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O impacto profissional no mercado de trabalho dos licenciados do Instituto Federal Goiano

Vilela, Maria de Fátima

Abstract

A presente proposta de trabalho está inserido nas linhas de pesquisa Gestão Pública e Políticas Públicas. O objetivo é analisar como tem sido a receptividade do mercado de trabalho aos egressos, advindos do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, buscando-se evidenciar com isso se a formação adquirida por estes concluintes está satisfazendo a demanda do mercado de trabalho e se estes egressos estão atuando na sua formação profissional. Pretende--se com este trabalho contribuir para que a instituição conheça a realidade dos egressos no mercado de trabalho, e permite que possam analisar se as estruturas curriculares estão adequadas às demandas do mercado. A pesquisa é importante, haja vista que as políticas de diretrizes desenvolvidas nos cursos de Bacharelado em Agronomia, Licenciatura em Química, Tecnólogo em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet, devem estar alinhadas as expectativas do mercado de trabalho. Para realização deste estudo foi adotada uma abordagem metodológica quali-quantitativa, a coleta de dados apoiou-se na pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo. Utilizou-se inquérito por questionário , o qual foi enviado por meio eletrônico, para os egressos que concluíram os cursos de Bacharelado em Agronomia, Licenciatura em Química, Tecnólogo em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet no período de 2010 à 2016. Dos resultados alcançados foi possível aferir que a maioria dos licenciados estão inseridos no mercado de trabalho atuando em áreas relacionadas com a formação adquirida, e os cursos estão atendendo as demandas do mercado de trabalho.

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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Maria de Fátima Vilela abril de 2021 O Impacto Profissional no Mercado de Trabalho dos Licenciados do Instituto Federal Goiano Maria de Fátima Vilela O Impacto Profissional no Mercado de Trabalho dos Licenciados do Instituto Federal Goiano UMinho|2021 Maria de Fátima Vilela abril de 2021 O Impacto Profissional no Mercado de Trabalho dos Licenciados do Instituto Federal Goiano Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Joaquim Filipe Ferraz Esteves Araújo Dissertação de Mestrado Mestrado em Administração Pública em Gestão Pública e Políticas Públicas Área de especialização Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, professor Doutor Joaquim Filipe Ferraz Esteves Araújo, de forma muito especial, pelo acompanhamento, prontidão, apoio e compreensão dispensados na orientação e realização deste projeto. Aos meus familiares, em especial meus pais Alberto Cascão (em memória) e Maria Euripa Vilela Cascão, meus filhos Kelvin, Kassio e Késsio, a minha irmã Maria de Lourdes, pelo incentivo e apoio para vencer mais esta etapa. Aos meus amigos mais que especiais que do Mestrado: Ronaldo, Clara, Jaqueline, Patrícia e Glória, pelo apoio incondicional e solicitude durante toda a nossa jornada. A minha chefe imediata, Laianny Barbosa do Prado, Coordenadora da Unidade de Registros Escolares de Ensino de Graduação e as demais colegas de trabalho, pelo incentivo e apoio durante todo o período. Ao professor Luciano Carlos Ribeiro da Silva, Diretor Geral do IF Goiano Câmpus Morrinhos, e ao professor Dr. Gilberto Silvério da Silva, pelo apoio e incentivo financeiro, sem os quais, não seria possível a concretização deste projeto. Por último, mas não menos importante, a todos os participantes desta investigação, pois sem a sua colaboração não seria possível a realização desta investigação. A todos, muito obrigada! iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v O Impacto Profissional no Mercado de Trabalho dos Licenciados do Instituto Federal Goiano RESUMO A presente proposta de trabalho está inserido nas linhas de pesquisa Gestão Pública e Políticas Públicas. O objetivo é analisar como tem sido a receptividade do mercado de trabalho aos egressos, advindos do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, buscando-se evidenciar com isso se a formação adquirida por estes concluintes está satisfazendo a demanda do mercado de trabalho e se estes egressos estão atuando na sua formação profissional. Pretende--se com este trabalho contribuir para que a instituição conheça a realidade dos egressos no mercado de trabalho, e permite que possam analisar se as estruturas curriculares estão adequadas às demandas do mercado. A pesquisa é importante, haja vista que as políticas de diretrizes desenvolvidas nos cursos de Bacharelado em Agronomia, Licenciatura em Química, Tecnólogo em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet, devem estar alinhadas as expectativas do mercado de trabalho. Para realização deste estudo foi adotada uma abordagem metodológica quali-quantitativa, a coleta de dados apoiou-se na pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo. Utilizou-se inquérito por questionário , o qual foi enviado por meio eletrônico, para os egressos que concluíram os cursos de Bacharelado em Agronomia, Licenciatura em Química, Tecnólogo em Alimentos e Tecnologia em Sistemas para Internet no período de 2010 à 2016. Dos resultados alcançados foi possível aferir que a maioria dos licenciados estão inseridos no mercado de trabalho atuando em áreas relacionadas com a formação adquirida, e os cursos estão atendendo as demandas do mercado de trabalho. Palavras-Chave: egressos; ensino superior; inserção profissional; mercado de trabalho. vi The professional impact on the business market from graduates of the “Instituto Federal Goiano” ABSTRACT The present work proposal is inserted in the research lines Public Management and Public Policies. The objective is to analyze how the job market receptivity to graduates has been, coming from the Federal Institute of Goiás - Campus Morrinhos, trying to show with this if the training acquired by these graduates is satisfying the demand of the job market and if these graduates are working on their professional training. The aim of this work is to contribute so that the institution knows the reality of graduates in the labor market, and allows them to analyze whether the curricular structures are adequate to the demands of the market. Research is important, given that the policies of guidelines developed in the courses of Bachelor in Agronomy, Degree in Chemistry, Technologist in Food and Technology in Internet Systems, must be aligned with the expectations of the labor market. To carry out this study, a qualitative and quantitative methodological approach was adopted, the data collection was supported by bibliographic research, documentary research and field research. A questionnaire survey was used, which was sent electronically, to the graduates who completed the Bachelor of Agronomy, Chemistry Degree, Food Technologist and Internet Systems Technology courses from 2010 to 2016. From the results achieved, it was possible to verify that the majority of graduates are inserted in the labor market working in areas related to the training acquired, and the courses are meeting the demands of the labor market. Keywords: graduates; higher education; job market; professional insertion. vii ÍNDICE GERAL DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS ...................... ii AGRADECIMENTOS .......................................................................................................................... iii RESUMO ........................................................................................................................................... v ABSTRACT ....................................................................................................................................... vi LISTA DE ABREVIATURAS ................................................................................................................. ix ÍNDICE DE FIGURAS .......................................................................................................................... x ÍNDICE DE GRÁFICOS ....................................................................................................................... x INDÍCE DE TABELAS ........................................................................................................................ xi ÍNDICE DE ANEXOS .......................................................................................................................... xi CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 1 1.1. Definição e enquadramento do tema ......................................................................................... 1 1.2. Questão de Partida e Objetivos do Estudo .................................................................................. 3 1.3. Relevância e Contributo do Estudo ............................................................................................. 3 CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA .......................................................................................... 4 2.1. A problemática da inserção profissional no mercado de trabalho ................................................ 4 2.1.1. Conceito de inserção profissional ................................................................................... 4 2.1.2. Estratégias de inserção no mercado de trabalho .............................................................. 5 2.1.3 Estágios profissionais como mecanismo de inserção ........................................................ 5 2.1.4. A importância do diploma de graduação ......................................................................... 6 2.2. Ensino superior e mercado de trabalho ...................................................................................... 9 2.2.1. Papel das universidades ................................................................................................. 9 2.2.2. Interação universidades-empresas ............................................................................... 10 CAPÍTULO III - SISTEMA DE ENSINO SUPERIOR NO BRASIL ........................................................... 14 3.1. A expansão do ensino superior no Brasil .................................................................................. 14 3.2. Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia ............................................................. 16 3.2.1. O Surgimento dos Institutos Federais: breve histórico .................................................... 