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Sermam do principe dos apostoles S. Pedro na abertura do seu novo templo, que na cidade da Bahia levanton a reverenda irmandade dos clerigos, ...

Bolhões, Manoel da Madre de Deos, (O.C.D.)

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D ° &4 PRÍNCIPE DOS APOSTOLOS , NA ABER7URA VO SEU NOVO TE M P L O, que na Cidade da Bahia levantou a Reverenda Irmandade dos Clérigos , SENDO PROVEDOR. O ILLUSTRISSIMO, E REVERENDÍSSIMO SENHOR D. sebastiam monteyro D A V I D E, Arcibifpo da B«hia, Metropolitano do Eftado do Brazil , & do Coníelhode Sua Mageftade, PREGADO PELO MUYTO REVERENDO PADRE MESTRE Fr. MANOEL DA M A D R E DE DEfil Rdigiozo do Carmo calçado, Lente de Filozofia , & Thecl^ ni \ íua Religuô, Ex Provincial rir 11a, & Examinador SyiêSai ^ v ] do- ArcibYpado, E >. j DADO A[ ESTAMPA POR HU M SEU ESP E&lARy/ & ajfeftuozp amigo. ^ - ‘ Na üíficina de M I G U E L M A i\ E S C aI Imprtflor do Santo Officio , & da Serenifilma Caza de Bra¬ gança. An no M. DCC. XV lí. Com todas as licenças nece£arias. - - •: ■ -- ■ ■■■ /o. ■ . • ' . \..h t ' h O > J I 2 4 , : - 5 * i$:'Xr ■ * 5 ?' « 35 * ' <T? V «^í* <S* <£? *3? «3? , *52* <SB> «?“ g« . > c^u? to I <£&? e 3 <yf-> ç£.* • ç ..:- Cjí? cfc-sua „ sc&wMst clbeisS) csfe íákscskí» cpkí®fe»^6i9^3^ LICENÇAS DO SANTO OFFÍCIO. eminentíssimo senhor. P O r ordem de VoíTa Eminência vi efte Sermão do gloriozoPrincipe dos Apoftolos S.Pedro, prègado pelo muyto Reverendo Padre Meftre Frey Manoel da Madre de Deos , Religiozoda Ordem de ncfla Senhora do Carmo da Regular obfervancia,na Aperiçaõdo feu ncvoTemplo,que na Cidade da Bahia levantou a Reverenda Irmandade dos Clérigos, Nelle não achey couza alguma contra a noíTa Tan¬ ta Fè,ou bons coílumes. Não digo mais em louvor do Au¬ tor,porque me íuípendé a pennao douto Abbade,&-Bifpo Dumiente: Laudajarccjreprehe.nfibilis eft mim nimia lauda- Tom tio,Ji quidem aditlatione fujpetfa ejhteflimomum ventati.non amicitue redde. A primeyra parte defte documento não me iL* Yer ’ fizera muy ta força •, perque, fendo o Autor tão conhecido ° p ‘ r - pelo Teu grande talento em toda a Cidadeda Bahia , livre eítavade cair na cenfura de adulador. Quanroaofegundodocumentoxonfeço que para a verdade c-ílar decentemente adornada não a deve v.eftir a amizade ; & muyto me¬ nos a Irmandade * &r fendo o A utor meu Irmão afiim no ha¬ bito,como na profiíTaõjfufpeyto ficaria todo o louvor. Efle o meu parecer. VoíTa fcminencia ordenará o que for fcivi¬ do. Carmo de Lisboa 12 . de Novembro de 171 Ò . Fvey Manoel da Efperanfa. EMINENTÍSSIMO senhor. I por mandado de V o f ia Eminência o Sermão do Prín¬ cipe dos Apoílolos S.Pedro piègado na Cidade da Ba- A jj Pi* hia de todos os Santos pelo muyto Reverendo Padre Meffre Frey Manoeida Madre de Deos, Religiozo de nofía Se¬ nhora do Carmo, Sc não cncontrey nelle couza diíTonante à Fè, ou bons coftumes,efte heo meu parecer, VoíTa Emi¬ nência mandarào que for fervido.Santo Eloy de Lisboa 20. de Novembro de 1716. Theodozio de Santa Manha. V l f tas as informaçoens,póde-fc imprimir o Sermão do Apoft do S. Pedro, de que trata efta Petição, & imprefTo tornará para fe conferir , Sc dar licença que corra, Sc íem ella não correra. Lisboa 24,. de Novembro de 17 1 6 , Haffe. Monteyro. Ribeyro. Rocha. Mancajlro. Guerreyro. DO ORDINÁRIO. P O de fe imprimir o Sermão do ApoftoloS.Pedro,deque efta Petiçaõ trata, Sc impreflb tornará para fe conferir, & dar licença que corra, íem a qual não correrá. Lisboa 2. de Dezembro de 1716. M Bifpo de Tagafíe. DO P A C, O. SENHOR.. P O r ordem de VoíTa Mageftade li .0 Sermão, que pre¬ gou o Padre Meftre Frcy Manoeida Madre de Deos na edificação de hum novo Templo na Bahia. Naõachey nelle couza, que fe opponha ao Real ferviço de VoíTa Ma- ^ a receme bem trabalhado, Sc muyto para o inten¬ to oíla Mag c f t a d e mandará Q q u e f or f erv i (l 0 , S Domin¬ gos em Lisooa 2.de J aneyro de 1 j \y. Frey Manoel Guilherme. Q L e ppíía imprimirfejviftas as licenças do Santo Officio,S.. Ordinário,& depois de imprèíTo tornará à iVieza para fe conferir,Sc tayxar,§c f em iftb nãocorrerà.Lisboa 7. deJaneyro de 17 7. Cojta. Botelho. Pereyra. Noronha. D. Guedes. Vim* Pag-Ç Vinca florentes dedermt odorem fuwn. Cant. 2. n. 13. U M novo Téplo, Di¬ vino,6c Hu¬ mano Se¬ nhor