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Sénior feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo

Martins, Inês Correia

Abstract

“Senior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo”, e um trabalho de carácter investigativo e interventivo, desenvolvido no âmbito do estágio curricular do segundo ano do Mestrado em Educação, na área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, da Universidade do Minho. O projeto doi desenvolvido junto de dez idosos do Centro de Dia, do Centro Social da Paróquia de Castelões, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, situada numa freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão. A primordial finalidade da intervenção centra-se na promoção do envelhecimento ativo e a consequente melhoria da qualidade de vida, por meio da implementação de atividades, que estimulassem os participantes, combatendo o isolamento, reaproveitando os seus tempos livres, tornando o ato de envelhecer mais feliz. Assim, tendo em consideração os gostos, interesses, motivações, potencialidades e necessidades do público-alvo, foram definidos objetivos gerais e específicos, colocados em prática atraves de cinco oficinas, sendo elas: (1) oficina de estimulação cognitiva; (2) oficina espiritual; (3) oficina de estimulação física; (4) oficina de trabalhos manuais e (5) comemoração de datas festivas. Este projeto foi desenvolvido mediante as diretrizes do paradigma qualitativo, da investigação ação e com o auxílio de várias tecnicas e metodos de investigação e intervenção em educação, nomeadamente a animação. As adequações das tecnicas face ao contexto, às necessidades e interesses do público-alvo, resultaram na fórmula perfeita para a problemática em estudo. Assim, conclui-se que os resultados deste projeto educativo são positivos e transformadores, pelo impacto causado no contexto institucional, mas sobretudo dos participantes, promovendo um envelhecimento ativo.

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Inês Correia Martins Sénior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo Sénior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo Inês Correia Martins UMINHO I 2024 maio de 2024 Inês Correia Martins Sénior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo Relatório de Estágio Mestrado em Educação Especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária Trabalho efetuado sob a orientação de Professor Doutor José Carlos de Oliveira Casulo maio de 2024 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este e um trabalho academico que pode ser utilizado por terceiros, desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, atraves do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY iii AGRADECIMENTOS A realização deste projeto não teria sido possível sem o apoio e colaboração de determinadas pessoas e entidades às quais presto a minha congratulação e agradecimento. Ao meu orientador, professor Doutor Jose Carlos de Oliveira Casulo. Pelo trabalho, disponibilidade, dedicação, profissionalismo, rigor e apoio ao longo de todo o projeto. Estendo tambem à Universidade do Minho, nomeadamente ao Instituto de Educação, que desde a licenciatura, me proporcionaram as condições necessárias, junto dos docentes e das mais variadas unidades curriculares, a fim de melhor complementar o meu percurso academico. Um agradecimento especial à instituição que acolheu o meu projeto e me permitiu realizar o estágio, a toda a equipa tecnica, mas em especial à minha acompanhante, pela transmissão de conhecimentos, disponibilidade, profissionalismo e confiança em mim depositada. Aos idosos, que sempre com um sorriso no rosto, forte colaboração e muitos ensinamentos, me acompanharam ao longo dos meses de estágio. À minha família, aos meus pais, avós, tios e padrinho pelo apoio incondicional, pela valorização, por serem conforto e tranquilidade nos momentos mais difíceis. Ao Rafael, pela dedicação, paciência, entrega e amor. Por me ouvires, motivares e teres sempre o melhor abraço. Ao CNE – Corpo Nacional de Escutas, por me mostrar que o meu caminho e aqui, a amar e a servir, dando-me sem medida, gastando-me sem esperar recompensa, a ser feliz fazendo os que me rodeiam felizes. No fundo, agradeço a todos os que estiveram envolvidos neste projeto e contribuíram para o meu sucesso academico. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho academico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v SÉNIOR FELIZ:UM PROJETO DE PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO RESUMO “Senior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo”, e um trabalho de carácter investigativo e interventivo, desenvolvido no âmbito do estágio curricular do segundo ano do Mestrado em Educação, na área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, da Universidade do Minho. O projeto doi desenvolvido junto de dez idosos do Centro de Dia, do Centro Social da Paróquia de Castelões, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, situada numa freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão. A primordial finalidade da intervenção centra-se na promoção do envelhecimento ativo e a consequente melhoria da qualidade de vida, por meio da implementação de atividades, que estimulassem os participantes, combatendo o isolamento, reaproveitando os seus tempos livres, tornando o ato de envelhecer mais feliz. Assim, tendo em consideração os gostos, interesses, motivações, potencialidades e necessidades do público-alvo, foram definidos objetivos gerais e específicos, colocados em prática atraves de cinco oficinas, sendo elas: (1) oficina de estimulação cognitiva; (2) oficina espiritual; (3) oficina de estimulação física; (4) oficina de trabalhos manuais e (5) comemoração de datas festivas. Este projeto foi desenvolvido mediante as diretrizes do paradigma qualitativo, da investigação ação e com o auxílio de várias tecnicas e metodos de investigação e intervenção em educação, nomeadamente a animação. As adequações das tecnicas face ao contexto, às necessidades e interesses do público-alvo, resultaram na fórmula perfeita para a problemática em estudo. Assim, conclui-se que os resultados deste projeto educativo são positivos e transformadores, pelo impacto causado no contexto institucional, mas sobretudo dos participantes, promovendo um envelhecimento ativo. Palavras-chave: envelhecimento ativo; qualidade de vida; animação sociocultural; educação de adultos; intervenção comunitária. vi SÉNIOR FELIZ:UM PROJETO DE PROMOÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO ABSTRACT “Happy Senior: a project to promote active aging”, is a work of an investigative and interventional nature, developed within the scope of the curricular internship of the second year of the master’s in education, in the area of specialization in Adult Education and Community Intervention, at the University of Minho. The project was developed with ten elderly people from the Day Center, from the Social Center of the Parish of Castelões, a Private Social Solidarity Institution, located in a parish belonging to the municipality of Vila Nova de Famalicão. The primary purpose of the intervention focuses on promoting active aging and the consequent improvement in quality of life, through the implementation of activities that stimulate participants, combating isolation, reusing their free time, making the act of aging more happy. Thus, taking into account the tastes, interests, motivations, potential and needs of the target audience, general and specific objectives were defined, put into practice through five workshops, namely: (1) cognitive stimulation workshop; (2) spiritual workshop; (3) physical stimulation workshop; (4) craft workshop and (5) celebration of festive dates. This project was developed using the guidelines of the qualitative paradigm, action research and with the help of various techniques and methods of research and intervention in education, namely animation. The adjustments of the techniques to the context, needs and interests of the target audience resulted in the perfect formula for the problem under study. Therefore, it is concluded that the results of this educational project are positive and transformative, due to the impact caused in the institutional context, but above all on the participants, promoting active aging. Keywords: active aging; quality of life; sociocultural animation; adult education; community intervention vii ÍNDICE GERAL Agradecimentos................................................................................................................ iii Resumo.............................................................................................................................. v ABSTRACT ........................................................................................................................... vi Índice de figuras................................................................................................................ x Índice de Gráficos.............................................................................................................. x Índice de tabelas...............................................................................................................xi LISTA DE SIGLAS/ABREVIATURAS ........................................................................................... xii INTRODUÇÃO ........................................................................................................................1 CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL DE ESTÁGIO .......................................................3 1.1 Integração Institucional e pertinência do estágio................................................................... 3 1.1.1. Descrição dos procedimentos utilizados para a integração institucional............................. 3 1.1.2. Pertinência do estágio a realizar........................................................................................4 1.2 Caracterização da Instituição................................................................................................ 6 1.2.1. Breve apontamento histórico-legal-organizacional...............................................................6 1.2.2. Missão, valores e objetivos/finalidades..............................................................................7 1.2.3. Inserção geográfica........................................................................................................... 9 1.2.4. Recursos (físicos, humanos e materiais)..........................................................................10 1.3 Caracterização do Público-Alvo........................................................................................... 13 1.4. Diagnóstico de necessidades, motivações e expectativas........................................................ 17 1.4.1. Recolha de informação e interpretação dos resultados obtidos........................................ 17 1.4.2. Prognóstico.....................................................................................................................21 CAPÍTULO II – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA PROBLEMÁTICA DE ESTÁGIO ..............................22 2.1. Apresentação de outras experiências e/ou investigações sobre o tema..................................22 2.2. Exploração de correntes teóricas/autores............................................................................... 28 2 envelhecimento ativo, envolvendo de forma participativa e ativa estes idosos, a fim de desenvolver e manter competências de natureza cognitiva, espiritual, física e sociocultural. A opção por esta área de intervenção deveu-se essencialmente ao carinho especial que nutro pela população idosa, aliado ao facto de considerar uma área desafiadora. Alem disso, a escolha por estagiar nesta resposta social, e nesta IPSS, deve-se à importância que a instituição têm no desenvolvimento local e pelo trabalho de atenção ao próximo que desenvolve diariamente. No que concerne à estrutura, este relatório foi planeado e desenvolvidos sob quatro capítulos centrais, posteriores a esta introdução. O primeiro capítulo corresponde ao enquadramento contextual do estágio, encontrando-se explicito o processo de integração no contexto institucional, a pertinência do estágio curricular e a caracterização da instituição e do público-alvo, bem como o diagnóstico de necessidades, motivações e expectativas dos participantes. No segundo capítulo faz-se o enquadramento teórico da problemática de estágio. Nele e apresentada uma reflexão em torno de outras experiências e/ou investigações sobre o tema, são exploradas algumas correntes teóricas, abordando alguns temas importantes como a realidade do envelhecimento populacional, o envelhecimento ativo e a animação de adultos idosos. São ainda identificados os contributos teóricos mobilizados para a problemática da investigação e intervenção. No que concerne ao terceiro capítulo, este contem o enquadramento metodológico do estágio. Aqui, são identificados os objetivos (gerais e específicos) de investigação e intervenção delineados, assim como a sua importância. São abordadas as metodologias de investigação e intervenção. Identificam-se os recursos mobilizados (humanos, físicos e materiais) e ainda as limitações existentes no decorrer do processo. A avaliação e a sua importância no estágio e tratada no final deste capitulo. Relativamente ao quarto capítulo, este faz uma apresentação e discussão do processo de investigação e intervenção. É neste último capítulo que são apresentadas e descritas, detalhadamente, as atividades desenvolvidas no estágio. São, por fim, evidenciados e discutidos os resultados obtidos. Alem dos capítulos estruturais anteriormente evidenciados, o relatório contem ainda as considerações finais, que permitem uma evidenciação do impacto do estágio a nível pessoal, institucional e conhecimento na área de especialização, as referências bibliográficas, dispostas alfabeticamente, e os apêndices e anexo 3 CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO CONTEXTUAL DE ESTÁGIO 1.1 Integração Institucional e pertinência do estágio 1.1.1. Descrição dos procedimentos utilizados para a integração institucional O meu percurso academico iniciou-se com a Licenciatura em Educação, na Universidade do Minho. Ao longo da licenciatura, com o aprofundamento teórico e científico adquirido por meio das Unidades Curriculares, surgiu o gosto e interesse pela área da Educação de Adultos e Intervenção Comunitária. Foi neste sentido que, no último ano da licenciatura, escolhi esta mesma área para realizar o meu Projeto e Seminário. Apesar das limitações no desenvolvimento do projeto, fruto da pandemia do COVID-19, a experiência e o retorno que tive evidenciaram-se um marco importante para a tomada de decisão face à candidatura a um mestrado. Assim, e aliando o interesse em complementar os meus estudos academicos, decidi candidatar-me ao Mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária (EAIC), na Universidade do Minho. O primeiro ano de mestrado foi bastante importante no meu desenvolvimento pessoal e academico. Por um lado, permitiu-me adquirir conhecimentos científicos relevantes, que completaram saberes e limaram arestas advindos da licenciatura. Por outro lado, fez-me sair da minha zona de conforto, quer ao nível das unidades curriculares mais práticas como as expressões artísticas, e ainda o desenvolvimento de trabalhos no âmbito do envelhecimento, já que, apesar de ser uma área pela qual nutro interesse, era um campo com lacunas teóricas e práticas. O desenvolvimento de um pequeno projeto numa IPSS, na resposta social de Centro de Dia, no âmbito da unidade curricular de Contextos e Práticas de Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, foi decisivo para a opção de estágio no segundo ano de mestrado. Assim, a procura de estágio curricular no segundo ano de mestrado, iniciou-se com a pesquisa de instituições com valências da terceira idade, no meu perímetro residencial. A seleção não foi simples, devido à elevada oferta, no entanto, a visualização de umas fotografias e vídeos nas redes sociais da instituição e o relato de experiências de familiares e utentes, fizeram com que o Centro Social da Paróquia de Castelões, se tornasse na minha primeira opção. Em julho de 2022 estabeleci o primeiro contacto com o CSPC, por meio de uma conversa com a coordenadora geral da instituição, Licenciada em Serviço Social, apresentando o teor do mestrado, bem como as minhas expectativas e interesses com o desenvolvimento do estágio 4 curricular. Foi desde logo que a coordenadora mostrou abertura e interesse, apresentando-me as várias respostas sociais no âmbito da Terceira Idade. Após compreender genericamente cada uma delas, alguma reflexão e a conselho da coordenadora, optei pela resposta social de Centro de Dia. No dia 22 de setembro, reuni com o orientador científico, professor Doutor Jose Carlos de Oliveira Casulo, no Instituto de Educação da Universidade do Minho, a fim de melhor compreender o trabalho a ser desenvolvido, esclarecendo eventuais dúvidas. Iniciei oficialmente o meu estágio no CSPC no dia 4 de outubro de 2022, com uma visita guiada às instalações da instituição, uma explicação mais pormenorizada do funcionamento do Centro de Dia, e ainda conversas informais com os utentes, os colaboradores, a acompanhante e a coordenadora do Centro de Dia. Numa primeira fase, a de integração no contexto de estágio, analisei documentos internos da instituição, os planos e processos individuais dos utentes, recolhi dados, interagi com os idosos, e com o auxílio da coordenadora do Centro de Dia, defini o meu público-alvo. Na segunda fase, a de diagnóstico, elaborei, apliquei e tratei os dados de um inquerito por questionário, aplicado individualmente a cada um dos participantes do projeto. A observação direta, os registos no diário de bordo e análise documental, foram cruciais na compreensão dos interesses, gostos, expectativas e necessidades dos idosos. Fruto deste estudo inicial, delineei o meu Plano de Atividades. 