Full text
ABRIR ‘O PAÇO’ À CIDADE Maria Manuel Oliveira Centro de Estudos Escola de Arquitetura Universidade do Minho
Projeto de Requalificação da sede da Universidade do Minho – antigo Paço Arquiepiscopal de Braga Programa Base Maria Manuel Oliveira Centro de Estudos Escola de Arquitetura Universidade do Minho ABRIR ‘O PAÇO’ À CIDADE
Em frente, lá dentro, nos antigos paços dos arcebispos, as obras andam e andam bem. Eu, com o fácil atrevimento de quem se fia na benevolência que sempre se dispensa em casos destes, apesar da tabuleta dizer “é proibido a entrada”, tenho entrado várias vezes, circunspecto, sem distrair os pedreiros nem com eles falar, só para ver curiosamente o que se faz. Com este fim tenho acompanhado pari passu o desmoronar, delinear e desenvolver das obras neste conjunto enigmático de edificação, e digo enigmático, não porque as obras de restauração apresentem agora uma feição difícil de entender, mas sim, em referência à dificuldade que eu teria de fazer a história da evolução sucessiva destas edificações, através dos séculos, tantas elas têm sido e tão mal e confusamente se encontrarem referidas em variadas notas que tenho lido. E, para ver que isto é assim, basta a gente meter-se num buraco aí aberto na parede onde vêm bater as duas outras paredes góticas paralelas, que avançaram para cá, sobre o lugar onde estava a antiga capela que então cortou, e sobre as antigas substrucções (sic) delas bem denunciadas nos alicerces que se encontram, buraco onde se vêm entaipadas umas antiquíssimas paredes de construção com repisa, de silharia quase toda siglada, e considerar que bastantes obras aqui fez D. Diogo e creio que nenhuma existe. Alberto Menezes, Correio do Minho, 15 de junho de 1938
6 1. Teto da Galaria do Paço (D. Rodrigo de Moura Teles, c.1720)
6 7
Sumário
10 Prefácio Rui Vieira de Castro 15 I. Da circunstância atual do edifício e da justificação do projeto 18 Programas a manter e programas a integrar 25 II. Da pré-existência 28 Entre a interioridade defensiva e a afirmação urbana 34 [Interpretar a capela palatina: os vestígios e as interrogações] 42 O Paço Arquiepiscopal sob o domínio público 44 [Restaurar a memória da nação: as intervenções DEN-N/DGEMN] 64 Sede da Universidade do Minho 67 III. Da proposta 76 Biblioteca o Palácio D. José de Bragança 84 Núcleo Expositivo conhecer o edifício, compreender a sua história 88 Reitoria a antiga Casa do Provisor 92 Cafetaria e loja as casas citadinas 94 Espaços exteriores os claustros do Paço 99 IV. Para a execução do projeto geral 100 Estudos necessários e constituição da equipa de projeto Faseamento para execução de obras e ocupação do edifício 104 Bibliografia 106 Posfácio António M. Cunha
2. Vista aérea do centro da cidade de Braga, com indicação do Paço Arquiepiscopal 16
17 O edifício do antigo Paço Arquiepiscopal — ‘o Paço’ — alberga atualmente as instalações da Reitoria da Universidade do Minho, vários dos seus órgãos de governo e serviços administrativos e, também, a Biblioteca Pública de Braga, uma das suas unidades culturais. Para além da sua inegável relevância patrimonial — foi centro do poder da Arquidiocese desde o século XIV ao século XIX e importante polo cultural até à atualidade —, o Paço é um dos mais simbólicos marcos arquitetónicos na história da cidade de Braga. E se esta é uma qualidade inerente a reconhecer e amplificar, ela assume-se, simultaneamente, como sendo a matriz de qualquer intervenção a levar a efeito no edifício, nomeadamente a sua requalificação. Na origem deste processo encontra-se a saída do Arquivo Distrital de Braga (ADB) e dos Serviços para novas instalações, libertando uma área muito significativa que a Reitoria entende de todo o interesse requalificar programática e fisicamente com o objetivo primeiro de abrir o edifício à comunidade. O Projeto de Requalificação do conjunto arquitetónico — do qual faz parte o programa base que aqui se apresenta — tem como principal objetivo a reorganização do seu espaço interno, considerando a reabilitação do edifício e das suas redes infraestruturais, a reestruturação espacial e ambiental da Biblioteca Pública de Braga (BPB), a adaptação do núcleo reitoral às exigências funcionais atuais, a futura abertura à visita pública do edifício e a instalação de um núcleo expositivo, baseado sobretudo no acervo tutelado pela Universidade do Minho. Aceite, e até alimentada, pelas diversas instituições que o Paço tem acolhido ao longo dos últimos dois séculos, essa vocação de abertura à cidade passará a incorporar de forma perene a sua condição histórica. Da circunstância atual do edifício e da justificação do projecto 16
18 3. Vista aérea com destaque do Paço Arquiepiscopal, Sé de Braga e Paços do Concelho 4. Ortofotografias das fachadas do Paço
18 19 A deslocação do Arquivo Distrital, instalado em 2017 num edifício da rua Abade da Loureira, traduz-se, do ponto de vista espacial, na desafetação de uma área útil de cerca de 1400m2, distribuída de uma forma descontínua pelo edifício e intercalada com a da Biblioteca Pública, testemunhando uma situação que se sedimentou ao longo do tempo em resposta casuística às exigências funcionais decorrentes do desenvolvimento de ambas as entidades. Esta circunstância — associada ainda à saída das unidades de serviços da Universidade — induziu uma reflexão profunda sobre a reorganização sistematizada de todo o conjunto, tendo em vista a instalação de um núcleo expositivo estruturado em torno de um conceito museológico contemporâneo. A nova funcionalidade contará não só com o enorme valor arquitetónico intrínseco ao próprio edifício, revelando a sua trajetória na longue durée, mas também com o precioso espólio pertencente à Biblioteca Pública e ao Arquivo Distrital. Implicadas nesta requalificação estão a Biblioteca, que desta forma encontra pretexto para se repensar espacialmente, e a Reitoria, que aqui manterá as funções relacionadas com a sua representação institucional mais protocolar. Programas a manter e programas a integrar
20 5. Fachadas poente e sul do corpo moderno (a partir do Largo do Paço) 6. Fachadas nascente e sul do corpo moderno (a partir do Largo do Paço) 7. Varanda da Galaria do Paço (a partir da rua do Souto) 8. Fachada poente do corpo moderno (a partir da rua do Souto) 9. Fachada norte do corpo moderno (a partir do pátio nascente) 10. Fachada nascente do corpo medieval (a partir do pátio nascente) 5 7 9 6 8 10
20 21 11. Fachada norte do corpo medieval (a partir da rua Eça de Queiroz) 12. Fachadas norte dos corpos medieval e barroco (a partir da rua Eça de Queiroz) 13. Cobertura do corpo medieval 14. Fachada norte do corpo barroco (a partir do pátio poente) 15. Fachadas do corpo medieval e da Galaria do Paço (a partir do pátio sul) 16. Fachadas poente e norte da Galaria e das casas de D. José (a partir do pátio sul) 17-18. Fachada norte do corpo barroco (a partir da Praça do Município) 11 16 12 14 17 13 15 18
22 19. Portaria (corpo moderno) 20. Escada Nobre (corpo moderno) 21. Salão Nobre (corpo moderno) 22. Gabinete do Reitor (corpo moderno) 23. Sala dos Recursos Humanos (corpo moderno) 24. Sala Manuel Monteiro (corpo medieval) 19 21 23 20 22 24
22 23 25. Sala do arquivo notarial (corpo medieval) 26. Salão Medieval 27. Galaria do Paço ou Galeria Moura Teles (corpo moderno) 28. Acesso ao primeiro andar da Biblioteca (corpo barroco) 29. Sala de Leitura (corpo barroco) 30. Sala do arquivo paroquial (corpo barroco) 31. Sala do Arcaz (corpo barroco) 27 25 28 30 26 29 31
II. Da pré-existência
32 ram livreiros e impressores, desenvolvendo uma atividade que aí perdurou até aos anos 20 de Setecentos. Assim foi conformado o Largo do Paço, à data designado de Terreiro, que veio a conhecer a sua espacialidade atual com as obras realizadas por D. Rodrigo de Moura Teles (1704-1728). Promotor de uma vasta ação edificatória em territórios da sua jurisdição, Moura Teles encontrou na reforma do Paço um dos episódios mais significativos da representação do poder arcebispal. Conseguiu-o, em particular, através de um expressivo esforço na monumentalização do edifício. A face mais visível desse propósito são os trabalhos executados nas alas voltadas ao Largo do Paço, até então um somatório de corpos erigidos ao longo de dois séculos pelos seus antecessores, a cujas fachadas procurou conferir uma imagem unitária e coesa. A esta deliberada operação cenográfica acrescentou a esplêndida Fonte dos Castelos no foco da composição, intensificando a sua axialidade e reforçando a expressão pública da sede do poder eclesiástico e civil. A renovação incluiu grandes intervenções na zona mais interior do edifício, onde se construiu a escadaria em três lanços que nobilita o átrio da entrada principal. Neste contexto enquadra-se a reedificação da palatina “capella publica”, cujo acesso se fazia também através do Largo do Paço, sob a Galaria, sublinhando a centralidade urbana do conjunto. Ainda na primeira metade do século XVIII, D. José de Bragança, o palaciano arcebispo bracarense (1741-1756), mandou renovar e ampliar parte do complexo arquitetónico que desde o século XIV albergava os seus predecessores, inaugurando uma nova frente urbana de representação do arcebispado, que a partir de Quinhentos se tinha vindo a afirmar, particularmente, em correlação com a Sé Catedral. Obra maior na cidade e primeiro projeto de André Soares, o palácio de D. José foi iniciado em meados de 40 e finalizado em 1751. Deu-se, assim, início à sistematização espacial do Campo de Touros, a praça onde se viriam a construir, quase em simultâneo e igualmente sob risco do mesmo arquiteto, os Paços do Concelho, um edifício de menor porte e implantado no lado oposto da praça, a cota inferior. Com este gesto, de manifesto desígnio urbano, o Palacio Archiepiscopal explicitava o ascendente dos “Senhores de Braga” sobre o território civil, também por eles governado.