16 3.2.2. Panorama da Evolução dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia ........ 17 3.3. Histórico e caracterização do Instituto Federal Goiano .............................................................. 18 CAPÍTULO IV – METODOLOGIA ....................................................................................................... 23 4.1. Design de investigação ............................................................................................................ 23 4.2. Método de pesquisa ................................................................................................................ 23 2 emprego em uma área diferente de sua formação ou a busca de trabalho em outras cidades ou países (...)” ( Araújo & Sarriera, 2004), apud Dias (2016: 11) De acordo com alguns estudos, os alunos que se envolvem com atividades extracurriculares, como: estágios, monitorias, pesquisas, estarão mais preparados em relação ao futuro profissional (Bardagi et al., 2006; Teixeira & Gomes 2004; Silva 2010). O fato de muitas empresas exigirem maior nível de qualificação profissional, tem levado alguns jovens a permanecer mais tempo na universidade, na busca de novos cursos de qualificação. Isso ocorre em virtude da expectativa e esperança de que, quanto mais qualificados, mais bem preparados estejam para competir no mercado de trabalho, atuando de forma satisfatória na área em que escolheu. Para que uma organização de ensino superior alcance alguns de seus objetivos, como a inserção de seus concluintes no mercado de trabalho, é preciso que seus cursos também atendam alguns requisitos importantes exigidos pela maioria das empresas, tais como: ser multicultural, trabalhar em equipe, fazer networking, ser interdisciplinar, falar em público, liderar e gerir pessoas, contratar, negociar, ler ambientes, saber portar-se em uma reunião, etc. Poucas universidades do país têm reciclado suas matrizes curriculares no intuito de atender essas exigências empresariais. Esperamos que num futuro próximo todas as instituições de ensino superior se rendam à essas mudanças e proporcionem ao recém-formado uma maior competitividade profissional. O mercado de trabalho já é e continua se tornando a cada dia um ambiente cada vez mais competitivo, isto graças a profissionais cada vez mais qualificados que vão surgindo todos os dias. Antigamente podia-se dizer que ter apenas um diploma universitário já seria suficiente para conseguir um bom emprego, hoje, no entanto, um diploma de ensino superior não é “mais que obrigação” se o candidato realmente almejar um lugar dentre as maiores empresas do mercado. Levando em consideração que os Institutos Federais de Educação preparam os alunos para ingressar no mercado de trabalho, o estudo da realidade dos egressos é essencial para qualquer Instituição de Ensino Superior, porque permitem que a instituição de ensino acompanhe como os egressos estão inseridos no mercado de trabalho, as informações obtidas servem para analisar se as diretrizes do curso estão alinhadas ao mercado de trabalho, fazendo as alterações necessárias. Neste enquadramento, a presente dissertação tem como objetivo principal, identificar como tem sido a receptividade do mercado de trabalho aos egressos, advindos do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, buscando-se evidenciar com isso se a formação adquirida por estes concluintes está satisfazendo a demanda do mercado de trabalho e se estes egressos estão atuando na sua formação profissional. 3 1.2. Questão de Partida e Objetivos do Estudo Tendo em conta a problemática exposta, a presente investigação procurou dar resposta à seguinte questão de investigação: Qual a receptividade do mercado de trabalho em relação aos alunos licenciados do Instituto Federal Goiano? A procura de resposta para essa questão mencionada levará a concretização dos respectivos objetivos específicos:  Analisar se a formação dos egressos está atendendo as exigências do mercado de trabalho;  Levantar se os egressos estão exercendo atividades relacionadas à sua formação,  Descrever a experiência de ingresso no trabalho dos licenciados dos cursos superiores do Instituto Federal Goiano. 1.3. Relevância e Contributo do Estudo Em virtude da falta de estudos sobre o Impacto Profissional dos egressos formados no Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos este estudo além de pioneiro, mostra-se necessário, em função do compromisso que as instituições de ensino superior devem assumir em relação à boa formação e preparação dos formandos que buscam estar à altura das exigências do mercado. O resultado da investigação contribui para que a instituição conheça a realidade dos egressos no mercado de trabalho, e permite que possam analisar se as estruturas curriculares estão adequadas as demandas do mercado. O estudo também contribui para aprofundar o conhecimento sobre a integração dos recémlicenciados no mercado de trabalho. Como visto anteriormente as considerações explanadas e os objetivos a atingir, a presente dissertação está estruturada em 6 capítulos, os quais são precedidos pela Introdução, a Revisão da Literatura, Contextualização, a Metodologia, os Resultados da Investigação e as Conclusões Gerais. 4 CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA Neste capítulo, aprofundaremos alguns conceitos e definições do fenômeno da inserção profissional. 2.1. A problemática da inserção profissional no mercado de trabalho 2.1.1. Conceito de inserção profissional A inserção profissional dos recém-formados tem se tornado um objeto de constante debate no meio acadêmico e na sociedade. Isso se dá devido às incertezas com respeito ao valor do diploma superior e também em relação ao futuro do diplomado no mercado profissional. Frente a essas incertezas, muitos jovens optam por adiar o momento em que se inserirão ao mercado profissional e continuam na universidade em cursos de especialização, como forma de futuramente estarem mais qualificados, serem valorizados e poderem competir com outros por igual vaga no mercado de trabalho (Teixeira e Gomes, 2004). O termo “inserção profissional”, de acordo com Neves (2017), refere-se a um período em que o jovem sai da universidade e ingressam no mercado de trabalho. Segundo Rocha de Oliveira: Define-se a inserção profissional como um processo individual e coletivo, histórico e socialmente inscrito. Individual porque diz respeito à experiência vivenciada por cada sujeito na esfera do trabalho, bem como escolhas profissionais e expectativas de carreira. É um processo coletivo por ser vivenciado de maneira semelhante por uma mesma geração ou grupo profissional. É um processo histórico, pois desenrola como a “moldura” de elementos econômicos, sociais e políticos que caracterizam uma época. É socialmente inscrito, pois é marcado por processos institucionalizados e representações sociais compartilhadas pelos indivíduos de determinado grupo ou região sobre o período de inserção profissional (Oliveira, 2012: 8). A inserção profissional é o período em que ocorre o término do estudo e a busca por uma vaga de emprego no mercado de trabalho relacionado com o curso realizado, momento em que o indivíduo estará colocando em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do percurso acadêmico. De acordo com Alves (2008), apud Botelho (2016: 07) “a inserção corresponde ao momento em que a articulação entre a formação inicial e emprego ocorre, desenrolando-se sob o signo da adequação entre emprego-formação e da mobilidade social”. Sobre a inserção profissional, Alves (2017) afirma que: A inserção profissional constitui um tema de debate nas sociedades contemporâneas, sendo que uma análise atenta das observações que quotidianamente se produzem sobre este assunto revela que o termo inserção profissional significa, essencialmente, a obtenção de um emprego e de uma situação profissional e contratual estável. (Alves, 2017: 228). De acordo com Vérnières, apud Rocha de Oliveira (2012: 04), a “inserção profissional é o processo pelo qual os indivíduos que jamais participaram da população ativa ingressa em uma posição estável 5 no sistema de emprego”. Para o autor a inserção profissional se relaciona com o fim dos estudos e a entrada no mundo laboral, não levando em conta os que já ingressaram no mercardo e se encontram desempregados. O autor ressalta que muitos egressos quando terminam o curso, e estes não encontram carreiras profissionais relacionadas com seu curso de formação, e mesmo nesses casos, se inserem em áreas diferentes de trabalho. Ingressar num curso superior, concluir e ingressar no mercado de trabalho não é tarefa fácil. A maioria dos jovens enfrentam inúmeras dificuldades para vencer essa transição, pois um “diploma” na mão não garante estabilidade profissional. Diante da atual situação econômica no Brasil, ter um diploma em mãos pode não ser garantia de trabalho, assim como afirma Felisberto (2001: 28),“mas é quase uma questão de sobrevivência no disputado mercado profissional”. 2.1.2. Estratégias de inserção no mercado de trabalho Os recém-formados usam diversas formas de estratégias na busca do emprego. O bom relacionamento com colegas universitários, professores e orientadores, pode contribuir para a inserção no mundo laboral. Samssudim (2009), apud Dias (2015) e Gehringer (2008) estão de acordo com a ideia de que uma boa relação social dos indivíduos é uma das principais fontes de sucesso na conquista de um emprego, uma vez que o apoio social representa uma fonte de informações, suporte e motivação em todo o percurso. Costa & Dominguinhos (2013) desenvolveram um estudo que teve como objetivo principal analisar o percurso profissional dos licenciados no Instituto Politécnico de Setubal (IPS) no ano de 2010/2011. Com base nisso, os autores afirmaram que os licenciados empregados inseriram-se no mercado de trabalho através de um diversificado conjunto de meios, a candidatura espontânea, grupo de amigos e colegas, anúncios, concurso público e estágio curricular. As estratégias às quais dispõem oportunidades de emprego são estratégias formais e informais. Nas formais, destacam-se os mecanismos públicos e privados de emprego, serviços de inserção profissional das instituições de ensino. Nas informais estão as (redes sociais do sujeito, nos contactos, através de família, amigos e conhecidos) (Gray, 2005; Try, 2005). 2.1.3. Estágios profissionais como mecanismo de inserção É importante que a instituição de ensino possua um departamento de estágio, o qual estará aproximando e desenvolvendo inciativas de promoção de inserção dos alunos no mercado de trabalho. 