Sacra¬ mentado, hQ novo Tem¬ plo, que a Deos com o ti¬ tulo do Príncipe dos A- poftolos o gloriozo S. Pedro em o dia que a I- g>eja univerfal íolenniza o íeu martyrio, lhe de¬ dica , & confagra o zelo, & devoção do noíTo II- luftriílímo, 6c Reverendiífimo Prelado,que com a fua Religioza, 6c efclarecida Clerizia fabricou para culto de Deos , 6c utilidade de feus Irmãos Sacerdotes, he o aíTump- to de tanta ftftividade, & deve fer o obje&o de meu diícuríb: & reparan¬ do eu em todas eftas circunftancias, que occortem,.nie perfuadi que efta SoIennidade,que vemos, profética, 6c myfteriozamente cifrou Salomão nas repetidas palavras , que efcolhí por thema. Dis o Sabio que as vi¬ nhas florecentes deram o feu cheyro ; Vine<e flo¬ rentes dederunt odorem fuirn-, por eftas Vinhas entende Laureto a Igrew ja univerfal , 6c a Igreja tcr ~ partícula w V inea fignific&t Ecclefíam univerfa¬ lem , Vinea quaque dicnn - Uir particulares Ecclefia?: nefta folennidade vemos que pelo dia íoienniza a Igreja univerfal o feu grande Príncipe S.Pedro, & também vemos que a Igreja particular defta Dieceze novamente o folenniza nefteTem pio, q lhe confagra : & figuran¬ do-fe nas Vinhas ambas: as Igrejas, univerfal, 6c pae- 6 # Sermão do Sagrado particular, hoje que amfeu cheyro, dederunt obas floridas concorrem doremfuiim,porqueT\':(- para tãta feítividade,deite íumptuozo edifício las falou Salomão quanadmiramos hoje boas odo falou das Vinhas Fibras lantidade, Sc doutrinea florentes. O florecerdas Vinhas he o mefmo , que fru£tificar,omeímohe moítrar flores, que ter friutos , porque os feus fruttos faõ o mefmo que as fuas flo¬ res Hac foi a ab initiogerminat forna pro flonbus> Amh. diíTe Saneo Ambrozio* fó Liic!” 3 . a vinha tem eíla propri¬ edade HM fola , & na ac¬ ção prezenre fe conhece nas Igrejas efta prerogativadas Vinhas j porque ao mefmo.tempo,eni que floridas nos moítram nefte íumptuozo apparato as flores do feu zelo , Sc devoção , também nos moftram os fruttos , que produzem : Gei minat potna pr o fíoTibus , pois eílas obras, que vemos fabri¬ cadas > fendo flores pelo viílozo, Sc agradavel, faõ fruttos,que o zelo, Sc de¬ voção das Igrejas produ¬ ziram : Fine a florentes, lançando na produeçaõ ddías flores > & fruttos o na, que conforme ao mef¬ mo Laureto efte he o cheyro , que de fi lançam as fl Tes, Sc fruttos das vinhas : Odor vincar um ejl fuavitas bonorum operuvi , Rehgionis òanchtas , & doftnna. Eíla Solennidade uníverfal pelo dia coníliru- ' e-íe particular pelas circunílancias ; aílirn como a vinha fe compõe de particulares vides, Sc a I- greja de particulares Fi¬ eis : Sc para que com evi¬ dencia íe conheça que fa¬ lou Salomão deita Solen¬ nidade no Texto allega- Se p tu . do , trasladam os Setenta a g * Vides em lugar de Vi¬ nhas, Fites flarecentes de¬ derunt odorem fniim , Sc vem a dizer que as vi¬ des florentes deram o leu cheyro , que he o que ve¬ mos nefta Solennidade,Sc íingolarizou as vides , por ferem particulares os fujeycos , que a coníiituem,fendo comorua a toda a Igreja pelo dia. ’I r ss Pontífice S. Pedro. ^ 7 Tres Vides florecem, llluftríflinia , que Deos & fruStificam na prezente Solennidade ; a primeyra VideheonoíToIiluftnffimo Arcibifpo D. Sebaftíão Monteyro da Vide, como Author de tanto applauzo; a fegunda V ide he o Príncipe dos Apoftolos o gloriozo S. Pedro objc&o de ALap. tanta fefta, a quem o aLapide , commentando efte lugar, chamou Vide Vitesfunt Apofteli } & a terceyra Vide he Chrifto Senhor no(To,que naquelle throno nos afiifte Sajoan. cra m e n t a d o , que elle **’ ixieímodinedefi queera vide, ego fim vitis, & accómodando os difcurfos à fingularidade dos fujeytos, como circunftancias principaes defta acção,de que devo tratar; pois que o cheyro das Vides he a fuavidade das boas obras , a Santidade, 6c a doutrina: Odor Vinearnm eft fuavitas bono - rum opertim , Rdigionis janttitas , & dottrina. No primeyro difcurfo moftrarey o cheyro da primeyta Vide, que he Sua guarde, na fuavidade das boas obras , com que florece na edificação defte novo Templo : Odor Vitis eft fuavitas bonorum operurn. No fegundo dif¬ curfo veremos o cheyro, que de fi lança a fegunda Vide, que he o Príncipe dos Apoftolos S. Pedro na fantidade , com que illuftra a Religião Catholica : Odor Vitis eft Religionisfanãitas. E no terceyro