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Perfil e motivações dos utilizadores do Couchsurfing no município de Braga

Ferreira, Ângela Rafaela Barroso

Abstract

A evolução das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) tem conduzido à evolução de vários setores, incluindo o setor turístico. O desenvolvimento da Web 2.0, a mudança de mentalidades, a economia de partilha e o aparecimento das companhias aéreas low-cost são os fatores que levaram ao surgimento e desenvolvimento de várias plataformas digitais. O Couchsurfing é uma dessas plataformas ligada ao alojamento, que permite a partilha de hospitalidade entre utilizadores. Tendo por base estes pressupostos, realizámos uma investigação que teve com objetivo principal a caraterização da plataforma digital Couchsurfing à escala internacional e no município de Braga. Para atingir este objetivo foram usadas fontes primárias e secundárias. Em termos de fontes primárias foi aplicado um inquérito por questionário aos utilizadores da plataforma Couchsurfing, complementando com a utilização de dados disponibilizados no site da plataforma Couchsurfing. Relativamente à amostra obtida de 216 utilizadores da plataforma, aferimos que o sexo masculino foi o predominante (74,5%), destacando-se os jovens-adultos com uma média de 35,4 anos. Os respondentes possuíam um elevado nível de instrução, entre o Ensino Superior e o grau de Mestre ou de Doutor. Estavam maioritariamente empregados e moravam sozinhos (as) ou com amigos. Em relação à utilização da plataforma, aferimos que o Couchsurfing é uma plataforma que transmite segurança aos seus utilizadores e que o facto de a plataforma ter implementado um pagamento para a sua utilização a partir de maio de 2020, fez com que os utilizadores mencionassem esse facto como um aspeto negativo.

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Maio, 2021 Ângela Rafaela Barroso Ferreira Perfil e motivações dos utilizadores do Couchsurfing no município de Braga Dissertação de Mestrado Mestrado em Geografia - Área de especialização em Planeamento e Gestão do Território Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Paula Cristina Cadima Remoaldo ii DECLARAÇÃO RELATIVA AOS DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/ iii AGRADECIMENTOS Inicialmente, quero agradecer à minha orientadora, a Professora Doutora Paula Cristina Cadima Remoaldo, pelo apoio e incentivo ao longo da minha vida académica. Pela sua excelente orientação, amizade e simpatia e por ter acreditado na relevância e originalidade do meu tema de dissertação. Agradeço aos meus familiares, amigos e colegas que desempenharam um importante papel e que me acompanharam e auxiliaram na realização desta investigação. Em especial, aos meus pais Carlos e Eugénia, pelo apoio e incentivo durante toda a minha vida. E à minha irmã, Beatriz, por ser a minha melhor amiga e em tempos difíceis mostrar-se sempre pronta a ajudar. Dedico toda a minha dissertação à minha avó e madrinha Melinha, que nos deixou recentemente e da qual tenho uma eterna saudade. Será para sempre a minha parceira das novelas. Ao meu grande amigo, padrinho e avô Fernando, agradeço por estar sempre presente com a sua juvenilidade, amizade e alegria. Às minhas amigas e colegas de curso, Carla e Francisca, pela amizade e apoio na vida académica e que levarei para sempre. Às minhas amigas da vida, Alexandra e Catarina, pela amizade e auxilio nos momentos bons e maus da minha vida. Não podemos esquecer de agradecer a toda a equipa do Posto Turismo de Braga, que na minha investigação se mostrou disponível para me ajudar e que disponibilizou os dados necessários. Também a todos os respondentes do inquérito por questionário aplicado, o meu sincero agradecimento. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v PERFIL E MOTIVAÇÕES DOS UTILIZADORES DO COUCHSURFING NO MUNICÍPIO DE BRAGA RESUMO A evolução das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) tem conduzido à evolução de vários setores, incluindo o setor turístico. O desenvolvimento da Web 2.0, a mudança de mentalidades, a economia de partilha e o aparecimento das companhias aéreas low-cost são os fatores que levaram ao surgimento e desenvolvimento de várias plataformas digitais. O Couchsurfing é uma dessas plataformas ligada ao alojamento, que permite a partilha de hospitalidade entre utilizadores. Tendo por base estes pressupostos, realizámos uma investigação que teve com objetivo principal a caraterização da plataforma digital Couchsurfing à escala internacional e no município de Braga. Para atingir este objetivo foram usadas fontes primárias e secundárias. Em termos de fontes primárias foi aplicado um inquérito por questionário aos utilizadores da plataforma Couchsurfing, complementando com a utilização de dados disponibilizados no site da plataforma Couchsurfing. Relativamente à amostra obtida de 216 utilizadores da plataforma, aferimos que o sexo masculino foi o predominante (74,5%), destacando-se os jovens-adultos com uma média de 35,4 anos. Os respondentes possuíam um elevado nível de instrução, entre o Ensino Superior e o grau de Mestre ou de Doutor. Estavam maioritariamente empregados e moravam sozinhos (as) ou com amigos. Em relação à utilização da plataforma, aferimos que o Couchsurfing é uma plataforma que transmite segurança aos seus utilizadores e que o facto de a plataforma ter implementado um pagamento para a sua utilização a partir de maio de 2020, fez com que os utilizadores mencionassem esse facto como um aspeto negativo. PALAVRAS-CHAVE Couchsurfing; Turismo; Plataforma de alojamento; Braga. vii COUCHSURFING USERS’ PROFILE AND MOTIVATIONS IN THE CITY OF BRAGA ABSTRACT The ICT (Information and Communication Technologies) evolution has led to the development of several sectors, including tourism. The Web 2.0 growth, mindset changes, sharing economy and the appearance of low cost airlines are the reasons that have led to the emergence and development of several digital platforms. Couchsurfing is one of those platforms. Linked to accommodation, the social network allows hospitality sharing between users. Using these hypothesis, this research intends to characterize Couchsurfing on an international scale and in the city of Braga. To achieve this, primary and secondary sources were used. The primary source is a Couchsurfing user survey analysis, along with the data available on the Couchsurfing website. The sample obtained data from 216 users of the platform, with male being the predominant gender (74.5%), and most being young adults with an average of 35.4 years. Most users had an higher level of education, such as Bachelor, Masters and Doctorates. They were mostly employed and lived alone or with friends. Regarding the use of the platform, we found that Couchsurfing is a platform that conveys security to its users. However, many surveyed users said their view of the platform became more negative after Couchsurfing stopped being free in May 2020. KEYWORDS Couchsurfing; Tourism; Hosting Platforms; Braga. ix Índice Agradecimentos ........................................................................................................................ iii Resumo ....................................................................................................................................... v Abstract .................................................................................................................................... vii Lista de Abreviaturas, Siglas e Acrónimos ................................................................................ 15 Introdução ............................................................................................................................ 16 PARTE I - As várias plataformas de alojamento e o contributo do Couchsurfing ................... 20 1. Conceito e evolução do turismo e as várias plataformas de alojamento ........................ 21 1.1 O turismo e as novas plataformas de alojamento .................................................... 21 1.2 O turismo cultural ...................................................................................................... 36 1.3 Dados do turismo a nível mundial e o turismo até 2030 .......................................... 38 1.4 Notas Conclusivas ...................................................................................................... 42 2. A plataforma de alojamento Couchsurfing ....................................................................... 43 2.1 O Couchsurfing .......................................................................................................... 43 2.2 O que é o Couchsurfing? ............................................................................................ 45 2.3 Como funciona a plataforma ..................................................................................... 58 2.4 Impactes do Couchsurfing no turismo ....................................................................... 60 2.5 Notas Conclusivas ...................................................................................................... 62 3. Metodologia de investigação ............................................................................................ 64 3.1 Método de recolha de dados .................................................................................... 64 3.2 Análise sumária do perfil sociodemográfico dos inquiridos ..................................... 68 3.3 Limitações do estudo ................................................................................................. 73 3.4 Notas Conclusivas ...................................................................................................... 74 PARTE IIEvolução e implementação da plataforma de alojamento Couchsurfing no mundo e no município em estudo, o município de Braga ...................................................................... 76 4. Evolução do turismo e o contributo do couchsurfing no município de Braga ................. 77 4.1 Evolução do turismo no município de Braga ............................................................. 77 4.2 Implementação do Couchsurfing à escala mundial ................................................... 90 4.3 Implementação do Couchsurfing no município de Braga ......................................... 92 17 O Couchsurfing é uma rede de alojamento digital e tem como objetivo a hospitalidade entre utilizadores, sendo o intercâmbio totalmente gratuito (www.couchsurfing.com - acedido a 11/06/2019). O Couchsurfing é uma plataforma em desenvolvimento em Portugal e ainda não foi estudada como as restantes, como por exemplo o Airbnb. A partilha de hospitalidade e o conceito inovador da plataforma foram as nossas principais motivações na escolha do tema. Este tipo de partilha constitui uma forma de alojamento alternativa aos tradicionais hotéis, pousadas e hostels (Tootill, 2017). A escolha do município de Braga resultou do número razoável de utilizadores que a plataforma detém em Braga e por ser o meu município de residência. O município de Braga possui 2.643 local hosts. Um anfitrião local (local host) é aquele que recebe o turista em sua casa e é a pessoa que disponibiliza o seu sofá aos membros da comunidade (www.couchsurfing.com - acedido a 05/01/2021), sendo que existem 204.661 utilizadores em Portugal disponíveis para o realizar (www.couchsurfing.com - acedido a 05/01/2021). Já foram realizados vários estudos sobre o Couchsurfing por investigadores de vários países e sob diferentes perspetivas. A nível internacional é no Brasil que mais se tem estudado este tema. Em Portugal existem vários estudos que analisam a temática do Couchsurfing, mas não existe qualquer estudo que se tenha reportado ao município de Braga. De forma a atingir os objetivos definidos foi utilizado um conjunto de procedimentos e de diretrizes que orientaram a investigação que foi realizada. Numa primeira fase foram utilizadas fontes secundárias ligadas a estudos internacionais e nacionais que têm versado sobre o tema, assim como a fontes estatísticas. Foram utilizados sites relacionados com o tema, como o site do Couchsurfing e o da Câmara Municipal de Braga. A base de dados do Couchsurfing foi essencial para caraterizar os local hosts (anfitriões locais) presentes em Portugal e no mundo. Também foi usado o programa ArcGIS, na versão 10.6, para a realização da cartografia necessária para se entender melhor a temática selecionada [e.g., mapa de enquadramento geográfico do município de Braga e o mapa dos local hosts (anfitriões locais) do Couchsurfing por distrito em Portugal Continental]. A segunda fase correspondeu a um contexto mais prático baseando-se em fontes primárias e à realização de trabalho de campo. Foi definido o perfil de utilizador no site do Couchsurfing, seguido da aplicação de um inquérito por questionário aos seus utilizadores e recolhemos os 18 dados sobre os local hosts do site da plataforma. Esta abordagem foi imprescindível para determinar o perfil de utilizador, o tipo de interação e a segurança em termos da sua utilização. A presente dissertação segue uma estrutura de seis capítulos. No primeiro capítulo, intitulado “Conceito e evolução do turismo e as várias plataformas de alojamento”, abordam-se alguns conceitos fundamentais, tais como o conceito e a evolução do turismo, estando este subdividido na conceitualização do turismo e as novas plataformas de alojamento local, no conceito de turismo cultural e como este tem evoluindo e, por fim, na análise dos dados do turismo a nível mundial e até 2030. No segundo capítulo, com o título “A plataforma de alojamento Couchsurfing”, de cariz teórico, foi realizada uma pesquisa bibliográfica internacional sobre a plataforma de alojamento local Couchsurfing, onde se analisam quais são os objetivos da plataforma, como é que a plataforma funciona e quais são os impactes desta plataforma a nível mundial e no município de Braga. De cariz mais prático, foi realizada no terceiro capítulo uma pesquisa de recolha de dados que corresponde ao trabalho de campo e à análise dos dados recolhidos. Nesta fase procedeu-se à aplicação de um inquérito por questionário aos utilizadores da plataforma, com o intuito de analisar e caraterizar o público-alvo que utiliza a plataforma, tendo como foco o perfil de utilizador, o tipo de experiências e aspetos positivos e negativos referentes à utilização da mesma. O quarto capítulo da dissertação diz respeito à evolução do turismo e do Couchsurfing no município de Braga, sendo estudada a evolução do turismo no município e a implementação da plataforma à escala mundial e no município de Braga. Por fim, é caraterizado o públicoalvo que utiliza esta plataforma na área de estudo. O quinto capítulo diz respeito à análise dos resultados obtidos no trabalho de campo, intitulando-se “Perfil e motivações dos couchsurfers em Braga”. Neste capítulo abordamos o tipo de utilização e participação de cada utilizador, os principais aspetos positivos e negativos e o tipo de interação que se adquire entre os surfers e os hosts com a utilização da mesma. Procedeu-se, ainda à análise sobre a segurança na plataforma. 19 O último capítulo encerra as principais conclusões da presente dissertação, discutindo-se também as principais limitações da pesquisa que foi realizada e são avançadas pistas para futuras investigações. Sobre o caso de estudo desta dissertação “o Couchsurfing no município de Braga” é importante realçar que esta dissertação faz, pela primeira vez, uma análise desta plataforma de alojamento em Braga. Sobre o caso português, existem algumas dissertações sobre o Couchsurfing, nomeadamente a dissertação de Isabel Tootill, de 2017, que analisa a plataforma Couchsurfing no município do Porto, tendo concluído que a sua utilização é bastante ativa nesta cidade. Como metodologia utilizou uma análise on-line da plataforma e dos seus utilizadores e realizou 13 entrevistas. A dissertação de Luciana Vera, de 2018, foi outro estudo que se debruçou sobre o caso português da plataforma de alojamento. Esta dissertação teve como foco de estudo a economia de partilha e o consumo colaborativo no contexto do turismo, comparando o Brasil e Portugal e como caso de estudo as plataformas de alojamento Couchsurfing e Airbnb. Este estudo teve como objetivos principais: entender as motivações das pessoas em adotarem práticas de economia de partilha e de consumo colaborativo no âmbito do turismo e entender a perceção de cocriação dos consumidores na utilização destas plataformas. Esta análise resultou na caraterização de um perfil de utilizador com idades entre os 27 e os 43 anos, sendo maioritariamente do sexo masculino e a maior parte dos entrevistados apresentou um elevado nível de instrução. Foi concluído que os utilizadores portugueses obtiveram o seu primeiro contacto com o Couchsurfing através de pessoas do seu círculo social (amigos e familiares) e que os Couchsurfers portugueses têm como motivação para o uso desta plataforma a expetativa de experiências culturais partilhadas. A permuta entre culturas e conhecer pessoas de outros lugares e com outras mentalidades é um aspeto positivo na utilização do Couchsurfing. Além da divulgação pública, junto das autoridades locais, dos resultados que obtivemos com a nossa investigação, importa recordar que os mesmos interessam num momento em que se vive uma crise pandémica e em que se perspetivam impactes negativos, com destaque para o aumento do desemprego, que se vai repercutir na atividade turística. O Couchsurfing pode assumir-se como uma das soluções para que as pessoas continuem a viajar e a um baixo custo. 20 PARTE I - AS VÁRIAS PLATAFORMAS DE ALOJAMENTO E O CONTRIBUTO DO COUCHSURFING 21 1. CONCEITO E EVOLUÇÃO DO TURISMO E AS VÁRIAS PLATAFORMAS DE ALOJAMENTO O principal objetivo deste capítulo é perceber a evolução da atividade turística e analisar o surgimento das plataformas digitais. O desenvolvimento das TIC conduziu a uma evolução em todos os setores económicos, incluindo o setor turístico. Dessa evolução nasceram as plataformas digitais onde se incluem as plataformas de alojamento, como o Couchsurfing. Neste capítulo analisam-se as principais plataformas de alojamento, como surgiram e evoluíram, bem como as suas vantagens e desvantagens. É importante definir onde se enquadra este tipo de turismo, assim como as plataformas de alojamento utilizadas pelos turistas. Por fim, analisam-se os dados do turismo a nível mundial e local e a sua evolução até 2030. 