Full text
1
2 Arriscar (re)pensar a Educação Artística: percalços e continuidades LIVRO DE ATAS 2024
3 Título: Livro de Atas do Congresso de Investigação em Educação Artística 2023 Autor/Editoras: Ana Souto e Melo / Mara Maravilha Design Capa: Paula Rodrigues Data: novembro 2024 Local de Edição: Viseu Editora: Escola Superior de Educação de Viseu Instituto Politécnico de Viseu CI&DEI Suporte: E-book 1ª Edição Arte / Sociedade & Ciências Sociais / Ensino ISBN: 978-989-35783-4-6 DOI: 10.34633/978-989-35783-4-6 Este Evento foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Refª UIDB/05507/2020. Agradecemos adicionalmente ao Centro de Estudos em Educação e Inovação (CI&DEI) e ao Politécnico de Viseu pelo apoio prestado.
4 Comissão Organizadora Ana Souto e Melo Coordenação Mara Maravilha Coordenação Andrea Couceiro Catarina Carneiro de Sousa José Loureiro Paula Rodrigues Sofia Figueiredo Cristina Aguiar José Pereira Ricardo Cavadas Mariana Veloso Márcia Leite Sónia Barbosa Luísa Augusto Maria Figueiredo Miguel Midões Pedro Neves Rito Sónia Ferreira Teresa Gouveia Salomé Morais Docentes da Escola Superior de Educação Departamento de Comunicação e Arte |Educação Visual | Arte e Expressões Criativas | Tecnologias de Informação e Comunicação Departamento de Psicologia e Ciências da Educação |Ciências da Educação
5 Comissão Científica Ana Mae Barbosa - Universidade de S. Paulo Ana Sousa - Universidade do Lisboa Ana Souto e Melo - Instituto Politécnico de Viseu Ana Paula Cardoso - Instituto Politécnico de Viseu Ana Carreira - Direção Geral de Educação Ângela Saldanha - Universidade do Minho António Meireles - Instituto Politécnico de Bragança António Fernando Silva - Instituto Politécnico do Porto António Vasconcelos - Instituto Politécnico de Setúbal Amanda Midori - Universidade do Porto Belmiro Rego - Instituto Politécnico de Viseu Carla Lacerda - Instituto Politécnico de Viseu Carla Pereira - Instituto Politécnico de Viseu Carlos Gomes - Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica Cat Martins - Universidade do Porto Catarina Araújo - Instituto Politécnico de Viseu Catarina Carneiro de Sousa - Instituto Politécnico de Viseu Cristina Aguiar - Instituto Politécnico de Viseu Cristina Faria - Instituto Politécnico de Coimbra Cristina Gomes - Instituto Politécnico de Viseu Cristina Leandro - Instituto Politécnico de Coimbra Dalila Rodrigues - Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Diretora) Filomena Sobral - Instituto Politécnico de Viseu Gabriela Sotto Mayor - Instituto Politécnico de Viseu Geraldo Eanes - Instituto Politécnico do Porto Inês Azevedo - Casa da Imagem Isabel Bezelga - Universidade de Évora Jacinta Costa - Instituto Politécnico de Bragança Joana Mateus - Casa da Imagem Joana Matos - Instituto Politécnico de Setúbal Joana Mendonça - Instituto Politécnico do Porto João Cunha - Instituto Politécnico de Bragança João Pires - Instituto Politécnico de Setúbal João Rocha - Instituto Politécnico de Viseu Jorge Fraga - Instituto Politécnico de Viseu José Alberto Rodrigues - ATE - Associação dos Trabalhadores da Educação José Paiva - Universidade do Porto José Pereira - Instituto Politécnico de Viseu Lara Soares Burilar Leonardo Charréu - Instituto Politécnico de Lisboa Liliana Castilho - Instituto Politécnico de Viseu Lucília Valente - Universidade de Évora Luís Calheiros - Instituto Politécnico de Viseu Luísa Castilho - Instituto Politécnico de Castelo Branco Madalena Leitão - Instituto Politécnico de Castelo Branco
6 Mara Maravilha - Instituto Politécnico de Viseu Maria Figueiredo - Instituto Politécnico de Viseu Maria Helena Vieira - Universidade do Minho Maria Isabel de Castro - Instituto Politécnico de Bragança Maria José Araújo - Instituto Politécnico do Porto Maria Manuela Lopes - Instituto Politécnico do Porto Mário Cardoso - Instituto Politécnico de Bragança Paula Rodrigues - Instituto Politécnico de Viseu Paula Xavier - Instituto Politécnico de Viseu Prudência Coimbra - Instituto Politécnico do Porto Ricardo Gonçalves - Instituto Politécnico do Porto Ricardo Cavadas - Instituto Politécnico de Viseu Sara Felizardo - Instituto Politécnico de Viseu Sofia Figueiredo - Instituto Politécnico de Viseu Sónia Barbosa - Instituto Politécnico de Viseu Stela Barbieri - Binåh espaço de arte Susana Lopes - Instituto Politécnico do Porto Teresa Eça - Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual Teresa Pereira - Instituto Politécnico de Lisboa Vasco Alves - Instituto Politécnico de Bragança Vanessa Gallardo Fundación Venâncio Universidade de Salamanca
