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A gestão de projetos em contexto especializado: experiência profissional na empresa Transcripta

Andade, Ana Beatriz Marques de

Abstract

No presente relatório, pretende-se apresentar o estágio curricular realizado na empresa maltesa Transcripta, no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue. O estágio teve a duração de três meses, e as atividades desenvolvidas na empresa envolveram, principalmente, as áreas de gestão de projetos e tradução especializada. Em primeiro lugar, será apresentada e descrita a entidade acolhedora na qual o estágio foi realizado, para contextualizar o trabalho. Em seguida, será feita a revisão da literatura necessária para compreender o estágio como um todo, o que envolve a reflexão em torno dos conceitos de gestão de projetos e tradução especializada, bem como a avaliação da qualidade e o impacto da globalização na tradução, enquanto profissão. No quarto capítulo, serão indicadas e analisadas todas as diversas atividades realizadas no estágio, com a apresentação de dados e imagens para uma exposição mais profunda do que foi feito. Por último, serão expostas as considerações finais, onde refletirei sobre a experiência completa, seus pontos positivos e negativos, e o seu impacto a nível profissional e pessoal.

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Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Ana Beatriz Marques de Andrade A gestão de projetos em contexto especializado: experiência profissional na empresa Transcripta outubro de 2022 UMinho | 2022 Ana Beatriz Marques de Andrade A gestão de projetos em contexto especializado: experiência profissional na empresa Transcripta Ana Beatriz Marques de Andrade A gestão de projetos em contexto especializado: experiência profissional na empresa Transcripta Relatório de estágio Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Fernando Ferreira Alves Universidade do Minho Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas outubro de 2022 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos Aos meus pais, pelo incentivo ao estudo e pelo apoio incondicional; Ao meu orientador, Professor Doutor Fernando Ferreira Alves, pela indicação do estágio, pela orientação, pela disponibilidade, e por todo o conhecimento compartilhado ao longo do mestrado; À equipa da Transcripta, com a qual foi um prazer trabalhar e que me recebeu de forma acolhedora, fornecendo ajuda sempre que necessário. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v A gestão de projetos em contexto especializado: experiência profissional na empresa Transcripta Resumo No presente relatório, pretende-se apresentar o estágio curricular realizado na empresa maltesa Transcripta, no âmbito do Mestrado em Tradução e Comunicação Multilingue. O estágio teve a duração de três meses, e as atividades desenvolvidas na empresa envolveram, principalmente, as áreas de gestão de projetos e tradução especializada. Em primeiro lugar, será apresentada e descrita a entidade acolhedora na qual o estágio foi realizado, para contextualizar o trabalho. Em seguida, será feita a revisão da literatura necessária para compreender o estágio como um todo, o que envolve a reflexão em torno dos conceitos de gestão de projetos e tradução especializada, bem como a avaliação da qualidade e o impacto da globalização na tradução, enquanto profissão. No quarto capítulo, serão indicadas e analisadas todas as diversas atividades realizadas no estágio, com a apresentação de dados e imagens para uma exposição mais profunda do que foi feito. Por último, serão expostas as considerações finais, onde refletirei sobre a experiência completa, seus pontos positivos e negativos, e o seu impacto a nível profissional e pessoal. Palavras-chave: gestão de projetos, tradução, tradução especializada, avaliação da qualidade. vi Project management in a specialized context: professional experience at Transcripta Abstract The purpose of this report is to present the internship carried out at the Maltese company Transcripta, as part of the Master's in Translation and Multilingual Communication. The internship lasted three months, and the activities developed in the company involved mainly the areas of project management and specialized translation. First, I will present and describe the host entity in which the internship was carried out, to contextualize the work. Next, I will offer the theoretical background necessary to understand the internship as a whole, which involves a reflection around the concepts of project management and specialized translation, as well as quality assessment and the impact of globalization on translation as a profession. In the third chapter, all the different activities performed in the internship will be indicated and analyzed, with the presentation of data and images for a deeper exposition of what was done. Finally, the final considerations will be presented, in which I will reflect on the whole experience, its positive and negative points, and its impact on a professional and personal level. Keywords: project management, translation, specialized translation, quality assessment. vii Índice Resumo ................................................................................................................................ v Abstract ............................................................................................................................... vi Lista de abreviaturas e siglas ............................................................................................... ix Índice de tabelas .................................................................................................................. x Índice de gráficos ................................................................................................................ xi Índice de figuras ..................................................................................................................xii I. Introdução .................................................................................................................. 1 II. Apresentação da entidade acolhedora ......................................................................... 2 2.1. Apresentação do estágio ......................................................................................... 2 2.2. A entidade acolhedora ............................................................................................ 2 2.2.1. Organização e funcionamento ......................................................................... 3 2.2.2. Comunicação na empresa .............................................................................. 3 2.2.3. Relações interpessoais .................................................................................... 4 2.2.4. Treinamentos ................................................................................................. 5 2.2.5. Fluxo de trabalho e gestão de projetos ............................................................ 6 III. Enquadramento teórico ............................................................................................ 11 3.1. A globalização e as competências de um tradutor ................................................. 11 3.2. A gestão de projetos ............................................................................................. 12 3.2.1. Definição de projeto ...................................................................................... 13 3.2.2. Fases de um projeto de tradução .................................................................. 14 3.2.3. Funções de um gestor de projetos ................................................................ 16 3.2.4. Competências e habilidades de um gestor de projetos ................................... 17 3.3. A tradução especializada ...................................................................................... 