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CENTRO DE COMPETÊNCIA NÓNIO SÉCULO XXI DA UNIVERSIDADE DO MINHO Organizadores Paulo Dias Cândido | Varela de Freitas
Ficha Técnica © 2005 Paulo Dias | Cândido Varela de Freitas (Orgs.) 1ª edição | Maio 2005 | Tiragem 500 exemplares ISBN 972-8746-13-05 | Depósito Legal 203480/05 Produção Linkdesign, Lda. Apoios Universidade do Minho Programa Nónio Séc. XXI/ME Areal Editores Fundação para a Ciência e Tecnologia Fundação Calouste Gulbenkian Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo Porto Editora CIEd – Centro de Investigação em Educação Edição Centro de Competência Nónio Sec. XXI Universidade do Minho Rua Abade da Loureira 4700-356 Braga
PROJECTO LETHES/PENEDA-GERÊS: EDUCAÇÃO/INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA E AMBIENTAL COM AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO Carlos Manuel Ribeiro da Silva Universidade do Minho [email protected] 1. Projecto Lethes/Peneda-Gerês1 O Projecto Lethes/Peneda-Gerês (PL/P-G) surgiu em 1988 no âmbito das actividades do Pólo da Universidade do Minho, do Projecto MINERVA (PUM-PM). O Projecto MINERVA (PM) constituiu-se como a primeira experiência a nível nacional no campo educativo sobre a integração das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nas escolas do ensino não superior (OCDE – ME/DEPGEF, 1994; Ponte, 1994). À partida, a longevidade do PL/P-G estava confinada à temporalidade do PM. Contudo, em função das virtualidades alcançadas no terreno, o PUM-PM diligenciou no sentido de ancorar o Projecto em instituições que lhe permitissem sobreviver para além da existência do PM, que encerrou as suas actividades em 1994. Foi assim, que o Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), desde o início ligado ao Lethes, o Centro de Formação de Professores e Educadores (CEFOPE) – mais tarde o Instituto de Estudos da Criança (IEC) –, da Universidade do Minho, e o Ministério da Educação, por intermédio da Direcção Regional da Educação do Norte (DREN), acabaram por dar o suporte institucional necessário para a manutenção do Projecto no terreno até 2001, ano em que finalizou as actividades. O PL/P-G, vendo nas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1CEB) a circunstância de mobilização, assumiu-se, inicialmente, como uma intervenção nas comunidades da área protegida do PNPG, através das TIC (PUM-PM, 1988a). Mais tarde, esse espectro de acção alargou-se ao 2.º Ciclo do Ensino Básico (2CEB), através do Ensino Básico Mediatizado (EBM), mais conhecido pela antiga designação de “Telescola”, e ao Pré-escolar. As TIC apresentavam-se, desse modo, como o pretexto para desenvolver acções concertadas de melhoria das condições de vida das populações, através das escolas locais, entendidas como veículos privilegiados de comunicação e acção. Assim, para além de um trabalho sistematizado ao nível da integração das TIC na educação, nomeadamente ao nível da instalação de uma rede telemática que ligasse todas as escolas do PNPG, pretendia-se canalizar a intervenção do PL/P-G para a educação comunitária, através de manifestações de consciencialização e valorização do património histórico-cultural e 1 A apresentação do poster pretende evidenciar o que foi o Projecto Lethes/Peneda-Gerês a partir de uma investigação realizada no âmbito da dissertação do Mestrado em Educação, especialização em Desenvolvimento Curricular, intitulada “Projecto Lethes/Peneda-Gerês: Educação/Intervenção Comunitária e Ambiental através das Tecnologias da Informação e Comunicação nas Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico da Área do Parque Nacional Peneda-Gerês – Currículo Flexível e Contextualizado ao Meio Ambiente” (Silva, 2001).
