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Marta Daniela Marcos Freitas Indicadores para monitorizar a competitividade económica e ambiental em contexto de empresa Dissertação de Mestrado Mestrado em Engenharia de Polímeros Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Ricardo João Ferreira Simões Professora Doutora Carla Isabel Domingues Correia Martins Engenheira Sílvia Vilaça outubro de 2023
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii AGRADECIMENTOS Gostaria de começar por agradecer à Inoveplastika pela oportunidade de desenvolver a dissertação em contexto empresarial, que constitui uma mais-valia para aplicar todos os conhecimentos adquiridos num ecossistema prático e dinâmico. E, por me ter proposto um tema desafiante que permitiu colocar-me à prova e alargar bastante a minha área de conhecimento. Adicionalmente, a conclusão deste percurso não teria sido possível sem uma rede de apoio, à qual passo a agradecer. Às pessoas que me acompanharam no desenvolvimento deste projeto, a Engenheira Sílvia Vilaça e o Engenheiro Nelson Maia, por toda a disponibilidade para o desenvolvimento desta dissertação, simpatia e apoio demonstrado ao longo desta jornada. A todos os colaboradores da Inoveplastika pelo acolhimento, especialmente à equipa do Departamento de Qualidade e Ambiente e Segurança do qual tive o prazer de fazer parte, por todo o apoio e ensinamentos extra. Aos meus orientadores por parte da Universidade do Minho, Professora Doutora Carla Martins e Professor Doutor Ricardo Simões, por toda a disponibilidade, paciência e por todo o conhecimento partilhado. E por fim, e não menos importante, à minha família e aos meus amigos que me acompanharam ao longo de todo o meu percurso académico e pessoal, encorajandome a atingir os meus objetivos e sem nunca me desampararem nos momentos mais atribulados.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v RESUMO No ambiente altamente competitivo que a indústria automóvel está inserida, regido pela globalização e pela transição para automóveis elétricos, o objetivo principal das empresas pertencentes a este setor, passa por manter e ganhar vantagens competitivas face à concorrência existente no mercado. Desta forma, para compreender quais são atualmente os fatores que determinam a competitividade não só a nível económico, mas também noutras facetas como a ambiental, o objetivo primordial deste trabalho é construir um modelo de monitorização do desempenho das empresas na estruturação da sua posição competitiva. Simultaneamente, urge o pedido de controlar as emissões de gases com efeito de estufa ao nível organizacional por parte dos clientes, devido ao foco mundial no combate das alterações climáticas, despoletando a necessidade de implementar a metodologia de cálculo da Pegada de Carbono da empresa em estudo. Numa primeira fase, foi efetuada uma revisão da literatura para enquadramento das temáticas abordadas e de forma a aferir quais os fatores que poderão ser utilizados para avaliar a competitividade ao nível empresarial. No final, assume-se que se pode dividir o conceito de competitividade em quatro dimensões: a económica, a técnica, a ambiental e a social. Uma vez recolhida toda a informação e tendo em consideração as especificidades da empresa, foram selecionados os indicadores constituintes do modelo, recorrendo-se à metodologia de construção de indicadores compósitos, particularmente ao método AHP para a obtenção dos pesos que cada um representa no padrão desenvolvido. Assim, a utilização desta métrica e o cálculo da Pegada, permitiram aferir que existe ainda muito espaço para melhoria e para progressão, no que diz respeito a construir uma Organização com a ambição de não só crescer economicamente, mas também de assegurar a sustentabilidade e o bem-estar comum. O futuro passará por investir na inovação, na melhoria da eficiência dos processos produtivos, na captação e retenção de capital humano qualificado, na adoção de medidas circulares e na descarbonização do setor. Palavras-chave: competitividade, economia, sustentabilidade, indicadores compósitos.
vi ABSTRACT In the highly competitive environment in which the automotive industry operates, governed by globalization and the transition to electric cars, the main objective of companies belonging to this sector is to maintain and gain competitive advantages over existing competition in the market. Therefore, to understand which factors currently determine competitiveness not only at the economic level, but also in other facets such as the environmental, the primary objective of this work is to build a model for monitoring the performance of companies in structuring their competitive position. At the same time, there is an urgent request from customers to control greenhouse gas emissions at an organizational level, due to the global focus on combating climate change, triggering the need to implement the calculation of Carbon Footprint in the company under study. In a first phase, a literature review was carried out to frame the themes covered in this work and to assess which factors could be used to assess competitiveness at a business level. In the end, it is assumed that the concept of competitiveness can be divided into four dimensions: economic, technical, environmental and social. Once the information was collected and considering the specificities of the company, the indicators for the model were selected, using the methodology for constructing composite indicators and, particularly, the AHP method to obtain the weights that each one would represent in the standard. Therefore, the use of this metric and the calculation of the Carbon Footprint made it possible to assess that there is still a lot of room for improvement and progression when it comes to building an organization with the ambition of not only growing economically, but also ensuring sustainability and the common well-being. The future will involve investing in innovation, improving the efficiency of production processes, attracting and retaining qualified human capital, adopting circular measures and decarbonizing the sector. Keywords: competitiveness, economy, sustainability, composite indicators.
vii ÍNDICE 1. Introdução ................................................................................................................. 1 1.1 Enquadramento ..................................................................................................... 1 1.2 Empresa Colaboradora .......................................................................................... 2 1.3 Motivação e Objetivos ........................................................................................... 5 1.4 Estrutura da Dissertação ....................................................................................... 7 2. Estado da Arte ........................................................................................................... 8 2.1 Plásticos na Indústria Automóvel .......................................................................... 8 2.2 Indústria de Componentes Automóvel em Portugal ........................................... 10 2.3 Competitividade .................................................................................................. 12 2.3.1 Competitividade ao Nível Empresarial ............................................................ 13 2.3.2 Green Competitiveness .................................................................................... 14 2.4 Indicadores de Competitividade ao Nível Empresarial ....................................... 15 2.5 Construção de um Indicador Compósito ............................................................. 25 2.5.1 Etapas para a Construção de um Indicador Compósito .................................. 25 3. Desenvolvimento .................................................................................................... 28 3.1 Construção do Indicador Compósito ................................................................... 28 3.2 Metodologia para o Cálculo da Pegada de Carbono da Organização ................. 42 4. Apresentação e Discussão dos Resultados ............................................................. 48 4.1 Modelo para Medir o Grau de Competitividade Empresarial ............................. 48 4.2 Pegada de Carbono da Organização ......................................................................... 55 5. Conclusão ................................................................................................................ 62 Referências Bibliográficas e Webgrafia .......................................................................... 64 Anexos ............................................................................................................................ 70 ANEXO 1Plano de ações da Inoveplastika para os requisitos ambientais de cliente .. 70
viii ANEXO 2 – Questionário sobre os indicadores para o modelo compósito de competitividade .............................................................................................................. 71
ix ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Cadeia de aprovisionamento do setor automóvel [6] ..................................... 4 Figura 2 – Fluxograma do processo produtivo da Inoveplastika ...................................... 5 Figura 3 - Peso da Indústria de Componentes para Automóveis na Economia Nacional no ano 2022 [13] .................................................................................................................. 10 Figura 4 - Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [22] ................................. 15 Figura 5 - Modelo proposto pela Comissão Europeia para medir a competitividade ao nível micro [17] ............................................................................................................... 17 Figura 6 - Modelo de autoavaliação da competitividade para uma empresa [18] ........ 18 Figura 7 - Etapas para a construção de indicadores compósitos ................................... 26 Figura 8 - Matriz genérica de comparação no método AHP, onde Xij correspondem aos valores numéricos de comparação ................................................................................. 38 Figura 9 - Escala Fundamental de Saaty [54] .................................................................. 38 Figura 10 – Compatibilidade entre os métodos de ponderação e de agregação [35] ... 41 Figura 11 – A Pegada de Carbono de uma Organização ao longo de toda a cadeia de valor [59] .................................................................................................................................. 44 Figura 12 – Limites organizacionais: abordagem cradle-to-gate + distribuição para a CCF [12] .................................................................................................................................. 45 Figura 13 - Modelo para aferir o grau de competitividade ao nível empresarial .......... 49 Figura 14 - Margem EBIT ao longo dos anos para as OEMs e para os respetivos fornecedores [62] ........................................................................................................... 52
5 1.3 MOTIVAÇÃO E OBJETIVOS Como foi referido anteriormente, nos últimos anos as preocupações com métricas de sustentabilidade têm vindo a tornar-se mais prevalentes em vários setores industriais, em muitos casos associados a regulamentação e imposições legislativas, mas noutros apenas pela estratégia ambiental das empresas. No entanto, a par dos investimentos nesta transição, é igualmente importante percecionar o posicionamento competitivo das empresas nos mercados em que se inserem. Observações Fluxograma % de matérias-primas, aditivos e reciclado se aplicável. Do processo de injeção resulta a purga inicial que é recolhida por uma entidade externa de reciclagem e recuperação. Se possível, os sistemas de alimentação e as peças NOK são reecaminhadas para os moinhos, para serem reincorporados novamente no processo. No embalamento podem ser usados dois tipos de embalagens: Embalagem Cartão > Caixa de cartão > Etiquetas > Separadores de cartão > Palete de madeira nº de utilizações: 1 Embalagem Retornável > Caixa plástica > Separadores plásticos/blisters > Tampa plástica > Palete de plástico nº de utilizações: várias Figura 2 – Fluxograma do processo produtivo da Inoveplastika
6 Neste sentido, o presente trabalho será desenvolvido na Inoveplastika, empresa fornecedora de peças plásticas injetadas para o setor automóvel, com o principal objetivo de ser desenvolvido um modelo compósito que permita quantificar o grau de competitividade das empresas no setor automóvel, uma vez que este conceito já não se encontra estritamente associado a fatores económicos. Novas interpretações têm revelado o seu carácter multidimensional e, portanto, pretende-se incluir as suas diversas vertentes nesta medição. A par deste objetivo primordial, surge a necessidade de atender aos requisitos ambientais dos clientes, que começam a exigir que se monitorize a Pegada de Carbono da Organização (CCF do termo inglês Corporate Carbon Footprint) e dos demais produtos, de forma a reduzir o impacto ambiental associado à sua produção. O grande impulsionador da utilização destas ferramentas centraliza-se nas alterações climáticas, com o grande desafio da descarbonização da indústria e do alcance da neutralidade carbónica. Em suma, a dissertação contempla os seguintes objetivos: • Revisão bibliográfica e identificação dos indicadores mais adequados para avaliar a natureza multidimensional da competitividade ao nível empresarial; • Proposta de um referencial com os indicadores selecionados que permita aferir, de forma quantitativa e qualitativa, o grau de competitividade económica e ambiental das empresas do setor automóvel, para que internamente seja possível definir uma base para a monitorização e melhoria contínua do desempenho; • Sugestão de estratégias para melhorar a postura competitiva da Inoveplastika no mercado em que se insere; • Implementação da ferramenta de cálculo da Pegada de Carbono da Organização; • Proposta de medidas para a redução do impacto ambiental associado ao processo produtivo da Inoveplastika, em comparação com o cenário atual.
