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Os limites da linha - da natureza mutável das fronteiras ao ativismo como expressão artística

Mesquita, Bruno

Abstract

As fronteiras têm sido um tema central na História, marcando presença constante nas discussões políticas, sociais e económicas, além de influenciar movimentos ativistas. Elas não apenas definem limites geográficos, mas também moldam e são moldadas pelas ideias e culturas, influenciando questões de identidade e poder. O tema das fronteiras vai além da sua espacialidade, assumindo um papel crucial nas dinâmicas das relações humanas. O objetivo principal deste projeto é desenvolver uma peça no domínio das Media Arts, focada nos processos associados às fronteiras e migrações. A obra pretende não apenas captar a essência destes temas, mas também estimular uma reflexão sobre o papel do ativismo artístico, em particular no campo das Media Arts, na compreensão da natureza mutável das fronteiras. Neste documento, apresenta-se inicialmente um estudo reflexivo sobre fronteiras, migração e ativismo, com destaque para o ativismo artístico. Foi também conceptualizada e desenvolvida uma peça, que foi apresentada ao público em Julho de 2024 no gnration, em Braga – um espaço dedicado à criação, performance e exposição nas áreas da música, arte contemporânea e na intersecção entre arte e tecnologia. Os processos conceptuais e técnicos da obra são detalhados ao longo do documento, com ênfase na linha como elemento essencial e no som como elemento transformador. Estes elementos refletem as dinâmicas sociais e as lutas pela sua transformação, convidando o público a questionar as narrativas estabelecidas e a contemplar perspetivas alternativas. A peça cria, assim, um espaço de reflexão sobre o poder da manifestação e a força social capaz de redefinir essas linhas.

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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Bruno Mesquita Os Limites Da Linha - Da Natureza Mutável das Fronteiras ao Ativismo Como Expressão Artística outubro de 2024 UMinho | 2024 Bruno Mesquita Os Limites da Linha - Da Natureza Mutável das Fronteiras ao Ativismo Como Expressão Artística 2 Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 3 DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ 3 4 Financiamento "Os Limites Da Linha: Da Natureza Mutável das Fronteiras ao Ativismo Como Expressão Artística" insere-se no projeto de investigação MigraMediaActs (PTDC/COMCSS/3121/2021), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. 5 6 Despacho RT - 31 /2019 - Anexo 4 DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Assinado por: Bruno Miguel Salgado Mesquita Num. de Identificação: 15129942 Data: 2025.01.30 14:49:14 +0000 7 RESUMO As fronteiras têm sido um tema central na História, marcando presença constante nas discussões políticas, sociais e económicas, além de influenciar movimentos ativistas. Elas não apenas definem limites geográficos, mas também moldam e são moldadas pelas ideias e culturas, influenciando questões de identidade e poder. O tema das fronteiras vai além da sua espacialidade, assumindo um papel crucial nas dinâmicas das relações humanas. O objetivo principal deste projeto é desenvolver uma peça no domínio das Media Arts, focada nos processos associados às fronteiras e migrações. A obra pretende não apenas captar a essência destes temas, mas também estimular uma reflexão sobre o papel do ativismo artístico, em particular no campo das Media Arts, na compreensão da natureza mutável das fronteiras. Neste documento, apresenta-se inicialmente um estudo reflexivo sobre fronteiras, migração e ativismo, com destaque para o ativismo artístico. Foi também conceptualizada e desenvolvida uma peça, que foi apresentada ao público em Julho de 2024 no gnration, em Braga – um espaço dedicado à criação, performance e exposição nas áreas da música, arte contemporânea e na intersecção entre arte e tecnologia. Os processos conceptuais e técnicos da obra são detalhados ao longo do documento, com ênfase na linha como elemento essencial e no som como elemento transformador. Estes elementos refletem as dinâmicas sociais e as lutas pela sua transformação, convidando o público a questionar as narrativas estabelecidas e a contemplar perspetivas alternativas. A peça cria, assim, um espaço de reflexão sobre o poder da manifestação e a força social capaz de redefinir essas linhas. PALAVRAS-CHAVE fronteiras, migrações, linha, mutável, ativismo artístico, ativismo, Media Arts 14 15 1 Introdução 1.1 Contexto/Motivação Este trabalho insere-se no projeto de investigação "MigraMediaActs - Migrações, Media e Ativismos em Língua Portuguesa: Descolonizar Paisagens Mediáticas e Imaginar Futuros Alternativos" (PTDC/COM-CSS/3121/2021), um projeto de investigação acolhido pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS). O MigraMediaActs, uma iniciativa pioneira no território português, propõe-se a investigar e a promover a descolonização do espectro mediático no universo da língua portuguesa. Centrando-se no papel de vários atores sociais, tais como ativistas e associações, este projeto visa analisar o seu contributo nos processos de mudança social e na construção de futuros mais justos e inclusivos. Adotando uma abordagem contextualizada, o MigraMediaActs entrelaça áreas distintas de pesquisa para compreender a