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outubro de 2024 Universidade do Minho Escola de Psicologia Beatriz Pereira Botelho A Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica A Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica UMinho | 2024 Beatriz Pereira Botelho
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Universidade do Minho Escola de Psicologia Escola de Psicologia outubro de 2024 Beatriz Pereira Botelho A Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica Dissertação de Mestrado Mestrado em Psicologia Clínica e Psicoterapia de Adultos Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Eugénia Maria Ribeiro Pereira e da Professora Doutora Joana Fernandes Pereira Coutinho
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositório UM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos A vida é feita de desafios, oportunidades, obstáculos, conexões, experiências e muitas recordações. Considero que há cinco anos, enfrentei um grande desafio, saí do meu “porto seguro”, para vir atrás de um grande sonho. E agora na reta final desta concretização, não poderia deixar de expressar os meus sinceros agradecimentos aos que fizeram parte deste meu percurso. Gostaria de agradecer às minhas orientadoras, à Dra. Eugénia Ribeiro e à Dra. Joana Coutinho, pela orientação, pelo apoio e pela partilha de conhecimentos fornecidos ao longo da escrita deste trabalho, sem dúvida, sem o auxílio prestado a realização deste trabalho não seria possível. Agradeço também, ao Dr. Johann Kleinbub, à Alexandra e à Vânia pela colaboração e pelo suporte técnico oferecido durante a realização deste trabalho. De forma mais pessoal e muito sucinta, quero expor os meus agradecimentos, primeiramente, à minha família, em especial aos meus pais e à minha irmã. Agradeço todo o amor, os valores, a inspiração, a coragem, a paciência e todo o apoio incondicional prestado ao longo da minha vida, principalmente, em todas as minhas etapas e conquistas, ainda também, a toda, a resiliência para eu seguir sempre em frente e realizar sempre todos os meus sonhos e objetivos de vida, a minha eterna gratidão! De igual forma, não posso deixar de agradecer aos meus amigos, aqueles que foram a minha “pseudo família” e companhia nestes tempos fora de casa, obrigada a todos. Obrigada por todos os momentos, que tornaram a minha estadia e passagem por Braga tão única e especial. E por último, aos que já partiram, agradeço todos os ensinamento e memórias, espero que, onde quer que estejam, sintam-se orgulhosos da pessoa que me tornei!
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 21 de outubro 2024 (Beatriz Pereira Botelho)
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA v Resumo A Sincronia entre terapeuta e cliente, no contexto da investigação em psicoterapia, tem sido associada à Aliança Terapêutica e à Colaboração Terapêutica. O presente estudo foca-se na exploração da associação entre a Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica num estudo de caso de sucesso. Foram analisadas as Quebras da Colaboração por risco intolerável e a Sincronia da Atividade Eletrodérmica, em três momentos de interação da díade (os períodos pré, durante e o pós quebra). Registou-se a Atividade Eletrodérmica da díade, através do instrumento BIOPAC MP-150 e a avaliação da Aliança Terapêutica percebida pelo cliente, utilizando o WAI-SR. Na análise das Quebras na Colaboração Terapêutica utilizou-se a codificação das sessões através do TCCS. No cálculo da Sincronia da EDA, utilizou-se o algoritmo AMICo. Verificou-se que terapeuta e cliente sincronizam no processo terapêutico, contudo, em momentos específicos a díade apresenta uma menor sincronia (e.g., durante as quebras, nas quebras por risco intolerável e quando um pós sobrepõe um pré quebra). Em conclusão, este trabalho permitiu a exploração da relação da Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica no contexto psicoterapêutico, colmatando a ausência de literatura neste domínio. Palavras-chave: Estudo de Caso; Quebras da Colaboração Terapêutica; Sincronia da Atividade Eletrodérmica
