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A presença económica da China em Portugal (2001-2018)

Faria, João Miguel Oliveira

Abstract

As relações luso-chinesas iniciam-se em 1979 com o desenvolvimento da transição do território de Macau para a soberania chinesa. Até então, as relações entre Portugal e a China eram praticamente nulas, mas o período “Pós-Macau” desencadeou a possibilidade estreitar as relações económicas entre os dois países. Na minha dissertação irei abordar os primeiros passos dados pelo Governo chinês para a internacionalização das suas empresas, nomeadamente as suas estratégias Go Global Policy, China 2025 e OBOR. Enquadraremos essa abordagem nas principais teorias da internacionalização e modos de entrada, tendo verificado especificidades no caso das empresas chinesas. Concomitantemente pretendo debruçar-me sobre o papel que Portugal tem nos planos económicos futuros da China, fazendo uma análise da evolução do quadro institucional das relações económicas entre os dois países. No final realizarei uma análise dos maiores investimentos e investidores da China em Portugal, e rematarei a minha dissertação fazendo uma análise do fluxo de importações provenientes da China para cada região NUT2 de Portugal e por sector, fazendo uma análise que cremos ser a primeira a ser disponibilizada com este tipo de desagregação geográfica e setorial.

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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão João Miguel Oliveira Faria janeiro de 2020 A Presença Económica da China em Portugal (2001-2018) João Miguel Oliveira Faria A Presença Económica da China em Portugal (2001-2018) UMinho|2020 João Miguel Oliveira Faria janeiro de 2020 A Presença Económica da China em Portugal (2001-2018) Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Maria Helena Guimarães Dissertação de Mestrado Mestrado em Negócios Internacionais Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho: Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos Uma das primeiras lembranças que tenho da minha entrada na academia Minhota é o hino da Universidade que num dos seus versos refere que “estes anos são viagem”, viagem esta que em muito contribuiu para a pessoa que sou, na qual atravessei muitos desafios e obstáculos, mas também criei momentos para a vida toda. Esta minha dissertação marca o fim, pelo menos para já, da minha viagem na muito nobre Universidade do Minho e como tal há agradecimentos que tenho impreterivelmente de fazer. Primeiramente, um agradecimento especial à minha orientadora, professora doutora Maria Helena Guimarães, que foi sem dúvida a melhor orientadora possível, quero agradecer toda a paciência que teve comigo, aconselhando-me sempre da melhor forma no desenvolvimento da dissertação. Tenho a sorte de ter sido desde sempre acompanhado nesta viagem por pessoas incríveis e que sempre estiveram ao meu lado, por isso aqui ficam os meus sinceros agradecimentos a todos os meus amigos tanto do Mestrado como da Licenciatura, que percorreram este caminho longo comigo e me fizeram aprender, desenvolver e crescer ao longo dos anos. Quero também agradecer a toda a minha família que sempre me apoiou a continuar os estudos, e em destaque agradecer aos meus pais e ao meu irmão por mostrarem um apoio incondicional desde o início. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v A Presença Económica da China em Portugal (2001-2018) Resumo As relações luso-chinesas iniciam-se em 1979 com o desenvolvimento da transição do território de Macau para a soberania chinesa. Até então, as relações entre Portugal e a China eram praticamente nulas, mas o período “Pós-Macau” desencadeou a possibilidade estreitar as relações económicas entre os dois países. Na minha dissertação irei abordar os primeiros passos dados pelo Governo chinês para a internacionalização das suas empresas, nomeadamente as suas estratégias Go Global Policy, China 2025 e OBOR. Enquadraremos essa abordagem nas principais teorias da internacionalização e modos de entrada, tendo verificado especificidades no caso das empresas chinesas. Concomitantemente pretendo debruçar-me sobre o papel que Portugal tem nos planos económicos futuros da China, fazendo uma análise da evolução do quadro institucional das relações económicas entre os dois países. No final realizarei uma análise dos maiores investimentos e investidores da China em Portugal, e rematarei a minha dissertação fazendo uma análise do fluxo de importações provenientes da China para cada região NUT2 de Portugal e por sector, fazendo uma análise que cremos ser a primeira a ser disponibilizada com este tipo de desagregação geográfica e setorial. Palavras-Chave: China; Importação; Internacionalização; Investimento; Relações Económicas vi The economic presence of China in Portugal (2001-2018) Abstract Portuguese-Chinese relations began in 1979 with the development of the transition process from Macau to Chinese sovereignty. Until then, relations between Portugal and China were practically nil, but the “Post-Macau” period triggered the possibility of strengthening economic relations between the two countries. In my dissertation, I will address the first steps taken by the Chinese Government to internationalize its companies, namely its Go Global Policy, China 2025 and OBOR strategies. We will frame this approach in the main theories of internationalization and entry modes, having verified specificities in the case of Chinese companies. At the same time, I intend to focus on the role that Portugal has in China's future economic plans, analyzing the evolution of the institutional framework for economic relations between the two countries. In the end I will carry out an analysis of the biggest investments and investors from China in Portugal, and I will conclude my dissertation analyzing the flow of imports from China to each NUT2 region of Portugal by sector, making an analysis that we believe to be the first available with this type of geographical and sectoral breakdown. Key words: China; Economic Relations; Imports; Internationalization; Investment vii Índice 1-Introdução .................................................................................................................................. 1 1.1 Contextualização Temática e Objetivos .............................................................................. 1 1.2 Estrutura da Dissertação ..................................................................................................... 3 1.3Metodologia ....................................................................................................................... 4 2. Revisão de Literatura................................................................................................................. 5 2.1. O que é a Internacionalização? .......................................................................................... 5 2.2 Motivações para a Internacionalização .............................................................................. 6 2.3. Teorias sobre a Internacionalização ................................................................................... 7 2.3.1 - Modelo de Uppsala .................................................................................................... 8 2.3.2 - Modelo eclético.......................................................................................................... 9 2.4 Modos de Entrada ............................................................................................................. 10 2.4.1Exportação ................................................................................................................ 11 2.4.2Investimento Direto Estrangeiro ............................................................................... 12 2.4.3Aquisição ................................................................................................................... 13 2.4.4 - Joint-Venture ............................................................................................................ 14 2.4.5Investimento Greenfield............................................................................................ 15 3. A internacionalização das empresas chinesas ........................................................................ 16 3.1Go Global Policy ............................................................................................................... 17 3.2 China 2025 ......................................................................................................................... 18 3.3As teorias da internacionalização e o caso das empresas chinesas ................................. 19 3.4 Modos de Entrada preferenciais das empresas chinesas ................................................. 25 4. A economia chinesa desde a entrada da China na OMC......................................................... 28 4.1 A “Nova Rota da Seda” (The One Belt, One Road Initiative) ............................................. 30 5. As relações económicas da China com Portugal ..................................................................... 33 5.1Enquadramento histórico – A presença portuguesa em Macau ..................................... 33 5.2.1Acordo Quadro de Cooperação entre a Portugal e a RAEMRPC (2001) ....................... 34 5.2.2Acordo de Cooperação Económica (2005) .................................................................... 35 5.2.3Acordo de 2018 “17 memorandos” .............................................................................. 37 5.3Programa Golden Visa ...................................................................................................... 38 5.4A nova Rota da Seda e Portugal ....................................................................................... 41 5.5As principais investidoras chinesas em Portugal e o seu significado na economia portuguesa .............................................................................................................................. 49 6. As Importações Portuguesas provenientes da China – uma análise sectorial por NUT2 ....... 52 6.1Lisboa ............................................................................................................................... 54 6.2Norte ................................................................................................................................ 57 viii 6.3Centro .............................................................................................................................. 60 6.4Alentejo ............................................................................................................................ 63 6.5Algarve ............................................................................................................................. 66 6.6Região Autónoma da Madeira ......................................................................................... 68 6.7Região Autónoma dos Açores .......................................................................................... 71 7Conclusão ................................................................................................................................ 76 8Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 79 9Anexos ..................................................................................................................................... 89 5 2. Revisão de Literatura 2.1. O que é a Internacionalização? O tema de internacionalização é há muito tempo estudado. Apesar de haver uma “panóplia” de bibliografia para o conceito, dada a sua complexidade torna-se difícil a sua conceptualização. Assim, são vários os autores que têm colocado a internacionalização no centro dos seus estudos, surgindo várias definições. De acordo com Johanson & Vahlne (1977) internacionalização das empresas é um processo no qual há um aumento gradual do seu envolvimento internacional. Estes autores entendem que dentro do quadro de fatores económicos e comerciais, as características deste processo influenciam o padrão e o ritmo da internacionalização das empresas. Segundo Wind, Douglas & Perlmutter (1973) o termo internacionalização é um processo de determinadas atitudes ou operações das empresas associadas a estágios sucessivos, adaptando á evolução das suas atividades em mercados externos. Várias interpretações foram surgindo ao longo dos anos, evidenciando este conceito como um processo, sequencial e ordenado, do desenvolvimento organizacional. Calof & Beamish (1995) defenderam que a internacionalização é um processo pela qual a empresa deve passar, no sentido de poder adequar as suas operações a nível estratégico, aos recursos ou até mesmo á estrutura onde pretende operar. Freire (1997) diz-nos que o processo de internacionalização deve desenrolar-se no mesmo seguimento que as competências e vantagens competitivas já utilizadas no mercado doméstico. Com isto, irão “reproduzir” as suas estratégias de mercado, bem como o seu valor nos países para onde se internacionalizam. Martín & López (2007), constatam que a decisão de “internacionalizar” é uma estratégia empresarial devido ao facto de haver uma restruturação das atividades da empresa, introduzida pelas novas áreas de negócio. Para Mathews (2002), a internacionalização consiste no desenvolvimento gradual de uma empresa em negócios internacionais, com o objetivo de que essa participação internacional leve ao progresso da empresa. Isto está em concordância com o que Welford & Prescott referiam em 1994, em que afirmavam que a internacionalização é uma das várias estratégias de crescimento de uma empresa. 6 2.2 Motivações para a Internacionalização Podemos dizer que a internacionalização envolve um processo longo, demorado e com várias implicações. Temos então de nos interrogar sobre quais as motivações que levam as empresas a procurar os mercados externos. Segundo Simões et al (2013) as motivações da internacionalização podem ser diversas, conjugando fatores internos e externos à empresa. Estes mesmos autores dizem que “embora as motivações básicas sejam de natureza interna, na medida em que a internacionalização implica uma avaliação e uma decisão por parte da gestão da empresa, os fatores externos podem ter um efeito negativo ou facilitador na consideração das possibilidades de internacionalização” (Simões et al 2013, pp: 26) Czinkota, Ronkainen & Moffett (1999) apontam como principais motivações para a internacionalização um conjunto de onze fatores, que agrupam em motivações proativas e motivações reativas. As motivações proactivas abrangem vantagens em termos de lucros, de tecnologia, os produtos únicos, a informação exclusiva, enquanto as motivações reativas incluem pressões da concorrência, o excesso da capacidade produtiva, a saturação do mercado doméstico e a proximidade de clientes. Brito & Lorga (1999) dizem que os apoios governamentais, quer do país de origem, quer de destino, podem ajudar a despoletar o desejo de internacionalização. Alguns atores defendem que a internacionalização ocorre devido à existência de recursos disponíveis em mercados exógenos viáveis de serem explorados, como também pela saturação com o qual o mercado interno se depara (Hansson & Hedin, 2007). 