complexidade das identidades nas sociedades contemporâneas. O seu principal contributo é incrementar a visibilidade de pessoas em posições de alteridade no contexto português, e potenciar relações construtivas entre investigadores, docentes, jornalistas, artistas e elementos da sociedade civil. Tomando como ponto de partida o tema central do projeto de investigação MigraMediaActs, emerge, então, a questão fulcral que orientará este projeto: Como o ativismo artístico reflete e influencia a perceção da natureza mutável das fronteiras geográficas, culturais, sociais ou políticas na sociedade contemporânea? O projeto proposto foca-se então na temática complexa das fronteiras, e como consequência, as migrações, estas "questões de migração têm animado agendas políticas, provocando inúmeras reações tanto de académicos como da sociedade em geral."(Abadia et al., 2018), investigando o impacto significativo que as Media Arts podem ter na perceção e na intervenção ativista relacionadas com estas matérias. 16 Na tentativa de transpor estas linhas – fronteiras geográficas, políticas, culturais e sociais – pretende-se iniciar uma reflexão mais detalhada, procurando compreender estas divisões e como as podemos refletir numa peça de Media Arts (Fig.1). É possível compreender que as fronteiras ultrapassam a sua mera definição geográfica, “as fronteiras não são fixas, mesmo que a sua função seja fixar”(Anderson et al., 2009). As mesmas podem assumir papéis multifacetados, manifestam-se não só como delimitações físicas, como rios, oceanos ou montanhas, mas também emergem como fronteiras culturais ou políticas, influenciando profundamente a perceção e interação com o ambiente circundante. Percebe-se, portanto, que as fronteiras evoluem de uma realidade tangível para uma esfera intangível, as quais, apesar de não se manifestarem visível ou fisicamente, integram-se de forma inegável no tecido do nosso quotidiano. Estas delimitações, ainda que etéreas, moldam a maneira pela qual interagimos com o ambiente que nos Figura 1 Diagrama conceptual do tema. 17 circunda e influenciam profundamente a nossa vivência diária. Deste modo, construímos, talvez inadvertidamente, linhas imaginárias que, ao invés de celebrarem a diversidade cultural e social, frequentemente geram entropia e segregação, obstando o que poderia ser uma fonte enriquecedora de intercâmbio e desenvolvimento humano. A UNESCO enfatiza a importância da diversidade cultural como uma ferramenta para reduzir conflitos, destacando que “89% dos conflitos atuais têm uma dimensão cultural” (UNESCO, 2023) e que a promoção do diálogo intercultural é fundamental para a paz e o desenvolvimento sustentável: “a migração, os contactos culturais e as travessias de fronteiras tornaram-se os fatores centrais na explicação do desenvolvimento das culturas em todo o mundo.” (Kurki, 2014) A realidade em que vivemos é marcada por uma rigidez crescente nas fronteiras, impulsionada por uma multiplicidade de fatores tais como conflitos armados, catástrofes naturais e crises sociais. Esta dinâmica impõe às populações a necessidade de procurar novos horizontes, “os fatores políticos também estão ligados às imaginações e aspirações dos sujeitos migrantes” (Abadia et al., 2018) impelindo-as a transpor essas fronteiras e a confrontar-se com realidades diversas. Todavia, frequentemente, este caminho revela ser um verdadeiro desafio, assombrado pela ausência de empatia nos países e culturas de acolhimento. É imperativo, portanto, levantar a voz contra atitudes permeadas de racismo e xenofobia, lutando incansavelmente pela tolerância e compreensão. Embora seja um caminho cada vez mais estreito e tortuoso, a luta por um objetivo de fomentar a interculturalidade e o respeito mútuo é de extrema importância. E é neste caminho de interculturalidade que a arte tem sido um reflexo da sociedade, desempenhando um papel crucial na reflexão e crítica sociais. Centrando a atenção em temáticas sensíveis e frequentemente polarizadas, como as fronteiras e a migração, as Media Arts revelam-se não apenas como um guia que abre caminho a novas realidades que muitas vezes estão escondidas, mas também como um catalisador de um diálogo mais profundo e empático. É assim que, através das Media Arts, este projeto visa gerar uma reflexão crítica sobre o modo como as fronteiras, muitas vezes construídas por perceções e 18 preconceitos, podem ser repensadas e transformadas em pontes de entendimento e empatia. Portanto, o valor deste projeto reside não apenas na sua capacidade de questionar e (re)imaginar as fronteiras físicas e metafóricas, mas também no seu potencial de impulsionar a mudança social. Ao colocar as Media Arts no nesta discussão, cria-se um espaço para a expressão criativa e para o debate, abrindo caminho para uma sociedade mais compreensiva, tolerante e integrada. Neste contexto, as Media Arts não são apenas uma ferramenta de expressão artística, mas um meio para a transformação social e cultural, que nos desafia a ver o mundo e suas fronteiras sob uma nova luz. 19 1.2 Problema e Objetivo do Projeto O objetivo principal deste projeto de mestrado reside na exploração do papel transformativo do ativismo artístico, particularmente na sua capacidade de incitar reflexões acerca de um tema premente na sociedade contemporânea: as fronteiras. Estas, como já referidas, são entendidas não apenas na sua dimensão