THE SYNCHRONY OF ELECTRODERMAL ACTIVITY AND BREAKS IN THERAPEUTIC COLLABORATION vi Abstract The synchrony between therapist and client has been linked to the therapeutic alliance and Therapeutic Collaboration in the context of psychotherapy research. The present study aims to elucidate the relationship between Electrodermal Activity Synchrony and instances of disruption to the Therapeutic Collaboration in a successful case study. The occurrence of breaks in collaboration, precipitated by the perception of intolerable risk, and the Synchrony of Electrodermal Activity, was examined at three distinct phases of interaction between the dyad: the pre-, duringand post-break periods. The Electrodermal Activity of the dyad was recorded using the BIOPAC MP-150 instrument, while the assessment of the therapeutic alliance as perceived by the client was evaluated using the WAI-SR. The analysis of instances of disruption to the Therapeutic Collaboration employed the coding of the sessions through the TCCS. The AMICo algorithm was employed for the calculation of Electrodermal Activity Synchrony. It was established that the therapist and client exhibit synchrony in the therapeutic process. However, at specific points in time, the dyad displays reduced synchrony (for example, during breaks, breaks due to intolerable risk and when a post-break overlaps with a pre-break). In conclusion, this study allowed an investigation of the relationship between the Synchrony of Electrodermal Activity and breaks in Therapeutic Collaboration within the psychotherapeutic context, thereby addressing a gap in the existing literature on this topic. Keywords: Breaks in Therapeutic Collaboration; Case study; Electrodermal Activity Synchrony
vii Índice Introdução ........................................................................................................................ 8 Metodologia ................................................................................................................... 12 Resultados ...................................................................................................................... 18 Discussão ........................................................................................................................ 26 Referências ..................................................................................................................... 31 Anexo A ........................................................................................................................... 38 Índice de Figuras Figura 1 Sincronia da Atividade Eletrodérmica e as Quebras da Colaboração Terapêutica ..................................................................................................................... 18 Figura 2 Evolução da Sintomatologia do Caso ao longo do Processo Psicoterapêutico 19 Figura 3 Quantidade de Quebras da Colaboração Terapêutica ao longo do Processo Psicoterapêutico ............................................................................................................. 19 Figura 4 Quantidade dos três períodos (período pré, durante e pós quebra) ao longo das sessões do Processo Psicoterapêutico ..................................................................... 20 Figura 5 Sincronia ao longo das sessões terapêuticas ................................................... 21 Figura 6 Resultados relativos à Subcategoria do período durante a quebra (“Actual”) da Categoria Fase (“Phase”) ................................................................................................ 22 Figura 7 Resultados relativos à Subcategoria do período onde o pós quebra de uma intervenção se sobrepõe ao período de pré quebra de outra intervenção terapêutica (“After_Before”) na Categoria Fase (“Phase”) ................................................................ 23 Figura 8 Resultados relativos à Subcategoria das quebras por invalidação de risco intolerável (“Breaks_IR”) da Categoria Tipo (“Type”) .................................................... 24 Figura 9 Resultados relativos à Subcategoria de Desafio ("Challenging") da categoria Marcadores (“Mark”) ..................................................................................................... 25 Figura 10 Teste ANOVA para a Categoria Fase ("Phase") .............................................. 26
