pai da RSE, segundo Carroll (1999: 270), é Howard Bowen, que colocou a questão “Que responsabilidades para com a sociedade espera-se que o homem de negócios assuma?” e para quem, o homem de negócios tinha a responsabilidade social de prosseguir politicas, tomar decisões ou seguir linhas de acção que fossem desejáveis no âmbito dos objectivos e valores da nossa sociedade (Bowen, 1953). A década de sessenta evidencia um crescimento significativo na tentativa de formalização do conceito RSE. Dos contributos mais relevantes salientam-se Davis (1960, 1967), McGuire (1963), Davis e Blomstrom (1966) e Walton (1967). McGuire (1963), citado por Carroll (1999: 217), defendeu a ideia que a responsabilidade social supõe que a empresa não tem apenas obrigações legais e económicas mas também algumas responsabilidades para com a sociedade. Walton (1967: 18), citado por Carroll (1999: 217), também afirma que o conceito de responsabilidade social reconhece a intimidade da relação entre a empresa e a sociedade e salienta que tal relação deve ser lembrada pelos gestores de topo à medida que a empresa e os grupos relacionados prosseguem os respectivos objectivos. Na década de setenta proliferaram as definições de RSE, destacando-se os trabalhos de Johnson (1971), CED – Committee for Economic Development (1971), Davis (1973), Steiner (1971), Eells e Walton (1974), Sethi (1975), Preston e Post (1975) e Carroll (1979). Davis (1973: 312) definiu RSE por: consideração e resposta das empresas a questões que ultrapassam os seus aspectos económicos, técnicos e legais. Segundo este autor, a responsabilidade social começa onde a lei termina. Posteriormente, Carroll (1979: 500) defendeu que a responsabilidade social de um negócio envolve as expectativas económicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade tem em determinado período de tempo. Esta definição apresenta quatro componentes, onde se espera que a empresa produza bens e serviços e que os venda com lucro (componente económica), que respeite a lei (componente legal), que tenha comportamentos éticos e respeite as normas (componente ética) e que de forma voluntária desempenhe papéis que beneficie a sociedade (componente discricionária ou filantrópica). NOTES ON STRATEGY, PLANNING AND INTERNATIONALIZATION 663 Na década de oitenta surgiram menos definições originais de RSE e mais aplicações e estudos empíricos sobre o tema. Os principais desenvolvimentos devem-se a Jones (1980), Drucker (1984), Cochran e Wood (1984) e Eptein (1987). Em 1984, Drucker defendeu a ideia de que a rentabilidade e a responsabilidade são noções complementares, bem como, a ideia de que é desejável para os negócios a “conversão” das responsabilidades sociais em oportunidades de negócio. Como referido por Drucker (1984: 59) “To do good in order to do well”, isto é, converter as necessidades e problemas sociais em oportunidades de negócio rentáveis, era na época raramente considerado pelos que advogavam a responsabilidade social. Assim, a primeira responsabilidade social de qualquer negócio deverá ser ter proveitos suficientes para cobrir os custos do futuro (Drucker, 1984: 62). Durante este período e na década de noventa surgiram desenvolvimentos em conceitos complementares aos de responsabilidade social, tais como, corporate social responsiveness, corporate social performance (CSP), public policy, ética nos negócios, gestão dos stakeholders, etc. Com vista a uma melhor compreensão do conceito de RSE, é útil referir os diferentes níveis de responsabilidade social propostos por Carroll (1979, 1991). Segundo este autor a responsabilidade social das empresas engloba as expectativas económicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade tem da organização em dado período de tempo. Na tabela 1 apresenta-se o modelo de responsabilidade social, proposto por Carrol (1979, 1991) e a caracterização de cada um dos níveis. Tabela 1 – Níveis de responsabilidade social Níveis Caracterização Responsabilidade Económica As empresas têm uma responsabilidade de natureza económica. Têm a responsabilidade de produzir bens e serviços que a sociedade deseja e vendê-los de forma rentável. Responsabilidade Legal A sociedade espera que as empresas realizem a sua missão económica dentro dos