geográfica, mas também nas suas facetas políticas, culturais e sociais, representam um campo fértil para o questionamento e a (re)interpretação. O ativismo artístico, nesse contexto, emerge como um veículo para fomentar um diálogo crítico e construtivo sobre a mutabilidade das fronteiras, as suas implicações na realidade das migrações, e o impacto destas na configuração da sociedade. Em simultâneo, almejada a conceção de um projeto artístico que, mais do que uma representação, seja uma entidade de questionamento e reflexão sobre o tema das fronteiras. A peça produzida neste contexto procurará encapsular a essência da fluidez destas linhas e, ao mesmo tempo, convocar uma introspeção sobre o papel que cada indivíduo e a coletividade desempenham na moldagem destas barreiras. A intenção é gerar uma ressonância que transcenda a esfera artística, instigando um debate sobre a necessidade de uma abordagem mais empática e humana em relação à multiculturalidade, promovendo uma sociedade mais inclusiva e menos segmentada por fronteiras formais. O desafio, portanto, consiste não só em compreender as dinâmicas e as implicações das fronteiras, mas também em utilizar a arte como um meio para propiciar uma mudança de perspetiva, onde as fronteiras possam ser vistas não como limites intransponíveis, mas como linhas moldáveis e suscetíveis a uma constante redefinição. 20 1.3 Metodologia O estudo principal deste projeto surge na observação da fluidez e na mutação das fronteiras, explorando a forma como estes conceitos podem ser refletidos e articulados através de uma peça artística com caracter ativista. Como metodologia deste projeto, opta-se pela Practice-based Research na qual, segundo Candy (2006), "um artefacto criativo constitui a base da contribuição para o conhecimento". Esta premissa sugere que a essência da contribuição assenta na prática artística e nos resultados que dela provêm, “sendo que a prática reflexiva influenciou a escrita, que, por sua vez, substanciou a prática” (Moura, 2024). As fases que compõem este projeto são a investigação, a experimentação e a criação. Na investigação teremos como objetivo explorar conceitos e peças de arte já desenvolvidos por vários autores e artistas que nos irão abrir portas para a conceptualização do tema que iremos depois nos debruçar. Assim, na fase dedicada à idealização e conceção da obra artística, antevê-se a realização de uma série de experimentações práticas. Estas visarão explorar e materializar as temáticas e conceitos abordados na fase de investigação. Durante o processo criativo, será dada uma atenção particular à documentação de todo o processo, através de fotografia, vídeo e som. Quanto à implementação técnica da peça, será pensada e desenvolvida ao longo do projeto de acordo com as técnicas que iremos abordar e que darão força conceptual ao trabalho desenvolvido. 21 1.4 Estrutura do documento Este documento é composto por três capítulos principais. O primeiro é a revisão da literatura, onde os conceitos são estudados; o segundo é o estado da arte, com uma análise de uma seleção de obras de arte e instalações; e o terceiro descreve o processo de produção da instalação, desde sua idealização até à sua implementação. A revisão da literatura é composta por um subcapítulo que integra conceitos de fronteiras e de como se relacionam entre si; um subcapítulo sobre as migrações, enquanto um fator de extrema importância na definição de fronteiras; o terceiro e último subcapítulo analisaremos o ativismo e mais em específico, o ativismo na arte. O segundo capítulo está dividido em dois subcapítulos; o primeiro consiste numa análise de obras de Media Art com posicionamentos ativistas; o segundo subcapítulo é dedicado apenas a analisar a obra de Joanie Lemercier, ativista e artista que utiliza o laser como ferramenta artística e ativista. Por fim, o terceiro capítulo é uma descrição do processo de produção da instalação, bem como os conceitos estudados nos primeiros e segundos capítulos contribuíram para sua idealização. 22 2 Revisão de Literatura 2.1 Fronteiras O conceito de fronteira vai além da noção de uma "entidade político-geográfica ou de uma linha de demarcação espacial". Este conceito abrange um sentido mais amplo e metafórico, refletindo diversas diferenças culturais, sociais e políticas (Hannerz, 2010). As fronteiras, mais do que simples limites territoriais, podem assumir diferentes formas e significados, representando divisões que são tanto físicas como simbólicas (Rumford, 2006). Sob esta perspetiva, as fronteiras podem ser entendidas como zonas de interação e integração cultural, e não apenas como barreiras. Por exemplo, as fronteiras nacionais oferecem um espaço para vivenciar e refletir sobre as relações entre diferentes nacionalidades (Almeida, 2018). Assim, longe de serem apenas restritivas, as fronteiras abrem possibilidades para trocas culturais e sociais. A ideia de fronteira, neste contexto, destaca as descontinuidades na organização da vida humana, sublinhando como as fronteiras culturais podem ser vistas como marcadores que nos distinguem como nossos ou deles (Hannerz, 2010). Estas barreiras culturais, definidas por fatores como a língua, religião e tradições, moldam a forma como os grupos interagem e se percebem mutuamente. Figura 2 Cartaz em Manifestação no Porto “Vota contra o Racismo”. Fotografia por Bruno Mesquita, Fevereiro de 2024. 