7 1.4 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO A presente dissertação encontra-se estruturada em cinco capítulos, sendo o primeiro capítulo a “Introdução”, que enquadra as temáticas abrangidas e a empresa colaboradora para o desenvolvimento deste projeto. Contempla ainda os objetivos e a organização do documento. O segundo capítulo, o “Estado da Arte”, aborda os fundamentos teóricos necessários para compreender o tema desenvolvido, descreve a metodologia de construção de indicadores compósitos e pormenoriza a revisão bibliográfica realizada para analisar a evolução dos estudos já existentes na literatura em prol de medir a competitividade ao nível empresarial. De seguida, o terceiro capítulo “Desenvolvimento” tem como propósito explicar, de forma detalhada, o procedimento por detrás da seleção dos indicadores a constituir o modelo de competitividade empresarial. Adicionalmente, é contextualizada a metodologia de cálculo da CCF, com o intuito de incorporar esta medição como uma das métricas do referencial competitivo. O resultado da construção deste indicador compósito e os respetivos valores obtidos no cálculo da Pegada encontram-se ilustrados no capítulo cinco “Resultados e Análise dos Resultados”, onde também são propostas estratégias tanto para melhorar o desempenho como para auxiliar na descarbonização da empresa em estudo. Por fim, o último capítulo consiste na “Conclusão”, onde são enumeradas as principais conclusões retiradas ao longo do desenvolvimento da dissertação.
8 2. ESTADO DA ARTE 2.1 PLÁSTICOS NA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL A nível mundial, a indústria automóvel produz, em média, 85 a 95 milhões de carros por ano, representando um grande consumo de materiais [7]. Os plásticos ocupam, progressivamente, um lugar com maior destaque na composição dos automóveis, que por norma, correspondem a cerca de 1/3 das 30 000 peças que possuem. Geralmente, utilizam-se polímeros como o polipropileno (PP), o policloreto de vinilo (PVC) e o poliuretano (PU) para os mais variados componentes de um automóvel, nomeadamente para painéis, para-choques, sistemas de combustível, porta-luvas ou para o isolamento do interior [8]. Esta tendência crescente de substituição dos componentes metálicos por plásticos deriva do seu contributo fundamental para atender às exigências dos consumidores. Os clientes pretendem automóveis seguros, cómodos, atraentes, personalizáveis, económicos e que possam ser adquiridos a um preço competitivo, sendo estes requisitos alcançados com a inclusão de materiais plásticos. A vantagem principal reside na massa volúmica destes materiais, que se traduz na redução considerável do peso do automóvel e, consequentemente, resulta na utilização de motores com menor potência, diminuindo, assim, o consumo de combustível. Por sua vez, com uma maior eficiência de combustível, a quantidade de emissões de gases com efeito de estufa nocivos para a atmosfera diminui consideravelmente, contribuindo para um menor impacto ambiental associado à condução [9]. Complementarmente, o ciclo de vida dos automóveis é prolongado, uma vez que com a atenuação da carga nos componentes de suspensão o desgaste é menor. No entanto, existem desvantagens no que diz respeito à produção, pois a maioria dos plásticos têm como origem uma fonte não-renovável, o petróleo, e, portanto, não é o material mais indicado no que diz respeito à escassez global de recursos. Adicionalmente, a sua reciclagem, por vezes, não é uma tarefa acessível graças à mistura
9 de vários polímeros, à incorporação de aditivos tóxicos ou à acoplação de componentes como insertos metálicos às peças plásticas, podendo inviabilizar a sua desmontagem [8]. A par de todos estes problemas, persiste também o combate em torno das alterações climáticas a nível mundial, tendo sido criadas várias legislações e regulamentações para auxiliar nesta luta. Em particular, a União Europeia desenvolveu, em 2019, o Pacto Ecológico Europeu que consiste num leque de medidas para potenciar a concretização dos objetivos traçados no Acordo de Paris. Este compromisso, por sua vez, foi desenvolvido na 21ª Conferência das Partes em 2015, na qual cerca de 200 países se responsabilizam por aplicar todos os esforços no sentido de limitar o aumento da temperatura em 2°C, e no cenário mais favorável em 1,5°C. Assim, espera-se evitar impactos catastróficos e manter a temperatura média terrestre dentro de níveis seguros para a habitabilidade do planeta Terra [10]. Paralelamente, encontra-se em vigor o pacote legislativo “Fit-for-55”, determinado em 2021, que tem como propósito implementar medidas ainda mais apertadas para que a UE e os seus Estados-Membros consigam estar em consonância com o objetivo promissor de se atingir a neutralidade carbónica até 2050. Deste modo, a meta intermediária é reduzir em, pelo menos, 55% as emissões de GEE até 2030, tendo que os automóveis de passageiros e veículos comerciais que entram atualmente no mercado europeu obedecer a estes marcos [11]. Desta forma, devido aos malefícios decorrentes do consumo e processamento dos plásticos, dos demais materiais e dos produtos químicos utilizados para a produção de veículos, os intervenientes deste setor têm necessariamente de repensar o seu modus operandi. É indispensável empreender estratégias em prol do desenvolvimento sustentável, em concordância com a regulamentação governamental cada vez mais rigorosa. Contudo, ainda existe um longo percurso a percorrer no sentido de minimizar a pegada ambiental associada à indústria e para tal, tem de se atuar de igual modo nas primeiras fases do ciclo de vida dos produtos. Consequentemente, começa-se a verificar uma transição para uma economia mais sustentável, na qual se incentiva a reformulação das rotinas de desenvolvimento e produção no sentido de serem mais eficientes ecologicamente.
10 2.2 INDÚSTRIA DE COMPONENTES AUTOMÓVEL EM PORTUGAL Como será construído um modelo para avaliar a competitividade de um fornecedor TIER 2 do setor automóvel com os seus alicerces em Portugal, é benéfico analisar a situação atual da Indústria de Componentes Automóvel Nacional de forma a contextualizar o ecossistema no qual se insere. Em Portugal, o cluster automóvel não é representado maioritariamente por OEMs, mas sim por empresas movidas com um capital significativamente português, que produzem componentes e sistemas para o produto final [12]. As organizações vinculadas a esta divisão são de enorme relevância para a economia do país, tal como se pode observar na Figura 3. Em 2022 verificou-se a existência de uma média de 350 empresas fornecedoras de componentes automóveis, contando com a colaboração de cerca de 63 000 trabalhadores e representado um volume de negócios de 13 000 M€. Constituem ainda uma área na qual existe um elevado investimento, tendo os componentes fabricados como principal destino a exportação [13]. Figura 3 - Peso da Indústria de Componentes para Automóveis na Economia Nacional no ano 2022 [13] Paralelamente a este crescimento, o setor encontra-se numa grande transformação com a imperatriz evolução tecnológica e com os desafios ambientais que, por sua vez, criam a necessidade de reformulação das instalações e práticas empresariais [14]. Consequentemente, as instituições necessitam de reformular as suas estratégias para manterem e reforçarem a sua posição competitiva no mercado.