1.1.2. Pertinência do estágio a realizar Este projeto de estágio, desenvolvido no âmbito do Mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, reflete a aplicação prática dos conteúdos programáticos lecionados, numa lógica de problematização da teoria e prática da educação de adultos e intervenção comunitária, em detrimento da conceção, gestão e avaliação de projetos educativos. Enquadra-se ainda nos objetivos propostos, diante a sua dimensão investigativa e interventiva, sendo eles: “1) Desenvolver competências de identificação, reconhecimento, validação e certificação de aprendizagens não formais e informais de educação/formação ao longo da vida; 2) Fornecer um quando teórico-conceptual operacionalizado ao nível dos princípios, dos modelos e das manifestações temporais da educação de adultos e intervenção comunitária; 3) Proporcionar o 5 conhecimento de um conjunto de metodos, tecnicas e estrategias aplicáveis no campo da educação de adultos e intervenção comunitária; 4) Possibilitar uma adaptação operatório às exigências de mediação e avaliação em contextos profissionais de educação de adultos e intervenção comunitária; 5) Dinamizar processo de aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em situações concretas de educação; 6) Desenvolver competências de investigação no âmbitos da educação de adultos e intervenção comunitária.”1 Neste sentido, e perante os objetivos acima patenteados, o de possibilitar uma adaptação operatório às exigências de mediação e avaliação em contextos profissionais de educação de adultos e intervenção comunitária, e o de dinamizar processos de aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em situações concretas de educação enquadram-se com os propósitos internos da instituição, nomeadamente da resposta social onde se insere o estágio curricular. Evidencia-se assim, a norma 3ª do Regulamento Interno do Centro de Dia do CSPC, nomeadamente dos seguintes objetivos: “Assegurar um atendimento individual e personalizado em função das necessidades específicas de cada pessoa; Promover a dignidade da pessoa e oportunidades para a estimulação da memória, do respeito pela história, cultura, e espiritualidade pessoais e pelas suas reminiscências e vontades conscientemente expressas; Contribuir para a estimulação de um processo de envelhecimento ativo; Promover os contactos sociais e potenciar a integração social;” (cfr. Anexo I). Por meio da sua visão, o Centro Social da Paróquia de Castelões evidencia-se concordante com o perfil do mestrado, na medida em que ambos instigam uma ação educativa no âmbito da intervenção socioeducativa e comunitária: “a prestação de serviços de qualidade a toda a população abrangida pela sua área de atuação, promovendo a melhoria contínua e o alargamento do seu serviço social e comunitário.” (cfr. Anexo II) No CSPC, cada resposta social não atua ao acaso, mas com um propósito comum, o de satisfazer as necessidades observadas e sentidas no contexto da vida real. Assim, a instituição, trabalha diariamente sob uma ótica de missão ao próximo, enriquecendo e ampliando a sua intervenção social e comunitária. A terceira idade, e por excelência o espelho deste propósito 1Cfr. https://www.ie.uminho.pt/pt/Ensino/mestrados/Paginas/Mestrados-em-Educacao.aspx, acedido em 23 de dezembro de 2022. 6 institucional, por meio do fomento da aprendizagem ao longo da vida, efetiva-se uma continua e permanente manutenção do meio sociofamiliar das pessoas idosas. 1.2 Caracterização da Instituição 1.2.1. Breve apontamento histórico-legal-organizacional O Centro Social da Paróquia de Castelões fundado em 1975, tem redefinido a sua intervenção ao longo doas anos, alargando o seu leque de atuação, conquistando e ultrapassando várias etapas. Com a sua sede na freguesia de Castelões, concelho de Vila Nova de Famalicão, e um suporte essencial na manutenção e compromisso com o desenvolvimento comunitário, a coesão social e a sustentabilidade territorial. O CSPC lançou as suas primeiras sementes em 1975, tendo como prioridade o acolhimento e educação de crianças órfãs e desfavorecidas. Em 1984, com o intuito de corresponder às necessidades da população local, cria novas respostas sociais, dando início ao apoio prestado à terceira idade, atraves do Centro de Dia, do Serviço de Apoio Domiciliário, do Centro de Convívio e da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI). Ainda numa lógica de alargamento e emancipação, em 1990 surge uma nova resposta social direciona ao apoio de jovens com deficiência. Em 2005, a instituição aceitou um novo desafio e ampliou o seu eixo de intervenção social, assumindo a direção de um polo numa outra freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão. Em 2012 integrou o Programa de Emergência Alimentar, apoiando pessoas e famílias economicamente desfavorecidas, atraves da Cantina Social. Tendo como foco o aumento do conforto e segurança dos seus utentes, bem como o aumento da qualidade dos serviços prestados, em 2015 deu-se início a um processo de restruturação e remodelação dos espaços internos e externos da instituição. Mais recentemente, em 2017, em parceira com o Instituto de Segurança Social e com o Banco Alimentar, surge um novo programa de apoio social, designado por Programa Operacional de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas (POAOMC). Este programa, com o apoio da União Europeia e atraves do fundo de auxílio europeu a pessoas mais carenciadas, abona a distribuição de bens alimentares a agregados familiares financeiramente fragilizados. O programa compreende atualmente um território de intervenção constituído por nove freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão. 7 O Centro Social da Paróquia de Castelões conquistou, ao longo dos anos, a confiança e a consideração de várias autoridades públicas. A sua intervenção social norteia a sua ação na promoção da melhoria continua, qualidade e diversidade de serviços prestado à comunidade local. Para o Centro Social da Paróquia de Castelões e fulcral desenvolver um trabalho assente no desenvolvimento humano, como um ser único e irrepetível. Acreditam assim, que cada um, com as suas especificidades, contribui, de forma singular e única, para a promoção de um desenvolvimento saudável, feliz e repleto de energias positivas. Enquanto instituição social, o CSPC apresenta sete respostas sociais na sua sede em Castelões, e seis no polo de Pedome. A sua sede presta serviços de: Creche, Pre-Escolar, Centro de Atividade de Tempo Livre (CATL), Centro de Dia, Centro de Convívio, Serviço de Apoio Domiciliário e Estrutura Residencial para Idosos. O polo de Pedome dispõe de: Creche, PreEscolar, CATL, Centro de Dia, Centro de Convívio e Serviço de Apoio Domiciliário. 1.2.2. Missão, valores e objetivos/finalidades O Centro Social da Paróquia de Castelões e uma instituição de referência a nível da solidariedade social. Tem vindo a redefinir a sua atuação, conquistando credibilidade na comunidade e no tecido social local, bem como a confiança e satisfação dos utentes. Assim, a sua missão visa a garantia do bem-estar pleno dos seus utentes e familiares, a promoção do desenvolvimento social, cultural e económico da área de influência, e contribuir para a promoção integral da comunidade, cooperando com os serviços públicos e privados, num espírito de solidariedade humana, cristã e social. No que concerne à sua visão, o CSPC tem definido como eixo orientador central a prestação de serviços de qualidade a toda a população abrangida pela sua área de atuação, promovendo a melhoria contínua e o alargamento do seu serviço social e comunitário. Alem disso, a instituição assume-se como um serviço da comunidade cristã, procurando assim, proporcionar, com respeito pela liberdade de consciência, a formação cristã aos seus utentes. O CSPC, orienta-se pelos seguintes valores: 8 (1) Pautar a atuação institucional pelo rigor, competência, profissionalismo e transparência dos processos, prevalecendo sempre a isenção e o desinteresse pessoal, privilegiando apenas o bem comum; (2) Fomentar a solidariedade social na comunidade, com um olhar atento para as populações desfavorecidas e suas necessidades (cfr. Anexo II). Quanto aos princípios inerentes à suas políticas de qualidade, o CSPC, prima por: (1) Reconhecer e valorizar o empenho e dedicação dos colaboradores promovendo o trabalho em equipa; (2) Promover a satisfação plena dos utentes/clientes e seus familiares; (3) Manter e melhorar o nível de qualidade da prestação de serviços; (4) Promover um futuro pessoal e social saudável e estável aos utentes/clientes; (5) Manter os utentes/clientes integrados na sociedade criando parcerias com o exterior; (6) Promover a humanidade e solidariedade social (cfr. Anexo II). O Centro de Dia, resposta social de enfoque neste projeto, permite a prestação de serviços que contribuem para o bem-estar do idoso no seu meio sociofamiliar. Para isso, tem como objetivos: (1) Fomentar a permanência do idoso no seu meio natural de vida; (2) Proporcionar serviços adequados à necessidades biopsicossociais das pessoas idosas; (3) Assegurar um atendimento individual e personalizado em função das necessidades especificas de cada pessoa; (4) Promover a dignidade da pessoa e oportunidades para a estimulação da memória, do respeito pela história, espiritualidade pessoais e pelas suas reminiscências e vontades conscientemente expressas; (5) Contribuir para a estimulação de um processo de envelhecimento ativo; (6) Promover o aproveitamento de oportunidades para a saúde, participação e segurança e no acesso à continuidade de aprendizagem ao longo da vida e contacto com novas tecnologias úteis; (7) Prevenir e despistar qualquer inadaptação, deficiência ou situação de risco, assegurando o encaminhamento mais adequado; (8) Promover estrategias de manutenção e reforço da funcionalidade, autonomia e independência, do autocuidado e da autoestima e oportunidade para a mobilidade e 9 atividade regular, tendo em atenção o estado de saúde e recomendações medicas de cada pessoa; (9) Promover um ambiente de segurança física e afetiva, prevenir os acidentes, as quedas os problemas com medicamentos, o isolamento e qualquer forma de maus-tratos (10) Promover a Interação com ambientes estimulantes, promovendo as capacidades, a quebra da rotina e a manutenção do gosto pela vida. (cfr. Anexo I) 1.2.3. Inserção geográfica O Centro Social situa-se em Castelões, uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, pertencente ao distrito administrativo de Braga. De acordo com os últimos censos, realizados em 2021, trata-se de uma freguesia constituída por cerca de 2083 habitantes por uma área de 3,60km quadrados, com 690 agregados, organizada por 789 alojamentos e com 676 edifícios. Diante a totalidade de habitantes, 1004 são homens e 1024 são mulheres.2A maioria da população ativa trabalha no setor secundário, nas freguesias circundantes, e apresenta um estatuto socioeconómico medio baixo. Castelões patenteia características rurais, com atividades fortemente ligadas à agricultura e criação de animais, embora tenham vindo a emergir outras atividades como a indústria têxtil e a carpintaria. Situada no Vale do Ave, uma região fortemente industrializada, prima pelos seus rápidos acessos a importantes centros urbanos (Famalicão, Guimarães e Braga), e e atravessada por importantes vias de comunicação, como a A3, A7 e EN206. Apesar da sua inserção numa das zonas mais industrializadas do concelho, trata-se de um território envelhecido, com baixa densidade populacional e vestígios rurais. À semelhança da panóplia nacional, o índice de envelhecimento do concelho e alto, e com tendências de aumento, em comparação com 1960, correspondendo em 2021 a 153,6%. 3 A freguesia de Castelões reúne várias coletividades de caráter cultural, desportivo e recreativo, sobressaindo o seu espírito associativo e comunitário, envolvendo várias gerações, 2Cfr. https://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpgid=censos21_populacao&xpid=CENSOS21 , acedido a 28 de dezembro de 2022. 3Cfr. https://www.pordata.pt/municipios/populacao+residente+segundo+os+censos+total+e+por+grandes+grupos+e tarios-22 , acedido a 28 de dezembro de 2022. 10 nomeadamente crianças, jovens e seniores. Destaca-se ainda a forte ligação com a igreja católica, atraves dos serviços e movimentos paroquiais. Perante este cenário, aproveitando e potenciado o associativismo, o empoderamento comunitário, a harmonia das relações sociais e os vínculos paroquiais, o CSPC constitui-se como uma instituição de prestigio social da zona, que procura colmatar as lacunas existentes, sobretudo ao nível da solidariedade social, cooperando com os diferentes organismos da freguesia, nomeadamente. 