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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Ana Alexandra Pinto Torres Determinantes da intenção de compra de Tiny Houses: Uma análise baseada na Teoria do Comportamento Planeado e no efeito das Emoções Antecipadas julho de 2024 Determinantes da intenção de compra de Tiny Houses: Uma análise baseada na Teoria do Comportamento Planeado e no efeito das Emoções Antecipadas Ana Alexandra Pinto Torres UMinho | 2024
Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Ana Alexandra Pinto Torres Determinantes da intenção de compra de Tiny Houses: Uma análise baseada na Teoria do Comportamento Planeado e no efeito das Emoções Antecipadas Dissertação de Mestrado Mestrado em Gestão e Negócios Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Olga Filipa Andrade Brites Pereira E coorientação do Professor Doutor António Joaquim Araújo de Azevedo julho de 2024
i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
ii AGRADECIMENTOS Gostaria de começar por gradecer à minha orientadora, Professora Doutora Olga Pereira, pela disponibilidade constante, pelo conhecimento partilhado e, sobretudo, por acreditar sempre nas minhas capacidades. Agradeço também ao Professor Doutor António Azevedo pela coorientação desta dissertação. O maior dos agradecimentos vai para os meus pais, pelo apoio e amor incondicional, e por todas as oportunidades que me proporcionaram. À minha mãe, Paula, que é o meu maior exemplo, agradeço pelo incentivo, pela constante compreensão e apoio em todas as minhas decisões. Ao meu pai, Agostinho, agradeço por todas as gargalhadas e momentos felizes, que tornaram esta jornada mais leve. À minha irmã, Francisca, que é a minha maior sorte na vida, agradeço por todo o carinho e pelas palavras de conforto e coragem nos momentos em que mais precisei. Ao Miguel, que é a minha outra metade e parceiro de vida, agradeço pela companhia constante, pelo amor, por me encorajar a nunca desistir e a seguir sempre os meus sonhos, e por me apoiar tanto nos bons como nos maus momentos. À Bruna, companheira nesta aventura e na vida, expresso um agradecimento especial por todos os momentos que partilhámos e pela sua ajuda incansável. Sinto-me uma sortuda por ter uma amiga tão dedicada e especial ao meu lado ao longo de toda a vida. Aos meus amigos, em especial à Inês, à Maria, à Mariana, à Sofia, ao Nuno e ao Rui, que são a minha fonte de energia, motivação e apoio incondicional. Cada um representa uma parte de mim, e esta caminhada teria sido impossível sem o apoio e a amizade deles. Obrigada por estarem sempre ao meu lado e por tornarem a minha vida mais bonita. Aos meus familiares pelo carinho, apoio e confiança depositados em mim. À memória da minha avó Emília. E por fim, ao meu avô Mário, por ser o meu maior exemplo de superação e vitória. A minha resiliência é reflexo do que estas pessoas especiais me transmitem. Elas são uma fonte constante de inspiração e lembram-me todos os dias que, com determinação, todos os obstáculos podem ser superados.
iii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
iv DETERMINANTES DA INTENÇÃO DE COMPRA DE TINY HOUSES : UMA ANÁLISE BASEADA NA TEORIA DO COMPORTAMENTO PLANEADO E NO EFEITO DAS EMOÇÕES ANTECIPADAS RESUMO Nos últimos anos, as Tiny Houses emergiram como uma alternativa habitacional cada vez mais popular em países como os Estados Unidos, destacando-se pelo menor impacto ambiental, mobilidade e liberdade financeira que proporcionam aos proprietários. As Tiny Houses são casas compactas e podem ser fixas ou móveis, e são projetadas para simplificar a vida e reduzir o consumo excessivo. Existe uma lacuna significativa relacionada com o estudo das intenções de compra dos consumidores pelas Tiny Houses . Até ao momento, a literatura existente concentrouse principalmente em compreender os motivos subjacentes à adoção das Tiny Houses , através de estudos qualitativos. Partindo do pressuposto de que as Tiny Houses podem representar uma alternativa sustentável ao modelo de habitação convencional, e considerando a crescente relevância da sustentabilidade ambiental no mercado imobiliário, o presente estudo centra-se na necessidade de compreender os fatores que influenciam a intenção de compra das Tiny Houses . O objetivo principal deste estudo empírico tem por base a extensão do modelo tradicional da Teoria do Comportamento Planeado, incluindo a dimensão das Preocupações Ambientais. Além da dimensão racional, foram testados os efeitos moderadores das Emoções Antecipadas Positivas e Emoções Antecipadas Negativas relativamente às Tiny Houses . De forma a testar o modelo, utilizou-se uma estratégia quantitativa. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online desenvolvido com escalas testadas na literatura, tendo sida obtida uma amostra de 403 indivíduos. Os resultados da análise de equações estruturais indicaram que a atitude e o controlo comportamental percebido influenciam positivamente a intenção de compra de Tiny Houses . Por outro lado, as emoções antecipadas positivas reduzem a influência das normas subjetivas, enquanto as emoções antecipadas negativas intensificam a influência das atitudes e do controlo comportamental percebido na intenção de compra destas alternativas habitacionais. Palavras-chave: Intenção de Compra do Consumidor; Moderação; Sustentabilidade; Teoria do Comportamento Planeado; Tiny Houses .
v DETERMINANTS OF PURCHASE INTENTION FOR TINY HOUSES: AN ANALYSIS BASED ON THE THEORY OF PLANNED BEHAVIOR AND THE EFFECT OF ANTICIPATED EMOTIONS ABSTRACT In recent years, Tiny Houses have emerged as an increasingly popular housing alternative in countries such as the United States, standing out for the lower environmental impact, mobility, and financial freedom they provide to owners. Tiny Houses are compact dwellings that can be either fixed or mobile, designed to simplify life and reduce excessive consumption. There is a significant gap in the study of consumer purchase intentions for Tiny Houses. So far, existing literature has mainly focused on the understanding of the underlying reasons for the adopting of Tiny Houses through qualitative studies. Assuming that Tiny Houses can represent a sustainable alternative to the conventional housing model and considering the growing relevance of environmental sustainability in the real estate market, this study focuses on understanding the factors influencing the intention to purchase Tiny Houses. The main objective of this empirical study is based on extending the traditional Theory of Planned Behavior model by including the dimension of Environmental Concerns. Besides the rational dimension, the moderating effects of Positive Anticipated Emotions and Negative Anticipated Emotions regarding Tiny Houses were tested. To test the model, a quantitative strategy was used. Data collection was conducted through an online questionnaire developed with scales tested in the literature, obtaining a sample of 403 individuals. The results of the structural equation modeling indicated that attitude and perceived behavioral control positively influence the intention to purchase Tiny Houses. On the other hand, positive anticipated emotions reduce the influence of subjective norms, while negative anticipated emotions intensify the influence of attitudes and perceived behavioral control on the intention to purchase these alternative dwellings. Keywords: Consumer Purchase Intention; Moderation; Sustainability; Theory of Planned Behavior; Tiny Houses.
vi ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ................................................................................................................... ii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ............................................................................................... iii RESUMO .................................................................................................................................. iv ABSTRACT ................................................................................................................................ v ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................................ ix ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................................. x LISTA DE SIGLAS ...................................................................................................................... xi 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1 1.1 Enquadramento e justificação do tema ..................................................................... 1 1.2 Problema e objetivos de investigação ......................................................................... 3 1.3 Estrutura da dissertação ............................................................................................ 5 2. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................................. 6 2.1 Sustentabilidade ambiental ........................................................................................ 6 2.1.1 Sustentabilidade no setor imobiliário: Construção sustentável ............................. 8 2.3 Tiny Houses ............................................................................................................ 10 2.3.1 História e conceito ........................................................................................... 10 2.3.2 Sustentabilidade e eficiência energética das Tiny Houses ................................. 13 2.3.3 Desafios e barreiras na implementação das Tiny Houses .................................. 14 2.3.4 Motivações do consumidor para a escolha de Tiny Houses ............................... 16 2.4 Teoria do Comportamento Planeado ........................................................................ 18 3. CONSTRUÇÃO DO MODELO CONCETUAL ....................................................................... 21 3.1 Modelo TCP no contexto das Tiny Houses ..................................................................... 21 3.2 Extensão da Teoria do Comportamento Planeado .......................................................... 24 3.3 Modelo concetual e hipóteses ....................................................................................... 28 4. METODOLOGIA ............................................................................................................... 30
2 energética e a redução da pegada de carbono, utilizando materiais naturais, reutilizados ou reciclados (Mutter, 2013; Pflaumer, 2015). As Tiny Houses podem ser construídas sobre uma fundação permanente ou sobre uma base móvel, a segunda opção denominada de Tiny Houses sobre rodas (THOW), permitem liberdade de mobilidade e tornaram-se sinônimo do próprio movimento das Tiny Houses (Evans, 2019). Este movimento promove a filosofia de que "o pequeno é bonito, o pequeno é mais sustentável e o pequeno é um caminho para uma maior acessibilidade" (Shearer & Burton, 2019, p.2). Muitos associam este estilo de vida ao minimalismo, uma vez que procura confrontar o consumismo moderno e tornar os proprietários mais conscientes dos efeitos ambientais das suas escolhas de consumo (Boeckermann et al., 2019; Carlin, 2014; Vasseur et al., 2022). O crescimento das casas nos Estados Unidos nos últimos anos é um excelente exemplo da explosão do consumismo, uma vez que, segundo Carlin (2014) o tamanho da casa é frequentemente associado a riqueza e a um certo estatuto social. No estudo de Shearer e Burton (2019), verificou-se que na Austrália e nos EUA, entre 1950 e 2011 o espaço médio por pessoa nas habitações quadruplicou. A viabilidade das Tiny Houses como uma solução de habitação sustentável é reforçada pela sua capacidade de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida, em comparação com as casas tradicionais (Crawford & Stephan, 2020). Além disso, a adoção de práticas de vida autossuficiente, como o uso de energias renováveis e a compostagem, contribui para a sustentabilidade ambiental e a promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (Pflaumer, 2015; Crawford & Stephan, 2020). Até 2019, registou-se na América do Norte um número crescente de empresas especializadas na construção de Tiny Houses (Zhang et al., 2022). Contudo, a pandemia Covid-19 provocou um impacto negativo de aproximadamente 40% na intenção de morar numa Tiny House , embora tenha havido uma influência positiva para quem já se interessava por estas casas (Vasseur et al., 2022). Os analistas previam que, no período de 2018 a 2022, o mercado global das Tiny Houses crescesse a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 7% (Carras, 2019). Relativamente ao período de 2023 a 2028, prevê-se que o mercado aumente em 4,82 mil milhões de dólares, com um crescimento anual médio de 5,37% (Research and Markets, 2024). Os dados sugerem que o mercado global das Tiny Houses estava em expansão significativa entre 2018 e 2022 e embora o crescimento esperado para o período de 2023 a 2028 seja inferior, ainda indica um aumento substancial. Estes dados refletem um interesse contínuo e uma aceitação crescente das Tiny Houses , apesar de um ligeiro abrandamento na taxa de crescimento.
3 No entanto, a implementação das Tiny Houses enfrenta desafios legais e sociais, como a disponibilidade de terrenos e o reconhecimento legal destas habitações (Ford & Gomez-Lanier, 2017; Lima, 2020). Para que estas casas sejam amplamente aceites e adotadas, é necessário ultrapassar estas barreiras e promover uma mudança cultural em relação às soluções de habitação sustentável, como sugerido por Brown (2016). Esta mudança envolve não apenas a revisão de políticas de zonamento, mas também a sensibilização da população para os benefícios das Tiny Houses . Apesar de receberem muitos elogios também são alvo de críticas, sobretudo nas pesquisas académicas e nos media. As críticas vão desde acusações de greenwashing até à romantização de um estilo de vida que, na prática, pode não ser tão viável ou agradável (Brown, 2016). Estas críticas por sua vez, podem indicar que a vida em espaços reduzidos pode ser desafiadora e que a adaptação a um estilo de vida minimalista não é adequada para todos. No entanto, é importante destacar que estas casas têm feito sucesso, sobretudo nas redes sociais devido à sua construção incomum e aparência apelativa (Shearer & Burton, 2019). Neste contexto, o principal objetivo desta investigação é compreender os fatores comportamentais e ambientais que influenciam a intenção do consumidor de comprar Tiny Houses . Este estudo preenche algumas lacunas na literatura, uma vez que todas as pesquisas encontradas sobre a temática se concentram em contextos internacionais, não tendo sido identificadas investigações relativas às Tiny Houses no mercado português. Além disso, a literatura existente focou-se principalmente em compreender os motivos subjacentes à adoção das Tiny Houses através de estudos qualitativos. Com este estudo também se pretende analisar a moderação das emoções antecipadas na relação direta entre as variáveis comportamentais e a intenção de compra. Assim, aborda-se uma lacuna observada na Teoria do Comportamento Planeado, que utiliza uma estrutura de ator racional e ignora o papel das emoções na influência do comportamento humano (Ajzen, 2011). 1.2 Problema e objetivos de investigação Esta investigação pretende avaliar a intenção de compra dos consumidores em adquirir uma Tiny House através de fatores comportamentais e ambientais. Adicionalmente, será, ainda, investigado o efeito moderador das emoções antecipadas positivas e emoções antecipadas negativas na relação entre as variáveis comportamentais e a intenção de compra. Partiu-se da seguinte questão de investigação: “Quais os fatores que influenciam a intenção dos consumidores de comprarem uma Tiny House ?”.
4 O problema de investigação, divide-se nos seguintes objetivos gerais que orientam a abordagem do estudo: 1) Compreender como a Teoria do Comportamento Planeado (TCP) é relevante para entender o comportamento de compra de Tiny Houses . 2) Perceber de que forma a extensão da Teoria do Comportamento Planeado contribui para a compreensão do comportamento de compra de Tiny Houses . De maneira mais detalhada, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: a) Analisar como os construtos atitude, normas subjetivas e controlo comportamental percebido influenciam a intenção de compra de Tiny Houses . b) Investigar o papel da preocupação ambiental na intenção de compra de Tiny Houses . c) Avaliar como as emoções antecipadas positivas e negativas moderam as relações entre as variáveis comportamentais e a intenção de compra. Neste sentido, tendo em consideração a natureza do problema e os objetivos de investigação, conduziu-se uma metodologia de natureza quantitativa. A pesquisa inicia com uma revisão de literatura, na qual foram abordados os tópicos mais relevantes para o tema. Posteriormente, foi realizado um estudo quantitativo, com a finalidade de avaliar os fatores influenciadores da intenção dos consumidores comprarem Tiny Houses , utilizando como instrumento de medida o questionário baseado em escalas testadas na literatura. Através do método de equações estruturais foi possível avaliar o modelo proposto e testar as hipóteses, que foram formuladas com base numa extensão da Teoria do Comportamento Planeado. Espera-se que os resultados do estudo contribuam significativamente para o desenvolvimento da literatura académica atual sobre Tiny Houses , explorando os fatores que influenciam a intenção de compra e o papel moderador das emoções antecipadas. Além disso, a investigação permite refinar e expandir a Teoria do Comportamento Planeado, ajustando-a para explicar melhor o comportamento de compra em contextos específicos, como o das Tiny Houses . Os resultados também fornecerão informações úteis para as empresas do setor, especialmente no desenvolvimento de campanhas de marketing mais eficazes.