18 3.3.1. Tradução jurídica .......................................................................................... 19 3.3.2. Tradução médica .......................................................................................... 20 2 II. Apresentação da entidade acolhedora Neste capítulo, será apresentada a entidade onde o estágio foi realizado, o que inclui a descrição do estágio em si, bem como dos recursos, da organização, do funcionamento da empresa, entre outros. 2.1. Apresentação do estágio O estágio apresentado no presente relatório teve lugar na empresa Transcripta, em Msida, Malta. A duração foi de três meses, entre 28 de março e 1 de julho de 2022, num total de 396 horas de trabalho. O estágio decorreu sob regime de 6 horas diárias e 1 hora de descanso, de segunda a sexta, de forma flexível, desde que houvesse respeito pelo horário de funcionamento da empresa (de 08:30 às 17:30). No meu caso, inicialmente escolhi chegar às 09:00 e terminar às 16:00, com a hora de pausa por volta das 12:00; no entanto, com o passar do estágio, escolhi ter apenas 30 minutos de descanso e sair às 15:30. As línguas de trabalho utilizadas foram o inglês e o português (europeu e brasileiro). 2.2. A entidade acolhedora A Transcripta é uma empresa composta por uma equipa de tradutores, proofreaders 1 , gestores de projetos e especialistas em línguas com mais de 18 anos de experiência, e tem escritórios em Valletta e em Msida, em Malta. Foi fundada por Nicolette Bezzina, Christopher Bezzina e Alex Spiteri Gingell. A empresa fornece serviços de tradução profissional para clientes em todo o mundo, incluindo instituições europeias, organizações governamentais e corporações. Desde a sua criação, em 2001, a Transcripta passou de uma especialização, centrada na tradução de documentos oficiais da União Europeia, para uma gama diversa de serviços e setores em todas as linguagens mais faladas. As áreas de especialização nas quais a empresa tem experiência 1 Proofreading pode ser traduzido como leitura ou revisão de provas, e não é utilizado, neste contexto, como sinónimo de revisão. A norma ISO 2015 (pp. 2-3) diferencia revisão e proofreading da seguinte forma: a primeira trata-se de uma examinação bilíngue do texto de partida e do texto de chegada para garantir a adequação do texto ao propósito acordado com o cliente, enquanto o segundo acontece após a revisão e consiste em examinar o texto de chegada e aplicar correções caso necessário. Além disso, Esselink (2000, p. 16, 317) define esta tarefa como tendo um foco não na qualidade da tradução, mas especialmente na qualidade linguística final do produto, e o proofreader deve ler o documento a partir da perspetiva de um utilizador final. Como realizei uma atividade de proofreading , a tarefa será discutida novamente mais à frente. 3 incluem direito, documentos oficiais, engenharia, finanças, tecnologia, assuntos da UE, entre outros. 2.2.1. Organização e funcionamento Trata-se de uma agência pequena, dividida basicamente em direção geral, gestão de fornecedores, recursos humanos, contabilidade e gestão de projetos. Por ser uma empresa com poucos funcionários, os seus membros assumem diversas funções e, muitas vezes, trabalham como tradutores e revisores. No escritório de Valletta, há um foco para traduções dirigidas a organizações europeias (como a Comissão Europeia); além disso, os funcionários trabalham mais com o idioma maltês. Já no escritório de Msida, onde foi realizado o estágio, há mais traduções médicas, jurídicas e gerais, e os idiomas utilizados são mais diversos. Para além dos tradutores in-house , a empresa recorre a tradutores externos que trabalham em regime freelance e agências externas. Há uma enorme diversidade de línguas, sendo as mais frequentes: inglês, espanhol, alemão, holandês e francês. Em Msida, a equipa constituiu-se em duas gestoras de projetos (que passaram a ser três na metade do estágio), duas estagiárias e uma rececionista, com a presença ocasional do contador, Michael Stephen Camilleri; da gestora de recursos humanos, Nicolette Bezzina; da gestora de fornecedores, Michela Barbara; e dos diretores, Christopher Bezzina e Alex Spiteri Gingell. A gestora de projetos tinha a responsabilidade de delegar as tarefas aos estagiários, e estas poderiam ser: a formatação, a tradução, a avaliação de qualidade e a impressão, certificação e entrega de documentos. O horário de atendimento do escritório de Msida é de 08:30 às 14:00 e das 15:00 às 17:30, de segunda a sexta. 2.2.2. Comunicação na empresa Com relação à comunicação entre a equipa, havia reuniões semanais, com todos os membros (exceto os estagiários); além da presença ocasional de alguns membros no escritório (como a gestora de recursos humanos e o diretor), que verificavam como estava o andamento do trabalho. A plataforma Skype foi utilizada para contacto entre todos os membros da empresa, e os estagiários receberam, no primeiro dia, uma lista de contactos para adicionarem na 4 plataforma. Além disso, havia um grupo no Skype que incluía os estagiários, no qual era possível comunicar-se com todos os funcionários ao mesmo tempo. Neste grupo, um gestor de projeto poderia perguntar se algum dos estagiários estaria livre para realizar uma tarefa, ou um estagiário poderia avisar que tiraria um dia de folga, por exemplo. Ao receberem uma tarefa, os estagiários podem verificar quem foi o gestor de projetos que a designou a si e, assim, entrar em contacto com essa pessoa caso necessário. As gestoras de projetos presentes no escritório de Msida mostraram-se sempre dispostas a ajudar, assim como as próprias estagiárias e a rececionista. As gestoras de projetos também observavam se as estagiárias estavam ocupadas e davam tarefas, sempre que possível. A importância da comunicação era sempre reforçada: desde informar aos gestores se tinha muito ou pouco trabalho a fazer, até consultá-los sobre questões relacionadas com as tarefas (por exemplo, se havia alguma parte no texto que não havia sido traduzida, ou se era possível estender os prazos). O tamanho reduzido do escritório permitiu que esta comunicação fosse feita de forma mais direta, já que as estagiárias e as gestoras de projeto estavam próximas umas das outras, o que facilitava a conversa. 2.2.3. Relações interpessoais No que diz respeito às relações com clientes, é importante, primeiramente, observar que os clientes podem ser de vários tipos (individuais ou empresas) e entrar em contacto de diversas formas ( walk-ins , que são os que vêm presencialmente à empresa; e os que entram em contacto por telefone, por e-mail , ou por meio do formulário disponível no site). A empresa faz questão de sempre responder aos clientes o mais rápido possível (por exemplo, deve haver resposta a um pedido de cotação 2 ( quote ) dentro de menos de meia hora da receção do e-mail ) e os gestores de projetos entram em contacto com os clientes sempre que há necessidade de esclarecer ou informar alguma questão. Caso o cliente rejeitasse a cotação, era importante sempre saber a razão e, se o motivo fosse o preço, verificar se era possível aplicar algum desconto. Havia empresas que, por serem clientes regulares, tinham descontos: estes eram sempre adicionados em forma de memo na plataforma Plunet, utilizada pela empresa, e eram exibidos na página de criação de uma 2 Utilizo aqui a palavra cotação para me referir a quote e, posteriormente, a palavra orçamento para me referir a budget . A fim de evitar a ambiguidade, optei por trocar a palavra orçamento (que seria a minha primeira escolha de tradução para quote ) por cotação, muito embora tenha ressalvas sobre o uso desta palavra neste contexto. Entende-se neste trabalho, então, a palavra cotação como a proposta de preço pela execução de um trabalho (no caso, a tradução). 