7 ÍNDICE Sessão de abertura--------------------------------------------------------------------------------------- 9 Sessões Plenárias 1. Escola Pública: uma oportunidade de acesso à Cultura e à Arte? Educação Artística: um direito de todos----------------------------------------------------- 13 2. Formação de Professores de Educação Artística: uma necessidade ou utopia? A formação de Professores em Artes Visuais: Princípio? Fim? Ou o eterno retorno?--------------------------------------------------------------------------------------------------- 25 Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto-------------------------------- 37 3. Arriscar (re)pensar a Educação Artística: percalços e continuidades Peculiaridades de Arte/Educação no Brasil------------------------------------------------- 48 Esforços e tentativas arriscadas de ação/investigação---------------------------------- 56 Sessões Paralelas 4. Educação e práticas artísticas na comunidade e em contextos de educação informal -66 Cantar Plus: benefícios e efeitos do ato de cantar práticas artísticas na comunidade -----------------------------------------------------------------------------------------------75 Educação por uma perspetiva decolonial: um olhar sobre o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra-------------------------------------------------------------------------------87 5. Criatividade inventiva, sentido estético capacidade crítica e resolução de problemas na Educação Artística Desenvolvimento da criatividade e organização das salas de aula de Educação Visual: perspetiva de alunos e professores--------------------------------------------------------95 Uma Educação Artística para a paz: o que os artistas visuais das margens têm para nos dizer?-------------------------------------------------------------------------------------------------104 e pedagógico de Miguel Seabra-------------------------------------------------------------------------------------------116 6. Estratégias de ensino e aprendizagem e avaliação no ensino das Artes A Comuna na escola: projeto de intervenção comunitária em teatro--------------126 A biblioteca escolar: um mundo esquecido?----------------------------------------------137 Medo de errar e autoconfiança nos alunos: atividades de desenvolvimento no âmbito da articulação entre Expressão Dramática, Educação Visual e Educação Tecnológica resultados finais -------------------------------------------------------------------- 146 A música como recurso didático nas disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica----------------------------------------------------------------------------------------------157 7. Arte/educação/Educação pela arte Razões do abandono escolar no ensino especializado de Música: o que dizem as pesquisas?-----------------------------------------------------------------------------------------------165 VI Coluni em Cena: ensino de teatro na escola-------------------------------------------175 Perspetivas dos alunos sobre a disciplina de Educação Musical do 2º Ciclo do Ensino Básico Geral: uma revisão da literatura------------------------------------------------184 8. Tecnologias e o digital na Educação Artística
8 Residência STEAM: a arte holográfica-------------------------------------------------------195 Contributos da Educação Tecnológica para a aprendizagem de alunos com Perturbação do Espectro do Autismo: um estudo de caso-----------------------------------205 O simulacro na criação de ambientes imersivos como estratégia de ensino para Educação Visual e Educação Tecnológica---------------------------------------------------------215
9 Sessão de Abertura Ana Souto e Melo Coordenadora CIEA Bom dia a todos e a todas. Sejam bem-vindos à 2ª Edição do Congresso de Investigação em Educação Artística (CIEA), sob a temática: organizado pela Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Viseu. Coube-me uma vez mais a honra de iniciar este Congresso em representação da Organização da qual fazem parte professores dos departamentos de Comunicação e Arte e de Psicologia e Ciências da Educação da Escola Superior de Educação de Viseu; de alunos do curso de Publicidade e Relações Públicas e do curso de Mestrado em Ensino de Educação Visual e Tecnológica no Ensino Básico. Agradeço a todo(a)s a preciosa colaboração na Organização deste Congresso. Cumprimento os ilustres convidados, os representantes institucionais: a Prof. Doutora Cristina Azevedo Gomes, Presidente da Escola Educação da Escola Superior de Educação de Viseu; o Prof. Doutor José Costa, Presidente do Instituto Politécnico de Viseu; a Sra. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viseu, Dra. Leonor Barata. Muito obrigada pela vossa presença. Cumprimento todos os participantes do Congresso de Investigação em Educação Artística que veem na Educação Artística a porta e a alavanca do acesso à cultura e às artes de todos e que pretendem pensar e repensar a Educação Artística naquilo que são as suas soluções e exemplos de boas práticas, mas também e sobretudo nas suas dificuldades e desafios que muitas vezes se sobrepõem àquilo que são as expectativas da sociedade num tempo cercado de desafios. Cumprimento, finalmente os nossos Oradores Convidados que de forma tão imediata e entusiástica deram resposta ao nosso apelo e que nestes dias pretendem partilhar ideias, vivências, aventuras e desventuras para que todos cresçamos na procura, mas sobretudo no encontro de momentos de grande importância para as nossas vidas. Pretende-se nesta nova edição do CIEA, repensar a Educação Artística naquilo que são os seus pressupostos formativos reafirmando por um lado, o seu valor para a formação integral do ser humano que cresce, desenvolve e progride conhecendo-se e dando-se a conhecer ao mundo e do seu papel interveniente no mundo e na sociedade; por outro lado, pretendemos procurar saber sobre as dificuldades da Educação Artística, particularmente nas escolas portuguesas e tentar refletir sobre a sua resolução coletiva e individual. Trata-se de ação, de reflexão, de reposicionamento, de interação, de solidificação, de construção e reconstrução de alicerces de formação do indivíduo.
189 motivação; perceções; repertório musical foram empregadas num número definido e progressivo de combinações estratégicas para garantir uma busca mais abrangente e, ao mesmo tempo, focada. Foram utilizados operadores booleanos para estruturar as pesquisas, dando aqui -chave e respetivas combinações, definiram-se os critérios de inclusão e exclusão de resultados para cada passo da pesquisa bibliográfica, procurando garantir a relevância e qualidade dos documentos selecionados, assim como ir ao encontro da questão de investigação. Desta forma, os critérios de inclusão incluíam publicações ou estudos que: (1) envolvessem alunos matriculados no 2.º Ciclo do Ensino Básico Geral (uma vez que se trata de um estudo direcionado para a disciplina de Educação Musical nesse ciclo de estudo); (2) fossem publicados entre 2018 e 202319; e (3) que pudessem oferecer informação sobre as perspetivas ou perceções dos alunos em relação às suas aulas de música. 8. PROCESSO DE SELEÇÃO DOS ESTUDOS EEXTRAÇÃO DE DADOS De seguida apresentam-se as fases de seleção das 554 publicações recolhidas nas bases de dados a partir das combinações de palavras-chave. Tabela 2 Fases de seleção das publicações na plataforma digital do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP). REPOSITÓRIO CIENTÍFICO DE ACESSO ABERTO DE PORTUGAL (RCAAP) Fases da pesquisa Descritores aplicados N.º de publicações obtidas 1 Educação Musical + Alunos + Perspetivas 20 2 Educação Musical + Alunos + Preferências 5 3 Educação Musical + Alunos + Gosto 5 4 Educação Musical + Alunos + Voz 32 5 Educação Musical + Alunos + Perceções 18 6 Educação Musical + Alunos + Repertório Musical 103 7 Educação Musical + Alunos + Motivação 153 8 Educação Musical + Alunos + Práticas Musicais 163 N.º total de publicações obtidas: 499 Publicações depois de remover duplicados: 456 (-43) Publicações depois de aplicar os critérios de elegibilidade: 7 (-449) N.º de publicações selecionadas e classificadas: 7 Tabela 3 Fases de seleção das publicações na Revista Portuguesa de Educação Musical (RPEM). REVISTA PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO MUSICAL (RPEM) Fases da pesquisa Palavras-chave N.º de publicações obtidas 19 NOTA: A limitação da pesquisa às publicações divulgadas entre 2018 e 2023 deve-se pelo facto de ter sido precisamente em 2018 (através da homologação do Decreto-Lei nº 55/2018) que se aplicou a flexibilização curricular nas escolas portuguesas, enfatizando a autonomia pedagógica dos professores, nomeadamente ao nível dos recursos e materiais pedagógicos. No caso da disciplina de Educação Musical, a flexibilização curricular pode ter impacto na seleção do repertório musical e práticas desenvolvidas em sala de aula, podendo ir ao encontro das preferências musicais estéticas e práticas dos alunos.