1.1 O turismo e as novas plataformas de alojamento O conceito de turismo está em constante evolução e não pode ser considerado um conceito estático. Segundo Barretto (2003) são diversas as definições de turismo que têm surgido sobretudo desde o século XX, onde os elementos mais importantes são o tempo de permanência, o caráter não lucrativo da visita e a procura de prazer/bem-estar por parte do turista por livre e espontânea vontade. O conceito de turismo remonta ao século XVII e às viagens realizadas na Europa, intituladas por Grand Tour. Os Grand Tours correspondiam a deslocações de longa duração (de cerca de três anos), em que os participantes eram jovens do sexo masculino, pertencentes à elite britânica (Costa, 2009). Os jovens que participavam no Grand Tour passaram a ser conhecidos por turistas (Cunha, 2001). Esta viagem caraterizava-se por ser um rito de passagem educacional para os jovens que a praticavam (Richards, 1996). O primeiro conceito de turismo remonta ao ano de 1911 e foi elaborado pelo economista Von Schrattenhofen (citado por Barretto, 1995). O turismo é um conceito que compreende vários processos, sobretudo os económicos, manifestando-se quer na chegada, quer na permanência e na saída do turista do seu local de residência. Em 1942, os Professores Hunziker e Krapf (citados por Cunha, 2001), apresentaram um conceito de turismo afirmando ser um conjunto de relações e fenómenos originados pela 22 deslocação e permanência de pessoas fora do seu local de residência. Estas deslocações e permanências não podem ser utilizadas para a prática de uma atividade lucrativa principal. Em 2010, a Organização Mundial do Turismo (OMT), salientou que o turismo é um fenómeno social, cultural e económico que implica a deslocação de pessoas para países ou lugares fora do seu local de residência, para uso pessoal ou comercial. Segundo a OMT (2010), o turismo tem impactes na economia, no ambiente natural e construído, na população local do destino e no próprio turista. Em 2021, o Glossário divulgado pela OMT sobre conceitos (https://www.unwto.org/glossary-tourism-terms - acedido a 10/03/2021) recorda que o turismo é uma atividade realizada por visitantes, considerando um visitante como “a traveller taking a trip to a main destination outside his/her usual environment, for less than a year, for any main purpose (business, leisure or other personal purpose) other than to be employed by a resident entity in the country or place visited. These trips taken by visitors qualify as tourism trips” (OMT, 2008). O conceito de turismo está em constante evolução e é estudado por diversos autores de diversas áreas científicas (e.g., Richards, 1996; Cunha, 2001; Barretto, 2003; Costa, 2009). Atualmente não existe apenas uma definição de turismo e há muitos segmentos possíveis para a sua prática. Na nossa opinião, as plataformas de alojamento inovam o conceito de turismo, pois cada uma tem o seu modelo de atuação no mercado turístico. Existem plataformas de alojamento com objetivos simples e eficientes, como o Booking (sendo possível o alojamento numa casa, num hotel ou num hostel) e existem ideias mais inovadoras como o Couchsurfing. Estas duas plataformas têm em comum a finalidade de alugar um alojamento ao turista. O Booking é um site de alojamento local com uma vasta seleção de tipos de alojamento na sua plataforma, incluindo apartamentos, casas de férias, resorts de luxo, casas numa árvore ou até mesmo iglus (www.booking.com - acedido a 25/06/2019). Por sua vez, o Couchsurfing é uma comunidade on-line, onde se pratica um turismo de partilha sendo totalmente gratuito. Os utilizadores desta plataforma podem criar um perfil e tornarem-se hosts ou surfers. Um host é a pessoa que disponibiliza o seu sofá, o seu colchão insuflável ou o quarto de hóspedes aos membros da comunidade Couchsurfing e sem lucro (www.couchsurfing.com - acedido a 11/06/2019). O surfer é o turista que pretende conhecer pessoas dos locais que visita, trocar conhecimentos e aprender sobre outras culturas, sem qualquer tipo de custo, ao nível do alojamento. 23 Mas o Couchsurfing não é apenas um site onde é possível alugar um sofá ou um colchão de ar. Trata-se de uma rede que liga os seus utilizadores a objetivos comuns, seja por viagens, trabalho ou cultura. Constitui um sistema de reciprocidade (Bialski, 2006; Molz, 2007; Lauterbach et al., 2009), que inclui a hospitalidade, a amizade, a cultura e as experiências que são permutadas nesta rede (Chen, 2011). A reciprocidade simboliza a tríplice de obrigação: a obrigação de dar, a obrigação de receber e a obrigação de retribuir (Mauss, 1990). Estas três obrigações estão interligadas no conceito do Couchsurfing e assumem-se como deveres morais institucionalizados em cada pessoa. Outro exemplo é o Airbnb, que é uma plataforma de estadias de curta duração, utilizando a mesma função do Couchsurfing, i.e., o turismo de partilha (Zervas et al., 2017). Porém, na plataforma de alojamento local Airbnb o alojamento não é gratuito. O Couchsurfing e o Airbnb funcionam como redes em que os internautas se disponibilizam a hospedar turistas na sua casa. Existem diversos sites que trabalham com este tipo de serviço, em que os utilizadores oferecem a sua casa onde vivem, recebendo o turista e, em geral, apresentando a cidade a este (Stern, 2009). Tendo por base os principais estudos realizados sobre plataformas digitais, assim como o Couchsurfing, elaborámos o Quadro 1, que representa os fatores do surgimento das plataformas de alojamento. Esta nova etapa ocorreu devido ao desenvolvimento das TIC e ao aumento da procura e oferta no setor turístico. A Web 2.0 (Quadro 1) é um dos principais fatores do surgimento das plataformas de alojamento. Carateriza-se por ser um conjunto de serviços e práticas da Internet dando voz aos utilizadores individuais. Esses serviços incentivam os utilizadores da Internet na participação em várias comunidades. O desenvolvimento da Web 2.0 deveu-se à evolução da Web à escala mundial, termo usado em 2004 por Dale Dougherty, o vice-presidente da O’Reilly (Ciasullo et al., 2018). O surgimento da Web 2.0 (World Wide Web ou WWW), que surgiu em 2004 e que perdurou até 2006 (Nath e Iswary, 2015) veio facilitar a navegação e exploração da rede de conhecimento (Internet). A Web 2.0 tornou-se numa plataforma digital para o uso de uma ampla variedade de ferramentas digitais e a participação de interações da comunidade (Crook, 2008). 24 O desenvolvimento da Web 2.0 foi um dos fatores recentes do surgimento das plataformas de alojamento. Porém, as reservas de alojamento pela Internet aconteceram muito antes da existência de uma nova Web. No final da década de 1950, foi introduzido pelas companhias aéreas um sistema de reservas via computador, que permitia gerir as reservas dos voo e otimizar o uso dos assentos no avião. Ainda na década de 1950, várias agências de viagens instalaram terminais de reservas (Emmer et al., 1993 citados por Gõssling e Lane, 2015), mas a possibilidade de reservar alojamentos surgiu no final da década de 1970 e rapidamente substituiu as reservas de hotéis pelo telefone, pois o sistema de reservas tornava as reservas instantâneas e globais (Emmer et al., 1993 citados por Gõssling e Lane, 2015). Atualmente, a Web 2.0 já adquiriu novas atualizações para Webs mais rápidas e eficazes, como a Web 3.0 e a Web 4.0. A Web 3.0 é caraterizada como a Web de dados e tem como foco o controlo das informações (Bogoslov, 2018 citado por Ribeiro, 2021). Esta fase da Web nasceu em 2007 e perdurou até 2011 (Nath e Iswary, 2015) e tinha como objetivo personalizar e otimizar a pesquisa on-line utilizando o histórico e as preferências dos utilizadores, como seja, o aparecimento de anúncios personalizados para cada utilizador de acordo com o seu comportamento on-line (Aghaei et al., 2012; Almeida, 2017 citado por Ribeiro, 2021). A Web 4.0 é a fase da Web mais recente, tendo surgido em 2012 (Nath e Iswary, 2015) e é caraterizada como um “Agente Eletrônico UltraInteligente, Web Simbiótica e Web Ubíqua" (de Boer et al., 2019; Wu et al., 2020 citados por Ribeiro, 2021). A Web 4.0 envolve uma conexão com a Web a qualquer hora e em qualquer lugar, por meio de dados recolhidos para fornecer serviços personalizados e uma conexão contínua entre utilizadores (de Boer et al., 2019 citado por Ribeiro, 2021). Com o uso das TIC e o aparecimento das plataformas de alojamento via on-line, os turistas, ao visitarem novos lugares, passaram a querer viver tal como os locais e a vivenciar as mesmas experiências (Cruz, 2016), existindo uma mudança na forma de praticar o turismo, assim como, uma mudança de mentalidades perante o setor turístico (Quadro 1). Com recurso às plataformas de alojamento como o Airbnb e o Couchsurfing este “tipo” de turismo pretende destacar que o importante é a experiência da vida local. Deste modo, as principais atrações turísticas deixaram de ser o principal fator que leva o turista a visitar certo local, passando a ser parte de um conjunto de fatores, em que a experiência ganha mais 25 destaque. A experiência da vida local com os locais do lugar que visitam faz com que o turista esteja imerso no dia-a-dia da cidade que visita (Cruz, 2016). As mudanças de gerações (Quadro 1) foi outro fator que influenciou o surgimento das plataformas em geral. As gerações são grupos de pessoas de uma determinada faixa etária que compartilham alguns atributos comparáveis, consciência geracional ou caraterísticas comunitárias (Mannheim, 1969 citado por Nagy e Kölcsey, 2017). Os grupos da mesma geração tendem a experienciar situações de vida semelhantes e a revelar as mesmas formas de comportamento e atitudes (Mannheim, 1969 citado por Nagy e Kölcsey, 2017). Quadro 1Fatores do surgimento das plataformas de alojamento Fatores do surgimento das plataformas de alojamento -Desenvolvimento da Web 2.0. -Mudança de mentalidades no setor turístico. -Mudança de gerações e o aparecimento da geração dos Millennials. -Economia de Partilha. -Aparecimento das companhias aéreas low-cost. Fonte: Elaboração própria tendo por base 18 estudos consultados com especial destaque para Lauterbach et al., 2009; Chen, 2011; Gõssling e Lane, 2015. Vários séculos foram marcados pela mudança de gerações. No século XX destacam-se por ordem cronológica, as gerações denominadas por Silent, Boomers, Generation X, Millennials, Generation Z e Alpha (Quadro 2). Não é consensual o momento em que elas iniciaram, nem a data em que se iniciou uma nova geração, seguindo no presente estudo a perspetiva de McCrindle e Wolfinger (2014). A geração Silent ou a geração silenciosa nasceu entre os anos 1929 até 1945 (McCrindle e Wolfinger, 2014). A primeira metade da geração silenciosa nasce durante a Grande Depressão também conhecida como Crise de 1929 como resultado, tem uma consciência social afetuosa/terna. A última metade da geração pode se lembrar da Segunda Guerra Mundial desde a infância (Gray e Lane, 2002). A geração silenciosa tem idades compreendidas entre 76 e os 92 anos (ano de 2021), ou seja, já é uma geração bastante envelhecida. 26 Os membros da geração silenciosa são os pais da Geração Baby Boom. A geração Baby Boom ou Boomers nasceu entre os anos 1946 e 1964 (McCrindle e Wolfinger, 2014). Esta foi a geração onde a taxa de natalidade aumentou de forma significativa. Nesta geração nasceram 77 milhões de pessoas (Levine, 2008 citado por Reisenwitz e Iyer, 2009), que têm atualmente idades entre 57 e os 75 anos (ano 2021). Os membros desta geração caraterizam-se por indivíduos competitivos, idealistas, materialistas e procurando a auto-realização. Esta geração procura experiências inovadoras e memoráveis e revelam interesse em visitar destinos diferentes e aprender sobre outras culturas. Deste modo, os membros desta geração viajam frequentemente acompanhados ou sozinhos (Patterson et al., 2017 citado por Alves, 2021). A geração X é a geração que deu seguimento à geração Baby Boom, nascida entre o ano 1965 e o de 1980 (McCrindle e Wolfinger, 2014), tendo na atualidade entre 41 e 56 anos (ano de 2021). Nesta geração nasceram 48 milhões de pessoas (Levine, 2008 citado por Reisenwitz e Iyer, 2009) e carateriza-se por ser uma geração que dá valor à sua independência e trabalha com uma perspetiva de orientação e ação, onde procura a questão dos “porquês” e procura adquirir habilidades e experiência, porém não mantém lealdade a longo prazo com a empresa onde trabalha. Esta geração acredita no equilíbrio entre os objetivos pessoais e a vida profissional, porém é relutante em assumir papéis de liderança (CLC, 1998 citado por Jorgensen, 2003). Os membros da geração X são capazes de aprender e adaptar-se a novas ferramentas tecnológicas, disponíveis na Internet e nas médias sociais. Porém, é a geração menos dependente de smartphones e outras ferramentas tecnológicas. Em termos de turismo, a geração X costuma utilizar agências de viagens ou operadores turísticos para reservar as suas viagens (Mônaco, 2018 citado por Alves, 2021). A geração Y ou a geração Millennials é a geração que se segue à geração X. Esta geração abrange indivíduos nascidos entre 1981 até 1994 (McCrindle e Wolfinger, 2014), tendo em 2021 idades compreendidas entre os 27 e os 40 anos. A geração Millennials carateriza-se por ser cooperativos e otimistas no trabalho, a maioria da geração Millennials possui formação educacional (Zemke et al., 2000, citados por Yusoff e Kian, 2013). Para além da formação educacional esta geração cresceu num período em que a tecnologia estava mais avançada (Spiro, 2006 citado por Yusoff e Kian, 2013), quando comparada com a tecnologia das gerações anteriores. Este avanço na tecnologia fez com que esta geração estivesse mais apta para 33 Quadro 3Surgimento, vantagens e desvantagens das plataformas de alojamento (Continuação) Plataformas de Alojamento Como surgiram Vantagens Desvantagens Booking (1996) A plataforma de alojamento Booking foi fundada em 1996, em Amesterdão. Começou por ser uma pequena start-up holandesa que cresceu e tornou-se numa das maiores empresas digitais do mundo no sector das viagens. O principal objetivo desta plataforma é facilitar a possibilidade de explorar o mundo a todos (www.booking.com, acedido a 24-01-2020). -A plataforma Booking estabelece uma conexão entre transporte e alojamentos. No site da plataforma podemos escolher o alojamento, o voo, alugar um carro e alugar passeios e atividades (www.booking.com - acedido a 24-01-2020); -A plataforma Booking utiliza espaços que são oferecidos por empresas (hotéis ou administradoras), ou seja, esta plataforma utiliza alojamentos turísticos “mais formais” (www.befreela.com - acedido a 20/03/2020); São considerados alojamentos mais formais e fidedignos devido a plataformas como o Airbnb utilizarem alojamentos mediados pelos utilizadores onde a oferta corresponde às suas habitações. No caso do Couchsurfing os alojamentos também são mediados pelo host e a oferta é o sofá do utilizador da plataforma. -Esta plataforma utiliza um prazo de cancelamento grátis para o hóspede, ou seja, permite que o hóspede cancele a sua reserva grátis até 10 dias antes do check-in. -Esta plataforma inclui várias empresas, como por exemplo hotéis, e em certos casos o preço é mais acessível marcando a estadia pelo hotel (pelo site ou contacto telefónico) do que pela plataforma. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários estudos (Molz, 2011; Oskam e Boswijk, 2016; Vouga, 2017; Nowak et al., 2015 citados por Guttentag et al., 2018; Martin, 2016 citado por Guttentag et al., 2018). 34 Quadro 3Surgimento, vantagens e desvantagens das plataformas de alojamento (Continuação) Plataformas de Alojamento Como surgiram Vantagens Desvantagens Couchsurfing (2004) O Couchsurfing surgiu no ano de 2004. Com os fundadores Casey Fenton, Daniel Hoffer, Sebastian Le Tuan e Leonardo Bassani da Silveira. A ideia original começou em 1999 com Casey Fenton quando viajou para Reyjavik, na Islândia, e não tinha alojamento marcado. Em vez de reservar um hotel, Casey Fenton enviou e-mails a vários estudantes da Universidade da Islândia esperando que alguém lhe oferecesse alojamento. Em 24 horas, Fenton tinha várias ofertas de alojamento, e ainda oferta de visitas guiadas pela cidade. Foi nessa experiência de alojamento que Casey Fenton pensou no potencial de combinar redes sociais com o alojamento e fundou a plataforma Couchsurfing, com o objetivo de ajudar viajantes de todo o mundo a conectarem-se com hosts disponíveis (Molz, 2011). -Permite o intercâmbio entre pessoas (Vouga, 2017); -Não envolve valores monetários (Vouga, 2017); - Plataforma direcionada para uma abertura à diversidade cultural (Vouga, 2017); -Permite uma maior interação com a cultura local e os residentes do destino (os residentes locais dão dicas sobre o destino aos turistas). -A falta de segurança dos turistas com o anfitrião e viceversa. -Contribui para o aumento de carga turística em destinos que não estão preparados para esse aumento (e.g., cidade de pequena dimensão). -Flexibilidade de marcação de alojamento pode levar a cancelamentos inesperados. Em certos casos, nesta plataforma, existe um cancelamento de última hora, muitas vezes esse cancelamento pode acontecer quando o turista já chegou ao destino. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários estudos (Molz, 2011; Oskam e Boswijk, 2016; Vouga, 2017; Nowak et al., 2015 citados por Guttentag et al., 2018; Martin, 2016 citado por Guttentag et al., 2018). 35 Quadro 3Surgimento, vantagens e desvantagens das plataformas de alojamento (Conclusão) Plataformas de Alojamento Como surgiram Vantagens Desvantagens Airbnb (2008) O Airbnb surgiu em 2008 com uma proposta que combinava benefícios económicos para viajantes e para residentes de áreas turísticas (Oskam e Boswijk, 2016). -O preço acessível é uma das motivações que leva o turista a escolher o Airbnb em vez de alojamentos tradicionais mais dispendiosos (Nowak et al., 2015 citados por Guttentag et al., 2018); -O maior objetivo desta plataforma é tornar a plataforma inclusiva para cada anfitrião e hóspede (www.airbnb.com, acedido a 24-01-2020),ou seja, uma plataforma abrangente a todo o tipo de pessoas e culturas; -Hospitalidade imparcial, acabar com a discriminação através de verdadeiras experiências de conexão humana, através de uma plataforma (www.airbnb.com, acedido a 24-01-2020); -Geralmente, o Airbnb oferece descontos semanais e mensais, dependendo da propriedade, algumas propriedades têm desconto de 70% (www.befreela.com - acedido a 20/03/2020). -Esta plataforma é uma das plataformas digitais mais conhecidas e utilizadas, por isso, torna-se uma ameaça para os alojamentos tradicionais (Martin, 2016 citado por Guttentag et al., 2018). Fonte: Elaboração própria tendo por base vários estudos (Molz, 2011; Oskam e Boswijk, 2016; Vouga, 2017; Nowak et al., 2015 citados por Guttentag et al., 2018; Martin, 2016 citado por Guttentag et al., 2018). Atualmente a Internet permite a utilização de novas plataformas que, à medida que surgem, se revelam mais inovadoras, indo ao encontro das novas necessidades dos seus utilizadores. O mundo das redes com a troca de alojamento começou com a primeira rede de hospitalidade, SERVAS International, fundada em 1949 por Bob Lutweiler (Molz, 2011). Esta rede começou como uma cooperativa sem fins lucrativos que promovia a tolerância e a paz mundial. Originalmente, a rede SERVAS abrangia apenas algumas centenas de membros, e durante décadas os membros utilizavam telefonemas ou cartas manuscritas para organizar 36 homestays com outros membros à escala mundial (Molz, 2011). No final dos anos de 1990, a Internet parou no tempo e as novas plataformas on-line começaram a substituir o modelo SERVAS de cartas manuscritas por sistemas sofisticados de redes on-line, reinventando o modelo anterior. Neste período surgiram organização de intercâmbio de hospitalidade, tais como, o Hospitaly Club, o Global Freeloaders e o Hospitality Exchange. Estas novas redes eram principalmente projetos sem fins lucrativos, tal como o SERVAS International (Molz, 2011). 