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O Principezinho. Estratégias para desenvolver a educação literária

Azevedo, Sara Neto de

Abstract

Este projeto de intervenção pedagógica supervisionada foi desenvolvido numa turma do 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico e numa turma do 5.º ano do 2.º Ciclo do Ensino Básico, com a finalidade de desenvolver a Educação Literária dos estudantes com recurso aos livros clássicos. A obra escolhida para o efeito foi O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, com o propósito de, desenvolvendo atividades lúdicas, os alunos mobilizassem aprendizagens significativas. O projeto, alicerçado na metodologia de um programa de leitura fundamentado na literatura, incluiu a realização de atividades de pré-leitura, de leitura e de pós-leitura, conseguindo trabalhar os conhecimentos do livro mais aprofundadamente. Os instrumentos de recolha de dados consistiram em observações participantes em contexto de sala de aula, trabalhos realizados pelos alunos, momentos reflexivos realizados diariamente, questionário e registos fotográficos. De um modo geral, o projeto demonstrou que, através da leitura de um livro clássico, os alunos desenvolveram a sua Educação Literária, além de terem adquirido conhecimentos e valores relevantes para a sua formação enquanto membros de uma sociedade.

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O Principezinho. Estratégias para desenvolver a Educação Literária Universidade do Minho Instituto de Educação Sara Neto de Azevedo dezembro de 2021 O Principezinho. Estratégias para desenvolver a Educação Literária Sara Neto de Azevedo UMinho|2021 Sara Neto de Azevedo dezembro de 2021 O Principezinho. Estratégias para desenvolver a Educação Literária Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Fernando José Fraga de Azevedo Relatório de Estágio Mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Português e História e Geografia de Portugal no 2.º Ciclo do Ensino Básico Universidade do Minho Instituto de Educação ii Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-SemDerivações CC BY-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/ iii Agradecimentos Este relatório teve a colaboração de diversas pessoas que me acompanharam ao longo destes cinco anos. Só me resta agradecer todo o apoio e motivação nesta etapa mais desafiadora da minha vida. Ao meu orientador, Professor Doutor Fernando José Fraga de Azevedo, pela disponibilidade e orientação que sempre demonstrou desde o início deste projeto. Às professoras cooperantes, a professora Maria Conceição Costa e a professora Luísa Gonçalves, pela partilha de sabedoria e de conhecimento. À minha família pelo apoio incondicional. Sem eles este projeto e todo o meu percurso escolar não se teria concretizado. Aos alunos que cooperaram neste projeto, pela sua participação e colaboração. A todos o meu muito sincero obrigado! iv Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Título: O Principezinho. Estratégias para desenvolver a Educação Literária Resumo: Este projeto de intervenção pedagógica supervisionada foi desenvolvido numa turma do 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico e numa turma do 5.º ano do 2.º Ciclo do Ensino Básico, com a finalidade de desenvolver a Educação Literária dos estudantes com recurso aos livros clássicos. A obra escolhida para o efeito foi O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry, com o propósito de, desenvolvendo atividades lúdicas, os alunos mobilizassem aprendizagens significativas. O projeto, alicerçado na metodologia de um programa de leitura fundamentado na literatura, incluiu a realização de atividades de pré-leitura, de leitura e de pós-leitura, conseguindo trabalhar os conhecimentos do livro mais aprofundadamente. Os instrumentos de recolha de dados consistiram em observações participantes em contexto de sala de aula, trabalhos realizados pelos alunos, momentos reflexivos realizados diariamente, questionário e registos fotográficos. De um modo geral, o projeto demonstrou que, através da leitura de um livro clássico, os alunos desenvolveram a sua Educação Literária, além de terem adquirido conhecimentos e valores relevantes para a sua formação enquanto membros de uma sociedade. Palavras-chave: Educação Literária, Literatura Infantojuvenil, Livros Clássicos, Valores. vi Title: The Little Prince. Strategies to develop Literary Education Abstract: This supervised educational intervention project was developed in a 1st grade class of the 1st cycle of basic education and in a 5th grade class of the 2nd cycle of basic education, with the purpose of developing students' Literacy Education using classic books. The book chosen was The Little Prince , by Antoine de Saint-Exupéry, with the purpose of developing playful activities, so that students could mobilize significant learning. The project, based on the methodology of a reading program based on literature, included pre-reading, reading, and post-reading activities, managing to work on the knowledge of the book in greater depth. The data collection tools consisted of participant observations in the classroom, student work, daily reflective moments, a questionnaire, and photographic records. Overall, the project demonstrated that, through the reading of a classic book, students developed their Literary Education, in addition to having acquired knowledge and values relevant to their formation as members of a society. Keywords: Children's Literature, Classic Books, Literary Education, Values. vii Índice Direitos de autor e condições de utilização do trabalho por terceiros…………………………….…………ii Agradecimentos……………………………………………………………………………….….…………………….iii Declaração de Integridade………………………………………………….…………………………………………iv Resumo…………………………………………………………………………….………………………………………v Abstract……………………………………………………………………………………………………………………vi Índice……………………………………………………………………………………………………………….……..vii Índice de figuras…………………………………………………………………………………………….…………..xi Índice de tabelas………………………………………………………………………………………………………..xii Índice de gráficos…………………………………………………………………………………………….……..…xiv Capítulo IIntrodução…………………………………………………………………………………………………..1 1.1. Justificação do tema.…………………………………………..……………………………………….2 1.2. Questões de investigação e objetivos……………………………………………………………….3 1.3. Organização do relatório de estágio………………………………………………………………….4 Capítulo IIEnquadramento teórico……………………………………………………………………….……..…6 2.1. O conceito de Educação Literária…………………………………………………………………….6 2.2. Momentos de pré-leitura, leitura e pós-leitura…………………………………………………….8 2.3. Objetivos da Educação Literária…………………………………………………………………….10 2.4. Texto Literário……………………………………………………………………………………………11 2.5. Plano Nacional de Leitura…………………………………………………………………………….14 2.6. Livros clássicos………………………………………………………………………………………….16 Capítulo IIIEstratégias de Intervenção…………………………………………………………………….…….19 3.1. Opção metodológica……………………………………………………………….………………….19 3.2. Técnicas e instrumentos de recolha de dados…………………………………………………..20 3.2.1. Observação………………………………………………………………………………….....20 3.2.2. Notas de campo………………………………………………………………………………..21 xiv Índice de Gráficos Gráfico 1Gráfico sobre as habilitações académicas dos Encarregados de Educação dos alunos…………………………………………………………………………………………………………….………33 Gráfico 2Análise à questão das preferências de lazer ou entretenimento………………………..……63 Gráficos 3, 4, 5 e 6Análise às questões sobre o hábito e gosto pela leitura……………………………63 Gráfico 7Análise à questão do que significa ler……………………………………………………………….64 Gráficos 8, 9, 10 e 11Análise das questões vocacionadas à compra ou leitura de livros por parte dos Encarregados de Educação……………………………………………………………………………………64 Gráficos 12, 13, 14, 15 e 16Análise das questões vocacionadas aos educandos…………………..65 Gráficos 17, 18 e 19Análise das questões sobre se os alunos costumam visitar bibliotecas ou livrarias………………………………………………………………………………………………………………..…66 Gráficos 20, 21, 22 e 23Análise das questões vocacionadas aos hábitos de leitura dos alunos…………………………………………………………………………………………………………………….67 Gráfico 24Análise das preferências de lazer dos alunos……………………………………………………87 Gráficos 25, 26, 27, 28, 29 e 30Análise às questões vocacionadas à leitura dos alunos…………………………………………………………………………………………………………………….88 Gráficos 31, 32, 33, 34Análise às questões vocacionadas ao contato que os alunos têm com os livros………………………………………………………………………………………………………………………89 Gráficos 35 e 36 - Análise às questões vocacionadas aos hábitos de leitura dos alunos………….…90 Gráfico 37Análise à questão: “Que atividade mais gostaste?” ……………………………………………95 Gráfico 38Análise à questão: “Qual foi a atividade que tiveste mais dificuldade?” …………….……95 Gráfico 39Análise à questão: “Qual foi a atividade que tiveste menos dificuldade?” ………….……95 Gráfico 40Análise à questão: “Na tua opinião, qual foi a atividade que ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho para Crianças ?” ……………………………………………………………….96 Gráfico 41Análise à questão: “Das atividades que realizaste, quais foram as que tiveste de pedir ajuda?” ………………………………………………………………………………………………………………..…96 Gráfico 42Análise à questão: “A quem pediste ajuda?” ……………………………………………………96 Gráfico 43Análise à questão: “Gostaste mais da leitura do livro ou do filme?” ……………………….97 Gráfico 44Análise à questão: “O que achaste do livro O Principezinho para Crianças ?”…………..97 Gráfico 45Análise à questão: “Depois destas atividades, achas que vais gostar mais da leitura?” ……………………………………………………………………………………………………………………………..97 xv Gráfico 46Análise à questão: “Qual foi a atividade digital que mais gostaste?”…………………….100 Gráfico 47Análise à questão: “Qual foi a atividade que mais gostaste?”……………………………100 Gráfico 48Análise à questão: “Em que atividade digital tiveste mais dificuldades?”………………100 Gráfico 49Análise à questão: “Em que atividade tiveste mais dificuldades?”……………………….101 Gráfico 50Análise à questão: “Em que atividade digital tiveste menos dificuldades?”………………………………………………………………………………………………………...101 Gráfico 51Análise à questão: “Em que atividade tiveste menos dificuldades?”…………………….101 Gráfico 52Análise à questão: “Gostaste mais do livro Pop-Up ou do livro tradicional?”…………101 Gráfico 53Análise à questão: “Gostaste mais do livro ou do filme?”…………………………………102 Gráfico 54Análise à questão: “Das atividades digitais que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda?” …………………………………………………………………………………………………………………102 Gráfico 55Análise à questão: “Das atividades que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda?” ……………………………………………………………………………………………………………………………102 Gráfico 56Análise à questão: “A quem pediste ajuda?” ………………………………………………….102 Gráfico 57Análise à questão: “Qual foi a atividade digital que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho?” ……………………………………………………………………………………………..103 Gráfico 58Análise à questão: “Qual foi a atividade que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho ?” ………………………………………………………………………………………………………103 Gráfico 59Análise à questão: “O que achaste do livro O Principezinho ?” ……………………………103 Gráfico 60Análise à questão: “Depois das atividades que realizaste, achas que vais gostar mais da leitura?” ……………………………………………………………………………………………………………103 1 Capítulo IIntrodução Este projeto de intervenção pedagógica supervisionada enquadra-se no âmbito da unidade curricular Estágio Profissional, que se insere no 2.º ano do Mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Português e História e Geografia de Portugal do 2.º Ciclo do Ensino Básico no ano letivo de 2020/2021. O estudo em causa, designado por “O Principezinho. Estratégias para desenvolver a Educação Literária”, foi desenvolvido em dois contextos escolares diferentes. O primeiro foi realizado no primeiro semestre, numa turma do 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico, e o segundo foi realizado no segundo semestre, numa turma do 5.º ano do 2.º Ciclo do Ensino Básico. As duas escolas situam-se num Agrupamento de Escolas na cidade de Braga. O tema principal deste projeto foca-se sobretudo na promoção da Educação Literária com recurso aos livros clássicos. Salienta-se que os livros e a literatura ocupam um espaço importante na vida do ser humano, pois não apenas nos ajudam a ler o mundo e a interrogá-lo, como também nos ensinam valores relevantes para a nossa vida em sociedade. Desta forma, a leitura de obras consideradas clássicas constitui uma mais-valia quer para adultos, quer para crianças, uma vez que, abordando temáticas primordiais da humanidade, se ajustam aos seus interesses e os ajudam a ler o mundo de uma forma sofisticada e abrangente. A escola como um meio transmissor de conhecimento e facilitador de aprendizagem mostra-se uma instituição capaz de promover e aliciar os mais novos à promoção da leitura. Neste espaço existe lugar para dois tipos de sujeitos que mantêm um lugar ativo: os alunos e o professor. Para desenvolver as competências literárias, compete ao docente idealizar e produzir métodos de aprendizagem em que os alunos se sintam motivados e focados com o tema em questão. “Acredito que as nossas escolas mostram a tentativa que tem sido feita de se integrar o programa educacional com a organização do trabalho e com o ambiente, para que possa haver movimento, interdependência e interação máxima. A escola é um organismo dinâmico e inexaurível e possui suas dificuldades e controvérsias, mas, sobretudo, alegria e capacidade para lidar com as perturbações externas.” (Malaguzzi, 1999: 73). Segundo Libâneo (2002): 2 A “educação compreende o conjunto dos processos, influências, estruturas, ações que intervém no desenvolvimento humano do indivíduo e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais, visando à formação do ser humano (…) é uma prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados físicos, mentais, espirituais, culturais, que dá uma configuração a nossa existência individual e grupal.” (p. 64). Por outro lado, Ana Maria Machado (2002: 15), citada por Blanca-Ana Roig Rechou (2013): “La escuela es el momento y el espacio de la salvación de la literatura, del posible descubrimiento y formación del futuro lector” (…)”a escola é a que mellor pode ofrecer aos novos as possibilidades de contacto cos libros e por isso é preciso darlle dignidade á lectura realizada e recomendada nela.” (p. 50). À medida que este projeto foi concretizado foram utilizadas diversas técnicas e instrumentos de recolha e análise de dados, tais como questionários, observações participantes, bibliografias e intervenções práticas, permitindo realizar um estudo mais aprofundado sobre a Educação Literária e os livros clássicos. É importante referir que o trabalho realizado permitiu a sistematização das aprendizagens dos alunos e a criação de experiências para que as mesmas pudessem dar resposta aos problemas encontrados. Desta forma, as atividades propostas possibilitaram promover a literatura junto dos mais novos, de forma a criar hábitos de leitura e a partilhar valores relevantes nos livros clássicos, tais como, a importância da amizade, do amor ao próximo, do respeito, entre outros. Nesta introdução realizou-se uma abordagem ao tema escolhido, bem como a sua justificação. Depois, foram expostos os objetivos e as questões geradoras que orientaram a realização deste projeto. Por fim, apresentou-se a organização do relatório. 1.1. Justificação do tema A abordagem a este tema foi realizada essencialmente nos contextos escolares em que se implementou este projeto de intervenção. 