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Projeto: estudo de viabilidade de empreendimento imobiliário

Matos, Ricardo André de

Abstract

Este trabalho enquadra-se no projeto para a conclusão do Mestrado em Estudos de Gestão da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e tem como principal objetivo analisar e avaliar a Viabilidade de um Empreendimento Imobiliário, o Loteamento Vilas do Rio, localizado na cidade de Campinas, SP, Brasil, da Empresa FRK Realizações e Participações. A FRK Realizações e Participações é uma empresa Incorporadora e Loteadora com mais de 10 anos de atuação no mercado imobiliário através do desenvolvimento e implantação de Empreendimentos Imobiliários. Com o objetivo fundamental de aferir a viabilidade financeira do projeto em análise, para que possamos verificar e concluir se é viável ou não, calculamos a taxa interna de retorno (TIR), valor presente líquido (VPL), Pay Back. Informações estas que ajudam na tomada de decisão de implementação do projeto, bem como a determinação do seu valor para a empresa. Para uma análise mais completa do projeto são ainda aplicados métodos de abordagem ao risco através de análise de cenários. A principal conclusão vai no sentido de que o projeto em análise apresenta uma TIR superior ao custo de capital da empresa e por isso acrescenta valor à empresa.

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Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário Ricardo Andre de Matos Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário UMinho | 2020 Ricardo André de Matos Agosto de 2020 Ricardo André de Matos Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário Projeto de Mestrado Mestrado em Estudos de Gestão Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Cristiana Cerqueira Leal, PhD Agosto de 2020 Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário iii DECLARAÇÃO DECLARAÇÃO DE DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário iv AGRADECIMENTOS A finalização do Mestrado em Estudos de Gestão na Universidade do Minho significa a realização de um sonho. Em um primeiro momento escolhi Portugal, por se tratar de um País o qual admiro muito e por parte de minha família ser Portuguesa. No entanto, no período em que estive presente, tive grandes transformações, aprendizados, novas conquistas, dificuldades, uma nova cultura, métodos de estudos diferentes e novos amigos. Inialmente gostaria de agradecer a Deus, pela minha vida, saúde e força para a realização deste trabalho. A minha Família, que sempre esteve presente e me suportando durante esta jornada. Além disso, a finalização deste trabalho, o esforço aplicado não teria sido possível sem ajuda de uma pessoa que estimo muito e quero que permaneça na minha vida para sempre, a minha orientadora, Cristiana. Fica aqui registrado os meus sinceros agradecimentos por todo apoio, dedicação, paciência, disponibilidade, amizade e ensinamentos. O seu conhecimento e experiência foram uma mais valia. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário v DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário vi SUMÁRIO EXECUTIVO Este trabalho enquadra-se no projeto para a conclusão do Mestrado em Estudos de Gestão da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e tem como principal objetivo analisar e avaliar a Viabilidade de um Empreendimento Imobiliário, o Loteamento Vilas do Rio, localizado na cidade de Campinas, SP, Brasil, da Empresa FRK Realizações e Participações. A FRK Realizações e Participações é uma empresa Incorporadora e Loteadora com mais de 10 anos de atuação no mercado imobiliário através do desenvolvimento e implantação de Empreendimentos Imobiliários. Com o objetivo fundamental de aferir a viabilidade financeira do projeto em análise, para que possamos verificar e concluir se é viável ou não, calculamos a taxa interna de retorno (TIR), valor presente líquido (VPL), Pay Back. Informações estas que ajudam na tomada de decisão de implementação do projeto, bem como a determinação do seu valor para a empresa. Para uma análise mais completa do projeto são ainda aplicados métodos de abordagem ao risco através de análise de cenários. A principal conclusão vai no sentido de que o projeto em análise apresenta uma TIR superior ao custo de capital da empresa e por isso acrescenta valor à empresa. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário vii EXECUTIVE SUMMARY This piece of work is the finel project of a Master's Degree in Management Studies from the School of Economics and Management at the University of Minho. Its main objective is to analyze and evaluate the Feasibility of a Real Estate Development, the Vilas do Rio Development, located in the city from Campinas, SP, Brazil, of the FRK Realizações e Participações. FRK Realizações e Participações is a real estate development company with more than 10 years of experience in the real estate market through the development and implementation of real estate projects. With the fundamental objective of assessing the financial viability of the project under analysis, so that we can verify and conclude whether it is viable or not, we calculate the internal rate of return (IRR), net present value (NPV), Pay Back. Information that helps in making the decision to implement the project, as well as determining its value for the company. For a more complete analysis of the project, risk approach methods are also applied through scenario analysis. The main conclusion is that the project under analysis has an IRR higher than the company's cost of capital and therefore adds value to the company. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário viii ÍNDICE LISTA DE ABREVIATURAS ................................................................................ x LISTA DE FIGURAS ......................................................................................... xi LISTA DE TABELAS ........................................................................................ xii 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................ 1 1.1. Enquadramento do Tema ................................................................. 1 1.2. Razões e Justificativas para a escolha do tema, motivação e interesse. ..................................................................................................... 2 1.3. Objetivo ........................................................................................... 2 1.3.1. Objetivo Geral ....................................................................................... 2 1.3.2. Objetivos Específicos ............................................................................. 2 1.4. Relevância e Contributos Esperados ................................................. 3 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO ................................................................. 4 2.1. Conceitos bsicos ............................................................................ 4 2.1.1. Conceito de empreendimento ................................................................ 4 2.1.2. Loteamentos ......................................................................................... 5 2.1.3. Conceito de investimento ...................................................................... 6 2.1.4. Conceito de estudo de viabilidade .......................................................... 6 2.1.5. Conceito de Cash Flows (Fluxo de Caixa) ................................................ 7 2.1.6. Estimaco dos fluxos de caixa ............................................................... 8 2.2. Estudo de Viabilidade .................................................................... 11 2.2.1. Administraco Central ......................................................................... 11 2.2.2. Terreno ............................................................................................... 12 2.2.3. Estudo de Massa ................................................................................. 12 2.2.4. Concepco e Projetos .......................................................................... 12 2.2.5. Definico do Pblico Alvo .................................................................... 13 2.2.6. Despesas Legais ................................................................................. 13 2.2.7. Despesas Tributárias .......................................................................... 13 2.2.8. Preço e Velocidade de Vendas ............................................................. 14 3. METODOLOGIA .................................................................................... 16 3.1. Estimação dos Cash Flows (Fluxo de Caixa) ................................... 16 3.2. Critérios de avaliação de projetos de investimento ......................... 16 3.2.1. Valor Atual Lquido (VAL) ou Valor Presente Líquido (VPL).................... 17 3.2.2. Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) ..................................................... 18 Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário ix 3.2.3. ndice de Lucratividade (IL) ................................................................. 19 3.2.4. Tempo de Recuperaco (PAYBACK) ..................................................... 19 3.3. Custo de Capital ............................................................................ 20 3.3.1. Custo mdio ponderado de capital ...................................................... 21 3.3.2. Custo de capital próprio ...................................................................... 25 3.3.3. O Custo de Capital de Empresas de Capital Fechado ............................ 26 3.4. Abordagem ao Risco ...................................................................... 27 3.4.1. Anlise de Cenários ............................................................................. 28 4. ESTUDO DE CASO ............................................................................... 30 4.1. Caracterização do Empreendimento ............................................... 30 4.1.1. Caracterização geral ........................................................................... 30 4.1.2. Projeto ............................................................................................... 32 4.2. Etapas de Aprovação ...................................................................... 34 4.3. Legislação para aprovação do Empreendimento ............................. 35 4.4. Definição das Premissas para o Estudo de Viabilidade ................... 35 4.5. Estimação dos fluxos de caixa ........................................................ 42 4.5.1. Fluxo de caixa de investimento e de encerramento ............................... 43 4.5.2. Fluxos de caixa de exploração ............................................................. 