23 A análise crítica das fronteiras revela o dinamismo com que elas são contestadas e reformuladas por movimentos sociais e políticos (Fig.2). Estes movimentos procuram não apenas combater as desigualdades, mas também desafiar as normas e práticas que perpetuam estas fronteiras, lutando por uma sociedade mais inclusiva e equitativa. Ao examinar como as fronteiras são estabelecidas e mantidas, adquire-se uma visão mais clara sobre as interações sociais e a influência das estruturas de poder na moldagem das perceções coletivas. 30 3 Estado de Arte 3.1 Media Art como Ativismo Artístico As Media Arts, na sua essência, facilitam uma fusão distinta entre arte, comunicação e tecnologia digital. Como destacado por Lev Manovich, estas artes são caracterizadas pela sua natureza fluida e pelo potencial de existirem em inúmeras versões e formas: "não são algo fixo, mas algo que pode existir em diferentes versões, potencialmente infinitas" (Manovich, 2001). A sua natureza interdisciplinar está profundamente imersa no cenário digital e tecnológico, explorando as vastas possibilidades de criar experiências memoráveis e significativas. “Para mim, a exposição é quase como uma desculpa. Uma bela e importante desculpa para ter um espaço de conversa. Para mim, as exposições nunca são o ponto final. São frequentemente o espaço que permite um encontro para ter conversas políticas e sociais sobre certos temas.”(180, 2023). As Media Arts são cada vez mais influentes no ativismo contemporâneo devido à sua capacidade de alcançar rapidamente um público global. Artistas estão a utilizar este meio como uma ferramenta de ativismo, ganhando reconhecimento como ativistas importantes. As seguintes obras incorporam estas intenções e foram escolhidas com base em critérios destinados a inspirar uma peça de Media Arts. A ligação entre as obras selecionadas e a peça final é estabelecida através da sua tecnologia, forma de apresentação ou dos temas abordados. 31 3.1.1 Broken Spectre Richard Mosse 2018-2022 Documentário / Instalação / Livro Broken Spectre (Fig.5) de Richard Mosse é um projeto que destaca a devastação da Floresta da Amazónia e os crescentes impactos climáticos. Utilizando métodos experimentais e um filme de 74 minutos, Mosse captura os danos ecológicos e as violações ambientais na região. O projeto explora a mineração, desflorestação, agricultura industrial e o ativismo indígena. Através do uso de técnicas de gravação microscópica e multi-térmica, o projeto sublinha a urgência e a magnitude da crise que afeta a Amazónia e a necessidade imediata de ação (Mosse, 2022). Figura 5 Vista da instalação Richard Mosse, Jack Shainman e Carlier Gebauer retirado de https://ars.electronica.art/starts-prize/en/broken-spectre/. 32 3.1.2 Arte Eletrónica Indígena Thydêwá 2019 Instalação Sonora O projeto Sincronia Sonora, integrado no programa AEI – Arte Eletrónica Indígena, teve lugar na comunidade indígena de Ymboré, localizada na Aldeia do Cachimbo. Esta iniciativa incluiu uma residência artística de dois investigadores e artistas que viveram com a comunidade, capturando sons do quotidiano e refletindo sobre arte e cultura (Fig.6). O projeto tinha como objetivo explorar sons ambientes, criando paisagens sonoras para partilhar com o público, enfatizando a imersão no mundo indígena através do som (Rauh, 2019). Figura 6 Guerreiro Ymboré, Pajé Ymboré e Andreas Rauh fotografia por Sebastián Gerlic, retirado de https://aei.art.br/sincronia-sonora/. 33 3.1.3 Momoprot–Módulo Móvil De Protesta Nicolás Kisic Aguirre 2020 Instalação/Objeto de protesto O Momoprot surgiu como um dispositivo criado para apoiar os protestos no Chile em 2019 (Fig.7). Este dispositivo é um carro de compras devidamente equipado com uma estação de rádio pirata e um sistema de som construído a partir de materiais reciclados. A iniciativa pretende tornar o design do Momoprot open source, incentivando a sua adoção generalizada, com a exceção, diz o artista, “de fascistas ou seus simpatizantes”(Aguirre, 2020). Figura 7 Momoprot fotografia por Pablo Saavedra, retirado de https://nka.radio/momoprot. 34 3.1.4 Lithium Faust Jonathan Uliel Saldanha 2021 Instalação Lithium Faust de Jonathan Uliel Saldanha, transforma o espaço do Auditório do Teatro Campo Alegre numa blackbox (Fig.8). A performance e instalação são concebidas como uma coreografia simulada para robôs de luz em harmonia com experiências sonoras envolventes. Esta obra pode ser vista como um manifesto ativista, abordando o papel predominante do lítio na tecnologia moderna, apelidado pelo artista de “novo sangue”, levando a uma reflexão sobre a exploração ambiental e social associada à extração deste metal essencial para o funcionamento de baterias e dispositivos eletrónicos. Esta perspetiva sugere um olhar crítico sobre as consequências da incessante procura por recursos naturais, destacando a urgência de consciencialização sobre as repercussões de tais práticas (Fonseca, 2021). Figura 8 Lithium Faust fotografia de José Caldeira, retirado de https://umbigomagazine.com/en/blog/2021/07/08/entrevista-a-jonathan-ulielsaldanha-artista-associado-do-teatro-municipal-do-porto-para-a-temporada20212022/. 