6 O estágio profissional é considerado uma atividade importante no curso superior, pois é o momento que o aluno estará frente à realidade profissional, colocando em prática os conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do curso, também proporciona uma ligação entre a universidade e o mercado de trabalho. Segundo Rocha-de-Oliveira e Piccinini (2012): No limite entre a universidade e o mundo produtivo, têm-se os estágios que, em décadas anteriores, foram criados pelas instituições de ensino como meio de complementação da formação e acesso ao mercado de trabalho. Atualmente, os estágios confirmam o seu papel de inserção profissional organizada, estruturada na convergência dos sistemas educativo e produtivo, em que a escola/universidade já incorpora aspetos de aprendizado prático à formação. Dessa forma, deixa de ser apenas um meio de formação das instituições de ensino e passa a ser reconhecido por organizações e estudantes como uma forma legítima (e às vezes necessária) para ingresso na esfera laboral. (Oliveira & Piccinini, 2012: 46). De acordo com Crebert et al. (2004), a conclusão do estágio possibilita o desenvolvimento das habilidades genéricas e atributos pessoais dos alunos; oferece a oportunidades de emprego e desenvolvimento de carreira. Segundo os autores, o estágio é o momento em que o aluno terá oportunidade de reforçar a aplicação das competências genéricas aprendidas em sala de aula. Em um estudo realizado por Dias, et al, (2015), sobre os estágios curriculares e seu impacto na empregabilidade 1 dos licenciados da Universidade de Aveiro, revelou que os estágios proporcionam: Desenvolvimento de competências e acesso facilitado ao emprego. Tabela 1 - Desenvolvimento de Competências e acesso facilitado ao emprego Desenvolvimento de competências Acesso facilitado ao emprego  Os estudantes adquirem maturidade no local de trabalho;  Presenciam a realidade do mercado de trabalho.  Estudantes permanecem a trabalhar na empresa ou em outras. Fonte: Dias et Al (2015) 2.1.4. A importância do diploma de graduação Há um certo tempo, o facto de ter um diploma já era a garantia para conseguir uma vaga no mercado de trabalho, hoje em dia a realidade é bem diferente, além do diploma é necessário que o profissional esteja sempre se atualizando, adquirindo conhecimentos em diversas áreas, informática e o domínio de outras línguas, esses conhecimentos já fazem parte das seleções que as empresas fazem para escolher um empregado. 1 “Empregabilidade é ter um conjunto de habilidades, conhecimento, compreensão e atributos pessoais que tornam uma pessoa mais propensa a escolher e garantir uma ocupação em que ele se sinta satisfeito e bem sucedido.” 7 Nota-se uma dificuldade por parte dos diplomados do ensino superior para obter um emprego estável e bem remunerado, o diploma não representa um passaporte para o mercado de trabalho, mas sim um meio a facilitar a inserção profissional (Alves, 2017). Acerca disso, Ramos et al (2014) declaram que: Embora o diploma acadêmico pareça ainda garantir maior proteção perante o desemprego, são incontestáveis as crescentes dificuldades dos diplomados no acesso ao emprego, na estabilização dos seus percursos profissionais, permeados frequentemente pela pluralidade de estatutos perante o trabalho e pela vivência de situações de desqualificação profissional. (Ramos, et al, 2014: 3). A posse de um diploma é vista como uma condição necessária e não totalmente suficiente para a trajetória inicial na inserção profissional. O diploma deixa de ser uma garantia de desemprego, e sim um recurso para inserir no mercado de trabalho (Marques, 2007). Para Vedder, Denhart & Robe (2013), a maioria dos graduados são subempregados, ou seja, muitos trabalham em áreas que não exigem diplomas universitários. Segundo o autor, há um problema de “super investimento”: as instituições de ensino têm produzido mais graduados do que o mundo laboral necessita, muitos estão ocupando vagas de baixa qualificação e com isso as pessoas que têm apenas o ensino médio estão sendo expulsos do mercado de trabalho. Quando os jovens entram para a universidade, esperam que, após a conclusão do curso superior, possam entrar no mercado de trabalho e aplicar todo o conhecimento adquirido ao longo do percurso acadêmico. Segundo Teichler (2002: 8), “O ensino superior tem uma função de qualificação para o mundo do trabalho e para todas as esferas da vida dos graduados. É responsável pela geração, transmissão e preservação do conhecimento”. De acordo com Voese (2012) os estudantes ingressam no ensino superior com o objetivo de transformar-se em profissionais qualificados e preparados para atuar no mercado de trabalho e é a partir dessa vivência que são agregados conhecimentos e informações para sua carreira profissional. O autor enuncia que: A qualidade do profissional que a instituição de educação superior disponibiliza no mercado de trabalho influencia e interage com o perfil profissional, econômico e de desenvolvimento social da região e do País no qual o mesmo está inserido. Sendo assim, enfatiza-se que a instituição de educação superior como parte integrante do meio sócio-cultural proporciona o crescimento não só da sua região, mas também de todo um País. (Voese, 2012: 57). A transição da universidade para o mercado de trabalho é uma fase importante para os profissionais recém-formados, é o momento em que passarão por um processo de grandes mudanças na vida. Para muitos graduados, essa transição vem acompanhada de medos, inseguranças e incertezas. Muitos recém-formados, como projeto futuro, procuram trabalho autônomo 2 . Essa seria uma forma de 2 Prestador de serviços ou profissional liberal; 8 obter um emprego frente à escassez de oferta de oportunidades no mercado de trabalho (Melo; Borges, 2007). Outros profissionais buscam ingressar na carreira pública, preferindo a estabilidade e segurança. A escolha por permanecer na vida de estudante, carreira autônoma e concursos públicos, se da à falta de opção em conseguir um emprego na área de formação (Valore e Selig, 2010). Em um estudo liderado por Monte et al (2012), verificou-se que, em relação às áreas de atuação dos egressos no mercado de trabalho, 80% exercem atividades administrativas e 18% não exercem atividades administrativas. No critério sobre os egressos se avaliam profissionalmente em relação as exigências do mercado de trabalho, 63% declaram que ainda se preparam; 31% consideram-se profissionais bem preparado; 31 % consideram-se muito bem preparados e apenas 3% dos entrevistados declaram estar pouco preparados. Em um estudo realizado por Melo & Borges (2007) sobre a transição da universidade ao mercado de trabalho na ótica do jovem, os aspectos mais negativos foram a inadequação na preparação para o mercado de trabalho; falta de integração entre teoria e a prática; falta de preparo para a rotina de trabalho; o mercado de trabalho encontra-se exigente; dinamicidade das ocupações; difícil entrada no mercado, mercado competitivo, as respostas referentes a dificuldades para conseguir emprego foram a falta de experiência, objetivos e a falta de qualificação. Diante de tais fatos, os autores destacam que é importante que as universidades repensem sua função diante das transformações no mundo do trabalho, incluindo como parte de suas atividades acadêmicas projetos voltados para a inserção do graduando no mercado de trabalho. Em outro estudo realizado por Souza & Paiano, M. (2011), intitulado “ Desafios e dificuldades enfrentados pelos profissionais de enfermagem no início de carreira”, cujo objetivo foi compreender como os enfermeiros recém-graduados vivenciam seu primeiro emprego, a transição da graduação para o trabalho foi percebida pelos enfermeiros como um momento desafiador, de muitas descobertas, frustrações, alegria e realizações. Frente a essas exigências do mercado de trabalho, é necessário que os recém-formados busquem uma especialização na sua área de formação, pois, o profissional que esteja em constante qualificação, será mais valorizado e conquistará uma vaga de emprego frente um mercado tão exigente e competitivo, as empresas estão cada dia mais exigentes, buscam profissionais que tenham habilidades e possam resolver os problemas de maneira eficaz. 9 2.2. Ensino superior e mercado de trabalho 2.2.1. Papel das universidades Devido à competitividade no mundo atual o mercado de trabalho exige um maior preparo do profissional, mostrando suas competências e habilidades. As empresas requerem das universidades recursos humanos preparados e qualificados para atuar no mercado. Porém, o fato é que a escassez de mão de obra qualificada tem se tornado um sério problema em determinados setores da economia. As universidades não oferecem suporte necessário aos estudantes no que se refere ao desenvolvimento de carreira à preparação para a transição universidade-trabalho (Oliveira e Coleta, 2008; Teixeira e Gomes, 2004). Quanto maior for a adequação dos cursos ao mercado de trabalho, melhor os profissionais estarão preparados para atender as demandas do mercado e contribuir para o desenvolvimento do País. Esse problema poderia ser enfrentado pelas instituições de ensino por meio de adequação das matrizes curriculares e também a partir de orientação e suporte aos alunos no processo de definição da área em que atuarão. Para Taveira (2001, p. 66), “é importante que a universidade esteja mais atenta àquilo que é necessário recorrer e fazer para ajudar os alunos adquirir e a desenvolver não só os conhecimentos como também as atitudes e competências críticas para as suas vidas de trabalho futuras”. Segundo a autora, a universidade não deve ser apenas um transmissor de conhecimentos a seus alunos, mas também ser um mediador no desenvolvimento vocacional e pessoal de cada aluno. O autor Kuenzer (2013), no seu artigo “As mudanças no mundo do trabalho e a educação: novos desafios para a gestão”, enumera alguns pressupostos que o projeto pedagógico deve contemplar: - Articulação entre o conhecimento básico e conhecimento específico a partir do mundo do trabalho, concebido enquanto lócus de definição dos conteúdos que devem compor o programa, contemplando os conteúdos das ciências exatas, das diferentes linguagens, da tecnologia e outros; - Articulação entre saber para o mundo do trabalho e saber para o mundo das relações sociais, privilegiando-se conteúdos demandados pelo exercício da cidadania, que se situam nos terrenos da economia, da política, da história, da filosofia, da ética e assim por diante; - Articulação entre conhecimento do trabalho e conhecimento das formas de gestão e organização do trabalho; - Articulação dos diferentes atores para a construção da proposta: setores organizados de sociedade civil, professores e pedagogos, responsáveis pela gestão estatal de educação e responsáveis pela formação de profissionais de educação. (Kuenzer, 2013: 58). Da parte do profissional, espera-se que esteja em constante atualização para que consiga se destacar no mundo laboral, seja através de recursos específicos de pós-graduação, especializações strictu senso , fluência em idiomas. 