190 1 Perspetiva(s) 16 2 Preferência(s) 0 3 Gosto(s) 0 4 Voz(es) 9 5 Perceção(ões) 2 6 Repertório Musical 1 7 Motivação(ões) 2 8 Práticas Musicais 2 N.º total de publicações obtidas: 32 Publicações depois de aplicar os critérios de elegibilidade: 1 (-31) N.º de publicação selecionada e classificada: 1 Tabela 4 Fases de seleção das publicações na Revista Portuguesa de Educação Artística (RPEA). REVISTA PORTUGUESA DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA (RPEA) Fases da pesquisa Palavra-chave N.º de publicações obtidas 1 Educação Musical 23 N.º total de publicações obtidas: 23 Publicações depois de aplicar os critérios de elegibilidade: 1 ( - 22) N.º de publicação selecionada e classificada: 1 9. RESULTADOS Do total de 9 publicações finais que preencheram todos os critérios de inclusão definidos no protocolo de atuação, 7 são dissertações de mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico (sendo que 6 foram apresentadas no Instituto Politécnico do Porto e 1 na Universidade Nova de Lisboa) e 2 são artigos publicados em revista (sendo uma publicada na RPEM e outra na RPEA). Como síntese interpretativa pode indicar-se que todos os estudos se focam nas razões pelas quais os alunos têm vindo a demonstrar uma atitude negativa ou um progressivo desinteresse pelas aulas de música na escola, incidindo essas razões no tipo de repertório musical abordado e nos instrumentos musicais utilizados. 10. SÍNTESE DESCRITIVA DOS RESULTADOS DOS ESTUDOS SELECIONADOS No estudo de Birgita (2022), que contou com uma amostra de 220 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico, identificou-se uma preferência dos alunos por géneros musicais como o Funk, o RAP, o Hip-Hop e a Música Ligeira Portuguesa, refletindo as tendências musicais contemporâneas entre os jovens alunos. O estudo de Cunha (2020), que envolveu 147 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico de três regiões distintas, Bragança, Lisboa e Funchal, revelou o desejo das crianças por abordar um repertório musical variado assente nas músicas do seu quotidiano. Além disso, uma maioria significativa expressou uma vontade de querer dedicar mais tempo das suas aulas à criação e experimentação musical livre, assim como aprender a tocar instrumentos diversificados como guitarra, bateria ou piano. A análise de Gonçalves, Cristóvão e Esteireiro (2020), com 502 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico oriundos da Região Autónoma da Madeira, indicou uma forte preferência por querer aprender a tocar instrumentos diferentes dos habituais na sala de aula (aspeto partilhado com
191 o estudo anterior), bem como a vontade de realizar mais atividades relacionadas com a Dança, o Movimento e o Canto. Os alunos também expressaram uma necessidade de acesso a uma maior variedade de instrumentos musicais e recursos tecnológicos, assim como de melhorias no mobiliário das salas de aula. Lima (2019) comparou as motivações de alunos matriculados em duas escolas básicas distintas, uma do ensino geral e outra TEIP da Área Metropolitana do Porto, contando com amostras de 95 e 70 alunos, respetivamente, do 2º Ciclo do Ensino Básico. Os resultados obtidos demonstraram que os alunos da escola TEIP valorizam mais as aulas de música e são particularmente mais motivados para tocar instrumentos, cantar e assistir a concertos. Por sua vez, os alunos da escola regular são mais motivados para fazerem música com recurso à percussão corporal e para explorarem diferentes géneros musicais nas atividades de audição musical. Magalhães (2021) descobriu, num estudo com 926 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico da Área Metropolitana do Porto, que as atividades relacionadas com os domínios da Audição Musical, Interpretação e Criação/Improvisação (por esta ordem) são as que mais motivam os alunos. Curiosamente, e apesar de algumas atividades como a Escrita e Notação Musical ou ainda a Teoria Musical serem apreciadas como as menos motivadoras, os alunos consideramnas importantes para a sua aprendizagem