35 3.1.5 Between the Lines Sarah Selby 2021 Performance /Instalação Between the Lines (Fig.9) surge como uma iniciativa que visa reconstituir as experiências individuais de pessoas afetadas pela política fronteiriça do Reino Unido. Este projeto utiliza tecnologia de armazenamento de dados em ADN sintético, que é incorporado na tinta de esferográficas, permitindo codificar testemunhos em documentos oficiais. Desta forma, destaca as experiências humanas ocultas por detrás das estatísticas, promovendo uma visão mais abrangente e inclusiva das políticas de imigração (Selby, 2021). Figura 9 Between the Lines por Sarah Selby, retirado de https://ars.electronica.art/starts-prize/en/between-the-lines/. 36 3.1.6 bi0film.net Jung Hsu e Natalia Rivera 2021 Performance /Instalação / Objeto Inspirado nos protestos em Hong Kong, esta iniciativa recorre a um elemento quotidiano – um guarda-chuva – reconfigurado como uma antena Wi-Fi (Fig.10). Esta transformação não é meramente estética: assume uma função central na criação de redes móveis que melhoram a comunicação em momentos de manifestação. O ponto crucial deste projeto reside na promoção da autonomia tecnológica, constituindo uma resposta inventiva e resiliente à censura imposta por regimes autoritários na internet (Rivera, 2021). Figura 10 bi0film.net fotografia por Jung Hsu, retirado de bi0film.net. 37 3.1.7 Coordinatedº Angelina Kozhevnikova e Arina Kapitanova 2022 Performance /Instalação Coordinatedº (Fig.11), uma instalação multimédia e performance criada por Angelina Kozhevnikova e Arina Kapitanova durante a residência SIGNALS na School of Machines em Berlim, em 2022. Esta peça surge como um modelo de protesto revolucionário, descentralizado e dinâmico, utilizando drones como veículos autónomos para transmitir localizações encriptadas. Em resposta à intensa repressão direcionada aos movimentos de oposição russos, agravada especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, este projeto visa fornecer um meio seguro de organizar a resistência, dificultando as manobras repressivas. Ao aplicar tecnologia e realidade aumentada para decifrar mensagens ocultas, questiona-se o papel das máquinas em cenários de guerra, opressão e vigilância, promovendo um diálogo sobre a resistência organizada contra a opressão (Kapitanova;, 2022). Figura 11 Coordinatedº fotografado por Adriano Ferreira Borges, retirado de https://studioanimaspace.com/work/coordinated. 38 3.1.8 Hashd0x | Proof of War Egor Kraft 2022 Software/Instalação Hashd0x (Fig.12) é uma coleção de protótipos de software e hardware desenvolvidos sob uma filosofia open-source para combater a desinformação em conteúdos fotográficos e videográficos. Este projeto destaca-se pela adoção da tecnologia, com especial foco na blockchain, que sustenta o registo e a verificação da autenticidade de imagens e vídeos através dos seus metadados. A plataforma inclui uma aplicação móvel e uma câmara, desenvolvida com base em Raspberry Pi. Com um compromisso inequívoco com a transparência e a luta contra a manipulação de informação, o Hashd0x explora o potencial das tecnologias descentralizadas para garantir a integridade e a fidelidade dos dados partilhados (Kraft, 2022). Figura 12 Hashd0x fotografado por Trevor Good, retirado de https://hashdox.org/main/. 39 3.1.9 Got Damp Avril Corroon 2023 Exposição Got Damp (Fig. 13) desenrola-se como uma exposição de arte que explora a humidade nas habitações, revelando-a não só como uma crise ambiental, mas também como um símbolo das condições de vida precárias na Grã-Bretanha e na Irlanda. Esta instalação resulta de uma pesquisa e colaboração com comunidades ao longo de dois anos. O projeto abrange uma instalação e um filme de trinta minutos que documenta as experiências daqueles que vivem diariamente com este desafio. Esta obra destaca o estigma cultural e as disparidades socioeconómicas, estabelecendo uma ligação direta com questões mais amplas de desigualdade e vulnerabilidade no contexto habitacional (Corroon, 2023). Figura 13 Got Damp fotografia de Louis Haugh, retirado de https://avrilcorroon.com/GOT-DAMP. 46 3.2.5 L’ÉCOCIDE Joanie Lemercier 2023 Projeção laser L’ÉCOCIDE, concebida no Climax Festival 9 em Bordéus, faz um apelo à análise crítica do impacto ambiental dos cruzeiros de luxo (Fig.18). A obra revela a realidade de que os viajantes de cruzeiros, notoriamente conhecidos pelos seus elevados níveis de poluição, produzem emissões poluentes três vezes superiores às dos aviões. Além disso, sublinha a libertação de partículas finas resultantes da combustão de óleo combustível pesado, cujo impacto ambiental é comparável à emissão de um milhão de carros, destacando a urgência de repensar e reajustar as nossas escolhas de lazer face às emergências climáticas (Lemercier, 2023e) 9 https://climaxfestival.fr Figura 18 Untitled fotografia por Romain Montagut, retirado de https://www.instagram.com/p/CxQsBX9IZkq/?img_index=1. 47 3.2.6 Coal mafia Joanie Lemercier 2023 Projeção laser / exposição As visitas aos locais de extração de carvão em Hambach e Garzweiler, em 2019, inspiraram a exposição Coal Mafia (Fig. 19). Este evento único tinha como objetivo destacar os impactos ambientais causados pela indústria dos combustíveis fósseis. Através de projeções a laser que transformavam os espaços, Lemercier esboçou uma crítica visual à destruição ambiental, tecendo as relações entre carvão, política e lucro. Realizada na galeria Unterhaus-Galerie em Oberhausen, a exposição ofereceu aos visitantes uma experiência composta por projeções, desenhos, fotografias e imagens captadas por drones. Estes elementos combinados revelavam a paisagem desfigurada pela mineração de carvão, promovendo uma reflexão sobre o futuro coletivo da sociedade perante os desafios ambientais iminentes (Lemercier, 2023a). Figura 19 Coal Mafia fotograma de vídeo por Joanie Lemercier, retirado de https://www.instagram.com/p/CzEnYa3obFv/. 