10 Em uma pesquisa realizada por Jones et al (2010), com estudantes de fisioterapia do Reino Unido, para explorar como estava a preparação dos estudantes para entrar no mercado de trabalho e identificar como as universidades podem fazer para facilitar essa transição. As principais descobertas foram:  Os alunos não conseguiam identificar as habilidades essenciais ou transferíveis exigidas pelo empregador;  Os estudantes desconheciam diferentes processos de seleção para entrevista com empregadores;  Sentiam receio de iniciar a procura por emprego, devido à escassez e concorrência. No estudo realizado por Teixeira e Gomes (2004), os entrevistados afirmaram que a “ formação oferecida pelo currículo dos cursos é considerada insuficiente para uma boa preparação profissional, e há uma distância entre como aprenderam a realizar as tarefas profissionais na faculdade e a realidade do mercado de trabalho”. A mesma linha de raciocínio segue Jones et all (2010), quando afirma que “ as universidades devem refletir sobre sua grade curricular para produzir graduados que atendam às expectativas dos empregadores”. Em uma pesquisa realizada por Zulauf (2006), sobre a importância da provisão de habilidades de empregabilidade, os entrevistados avaliaram como muito importante o trabalho em equipe, autoconfiança, definição de metas, gerenciamento de tempo, tomada de decisão e estrutura de texto e escrita. De acordo com o Relatório de Dearing Apud Holmes (2013), as habilidades chaves para o sucesso dos graduados no futuro são as “habilidades de comunicação, o uso da tecnologia da informação e aprender a aprender”. Para Gehringer (2008: 167), “educação continuada é vital, porque, por meio dela os profissionais conseguem outra coisa, também vital chamada atualização”. Neste contexto, frente a um mercado competitivo, os recém-formados devem estar atentos à educação continuada, para que possam estar atualizados e conquistar a inserção no mundo laboral. 2.2.2. Interação universidades-empresas O grande desafio para os educadores consiste em formar profissionais aptos a responderem as demandas de uma sociedade complexa e inserirem-se em um mercado de trabalho competitivo. Dentro deste contexto, porém, a formação não deve apenas privilegiar a entrada e permanência no mercado de trabalho, mas também enfatizar uma educação humanista, que promova a construção de sujeitos críticos, autônomos e com capacidade de transformação (Jesus, et al, 2013: 337). 11 Nos últimos anos, a interação entre as universidades e as empresas tem recebido uma maior atenção, pois essa interação colabora com inovação. As universidades são vistas como produtoras de conhecimento no setor de negócios, as quais disponibilizam para as empresas capital humano bem preparados Schartinger et al (2001). É importante que as universidades tenham um departamento que mantenha contato com as empresas, alunos e diplomados (Alves, 2003). A ligação das universidades com as empresas é de suma importância, pois é uma forma de se ter sempre noção das necessidades presentes. Com essa parceria, as universidades só têm a ganhar, além de ter mais condições de proporcionar aos alunos oportunidade de estágios profissionais e propiciar-lhes possibilidades de se inserir no mercado de trabalho logo que saem da universidade. As parcerias entre Universidades e Empresas facilitam sobremaneira o acesso dos egressos ao mercado de trabalho, seja na forma de estágios ou por meios de contratações definitivas. Não obstante, estas parcerias contribuem de forma significativa para o desenvolvimento econômico e social de um estado ou país. De acordo com Gusmão (2009), as relações entre a universidade e empresas contribuem na transferência de conhecimentos, recursos financeiros, humanos e infraestruturas envolvidas no empreendedorismo. A sociedade normalmente enxerga as Universidades como formadoras de recursos humanos, o que de fato é um de seus principais objetivos. Entretanto, faz-se necessário que haja um entrosamento, uma troca de informações e uma parceria transparente que possibilite a inserção dos egressos no mercado de trabalho. Pode-se constatar que a realidade do mundo do trabalho é diferente da graduação. Nesta perspectiva, destaca-se a necessidade de reformular a formação acadêmica, não só em relação à revisão de conteúdos, mas também de construir estratégias de integração dos estudantes ao mundo do trabalho, antecipando o que irá encontrar e como deve agir diante desta transição. É preciso pensar uma formação orientada para o trabalho que integre habilidades teóricas e práticas, atitudes e valores éticos, ao mesmo tempo em que contemple conhecimentos gerais e específicos. ( Souza e Souza et al, 2014: 14). No Brasil, de modo geral, a relação de cooperação entre a universidade e empresa ainda precisa amadurecer para que traga mais benefícios para os dois lados e se reflita positivamente no futuro profissional dos universitários e consequentemente, contribua para transformação do país. Enquanto as universidades têm de conhecer as práticas empresariais para capacitar seus alunos, o mercado de trabalho depende do conhecimento da academia e da formação de bons profissionais para alavancar os negócios. 18 5. Colégio Pedro II Figura 2 - Expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica - Em Unidades. Fonte: MEC/2016 Como descrito na Figura 1, a Rede Federal se caracteriza por ter passado por uma grande expansão. De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas no país. Entre os anos de 2003 e de 2016, o Ministério da Educação concretizou a construção de mais 500 novas unidades referentes ao plano de expansão da educação profissional, totalizando 644 campi em funcionamento. 3.3. Histórico e caracterização do Instituto Federal Goiano O Instituto Federal Goiano foi criado por meio da Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008, juntamente com 37 Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia Goiano. Surgiram do reordenamento e expansão da Rede Federal de educação profissional e tecnológica, essa expansão iniciou em abril de 2005 ( Brasil, 2013) O Instituto Federal Goiano é uma instituição equiparada às Universidades Federais. Por ser uma autarquia federal, é detentora de autonomia administrativa patrimonial, financeira, didática, pedagógica e disciplinar. No entanto, além de educação superior, oferecem cursos de qualificação profissional de curta duração, cursos técnicos de nível médio e pós-graduação. Os cursos que prevalecem na educação superior são os cursos de tecnologia, bacharelado e licenciatura, oferecem também cursos de aperfeiçoamento profissional, pós-graduação lato e stricto sensu , como especialização, mestrado 19 profissional e doutorado. Atende hoje aproximadamente 15 mil alunos por ano nas modalidades presencial e a distância. Tabela 4 - Quantitativo de alunos dos Cursos de Graduação do Instituto Federal Goiano. Cursos de Graduação Nº de Alunos Matriculados Bacharel em Agronomia 1026 Bacharel em Zootecnia 479 Bacharel em Ciência da Computação 121 Bacharel em Ciências Biológicas 452 Bacharel em Engenharia Agrícola 146 Bacharel em Engenharia Ambiental 1 Bacharel em Engenharia de Alimentos 176 Bacharel em Engenharia Civil 229 Bacharel em Gestão Ambiental 1 Bacharel em Medicina Veterinária 182 Bacharel em Sistemas da Informação 121 Tecnologia em Agronegócio 325 Tecnologia em Alimentos 161 Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas 118 Tecnologia em Gestão da tecnologia da Informação 54 Tecnologia em Sistemas para Internet 83 Licenciatura em Ciências Biológicas 464 Licenciatura em Matemática 69 Licenciatura em Pedagogia 123 Licenciatura em Química 453 Licenciatura e Bacharelado em Química 3 Segunda Licenciatura em Pedagogia 34 Cursos Pós Graduação – Lato senso Especialização 123 Cursos Pós Graduação – Strictu Senso Mestrado 346 Doutorado 58 Fonte dos dados: https://suap.ifgoiano.edu.br/edu/ Em Goiás criaram-se dois Institutos Federais: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiano – IF Goiano, voltado à oferta de cursos nas áreas das ciências agrícolas, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás – IFG, voltado à oferta de cursos nas áreas industriais (ibid. 2009) 20 Possui, atualmente, campus em doze municípios de Goiás: Rio Verde, Ceres, Urutaí, Morrinhos, Iporá, Campos Belos, Posse, Trindade, Hidrolândia, Cristalina, Ipameri, Catalão. A Reitoria está situada em Goiânia, capital do Estado. Figura 3 - Localização Geográfica do Instituto Federal Goiano. Fonte: Disponível em: www.ifgoiano.edu.br. O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) tem como missão proporcionar educação profissional de qualidade, visando à formação integral do cidadão para o desenvolvimento da sociedade. Busca se consolidar como instituição de referência nacional na promoção de educação profissional verticalizada, valorizando, a ética, respeito à diversidade e ao meio ambiente, comprometimento, gestão democrática, transparência, integração e a excelência na atuação ( IF GOIANO, 2009). 