786 paisagístico do PNPG. Do ponto de vista do contexto geográfico, a educação ambiental fez, desde logo, parte das preocupações iniciais e manifestou-se como uma das vertentes mais exploradas no Lethes. O contexto escolhido para a intervenção do PL/P-G caracterizou-se por um conjunto de factores que acabaram por configurar a sua acção, os moldes em que foi encetada e as próprias áreas de intervenção. O PNPG está reconhecido como uma área privilegiada de conservação e preservação da natureza, mas que, dadas as suas características naturais, tem permitido a manutenção de práticas ancestrais ao nível da agricultura de subsistência e da convivência em sociedade, revelando-se renitente a influências exteriores, o que faz denotar, por isso, atrasos evidentes face a padrões de desenvolvimento apresentados noutras regiões do país. Este quadro tem sido progressivamente alterado devido a uma forte tendência para fenómenos de emigração das populações abrangidas pelo PNPG, levando a um decréscimo significativo das mesmas, que resultam, em casos extremos, em situações de desertificação. Como motivações iniciais para a implementação do PL/P-G existia também um conjunto de condições pouco favoráveis ao desenvolvimento de uma actividade educativa com potencialidades de ser bem sucedida. Por isso, urgia que esse leque de condições fosse profundamente alterado de modo a inverter o seu sentido nefasto para a população discente. Assim, tínhamos uma rede escolar do PNPG que se caracterizava pela dispersão e pelo isolamento geográfico, normalmente de lugar único e com um número reduzido de alunos. As escolas encontravam-se desprovidas de recursos básicos, muitas das vezes em condições de conservação pouco dignas. Assistia-se a uma elevada taxa de mobilidade docente causada pelas condições descritas e agravada pelas extremas dificuldades de acessibilidade que muitas escolas apresentavam. Esta situação pouco edificante era ainda definida por um quadro de desinvestimento no 1CEB, ao longo de anos consecutivos, pelas autoridades competentes e de, consequentemente, falta de visibilidade dos problemas deste nível de ensino, que se consubstanciava na ausência de autonomia curricular/pedagógica e financeira a que estava votado. O estudo desenvolvido sobre o PL/P-G, numa perspectiva holística, evidencia o papel que as TIC tiveram naquilo que acabou por se consubstanciar numa intervenção comunitária e ambiental na área PNPG. Deste modo, a integração curricular das TIC funcionou, mais do que como uma estratégia, como uma postura impregnada de convicções, que integrava propósitos mais abrangentes e que diziam respeito aos desígnios da educação. Por outras palavras, a integração curricular das TIC não foi um fim em si mesmo, mas apenas uma consequência de um esforço mais amplo, que entendia as TIC como recursos (função instrumental) que disponibilizam hipóteses de trabalho mais eficazes, motivadoras e enriquecedoras para a aprendizagem das crianças. Desse modo, a integração curricular das TIC no Lethes relacionava-se com propósitos “transversais da formação pessoal e social” (Alonso, 1994a: 16), sendo que, e não menos importante, a sua presença ajudava a emergir e a revelar outras potencialidades (função heurística). Como diz Papert (1988: 221), “a tecnologia tem dois papéis. Um é heurístico: a presença do computador catalisou a emergência de ideias. Outro é instrumental: o computador levará ideias a um mundo mais amplo do que os centros de pesquisas onde eles têm sido até agora incubados”.