difcurfo deícobriremos o cheyro , que defi lança a tereeyra Vi¬ de Chrifto Senhor nofib na doutrina , que nc s dà naqueíle diviniílimo Myfterio : Odor Vitis eft dotfrina. E aífim ficará manifefto que a prezente Solennidade proféti¬ ca, 6c myfteriozamente foy infinuada nasVinhas, ou Vides de Salomão: tes florentes dedernnt odo¬ rem fuum. Eftàpropofto, difcorramos. O cheyro da primeyra V ide patente eftà na fua¬ vidade das boas obras * que como Provedor da: efcUrecida, & Keíigio- Marc, I 3 - 8 Sermão do Sagrado Z 3 Irmandade do Princi- Irmãos enfermos: difcorpe dos Apoftolos S. Pe¬ dro fabricou o nofíb II- luftriflimo Arcibifpp: O- dor j/itis eft[fuavitas bonorum operum. A Chrifto Senhor noíTo diíTeram os feus Difcipulos em huma occaziaõ que viíle a tra¬ ça, com que eftava fabri¬ cado o Templo de Jeruzalem , porque aqueila traça acreditava a perfeyçao do tempo. Magifter , afpice quales lapides, & qualesftruãura *0! h e ¬ mos nòs para a traça^com que fe fabricou eífe Tem¬ plo , 8c nelle defcobriremos a bondade das obras, que nelle fe edificaram. Fundou-fe eíta Igreja, & ■ junto a ella hum Hofpical, 8c nefta fabrica, fegundo os fins parciaes, a que fe ordenam, fe con¬ tém tres obrasja primeyrã he efte Templo em quanto Caza de Deos, a fegunda he efta meíma I- greja em quanto cemeterio pam nelle fe enterra¬ rem os Irmãos dtfta efclareckla Irmandade, 8c a terceyra he o Hofpital, para nelle fe curarem os ramos com diíhncção por eílas tres obras , 8c defcobriremos a bonda¬ de de todas. Fabricar huma Caza para Deos , onde affífte naquelle Diviniffimo Sa¬ cramento, onde he lou¬ vado de fuás creaturas, adorado por Creador , Redemptor, Glorifícador, 8c Confervador de todas, onde fe lhe ofterecem Sacrifícios, efmolas, 8c orações , per fi mefmo fe acredira a bondade defla obra . Fala Deos por IzaÍ2s deCyro Rey dos Perfas , que também o foy de Babylonia, 6c chamalhe Sabio , 8c ad¬ vertido quidico Cyro: Sa - if a i 4 : piensefi , Cogitansfto : a G r ‘ ec - cauza de lhe dar Deos ef¬ te louvável epitedo difíe huma douta Penna do Carmelo que fora por ha¬ ver mandado edificarem Jeruzalern Templo para S y i v > Deos; que quem edifica t -í-uw T e m p l o, onde Deos ha- ‘ de fer adorado , 8c fervi¬ do como Deos, he fabio, & advertido, porquecofthcce o quanto he bom edi- Pontiftc è edificar Templo para Deos , qui Templum Dei áedíjicit , hic vere fapiens eft, cogitam, ac tognofcens qnod bonum eft , retiam eft. He obra tão boa editicar Templo para Deos. g^Cji^.qtieaífirina S. Bazilio íer P'>^' a obra, de que Deos mais 6ylv ' íe agrada : Haçrepotiffimiim dcleffatnr Deus ; &c ou por agí adecído, ou por excitarmos à execu¬ ção deita obra nos con- Ecci f. v ^ a P c ^ ° Ecclfcziaftico ♦ H R - J - a louvar os fundadores ban ’ de ícu Templo: Laudemus viros glorio fos, homines divites in virtute pulchritudinis ftudium habentes , ut Moyf s , & Saloynon , qui tabernacálum> O- temilum aâificanmt. Explica hum Kabbino-Sc fupp fto efte confelho não he lizonja hoje to¬ do, masque louvor darey eu ao fundador deita Igreja, o que Deos deu a Cyro por fundar o Templo de Jeruzalem, e(te me parece mais pró¬ prio •, porque ou Cyro na edificação do Tem¬ plo de Jerúzalem figurou S.Pcdrô. 3 a Sua jllufirifiima, que Deos guarde , ou Sua 11- lufcriílima na fundaçaó deita Igreja retratou a Cyroj attendey : Cyro na lingua Perhca quer di- P crfí ^ zer Sol : Lyrus idem cjl ticb."’ qnod Sol , na Hebraica quazi pobre Cynts qtíàji paupeYj tk o meimo Deos por Izaias lhe chama feu paitor: Lyrus paft cr meus ™ *}' eft: Paítor de Deos qua¬ zi pobre , & Sol , que como Cyro lhe edifica Templo , quem he fenão o noffo niuftriílimo Arcibifpo o Paitor de Deos, que vigilante , & amorozo apaícenta o ftu reba¬ nho, corno Cyro ao feu povo • quazi pobre, por¬ que apenas tem huma li¬ mitada côngrua Heal pa¬ ra fu a íuítentação j Sol, porque entre os Prela¬ dos , qual Cyro entre os &ei$, he Sol na fubcdotia , na juftiça , na tem¬ perança, na magnanimi¬ dade , 6c liberalidade , como de Cyio eícreve Xenofonte: Cyrus interx. m o. Reges ejjnfftt qtiafi Sol , p h o n c ‘ tum fapicntid,jnftitia 9 tu m tempcrasiiiâ , 'turn magua¬ ri ninntatey *6 SWMAÕâo E donde colheu S. Lucas a juftiça, 6c bon¬ dade de joíeph , de Ter o que íVpultou a Chrifto Senhor nofto ? Bem poperiafer, porque de David d is o