45 4.5.2.1. Fluxo de caixa da receita com as vendas ........................................... 45 4.5.2.2. Fluxo de caixa relativo a Despesas .................................................... 48 4.5.2.3. Estimativa do fluxo de caixa de exploração ....................................... 51 4.5.2.4. Estimativa dos fluxos de caixa anuais totais ...................................... 52 4.6. Resultados da Viabilidade .............................................................. 53 4.7. Cenários ........................................................................................ 54 5. ANLISE FINAL E CONCLUSES .......................................................... 60 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 62 Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 4 2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO Segundo Coutinho (2014) e Barañano (2004), a revisão da literatura é importante porque proporciona bases teóricas que auxiliem na resolução das questões levantadas e formulação de hipóteses, bem como permite a sugestão de ideias e procedimentos metodológicos para condução da investigação. Procurarei explorar a literatura dentro de tópicos julgados de relevância para a problemática exposta, a seguir. A existencia de diversas fontes bibliogrficas dedicadas aos mtodos de estudo de viabilidade disponveis tais como artigos, monografias, normas tcnicas, pesquisas, entrevistas e peridicos, demonstra a grande importancia em projetar um empreendimento, conhecendo as principais variveis que podem interferir no lucro final, e o comportamento delas no contexto economico, pr e ps-investimento. A reviso bibliogrfica deste trabalho pretende ento buscar os conhecimentos sobre o assunto em questo, de maneira a facilitar a compreenso do estudo de caso que ser exposto em uma seco especfica. Conceitos bsicos 2.1.1. Conceito de empreendimento Conforme Limmier (1997), um empreendimento pode ser entendido como um projeto com metas estabelecidas a ser materializado segundo um planejamento englobando condices de prazo, custo, qualidade e risco. Em outras palavras,  o “conjunto de bens capaz de produzir receitas por meio de comercializaco ou exploraco economica” (NBR 14653-1, 2001). Ainda conforme a Norma Brasileira (NBR) nº 14653-4, (2003), criada e aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os empreendimentos podem ser classificados como: - -Imobiliários, ou com parcelamento do solo, ou com benfeitorias, ou com ambos; - -Base imobiliária, com fins de exploração comercial e/ou de serviços; - -Base industrial; Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 5 - -Base rural; - -Base comercial e serviços; - -Base mineral; - -Base em concessões de serviços públicos. No presente projeto a análise será focada no empreendimento imobiliário com parcelamento do solo, ou seja, loteamento. 2.1.2. Loteamentos Loteamento  a modalidade de urbanificaco, forma de ordenaco urbanstica do solo ou atividade deliberada de beneficiamento ou rebeneficiamento do solo para fins urbano. Atravs dele so criadas novas reas urbanas pelo beneficiamento do solo ainda no urbanificado ou mesmo modificando o solo j urbanificado. Distingue-se, portanto, da urbanizaco, que  um fenomeno espontaneo de crescimento das aglomeraces urbanas em relaco  populaco rural (IWATA, 2012). Em outras palavras, loteamento  a subdiviso da gleba em lotes destinados a edificacao, com abertura de novas vias de circulacao, logradouros pblicos ou prolongamento, modificaco ou ampliaco das vias existentes. Cabe destacar aqui a importante distinção entre loteamento e desmembramento. O segundo  muito semelhante com o primeiro, porm  definido como a subdiviso de glebas em lotes destinados  edificaco, com aproveitamento do sistema virio existente, desde que no implique na abertura de novas vias e logradouros pblicos, nem no prolongamento, modificaco ou ampliaco dos j existentes. A caracterstica bsica de um loteamento residencial est relacionada ao fato de disponibilizar aos eventuais adquirentes apenas lotes urbanizados sem quaisquer edificaces sobre eles, possibilitando ao adquirente total liberdade de desenvolver o seu imovel de acordo com as suas necessidades e anseios particulares independente de modismos e imposições criadas pelo mercado imobiliário. A única restrição est relacionada aos aspectos de uso e ocupação deste lote, sugeridos pelo empreendedor de acordo com o perfil do Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 6 empreendimento e impostas pela municipalidade através de lei específica ou do seu Plano Diretor, dependendo do município. Para a exploraco comercial de um empreendimento de loteamento, algumas condices so fundamentais para sua viabilidade e posterior sucesso economico. Alm das limitaces impostas pelas legislaces federal, estadual e municipal, ainda existem as questes geogrficas, tcnicas e naturais, que por vezes podem inviabilizar um projeto. Entretanto, so as condices economicas de mercado as mais difíceis de serem previstas e domadas, e as mesmas podem minar a lucratividade ou mesmo alavancar altos ndices de retorno. 