11 Neste contexto, numa parceria entre a EY Parthenon, a MOBINOV – Cluster Automóvel e a Hi-Rev, foi divulgado, em maio de 2023, o relatório “Diagnóstico Prospetivo da Indústria de Componentes Automóvel em Portugal” que pretende debater o posicionamento competitivo atual do setor automóvel nacional no mercado europeu, perspetivando o seu futuro com base nas vantagens e desvantagens que enfrentam [12]. Após uma análise dos diversos perfis das organizações portuguesas, concluíram que, e passando a citar, “A Indústria de Componentes Automóvel nacional tem um elevado potencial de inovação e representatividade na economia nacional, mas possui debilidades estruturais por resolver” [12]. Culminaram nesta conclusão devido à análise SWOT (sigla para Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) realizada no âmbito desta análise, da qual se pode destacar algumas forças como [12]: • Existência de recursos humanos com qualificação profissional, principalmente na área da engenharia; • A eficiência e flexibilidade produtiva, uma vez que a produtividade aparente de trabalho, que é medida através do VAB (valor acrescentado bruto) a dividir pelo número de empregados, encontra-se acima da média da indústria transformadora portuguesa, constituindo um grande motor para a eficiência das empresas portuguesas; • Grande incentivo ao I&D (Investigação e Desenvolvimento), à inovação e ao reforço da formação. Verificou-se um crescimento da colaboração para a inovação entre 2018 e 2020, progredindo Portugal para a décima quarta posição do ranking europeu. Por outro lado, coexistem fraquezas como [12]: • A dificuldade em atrair mão-de-obra especializada para esta área, uma vez que neste setor apenas 15% dos colaboradores apresentam um curso de ensino superior; • A existência de ainda muitas limitações de conhecimento, no que diz respeito ao desenvolvimento e melhoria de áreas cada vez mais fundamentais para a sociedade como a sustentabilidade;
12 • O insucesso na internacionalização das empresas nacionais, para usufruírem da vantagem de uma maior proximidade com as instalações fabris dos clientes. Além disso, no paradigma externo realçam-se ameaças como [12]: • Os países do Leste da Europa e do Norte de África apostarem numa competitividade de baixos custos; • Os projetos auxiliares de apoio ao investimento não serem atrativos, existindo, por exemplo, dificuldades no acesso a subvenções públicas e a subsídios para que seja possível usufruir de um retorno financeiro adjunto ao investimento. 2.3 COMPETITIVIDADE A palavra “competitividade” é muito empregue no quotidiano empresarial, desde a referência de que a empresa faz parte do programa construído pela IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação) até à definição dos objetivos estratégicos com a missão de reforçar a sua “competitividade”. De acordo com o dicionário português, e na perspetiva económica, define-se como a “capacidade de um produto, de uma empresa ou economia para manter ou aumentar as suas quotas de mercado” [15]. Ou seja, a competitividade encontra-se ligada à capacidade de se conseguir conquistar novos mercados, uma posição de destaque face à concorrência, resultados económicos otimistas e, consequentemente, atrair investimentos que possam potenciar o crescimento [16]. A competitividade é analisada e caracterizada nos mais diferentes níveis para que seja possível analisar o desempenho desde o paradigma de uma nação, país, até ao de uma empresa, e até mesmo de um produto face aos seus semelhantes disponíveis no mercado. Desta forma, a literatura divide o conceito em três níveis [17]: • Nível macro, onde se avalia se um país ou região é capaz de gerir uma economia na qual seja possível proporcionar aos seus habitantes condições de vida favoráveis;
13 • Nível meso, no qual se determinam os pontos fortes e fracos que influenciam a competição internacional de uma indústria localizada num determinado país, em comparação à mesma noutras nações; • Nível micro, que está relacionado com a análise interna das empresas, onde se verifica a capacidade de sobreviverem nos mercados em que estão inseridas e obterem lucro a médio e longo prazo. Os indicadores compósitos existentes na literatura sobre o fenómeno da competitividade focam-se muito na comparação do desempenho dos países, tendo como característica comum o propósito de analisar as condições existentes para as empresas sediadas nos seus territórios [16]. Contudo, excluem as características inerentes às mesmas, que, segundo Porter, constituem o grande impulso da competitividade, principalmente nos mercados internacionais. Passando a citar, “a menos que haja uma melhoria adequada ao nível microeconómico, as reformas macroeconómicas, políticas, jurídicas e sociais não darão plenos frutos” [18]. 2.3.1 COMPETITIVIDADE AO NÍVEL EMPRESARIAL A competitividade empresarial é geralmente assimilada como a aptidão de uma empresa ocupar uma posição de destaque no mercado em que se insere e de aumentar a sua eficiência em termos de custos. Algumas das estratégias utilizadas para conseguir a distinção face à concorrência passam, por exemplo, por proporcionar um preço competitivo, ou seja, abaixo do atribuído por outros fornecedores, no que diz respeito a produtos similares, ou por meio da singularização do produto, ao incluir características inovadoras e/ou ao oferecer serviços complementares [19]. Por muito tempo, a perceção de competitividade nas empresas residia no sucesso ou fracasso em cumprir com quatro critérios. O primeiro consiste na eficiência em relação à produtividade, podendo ser alguns dos indicadores a percentagem de rejeição face ao que se produziu ou a percentagem de tempo que agrega valor ao produto versus o tempo total associado à sua produção, com o objetivo de diminuir os custos de nãoqualidade. O segundo critério foca-se na qualidade, que pode ser assegurada, em parte, pela certificação segundo determinadas normas, como por exemplo, a NP EN ISO 9001
14 ou a IATF 16949, que constitui um fator que demonstra uma maior confiança no seu desempenho de qualidade perante potenciais clientes. Os outros dois critérios focamse na flexibilidade da empresa, ou seja, na capacidade de lidar com a crescente diferenciação e volatilidade dos mercados, e na responsividade, que corresponde à capacidade de gerar inovação a par da evolução tecnológica [20]. Uma vez que no passado o conceito de competitividade estava estritamente ligado a fatores económicos, as indústrias priorizavam o aumento da produtividade operacional face às restantes vertentes. Contudo, ultimamente sugere-se que devem ser introduzidas outras dimensões para determinar o nível de crescimento das organizações. Esta visão multidimensional da competitividade pressupõe expandir o seu domínio a fatores ambientais e de responsabilidade social, surgindo o conceito Green Competitiveness. 2.3.2 GREEN COMPETITIVENESS Além de todos estes parâmetros que normalmente regem o crescimento das economias, surgiu um conjunto de metas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), representados na Figura 4, que foram aprovadas em 2015 pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), exigindo-se a transformação das mentalidades dos setores, com o intuito que no seu quotidiano sejam adotados os princípios de uma economia justa e sustentável [21]. Os ODS abrangem várias preocupações como o bem-estar e a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, a oferta de infraestruturas e trabalho digno, e a sustentabilidade dos ecossistemas. Assim, a adoção destes princípios, por parte das organizações, permitirá atender à regulamentação governamental e às expectativas da sociedade, fomentando uma reputação de confiança.
21 Indicadores Económicos EBITDA Valor económico adicionado (EVA) Indicadores de liquidez (TL, CL, QR, NWC) Quota de exportação Indicadores de retorno (ROE, ROA, ROS, ROC) Margem de lucro Quota de mercado Crescimento Índice de margem de fluxo de caixa operacional Tempo/atraso de entregas Custos de stock Valor económico gerado e distribuído Nº de pessoas empregadas Cost competitiveness Sobrevivência Nível de satisfação dos clientes Ecological Indicators (2007) [28] X X X X X X Competitiveness Review (2013) [18] X X X X X Rosa Papalia e Annalisa Donno (2013) [24] X X X X Dissertação de Miguel Fernandes Salvado (2014) [29] X X Ecological Indicators (2016) [30] X X X 5th International Conference on Industrial Engineering and Applications (2018) [31] X X X European Comission (2018) [17] X X X X X X X World Development (2020) [16] X X X Montenegrin Journal of Economics (2020) [32] X X X Conselho Superior de Estatística (2021) [33] X X X X X Sustainability Journal (2021) [21] X X Dissertação de Jéssica Antunes Abrantes (2021) [34] X X X X X X X Total 3 3 3 3 8 7 2 2 2 2 1 3 1 5 1 4 Tabela 3 - Indicadores económicos mais citados na literatura
22 Indicadores Técnicos Redes businessto-business Investimento na formação dos operadores Produtividade Investimento em I&D (% investida das receitas) nº de patentes nº de reclamações % de objetivos estratégicos atingidos nº de sanções por não cumprimento das regulamentações Cumprimento dos pedidos Investimento na parte comercial (advertising) Ecological Indicators (2007) [28] X X X X Competitiveness Review (2013) [18] X X Rosa Papalia e Annalisa Donno (2013) [24] X X X X Dissertação de Miguel Fernandes Salvado (2014) [29] X X Ecological Indicators (2016) [30] X X X 5th International Conference on Industrial Engineering and Applications (2018) [31] X X European Comission (2018) [17] X X X X World Development (2020) [16] X X Montenegrin Journal of Economics (2020) [32] X Conselho Superior de Estatística (2021) [33] X Sustainability Journal (2021) [21] X Dissertação de Jéssica Antunes Abrantes (2021) [34] Total 1 5 5 7 2 2 1 1 1 1 Tabela 4 - Indicadores técnicos mais citados na literatura
23 Indicadores Sociais Equidade de géneros Investimento em infraestruturas sociais nº de acidentes de trabalho % de doenças ocupacionais nº de violações do código de ética % de produtos que impactam a saúde e segurança dos colaboradores Taxa de absentismo Rotatividade de colaboradores Nível de satisfação dos colaboradores Ecological Indicators (2007) [28] X X X X Competitiveness Review (2013) [18] não considera indicadores sociais Rosa Papalia e Annalisa Donno (2013) [24] X X Dissertação de Miguel Fernandes Salvado (2014) [29] X X X X Ecological Indicators (2016) [30] X X X X 5th International Conference on Industrial Engineering and Applications (2018) [31] não considera indicadores sociais European Comission (2018) [17] não considera indicadores sociais World Development (2020) [16] não considera indicadores sociais Montenegrin Journal of Economics (2020) [32] não considera indicadores sociais Conselho Superior de Estatística (2021) [33] não considera indicadores sociais Sustainability Journal (2021) [21] X X X Dissertação de Jéssica Antunes Abrantes (2021) [34] X X Total 4 1 3 1 2 1 2 3 2 Tabela 5 - Indicadores sociais mais citados na literatura
24 Indicadores Ambientais Participação de energias renováveis no consumo total energético % de redução das emissões atmosféricas Consumo de recursos hídricos Quantidade gerada de resíduos % de reciclagem dos resíduos Nível de tratamento de águas residuais Rácio entre o consumo de material reciclado e virgem Consumo de combustível Custos ambientais Consumo energético Quantidade de fornecedores certificados pela ISO 14001 Performance dos fornecedores a nível ambiental % de área verde na área total da planta Investimentos para reduzir o impacto ambiental Ecological Indicators (2007) [28] X X X X X Competitiveness Review (2013) [18] não considera indicadores ambientais Rosa Papalia e Annalisa Donno (2013) [24] X Dissertação de Miguel Fernandes Salvado (2014) [29] X X X Ecological Indicators (2016) [30] X X X X 5th International Conference on Industrial Engineering and Applications (2018) [31] X X X European Comission (2018) [17] não considera indicadores ambientais World Development (2020) [16] não considera indicadores ambientais Montenegrin Journal of Economics (2020) [32] não considera indicadores ambientais Conselho Superior de Estatística (2021) [33] não considera indicadores ambientais Sustainability Journal (2021) [21] X X X X X X Dissertação de Jéssica Antunes Abrantes (2021) [34] X X X X Total 1 4 4 4 1 1 2 1 1 3 1 1 1 1 Tabela 6 - Indicadores ambientais mais citados na literatura
25 2.5 CONSTRUÇÃO DE UM INDICADOR COMPÓSITO A construção de um referencial de medição do grau de competitividade ao nível micro só é possível se conseguir-se agrupar o conjunto de indicadores analisados para as suas múltiplas dimensões num só valor representativo. Com este propósito, existem os designados indicadores compósitos que consistem na agregação de indicadores individuais e dos seus respetivos pesos, que, por sua vez, definem a sua relativa importância para o objeto em análise [35]. Constituem uma ferramenta vantajosa uma vez que permitem agrupar medidas tanto quantitativas como qualitativas numa unidade de medida comum [36]. Ao nível macro, já se destacam como instrumentos de avaliação do desempenho dos países para a comparação de fatores socioeconómicos, tal como o nível de escolaridade, a qualidade de vida, a inovação, a sustentabilidade, a competitividade, entre outros [37]. Resumidamente, a popularidade desta ferramenta deve-se ao facto de permitirem uma fácil e rápida interpretação dos resultados, pois proporcionam um resumo das diversas facetas de fenômenos complexos. Descobrir uma tendência comum entre uma série de indicadores seria um processo muito mais demorado, dificultando todo o processo de avaliação e comparação com a concorrência. De notar que devem ser utilizados apenas como um porto de partida para atrair a atenção das partes interessadas para questões específicas e, por conseguinte, impulsionarem a criação de medidas de melhoria com base nas prioridades identificadas. Isto porque, a sua construção pressupõe a utilização da subjetividade desde a seleção dos indicadores até à seleção dos métodos de atribuição de pesos e de agregação [35]. 2.5.1 ETAPAS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM INDICADOR COMPÓSITO A estruturação de um indicador compósito é um processo constituído por várias etapas, nas quais as escolhas efetuadas têm um grande peso na confiabilidade do resultado obtido.