1.2 O turismo cultural Segundo a OMT (2019), o turismo cultural é um tipo de atividade turística em que a motivação essencial do visitante é aprender, descobrir, experimentar e consumir as atrações/produtos culturais tangíveis e intangíveis, num destino turístico. Essas atrações/produtos culturais estão relacionados com um conjunto de características materiais, intelectuais, espirituais e emocionais reconhecidas numa sociedade. Essas caraterísticas englobam, entre outros elementos, artes, arquitetura, património histórico e cultural, literatura, música, crenças e tradições. Em turismo cultural, o turista tem como principal objetivo conhecer os bens materiais e imateriais produzidos pelo ser humano (Barretto, 2003). O desenvolvimento do turismo cultural conduz a uma adaptação do território (Marujo et al., 2013). Diversas cidades com matrizes históricas utilizam o seu património histórico para o transformar em produtos turísticos. O turismo cultural proporciona o desenvolvimento de novos itinerários turísticos culturais, ao mesmo tempo que valoriza e revivifica ofertas pré-existentes. Assim, o turismo torna-se num instrumento fundamental na reabilitação do património em cidades históricas. O turista cultural tem como motivação nas suas viagens o encontrar e o contactar com diferentes culturas (Marujo et al., 2013). A riqueza cultural de cada cidade histórica abrange o seu património monumental, a arquitetura, a paisagem, os museus e o artesanato. Assim, verifica-se que o turismo cultural se caracteriza pela motivação do turista em planear, conhecer e vivenciar lugares baseados na história de uma determinada sociedade (Marujo et al., 2013), como por exemplo, o município de Braga que é conhecido pelo seu valioso património religioso (Pereira e Peres, 2010). É possível identificar cinco tipos de turistas culturais (Mckercher, 2002): 37 1. O turista cultural intencional (the purposeful cultural tourism) - este tipo de turista interessa-se por aprender sobre o património cultural, obtém uma experiência cultural profunda com as suas viagens e a razão principal para visitar um lugar é o património; 2. O turista cultural que utiliza o sightseeing (autocarro turístico - the sightseeing cultural tourism) - uma das principais razões deste tipo de turista cultural quando visita algum destino é aprender sobre a cultura ou o património alheio, porém este tipo de turista tem uma experiencia superficial e orientada ao entretenimento, pela utilização do autocarro para aprender sobre o património cultural do destino; 3. O turista cultural casual (the casual cultural tourist) - este tipo de turista desempenha um papel limitado na decisão de visitar um destino, envolvendo-se de maneira superficial com o destino; 4. O turista cultural acidental (the incidental cultural tourist) - este tipo de turista cultural desempenha pouco ou nenhum papel significativo no processo de tomada de decisão sobre o destino, porém enquanto estiver no destino, a pessoa participará nas atividades ligadas ao turismo cultural, mantendo uma experiência superficial tal como o turista cultural casual; 5. O turista cultural casual (the serendipitous cultural tourism) - este tipo de turista desempenha pouco ou nenhum papel na decisão de visitar um destino, mas enquanto esse tipo de turista visita atrações culturais, acaba tendo uma experiência profunda. Com a utilização das plataformas de alojamento o turista pode praticar todo o tipo de turismo que pretende, visto que cada plataforma tem determinadas caraterísticas e elas complementam-se. Normalmente as plataformas de alojamento estão equipadas com vários tipos de ofertas de forma a alcançar uma maior procura do turista. As ofertas de cada plataforma variam com o seu conceito, por exemplo as plataformas Booking e Airbnb têm mais ofertas em termos de casas (Airbnb) ou de hotéis ou hostels (Booking). Já na plataforma em estudo (Couchsurfing), a oferta será sempre um sofá, ainda que em certos casos o host possa oferecer um colchão de ar. Nos casos em que as plataformas oferecem alojamento no centro da cidade, para que o turista possa visitá-la e aprender sobre o património e a cultura da cidade, podemos considerar que se trata de turismo cultural. Nas plataformas que oferecem casas rurais pode-se praticar o turismo em espaço rural. Deste modo, cada 38 plataforma tem várias ofertas para que o turista possa escolher o tipo de turismo que quer praticar. O turista cultural que utiliza o Couchsurfing tem como motivações o desejo de conhecer a cultura local e o património cultural. Não obstante, o seu principal foco será sempre em aprender sobre a cultura das pessoas dos lugares que visita e manter uma ligação menos formal com o anfitrião. Na nossa opinião o tipo turista que utiliza o Couchsurfing encaixa-se no turista cultural intencional, pois é um tipo de turista que tanto se interessa por aprender sobre o património cultural como se interessa em obter uma experiência cultural profunda com as suas viagens. O grande impacte positivo das plataformas de alojamento é que dependendo do seu propósito e objetivo existe a possibilidade de criação de novos tipos de turismo, como por exemplo, o turismo Backpacker. Os turistas Backpackers definem novas tendências de viagens, desenvolvendo novos mercados e descobrindo novos destinos, como por exemplo, destinos que não se encontram preparados para o turismo (Hampton, 1998; Scheyvens, 2002 citados por Richards e Wilson, 2004). O turismo Backpacker é um tipo de turismo utilizado predominantemente por jovens turistas em férias prolongadas, tendo os seus utilizadores preferência por alojamentos mais económicos, por um itinerário flexível e que procuram conhecer novas pessoas enquanto viajam (Pearce, 1990 citado por Ooi e Laing, 2010). Na nossa opinião esta forma de praticar turismo está relacionada com a plataforma em estudo e leva à criação do turista dos dias de hoje. Um turista com itinerário e horários mais flexíveis procurará plataformas que permitam arranjar alojamento no momento em que precisam do mesmo e que, ao mesmo tempo, seja um alojamento mais económico. 1.3 Dados do turismo a nível mundial e o turismo até 2030 Segundo a OMT (2011), o crescimento do turismo internacional continuará, mas a um ritmo mais moderado. Entre 2020 e 2030 terá um crescimento médio anual de 2,9% por ano, as chegadas de turistas internacionais aumentarão, em média, 45 milhões por ano entre 2020 e 2030. O turismo transformou-se num fator-chave para o progresso socioeconómico, a criação de empregos e empresas, para o desenvolvimento das infraestruturas e um elemento 39 significativo das receitas de exportação obtidas, tanto para economias avançadas quanto para as emergentes (OMT, 2011). De acordo com o estudo da OMT (2011), Tourism Towards 2030: Global Overview, o turismo tem um maior potencial de expansão nas próximas décadas. O estudo faz uma projeção para a Europa de 744 milhões de chegadas de turistas internacionais e de um crescimento médio anual de 1,8% de 2020 até 2030. Segundo a OMT (2019), de acordo com o estudo International Tourism Highlights-2019 Edition, o turismo teve uma expansão contínua ao longo do tempo. Considera-se que o ano de 2018 foi o 9º ano consecutivo onde se verificou o crescimento sustentado deste setor. Segundo Pololikashvil (2019), secretário-geral da OMT, o crescimento do turismo transforma o setor numa força global para o crescimento e desenvolvimento económico, impulsionando a criação de empregos e servindo como incentivo para a inovação e empreendedorismo. De acordo com a OMT (2018), o turismo é um dos principais pilares económicos nos destinos mais conhecidos e com carater sazonal, enquanto nos destinos emergentes o potencial de crescimento deste setor é muito elevado. Segundo o mais recente estudo do Barómetro Mundial do Turismo da OMT (2020), no ano de 2019 foram registadas 1,5 mil milhões de chegadas de turistas internacionais, o que reflete um aumento de 4% em relação ao ano de 2018. De acordo com o relatório da OMT (Barómetro Mundial do Turismo de 2020), este aumento representa o décimo ano consecutivo de crescimento do turismo tornando-o num setor económico líder e resiliente. Todas as regiões sentiram um aumento nas chegadas de turistas internacionais em 2019. No entanto, a incerteza em torno do Brexit, o colapso de Thomas Cook, as tensões geopolíticas e socias e a desaceleração económica global contribuíram para um crescimento mais lento em 2019, em comparação com o número de chegadas dos anos de 2017 e 2018. Esta desaceleração das chegadas dos turistas afetou principalmente as economias avançadas, em particular, as da Europa, da Ásia e do Pacífico. Na Europa verificou-se um crescimento mais lento que nos anos anteriores (+4%). Porém continua a liderar no número de chegadas internacionais, tendo recebido 743 milhões de turistas internacionais em 2019, traduzindo-se em 51% do mercado global. 40 Para o ano de 2020, a OMT previa, em 2019, um crescimento de 3% a 4%. Os eventos desportivos deveriam ter impactes positivos no setor, incluindo as Olimpíadas de Tóquio e eventos culturais como a Expo 2020 no Dubai. Porém, estes eventos foram cancelados devido à pandemia de SARS-CoV-2. A atual pandemia (SARS-CoV-2) tem condicionado todas as atividades económicas e em particular a do turismo. Em abril de 2020, no contexto do estado de emergência, 81% dos estabelecimentos portugueses estiveram encerrados ou não registaram movimento (Turismo de Portugal, 2020). O perfil dos turistas durante o estado de emergência e o estado de calamidade corresponde a hóspedes não residentes que ficaram retidos, ou que, por motivos profissionais, tiveram de se deslocar a Portugal (Turismo de Portugal, 2020). Segundo o Barómetro da OMT, com especial foco na pandemia COVID-19, a partir de 20 de abril de 2020, 100% dos destinos à escala internacional introduziram restrições em resposta à pandemia, 97 destinos (45%) fecharam total ou parcialmente as suas fronteiras, 65 destinos (30%) suspenderam total ou parcialmente voos internacionais e 39 destinos (18%) implementaram o encerramento de fronteiras de uma forma mais diferenciada, proibindo a entrada de passageiros de países de origem específica. O setor turístico é um dos setores mais afetados com a pandemia da COVID-19, com aviões que não foram usados, hotéis fechados e restrições de viagem em praticamente todos os países do mundo (OMT, 2020). No primeiro trimestre de 2020, as chegadas internacionais registaram um decréscimo de 22%, quando se compara com o número de chegadas do ano anterior. A região de origem da pandemia (Ásia-Pacífico) registou um decréscimo de 35%, seguida da Europa com 19% (Turismo de Portugal, 2020). Segundo o Barómetro da OMT de 2020, o decréscimo do setor turismo representa menos 67 milhões de chegadas internacionais e 80 mil milhões de dólares em exportações nos primeiros 3 meses de 2020. A nível nacional, segundo o Turismo de Portugal (2017), os eixos estratégicos para o turismo em Portugal até ao ano de 2027, caraterizar-se-ão pela valorização dos territórios e das comunidades, pelo impulsionamento da economia, pela potenciação do conhecimento, pela criação de redes e de conectividades e pela projeção de Portugal. O crescimento do turismo em Portugal exige contantes investimentos de forma a alcançar níveis elevados de qualidade e satisfação do turista (OECD, 2018). Portugal, como outros 41 países, é desafiado pela dispersão espacial dos turistas, pelas várias regiões e pela sazonalidade. A Estratégia Nacional de Turismo para 2027 visa aumentar o volume turístico em todas as regiões, com foco especial nas regiões com baixa densidade turística. Esta Estratégia corresponde a uma estratégia partilhada de longo prazo (dez anos) para o turismo em Portugal. Tem como objetivos (Turismo de Portugal, 2017): • Proporcionar um quadro referencial estratégico de dez anos para o turismo nacional; • Assegurar estabilidade e assumir compromissos quanto às opções estratégicas para o turismo nacional; • Promover uma integração das políticas setoriais; • Gerar uma contínua articulação entre os vários agentes do Turismo; • Agir com sentido estratégico no presente e no curto/médio prazo. Esta visão para 2027 consiste na afirmação do turismo como um modelo de desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território, posicionando Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo (OECD, 2018). Em Portugal o setor turístico também foi afetado pela pandemia e segundo os valores de 2020 apresentados pelo Turismo de Portugal, os estabelecimentos turísticos registaram, em Portugal, 10,5 milhões de hóspedes e 26,0 milhões de dormidas que se traduziram em decréscimos de 61,3% e 63,0%, respetivamente, face a 2019. É importante salientar que 3.988.500 das dormidas registadas correspondem a hóspedes estrangeiros e 6.527.300 a dormidas de hóspedes portugueses. Em dezembro de 2020, o setor do alojamento turístico registou 459.400 mil hóspedes e 969.800 mil dormidas, refletindo-se em variações de -70,9% e -72,4%, respetivamente (Turismo de Portugal, 2021). O governo português implementou várias medidas de apoio à economia para combater a propagação da pandemia no país, tais como, o lay-off, o teletrabalho, o diferimento de impostos e contribuições, apoios a start-ups e apoios à tesouraria (site “Não paramos. Estamos ON” do XXII Governo de Portugal - https://covid19estamoson.gov.pt/medidas-deapoio-emprego-empresas/- acedido a 13/06/2020). 42 1.4 Notas Conclusivas No sentido de cumprir os objetivos propostos nesta dissertação de mestrado, o primeiro capítulo abordou o conceito e evolução do turismo, especificamente o turismo cultural que é o tipo de turismo praticado pelo Couchsurfing e os seus utilizadores. Na nossa opinião o turismo cultural refere-se a um tipo de turista que tem como motivações aprender, descobrir e experimentar enquanto viaja. O turista cultural pretende que cada viagem que realiza o torna mais próximo do lugar visitado e ambiciona conhecer e prender a cultura, em diferentes dimensões, dos lugares que visita. No surgimento e desenvolvimento das plataformas de alojamento foi determinante o papel das companhias aéreas. O surgimento das companhias aéreas low-cost permitiram que mais pessoas conseguissem viajar com menos dinheiro para gastar na viagem e no destino. Com a era dos transportes aéreos mais baratos as pessoas começaram a viajar mais frequentemente, porém por períodos mais curtos. A Web 2.0 foi determinante para o início deste tipo de plataformas devido ao acesso à Internet e à possibilidade de reservas on-line. A geração Millenials foi a geração nascida entre 1981 até 1994 (McCrindle e Wolfinger, 2014), durante o desenvolvimento tecnológico, o que fez com que fosse a primeira geração a utilizar a Internet com frequência. Esta geração é a geração que mais viaja e a mais conectada às redes devido a terem crescido durante o desenvolvimento das TIC. A utilização da Internet e o desenvolvimento de novas Webs levou ao surgimento de uma nova economia, a economia de partilha, que se carateriza por um novo modelo económico mediado pela Internet. Todos estes fatores se refletiram em fatores positivos para o surgimento e desenvolvimento do turismo e permitiram perceber como é que as plataformas de alojamento se iniciaram. Por fim, os dados sobre o turismo permitem aferir que, até ao ano de 2019, o setor turístico era um dos setores em crescimento tanto a nível mundial como nacional, porém devido à pandemia da SARS-CoV-2, que condicionou todas as atividades económicas, o ano de 2020 destacou-se pela acentuada quebra registada no setor turístico. 49 Quadro 4Principais autores que abordam a plataforma de alojamento Couchsurfing e as suas áreas científicas (Conclusão) Autor (Ano) Título do artigo Área Científica dos autores Área científica de acordo com a publicação e/ou de acordo com a nossa perceção Dutra (2013) “TURISMO 2.0: Um Estudo de Perfil de Usuários da Rede Couchsurfing” Departamento de ComunicaçãoFaculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Comunicação. Yannopoulou et al. (2013) “User-Generated Brands and Social Media: Couchsurfing and Airbnb” Departamento de MarketingUniversidade de Newcastle, Nottingham e Kent. Marketing e redes sociais. Tootill (2017) “O intercâmbio de hospitalidade e a sua influência nos jovens viajantes: O caso do Couchsurfing na cidade do Porto” Departamento de SociologiaInstituto Universitário de Lisboa Sociologia. Vouga (2017) “Influências contraculturais no consumo colaborativo: insights no contexto do couchsurfing.com” Curso de Publicidade e Propaganda-Universidade Federal de Pernambuco. Consumo colaborativo. Echevarria (2018) “Couchsurfing y Turismo P2P” Departamento de Comunicação SocialUniversidade Nacional de Rosario. Comunicação. Fonte: Elaboração própria tendo por base a bibliografia estudada. Dos primeiros estudos realizados sobre o Couchsurfing destaca-se o artigo de Paula Bialski (publicado no ano de 2006) e a investigação de Jennie Molz que tem contribuído com muitos artigos sobre o assunto (destacamos os artigos dos anos 2007, 2011, 2012 e 2013) e o estudo de Debra Lauterbach et al., do ano de 2009. Tendo por base toda a bibliografia utilizada elaborámos uma síntese que compacta a análise de vários estudos relativos ao Couchsurfing. A síntese (Quadro 5) apresenta a perceção de vários autores relativamente à plataforma em estudo no período de 2007 até 2018 e por ordem cronológica em termos de publicação. Entre a vasta bibliografia existente destacam-se os estudos de Tan (2010) e Chen (2011), devido ao 50 tipo de abordagem usada. Estes autores criaram interações off-line entre os utilizadores, como por exemplo, o alojamento de surfers nas suas residências. Destaca-se também o método utilizado pelos autores Figueiredo (2008), Rosen et al. (2011), Pultar et al. (2012) e Tootill (2017), que inquiriram os utilizadores da plataforma para recolha de dados sobre os perfis de cada utilizador. E por último, destaca-se o trabalho de campo dos autores Dutra (2013) e Vouga (2017) que analisaram os perfis de cada utilizador com recurso à netnografia. Quadro 5 - Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados A. Figueiredo (2008)- Recife, Brasil. O Couchsurfing, juntamente com outras plataformas mundiais, está relacionado com um grupo de turistas que anseia realizar viagens mais completas, que fujam de um pacote sequencial de atividades pré-programadas. Metodologia mista. Análise da plataforma e do perfil do utilizador da mesma. Reportagens e inquéritos por entrevista. No trabalho empírico a autora aplicou um inquérito por entrevista a 268 utilizadores da plataforma em Recife (Brasil) e fez duas reportagens para as revistas “Mochileiros da Geração Web” e “Surfe de Sofá”. Foram definidas várias caraterísticas do perfil de utilizador, tais como: homens (n=149) e mulheres (n=119); idades sobretudo de 20 a 29 anos (n=194) e de 30 a 39 anos (n=31); mora maioritariamente com Pais/Família (n=194); utiliza o Couchsurfing desde 2008 (n=179). Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 51 Quadro 5 - Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados A. Vouga (2017)-Neste artigo o autor não analisa um território específico. Apenas analisa a plataforma Couchsurfing e os perfis dos utilizadores recolhidos, não especificando a origem dos utilizadores. A plataforma Couchsurfing nasceu em 2008 e foi desenvolvida principalmente pela cultura do turismo Backpacker. O crescimento desta plataforma deu-se através da exploração das possibilidades de integração comunicacional com a utilização do computador, de forma a aumentar a comunidade dos Backpackers permitindo a união entre os viajantes e as ofertas de hospitalidade. Desta união cresceu uma rede que estabelece relações formais voltadas para uma abertura à diversidade cultural. Segundo o autor, atualmente, o Couchsurfing representa a mais bem-sucedida rede de intercâmbio de hospitalidade gratuita. Metodologia qualitativa. Utilização de Netnografia. Trabalho empírico com utilização de Netnografia para a recolha de dados do site do Couchsurfing. O autor recolheu 100 comentários dos utilizadores, onde 49 eram do sexo feminino e 47 do sexo masculino, com idades entre os 18 e os 56 anos. Este artigo resultou na caraterização do perfil de utilizador do Couchsurfing. Concluiu-se que as experiências interpessoais de cada utilizador são maioritariamente positivas. O autor refere uma experiência de um utilizador que explica que a vantagem de utilizar a plataforma é poder conhecer pessoas com as quais, normalmente, não teria contacto. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 52 Quadro 5 - Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados D. J. Chen (2011)- Taiwan, China. O Couchsurfing é geralmente apresentado como uma opção alternativa ao turismo de Backpacker. Porém, para os Couchsurfers de Taiwan, o principal objetivo de viajar não é economizar dinheiro, mas criar uma conexão com os residentes nos destinos. Pretendem que cada viagem realizada garanta uma experiência local autêntica. Metodologia mista. Análise dos dados fornecidos pelo Couchsurfing. Observação participante nas interações on-line existentes na plataforma em Taiwan (e.g., envio de mensagens aos utilizadores da plataforma). Realização de inquérito por entrevista a 10 Taiwaneses com idades entre os 23 e os 60 anos. No trabalho empírico foram usadas interações off-line, tais como, alojamento de surfers (turistas), encontros de utilizadores da plataforma em cafés e participação em reuniões do grupo do Couchsurfing. O autor concluiu que o Couchsurfing funciona como um sistema de reciprocidade, pois incentiva os encontros entre turistas e locais e promove o intercâmbio de alojamento, amizades, culturas e experiências. O número total de Couchsurfers em Taiwan corresponde a 17.570 utilizadores (36,1% do sexo masculino e 59,1% do sexo feminino). A idade média do utilizador era de 29 anos. A língua mais falada corresponde ao Mandarim (96%), seguido do Inglês (55%), Taiwanês (5,6%) e Japonês (4%). Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 53 Quadro 5Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados D. Rosen et. al. (2011)- Foram analisados 82 países onde se pratica o Couchsurfing. O principal uso do site da plataforma Couchsurfing é encontrar um lugar para se hospedar enquanto se viaja, com funções adicionais como, conhecer pessoas locais, trocar informações e fornecer intercâmbios culturais. Metodologia mista. Um inquérito por questionário on-line a 1094 membros do Couchsurfing com participação em 82 países, destacando-se os Estados Unidos (208 utilizadores - 19%, a Alemanha (128 - 11,7%) e a França (65 - 5,9%). As respostas totais por região corresponderam a: na Europa a 591 inquiridos (54%), na América do Norte a 270 inquiridos (24,7%) e na América do Sul e Central e Caribe a 92 inquiridos (8,4%). Na Ásia foram inquiridas 72 pessoas (6,5%) e na Oceânia 31 (2,8%) Este estudo resultou na caraterização do perfil de utilizador da plataforma Couchsurfing no território analisado. Da amostra de 591 utilizadores, 54% (591 inquiridos) eram do sexo masculino e 46% (503 inquiridos) do feminino. A média de idades da amostra foi de 27 anos. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 54 Quadro 5Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados E. Pultar et al. (2012)- Neste artigo os autores não analisam um território específico. A rede Couchsurfing possui mais de 3 milhões de membros (dados de 2011) e serve como recurso de intercâmbio de hospitalidade por todo o mudo. Os utilizadores da plataforma permitem que outros membros permaneçam nas suas residências. Os membros do Couchsurfing desempenham duas atividades distintas: 1) ser um convidado e 2) ser um anfitrião. Atualmente os intercâmbios de hospitalidade ocorrem em mais de 200 países. Metodologia mista. -Aplicação de inquéritos a 228 utilizadores por questionário. -Tratamento de dados usando um método analítico. O trabalho de campo correspondeu à recolha de dados através de um inquérito aplicado a 228 utilizadores da plataforma de 35 países. Este artigo teve como principais resultados a caraterização do perfil de utilizador da plataforma que correspondeu a 38% do sexo masculino e a 62% do sexo feminino. A idade média foi de 32,3 anos. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 55 Quadro 5 - Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados I. Tootill, (2017)- Porto, Portugal. A plataforma Couchsurfing é uma plataforma de alojamento local que utiliza uma rede global de pessoas dispostas a partilhar a sua vida, a sua língua materna, a sua casa e assim transformar a sua viagem numa experiência verdadeiramente social. Metodologia mista. Análise on-line da plataforma e dos seus utilizadores. Realização de inquérito por entrevista e observação participante. O trabalho empírico deste estudo correspondeu a uma análise de conteúdo de 13 entrevistas e de observação participante (dois eventos ativos na cidade do Porto). Nos dois eventos realizados na cidade do Porto, o primeiro teve uma adesão de 150 pessoas que se encontravam num piquenique no Parque da Cidade. O segundo obteve uma adesão de 15 pessoas, num encontro informal num bar. Foi realizada a caraterização da plataforma Couchsurfing na cidade do Porto. Verificou-se que a prática do Couchsurfing está bastante ativa na cidade do Porto e que a relação de host e surfer (anfitrião e turista) é uma relação fugaz, mas intensa, acontecendo conversas de cariz pessoal resultante da partilha de tempo e espaço. Nas 13 entrevistas realizadas os inquiridos tinham idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 56 Quadro 5Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Continuação) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados J. Tan (2010)- O autor hospedou 15 surfers (turistas) na sua residência oriundos de Singapura, Indonésia, Taiwan, Suíça, Eslováquia, Estônia, Alemanha, Polónia, EUA, Brasil, Nigéria e Austrália. O Couchsurfing é a maior rede de intercâmbio de hospitalidade do mundo. Esta plataforma permite que os turistas utilizem a rede para localizar utilizadores interessados em oferecer acomodação gratuita, por um período de alguns dias. Metodologia mista. Caraterização da plataforma Couchsurfing. Inquérito por entrevista aos surfers que se hospedaram na residência do autor. Focus group com 3 surfers hospedados na casa do autor. Quanto ao trabalho de campo o autor hospedou 15 Couchsurfers no seu apartamento, utilizando observação participante e realizado entrevistas a cada utilizador. Este estudo é sobre a confiança on-line/off-line da comunidade que usa o Couchsurfing. No inquérito por entrevista aplicado aos turistas que se hospedaram na casa do autor as perguntas foram direcionadas para o conceito de confiança, sendo que o foco deste estudo foi a segurança pessoal. Este estudo resultou na caraterização de um perfil de utilizador, neste caso um utilizador que não se considera “típico” da sua nacionalidade. O autor considera que os Couchsurfers se sentem diferentes da sua cultura local e procuram a aceitação de uma comunidade on-line/offline. Destes 15 surfers 7 eram do sexo feminino e 8 do sexo masculino, com idades de 18 a 34 anos. A idade média foi de 27 anos. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. 57 Quadro 5 - Síntese dos modelos de análise de perceção dos autores em estudo a respeito do Couchsurfing (Conclusão) Autores (Data) e Território Analisado (Cidade/Pais) Definição de Couchsurfing Metodologia e Trabalho Empírico Principais Resultados M. Dutra (2013)- Brasil. A plataforma Couchsurfing é uma plataforma utilizada por diversos turistas independentes com a finalidade de se hospedarem, enquanto viajam, e também conhecer a cultural local. O Couchsurfing oferece intercâmbio de hospitalidade entre os seus utilizadores, permitindo a hospedagem gratuita na casa de cada um. Metodologia Qualitativa. Utilização de Netnografia. e análise de conteúdo. No trabalho empírico, este estudo teve como objetivo conhecer o perfil dos utilizadores do Couchsurfing. Para atingir este objetivo, o trabalho de campo realizado constou de uma análise de conteúdo, utilizando a Netnografia, que consiste na análise dos perfis públicos dos utilizadores do site do Couchsurfing. A utilização deste tipo de análise permite a recolha de dados dos utilizadores, tais como idade, origem e idiomas. Foram analisados 96 perfis. Neste estudo concluiu-se que: -a maior parte dos utilizadores estudados são jovens, com média de 28,5 anos (70% entre 20 e 29 anos), 24% dos inquiridos tinha entre 30 e 39 anos, e apenas 5% encontrava-se na faixa etária acima de 40 anos; -os utilizadores revelaram um bom reconhecimento do projeto, sendo que os utilizadores não estão apenas a usufruir do Couchsurfing para as suas viagens, como a utiliza-lo como hosts/ anfitriões. Fonte: Elaboração própria tendo por base vários autores. No Quadro 5, optámos por colocar os estudos mais próximos da abordagem usada na nossa investigação, em termos de amostras e resultados. Entre eles destacam-se os autores Molz (2007, 2011, 2012, 2013), Lauterbach (2009), Yannopoulou et al. (2013) e Rosen (2011). Os estudos da autora Jennie Molz são os mais referenciados tendo publicado quatro estudos sobre o Couchsurfing. Destaca-se também o contributo da autora De-jun Chen (2011), que investiga a plataforma Couchsurfing em Taiwan na China. Importante salientar que a autora é Geógrafa e as suas investigações têm ligações com a Geografia Humana. 58 2.3 Como funciona a plataforma O Couchsurfing, juntamente com outras plataformas mundiais, existe porque há um grupo de turistas que anseia por viagens mais completas, que fujam de um pacote sequencial de atividades, visitas e contemplação de paisagens pré-programadas (Figueiredo, 2008). A adesão à plataforma Couchsurfing não é difícil. O primeiro passo é o registo (Figura 1). Esse registo pode ser feito via e-mail ou via Facebook. Depois é necessário a construção de um perfil de utilizador. No perfil de utilizador é necessária a informação sobre alguns dados pessoais, tais como residência, interesses pessoais e viagens realizadas. Figura 1Construção de um perfil no Couchsurfing Fonte: Elaboração própria tendo por base o site da plataforma Couchsurfing. Na criação de um perfil de host, ou seja, um perfil onde o utilizador está interessado em “alugar” a sua casa, é necessário colocar algumas fotos da sua casa e explicar quais são as condições que propicia. Caso o utilizador pretenda ter um perfil de surfer (termo utilizado pelo Couchsurfing para o turista), o seu perfil deverá ter as suas informações pessoais e interesses. No perfil de utilizador do Couchsurfing é possível atualizar o nosso status conforme o nosso propósito na plataforma existindo quatro tipos de perfil. Podemos estar a aceitar hóspedes, a talvez aceitar hóspedes, a não aceitar hóspedes e a querer marcar um encontro. 65 trabalho de campo idealizado. A utilização de alguns alojamentos disponíveis no município em estudo era importante para a aferição do perfil de utilizador em Braga e para a nossa avaliação como surfer. No presente estudo usaram-se as seguintes fontes primárias e secundárias para se responder às questões levantadas e se atingirem os objetivos definidos. A nível de fontes primárias foi realizada na rede social Facebook uma recolha de grupos que estão ligados ao Couchsurfing. A recolha destes grupos deveu-se à necessidade de aplicação de um inquérito aos utilizadores portugueses do Couchsurfing, que pretendeu responder ao objetivo delineado ligado à caraterização do perfil do utilizador da plataforma Couchsurfing. Esta assumiu-se como a melhor solução encontrada, visto não podermos utilizar os alojamentos, como surfer, ligados a esta plataforma, como resultado da situação pandémica que se vivia quando se iniciou a componente empírica da nossa investigação e que ainda se vive no momento da redação da presente dissertação. Aguardámos até julho de 2020 para decidirmos sobre o caminho alternativo para a experiência pessoal do Couchsurfing, tendo a solução encontrada revelado ser uma boa alternativa. Encontrámos, a 20/10/2020, na rede social Facebook, quatro grupos ativos correspondentes a Portugal, a Lisboa, ao Porto e a Braga. O grupo referente ao município de Braga apresentava, a 20/10/2020, 306 membros. Já o grupo relativo ao município do Porto contava, na mesma data, com 2.500 membros. O grupo relativo ao município de Lisboa encerrava, a 20/10/2020, 1.800 membros. O grupo que partilha experiências em Portugal conta com 2 mil membros. É importante salientar que o grupo relativo à cidade do Porto é o grupo com o maior número de membros e o grupo relativo ao município em estudo é o grupo com menor número de membros registados. Ainda que o município do Porto seja o município com o maior número de utilizadores no Facebook, na plataforma, Lisboa é o município com maior número de utilizadores. Na nossa opinião, isto deve-se ao facto de Lisboa ser a capital de Portugal e receber muitos turistas ao longo do ano. Os principais estudos que serviram de base à nossa abordagem e ao questionário que delineámos foi o estudo de Isabel Tootill, realizado em 2017 com o caso de estudo do município do Porto, a dissertação de Luciana Vera de 2018, com foco de estudo na economia de partilha e no consumo colaborativo no contexto do turismo, debruçando-se sobre a comparação entre o Brasil e Portugal e usando as plataformas de alojamento Couchsurfing e 66 Airbnb e o artigo de Jun-E Tan realizado em 2010. Neste último estudo foi feita uma caraterização da plataforma Couchsurfing e da oferta de alojamento a 15 surfers (turistas) na residência do autor do estudo. O autor entrevistou os surfers que se hospedaram na sua residência e aplicou um inquérito por entrevista aos mesmos. Antes da aplicação do inquérito foi realizado um pré-teste, de forma a perceber se o questionário estava bem elaborado e se as questões eram percebidas pelos inquiridos, assim como o tempo médio de resposta. O pré-teste foi aplicado entre agosto e setembro de 2020 a 11 inquiridos, via on-line, que utilizavam frequentemente a plataforma Couchsurfing, e obteve-se uma média de tempo de resposta de 9,5 minutos. Todos os inquiridos perceberam todas as questões presentes no questionário e não sentiram falta de alguma questão importante que fosse preciso incorporar no mesmo, pelo que não foi necessário proceder a alterações. Seguidamente foi aplicado o questionário aos utilizadores de duas plataformas: rede social Facebook e plataforma de alojamento Couchsurfing. No que diz respeito ao Facebook, entre os meses de setembro e dezembro de 2020, foi estabelecido o contacto com os utilizadores da plataforma Couchsurfing. Foi solicitado aos utilizadores da rede social a participação e preenchimento do questionário sobre os utilizadores da plataforma Couchsurfing. O inquérito foi aplicado em dois idiomas diferentes (Português e Inglês), permitindo recolher a experiência de utilizadores de nacionalidades diferentes. Paralelamente, entre os meses de outubro e dezembro de 2020, aplicou-se o inquérito aos utilizadores da plataforma Couchsurfing, via on-line, usando a plataforma. Foi possível aplicar o inquérito aos utilizadores da plataforma, mais precisamente aos couchsurfers disponíveis no município em estudo e aos couchsurfers disponíveis à escala internacional. Foram aplicados 216 inquéritos por questionário aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing, obtendo 104 respostas no inquérito em português e 112 no inquérito em inglês O questionário foi dividido em duas partes (consultar Anexos I e II). A primeira parte continha 12 perguntas relacionadas com a utilização da plataforma de alojamento, permitindo-nos aferir de que modo os Couchsurfers utilizam a plataforma e quais são as suas principais motivações. A segunda parte continha 11 perguntas de caráter mais pessoal sobre os inquiridos, permitindo retratar um perfil de utilizador do Couchsurfing. 67 Na amostra recolhida foi possível verificar que o sexo masculino é o que predomina na plataforma (Quadro 7), correspondendo a 74,5% das respostas. Quanto à distribuição da amostra por grupo etário verificou-se que a maior parte dos inquiridos se posicionou no grupo dos 26 aos 45 anos (68,5%). Para a análise dos dados retirados de cada questionário respondido utilizou-se o programa IBM S.P.S.S. Statistics 24. Foi necessária a elaboração de uma base de dados com 44 variáveis. A base de dados elaborada constituiu um ponto importante na análise dos utilizadores da plataforma Couchsurfing, sendo possível caraterizar em termos sociodemográficos os seus utilizadores. Procedemos à divisão entre grupos, o que nos permitiu aferir diferenças entre o grupo dos utilizadores portugueses e o grupo dos utilizadores estrangeiros da plataforma. Relativamente às fontes secundárias utilizadas na elaboração do presente estudo foi utilizado o site da plataforma Couchsurfing para retirar os dados relativos aos local hosts que utilizam esta plataforma a nível mundial e local. Foi enviado um e-mail no dia 09/03/2020 para a plataforma Couchsurfing solicitando a base de dados. Esse acesso à base de dados foi negado, tendo sido relatado que não existia uma base de dados para além do conteúdo disponível no site. Usando o conteúdo existente no site do Couchsurfing foi possível construir uma base de dados com o número de local hosts existentes em cada país. Foi utilizada a CAOP do ano de 2019 para a construção de mapas de enquadramento geográfico e de mapas sobre os anfitriões disponíveis no município de Braga. Não obstante, constatámos que os dados dos local hosts identificados no site não correspondem totalmente à realidade. Por exemplo, recolhendo o número total de local hosts de cada distrito em Portugal e somando esse número não reflete o total que a página de Portugal tem contabilizado. A base de dados realizada segundo os dados disponíveis na plataforma ajudou a contabilizar os distritos com mais utilizadores. Porém, a nível mundial consideramos que os números não refletem a realidade e que vamos destacar no capítulo 4 da presente dissertação. Relativamente a outro tipo de fonte usada na nossa investigação, no dia 30/01/2020 foi enviado um e-mail aos técnicos do Posto de Turismo do município de Braga, com um pedido de acesso aos dados sobre o número de turistas que utilizaram o Posto de Turismo nos anos de 2018 e de 2019. Este pedido foi respondido no dia 06/04/2020 com o envio dos dados 68 necessários para a caraterização do município ao nível do turismo e para os anos de 2017, de 2018 e de 2019. A utilização dos dados estatísticos disponíveis no I.N.E., no Turismo de Portugal, no Anuário Estatístico da Região Norte e os dados enviados pelo Posto de Turismo de Braga foram importantes para a caraterização do turismo em Portugal, no Norte, no Cávado e no município em estudo (Braga). A utilização do site do Turismo de Portugal foi uma fonte imprescindível para a caraterização do turismo a nível continental, tendo o Posto de Turismo sido fundamental para uma caraterização a nível local. 