2.1.3. Conceito de investimento Segundo Abreu, Neto, Heineck (2008), se convenciona nomear investimento o comprometimento de recursos de determinado investidor, atravs de diferentes formas, objetivando um retorno positivo na forma de lucro financeiro. Na Norma Brasileira (NBR) nº 14653-4 (2002), criada e aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define-se investimento como gastos referentes a aquisicao de direitos, implantacao, ampliacao, melhorias, reposico ou substituico de bens e necessidade de capital de giro no empreendimento. Pode-se afirmar ainda que “os investimentos na rea imobiliria brasileira so um dos melhores e mais seguros do pas, sendo que os valores dos imveis acompanham ou superam as correces monetrias provenientes da inflaco” (Goldman, 2004, p. 08). Entretanto, devido as complexidades inerentes a realização de um empreendimento e as variáveis externas e de mercado, uma avaliação cuidadosa deve ser desenvolvida contemplando o balanceamento entre o investimento e o lucro. 2.1.4. Conceito de estudo de viabilidade Surge ento a necessidade da realizaco do estudo de viabilidade, conceituado como o conjunto de anlises sobre determinado empreendimento Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 7 buscando verificar se o investimento retornar um lucro considerado interessante para o investidor. Gehbauer (2002), define o estudo de viabilidade como a comparaco entre a estimativa de custo do mesmo e os rendimentos que se esperam lucrar por meio da sua comercializaco, abrangendo todo planejamento tcnico bsico necessrio, desde a ideia inicial, at a elaboraco do anteprojeto. Complementando a ideia, para empresas de incorporaco / construco, “o estudo de viabilidade do empreendimento  o momento em que fatores como localizaco, capital e concepco do produto so combinados, de tal forma que se obtenha uma incorporaco bem sucedida” (Leal, 2007, p. 11). Neto, Junior, Amorim (2003) diz que o estudo de viabilidade consiste na coleta de informaces e na aplicaco de tcnicas de engenharia de custos, levando em consideraco os prazos, as taxas de desconto, e os valores previstos em um fluxo de caixa. Agrupando todos os conceitos acima, entende-se que a deciso de um empreendedor sobre investir ou no em determinado projeto, depende da existencia de um financiamento para a produco, assim como potenciais compradores, tambm da expectativa sobre geraco de lucro. Esta concluso pode ser apresentada conforme o diagrama da figura 1, a seguir: 2.1.5. Conceito de Cash Flows (Fluxo de Caixa) Segundo a Norma Brasileira (NBR) nº 14653-4 (2002), criada e aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), fluxo de caixa  a série de receitas, custos e despesas de um empreendimento ao longo de determinado período. Lançamento da Incorporação Fatores Financeiros Obtenção de Recursos para: Financiamento do Produto Financiamento do Cliente Fatores Econômicos Obtenção Positiva de Resultados Figura 1: Diagrama Lancamento da Incorporaco Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 8 Complementando essa definiço, um “fluxo de caixa  a apreciação das contribuições monetárias, positivas e negativas, ao longo do tempo. São construídos para dar apoio às decisões empresariais, estudar aplicações de resíduos de caixa de permanência temporária e servir de base para a obtenção dos indicadores necessrios para a anlise financeira”. (Neto, Junior e Amorim, 2003 p. 15). Geralmente, os fluxos de caixa so representados atravs de uma matriz analtica (planilhas) ou grfica, onde se traca uma linha horizontal representando o tempo, com vetores identificando os movimentos monetrios, adotando-se convencoes cartesianas, ou seja, fluxos positivos (receitas) para cima e negativos (custos e despesas) para baixo, conforme pode ser visto na figura 2. 2.1.6. Estimaco dos fluxos de caixa Segundo Barros (2007) o fluxo de caixa designa os fluxos lquidos gerados pelo projeto. Sao calculados pela diferenca entre os cash-inflows (entradas de caixa) e os cashoutflows (sadas de caixa). Ademais, o mesmo autor afirma que no basta apenas identificar os fluxos lquidos gerados pelo projeto que remuneram o capital, mas tambm o perodo em que se verifica esse fluxo, dado que o dinheiro tem valor no tempo. Os Fluxos de Caixa, ou Cash-flows, podem categorizar-se em tres tipos fundamentais: a) de investimento: referente a fase inicial do projeto, engloba as despesas associadas à implementação do projeto e, por conseguinte, os recebimentos pela sua extinção. O seu valor indica o montante das necessidades Figura 2: Matriz Grfica Fluxo de Caixa Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 9 de investimento do projeto. b) de exploraco: referente aos anos de funcionamento do projeto, regista os fluxos líquidos associados à exploração da atividade relacionada com a implementação do projeto; c) líquido: referente ao encerramento do projeto no final da sua vida til. Calculado pela diferença entre o Cash Flow de Exploração e o Cash Flow de Investimento. As definições acima são afins e complementares, sintetizando os principais procedimentos utilizados atualmente no mercado da construção civil no âmbito da viabilidade econômica. Estarei aplicando estes conceitos na elaboração dos Cash Flows e a partir deles teremos condições de fazer todos os cálculos do VAL, TIR, PAY-BACK e todos os outros indicadores mencionados neste trabalho. A estimativa dos Cash Flows, será realizada numa planilha onde haverá uma zona de inputs (estimativas) e outra de outputs onde serão apresentados os principais critérios de decisão para decisão de investimento num projeto, incluindo a sua fórmula de calculo. A partir dele, conseguiremos alterar os principais indicadores como preço de vendas, velocidade de