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 14 transcrições das sessões psicoterapêuticas. Denota-se, que é necessário uma formação prévia do sistema de codificação para a identificação precisa e fidedigna do TCCS (Ribeiro et al., 2013; Ribeiro et al., 2019). Este sistema de codificação apresenta uma boa confiabilidade, apresentando valores médios de kappa de cohen de .92 para intervenções do terapeuta e .93 para respostas do cliente (Ribeiro et al., 2013). Para a realização desta codificação, após a finalização do processo psicoterapêutico deste caso, alunos do 5º ano Mestrado Integrado em Psicologia assinaram o termo de confidencialidade e foram responsáveis pela transcrição na íntegra das sessões. Nas transcrições houve um cuidado dos tempos de cada interação conciliar com os tempos dos registos fisiológicos de cada elemento da díade. Posteriormente, realizou-se a codificação integral das sessões com o TCCS (Ribeiro et al., 2013). O TCCS apresenta codificações para o terapeuta e para o cliente. Para o terapeuta, existem codificações para categoria de suporte da perspetiva do cliente (i.e., reflexão, sumarização, questionamento e demonstração de interesse e/ou atenção) e para categoria de desafio da perspetiva do cliente (i.e., interpretação, confirmação, convite para uma nova ação, convite para explorar cenários hipotéticos, alterar o nível de análise, enfatizar a novidade e monitoramento de evidências). Para o cliente, existem codificações para as categorias de validação (i.e., confirmação, fornecer informação, elaborar e reformulação da perspetiva/problemática) e para as de invalidação (i.e., expressar confusão, discordar da intervenção anterior do terapeuta/defender a perspetiva habitual, ausência de envolvimento na resposta e desconexão com o tópico/foco) (Ribeiro et al., 2013; Ribeiro et al., 2019). A codificação foi realizada por dois juízes independentes, cujo grau de acordo inter-codificadores foi de ≥ .80%. No desenvolvimento deste trabalho, foram utilizadas as codificações do TCCS, com recurso às bases de dados previamente construídas. Nestas bases de dados, foram identificadas todas as interações correspondentes às Quebras da Colaboração, tendo sido selecionados os momentos de interação da díade correspondentes aos períodos de pré quebra, durante a quebra e pós quebra, para as 15 das 16 sessões codificadas. Salienta-se que durante a codificação das sessões, detetaram-se alguns problemas com o registo de vídeo, que não foram possíveis de se resolver, o que contribuiu para a perda de alguns dados importantes ao estudo, como é o caso, da sessão 12. Posteriormente, à organização da base
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 15 de dados conforme os objetivos deste estudo, e à seleção específica dos três períodos relacionados com as interações da díade (período pré quebra, período durante a quebra e o período pós quebra) foram criadas quatro categorias: Fase (“Phase”), Tipo (“Type”), Marcadores (“Mark”) e Especificadores (“Sub_Mark”). A categoria Fase (“Phase”) correspondia aos três momentos relacionados com as quebras por invalidação de risco intolerável e utilizou-se os seguintes códigos: “Before” para o período pré quebra, “Actual” para o período durante a quebra, “After” para o período pós quebra e, “After_Before” para o período em que, um período pós quebra de uma intervenção se sobrepunha ao período de pré quebra de outra intervenção terapêutica. Nesta categoria, criou-se um código, “Cold”, para os momentos de interação terapêutica fora dos períodos de interesse (período pré quebra, período durante a quebra e período pós quebra). A categoria Tipo (“Type”) indicava a intervenção como não quebra (“No_Breaks”) para os momentos pré e pós quebra, e como quebra (“Breaks”) para os períodos de durante as Quebra da Colaboração Terapêutica, sendo estas identificadas por Quebras de Ambivalência (“Breaks_AMB”), Quebras por Desinteresse (“Breaks_D”) e Quebras por Risco Intolerável (“Breaks_IR”). Salienta-se que apesar da identificação de todos os tipos de quebras presentes no caso, somente as quebras por risco intolerável foram consideradas para a análise em estudo. As categorias de Marcadores (“Mark”) e Especificadores (“Sub_Mark”) correspondiam aos códigos do TCCS, e para os momentos fora das intervenções dos períodos de interesse neste estudo (período pré quebra, período durante a quebra e período de pós quebras) foram codificados com “NA” e não foram analisados. Aquisição e Pré-Processamento da Atividade Eletrodérmica Na recolha da EDA, utilizou-se o sistema modular BIOPAC MP-150 (BIOPAC SYSTEM, Santa Barbara, CA, USA). Este instrumento é ligado a dois amplificadores eletrodérmicos, que permitem o registo da EDA de cada participante. Os elétrodos foram colocados nos dedos (indicador e médio) e na palma da mão não dominante de cada participante, por serem áreas com maiores quantidades de glândulas sudoríparas (Dooren et al., 2012; Fowles et al., 1981). É de salientar, que a condutância de pele, foi medida em microSiemens (μs), administrada na pele, em uma corrente elétrica de baixa intensidade. Em conjunto com o BIOPAC MP-150, existia um computador com o software AcqKnowledge 4.3 (BIOPAC System, Santa Barbara,