requisitos legais estabelecidos pelo sistema legal da sociedade. Espera-se que os produtos e serviços oferecidos pelas empresas tenham padrões de segurança e obedeçam às regulamentações ambientais vigentes. Responsabilidade Ética Representa comportamentos éticos que se espera que as empresas tenham. Este aspecto vem adquirindo maior importância, porque a tolerância da sociedade face a comportamentos não éticos é cada vez menor. A tomada de decisão deverá considerar as consequências das suas acções, honrando os direitos dos outros, cumprindo deveres e evitando prejudicar terceiros. Responsabilidade Filantrópica ou Discricionária Representa acções discricionárias levadas a cabo pela empresa em resposta às expectativas sociais. Respeitam a actividades desenvolvidas pelas empresas assumindo um papel social que extravasa a obrigatoriedade legal e ética, assumindo cada vez mais uma importância estratégica. Exemplos: contributos filantrópicos, formação dos trabalhadores, extensão de benefícios para os familiares dos funcionários. Fonte: Construído a partir de Carroll (1999). CITIES IN COMPETITION 664 2.2. A RSE NA UNIÃO EUROPEIA As mudanças que têm vindo a decorrer no mundo fizeram despertar no contexto europeu uma maior preocupação com a RSE. A responsabilidade social das empresas, tal como é defendido pela Comissão Europeia é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo (COM, 2001: 4). Ser socialmente responsável não se restringe ao cumprimento de todas as obrigações legais – implica ir mais além através de um “maior” investimento em capital humano, no ambiente e nas relações com outras partes interessadas e comunidades locais (COM, 2001:7). Como referido em COM (2001), existe hoje na esfera empresarial a percepção de que o sucesso das empresas e os benefícios duradouros para os agentes seus associados não se obtêm através de uma tónica na maximização de lucros a curto prazo, mas sim de um comportamento orientado pelo mercado, porém coerente e responsável. As empresas estão conscientes de que podem contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerindo as suas operações de modo a consolidar o crescimento económico e aumentar a competitividade, ao mesmo tempo que asseguram a defesa do ambiente e promovem a responsabilidade social, incluindo os interesses dos consumidores. O Livro Verde da Comissão Europeia apresenta duas dimensões da RSE, a interna e a externa (COM, 2001: 8- 16). A dimensão interna da RSE implica práticas socialmente responsáveis, fundamentalmente, os trabalhadores e prendem-se com questões de investimento em capital humano, na saúde, na segurança e na gestão da mudança, bem como, práticas ambientalmente responsáveis as quais, se relacionam sobretudo com a gestão dos recursos naturais explorados no processo de produção. Estes aspectos possibilitam a gestão da mudança e a conciliação do desenvolvimento social com uma competitividade reforçada. Inclui preocupações ao nível: Gestão de Recursos Humanos. Saúde e segurança no trabalho. Adaptação à mudança. Gestão do impacto ambiental e dos recursos naturais. A dimensão externa da RSE ultrapassa a esfera da própria empresa envolvendo para além dos trabalhadores e accionistas um conjunto de outras partes interessadas: parceiros comerciais e fornecedores, clientes, autoridades públicas e ONG’s que exerçam a sua actividade junto das comunidades locais ou no domínio do ambiente. Inclui preocupações ao nível: Comunidades locais; Parceiros comerciais, fornecedores e consumidores; Direitos humanos; Preocupações ambientais globais. O Livro Verde da Comissão Europeia defende que a Responsabilidade Social deve ser abordada e gerida de forma integrada, o que significa numa fase inicial, que as empresas comecem por adoptar uma declaração de missão, um código de conduta, valores fundamentais e responsabilidades para com as diversas partes interessadas. Em seguida, as empresas deverão aplicar estes valores a toda a sua organização, desde as estratégias até às decisões correntes. Isto pressupõe que a dimensão social ou ambientalmente responsável esteja presente no planeamento estratégico, planos de actividades e orçamentos. NOTES ON STRATEGY, PLANNING AND INTERNATIONALIZATION 665 À medida que as expectativas em termos de RSE se tornam mais definidas, é necessária convergência de conceitos, instrumentos e práticas. Alguns destes instrumentos e práticas são sugeridos pela Comissão Europeia (COM, 2001 e 2002), a saber: investimento socialmente responsável; rótulos sociais e ecológicos; contabilidade, auditoria e divulgação de relatórios; normas de gestão; códigos de conduta; qualidade no trabalho. 