vendas e custo de obras, com a intenção de calcular os cenários, podendo fazer as análises. Para que o investidor possa estabelecer o seu preco de venda,  primordial que seja realizada uma estimativa dos custos para implantaco do empreendimento. Por ser o elemento responsvel pela base do preco de venda futuro, a orcamentaco torna-se uma importante rea na construco civil. O orcamento da obra  uma das primeiras informaces que o investidor deseja conhecer ao estudar determinado empreendimento, sabendo que a construco civil implica em gastos considerveis e por isso devem ser determinados, j que, a partir de seu valor o mesmo ser estudado sobre sua viabilidade (GOLDMAN, 2004). Complementando, Mattos (2006, p. 22) afirma que orcamento no  um mero exerccio de futurologia ou jogo de adivinhaco, e sim, um trabalho bem executado, com criterios tecnicos bem estabelecidos, informacoes confiaveis, e um bom julgamento dos orcamentistas, para gerar orcamentos precisos. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 10 Existem diversas maneiras e procedimentos de como elaborar um orcamento. Na maioria dos casos, em que os empreendimentos esto em suas fases de viabilidade, nao se possuem todos os projetos complementares disponiveis (estruturas, instalacoes especiais), logo, e impossivel fazer orcamentos bem detalhados. Em face disto, se sugere os orcamentos por estimativas, que  um modelo simplificado para avaliar o custo total do empreendimento (GOLDMAN, 2004). Segundo MOREIRA (1997), os custos de construco de um empreendimento podem ser determinados por tres processos: orcamento por quantidades de servicos, por unidades compostas ou estimativo por custo unitrio de obra. O orcamento por quantidades  detalhado em funco das quantidades calculadas de todos os servicos que compe a obra. Por ser um processo que envolve muitos profissionais e  extremamente dispendioso, no  comumente utilizado na fase de analise de viabilidade economico-financeira de empreendimentos. O orcamento por unidades compostas  elaborado em funco dos precos de unidades construtivas prontas, como o metro quadrado, a ser calculado sobre a área privativa a qual será vendida ao consumidor final. Esse tipo de orcamento tambm no  muito utilizado, por necessitar de um projeto bsico que deve permitir a quantificaco das unidades construtivas, requisito geralmente no disponvel na fase de anlise de viabilidade. O orcamento mais utilizado nos estudos de viabilidade, e que tem como base este estudo, e o estimativo por custo unitario, que consiste no produto da area projetada de construcao por um custo unitario basico de obra em unidades monetrias por metro quadrado. Este mtodo orcamentrio  denominado de orcamento paramtrico e pode ser utilizado para a determinaco dos custos quando no se dispe dos projetos, sendo estes estimados em funco da rea ou do volume construdos, com a utilizaco de indicadores do custo unitrio de construco publicados por institutos de pesquisa (GONZLEZ, 1998). Cabe salientar que este orcamento se restringe apenas ao estudo de Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 11 viabilidade economica, pois vrios aspectos tcnicos do empreendimento tero que ser mais bem definidos, levando ao trabalho uma margem de incerteza que deve ser considerada nos projetos de viabilidade. Estudo de Viabilidade O setor imobilirio  complexo e envolve um grande nmero de variveis para ser estudado. Alm disso, o sucesso ou fracasso de um empreendimento tambm depende de outros influentes, tais como a gesto do empreendimento e a administraco psconstruco. Cerqueira (2009) explica que a gesto do empreendimento compreende a coordenaco dos projetos, o desenvolvimento do projeto arquitetonico legal e a especificacao definitiva para submissao a aprovacao dos orgaos competentes, os trabalhos de orcamento, planejamento e legalizaco do empreendimento, alm da etapa de comercializaco. J a administraco posterior compreende atendimento ao cliente, manutenco e administraco durante os cinco anos que a legislaco confere como direitos dos proprietrios, etc. Entretanto, conforme dito anteriormente, neste presente trabalho teremos como foco o estudo de viabilidade e as respectivas informaces necessrias para seu desenvolvimento. Iniciando a parte prtica de um estudo de viabilidade, geralmente  desenhado um esqueleto prvio do empreendimento para ser avaliado, e como base desse esqueleto so definidas caractersticas gerais e suas respectivas despesas. Caso os investidores acreditem ser lucrativa a participaco sobre a proposta mostrada, e realizado um estudo mais aprofundado, abrangendo todas as variaveis necessarias, conforme se segue. Caso contrario, verifica-se a tomada de decisao entre a reformulacao ou desistencia do empreendimento. 