fagrado Texro queadquirio para fi bom nome , por fepultar aos que vencidos ficaram mortos no campo: ln hoc dèmijivit Davidfibi no - men bônum , quia exertúit circa mortuos opus mifericordi# : porém a meu parecer não he efta i a razaõ , em que fe fun- Rab. dou o Evangelifta : pois Saiom. qual foy o feu funda¬ mento? O que efcreve S. Matth. Matfhfcus falando de Jo- 27 n, 'feph. Jofeph não fò obrou para com Chrifto a obra de mizericordia de o íepulcar , íeuuo que havia fabricado hum fepulchro novo, en\ que fepultou a Chrifto. Et pòfúit illud in monumento fio no - vo , qitod exciderat inpe . tra *, & quem fabrica fcpulcltro novo pnra enrerrar aCHrift o, j u ftamehte lhe compete o nome dejufto, k de bom , w 60, Sagrado bonus , CacL oa« cerdote he hum Chrifto 011 por ungido-, ou pelo que reprezenta. Nolite tangerc Chriflos meos diífe o rneírno Deos , para eftes fe enterrarem lhes fabricou Sua llkiftriftima hum fepulchro novo, onde , como ode Chrií¬ to Senhor noftb , nin¬ guém acègora fe enter¬ rou. In quo nondum quifquai?i pojitus fuit , & à vifta de obra tão boa naó íò os vindouros reco¬ nhecerão a vcíTa juftiça, 6c bondade , llluftriftimo Prelado , mas eu jàdigodevòs, 6c comigo todos o queS. Lucas difíe de Joleph , que tam¬ bém o ft is no nome, fenão pelo do Baptiímo , pelo dia do nacimento. Eccc vir nomine Jofeph , quierat decurio , vir bô¬ nus j & jiijtus , qtii expe- Bãbat cJ ipje regnum Dei. A terceyra obra, que contem efta' fabrica , he hum Hoípital para nelle fe curarem cs enfer¬ mos , cuja bondadehe tão evidente, que o I. P arai Jip.C ât 16. n. 22 . Pontífice S.Pedro, i j mo Deos nella fe condando cfles Templo para. fcça beneficiado, dizen¬ do que o recebe a elie quem recebe aos enfer- Matth. mos para os curar. &ui ,o - n - recipit vos , me recipit. 4 ° ‘ E eíla obra de fabricar Hofpital para nelle fe cu¬ rarem os enfermos he tanto do Divino agra¬ do , que o rnefmo Deos a preferio, 6c antepôs ao aáo de religião a feu Di¬ vino culto, quando dif- Matth : Mifericordiam volo , 9.U.13 & non facrificium j 6c fundado nefte Texto me atrevo a affirmar que mais fe agrada Deos dcfta fabrica por eíle Hofpital, em que os enfer¬ mos fe haó de curar, doque pela Igreja, em que como Deos ha de fer ve¬ nerado. Oh com quanta razaõ, IlluílriíTimo Prela¬ do , difle de vòs o que Deos diíTedeCyro: Qiii dico Cyro : Sapiens , & cogitans fio , í 0 i s fabio, íois advertido na f*. brica dtftc edifício,fois mais advertido, 6c mais lábio, que Cyro , 6c que Salonuo ; porque fu a- o culto de Deos , não fundaram Bofpital para curar os enfermos , 6c Deos noíTo Senhor por¬ que mais que os facrifieios, que íe lhe ofiereciam no Templo , eftima a mizericordioza obra de haver junto a elle lugar, onde os enfer¬ mos fe curem , a Pifcina , que Salomão erigio, 6c Cyro reedificou , "on¬ de fe lançavam as car¬ nes do Sacrifício , con¬ verteu Deos em Hofpital, onde íe curavam os eHfermos. Et quipiorj dejcendifiet m pijemam* 4 . pojt motionem aqua , fa - nus fiebat a quacimque detinebatur infirmitate ; 6c vòs, advertindo, 8c fabendo o quanto eíla he do agrado de Deos, no rnefmo edifício fnndaíles juntamente Igre¬ ja , 5 c Hofpital dc S. Pe¬ dro para nelle íe cura¬ rem os enfermos , 6c I- greja , 6c Hofpital de S. Pedro para nelle fe cura¬ rem os enfermos. Notável circunílancia, fingularifíima obra* C En- 1 $ Enfermou o genero hu mano em Adaõ •, 8c para o curar fundou Chrifto humi Igreja, 8c Hofpital de S. Pedro *, o mefmo Chrifto o diflfe por S. Lucas na parabola daqudle homem , que de Jeruzalem defceu para Jrricò , o qual caindo em mãos de homens ladrões, defpindooo feriram, 6c quafi morco o deyxa- Lucioram, porque Adaõ , 8c n ' 3 0 * nelle o genero humano ferido pela culpa, quazi morto pelo peccado cahio nas mãos dos de¬ mônios pela tentaçaõ , que o defpiram de gra¬ ça , 8c virtudes , deícendo do Parayzo para efte Mundo mizeravel. Ven¬ do aquelle homem hum Samaritano , compade¬ cido de fua mizeria , Mifericoràià motus , o le¬ vou para huma eftdajcm , dando ao eftahjadeyro o nrceflario p a r a a cura, dedit ftabulario , 8c a feu cuydado fiou a faude daquelle enfer¬ mo , curamilltns habe. Efte Samaritano he ChríftoSenhor noflbifo- Sermão do Sagrado rrtaritanus eft Chriftus , que , vendo o genero hu¬ mano enfermo , 8c mizeravel, fundou a Igre¬ ja Catholica