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Políticas científicas e línguas de ciência: o caso das revistas de ciências da comunicação em Portugal

Martins, Moisés de Lemos

Abstract

[Excerto] Com a globalização, uma cinética própria da era da técnica, as tecnologias da informação e da comunicação passaram a mobilizar-nos, total e infinitamente, para o mercado, a competição e o ranking (Carvalho, 2019; Martins, 2010, 2014, 2019), e tornam possível o desenvolvimento de identidades transculturais e transnacionais (Martins, 2018a, 2018b), que exprimem a luta pela ordenação simbólica do mundo (Bourdieu, 1977, 1979, 1980, 1982).

Full text

Políticas Científicas e Línguas de Ciência O Caso das Revistas de Ciências da Comunicação em Portugal https://doi.org/10.21814/uminho.ed.43.9 Moisés de Lemos Martins Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Portugal 127REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... A afirmação do Português como língua de ciência Com a globalização, uma cinética própria da era da técnica, as tecnologias da informação e da comunicação passaram a mobilizar-nos, total e infinitamente, para o mercado, a competição e o ranking (Carvalho, 2019; Martins, 2010, 2014, 2019), e tornam possível o desenvolvimento de identidades transculturais e transnacionais (Martins, 2018a, 2018b), que exprimem a luta pela ordenação simbólica do mundo (Bourdieu, 1977, 1979, 1980, 1982). É precisamente a magna questão geo-estratégica e cultural do combate pelo ordenamento simbólico do mundo que está presente na ideia de lusofonia. Colocam-se nela, com efeito, os problemas de uma língua hegemónica, o Inglês, e da subordinação, linguística, cultural, política e científica, da língua portuguesa1. Por outro lado, à ideia de lusofonia também não é alheio o atual debate sobre a globalização do conhecimento e da cultura digital, com o ciberespaço a apresentar- -se como um novo lugar para o conhecimento científico (Martins, 2018c). Mas, o ciberespaço, que enquanto novo lugar do conhecimento científico é, antes de mais, um espaço de língua inglesa, não pode deixar de ser, também, um espaço de língua portuguesa (Martins, 2018c, p. 89). Com pouco menos de 300 milhões de falantes, a língua portuguesa é a quinta língua mais utilizada na internet2. Como expliquei no estudo “Os países lusófonos e o desafio de uma circum-navegação tecnológica” (Martins, 2018c), o espaço transcultural e transnacional dos povos que falam Português constitui uma mesma barricada de países, em permanência empurrados para a periferia do sistema mundial, falado numa única língua, o Inglês. Estas circunstâncias permitem configurar um novo desafio para a lusofonia. Promovendo uma ideia de ciência com memória, responsabilidade e consciência, enfim, uma ideia de ciência que tenha o sentido do humano (Martins, 2008), podemos encarar a lusofonia como uma travessia tecnológica a realizar por todas as comunidades e povos de língua portuguesa, no sentido do interconhecimento, da cooperação, cultural, científica, social, política e económica, e também de afirmação da diversidade no mundo (Brito & Martins, 2005). No entanto, esta travessia, no sentido do interconhecimento entre os países e comunidades de língua portuguesa, parece ainda estar longe de ser uma realidade na ciência. Vejamos o exemplo de um estudo que vai além do espaço lusófono, mas que nos auxilia a vislumbrar o possível conhecimento ou desconhecimento entre investigadores que não têm o Inglês como língua materna. Ao tomar como referência 1 Esta ideia é explorada em diversos trabalhos como, por exemplo, Martins (2016, 2017, 2018a, 2018c). 2 Dados referentes a 31 de março de 2020. Ver https://www.internetworldstats.com/stats7.htm 128 as revistas de Ciências da Comunicação, de Portugal, Brasil e Espanha, Serra (2016) avaliou o grau de conhecimento, ou de desconhecimento mútuo, dos investigadores daqueles três países. Esta análise permitiu verificar que há “um reduzido cruzamento não só entre os autores da língua portuguesa e da língua espanhola, mas também dentro do Português, entre os autores de Portugal e do Brasil” e que há ainda, por parte de autores de língua portuguesa e espanhola, um predomínio de referências a autores de língua inglesa (Serra, 2016, p. 66). Existe, portanto, um desconhecimento recíproco dos investigadores ibero-americanos de Ciências da Comunicação. Quer isto dizer que estes académicos estão a contribuir para reforçar o paradigma dominante, baseado na publicação em Inglês (Serra, 2016). A realidade é