3 No primeiro ciclo, mais concretamente no primeiro ano, foi possível perceber a emoção e a curiosidade que existia em torno dos livros, pois os alunos desconheciam a leitura e a sua interpretação. Foi percetível entender o interesse deles, pois manuseavam os livros com motivação, despertando a curiosidade pelo desconhecido. Para uma melhor experiência foram dadas a conhecer diversas edições do livro O Principezinho para Crianças , apresentando quer o livro infantil (Saint-Exupéry, 2017), quer o livro em formato Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016), quer a adaptação cinematográfica (Osborne, 2016). Observando este contexto em sala de aula foi possível reconhecer que esta prática de contacto e de leitura de livros de literatura não era adotada e os alunos só utilizavam o manual escolar para a sua formação. Reconhecendo que estava perante um ensino mais tradicional, onde o docente era o detentor do conhecimento e os alunos apenas aprendiam através da repetição e da memorização, foi importante este contato mais próximo com os livros e com atividades mais lúdicas e recreativas, tornando o ensino da língua mais relevante e significativo. Em relação ao segundo ciclo, mais concretamente no quinto ano, os livros eram frequentemente utilizados, para além de que os alunos já demonstravam ter hábitos de leitura, não só em contexto escolar, mas também em contexto familiar. Desta forma, o interesse em trabalhar com livros de literatura surge em potenciar as competências e os conhecimentos dos alunos de modo a aprofundar as aprendizagens e a desenvolver valores relevantes para a vida em sociedade. À semelhança do que foi realizado no contexto anterior, também no 2º Ciclo do Ensino Básico, foram apresentadas várias edições da obra de Saint-Exupéry, tais como, a versão original (Saint-Exupéry, 2001), o livro em formato Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016) e a adaptação cinematográfica (Osborne, 2016). 1.2. Questões de investigação e objetivos Este projeto de intervenção pedagógica supervisionada foca-se, essencialmente, na resposta à seguinte questão: “Verifica-se com a interação do aluno com a obra O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry, o desenvolvimento de alguma competência literária?” Tendo em conta a questão central, podemos articular as seguintes subquestões: 4 • Será que as obras literárias infantojuvenis ajudam a alterar atitudes, valores e comportamentos nas crianças? • Quais as dificuldades sentidas na realização das atividades propostas? Desta forma, é importante definir os objetivos a serem atingidos no final da implementação do projeto de intervenção. Os alunos devem demonstrar serem capazes de: • Desenvolver aprendizagens significativas relacionadas com as obras literárias; • Estimular os valores, as atitudes e os comportamentos que se deve ter perante o próximo na sociedade; • Formar leitores literários através das obras infantojuvenis; • Compreender o sentido dos textos; • Desenvolver capacidades e aprendizagens significativas relacionadas com a leitura de texto. 1.3. Organização do relatório de estágio A estrutura deste relatório é dividida por seis capítulos distintos. Primeiramente, é apresentada a introdução, a justificação do tema, as questões de investigação e os objetivos. Logo de seguida, consta o enquadramento teórico que se divide em cinco partes: a Educação Literária, os momentos de pré-leitura, leitura e pós-leitura, o texto literário, os livros clássicos e o Plano Nacional de Leitura. Depois, deparamo-nos com as estratégias de intervenção, onde são explicadas as opções metodológicas adotadas no projeto, o momento de pré-leitura, leitura e pós-leitura e as técnicas e instrumentos de recolha de dados. O capítulo seguinte tem como foco o contexto de investigação e a intervenção pedagógica. Nesta fase encontramos os contextos onde o projeto foi implementado e é realizada uma análise 5 à caracterização do Agrupamento, às caracterizações dos contextos e às caracterizações das duas turmas. Relativamente ao quinto capítulo, podemos observar o desenvolvimento e a avaliação da intervenção pedagógica, ou seja, são realizados um resumo e uma interpretação ao motivo que levou à escolha do livro, bem como a descrição e avaliação das atividades implementadas nos dois contextos escolares. No último capítulo, seguem-se as considerações finais, onde são exploradas e respondidas as questões de investigação que originaram este projeto, bem como a exposição da análise das limitações e recomendações para futuros trabalhos. Por fim, apresentamos as referências bibliográficas e os anexos. 6 Capítulo IIEnquadramento teórico Neste capítulo foram apresentados os estudos realizados para a concretização do projeto. Este é divido em seis partes: breve explicação do conceito de Educação Literária, momentos de pré-leitura, leitura e pós-leitura, objetivos da Educação Literária, abordagem ao texto literário, importância do Plano Nacional de Leitura e a importância dos clássicos. Podemos ainda encontrar neste capítulo a importância da Educação Literária para auxiliar e cativar as crianças, não só para leitura, como também para o estímulo de valores importantes, tais como a amizade, o amor ao próximo, o respeito, a tolerância, a generosidade, a responsabilidade, entre outros. 2.1. O conceito de Educação Literária O Ensino Básico tem um papel fundamental na vida dos alunos. É nesta fase que eles se desenvolvem cognitivamente e aprendem a ter hábitos de leitura e de escrita. Tendo em conta que esta prática pedagógica foi implementada em turmas do 1.º e do 5.º ano de escolaridade, é importante sensibilizar e desenvolver competências literárias, de modo a que os alunos adquiram aprendizagens significativas. Segundo Viana e Teixeira (2002), citado por Pinheiro (2003): “Interações sociais que as crianças constroem as suas primeiras ideias sobre leitura e escrita, é também por esta via (…) pela leitura de histórias e pelo contacto com os livros que elas desenvolverão a competência para ler de forma autónoma.” (p.24). A Educação Literária ajuda na formação de leitores competentes, críticos e reflexivos, capazes não só de compreender as palavras, mas também de ler, interpretar e analisar toda a história. Esta interação oferece uma partilha entre a memória cognitiva e cultural, criando um leitor capaz de interpretar o mundo de forma perspicaz. “É importante formar leitores porque a leitura é uma atividade que possibilita transmissão de saber e relação com o conhecimento de ontem e de hoje. (…) A leitura ajuda a construir racionalidade porque é fonte de entendimento, de imaginação e de criatividade. Ler é compreender e o dinamismo de compreensão 7 possibilita o entendimento das coisas, da vida e do mundo, num processo de construção de racionalidade. Neste sentido, ler é situar-se e perspetivar-se, refletir sobre si mesmo e a sua prática, rever-se criticamente, confrontar-se sadiamente com a variedade de racionalidades. A leitura permite e possibilita um discernimento do mundo e um posicionamento perante a realidade. A leitura faz humanidade, na medida em que diz alguma coisa ao leitor sobre a sua existência e sobre o que há de verdadeiramente único e irrepetível na condição humana. A leitura permite a aprendizagem do exercício da responsabilidade, porque o diálogo entre o leitor e um texto reclama uma postura de assentimento ou de discordância que implica e compromete. A leitura é e possibilita uma experiência estética fundamental, que se constitui como prazer, emoção e entendimento.” (Ribeiro, 2018: 2-3) De acordo com o website da Porto Editora, “A Educação Literária é um domínio de referência no novo Programa e Aprendizagens Essenciais Curriculares de Português definidas pelo Ministério da Educação:” 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico: “Educação Literária por meio de uma relação afetiva e estética com a literatura e com textos literários orais e escritos, através de uma experimentação artístico-literária que inclua ouvir, desenhar, ler, escrever, dramatizar, representar, recitar, recontar, apreciar.” (DGE, 2018). 5.º ano do 2.º Ciclo do Ensino Básico: “No domínio da Educação Literária, pretende-se capacitar os alunos para a compreensão, a interpretação e a fruição de textos literários. Fazer da leitura um gosto e um hábito para a vida e encontrar nos livros motivação para ler e continuar a aprender dependem de experiências gratificantes de leitura, a desenvolver a partir de recursos e estratégias diversificados, que o Plano Nacional de Leitura disponibiliza, e de percursos orientados de análise e de interpretação. Neste âmbito, é ainda fundamental que os alunos tenham atingido a capacidade de apreciar criticamente a dimensão estética dos textos literários, portugueses e estrangeiros, e o modo como manifestam experiências e valores.” (DGE, 2018). Segundo Macedo e Gomes (2013): 8 “A Educação Literária é um processo moroso que se desenrola ao longo de toda a escolaridade e que pode e deve ter seguimento noutros contextos formais e não formais. Um processo reconhecidamente complexo, se atendermos à peculiar natureza do texto literário, à pluralidade dos seus sentidos e dos seus recursos técnico-expressivos, ao seu elevado grau de estruturação e aos desafios que coloca à inteligência e à sensibilidade do leitor, no trabalho de leitura e de interpretação.” (p.79). Pretende-se com a Educação Literária formar leitores capazes de estabelecer conexões entre os textos, realizando inferências e comparações, e adquirindo novos conhecimentos através de ideias prévias, fazendo a ponte entre leituras anteriores com novas experiências. Para que esta metodologia de desenvolvimento do conhecimento possa ter lugar de forma efetiva, deve-se cativar as crianças para o contato direto com o texto literário, com o livro, pois este é uma ferramenta lúdica e prazerosa. Desta forma, os alunos conseguem desenvolver muito mais que uma simples leitura, transcendendo aquilo que o livro explicita, potenciando e evoluindo a sua criatividade e desenvolvimento cognitivo. Em concordância ao que foi explícito anteriormente, podemos criar condições para que este desenvolvimento seja um processo facilitador e eficaz, através de atividades que consigam unir as suas experiências e vivências com a aquisição de novos conhecimentos. As atividades de contacto com o texto literário possuem, na perspetiva de H. K. Yopp e R. H. Yopp (2006), três momentos: pré-leitura, leitura e pós-leitura, auxiliando no conhecimento aprofundado dos livros a trabalhar. 2.2. Momentos de pré-leitura, leitura e pós-leitura Partindo da obra O Principezinho (Saint-Exupéry, 2001), construíram-se atividades de préleitura, leitura e pós-leitura. Esta metodologia de um programa de leitura fundamentado na literatura (Yopp e Yopp, 2006) tem a capacidade de trabalhar os conhecimentos do livro mais aprofundadamente, uma vez que, estimulando a motivação dos alunos e as suas respostas pessoais, estes envolvem-se mais com a leitura e com os livros. Esta relação torna os alunos mais ativos, mais racionais e capazes de conectar pensamentos, sentidos e conceitos (Yopp e Yopp, 2006). 15 leitores e tornar Braga numa cidade de leitura. (…) O grande objetivo é colocar as pessoas a ler mais, tornando Braga numa cidade de leitura.” (Município de Braga, 2019). Segundo Silva et al (2009): “Estimamos ainda apoiados nos princípios orientadores do Plano Nacional de Leitura, nas práticas de promoção da mesma (…), que o hábito de leitura, entendido numa aceção ampla, é decisivo para a criança em crescimento e para o aluno em idade pré-escolar e/ou escolar, e que os momentos de alfabetização e posterior aprendizagem para a aquisição e consolidação de capacidade de uso escrito da língua só serão momentos de sucesso se este conseguir concretizar conhecimentos, souber distinguir e avaliar diferentes tipos de discurso usados e aceder a uma linguagem rica em imagens. Preparada para enfrentar o seu dia-adia, a criança sentir-se-á capaz de ampliar as suas perceções, de perceber o mundo com a ambição e o desejo de quem é levado em consideração nas opiniões emitidas, críticas e vivências realizadas.” (p. 15). Na mesma linha, o website da Porto Editora refere que: “O Plano Nacional de Leitura é uma iniciativa governamental que reúne um conjunto de atividades com o objetivo de elevar os níveis de literacia dos portugueses. Uma das iniciativas passa precisamente pela indicação dos livros cuja leitura é recomendada para o alcance desse objetivo, pelo que, nesse sentido, alguns títulos acabam por fazer parte das obras indicadas no Programa e Aprendizagens Essenciais Curriculares.” Recorrendo ao Plano Nacional de Leitura, que contém uma série de diretrizes para a promoção da leitura, estudos, trabalhos empíricos e de investigação, propostas de atividades, além de um corpus selecionado de textos com qualidade estética adaptados às várias faixas etárias, notamos que pode ser estabelecida uma analogia entre a leitura dos clássicos e o desenvolvimento de competências de domínio da intertextualidade. Percebemos, assim, a importância que os clássicos têm na vida da criança, mas também na do adulto. Desta forma: “Dotado de maior liberdade pedagógica e estimulado pelas disposições e programas de ação do Plano Nacional de Leitura, o mediador pode iniciar os jovens leitores no conhecimento deste património imaterial, valorizando os 16 clássicos enquanto lugar de experiência linguística, cognitiva, social ou estética. (…) o plano nacional de leitura permite e solicita aos variados atores do quadro educativo e social que se tornem mediadores ativos, formando leitores capazes de interagir com obras literárias de reconhecida qualidade, proporciona ao jovem leitor gratas experiências na sua aprendizagem da língua e do mundo, permitindolhe aceder a um exercício mais consciente de cidadania.” (Azevedo, 2013: 9192). 2.6. Livros clássicos O termo clássico depara-se com inúmeras definições: “De um clássico toda a releitura é uma leitura de descoberta igual à primeira (…) de um clássico toda a primeira leitura é na realidade uma releitura.” (Calvino, 2015:11); “Chama-se clássico um livro que se configura como equivalente do universo, tal como os antigos talismãs.” (Calvino, 2015:13); “Os clássicos servem para compreender quem somos e aonde chegámos.” (Calvino, 2015:16); “Os clássicos são também aqueles textos ou títulos que os adultos recordam, mesmo que nunca tenham lido.” (William F. Russell, 1984). Não obstante Vicenç Pagès Jordà (2006): “acrescenta a esta definições uma outra particularmente pertinente no caso dos clássicos da literatura juvenil: a sua capacidade exponencialmente geradora de outros textos, de variantes, de reescritas e recriações, precisamente porque entendidos como modelos memoráveis, ao ponto de os leitores adultos não só fortemente apreciarem a sua leitura, como, igualmente, a recomendarem às gerações mais jovens. Com efeito, na ótica do investigador, o clássico juvenil é aquela obra que, sendo memorável e mostrando-se capaz de resistir a várias leituras, ajuda a construir um leitor exigente, sofisticado e competente.” (Azevedo, 2013:17-18). Consequentemente questionámo-nos de o porquê incentivar as crianças na leitura dos clássicos? Como uma criança se irá interessar por um clássico? O que estas obras contribuem para a sua formação enquanto futuros leitores e críticos/reflexivos na sociedade? 