787 Com este poster procuramos dar a conhecer a intervenção de um projecto considerado emblemático, o Lethes/Peneda-Gerês, na área do PNPG, tendo em conta que as TIC funcionaram como uma área de charneira para sua implementação e expansão. As TIC relacionaram-se de forma intrínseca com os propósitos da intervenção comunitária e ambiental, consubstanciada numa ideia de desenvolvimento local que preconizou a preservação e valorização do património histórico, cultural e ambiental. Esta conjugação de áreas de trabalho educativo e de intervenção comunitária resultaram, de forma paradigmática, a partir de dois argumentos elevados à condição de fundamentos do espírito Lethes, a saber: “Lethes, o rio do esquecimento!”, como chamada de atenção e contraponto da necessidade de um “banho regenerador” de educação e desenvolvimento que jamais fizesse esquecer as gentes daquelas paragens2; e “os computadores dão leite!”, reforçando a ideia que foram pretextos para conquistas que estavam esquecidas e faziam sentido desde longa data, mas para as quais crianças e populações locais estavam privadas, muitas das vezes por razões que a condição humana tinha dificuldade em argumentar3. 2 “Lethes” é um termo de origem grega para designar o rio Lima. O rio e a sua designação eram invocados a propósito de uma lenda que remonta à passagem dos romanos por aquela região. Dizia a lenda que atravessar o rio Lima para a outra margem provocava nas pessoas o efeito de esquecimento, fazendo com que não mais se lembrassem de onde vinham e dos seus entes mais próximos. Funcionava como um escudo protector das terras e das gentes que ficavam para lá da outra margem, que se viam assim a coberto de qualquer intento de conquista, no sentido da Galiza, por parte dos soldados romanos, pela força de um nome e de um efeito de inibição da acção. Contudo, pela autoridade do exemplo, um general deitou por terra a força da lenda, ao passar o rio e chamar, da outra margem, um a um os soldados do seu exército (Osório, 1990). A lenda sobre o rio Lima, o rio do esquecimento, foi adaptada por Jaime Ferreri (coordenador do CAL de Arcos de Valdevez desde o seu início, em 1988/89 até 1990/91, foi considerado por Osório (1991, p. 18), “em última análise, o inspirador do Projecto”) ao contexto da integração das TIC na área do PNPG, resultando num texto do qual, pelo seu significado, deixamos aqui uma passagem: “Máquinas de aprender a forçar novas técnicas, formações renovadas, integração cultural e de ambiente. Foi assim que ousaram afirmar que o Lethes não era o rio do esquecimento que os romanos trataram, que era falso o diluir da memória do general que ao chamar um a um os seus homens os convencera por exemplo. Depois os soldados ficaram mais leves no cansaço e sujidade que Lethes lavou, na coragem do combate a tocar a Galiza. (...) O Projecto LETHES será tudo isto: uma aposta numa região do interior, o quebrar do isolamento mitológico de séculos, uma oferta de oportunidades educativas, um contributo de vida para as populações esquecidas. Computadores, telemática, bancos de dados, reformulação da rede escolar, melhoria das condições físicas das escolas, serão os contributos de um banho regenerador. Trabalho de projecto, educação ambiental, inovação pedagógica, uma equipa dinâmica, tornarão possíveis uma forma diferente de se viver no Parque Nacional da Peneda-Gerês”. 3 A propósito das primeiras acções de lançamento e promoção do PL/P-G, um jornalista, a determinada altura, questionou Jaime Ferreri acerca da desproporcionalidade entre os contextos rurais pobres e desprovidos de condições básicas, que encontrava eco nas próprias escolas, serem justamente equipadas com computadores caros e desenquadrados daquela realidade. A resposta deu título de jornal e teve os contornos que se seguem (excerto retirado da entrevista a Jaime Ferreri): “– Carlos Silva: Mas não era uma heresia, naquela altura, falar em computadores para o 1.º Ciclo? | – Jaime Ferreri: Nós nunca tivemos essa ideia. Muita gente pensava que sim. Se você confrontar, o próprio Professor Altamiro Machado, quando defendeu o seu trabalho [Provas de Agregação] na Universidade do Minho falou nisso. Um jornalista apanhou-me no Soajo e perguntou-me, exactamente isso, se não era um erro crianças que não tinham pão, que não tinham leite, que não tinham suplemento alimentar, crianças que tinham dificuldades, porque é que haviam de ter computadores. (...) Eu disse-lhe: – Pois é, o que você não sabe é que os computadores aqui no Soajo dão leite! Ele achou um ‘piadão’ àquilo e até colocou no artigo: ‘Os computadores dão leite!’, e davam. Davam porque era a tal máquina que se vendia bem, não é. Máquina, ideia, alavanca, quer dizer, era tudo. O computador servia exactamente para tudo isto, até para as crianças chegarem a casa e dizer que tinham um computador e os velhinhos, os avós e os pais: – Mas o que é um computador? –, então os miúdos explicavam. E isto criou uma dinâmica especial, quer nos miúdos e nos professores, quer nos próprios encarregados de educação”.
