Full text
DEP ARTAMENTO DE DI DACTICA Y ORGANIZACIÓN EDUCATIVA
Prog rama de Doct orado en “Didáctica y O rganizac ión de I nst ituc i ones
Edu cati vas”
A I NFLU ÊNCIA DO S P SICOESTIMULAN TES
E A A PLICAÇÃO DE E ST R ATÉ GI AS DE S ALA DE A ULA
EM C RIANÇAS COM PHDA A N ÍVEL DAS A PRENDIZAGE NS E SCOLAR E S
D IRETOR : P ROF . D R . J OSÉ M ARÍA F ERNÁNDEZ B ATANERO
A LUNA : I SABEL M ARIA E STEVAM G EIRINHAS
S EVILLA , 2015
DEP ARTAMENTO DE DI DACTICA Y ORGANIZACIÓN EDUCATIVA
Prog rama de Doct orado e n “Didáctica y O rgani zaci ón de Instituc i ones
Edu c ati vas”
A I NFLU ÊNCIA DO S P SICO E STIMULAN T E S
E A A PLICAÇÃO DE E ST R ATÉ GI AS DE S ALA DE A ULA
EM C RI ANÇAS COM P HDA A N ÍVEL DAS A PRENDIZAGE NS E SCOLAR E S
DIRETOR : P ROF . D R . J OSÉ M ARÍA F ERNÁNDEZ B ATANERO
A LUNA : I SABEL M ARIA E STEVAM G EIRINHAS
S EVILLA , 2015
ii
iii
P á gi na de escrit ura
Do s y dos c uatro
cuatro y cu a tro och o
oc ho y o ch o son di ec iséi s …
¡Repit a n! di c e el ma estro
Do s y dos c uatro
cuatro y cu a tro och o
oc ho y o ch o son di ec iséi s .
Pero ah í est á el a ve l ira
que pas a por el cielo
el ni ñ o l o ve
el ni ñ o l e o ye
el ni ñ o l e llama:
¡S á lvame
juega conmigo
p á jaro !
Ent o nces el p á jaro baja
y juega c o n el ni ñ o
Do s y dos c uatro…
¡Repit a n! di c e el ma estro
y el n i ñ o juega
y el p á ja ro con él…
Cuat ro y cuatro o c ho
oc ho y o ch o son di ec iséi s
¿Y dieciséi s y dieci s éis cu á nt a s s o n?
No son nad a die c iséi s y dieciséi s
y mucho meno s trei nta y dos
de n ing ú n mo do
y se march a n.
Y el ni ñ o ha escondido el p á ja ro
en s u p u pitre
y todos l os n i ñ os
oy en la m ú s ic a
y oc h o y o c ho a su vez march a n
y cuatro y c uatro y d os y d o s
a su vez se l a rgan
y uno y u no no so n n i u no ni do s
un o a un o marc han igualmen te.
Y el a ve l ira toca
y el n i ñ o canta
y el p rofeso r gr ita:
¡Cu á ndo a c abaréis de hacer el payaso!
Pero los dem á s n i ñ os
escuchan l a m ú sica
y las paredes de c lase
se despl o man tr a nqui lamente.
Y los crist a les vu elven a ser aren a
la t in ta vu elve a ser agua
los pu pitres vue lve n a ser á rb o les
la t iza vuel ve a ser aca nti lado
el portaplumas vuelve a ser p á jaro
(Jacque s P rev ert )
Versi ón de A l do Pel l egrini
v
D EDI CA TÓRI A
A todas as cria nç as que s ofr em de Pertur bação d e Hiperat i vida de / D éfice
de Atenção, que nece ss i tam da com pree nsão e aj uda d e todos (fam íli a,
profe sso r es, m édi cos, co leg as, am ig os. .. ) , p ar a po d erem ul trapassar as
suas di f i cu l d a des e conseguirem a pl ena i n c l usã o/ int egração na
soci edade.
Às m inh as filhas que m e ensi na m a com pree nder que o tem po nã o pá r a.
v ii
A GRAD E CI MENTO S
Quer o dedicar e ste trabalho, a to dos os que, co m a sua col a boração e a po i o,
torn aram possível esta invest i g ação.
Em p ri m ei ro l u g ar, o m eu pr ofundo agradec im ento ao Professor José Batanero,
que apesar d a distância, esteve present e na realizaçã o de s te tra b alho ,
corrigi ndo, ac r escentando, ilum ina ndo - o com a su a ex p eriência, contribu i ndo,
assi m , par a o seu enrique c i m ento .
Agradeço , tam bé m , a todos os q ue m e ac om panh ara m , fa m i l iares, am igos,
col egas, que a guentaram , com per sever ança, a m in ha falta de te m po, fal t a de
paci ênc i a, sem pr e com pal a vras de ânim o e um sorr i so .
Agradeço às m i nh as filhas, que c r escera m, e m ui to, sem que eu me
aper ceb esse.
5
Q UADRO 29 – E FEITOS A C URTO P RAZO DA M EDICAÇÃO P SICOESTIMULANTE …………...
22 8
Q UADRO 30 – E FEITOS T ERAPÊUT IC OS DOS P SICOESTIMULANTES ………………... .........
22 9
Q UADRO 31 – P O PULAÇÃ O /A MOSTRA …………………………………… ………………..
2 80
Q UADRO 32 – V ARIÁVEIS ………………………… ………………………………………. .
2 80
Q UADRO 33 – I NSTRUM EN TOS ……………………………………………… ……………..
28 1
T ABELA 1 – C ARAT ERIZAÇÃO DOS P ROFESSORES DO C ONSELHO DE T URMA …………...
30 8
T ABELA 2 – G RAU DE I NF OR M AÇÃ O SOBRE A PHDA……………………………………..
311
T ABELA 3 – T IPO DE F ORMAÇÃO SOBRE A PHDA…………………………… …………...
31 2
Q UADRO 34 – V ARIÁVEIS DO E STUDO ……………………………………… ……………..
31 3
T ABELA 4 – G RAVIDADE DA PHDA……………… ………………………………………. .
31 4
T ABELA 5 – C ARAT ERÍSTICAS DA PHDA………………………………… ……………….
31 4
T ABELA 6 – P REVALÊNCI A DA PHDA…………… ………………………………………..
31 5
T ABELA 7 – C AUSAS DA PHD A…………………………………………… …… …………
31 6
T ABELA 8 – A PHDA DE SAPARECE COM O T EMPO ……………………………… ... ........
31 7
T ABELA 9 – P ROFISSIONAIS QUE DEVEM R EALIZ AR O D IAGNÓSTICO ……………………..
31 8
T ABELA 10 – P ROBLEMAS A SSOCIADOS À PHDA…………………………… …………….
3 20
T ABELA 11 – P ROBLEM AS QUE C AUSAM M AIOR D ESADAPTAÇÃO ……………… ..... . ........
32 1
T ABELA 12 – C ARAT ERÍS TICAS QUE PERTURBAM MAIS A V IDA E SCOLAR DAS C RI ANÇAS
COM PHD A………………… …………………… …………………………….
32 3
T ABELA 13 – Q UAL A F OR MA DE I NTERVENÇÃO QUE PODERÁ TRAZER BENEFÍCIOS ……….
325
T ABELA 14 – A T ITUDES D O P ROFESSOR FACE A UMA C RIANÇA COM PHDA……………...
326
T ABELA 15 – E ST RA TÉGIAS DE I NTERVENÇÃO E G RAU DE U TILIZAÇÃO ……………………
327
Í NDICE DE G RÁ FI COS
G RÁFICO 1 – E M C ASA ( DUR AN TE AS REFEIÇÕES ) ……………………… ………………
29 7
G RÁFICO 2 – E M C ASA ( ENQUANTO VÊ TELEVISÃO ) ………………………… …………..
29 8
G RÁFICO 3 – E M C ASA ( DURANTE AS BRINCADEIRAS ) ………………………………….. .
29 9
G RÁFICO 4 – E M C ASA ( DURANTE O SONO ) ……………………………… ……………...
300
G RÁFICO 5 – F ORA DE C ASA ( SE M SER NA ESCOL A ) ……………………… …………….
300
G RÁFICO 6 – H IPERATIVIDADE : A VALIAÇÃO E T RATAMENTO …………………………….
301
G RÁFICO 7 – N A E SCO LA ……………………… ………………………………………. . .
301
G RÁFICO 8 – A T ENÇÃO ( 1 ª E 2 ª O BSERVAÇÕ ES ) …………………………… …………..
30 3
G RÁFICO 9 – H IPERAT IVIDADE /I MPULSIVIDADE (1 ª E 2 ª O BSERVAÇÕES ) ………………...
30 5
G RÁFICO 10 – O POSIÇÃO /C O M PO RTAMENTO (1 ª E 2 ª O BSERVAÇÕES ) ……… …………...
30 7
G RÁFICO 11 – H IPERAT IVI DADE /I MPULSIVIDADE ……………... ..... .......... ........ ....... ........ .
33 3
G RÁFICO 12 – A T ENÇÃ O (1 ª E 2 ª O BSERVAÇOES ) ……………….…………… ……… …...
33 5
G RÁFICO 13 – C OM P ORTA MENT O (1 ª E 2 ª O BSERVAÇOES ) ………………… ……………..
33 7
G RÁFICO 14 – A T ENÇÃ O /I MPULSIVIDADE /H IPERAT IVI DADE ……………………………….
3 40
G RÁFICO 15 – R ACIOCÍNI O /P ROCESSAM EN TO …………………………………………….
34 2
G RÁFICO 16 – M EMÓRIA . ………………………………………………… ……………….
34 4
6
G RÁFICO 17 – R EALIZ AÇÃO /F UNCIONAM EN TO …………………………………………….
34 6
G RÁFICO 18 – S KILLS I NTERPESSOAIS ……………………………………… …………….
34 8
G RÁFICO 19 – M ATURIDADE E MOCIONAL ………………………………… ……………….
3 50
G RÁFICO 20 – C OORDEN AÇÃO M OTORA …………………………………… ……………..
35 2
G RÁFICO 21 – C O MUNICAÇÃO …………………………………………… ………………..
35 3
G RÁFICO 22 – L EITURA /C OMPREENSÃO …………………………………… ……………..
35 4
G RÁFICO 23 – E SCRITA ………………………… …………………………………………
35 5
G RÁFICO 24 – C ÁLCULO M ATEMÁTICO ……………………………………… …………….
35 6
G RÁFICO 25 – H IPERATIVO ……………………………………………… ………………...
35 9
G RÁFICO 26 – D ESINTER ESSADO ………………………………………… ……………….
3 60
G RÁFICO 27 – D ESATENÇ ÃO /D ESCONCENTRAÇÃO ………………………… …………….
36 1
G RÁFICO 28 – A GRESSIVO ………………………………………………… ………... .......
362
G RÁFICO 29 – P ERTURBADOR ……………………………………………… ……………..
36 3
G RÁFICO 30 – N ÃO C OOP ERANTE ……………………….…………………… ……... .......
36 4
G RÁFICO 31 – M ANIPULA DOR …………………………………………… ………………...
36 5
G RÁFICO 32 – C O MPORTAMENTO S OCIAL I NADEQUADO ………………………………….
36 6
G RÁFICO 33 – P ORTUGUESA ……………………… ………………………………... ..... . .
3 70
G RÁFICO 34 – L ÍNGUA I N GLESA ………………………………………… …………………
37 2
G RÁFICO 35 – H ISTÓRIA E G EOGRAFIA DE P ORTUGAL …………… …………… ………….
37 4
G RÁFICO 36 – M A TEMÁTICA ………………………………………. . . ... ........ ........ .... ....... .
37 6
G RÁFICO 37 – C IÊNCIAS DA N ATUR EZA ……………………………………………………
37 8
G RÁFICO 38 – E DUCAÇÃO V ISUAL ………………… ………………………………………
3 80
G RÁFICO 39 – E DUCAÇÃO T ECNOLÓGICA ………………………………… ……………….
38 2
G RÁFICO 41 – E DUCAÇÃO M USICAL ………………………………………… …………….
38 4
G RÁFICO 42 – E DUCAÇÃO F ÍSICA ………………… ……………………………………….
38 6
7
Í NDICE DA S A B REVIATU R A S U TILIZ A D A S
APA – Associação Psi quiátrica Americana
CID- 10 – Classi f icação Internacional de Doenças
CPF – Córtex Pré-Frontal
C.T. – Conselho de Turma
DA – Dificuldades de Aprendiz a gem
DSM – Manual de Diag n óstico e Estatística das Perturbações Mentais
FE – Funções Executiv as
MFD – Metilfenidato
OSM – Organização Mundial de Saúde
PC – Perturbação do Comportamento
PDA – Perturbação do Défice de Atenção
PDC – Perturbação do Desenvolv ime nto da Coordenação
PHDA – Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção
POD – Perturbação de Oposição e Desafio
RMf – Ressonância Magnética funcional
SAS – Sistema Atenci on al Superv isor
SNC – Sistema Nervoso Central
8
I NT RODUÇ Ã O
Frequentemente, na nossa prática d iári a , quer a nível p rofissional quer a nível
social, ouvimos os pais queixarem -se dos seus filhos , af irmando que eles são
hiperativos, por serem agitados e traquinas.
A hipera tividade é mais complex a do que a b analidade de uma palav ra , pois
nem tudo o que m exe é hipe rativo. Este aspeto será desenvolv ido na p rimeira
parte do trabalho, constituída pela rev isão da literatura.
A Perturba ção de Hi pe ratividade/Défice de Atenção (PHDA) tem sid o
abordada nos m eios de comunicação social, através de programas televisivos,
artigos em revistas ou jornais, muitas v ezes com pouco rigor científico,
sugerindo que fo i cri ada com a fina lidade de rotular, com u m diagnóstico
médico, crianças que são simplesmente av entureiras.
Ao longo da s últimas décadas, a ssistiu -se a u m aumento considerável no
diagnóstico, na terapêutica e na investigação re lacionados com a PHDA ,
apesar de ter sid o d escrita, pela primeira vez , h á ma is de um s é culo, por
George S till, em 1 902 (Branco e Fernandes, 20 04) e tenham sido encon trados
registos alusivos a esta problemática, no século XVIII. (Neto et al., 2014)
A d efinição de PHDA tem sido uma tarefa árdua para médicos e terapeutas.
Verificamos que as crianças com esta problemática, com ou sem
hiperatividade, impulsiv idade e/ou distração , apresentam um padrão
comportamental carateriz a do, essencialmente, por um persistente défice de
atenção, desproporc ion al à sua fase de d esenvolv ime nto. Estes
comportamentos, de na tureza relativamente crónica, po dem iniciar -se nos
primeiros anos de vida . Não são devidos a lesão neurológica, d éfice s
sensoriais, prob lemas de linguagem ou motores, atraso men tal ou perturbação
emocional grave. Estas dificuldades estão tip icamente a ssociadas co m
défices de auto-regulação do comportament o e d a manutenção de u m padrão
9
consistente de rea liz a ção ao longo d o tempo. Embora os sint omas
observáveis possam variar em qualidade e quantidade durante o
desenvolvimento, a maioria dos indivíduos com P HDA continua a a presentar
algumas manifestações na vida adulta. (Barkley , 2 006)
A PHDA é uma da s perturbações neuro -comportamentais mais f requente s da
infância, que s e ca ra te riz a por u m desenvolv im ento in a propriado d os
mecanismos cerebrais, que regulam o s proce ssos d a a tenção, da a tividade
motora voluntária e dos proce ssos de ref lex ão . (Miranda, Jarque e Soriano,
1999, Cardo e Servera-Barceló, 2005) A e xpressão PHDA tornou-se a f ras e
de diagnóstico ma is comum, mesmo quando são utilizados critérios mais
restritivos. (NIHCE, 2009)
Os sintomas mais comuns d e sta perturbação centram -se em tor n o de três
áreas de funcionam e nto bási co: a falta aten ção, a impulsiv idade e a
hiperatividade. (Barkley , 1998 ) «They [impulsivity, h yperactiv it y and
inattention] are a ll based on observations ab out ho w childr en b ehave:
“ impulsivity ” signifies prem atu re and thoughtless actions; “ hyperactivity ” a
restless and sh ifting ex cess of m ovement; and “ inattention ” is a desorganised
style preventing sustaine d effort. All are sho wn by individual children to
different extents, and are influenced by co ntex t as well as by the constitution of
the person.» (NIHCE, 2009:15)
Este complexo de manifestações clínicas apresenta um p adrão
comportamental típico (perturbação de ate nção, impulsiv ida de e
hi peratividade), comprometendo, significativamente, o de sempenho da criança
em casa, na escola e com os seus pares.
Valdizán (2004) acrescenta que os p ortadores d esta problemática apresentam
uma personalidade instável, são pessoas f áceis de ma nipular,
emocionalmente inconstantes, ansiosa s, ins e guras. Existem o utros sintomas
associados, tais como sentimentos de não confo rmidade, d e baixa
autoestima, de imaturidade social, de mudanças bruscas de humo r e de
10
inadequação social, tendência para se isolarem e são consideradas mal -
educadas e imaturas pelos adultos e pelos se u s pares.
Estipula-se que a prevalência d esta perturba ção na população infantil e
juvenil, de ac o rdo c om o DSM- IV -T R (2002), seja de 3 a 7 %, sobretudo, em
rapazes. Contudo, segundo Pineda, Loper a Henao, Palacio e Castellanos
(2001), in Artigas-Pallarés (2003), e stes valores variam en orm e mente em
função da p opulação ob servada, do método de estudo realiz ad o e dos
critérios requeridos, chegando a propor-se uma prevalência n a ordem dos
17,1%. Para Amad or e t al (1991), a prevalência d a PHDA dependerá d o
subtipo avaliado, da idade, do sexo, do informador (pais ou p rofessores) e dos
critérios adotados pelo examinador.
Como se verá ne ste trabalho, os sint omas explicam -se a partir d as alterações
dos neurotransmissores, nomeadamente a dopamina. Trata -se d e um quadro
neurobiológico, em que o lob o f rontal está comprometid o, estrutura ce rebral
que d esempenha um p apel im portante n a atenção. (Habib, 2000; Phelan,
2005; Rodhe, Mattos & Cols, 2003)
A utilização d as ne urociências cognitivas co mo f erramentas para a
identificação de a lterações funcionais em sujeitos com PHDA favor eceu o
desenvolvimento de tratamentos de maior efe tividade, a caraterização
fisiopatológica e ne uroanatómica dos seus sintomas. Os estudos sobre a
neuropsicologia da PHDA sugerem f alhas nas tarefas atencionais associadas
a alterações na atividade dos circu itos talamocorticais, f rontocerebrais e
alguns im plicados com a a tividade da s catecolaminas, be m co mo a fu nção
executiva, principa lmente no controlo inibitório. (Trujillo -Orrego, Ibáñez e
Pineda, 2012)
Os estudos realizados com Ressonância Mag n ética estrut ural (RMe) na PHDA
permitiram uma maior co mpreensão da fisiopatologia da p erturbaçã o . (Soliva -
Vila,Vilarroya-Oliver, 2009) A maioria conseguiu identificar alterações
anatómicas subtis em v á rias regiões do encéfalo, com focos nas áreas
frontais, límbicas e cerebelosas. (Trujillo-Orrego, Ibáñez e Pineda, 2012)
11
Por esta razão, os psicoestimulantes ou a s anf etaminas são a m odalidade de
tratamento mais comum na PHDA. (Atienza, 2006; Brow n , 2007; DuPaul &
Stoner, 2007) Assim , conhecer melhor a farma cologia e os n o vos fármacos
para a PHDA possibilita melho res perspe tivas prognóstica s. (Mulas et al.
2012)
Estima-se que 2 5 a 30 % das crianças com esta p erturbação tenham
dificuldades na a prendiz agem, ainda que, em alguns casos, a sua inteligência
possa ser superior ao resto das crianças da sua f aixa e tária. (Brown, 2007;
DuPaul & Stoner, 2007; Rodhe, Mattos & Col s. 2 003)
As crianças com PHDA são crianças agitadas e desatentas, o que v ai dif icultar
o sucesso escolar e a s relaç ões com os professores e com o s colegas. No
que co ncerne a esta perturba ção, a atenção dif iculta mais a a prendiz agem, ao
passo que a impulsiv id ad e/hiperativ ida de afeta a so cialização e a intera ção da
criança com o meio. (Falardeau, 1999; Soler e Sevilla, 1997)
A P HDA tem u m im p acto escolar m uito grande dev ido à s competências
sociais e a cadémicas que são e xigidas ao aluno. A crianç a hipe rativa
apresenta um d éf ice de a te nção imenso, uma gran d e i m pulsiv idad e e uma
enorme inst abilidade fí sica e emo cional. Estas crianças sã o , muitas v ezes,
incompreendidas, sendo o seu comportamento rotulado como cara terístico de
uma criança sem educação e desinteressada pela escola. Daí q u e a sua
conduta de sorg an izada, para além de se repercurtir na aprendizagem, afeta o
seu comportamento e consequente sociabilização, a umentando o sentimento
de ba ixa au toestima, por ser rejeita do pelos seus pares e adulto s. Na maioria
dos casos, as criança s/jovens com e sta perturbação são per cecionados de
um ponto de vista cl aramente enviesado e negativo devido, sobretudo, à
confusão de conhecimentos (ou até mesmo devido à ausência de stes) que
muitos agentes educativ os de monstram sobre a PHDA.
Verifica-se a falta de reconhecimento por p arte do s pro fessores da PHDA na
sala de aula. Ainda existe uma enorme fa lta de consciencialização da classe
docente para as realidades da PHDA. (Sosin, David & My ra, 1996)
12
Os professores têm, geralmente, pouco con hecimento sobre a n atureza,
curso, causas e consequências d a PHDA e tendem a e sconder a s próprias
perceções so bre inter venções apropriadas para esta população. (Pfiffne r e
Barkley, 199 0, cit Sciutto et a l., 2000) Por esta razão, optamos por fazer uma
formação para os professores que trabalham diretamente com o nosso su jeito
de estudo.
As im plicações académicas, comportamentais e sociais são releva ntes,
particularmente com o subtipo combinado, e só uma intervenção d ecidida com
medicação e um acompanhamento psicológico e pedagógico adequados
possibilitam um prognóstico melhor, que é ince rto. Aprofundar os
conhecimentos dos me canismos cerebrais a natóm icos e e letrofisiológicos
permite mergulhar na compreensão nesta problemática, que é uma
perturbação b iológica do desenv olvimento maturativo cereb ral. (Mulas et al.,
2012)
Feito o e nquadramento teórico, será apresentada a n ossa inv estigação, na
segunda parte deste projeto, com início da formulação do p roblema.
Posteriormente, reportamo -nos à metodo log ia, referindo os objetivos do
estudo, a seleção da amostra e a sua carateri zação.
No seguimento, daremos conta do desenho do estudo, dos instrumentos d e
pesquisa e id entificaremo s o método de recolha de dados, bem como os
respetivos procedimentos de tratamento de dados.
Na terceira p arte f aremos a apresent a ção e análise d os dados recolhid os ,
bem como a discussão dos resultados.
A literatura ref ere os benefícios da medicação em crianças com esta
problemática. (Branco & Fernande s, 2004; Brown, 2005; Casas, Miranda &
Delgado (1996); Etxebarria & Pérez, 2008; Falardeau, 1999; Fernandes, 2001;
Kooij, 2008; Lobo Antunes, 2009; Suárez et al., 2006; Va ldizán, 2004; Villa r,
2007) Assim, se a criança for medicada, conseguirá me lhorar o seu
comportamento e, co nsequen temente, ma nter a atenção nas a tividades que
13
irá de senvolv e r, o que se traduzirá na efe tividade da s aprendiz a gens
escolares que realizará. Em simultâneo, e visto que esta crian ça está em vias
de começar a atingir o fracasso esc o lar , deverão ser desenvolv ida s
estratégias de sala d e au la a dequadas a si, com o obje tivo de minimiz a r as
lacunas de co nhecimentos existen tes entre esta e a turma, d e m odo a fo rmar
um grupo academicamente mais homogéneo.
Assim, far-se-á, em co njun to com os professores e com os pais, um despiste
às reais d i ficuldade s da criança. Através de um acompanhamento permanente
daquela, verificar -se-á a sua evolução, registando, de forma sistemática, o seu
comportamento e o seu aproveitamento. A nossa intenção é, tamb ém,
referenciar a PHDA ao contex to escolar, não só por razões de interesse
pessoal e profissional, mas porque se trata, ainda, de um contex to em que
este tipo de problemas se manifesta com particular intensidade.
14
P ARTE I
F UNDAMENTA Ç ÃO T EÓRICA
21
Quadro 3
Evolução da designação da PHDA a partir da década de 70
A U TORES
D ENOMIN A ÇÃ O
C ARA TE RÍSTIC A S
Douglas
(1972)
Défice de
Atenção
Dif iculdade em
parar, observar e
agir
Distrai-se com
facilidade
Inca pacidade em
manter a atenção
Im pulsiv ida de
CID-9
(1978)
Síndrome
Hipercinética
Elevados n ív eis
de atividade
DSM- III
(1980)
Perturbação do
Défice da
Atenção com ou
sem
Hiperatividade
Subtipos:
-Distúrbio de
Défice de
Atenção com
Hiperatividade
-Distúrbio de
Défice de
Atenção sem
Hiperatividade
-Distúrbio de
Défice de
Atenção tipo
residual
Não a caba a
atividade que
começa
Não parece
escutar
Distrai-se com
facilidade
Manife sta
dificuldades em
se concentrar no
trabalho escolar e
nos jogos
Age an tes de
pensar
Parece estar
sempre “em
movimento”
Muda, com
frequência
excessiv a , de
atividade
Revela
dificuldades para
organizar o seu
trabalho
Necessita de
supervisão
constante
É necessário
chamá-lo
constantemente à
atenção
Custa -lhe ficar
quieto
Custa -lhe
permanec er
sentado
DSM- III - R
(1988)
Perturbação de
Hiperatividade
por Défice de
Atenção
Subtipos:
-Distúrbio de
Inquietu de
frequente
Dif iculdade em
permanec er
sentado
Falta de a tenção
Dif iculdade em
Dif iculdade em
jogar com
tranquilidade
Fala
excessiv a mente
Inte rrompe as
atividades dos
(continua)
22
Défice de
Atenção com
Hiperatividade
-Distúrbio
Indiferenciado de
Défice de
Atenção
-Distúrbio de
Défice de
Atenção tipo
residual
aguardar pela sua
vez
Frequência de
respostas
precipitadas
Dif iculdade em
seguir instruções
Dif iculdade em
manter a atenção
outros
Não e scuta o que
se lhe diz
Perde o materi al
necessário para
as atividades
Pratica atividades
físicas perigosas
Muda, com
frequência, de
atividade
CID- 10
(1989,
1992)
Distúrbios
Hipercinéticos
Subtipos:
- Distúrbios da
Atividade e da
Atenção
- Distúrbio
Hipercinético
Dissocial
Falta de
persistência nas
atividades que
requerem
processos
cognitivos
T endência para
mudar de uma
atividade para
outra
Atividade
desorganizada
Atividade mal
regulada
Atividade
excessiv a
Déf ice de atenção
Inte rrupção
prematura da
execução das
tarefas
Deixam atividades
por concluir
Descuida dos
Im pulsiv os
Propensos a
acidentes
Problema s de
disciplina
DSM-IV
(1994)
Perturbação de
Défice de
Atenção com
Hiperatividade
Dif iculdade em
manter a atenção
Parece não
escutar
Não se gue as
instruções
Dif iculdade para
organizar as
tarefas
Evita o esfo rço
mental sustido
Perde o materi al
necessário para
Move,
excessiv a mente ,
as mãos e os pés
Levanta -se na
sala de aula,
quando se espera
que permaneça
sentado
Corre ou salta
excessiv a mente
Dif iculdade em
jogar com
tranquilidade
Quadro 3
(continuaçã o)
(continua)
23
realizar as tarefas
Distrações
frequentes
Descuida do nas
atividades diárias
Parece “estar em
movimento”
Fala em e xcesso
Precipita -se a
responder
Dif iculdade em
aguardar pela sua
vez
Inte rrompe ou
intromete-se nas
atividades dos
outros
Quadros adapt ados de Gar rido, C. C. (t ese de do utoram ento, 2003:13 -20); Lo pes (1996);
Martínez-León (2006)
Com uma leitura mais aten ta dos quadros ante riores observamos várias
orientações e tendências na classif icação d esta disfuncionalidade, umas
vezes, predominando o d éfice de atenção, outras a hiperatividade. Neste
sentido, B arkley (20 06) ind ica que a PHD A se pode subdividir e m quatro
períodos, a saber, 1900 a 1959, “a idade da lesão cerebral”; de 1960 a 1969,
“a ida de de ou ro d a hiperatividade ”; de 1970 a 1979 , “a ascensão do déf ice de
atenção”; e de 1980 a 19 89, “a idade do critério de d iagnóstico e a qued a dos
défices atencionais ”.
Apesar da multiplicidade de termos aplicados a e ste quadro clínico, todos eles
mencionam como particularida des mais ma r cantes o défice de atenção com
ou sem agitação, a im pulsividade, a desorganiz a ção, a ima turidade, o
relacionamento so cial pobre, a inconveniência social, o s problemas da
aprendizagem, a irresponsabilidade, a falta de persistência.
Embora o DSM -5 te nha sido p ublicado em 2013, a terminologia que vamos
adotar a o longo de ste trabalho é P erturbação de Hiperativ ida de co m Défice da
Atenção, de acordo com a classificação d o DSM - IV -TR ( Diagnostic and
Statistic Manual of Mental Disorders ), p or duas razões. A primeira, a literatura
existente e stá ainda muito d irecionada para aquela classifica çã o e , em
Quadro 3
(continuaçã o)
24
segundo, a avaliação da nossa amostra de estudo foi realizada com base na
mesma.
1.1. F UN D A MENT A ÇÃ O D A P ERTURBAÇÃ O DE H IPER A TIVIDADE /D ÉFICE
DE A TENÇ Ã O SEGUNDO VÁ RIO S A U TORE S
Ao consultarmos o estado da arte s a lientamos a opinião de alg u ns autores:
A Perturbação de Hiperatividade com Défice d e Atenção é um d istúrbi o
crónico, que pode rá inf luir, significativamente, n o desempenho e scolar,
emotivo, so cial e laboral a o longo de toda a vida e pode originar i mplicações
gravosas, não só no p ortador da p erturb ação, como, também, e m to dos
aqueles que o rodeiam. Assim, a PHDA apresenta dificuldades acentuadas na
atenção, na impu lsiv ida de e n a h i peratividade, que inte rferem, visiv e lmente,
no desempenho so cial, a cadémico, ocupacional ou recreativo da criança.
(Martínez-León, 2006)
Para Mateo (2005) “El TDAH es un trastorno esencialmente crónico,
caracterizado por un pa trón persistente de inatención, exceso de actividad e
impulsividad como carac terísticas definitorias.” (217)
A PHDA é u ma patologia prevalente e m ais f requentemente d iagnosticado na
criança em idade escolar. Norma lmente, as suas man i fe stações su rgem antes
dos sete ano s de idade. (Martínez-Leó n, 200 6; Net o et al., 2 014) É
considerada uma perturbação neuro comportamental, que contém grande
carga genética . Como resultado, esta perturbação pode arruinar as relaçõ es
com o s outros, perturbar a sua vida quotidian a, consumir energia e dim inuir a
sua autoestima. (Pujol et al., 2006)
A PHDA ref ere-se a uma « perturbação persistente de desatenção ou fa lta de
concentração e/ou impulsiv ida de -hiperatividade , q ue se revela de modo mais
25
intenso e gra ve que o habitua l para indivíduos com o mesmo grau de
desenvolvimento, int erferindo signif ic ativamente no rendimento académico,
social ou laboral.» (DSM-5, 2013)
Quando era criança passava o di a era na ru a. Subia às árvores,
descia aos poços, ent r ava nas minas…Ia aos ninhos, arranhava -me
nas silvas, partia a cab eça… Não parava quieto! «A part ir dos tr ês
anos só aparecias em casa quando tinhas f ome » - dizia, mais tarde, a
minha mãe. (Sauvé, 200 6: 9)
1.1.1. C A R A TERIZAÇÃ O
O q ue mais caracte r iz a a criança hiperactiv a é a sua dif iculdade em
manter a sua a tenção durante certos perí odos de tempo .
Este f acto é ev idente em casa , qu ando a cri ança é i ncapaz de
seguir as indicações e as directr iz es que lhe são dirigidas. Às vezes
pode até dar a impressão de q ue não ouvi u o que lhe disseram ou
que, simpl esmente, não estava a pre st ar a t enção .
Na escola, a criança hiperactiva é inca pa z de se concentrar na
realiz ação das tarefas que se estendem por um certo pe r í odo de
tempo. Por isso passa com frequênci a de uma tarefa para a outra,
sem conclui r nenhu m a. (P olaino-Lorente & Avi la, 2004: 12).
A PHDA, mencionada nas Perturbações Disruptiv a s do Comportamento é,
atualmente, um dos mais frequentes diagnósticos em P sicolog ia e P siquiatria
Infantil e é, também, um dos m ais estudados. Consiste numa alteração
neurobiológica que se manifesta nas dificuldades de autorregulação da
conduta em três aspetos concretos: a capacidade em manter a a tenção, o
controlo da impulsividade e o grau de atividade. (Hernández e González ,
2006)
26
O enquad ramento médico desta pe rtu rba ção está reconhecido p ela
Organização Mundial de Saúde (OMS), ca racterizado por três sintomas
nucleares: Dificuldades geradas pela falta de atenção (Défice de Atenção),
dificuldade no co ntrolo dos imp ulsos (Impulsiv ida de) e dif iculdades em regular
o nível de atividade (Hiperatividade).
Vários autores distinguem entre caracterí sticas p rimárias e secundárias. Como
características primárias e conside radas necessárias para a elaboração do
diagnóstico, apresent a m -se o défice de aten ção, a im pulsiv ida de e a
hiperatividade. (Barkley , 2006) As características se cundárias são vistas como
consequência das características primárias. Neste ponto, Ba rkl e y (20 06)
engloba-as da seguinte forma: problemas co gnitiv os, atraso na linguagem,
menor capa cidade de adaptação, prob le m as a nível d o dese nv olvimento
motor, défice de au torreg u lação das emoções, dificuldades n a realização
académica e realização de tarefas e, ainda, ocorrência de alguns riscos de
saúde (maior probabilidade de acidentes, d ificuldade em adormecer e
agitação durante o sono.
Esta perturbação crónica pode alterar as suas man ifestações, desde a
infância até à idade adulta, e in te rfere em muitas áreas do fu ncionamento
normal. Os sintomas pe rsistem entr e a su a população clí nica até à idad e
adulta. Até 80% das crian ças em idade escolar com diagnóstico de PHDA ,
continuarão a manifestar os sinais da mesma na adolescência e, entre 30 a
65% continuarão a apresentá -la na vida adulta, dependendo d e como a
perturbação é definid a em cada caso particular. (Barkley, 2002; Farao ne,
Biederman e Mick, 2006); Card o e Serv e ra-Ba rceló, 2005; Ramos-Quiroga et
al., 2006; Ramos-Quiroga et al., 2012; Rodrig u es e Antunes, 2014)
Na perspetiva de João Lopes,
[…] os sujeitos hiperactivos apresenta m problema s significativ os ( 1)
de atenção, particularm ent e em sit uações e m que se exi g e a sua
manutenção prolon g ada, (2) de controlo dos impulsos
(impulsiv idade) e de (3) ag itação motora (hiperactiv idade). A estes
é possível acrescentar, as dificuldades em seguir regras e
27
instruções e a excessiva variabili dade nas respo stas às situações.
(Lopes, 2004: 69)
(1) D ÉFICE DE A TENÇÃ O
As crianças desatentas ap resentam dificuldade em mant e r a concentração ,
por tempo ajus ta do à sua idade. L o go, de sde o 1º ciclo de escolaridade
começa a exigir-se que as crianças permaneçam centradas num a tarefa
durante um tempo superior à capacidade da criança com esta perturbação.
Estas distraem-se facilmente com estímulos de sinteressantes e irrelevantes,
prejudicando o ritmo de trabalho e a finalização das tarefas. (Neto et al., 2014)
A atenção é um req u isito f undamental p ara o p rocesso de aprendizagem,
devendo ser selet iva e contínua , isto é, o rientada para um e stímulo relevante,
de entre outros, e manter -se nele, por um período de tempo alargado. A
atenção de uma criança com e sta proble má tica dispersa-se f acilmente com
estímulos irrelevantes para a tarefa que está a realizar. A criança tem
problemas em orientar a sua aten ção, d e aco rdo com um proce sso
organizado de prioridades a conceder aos e stímulos que o meio lhe vai
fornecendo.
Os problemas de atenção acentuam -se, particularmen te, em tarefas que
exig e m um uso prolon gado da mesma, ou seja, a criança tem dificuld ade em
controlar a sua atenção no momento em que tem de desempenhar u ma tarefa
e, desta forma, pe rmanecer atenta quando a situaç ão assim o exige.
Sobretudo, parece inc a paz d e se con centrar o tempo suficiente, quan do a
tarefa é longa e, particularmente, m onótona. (Barkley, 2002; Falardeau, 1999;
Lopes, 2004; Rodrigues e Antunes, 2014; Sel ikowitz, 2010 )
Como consequência, a criança ao apresenta r dificuldades em manter a
atenção, irá comprometer a sua a prendizag e m, já que ouvirá menos na aula e
28
pouco fixará das suas leituras. (Falardeau, 1999) Outros problemas
académicos surg e m associados a problemas de atenç ã o, que incluem f raco
desempenho nos test es, habilidade s deficientes de estudo, cadernos, mesas
e trabalhos escritos desorganizados e falta de atenção às explicações do
professor e/ou trabalhos de grupo. (DuPaul e Stoner, 20 07)
Selikowitz (2010:4 0) refere, também, que as crianças co m PHDA têm
bastantes dificuldades e m prestar atenção a pormenores, o qu e é visív el
quando verificamos os trabalhos realizados por estes indiví duos: apresentam
erros; p or não seguirem a s instruções fo rnecidas, não concluem tare f as que
lhe tenham sido pedidas.
O défice de atenção é o sintoma que se manifesta mais constante e que
permanece com o decorrer do tempo. Resumindo as características
essenciais, estas crianças são menos capaz es d e m anter os compromissos
na realização das ta refas d o que aquelas que não têm esta p roble m ática; têm
dificuldades para começar as atividades e manter a atenção nas mesmas, até
as fina lizar. Não costumam prestar atenção aos detalhes, p erdem a
concentração, sobretudo nas tarefas rotineiras e rejeitam as que não
despertam o seu interesse. Os trabalhos que apresentam c ostum am estar
sujos e desordenados. Saltitam de atividade em atividade, sem, no entanto,
terminar qualquer u ma de las e, com frequência, perdem o mate rial e
esquecem as coisas. Embora compreendam as regras e instruções
fornecidas, por ca usa da sua desatenç ão, não as seguem a não ser que
sejam advertidas e constantemente recordadas.