4. ESTUDO EMPÍRICO O problema decisional que se coloca neste estudo é saber se a Responsabilidade Social das Empresas contribui positivamente para os outcomes/resultados das organizações. Deste problema decisional decorrem os seguintes objectivos de investigação: Aferir qual o envolvimento da gestão de topo na Responsabilidade Social; Aferir qual a importância dada aos clientes no óptica da Responsabilidade Social; Aferir qual a importância dada aos fornecedores na óptica da Responsabilidade Social; Observar as demonstrações de Responsabilidade Social da organização ao mundo exterior; Aferir da existência de comportamentos socialmente responsáveis e práticas de recrutamento condizentes; Avaliar as práticas de Responsabilidade Social relacionadas com a família dos trabalhadores e a forma comos os seus tempos livres são geridos; Apurar se os reajustes organizacionais e despedimentos decorrem de modo socialmente responsável; Aferir como é protegida a saúde dos trabalhadores no local de trabalho; Apurar se as reformas decorrem de modo socialmente responsável; Aferir da existência de parcerias locais; Relacionar os itens anteriormente referidos com os outcomes/resultados organizacionais. Este trabalho é, por natureza, exploratório, visando realizar um estudo preliminar da relação entre o nível de responsabilidade social das empresas e os seus outcomes/resultados. Para o estudo, foram recolhidos dados primários. A população alvo respeita a todas as organizações em actividade no continente português. 4.1. AMOSTRA E QUESTIONÁRIO Na impossibilidade de obter respostas de todos os elementos da população alvo, por razões temporais e económicas, optou-se por seleccionar uma amostra. Foi realizada uma amostragem por conveniência e, portanto, não probabilística149. As organizações e empresas foram seleccionadas atendendo à sua disponibilidade, bem como, pertinência através de uma lista de entidades numa revista da especialidade (Semanário Económico, 2004). Também foram incluídas na amostra as empresas reconhecidas como as “20 melhores empresas para se trabalhar em Portugal” (Exame, 2004). Optou-se pela administração do questionário por e-mail, por questões temporais e económicas, já que este meio é rápido e não dispendioso; não obstante, tem a desvantagem de conduzir, geralmente, a taxas de não resposta total elevadas. 149 Por questões temporais e económicas não foi possível obter uma base de sondagem – lista exaustiva e sem repetições de todos os elementos da base de sondagem – pelo que a amostragem probabilística ficou impossibilitada. CITIES IN COMPETITION 666 Entre os dias 29 de Julho de 2004 e 4 de Agosto de 2004 foram enviados 378 questionários, por e-mail, dos quais foram recebidos 54 questionários válidos (taxa de resposta de 14,3%). O questionário foi elaborado tomando em consideração outros estudos realizados dos quais se destacam os de Rego et al. (2003) e de Danish Ministry of Social Affairs (2000), cujos tópicos e questões foram adaptadas para o presente estudo. O questionário apresenta três partes principais. Na primeira parte, apresenta-se um conjunto de onze grupos de questões relacionadas com o envolvimento da gestão de topo na RSE, o envolvimento de todos na RSE, questões relacionadas com os clientes, fornecedores, relações com o mundo exterior, parcerias, trabalhadores e práticas de recrutamento, saúde no trabalho, reformas, etc. Apresentam-se também um grupo de resultados que poderão estar relacionados com as práticas de RSE. Estes resultados têm que ver essencialmente com a caracterização interna da prática organizacional – como o absentismo, rotatividade do pessoal, acidentes de trabalho, feedback dos trabalhadores, comunidade local, clientes e fornecedores – que evidenciam a saúde da organização. A segunda parte do questionário visa obter uma breve caracterização das empresas – número de trabalhadores, actividade principal da organização e sector de actividade –, bem como, a sua opinião sobre a razão principal que pode levar uma organização a assumir responsabilidades sociais, com quatro opções de resposta em alternativa. Também se colocam questões sobre se a organização possui ou não código de conduta, comité de ética ou se é certificada pelas normas de qualidade. A terceira parte do questionário visa obter uma breve caracterização dos respondentes: sexo, nível de escolaridade, idade e função desempenhada na organização. 