musical. Os alunos ainda expressaram o desejo de terem uma variedade no repertório musical utilizado nas aulas, incluindo géneros e estilos como o Pop, Rock, a Música Erudita ou ainda o Fado. Por fim, nos estudos de Pereira, A. (2023) e Pereira, V. (2023), que contaram com 133 e 137 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico, respetivamente, foi possível verificar que as atividades mais frequentes nas suas aulas de música foram tocar flauta de bisel e cantar. No geral, os alunos mostraram-se favoráveis à utilização de um repertório musical diversificado que abordasse, nomeadamente, a música tradicional e contemporânea, ou seja, mais próxima dos seus gostos e preferências estéticos. Para além disso, manifestaram ainda um interesse particular em integrar as novas tecnologias nas práticas musicais, tal como evidenciado no estudo de Santos (2022) com 68 alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico a revelarem exatamente o mesmo desejo. 11. CONCLUSÃO Os resultados desta revisão sistemática de literatura revelam que, tal como nos estudos internacionais, os alunos portugueses aspiram por uma disciplina de Educação Musical que lhes forneça as ferramentas e o conhecimento necessários para que sejam capazes de se expressar musicalmente. Revelam ainda que, para esse efeito, os alunos indicam preferências por atividades musicais concretas que nem sempre coincidem com as da prática vigente. A conclusão de maior relevância que se pode obter a partir dos dados recolhidos é a de que os alunos portugueses preferem, acima de tudo, a atividade de tocar instrumentos. Conclui-se também que os alunos desejam para as suas aulas de música práticas que integrem conteúdos musicais mais alinhados com as suas experiências musicais extraescolares, tanto em termos estéticos (como ao nível do repertório musical utilizado) como em termos práticos (através da utilização de instrumentos musicais como a guitarra, o piano ou a bateria, que não são habituais nas aulas). Para além disso, os resultados revelam um interesse dos alunos por mais oportunidades de criação, experimentação e composição musical nas suas aulas, assim como a introdução das novas tecnologias. Para se obter um panorama de resultados mais abrangente e robusto será necessário expandir o número de estudos e, preferencialmente, realizar um estudo de carácter nacional que possa convocar a intervenção e recursos de investigação do Estado. No entanto, esta revisão de literatura permitiu, desde já, identificar a
192 necessidade de se estabelecer um diálogo contínuo entre as experiências musicais dos alunos dentro e fora do ambiente escolar, de modo a enriquecer e tornar o ensino escolar de música mais pertinente, motivador e significativo para as crianças e jovens. Referências Bibliográficas Birgita, S. (2022). Preferências musicais dos adolescentes em diferentes contextos, além das aulas de música. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/23201 Boal-Palheiros, G., & Boia, P. (2020). Formação de professores de música e práticas de Educação Musical nas escolas. In G. Boal-Palheiros & P. Boia (Eds.), Desafios em Educação Musical (CIPEM/INET-md, pp. 117 142). Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Boal-Palheiros, G., & Hargreaves, D. (2001). Listening to music at home and at school. British Journal of Music Education, 18, 103 118. https://doi.org/https://doi.org/10.1017/S0265051701000213 Burnard, P., & Björk, C. (2010). Using student voice research to understand and improve musical learning. In J. Finney & C. Harrison (Eds.), Whose music education is it? The role of the student voice (pp. 24 32). Cunha, J. C. (2020). Se eu fosse professor de Educação Musical da minha turma? Um estudo de caso baseado na voz de alunos portugueses. Revista de Educação Musical, 146, 16 21. De Vries, P. (2010). What we want: The music preferences of upper primary school students and the ways they engage with music. Australian Journal of Music Education, 1, 3 16. De Vught, A., & Malmberg, I. (2017). European perspectives on