7 2.3. Teorias sobre a Internacionalização Quando abordamos o tema da internacionalização verificamos que existem vários modelos que são importantes para entender e explicar as implicações que a internacionalização traz. Vários autores desenvolveram teorias de forma a explicar o fenómeno da internacionalização, mas nenhuma dessas teorias conseguiu expor um modelo que se adaptasse a todas as a realidades e que explicasse de forma completa a internacionalização. Todas as teorias desenvolvidas foram criticadas, o que levou ao seu desenvolvimento e ao aparecimento de novos modelos. De certa maneira, as teorias da internacionalização complementam-se e utilizam diferentes ferramentas para proporcionar uma explicação sobre processo de internacionalização das empresas. Autores como Andersen & Buvik (2002) e Carneiro & Dib (2007), afirmam que existem duas vertentes na área de estudos dos negócios internacionais que são a abordagem económica e a abordagem comportamental da internacionalização. Quando abordamos as teorias económicas no processo de internacionalização verificamos que estas analisam como é organizado o investimento, a produção e o comércio internacional, concentrando-se na organização industrial, ou em fenómenos microeconómicos. Este “pensamento” foca em decisões lógicas para solucionar as interrogações relativas à internacionalização, com o objetivo de maximizar os retornos económicos. A abordagem comportamental diferencia-se das teorias económicas porque esta salienta a importância da organização das empresas para enfrentar o mercado internacional, centrando-se no “líder” (ou em quem toma as decisões) e no comportamento da empresa. Nesta abordagem todo o processo de internacionalização está dependente das atitudes, do conhecimento e atuação por parte de quem toma as decisões, sendo que, estes decisores procuram reduzir ao máximo os riscos sobre como e onde realizar a expansão. De acordo com Ruzzier et al. (2006), a globalização está na origem do processo de internacionalização. Segundo estes autores, existem três forças que levam à globalização dos negócios: o aumento das tecnologias low-cost (melhor comunicação e informação o que levou a maior conhecimento de oportunidade económicas internacionais) , a diminuição das barreiras comerciais ( os “Free-Trade Agreements” 8 proporcionaram maior igualdade entre empresas) e maior liberdade no setor financeiro e as alterações de ordem política, económica e legislativa observadas no mundo (trouxeram novos mercados, mais oportunidades de crescimento e investimento) 2.3.1 - Modelo de Uppsala O modelo de Uppsala aborda o processo de internacionalização afirmando que a empresa se internacionalizará de uma forma gradual e não imediata (Johanson & Vahlne, 1990; Johanson & Wiedersheim-Paul, 1975; Johanson & Vahlne, 2009). De acordo com os autores, o fator que pode prejudicar mais o processo de internacionalização de uma empresa é o desconhecimento sobre o mercado externo para o qual se quer internacionalizar. Assim, quanto maior o grau de conhecimento sobre o mercado maior será o investimento feito pela empresa nesse mercado, uma vez que corre menos riscos. O processo de internacionalização das empresas do ponto de vista deste modelo deve-se sobre tudo às pressões de mercado, ou seja, a empresa começa a notar que o mercado interno já se encontra saturado e vê o mercado externo como uma nova fonte de rendimento ou lucro. Este modelo demonstra que a internacionalização ocorre de uma forma gradual, iniciando-se primeiramente pelas exportações e que vai crescendo de acordo com a evolução do conhecimento do mercado. Para Johanson & Weidersheim-Paul (1975) existem quatro etapas sucessivas no processo de internacionalização: • Não há atividades regulares de exportação; • Desenvolvimento da atividade exportação de forma mais ativa, mas por via de agentes; • Constituição de uma subsidiária de vendas; • Constituição de uma subsidiária de produção. 9 O modelo também está relacionado com a “distância psíquica” que é abordado pelos autores Johanson & Wiedersheim-Paul (1974) e Johanson & Vahlne (1977) que a definem como um conjunto de fatores que dificultam ou não permitem o normal fluxo de informações entre os mercados, ou seja, diferenças de idioma, cultura, sistemas políticos, etc. As empresas terão que prestar mais atenção a estes fatores de forma a iniciar o seu processo de internacionalização escolhendo o mercado externo com menor distância psíquica. Assim sendo, este modelo demonstra que a internacionalização decorre de uma forma gradual começando primeiramente pelas exportações e que vai evoluindo à medida que as empresas ganham conhecimento do mercado. 2.3.2 - Modelo eclético Foram desenvolvidos vários estudos sobre as vantagens competitivas do negócio e sobre os fatores intrínsecos aos países externos. Um bom exemplo é a teoria eclética ou paradigma Ownership-Location-Internalization (OLI) de Dunning (1995,1998,2001). De acordo com o autor, os gastos na informação, nas particularidades dos ativos e as imperfeições do mercado levaram as empresas a excluir os modos de entrada “tradicionais” (exportação, licenciamento, franchising…) em prol do IDE. Deste modo, a teoria de Dunning tenta entender a decisão de produzir ou não no estrangeiro, e pressupõe que, a empresa ao internacionalizar-se via IDE, deverá possuir três tipos de vantagens: “Ownership Advantages” – São as vantagens específicas que a empresa tem internamente, isto é, características “próprias” que a diferenciam da concorrência. Estas especificidades podem ser ativos tangíveis ou intangíveis (por exemplo, controlo de ativos estratégicos como tecnologia, marca própria, capacidades de gestão); “Location Advantages” – As vantagens de localização da empresa no exterior estão relacionadas com os benefícios/facilidades que ela pode ter, como: menores custos de produção, acesso a recursos e a infraestruturas, etc. A localização dos países tem um papel fundamental para determinar o local que irá receber as atividades da empresa mãe. 10 “Internalization Advantages” – São as vantagens nas quais as empresas percebem a utilidade da internalização dos mercados, para o desenvolvimento e uso das vantagens específicas do país recetor, ou seja, quanto maior as vantagens da internalização na empresa fora das suas fronteiras, maior comprometimento da empresa-mãe em investir na produção internacional Assim, a internacionalização via IDE só se torna opção quando a empresa reúne em simultâneo estas três vantagens. Uma das críticas apontadas a este paradigma é o facto de estar direcionado para grandes empresas multinacionais. 2.4 Modos de Entrada Uma empresa com base na avaliação de vantagens e desvantagens deverá tomar as suas decisões e compreender se no modelo escolhido, os benefícios não são superados pelos inconvenientes no momento de internacionalizar. As empresas devem analisar comparativamente as diferentes estratégias de entrada nos mercados, com base nos fatores que explicam a sua situação atual de mercado e da empresa (Martín & López, 2007). Diferentes modos de entrada vão implicar para a empresa diferentes níveis de comprometimento financeiro e de recursos e envolvimento operacional (Craig & Douglas, 2005). Dependendo do tipo de empresa e produto, da localização, das suas capacidades e recursos, a forma mais adequada para a empresa se “tornar internacional” irá variar, e ela deverá avaliar os diferentes cenários e fazer escolhas estratégicas e funcionais. No processo de expansão de uma empresa, esta deve optar por uma entre duas estratégias genéricas: a empresa, com base nas suas características, deve escolher e perceber qual a chave do sucesso dos seus concorrentes e segui-los, ou evitar esses concorrentes concentrando-se em pequenos nichos de mercado (Nordstrom & Vahlne, 1992). Adicionalmente, uma empresa que procure um novo mercado para desenvolver as suas atividades comerciais deverá ter em atenção que a sua estratégia de entrada nesse mercado deverá estar de acordo com as suas expetativas e as suas metas, e deverá estar na mesma linha da estratégia geral da empresa. Uma empresa poderá optar entre a exportação, que poderá ser feita direta ou indiretamente, o uso 11 de um sistema que inclua contratos, tais como a cessão de licenças e o franchising, ou ainda o investimento direto no exterior. Serão agora analisadas as formas de entrada consideradas maís típicas em termos de internacionalização, de forma a elaborar posteriormente uma comparação de como a China internacionaliza. 2.4.1Exportação Segundo Salomon & Shaver (2005), a exportação é a fórmula mais utilizada pelas empresas nos seus processos de expansão internacional. De acordo com Simões (1997) a exportação é um modo de operação em que os produtos são vendidos num país diferente daquele onde são fabricados. Um dos problemas levantados por este modo de entrada é a falta de controlo, na maior parte das situações. Viana e Hortinha (2005) referem que á certos setores de atividade em que a exportação é a única forma para internacionalizar. Para Brito e Lorga (1999) existem duas formas de exportação, a indireta, onde a empresa não interage diretamente nas atividades exportadoras, e a exportação direta, na qual a empresa não delega em terceiros as operações. De acordo com estes autores, é normal estas duas formas de exportação conviverem, conforme os mercados-alvo. Como vantagens deste modo de entrada podemos destacar o facto de apresentar riscos reduzidos, procedimentos relativamente simples e baixo envolvimento financeiro. As desvantagens estão associadas aos possíveis custos logísticos, ao limitado controlo de marketing (preço, promoção, comunicação, distribuição), à falta de recursos para avançar nas oportunidades internacionais. 12 2.4.2Investimento Direto Estrangeiro O IDE por norma está associado a transferências de riqueza e “know-how” de um país para outro, ativando assim, o crescimento do país de acolhimento. De acordo com a OCDE (2013), o IDE é definido como um investimento que é efetuado por uma empresa que prospera numa certa economia, em uma outra entidade residente noutra economia. Com isto, verifica-se uma transferência de produtos e ações do país de origem para o país de destino, envolvendo ainda a transferência de capital financeiro, tecnologia, know-how, técnicas de gestão, etc. O Fundo Monetário Internacional (1998) define IDE como um investimento que tem por base alcançar um “objetivo” (novas matérias primas, tecnologia, etc.) a longo prazo numa entidade que não se encontre no país do investidor. O IDE é visto como um investimento internacional onde o investidor que vive num determinado país, adquire a longo prazo, controlo sobre a gestão de uma empresa que não faz parte do país investidor (Contessi & Weinberger, 2009). O IDE oferece ao país recetor um apoio muito importante em termos de desenvolvimento económico. Fernandes & Campos (2008) verificaram que várias instituições internacionais, políticas e económicas veem o IDE como o fator que ajuda no desenvolvimento económico, podendo ser, assim, uma solução para os problemas económicos que caracterizam os países em desenvolvimento. Desta forma, os países em desenvolvimento tentam atrair IDE sendo que, o IDE assume um papel preponderante na angariação de fundos necessários para a resolução de problemas como bem-estar da população e problemas estruturais, já que, estes países não têm muitos recursos financeiros. 13 2.4.3Aquisição Para Teixeira & Diz (2005) uma aquisição verifica-se quando uma empresa internacional “adquire uma empresa já em funcionamento.” Podemos dizer, então, que, estamos perante uma aquisição internacional quando uma empresa internacional compra uma empresa estrangeira, havendo assim, uma transferência dos ativos e das operações dessa empresa para a empresa “mãe” que, a posteriori, combinará os seus recursos e competências com os da empresa adquirida. Uma aquisição implica a obtenção de todos os ativos da empresa, primeiramente pelos ativos locais, mas que, por vezes pode alargarse a nível dos ativos regionais ou mesmo a nível internacionais. Segundo Viana & Hortinha (1997) o modo de entrada através da aquisição é a forma mais rápida de entrar num mercado estrangeiro. Um dos grandes motivos que levam grandes empresas a utilizar este modo de entrada é o acesso rápido a funcionários experientes, beneficiar de instalações, equipamentos e recursos humanos, assim como acesso a fornecedores, intermediários e clientes antigos já existentes (Cavusgil et al.,.2010). Além disso, a empresa pretendida poderá possuir tecnologia e recursos que poderão contribuir para a consolidação das operações internacionais da empresa “mãe”. As empresas que querem entrar num certo setor do mercado onde já existem inúmeras empresas, veem a aquisição como uma forma muito viável de obtenção de “marcas” já firmes nesse mercado, trazendo acesso aos canais de distribuição, quotas de mercado, rede operacionais e tecnologia (Kotabe & Helsen,2000). Os autores constatam também que, muitas vezes, as aquisições não atendem às expetativas da empresa “mãe” (fábricas desatualizadas, marcas desprestigiadas, força de trabalho desmotivada, empresa com dívidas). Estas empresas pagam um valor demasiado alto pela aquisição devido ao facto de não terem informação suficiente sobre os recursos/ativos que estão a ser adquiridos. 14 De acordo com Lorga (2003) as aquisições possibilitam uma entrada mais rápida no mercado, dando uso às competências já desenvolvidas, como o nome da marca e reputação já estabelecida. Contudo, ainda existem desvantagens com este modo de entrada, podendo surgir problemas de comunicação e coordenação, dificuldades de enquadramento nos negócios existentes, ou até um possível erro na escolha da empresa a comprar. 