2.2.1. Administraco Central Equivale  taxa histrica de administraco da incorporadora, junto ao custo de remuneraco do escritrio central, levando em conta o porte da Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 12 empresa e os custos fixos para mante-la operando, tais como salrio do pessoal tcnico, administrativo e direco, amortizaco ou aluguel da sede, material de escritrio, impostos (IPTU da sede, Licenca de Localizaco e Funcionamento, etc.), pagamento de consultores e auditores, advogados, contas de energia eltrica, gua, telefone, e outros mais. 2.2.2. Terreno Os empreendedores costumam realizar diversas captaces de terreno, ou seja, buscas por locais onde existe a possibilidade de construco de um empreendimento possivelmente lucrativo. A partir da, a aquisico  realizada atravs de compra direta, permuta, troca por rea construda, etc. objetivando a melhor forma de aquisico, j que o terreno muitas vezes  um dos gastos mais dispendiosos em uma obra. O investidor deve ficar atento tambm sobre as taxas relacionadas ao lote, como impostos, transferencias, registros e IPTU. 2.2.3. Estudo de Massa De acordo com (Tisaka, 2006), o estudo de massa é um breve resumo do volume e das áreas ocupadas por um empreendimento que ainda não foi projetado se baseando nas limitações dos indicadores. Estes indicadores estão presentes em praticamente todas as legislações e os principais são: taxa de permeabilidade, taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento. 2.2.4. Concepco e Projetos Na etapa da Concepco inicial do empreendimento, procura-se realizar uma prvia pesquisa mercadolgica, discusses com executivos que possuem experiencia na rea, alm de opinies do prprio pblico para conhecer a demanda no perodo da implantaco do projeto e determinar o produto mais adequado a ser construido. Isto inclui um diagnostico das tendencias do mercado imobilirio, definices dos conceitos e padres do empreendimento, a tipologia das unidades habitacionais e das reas comuns, vagas de garagem, tipos de materiais e as tecnologias empregadas na obra, estilos e nmero das Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 13 unidades, dimenses, diviso de ambientes, dentre outros. Nesta fase, deve-se ter em mos as caractersticas do lote onde ser implementado o projeto (rea, tipo de solo, topografia, etc.), informaces sobre os servicos bsicos disponveis, unidades de sade e ensino, comrcio, lazer, sistemas de abastecimento de gua, esgoto, energia e telefonia, ou seja, parametros que certificam a funcionalidade local para os clientes. Assim  possvel conceber um dos elementos mais importantes a ser analisado em um estudo de viabilidade: os projetos. Inicialmente so desenvolvidos anteprojetos arquitetonicos, para quando for comprovada a viabilidade do empreendimento, buscar os projetos definitivos e complementares com suas respectivas especificaces. 2.2.5. Definico do Pblico Alvo Paralelamente  etapa de concepco,  de fundamental importancia  definicao do publico alvo do empreendimento e o conhecimento sobre as caracteristicas dos provaveis compradores das unidades habitacionais, responsveis por direcionar o empreendedor  escolha do padro de qualidade a ser empregado. Logicamente caso o empreendedor optar por voltar a concepco dos seus produtos para um publico presente na classe A da sociedade, tera que estar disposto a investir em materiais mais nobres, com determinadas exclusividades e requinte. J se o pblico for de classe mdia, a qualidade dever ser mantida, porm os tipos de materiais provavelmente sero mais populares e a oferta de opcionais limitada. 2.2.6. Despesas Legais  necessrio um levantamento das despesas sobre as taxas e registros do empreendimento perante os rgos pblicos, tais como Concessionrias, Prefeitura, Ministerios, etc. alem de outras eventuais cobrancas associadas ao empreendimento. 2.2.7. Despesas Tributárias Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 20  o tempo necessrio para que um investimento gere fluxos de caixa suficientes para recuperar seu custo inicial. Com base na regra do perodo de payback, um investimento  aceitvel se o seu perodo de payback calculado for menor do que um nmero predeterminado de anos (Ross et al., 2013, p. 286). Deste modo, projetos que recuperam seus investimentos mais rapidamente so considerados mais atraentes, uma vez que todos os fluxos de caixa obtidos aps esse perodo podem ser considerados lucros (Damodaran, 2004). Custo de Capital O Custo de Capital representa a rentabilidade mnima desejada pelo investidor, ou seja, sua motivaco para investir em funco das polticas de investimento da empresa ou sociedade. Corresponde ao k apresentado das fórmulas dos critérios de avaliação de projetos apresentados na seção anterior. A Taxa de Desconto é o custo de capital utilizado em uma análise de retorno, neste sentido, a Norma Brasileira (NBR) 14653-4 de 2002, criada e aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define como a Taxa de desconto do fluxo de caixa compatvel com a natureza e caractersticas do empreendimento, bem como a expectativa mnima de emulaco do empreendimento, em face de suas carteiras de ativos. O Custo de Capital tem como referência o retorno que o investidor / empreendedor obteria caso optasse por alguma outra fonte de investimento / aplicação, incluindo ainda um percentual de risco. Neto, Junior, Amorim (2003) lembra que na construco civil, deve-se lembrar ainda que geralmente o investimento prprio  pequeno, trabalhandose fundamentalmente com os recursos dos compradores e, na verdade, a taxa de atratividade reflete a viabilidade do empreendimento globalmente. O carter rentvel ou no de um projeto depende, no caso em que este seja o critrio escolhido, da posico relativa da taxa interna de retorno do projeto e da taxa minima de rentabilidade que o dirigente da empresa exige para seus investimentos. Todo o projeto cuja taxa interna de retorno seja superior a essa taxa  considerado rentvel. Entre diversas variantes comparveis e rentveis de Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 21 um mesmo projeto de investimento, o dirigente