3.2 Análise sumária do perfil sociodemográfico dos inquiridos Além do que mencionámos no item anterior, ou seja, que se destacou o sexo masculino, representando 74,5% das respostas ao nosso inquérito, assim como os jovens-adultos e elementos até aos 45 anos (entre os 26 e os 45 anos - 68,5%), denotou-se uma menor representatividade do grupo etário dos 65 e mais anos (2,3%). A média de idades dos inquiridos foi de 35,4 anos (Quadro 7). No que diz respeito ao nível de instrução dos inquiridos, verificou-se que 46,8% detinha o Ensino Superior e 39,8% possuía o grau de Mestre ou de Doutor relevando uma amostra com elevado nível de instrução. Relativamente à situação profissional dos inquiridos eram, maioritariamente, empregados (75,9%) e 52,3% morava sozinho(a) ou com amigos (19,4%). Quadro 7Caraterização sociodemográfica dos inquiridos VARIÁVEL DESCRIÇÃO TOTAL DE RESPOSTAS % SEXO Feminino Masculino Total 55 161 216 25,5 74,5 100,0 GRUPOS ETÁRIOS 0-25 anos 26-45 anos 46-64 anos 65 e mais anos Total 36 148 27 5 216 16,7 68,5 12,5 2,3 100,0 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing em 2020. 69 Quadro 7Caraterização sociodemográfica dos inquiridos (Conclusão) VARIÁVEL DESCRIÇÃO TOTAL DE RESPOSTAS % NÍVEL DE INSTRUÇÃO Não sabe ler nem escrever 1º Ciclo do Ensino Básico (até 4 anos de escolaridade) Ensino Básico (até 9 anos de escolaridade) Ensino Secundário (10º a 12º ano) Ensino Superior (Bacharelato ou Licenciatura) Mestrado ou Doutoramento Total 0 0 3 26 101 86 216 0 0 1,4 12,0 46,8 39,8 100,0 SITUAÇÃO PROFISSIONAL Empregado (a) Estudante Desempregado (a) Reformado (a) Doméstico (a) Total 164 28 15 6 3 216 75,9 13,0 6,9 2,8 1,4 100,0 MORA COM Marido/Esposa Namorado (a) Pais/Família Amigos Sozinho(a) Total 18 15 28 42 113 216 8,3 6,9 13,0 19,4 52,3 100,0 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing em 2020. Relativamente à utilização dos inquiridos da plataforma de alojamento Couchsurfing (Figura 2), 98,1% utiliza ou já utilizou o Couchsurfing como alojamento nas suas viagens e apenas 1,9% não utilizou a plataforma. Quanto à forma como utilizam a plataforma a amostra revelou que a maioria dos inquiridos utiliza o Couchsurfing como Host e Surfer (44%) e para encontros com outros utilizadores, apelidados na plataforma como hangouts (33,3%). No que diz respeito às razões da não utilização da plataforma verificou-se que foram a falta de segurança (0,5%), a utilização de outra plataforma (0,9%) e o desconhecimento de como funciona o Couchsurfing (0,9%). A nossa amostra segue os resultados encontrados em três estudos que foram realizados, nomeadamente o de Figueiredo (2008 – Recife, Brasil), o de Rosen et al. (2011 – foram analisados 82 países) e o de Dutra (2013 – Brasil). Dois dos estudos tiveram o sexo masculino como predominante e o grupo mais importante foi entre os 20 e os 29 anos, com uma média 70 de 27 anos, no caso do estudo de Rosen et al. (2011) e de 28 anos quando se considera o estudo de Dutra (2013). Figura 2Utilização da plataforma Couchsurfing Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. O Quadro 8 representa os sete idiomas predominantes (de um total de 26 idiomas) na plataforma Couchsurfing tendo por base o inquérito por questionário aplicado. Dos 216 inquiridos, 7 inquiridos não responderam à pergunta. Assim, verifica-se que a língua inglesa (33%) foi a língua predominante, seguida da língua portuguesa (19%). O facto de a língua portuguesa ser a segunda língua mais falada na plataforma deve-se à aplicação de um inquérito por questionário em português, respondido por 104 inquiridos. Os idiomas 1,9% 98,1% Não Sim Não respondeu Surfer (Turista) Como Host (Anfitrião) Surfer e Host Encontros com Hosts/Surfers Organização de eventos Investigações/Dissertações Por falta de segurança Utilizo outro tipo de plataforma Desconheço como funciona a plataforma Se respondeu não, quais são as suas razões para não utilizar a plataforma? Se respondeu sim, de que forma tem participado no Couchsurfing? Já alguma vez usou a plataforma de alojamento Couchsurfing? Surfer Hosts/Surfers Host 71 espanhol e francês também revelaram uma razoável representatividade na amostra, com 18% e 13%, respetivamente. Quadro 8Idiomas predominantes na plataforma Couchsurfing Idiomas Total de respostas % Inglês 199 33 Português 113 19 Espanhol 112 18 Francês 77 13 Italiano 27 4 Alemão 23 4 Russo 10 2 Total 609 100 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. Relativamente aos utilizadores portugueses que utilizam a plataforma Couchsurfing (Quadro 9), dos 104 inquiridos da nossa amostra, 22 (21,2%) pertenciam ao sexo feminino e 82 (78,8%) ao sexo masculino. Contatou-se a predominância dos jovens-adultos e elementos até aos 45 anos (entre os 26 e os 45 anos – 66,4%). Verificou-se uma menor representatividade do grupo etários dos 65 e mais anos, com apenas 2 elementos. Quanto ao nível de instrução, o Ensino Superior e o grau de Mestre ou de Doutor foram os níveis com maior representatividade na amostra, com 40,4% e 42,3%, respetivamente. No que diz respeito à situação profissional dos inquiridos, encontravam-se, maioritariamente, empregados (75%). Importa recordar que 52,9% dos respondentes morava sozinho(a) e 18,3% com amigos. É importante referir que a caraterização sociodemográfica dos inquiridos portugueses da amostra segue o mesmo padrão do resto da amostra (Quadro 8). 72 Quadro 9Caraterização sociodemográfica dos inquiridos portugueses Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. Relativamente à caraterização sociodemográfica dos inquiridos do município em estudo, constata-se que se verifica o mesmo padrão do tipo de utilizador (Quadros 8 e 9). No Quadro 10, verificamos que o sexo predominante é o masculino (66,7%), assim como indivíduos com idades compreendidas entre os 26 e os 45 anos (75%). Em relação ao nível de instrução dos inquiridos bracarenses denota-se que também possuem um nível de instrução elevado e estavam empregados (75%) no momento da inquirição. A única variação que denotamos é a maior percentagem dos inquiridos morarem com a família (41,7%), aspeto que não se mostrou relevante nas outras caraterizações e a morarem sozinhos (41,7%). VARIÁVEL DESCRIÇÃO TOTAL DE RESPOSTAS % SEXO Feminino Masculino Total 22 82 104 21,2 78,8 100,0 GRUPOS ETÁRIOS 0-25 anos 26-45 anos 46-64 anos 65 e mais anos Total 18 69 15 2 104 17,3 66,4 14,4 1,9 100,0 NÍVEL DE INSTRUÇÃO Não sabe ler nem escrever 1º Ciclo do Ensino Básico (até 4 anos de escolaridade) Ensino Básico (até 9 anos de escolaridade) Ensino Secundário (10º a 12º ano) Ensino Superior (Bacharelato ou Licenciatura) Mestrado ou Doutoramento Total 0 0 3 15 42 44 104 0 0 2,9 14,4 40,4 42,3 100,0 SITUAÇÃO PROFISSIONAL Empregado (a) Estudante Desempregado (a) Reformado (a) Doméstico (a) Total 78 12 9 4 1 104 75,0 11,5 8,7 3,8 1,0 100,0 MORA COM Marido/Esposa Namorado (a) Pais/Família Amigos Sozinho(a) Total 8 7 15 19 55 104 7,7 6,7 14,4 18,3 52,9 100,0 73 Quadro 10Caraterização sociodemográfica dos inquiridos do município de Braga Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 3.3 Limitações do estudo Durante a realização desta dissertação existiram limitações que limitaram o avanço deste estudo. Devido aos impactes da atual pandemia mundial (SARS-CoV-2) a plataforma de alojamento Couchsurfing deixou de ser gratuita passando a ter um custo mensal de 2,39€ e de 14,29€ por ano. Importante salientar que estes valores são contributos de membros para que o site continue aberto. Esta limitação resultou no atraso da componente prática da VARIÁVEL DESCRIÇÃO TOTAL DE RESPOSTAS % SEXO Feminino Masculino Total 4 8 12 33,3 66,7 100,0 GRUPOS ETÁRIOS 0-25 anos 26-45 anos 46-64 anos 65 e mais anos Total 1 9 2 0 12 8,3 75 16,7 0 100,0 NÍVEL DE INSTRUÇÃO Não sabe ler nem escrever 1º Ciclo do Ensino Básico (até 4 anos de escolaridade) Ensino Básico (até 9 anos de escolaridade) Ensino Secundário (10º a 12º ano) Ensino Superior (Bacharelato ou Licenciatura) Mestrado ou Doutoramento Total 0 0 1 3 3 5 12 0 0 8,3 25 25 41,7 100,0 SITUAÇÃO PROFISSIONAL Empregado (a) Estudante Desempregado (a) Reformado (a) Doméstico (a) Total 9 2 1 0 0 12 75 16,7 8,3 0 0 100,0 MORA COM Marido/Esposa Namorado (a) Pais/Família Amigos Sozinho(a) Total 1 0 5 1 5 12 8,3 0 41,7 8,3 41,7 100,0 74 dissertação, como a implementação de inquéritos e a utilização da plataforma como alojamento. A aquisição da base de dados dos utilizadores da plataforma foi outra das limitações do estudo. Foi enviado um e-mail à plataforma Couchsurfing solicitando a base de dados atualizada dos membros da plataforma no início de 2020. Estes dados seriam importantes para aferirmos o tipo de utilizador (e.g., sexo, idade e nacionalidade) e para a caraterização da plataforma no município em estudo. Este pedido não foi respondido de forma favorável, devido a não existir, presentemente, uma base de dados disponível para além do conteúdo existente no site. Porém, em artigos que analisámos vários autores referem a existência de uma base de dados (Couchsurfing Statistics), que já esteve disponível no site do Couchsurfing (e.g., Figueiredo, 2008; Tan, 2010; Chen, 2011; Rosen et al., 2011; Dutra, 2013). Na nossa opinião todas as plataformas de alojamentos deveriam ter uma base de dados que pudesse ser analisada por académicos e que, ao mesmo tempo, pudesse ajudar, em termos de análise de várias dimensões (e.g., turística, cultural e social). Com o aparecimento da atual pandemia tivemos que alterar a nossa metodologia e não pudemos utilizar os alojamentos disponíveis no município. Devido ao SARS-CoV-2 não reunimos todas as condições de segurança para a concretização da nossa ideia inicial. Não obstante, como para utilizar a plataforma Couchsurfing é necessário possuir ligação à Internet, estamos cientes de que a amostra que recolhemos, tendo por base grupos do Facebook, deve ser representativa dos seus utilizadores. 3.4 Notas Conclusivas Neste capítulo abordámos o procedimento metodológico utilizado para a realização da nossa investigação, incluindo as várias técnicas utilizadas, tais como, a aplicação de um inquérito por questionário na plataforma de alojamento Couchsurfing e na rede social Facebook. Este último relacionou-se com a vertente mais quantitativa da nossa abordagem. O inquérito foi aplicado em duas línguas (português e inglês) e respondido por 216 utilizadores da plataforma, tendo obtido um equilíbrio em termos de utilizadores portugueses e estrangeiros, o que nos possibilitará aferir, no próximo capítulo, as diferenças existentes entre estes dois grupos. Também foram utilizados dados estatísticos disponíveis em publicações e bases de dados do 81 Ao analisar a afluência ao Posto de Turismo de Braga por meses, entre os anos de 2017 e 2019 (Figura 5), denotou-se uma maior procura nos meses de verão. Quanto ao ano de 2017, verificou-se que o Posto de Turismo de Braga atendeu 325.108 turistas e que os meses de junho, agosto e setembro foram os meses com maior afluência de visitantes, destacando-se o mês de julho com 95.950 visitantes. Os meses com menor número de visitantes foram os meses de fevereiro e de novembro com 2.518 e 5.291 visitantes, respetivamente. No mês de abril também ocorreu um segundo momento de maior afluência, com 49.975 visitantes, resultante das festividades da Páscoa, que no ano de 2017 culminaram com o dia da Páscoa no dia 16 de abril. Figura 5Afluência de visitantes ao Posto de Turismo de Braga, por meses, nos anos de 2017, de 2018 e de 2019 Fonte: Dados do Posto Turismo de Braga concedidos a 06/04/2020. O município de Braga carateriza-se por ser uma cidade onde a religião católica tem grande expressão e a Semana Santa (semana anterior ao domingo de Páscoa) é conhecida por atrair muitos visitantes à cidade, maioritariamente de nacionalidade espanhola e francesa (dados obtidos via e-mail - tu[email protected] em 06/04/2020). O ano de 2018 seguiu a mesma tendência, com um aumento na utilização do posto de turismo (350.593 visitantes) ocorrendo um segundo pico de afluência no mês março, já que a comemoração da Semana Santa se realizou na última semana do mês de março. Na perspetiva 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 Nº 2017 2018 2019 82 de Pereira e Peres (2010), a Semana Santa, com as suas manifestações religiosas, é hoje, o principal produto de turismo cultural e religioso do município de Braga. O município de Braga tem recebido vários megaeventos que atraem turistas ao município, tais como a atribuição do título de Capital Europeia da Juventude no ano de 2012 e o de Capital Ibero-Americana de Juventude em 2016 (www.juventude.cm-braga.pt - acedido a 18/01/2021). Em 2018, o município de Braga recebeu pela ACES Europe (European Capitals and Cities of Sport Federation) a distinção de Melhor Cidade Europeia do Desporto. A promoção da saúde, integração e educação e a prática desportiva junto da população foram alguns dos aspetos que contribuíram para que a candidatura fosse a vencedora (www.cmbraga.pt - acedido a 18/01/2021). Em 2019, Braga ficou em 2º lugar nas votações para o Melhor Destino Europeu pela European Best Destinations, perdendo para Budapeste (www.turismodeportugal.pt - acedido a 18/01/2021). Atualmente, a cidade de Braga está a preparar a candidatura para Capital Europeia da Cultura 2027, a submeter até 2021 (www.braga27.pt - acedido a 18/01/2021) e alcançou o titulo de Melhor Destino Europeu 2021 (www.europeanbestdestinations.com - acedido a 10/02/2021). A sazonalidade turística é um dos maiores dilemas da atividade turística em muitos destinos de inúmeros países, afetando também o município de Braga. No entanto, tem-se apostado em medidas de forma a atenuar este fenómeno, tais como atividades culturais e de lazer em outros períodos do ano e a oferta de produtos de diferenciação para públicos mais abrangentes, como por exemplo a criação de uma rede de percursos pedestres, a manutenção e qualificação das praias fluviais e de outros espaços de lazer ou o investimento no turismo de negócios, potenciando o número e capacidade dos espaços de congressos e a atratividade na implantação de empresas no território (dados fornecidos pelo Posto de Turismo de Braga, recebido no dia 06/04/2020). Relativamente ao ano de 2019 (Figura 5), o Posto de Turismo de Braga registou 385.145 visitantes, que em termos percentuais se traduz numa subida de 9,86 % em relação a 2018. Os principais mercados estrangeiros emissores continuaram a ser França e Espanha. Esta tendência explica-se pela proximidade e facilidade de acesso ao município de Braga (dados obtidos via e-mail - [email protected] em 06/04/2020). Em 2019 registou-se ainda um aumento de 35% no número de visitantes brasileiros. 83 Relativamente à sazonalidade do ano de 2019 (Figura 5), verifica-se que o período entre abril e setembro foi aquele em que se registou uma maior afluência de visitantes ao município de Braga, sendo que os meses de verão e a Semana Santa corresponderam aos meses com um maior número de visitantes. Verifica-se um total de visitante de 52% nos tradicionais meses de verão, crescendo nos meses de verão comparativamente com os anos anteriores, mas sendo mais notório no mês de setembro de 2019, onde se registaram 37.592 visitantes (aumento de 3.349 visitantes comparativamente com o mês homólogo do ano transato). No mês de abril, em que decorreu a Semana Santa, o município foi visitado por 53.519 visitantes (dados obtidos via e-mail – [email protected] em 06/04/2020). Em 2019 o município de Braga recebeu a distinção de Segundo Melhor Destino Europeu e a classificação do Bom Jesus como Património Mundial da UNESCO. Estas certificações podem contribuir para um aumento, em anos vindouros, do número de visitantes. Tendo por base a síntese de resultados estatísticos de 2019 enviada via e-mail a 06/04/2020 pelos técnicos do Posto de Turismo de Braga, o crescimento da atividade turística em Braga centra-se na promoção do município através da participação em feiras e outros eventos de cariz turístico, nacionais e internacionais, na publicação de artigos em diversos órgãos de comunicação social, na colaboração com outras entidades oficiais de turismo e na realização de grandes eventos capazes de atrair viajantes do mundo inteiro. Segundo os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, designadamente os Anuários Estatísticos da Região Norte relativos às dormidas e aos hóspedes nos estabelecimentos de alojamentos turísticos entre 2000 e 2020, podemos destacar que o turismo em Portugal aumentou muito ao longo dos 20 anos analisados. Na nossa opinião, Portugal tem conseguido assumir-se como um bom destino turístico, apostando nas magníficas paisagens, na hospitalidade da sua população e no baixo custo de vida. Nos Quadros 12 e 13 podemos observar a evolução do turismo em Portugal, no Norte, no Cávado e no município em estudo. Analisando o Quadro 12, verifica-se que em Portugal o número de hóspedes aumentou sempre de forma gradual, exceto no ano de 2009 ano em que se verificou uma quebra, relativamente ao ano de 2008. Esta quebra deveu-se à crise económica global que se fez sentir nos anos de 2007 e de 2008. As consequências desta crise levaram a uma crise financeira em Portugal nos anos seguintes (2010-2014). Depois da quebra de 2009, o setor turístico 84 recuperou de forma gradual. Entre o ano de 2011 e 2012 verificou-se novamente uma quebra pouco significativa no número de hóspedes nos estabelecimentos de alojamentos turístico. É importante salientar que esta quebra no turismo foi visível em todas as entidades territoriais consideradas. Esta foi a última quebra que ocorreu até ao ano de 2019. No ano de 2019 foram registados 27.142.426 hóspedes, mas este volume está a ser contrariado com a atual pandemia (SARS-CoV-2). Quadro 12Número de hóspedes nos estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal, na região Norte, no Cávado e no município de Braga entre 2000 e 2020 