1.2.4. Recursos (físicos, humanos e materiais) O Centro Social da Paróquia de Castelões localiza-se num ponto central e estrategico da freguesia. Trata-se de um edifício bem preservado de dois andares, de cor branca e cor-de-rosa claro, com uma rampa de acesso ao piso superior e uma varanda envidraçada que envolve uma parte significativa do edifício. O CSPC apresenta um jardim cuidado e uma vasta área verde, com uma horta, uma zona florestal, um parque infantil e ainda um parque de merendas. Dispõe de um parque de estacionamento, de um coberto que dá acesso à escola primária da freguesia, e ainda a sede do agrupamento de escuteiros da paróquia. No piso 0, avistamos a entrada principal, com a receção, um espaço com sofás e ainda algumas máquinas de venda automática de alimentos. Os serviços administrativos, a coordenação e direção tecnica, tambem se encontram junto à receção. É uma zona com uma decoração agradável e apelativa e prima, sobretudo, pela luminosidade natural. Neste piso, encontram-se, ainda, o berçário, a creche, o pre-escolar, o CTAL, a cozinha, o refeitório infantil, o polivalente, a capela, o centro de convívio e ainda os vários sanitários, dispostos de acordo com as várias salas e respostas existentes. Importa mencionar que, neste momento, o polivalente está a ser utilizado pelo Centro de Dia. Trata-se de um espaço amplo, com boa luminosidade, dado que todo o seu lado direito e em vidro, com uma decoração bastante apelativa e sobretudo realizada pelos utentes. É neste mesmo espaço que os idosos realizam as suas refeições, com mesas de 2 a 4 pessoas, bem como as atividades lúdicas e desportivas, dada a ampla dimensão do espaço. Junto a este espaço, existem sanitários 11 exclusivos e devidamente apropriados aos idosos do Centro de Dia, bem como uma sala de arrumos, com materiais de limpeza e armários com mudas de roupa dos idosos. Os colaboradores usufruem de um refeitório próprio, com uma zona de armários e lavatórios. No piso 1, encontra-se a ERPI, o Centro de Dia, que neste preciso momento está em obras para a adquisição de um elevador, o consultório medico, o gabinete de enfermagem, o refeitório senior, o cabeleireiro e barbearia, uma sala de visitas e sala de estar dos utentes institucionalizados na ERPI. Em todos estes espaços há detetores de incêndio, extintores e aquecimento. O acesso ao piso 1 e feito atraves de uma rampa e/ou elevador. Este e bastante espaçoso, sendo possível a entrada e saída de cadeiras de rodas; no entanto, o mesmo não evita o cruzamento dos idosos da ERPI com os do Centro de Dia e, por esta razão, estão a ser feitas obras a fim de emergir um novo elevador que dê resposta a esta necessidade interna da instituição. Os corredores da instituição, de um modo geral, são amplos e bem iluminados, permitindo a circulação de cadeiras de rodas. No que concerne aos recursos humanos disponíveis, o CSPC trabalha diariamente e de forma cooperativa em prol da comunidade, na promoção do bem-estar pelos seus utentes, sejam eles crianças, jovens ou idosos, e das suas respetivas famílias. Trata-se de uma instituição com diversos serviços e respostas sociais, englobando a infância, a terceira idade, e as famílias mais desfavorecidas. O organograma evidenciado pela figura 1 , demonstra de um modo claro e estruturado, a dimensão organizacional da instituição. 18 graças a um bom conhecimento do problema a resolver e do seu contexto” (Guerra, 2002, p. 196) Com o intuito de melhor diagnosticar as necessidades e interesses dos participantes, foi necessário recorrer a algumas tecnicas das ciências sociais, a fim de identificar lacunas e propor soluções, procurando colmatar as dificuldades existentes. Assim, foram utilizadas essencialmente seis metodos de investigação em ciências sociais, a saber: a análise documental, o inquerito por questionário, as conversas informais, a observação direta, a elaboração de um diário de bordo e a análise SWOT. O inquerito por questionário permitiu-me perceber como os idosos ocupam o seu tempo no Centro de Dia, quais as atividades que mais gostam de participar, bem como aquelas que gostariam de ver implementadas no âmbito deste projeto, dando conta, os gráficos seguintes, dos resultados obtidos. ~ Gráfico 8 Modo de ocupação do tempo no Centro de Dia A análise do Gráfico 8 permite compreender o modo de ocupação do tempo no Centro de Dia, por parte dos idosos. Depreende-se que uma parte considerável vê televisão (18%) e conversa com os colegas (18%). Existe ainda quem se dedique aos trabalhos manuais (14%) e a assistir à missa (14%). Uma parte menos significativa ocupa-se com outras atividades, como pintar (9%), jogar às cartas (7%), cantar (7%), costura (5%), ler jornais (4%) e fazer palavras cruzadas (5%). 19 Gráfico 9 Atividades que os idosos gostam de participar Das atividades desenvolvidas pelo Centro de Dia, o Gráfico 9 , evidencia aquelas em que os idosos gostam de participar. A atividade com maior destaque e o boccia (36%), de seguida os trabalhos manuais (25%), o jogar às cartas (18%), as pinturas (14%) e, por fim, a costura (7%). Gráfico 10 Tipologia de atividades que os idosos gostavam de participar neste projeto Em relação à preferência na tipologia de atividades em que os idosos gostariam de participar no âmbito deste projeto, o Gráfico 10 realça atividades do tipo espirituais (22%) e trabalhos manuais (22%). Destacam-se ainda as atividades relacionadas com a estimulação física (19%), a estimulação cognitiva (17%) e de leitura (17%). Por fim, e possível ainda assinalar atividades associadas à saúde (3%). 20 No que concerne às necessidades, percebi, por meio da observação direta, que alguns idosos têm algumas limitações físicas, facilmente colmatadas pelo uso de instrumentos ou o apoio dos auxiliares de ação direta para se deslocarem. A observação permitiu-me, ainda, compreender que as rotinas e os horários são algo fundamental na manutenção do equilíbrio e bem-estar dos idosos e que, portanto, a calendarização e programação das atividades no seio deste projeto têm de ter especial atenção a estes aspetos. Nesta lógica, deve-se evitar realizar atividades a partir das 16h30, na medida em que e a hora em que alguns idosos regressam a casa, e tambem entre as 11h e as 13h, pois e a hora de assistirem à missa e de almoçarem. As conversas informais com a coordenadora e as auxiliares foram fundamentais na compreensão singular de cada idoso, da sua personalidade, dos seus hábitos e, sobretudo, das suas histórias de vida e rotinas. Já nas conversas com os idosos obtive informações acerca dos seus gostos, o que os levou a ingressarem no Centro de Dia e como costumam ocupar o seu tempo quando não estão no Centro de Dia. Apercebi-me de que dão imenso valor à socialização, à troca de ideias e de informações com os seus pares. Com a análise documental, mais concretamente com a análise dos processos individuais, percebi que existem alguns idosos com algumas patologias, para as quais, mesmo sendo naturais no processo de envelhecimento, e necessário manter um acompanhamento assíduo. Alem das necessidades e interesses, e importante entender o potencial do público-alvo e da própria instituição, a fim de criar uma relação simbiótica entre eles na implementação da intervenção. Nesta ótica, torna-se útil a apresentação de uma análise SWOT: Análise SWOT Forças - A instituição dispõe de bons espaços e recursos para a realização das atividades - Disponibilidade e interesse dos participantes Fraquezas - Público um pouco heterogeneo e com interesses diversificados - Sobrevalorização das ações rotineiras por parte dos participantes Oportunidades - Promoção de um envelhecimento ativo - Promoção da autonomia -Desenvolvimento de competências com a responsabilidade, criatividade e trabalho em equipa Ameaças - Não correspondência às expectativas - Atividades que não sirvam o interesse de todos Tabela 1 Análise SWOT 21 1.4.2. Prognóstico O público-alvo deste projeto, apesar de demonstrar interesse em realizar atividades para a promoção do bem-estar e a melhoria da qualidade de vida, releva alguma falta de motivação e consequente apego às ações rotineiras e à monotonia. Prevê-se que a longo prazo, caso não exista estimulação e inspiração para a realização de atividades diferentes e adaptadas ao perfil dos mesmos, os idosos possam vir a conformar-se e adotem um estilo de vida uniforme e afeto ao sedentarismo e à decadência e redução das capacidades biopsicossociais. Neste sentido, e importante valorizar as capacidades, competências, saberes e vivência pessoal de cada idoso, a fim de criar estímulos positivos, nas suas mais variadas dimensões (físicas, cognitivas, sensoriais, espirituais, entre outras), que se objetivem na promoção de um envelhecimento ativo. A estimulação permite a manutenção da saúde geral da pessoa idosa. Assim, enquanto agentes principais na gestão da sua própria vida e da sua saúde, os idosos devem estar capacitados para responder às suas necessidades reais e para manter pelo maior tempo possível a sua autonomia, independência e a participação ativa na sociedade. A análise cuidadosa dos gostos, interesses, motivações e necessidades do público-alvo, fez com que o desenho deste projeto incluísse a criação de oficinas, nomeadamente a de estimulação cognitiva, a espiritual, a de estimulação física, a de trabalhos manuais e a de comemoração de datas festivas. Por conseguinte, com atividades que estimulem diferentes áreas, prevê-se a promoção de um envelhecimento ativo. De futuro, e num cenário contraproducente, e possível que estes idosos vejam as suas capacidades e potencialidades represadas, mas não decadentes. As práticas do envelhecimento ativo, traduzidas em atividades de estimulação recorrente e promoção de boas práticas, formam uma simbiose perfeita no que respeita à melhoria da qualidade de vida dos idosos. Estimo, com este projeto, alcançar um equilíbrio entre as perdas e os ganhos, a proficiência das capacidades e dos valores pessoais, por meio do fomento da interação social do idoso, que, alem de permitir o relaxamento, a ocupação do tempo livre e a revitalização de pensamento, traduz um caminho na promoção do envelhecimento ativo. 22 CAPÍTULO II – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DA PROBLEMÁTICA DE ESTÁGIO 2.1. Apresentação de outras experiências e/ou investigações sobre o tema O envelhecimento revela-se um fenómeno complexo que exige, cada vez mais, estudos multidisciplinares para que seja possível um melhor entendimento e compreensão. Deste modo, antes de iniciar a exploração de correntes teóricas importantes que sustentem este projeto de intervenção, tornou-se significativo conhecer, compreender e analisar outros estudos, investigações e projetos, no âmbito da Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, em contextos de promoção do envelhecimento ativo. A consulta extensiva de outras experiências e/ou investigações sobre o tema, permitiu o aumento do leque de conhecimento em torno do envelhecimento ativo, e ainda o discernimento das mais variadas respostas a este fenómeno social. Neste sentido, apresento reflexões em torno de cinco estudo, de um modo mais minucioso. A escolha destas obras não foi ao acaso, deve-se ao facto de, na minha ótica, tratarem de assuntos de real importância e pertinência face à realização do meu projeto, bem como do contexto e das circunstâncias a ele subjacentes.  “Envelhecer com estímulos”, Universidade do Minho, 2016 O primeiro documento a analisar, trata-se de um relatório de estágio desenvolvido por uma mestranda, no âmbito do Mestrado em Educação, área de Intervenção em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária. Este relatório, tem por base o desenvolvimento do projeto de educação e intervenção social. Um projeto que aborda a temática do envelhecimento ativo em contexto institucional, numa IPSS, revelando a importância dos estímulos no processo de envelhecimento, e na manutenção e/ou promoção da qualidade de vida, numa idade mais avança e/ou com patologias limitativas. Os participantes deste projeto, frequentam o Centro de Dia de um Centro Social e Paroquial, no concelho de Guimarães e são um total de trinta e um adultos/idosos, com idades compreendidas entre os 40 e os 91 anos, e uma media de idades de 75 anos. Atraves das oficinas implementadas, o projeto visa promover o envelhecimento ativo, bem como fomentar a 23 cidadania ativa e participativa, desenvolvendo ou mantendo competências de natureza cognitiva, física, psicológica e sociocultural, atraves do recurso a um conjunto de tecnicas da animação sociocultural. A problemática central da investigação “prende-se com a questão do envelhecimento ativo e o modo como a educação de adultos e a intervenção comunitária podem contribuir para o mesmo, tendo como principal finalidade o desenvolvimento e/ou manutenção das capacidades de cariz pessoal e social dos indivíduos, atraves da promoção do envelhecimento ativo” (Moreira, 2016, p.2). O diagnóstico de necessidades, motivações e expectativas revelam a evidente necessidade, afirmada pela autora, de explorar novas atividades para a promoção do envelhecimento ativo, com especial destaque para o desenvolvimento e/ou manutenção das capacidades de cariz pessoal e social dos adultos/idosos. Nesta ótica, Moreira (2016), criou um conjunto de atividades, subentendidas em cinco oficinas – oficinas de alfabetização; oficinas TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação; oficinas culturais; oficinas estímulos e encontro de instituições que promovem o envelhecimento ativo - tendo como base a animação sociocultural, proporcionou momentos de convívio, partilha e diversão. De um modo geral, o projeto “proporcionou similarmente uma panóplia de benefícios a todos os intervenientes, possibilitando-lhes uma maior satisfação com a vida” (Moreira, 2016, p.100). Importa ainda mencionar a comunicação e a partilha mútua entre gerações, sobretudo no que toca aos envolventes mais jovens, tal como afirma a autora “permitiu-lhes diminuir os estereótipos negativos em relação à velhice; (…) valorizar os conhecimentos e competências das gerações mais velhas (…). “(Moreira, 2016, p.100).  “O meu tempo”, Universidade do Minho, 2017 O meu tempo , e o relatório de estágio, elaborado no âmbito do mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, na Universidade do Minho. A preocupação com o envelhecimento, levou a autora, a constituir um projeto de investigação/intervenção, direcionado para o cuidado com a terceira idade. O projeto foi realizado numa Câmara Municipal do norte do país, mais concretamente na valência Centros de 24 Convívio e Lazer do Gabinete de Educação e Ação Social. O público-alvo e constituído por trinta e quatro utentes do Centro de Convívio e Lazer de uma freguesia do referido município. As atividades desenvolvidas dão resposta à problemática identificada pela estagiária “A problemática que subjaz a este trabalho e a terceira idade e a forma de promoção do envelhecimento ativo e saudável, como algo positivo, digno e inerente a todo o ser humano.” (Gonçalves, 2017, p.5). Assim, trata-se de atividades que sustentem o envelhecimento ativo, atraves da promoção da autonomia, da participação, do ânimo elevado, do convívio e do reforço da qualidade de vida do idoso. Ao nível das atividades, destacam-se as atividades desenvolvidas no âmbito da promoção de momentos de fe, tendo em consideração, a forte devoção do público-alvo. “Dada a importância que os utentes dão à religião e à fe, reclamam a necessidade de querer conhecer mais e falar sobre o que já sabem ou sobre o que acreditam” (Gonçalves, 2017, p.73). Neste sentido, foram então implementadas as seguintes atividades: Somos Páscoa; Fe em mim; Passeios culturais e religiosos – Quem vai à Santa Luzia?, Em Fátima Rezei!. Este projeto, permitiu à estagiária um conhecimento real dos preconceitos que a sociedade e o próprio idoso criam, em torno do processo de envelhecimento. Estes preceitos, na perspetiva da mesma, foram destituídos atraves da implementação das várias atividades.  “Envelhecimento ativo: um conceito, um projeto e uma visão alterada”, Universidade do Minho, 2018 Este projeto, concebido na Universidade do Minho, diante o Mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, foca-se na “promoção de atividades lúdicas de modo a esbater o isolamento e promover a motivação e a promoção do desenvolvimento pessoal e social do público-alvo” (Ribeiro, 2018, p.5). O projeto surge por meio do estágio realizado num Centro de Dia de uma IPSS, localizada na freguesia de São Jose de São Lazaro, concelho de Braga. A problemática estudada centra-se, essencialmente, no envelhecimento ativo, fazendo alusões aos conceitos de envelhecimento e de animação sociocultural. 25 O público-alvo do projeto e composto por trinta e sete utentes, do sexo feminino e masculino, com idades compreendidas entre os quarenta e oito e os oitenta e quatro anos de idade. Com o intuito de responder às necessidades e interesses do público-alvo a autora realizou um conjunto de atividades, acompanhadas por uma avaliação permanente e continua atraves de metodologias como o registo fotográfico, as notas de campo e a entrevista, que permitiram a perceção do grau de satisfação dos idosos, bem como, o colmatar de lacunas existentes a fim de melhorar o desempenho de atividades adjacentes. Este e um aspeto que a autora menciona aquando da evidenciação dos resultados obtidos “Deste modo, ao longo da implementação do projeto procurei desenhar atividades que possibilitassem não só a concretização dos objetivos, como tambem um constante aperfeiçoamento da minha parte enquanto futura tecnica superior de educação, de modo a ser capaz de me reinventar e corrigir lacunas existentes no projeto”. (Ribeiro, 2018, p.100). Importa ainda mencionar que, para a estagiária, a personalidade díspar do público-alvo revelou-se um desafio constante na sua intervenção. “A confrontação com esta realidade e a necessidade de a conseguir ultrapassar levou-me a adquirir maior capacidade de mobilizar conhecimentos e de reinventar formas de atuação que possibilitassem a cooperação e a interação com e entre o próprio público-alvo” (Ribeiro, 2018, p.103). Atraves deste projeto de intervenção, a estagiária concluiu que o público-alvo sentiu que a sua qualidade de vida melhorou, gostou de participar nas atividades implementadas e considerou o seu projeto benefico na medida em que permitiu aos idosos uma aprendizagem contínua.  “Viver com Alegria: um projeto de animação com idosos institucionalizados”, Universidade do Minho, 2018 O projeto de investigação/intervenção “Viver com Alegria: um projeto de animação com idosos institucionalizados”, foi desenvolvido no âmbito do Mestrado em Educação, na área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, na Universidade do Minho. 26 Este projeto teve como objetivo a promoção do envelhecimento ativo, por meio da dinamização de atividades de caracter cognitivo, físico, psicológico e sociocultural, numa IPSS sediada numa freguesia do concelho de Braga. O estudo realizou-se tendo por base estudos na área do envelhecimento e envelhecimento ativo, um público-alvo de 19 utentes, idosos institucionalizados na valência de lar e centro de dia, com idades compreendidas entre os 38 e os 100 anos de idade. O enquadramento metodológico utilizado baseou-se nos paradigmas quantitativo, qualitativo e sociocrítico, e na investigação-ação-participativa. A autora, atraves da criação de cinco oficinas: 1) Oficina das Datas Festivas; 2) Oficina da Música; 3) Oficina das Memórias; 4) Oficina da Cultura e Conhecimento; e 5) Oficina da Motricidade Fina e Estimulação cognitiva, instigou a promoção do envelhecimento ativo. É de ressalvar o caracter participativo implícito ao desenvolvimento das cárias atividades que deram forma às oficinas, e naturalmente, ao projeto. “O projeto visou envolver de forma participativa e ativa estes idosos, desenvolver e mantar as competências de natureza cognitiva, física, psicológica e sociocultural, com recursos a tecnicas de animação sociocultural, bem como estimular as relações comunitárias, criando um menor isolamento e solidão” (Monteiro, 2018, p.1). O impacto do projeto, foi bastante positivo, sobretudo pela vontade, empatia e consciência dos idosos, pois como menciona a autora “Foi evidente que muitos dos utentes que participaram tinham consciência de que era importante terem atividades e passar o seu tempo livre de uma forma mais produtiva, dinâmica e que lhes permitisse manterem-se mais ativos (…)” e “Os utentes demonstraram vontade de ter mais atividades diariamente tinham consciência de que seria uma mais valia para si” (Monteiro, 2018, p.85). O grande desafio enfrentado prende-se pela questão das demências e dos seus diferentes estádios nos utentes, uma vez que, havia momentos de maior agitação e instabilidade. Estes contratempos, disputaram a necessidade da estagiária desenvolver estrategias para acalmar, distrair e implementar as atividades, ajustando o trabalho. Conclui-se que foi possível promover um envelhecimento ativo naqueles idosos, deixando uma marca positiva, sobretudo no combate ao isolamento e à solidão. “Estes momentos 27 permitiram colmatar algum tempo de solidão, ou isolamento, de saudade de familiares e motivavam e faziam com que o dia e disposição para fazer alguma atividade fosse muito maior. (Monteiro, 2018, p.86).  “Estrategias para a promoção do Envelhecimento Ativo na Santa Casa da Misericórdia do Porto: estudo de caso”, Universidade do Porto, 2020 Este documento decorre de um projeto de estágio realizado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e a sua matriz geral e orientada para a promoção do envelhecimento ativo. Desenvolveu-se numa ERPI da cidade do Porto, tendo como objetivo primordial a “elaboração de atividades de animação sociocultural como via de promoção do envelhecimento ativo, assente numa cultura de inclusão e de participação do idoso no processo de envelhecimento bem-sucedido” (Francisco, 2020, p.8). Metodologicamente, o trabalho, desenvolveu-se sob a ótica do paradigma qualitativo e envolveu duas fases centrais. A primeira, diz respeito à fase de diagnóstico, por meio da aplicação de distintas escalas geriátricas aos idosos envolventes no projeto. Numa segunda fase, foram desenhadas duas atividades de animação sociocultural, tendo por base o perfil, as expectativas e aspirações dos participantes. Quanto à operacionalização, a autora desenvolveu um modelo misto, que incluiu a observação participante, um guião de entrevista estruturado, seguindo-se uma rigorosa análise de conteúdo. O público-alvo deste projeto e composto por dez idosos da ERPI, oito do sexo feminino e dois do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 65 e os 94 anos de idades. A principal razão de se encontrarem nesta resposta social prende-se, na maioria dos casos, pela necessidade de cuidados mais dedicados e atentos, por falta de apoio familiar e por questões de maior dependência e/ou incapacidade na concretização das suas atividades de vida diárias. Importa mencionar, que segundo a estagiária, trata-se de uma população bastante envelhecida em termos etários, com pessoas bastante ansiosas, inquietas, negativas, com alguns sintomas de depressão, e uma atitude muito passiva. Ao nível da saúde, a grande maioria apresenta alguma incapacidade funcional. Perante este cenário, a prática de atividades que 34 Quanto aos condicionantes dos serviços sociais e de saúde, estes dizem respeito aos sistemas de saúde e aos serviços sociais de apoio ao envelhecimento ativo, os sistemas de saúde devem ter uma perspetiva de curso de vida que se concentre na promoção da saúde, prevenção de doenças e igualdade de acesso a cuidados primários e de longa duração de qualidade. No que diz respeito aos condicionantes comportamentais, trata-se de adotar um estilo de vida saudável e participar ativamente no autocuidado, importantes em todas as fases da vida. Um dos mitos do envelhecimento e que e tarde demais para adotar esses estilos mais tarde na vida. Pelo contrário, a adequação de um estilo de vida saudável e equilibrado conduz ao aumento da longevidade e qualidade de vida do indivíduo. Os condicionantes pessoais, por sua vez, incluem fatores biológicos, geneticos e psicológicos. Os condicionantes do meio físico referem-se à disponibilidade de serviços e transporte, habitação e bairros seguros e adequados, água própria, ar puro e alimentação. No que diz respeito aos condicionantes sociais, trata-se de apoio social, educação, alfabetização e prevenção de violência e abuso. Nos condicionantes económicos, três das vertentes deste fator, nomeadamente o rendimento, o trabalho e a proteção social, têm uma influência particularmente significativa no envelhecimento ativo. 2.2.2.2. Pilares do Envelhecimento Ativo O envelhecimento ativo e considerado uma perspetiva Life-Course , correspondendo a um processo que se estende ao longo de toda a vida e em que a história individual se vai construindo e materializando em resultados heterogeneos e idiossincráticos. A WHO (2002, p.45) preconiza um conjunto de fatores determinantes no modelo de envelhecimento ativo, sendo eles: pessoais, comportamentais, económicos, meios físicos, sociais e serviços sociais de saúde. Numa abordagem mais abrangente, o envelhecimento ativo, reconhece a importância dos direitos humanos dos idosos e dos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e autorrealização. Determinados aspetos do envelhecimento ativo desdobram-se e emergem políticas a implementar pelos governos e instituições. Os conceitos chave deste paradigma são: autonomia, independência, expetativa de vida saudável e qualidade de vida. A WHO (2002, p.45) reconhece 35 a importância dos direitos humanos das pessoas mais velhas e os princípios de independência, participação, dignidade, assistência e autorrealização. A saúde, a segurança e a participação social são três pilares básicos desta abordagem. Figura 6 Os três pilares da estrutura política para o Envelhecimento Ativo Fonte: WHO, 2002, P.45 Segundo WHO (2002, pp. 47-53), o pilar da saúde apela ao desenvolvimento de medidas de melhoria da saúde física, mental e social, estrategias preventivas de doença articuladas ao longo da vida, meios de diagnóstico e tratamento. Sobressai a importância da saúde mental e social para uma adaptação ao processo de envelhecimento, assim como o valor da saúde física diante do declínio funcional associado à idade. O pilar seguinte, a participação, e referente às oportunidades de participação das pessoas mais velhas em todas as áreas da atividade humana. Assim, abrange o aumento da participação na força de trabalho, a formação contínua e a capacitação, atraves da promoção dos direitos básicos. O pilar da segurança e descrito como o mais fundamental nas necessidades humanas. Abarca a segurança física, social e financeira. Esta formulação inicial dos pilares do Envelhecimento Ativo identifica a saúde, a participação e a segurança como componentes fundamentais para o mesmo. Mais tarde, o conceito foi aprimorado com o acrescento da aprendizagem ao longo da vida como outra componente. A Aprendizagem ao Longo da Vida, pretende um esforço de bem-estar e 36 consciência contínua em todas as áreas pessoais e sociais. Este e um pilar que suporta todos os outros, permitindo assim o envolvimento ativo na sociedade, contribuindo para uma maior autonomia individual e solidariedade entre as gerações. 2.2.2.3. Princípios do Envelhecimento Ativo Segundo ILC-Brasil (2015, p.45), o envelhecimento ativo depende de vários fatores que constroem reservas de resiliência. Esses fatores são em parte individuais, mas tambem refletem o contexto ambiental e social em que a pessoa vive e envelhece. Uma sociedade verdadeiramente resiliente apoia o desenvolvimento da verdadeira resiliência individual, envelhecimento ativo ao longo da vida. Neste sentido, um marco político de Envelhecimento Ativo (2015, p.45) pressupõe um conjunto de princípios para nortear a ação política. 1. A atividade não se restringe à atividade física ou à participação na força de trabalho. Ser “ativo” significa que a pessoa e participativa e envolvida nas questões sociais, culturais, económicas, civis, espirituais, entre outras. 2. O Envelhecimento Ativo aplica-se a pessoas de todas as idades e a todas as condições que envolvem a pessoa. 3. As metas do Envelhecimento Ativo são preventivas, restaurativas e paliativas e lidam com as necessidades de todo um espectro de capacidades e recursos individuais. 4. O Envelhecimento Ativo promove a autonomia e a independência assim como a interdependência (a troca recíproca entre indivíduos). 5. O Envelhecimento Ativo promove a solidariedade intergeracional, o que significa a distribuição justa dos recursos por todas as faixas etárias, contribuindo para o bemestar, para as oportunidades e o apoio entre as gerações. 6. O Envelhecimento Ativo combina com a ação política “de cima para baixo” (topdown) visando possibilitar e apoiar a saúde, a participação, a aprendizagem ao longo da vida e a segurança, com oportunidades para a participação “de baixo para cima” (bottom-up) – uma ação protagonista, de empoderamento dos cidadãos, de modo que façam as próprias escolhas e estejam integrados ao direcionamento das políticas. 7. O Envelhecimento Ativo e uma abordagem baseada em direitos, e não em necessidades, que reconhece o direito das pessoas à igualdade de oportunidades e 37 tratamento em todos os aspetos da vida à medida que se desenvolvem, amadurecem e envelhecem. Respeita a diversidade e cumpre todas as convenções, princípios e acordos de direitos humanos promulgados pelas Nações Unidas. Reconhece especialmente os direitos humanos da população idosa e os Princípios das Nações Unidas para o Idoso: independência, participação, dignidade, cuidado e autorrealização. 8. O Envelhecimento Ativo promove a responsabilidade individual pelo aproveitamento das oportunidades proporcionadas pelos direitos que são reconhecidos. 2.2.3. Educação e animação de adultos idosos O conceito e origem de animação não e um pleno consenso, existem, portanto, opiniões distintas em torno da perspetiva histórica da animação, nomeadamente da animação de adultos. Etimologicamente a palavra animação e original do termo anima/animae (alma), dando origem ao verbo animare (animar) e ao termo animatio , animação em português. Este conceito polissemico, e apresentado por Silva (2002, p.206), como ato ou efeito de animar, vida, vivacidade, alegria, entusiasmo, movimento. A animação patenteia-se em diferentes âmbitos, contextos, projetos e meios de atuação, priorizando a estimulação positiva e a melhoria da qualidade de vida humana. Segundo Jaume Trilla (2004, p.26), a animação e “uma sequência de ações realizadas por um indivíduo, grupo ou instituição dentro de uma comunidade (ou setor desta) e um determinado território, com o objetivo primordial de incutir nos seus membros uma atitude de participação ativa. Um processo que promove o próprio crescimento, tanto social quanto cultural. Deste ponto de vista, pode dizer-se que o principal objetivo da animação e promover uma atitude de participação ativa em todo o processo de desenvolvimento social e cultural do público com quem se trabalha. No fundo, “e estimular nos indivíduos e na comunidade uma atitude aberta e decidida para se incorporarem nas dinâmicas e processos socias e culturais que os afetam” (Trilla, 2004 p.29). Ander-Egg (2000, p. 100), por sua vez, entende a animação sociocultural como um “conjunto de tecnicas sociais que, baseadas numa pedagogia participativa, tem como finalidade 38 promover práticas e atividades voluntárias que, com a participação ativa de todos, se desenvolvem no seio de um determinado grupo ou comunidade e se manifestam nos diferentes âmbitos de atividades socioculturais que procuram o desenvolvimento da qualidade de vida”. Reportando ao campo de intervenção deste projeto, no que concerne à animação de adultos idosos, importa mencionar que a animação de idosos e uma forma de trabalhar para o desenvolvimento holístico dos idosos, estimulando continuamente a sua vida mental, física e emocional. Assim, Jacob (2007, p.31), apresenta-nos a animação como “um conjunto de passos com vista a facilitar o acesso a uma vida mais activa e mais criativa, à melhoria nas relações e na comunicação com os outros, para uma melhor participação na vida da comunidade de que se faz parte, desenvolvendo a autonomia pessoal”. A animação de idosos em contexto institucional está no centro das prioridades, espelhando-se na implementação de práticas/atividades ao nível cognitivo, sensorial e físico. Assim como afirma Jacob (2007, p.36) as instituições devem “responder às necessidades mais proeminentes do idoso, mas estas não são só a alimentação, a higiene, os cuidados medicos e de enfermagem e a guarda e, igualmente importante a participação, a ocupação e a vida social dos utentes”. Na perspetiva de Jacob (2007), a animação contem benefícios importante para os idosos, revelando-se um determinante na qualidade de vida, preservando a autonomia e a independência, mas sobretudo, estimulando a proatividade. Tendo como primordial objetivo a promoção de uma vida digna e com qualidade das pessoas idosas, fomentando o seu desenvolvimento holístico, Jacob (2007, p.54), identifica quatro subdivisões da animação em contexto de idosos, sendo elas: (1) animação física e motora; (2) animação cognitiva e mental; (3) animação plástica e manual e da expressão artística e (4) animação promotora do desenvolvimento pessoal e social. A animação física e motora desenvolve-se, essencialmente, por meio de exercícios de motricidade, coordenação e mobilidade para manter e melhorar a independência dos idosos. Visa, neste sentido, “aumentar a força muscular e a resistência muscular, aumentar a flexibilidade, aumentar o fluxo sanguíneo, diminuir lesões, melhorar a coordenação e ainda promover o convívio. (Jacob, 2007, p.54). 