32 33 41. Fotografia do Paço de D. José de Bragança após o incêndio de 1866
34 42. Risco da Capella Sr. D. José
34 35 A história da capela palatina encerra um dos capítulos mais desconhecidos da trajetória do conjunto arquiepiscopal, restando escassos elementos textuais e gráficos que a descrevam e raros sinais físicos que testemunhem a sua presença. Integralmente eliminada do perfil da cidade e do edifício — foi desmontada em 1921, supõe-se que por razões de segurança —, da sua anterior ocupação encontramos nesta investigação vestígios singulares, como a base do campanário, uma pequena janela barroca em forma de nuvem e um arco, praticamente impercetíveis a um olhar não informado. A porta da capela, atribuída a André Soares por Eduardo Pires de Oliveira, mais tarde reposicionada pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) no muro exterior, encontra-se atualmente desmantelada (conforme notícia do mesmo investigador) no parque de estacionamento da Câmara Municipal de Braga. A retórica operação de renovação do Paço efetuada por D. José de Bragança em meados do século XVIII incluiu a reedificação da capela palatina erigida por D. Rodrigo de Moura Teles no primeiro quartel do mesmo século, com o intuito de lhe conferir “maior grandeza, e architectura mais elegante”, uma vez que não lhe encontrava “a grandeza necessaria para as funçoins” (D. José de Bragança, Relatório da Visita ‘ad limina’, 1749-1754). A atribuição de “grandeza” pretendida pelo arcebispo para a capela palatina não se expressou, naturalmente, no alçado principal do edifício. Com o objetivo de encontrar reconhecimento na cidade, âmbito onde a dimensão simbólica participa de forma indiscutível, a capella necessitava de ultrapassar essa situação de não legibilidade urbana. Tal ambição não passou pela construção de uma capela ex novo, mas pela ampliação do templo antecessor, também ele [Interpretar a capela palatina: os vestígios e as interrogações]
36 43. Hipótese de implantação e volumetria da capela de D. Rodrigo de Moura Teles 44. Hipótese de implantação e volumetria da capela de D. José de Bragança 45. Paço de D. José de Bragança, implantação e volumetria atual
36 37 já implantado sobre a capela com invocação a Nossa Senhora da Conceição. O procurado “engrandecimento” foi obtido, em particular, através da construção de um zimbório octogonal de grandes dimensões, cujo volume era não só visível a partir da envolvente imediata, como se recortava em toda a sua singularidade no perfil da cidade, profusamente marcado por igrejas e torres sineiras. E embora a capela-mor se mantivesse adossada à fachada principal do edifício, a composição barroca desta última sobrepôs-se-lhe, mantendo, imperturbável, o seu ritmo e palaciana expressão sobre a praça urbana que assim nobilitava e, simultaneamente, subordinava. Dessa frente virada ao Campo de Touros, várias imagens dão notícia. O resultado da ampliação promovida por D. José, uma “capella que he hua das mais famosas” — conforme observava o poderoso desembargador do Paço, Inácio José Peixoto, nas suas Memórias Particulares (c.1790) —, benzida a 16 de agosto de 1751, traduzia a ambição que lhe estava implícita. Da sua organização interior pouco se conhece, existindo apenas uma planta (BPB, Colecção Cronológica, ms. 2632) que lhe é atribuída e que representa um objeto isolado sem qualquer referência ao contexto em que se insere. Reside também nesta lacuna — relativa à forma como se realizaria a articulação do espaço interior da capela com o palácio que então se construía e com o restante edifício já consolidado — uma das grandes interrogações sobre o seu desenho, cuja resposta não encontrámos em nenhum dos elementos iconográficos conhecidos. É exatamente porque aquela planta mostra uma capela autónoma e não embutida ou adossada a um edifício — o que é verificável pelo facto de apresentar paredes exteriores trabalhadas, nomeadamente com pilastras — que temos dúvidas em relação à sua correspondência com o projeto executado por D. José de Bragança para a capela palatina. Em contrapartida, o facto de o espaço interior representado ser muito similar ao das capelas edificadas por D. Rodrigo de Moura Teles, permite supor que esse desenho talvez se refira a um projeto deste arcebispo e possa ter servido de modelo para a “Capela pública” que mandou edificar no Paço em 1708: 46. Janela barroca (provavelmente pertence ao oratório de D. José) 47. Base do campanário, no piso térreo do edifício 48. Porta pública da Capella, de D. José conforme recolocada pela DGEMN 49. Arco na sala do Arcaz (provavelmente pertencente ao oratório de D. José)
38 50. Hipótese de implantação e volumetria da Capella de D. José de Bragança: planta e corte 51. Sobreposição: planta da capela de S. Sebastião (1717); planta da cidade de Braga (Joaquim Pereira da Cruz, 1868); vista aérea (2016) 1. Capela (D. Rodrigo) 2. Campanário (D. Rodrigo) 3. Zimbório (D. José) 4. Oratório (D. José) 5. Nave, ampliação (D. José) 6. Sacristia (D. José) 3 4 5 5 6 2 1 1
38 39 “É obra do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles que dispendeu com a sua construcção a quantia de 2:000:000 réis e mais 1:600:000 com a torre e sinos. Tem a fórma de cruz grega. O edifício do Paço que a envolve, era acanhadíssimo” (Bellino, 1900). A análise das obras empreendidas por Moura Teles indica a predominância de templos de planta tendencialmente centralizada, na generalidade com escala e proporção muito aproximada. A redução a escala idêntica e sobreposição de algumas dessas plantas confirmam a analogia, sendo particularmente evidentes as semelhanças do desenho atribuído à capela de D. José com a planta da capela de S. Sebastião das Carvalheiras, mandada edificar por D. Rodrigo e contemporânea da capela do Paço. Com base no pressuposto de que o corpo da capela se manteria o definido por D. Rodrigo e que o “engrandecimento” realizado por D. José teria sido obtido, sobretudo, através da edificação do zimbório (aumentando significativamente o pé- -direito e sofisticando quer a espacialidade, quer o tipo de iluminação natural) e do seu oratório privado, foi ensaiada uma hipótese de evolução da capela. Para essa simulação recorreu-se à justaposição do desenho acima referido — a sua medida foi encontrada através do cotejamento com uma planta da cidade de Joaquim Pereira da Cruz (1868) em que se encontra representada a projeção de uma das pilastras exteriores — com a planta da capela de S. Sebastião das Carvalheiras; à análise de documentos textuais, dos quais se destacam os autos do inventário do espólio do arcebispo D. José de Bragança de 23 de fevereiro de 1761, onde são sumariamente descritos os diferentes compartimentos litúrgicos existentes, como o corredor da tribuna e o corredor do oratório, a sacristia e o oratório, e o relato de João Batista Vieira Gomes de uma visita que fez à capela, em 1841, onde, a título de exemplo, se refere a localização da tribuna e do oratório do arcebispo; e, por fim, à integração dos mapas de trabalho da intervenção realizada pela Direção Geral dos Monumentos e Edifícios Nacionais. Este trabalho de espacialização da informação textual e de sobreposição de diferentes fontes iconográficas redesenhadas
40 à mesma escala permitiu confrontar dimensões e sugerir, com relativo rigor, uma implantação para a capela de D. Rodrigo e para a ampliação efetuada por D. José. Permite também formular a hipótese de que o arco em que hoje em dia se encontra encastrado o Arcaz corresponda ao arco do oratório de D. José e que a pequena janela barroca que sobreviveu à intervenção da DGEMN seja uma janela desse mesmo oratório, aberta sobre o que então seria um pátio de ligação entre a entrada dos carros no Paço e o espaço localizado entre o corpo medieval e o palácio de D. José. A verificação da hipótese que aqui se adianta e que os desenhos realizados sintetizam depende do desenvolvimento da investigação, numa aproximação multidisciplinar que deverá contar com a realização de trabalhos de arqueologia que confirmem datações e, eventualmente, encontrem vestígios que concorram para a clarificação da história da capela palatina do Paço Arquiepiscopal. 52. Pintura com representação das obras de D. Rodrigo de Moura Teles (século XVIII) 53. Igreja do Bom Jesus de Fão, Esposende, capela de São Sebastião das Carvalheiras, Braga, capela de N.ª Sr.ª de Guadalupe, Braga (detalhes)
40 41 54. Sobreposição das plantas Capella do Sr. D. José (a vermelho), igreja do Bom Jesus de Fão, capela de São Sebastião das Carvalheiras e capela de N.ª Sr.ª de Guadalupe