2.4.4 - Joint-Venture Teixeira & Diz (2005) definem Joint-Venture como acordos entre empresas de dois países diferentes com a finalidade de levar a cabo, num desses países, um negócio com benefícios esperados para ambas as partes. Por isso podemos ver as JointVentures como um modo de entrada, onde o negócio é composto por duas ou mais empresas, que investem e compartilham recursos (Choi & Parsa, 2012). Essa parceria surge com o propósito de começar um novo negócio num dos países. Para Teixeira (2011), neste tipo de contrato ambas as partes partilham de benefícios e de riscos. A Joint Venture, em alguns casos, é até a única hipótese possível de internacionalização, tendo em conta que alguns países exigem às empresas estrangeiras, que formem parcerias com as locais para que possam entrar no seu mercado (Hill, 2011). Para empresas internacionais, a expansão por Joint Venture é uma forma viável de penetrar novos mercados, em especial os mercados emergentes, visto que pode haver benefícios na partilha de recursos (Kotabe & Helsen, 2010). Choi & Parsa, (2012) dizem que, em certos mercados, o conhecimento possuído pelos parceiros locais torna-se muito relevante para o desenvolvimento de um novo negócio, porque este conhecimento não se encontra facilmente disponível. Com as Joint-Ventures há um maior controlo sobre as operações do que na maioria dos outros modos de entrada, facilitando a transferência de conhecimento entre parceiros (por exemplo: contacto com novos métodos de gestão e acesso a novas formas de organização, acesso rápido a tecnologia), possibilitando a aquisição de novas tecnologias, etc. No entanto, com este tipo de entrada, pode-se também verificar uma falta total de controlo ou falta de confiança, o que poderá levar a conflitos no momento de decisões sobre marketing, sobre a formação de pessoal e sobre o controlo de qualidade e de serviço (Meier, Perez, & Woetzel, 1995). 21 A maioria dos autores procura argumentar que o modelo de internacionalização das empresas chinesas segue um padrão totalmente diferente do tradicional. Esses autores referem que as empresas chinesas realizam um salto (leapfrog) nos estágios apresentados pelo modelo Uppsala. O ponto principal do argumento é que as empresas chinesas não seguem a sequência de etapas incrementais do modelo de Johanson & Vahlne (1977). As empresas chinesas mesmo não tendo conhecimento sobre um determinado mercado comprometem recursos, com o objetivo de compensar as suas desvantagens competitivas. Esta questão é tratada em Liu, Xiao & Huang (2008), que realizaram 16 estudos de caso com empresas privadas chinesas. Os autores verificaram que essas empresas escolhiam como modo de entrada fusões e aquisições, ou Joint Ventures no exterior, mesmo antes de exportarem para esse mercado. Isso era feito com o intuito de adquirir ativos estratégicos que elas não possuíam. Quer, Clever & Rienda (2011), são autores que contrapõem o modelo de Uppsala dizendo que as grandes estatais chinesas procuram ter acesso a recursos naturais. Os autores alegam que as empresas não se regem pela sequência de estágios que o modelo prevê, uma vez que estas investem em locais cujos recursos necessários estão disponíveis. Assim, o investimento das empresas não tem em consideração a falta de conhecimento sobre o mercado e até mesmo os riscos políticos presentes nesses mercados. Lin (2010) contrapõe o argumento anterior, afirmando que as grandes estatais chinesas que procuram recursos naturais seguem o modelo gradual de Uppsala, uma vez que começam por importar os recursos naturais de um determinado mercado e só mais tarde optam por investir em operações que visem a extração desses recursos. De acordo com Dunning (2001) e o seu paradigma Ownership-LocationInternalization (OLI), as empresas multinacionais têm em conta as vantagens competitivas desenvolvidas nacionalmente (Ownership-Advantages), que podem ser transferidas para países alvo com a finalidade de explorar vantagens de localidade (Location-Advantages), através das vantagens de internalização (Internalisationadvantages). 22 Analisando o paradigma eclético de Dunning, percebe-se que esse sistema de internacionalização é mais eficaz e rentável para países desenvolvidos do que para países em desenvolvimento ou economias emergentes como a China, pois as empresas “mãe” dos países desenvolvidos possuem melhores vantagens de propriedade, como bens de capital ou produtos de maior valor acrescentado, em comparação com as dos países subdesenvolvidos. Quando uma empresa internacionaliza tenta obter ferramentas estrategicamente importantes que possam ajudar a ter vantagem nesse novo mercado. De acordo com a literatura internacional e Deng (2004) existem cinco principais motivos para investimentos no exterior que são ganhar recursos, tecnologia, mercados, diversificação e ativos estratégicos. Deng (2004) analisa ainda que nos investimentos das multinacionais chinesas, são encontradas motivações semelhantes, mas com algumas características distintivas, mesma assim esta distinção não é fácil devido ao facto que uma empresa chinesa poderá estar perseguindo múltiplos objetivos de um projeto de investimento. Resource-seeking investments As empresas muitas vezes estabelecem no estrangeiro para explorar recursos naturais, com o objetivo de adquirir e garantir um contínuo fornecimento de matériasprimas para suas próprias operações industriais. Obter segurança sobre o acesso a matérias-primas geralmente é citado como um dos motivos para as empresas chinesas investirem no exterior. Este é porque, embora a China seja dotada de alguns recursos naturais, a sua disponibilidade per capita de recursos é muito baixa, principalmente para minérios de ferro, alumínio, cobre, petróleo, madeira e peixe que estão em crescimento. Além disso, explorando abundantes doações recursos naturais, energia ou outros insumos no exterior países, a China pode reduzir os custos de sua produção doméstica indústrias de manufatura e exportação (Deng, 2004). 23 Technology-seeking investments As multinacionais de países emergentes são mais propensas a investir em países desenvolvidos para terem acesso a tecnologia sofisticada, compensando assim suas desvantagens competitivas. Para Deng (2004) as multinacionais chinesas não são exceção, estão cada vez mais interessados em adquirir tecnologia avançada e fabricação know-how em diferentes setores. Um bom exemplo de acesso a tecnologia é o investimento feito pela China Bicycles Corporation de Shenzhen. A empresa comprou uma empresa americana de bicicletas para aprender a produzir a alta especificação modelos de procura nos EUA e na Europa, transferiu a tecnologia de volta para sua fábrica em Shenzhen, que agora possui um mercado de exportação altamente bem-sucedido (Deng,2004). Market-seeking investments Em várias indústrias, os mercados chineses alcançaram os limites da procura efetiva, existindo até um significante excesso de capacidade de produção em indústrias como têxteis e roupas, bicicletas, calçados e aparelhos elétricos. Muitas empresas devem, portanto, direcionar-se para os mercados estrangeiros para vender os produtos, mas são frequentemente confrontados com uma variedade de barreiras comerciais. Com o surgimento de políticas económicas regionais e antecipação de crescentes barreiras protecionistas, mais e mais empresas chinesas não terão escolha, mas estabelecer subsidiárias estrangeiras para garantir a continuidade acesso a esses mercados (Deng,2004), Diversification-seeking investments Várias empresas chinesas, principalmente as grandes multinacionais, envolveram-se em investimentos no exterior para o benefício da “risk diversification”, eles expandem-se para o exterior frequentemente com o apoio do governo, que deseja ver seu desenvolvimento (Deng,2004). Este tipo de investimento é apresentado pela “National Chemicals Import & Export Corporation” – melhor conhecido internacionalmente como Sinochem. 24 As reformas do comércio exterior de 1987 resultou em mais empresas industriais ganharem autoridade comercial, como um resultado, Sinochem começou a perder seu negócio principal e não tinha alternativa, mas procurar novas possibilidades (Deng,2004). Um era capitalizar nos seus pontos fortes – as suas habilidades de comércio exterior e conexões no exterior - investindo assim fora da China. Para sobreviver, Sinochem solicitou e recebeu permissão no final 1987 para se envolver em novos empreendimentos comerciais, inclusive no exterior investimento (Deng,2004). Strategic asset-seeking investments Os motivos estratégicos para investir num mercado estrangeiro são planeados de forma a cumprir objetivos estabelecidos pela empresa, maximizando o desempenho geral e procurando “ir mais longe” do que apenas criação de afiliados mais eficientes num novo mercado (Deng,2004). No mercado global de hoje, as empresas entendem como estrategicamente necessário envolverem-se em IDE num ou mais países. Deng (2004 – pp:13) citando Dunning (1998) argumenta que “the most significant change in the motives for FDI over the last two decades has been the rapid growth of strategic asset seeking FDI, which is geared less toward exploiting an existing [ownership]-specific advantage of an investing firm, and more toward protecting or augmenting that advantage by the acquisition of new assets, or by a partnering arrangement with a foreign firm”. Vários exemplos mostram que as multinacionais chinesas investem nos principais mercados estrangeiros, onde se encontram os seus concorrentes com o propósito de promover os seus interesses globais, como parte de sua produção global e estratégias de marketing. Trata-se de uma estratégia-chave das empresas chinesas, que estão procurando ativamente estabelecer uma marca reconhecida globalmente (Deng,2004). O Estado apoia o investimento em países que contêm recursos que são escassos na China, garantindo dessa maneira o acesso a uma "fonte permanente" dos recursos necessários, o que pode garantir um crescimento económico futuro maior. No caso da China, a procura por recursos naturais demonstra, acima de tudo, a preocupação do Estado com o abastecimento de matérias primas para a produção. Além disso, o Estado chinês incentiva as fusões e aquisições ou investimentos do tipo 25 Greenfield, de modo a aumentar a presença de suas empresas no âmbito internacional, bem como aumentar o alcance mundial de seu mercado. Podemos verificar, então, que existem predominantemente dois tipos de empresas na China, as empresas estatais ou parcialmente estatais, que usufruem de todo o apoio do governo, e as empresas privadas que têm vindo a crescer e a globalizar-se de forma mais rápida. As empresas que são do estado têm razões diferentes para se internacionalizarem, pois, ao serem guiadas através de diretrizes do governo, concentram os investimentos em áreas fulcrais e estratégicas para economia chinesa (Andreff, 2015). As empresas privadas chinesas são atraídas principalmente por grandes mercados, enquanto que as empresas do estado, procuram nomeadamente grandes fontes de recursos naturais, podendo investir em países com ambiente político arriscado. 3.4 Modos de Entrada preferenciais das empresas chinesas Para Voss (2011) as reformas implementadas pela “Go Global Policy” foram uma resposta do governo chinês às necessidades de adaptação ao novo contexto de concorrência decorrente da entrada China na OMC. As empresas chinesas foram obrigadas a acelerar o seu processo de “catch-up” face às empresas ocidentais e a “Go Global Policy” foi essencial nesse processo, servindo de suporte para iniciativas empresariais. No início da aplicação da política “Go Global Policy” as empresas mostravam-se reticentes a terem de comprometer-se com recursos no exterior, pelo que a exportação foi a opção mais preferencial (Voss, 2011) O estudo de Child e Rodrigues (2005), que aborda/analisa os modos de entrada das empresas chinesas, mostra que ao longos dos anos o número de fusões e aquisições por parte de empresas chinesas tem aumentado. Os autores afirmam que existe um quadro bastante diversificado de aquisições feitas pelas empresas chinesas, sendo que estas aquisições são realizadas por grandes empresas do governo (empresas estatais) que procuram recursos naturais, ou empresas multinacionais chinesas que estão à procura de novas tecnologias. 26 Os autores afirmam que a principal motivação para as aquisições chinesas é a procura de “ativos estratégicos”, ou seja, com a aquisição de empresas já bem implementadas no país-alvo, as empresas chinesas conseguem ter acesso imediato a novas tecnologias e a todas vantagens competitivas que a empresa nacional possua. Luo (2002) elaborou uma pesquisa com o objetivo de saber se o desempenho das empresas chinesas melhorava em função da aquisição de competências e tecnologia no estrangeiro. Com esta a pesquisa o autor concluiu que os atributos da aquisição internacional - como as suas competências, a sua posição no mercado, a gestão da empresa e a reputação da mesma - estão positivamente relacionados com o aumento da performance da empresa chinesa. Os autores Child e Rodrigues (2005) alertaram também para a possível falta de complementaridade entre as empresas envolvidas na aquisição, pois a cultura empresarial chinesa poderá ser significativamente diferente da das empresas adquiridas, assim como os seus objetivos estratégicos. As empresas chinesas optam por entrar nos países via aquisições porque conseguem ultrapassar a desvantagem de ser “foreign” num país novo, usando os conhecimentos inovadores da empresa, a sua reputação, a sua rede de contactos, e toda a sua rede de operações (Klossek, Linke e Nipa, 2010). Estes autores comparam este modo de entrada com o investimento Greenfield onde a empresa precisa de construir toda uma rede de fornecimento, operação e marca no novo país. Child e Rodrigues (2005), destacam 3 modos de entrada específicos das empresas chinesas, sendo elas as “OEM or joint venturing”, aquisições ou ainda the organic expansion route. Formação de Joint Ventures com empresas estrangeiras, apoiando uma parceria com elas através de fabricação de equipamentos ou licenciamento de tecnologia, é uma rota escolhida muitas empresas chinesas. Child e Rodrigues (2005) diz que isto equivale a um tipo de “inward’ internationalization" em que existe um relacionamento próximo, contínuo, operacional e organizacional com uma ou mais empresas multinacionais de um tipo que permita a transferência de competências e conhecimentos relevantes para a eventual “outward internationalization” através da exportação ou investimento no exterior. 