788 2. Considerações teóricas sobre o estudo do Projecto Lethes/Peneda-Gerês A intervenção/educação comunitária e ambiental que o PL/P-G preconizava para as escolas do 1CEB, e, por inerência, para as populações do PNPG, através das TIC, reflectia a necessidade de se trabalhar com um currículo flexível e contextualizado ao meio envolvente, numa perspectiva de mudança e inovação das práticas curriculares, num espaço de partilha, reflexão e de construção de uma autonomia curricular/pedagógica e financeira, só possível através da garantia de um processo que permitisse a continuidade docente. Assim, assumem importância os estudos curriculares, como área que permite configurar as aprendizagens escolares através de processos de decisões centrados na comunidade local e nos alunos (Alonso, 1998). Esta problemática insere-se num estudo mais amplo que diz respeito à análise do conceito polissémico de currículo e do objecto de estudo da Teoria e Desenvolvimento Curricular (Stenhouse, 1987; Kemmis, 1988; Ribeiro, 1992; Gimeno, 1995; Pacheco, 1996). A concretização das propostas curriculares fazem ressaltar o contexto de realização dos currículos através de projectos curriculares específicos (Alonso, 1994a, 1996, 1998; Del Carmen & Zabala, 1991). Por outro lado, o desenvolvimento do Lethes apresentava-se como um espaço e um momento privilegiado de práticas pautadas por um contexto de inovação propício à mudança educacional (Fullan, 1992, 1993; Fullan & Hargreaves, 1992; Alonso, 1994b). Nesta perspectiva de inovação e mudança educacional assumem particular importância factores como o currículo e a elaboração de projectos integrados, a formação de professores e a organização da escola, na procura da qualidade da educação escolar (Vilar, 1993; Alonso, 1994b). Noutro sentido, a administração e organização da escola necessita de sofrer profundas alterações, pois torna-se evidente a necessária passagem de uma autonomia decretada para uma autonomia construída (Barroso, 1996a; 1996b). Neste espaço de manobra, no qual as escolas, progressivamente, começam a assumir uma responsabilidade curricular, pedagógica e financeira, surgem com particular importância a problemática das escolas rurais isoladas (d’Espiney, 1994; Canário, 1995; Sarmento, Sousa & Ferreira, 1998), a desestabilização dos recursos docentes disponíveis nessas escolas, que resulta de processos de colocação dos professores (Ferreira, 1997; Formosinho, 1998), promotores de uma elevada mobilidade docente compulsiva (Formosinho & Oliveira-Formosinho, 2000), assuntos intrinsecamente relacionados com o espaço de intervenção do PL/P-G, que foi, predominantemente, o 1CEB, caracterizado por Formosinho (1998) de forma perspicaz. Por fim, não esquecemos a importância que as TIC assumiram para o Lethes, porque foram o motivo que desencadeou a intervenção no espaço escolar do PNPG. Desse ponto de vista o PL/P-G, há treze anos atrás, foi pioneiro, pois preconizou a integração das TIC no espaço de sala de aula do 1CEB, fazendo delas “poderosas ferramentas de aprendizagem” (Papert, 1988, 1995, 1997; Ponte, 1997; Negroponte, 1996), ou, como diria Freitas (1992), “paus para toda a obra”. Para além desse enquadramento teórico, que pretende fazer a evidência da utilização das TIC na educação, perscrutámos também os caminhos calcorreados para a integração do computador nas escolas portuguesas, de onde se destacam projectos como o PM e o Programa Nónio-Século XXI.