48 63. Nova instalação da Biblioteca Pública de Braga, junto ao Muzeu D. Diogo de Sousa, plantas, alçado e cortes, c. 1920 64. Excerto do Parecer do Conselho Superior de Obras Públicas, 4 de dezembro de 1930
48 49 da capella de D. Rodrigo Moura Teles, que D. José ampliou, terá condicionado a dimensão da ala sul e fixado a localização do corpo central. Já não se compreendia, no entanto, o motivo que ditou a maior extensão da ala norte. No intuito de a perceber, recorreu-se, de novo, a uma operação de redenho, reduzindo à mesma escala e cruzando iconografia que permitisse extrair informação complementar. A partir da sobreposição entre o alçado do edifício e a planta da Praça do Município — ambas realizadas por Joaquim Pereira da Cruz em 1868, após o incêndio —, observa-se que o cunhal obtido com o alongamento do corpo norte do Paço alinha com o topo análogo dos Paços do Concelho (implantado do lado oposto da praça) que em simultâneo e pelo mesmo arquiteto se encontrava a ser projetado. Revelavam-se assim, com esta evidente e forçada correspondência, as preocupações urbanas de André Soares que através desse gesto articulado configurava e monumentalizava o então irregular desenho do Campo de Touros. Desconhecendo as razões compositivas e geométricas que a sistematização do desenho da Praça do Município exigiu ao edifício arcebispal, a DGEMN, na sua intenção de corrigir o que lhe terá parecido, talvez, um acidente de projeto, amputou parte da ala norte para o tornar “perfeitamente simétrico”. Esta opção exprime — para além de princípios de intervenção em edifícios com valor patrimonial próprios à época, que hoje não seriam aceitáveis — um enfoque exclusivo no objeto a intervencionar, sem atender à sua possível reverberação num tecido urbano mais vasto. O projeto para o interior do edifício, embora salvaguardando alguns dos espaços preexistentes (escadas, a antiga sacristia e a base da torre sineira), não revela preocupações de adequação tipológica ao que terá sido o Paço barroco. Respondendo às novas exigências funcionais e técnicas pretendia antes evidenciar, através do tratamento das superfícies, uma imagem que visualmente correspondesse à sua época original. Fazendo jus a esse desígnio — e de acordo com uma preocupação manifesta num documento de obra DGEMN, de 1933 —, foram integrados revestimentos decorativos do “tipo
50 65. Comparação entre a atual fachada do corpo barroco e a fachada do Paço Arquiepiscopal (levantamento após o incêndio de 1866) 66. Hipótese de composição da Praça de Touros segundo André Soares, relacionando o palácio de D. José com os Paços do Concelho (desenho sobre excerto de planta) 67. Comparação da implantação do corpo barroco original com a do projeto DEN-N (sobre excerto da planta de 1868)
50 51 século XVIII”. Com o propósito de aumentar a carga expressiva desses espaços foram ainda transladados diversos elementos notáveis presentes noutros contextos. Veja-se como exemplo a transferência do teto barroco do Seminário Conciliar de São Paulo de Braga, do arcaz do cartório do Cabido bracarense, que se encontrava na torre adossada à Capela da Glória, ou da porta da capela palatina de D. José, atribuída a André Soares, que foi relocalizada junto à frontaria, servindo como “porta de carros”. Como sistema construtivo privilegiado recorreu-se à alvenaria de granito em paredes (reabilitando, renovando ou erigindo ex novo) e a estrutura de betão armado em pavimentos. A sua utilização justificava-se pela preocupação em combater os efeitos desastrosos de um eventual novo incêndio e pela capacidade de suportar cargas elevadas nas lajes, assim possibilitando libertar grandes vãos para as exigências que a biblioteca impunha. Nos espaços representativos houve a preocupação de camuflar a estrutura através de um revestimento de madeira, geralmente pintada, tentando simular dessa forma o sistema construtivo original do edifício e gerar o valor simbólico pretendido. Nos compartimentos técnicos, contrariamente aos anteriores, assumiu-se sem constrangimento o betão aparente, pois tratavam-se de salas não visitáveis pelo público e, por conseguinte, que não seria necessário nobilitar. A primeira campanha sintetiza o processo e a metodologia utilizada pela DGEMN no projeto de restauro do edifício, definindo um modo de atuação que depois replicará nos outros estágios da intervenção.
52 68. Área abrangida pela 2.ª campanha DGEMN (sobreposição dos levantamentos DGEMN, 1934 e CEEAUM 2015) 69. Fachada da ala central do corpo moderno (já intervencionada) 70. Mapa das Ruas de Braga, folha 6 (1750) 71. Fachada atual do corpo moderno (a partir da rua do Souto) D. José de Bragança (1739-1756) D. Frei Agostinho de Jesus (1590-1609) D. Diogo de Sousa (1505-1532) D. Rodrigo de Moura Telles (1704-1728) D. Manuel de Sousa (1544-1549) D. José de Bragança (1739-1756) D. Rodrigo de Moura Telles (1739-1756) Escada demolida com as obras do corpo medieval Escada demolida com as obras do corpo medieval
52 53 Campanha 2 Intervenção no corpo moderno [alas central e nascente]. Remodelação das fachadas voltadas ao Largo do Paço e do interior das alas central e nascente | c.1930-1934 Sensivelmente a par das obras encetadas no corpo barroco, que desencadearam toda a intervenção, decorriam os trabalhos de remodelação nas alas voltadas ao Largo do Paço. A delimitação temporal e física deste conjunto de intervenções não é evidente. No entanto, a análise de uma fotografia (fig. 69) permitiu encontrar, através do enfiamento da porta dos carros, a escada adossada ao corpo medieval — posteriormente demolida na intervenção DGEMN —, tornando possível datar este conjunto de intervenções, em particular as exteriores, no período anterior à campanha 3, que decorreu entre 1934-1940. A pouca ênfase dada pelos estudos a esta campanha pode estar relacionada com o facto de serem consideradas obras menos complexas e profundas que as anteriores. Esta circunstância deve-se, fundamentalmente, à menor espetacularidade exterior das obras efetuadas e à contínua ocupação das alas voltadas ao Largo do Paço por programas diversificados como o Museu D. Diogo de Sousa (que apenas na década de 70 abandona em definitivo o Paço), o Tribunal Judicial e o Quartel Militar. Embora os trabalhos levados a cabo nesta fase não sejam especialmente valorizados, implicaram a recomposição dos vãos e o capeamento com 15 cm de granito de toda a fachada da ala central. O propósito desta intervenção vinculava-se, sobretudo, com o reforço da afirmação do edifício do ponto de vista simbólico e representativo. Ao intensificar o carácter unitário das fachadas — retomando, cerca de dois séculos depois, o esforço iniciado por D. Rodrigo de Moura Teles — e fortalecer uma simetria anteriormente débil, procedendo a uma significativa alteração dos vãos (com recurso ao seu redimensionamento, realinhamento, abertura e, até, à encenação de uma janela falsa que não encontra o seu reflexo no interior), evidencia-se o grande momento de acesso ao conjunto arquitetónico e reforça-se a axialidade preexistente, no alinhamento da Fonte dos Castelos. D. José de Bragança (1739-1756)
54 Internamente a remodelação seguiu os princípios espaciais e construtivos adotados no corpo barroco, tendo sido muito enfatizados o átrio, a grande escada de acesso ao piso superior — que conduz ao Salão Nobre, com frequência solicitado para a realização de atos formais — e a arcaria renascentista da sala térrea da ala nascente. Também de sublinhar que o teto da Galaria, pintado e com as armas de D. Rodrigo de Moura Teles, não foi intervencionado, pelo que poderá representar, agora, a única peça deste período a restaurar de raiz. Tetos e outros elementos de revestimento (como uma das portas exteriores do Convento dos Remédios, ao que se supõe) foram adaptados a salas então criadas ou executados de novo, procurando um desenho condizente com a época original do edifício. Campanha 3 Reconstrução do corpo medieval e da fachada norte do corpo moderno | 1934-1940 Com a demolição das cozinhas, de um último piso e dos elementos espúrios que se encontravam no edifício norte do conjunto (que se mantinha aparentemente intacto desde meados do séc. XVIII, conforme se pode verificar no “Mappa de Braga Primas”, de André Soares), revelaram-se abundantes vestígios medievais. Iniciava-se uma das mais entusiasmantes fases da reconstrução do Paço Arquiepiscopal, que se debruçaria sobre a domus fortis. Com o aparecimento da estrutura medieva original, o restauro passa a reportar-se a um período privilegiado pelo proselitismo do Estado Novo. A conformação inicial deste sector, iniciada pelo arcebispo D. Gonçalo Pereira, avô do Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, herói incontestado da soberania nacional, adensa o perfil retórico da intervenção. A par com a descoberta de paredes, vãos e molduras medievais, o surgimento inesperado de cerca de 6 merlões que se encontravam a coroar o topo norte do conjunto forneceu um evidente mote formal para a sua reconstituição. E se as três torres, embora interligadas, foram assumidas na sua individualidade, gerando três pisos de salas com dimensões diversas, já o extenso corpo horizontal da domus