48 3.2.7 Nous sommes la nature qui se défend Joanie Lemercier 2023 Projeção laser A obra intitulada Nous sommes la nature qui se défend traduz-se numa reflexão sobre a interconexão e a defesa ambiental, utilizando tecnologia laser (Fig. 20). Inspirada numa referência à filósofa francesa Isabelle Stengers, projetada numa fachada montanhosa, esta instalação presta homenagem às iniciativas ativistas do coletivo Soulèvements de la terre 10 . Este gesto sublinha que a luta pela conservação ambiental vai além do simples ato de proteção; configura-se como uma manifestação da própria natureza no seu impulso de resistência. O artista utilizou um projetor de baixo impacto energético e fotografias de longa exposição para documentar a intervenção (Lemercier, 2023b). 10 https://lessoulevementsdelaterre.org/pt-pt Figura 20 Nous sommes la nature qui se défend fotografia por Joanie Lemercier, retirado de https://www.instagram.com/p/CzrbyAgIYkW/?img_in dex=1 . 49 3.3 Considerações Com base na pesquisa e análise deste estado da arte, as Media Arts, como campo artístico, desempenham um papel crucial e transformador na sociedade contemporânea. Através da desconstrução e recontextualização de ferramentas tecnológicas, conceitos e até dispositivos inicialmente concebidos para fins militares, os artistas têm desafiado normas estabelecidas, provocado debates e promovido uma maior consciência sobre questões críticas. A desconstrução de ferramentas tecnológicas para transmissão de mensagens surge como um tema central, ilustrado por projetos que vão desde a reconfiguração de dispositivos eletrónicos à manipulação de dados digitais para refletir sobre questões sociais, ambientais e políticas. Estas obras sublinham a adaptabilidade e o poder das Media Arts na formação da perceção pública e no incentivo ao diálogo crítico sobre as implicações da tecnologia na sociedade. A capacidade de transformar ferramentas originalmente concebidas para cenários militares em meios de expressão artística e ativismo aponta para uma reorientação dos recursos e do conhecimento no sentido da promoção da paz e da consciencialização. Além disso, a criação de novas tecnologias com o objetivo específico de comunicar mensagens ativistas reflete avanço. A inovação tecnológica, ao serviço da arte, amplia o alcance e o impacto das narrativas, permitindo que as mensagens circulem mais amplamente e envolvam o público de forma mais significativa. A contemplação do papel do ativismo com laser no contexto do ativismo artístico pretende refletir a sua inegável proeminência. Esta técnica distingue-se pela capacidade do artista de utilizar projeções de longo alcance, ultrapassando fronteiras físicas e humanas, especialmente em questões de segurança. É essencial destacar a escala destas projeções, que pode ser extremamente ampla, trazendo consigo uma relevância significativa no aspeto estético e na disseminação da mensagem. A eficiência deste método é igualmente evidenciada pela rapidez com que as mensagens são espalhadas, aproveitando janelas temporais curtas para evitar a deteção. Assim, o 50 ativismo com laser não só se afirma como um modo de expressão cativante, mas também como uma ferramenta estratégica de comunicação em cenários que exigem rapidez e a possibilidade de alcançar espaços tradicionalmente inacessíveis. Neste contexto, a relevância da mensagem é sempre enfatizada, reforçando o ativismo com laser como um catalisador para a reflexão e para a mudança. 51 4 (A)TENSION 4.1 Introdução As fronteiras, como já refletimos, são um tema recorrente na História. Sempre estiveram na vanguarda das discussões políticas, sociais e económicas, servindo como incentivo para movimentos ativistas. Elas não são apenas limites geográficos, mas também influenciam a formação de ideias e culturas. Este tema transcende a sua natureza espacial, desempenhando um papel crucial nas dinâmicas das relações humanas, moldando e sendo moldado por questões de identidade e de poder. O objetivo principal deste projeto é desenvolver uma instalação no campo das Media Arts focada nos processos associados aos campos de estudo abordados na revisão de literatura. A peça artística final visa não só captar a essência destes temas, mas também estimular uma reflexão crítica sobre como o ativismo artístico, particularmente no campo das Media Arts, pode contribuir para a reflexão sobre a natureza mutável das fronteiras. Este capítulo discutirá o processo de criação e implementação da instalação, nas suas intenções, no ponto de partida, e no processo de desenvolvimento e implementação no local. A obra (A)TENSION foi apresentada no gnration, um espaço cultural, de criação e exposições em Braga, numa exposição coletiva de Media Arts, ocorrida entre 18 e 27 de julho de 2024. 