5 cotação. Cabe destacar ainda as empresas médicas, com as quais sempre havia um acordo em que os certificados fornecidos pela Transcripta (que serão detalhados mais à frente), que normalmente tinham custos, eram fornecidos gratuitamente. Já as relações com os tradutores freelancers e as empresas de tradução partem da criação da cotação: nela, sempre são designados um tradutor e um revisor (sendo que as duas funções podem ser desempenhadas por uma só pessoa ou agência), escolhidos a partir de uma lista própria da empresa que contém as diferentes combinações linguísticas que cada pessoa possui. Quando a cotação é confirmada, ou seja, quando se transforma em pedido ( order) , é necessário verificar se o tradutor e o revisor escolhidos estão disponíveis para realizar a tradução (esta verificação pode ser feita por e-mail ou através da plataforma Plunet). A tradução é, então, recebida na plataforma e encaminhada para a análise de qualidade. 2.2.4. Treinamentos A Transcripta forneceu, ao longo de três meses de estágio, três treinamentos, nomeadamente: um treinamento inicial, um treinamento específico para a criação de cotações de serviços para a área médica e um treinamento geral para a criação de cotações. No primeiro dia, foram fornecidos documentos para os estagiários, e o treinamento inicial envolveu a leitura destes documentos, que continham uma apresentação da empresa, um manual para os estagiários e informações sobre a plataforma utilizada para a receção e envio de tarefas (Plunet). A equipa também deu explicações sobre a estrutura da empresa e o seu funcionamento. O treinamento sobre como fazer cotações para serviços na área médica teve como base o fato de haver questões particulares a essa área. Existem sete empresas farmacêuticas com as quais a Transcripta tem acordos, individuais, com relação ao preço por palavra. Além disso, a tradução de embalagens de medicamentos não é cobrada, nem a certificação que acompanha as traduções. Era necessário ter estas informações em mente na hora de criar a cotação, para que a plataforma Plunet pudesse fazer o cálculo automático do custo dos serviços. Também foram mencionadas aqui, e reforçadas no treinamento seguinte, questões relativas à comunicação com os clientes, como o envio de e-mails para confirmar a cotação, com informações sobre a quantidade de documentos, o custo de cada item e os impostos. Para estes e-mails havia templates já prontos e preparados para serem enviados. Adicionalmente, foram 6 apresentadas partes das funções de um gestor de projetos na empresa, como a lista de tradutores e revisores para cada linguagem e o layout do perfil de um gestor de projetos na plataforma Plunet, que é diferente do layout exibido para o perfil de um estagiário, e no qual é possível observar o fluxo de projetos de cara tarefa. O último treinamento, mais geral, tratou de funções da gestão de projetos, envolvendo a receção de pedidos e a resposta ao primeiro contacto do cliente, o cálculo do número de palavras e da quantidade de dias necessários para que a tarefa seja terminada, a apresentação mais detalhada de templates de e-mails , a criação de perfis para clientes e o acompanhamento necessário caso o cliente não tenha respondido ou coletado a sua tradução. Para além dos treinamentos, devido ao baixo número de traduções de e para o português, foram feitas “traduções-teste” em períodos em que os estagiários estavam menos ocupados. Eram fornecidos o documento original e a sua versão em Word e, posteriormente, com a tradução terminada, era recebida a versão que foi entregue ao cliente. Sendo assim, tratou-se de um processo de autoaprendizagem. Outro tipo de tradução-teste, feita próxima ao final do estágio, foi a tradução da bula e do resumo das características de um medicamento, com auxílio do software Trados e de traduções anteriores do mesmo medicamento. 2.2.5. Fluxo de trabalho e gestão de projetos A plataforma utilizada para a gestão dos projetos foi o Plunet. Nele, havia diferentes tipos de perfil, que permitiam desempenhar tipos distintos de funções. O perfil principal utilizado pelos estagiários era individualizado e permitia visualizar apenas a dashboard com as tarefas designadas a cada usuário, como apresentado na figura 1. 7 Figura 1 Dashboard do perfil de estagiário As tarefas ( jobs ) eram categorizadas em All (todas as tarefas); Assigned - waiting (as tarefas que aguardam a realização de uma etapa anterior), In progress (as tarefas a serem feitas), Delivered (as tarefas entregues) e Approved (as tarefas de projetos já finalizados). Dentro de cada categoria, era possível ver o número da tarefa, bem como a sua descrição, o prazo para entrega e o status. Com relação ao número da tarefa, este é constituído pelo número do projeto, somado ao nome da tarefa (por exemplo, FOR para formatação e TRA para tradução) e ao número da etapa correspondente à tarefa no projeto (001 se for a primeira etapa, e assim sucessivamente). A figura 2 ilustra uma lista de tarefas encontradas na categoria Assigned – waiting . 8 Figura 2 Lista de tarefas Ao receber uma tarefa, esta aparecia na categoria Assigned – waiting , se não estivesse disponível no momento, ou na categoria In progress , se os documentos de partida já estivessem prontos ou se a tarefa correspondesse à primeira etapa de um projeto. Era importante verificar regularmente a dashboard da plataforma, além do e-mail pessoal de cada estagiário, no qual éramos notificados acerca da atribuição de uma tarefa. No e-mail recebido havia as seguintes informações: descrição (o tipo de tarefa), prazo (a data e a hora limites para a entrega) e as línguas de trabalho. Ao selecionar uma tarefa, a plataforma apresentava, então, uma página, como é possível observar na figura 3. Nela, havia informações relativas ao gestor de projetos que designou a tarefa ( Contact person for job ), a data de início da tarefa ( Start date ), o prazo de entrega ( Due date ), bem como instruções para a tarefa e detalhes: o tipo de tarefa, a data de criação, a descrição (que equivale a um título com as características principais) e as línguas de partida e de chegada. Nessa página, também havia uma pasta na qual eram disponibilizados os documentos de partida (S) e uma pasta na qual deveriam ser enviados os documentos de chegada (T). 9 Figura 3 Detalhes de uma tarefa Após os treinamentos dados pela empresa, os estagiários tiveram acesso a um perfil adicional, compartilhado pelos estagiários de cada escritório. O perfil, ilustrado na figura 4, tinha o título de PM Assistant (Assistente do gestor de projetos) e permitia realizar funções que o perfil de estagiário não possuía, relativas à criação de cotações. Além disso, havia uma conta de email , no Outlook , para que os estagiários pudessem enviar e-mails que continham as cotações para os clientes. 10 Figura 4 Perfil de PM Assistant Um projeto geralmente passa pelas seguintes etapas: formatação (que é opcional caso o documento seja convertido adequadamente pelo programa utilizado pela empresa), tradução, revisão, proofreading , avaliação de qualidade, impressão, certificação e entrega. As etapas anteriores à impressão foram realizadas com a ferramenta Microsoft Word, sem a utilização de uma CAT tool ( Computer-assisted translation , ou tradução assistida por computador; ou seja, um software utilizado para tornar o processo de tradução mais rápido e prático). Contudo, na empresa, a CAT tool utilizada é o Trados, da empresa de tradução RWS. A certificação era feita pela própria empresa, que é oficialmente autorizada a emitir traduções certificadas (com atestado de que foram feitas por uma empresa certificada pela norma ISO 17100) e apostiladas de acordo com a Convenção de Haia. 11 III. Enquadramento teórico A tradução, enquanto profissão, tem evoluído e sofrido alterações substanciais nas últimas três décadas, com o surgimento e o desenvolvimento de novas tecnologias. Atualmente, o tradutor, para além da tradução, realiza uma série de outras tarefas, como pós-edição, localização, entre outras. Sendo assim, nesta secção irei, primeiramente, apresentar o contexto em que o tradutor se encontra hoje. Em seguida, apresentarei três tópicos de relevância dentro deste contexto: a gestão de projetos, a tradução especializada e a avaliação da qualidade. 