54 55 72. Fachadas nascente e sul do corpo medieval no início das obras (demolições DGEMN a vermelho) 73. Fachada sul do corpo medieval e pátio nascente, excerto do mapa Braga Primas (demolições DGEMN a vermelho) 74. Vista do pátio nascente antes da intervenção DGEMN 75-76. Vista do pátio nascente e corpo medieval após a intervenção DGEMN Ala horizontal da Domus Fortis Conjunto das três torres
56 77. Reconstrução do corpo medieval, vista a partir do pátio poente (a vermelho, vãos mantidos) 78. Construção do Salão Medieval, vista interior (a vermelho, demolição DGEMN; a azul construção DGEMN) 79. Construção do Salão Medieval (sobreposição dos levantamentos DGEMN c.1934, e CEEAUM 2015) 80. Arcos retirados do Salão Medieval, com arco acrescentado pela DGEMN (a azul) no pátio nascente (“claustro”) c.1937 1937 c.1939 Entrada de carros 1938 1938
56 57 fortis se mostrou adequado à instalação de uma grande sala, então muito reclamada pela cidade para acolher os seus eventos mais significativos. O Salão Medieval que aqui encontrou lugar representa uma aspiração das elites bracarenses e traduz, na sua dimensão e decoração, um misto de austeridade e fausto em que a sociedade se revia. Ainda hoje essa aura se mantém, sendo considerado um dos espaços mais importantes e simbólicos de Braga. Não obstante aquela área ter sido encontrada pela DGEMN dividida numa sucessão de compartimentos e de a passagem de carros de cavalos a cruzar transversalmente, o objetivo de criar um espaço unitário e contínuo entre as torres e a frente do Largo do Paço levou à demolição de divisória internas, ao encerramento de paredes laterais e à abertura de novos vãos semelhantes aos originais. A introdução de uma laje de betão armado entrepisos possibilitou que uma outra sala, de dimensão quase similar, surgisse no piso superior. O betão volta a ser camuflado com o recurso ao revestimento em madeira e a elementos decorativos: mísulas em betão fingido de granito, vãos com vitrais, madeiras pintadas e grandes lustres em ferro auxiliam na construção dessa retórica revivalista. Para alcançar o desafogo espacial necessário aos grandes eventos, foi necessário retirar a estrutura medieval intermédia que existia no piso térreo. Neste caso, a transferência dos três arcos góticos para o exterior serviu um outro fim, permitindo notabilizar o pátio nascente, convocando a existência de um anterior claustro em substituição do ambiente ruralizante que possuía à época da intervenção. Embora à luz atual se considerem muito criticamente as opções de restauro adotadas pela DGEMN, sabemos que essa metodologia era defendida por correntes contemporâneas e fundamentada num amplo estudo do objeto a intervencionar. Podemos, a título de exemplo, referir os trabalhos histórico- -arqueológicos e, através dos parcos desenhos que nos chegaram, o levantamento arquitetónico então efetuado, que documentaram a intervenção. Os merlões descobertos foram reproduzidos em toda a extensão do coroamento do Paço medieval e a reconstrução das janelas góticas (tal como a sua
64 93. Antigo Paço Arquiepiscopal e espaço público envolvente após intervenção DGEMN Corpo medieval Corpo moderno Corpo medieval D. Gonçalo Pereira (1326-1348) D. Fernando Guerra (1416-1467) Corpo barroco D. José de Bragança (1739-1756) Corpo moderno D. Diogo de Sousa (1505-1532) D. Manuel de Sousa (1544-1549) D. Frei Agostinho de Jesus (1590-1609) D. Rodrigo Moura Teles (1704-1728) D. José de Bragança (1739-1756) Corpo barroco
64 65 Em 1973 o Paço Arquiepiscopal foi cedido à Universidade do Minho para sua instalação, nela incluindo a Biblioteca Pública e o Arquivo Distrital como unidades culturais. A Reitoria e Serviços também aqui se sediaram, ocupando plenamente o edifício e procedendo a obras de adaptação que, após o projeto inicial, foram sendo realizadas de forma avulsa, à medida das sucessivas exigências funcionais. Aparentemente, e apesar de terem sido executadas muitas subdivisões e redes infraestruturais, a integridade do edifício não terá sido mais comprometida do que já se encontrava à época da instalação da Universidade. Pretende agora a Universidade do Minho, sistemática e estruturadamente, repensar o conjunto do antigo Paço Arquiepiscopal. Refletir sobre a sua organização espacial, tendo em vista os objectivos programáticos definidos pela Reitoria, constitui o cerne desta fase do Projeto de Arquitetura. Como suporte orientador, sabe-se que será indispensável restituir clareza à leitura do edifício na longue durée, tornando-o legível nas suas partes e no todo, acrescentar contemporaneidade à sua perceção espacial e adequação funcional aos usos previstos, delimitar territórios específicos e partilhados e estabelecer o diagrama da organização espacial relativa aos vários programas que irá albergar: Reitoria, Conselho Geral e Conselho de Curadores, Biblioteca Pública e Núcleo Expositivo. Sede da Universidade do Minho
III. Da proposta
6868 94. Parede de trabalho, Centro de Estudos da Escola de Arquitetura da Universidade do Minho
68 6968 Entendendo-se, do ponto de vista metodológico, como uma solução criticamente informada, discutida e consensualizada, o Programa Base para o Projeto de Requalificação da sede da Universidade do Minho | Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga é o resultado de um processo de investigação concomitante com a construção da proposta de sistematização espacial, sucessivamente depurada. Sempre acompanhado pela Reitoria e discutido pelos seus múltiplos intervenientes, foram também convocadas diferentes sensibilidades para o centro do debate. Esta trajetória — que se quis sempre aberta e participada — contou ainda, ao longo da sua elaboração, com diversas interações com as comunidades académica e civil, assim como com o poder político. Salientamos as apresentações formais do projeto ao Conselho Geral e à equipa reitoral, aos responsáveis pelas unidades culturais da Universidade, aos membros do Comité de Fundraising, a técnicos da Direção Regional de Cultura Norte e ao seu diretor, ao executivo da Câmara Municipal de Braga e, já em 2017, à secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e ao ministro da Cultura. A concretização do Programa Base — profundamente imbricada com a definição e o estabelecimento do próprio Programa Preliminar — exigiu, como vimos, um conhecimento detalhado da história do edifício, dando continuidade ao estudo monográfico anteriormente realizado. Tentando encontrar novos elementos desenhados que permitissem “espacializar” a informação textual aí constante, foi consultado o arquivo do Forte de Sacavém / Biblioteca do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). Verifica-se, no entanto, que esse acervo contém apenas um número escasso de registos do projeto de arquitetura elaborado DGEMN, desconhecendo-se a localização de todos os outros, que seriam de capital interesse para a evolução da atual proposta. Da proposta