52 4.2 Intenções A noção de uma linha associada ao conceito de fronteiras tem vindo a ganhar contornos cada vez mais definidos com o avanço deste estudo. A ideia manifesta-se tanto nas fronteiras físicas, geográficas, quanto em limites menos percetíveis do que esses, como as barreiras culturais ou sociais. Além disso, observa-se uma fusão dessas conceções nas fronteiras geopolíticas, que são moldadas por elementos culturais, políticos ou físicos. De facto, a exploração da linha como elemento fundamental na peça provoca uma reflexão sobre o estudo desenvolvido. A formação prévia em fotografia e videografia do seu autor naturalmente inclinou a abordagem para essas ferramentas audiovisuais, pelo que serviu de inspiração para a consideração da luz como um recurso técnico, mas também como elo conceptual. Contemplar a luz como a essência da linha que rasga o espaço visível abriu uma gama de possibilidades criativas, e permitiu reimaginar o seu uso em diferentes contextos. Explorando o cruzamento entre o sentido da visão e o sentido da audição, como no audiovisual, pretendeu-se amplificar conceptualmente e materialmente a ideia de que a transformação da linha aconteceria sempre que acompanhada pela da vibração sonora. Assim, através do estudo e da pesquisa in loco, percebemos quão o som é parte fundamental num contexto de manifestação e elemento decisivo na sua concretização, algo intencionalmente integrado na conceção da própria peça. 53 4.3 Desenvolvimento do Projeto 4.3.1 O Laser Numa das investigações sobre movimentos ativistas, exploramos protestos e posturas que poderiam alterar ou desafiar essas linhas imaginárias. O estudo tinha como objetivo compreender como essas fronteiras invisíveis poderiam ser moldadas através de ações coletivas. Durante essa investigação, encontramos um artigo que imediatamente captou a nossa atenção. O artigo intitulado "Cyber riot: Protesters use lasers to target police in very 21stcentury demonstration", publicado a 9 de fevereiro de 2011 pelo Daily Mail, relata um protesto na Grécia contra a construção de um novo aterro sanitário na região (Fig. 21). A descrição do jornal sugere que a cena parecia saída de um filme de ficção científica, onde forças futuristas se enfrentam numa zona de batalha apocalíptica. Segundo o artigo, os manifestantes usaram canetas laser para desorientar a polícia de choque, atacando-os posteriormente com fisgas, pedras e cocktails molotov ("Cyber riot: Protesters use lasers to target police in very 21st century demonstration," 2011). Figura 21 Policías sendo ofuscados pelos lasers dos protestantes. Retirado de Cyber riot: Protesters use lasers to target police in very 21st-century demonstration. 54 Este artigo despertou interesse pela forma de protesto mencionada, particularmente pela nova forma de utilizar a luz e a linha como elementos de contestação. Intrigados por esta abordagem, decidimos aprofundar o tema. Durante essa pesquisa, encontramos várias manifestações que empregavam esta nova "arma" de protesto em diferentes países, como no Egito em 2013, no Chile e em Hong Kong em 2019. Estes lasers foram “usados para distrair ou obstruir a polícia de choque e as suas camaras e drones, como uma forma colorida de celebrar e mostrar solidariedade em grupo, ou como um método de comunicação.” (Taylor, 2019) O cenário dos protestos em Hong Kong revelou-se um campo de expressão política e uma fonte de inspiração nas esferas artística e tecnológica (Fig.22). É essencial destacar como estes protestos fomentaram uma evolução significativa nas metodologias de protesto. Em especial, deram origem a inovações como o projeto bi0film.net, referido já anteriormente é uma iniciativa colaborativa entre Jung Hsu e Natalia Rivera (Fig.23). Este projeto recorre a um elemento do quotidiano — o guardachuva — reconfigurado como uma antena Wi-Fi. Esta transformação não é meramente estética: assume uma função primordial na criação de redes móveis que melhoram a comunicação em momentos críticos de manifestação (Rivera, 2021). O ponto crucial Figura 22 Manifestantes utilizam lasers durante uma manifestação para protestar contra as detenções de pessoas apanhadas na posse dos mesmos. Fotografia de Kin Cheung / AP. 55 deste empreendimento reside na promoção da autonomia tecnológica, constituindo uma resposta inventiva e resiliente à censura imposta por regimes autoritários na internet. Figura 23 bi0film.net fotografia de Jung Hsu, retirado de bi0film.net. Revisitando o conceito do trabalho e refletindo novamente sobre o tema da luz e da linha como veículos de protesto, incorporamos um pensamento adicional que nos ocorreu ao analisar o projeto de Jung Hsu e Natalia Rivera. Este pensamento centra-se na desconstrução do significado intrínseco dos objetos, como exemplificado no trabalho com o guarda-chuva no bi0film.net, onde é utilizado como símbolo nos protestos de Hong Kong. Assim, decidimos usar o laser e a sua linha luminosa, abrindo simultaneamente a porta para a sua ressignificação. A partir desse ponto, compreendemos que a mutabilidade dessa linha precisava ser trabalhada de alguma forma. Após análise das imagens que constituíram o corpus de partida para o presente estudo, concluímos que isso iria influenciar a abordagem sobre o modo como essa linha de luz poderia criar algum tipo de movimento. 