3.4 - Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos O Município de Morrinhos está localizado na região sul do Estado de Goiás, com uma população estimada em 2016, de 45.135 habitantes, segundo dados do IBGE. As principais cidades próximas a Morrinhos e suas distâncias são: Goiânia (128 km), Anápolis (184 km), Brasília (336 km), Caldas Novas (58 km), Itumbiara (87 km), Uberaba (323 km) e Uberlândia (217 km). A posição da cidade de Morrinhos é extremamente estratégica, pois está inserida em rotas de grandes centros urbanos, que possuem mercado consumidor amplo, com grandes possibilidades para o desenvolvimento em 21 diferentes áreas da economia, oportunizando aos jovens ingressantes nos cursos superiores escolher dentre os diversos cursos ofertados nas IES, portanto, a oferta de cursos em nível superior contribui significativamente para a expansão e melhorias da política institucional no campus Morrinhos, sendo a expansão de oferta de ensino uma importante ferramenta de decisão dos gestores para o desenvolvimento dos programas institucionais. O Instituto Federal Goiano campus Morrinhos se originou da Escola Agrotécnica Federal de Urutaí - GO, e teve como ato de autorização, a Portaria nº 46, de 13 de janeiro de 1997, do Ministério da Educação, Cultura e Desporto. A princípio, as aulas teóricas eram ministradas no prédio da Faculdade de Educação, Ciência e Letras de Morrinhos (FECLEM), atual Universidade Estadual de Goiás - Unidade Universitária de Morrinhos (UEG - UnU Morrinhos), devido ao fato de as instalações escolares do campus Morrinhos estarem em fase de construção. Após recebimento de parte das obras, em 1998, as aulas teóricas passaram a ser ministradas em sede própria. Entretanto, as aulas práticas continuaram a ser realizadas fora da instituição, uma vez que a instituição não dispunha de recursos (máquinas, equipamentos e animais) necessários. Através de um Decreto Presidencial, assinado em 16 de agosto de 2002, atribuiu-se nova denominação à Instituição que passou a ser nominada por Centro Federal de Educação Tecnológica de Urutaí (CEFET - Urutaí), nomenclatura também estendida à sua Unidade Descentralizada em Morrinhos. Por força da Lei nº 11.892, de 29/12/2008, a maioria dos CEFET's, a partir de 2009, foram elevados à categoria de Institutos Federais, e houve um processo crescente de expansão da oferta de educação profissional e tecnológica, com a criação de novas instituições em todo território nacional e investimentos nas instituições já existentes. A política de criação dos Institutos Federais trouxe para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano, especificamente para o campus Morrinhos maior autonomia, pois o CEFET - Unidade Descentralizada de Morrinhos deixou de estar subordinada ao CEFET de Urutaí, condição que abriu possibilidades para a gestão dos próprios recursos e participação na tomada de decisões. 22 Tabela 5 - Quantitativo de alunos Cursos de Graduação IF Goiano – Campus Morrinhos/2019. Cursos de Graduação Nº de Alunos Matriculados Bacharel em Agronomia 185 Bacharel em Zootecnia 133 Bacharel em Ciência da Computação 78 Tecnologia em Alimentos 77 Tecnologia em Sistemas para Internet 91 Licenciatura em Pedagogia 139 Licenciatura em Química 64 Total: 767 Fonte: Dados fornecidos pela Unidade de Registros Escolares de Ensino de Graduação Campus Morrinhos. 23 CAPÍTULO IV – METODOLOGIA Conforme apresenta Fachin (2006), a metodologia é um plano de ação que direciona os leitores a compreender as etapas do estudo e os instrumentos nele utilizados. Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos adotados nesta investigação, bem como as técnicas de recolha de dados e também, amostra do estudo. A proposta da pesquisa é investigar e analisar a receptividade dos egressos universitários no mercado de trabalho. 4.1. Design de investigação O método a ser usado recorrerá a um desenho de investigação não experimental através do caso, o qual permitirá tratar do problema profundamente e com integração de dados. Segundo Yin (2015): O estudo de caso permite que os investigadores foquem um “caso” e retenham uma perspectiva holística e do mundo real como no estudo dos ciclos individuais da vida, o comportamento de pequenos grupos, os processos organizacionais e administrativos, a mudança de vizinhança, o desempenho escolar, as relações internacionais e a maturação das indústrias (Yin, 2015: 04). Segundo o autor, o estudo de caso é um método de pesquisa comum na área da psicologia, sociologia, ciência política, antropologia, assistência social, administração, educação, enfermagem e planejamento comunitário. Para Coutinho e Chaves (2002, p. 224), uma das características importante da abordagem metodológica é que por meio dela o investigador “recorre a fontes múltiplas de dados e a métodos de recolha muito diversificados: observações diretas e indiretas, entrevistas, questionários, narrativas, registos áudio e vídeo, diários, cartas, documentos, etc.” A unidade de análise são os graduados dos cursos superiores de Agronomia, Alimentos, Química e Tecnologia em Sistemas para Internet do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, no período de 2010 à 2016. O período abrangido justifica-se por serem as primeiras turmas a concluirem o curso. 4.2. Método de pesquisa A presente pesquisa trata-se de um estudo descritivo com base num questionário e em entrevistas, recorrendo a uma abordagem predominantemente qualitativa. Também utilizaremos em conjunto um processo de natureza quantitativo. Segundo Bell (2004: 19-20), apud Bento (2012: 02), “as abordagens qualitativas e quantitativas têm sido usadas, com muito sucesso, conjuntamente. Os dados qualitativos podem também ser usados para suplementar, validar, explicar, iluminar ou reinterpretar 24 dados quantitativos obtidos dos mesmos sujeitos”. A abordagem qualitativa consiste também em: “obter descrições detalhadas de uma realidade que permitam a interpretação de uma situação ou contexto” Araújo (2012:76). Segundo Bell (2004: 19-20), os “investigadores quantitativos recolhem os fatos e estudam a relação entre eles” enquanto que os investigadores qualitativos “estão mais interessados em compreender as percepções individuais do mundo. Procuram compreensão, em vez de análise estatística (...). Contudo, há momentos em que os investigadores qualitativos recorrem a técnicas quantitativas e vice-versa.” Para a análise das informações recolhidas recorreu-se as técnicas estatísticas utilizando o software estatístico Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 25. 4.3. Amostra Pode-se referir a universo ou população como “um conjunto definido de elementos que possuem determinas características”, e amostra é um “subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população” (Gil, 1989: 92). O inquérito a graduados do Instituto Federal Goiano Campus Morrinhos tem como universo de estudo o conjunto dos 129 graduados que concluíram o curso no período de 2012 à 2016. Em relação a seleção da amostra, o estudo foi realizado mediante os dados obtidos junto aos Registros Escolares de Graduação da instituição pesquisada. Justifica-se a escolha desses concluíntes em função de serem as primeiras turmas dos cursos superiores de Bacharelado em Agronomia, Tecnologia em Alimentos, Licenciatura em Química e Tecnologia em Sistemas para Internet. Escolheu aplicar o inquérito por via e-mail, após contato telefônico com os graduados, foi possível atualização dos e-mails. Os participantes da entrevista foram selecionados a partir da lista dos graduados que responderam o questioário e que se colocaram a disposição para futuros contatos. Foi usada uma amostra com 8 individuos, sendo 4 do sexo feminino e 4 do sexo masculino. 4.4. Recolha de Dados A recolha de dados é uma etapa fundamental na investigação proporcionando a ligação entre o enquadramento teórico e os resultados aguardados, contribuindo para a produção de informação (Costa, 2012). Como método de recolha de dados foi designado dois instrumentos, o inquérito por questionário adequado à abordagem quantitativa, e outro adequado à abordagem qualitativa, denominada entrevista semiestruturada. 25 Um inquérito por questionário é composto por um conjunto de perguntas, levando em consideração a ordem, conteúdo e inscritas num formulário, ele permite recolher informação de forma extensiva, atingindo um número maior de sujeitos (Costa, 2012). No questionário usado para avaliar a inserção dos graduados no mercado de trabalho, foram inseridas questões relacionadas a inserção profissional após a conclusão do ensino superior. O questionário foi composto por questões fechadas e aplicado aos egressos dos cursos superiores do Instituto Federal Goiano - Campus Morrinhos, por meio eletrônico (via e-mail). Esse instrumento foi elaborado através do Google Forms. Foi criada uma primeira versão do questionário que foi primeiramente feito um pré-teste com 5 pessoas e após o pré-teste foram feitas os ajustamentos sugeridos, o mesmo foi administrado no período 21/02/2020 à 29/04/2020. Para efeito, elaborou-se um questionário constituído por cinco partes, na primeira parte, pretende-se recolher dados referentes à caracterização sócio demográfica dos egressos (idade, gênero, estado civil, naturalidade, curso de graduação e ano de conclusão). A segunda parte tem como objetivo avaliar a adequação da formação acadêmica ao mercado de trabalho e a terceira parte integra a caracterização institucional. A quarta parte é composta por questões para aferir a caracterização do percurso profissional. Por fim, a quinta parte integra questões relacionadas a caracterização da situação profissional. A estrutura do questionário é composta por quatro dimensões: (1) Adequação da formação acadêmica ao mercado de trabalho, três itens; (2) caracterização institucional, três itens; (3) Caracterização do percurso profissional, quatro itens; (4) Caracterização da situação profissional, quatro itens. Para efeito de análise das respostas, foi utilizada uma escala de Likert de 1 a 5. O questionário foi aplicado de forma anônima e confidencial, acompanhado do termo de confidencialidade. Foram enviados 129 inquéritos, terminada a recepção dos inquéritos por e-mail, obteve uma amostra de 82 indivíduos, o que representa uma taxa de resposta considerável de 63,5% face ao universo do trabalho. Outro recurso empregado foi a entrevista semi-estruturada, a partir qual foram identificadas as percepções dos egressos em relação à sua formação e inserção no mercado de trabalho. Esta etapa teve um roteiro tópico flexível. Segundo Yin (2001), a entrevista “é uma das mais importante fonte de informação para um estudo de caso”. Através da entrevista, foi estabelecido contato direto com o entrevistado, o qual teve liberdade para falar abertamente, sendo que o entrevistador conduziu o roteiro da entrevista. Como refere Costa (2012, p.151), “nas entrevistas semi-estruturadas o entrevistador deve adoptar uma atitude mais 26 flexível na condução da entrevista, logo o seu grau de envolvimento na interação com o entrevistado aumenta”. A amostra da entrevista foi constituida por 8 inquiridos que participaram da pesquisa, das quais 4 inquiridos do sexo feminino e outros 4 do sexo masculino. Para a caracterização sociodemográfica foram levadas em consideração as seguintes váriaveis: sexo, idade, estado civíl, curso e situação profissional. Segue abaixo o quadro com a representação: Tabela 6 - Caracterização dos entrevistados. Entrevistado Curso Sexo Idade Estado civil Situação profissional E1 Bacharelado em Agronomia M 32 Solteiro Empregado E2 Bacharelado em Agronomia F 27 Solteira Estudante E3 Licenciatura em Química F 28 Solteira Empregada E4 Tecnologia em Alimentos F 45 União estável Servidora Pública E5 Tecnologia Sistemas p/ Internet F 43 Divorciada Desempregada E6 Tecnologia Sistemas p/ Internet M 32 União estável Servidor público E7 Licenciatura em Química M 27 Solteiro Empregado E8 Tecnologia em Alimentos M 33 Casado Empregado Fonte: Dados da entrevista Os entrevistados foram contactados por e-mail, devido a situação que estamos vivenciando no mundo a pandemia do Covid 19, as entrevistas foram realizadas por videoconferência, e conduzidas no período de 24/07/2020 à 16/08/2020, com duração de 20 a 60 minutos. Foi agendado com cada um dos participantes a data e horário de acordo com a disponibilidade de cada um, para a realização da entrevista usamos o Google Meet. O termo de confidencialidade foi enviado a cada participante para preenchimento e assinatura. Ao iniciar a entrevista foi solicitada a permissão de gravação da entrevista, garantindo o anonimato e a confidencialidade. 