39 Quando à animação cognitiva e mental, atraves de atividade intelectuais e sensoriais e possível manter o cerebro ativo, permitindo “aumentar a actividade cerebral, retardar os efeitos da perda de memória e da acuidade e velocidade perceptiva e prevenir o surgimento de doenças degenerativas”. (Jacob, 2007, p.72). A animação atraves da expressão plástica manual e da expressão artística, pretende diligenciar no idoso “a possibilidade de se exprimir atraves das artes plásticas e dos trabalhos manuais […] pretende-se que o idoso possa dar largas asas à sua imaginação e criatividade” (Jacob, 2007, p.88). No seu ceio mais artístico, trata-se de atividades que estimulam a comunicação, reportam sentimentos e emoções “[…] a comunicação eles transmitem os seus sentimentos e emoções atraves da voz, do comportamento, da postura e do movimento.” (Jacob, 2007, p.91). Por fim, a animação promotora do desenvolvimento pessoal e social impulsiona o “autoconhecimento, a interação entre a pessoa e o grupo e a dinâmica de grupo” (Jacob, 2007, p.96), que assumindo uma componente mais lúdica, direciona a sua ação para o divertimento e a ocupação do tempo livre de um modo positivo e harmonioso “divertir as pessoas e o grupo, ocupar o tempo, promover o convívio e divulgar os conhecimentos, artes e saberes” (Jacob, 2007, p.101). A figura do animador urge, segundo o autor acima supracitado, como um elemento crucial na concretização dos objetivos da animação de idosos. O animador tem o papel de mediador, de provocador, de agente de ligação e intermediário. “O animador e aquele que realiza tarefas e atividades de animação, que e capaz de estimular os outros para uma determinada ação” (Jacob, 2006, p. 21). As realizações de atividades de animação para idosos acarretam diversos benefícios. Não obstante, e essencial que a sua missão seja a de estimular e não a de entreter as pessoas “(...) com finalidade de provocar o aparecimento de estados emocionais positivos, e para se envolverem em ações que mantenham a possibilidade de atividade, a integração no ambiente e que proporcionem sentido à vida” (Jacob, 2006, p.24). Pode concluir-se que, a animação deve instigar a participação das pessoas a fim de as tornar mais ativas e influentes, para que sintam integras e úteis no seu meio. Esta condição 40 reflete-se tambem quando o público são os idosos. Portanto, incentivar idosos à participação das atividades pode simbolizar o desenvolvimento pessoal e o sentimento de pertença a uma determinada sociedade. (Jacob, 2006, p.26). Assim, a animação de idosos surge como uma forma de promover a autonomia e a participação dos idosos, intensificando o seu desenvolvimento social, enquanto, facilita a aquisição de novos conhecimentos, numa lógica de promoção do envelhecimento ativo. 2.3. Identificação dos contributos teóricos mobilizados Ao longo da licenciatura em educação, e sobretudo, do primeiro ano de mestrado, compreendi o papel chave da educação, nomeadamente da educação de adultos, como propósito de evolução, transformação e parte integrante da intervenção em adultos idosos. A intervenção comunitária, enquanto processo educativo, atua de um modo holístico, focando-se na melhoria da qualidade de vida do indivíduo e da sua comunidade. Este propósito tornou-se evidente aquando das minhas intervenções no âmbito do estágio curricular. Depreendo, neste sentido, uma relação perfeita entre teoria e prática, uma vez que, os recursos teóricos mobilizados sustentam as escolhas feitas na prática. Com a leitura e análise de documentos, bem como, de outras experiências e investigações sobre o tema, foi possível criar uma linha de pensamento coesa e ao mesmo tempo diversificada. Várias teorias, diversos pensamentos e variadas formas de resolver problemas, possibilitaram um leque de respostas importantes no desenho da minha intervenção. É um privilegio chegar à terceira idade com saúde e qualidade de vida. Para isso ser possível e preciso, entre outras coisas, muito esforço ao longo dos anos, para envelhecer ativamente. O envelhecimento ativo, revela-se nesta lógica, um processo de otimização das oportunidades para que os idosos se mantenham socialmente participantes. Sendo este processo dependente de uma pluralidade de determinantes que o podem promover ou, quando postos em causa, prejudicar. Esta conceção aufere relevo nas IPSS, sobretudo nas respostas sociais dirigidas à terceira idade, que por natureza agem como propósito de promoção e garantia da qualidade de vida das pessoas idosas. A qualidade de vida e simultaneamente um objetivo e um desafio, incorporando as dimensões de saúde, física e psicológica, de mobilidade e de autonomia, com as quais se associam fatores mais específicos: habitacionais, recursos económicos, lazer ou integração 41 familiar e socialização. A qualidade de vida, nos mais velhos, pode ser boa ou conservada se os mesmos se mantiverem ativos, com autonomia e independentes, com boa saúde física e se possuírem relações sociais estáveis e coesas. Contudo, em cenários mais negativos, a qualidade pode ser compensada desde que as outras dimensões se mantenham estáveis, nomeadamente saúde mental. Este paradigma e a chave para promover a qualidade de vida e o bem-estar ate ao fim do ciclo da vida. Não deve ser apenas uma intenção, mas uma dinâmica que alcance todos os idosos. A velhice deve ser encarada como uma etapa plena da vida e não como apenas viver na inquietação de ver os seus dias a chegar ao fim. Esta linha de pensamento orientou a minha intervenção no Centro de Dia, e fez-me perceber que a individualidade importa, pois, cada idoso e único e age/sente de forma singular, e que o envelhecimento não e sinónimo de doença, mas o reflexo de uma idade de sabedoria e experiência de vida. Importa ainda realçar que, o adulto idoso e o agente da sua própria educação. A motivação para aprender parte de cada um e a aprendizagem deve ir sempre ao encontro das necessidades particulares do individuo. Deste modo, as práticas de envelhecimento ativo, concretizadas institucionalmente, primam pela responsabilidade de agir em consonância com este propósito, zelando pela melhoria continua da qualidade de vida. Ninguem está preparado para envelhecer, mas e uma conquista que deve ser celebrada com uma vida social e saudável. A animação de adultos e idosos assume um papel significativo no que toca às práticas institucionais de promoção do envelhecimento ativo. As suas intervenções, refletem um metodo participativo consciente que visa atender às necessidades e potencialidades dos idosos. Isto porque, a sua metodologia de base assenta num processo consciente e continuo de estimulação de pessoas e grupos. CAPÍTULO III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO DO ESTÁGIO 3.1. Objetivos 3.1.1. Importância da definição de objetivos A definição de objetivos num projeto de intervenção/investigação e crucial, uma vez que, permite a definição de metas tangíveis e concretas a alcançar. A curto, medio ou longo prazo, cumprindo ou por cumprir, estes objetivos estabelecem, com clareza, o rumo do projeto, 42 orientando a intervenção/investigação. A sua formulação configura-se como um momento fundamental na intervenção/investigação, na medida em que a sua função primordial e a de clarificar um processo, auxiliando na definição dos resultados esperados. Neste sentido, após a realização do diagnóstico de necessidades e interesses, bem como a compreensão das expectativas do público-alvo, importa definir a finalidade e os objetivos gerais e específicos norteadores do projeto, de modo a criar um fio condutor lógico e adequado à intervenção. Segundo a Infopedia (Dicionário Porto Editora)5, a palavra objetivo, enquanto adjetivo, significa estar “assente no estudo dos fenómenos observáveis” e “procedente das sensações”, mas na sua forma de nome masculino significa “aquilo que se pretende alcançar, fim, propósito; alvo”. De acordo com Guerra (2000, p.163), as finalidades de um projeto “indicam a razão de ser de um projeto e a contribuição que ele pode trazer aos problemas e às situações que se torna necessário transformar”. Assim, a primordial finalidade deste projeto e a promoção do envelhecimento ativo num Centro de Dia. Para isso, desenvolveram-se cinco oficinas para a promoção e fortalecimento das capacidades dos idosos, nomeadamente, a autonomia, participação e bem-estar, aquando da realização das suas atividades de vida diárias. Segundo Guerra (2000), os objetivos gerais “descrevem grandes linhas de trabalho a seguir e não são geralmente, expressos em termos operacionais, pelo que não há possibilidade de ver se foram ou não atingidos” (p. 164). No que concerne aos objetivos específicos “são formulados em termos operacionais, quantitativos ou qualitativos, de forma a se tornar possível analisar a sua concretização, sendo frequentemente considerados como metas” (Guerra, 2000, p. 164). Segundo Randolph & Posner (1992, p. 29) os objetivos da investigação dizem respeito aos “princípios de orientação que norteiam os esforços dos membros da equipa desenvolvidos no sentido de contribuírem para se alcançar o alvo do projecto”. Estes são o pilar fundamental de orientação para a concretização de um projeto, servindo de fio condutor a toda a prática 5Crf. https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/objetivo, acedido a 12 de julho de 2023 43 investigativa. São assimilados pelo investigador aquando do processo de recolha de informação. Os objetivos de intervenção estão diretamente relacionados com a problemática em estudo, ou seja, procuram definir metas e alvos, mediante a finalidade da intervenção. Estes procuram dar resposta ao problema, tendo em consideração o contexto, as necessidades, os interesses e as motivações do publico alvo. 3.1.2. Objetivos da Investigação Na imediata tabela, encontram-se os objetivos gerais e específicos que direcionam a investigação do projeto. Estes são um ponto de partida e referência na dimensão interventiva. Tabela 2 Objetivos gerais e específicos de investigação Objetivos Gerais Objetivos Específicos Compreender os idosos do Centro de Dia, do CSPC Estabelecer laços afetivos, a fim de criar relações de confiança, atraves das conversas informais Conhecer a história de vida, os gostos e interesses pessoais, implementando um inquerito por questionário Identificar o potencial dos idosos e da própria instituição, recorrendo a uma análise SWOT Perceber as atividades de vida diárias dos idosos do Centro de Dia, do CSPC Identificar rotinas, hábitos e necessidades de cada um, atraves da observação direta Registar permanentemente as observações, anotações e depreciações pertinentes no diário de bordo Entender o funcionamento geral da instituição, e particular do Centro de Dia, bem como os seus termos legais, mediante a análise documental Este projeto teve como propósito a promoção de um envelhecimento ativo, em idosos que se encontram num Centro de Dia de uma IPSS. Assim, de forma a orientar a investigação, 50 a auxiliar a condução da investigação, atraves de pequenos registos que vão sendo efetuados ao longo do projeto e das observações realizadas. Esta tecnica serve de alicerce a algumas das restantes já que se traduz numa descrição relativa a acontecimentos, pessoas, lugares, resultando da observação direta e das conversas informais. 3.2.3. Métodos de Intervenção Ao nível da metodologia de intervenção, neste projeto, a base empírica foi a da animação sociocultural, por meio do desenvolvimento de diversas atividades. De acordo com Lopes (2011, p. 21) qualquer metodo de intervenção, incluindo a animação sociocultural, requer uma estrategia planeada, à qual se pretende alcançar determinados objetivos. Para isso estabelecemse meios e procedimentos para cumpri-lo. “Consideramos a Animação Sociocultural como uma metodologia de intervenção de caracter transversal, intencional e participativo, caracterizada por incidir especialmente em dinamizar as pessoas e grupos para que estes se transformem em protagonistas do seu desenvolvimento sociocultural e do seu meio” (Lopes, 2011, p.201) Lopes (2011, p. 204), alega que para uma intervenção de qualidade torna-se necessário prestar especial atenção ao processo, uma vez que, nem todas as vias são adequadas para alcançar determinados fins. É imprescindível, assim, adotar uma perspetiva multidisciplinar. Neste sentido, no desenho da intervenção, devem considerar-se alguns propósitos, nomeadamente: “Ter em conta em qualquer momento os princípios de: racionalidade, globalidade, univocidade e flexibilidade; Assumir um enfoque interdisciplinar e propiciar a intenção entre teoria e prática; Adotar uma perspetiva integral, articulando e inter-relacionando as diferentes fases e elementos implicados, como partes de um mesmo e único sistema; Garantir a participação de todas as pessoas envolvidas (responsáveis e usuários) no seu desenho, aplicação à prática e avaliação” (Lopes, 2011, pp. 204205). 51 Neste sentido, e tendo em consideração que se trata de uma metodologia de intervenção, para este projeto, foi essencial elaborar e dinamizar de forma sistemática atividades, que enquanto práticas educativas, depreendessem os gostos, interesses, mas tambem necessidades dos participantes. Tendo como propósito a promoção de um envelhecimento ativo, foram aplicadas tecnicas, a partir de um estilo ativo de prestação de serviços e com criterios organizativos centrados na atenção integral da pessoa. A animação sociocultural, possibilitou neste contexto, a melhoria da qualidade de vida, atraves da socialização, da manutenção das suas capacidades, do respeito pelos seus valores e memórias, otimizando a condição pessoal e social dos idosos. Jacob (2013), apresenta algumas tecnicas de intervenção, por meio da animação sociocultural, que utilizei como base para a composição das minhas atividades, ao longo do estágio. Animação física ou motora Jacob (2013, p.115), reconhece a animação motora como a “animação que tem por objetivo estimular a motricidade, o movimento e a atividade física atraves de jogos e atividades”. A oficina de estimulação física foi concebida, nesta lógica de dinamismo e promoção da atividade física, respeitando as capacidades motoras de cada pessoa. Animação cognitiva ou mental, incluindo a animação sensorial A animação cognitiva ou mental, “e a animação que tem por objetivo estimular a atividade cerebral e mental atraves de jogos e atividades” (Jacob, 2013, p.115). Assim, a oficina de estimulação cognitiva, e formada por um conjunto de atividades que pretendem manter o cerebro ativo, com a realização e exercícios de memória, orientação, atenção, linguagem, escrita e raciocínio lógico, preservando e promovendo a saúde cognitiva. Animação através da expressão plástica “A animação expressiva plástica visa proporcionar ao idoso a possibilidade de se exprimir atraves das artes plásticas e dos trabalhos manuais” (Jacob, 2013, p. 84). Por meio das oficinas de trabalhos manuais e comemoração de datas festivas, os idosos puderam dar largas à sua imaginação e criatividade atraves das várias formas de expressão, como a pintura, a costura, a colagem, a escultura, o recorte, entre outras. Animação através da expressão e da comunicação 52 Segundo Jacob (2013, p.89), “a animação expressiva atraves da comunicação oral e corporal e uma das principais formas de dar movimento e sentido às necessidades de ocupação dos idosos”. Partindo deste propósito, a oficina espiritual, instigou o desenvolvimento espiritual e religioso, conservando a identidade etica e crenças dos idosos. Animação lúdica “A animação lúdica tem por objetivo divertir as pessoas e o grupo, ocupar o tempo, promover o convívio e divulgar os conhecimentos, artes e saberes” (Jacob, 2013, p.102). Todas as atividades que enformam as oficinas, foram pensadas de um modo delineado e organizado, a fim de que a ocupação dos tempos livres dos idosos, se revelasse positiva e pedagógica. Assim, o lazer, entretenimento e diversão, convergiram na produção do conhecimento e fruição cultural. Destaco, a atividade marchas antoninas, que envolveu todos os participantes numa manifestação coletiva de arte e cultura popular famalicense. 