3.1. A globalização e as competências de um tradutor A globalização, conforme definida por Giddens (1990, p.64), é a intensificação das relações sociais mundiais que ligam localidades distantes de tal maneira que as ocorrências locais são moldadas por acontecimentos que se dão a muitos quilómetros de distância e vice-versa. Este fenómeno teve impacto em diversas esferas da sociedade, como a economia, a tecnologia e a migração, que por consequência acabam por ter relação com a tradução enquanto profissão e área de estudo. Desde os anos 90 do século XX, o contexto em que as traduções são produzidas mudou de forma significativa: a procura de traduções e a capacidade das ferramentas que ajudam o processo de tradução dispararam desde o advento da Internet e da globalização; estes desenvolvimentos estão interligados, o que está a mudar imensamente a indústria (Drugan, 2013, p.1). Drugan (2013, pp. 5-6) menciona outras características relativas às mudanças causadas pela Internet e pela globalização: o desenvolvimento das comunicações tornou o acesso à tradução mais fácil, e, com o uso da chamada machine translation (tradução automática) e sites multilíngues, mais pessoas têm acesso à tradução, podendo inclusive realizá-la por conta própria; além disso, as tarefas de tradução tornaram-se mais complicadas tecnicamente, ao mesmo tempo que há, com efeito, mais conteúdo a ser traduzido. A autora também explica que a tradução precisa de ser mais rápida, e, consequentemente, as ferramentas usadas atualmente são mais eficientes, confiáveis e acessíveis. Uma das consequências das mudanças na indústria provocadas pela globalização dá-se nas competências requeridas para o tradutor da atualidade, que precisa de ter outros conhecimentos para além dos linguísticos. Os tradutores profissionais têm vindo a ser considerados como 18 confiança, e falta de supervisão próxima, entre outros fatores; sendo assim, o papel do gestor de projetos tornou-se cada vez mais importante como a "cola" que mantém a equipa unida (Rodríguez-Castro, 2013, pp. 39-40). O gestor de projetos lida com a comunicação internamente, atribuindo tarefas e transmitindo informações sobre o projeto à equipa, e externamente, com os clientes, lidando com situações como alteração de prazos, confirmação de recebimento do pedido de cotação, entre outras. Habilidades de comunicação excelentes são de suma importância para os gestores de projetos, que devem negociar dois fatores distintos que acabam por afetar a comunicação: traços de personalidade individuais e a cultura das pessoas com quem se trabalha, sendo a cultura uma combinação de atitudes, crenças e comportamentos compartilhados pelos membros de um grupo (Tsvetkov & Tsvetkov, 2011, pp. 189-190). A personalidade e a cultura afetam o modo como as pessoas recebem e interpretam as mensagens, bem como a perceção do tempo e a resolução de conflitos e de problemas (Tsvetkov & Tsvetkov, 2011, p. 209). Sendo assim, é necessário levar esta questão em consideração ao comunicar-se com equipas multiculturais, a fim de transmitir a mensagem da melhor forma possível. 3.3. A tradução especializada No contexto atual, de traduções em maior volume e de maior complexidade, a tradução especializada tem um destaque inquestionável. A palavra-chave neste tipo de tradução, assim como na tradução como um todo, é a noção de propósito (Grego, 2010, p. 47), ou skopos , em grego. De acordo com Nord (2006, p. 43), uma abordagem voltada para o skopos significa que os tradutores escolhem as suas estratégias de tradução de acordo com o objetivo ou função que o texto traduzido se destina a cumprir para o público alvo, já que o processo de tradução é uma ação comunicativa realizada por um especialista em comunicação intercultural (o tradutor) que desempenha o papel de produtor de texto e visa alguma finalidade comunicativa, dirigida a outras pessoas que desempenham o papel de recetores. Os textos especializados caracterizam-se primeiramente, mas não de forma exclusiva, pela sua terminologia. Porém, traduzir tais textos implica não só conhecer a terminologia que designa conceitos na área especializada, mas também estar familiarizado com a forma como estas designações linguísticas são ativadas em contextos sintáticos e semânticos (Faber & Gómez- 19 Moreno, 2012, p. 78). Sendo assim, aspetos como a sintaxe, a redação e o estilo também têm grande relevância do ponto de vista estilístico e discursivo. Cabe aqui distinguir tradução especializada e tradução técnica. Byrne (2006, p. 3) destaca que ter uma terminologia única ou especializada não faz com que um determinado campo ou área temática pertença à categoria técnica (textos religiosos, por exemplo, têm uma terminologia muito específica e estilos e convenções muito definidos, mas nunca são considerados como técnicos); sendo assim, a tradução técnica, que tem as suas raízes na indústria como um todo, trata de textos sobre temas baseados em conhecimentos aplicados do domínio das ciências naturais. Da tradução especializada, surgem outras variedades de tradução, como a tradução jurídica, turística, farmacêutica, entre outras. Serão discutidas brevemente as traduções jurídicas e farmacêuticas, com base nas tarefas desempenhadas no estágio. 3.3.1. Tradução jurídica Os textos jurídicos podem ser divididos em quatro categorias: textos legislativos, que incluem, por exemplo, leis; textos jurídicos produzidos no processo judicial por funcionários judiciais e outras autoridades jurídicas; textos jurídicos eruditos produzidos por académicos e comentários cujo estatuto jurídico depende dos sistemas jurídicos de diferentes jurisdições; e textos jurídicos privados, que podem ser escritos por advogados e não advogados (Cao, 2007, pp. 9-10). Tal como outros textos especializados, os textos jurídicos têm particularidades que tornam a tradução jurídica complexa. Em geral, a complexidade e dificuldade da tradução jurídica são atribuíveis à natureza do direito, à linguagem utilizada e às diferenças associadas encontradas na comunicação intercultural e interlinguística na tradução de textos jurídicos (Cao, 2007, p. 13). Sarcevic (2000, p. 333) afirma que a tarefa do tradutor, neste contexto, é produzir um texto que preserve a unidade do instrumento único (que representa todas as versões linguísticas autênticas de um instrumento jurídico específico), ou seja, o seu significado, efeito legal, e intenção; sendo assim, a comunicação perfeita ocorre quando todos os textos paralelos de um instrumento jurídico são interpretados e aplicados uniformemente pelos tribunais. No entanto, a autora aponta que o facto de cada lei nacional ter a sua própria terminologia e uma estrutura conceitual subjacente, as suas próprias regras de classificação, fontes de direito, abordagens 20 metodológicas e princípios socioeconómicos, torna extremamente difícil a produção de textos paralelos que serão interpretados e aplicados uniformemente pelos tribunais. 