Ano Portugal Norte Cávado Braga 2000 9.515.615 1.673.367 214.194 129.225 2001 9.392.446 1.663.640 217.109 128.810 2002 10.546.892 1.845.700 217.789 129.620 2003 10.413.852 1.761.751 203.041 120.391 2004 10.901.968 1.838.017 207.259 116.497 2005 11.469314 1.925.667 200.073 110.471 2006 12.376.941 2.144.033 237.640 135.755 2007 13.366.173 2.373.563 269.520 162.445 2008 13.456.372 2.412.837 288.888 176.108 2009 12.927.907 2.466.818 296.777 184.683 2010 13.537.040 2.545.911 267.422 170.945 2011 13.992.782 2.641.977 276.779 188.188 2012 13.845.419 2.626.472 273.616 191.070 2013 15.209.605 2.996.737 279.173 189.081 2014 17.301.622 3.392.300 322.049 225.676 Fonte: Anuários Estatísticos da Região Norte entre 2000 e 2020, I.N.E. 85 Quadro 12Número de hóspedes nos estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal, na região Norte, no Cávado e no município de Braga entre 2000 e 2020 (Conclusão) Ano Portugal Norte Cávado Braga 2015 19.161.180 3.882.255 371.914 252.842 2016 21.252.625 4.358.420 428.077 282.648 2017 23.953.765 4.892.605 478.267 302.948 2018 25.249.905 5.285.297 522.150 330.103 2019 27.142.416 5.873.026 573.156 368.749 2020 10.515.778 2.495.115 - - Fonte: Anuários Estatísticos da Região Norte entre 2000 e 2020, I.N.E. Relativamente à região Norte de Portugal, é importante salientar que o turismo foi crescendo nesta região de forma gradual, com várias quebras no número de hóspedes. A primeira ocorreu entre 2000 e 2001, com um decréscimo de 9.727 hóspedes. Entre 2002 e 2003 o número de hóspedes voltou a diminuir e verificou-se um decréscimo de 83.949 hóspedes. A partir do ano 2003 até ao ano 2011 verificou-se um aumento de 880.226 hóspedes. Devido à crise económica verificou-se uma nova quebra de 2011 para 2012 (15.505 hóspedes). A partir dessa data a região Norte cresceu até ao ano de 2019, verificando-se assim um aumento de 3.246.554 hóspedes. Analisando a sub-região do Cávado é importante ressaltar que é constituída por 6 municípios (Amares, Barcelos, Braga, Esposende, Terras de Bouro e Vila Verde), estando alguns mais vocacionados para a atividade turística. Quanto ao número de hóspedes verificaram-se quatro quebras, correspondentes aos anos de 2003, 2005, 2010 e 2012. A partir do ano de 2012 e até ao ano de 2019, registou-se um incremento no número de hóspedes. Quanto ao município em estudo, tem sido o que se destaca na sub-região do Cávado em termos de número de hóspedes. Registou um aumento gradual de novos hóspedes entre 2000 e 2019. Começou por perder hóspedes no ano 2001 (diminuição de 415 hóspedes). Depois de um aumento no ano seguinte, os anos de 2003, 2004 e 2005 foram anos críticos. Entre 2005 e 2012, conseguiu recuperar verificando-se, assim, um aumento de 301.541 hóspedes. A crise 86 económica não se fez sentir significativamente em Braga, com uma quebra ligeira em 2013 (menos 1.989 hóspedes). A partir de 2013 e até 2019, conseguiu recuperar e no ano de 2019 recebeu 368.749 hóspedes nos estabelecimentos de alojamento turístico. O Altice Forum Braga é uma estrutura polivalente, direcionada para a realização de congressos, espetáculos, feiras e todo o tipo de eventos. Trata-se de uma estrutura que foi requalificada no município de Braga no ano de 2018 (InvestBraga, 2018). O turismo de negócios e o turismo de eventos, reforçados pela localização do município de Braga e do Altice Forum Braga, são segmentos em crescimento nos próximos anos (InvestBraga, 2018). De um modo geral, verifica-se que os anos de 2001 e 2003 foram anos críticos para todas as entidades territoriais em estudo. Os anos de 2011 e 2012 também foram anos menos positivos, exceto no município de Braga. Esse decréscimo ocorreu um ano mais tarde no município de Braga, ou seja, em 2013, devido, provavelmente, à organização do megaevento Capital Europeia da Juventude em 2012. No Quadro 13 é possível analisar o número de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico, refletindo a permanência de um indivíduo num estabelecimento que fornece alojamento, por um período compreendido entre as 12 horas de um dia e as 12 horas do dia seguinte (I.N.E., 2020). Quadro 13Números de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal, na região Norte, no Cávado e no município de Braga entre 2000 e 2020 Ano Portugal Norte Cávado Braga 2000 33.795.123 3.012.673 400.717 205.717 2001 33.562.591 3.046.000 396.865 199.989 2002 34.208.968 3.262.430 392.744 201.411 2003 33.875.471 3.145.780 387.858 199.371 2004 34.140.581 3.330.650 420.412 200.727 2005 35.520.631 3.438.518 405.264 192.704 2006 37.566.461 3.844.374 468.566 227.684 Fonte: Anuários Estatísticos da Região Norte entre 2000 e 2020, I.N.E. 87 Quadro 13Números de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal, na região Norte, no Cávado e no município de Braga entre 2000 e 2020 (Conclusão) Ano Portugal Norte Cávado Braga 2007 39.736.583 4.228.965 509.075 263.946 2008 39.227.938 4.250.764 517.949 263.372 2009 36.457.069 4.269.967 515.714 269.316 2010 37.391.291 4.437.756 470.366 262.965 2011 39.440.315 4.547.011 480.009 285.799 2012 39.681.040 4.541.919 460.585 285.904 2013 43.533.151 5.276.137 497.218 293.274 2014 48.711.366 6.061.742 564.053 358.066 2015 53.074.176 7.001.899 672.383 412.617 2016 59.122.640 7.989.922 795.627 483.956 2017 65.385.210 9.008.846 889.470 525.419 2018 67.662.103 9.778.017 966.614 582.414 2019 70.158.964 10.810.712 1.051.917 639.600 2020 25.968.100 4.415.214 - 266.733 Fonte: Anuários Estatísticos da Região Norte entre 2000 e 2020, I.N.E. Nos últimos 10 anos Portugal revelou um aumento substantivo do número de dormidas. Constatamos que o número de dormidas (Quadro 13) segue o mesmo padrão no que diz respeito ao número de hóspedes (Quadro 12). Ressaltamos que ocorreram 4 quebras quanto ao número de dormidas em Portugal, nos anos de 2001, 2003, 2008 e 2009. Entre 2009 e 2019, o número de dormidas aumentou em 33.701.895 dormidas. Relativamente ao Norte de Portugal, verificou-se apenas duas quebras de decréscimo no número de dormidas, ou seja, nos anos 2003 e 2012. Em 2003 verifica-se a primeira quebra no número de dormidas, com um decréscimo de 116.650 dormidas relativamente ao ano anterior, afigurando-se como a quebra mais significativa que se fez sentir no Norte de Portugal nos últimos 20 anos. Em 2012, ocorreu uma diminuição pouco significativa no número de 88 dormidas, cifrando-se em 5.092. Entre 2012 e 2019, registou-se o mesmo cenário do que à escala nacional. Em sete anos verificou-se um incremento de 6.268.793 dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico. Em relação à sub-região do Cávado, é possível constatar que esta região tem várias quebras quanto ao número de dormidas, uma situação que se verificou também no número de hóspedes. A partir do ano de 2012 e até 2019 o número de dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico aumentou bastante (incremento de 591.332 novas dormidas, em apenas 7 anos). Este aumento positivo já se verificará quanto ao número de hóspedes (Quadro 12), que também aumentou de 2012 até 2019, sem se registar qualquer tipo de quebra. Quanto ao município em estudo, Braga, verificou-se nos últimos 20 anos as 4 quebras mencionadas na análise do indicador anterior, ou seja, nos anos 2001, 2003, 2005 e 2010. Nos últimos dez anos, aumentou gradualmente o número de dormidas. Em 2020, a pandemia SARS-CoV-2 e as medidas restritivas adotadas pelos vários governos determinaram uma forte quebra na atividade turística, que levou ao encerramento definitivo ou temporário de muitas empresas (Turismo de Portugal, 2021). Tal como mencionámos anteriormente os estabelecimentos turísticos obtiveram um decréscimo de 61,3% de hóspedes e 63,0%, de dormidas face a 2019 (Turismo de Portugal, 2021). No que diz respeito ao município de Braga, em 2020, verificou-se também um decréscimo acentuado, com 266.733 dormidas, correspondendo a uma variação de -58,3% comparativamente com o ano anterior (Turismo de Portugal, 2021). Não existem dados referentes aos meses de março, abril, maio e junho, em termos do número total de dormidas, devido ao confinamento e restrições existentes nesse período. Os meses de julho, agosto e setembro foram os meses de aumento do turismo no município. Nestes três meses, ocorreu um aumento do número de dormidas cifrando-se em 103.823 dormidas. Quando ao número de hóspedes, em 2020, não há dados disponíveis no portal do Instituto Nacional de Estatística até ao momento da finalização da redação da presente dissertação. O município de Braga sempre se destacou pela sua diversidade e versatilidade nos eventos culturais que proporciona à sua comunidade e aos visitantes. É conhecido pela sua juventude, o seu património cultural e ambiente natural e ambiciona posicionar-se como uma cidade internacionalmente reconhecida pela inovação e criatividade (www.bragacultura2030.pt - Estratégia Cultural de Braga 2020-2030 - acedido a 20/10/2020). A cultura é um setor 89 fundamental para o desenvolvimento da cidade de Braga ajudando a desenvolver o setor turístico. Este município dispõe de uma agenda cultural muito variada, com uma programação diversificada. A Semana Santa (na Páscoa), a Braga Romana (em maio ou junho), o São João de Braga (em junho), a Noite Branca (no 1º fim-de-semana de setembro) e a Braga Barroca (em setembro) são os seus principais eventos. Estes atraem mais turismo ao município de Braga, promovendo um aumento do nível de consumo no comércio bracarense e um aumento do número de hóspedes e dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico. A Semana Santa de Braga é um dos expoentes máximos do programa turístico-cultural e que atrai quem visita a cidade de Braga (www.semanasantabraga.com - acedido a 20/10/2020). Este evento é realizado todos os anos em Braga, na semana antes do domingo de Páscoa. É um evento cultural com uma matriz religiosa, com uma dimensão cultural, que é comprovada todos os anos aquando da realização de exposições, encenações e concertos, permitindo melhorar a experiência de quem visita o município de Braga (www.cm-braga.pt/ - acedido a 20/10/2020). Este evento carateriza-se por ser uma aposta do município no crescimento e promoção do Turismo Religioso através da realização anual da Semana Santa (InvestBraga, 2018). O evento “Braga Romana” decorre em maio e tem o propósito de comemorar a Opulenta Cidade Bracara de Augustus. Durante um fim-de-semana em maio, a “Braga Romana” tenta recriar o universo romano, com especial destaque para o quotidiano dos Bracaraugustanos (www.bragaromana.cm-braga.pt/ - acedido a 20/10/2020). As Festas de S. João de Braga celebradas no mês de junho são as maiores e mais antigas sanjoaninas de Portugal, correspondendo ao evento com maior cariz histórico (www.cmbraga.pt - acedido a 20/10/2020). A Noite Branca é um evento repetido por muitos municípios portugueses e de outros países sendo realizada em Braga durante o primeiro fim-de-semana de setembro, pretendendo “vestir” a cidade de branco. Nestes dias milhares de visitantes que acorrem a Braga vestemse de Branco, assim como os seus residentes (www.cm-braga.pt - acedido a 20/10/2020). Neste evento é possível assistir a concertos, exposições, gastronomia, animação, comércio e os museus estão abertos à noite. São desenvolvidas atividades culturais e diversão no espaço público do município de Braga (www.cm-braga.pt - acedido a 20/10/2020). 90 Por fim, não podemos esquecer o evento cultural relacionado com a Braga Barroca, que se realiza em setembro, e que tem como objetivo ajudar os Bracarenses e visitantes a conhecer melhor o Património da cidade de Braga. Este evento revive os séculos XVII/XVIII quando o município de Braga se tornou o epicentro das manifestações barrocas em Portugal. Neste evento realizam-se concertos, teatro, exposições, visitas guiadas, sessões de história e animação de rua, de forma a recriar “Braga, cidade do Barroco” (www.cm-braga.pt - acedido a 20/10/2020). 4.2 Implementação do Couchsurfing à escala mundial O Couchsurfing é um site que facilita o intercâmbio de hospitalidade entre viajantes (Chen, 2017; Tootil, 2017). Segundo dados retirados do site oficial da plataforma 05/12/2019, o Couchsurfing é conhecido mundialmente e detém na sua plataforma 14 milhões de utilizadores. Tal como já mencionámos no capítulo 3 da presente dissertação, a plataforma Couchsurfing não tem uma base de dados disponível para investigadores utilizarem nas suas pesquisas, mas a partir dos dados disponíveis na plataforma construímos a Figura 6, onde é possível confirmar os dados referentes a cada continente. Porém, na nossa opinião, os dados publicados não retratam a realidade, já que, se procurarmos por África no motor de busca do site do Couchsurfing aparecerá a existência de somente 53 hosts disponíveis. Se procurarmos por Guiné-Bissau aparecerão 331 hosts disponíveis. Cabo Verde detém 443 hosts, Marrocos 150.431 hosts e a Tunísia apresenta 46.881 hosts disponíveis na plataforma (dados retirados em 18/01/2021). 97 Para uma caraterização do setor turístico em Braga foi necessário analisar o Plano Estratégico para o Desenvolvimento Económico de Braga 2014-2026 referentes aos anos de 2014 e de 2018. Analisamos os dados enviados pelo Posto de Turismo de Braga relativos à evolução do número de visitantes entre 2009 e 2019 e à afluência de visitantes entre os anos 2017, 2018 e 2019. Constatámos que a afluência de visitantes a Braga e ao Posto de Turismo tem vindo a aumentar ano após ano, tendo alcançado no ano de 2019 385.145 visitantes (um aumento de 60,037 visitantes desde 2017.) A sazonalidade turística é um problema existente no município, com uma concentração de visitantes nos meses de verão e no período da Páscoa. Em 2019 verificou-se que dos visitantes, 52% concentraram-se nos tradicionais meses de verão. No mês de abril, em que decorreu a Semana Santa, o município foi visitado por 53.519 visitantes. Concluímos que a implementação do Plano Estratégico para o Desenvolvimento Económico de Braga 2014-2026, permitiu que o município de Braga se reinventasse e renovasse no âmbito do setor turístico. Desde a criação deste plano que se verifica uma evolução positiva ao nível do turismo revelando que o mesmo deve estar a ser objeto de uma boa monitorização. Das medidas propostas por este plano destacamos as mais eficientes na nossa opinião, tais como, parcerias com operadores, de modo a incluir o município em roteiros nacionais e internacionais, e a criação de um site sobre o turismo de Braga que nos permitiu retirar variada informação sobre o tema. Os eventos e festas realizados no município permitem um desenvolvimento do turismo e um conhecimento do município por turistas internacionais. Por outro lado, a classificação de Braga como o Melhor Destino Europeu 2021 irá permitir que muitos cidadãos europeus queiram visitar Braga. Com a análise dos Anuários Estatísticos da Região Norte entre 2000 e 2020 do I.N.E concluímos que o turismo aumentou nas várias entidades territoriais que analisámos (Portugal, região Norte, Cávado e município de Braga), a partir do ano de 2013 e até 2019. Também verificámos algumas quebras do número de hóspedes e de dormidas, concluindo que a crise económica global que se iniciou entre os anos 2007 e 2008 e as consequências desta crise que levou a uma crise financeira em Portugal nos anos seguintes (2010-2014) abalou o setor turístico em 98 cada entidade territorial. No que diz respeito ao ano de 2020 denotou-se um forte decréscimo no setor turístico devido à pandemia SARS-CoV-2 e às medidas restritivas adotadas. Relativamente aos dados que consultámos sobre a plataforma de alojamento Couchsurfing à escala mundial e local, concluindo que a Europa é o continente com maior número de local hosts. O distrito de Braga é o quarto distrito com um maior número de utilizadores do Couchsurfing, sendo o distrito de Lisboa o que detém um maior número de local hosts, seguido do distrito do Porto e do de Coimbra. Por fim, avaliámos o público-alvo da plataforma de alojamento Couchsurfing. Na nossa opinião, o Couchsurfing é uma plataforma que possui como público-alvo os turistas, independentemente do estatuto ou poder económico. Os membros utilizam a plataforma porque desejam descobrir mais sobre o local que visitam e sobre a população residente no local. Um dos slogans do Couchsurfing é Travel like a local, ou seja, “viajar como um local”. Com apenas uma frase a equipa do Couchsurfing pretende chamar turistas capazes de se aventurarem a explorar uma cidade, com a ajuda de um outro utilizador (host) desconhecido. Neste tipo de descrição os turistas culturais e os turistas Backpacker tornam-se o público-alvo deste tipo de plataformas, pelo seu modo de “praticar” turismo, desenvolvendo novos mercados e novas tendências de viagens. 99 5. PERFIL E MOTIVAÇÕES DOS COUCHSURFERS DE BRAGA Neste capítulo da presente dissertação analisamos os dados obtidos na aplicação do inquérito por questionário realizado aos utilizadores da plataforma Couchsurfing. Procedemos à análise sobre a motivação dos utilizadores deste tipo de plataforma e o que é que a utilização da mesma lhes permite fazer. Aferimos os principais aspetos positivos e negativos da plataforma tendo por base os resultados referentes aos 216 inquiridos, mencionando os seis principais aspetos mais referidos positivamente e negativamente. Também nos reportamos às várias aventuras/experiências dos utilizadores do Couchsurfing. Por fim, analisamos e avaliamos a segurança da utilização da plataforma de alojamento tendo por base a mesma amostra. Este é um tema discutido por vários autores sendo considerado importante na altura de decidir utilizar o Couchsurfing. 5.1 Tipo de utilização e participação na plataforma de alojamento Couchsurfing Começando pelas possibilidades que a plataforma de alojamento Couchsurfing proporciona aos seus utilizadores foi usada a seguinte questão: O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer? (Quadro 14). Numa questão de resposta múltipla obtivemos 1114 respostas das opções apresentadas por nós, e, apenas 10 respostas no item residual “outra(o)”, que permitia ao inquirido uma resposta mais livre sobre o tema (Quadro 15). A primeira ilação a retirar é que as várias categorias foram consideradas pelos respondentes, não havendo diferenças assinaláveis entre as mesmas. Não obstante, a categoria “Permite conhecer novas pessoas” foi a que recolheu mais respostas (n=197 - 17,5%). O “Permite novas experiências” também se destacou em termos de resposta (n=177 - 15,7%) concluindo que a plataforma de alojamento Couchsurfing é utilizada pelos indivíduos para o conhecimento de novas pessoas e porque possibilita novas experiências, assim como o conhecimento de novas culturas. A “Ajuda na redução de custos em viagem” foi a categoria menos escolhida (n=141 - 12,5%), ainda que muito próxima das restantes categorias. 