(2) I MP ULSIVIDA DE
«A desinibição comp o rtamental con stitui um a incapacidade de controlo
pessoal em respostas a exigências da situação. O f r acasso na inibição de
29
comportamentos tem recebido na literatura a d enominação de im pulsi vida de.»
(Lopes, 2004:81)
Outra pa rticularidade das crianças hiperativas consiste na dificuldade em
controlar a impulsividade. E stas crianças e adolescentes n ão têm
des env olvida a capacidade de alterar o e nfoque do «aqui e agora» p ara o
enfoque no futuro, por isso, agem impulsiv ame nte. S ão impacientes, não
conseguindo espe rar pelos reforços positivos ou pelo adiar de recompensas .
Manifestam a incapacidade de usar o senso temporal pa ra guiar o seu
comportamento, por isso querem f azer ape nas o que é divertido ou
interessante no momento e escapar daquilo que é mais difícil, aborrecido ou
frustrante, max im izando a gratif icação i med iata tanto quan to p ossív e l.
(Barkley, 2002; Barkley, 2006; Neto et al., 2014; Pujol et al., 2006; Villar, 2007)
A im pulsividade refere-se a um estilo de conduta precipitado. Manifesta -se p or
uma ra p idez excessiva no processamento da in f ormação e na emissão de
resposta, antes de reunir os elementos ne ce ssá rios para a mesma.
As crianças hipe rativas têm tendência a antecipar respostas, ou seja ,
respondem rápida e precipitadamente às qu e stões que lhe são formuladas,
mesmo antes d estas estarem concluídas ou a completare m a s frases das
outras pessoas. São in capazes de pensar antes de agir, não m edindo a
consequência dos seus atos. (Lopes, 2004; Phelan, 200 5; Pujol et al., 2006)
Selikowitz (2010) igualmente menciona a impulsividade como uma
incapacidade d e pensar antes d e agir e acrescenta q ue a mesma acarret a
problemas às crianças com PHDA nos vários contextos que e las frequentam,
quer seja escola, quer seja casa.
A incapacidade de inibição dos impulsos fá -las proferir palavras agressiv as ou
frases socialmente inadequadas aos outros, p alavras rapidamente esquecidas
por elas, mas que são mal consentidas pelos pares ou pelos adultos, em
especial, por aqueles que se encontram e m posição de autoridade. Estas
crianças revelam dificuldade em seguir instruções e e xperimentam, também,
30
uma grande dificuldade em esp erar a sua vez numa atividade d e grupo ou em
filas, d ificuldade que se traduzirá por agitação ou p or recu sa em participar, ou
ainda, por tentativas grosseiras d e tomar o lugar dos que têm a vez .
(Falardeau, 1999; Espina e Ortego, s/d; Garcí a , 2001; Rigon, 2010 )
Na escola, a dificuld ade d e esperar pela sua vez po de m ani fe star -se de
diversas ma neiras. A criança pode empurrar os colegas p ara ser a p rimeira da
fila, ou acelerar p elo corredor, tropeçand o nas pessoas, p ara ser a primeira a
sair para o recreio. Na s ta refas escolares, a impaciência p ode f azer -se
presente por meio de u m trabalho desorgani zado e realiz a do à p ressa, com
uma caligrafia descuidada, uma v ez que muita s crianças co m esta
problemática man i fe st am p r o blemas com a co ordenação moto ra f ina. (Garc ía,
2001; Phelan, 2005)
A impulsividade destas crianças leva -as a correr riscos, já que se envolvem
em ativ ida des arrojadas, sem terem em consideração o seu pe rigo potencial,
que resu ltam, co m m uita f requência, em acidente s graves, co mo
envenenamentos, fra turas, traumatismos cranianos, entre outros. (Barbosa,
2005; Falardeau, 1999; Garcí a, 2001; Selikow itz, 2010 ; Villar, 2007 )
A criança com PHDA apresenta uma conduta imatura e inadequada, porque
não tem capacidade su f iciente para ref letir, nem a m aturidade razoável para
analisar eficazmente uma situação real ou imag inária. (Villar, 2007)
Em contexto escolar, a sua impulsividade manifesta -se, em grande medida,
responsável pelas dificuldades de aprendizagem que patenteiam. Com efeito,
a criança tenderá a respo nder impulsivamente, sem ref letir, antes de ouvir as
questões, e, consequentemente, os seus resultados escolares ress entir -se-ão
disso. (Barbosa, 2005; Falardeau, 1999; Lopes, 2004; Selikowitz , 2 010)
Estas crianças manifestam, ainda, dificuldades acentuada s na gestão d o
dinheiro, compram o que vêm sem pensar se o po dem fazer. Por o utro lado,
é-lhes complicado seguir as regras e stabelecid as, não porque não as
compreendam, mas porque nã o se conseguem controlar e agem sem re f letir.
37
não sendo possível estabe lecer uma relação clara de c ausa -efeito entre eles.
(DuPaul e Stoner, 2007; Faraone e B iederman, 1998)
1.1.2.4. F A TORE S F AMILI A RES E S OCIOCULT UR A IS
Outros fa tores de natureza psicosso cial/familiar e com portamental podem,
ainda, ser relevantes na PHDA. A existência de u m ambiente f amiliar
conflituoso, pouco estruturado, o baixo nível so cio e conómico, p e rturbações
psiquiátricas e o abuso d e substâncias nos prestado res de cuidados
mostraram associ ação co m o risco de as crian ças desen volv erem PHDA.
(Neto et al., 2 014; Rohd e, Mattos & cols, 2 003) Estes fatores agravam
aparentemente os sint omas. (Rodrigues e Antunes, 2014) Também não nos
podemos esquecer que a P HDA po de pertu rba r as interaçõe s e a dinâmica
familiar. Mais, ainda, numa família na qual exista um p ortador de PHDA, há
40% mais de probabilidade de existir ou tro membro com a mesma
perturbação.
Falardeau (1997) menciona que um estudo verificou que a maior parte dos
pais de criança s hipe rativ as educavam os seus filhos de maneira dif erente ,
gritavam e puniam com mais frequência e severidade, raramente o s
recompensavam e brincav a m meno s co m e les.
Este padrão de relacionamento pode influenciar a mane ira como a criança se
comporta em relaçã o aos pais, aumentando o nível de rebeldia e o posição,
reforçando a perceção da sit u ação como sem saída. (Sena e Neto, 2007) No
entanto, dois estudos de monst raram que esta atitude parental não e ra a
causa mas a consequência da hiperatividade. (Falardeau, 1997)
38
Contudo, ex iste m cria nças provenientes de f amílias d isfuncionais que não
apresentam sintomas de P HDA e o u tras com PHDA que não provêm d e
famílias disfuncionais ou desfavorecidas. (Neto et al., 2014)
O u so de vários m edi camentos c om a substância Metilfenidato (MFD) , que
promove a libertação da dopamina, da vesícula sináptica e inibe a acção do
transportador d a dopamina, pr omove o aumento desta sub stância
neurotransmissora na fenda sináptica. (Barkley , 2 002; Rodhe, Mattos & Cols.,
2003; Neto et al., 2014) Este tema será aprof u ndado mais adiante.
Resumindo, a PHDA é uma doença d e base neurológica, com fo rte inf luência
genética e m odulada p elo m eio ambiente. E nvolve f ato res n eurobiológicos
que condicionam uma deficien te ativação do córtex p ré -frontal que, por sua
vez, leva a défices nas f unções executivas, incluindo o controlo da atenção e
a inibição dos impulsos. (Neto et al., 2014)
As causas da PHDA são comp lexas e multifatoriais. Assim, torna -se difícil
precisar a forma como os diferentes fatores de risco int eragem ao lo ngo do
desenvolvimento e orig ina m alguns sintomas em p a rticular. A etiologia da
PHDA é descrita, ainda, de f orma genérica. A com preensão de cada caso
implica u ma experiência clínica que perm ita a recolha de informação
detalhada e a explicação dos sint omas de cada criança ou ado lescente de
forma integrada. Só desta maneira se poderá saber como é que para cada
criança/adolescente, diferentes f at ores de risco e de prote ção se cruzaram e
estabeleceram um equilí brio/d esequilíbrio no processo de desenvolvimento
intelectual. (Rodrigues e Antunes, 2014)
39
1.1.3. D IA GNÓSTICO
A tríade si ntomatológica clássica da PHDA caracteriza -se pela desatenção,
impulsividade e hiperatividade, como já foi anteriormente ref erido.
Independentemente d o sistem a d e classificação utiliz ado , a s crianças co m
esta problemática são fa cilmente reconhecidas, quer n a escola quer nos
espaços públicos.
Rodhe e Halpern (2004) e sclarec em que pa r a rea lizar o diagnó stico da PHDA
é sempre n ecessário contextualizar os sintomas na história d e vida da criança.
Alguns sintomas são indicad ores da presença d e PHDA, tais como, a
duração, a f requência e intensidade do s sintomas e a p ersistênc ia d os
mesmos em vários locais e ao longo do tempo.
A realização do diagnóstico à cria nça ou adolescente co m PH DA não se
apresenta fa cilitada, pois pa ra além da dificuldade de classificação e de
critério de diagnóstico , en contramos, também a inex istê ncia d e padrões ou
normas que estabeleçam a vari ação do nível da atividade motora e o nível de
atenção/concentração, que podem ser con side rados pa r a o dia gnóstico da
hiperatividade ou défice de atenção. (Messina e Tiedemann, 2009)
A ap r esentação clínica da PHDA a ltera-se de aco rdo com o estádio do
desenvolvimento da pessoa, parecendo hav e r uma diminuição dos sintomas
de hiperativ ida de na ad olescência e restando, de forma m ais acentuada, os
sintomas de desatenção e de impulsividade. (Bro wn, 2007 ; Rodhe e Halpern,
2004)
É ne cessário rea lizar avaliações apropriadas p ara se poder identificar,
convenientemente, a conduta hipe rativ a. Recomenda -se o uso de técnicas de
classificação, avaliação multimodal, interpretação de resu ltados e a
adequação de um tratamento. A avaliação m ultimodal contemp la: e ntrevistas
com os pais, com os professo res, na aplicação de questionários, observações
40
diretas do comportamento da criança e a i nf ormação sob re a sua evolução
académica. O objetivo b ásico d este modelo é de estabelecer u m b om
diagnóstico do aluno e implement a r, em f unção da avaliação, um plano de
tratamento. (DuPaul e Sto ner, 2 007; Neto et al., 2 014; Phelan, 2005;
Rodrigues e Antunes, 2014; Rohde, Mattos & Cols., 2003)
O profe ssor con stitui uma fo nte f iável na identificação do s comporta mentos de
falta de atenção, de hiperatividade e d e impulsividade que caracterizam as
crianças com PHDA em contexto escolar. (Pujol et al., 2 006) Sabendo que o s
atuais critérios de d iag n óstico implicam a manifesta ção de sintomas em , pelo
menos, dois contextos, a casa e a escola, o papel d os professores na
identificação e diagnóstico desta con d ição é crucial. (Casas, Mateo e Riv e ra,
2005)
O DSM-III, na introdução relat iva aos critérios diagnósticos, indica a
importância do professor, e nquanto e lemento identif icador da problemática, ao
aduzir que,
A criança apresenta, relativamente à sua idade mental ou
cronológica , sinais de atenção inapropriada , impulsiv idade e
hiperactiv idade. Estes sinais devem ser referenci ados pelos adultos
que lidam com a crianç a, tais como pais ou pro f essores. Uma vez
que os sintomas são tipicamente variáv eis, não podem ser
observados pelo clínico. Quando os relatórios de professores e pais
forem contraditórios , devem em princípio tomar-se como mais
fiáveis os relatórios dos pro f essores, devido ao grau superior de
conhecimento dos comporta mentos de crianças de diversas idades.
(DSM -I II, citado em Lope s, 1996)
Existem v á rias pe rturbações que man ifestam sintomas muito semelhantes à
PHDA. Na tabela que se segue, fazemos um levantamento de várias
problemáticas, indicando as suas semelhanç as e diferenças com a PHDA.
41
Quadro 4
Principais doenças mentais com sintomas similares à PHDA que simulam
PHDA ou coexistem com ela
P ERTURB A ÇÃ O
S EMELHANÇAS
D IFERENÇAS
Inteligência Li m í t rofe ou
Atraso M ental Leve
O co m porta ment o destas
crianças costuma ser
semelhante ao de uma
criança com a mesma
idade mental (mais ativ o,
mais impulsiv o, menos
atento, e co m menor
rendimento escolar ao
esperado para a sua idade
cronológica ) .
As cr ianças com inteligênci a
limítro f e passam
despercebidas se não se
realiz a um teste de
inteligência fiável. A
inteligência de crianças com
PHDA tem as mesmas
variaçõe s que as cr ianças
sem PHDA.
Perturbação de
Oposição e Desa f io
Falta de atenção,
hiperativ idade,
comportamen t o dis ruptivo,
inadaptação escol ar.
A criança com PHDA não se
nega a cu mprir ordens como
desa f io ao adulto. Não as
cumpre porque está dis traído.
Não é exigente nem
ressentido .
Perturbação da Conduta
Comportamen to disruptiv o,
impulsiv idade, ag ressões,
inadaptação escol ar.
As crianças com PH DA
sentem remorsos pelos atos
vi o lentos. Não t êm ideias
agressiv as ou antissociais.
Não são hos t is nem c ruéis.
Perturbação de
Ansiedad e por
Separação
Hiperativ idade, falta de
atenção, inadaptação ou
baix o r endimento escol ar.
As cr ianças com PHDA têm
medo de se separarem dos
seus pais.
Perturbação O bsessiv o-
compulsiv o
Problemas de atenç ão,
baix o r endimento escol ar.
As cr ianças com PHDA não
têm ideias obsessi vas nem
compulsiv as. Os sintomas
que manifesta m estão
presentes desde a primeira
infância.
(continua)
42
Depressão
Impulsiv idade,
irritabili dade, isolamento,
baix a aut oestima, baixa
tolerância à f rustraç ão,
baix o r endimento escol ar.
As cr ianças com PHDA não
apresentam sentim entos
persistentes de infelicida de ou
tristeza sem m otiv o. Os
sintomas depressiv os nesta
população são secundários e
devem-se aos múlti plos
fracassos que obtém.
Perturbação Bi polar
(episódio maní aco)
Os episódios maní ac os
têm sin t omas muito
semelhantes à PHD A t ipo
misto sev ero.
As cr ianças com PHDA não
têm uma autoestima
exagerada. O s sintoma s q ue
apresentam estão pres ent es
desde a primeira inf ância, não
haven do, portanto, oscilação
periódica (da depress ão à
mania).
Perturbação da
Linguagem e da
Aprendiz ag em
Inadaptação e baix o
rendimento escolar, f al ta
de atenção, baix a
autoestima.
As cr ianças com PHDA não
têm um desenv olvimento
lento da linguagem. Se não
entendem o q ue leem é
porque não prestara m
atenção ou por q ue não se
recordam. T êm uma m á
caligrafia por má coordenação
motora fina. Algumas
dificuldades verificada s na
área da matemática são
atribuí das à pr oblemá t ic a.
Tiques
(Sí ndrome de Tou r ette)
Problemas de atenç ão,
impulsiv idade, mau
rendimento escol ar.
Por vezes, os tiques passam
despercebidos ao observador
ou aos pais .
Como é possível verificar, enco ntramos o déf ice de atenção, a impulsiv ida de,
a hipe ratividade, a s dificuldades escolares, a baixa au toestima n as
perturbações apresentadas e nenhuma delas corresponde à PHDA. Por esta
razão, é im portante identif icar se e stamos pe rant e PHDA ou se são
manifestações desta problemática, noutra perturba çã o. Neste sentido Rohde
et al. (2000) afirmam que,
Quadro 4
(continuaçã o)
43
É importante salientar que a desatenção , a hiperativi dade ou a
impulsiv idade como sintomas isolados podem r esultar de muitos
problemas na vida de relação das crianças (com os pais e/ou com
colegas e amigos), de sistemas educacionai s ina deq uados, ou
mesmo estare m associados a outros transtornos comume nte
encontrados na infância e adolescência. Portanto, para o diagnóstico
do TDAH é sempre necessário contextualiz ar os sintomas na história
de vida da criança. Para o diagnóst ico de TDAH , é necessário uma
avaliaçã o cuidadosa de cada sintoma e não somente a lista g em de
sintomas. ( 7- 8)
O diagnóstico da PHDA é estabelecido através d e uma avaliação clínic a
cuidadosa, v alen do-se de critéri o s claros e be m definidos, p r ovenientes de
sistemas d e classificação como o DSM - IV -TR ( Diagn ostic a nd Statistic Manua l
of Mental Disorders , Fou rth Edition ) e a CID 10 ( Classificação Internacional
das Doenças , 10 ª ed ição). As caracterí sticas f ísicas, os marcadores
laboratoriais ou os exames de imagem q u e co mprovem o diagnóstico, n ão
existem. O DSM- IV -TR def ine vários critérios para o diagnóstico da
Perturbação, que engl ob am o s d iferentes si ntom as e as suas características,
em dois módu l os, o primeiro refe re -se à falta de atenção e o se gundo
concerne à hiperatividade e à impulsiv ida de, além dos critérios relacionados
com o tempo de prevalência dos sint omas e idade de início da mani f estação
dos mesmos.
Devido à variedade de denominações atribuídas à P HDA, fo i criada, na
Europa, pe la Organ ização Mundial de Saúde (OMS), a Classificaçã o
Internacional de Doença s (CID). Nos Estados Unido s, a Associação
Psiquiátrica Americana (APA ) ap resentou uma classificação dif erente da
OMS. Um grupo de peritos em várias áreas criou o Manual de Diagnóstico
Es tatístico (DSM). Qu er a CID, quer o DSM fo ram sofrendo atualizações e o
objetivo maior foi adotar uma linguagem com u m. (Pérez e Lago, 2007)
Historicamente, as d iferentes versões d o DSM con stituíram o instrumento que
estabeleceu os critéri os diagnósticos pa ra a PHDA. Nas suas primeiras
edições, aqueles basearam -se n as características clínicas, fo caliz and o -se,
posteriormente, tanto na consistên ci a interna como na validez de critério e
44
estrutura dos sint omas, o que permitiu o reconhecimento e pidemiológico e
categórico da perturbação. (Trujillo-Orrego, Ibá ñez e Pineda, 2012)
O DSM e a CID prop orcionam critérios diagnósticos e u m agrupamento de
sintomas, que pe rmit e m aos profissionais o esta belecimento de regras e
critérios específicos para efetuar o diagnóstico e orientar o trat amento. Quer
um sistema quer outro constituem classificações descritivas, mas não
etiológicas. A CID -10 e o DSM - IV -TR apresentam mais similaridades do que
diferenças nas d iretriz e s diagnósticas para a perturbação, e m bora utiliz em
nomenclaturas d iferentes (Perturbação de Hiperatividade com Déf ice da
Atenção, no DSM - IV -TR e Distúrbio Hipercinético , na CID -10). (Rohde et al.,
2000; Rodhe & Halpern, 2004)
Nos quadros seguintes, apresentamos os critérios diagnósticos de ambos
sistemas classificatórios, primeiro do DSM - IV -TR e em seguida da CID- 10.
Quadro 5
Critérios diagnósticos para perturbação de hiperatividade /défice de atenção
A. ( 1) ou (2)
1) Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de falta de atenção
dev em persistir pelo menos por seis meses, com u ma
intensidade que é desada ptativa e incons i stente em relação com
o nível de desenv olvimento.
Falta de a tenção:
a) com f requência, não presta atenção sufici ente aos pormenores ou
comete er ros por desc uido nas tarefas e scolares, de trabal ho ou
noutras activ idades lúdicas;
b) com frequência, t em dificuldade para manter a atenção em tarefas
ou
activi dades;
c) com f requência, parece não ouvir quando se lhe dirigem
directamente ;
d) com f requênci a, não segue instruções e não t ermina os trabalhos
(continua)
45
escolares, encargos ou deveres no local de trabalho (sem ser por
comportamen t os de opo sição ou por inco mpreensão das instruções) ;
e) com frequência, tem di f iculdade em organiz ar tarefas e
activi dades;
f) com fre q uênci a, evita, sen t e repu g nânci a ou está relutan te em
envolv er- se em ta refas que requeira m esfor ço m ental mantido (tais
como trabalhos escolares ou de casa );
g) com fr e quência, perde objectos neces sários a tarefas ou
activi dades (por exemplo, brinq ue d os, exercí cios escolares, lápis,
livros ou fer ramentas);
h) com fre q uênci a, distra i -se facilmente com estímulos ir r elev antes;
i) esquece -se, com f requên cia, das activi dades quotidianas.
2) S eis (ou mais ) dos seguintes s intomas de hiperact ividade-
impulsividade pers istem, pelo menos por seis meses, co m uma
intensidade que é desadaptativa e inconsistente com o nív el de
desenv olvimento.
Hiperactiv idade
a) com frequência, mov imenta excessiv amente as mãos ou os pés,
move-se quando está sentado;
b) co m frequência , lev anta -se na sala de aula ou noutras situa ções
em que se e spera que esteja sen tado;
c) com frequência, co rr e ou salta ex cessivamente, em situações em
que é inade quado f azê-lo ( em adolescen tes ou adultos, pode limitar-
se a sentimen tos subjecti vos de impaciência);
d) com fr equência, tem dificuldade em jo gar ou dedicar-se
tranquilamen te a actividade s de ócio ;
e) com frequência, “ and a” ou só actua como se e stivesse “ligado a
um motor”;
f) com fre q uência, f ala e m excesso.
Impulsividade
g) co m fr equência, preci pita as respostas antes que as per g untas
tenham acabado ;
h) com fre q uênci a, t em d if iculdade e m esperar pe la sua vez;
i) com f requência , interrompe ou interfere nas actividades dos outros
(por ex emplo, introme te -se nas conv ersas ou jogo s) .
Quadro 5
(continuaçã o)
(continua)
46
B. Al g uns sintomas de hiperactiv idade-impulsividade ou de f alta de
atenção que causam dé fices surgem an tes dos 7 anos de idade.
C. Alguns défices provocados pelos sintomas estão presen tes em
dois ou m ais contex t os [ por exempl o, a escola ( ou trabalho ) e em
casa].
D. Devem exi st ir provas claras de um dé f ice clinicamente significativo
do funciona ment o soci al, académico ou laboral .
E. Os sintomas não ocorrem exclusi vament e durante uma
Perturbação Global do Desenvolvimento, Esqu izofrenia ou outr a
Perturbação Psicótica, e não são melhor ex plicados por outra
perturbação mental (por exemplo Perturb ação do Humor,
Perturbação da Ansi edade, Perturbação Dissoci ativa ou Perturbação
da Personalida de).
Relativamente ao défice de atenção , a questão central p arece residir na
lentidão no processamento da informação, por um estado de alerta e
vigilância inconsiste nt e, em especial, quando a inf ormação se apresenta de
forma aud itiva. Em relaçã o à conduta social, as crianças com PHDA
predominantemente desatenta s são mais passivas, têm um conhecimento
social limitado. (Phelan, 2005)
A PHDA com predominância da hipe ratividade -impulsiv idade é mais comum
em crianças pré-escolares, o precursor evolutiv o do tipo misto.
Na apresentação do diagnóstico da Perturbação d e Hiperatividade co m Défice
de Atenção existem três subtipos de PHDA, consoante a f requência e
intensidade dos comportamen tos de desatenção e/ou hiperatividade -
impulsividade que a crian ça e xibe. A maioria das crian ças e adolescentes
apresenta o tipo combinado. PHDA Tipo Misto é caracteriz a do pela pessoa
que apresenta o s dois conjuntos de critérios dos tipos: desatento e
hi perativo/impulsiv o. (DuPaul e Stoner, 2007; Phelan, 2005; Rodhe, Mattos e
Cols., 2003)
Quadro 5
(continuaçã o)
53
melhores sintomas para detetar com p recisão a perturbação em cada etapa
do desenvolv ime nto (infância, adolescência e ida de ad ulta). Neste momento,
estas suposições estão a ser questionadas.
Cacioppo et al. (2000) propõem uma abordagem m ultinível q ue p ermita
compreender, c om p recisão, a s características neurobiológicas implicadas no
desenvolvimento e percurso da perturbação . Os autores su gerem um marco
conceptual comum e transferível, que reconheça as dife rentes abordagens no
estudo dos substra to s n euroniais e mecanismos d e produção do
comportamento (neurociências, genética, anatomia, psicologia, so ciologia) e
que, por sua vez, p ermita criar interligações e te orias abrangentes, integrando
só avanços científicos encontrados em cada uma destas áreas.
Retomando o conceito de aproximação multinív e l de Cacio ppo et al., (2000) ,
Trujillo-Orrego, Ib áñez e Pine da (2012) apoiam a criação de u ma e scala
proposta para o estudo da PHDA. Esta proposta visa o desenvolv ime nto de
um guia de trab alho, para o m anuseio si stemático da informação clínica, como
estratégia útil n a cons o lidação de conhecimentos, n a a rticulação parcimoniosa
de cada um dos níveis de compreensão do fenómeno e o avanço no
reconhecimento da fisiopatologia da perturbação.
A atual versão do DS M, o DSM -5, publicada em maio de 2013, re f ere -se à
PHDA como «uma p erturbação persistente de d esatenção ou falta de
concentração e/ou impulsiv ida de -hiperatividade , q ue se revela de modo mais
intenso e gra ve que o habitua l para indivíduos com o mesmo grau de
desenvolvimento, interferindo significativ a mente no rendimento académico,
social ou laboral.»
Nesta versão, a ideia d e subtipos f oi eliminada, s e ndo substituída pe la
expressão “formas de apresentação”. Esta fo rma de caracterizar as p essoas
com PHDA, atribui-lhes dif erentes d esignações p ara diferentes e xpressões do
problema, mas a ssu m e que estas formas de e xpressão são variáv eis
normalmente e m fu nção do sex o e da idade de desenvolv im ento. A versão 5
do DSM alte rou, ainda, a ida de de início dos prob lemas para a con cretização
54
do diagnóstico, que foi alterada dos 7 para os 12 anos. (Rodrigues e Antunes,
2014) Con soante os sintomas que predominam no s seis m eses anteriores ao
diagnóstico, considera m -se três f ormas de apresentação clínica da PHD A:
predominantemente desat ento, p redominant e mente hipe rativ o -imp ulsivo e o
tipo m isto ou combin a do. Em todas as forma s clínicas há desatenção, em
maior ou me nor grau. A s m anifestações clínicas podem evoluir de um subtipo
para outro, assim como ap resentar a lgumas variações, con soant e o s d iversos
ambientes da criança. (N eto et al., 2014)
Quadro 11
Perturbação de Hiperativ ida de/Défice de atenção
P ERTURBAÇÃO DE H IPERATIVIDADE /D ÉFI CE DE ATENÇÃO
A. U m padrão persisten te de desatenção e / ou hip eratividade-impulsiv idade
que interfere com o f uncionamento ou desenv olviment o, caracteriz ado por
(1) e/ou (2 )
1. D esatenção : 6 (ou m ai s) dos se g uintes sintomas pe rsistiram pelo
menos durante 6 meses num grau q ue é inconsistente com o ní vel de
desenv ol vi m ento e que te m i m pa cte ne g ativo di r eto nas atividades
sociais e acadé micas/ocupacion ais:
Nota : Os sinto m as não são apenas um a m ani f estação de
comportamen t o de oposição, desa f io, hostili dade ou falhas na
compreensão de ta ref as ou instruções. Para adol escentes mais velhos
e adultos (17 anos e mais), são necessá r ios pelo m enos 5 si ntomas.
a. Fre quentemente, falha em pres t ar atenção aos pormeno r es ou
comete e r ros po r descuido nas tarefas escolares, no trabalho pu
noutras a t ivi dades (por exempl o, neg li gencia ou perde
pormenores, o trabalho é impreciso ).
b. Fre quentemente, t em dif iculdade s em manter a atenção no
desempenho de taref as ou atividades (po r ex emplo, tem
dificuldades em manter-se concentrado durante aulas, conversas
ou leitura prol ongada).
c. Frequentemente, pa r ece não ouvi r quando se lh e f ala diretamen te
(por ex emplo, parece e star com o pensamento noutro assunto ,
mesmo na ausência de uma distração óbv ia).
(continua)
55
d. Fre quentemente, não segue as instruções e não termina os
trabalhos escolares, encargos ou deveres no loc al de trabalho (por
exempl o, inicia as tarefas, mas depressa pe rde a concentração e é
facilmente desvi ado).
e. Fre quentemente, tem dificuldades em organi zar tarefas e
ativi dades (por ex emplo, dificuldade em g erir tare f as sequenciais ;
dificuldade me m anter materiais e pertences em ordem; trabalh o
confuso e desor g aniz ado; tem u ma pob re gestão de tempo; f alh a
em cumpri r praz os).
f. Frequentemente , evita, não gosta ou es tá relutante em envol ver -se
em tarefas que requeiram um esforço mental mantido (po r
exempl o, trabalhos escolares ou de casa; para adolescentes mais
vel hos e adultos, prepar ar r ela t órios, completar form ulários , reve r
textos lon g os).
g. Frequentemente , perde objetos necessários para tarefas ou
ativi dades (por e xempl o, materiais escolares, lápis, livros,
ferramentas, carteiras , chav es, documentos , ócul os, telemóvel).
h. Fre quentemente, é f aci lmente distraí do por estímulos alheios (para
adolescentes mais velhos e adultos podem-se in cluir pensamentos
não relacionados) .
i. Esquece-se com f requ ência das ativi dades quotidianas ( por
exempl o, e f etuar tarefas, fazer recados; para ado lescentes mais
vel hos e adultos, devolv er chamadas, pag ar contas, man ter
compromissos ).
2. H i perativ idade e I mpulsiv idade: 6 (ou mais) dos seguintes sintoma s
persistira m pelo menos 6 meses a um nível que é inconsistente com o
nív e l de desenvolvimento e que tem impac t e negativo direto nas
ativi dades sociais e académicas/ocupa cionais:
Nota: Os sintomas não são apenas uma manifestação de
comportamen t o de oposição, desa f io, hostili dade ou falhas na
compreensão de ta ref as ou instruções. Para adol escentes mais velhos
e adultos (17 anos e mais vel hos), pelo menos 5 sintomas são
necessários.
a. Fre quentemente, agita ou bate com as mãos ou os pés ou
remexe-se quan do está sentado.
b. Fre quentemente, lev anta-se em situações em que se espera que
esteja sentado (por ex emplo, levanta-se do seu lugar na sala de
aula, no escritório ou out ro local de trabalho ou noutras situa ções
que reque r em per m anec er sentado) .
Quadro 11
(continuaçã o)
(continua)
56
c. Frequentemente, co rr e ou salta em situações em q ue é
inadequado f azê-lo. ( Nota: Em adolescentes ou adultos pode
limitar-se a sen t ir-se in quieto.)
d. Fre quentemente, é i ncapaz de jo g ar ou envolver-se co m
tranquilida de em atividade s de lazer.
e. E st á f requen t emente «em movimento », agindo como se estiv esse
«ligado a um mo t or» (por exemplo, sente-se descon f ortável ou é
incapaz de estar quieto por perí odos extensos, como em
restaurantes , encont r os; pode ser experienci ado por ou t ros co mo
estando impaci ente ou com di f iculdade e m acompanhar).
f. Frequentemente , fala e m excesso.
g. Frequentemente , p recipita as respostas antes q ue a s pergunta s
tenham acabado (por exemplo, completa as f rases das pessoas ;
não conse g ue espera r pel a sua vez de entr a r na con versa).
h. Fre quentemente, te m dificuldade em esperar pela sua vez (por
exempl o, enquanto espera nu ma f ila ).
i. Frequentemente , interro m pe ou interfere nas ativ idades dos outros
(por exemplo, intro m ete-se nas conversas, jogo s ou ativi dades;
pode começar a usar as coisas das outras pessoas sem pedir ou
receber permissão ; para adolescentes e adultos , pode introme t er-
se ou assumir o cont rolo do que os outro s estão a f azer) .
B. V ários dos sinto m as de desatenção ou hip eratividade-impulsiv idade
surgiram an tes dos 12 a nos de idade ,
C. Vários dos sintomas de desatenção ou hiperativ idade- impulsi vidade estão
presentes e m 2 ou mais contextos ( po r ex emplo, em casa, escol a ou
trabalho; co m amigo s ou famili ares; noutra s ativ idades).
D. Exi st em prov as evi dentes de q ue os sintomas interfere m com, ou
reduzem, a q ualidade do f unciona m ento social, académico ou
ocupacional .
E. Os sintomas não oc orr em exclusiv amente durante o curso de
esquizo f renia ou outra perturbação psicótica e não são mais be m
explicad os por outra perturbação mental (por ex emplo, perturba ção d o
humor, perturbação da ansiedade, pert urbação dissociativ a, perturbação
da personalida de, intoxicação ou abs tinência de s ubstâncias).
Especifica r se:
ICD-9- CM
ICD- 10 -
CM
Formas de ap resentação
314.01
(F90.2)
A presentação combinada. Se estão preen chidos o
Critério A1 (desatençã o) e Critério A2 (hipe ratividade-
Quadro 11
(continuaçã o)
(continua)
57
impulsiv idade) durante os últimos 6 meses.
314.00
(F90.0)
A presentação predominantemente de desate nção. Se
está preenchido o Critério A1 (desatenção) mas não o
critério A2 (hipera t iv i dade-impulsiv idade) durante os
últimos 6 me ses.
314.01
(F90.1)
A presentação predominantemente de hiperativ i dade-
impulsividade . Se está preenchido o Critério A2
(hiperativ idade-impulsiv i dade) mas não o Critério A1
(desatenção) du rante os úl timos 6 meses.
Especifica r se:
Em remissão parcial . Quando os critérios completos f oram preenchidos
previamente, mas no s últimos 6 meses os critérios não foram
completamente preenchidos e os sintomas ainda resultam nu m défice do
funcionamen t o social, acad émico ou ocupacional.
Especi f icar gravi dade atual:
Ligeira. Estão presente poucos, se alguns, sintomas exceden t es em
relação aos necessário s para efetuar o diagnóstico e os sintomas não
resultam e m défices mínimos no funcionamen to social ou ocupacional .
Moderada. Estão presentes sin t omas ou dé f ice f uncional entre «ligei r o» e
«grave» .
Grave. Estão presentes muito sinto mas excedentes em relação aos
necessários para efetuar o dia g nóstico ou vários sintomas que são
particular m ente g raves ou os sintomas result am num défice marcado do
funcionamen t o social ou ocupacional .
314.01 (F90.8) Per turbação de Hiperativ idade/Dé f ice de A tenção com Outra
Especificação
Esta categoria aplica-se a apresentações nas quais os sintomas
caracterí sticos de perturbação de hiperativ idade/défice de atenção , q ue
causam angústia ou incapacidade clinicamente significativas no f uncion amento
social, ocupacional ou noutras áreas importan t es do f unciona mento,
predominam mas não preenchem todos os critérios para perturbaçã o de
hiperativ idade/déf ice de atenção ou q ualque r outra das perturbações da classe
diagnóstica das perturbações do neurodesen volvimento. A categoria
perturbação de hipera t iv idade/déf ice de atençã o com outra especi f ica ção é
usada em situações nas q uais o clí nico escolhe comunicar a r azão especí fica
pela q ual a apresentaç ão não preenche os critérios para perturbaçã o de
hiperativ idade/déf ice de atenção ou q ualquer pertu rbação do desenvolv i mento
especí f ica. Isto é e fetuado registando «perturbação de hiperativ idade/défice de
Quadro 11
(continuaçã o)
(continua)
58
atenção com outra especificação» seguido pela razão específica (por exemplo,
«com sintoma s de défice de a tenção insuficien t es»).
314.01 (F90 .9) Perturbação de Hiperativ idade/Défice de A ten ção Não
Especificada
Esta categoria aplica-se a apresentações nas quai s os sintomas caracterí sticos
de perturbação de hiperativ idade/défice de atenção, que causam angústia ou
incapaci dade clinicamente signi f icativas no f uncion ament o social, ocupacional ou
noutras áreas impor t antes do f unci onamento, predomin am mas não preenchem
todos os cr itérios para perturbação de hiperativ idade/déf ice de atenção ou
qualquer outra das perturbações da classe diagnóstica das perturba ções do
neurodesenv olvimento. A categoria perturbaçã o de hiperativida de/ défice de
atenção não especificad a é usada em situações nas quais o clíni co escol he não
especi f icar a razão pela qual não são preenchi dos os c ritérios para perturbação
de hiperativ idade/déf ice de atenção ou para u ma perturbação do desenv olvimento
especí f ica, e inclui apresentações nas quais não ex iste inf ormação su f iciente para
efetuar u m diagnós tico mais especí f ico.
In APA (2013)
Embora a classificação apresentada pelo DSM-5 seja a mais recente e a que
vigorará, a nossa pop u lação em e studo f oi avali a da, ainda, pelo DSM - IV -TR.
Desta forma, manteremos ao lon go do trabalho, as referências utiliz a das no
mesmo.
Após a apresentação de algumas a ceçõ es do DSM, retom amos o assunto do
nosso trabalho. A ssim, quando uma criança apresenta alterações do
comportamento sugestiv a s de PHDA (déf ice de atençã o, impu lsiv idade e
hiperatividade) é necessário realizar uma a valiação médica global, que
consistirá ou n a confir m ação do diagnóstico d e PHDA ou em ide ntificar outras
situações com sintomas muito parecidos, mas q u e não é PHDA.