3.3.2. Tradução médica A tradução médica possui características comuns a outros tipos, mas difere dos mesmos devido a diversos aspetos, dentre os quais: as situações comunicativas em que a tradução médica pode ocorrer, o que, por sua vez, significa que este tipo de tradução acaba por cobrir diversos géneros; a qualidade dos textos, cujos autores não são escritores profissionais; e a ética da medicina, que tem valores específicos como agir com sabedoria e aptidão, de acordo com um código de conduta profissional, já que a vida dos pacientes pode estar em jogo (Montalt & González-Davies, 2014, pp. 19-23). Dentre os variados géneros dos textos médicos, destacam-se os Folhetos Informativos (FIs), também conhecidos como bulas, que fornecem informações sobre medicamentos e como usálos. Sendo assim, a sua principal característica é a necessidade de o texto ser entendido pelo público geral. Também importantes são os Resumos das Características do Medicamento (RCMs), que muitas vezes servem de base para os FIs, mas são escritos de especialistas para especialistas, e resumem as principais características de um medicamento de diferentes pontos de vista: farmacológico, químico, toxicológico, entre outros (Montalt & González-Davies, 2014, p. 87). Para Malangwa (2018, p. 136), os tradutores, no contexto dos FIs, são encorajados a aplicar traduções literais em vez da chamada tradução comunicativa 3 e devem sempre envolver especialistas na área, para interpretação ou revisão profissional do conteúdo; ou seja, devem ter um tratamento cuidadoso, revisão ou avaliação e edição para garantir que toda a informação e características importantes do texto da língua de partida sejam incluídas no texto da língua de chegada. Similarmente, Montalt e González-Davies (2014, pp. 82-83) destacam a importância da precisão e clareza na tradução de FIs, especialmente nas secções dedicadas à posologia e ao método de administração; já com relação aos RCMs, indicam questões mais específicas, como evitar o uso de pontos decimais. 3 A tradução comunicativa tem um foco maior no leitor da língua de chegada; assim, concentra-se na mensagem do texto e tende a ser mais simples, clara e breve (Newmark, 1981). 21 Sendo assim, o tradutor deve ter em mente as diferentes funções ( skopos ) e normas 4 dos textos; para traduzir RCMs, deve considerar a sua função de comunicação entre especialistas, enquanto para traduzir FIs, deve considerar a sua função de informar os pacientes; consequentemente, deve ter em conta os tipos de linguagem a serem utilizados nas traduções desses textos. Um exemplo ilustrativo são os termos técnicos, que nos FIs geralmente são acompanhados de uma explicação ou simplesmente evitados, o que não aconteceria num RCM (Montalt & González-Davies, 2014, p. 86). 3.4. A avaliação da qualidade A avaliação da qualidade é um tema de grande importância e amplamente debatido na área da tradução. Diferentes teorias da tradução respondem à pergunta "O que é uma boa tradução?" de diversas maneiras, o que implica na existência de formas variadas de avaliar a qualidade de uma tradução. Este será o tópico abrangido nesta secção, mas, primeiramente, é necessário esclarecer o conceito de avaliação da qualidade. 3.4.1. Definições O procedimento de medir a tradução recebe diferentes nomes de acordo com o seu foco, que pode ser o tradutor, o processo de tradução ou o produto da tradução (Thelen, 2008, p. 412). Cabe aqui distinguir três conceitos que podem ser facilmente confundidos: avaliação de qualidade (quality assessment), garantia de qualidade (quality assurance) e controlo de qualidade (quality control) . Mossop (2020, p. 249) define a avaliação de qualidade como uma verificação de partes de uma tradução, após a entrega ao cliente, para determinar quais os padrões (profissionais, da organização e do cliente) que foram atingidos. Já a garantia (ou gestão) da qualidade, segundo Mossop (2020, p. 249), é um conjunto de procedimentos aplicados antes, durante e após o processo de tradução, feito por todos os membros envolvidos, para garantir que os objetivos de qualidade importantes para os clientes sejam atingidos. Em termos concretos, são sistemas implementados para prevenir e evitar erros ou problemas de qualidade em qualquer fase de um trabalho de tradução, e englobam todos os 4 Toury (1995) afirma que as normas tradutórias que controlam o processo de tomada de decisões do tradutor, gerando um texto adequado (que segue as normas do texto de partida) ou aceitável (que segue as normas do texto de chegada). 22 outros aspetos de alcançar e medir a qualidade, como a avaliação e o controlo de qualidade (Drugan, 2013, p. 76). Por último, o controlo de qualidade é um mecanismo que monitoriza se a tradução está em conformidade com os requisitos previamente acordados, com enfoque na inspeção do produto final, recorrendo à utilização de métricas específicas pré-determinadas (Rodríguez-Castro & Godev, 2019, p. 150). A garantia da qualidade é fundamentalmente diferente do controlo da qualidade no sentido em que representa uma abordagem orientada para o processo ou para a gestão que assegura a qualidade através da prevenção de não-conformidades; ao contrário do controlo, a garantia de qualidade concentra-se menos no que é feito do que como é feito, e implica que há uma inspeção, feita por clientes internos ou externos, que garante que os padrões de qualidade sejam respeitados (Dunne, 2006, p. 96-97). 3.4.2. Abordagens sobre a qualidade na tradução Os teóricos da tradução e os profissionais concordam largamente que não há uma forma objetiva única de medir a qualidade; no entanto, todos os dias, tradutores, editores, revisores, clientes e muitos outros têm de fazer exatamente isto (Drugan, 2013, p. 35). Drugan atribui a falta de consenso sobre o assunto a diversos motivos, dentre os quais se destacam: a discordância entre os teóricos, mesmo sobre a quantidade de categorias de modelos de avaliação de qualidade que existem; bem como o facto de que diferentes modelos avaliam diferentes questões, que podem ser a qualidade do produto, do processo, ou as habilidades e competências do tradutor. Soma-se a isto a diferença entre a teoria e a prática, ou seja, o facto de que os esforços académicos nesta área são ainda largamente ignorados, ou explicitamente rejeitados, pela profissão (Lauscher, 2000, p. 149). Tendo em conta este contexto, serão apresentados nesta secção alguns dos modelos mais conhecidos. A noção amplamente difundida, dentro do modelo linguístico de tradução, é que uma boa tradução é aquela que é tão exata quanto possível; a exatidão, porém, é um conceito relacional, ou seja, é necessário comparar a tradução com algo, geralmente o texto de partida, o que significaria que a tradução é a reprodução exata da mensagem do texto de partida (Schäffner, 1998, p. 1). Este tipo de abordagem remete para o conceito de equivalência. As teorias de tradução baseadas na equivalência veem a tradução como a tentativa de reproduzir um texto que seja o mais próximo possível do texto de partida; no entanto, o texto de chegada não 23 consegue ser equivalente ao texto de partida a todos os níveis, razão pela qual os investigadores distinguiram diferentes tipos de equivalência. As várias classificações que podem ser encontradas nos Estudos de Tradução para o termo "equivalência" (por exemplo, dinâmica, formal, funcional, semântica, referencial, estilística, entre outras) demonstram que a equivalência textual consiste em tantos elementos diferentes como o próprio texto (Reiss & Vermeer, 1984, p. 116). Os Estudos de Tradução não são uma disciplina homogénea, e os modelos tradicionais (como o modelo linguístico) acabaram por ser largamente substituídos (ou pelo menos complementados) por outras abordagens, cada uma das quais contribui mais para a compreensão do complexo fenómeno da tradução, e aplica critérios parcialmente diferentes à avaliação da qualidade da tradução (Schäffner, 1998, p. 1). Para além das abordagens baseadas na equivalência, Lauscher (2000, p. 156) cita as abordagens funcionais, que se baseiam no pressuposto de que a tradução é determinada mais por fatores relacionados com a cultura de chegada do que pelo texto de partida; a tradução é vista como um processo de produção de texto com base num texto de partida. A definição de tradução como produção, e não reprodução, merece destaque, visto que é uma oposição à ideia comum de que a tradução seria uma recriação ou reprodução imperfeita de um texto real; atualmente, o tradutor pode ser visto como autor de um texto, dado que a produção textual envolve elementos de criação original, como reformulação, paráfrase e eventuais explicações (Jakobsen, 1993, pp. 155-158). Para as abordagens