100 Quadro 14O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer? Descrição Número de respostas % Permite conhecer novas pessoas 197 17,5 Permite novas experiências 177 15,7 Permite a construção de relações 154 13,7 Permite um melhor conhecimento de uma região sob a visão de um morador local 150 13,3 Permite uma melhor interação com os locais que visita 148 13,2 Permite uma conexão com a comunidade local 147 13,1 Ajuda na redução de custos em viagem 141 12,5 Outra (o) 10 0,9 Total 1124 100,0 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. No Quadro 15 podem ser confirmadas as respostas à categoria residual “Outra(o)”. Para dez respondentes a plataforma Couchsurfing permite aos utilizadores, por exemplo, imergir na realidade familiar dos hosts, aumentar o autoconhecimento e consciência global, viajar sem sair de casa, conexão profunda entre utilizadores. Quadro 15Outro tipo de utilização Outra (o) Número de respostas Imergir na realidade familiar dos hosts 2 Aumento de autoconhecimento e consciência global 1 Permite viajar sem sair de casa 1 Conexão profunda entre utilizadores 1 Contribuir para a paz 1 Oportunidades de trabalho 1 Relações amorosas 1 Quebrar a rotina de viagens "normais" 1 Entreajuda 1 Total 10 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 101 De um modo geral, denota-se que os utilizadores desta plataforma procuram o conhecimento cultural, procuram conhecer a comunidade local ligada à plataforma e a cultura local do destino que visitam. Este tipo de plataforma permite um autoconhecimento como surfer ou como host. Como surfer permite o conhecimento dos moradores locais e o local que é visitado. Como host permite viajar sem sair de casa, de modo a mostrar a cidade onde vive ao surfer que está alojado. Para uma boa avaliação da plataforma em estudo é necessário percebermos o que é que levou os utilizadores a participarem no Couchsurfing. Para isso questionámos os inquiridos usando a seguinte questão: O que é que o levou a participar na plataforma Couchsurfing? No Quadro 16, denota-se a obtenção de 640 respostas. Conhecer pessoas diferentes (27%), ter uma nova experiência (21,4%) e fazer novas amizades (15,8%) foram os três motivos mais escolhidos pelos inquiridos. Verificamos que o facto de a plataforma ter sido gratuita até maio de 2020 é um aspeto que os utilizadores valorizavam. Porém, na nossa opinião, será um fator que irá levar a uma diminuição de utilizadores. Quadro 16Participação na plataforma Couchsurfing Descrição Número de respostas % Conhecer pessoas diferentes 173 27,0 Ter uma nova experiência 137 21,4 Para fazer novas amizades 101 15,8 Pelo conceito inovador, ou seja, pela utilização do sofá como alojamento 75 11,7 Pelo facto de ser gratuita 68 10,6 Por curiosidade e descoberta de novas plataformas 67 10,5 Outra (o) 19 3,0 Total 640 100,0 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 102 No Quadro 17 são mencionados outros fatores que levaram 19 membros a utilizarem a plataforma em estudo e que responderam “Outra(o)”. A redução de custos em viagem (n=4) e o praticar e o conhecer novos idiomas (n=3) foram os fatores mais escolhidos entre os inquiridos. Quadro 17Outros tipos de participação Outro (a) Número de respostas Redução de custos em viagem/ Encontrar locais baratos para pernoitar 4 Praticar e conhecer novos idiomas 3 Apoio e ajuda das pessoas locais 2 Hospitalidade 2 Multiculturalidade 2 Conhecer pessoas enquanto viaja sozinho(a) 2 Solidariedade 1 Partilha com pessoas de todo o mundo 1 Por se sentir sozinho(a) em casa 1 Encontrar locais baratos para pernoitar 1 Total 19 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 5.2 Principais aspetos positivos e negativos na plataforma de alojamento Couchsurfing No Quadro 18 apresentamos os aspetos positivos da plataforma Couchsurfing recolhidos na inquirição realizada. Importante referir que cada inquirido tinha que nomear três aspetos positivos da plataforma. O aspeto mais mencionado (n=81 -14,5%) foi o facto de a plataforma de alojamento ser gratuita, levando a uma redução de custos da viagem. Apesar de, como foi já referido em 103 capítulos anteriores, a plataforma de alojamento ter passado a cobrar a partir de maio de 2020, vários utilizadores ainda apontam o Couchsurfing como uma plataforma mais económica. Quadro 18Aspetos positivos da plataforma de alojamento Couchsurfing Aspetos Positivos Número de respostas % Plataforma gratuita /Redução de custos 81 14,5 Conhecer novas pessoas com diferentes origens e culturas 72 12,9 Partilha e novas experiências 66 11,8 Conhecimento da cultura local e residentes locais 47 8,4 Melhor forma para conhecer novos lugares segundo a ótica de um morador 46 8,2 Amizade 44 7,9 Total 559 100 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. O segundo aspeto mais referido foi o conhecimento de novas pessoas com diferentes origens e culturas (12,9%). Vários utilizadores apontaram que o Couchsurfing os unia a pessoas diferentes e a diferentes culturas, que provavelmente sem o uso desta plataforma nunca teriam oportunidade de encontrar na vida. A partilha e novas experiências foi outro aspeto positivo (11,8%). Denota-se que o conhecimento da cultura local e dos residentes locais (8,4%) foi outro dos motivos da utilização desta plataforma. Este ponto positivo conduziu ao melhor conhecimento de novos lugares com a ajuda do host (46 inquiridos - 8,2%). Por fim, a amizade foi um dos aspetos positivos do Couchsurfing (7,9%). Em relação aos aspetos negativos que a plataforma Couchsurfing apresenta, os inquiridos mencionaram 56 pontos negativos. No Quadro 19 apenas apresentamos os aspetos mais referidos. É importante salientar que 60 dos 216 inquiridos afirmaram que a plataforma não apresentava aspetos negativos. O aspeto negativo mais referido foi o facto de a plataforma ter deixado de ser gratuita em 2020 (11%). 104 Quadro 19Aspetos negativos da plataforma de alojamento Couchsurfing Aspetos negativos Número de respostas % Pagamento da plataforma em 2020 38 11 Procura de relações amorosas/relações sexuais e o uso da plataforma como um site de encontros 37 10,7 Insegurança, Desconfiança e Risco inerente ao desconhecido 36 10,4 Utilização da plataforma como uma alternativa económica ao alojamento tradicional 26 7,5 Perfis falsos e inativos 20 5,8 Abusos 18 5,2 Total 347 100 Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. Na perspetiva de vários utilizadores esta alteração na plataforma é uma manobra da administração do Couchsurfing que já há muito tempo queria impor um valor de acesso à mesma e viu no aparecimento do SARS-CoV-2 uma oportunidade para proceder a esta mudança. A procura de relações amorosas e o uso por parte dos utilizadores como um site de encontros e de procura de relações amorosas foi outro ponto negativo na plataforma (10,7%). A falta de segurança da plataforma é um tema que iremos destacar no item 5.4 tendo 36 inquiridos (10,4%) indicado a insegurança, a desconfiança e o risco inerente ao desconhecido como um aspeto negativo na plataforma. A utilização do Couchsurfing como uma alternativa económica ao alojamento local é outro dos aspetos negativos da plataforma (7,5%). Vários membros utilizam o Couchsurfing por ser gratuito e como alternativa a hotéis e hostels, de modo a diminuírem os custos com a viagem. Este tipo de membros faz com que o conceito da plataforma mude, e deixe de ser sobre troca de culturas e amizade, e passe a ser sobre uma alternativa grátis ao alojamento tradicional. Por fim, destacamos os perfis falsos e inativos (5,8%) e os abusos (5,2%). Os abusos/assédios sexuais são indicados por 18 inquiridos. O sexo feminino é mais vulnerável a ataques, especialmente de natureza sexual e, por isso, as mulheres tendem a pensar mais sobre a segurança pessoal quando viajam e utilizam o Couchsurfing (Tan, 2010). É necessária uma 105 análise cuidada de cada perfil antes de qualquer interação com outro utilizador (e.g., inquérito nº 65 e 89). O Couchsurfing é uma plataforma que nos permite criar histórias e aventuras entre utilizadores, tais como as que foram mencionadas nalgumas das respostas ao nosso inquérito. “Somos padrinhos de casamento de amigos do Couchsurfing, padrinhos de batismo de uns quantos miúdos filhos de amigos do Couchsurfing e quase família de muitos outros que conhecemos ao longo destes 16 anos que utilizamos a plataforma” (Inquérito nº 90, de respondente do sexo masculino e com 46 anos). “Liverpool, dezembro de 2018. Apanhamos um couchsurfer incrível que nos foi buscar ao aeroporto, trouxe-nos para sua casa, foi o mais acolhedor e enriquecedor. Encomendou o jantar sem aceitar dinheiro da nossa parte. Depois houve uma grande partilha de histórias e de guitarras, e levou-nos a sair à noite de maneira segura em Liverpool. Garantiu-nos segurança, boleia para casa, e o melhor espaço para dançarmos e aproveitarmos a noite sem qualquer tipo de problema. No dia seguinte, atrasamo-nos e perdemos o comboio. O host veio da outra ponta da cidade buscar-nos para tentarmos chegar o mais depressa à estação. Embora sem sucesso, o host decidiu então levar-nos para o sítio onde íamos ter o Youth Exchange, que ficava a 1h30m ou mais de Liverpool. Levou-nos a outro país, Conway no País de Gales, e deixou-nos exatamente no sítio onde ia decorrer o Erasmus+. Foi a minha primeira experiência, conhecer uma pessoa tão boa, que nos deixou um aviso. Disse-nos que sempre que precisássemos de estadia ou qualquer coisa em Liverpool para lhe dizer. Digamos que acreditei um pouco mais na Humanidade depois de o conhecer” (Inquérito nº 105, de respondente do sexo feminino e com 23 anos). “Na Argentina, fiquei com uns amigos em casa de um anfitrião que era professor de tango, que nos levou a um sítio maravilhoso onde se dançava tango. Apenas uma pessoa local é que conheceria aquele sítio” (Inquérito nº 95, de respondente do sexo feminino e com 26 anos). “Passei 3 semanas no Japão (2019) e todas as noites (exceto 1 noite) utilizei o couchsurfing. Foi incrível, construí conexões muito fortes com os anfitriões e com a cidade. Consegui reencontrar 3 dos meus anfitriões e com um deles iniciei um romance mais duradouro” (Inquérito nº 139, respondente do sexo masculino e com 33 anos). “Conheci um casal mexicano e depois ajudei o senhor em Amesterdão a propor a sua namorada em casamento. Meses depois fui a um casamento tradicional mexicano” (Inquérito nº 202, de respondente do sexo masculino e com 37 anos). “Com a utilização do Couchsurfing já dormi numa casa na árvore no México, num apartamento chique em São Francisco, com ratos domésticos na Polónia e com um escorpião no meu cobertor também no México. Já tive muitos encontros com 106 pessoas do Couchsurfing e organizei encontros internacionais em Madrid.” (Inquérito nº 196, de respondente do sexo feminino e com 44 anos). “Recebi uma senhora de 73 anos, da Letónia e um refugiado da Síria, por algumas semanas, e ficaram meus amigos verdadeiros” (Inquérito nº 181, de respondente do sexo masculino e com 46 anos). Com estes testemunhos podemos concluir que a plataforma Couchsurfing é muito mais do que uma plataforma de alojamento ou um sítio barato para pernoitar. Com a utilização desta plataforma existe uma permuta de culturas e costumes, amizades e até a construção de famílias. De conhecidos, a amigos para a vida até padrinhos de casamento os utilizadores desta plataforma criam laços entre eles, uns mais fortes do que outros, mas esse contacto faz desta plataforma uma plataforma de alojamento única com um conceito inovador. Relativamente ao tipo de interação existente na plataforma Couchsurfing (Quadro 20), fizemos uma pergunta a todos os inquiridos que utilizavam esta plataforma como surfers/turistas: Identifique que tipo de interação teve com o host/anfitrião quando utilizou a plataforma Couchsurfing como surfer/turista? Denotamos que a amizade foi a interação predominante mencionada por 121 inquiridos (69,1%). Entre uma amizade instantânea a uma amizade duradoura, a maioria dos inquiridos obteve uma relação amigável com o host. É importante salientar que 16 inquiridos não responderam e 25 não utilizavam a plataforma como surfers. Os inquiridos que não utilizam a plataforma como surfer não responderam a esta pergunta, ou seja, dos 216 inquiridos apenas 175 foram contabilizados nesta pergunta como respondentes. Destacamos as interações positivais (8,6%), a partilha de culturas e costumes (7,4%), atividades em conjunto (passeios, eventos culturais, festivais – 5,1%) e a troca de experiências (2,9%). A procura de relações amorosas e o uso da plataforma como um site de encontros (2,3%) é uma motivação de utilização do Couchsurfing por vários utilizadores. Apenas um utilizador mencionou uma interação negativa com o host e outro utilizador referiu que não obteve qualquer tipo de interação com o host. 113 Figura 10A segurança da plataforma Couchsurfing, segundo a localização geográfica dos inquiridos Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. O Quadro 26 mostra outra perspetiva, constatando-se que os respondentes de todos os países consideraram o Couchsurfing como uma plataforma segura, mas os respondentes da Irlanda e da Noruega foram os mais céticos. Quadro 26A segurança da plataforma Couchsurfing, segundo a localização geográfica dos inquiridos Países Não Sim Total Portugal 8% 92% 100% Noruega 50% 50% 100% Letônia 0% 100% 100% Irlanda 100% 0% 100% Bélgica 0% 100% 100% Espanha 6% 94% 100% República Checa 29% 71% 100% E.U.A 0% 100% 100% França 25% 75% 100% Turquia 25% 75% 100% Rússia 40% 60% 100% Itália 0% 100% 100% Países Baixos 29% 71% 100% Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Portugal Espanha República Checa E.U.A França Turquia Rússia Itália Países Baixos Áustria Reino Unido Alemanha Não Sim 114 Quadro 26A segurança da plataforma Couchsurfing, segundo a localização geográfica dos inquiridos (Conclusão) Países Não Sim Total Áustria 0% 100% 100% Reino Unido 13% 88% 100% Escócia 0% 100% 100% Alemanha 0% 100% 100% Eslováquia 0% 100% 100% Eslovénia 0% 100% 100% Egito 0% 100% 100% Marrocos 0% 100% 100% Brasil 0% 100% 100% Colômbia 0% 100% 100% Índia 0% 100% 100% Canadá 0% 100% 100% Polónia 0% 100% 100% Bahamas 0% 100% 100% Nepal 0% 100% 100% Costa Rica 0% 100% 100% Vietname 0% 100% 100% Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 5.4 Diferenças entre os grupos de inquiridos (Portugueses e Estrangeiros) Um dos objetivos principais da presente dissertação era aferir diferenças entre os grupos de utilizadores portugueses e estrangeiros que utilizam a plataforma Couchsurfing e que participaram no nosso inquérito por questionário. Aferimos que em termos sociodemográficos (Quadro 27), ambos os grupos têm uma maior representatividade do sexo masculino. O grupo dos utilizadores estrangeiros foi o grupo com maior representatividade do sexo feminino, com 29,5% da amostra e 21,2% no grupo dos portugueses. Relativamente à idade por categorias, ambos os grupos manifestaram uma maior representatividade da classe dos 26 anos até aos 45 anos e em termos de situação profissional os respondentes de ambos os grupos estavam, maioritariamente, empregados. O peso dos desempregados foi um pouco mais elevado no grupo dos portugueses (8,7% versus 5,4% no grupo dos estrangeiros). 115 Em relação ao nível de instrução dos inquiridos, constatou-se que o ensino básico apenas estava representado no grupo dos utilizadores portugueses, com 2,9% e ambos os grupos revelaram níveis de instrução elevados (52,7% no grupo dos estrangeiros), e o mestrado e o doutoramento, teve maior representatividade no grupo dos portugueses (42,3%). Relativamente ao estado de residência dos inquiridos a maioria vivia sozinho, com 51,8% no grupo dos estrangeiros e 52,9% no grupo dos portugueses. Por fim, quanto ao estado civil dos inquiridos, a grande maioria era solteiro, com 80,4% no grupo dos utilizadores estrangeiros e 75% no grupos dos portugueses. Quadro 27Diferenças entre os grupos (Portugueses e Estrangeiros), segundo caraterísticas sociodemográficas Portugueses Estrangeiros Sexo: Masculino-78,8% Feminino-21,2% Sexo: Masculino70,5% Feminino29,5% Idade: 0-2517,3% 26-4566,3% 46-6414,4% +651,9% Idade: 0-2516,1% 26-4570,5% 46-6410,7% +652,7% Situação Profissional: Empregado75% Estudante-11,5% Desempregado8,7% Reformado3,8% Doméstica (o)- 1% Situação Profissional: Empregado76,8% Estudante-14,3% Desempregado5,4% Reformado1,8% Doméstica (o)- 1,8% Nível de Instrução: Ensino Básico2,9% Ensino Secundário14,4% Ensino Superior40,4% Mestrado/Doutoramento42,3% Nível de Instrução: Ensino Básico0% Ensino Secundário9,8% Ensino Superior52,7% Mestrado/Doutoramento37,5% Mora com: Marido/Esposa7,7% Namorado (a)- 6,7% Pais/ Família-14,4% Amigos18,3% Sozinho (a)- 52,9% Mora com: Marido/Esposa8,9% Namorado (a)- 7,1% Pais/ Família11,6% Amigos20,5% Sozinho (a)- 51,8% Estado Civil: Solteiro75% Casado/ União de facto: 12,5% Divorciado12,5% Viúvo0% Estado Civil: Solteiro80,4% Casado/ União de facto: 9,8% Divorciado8% Viúvo1,8% Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 116 Relativamente às diferenças entre os grupos (Portugueses e Estrangeiros), segundo os resultados do inquérito por questionário aplicado (Quadro 28), verificamos que os dois grupos não diferem nas respostas na forma como utilizam a plataforma, como nas razões que os levaram a participar na mesma. Na pergunta O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer? em ambos os grupos o facto da plataforma permitir conhecer pessoas e novas experiências obteve um maior número de respostas pelos inquiridos. Relativamente à pergunta O que o levou a participar na plataforma Couchsurfing?, verificouse novamente unanimidade entre os grupos, e as respostas mais elegidas foram o conhecimento de pessoas diferentes (27% no grupo dos estrangeiros e 29% no grupo dos portugueses) e usufruir de uma nova experiência (23% no grupo dos estrangeiros e 21% no grupo dos portugueses. Em relação aos aspetos positivos do Couchsurfing, denota-se que houve novamente unanimidade de perceções em ambos os grupos, nomeadamente no facto de a plataforma ser gratuita e permitir a redução de custos em viagem e o conhecimento de novas pessoas com diferentes origens e culturas. Quanto aos aspetos negativos não existiu unanimidade. No grupo dos utilizadores portugueses destacaram-se a insegurança, a desconfiança e o risco inerente ao desconhecido e o facto de a plataforma ser paga em 2020, com 13,5% nestes aspetos. Por outro lado, no grupo dos utilizadores estrangeiros a procura de relações amorosas/relações sexuais e o uso da plataforma como um site de encontros é um aspeto negativo da plataforma (14%). Outro aspeto negativo que se verifica é a utilização da plataforma como uma alternativa em termos económicos ao alojamento tradicional com 9,1%. Relativamente ao tipo de interação que os utilizadores adquirem ao utilizar o Couchsurfing como host ou surfer, verificamos que ambos os grupos identificaram a amizade como o tipo preferido, seja para host ou para surfer. Em relação à pergunta Identifique que tipo de interação adquiriu com o host quando utilizou a plataforma Couchsurfing como surfer, no grupo dos utilizadores portugueses a partilha de culturas e costumes foi a interação mais escolhida (12%) versus 9% no grupo dos estrangeiros. Quanto à questão Identifique que tipo de interação adquiriu com o surfer quando utilizou a plataforma Couchsurfing como host, reconhecemos que as