26 Pode-se dividir o procedimento em seis etapas, tal como ilustrado na Figura 7. Figura 7 - Etapas para a construção de indicadores compósitos Portanto, o processo consiste em [36]: 1) Definição do fator a ser medido: consiste na determinação do contexto teórico por detrás da medição do objeto em estudo, o que leva a querer estudar a sua natureza multidimensional e a selecionar determinadas dimensões; 2) Seleção dos indicadores individuais: os subindicadores que farão parte do modelo devem ser os mais relevantes para o objetivo proposto, tendo em atenção que devem apresentar a menor relação entre si para que não existam redundâncias; 3) Normalização dos indicadores: para que os indicadores sejam comparáveis entre si e possam ser agregados num único índice, é necessário proceder à sua transformação para uma unidade de medida equivalente. De igual forma, no modelo poderão subsistir indicadores que são benéficos ou prejudiciais para o crescimento do fator em questão e, portanto, pretendese que a padronização tenha isso em conta para que no final um aumento dos valores dos obtidos nos indicadores corresponda diretamente à melhoria do resultado; 4) Ponderação dos indicadores, é uma etapa crucial para a combinação dos elementos, tendo os pesos atribuídos um impacto significativo no indicador global. Existem várias técnicas para esta fase, tendo todas as alternativas prós e contras. Geralmente, opta-se pela ponderação igual (EW) na qual se atribui pesos iguais aos indicadores. Desta forma, se existir um modelo no qual os subindicadores estiverem agrupados em determinadas dimensões que, por sua vez, compõem o índice total, pode-se estar na presença de uma estrutura desequilibrada pois as dimensões que apresentarem um maior número de fatores terão uma maior influência no resultado. Em relação à ponderação de diferentes importâncias, pode-se optar pelos modelos estatísticos, que analisam as correlações entre variáveis, ou por métodos participativos nos quais a origem é a opinião de especialistas, cidadãos, políticos ou partes interessadas [38]. 5) Seleção do método de agregação, é necessário escolher como se irá conjugar todos os indicadores e dimensões no indicador compósito, existindo três métodos possíveis. Uma das técnicas e que é a mais difundida, consiste na agregação linear em que se soma os indicadores, porém estes têm de possuir a mesma unidade de medida. A segunda abordagem possível é a
27 geométrica na qual se recorre à multiplicação. Em ambas acaba por existir um compromisso entre os subindicadores, ou seja, um défice numa dimensão pode ser compensado por um ótimo desempenho noutra. Portanto, para a utilização destes dois primeiros métodos é necessário que não subsistam efeitos de sinergia ou conflito entre os fatores. Desta forma, caso as diferentes variáveis sejam igualmente relevantes, a solução passa por agregações não-lineares. Por exemplo, em índices de medição da sustentabilidade, por norma, avaliam-se três dimensões bastante distintas, a económica, a social e a ambiental, que não se poderão compensar mutuamente. Exemplificando, não se pretende obter uma vantagem económica a custo de uma degradação ambiental ou do desrespeito dos direitos humanos. Uma das opções é a abordagem multicritério não-compensatória (MCA) que retém apenas informação ordinal, ou seja, num grupo de objetos analisados os mesmos são ordenados por ordem crescente de quem apresenta uma vantagem superior [35]. 6) Construção e aplicação do indicador compósito, concluídas todas as etapas pode-se construir o modelo de forma a aplicá-lo ao caso de estudo. De relembrar que não existe um método na literatura validado como o mais indicado para o desenvolvimento de indicadores compósitos. O que se espera é que o processo seja totalmente transparente, com os objetivos bem traçados desde o início, e que a seleção dos critérios seja fundamentada com conhecimentos científicos sólidos sobre o fenômeno em causa. O propósito final é que exista coerência para que se possa proceder à validação do modelo construído.
28 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 CONSTRUÇÃO DO INDICADOR COMPÓSITO Como já referido, o principal objetivo da dissertação é a aplicação de indicadores económicos e ambientais para avaliar o grau de competitividade de uma empresa transformadora de plásticos para o setor automóvel. De acordo com as etapas descritas no Capítulo 2.5.1 Etapas para a Construção de um Indicador Compósito, efetuaram-se as seguintes escolhas: • Etapa 1 – Definição do fator a ser medido Optou-se por dividir o fenómeno da competitividade em quatro dimensões, com base na evolução dos estudos descritos no Capítulo 2.4 Indicadores de Competitividade ao Nível Empresarial: a Económica que traduz os resultados obtidos através da operacionalidade da Organização; a Técnica que se foca na eficiência do processo produtivo e no investimento que é efetuado em prol da melhoria do desempenho; e por fim as variáveis Social e Ambiental, de forma a que toda a conduta institucional respeite os princípios éticos que alicerçam a teoria da Responsabilidade Social Corporativa e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados a nível mundial. • Etapa 2 – Seleção dos indicadores Na seleção dos indicadores foram considerados os indicadores mais citados nos estudos analisados, ajustando-se à dinâmica da Inoveplastika. Teve-se ainda em atenção os dados disponíveis no chão de fábrica, com a noção de que como fornecedora TIER II da cadeia automóvel, existem limitações no que diz respeito à modificação de produtos e processos, e que é necessário cumprir os requisitos específicos dos clientes. Desta forma, optou-se pelos seguintes indicadores: 1) Dimensão Económica ➢ Quota de exportação: é uma medida frequentemente utilizada, uma vez que se consegue ter a perceção se a empresa é capaz de vender produtos num contexto internacional, que geralmente é mais competitivo e onde não se consegue usufruir das
29 vantagens do mercado nacional, como a facilidade de comunicação com potenciais clientes e uma reputação já formada [17]; ➢ OTD (on-time delivery): com o propósito da satisfação dos clientes, que, por sua vez, potencia o aumento do volume de negócios, um dos aspetos mais importantes é que os fornecedores entreguem as encomendas dentro dos prazos estipulados. Principalmente na cadeia de aprovisionamento do setor automóvel, as falhas nas entregas dos componentes podem conduzir a paragens de linha que, consequentemente, poderão comprometer gravemente a capacidade das OEMs colocarem automóveis no mercado. Portanto, esta medida, ilustrada na Equação 2, é essencial para que os gestores possam avaliar o seu desempenho na concretização das expectativas dos clientes. Além disso, permite identificar quais são as áreas prioritárias que necessitam de ser otimizadas de forma a melhorar todo o processo, aumentar o nível de satisfação dos clientes e, por conseguinte, adquirir uma vantagem competitiva com o aperfeiçoamento dos serviços prestados, num meio progressivamente mais acelerado e exigente [39]; ➢ Margem EBITDA: O EBITDA por si só é uma métrica que traduz a saúde financeira de uma empresa, uma vez que analisa os lucros antes da subtração dos juros, impostos, amortizações e depreciações. O objetivo é avaliar a capacidade de serem gerados lucros a partir das principais operações produtivas da Organização [40]. Por sua vez, a margem EBITDA consiste na divisão do EBITDA pela receita líquida da empresa (que representa o capital que a empresa tem disponível para pagar as suas despesas correntes e para investir), tal como indicado na Equação 3. Assim, consegue-se ter a perceção real da fração do capital empregue que foi realmente transformado em fluxo de caixa, refletindo a eficiência operacional da Organização em termos económicos. OTD (%)=nº de envios dentro do prazo nº total de envios ×100 (Equação 2) Margem EBITDA (%)=Lucro operacional+Depreciações+Amortizações Receita Líquida ×100, sendo lucro operacional = receita líquida – (gastos com materiais + despesas operacionais + despesas financeiras líquidas) (Equação 3)
30 A margem EBITDA deverá ser um valor positivo, pois significa que a empresa tem processos estáveis e capazes de gerar capital sem depender de terceiros. Pode também adquirir valores negativos, o que desperta um sinal de alerta sobre o desempenho da empresa em questão. De igual forma, deve-se prestar atenção à evolução da métrica ao longo do tempo, porque se diminuir pode significar, no pior cenário, uma perda de desempenho [41]. De frisar que, no seio da instituição, não se deve ter em consideração apenas esta variável, mas também conciliá-la com outros indicadores económicos, como a margem de lucro, para uma visão mais completa da estabilidade financeira. Ressalva-se ainda, que apesar da margem de lucro ser um dos dois indicadores mais utilizados nos estudos existentes, optou-se por incluir como variável a margem EBITDA, que também já foi visada em algumas pesquisas. Tomou-se esta decisão porque o lucro operacional depende de vários fatores como o tipo de indústria em questão, as características internas da empresa, o nível de risco associado à sua atividade, entre outros [42]. Por exemplo, instituições que estejam sujeitas à volatilidade dos preços das matérias-primas devido à sua escassez, irão apresentar custos acrescidos nos períodos em que os preços aumentam. Adicionalmente, a margem de lucro não é um indicador tão adequado para comparar empresas que possam produzir produtos diferentes, uma vez que o processo produtivo pode variar em alguns aspetos, podendo-se ter de aplicar diferentes investimentos [17]. A título de exemplo e tendo em conta o setor de produção de peças plásticas para o setor automóvel, existe uma panóplia bastante diversificada de componentes, onde alguns poderão ter de passar por processos de pintura ou de soldadura para além do processo de injeção propriamente dito, o que acresce os custos. Nesta linha de pensamento, também se poderia ter como medida de competitividade indicadores de retorno de capital, igualmente mencionados nas pesquisas, que são mais neutros às especificidades do setor. No entanto, os níveis de retorno tendem a variar significativamente entre países e, no que diz respeito à contabilização do capital de ativos intangíveis, nem sempre é viável obter informações [17]; ➢ Crescimento: selecionou-se esta variável uma vez que é um indicador genérico para a competitividade. Qualquer empresa que pretenda manter a sua presença no mercado e