4.3. CARACTERIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES E DOS RESPONDENTES Das 54 respostas obtidas e aferindo pelo número de trabalhadores, 20,4% dizem respeito a pequenas organizações (11 casos), 24,1% a médias organizações (13 casos) e 55,6% grandes organizações (30 casos). A actividade principal de 37,0% das organizações são os serviços, 18,5% a indústria, 9,3% o comércio, 9,3% banca e seguros, 7,4% a construção civil e 18,5% dizem respeito a outras actividades, onde se incluem, por exemplo, os institutos públicos. Cerca de 79,6% das organizações são do sector privado (43 casos) e 20,4% do sector público (11 casos). Das organizações que responderam ao inquérito 57,4% têm código de conduta (31 casos), 25,9% têm comité de ética (14 casos) e 55,6% são certificadas pelas normas de qualidade (30 casos). Constata-se que a existência de código de conduta, comité de ética e certificação é mais frequente nas organizações de maior dimensão. No que concerne à razão principal que pode levar uma organização a assumir responsabilidades sociais, a grande maioria responde “É isso que deve ser feito” (44,4%) ou “É uma boa estratégia” (33,3%), valores estes próximos dos obtidos noutros estudos já realizados no passado (e.g. Rego et al., 2004). As pessoas que, em cada organização, responderam ao inquérito, 53,7% são do sexo masculino e 46,3% do sexo feminino, a grande maioria tem um curso superior (98,1%), têm uma idade média de 35 anos, 33,3% são directores nas organizações em estudo, 31,5% são técnicos e 18,5% pertencem à gestão/administração da organização. NOTES ON STRATEGY, PLANNING AND INTERNATIONALIZATION 667 4.4. ANÁLISE DOS RESULTADOS O primeiro passo relacionado, com a análise dos resultados, passa por analisar a correlação entre as diferentes variáveis em análise, tendo-se optado por excluir aqueles que têm uma correlação inferior a 0,25, pois estas podem conduzir a factores sem significado. Prosseguiu-se a análise dos resultados com uma análise factorial. Na análise factorial, utilizou-se o método das componentes principais para extrair as comunalidades e o método Varimax para a rotação dos factores, de molde a facilitar o processo de interpretação dos factores. Após a exclusão das variáveis com com MSA (Measure of Sampling Adequacy ) - “medida de adequação de amostragem” - inferior a 0,5 150, obteve-se os seguintes resultados associados à retenção de 6 factores. A tabela 2 apresenta o valor do KMO e o teste de Bartlett. Sendo KMO=0,793 a recomendação face à análise factorial é média e portanto executável. O teste de esferecidade de Bartlett apresenta um p-value < 0,0001 e portanto rejeitamos 0 H concluindo que as variáveis estão correlacionadas significativamente. Os valores de MSA são, para todas as variáveis, superiores a 0,5 o que indica que estas se ajustam à estrutura definida pelas outras variáveis. Tabela 2 – KMO and Bartlett's Test KMO and Bartlett's Test Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. 0,793 Approx. Chi- Square 1.763,390 df 595 Bartlett's Test of Sphericity Sig. 0,000 A matriz de comunalidades após a extracção dos factores apresenta valores elevados (todas superiores a 0,5) pelo que todas as variáveis têm uma elevada relação com os factores retidos. A questão que agora se coloca é saber quantos factores reter. O critério de Kaiser (valores próprios maiores do que 1) gera soluções credíveis para a escolha do número de factores a reter uma vez que todas as comunalidades são no mínimo 0,6 (Pestana e Gageiro, 2000: 399). O critério do Scree Plot não se torna útil, pois estamos perante um caso com mais de 30 variáveis, pelo que a visualização gráfica dos valores próprios não acrescenta muita informação. Como se pode ver no quadro que se segue, utilizando o critério de Kaiser seria de reter 6 factores. Este quadro também apresenta a percentagem explicada por cada factor antes e após a rotação. Os 6 factores explicam 78,21% da variabilidade das variáveis originais (ver tabela 3). 