atividades em conjunto (e.g., passeios, eventos culturais, festivais) são o tipo de interação selecionada pelo grupo de 117 utilizadores portugueses da plataforma (17%). Por outros lado, as relações amorosas foram o tipo de interação elegido pelo grupo dos estrangeiros (12%). Quadro 28Diferenças entre os grupos (Portugueses e Estrangeiros), segundo os resultados do inquérito por questionário aplicado Portugueses Estrangeiros O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer?: Permite conhecer novas pessoas18% Permite novas experiências16% O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer?: Permite conhecer novas pessoas18% Permite novas experiências16% O que o levou a participar na plataforma Couchsurfing?: Conhecer pessoas diferentes29% Ter uma nova experiência21% O que o levou a participar na plataforma Couchsurfing?: Conhecer pessoas diferentes27% Ter uma nova experiência23% Aspetos Positivos: Plataforma gratuita /Redução de custos15,9% Conhecer novas pessoas com diferentes origens e culturas14,8% Aspetos Positivos: Plataforma gratuita /Redução de custos13,1% Conhecer novas pessoas com diferentes origens e culturas11% Aspetos Negativos: Insegurança, desconfiança e risco inerente ao desconhecido13,5% Pagamento da plataforma em 202013,5% Aspetos Negativos: Procura de relações amorosas/relações sexuais e o uso da plataforma como um site de encontros14% Utilização da plataforma como uma alternativa económica ao alojamento tradicional9,1% Identifique que tipo de interação adquiriu com o host quando utilizou a plataforma Couchsurfing como surfer: Amizade68% Partilha de culturas e costumes12% Identifique que tipo de interação adquiriu com o host quando utilizou a plataforma Couchsurfing como surfer: Amizade70% Interação positiva9% Identifique que tipo de interação adquiriu com o surfer quando utilizou a plataforma Couchsurfing como host: Amizade55% Atividades em conjunto (passeios, eventos culturais, festivais)- 17% Identifique que tipo de interação adquiriu com o surfer quando utilizou a plataforma Couchsurfing como host: Amizade60% Relações amorosas12% Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. Relativamente à segurança na plataforma por grupos (Quadro 29), ambos os grupos classificam o Couchsurfing como uma plataforma que transmite segurança aos seus utilizadores, ou seja, ambos os grupos classificam o Couchsurfing como seguro. O grupo dos 118 estrangeiros é o grupo que obtém uma percentagem maior quanto ao nível de falta de segurança (15% da amostra - 18% no género feminino e 14% no género masculino). Quadro 29-Segurança na plataforma Couchsurfing, segundo os grupos dos inquiridos portugueses e estrangeiros Género Portugueses Estrangeiros Feminino Masculino Total Feminino Masculino Total Não 9% 7% 8% 18% 14% 15% Sim 91% 93% 92% 82% 86% 85% Total 100% 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: Elaboração própria tendo por base o inquérito por questionário aplicado aos utilizadores da plataforma de alojamento Couchsurfing. 5.5 Notas Conclusivas No presente capitulo analisámos os dados resultantes da aplicação do inquérito por questionário aos 216 utilizadores da plataforma Couchsurfing. Recolhemos várias informações sobre os utilizadores e da plataforma com a aplicação do mesmo, e concluímos que a mesma possibilita o conhecimento de novas pessoas e novas experiências. A razão principal que levou os utilizadores a participar no Couchsurfing foi porque a plataforma permite conhecer pessoas diferentes, novas experiências e fazer novas amizades. Aferimos que os principais aspetos positivos da plataforma são o facto de a plataforma ter sido gratuita (até maio de 2020) e que a utilização da mesma permite uma redução de custos em viagem e o conhecimento de novas pessoas com diferentes origens e culturas. Em relação aos aspetos negativos da plataforma, denota-se que devido à situação pandémica que se faz sentir atualmente, a plataforma perdeu um dos aspetos positivos que os utilizadores referiram para um dos aspetos negativos. O facto de a plataforma ter implementado custos aos seus utilizadores fez com que vários utilizadores nomeassem esse ponto como um aspeto negativo. Na nossa opinião, a plataforma continua a permitir uma redução de custos em viagem, devido ao seu valor reduzido em termos de mensalidade ou anualidade. Podemos utilizar o sofá de um host vezes sem conta num mês e a mensalidade continua a ser a mesma. 119 Analisamos várias histórias e aventuras que os utilizadores mencionaram e contatámos que, o Couchsurfing possibilita uma entreajuda entre os seres humanos e existe uma permuta de culturas e amizade com a sua utilização. Relativamente aos tipos de interação que os utilizadores obtêm aquando a utilização do Couchsurfing, denotamos que em ambos os casos (como host e como surfer), a amizade é a interação predominante entre os utilizadores. Em relação à segurança na plataforma, concluímos que o Couchsurfing transmite segurança à maioria dos utilizadores, independentemente do género, idade, nível de instrução, situação profissional ou local onde residem. Avaliamos os motivos dos 25 inquiridos que referem o Couchsurfing como uma plataforma que não transmite segurança aos seus utilizadores e denotamos que se todos os utilizadores deixarem um feedback negativo ao utilizador que o deixou desconfortável, os próximos utilizadores terão uma má referência sobre aquele host ou surfer podendo ser uma forma de controlo, por parte dos gestores da plataforma, sobre os utilizadores que não respeitam as regras. Por fim, aferimos as diferenças entre os grupos de utilizadores portugueses e estrangeiros presentes na amostra e concluímos que, de um modo geral, os resultados foram similares, ainda que as utilizadoras estrangeiras tenham mencionado de forma mais representativa que a plataforma não é segura. Trata-se de um aspeto que merece alguma análise futura. 120 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O turismo encontra-se em constante evolução. Atualmente existem várias formas de o praticar e cabe às plataformas de alojamento contribuírem para um maior dinamismo do setor e tornarem-no mais atrativo. Atualmente, existem várias plataformas de alojamento que cobrem a procura no mercado, sendo umas com objetivos simples e eficientes, como o Booking, e outras que arriscam em conceitos inovadores, como o Couchsurfing. O surgimento de uma nova Web, a Web 2.0, permitiu o acesso à navegação e exploração da rede de conhecimento, ou seja, da Internet. Com as suas atualizações ao longo do tempo, a Web 3.0 e a Web 4.0 permitiram que a Internet fosse acessível a toda a comunidade, a qualquer hora e em qualquer lugar. As mudanças de geração permitiram uma mudança na utilização das TIC. Enquanto que as Gerações Silent e Boomers nasceram em períodos de crise e de guerras e o primeiro contacto com a tecnologia foi o acesso à televisão, as Gerações Z e Alpha cresceram no auge da Internet, sendo consideradas como gerações digitais e de nativos digitais. A economia de partilha nasceu com a evolução da Internet e tendo por base um modelo económico mediado pela Internet, utilizando os recursos físicos não aproveitados através da prestação de serviços. Esta economia fundamenta-se na partilha, na troca, na negociação e no aluguer de produtos e serviços abrangendo várias indústrias ligadas ao seu conceito, e.g., o Couchsurfing, o Airbnb, a Uber e a Netflix. O aparecimento de companhias aéreas low-cost permitiu que as pessoas viajassem mais frequentemente, gastando menos dinheiro e em viagens de menor duração, impulsionando o crescimento do setor turístico e aumentado o número de viagens. Estes fatores permitiram o surgimento e o desenvolvimento de várias plataformas, incluindo as plataformas de alojamento, onde o Couchsurfing se insere. O seu conceito inovador do Couchsurfing destaca-se das outras plataformas. Os anfitriões disponibilizam os sofás das suas casas aos utilizadores da plataforma, permitindo uma abertura à diversidade cultural. Consideramos que o turismo cultural e o turismo Backpackers são o tipo de turismo que mais se relaciona com o Couchsurfing. Este tipo de turismo carateriza-se pelo interesse pelo 121 património cultural e em obter uma experiência cultural profunda nas viagens realizadas, procurando alojamentos mais económicos e itinerários mais flexíveis. Relativamente aos dados sobre o turismo, aferimos que, até ao ano de 2019, o turismo foi um dos setores onde se verificou um crescimento exponencial, tanto a nível mundial como nacional. Constatando-se que a Europa continuou a ser líder no número de chegadas internacionais, recebendo, em 2019, 743 milhões de turistas. Em relação ao turismo nacional, Portugal implementou várias estratégias face ao turismo, de modo a alcançar um maior crescimento no setor. A atual pandemia SARS-CoV-2 tem condicionado todas as atividades económicas e em particular tem fustigado o setor turístico. O começo da pandemia registou-se no início de 2020, e desde esse instante que se verifica um decréscimo no turismo, devido às restrições que cada país implementa no combate ao vírus e às restrições de viagens entre países. Caraterizámos a plataforma de alojamento selecionada para o nosso estudo e reconhecemos os seus principais objetivos, tais como, a hospitalidade entre utilizadores, com a possibilidade de criar e gerar conexões significativas com pessoas e lugares, e a ideia inovadora e complexa da plataforma que pretende que “estranhos” apendam a viver uns com os outros, interligados pelas novas tecnologias e uma rede de viajantes. Estes objetivos fazem com que a ideia original sobre alugar o sofá passe para segundo plano, pois o Couchsurfing parece ser muito mais do que isso. Reconhecemos que as plataformas de alojamento trazem impactes negativos e positivos ao turismo. A utilização da plataforma de alojamento fez com que o setor turístico crescesse tornando-se um impacte positivo. Por outro lado, estas plataformas fizeram com que a indústria turística não conseguisse controlar a experiência cultural do destino, devido a estas plataformas serem mediadas entre o anfitrião e o turista, constituindo um impacte negativo. Outro impacte negativo deve-se ao aumento da pressão turística de destinos que não estão preparados para esse aumento, devido aos turistas permanecerem em áreas que anteriormente estavam reservadas a residentes e a consumirem serviços que não foram projetados para turistas. Relativamente à componente inovadora da dissertação desenvolvida, utilizamos uma metodologia com enfoque misto, com uma componente quantitativa e qualitativa. Em termos de componente quantitativa, aplicámos um inquérito por questionário aos utilizadores da 122 plataforma, e como enfoque qualitativo, utilizámos dados de fontes secundárias que nos auxiliaram na caraterização do município de Braga e de outras entidades territoriais. Como resultados do inquérito aplicado o sexo masculino assumiu-se como o predominante, mas não sabemos se tal aconteceu porque o sexo feminino terá revelado mais dificuldade em responder ao nosso inquérito, atendendo a que se estava a expor de forma pública. Em relação à utilização da plataforma denotamos que 98,1% da amostra utiliza ativamente o Couchsurfing como alojamento nas suas viagens e constatamos que os idiomas inglês e português foram os com maior representatividade na amostra. Aferimos as caraterísticas sociodemográficas dos inquiridos portugueses e bracarenses da plataforma e contatámos que ambos os perfis seguem o mesmo padrão do resto da amostra já descrita. Quanto às limitações do estudo, confirmamos que existiram duas grandes limitações que atrasaram a nossa investigação. Por um lado, o facto de a plataforma ter implementado um custo mensal de 2,39€ e de 14,29€ por ano, atrasou a nossa componente prática, tendo que proceder ao pagamento da mesma para conseguirmos implementar os inquéritos via Couchsurfing. Por outro lado, devido ao Couchsurfing não ter uma base de dados disponível para investigação da plataforma. Ainda assim, foi possível obter uma amostra cujo volume permitiu tirar algumas ilações importantes. O estudo desenvolvido pretendia responder às questões de partida estabelecidas no decurso da investigação. Em relação à questão, Como tem evoluído o turismo no município de Braga?, aferimos que a partir do ano de 2011, o município de Braga obteve uma evolução significativa no setor turístico, situação que se verifica relativamente ao número de hóspedes e dormidas nos estabelecimentos de alojamento. No ano de 2019, o município recebeu 368.749 hóspedes e registou 639.600 dormidas. Na nossa opinião, se não fosse a situação pandémica que enfrentamos o município continuaria a aumentar o número de visitantes, devido ao título de Melhor Destino Europeu 2021 e à candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027. Constatamos que o município tem um problema relativamente à sazonalidade turística, com concentração de visitantes nos meses de verão e na semana santa. Verificamos que os grandes eventos e festas realizados no município de Braga realizam-se nos meses de verão ou no início do mesmo (e.g., Braga Romana, Festas de São João, Noite Branca e Braga Barroca). Na nossa perspetiva, as autoridades locais deveriam difundir outras festas que se realizam em meses 129 Oskam, J., e Boswijk, A. (2016), "Airbnb: the future of networked hospitality businesses", Journal of Tourism Futures, Vol 2, No 1, pp. 22-42. Pendergast, D. (2009), “Getting to know the Y Generation”, CAB International, in Benckendorff, P., Moscardo, G., e Pendergast, D. 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O Couchsurfing é a maior rede de intercâmbio de hospitalidade do mundo. Esta plataforma de alojamento permite que os turistas (surfers) utilizem a rede para encontrar utilizadores interessados em oferecer acomodação gratuita (hosts), por um período de alguns dias. Informamos que este questionário é anónimo e que cada utilizador deve preencher apenas um. Toda a informação que nos fornecer será um contributo muito importante para a avaliação da plataforma em estudo e ajudará a compreender melhor a sua utilidade no desenvolvimento do turismo. A. Vou começar por fazer-lhe algumas perguntas relacionadas com a utilização da plataforma de alojamento Couchsurfing. 1) Já alguma vez participou de forma ativa na plataforma de alojamento Couchsurfing? _____ Sim ______ Não 1.1) Se respondeu não, quais são as suas razões para não utilizar a plataforma? (pode assinalar as razões que quiser). _____a) Não me identifico com o formato da plataforma. _____b) Falta de segurança. _____c) Utilizo outro tipo de plataforma de alojamento. _____d) Desconheço a plataforma. _____e) Outra razão. Qual? _________________________ 1.2) Se respondeu sim, de que forma tem participado no Couchsurfing? _____a) Como Surfer (turista) _____b) Como Host (Anfitrião) _____c) Como Surfer e Host _____d) Para encontros com hosts/surfers _____e) Outra forma. Qual?_________________________________________ 136 1.3) O que é que a utilização da plataforma Couchsurfing lhe permite fazer? ______a) Ajuda a redução de custos em viagem. ______b) Torna a viagem mais acessível. ______c) Permite a construção de relações. ______d) Permite novas experiências. ______e) Permite conhecer novas pessoas. ______f) Permite uma melhor interação com os locais que visita. ______g) Permite uma conexão com a comunidade local. ______h)Permite um melhor conhecimento de uma região sob a visão de um morador local. ______i)Outra razão. Qual?__________________________________________ 2) O que é que o levou a participar na plataforma Couchsurfing? (pode assinalar as razões que quiser). _______a) Conhecer pessoas diferentes. _______b) Ter uma nova experiência. _______c) Por curiosidade e descoberta de novas plataformas. _______d) Pelo facto de ser gratuita. _______e) Para fazer novas amizades. _______f) Pelo conceito inovador, ou seja, pela utilização do sofá como alojamento. _______g)Outra razão. Qual?____________________________________________ 2.1) Na sua opinião, quais são os três principais aspetos positivos que tem o Couchsurfing? 1-_____________________________________________________________________ 2-_____________________________________________________________________ 3-_____________________________________________________________________ 2.2) Identifique três aspetos negativos da plataforma Couchsurfing? 1-_____________________________________________________________________ 2-_____________________________________________________________________ 3-_____________________________________________________________________ 137 2.3) Identifique a sua maior aventura/experiência realizada através da utilização do Couchsurfing (onde foi, quando foi e porque foi a maior aventura/experiência)? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 2.4) Identifique que tipo de interação adquiriu com o host/anfitrião quando utilizou a plataforma Couchsurfing como surfer/turista? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 2.5) Identifique que tipo de interação adquiriu com o surfer/turista quando utilizou a plataforma Couchsurfing como host/anfitrião? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 2.5) Considera que a plataforma Couchsurfing é uma plataforma que transmite segurança aos seus utilizadores? ______ Sim ______ Não 2.5.1) Se respondeu não, quais são as suas razões para pensar que a plataforma não é segura e reflete aos seus utilizadores falta de segurança? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 138 B. Vou, por fim, fazer-lhe algumas perguntas de caráter pessoal. É necessário a resposta a todas as questões de forma a retratar um perfil de utilizador da plataforma Couchsurfing). 3.1) Que idade tem? _____ anos. 3.2) Sexo: ______ Masculino ______ Feminino 3.3) Qual é o seu estado civil? ______Solteiro -______Casado/União de facto ______Divorciado ______Viúvo 3.4) Que estudos tem? _______Não sabe ler nem escrever _______1º Ciclo do Ensino Básico (até 4 anos de escolaridade). _______Ensino Básico (até ao 9 anos de escolaridade). _______Ensino Secundário (10º a 12º ano). _______Ensino Superior (Bacharelato ou Licenciatura). _______Mestrado ou Doutoramento. 3.5) Situação Profissional? _______Empregado _______Estudante _______Desempregado _______Reformado _______Doméstica (o) 3.6) Qual é a sua profissão? ____________________________________________________________________ 3.7) Em que país mora? ________________________________________________ 3.8) Em que cidade mora? ______________________________________________ 145 3.7) What is your profession? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 3.8) What country do you live in? _______________________________________________________________________ 3.9) What city do you live in? _______________________________________________________________________ 3.10) How long have you been using the Couchsurfing platform? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 3.11) What languages do you speak? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ Thank you very much for your time and support. Researcher: Ângela Ferreira