27 O OEM (“original equipment manufacture”) combina a vantagem de custo de uma empresa chinesa com a vantagem da marca de uma empresa estrangeira. No processo de desenvolvimento de uma reputação empresarial suficiente para um eventual lançamento de uma marca internacional, a rota OEM oferece às empresas chinesas a vantagens de preservar a sua identidade, alcançar economias de escala e ganhar reputação por excelência em fabricação (Child e Rodrigues, 2005) Para Child e Rodrigues (2005), o motivo dominante entre as empresas chinesas para a realização de aquisições estrangeiras é a força do mercado. As empresas realizam aquisições para obter acesso à tecnologia, garantir novas pesquisas, novos know-hows e adquirir marcas internacionais. A aquisição fornece um caminho rápido para esses benefícios e também pode negá-los aos concorrentes. Child e Rodrigues (2005) aborda também um fator de restrição institucional onde as aquisições por parte de empresas chinesas geralmente são oficialmente incentivadas, enquanto que as aquisições internas de empresas geralmente não são, o que remove um caminho para o crescimento. Para Child e Rodrigues (2005), the organic expansion route é um caminho que as empresas chinesas utilizam para a expansão internacional que envolve o estabelecimento investimento Greenfield de subsidiárias e instalações dentro de mercados. Inicialmente, visa garantir vantagens de diferenciação em termos, por exemplo, de ajuste às necessidades e gostos do mercado local, mas também pode ser, como podemos verificar no caso de Grupo Haier, obter reconhecimento global da marca. É também uma rota que maximiza o controle e as possibilidades de integração global. Os autores dizem que as dificuldades que as empresas chinesas podem é devido ao facto de serem “foreign” num mercado novo, enfrentando um ambiente social distinto de onde elas provêm. 28 4. A economia chinesa desde a entrada da China na OMC Com um território de grande extensão, um passado historicamente rico, uma população de aproximadamente 1,3 mil milhões de habitantes, a China é umas das maiores potências da atualidade, nomeadamente no que se refere ao seu enorme potencial económico. No dia 11 de dezembro de 2001, a China tornou-se oficialmente membro da Organização Mundial do Comércio, e com isto, deu um passo importante para a integração na economia mundial. Num espaço temporal de duas décadas, a China passou de um país extremamente fechado (época de Mao) para se tornar numa das maiores potências globais (Kent, 2002). A integração da China na Organização Mundial do Comércio trouxe grandes benefícios ao país, principalmente no que toca à expansão do seu comércio internacional, atraindo assim, níveis mais elevados de investimento (Bhat, 2010). Internamente, a integração da China na OMC impôs responsabilidades e desafios significativos à sua liderança, enquanto que a nível externo a levou a redefinir o seu relacionamento com os EUA e a UE. É de salientar também que a China após a sua integração na OMC deu considerável atenção à sua relação com os seus vizinhos da região asiática, iniciando vários acordos bilaterais (Bhat, 2010). Para Guohua e Jin (2001), as principais razões que levaram à integração da China na OMC foram o aumento do comércio exterior, o avançar nas reformas económicas, ter uma participação mais ativa na discussão nas questões económicas internacionais e na formulação das regras do comércio internacional e adquirir mais informações sobre o comércio internacional. Kornberg e Faust (2005), dizem-nos que a integração da China na OMC trouxe-lhe, ao mesmo tempo, prestígio internacional, e afirmou o sucesso das reformas económicas implementadas no país desde 1978. Podemos verificar então que desde a abertura ao comércio exterior e da implementação das reformas de mercado de 1979, a China tem estado entre as economias que mais crescem, com um incremento anual real do produto interno bruto (PIB) de 9,5% até 2017 (Wayne, 2018). 29 Este crescimento económico da China permitiu-lhe, em média, duplicar o seu PIB a cada oito anos e ajudou a tirar cerca de 800 milhões de pessoas da pobreza. A China tornou-se a maior economia do mundo (com base no poder de compra), o maior produtor, o maior “trader” de mercadorias (desde brinquedos até máquinas industriais) e um importante detentor de “foreign exchange reserves” (Wayne, 2018). A economia chinesa tem alcançado altas taxas de crescimento, que resultam, em parte, de um conjunto de reformas económicas realizadas pelo país desde 1978. As mudanças introduzidas na política económica levaram à expansão das exportações e a um aumento do investimento estrangeiro. Ross Garnaut (2018) afirma que mesmo após as reformas económicas, as mudanças a nível geral mantêm-se a um ritmo muito elevado, verificando que em 2017 a economia chinesa já é 5.3 vezes maior do que em 1998, e a nível do comércio internacional cresceu 12.6 vezes. A nível tecnológico verificou-se também uma grande evolução sendo que a população chinesa participa ativamente em muitas “redes de informação” tanto dentro como fora do país, algo que alguns anos atrás não era imaginável. Xiaodong Zhu (2012) afirmou que em outras economias, especialmente na Ásia Oriental como no Japão, na Coreia do Sul e em Taiwan, períodos de um rápido crescimento económico eventualmente têm tendência para diminuir. Posto isto, poderá verificar-se que o crescimento do PIB per capita de 8% por ano da China não se mantenha sempre. Para tentar que o crescimento económico chinês se mantenha, o governo tornou a inovação uma das suas prioridades, por meio de várias “high-profile initiatives” (iniciativas com o intuito de evitar a estagnação da economia e desenvolver o país). Entre estas iniciativas contam-se o “Made in China 2025”, um plano anunciado em 2015 para atualizar e modernizar a indústria da China em 10 setores-chave (tecnologia de informação avançada, máquinas/ferramentas de controle digital e robótica, aviões, equipamentos de navegação, equipamentos de transporte ferroviário, automóveis utilizando novas energias, equipamentos de energia elétrica, equipamentos agrícolas, novos materiais, bio farmacêuticos e equipamentos médicos), por meio de ampla assistência governamental, e com a finalidade de fazer da China um grande player global desses setores (Wayne,2018). 30 Uma outra mudança que podemos verificar é na estrutura chinesa do comércio que, em parte, está associada ao rápido crescimento dos mercados internacionais e que se traduziu numa mudança na estrutura das exportações, de sectores e produtos de trabalho intensivo para a exportação de bens de capital/tecnologia intensiva (Caporale et al, 2015). Os autores Cintra & Pinto (2017; pp: 382) dizem que “no plano político-económico internacional, a China tem cada vez mais poder no âmbito das instituições multilaterais e tem consolidado o seu poder no sistema internacional também através das negociações bilaterais com outros países desenvolvidos e em desenvolvimento, projetando o seu poder no tabuleiro geoeconómico e geopolítico asiático e mundial.” 4.1 A “Nova Rota da Seda” (The One Belt, One Road Initiative) A Iniciativa One Belt, One Road (OBOR) de expansão económica externa da China, é umas das propostas mais ambiciosas que o presidente Chinês traçou para a política económica e política externa da China. A iniciativa destina-se a fortalecer a liderança económica de Pequim através de um vasto programa de construção de infraestruturas em toda a região circundante da China (Cai, 2017), e que se tem vindo a alargar a vários continentes. Cai (2017) nota que vários analistas de política externa têm interpretado esta iniciativa em grande parte pela lente geopolítica, e como a tentativa de Pequim ganhar influência política à escala global. O presidente chinês lançou este novo projeto numa fase em que a política externa chinesa se encontrava cada vez mais assertiva, o que levou a que a iniciativa One Belt, One Road fosse interpretada como um plano geopolítico em vez de um plano puramente geoeconómico (Cai, 2017) A OBOR é lançada num contexto significativamente diferente da última política lançada pela China (Go Global Policy). Neste momento a China possui capacidades mais fortes para sustentar o conceito e colocá-lo em prática. Este novo plano chinês é mais ambicioso e melhor apoiado, tanto a nível financeiro como diplomaticamente, do que os conceitos anteriores lançados (Go Global Policy e China 2025) pelo governo da China (Elkman, 2017). 37 autoridades, e promover um melhor conhecimento mútuo dos sistemas jurídicos dos dois países; • Saúde, em que os dois países estão dispostos a promover ações de comunicação, trocas de boas práticas, conceção de projetos de cooperação e de trabalho conjunto entre grupos de profissionais e entre as Instituições de Saúde dos dois países. 5.2.3Acordo de 2018 “17 memorandos” Mais recentemente as relações entre os dois países tem crescido com as visitas tanto do Presidente República Popular da China a Portugal como do Presidente da República Portuguesa à China. Sucessivamente tem havido troca de elogios entre os dois países, sendo que a China já há vários anos que demonstra grande interesse em Portugal, querendo cada vez mais Portugal como um aliado, principalmente na sua “nova” estratégia da “One Belt, One Road”. Foi então que na mais recente visita do presidente Chinês a Portugal, foram assinados 17 memorandos que vão marcar ainda mais as relações bilaterais dos dois países, estes memorandos abordam inúmeros temas e áreas de interesse, devendo ser destacado um memorando que aborda o potencial papel de Portugal na estratégia chinesa “One Belt, One Road”: • Cooperação no quadro da Faixa Económica da “Rota da Seda” e da iniciativa relativa à “Rota da Seda Marítima” do século XXI; Outros memorandos são os seguintes: • Cooperação em matéria de comércio e serviços; • Promoção de Atividades de Cooperação para a Implementação da Parceria Portugal-China 2030 em matéria de Ciência e Tecnologia • Cooperação no domínio da água; • Entendimento entre a EDP e a China Three Gorges para a colaboração ao nível da responsabilidade social das empresas, designadamente no domínio da cultura, desenvolvimento sustentável, inovação e R&D; 38 • Memorando entre a MEO e a Huawei, sobre o desenvolvimento da tecnologia 5G; • Entendimento entre o BCP e a Union Pay, para a emissão de cartões de crédito da empresa chinesa de serviços financeiros que lidera os pagamentos eletrónicos na China; • Entendimento entre o Grupo Media da China e a RTP para a produção conjunta de documentários; • Entendimento para o estabelecimento do Instituto Confúcio na Universidade do Porto; • Entendimento para a criação de um centro de estudos chineses na Universidade de Coimbra; 5.3Programa Golden Visa As relações económicas China–Portugal têm sido também marcadas pela utilização por parte de cidadãos chineses do programa Golden Visa. O Golden Visa Portugal é um programa de concessão de residência na decorrência de investimentos em Portugal, ou seja, se um cidadão investir no país e esse investimento cumprir certos requisitos ser-lhe-á permitido residir no país. O candidato ao programa, desde que não seja cidadão da União Europeia (UE), do Espaço Económico Europeu (EEE) ou da Suíça, pode investir em Portugal e beneficiar assim de uma autorização de residência portuguesa para si próprio e também para os membros da sua família. Oficialmente apelidado de “ARI” (“Autorização de Residência para a Atividade de Investimento”), o Visto Gold Portugal é o programa de concessão de residência através de investimento com a maior taxa de sucesso na Europa. Os principais benefícios do programa Golden Visa Portugal são: • Entrada e livre trânsito em todo o Espaço Europeu (Schengen); • Possibilidade de residência legal em Portugal, se o seu titular desejar; • Obrigação de passar apenas uma ou duas semanas por ano em Portugal; 39 55% 10% 4% 4% 4% 23% China 4441 Brasil 858 Turquia 374 África do Sul 318 Rússia 293 Outros 1841 Gráfico 1Principais nacionalidades de atribuição de Vistos Gold (20122019) • Possibilidade de obtenção de cidadania portuguesa, após 5 anos de investimento; • Possibilidade de extensão dos benefícios ao cônjuge e dependentes. O programa Golden Visa em Portugal foi criado em 2012 para atrair investimento estrangeiro para o país e já trouxe mais de 3,5 bilhões de euros em investimentos diretos para Portugal. Até agora, mais de 7.000 investidores foram beneficiados pelo programa, juntamente com mais de 12.000 familiares. Atualmente, os cinco principais países de nacionalidades dos investidores são de China, Brasil, Turquia, África do Sul e Rússia. Os cidadãos da China representam 55% do total de vistos atribuídos. Desde a criação deste instrumento, que visa a captação de investimento, foram atribuídos 8125 ARI, cuja evolução se pode ver no Gráfico nº 2, os quais atingiram os seus valores máximos em 2016 e 2018, sendo que os dados de 2019 só estão contabilizados até novembro do mesmo ano. Fonte: Elaboração própria com dados da AICEP, 2019; SEF, 2019novembro) 40 Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), o investimento chinês conseguido com os golden visa totalizou cerca de 2,529 mil milhões de euros nos oito anos do programa, enquanto o investimento brasileiro foi de 678,6 milhões de euros (AICEP, 2019). Do total arrecadado, o investimento da China representou mais da metade (51%), de um total de 4.424 ARI atribuídos. No caso do Brasil, 844 vistos 'gold' foram concedidos durante o programa totalizando 678,6 milhões de euros. O investimento de origem turca foi cerca de 200 milhões de euros (370 ARI) e o russo de aproximadamente 198,7 milhões de euros (290 ARI). A África do Sul também faz parte do grupo das cinco principais nacionalidades que investiram em Portugal através deste instrumento, com cerca de 194,6 milhões de euros, na concessão de 318 ARI (AICEP,2019) Nos primeiros 10 meses do ano de 2019, o investimento totalizou 661 milhões de euros, 0,8% a menos que no mesmo período de 2018. Entre janeiro e outubro, o investimento chinês totalizou 196,1 milhões de euros, 10,8% a menos do que no mesmo período do ano passado, enquanto o investimento do Brasil caiu 23%, para 142,9 milhões de euros, e o investimento da Turquia caiu pela metade, em termos anuais, para 40,6 milhões de euros (AICEP,2019) Os Estados Unidos (com 39,3 milhões de euros) e a Rússia (31,3 milhões de euros) são os outros dois países cujos cidadãos mais investiram em Portugal com base nos Vistos Gold em 2019 (AICEP, 2019). 2494 1526 766 1414 1351 1409 1163 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 Fonte: Elaboração própria com dados da AICEP, 2019; SEF, 2019novembro Gráfico 2Autorizações de residência para investimento 41 5.4A nova Rota da Seda e Portugal ‘Portugal is the Beginning and the End of the Silk Road’, foi uma declaração proferida pelo Ex-embaixador chinês, Huang Songfu, num evento académico sobre as relações entre a China-Portugal, em maio de 2015 (Rodrigues, 2016). Esta declaração sugere que Portugal poderá ser um país importante no desenvolvimento da estratégia chinesa da 'Nova Rota da Seda' (New Silk Road). A afirmação por parte do diplomata chinês acresce ao compromisso que existe por parte da China de envolver Portugal no âmbito do OBOR. Ele enfatiza a antiga relação de 5 séculos que existe entre os dois países, o processo de negociação de que se seguiu ao estabelecimento de relações diplomáticas em 1979, levando à entrega do antigo “território” Português de Macau em 1999, bem como o estabelecimento de uma parceria global estratégica entre os dois países em 2005. A China vê o seu relacionamento com Portugal como um bom exemplo de boas práticas de política internacional, sendo o OBOR uma nova oportunidade de fortalecer ainda mais a “pareceria estratégia global” entre os dois países, que pode levar as relações entre os dois países para um patamar superior de cooperação, com uma maior diversificação de trocas bilaterais e aumento no investimento e relações culturais (Rodrigues, 2016) Um contexto político, histórico e económico favorável tem facilitado um reforço significativo das relações bilaterais entre Portugal e a República Popular da China nas últimas décadas. Pode-se argumentar que qualquer desenvolvimento relacionado com OBOR em Portugal pode ser construído sobre os pontos fortes da relação já existentes, nomeadamente em termos de investimento (Rodrigues, 2016) De forma geral a China vê o OBOR como uma oportunidade de fazer um “upgrade” ao seu relacionamento positivo com Portugal, de forma a conseguir novas oportunidades e vantagens. Por exemplo, o OBOR em Portugal pode facilitar a prossecução dos interesses da China em países de língua oficial portuguesa (CPLP). A face mais visível do esforço chinês é na difusão de informações e ideias. 