37 severamente prejudicada com a mudança repentina, uma vez que já está a atuar sobre este desafio [51]. O ponto de partida será implementar a metodologia na Inoveplastika, como vai ser explicado no Capítulo 3.2 Metodologia para o Cálculo da Pegada de Carbono da Organização, para que depois se consiga acompanhar a evolução através deste indicador, descrito na Equação 10. • Etapa 3 – Normalização dos indicadores Neste caso de estudo, os indicadores encontram-se descritos em percentagens não sendo necessário proceder à sua normalização, exceto o indicador % do orçamento anual investida em inovação. Decorre do facto de não ser economicamente viável para uma empresa investir, em níveis extremos, 100% do seu orçamento em projetos de investigação e desenvolvimento. É preciso existir sempre um fluxo de caixa para garantir a operacionalidade de toda a estrutura e atividades da empresa ao longo do tempo. Desta forma, pretende-se estabelecer níveis a partir dos quais é considerado um investimento muito bom, mediano ou parco em inovação. Conforme um estudo conduzido pelo IBM, referente a 2021, no qual analisou quanto as empresas dos diferentes setores da indústria investem, em média, em inovação face às suas receitas, verificaram que o ramo de transformação para o setor automóvel gasta, aproximadamente, 3,4% em inovação [52]. Outro estudo realizado por uma empresa internacional de consultadoria, a Ayming, entrevistou 850 empresas localizadas mundialmente, tendo verificado que as indústrias líderes no investimento na inovação em 2022 foram a automóvel e a de IT (Tecnologia da Informação). Existe uma grande aposta nestes setores, devido, em grande parte, à introdução dos veículos elétricos que geram a necessidade de desenvolver novos componentes eletrónicos e, principalmente, baterias inovadoras. Estimaram que, na indústria automóvel, as empresas alocam, em média, 6,7% das receitas para o campo do I&D [53]. Com base nestes dados, será assumido que se uma empresa investir 3,5% do seu budget recebe uma pontuação de 75%, se orçamentar 5% uma classificação de 90% e acima de 10% é considerado um investimento acima da média atribuindo-se 100%. % de redução da CCF (%)=100 - ((CCF)ano em estudo (CCF)ano em estudo −1 ×100) (Equação 10)
38 • Etapa 4 - Determinação dos pesos dos indicadores Relativamente aos pesos atribuídos às quatro dimensões da competitividade, decidiu-se atribuir importâncias iguais, uma vez que se foram selecionadas para constituir o indicador compósito é porque são considerados aspetos importantes e determinantes para a construção e definição da posição competitiva de uma empresa. Por outro lado, ao nível dos subindicadores, optou-se por determinar a importância relativa de cada um através de um método participativo, o Analytic Hierarchy Process (Processo de Hierarquia Analítica, o AHP). Esta técnica de decisão multiatributos, proposta por Thomas Saaty nos anos 70, é amplamente utilizada na construção de índices compósitos quando a hierarquização dos critérios é extraída a partir dos julgamentos de vários decisores e especialistas com experiência no fenómeno em estudo. Deste modo, constrói-se uma estrutura mais lógica e menos subjetiva do que se atribuir arbitrariamente os pesos [38]. Este método de ponderação consiste em decompor cada dimensão em matrizes comparativas, como a representada na Figura 8, onde se equiparam os atributos par a par, com o objetivo de numa escala ordinal atribuir quão mais ou menos importante é um indicador em relação aos outros e em que intensidade ocorre essa relação. A opinião de cada participante é, portanto, convertida num valor numérico de acordo com a escala comparativa descrita na Figura 9. [54] Por exemplo, a pessoa deverá atribuir pontuação 1 se reconhecer que os indicadores têm a mesma importância para a dimensão em questão ou deverá colocar um 9 se, na sua opinião, Indicador A B C A 1 XAB XAC B 1/XAB 1 XBC C 1/XAC 1/XBC 1 Figura 8 - Matriz genérica de comparação no método AHP, onde Xij correspondem aos valores numéricos de comparação Figura 9 - Escala Fundamental de Saaty [54]
39 o indicador em análise for extremamente mais importante do que o outro ao qual está a ser comparado. Resumidamente, existem duas questões fundamentais: Qual dos dois indicadores é o mais importante? E, com quanta intensidade um é mais ou menos relevante do que o outro? [35]. De forma a aplicar esta metodologia à construção do indicador compósito de competitividade, criou-se um questionário, ilustrado no Anexo 2, tendo-se pedido a 11 colaboradores para o preencherem. O grupo é constituído por colaboradores dos diferentes departamentos e da gerência da Inoveplastika, de modo a abranger as mais diversas áreas de atuação da empresa (desenvolvimento e industrialização, logística, qualidade, ambiente e segurança, etc). Após o preenchimento das matrizes, procede-se à determinação dos pesos relativos para cada indicador, Wi, que corresponde à soma de todos os elementos da linha e, de seguida, é necessário normalizar estes valores, Wi,normalizado, numa escala de 0 a 1. Estes primeiros dois passos correspondem às Equações 11 e 12, respetivamente. Wi=∑aij n j=1 (Equação 11) Wi,normalizado =∑aij n j=1 ∑∑ aij n j=1 (Equação 12) Por conseguinte, é necessário avaliar a consistência dos julgamentos efetuados pelos diferentes participantes, já que ao comparar diversas variáveis o pensamento pode acabar por não ser consistente. A título de exemplo, se se colocar na matriz de comparação que A = 3B e que A= 1/3C, então C deveria ser igual a 9B. No entanto, ao aumentar o número de indicadores, os participantes podem acabar por não ter noção se estão a respeitar esta lógica, sendo necessário avaliar o nível de inconsistência associado a cada matriz. Para tal, calcula-se o designado rácio de consistência (CR) de acordo com a Equação 13.
40 n RCI 3 0,58 4 0,90 5 1,12 6 1,24 7 1,32 8 1,41 9 1,45 Tabela 7 – RCI de acordo com a ordem da matriz [35] Segundo Saaty, é aceitável ter pequenos graus de inconsistência, sendo que a matriz apresenta uma boa consistência se CR < 0,1 [35]. Se este pressuposto não for verificado, significa que o grau de inconsistência das apreciações está a alterar significativamente os pesos dos indicadores, tendo de ser solicitada a revisão das opiniões por parte da equipa. Avaliada a consistência das avaliações e caso o resultado seja positivo, pode-se passar à agregação dos pesos obtidos para cada indicador. Para sintetizar todos os pressupostos individuais é feita a média geométrica, consoante a Equação 14, obtendo-se o peso para cada subindicador. CR=λmáx−n (n−1)×RCI (Equação 13) Onde, λmáx = autovalor máximo da matriz de comparação; λmáx =média∑[matriz ×Wi,normalizado Wi,normalizado ] n = ordem da matriz; RCI = índice de consistência aleatório que se encontra estipulado de acordo com a ordem da matriz na Tabela 7. (∏Wi,normalizado 𝑚 𝑘=1 )1 𝑚=√Wi,normalizado,1 ×…×Wi,normalizado,m 𝑚, sendo m = número de decisores (Equação 14)
41 • Etapa 5 - Seleção do método de agregação Com o intuito de manter o indicador compósito relativamente simples e de fácil compreensão, principalmente para quem não é especialista na área, selecionou-se o método de agregação linear, partindo-se do pressuposto que não existem correlações fortes entre os subindicadores. Assim, ao chegar-se a um valor numérico unitário é possível efetuar uma análise simplificada de um fenómeno multidimensional, como são os indicadores compósitos [28]. Além disso, como é utilizado o AHP como método de ponderação, é necessário que a técnica de agregação esteja em concordância e permita agregar indicadores individuais quantitativos. Ou seja, é necessário que seja uma técnica que, além de permitir diferenciar os indicadores entre si, possibilite a obtenção de uma medida quantitativa [28]. A informação exposta na Figura 10 permite a avaliação da compatibilidade entre as técnicas de ponderação e de agregação. Como tal, pode-se verificar que a metodologia AHP é compatível com uma aglomeração linear ou geométrica e não com uma abordagem multicritério, uma vez que considera coeficientes de importância, ou seja, uma escala ordinal de importância. Estas técnicas são, por exemplo, utilizadas para ordenar países consoante a sua vantagem ou desvantagem num fator específico. Figura 10 – Compatibilidade entre os métodos de ponderação e de agregação [35] Por fim, de acordo com os resultados obtidos nas fases descritas acima, no Capítulo 3.2 Metodologia para o Cálculo da Pegada de Carbono da Organização será construído e calculado o indicador compósito para averiguar a competitividade do caso de estudo, a Inoveplastika.