789 3. Projecto Lethes e as TIC: pretexto para um programa de desenvolvimento comunitário e ambiental Da análise da história do Lethes, que resultou de aturada investigação documental4, e da análise de conteúdo das entrevistas realizadas a intervenientes do PL/P-G, identificámos um rol enorme de categorias, que passamos a nomear: envolvimento institucional, desenvolvimento global do PNPG (educação comunitária), educação ambiental, utilização das TIC e a constituição de uma rede telemática, mobilidade ou fixação docente, projectos educativos/curriculares e trabalho de projecto, contextualização e flexibilização curricular, trabalho de coordenação do PL/P-G, promoção do sucesso educativo, intercâmbios escolares, relacionamento entre o PNPG e as populações, desenvolvimento da profissionalidade docente, formação dos professores, financiamento do Projecto, rede escolar do Projecto, avaliação do desempenho dos professores, avaliação do PL/P-G, investigação educativa e formação inicial de professores, processos de inovação educativa, diversidade de recursos educativos, cooperação/trabalho de equipa, monodocência de lugar único. Em função das categorias evidenciadas propusemos fazer um trabalho de aglutinação, procurando promover um discurso com inferências e reflexões que pudessem transparecer uma correlação significativa dos acontecimentos e, por isso, mais próximo da realidade5. Encontram-se enquadradas por esta perspectiva as temáticas identificadas nas categorias emergentes e que evidenciam, em jeito de síntese, alguns dos aspectos mais proeminentes no Lethes: – o currículo da escolaridade básica, onde se questiona a sua a flexibilização e contextualização ao meio e aos alunos, bem como a metodologia de trabalho de projecto; – a educação ambiental e, 4 A partir da análise documental identificámos sete momentos evolutivos da história do Lethes: primórdios do PL/P-G ou o contexto da sua génese (1987/89); lançamento do PL/P-G no terreno no âmbito do PUM-PM (1988/89); implementação e desenvolvimento do PL/P-G no âmbito do PUM-PM e do PNPG (de 1989/90 até 1992/93); ano lectivo de 1993-94: entre o PUM-PM e o CEFOPE; Lethes e os projectos de intervenção educativa – relevo das dimensões comunitária e ambiental (1994/95 a 96/97); renascer do ideal telemático (Programa Nónio-Século XXI) e agrupamentos de escola (1997/98 a 99/00); reformulação, avaliação e encerramento do PL/P-G (2000/2001). 5 Todo o processo de análise de conteúdo da história do Lethes e das entrevistas, que nos revelam um percurso das intenções às práticas, foi aglutinado nas seguintes categorias emergentes: 1. modelo de desenvolvimento e de coordenação do PL/P-G (modelo de coordenação do Projecto MINERVA; fixação docente e coordenação concelhia; coordenação geral do Projecto Lethes; sub-projectos do Lethes; financiamento do Projecto Lethes; papel das parcerias no Lethes – um campo de indefinições por resolver); 2. TIC e rede telemática: pretexto para uma mudança radical das práticas pedagógicas (evolução tecnológica; Lethes e a alfabetização tecnológica; computador como recurso para actividade profissional do professor; “cantinho do computador”; utilização dos utilitários/ferramentas; edição electrónica – o papel dos jornais escolares; a rede telemática: correio electrónico e World Wide Web; recursos educativos: diversidade de apetrechos tecnológicos; grau de aproveitamento das tecnologias); 3. currículos flexíveis e contextualizados: condições para o sucesso educativo (projectos educativos e curriculares – o património natural e construído; metodologia de trabalho de projecto; currículos flexíveis e contextualizados – a monodocência como instrumento de trabalho; a promoção do sucesso educativo – qualidade dos processos de ensino-aprendizagem; a “expressão catalisadora” – quando os “computadores dão leite”); 4. desenvolvimento sustentável da área protegida do PNPG (promoção da educação ambiental; desenvolvimento da educação comunitária; valorização do património histórico-cultural e ambiental); 5. construção de um saber profissional: o trabalho de equipa, a formação e a investigação (desenvolvimento da profissionalidade docente; processos de inovação educacional: a evidência do trabalho de equipa; formação de professores em contexto; investigação educativa e formação inicial); 6. avaliação no Projecto Lethes – visibilidade/resultados e compromisso/desempenho (avaliação do Projecto Lethes: processo de avaliação final; avaliação do desempenho dos professores do Lethes); 7. futuro da área de intervenção educativa do PNPG (encerramento do Projecto Lethes; e depois do Lethes... novas dinâmicas?; rede escolar do PNPG; os agrupamentos na área do PNPG).