42 O Professor Carlos Rodrigues no seu artigo “Portugal and OBOR: Welcoming, but Lacking a Strategy” (2016) diz nos que a China procura de forma isolada ou em cooperação com instituições portuguesas, como câmaras de comércio ou universidades, organizar uns eventos dedicados à OBOR e às suas relações com Portugal, nomeadamente conferências e seminários, fazendo uso de funcionários de alto escalão e académicos de prestígio. Estes eventos têm como objetivo realçar o papel de relevância que Portugal pode ter na estratégia chinesa (OBOR), dado também o posicionamento estratégico de Portugal, principalmente no contexto das rotas marítimas do Atlântico, podendo tornar-se fundamental para implementação da Rota Marítima da Seda do século 21. Cada vez mais elementos da diplomacia chinesa argumentam que Portugal pode ser um elemento importante no que cabe aos transportes marítimos. Os diplomatas chineses não estão a esconder o seu enorme interesse em incluir o porto de Sines como parte da infraestrutura da Silk Road Marítima. Eles reconhecem a sua importância para melhorar as ligações entre China, Europa Ocidental e África. Na verdade, a China está a prestar particular atenção às infraestruturas de Portugal mais precisamente ao porto de Sines, argumentando que esta infraestrutura será provavelmente o primeiro projeto relacionado com o OBOR em Portugal. De acordo com a notícia da Revista Cargo (2018), elaborada por Bruno Cardoso, “One Belt, One Road: Portugal, a peça que faltava?” , na segunda metade de 2017, houve até um acordo político que visava agilizar os processos aduaneiros entre o porto de Sines e os portos chineses. A implementação de uma espécie de ‘via verde’ no âmbito das trocas comerciais entre os dois países, visando o estabelecimento de uma rota comercial marítima direta entre o Porto de Sines e portos chineses, e a minimização dos encargos administrativos. A visita oficial do presidente chinês Xi Jinping, em dezembro de 2018, a Portugal terminou com a assinatura de 17 memorandos de “entendimento bilaterais de cooperação”, principalmente um memorando de entendimento sobre a iniciativa chinesa 'Belt and Road'. O memorando feito sobre a iniciativa chinesa OBOR, 43 estabelece os modos de cooperação bilateral sob a iniciativa chinesa, cobrindo uma ampla gama de setores, incluindo conectividade e mobilidade elétrica. Também na área de negócios, foram assinados acordos entre o banco português Banco Comercial Português (BCP) e o UnionPay da China e entre a operadora de telecomunicações portuguesa MEO e a Huawei da China sobre o desenvolvimento da tecnologia 5G, focado em um aumento qualitativo no acesso à rede de banda larga móvel e comunicações com maior confiabilidade. De acordo com a notícia “‘One Belt One Road’: Governo chinês agradece participação de Portugal no «projecto do século»” desenvolvida pela Revista Cargo (2019) é referido que após a visita do presidente chinês, o governo do mesmo em declarações à “Lusa News Agency”, disse que "aprecia profundamente" a participação de Portugal na iniciativa "OBOR", como um dos primeiros países da Europa Ocidental a tornar-se parte da estratégia internacional chinesa. Na declaração proferida, a China destaca ainda a posição “extrema relevância” de Portugal no extremo oeste da Eurásia, face à inclusão de uma rota atlântica no projeto chinês, sugerindo que a cooperação com Lisboa, nomeadamente o projeto do porto de Sines permitirá ligar as rotas do Extremo Oriente até o Oceano Atlântico. No comunicado afirmaram que "A assinatura de um memorando de entendimento com Portugal no âmbito do 'Belt and Road' estabeleceu uma base sólida para o desenvolvimento da iniciativa”. Recordando que a visita do presidente da China Xi Jinping a Lisboa em dezembro de 2018, "colocou as relações a um novo nível", os diplomatas chineses consideram que Portugal é "um exemplo positivo" de cooperação entre a China e a Europa. Após a visita do presidente Chinês a Portugal e das declarações acima referidas, chegou a vez do Presidente da República, visitar a China em abril de 2019 onde participou no segundo fórum "Uma Faixa, Uma Rota", em Pequim. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa admitiu pela primeira vez em novembro de 2019 o envolvimento de Portugal nesta iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas entre a Ásia e a Europa. Após a sua participação no fórum, o Presidente da República em declarações à RTP, afirmou ter verificado uma aproximação ao país de Xi Jinping 44 que “ultrapassa o esquema das alianças clássicas”. Marcelo Rebelo de Sousa considera tratar-se de “um movimento que, em si mesmo, é positivo para o mundo”. Face a esta expansão económica da China e à iniciativa OBOR, Portugal não tem uma estratégia proativa, dado o compromisso e interesse por parte China de trazer Portugal para “o jogo”. Carlos Rodrigues (2016) diz que “Should this situation continue to prevail, a rather reactive stance vis-à-vis OBOR can be expected on Portugal’s part. Accordingly, Portuguese authorities will compensate for their lack of proactivity by relying on the friendly state of affairs that marks the history of China–Portugal bilateral relations, as well as the sound achievements secured by Portugal in the last decade, namely in trade and investment.” De acordo com a notícia da AICEP (2018) “O crescente investimento chinês em Portugal e a influência do capital”, Portugal é o 10º país onde a China investiu mais nos últimos anos e o segundo país europeu em que este investimento teve maior peso na economia nacional. No artigo da AICEP (2017) “Macau: Uma Ponte Na Relação Económica Entre a China e Os Países de Língua Portuguesa”, a delegada da AICEP em Pequim, Alexandra Ferreira Leite afirma que “Portugal está definitivamente “no mapa” da China enquanto destino preferencial de investimento.” Muitos analistas dizem que o investimento realizado já ronda os 12 mil milhões de euros. Podemos verificar ainda que o mercado da China assume uma posição com algum relevo no contexto do comércio internacional português de bens e serviços. De acordo com a ficha da AICEP (2019) “Portugal: Estatísticas de Relacionamento Económico com a China” em 2019, a quota da China como “cliente” de Portugal foi 1.01%, enquanto que a quota da China como “fornecedor” de Portugal representa cerca de 2.92%. A China é um país de enorme dimensão e ao obter quota de mercado, mesmo que seja “de décimas” terá um grande impacto no crescimento e desenvolvimento económico de Portugal. Os fatores que podem explicar a continuidade do investimento chinês em Portugal foram a crise na zona euro e em Portugal, e a aceleração do processo “Go Global” da China, que teve início em 2001. A estes fatores podemos acrescentar a vontade da China estar presente em zonas de interesse português, como o espaço 45 lusófono, e o interesse na aquisição de ativos que permitam às suas empresas uma consolidação da sua posição na economia. O investimento chinês em Portugal tem registado um crescimento considerável nos últimos anos, principalmente por causa da maneira como os investidores chineses aproveitaram, por um lado, a postura próprivatização do Governo Português, por outro lado, o papel de “ponte” que Portugal pode ter com a China, e a África e América Latina, devido à sua história colonial. O investimento chinês em Portugal ao longo dos anos tem ganho proporções cada vez mais elevadas, sendo que, podemos verificar que a presença chinesa já remonta aos anos 2000 onde começaram a aparecer pequenas lojas e restaurantes chineses em Portugal (Caldart, 2014). No artigo da AICEP (2017) “Macau: Uma Ponte Na Relação Económica Entre a China e Os Países de Língua Portuguesa”, a delegada da AICEP em Pequim, Alexandra Ferreira Leite os investimentos da China em Portugal eram feitos quase em exclusivo pelas grandes multinacionais de tecnologia e informação chinesas (Huawei e ZTE), mas a partir de o ano 2011/2012 com a entrada no setor energético da grande empresa estatal chinesa (CTG - China Three Gorges) na EDP, a China passou a ser um dos maiores investidores estrangeiros em Portugal Fazendo uma pequena análise geral do envolvimento chinês no mercado português podemos verificar que os setores que mais recebem investimento por parte da China são a banca, os seguros, a aviação e o setor da energia. De acordo com o Jornal “SOL” (2019) ainda há muitas mais áreas onde os chineses investem. Estes sucessivos investimentos começaram graças às privatizações durante o “período da troika” (2011-2014). Já com milhares de milhões aplicados em Portugal, o investimento chinês não ficará por aqui, verificando-se ainda bastantes interesses de compra nas mais diversas atividades, quer de forma total quer como parcial (Jornal Sol, 2019). 46 O jornal SOL aborda ainda os investimentos que têm ocorrido nas seguintes áreas: Energia Na energia, onde “a privatização da EDP foi a primeira paragem de uma longa viagem que diz respeito às relações comerciais/económicas entre Portugal e a China. A compra por parte da empresa estatal chinesa China Three Gorges (CTG), ainda feita sobre o mandato do antigo governo chinês e na fase inicial do programa da “troika”, marcou o começo do grande investimento chinês em Portugal. Naquela altura, esta grande empresa estatal chinesa pagou cerca de 2690 milhões de euros por 21,35% do capital da elétrica nacional, mas ao longo dos anos foi reforçando a sua posição. Não foi só a EDP a chamar à atenção aos dos e investidores chinês, mas também a REN que, em fevereiro de 2012, viu os chineses da State Grid a ficarem com 25% do capital, pagando 387 milhões de euros pela posição na empresa gestora das redes energéticas nacionais. Seguros Os chineses da Fosun estrearam-se em Portugal através do investimento no mercado segurador, pagando mil milhões de euros por 30% do mercado segurador português (Fidelidade e Multicare), mas o investimento total ascendeu a quase 1,209 mil milhões de euros. Esta aquisição por parte da empresa chinesa representou a terceira privatização realizada pelo Executivo português na altura, que só acordou com a venda devido ao facto de os chineses se mostraram-se flexíveis para serem parceiros da Caixa Geral de Depósitos, na Caixa Seguros, dado que o banco português mantém, com uma posição de 15%, no capital da holding dominada pela Fosun. A Fosun prometeu também que o grupo chinês iria expandir as operações da Caixa Seguros na China e noutros mercados asiáticos. 53 Tabela 2Evolução das Importações Portuguesas da China (2005-2018). ANO Total das Importações Portuguesas Total de Importações Portuguesas da China em € % das Importações Portuguesas da China 2005 51.379.218.326 568.942.298 1,11 2006 56.294.640.651 773.202.802 1,37 2007 59.926.542.840 1.063.431.245 1,77 2008 64.193.885.647 1.342.004.395 2,09 2009 51.378.500.643 1.114.668.841 2,17 2010 58.647.391.261 1.578.287.148 2,69 2011 59.551.441.805 1.526.005.483 2,56 2012 56.374.082.889 1.391.311.143 2,47 2013 57.012.824.865 1.370.362.106 2,40 2014 59.032.120.694 1.599.052.083 2,71 2015 60.344.799.543 1.777.642.086 2,95 2016 61.424.014.899 1.819.454.015 2,96 2017 69.688.564.626 2.051.444.224 2,94 2018 75.033.168.539 2.350.150.632 3,13 Total 840.281.197.228 20.325.958.501 2,42 (média) Tabela 3Importações Portuguesas da China por NUT2 (2005-2018) NUT2 VALOR em € % Lisboa 7.621.840.212 37,59 Norte 6.568.936.721 32,40 Centro 3.170.220.363 15,63 Não Aplicável/Desconhecido 2.253.951.533 11,12 Alentejo 554.778.271 2,74 Algarve 62.510.248 0,31 Região Autónoma da Madeira 29.732.285 0,15 Região Autónoma dos Açores 10.265.753 0,05 Não Aplicável/Desconhecido 2.253.951.533 11,12 Segredo Estatístico 5.325.176 0,03 Total Geral 20.277.560.562 100 Fazemos de seguida a análise por NUT2, reportando no texto os valores sectoriais para a menor desagregação - Secção (1 letra) – para a Divisão (2 Dígitos), e para Grupo (3 Dígitos). Os dados referentes à Classe (4 Dígitos) e Sub-Classe (5 Dígitos) são apresentados em Anexo, embora estes últimos por serem os que permitem uma análise mais refinada serão comentados no texto. Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 54 6.1Lisboa A Área Metropolitana de Lisboa importou 7.621.840.212 de euros da China. É a região que mais recebe produtos da China, representando cerca de 37.9% do total de importações chinesas em Portugal, como podemos verificar na tabela 3. Nas importações por parte da Área Metropolitana de Lisboa tendo por base a designação de divisão (1 letra) da CAE-Rev.3 pude verificar que o setor com mais peso é o “Comércio por grosso e a retalho; Reparação de veículos automóveis e motociclos” onde totalizou cerca de 4.771.094.111 de euros representando 62.60% do total de importações. Depois surgem as “Indústrias transformadoras”, que representam 31,29% (2.385.226.023 €) do total das importações, seguindo-se a grande distância as “Atividades de informação e de comunicação” com 2.39%, e todos os “Outros setores” representam apenas 3.71%. Tabela 4Valores totais de Lisboa por Secção/1 letra CAE Lisboa (Secção| 1 letra) Valor em € % Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 4.771.094.111 62,60 Indústrias transformadoras 2.385.226.023 31,29 Atividades de informação e de comunicação 182.429.275 2,39 Outros Setores 283.090.803 3,71 Lisboa Total 7.621.840.212 100 Quando desagregamos os setores utilizando a divisão (2 Dígitos) verificamos que “Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos” representa 45.7% com o valor de 3.486.873 euros. Os restantes setores com mais importações são o “Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos” e “Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos” representando respetivamente 15.72% e 9.29%. Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 55 Tabela 5Valores totais de Lisboa por Divisão/2 Dígitos CAE Quando a desagregação é realizada a 3 dígitos utilizando “Grupo” da CAE-Rev.3 destacamos no topo da tabela, “Comércio por grosso não especializado” representando 16.22% no valor de 1.236.313.011 euros. Nesta desagregação ainda podemos destacar “Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco” e “Outros Setores” representando as respetivas percentagens de 14.11% e 14,10%. Lisboa (Divisão| 2 Dígitos) Valor em € % Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos 3.486.661.873 45,75 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 1.198.171.633 15,72 Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos 707.887.629 9,29 Indústrias metalúrgicas de base 427.738.734 5,61 Fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas ou artificiais, exceto produtos farmacêuticos 338.962.928 4,45 Fabricação de veículos automóveis, reboques, semireboques e componentes para veículos automóveis 286.868.997 3,76 Fabricação de produtos farmacêuticos de base e de preparações farmacêuticas 249.816.159 3,28 Telecomunicações 118.075.460 1,55 Fabricação de equipamento elétrico 94.314.408 1,24 Comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos 86.260.605 1,13 Outros Setores 627.081.786 8,23 Lisboa Total 7.621.840.212 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 56 Tabela 6Valores totais de Lisboa por Grupo/3 Dígitos CAE Lisboa (Grupo | 3 dígitos) Valor em € % Comércio por grosso não especializado 1.236.313.011 16,22 Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco 1.075.075.788 14,11 Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares 576.620.680 7,57 Comércio por grosso de equipamento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) 503.070.411 6,60 Comércio a retalho de outro equipamento para uso doméstico, em estabelecimentos especializados 389.874.823 5,12 Comércio a retalho de outros produtos, em estabelecimentos especializados 369.567.315 4,85 Fabricação de pesticidas e de outros produtos agroquímicos 300.648.939 3,94 Siderurgia e fabricação de ferro-ligas 286.426.222 3,76 Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis 276.901.694 3,63 Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e. 276.848.667 3,63 Comércio a retalho em estabelecimentos não especializados 252.955.271 3,32 Comércio por grosso de outras máquinas, equipamentos e suas partes 183.958.465 2,41 Fabricação de produtos farmacêuticos de base 177.256.309 2,33 Comércio a retalho de bens culturais e recreativos, em estabelecimentos especializados 157.785.152 2,07 Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco 145.834.803 1,91 Outras atividades da primeira transformação do aço 141.309.546 1,85 Atividades de telecomunicações por fio 111.644.131 1,46 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 84.932.823 1,11 Outros Setores 1.074.816.162 14,10 Lisboa Total 7.621.840.212 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 57 6.2Norte Em segundo lugar, com valores muito próximos dos de Lisboa, encontra-se a zona Norte com 32.40% do total de importações, contabilizando cerca de 6.568.936.721 euros. Relativamente às importações por parte da Zona Norte, tendo por base a designação de “Secção” (1 letra) da CAE-Rev.3 pude constatar que tal como em Lisboa, o setor com mais peso é o “Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos” que totalizou cerca de 3.514.452.814 de euros, representando 53,50% do total de importações. De seguida as “Indústrias transformadoras” que representam 44,50% (2.922.891.694 €) do total das importações, e os “Outros setores” representam 2,00% (131.592.213 €). Tabela 7Valores totais do Norte por Secção/1 letra CAE Norte (Secção | 1 letra) Valor em € % Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 3.514.452.814 53,50 Indústrias transformadoras 2.922.891.694 44,50 Outros Setores 131.592.213 2,00 Norte Total 6.568.936.721 100 Quando analisada a desagregação a 2 dígitos utilizando “divisão” CAE-Rev.3 verificamos que “Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos” representa 38,29% com o valor de 2.515.536.706 euros. Destacamos também os restantes setores como “Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos” e “Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos” representando 13.30% e 9.83%. Podemos destacar ainda nesta análise a “Fabricação de têxteis” que representa 7,16%. Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 58 Tabela 8-Valores totais do Norte por Divisão/2 Dígitos CAE Norte (Divisão | 2 Dígitos) Valor em € % Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos 2.515.536.706 38,29 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 873.500.104 13,30 Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos 646.046.066 9,83 Fabricação de têxteis 470.341.298 7,16 Fabricação de outro equipamento de transporte 379.631.760 5,78 Fabricação de veículos automóveis, reboques, semireboques e componentes para veículos automóveis 215.346.784 3,28 Indústrias metalúrgicas de base 208.485.896 3,17 Fabricação de produtos metálicos, exceto máquinas e equipamentos 194.421.321 2,96 Indústria do vestuário 190.122.907 2,89 Comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos 125.416.004 1,91 Fabricação de equipamento elétrico 80.127.025 1,22 Indústria do couro e dos produtos do couro 77.354.717 1,18 Fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas 74.427.098 1,13 Fabricação de máquinas e de equipamentos, n.e. 68.239.121 1,04 Indústrias alimentares 67.397.820 1,03 Outros Setores 382.542.094 5,82 Norte Total 6.568.936.721 100 Quando desagregamos ainda mais estes setores utilizado a designação por “Grupos” (3 dígitos) da CAE-Rev.3 destacamos no topo da tabela, Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco que representa 23,10% do total da Zona Norte. Nesta desagregação podemos destacar ainda o acumular de “Outros setores” que representam cerca de 19.23% e Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos não especificados com o valor percentual de 7,37%. Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 59 Tabela 9Valores totais do Norte por Grupo/3 Dígitos CAE Norte (Grupo | 3 Dígitos) Valor em € % Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco 1.517.341.086 23,10 Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e. 484.183.970 7,37 Comércio a retalho em estabelecimentos não especializados 423.221.250 6,44 Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares 404.130.495 6,15 Fabricação de equipamento de transporte, n.e. 364.218.801 5,54 Fabricação de outros têxteis 358.130.103 5,45 Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis 214.689.735 3,27 Comércio a retalho de outros produtos, em estabelecimentos especializados 197.439.361 3,01 Comércio a retalho de bens culturais e recreativos, em estabelecimentos especializados 181.214.118 2,76 Coinfecção de artigos de vestuário, exceto artigos de peles com pelo 171.566.017 2,61 Fabricação de tubos, condutas, perfis ocos e respetivos acessórios, de aço 162.928.842 2,48 Comércio por grosso de outras máquinas, equipamentos e suas partes 153.403.905 2,34 Fabricação de computadores e de equipamento periférico 133.447.021 2,03 Comércio por grosso não especializado 118.695.962 1,81 Fabricação de outros produtos metálicos 104.486.665 1,59 Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco 88.010.459 1,34 Fabricação de componentes e de placas, eletrónicos 76.319.797 1,16 Indústria do calçado 76.268.157 1,16 Comércio de peças e acessórios para veículos automóveis 76.231.346 1,16 Outros Setores 1.263.009.631 19,23 Norte Total 6.568.936.721 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 60 6.3Centro Na Zona Centro verificamos que esta representa cerca de 15.63% do total de importações contabilizando cerca de 3.170.220.363 euros. Tendo por base a designação de “Secção” (1 letra) da CAE-Rev.3 verificamos que ao contrário de Lisboa e Norte, o setor com mais peso é a “Indústrias transformadoras “, que totalizou cerca de 2.002.116.865 de euros, representando 63,15% do total de importações. Com menos cerca 30 pontos percentuais cerca está o “Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclo” que representa 34.72% (1.100.634.972 €) do total das importações, representando todos os “outros setores” apenas 2,13% (67.468.526 €). Tabela 10Valores totais do Centro por Secção/1 letra CAE Quando os setores são desagregados utilizando a designação “Divisão” (2 dígitos) da CAE-Rev.3 verificamos que o “Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos” representa 30,49% com o valor de 966.701.555 milhões de euros. Destacamos também os restantes setores como “Fabricação de máquinas e de equipamentos, n.e” e “Indústrias alimentares” representando 10.69% e 8.69%. Podemos destacar ainda nesta análise a “Fabricação de equipamento elétrico” que representa 8.03%. Centro (Secção | 1 Letra) Valor em € % Indústrias transformadoras 2.002.116.865 63,15 Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 1.100.634.972 34,72 Outros Setores 67.468.526 2,13 Centro Total 3.170.220.363 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 61 Tabela 11Valores totais do Centro por Divisão/2 Dígitos CAE Utilizando a designação de Grupos (3 Dígitos) da CAE-Rev.3 destacamos no topo da tabela, o acumular de “Outros Setores” com o valor percentual de 13.37% do total da Zona Centro. Nesta desagregação podemos destacar ainda “Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos não especializados” de 11,59% e “Fabricação de máquinas e de equipamentos para uso geral” com o valor percentual de 9.98%. Centro (Divisão | 2 dígitos) Valor em € % Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos 966.701.555 30,49 Fabricação de máquinas e de equipamentos, n.e. 338.862.127 10,69 Indústrias alimentares 275.353.139 8,69 Fabricação de equipamento elétrico 254.417.968 8,03 Fabricação de produtos metálicos, exceto máquinas e equipamentos 196.391.082 6,19 Fabricação de equipamentos informáticos, equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos 171.510.562 5,41 Fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas ou artificiais, exceto produtos farmacêuticos 161.784.781 5,10 Indústrias metalúrgicas de base 90.318.390 2,85 Fabricação de artigos de borracha e de matérias plásticas 89.074.616 2,81 Comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos 80.747.886 2,55 Fabricação de veículos automóveis, reboques, semireboques e componentes para veículos automóveis 79.525.734 2,51 Fabricação de outro equipamento de transporte 59.871.511 1,89 Fabrico de outros produtos minerais não metálicos 59.383.631 1,87 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 53.185.531 1,68 Indústrias da madeira e da cortiça e suas obras, exceto mobiliário; Fabricação de obras de cestaria e de espartaria 53.033.942 1,67 Outras indústrias transformadoras 45.108.245 1,42 Fabricação de têxteis 40.280.200 1,27 Outros Setores 154.669.463 4,88 Centro Total 3.170.220.363 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 62 Tabela 12Valores totais do Centro por Grupo/3 Dígitos CAE Centro (Grupo |3 dígitos) Valor em € % Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e. 367.462.522 11,59 Fabricação de máquinas e de equipamentos para uso geral 316.407.071 9,98 Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos 258.828.729 8,16 Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco 203.402.739 6,42 Fabricação de aparelhos para uso doméstico 187.503.427 5,91 Fabricação de produtos químicos de base, adubos e compostos azotados, matérias plásticas e borracha sintética, sob formas primárias 156.921.528 4,95 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 154.094.870 4,86 Comércio por grosso não especializado 112.163.300 3,54 Fabricação de artigos de matérias plásticas 88.969.432 2,81 Comércio por grosso de produtos agrícolas brutos e animais vivos 85.718.115 2,70 Outras atividades da primeira transformação do aço 84.543.921 2,67 Comércio por grosso de equipamento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) 82.706.960 2,61 Fabricação de componentes e acessórios para veículos automóveis 75.455.432 2,38 Comércio por grosso de outras máquinas, equipamentos e suas partes 61.882.286 1,95 Fabricação de equipamento de transporte, n.e. 58.987.665 1,86 Fabricação de outros produtos metálicos 56.346.183 1,78 Fabricação de cutelaria, ferramentas e ferragens 54.368.615 1,71 Fabricação de artigos de madeira, de cortiça, de espartaria e de cestaria, exceto mobiliário 52.281.650 1,65 Comércio de peças e acessórios para veículos automóveis 46.812.963 1,48 Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco 46.051.908 1,45 Tratamento e revestimento de metais; atividades de mecânica geral 45.058.186 1,42 Indústrias transformadoras, n.e. 44.203.648 1,39 Fabricação de elementos de construção em metal 37.184.008 1,17 Fabricação de outros têxteis 36.565.003 1,15 Comércio, manutenção e reparação de motociclos, de suas peças e acessórios 32.299.933 1,02 Outros Setores 424.000.269 13,37 Centro Total 3.170.220.363 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 69 Tabela 19Importações da Região Autónoma da Madeira por Secção/1 letra CAE Região Autónoma da Madeira (Secção | 1 Letra) Valor em € % Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 12.470.359 41,94 Indústrias transformadoras 6.162.401 20,73 Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 3.617.307 12,17 Construção 3.248.755 10,93 Outras atividades de serviços 1.701.063 5,72 Atividades de informação e de comunicação 1.162.905 3,91 Outros Setores 1.369.495, 4,61 Região Autónoma da Madeira Total 29.732.285 100 Com a designação de Divisão (2 dígitos) CAE-Rev.3 constata-se que o “Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos” representa 20.98% com o valor de 6.237.285 de euros. Destacamos também os setores como “Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos” e o “Indústrias alimentares” representando 19,36% e 18.10%. Podemos destacar ainda o setor “Promoção imobiliária (desenvolvimento de projetos de edifícios); construção de edifícios” que representa 8,60 % e o acumular de “Outros Setores” com 7,17% Tabela 20Importações da Região Autónoma da Madeira por Divisão/2 Dígitos CAE Região Autónoma da Madeira (Divisão| 2 Dígitos) Valor em € % Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos 6.237.285 20,98 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 5.755.736 19,36 Indústrias alimentares 5.382.339 18,10 Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 3.617.307 12,17 Promoção imobiliária (desenvolvimento de projetos de edifícios); construção de edifícios 2.557.739 8,60 Atividades das organizações associativas 1.616.899 5,44 Telecomunicações 570.422 1,92 Atividades especializadas de construção 561.670 1,89 Comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos 477.338 1,61 Atividades de edição 459.667 1,55 Fabricação de pasta, de papel, de