figurada naquelía eftalajem : Stabulum eft Ecclefia , a qual, dando o infinito valer de feus merecimentos, en¬ tregou ao glori zo S. Pedro íymbolizado no Eftalájadeyro : Síabula - rius eft i'. Petrus , para governar, 8c rejer: Pafce oves meas , onde o ge¬ nero humano fe cura , 8c hade curar da infirmidade original, 8c d3S infirmidades aftuaes , 8c habituaes : aíTim expli¬ cam efta parabola Sandíví to ^mbrozio, Santo Auguftinho , S. Jeronymo, h 8c Origenes. Efta obra ta o fin gu¬ iar , de que íò foy ar¬ tífice o Filho de D os, imitou o noíTo illuíliiífimo Arcibifpo : c* mo Provedor defta efclarecida Irmandade vio, 8c prévio f que ifto quer dizer provedor, fegundo o Grego ) que os fi Gr^c. lhos de Adaõ os Sacer¬ dotes defeendo do eft ado da Orig' n apud. A Lip Pontifice S. Pedro. 19 da poílibilidade para efdo corpo , efpeeial prete Mundo , oupelosanrogativa do poder , & nos, 011 pela corrupção virtude de S.Pedrojôc co¬ da natureza caem em mo a fabrica defte Temmãos dos achaques: Incidit in latrones , que defpinJoos da faude , [poliaverunt eum , os ferem com dores , anilas , &: neceílldades , Se os deyxam quafi mortos : 9 lagis impofitis abiemnt , femivivo reliBo ; Sc vendoos aífim afiados, Sc dezam parados, compa¬ decido , Sc mizericordiozo , mifericordia motus , fundou efta Igreja, & Hofpital de S. Pedro, por cujo cu yd ado , Sc protecção corre a fua fa- u'k 1 curam illíus habe-, & allim como aquelle peregrino o genero hu¬ mano tem o remédio na Igreja , & Hofpital de S. Pedro, qu ' Çhrifto fun¬ dou , ndh Igreja , Sc Hofpital de S. Pedro , que fundou o nofib [\. luílaífímo Prelado , te¬ rão remedio os que ati¬ le íe recolherem , como M.tt’Js r e Í 3 para os achaques Actor LÍa alma 9 ccmu Hofpi.- ;V * tal paia as infi midach/s p!o , que edificou a nofta IIluftriílima Vide, contém eílas tres ob;as boas , tanto do agrado de Deos , fendo o cheyro da Vide a íuavidade das boas obras : Qdpr vitis eft fuavitas b oneram o[erim , bem (e percebe nef¬ ta Solennidade o chey¬ ro, que deu a florecente, £c primeyt a Vide: tes flor entes dedmint odo¬ rem fu um. A fegunda Vide, que flwce , & fru&ifica nefta Soknnidade, he o gloriozo Príncipe dos A- poftolosS. Pedro : Vites junt Apofioli , o qual nes dà o cheyro da fantida¬ de , com que illuíbou a Religião Cathohca- O- dor vi tis efi Religionis fantfitas. Ponderara fantidiade do Príncipe dos ApolVoIos , difeorrendo por iu*s virt.udes, he itnpt ílivel pela multidão delias , Sc como,confpr- D » me a Saneo Th< màs, ,aT Ij » fc.ntida.deh e hum a depu- ÂVt 1 C ij taçaõ r 2o SeYmao do Sagrado taçaõ para o culto de fanta, 8c perfcyta: £>eos , & efta he pa:tiejl perfeita mea > diíTe o culariílima pela nova i- Eípirito Santo, 6c comgreja, ponderemos a fanpondo fe a Igreja de tidade de S. Pedro na Chrifto como cabeça decam.6. deputaçaõ, que Chrifto fes delle para fundamen¬ to da’fua igreja nova. Ap oc * ü n t r e todos os Difcipulos efcolheu Chrifto noílo Senhor a S. Pedro para fundamento da fua Igreja , preferindoo a Ma«h. todos : V 1 4 per hanc pe- “g; Q * tram ) adificabo Euiefiam meam •, 8c ncfta eícolha da deputaça ) , que del¬ le fes pata fundamento da fua Igreja, feacreditade perfeyta a fanridade, com que o Princi- ' pe dos Apoftolos illuftrou a Religião Catholica. Perfeyto he o que foy femelhante a Chrif- to , diíTe o mefmo Se- i,uc. 6 . n ^ o r P o r Saõ Lucas: Per- 11.40# fe£fus ontem oi?2Yiis gy^it • Ji fu fcut Magifter e ]us\ na deputação de Pedro para fundamento da l. gtejafe inculca femelh.nça com Chrifto , 8ccon- fequentemente a perfryçaõ:euo provo. A Igreja Cathoüca. he Pedro como fundamenn - 8 , to , ceve fer lemelhante o fundamento à ca¬ beça para a perfeyçaó da Igreja. Entre fonhos vio Nabuco hum a eftatua , a cuja imitação mandou fabricar outra , porém com muyta differença , porque a eftatua fonhada era compoíla de vᬠrios metaes , 8c eftj to- Dan. # da de ouro. Fecit [tatuam anream : hum douto Pa¬ dre, reparando ncfta diveríidade, diffe q e fo¬ ra para emendar a arte o erro do frnho: Ut cor - , . ztiietpj. ngeretur per opus qitod liI . * in alia Jomniâta anima dverter et erratum . O er¬ ro eítava na defrcmelhança , que havia entre a cabeça, 5 c o fundamen¬ to, que, fendo a cabeça de ouro , caput ex aioo optimo erat , o fundamen¬ to era de barro : 'tedum qnadam pars fitfilis ; 6 c aílim a reputou o mtfdxo. Nabuco por imper- Jfun. zi.n.i Pontífice 5\ Pedro. 