150 Valores de MSA inferiores a 0,5 indicam que essa variável não se ajusta à estrutura definida pelas outras variáveis e, neste caso, deve considerar-se a sua eliminação da análise factorial (Maroso, 2003: 286). CITIES IN COMPETITION 668 Tabela 3 – Resultados da análise factorial para 6 factores Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % Total % of Variance Cumulative % 118,85 53,86 53,86 18,85 53,86 53,86 7,33 20,93 20,93 22,37 6,78 60,64 2,37 6,78 60,64 4,97 14,20 35,13 31,90 5,43 66,07 1,90 5,43 66,07 4,61 13,17 48,30 41,70 4,85 70,92 1,70 4,85 70,92 4,06 11,61 59,91 51,43 4,09 75,01 1,43 4,09 75,01 3,38 9,66 69,58 61,12 3,20 78,21 1,12 3,20 78,21 3,02 8,64 78,21 Total Variance Explained Initial Eigenvalues Extraction Sums of Squared Loadings Rotation Sums of Squared Loadings Com o objectivo de proceder à interpretação dos factores retidos analisou-se a matriz dos factor loadings após a rotação Varimax. Os 6 factores retidos têm a seguinte interpretação (ver tabela 4): Factor 1: A RSE envolve toda a organização e é apoiada pela gestão de topo. Factor 2: Preocupações para com os trabalhadores. Factor 3: Preocupações com a RSE para além da legalidade. Factor 4: Preocupações para com a comunidade Factor 5: Prevenção de exclusões sociais. Factor 6: Formação dos trabalhadores. A consistência interna dos factores define-se como a proporção da variabilidade nas respostas que resulta de diferenças de inquiridos. Isto é, as respostas diferem não porque o inquérito esteja confuso e leve a diferentes interpretações, mas porque os inquiridos têm diversas opiniões. O Alpha de Cronbach é uma das medidas mais usadas para verificação da consistência interna de um grupo de variáveis, podendo definir-se como a correlação que se espera obter entre a escala usada e outras escalas hipotéticas do mesmo universo, com igual número de itens que meçam, a mesma característica. (Pestana e Gageiro, 2000: 415). Analisou-se a consistência interna de cada um dos seis factores retidos. Considerando-se como indicador de boa consistência interna um Alpha de Cronbach superior a 0,8 conclui-se que todos os factores têm bons resultados nesta estatística, podendo-se prosseguir com a análise de clusters. NOTES ON STRATEGY, PLANNING AND INTERNATIONALIZATION 669 Tabela 4 – Resultados da análise factorial após rotação Varimax, 6 factores 123456 EXTERIO2 A organização informa o público dos seus esforços sociais (exemplo: nos relatórios anuais , carta da or g aniza ç ão , etc. ) 0,842 TODA2 A organização recolhe e dissemina informação de quão é socialmente responsável. 0,832 EXTERIO3 A organização publica documentos específicos da responsabilidade social (exemplo: documentos dedicados à “contabilidade social ou ética” ) .0,772 TODA3 A responsabilidade social faz parte dos seus critérios de desempenho/performance. 0,765 TODA1 A responsabilidade social é uma preocupação diária da organização e faz parte da sua cultura. 0,740 EXTERIO1 A organização está empenhada na responsabilidade social, por exemplo através de acordos cujos beneficiários sejam os trabalhadores e os seus familiares. 0,667 0,432 EXTERIO4 A problemática relativa ao meio ambiente está integrada na tomada de decisões da sua or g aniza ç ão. 0,622 RECRUTA2 A organização estudou as diferentes exigências e possibilidades que previnem o abandono do mercado de trabalho, pelos trabalhadores (exemplo: prevenção de doen ç as , saúde p recária , etc. ) . 0,506 0,408 FORNECE2 A organização aplica mecanismos para assegurar que os nossos fornecedores não usam mão-de-obra forçada nem exploram mão-de-obra infantil, independentemente do p aís onde actuam. 0,499 0,491 EXTERIO5 No projecto ou na utilização das suas instalações, foram estabelecidos planos de p reven ç ão de riscos p ara o meio ambiente. 0,429 0,428 DESPEDI4 Com p ensa ç ões salariais 0 , 845 DESPEDI3 Prazo mais alar g ado p ara a notifica ç ão de des p edimento 0,813 DESPEDI6 A juda aos trabalhadores despedidos para encontrarem novo emprego (colocá-los em contacto com o instituto de emprego, colocar anuncio nos jornais, etc.). 