70 Esta lacuna veio sublinhar a imprescindibilidade quer de um levantamento rigoroso do conjunto, até à data inexistente, quer de um estudo de inspeção e diagnóstico sistemático, ambos informação obrigatória ao conhecimento do edifício e ao desenvolvimento de qualquer trabalho de requalificação. O levantamento foi entretanto concretizado (CE.EAUM, 2015), constituindo um extenso e pormenorizado documento que se traduz em desenhos gerais, na escala 1:200, e fichas dos espaços internos detalhadas, à escala 1:50, que incluem uma descrição exaustiva da totalidade dos compartimentos e especificam, nomeadamente, materiais de pavimentos, tetos e paredes. Esse levantamento não contemplou, no entanto, por ausência de meios para o executar, as coberturas — cuja situação estrutural, aliás, será indispensável verificar por especialistas. Para além das peças desenhadas, 3319 -97.9 -193.3 -146 -222.1 -162.1 -52.4 -71.9 -131.9 -28 -127.9 -127.9 8.6 11.5 -110.2 -108.7 11.5 -28 -11 -78.2 -107.2 -11 0.6 -11 0.6 -11 67.7 0 0 4 4 -151.8 -151.8 -155.6 -94.5 -131.9 -73.5 -151.8 241 614 360 776 116 663 361 792 207 880 578 1718 U.01 47,60 m2 500 793 482 837 839 874 880 898 3193 569 499 588 490 800 791 402 316 790 439 806 799 435 824 443 443 319 803 802 783 805 795 1008 751 750 1010 598 472 650 363 1113 363 656 1103 601 387 613 388 592 406 405 571 479 108 670 656 519 1445 531 1438 633 362 647 364 556 304 562 276 354 177 354 292 292 522 289 521 575 356 577 364 853 667 599 683 1226 1071 1230 1066 580 1075 577 1069 609 440 290 510 290 484 1181 228 174 337 181 181 179 200 362 368 212 190 371 366 189 U0.21 44,4 m2 U0.01 136,3 m2 U0.06 31,6 m2 U0.08 63,1 m2 U0.07 34,5 m2 U0.09 76 m2 U0.11 14,4 m2 U1.10 27,6 m2 U0.12 118,4 m2 U1.01 23,6 m2 U0.13 23,5 m2 U0.14 36 m2 U0.20 75,8 m2 U0.18 23,3 m2 U0.19 16,3 m2 U0.22 81,6 m2 U0.23 274,8 m2 B0.37 15,3 m2 B0.38 20,8 m2 B0.36 8,53 m2 B0.26 53,4 m2 B0.24 131,1 m2 B0.25 61,7 m2 U0.04 63,5 m2 U0.05 58,7 m2 U0.02 7 m2 U0.03 7 m2 U0.39 28,3 m2 227 333 -127.2 599 676 664 606 426 654 423 553 1019 643 1017 644 1117 1607 1136 1561 1328 1568 1339 1666 472 1231 404 1236 764 131 362 457 225 240 873 575 873 564 386 616 387 573 B0.35 217,6 m2 B0.34 55 m2 AB0.32 50,1 m2 AB0.33 23,4 m2 B0.31 179 m2 A0.29 65,8 m2 A0.28 29,1 m2 AB0.44 22,6 m2 U0.27 32,1 m2 AB0.43 13 m2 Pe0.01 Je0.03 Je0.04 Je0.02 Pe0.02 Je0.01 Je0.06 Pe0.03 Je0.07 Je0.08 Je0.09 Pe0.04 Je0.10 Je0.11 Pe0.05 Je0.12 Je0.13 Je0.14 Je0.15 Pe0.06 Je0.16 Je0.17 Je0.15 Je0.16 Je0.17 Je0.25 Je0.24 Je0.23 Je0.22 Je0.21 Pe0.08 Je0.20 Je0.19 Je0.18 Je0.26 Je0.27 Je0.28 Pe0.09 Je0.30 Je0.29 Je0.31 Pe0.10 Je0.32 Je0.33 Pe0.11 Je0.34 Je0.35 Je0.36 Je0.37 Pe0.12 Je0.38 Je0.39 Pe0.13 Je0.40 Je0.41 Je0.42 Je0.43 Je0.44 Je0.45 Je0.47 Je0.48 Pe0.14 Je0.49 Je0.50 Je0.51 Je0.52 Je0.53 Je0.54 Je0.55 Je0.56 Je0.57 Je0.59 Je0.58 Pe0.15 Je0.60 Je0.61 Je0.62 Je0.63 Je0.64 Je0.65 Pe0.16 Pe0.17 Pe0.18 Pe0.19 Pe0.20 Pe0.21 Je0.66 Je0.67 Pe0.22 Pe0.23 Je0.68 Je0.46 Pe0.07 Ji0.01 Ji0.02 Pi0.03 Pi0.04 Pi0.01 Pi0.02 Pi0.09 Pi0.10 Pi0.12 Pi0.11 Pi0.08 Pi0.07 Pi0.05 Pi0.24 Ji0.05 Pi0.25 Ji0.04 Ji0.03 Pi0.27 Pi0.28 Pi0.29 Pi0.26 Pi0.30 Pi0.13 Pi0.14 Pi0.15 Pi0.17 Pi0.16 Pi0.18 Pi0.19 Pi0.20 Pi0.21 Pi0.22 Pi0.23 Pi0.31 Pi0.33 Pi0.32 Pi0.38 Pi0.37 Pi0.36 Pi0.39 Pi0.40 Pi0.41 Pi0.42 Pi0.43 Je0.05 Je0.63 Je0.64 Je0.65 Je0.66 Je0.67 Pi0.06 Ji0.06 -35.8 -35.8 -35.8 -20.5 -235.9 -37.2 -160 -160 -160 -216.2 -216.2 -314.3 -233.2 -237.2 -237.2 -157.8 -220.6 g c a g/m c b j x d/f e g c g aa/c b acb ac/b b acb acb gcg gcg a b b/g abb/g ia i iaa/g gh gag gc a af g/a af a/c g/a a/g a g gbg/m ag gg/m ab g g a gi/a ai/g i a g dg yz ad g i/g ai/g ag aa/d g g i/j abg jfg jf g dg id i gg d g 485 478 573 446 367 484 357 A0.30 19,4 m2 A0.42 16,2 m2 Pi0.34 Pi0.35 -38.2 g ag g -164.8 -162.2 -164.8 -162.2 -292.4 -292.4 -296.7 -292.5 -160.1 -35.2 -38.2 -37.7 -35.8 -78 1 2 4 1 1 2 1 2 1 2 4 1 2 4 1 2 4 1 2 4 1 2 4 1 2 4 1 2 1 2 4 2 3 1 2 4 1 2 42 1 2 2 3 2 2 via sacra 95. Levantamento do edifício, planta do piso 0 – escala 1.200
70 71 o levantamento integra também a contextualização fotográfica exterior e interior. O Estudo de Inspeção e Diagnóstico, sob responsabilidade de Paulo Lourenço e José Sena Cruz, da Escola de Engenharia da Universidade, encontra-se em fase inicial. Importa salientar que a Universidade realizou muito recentemente uma obra de reabilitação de fachadas e caixilharias, tendo como objetivo obviar à crescente degradação do edifício e melhorar do seu conforto ambiental. Sobre a história do conjunto arcebispal encontramos, para além dos já citados, outros estudos que também se focam na sua abordagem e contextualização e aos quais este Programa Base é devedor. Dessas publicações e textos destacamos ‘O Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga’ (2011) de Maria do Carmo Franco Ribeiro, ‘Cultura na Universidade’ (2014) de Henrique Barreto Nunes, e ‘Breve notícia das obras realizadas pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles no Paço Arquiepiscopal’ (1992) de Maria Assunção Vasconcelos. Relativamente a estudos arqueológicos, conhece-se aque le que a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho efetuou no pátio sul (com os resultados publicados nos Cadernos de Arqueologia, em 1988). Considerando as lacunas que a história do Paço ainda apresenta, a extensão dos trabalhos arqueológicos a outros sectores revela-se fundamental. Como já referido, a proposta de Programa Base agora apresentada foi construída, e sucessivamente revista e reajustada, em grande proximidade com os interlocutores responsáveis pelos distintos programas que coabita(va)m no Paço. A articulação, codependência e sobreposição entre algumas áreas desses sectores funcionais são evidentes e foram objeto de particular atenção, visando um resultado que reunisse os necessários consensos e compatibilizações espaciais. Do longo processo preparatório que um projeto com esta complexidade exige, destacamos as numerosas reuniões efetuadas para a adequação espacial do projeto e clarificação dos respetivos campos de interação e interseção, com os diretores da Biblioteca Pública de Braga e do Arquivo Distrital de Braga, e com a então equipa reitoral, nas pessoas do seu Reitor, António Cunha, Vice-reitor, Rui Vieira de Castro, e Pró-reitor, Paulo Ramísio.
72 878 471 537 847 588 468 1690 464 804490566502 438 1009 423 1021 366 1680 342 493 821586 -71.9 435.9 466 497.2 968.2 -52.4 480.4 -28 479.4 -28 412 480.4 -11 435.9 409.5 415.6 724 794 464 397 286 186 244 802 319 495 45 20 975.4 435.9 480.4 -28 8.6 246.5 1115 -110.2 -133.3 134 605 455 484 326294 578 475.4 444 -11 970.4 67.7 244 296 175 293 381 302 344 302 184 214 400 346 -151.8 497.2 176.8 -135.2 843.2 478.8 302 654 672 558 370 374 222 755 867.6 430.6 445.1 871.2 -127.2 497.2497.2 -208.7 847 597 472 904 497.2 -131.9 -197.4 -131.9 497.2 969.2 465.1 -224.5 358.3 327.4 974.1 696.1 552 1068 284 1140 1071 523 1072 302 286 975.9 663.3 342.8 690.3 364.3 -180.1 -224.3 -224.3 874.1 455.9 -44.2 -244 -31.3 179.7 497.2 921.2 173.7 -166.6 -33.3 438.5 484.6 497.2 179.7 137.1 361 305 424 276 487180 377 372 164 178.3 493.3 505.8 726.8 744.1 171.5 190.2 484.3 502.8 724.5 738.5 -163.5 -292.4 190.4 505.3 502.8 126 1584 222 233246251 117 1588 335 294 222 83 71 86105 76 74 74 79 75 80 469294335 477 56 583 98 361 473 585 360 302 405 407 436 1605 324 315 221 262 1615 1618 618465 329 178.3 505.8 -160 744.1 -237.2 -235.9 190.2 732.9 -163.5 -160 190.3 505.3 368 343 345 114 143 88 324 315 376 87 89136 315324 343 372 92 84139 315324 345 1598 221 262 500 324 327 309 365 365 313 424 473 353 420 454 455 583 304 273 448 303 446 445584 1621 469 274 148 1623 313336 233 225 235 178 -160 179.8 744.1 435.9 494.8 505.8 -163.5 190.2 497.2 503.2 172.5 -314.3 -216.2 190.2 503.3 -237.2 -163.5 502.8 738.5 186.4 503 508.1 164 966.2 1287 407 282 308 404302 443 303 1233 278 353 251 1243 407 299 397 526 483 217 525 469243 -237.2 190.2 503 503 190.2 -220.2 -237.2 179.7 503.2 -159.7 169.8 489.2 115.8 390 386 235 474 304 687 454 539 1234 215 474 294 301 405 399 472 221 543 296 252 442 1243 179.7 503.3 -237.2 -292.4 517.2 190.4 -314.3 -237.2 190.2 503.3 503.3 489.2 159.7 148.8 473.3 427 418 380 464 442 381 319 379 821 311 329 403 325 271 218 117 218 382 398 185 219 174 233230 628 958 625 335 191 191 237 239108 490 118 608 292 255 392 597 335 382 840 597 472 885 498 558 600 466 611 370 484 434 425 479 64 398 212 424 341 131 228 112 111 357 247 248 216 472 1016 1223 551 1125 221 315324 1125 1054 529 262 500 315 -78.2 479.4 -107.2 -108.7 479.4 -224.3 -224.3 496.2 496.2 497.2 497.2 497.2 497.2 505.8 179.7 -160 -35.8 -295.5 -295.5 -35.8 -127.2 -131.9 -127.9-224.3 -224.3 -71.9 -78.2 479.4 -160 505.8 -110.2 -97.9 179.7 -35.8 494.7 1005.8 164 340 859.4 355 480 283 429 559 470 362 645 643 308 248 182 344 1090 497.2 -45.7 -295.5 -38.2 497.2 479.2 -35.8 -295.5 -78 479.4 -47.5 96. Levantamento do edifício, cortes – escala 1.200
72 73 d c c g c g g c g g -216.2 -20.5 -235.9 -216.2 -157.8 -160.0 503.7 496.3 508.1 191.4 181.3 190.6 247.4 122.2 121.4 241.0 130.2 252.7 181.1 278.0 166.0 269.1 164.4 262.4 956.5 70.8 206.3 98.5 254.4 140.3 135.5 85.4 377.0 1242.6 280.5 264.9 75.2 300.0 424.8 236.6 696.1 44.1 223.6 131.9 175.9 245.6 177.2 216.2 21.5 78.0 155.3 93.7 76.0 680.4 136.2 75.5 60.3 264.5 101.6 88.5 187.9 272.0 21.0 147.092.5 483.1 130.6 253.2 178.1 279.7 23.7 256.5 303.4 187.9 21.0 72.6 26.539.6 87.430.7 187.1 76.6 373.2 378.0130.5 188.7 326.0 180.1 124.5 47.6 29.4 181.6 22.0 77.2 20.6 48.2 240.5 496.2 83.2 58.4 293.3 21.8 267.1 130.8 186.8 295.1 68.166.7 78.7 43.1 82.6 868.1 43.1 28.4 211.2 361.4 98.9 g 4 4 -235.9 -216.2 -233.2 -37.2 75.8 181.6 119.1 203.6 268.6 31.1 61.9 319.4 290.0 69.8 99.5 g 190.6 g 4 c 197.7 96.9 159.6 280.0 253.0 138.4 24.2 102.792.6 276.5 357.9 135.6 77.0 189.5 g 138.4 24.2 102.792.6 153.3 246.6 197.3 82.758.0 268.6 135.6 140.1 382.9 232.1 70.4 245.4 503.7 503.5 c g 4 f g 4 97. Levantamento do edifício, cortes – escala 1.50