1 i feyta , & moníbuoza : he perfeyta , bem fabeis C Membrorum difpantas que para fua perfeyçaò conjunBio monftmm efi. deve o fundamento íer De maneyra que a femelhante àcabeça, por difparidade dos tnemnão fer como a eftatua bros de hum artefacto de Nabuco rnonftruoza: fallo monftruozo, & imperfeyco * logo pelo con¬ trario a femelhança conftitue a fua perfeyçaò. E como a Igreja de Deos he perfeyta: Una efi perfeÜam^a^ Chnfto a ca¬ beça , Pedro o funda¬ mento , fegue-fe por boa confequencia que Pe¬ dro, como fundamento da Igreja , hc femelhante a Chnfto em quan¬ to cabeça delia : fem du¬ vida que por efta razaõ quando Chrifto Se¬ nhor noíTo, entregando a Pedro o Pontificado de fua Igreja , lhe per¬ guntou fe o amava: Si mon Joannis , diligisme , 6 n ã o fò lhe refpondeo o Apoftolo que fmi: Ètiam Domine , fenão também lhe difle que Chrifto fa. biaacauza, porque o ama v r.Tufcis Domine qnia arno te como dizendo. Vòs, Senhor , bem fa¬ beis que a voíla Igreja '‘Domine , tu omnia noftie(je> fendo vòs cabeça da Igreja , me deputaftes fundamento delia , porque a femelhança he a cauza do amor , bem fabeis a cauza , porque vos amo , que he a íemelhança: Tu fieis Domine quia amo te E em que foy Pedro como fundamento da I- greja femelhante a Chrif¬ to como cabeça ? Primeyramente no nome r chamava-íe Pedro Simaò antes que Chrifto Se¬ nhor noíío o deputafle fundamento da fua Igre¬ ja : Beatas es Si mon Barjona i 8í quando o de¬ putou chamoüihe Pedro, que he pedra: Tu es Te¬ tras , & fuper hanc petram adificabo Ecclefilam' meam . E a razaó , que para iíTo teve o Divino Meftre , foy moftrarnos. a femelhança , que nonome tinha, com o feii Rií» Pfalm. 117.11. 2 i . Iíj: t8. u.i< 5 . Gen 2. n. ii, Div, Thoiti. apud A JLap. A Lip. hic. t Sermão do Sagrado Difeipalo : porque, ca* Varaõ : Quoniam de Vin)o ã eile em quanto cabeça da Ig eja', Izaias, & David lhe chamam pedra : Lapidem , quem reprobaverunt /edifican¬ tes : hic faãus efi m caput angnh , a Pedro , a quem eile deputava para fundamento , também chama pedra , para no nome lhe fer femelhante. Formou Deos a Heva de huirui epftda de Adaõ, Sc não de barro, como o havia formado a elle •, Sc d is Santo Thomàs que foy para que fe conheceíTe que, figu* rando-fe Çhnílo em A- daõ, 6 c a ígreja em Heva, era Chriílo a cabeça, Sc o principio, de quem a Igreja procedia , como Heva de Adaõ : Fignr.atnr per hsc qubd LccU- fia a Chrifto ducit prin¬ cipiam. Formada Heva figura da Igreja , cha¬ mou-lhe Adaó Virago cuj) nom.e fignifi.ca e.fforío , 6 c logo deu a razaõ de lhe chamar efre nome , que fp»y por haver proçcifidõ ddle ro fiumpta efi , que fignifica o meímo Vir a Virtude , Sc aífim fica¬ ram femelhantes no no¬ me Heva , Sc Adaõ. O meímo fticcedeu a Pe¬ dro com Chrifto; pro¬ cede a Igreja de Chrif¬ to , como cabeça , 6 c como Çhrifto em quan¬ to cabeça da Igreja fe chama pedra : Lapidem^ quem reprobaver nnt adficantes : hic faãus efl in caput angnli , cha¬ mou a Pedro pedea quan¬ do o deputou funda¬ mento daíuaIgreja: Tu es letras , & juper hanc petram adificabo Eccle - fiam meam. & aífim fi¬ caram femelhantes no nome , como figurados em Heva , & Adaõ. Ou¬ tro nome rinha Adaõ , que era o de Adão, an¬ tes da formaç-ió de He¬ va outro nome tinha Chrifto , que era o de j ii S U S. Antes de de¬ putar a Pedro fundame nco da íua Igreja, tatnbem Heva tem outro nome., qu£ he o de Heva Pedro outro, que he Pontífice * 5 . Pedro. 1 3 J ie o de Simaõ *, mas quando Deos produs a Hev r a da coftela de A- dao , em cuja producçaõ ficou Adaõ fendo cabe¬ ça, cnama-fe Varaó , Sc He va Virago , que figniíicam o mefmo * 6 c quando Chrifto confti tue a fua Igreja, depu¬ tando a Pedro por fun¬ damento delia, chama-fe pedra , 6 c o mefmo cha¬ ma a Pedro ; Sc aíTim como na figura ficou a Igreja , Sc f hrifto em A- daó , Sc Heva femelhantes no nome Vir Vira go no figurado Chrifto, Sc Pedro ficaram no no¬ me femelhantes Lapidem y Petra. Outra femelhança confidero em S. Pedro, co¬ mo fundamento da I- greja para com Chrifto como cabeça mais eleva¬ da , mais foberana, mais fingular, a qual confiíte no modo , com que Chrifto o deputou , & cònftiruhio fundamen¬ to d.i fua Igreja , que foy dizendo queelleera pedra : Ego dico tibi , quia tu eft