790 especificamente, a questão da preservação da natureza, tendo em conta uma lógica de promoção interna, vocacionada para a população estudantil e para as comunidades residentes no Parque Nacional, mas também fazendo sobressair preocupações ao nível dos fluxos de visitantes e dos turistas a que se encontra sujeito de uma forma constante e cada vez mais intensa; – o desenvolvimento global e sustentável das populações residentes no PNPG, através de acções concertadas a partir da escola e do Parque, que consubstancia a necessidade de desenvolver uma educação comunitária que evidencie e promova a preservação e valorização do património histórico, cultural e natural; – a utilização das TIC como pretexto e como suporte de acções estratégicas ao nível da educação, consideradas relevantes para os desígnios do Parque e para a formação global ao nível da escolaridade básica; – promoção da fixação dos professores, como condição necessária para a continuidade docente e curricular/pedagógica, tendo em vista a manutenção de laços de continuidade com os alunos e de aproximação às comunidades locais, propiciadora de um relacionamento profícuo e do sucesso educativo, para além de um factor de estabilidade e desenvolvimento profissional; – a formação dos professores, no sentido de os capacitar para dar respostas adequadas às múltiplas solicitações que o Projecto Lethes contemplava; – a eventual negligência no processo de avaliação do Lethes como tarefa integrante e fundamental na definição de estratégias de intervenção; – a avaliação do desempenho dos professores destacados com turma atribuída e dos professores coordenadores sem turma, no sentido de averiguar a consecução de tarefas condizentes com o aproveitamento consentâneo das figuras de mobilidade docente no Projecto Lethes; – a importância do relacionamento institucional e a realização de parcerias, como suporte de uma experiência desta natureza, que resultou na longevidade do Lethes; – o modelo de coordenação e a estrutura de funcionamento do PL/P-G, que suscita questões ao nível do apoio logístico das instituições parceiras do Projecto, das autoridades locais, para além da discussão do papel da Coordenação Geral e das Coordenações Concelhias, nomeadamente ao nível das propostas de animação pedagógica e de formação de professores; – o Projecto como território e espaço de investigação educativa em diferentes áreas, mas com especial incidência nas TIC, bem como campo com características potenciais ao nível da formação inicial e especializada dos Professores do 1CEB e Educadores de Infância; – as diferentes estratégias de financiamento que o Projecto e as escolas conseguiram garantir como forma de sustentabilidade do seu funcionamento, tanto ao nível da Coordenação Geral, como das actividades escolares. 4. Lethes, o rio do esquecimento! O Lethes – “rio do esquecimento”, disse Jaime Ferreri – foi um Projecto orientado para as escolas do 1CEB do PNPG, onde a educação ambiental e a dinamização comunitária serviram, ao mesmo tempo, de suporte e de conteúdo para a promoção do desenvolvimento global e sustentável das populações residentes. Deste modo, suportado por um modelo de desenvolvimento e de coordenação inspirado no espírito de intervenção e inovação do PUM-PM, cujo mentor foi o saudoso Professor Altamiro Machado, o Lethes tinha nas TIC e na rede telemática “a expressão catalisadora” para a mudança radical das práticas pedagógicas. Estas