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 16 CA, USA), que registava a EDA de cada participante em tempo real durante todas as sessões do processo psicoterapêutico. Antes de se dar início às consultas do processo psicoterapêutico, terapeuta e cliente preparavam-se para a colocação do material essencial para dar início à investigação (os elétrodos nas mãos e dedos). Numa sala contígua à sala onde decorriam as sessões, existia um computador e os instrumentos essenciais à recolha de dados relacionados com o estudo, bem como, uma equipa responsável por controlar o registo, no decorrer das sessões. Era pedido a ambos os participantes, que lavassem as mãos com água e sabão, para posteriormente se proceder à colocação dos elétrodos eletrodérmicos. Antes de se dar início à consulta, o cliente era submetido a uma tarefa baseline de aproximadamente 10 minutos. A tarefa consistia na observação de imagens neutras no ecrã de um computador e, seguidamente, de uma descrição das mesmas com o auxílio da psicoterapeuta. Esta tarefa tinha como objetivo controlar diferenças interindivíduos antes de se dar início à sessão terapêutica (Jennings et al., 1992). No procedimento dos dados da EDA, foram importadas as 16 sessões dos dados brutos da EDA a 20 Hz. Posteriormente foram efetuados alguns procedimentos que permitiram uma análise precisa e detalhada para a realização dos objetivos deste estudo. Seguidamente, procedeu-se à deteção automática de artefactos para valores inferiores a 1 uS, para resíduos do filtro passa-alto de 1,5 Hz e para quedas repentinas no sinal. As amostras de artefactos também foram substituídas pelo último/primeiro bom valor com o intuito de preservar a estrutura temporal de cada sinal. De seguida, utilizou-se um filtro passa-baixo de 0,25 Hz para remover ruído de alta frequência e artefactos de baixa sensibilidade aos sensores. Logo após, eliminou-se a sessão 12 e 16, devido a problemas de registo de vídeo e problemas técnicos, respetivamente. Por último, cortou-se o início e o fim das sessões correspondentes aos tempos do final da tarefa baseline e ao início do preenchimento dos questionários finais da sessão, para se considerar apenas o tempo da sessão. Cálculo e Análise da Sincronia da Atividade Eletrodérmica As séries temporais dos sinais de EDA do terapeuta e do cliente foram utilizadas para o cálculo da sincronia momento a momento, através do algoritmo Adaptive Matching Interpolated Correlation v1.1 (AMICo; Kleinbub, 2023) onde, se configuraram os dados
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 17 utilizando os seguintes parâmetros, lag = 4, match_threshold = .25, duração mínima = 5, duração máxima = 35 e amplitude mínima do pico = .05. Este é um algoritmo com um procedimento inovador em comparação com outras abordagens clássicas, nomeadamente, com a análise de correlações cruzadas, na medida em que permite analisar tanto a similaridade de sinais em atraso, como velocidades variáveis (Kleinbub et al., 2024). Neste estudo, o AMICo permitiu identificar picos nos sinais da EDA do terapeuta e do cliente e combiná-los, contudo, para esta análise, foi necessário transformar as séries temporais irregulares em séries temporais regulares de 10 Hz. Seguidamente, recorreu-se a uma análise da pseudo sincronia, para se verificar se a sincronia poderia ser devida ao acaso (Kleinbub et al., 2020; Kleinbub & Ramseyer, 2021). Para isso, criaram-se segmentos falsos ao acaso, com base em todas as combinações possíveis entre as correspondências reais (e.g., comparação da sessão 1 do cliente e sessão 1 do terapeuta) e idênticas da díade (e.g., comparação da sessão 1 do cliente consigo mesmo). Posteriormente, foi calculada a sincronia e a mediana das sessões aleatórias da mesma forma que a dos dados reais. Com esses valores, calculou-se a sincronia z, que se refere à padronização dos valores da média e desvio-padrão da pseudo sincronia, com o intuito de padronizar significativamente os valores dos segmentos (Kleinbub et al., 2020; Kleinbub et