funcionalistas, que incluem o conceito de skopos , já mencionado anteriormente, a qualidade não é dada objetivamente, mas depende do utilizador do texto e dos seus critérios para avaliar quão adequada e eficientemente um texto cumpre a sua função ou o seu propósito numa determinada situação específica (Schäffner, 1998, p. 2). Porém, as abordagens académicas sobre a avaliação de qualidade na tradução, como mencionado anteriormente, ainda não foram capazes de apoiar a avaliação da qualidade de forma prática, por não levarem em conta a realidade da tradução; os modelos observados negligenciam a ligação entre o contexto em que se realiza uma tradução e o impacto deste contexto no texto de chegada (Lauscher, 2000, p. 158). Sendo assim, é necessário observar o que é praticado na indústria. Os modelos de avaliação usados na indústria são predominantemente baseados em erros, sendo que os erros encontrados no texto traduzido são contados, classificados e ponderados de acordo com a sua gravidade por um tradutor ou revisor mais experientes, o que significa que os 24 erros e a gravidade destes devem ser predeterminados de acordo com critérios lógicos ou hierárquicos (Castilho et al., 2018, p. 14). Drugan (2014, p. 111) define dois tipos de modelos de avaliação da qualidade na indústria da tradução: ascendente (top-down) e descendente (bottom-up) ; as abordagens de cima para baixo são hierárquicas, ditadas pelo topo, exploram as competências de tradução e visam gerir ou controlar os níveis de qualidade; as abordagens de baixo para cima, em contraste, são conduzidas pelos próprios utilizadores ou fornecedores, com base no conhecimento da língua de chegada e/ou do produto, combinada com feedback do utilizador final. As métricas e os critérios de avaliação nos modelos de cima para baixo normalmente medem a tradução como um produto e envolvem a identificação de erros, e são operados por humanos, parcialmente automatizados ou totalmente automatizados; sendo que o nível de automatização é definido pelo limite de aceitabilidade estabelecido manualmente: num modelo parcialmente automatizado, por exemplo, os erros são detetados e categorizados de forma manual, e os resultados são posteriormente comparados automaticamente com o limite estabelecido de modo a calcular a qualidade da tradução em percentagens de erros em cada categoria (Thelen, 2019, p. 7). Um exemplo de métrica de avaliação parcialmente automatizada é a da Localisation Industry Standards Association (LISA), que tem continuado a ser utilizada mesmo após a LISA ter cessado as suas operações em 2011; em cada categoria, os erros classificados como "menores", "maiores" ou "críticos", de acordo com o avaliador (Castilho et al., 2018, p. 15). A norma ISO 17100, apesar de não fornecer critérios de avaliação e métricas, lista requisitos para consideração dos tradutores no momento da tradução que podem ser tidos como critérios de avaliação (Thelen, 2019, p. 7). Por conseguinte, o tradutor deve ter em conta (ISO 17100, 2015, p. 10): • A conformidade com a área de trabalho específica, a terminologia do cliente e/ou qualquer outro material de referência fornecido e garantir a consistência terminológica durante a tradução; • A precisão semântica em relação ao conteúdo do texto de chegada; • Sintaxe, ortografia, pontuação, sinais diacríticos e outras convenções ortográficas apropriadas para a língua de chegada; • A coesão lexical e fraseologia; • A conformidade com o guia de estilo disponibilizado pelo cliente; 25 • O Locale (a combinação de uma língua e o país ou região em que é falada) e quaisquer parâmetros aplicáveis; • A formatação; • O público de chegada e o propósito do conteúdo da língua de chegada. Uma abordagem completamente diferente, criada pela Translation Automation User Society (TAUS) é, por exemplo, a Dynamic Quality Framework (DQF). Este método de avaliação teve como base o contacto com prestadores de serviços de tradução e compradores de traduções, a partir do qual foi possível desenvolver uma tipologia de erro simples que se centrava nas necessidades dos seus membros, orientados para a localização, ou seja, a avaliação era mais específica, contendo categorias relacionadas ao locale e ao layout de websites e softwares (Lommel, 2018, pp. 123-124). Como apresentado, a área da avaliação de qualidade é complexa e possui diversos debates internos, estando em constante desenvolvimento. Há necessidade da articulação e diálogo entre teoria e prática, para que sejam criados modelos aplicáveis de forma eficaz no trabalho diário de um tradutor. 26 IV. Atividades realizadas no âmbito do estágio O estágio na Transcripta foi diverso e contou com diferentes tipos de tarefas, que serão apresentadas e descritas em detalhe a seguir. As tarefas realizadas ao longo do estágio envolveram a gestão de projetos, além de incluírem: a tradução de documentos jurídicos e farmacêuticos de inglês para português (europeu e brasileiro), bem como na direção contrária (conceito enquadrado na noção de direccionalidade em Estudos de Tradução); a formatação; o proofreading ; o controlo de qualidade; a impressão, certificação e entrega de documentos; e um projeto para a empresa. Como mencionado anteriormente, as tarefas eram distribuídas na plataforma Plunet e notificadas por e-mail , pelo que era necessário estar sempre atenta. Para ilustrar a minha produtividade, apresento o gráfico 1: Gráfico 1 Número de tarefas realizadas por semana Como é possível observar, existem duas semanas de destaque: a terceira e a décima terceira. Na terceira semana, houve dois treinamentos, que tomaram, ao todo, cinco horas e meia; soma-se a isto a baixa quantidade de pedidos no período, o que gerou a menor 0 10 20 30 40 50 60 Tarefas realizadas 27 produtividade. Na décima terceira semana, devido à ausência de alguns membros da equipa, o número de tarefas aumentou significativamente, gerando a maior produtividade. A distribuição das tarefas é apresentada no gráfico 2: Gráfico 2 Quantidade de tarefas por categoria Cabe indicar que cada atividade foi contabilizada independentemente da quantidade de horas necessárias para completá-la, o que significa que o projeto, em especial, só aparece uma vez no gráfico, apesar de ter sido uma tarefa que levou em torno de uma semana (já que foi realizada em momentos em que não havia outras tarefas). Observa-se, então, que o controlo de qualidade foi a atividade mais comum, seguida da formatação, já que ambas eram tarefas mais simples e não tinham como requisito o conhecimento das línguas de partida e de chegada. Quanto aos géneros observados em todas as tarefas, tem-se a seguinte divisão, apresentada no gráfico 3: Treinamento Controlo de qualidade Formatação Impressão, certificação e entrega Tradução-teste Tradução Criação de cotações Proofreading Update Projeto 34 Tabela 1 Traduções realizadas Título do texto Língua de partida Língua de chegada Género textual Marriage and birth certificate Português brasileiro Inglês Jurídico Notarial certificate Inglês Português brasileiro Jurídico Proof of address Português europeu Inglês Jurídico Payslip Português europeu Inglês Geral Pentoxifylline Generis Português europeu Inglês Farmacêutico Proof of address Português europeu Inglês Jurídico Medical report Português europeu Inglês Médico Como observado, as traduções realizadas foram de textos curtos, em sua maioria certidões, e os prazos estabelecidos foram largos. A tradução (e a formatação, quando necessária) era feita por mim e posteriormente revisada por uma tradutora que trabalha para a empresa em regime freelance . Em seguida, as gestoras de projetos atribuíam a tarefa de controlo de qualidade para mim, para que eu pudesse verificar o que foi corrigido. A pesquisa, de forma padrão, foi feita utilizando a plataforma ProZ, destinada a tradutores freelancers e agências de tradução. Os termos ou frases eram, então, pesquisados no Google para confirmar os seus usos. 4.2.1. Traduções realizadas A primeira tradução foi feita na quarta semana de estágio, e os textos traduzidos foram quatro: dois relativos a uma certidão de nascimento e dois relativos a uma certidão de casamento. Sendo assim, não possuíam muitas palavras e o seu conteúdo não foi de difícil tradução, salvo algumas palavras e expressões particulares, como “tabelião de notas”, ”juiz de casamento” e “nada mais me cumpria certificar”. A formatação levou, ao todo, uma hora e 40 minutos; a tradução, duas horas e 30 minutos; e a revisão, 30 minutos. Na tabela 2, observa-se o número de palavras nos textos de partida e de chegada para esta tradução. O feedback recebido da revisora apontou poucos erros, como valores numéricos que não tiveram a sua pontuação alterada (da vírgula para o ponto, como é feito em inglês) e a tradução de “por extenso”, que foi corrigida de “in words” para “in full”. 