5 1.3 Estrutura da dissertação A presente dissertação encontra-se organizada em seis capítulos. No primeiro capítulo, é apresentado o enquadramento e justificação do tema, o problema e os objetivos da investigação, bem como a estrutura do trabalho. O segundo capítulo é dedicado à revisão da literatura, onde é abordado o tema da sustentabilidade ambiental, da construção sustentável, o conceito e as características das Tiny Houses e a teoria utilizada no estudo. No terceiro capítulo são explicados, do ponto de vista teórico, os construtos que fazem parte da presente investigação, são apresentadas as hipóteses que derivam da exposição teórica e o modelo concetual da investigação. No quarto capítulo, é descrita a metodologia de pesquisa, incluindo o paradigma de investigação, o desenho de pesquisa, os métodos e procedimentos de recolha e análise de dados e as questões éticas e de qualidade da investigação. O quinto capítulo apresenta a análise dos dados obtidos, com uma descrição detalhada dos resultados encontrados. Primeiramente, é realizada uma análise descritiva dos dados e, de seguida, uma análise de equações estruturais, que permite testar as hipóteses de investigação. Por fim, no último capítulo, são discutidas as principais descobertas do estudo, bem como as implicações práticas, limitações e sugestões para pesquisas futuras.
6 2. REVISÃO DE LITERATURA Este capítulo visa contextualizar a investigação atual através de uma revisão critica da literatura relevante sobre sustentabilidade e Tiny Houses . Inicialmente, será feita uma análise do conceito de sustentabilidade ambiental, explorando a sua aplicação no setor imobiliário através da construção sustentável. Segue-se a abordagem do conceito de Tiny Houses , incluindo a sua história e definição, bem como a relação entre estas casas compactas e a sustentabilidade ambiental. Posteriormente, serão analisadas as principais barreiras identificadas na literatura e o comportamento do consumidor em relação às Tiny Houses . Por fim, é descrita a Teoria do Comportamento Planeado, teoria utilizada na presente investigação. 2.1 Sustentabilidade ambiental As alterações climáticas representam uma ameaça crescente para a biodiversidade e os ecossistemas, causadas pelas emissões de gases de efeito estufa provenientes dos sistemas naturais e atividades humanas (Fawzy et al., 2020; Weiskopf et al. 2020). Estas alterações, por sua vez, impactam serviços essenciais fornecidos pela natureza, afetando diretamente o bem-estar humano (Weiskopf et al., 2020). Este cenário tem levado a um aumento da preocupação e consciencialização das comunidades para lidar com estes desafios. De acordo com, Weiskopf et al. (2020) é necessário adotar abordagens flexíveis e proativas que considerem os potenciais impactos das alterações climáticas. Isto remete a uma necessidade de encontrar soluções em prol da sustentabilidade ambiental, enfatizando a relevância deste tema na atualidade. A sustentabilidade ambiental é um conceito que tem ganho relevância e se desenvolvido ao longo das últimas décadas. Embora o termo "sustentabilidade" tenha sido utilizado de forma mais ampla no final do século XX, o seu crescimento e importância começaram na década de 1970, com a Conferência de Estocolmo realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), conforme apontado por Purvis (2019). Este crescimento foi comparado a uma bola de neve, sugerindo uma expansão contínua e crescente do interesse e da relevância do conceito. O conceito e a compreensão em relação à sustentabilidade evoluíram significativamente desde a publicação do relatório " Our Common Future " em 1987, conhecido como o relatório de Brundtland (Morelli, 2011). Segundo Morelli (2011), a publicação deste relatório pela Comissão Mundial das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento marcou uma mudança significativa na maneira como o crescimento económico e a sustentabilidade ambiental eram vistos. O relatório apelou
7 para uma nova era de crescimento económico que fosse vigorosa, socialmente inclusiva e ambientalmente sustentável (Purvis et al., 2019). Esta renovação do paradigma consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável, definindo-o como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades (Morelli, 2011; Purvis et al., 2019). Morelli (2011) ainda enfatiza o termo como uma condição de equilíbrio, resiliência e interconexão que permite à sociedade humana satisfazer as suas necessidades, sem ultrapassar a capacidade dos ecossistemas de se regenerarem. A definição de Morelli (2011) sublinha a importância de não comprometer a diversidade biológica através das ações humanas, assegurando que os ecossistemas possam continuar a fornecer os serviços necessários para sustentar a vida. O desenvolvimento sustentável tornou-se o paradigma dominante do movimento ambientalista, e a literatura sobre o assunto cresceu exponencialmente (Purvis et al., 2019). Contudo, Morelli (2011) aponta que, apesar do crescimento e popularidade do termo, há um uso frequente e abusivo do conceito de sustentabilidade, muitas vezes dissociado do seu contexto ambiental original. As definições de sustentabilidade têm evoluído à medida que diferentes profissões tentam adaptá-las às suas áreas de atuação (Morelli, 2011), o que pode levar a uma diluição do conceito original e das suas implicações práticas. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas, representam um marco global para abordar desafios socioambientais urgentes até 2030 (ODS, 2022). Sendo fundamentais para orientar políticas e práticas que promovam a sustentabilidade em diversas áreas, desde a erradicação da pobreza até à proteção da biodiversidade e a mitigação das alterações climáticas (ODS, 2022). A sustentabilidade ambiental é um campo dinâmico e em constante evolução, impulsionado pela necessidade de equilibrar as necessidades humanas com a capacidade dos ecossistemas de sustentar essas necessidades. O desenvolvimento sustentável, conforme articulado no Relatório Brundtland, continua a ser um guia fundamental, embora a interpretação e aplicação do conceito devam ser cuidadosas para evitar a sua desvirtuação e assegurar que a integridade ecológica seja mantida para as gerações futuras. A literatura destaca a importância de uma abordagem holística e integrada para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos, especialmente face às alterações climáticas e às suas vastas implicações para a biodiversidade e o bem-estar humano.
8 2.1.1 Sustentabilidade no setor imobiliário: Construção sustentável As crescentes preocupações globais com o ambiente têm levado as empresas a adotar comportamentos mais responsáveis. No setor imobiliário, tem-se verificado uma maior aplicação de práticas, como a construção sustentável, com o objetivo de atingir metas de sustentabilidade (Zhou & Lowe, 2003). É visível que a indústria imobiliária tem um grande impacto no ambiente, sendo responsável por mais de 40% do consumo de energia e 36% das emissões de dióxido de carbono na União Europeia (Riva, 2022). Apesar das melhorias significativas na eficiência energética das habitações, o setor imobiliário continua a contribuir de forma substancial e crescente para as emissões globais de gases com efeito de estufa (Crawford & Stephan, 2020). E segundo Crawford & Stephan (2020) este problema é agravado pelo aumento da população e dos padrões de vida, pela procura de casas maiores e pela diminuição do tamanho médio dos agregados familiares. No passado, os principais impulsionadores na gestão da construção eram a redução de custos, a eficiência operacional, a qualidade e a rentabilidade. No entanto, ao longo dos anos essa situação tem-se invertido, com uma maior preocupação por parte dos proprietários e gestores em relação ao impacto ambiental e social dos projetos de construção (Udomsap & Hallinger, 2020). Winston (2009) afirma que uma regeneração urbana com habitações sustentáveis pode contribuir substancialmente para o desenvolvimento sustentável das áreas urbanas. O termo “construção sustentável” foi originalmente proposto para descrever a responsabilidade da indústria da construção em alcançar a sustentabilidade, e em 1994, Kibert definiu construção sustentável como “a criação e gestão responsável de um ambiente construído saudável baseado em princípios ecológicos e de eficiência de recursos” (Baloi, 2003; Udomsap & Hallinger, 2020; Zhou & Lowe, 2003). O autor acaba por estender a definição incluindo os seis princípios fundamentais da construção sustentável: i) Minimização do consumo de recursos; ii) Maximização da reutilização de recursos; iii) Utilização de recursos renováveis e recicláveis; iv) Proteção do ambiente natural; v) Criação de um ambiente saudável e não tóxico; vi) E a criação de qualidade em ambientes construídos (Baloi, 2003; Zhou & Lowe, 2003). Baseado nesses mesmos princípios, em 1998, o Conselho Internacional de Investigação e Inovação na Construção publicou uma agenda global para a construção sustentável, conhecida como Agenda 21 (Baloi, 2003; Zhou & Lowe, 2003), estabelecendo como o conceito de desenvolvimento sustentável é relacionado e aplicado especificamente ao setor da construção (Zhou & Lowe, 2003). Segundo Baloi (2003), “a Agenda 21 oferece alternativas para combater a degradação da terra, da água, do ar, bem como para
9 preservar a diversidade da flora e da fauna” (p.290) e desde a sua implementação todos os sectores económicos e sociais, incluindo as indústrias, têm feito esforços para implementar e promover a sustentabilidade nos seus contextos específicos (Baloi, 2003). A construção sustentável é um conceito multidimensional, baseado no desempenho de uma construção ao nível das três dimensões do desenvolvimento sustentável, ou seja, o ambiente, a sociedade e a economia (Mateus, 2019). Estas três dimensões estão fortemente interligadas com a indústria da construção. Os sistemas de certificação LEED ( Leadership in Energy and Environmental Design ) e BREEAM ( Building Research Establishment Environmental Assessment Method ) são métodos amplamente reconhecidos e aceites em todo o mundo para medir e certificar o nível de sustentabilidade ambiental e eficiência energética de edifícios (Rezaallah et al., 2012). O LEED, desenvolvido pelo U.S. Green Building Council no final da década de 1990, utiliza dez sistemas de avaliação com 43 critérios distribuídos por sete categorias principais, geridos pelo Green Building Certification Institute (Rezaallah et al., 2012). O BREEAM, criado em 1990 pela Building Research Establishment no Reino Unido, avalia edifícios com base em 76 critérios distribuídos por dez categorias (Rezaallah et al., 2012). Embora ambos promovam práticas sustentáveis, diferem nas suas origens, processos de certificação e critérios específicos, ajustando-se às necessidades regionais e de mercado. Em Portugal, foram registados em 2021, 65 edifícios com certificação BREEAM e 41 edifícios com certificado LEED (CRUZFER, 2021). Um estudo desenvolvido por Hu et al. (2014) demonstrou que o status socioeconómico dos compradores de imóveis influencia significativamente a sua disposição a pagar por construções ambientalmente mais sustentáveis. O estudo revelou que apenas compradores com uma situação financeira estável estão dispostos a investir em apartamentos ecológicos para melhorar o seu conforto de vida. Complementando esta descoberta, a investigação de Riva (2022) apresentou três outras hipóteses: primeiro, que pessoas mais velhas têm maior predisposição para pagar mais por casas sustentáveis; segundo, que indivíduos com maior sensibilidade às questões ambientais são mais propensos a investir em habitações ecológicas; e, por último, que aqueles que já possuem uma habitação sustentável estão mais inclinados a pagar mais por novas construções sustentáveis.