62 Nesta fase inicial, começámos por refletir sobre o espaço que a peça iria ocupar, sem nos focarmos demasiado nas suas dimensões ou nas questões técnicas. Os primeiros esboços mostravam-se encorajadores pela forma como poderíamos moldar o espaço, mais concretamente sobre a ideia de divisão e como isso se poderia transformar ainda mais a perspetiva de quem experienciaria a peça (Fig.33) indo assim de encontro aos conceitos estudados. No entanto, cedo nos deparámos com as limitações impostas pela dinâmica do espaço, sabendo desde o início que o espaço de galeria atribuído a cada peça seria partilhado e por isso, reduzido. Figura 31 Experiência com policarbonato alveolar. Figura 32 Experiência com policarbonato alveolar. Figura 33 Primeiros esboços de possíveis formas de exibição. 63 Entre os vários desenhos que elaborámos, destacaram-se duas ideias derivadas de um esboço inicial. No entanto, a escala dessas propostas levantou problemas, tanto a nível logístico como em termos de material e, possivelmente, de espaço disponível (Fig. 34 e 35). Diante dessas dificuldades, concluímos que seria necessário ajustar as expectativas relativamente à dimensão da peça. Optámos por trabalhar certos elementos de uma forma mais contida e adaptada às circunstâncias. Foi assim que chegámos ao desenho final (Fig.36), que acabou por se revelar uma estrutura delicada e leve, mantendo-se fiel às ideias iniciais, mas de uma forma mais equilibrada e proporcionada, ajustando a dimensão dos objetos que compõem a peça como um todo. 64 Figura 34 1ª Ilustração e respetivo desenho técnico. 65 Figura 35 2ª Ilustração e respetivo desenho técnico. 66 Figura 36 Ilustração da Versão Final e respetivo desenho técnico. 67 4.3.4 Visita Técnica Durante a visita técnica, que incluiu uma reunião com os técnicos do gnration, tivemos a oportunidade de esclarecer o local exato onde a nossa peça seria instalada, bem como com quem iríamos partilhar a sala. Dado que o gnration não dispunha de salas suficientes para que cada obra ocupasse um espaço individual, tornou-se necessária esta divisão. Após a definição dos espaços, dedicámo-nos a entender de que forma os técnicos nos poderiam oferecer apoio na montagem, percebendo os aspetos nos quais necessitaríamos de assistência. Paralelamente, trabalhámos na calendarização das montagens, garantindo que as mesmas fossem planeadas de forma a obter a atenção e disponibilidade da equipa nos momentos em que fosse essencial o seu apoio. 68 4.4 Implementação O processo de implementação decorreu de forma bastante simples, uma vez que tanto a componente expositiva como a técnica já se encontravam delineadas (Fig. 37). Os técnicos tinham recebido previamente todo o material necessário, incluindo a planta da peça. Apenas foi necessário ajustar alguns detalhes, como as distâncias, calibrações de objetos, intensidades de fumo, e realizar o blackout da sala, elemento imprescindível para criar o ambiente adequado à peça (Fig.38). A instalação partilhou o espaço com a obra Liminal Spaces da artista Emília Simão, o que proporcionou uma experiência muito positiva. Conseguimos articular o trabalho de forma que ambas as peças coexistissem, garantindo também uma dinâmica de montagem fluida e tranquila para ambos. Figura 37 Instalação montada no local de exibição. Figura 38 Instalação montada e ligada no local de exibição. 69 4.5 Vistas da Instalação Esta seção é dedicada à documentação da instalação (Fig.39 - 47). A documentação adicional (vídeo documentário, fotografias e áudio) está disponível em: https://www.salgadobrunos.com/art-media/atension Figura 40 Detalhe da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. Figura 39 Detalhe da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. Figura 42 Vista da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. Figura 41 Detalhe da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. 70 Figura 44 Vista da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. Figura 43 Detalhe da Instalação, fotografia por Emanuele Inácio. 71 Figura 45 Fotograma do vídeo preview da Instalação. Figura 46 Fotograma do vídeo Preview da Instalação. Figura 47 Fotograma do vídeo Preview da Instalação. 78 Lemercier, J. (2022b). Distraction https://www.instagram.com/joanielemercier/p/CiT5y18M77W/?img_index=1 Lemercier, J. (2023a). Coal mafia https://www.instagram.com/p/CzEnYa3obFv/ Lemercier, J. (2023b). Nous sommes la nature qui se défend https://www.instagram.com/p/CzrbyAgIYkW/?img_index=3 Lemercier, J. (2023c). Projections in Lützerath https://www.instagram.com/p/CnpOjxEofck/?img_index=1 Lemercier, J. (2023d). Total Ecoterroriste https://www.instagram.com/p/CwlOsNrIGqG/?img_index=1 Lemercier, J. (2023e). Untitled https://www.instagram.com/p/CxQsBX9IZkq/?img_index=1 Levy, D., Rego, P., Miro, V., Staff, V. M. G., & Gallery, V. M. (2022). Paula Rego: The Forgotten. Victoria Miro. Lins, L., Macedo, I., Cabecinhas, R., Alves Brasil, J., & Sá, A. (2024). O cinema como espaço de ativismo mnemónico: uma análise da produção cinematográfica com financiamento público em Portugal. Observatorio (OBS*), 18(3). https://doi.org/10.15847/obsOBS18320242463 Macedo, I., Pereira, A. C., Correia Borges, G., Mesquita, B., Januário, M., & Sá, A. (2024). "Nós somos carne, nós somos ventre, nós somos nação": Entrevista a Maria Gil Version V1) [Imagem e som]. Repositório de Dados da Universidade do Minho. https://doi.org/doi:10.34622/datarepositorium/15OE6Z Macedo, I. M. (2017). Migrações, Memória Cultural e Representações Identitárias: A Literacia Fílmica Na Promoção Do Diálogo Intercultural Universidade do Minho]. RepositoriUM. https://hdl.handle.net/1822/48712 Manovich, L. (2001). The Language of New Media. 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