17 “Os clássicos da literatura infantil e juvenil retratam experiências protagonizadas por crianças e jovens não adultos, graças às quais o leitor pode conhecer e refletir acerca dessa etapa da vida. Se nos contos de fada é a criança ou o ser que não possui poder factual o verdadeiro protagonista da história, noutros textos, a infância e os seus atores são apresentados como detentores de uma verdade e de uma essencialidade, muitas vezes associada à capacidade de, sem constrições de natureza alguma, exercitar a liberdade, que os separa radicalmente do mundo dos adultos.” (Azevedo, 2013: 73-74). Também Emílio Lledó (2002) sublinha que, “no contexto de uma sociedade massificada que privilegia o conformismo e a alienação, práticas potencialmente indutoras de um certo terrorismo ideológico, a leitura e os livros constituem o mais assombroso princípio de liberdade e de fraternidade, porque nos permitem conhecer e aceder a mundo que nunca conseguiríamos descobrir. A literatura é nesta medida, concebida como um importante expoente cultural (Mendoza Fillola, 1994:48-41).” (Azevedo, 2013: 86). Azevedo (2013: 90), referindo-se à obra de Carlos A. Castro Alonso (1977), intitulada Clásicos de la literatura infantil (25 obras comentadas) , considera “(…) que a leitura dos clássicos constitui um importante instrumento para formar homens livres no contexto e uma cultura crescentemente alienada, consumista, massificada e tecnificada.” Por fim, concluímos que os clássicos são fundamentais na vida da criança, não só pela iniciação a um universo cultural, estético-literário e axiológico, mas também pela marca memorável que a sua leitura imprime a quem com eles contacta. “Se é verdade que, como afirma Pedro Cerrilo (2006: 33), “não nascemos leitores nem tão pouco não leitores. Fazemo-nos leitores” e se, igualmente, ficou já demonstrada a qualidade e relevância cultural e simbólica dos clássicos para os seus leitores, importa pensar as formas de assegurar que a sua leitura seja efetivamente um ato de partilha e de prazer.” (Azevedo, 2013: 98). Podemos destacar que O Principezinho é uma obra literária considerada um dos maiores clássicos da literatura: 18 “A narrativa institui, desde as primeiras páginas, um dissídio entre duas formas divergentes de olhar e de perceber o mundo: a perspetiva da criança e a perspetiva do adulto. Se o olhar da criança parece ser governado por uma lógica muito própria, onde sobressai a importância de uma visão pura e não contaminada pelos atributos da materialidade, o mundo dos adultos e das personagens que o habitam é objeto de uma critica feroz e impiedosa.” (Azevedo, 2013: 60-61). Esta obra mostra os valores, atitudes e comportamentos que o Principezinho passa ao mundo. A constante procura e descoberta por algo novo, para, no final, dar valor ao que sempre esteve do lado dele. As múltiplas mensagens que esta obra mostra ao leitor, quer seja ele um leitor principiante ou um leitor experiente, faz com que esta seja uma obra primordial. A obra trabalhada foi, desde cedo, a primeira opção para este projeto, pois ela permite promover valores positivos. “No final dessa viagem, que foi também, em larga medida, um processo de autoconhecimento e de descoberta do Outro, o Principezinho compreende o que é importante é aquilo que é invisível aos olhos, aquilo que, no fundo, nos define enquanto seres humanos: a amizade, a atenção ao Outro, a capacidade de sonhar e de nos encantarmos com pequenas coisas ou pequenos gestos. A viagem, metáfora da aprendizagem, assim como a amizade constituem, neste texto, isotopias fundamentais.” (Azevedo, 2013: 61-62). 19 Capítulo IIIEstratégias de Intervenção Neste capítulo podemos encontrar a metodologia usada neste projeto, onde será exibida a opção metodológica de investigação e as técnicas e instrumentos de recolha de dados. 3.1. Opção metodológica A definição da metodologia que é implementada durante a realização do projeto é um momento importante e crucial, pois orienta o docente na estruturação e orientação das decisões que devem ser tomadas na prática educativa. Estas têm por base um ponto de vista construtivista, na medida em que o processo de ensino e aprendizagem é estruturado segundo fatores pessoais e sociais do conhecimento. A metodologia construtivista alicerça-se na construção de conhecimento concebido com base na experiência pessoal. Ao contrário do método tradicional, que baseia a ação pedagógica na memória, na reiteração ou no ensinar o que já está explícito em manuais, o método construtivista consiste em criar, agir e construir o conhecimento, através da realidade vivida pelos alunos. Desta forma, os alunos têm mais responsabilidade na aprendizagem e o papel do docente passa por ser, largamente, o mediador, orientador e facilitador das aprendizagens a adquirir. O docente tem um papel muito importante neste processo, na medida em que deverá optar por atitudes próprias de investigação-ação para que possa melhorar e adaptar a sua prática pedagógica indo de encontro aos interesses da criança. Neste sentido, o docente servirá como mediador e deverá proporcionar aos alunos aprendizagens significativas, funcionais e globalizadoras, onde o aluno estabelece relações com os seus saberes. “O Construtivismo afirma que o conhecimento é resultado da construção pessoal do aluno; o professor é um importante mediador do processo ensino aprendizagem. A aprendizagem não pode ser entendida como resultado do desenvolvimento do aluno, mas sim como o próprio desenvolvimento do aluno.” (Fossile, 2010). O processo de ensino e aprendizagem deve partir de problemas socio naturais conhecidos pelas crianças. Através da partilha de experiências é possível chegar a conhecimentos mais ricos 20 e próximos, indo de encontro às necessidades e interesses da criança. Neste sentido é importante que o docente acompanhe e negocie com as crianças o desenvolvimento do currículo. Segundo Jerome Bruner, a organização do currículo deverá iniciar-se com a abordagem de conceitos básicos, aumentando a dificuldade de uma forma gradual, chegando assim a aprendizagens mais complexas: “É possível ensinar qualquer assunto, de uma maneira intelectualmente honesta, a qualquer criança em qualquer estágio de desenvolvimento." (Bruner, 1973: 73,76) Devemos promover questões que são próximas às crianças para que sejam motivadas, provocando conflitos socio afetivos, passando de questões mais simples para questões mais complexas. Partindo deste princípio pretendemos tornar o aluno mais autónomo, confiante, ativo e crítico na sociedade. 3.2. Técnicas e instrumentos de recolha de dados No decorrer da implementação deste projeto foi necessário recorrer a instrumentos de recolha e análise de dados específicos para proceder à formação e avaliação dos alunos. Desta forma, é possível ter um feedback das crianças e levantar indicadores importantes que possam ajudar na prática educativa. Foram utilizados instrumentos como a observação, as notas de campo, os registos fotográficos, trabalhos dos alunos e o inquérito. 3.2.1. Observação Este instrumento foi, sem dúvida, o mais utilizado e mais indispensável no decorrer do contexto educativo. No início da concretização do projeto, a observação era não participante, possibilitando analisar, pesquisar e explorar a turma, de modo a conhecer a rotina, o desempenho e a relação do docente com o grupo turma. Gradualmente, a observação teve uma transformação, desenvolvendo-se para participante, na medida em que, existiu uma interação com a rotina no contexto escolar, bem como nas atividades com os alunos. Desta forma, foi importante concentrar a observação nas questões e nos objetivos estipulados com o propósito de construir uma melhor análise e interpretação de dados. 21 Sousa (2005) denota que a observação participante é o “envolvimento pessoal do observador na vida da comunidade educacional que pretende estudar, como se fosse um dos seus elementos, observando a vida do grupo a partir do seu interior, como seu membro.” (p. 113). 3.2.2. Notas de campo Tal como o nome indica, as notas de campo são os registos escritos que se vão realizando ao longo da prática educativa. Este instrumento revela-se muito importante, pois é onde se regista e se descreve as situações vividas no contexto escolar, bem como os diálogos realizados com os alunos. Spradley, citado por Esteves (2008), refere que, as notas de campo “incluem registos detalhados, descritivos e focalizados do contexto, das pessoas (retratos), suas ações e interações (trocas, conversas), efetuados sistematicamente, respeitando a linguagem dos participantes nesse contexto.” (p. 88). 3.2.3. Registos fotográficos As fotografias permitem ter uma noção mais realista e visual do que acontece no contexto de sala de aula. Posteriormente, podemos analisar a disposição da sala de aula, os materiais disponíveis, os trabalhos realizados e o comportamento, postura e reação dos alunos. Bogdan e Biklen (1994) admitem que “embora as fotografias possam não provar nada de forma conclusiva, quando usadas em conjunção com outros dados podem adicionar-se a uma pilha de provas.” (p. 186). 3.2.4. Trabalhos dos alunos Os trabalhos realizados pelos alunos tornam-se essenciais não só para a recolha e análise de dados, mas também para avaliação do projeto em si. 22 Esteves (2008) afirma que “a análise dos artefactos produzidos pelas crianças é indispensável quando o foco da investigação se centra na aprendizagem dos alunos.” (p. 92). Já Formosinho (2011) refere que este instrumento ajuda a “tomar consciência, criar memória, criar regulação social, criar análise (…) um mundo de possibilidades que se abre quando o fazer pedagógico não é um mero receituário e se compreende a intencionalidade profunda de permitir o ser e as relações, o pertencer e o participar, o aprender e o dizer, o significar e o criar.” (p. 32). No decorrer do estudo e da observação dos trabalhos dos alunos, o docente consegue entender quais as principais dificuldades sentidas ao longo das atividades, o que correu bem e o que correu menos bem, de modo a conseguir adequar a sua prática pedagógica de uma forma simplificada e que vá de encontro às necessidades de cada aluno. Deste modo, este instrumento permitiu dar resposta ao sentido que cada aluno deu às atividades propostas. 3.2.5. Inquérito Os inquéritos foram realizados através de dois questionários, um para cada contexto. Estes foram compostos por perguntas de respostas mistas, isto é, existiu lugar para respostas de cariz fechado e aberto. O objetivo fundamental do questionário foi conhecer os hábitos de leitura dos alunos com a finalidade de promover a Educação Literária através da obra O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry. Estes foram concretizados em dois momentos: o primeiro foi no 1.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico e o segundo foi no 5.º ano do 2.º Ciclo. No 1.º Ciclo, o questionário foi implementado aos Encarregados de Educação, uma vez que os alunos ainda estavam a dar os primeiros passos na leitura e na escrita. Este foi composto por dezoito questões fundamentais para entender a importância que os familiares e os discentes concedem aos livros e o lugar que estes ocupam no seu quotidiano. 23 Questões Objetivos 1. Assinale com um x as suas preferências de lazer/entretenimento (pode assinalar mais do que uma opção). 2. Gosta de ler? • Perceber quais as preferências que os Encarregados de Educação têm no momento de lazer. 3. Costuma ler? • Entender a periodicidade leitora dos Encarregados de Educação. 3.1. Se sim, por que razão o faz? 3.2. Se não, por que razão não o faz? 4. Para si, ler é…? • Identificar a importância que os Encarregados de Educação dão aos livros. 5. Costuma ler jornais/revistas? • Conhecer outros gostos pela leitura dos Encarregados de Educação. 6. Costuma comprar livros para si? 7. Como escolhe os livros que lê? • Perceber com que frequência os Encarregados de Educação compram livros. 8. Costuma comprar livros para o/a seu/sua filho/a? • Perceber se os Encarregados de Educação incentivam à leitura. 9. Lê livros ao seu filho? • Conhecer os hábitos de leitura das crianças. 10. Quantos livros existem em sua casa? 11. Quantos livros infantis e juvenis existem em sua casa? • Entender se existem hábitos de leitura em casa. • Observar a importância que os Encarregados de Educação dão aos livros. 24 12. Os livros estão num local visível e acessível às crianças? • Observar a importância que os Encarregados de Educação dão à leitura dos livros. • Entender se as crianças têm a possibilidade de manusear os livros a qualquer momento do dia. 13. Costuma visitar livrarias ou bibliotecas com o/a seu/sua filho/a? 14. É sócio de alguma biblioteca? • Saber se o aluno já tem conhecimento e contato com as diversas formas de adquirir um livro. 15. Qual é o livro preferido do/a seu/sua filho/a? • Conhecer os géneros literários dos discentes. 16. O/A seu/sua filho/a conhece os seguintes clássicos da literatura infantil e juvenil? • Identificar se as crianças conhecem algum clássico da literatura infantojuvenil. • Verificar se já conhecem a obra que vão trabalhar. 17. Com que frequência contam histórias ao/à seu/sua filho/filha a partir de um livro? • Entender a periodicidade leitora dos discentes. 18. Quem costuma contar/ler histórias para o/a seu/sua filho/a? • Identificar quem influência mais o aluno a dar os primeiros passos na leitura. Tabela 1Questões e objetivos do questionário para o 1.º Ciclo No que diz respeito ao 2.º Ciclo, as questões foram respondidas pelos alunos no contexto de sala de aula. Como as perguntas eram apenas para os discentes, este questionário foi elaborado apenas com dez questões que permitiram entender a importância que os alunos davam aos livros e realizar uma análise sobre o interesse que cada um demonstra na leitura. 31 dificuldades à frente. Pode-se observar que, com esta mudança, o aluno ficava mais atento e mais participativo dando um contributo mais positivo na sala de aula. Para além de os alunos poderem usufruir da luz natural dentro das salas de aula, também podem ter à sua disposição cacifos individuais que se encontram nos corredores. Desta forma, os alunos podem guardar os seus pertences no momento em que entram na escola, não precisando de carregar os manuais e as mochilas para todo o lado. A biblioteca escolar incentiva os alunos a frequentar regularmente o espaço, para desfrutar de um livro ou mesmo dos computadores. Este acesso é de forma livre e qualquer pessoa que pertença à escola pode requisitar o quiser para levar para casa ou para levar para a sala de aula. O corpo docente pode programar aulas e expor trabalhos na biblioteca sempre que quiser, desde que requisite o espaço com antecedência. Nesta escola não foi notório a separação na mesa, devido à atual situação em que vivemos, mas os intervalos eram realizados a horas distintas dependendo do ano que os alunos estavam inseridos para que não existisse contatos com os outros anos. Também os corredores da escola, onde estavam inseridas as salas, eram um pouco limitados, o que fazia com quem os alunos se concentrassem com outras turmas, não gerando o espaço e o distanciamento devido. Nesta escola não foi notório a separação na mesa, devido à atual situação em que vivemos, mas os intervalos eram realizados a horas distintas dependendo do ano que os alunos estavam inseridos para que não existisse contatos com os outros anos. Também os corredores da escola onde estavam inseridas as salas eram um pouco limitados o que fazia com quem os alunos se concentrassem com outras turmas, não gerando o espaço e o distanciamento devido. 32 Figura 3Estrutura da sala de aula no 2.º Ciclo 4.2.1. Caraterização da turma do 1.º Ciclo A turma do 1.º ano é constituída por vinte e dois alunos, sendo nove do sexo feminino e treze do sexo masculino. A turma apresenta variados graus de conhecimento, sendo mais heterogénea, pois existem alunos com mais dificuldades de aprendizagem e outros com mais facilidade de adquirir conhecimento. Todos os alunos têm a mesma faixa etária, rondando em média os 6 anos. Provêm quase todos da mesma freguesia, sendo que alguns já se conheciam do Jardim de Infância. Todas as crianças frequentaram o Jardim de Infância, tornando o processo de socialização e de aprendizagem mais facilitada. Até ao momento, não existem alunos com NEE nesta turma, apesar de, um aluno frequentar a terapia da fala e duas alunas estarem referenciadas pela educadora do pré-escolar, perante indícios de alguma suspeita na dificuldade de compreensão de alguns conceitos. Os alunos pertencem a famílias pouco numerosas, sendo que cinco crianças são filhos únicos, dezasseis crianças têm apenas um irmão e, por último, uma criança tem mais do que um irmão. Desta forma, podemos observar que, este estereótipo não se distância dos valores dos números familiares das famílias atuais. Os Encarregados de Educação dos alunos têm idade compreendida entre os 31 anos e os 50 anos e a sua maioria tem formação académica (Licenciatura/Mestrado/Doutoramento). Desta Legenda: Janelas Painel de Cortiça Quadro branco Projetor Porta Mesas dos alunos Mesa do docente Balde do Lixo 33 forma, provêm de uma situação económica mais favorecida o que ajuda no sucesso escolar da criança. Independentemente deste fator, existem alguns familiares que se encontram no desemprego. Gráfico 1Gráfico sobre as habilitações académicas dos Encarregados de Educação dos alunos. Os Encarregados de Educação são bastante interessados na vida escolar do seu educando, assumindo um papel primordial e essencial. Todas as semanas têm uma reunião com a professora, tirando dúvidas e seguindo o processo de aprendizagem do seu educando. Também se preocupam em acompanhar diariamente as atividades que as crianças possam levar para a sua casa, a fim de demonstrar hábitos de trabalho, de cooperação e de responsabilidade. O papel dos Encarregados de Educação é fulcral e determinante na integração da vida escolar daquela criança. 