80 o núcleo expositivo integrará no seu circuito alguns dos depósitos atualmente afetos à Biblioteca, atendendo à importância arquitetónica dessas áreas e à sua indispensável valorização. De forma a mitigar a carência de espaço que esta decisão avoluma, prevê-se que, em casos particulares, como os da Galeria Moura Teles, das salas Manuel Monteiro, Carrington e arquivo notarial — a serem afetos ao núcleo expositivo —, as suas estantes perimetrais continuem a albergar espólio documental da Biblioteca. Adotando as necessárias medidas de segurança e salvaguarda, a qualidade espacial destas salas permitirá estimular novos usos de manifesto interesse para a reativação sociocultural e artística do edifício. A qualidade arquitetónica e valor patrimonial de várias das salas dedicadas à Biblioteca sugerem que possam integrar, de forma condicionada, o circuito de visitação que a abertura do edifício ao público consagrará. Toma-se como exemplo a sala do arquivo paroquial e os vestígios da capela palatina de D. José de Bragança, bem como os grandes depósitos da Biblioteca e suas galerias, a partir dos quais a sua história pode ser descrita e espacialmente sugerida. O principal esforço do ponto de vista arquitetónico visa recuperar a integridade do Palacio Archiepiscopal de D. José, através de uma distribuição do programa da Biblioteca coerente com as características do espaço disponível, mas adaptada às exigências contemporâneas de consulta e investigação. Prevê-se assim, aproveitando também as salas notáveis entretanto desocupadas pela saída do Arquivo, melhorar significativamente as condições de utilização e a imagem da Biblioteca, propósitos primeiros da sua requalificação. Atribuindo renovada dignidade aos espaços mais representativos, sugere-se a transferência do Catálogo e da Receção para as anteriores salas de leitura do ADB, sob o seu excecional teto barroco, da sala de Leitura para a sala do arquivo paroquial, uma das salas mais emblemáticas da intervenção DGEMN, e dos Reservados para a sala do Arcaz e sala Delfina Gomes. Propõe-se, também, a colocação de um elevador e monta-cargas na atual sala de Leitura da Biblioteca, uma opção fundamentada quer pela sua proximidade à Portaria,
80 81 assegurando o acesso de pessoas com mobilidade condicionada à sala de Leitura, quer pela sua ligação ao pátio poente, facilitando a descarga da documentação chegada do exterior. Na contiguidade dos acessos verticais mecânicos encontra-se a área técnica para a higienização da documentação recebida, numa trajetória lógica com início nas zonas de tratamento. Segundo esta proposta, à Biblioteca serão afetados 1993m2 (podendo ainda contar, para além dos depósitos, com cerca de 950 ml de estantes distribuídos pelas salas Manuel Monteiro, Delfina Gomes, Arcaz, arquivo paroquial, arquivo das inquirições De Genere e arquivo notarial), o que representa um acréscimo de 275 m2 em relação à sua atual situação. O permanente crescimento do acervo documental da Biblioteca não é compatível, no entanto, com as limitações de área que o edifício implica. Tendo em atenção essa óbvia escassez, para além das soluções a adotar desde já, julga-se que a criação de um depósito subterrâneo sob o pátio poente poderia ser considerada, caso os estudos arqueológico e geológico confirmassem a sua viabilidade. Esta hipótese permitiria uma ligação subterrânea fácil ao sector de tratamento técnico da documentação e, inclusive, seria simples de relacionar com um acesso motorizado a partir do espaço público. Perante a eventual inexistência de alternativas apropriadas, esta poder- -se-á mostrar uma possibilidade interessante, face à inadequação da ampliação, à superfície, do palácio de D. José.
82 LOCALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS PERIÓDICOS (REVISTAS E JORNAIS) ÁREA ÚTIL PISO 0 B0.24 (131,1m2); B0.25 (61,7m2); B0.26 (53,4m2): B0.36 (8,5m2); B0.37 (15,3m2); B0.38 (20,8m2)290,8 m2 PISO 1 B1.03/B1.04/B1.20/B1.21 (72,5m2); B1.13 (40,9m2)113,4 m2 PISO 2 B2.28 (121,9m2); B2.29/B2.30/B2.31 (83,9m2); B2.46 (62,3m2)268,1 m2METROS LINEARES DE DOCUMENTAÇÃO (ml) TOTAL 672,3 m26326,16 ml (3490,63ml JORNAIS) + 865 ml (AFONSO HENRIQUES) 106. Organização espacial da Biblioteca, situação atual e organização proposta SITUAÇÃO ATUAL PISO 0 PISO 0 PISO 1 PISO 1 PISO 2 PISO 2 ORGANIZAÇÃO PROPOSTA
82 83 SITUAÇÃO ACTUAL PROPOSTA DESIGNAÇÃO DO DEPÓSITO DESIGNAÇÃO CEEAUM BPB ADB ESPAÇO DISPONÍVEL A RECOLOCALIZAR CORPO BARROCO - ALA NORTE | PISO 0 B0.35 1454,57 ml 1454,57 ml CORPO BARROCO - ALA NORTE | PISO 1 B1.12 710,57 ml 710,57 ml CORPO BARROCO - ALA SUL | PISO 0 B0.31 1743,7 ml 1743,57 ml CORPO BARROCO - ALA SUL | PISO 1 B1.05 625,1 ml 625,1 ml RESERVADOS B1.08 104,2 ml 104,2 ml SALA DELFINA GOMES B2.35 237,6 ml 237,6 ml SALA MANUEL MONTEIRO B2.27 124,26 ml 124,26 ml GALERIA MOURA TELES B2.28 992,26 ml 6326,16 ml CASA ANEXA À GALERIA MOURA TELES PISO 0 B0.36; B0.37; B0.38 491,37 ml CASA ANEXA À GALERIA MOURA TELES PISO 1 B1.03; B1.04 513,74 ml CASA ANEXA À GALERIA MOURA TELES PISO 2 B2.29; B2.30; B2.31; B2.53 319,31 ml TORRES MEDIEVAIS - JORNAIS B0.24; B0.25; B0.26; B1.13 3490,63 ml TORRE MEDIEVAL - PISO 2 B2.46 518,75 ml SALA CARRINGTON B2.44 152,6 ml 152,6 ml SALA DO “ARCAZ” A2.36 127,5 ml 127,5 ml ARQUIVO PAROQUIAL A2.38 831 ml 567 ml ARQUIVO DAS INQUIRIÇÕES DE GÉNERE A2.43 1570 ml 1570 ml SALÃO MEDIEVAL SUPERIOR A2.32 1666,9 ml ARQUIVO NOTARIAL A2.45 866 ml 450 ml TORRE MEDIEVAL A1.14 205 ml MICROFILMAGEM A2.33; A2.24 30 ml TOTAL 11478,66 4296,4 7867,1 3608,6 107. Distribuição da estanteria, situação atual e proposta
84 108. Percurso de visita do Núcleo Expositivo Núcleo expositivo Biblioteca Reitoria Cafetaria e loja PISO 2 PISO 1 PISO 0
84 85 Reconhecendo o Paço Arquiepiscopal na sua estratigrafia espácio-temporal, o circuito de visita pública, corroborado por um projeto expositivo a ser desenvolvido, necessariamente, a par com o de arquitetura, deverá contribuir para a compreensão da secular e complexa trajetória do edifício. Tendo em consideração este objetivo, o percurso que aqui se indica prevê a abertura dos espaços mais caracterizadores da evolução histórica do conjunto, num encadeamento não exatamente cronológico, que articula e explica os períodos de campanha construtiva dos seus corpos: o medieval (sécs. XIV-XV), o moderno (sécs. XVI-XVIII), o barroco (séc. XVIII) e a intervenção novecentista do Estado Novo. Esta proposta, fortemente vinculada à investigação realizada, fundamenta-se na interpretação atual da história do Paço, procurando devolvê-lo aos visitantes como um documento íntegro e coerente, porém aberto a novos significados, disponível a ser lido, fruído e permanentemente estudado. Na organização do Núcleo Expositivo está prevista a existência de alguns momentos em que os vários programas confluirão, partilhando espaços de elevado valor simbólico e patrimonial. Este é o caso do Salão Nobre e do Salão Medieval que, afetos à exposição, serão também utilizados para atos públicos e académicos, servindo, simultaneamente, a comunidade e a Universidade. Outro exemplo, já assinalado, é a possibilidade do atravessamento condicionado do catálogo (atuais salas de leitura do arquivo) e visita ao depósito da Biblioteca — percurso que, agora à cota do nível térreo, alude ao eixo central da antiga capela palatina. Neste propósito, não se esquece a sala Manuel Monteiro: embora ela se estabeleça como rótula entre o Salão Nobre, a Galeria Moura Teles e o Salão Medieval superior, tem uma qualidade espacial notável que a vocaciona como uma excelente hipótese para acontecimentos de carácter mais Núcleo Expositivo conhecer o edifício, compreender a sua história