10 2.3 Tiny Houses Após um enquadramento geral sobre a sustentabilidade ambiental e, mais concretamente, a construção sustentável, esta secção pretende explorar as Tiny Houses como um exemplo prático e inovador de habitação sustentável. Inicialmente, será abordada a história e o conceito das Tiny Houses , destacando a sua evolução desde as primeiras manifestações até à popularidade atual como uma alternativa viável de habitação minimalista. Em seguida, será discutida a sustentabilidade das Tiny Houses , analisando como estas pequenas habitações promovem práticas ambientais mais conscientes, desde o uso eficiente de recursos até a redução da pegada de carbono. Além disso, serão exploradas as principais barreiras enfrentadas por aqueles que decidem viver numa Tiny Houses , bem como as razões motivacionais por detrás dessa escolha, examinando os benefícios pessoais, financeiros e ambientais que estas casas oferecem. 2.3.1 História e conceito Frank Lloyd Wright, autor do livro “The Natural House” de 1950, foi um dos pioneiros na arquitetura e construção de Tiny Houses , e a partir das suas ideias, surgiu no final da década de 1980 o movimento moderno das Tiny Houses , que começou a ganhar destaque no início do século XXI (Carlin, 2014). A popularidade das Tiny Houses é discutida no livro lançado em 1998, intitulado por “ The Not So Big House ” e escrito pela arquiteta americana Sarah Susanka, onde sugere o início do movimento das Tiny Houses (Carlin, 2014; Zhang et al., 2022). Segundo Ford e Gomez‐ Lanier (2017) este movimento é impulsionado por um interesse em simplificar e reduzir, que remonta ao romantismo do século XIX de Thoreau e Emerson, além disso, é influenciado pelo princípio minimalista do século XX: "menos é mais”. Nos Estados unidos, a tendência para casas mais pequenas começou mais cedo, na década de 1850, como uma “resposta contracultural ao consumismo ostensivo, uma procura por "liberdade" e individualismo, e um desejo de viver de forma mais simples” (Shearer & Burton, 2019, p.300). Em 2007 e 2008, a crise no mercado imobiliário nos EUA, fez com que muitos proprietários perdessem as suas casas após a impossibilidade de pagar hipotecas muito elevadas, isto fez com que reconsiderassem a sua situação habitacional e optassem por escolher casas com dimensões mais reduzidas (Carlin, 2014), sustentáveis e com preços mais acessíveis, como as Tiny Houses (Zhang et al., 2022). Shearer (2018) preconiza que, desde 2015, se verifica um crescimento
11 significativo pelo interesse no movimento das Tiny Houses , sugerindo que existem cada vez mais pessoas a viver nestas casas e mais construtores a construí-las e a especializarem-se nesta área. O conceito de Tiny House tem ao longo dos anos aperfeiçoado as suas características, e embora este movimento venha a crescer constantemente a literatura em torno deste assunto ainda é muito limitada (Mutter, 2013). Saxton (2019) retrata esta tipologia de habitação como “um espaço pequeno e eficiente […] que muitas vezes permite que os proprietários adotem um estilo de vida ambientalmente mais consciente, financeiramente estável e minimalista” (p.17), e defende ainda que estas casas se estão a desenvolver como uma solução potencialmente viável para reduzir o desperdício de materiais de construção e o consumo excessivo na indústria residencial. Contudo, ainda não existe uma definição de Tiny House universalmente aceite, a maioria da literatura em torno deste tema define-as como casas compactas com menos de 37 m², normalmente com a estrutura de madeira ou feitas através de containers , e que podem ser construídas sobre uma fundação permanente ou sobre uma base móvel (Saxton, 2019; Shearer & Burton, 2019; Zhang et al., 2022). As definições baseadas no design incluem que estas casas são construídas individualmente, destacando que não são apenas pré-fabricadas e montadas e que existem diversos estilos diferentes à escolha (Shearer & Burton, 2019). Apesar do espaço habitacional reduzido, as Tiny Houses geralmente contêm todas as características de uma casa tradicional, o que inclui, uma área de estar, uma área de dormir, uma cozinha e uma casa de banho (Turner, 2017; Vasseur et al., 2022). Normalmente, são mais adequadas para viver sozinho ou em casal, no entanto também existem pessoas que vivem com crianças (Pflaumer, 2015). De acordo com Shearer (2018), os grupos que demonstram maior interesse pelas Tiny Houses são as mulheres solteiras com mais de 50 anos e os casais jovens na faixa dos 20 anos. Relativamente à sua aquisição e fabrico, por norma são construídas por indivíduos habilidosos ou compradas a uma empresa especializada neste tipo de construção, e o preço pode variar muito dependendo de quem a constrói e das comodidades que a casa oferece (Turner, 2017). As Tiny Houses sobre rodas, em inglês, Tiny Houses on wheels (THOW) , são habitações que têm o carácter e a funcionalidade de uma casa permanente, mas são construídas sobre uma base de reboque com rodas (Brokenshire, 2018). Geralmente, as TROW têm uma área menor que as Tiny Houses permanentes, situando-se em torno dos 20 m², sem contar com lofts e decks (Shearer & Burton, 2019). De acordo com uma pesquisa realizada em 2017 por Shearer e Burton na Austrália, aproximadamente 79% das Tiny Houses apresentavam a possibilidade de serem realocadas, e somente 20% estavam instaladas permanentemente (Shearer & Burton, 2019). No
18 Tabela 1 - Principais contributos e descobertas Autor(es) Principais contributos e descobertas Mangold e Zschau (2019) Os consumidores procuram novas formas de viver, motivados por desejos como um estilo de vida simples, sustentável, liberdade financeira e mobilidade. A maioria das pessoas não adota o estilo de vida das Tiny Houses intencionalmente, mas descobre-o por acaso, como resultado de uma busca pela felicidade pessoal e saúde mental. Carlin (2014) O downsizing oferece benefícios como poupança de dinheiro e tempo. As economias resultantes podem ser usadas para viagens, pagamento de dívidas ou poupança para a reforma, promovendo estabilidade financeira. Menos responsabilidades de manutenção resultam em mais tempo livre. Carras (2019) Casas de pequenas dimensões trazem vantagens financeiras, ambientais e comunitárias. Boeckermann et al. (2019) Para mais de metade da população, os principais motivos para escolher Tiny Houses são os custos reduzidos, maior liberdade e o minimalismo. Vasseur et al. (2022) Identificou como motivos para escolher Tiny Houses : sustentabilidade, redução de custos, liberdade, minimalismo, mobilidade e senso de comunidade. Mutter (2013) Entrevistas identificaram os motivos para viver em Tiny Houses : estilo de vida simples, sustentabilidade, redução de custos, liberdade e mobilidade, sensação de comunidade e o design e envolvimento na construção das casas. As Tiny Houses são mais baratas de construir e manter. E a propriedade pode ocorrer em um ano. Jebbink (2019) Os residentes das Tiny Houses têm razões motivacionais intrínsecas (flexibilidade, curiosidade, admiração pelo processo de construção, aquisição de novas habilidades) e extrínsecas (comunidade e cooperação). 2.4 Teoria do Comportamento Planeado A Teoria do Comportamento Planeado (TCP), proposta por Icek Ajzen (1985), é uma extensão da Teoria da Ação Racional (TAR) de Fishbein e Ajzen (1975). A TAR prevê que a intenção comportamental é uma função de dois determinantes, um de natureza pessoal (atitude em relação ao comportamento) e outro que reflete a influência social (norma subjetiva) (Ajzen, 1985). A TCP surge como resposta às limitações na abordagem de comportamentos sobre os quais as pessoas têm um controlo volitivo incompleto (Ajzen, 1991). Considerando que segundo Ajzen (2002), a TAR pressupõe que a maior parte do comportamento social humano está sob o controlo volitivo e, portanto, só pode ser previsto a partir das intenções. Neste seguimento, foi acrescentado o
19 construto do controlo comportamental percebido de forma a lidar com situações em que as pessoas podem não ter controlo volitivo completo sobre o comportamento de interesse (Ajzen, 2002). Embora a TAR previsse adequadamente comportamentos simples, a mera intenção demonstrou-se não ser suficiente em circunstâncias em que havia restrições à ação. Sendo assim, a inclusão do controlo comportamental percebido revela as limitações percebidas pelo ator, explicando o porquê das intenções nem sempre predizerem o comportamento (Armitage & Conner, 2001). Esta nova variável, afeta tanto as intenções comportamentais quanto os comportamentos reais (Yarimoglu & Gunay, 2020). A TCP emergiu e tornou-se uma das estruturas conceituais mais influentes e populares para o estudo da ação humana (Ajzen, 2002). De acordo com Ajzen (2011), a TCP pressupõe que deveríamos ser capazes de prever o desempenho de um comportamento a partir das intenções em realizá-lo e do controlo comportamental percebido, assumindo que a intenção de um indivíduo em realizar determinado comportamento é influenciada pela atitude, pela norma subjetiva e pelo controlo comportamental percebido (Ajzen, 2002, 2011). Estes construtos por sua vez são resultado de crenças que o indivíduo possuí, ou seja, a TCP considera que o comportamento humano é direcionado por três tipos de crenças: crenças comportamentais, crenças normativas e crenças de controlo (Ajzen, 2002; Armitage & Conner, 2001), como evidenciado na figura 1. Estas crenças refletem a estrutura cognitiva subjacente, e cada uma destas crenças liga um determinado comportamento a um determinado resultado, ou a algum outro atributo, como o custo incorrido na execução do comportamento (Armitage & Conner, 2001). Figura 1 - Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen, 1985)
20 Tal como na TAR, um fator central na TCP é a intenção do indivíduo de realizar um determinado comportamento. As intenções comportamentais refletem os fatores motivacionais que influenciam um comportamento, indicando o nível de empenho e o esforço planeado para o executar (Ajzen, 1991). Teoricamente, quanto mais forte for a atitude face ao comportamento, a norma subjetiva e o controlo comportamental percebido, mais forte tende a ser a intenção da pessoa em realizar o comportamento. Consequentemente, as intenções juntamente com o controlo comportamental percebido, desempenham um papel significativo na variação do comportamento, posto isto, quanto mais forte estes forem, maior será a probabilidade de sucesso na sua realização (Ajzen, 1991). A forte relação entre as intenções e o comportamento é observada quando são medidos no mesmo nível de especificidade em relação à ação, alvo, contexto e período de tempo, e quando o intervalo temporal é curto o suficiente para garantir a estabilidade das intenções (Conner & Armitage, 1998). Salientando, que as decisões comportamentais são tomadas mediante uma ponderação cuidadosa das informações disponíveis, porque tanto a TAR como a TCP podem ser vistos como modelos de processamento deliberativo (Conner & Armitage, 1998). A TCP apresenta uma estrutura flexível que se adapta a uma variedade de comportamentos (Miller, 2017). Teve origem na psicologia, e atualmente é aplicada às mais diversas áreas do conhecimento, tornando-se uma das teorias mais relevantes para a previsão de comportamentos sociais e de saúde (Rivis et al., 2009). Tem sido amplamente utilizada em estudos redirecionados à predição de intenções em diferentes cenários e circunstâncias, como por exemplo, o uso de produtos verdes (Hsu et al., 2017; Paul et al., 2016; Yadav & Pathak, 2016; Yadav & Pathak, 2017). A TCP aprimora a capacidade do modelo de prever a intenção de compra destes produtos (Paul et al., 2016), ou seja, ao aplicar esta teoria é possível ter uma compreensão mais precisa e confiável da intenção de compra quando se trata de produtos ecologicamente sustentáveis. Relativamente ao tema desta investigação, no estudo de Vasseur et al. (2022), é possível identificar que a Teoria do Comportamento Planeado provou ter uma estrutura teórica sólida para a análise da adoção de Tiny Houses na Alemanha, aplicando-a de forma a explorar os fatores demográficos e socioeconómicos, os motivos e as barreiras existentes à habitação em Tiny Houses . Diante do exposto, a TCP e os construtos que a compõe, constituem a estrutura teórica adequada para estudar as intenções de compra dos consumidores relativamente a Tiny Houses .
21 3. CONSTRUÇÃO DO MODELO CONCETUAL Neste capítulo é apresentado o modelo para a compreensão da intenção de compra de Tiny Houses desenvolvido como fundamento para a investigação, baseado na revisão da literatura e adaptado para abordar o problema e objetivos definidos, tendo em consideração o contexto em que a investigação é realizada. 3.1 Modelo TCP no contexto das Tiny Houses A Teoria do Comportamento Planeado postula três construtos que ajudam a compreender a formação da intenção de realizar uma determinada ação, como a intenção de compra. Estes determinantes são a atitude em relação ao comportamento, as normas subjetivas e o controlo comportamental percebido, considerados variáveis independentes do modelo. Assim, serão detalhados os construtos que serão estudados no contexto das intenções de compra, especificamente no que diz respeito à aquisição de Tiny Houses . Atitude O primeiro construto a ser descrito é a atitude em relação ao comportamento, que se refere ao grau em que uma pessoa têm uma avaliação ou apreciação favorável ou desfavorável quando realiza um determinado comportamento (Ajzen, 1991). Entendendo-se como a emoção psicológica que resulta das avaliações dos consumidores, quando esta é positiva, as intenções comportamentais tendem a ser mais fortes, ou seja, maior é a probabilidade de realizar um determinado comportamento (Paul et al., 2016). Este construto é influenciado por crenças comportamentais, que são crenças sobre as prováveis consequências ou outros atributos do comportamento (Ajzen, 2002), estes atributos por sua vez são automaticamente avaliados de forma positiva ou negativa, o que permite ao indivíduo ter instantaneamente uma atitude em relação a esse comportamento (Ajzen, 1991). Especificamente, o valor subjetivo de um determinado resultado afeta a atitude em proporção direta à força da crença (Armitage & Conner, 2001). Diversos estudos tem demonstrado um efeito positivo das atitudes nas intenções comportamentais nos mais variados contextos, como em relação a hotéis verdes (Ferreira et al., 2023; Han et al., 2010), veículos elétricos (Yeğin & Ikram, 2022), produtos verdes (Yadav & Pathak, 2017) e alimentos orgânicos (Ferreira & Pereira, 2023; Yadav & Pathak, 2016). No estudo de Paul et al. (2016), esta variável foi considerada a mais influente entre as três variáveis da TCP
22 para explicar a intenção dos consumidores indianos de comprar produtos verdes. Em relação à intenção de compra de casas sustentáveis a atitude é destacada como um preditor relevante (Judge et al., 2019). No âmbito de compra de Tiny Houses , Vasseur et al. (2022), observaram um resultado positivo e estatisticamente significativo em relação às três variáveis propostas da atitude em relação ao comportamento. Tendo em consideração o que foi apresentado previamente, descrito pela literatura, e considerando a aplicação da TCP, a primeira hipótese foi formulada da seguinte forma: H1: A Atitude do consumidor em relação à compra de Tiny Houses influencia positivamente a sua intenção de comprar uma Tiny House. Normas subjetivas O segundo construto é a norma subjetiva, um fator social que se retrata como a pressão social percebida para realizar ou não determinado comportamento (Ajzen, 1991), ou seja, se um indivíduo perceber que as pessoas que considera mais importantes apoiam o comportamento, é provável que a sua intenção de o realizar aumente, e vice-versa (Armitage & Conner, 2001). As crenças normativas são a base da norma subjetiva e preocupam-se com a probabilidade de indivíduos ou grupos de referência importantes aprovarem ou desaprovarem a execução de um determinado comportamento. E é normalmente obtida, pedindo para que o entrevistado avalie até que ponto os indivíduos que considera mais importantes aprovariam ou não a realização do comportamento em questão (Ajzen, 1991). No que diz respeito aos comportamentos pró-ambientais, diversas pesquisas constataram que indivíduos influentes têm a capacidade de promover práticas sustentáveis (Alam et al., 2020; Canova et al., 2023; Maichum et al., 2016), evidenciando as normas subjetivas como um elemento crucial para compreender o processo da tomada de decisão (Ajzen, 1991). De acordo com o estudo de Kim et al. (2013), os resultados indicam que as normas subjetivas foram preditor mais influente das intenções de optar por um restaurante ecologicamente correto. Além disso, Judge et al. (2019) também concluem que o construto mais forte nas intenções de compra de uma habitação sustentável são as normas subjetivas, uma vez que, como refere o autor, “comprar uma casa envolve muitas vezes ter em consideração as opiniões de outras pessoas, e a habitação carrega um elevado grau de simbolismo de identidade” (p.265). Apoiando a hipótese de que este deverá ser um forte preditor para o modelo concetual desta investigação, posto isto, foi formulada a segunda hipótese:
23 H2: As Normas Subjetivas influenciam positivamente a intenção do consumidor de comprar uma Tiny House. Controlo comportamental percebido O controlo comportamental percebido (CCP) foi entendido como um elemento crucial a acrescentar à TAR, desempenhando um papel importante na Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen, 1991). É o terceiro e último antecedente da intenção, e define-se como a perceção que um indivíduo tem sobre a facilidade ou dificuldade de realizar um comportamento e supõe-se que reflete experiências passadas, impedimentos e obstáculos previstos (Ajzen, 1991). Abrange fatores de controlo interno, como emoções, e fatores de controlo externo, como oportunidades e ameaças no mercado (Conner & Armitage, 1998; Yarimoglu, & Gunay, 2020). Deriva de crenças de controlo, em que quanto mais recursos e oportunidades os indivíduos acreditam possuir, e quanto menos obstáculos ou impedimentos anteciparem, maior deverá ser o controlo percebido sobre o comportamento (Ajzen, 1991). Segundo Ajzen (2002), o CCP pode ser dividido em dois processos de controlo: a autoeficácia percebida, relacionada com a facilidade ou dificuldade na execução de um comportamento, isto é, a confiança nas suas capacidades em realizá-lo; e pela controlabilidade, que se refere a crenças sobre em que medida a execução do comportamento está sob o controlo da pessoa. O CCP é considerado sinónimo de autoeficácia (Ajzen, 1991), no entanto, de acordo com Miller (2017), há autores que refutam essa ideia, havendo pesquisas que sugerem que a autoeficácia é que exerce um impacto direto nos comportamentos, e não o controlo comportamental percebido. Este construto apresenta em diversos estudos uma relação positiva com o consumo sustentável em múltiplos contextos, como intenções de compra: de produtos verdes (Paul et al., 2016), de habitações sustentáveis (Judge et al., 2019) e veículos elétricos (Yeğin & Ikram, 2022); e intenções comportamentais ambientais responsáveis (Wang et al., 2018a, 2018b). O controlo comportamental percebido também apresentou um efeito significativo e positivo na intenção de mudança para uma Tiny House (Vasseur et al., 2022). Uma maior perceção do controlo comportamental deveria estar associada a vínculos mais fortes entre intenção e comportamento (Ajzen, 2001). Conner e Armitage (1998) sugerem que mantendo as intenções constantes, a probabilidade de execução do comportamento aumentará à medida que o controlo comportamental percebido aumenta.