al., 2023). A Sincronia da Atividade Eletrodérmica nos momentos de Quebras da Colaboração Terapêutica Realizou-se uma análise através de permutação Monte Carlo (Kleinbub et al., 2020; Kleinbub et al., 2024) com o objetivo de avaliar valores de pseudo sincronia e explorar se a sincronia real seria maior ou menor em determinados segmentos em comparação com a sincronia devida ao acaso (i.e., sincronia random). A análise de permutação Monte Carlo procedeu-se nos seguintes passos: 1) a sincronia durante os segmentos reais foi calculada e extraída (valor da mediana), 2) a mediana destes valores foi calculada para obter o valor central da distribuição da sincronia em segmentos reais e 3) os períodos com a mesma duração dos segmentos reais foram selecionados de forma aleatória em outros momentos do processo terapêutico, correspondendo a observação dos dados sob a hipótese nula de não haver uma associação temporal entre os segmentos e a sincronia. Posteriormente, foi realizado o mesmo processo para a sincronia aleatória, 4) analisou-se a sincronia aleatória
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 18 durante os segmentos falsos extraindo a mediana. 5) Os passos correspondentes a 3) foram repetidos 10.000 vezes para garantir uma aproximação da distribuição dos dados sob a hipótese nula. 6) Os valores de p foram calculados como o número de medianas aleatórias iguais ou superiores à mediana real dividido por 10’000. 7) Como critérios de decisão adicionais, calculou-se o intervalo de densidade mais elevada (IDH) de 89% da distribuição das grandes medianas aleatórias, para se verificar, se a grande mediana real estaria dentro ou fora desse intervalo, e por fim, (8) os tamanhos dos efeitos foram calculados para cada uma das 10 000 extrações como o d de cohen entre os segmentos reais e aleatórios. Resultados Evolução da Aliança Terapêutica e da Sintomatologia Em relação à Aliança Terapêutica, é possível verificar que ao longo do processo terapêutico, a cliente oscilou na sua perceção da aliança terapêutica, notando-se que após a sessão 10 houve um aumento estável que se manteve até ao final do processo psicoterapêutico (ver Figura 1). Figura 1 Evolução da Avaliação da Aliança Terapêutica percebida pela Cliente Em relação à sintomatologia da cliente, é possível verificar que nas sessões iniciais e intermédias a cliente apresenta sintomatologia moderada. Contudo, a partir da sessão 10,
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 19 houve uma diminuição significativa, até às sessões finais, demonstrando assim uma melhoria nos sintomas de sofrimento psicológico da cliente (ver Figura 2). Figura 2 Evolução da Sintomatologia do Caso ao longo do Processo Psicoterapêutico Quebras da Colaboração Terapêutica De um modo geral, verifica-se que este estudo de caso apresenta ao longo do processo psicoterapêutico uma quantidade superior de quebras por invalidação de risco intolerável (“Breaks_IR”), em comparação com as restantes quebras (ambivalência (“Breaks_AMB”) (n = 311) ou desinteresse (“Breaks_D”) (n = 50)). No total, foram registadas 583 quebras por invalidação de risco intolerável. Ao longo do processo psicoterapêutico, foi possível verificar uma oscilação das Quebras da Colaboração Terapêutica (ver Figura 3 e 4). A incidência das quebras foi aumentando e diminuindo à medida que terapeuta e cliente trabalhavam em direção à finalização do processo, indicando assim que o trabalho terapêutico se terá tornado mais difícil nas sessões intermédias. Esta evolução ao longo do tempo foi semelhante para as quebras por ambivalência e risco intolerável, contudo, não se verifica um padrão específico para as quebras por desinteresse. Figura 3 Quantidade de Quebras da Colaboração Terapêutica ao longo do Processo Psicoterapêutico
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 20 Figura 4 Quantidade dos três períodos (período pré, durante e pós quebra) ao longo das sessões do Processo Psicoterapêutico Sincronia da Atividade Eletrodérmica Em geral, a análise de dados efetuada permite concluir que, tal como hipotetizado, a Sincronia da EDA é maior que o acaso, face ao valor de p inferior a .05, existindo assim evidência para a existência de sincronia fisiológica entre terapeuta e cliente ao longo do processo psicoterapêutico. Calculou-se a pseudo sincronia do caso, com o intuito de se verificar se a sincronia poderia ser superior devido ao acaso (ver Figura 5).