42 3.2 METODOLOGIA PARA O CÁLCULO DA PEGADA DE CARBONO DA ORGANIZAÇÃO Uma vez que um dos indicadores pertencentes ao modelo é a taxa de redução da Pegada de Carbono de Organização, é necessário implementar o seu cálculo no quotidiano da empresa. Primeiramente, para contextualizar de onde surge esta metodologia, será realizado um breve enquadramento desta temático e do que está na origem desta necessidade. • Pegada de Carbono Para que haja uma resposta eficaz à ameaça urgente associada às alterações climáticas é necessário quantificar, monitorizar e comunicar as emissões de GEE originadas pelas atividades antropogénicas [55]. Em conformidade, a pegada de carbono é uma ferramenta ambiental que permite contabilizar as emissões, convertidas em dióxido de carbono equivalente (CO2 equivalente), que são libertadas, diretamente ou indiretamente, a partir de uma determinada atividade. Esta medida pode ser usada tanto para quantificar as emissões resultantes do funcionamento de toda uma empresa ou, especificamente, em relação ao ciclo de vida de um produto, desde a extração das matérias-primas até ao descarte dos produtos no seu fim de vida útil [56]. Existem algumas metodologias aceites na comunidade científica para o cálculo da pegada de carbono e que fornecem diretrizes e requisitos para a contabilização e verificação das emissões de GEE para Organizações, dentro das quais se pode realçar as seguidas para o caso de estudo: ➢ Norma ISO 14064-1:2018; ➢ GHG Protocol. Por norma, os GEE incluídos nos diversos estudos e as correspondentes atividades antropogénicas relevantes para a sua emissão correspondem a [57]: ➢ dióxido de carbono (CO2), a sua emissão resulta, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (carvão, gás natural e petróleo), da produção de energia elétrica e da desflorestação. O seu impacto é bastante significativo no que diz respeito às alterações
43 climáticas, podendo ser retirados da atmosfera no âmbito do ciclo biológico do carbono que ocorre durante a fotossíntese das plantas; ➢ metano (CH4), é emitido durante a produção e transporte de combustíveis fósseis, a combustão de biomassa e no decorrer da decomposição de matéria orgânica em aterros sanitários; ➢ óxido nitroso (N2O), é geralmente resultado do uso de terra, de atividades industriais, dos resíduos sólidos e do tratamento de águas residuais; ➢ gases fluorados, mais especificamente hidrofluorcarbonetos (HFCs), perfluorcarbonetos (PFCs) e hexafluoreto de enxofre ( SF6). São gases sintéticos que, normalmente, são emitidos em menor proporção do que os restantes, com origem na utilização de equipamentos de refrigeração como o ar condicionado. No que diz respeito às fontes destas emissões, para delinear-se corretamente quais são as diretas e indiretas abrangidas pelos limites organizacionais a definir, na literatura estão definidos três âmbitos (scope 1, scope 2 e scope 3). Como se pode observar na Figura 11, o scope 1 refere-se às emissões diretas de gases com efeito de estufa resultantes de fontes pertencentes ou controladas pela empresa, como, por exemplo, veículos da organização, caldeiras, fornos ou equipamentos para produção química. Por outro lado, as emissões indiretas inseridas no scope 2 são as provenientes da geração de energia comprada e consumida nas instalações para o funcionamento de equipamentos como as máquinas de injeção. Por último, o scope 3 é relativo às restantes emissões indiretas relacionadas a fontes não controladas pela empresa, mas que são consequência das suas atividades [58]. A título de exemplo, refere-se à extração de matéria-prima, ao transporte e distribuição dos materiais e do produto acabado para cliente, às viagens diárias dos trabalhadores para o seu local de trabalho e ao uso dos produtos e serviços vendidos, entre outros. De notar, que este último âmbito é opcional, podendo-se considerar apenas as fontes de emissões que a organização achar relevantes para o tipo de empresas a que pertence e os objetivos delineados para a descarbonização.
44 [59] Figura 11 – A Pegada de Carbono de uma Organização ao longo de toda a cadeia de valor [59] • Metodologia para o cálculo da CCF Foram seguidas as metodologias descritas no GHG Protocol e na ISO 14064-1:2018, comportando as etapas: ➢ Definição do Objetivo e Âmbito O objetivo da implementação do cálculo da Pegada de Carbono da Organização é auxiliar na monitorização e combate das emissões de GEE com o intuito da cadeia de fornecimento do setor automóvel conseguir atingir a neutralidade carbónica até 2050. A posse deste conhecimento irá permitir detetar os hotspots, ou seja, as categorias mais impactantes em termos de emissões, definir medidas de redução mais eficazes nesse sentido e, consequentemente, possibilitar a agilização do alcance da meta promissora. Desta forma, no âmbito da dissertação, pretende-se efetuar uma análise cradle-to-gate (do berço ao portão) + distribuição, que consiste na análise das emissões de GEE desde a extração da matéria-prima até à entrega dos componentes produzidos aos clientes, como ilustrado na Figura 12. As restantes emissões associadas, por exemplo, à utilização dos veículos ou ao tratamento dos resíduos no fim de vida serão responsabilidade de quem se encontra a jusante na cadeia de aprovisionamento.
45 Figura 12 – Limites organizacionais: abordagem cradle-to-gate + distribuição para a CCF [12] Como ponto de partida, será efetuado o cálculo para o ano de 2022, que no futuro servirá como referência para avaliar a evolução ao longo do tempo. ➢ Recolha de Dados e Avaliação do Impacto De seguida, procede-se ao inventário dos dados de entrada e de saída do sistema, com o intuito de calcular as emissões associadas a cada categoria incluída no estudo. Para tal, primeiramente é essencial enquadrar alguns conceitos-chave: - Potencial de aquecimento global (PAG): é um fator que estima a contribuição relativa de uma unidade base de massa de um dado GEE em relação à mesma unidade do gás de referência, o dióxido de carbono, num dado período [60]. Utilizou-se os valores descritos na Tabela 8, que descreve os potenciais de aquecimento global num horizonte temporal de 100 anos em relação ao CO2, tendo-se optado por usar os PAG determinados no Quinto Relatório de Avaliação do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) de 2014 (AR5); GEE PAG (kg CO2 eq/kg GEE) CO2 1 CH4 28 N2O 265 R134a 1300 R410a 1924 R407c 1624 Tabela 8 – PAG para os respetivos GEE libertados no decorrer das atividades da empresa Gases fluorados que constituem os sistemas de refrigeração da Inoveplastika
46 - CO2 equivalente: é uma medida internacionalmente padronizada para representar os diferentes GEE numa só medida, representada em dióxido de carbono. Consiste na comparação da força radioativa de outras GEE em relação ao CO2, sendo que para se obter este valor tem de se multiplicar a massa do gás em questão pelo seu potencial de aquecimento global [60]; - Fatores de emissão (FE): fatores de conversão utilizados para estimar a quantidade de emissões associada a uma quantidade específica de matéria-prima queimada ou transformada numa determinada atividade [61]. São expressos como o quociente entre o peso de um determinado GEE, ou por vezes já em CO2 equivalente, e uma unidade de peso, volume, distância ou uma outra da atividade em causa. A título de exemplo, o fator de emissão associado à produção de eletricidade em Portugal Continental, para o ano de 2022, apresenta o valor de 0,151 kg CO2/kWh (quilowatt-hora). Na Tabela 9 encontram-se descritas as categorias e as respetivas atividades que estão na origem das emissões de gases com efeito de estufa para o cálculo da Pegada de Carbono da Inoveplastika. Por conseguinte, no decorrer da dissertação, foram recolhidos todos os dados necessários para estas categorias e os respetivos fatores de emissão. Sucintamente, para aferir as emissões associadas a cada categoria a equação-base consiste em multiplicar os dados da atividade, como o consumo de combustível ou o consumo de eletricidade, pelo respetivo fator de emissão. Se o FE se encontrar descrito individualmente para cada GEE, tem-se ainda de multiplicar pelo PAG correspondente como ilustrado na Equação 15. Emissões=Dados da atividade × FE×PAG (Equação 15)