que o modelo de publicação dos países anglo-saxónicos se tem tornado hegemónico, mesmo nas Ciências Sociais e Humanas, área em que foram encontradas maiores resistências e a penetração foi mais tardia (Gradim & Morais, 2016). Essa hegemonia tem contribuído, todavia, para que se perpetuem as desigualdades linguísticas. O Inglês é, hoje em dia, a língua utilizada cientificamente. Esta situação apresenta benefícios práticos, como sejam a eliminação de barreiras de comunicação e o aumento da visibilidade e citabilidade dos trabalhos. Mas tem, também, uma clara desvantagem para os falantes não nativos, que têm de se expressar numa língua estrangeira (Gradim & Morais, 2016). Este caminho, no sentido de um paradigma dominante, prende-se com as exigências dos editores. Mas é também imposto pela bibliometria e pelas exigências de indexação e ainda pela predominância do Inglês em bases de dados, o que, obviamente, influencia os resultados desses instrumentos. Hoje, a Web of Science, por exemplo, confirma claramente que a ciência tende cada vez mais para o monolinguismo (Gradim, 2018). No fundo, como sintetiza Serra (2017), o atual paradigma de ciência implica o seguinte: ciência é o que é publicado 1) em Inglês; 2) sob a forma de artigos em revistas científicas; 3) em artigos, que obedecem ao formato IMRaD (introduction, methods, results, and discussion [introdução, métodos, resultados e discussão]); e 4) publicado em revistas científicas com “fator de impacto”. Já a resposta a este mesmo paradigma pode levar-nos por diversos caminhos. Serra (2017) apresenta-nos três: o da submissão aos ditames do paradigma; o da recusa do paradigma; e um terceiro, o de compromisso, que já está a ser seguido por algumas revistas portuguesas e brasileiras, da área das Ciências da Comunicação, o que implica a publicação de artigos bilingues. Do ponto de vista aqui apresentado, entende-se, contudo, que é uma questão estratégica debater as políticas científicas e as formas de contrariar o paradigma instalado, um modelo que apaga a diferença, pela sua centralidade anglo-saxónica, que perpetua a subalternidade linguística e cultural. POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA 129REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... Contra o empobrecimento da língua, é hoje, pois, função de primordial importância, na política editorial, a escrita em língua portuguesa. Aliás, eu próprio escrevi, em 2012, “muitas razões justificam a necessidade de promover a edição de revistas científicas portuguesas. Existe, porém, uma que deveria tomar-se como primordial: a afirmação da língua portuguesa como língua de pensamento e de conhecimento” (Martins, 2012a, pp. 243-244). O combate linguístico tem várias frentes. Assim como a comunicação social tradicional, e também a comunicação na internet, deve disponibilizar em vernáculo a maior variedade de informação, literária, científica, cultural, visual, musical, económica, tornando-a acessível ao maior número de falantes, nativos e não nativos de uma língua, também as revistas científicas devem transmitir pensamento e conhecimento, urbi et orbi, em língua vernácula. E do mesmo modo que cabe à comunicação social e aos professores de língua e cultura empenharem-se neste combate pela sobrevivência da língua portuguesa, assim também é um desafio para os investigadores de Ciências Sociais e Humanas do espaço lusófono, e de entre estes destacamos os investigadores de Ciências da Comunicação, empenharem-se neste combate pela nossa sobrevivência plural, na diversidade dos povos e culturas que constituímos. Fazer ciência em língua portuguesa é, pois, dar oportunidades ao conhecimento, que se exprime na diversidade das culturas faladas em Português, assim concorrendo para a construção de uma comunidade científica lusófona, policentrada e polifacetada, uma comunidade com sentido humano, que é sempre uma comunidade com o sentido do debate e da cooperação, no respeito pela diversidade e pela diferença entre as culturas. (Martins, 2018c, p. 91) Ciências da Comunicação: área científica de ensino e publicação3 Sendo a comunicação matéria transversal a diferentes Ciências Sociais e Humanas e fenómeno de que desde sempre, direta ou indiretamente, se ocupou o pensamento filosófico, é compreensível que seja difícil balizar o seu nascimento como campo científico delimitado. No entanto, é comum situar-se na década de 1950 a formalização das Ciências da Comunicação como domínio de estudo, investigação e ensino, uma vez que foi por esta altura que se constituíram os primeiros departamentos de Ciências da Comunicação em universidades de alguns países. Por esta razão, apenas a partir da segunda metade do século XX começaram a ser publicadas as 3 Este capítulo procura atualizar um estudo realizado sobre as “Revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal: da divulgação do conhecimento à afirmação do Português como língua de pensamento e conhecimento” (Martins, 2012a), pelo que retoma alguns parágrafos e atualiza outros. 