4.5. Operacionalização dos Conceitos Os dados que compõem o presente estudo resultaram da literatura relevante, tratando assim de instrumentos fiáveis e devidamente validados. A operacionalização de conceitos é essencial num trabalho de investigação cientifica, a clarificação dos conceitos de forma rígida ajuda a comunicação 27 entre os investigadores e apresentar de forma mais clara o objeto do projecto de investigação (Araújo, 2012). 4.5.1. Inserção Profissional O conceito de inserção profissional foi operacionalizado adotando uma escala devidamente validada, constituída por 14 itens. Tabela 7 - Conceito Inserção Profissional. Conceito de Inserção Profissional Dimensões de Análise Indicadores/escalas Adequação da formação acadêmica ao mercado de trabalho - adequação do curso - habilidades adquiridas - relação entre a atividade profissional e o curso Caracterização institucional - razões que levaram a estudar na instituição - avaliação dos cursos - estruturas de apoio ao graduado Caracterização do percurso profissional - formação complementar - razões que levaram a fazer formação complementar - contributo da graduação para a inserção no mercado de trabalho - meios de acesso ao emprego Caracterização da situação profissional - situação profissional - contributo do estágio na inserção profissional - grau de satisfação quanto ao atual emprego - área de atuação profissional Fonte: Autoria própria Os itens que compõem a escala de cada dimensão da inserção profissional foram agrupados através da construção de índices, como o índice adequação da formação acadêmica ao mercado de trabalho, caracterização institucional, caracterização do percurso profissional e caracterização da situação profissional. 4.6. Pergunta de investigação e proposições De acordo com Yin (2015), as proposições, surgem como um segundo componente, a ser examinado em um projeto, numa investigação pode proceder à formulação de uma ou mais proposições. Outros estudos não possuem nenhuma proposição, como estudos de experimentos, levantamentos ou outras estratégias de pesquisa. Para o autor as proposições são vistas como uma extensão explicativa da pergunta de investigação, considerando que a pergunta por si só não indica o que deve ser estudado. Assim, formulam-se as seguintes Proposições: 34 Gráfico 5 - Adequação do curso ao mercado de trabalho. Fonte: dados da pesquisa Mesmo com a boa avaliação dos egressos em relação à adequação do curso ao mercado de trabalho é necessário que a universidade esteja atenta as demandas das empresas, para que possa estar adequando as matrizes curriculares dos cursos. Na análise dos dados da entrevista, a maior parte dos entrevistados (5 em 8), considera que há uma adequação do curso e dos conteúdos curriculares em relação ao mercado de trabalho, mesmo levando muito para a parte teórica. Os entrevistados afirmaram que seria positivo incluir mais aulas práticas na matriz do curso. (E1, 24/07/2020) “Com experiência no mercado de trabalho, na teoria, a grade do curso de Bacharelado em Agronomia é bem apta para o mercado de trabalho, ela é bastante focada na parte teórica... acho que precisava trabalhar mais a parte prática do curso, porque na teoria já tem muita coisa... vê muita matéria e pouca prática” (E2, 24/07/2020) “Acho que sim, com certeza. No meu caso eu quis continuar especializando, porque me interessei num conteúdo muito especifico que não era abordado no curso, mais de uma forma geral o curso é bem suficiente sim.” (E3, 28/07/2020) “Eu acredito que sim, já tem um tempo, muita coisa me ajudou, principalmente a parte de química analítica, a gente fez um curso de licenciatura essa parte não estou utilizando, mais a parte de química analítica acredito que sim, se aplica de acordo com as exigências...” 3,66% 7,32% 28,05% 43,90% 17,07% Nada Adequado Pouco Adequado mais ou menos adequado Adequado Muito Adequado 35 (E6, 03/08/2020) “Eu não sei falar no mercado de trabalho em questão, que nem eu falei, o meu mercado de trabalho foi o concurso público... estava alinhadíssimo pra fazer a prova, porque realmente eu não estudei pra fazer a prova, porque realmente o que foi ensinado e só com aquilo que eu tinha aprendido na faculdade eu consegui fazer a prova...” Os outros 2 entrevistados justificam a não adequação, pelo facto dos conteúdos curriculares serem básicos, e não serem suficientes para as exigências do mercado de trabalho. (E5, 28/07/2020) “Os conteúdos curriculares são básicos, assim sendo, dão ao aluno um direcionamento de conteúdos. Porém, não são suficientes para as exigências do mercado de trabalho, que exigem do profissional muito conhecimento na área. Sendo necessário que o aluno busque mais conhecimentos fora da sala de aula” (E7, 14/08/2020) “Não. Os conteúdos na grade curricular estão com a grade de matérias pedagógicas no mínimo exigido para ser considerado um curso de Licenciatura, por isso não acredito que é o suficiente pelas exigências do mercado.” Percebemos nas falas dos entrevistados, que a maioria valoriza a componente prática, deve-se trabalhar mais a parte prática do curso. Por outro lado, percebe-se que um curso de graduação não tem por objetivo formar somente para o mercado de trabalho. Outro objetivo importante é formar pesquisadores, acadêmicos e ‘concurseiros’. Por isso a teoria ainda é tão importante, quanto à prática. Segundo Teixeira (2004) a prática contribui para o senso de competência profissional, como os estágios, projetos de extensão, monitorias ou na pesquisa se mostram importantes para o seguimento na carreira acadêmica, promovendo o contato com os professores que se tornam agentes facilitadores na transição. 5.2.2. Capacidades/competências adquiridas durante o curso O mercado de trabalho a cada dia que passa está muito exigente quando vão contratar, não basta ter um diploma de curso de graduação, exigem também que os candidatos possuem habilidades e capacidades para determinada situação. Nesse sentido, os objetivos do ensino superior “consistem no desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e competências, nomeadamente na resolução de problemas, que o indivíduo é capaz de aplicar em diferentes circunstâncias, analisando criticamente e assumindo os seus posicionamentos” (Alves, 2003: 205). A leitura da tabela, mostra que há uma significativa valorização das capacidades/competências adquiridas durante o curso. Como podemos observar pela leitura da tabela a competência mais 36 destacada foi “assumir responsabilidades”, seguido da competência “comunicação” e depois “analisar cenários”. A competência que apresenta maior resultado é a “assumir responsabilidades” com média 4,0 e desvio padrão de 0,930, o que significa que essa competência tem a maior expressividade. A competência “comunicação” com média 3,90 e moda 4, o que significa que os respondentes demonstram ter adquirido essa competência. A competência Auto-confiança, possui uma menor expressão média 3,70 demonstrando menor reconhecimento pelos respondentes. O desvio padrão é uma medida que indica a dispersão dos dados dentro de uma amostra com relação a média. Assim, quando se calcula o desvio padrão juntamente com a média de diferentes grupos, obtém se mais informações para avaliar e diferenciar seus comportamentos. É importante saber que um desvio padrão grande significa que os valores amostrais estão bem distribuídos em torno da média, enquanto que um desvio padrão pequeno indica que eles estão condensados próximo da média. Em outras palavras quanto menor o desvio, mais homogênea é a amostra. Tabela 12 – Média e Desvio-Padrão das capacidades/competências Capacidades/ Competências Mín. Máx. Média Desvio Padrão Moda Comunicação 1 5 3,90 0,911 4 Liderança e trabalho em equipe 1 5 3,80 0,895 4 Tomar decisões 1 5 3,78 0,903 4 Analisar Cenários 1 5 3,85 0,877 4 Auto-confiança 2 5 3,70 0,939 4 Assumir responsabilidades 1 5 4,0 0,930 4 Fonte: dados da pesquisa Para destacar no mercado de trabalho, os profissionais precisam ter habilidades, responsabilidade, comunicação, atitude e ética, não basta apenas conhecimentos acadêmicos. As empresas valorizam também as competências não técnicas, as quais tem a ver com “as suas atitudes, comportamentos interpessoais e capacidade de integração na organização de trabalho” (Alves, 2003: 266). 37 5.2.3. Relação da atividade profissional com o curso concluído Em relação ao nível de relacionamento entre atividade profissional e o curso concluído, verifica-se que 34,15% e 26,83% dos inquiridos ficaram entre “totalmente relacionada” a “relacionada”, totalizando 60,98% de pessoas trabalhando na área de formação. Apenas, 15,85% trabalha em uma área “mais ou menos relacionada”, 9,76% “pouco relacionada” e 13,41% “nada relacionada”. A análise efetuada revela que, há uma correspondência entre o curso concluído e a atividade profissional exercida pelos inquiridos. Gráfico 6 - Relação atividade profissional e o curso concluído. Fonte: Dados da pesquisa Verifica-se que apenas 4 dos 8 entrevistados, afirmam que a atividade profissional está relacionada com o curso concluído. Outros estão foram da área de formação e 1 está cursando doutorado. Um dos respondentes encontra-se a trabalhar numa cooperativa dos profissionais de agronomia de Maringá, onde é cooperado e presta trabalho representado por ela. Outra entrevistada trabalha na área de formação em uma Usina de açúcar e numa farmácia de manipulação de produtos dermatológicos, as áreas estão relacionadas com o curso concluído. Outra participante é servidora pública e trabalha na área de formação. No entanto, observa-se que todos consideram aptos a exercer a profissão. (E1, 24/07/2020) “Hoje estou vinculado a Unicampo - Cooperativa dos profissionais de Agronomia de Maringá... sou cooperado da Unicampo e fazendo trabalho representado por ela, considero apto a exercer minha profissão.” 