86 intimista. No mesmo sentido, também o espaço que aqui se propõe como futura sala do Arcaz, poderá acolher eventos académicos e artísticos próprios ao seu ambiente. Sobre o percurso de visita, que se pretende linear e evitando sobreposições, expõe-se, brevemente, o seu ritmo. O trajeto inicia e termina na portaria do Paço (atual vestíbulo da Reitoria) (1), aspeto relevante não apenas do ponto de vista simbólico por usar aquele que tem sido o local da entrada institucional do edifício desde o século XVI, mas também sob o aspeto funcional, uma vez que permite o controlo simultâneo de ingressos e saídas. Junto, localizar-se-á um sector de apoio direto que incluirá a área de cacifos, baterias sanitárias e uma pequena loja. Após a receção, propõe-se a subida ao primeiro andar através da escadaria monumental, obra de D. Rodrigo de Moura Teles; a visita ao Salão Nobre (2) e o restabelecimento da perceção do sentido longitudinal desta ala, através da abertura do enfiamento visual que a percorre. Caso se pretenda, existe a possibilidade de este sector ser aberto gratuitamente ao público e de colocar o a verificação dos bilhetes apenas a partir desta zona. À passagem pela sala Manuel Monteiro (3), segue-se o percurso através da extensa e peculiar Galeria Moura Teles (4), aberta em toda a sua dimensão sobre o Largo de Paço e o pátio sul, até à varanda que a remata e se projeta sobre a rua do Souto e o tardoz da Sé. Daqui se volta à sala Manuel Monteiro e acede ao Salão Medieval superior (5) e à sala do Arcaz (6). Esta última será exclusivamente dedicada ao móvel do séc. XVIII, que recolhia o cartório do Cabido bracarense e foi trazido para o Paço pela DGEMN, que num dos seus gestos decorativos o encastrou no arco que agora supomos pertencer ao oratório de D. José de Bragança. A recolocação que se pretende permitirá não só a valorização do Arcaz, como a reabertura do enfiamento do oratório de D. José sobre a sua antiga capela (através da pequena janela barroca e do arco) e a interação visual entre os programas Biblioteca e Núcleo Expositivo. Após o longo Salão Medieval superior, é possível visitar as três torres (7) em sequência, cruzando a sala do arquivo notarial (8), e, depois, descer a partir da torre de D. Gonçalo Pereira.
86 87 De novo no piso térreo, entrar-se-á no Salão Medieval (a partir do qual é possível aceder à visita da Biblioteca) (9), que será percorrido em direção à sua cabeceira. Segue-se o trajeto ao longo do pátio nascente, o “Claustro”, que também poderá ser visitado, até à sala que contém a arcaria quinhentista do antigo Tribunal da Relação Eclesiástica (10). Este espaço finaliza o circuito e a partir dele retomar-se-á a portaria (11). Por último, importa referir que através de dois elevadores estrategicamente colocados para vencer os desníveis principais — um contíguo à portaria, o outro, na torre de D. Gonçalo Pereira —, será possível o acesso a pessoas com mobilidade condicionada à quase totalidade dos espaços. Ao núcleo expositivo serão afetados 1510 m2, podendo ainda dispor de 996 m2 em regime de partilha com a Reitoria e contar com 550 m2, em visita condicionada à Biblioteca. 01 04 07 10 02 05 08 11 03 06 09
88 Tribunal eclesiástico Casa do Provisor Casa do Bispo auxiliar 109. Antiga Casa do Provisor (corpo moderno) a afetar à Reitoria 110. Átrio de entrada, proposta 111. Sala de reuniões do Conselho Geral, proposta
88 89 O Programa Base para este sector resulta da interpretação do respetivo Programa Preliminar fornecido, em 2015, pelo Reitor António Cunha, e dos ajustes decorrentes das várias reuniões que se seguiram. Com o intuito de libertar para o núcleo expositivo a secção central do Paço onde se encontra atualmente instalada, e respeitando a identidade das parcelas que constituem o edifício, a Reitoria encontrou com naturalidade o seu posicionamento no topo da ala nascente voltada ao Largo do Paço. Na sua continuidade e na ala central (associando um sector que a Reitoria e os Conselhos já ocupam, a uma área onde agora se situam parte dos Serviços, em breve transferidos para o Campus de Gualtar) localizar-se-ão o Conselho Geral e o Conselho de Curadores. No gaveto que confronta o Largo do Paço e a rua do Souto — ao qual se acede através de uma entrada autónoma — propõe-se a localização da Reitoria, que ocupará a antiga Casa do Provisor. O gabinete do Reitor situar-se-á no segundo piso, sobre o cunhal, dispondo do necessário sector de apoio. Em sala anexa — primeira casa foreira ao cabido bracarense e onde, a partir do séc. XVIII, passou a residir o bispo auxiliar —, será instalado o Secretariado do Reitor. Sobre este espaço oculta- -se agora um teto em masseira de grandes dimensões que se pretende revelar, possibilitando — juntamente com a demolição das inúmeras divisões construídas ao sabor de solicitações funcionais — recuperar a leitura íntegra da sala. O sistema de comunicações e área de apoio (gabinetes, uma sala comum, acesso vertical mecânico, circulação, instalações sanitárias) servem as salas representativas e protocolares que estão voltadas ao Largo do Paço. Deste grupo assinalam-se, para além do já referido gabinete do Reitor, a sala de Reitoria a antiga Casa do Provisor
96 118. Espaços exteriores 1 2 3 4 1. Largo do Paço 2. Pátio sul 3. Pátio nascente (“claustro”) 4. Pátio poente
96 97 Salão Medieval ser-lhe-á fácil, inclusive, apoiar os frequentes eventos que aí se realizam. Potenciando este novo olhar sobre o antigo jardim de D. Diogo de Sousa, sugere-se a reabertura de um vão na parede localizada sob a Galaria, que o divide do Largo do Paço, permitindo restituir visualmente uma passagem que terá existido no tempo de D. Rodrigo de Moura Teles de acesso à sua capella publica. Perante o reconhecimento do seu significado histórico, será relevante encontrar um nome que designe este espaço, hoje tão esquecido. O pátio poente, junto com a área que lhe é adjacente, corresponde hoje em dia à zona de aparcamento automóvel da Reitoria. O seu destino deverá ser tema de reflexão atenta, uma vez que parece excessivo consumir desta forma uma superfície tão valiosa. Nessa perspetiva tem-se vindo a colocar a hipótese de construção de um parque de estacionamento subterrâneo, que poderá aproveitar a diferença de cota existente entre e o pátio poente e a Praça do Município, a partir de onde se lhe acede. Esta solução, para além de libertar o nível superior para usufruto pedonal e extensão das atividades do edifício, poderia também fornecer apoio logístico à eventual criação (conforme acima sugerido) de um depósito subterrâneo para extensão da Biblioteca. O Programa e sistematização destes espaços exteriores, a formalizar através de um projeto de Arquitetura Paisagista, deverão merecer especial atenção e ser estudados de forma integrada nas suas múltiplas inter-relações, considerando as futuras possibilidades de desenvolvimento que se anteveem para o Paço.
IV. Para a execução do projeto geral
100 Estudos necessários e constituição da equipa de projeto A elaboração de um projeto geral desta natureza exige a constituição de uma equipa multidisciplinar e a execução de estudos prévios. A equipa deverá contar com consultorias nas áreas da História, da Conservação e Restauro, do Livro Antigo, e integrar as seguintes especialidades: a) Arquitetura (projeto de arquitetura e coordenação); b) Design (projeto de museologia); c) Engenharia (estabilidade, redes de abastecimento de água e saneamento, instalações elétricas, equipamentos mecânicos, acústica e segurança). À elaboração do projeto são indispensáveis os seguintes estudos: a) monografia histórica (realizada); b) levantamento do edifício (realizado); d) levantamento do telhado e coberturas (a realizar); c) inspeção e diagnóstico do edifício (a realizar); d) prospeção arqueológica (parcialmente realizada). Será fundamental proceder à definição conceptual do programa museológico, ao levantamento do espólio existente na biblioteca e no arquivo e à seleção das peças para a exposição permanente. Este trabalho tem urgência em ser efetuado, pois deles estão dependentes decisões de natureza técnica e espacial e a elaboração da próxima fase do projeto precisa já contar com essa informação. O projeto será desenvolvido nas seguintes fases: Programa Preliminar — definido (exceto para o programa museológico, ainda em concretização); Programa Base (estabilizado, segundo a proposta que aqui se apresenta); Estudo Prévio, Anteprojeto e Projeto de Execução (a realizar). A calendarização dependerá do ritmo que for definido para o processo. Faseamento para execução de obras e ocupação do edifício A reorganização dos programas relativos à Biblioteca e à Reitoria, assim como a instalação do Núcleo Expositivo, implica um faseamento de obras programado com rigor. A saída do Arquivo permite avançar com as obras de requalificação da Biblioteca Pública e do espaço dedicado à loja/cafetaria. De seguida poderá ocorrer a deslocação dos serviços, de forma a permitir a reinstalação da Reitoria. Só após estes trabalhos será possível instalar o Núcleo Expositivo, encerrando o ciclo do Projeto de Requalificação da sede da Universidade do Minho e cumprindo um dos seus objetivos primordiais, o de abrir o Paço à Cidade.