Kim lembra que chorou de alív io quando o filho Christophe r foi
diagnosticado por um co nsultor aos oito anos e meio de id ade. “Até
aquele momento eu m e sen t ia muito cul pada. D isseram -me que
seus problemas de co mportamento era m devidos à má educ ação
ou estavam relacionad os a problemas entre mim e o meu marido,
ou tinham algo a ver com a depressão pós -parto q ue eu tive após o
seu nascimen to. Agora percebo que estes problemas f ora m
Quadro 11
(continuaçã o)
59
provocado s pelo comportamen to dele, não o contrário. Eu me sentia
culpada t ambém sempr e que o t ratáv amos co mo se ele f osse uma
criança m alcriada. Eu não q ueria lhe dar remédio s, mas q uando ele
começou a tomá-los a diferença foi enorme , ele era uma criança
diferente (Jone s, 2004: 7 0)
A P HDA é uma perturbação que acompa nha os seus p ortadores, ao longo da
vida, co ndicionando-a. Os sintomas a ssociados à PHDA variam em f unção da
idade e nível de desenvolvimen to do indiví d uo. Os prob lemas principais e as
características a ssociadas podem p ersistir ao longo do tempo e prejudicar o
desenvolvimento das crianças. Contudo, convém realçarmos que mu itos
jovens com PHDA irão ter comportame nto s adultos ajustados e sem
problemas de saúde mental. (NIHCE, 2009)
Os indicativos que mais se destacam são ba ixa tolerân cia à frustração,
explosões emocionais, autoritarismo, te imosia, insistência excessiva e
frequente para a satisfação dos seus desejos, labilidade emocional e
pr oblemas d e autoestima. (Amador, Forns e Martorell, 2001 ) De acordo com
Mateo (2007a), f iz emos um levantamento da s várias dif iculdades que os
sujeitos com esta problemática vão encontrando no seu percurso de v ida.
Quadro 12
Manifestações de PHDA desde a infân cia até à idade adulta
Primeira Infância
excesso de ativ ida de
mu dança constante na rea lização de tarefas
ma ior dependência do adu lto p ara guiar e controla r
o seu comportamento
dif iculdade em estabel e cer metas a curto praz o
dif iculdades significativ as em m anter a atenção em
jogos ou atividades escolares
Ensino Básico
mo vimento excessiv o
(continua)
60
evidenciam -se d ificuldades d e atenção, s obretudo
quando se inicia a leitura e a escrita
o co ntrolo do comportamento revela-se difícil
são crian ças impulsiv a s
a sua inteligência é de nível m édio -alto, razão pe la
qual as dificuldade s de aprendiz agem só se
começam a manifestar no 2º ou 3º ciclos
Ensino Secundário
os fraca ssos sucedem-se
baixa to lerância à frust ração
baixo auto conceito
níveis de competência curricular inferiores à s ua
idade cronológica
Idade adulta
dif iculdades em org a nizar a vida quotidiana
o controlo comportamental dos seus f ilhos é mais
deficitário
o outro elemen to da relação tem de assumir as
suas responsabilidades
o número d e acidentes de v iaçã o é m aior, bem
como estão mais propensos a multas de trânsito
ma ior tendência para o co nsumo de drogas (muitos
deles como forma de automedicação)
dif iculdades em assumir comp romissos a longo
prazo
nece ssidade de serem superv ision ados e
controlados
Amador, Forns e Martorell (2001), Amado r (s/d), Espina e Ort ego (s/d) e
Ramalho (2 01 0) corroboram o que está ex po sto no quadro. Também e les
relatam as características mais p redomin a ntes, nas várias faixas etárias, das
crianças com PHDA, desde a infância até à idade adulta. Assim, os autores
Quadro 12
(continuaçã o)
61
indicam que os sintomas nucleares da PHDA aparecem relativamente cedo ,
entre os três e quatro an os de idade. Os pais das criança s com esta
problemática queixam-se que nos p rimeiros anos de vida, revelaram -se
crianças muito a tivas e intran quilas, curiosas, co m dificuldade para se adaptar
às mudanças, como o b anho, as refeições, facilme nte irritáv e is, gritavam com
frequência, faziam birras, o seu humor oscilava ráp ida e bruscamente, baixa
tolerância à f rustração, n ecessidade de a tenção contínua e dormiam pouco e
por curtos períodos de tempo. Podem a pre se ntar problemas de alimentação,
não revelam te r a noção do p erigo e costumam ser desobedientes,
oposicionistas e desafiadoras.
Quando chegam a o pré -esco lar, estas crianças são d e scritas pelos p ais e
professores como desatentas, muito a gitadas, coloc a ndo -se, por descuido,
frequentemente em perigo. As birras b em como as dificuldades manifestadas
em seguir regras e ad aptar -se às atividades de grupo sã o f requentes. Nesta
idade, as diferenças entre crianças muito ativ a s e crian ças hiperativas tornam -
se evidentes. Enquanto as primeiras apresentam uma atividade bastante
notória, a s sua s condutas têm um fim. As segundas apresenta m u ma
atividade excessiva, ultrapassando os limites do raz oável, de acordo com a
sua idade e desenvolv imen to; são inoportunas, isto é, não se ajustam às
exig ê ncias da situação; e, por ú ltimo, são d esorganiz ad as, ou seja, mudam de
atividade sem finalizar nenhuma delas. (Ama d or, Forns e Martorell, 2001; Neto
et al., 2014; Rodrigues e Antunes, 2014;)
Estas crianças manifestam uma maior curiosidade pe rante o s jogos novos, no
entanto, aborrecem -se com enorme fa cilidade, mudando de jogo de form a
constante. Quando jogam com as outras crianças, procuram alterar as regras,
têm d ificuldade em lidar com a derrota, apresentam d i ficuld ades em atividades
de grupo que impliqu e m a cooperação e discutem com os c o mpanheiros de
atividade, a cusando-os, po r vez e s, da sua próp ria derrota. (Lope s, 2004;
Barkley, 2006; Neto et al., 2014; Phelan, 2005)
62
A nív el af etivo e emocional, m anifestam dific u ldades em estabelecer relações
afetivas co m outros su jeitos, tendo, ta mbém, d ificuldades em reco nhecer
posturas, resu ltante do défice d e reconhecimento de aspetos relevante s da
comunicação não -verbal e imatu ridade de linguagem expressi va. (Lopes,
2004; Barkley, 2002; Barkley , 2006; Rigon, 2010)
Quando e ntram n a escola, acrescentam -se os problemas de atenção e os
comportamentos h iperativ o s e impulsivos. As d ificuldades pa ra se
concentrarem e se m ant erem atentos são maiores. A s dificuldades de carácter
cognitivo evidenciam -se, dedicam menos tempo às atividades escolares,
utilizam m enor esforço para conseguirem a lcançar os seus objetivos e utilizam
estratégias de aprendizagem com n ív eis de elaboração e execução ma i s
simples. Também são notórias as dificuldades de carácter sócio emo cional ,
pois apresentam f racos p adrões d e relacionamento com os pares e com as
figuras signif icativ as, dificuldades de partil h a, de cooperação e interação com
os colegas. Os sujeitos com PHDA vão passar a manifestar sentimentos de
frustração e incompetência, dificuldades d e ace itação pe ssoal e vão
desenvolv e r n íveis de a utoconceito ba stant e baixos. O núme ro de a cidentes
aumenta. (Lopes, 2004; Barkley, 2002; Barkl ey, 2006; Rigon , 2010 )
Durante a puberdade torna -se mais evidente a fa lta de ate nção e
impulsividade, a hiperativ ida de mantém -se, bem co mo a intolerância à
frustração. A dificuld ade em planificar e exe cuta r as atividades, condu -los ao
fracasso e scolar, o que contribui pa ra a diminuição da sua autoestima e
autoconceito. (Barkley, 2002; Barkley , 2 006; Phelan, 2005)
No decorrer da adolescência veri f ica -se uma mudança no padrão do s
sintomas. Assiste -se a um decréscimo ace n tuado da hiperativ ida de, embo r a
os problemas de falta de atençã o e de impulsividade persistam. Os
adolescentes com PHDA costumam ser p ouco perseverantes, manifestam
pouca tolerância à f rustração e exigem que os seus d esejos sejam realizados
com prontidão. Manifestam, também, problemas a nível d o ren dimento
es colar, revelando mais dificuldades a nível da e xecução, da destreza manu al,
69
En primer lugar, q ue la presencia de la comorbili dad condicione una
forma de presentación, pronóstico y abordaje terapéutico distinto
para cada proceso comórbido . (…) La segunda caracterí stica para
aceptar q ue dos procesos son comórbidos, … es la condición de que
la f recuencia con la que uno aparece cuando el otro está presente,
sea más alta que la preval encia aislada en la pob lación general. (68)
A mesma opinião é partilhada por Costa, Santos e Ramalho (2010) alegando
para que se possa considerar a existência de comorbilidade entre diferentes
perturbações, tem de existir se melhança entre as m esmas, a n ív e l da f orma
de a presentação, prognóstico e uma abordagem tera pêutica d istinta para
cada processo comórbido.
A PHDA tem manifestações que podem estar associadas deste modo:
Quadro 13
Perturbações associadas à PHDA
Perturbações Específicas do
Desenvolvimento
Aprendizagem
Leitu ra
Cálculo
Escrita
Habilidad es Motoras
Com unicação/Linguag em
Perturbações Emocionais
Ansiedad e
Depressã o
Perturbações da Conduta e de
Adaptação Social
Opo sicionista
Desaf iante
Representação esquem ática de Be nassini, 2005 c it in Ram alho, 2009
70
As crianças com PHDA a presentam, com elevada f requência, uma o u mais
das seguintes perturbações secundárias:
PHDA e as dificulda des de aprendizagem da matemática, d a leitura e
da escrita
A leitura e a escrita são formas do processamento linguístico que serão
essenciais durante toda a esco laridade. A leitura é uma das atividades que
melhor propicia a avaliação da interferência de déf ices de a tenção no
desempenho linguístico. As criança s co m PHDA apresentam, com
frequência, d ificuldades acrescidas a ní vel d a int erpretação e da
compreensão dos textos e enunciados e scritos; p recipitação n as resposta s
escritas, como con sequência da leitura incompleta dos enunciados;
dificuldades no processamento e na leitura visual; dificuldades n o respeito
pela pontuação; facilidade em omitir palavras e/o u saltar d e linha , se n ão
tiver um marcador. (Neto et al., 2014; Villar, 2007)
O baixo ren dimento escolar é uma tónica generalizada nos alunos com
PHDA. Apresentam di f iculdades na aquisição d e uma velocidade leitora
adequada; na descodificação das ideias principais de um t e xto, quand o
não surgem d e forma explícita; f racassa m na composição escrita. As
dificuldades cognitivas associadas à P HDA interferem de múltiplas formas
na ap rendiz a gem da ma temática: a impulsividade leva -os a co meter erros
nas operações, devido à precipit a ção; não analisam os sinais, trocando as
somas com subtraçõe s. Po r sua vez, a impulsividade da resp osta leva -os,
também, a uma resposta imediata sem terem realizado a leitura dos
problemas, não os resolv en do de forma adequada.
É f requente que estas crianç as ap resentem dificuldades acrescidas a nív e l
do raciocínio abstrato e da capacidade de resolução de p roblemas, o que
vai inf luenciar negativamente os processos inerentes ao cálculo numéric o
e à aprendizagem da matemática. (Neto e t al., 2014)
71
As três p erturbações b ásicas da aprendiz agem a presentam uma
frequência de duas ou três vezes mais em crianças com PHDA do que em
crianças na população em geral. (Brown, 2007)
PHDA e as pe rturbações da linguagem
As crianças com PHDA p oder apresentar um a traso na a qui sição d o
código f onológico e do nível m orfológico, sobretudo na compreensão d os
tempos verbais; baixos resultados nas provas que requerem pensamento
analógico linguístico; problemas de acesso ráp ido à informação linguística
e na comunicação de info rmação e ssencial; m enor competên cia em
atividades de p rocessamento semântico, de tipo metalinguí stico e de
consciência fonológica. Os seus défices pragmáticos m ais evidentes são:
produção v erba l excessiva em situações de jogo ou em conversações
espontâneas; problemas em reconhecer a sua vez de f alar; dificuldade n a
compreensão da intencionalidade comunicativa d o interlocutor, n ão
ajustando a sua ling uagem ao contexto e specífico requerido e às
características dos ouvintes; p oucas, ou me smo raras, habilidades
narrativas. (Consejería de Educación, Ciencia y Tecnologí a )
PHDA e os problemas percetivo-motor (deficie nte coordenação
motora e motricidade fina)
Cerca de 50% da s crianças com PHDA apresentam um desempenho
motor pobre. Na motricidade h á do is domínios que se encontram af etados.
Por um lado, os m ovimentos f inos, de pequena amplitude (a motricidade
fina), como se en contr a na musculatura da mão, do s olh os e do sistema de
72
produção o ral; por ou tro, os movimentos m ais amplos (a motricidade
grosseira o u a macromotricidade), e m que utilizamos grandes grupos
musculares, como os que usamos para andar ou correr.
A descoo rdenação a nível d a mão nas crianças com P HDA po de conduzir
a uma escrita difícil, demorada e cansativa, resultando numa calig raf ia
laboriosa e di f icilmente legível. Na m usculatura ocu lar, podem ser visíveis
défices n a leitu ra, a q u al e xig e um a coordenação perfeita dos dois olho s.
No sistema oromo tor, ou seja da motricidade o ral, podemos refe rir
dificuldades na precisão dos m ovimentos linguais e labi ais. Na
macromotricidade, os problemas detetam -se na fo rma como a criança se
desloca, corre e salta. (Neto et a l., 2014) As deficiências ap resentadas n a
motricidade grossa explicam as quedas e tropeções que esta s c riança s
dão.
Espina e Orte go (s/d) ind icam que o controlo d a motricidade f ina
manifesta -se essencial para a aprendizagem, razão pela qual este défice é
o fator mais assinalável nos casos de PHDA.
PHDA e perturbações no estado de ânimo (depre ssão e/ou ansiedade)
Algumas crianças e adolescentes com PHDA a presenta m igualmente uma
perturbação de an sied a de. Quem vive com PHDA pod e ir desenvolv e ndo
ao lon go do tempo sentimentos de frustração, inc ap acidade, dificuldad e
em f azer e manter amizades, f raco d e sempenho académ ico, que pode
conduzir a um quadro de ansiedade.
A forma de apresentação da sintomatologia a nsiosa é muito variáv e l em
crianças e adolescentes. Como traço comum, s ão inseguras, preocupam -
se excessiv a mente com a op inião dos outros acerca d e si, e vitam
sistematicamente ser o centro da s atenções. Os mais novos, normalmente,
73
têm dificuldade em separar -se do lar e das figuras p arentais para ir para a
escola, chegando a faltar às aulas para ficar e m casa. (Neto et al., 2 014)
As crian ças e ad olescentes com PHDA p o dem também desenvolv er um
quadro de depressão pelas d i ficuld ades sentidas, ao longo do tempo,
pelos p róprios ou nas relações com a família, escola, m eio social, as quais
acarretam fadiga, frustração, desânimo e vão minando a a utoestima. A
depressão neste g rupo p opulacional pode m anifestar -se por sintomas tão
diversos como alterações alimentares; alterações d o sono; ir ritabilidade;
humor instável, imprev is ível; extrema sensibilidade à falha; a ltera çõe s do
comportamento. (Neto et al., 2014)
Os problemas académicos e so ciais das crianças com esta problemática
experienciam podem provocar sintomas de desproteção (preocupa ção
excessiv a po r de terminados aco ntecimento s, a nsiedade de separação,
fobia social, entre outros), que incidem de f orma ne gativa na percepção d a
competência social. (Consejería de Educación, Ciencia y Tecnologí a; Still,
s/d)
PHDA e perturbações de oposição/desafiante (conduta oposicionista)
Uma das perturbações que surge co m mais frequência associada à PHDA
é a Perturbação d e Oposição e Desafio . Pode ser d efinida como um
padrão persistente de comportamentos desafiadores e desobedientes que
estão presentes nas relaçõ es sociais da criança, principalmente c om
figuras de autoridade, mas também com os pares. (Neto et al., 2014 )
As características da P erturbação de Oposição e Desafio sã o, na sua
maioria, variantes de reações emocionais excessivamente n egativas e as
suas m ani f estações comportamentais, que incluem acessos f requentes de
raiva, discussões e afrontas a adultos, irritação e acusação às outra s
74
pessoas, sensibilidade, rancores, malevolência e índole negativa. (Brown,
2007)
As crian ças com PHD A que apresentam em simu ltâneo uma perturbação
de oposição são quezilentas, irascív e is e ressentidas. A borrece m -se com
os o utros, com muita f req u ência, e d esafiam-nos, incom odando-os
deliberadamente. Estes comportamentos são consequênci a das
frustrações que sofrem pelas mensagens negativas q ue rece bem
diariamente de quem o s rodeia. Perante os conflitos sociais manifestam
uma intensidade emocional inusitada, focalizam os seus e sforços nos
aspetos m ais difíceis do conflito em vez d e procurar vias possíveis pa ra se
tranquilizarem. (Consejerí a de E ducación, Ci e ncia y Tecnologí a; Still, s/d)
PHDA e baix a competência social
O de senvolv imen to social d iz resp eito à f orma como as pessoas
estabelecem laço s entre si e co mo as suas relações se modi f icam nas
diversas fases da vida.
Em muita s crianças com PHDA verifica -se que a atenção social influencia
o seu pensamento so b re o mundo das r e lações sociais – perceção social;
mesmo sabendo o que é socialmente adequado, têm dificuldade em
modificar o rumo das situações quando n ão está a correr bem; manifestam
dificuldades na regulação emo cional, choram mais e com mais facilidade,
enfurecem-se mais, gritam m ais, agridem m a is, riem mais; revelam maior
dificuldade na resolução de conflitos. (Neto et al., 2014)
Desde m uito jovens que estas crianças apresentam p roble m as nas
relações pessoais, já que a rejeição é freque nte pela sua condut a
perturbadora e pouco cooperante: frac as habilidades comunicacionais,
baixa compree nsão dos sinais sociais, egocentrismo , tendência para
75
perder o controlo em situações de conf lito ou quebrar as regras
estabelecidas nos jogos. As dificuldades sociais de stas criança s são mais
evidentes em situaç ões nas quais têm de utilizar estrat égias sociais.
Revelam uma empatia menor e interpretam e rradamente as emo ções das
outras pessoas. (Consejería de Educación, Ciencia y Tecnología)
PHDA e tiques
Cerca de 20% das crianças co m PHDA v e m a ter u ma perturba ção de
tiques. Os tiques são m ovimentos bruscos, ou vocaliz açõ es, que se
repetem de forma involuntária, sem um ritmo constante, mu itas v e zes em
grupo, vários d e se guida. Os tiq u es surgem h a bitualmente em crianças,
com uma m édia de início aos 5 anos e um pi co de intensidade entre os 8 e
os 12 anos. Tem, m uitas vezes, um cu rso f lutuante, com alturas em que se
tornam mais esporádicos ou m esmo desaparecem, e épocas de maior
intensidade. A sua origem não é nervosa, nem resulta de qualquer lesão
cerebral grave, m as sim tem uma natureza f requentemente genética.
Resulta de uma alter açã o no f uncionamento da do pamina n os circuitos
cerebrais responsáveis p elos programas motores automáticos e q u e estão
em comunicação com o córtex cerebral, onde se encontra m as áreas
responsáveis pelos mov imento s voluntários. ( Neto et al., 2014)
Os tiques nervosos são um dos efeito s se cun dários que podem surgir .
Podem ser tiques físicos (como por ex e mplo, piscar de o lhos, contorcer o
nariz e o rosto, abrir a bo ca, balançar os om bros) ou v ocais (qu e podem
incluir o pigarros, aspira r pelo na riz a udivelmente, ronco ou outros ba rulhos
repetitivos). Qu ando os tiques corporais se a ssociam a os tiques vocais de
forma intensa é denominado como Síndrome de Gilles la Tou rette.
(Consejería de Educación; Brown, 2007)
76
Muitos pacientes com Síndrome de Tourette têm uma d ificuldade crónica
em resistir aos impulsos de dizer o u fazer aquilo que socialm ente é
impróprio ou proibido. Parecem incapa zes de u sar a perceção d as
emoções das ou tras pessoas para evitar comentários ou gestos
desagradáveis ou embaraço sos. Como a maioria dos portadores desta
síndrome também têm P HDA, por vez e s são o s sintomas desta que
causam a ma iori a das dif iculdades sentidas a que tem esta síndrome.
(Brown, 2007)
De acordo com Vásquez, Cárde nas, Feria, Benjet , Palacios, Pena (2010) às
alterações atrás re f eridas e ncontramos, ainda, associadas à P HDA défices
cognitivos na planif icação, na atençã o susten tada, perceção do te mpo e
inibição; a desorganização; o sono não reparador; a desmoraliz a ção; pouco
êxito profissional e uma maior propensão par a acidentes.
O grau de dificuldade que a criança apresenta depende da gra vidade da
disfunção neu rológ ica de fu ndo, da comorbilidade com outras perturbações,
do equilíbrio emocional e da autoestima, as sim como da influência
educacional, da família e da escola.
Como já referimos, um do s maiores fa tores de risco d e crianças com PHDA é
desenvolv e r outras perturbações mentais na vida adulta. A té 87% do s casos
de criança s com PHDA, a ssocia -se um diagnó stico comórbido e em 67%
destes d esenvolv erão a té dois d iagnósticos comórbidos, como por exemplo,
Perturbação do Comp o rtamento, Perturb a ções Depressivas, Perturbações de
Personalidade, Perturbação Bipolar, Perturbação de Tourette e Perturbações
na Apre n dizagem. Es sa s criança s apresentam -se c om maior pr o pensão a
sofrer acidentes, a consumirem substâncias ilegais, se rem f umadoras ou
alcoólicas, terem uma g ra videz precoce, inclinação para a criminali d ade e uma
conduta antissocial. (Mulas et al., 2006)
Sell-Salazar (200 3:356) indica como pautas para o diagnóstico d iferencial das
alterações do comportamento:
77
Quadro 14
Diferenças entre PHDA, Pe rturbação de Oposição e Perturbação de
Comportamento
PHDA
P ERTURB A ÇÃ O DE
O POSIÇÃO
P ERTURB A ÇÃ O DO
C OMPORT A M ENTO
Não revelam hostilidade
com os pais
Não seguem as regras
por desat enção o u
distração
Não seguem,
intencionalmente,
as regras
Violam a s regras em
casa e na escol a , mas
não são destrutivos
Comportamentos destrutiv o s,
cometem infrações legais,
como incendiar, vandalizar,
ser cruel com os animais e
roubar
A desorganiz açã o e o
stress das fam ílias são
causados pela reação
ao comportamento da
criança
Encontra-se, mu itas vezes, um ambiente fam iliar
disfuncional: lar caótico, inconsistente e
desestruturado. Os pais p odem apresentar um
comportamento antissocial
A atitude de oposição e desafio costuma associar -se às Perturbações da
Conduta. É usual encontrar, num mesmo indivíduo, um a personalidade
antissocial, consumo de sub stâncias, delinquência, perturbações da con duta e
consumo de álcool. (Mulas et al., 2006)
78
Quadro 15
Comparação entre as várias perturbações que p o dem ocorrer
comorbidamente com a PHDA
Com paração das várias pe rturbações q ue podem aparecer c omorbidam ente com a PHDA
junto ao quadro
A perturbação de Oposição e de Desa f io (POD) é a perturba ção comórbida
mais frequente na PHDA. Green (2002), referido por Suá rez, Quintana e
Esperón (2006), apresenta c omo fato r prin cipa l p ara o surgimento de uma
POD, no contexto da P HDA, o atraso n as in terv en ções psicossocial e
farmacológica.
Martínez-León (2006) indica que quando a P HDA surge em co m orbi li dade
com POD ou Perturbação d e Conduta (PC), existe um risco maior de
desenvolv e r Perturb ações da Dep ressão e de Ansiedade. Assim, r eferindo -se
à revisão da literatura do s últimos quinze anos realizada por Jensen et al .
(1997), afirma q u e es te s autores justificam novas su bclassif icações p ara a
PHDA: PHDA, subtipo Agressiv o e P HDA, subtipo Ansioso.
P ERTURB A ÇÃ O D ISSOCIAL
OU DE C ONDUTA
P ERTURB A ÇÃ O
N EGA T IVIST A D ES AFIANTE
P ERTURB A ÇÃ O DE
H IPERATIVIDADE /D ÉFICE
DE A TENÇÃO
Agressão a pessoas
ou animais
Destruição
delibera da da
propriedade
Fraude ou roubo
Violaçõ es grav es d as
regras
Enco leriz a-se e faz
birras
Discute com o s
adultos
Desaf ia ativ a mente
os adultos ou
recusa-se a cumprir
os seus pedidos
Incomo da
deliberadamente as
outras pessoas
Acusa os outros dos
seus erros ou do seu
mau comportamento
É ran coroso, colérico
ou vingativo
Apresenta
dificuldades
significativas na
atenção sustentada
Excesso de
atividade. Movem -se
constantemente na
cadeira ou movem
em excesso as mãos
e os pés
São muito
impulsivos, custa-
lhes reflectir antes de
agir
Dif iculdade em inibir
respostas
85
Contudo, s ão crianç as que possuem uma imaginação prodigiosa, expressa
nas suas ideias ou projetos de invenções.
Por outro lado, quanto à sua auto -imagem, e referindo as palavras de Rabiner
et al. (1993) citadas por Lopes “as crianças DD A/não Hiperactiv a s são
crianças com menos ca pacidades de defesa, co m mais medos de serem
humilhadas ou vitimizadas e, portanto, com uma visão negativa do grupo de
pares.” (Lopes, 2004: 110)
Muitos diagnósticos apresentados n a escola n ão recebem a devida at e nção
por parte dos seus i n tervenientes, pois as crianças c o m PDA apresentam
sintomas que pa ssam, a maioria d as vezes, desaperceb idos a os professores,
pois não incomodam. Contudo, existem sintomas que comprometem o seu
desempenho e scolar, tais como: n ão conseguem concluir as tarefas, copiar
todas as atividades, já que o seu n ív el de ate nção e concentração é baixo,
interferindo na memória e nas funções executiv as. (Meira e Quadros, 2010)
2.2. A C ONDUTA H IPER A TIV A E A F A LT A DE A UT OCONTROLO
O sinal m ais visível n um a criança com PHDA é a sua actividade excessiva,
por vezes, a gressiv a, que u ltrapassa os limites comuns para a sua idade e
estado matu racional. Este e xcesso de atividade motriz manifesta -se,
normalmente, por uma necessidade con sta nte de movimento e pela falta de
controlo corporal e emocional. (Bréjard e Bonnet, 2008; Vil lar, 2 007)
Barkley (2006) também refere que os portadores de PHDA apresentam níveis
de atividade e xcessivos ou inadequados ao desenvolv im ento, seja atividade
motora, seja atividade vocal. O autor acrescenta que:
86
Inquietação, agitação e movimentos corporais brutos
desnecessários são comun s. Esses movimentos são, muitas vez es,
irrelev antes para a t arefa ou situação em questão, e, às vezes,
parecem desproposi t ado s. (…) As observações des sas crianças na
escola ou quando ex ecutam tare f as i ndependentes mos tr am-nas
fora dos seus assen t os, andando pela sala de au la sem permissão,
mexendo os braços e as pernas incessantemente enquanto
trabalham, brincando com objectos que não estão relacionados com
a t arefa, falando fora da sua vez e f azen do sons vocais inusi t ados.
(94)
Toda esta agitação não é compatível com a ap rendiz agem escolar, por um
lado, e transforma -se n um f actor de deterioração da s relações com o
professor, os companheiros, com os pais e com o s a m igos, por outro.
Na maioria d os caso s, principa l mente a p a rtir d os nov e anos de idade, a
hiperatividade motriz não se verifica com corridas dentro da sala de aula ou
subir p ara as m esas, mas será substituída por desculpas constantes, de modo
qu e a criança possa estar em p é, pe rguntar algo a um colega ou até mesmo
afiar o lápis, até este já não servir para escrev e r.
A este respeito Sekow it z (2010) a crescenta: « Uma criança destas [co m
PHDA] geralmente não consegue ficar sentada, nem que seja po r b reves
instantes. A nda sempre d e um lado para o outro na sala de aula e os
professores têm uma en orme dificuldade e m mantê -la se ntada. Mesmo
quando está sentada, há uma pa rte dela que nunca está quieta.» (24)
Na p erspetiv a d e Villar, deve ser tomado em cons ideração as funções d e
psicomotricidade da criança com PHDA, já que se encontram, com algum a
frequência, alteradas. A autora refe rindo-se a Cabanyes y Polaino-Lo rente
(1997) a f irma « el niño h iperactiv o no sólo manifiesta una activ ida d motriz
excesiv a , sino que, en algunos casos, también puede presentar dif icultades en
la coordinación motriz y en la e struturación perceptiva». (Villar, 2007: 40)
87
2.3. A C ONDUTA I MPULSIVA
A impulsividade de f iniu-se como a tendência p ara emitir u ma resposta de
forma rápida, sem refletir e ca racteriz a -se por comportamentos
desadequados, pouco plan ificados e que f requentemente colocam o ind iv íduo
em perigo de se envolv er crimina lmente. (Alcázar -Corocoles et al., 2010)
A impulsividade é multidimensional e po de ser vista enquanto dificuldade de
autocontrolo, incapacidade de atrasar uma resp osta e a sua gratif icaçã o
imediata, a dificuldade em dominar ou inibir resp ostas imediatas. Atualmente ,
o termo impulsividade tem sido substituí d o pelo termo desinibição
comportamental. (Rodrigues e A ntunes, 2014 )
A dim inuição da capacidade de inibição do comportamento ou do controlo dos
impulsos nas crianças com PHDA f az co m que estas seja m i m pacientes,
manifestem incapacidade de usa r o senso temporal p ara guiar o seu
comportamento, querendo a pen as fazer o que é divertido ou interessante no
momento em que se encontram. (Neto et al., 2 014)
A criança impulsiva tem problemas consideráveis para conter a s suas
respostas diante uma situa ção, não conseg ue controlar o proce sso do seu
pensamento e a ge sem p e nsar. A a tenção que d edica a qu alquer ideia ou
tarefa é , a penas, passageira e instá vel ou titubeante, p ois a sua mente
encontra-se, constantemente, a divagar de um acontecimento para outro.
(Barkley, 2002; Fonseca, 2008; Rodrig ues e Antunes, 2014)
A crian ça intromete -se e interrompe a s conversas e atividades dos outros, t em
tendência a antecipar respostas ou a completar as f rases das outras pessoas.
Toma atitudes repentinas, a parentemente inespe radas ou desajustadas à
situação, tecendo co m entários d esadequa d os. Não consegue e sp erar pela
sua v ez, n ão considera as consequências potencialmen te negativas,
destrutivas ou até pe rigosas que podem estar associadas a determinadas
88
situações ou compo rtam entos, tem um difícil con trolo das em oções,
frequentemente com fúrias explosivas e recusa e m obedecer. (Barkl e y, 2 006;
Berger, 2001; Neto et al., 2014)
Quando ou vimos falar de impulsividade, o que primeiro nos ocorre é a
impulsividade cognitiv a , isto é, agir sem pensar. Na criança com PHDA, a
impulsividade assume ou tros contornos, po is estas cria n ças a gem antes de
pensar, porque têm dificuldade em esperar. (Barbosa, 2005)
Villar (200 7) af irma que as manifestações im pulsivas de uma criança
hiperativa refletem-se em duas vertentes: um a comportamental e a outra
cognitiva. A última refere -se à rap idez , imprecisão e pobrez a nos processos
de perceção e análise da informação das criança s hipe rativ as, quando s e
deparam com uma ativ ida de complexa, enquanto a primeira reporta -se à falta
de controlo motriz e emocional, que co n duz a criança hiperativ a a agir sem
avaliar as co nsequências dos seus a ctos, movida po r uma gratificação
imediata. O le m a p ara e stas cr ian ças p ode resumir -se da segu int e fo rma:
desejo e atuo. Barkley (200 6) apoiando -se em autores como Sonuga-Barke,
Taylor e Hepinstall (1 9 92) e Solanto (2001) escreve que existem evidências
de que estas crianças têm aversão à espera. Devido a esta, agem de forma
impulsiva para terminar o quanto antes com ela.
Avila, Cue nca, Félix e t al. a cusam de não existir u m marco teórico que
fundamente o estudo da im pulsividade. No te xto con junto, e stes auto res
referem que Milich e colaboradores, no texto Be havioral Disinhibition and
Underlying Processes in Adolescents with Disruptive Behavior Disorders ,
utilizaram o modelo de Newman e W a llace p ara explicar a impulsiv ida de na
psicopatologia infantil. Para e les,
Este model o centra el dé f icit en la modul ación de respuesta, es
decir, en la capacidad para modificar o inhi bir respuestas
dominantes y prev iamente recompens adas debido a q ue las
contingenci as actuales sugieren q ue se debe hacer. La modulación
de respuesta requiere, p or tanto, capacidad de re f lexi ón sobre las
nuev as contingencias tras la respuesta, y reorganiz ación de la
conducta. (Áv ila, Cuenca, Féli x, Ibáñez, Parcet e Miranda, 20 01:3- 4)
89
A impulsiv ida de não é mais d o qu e agir sem pe nsar, ou fazer o que mais
aprouver sem pensar nas consequências que daí possam a dvir . Os atos
impulsivos destas crianças podem ir desde os mais triviais até ao s
extremamente perigosos. A criança pode atra vessar a rua sem olhar pa ra o s
lados, ou s ub ir a uma á rv o re demasiad o alta. Ainda que este comportamento
seja arr iscad o, a criança não deseja correr riscos, só tem d ific u ldade em
controlar os seus impulsos. Muito frequentemente, a criança surpreende -se ao
descobrir que se e ncontra numa situação perigosa, mas não tem a menor
ideia de como sair dela. (Barbosa, 2005)
Na escola, esta conduta é f acilmente detetada, uma vez que estas crianças
respondem antes de tempo, sem esperar pela sua vez (por exemp lo, em f i las),
a em issão d e resposta sem que o interlocutor te nha f inaliz ado a pergunta e a
interrupção das c on versas do s o utros. (Ba rk ley, 200 2; Barkley , 2006 ; Neto et
al., 2014)
A criança impulsiva mostra -se ora apática e sonolenta, o ra excitada e
explosiv a, podendo pa ssar muito tempo a olhar f ixamente pa ra um
determinado ponto da sala de aula, ou a través d a janela, sem realizar taref as,
quando não agindo de forma agitada sem m obilização tonicoenergétic a
adequada, produzindo respo stas m otoras e não -verbais imprecisas,
imperfeitas, dissociadas e ansiosas a muitas situ ações. (Fonseca, 2008)
Para Ba rkley (2006:93) «as fo rmas de impulsiv ida de a ssociadas à PHDA
envolvem de scontrolo comportamental (funcionamento executiv o fraco ),
inibição prolon gada fraca, incap acidade d e adiar uma resposta ou gratif icação
ou incapacidade de inibir respostas dominantes ou prepotentes .»
Mas, a impulsividade também pode prejudicar a inte ração social da crianç a
com PHDA com o s seus pares. Quando está f rustrada, pode gritar com o s
outros e , po r vezes, até mesmo agredi -los f isicamente ou empu rrá-los, co m o
objetivo de conseguir a sua vontade satisfeita. Estas crianças resp o ndem com
mais agressividade (quer f ísica, quer verbal), quan do f rustradas ou magoad as
emocionalmente com os outros, passam de im ediato ao ato. (Rodrig u es e
90
Antunes, 2 014) Os seus nív eis baixos de tolerância à frustração, o seu estilo
de reação impu lsiv a , com grande variabilidade de reação em situações
idênticas e a sua atitude exig e nte, tendem a criar problemas com os co legas,
que as podem considerar autoritárias e irritáv eis. (Neto et al., 2014)
No início, a criança hiperativa pode atrair os outros. Surge um pouco como o
herói destem ido que nada receia, ou o palhaço d a aula que faz rir os colegas
com as su as asneiras. Mas o s o utros d epressa se cansam de st e te merário
sem limites que os agride ou os fa tiga. A lém disso, é impossív e l identificarem -
se persisten te m ente com e le: não acompanha por m uito tempo a me sma
brincadeira, tem dificuldade em cumprir as regras, me smo as mais info rmais
de um jogo de bola no recreio. (Rigon, 2010)
A impulsividade po de, ta mbém, revelar -se sob fo rma d e agressão, que de
acordo com Siever (2008), apresenta - se “def ined as ho stile, injurious, or
destructive b ehavior of ten caused b y frustration.” (429) A agressão p ode se r
premeditada ou impulsiv a . Nelso n e T rainer (2007) a crescentam que “reactive
aggression is considered to be mo re impulsive (it is usually associat ed with
anger), whereas instrum ental aggression is conside red to be more purpo se f ul
and goal-o riented.” (536)
A agressão instrumental o u p remeditada acontece de f orma f ria entre o
agressor e a vítima, e é u tiliz a da para co nseguir dete rminados propósitos. Em
contrapartida, a agressão reativa ou impulsiv a a parece associada a reações
negativas intensa s, como a ira ou o medo, e surge co mo resposta a uma
ameaça. (Nelson e Trainer, 2007; Siever, 200 8 )
A criança hipe rativ a carece de reflexão e de maturidade suficientes para
analisar uma sit uação real com ef icácia, logo m uito meno s conseguirá avaliar
uma situação hipotética, devido à sua condut a imatura e inadequada.
Selikowitz (2010) a este respeito afirma:
As crianças com PHDA do tipo impulsivo revelam grande di f iculdade
em parar para pensar antes de agir. (Com o disse Dennis, o
91
Pimentinha: «Quando penso, já f iz!») As crianças com este t ipo de
PHDA fazem g eralment e a primeira coisa que lhes vem à cabeça:
dão respostas na sala d e aula, dizem coisas sem pensar , a r riscam-
se muito, têm i m ensa di f iculdade em aguardar pel a sua vez . São o
tipo de criança que a tr avessa a estr ada a co rr er sem olhar pri m eiro .
(23)
2.4. A D ESORGA NIZ A Ç ÃO E A F A L TA DE A UTONOMIA
A criança hiperativa ca racteriza-se p or uma desorganização pessoal interna e
externa, o que dificultará a sua autonomia. (Vil lar, 2 007)
As crianças portadoras de P HDA são, muita s vez e s, desorientadas e
esquecidas. Perdem, com frequência, a noção de tempo, os seus objetos
pessoais, os seus quartos são um caos bem como a s suas mo chilas e
carteiras da escola. Os seus testes s ão desorganizados, n ão colocam as
páginas ordenadas, saltam perguntas, mesmo sabendo a s respostas,
esquecem-se de apresentar o s cálculos nu ma operação matemática ou,
então, é-lhes difícil coloca r os números de forma ordenada quando executam
os cálculo s. Parte dos prob lemas relacionados com a des orientação tem a ver
com a impaciência que as caracte riz a . A criança chega a casa tarde, mesmo
tendo um relógio, p orq u e, por um lado não quer parar a atividade que está a
realizar e, por outro, não dá conta do tempo passar. (Barkley, 2002; Barkley ,
2006; Brown, 2007; Rhode, Mattos & Cols., 2003)
Por vezes, os pais desta s criança s fomentam a f alta de a utonomia das
mesmas, ao tentar assegurar que nada lhes fa lte, pois e las n unca se lembram
do que precisa m. Na maioria das vez e s, os pa is sub stituem -se aos próp rios
filhos, prote gendo-os excessiv am ente , reduz ind o as hipó teses dos seus f ilhos
crescerem. Assim, para que as crianças não falhem nas ativ ida des que têm de
92
realizar, os pais e xecutam as mesmas no seu lugar em vez de o s
responsabilizarem pela sua concretização.