130 primeiras revistas científicas especificamente vocacionadas para a divulgação do conhecimento nesta área. Em Portugal, a fundação das Ciências da Comunicação no meio académico é ainda mais tardia. Na verdade, só em 1979 aparece, em Lisboa, o primeiro curso de graduação em Comunicação Social, por iniciativa do então designado Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Este núcleo académico – que passou a chamar-se Departamento de Ciências da Comunicação – é reconhecido pelo lançamento efetivo desta área científica no país. A este departamento estão associados, por sua vez, três outros importantes acontecimentos: a criação do primeiro curso de pós-graduação, a constituição do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL) e o lançamento da Revista de Comunicação e Linguagens (respetivamente, o mais antigo centro de Comunicação em Portugal e a primeira revista científica desta área). Com uma atuação em regime de exclusividade nos primeiros anos – dado que só um pouco mais tarde é que outras universidades passaram a apostar na Comunicação como área de estudos autónoma – o Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa foi particularmente oportuno neste investimento, beneficiando de uma conjuntura de expansão dos média em Portugal. A abertura de novos órgãos de comunicação social – designadamente, o lançamento de novos jornais, a abertura dos canais privados de televisão, a legalização de mais de três centenas de rádios locais e regionais –, assim como a diversificação das profissões ligadas à comunicação, contribuíram significativamente para o aumento do número de pessoas interessadas na formação superior em jornalismo, relações públicas, publicidade e comunicação audiovisual. A par deste fenómeno de desenvolvimento do ensino, que compreendeu a criação de outros cursos de Comunicação nos principais centros universitários do país e a sua extensão a unidades de ensino superior mais pequenas, como os institutos politécnicos, foram, finalmente, criadas condições para a produção de conhecimento em centros de pesquisa especializados e para a difusão da investigação em publicações nacionais (Martins, 2012b; Martins & Oliveira, 2012, 2013). Um breve percurso pelas revistas portuguesas de Ciências da Comunicação No estudo realizado sobre as “Revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal: da divulgação do conhecimento à afirmação do Português como língua de pensamento e conhecimento” (Martins, 2012a), contavam-se meia dúzia de revistas científicas de Ciências da Comunicação em Portugal. Dizia-se, em 2012, que “dada a dimensão ainda relativamente reduzida da comunidade científica portuguesa de Ciências da Comunicação”, não era legítimo considerar esse número de publicações POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA 131REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... científicas insuficiente (Martins, 2012a, p. 242). Desde aí assistimos ao desaparecimento de algumas revistas, mas também à clara expansão deste campo e consequente aumento das publicações, contabilizando-se, em 2021, 19 publicações nesta área de conhecimento. Faremos agora um pequeno percurso por todas estas publicações, começando por aquelas que estão associadas aos quatro centros de investigação avaliados pelo painel de Ciências da Comunicação, na última Avaliação das Unidades de I&D, levada a cabo pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em 2018/20194. Referimo-nos ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), ao Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT), ao Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA) e ao LabCom – Comunicação e Artes (LabCom). O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, conta com três revistas científicas5: Comunicação e Sociedade, Revista Lusófona de Estudos Culturais/Lusophone Journal of Cultural Studies e Vista. A revista Comunicação e Sociedade (www.revistacomsoc.pt) apresenta-se como “uma revista académica que pretende aprofundar a análise dos fenómenos comunicacionais e, simultaneamente, contribuir