Petrus } ir fuper hmc petram aâificabo Ecclefiam meam . De maneyra que falando confticuhio, Sc deputou Chrifto a Pedro funda¬ mento da fua Igreja ; ain¬ da que o falar ern Deos he obrar : Mcum dixiffe DlV . fuijje efi , com tudo he Hier. de advertir que fes Chrif¬ to Senhor noflb efpecial exprefíaõ de que o conftituhia, & deputava fundamento da fua Igre¬ ja , falando, & ego di¬ co tibi : Sc foy ftm duvi¬ da para infinuarnos que a deputação , Sc conftituiç.iõ de Pedro em fun¬ damento da Igreja era femelhante no modo ao com que elle como ca¬ beça da Igreja procede em quanto Deos , Sc fe conflituhe em quanto Verbo. Ora artendey. Chrifto Senhor nofib cm quanto Deos he a fegunda Peftoa da Nanriffima Trindade o Fi¬ lho ,o Verbo do Pay. Ab cetetno , 6 ? fem princi¬ pio conhece o Pad^e Eterno n fua Divina Efíeneja , Sc attributos, Sc por eíte infinito, Sc comprenfiíVCfe 2 4- Sermae pivníiv r o conhecimen¬ to pfodtis hum cnncey- to iubftancial , & Di¬ vino j o qual concey- to por forfa de íua procelTaõ he Filho , & he Verbo i he Filho do Pay, porque procede deíle por ger ação natural, 6c he Verbo do Pay, por¬ que procede delle p/>r lo¬ cução intelle&ual, por¬ que o mefmo Pay he o que fala a palavra , o mefmo Pay ha o que fa¬ lando comíigo produs o pfai. Verbo. E ruãavit cor me Z 4 + Verbttm bonum. De maneyra que a fegunda Peífoa da Santiflima Trin¬ dade, o Filho de Oeos, o Verbo Divino conftitue-íe por huma locu¬ ção Divina : porque , aindaque nòs pelo limi¬ tado de noftos entendi¬ mentos diítinguamos as Proceíloens , comtudo naquelle Di/ino conceyto faõ realmente a me ima couza a razaõ de Filho , ôc a razaõ do Verbo. S. Pedro he conftituido , 6c deputado fun¬ damento da Igreja de do Sagrado Dc:os por huma Iccuçaõ do Verbo Divino, pois o deputou, 6c conftituhio Chriílo falando: Ego dico tibi. Pudera Chriílo declarar que Pe¬ dro era fundamento da fua Igreja fomente com as palavras : Tu es ( Peírus , ér fufer hanc pe - tram adificabo Eccíe - fiam meam , pois nellas coníiíle a fua deputaçaõ, mas àlem delias exprefíou que elle falava , & ego dico tibi , para que foubeííemos que pela fua locuçaô fe deputava, 6c conílitubia Pedro fun¬ damento de fua Igre¬ ja , 5 c aíTemelhando-íelhe como cabeça a fua proceííaõ , 6c conílituiçaò ern quanto Verbo,que he por locuçaõ de feu E- terno Pay . Eruffavit cor metim verbum bo - num. Vio S. Joaõ no feu A- Apoc# pocalypfe a Chriílo Se-4»- s * nhor noíTo fentado fobre hurna cadeyra : Et ecce fedes p o fita eratin O- lo , & fupra fedem j'edens , ôc defcreven.do a bizania , 6c fermozura, com com queeftava , na cor era femelhante ao jafpe , & ao Sardo , pedras preciozas- Et qui fedebat fimilis erat ajpe - ciíii lapidis iafpidis , Ó' fardmis. Nefta vizaõ reprezentoti Chrifto ao Evangelifta a fua igreja, que fundou , porque aquella cadeyra , fobre que eftava fentado , fe- ALap.B u ^ ° o a Lapide , era h'c. a Cadeyra do Pontífice Romano : Sedes hac efi Cathedra Eccltfia lio - manes. O que fuppofto , he de advertir que Alcazar, expondo efte lugar,dis que as cores , que refplandeciam no corpo de ai « Chrifto Senhor nofib , AL^p.eram partidas , que dos pès atè a cintura era da cor do jafpe , & da cin¬ tura atè a cabeça era da cor do Sardio. Alcazar cenfit Corpvs c i)ei ab imo adlimbos fuifiejimile iafpidi , fiirfim verò Ai/ dio. No jaípe íe re¬ caí , 2 TP r e z e n t a S. Pedro. Iaf pisfignificat SaníUm Pe* tf um , no Sardio pela cor igaea , que tem, dis Are- Pontifice S Pedro. 25 dis que tas que fe figura a natu- Areta# reza Divina SvblimiJJU* f u < * mam , & efficaciffimam A Lap * ‘Eei naturam \ & aííim nefta apparencia fe vè a proporção da figura com o figurado: poi que,com¬ pondo a Igreja de Dets Chrifto como cabeça , Peürc; como fundamen¬ to, a cor do Sardio era fuperior Sttrfum vero fardib, porque na Cabe¬ ça Chrifto eftà a nature¬ za Divina, que o Sardo reprezenra, & a cor do Jaípe era inferior dos pes ate a cintura , ab imo a d limbos fiut Jimile iafjidi , porque Pedro co¬ mo fundamento íe reprezenta no Jaípe. tntendida aílim efta vizaõ, reparay que a poffue Chrifto quando na fua Igreja com a cor de huma , & outra pedra, conftituindoambasa fermozura do íeu corpo , nem apparece fò femelbance ao Sardio , nem apparece íó femelhante ao Jafpe , fenão que o mefmo Chrifto feaflcme- Iha a ambas > fimilis