Entre os sintomas que caracterizam a PHDA, de desatenção, d e impulsiv ida de
e de hiperatividade, as crianças com e sta perturbação podem apresentar
problemas cognitivos, de de senvolv imen to, aca démicas e, inclusivamente,
médicos. Um a speto importante no s pacientes de PHDA é o co mportamento
adaptativo.
Na definição apresentada por San tos & Morato (2002), o com po rtamento
adaptativo co nsiste «num conjunto de skills aprendidos ou adquiridos sobre os
quais o ind iví du o vai procedendo a ajust amentos vários de forma a adaptar -se
às implicações socioculturais de a tividades da v ida diária.» (100)
O co mportamento adapta tivo encontra -se associado a o conjun to de a tividades
da v ida di ária de cada um, c o mo parte d a interação permanente da pessoa
com o m eio em que se m o ve e interage com os outros. O o bjetivo m aior é que
o indiví d uo desenvolv a h abilidades e capacidades, de modo a to rnar -se
independente, responsável e cuidadoso consigo mesmo, o que envolve
habilidades relac ionadas com os cuidados pessoais; habilidades
interpessoais, como a partilha e a cooperação; habilidades moto ras;
habilidades de comunicação; e responsabilid a de social.
Pelo exposto anteriormente, a vida de uma criança ou adolescente com P HD A
não é fácil. Pois os skills que a criança ou adolescente com P HDA deveria
adquirir para aplicar são as q ue est ã o perturbadas. O portador de P HD A
dificilmente será responsáv e l e cuidadoso consig o mesmo ou com os outros,
pois com a triologia que caracteriza esta problemática, esquecer -se-á do que
tem a fazer, f icará re correntemente em situação de perigo; o relacionamento
com os o utros, bem como as suas capacidades inte rpessoais e comunicativ as
serão ta refas complicadas, reserv an do -se ao isolame nto social, o que irá
influenciar n egativamente as suas atividades diárias e a sua interação com o
meio.
93
Os comportamentos adaptativos podem ser vistos como o cer ne da vida
independente, na medida em que facilitam o acesso a várias experiências de
vida e de aceitação social e a poiam a manutenção de uma aparência
socialmente aceitável. ( W a ll ace & Shubert, 2008)
Desta fo rma, o défice d e comportamentos adaptativos d os po rtadores d e
PHDA se rão uma b arreir a p otencial à sua inclu são a tiva e ajustada na
comunidade.
94
______ ________ _______ ________ __________ C A PÍ TU LO
3
101
markers) be f ore a response is selected f or ev entual execution … It
constitutes a form of mental trial and error learning t hat is dev oid of
real w orld consequences f or one’s mista kes. (Bar k ley, 2001 :9)
De acordo com a perspetiv a d e Barkley (2006), as FE podem agrupar -se em
função de quatro tipos de ativ ida des mentais:
A memória op erativ a consiste na capacidade de manter presente a
informação auditiva o u visual n o sistem a cognitiv o enquan to realizamos
determinada atividade, mesmo que já não estejamos perante o
estímulo que a d ese ncadeou. Este tipo de recordação permite -nos
analisar e m anipular a informação que possuímos para resp onder de
acordo com a situação e com vista a um determinado objetiv o.
A inte rioriz a ção da fala que nos p roporciona os m eios para descrev e r
as situações, ref letir sobre elas, seguir regras e instruções,
questionarmo-nos so bre a resolução de um problema, en tre outros. As
primeiras manifestações desta f unção surgem antes dos seis anos. A
partir d esta idade e no d ecorrer da escolaridade, a int erioriz ação da f ala
torna-se subvocal e, por fim, inaudív el.
A autorregulação das em oções, a motivação e a atenção. Este controlo
ajuda -nos a a lcançar os n ossos objetivos, pois p ermite -no s retardar a s
reações emocionais peran te determinado acon tecimento que nos
distrai. A demora em reagir permite -nos realizar u ma avaliação o bjetiva
e racional da situação, tendo em co nsideração a s perspetivas e
necessidades dos outros.
A recon stituição consiste e m dois processos distint os, primeiro a
segmentação da s condutas obse rvadas (aná lise) e, segundo, a
combinação das su as partes em nova s aç õ es n ão aprendidas pela
experiência (sí n tese). A capacidade de re co nstituição possibilita -nos
criar novas condutas a partir de outras já adquiridas.
102
Lázaro e Ostrosky-Solís (20 08) fazem uma apresentação d as d iferentes FE,
que esquematizamos em seguida.
Quadro 16
Funções executivas
F UNÇÕES E XECUTIV AS
Planeamento
“Capacidade para integrar, se qu enciar e
desenvolv e r passo s int ermédios para conquistar os
objetivos, a cu rto, médio e longo prazo”. (Tsukiura ,
Fujii & Takahashi, 2001)
Controlo
Comportamental
O controlo inibitório e xercido pe lo Córtex Pré -
Frontal ( CPF), em particular pe lo Córtex
Frontomedial (CFM), permite d emorar as respostas
impulsivas, geradas noutras estruturas cerebrais,
sendo esta fu nção reguladora do comportamento e
da ate nção. (Matthews, Simons, Arce & Paulus,
2005)
Flexibilidade Mental
Capacidade para a lterar um esquema de ação ou
pensamento em relaç ão ao resu ltado obtido pelo
mesmo. (Robbins, 1998)
Implica a criação e seleção de novas estratégias de
trabalho, dentro da s várias opçõ es que existem
para rea liz a r uma ação ou resolv e r problemas.
(Miller & Cohen, 2001)
Memória de Trabalho
Capacidade para manter a informação de forma
ativa, po r um pe ríodo d e tempo b reve, sem que o
estímulo esteja p resente, para realizar u ma ação
ou resolver problemas. (Baddeley, 1990)
Fluidez
A velocidad e e precis ã o na procura e a tual ização
da inf ormação, bem como na produção d e
elementos específicos n um tempo eficiente, é um
(continua)
103
atributo importante do CPF e relaciona-se com a
FE da produtividade. (Lezak et al., 2004)
Metacognição
Capacidade para monitorizar e controlar os
processos cognitivos. (Shimamura, 2000)
Mentalização
Capacidade de pe nsar o que outra pesso a poderá
estar a pensar, pensará e/ou r e agirá em relação a
uma situação ou acontecimento, se ndo esta
importante nas relações int erpessoais e sociais.
(Shallice, 2001)
Comportamento Social
No decorrer do seu desenvolvimento, as cri a nças
têm de a ssimilar, aprender e desen volv er diversos
sistemas d e regras cognitivas e so ciais, que lhe
permitirão, n o futuro, interagir , de forma positiv a,
com o m eio, e que são denominadas como
implementação de regras. (Bunge, 2004)
Cognição Social
Os processos cognitivos que incluem o sujeito, com
as sua s m otiv açõ es e valores, num contexto social,
no qual tem de toma r de cisões pessoais. (Stuss &
Levine, 2000)
Requer um mod e lo mental do sujeito
(autoconhecimento) que lhe permitam identificar o
seu papel num determinado co ntexto fam iliar,
laboral e social, de modo a que possa estimar,
regular e planear como conseguirá realizar o s seus
interesses n um ambiente social co mplexo. (Stuss &
Levine, 2002)
(ad aptado d e Lázaro e Ostr osk y-Solís, 2008 :52-54)
Uma desordem num d os componentes da rede do sistema frontal pode
originar um a disfunção e xecutiv a . Existem vários f atores que podem resultar
numa disfunção d os sistem as f rontais, a sabe r, a disfunção dos
neurotransmissores, c o mo a Dop amina, na Perturb ação de la Tourette e na
Quadro 1 6
(continuação )
104
PHDA; perturbações que implicam aspetos do córtex poste rior , como as
dificuldades de aprendiz agem , entre outros. (Mateo, 2005)
A RMf, no caso d a PHD A , confirmou a hipótese dos dé f ices na incorporação
de estruturas f rontais duran te a execução de tarefas do funcionamento
executivo d os lobos frontais (Rubia, Taylor, Smith et al., 2001), observ a ndo -
se, ainda, uma ativação frontal redu zida durante a execução de tarefa s de alto
nív e l de fun cionament o executivo. (Mateo, 2005)
Mulas et al. (2006) e Pistoia et al. (2004) referem que a disfunção executiva é ,
para alguns autores, o e lemento distintiv o da PHDA e apresenta as seguintes
características:
(i) dificuldade na manipu lação da direção da atenção: dificuldade em inibir os
estímulos irrelevantes;
(ii) dif iculdade no reconhecimento de padrões de prioridade: fa lta de
reconhecimento das hierarquias e significados d os estímulos (aná lise e
síntese);
(iii) impedim ento de fo rmular uma intenção: dificuldade em reconhecer e
selecionar as metas adequadas para a resolução de um probl e ma;
(iv) impossibilidade de estabelecer um p lano de realização de objetivos: falta
de análise sobre as atividades necessárias ating ir um objetivo;
(v) dificuldade para a execução de um plano, não conseg u indo a
monitorização nem a possível m odificação da ativ idade, segundo o
planificado.
Abad -Mas et al. (2011) e Mulas et al. (2012) ap resentam a e xistên cia de três
algoritmos bá sicos de d iagnóstico e treino de f unções executivas nas
disfunções pré -frontais, observadas em indivíduos com P HDA. Cada uma
destas síndromes n eurobiológicas de disfunção pré -frontal é respo nsável por
dificuldades ou perturbações específicas:
105
Síndrome pré -frontal m edial ou cíng ulo anterior : a manifestação
fundamental desta síndrome é o défice nos vários sistem as relacionados
com a atenção. Verifica-se perda da espontaneidade e da iniciativa, apa tia,
passividade, perturbações da linguagem, comportamento de imitação -
utilização, alteração nas provas de atenção e inibição.
Síndrome dorsolateral : a f lex ibilidade cognitiva é a capacidade que o
sujeito tem de mudar a sua atenção para outros aspetos, no m omento de
resolver um problema, criar estratégias alternativas e om itir tendências à
perseverança. Refere m , ainda, que esta síndrome está associada à
disfunção executiva relacionada com a planificação, p erturbação no
seguimento e manutenção de ob jetos, perturba ções da f lexibilidade
cognitiva, dif iculdades no comportamento de imitação -utilização,
perturbações nas f luências verbal e n ão -verbal, pe rturbação da
programação motora, pe rturbação na resolução de problemas e
desmotivação.
Síndrome orbito frontal : p erturbação que se caracteriza por uma série de
alterações de ordem co gnitiv a , af etiva e comportamental que estão
vinculadas aos dé fices dos mecanismos c ereb rais de co ntrolo inibitó rio.
Existem perturbações de desinibição, impulsividade, falta de
responsabilidade, comp ortamento antissocial ou indigno, alterações de
decisão, mudanças d e humor , irritabilidade, distractibilidade, incapacidade
para realizar um esforço mantido, regulação emocional .
Abad -Mas et al. (2011) rem etem -nos pa ra o seguinte quadro , s u portando-se
no anteriormente referido:
106
Quadro 17
Área pré - f rontal: áreas cerebrais e respetivas funções executivas
Á R EA PRÉ - FR ONTAL
Á r eas Cere brais
Funções Executivas
Cíngulo
Motivação
Atenção Sustentada
Dorsolateral
Flexibilidade Cognitiva
Memória de Trabalho
Raciocínio
Formação de Conceitos
Orbitofrontal
Regulação Emocional
Controlo dos Impulsos
Abad-M as et al. ( 2011:S78)
Assim, em f unção da síndrome e de acordo com os autores acima de scrit os,
temos três tipos de PHDA:
síndrome do cíngulo – PHD A tipo predominantemente desatento
síndrome dorsolateral – PHDA tipo combinado
síndrome o rbito f rontal – PHDA tipo predominantemente hipe rativ o
/impulsivo
Relacionado com estas síndrom es, Abad -Mas (20 11) indica que o trein o das
FE d e uma c riança com PHDA deve ab ordar a estimulação o u o treino de
funções tão importantes como a a utorregulação e o a utocontrolo, a
planificação de estratégias, mecanismos de comparação de modelos,
correção, habilitação dos modelos funcionais, pré e pós -funcionais (límbico e
pré-frontal), séries de palavras e d e números, integração de processamentos
bi -hemisféricos e acompanhamento gramatical, entre outros, facilitan do,
assim, a ef icácia d e funcionamento dos três sistemas de processamento da
informação ( input , performance e output ).
107
As dificuldades da s crianças com PHDA, no que respeita ao fun cionament o
executivo, têm sido tão assina ladas, que vários autores consideram renomear
a PHDA com o Perturbação por Défice das Funçõ es Ex e cutivas (EF de ficit
disorder). (Barkley, Edwards, Laneri, Fletcher, Metevia, 2001)
3.1. Á REA S C ORT IC AIS A SSOCI A D A S A O F UNCIONA M ENTO E XE CUTIVO
A d istinção e n tre comportamentos executiv o s e não ex e cutivos consiste no
relacionamento d o primeiro com a s quatro propriedades, que ca r acterizam o
funcionamento d e tipo executivo, que são a f lexibilidade, a capacidade
estratégica, o auto direcionamento e a capacidade m etacognitiva. Para que
um com p ortamento possa ser co nsiderado executivo, os seus
comportamentos, processos e t a refas têm de ser flexív eis, p ara se moldarem
às constantes alter ações do a m biente; estratégicos, d e modo a a f astar o
comportamento da influência direta do amb ie nte e direcioná -lo d e acordo com
as inte nções e metas próprias; a utodiri gidos, para que resp ondam às
necessidades do su jeito; e metacognitivos, porque estão dirigidos pa ra avaliar
e supervisionar todas as atividades realiz adas pe lo mesmo. (Ruiz , 2 008)
Barkley (2006) apres enta várias corrente s d e pesquisa, entre as quais a
neuropsicológica, onde é po ssív el enco ntrar evidênc ias su bst a nciais de
défices na inib ição compo rtament al, na atenção prolongada (persistência nas
tarefas), na resistência a distrações e no f uncionamento e xecutiv o (na
interiorização da f ala, n a memória de trabalho verbal, n a memória de trabalho
temporal-sequencial, na coordenação motora e no tempo dos movimentos
motores finos, na a utorr e gulação emocional e motivacional, n a f luência verbal
e no plane a mento). Estas constituem as FE e sã o mediadas pelo có rtex pré -
108
frontal e p e las suas redes de gâ nglios basais e o cerebelo, sugerindo que
essas regiões podem desempenhar um papel f undamental na PHDA.
A deficiência bioló gica alicerçou -se nos estudos ef etuados com imagens
cerebrais, demonstrando que a PHDA é, esse ncialmente, uma d is fu nçã o
herdada geneticamente do có r tex pré-frontal. Estudos ne urológicos su gerem,
também, que esta perturbação está associada a alterações do córtex p ré -
frontal e das suas proj e ções para e struturas subcorticais, o que caracteriza a
PHDA por níveis f requentes de desatenção, impulsividade e h iperatividade,
desorganização e d esajuste social, envolvendo um déf ice do sistema inibitório
ou as F E da memória d e trabalho da referida perturbação. (Baddeley, 1 996a;
Baddeley, 1996b)
Os estudos anatómicos cerebrais de crianças com PHDA demonstraram que o
desenvolvimento cerebral se verificava d e forma mais lenta. Para além da
diminuição do volume d o cérebro destas crianças, há, também, evidências de
alterações num circuito específico que cau sariam os sintomas de P HDA. Este
circuito parece incluir regiões pré-frontais direitas do cérebro, o s gânglios
basais, os h emisférios ce rebelosos e uma sub -região do vérmis cereb eloso. O
volume do cerebelo é, igualmente, menor, particularmente nas regiões
póstero -inferiores (lob o s VIII a X) do vérmis (Castellano s e A costa, 2004)
O défice no co ntrolo inibitório do i m pulso consiste no aspeto que melhor
define a PHDA e é uma f unção que corr esponde à área pré - f rontal. Através da
tomografia p or emissão de fotão simples (SPECT), prov ou - se uma diminuição
anormal de fluxo sanguíneo em indivíduos com PHDA. Através d a tomograf ia
por em issão de positrões (PET), estas crianças apresentam também uma
diminuição do m etabolismo regional da glucose no lobo f rontal. A ressonância
magnética funcional (RMf ) evidenci ou que, n estas crianças, diante de tarefa s
de inibiçã o , f oi visível uma hipo ativação do córtex cerebral no hemisféri o
direito, no núcleo caudado e no cíngulo anterior, assinalando q u e a PHD A
pode ser o reflexo de u ma dis f unção do processo de maturação do lobo p ré -
109
frontal e da su a rela ção com as estruturas su bcorticais que p assam pelo
cíngulo e outras que chegam ao cerebelo. ( Mulas et al., 2012)
Lezak (19 95) e B aron (2004) indicam que estudos neurológicos dem onstram
que a s criança s com PHDA têm um desem penho prejudica do na atenção e
nas FE, tais como, a perceção, o planeamento e a organiz a ção, al ém de
falhas na inibição comportamental, motora e do pensamento.
Os sistema s importantes para as FE, os sistem as para a dopamina e pa ra a
norepinefrina, são mais lentos, paralelos ao lento d e senvolvimento
neurológico, e specialmente, as regiões pré -f rontais do cérebro. Esses
sistemas estão em desen volv ime nto durante a in fâ ncia e p o ssivelmente na
adolescência. Provavelmente, o córtex p ré -f rontal será a região mais
desenvolvida do ser humano. (Brown, 2007)
Desta forma, o desenv o lvimento das FE está vinculado ao desen volvimento
do CPF, pois este é essencial para a realização correta das FE.
Para Coolidge & W ynn (2001), o lobo frontal constit u i a ár ea com um
desenvolvimento pós-natal mais prolon gado, de tod a s as regiões do córtex
cerebral a ssociadas ao funcionamento executivo. A área p ré -frontal
desenvolv e -se até a lcançar um alto grau de conetividade com a s outras
regiões cerebrais, muito maior do q ue as esta belecidas por outras regiões
corticais. O córtex pré -frontal liga-se ao tálamo, aos gânglios b asais, ao
sistema límbico e às porçõe s posteriores do córtex cerebral. Por sua vez, esta
rede neuronal complexa é co nstituída por redes neuron ia is mais pequenas,
que se es pe cializam em ativ idad es particu lares associadas aos dife rentes
domínios cognitivos da FE.
Ruiz (2008 ) acresce nta que a interligação comp lex a desta s redes n uma rede
global é o que confere à área pré -frontal a caracte rística principa l para
sustentar a a tividade mental de um sistema funci onal de d omínio geral como
são as FE.
110
Mateo, referindo-se a o estudo de Stuss, B iological and Physiological
Development of Executive Functions (1992), afirm a que:
Los lóbulos fr ontales (…) se encue ntran a mpliamente conectados
con casi todas las estructuras del Sistema Nervioso Central ( SNC) e
interactúan con las unidad es funcionales primarias y secundarias del
cerebro, con lo cual se constituyen como la unidad responsable de la
programación , regulaci ón y v erif icación del co mportamien to. Como
consecuencia, influyen de f orma directa en los patrones de
comportamien to de las demás re giones cerebrale s. (Mateo, 2011 :6)
Fernandes (2001) acrescen ta que os lobos frontais desempenham um papel
influente na regulação da atenção, na a tividade e nas reações emo cionais, e
desempenham um papel importante na PHDA.
Segundo Mulas et al. (2012) é possível def inir do is parad igmas p ara a melhor
compreensão das alterações clínicas da anat o mia dos portadores de PHDA.
Por u m lado, o prime iro corresponde ao subtipo predominantemente
desatento, q ue implica uma d isfunç ão an terior do lo b o f rontal, afetando o
estado de alerta, uma a lteração da atençã o suste ntada e uma alteração dos
mecanismos de contro lo corticais inibitórios (controlo da espera, con trolo dos
impulsos e controlo da interferência). O se gundo, o su btipo
predominantemente hiperativo/impulsivo corresponde a uma disfun ção
neurológica po sterior (he misfério direito posterior), con dicionando u m escasso
controlo de espera de imp ulsos e de int erferências, alteração da atenção
seletiva, pe rturbações na psicomotricidade, po bre manejo de ant ecipa ção e
tendência à precipitação.
Por outro lado, os principais sistemas de neurotransmissão incluem duas vias
dopaminérgicas e duas norad renérgicas, relacionadas com os sintomas
nucleares da PHD A.
Gathercole e Baddeley (1993) a f irmam que,
Frontal lobe patients tipically show a paradox ically combination o f
behav ioural persev erat ion, when they repeatedly perform the same
117
simpáticas. Afetam a f unção cardiovascular, a f unção moto ra e o
comportamento. (Landberg e James, 1998 in Este vinho e Fortunato, 2 003:27)
No S NC, os recetores D 2 partilham a loca liz a ção com os recetores D 1 e estão
presentes no n úcleo caudado, putamen, núcleo acc umbens , tub érculo olfativo
e menor no córtex cereb ral (pouco). (Estevinho e Fortunato, 2003) Também
Tripp e W ickens (2009) referem que,
The dopamine D 1 and D 2 receptors are more- or -less uni f ormly
expressed throughout the striatum (caudate, putamen and nucleus
accumbens ) at high level s and at lower levels in cortical areas
(prefrontal cortex). In the striatum the cellular ex pression of D1 and
D2 receptors is segr egated between direct (striatoni g ral) and indirect
(striopall idal) pathways. (584)
Existem duas is omorfas do recetor D 2 : o D 2a e o D 2b . Estes dois subtipos
diferem n ão só estruturalmente como também f uncionalmente. (Este vinho e
Fortunato, 2003:27)
Os recetores D 3 podem existir em d uas isomorfas, D 3s e D 3l . Localizam-se no
núcleo accum bens , tu b érculo olfativo, ilhas d e Calleja e e m m enor quantidade
no có rtex ce rebral (pou cos). Estes receptores têm uma loca liz ação pré -
sináptica. (Sanger, Depoortere; Perrault , 1991 in Estevinho e Fortu nato,
2003:27)
Os recetores D 4 localiz am -se, principa lmente, no córtex frontal, mesencéfalo,
amígdala, hipocampo, medula (muito raros) e na retina. (Estevinho e
Fortunato, 2003:27) Matsu omoto, Hidaka, Tada, T asaki e Yamaguc h i (19 95) e
Barkley (1997) in Rodhe e Halpern (2004:S63) indicam que o produto do gene
do rece tor D 4 co ncentra-se n as área s do cérebro, cujas f unções se enco ntra m
afetadas pela PHDA.
Os recetores D 1 e D 2 predominam no córtex e estão mais relac ionados com os
comportamentos mediados pelo córtex pré -frontal. Os recetores D 3 e D 4
118
situam -s e , especificamente, nas regiões límbicas e corticais envolvidas no
controlo da c ognição e da emoção. O rec e tor D 5 to rna-se mais importante na
aprendizagem e na memória. (Estevinho e Fortuna to, 2003)
O cérebro é co mposto por 100 000 000 000 de cé lulas que se ligam entre si,
em redes extremame nte complexas. O conjunto de ligações entre as células
nervosas ou neurónios designa - se por rede neuronal. As “rotas” dos impulsos
nervosos, como Lobo Antunes a s designa, formam circuitos em interconexão.
Estes circuitos possuem fun cionalidades próprias, isto é, destinam -s e à
execução de determinadas tarefas. A passag e m de informação de célula para
célula, entre os vári o s elementos do circuito, é fe ita a través d e diferentes
substâncias químicas: os neurotransm issores. Circuitos diferentes utilizam
transmissores diferentes. (Antunes, 2009)
O co nceito de rede neuronal propõe que áreas d istantes do cé rebro possam
participar de fo rma diversa, através de vias e de circuitos próp rios, no controlo
das mesmas funções cognitivas, contribuindo com elementos específicos para
um resultado comportamental que é f eito da comb inação de várias operações.
(Bugalho, Correa e Viana-Baptista, 2006:258)
As redes neuro n iais com plex as unem as várias estrut uras do cérebro q ue
mantêm as funções ex ecu tivas. As mensagens rápidas de input (receção d a
informação) e de output (expressão d a inf ormação) viajam p or essa s rede s
através d e impu lsos elétricos de ba ixa voltagem. O movim ento ef iciente
desses impulsos e létricos através da re de depende da rápida libertação e
recaptação de ne urotransmissores químicos, que transportam a s m ensagens
através da sinapse, ou das conex õ es através dos neurónios. Para que esse
trabalho seja feito, cada um d os 100 bilhões de neurónios no cérebro depende
de um dos 50 ou ma is neurotran smissores químicos produzidos no cérebro.
Sem a libe rtação e capta ção ef icientes do neu rotransmisso r qu ímico
necessário, a quela porção da rede neuronal não consegue transpo rtar
eficientemente as suas mensagens. (Antunes, 2009)
119
Brown (2007) explicita este process o . Os q uímicos produzidos no cérebro
administram a co m unicação das men sagen s entre um neurónio e o outro.
Cada um de sses químicos af eta p equenos recetores nos neu róni os
adjacentes, sensíveis àquele neurotransmissor especí f ico. Os
neurotransmissores químicos são produzidos no cérebro e armazenados nas
vesí cu las, localizadas pe rto da parte posterior de cada neurónio. Sempre que
uma mensagem for transm itida através daq uel e neurónio, a s v esículas de
armazenamento libertam pequenas quantidades de neurotransmissores
químicos para transportar rap idamente a carga elét rica da me nsagem através
da fenda sin á ptica. A quantidade do tra n smissor q u ímico dis p onív el para a
libertação irá variar de acordo com o carácter urgente ou a importância da
mensagem p ara o cérebro, naquele momento. Quando uma quantidade
suficiente de tran smi ssor químico contacta os recetores específicos, a
mensagem é enviada rap idamente, passando ao próximo segmen t o, onde o
processo é repetido. Enquanto a mensagem continua seu caminho, qualquer
neurotransmissor n ão usado ou destruído durante o p rocesso de sinalização é
enviado de volta à cé lula emissora, através de células especiais chamadas de
transportadoras, o qu e vai permitir que o s istema recarregue e fique pronto
para outras ações.
A Dopa mina é armazenada nas vesículas siná pticas, difund e -se e é,
rapidamente, ca ptada pelos recetores da membrana p ós -sináptica. A
Dopamina pode , também, ser recaptada pelo neurónio pré-sináptico e
reincorporada em v esículas po r transportadores de alta afi nidade. Pode,
ainda, ser degrada da quer na fenda siná ptica quer no terminal pré -sináp tico.
O ácido homovanílico é o produto f inal da Dopamina. (Estevinho e Fortun ato,
2003)
A Dop amina está presente no cér e bro, e é responsável pelo c on trolo dos
nossos im pulsos, por an tecipar a consequência dos nossos ato s, por
determinar o que é mais impo rtante e por que ordem devemos dar prioridad e
na realização das nossas tarefas.
120
Figura 3 – Sist em a Dopaminérgico
(Fonte: http://psiquiatriaetox i codep endencia.blog s pot.com/2009/11/conceitos -b asicos- em -
toxicodependencia.html)
Numerosos estudos t ê m demonstrado que a Dopamina libertada no cérebro
age co mo um sinal pode roso para indicar estímulos importantes,
especialmente aqueles que p rovocam prazeres. A Dopam ina é p roduz ida
internamente no cérebro m édio, e m quantidades e f luxo q u e variam de acordo
com as perceções momentâneas do cérebro. Brown (20 07), ref erindo
Damásio e Pennington, acrescenta que uma vez libertad a pelos circuitos da
área tegmentar ventral, a Dopamina é trans p ortada por duas rotas prim árias.
Uma rota fornece Dopa mina ao có rtex pré -frontal, onde o s planos de ação são
selecionados. A outra rota transpo rta a Dopamina pa r a outras r egiões q u e
mapeiam e m onitorizam o estado constante do o rganis m o, para reflet ir
conforto, insatisfação, entre outros.
121
Figura 4 – Principa is rotas do sistem a dopam inérgico. As rotas dopam inérgicas
para as funções executivas originam -se prim ariam ente na área tegm entar ventral.
Estendem -s e ao c órtex pré- frontal e aos centros límbicos, para libert ar dopam ina
em resposta a perigos perc ebidos o u recom pensas . (Fonte: Brown, 2 007:61)
Uma das áreas do cérebro que parece estar frequentemente envolv ida co m a
PDA é o córtex pré-frontal. Os défices n europsicológicos da PHD A refletem
uma disfunção a nív e l pré -f rontal e, dest a forma, as insu f iciências das crianças
com esta problemática são mais visív e is nas hab ilidades ex ecu tivas, tais como
a inibição da resposta e planeamento, do que nas med idas relacionadas com
o processamento da atenção. (Matínez-León, 2006) Phelan acrescenta que,
[…] no caso do TDA , as par t es do cérebro (córtex pré -frontal) que
têm um papel preponderante na regulação das actividades da
pessoa estão, na verdade, subativas . Essas partes do sistema
nervoso central (… ) precisam de ser esti muladas a fim de f azer
direito se u trabalho. (… ) Deficiências no córt ex pré -front al (e suas
conex ões com outros centros cerebrais) resultam de um tipo de
“governador preguiçoso” e, com isso, as ativida des do indiví duo com
TDA se rão al eatórias, di spersas, desor g aniz adas, às v ezes muito
agr essivas e co m freqü ência excessiv amente emocionais. A pessoa
faz o q ue sente vontade de f azer no momento. O auto -refreamen t o e
as metas futuras são sacri f icados. M edicamentos estimulan tes, no
entanto, podem es timular o governador preguiçoso (o córtex pré-
frontal) no comando do cérebro a fazer direito s eu trabalho e, com
isso, as ativi dades da pessoa com TDA tornam-se mais dirigidas ,
organiz adas e decididas. (Phel an, 2005:61-2)
O córtex pré -frontal é o único segmento que está totalmente ligado ao cé rebro
e aos ca minhos neuron iais q u e os unem. As rede s de neurónios mantêm,
122
durante pouco tempo, em estado ativo, a s perceções e os pensa mentos de
cada momento, agrupando -os às memórias armazenadas, permitindo ao
indiví d uo a gregá-las a o seu conjunto d e experiências , atrib uindo sentido
àquilo que sente e pensa, agindo de maneir a a dequada ness e processo.
Surge, assim, a ideia de Memória d e Trabalho. Sem ela, um in d ivíduo fica
subjugado ao momento p resente, inca paz de juntar no vas sensa ções,
pensamentos ou aconteciment os. (Brow n , 2007)
A Memória d e Trabalho, também designad a por Memória Operativa, permite
manter uma quantidade limitada de informação ativa, nece ssária para guiar a
conduta durante o decorr er da a ção. (Mateo, 2005)
Figura 5 – Estrut uras prim árias do c érebro envolvidas nas f unções executivas. Os
circuitos da m emória de trabalho es tão localizados, pri ncipalm ente, no córtex pré -
frontal; o hipocam po converte as m em órias de trabalho em m em órias de long o
prazo. Os r iscos e as recompensas são identificados, principalm ente, por m eio da
am ígdala e dos circuitos dopamina, que f oram originados na área tegm entar
ventral. O sent ido de alerta é apoiado por circuitos do locus ceru leus e f orm ação
reticular, e os circuitos do c erebelo comandam a “sintonia f ina” d a cogn ição.
Todos ess es circuitos inter agem com m uitos outros. (Fonte: Bro wn, 2007:55)
Riesgo e Rohde (2004), in Rohde e Halpern (2004), mo stram que uma visão
anatomofuncional mais ab rang ente e completa deve incluir u m a circul açã o
neuronal com dois sistemas de processamento da atenção, um anterior, qu e
parece ser dopaminérgico e envolv e a região pré -frontal e as suas conexões
subcorticais (responsável pelo co ntrolo inib itório e funções e xecuti vas, como a
123
Memória d e Trabalho); o outro posterior, primariamente noradrenérgico
(responsável pela regulação da atenção seleti va).
Pliszka, McCracken e Maas (19 96) acrescentam que o locus ceruleus também
desempenha u m p a pel impo rtante na atenção, constituído basicamente por
neurónios adrené rgico s, to rnando -se ba stante ativo n a resposta a e stímulos
específicos.
Mirsky (1996 ) referido por Souza, Serra, Mattos e Franco (2001 ) aponta que a
forma de PHDA sem hiperatividade, a predominantemente desatenta, parec e
envolver áreas cortic ais a ssociat ivas posteriores e /ou alças subcorticais
provavelmente incluindo o hipocampo, e nquanto a f orma com hiperatividade,
predominantemente h iperativ a ou mista, envolv eria vias pré -frontais-límbicas,
incluindo o estriado. Assim, Ba rkley, DuP aul e McMurray (1990) mencionados
por Souza, Serra, Mattos e Franco (2001) e Messina e T iedemann (2009 )
acrescentam que os su btipos ta mbém se diferenciam no que concerne aos
perfis n europsicológicos apresentados. Dest a forma , o su b tipo sem
hiperatividade associa-se a problemas envolvendo a atenção s elet iva e a
velocidade de processamento da informação, o tipo com hiperatividade
associa-se a dificuldades na sustentação da atenção ao lon go do tempo, com
maior vulnerabilidade à distração.
Há cé lulas esp ecíficas no có rtex pré-frontal, com a s quais o cére bro p ode,
transitoriamente, conservar na mente e utilizar a informação a dquir ida , alguns
instantes antes, para o rientar as ações atuais. P elo facto dessas áreas no
córtex pré-frontal estarem intimamente conectadas com outras regiões do
cérebro, as célula s da Mem ória de Trabalho podem orientar a nossa seleçã o
das info r m ações que ch egam, ajudando a con centrar -nos naquilo que é
necessário para co ntin uar uma ta refa ou adquirir mais detalhe s na informação.
(Brown, 2 007; Rohde, Mat tos & Cols, 2003) É um processo me ntal que
depende da ida de, com capacidade li mita da para armazenar, monitorizar e
utilizar a info rmação. Revela -se importante para a aprendiz a gem da
matemática e da leitura. (Papazian, Alfonso e L uzondo, 2006)
124
Estudos n europsicológicos mostraram que crianças com PHDA têm uma
performance p rejudicada em t a refas relacionadas com a atenção , perceção,
planificação e organização, f alta de inibição comportamental, processos que
estão relacionados com o lobo f rontal e com a s áreas s ubcorticais. Po r sua
vez, os portadores d e P HDA af irmam que, no seu quotidiano, deparam -se
com um conjunto de dificuldades, a saber: tomar iniciativas, plan ificar ,
estabelecer priori dades e organiz ar -se no trabalho. Acrescenta m, ainda, a
procrastinação, a f alta de m onitoriz a ção e m relação a tempo e praz o s, a
sonolência diurna, a lentidão e inconsistência no d esempenho, a int errupção
das ta refas antes da sua conclusão, a baixa to lerância à frustração, o s
problemas com a memória. (Rhode, Mattos & Cols., 2 003) E stes fatores estão
relacionados com as funções executivas.
Cada função executiva dá origem aos sintomas característicos da PHDA, tal
como apresentamos no quadro que se seg u e:
Quadro 19
Relação entre as funções executivas e os sinto m as respetiv o s de PHDA
F UNÇÃO E XECUTIV A
S INTOMAS DE PHD A
Atenção
Défice de atenção
Reflexão
Impulsividade
Imobilização temporária
Excesso de atividade
Auto-organização
Desorganização
Autorregulação
Inflexibilidade
Autovalorizarão
Baixa autoestima
Cognição social
Inadequação social
Obediência
Comportamento desafiante
Memória ativa
Esquecimento
Coordenação de movimentos
Inadequação
Fonte: Selik owitz (2010), pág . 134
Pensa -s e que a s crianças com esta perturbação sof ram de um abrandamento
de certas partes d o cérebro, provavelmente, numa região ce rebral destinada a
125
coordenar a ação de diversas zonas, nomeadamente as que controlam a
concentração, a memó ria e a coordenação . Acredita-se, que este
abrandamento seja causado pela dificuldade d e segregação dum transmissor
neuronal. Brown (2005), Rodhe e Benczik (199 9), Rhode, Mattos & Cols
(2003) e Selikowitz (201 0) consideram que o s transmissores neuron iais
deficitários, quer em quantidade quer em f uncionamento, nos indi víduos com
Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção são a Dopam ina e a
Noradrenalina, simultaneamente.
Apresentamos um quadro, no qual mo stra m os quais os neurotransmissores
que interferem n as funções e xecutivas e o problema que origina n a tríade da
PHDA.
Quadro 20
Funções executivas e neurotransmissores associados
F UNÇÕES EXECUTIV AS
N EUROTRANSMIS SORES
Flexibilidade
Dopamina:
Atenção
Organização
Planeamento
Noradrenalina:
Hiperatividade
Memória de Trabalho
Separação entre afeto e
cognição
Serotonina:
Impulsividade
Inibição e regulaçã o da a ção
motora e verbal
In Apresentaçã o sobre PH DA, Dr.ª Sa ndra Afo nso, hospital CUF Descober tas
Estudos mais recentes, ref eridos por Barkley (200 6), realiz ad os por Sa golden,
Johansen, Aase, propuseram uma teoria neuroevolutiva d a PHDA (tipos
combinado e predominantemente hiperativ o -impulsivo), baseada numa
alteração do fu ncionamento da dopamina, que pode o correr com o
126
hipofuncionamento de um dos três circuitos dopaminérgicos identificados no
cérebro. O fu ncionamento reduzido numa via mesolímbico no cérebro altera a
sensibilidade a o refor ço e à extinção deficiente de co m portamentos antes
reforçados, po dendo levar à de ficiência na atenção, hiperatividade,
impulsividade e pobre cap acidade de m anter a atenção. O funcionamento
reduzido na via dopamínica mesocortical também p ode levar a uma
deficiência na atenção p ara um a lvo, be m como no p lan e amento e
funcionamento executivo. Finalm ente, o funcionamento redu zido da via
dopaminérgica nigroestrital resulta no comprometimento da m odulação do
comportamento motor e deficiências na ap rendiz a gem e na memória,
podendo levar a compo rtamentos desajeitados e po uca inib ição moto ra,
observados na P HDA. Mas, e ste e studo n ecessita de ser mais ap ro f undado e
alicerçado com a realização de mais pesquisas) e realiz a das mais pesquisas.