para a leitura da realidade social, segundo ferramentas teóricas e metodológicas dos diferentes campos das Ciências Humanas e Sociais”6. É a segunda revista mais antiga no panorama nacional, sendo publicada desde 1999, tem atualmente uma periodicidade estabelecida de dois volumes por ano e soma 40 volumes publicados7, estando todos os volumes disponíveis online e também em versão impressa. A Comunicação e Sociedade é uma revista temática, é bilingue, desde 2013, sendo publicada em Português e em Inglês. A revista apresenta um ICDS (Secondary Composite Index Broadcasting)8 igual a 9,8 no MIAR (Information Matrix for the Analysis of Journals), indicador associado à presença de uma revista em diferentes fontes de informação de relevância internacional9. Foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do European Reference Index for 4 Para mais informações, ver https://www.fct.pt/noticias/index.phtml.pt?id=452&ano=2019&mes=6/ FCT_publica_resultados_da_Avalia%C3%A7%C3%A3o_das_Unidades_de_I&D 5 Ver http://www.cecs.uminho.pt/publicacoes/revistas/ 6 As informações relativas às revistas foram preferencialmente retiradas dos seus websites, os quais estão indicados no corpo do texto deste capítulo. 7 Os dados apresentados neste artigo foram atualizados em fevereiro de 2021. 8 As informações apresentadas ao longo deste capítulo sobre o ICDS foram recolhidas a partir do seguinte link http://miar.ub.edu/search 9 Ver http://miar.ub.edu/about-icds 132 the Humanities and the Social Sciences (ERIH PLUS)10, está disponível na SciELO11 e na Scopus12, mas não na Web of Science13. Está no Catálogo v1.0 (2002 - 2017) do Latindex14, Sistema Regional de Informação em Linha para Revistas Científicas de América Latina, Caraíbas, Espanha e Portugal, cumprindo 33 critérios de qualidade. Olhando para as métricas do Google Académico15, apresenta um h5-índice igual a 9 e um h5-mediana igual a 10. Na classificação Qualis/CAPES 2013-201616 foi-lhe atribuído B1 na área da Comunicação. Observando, por sua vez, o SCImago Journal & Country Rank17, verifica-se que a revista está no quarto quartil de Comunicação. A Revista Lusófona de Estudos Culturais/ Lusophone Journal of Cultural Studies (www. rlec.pt) é “uma revista temática da área dos Estudos Culturais”, fundada em 2013, que “tem como propósito servir os países de língua oficial portuguesa, assim como as suas diásporas”. Tendo sido editada até 2016 numa parceria entre a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro, é hoje um projeto editorial exclusivo do CECS, da Universidade do Minho. É publicada em Português e em Inglês, duas vezes por ano, em versão digital e impressa, e conta com 14 edições. Esta revista encontra-se nas métricas do Google Académico, onde apresenta um h5-índice igual a 5 e um h5- -mediana igual a 9. Além disso, foi aprovada de acordo com os critérios de inclusão do ERIH PLUS. A revista Vista (https://revistavista.pt) foi lançada em 2017 pelo Grupo de Trabalho de Cultura Visual da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom). No segundo semestre de 2020, passou a ser editada pelo CECS, mantendo todavia uma ligação a este Grupo de Trabalho da Sopcom. Apresenta-se como “uma revista científica de Cultura Visual e Artes Digitais” e conta com sete números, estando 10 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://dbh.nsd.uib.no/publiseringskanaler/erihplus/ 11 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.scielo.org/ 12 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.scopus.com/ 13 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link http://apps.webofknowledge.com 14 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram confirmadas no seguinte link https://www.latindex.org/latindex/inicio 15 As informações apresentadas sobre as métricas do Google Académico das revistas foram recolhidas a partir do seguinte link https://scholar.google.pt/citations?view_op=top_venues&hl=pt-PT&vq=pt 16 Ainda não existem resultados mais recentes da avaliação Qualis. As informações apresentadas sobre as diversas revistas relativas às classificações do quadriénio 2013-2016 foram recolhidas a partir do seguinte link https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/ listaConsultaGeralPeriodicos.jsf 17 Aquando da falta desta informação no website das revistas apresentadas, as informações relativas a esta questão foram recolhidas no seguinte link https://www.scimagojr.com/journalrank.php POLÍTICAS CIENTÍFICAS E LÍNGUAS DE CIÊNCIA 133REVISTAS CIENTÍFICAS DE COMUNICAÇÃO IBERO-AMERICANAS... o