cartão e seus artigos 364.348 1,23 Outros Setores 2.131.535 7,17 Região Autónoma da Madeira Total 29.732.285 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 70 Quando desagregamos ainda mais estes setores utilizado a designação de Grupos (3 Dígitos) da CAE-Rev.3 destacamos no topo da tabela, “Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos” representando 18% do total de importação do Região Autónoma da Madeira, de seguida com 12.17% aparece a “Produção, transporte, distribuição e comércio de eletricidade”. Podemos destacar também o acumular de “Outros Setores” e o “Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e” que representam 9.37% e 9,16%. Tabela 21Importações da Região Autónoma da Madeira por Grupo/3 Dígitos CAE Região Autónoma da Madeira (Grupo | 3 Dígitos) Valor em € % Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos 5.352.633 18,00 Produção, transporte, distribuição e comércio de eletricidade 3.617.307 12,17 Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e. 2.722.204 9,16 Comércio a retalho de outro equipamento para uso doméstico, em estabelecimentos especializados 2.620.581 8,81 Promoção imobiliária (desenvolvimento de projetos de edifícios) 2.505.434 8,43 Comércio por grosso de bens de consumo, exceto alimentares, bebidas e tabaco 1.778.048 5,98 Outras atividades de organizações associativas 1.616.899 5,44 Comércio a retalho não efetuado em estabelecimentos, bancas, feiras ou unidades móveis de venda 1.097.064 3,69 Comércio a retalho em estabelecimentos não especializados 959.704 3,23 Comércio a retalho de outros produtos, em estabelecimentos especializados 921.027 3,10 Atividades de telecomunicações por fio 568.596 1,91 Atividades de acabamento em edifícios 525.899 1,77 Edição de livros, de jornais e de outras publicações 458.940 1,54 Comércio por grosso de outras máquinas, equipamentos e suas partes 405.891 1,37 Comércio por grosso de equipamento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) 393.415 1,32 Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco 387.082 1,30 Fabricação de papel e de cartão canelados e de artigos de papel e de cartão 364.348 1,23 Comércio por grosso não especializado 326.980 1,10 Comércio de peças e acessórios para veículos automóveis 324.566 1,09 Outros Setores 2.785.667 9,37 Região Autónoma da Madeira Total 29.732.285 100 71 6.7Região Autónoma dos Açores Totalizando o valor das importações referentes à China da Região Autónoma da Açores são de apenas 10.265.753 de euros representando cerca de 0.05% do total de importações. Quando estudamos a Região Autónoma da Açores podemos verificar que o setor no qual o valor de importação é predominante é o “Indústrias transformadoras” com o valor de 5.233.468 de euros representando cerca de 50,98% das importações, como verificamos na tabela 21. De seguida o setor mais representado na Região Autónoma da Açores é o “Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos” correspondendo a 28.78%, seguido o setor da “Construção” e o setor da “Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio” representam 7.24% e 5.14% Tabela 22Importações da Região Autónoma dos Açores por Secção/1 letra CAE Região Autónoma dos Açores (Secção | 1 Letra) Valor em € % Indústrias transformadoras 5.233.468 50,98 Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 2.954.877 28,78 Construção 743.582 7,24 Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 527.485 5,14 Transportes e armazenagem 177.822 1,73 Outros Setores 628.519 6,12 Região Autónoma dos Açores Total 10.265.753 100 Quando desagregamos mais os setores utilizando a designação por “Divisão” (2 Dígitos) da CAE-Rev.3 verificamos que “Indústrias alimentares” representa 42.04% com o valor de 4.315.543 de euros. Destacamos também os setores como “Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos” e o acumular de “Outros Setores” representando 21.93% e 7.87%. Podemos destacar ainda o setor “Fabrico de outros produtos minerais não metálicos” que representa 7.87%. Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 72 Tabela 23Valores totais da Região Autónoma dos Açores por Divisão/2 Dígitos CAE Região Autónoma dos Açores (Divisão | 2 Dígitos) Valor em € % Indústrias alimentares 4.315.543 42,04 Comércio por grosso (inclui agentes), exceto de veículos automóveis e motociclos 2.250.922 21,93 Fabrico de outros produtos minerais não metálicos 807.803 7,87 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 589.524 5,74 Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 527.485 5,14 Promoção imobiliária (desenvolvimento de projetos de edifícios); construção de edifícios 387.973 3,78 Engenharia civil 305.212 2,97 Transportes aéreos 149.278 1,45 Comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos 114.431 1,11 Outros Setores 817.582 7,96 Região Autónoma dos Açores Total 10.265.753 100 Quando desagregamos ainda mais estes setores utilizando o “Grupo” (3 dígitos) da CAE-Rev.3 destacamos no top da tabela, “Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos” representando 25.64% do total de importação do Região Autónoma da Açores, de seguida com 15.70% aparece a “Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco”. Podemos salientar também o acumular de “Outros Setores” e o “Preparação e conservação de frutos e de produtos hortícolas” que representam 14.36% e 12.56% Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 73 Tabela 24 - Valores totais da Região Autónoma dos Açores por Grupo/3 Dígitos CAE Região Autónoma dos Açores (Grupo | 3 Dígitos) Valor em € % Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos 2.632.404 25,64 Comércio por grosso de produtos alimentares, bebidas e tabaco 1.611.960 15,70 Preparação e conservação de frutos e de produtos hortícolas 1.289.767 12,56 Produção, transporte, distribuição e comércio de eletricidade 527.485 5,14 Fabricação de cimento, cal e gesso 426.911 4,16 Construção de edifícios (residenciais e não residenciais) 387.973 3,78 Comércio por grosso de combustíveis, metais, materiais de construção, ferragens e outros produtos n.e. 330.626 3,22 Indústria de lacticínios 307.487 3,00 Comércio a retalho de outros produtos, em estabelecimentos especializados 298.752 2,91 Fabricação de produtos de betão, gesso e cimento 292.800 2,85 Construção de estradas, pontes, túneis, pistas de aeroportos e vias férreas 286.767 2,79 Transportes aéreos de passageiros 149.278 1,45 Comércio a retalho de equipamento das tecnologias de informação e comunicação (TIC), em estabelecimentos especializados 146.628 1,43 Comércio por grosso de outras máquinas, equipamentos e suas partes 102.769 1,00 Outros Setores 1.474.146 14,36 Região Autónoma dos Açores Total 10.265.753 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 74 Para terminar a minha análise das importações portuguesas provenientes da China irei fazer uma pequena análise global para depois terminar com uma pequena comparação entre as NUT2. Fazendo uma análise global do estudo realizado relativamente às importações de Portugal provenientes da China podemos concluir que no período considerado de 2005 a 2018, Lisboa foi a região que mais importações realizou da China, seguida pela Zona Norte, Zona Centro, Alentejo, Algarve, Região Autónoma da Madeira e Região Autónoma dos Açores, que foi a região que menos importou da China. Relativamente aos setores predominantes nas importações em cada região, e com base na menor desagregação menor (Secção/1letra), pude averiguar que em todas as regiões predomina o setor “Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos”, expeto nas regiões do centro e da Região Autónoma dos Açores, cujo setor principal é o da “Indústria transformadora.” A análise mais refinada dos dados, nomeadamente com a desagregação a 5 dígitos CAE, mostra que em Lisboa 16 % das importações são no sector de comércio por grosso não especializado. Vinte e seis sectores diferentes importam valores que se situam entre 7% e 1% das importações totais da região. Cerca de 27% das importações são relativas a sectores que não atingem 1% das importações totais. (Ver tabela 2 do Anexo). No Norte destaca-se o comércio de produtos de vestuário e têxteis de vários tipos, que totalizam 21% das Importações (Ver tabela 4 do Anexo). As importações do Centro são bastante diversificadas, não apresentando qualquer sector um valor percentual que atinja os dois dígitos, sendo o mais elevado cerca de 8% correspondente a produtos de pesca e aquicultura. (Ver tabela 6 do Anexo). As importações do Alentejo, sendo pouco significativas – 2,7% do total nacional, são bastante diversificadas, sendo o comércio por grosso de eletrodomésticos, aparelhos de rádio e de televisão o único que se aproxima de 10%. (Ver tabela 8 do Anexo). 75 No Algarve destacam-se as importações de máquinas e equipamentos com cerca de 18% do total das importações da região, seguindo-se os produtos químicos com aproximadamente 14%. (Ver tabela 10 do Anexo). Na Madeira o sector de maior importação é o da pesca e aquicultura, com cerca de 16% das importações, existindo uma grande diversidade de outros sectores representados nas importações desta região. (Ver tabela 12 do Anexo). Nos Açores destaca-se a importação de produtos alimentares - da pesca e aquicultura, frutas, bebidas, crustáceos, moluscos, peixe e mesmo leite e seus derivados - que totalizam 53% das importações do Açores. (Ver tabela 14 do Anexo). As importações da China são assim muito diversificadas e esta diversidade tem expressões percentuais diferentes entre regiões NUT2 de Portugal. 76 7Conclusão A relação da China com Portugal remonta a um longínquo passado histórico, mais precisamente ao século XVIII. O tempo permitiu que a relação económica se aprofundasse até aos dias de hoje, uma vez que Portugal apresenta condições que atraem o investimento chinês, como as facilidades de acesso ao mercado (exemplo dos vistos Gold), a localização (ponto de ligação entre o continente africano, americano e o europeu), os seus parceiros de língua portuguesa (CPLP), e as excelentes condições portuárias (a China está interessada no porto de Sines como umas das referências para sua estratégia do OBOR). Com a realização do presente estudo sobre a presença da China em Portugal pude constatar que, apesar da China não ser o principal investidor em Portugal, apresenta, no entanto, uma importância notória e significativa em determinados setores estratégicos, como o setor da energia, banca, seguros, saúde, aviação, e também no que respeita ao crescimento das importações portuguesas provenientes da China. Com a presente dissertação podemos constatar que em termos teóricos, o processo de internacionalização de uma empresa chinesa é relativamente parecido ao processo de internacionalização de empresas de outros países. No entanto, diferenciase principalmente pelo grande peso que os governos chineses têm na internacionalização das empresas. Deve realçar-se que o governo chinês, após as suas reformas iniciais, tem demonstrado ser cada vez mais favorável a essas medidas de internacionalização. Estas medidas já se iniciaram em 1979 - ano em que a China aprovou reformas das suas políticas económicas, começando-se a abrir ao mundo. Essa abertura culminou com a sua entrada na OMC e com a implementação da Go Global Policy. que visava que as empresas chinesas procurassem mercados externos. Posteriormente a China deparou-se com o facto de que também necessitava de implementar uma estratégia que trouxesse uma “Revolução Industrial/Tecnológica” de forma a poder competir com outros países. 77 Foi então que nasceu a estratégia da China 2025, que tinha como objetivo desenvolver a China no âmbito económico e social, dando prioridade ao setor industrial. Finalmente, a iniciativa chinesa da “One Belt, One Road”; uma estratégia que já é apelidada como a “Nova Rota da Seda”, tem como base uma série de investimentos estratégicos em infraestruturas e nos transportes em várias regiões do globo. A China pretende que Portugal se envolva nesta Iniciativa cada vez mais, tendo sido para isso assinados 17 memorandos em 2018, em que um deles fazia referência expressa à “Belt and Road Initiative”. O principal interesse estratégico da China no envolvimento de Portugal nesta iniciativa é o porto de Sines e os contactos privilegiados de Portugal com os países da CPLP. A presente dissertação visava demonstrar a presença da economia chinesa em Portugal, tendo sido feita uma análise dos processos de internacionalização das empresas deste país. Pudemos concluir, e com base na literatura internacional em Deng (2004) que existem cinco principais motivos para investimentos no exterior, sendo eles ganhar recursos, tecnologia, mercados, diversificação e ativos estratégicos. Deng foi mais longe explicando as diferenças sobre a motivação chinesa dizendo que no Resource-seeking investments, as empresas muitas vezes estabelecem no estrangeiro para explorar recursos naturais, com o objetivo de adquirir e garantir um contínuo fornecimento de matérias-primas para suas próprias operações industriais. Com os Technology-seeking investments as multinacionais chinesas pretendem, cada vez mais, adquirir tecnologia avançada e know-how de fabricação em diferentes setores. Relativamente aos Market-seeking investments em várias indústrias, estes explicam-se porque alguns mercados alcançaram os limites da procura efetiva, existindo até um significativo excesso de capacidade de produção em indústrias como têxteis e vestuário, bicicletas, calçado e aparelhos elétricos. 78 Os Diversification-seeking investments de várias empresas chinesas, predem-se com a necessidade de se envolveram em investimentos no exterior face à necessidade de “risk diversification”; esta expansão para o exterior é frequentemente feita com o apoio do governo. Por fim, os Strategic asset-seeking investments são investimentos das grandes empresas chinesas nos principais mercados estrangeiros, onde se encontram os seus concorrentes, com o propósito de promover seus interesses globais como parte da sua produção global, e das estratégias de marketing - uma chave estratégica das empresas chinesas na procura ativa de estabelecimento de uma marca reconhecida globalmente. O grande peso da China na economia portuguesa é em grande medida devido aos inúmeros e significativos investimentos feitos em Portugal, nomeadamente em sectores estratégicos da economia portuguesa. Embora a China não seja um dos principais parceiros de importação de Portugal, as importações da China têm vindo a aumentar. Assim, analisámos a presença da China na economia portuguesa com base no fluxo de importações, sendo o principal contributo deste trabalho a divulgação, que cremos ser pioneira, das importações da China por regiões NUT2 de Portugal. 