O problema central da PHDA é, essencialmente, a falta de autoconsciência.
Se as redes neuroniais para as funções ex e cutivas estão comprometidas,
como é o caso dos portado res de PHDA, então esse indiví du o pode estar
proporcionalmente debilitado na gestã o de u ma enorme gama de f unções
cognitivas, independentemente do quanto possa estar de sejando o co ntrário.
(Brown, 2007)
133
pensamento, a plan ificação, a formulação de estraté gias, a aprendiz a gem, a
memória e a linguagem. (Barrios e Guàrdia, 2001)
The two areas of the cerebellar cortex are the target of output f rom
Purkinje cells t hat are located in separate re g ions of the ce rebellar
cortex. Clearly , the separation o f motor and non motor functions seen
in the dentate nucleus extends t o t he level of the cerebellar cortex.
(Strick, Du m e Fi ez, 2009:420)
O ce rebelo recebe informações corticopont o cerebelosas do có rtex sensório -
motor, do córtex p ré -frontal dorsolateral e dorsomedial, das regiões f rontais
responsáveis pela linguagem expressiva, de várias regiões parietais, d o
colículo su perior e do córtex temporal superior. Posteriormente, env ia
informações a través do tálamo para á reas similares. A maioria das ligações
estabelecida entre o cerebelo e as regiões ce rebrais são contralaterais, o u
seja, liga os he misférios ce rebrais e cereb elosos de fo rma contralate ral .
(Hernández-Muela, Mulas e Mattos, 2005; Tirapu -Ustárroz et al., 20 11 )
Strick, Dum e Fiez (20 09) tam bém referem o papel de sempe n hado pelo
cerebelo e suas ligações, afirmando,
Efferents f rom the cerebellar nuclei project to multipl e subdivision s of
the ventrolateral thala mus, w hich, in turn, project to a myriad of
cortical areas, includi ng regions of f rontal, p r e frontal, and posterior
parietal cortex. Thus the outputs from the cerebe llum influence m ore
widespread regions of the cerebral cortex than prev ious ly recog niz ed.
This perspectiv e provides the anato mical substrate f or the output of
the cerebellum to influe nce nonmoto r as well as motor areas of the
cerebral cortex . As a consequence, abnormal activity in these circuits
could lead not only to motor defic its but also to cognitive, att ention al,
and affectiv e impairments. (415)
É importante sa lientar que a m aioria das ligações que se e stabelecem entre o
cerebelo e as regiões cerebrais atravessam o pedúnculo cerebelo so e ligam,
de forma c on tralateral, os hemi sférios cer e brais e cere b elosos. (Barrios e
Guàrdia, 2001)
As projeções do cér e bro para o tálamo nã o se circunscrev e m à região
ventrolateral, mas, também, a outros núcleos talâmicos, tais com o, o núcleo
134
paralaminar do rsomed ial e o núcleo intralaminar ce ntr al lat eral. Por sua vez,
estes nú cleos projetam p ara áreas corticais diferentes do córtex motor
primário, mais especificamente, o córtex de a ssociação parietal, temporal e
pré-frontal, bem como o giro cingulado e para h ipocampal. (Barco et al., 2004)
O córtex cerebral cria o s comandos para a exaltação e inibição de fontes de
informação di fe rentes e sinais sensoriais, o cerebelo, po r s ua v e z, e xecuta
esses comandos, com o objetivo de otimizar a qualidade da informação
sensorial e coordenar a direção da atençã o seletiva. (Barco et al., 2004)
Bugalho, Correa e Viana -Baptista (2006) tam bém afirmam que o cerebelo se
encontra implicado nas funções cog n itivas. Os autores declaram que,
[…] trabalhos com métodos f uncionai s m ostra r am a ativação do
cerebelo (vérmis e r egiã o posterior dos hemis férios cerebelosos) na
realiz ação de taref as cognitivas, não relacionadas com atos motores.
Estudos de neuropatologia e e studos de ima giologia mor f ológica e
funcional revelaram alterações do cerebelo em doenças cognitivas e
comportamen t ais do neurodesenv olvimento, como a Perturbação de
Hiperativ idade e Déficite de Atenção, ( …) A av aliação
neuropsicológica de doentes com patologia degenerativ a do cerebelo
mostrou também defeitos cognitivos, particularmente em funções
execu t ivas. (257)
O cerebelo desempenha um papel essencial na coordenação motora, na
articulação verbal e no con trolo dos mo vimentos oculares, p articipa n do, ainda,
no controlo do equilíbrio e das f unções anatómicas. Schmahmann e Pand ya
(1995), in Bu galho Correa e Viana -Baptista (2006), refe rem que em
experiências feitas com prim atas fo ram e ncontradas ligações e ntre o ce rebelo
com diversas regiões d o có rtex pré -f rontal, responsáveis pelas funções
executivas, no meadamente, a memó ria de trabalho, a a tenção, a inibição de
comportamentos e processos de decisão baseados e m estratégias cognitivas,
e, ainda, na memória verbal e na linguagem. ( 2 59)
135
Postula -s e que o cerebe lo liga o contexto senso rial e propriocetivo à s
respostas motoras, exercendo um controlo so bre as mesmas, com base na
gestão da informação se nsorial. Do m esmo modo, tem um papel na
preparação e antecipação das respostas motoras, segundo sequências
motoras experimentadas anteriormente, em função d a i nf ormação recebida do
meio. Assim , é capaz d e ide ntificar sequências, prev er o co mportamento
seguinte e p reparar o estado f isiológico para a realização de tarefas pe rcetivo
motoras ou cognitivas. (Hernández -Muela, Mula s e Mattos, 2005)
Os a utores Hernánd ez -M u ela, Mulas e Mattos (2005) apresentam os m odelos
registados nas figuras que se seguem e resumem a info rmação.
Figura 9 – Es quema do m odelo de resp osta interna de f uncionam ento cere belo so, aplica do a
funções do dom ínio m otor (in Hernán dez-Mu ela, Mulas e Mattos, 2005: 58)
C o ntexto sens o rial
propiocepti vo 1
Conte xto sensorial Respos ta motora cortica l 2
propioc eptivo 2 optimizada p o r experiên cia
Ident i fica ção , sequên cias, ant ecipa ção e prepa ração
Resposta motor a cortical 1
Compor tamento,
execuç ão tarefa
136
Figura 1 0 – Esquem a do m odelo de res posta interna d e f uncionamento c erebelos o, aplicado a
funções exec utivas (in Hernánd ez- Muela, Mu las e Ma ttos, 2005: 58)
A experiência, através da memória, co ntribui para a criação de u m modelo
interno de resposta do cerebelo. (Hernández-Muela, Mula s e Mattos , 2005)
Imamizu et al. (20 00) de monstraram, a partir da Resson ância Magnética
funcional (R Mf ), a im plicaçã o do ce rebelo na a prendizag em de atividades
cognitivas e motoras, atribuindo importância ao cerebelo em termos de
memória, o que co ntribui pa ra a teoria sob r e a e xistência d e mode los interno s
de resposta.
A ex p eriência d estes autores co nsiste em analisar a imagem apresentada,
pela RMf, de d uas tare f as realizadas com a man ipulação de um rat o de
computador. Nu m a, t em os u m rato de um computador conv e ncional, cuja
resposta está automatizada em relação ao m ovimento manual, na outra,
encontramos um rato modificado, que cria ou tro tipo de m ovimento do cursor
no mon itor e, por isso, tem de ser aprendido. Assim, Imamizu et al.
C o ntexto a mbiental/
conceptual 1
Conte xto ambiental/ Resposta o ptimizad a
conc eptual 2 por aprend izage m
Ident i fica ção , sequên cias, ant ecipa ção e prepa ração
Resposta c o gniti v a 1
Inter-relaçã o,
associaçã o, resolução
de probl emas …
Fluidez e
precisão no
processamento
cognitivo
137
demonstram que e xtensas á reas p róximas da fissura posterior superior são
ativadas.
As regiões próximas da f issura recebem aferê ncias de f ibras paralelas a partir
do córtex pré -motor e de a ssociação, a sua ativação, predominantemente
unilateral no paleoce rebelo, está relacionada com a atividade mo tora do lado
ipsilateral. Contudo, a a tivação bilate ral, co mo acontece na t arefa reali zada,
pode indicar que as reg iões ativadas são relevantes para a ap rendiz agem de
sequências motoras novas ou de p rocessamento cognitivo. E stas ativam -se,
de form a mais intens a , na fa se de aquisição de aprendizagem, continuando
ativas quando o sujeito, já t reinado, volta a realizar a se quência, expressão da
memória na qual o cerebelo participa mediante a criação de modelos int ernos
de resposta pa ra a f unção co gnitiv a , independentes da a tivação uni e
ipsilateral d o cerebelo, em relação ao domínio m otor (model o interno de
resposta motora). (Imamizu et al., 2000)
No que co ncerne à atenção, estudos de RMf assinal am a ativação do
cerebelo poste rior d urante a realização de tarefa s de a tenção se letiva e
atenção v isua l. Esta ativação parece s e r independente da ativaç ão m otora,
conforme o exposto por Allen et al. (1997) Os auto res, através da RMf, usam
três tarefas distintas para examinar o env olvimento do cerebelo:
(i) tarefa de atenção v isua l que não requeira nem aprendizag e m moto ra nem
uso de operações motoras;
(ii) atividade motora;
(iii) uma tarefa com a combinação das duas a n teriores.
Assim, Allen et al. (1997) «f ound evidence of a classic d ouble dissociation in
structure a nd fu nction between áreas of the cerebellum: visual attention
activates one anatomic lo cation with the c erebelar cortex, whereas motor
performance activates a distinctly diff erent location. Moreover, att ention
activation can occur independently of motor involv e ment. » (1940)
138
Neste sentido, o cer ebelo posterior fica a tivado na realiz a ção de t arefas de
atenção seletiva e de a tenção visual. Esta ativação parece ser independent e
da atividade motora. O hemisfério cerebeloso anterior direito mostra u ma clara
ativação durante a reali zação de um exercí ci o puramente motor, mas quando
a tarefa consiste e m ate nder um es tímu lo visual, a tiva-se a regiã o posterior
superior do cerebelo, nã o se verificando, nesta situação, qualquer ativação n o
hemisfério cerebe loso anterior direito. Quando a a tividade exige aten çã o
visual e resposta motora, a tivam-se ambas regiões.
Por conseguinte, os a utores concluí ram que o cerebelo está implicado na
atenção seletiva e que a a tivação observável no cereb elo, no decorrer d estas
atividades, diferencia -se anatomicamente d a ativação puramente mo tora .
(Allen et al., 1997)
Hernánd ez -M u ela, Mulas e Matt os (2005), b aseando -se em estudos de
diversos autores s o bre a atividade cerebelar nos processos c ognitivos do
cerebelo, apresentaram a tabela que a seguir rev elam os.
Quadro 21
Conhecimentos relativos à distribuição to pog ráf ica das funções cognitivas do
cerebelo
Conhecimentos atuais quanto à distribuição topográfica das funções cognitivas
do cerebelo, n as d iferentes i n vestig a ções, baseadas n as a tivações de área s
durante a realização de tarefas, evidenciadas por neuroi m agem funcional
Regiões próximas da f issura póstero-
superior a nível lateral
Criação de modelos internos de
resposta
Região lateral direita
Processamento linguístico e criação
de palavras
Hemisfério cerebelar direito, região
inferior
Memória de Trabalho
Núcleo denteado
Processamento co gnit ivo (planificação
e monitorização)
Fissura posterior superior bilateral
Aprendizagem
Regiões posteriores
Atenção visual
( in Hernánde z-Muela, Mulas e M attos, 2005: 6 1)
139
3.2.1. O C E REBELO E A PHD A
Um interesse crescente sobre o papel d o cerebelo na patogénese d a PHDA
tem sido evidente. «The cerebellum is the most co nsistently implicated and the
most robustly d eviant brain structure in the pa thopsysiolog y o f Atte ntion-
Deficit/Hyperactivity Disorde r (ADHD) . » (Robert e Sheffer, 2012:1)
Anomalias estruturais do cerebelo estão entre as características ma is
consistentes relacionadas com a PHDA. (Mackie et al., 2007)
Descobertas estruturais, funcionais e clínicas ind icam que os fatores g e néticos
e neurológicos a fetam múltiplas estruturas ce rebrais e cir cu itos neu ron iais
envolvidos na patof isiolog ia da P HDA. (Bledsoe , Semrud -Clikeman e Plisz ka ,
2009)
Embora o cerebelo seja conside rado uma estrutura que en volv e,
principalmente, se nã o exclusivamen te, o controlo m otor, co mprova -se que « it
is the m ost co nsistently implicate d and also the most robustly abno r mal
structure in the pathophy siolo gy of ADHD.» (Bledsoe, S e mrud -Cl ikem an e
Pliszka, 2009:623)
Verifica-se que existe um a ampla gama de fun ções cognitivas e afetivas nas
estruturas cerebelares , incluind o o processamento da informação t e mporal, a
atenção, a memória de trabalho verbal, a a p rendizagem implícita, a função
executiva e a regulação e mocional. Disfunções e m cad a um destes d omínios
têm sido, por sua vez, implicados na etiolog ia da PHDA. (Mackie et al., 2007)
O estudo efetuado por Bledsoe, Semrud -Clikeman e Pliszka (2009) sugere
que a redução no vérmis posterior inferior pode ser a anormalidade estrutural
específica das crianças com P HDA, que não têm história clínica d e tratamento
com medicação estimulante. Adicionalment e, o e studo aponta, t ambém, que
crianças com PHDA cronicamente tratadas apresentam uma área vermal
similar à s criança s sem esta problemática. Assim , os a utores presumem que o
140
tratamento crónico com medicação estimulante pode ter ef eitos
normalizadores no c erebe lo, pa rticularment e , no v érm is posterior. (Bledsoe,
Semrud-Clikeman e Pliszka, 2009)
Segundo Seidman, Valera e Makris (200 5) e Berquin, Giedd et al. (1998) in
Bugalho, Correa e Vi an a -Baptista (2006), a lguns estu dos imagiológicos na
PHDA têm demonstrado, d e forma consiste n te, cerebelos de menor volume
quando comparados a indiví d uos sem e sta p roblemática, sobretudo no que
respeita aos segmentos po sterior-inferiores dos hemis f érios e do vérmis.
Gustafsson, Thernlund et al. (2000) in Bugalho, Correa e Viana -Baptista
(2006) indicam que os indivíduos com PHDA te ndem a apresentar alterações
na coordenação motora de naturez a cerebelosa, tais como dificu ldades no
equilíbri o, na e xecução de movimentos rápid o s alte r n ados, na calig raf ia ou no
controlo métrico e temporal dos movimentos. (261)
Barco, Engeby e Ribal (2004) indicam que desde o s anos 8 0, Courchesne e
os seus colaboradores (19 94a, 1994b) defendiam a teoria d e que o
neocerebelo desempenha um papel impo rtante na coordenação da aten ção e
no arousal , de forma análoga ao dese m penhado no controlo motor.
A participação d o cerebelo nos mecanismos relacionados com a ate nção
torna-se evidente na PHDA. Verif icou-se, através de métodos
neuropsicológicos, o envolv ime nto da zona pré -frontal, do cere belo e dos
núcleos da base, que assina lam esta s estruturas relacionadas com os
processos de regularização da atenção e o controlo das respostas
automáticas (impulsos) . Neste s en tido, os estudos de B erquin et al. (1998)
corroboram que «cerebellar volume, regional vermal mid -sagital-area
measures, and volumetric m easures of the vermis and the posterior inf erior
lobe (lobules VIII to X) are d escribed f or a la rge sample of right -handed b oys
with ADHD and matched healthy controls.» (1088)
Através da neuroimagem, veri f ica -se que o vérmis cerebeloso (lobos 8, 9 e 10)
tem um tamanho menor, mantendo -se, dentro da média, o tamanho do resto
141
do órgão. Interpreta-se como uma evolução retrógrada, a partir d e uma
disfunção dos circuitos cerebelo -tálamo pré -frontais (figura 11), o que
relaciona o vérmis como p rocessad or que poten cia, em rapidez e eficiên cia, a
atenção e as f unções executivas, pela sua ação moduladora sobre os
sistemas superiores. (Hernández-Muela et al., 2005)
Figura 11 – Esq uem a das ligações d o cerebelo c om o córtex pré -f rontal, circuito q ue serve de
substrato neuroa natóm ico para ente nder a disfunção na PHDA .
Estudos indicam que a perda neuronal no ce rebelo ou más forma ções
observadas em patolog ias diferentes podem ser responsáveis por an omalias
comportamentais ou por défices co gnitiv os constatados. (Barrios e Guàrdia,
2001) Déf ices nos componentes cerebelares do con trolo motor e inibição d a
resposta podem contribuir para a hiperativ idade. (Mackie et al., 2007)
142
______ ________ _______ ________ __________ _ C A PÍ TU LO
4
245
diversas aprendizagens e scolares. Neste co n ceito de diversi d ade en contra -se
a génese da escola inclusa .
Para Morg a do(:7 3), o conceito de inclusão engloba três parâmetros
essenciais:
a modalidade d e atendim en to , como primeiro parâmetro. Dá relevo à
permanência do aluno com necessidades educativas especiais dentro
da sala de aula e dentro desta tem direito aos serviços adequados ;
o utro dos fa tores deste con ceito envolv e um conjunto de se rviços de
apoio especializado que pretende maximiz ar o potencial do aluno;
o terceiro con ceito, ed ucação apropriada, con sidera três n ív ei s de
desenvolvimento, académico, sócio emocional, e p essoal. O currí culo
torna-se, deste modo, um meio como é alcançado um de terminado f im,
ou seja o sucesso escolar do aluno.
6.3.2. O C ONC EITO DE A LU NOS CO M N ECESSIDA D ES E DUCA TIV A S
E SPEC I A I S
O co nceito de aluno co m necessidades e ducativas especiais esb arra na
terminologia depreciativ a usada comummente, quando s e pretende agredir
verbalmente e comparar alguém ao mundo animal. Contudo, existe uma
nomenclatura adequada de a cordo com várias terminologias usadas no meio
científico. Ao u tiliz a rmos o termo ne ce ssida des educativas especiais
distancia mo -nos do conce ito de en f ermidade/deficiência pe r m anente. Ao
utilizar esta terminologia permite, também, nã o nos centrarmos nas ca usas
dessa deficiência mas, sob retudo, nos m eios e no s recursos e ducativ os a o
dispor adequados às necessidades dessa mesma aprendizagem.
246
O a luno com necessidades edu cativ as especiais é a penas um aluno que va i
requerer respostas diferentes por parte da comunidade educ ativa.
6.3.3. D E CRETO - LEI Nº 3/2008 , DE 7 DE JA NEIRO
A PHDA terá sempre alg u m tipo de repercussão no meio escolar, todavia, sem
impedir a apren dizagem e o suce sso escolar da s crianças. O caráter destas
repercussões é m uito variável de criança pa ra criança. Existem p rocedimentos
legais que preveem a m obilização de m edidas específicas, p o is só d esta
maneira conseguire mos responder adequadamente à diversidade das
necessidades educativas de cada criança.
O Decret o-Lei nº 3/2008 de f ine o s apoios especializados e p revê a criação d e
condições que permitam a adequaç ão do processo educativo às
necessidades educati vas especiais dos a lunos com dificuldades d e caráter
permanente, como é o caso da P HDA. Com este decreto pretende -se que a
criança consiga dar continuida de aos e studos, obtendo uma p reparação
adequada para a vida profissional.
A lei prevê que a ref erenciação (documento onde se explicitam as razões que
levaram a referenciar a situ ação, anexando os documentos que as
comprovam) seja feita por iniciativa dos pais o u encarregados de educação,
dos docentes ou de técnicos que int ervenham com a criança. A referenciação
é feita aos órgãos de gestão das escolas ou agrupamentos.
De acordo com esta legislação, as m edidas educativas a serem
implementadas, no âmbito da adequação d o proce sso de ensino e de
aprendizagem podem ser:
247
a) Apo io P edagógico Personalizado – prevê a impleme ntação de
estratégias, reforço das aptidões e da a prendiz a gem, assim como o
desenvolvimento de competências específica s;
b) Ade quações Curriculares Individuais – têm por base o cu rrículo comum,
devem respeitar as orientações curriculares e não devem colocar e m
causa a aquisição de determinadas competên cias básicas;
c) Ad equações no P roce sso d e Matrícula – que poderá ser, por e xemplo,
beneficiar de adiamento de matrícula no 1º ano de escolaridade;
d) Ade quações no Processo de Avaliação – nomeadamente, adequaçõe s
do tipo de p rova, dos instrumentos de a valiação e as respetivas
condições de a valiação no que respeita, entre o utros aspetos, às
formas e m eios de comunicação e periodicidade, d uração e local d a
mesma;
e) Currículo Esp ecífico I nd ividual – para os alunos que têm alt erações
significativas no cu rrículo, podendo h aver alte rações a nív e l dos
objetivos e conteúdos propostos;
f) Te cnologias de Apoio – os dispositiv os facilitadores que se destinam a
melhorarem a funci onali d ade e a reduzir a incapacidade do aluno.
No caso d a P HDA, as m edidas mais frequentemente mobilizadas sã o : a)
Apoio Pedagógico Pe r sonalizado e d ) Adequações n o Proce sso de Avaliação.
Estas m edidas permitem, por um lado, uma superv isão m ais indiv iduali zada
do pro f esso r perante as ap tidões que p recisa m de ser melhoradas e, por outro
lado, que o aluno beneficie de uma f orma de avaliação que tenha em conta as
suas dificuldades principais. (Neto et al., 2014; Rodrigues e Antune s, 2014)
No que se ref ere à alínea a) Apoio P edagógico Personalizado (Decreto -lei
3/2008; Rodrigues e An tunes, 2014), v erificam os o rientações n o se ntido de
promover:
- o ref orço das estratégias utilizadas no grupo ou turm a aos níveis da
organização, do esp aço e das atividades (exemp lo s: sentar o aluno à f rente e
248
longe de elementos distrácteis, po ssibilitar o trabalho cooperativ o, conta to
visual, reforço verbal);
- o estímulo e reforço das competências a aptidões envolvidas n a
aprendizagem (exemplo: controlo do caderno d iário);
- a an tecipação e reforço da aprendizagem de con teúdos lecionados no seio
do grupo ou turma e o reforço e desenvolv ime nto de competências
específicas (este apoio é prestado consoa nte a grav ida de d a situa ção dos
alunos;
- a especificida de das competências a de senvolver, pelo ed ucador de infância,
professor da turma ou da disciplina, ou pelo d oce nte de educação e sp ecial).
Quanto à alínea d ) Pr o cesso de Avaliação, Decreto -lei 3/2008; Rodrigues e
Antunes (2014) indicam que podem:
- ser alterados o s instrumentos de certificação e de avaliação (exemplos: nã o
valorizar o desrespe ito de margens, linhas e e spaços; alterar percentagens de
avaliação);
- ser alterado a periodicidade, a duração e o local das provas (ex e mplos:
conceder ma is momentos avaliativos, tolerância s up lementar ao tempo de
prova/teste e outras tarefas e realiz a r os momentos de avaliação noutro local).
A alínea d) po de passar, aind a, por conceber tem po extra nos mo mentos de
avaliação, elaborar uma prova de avaliação ma is reduzida, co m questões
claras, curtas e ob jetivas, uma vez que as crianças com PHDA demoram mais
tempo na sua realização. É bené fico que as p áginas da p rova de a valiaçã o
sejam constitu ídas só por frentes, de fo rma a e vitar a dispersão da criança.
(Neto et al., 2014)
Quando existem outro s prob lemas associados à PHDA, justifica -se a
utilização d a alínea b) Ad equações Curriculares Ind ividuais em algumas
disciplinas. E sta medida assume grande importância, especialmente se a
criança tiver um historial de insucessos recor ren tes no seu percurso escolar.
249
______ ___________ _______ ________ _________ C A PÍTULO
7
250
7. I NT ERVENÇÃ O E DUCA TIV A ( SENTID O LATO )
As crianças com PHDA necessitam de interv enção em várias áreas, pelos
défices que apresentam e m vários domínios a bordados ao longo d est e
trabalho.
Suportando-nos em vários a utores (Barkley, 2000 ; Barkley, 2006; Brown,
2005; Contreras (coord.), s/d; D uPaul & Sto ne r, 2003; Espina e Orte go, s/d;
Fundación CA DAH, s/d; Lopes, 2004; Phelan , 2 005; Pujol et al., 20 06; Villar,
2007) re colhemos a lgumas estratégias, que poderão ajudar a me lhorar a
relação do a luno com a escola. Para melhor compreensão e ap licação das
mesmas estas aparecerão agrupadas por te m as.
A A DAPT A ÇÃ O DO P ROF ESSOR AO A LUNO
Com preender a problemática da criança e aceitá -la, ev itando qualquer
comportamento d e rejeição. Dev e haver sem pre disponibilidade para a
ouvir e ajudar, fortalecendo o s laços d e amizade e carinho entre o
professor e o aluno;
alicerçar a relação entre o educador e o educando cultivando o respeito e
amizade; de vemos fazer en tender à crianç a que estam os do seu lado e
que tudo fazemos para a ajudar, dentro do possível e d as regras
estabelecidas;
Cimen tar a relação estabelecida na compr e ensão, proporcionando -lhe a
possibilidades de cooperar e de nos ind icar a me lhor fo rma de o podermos
ajudar e ensinar;
be neficiar de mais tempo para a conclusão da s tarefas e dos tes te s que
são realizadas na sala de aula. É um erro que d eve ser evitado, penalizá -lo
quando não con seg ue concluir os trabalho s n o tempo que foi estipulado
para os restantes alunos;
251
ad aptar o material didático e lúdico às suas di f iculdades ;
plan ificar o s co nteúd o s cu rriculares disciplinares e não disciplinares
relacionando -os co m as vivências da criança;
resp eitar o seu ritmo de aprendizag e m;
avaliar os alun os com PHDA valorizando os p rogressos na ap rendiz agem,
evitando frustrações e desmotivação;
m anter uma rotina constante e previsív el;
A S R EGRAS
Esta belecer regras na sala de aula que estejam exposta s e f acilmente
observáveis;
ne gociar previamente co m o aluno as reg ras em contexto escolar. As
consequências do incump ri m ento das mesmas ou as sua s recompensa s
não devem ser dúbias;
explicar a o a luno o que é ne cessário efetuar para evitar consequên cia s
negativas;
em pregar o reforço negativo, se mpre que necessário (não ir ao interv alo,
ter de sair da sala, impedi -lo de participar em determinada atividade) de
modo f ir m e e autoritário, sem demonstrar he sitações o u explicações
longas;
da r conhecimento do plano di á rio à criança pa ra que esta conheça as
tarefas que irá realizar ao longo do dia;
Lim itar o uso de brinquedos durante tempo letivo. Os alunos g o stam de
levar b rinquedos para as aulas. Não devem estar acessív eis ou visíveis
durante os m omentos de exposição da matéria ou e studo. A utiliz a ção
desses brinquedos dev e estar confinada a espaços e tempos definidos, de
modo a evitar qualquer prejuíz o das atividades.
252
A A T E NÇÃO
Se ntar estrategicamente o a luno on de haja me nos distraçõ es e lo nge da
janela, como um local de passagem f req u ente, ou perto de um aparelho
que faça barulho, como o aparelho de ar condicionado.
situá -lo de preferê n cia, perto d o p rofessor e não estar rodeado de
elementos apelativos, co mo elementos d e decoração ou o b jetos q ue a
distraiam. Na sua mesa de tra balho apenas devem e star os ob jetos
indispensáveis ao seu trabalho;
evitar que mude com f requência de lugar na sala de aula. Cada vez que
isso acontece, a criança tem te ndência para explorar n ovos espaços,
diminuindo a atenção e concentração;
a crian ça tamb ém pode estar sentada perto de a lunos sossegados, que lhe
servem de referência ao bom comportamento;
o prof essor deve man ter um contacto visual, para controlar a sua
desatenção;
com unicar e instruir de forma clara, precisa e simpli f icada.
dividir a s ta refa s mais com plexas em etapas. Se por e xe m plo, tiver uma
ficha para pintar, pedimos -lhe que pinte primeiro o rosto, depois o tronco,
e, assim, su cessivame n te. Devemos tran smit ir -lhe u m reforço positiv o com
palavras de recon hec im ento, sempre que te rm ine uma e tapa ou uma
tarefa, motivando -o para q u e conclua o trabalho e que não se distrai a ;
pref erir e utilizar e tarefa s que promovam o desenvolv im ento da atenção e
concentração, tais como, de scriminação de e stímulos grá f icos, exercícios
de complementos d e frases, p uzz les e labirintos, jogos co m sinónimos ,
ordenação de séries, etc.;
inte rpelar a criança, c o m algu ma f requência sobre o trabalh o que está a
desenvolv e r de m odo a avali ar o seu despenho na atividade. Se esta
situação ocorrer em excesso, dificult a ou impede a conclusão da ta refa,
253
devido ao número d e interrupções que influem no t empo de concentração
que necessita e que a tare fa ex ige;
con trolar a sua compreensão quando lhe são dadas ind icações ou
explicações. Muito possivelmente, a criança hiperati va pe rde-se nas
explicações ou não e ntende. Por isso, co nvém p erguntar -lhe com
frequência, se tem dúvidas e interrogá -la sobre os passos que tem de
percorrer para concluir a tarefa;
selecio nar tarefas ap r o priadas à altura do dia em que as rea liz a . S empre
que possível as ta refa s que exig e m ma ior concentração devem ser
concretizadas no início do d ia, altura em que se en contra mais disponível e
com maior capacidade de realiz a ção;
se a criança está m edicada, dev e mos saber em que momen to do dia o
medicamento produz maior efeito para que as tarefas ma is exigentes
sejam realizadas nessa ocasião;
en sinar estratégias d e estudo de modo a facilitar a aquisição de
conhecimentos, como sub linhar palavras -chave, reler o s enunciados
repetidamente a té entender, utilizar dif e rentes cores e associá-las a
tarefas, etc.;
o p rofessor deve deslocar-se na sala de aula enquanto expõe a tarefa;
evitar um tom d e voz mono córdico, ter ênf ase e ser a pel a tivo na
transmissão dos conteúdos. Devem os utilizar f rases como “isto é
importante”, a lte rand o o tom de voz , enquanto olhamos de frente o aluno;
esta r atento às áreas fo rtes do aluno;
utilizar mate riais apelativ os e giz colorido.
A R EC OMPENS A E A P EN ALIZA ÇÃO
Utilizar reforços positivos, brindando o êxito e a con clusão de uma tarefa.
O reforço positivo é um instrumento si m ples e eficaz. Os elogios n ão
devem ser e mpregues de forma geral, co mo p or ex. “hoje portaste -te m uito
254
bem”, que dão à criança uma in form ação acerca da conduta q ue nos
satisfez e que de ve repetir. Devemos ser concretos n os e log ios te cidos,
como por exemplo,” h oje ouviste a apresentação do problema de
matemática com atenção e conseguiste resolvê -lo co m sucesso. Um d os
reforços positivos consiste em deix ar fa lar a criança so bre uma atividade
que gosta muito de fazer;
utilizar o feedb ack corretivo de forma imediata, penalizando -o ap ós o
comportamento negativo do aluno. Se o comportamento for inadequado,
deve ser advertido apen as uma vez. Se o co mpo rtamento desafiante se
repetir a intervenção e o corretivo deve ser ap licad o de forma imediata;
é im portante que a criança participe ativ amen te na aula, de fo rma
controlada e consensual. Quando e stiver algum tempo se m participar é
importante estimulá -la e centralizar a su a ate nção na aula. Devemos
mantê-la a mais ocupada possív el e, por vez e s, encontrar pretextos, pa ra
que seja mais participativ a;
corrigir os trab alhos que o a luno realiza no menor tempo possível. O
professor deve transmitir-lhe os resultados e as avaliações, opina ndo
sobre a importância dos m esmos. O reforço positivo ou ne gativo deve ser
imediato e condizente com o resultado dessa av aliaçã o;
ap ropriar os refo rços negativos ou po sitivos a cada situação. P ara
poderem ser e f icazes é possív e l co nstruí-los juntamente com a família,
com todos os profissionais que trabalham com o a luno para que p ossa m
ser usados extensivamente em casa e n a esco la. Devem ser
criteriosamente estabelecidos, evitando que haja mal entendidos e serem
aplicados por todos os profissionais de educação que traba lha m com o
aluno em situações semelhantes. É importante que o aluno participe e
opine sobre a aplicação dos mesmos;
incluir recompensas positivas com o usufruir de m aterial didático, participar
em visitas de estudo, jogo s etc. As recompensas de natureza psicológica,
afetiva ou so cial, podem corresponder a um acenar de cab eça,um sorriso,
261
aliar, se mpre que possív e l, as situaçõ es lúd icas às atividades de
aprendizagem. A criança deve sentir-se e stimulada na sala de aula.
com eçar a aula de modo que agrade aos alunos e os motive. A curiosidad e
natural das crianças dev e ser estimulada e posta à prova.
Evitar a a udição de ruídos que distraiam a criança. Durante os momentos
de estudo o u de atividades individuais que exijam serenidade e ca lma a
utilização de música suave pode ser um óti mo rela xante.
fa zer aulas de revisão e con solidação, a lic e rçando o s co n hecimentos já
trabalhados antes de iniciar novos conteúdos programáticos.
resp eitar o tempo e o ritmo da criança com PHDA, n unca e xig indo d a p arte
desta compromissos e respostas que não pode dar.
o professor dev e revelar -se divertido e p ouco con vencional. Pode u tilizar a
brincadeira em justa medida como um elemento apelativ o e motivador.
red uzir o tempo de exposição das matérias. Se os conteúdos assim o
exigirem, devem ser feitas pausas. Sabemos que em turmas co m a lunos
na faixa etária de 10 an os não conse guem estar com a devida atenção e
concentração, por mais de 15 minutos. Com meninos hiperativos esse
tempo é mais reduzido;
evitar as exposições teóricas e maçadoras substituindo -as por casos
práticos, apelativos e com ex e mplos originais;
diversificar a s atividades;
solicitar a participação d e elementos da comunidade educativa para
exporem as suas experi ências no complemento das matérias curriculares;
prep arar c o m antecedência qualquer visita de estudo, para d ela se extrair
o máximo proveito. A visita de e studo é uma estratégia de e nsino
aprendizagem que potencia inúm e ras situações, qu e r d e
interdisciplinaridade, quer de articulação curr icula r. Permite realiz ar um
ensino a tivo, contribu i para aprendizagens integradoras da rea lidad e , para
262
a iniciação ao méto do d e pesquisa, para a formação do espírito cien tífico e
para a sociabilização. Estimula, também, o tr abalho em equipa.
prop orcionar a interatividade da criança com modelos representativos da
realidade a uma escala que lhe permita o m anuseamento e manipula ção
serve, com certeza, para uma compreensão desses mesmos f enómenos.
promover a inte rdisciplinaridade nas visitas d e estudo, proporcionando
dessa f orma uma ap rendiz a gem m ais rica e variada. Dev e -se e scolher
criteriosamente aquilo que se vai visi ta r em f un ção dos objetivos que se
pretendem atingir;
op tar por uma a prendiz agem globalizante, sempre que possível, visan do o
desenvolvimento de competências para além da aquisição de conteúdos
de carácter puramente disciplinar;
Nesta perspetiv a identificam -se a s principai s competências implicadas bem
como os m odos encontrados para a sua operacionalização . A visi ta de estudo
distingue-se de um passeio o u e xcursão pela sua integração no processo
ensino-aprendizagem, bem como a sua plan ificação e preparação cuida da. No
entanto tanto uma ativ idad e como a outra correspondem a momentos de
aprendizagem motivadores que desper ta m o interesse na tural de
aprendizagem da criança hiperativ a .
O C OMPORT A M ENTO
A crian ça h i perativa tem tendência a a gir irrefletidamente e reage de fo rma
quase instantânea aos estímu los, apresentando di f iculdades e m esta belecer
relação entre as suas a ções e as consequências d as mesmas; Algumas
considerações a ter em atenção:
e stabelecer sinais confidenciais com a criança para a relembrar quando
está distraída ou se está a portar mal;
registar os comp ortamentos do aluno para avaliação p osterior e
comparar a sua evolução;
263
ch amar energicamen te à atenção ao aluno sem pre que este perturbe a
aula, impedindo f irmemente que a situação se repita. Uma das
estratégias para que a crian ça perceba o seu comp ortamento negativ o ,
consiste em proporcionar um momento de silêncio na classe, levand o a
criança a tomar consciência da sua própria at itud e;
so licitar à criança, sempre que l h e seja formulada uma questão, que
espere a lgum tempo antes d e responder, evitando a ssim que r e sponda
sem pensar;
p ossibilitar-lhe que e xtrav ase as suas e nergias, evitando que este ja por
longos p eríodos confi nado à sua mesa de trabalho. Pode ser esta a
criança que vai fa zer u m recado, d istribu ir as f ichas pelos colegas ou
escrever no quadro.
O S C OLEGA S
Se nsibilizar e e sclarecer a turma pa ra a possibilidade de ex isti rem
comportamentos desajustados de um colega por ser uma criança especial.
A turma deve ser conhecedora de alguns co ndicionalis mos da
disfuncionalidade e do modo como deve agir. O relacionamento de
crianças com PHDA, com os seus pares, costuma ser difícil e
temperamental. Alguns colegas, por vezes, não e ntendem o s seus
comportamentos e daí poderão advir situações de conflito. Nos jogos,
todas as crianças detestam perder. A criança hiperativa, face a u m
desempenho n egativo, ado ta com f requência atitudes que p odem conduzir
à violência;
red uzir o núme ro de elementos nos tra b alhos de grupo, p a ra ev ita r as
distrações. Os elementos que d ele fazem parte devem proporcionar o
sucesso e a participação ativ a d a criança;
eleger o companheiro de carteira que deve ser capaz de a judar a criança e
de conseguir chamá-la à atenção quando esta adota uma conduta menos
adequa da;
264
de terminar regras na re alização de trab alhos de grupo. É na tural que
dentro do grupo turma se formem subgrupos pela espontânea afetiv ida de
que as crianças estabelecem entre si. Devemos estabelecer orientações
para que e ssas animosidades se dissipem e prestar a tenção ao grupo da
criança, procurando que esta se inclua e se sinta apoiada;
fa cilitar a proximidade da criança com um companheiro com o qu al te nha
edificado uma relação distinta e que rep rese n ta para a criança um modelo
de produtividade e colaboração.