24 Desta forma, e tendo por base os resultados identificados em estudos anteriores, a terceira hipótese foi formulada do seguinte modo: H3: O Controlo Comportamental Percebido influencia positivamente a intenção do consumidor de comprar uma Tiny House. 3.2 Extensão da Teoria do Comportamento Planeado A Teoria do Comportamento Planeado (TCP), após todo o sucesso académico visível em relação à previsão do comportamento, e apesar da popularidade, ou talvez por causa dela, como alega Ajzen (2011), tem sido alvo de muitas críticas e debates. Uma das principais limitações é o facto de o comportamento humano não ser simples, mas sim complexo (Miller, 2017). Esta limitação advém da ideia de que a teoria não considera plenamente os processos cognitivos e afetivos, conhecidos por distorcer os julgamentos e o comportamento humano (Ajzen, 2011). Existe uma perceção errada de que a teoria postula um ator racional, não afetado pelas emoções, pela identidade e por outras variáveis que influenciam o comportamento humano (Miller, 2017). Na TCP, não se pressupõe diretamente que as crenças sobre o comportamento são formadas de forma racional e imparcial, estas, por sua vez, refletem a informação que as pessoas têm sobre um comportamento, mas são frequentemente imprecisas e incompletas, podendo ser influenciadas por motivos egoístas ou emoções, resultando em representações distorcidas da realidade (Ajzen, 2011). Além de proporcionar, de forma geral, uma previsão precisa da intenção e do comportamento, conforme mencionado por Ajzen (2011), a inclusão de novas variáveis não deveria, necessariamente, aprimorar essa capacidade de previsão. Paralelamente, Conner e Armitage (1998) propuseram que os construtos contidos na teoria podem não ser suficientes para explicar completamente as intenções e ações das pessoas, ressaltando a dúvida sobre a possibilidade de adicionar um ou mais preditores. Posto isto, Ajzen (1991) refere que a TCP está “em princípio, aberta à inclusão de preditores adicionais se for possível demonstrar que capturam uma proporção significativa da variância na intenção ou comportamento após terem sido consideradas as variáveis atuais da teoria” (p.199), devendo essa adição ser feita com cautela e somente após uma cuidadosa deliberação e exploração empírica (Ajzen, 2011). Apesar das limitações, as evidências de revisões narrativas e meta-analíticas indicam a utilidade do modelo (Armitage & Conner, 2001) e diversos autores apoiam o uso da extensão da TCP para a formação da intenção, revelando aumentar o seu poder preditivo (Berki-Kiss & Menrad,
25 2022; Judge et al., 2019). O estudo de Paul et al. (2016), confirmou a eficácia do modelo estendido, afirmando ser um modelo de pesquisa útil para explicar as intenções de compra dos consumidores em relação a produtos verdes. Vasseur et al. (2022) decidiram adicionar o fator de “identidade do consumidor verde” de forma a explicar a adoção de Tiny Houses , baseando-se no estudo de Judge et al. (2019), que também acrescentou essa variável ao modelo da TCP e descobriu que se trata de um importante preditor da intenção no contexto das habitações sustentáveis. Posto isto, e conforme a revisão da literatura, foi considerada a necessidade de incorporar outras variáveis para aprofundar a compreensão da intenção de compra de Tiny House , ou seja, a inclusão de novos construtos ao modelo original pode aprimorar a capacidade explicativa das intenções comportamentais e dos padrões de compra de Tiny Houses entre os consumidores. Para ir ao encontro das sugestões apresentadas e limitações previstas pela teoria, optamos, em primeiro instaste, pela inclusão do construto preocupações ambientais. Preocupações ambientais As Tiny Houses são frequentemente associadas a uma forma sustentável de habitação, estando, por consequência, relacionadas à preocupação ambiental que é definida por Hu et al. (2010) como “o grau em que as pessoas estão conscientes dos problemas relacionados com o meio ambiente e apoiam os esforços para os resolver e ou indicam a disposição de contribuir pessoalmente para a sua solução” (p.348). O comportamento dos consumidores que optam por investir na compra de uma Tiny House , pode ser caracterizado como um comportamento próambiental (Vasseur et al., 2022), e tal como sugerido por Hu et al. (2010) foi confirmado através de vários estudos que a preocupação ambiental afeta positivamente a intenção e o comportamento pró-ambiental. As preocupações ambientais emergiram como o preditor mais significativo da intenção dos consumidores em relação a produtos verdes (Varah et al., 2021). No estudo de Mutter (2013), a autora identificou os seis principais motivos pelos quais os proprietários optam por viver numa Tiny House e se envolver no estilo de vida que estas casas proporcionam. Entre esses motivos, a sustentabilidade foi destacada por um entrevistado “como um dos principais aspetos que os proprietários de uma Tiny Home devem ter em atenção ao projetar a casa” (p.20). Com esta citação, o entrevistado enfatiza a importância de considerar a sustentabilidade desde o início do processo de planeamento e design das Tiny Houses . Carlin (2014) sugere que as Tiny Houses são uma solução eficaz para a redução das emissões de gases de efeito de estufa e Carras (2019) defende que estas casas representam uma alternativa
26 habitacional mais sustentável para o ambiente. À luz do que foi descrito, estas casas estão associadas a um impacto comprovadamente menor no ambiente em comparação com as grandes casas convencionais (Mutter, 2013), correlacionando a ideia de que a intenção de compra dos consumidores estará positivamente relacionada com as preocupações ambientais. Posto isto, a quarta hipótese foi formulada da seguinte forma: H4: A Preocupação Ambiental influencia positivamente a intenção do consumidor de comprar uma Tiny House. Como referido anteriormente, ao utilizar uma estrutura de ator racional, os investigadores tendem a ignorar o papel das emoções e outros processos afetivos na influência do comportamento humano. Posto isto, além das preocupações ambientais, foi adicionado ao modelo da TCP um construto de dimensão emocional para colmatar essa lacuna e aumentar o poder preditivo do modelo, incluindo o efeito moderador das emoções antecipadas positivas e negativas. Emoções antecipadas Berki-Kiss e Menrad (2022) descrevem as emoções como avaliações fortes que ocorrem inconscientemente e que desempenham um papel importante na formação do comportamento do consumidor, incluindo intenções relacionadas ao consumo sustentável. Martini et al. (2023) também sugerem que as emoções podem ser um impulso para a tomada de decisões e devem ser tidas em consideração em situações que envolvem um grande comprometimento, como a compra de alimentos sustentáveis. Sintetizando, as emoções têm a capacidade de explicar com maior precisão o comportamento pró-ambiental (Berki-Kiss & Menrad, 2022). Segundo Pfister e Böhm (2008) as emoções podem ser distinguidas entre emoções antecipadas e emoções imediatas, sendo que as emoções imediatas ainda podem ser classificadas em emoções incidentais e antecipatórias. Na presente investigação optámos por focar-nos apenas nas emoções antecipadas, que são crenças sobre os estados emocionais futuros que podem ocorrer quando os resultados são obtidos (Pfister & Böhm, 2008). Estas crenças baseiam-se no pensamento préfactual sobre eventos imaginários, ou seja, não precisam de ser reais, pois são previsões afetivas (Carrera et al., 2012). As emoções são naturalmente classificadas como positivas ou negativas (Pfister & Böhm, 2008), e de acordo com Bagozzi e Pieters (1998), a antecipação de benefícios psicológicos ao realizar um comportamento específico resulta em emoções antecipadas positivas. Por outro lado, a expectativa de danos psicológicos por não realizar esse comportamento contribui
27 para emoções antecipadas negativas. Estas emoções antecipadas, motivam a pessoa a agir de forma a promover a realização do objetivo e evitar o fracasso (Bagozzi & Dholakia, 2006). Muitos estudos integraram fatores emocionais à TCP, para variados produtos e questões, e foram considerados altamente relevantes para prever intenções comportamentais, ou seja, apresentaram uma influência positiva na intenção dos consumidores (Berki-Kiss & Menrad, 2022; Zhang & Wang, 2019). Em relação aos carros elétricos, as emoções demonstraram ser o preditor com maior influência na intenção do uso destes veículos (Moons & Pelsmacker, 2012, 2015). No estudo de Wang et al. (2018b) as emoções antecipadas positivas afetaram positivamente a intenção de economizar eletricidade. Moons e Pelsmacker (2012) evidenciaram a importância dos fatores emocionais no modelo da TCP, especialmente quando se refere a produtos novos de consumo duradouro e amigos do ambiente, ou seja, é possível encaixar as Tiny Houses nestes parâmetros propostos pelo autor. O estudo de Kim (2012) demonstra como os estados emocionais têm um efeito moderador significativo na relação entre a atitude e a intenção. Esta descoberta fornece suporte empírico para o uso das emoções antecipadas como moderadoras nas relações da TCP, sugerindo que emoções específicas podem alterar a força ou a direção da relação entre atitudes, normas subjetivas, controlo comportamental percebido e intenção de compra. Sendo assim, de acordo com a literatura, propôs-se as seguintes hipóteses: H5a: As Emoções Antecipadas Positivas do consumidor em relação à compra de Tiny Houses moderam a relação entre Atitude e Intenção de compra de uma Tiny House. H5b: As Emoções Antecipadas Positivas do consumidor em relação à compra de Tiny Houses moderam a relação entre Normas Subjetivas e Intenção de compra de uma Tiny House. H5c: As Emoções Antecipadas Positivas do consumidor em relação à compra de Tiny Houses moderam a relação entre Controlo Comportamental Percebido e Intenção de compra de uma Tiny House. No mesmo sentido, considerou-se o papel das emoções antecipadas negativas: H6a: As Emoções Antecipadas Negativas do consumidor em relação à não compra de Tiny Houses moderam a relação entre Atitude e Intenção de compra de uma Tiny House. H6b: As Emoções Antecipadas Negativas do consumidor em relação à não compra de Tiny Houses moderam a relação entre Normas Subjetivas e Intenção de compra de uma Tiny House.
34 4.6.1 Atitude Neste estudo, definimos a atitude como o grau em que um individuo possui uma avaliação favorável ou desfavorável ao realizar um determinado comportamento (Ajzen, 1991). Após a análise de diversos estudos que utilizaram a Teoria do Comportamento Planeado (TCP) como base teórica para explicar o comportamento do consumidor, a escala desenvolvida por Yeğin e Ikram (2022), adaptada ao contexto de veículos elétricos, foi a que melhor se adequou ao tema desta investigação. As escalas utilizadas foram, em sua maioria, adaptadas do estudo de Yeğin e Ikram (2022), uma vez que tanto os veículos elétricos quanto as Tiny Houses representam uma abordagem mais sustentável e eficiente em comparação com os seus equivalentes tradicionais. A escala utilizada manteve os mesmos cinco itens, sendo apenas adaptada para o contexto das Tiny Houses . Esses itens foram avaliados através de uma escala de Likert de cinco pontos, em que “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”. Tabela 2 - Escala adaptada do construto Atitude Escala original Escala traduzida e adaptada Purchasing electric vehicles is good. Comprar uma Tiny Houses é bom. Purchasing electric vehicles is beneficial. Comprar uma Tiny House é benéfico. Purchasing electric vehicles is worthwhile. Comprar uma Tiny House vale a pena. Purchasing electric vehicles is satisfactory. Comprar uma Tiny Houses é satisfatório. Purchasing electric vehicles is valuable. Comprar uma Tiny Houses é valioso. 4.6.2 Normas subjetivas A norma subjetiva é um fator social que representa a pressão social percebida para realizar ou não um determinado comportamento (Ajzen, 1991). Para este construto foi selecionada a escala desenvolvida por Yeğin e Ikram (2022), composta por cinco itens. Todos os itens foram avaliados por meio de uma escala de Likert de cinco pontos, em que “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”.
35 Tabela 3 - Escala adaptada do construto Normas Subjetivas Escala original Escala traduzida e adaptada If I bought a electric vehicle, most people who are important to me would agree with my decision. Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim concordaria com a minha decisão. If I bought a electric vehicle, most people who are important to me would appreciate my green purchase. Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim apreciaria a minha compra ecológica. If I bought a electric vehicle, most people who are important to me would find it as a desirable purchase. Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim considerá-lo-ia uma compra desejável. If I bought a electric vehicle, most people who are important to me would support my purchase decision. Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim apoiaria a minha decisão de compra. If I bought a electric vehicle, it would be consistent with the trend of social development. Se eu comprasse uma Tiny House , estaria de acordo com a tendência de desenvolvimento social. 4.6.3 Controlo comportamental percebido O controlo comportamental percebido é definido como a facilidade ou dificuldade percebida pelo individuo em realizar um comportamento, supondo-se que reflita experiências passadas, impedimentos e obstáculos previstos (Ajzen, 1991). Para este construto foi selecionada a escala de Yeğin e Ikram (2022), assim como os anteriores construtos constituintes da TCP. Esta escala é composta por seis itens, e optou-se por manter todos os itens, de forma a testar a escala tal como foi desenvolvida, apenas adaptando-a ao contexto das Tiny Houses . Os itens foram avaliados através de uma escala de Likert de cinco pontos, na qual “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”.