3.3. Recursos mobilizados e limitações do processo 3.3.1. Recursos Mobilizados As várias atividades desenvolvidas no âmbito das oficinas deste projeto, foram antecipadamente planeadas e estruturas. Deste modo, desde o início do processo de intervenção foi necessário assegurar diferentes recursos, nomeadamente: físicos, humanos e materiais. Os recursos físicos dizem respeito aos locais onde o projeto se desenvolveu. A maioria das atividades foram desenvolvidas no espaço afeto ao Centro de Dia (Polivalente), que por ter uma dimensão generosa e com vários recursos, tornou-se no espaço ideal. Foi ainda utlizado o espaço exterior, nomeadamente, parque de merendas para a atividade ramos de oliveira, e o campo de jogos, para a atividade toca a mexer e os ensaios das marchas antoninas. Existiram ainda alguns espaços externos à instituição que foram utilizados, como o Pavilhão Municipal (atividade de cantar os reis), algumas ruas da freguesia de castelões (desfile de Carnaval) e o Centro Social da Paróquia X (desfile das marchas antoninas). Relativamente aos recursos materiais, foram vários. As atividades da oficina de estimulação cognitiva necessitaram de materiais como fotocópias (das dinâmicas elaboradas por mim), canetas, marcadores, lápis de cor, cartolinas, cola líquida, tesoura e ainda o computador e Televisão existentes no Centro de Dia. Para a oficina de trabalhos manuais, foi necessária tesoura normais e de poda, cola líquida e cola quente, papel esponja, pedaços de cartão, fitas de 53 cetim (várias cores), botões, arame, papel crepe (as cores que a instituição tinha), barras de barros e tintas específicas para barro. Na oficina espiritual foi utilizado, um telemóvel, uma coluna de música, os guiões com as dinâmicas por mim criadas impressos, alguns elementos eucarísticos (hóstias, vinho, missal, unção), velas, etiquetas (desenhas graficamente por mim e impressas) e o livro 31 dias com Maria. Já para a oficina de estimulação física, utilizaram-se cartolinas, marcador permanente, Kit Boccia (composto por 13 bolas e alvos de precisão), bastões, bolas de futebol, arcos, elásticos e cadeiras. A oficina de comemoração de datas festivas usou instrumentos musicais (viola, tambor, ferrinhos, reco-reco, cana da chuva), impressões, cartolinas, tintas, linhas de costuras, agulhas, folhas de árvores (caídas no jardim da instituição), computador e televisão do Centro de Dia, coluna de música, tubos de plástico, festão popular, cizal, braçadeiras de nylon, imagens impressas (logo do CSPC e Santo António), roupas de marchas (emprestadas pela Junta de Freguesia W). Por fim, quanto ao recursos humanos, estiveram envolvidos, a estagiária (em todos os momentos e em todas as oficinas), a educadora social responsável pelo centro de dia (em todas as atividades de estimulação cognitiva, da oficina de trabalhos manuais e na comemoração de datas festivas), o padre (nas atividades: partilha da luz da paz de belem, administração da santa unção, comunhão pascal e Maria, nossa mãe), os escuteiros da paróquia (atividade da partilha da luz da paz de belem), o professor de educação física da instituição (na atividade toca a mexer e nos ensaios das marchas antoninas), o professor de boccia (na atividade torneio de Boccia), a professora de música da instituição (nas atividades: cantar os reis e maria, nossa mãe), a fundação Y (na atividade barro na mão), e uma auxiliar de ação direta (em todos os momentos e em todas as oficinas). Importa mencionar que todos os recursos foram disponibilizados pela instituição. Em primeiro lugar, procurei utilizar aqueles que a instituição já tinha em sua pose, adaptando e reutilizando. Sempre que necessário, a instituição adquiriu os materiais que tinha em falta para a concretização das atividades. Existiram ainda materiais emprestados. 3.3.2. Limitações do Processo No que concerne às limitações do processo, o maior desafio do processo de intervenção ao longo deste projeto foi, sem dúvida, motivar o público-alvo a integrar as atividades e perceber a importância de continuar a aprender ao longo da vida e estar ocupado durante o dia, com 54 atividades ou tarefas que os tornam mais autónomos e ágeis. A maioria dos idosos frequenta o Centro de Dia porque, como dizem, não têm para onde ir, e não numa lógica ocupar o tempo com atividades, dinâmicas ou ate mesmo tarefas. Para muitos deles, em velho já não se aprende nada e, por isso, preferem passar o dia a ver televisão ou a descansar, ao inves de participarem em novas experiências, explorando novos saberes e adquirindo novas competências. Outro desafio foi lidar com a demência de alguns idosos, que frequentam o Centro de Dia. Embora no grupo com o qual trabalhei, apenas alguns utentes apresentavam algum tipo de demência, a minha intervenção teve de ser interrompida muitas vezes para ajudar e atender esses idosos. Alguns deles tiveram episódios mais agressivos, tentativas de se isolarem do resto do grupo, e houve ate um idoso que como já e hábito tentou fugir. Grande parte das vezes, a atividade que estava prevista para um determinado tempo de realização, raramente cumpria esse tempo determinado. Assim, tornou-se necessário ajustar tempos e ate mesmo tarefas a desempenhar na atividade, pois existiam idosos que nem sempre estavam dispostos a colaborar, e outros que não conseguiam estar presentes o tempo todo, por razões externas como fisioterapia, enfermagem, etc. Ainda que muitas destas situações específicas tenham sido superadas, não se pode deixar de notar que tudo isto interferiu no trabalho desenvolvido. A grande dificuldade que senti foi relativa ao melhor horário para executar as atividades. Os idosos deste projeto são bastante rotineiros, gostam de cumprir os horários das tarefas e afazeres diários, e mesmo com a própria logística da instituição, de transporte, serviço de refeições, higiene dos espaços e dos idosos, congestionou um pouco a minha intervenção. Da parte da manhã era complicado planear grandes atividades, porque nem todos os idosos chegam à mesma hora devido à logística de transporte, porque outros tinham higiene, porque existiam já algumas atividades da instituição e ainda porque às 11h00 gostam de assistir à missa e às 12h00 começavam a servir-se as refeições. Restava a parte da tarde, que tambem tinha alguns constrangimentos, como as idas à fisioterapia, a enfermagem e ainda a exigente rotina horária do lanche e dos transportes. A pandemia da COVID-19, revelou-se tambem uma limitação para o projeto. Apesar de as medidas de proteção e segurança estarem mais atenuadas, existem ainda algumas exigências que acabaram por congestionar o trabalho a desenvolver. A título exemplificativo, as higienes pessoais demoram bastante mais tempo, ocupando por vezes o período da parte 55 da tarde (momento ideal para a realização das atividades), devido às desinfeções constantes e mesmo à própria rotina que naturalmente emergiu. 3.4. Avaliação Todos os projetos devem possuir, inevitavelmente, um plano de avaliação , este plano e organizado conforme a natureza do projeto e e auxiliado por diferentes instrumentos que possibilitam a análise dos resultados e as consequências da intervenção realizada, permitindo uma correção e um melhoramento de alguns aspetos anteriormente definidos. As práticas avaliativas no campo da ação social ocorrem já há um seculo, assim depreende-se que “as experiências de avaliação atualmente existentes confrontam diferentes “gerações” ou “paradigmas de avaliação” que vão da “avaliação tecnocrática” à “avaliação processual” e, finalmente, à “avaliação participativa” dos nossos dias” (Guerra, 2002, p.182). A avaliação, de acordo com Guerra (2002, p.206), “e um instrumento fundamental de investigação ação, de apoio à decisão, de comunicação, alem de um instrumento pedagógico fundamental.” A avaliação de um projeto e relevante, uma vez que, permite compreender a credibilidade da ação desenvolvida. Para isso, e necessário criar um plano de avaliação organizado conforme a natureza do projeto, auxiliado por diferentes instrumentos que possibilitam a análise dos resultados e as consequências da intervenção realizada. Segundo Guerra (2002, p. 206) “avaliar e apreciar e ajuizar de forma rigorosa, lógica e coerente, o estado, a evolução e os efeitos de problemas, ações, dispositivos e organizações sobre os quais estamos a intervir.” Existem, segundo Guerra (2002, p. 206), duas características bases do plano de avaliação: a dinâmica e a participação. Assim, uma avaliação dinâmica implica a preparação previa da elaboração de instrumentos de avaliação, de forma que se tornem meios de orientação das ações. Uma avaliação participada garante uma melhor utilização e eficácia dos instrumentos preestabelecidos pelo investigador, dinamizando e consciencializado os participantes para o ato de avaliar. Aqui, os atores sociais, estão implícitos no ato de avaliar. Guerra (2002, p.195), identifica três momentos crucias no processo de avaliação, sendo eles a avaliação diagnóstica, a avaliação de acompanhamento (contínua) e a avaliação final. A avaliação diagnóstica pretende proporcionar elementos que permitam decidir se o projeto deve ou não ser implementado, assim como fazer uma análise de base à problemática em causa. Na avaliação de acompanhamento aprecia-se a forma de concretização do projeto, recorrendo a 56 elementos que permitam ajustar e corrigir lacunas. Por fim, com a avaliação final, mede-se os resultados e efeitos do projeto. Avaliar torna-se um ato de reflexão e racionalização, evidenciam-se factos, tomam-se decisões, permite adaptações e reajustes de acordo com as necessidades e as expectativas dos participantes. Neste sentido, avaliação trata-se de um instrumento de ação permanente e continuo, utilizado nas mais variadas fases do projeto. Importa ainda mencionar que avaliação participativa tem estado no foco dos projetos de intervenção, pois este modelo de avaliação permite resolver as questões de “multiculturalidade dos olhares sobre a condução dos processos sociais e a nova democraticidade que e exigida à ação pública” (Guerra, 2002, p.182). Desta forma, segundo a mesma autora, as participações públicas nos processos de avaliações são cruciais, uma vez que, possibilitam: Obtenção de um conhecimento local, ou seja, dentro do contexto de intervenção, dos problemas existentes; Desenvolvimento e verificação da eficácia de deteção e de previsão dos efeitos das novas ações sobre os sistemas; Estimulação do sentido de desenvolvimento local em projetos; Capacidade de reconciliação dos interesses locais contraditórios entre grupos sociais e a interpretação do interesse público vinculado pela administração; Redução das probabilidades de conflitos abertos entre grupos locais e os agentes dos projetos, atraves de um diálogo e o desenvolvimento de laços de corresponsabilidades entre os intervenientes; Desenvolvimento de consenso social. O presente projeto contou com três fases de avaliação: (1) a avaliação diagnóstica, (2) a avaliação continua e (3) a avaliação final. A avaliação diagnóstica “consiste essencialmente em estimar a amplitude a gravidade dos problemas que necessitam de uma intervenção e elaborar programas em função desses problemas (…)” (Guerra, 2002, p.196). Nesta fase inicial da avaliação recorri à observação direta, às conversas informais, à análise documental, ao inquerito por questionário e a análise SWOT. De uma forma abreviada, com a observação e as conversas informais compreendi as rotinas diárias, alguns problemas dos idosos, e observei os diversos espaços da instituição. A análise documental foi essencial para o conhecimento dos processos individuais dos idosos (saúde, atividades, comportamentos já registados), mas tambem da documentação interna da 57 instituição (legislação, objetivos, missão, valores, projeto educativo, regulamentos). O inquerito por questionário alem de aferir os dados sociodemográficos e pessoais dos participantes, permitiu compreender um pouco melhor a sua dinâmica pessoal, histórias de vida, gostos, interesses, expectativas e necessidades de cada um. Foi, então, atraves desta avaliação, que consegui perceber a problemática em estudo: pouca atividade dos idosos. Desta forma, foi possível perceber que era urgente desenhar atividades orientadas para as práticas do envelhecimento ativo. Alem disso, a variedade de interesses dos idosos, revelou a necessidade de criar dinâmicas diferentes e adaptadas aos vários gostos, a diversidade tronou-se no conceito chave deste projeto. Atraves da análise SWOT depreciei as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças do público-alvo e da instituição. Com a avaliação continua, segundo Guerra (2002, p.196) “pretende-se saber se os projetos de intervenção estão a atingir os grupos-alvos e se estão a assegurar os recursos e serviços previstos”. Neste sentido, a avaliação deu-se de um modo continuo e permanente, ou seja, diariamente na intervenção, e em especial na implementação das atividades. Registei diariamente no diário de bordo, as tarefas que realizava, os procedimentos para aplicação das atividades, as reações e comentários dos idosos e ainda auscultações pertinentes. Assim, foi possível a adesão ou não adesão às atividades, compreender se os idosos estavam a gostar, se as dinâmicas se enquadravam nos seus interesses e sobretudo necessidades. Foi possível, desta forma, fazer um balanço continuo, bem como pequenos ajustes que permitiram dar continuidade positiva à implementação do projeto. A observação direta foi, tambem, um instrumento importante nesta fase da avaliação. Atraves da expressão não verbal e corporal, dos comportamentos e das reações dos idosos ao longo das atividades, foi possível apreciar o interesse e entusiamo dos mesmos. As conversas informais, ainda que não planeadas, foram úteis para perceber a utilidade e adaptabilidade das mesmas. Por fim, com o intuito de avaliar a forma como o projeto promoveu as mudanças desejadas, por um lado, e, por outro lado, conhecer a sua eficácia e os resultados alcançados, realizei uma avaliação final. Segundo, Guerra (2002, p.197) a avaliação final “e geralmente, uma avaliação de objetivos ou de resultados que pretende verificar os efeitos do projeto no fenómeno social com que se pretendia lidar. Esta avaliação ocorreu por meio de um inquerito por questionário, que teve como primordial objetivo os participantes avaliarem o projeto como um todo, ou seja, as atividades desenvolvidas e o meu desempenho enquanto dinamizadora das mesmas. Alem disso, os feedbacks dos idosos, atraves de todas as conversas informais, 58 permitiam compreender se o trabalho desenvolvido tinha ido ao encontro dos objetivos traçados para esta intervenção e, sobretudo, se eles achavam as dinâmicas úteis, pertinentes e adequadas ao contexto. De um modo geral, os idosos gostaram de participar nas atividades desenvolvidas durante o projeto, bem como consideram positiva e harmoniosa a relação criada e a postura da estagiária durante os meses de permanência na instituição. CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DO PROCESSO DE INTERVENÇÃO/INVESTIGAÇÃO 4.1. Apresentação e descrição das atividades O presente projeto foi composto por um conjunto de atividades, desenvolvidas por meio da constituição de diversas oficinas. A opção pelo desenho destas atividades não foi feita ao acaso, antes teve por base a análise diagnóstica realizada, atendendo não só aos gostos, interesses, necessidades e expectativas do público-alvo, mas tambem aos recursos e às oportunidades da instituição. As atividades foram agrupadas em diferentes oficinas, consoante as áreas de desenvolvimento a atingir e tendo como foco a promoção de um envelhecimento ativo. Neste sentido, o projeto e constituído por cinco (5) oficinas: (1) oficina de estimulação cognitiva; (2) oficina espiritual; (3) oficina de estimulação física; (4) oficina de trabalhos manuais e (5) comemoração de datas festivas. Segue-se a descrição detalhada de cada oficina, bem como das diversas atividades desenvolvidas no âmbito deste projeto. 4.1.1. Oficina de Estimulação Cognitiva A oficina de estimulação cognitiva teve como principal objetivo minimizar consequências advindas de determinados quadros clínicos, mas tambem do próprio processo de envelhecimento. Para isso, foram elaboradas atividades que promovessem e estimulassem a preservação e manutenção das capacidades cognitivas dos idosos, numa vertente lúdica e dinâmica. As atividades desenvolvidas neste âmbito encontram-se descritas nas tabelas que se seguem. 