O S T RA B ALHOS P ROGR A M ADOS PARA C ASA
Orientar os trabalhos de casa para permitir a revisão da m atéria
dada;
p ossibilitar ao aluno a escolha do trabalho de ca sa;
registar po r escrito as tare f as que o aluno tem de concluir, para que os pais
possam monitorizar e ajudar na planificação do trabalho;
promover um diálogo constante e ntre a fa mília e o s profissionais que lidam
com a criança de forma a aferir e melho rar as co ndiçõe s de trabalho em
casa;
selecio nar os trabalho s de casa que não devem ser extensos ou com um
grau d e exigência elevado , impossibilita n do -a de poder brincar e
relacionar-se familiarmente;
esco lher trabalhos de casa suficientemente ape lativos para que se sin ta
motivada e os co nsiga realiz ar sem recorrer ao auxí lio dos familiares.
Devem fazê-lo apenas em último recurso. Os familiares de ve m estar
alertados para esta situação;
pref erir tarefas simp les, proporcionando o suce sso, a autonomia e a
autoestima, ind ependentemente destas serem diferenciadas da s da
restante turma. O grau de di f iculdade deve ser aumentado gradualmente;
265
verificar a correção e e xecução das tarefas. É importante que o professor
corrija sempre os trabalhos revelando a o a luno o in te resse e e xp ectativa
que nele depositou.
valorizar o esforço despendido pelo aluno na realização das suas tarefa s,
mesmo que se encontrem inco rretas. Serve m para o professor avaliar as
dificuldades da criança e encontrar novas estraté gias pa ra ultrapassar
essas lacuna s.
A F A M Í LIA
Mante r u m c on tacto r egular com os pais, com os terapeutas e com os
médicos e todos os implicados na educaçã o do aluno, de modo a avaliar,
corrigir e redefinir as estratégias em função dos objetiv os e do s resultados;
verificar o feedback dado pela fa mília na avaliação das e stratégias
utilizadas. Reformular e e quacionar alternativ as de atu ação sempre que
seja necessário;
registar os p rogressos do aluno e comunicá-los à família;
certif icar que os encarregados de educação têm conhecimento d os
recados escritos que lhe são enviados.
Algumas frustrações de crianças c om P HDA são traz ida s de c a sa para a
escola. Os pais, na ân sia de p romov er os sucessos educativo e
comportamental, apresentam atitudes e promovem desejos que não são
fáceis para cria nças com esta prob lemática. Se lhes proporcionarem um
ambiente mais f avoráv e l à correção de condutas, que são própri as desta
patologia, nunca permitindo os insu ltos, as agressõe s, já que ser hiperativo
nunca p oderá ser uma desculpa para que estas crianças se comportem de
forma desconsiderada, agressiva, violenta, de sordenada, o s resu ltados
escolares irão refletir a conf iança que nesta s crianças é d epositada. (Pérez e
Lago, 2 007)
266
P ARTE II
A BORDAGEM E MPÍRICA
267
M ET O DOLOG I A DE I NVEST IG A Ç Ã O
Uma tese, ou dissertação, pode ser comparada a um f unil.
Começamos por uma t emática bastante abrange nte e encetamos um
esforço de deli m itação pro g ressiva do nosso c ampo de análise, de
modo a podermos t estar as nossas hipóteses ou atingir os objectiv os
de investigação q ue formulámos no in í cio do tr abalho. (Reto & Nunes,
2001:26)
1. J UST I FICA Ç Ã O DO P ROBLEMA
Após a explana ção teórica, em que abordamo s vários aspe tos ine rentes à
PHDA, chegamos à parte metodológica, fase de precisão, de técnica e de
planeamento. « Qualquer investigação é condu zida tendo em vista esclarece r
uma dúvida, replicar um fenómeno, testar uma teoria ou b uscar soluções pa r a
um dado problema. Colocado de f ormas diversas, toda a investigação tem um
alvo ou um problema a analisar». (Almeida & Freire, 2007:36)
Deste m odo, inicia -se o presente capítulo, reiterando o já referido na primeira
parte do trabalho.
De acordo com a literatura da especialidade , a PHDA tem várias implicações a
nív e l do contexto e scolar para a população com esta perturbação. Ta lvez a
mais visível e sentida por todos quantos trabalham neste cont exto seja a
questão comportamental e as consequentes desadaptações que provoca,
especialmente em sala de aula. A s crianç a s com PHDA a p resentam u ma
irrequietude motora m uito evidente. A nível social revelam di f iculdades de
relacionamento com o s pares, e videnciam maiores dificuldades para
responderem a situações conflituosas.
268
Nas nossas classes de e nsino regular, encontramos, cada vez mais , a lunos
com hiperatividade e d éfice d e atenção. Po r vezes, uma me todolog ia
adequada para ir de e ncontro a e stes alun o s m ostra -se insuficiente, pois os
seus níveis de concentração estão d e ta l f orma difundid os, que as
aprendizagens escolares não se efetiv am . Por um lado, se o comportamento
disruptivo desta s crianças contribui para a sua dispe rsão nas suas a tividades,
por outro lado, influi no se u auto conceito, enq uanto pessoas e nas relações
com os seus pares.
A p resença de u ma criança com PHDA numa sala de aula poderá ser tão
desafiante c omo desa n imador. Desta forma, lidar co m to das as caraterísticas
e sint omas a ssociados à perturbação tende a representa r uma dif iculdade
acrescida, quer para o próprio aluno, quer p ara aqueles que traba lham
diretamente com ele na sala de aula.
Estas crianças s ã o carateriz ad as como pe rturbadoras, agressivas e a busivas
em situ ações sociais. As suas dificuldades estão relacionadas com a f alta de
atenção, a impulsividade e a irrequ ietud e moto ra, pelo que e stas tend em a
perturbar co m f requência o grupo, ev ide nciam d ificuldades em pe rsistir na
realização de tarefas, têm dificuldade em com preender as instruções do
professor e demonstram fracas competências de estudo. (Ribeiro, 20 08)
Por esta razão, esta s crianças te ndem, m uitas ve zes, a serem discrimina das ,
sem se procurar sa ber quais as razões que e stão n a base de deter m inados
comportamentos por ela desencadeados. Esta situação lev a a que muitas
destas crian ças manifestem falta d e inv estimento académico, com tendência
para desistirem facilmente das tarefas escolares, o que conduz ao f racasso e
à desmotivação, levando-as, mu itas v e zes, ao abandono escolar.
Tal facto, tende a constituir um obstáculo à inclusão escolar e social destas
crianças. O sistema escolar desempenha, neste contexto, um papel
preponderante para a qualidade d e v ida e d e e nsino proporcionada a estas
crianças.
269
Neste se ntido, devem ser pen sad a s estrat égias ade quadas, eficazes e
efetivas que potenciem a plena inclusão de criança s com PHDA, assim como
o seu integral desenvolv ime nto cognitivo -motor e psicossocial.
Lopes cit a d iversos autores que afirmam « a rejeiçã o p rolongada dos p ares
leva a criança … a encarar-se a si própria e ao mundo como ne gativ o s,
afectando … mu itos asp ectos do seu de senv o lvimento moral , so cial,
académico e afectivo.» (Lop es, 2004:75)
Também Málaga (2008) co nstata que tem vindo a aumentar de fo rma gradual
o número de situa ções d iagnosticadas com hipe ratividade e défice de
atenção. S egundo o autor, veri f ica -se uma ex au stiva campanha de d ifusão a o
público em geral e, sobretudo, em relação a os profissionais de educação, o
que tem propiciado o aumento de criança s e jovens, erraticamente,
identificados com PHDA.
De igual f orma, Cabral (2005) refere que a f requente confusão entre
hiperatividade e má educação tem na sua origem a enorme dificuldade que as
crianças com P HDA aprese ntam em co n trolar a a tividade m otora e o s
impulsos, na irrev e rência ao adulto, no in cumprimento das regras ou em
conseguirem permanecer quietos, sem perturbarem o s outros. Essas crianças
não se portam mal porque querem, mas sim porq ue não o conseguem evitar.
Os benef ícios da medicação em criança s com P HDA são muito referidos na
literatura, na fo rma como esta se torna eficaz n o controlo m otor e,
consequentemente, na melhoria da aprend izagem , uma vez q u e há ma ior
predisposição para a mesma .
Assim, para que estes alun os possam ter um melhor desempenho académico
e social é aconselhável que sejam medicados, a fim de reduzir a a tividade
motora excessiv a, favorecer os ní veis de m emória, de atenção, minorar a
impulsividade, melhorar as relações sociais e aumentar a autoesti m a.
270
Como t a l e te ndo em consideração o que acabamos de ref erir, f ormulamos a
seguinte questão de investigação: a administração d e estimulantes e a
utilização d e estratégias de sala de aula serão suficientes para ajud ar u m
aluno com PHDA a melhorar a sua ate nção/concentração/memória /
comportamento e, consequentemente, os resultados académicos ?
2. O BJET I VOS DA I NVESTIGA Ç Ã O
O ob jetiv o de um e studo é um enunciado declarativo que determina as
variáveis-chave, a população alvo e a orientação da investigação. (Fortin,
1999)
Na condução de uma investigação, o investigador é orientado por
determinado s objectiv os operacionais. Estes vão depender da natureza dos
fenómenos e das variávei s em presença, bem como das condi ções de maior
ou menor controlo em que a inv estigação v ai ocorre r . ( Almeida & F reire,
2007:21)
É da necessidade de d elimitação e redefinição do obje tivo geral que surgem
os objetivos específ ico s. Estes procuram descrever, de forma clara e precisa,
o que será adquirido no levantamento d os dados, indicando e xat a mente os
dados que se pretendem obter. Nes sa perspetiva, delinearam-se para o
presente e studo, os seguintes objetivos específ icos: avaliar a eficácia de
Metilfenidato em crianças com PHDA, usando , para o efeito vários
instrumentos: para o s pais, a escala de ativ ida de da criança e a escala de
Conners, v e rsão para pais; e para os professores, um questionári o sobre os
seus conhecimentos sob re a PHDA em con tex to escolar, a e scala d e
Conners, versão para p rofessores, um inventário d e comportamentos so bre a
PHDA e uma listagem d e comportamentos perturbad ores da sa la de au la e, a
277
avó passou a d edicar -se à criança, até ingressar no jardi m- de -infância, aos 3
anos e 6 meses. Após um breve período de ad aptação, f icou bem integrado.
No entanto, a e ducadora queixav a -se que era uma criança que manifestava
excesso de atividade, mesmo no decorrer de atividades que era m do seu
interesse e agrado. Inclusivamente na hora d o conto, que era expectável que
estivessem todos em silêncio e a ou vir , o Pedro não parava quieto , parecendo
que nem sequer ouvia a história.
Quando principiou a escola primária, aos 6 anos, a adaptação n ão foi f ácil,
mas, gradualmente, parecia estar e decorre r de maneira fa voráv e l. O 1º e 2º
anos decorreram dentro da normalidad e. Não tinha notas brilhantes, mas
eram suficientes para pa ssar de ano. N a síntese descritiva de avaliação f inal,
a professo ra, sistematicamente, registava que o Pedro e stav a semp re
distraído, n ão fazia os trabalhos de casa, esquecia -se d o material para a s
aulas, semp re a mexer , não conseguindo estar quieto e a perturbar os co legas
e as aulas. Os pais de sculpavam a situação, dizendo que era o
comportamento próprio para a idade, visto s er ain da criança.
O 3º ano foi pior que o s anteriores, mas lo n ge de fazer susp eitar o que se
aproximava. No 4 º ano, os seus comportamentos começaram a tornar -se m ais
perturbadores e m ais violento s. Est a va con stanteme nte d istraído. As notas
baixaram significativ amente, a ponto de não conseguir a ap rovação f i nal .
Repetiu o ano.
Em casa, a situação também se complic ou, não só em termos
comportamentais c omo a cadémicos. Para conse guir fazer o s trabalhos de
casa, era ne cessário a ajuda d a mãe. Demorava horas a f azer um trabalho
que nem sequer era assim tão demorado ou com plicado, e o mais frustrante
para ele era a nota q ue conseguia no mesmo , pois não traduzia o esforço
de spendido para o rea lizar. Come çou a apresentar flutuações de humor, num
momento e stav a be m, n o outro a explodir de raiva. Os se us pa is não
conseguiam ter uma re f eição em f amília. Deixaram de ir a lugares públicos,
278
pois estav a m sempre com receio das atitudes dele, sempre geradoras de
conflito.
A mãe começou a ser chamada à escola com maior f requência, pois o Pedro
todos os dias aprontava das su as, não estava quieto , não acaba va os
trabalhos, n em queria escrever. Insultava o s colegas, inclusivam ente a
professora. No recreio, revelou-se u ma criança impu lsiva com os colegas e
por todas as suas atitudes, as outras criança s n ão queriam brincar com ele.
Aquando da repetição d o 4º ano, a professora titular de tu rma informou os
pais que ia p e dir ao psicólo go do Agrupamento que o bservasse a crianç a,
pois o s seu s c omportamentos es tã o p a ra além do s ajustados à su a ida de.
Inicialmente, os pa is ficaram ap reensiv o s, mas com o continuar do tempo e,
consequentemente, co m o aumento das queixas e d os problemas,
concordaram.
Desta fo rma, o psicólogo da escola aconselhou que o aluno f osse o bservado
por um pedopsiquiatra. O relatório médico indica tratar - se de u m “quadro de
Perturbação d e Hiperatividade com Défice de Atenção de nív e l g rave” e que o
aluno apresenta necessidade s edu cativ as especiais, devendo beneficiar do
regime educativo especial. (Anexo X IV ) Deu-se início ao processo, f oi feita a
sua referenciação, que deu o rigem ao relatório técnico -pedagógico, no qual se
regista as áreas mais afetadas d o a luno, em ter m os de função do corpo,
atividade e participação e f atores ambientais. Determina -se o perf il de
funcionalidade do al uno , que dá origem ao Programa Educativo Individual,
onde são estabelecidas as medidas educativas que se lhe aplicam. O Pedr o
passou a b eneficiar das alí ne as a) Apoio Pedagógico Personali zado e d)
Adequações no Processo de Avaliação. Também para ele era m ais ad equado
ter turma reduzida.
O início do 2º ciclo f oi u ma grande mudança: mais professores, mais livros,
mais exigências e experiências.
279
O Ped ro está f requentar o 5º An o de escolaridade, n uma Esco la Básica de 2º
e 3 º Ciclos, na cidade da Amadora, integrado numa turma de vinte alun os, da
qual fa z parte uma criança com déf ice cognitiv o e duas com dificuldades na
aprendizagem. O Pe dro tem um desempenho a baixo do esperado pa ra a sua
idade cronológica e para o seu nív e l de escolaridade.
O jovem apresenta dificuldades d e atenção, d e organização, de coope ração e
de comportamento, sen do, por esta razão, to lerado pelos seus pares.
Necessita de ajuda p a ra a conclusão d as tarefas pro p ostas, revelando -s e
lento na execução das tarefas propostas.
Os p rofessores das div e rsas á reas cu rricul ares queixam -se que o aluno se
levanta co nstantemente da cadeira sob qualquer prete xto, interrompendo o
trabalho dos colegas m ais próximos , fala muito, motivo pelo qual é ca stigado
com frequência.
Participa em atividades nas qua is sabe que vai ter sucesso, e mbora o faça por
pouco tempo, pois a mobilização da atenção, e m particular para determinadas
tarefas que digam respeito às aprendizagens escolar es, torna-se mu ito difícil.
A atividade que iniciou nem sempre é f inaliz ada , em especial se nã o tiver
apoio d ireto e individualiz ad o do adulto. O seu limiar de atenção é redu zido e
variável de acordo com a taref a proposta. Porém, o seu nív el de atenção
aumenta perante a escolha de uma atividade que implique a m ovimentaçã o
restrita pelo espaço escolar e envolv ente .
O Pedro é uma criança co nflituosa, iniciando de sacatos com os vizinhos ou
com os colegas da escola com muita f acilidade.
280
Quadro 31
População/Amostra
P OPULAÇÃO
A M OST RA
T IPO DE A MOST RA
Um aluno hiperativo com
défice de atenção a
frequentar uma escola básica
de 2º e 3 º ciclos, na cidade da
Amadora
Censo
Censo
4.3. V A RI Á VEIS
Quadro 32
Variáveis
D IMENSÕES
(V A RI ÁVEIS DE P RIMEIRA
O RDEM )
V A RIÁVEIS
(V A RI ÁVEIS DE S EGUNDA O RDEM OU S UBV ARIÁVEIS )
Identificação
Ide nti f icação do a luno (idade, sex o, ano de
escolaridade, repetências)
Carate rísticas dos p ro f essores do Conselho
de Turma do aluno (número, idade, sexo,
habilitações académicas, fo r m ações
complementares, anos de docência, áreas
curriculares lecionadas, co nhecimentos sobre
a PHDA)
Estraté gias adotad a s pelos p rofessores com
alunos com n ecessidades educativas
especiais, nomeadamente PHDA
Conhecimento
Ritm o de aprendiz agem
Leitu ra/compreensão/interpretação
Cálculo men tal e escrito
(continua)
281
Com preensão dos ens ina mentos
Resulta dos escolares ( d isciplinas mais e
menos favoráveis)
Atitudes
Ate nção
Obe diência
Afe tividade
Respo nsabilidade
Expressão d e atitudes e comp ortamentos
espontâneos
Inte gração no grupo/turma
Participação nas normas de convivência
4.4. I NS TRUMENT O S
Quadro 33
Instrumentos
D IMENSÕES /V A RIÁVEIS
P OPULAÇÃO /A MOSTRA
I NSTRUMENT OS PA R A A R ECOLH A
DE D ADOS
Identificação
Censo
Entrevista (pa is, a través do
preenchimento da f icha
anamnese)
Grelha s de carateriz a ção
do aluno
Que stionário semi -aberto
(aplicado aos professores)
Quadro 32
(continuação)
(continua)
282
Conhecimento
Grelha s de registo de
avaliação do aluno
Atitudes
Escalas de Conners (pais e
professores)
Escala de ativ ida de da
criança (pais)
Inventário de
comportamentos
(professores)
Listagem comparativ a d e
comportamentos
perturbadores de sala de
aula (professores)
Os instrumentos de pesquisa utilizados par a recolher dados são variados,
com o objetivo de recolher a maior informação possív e l sobre o no sso sujeito .
- A NAMNESE (an exo III)
A ficha de an amnese consiste num conjunto de in f ormações f ornecidas por
uma pessoa em tratamento, a propó sito do seu passado e da sua históri a
clínica.
Fonseca (2005) define anamnese como « conjunto de dados evolutivos,
biomédicos e mesológicos, que permitem situar sincronic a mente e
diacronicamente, o estado actual e a vivên cia integradora de um sujeito
clínico, tendo em conta os seus antecedente s h istóricos.» (830)
Quadro 33
(continuação)
283
Este documento visa recolher informação acerca da história clínica e d e
desenvolvimento da criança. A informação é recolhida através d e uma
entrevista semiestruturada f eita com o s pais da crian ça, na qual são
explorados d ados sobre o seu de senv o lvimento psicomotor e e mocional,
fatores de risco d urante a gravidez, questões de saúde da criança e d e outros
elementos da fam ília, existência o u não de sinalização prévia de dificuldades
comportamentais por parte do contexto e ducativo, e ntre outros aspetos
considerados pertinentes para o desenvolv im ento infantil.
Este instrumento é utiliz ado n as n ossas e scolas há muito tempo, tendo si do
aprovado pe la Equipa de C oordena ção dos Apoios E ducativ os, que
coordenava a Educação E special , no concelho d a Amadora. Nesta ocasião , o
responsável p elo men or assina o te rmo de consentimento (ane xo I),
permitindo que o seu e d ucando seja o nosso caso para estudo.
- E SCALA DE A TIVID ADE DA C RI ANÇA (anexo IV)
Este instru mento, ad aptado de W erry , W eiss e Peters (in Bautista (coord.),
1993: 168), a p licado aos pais, consiste numa escala, c o nstituída po r trinta
itens, que mensura a ativ ida de da criança em sete contextos, quatro deles
quando está em casa, junto dos seus f amiliares, e que são, durante as
refeições (5 Comportamentos), a ver televisão (5 com portamentos), a brincar
(9 Comportamentos), a dormir (3 comportamentos); quando está fora de casa
(3 comportamentos); durante a avali a ção e o tratamento (2 comportamentos)
e na escola (3 comportamentos). Esta escala av alia somente a dimensã o
hiperatividade.
A me dição é feita com b ase na f requência de oco rrência de comportamentos
típicos da PHDA, fo ra do quadro escolar, sendo avaliados com 0 se nunca
ocorrem; com 1 se acontecem algumas vezes; com 2 se se verificarem m uito
repetidamente.
284
O resultado obtém-se somando diretamente os itens, representando a m edida
geral da atividade da criança (mínimo – 0 e máximo – 60 ).
- E SCALA DE C ONNERS
As escalas f oram concebidas por C. Ke ith Co n ners, em 1969. Embora fossem
criadas p a ra avaliar a mudança d e comportamento em crianç as hiperativas
que realiz a vam tratamento farmacológico, tornaram -se um instr um ento ú til,
cujo objetivo é diagn ostica r a existência de PHDA, avaliando a informação
recolhida por pais e professores.
As escalas de Conners ap resentam duas versões, uma abreviada e a ou tra
completa, quer para pais, quer para professores.
Cada pe rgunta de scr e ve um comporta mento carate rístico de cri anças c om
PHDA. Os pais e os profe ssores deve m pontuar os respe tivos
comportamentos, d e acordo com uma escala tipo Likert , que assinala como
valores 0 (nun ca), 1 (um pouco), 2 (frequentemente) e 3 (m ui to
frequentemente).
O resultado da soma da pontuação difere entre a escala de pa is e a escala de
professores. No caso na escala de pais, se a p ontuação obtida for igual ou
superior a 15 e na e scala de professores se o resu ltado fo r igual ou su perior a
17 , verifica-se uma fort e probabilidade de a cr iança ter PHDA.
- E SCALA DE C ONNERS P ARA P AIS – VERSÃO R EVISTA ( FORM A COM PLET A ) (anexo
V)
Em seguida, solicita-se a os p ais que preencham a escala de Conners revista ,
na qual lhes é requerido que r e gistem a f requência da ocorrência dos
285
comportamentos ap resentados pela criança, também estes avaliadas en tre 0,
que corresponde ao nunca, até ao 3, que eq uivale ao muito frequentemente.
A escala para pais pretende obter informação da fo rma como os pais
percecionam o comportamento de crianças e adolescentes entre o s 3 e os 17
anos de idade.
A e scala apresentada ao s pa is apresenta -se co mo um documento ún ico, com
os itens ordenados e enumerados de u m a oitenta e podem ser agrupados em
nove cate gorias: hiperatividade/impulsividade, atenção, comportamento
perturbador e de oposição, comportamento o bsessivo, co mportamento social,
labilidade emocional, ansiedade/timidez, problemas psicossomátic o s (apenas
na escala para pais) e problemas académico s.
E SCALA DE C ONNERS PAR A P ROFESSORES – VERSÃO REVIST A ( FORM A COMPLETA )
(anexo VIII)
A e scala de Con ners, versão para pro f essores, é a plicada aos professores do
conselho de turma do aluno em e studo (5º 5ª). O pree nchimento desta segue
o mesmo modelo do questionário dos pais.
Em ambas as versões, a pontuação das resposta s obedece ao mesmo
padrão, que varia: 0 = nu nca; 1 = às vezes; 2 = f requentemente; 3 = sempre,
que estimam o quanto a conduta pode ser hiperactiva.
A escala de Conners ap resenta duas versões equiv alen tes, sendo uma
preenchida pelos pais e a outra pelos professores do conselho de turma do
aluno. Tal procedimento v isa avaliar diferencialmente o hiper a tivo m assivo
(aquele que tem com p ortamentos ident ificados por pais e professores) e o
situacional (só prevalece apena s num dos co n textos escolar ou famil iar).
Estas duas escala s são m uito úte is para discriminar as crianças com e sem
PHDA. Além disso, proporcionam oito índices relacion ados com a PHDA, qu e
286
são: hipe rativ ida de/impulsividade, atençã o, comportamento perturbador e de
oposição, comportamento obsessivo, comportamento social, labilidade
emocional, ansiedade/timidez e problemas a ca démicos.
Estes d ocumentos permite m-nos, ainda, c om parar a in fo rmaç ão forne cida
pelos pais e pelos professo res, verificando se existe ou não discrepâncias
entre eles.
Ambos documentos (anexos IV e V) visam recolher o maior n úmero de
informação possível do s pais sob re a criança, d e modo a co nsegu irmo s o seu
historial detalhado e exato.
- Q UESTIONÁRIO S OBRE P ERT URBA ÇÃ O DE H IPERATIVIDADE C OM D ÉFICE DE
A TE NÇÃ O (PHDA) EM C ONTEXT O E SCOLAR (anexo VI-B).
Os questionários transfo rmam em dados a informação comunicada po r uma
pessoa (sujeito). Este processo torna possív el med ir o q u e a pessoa sabe
(informação ou conhecimento), o que g osta e não gosta (valores e
preferências) e o que pensa (atitudes e crenças). (Tuckman, 2002)
A recolha d e d ados f oi efetuada p or um questionário devidamente elaborado,
tendo em conta os objetiv o s do es tudo e as caraterísticas da amostra definida.
O prese nte questionário inicia-se com as instruçõ es, as quais contêm a
apresentação do estudo, o tip o de informação que se pretende obter e o se u
uso futuro e referências destinadas a assegurar a colaboração do s inquir idos.
Este questionário é composto por do ze questõ es, e nglobando respostas com
espaço a preen cher (identifi cação), por escala (quest ões 1 e 12), por listagem
(questões 2, 3, 4, 5, 7 e 9 ), p or cate gorias (questões 6 e 8 ), p or o rdenação
(questões 10 e 1 1) .
293
terceiro período, seis a oito meses após o i n ício d o tratamento com MFD. Em
todos e les a data será ajustada entre os pro f essores e nós, de modo a qu e
não haja uma grande div e rgência temporal entre umas e outras avaliações.
Forneceremos, também, aos d ocentes um co njun to de rec omendações de
caráter mais esp ecí f ico para aplicar a o a luno, visando o seu sucesso
académico. O no sso o bjetivo con siste em verificar a progressão
comportamental e académica que s e manifesta no nosso aluno.
No f inal de cada p e ríodo letivo, será p reenchida a ficha de progressão d o
aluno, em que cada docente assina lará, d e a cordo com a sua área curricular,
os progressos académicos do mesmo. A partir desta s, é possív e l registar as
áreas em que o aluno rev ela maiores dificuldades o u n as que obteve ma is
sucesso, de modo a que possa haver reajustamentos, sempre q ue
necessários.
Os professores do conselho de t u rma e nó s reuniremos uma vez po r mês ,
extraordinariamente, para a lém dos conselhos de turma de final de períod o,
de modo a que, por um lado , possamos c ontrolar a situação e registarmos as
ocorrências ou melhorias verificada s no aluno, por outro, p ara que os
professores se sint am mais acompanhados e esclareçam as dúv ida s que
possam, eventualmente, surgir .
O propósito de n os m antermos sincroniz a dos , estabelecer me tas para
trabalhar com o aluno e servirmos de elementos de referência para o a luno
prende-se com a inconstân cia d e técnicas e de técnicos que trabalham co m
estas crianças, gerando confusão. A este propósito, DuPaul & Stoner (2003)
indica que e stes jovens tendem a passar p or diversos técnicos, no seu
percurso escolar, havendo, p or v e zes, sobreposição de interv ençõ es, be m
como lacunas por falta de comunicaçã o . Este facto , alia do a deixarem d e ter
um só professor, torna ne cessária a nomeação de alguém que coordene a
comunicação e as d i ferente s intervenções praticadas em casa, na escola e na
comunidade.
294
C
C R
R O
O N
N O
O G
G R
R A
A M
M A
A
AÇÕES
SETEM B RO
(Semanas)
OUTUBRO
(Semanas)
NOVEMBRO
(Semanas)
DEZEMBRO
(Semanas)
JANEIRO
(Semanas)
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
Re visões do pr oje to
Dados
da
Estrutura
Recolha de dados e pes quisa biblio gráfica
Elaboração de grelhas d e registo
Dados de
Dinâmica
Trabalho de campo (aplic ação das grelhas de
registo):
E ncarregado de E ducação
Cons elho de Turm a
Reuni ão com o Conselho de Turma
Evolução do projeto (rel atório)
Redação e cr íticas
Redação fin al
Preparação e im pressã o, correç ão e reim pressão
Entrega do p rojeto final
AÇÕES
FEVEREIRO
(Semanas)
MARÇO
(Semanas)
ABRIL
(Semanas)
MAIO
(Semanas)
JUNHO
(Semanas)
JULHO A
SETEM B RO
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
1ª
2ª
3ª
4ª
J
A
S
Revisões do projeto
Dados
da
Estrutura
Recolha de dados e pes quisa biblio gráfica
Elaboração de grelhas d e registo
Dados de
Dinâmica
Trabalho de campo (aplic ação das grelhas de
registo):
E ncarregado de E ducação
Cons elho de Turm a
Reuni ão com o Conselho de Turma
Evolução do projeto (rel atório)
Redação e cr íticas
Redação fin al
Preparação e imp ressã o, correção e reim pressão
Entrega do p rojeto final
J – julho ; A – agosto; S – s etembr o
295
P ARTE II I
T RATA MENTO DOS D ADOS
296
1. T RA TA M ENTO DOS D A DOS
Os d ados serão reco lhidos em amb iente natural, e, desta f orma, o estudo assume
caraterísticas descritivas e n ão numéricas. Ap ós o registo e tran scrição dos
dados, proceder-se-á à sua análise, respeitando -os na íntegra.
Os resultad os ob tidos nos questionários se rão, também, alv o de e studo
comparativo.
Iniciamos o tratament o dos dados por ap resentar os instrumentos que ap licamos
aos pais, a Esca la de Atividade da Criança e a e scala de Conners para pais –
forma completa, de modo a veri ficar quais os comportamentos que são
assinalados como perturbadores e d ificu ltad ores do relacionamento e das
interações com e do jov e m.
Em seguida, ilustramos os resultados obtidos, relativamente ao questionário
aplicado aos p rofessores do conselho d e turma, alvo da n ossa atuação, com o
objetivo d e aferir o conhecimento que têm sobre a PHDA e quais as estratégias
que consideram ajustadas a uma criança com esta problemática .
Por último, registamos os inst rumentos que ap licámos aos p rofessores, em várias
situações, nomeadamente, a Esca la de Con ners para professores – forma
completa, o Inventário de Comportamentos do Aluno, a Listagem Com parativ a d e
Comportamentos Perturbadores de sa la de au la e a a Ficha de Progressão do
aluno.
Após a apresentação dos resultados, realizaremos a leitura dos me sm os.
E SCALA DE A TIVID ADE DA C RIANÇA
Esta esca la avalia a d imensão da atividade da criança em d iversos conte xtos, não
só dentro de casa, como também, no exterior, ta l como atestamo s na literatura,
297
que a hiperatividade deve ser testada em vários contextos situacionais, em casa e
na e scola. (Barkley, 2002; Ba rkley, 2 006) Ap resentamos, em seguida, os
resultados obtidos, após o registo da av aliaçã o feito pelos pais.
Gráfico 1 – Em Casa (dura nte as refeiçõ es)
De a cordo com o gráfico, é p ossív e l veri f icar que a hora da refeição traduz -se
num momento d e tormento, num suplício. Na p erspetiv a dos num suplício. Na
perspetiva dos pais, os comportamentos avaliados (1. Sobe e desce da cadeira ;
2. Interrompe a refeição sem razão; 3 . Mexe -se constantemente n o assento; 4.
Brinca n ervosamente com o s objetos; 5. Fala excessivamente) oco rrem muito
frequentemente.
298
Gráfico 2 – Em Casa (enq uanto vê te levisão)
Quando a criança se encontra num momento de aparente descontração, como
ver televisão, só se verificam dois comportamentos que o correm alguma s v ezes,
e que sã o: “6. L evanta -se e senta- se” e “8. Brinca com o s objetos”. Os restan tes
comportamentos verificam -se com uma f requência ex ce ssiva ( “7. Baloiça o
corpo”, “9. Fala constantemente” e “10. Interrompe as outras pessoas”).
299
Gráfico 3 – Em Casa (dura nte as brinca deiras)
Inclusivamente nas brincadeiras, a criança não consegue ter momentos de
sossego e ficar por instantes concentrada nas mesmas.
Quanto à agressividade nas brincadeiras (11 ), esta ocorre alg uma s vezes. De
resto, todos os comportamentos a valiados (“12. Não es tá quieta”, “13. Muda
constantemente d e ativ ida de”, “14. Procura a atenção dos pais”, “15. Fala
excessiv a mente ”, “16. In terfere nos jogos dos ou tros”, “17. Não mede o perig o ”, “
18. É impulsiva” e “19. É teimosa”), cuja frequência é extrema.
300
Gráfico 4 – Em Casa (dura nte o sono)
O so no revela-se po uco reparador, já que algumas vezes dorme pouco (21), mas
revela muita dificuldade em adormecer (20) e tem um sono demasiado agitado
(22).
Gráfico 5 – Fora de Casa ( sem ser na escola)
Por v e zes, revela-se irrequieta nos transportes (23) e durante a s compras (24) ,
talvez por se e ncontrar em espaços abertos. Pois quando assim não é, e vai ao
cinema ou à igreja, apresenta um comportam ento muito descomedido.
301
Gráfico 6 – Hiperati vidade: Avaliação e Tratam ento
Durante as visitas que efetua, mostra -se uma criança a lgumas vezes irrequieta
(26). Contudo, desobedece constantemente com muita frequência ( 2 7).
Gráfico 7 – Na Escola
A escola é o espaço m ais propenso a ori ginar to dos os co mportamentos nã o
desejados. Os pais corroboram esta situação, quando indicam que é mu ito
frequente a f alta d e con centração da cri a nça no trabalho (28), Abo rrece
incansavelmente os companheiros (29) e não consegue ficar quieta no seu lug ar
(30).
302
Após a leitura dos gráficos expostos, concluí m os que o aluno a presenta, de
acordo c o m os p a is, u ma a tividade motora q u ase permanente, não consegue
permanecer sosse gad o, manifesta um dinam ismo constante, quando se alimenta,
ou vê te levisão, ou brin ca, semp re a falar, int errompendo e interferindo nas
atividades de q u em o rode ia. O sono também n ão a juda a repara a agitação
diária, já que a criança re vela d ificuldades em adormecer, e quando dorme o seu
sono é agitado.
Uma av a liação su pe rior a quinz e pode ser conside rada signif icativ a. O a luno
totalizou cinquenta e sete ponto s. Po rtanto, p odemos considerar que a criança
apresenta uma a tivida d e motora muito superior a o dese jado , ou seja, revela um
perfil hiperativo.
E SCALA DE C ONNERS PAR A P A IS – V ERSÃO REVIS TA ( FORM A C OMPLET A )
A escala apresentada a os pais apresenta -se co mo um documento único, com os
itens ordenados e enumerados de um a oite nta.
Embora p u déssemos agrupar as questões aprese ntadas em no ve categorias,
como referimos anteriormente, o ptamo s por fa zer a leit ura deste instrumento ,
registando, apenas três , a saber, Atenção, Hipe ratividade/Impulsividade
(agrupadas numa só) e Oposição/Comportamento.
Houve a lguns iten s qu e não os consideramos nesta listagem, po r en tendermos
que não seriam relevantes neste contexto.
Este instrumento foi preenchido, pelos pais do aluno, em duas f ases distintas da
sua observação, a prime ira no iní cio d o ano letiv o , m omento em que a criança
não fazia qualquer terapêutica e, a segunda , meses mais tarde , estand o já o
aluno medicado, totalizando sete meses de in tervalo.
309
Idade do Docente
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
30 -39 ANOS
3
33,3
33,3
33,3
40 -49 ANOS
3
33,3
33,3
66,7
50 -59 ANOS
3
33,3
33,3
100,0
Total
9
100,0
100,0
Nível Académico
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
LICENC I ATURA
8
88,9
88,9
88,9
BACHARELATO
1
11,1
11,1
100,0
Total
9
100,0
100,0
A n os de Leciona ção
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
1-9 ANOS
1
11,1
11,1
11,1
10 -19 ANOS
3
33,3
33,3
44,4
20 -29 ANOS
2
22,2
22,2
66,7
30 -39 ANOS
3
33,3
33,3
100,0
Total
9
100,0
100,0
Situação Profissional
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
PROFESS O R
AGRUPAM ENTO
DE ESC O LA
6
66,7
66,7
66,7
PROFESS O R
CONTRA T ADO
3
33,3
33,3
100,0
Total
9
100,0
100,0
310
Tem/teve crianças com PHD A
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
SIM
9
100,0
100,0
100,0
Número de Crianças com PHDA
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
1 CRIANÇ A
1
11,1
11,1
11,1
2 CRIANÇ AS
1
11,1
11,1
22,2
4 CRIANÇ AS
2
22,2
22,2
44,4
5 CRIANÇ AS
1
11,1
11,1
55,6
6 CRIANÇ AS
2
22,2
22,2
77,8
7 CRIANÇ AS
2
22,2
22,2
100,0
Total
9
100,0
100,0
Na ta bela 1, relativ a mente ao género docente, h á a referir que 55,6% dos
docentes (N=5) são de se xo f eminino, enquanto 44,4% (N=4) pertencem ao sexo
masculino.
Quanto aos anos de lecion ação, 11 ,1% (N=1 ) tem entre 1 a 9, 3 3,3% (N=3) entre
10 a 1 9, 2 2, 2% (N=2) entre 2 0 a 29 , e, p or último, 33,3% (N=3) possui e ntre 3 0 a
39 anos de tempo de serv iço.
No que se rela ciona co m a idade do docente, 33 ,3% (N=3) tem entre 30 a 39 anos
de idade, 33 ,3% (N=3) entre 4 0 a 49 anos de idade, 33,3% (N=3) e ntre 50 a 59
anos de idade.
Em relação ao nível aca démico, 88,9% (N=9) d os profe ssores possuem
Licenciatura e 11,1% (N = 1) possui Bacharelato . No que se reporta à situaçã o
311
profissional do docente, 6 6,7% (N= 6 ) é professor do Qu adro de Agrupamento de
Escola; 33,3% (N=3) é professor contratado.
Relativamente à questão tem ou teve criança s com PHDA na sala de aula, todos
os professores têm/tiveram crianças com PH DA na sala de aula.