53 dos gitos, nas etapas de controlo de qualidade e inspeção, com utilização de sensores para detetar erros em características visuais ou dimensionais, entre outras. Portanto, o investimento na tecnologia e na inovação constitui uma mais-valia para a eficiência e fiabilidade do processo, permitindo melhores resultados em peças mais críticas e delicadas. • OEE: a eficiência geral dos equipamentos da Inoveplastika situou-se na ordem dos 83% em 2022. De acordo com a OEE Foundation, para que se possa considerar que as máquinas estão a produzir produtos com alta qualidade, sem grandes interrupções e numa velocidade otimizada, este indicador deverá ser superior a 85% [44]. Uma vez que o OEE da empresa se encontra um pouco abaixo do expectável e que existe sempre espaço para melhoria, existem algumas ações que podem ser implementadas. Os fatores que constituem as perdas principais de produtividade são [64]: ➢ Paragens que originam manutenções não planeadas - por vezes, acontece devido ao desgaste resultante do não-cumprimento do plano de manutenções preditivas dos equipamentos. Por exemplo, os moldes operam em regimes de elevado desgaste, com, geralmente, pressões elevadas e altas temperaturas. Além disso, por vezes, as matériasprimas utilizadas são bastante abrasivas, como aquelas que são reforçadas com cargas de fibras de vidro. Perante todas estas condições, existe uma grande probabilidade de ocorrerem danos nas ferramentas produtivas e, se nada for feito para prevenir, o risco é ainda maior [65]. Portanto, deve-se atuar de forma que o plano de manutenções preventivas seja cumprido à risca e, assim, evitar falhas inesperadas que condicionam a capacidade de produção. Simultaneamente, prolonga-se a vida útil dos equipamentos e reduzem-se os custos associados às manutenções corretivas; ➢ Os arranques e re-arranques de produção - é preciso controlar o tempo que é gasto para colocar a injetora a produzir as primeiras peças que cumprem os requisitos de qualidade inerentes a essa referência, para que não existam tempos parados. É de igual forma necessário saber se a matéria-prima utilizada terá de passar primeiramente pela estufagem, pois é um processo que requer por norma 4 horas e se não for planeado atrasa o início da produção;
54 ➢ Defeitos - por vezes os parâmetros inseridos na máquina para o processo de injeção não são os adequados, e se não forem registadas essas anomalias ou se não for dado o devido seguimento o processo não estará a trabalhar na sua plena capacidade. É fundamental rastrear os diferentes defeitos para se conseguir identificar as causas, implementar as devidas medidas e, assim, solucionar o problema. Além disso, é necessário registar os parâmetros utilizados de uma produção para a seguinte, uma vez que num arranque de produção, até se conseguir estabilizar o processo, é necessário tempo, e se não existir histórico maior será o desperdício e o tempo gasto, derivado das múltiplas tentativas para regularizar a produção. • Capacidade interna de reciclagem: a empresa em estudo apresenta uma grande capacidade interna de reciclagem dos desperdícios oriundos da injeção. No ano de 2022 conseguiu reciclar cerca de 67% e, no primeiro semestre de 2023, é evidente um crescimento dessa capacidade com o aproveitamento de 80% da “sucata”. De notar, que existem algumas limitações decorrentes da não-autorização por parte dos clientes em utilizar percentagens de reciclado, ou de empregar quantidades superiores a 30%, balizando, em parte, a reincorporação de todo o material nãoconforme. Contudo, é expectável que no futuro este panorama seja alterado, dada a complexidade e exigência das legislações em torno dos plásticos e da responsabilidade ambiental, terão de passar a permitir a utilização de maiores quantidades de reciclado. • % de redução da Pegada de Carbono da Organização: uma vez que para este indicador foi estruturado apenas para começar a ser aplicado este ano, 2023, ainda não existem dados disponíveis para comparação e aferir a redução da CCF. Desta forma, atribuiu-se o valor de 2% a esta variável, porque um dos Objetivos Estratégicos da Inoveplastika é diminuir anualmente a pegada, no mínimo, na ordem dos 2%. As propostas de medidas para esta variável encontram-se descritas no Capítulo 4.2 Pegada de Carbono da Organização. • % de consumo energético proveniente de fontes renováveis: neste momento, a empresa apresenta um parque de painéis solares considerável, no entanto, o consumo
55 com base em fontes renováveis encontra-se apenas na ordem dos 14%. Para atingir o objetivo de 100% eletricidade verde ainda é necessário percorrer um longo caminho. Este percurso passa não só por alterar o serviço de fornecimento, mas também por apostar no investimento em mais equipamentos de geração de energia renovável, como são os painéis fotovoltaicos. 4.2 PEGADA DE CARBONO DA ORGANIZAÇÃO Em relação ao indicador % de redução da Pegada de Carbono da Organização, calcularam-se as emissões de gases com efeito de estufa, tendo por base uma abordagem desde a extração da matéria-prima até à distribuição dos produtos finais, encontrando-se descritos os resultados na Tabela 11. Scope Categoria Emissões por âmbito (ton CO2 equivalente) Contribuição por categoria (%) Scope 1 Frota 125 1,16 Equipamentos AC 0,54 Scope 2 Eletricidade 1133 15,38 Scope 3 Materiais adquiridos 6107 58,49 Transportes Upstream 2,58 Resíduos 0,58 Viagens de negócios 0,04 Deslocações dos colaboradores 3,60 Transportes Downstream 17,65 Tabela 11 – Emissões de GEE associadas a cada atividade e a sua respetiva contribuição No ano de 2022, o impacto ambiental da Inoveplastika para as alterações climáticas situou-se na ordem de 7365 ton de CO2 equivalente. Através do Gráfico 1, observa-se que o âmbito com mais emissões corresponde ao Scope 3, com uma contribuição de cerca de 82% para a CCF.
56 Gráfico 1 - Contribuição de cada âmbito para o total de emissões Analisando a contribuição de cada categoria individual no Gráfico 2, verifica-se que a que mais contribui é a que diz respeito às matérias-primas e materiais adquiridos, seguida dos transportes downstream e do consumo de eletricidade. Gráfico 2 - Contribuição de cada categoria individual para a CCF No que diz respeito às matérias-primas e materiais, a Inoveplastika tem como inputs para a sua produção polímeros, como o poli propileno (PP), o PCABS (mistura de policarbonato com acrilonitrilino-butadienoestireno), elastómeros termoplásticos (TPE) e muitos outros. Esta fração tem uma 1,80% 16,33% 81,87% Scope 1 Scope 2 Scope 3 1,16% 0,54% 15,38% 58,49% 2,58% 0,58% 0,04% 3,60% 17,65% Frota Equipamentos AC Eletricidade Materiais adquiridos Transportes upstream Resíduos Viagens de negócios Deslocações dos colaboradores Transportes downstream
57 contribuição bastante significativa para as emissões associadas a esta categoria devido às diversas etapas necessárias para a extração e produção de polímeros. O ponto de partida para o fabrico de plásticos de origem fóssil, que correspondem à maioria das matérias-primas utilizadas pela empresa, consiste na extração de recursos naturais para a produção de petróleo bruto, que abrange várias fases desde a perfuração da Terra, extração, processamento à superfície, até ao transporte para as refinarias. A fase seguinte contempla a refinação do petróleo, de forma a decompô-lo nos seus diferentes constituintes, sendo a nafta o principal componente utilizado para originar os polímeros [66]. Após este procedimento, procede-se à quebra das moléculas complexas, presentes nos produtos petrolíferos, em moléculas mais simples, obtendo-se uma série de elementos intermediários como o etileno e o metano, que, por sua vez, estão na base dos polímeros. Uma vez obtidas as resinas plásticas, pode-se produzir os mais variados tipos de produtos através de diversas técnicas, como a moldação por injeção ou a extrusão, consoante o objetivo final em mente. De acordo com um estudo realizado em 2018 para aferir as emissões de GEE associadas à cadeia de valor dos plásticos na União Europeia, estimou-se que seriam na ordem dos 208 Mt CO2 equivalente, correspondendo 63% apenas à produção da matériaprima plástica virgem. Estima-se que, em média, cada tonelada de plástico de base fóssil que chegue ao mercado acarrete emissões de 2,9 toneladas de CO2 equivalente associadas à sua produção [67]. Desta forma, e de acordo com a tendência atual de crescimento do consumo de plásticos, é urgente encontrar uma solução para alinhar este material com um ecossistema neutro em termos de carbono e de acordo com os princípios da circularidade. Uma das soluções passa por aumentar a taxa de reciclagem e incorporar de novo a matéria-prima reciclada nos processos produtivos, de forma a evitar as emissões associadas ao tratamento no fim de vida, que pode consistir na inceneração e no descarte em aterros, representando um grande impacto ambiental. Adicionalmente, permite diminuir a extração de novos recursos naturais uma vez que decresce a necessidade de produzir mais material virgem, contribuindo também para reduzir as emissões associadas à aquisição dos recursos necessários para as atividades da empresa.