59 Tabela 4 - Atividade nº1 - Dominó das categorias Atividade nº1 – Dominó das categorias Data: 07/03/2023 Duração: 14h00 às 15h45 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia, mesas e cadeiras Peças de jogo impressas e tesoura Estagiária Objetivos da Atividade Estimular o raciocínio Identificação da categoria e correspondência correta entre conceitos da mesma categoria Descrição da Atividade Para esta atividade, as peças de jogo já impressas e cortadas pelos idosos foram colocadas em cima da mesa, viradas para baixo e baralhadas. Em seguida, foram distribuídas dez peças para cada idoso, sendo que as restantes serviram como um banco, ao qual os idosos poderiam recorrer sempre que necessário. Iniciou o jogo, o idoso com a peça que continha duas palavras da mesma categoria. O idoso sentado à sua esquerda identificou a categoria presente e, de entre as suas peças, colocou a que corresponde à categoria presente na peça colocada pelo primeiro idoso a jogar. Seguiu-se esta lógica, sendo que sempre que o jogador não tivesse uma peça adequada poderia recorrer ao banco de peças. Venceu o idoso que conseguiu utilizar a totalidade das suas peças em primeiro lugar. Avaliação da Atividade De uma forma global, os idosos gostaram da atividade. Existiu uma competição amigável, que deu animo ao jogo. Houve ainda idosos que se ajudaram mutuamente, e outros que sentiram alguma dificuldade na identificação das categorias. Tabela 5 - Atividade nº2 - Conhecimento à prova Atividade nº2 – Conhecimento à prova Data: 28/03/2023 Duração: 14h00 às 16h00 Recursos Físicos Materiais Humanos 66 A atividade partiu da sugestão de alguns idosos, que mesmo não tendo doenças graves, acharam por bem a administração do sacramento da Santa Unção, sobretudo a alguns idosos do Lar. Assim, a estagiária convidou o padre residente no Lar da Instituição, e em conjunto com a Educadora Social, preparam uma eucaristia, administrando a Santa Unção. O Padre fez ainda uma reflexão acerca do tema na homilia. Avaliação da Atividade De uma forma global, os idosos gostaram muito da atividade. Os idosos gostaram do facto de a sugestão deles ter sido concretizada, de tambem dar oportunidade a alguns idosos do Lar de participarem, e sobretudo, da mística que envolve este sacramento, tão importante nesta fase da vida de um cristão. Tabela 13 - Atividade nº 10 - Comunhão Pascal Atividade nº10 – Comunhão Pascal Data: 03/04/2023 Duração: 14h30 às 15h30 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia, cadeiras e capela Elementos eucarísticos (missal, hóstias e vinho) Estagiária, educadora social, 1 auxiliar de ação direta e padre Objetivos da Atividade Celebração da ressurreição de Jesus Cristo Promover um momento de oração e penitência Descrição da Atividade Para os cristãos, a Páscoa e uma grande celebração, comemorando-se a ressurreição de Jesus Cristo. Assim, atendendo a este valor fortemente defendido pelos idosos do Centro de Dia, esta atividade, teve como propósito central uma eucaristia, dedicada à oração e penitência. A eucaristia foi presidida pelo padre do Lar da instituição, e o público-alvo deste projeto, preparou o espaço, decorando com desenhos que pintaram, e com outros materiais já existentes na instituição. Avaliação da Atividade De uma forma global, os idosos gostaram muito da atividade, como mencionou uma idosa “a missa foi muito bonita”. Todos os idosos gostam das celebrações eucarísticas, sobretudo com temáticas importantes, como o caso da Páscoa. 67 Tabela 14 - Atividade nº 11 - Maria, nossa mãe Atividade nº11 – Maria, nossa mãe Data: 08/05/2023, 15/05/2023, 22/05/2023 e 29/05/2023 Duração: 14h30 às 15h30 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia Terço, Livro 31 dias com Maria Estagiária Objetivos da Atividade Promover a recitação do Terço Celebração do Mês de Maria Contribuir para o aprofundamento da fe Descrição da Atividade Esta atividade teve como foco a celebração do Mês de Maria, atraves da recitação do terço. Assim, com o auxílio do livro 31 dias com Maria, a estagiária na primeira segunda-feira de cada mês, dinamizou um momento de devoção a Nossa Senhora, recitando o terço, lendo os misterios e cantando músicas. A atividade desenvolveu-se, desta forma, em 4 sessões. Avaliação da Atividade Os idosos gostaram muito da atividade. O mês de maio para os cristãos e um mês dedicado à devoção a Nossa Senhora, assim, ter a oportunidade de no Centro de Dia recitarmos o terço, animando com músicas e refletindo com a leitura dos misterios foi “uma atividade muito bonita, que gostei muito de participar”, como mencionou uma idosa. 4.1.3. Oficina de Estimulação Física A oficina de estimulação física pretende uma redução dos efeitos adversos do processo de envelhecimento, podendo ate ser considerada sinonimo de melhoria da capacidade funcional e potenciar um aumento da qualidade de vida. As atividades realizadas têm como propósito melhorar os índices de autonomia e independência, diminuir o sedentarismo, fomentar a motricidade, a coordenação, e sobretudo a mobilidade. 68 Tabela 15 - Atividade nº 12 – Dá gosto caminhar em Castelões Atividade nº12 – Dá gosto caminhar em Castelões Data: 15/02/2023, 27/02/2023, 09/03/2023, 29/03/2023, 26/03/2023, 24/05/2023, 06/06/2023 Duração: 15h00 às 15h30 Recursos Físicos Materiais Humanos Espaço externo à instituição (freguesia de Castelões) Esta atividade não necessitou de material Estagiária e uma auxiliar Objetivos da Atividade Desenvolver a estimulação motora Proporcionar o divertimento, o bem-estar, o convívio e a confraternização entre utentes Proporcionar atividades no exterior da instituição Descrição da Atividade A presente atividade foi realizada com todo público-alvo. Numa fase inicial do projeto apercebi-me que alguns idosos tinham por hábito caminhar pelo jardim e parque de estacionamento da instituição. Assim, no sentido de promover a atividade física, por meio da caminhada, mas tambem conhecer um pouco melhor a freguesia de Castelões sempre que as condições meteorológicas o permitiam, bem como a disposição dos idosos, realizava-se uma caminhada de cerca de meia hora. Esta foi uma atividade centrada principalmente na estimulação das capacidades físicas e motoras. Avaliação da Atividade No geral, a atividade correu muito bem, os idosos estavam entusiasmados, alem da caminhada, era momento de pôr a conversa em dia e de reencontrar colegas. Os idosos residentes na freguesia gostaram de mostrar os vários locais, bem como partilhar as suas histórias. O feedback foi sempre positivo. Tabela 16 - Atividade nº 13 - Torneio de Boccia Atividade nº13 – Torneio de Boccia Data: 20/02/2023 Duração: 14h30 às 17h00 Recursos Físicos Materiais Humanos 69 Sala afeta ao Centro de Dia Kit Boccia (13 bolas e alvos de precisão), 1 cartolina e 1 marcador permanente Estagiária e professor de Boccia Objetivos da Atividade Aumento da capacidade de concentração, do equilíbrio e da coordenação motora Melhoria da mobilidade articular, da força muscular e da motricidade fina Promoção de uma competição saudável Descrição da Atividade Para esta atividade, o professor que semanalmente dá aulas de Boccia da instituição, dividiu o público-alvo em dois grupos, formando duas equipas de jogo. Em seguida, em conjunto com a estagiária demarcou o campo de jogo e desenharam uma tabela na cartolina para registo das pontuações. Foram explicadas as regras de jogo, e iniciou-se assim o torneio de Boccia, com vários exercícios e metas a alcançar. Avaliação da Atividade A atividade foi muito bem-sucedida! Os idosos gostam bastante da prática da modalidade de Boccia, ainda mais, quando se trata de uma pequena competição saudável. Importa tambem mencionar que um idoso se exaltou um pouco, ainda que controlado pelo professor, por causa das pontuações. Tabela 17 - Atividade nº 14 - Toca a Mexer Atividade nº14 – Toca a Mexer! Data: 22/03/2023, 19/04/2013, 24/05/2023 Duração: 15h00 às 16h00 Recursos Físicos Materiais Humanos Campo de jogos Bastões, bolas, arcos, elásticos e cadeiras Estagiária e professor de educação física Objetivos da Atividade Promoção da atividade física Combate ao sedentarismo Otimização de capacidades psicomotoras Descrição da Atividade 70 Esta atividade, organizou-se em três sessões. Cada sessão foi composta por um conjunto de exercícios que cada idoso realizou, conjugando diferentes materiais, realizado de forma ativa (em pe e em movimento), ou de forma passiva (sentado), respeitando as capacidades motoras de cada pessoa. Os vários exercícios foram planeados e executado com o auxílio do professor de educação física da instituição. Sessão 1 Data: 20/02/2023 Duração: 15h00 às 16h00 Recursos Materiais: Bastões e Arcos Objetivos: Promover o movimento da cintura escapular (ombros) Promover a capacidade visuomotora e o equilíbrio Descrição da Sessão: Os idosos dispuseram-se no campo, e seguindo as indicações do professor de educação física executaram dois exercícios. No primeiro exercício, tinham de segurar o bastão ao nível da cintura escapular (ombros), com as palmas das mãos viradas para baixo e elevar os membros superiores em extensão por cima da cabeça. Para o segundo exercício, os idosos estavam a segurar a bola ao nível do peito e em seguida lançar a bola ao ar e agarrar a mesma com as duas mãos. Os exercícios repetiram-se várias vezes, com pausas estrategicas pelo meio. Sessão 2 Data: 19/04/2023 Duração: 15h00 às 16h00 Recursos Materiais: Arcos e elásticos Objetivos: Promover a capacidade visuomotora, ritmo e equilíbrio Promover o movimento das articulações da cintura escapular (ombros) e músculos dos membros superiores Descrição da Sessão: Os idosos dispuseram-se no campo, e seguindo as indicações do professor de educação física executaram dois exercícios. Para o primeiro exercício, os idosos colocaram-se com os apoios à largura dos ombros e tronco 71 direito. Depois atiravam o arco ao ar e tinham de agarrá-lo com a mão lançadora. No segundo exercício, na mesma com os apoios à largura dos ombros e o tronco direito, tinham de segurar o elástico com as duas mãos e esticar o mesmo ate onde a amplitude articular o permitir. Os exercícios repetiram-se várias vezes, com pausas estrategicas pelo meio. Sessão 3 Data: 24/05/2023 Duração: 15h00 às 16h00 Recursos Materiais: Cadeiras Objetivos: Reduzir a tensão muscular Diminuir o risco de lesões músculo-tendinosas (tendinite) Descrição da sessão: Os idosos dispuseram-se no campo, e seguindo as indicações do professor de educação física executaram três exercícios. Para o primeiro exercício foi necessário entrelaçar os dedos e colocar as palmas das mãos viradas para a frente do corpo. De seguida, efetuar extensão dos membros superiores. No segundo exercício, entrelaçar os dedos e colocar as palmas das mãos acima da cabeça. De seguida, efetuar extensão dos membros superiores. Para o terceiro exercício, entrelaçar os dedos com as palmas das mãos viradas para cima. De seguida, com os membros superiores elevados acima da cabeça, inclinar para a direita r depois para a esquerda. Após 10/15 segundos, efetuar o mesmo exercício para o outro lado. Os exercícios repetiram-se várias vezes, com pausas estrategicas pelo meio. Avaliação da Atividade No geral, a atividade correu bem e os idosos estavam entusiasmados. Alguns idosos sentiram alguma dificuldade em realizar certos exercícios, fruto das suas dificuldades motoras, mas tambem da sua vontade. No final, alguns desmontaram cansaço. 4.1.4. Oficina de Trabalhos Manuais Esta oficina teve como intenção executar atividades com as mãos, criando peças ou produtos por meio de processos completamente manuais. Cada peça, à semelhança dos idosos, e única. Refere-se assim a um conjunto de atividades que promovem as competências necessárias para manusear um objeto, ou seja, realizar movimentos minuciosos. 72 As atividades desenvolvidas permitiram o desenvolvimento da criatividade e da imaginação, expressos atraves da expressão plástica. Nas tabelas seguintes, estão evidenciadas as atividades realizadas nesta oficina. Tabela 18 - Atividade nº 15 – Botas de Natal Atividade nº15 – Botas de Natal Data: 05/12/2022, 06/12/2022, 07/12/2022 Duração: 14h30 às 15h45 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia Tecidos variados, cola quente, papel esponja brilhante, marcadores, botões, linha e agulha Estagiária e educadora social Objetivos da Atividade Estimular a criatividade e concentração Desenvolver a precisão Executar movimentos com controlo e destreza Descrição da Atividade Esta atividade teve como finalidade a elaboração de botas de Natal, com materiais recicláveis. Todo o público-alvo colaborou, nas mais variadas tarefas, realizando cerca de 6 botas. Estas botas de Natal únicas, foram colocadas na árvore de Natal do Município de Famalicão. Avaliação da Atividade De um modo geral, os idosos gostaram de realizar atividade. Havia alguns, sobretudo as mulheres, com mais destreza, gosto e ideias para a conceção das botas. Os homens ajudaram mais na parte dos recortes e da colagem. Após o trabalho, os idosos ficaram muito contentes por verem as suas botas expostas na árvore do município. Tabela 19 - Atividade nº 16 - Coração de Pai Atividade nº16 – Coração de Pai Data: 16/03/2023 e 17/03/2023 Duração: 14h30 às 15h45 73 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia Cola líquida, cartolina, tesoura, marcadores e botões Estagiária e educadora social Objetivos da Atividade Desenvolver a criatividade Estimular a expressão plástica Descrição da Atividade Para esta atividade, atraves da expressão plástica, todo o público-alvo elaborou um coração, que retrata a camisa de homem. Dentro do coração, foi escrito pela estagiária uma mensagem dedica ao Pai, mensagem esta dita pelos idosos. Utilizaram-se materiais variados, disponibilizados pela instituição, e que a partida já não teria utilidade. No final, todos os corações foram expostos na entrada da instituição, em modo estendal. Avaliação da Atividade De um modo geral, o público-alvo gostou da atividade. Existiram alguns idosos com dificuldade em fazer o coração, tendo por isso que intervir algumas vezes. Gostaram particularmente do facto de criar a mensagem que depois foi escrita no coração e de no final expores os corações junto da entrada da instituição. Tabela 20 - Atividade nº 16Ramos de Oliveira Atividade nº16 – Ramos de Oliveira Data: 28/03/2023, 29/03/2023 e 30/03/2023 Duração: 14h30 às 15h45 Recursos Físicos Materiais Humanos Parque de merendas Papel crepe, tesoura, arame, cartões com mensagem, pequenos ramos de oliveira Estagiária e educadora social Objetivos da Atividade Desenvolver a criatividade e imaginação Estimular a destreza Descrição da Atividade 74 Esta atividade surgiu no âmbito do Domingo de Ramos e consistiu na elaboração de pequenos ramos de oliveira, com uma flor de papel e um cartão com uma mensagem. Foram divididas tarefas pelos idosos, sendo que os homens ficaram responsáveis por separar caninhos de oliveira e cortar o arame, enquanto as mulheres fizeram pequenas flores em papel crepe. De seguida, em conjunto elaboraram pequenos ramos, juntando os canos e prendendo com os arames. Para decorar, adicionaram as flores de papel e os cartões que foram desenhados graficamente por mim. Avaliação da Atividade De um modo geral, os idosos gostaram muito da atividade. Foi uma atividade diferente, à qual deram muito valor, por cada um ter a sua tarefa definida e todos poderem colaborar na construção dos ramos. A construção das flores foi difícil para algumas idosas, sendo por isso necessário adaptar o molde da flor para algo mais simples. Tabela 21 - Atividade nº 17 - Botões de Rosa Atividade nº17 – Botões de Rosa Data: 04/05/2023 Duração: 14h30 às 15h45 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia, mesas e cadeiras Papel crepe e tesoura Estagiária Objetivos da Atividade Desenvolver a criatividade e imaginação Fomentar a concentração Estimular a motricidade fina Descrição da Atividade Esta atividades consistiu na elaboração de botões de rosa, atraves da tecnica de origami, utilizando papel crepe. Inicialmente foram recortados vários quadrados no papel crepe existe de várias cores. De seguida, a estagiária explicou passo a passo o processo de construção do origami, como exemplifica a imagem. 