36 Tabela 4 - Escala adaptada do construto do Controlo Comportamental Percebido Escala original Escala traduzida e adaptada I believe I have the ability to purchase a electric vehicle. Acredito que tenho a capacidade de comprar uma Tiny House . If it were entirely up to me, I am confident that I will purchase a electric vehicle. Se dependesse totalmente de mim, estou confiante de que compraria uma Tiny House . I see myself as capable of purchasing a electric vehicle in the future. Vejo-me capaz de comprar uma Tiny House no futuro. I have the willingness to purchase a electric vehicle. Tenho vontade de comprar uma Tiny House . There are likely to be plenty of opportunities for me to purchase a electric vehicle. É provável que haja muitas oportunidades para eu comprar uma Tiny House . I feel that purchasing a electric vehicle is totally within my control. Acho que comprar uma Tiny House está totalmente no meu controlo. 4.6.4 Preocupações ambientais A preocupação ambiental retrata o grau em que as pessoas estão conscientes dos problemas relacionados com o meio ambiente e apoiam os esforços para resolvê-los e ou indicam a vontade de contribuir pessoalmente para a sua solução (Hu et al., 2010). Para a presente investigação a escala desenvolvida por Yeğin e Ikram (2022), composta por quatro itens, foi considerada suficiente para avaliar este construto. Os itens foram avaliados através de uma escala de Likert de cinco pontos, em que “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”. Tabela 5 - Escala adaptada do construto Preocupações Ambientais Escala original Escala traduzida e adaptada I am concerned about the environment. Estou preocupado(a) com o ambiente. The condition of the environment affects the quality of my health. As condições do ambiente afetam a qualidade da minha saúde. I am willing to make sacrifices to protect the environment. Estou disposto(a) a fazer sacrifícios para proteger o ambiente. I think individuals have a responsibility to protect the environment. Penso que os indivíduos têm a responsabilidade de proteger o ambiente. 4.6.5 Emoções antecipadas As emoções antecipadas referem-se às crenças sobre os estados emocionais futuros que podem surgir quando se alcançam determinados resultados (Pfister & Böhm, 2008). Para esta investigação, a escala mais adequada foi a de Paudel et al. (2022), pois está associada a um comportamento ambientalmente sustentável. Esta escala é composta por nove itens, dos quais
37 cinco avaliam as emoções antecipadas positivas e os restantes quatro, as emoções antecipadas negativas. Posto isto, apenas se adaptou a escala ao contexto das Tiny Houses . Todos os itens listados na tabela 6 foram avaliados através de uma escala de Likert de cinco pontos, em que “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”. Tabela 6 - Escalas adaptadas dos construtos Emoções Antecipadas Positivas e Negativas Escala original Escala traduzida e adaptada Emoções Antecipadas Positivas If I succeed in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel proud. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentirme-ei orgulhoso(a). If I succeed in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel happy. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentirme-ei feliz. If I succeed in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel satisfied. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentirme-ei satisfeito(a). If I succeed in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel glad. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentirme-ei contente. If I succeed in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel excited. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentirme-ei entusiasmado(a). Emoções Antecipadas Negativas If I fail in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel worried. Se não conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei preocupado(a). If I fail in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel disappointed. Se não conseguir comprar uma Tiny House sentir-me-ei desapontado(a). If I fail in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel angry. Se não conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei zangado(a). If I fail in achieving my goal (going for environmentally friendly trekking), I will feel unsatisfied. Se não conseguir comprar uma Tiny House sentir-me-ei insatisfeito(a). 4.6.6 Intenção de compra A intenção comportamental reflete os fatores motivacionais que influenciam um comportamento, indicando o nível de empenho e o esforço planeado para a sua execução (Ajzen, 1991). Com base na literatura, foi selecionada a escala de Yeğin e Ikram (2022), que consiste em três itens e está associada à intenção de compra de um produto ambientalmente sustentável
38 (veículos elétricos). Foi feita a tradução e a adaptação necessária para o contexto da compra de Tiny Houses . Os itens foram avaliados através de uma escala de Likert de cinco pontos, em que “1=Discordo totalmente”, “3=Indiferente” e “5=Concordo totalmente”. Tabela 7 - Escala adaptada do construto Intenção de Compra Escala original Escala traduzida e adaptada When buying a vehicle in the future, I am willing to prefer an electric vehicle. Quando comprar uma casa no futuro, estou disposto(a) a optar por uma Tiny House . When buying a vehicle in the future, I am thinking of choosing an electric vehicle. Quando comprar uma casa no futuro, estou a pensar em escolher uma Tiny House . When buying a vehicle in the future, I plan to choose an electric vehicle. Quando comprar uma casa no futuro, tenciono escolher uma Tiny House . 4.7 Estrutura do questionário O questionário, apresentado no Anexo, é composto por três partes distintas. Inicialmente é feita uma breve introdução sobre o estudo, referindo o objetivo principal, uma descrição dos participantes aceites, informações relativas à confidencialidade dos dados recolhidos, participação voluntária e anónima, agradecimento e confirmação do consentimento em participar no estudo. Photo Elicitation Technique A primeira parte inicia com uma breve definição de Tiny Houses e é composta por questões relacionadas com o tema e com a residência atual do respondente. A primeira pergunta é sobre as emoções transmitidas através das fotos disponibilizadas, em concreto: “Que emoções lhe transmitem estas imagens?”. É utilizada a Photo Elicitation Technique , que é uma técnica de investigação que se baseia na simples ideia de inserir uma fotografia na entrevista de pesquisa, de forma a evocar informações, sentimentos e memórias (Harper, 2002). Esta abordagem permite relacionar as respostas a esta pergunta com os construtos das emoções antecipadas positivas e das emoções antecipadas negativas. Questões iniciais De seguida os participantes foram questionados sobre o conhecimento prévio acerca deste tipo de casas. Caso a resposta fosse afirmativa, perguntou-se se já tinham tido a oportunidade de entrar numa Tiny House . Posteriormente, foram colocadas as seguintes questões, nomeadamente, o quão confortável se sentem com a ideia de viver num espaço significativamente menor, a
39 influência do agregado familiar na disposição para considerar a compra de uma Tiny House , se possuem habitação própria e, para aqueles que ainda não têm, se pretendem ter no futuro. Para os que já possuem casa, foi questionado se esta é uma Tiny House . Por fim, aos participantes que indicaram que possuem habitação própria e que esta é uma Tiny House , foi colocada a seguinte pergunta: “Quais os motivos que o(a) levaram a morar numa Tiny House ?”, apresentando-se como opções de resposta os motivos encontrados no estudo de Mutter (2013) sobre Tiny Houses . Questões centrais A segunda parte do questionário operacionaliza as seguintes variáveis: atitude, normas subjetivas, controlo comportamental percebido, preocupações ambientais, emoções antecipadas positivas e emoções antecipadas negativas e intenção de compra em relação às Tiny Houses . Nesta parte os itens das escalas são avaliados através de escalas de Likert de cinco pontos em que 1 significa “discordo totalmente”, 3 “Indiferente” e 5 “concordo totalmente”. De acordo com o descrito na secção anterior. Questões sociodemográficas A terceira parte contém questões sociodemográficas que recolhem informações pessoais do respondente, tais como o género, a idade, o nível de escolaridade, a situação profissional e a modalidade de trabalho (caso trabalhe), o rendimento mensal líquido do agregado familiar e a dimensão do agregado familiar. Nesta secção foram utilizadas questões de escolha múltipla, à exceção da pergunta relativa à idade, que é de resposta aberta. No final do questionário foi ainda colocada uma questão dicotómica e facultativa, com o objetivo de perceber a facilidade de resposta ao questionário, os respondentes foram devidamente avisados de que esta pergunta já não interferia com as respostas anteriores. Por fim, foi novamente agradecida a participação na investigação e disponibilizado o e-mail institucional para esclarecimentos adicionais. Distribuição do questionário O questionário foi distribuído via online através do endereço eletrónico institucional diretamente para os alunos da Universidade do Minho e através das redes sociais Facebook, Instagram e Linkedin. Neste sentido, o estudo recorreu a métodos de amostragem não probabilística, por se tratar de um número muito elevado de pessoas, impossibilitando a
40 observação total da população. Foi utilizado o método de amostragem não probabilística por conveniência, que envolve a seleção aleatória de indivíduos com base na acessibilidade e disponibilidade. Mostra-se adequado ao estudo por ser uma forma rápida, fácil e económica de recolher dados, no entanto está sujeito a problemas de enviesamento, devido à inclusão de casos apenas pela sua acessibilidade (Saunders et al., 2009). Além deste método, utilizou-se a amostragem em bola de neve ( snowball ) para alcançar membros de uma população difícil de identificar, começando com contactos iniciais que identificam e recrutam novos participantes. Este processo continua até se obter uma amostra suficientemente representativa ou até que não seja mais possível identificar novos casos (Saunders et al., 2009). 4.8 Procedimentos de análise de dados Os procedimentos de análise dos dados utilizados nesta investigação podem ser divididos em três fases. Numa primeira fase, procedeu-se a uma triagem dos dados para remover questionários incompletos e garantir que se enquadravam nos requisitos definidos no estudo, nomeadamente que todas as perguntas do questionário, à exceção da última questão que era facultativa, tinham sido respondidas e que o inquirido era maior de maior. O questionário esteve disponível entre os dias 7 de fevereiro e 22 de março de 2024 e foram recolhidas 693 respostas. Após a depuração da base de dados, a amostra final representou cerca de 58,2% da amostra inicial, resultando em 403 respostas válidas. Não se verificou a presença de missing values na base de dados, uma vez que o software Qualtrics possibilita “forçar a resposta”. Numa segunda fase, recorreu-se ao software estatístico IBM SPSS Statistics . Inicialmente, os dados recolhidos foram avaliados em termos da normalidade de distribuição, multicolinearidade e outliers. De seguida, procedeu-se à caracterização do perfil da amostra tendo em conta as variáveis sociodemográficas e o comportamento dos inquiridos em relação às Tiny Houses , analisando-se os construtos do modelo concetual e comparando-se diferenças entre grupos (através de testes t). As técnicas utilizadas durante esta fase de análise dos dados do estudo incluíram estatística descritiva (como média, desvio padrão) e tabelas de frequência (total e percentagens). Numa terceira fase, foi realizada uma análise de equações estruturais seguindo a abordagem PLS-SEM ( Partial Least Squares Structural Equation Modeling ), através do software estatístico SmartPLS 4, justificado pela complexidade de relações do modelo proposto, uma vez que este é composto por cinco variáveis latentes e pelo efeito moderador de duas variáveis moderadoras
41 contínuas. A abordagem consistiu no desenvolvimento de duas etapas, a primeira baseada na análise do modelo de medida ( outer model ) e a segunda, uma avaliação do modelo estrutural ( inner model ), permitindo chegar a uma conclusão relativamente às hipóteses propostas na investigação. A análise das relações estruturais teve em conta os efeitos totais (diretos e indiretos), uma vez, que os modelos de equações estruturais, neste caso o PLS-SEM, permitem testar o modelo na sua totalidade, incluindo a análise de moderação e mediação (Hair et al., 2010). Para estimar estas relações, foi utilizado o algoritmo PLS-SEM recorrendo ao procedimento não paramétrico bootstraping utilizando 5000 amostras bootstrap , tamanho considerado suficiente para um intervalo de confiança de 95%, tal como sugerido por Hair et al. (2019). Foram consideradas significativas e aceites as hipóteses com um p-value inferior a 0,05. Por fim, para confirmar o efeito moderador foram analisados os gráficos de inclinação, retirados do SmartPLS 4. 4.9 Questões éticas e de qualidade da investigação A presente investigação teve em consideração questões éticas, em conformidade com o código de ética da Universidade do Minho. Garantiu-se confidencialidade dos dados fornecidos pelos participantes, assegurando que as informações seriam mantidas em sigilo e utilizadas exclusivamente para fins académicos, sem comprometer a privacidade ou o anonimato de qualquer pessoa. O propósito do estudo foi devidamente explicado, e a participação era voluntária, com a possibilidade de o inquirido desistir a qualquer momento. O anonimato foi preservado, solicitando apenas informações sociodemográficas básicas, sem coletar dados pessoais identificáveis. A qualidade da pesquisa foi uma preocupação ao longo de todo o processo. Foram adotadas medidas para garantir essa qualidade, como a utilização de escalas previamente testadas na literatura e retradução das mesmas por um especialista fluente. Cada escala escolhida foi rigorosamente avaliada quanto aos seus valores de fiabilidade (através do alfa de Cronbach), e somente foram incluídas na pesquisa escalas que apresentaram valores dentro dos parâmetros recomendados. Antes do lançamento do questionário final, foi realizado um teste piloto (pré-teste). Além disso, foram selecionadas técnicas estatísticas apropriadas e realizados constantes ajustes à luz da teoria.
42 5. ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo é apresentada a análise dos resultados obtidos ao longo da investigação. Numa primeira fase, é realizada uma análise descritiva dos dados. De seguida, é apresentada uma análise de equações estruturais com o objetivo de testar as hipóteses formuladas e a influência moderadora das emoções antecipadas positivas e das emoções antecipadas negativas. 5.1 Avaliação dos pressupostos da análise multivariada Nesta secção pretende-se avaliar os pressupostos da análise multivariada, uma vez, que as técnicas multivariadas são baseadas num conjunto de pressupostos fundamentais que representam os requisitos da teoria estatística subjacente (Hair et al., 2010). Posto isto, e considerando os objetivos do estudo e as análises estatísticas a serem realizadas, foram testadas a normalidade dos dados, a multicolinearidade e a presença de outliers . Normalidade dos dados A normalidade foi o primeiro pressuposto da análise multivariada a ser analisado, e refere-se à forma da distribuição dos dados para uma variável métrica individual e a sua correspondência com a distribuição normal (Hair et al., 2010). Os testes estatísticos mais utilizados para testar a normalidade são os testes de Shapiro-Wilk e Kolmogorov-Smirnov (Sauders et al., 2009). Neste estudo decidimos utilizar o teste de Kolmogorov-Smirnov com a correção de Lilliefors por ser mais adequado em amostras grandes. O teste de Shapiro-Wilk é considerado mais eficaz para detetar a não normalidade, no entanto, é mais adequado para amostras pequenas, geralmente com menos de 50 observações (Ghasemi & Zahediasl, 2012; Mishra et al., 2019). O teste de Kolmogorov-Smirnov faz uma comparação da distribuição cumulativa teórica de uma distribuição de teste com a função de distribuição empírica dos dados (Ghasemi & Zahediasl, 2012). Como é possível observar na tabela 8, todos os construtos apresentaram um nível de significância inferior a 0,05 (sig. < 0,05), logo, os dados não seguem uma distribuição normal.
43 Tabela 8 - Teste de Normalidade (Kolmogorov-Smirnov) PA EAP EAN A NS CCP IC Estatística 0,144 0,130 0,206 0,069 0,070 0,058 0,100 gl 403 403 403 403 403 403 403 Sig. <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,002 <0,001 PA = Preocupações Ambientais; EAP = Emoções Antecipadas Positivas; EAN = Emoções Antecipadas Negativas; A = Atitude; NS = Normas Subjetivas; CCP = Controlo Comportamental Percebido; IC = Intenção de Compra Tendo em conta que o teste de Kolmogorov-Smirnov apresenta algumas limitações, como a alta sensibilidade em amostras grandes (Ghasemi & Zahediasl, 2012), foram utilizadas outras medidas de análise de normalidade, nomeadamente, a assimetria e a curtose. A curtose refere-se à altura da distribuição (pico ou achatamento), e a assimetria é usada para descrever o equilíbrio da distribuição, ou seja, se está desequilibrada e deslocada para um lado (direita ou esquerda) ou é centralizada e simétrica com aproximadamente a mesma forma em ambos os lados (Hair et al., 2010). Os dados deveriam idealmente, seguir uma distribuição normal, onde cada variável apresenta valores de assimetria e curtose zero. Qualquer valor significativamente diferente de zero indica uma discrepância em relação à normalidade (Hair et al., 2010). Ao observar os resultados apresentados na tabela 9, é possível constatar que os construtos apresentam valores de assimetria compreendidos entre -1,182 e 0,042 e de curtose entre -1,003 e 2,424. Tendo em consideração as recomendações propostas por Kim (2013), foi considerada uma distribuição aproximadamente normal, na medida em que o autor afirma a possibilidade em considerar valores absolutos de assimetria igual ou inferior a 2 e de curtose igual ou inferior a 7. Esta análise foi complementada com a Teoria do Limite Central, que pressupõe que uma distribuição parece cada vez mais normal à medida que o tamanho da amostra aumenta, mesmo quando a distribuição da população em si não é normal (Barri, 2019). Portanto, podemos concluir que os desvios da distribuição normal encontrados neste estudo são aceitáveis, sugerindo uma adesão razoável ao pressuposto de normalidade. Assim, os dados podem ser analisados considerando esse pressuposto e utilizando testes paramétricos.