último em processo de atualização, dado que, na transição para o CECS, a Vista adotou a modalidade de publicação contínua e tornou-se uma revista bilingue (Português e Inglês). Dada a sua recente existência, a Vista não conta, ainda, com referências de indexação. Ao Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT)18, uma unidade de investigação da Universidade Lusófona, estão associadas três revistas: International Journal Of Film And Media; International Journal On Stereo & Immersive Media; e Caleidoscópio. Contudo, nos websites associados à revista Caleidoscópio19 não se encontram edições recentes. E tanto a revista International Journal of Film and Media Arts (https://revistas.ulusofona.pt/index.php/ijfma/), como a revista International Journal On Stereo & Immersive Media (https://revistas.ulusofona.pt/index.php/stereo) são muito recentes, tendo surgido a primeira em 2016 e a segunda em 2017. A International Journal Of Film And Media Arts é uma revista centrada nas áreas do cinema e artes mediáticas, conta com 10 edições, é publicada duas vezes por ano e aceita artigos de diferentes línguas. Já a International Journal On Stereo & Immersive Media procura refletir sobre a emergência de uma cultura mediática progressivamente imersiva, conta com seis edições e afirma-se como uma publicação em Inglês ou Português, sendo publicada anualmente. Não se encontram referências a estas revistas no ERIH PLUS, Latindex, SciELO, Scopus, Web of Science, MIAR, métricas do Google Académico, nem, obviamente, na avaliação Qualis/CAPES de 2013-2016, dada a recente existência destas publicações. A International Journal of Film and Media Arts informa, contudo, ter sido aceite para indexação na Scopus, em junho de 2020. O Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA) conta com três revistas científicas20: Revista de Comunicação e Linguagens; Revista Media & Jornalismo; e Interact. Constituindo-se como a mais antiga revista da área em Portugal, a Revista de Comunicação e Linguagens (http://www.fcsh.unl.pt/rcl/index.php/rcl/index) lançou o seu primeiro número em março de 1985. Tratou-se de um número sobre “as máquinas censurantes modernas”, um tema que anunciava já a tendência que a revista teria para o tratamento da comunicação, no sentido amplo do termo, e não para o seu estreitamento nos estudos jornalísticos stricto sensu. Percorridos mais de 35 anos da sua existência, a Revista de Comunicação e Linguagens publicou mais de 50 números, estando disponíveis os últimos sete no seu atual website. A revista apresenta um ICDS igual a 6,5 no MIAR e está, no que diz respeito à sua versão impressa, no Catálogo v1.0 do Latindex, cumprindo os 26 critérios de qualidade. A revista foi aprovada 18 Ver https://cicant.ulusofona.pt/publications/ 19 Ver http://loja.ulusofona.pt/loja/revistas-cientificas/revista-caleidoscopio e https://revistas.ulusofona. pt/index.php/caleidoscopio/issue/archive 20 Ver http://www.icnova.fcsh.unl.pt/edicoes/ 140 em três publicações: na Comunicação e Sociedade, na Revista Lusófona de Estudos Culturais e na Vista, que têm publicação bilingue, em Português e em Inglês. Mas o combate linguístico tem várias frentes. E assim como cabe à comunicação social e aos professores de língua e cultura empenharem-se nesse combate pelo fortalecimento da língua portuguesa, assim também é um desafio para os investigadores das ciências sociais e humanas do espaço lusófono empenharem-se no combate pelo afirmação da sua diferença plural e pelo reconhecimento da diversidade dos povos e culturas que o constituem. (Martins, 2016, p. 42) Agradecimentos Este trabalho é apoiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito projeto UIDB/00736/2020. Referências Bourdieu, P. (1977). Sur le pouvoir symbolique. Annales, 32(3), 405-411. https://doi.org/10.3406/ ahess.1977.293828 Bourdieu, P. (1979). La distinction. Critique sociale du jugement. Éditions de Minuit. Bourdieu, P. (1980). L’identité et la représentation. Éléments pour une réflexion critique sur l’idée de région. Actes de le Recherche en Sciences Sociales, 35, 63-71. https://www.persee.fr/doc/arss_0335-5322_1980_ num_35_1_2100 Bourdieu, P. (1982). Ce que parler veut dire. L’économie des échanges linguistiques. Fayard. Brito, R., & Martins, M. L. (2005). Moçambique e Timor-Leste: Onde também se fala o Português. In A. Fidalgo & P. Serra (Eds.), Ciências da Comunicação em Congresso na Covilhã: Actas do III Sopcom, VI Lusocom e II Ibérico (Vol 3, pp. 641-648). 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