4.2.1.1. Horário Escolar As aulas começam às nove horas da manhã, em que todos os alunos já deverão estar na sala de aula. Depois, às dez e meia podem fazer o intervalo, em que têm trinta minutos para poderem lanchar e brincar, quer na zona do espaço interior quer na zona do espaço exterior. Por consequência da situação recente de pandemia, todas as zonas de recreio são divididas por turmas, onde não existe contato físico com os restantes alunos da escola. Às onze horas, os alunos voltam para a sala de aula. 0 2 4 6 8 10 Habilitações académicas dos Encarregados de Educação dos alunos Pai Mãe 34 Às doze horas e quarenta e cinco minutos, as crianças preparam-se para almoçar. Depois regressam à sala de aula às catorze horas e trinta minutos onde permanecem até às dezasseis horas e quarenta e cinco minutos. A maior parte dos alunos, após este horário, têm atividades extracurriculares, como a Educação Física, as Expressões e a Religião Moral. Horário Escolar do 1.º Ciclo Horas 2.ª Feira 3.ª Feira 4.ª Feira 5.ª Feira 6.ª Feira 9:00h-10:30h Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva 10:30h-11:00h Intervalo da manhã 11:00h-11:45h Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva AEC Expressões 12:45h-14:30h Almoço 14:30h-15:45h Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva Atividade Letiva 15:45h-16:30h Intervalo da tarde 16:30h-17:30h AEC: AFD AEC: EA/Moral AEC: Expressões AEC: AFD Atividade Letiva Tabela 3Horário Escolar dos alunos do 1.º ano do 1.º Ciclo 4.2.2. Caraterização dos alunos do 2.º Ciclo A intervenção foi realizada a duas turmas do 5.º ano de escolaridade nas disciplinas de Português e História e Geografia de Portugal. O processo da implementação do projeto de 35 intervenção pedagógica supervisionada foi elaborado e executado apenas a uma dessas turmas na área do Português. A turma é constituída por vinte e um alunos, sendo doze do sexo feminino e nove do sexo masculino e têm a mesma faixa etária, rondando em média os 11 anos. Durante a observação foi possível constatar que a turma é bastante heterogénea, mostrando diferentes graus de conhecimento. As classificações da turma eram satisfatórias, mas ainda assim, existiam diversos alunos referenciados para apoio na disciplina de Português. Este apoio mostrou desde cedo a sua eficácia, pois os alunos estavam a conseguir melhorar as suas notas e nas aulas mostravam-se mais atentos e mais participativos. Até á data existem dois alunos com um acompanhamento mais específico em sala, necessitando de uma docente de NEE presencial uma vez por semana, para acompanhar e auxiliar nos trabalhos realizados. Os alunos vivem todos na mesma freguesia o que demonstra que já se conheciam no passado tornando o processo de conhecimento e de acolhimento à escola mais facilitador. Muitas das crianças frequentavam a mesma turma no quarto ano do primeiro ciclo do Ensino Básico ajudando na transição e integração a uma nova escola, acolhendo os desafios e as mudanças de forma inclusiva e simplificada. A maior parte dos alunos provêm de famílias pouco numerosas e numa situação socioeconómica bastante favorecida. A maioria dos Encarregados de Educação detinham o 12.º ano de escolaridade ou Licenciatura. Este fator ajuda na integração dos encarregados na vida escolar dos alunos. Não só se mostravam bastante interessados como detinham conhecimento e meios para ajudar os alunos nos trabalhos para casa. É de salientar que, muitos alunos frequentavam o centro de estudos, pois os seus responsáveis trabalhavam até tarde e não poderiam ajudar nas tarefas escolares. A comunicação entre a docente, os Encarregados de Educação e a Diretora de Turma era bastante dinâmica. Para um maior sucesso nesta relação utilizavam constantemente o WhatsApp e o e-mail. Os responsáveis pelas crianças preocupavam-se sempre em acompanhar o trajeto escolar dos alunos, mostrando-se presentes, esforçados e dedicados a compreender e a seguir o quotidiano dos mesmos. 36 4.2.2.1. Horário Escolar As aulas começavam às oito e cinco da manhã, com períodos de aulas de noventa minutos cada. Os intervalos tinham uma duração de dez minutos e eram realizados em tempos diferentes dos restantes anos escolares, devido à atual situação pandémica. O período da manhã terminava as doze e cinquenta e cinco minutos e os alunos saiam para almoçar. Existia apenas um dia que os alunos tinham de regressar à escola de tarde, tendo aula das quinze e trinta e cinco até as dezassete e cinco. A intervenção realizada foi apenas às terças, quintas e sextas ocupando apenas o horário de Português e História e Geografia de Portugal. Horário Terça-feira Quinta-feira Sexta-feira 8:05 9:35 Português 9:45 11:15 Português Português/ História e Geografia de Portugal 11:25 12:55 História e Geografia de Portugal Tabela 4Horário Escolar do 5.º ano do 2.º Ciclo das disciplinas de Português e História e Geografia de Portugal 37 Capítulo VDesenvolvimento e Avaliação da Intervenção Pedagógica Neste capítulo serão apresentados os desenvolvimentos da intervenção pedagógica realizados no 1.º ano do 1.º ciclo do Ensino Básico e no 5.º ano do 2.º ciclo do Ensino Básico. Tal como foi referido anteriormente, estes desenvolvimentos foram implementados em duas escolas na cidade de Braga, onde a Educação Literária e os livros clássicos são o foco deste estudo. Desta forma, foram realizadas atividades referentes ao livro clássico infantojuvenil O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry. Ao longo deste projeto foi possível observar e redigir (através de fotografias, notas de campo, questionários e trabalhos realizados pelos alunos) as emoções e os comportamentos das crianças. Este levantamento de dados e de informação ajudou a perceber os benefícios que o estudo dos livros clássicos e os livros associados ao Plano Nacional de Leitura contribuem para a aprendizagem dos alunos. Primeiramente, será explicado a diferença entre as três edições do livro e uma edição de filme, utilizadas nos dois contextos escolares. De seguida, é apresentado um esquema detalhado pelas fases das atividades realizadas com os alunos. Depois, segue-se uma descrição global do que foi idealizado e concretizado na sala de aula. Por fim, serão demonstrados os resultados patentes através da implementação das atividades em causa. Esta intervenção foi concretizada através de diversas fases que se encontram expostas na tabela abaixo: Tabela 5Fases do projeto de intervenção pedagógica supervisionada Meses Atividades Outubro a janeiro Observação no contexto do 1.º ciclo do Ensino Básico Outubro a novembro Desenho e planificação das atividades do 1.º Ciclo do Ensino Básico Dezembro Intervenção pedagógica do 1.º Ciclo do Ensino Básico Janeiro Reflexão das atividades no 1.º Ciclo do Ensino Básico Fevereiro a junho Observação no contexto do 2.º ciclo do Ensino Básico Março a abril Desenho e planificação das atividades do 2.º Ciclo do Ensino Básico Maio a junho Intervenção pedagógica do 2.º Ciclo do Ensino Básico Julho Reflexão das atividades do 2.º Ciclo do Ensino Básico Setembro a outubro Revisão final do relatório de Estágio 38 5.1. O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry Esta obra brilhante, de Antoine de Saint-Exupéry, que nos emociona e tem a agilidade de se alterar a cada leitura que fazemos, está indicada no Plano Nacional de Leitura para crianças dos 9 aos 11 anos. A verdade é que este livro é passível de ser lido por todas as idades, sem nunca cair em desuso, capaz de passar de geração em geração. Figura 4Capa do livro O Principezinho , de Antoine de SaintExupéry No começo do livro, observa-se uma criança que não era entendida pelos adultos. No desenrolar da história, acabamos por perceber que esta criança é a personagem principal do livro, mas também o próprio narrador. Mesmo em adulto, as pessoas não compreendiam as suas questões ou os seus desejos. Então ele resolveu fingir ser igual a todos os outros adultos e tornouse um aviador. Um dia, o seu avião despenhou-se no deserto Saara e encontrou um menino, chamado Principezinho, que lhe pede que desenhe uma ovelha numa folha de papel. O Principezinho começa por contar todas as suas viagens e aventuras que o fez até chegar ao deserto. Nesta introspetiva, o Principezinho dá conta que sente saudades da Rosa que deixou no seu asteroide e que todos os planetas que visitou tinham adultos e estes são muito difíceis de se entender. O aviador, ouvindo as histórias daquela criança, acaba por perceber que à medida que o tempo passa, nós esquecemos do que realmente é importante e, quando crescemos, deixamos de dar valor às pequenas coisas da vida. Esta obra deve ser lida pelas crianças, mas também pelos adultos, transforma a nossa essência e o nosso propósito de vida. É muito mais que uma história de amizade ou de companheirismo. É, a nosso ver, uma obra com uma carga afetiva notória que coloca o leitor 39 numa posição de reflexão acerca de vida, de exemplos de valores e de questionamentos de situações vividas. No primeiro ano do 1.º ciclo do Ensino Básico existiu a necessidade de utilizar uma edição diferente do livro original, adequada à idade dos alunos. Esta escolha foi muito importante, porque as crianças já se sentiam familiarizadas com livros infantis e, desta forma, quando foi apresentado este livro, foi demonstrado um interesse imediato a esta versão. O livro tem vinte e quatro páginas e é construído com diversas ilustrações e gravuras originais do autor e pouco texto. Podemos observar que esta adaptação (Saint-Exupéry, 2017) utiliza imagens em concordância com o texto, tornando-se de fácil compreensão ao que está escrito, podendo a criança perceber a história sem precisar de a ler. Utiliza uma linguagem clara e precisa, sendo de fácil entendimento, transformando-se ideal para o público-alvo da obra. O livro tem uma capa almofadada, difícil de estragar e própria para as crianças. Para Faria (2004), “as ilustrações nos textos infantis têm uma função bastante importante. A ilustração conta com importantes elementos descritivos que, se fossem explicitados integralmente no texto escrito, o tornariam longo e pesado – e mesmo ilegível. Assim, o aspecto descritivo da cena ilustrada pode comportar um grande número de detalhes, apreendidos pela leitura circular da imagem e sua assimilação instintiva, “imediata e sem problemas”. Ao mesmo tempo, a ilustração apresenta detalhes da ação, que também poderiam sobrecarregar o texto escrito (…) desta forma as funções da imagem no livro ilustrado seriam a de criar/sugerir/complementar o espaço quanto à descrição e marcar os momentoschave da ação na narrativa.” (p. 31). Figuras 5 e 6Livro O Principezinho para Crianças , de Antoine de Saint-Exupéry (2017) 40 Nos dois contextos, para auxiliar no momento da pré-leitura foi usado o livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016), que ajudou a entender e a deduzir o desenrolar da história. Existiu uma necessidade de apresentar uma versão Pop-Up, uma vez que é um livro bastante lúdico e dinâmico, mas também para salientar que o mesmo pode ter imensas versões que eles desconheciam até à data. Figuras 7 e 8Livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up , de Antoine de Saint Exupéry (2016) O DVD (Osborne, 2016) também foi um recurso utilizado nos dois contextos. O filme retrata uma menina que vivia um pouco da realidade das crianças hoje em dia. Ela vivia com a mãe que passava o dia todo a trabalhar e queria que a menina fosse para uma escola de elite, obrigando-a a estudar todos os dias e a tornar-se um mini adulto com muitas responsabilidades. Um dia, ela estava a estudar e algo entrou pela sua janela. Quando viu, era um avião de papel feito com uma página de um livro rasgado, enviado pelo seu vizinho do lado. A menina começa a ler e a interessar-se pela história. O vizinho era um idoso que outrora foi um aviador. Quando os dois começaram a conviver o velhinho acaba por contar as histórias das suas viagens e como conheceu num deserto um menino loiro chamado Principezinho. A partir deste momento, existe um desenrolar de toda a história do livro original e uma fabulosa relação de amizade que transformará para sempre a vida da menina. É importante salientar que existe uma parte do filme que retrata o futuro das personagens, demonstrando o valor e a essência de não esquecermos de quando fomos crianças. 47 No quadro que se segue, é demonstrada a questão que coloquei aos alunos, bem como as suas respostas: Questão Respostas “Quais são as diferenças que encontram entre o livro O Principezinho para Crianças e O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up ?” “O Pop-Up é muito mais engraçado”; “A capa do primeiro livro era almofadada”; “No primeiro as imagens não se mexiam e neste mexem-se; “As imagens são as mesmas, mas no Pop-Up elas são maiores”; “Tem mais texto no Pop-Up”; “As folhas dos dois livros são grossas”; “O primeiro livro que a professora mostrou tem mais cor”; “Os livros são diferentes no tamanho também”. Tabela 9Tabela da questão relacionada com o livro O Principezinho - O Grande Livro PopUp (Saint-Exupéry, 2016) Num primeiro contato com um livro é crucial a criança ter uma ligação e uma interação com diferentes tipos de obras. O livro Pop-Up é uma das melhores ferramentas para fomentar o gosto pela leitura e para cativar a atenção e o imaginário dos alunos. A criança tem a oportunidade de ler a história, mas também ter um contato com a ação física e sensorial da mesma. Esta atividade proporcionou aos alunos uma forma diferente de ler um livro ou de estar em contato com o mesmo. Desta forma, é possível que a criança olhe para este objeto como um amigo que faz parte do seu quotidiano. Segundo Maria Elisa Sousa (2007), “A criança que se habitua a ver no livro um companheiro que faz parte do seu mundo diário, como os jogos, os brinquedos que vai manipulando e descobrindo progressivamente, aprenderá a tratá-lo como um amigo, a quem se dedica afeto, com quem se vivem cumplicidades, com quem se aprende a tolerância e a diversidade.” (p. 66). Figuras 12 e 13Fotografias da pintura e recorte das personagens do livro O Principezinho 48 Para finalizar a exploração dos elementos paratextuais foram fornecidas, a cada aluno, a fotocópias com as personagens do livro O Principezinho para Crianças (Saint-Exupéry, 2017) para que estes as pintassem e recortassem, articulando a atividade com as artes visuais. Nesta fase os discentes continuaram a ter contato direto com o livro, reconhecendo as personagens que já tinham observado no Pop-Up. Esta atividade foi bastante importante, pois conseguiram ter uma perceção prematura das personagens que iriam encontrar na história e poderiam imaginar o seu enquadramento. É de destacar que, nesta intervenção, os alunos estão a dar os primeiros passos na leitura e na escrita e, desta forma, foi necessário recorrer à observação e ao desenho para a retenção de informação. Segundo Analice Dutra Pillar (2005), “É muito importante que o professor passe a valorizar o desenho infantil, pois ele tem uma ligação direta com o processo de desenvolvimento da criança, e consequentemente, com o processo de alfabetização. O desenho é importante porque ele tem ligação direta com a escrita, principalmente nas primeiras fases." Na atividade seguinte, foi o momento de visualizar o filme (Osborne, 2016). Tal como foi referido anteriormente, este é uma adaptação da obra clássica O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry, que teve como finalidade despertar a atenção dos discentes à leitura do livro de uma forma lúdica, conseguindo ter um termo de comparação entre ambos. Por causa da sua longa duração, foi preferível dividi-lo em três partes, para que o foco e o interesse dos alunos não fossem descontinuados. Depois da visualização da primeira parte do filme, os discentes foram questionados sobre o que observaram e o que poderá acontecer na segunda parte. Na tabela apresentada a seguir, podemos verificar as respostas dadas por alguns alunos: Questões Respostas “O que acharam da primeira parte do filme ?” “Eu gostei muito”; “Achei muito divertido”; “Gostava de poder ver mais”; (…). “Depois do que observaram, o que acham “Vai aparecer o Principezinho”; “A menina vai ficar amiga do idoso”; “A menina vai poder brincar”; “A menina vai ter menos 49 que vai acontecer na segunda parte do filme?” trabalhos para fazer”; “O velhinho vai ajudar a menina a fazer os trabalhos de casa”; “O velhinho vai apresentar o Principezinho à menina”; (…). Tabela 10Tabela das questões relacionadas com a 1.