35 Tabela 2 Número de palavras dos textos da primeira tradução Número de palavras (texto de partida) Número de palavras (texto de chegada) Texto 1 412 424 Texto 2 265 268 Texto 3 472 467 Texto 4 403 391 A segunda tradução deu-se na quinta semana de estágio e tratou-se de um único documento, a revogação de uma procuração. Em textos da área jurídica, como este, observa-se o uso de expressões formulaicas e normalizadas como “eu, abaixo assinado” e “constituir como meu bastante procurador”, que tiveram de ser pesquisadas, dado o seu caráter específico da área de especialidade. O texto de partida tinha 272 palavras e o de chegada, 257. A tradução levou 40 minutos e a revisão, 20. O feedback recebido apontou poucos erros, e um exemplo de correção feita foi a tradução de “Santa Catarina”, que mantive igual, para “estado de Santa Catarina”. A terceira tradução foi recebida na oitava semana de estágio. Os documentos traduzidos eram dois documentos iguais, provas de domicílio fiscal, com apenas nomes e códigos diferentes. O texto de partida possuía 168 palavras e o de chegada, 148. A formatação e a tradução levaram uma hora e sete minutos, e a revisão, dez minutos. Esta tradução, apesar de curta, demandou uma longa pesquisa para alguns dos termos e expressões encontrados, como “Chefe de Finanças do Mapa de Pessoal da Autoridade Tributaria e Aduaneira”. Foram poucas as correções feitas, incluindo o termo mencionado, que havia traduzido como "Head of Finance of the Portuguese Tax and Customs Authority" e foi corrigido para "Head of Finance at the Human Resources section of the Portuguese Tax and Customs Authority". A quarta tradução foi recebida também na oitava semana, sendo um recibo de remuneração. O documento continha diversas expressões desconhecidas, mas que puderam ser pesquisadas com certa facilidade, como “total ilíquido” e “vencimento base”. A tradução levou 52 minutos e a revisão, dez. O texto de partida tinha 171 palavras e o de chegada, 166. De acordo com o feedback , havia alguns erros, como a tradução de “taxas de IRS”, que traduzi como “IRS taxes” e foi corrigido para “IRS rate”. A quinta tradução foi feita na nona semana e tratou-se de um texto farmacêutico, a embalagem de um medicamento. O texto de partida tinha 333 palavras e o de chegada, 339. 36 Destacam-se algumas siglas utilizadas, como MG (medicamento genérico) e código AIM (Autorização de Introdução no Mercado), que tiveram de ser pesquisadas. A tradução levou 42 minutos e a revisão, dez minutos. Para esta tradução, não houve feedback . A sexta tradução foi recebida na décima semana, sendo os documentos idênticos aos da terceira tradução, que foi utilizada como base. Somente foram alterados nomes e números. A sétima e última tradução, recebida também na décima semana, foi um relatório médico. O texto de partida tinha 271 palavras e o de chegada, 279. A tradução levou 30 minutos e a revisão, 21. Vários termos posaram um desafio, como "dificuldades mnésicas" e "agitação interior", o que se refletiu no feedback, já que alguns erros foram apontados. O primeiro destes dois termos, que traduzi como "mnesic difficulties", foi corrigido para "memory difficulties", o que consistiu num problema de terminologia; o segundo, que traduzi como "agitation", foi corrigido para "inner turmoil". 4.2.2. “Traduções-teste” As “traduções-teste”, como mencionado anteriormente, foram feitas em períodos de menor movimento e estimulavam a autoaprendizagem, já que a tradução era feita por mim e posteriormente recebia a tradução entregue pela empresa para que pudesse compará-las. Ao todo, foram seis “traduções-teste”, sendo quatro jurídicas e duas farmacêuticas. Todas tiveram como língua de chegada o inglês e, como língua de partida, duas tiveram o português brasileiro, duas tiveram o português europeu e duas tiveram o japonês. Cabe destacar a última “traduçãoteste”, feita na décima semana, já que pude utilizar o Trados Lite para realizar a tradução de um Folheto Informativo e de um Resumo das Características do Medicamento. Sendo assim, foi possível observar como funcionava o software , com a memória de tradução da empresa. 4.2.3. Atualizações de textos farmacêuticos As atualizações de textos farmacêuticos, ou updates , como eram chamados na empresa, consistiam na seguinte tarefa: o cliente enviava o Folheto Informativo e o Resumo de Caraterísticas Médicas de um medicamento, já traduzidos anteriormente pela empresa, acompanhado da versão mais recente do texto em inglês. O processo, então, envolvia verificar quais foram as mudanças (que, por vezes, poderiam ser enviadas num ficheiro Excel ) e alterar o 37 texto onde necessário. Tive a oportunidade de fazer dois updates , sendo que a duração foi de, em média, uma hora. 4.3. Controlo da qualidade O controlo de qualidade era feito após a revisão. Consistiu, principalmente, em verificar se a formatação estava correta, além de analisar números e nomes; por isso, não era necessário ter conhecimento das línguas envolvidas na tradução, o que tornou esta atividade uma das mais frequentes. Havia uma lista com itens a verificar, disponibilizada pela empresa: se o texto de partida e o texto de chegada possuíam o mesmo número de páginas, parágrafos, frases e itens; se os números eram precisamente iguais aos originais; se os nomes, as moradas e outros nomes próprios eram iguais aos originais; se a formatação (tabelas, número de colunas e linhas) era igual à original; se elementos como assinaturas e carimbos foram substituídos pelas palavras correspondentes ( signature , stamp, entre outros); se havia outros erros, inconsistências ou discrepâncias. Para realizar a tarefa, no Word, era utilizada a função Registar Alterações para indicar as partes corrigidas ao gestor de projetos, que verificava o ficheiro após o término da tarefa. Os documentos entregues eram três: um com as alterações indicadas, um com as correções em comentários, e um que era igual ao segundo, mas em formato PDF. 4.4. Formatação A formatação consistiu em um processo com diversas partes. O documento digitalizado passava pelo programa ABBYY FineReader, que convertia o conteúdo automaticamente para um ficheiro Word. Após a receção do documento convertido, era necessário verificar se não havia nenhuma parte do documento faltando, bem como se o documento estava em formato editável; verificar se números e nomes estavam corretos; remover elementos como assinaturas e carimbos e substituí-los por uma caixa de texto com a descrição do que foi removido; alterar a fonte e o tamanho da fonte, se necessário; e alinhar o texto. As figuras 8 e 9 demonstram um exemplo de documento antes e depois de ser formatado. 38 Figura 8 Documento sem formatação Figura 9 Documento formatado 39 Esta tarefa me permitiu adquirir conhecimentos sobre o Word que não possuía antes, com noções mais profundas sobre a criação de tabelas e caixas de texto. Além disso, foi possível aprimorar a minha atenção ao detalhe, no sentido em que tinha de verificar se todas as partes do documento original foram devidamente transpostas para o documento formatado. No geral, boa parte das formatações era simples e consistia apenas em remover símbolos e assinaturas e substituí-los, mas algumas requereram um pouco mais de trabalho, nomeadamente as que continham grande quantidade de elementos e/ou as que não foram propriamente convertidas. 