50 Tabela 14 - Resumo das emoções referidas pelos participantes Categoria Termos associados Emoções positivas Felicidade, Paz, Tranquilidade, Calma, Conforto, Acolhedor, Férias, Campismo, Minimalismo, Harmonia, Alegria, Bemestar, Amor, Realização pessoal, Independência, Autonomia, Segurança, Conexão com a natureza, Eficientes, Desejo, Sonho Realizado, Económico Emoções negativas Infiltrações na casa, Agonia, Tristeza, Falta de espaço, Incómodo, Claustrofobia, Isolamento, Desconforto, Medo, Incerteza 5.4 Análise dos construtos do modelo concetual Nesta secção, são apresentadas as frequências relativas das respostas dos entrevistados a todos os itens dos construtos constituintes do modelo concetual: preocupações ambientais, emoções antecipadas positivas, emoções antecipadas negativas, atitude, normas subjetivas, controlo comportamental percebido e intenção de compra de Tiny Houses . Os itens foram medidos através de escalas de Likert de cinco pontos em que um significa “discordo totalmente” e cinco significa “concordo totalmente”. O construto preocupações ambientais apresenta uma média de 4,34 em 5 valores (Tabela 15), o que indica um nível significativamente alto de preocupação dos consumidores com o meio ambiente. Destacam-se as elevadas percentagens de resposta entre o quarto e quinto ponto, sendo o item com média mais alta: “Penso que os indivíduos têm a responsabilidade de proteger o ambiente.” (M=4,61; DP=0,647). Isto demonstra uma forte concordância por parte dos participantes com a ideia de que os indivíduos têm um papel fundamental na proteção do meio ambiente, sugerindo, de certa forma, consciência e senso de responsabilidade ambiental entre os participantes.
51 Tabela 15 - Análise do construto Preocupações ambientais Preocupações Ambientais (PA) 1 2 3 4 5 M DP 4,34 0,571 Estou preocupado(a) com o ambiente. 0,7% 1,0% 8,4% 38,2% 51,6% 4,39 0,746 As condições do ambiente afetam a qualidade da minha saúde. 1,0% 2,2% 7,4% 36,7% 52,6% 4,38 0,799 Estou disposto(a) a fazer sacrifícios para proteger o ambiente. 1,0% 4,7% 14,9% 53,8% 25,6% 3,98 0,827 Penso que os indivíduos têm a responsabilidade de proteger o ambiente. 0,5% 0,7% 3,7% 27,5% 67,5% 4,61 0,647 M = Média; DP = Desvio padrão As emoções antecipadas positivas obtiveram uma média de 3,88 em 5 valores (Tabela 16), em que a grande maioria atribuiu o ponto 4. Isto é evidenciado pelas percentagens mais elevadas da frequência relativa concentradas nessa classificação em todos os itens do construto. O que revela que existe uma tendência significativa entre os entrevistados para antecipar emoções positivas em relação à possibilidade de adquirir uma Tiny House . Tabela 16 - Análise do construto Emoções antecipadas positivas Emoções Antecipadas Positivas (EAP) 1 2 3 4 5 M DP 3,88 0,939 Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei orgulhoso(a). 5,2% 6,0% 25,1% 37,2% 26,6% 3,74 1,076 Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei feliz. 4,0% 3,5% 16,4% 46,2% 30,0% 3,95 0,980 Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei satisfeito(a). 4,2% 6,0% 21,1% 41,7% 27,0% 3,81 1,033 Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei contente. 3,5% 4,2% 16,6% 45,4% 30,3% 3,95 0,975 Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei entusiasmado(a). 4,0% 4,7% 18,1% 37,2% 36,0% 3,97 1,043 M = Média; DP = Desvio padrão Em relação às emoções antecipadas negativas face à não compra de uma Tiny House , foram o construto com a média mais baixa, com 2,45 em 5 valores (Tabela 17), onde a maior parte das respostas estão atribuídas entre o primeiro e o terceiro ponto, com as percentagens de respostas mais elevadas no valor intermédio (que corresponde a “indiferente”). Isto denota uma tendência
52 dos entrevistados para não expressar fortes emoções negativas diante da possibilidade de não adquirir uma Tiny House . Portanto, pode manifestar uma certa indiferença em relação a essa situação. Tabela 17 - Análise do construto Emoções antecipadas negativas Emoções Antecipadas Negativas (EAN) 1 2 3 4 5 M DP 2,45 1,013 Se não conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei preocupado(a). 25,6% 15,1% 43,9% 11,4% 4,0% 2,53 1,109 Se não conseguir comprar uma Tiny House sentir-me-ei desapontado(a). 26,3% 15,9% 38,7% 13,2% 6,0% 2,57 1,181 Se não conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei zangado(a). 37,7% 16,4% 39,0% 4,7% 2,2% 2,17 1,063 Se não conseguir comprar uma Tiny House sentir-me-ei insatisfeito(a). 28,8% 13,9% 40,0% 11,4% 6,0% 2,52 1,189 M = Média; DP = Desvio padrão A atitude do consumidor em relação à compra de Tiny Houses apresenta uma média de 3,70 em 5 valores (Tabela 18), o que significa que existe uma avaliação favorável e positiva face à compra destas casas. Os itens “Comprar uma Tiny House é bom.” e “Comprar uma Tiny House é benéfico.”, obtiveram a média mais elevada (ambos com M=3,90), o que enfatiza a perceção positiva dos entrevistados em relação aos benefícios e à atratividade desta opção habitacional. Tabela 18 - Análise do construto Atitude Atitude (A) 1 2 3 4 5 M DP 3,70 0,815 Comprar uma Tiny House é bom. 1,5% 3,7% 24,3% 44,4% 26,1% 3,90 0,882 Comprar uma Tiny House é benéfico. 1,2% 4,5% 24,8% 42,4% 27,0% 3,90 0,894 Comprar uma Tiny House vale a pena. 2,7% 8,2% 32,5% 33,5% 23,1% 3,66 1,008 Comprar uma Tiny Houses é satisfatório. 3,2% 5,0% 29,3% 40,0% 22,6% 3,74 0,970 Comprar uma Tiny Houses é valioso. 6,5% 12,2% 42,2% 24,6% 14,6% 3,29 1,063 M = Média; DP = Desvio padrão
53 As normas subjetivas obtiveram uma média de 3,22 em 5 valores. Os itens deste construto apresentam percentagens relativamente altas de respostas no ponto intermédio da escala, o que significa que a pressão social percebida sobre a decisão de comprar uma Tiny House é baixa. Revelando uma tendência para uma tomada de decisão mais independente e menos influenciada por fatores externos. O item com a média mais baixa é “Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim considerá-lo-ia uma compra desejável” (M=2,88; DP=1,124), isto sugere que os entrevistados, em geral, estão menos convencidos de que as pessoas importantes para eles considerariam a compra de uma Tiny House como desejável. Isto pode significar que a compra de Tiny Houses ainda não é valorizada por grande parte da comunidade. Tabela 19 - Análise do construto Normas subjetivas Normas Subjetivas (NS) 1 2 3 4 5 M DP 3,22 0,941 Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim concordaria com a minha decisão. 7,4% 20,3% 26,3% 27,8% 18,1% 3,29 1,193 Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim apreciaria a minha compra ecológica. 8,2% 17,6% 35,5% 25,1% 13,6% 3,18 1,127 Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim considerá-lo-ia uma compra desejável. 11,9% 24,1% 37,5% 16,9% 9,7% 2,88 1,124 Se eu comprasse uma Tiny House , a maioria das pessoas que são importantes para mim apoiaria a minha decisão de compra. 7,4% 12,4% 29,5% 34,7% 15,9% 3,39 1,120 Se eu comprasse uma Tiny House , estaria de acordo com a tendência de desenvolvimento social. 6,5% 10,9% 36,5% 30,8% 15,4% 3,38 1,073 M = Média; DP = Desvio padrão
54 O controlo comportamental percebido apresenta uma média de 3,12 em 5 valores (Tabela 20). Isto revela que os consumidores têm um nível moderado de controlo sobre os seus comportamentos, em concreto, em relação à compra de uma Tiny House . Embora a maioria dos itens apresente médias próximas da média geral do construto, o item “É provável que haja muitas oportunidades para eu comprar uma Tiny House .” destaca-se com uma média mais baixa, inferior a 3 valores (M=2,89; DP=1,193), isto pode indicar que os consumidores consideram que as oportunidades para adquirir uma Tiny House são restritas. Possivelmente devido a diversos fatores como a disponibilidade no mercado ou outros obstáculos percebidos. Tabela 20 - Análise do construto Controlo comportamental percebido Controlo Comportamental Percebido (CCP) 1 2 3 4 5 M DP 3,12 0,901 Acredito que tenho a capacidade de comprar uma Tiny House . 11,7% 21,8% 16,1% 36,0% 14,4% 3,20 1,259 Se dependesse totalmente de mim, estou confiante de que compraria uma Tiny House . 14,6% 17,9% 25,6% 24,8% 17,1% 3,12 1,299 Vejo-me capaz de comprar uma Tiny House no futuro. 11,2% 13,9% 22,8% 35,0% 17,1% 3,33 1,231 Tenho vontade de comprar uma Tiny House . 15,1% 14,9% 27,0% 24,1% 18,9% 3,17 1,314 É provável que haja muitas oportunidades para eu comprar uma Tiny House . 14,6% 24,1% 28,3% 23,8% 9,2% 2,89 1,193 Acho que comprar uma Tiny House está totalmente no meu controlo. 12,2% 23,6% 27,3% 25,8% 11,2% 3,00 1,196 M = Média; DP = Desvio padrão Por último, a intenção de compra apresenta uma média de 2,90 em 5 valores (Tabela 21), o que indica que a disposição dos consumidores portugueses ou residentes em Portugal para comprarem uma Tiny House é considerada baixa. O item “Quando comprar uma casa no futuro, estou disposto(a) a optar por uma Tiny House .” (M=3,14; DP=1,279) obteve a média mais elevada entre os três itens do construto, revelando uma relativa abertura por parte entrevistados para considerarem a opção de adquirir uma Tiny House no futuro. Isto sugere uma potencial aceitação deste tipo de habitação, apesar da tendência geral de intenção comportamental ser reduzida.
55 Tabela 21 - Análise do construto Intenção de compra Intenção de Compra (IC) 1 2 3 4 5 M DP 2,90 1,234 Quando comprar uma casa no futuro, estou disposto(a) a optar por uma Tiny House . 14,1% 17,6% 23,3% 29,5% 15,4% 3,14 1,279 Quando comprar uma casa no futuro, estou a pensar em escolher uma Tiny House . 19,1% 23,3% 24,1% 20,3% 13,2% 2,85 1,307 Quando comprar uma casa no futuro, tenciono escolher uma Tiny House . 21,1% 23,8% 27,8% 17,1% 10,2% 2,71 1,258 M = Média; DP = Desvio padrão Concluindo, no que concerne aos construtos que compõem a Teoria do Comportamento Planeado (TCP), a atitude é o que apresenta a média mais elevada (M=3,70), indicando que os consumidores, de uma forma geral, têm uma atitude positiva face à compra de Tiny Houses . Em contrapartida, o controlo comportamental percebido apresenta a média mais baixa (M=3,12), sugerindo que, em média, os indivíduos percebem mais dificuldades do que facilidades em relação à compra de uma Tiny House . Relativamente às variáveis incluídas na extensão da TCP, destaca-se o construto preocupações ambientais com uma média de 4,34, indicando um elevado grau de consciência por parte dos respondentes em relação aos problemas ambientais. Já as emoções antecipadas negativas, demonstraram ser o construto com a média (M=2,45) mais baixa, tanto entre os construtos adicionados ao modelo original como entre as variáveis da TCP. 5.5 Diferenças entre grupos Após ter sido feita a caracterização da amostra e uma análise descritiva da compra de Tiny Houses e dos construtos do modelo, é relevante verificar se existem diferenças significativas entre grupos, considerando variáveis relevantes. Foram utilizados testes t para amostras independentes para investigar as diferenças entre grupos, um procedimento estatístico usado para comparar diferenças estatísticas entre dois grupos (Hair et al., 2010). Neste sentido, procedeu-se à comparação da variável depende do estudo (intenção de compra em relação às Tiny Houses ) com o grupo de variáveis género, idade, conhecimento das Tiny Houses e habitação própria (Tabela 22).
56 Em relação ao género, os resultados revelaram que a diferença de médias entre o grupo feminino e o masculino é estatisticamente significativa (t(401)=2,419; p=0,016). A intenção de compra média em relação à compra de Tiny Houses dos inquiridos do sexo feminino (M=2,993) foi significativamente maior que a intenção de compra média dos do sexo masculino (M=2,661). Nesta análise a idade dos participantes foi dividida em duas categorias, de forma a facilitar a compreensão: os indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos correspondem aos “jovens” e os restantes, com idades entre os 36 e os 68 anos, correspondem aos “não jovens”. É visto, que existe uma diferença estatisticamente significativa na intenção de compra em relação às Tiny Houses entre os grupos de idade (t(401)=-7,055; p<0,001). A média da intenção de compra para os respondentes jovens (M=2,722) é significativamente menor do que a média para os respondentes que não são caracterizados jovens (M=3,828). Isto indica que a idade dos respondentes influencia significativamente a intenção de compra em relação às Tiny Houses , demonstrando que os respondentes mais velhos apresentam uma maior intenção de compra em comparação com os mais jovens. A intenção dos consumidores em comprar uma Tiny House diferiu significativamente entre os participantes que tinham conhecimento prévio sobre as Tiny Houses e aqueles que não conheciam até responderem ao questionário (t(401)=1,995; p=0,047). O que significa que os consumidores que já conheciam estas casas apresentaram uma intenção de compra média significativamente maior (M=2,967) em comparação com os consumidores que não tinham conhecimento (M=2,670). Por último, os resultados apresentam uma diferença estatisticamente significativa na intenção de compra em relação às Tiny Houses entre os respondentes que possuem habitação própria e aqueles que não possuem (t(401)=2,334; p=0,020). A média da intenção de compra para os respondentes que têm casa (M=3,111) é significativamente maior do que a média para os que não têm casa (M=2,805).