erat afpecim lapidis iafpidis , D cr 3 - Sermão do Sagrado campo cheyo de flores, li aíllm como , Ilíuf- &frúctos; porque neíla fabrica, que vemos ere- <fla , como S. Gregorio conliderou em Jacob , naó íò cheyram as flores das Vides: ület fios JSita , nas boas obras, na íantidade , 8c na doutri¬ na jà ponderadas , mas também cheyram em feus filhos Sacerdotes as flo¬ res da oliveyra: Olet fios oliva , na liberalidade, com que concorreram efmoleres , 8c na caridade, com que haõ de curar a feus Irmãos enfermos, 8c fepultar a feus Irmãos defuntos: cheyram as vi¬ olas : Olet fios viola na humildade,com que haõ de exercitar, 8c cuydac muyto na execução dei¬ tas boas obras, cheyram asrozas; Olet fios Rofa, na pureza de fu-a vida, 8c limpeza de fuas mãos ; 8c juntas todas eftas vir¬ tudes conflituem a efla fumptuoza fabrica hum jardim de flores, fe hum pomar de fruttos. Ecce odor filij mei ficut odor <ign plehi , flonbns , & fruttibus vermntis. trifiimo Prelado , 8c Reverendiífimo Sacerdócio, aíllm como vòs na erecçaõ defta fabrica foubeftes accumular, 8c exerci¬ tar cantas virtudes , de cuja fragrancia fe agrada a Mageftdde Divina , co¬ mo fe agradou das de Ja¬ cob , tende por certo que lambem em vòs íe veri¬ fica, 8c ha de verificar a felicifiima bençam , que Izaac deu entaõ a Jacob em nome de Deos, caibenedixit Dominus. Muytas felicidades continha em fi aquella bençam *, huma era a abundancia de paó , 8c vinho: D et tibi Deus abiindantvm fru - menti , & vini. Efta jà vòs a lograis no altar , porque ao Diviniflimo Sacramento , ou às Efpecies Sacramentaes fe allude o paõ, Sc vinho de Jacob, que aqui fe voSALap: prepara com abundancia nos novos altares , que para taõ alto Sacrifício fe erigiram , 8c fe vos fran¬ queam *, outra felicidade he o Principado fanto : \Do-minus fratrum tu°- rum j Pontificê F. Pedro. } 3 rum y a pezar de inveja nefta America o logra o noíTu Iiluftriífimo Arcibifpo como Primàs , & vòs como Sacerdotes: Sa¬ cerdotes quantum ad ojfí* dum funt ftipra homines, tipn. difie Liranoi Outra feli¬ cidade he o favor , que Deos vosfasde tomar à fu a conta o bem , ou mal que íe vos fizer, o bem para o premiar, o mal pa¬ ra o punir, qui tibi male - dixerit , fit tile malediãus, & qui tibi benedixerit , benediãiombus repleatur ; eftay certos que ou mais tarde, ou mais cedo íe cumpre, 6c fe ha de comprir eíh profecia. A ultima felicidade , que continha a bençam dejacob, faõosbensefpirituaes, 5 c temporaes, os efpirituaes allegorizados no orvalho do Ceo: Lauret. D et tibi D eus de rore Cali, Sc os temporaes na fer¬ tilidade da terra , & de finguedine terra. Bens temporaes faõ a pàs, a faude, Sc vida , & as rique¬ zas, bens efpirituaes faõ a graça, Sc gloria de Deos. Ao Pontífice filho de Jozedech porqoe edificou o Templo de JemZalem com toda a fegurança,em nome de DeoS lhe pro* metteu o Profeta Zaca¬ rias ter hum pontificado gloriozo , profpero , Sc felis. Et ipfeextruet Tem - Zach_ plum Domino : & ipfepor- 6 tabitgloriam, Sc o meímo prometteu , Sc fegurou a todos aquelles, que com efmolas concorreram pa¬ ra a edificação do Tem¬ plo. Et cor ona erunt He - lem , & Tobta , & Idaia, & Hem. Prometeu-lhes a pàs, fegurandolha entre o Pontificê, Sc Zorobabet Príncipefecular, porque o feguro da pàs de hum Pontificê, Sc luas ovelhas he a concordia entre os dous Príncipes, & con - fdinm pacis ent inter illos duos . Prometteu-lhes a faude, Sc vida na duraçaõ de feu Pontificado , & ■ fedebit , & dominabitiir fuper folio fuo. As rique¬ zas deu Deos ajacob pe¬ lo Templo, que lhe dedi¬ cou naquella pedra , que ungio . Ego fttm Deus Be t hei , tibi rnxifti Dpi. n ^ ?*' E dm % 34 Sermão do dem-, proptêr ilhtdjaco - bo benedixijfe , & diclajè a Lsp Jignificat , difie a Lapide; deulhe a Lia Divina gra¬ ça: Jacob dilcxi. Promet- A'\ teu-lhe a gloria , & egre- 9 -dere de terra hac , rever¬ tem in ter ram vativitatis i*.i 3 tua. De todos eftes bens vos íeguro , 6c promet- to o logre em nome de Deos , por lhe edifícar- Sdgraâô desefte Templo : ã pàs jà a vedes lograda, pois os dous Principes fecular, 6c Eccleziaítico ta6 concordes nos gover¬ nam eíperay firmemen¬ te em Deos o logro dos quereftam, 6c depois de largos annos por meyo da Divina graça palia¬ reis à poflefiaõ da eterna Gloria. Amen. \-i£ri •"&*; « - . • ■ • .^ ■■■ - ' ' • • •