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 21 Figura 5 Sincronia ao longo das sessões terapêuticas Relativamente à análise das categorias, na categoria Fase (“Phase”) os resultados indicam que nos períodos durante a quebra (“Actual”) e nos períodos de sobreposição de pós e pré quebras (“After_Before”) a sincronia é menor do que a que seria esperada devido ao acaso, demonstrando que nesses períodos terapeuta e cliente sincronizam menos do que se esperaria de forma aleatória. Especificamente na subcategoria durante a quebra (“Actual”), o número de intervalos (n = 502) está associado a uma menor sincronização em comparação com o acaso. Os resultados para esta subcategoria são estatisticamente significativos (ver Figura 6) e demonstram assim, uma confiança nos resultados adquiridos para indicarmos que durante este período (“Actual”) a díade apresenta uma menor sincronização.
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 22 Figura 6 Resultados relativos à Subcategoria do período durante a quebra (“Actual”) da Categoria Fase (“Phase”). Na subcategoria onde o período pós quebra de uma intervenção se sobrepunha ao período de pré quebra de outra intervenção terapêutica (“After_Before”), o número de intervalos (n = 36) indicam uma menor sincronização em comparação com o acaso. Este resultado apresenta uma relevância estatística (ver Figura 7) e comprova que nestes momentos, terapeuta e cliente apresentam uma menor sincronização. Contudo, os resultados para esta subcategoria apresentam uma maior incerteza nas estimativas associadas a esta condição, pela quantidade reduzida de episódios.
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 23 Figura 7 Resultados relativos à Subcategoria do período onde o pós quebra de uma intervenção se sobrepõe ao período de pré quebra de outra intervenção terapêutica (“After_Before”) na Categoria Fase (“Phase”) Considerando os resultados adquiridos na Categoria Tipo (“Type”), verifica-se que a Sincronia da EDA nas Quebras de Colaboração Terapêutica por invalidação de risco intolerável (“Break_IR”) apresentou uma menor sincronia em comparação ao acaso, estatisticamente significativa (ver Figura 8). Este resultado indica uma confiança para confirmarmos que neste tipo de quebras (“Breaks_IR”) a díade apresenta uma menor sincronização devido à quantidade de intervalos convincentes (n = 286).
A SINCRONIA DA ATIVIDADE ELETRODÉRMICA E AS QUEBRAS DA COLABORAÇÃO TERAPÊUTICA 30 terapeuta e cliente sincronizavam menos. Em conclusão, refletimos que este trabalho contribuiu, para a exploração de novos temas associados à psicoterapia e à Sincronia da EDA com as Quebras da Colaboração Terapêutica, contribuindo para a reflexão de como as Quebras da Colaboração podem afetar a sincronia da EDA, entre terapeuta e cliente.
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