75 No final, as rosas foram colocadas na capela da instituição, junto à imagem de Nossa Senhora. Avaliação da Atividade De um modo geral, os idosos gostaram da atividade. Mesmo com alguma dificuldade, com as minhas orientações e ajustes, foi possível elaborar cerca de 20 rosas. Os idosos homens preferiram cortar o papel, do que aplicar a tecnica origami. Tabela 22 - Atividade nº18 - Barro na mão Atividade nº18 – Barro na mão Data: 19/10/2022; 19/12/2022 e 08/02/2023 Duração: 14h30 às 16h00 Recursos Físicos Materiais Humanos Sala afeta ao Centro de Dia, mesas e cadeiras Pasta de modelar, tintas e pinceis Estagiária, educadora social e equipa de artesãos da Fundação Y Objetivos da Atividade Trabalhar a flexibilidade e o domínio motor Aumentar a coordenação Melhorar a capacidade de autoexpressão Descrição da Atividade 82 diferentes daquelas que costumamos fazer”, outro afirmou “diverti-me muito com os jogos” e ainda sentiram que o tempo foi bem ocupado “ocupamos o tempo de uma forma muito melhor”. Relativamente à terceira questão – “Existiu alguma atividade que lhe tenha ficado na memória? Se sim, qual?” – os dez idosos responderam que “sim”. Quatro deles fizeram alusão à atividade Maria, nossa mãe , enquadrada na oficina espiritual, dizendo “quando recitamos o terço”; “aquela missa em que os escuteiros deram a luz”, referindo-se à atividade Partilha da LPB , da oficina espiritual; “o menino que fizemos em barro” e “as pecinhas de barro”, fazendo alusão à atividade Barro na mão , da oficina de trabalhos manuais; “o filme sobre os discípulos de Jesus”, referindo-se à atividade No caminho de Emaús , inserida na oficina de estimulação cognitiva; “adorei as marchas”, atividade Marchas Antoninas, da oficina de comemoração de datas festivas e, por fim, “aquelas atividades de ginástica”, referindo-se às atividades desenvolvidas no âmbito da oficina de estimulação física. Acerca da quarta questão – “Considera a postura da estagiária positiva durante a permanência na instituição, especialmente na implementação das atividades?” – todos os idosos responderam “sim”. Ao pedir um maior esclarecimento, alguns mencionaram “sempre muito simpática”, “a Inês e muito querida”, “as atividades que a Inês preparou para nós foram muito boas”, “os jogos que fez eram muito divertidos” e “tinha muito jeito para as atividades espirituais”. Quanto à quinta questão – “Sentiu o apoio necessário na realização das atividades por parte da estagiária?” – os dez utentes responderam que “sim”, mencionando ainda que “sempre que não percebia, ela explicava outra vez”, “puxava por nós” e “ouvia sempre a nossa opinião”. Na sexta questão – “Voltaria a realizar estas atividades?” – todos responderam “sim”, afirmando que “as atividades foram muito boas”, “claro que sim” e ainda, “podiam se fazer mais destas atividades cá no centro”. Por fim, na setima e última questão, - “As atividades que realizou ajudaram de alguma forma a melhorar o seu dia a dia, a sua rotina? Sentiu-se mais ativo/a física e mentalmente?” – nove idosos responderam “sim” e um “mais o menos”. Procurando entender melhor estas respostas, questionei os idosos, sendo que alguns afirmaram “ocupamos muito melhor o tempo”, “senti que fazia coisas interessantes”, e o idoso que respondeu “mais o menos”, afirmou que “as atividades ate eram boas, mas não sei se estou mais ativo”. 83 A observação direta e as conversas informais, tecnicas de intervenção, utilizadas como auxílio e complemento importante à avaliação deste projeto, permitiram uma melhor compreensão e um conhecimento mais aprofundado do nível de satisfação dos participantes. Foi ainda possível apreciar o interesse e entusiamos do público-alvo, aquando da implementação das atividades, bem como, depreender com profundidade a opinião face à eficácia do projeto, uma vez que, foi notória a dificuldade em responder de forma completa às questões do inquerito por questionário. Ao nível das atividades que deram corpo a este projeto, importa começar por referir que a educadora social demonstrou grande abertura e confiança para que as elaborasse autonomamente. Relativamente aos idosos, desde o princípio que se mostraram bastante interessados em colaborar, quer dando ideias de atividades ou temáticas a trabalhar, quer ao nível da aquisição dos materiais e da própria dinâmica e trabalho em grupo. Considerando a panóplia de interesses do público-alvo, optei por criar cinco oficinas que conjugassem os gostos, interesses, necessidades e potencialidades dos idosos, da instituição, mas tambem a gene do projeto de intervenção, bem como os objetivos delineados. O conjunto das oficinas criam uma resposta positiva à promoção do envelhecimento ativo, contemplando o estímulo cognitivo e físico, os trabalhos manuais e a comemoração de festividades, e ainda a espiritualidade. Os idosos demonstraram uma satisfação geral positiva face às oficinas, sendo que todos responderam “sim” à questão referente à repetição das atividades. Alem disso, posso afirmar que a oficina pela qual nutriram maior interesse foi a oficina espiritual, pois por um lado na questão “Existiu alguma atividade que lhe tenha ficado na memória”, cinco idosos fizeram menção a atividades desta oficina, e por outro, na realização das atividades foi evidente o entusiasmo, a alegria e a envolvência do público-alvo. As atividades desenvolvidas ao longo deste projeto de intervenção contribuíram para que os idosos se sentissem mais ativos, ajudando na manutenção das suas capacidades básicas, bem como, na gestão das atividades de vida diárias. No fundo, conseguiu-se promover a autonomia e independência, procurando dar resposta às necessidades retratadas pelos idosos, numa lógica de participação e envolvência, na promoção do bem-estar e da qualidade de vida. Afirmo, desta forma, que as atividades foram ao encontro dos objetivos delineados e do âmbito do estágio curricular. 84 Promover o envelhecimento ativo foi uma das a prioridades centrais deste projeto. Foram nesta ótica delineadas atividades que estimulem diferentes áreas, como a cognitiva, a física e a criativa, de uma forma singular e de escuta ativa. Existiu a preocupação de corresponder aos interesses dos participantes, envolvendo-se a animação sociocultural para alem de uma vertente apenas ocupacional, sem objetivos ou metas, ambicionando uma perspetiva de intervenção, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos. Instigar o diálogo e a partilha entre idosos foi alvo de especial atenção no decorrer do projeto. A criação de atividades para todos, onde todos pudessem dar o seu contributo, expondo opiniões e ideias, permitiu uma maior atenção ao idoso e à criação de momentos de socialização e de partilha. Fomentou-se a interação social do idoso, a revitalização de pensamentos e a troca de ideias em grupo. Valorizar as capacidades, interesses e valores dos idosos revelou-se igualmente uma prioridade. Houve a preocupação de conhecer e compreender cada idoso, a sua história de vida, os hábitos, gostos e interesses pessoais. Assim, cada atividade priorizou a conservação dos seus valores e crenças, valorizando as suas aptidões no sentido de viverem melhor e ocuparem mais produtivamente o seu tempo, instigando vivências e aprofundando competências. Por fim, fazendo uma retrospetiva e um balanço do trabalho desenvolvido, considero que as estrategias adotadas ao longo do estágio curricular contribuíram para a promoção do envelhecimento ativo dos idosos do Centro de Dia do CSPC, fazendo-se cumprir o propósito deste projeto. CONSIDERAÇÕES FINAIS O envelhecimento da população e um desafio da humanidade, devido às suas consequências sociais, económicas e políticas. Perante o envelhecimento progressivo da população, a sociedade civil e o Estado têm-se vindo a organizar e a criar condições para melhorar a qualidade de vida dos que envelhecem. Daí a emergência das respostas sociais institucionalizadas, local privilegiado para o fomento da educação ao longo da vida, nomeadamente para a animação de adultos idosos. “Senior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo”, espelha a importância de intervir junto dos mais velhos, por meio de estrategias participativas que procuram o aumento da qualidade de vida e bem-estar. 85 Com o desenvolvimento do projeto, após a sua implementação e avaliação, e possível afirmar que a finalidade foi atingida e que os resultados foram bastante positivos. Este sucesso deveu-se essencialmente ao facto de o projeto ter sido desenhado conforme os gostos, os interesses, as necessidades e as potencialidades do público-alvo. Importa referir que nenhuma intervenção, por si só, produz um resultado matematicamente correto, pois trabalha-se com pessoas heterogenea, que, pela sua história de vida, têm determinantes particulares que exigem a adaptação às circunstâncias e aos diferentes tempos de cada um. O verbo “adaptar” tornou-se, por isso, recorrente neste estágio, pela necessidade de realizar ações de acordo com o idoso, ou seja, pela necessidade de se ser flexível, de ajustar a atividade em função da disposição, interesse e motivação do idoso. Inicialmente, ainda que com aparente entusiamo, os idosos participantes eram sedentários, fortemente ligados às rotinas, e estavam constantemente sentados e a ver televisão. Com o decorrer da intervenção, após muitas conversas, trocas de opiniões e alguma auscultação, notei uma certa ambição e interesse em participar nas atividades, muitas vezes sugeridas por eles. Desde o início que as atividades de cariz espiritual foram as que despertaram maior interesse e, por isso mesmo, procurei atraves deste tema desenvolver e estimular outras áreas pormenorize em 1 ou 2 linhas. À medida que as atividades foram implementadas, a motivação e o interesse do público-alvo foi aumentando. O entusiasmo que sentiram enquanto estavam ocupados foi evidente, assim como a atenção e o interesse que demonstraram. Durante os meses de permanência na instituição, a intervenção primou pela valorização dos conhecimentos, das emoções e dos interesses dos idosos, o que resultou na relação empática e no respeito pelo outro. O respeito pelo outro foi decisivo, sobretudo na questão da não participação por sua vontade, independentemente da razão, ou do simples não querer. Numa retrospetiva pessoal, desde muito jovem que vivo sob o ideal do serviço e a crença de que a minha felicidade passa por fazer aqueles que me rodeiam felizes. Esta divisa despertou em mim uma necessidade de intervir junto das pessoas, por meio da educação. Senti que este projeto foi um vultoso desafio, pois exigiu que me colocasse à prova, pelo esforço de conciliar a vida pessoal, social e academica, não privando o rigor, a exigência e o esforço na investigação. Poder trabalhar com idosos foi uma experiência única: penso que cresci enquanto profissional, mas sobretudo enquanto pessoa, pois recebi tanto ou mais quanto dei. As diferentes histórias de vida, os saberes e as experiências de cada idoso, culminaram na perceção da educação como 86 um processo que visa o desenvolvimento humano em todas as suas facetas. Assim, apercebi-me de que educação de adultos deve ir alem dos aspetos formais e academicos para levar a uma compreensão da pessoa humana como um sujeito que procura o seu desenvolvimento holístico, enquanto ator social. Em termos institucionais, o impacto causado pela implementação deste projeto foi positivo e significativo, tanto para com os idosos intervenientes, como para outros idosos da instituição, que, algumas vezes, solicitaram a participação nas atividades. Durante todo o processo de intervenção, à medida que fui implementando as atividades, os idosos encararam a mudança de rotina de uma forma mais positiva, ocupando o seu tempo livre de uma forma diferente e útil. As dificuldades sentidas na implementação do projeto fizeram-me concluir que, independentemente do contexto e da prática de intervenção, existem sempre dificuldades e realidades desconhecidas que nos colocam à prova e nos fazem pensar e redimensionar as nossas ações. O meu conhecimento aumentou notoriamente, pois foi possível passar da teoria à prática, do papel à ação, numa lógica bidimensional de aplicação de conhecimentos e respostas à intervenção concreta e adequado ao problema que se pretendia resolver. Percebi que no mundo da educação tudo está em constante e galopante transformação, que não me posso limitar a ser uma educadora passiva, que e crucial o desprendimento do nosso próprio casulo, objetivando e perspetivando novas soluções. Ainda existe um longo caminho a percorrer no que toca à educação e intervenção com adultos idosos, mas estou certa de que projetos como este estimulam a educação ao longo da vida, valorizam as pessoas e abrem horizontes a esta realidade social emergente. 87 BIBLIOGRAFIA REFERENCIADA Anica, A., Almeida, A. F. D., Ribeiro, C. M., & Sousa, C. (2014). Envelhecimento ativo e educação. Envelhecimento ativo e educação . Ander-Egg, E. (1987). Metodología y práctica del desarrollo de la comunidad . Hvmanitas. Ander-Egg, E. (2000). Metodología y práctica de la animación sociocultural. Editorial CCS. Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação – uma introdução à teoria e aos metodos.Porto Editora. Centro Social da Paróquia de Castelões. 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Acesso a 23 de dezembro de 2022. 89 WHO (2002) Active Ageing: a policy framework . World Health Organization. World Health Organization. (2005). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. In Envelhecimento ativo: uma política de saúde . 90 APÊNDICES Apêndice 1 – Inquerito por Questionário | Diagnóstico QUESTIONÁRIO Este questionário foi desenvolvido no âmbito do Mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, na Universidade do Minho. O primordial objetivo deste questionário e conhecer e identificar as necessidades, interesses, expectativas e potencialidades dos participantes, para uma conceção mais ajustada de um plano de intervenção. Toda a informação recolhida e destinada a fins academicos e estritamente confidencial e anónima. Grata pela sua colaboração! Inês Martins Caracterização Sociodemográfica 1. Sexo Feminino Masculino 2. Idade: _______ 3. Estado Civil Casado/a Solteiro/a Divorciado/a Viúvo/a 4. Habilitações Literárias Sem escolaridade 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo Ensino Secundário Ensino Superior 5. Sabe ler? Sim Não 6. Sabe escrever? Sim Não 7. Que profissão, ou profissões, exerceu? ____________________________________ 8. Em que freguesia reside? ______________________________________________ 9. Com quem vive? ____________________________________________________ 91 Determinantes Pessoais 10. Tem dificuldades em movimentar-se? Sim Não 11. Tem alguma doença? Sim Não 11.1. Se sim, qual? __________________________________________________ Caracterização e desenvolvimento de atividades 12. Como costuma ocupar o seu tempo no Centro de Dia? __________________________ 13. Costuma participar nas atividades que são realizadas pelo Centro de Dia? Sim Não 13.1. Se participa. Quais são as atividades que mais gostas de participar no Centro de Dia? ___________________________________________________________________ 13.2. Se não participa. Qual o motivo? _____________________________________ 14. Em que atividades gostavas de participar neste projeto? Trabalhos Manuais Espirituais Estimulação Cognitiva Estimulação Física Leitura Saúde Outro: _____________________________________________________ Apêndice 2 – Inquerito por Questionário | Avaliação Final QUESTIONÁRIO Avaliação Final Este inquerito por questionário destina-se aos idosos do Centro de Dia do CSPC, participantes do projeto de investigação e intervenção “Senior Feliz: um projeto de promoção do envelhecimento ativo”, realizado no âmbito do estágio curricular inserido no segundo ano do Mestrado em Educação, área de especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária. Tem como finalidade recolher dados relativos à satisfação geral face ao projeto tanto em termos de atividades realizadas como da própria estagiária. Toda a informação recolhida e destinada a fins academicos e estritamente confidencial e anónima. 98 Anexo 4 – Autorização da identificação do CNE