de empresa que utiliza esse critrio de rentabilidade, ou atratividade, escolher aquela cuja taxa interna de retorno seja maior (GALESNE, 1999). Segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010, p. 97), ao se analisar uma proposta de investimento, deve-se considerar o fato de estar perdendo a oportunidade de registrar retornos com a aplicaco do mesmo capital em outros projetos. Para ser considerada atrativa a nova proposta deve render, no mnimo, a taxa de juros equivalente  rentabilidade das aplicaces correntes e de pouco risco. Esta , portanto, a taxa mnima de atratividade. Em investimentos de longo prazo, como  o caso de empreendimentos imobilirios, o Custo de Capital passa a ser uma meta estratgica. Caso a empresa tenha como objetivo, por exemplo, o crescimento de 10% a.a., e ainda possua uma poltica de distribuico de dividendos de 1/3 de seus lucros, esta dever fixar como Custo de Capital estratgico a taxa de 15% a.a. (CASAROTTO FILHO; KOPITTKE, 2010). Segundo o mesmo autor, o Custo de Capital  o valor que deve ser superado pelo investimento para ele se mostrar vantajoso para a empresa. Se esta taxa for superestimada, certos projetos que seriam rentveis podero ser rejeitados e se, ao contrrio, a taxa for estimada muito baixa, projetos deficitrios se mostraro como sendo projetos com alto potencial de retorno. Conforme Samanez (2002), a taxa de desconto pode ser interpretada de duas maneiras: custo médio ponderado de capital (WACC) e custo de capital próprio (CAPM). Segundo Damodaran (2012), o risco do patrimônio líquido de uma empresa é medido pelo custo do capital próprio, enquanto o risco da empresa é calculado pelo custo do capital total, representado pela média ponderada do custo do capital próprio e do custo do capital de terceiros. 3.3.1. Custo mdio ponderado de capital O custo total de capital de uma empresa representa as expectativas minimas de remuneracao das diversas fontes de financiamento (proprias e de terceiros) lastreando suas operacoes. E um conceito essencial para toda a tomada de deciso financeira e pode ser entendido como o retorno mdio Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 22 exigido para toda a empresa. O custo de capital para uma empresa pode ser usado como uma medida de avaliaco da atratividade economica de um investimento, de referencia para a anlise de desempenho, viabilidade operacional e de definico de uma estrutura tima de capital. O princpio financeiro fundamental de toda empresa  oferecer um retorno de seus investimentos que cubra, pelo menos, a expectativa mnima de ganho de seus proprietrios de capital. Sendo assim, teoricamente, toda deciso de investimento que promove um retorno maior do que seu custo de capital cria valor (riqueza) a seus proprietrios. Autores como Modigliani e Miller (1958), Jensen e Meckling (1976), Kenney (1995), Pratt (1998), Copeland, Koller e Murrin (2002), Assaf Neto (2004) argumentam sobre o assunto. O custo de capital  estabelecido pelas condices com que a empresa obtm seus recursos financeiros no mercado de capitais, sendo geralmente determinado por uma mdia dos custos de oportunidade do capital prprio (acionistas) e capital de terceiros (credores), ponderados pelas respectivas proporces utilizadas de capital, e lquidos do imposto de renda.  conhecido na literatura financeira como weighted average cost of capital (WACC) ou custo mdio ponderado de capital. Formulando, tem-se: WACC=(Ke x WPL)+(Ki x WP) Ke = custo de oportunidade do capital prprio; WPL = proporco do capital prprio [PL/P+PL]; Ki = custo do capital de terceiros; WP = proporco do capital (oneroso) de terceiros [P/P+PL]; P,PL = respectivamente, passivo oneroso e patrimonio lquido (fundos prprios). Os custos das vrias fontes de capital componentes do WACC podem ser entendidos como explicitos e implicitos. Um custo explicito de capital de terceiros e apurado de fontes de financiamento disponiveis a empresa e mensurado pela taxa de desconto igualando, em determinado momento, o valor presente dos desembolsos de caixa (pagamentos de encargos e principal) ao valor presente das entradas de caixa. Esses devero ocorrer em consequencia da aceitaco de determinada proposta de investimento. Em outras palavras, representa a taxa de retorno determinada dos fluxos de caixa de uma operaco de financiamento. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 23 Os custos implcitos podem ser entendidos como custos de oportunidade e representam usos alternativos dos fundos. Um custo de oportunidade  uma medida de grande relevancia para a tomada de decises financeiras, levando em consideraco o retorno de outras oportunidades para o uso dos fundos em avaliaco. Em termos economicos, o custo de capital da empresa  um custo de oportunidade e representa a taxa de retorno da melhor proposta de investimento disponvel de forma alternativa  proposta em consideraco, de risco similar. Para o acionista, esse conceito iguala-se ao retorno da melhor oportunidade de investimento que fora abandonada quando da deciso de investir na empresa.  o princpio da substituico, indicando que nenhum investidor tomaria a deciso de aplicar em determinado ativo se identificasse outro mais atraente (substituto).  