ª parte do filme Como podemos observar na tabela, os alunos gostaram muito do filme. Quando terminou a primeira parte, eles queriam continuar a ver e ficaram muito curiosos sobre o que se iria passar na segunda parte. Sem dúvida que recorrer a esta ferramenta foi essencial para despertar a curiosidade e cativar a atenção para o livro que iriamos ler na próxima sessão. Segundo Alves (2006), “O filme como obra de arte é uma instância de totalização concreta capaz de abrir espaços de reflexão e campos de mediação reflexiva para o sujeito receptor, a partir de determinados eixos temáticos e problematizações sugeridas pela obra. Na verdade, cabe ao sujeito receptor apreender (e se apropriar, no sentido conceitual e não apenas existencial) das temáticas significativas do filme. O que significa que o filme não é apenas um texto a ser lido, sendo, portanto, objeto de intervenção hermenêutica, mas um pré-texto para desenvolver novas formas de experiências de conhecimento e de autoconhecimento de uma experiência critica individual-coletiva.” (p. 294). Reflexão da 1ª sessão Todas as questões levantadas na primeira sessão foram efetuadas em grande grupo, dando a oportunidade de toda a turma participar e se enquadrar no tema a estudar. Estas perguntas foram cruciais para um melhor entendimento da obra. Para além da competência oral, também foi desenvolvida a criatividade e a originalidade, levando os alunos a fazer inferências do livro que ainda não tinha sido explorado. A utilização do livro em versão Pop-Up foi importante para os cativar através das ilustrações, mas também para terem uma perceção da ação da história e o que poderá conter na mesma. 50 A pintura e recorte das personagens foi fundamental para os alunos obterem uma memória visual das personagens que vão encontrar na história, levando ao questionamento da sua ação, inferindo sobre como são e o seu lugar na obra. Por sua vez, a visualização da primeira parte do filme enriqueceu as primeiras impressões para a leitura do livro, mostrando-se um material mais interativo e mais lúdico. Como já foi referido anteriormente, todas as atividades foram bem recebidas pelos discentes. Todos os alunos participaram com qualidade e mostraram todos os seus conhecimentos prévios que ajudaram na elaboração das atividades da leitura e da pós-leitura. Senti que, de todas as atividades realizadas, mostraram-se mais entusiasmados e mais interessados com filme. O enquadramento do filme perante o livro é uma mais-valia para que os alunos entendam melhor a história e revejam as diferenças entre um e outro. Esta capacidade ajuda no desenvolvimento das aprendizagens e no conhecimento mais aprofundado da obra. Por fim, é de salientar que, para além de ativar os conhecimentos prévios sobre o tema, também foi possível mobilizar conhecimentos e cativar a atenção para a leitura da obra; mobilizar os conhecimentos sobre a estrutura do livro (capa, contracapa, …); observar a atenção dada pelos alunos sobre as atividades propostas; recorrer a ilustrações para antecipar o tema; identificar tema(s), ideias principais e pontos de vista; reconhecer o autor e ilustrador da obra; inferir sobre o conteúdo do livro; e desenvolver a oralidade e a criatividade dos alunos. 5.3.1.2. Descrição da fase de leitura 2ª sessão Na segunda sessão foram realizadas três atividades que ajudaram na compreensão da obra O Principezinho para Crianças, de Antoine de Saint-Exupéry (2017), desenvolvendo o gosto pela leitura. A primeira atividade consistiu na leitura do livro na sala de aula. Para ser mais dinâmico, foi colocado um cordel à volta do quadro como se fosse um “estendal de roupa”. Com diversas molas, foram colocadas as personagens que previamente os alunos pintaram e recortaram. É de 51 salientar que, o uso deste material demonstrou aos discentes a utilidade e importância do seu trabalho deixando-os felizes e orgulhosos. À medida que, foi contada a história, as personagens iam sendo retiradas do “estendal”. Desta forma, mostraram-se bastante empenhados e interessados com tudo que estava a ser apresentado, pois nunca tinham presenciado uma forma tão lúdica de ler e interpretar um livro. Segundo Ana Mateus, et. al. (s/d): “Para que os objetivos sejam alcançados ao contar uma história, o contador precisa considerar alguns pontos importantes: a) as histórias podem ser lidas ou contadas; o contador deve levar vida às histórias, preocupando-se com a entonação de voz e a postura do corpo; b) sensibilidade ao multiculturalismo para escrever e contar as histórias; c) considerar as diversas possibilidades de frases para começar e terminar um conto; d) utilizar acessórios e utensílios como, por exemplo, fantoches é um excelente recurso para o ouvinte e para o contador lembrar a sequência da história, mas é preciso que seja simples, porém atrativo, principalmente para aguçar a curiosidade de crianças menores; e) preparar o ambiente, considerar as idades, falar com clareza, começar e finalizar as histórias; direcionar uma por dia é fundamental para uma boa contação; f) é essencial que, ao final, seja feita uma avaliação de todo o processo.” (p. 65) Figuras 14, 15 e 16Fotografias da leitura do livro O Principezinho para Crianças (Saint-Exupéry, 2017) Na segunda atividade os alunos realizaram um jogo de tabuleiro digital que permitiu desenvolver o (re)conto da história. Este jogo foi projetado no quadro interativo e realizou-se da seguinte forma: 52 1. O jogo tem cinco espaços em branco e, depois de cada espaço branco, tem uma imagem que corresponde a uma passagem do livro; 2. Cada espaço em branco corresponde a uma pergunta; 3. Cada pergunta vale tantos espaços em branco quanto a sua dificuldade (vale entre um a três espaços); 4. Todos os alunos que souberem a resposta às questões devem levantar o braço e responder na sua vez; 5. Cada aluno que responde coloca a sua inicial no respetivo espaço em branco no quadro interativo; 6. Quando o aluno chegar à imagem, deve recontar a parte da história de acordo com aquilo que está a visualizar. Nas imagens do abaixo, podemos observar parte da atividade: Figuras 17, 18 e 19Fotografias da implementação do jogo de tabuleiro A atividade três consistiu na visualização da segunda parte do filme O Principezinho , de Mark Osborne (2016). Os alunos foram questionados sobre o que observaram no filme e a realizar inferências sobre o que poderá acontecer na terceira e última parte do mesmo: Questões Respostas “O que acharam da segunda parte do filme ?” “Eu acho que o filme tem mais personagens do que o livro”; “Eu estou a adorar o filme”; “Eu não estou a entender o que se passa com o velhinho”; “Não percebo quando o Principezinho vai entrar na história”; (…). 53 “Depois do que observaram, o que acham que vai acontecer no final?” “O Principezinho vai aparecer no filme”; “A menina vai viajar”; “O velhinho vai com a menina no seu avião”; “A raposa também vai com eles”; “A menina vai conhecer o Principezinho pessoalmente”; “A menina vai para casa terminar os trabalhos de casa”; “A menina vai ficar junto da sua mãe e não vai ver mais o velhinho”; (…). Tabela 11Tabela das questões relacionadas com a 2ª parte do filme Figura 20Fotografia do filme O Principezinho (Osborne, 2016) Através desta tabela, podemos observar que, existem diversas dúvidas, mas ao mesmo tempo os alunos começaram a reparar em certos detalhes importantes, como as personagens que aparecem no livro e no filme. Sendo uma adaptação, com pouco texto, O Principezinho para Crianças (Saint-Exupéry, 2017), tem menos personagens que o livro original. Por conseguinte, no próprio filme, podemos observar a menina e a mãe que não aparecem no livro. Foi curioso, e ao mesmo tempo gratificante, observar estes pormenores sentidos pelos alunos. Como na primeira sessão, os discentes queriam continuar a ver o filme e ficaram bastante tristes, quando perceberam que tinham de ir para o intervalo. Reflexão da 2ª sessão Como podemos observar, a segunda sessão foi bastante produtiva e o tempo mostrou-se escasso. Felizmente, foi possível terminar todas as atividades previstas a tempo e os alunos ficaram muito motivados e entusiasmados com a aula. Os objetivos inicialmente delineados foram cumpridos, conseguindo cativar a atenção para a leitura da obra, mas também desenvolver a oralidade; desenvolver a criatividade e imaginação; cultivar valores; mobilizar conhecimentos da obra; (re)contar histórias; inferir sobre o futuro de 54 uma personagem; encontrar semelhanças e diferenças entre o livro e o filme; e inferir sobre o que poderá acontecer no filme, tendo como base a leitura do livro. A leitura do livro foi realizada por mim em voz alta, de modo a compreenderem e a interpretarem o texto através da audição. Este procedimento foi efetuado três vezes. Os discentes gostaram muito deste momento e sentiram-se orgulhosos por fazerem parte da atividade, através dos seus trabalhos expostos. Apesar de, não conhecerem todas as letras do abecedário, o seu contributo foi muito importante. O jogo de tabuleiro digital também foi muito interessante. Os alunos conseguiram participar com qualidade e empenho, adquirindo aprendizagens significativas e conhecimentos mais aprofundados da obra. É importante referir que as questões foram construídas de forma gradual, ou seja, primeiro eram mais simples e gradualmente foram-se tornando mais complexas. Os alunos mostraram-se animados e incentivados a responder a todas as perguntas, pois queriam que o seu nome estivesse no quadro. É possível observar que os discentes possuíam vastas capacidades de memorização e de conhecimento, pois respondiam às questões acertadamente e, por vezes, ainda recontavam a história toda. Segundo Jolibert (2003), citado por Soares (2013), “Quem ouve histórias desenvolve a capacidade de entender e imaginar, enriquecendo a sua leitura do mundo. Criam-se condições para que quem ouve amplie o seu mundo simbólico e desenvolva a consciência das suas emoções, vivenciando o conto como fazendo parte dele.” (p. 18). Na segunda parte do filme, reparei que os discentes estavam mais inseguros e com bastantes questões sobre o futuro das personagens. Através das respostas às questões colocadas, os alunos perceberam-se que as personagens que se encontram no filme, não são as mesmas que podemos observar no livro, demonstrando mais interesse e curiosidade na atividade. Apesar da dificuldade em executar alguns exercícios, existiu um envolvimento enorme por parte das crianças, onde a sua participação e motivação foi crucial para o sucesso das atividades. Por fim, é importante referir que, mais uma vez o filme teve um lugar de destaque na sessão, apesar de, ter sentido mais entusiasmo no jogo de tabuleiro por parte dos alunos. 3ª sessão Nesta sessão foram realizadas duas atividades. Uma está ligada à fase de leitura da obra e outra está ligada à fase de pós-leitura. 55 A primeira atividade foi a roda de leitura no exterior da sala. Primeiramente, foi pedido aos alunos que levassem um livro para casa, anteriormente escolhido na biblioteca da escola. Escolhi estes livros de acordo com os valores, as atitudes e os comportamentos que temos trabalhado, ou seja, o amor, a amizade, a tolerância e o respeito. Os Encarregados de Educação leram os livros com as crianças em casa. Posteriormente na escola, os discentes colocaram-se em roda e a criança que partilhava a história ficava no centro. Todos os alunos recontaram a história e partilharam qual a parte que mais gostaram e qual a parte que menos gostaram. No final, todos davam a sua opinião sobre a apresentação do colega. Segundo Emília Ferreiro (2012), “Há crianças que adentram o mundo da linguagem escrita através da magia da leitura enquanto outras penetram através do treino de habilidades básicas. Na maioria das vezes os primeiros transformam-se em leitores, enquanto as outras costumam ter um destino incerto.” (p. 67) Figura 21Fotografia da implementação da roda de leitura 5.3.1.3. Descrição da fase de pós-leitura 3ª sessão Tal como foi referido anteriormente, na terceira sessão foi realizada uma atividade de pós-leitura. Nesta fase, foram realizadas atividades que ajudaram a inferir e a assimilar tudo aquilo que foi dado anteriormente, de forma a adquirir aprendizagens significativas acerca da obra. 56 Primeiramente, foram levantadas questões que ajudaram a rever o conhecimento retido pelos alunos. Esta tabela demonstra as respostas dadas pelos discentes: Questões Respostas “As tuas ideias iniciais corresponderam à história?” “Algumas sim”; “Nem tudo foi como eu pensei, mas gostei muito do livro”; “O final não era como eu pensava”; “No início até foi como eu pensei, mas depois a história mudou”; (…). “Se fosses o Principezinho o que farias de diferente?” “Eu nunca teria saído do meu asteroide”; “Eu teria ficado mais tempo nos outros planetas”; “O Principezinho devia ter ficado com a raposa que sempre foi sua amiga”; (…). Tabela 12Tabela de questões relacionadas com o livro O Principezinho para Crianças Face ao exposto, podemos observar que as ideias iniciais não corresponderam na sua totalidade à história retratada no livro. Contudo, as crianças adquiriram as aprendizagens estipuladas no início do projeto. Depois, foi distribuída uma ficha de trabalho com um asteroide desenhado, onde os discentes imaginaram como seria se vivessem num asteroide igual ao do Principezinho. Desta forma, os alunos desenharam e pintaram livremente sobre como gostariam que fosse o seu asteroide, incentivando à criatividade e à imaginação de cada um, articulando com as artes visuais. Segundo Moreira (1984), O desenho é uma linguagem para a criança, que comunica e regista a sua fala, esta desenha também para escrever, “O desenho é a sua primeira escrita” (p. 20). Figuras 22, 23 e 24Exemplo dos trabalhos realizados pelos alunos 63 Gráfico 2Análise à questão das preferências de lazer ou entretenimento Esta questão introdutória ao tema serve principalmente quais as preferências dos Encarregados de Educação em relação aos seus tempos livre. Apesar da maior parte gostar de ver televisão ou passear, também existem bastantes que têm o livro como a principal preferência, mostrando assim hábitos de leitura existentes no contexto familiar. Na segunda questão a maioria respondeu que gosta de ler, mas confrontados com a terceira questão admitem que não costumam ler por preferirem outras atividades ou por falta de tempo: Gráficos 3, 4, 5 e 6Análise às questões sobre o hábito e gosto pela leitura 0 5 10 15 20 Preferências de lazer ou entretenimento 0 5 10 15 20 Sim Não Costuma Ler? 0 5 10 15 20 Por gosto Por dever escolar/laboral Por informação Se sim, porque o faz? 0 0,5 1 1,5 2 2,5 Prefiro outras atividades Falta de tempo Se não, por que razão não o faz? 0 5 10 15 20 Sim Não Gosta de ler? 64 Estas respostas mostraram que, apesar de muitos familiares gostarem de ler, também existe uma pequena percentagem que não o faz, por falta de tempo ou por preferir outras atividades. O fato demonstra que realmente esta é uma pequena minoria, mas mesmo assim relevante para o estudo em causa. Na quarta questão, os Encarregados de Educação acham que ler é um meio de valorização pessoal, um prazer e um passatempo: Gráfico 7Análise à questão do que significa ler Da quinta resposta à sétima resposta podemos constatar que a maioria demonstrou que costuma ler jornais e revistas bem como costuma comprar livros de forma regular. A escolha dos livros é realizada através do autor, pelo título ou pelo tema. 0 2 4 6 8 10 12 Uma obrigação Um meio de valorização pessoal Um prazer Um passatempo Para si, ler é…? 