13,41% 9,76% 15,85% 26,83% 34,15% Nada relacionada Pouco relacionada Mais ou menos relacionada Relacionada Totalmente relacionada 38 (E3, 28/07/2020) “Minha área profissional tem relação com minha formação... trabalho no laboratório de análise da matéria prima na Usina, a gente analise o açúcar, a microbiologia, a parte mineral. Na farmácia eu trabalho na área de dermato...” (E8, 16/08/2020) “Minha área profissional está relacionada com minha formação, trabalho como Analista de sacarose na empresa Usina Cem – Central Energética.” (E4, 25/07/2020) “Sou servidora pública e estou atuando numa área relacionada com minha formação.” Em um estudo com 40 egressos do curso de Agronomia do Instituto Federal Goiano Campus Morrinhos, Baldoino (2018), afirma que do total 43% dos egressos inseriram no mercado de trabalho em sua área de formação e apenas 10% ingressaram no mercado de trabalho fora de sua área de formação. É importante ressaltar que nesse quesito a universidade conseguiu alcançar êxito nas expectativas dos alunos, conferindo a eles as habilidades e conhecimentos necessários para atuar no mercado de trabalho. 5.3. Factores influenciadores da escolha da instituição Nesta dimensão, busca-se perceber as razões que levaram os egressos a escolher a instituição, a avaliação e a importância de um departamento de apoio e suporte ao egresso. 5.3.1. Razões que levaram na escolha da instituição Pode-se observar, na tabela abaixo, em relação a escolha da instituição de ensino os inquiridos apresentaram como principais razões “por ser uma instituição pública” indicada por 75,6% dos inquiridos, seguida por “pela localização da instituição” indicada por 54,9%, “por possuir uma infraestrutura e ensino de qualidade” 41,5%, “por possuir professores altamente qualificados” 32,9%, e “pela estrutura curricular do curso” 12,2%. 39 Tabela 13 - Razões que levaram a escolher o Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. Razão da escolha Porcentagem Por ser uma instituição de ensino público 75,6% Pela Localização da instituição 54,9% Por possuir uma infraestrutura e ensino de qualidade 41,5% Por possuir professores altamente qualificados 32,9% Pela estrutura curricular do curso 12,2% Fonte: Dados da pesquisa Como podemos constatar pela leitura dos dados na tabela acima, a razão apontada por um maior número de egressos não tem haver com a qualidade do ensino, mais sim por ser uma “instituição pública”, assumindo também alguma relevância a aspectos como “localização da instituição” e “por possuir uma infraestrutura e ensino de qualidade”. De certo modo, entende-se que o motivo pela qual a qualidade do ensino, a qualificação dos professores e estrutura curricular não ser o aspecto mais importante, pode estar relacionado por serem as primeiras turmas dos cursos. A instituição de ensino passou por implementações na grade curricular dos cursos, foram efetivados mais professores, e houve mudança na infraestrutura. Economicamente falando, o IF Goiano Campus Morrinhos por se tratar de uma instituição pública (sem mensalidades) facilita a vida das famílias de baixa renda que perfazem a maioria do Brasil. Em relação à localização da Instituição, encontra-se com uma localização privilegiada, o IF Goiano Campus Morrinhos faz fronteira com vários municípios: Goiatuba, Buriti Alegre, Caldas Novas, Água Limpa, Pontalina, Piracanjuba, Rio Quente, Aloândia. Isso facilita o transporte desses alunos das cidades vizinhas. A análise das razões apontadas pelos diplomados entrevistados evidencia as mesmas dimensões, ou seja, por ser uma instituição pública, uma boa avaliação da instituição, ou seja, qualidade da instituição. (E2, 24/07/2020) “Eu sempre amei aquela universidade né, tanto é que comecei desde cedo, estudei lá dos 14 ate aos 25 anos, desde ensino médio, graduação, mestrado, então sempre tenho muitos elogios da universidade... eu ter feito essa graduação foi o que me mostrou as diferentes possibilidades que eu podia ter dentro de uma profissão, e foi o que fez escolher o que faço atualmente.” 40 (E3, 28/07/2020) “é uma das instituições que eu acho melhor, quando alguém me pergunta eu falo prefere o IF, eu gostei muito de estudar lá mesmo.” Em 2019, foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) o ranking anual do principal indicador de qualidade do ensino superior brasileiro, o Índice Geral de Cursos (IGC). Com o resultado, o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) se confirma entre as três melhores instituições de ensino superior do Estado de Goiás. O Instituto também está entre os três primeiros colocado da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (Brasil, 2020). 5.3.2. Avaliação da instituição de ensino Em relação a qualidade do corpo docente, observou-se que 46% dos inquiridos avaliaram o corpo docente como bom, (44%) como ótimo, (9%) regular e somente 1% ruim. A qualidade do curso, entendeu-se como o conhecimento acadêmico recebido pelos egressos na sua área de formação, constatou-se que a maioria dos inquiridos avaliou o curso entre bom (56%) e ótimo (22%), perfazendo um total de 78% de satisfação com a qualidade do curso. Quanto à preparação do aluno para atuação no mercado de trabalho, verifica-se que 10% considera ótimo, 12% bom, 46% regular, 12% ruim e 02% péssimo. A maioria dos egressos avaliou a estrutura curricular do curso entre bom (45%) e ótimo (18%), totalizando 63% de satisfação com a estrutura curricular do curso. Apenas, 29% consideram regular, 5% ruim e 1% péssimo. Em relação a cooperação da universidade com a empresa, nota-se uma certa insatisfação, pois 37% considera regular, 23% ruim, 10% péssimo, 21% bom e 9% ótimo. Referente a estrutura física, laboratórios e instalações os egressos demonstram satisfeitos, 39% consideram bom, 12% ótima, 38% regular e 10% ruim. As percepções dos egressos sobre a avaliação da instituição de ensino foram variadas. Houve uma avaliação positiva em relação ao corpo docente, estrutura curricular, qualidade do curso, e estrutura física. Porém, a preparação do aluno para o mercado de trabalho e a cooperação da universidade entre as empresas não foram tão satisfatórias. A interação da universidade com a empresa facilita as oportunidades de estágios, permitindo melhor qualificação profissional e até futuras contratações dos estagiários. 41 Os entrevistados fizeram uma avaliação bastante positiva da instituição, em termos de qualidade dos cursos e corpo docente. Os entrevistados afirmaram que os professores possuem curriculum muito bom, e com isso todos são beneficiados. (E1, 24/07/2020) “É, o quadro de professores da minha época era muito bom, agora teve renovação e o quadro de professores do IF é excelente, todo mundo tem curriculum muito bom... conheci muita gente de outras turmas que estão trabalhando, conseguiu emprego, então a avaliação do curso só tende a melhorar com o passar do tempo.” (E3, 28/07/2020) “Foi muito bom estudar no IF, é uma das instituições que eu acho melhor, quando alguém me pergunta eu falo prefere o IF, eu gostei muito de estudar lá mesmo.” Atualmente, o IF Goiano – Campus Morrinhos possui um quadro de docentes bem qualificados, num total de 88 professores, sendo que 48% possuem título de doutor, 43% o título de mestre, 8% são especialista e somente 1% com graduação. Reforçando os dados anteriormente avaliados pelos egressos, o Instituto é a única instituição de ensino superior de Goiás e o primeiro Instituto Federal do país avaliado com conceito máximo (cinco) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da educação (MEC). Esse conceito coloca o IF Goiano na faixa de excelência em educação, uma vez que estamos entre as poucas instituições públicas federais do país (Brasil, 2020). Gráfico 7 - Avaliação do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. Fonte: Dados da pesquisa 2% 1% 10% 1% 4% 13% 5% 23% 10% 9% 17% 46% 29% 37% 38% 46% 56% 12% 45% 21% 39% 44% 22% 10% 18% 9% 12% Qualidade do corpo docente Qualidade do curso Preparação do aluno para atuação no mercado de trabalho Estrutura curricular do curso Cooperação com as empresas Estrutura Fisica, laboratórios e instalações Péssimo Ruim Regular Bom Ótimo 42 5.3.3. Importância de um departamento que dê apoio e suporte aos egressos Ao serem perguntados sobre a importância de ter um departamento de apoio aos egressos nas universidades, que dê apoio e suporte aos graduados na inserção no mercado de trabalho, constatouse que 97,6% afirmaram que sim e 2,4% considera que não. Essa função não é mera obrigação de suporte dos departamento de estágios e sim de uma integração entre os departamentos de estágios e extensão que facilitam a relação entre o aluno e as empresas. É comum as empresas parceiras necessitarem de informações de alunos que já concluíram o curso e estão prontos para serem contratados, principalmente, aqueles onde o estágio foi satisfatório. Gráfico 8 - Importância de um departamento nas universidades que dê suporte aos graduados. Fonte: Dados da pesquisa 5.4. Caracterização do percurso profissional Nesta dimensão, analisamos o percurso profissional dos egressos após a conclusão da graduação. Frente as exigências e requisitos exigidos pelo mercado de trabalho, a maioria dos egressos que terminam o curso procuram fazer uma formação complementar, seja na própria área de formação ou outras. 5.4.1. Formação complementar Os participantes desta pesquisa também foram questionados se após a conclusão do curso se realizaram formação complementar, constatou-se que, 49 egressos responderam que “sim”, chegando a um percentual de 59,8%, e 33 responderam que “não”, perfazendo um total 40,2%. 