85 Luo, Y. Partnering with foreign businesses: Perspectives from Chinese firms. Journal of Business Research, 55(6) 481-493, 2002. Lusa. (2019, 8 de fevereiro). China deverá reforçar investimento em Portugal nos próximos anos. Jornal de Negócios. Disponível em https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/china-devera-reforcarinvestimento-em-portugal-nos-proximos-anos Lusa. (2019, 30 de maio). 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ladrilhos e similares, em estabelecimentos especializados 194.034.769 2,55 Comércio a retalho de móveis, de artigos de iluminação e de outros artigos para o lar, em estabelecimentos especializados 192.496.496 2,53 Comércio a retalho de outros produtos novos, em estabelecimentos especializados 184.303.224 2,42 Fabricação de produtos farmacêuticos de base 177.256.309 2,33 Comércio a retalho de artigos de desporto, de campismo e lazer, em estabelecimentos especializados 151.250.190 1,98 Comércio a retalho de vestuário, em estabelecimentos especializados 141.503.295 1,86 Laminagem a frio de arco ou banda 141.302.502 1,85 Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos 130.583.207 1,71 Comércio por grosso de vestuário e calçado 123.814.618 1,62 Comércio por grosso de relógios e de artigos de ourivesaria e joalharia 117.961.460 1,55 Atividades de telecomunicações por fio 111.644.131 1,46 Comércio por grosso de produtos químicos 95.183.792 1,25 Comércio por grosso de minérios e de metais 93.435.966 1,23 Comércio por grosso de outros produtos alimentares 91.427.977 1,20 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 84.932.823 1,11 Comércio por grosso de computadores, equipamentos periféricos e programas informáticos 77.794.785 1,02 Outros Setores 1.527.885.210 20,05 Lisboa Total 7.621.840.212 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 90 Tabela Nº2 – Importações totais de Lisboa por SubClasse/5 Dígitos CAE Lisboa (Subclasse/5Digitos) Valor em € % Comércio por grosso não especializado 1.236.313.011 16,22 Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares 576.620.680 7,57 Comércio por grosso de eletrodomésticos, aparelhos de rádio e de televisão 468.518.448 6,15 Comércio por grosso de equipamentos eletrónicos, de telecomunicações e suas partes 425.275.626 5,58 Fabricação de pesticidas e de outros produtos agroquímicos 300.648.939 3,94 Siderurgia e fabricação de ferro-ligas 286.426.222 3,76 Fabricação de equipamento elétrico e eletrónico para veículos automóveis 258.618.599 3,39 Comércio a retalho de material de bricolage, equipamento sanitário, ladrilhos e materiais similares, em estabelecimentos especializados 189.026.116 2,48 Comércio a retalho em supermercados e hipermercados 188.751.981 2,48 Fabricação de produtos farmacêuticos de base 177.256.309 2,33 Comércio a retalho de artigos de desporto, de campismo e lazer, em estabelecimentos especializados 151.250.190 1,98 Laminagem a frio de arco ou banda 141.302.502 1,85 Comércio a retalho de outros artigos para o lar, n.e., em estabelecimentos especializados 134.316.954 1,76 Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos 130.583.207 1,71 Outro comércio por grosso de bens de consumo, n.e. 118.971.307 1,56 Comércio a retalho de outros produtos novos, em estabelecimentos especializados, n.e. 118.618.656 1,56 Comércio por grosso de relógios e de artigos de ourivesaria e joalharia 117.961.460 1,55 Atividades de telecomunicações por fio 111.644.131 1,46 Comércio por grosso de brinquedos, jogos e artigos de desporto 103.061.856 1,35 Comércio por grosso de produtos químicos 95.183.792 1,25 Comércio por grosso de minérios e de metais 93.435.966 1,23 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 84.932.823 1,11 Comércio por grosso de computadores, equipamentos periféricos e programas informáticos 77.794.785 1,02 Outros Setores 2.035.326.652 26,70 Lisboa Total 7.621.840.212 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 91 Tabela Nº3 – Importações totais do Norte por Classe/4Dígitos CAE Norte ( Classe/4Digitos) Valor em € % Comércio por grosso de vestuário e calçado 819.775.729 12,48 Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares 404.130.495 6,15 Fabricação de bicicletas e veículos para inválidos 363.511.176 5,53 Comércio por grosso de têxteis 310.681.281 4,73 Comércio a retalho em estabelecimentos não especializados, com predominância de produtos alimentares, bebidas ou tabaco 310.290.245 4,72 Fabricação de têxteis para uso técnico e industrial 208.984.095 3,18 Comércio a retalho de artigos de desporto, de campismo e lazer, em estabelecimentos especializados 179.906.781 2,74 Fabricação de tubos, condutas, perfis ocos e respetivos acessórios, de aço 162.928.842 2,48 Confeção de outro vestuário exterior 150.538.274 2,29 Comércio por grosso de madeira, de materiais de construção e equipamento sanitário 145.017.616 2,21 Fabricação de computadores e de equipamento periférico 133.447.021 2,03 Fabricação de outros componentes e acessórios para veículos automóveis 133.229.579 2,03 Comércio por grosso de ferragens, ferramentas manuais e artigos para canalizações e aquecimento 125.073.408 1,90 Comércio por grosso não especializado 118.695.962 1,81 Comércio por grosso de eletrodomésticos, aparelhos de rádio e de televisão 116.758.838 1,78 Outro comércio por grosso de bens de consumo 114.908.547 1,75 Comércio a retalho em estabelecimentos não especializados, sem predominância de produtos alimentares, bebidas ou tabaco 112.931.005 1,72 Comércio por grosso de móveis para uso doméstico, carpetes, tapetes e artigos de iluminação 98.465.419 1,50 Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos 97.907.526 1,49 Comércio a retalho de vestuário, em estabelecimentos especializados 97.065.403 1,48 Comércio por grosso de outros bens intermédios 97.027.225 1,48 Fabricação de equipamento elétrico e eletrónico para veículos automóveis 81.460.156 1,24 Indústria do calçado 76.268.157 1,16 Fabricação de componentes eletrónicos 75.445.500 1,15 Comércio por grosso de peças e acessórios para veículos automóveis 68.281.628 1,04 Comércio a retalho de outros produtos novos, em estabelecimentos especializados 66.428.835 1,01 Outros Setores 1.899.777.978 28,92 Norte Total 6.568.936.721 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 92 Tabela Nº4 – Importações totais do Norte por Sub-Classe/5Dígitos CAE Norte (Subclasse/5Digitos) Valor em € % Comércio por grosso de vestuário e de acessórios 684.340.290 10,42 Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares 404.130.495 6,15 Fabricação de bicicletas e veículos para inválidos 363.511.176 5,53 Comércio por grosso de têxteis 310.681.281 4,73 Comércio a retalho em supermercados e hipermercados 309.999.507 4,72 Fabricação de têxteis para uso técnico e industrial, n.e. 202.355.619 3,08 Comércio a retalho de artigos de desporto, de campismo e lazer, em estabelecimentos especializados 179.906.781 2,74 Fabricação de tubos, condutas, perfis ocos e respetivos acessórios, de aço 162.928.842 2,48 Comércio por grosso de calçado 135.435.439 2,06 Fabricação de computadores e de equipamento periférico 133.447.021 2,03 Fabricação de outros componentes e acessórios para veículos automóveis 133.229.579 2,03 Comércio por grosso de ferragens, ferramentas manuais e artigos para canalizações e aquecimento 125.073.408 1,90 Comércio por grosso de materiais de construção (exceto madeira) e equipamento sanitário 123.023.679 1,87 Comércio por grosso não especializado 118.695.962 1,81 Comércio por grosso de eletrodomésticos, aparelhos de rádio e de televisão 116.758.838 1,78 Comércio a retalho não especializado, sem predominância de produtos alimentares, bebidas ou tabaco, em grandes armazéns e similares 111.639.952 1,70 Comércio por grosso de móveis para uso doméstico, carpetes, tapetes e artigos de iluminação 98.465.419 1,50 Comércio por grosso de outras máquinas e equipamentos 97.907.526 1,49 Comércio a retalho de vestuário para adultos, em estabelecimentos especializados 95.870.571 1,46 Confeção de outro vestuário exterior em série 94.754.221 1,44 Outro comércio por grosso de bens de consumo, n.e. 92.707.189 1,41 Fabricação de equipamento elétrico e eletrónico para veículos automóveis 81.460.156 1,24 Fabricação de componentes eletrónicos 75.445.500 1,15 Fabricação de calçado 71.708.118 1,09 Comércio por grosso de peças e acessórios para veículos automóveis 68.281.628 1,04 Outros Setores 2.177.178.524 33,14 Norte Total 6.568.936.721 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 93 Tabela Nº5 – Importações totais do Centro por Classe/4Dígitos CAE Centro (Classe/4Digitos) Valor em € % Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos 258.828.729 8,16 Fabricação de eletrodomésticos 179.852.309 5,67 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 154.094.870 4,86 Fabricação de outros produtos químicos orgânicos de base 150.924.086 4,76 Fabricação de rolamentos, de engrenagens e de outros órgãos de transmissão 147.497.450 4,65 Fabricação de outras torneiras e válvulas 143.632.105 4,53 Comércio por grosso de ferragens, ferramentas manuais e artigos para canalizações e aquecimento 129.683.653 4,09 Comércio por grosso de minérios e de metais 123.976.755 3,91 Comércio por grosso não especializado 112.163.300 3,54 Outro comércio por grosso de bens de consumo 96.290.964 3,04 Comércio por grosso de cereais, tabaco e cortiça em bruto, sementes, outras matérias-primas agrícolas e alimentos para animais 85.329.781 2,69 Fabricação de outros componentes e acessórios para veículos automóveis 75.278.590 2,37 Comércio por grosso de madeira, de materiais de construção e equipamento sanitário 59.263.927 1,87 Fabricação de bicicletas e veículos para inválidos 58.824.639 1,86 Fabricação de outros artigos de plástico 58.457.854 1,84 Comércio por grosso de computadores, equipamentos periféricos e programas informáticos 53.039.191 1,67 Fabricação de outras obras de madeira, de cestaria e espartaria; indústria da cortiça 46.737.303 1,47 Fabricação de ferramentas 46.563.429 1,47 Comércio por grosso de vestuário e calçado 46.104.880 1,45 Outras indústrias transformadoras, n.e. 44.203.648 1,39 Comércio por grosso de peças e acessórios para veículos automóveis 42.814.336 1,35 Comércio por grosso de outros produtos alimentares 42.510.187 1,34 Laminagem a frio de arco ou banda 37.869.654 1,19 Comércio por grosso de outros bens intermédios 35.786.001 1,13 Comércio, manutenção e reparação de motociclos, de suas peças e acessórios 32.299.933 1,02 Outros Setores 908.192.789 28,65 Centro Total 3.170.220.363 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 94 Tabela Nº6 – Importações totais do Centro por SubClasse/5Dígitos CAE Centro (Subclasse/5Digitos) Valor em € % Salga, secagem e outras atividades de transformação de produtos da pesca e aquicultura 245.496.046 7,74 Fabricação de eletrodomésticos 179.852.309 5,67 Fabricação de aparelhos e equipamentos para comunicações 154.094.870 4,86 Fabricação de resinosos e seus derivados 149.573.975 4,72 Fabricação de rolamentos, de engrenagens e de outros órgãos de transmissão 147.497.450 4,65 Fabricação de outras torneiras e válvulas 143.632.105 4,53 Comércio por grosso de ferragens, ferramentas manuais e artigos para canalizações e aquecimento 129.683.653 4,09 Comércio por grosso de minérios e de metais 123.976.755 3,91 Comércio por grosso não especializado 112.163.300 3,54 Comércio por grosso de cereais, sementes, leguminosas, oleaginosas e outras matérias-primas agrícolas 83.356.010 2,63 Fabricação de outros componentes e acessórios para veículos automóveis 75.278.590 2,37 Outro comércio por grosso de bens de consumo, n.e. 65.735.012 2,07 Fabricação de bicicletas e veículos para inválidos 58.824.639 1,86 Fabricação de outros artigos de plástico, n.e. 58.457.854 1,84 Comércio por grosso de computadores, equipamentos periféricos e programas informáticos 53.039.191 1,67 Comércio por grosso de materiais de construção (exceto madeira) e equipamento sanitário 48.851.829 1,54 Fabricação de outras obras de madeira 46.659.869 1,47 Comércio por grosso de peças e acessórios para veículos automóveis 42.814.336 1,35 Laminagem a frio de arco ou banda 37.869.654 1,19 Comércio por grosso de outros bens intermédios, n.e. 35.312.761 1,11 Fabricação de moldes metálicos 35.301.377 1,11 Comércio por grosso e a retalho de motociclos, de suas peças e acessórios 32.295.929 1,02 Outros Setores 1.110.452.849 35,03 Centro Total 3.170.220.363 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 101 Tabela Nº13 – Importações da Região Autónoma da Açores por Classe/4Dígitos CAE Região Autónoma dos Açores (Classe/4Digitos) Valor em € % Preparação e conservação de peixes, crustáceos e moluscos 2.632.404 25,64 Outra preparação e conservação de frutos e de produtos hortícolas 1.289.767 12,56 Comércio por grosso de bebidas 894.159 8,71 Comércio por grosso de outros produtos alimentares 684.631 6,67 Produção de eletricidade 527.485 5,14 Fabricação de cimento 426.911 4,16 Construção de edifícios (residenciais e não residenciais) 387.973 3,78 Comércio por grosso de madeira, de materiais de construção e equipamento sanitário 313.806 3,06 Indústrias do leite e derivados 307.487 3,00 Construção de estradas e pistas de aeroportos 286.767 2,79 Fabricação de betão pronto 286.586 2,79 Comércio a retalho de vestuário, em estabelecimentos especializados 207.528 2,02 Transportes aéreos de passageiros 149.278 1,45 Comércio a retalho de computadores, unidades periféricas e programas informáticos, em estabelecimentos especializados 140.923 1,37 Outros Setores 1.730.048 16,85 Região Autónoma dos Açores Total 10.265.753 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018) 102 Tabela Nº14 – Importações da Região Autónoma da Açores por SubClasse/5Dígitos CAE Região Autónoma dos Açores (Subclasse/5Digitos) Valor % Conservação de produtos da pesca e da aquicultura em azeite e outros óleos vegetais e outros molhos 2.632.404 25,64 Descasque e transformação de frutos de casca rija comestíveis 1.289.767 12,56 Comércio por grosso de bebidas alcoólicas 894.110 8,71 Comércio por grosso de peixe, crustáceos e moluscos 681.602 6,64 Produção de eletricidade de origem eólica, geotérmica, solar e de origem, n.e. 527.143 5,13 Fabricação de cimento 426.911 4,16 Construção de edifícios (residenciais e não residenciais) 387.973 3,78 Comércio por grosso de materiais de construção (exceto madeira) e equipamento sanitário 313.806 3,06 Indústrias do leite e derivados 307.487 3,00 Construção de estradas e pistas de aeroportos 286.767 2,79 Fabricação de betão pronto 286.586 2,79 Comércio a retalho de vestuário para adultos, em estabelecimentos especializados 206.772 2,01 Transportes aéreos de passageiros 149.278 1,45 Comércio a retalho de computadores, unidades periféricas e programas informáticos, em estabelecimentos especializados 140.923 1,37 Outros Setores 1.734.224 16,89 Região Autónoma dos Açores Total 10.265.753 100 Fonte: Elaboração própria com dados da INE 2005-2018)