Quanto a o número d e crian ças com PHDA na sala de aula, 1 1,1 % (N=1 )
têm/tiveram uma criança com P HDA, 1 1,1% (N=1 ) têm /tiveram duas crianças com
PHDA, 2 2, 2% (N=2) tem/teve quatro crianças com PHDA e 11 ,1 % (N=1) tem /teve
cinco crianças co m PHD A , 22,2% (N=2) tem/teve 6 crianças e 22,2 % (N=2)
tem/teve sete crianças na sala de aula.
Na tabela seguinte (Carateriz ação dos P articipantes no Questionário),
pretendemos saber o Grau de Informação an terior so bre a PHDA que os
professores do nosso Conselho de Turma po ssuem.
Tabela 2
Grau de informação anterior sobre a PHDA
Grau de Informação sobre PHD A
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
NENH U M
1
11,1
11,1
11,1
POUCO
5
55,6
55,6
66,7
SUFICIENTE
2
22,2
22,2
88,9
BOM
1
11,1
11,1
100,0
Total
9
100,0
100,0
Em relaç ão à tabela 2, o Grau d e Informação A nterior so bre a PHDA situa-se
entre 11 ,1% (N=1 ) “nenhum”, 5 5 ,6% (N= 5 ) “pou co” , 22,2 % (N=2 ) “suficiente” e
11,1% (N=1) “Bom”.
312
Como é possível constata r, mais de 5 0% dos professores questionados têm
pouca informação sobre a PHDA.
Na tabela qu e se segue (Cara terização dos Participantes no Questionário),
queremos dete r m inar que tipo de fo r m ação anterior so bre a PHDA têm os
docentes do nosso C.T.
Tabela 3
Tipo de Formação anterior sobre a PHDA
Tipo de formação
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
NENH U M
2
22,2
22,2
22,2
NO CURS O
2
22,2
22,2
44,4
CONFER ÊNCIAS,
LEITURAS, E T C
5
55,6
55,6
100,0
Total
9
100,0
100,0
Na tabela 3, v e rificamos que a formação a nterior sobre a P HD A foi adquirid a,
maioritariamente, por ma is de metade dos professores, 55,6% (N=5), através de
Conferências/Leituras ; 22,2 % (N=2) teve formação no curso, enquanto 2 2,2 %
(N=2), demonstra não ter tido qualquer tipo d e formação anterior sobre a PHDA.
313
1.2. Variáveis do Estudo
Quadro 34
Quadro de Variáveis do Estudo
V ARIÁVEIS
A BREVIATURAS
Formação Inicial
F.I.
Idade do Docente
IDoc
Anos de Lecionação
Alec
Nível Académico
Nacad
Licenciatura
Lic
Situação Profissional
SitProf
Grau de Informação
G.Inf.
Tipo de Formação
T.For.
Número de Crianças com PHDA
Nº CR PHDA
Défice de Atenção
Def At
Hiperatividade
H
Impulsividade
I
Quadro 34 – Q uadro de Variáveis
O estudo d este questionário f oi dividido em três partes, a saber, o conhecimento,
o impacto e a atitude.
Na tabe la 4 (questão 1), pretendemos verificar a perceção dos professores sobre
a PHDA.
314
Tabela 4
Questão 1 – Classifique a grav idade da PHDA , tal como a conhece. [A ssina le
com uma cruz (X)]
Gravidade da PHDA
Frequência
Percentage m
Percentage m
válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
NEM LIGEIRA NE M
GRAVE
2
22,2
22,2
22,2
GRAVE
5
55,6
55,6
77,8
MUITO GRA VE
2
22,2
22,2
100,0
Total
9
100,0
100,0
Verificamos que 55,6% dos professores (N=5) considera a PHDA uma
perturbação “grav e ”. Do grupo de professores inquiridos, 22,2% (N=2) concebe a
PHDA co mo uma perturbação “muito grave”, no e ntanto, a mesma percentagem
não a considera “nem lig e ira nem grave”.
Na tabela 5 (questão 2), p retendemos saber quais as ca ra terísticas que le vam o
professor a suspeitar que uma criança poderá t er PHDA.
Tabela 5
Questão 2 – Das seguintes cara terísticas, qual/quais é/são a (s) que o
leva(m), enquanto professor, a suspeitar de uma s ituação de PHD A ?
[ A ss inale c om uma cruz (X)]
Suspeita de uma situação de PHDA
Frequência
Percentage m
Percentage m
Válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
DÉFICE D E AT ENÇÃ O
/ HIPERA T IVIDA DE /
IMP ULSIVIDADE
6
66,7
66,7
66,7
DÉFICE D E AT ENÇÃ O
/ HIPERA T IVIDA DE
3
33,3
33,3
100,0
Total
9
100,0
100,0
315
No que se relaciona com a tabela 5 , aferimos que a sintomatologia mais
valorizada pe los participantes, 66,7% (N=6), é o “Défice d e Atenção” em conjunto
com a “Hiperatividade” e a “Impulsiv ida de”, seguida do par “Défice de Atenção” e
“Hiperatividade” aludida por 33 ,3% (N=3).
Se olharmos para a tríade sintomátic a da PHDA, verificamos que os professores
atribuem mais im portância ao défice de atenção (100%) e à hiperativ ida de (100%)
do que à impulsividade. Independentemente da combinação, esta s duas
caraterísticas foram referidas pela totalidade dos professores.
Défice de Atenção
N= 9
100%
Hiperatividade
N= 9
100%
Impulsividade
N= 6
66,7%
Segue-se a t ab ela 6 (questã o 3 ). Nesta questão é solicitad o ao docente q ue
classifique a PHDA, quanto à sua Prev a lência.
Tabela 6
Questão 3 – Classifiq ue quanto à pre v a lência. A PHD A é: [ A ss inale com uma
cruz (X), uma única opção]
Prevalência
Frequência
Percentage m
Percentage m
Válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
MAIS COM UM NOS
RAPA ZES
2
22,2
22,2
22,2
IGUALM ENTE COMUM
NOS RAPA ZES E NAS
RAPA RIG AS
7
77,8
77,8
100,0
Total
9
100,0
100,0
316
No que se refere à ta b ela 6, os participantes consideraram que a prevalência da
PHDA é “Igualmente Co mum nos rapazes e nas raparigas”, 77,8 % (N=7 ). No
entanto, 22,2% (N=2) concebem que é “mais comum nos rapazes”.
Na tabela 7 (questão 4 ), questiona -se os docentes quais as causas que eles
consideram originar PHDA.
Tabela 7
Questão 5 – Na s ua opinião, o que pode causa r a P HDA ? [ A s sinale com uma
cruz (X)]
Causas de PHD A
Frequência
Percentagem
Percentagem
Válida
Percentagem
Cum ulativa
Valid
FATO RES GENÉTICOS /
ESTILOS PA RENTAIS /
FATO RES BIOLÓGICOS
1
11,1
11,1
11,1
FATO RES GENÉTICO S /
FATO RES BIOLÓGICOS
/ FATORES AMBIENT AIS
1
11,1
11,1
22,2
FATO RES GENÉTICOS /
FATO RES BIOLÓGICOS
/ FATORES AMBIENT AIS
/ ESTILOS P ARENT AIS /
EXCESSO T V E PLAY-
STAT ION
1
11,1
11,1
33,3
FATO RES GENÉTICOS /
ESTILOS PA RENTAIS
2
22,2
22,2
55,6
FATO RES GENÉTICOS /
FATO RES AMBIENTAIS
1
11,1
11,1
66,7
FATO RES BIOLÓGICOS
2
22,2
22,2
88,9
FATO RES GENÉTICOS
1
11,1
11,1
100,0
Total
9
100,0
100,0
De uma maneira geral, os professores atribuíram as causas da P HDA a vários
fatores, combinando-os, entre si de m aneiras di f erentes. No entanto, registamos
317
que há do is conj u ntos que se repetem, “ fatores genéticos/estilo s parentais” e
“fatores biológicos”, c om 22,2% (N=2), cada um.
Resumimos a f requência das causas assinaladas pe los professores no quadr o
seguinte:
Fa tores Genéticos
N= 7
77,8 %
Fatores Biológicos
N= 5
55 ,6%
Estilos Parentais
N= 4
44 ,4%
Fatores Ambientais
N= 3
33,3 %
Excesso de TV e Play-Sta tion
N= 1
11,1 %
Assim, de acordo com este quadro , podemos considerar que 7 7, 8% (N=7) do s
participantes refere que os “Fa tores Genét icos” são a causa principal desta
perturbação, enquanto 5 5,6 % (N=5 ) a ssinala “Fatores Biológicos”, 44,4 % (N=4)
ap onta como principa l causa os “Estilos Parentais”, 3 3 ,3% (N=3) ind ica ser os
“Fatores ambient ais” e 11,1% (N=1 ) af irma que o “Ex cesso de TV e Playstation”
pode causar PHDA.
Em relação à ta bel a 8 (questã o 6) aspiramos co nhecer se os do centes
consideram que a PHDA desaparece ao longo do tempo.
Tabela 8
Questão 6 – Na sua opiniã o, a PHD A é uma perturbação qu e desaparece
com o tempo?
Desaparece com o tempo?
Frequência
Percentage m
Percentage m
Válida
Percentage m
Cumulativ a
Valid
NÃO
9
100,0
100,0
100,0
318
Observando as respostas dadas p elos participan tes, podemos co ncluir que
100 ,0% (N=9) conside ra que esta perturbação não desaparece com o tempo.
Segue-se a tabela 9 (questão 7), em que s e pretende saber, de acordo com a
opinião dos participantes, quais os p rofissionais que d evem realiz a r o diagnóstico
da PHDA.
Tabela 9
Questão 7 – Na s ua opinião, que profissionais devem realizar o diagnóstic o
da PHDA? [A s sinale com uma cruz (X)]
Profissionais qu e devem realizar o di agnóstico
Frequência
Percentagem
Percentagem
Válida
Percentagem
Cum ulativa
Valid
PROFESSOR ( ENSINO
REGULAR) /
PSICÓLOGO /
PSIQUIAT RA-
PEDOPSIQUIAT RA
1
11,1
11,1
11,1
PROFESSOR ( ENSINO
REGULAR) /
PROFESSOR ( ED. ESP.)
/ PSICÓLOGO /
PEDIATRA / PAIS
1
11,1
11,1
22,2
PSICÓLOGO / MÉDICO
DE FAMÍLIA
1
11,1
11,1
33,3
PROFESSOR ( ENSINO
REGULAR) /
PSICÓLOGO /
PEDIATRA / PAIS
1
11,1
11,1
44,4
PROFESSOR ( ENSINO
REGULAR) /
PROFESSOR ( ED. ESP.)
/ PSICÓLOGO
1
11,1
11,1
55,6
MÉDICO DE F AMÍLIA
1
11,1
11,1
66,7
PSICÓLOGO
1
11,1
11,1
77,8
325
T ERCEIRA P A RT E : A T ITUDE
Na terceira pa rte d o i nquérito, apresentamos os dados recolhidos relativamente
às a titudes, fo r m a de intervenção que o grupo de professores inquirido
consideram trazer mais b enefícios para as crianças com PHDA e a s estratégias
de intervenção, e m contexto e scolar, que utilizam com mais f req uência no seu
dia-a-dia.
Em relação à s questõ e s 10 e 11 , foi criado um score onde se multiplica o grau de
cada questão pela frequência que cada uma surge na amostra, utilizando a
seguinte fórmula, para a questão 10 [fx = (Cx *7) + (Dx*6) + (Ex*5) …] e para a
questão 11 [fx = (Dx*9) + (Ex *8) + (Fx*7) …] sendo que Cx, Dx, Ex , e assim
sucessivamente, representam as questões e o número apresenta a f requência
que cada um surge na amostra.
Os resultados da tabela vão surgir por ordem decrescente para melhor se
visualizar o impacto das respostas.
Na tab ela 13 (questão 10 ), inquiriu-se o no sso grupo de professores em relaç ão à
forma de intervenção, que segund o os mesmos, p o derá trazer mais benefícios
para a criança com PHDA.
Tabela 13
Questão 10 – Na s ua opinião, qual a forma de inter v e nção que poderá trazer
mais benefícios para a c riança com PHDA? Orde ne as se guint e s opções, da
mais importante para a me nos importante (1 – mais im portante; 7 – menos
importante)
Valor A tribuíd o
7
6
5
4
3
2
1
Cotação
10.1. M edicação
1
3
5
52
10.2. Colab oração Pais – Escol a
2
1
1
3
2
44
10.5. Técnicas comporta m entais e
cognitivas e m contex to clíni co
1
3
2
2
1
43
10.6. I ntrodução de estraté g ias
educativ as específicas na sala de aul a
2
2
1
1
3
37
326
10.3. Terapia f ami liar
3
1
3
1
1
34
10.4. Apoio escol ar/académico
5
2
2
33
10.7. Outro s – Quais?
0
De acordo com os da dos ap resentad o s na tabela 1 3 , consta ta mos que os
professores co nsideram a “ Medicação” (cotação 52 ), a f orma de intervenção qu e
mais benef ícios poderá trazer para a criança com PHDA, seguida de
“ Colaboração Pa is – Esco la” (cotação 44 ). A s “Té cnicas comportamentais e
cognitivas em contex to clínico” (cot ação 4 3) m erece, também, re alce por parte
dos inquiridos.
Segue-se a tabela 1 4 (questão 11 ), que retrata a s respostas do nosso grupo de
professores sobre qu a l a atitude que o professor deve tom ar q ua ndo tem uma
criança/jovem com PHDA na sala de aula.
Tabela 14
Questão 11 – Na sua opinião, o que pode faze r um(a) professor(a) quando
tem uma criança/jovem com PHDA na sala de aula. Orde ne as seguintes
opções, da mais importante para a menos importante (1 – ma is importante; 9
– menos importante)
Valor A tribuído
9
8
7
6
5
4
3
2
1
Cotação
11.1. Encaminha r para um técnico
especializ ado
9
81
11.4. Encaminhar pa r a o Apoio
Educativ o
1
1
1
2
4
59
11.7. Ser persi st ente e coerente na
introdução de adaptações e
estraté g ias
1
4
3
1
58
11.2. M ant er um co ntacto mais
frequente co m a famíl ia
1
1
2
1
1
1
2
47
327
11.6. Adap tar a forma como
apresenta os conteúdos na sala de
aula
1
2
1
2
2
1
46
11.3. Adaptar o contex to f ísi co da sala
de aula
1
2
5
1
43
11.8. Ada ptar materiais e processo s
de aval iação
2
2
3
2
32
11.5. Encontrar um ambiente mais
adequado à criança fora da sala de
aula/ escola
4
3
1
1
30
11.9. Outro – Qual?
Analisando a ta bela 1 4 , verificamos q u e “Encaminhar para um té cnico
especializado” (cotação 8 1 ) é, segund o o s docentes do nosso C.T., a atitu de m ais
correta a tomar. “Encam inhar para o apoio educativo” e “ S er p ersistente e
coerente na introdução de ad aptações e estrat égias” (cotações 59 e 58,
respetivamente) apresentam , também, um v a lor significativo.
De seguida, apresentamos a tabela 15 (q u estão 12), sobre possíveis estratégias
de intervenção em contexto escolar, utiliz a das p elo grupo de professores
inquirido, quando se tem uma criança/jov em com PHDA na sala de aula.
Tabela 15
Questão 12 – A s eguir está um a lista de possíveis estratégias de interv e nção
em contexto escolar. Por fav or, assinale a frequência com que as utiliza no
seu quotidiano de trabalho com estas cria nças.
Nunca
Às vez es
Frequente m ente
F
%
F
%
F
%
1. Recompensas sociais (atenção,
louvo res, af etos, privi lé gios, …)
1
11,1
3
33,3
5
55,6
328
2. Recom pensas materiais (com estíve is e
não comestíve is)
6
66,7
3
33,3
3. Ignorar p equenos com porta m entos
inadequ a dos (rem exer-se, roer a caneta,
…)
2
22,2
6
66,7
1
11,1
4. Time- out (tempo de af astamento da
classe)
3
33,3
4
44,4
2
22,2
5. Organização da sala de au la (evitar
fontes de estimulação que não seja o
próprio m aterial de ap r endizagem, senta r
a criança perto do professor)
2
22,2
7
77,8
6. Tarefas curta s, bem d efinidas e bem
seque nc iadas
3
33,3
6
66,7
7. Sugerir que a criança relate o qu e está
a fazer
1
11,1
4
44,4
4
44,4
8. Supervisã o f requen t e do trabalh o
1
11,1
8
88,9
9. Biofeedb ack : dar ao alu no inform ação
suficiente qua nto ao trabalho qu e faz
1
11,1
8
88,9
10. Organ i zar um a folha de reg isto para
anotar o s progre ssos d o alun o
2
22,2
3
33,3
4
44,4
11. Preparar um “canto” da sala o nde a
criança possa isolar-se dos outros, caso
seja necessá rio
5
55,6
3
33,3
1
11,1
12. Reg ras da sala de aula identif icadas e
afixada s na sala
4
44,4
1
11,1
4
44,4
13. Repreensões para comportamentos
impróprios (exem plo: escreve r o nom e da
criança no quadro )
5
55,6
4
44,4
14. Rep rim enda s verbais
1
11,1
8
88,9
15. Relatório sem anal com objetivos
específicos do comportamento e
feedba ck com o os objetivos fora m
alcan ça dos
6
66,7
2
22,2
1
11,1
16. Enca m inha r o aluno para a Direção
4
44,4
5
55,6
329
da escol a
17. Regula m ento Disciplinar da Escola
(exe m plo: norm as de conduta,
proced im entos disciplinare s)
3
33,3
5
55,6
1
11,1
18. Coloca r lem bretes na carteira do
aluno (e xemplo: “Per m anecer sentado”
escrito num cartão, colocado na m esa do
aluno)
6
66,7
3
33,3
19. Informar o Encarregado de Ed ucação
acerca do m au comporta m ento do alun o
4
44,4
5
55,6
20. Dar co nheci m ento ao D iretor d e
Turma acerca do m au com porta m ento do
aluno
2
22,2
7
77,8
21. A m eaçar o aluno (exe m plo: “Se não
começares a porta r - te be m , sais da sal a”)
2
22,2
6
66,7
1
11,1
22. Anotar o m au co m portamento do
aluno e considerá-lo p ara a avaliação do
mesmo.
7
77,8
2
22,2
As e stratégias mais f req u entemente u tiliz a das por 8 8,9% (N=8) d os professores
consistem na “supervisão frequente do trab alho” e “ biofeedback : dar ao alu no
informação suficiente q uanto ao trabalho que ex ecuta”. Em seguida, a s m ais
utilizadas po r 77,8 % (N= 7) d os inquiridos sã o “Org a nização da sa la de aula” e
“dar conhe cimento ao DT acerca do mau compo rtament o do aluno (evitar fontes
de estimulação que n ão seja o p rópri o m aterial de aprendizagem, sen tar a criança
perto do pro fe ssor.) ” 66,7% (N=6) ainda considera que o estabelecimento de
“tarefas curtas, bem definidas e bem sequenciadas” será uma boa estrat égia.
Da listagem das e stratégias possív e is serem utilizadas na s a l a de aula com
alunos com PHDA, há algumas que os p rofessores reconhecem que podem ser
utilizadas algumas vezes: 8 8,9% (N=8) consideram as “reprimendas verbais”
como p ri m eiras estratégias, e nquanto para 7 7,8% (N=7) “a notar o m au
comportamento do a luno e c onside rá- lo para avaliação do mesmo”, poderá ser
330
positivo. No entanto, 66,7% (N=6) pondera que “ameaçar o aluno” ou “ignorar
pequenos comportamentos inadequados” do mesmo, poderá dar bo ns res ultados.
As e stratégias consideradas meno s ef icaz e s, com 66,7% (N =6) sã o a s
“recompensas mate ri ais” e o “relatório se m anal com objetivos específicos d o
comportamento e feedback d e como os o b jetivos foram alcanç a dos” e, ainda,
“Colocar lembretes na carteira do aluno”.
Depois de analisarmos os resultados obtidos, verifica m os que o grupo de
docentes inquiridos refere que têm maioritariamente pouca informação a n terior
relativamente à PHDA.
Os do centes p articipantes d o nosso inq uérito , a pesar de revelarem, na sua
maioria, pouco conhecimento em relação à PHDA, reconhecem a imp ortância da
medicação como forma de interv e nção im portante para o tratamento desta
Perturbação.
No que se relacion a com as cara terísticas que levam o professor a suspeita r de
uma situação de P HDA e, de aco rdo, com as hipótese s apresentadas, a ca tegoria
mais valorizada no inquérito foi o “Défice de Atenção, Hipera tividade e
Impulsividade ”, seguida de “Défice de Atenção e Hiperatividade. ”
No que concerne à prevalência da P HDA, o no sso grupo de professores
inquiridos responderam “Igualmente comum nos rapaz e s e nas raparigas”.
Quanto às causas que podem provocar o aparecimento da PHDA, o nosso gru po
de auscultação apontou como ca usas o s “Fatores Genéticos” , os “Fa tore s
Biológicos”, seguido de “Estilos Parentais” .
Em relação à e volução da PHDA, co nstatamos que a quase totalidade dos
docentes (88,9%) cons ide ra que esta Perturbação não desaparece com o tempo.
Analisando os resultados sobre quem de ve fa zer o diagnó stico, verificamos que a
maioria dos professores indica que deve ser o “Psicólo go” a reali zar o diag nós tico
surgindo em seguida o “professor do ensino regular ” e o “Pediatra” .
331
O conhecimento dos p rofessores deste C.T. acerca da PHDA é pouco , tend o
55,6% do grupo adquirido a lguma informa ção através de cu rsos breves e açõ es
pontuais.
Relativamente aos problemas que os nossos inquiridos consideram estar
associados à PHDA e que podem provocar ma ior d esadaptação/impacto em
Contexto Escolar, encontramos “Comportamentos de agressividad e e oposição” e
“Dificuldades d e Aprendizagem”, apontados p or 77,8% dos pr o fessores,
seguindo- se “Comportamentos de risco” e “Baix a Autoestima”, identificados por
55,6% e, p or último, assina lados por 44, 4 %, “Dificu ldade na relação com os
pares” e “Pouca persistência e baixa motivação”.
No que respeita às caraterísticas que perturbam m ais a vida escolar da s crianças
com PHDA fo i registado, sobretudo, o item “Tem dificuldade em m anter a atenção
nas tarefas e a tividades”, seguido de “Nã o se gue as instruções e n ão termina o
trabalho ou tarefas escolares (não devido a comportamen tos d e oposição ou por
dificuldade em perceber as instruções) ” e , por f im “Fala excessivamente” e
“Interrompe ou interfere nas atividades do ou tro ”.
Quanto às atitudes, form as d e intervenção , os p rofessores consideram traz er
mais b enefícios para as crianç as com PHDA a “Medicaçã o”, se guida de
“ Colaboração Pais – Escola” e m erece, também, realce por parte dos profe ssore s
inquiridos as “Técnicas comportamentais e cognitiv a s em co ntexto clí n ico”.
Sobre a a titude a tomar pelo professor quando têm uma criança/j ovem com PHDA
na sala de aula, os docentes consideram prioritário “Encaminhar para um técnico
especializado”, seguido de “ Encaminhar para o Apoio Educativo ” e “Ser
persistente e coerente na introdução de adaptações e estratégias”.
Sobre possíveis e stratégia s de intervenção em Contexto Escolar u tilizadas pelos
docentes, com mais f req u ência no seu quotidiano, as mais referidas foram
“supervisão f requente do trabalho” e “ Biofeedback: d ar ao aluno informação
suficiente quanto ao trabalho que faz”, com p ercentag em igual, seg uida s de “Dar
conhecimento a o Diretor d e Tu r ma acerca do m au compo rtament o do aluno", logo
de seguida e em percentagem ig ual, “Organização da sala de aula”.
332
E SCALA DE C ONNERS PAR A P ROFESSORES – V ERSÃO R EVIST A (F ORM A C OMPLETA )
A escala de Con ners foi p reenchida pelos docente s do aluno, em dois momentos
distintos, o p rimeiro, antes de o jov e m iniciar a terapêutica e, o segundo, sete
meses mais tarde, estando já a ser medicad o .
O instrum ento comp letado pelos docentes ap resenta os itens e n umerados e
ordenados. Optamos por agrupar os respe tivos parâmetros p or áreas
problemáticas, a saber: atenção, hiperativ ida de/ impulsividade, oposição/
comportamento, comportamento obsessivo, comportamento social, ansiedade/
timidez, labilidade em ocional e problemas académicos. Destas vam os centrar a
nossa observação em três delas, atenção, hipe rativ idad e / im pulsiv ida de,
oposição / comportamento. Faremos, então o registo da primeira e se gunda
observações, para, p o steriormente, p assarmos à an álise d os resultados. A
questão académica será tratad a mais ad iante, quan do an alisarmos os
documentos específicos relativos ao aproveitamento escolar do nosso sujeito.
333
Gráfico 11 – H iperati vidade /Im pulsividade – 1ª e 2ª ob servações
334
Hiperatividade/ Impulsivid ade – 2. Inquieto; 8. Ex citável e im pulsivo; 11. Me xe-se muito,
como se estivesse sempre “ligado a um m otor”; 16. Inquieto(a) e apres entando exc esso de
atividade m otora; incapac idade de f icar soss egado(a); 20. Lev anta-se do l ugar na sala de au la
ou noutras situaçõ es em que d everia ficar s entado(a); 29. T em dificuldade em esperar pela
sua vez; 34. Irrequieto(a) (s em mudar de lugar, m exer em coisas ou pequenas par tes do corpo
como mãos , os pés, etc. parece ter “bicho carpintei ro”); 36. Fala excessivamente; 38. Não
consegue m ant er -s e soss egado(a); 39 . Corre em volta do espaço ou trep a de f orma excessiva
em s ituações em que esses com portamentos não são adequados; 42. Tem dificuldade e m
em penhar-se em jogos ou atividades de lazer, d e form a sossegada; 44. Mexe os pés e as
m ãos e está irrequieto(a) no seu lugar; 46. Responde com impulsividade, a ntes das questõ es
terem sido term inadas; 55 . Interrom pe e introm ete-s e (por exem plo, nos jogos ou co nversas
de outros); 59. Inqui eto(a), sem pre a levantar -se e a m ovim entar-se pelo espaço.
Numa prime ira auscultação , constatamos que o aluno evidencia uma índole
hiperativa. O que se refere às situaçõe s que ocorrem “muito frequentemente”, a
totalidade d os professores aponta que o aluno está sempre inquiet o , com e xcesso
de ativ idad e motora, nã o consegue e star sossegado, sempre a l evantar -se e a
movimentar-se pelo espaço. Uma p ercentagem u m po uco infe rior , (88,9%), indica
que o aluno é excitável e impulsivo, age como movido por um moto r, fala
excessiv a mente , intromete-se e interro m pe as ativ ida des ou con versas dos
outros. 77,8% do s d ocentes acrescenta que ele é um rapaz inquieto e irrequieto,
que nunca está sentado, revela uma grande dificuldade em esperar pela sua vez.
Na segunda observ açã o , apu ramos u ma melhoria significativa n os
comportamentos do aluno. A agitação e xces siva que se verificava antes do início
da te rapêutica dissipou-se. Houve manifestações comportamentais que
transitaram do “muito frequentemente” pa ra o “nunca”, como a incapacidade de
permanecer so ssegad o , a intromissão nas ativ ida des dos outros ( parâmetros 1 6,
38, 55 e 59)
Ao observ ar os resultados da segunda observação d o aluno, assev e rou -se que
este evidencia a lgumas cara terísticas incontidas. Pe r m anecem, ainda, atitudes
que se vão regist ando “Um Pou co”, nomeadamente um pou co de irrequietude, de
impulsividade, nã o só nos gesto s como também nas respostas, na quantid ade do
discurso (parâmetros 2, 8, 11, 16,29, 34, 36, 44, 46 e 5 5) .
341
Os itens observados, nesta á rea, podem ser agrupad os em três su bgrupos, a
saber: Atenção (2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 12 e 1 4); Impulsividade (6); Hipe ra tividade
(1, 11, 13 e 15).
Observando o primeir o grupo, a Atenção, co nstatamos que o co m portament o
assinalado, por 100% (N=9) do s p rofessores, como verificando -se Muito
Frequentemente é “Distrai - se fa cilmente co m estímulos auditivos” . Os ato s
identificados por uma p ercentagem menor de doce ntes, mas com u ma frequência
de ocorrência igual são por 88,9% (N=8) “Distr ai -se f acilmente com e stí m ulos
visuais” e por 55,6% (N=5) “Parece não prestar atenção ao que est á a ser dito”
Relativamente aos que estão mais dire cionados para a Hiperatividade, também
com uma sucessão “Muito Frequentemente” encontramos identificados por 88,9%
(N=8) dos docentes “Fala m uito, para além dos limites aprop riad os” , por 66,7%
(N=6) “Apresenta movimentos de spropositados e m excesso” e por 55,6 % (N=5)
“Tem dificuldade em trabalhar/brincar com calma”.
Aludindo, seguidamente, os comportamentos que se verificam “Com Frequência”,
deparamos, no campo da atenção, registados por 66,7 % (N=6) d os elementos do
Conselho de Turma, “Faz os trab alhos depressa sem a tenção aos d eta lhes”.
Numa p ercentagem m enor, 55,6 % (N=5), encontramos “Não p ermanece nas
atividades o tempo adequado”, “Tem di f iculdade em terminar tarefa s” e “N ã o
presta atenção aos estí mulos mais importantes”.
No campo da Impulsiv ida de, a to tal percentagem de do centes, 100% (N=9),
menciona “Interrompe ve rbal ou fisicamente at ividades e conversas” e,
direcionado para a Hiperatividade, ma s co m 88,9% (N=9) “ Fala muito ”.
342
Gráfico 1 5 – R aciocínio/ Process amento
343
No conjunto de quinze pa râmetros que constituem esta áre a, a ma ioria dos
professores, 66 ,7% (N=7), assi nalam como co mportamentos que af luem “Muito
Frequentemente” , “Dificuldade em co m eçar as a tividades” e co m 55,6% (N=5)
“Requer mais supervisão do adulto que os pares”.
Quanto à s atitudes que aco ntecem “Com Frequência”, numa ta xa superior a 50%,
66,7% (N=6) dos professo res indicam “Comete erros com frequência”,
“Dificuldade em usar i nf ormação aprendida numa nova situação”, “Dificuldade em
perceber o que querem dele” e “Requer demonstrações prátic a s”.
344
Gráfico 1 6 - Mem ória
345
De acordo com o registo elab orado pelos docentes, constatamos que o aluno
apresenta alguns problemas a nív e l da memória. Os educadores, 44,4% (N=4),
assinalam que, “Muito Freq u entemente”, o aluno revela “dificuldade em seguir
instruções múltiplas”. Na pers petiv a dos professores, 44,4% (N= 4 ), apontam qu e
“com f requência” o aluno tem “dificuldade em executar tarefas n a sequência
correta”.
Os com portamentos do a luno notados “ P or vezes ”, por 6 6,7% (N=6) do s
professores são : “Dificuldade em responder a questões so bre a su a história
pessoal” e “Dificulda de em relembra r informação recentemente lida” e “Dificuldade
em seguir instruções múltiplas”. Ainda dentro de sta ocorrência, 55,6% (N=5)
apontam para “Dificuldade em relemb rar in fo rmação rece ntemente ouvida” e
“Défice de memória em atividades diárias”.
346
Gráfico 1 7 – R ealização (Funcionam ento)
347
De acordo com o esquema exposto, atestamo s que o a luno ap r esenta
dificuldades a nível d a rea lização/funcionamento. Surgem ide ntificados os
comportamentos, co m o “Muito Frequentemente”, por 77,8% (N=7) d os
pedagogos, “Dificuldade e m manter comportamentos ad e quados por perí od os
prolongados” . Neste registo de f requên cia, encontramos 5 5,6% (N=5) dos
professores que indicam que o aluno tem “difi culdades em estabelecer
prioridades”, “dificuldades em a te nder a di versos estímulos em simultâneo” e
“dificuldade em inibir respostas desadequadas”.
De a cordo com 55,6% (N=5) do s professores d o aluno apresenta
“frequentemente” “Dificuldade em gerir o tem po ” e, em menor percentagem, 44,4
(N=4) “Dem identificar pontos fortes e fracos em si próprio.
348
Gráfico 1 8 – Sk ills Interpessoais
349
A nível dos Skills Interpessoais, en contramos identificados, por 55 ,6% (N=5) pelos
ensinadores que acompanham o aluno, re gista n do “Muito frequentemente”, pois
este “interage inap ropriadamente com pro f essores/supervisores do m esmo sex o e
do sexo oposto”. Numa pe rcentagem inferior, 44,4% (N=4), os profe ssore s
assinalam “Dificuldades em aceitar crí ticas construt ivas”.
Os doce ntes assinalam, também, comportamentos que su rgem “Com f requência”.
Desta f orma, 55,6% (N= 5) indicam que o a l uno “responde desadequadamente a
pistas n ão- verbais” e 44,4%, (N=4) consideram que o al u no “usa a ling u agem
corporal de forma desadequada”.
350
Gráfico 1 9 – Maturida de Em ocional
357
Podemos co ncluir, d epois de an alisados os resultados apresentados n o inventári o
sobre o aluno, que este apresenta défices em bastantes áreas das enumer a das.
A n ív el da Atençã o /Impulsividade/Hipera tividade, reconhecemos que o disc en te
manifesta prob lemas evidentes, relativ o s a estes três setores. S urgem todos
assinalados com uma ta xa d e o corrência, oscilando en tre “Com Frequência” e
“Muito Frequentemente”.
Em relação ao Raciocínio/Processamento, o a luno apresenta dif iculdades
respeitantes ao início e conclusão das tarefa s, cometendo, frequentemente, erros .
Quanto à terceira categoria, é e vidente que o educando revela déf ice de memória,
evidenciando dificuldade s em executar taref as seguindo uma sequência
apresentada, em reter informação ou relembrar o que leu ou ouviu.
Relativamente à Rea liz a ção/Funcionamento, detetamos no rapa z sérias
dificuldades em inibir resposta s desadequadas e manter compo rtamentos
adequados ao contexto em que se encontra, não consegue atender a vários
estímulos em simultâneo, é -lhe custoso f azer a gestão do tempo, assim como se
autorregular e Auto monitoriz a r.
Observando o s Skills Inte rpessoais, verificamos que, embora alguns p rofessores
referenciem os comportamento s menos de sejados afluir “Muito Frequentemente”,
a maioria enquadram - nos no patama r in f erior, isto é “Com Frequên cia”. O aluno
não aceita críticas c o nstruti vas. Exterioriza a linguagem corporal e o contato
visual de forma pouco adequadas.
No que conce rne ao n ív el d a Maturidad e Emocional, o jovem, ev idencia, a inda,
alguma imaturi dade. N ã o c o nsegue trabalha r so zinho, mas també m não trabalha
bem em grupo, não segue nem regras de trabalho nem de sala de aula, não tem
consciência d as co nsequências das suas interações inapropriadas. Apresenta,
ainda, dificuldade em fazer e manter amigos, deixa -se influenciar pelos outros, o s
seus pares lide ram-no co m relativ a f acili dade, nã o aceita tarefas novas sem
mostrar desagrado, da mesma ma neira que n ão controla o seu tempe rament o,
verificando - se alguma s “explosões” temperamentais.
358
No que respeita à Coordenação, observamos que, por vezes, o aluno confunde a
direita com a esquerda.
No campo da Comun icação, o estudante usa frases simples e curtas, substituindo
palavras de forma desadequada. Mostra, ain d a, dificuldade em expressa r as suas
ideias de forma percetível.
A capacidade de Leitura/Compreensão situa-se abaixo do nível espe rado para a
sua faixa e tária. U m a das adversidades maiores é , precisamente, ler em voz alta,
devido à au sência de consciên cia f onológica, à inversão das letras que efe tua e à
dificuldade em ler sinais no meio.
A nív e l da expressão escrita, o educando patenteia capacidades de escrita ab aixo
do e sperado para a sua idade. Assim, a com unicação rea liz a da através da escrita
traduz-se numa t a refa árdua, por u m lado, nã o consegue escrever de forma
legível, tem dif iculdade e m organizar parágrafos e comete erros gramaticais e de
pontuação, por outro, dá múltiplos erros quando soletra.
O Cálculo Mate mático divulga valores superiores a os da L eitura/C o mpreensão e
da Ex p ressão Escrita . Con tudo, p o de -se apurar q u e h á perturba ções patentes,
que surgem “Com Frequência” maior ao pretendi do. São anotadas dif iculdades a
nív e l de compreensão d e problemas matemáticos escritos, de confu são d e
símbolos e resolução de cálculos m atemáticos. Ana lisando estes aspetos, o aluno
apresenta capacidades matemáticas inferior es aos jovens da sua faixa etária.
L ISTAGEM C OM PARA TIV A DE C OM PORTAMENTOS P ERTURB A DORES DE S ALA DE A UL A
Os comportamentos do aluno foram registados em dois momentos distintos, o
primeiro antes de iniciar a t e rapia co m MF D, em outubro e, o segundo, sete
meses mais tarde, em m aio, momento em que o jovem já se encont ra m edicado.
359
Apenas registamos, n a primeira avaliação, o s comportamentos indicados ser
“Frequentemente” perturbadores e, n a segunda avaliação, a queles que “Quase
Nunca” ocorrem.
Gráfico 2 5 - Hiperativo
Quanto à primeira categ o ria, Hiperativo, a totalidade dos professores regista, na
primeira a valiação, como comporta mentos perturbado res mais f requentes
“Sempre a mexer - se na cadeira” e “sempre a f alar”. S eguidamente, o mais
apontado é “Fora do lugar” (7 7, 8%).
A pós a segunda observ a ção, constatou-se que o comportamento m ais
identificado, pela positiv a, isto é “Sempre a me xer na cadeir a ”, “Não con segu e
1. Fora d o lugar; 2. Sem pre a mex er-s e na cadeira; 3. Não conse gue m anter -se em fila; 4.
Sempre a f alar; 5. T iques
360
manter- se na fila” e “Tiq ues (piscar os o lhos, roer as unhas) ” (100 %). 62.5% dos
docentes acrescenta “Não consegue manter - se na f ila”.
Embora se verifique uma m elhoria na agita çã o da criança, “às vez es” aind a se
mantém fora do lugar e fa la um pouco demais.
Gráfico 2 6 – D esinteres sado
6. Indiferente, cansa do; 7. Olha f ixam ente o vazio; 8. Raram ente pede ajuda; 9. Não se
esforç a por trabalhar; 10. Apreensivo quando tem de respo nder; 11. C hora ou grita sem s er
provocado; 12. Evita cham ar a at enção sobre si; 13. Não s egue as au las.