57 Tabela 22 - Teste t (diferenças de grupos na Intenção de compra) Variável Categoria N M DP t-value p-value Género Feminino 294 2,993 1,207 2,419 0,016 Masculino 109 2,661 1,277 Idade Jovens (18-35) 337 2,722 1,179 -7,055 <0,001 Não Jovens (36-68) 66 3,828 1,086 Conhecimento das Tiny Houses Sim 316 2,967 1,240 1,995 0,047 Não 87 2,670 1,188 Habitação própria Sim 129 3,111 1,294 2,334 0,020 Não 274 2,805 1,194 N = Amostra; M = Média; DP = Desvio padrão 5.6 Modelo de equações estruturais O modelo de equações estruturais (SEM) é uma técnica multivariada que combina aspetos da análise fatorial e da regressão múltipla, permitindo ao investigador examinar simultaneamente várias relações de dependência entre variáveis observadas e construtos latentes, bem como entre diferentes construtos latentes (Hair et al., 2010). Os dois métodos mais utilizados para estimar as relações no SEM são o modelo de equações estruturais baseado na covariância (CB-SEM) e o modelo de equações estruturais por mínimos quadrados parciais (PLS-SEM). Uma das grandes diferenças entre as duas abordagens está na forma como cada método lida com as variáveis latentes do modelo (Hair Jr et al., 2021). O CB-SEM considera os construtos como fatores comuns que explicam a covariância entre os itens. Em contraste, o PLS-SEM trata os conceitos de interesse como compósitos, ou seja, combinações lineares de indicadores que representam os construtos (Hair Jr et al., 2021). Desta forma, o PLS-SEM é visto como um método SEM baseado em compósitos, onde essas variáveis compósitas são consideradas representações válidas dos construtos analisados (Hair Jr et al., 2021). O CB-SEM é usado principalmente para verificar ou refutar teorias e hipóteses, avaliando a capacidade de um modelo teórico em reproduzir a matriz de covariância dos dados observados. Já o PLS-SEM foi desenvolvido como uma abordagem causal-preditiva para o SEM, focando-se em explicar a variância nas variáveis dependentes do modelo (Hair Jr et al., 2021). Na presente investigação, optou-se pela utilização do PLS-SEM pelas diversas vantagens que este método apresenta. Pois permite estimar modelos complexos com muitas variáveis latentes e observadas, oferecendo soluções mesmo em amostras pequenas, sem preocupações de identificação e convergência (Hair Jr & Sarstedt, 2019). Além disso, o PLS-SEM por ser um método
58 não paramétrico, apresenta menos restrições em relação ao pressuposto de normalidade dos dados (Hair Jr et al., 2021). É altamente robusto a trabalhar com amostras que violam o princípio da normalidade, através da utilização do procedimento de bootsrapping , que ajusta os intervalos de confiança para a assimetria (Hair et al., 2019). A abordagem PLS-SEM envolve duas etapas, como sugerido por Hair Jr et al. (2021), que serão seguidas nesta investigação. Primeiramente, realiza-se uma análise do modelo de medida ( outer model ), para confirmar a confiabilidade e validade dos construtos. Em seguida, procede-se à avaliação do modelo estrutural ( inner model ), que permitirá testar as hipóteses de investigação. Antes de iniciar a avaliação dos resultados é necessário perceber se o modelo proposto no estudo é formativo ou reflexivo, uma vez que os critérios variam de acordo com a sua natureza (Hair et al., 2019). Nos construtos reflexivos as setas são direcionadas dos construtos latentes para os itens. Indicando que os construtos latentes influenciam os indicadores (Hair et al., 2010). Pelo contrário, nos construtos formativos as setas são direcionadas dos itens para os construtos latentes, ou seja, os itens é que influenciam os construtos latentes (Hair et al., 2010). Posto isto, trata-se de um modelo de medição reflexivo, uma vez que todos os construtos constituintes do modelo são reflexivos. É composto por quatro variáveis latentes exógenas, nomeadamente a atitude, as normas subjetivas, o controlo comportamental percebido e as preocupações ambientais e por uma variável latente endógena, a intenção de compra. Além disso, as emoções antecipadas positivas e negativas são integradas como variáveis moderadoras no modelo, examinando os efeitos na relação entre três das variáveis latentes exógenas mencionadas e a variável dependente (intenção de compra). 5.6.1 Análise de validade do modelo De modo a avaliar o modelo de medida reflexivo, o primeiro fator a considerar são os outer loadings (cargas fatoriais) dos itens, que segundo Hair et al. (2019), é recomendado que sejam superiores a 0,708 indicando que o construto explica mais de 50% da variância do indicador, proporcionando assim a confiabilidade aceitável do item. Os resultados observados na tabela 23 mostram que quatro itens não apresentam cargas fatoriais dentro dos parâmetros estabelecidos, são estes: CCP_1 “Acredito que tenho a capacidade de comprar uma Tiny House ”; CCP_5 “É provável que haja muitas oportunidades para eu comprar uma Tiny House ”; CCP_6 “Acho que comprar uma Tiny House está totalmente no meu controlo” e PA_2 “As condições do ambiente
59 afetam a qualidade da minha saúde”. Posto isto, optou-se por retirar os itens de forma a alcançar a validade fatorial. Tabela 23 - Outer loadings Construto Itens Outer loadings Outer loading * Atitude A_1 0,863 0,863 A_2 0,809 0,809 A_3 0,894 0,894 A_4 0,876 0,876 A_5 0,787 0,787 Controlo Comportamental Percebido CCP_1 0,418 - CCP_2 0,879 0,898 CCP_3 0,879 0,890 CCP_4 0,869 0,922 CCP_5 0,635 - CCP_6 0,455 - Intenção de Compra IC_1 0,945 0,945 IC_2 0,979 0,979 IC_3 0,964 0,964 Normas Subjetivas NS_1 0,837 0,837 NS_2 0,884 0,884 NS_3 0,875 0,875 NS_4 0,844 0,844 NS_5 0,726 0,726 Preocupações Ambientais PA_1 0,833 0,835 PA_2 0,593 - PA_3 0,861 0,877 PA_4 0,710 0,740 Emoções Antecipadas Positivas EAP_1 0,888 0,888 EAP_2 0,947 0,947 EAP_3 0,915 0,915 EAP_4 0,950 0,950 EAP_5 0,902 0,902 Emoções Antecipadas Negativas EAN_1 0,836 0,836 EAN_2 0,940 0,940 EAN_3 0,837 0,837 EAN_4 0,935 0,935 Nota: Outer loading * - depois de retirados os itens problemáticos De seguida é avaliada a fiabilidade da consistência interna, note-se que esta e as próximas análises são realizadas após a remoção dos itens que apresentavam valores problemáticos na análise anterior. De acordo com Maroco e Garcia-Marques (2006) a consistência interna “avalia a consistência com que um determinado conjunto de itens de medida estima um determinado construto ou dimensão latente” (p.70). De forma a analisar a fiabilidade da consistência interna
66 Figura 3 - Modelo estrutural Fonte: Elaboração própria 5.6.4 Análise da moderação A moderação, ou efeito de interação, ocorre quando a relação entre dois construtos varia em função de uma terceira variável, conhecida como moderadora (Matthews et al., 2018). Este efeito de variação pode influenciar tanto a força como a direção do relacionamento entre os construtos principais (Matthews et al., 2018). As variáveis moderadoras podem ser categóricas ou contínuas. São considerados moderadores categóricos quando é utilizada uma escala nominal ou ordinal, como por exemplo a idade e o género, sendo estas variáveis testadas a partir de comparações de grupos usando técnicas como o PLS-SEM ou o CB-SEM (Matthews et al., 2018). Por outro lado, quando se utilizam moderadores contínuos, isto é, quando é utilizada uma escala intervalar, é mais comum utilizar-se o PLS-SEM (Matthews et al., 2018; Memon et al., 2019). Os moderadores contínuos são normalmente medidos através de escalas de múltiplos itens, uma
67 abordagem que não é compatível com o CB-SEM (Matthews et al., 2018). Na presente investigação, ambos os moderadores são caraterizados contínuos. Tabela 29 - Estimativa dos parâmetros do modelo (moderação) Hipóteses Relação entre construtos β DP t-value p-value Hipótese Suportada H5a EAP x A > IC 0,031 0,040 0,777 0,218 NÃO H5b EAP x NS > IC -0,055 0,029 1,882 0,030 SIM H5c EAP x CCP > IC 0,075 0,048 1,574 0,058 NÃO H6a EAN x A > IC -0,086 0,046 1,873 0,031 SIM H6b EAN x NS > IC 0,019 0,035 0,542 0,294 NÃO H6c EAN x CCP > IC 0,142 0,050 2,841 0,002 SIM β = pesos fatoriais estandardizados; DP = Desvio padrão Através da tabela 29, é possível identificar que as emoções antecipadas positivas (EAP) não apresentam um efeito de moderação significativo na relação entre a atitude e intenção de compra de Tiny Houses (β=0,031, t=0,777, p=0,218), sugerindo que as EAP não alteram a influência da atitude sobre a intenção de compra. Portanto, a hipótese H5a não é suportada. As EAP moderam significativamente a relação entre as normas subjetivas e a intenção de compra de Tiny Houses (β=-0,055, t=1,882, p=0,030). O coeficiente negativo (β= -0,055) sugere que as EAP diminuem a influência das normas subjetivas na intenção de compra de Tiny Houses . Posto isto, a hipótese H5b é suportada. Relativamente à hipótese 5c, observamos que as emoções antecipadas positivas não moderam a relação entre o controlo comportamental percebido e a intenção de compra (β=0,075, t=1,574, p=0,058). No que concerne às emoções antecipadas negativas (EAN), podemos observar que moderam negativamente a relação entre a atitude e a intenção de compra (β=-0,086, t=1,873, p=0,031). O coeficiente negativo (β=-0,086) indica que as EAN reduzem a influência da atitude na intenção de compra de Tiny Houses . Portanto, a hipótese 6a é suportada. Pelo contrário já não se verifica um efeito moderador das EAN na relação entre as normas subjetivas e a intenção de compra (β=0,019, t=0,542, p=0,294). Portanto, a hipótese 6b não é suportada. Por fim a última hipótese é suportada, uma vez que se verifica que as EAN moderam positivamente a relação entre o controlo comportamental percebido e a intenção de compra de Tiny Houses (β=0,142, t=2,841, p=0,002). Das seis hipóteses de moderação testadas, três foram suportadas (H5b, H6a e H6c) e três não foram suportadas (H5a, H5c e H6b). As emoções antecipadas positivas moderam significativamente a relação entre normas subjetivas e intenção de compra, enquanto que as
68 emoções antecipadas negativas moderam significativamente as relações entre atitude e intenção de compra, bem como entre controlo comportamental percebido e intenção de compra. Foi também realizada uma comparação entre os valores do R2 do modelo sem as variáveis moderadoras e o modelo com as variáveis moderadoras incluídas (Tabela 30), permitindo avaliar o tamanho do efeito da moderação. Os resultados indicam um aumento do R2 após a inclusão das variáveis moderadoras, concluindo-se que a inclusão destas variáveis melhora o modelo em termos de capacidade explicativa e que existe efetivamente um efeito de moderação. Tabela 30 - Análise da moderação (𝑅2) 𝐑𝟐 (Sem variáveis moderadoras) 𝐑𝟐 (Com variáveis moderadoras) Intenção de compra 0,692 0,719 Quando o modelo é composto por variáveis moderadoras, para além da capacidade explicativa e preditiva do modelo, é essencial avaliar a relevância e o impacto dos construtos exógenos na variável endógena, tal como sugerido por Memon et al. (2019). Esta avaliação é feita através do cálculo do 𝑓2, que avalia como a remoção de um construto exógeno do modelo afetará o valor de R2 de um construto endógeno (Hair et al., 2019). Segundo Hair et al. (2019), os valores de 𝑓2 são interpretados da seguinte forma: quando 𝑓2≥0,02, 𝑓2≥0,15 e 𝑓2≥0,35, que representam respetivamente que o efeito é fraco, moderado e forte. Os resultados mostraram que o construto controlo comportamental percebido apresenta um impacto significativo na intenção de compra de uma Tiny House (𝑓2=0,419). Isto indica que a remoção deste construto resultaria numa redução significativa do R2, refletindo a sua importância no modelo. Os restantes construtos, apresentam tamanhos de efeito fraco ou muito fraco (𝑓2≤0,025), sugerindo que a sua remoção do modelo teria um impacto mínimo na variância explicada da variável dependente. De acordo com Hair Jr et al. (2021), no contexto da moderação, deve-se ter especial atenção ao tamanho do efeito 𝑓2 da interação. O tamanho do efeito 𝑓2 mede a contribuição da moderação na explicação do constructo endógeno (Hair Jr et al., 2021). O autor sugere que o valor médio do efeito em testes de moderação é de 0,009, e segue parâmetros mais realistas que os apresentados anteriormente. Isto é, valores de 0,005, 0,010 e 0,025 correspondem, respetivamente, a efeitos pequenos, médios e grandes (Hair Jr et al., 2021). Posto isto, através da tabela 31 podemos observar que a maioria das interações apresentaram um efeito pequeno. Pelo contrário a interação entre as emoções antecipadas negativas e o controlo comportamental percebido (𝑓2=0,025) e a
69 interação entre as emoções antecipadas negativas e a atitude (𝑓2=0,010), apresentaram uma contribuição significativa e moderada, respetivamente, na explicação da intenção de compra. Tabela 31 - Tamanho do efeito 𝑓2 Hipótese 𝒇𝟐 Atitude -> Intenção de Compra H1 0,012 Normas Subjetivas -> Intenção de Compra H2 0,007 Controlo Comportamental Percebido -> Intenção de Compra H3 0,419 Preocupações Ambientais -> Intenção de Compra H4 0,001 Emoções Antecipadas Positivas x Atitude -> Intenção de Compra H5a 0,001 Emoções Antecipadas Positivas x Normas Subjetivas -> Intenção de Compra H5b 0,007 Emoções Antecipadas Positivas x Controlo Comportamental Percebido -> Intenção de Compra H5c 0,006 Emoções Antecipadas Negativas x Atitude -> Intenção de Compra H6a 0,010 Emoções Antecipadas Negativas x Normas Subjetivas -> Intenção de Compra H6b 0,001 Emoções Antecipadas Negativas x Controlo Comportamental Percebido -> Intenção de Compra H6c 0,025 Gráficos de inclinação De forma a obter uma melhor compreensão e certeza sobre o efeito da moderação, recorreuse à análise dos gráficos de inclinação das hipóteses suportadas através dos parâmetros anteriores, conforme sugerido pela literatura. Estes gráficos são uma ferramenta visual que ajudam a clarificar o efeito da moderação e representam uma interação bidirecional da relação entre a variável exógena e a endógena (Matthews et al, 2018; Memon et al., 2019). O eixo X (horizontal) representa a variável exógena e o eixo Y (vertical) representa a variável endógena. As linhas apresentadas nos gráficos abaixo, adaptadas ao estudo em análise, correspondem ao seguinte: a linha vermelha representa as Emoções Antecipadas Positivas/Negativas um desvio padrão abaixo da média (-1 DP); a linha azul representa as Emoções Antecipadas Positivas/Negativas na média ( Mean ); e uma linha verde representa as Emoções Antecipadas Positivas/Negativas um desvio padrão acima da média (+1 DP). A figura 4, representa a hipótese 5b (EAP x NS > IC). Visualmente é possível identificar que a linha vermelha tem uma inclinação positiva, indicando que quando os níveis das EAP são baixos, a intenção de compra aumenta com o aumento das normas subjetivas. Pelo contrário, quando os
70 níveis das EAP são altos, a intenção de compra mantém-se praticamente constate com o aumento das normas subjetivas. Ou seja, o efeito moderador das EAP é negativo, conforme indicado pelo β. Isto significa que, á medida que as EAP aumentam, a relação entre as normas subjetivas e a intenção de compra enfraquece. Figura 4 - Análise da inclinação para EAP x NS > IC Em relação à hipótese 6a (EAN x A > IC), através da figura 5, observamos que a linha vermelha apresenta uma inclinação positiva, indicando que, com níveis baixos de EAN, a intenção de compra aumenta à medida que aumenta a atitude perante o comportamento. A linha verde tal como no gráfico anterior é horizontal, ou seja, com níveis elevados de EAN, a intenção de compra mantémse constante com o aumento da atitude. Posto isto, à medida que as EAN aumentam, a relação entre a atitude em relação ao comportamento e a intenção de compra diminui. Figura 5 - Análise da inclinação para EAN x A > IC
71 Por fim, no que concerne à hipótese 6c (EAN x CCP > IC), através da figura 6 podemos observar que, a linha vermelha apresenta uma inclinação positiva, indicando que, com níveis baixos de EAN, há um aumento na intenção de compra quando o controlo comportamental percebido aumenta. A linha verde apresenta a inclinação positiva mais acentuada entre as três linhas, sugerindo que, com altos níveis de EAP, existe um aumento mais significativo na intenção de compra à medida que o controlo comportamental percebido aumenta. Isto significa que, à medida que as EAN aumentam, a relação entre o controlo comportamental percebido e a intenção de compra torna-se mais forte. Figura 6 - Análise da inclinação para EAN x CCP > IC Deste forma, podemos concluir que através da análise dos gráficos de inclinação as hipóteses 5b, 6a e 6c são efetivamente suportadas.