0 5 10 15 Sim Não Costuma ler jornais ou revistas? 0 5 10 15 Sim Não Costuma comprar livros para si? 0 1 2 3 4 Trimestralmente Poucas vezes 2 vezes ao ano 1 vez por ano Com bastante frequência Raro Com que frequência? 65 Gráficos 8, 9, 10 e 11Análise das questões vocacionadas à compra ou leitura de livros por parte dos Encarregados de Educação Estas questões finais vocacionadas apenas aos Encarregados de Educação e aos seus hábitos de leitura mostraram que existe um grande interesse em adquirir novos livros e estar constantemente informado e aberto a novas leituras. A maioria valoriza e demonstra uma relevância notável em adquirir conhecimento através deste momento prazeroso. De seguida são mostrados os resultados do inquérito relacionado com os hábitos de leitura das crianças. É importante perceber a ligação e a interação que os alunos têm com os livros, de modo que seja possível corrigir e responder a futuros obstáctulos de forma simplificada. Abaixo serão apresentados os resultados relacionados às questões do inquérito vocacionados aos alunos: 0 5 10 15 20 Sim Não Costuma comprar livros para o/a seu/sua filho/a? 0 2 4 6 8 10 Ás vezes Bimensalmente Quando algo me agrada 1 vez por mês Com que frequência? 0 2 4 6 8 Desde que nasceu? 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos Desde que idade? 0 2 4 6 8 10 12 Pelo autor Pelo título Pela capa Pela ilustração Pelo tema Pela sinopse Como escolhe o livro que lê? 66 Gráficos 12, 13, 14, 15 e 16Análise das questões vocacionadas aos educandos Nas primeiras questões direcionadas para os alunos, podemos observar que, os familiares preocupam-se me manter uma ligação e um contato físico com os livros. A maioria dos Encarregados de Educação compram e leem regularmente livros para os alunos desde tenra idade. Também é visível que a biblioteca de casa é de fácil acesso e tem muitas opções para as crianças escolherem e se deliciarem com novas histórias. Gráficos 17, 18 e 19Análise das questões sobre se os alunos costumam visitar bibliotecas ou livrarias Através destas importantes questões, podemos constatar que os familiares são os verdadeiros impulsionadores na descoberta da leitura com as crianças. Se os Encarregados de 0 5 10 15 Sim Não Costuma visitar livrarias ou bibliotecas com o/a seu/sua filho/a? 0 1 2 3 4 5 6 Fnac Bertrand Livraria da cidade Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva Quais? 0 5 10 15 20 Sim Não Os livros estão num local visível e acessível às crianças? 0 5 10 15 20 Sim Não Lê livros ao seu filho? 0 0,5 1 1,5 Falta de tempo Não é o hobbie preferido Compro online Se respondeu que não, porquê? 67 Educação não se sentirem motivados ou interessados nesta atividade, não irão incutir esta ideologia e os alunos não estabelecerão a ligação nem se sentirão atraídos pelas histórias e pelo imaginário. Alguns encarregados veem como é importante a simples ida até a uma biblioteca ou até mesmo a uma livraria, mostrando pontos de interesse da cidade. A visitação a estes locais não se resume apenas a comprar ou requisitar livros. Existem inúmeras atividades para os mais novos onde poderão fazer com que o seu interesse aumente e a sua busca ao conhecimento esteja mais aprofundada. 0 5 10 15 Todos os dias De 15 em 15 dias Uma vez por semana Uma vez por mês Raramente Nunca Com que frequência contam histórias ao/à seu/sua filho/filha a partir de um livro? 0 1 2 3 4 5 6 Todas as histórias Varinha mágica musical Menina bonita de laço de fita Histórias de fadas e princesas Histórias de fantasia Adivinhas do panda Anita A bruxa mimi Os três porquinhos Livro dos super cães Qual é o livro preferido do/a seu/sua filho/a? 0 10 20 O capuchinho vermelho Os três porquinhos O Principezinho Cinderela O/A seu/sua filho/a conhece os seguintes clássicos da literatura infantil e juvenil? Sim Não 68 Gráficos 20, 21, 22 e 23Análise das questões vocacionadas aos hábitos de leitura dos alunos Através desta análise foi possível entender melhor a relação que os alunos tinham com os livros. Apesar de não saberem ler nem escrever, eles já conheciam muitas histórias e tinham a capacidade de recontá-las. O livro, a ser estudado, era bastante familiar, pois todas as casas tinham um exemplar. Muitos dos alunos não conheciam a história ou o nome, mas quando tiveram contato com o livro presencial perceberam que já tinham visto em algum lado aquela capa. É notório que a maioria dos familiares liam para as crianças, pelo menos uma vez por semana, preocupando-se com esta vertente pedagógica e aliciando os alunos a manusear e adquirir conhecimento através desta ferramenta. Sabendo que todos os alunos desta turma viviam com os seus pais e irmãos, pode-se observar que existe também uma interação dos avós no que concerne ao momento da leitura, tornando-os também responsáveis por este processo educativo em contexto familiar. Neste inquérito, foi possível observar e formular todas as atividades pensadas, bem como a escolha do livro. No final, pode-se constatar que os alunos já detinham hábitos de leitura frequentes, conseguidos através do contexto familiar em que se inseriam, mas também do contexto escolar. Esta prática é bastante significativa e relevante no que concerne a criação de cidadãos independentes com valores e práticas essenciais numa sociedade. 5.4. Desenvolvimento das atividades realizadas no 2.º Ciclo No 2.º Ciclo foram realizadas seis sessões, de noventa minutos cada. O livro trabalhado foi O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry (2001) com a finalidade de promover a Educação Literária. Tal como no 1.º Ciclo, foram implementadas atividades de pré-leitura, leitura e pósleitura, de modo a desenvolver aprendizagens significativas que auxiliem na compreensão da obra. 0 5 10 15 20 Mãe Pai Avós Irmãos Quem costuma contar/ler histórias para o/a seu/sua filho/a? 69 A primeira sessão deu lugar às atividades de pré-leitura que ajudaram na familiarização da obra. Também, visualizaram a primeira parte do filme O Principezinho de Mark Osborne (2016). Na segunda sessão existiu a passagem para o momento da leitura. Uma vez que, os alunos já conheciam e tinham lido a obra em casa, foi realizada uma ficha de trabalho envolvendo os conhecimentos adquiridos no livro. No que diz respeito à terceira intervenção, os discentes formaram uma roda dos sentimentos e visualizaram a segunda parte do filme. Transitando para as atividades de pós-leitura, na sessão seguinte os alunos elaboraram um perfil no Twitter e realizaram uma ficha de escrita criativa. Na quinta intervenção, os discentes criaram um avatar na ferramenta Voki e visualizaram a última parte do filme. Na última sessão, as crianças preencheram uma ficha de trabalho, onde compararam o filme e o livro estudado. Posteriormente, na biblioteca da escola, foi elaborada uma ficha de metacognição através da ferramenta Kahoot , com a finalidade de entender quais as atividades que mais gostaram e menos gostaram. É importante referir que, apesar das sessões se encontrarem previamente planificadas, por vezes existiu a necessidade de reformular ou ajustar algumas atividades, com a finalidade de melhorar e adequar o aproveitamento e as necessidades de todos os alunos. O material utilizado ao longo das intervenções foi constituído pelos seguintes elementos: O Principezinho (Saint-Exupéry, 2001); o livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up (SaintExupéry, 2016); a ficha de trabalho para a entrevista; objetos para a roda dos sentimentos; o quadro interativo; os marcadores; os computadores e tablets; a ficha da escrita criativa; a ficha de comparação entre o filme e o livro; as cartas de apoio para a elaboração da ficha da escrita criativa; a ferramenta Voki ; a ferramenta Kahoot ; a ferramenta Twitter ; e o DVD O Principezinho de Mark Osborne (2016). 5.4.1. Descrição e reflexão das atividades 5.4.1.1. Descrição da fase de pré-leitura 1ª sessão Numa primeira fase, para cativar os alunos à leitura do livro, foi pedido a exploração dos elementos paratextuais do livro O Principezinho de Antoine Saint-Exupéry (2001). Os alunos 70 observaram a capa, o título e as ilustrações e foram encorajados a expressar as suas ideias e a partilhar experiências com a turma: Questões Respostas “O que sugere o título do livro?” “Um homem na Lua”; “Planetas”; “Príncipe na Lua”; “Rosa Lunar”; “O homem que tenta chegar ao espaço”; “Príncipe da realeza” “Quem é o autor e ilustrador desta obra” “Antoine de Saint-Exupéry”. “O que observam na capa? E na contracapa?” “É o príncipe no espaço”; “É a casa do Principezinho”; “É o príncipe que gosta de olhar para o espaço e gosta de olhar para a lua” “Alguma vez leram ou tiveram contato com este livro?” “Sim”; “Sim, tenho esse livro em casa”; “Os meus pais têm esse livro”. “Que personagens podemos encontrar?” “Um rei”; “Um príncipe”; “Princesas”; “Extraterrestres”; “Criados”; “O povo”; “Uma rainha”; “Animais”. “Se tivessem que definir este livro como o fariam?” “Um livro que define e é para todas as idades”; “Um livro para toda a vida”; “Quem lê sente-se uma criança”; “Mesmo não lendo tudo, as pessoas sentem-se crianças”; “Às vezes faz bem ser criança para entrar no mundo da imaginação”; “Temos de aproveitar a nossa infância, porque quando somos mais velhos desejamos ser crianças”. Tabela 14Tabela das questões relacionadas com os elementos paratextuais do livro Segue-se uma demonstração da atividade realizada com os alunos: Figuras 28 e 29Fotografias relacionadas com os elementos paratextuais De seguida, foi apresentado o livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016), para despertar a curiosidade e desenvolver a imaginação. Os alunos tiveram a oportunidade 71 de manusear e observar a ação da história sem ainda não ter lido o livro, apenas através das ilustrações que se movem no Pop-Up. Nesta fase, questionou-se os alunos sobre as diferenças encontradas entre o livro original e o livro Pop-Up, a fim de partilharem as suas intuições sobre qual o conteúdo e enredo da narrativa: Questão Respostas “Qual a diferença que encontram no livro original e na versão PopUp? “Personagens movem-se e parecem com vida”; “Folhas e capa mais grossas”; “Mais vontade de ler o livro”; “As letras do texto são mais pequenas”; “O livro Pop-Up dá mais importância às imagens”; “O livro original é mais leve que o Pop-Up”; “Como podemos ver o movimento das personagens é mais cativante e dá alas à imaginação”; “As ilustrações são iguais ao livro original”. Tabela 15Tabela da questão relacionada com o livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016) Figuras 30 e 31Fotografias do manuseamento do livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up (Saint-Exupéry, 2016) e do que foi redigido no quadro Para finalizar a exploração dos elementos paratextuais foi realizado um brainstorming no quadro. Questão Respostas “Que palavra poderemos encontrar no livro?” “Lua”; “Explorador”; “Pôr-do-sol”; “Estrelas”; “Planetas”; “Vulcões”; “Plantas”; “Cuidadoso”; “Ovelhas”; “Construtor”; “Raposa”; “Criativo”; “Divertido”; “Algemar”; “Pensador”; “Asteroides”; “Corajoso”; “Simpático”; “Piloto”; “Príncipe”; “Rosa”; “Pintor”; “Imaginação”; “Adultos” e “Aventureiro”. Tabela 16Tabela da questão relacionada com as palavras que podemos encontrar no livro 72 Figura 32Fotografia das palavras que podemos encontrar no livro Depois, os alunos visualizaram a primeira parte do filme O Principezinho de Mark Osborne (2016). Foi questionado aos alunos o que observaram no filme e o que poderá acontecer a seguir. Questões Respostas “O que acharam da primeira parte do filme ?” “Adorei”; “É um bocadinho diferente do livro”; “Foi muito giro professora”; (…). “Depois do que observaram, o que acham que vai acontecer na segunda parte do filme” “A mãe da menina vai deixá-la ter amigos”; “A menina vai para a escola”; “A menina vai ficar amiga do idoso”; “O Principezinho vai-se tornar amigo da menina”; “A menina vai mudar de planeta como no Principezinho”; (…). Tabela 17Tabela das questões relacionadas a visualização da 1ª parte do filme Figura 33Fotografia da visualização do filme Reflexão da 1ª sessão Em grande grupo foram levantadas questões cruciais para um melhor entendimento da obra a estudar. Para além da competência oral, também foi desenvolvido a criatividade e originalidade, levando os alunos a fazer inferências do livro que podem ser ou não verdade. 79 permite à criança vivenciar inúmeras emoções, promovendo o seu desenvolvimento, a sua maturidade e as suas competências sociais.” (p. 67) O filme foi mais um momento lúdico e didático, mostrando sempre a sua utilidade para a ajuda na interpretação do livro. Esta sessão ajudar a cativar a atenção para a leitura da obra e do filme, mas também para inferir sobre o futuro de uma personagem; desenvolver a criatividade e imaginação; mobilizar conhecimentos do filme e do livro; encontrar semelhanças e diferenças entre o livro e o filme; inferir sobre o que poderá acontecer no filme, tendo como base a leitura do livro; exprimir sentimentos; desenvolver a oralidade; cultivar valores; comparar o livro com as demonstrações artísticas; descobrir e reconhecer sentimentos vividos. 5.4.1.3. Descrição da fase de pós-leitura 4ª sessão Nesta sessão foram realizadas duas atividades distintas, ligadas ao momento de pósleitura. Nesta fase serão implementadas atividades que demonstrem o que foi retido pelo livro, ajudando os alunos a mobilizar conhecimentos e a adquirir aprendizagens significativas. Primeiramente, os alunos dirigiram-se para a biblioteca da escola e criaram um perfil no Twitter para uma personagem do livro, dando-lhe vida numa rede social. Entreguei um folheto informativo a cada discente para que pudessem seguir passo a passo o que era pedido, juntamente com um e-mail e uma senha. Individualmente, cada um teria que pesquisar no Google ou no próprio livro, imagens ou frases que identificassem essa personagem. Tal como realizado anteriormente, as personagens foram sorteadas para que todos pudessem trabalhar de forma diferente. Figuras 45, 46, 47 e 48Fotografias da implementação da atividade do Twitter 80 Terminada a atividade do Twitter , os alunos regressaram para a sala de aula e realizaram uma ficha de escrita criativa, através de cartas ilustrativas sobre o “Principezinho”. Foi distribuído a cada aluno quatro cartas, ou seja, uma carta com uma personagem do Principezinho, uma carta com uma personagem totalmente fora do contexto do livro (Pai-Natal, Shrek, Avó, Menina, Menino, …), uma carta de um lugar (Praia, Campo, Casa, …), uma carta de uma emoção (Contente, Triste, Apaixonado, …). Cada aluno criou uma história com setenta palavras, tendo em conta as cartas que lhe foi sorteado. No final, fizeram uma ilustração alusiva ao seu texto. Figuras 49, 50 e 51Fotografias da implementação da atividade da escrita criativa Reflexão da 4ª sessão Esta sessão mostrou-se muito produtiva. Em pouco tempo, os alunos completaram duas atividades com um grau de complexidade acrescido. O Twitter foi uma atividade lúdica e original, onde os alunos mostraram-se entusiasmados e curiosos. Muitos alunos já possuíam redes sociais, mas uma minoria não. Desta forma, foi possível cativar os discentes para uma atividade diferente e fora do seu contexto habitual e ao mesmo tempo adquirir conhecimento através da imaginação e da criatividade, inferindo sobre uma personagem do livro. A ficha de escrita criativa auxiliou na originalidade de criar textos através de cartas ilustrativas. Esta metodologia foi baseada em Gianni Rodari que acreditava no lúdico para a construção de palavras ou de textos. Segundo Rodari (1982), “As crianças devem fazê-lo, [brincar com as palavras, deformá-las ] como um jogo de conteúdo muito sério, porque as ajuda a explorar as possibilidades da palavra, a dominá-la, forçando declinações até então inéditas; estimula a liberdade da 81 criança enquanto ser falante com direito à sua prosa pessoal (…); encoraja o inconformismo.” (p. 32). Na mesma linha de pensamento, Rodari (1982) refere que, “A imaginação da criança não assiste passiva, mas é solicitada a tomar uma posição, analisar e sintetizar, classificar e decidir. Não há lugar para um vazio fantasioso, já que a mente obriga-se a uma atenção complexa, chamando a fantasia para assumir as suas funções mais nobres.” (p. 120). Desta forma, os alunos imaginaram uma pequena história e ilustraram de acordo com o que escreveram. Os textos eram limitados, tendo apenas setenta palavras, pois mais tarde ele será colocado no Voki e esta ferramenta só permite setenta a oitenta palavras num máximo. É importante referir que, estes textos e estas ilustrações darão lugar a um livro que será exposto na biblioteca da escola e colocado online. Estas atividade para além de cativar a atenção para a leitura da obra, também desenvolve a escrita; desenvolve a criatividade e imaginação; mobiliza conhecimentos da obra; desenvolve novas aprendizagens; infere sobre um novo tema; tem a capacidade de construir textos relacionando ilustrações; segue as regras na construção do texto; e permite criar um livro. 