58 A outra ideia consiste na exploração de novas matérias-primas, reconhecendo a mais-valia dos polímeros de origem biológica no combate das emissões de GEE associadas a toda a cadeia de valor dos plásticos. Isto porque, permite reter CO2 durante a sua produção. No entanto, também é preciso analisar cuidadosamente a seleção deste tipo de polímeros, uma vez que enfrentam alguns desafios como a utilização sustentável do solo e da água, o desequilíbrio da biodiversidade e o conflito criado em torno da possibilidade do declínio da cadência de produção de alimentos em prol da produção de polímeros de origem não-fóssil. Pressupõe-se que, se num cenário hipotético no qual todos os plásticos de origem fóssil fossem substituídos pelos de origem biológica, as emissões de GEE seriam reduzidas na ordem dos 30% [67]. Como é evidente com esta percentagem de redução, não basta efetuar este tipo de alterações para atingir a neutralidade carbónica. É também imprescindível atuar no processo de transformação dos recursos em matéria-prima, com a diminuição das emissões associadas ao consumo de energia elétrica e ao consumo de combustível no decorrer da distribuição dos recursos entre as diferentes etapas da cadeia de valor. A empresa também necessita de comprar equipamentos, como os moldes, para efetuar a injeção da sua panóplia de produtos, constituindo uma fração representativa desta categoria do Scope 3. Devido a serem ferramentas de grandes dimensões e com elevado peso, pois são constituídos por aço, da sua construção também resulta a libertação de uma percentagem de emissões considerável. De momento, os moldistas fornecedores da empresa ainda não monitorizam a Pegada de Carbono associada às suas atividades. No entanto, artigos como o “Environmental and Economic Implications of Distributed Additive Manufacturing: The Case of Injection Mold Tooling” de Huang, analisam a viabilidade económica e ambiental de se passar da construção convencional dos moldes para a utilização da manufatura aditiva, mais concretamente, por meio da técnica de sinterização direta de metais por laser (DMLS). Chegaram à conclusão de que introduz, a nível ambiental, uma potencial diminuição de 4% a 7% das emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera e de 3% a 5% do consumo de energia. E, a nível económico, uma redução bastante significativa do
59 prazo de entrega que pode ir até aos 60%, a par de um decréscimo no orçamento necessário para o desenvolvimento da ferramenta com uma vida útil de 1 milhão de shots (ciclos de produção através da moldação por injeção) de 15% a 35% [68]. As vantagens económicas são bastante evidentes porque é uma tecnologia que permite realizar projetos otimizados e com estruturas complexas, onde existe um aumento do rendimento do equipamento e o custo do material é inferior. Apesar do potencial ambiental não ser tão significativo, a evolução tecnológica da manufatura aditiva no futuro poderá resultar em benefícios maiores, com, por exemplo, o aperfeiçoamento do design das ferramentas para se diminuir o desperdício de material o máximo possível. A segunda categoria mais impactante para a CCF da Inoveplastika é a que se refere aos transportes downstream que consiste na distribuição dos produtos acabados para as respetivas instalações dos clientes. Os compradores também já começam a contabilizar a sua Pegada de Carbono incluindo, de igual, forma as emissões indiretas incluídas no âmbito 3, apercebendo-se da contribuição substancial da distribuição de mercadorias. Consequentemente, uma das medidas que estão a pensar colocar em prática compreende a aposta no fornecimento regional. Além de representar vantagens como a diminuição do risco de falhas no fornecimento e de reduzir o custo dos produtos, o consumo de combustível é menor e, por conseguinte, a quantidade de emissões de GEE diminui, pois, as distâncias percorridas também são inferiores. Aliada a esta medida, as empresas em si podem mudar a sua frota para veículos movidos a energia limpa. Estas modificações irão desafiar os fornecedores, nomeadamente a Inoveplastika, na procura de cadeias de abastecimentos localizadas na região, sendo que atualmente, em Portugal, não existem empresas especializadas na refinação de monómeros para a produção de polímeros. Adicionalmente, haverá sempre a carência de recorrer a fornecedores localizados a nível mundial quando forem necessários determinados materiais com alta precisão e qualidade, que não se encontram disponíveis localmente.
60 A terceira categoria mais impactante consiste no consumo de energia elétrica, os equipamentos da empresa funcionam apenas através de eletricidade e, por norma, as máquinas funcionam 24 horas sobre 24 horas e 7 dias por semana. Neste sentido, a Inoveplastika já investe há algum tempo em projetos para a produção de energia renovável e para o aumento da eficiência energética. Encontra-se munida de um parque de painéis solares que permitiu, em 2022, evitar 156 toneladas de CO2 equivalente. Além disso, de acordo com o mix energético prestado pela rede nacional elétrica, 29% da energia fornecida era proveniente de fontes renováveis, o que perfaz, em conjunto com painéis fotovoltaicos, 292 ton de emissões de CO2 equivalente evitadas. Portanto, a meta a longo prazo será adotar um serviço de fornecimento de energia 100% oriundo de fontes renováveis e apostar mais nos painéis solares, apesar de não ser possível aumentar muito mais a sua rentabilidade face ao seu desempenho atual. A par de todas estas soluções, pode-se ainda atuar nas outras categorias, principalmente nas que são controladas pela empresa. Pode-se começar por incentivar o carsharing, com a partilha de boleias entre os colaboradores, que se traduz não só na diminuição da pegada de carbono como também numa poupança económica, uma vez que os custos das viagens seriam divididos. Denota-se na Inoveplastika que, por norma, todos os funcionários deslocam-se nos seus carros pessoais, salvas exceções em que dividem a viagem entre duas pessoas, e que apenas cerca de 10 pessoas optam por andar de transporte público, de bicicleta ou a pé. Deve-se também continuar a realizar a monitorização periódica dos circuitos de ar condicionado para se detetar e reparar eventuais fugas que originam um consumo acrescido de energia e a libertação direta de gases com efeito de estufa para a atmosfera, apesar de ser uma categoria muito marginal no que diz respeito à CCF (contribuição de 0,54% para as emissões da empresa). Ressalva-se que, simultaneamente à implementação de qualquer medida para a redução da Pegada de Carbono da Organização, se deve analisar a sua viabilidade económica para a empresa, consoante a eficiência prevista para cada ação proposta. Futuramente, é fundamental transpor aos fornecedores todos estes requisitos inerentes ao cálculo da CCF e à meta de se atingir a neutralidade carbónica até 2050. O
61 objetivo será começarem a monitorizar estes parâmetros para que se consiga rastrear mais agilmente e com maior precisão todas as emissões de GEE associadas à cadeia de aprovisionamento do setor automóvel, e para que iniciem, de igual forma, a construção do seu próprio plano de ações para a descarbonização.
62 5. CONCLUSÃO A presente dissertação tinha como principal objetivo a conjugação de indicadores económicos e ambientais para averiguar o grau de competitividade no contexto de uma empresa transformadora de plásticos para o setor automóvel. O objetivo foi alcançado, conseguindo-se desenvolver um modelo multidimensional da competitividade empresarial, representativo da evolução das perspetivas do que constitui uma vantagem competitiva a este nível. Construiu-se um indicador compósito capaz de avaliar a contribuição de parâmetros económicos, técnicos, sociais e ambientais para a potenciação da Inoveplastika no mercado em que se insere. Neste seguimento, e respondendo à pergunta colocada no Capítulo 1 Introdução: “Serão os objetivos de sustentabilidade e de prosperidade econômica compatíveis, podendo entreajudar-se no seu crescimento individual?” Sim, de facto são. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho, constatou-se que existe uma forte correlação entre o crescimento de uma empresa e a migração atual dos seus objetivos estratégicos de forma a serem alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os princípios da Responsabilidade Social Corporativa. Isto, porque a transmissão destes princípios parte, em grande parte, dos requisitos dos clientes e das OEMs. Consequentemente, se os fornecedores de peças para automóveis não efetuarem a transição neste sentido poderão perder clientes, que estão alinhados para no futuro cooperarem somente com empresas com os mesmos princípios éticos e sustentáveis. Assim, resumidamente, para a melhoria do potencial de competitividade das empresas que compõem o setor automóvel, chegou-se às seguintes recomendações: - Promover cada vez mais a inovação com o estabelecimento de parcerias colaborativas para se estar a par da evolução tecnológica e das propensões futuras dos clientes; - Apostar na melhoria dos processos produtivos e na diferenciação dos produtos ao nível da sustentabilidade, com o intuito de oferecer, simultaneamente, preços competitivos e componentes diversificados;
69 [59] Iberdrola, “O que é a pegada de carbono e por que é vital reduzi-la para frear as mudanças climáticas?” [Online]. Available: https://www.iberdrola.com/sustentabilidade/pegada-carbono. [Accessed: 24Jul-2023]. [60] ISO, ISO 14064-1:2018 - Specification with guidance at the organization level for quantification and reporting of greenhouse gas emissions and removals. 2018. [61] Gold Energy, “Fator de Emissão.” [Online]. Available: https://goldenergy.pt/glossario/fator-emissao/. [Accessed: 10-Jul-2023]. [62] K. Stricker and P. Correa, “Automotive Profitability: How OEM and Supplier Margins Are Faring,” Bain & Company, 2023. [Online]. Available: https://www.bain.com/insights/automotive-profitability-how-oem-andsupplier-margins-are-faring-interactive/. [Accessed: 27-Sep-2023]. [63] Wunder-Mold, “Automation in Plastic Injection Molding: Benefits & Applications.” [Online]. Available: https://www.wundermold.com/whatautomated-plastic-injection-molding-benefits/. [Accessed: 25-Sep-2023]. [64] Accept, “OEE: AS 6 GRANDES PERDAS (SIX BIG LOSSES),” 2019. [Online]. Available: https://www.accept.pt/oee-as-6-grandes-perdas-six-big-losses/. [Accessed: 04Sep-2023]. [65] J. Anna, “Manutenção de Moldes – Alguns cuidados evitam prejuízos e esticam a vida útil das ferramentas,” Plástico.com.br, 2009. [Online]. Available: https://www.plastico.com.br/manutencao-de-moldes-alguns-cuidados-evitamprejuizos-e-esticam-a-vida-util-das-ferramentas/. [Accessed: 29-Sep-2023]. [66] Net Zero 2050, “Industrial Transformation 2050 - Pathways to Net-Zero Emissions from EU Heavy Industry,” Mater. Econ., pp. 104–105, 2019. [67] I. Vanderreydt, T. Rommens, A. Tenhunen, L. F. Mortensen, and I. Tange, “Greenhouse gas emissions and natural capital implications of plastics ( including biobased plastics ),” Eur. Environ. Agency, pp. 9–45, 2021. [68] R. Huang et al., “Environmental and Economic Implications of Distributed Additive Manufacturing: The Case of Injection Mold Tooling,” J. Ind. Ecol., vol. 21, 2017.
70 ANEXOS ANEXO 1PLANO DE AÇÕES DA INOVEPLASTIKA PARA OS REQUISITOS AMBIENTAIS DE CLIENTE
71 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO SOBRE OS INDICADORES PARA O MODELO COMPÓSITO DE COMPETITIVIDADE
72 ANEXO 2 – Questionário sobre os indicadores para o modelo compósito de competitividade (continuação)