4.5. Proofreading A atividade de proofreading , definida previamente como um processo que acontece após a revisão e consiste em examinar o texto de chegada e aplicar correções caso necessário, foi realizada apenas uma vez, e durou quatro horas. Tratava-se de um site de apostas em português brasileiro, visto que as normas da empresa definem que esta tarefa só pode ser realizada por um falante nativo da língua. Este elemento é um dos que diferencia proofreading e revisão na empresa, o que vai de acordo com a norma ISO 17100, já que a revisão pode ser feita mesmo por um falante não-nativo, sendo o único requisito ter dois anos de experiência como tradutor. O proofreading foi uma atividade isolada, no sentido em que as etapas anteriores da tradução não foram realizadas pela Transcripta. Foi estabelecido contacto com uma representante do site por Skype , que se disponibilizou, durante toda a atividade, para fornecer instruções, esclarecer eventuais dúvidas e verificar outras palavras ou expressões não incluídas originalmente no site. Foi necessário fazer o registo no site, com uso de uma rede privada virtual (também conhecida como VPN, Virtual Private Network ), que permitiu o acesso ao site como se estivesse no Brasil (esta ferramenta foi pesquisada e instalada por mim no dia anterior). Durante o processo de registo, como era necessário verificar também mensagens de erro, tive de preencher os campos de modo a causar o erro de informação inválida, e, em seguida, apagá-los, para causar o erro de informação em falta. Antes de fazer o registo, no entanto, foi preciso fazer o proofreading do site pré-registo, que continha informações diferentes. Para sinalizar os erros encontrados, foram tiradas capturas de ecrã do site , que foram compiladas num ficheiro Word. Este ficheiro foi enviado à representante da empresa, com as devidas correções abaixo das imagens. As partes que não estavam traduzidas foram apontadas 40 de forma individual. Para clarificar o uso de algumas palavras ou expressões, foram verificadas as versões do site em inglês e em espanhol. As alterações feitas, na maior parte das vezes, foram com relação ao artigo que precedia o nome da empresa, que foi usado de forma inconsistente tanto no masculino quanto no feminino. No decorrer da atividade, a representante apresentou outros itens para que fizesse o proofreading : capturas de ecrã do aplicativo e e-mails que eram enviados aos usuários do site em diferentes ocasiões. Após as quatro horas previamente estabelecidas, a atividade foi encerrada. 4.6. Impressão, certificação e entrega de traduções A atividade de imprimir, certificar e entregar documentos envolvia várias etapas e variava conforme o tipo de tradução. De forma geral, era feita a inclusão de uma página de certificação com os dados do documento e com o logótipo e o selo da empresa, como ilustrado na figura 10. Observa-se, então, que na página há: o título do documento; a língua de partida; a língua de chegada; o número da tarefa; a data de preenchimento da página; a assinatura e o carimbo de um representante da empresa; e o carimbo e o selo da empresa. A certificação, como escrito no parágrafo em inglês na imagem, atesta que a empresa é certificada pela norma ISO 17100 e registada pelo Ministério dos Assuntos Estrangeiros e Europeus de Malta. Contém também uma garantia de que o documento entregue é uma tradução verdadeira, fiel e completa do documento na língua de partida. 41 Figura 10 Exemplo de certificação da empresa Os documentos eram, então, digitalizados e preparados para entrega, o que envolvia agrafar as folhas, furá-las e inserir um ilhó para garantir que o documento não seria aberto ou violado. 42 Em seguida, eram inseridos num envelope e devidamente entregues: ou eram postos na mesa da receção do escritório, ou eram inseridos na caixa do correio, a poucos minutos de distância. Era de extrema importância saber o passo-a-passo da atividade e não se esquecer de nenhuma etapa. No início, ocorreram alguns erros, mas as gestoras de projeto estavam sempre dispostas a ajudar. Em primeiro lugar, era necessário descarregar o arquivo PDF, com o texto de partida e o texto de chegada juntos. Em seguida, o documento era impresso e organizado: primeiro, a certificação, preenchida pelo estagiário; depois, uma folha da empresa, com o texto Translated Documents (documentos traduzidos), acompanhado do texto de chegada; uma folha com o texto Original Documents (documentos originais) e o texto de partida. Feita a organização, o documento era digitalizado e enviado para a plataforma Plunet. Por último, o documento era agrafado, o ilhó era inserido e o documento era inserido num envelope. Quando o documento tinha de ser entregue por correio, era necessário pesá-lo, verificar no site Malta Post o custo do envio e colar o(s) selo(s) necessário(s). Havia uma diferença entre as traduções médicas e os demais tipos de traduções: as traduções médicas tinham de ser impressas num papel já assinado e carimbado por um dos gestores de projetos, enquanto as outras traduções eram impressas em papel comum. 4.7. Projeto para reconhecimento de línguas Na décima semana, a gestora de recursos humanos enviou-me, pelo Skype, uma mensagem, contendo a ideia de um projeto para facilitar o trabalho dos gestores de projetos. Como eram recebidos pedidos em diversas línguas, por vezes, havia dificuldades em reconhecer a língua de partida de um texto recebido (e, muitas vezes, o cliente não fornecia esta informação, que poderia ser desconhecida até para ele). A ideia, então, era criar um documento de referência para estes momentos de dúvida que permitisse a um gestor de projetos reconhecer uma língua com mais facilidade. Sendo assim, o documento deveria ser fácil de compreender e de navegar, para que a informação necessária fosse encontrada rapidamente. Foi-me fornecida a lista de línguas com as quais a empresa trabalha, além de alguns exemplos de línguas facilmente confundidas (como português e espanhol). Era necessário informar à gestora de recursos humanos sobre o meu progresso, para que eu pudesse receber feedback . 43 Tendo estas informações, parti, inicialmente, da lista de línguas disponibilizada. O meu primeiro passo foi pesquisar sobre o alfabeto de cada uma, bem como exemplos de textos em cada língua. Os sites Omniglot e MyLanguages foram de grande auxílio. A figura 11 ilustra um exemplo do documento, com a língua croata. Figura 11 Exemplo do documento do projeto de reconhecimento de línguas Tendo feito o mesmo processo para todas as línguas, parti para a pesquisa sobre línguas facilmente confundidas. Como exemplo, apresento, na figura 12, a informação encontrada sobre a comparação entre dinamarquês, norueguês e sueco. 50 Association Scholarly Monograph Series: Vol. XVI (pp. 189–210). John Benjamins Publishing Company. https://doi.org/10.1075/ata.xvi.10tsv Zouncourides-Lull, A. (2011). Applying PMI methodology to translation and localization projects: Project Integration Management. In K. J. Dunne & E. S. Dunne (Eds.), American Translators Association Scholarly Monograph Series: Vol. XVI (pp. 71–94). John Benjamins Publishing Company. https://doi.org/10.1075/ata.xvi.06zou 51 Anexos Anexo I – Avaliação da Transcripta 52 Anexo II – Carta de recomendação 53 Anexo III – Tradução de uma certidão de casamento Texto de partida 54 Texto de chegada (com correções) 55 Anexo IV – Tradução de uma certidão de casamento Texto de partida 56 Texto de chegada (com correções) 57 Anexo V – Tradução de uma revogação de procuração Texto de partida 58 Texto de chegada (com correções) 59 Anexo VI – Tradução de um recibo de remuneração Texto de chegada