5ª sessão Em seguimento à atividade implementada na última sessão, os alunos voltaram à biblioteca para criar e dar voz a um avatar através da ferramenta Voki . Os discentes desenvolveram uma personagem à sua escolha e colocaram na caixa de texto a história criada. Para auxiliar neste trabalho, foi distribuído um folheto informativo a explicar o que era pretendido na atividade, junto de um e-mail e uma senha. Figuras 52, 53, 54 e 55Fotografias da implementação da atividade do Voki 82 Terminada esta atividade, os alunos voltaram para a sala de aula e visualizaram a última parte do filme O Principezinho de Mark Osborne. Reflexão da 5ª sessão Os alunos mostraram-se muito empenhados e entusiasmados nesta sessão. Articulando com as tecnologias de informação e comunicação, a primeira atividade mostrou-se bastante pedagógica e didática. Foi possível os alunos se divertirem enquanto completam a sua personagem e passam o texto já corrigido para a plataforma. É importante referir que, esta ferramenta é completamente gratuita e pode ser utilizada em várias ocasiões para auxiliar no Português, sobretudo na criatividade e na imaginação do aluno. O filme mostrou mais uma vez a sua utilidade. Os alunos estavam muito concentrados e curiosos de como seria esta parte final. Penso que, de todas as atividades implementadas o filme, mais uma vez, esteve em destaque. A sessão serviu para desenvolver a escrita e a oralidade, mas também utilizar as tecnologias de informação e comunicação; desenvolver a criatividade e imaginação; desenvolver novas aprendizagens; cativar a atenção para a leitura da obra e do filme; mobilizar conhecimentos do filme e do livro; mobilizar conhecimentos sobre a amizade e o amor ao próximo; e trabalhar as emoções e os sentimentos. 6ª sessão Na última sessão os alunos realizaram duas atividades. Primeiro, trabalharam e preencheram uma ficha de comparação entre o livro e o filme. Na tabela abaixo, podemos observar um exemplo de uma ficha elaborada por um dos alunos: Questões Respostas “Dá a tua opinião sobre o que observaste e compreendeste sobre o filme O Principezinho de Mark Osborne?” “Na minha opinião, eu acho que o filme tem muita ação e diversão e eu gosto muito disso. O que eu observei foi que nós temos de ser amigos do amigo e temos de nos ajudar 83 uns aos outros, porque quando precisamos deles eles ajudam-nos.” “Qual foi a tua parte preferida do filme? Justifica” “Eu gostei do filme todo, porque eu acho que o filme tem muita ação e diversão, mas a melhor parte de todas é o final.” “Qual foi a parte que menos gostaste do filme? Justifica” “A parte que menos gostei foi quando a mãe da menina colocou as páginas da história no lixo.” “Dá a tua opinião sobre o livro O Principezinho de Antoine de SaintExupéry.” “Na minha opinião, eu acho que o livro também é divertido e com ação. “Qual foi a passagem do livro que mais gostaste? Justifica.” “Foi quando o Principezinho volta para a Rosa. Achei essa parte muito fofa, porque dá para ver os amigos de verdade que nós temos.” “Qual foi a passagem do livro que menos gostaste? Justifica.” “A passagem do livro que menos gostei do livro foi quando apareceram os embondeiros.” “Na tua opinião, o que é que o livro e o filme têm em comum? Justifica dando no mínimo cinco exemplos.” “Na minha opinião, eu acho que são os embondeiros e as personagens”. “Na tua opinião, o que é que o livro e o filme não têm em comum? Justifica dando no mínimo cinco exemplos.” “Na minha opinião, eu acho que a sofia não tem em comum com o livro. Também no filme aparece o aviador como velho. Tem o Principezinho que já é adulto e já trabalha. O velho aviador já tem casa. Quando a menina vai para o hospital.” 84 “O filme ajudou-te a compreender melhor o conteúdo da história O Principezinho ? Justifica.” “Sim, porque como nós lemos, imaginámos e quando vemos é mais realista e divertido.” “O que aprendeste com a leitura do livro e a visualização do filme O Principezinho ?” “O que eu aprendi com a leitura do livro foi que temos de ser amigos do amigo e temos de nos ajudar uns aos outros também. Aprendi a dar valor à amizade.” “Identificas-te com alguma parte do livro ou do filme? Justifica.” “Sim, identifiquei-me pelo filme, porque eu sinto-me como se fosse a Sofia, porque há lá uma menina na minha zona que não tem possibilidades e eu dou-lhe roupas todas as semanas e ela fica tão feliz.” Tabela 21Tabela de um exemplo de uma ficha realizada por um aluno Depois, os alunos voltaram à biblioteca para preencher uma ficha de metacognição através da ferramenta Kahoot . Pelo meio deste Quizz interativo, os discentes demonstram qual a atividade que mais gostaram, a que menos gostaram, a que tiveram mais dificuldades e a quem pediram ajuda, entre outros. Desta forma, é possível obter uma perceção do que correu bem e do que correu menos bem, com o intuito de melhorar as minhas práticas educativas. Reflexão da 6ª sessão Esta última sessão foi um êxito. Os alunos mostraram-se empenhados no desenvolvimento das atividades. Pela realização da ficha de comparação entre o livro e o filme é possível observar que, os discentes estavam atentos e conseguiram compreender todos os pormenores importantes para a interpretação da obra. O preenchimento da ficha de metacognição foi sem dúvida uma mais-valia para perceber se o que eu realizei com os alunos foi bem recebido e se conseguiram adquirir os conhecimentos propostos no início da intervenção. É importante referir que, a ferramenta Kahoot também é gratuita e pode ser utilizada para vários contextos e várias atividades ligadas ao Português. 85 Estas atividades auxiliaram a cativar a atenção para a leitura da obra e do filme, mas também a desenvolver a criatividade e imaginação; mobilizar conhecimentos do filme e do livro; encontrar semelhanças e diferenças entre o livro e o filme; desenvolver a oralidade e a participação; mobilizar conhecimentos sobre a amizade e o amor ao próximo; trabalhar as emoções e os sentimentos; utilizar as tecnologias de informação e comunicação; exprimir sentimentos; tirar conclusões sobre as atividades realizadas; e desenvolver novas aprendizagens. 5.4.1.4. Síntese da intervenção Á medida que, o projeto se desenvolveu, foi possível observar uma constante evolução por parte dos alunos. Através da realização destas atividades, os discentes tiveram a oportunidade de adquirir aprendizagens significativas, de encontrar motivação para a leitura de novos livros e, principalmente, reconhecer o gosto pela leitura. Não devemos apenas focar o nosso ensino no método de ouvir ou de ler textos. É essencial que o aluno compreenda e interprete o que está a ser lido. Desta forma, consegue despertar toda a sua criatividade e imaginação, tornando-se um cidadão crítico e ativo numa determinada sociedade. Segundo Martins (2007), “Falar, escrever, comunicar bem em língua portuguesa é cultivar a exigência, a disciplina, o rigor e o respeito cívicos – é fazer-se entender.” (p. 18). Os alunos demonstraram sempre empenho e motivação na realização das atividades, participando e contribuindo ativamente para um resultado positivo. É importante referir que, ao longo das sessões os discentes conheceram novas formas de interpretar e de se relacionar com um livro, adquirindo conhecimentos profundos. No que diz respeito à promoção da Educação Literária, é de salientar a roda dos sentimentos e toda a atividade envolvida na escrita criativa. A roda dos sentimentos ajudou os alunos a observar o livro de uma forma diferente. Os discentes tornaram-se mais sensíveis e críticos no que se refere ao conteúdo de um livro. Não basta lermos e limitarmo-nos ao que está explicito na história. Devemos ir além do que o autor escreve e até moldar ao nosso quotidiano, de modo a tornarmo-nos melhores pessoas e evoluirmos de uma forma positiva. A atividade em torno da escrita criativa possuiu diversas fases. Primeiro, realizaram o texto e ilustraram com base nas cartas fornecidas. Depois, criaram um avatar e deram vida ao seu texto. E, por fim, criaram um livro com todas as histórias da turma. O papel desta atividade foi 86 significativo, na medida em que, o discente percebeu a importância do seu trabalho e pelo seu papel inovador. Link para o livro realizado pelos alunos online: pequenos-escritores2.webnode.pt/ Figuras 56 e 57Livro realizado pelos alunos do 5.º ano Passado algum tempo depois, foi realizada uma exposição do trabalho dos alunos na biblioteca da escola. Figuras 58 e 59Exposição na biblioteca da escola com o trabalho realizado pelos alunos Concluindo, todas as atividades foram um sucesso. Não existiu necessidade de repetir ou de reformular algo. Apesar de, às vezes o tempo se mostrar escasso, as atividades foram todas concluídas de uma forma produtiva. Os alunos mostraram-se sempre muito dedicados, participativos e cativados. 5.4.2. Análise dos resultados obtidos no questionário Este inquérito foi realizado com os alunos do 5º. ano do 2.º ciclo do Ensino Básico. É constituído por dez questões fundamentais que ajudam a compreender os hábitos de leitura dos alunos. 87 Segundo Zilberman (1988), “O processo de formação do leitor está vinculado num primeiro momento à característica física (dimensões materiais) e sociais (interação humana) do contexto familiar, isto é, presença de livros, de leitores e situações de leitura que configura um quadro específico de estímulo sócio cultural.” (p. 56). Foi demonstrado no 1.º ciclo a importância da leitura e o lugar que os livros ocupam na vida das crianças. Por esta razão, este questionário foi implementado com a finalidade de entender o nível de leitura dos alunos, bem como os seus gostos e preferências. Os inquéritos são anónimos, de forma a garantir somente a recolha de dados específicos para o estudo em causa. 5.4.2.1 Resultados obtidos do inquérito Este inquérito foi realizado numa escola de Braga a uma turma de 5.º ano de escolaridade. Esta turma continha vinte e um alunos, onze do sexo feminino e nove do sexo masculino, com idades compreendidas entre os dez e os onze anos. A primeira questão mostra as preferências dos alunos para as suas atividades no tempo livre: Gráfico 24Análise das preferências de lazer dos alunos Podemos observar através destas respostas que a maior parte dos alunos prefere ocupar os seus tempos livres a praticar desporto ou a ouvir música ou a passear. Não obstante a leitura ocupa um lugar significativo nas variadas ocupações enumeradas no gráfico. 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Preferências de lazer/entretenimento 88 De seguida, os alunos são confrontados com questões vocacionadas à leitura: Gráficos 25, 26, 27, 28, 29 e 30Análise às questões vocacionadas à leitura dos alunos 0 10 20 30 Sim Não Gostas de ler? 0 10 20 Sim Não Costumas ler? 0 5 10 15 Se sim, porque razão o fazes? 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 Se não, por que razão não o fazes? 0 5 10 15 Todos os dias Uma vez por mês De 15 em 15 dias Raramente Uma vez por semana Nunca Com que frequência lês livros? 0 5 10 15 Uma obrigação Um meio de valorização pessoal Um prazer Um passatempo Para ti, ler é…? 95 uma perceção se as atividades corresponderam às expetativas e quais as melhorias que pode efetuar na sua prática pedagógica. As respostas às questões foram: 1. Que atividade mais gostaste? ~ Gráfico 37Análise à questão: “Que atividade mais gostaste?” 2. Qual foi a atividade que tiveste mais dificuldade? Gráfico 38Análise à questão: “Qual foi a atividade que tiveste mais dificuldade?” 3. Qual foi a atividade que tiveste menos dificuldade? Gráfico 39Análise à questão: “Qual foi a atividade que tiveste menos dificuldade?” 0% 9% 18% 73% Jogo do tabuleiro Roda de leitura Recorte, pintura e desenho Filme 38% 43% 19% 0% Jogo do tabuleiro Roda de leitura Recorte, pintura e desenho Jogo do novelo 0%0% 0% 100% Jogo do tabuleiro Roda de leitura Recorte, pintura e desenho Jogo do novelo 96 4. Na tua opinião, qual foi a atividade que ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho para Crianças ? Gráfico 40Análise à questão: “Na tua opinião, qual foi a atividade que ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho para Crianças ?” 5. Das atividades que realizaste, quais foram as que tiveste de pedir ajuda? Gráfico 41Análise à questão: “Das atividades que realizaste, quais foram as que tiveste de pedir ajuda?” 6. A quem pediste ajuda? Gráfico 42Análise à questão: “A quem pediste ajuda?” 11 4 2 5 Jogo do tabuleiro Roda de leitura Recorte, pintura e desenho Jogo do novelo 17 22 22 0Jogo do tabuleiro Roda de leitura Recorte, pintura e desenho Jogo do novelo 22 22 14 Família Professora Colegas 97 7. Gostaste mais do filme ou da leitura do livro? Gráfico 43Análise à questão: “Gostaste mais da leitura do livro ou do filme?” 8. O que que achaste do livro O Principezinho para Crianças ? Gráfico 44Análise à questão: “O que achaste do livro O Principezinho para Crianças ?” 9. Depois destas atividades, achas que vais gostar mais da leitura? Gráfico 45Análise à questão: “Depois destas atividades, achas que vais gostar mais da leitura?” Depois de observarmos os resultados obtidos pela aplicação Kahoot sobre as respostas dos alunos, podemos constatar que estas atividades ajudaram no incentivo da leitura de novos livros. É importante, referir que, uma das atividades que os alunos mais gostaram foi a visualização do filme, que se mostrou um importante complemento à leitura e interpretação do livro. Os alunos responderam, de forma positiva, às atividades implementadas, não demonstrando grandes dificuldades na sua execução. A maior parte das crianças adquiriu novos 5 17 Leitura do livro Filme 20 2 Sim Não 0 41 17 Uma seca Muito bom Já li melhores O melhor de sempre 98 conhecimentos na aprendizagem da Educação Literária, expondo a importância da mesma na vida de um aluno. 5.5.2. Avaliação do 2.º Ciclo do Ensino Básico 5.5.2.1. Fases da avaliação Tipos de avaliação Atividades avaliativas Avaliação Diagnóstica ➢ Questionar os alunos sobre os elementos para textuais do livro. ➢ Questionar os alunos sobre as diferenças encontradas entre o livro original e o livro Pop-Up, a fim de partilharem as suas intuições sobre qual o conteúdo e enredo da narrativa. Avaliação Formativa ➢ Assimilar a ideia de amizade e amor ao próximo através do livro O Principezinho , do filme O Principezinho e da roda dos sentimentos. ➢ Participar nos diálogos realizados. ➢ Saber trabalhar em grupo. ➢ Utilização adequada dos materiais (exemplo: Voki, Twitter, Kahoot ). ➢ Realizar um perfil de uma personagem do livro, inferindo sobre o quotidiano da mesma. ➢ Saber respeitar o outro. ➢ Criar um avatar na ferramenta Voki , com o texto realizado. ➢ Realização de uma ficha de escrita criativa com recurso a imagens. ➢ Criação de um avatar na ferramenta Voki ➢ Realização de uma ficha de comparação entre o livro O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry, e o filme O Principezinho, de Mark Osborne. ➢ Preenchimento de uma ficha de metacognição virtual através da ferramenta Kahoot. Tabela 23Fases da avaliação do 2.