791 procuravam, com a implementação de processos de ensino-aprendizagem de qualidade, a promoção do sucesso educativo, consubstanciado no desenvolvimento de currículos flexíveis, territorializados e contextualizados, expressos na elaboração de projectos educativos/curriculares, e aplicados através da metodologia de trabalho de projecto, que visavam o conhecimento e o usufruto do património histórico, cultural e natural do meio envolvente. Referências bibliográficas ALONSO, L. G. (1994a). “Projecto Curricular, Formação de Professores e Mudança Educativa”. In L. G. Alonso et al. (Autores). A Construção do Currículo na Escola – Uma Proposta de Desenvolvimento Curricular para o 1.º Ciclo do Ensino Básico. Porto: Porto Editora, pp. 13-34. ALONSO, L. G. (1994b). “Inovação Curricular, Profissionalidade Docente e Mudança Educativa”. In Actas do Encontro ProfMat-93. Lisboa: Associação Portuguesa de Matemática, pp. 17-27. ALONSO, L. G. (1996). Desenvolvimento Curricular e Metodologia de Ensino – Manual de Apoio ao Desenvolvimento de Projectos Curriculares Integrados. Braga: Universidade do Minho/Instituto de Estudos da Criança, (policopiado, 59 pp.). ALONSO, L. G. (1998). Inovação Curricular, Formação de Professores e Melhoria da Escola – Uma Abordagem Reflexiva e Reconstrutiva Sobre a Prática da Inovação/Formação. Dissertação de Doutoramento. Braga: Universidade do Minho/Instituto de Estudos da Criança. BARROSO, J. (1996a). “O Estudo da Autonomia da Escola: da Autonomia Decretada à Autonomia Construída”. In J. Barroso (Org.). O Estudo da Escola. Porto: Porto Editora, pp. 167-189. BARROSO, J. (1996b). Autonomia e Gestão das Escolas. Lisboa: Ministério da Educação. CANÁRIO, R. (Org.) (1995). Escola Rural na Europa. Setúbal: Instituto das Comunidades Educativas/Cadernos ICE. D’ESPINEY, R. (Org.) (1994). Escolas Isoladas em Movimento. Setúbal: Instituto das Comunidades Educativas/Cadernos ICE. DEL CARMEN, L. & ZABALA, T. (1991). Guía para la Elaboración, Seguimiento y Evaluación de Proyectos Curriculares de Centro. Madrid: CIDE. FERREIRA, J. F. (1997). “Os Caminhos Sinuosos das Escolas Isoladas”. In O Docente (Revista da Associação Nacional de Professores – Edição Especial, 2 de Fevereiro), pp. 47-67. FORMOSINHO, J. & OLIVEIRA-FORMOSINHO, J. (Coords.) (2000). Estudos Sobre a Mobilidade Docente – Descontinuidade Educativa no Coração da Prática Pedagógica. Cadernos PEPT 2000, n.º 23. Lisboa: Ministério da Educação/Programa de Educação Para Todos. FORMOSINHO, J. (1998). O Ensino Primário – de Ciclo Único do Ensino Básico a Ciclo Intermédio de Educação Básica. Cadernos PEPT 2000, n.º 18. Lisboa: Ministério da Educação/Programa de Educação Para Todos. FREITAS, J. C. (1992). “As NTIC na Educação: Esboço para um Quadro Global”. In V. D. Teodoro & J. C. Freitas (Orgs.). Educação e Computadores. Lisboa: Ministério da Educação/Gabinete de Estudos e Planeamento, pp. 27-88. FULLAN, M. G. & HARGREAVES, A. (1992). What’s Worth Fighting for in your School?. Buckingham: Open University Press. FULLAN, M. G. (1992). The New Meaning of Educational Change (2.ª ed.). London: Cassell Educational Limited. FULLAN, M. G. (1993). Change Forces – Probing the Depths of Educational Reform. London: The Falmer Press. GIMENO, J. (1995). El Curriculum: Una Reflexión Sobre la Práctica (5.ª Ed.). Madrid: Ediciones Morata. KEMMIS (1988). El Curriculum: Más Allá de la Teoría de la Reproducción. Madrid: Ediciones Morata. NEGROPONTE, N. (1996). Ser Digital. Lisboa: Editorial Caminho. OCDE – ME/DEPGEF (1994). Relatório dos Avaliadores do Projecto MINERVA. Lisboa: Ministério da Educação/Departamento de Programação e Gestão Financeira. OSÓRIO, A. J. (1991). Levantamento de Problemas do Uso do Computador em Escolas Unitárias Rurais: O Caso do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Dissertação de Mestrado. Braga: Universidade do Minho/Instituto de Educação. OSÓRIO, M. C. (1990). “Projecto Lethes”. In Juríz, n.º 5, Ano II (1.º trimestre), pp. 10-11. PACHECO, J. A. (1996). Currículo: Teoria e Práxis. Porto: Porto Editora. PAPERT, S. (1988). Logo: Computadores e Educação. São Paulo: Editora Brasiliense. PAPERT, S. (1995). La Máquina de los Niños – Replantearse la Educación en la Era de los Ordenadores. Barcelona: Ediciones Paidós. PAPERT, S. (1997). A Família em Rede. Lisboa: Relógio D’Água Editores.