72 6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS E CONCLUSÕES Neste último capítulo, interpretam-se os resultados obtidos ao longo da investigação, contextualizando-os com os conhecimentos adquiridos através da revisão da literatura. Adicionalmente, são apresentadas as contribuições teóricas e práticas da investigação, as limitações enfrentadas durante a realização da mesma, e algumas sugestões para investigações futuras. 6.1 Discussão dos resultados e principais conclusões As preocupações com o ambiente estão a ganhar cada vez mais relevância, trazendo à tona diversos temas relacionados com a sustentabilidade ambiental e provocando um aumento exponencial da literatura sobre o assunto (Purvis et al., 2019). Esta crescente preocupação ambiental, manifesta-se em todos os setores económicos de variadas formas. No setor imobiliário, a construção sustentável surge como resposta a este problema, baseando-se na criação e gestão responsável de um ambiente construído saudável, sustentado em princípios ecológicos e de eficiência de recursos (Baloi, 2003; Udomsap & Hallinger, 2020; Zhou & Lowe, 2003). Neste contexto, as Tiny Houses , apresentam-se como uma solução inovadora que promove melhorias significativas a nível ambiental (e.g., Carlin, 2014). Para além disso, estas casas impulsionam vantagens para os proprietários, tais como, estabilidade financeira, liberdade e mobilidade (e.g., Mutter, 2013). A literatura em torno deste tema ainda é bastante limitada (Mutter, 2013) principalmente no mercado português, o que evidencia a necessidade de colmatar esta limitação. Diante do exposto, emergiu o problema central da investigação, que se baseia em entender o contributo da Teoria do Comportamento Planeado (TCP) e da sua extensão para a compreensão do comportamento de compra de Tiny Houses . Especificamente, analisar como é que os fatores comportamentais influenciam a intenção de compra de Tiny Houses ; investigar o papel da preocupação ambiental na intenção de compra de Tiny Houses ; e avaliar como as emoções antecipadas positivas e negativas moderam as relações entre as variáveis comportamentais e a intenção de compra. Assim, partiu-se da seguinte questão de investigação: “Quais os fatores que influenciam a intenção dos consumidores de comprarem uma Tiny House ?”. De maneira a responder ao problema e objetivos de investigação, foi desenvolvida uma metodologia quantitativa confirmatória, utilizando como instrumento de medida o questionário, que foi distribuído online, tendo por base métodos de amostragem não probabilística, em particular, amostragem por
73 conveniência e snowball , obtendo-se uma amostra válida de 403 indivíduos. O questionário continha a utilização de escalas previamente validadas na literatura. Perfil dos interessados em Tiny Houses Tendo por base as descobertas encontradas na literatura, Shearer (2018) sugere que os grupos com maior interesse por Tiny Houses são predominantemente as mulheres solteiras com mais de 50 anos e os casais jovens na faixa dos 20 anos. Os resultados obtidos indicaram que os respondentes do sexo feminino demonstram uma maior intenção de compra de Tiny Houses , indo ao encontro do sugerido pelo autor. No que diz respeito ao fator idade, a amplitude etária entre os participantes é significativa, variando entre os 18 e os 68 anos, e identificou-se uma maior intenção de compra de Tiny Houses no grupo dos não jovens (entre os 36 e os 68 anos), apoiando em parte as conclusões de Shearer (2018). Esta preferência das mulheres com mais de 50 anos pode ser atribuída a fatores como a procura por uma solução habitacional mais económica e simplificada, a redução das responsabilidades familiares e a valorização da independência e da flexibilidade que as Tiny Houses oferecem. O agregado familiar da maioria dos respondentes (71%) é composto por 3 ou mais elementos, e aproximadamente metade da amostra (47,9%) sente que um aumento no número de elementos do agregado familiar tem uma influência positiva na sua disposição de considerar a compra de uma Tiny House . Isto demostra que contrariamente ao identificado na literatura, as Tiny Houses podem ser vistas como uma solução viável para famílias maiores que procuram opções de habitação alternativas. Provavelmente por serem uma alternativa às casas convencionais mais económica e por proporcionarem vantagens significativas aos proprietários (e.g., Mutter, 2013). Resultados da adoção e extensão da TCP A Teoria do Comportamento Planeado foi identificada pela literatura como uma teoria útil para prever a intenção comportamental do consumidor, sendo uma das teorias mais influentes e populares para o estudo da ação humana (Ajzen, 2002). Contudo, esta teoria também apresenta limitações (Ajzen, 2011), as quais este estudo propôs colmatar através da inclusão de construtos relacionados com questões ambientais e com a dimensão emocional. Conforme orientado por Hu et al. (2010), foi incluído o construto das preocupações ambientais, identificado como um forte preditor das intenções comportamentais de produtos ambientalmente sustentáveis. Além disso, foram incluídas as emoções antecipadas positivas e negativas como moderadores da relação entre
74 as variáveis comportamentais e a intenção de compra, propondo colmatar a falta de previsão da TCP perante o papel que as emoções desempenham na influência do comportamento humano (Ajzen, 2011). No que concerne aos preditores da intenção comportamental previstos pela TCP, em primeiro lugar, como era expectável, a atitude dos consumidores revelou ser um dos principais determinantes na intenção de compra de Tiny Houses . Esta descoberta está alinhada com estudos anteriores que destacam a importância da atitude positiva em relação a produtos sustentáveis e inovadores (e.g., Yeğin & Ikram, 2022). No contexto das Tiny Houses , a perceção positiva sobre estas habitações influencia significativamente a disposição dos consumidores em considerar a compra. A maior parte dos inquiridos (78,4%) já conhecia as Tiny Houses antes de responder ao questionário, o que provavelmente contribuiu para formular atitudes positivas em relação a estas casas. As normas subjetivas para além de apresentarem uma relação positiva com as intenções de compra, esta não foi significativa. Indicando que a pressão social e as expectativas dos grupos de referência neste contexto, não desempenham um papel fundamental na decisão dos consumidores. Este resultado não está em consonância com a Teoria do Comportamento Planeado de Ajzen (1991), que postula que o comportamento individual é fortemente influenciado pelas perceções sobre o que os outros consideram aceitável ou desejável. A intensidade desta influência pode variar dependendo da proximidade e importância dos grupos de referência na vida do indivíduo. Este resultado, pode ser um reflexo do contexto cultural e social dos consumidores. Se o consumidor vem de um ambiente onde as normas sociais não priorizam a sustentabilidade ou onde existe pouca pressão social para adotar comportamentos sustentáveis, a influência das normas subjetivas será provavelmente muito reduzida. O controlo comportamental percebido foi identificado como o preditor com maior capacidade explicativa da intenção, sugerindo que a perceção da facilidade ou dificuldade em adquirir uma Tiny House impacta diretamente a intenção de compra. Isto, por sua vez, reflete os desafios práticos e logísticos frequentemente associados a estas habitações, como a disponibilidade de terrenos e o cumprimento das regulamentações locais, conforme discutido por Brown (2016). As preocupações ambientais dos consumidores foram identificadas pela literatura como uma potencial motivação para a compra de produtos ambientalmente sustentáveis (Hu et al., 2010). Isto é, estão fortemente correlacionadas com a intenção de compra, reforçando a ideia de que os consumidores conscientes do impacto ambiental estão mais propensos a considerar soluções de habitação sustentável. No entanto, esta investigação obteve um resultado diferente, uma vez que
75 a hipótese que afirmava a influência das preocupações ambientais na intenção de compra não foi suportada. Uma explicação para este resultado poderá ser a falta de consciência ambiental efetiva entre os consumidores analisados. Ou seja, embora muitos indivíduos expressem preocupações ambientais, isso nem sempre se traduz em comportamentos concretos de compra. Resultados do efeito moderador das emoções antecipadas Além disto, também se investigou o efeito moderador das emoções antecipadas na relação entre as variáveis comportamentais e a intenção de compra. Os resultados indicam que as emoções antecipadas positivas podem diminuir a influência das normas subjetivas na intenção de compra. Portanto, quando as pessoas têm fortes emoções positivas antecipadas, elas são menos influenciadas pela opinião das pessoas mais próximas na decisão de comprar uma Tiny House . Por outro lado, as emoções antecipadas negativas, moderam negativa e significativamente as relações entre a atitude e a intenção de compra. Por fim, os resultados também demonstraram que as emoções antecipadas negativas alteraram positiva e significativamente a influência do controlo comportamental percebido na intenção de compra. Quando as pessoas antecipam fortes emoções negativas relativas ao facto de não conseguirem comprar uma Tiny House , a influência positiva do controlo comportamental percebido sobre a decisão de comprar uma Tiny House tornase mais forte. Em conclusão, o estudo encontrou respostas para a questão e objetivos propostos na investigação, revelando que as perceções positivas em relação às Tiny Houses influenciam significativamente a disposição dos consumidores em considerar a compra e que o controlo comportamental percebido foi o preditor mais influente, indicando que a perceção da facilidade ou dificuldade em adquirir uma Tiny House afeta diretamente a intenção de compra destas casas. Pelo contrário, a influencia positiva das normas subjetivas não foi suportada na presente investigação. Posto isto, neste contexto, a TCP demonstrou ser uma teoria sólida e útil para a compreensão das intenções comportamentais. Embora a literatura indique que as preocupações ambientais podem motivar a compra de produtos sustentáveis, este estudo não encontrou evidências de que estas influenciam a intenção de compra de Tiny Houses . Para além disso, os resultados sugerem que emoções antecipadas positivas reduzem a influência das normas subjetivas, enquanto que as emoções antecipadas negativas intensificam a influência das atitudes e do controlo comportamental percebido. Estes resultados destacam a importância das emoções na decisão de compra e sugerem que as perceções emocionais dos consumidores podem
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88 ANEXO Questionário Parte I – Questões iniciais O presente questionário insere-se no âmbito de uma dissertação de Mestrado em Gestão e Negócios da Universidade do Minho, tendo como objetivo avaliar a intenção de compra dos consumidores jovens em relação às Tiny Houses . Por favor, observe que este questionário aplica-se a participantes com idade igual ou superior a 18 anos e que sejam portugueses ou residentes em Portugal. A sua participação é voluntária, as respostas são anónimas, tendo apenas como finalidade a utilização exclusiva na investigação em curso. Caso necessite de alguma informação adicional pode contactar-me por e-mail: pg48806$alunos.uminho.pt Muito obrigada pela sua participação! Ao avançar no questionário declara que atende aos critérios de elegibilidade e que aceita de forma informada participar neste estudo. [Ao longo do questionário, tenha sempre em atenção que não existem respostas certas ou erradas, estamos apenas interessados na sua opinião] Nesta investigação entendemos por Tiny Houses , casas compactas, normalmente com menos de 37 metros quadrados, projetadas para maximizar o uso eficiente do espaço e minimizar o impacto ambiental. Estas casas podem ser construídas sobre uma base móvel ou sobre uma fundação permanente. Que emoções lhe transmitem estas imagens? ______________________________________________________________________
89 Já conhecia as Tiny Houses , antes de responder a este questionário? o Sim o Não Já teve a oportunidade de entrar numa Tiny House ? o Sim o Não Numa escala de 1 a 5 (onde 1 corresponde a "desconfortável" e 5 a "confortável"), o quão confortável se sente com a ideia de viver num espaço significativamente menor, como uma Tiny House ? Desconfortável Confortável 1 2 3 4 5 Viver numa casa pequena O número de elementos do seu agregado familiar influencia positivamente a sua disposição de considerar a compra de uma Tiny House ? o Sim o Talvez o Não Possuí habitação própria? o Sim o Não
90 A sua casa é uma Tiny House ? o Sim o Não Pretende ter uma habitação própria no futuro? o Sim o Não Quais os motivos que o(a) levaram a morar numa Tiny House ? [Pode assinalar mais de um motivo] ▢ Baixos custos de construção e manutenção ▢ Sustentabilidade ▢ Uma vida mais simples ▢ Liberdade e mobilidade (para Tiny Houses construídas sobre um reboque) ▢ Forma alternativa de comunidade ▢ Design diferenciado ▢ Outro(s) Parte II – Questões centrais De acordo com a sua perceção pessoal, indique o grau de discordância/concordância com cada uma das seguintes afirmações. [Utilize, por favor, uma escala entre 1 e 5, em que 1 corresponde a “Discordo Totalmente” e 5 a “Concordo Totalmente"]
91 Preocupações Ambientais Discordo totalmente 1 2 Indiferente 3 4 Concordo totalmente 5 Estou preocupado(a) com o ambiente. o o o o o As condições do ambiente afetam a qualidade da minha saúde. o o o o o Estou disposto(a) a fazer sacrifícios para proteger o ambiente. o o o o o Penso que os indivíduos têm a responsabilidade de proteger o ambiente. o o o o o Indique o grau de concordância com as seguintes afirmações. Se conseguir comprar uma Tiny House , sentir-me-ei: Discordo totalmente 1 2 Indiferente 3 4 Concordo totalmente 5 Orgulhoso(a) o o o o o Feliz o o o o o Satisfeito(a) o o o o o Contente o o o o o Entusiasmado(a) o o o o o
98 Rendimento mensal líquido aproximado do agregado familiar o Menos de 1000€ o 1000€ – 1500€ o 1501€ – 2000€ o 2001€ – 2500€ o 2501€ – 3000€ o 3001€ – 3500€ o Mais de 3500€ Número de elementos do agregado familiar o Vivo sozinho(a) o 2 elementos o 3 elementos o 4 elementos o 5 ou mais elementos O questionário terminou! A seguinte questão é facultativa, pelo que se não quiser responder pode avançar de modo a registar as suas respostas. Na sua opinião, o questionário foi simples de responder? o Sim o Não Em caso de dúvidas/questões envie e-mail para: [email protected] Avance para registar as respostas!