Relativamente à se gunda categoria, verificamos que o co mportamento
considerado como m ais revelador da falta d e interesse e anotado pela totalidade
de educadores (100%) f oi “Não segue as aulas”. Numa percentagem menor, mas,
ainda, significat iva, surg e “Não se esforça por trabalha r” (7 7, 8%), se guido de “não
361
segue as aulas” e, por ú ltimo, numa dimensão i nf erior, enc o ntramos “Olha
fixamente o vazio”.
N o segundo registo é p ossível observar um progresso evidente. Com uma
ocorrência quase nula, surge, em primeiro lug a r o p arâmetro, identi f icado pela
generalidade dos professores, “exige explicações sobre o s trabalhos”, seguido de,
“raramente a caba os trabalhos de ca sa” e “Distr ai - se fa cil mente com tudo”,
referido por77,8% (N=7). 66,7 (N=7) menciona que “Está nas nuv e ns”.
Comparamos com o registo f eito meses mais tarde, asseveramos u m progresso
do aluno. Co m manifestações que “Quase Nunca” se verificam, os docentes são
unânimes quando e specificam as seguintes ações: “Não se e sforça por trab alhar” ,
“Chora o u grita sem ser provocado” e “Não segue as aulas”. Nesta sequênci a,
87,5% designa “Indifer e nte, cansado” e 75% “Olha fixamente o vazio”. P or ú ltimo,
e com um valor superior ao s 50% (62,5%) surge “Raramente p ede ajuda” e “Evita
chamar a atenção sobre si”.
Gráfico 2 7 – D esatenç ão/Desco ncentração
14. Não l iga ao quadro nem aos audiovisua is; 15 . Rar am ente ac aba os trabalho s; 16. “Está nas
362
nuvens; 17. Exige exp licações sobre os traba lhos”; 18 . Distrai-se fac ilm ente com tud o.
A to talidade d os docentes indica como traços caraterísticos da D esa tenção/
Desconcentração do alun o, o pa râmetro “Distrai -se facilmente com tu do ”. Com
presença marcada, mas já num valor inferior, 88,9% (N =8), surge “rarame nte
acaba os trabalhos” e “está nas nuvens”
No segundo registo, é possível o bservar um p rogresso e vidente. Com uma
ocorrência quase nula, surge, em primeiro lugar, identificado pela generalidade
dos professores, “ Ex ige explicaçõe s sob re os trab alhos de casa”; seguido de
“Distrai - se f acilmente com tudo”, referido por 87 ,5%; “Está n as nuvens”,
mencionado por 75% e, 62,5% designa “Não liga ao quadro nem aos
audiovisuais”.
Gráfico 2 8 – Agressi vo
363
19. Atac a os outros; 20. Provoca verbalm ente os ou tros; 21. Rouba; 22. Explode se as coisas
não correm be m ; 23. Discute o com portamento com o profess or; 24. Destrói
pertences/traba lhos dos outr os; 25. Destrói as suas pr óprias coisas; 26 . Reage m al, quando s e
m etem com ele.
O aluno ap resenta alguma agressividade. 78,8% (N=7) dos docentes ind icam que
o jovem, “Frequentemente” , “r eage mal quando se metem co m ele”. Num p atamar
inferior, 66,7 % (N= 6 ) assinala q ue o aluno “ p rovoca v e rbalmente os outros” e
55,6% (N=5) indicam que ele “explode se as coisas não correm bem”.
Comparando estas atitudes com as verificadas na se gund a o bservação,
verificamos que houve uma m elhoria no q ue co n cerne às seg uintes a titu des,
apontadas pe l os docentes, com uma rep etência de “Qu ase Nunca”: “Provoca
verbalmente o s o utros”, “Discute o comportamento com o professor”. A f requência
dos comportamentos alterou de “frequentemente” para “às vez e s”.
Gráfico 2 9 – Perturbador
364
27. Ex ige a atenção d o pro fessor e colegas; 28. N ão s egue as r egras; 29. Interr om pe as aulas
verbal e fisicam ente; 30. Conta hist órias biz arr as; 31. Só com controlo de outrem s egue
regras.
Em relação à categori a “Perturbador” registam -se, igualmente, progressos da
primeira para a segunda obse rv a ções . Na p rimeira, verificamos que , o aluno é
apontado pe la totalidade do s professores, pois “Não segue regras” . 8 8,9% (N=8)
atestam que o aluno ”exige a at enção do profe ss or e colegas”, “i nterrom pe a s
aulas verbal e f isicamente” e “s ó com c ontrolo de ou trem segue r egras”. Após a
realização da terapia, o jovem, quase nunca, e xibe os comportamentos
inicialmente identificados.
Gráfico 3 0 – N ão Coop erante
32. C ulpa os o utros d os seus err os; 33. Não se gue a r otina; 34. Só tra balha c om ameaça de
castigo; 35. D esafia os pe didos do profess or; 36. Dis cute insi gnificâncias; 37 . Tem a última
palavra na discus são.
365
O a speto m ais assinalado pelo grupo d e d ocentes, aqu a ndo do primeiro
preenchimento desta listagem, fo i “Não segue a rotina” e “discu te com os colegas
insignificâncias” (88,9 %), a parecendo, em seguida, “Só trabalha com ameaça de
castigo” (66,7 %) e, numa proporção in ferior, mas, ainda, expressiv a, “ Culpa o s
o utros dos seus erros” e “Tem a última palavra na discussão” (44,4 %).
No segundo momento, apontamos a titudes que quase nunca su rgem,
nomeadamente, “Só trabalha co m ameaça de castigo” (100% dos inquiridos);
surgindo, imediatamente a seguir “desafia o s p edidos do professor” (77,8 %) ;
numa in tensidade menor, mas expressiva, “quase nun ca” “Culpa o s ou tros d os
seus erros” “Tem a última palavra na discussão” (55 ,6 %)
Gráfico 3 1 – Manipula dor
38. Di z ter de ir a o m édico vezes de m ais; 39. Pede ve zes de m ais para ir a o W C; 40. Só
trabalha se lhe dão aju da individual; 41. Atribui err os a tudo m enos a si m es m o; 42.
Menospre za-se, critica o seu trab alho; 43. Tenta distr air o professor c om outro assunto; 44.
Parte do princíp io que não sabe fa ze r.
366
Num primeiro registo de ob servação, os professores não qualificam o aluno como
manipulador. As carat e rísticas a pontadas por 44,4% (N=4) dos inq u iridos que
ocorrem “frequentemente” são “só trabalha se lhe dão ajuda indiv idual” e “ten ta
distrair o professor com outro assunto.
Sete meses mais tarde, ao ser rea valiado, os docentes v erificaram que o aluno
permanece quase inalterável. Os três registo s que ele evidenciara antes da
terapêutica, já não se v e rificam.
Gráfico 3 2 – Com portamento Soc ial Inade quado
45. Queixa- se q ue ninguém gosta dele; 46. Não tem am igos na esc ola; 47. Não gosta d e ir ao
recreio; 48. Não tom a inic iativa c om os colegas; 49. É e vitado pelos coleg as; 50. Asp eto
pessoal desc uidado e pouc o limpo; 51. Não funcio na nem e m grupo nem em turm a; 52.
Ridiculari za os colegas, aborr ece -os.
373
A ponderação efe tuada na d isciplina de In glê s, no primeiro período, é
maioritariamente Não Sa tisfaz, alcançando o aluno a lgumas categorias que
Satisfazem Minim amente, a saber, na “identif icação da s regras básicas do
sistema linguístico e seu f uncionamento”, “com preensão de um texto/documento”,
“interpretação de dados simples”, “aquisição de bases necessárias à
compreensão do fu ncionamento básico d a lí n gua p ortuguesa”, na “a presentação
e organização do materi a l essencial”, “ assiduidade” e “p ontualidade” .
O segundo pe ríodo ca raterizou -se p or uma melhor ef iciência, em termos
avaliativ o s. Con tudo, alguns p arâmetros ainda se encontram no nível Não satisfaz
e que d iscriminamos em seguida, a “e xpressão oral e escrita (clarez a do discurso,
estrutura, qualidade do v o cabulário, desenvolv im ento e coordenação de ideias) ”
e “c ompreensão e pro dução numa pe rspetiv a comunicativa de mensagens orais e
escritas simples, relati vas a conteúdos dados”.
Estabelecendo u m paralelo entre a avaliação dos primeiro e segundo períodos,
observamos que a maior p rogressão regista d a pelo académico, isto é, dos nív eis
Não Satis f az para Satisfaz Minim amente verificam -se nas seguintes categorias:
na “identificação das regras básicas do sistema linguístico e se u f uncionamento”,
na “interpretação de dados simples”, na “aplicação de conteúdos”, na “aquisição
de ba ses necessárias à compreensão das maté rias lecionadas”, na “apresentação
e organização d o material essen cial”, na “maturidade/concentração nas ta refas” ,
no “inte resse/atenç ão”, na “contribuição/colaboração na s a ulas”, na “assiduidade”,
na “pontualidade” e na “gestão do tempo na realiz ação de tarefas”.
A melho ria verificada pelo aluno ne sta disciplina dev e -se ao facto, e també m de
acordo com a professora, ser uma área de bastante agrado do mesmo.
374
Gráfico 3 5 – H istória e Ge ograf ia de Portugal
375
Na área curricular disciplinar de História e Ge ografia de Portugal, a av a liação d o
primeiro período não fo i satisfatória, sa lvo o s ite ns “compree nsão de um
texto/documento” e “interpretação de dados si m ples”.
Notou-se uma evolução na avaliação do seg u ndo período, permanec endo, ainda,
não satisfatório “e xpressão oral e escrita (clareza d o discurso, estrutura,
qualidade do vocabulário, desenvolvimen to e coordenação d e ideias)”,
“c omp reensão e produção numa perspetiva comunicativa de m ensagens orais e
escritas simples, relativas a conteúdos dados ”, “curiosidad e e desejo de saber”,
“contribuição para as ativ ida des da aula” e “in te gração no grupo/turma”.
O alun o atingiu uma a valiação bastante satisfa tória no te rceiro p eríodo, não
registando qualquer nível negativo. Contudo, alguns parâmetros encontram -se
num patamar fragilmente positivo.
As alterações mais e vidente s, a nív el de conhecimento s regista m -se nos it e ns
“leitura”, m elhoria na “expressão oral e escrita”, na “aplicaçã o de con teúdos já
trabalhados na aula”, “aquisição de bases necessárias à compreensão das
matérias lecionadas”; a nív e l do “Saber Se r” e “Saber Estar”, v erif icou -se uma
melhoria gradual, ao lon go d o ano letivo, nas categorias “respeito pelos
compromissos na r e alização de tare f as/responsabilidade”, “realização dos
trabalhos de casa”, “aprese ntação e organização d o material es sencial”,
“regularidade, persistência no estudo/tare fa s propostas”, maior
“interesse/atenção”, melhor “assiduidade” e “pontualidade”, maior “respeito em
relação aos colegas” e melhor “gestão do te mpo”.
376
Gráfico 3 6 – Matem ática
377
Quanto à área disciplinar de Matemática, o s resultados d o primeiro período
concentram -se no nível Não Satisfaz, sobretudo na s categorias que se referem ao
“Saber Ser” e “Sab er Estar”. A nív e l do “Saber Fazer”, os it e ns nos q u ais se
verificaram maior compro metimento são “aquisição de conceitos”, “com preensão
dos ensinamentos” e “acompanhamento de u m a linha de raciocínio”.
O segundo período decorreu de forma favorável ao alun o, ten do obtido a
ponderação Satis fa z Minima mente a quase todos os itens avali ados. O alu no
ainda revela dificuldades em “acompanhar uma linha d e raciocínio”, nã o efetua a
“apresentação e organização do material essencial”, não “contribui para as
atividades da au la” e continua a revelar dificuldades n a “aceitação e cumprim ento
de sugestões /críticas”.
O desempenho académico d o jov e m m elhorou de form a relativamente
satisfatória, no terceiro p eríodo, embora apresente, a inda, dificuldades na
“interpretação de d ados simples” e na “aquisição de conceit os”. A “a ssidu ida de” e
a “pontualidade” que foram consideradas Satisfaz.
378
Gráfico 3 7 – C iências d a Nature za
379
No que concerne à d isciplina de Ciências da Natu reza, a lguns dos pa râmetros
avaliados, no p rimeiro período, são negativos – Não Satisfaz – , tais como uma
deficiente “aquisição de conceito s”, m á “com preensão dos ensinamentos”,
dificuldade no “acompanhamento de uma linha d e raciocí n io”, diminuta
“interpretação de e sq u emas/dados experimentais” e deficiente “utili zação de
livros, registos, sistematizações, f ichas de ap oio”. O pa râmetro “ utilização de
instrumentos de medição ” foi avaliado co m o Satisfaz Minimamente.
Relativamente ao “Saber Ser” e “Saber Estar”, o aluno Não Satis fa z.
No se gundo período, o jovem continua a man ifestar dificuldades ace ntuadas a
nív e l da “ inte rpretação de esquemas/dados e xperime ntais ”,
Verificou-se uma mel horia evidente nos parâmetros “c uriosidade e desejo de
saber”, “r espeito pelos compromissos na realização d a s tarefas/responsabilidade”,
“r ealizaçã o dos trab alhos de casa”, “a presentação e organização do ma terial
essencial”, “regularidade/pe rsistência no estudo/tare f as propostas”,
“maturidade/concentração n as tare fas propostas”, “i nteresse/a tenç ão”,
“contribuição para as a tividades da aula/colaboração” e “Pontuali d ade” de Não
Satisfaz para Satisfaz Minimamente.
Atesta -s e , na avaliação fina l de terceiro período, que persistem, ainda, áreas
frágeis , nomeadamente, a “compre e nsão dos e n sinamentos”, o
“acompanhamento de uma linha de raciocínio”, a “interpretação d e
esquemas/dados experimentais”, a “aquisição de bases n ec essárias à
compreensão de matérias lecionadas”, a “compreensão do f uncionamento básico
da líng u a portuguesa”, o “interesse/a tenção” e a “contribuição para as atividades
da aula/colaboração”.
As restantes categorias são sa tisfatórias, registando -se uma evolução positiva do
aluno.
380
Gráfico 3 8 – Educação Visual
381
Relativamente à disciplina de Educação Visual, as categorias avaliadas são, na
sua maioria, não satisfatórias, contrastand o com pouca s av a liadas , a nível d o
“Saber Fazer”, “Saber Ser” e “Sa ber Estar”, com a notação Satisfaz Minimamente ,
“compreensão e co m unicação d e imag ens visuais” e “co m preensão do
funcionamento básico da língua portuguesa”..
Aferimos que, n o segundo período, o educando progrediu favoravelmente,
embora indicie dificuldades a nível d a “u tiliz a ção correta de materiais e técnicas,
na “produção de rotinas” , continua a r evelar dificuldade na “r ealização dos
trabalhos de casa”, manifesta f raca “ace itação e cu m primento de
sugestões/críticas” e “dificuldade na “gestão d o tempo na realiz açã o das tarefas”.
No terceiro perí odo , em bora t e nha rev e lado uma melhoria n as área s atrás
referidas, é, contudo, ainda delicada. A e stas acresce uma osc ilante “execução de
operações té cnicas com preo cupação de rigor, econ omia, eficácia e hig ien e”,
pouca perseverança n o “respeito pe los co mpromissos na realização da s
tarefas/responsabilidade”, irregular “contribuição para a s atividades da
aula/colaboração”, “gestão do tem po na realização d as tarefas” e “au tonomia e
confiança em si próprio” inconsistentes. T odos os outros parâmetros f ora m
avaliados de forma positiv a.
382
Gráfico 3 9 – Educação T ecnológica
389
D ISCU SSÃ O DOS R ESU LT A DOS
Iniciamos a d iscussão d os resu ltados do nosso estudo pelo co nhecimento que os
professores, que co nstituem o conselho de turma da no ssa amostra e m estudo ,
revelam ter relativamente à PHDA.
Depois de analisarmos os resu ltados obtidos, verificamos que os d ocentes
referem t er pouco conhecimento relat ivamente à PHDA e o que t êm, receber am -
no através da participação em conferências o u de leituras realiz adas.
Relativamente às caraterísticas que f azem suspeitar de P HDA, a ma is apontada
foi a hiperatividade, s eguida do défice de atenção. A i m pulsividade f oi a menos
assinalada.
Quanto à prevalência, a grande parte dos professores inquiridos responderam”ser
igualm ente comum n os rapa zes e nas rapa rigas”. Segundo referên cias
bibliográficas, con f irma-se que a PHDA é mais f requente em rapa zes do que em
raparigas. O registo mais f requente ap ontado é de seis rapazes para uma
rapariga (Barkley, 2 006), apesar de muito s est udos epidemiológicos apontarem
uma relação de 3/1. (Barkley, 2006) Os participantes rev elam algum
desconhecimento neste domínio.
No que concerne às ca usas do aparecimento d a PHDA, a ma iori a dos
participantes identificaram, em primeiro lug a r, os “fatores ge néticos/estilos
parentais ”, seguido s dos “fa tores biológicos”, d emonstrando a lgum co nhecimento
sobre este aspeto.
Os p rofessores inquiridos conside r a m que o diagnóstico de ve ser fe ito pelo
psicólogo. A análise de PHDA fe ito por um especialista é f undamental, pa ra se
determinar, intervir e ev itar o agravamento da perturbação.
Quanto às f ormas de interv e nção, o grupo d e professores q u e acompanha o
nosso aluno considera que a “ m edicação” e, logo de seguida, a “colaboração
390
pais- escola” são as fo rmas de interv e nção mais eficazes para a criança co m
PHDA. Os prof essores reconhecem a im portância da med icação na melhori a d a
atenção, da agitação e do autocontrolo. Há, ainda, uma outra valorização dos
professores relat ivamente à co l aboração entre a escola e a família, pois esta
cooperação resulta importante para a resolução dos problemas das criança s co m
PHDA.
Sobre a atitude a tomar pelo professor quando tem uma cr iança com PHDA na
sala de aula, o grupo d e p rofessores inquirido co nsidera p rioritári o “encaminhar
para um té cnico especializado” . Desta f orma, os prof essores atribuem muita
importância à intervenção de um técnico especializ ad o no apoio a estas crianças.
Quanto às estratégias de int ervenção, as m ais ref eridas pelos participantes foram
“supervisão do trabalho” , seguida de “dar ao a luno informação suficiente em
relação ao trabalho qu e executa”. Também consideraram que a “organização da
sala de aula” pode ser um elemento contr olad or da agitação e fomentador d a
concentração. Parece-nos q u e os doc e ntes revelaram ter uma atitu de men os
positiva nesta questão. Assim, mostraram não ser sensíveis à s cara terísticas dos
portadores desta problemática, nem semp re optando pelas estratégias mais
eficazes e menos d iscr im inativas . Neste sentido, v erif ica-se a necessidade de
formação dos profes sores sobre a PHDA, nã o só para que ficassem m ais
documentados sobre a problemática e a e ntendessem melhor, como também,
fornecer-lhes técnicas de atuação com um aluno que a mani f esta.
A literatura, de uma maneira geral, aponta que existe uma f alta de conhecimento
dos professores sobre a PHDA, ten do sido esta , identificada co mo um dos
maiores obstáculos para respon d er à s necessidades de crianças com PHDA.
(Shapiro & DuPaul, 1993, cit. Sciutto et al. 20 00)
Relativamente às escalas a plicadas, quer a pais, quer a professo res, registou -se
que ambos f izeram leituras e análises bastante similares, em itens sem elhantes ,
ou seja, que avaliam padrõe s comport a mentais análogos .
A pontuação nas duas e scalas me lhorou após a introdução da m edicação com
MFD. Os resultad os ob tidos p ermitem, quer ao s p ais, quer aos professo res
391
verificarem melho ria clínica e com portamental da criança com PHDA . Os
comportamentos pontuados, antes e após a a dministração de MFD, são de f ácil
identificação, nomead amente o déf ice de atenção, a hiperatividade/impulsividade
e os traço s co mportamentais, apesar d o alun o ter sido observado em doi s
ambientes (casa/esc o la) e do is momentos diferentes. Desta fo rma, os
instrumentos a plicados p ermitiram registar os progressos do jovem após o
tratamento.
A n ív el acad émico, o aluno também registou um a progressão. P or um lado, com a
introdução da terapêutica, ficou mais d isponív el para as aprendizagens, p or outro,
o facto de os p rofessores d esenvolv erem estratégias m ais concertadas e d irig ida s
para a sua problemática, contribuíram para e fe tivar as aprendizagens do mesmo.
I MPLICA ÇÕES
A p rimeira implicação imediata desta pesquisa será a possível contribuição para
uma melhoria das criança s e jovens com P HDA, n ão só académic a mas també m
social. Pretend emos, assim, contribuir para a boa evolução da sua autoestima, e
que estes homens do amanhã sejam se r es plenos n o v e rdadeiro sentido d a
pal avra.
Analisando os resultados obtidos à luz da literatura da especiali da de, o nosso
estudo esp elha o que te m sido dito sobre a melhoria do MFD na população com
PHDA, bem como a melhoria da qualidade de v ida proporcionada.
392
C ONCLU S Ã O
Quando pensamos em criança hiperactiva, surge - no s a ideia de um “fura cão” com
figura humana . A PHDA afe ta maioritariamente o s ind iví du os na inf ância,
caraterizados po r estarem e m movimento constante, sempre à espreita do pe rigo,
sem a c o nsciência do mesmo , por f alarem e agirem s e m p e nsar, por estarem
constantemente aéreos e por não aprenderem.
A PHDA é uma patologia de prevalência elevada n o desenvolv imen to neurológico
da criança. Do ponto d e vista profissional origina um elevado número de consulta s
médicas. De f acto, a PHD A rep resenta uma das principa is causas que lev a muita s
crianças e adolescentes às consultas de Pediatria do Desenv olvimento.
Não existe um marcador biológico, que permita efetuar o d iagnóstico com
exatidão. Chega-se a este, através do cump rimento de critérios diagnósticos
clínicos esp ecíficos nas crianças que a presentam alguma suspeita de sere m
portadoras desta perturbação.
Presentemente, a PHD A é uma perturbação cu jo nív el de conhecimento é
bastante elevado, uma vez que uma grand e quan tidade de i nvestigadores, em
diversas área s, se têm dedicado a d escrev e r, e xplicar e trata r este f enómeno
clínico com plexo. (Barkley, 2006) Com início na infância perdurando até à idade
adulta, esta perturbação apresenta um a grande quantidade d e d eficiências
neuropsicológicas, especialmente nos lobos parietal e f rontal , co nd uzindo a um
grande número de p roblemas associados, entre os quais maior comorbi li dade de
problemas de aprendizagem e de prob lemas de comportamento.
A PHDA surge muito cedo na vida da criança e persiste ao longo de todo o ciclo
vital, nã o obstante o diferente padrão de expressão que esta perturbação assume
nas vári as etapas de desenvolvimento. Sab e ndo que a PHDA tem imp licações a
nív e l e scolar/profissional, social e familiar, qua nto ma is precoce f or o diagnó stico
e mais cedo se implementar um plano terapêutico ad equado, mais facilmente s e
393
poderão atenuar os efeitos adversos das referidas consequências e minim izar o
impacto dos défices que carateriz a m esta problemática.
Existe a ne cessidade de intervir jun to de sta s crianças, com v ista à sua inclusão
escolar e sucesso académico. Neste sentid o , o papel do professor a ssume real
importância, já que é este um dos principa is ato res que te rá de gerir to das as
situações que su rjam com estas crianças, den tro da sala de aula. Mais se
acrescenta que há ev idências que provam a existência d e uma r elação e ntre o
conhecimento que o professo r tem sobre a PHDA e a a titude que ma nifesta fa ce
às crianças com esta perturbação.
O insu cesso verificado co m estas crianças não está só relacionado com as
caraterísticas e comportamentos decorrentes da perturbação, m as com uma
ligação estreita entre os comportamentos referidos e determi n ados f atores
presentes na s salas de aula. Es tes vão influenciar d iretamente o sucesso destas
crianças e e stão relacionados com o grau de dif iculdade das tarefas, com o tempo
de duração das m esmas, com os materiais utilizados, com a motivação pa ra as
tarefas e com o desafio que cada uma apres enta.
Sabemos que o professor desempenh a um papel im portante na intervenção com
crianças com PHDA, já que é no conte xto esco la on de as crian ças pa ssam a
maior parte do d ia e , no caso pa rticular de crianças com PHD A, aquele que
acarreta m ais dificuldade de ajustamento. Desta f orma, o professor é o agente
educativo me lhor colocado pa r a a valiar as situações problemáticas que surgem
em contex to escolar. Através do conjunto de p rofessores que constituem o
conselho de turma do no sso sujeito, vamos perceber os conhecimentos que tê m
sobre a P HDA, como a percecionam e como reagem qua ndo têm alunos com esta
problemática na sua sala de aula.
Estas crianças, pelas ca raterísticas inerentes à perturbação, v ã o acumulando
fracassos escolares durante a sua vida académica. Assim, existe uma disparidade
entre aquilo que elas sabem comparativ am ente aos elementos do seu
grupo/turma. Por muitos esforços que elas desenvolvam, há se mpre lacu nas que
necessitam, impreterivelmente, d e ser pree nch idas. Neste sentid o , é, também,
394
imperioso sensibilizar os professores para as d ificuldades escolares e s ociais que
estas crianças têm de enfrentar diariamente. Neste sentido, a f ormação de
professores deve englobar os seguintes pressupostos: preperar o professo r com
conhecimentos de base em pírica so bre a PHDA; estabelecer, a través de sta base,
uma ponte motiv a dora de alterações nas su as atitudes e práti ca pedagógica
perante crianças com esta perturbação.
Assim, consideramos que todos os professores d evem entender a fo rmação como
um processo permanente e contínuo. É muito importante que todos o s docentes
se manten h am a tu alizados (através de formação) relat ivament e à PHDA , para
que, também, mais facilmente consigam fazer o despiste da mesma e, sempr e
que necessário, adoptem e stratégias diversificadas, de modo a favorecer a
aprendizagem destas crianças.
Por co nseguinte, sugerimos que, desde o p r im eiro dia d e a ulas com a tu rma, o
professor esteja atento às caracterí stica s dos seus alunos.
Gostaríamos, ainda, de referir que é extremamente importante que todos o s
técnicos que trab a lham com a c rian ça com PHDA, o façam em equipa e se
esforcem por encontrar estraté gias ad equadas para envolv er as f am ílias. Só um
trabalho em parceria, com to dos os que rodeiam a criança poderá ajudá -la a
ultrapassar as suas dificuldades.
O jovem, alvo do n osso estudo , exibe manifestações da PHDA: perturbação da
atenção ou desatenção, impulsividade hiperatividade.
De acordo com o exposto na revisão da literatura, a intervenção terapêutica tem
por objetiv o o desenvolvimento de u m adequado equilíbri o e mocional e, também ,
a otimização do desempenho académico e o cupacional . E mbora as
manifestações de desatenção e d e impulsividade se reduzam, geralmente, com o
te mpo, o sentimento de ba ixa auto estima po de rá a grav a r-se, como resultado da
reação negativa dos companheiros, dos pais e dos professores, entre outros.
Se a criança P HDA for med icada, conseguirá o bter melhores resultados nas suas
aprendizagens, u ma vez que a m edicação a ajuda a c on trolar a sua ativ ida de
395
motora excessiva, f avorecendo a su a adaptação às re alida des do me io que a
cerca.
O o bjetiv o do tratamento consiste na d imin u ição da frequência e da intensidade
dos sintomas e fa cilitar estratégias para o seu controlo, u ma vez que nã o existe
cura para a referida perturbação.
No caso particular do aluno em questão, para q ue possa experimentar o sucesso
aos níveis social e escolar será extremamente importante ter condutas mais
assertivas, devido ao aumento da capacidade de atenção, d iminuição da
impulsividade e controlo da agitação excessiv a . Uma vez que se reduza a
impulsividade, o aluno f icará meno s exposto a con dutas que o levam ao f racasso.
A d iminuição destas situações contribui para que desenvolva uma n ova imagem
de si mesmo, como alguém capaz de realiz a r coisas acertadas.
Sabendo que a PHDA é uma perturbação cuja exp ressão clínica se
consubstancia em alterações a nív el d o comportamento, especificamente,
desatenção, hiperativ i dade e impulsividade, a nalisamos as respostas fornecidas
nas escalas e questionários preenchidos pelos pais e professores, ace rca do
comportamento, para uma caraterização mais pormenorizada do sujeito em
estudo, nos dois contex tos principais (casa e escola).
Na medida em que o tratamento específico melhora a sua conduta, este pode
tornar-se responsá vel pe lo seu comportamento. Com o aume nto da atenção, não
necessita d e e star constantemente sob vigil â ncia parental. Desta f orma, o
tratamento adequado permite -lhe aumentar a sua autonomi a .
A n ossa ambição, com a aplicação deste proje to , resultou com a nossa criança.
Esperamos que n ão f iq u e estigmatizada pe los co mportamentos e fraca ssos que
tem vindo so m ando. Desta form a, a m edicação surtiu efeito na nossa cria n ça,
ficou mais calma e ma is predisposta a a pren der, as suas di f iculdades fora m ,
razoavelmente, superadas.
396
Parece-nos que a realiz a ção deste estudo motiv ou em alguns docentes da Escola
alvo do estudo mudanças de atitudes em rel a ção às crianças com PHDA, melhor
aceitação, mais compreensão e, t a mbém, pesq u isa e reflexão sobre o tema.
Este tema tem, ainda, muito para explorar. No entanto , temos consciência que
este estudo constitui, apenas, um pequeno co ntributo para lidar com p ortadores
desta problemática. Para nós fo i um grande prazer realizar este trabalho, porque
sabemos que irá contribu ir para que as criança s com PHDA sejam melhor ace ites
e compreendidas.
397
R EFERÊNCIA S B I BLIOGRÁFICAS
398
R EFERÊNCIAS B IBLIOGR ÁFICAS
Abad -Mas, L.; Ruiz-Andrés, R.; Moreno-Madrid, F.; Sirena -Conca, M.A.;
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490
F ICHA DE P ROGRESSÃO DO A LUNO
( VALIDADA POR N ÓS NO ANO LET I VO 2003/2004 NA E SCOLA E. B . 2 ,3 R OQUE G AME IRO , NA A MADOR A )
N OME ____________________ _________ ________ ________ __ N º ____ A NO ____ T URMA ____
R ELATÓRIO I NDI VIDUAL DE A VALIAÇÃO D ATA ____ / ____ / ____
Á REA C URRICUL AR : E DUCA ÇÃ O T ECNOLÓG IC A
NS
SM
S
B
MB
1. C OMPREENSÃO E COMUNI CAÇÃO DE IM AGENS VISUAIS .
2. U TILIZAÇÃO DE VOCABULÁR IO ESPECÍFICO .
3. E X ECUÇÃO DE OPER AÇÕES TÉCNICAS COM PREOCU PAÇÃO DE RIG OR , ECONOMI A , EFICÁCIA E HIG IENE .
4. U TILIZAÇÃO COR RETA D E M ATE R IAIS E TÉCN ICAS .
5. U TILIZAÇÃO DE INSTRUMEN TOS DE MED IÇÃO .
6. C OORDENAÇÃO DE MOVIM ENTOS .
7. P RODUÇ ÃO DE ROTINAS .
8. C OMPREENSÃO D E CONCE ITOS .
9. C OMPREENSÃO DO FUNCION AMENTO BÁSICO DA L ÍNGUA P OR TUGUESA .
10. C URIOSIDADE E DESEJO D E SABER .
11. R ESPEITO PELO S COMPR OMISSOS NA R EALIZAÇÃO DAS TAR EFAS / RESPON SABILIDAD E
12. R EALIZAÇÃO DOS TRABALHOS DE CASA .
13. A PRESENTAÇÃO E ORGANIZAÇ ÃO DO MAT ERIAL ESSENC IAL .
14. R EGULARIDAD E / P ERSISTÊNCIA NO ESTUDO / TAREF AS PROPO STAS .
15. M ATURIDADE / CONC ENTRAÇÃO N AS TAREFAS PRO POSTAS .
16. I NTERESSE / ATENÇ ÃO .
17. C ONTRIBUIÇÃO P ARA AS ATIVID ADES DA AUL A / COLA BORAÇÃO .
18. A CEITAÇÃO E CU MPRIMEN TO DE SUGES TÕES / CRÍTICAS .
19. I NTEGRAÇÃO N O GRUPO / TUR MA .
20. A SSIDUIDADE .
21. P ONTUALIDADE .
22. R ESPEITO EM R ELAÇÃO AOS COL EGAS / PROF ESSORES / COMUN IDADE ESCOLAR .
23. G ESTÃO DO T EMPO NA REALIZ AÇÃO DAS T AREFAS .
24. A UTONOM IA E CONF IANÇA EM SI PRÓPRIO .
N OMENCLAT URA : NS – N ÃO S ATISFAZ SM – S AT ISFAZ M INIMA MENTE S – S ATISFAZ B – B O M MB – M UITO B OM
491
F ICHA DE P ROGRESSÃO DO A LUNO
( VALIDADA POR N ÓS N O ANO LE T IVO 2003/20 04 NA E S COLA E. B . 2,3 R OQUE G A MEIRO , NA A MADORA )
N OME ____________________ _________ ________ ________ __ N º ____ A NO ____ T URMA ____
R ELATÓRIO I NDI VIDUAL DE A VALIAÇÃO D ATA ____ / ____ / ____
Á REA C URRICUL AR : E DUCA ÇÃ O M USICA L
NS
SM
S
B
MB
1. C OMPREENSÃO E COMUNI CAÇÃO DE IM AGE NS MU SICAIS .
2. U TILIZAÇÃO DE VOCABULÁR IO ESPECÍFICO .
3. U TILIZAÇÃO COR RETA DE INSTRUM ENTOS E TÉCNICA S .
4. C OMPREENSÃO DO S CONC EITOS MUSICA IS .
5. R ECONHECIMEN TO AUDITI VO .
6. R EALIZAÇÃO M USICAL .
7. E QUILÍBRIO E COORDENAÇÃO D E MOVIM ENTOS .
8. P RODUÇ ÃO DE ROTINAS .
9. C OMPREENSÃO D E CONCE ITOS .
10. C OMPREENSÃO DO FUNCI ONAMENTO BÁSICO DA L ÍNGU A P ORTUGUESA .
11. C URIOSIDADE E DESEJO D E SABER .
12. R ESPEITO PELO S COMPR OMISSOS NA REALI ZAÇÃO DAS TAREFAS / RESPON SABILIDAD E
13. R EALIZAÇÃO DOS TRABALHOS DE CASA .
14. A PRESENTAÇÃO E ORGANIZAÇ ÃO DO MAT ERIAL ESSENC IAL .
15. R EGULARIDAD E / P ERSISTÊNCIA NO ESTUDO / TAREF AS PROPO STAS .
16. M ATURIDADE / CONC ENTRAÇÃO N AS TAREFAS PRO POSTAS .
17. I NTERESSE / ATENÇ ÃO .
18. C ONTRIBUIÇÃO P ARA AS ATIVID ADES DA AUL A / COLA BORAÇÃO .
19. A CEITAÇÃO E CU MPRIMEN TO DE SUGES TÕES / CRÍTICAS .
20. I NTEGRAÇÃO N O GRUPO / TUR MA .
21. A SSIDUIDADE .
22. P ONTUALIDADE .
23. R ESPEITO EM R ELAÇÃO AOS COL EGAS / PROF ESSORES / COMUN IDADE ESCOLAR .
24. G ESTÃO DO T EMPO NA REALIZ AÇÃO DAS T AREFAS .
25. A UTONOM IA E CONF IANÇA EM SI PRÓPRIO .
N OMENCLAT URA : NS – N ÃO S ATISFAZ SM – S AT ISFAZ M INIMA MENTE S – S ATISFAZ B – B O M MB – M UITO B OM
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F ICHA DE P ROGRESSÃO DO A LUNO
( VALIDADA POR N ÓS N O ANO LE T IVO 2003/20 04 NA E S COLA E. B . 2,3 R OQUE G A MEIRO , NA A MADORA )
N OME ____________________ _________ ________ ________ __ N º ____ A NO ____ T URMA ____
R ELATÓRIO I NDI VIDUAL DE A VALIAÇÃO D ATA ____ / ____ / ____
Á REA C URRICUL AR : E DUCA ÇÃ O F ÍSIC A
NS
SM
S
B
M B
1. U TILIZAÇÃO DE VOCABULÁR IO ESPECÍFICO .
2. U TILIZAÇÃO COR RETA DE M ATERIAIS E TÉ CN ICAS .
3. U TILIZAÇÃO DE INSTRUMEN TOS DE MED IÇÃO .
4. E QUILÍBRIO E COORDENAÇÃO D E MOVIM ENTOS .
5. P RODUÇ ÃO DE ROTINAS .
6. C OMPREENSÃO D E CONCE ITOS .
7. C OMPREENSÃO DO FUNCION AMENTO BÁSICO DA L ÍNGUA P OR TUGUESA .
8. C URIOSIDADE E DESEJO DE S ABER .
9. R ESPEITO PELO S COMPROM ISSOS NA REALI ZAÇÃO DAS TAREFAS / R ESPONSABILID ADE
10. R EALIZAÇÃO DOS TRABALHOS DE CASA .
11. A PRESENTAÇÃO E ORGANIZAÇ ÃO DO MAT ERI AL ESS ENCIAL .
12. R EGULARIDAD E / P ERSISTÊNCIA NO ESTUDO / TAREF AS PROPO STAS .
13. M ATURIDADE / CONC ENTRAÇÃO N AS TAREFAS PRO POSTAS .
14. I NTERESSE / ATENÇ ÃO .
15. C ONTRIBUIÇÃO P ARA AS ATIVID ADES DA AUL A / COLA BORAÇÃO .
16. A CEITAÇÃO E CU MPRIMEN TO DE SUGES TÕES / CRÍTICAS .
17. I NTEGRAÇÃO N O GRUPO / TUR MA .
18. A SSIDUIDADE .
19. P ONTUALIDADE .
20. R ESPEITO EM R ELAÇÃO AOS COL EGAS / PROF ESSORES / COMUN IDADE ESCOLAR .
21. G ESTÃO DO T EMPO NA REALIZ AÇÃO DAS T AREF AS .
22. A UTONOM IA E CONF IANÇA EM SI PRÓPRIO .
N OMENCLAT URA : NS – N ÃO S ATISFAZ SM – S ATISFAZ M INIMAME NTE S – S AT ISFAZ B – B OM MB – M UITO B OM
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A NEXO XIII – R ELA TÓ RIO M ÉD ICO DO A LUNO
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