100 101 O Programa Base aqui descrito e justificado percorre os temas necessários à explicitação do diagrama conceptual e funcional do Projeto de Requalificação da sede da Universidade do Minho. Constituindo parte intrínseca da proposta arquitetónica, procurou a sua justificação no estudo, reconhecimento e interpretação crítica do monumento. Defendendo uma intervenção silenciosa, assume, contudo, ruturas indispensáveis quando julgadas necessárias à leitura do edifício na longue durée e à afirmação da sua contemporaneidade. As operações a empreender, que se pretendem reduzidas ao essencial, serão auxiliares indispensáveis à clarificação e valorização da natureza específica dos espaços e do edifício como um todo, e à harmoniosa relação entre o Paço e o extenso programa que ele irá acolher. Assumindo os critérios decorrentes das orientações internacionais sobre a conservação de imóveis e conjuntos monumentais, procurou, em especial, que edifício e programa(s) se valorizassem reciprocamente, no reconhecimento e respeito pelas condições específicas e virtualidades próprias a cada um. À medida que o processo de projeto-desenho-investigação prosseguir, outras perceções o virão enriquecer, tornando mais denso o suporte que fundamenta a metamorfose do conjunto arquitetónico. Contribuindo para um futuro que acompanhe o seu tempo, assim se acrescentará uma nova camada à magnífica história do antigo Paço Arquiepiscopal de Braga.
102 119. Cronograma para o Projeto de Requalificação da sede da Universidade do Minho | Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga
102 103
104 Atanásio, Manuel Mendes e Henrique Barreto Nunes . 1980. Conjunto Arquitectónico do Largo do Paço – obras de adaptação, 1974-1975. Braga: Universidade do Minho. Bandeira, Miguel Sopas de Melo. 1994. «Uma panorâmica seiscentista de Braga». Forum, nº15-16 (jan-jun): 25-36. Bandeira, Miguel Sopas de Melo.2000. O espaço urbano de Braga em Meados do Século XVIII. Porto: Edições de Afrontamento. Bandeira, Miguel Sopas de Melo. 2011. «A complexa relação entre as primeiras operações cadastrais e a cartografia urbana de meados do século XVIII: desde o caso do Mappa das Ruas de Braga de 1750». In Anais do 1º Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica – passado presente nos velhos mapas: conhecimento e poder. Paraty, 1-15. Belino, Albano.1900. Archeologia Christã. Descripção histórica de todas as egrejas, capellas, oratórios, cruzeiros e outros monumentos de Braga e Guimarães. Publicação comemorativa do Jubileu Universal do Ano Santo. Lisboa: Empreza da História de PortugalSociedade editora. Bessa, Paula. 2013. «O ‘Paço’: Os Paços arcebispais de Braga desde o período tardomedieval e até finais do século XV», Repositorium — Repositório Digital da Universidade do Minho, http://hdl.handle.net/1822/34437. Capela, José Viriato. 2003. As Freguesias do Distrito de Braga nas memórias paroquiais de 1758: a construção do imaginário minhoto setecentista. Braga: Barbosa e Xavier Artes Gráficas. Lemos, Francisco Sande, Manuela Delgado e Manuela Martins.1988. «Sondagens arqueológicas no Largo do Paço». Cadernos de Arqueologia, s.2, n.º 5: 67-76. Milheiros, Maria Manuela de Campos. 1997. «Braga: a cidade e a festa no século XVIII», v.13. Tese de Doutoramento, Braga, Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Milheiros, Maria Manuela de Campos. 2003. Braga: a cidade e a festa no século XVIII. Guimarães: Núcleo de Estudos de População e Sociedade – Coleção Monografias 14. Ferreira, Fátima Moura (coord.), Henrique Barreto Nunes, Márcia Oliveira, Maria Manuel Oliveira, Rita Ribeiro. 2014. História da Universidade do Minho 1973/1974-2014. Braga: Universidade do Minho-Fundação Carlos Lloyd Braga. Nunes, Henrique Barreto.1994. «Uma Imagem Inédita de Braga no Século XVII». Forum, nº15-16 (jan-jun): 21-23. Nunes, Henrique Barreto. 2014. «Cultura na Universidade». In História da Universidade do Minho 1973/1974-2014, coord. Fátima Moura Ferreira. Braga: Universidade do Minho – Fundação Carlos Lloyd Braga, 343-394. Bibliografia
104 105 Nunes, Henrique Barreto e Eduardo Pires de Oliveira. 1997. «Monumentos notáveis de Braga em 1882». Mínia, série III, nº. 5: 3-44; Oliveira, Eduardo Pires de. 1994. «Um Novo Mapa de Braga de Finais do Século XVII». Forum, nº15-16 (jan-jun): 37-53. Oliveira, Eduardo Pires de. 2010-2012. «André Soares. Uma sensibilidade entre o Barroco e o Rococó (1746-1769)». Revista da Faculdade de Letras. Ciências e Técnicas do Património: 127-148. Oliveira, Eduardo Pires de. 2013. O Paço Arquiepiscopal de Braga. s.l.: s.n [texto policopiado] Oliveira, Eduardo Pires de. 2014/2015. «A Galaria do Antigo Paço Arquiepiscopal e os livros». Forum, nº49-50: 109-122. Pamplona, Jorge. As pedras aplicadas na construção e restauro do edifício do Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga. . s.l.: s.n [texto policopiado]. Peixoto, Inácio José. 1992. Memórias particulares de Inácio José Peixoto: Braga e Portugal na Europa do século XVIII. 1º ed. Braga. Arquivo Distrital - Universidade do Minho. Pessoa, D. João Crisóstomo de Amorim. «Foi tirado aos Prelados de Braga a melhor parte do seu Paço. Representação que o arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa enviou ao rei em 22 de Agosto de 1877» apud Soares, Franquelim Neiva. 1990. D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, arcebispo de Braga (1810-1888). Documentos para a sua biografia no I Centenário da sua morte. Cantanhede: Santa Casa da Misericórdia. Portocarrero, Gustavo. 2010. «Braga na Idade Moderna: paisagem e identidade» Arkeos: perspectivas em diálogo [revista do Centro Europeu de Investigação da Pré-História do Alto Ribatejo], nº 27: 11-116. Ribeiro, Maria do Carmo Franco. 2011. O Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga. Colecção Sítios com História. Braga: Universidade do Minho. Rocha, Manuel Joaquim Moreira da. 1996. Manuel Fernandes da Silva: Mestre e Arquitecto de Braga 1693/1751. Porto: Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão. Vasconcelos, Maria Assunção Jácome de (coord. e introd.), e Sérgio Machado dos Santos (apres.). 1989-91. Mapa das Ruas de Braga, 2 volumes. Braga: Arquivo Distrital de Braga, Universidade do Minho e Companhia IBM Portuguesa. Vasconcelos, Maria da Assunção Jácome de. 1992. «Breve notícia das obras realizadas pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles no Paço Arquiepiscopal». Forum, nº11 (jan): 3-8. Vasconcelos, Maria da Assunção Jácome de. 2008. O arquivo e a cidade: páginas da história bracarense. Braga: Arquivo Distrital de Braga - Universidade do Minho.
Este livro apresenta o Programa Base do Projeto de Requalificação do antigo Paço Arquiepiscopal de Braga — um conjunto arquitetónico desde 1973 sede da Universidade do Minho —, que visa a reorganização espacial do edifício com particular ênfase na instalação de um núcleo expositivo a abrir ao público. O texto, assistido por elementos desenhados que o amplificam, inclui a proposta e a informação relativa à investigação que a fundamenta, assim como a cronologia das etapas para execução do projeto e obra. Realizado no Centro de Estudos da Escola de Arquitetura da Universidade do Minho, o Programa Base fixa a síntese de um processo iniciado em 2015. Tendo como ponto de partida os programas preliminares elaborados pela Reitoria da UM e pela Direção da Biblioteca Pública de Braga, foi acompanhado por trabalhos quer de natureza técnica e de pesquisa histórica, quer de consulta a personalidades e entidades várias. Os resultados obtidos e aqui plasmados reportam até fevereiro de 2018, data da conclusão do documento que serviu de base a esta publicação. Corroborando a ideia de que o Projeto de Arquitetura é também investigação em arquitetura, a pesquisa realizada foi submetida nos seus momentos cruciais a discussão em fórum científico. Esta metodologia procurou, assim, a consolidação das hipóteses aqui colocadas em torno da complexa evolução arquitetónica do Paço Arquiepiscopal de Braga.