º ciclo 99 5.5.2.2. Análise das fichas de trabalho As fichas de trabalho realizadas no 5.º ano do 2.º ciclo do Ensino Básico possuiu quatro momentos. O primeiro momento ocorreu com a ficha de escrita criativa, onde os alunos com o auxílio de cartas ilustrativas, tinham de realizar um pequeno texto. Depois de criar o texto, procederam à ilustração fazendo a ponte entre o que escreveram e o desenho. Esta atividade correu muito bem, pois os alunos já tinham contato com este tipo de trabalhos. De uma forma global, os trabalhos mostraram qualidade nos textos e nas ilustrações, criatividade, imaginação e uma correta pontuação e ortografia. Esta atividade resultou num livro chamado Pequenos escritores no asteroide B612 , em que cada capítulo é uma história criada por um aluno seguido da sua ilustração. No segundo momento, depois da correção das fichas, os alunos utilizaram a ferramenta Voki e criaram um avatar . Depois da personagem criada os alunos colocaram na caixa de texto desta ferramenta o texto que criaram na ficha. Os trabalhos realizados pelos alunos mostraram a capacidade de os alunos transcreverem o texto do papel para o computador, mas também a criatividade e o imaginário de cada um. No terceiro momento existiu lugar para uma ficha de comparação entre o livro O Principezinho , de Antoine de Saint-Exupéry (2001) e O Principezinho , de Mark Osborne (2016). Esta ficha revelou os alunos que estavam mais atentos e que tinham percebido ambas as histórias. De um modo geral, todos os alunos responderam corretamente, chegando ao ponto final que era pretendido. O quarto momento conduziu à ficha de metacognição que foi executada através de tablets fornecidos pela escola. As questões foram lidas pela docente e os alunos iam colocando a resposta que queriam no tablet. As respostas às questões foram: 100 1. Qual foi a atividade digital que mais gostaste? Gráfico 46Análise à questão: “Qual foi a atividade digital que mais gostaste?” 2. Qual foi a atividade que mais gostaste? Gráfico 47Análise à questão: “Qual foi a atividade que mais gostaste?” 3. Em que atividade digital tiveste mais dificuldades? Gráfico 48Análise à questão: “Em que atividade digital tiveste mais dificuldades?” 5 4 5 5 Entrevista Roda dos sentimentos Construir histórias através de cartas ilustrativas Demonstração livro Pop-up 14 1 1 5 Twitter Kahoot Filme Voki 1 8 10 1Twitter Kahoot Filme Voki 101 4. Em que atividade tiveste mais dificuldades? Gráfico 49Análise à questão: “Em que atividade tiveste mais dificuldades?” 5. Em que atividade digital tiveste menos dificuldades? Gráfico 50Análise à questão: “Em que atividade digital tiveste menos dificuldades?” 6. Em que atividade tiveste menos dificuldade? Gráfico 51Análise à questão: “Em que atividade tiveste menos dificuldades?” 7. Gostaste mais do livro Pop-Up ou do livro tradicional? Gráfico 52Análise à questão: “Gostaste mais do livro Pop-Up ou do livro tradicional?” 21 13 2 Entrevista Roda dos sentimentos Construir histórias através de cartas ilustrativas Demonstração livro Pop-up 2 10 7 0 Twitter Kahoot Filme Voki 5 3 5 7 Entrevista Roda dos sentimentos Construir histórias através de cartas ilustrativas Demonstração livro Pop-up 17 4 Gostei mais do livro Popup Gostei mais do livro tradicional 102 8. Gostaste mais do filme ou do livro? Gráfico 53Análise à questão: “Gostaste mais do livro ou do filme?” 9. Das atividades digitais que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda? Gráfico 54Análise à questão: “Das atividades digitais que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda?” 10. Das atividades que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda? Gráfico 55Análise à questão: “Das atividades que realizaste, qual foi a que tiveste de pedir ajuda?” 11. A quem pediste ajuda? Gráfico 56Análise à questão: “A quem pediste ajuda?” 12 9 Gostei mais do filme Gostei mais do livro 13 2 1 5Twitter Kahoot Filme Voki 7 3 9 2 Entrevista Roda dos sentimentos Construir histórias através de cartas ilustrativas Demonstração livro Pop-up 19 10 1 À professora Aos colegas Aos pais Pesquisei na internet 103 12. Qual foi a atividade digital que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho ? Gráfico 57Análise à questão: “Qual foi a atividade digital que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho?” 13. Qual foi a atividade que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho ? Gráfico 58Análise à questão: “Qual foi a atividade que te ajudou a compreender melhor o livro O Principezinho ?” 14. O que achaste do livro O Principezinho ? Gráfico 59Análise à questão: “O que achaste do livro O Principezinho ?” 15. Depois das atividades que realizaste, achas que vais gostar mais da leitura? Gráfico 60Análise à questão: “Depois das atividades que realizaste, achas que vais gostar mais da leitura?” 0 2 18 0 Twitter Kahoot Filme Voki 21 4 14 Entrevista Roda dos sentimentos Construir histórias através de cartas ilustrativas Demonstração livro Pop-up 2 8 10 1 Uma seca Foi o melhor livro que li até hoje Gostei muito Não gostei nada 19 2 Sim, sem dúvida Não, não me fez diferença nenhuma 104 Após a observação das respostas dos alunos através da aplicação Kahoot , podemos constatar que os alunos adquiriram aprendizagens significativas, no que diz respeito à área da Educação Literária. Todas as atividades implementadas foram cumpridas com bastante sucesso e os alunos responderam de forma muito positiva. Mais uma vez, o filme tomou um lugar importante na aquisição destas aprendizagens e aliciou os alunos a lerem o livro para conseguirem ter um termo de comparação. A edição em versão Pop-Up, também auxiliou na cativação para a leitura do livro original, pois os alunos conseguiram inferir sobre o que poderia acontecer na história observando apenas a ação das personagens. Através deste livro e destas atividades é possível afirmar que os alunos adquiram competências na Educação Literária e permitiu que gostassem mais da leitura e das histórias envolventes. 111 Referências bibliográficas • Alves, D. (2006). Sala de recursos multifuncionais: espaços para atendimento educacional especializado . Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. • Azevedo, F. (2011). Poder, Desejo, Utopia. Estudos em Literatura Infantil e Juvenil. Braga: CIFPEC/ Instituto de Educação, Universidade do Minho. • Azevedo, F. (2013). Clássicos da Literatura Infantil e Juvenil e a Educação Literária. Braga: Opera Omnia. • Azevedo, F. (coord) (2010). Infância, Memória e Imaginário . Ensaios sobre a Literatura Infantil e Juvenil. 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Desenha o que teria o teu asteróide. 120 Anexo IV Questionário implementado aos Encarregados de Educação do 1.º Ciclo do Ensino Básico: Questionário sobre os hábitos de leitura Sexo: Feminino Masculino Idade: _______ Habilitações académicas: Menos do que o Ensino Básico (9º ano) Ensino Básico (9º ano) Ensino Secundário (12º ano) Ensino Superior Outro Qual? ____________________. 1. Assinale com um x as suas preferências de lazer/entretenimento (pode assinalar mais do que uma opção). Ver televisão Visitar museus Ler Passear Ouvir música Navegar na internet Praticar desporto Assistir a concertos Exposições de arte Outras:_________________________. 2. Gosta de ler? Sim Não 3. Costuma ler? Sim Não O presente questionário é anónimo, de natureza confidencial e destina-se exclusivamente a tratamento estatístico, para fins académicos, de forma a estabelecer um estudo acerca dos hábitos de leitura dos alunos e dos familiares dos alunos da turma. 127 1º fase Motivação Pré-leitura do livro (1 hora) • Mobilização de conhecimento sobre a estrutura do livro (capa, lombada, guarda, …); • Cativar a atenção para a leitura da obra; • Observar a atenção dada pelos alunos sobre as atividades propostas. • Antecipar o tema com base em noções elementares de género (textos visuais; (ilustrações). • Explorar os elementos paratextuais como a capa, o título, as ilustrações, encorajando-os a expressar as suas ideias e a partilhar experiências. • Questionar os alunos: o O que sugere o título do livro? o O que observam na capa? E na contracapa? o Alguma vez tiveram contato com este livro? • Mostrar o livro O Principezinho - O Grande Livro Pop-Up à turma com o intuito de debaterem-se sobre a ação das personagens no decorrer da história, a fim de partilharem as suas intuições sobre qual o conteúdo e enredo da narrativa. • Visualização da primeira parte do filme O Principezinho de Mark Osborne. Pop-Up de Antoine de Saint-Exupéry; • Livro O Principezinho para Crianças de Antoine de SaintExupéry; • Filme O Principezinho de Mark Osborne; • Projetor; • Quadro interativo; • Luvas. 128 • Questionar os alunos em grande grupo o que visualizaram e o que acham que vai acontecer a seguir na história. 2º fase Desenvolvimento Leitura do livro (2 horas e 30 minutos) • Cativar a atenção para a leitura da obra; • Observar e estimular a atenção dada pelos alunos sobre as atividades propostas; • Inferir o tema e resumir as ideias centrais de textos associados a diferentes finalidades; • Manifestar ideias, emoções e apreciações geradas pela escuta ativa de obras literárias e textos. • Revelar curiosidade e emitir juízos valorativos face aos textos ouvidos; • A professora conta a história do “Principezinho para Crianças” com o estendal das personagens. Com a ajuda de um fio, a professora coloca as personagens com uma mola. Á medida que, conta a história, as personagens vão sendo retiradas do “estendal”. • Promover o (Re)conto da história através de um jogo de tabuleiro: Este jogo terá cinco espaços em branco e depois de cada espaço terá uma imagem do livro. Este tabuleiro irá ser projetado no quadro interativo, onde a professora irá fazer perguntas sobre a obra e eles terão de responder individualmente. Todos os alunos que souberem a resposta devem responder e colocar no quadro a sua inicial na respetiva casinha. Cada questão valerá tantas casinhas quanto a sua dificuldade. Quando o aluno chegar à • Livro O Principezinho para Crianças de Antoine de SaintExupéry; • Filme O Principezinho de Mark Osborne; • Projetor; • Quadro interativo; • Marcadores; 129 • (Re)contar histórias. imagem, deve recontar a parte da história de acordo com aquilo que visualiza. • Visualização da segunda parte do filme O Principezinho de Mark Osborne. • Questionar os alunos em grande grupo sobre o que observaram e o que acham que vai acontecer sobre a última parte do filme. • Pedir aos alunos que levem um livro para casa, anteriormente escolhido na biblioteca da escola, onde irão trabalhar novamente o tema dos valores, atitudes e comportamento. Os pais devem ler os livros até à semana seguinte. • Realização do clube de leitura. As crianças formam uma roda no exterior da sala, onde cada aluno irá partilhar a história que os seus pais lhe contaram e terão de dizer se • Imagens do Principezinho com o pauzinho; • Livros da biblioteca da escola sobre a temática da amizade, do amor, tolerância e respeito pelo outro. 130 gostaram, qual a sua parte preferida e qual a parte que menos gostaram. 3º fase Avaliação Pós-leitura (2 horas e 30 minutos) • Confrontar as previsões feitas com os conteúdos do livro e do filme; • Abordar temas como: Amizade, respeito, amor pelo próximo, (…); • (Re)contar histórias; • Capacidade de memorização; • Questionar os alunos em grande grupo: “As tuas ideias iniciais corresponderam à história?”; “Se fosses o Principezinho o que farias de diferente?”. • A professora distribui uma folha com um planeta desenhado onde pede para eles imaginarem que viviam num asteroide igual ao do Principezinho. Os alunos devem ilustrar como seria o seu asteroide. • Realização de um jogo no exterior da sala, onde os alunos estão em roda e, com um novelo de lã, começam a atirar uns para os outros, ficando apenas com a ponta do novelo, criando no final uma “teia” da amizade. • Questionar os alunos sobre o que observam e conduzir à ideia de que todos juntos somos mais fortes e a união entre • Livros da biblioteca da escola sobre a temática da amizade, do amor, tolerância e respeito pelo outro • Filme O Principezinho de Mark Osborne; • Projetor; • Quadro interativo; • Folha branca A4; 131 todos é essencial, mas para isso deve existe amizade, tolerância e acima de tudo o respeito pelo outro. • Visualização da parte final do filme “O Principezinho” de Mark Osborne. • Questionar os alunos em grande grupo: “O que achaste do filme?”; “Qual a parte do filme que mais gostaram?”; “Qual a parte do filme que menos gostaram?”; “Qual a parte do livro que mais gostaram?”; “Qual a parte do livro que menos gostaram?”; “O que o livro e o filme têm em comum?”; “O que o filme e o livro não têm em comum?”; “O livro que leram têm alguma coisa haver com o livro do Principezinho?”; “O que aprendes-te com estes livros?”. • Criação de um questionário na aplicação Kahoot para obter um feedback dos alunos sobre as atividades propostas. • Lápis de cor; • Novelo de lã; • Álcool desinfetante; • Kahoot; • Projetor; • Tablets. 132 Anexo VII Ficha da entrevista realizada em pares: Entrevista a uma personagem do livro O Principezinho 1. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 2. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 3. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 4. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. De acordo com a personagem que vos foi sorteada, devem realizar uma entrevista que, no mínimo, contenha cinco perguntas e as respetivas respostas. Em pares, um aluno será o entrevistador e o outro será o entrevistado, que vai interpretar uma das personagens do livro. É importante referir que esta entrevista será realizada 20 anos depois da criação do livro, logo os grupos devem inferir sobre o futuro da mesma. Nomes:______________________________________________________________ ____________________________________________________. Data:__/___/____ 133 5. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 6. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 7. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 8. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 9. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 10. ________________________________________________________________? R:_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________. 134 Anexo VIII Panfleto de ajuda para desenvolver a atividade distribuído pela estagiária: Dicas para criar um perfil no Twitter sobre uma personagem do livro: • Depois de entrar na conta, deves ir ao Google e pesquisar por conteúdo sobre essa personagem (ex.: rei do livro O Principezinho ) o Pesquisar por imagens; o Pesquisar por notícias; o Pesquisar por texto; • Pesquisar por frases cativantes ou por passagens do livro; • Podes sair do contexto da personagem do livro e pesquisar por conteúdos recentes e reais (ex.: rei de Portugal) • Podes inventar e deduzir como essa personagem se sente ou o que ela gostaria de fazer hoje Bom trabalho Anexo IX Cartas ilustrativas para a realização da ficha criativa: 135 Anexo X Ficha de escrita e desenho criativo: Escrita Imagina e escreve uma história que vá de encontro às cartas que recebeste. ➢ Não deves esquecer que o teu texto deve ter no máximo 70 palavras, ter um título e estar bem estruturado. No final, faz uma ilustração que esteja de acordo com a tua história. Nome:_______________________________________________. Data:__/___/____ _______________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 136