2,4% 97,6% Não Sim 43 Diante das demandas por profissionais dinâmico, produtivos e integrados às novas exigências do mercado de trabalho é primordial continuar melhorando seu currículo e também conhecimento. A busca por formação complementar após a graduação permite o aprimoramento profissional e, é visto como facilitador para permanência e inserção no mercado de trabalho (Costa, et al., 2014; Baldoino, 2018). Gráfico 9 - Formação complementar Fonte: Dados da pesquisa 5.4.2. Razões que levaram os egressos a realizar formação complementar Analisemos agora as razões que levaram os egressos a realizar formação complementar, as principais razões mencionadas pelos egressos foram, 40,5% “por necessidade de se especializar numa área especifica e satisfação pessoal”, 36,5% “por necessidade de atualização” e 13,5% “por insuficiência na formação”. Nota-se uma preocupação dos egressos por estarem ajustando e especializando na área que estão atuando, frente às exigências do mercado de trabalho. Por um lado, a análise da entrevista com os egressos vem corroborar com a avaliação, podemos notar que atribuem a necessidade de formação complementar para estar sempre atualizados e atendendo as exigências do mercado de trabalho. Os egressos afirmam que as empresas estão sempre buscando profissionais qualificados que vão contribuir com melhores resultados, para acompanhar a tecnologia tem que estar sempre capacitando, o que favorece a entrada no mercado de trabalho. (E8, 16/08/2020) “Sim, vejo como grande diferencial para atender a demanda das indústrias, empresas afins, buscando sempre por profissionais qualificados, gerando melhores resultados nas atividades atribuídas.” 40,2% 59,8% Não Sim 50 mais sobressaíram na área tecnológica, os egressos do curso de Agronomia mostra-se distribuídos nas diversas áreas de atuação, e a mais abrangida foi área comercial. Gráfico 16 - Área de atuação no trabalho. 3,66% 17,07% 1,22% 6,10% 2,44% 1,22% 1,22% 2,44% 1,22% 3,66% 1,22% 1,22% 1,22% 4,88% 1,22% 3,66% 2,44% 1,22% 1,22% 6,10% 6,10% 3,66% 2,44% 1,22% 21,95% Tecnologia em Sistemas para Internet Tecnologia em Alimentos Licenciatura em Química Bacharelado em Agronomia Fonte: Dados da pesquisa 51 CAPÍTULO VI – CONCLUSÕES GERAIS 6.1. Discussão dos Resultados Atualmente, diante a crise econômica que o país está passando, os egressos recém-graduados deparam-se com dificuldades em se inserirem no mercado de trabalho, isso se deve pela falta de emprego e um número alto de jovens que concluíram o ensino superior. O presente estudo teve como objetivo identificar como tem sido a receptividade do mercado de trabalho aos egressos, advindos do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos, buscando-se evidenciar com isso se a formação adquirida por estes concluintes está satisfazendo a demanda do mercado de trabalho e se estes egressos estão atuando na sua formação profissional, essa percepção é do ponto de vista dos egressos. Este trabalho foi desenvolvido tendo como base a pergunta de partida: Qual a receptividade do mercado de trabalho em relação aos alunos licenciados do Instituto Federal Goiano? Com base em todo o trabalho desenvolvido foi possível responder a pergunta de partida, depois de toda análise dos dados, constatou-se que o mercado de trabalho está absorvendo os egressos do Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos. Dentre os objetivos específicos, o primeiro era analisar se a formação dos egressos está atendendo as exigências do mercado de trabalho, essa perspectiva dos licenciados. Dessa forma, observou-se, que houve uma boa porcentagem dos egressos que avaliaram que os conteúdos curriculares estavam alinhados as exigências do mercado de trabalho, porém consideram falta mais atividades práticas e maior integração entre a universidade e o mercado de trabalho. O segundo objetivo visava levantar se os egressos estão exercendo atividades profissionais relacionadas à sua formação, o resultado mostrou que os egressos estão em áreas profissionais relacionadas com sua formação superior. O terceiro objetivo visava descrever a experiência de ingresso no trabalho dos licenciados dos cursos superiores. Pelas respostas, observa-se que os egressos tiveram iniciativas próprias para busca de emprego, e que pessoas conhecidas e a família contribuem muito para uma vaga de emprego. No que concerne à adequação da formação acadêmica ao mercado de trabalho, os dados revelaram que a formação acadêmica está adequada as exigências do mercado de trabalho, pode-se constatar na entrevista realizada com inquiridos que a maior parte considera que há uma adequação do curso e dos conteúdos curriculares, referente às capacidades/competências adquiridas durante o curso, as mais mencionadas foram: assumir responsabilidades, comunicação, analisar cenários, liderança e trabalho em equipa. 52 No que respeita a relação da atividade profissional com o curso concluído, pode-se constatar que 60,98% estão trabalhando na área de formação. Na análise da entrevista pode-se verificar que 4 entrevistados afirmaram que a área de atuação está relacionada com a graduação. Desta forma, podemos confirmar a Proposição 1, pois o números de egressos que estão atuando no mercado de trabalho em áreas correlatas é superior a 50%. Relativamente a Proposição 2, verificamos que os egressos fizeram uma avaliação bastante positiva da instituição em termos de qualidade dos cursos, e do corpo docente. Desta forma, podemos confirmar a Proposição 2. No que se refere à caracterização institucional, constatou que as razões que levaram os egressos a escolher a instituição do IF Goiano foi por ser uma instituição pública e pela sua localização. Também se verificou a avaliação da instituição, o que mais se destacaram em nível de satisfação foram o corpo docente, a qualidade do curso, a estrutura curricular e a estrutura física. Os egressos demostraram certa insatisfação referente à cooperação da universidade com a empresa, eles acham que deve haver maior ligação entre elas, pois facilita na inserção do mercado de trabalho. Quanto à importância de um departamento na instituição que de apoio aos egressos, constatou-se que 97,6% consideram que é de grande importância. No que se concerne à caracterização do percurso profissional, após a conclusão do curso os egressos afirmaram ter feito uma formação complementar e as razões que levaram a fazer foram por necessidade de se especializar numa área específica e satisfação pessoal, e por necessidade de atualização. Alguns indicaram que fizeram formação complementar por insuficiência na formação. No que diz respeito ao contributo da instituição para inserção profissional, os dados da investigação revelam que a instituição contribuiu para inserção dos egressos no mercado de trabalho. Na entrevista, os egressos relataram que houve uma enorme contribuição do instituto para a vida profissional, tanto financeiramente, nas áreas de pesquisas, aplicar os conhecimentos em laboratórios e melhores chances de manter-se no mercado de trabalho. A forma como tiveram acesso ao mercado de trabalho muitos foram por iniciativa própria, contato com pessoas conhecidas e concurso público. Alguns egressos voltaram para o empreendedorismo, montando seu próprio negócio. No que concerne à inserção profissional dos egressos, verifica-se que estão empregados por carteira profissional, outros são servidores públicos efetivos, proprietários ou sócio de empresa. Consideraram a importância do estágio para inserção profissional, pois proporciona mais conhecimento na área que estão atuando profissionalmente que são: área tecnológica, comercial, educacional, industrial e na área 53 de contabilidade. Os egressos demonstraram satisfação no emprego quanto ao aumento salarial, estabilidade e melhoria na qualidade de vida, mudança de categoria profissional e satisfação pessoal. Os egressos entrevistados mencionaram que para serem bem sucedidos na profissão é preciso que haja esforço, ética, bons contatos, capacitação profissional, dedicação, formação continuada e estar sempre atualizando nas atividades exercidas. 6.2. Principais conclusões A presente investigação cumpre com os objetivos propostos, utilizando uma amostra de egressos do Instituto Federal Foiano – Campus Morrinhos, foi possível aferir que a maioria dos egressos estão inseridos profissionalmente em áreas relacionadas com a formação, e a formação está atendendo as demandas do mercado de trabalho. Os egressos argumentaram que sentiram falta de uma maior participação da instituição com os possíveis empregadores da Região. Poderiam ampliar suas parcerias com empresas e indústrias fortalecendo assim o vínculo e a maior abertura para o mercado de trabalho. Evidenciou-se no decorrer da pesquisa que o Instituto Federal Goiano – Campus Morrinhos exerce positivamente como fornecedor de uma educação pública de qualidade contribuindo socioeconomicamente por toda circunviziança. Porque socioeconomicamente? Social por dar oportunidas para que todos possam acessar um ensino de excelência. Economicamente, por contribuir com o empreendedorismo, pois muitos egressos conseguem montar seus próprios negócios. Conclui-se, no entanto, que, como levantamento sobre a inserção dos egressos para o mercado de trabalho e as percepções sobre a formação recebida, este estudo pode fornecer informações relevantes tanto para conhecimento da realidade profissional dos egressos quanto para as discussões de adequações curriculares. 6.3. Limitações e futuras investigações Este estudo teve como limitação o facto de ter sido realizado somente em um campus do If Goiano. Seria relevante realizar um estudo similar, buscando comparativos com outros campus do IF Goiano. Outra limitação foi por dificuldade de acesso à informação alargar o número de egressos. O estudo analisou a perspectiva dos egressos e, portanto uma das limitação foi não analisar a perspectiva dos empregadores, isso pode ser objecto de estudos futuros. Mesmo com tanta dificuldade de concluir essa pesquisa há muitas questões que importa aprofundar, este estudo pode dar pistas para esses estudos. 54 6.4. Contributos Este estudo contribuiu para fornecer informações relevantes para que os gestores da instituição tenham uma visão da realidade profissional dos egressos estão atuando no mercado de trabalho, e como os mesmos enchergam a insituição. Sendo assim, os gestores poderão, se necessário, fazer reflexões, rever e adquirir novos conceitos e técnicas capazes de melhorar ainda mais essa instituição. 55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, D., Santos, M. A. R. D., & Costa, A. F. B. (2010). Aplicação do coeficiente alfa de Cronbach nos resultados de um questionário para avaliação de desempenho da saúde pública. Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 15, 1-12. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2010_TN_STO_131_840_16412.pdf (Acesso em: 10 agosto 2019). Alves, M. G. (2003). A inserção profissional de diplomados de ensino superior numa perspectiva educativa: o caso da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Disponível em: https://run.unl.pt/handle/10362/1389 (Acesso em: 06 março 2019). Alves, M. G. (2017). Os diplomados do ensino superior: diferenciação sexual nos processos de inserção profissional. Sociologia: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 14. Amadeo, E. (1999). 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