music education (Vol. 4). Decreto-Lei nº 55/2018 de 06 de julho. Estabelece o currículo dos ensinos básico e secundário e os princípios orientadores da avaliação das aprendizagens. Economidou Stavrou, N., Girdzijauskiene, R., & Schaumberger, H. (2020). (Eds.), Make Music Matter - Music Education Meeting the Needs of Young Learners (pp. 137 152). Economidou Stavrou, N. E., & Papageorgi, I. (2021). International Journal of Music Education, 43(3), 366 385. Gonçalves, C., Cristóvão, N., & Esteireiro, P. (2020) A Música na Minha Escola de Sonho: Dando Voz aos Alunos das Escolas da Região Autónoma da Madeira. Revista Portuguesa de Educação Artística, 10 (1), 43-56. Jorgensen, E. R. (2020). Alguns desafios para a educação musical. O que podem fazer os professores de música? In G. Boal-Palheiros & P. Boia (Eds.), Desafios em Educação Musical (pp. 17 36). CIPEM/INET-md. Kokotsaki, D. (2017). Pupil voice and attitudes to music during the transition to secondary school. British Journal of Music Education, 34(1), 5 39. https://doi.org/10.1017/S0265051716000279 L of school. British Journal of Music Education, 20(3), 229 241. doi:10.1017/S0265051703005412 Lima, M. I. (2019). A motivação de alunos e professores de Educação Musical em diferentes contextos socioculturais. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/14614
193 Magalhães, H. (2021). Motivação dos alunos para as atividades de Educação Musical no segundo ciclo. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/19973 Macagno, F., & Rapanta, C. (2021). Escrita académica: argumentação, lógica da escrita, ideias e estilo, artigos e papers (1ª edição). Pactor. McPhail, G. (2013). The canon or the kids: Teachers and the recontextualisation of classical and popular music in the secondary school curriculum. Research Studies in Music Education, 35(1), 7 20. https://doi.org/10.1177/1321103X13483083 Newman, R. (1971). Music Education: The Need for Change. The School Review, 79(3), 441-448. North, A. C., & Hargreaves, D. J. (2000). Musical preferences during and after relaxation and exercise. American Journal of Psychology, 113(1), 43 67. https://doi.org/10.2307/1423460 North, A. C., Hargreaves, D. J., & Hargreaves, J. J. (2004). Uses of Music in Everyday Life. Music Perception, 22(1), 41 77. https://doi.org/10.1525/MP.2004.22.1.41 British Journal of Educational Psychology, 70(2), 255 272. https://doi.org/10.1348/000709900158083 Papageorgi, I., & Economidou Stavrou, N. (2023). Student perceptions of the classroom environment, student characteristics, and motivation for music lessons at secondary school. Musicae Scientiae, 27(2), 348 365. https://doi.org/10.1177/10298649211055832 Pereira, A. (2023). As atividades nas aulas de Educação Musical: perspetivas dos alunos e práticas dos professores. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/23687 Pereira, V. (2023). O repertório de Educação Musical e as preferências musicais dos alunos. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/23749 British Journal of Music Education, 12(3), 185 201. Rocha, L. (2022). Repertório no ensino genérico e no ensino especializado em música: regime articulado. Relatório de estágio de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino de Educação Musical do Ensino Básico. Porto: Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. http://hdl.handle.net/10400.22/23211 Santos, M. (2022). As tecnologias digitais na avaliação das atividades práticas dos alunos do 5.º ano de escolaridade na disciplina de Educação Musical. Relatório de Mestrado em Utilização Pedagógica das TIC. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. http://hdl.handle.net/10400.8/8179 Teachout, D. (2005). How Are We Preparing the Next Generation of Music Teacher Educators? Journal of Music Teacher Education, 15(1), 3 5. https://doi.org/10.1177/10570837050150010101 Wright, R. (2008). Kicking the habitus: power, culture and pedagogy in the secondary school music curriculum. Music Education Research, 10(3), 389 402. https://doi.org/10.1080/14613800802280134