0,801 DESPEDI5 Transferências 0 , 410 0 , 686 SAUDE3 A organização previne lesões relacionadas com o trabalho, saúde precária e as exclusões sociais resultantes fazendo esforços acima da média para melhorar o ambiente de trabalho. 0,466 0,562 0,413 SAUDE1 A organização providencia assistência quando os trabalhadores se tornam g ravemente doentes , sofrem uma crise p essoal ou similar. 0,468 RECRUTA5 A organização realiza as suas operações com a máxima consideração pela segurança e a hi g iene dos seus em p re g ados. 0,747 SAUDE4 A organização melhora o ambiente de trabalho para além do que é legalmente exi g ido. 0,405 0,685 CLIENTE2 Perante problemas nas relações comerciais, a minha organização expande os seus compromissos para além do que está contratualmente estabelecido com o cliente 0,405 0,654 0,502 FORNECE1 Na selecção dos fornecedores, para além do preço, da qualidade, das expectativas e da reputação, na organização toma-se em consideração outros factores como as práticas comerciais ou as relativas ao meio ambiente. 0,506 0,588 TOPO3 Os gestores de topo desempenham um papel de liderança e/ou apoiam os trabalhadores no desempenho de tarefas concretas que reforcem a responsabilidade social da or g aniza ç ão. 0,492 0,573 0,431 TOPO1 A gestão de topo comunica de forma clara os seus esforços para com os aspectos sociais. 0,556 0,560 TOPO2 A gestão de topo definiu claramente valores que revelam o seu empenho no campo social. 0,529 0,559 PARCERI1 A organização coopera com as organizações de formação (entidades de formação p rofissional , universidades , escolas , etc. ) . 0,752 PARCERI2 A or g aniza ç ão troca ex p eriências com outras or g aniza ç ões. 0,731 PARCERI4 A organização aceita visitas, excursões e efectua apresentações da organização. 0,519 0,604 DESPEDI2 A organização esforça-se por manter os trabalhadores durante os períodos de menor actividade (exemplo: utilizando estes períodos para providenciar formação). 0,417 0,595 TOPO4 A g estão de to p o afecta recursos p ara iniciativas de âmbito social. 0 , 593 CLIENTE1 A or g aniza ç ão p ersuade os seus clientes a res p eitar as re g ras 0 , 491 0 , 417 DESPEDI1 A organização providencia emprego alternativo ou formação para os trabalhadores afectados por reajustamentos relacionados com a adopção de novas tecnologias, mudan ç as or g anizacionais , etc. 0,772 RECRUTA3 A organização esforça-se para assegurar uma ampla diversidade de trabalhadores em termos de sexo, idade, origens étnicas, etc. aquando do recrutamento. 0,732 RECRUTA1 A organização tem uma política de contratação imparcial, transparente e baseada em critérios ob j ectivos. 0,488 REFORMA4 A organização planeia o desenvolvimento e formação dos seus trabalhadores para assegurar que se mantêm empregáveis no mercado de trabalho. 0,805 REFORMA5 A organização coordena a formação e necessidades de desenvolvimento dos trabalhadores de forma a garantir que estes têm as qualificações adequadas para se manterem na or g aniza ç ão. 0,463 0,717 RECRUTA6 A organização aplica critérios homogéneos no que diz respeito ao acesso à informação e à promoção profissional das pessoas. 0,636 a. Rotation converged in 15 iterations. Rotated Component Matrix(a) Component Extraction Method: Principal Component Analysis. CITIES IN COMPETITION 676 Dawkins, Jenny; Lewis, Stewart (2003), “CSR in Stakeholder Expectations: And Their Implication for Company Strategy”, Journal of Business Ethics, Vol. 44, pp.185-193. Drucker, P F. (1984), “The new meaning of corporate social responsibility”, California Management Review, Vol. 26, pp.53-63. Eells, R., & Walton, C. (1974), Conceptual foundations of business (3rd ed.). Burr Ridge, IL: Irwin. European Commission (2003), Responsible entrepreneurship: A collection of good practice cases among small and medium-sized enterprises across Europe, Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities. (http://europa.eu.int/comm/enterprise/entrepreneurship /support_measures/responsible_entrepreneurship/doc/resp_entrep_en.pdf , 01-06- 2004) Exame (2004). As 20 melhores empresas para se trabalhar. Johnson, H. L. 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