importante ressaltar que a empresa no estabelece o prprio custo de capital. Com maior rigor, a empresa avalia os fundamentos do mercado e o risco da decisao financeira para formar seu custo de capital. Pratt (1998, p. 4) sustenta que o custo de capital e formado pela comparabilidade entre os retornos disponveis no mercado, sendo o risco seu componente mais importante. O conhecimento correto do custo de capital  essencial para o processo de anlise e tomada de decises financeiras. Em seu objetivo de maximizaco do valor presente lquido, a rentabilidade oferecida pelos fluxos de benefcios lquidos esperados incrementais em relaco aos desembolsos necessrios deve ser maior que o custo de capital dos recursos alocados para a deciso. Sendo assim, o valor presente dos fluxos de benefcios incrementais de caixa deve exceder os investimentos previstos, quando todos os fluxos forem descontados a uma taxa representativa do custo de capital. O retorno em excesso da deciso financeira produzir um resultado de valor presente lquido positivo, ir incrementar a riqueza da empresa e, em consequencia, de seus acionistas. No obstante, se o retorno esperado for inferior ao custo dos fundos exigidos, a deciso deve ser rejeitada, sendo entendida como destruidora de valor não agregando valor a empresa. O custo de capital  adotado como um mtodo de medico de propostas Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 24 de investimentos, ou seja, um critrio correto de aceitaco / rejeico das decises financeiras. Pode-se dizer que o custo do capital  um padro vlido de avaliaco do desempenho financeiro das empresas direcionando ao objetivo de maximizaco da riqueza de seus proprietrios. Sua funco bsica  servir como um mecanismo racional para determinar a atratividade economica de qualquer proposta que exija a utilizaco de recursos financeiros e com o objetivo de maximizacao de seu valor presente liquido. O termo custo de capital  muitas vezes expresso, de diferentes formas, como sendo a taxa minima de atratividade, taxa de retorno requerida (minima exigida), custo total de capital, taxa de desconto apropriada, entre outras. De alguma forma, essas expressoes refletem a funcao primordial discutida do custo de capital, ou seja, serve de padro para avaliar a aceitabilidade de uma deciso financeira. A dificuldade de trabalhar com a medida de custo de capital  a inexistencia de um modelo definitivo, plenamente satisfatrio em predizer a incerteza associada a cada deciso. Um clculo correto de custo de capital deve levar em consideraco, em essencia, o risco do negcio (atividade da empresa), e estar consciente de que a natureza e as diversas combinaces possveis de fundos de financiamento (estrutura de capital) produzem tambm diferentes nveis de risco aos investidores.  incorreto entender-se o custo de capital como simplesmente o custo do capital levantado pela empresa, desvinculado de sua aplicaco. O custo de capital depende essencialmente do uso dos fundos, do risco da deciso de investimento tomada, e nao de sua origem. A remuneracao dos fundos fornecidos por credores e acionistas deve variar de acordo com os riscos envolvidos nas decises. Os proprietrios de capital no consideram o custo de seus recursos como fixo; esperam, de forma racional, ser remunerados a taxas que variem com o risco assumido pelas oportunidades financeiras selecionadas. O custo de capital prprio  a medida que apresenta o maior grau de dificuldade de determinaco no clculo do WACC. Isso se d, principalmente, em razo de no existir uma maneira explcita de indagar diretamente ao acionista qual a taxa minima de remuneracao desejada para aplicacao de seus Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 25 fundos na empresa (aquisico de suas aces). No entanto, essa taxa de atratividade deve ser estimada de alguma forma. 3.3.2. Custo de capital próprio O CAPM (Capital Asset Pricing Model) representa o retorno que os investidores de capital próprio exigem sobre seu investimento na empresa. O CAPM avalia o retorno mínimo que um ativo deve oferecer ao investidor, em função do nível de risco não diversificável (ou sistemático) a ele associado. Tendo como premissa a aversão ao risco, o modelo pressupõe que ativos com maior nível de risco tenham que oferecer maior retorno, de forma a serem atrativos para os investidores (Ross, 2013). A forma mais utilizada de mensurar este custo de capital prprio, segundo Gitman (2010), e o modelo de formacao de precos ativos (CAPM). Ele relaciona o retorno exigido com o risco no diversificvel da empresa, e  calculado atravs da varivel ks conforme mostra a seguinte frmula: ks =Rf +[β×(km−Rf)] Onde: ks = taxa mnima de atratividade (TMA); Rf = taxa de retorno livre de risco; β = risco no diversificvel da empresa; km = retorno mdio do mercado. A taxa de retorno livre de risco (Rf)  a rentabilidade de um ttulo considerado muito seguro, como o rendimento da caderneta de poupanca, ttulos do Tesouro, certificados de depsito bancrio de grandes bancos, entre outros, que atualmente gira em torno de 0,40% ao mes, segundo o site do Tesouro Nacional (BRASIL, 2020), que tem como base a taxa SELIC. Para o risco do mercado financeiro, o rendimento da Ibovespa pode ser tomado como parametro, o qual tem como base a variaco das aces que compem 80% das transaces na BM&FBovespa. Esse ndice representa o retorno das maiores empresas do mercado e pode ser considerado como o risco do mercado financeiro no Brasil (GALESNE, 1999). Conforme definico da NBR 14.563-4 Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 26 (ASSOCIACO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS, 2006, p.2) o risco no diversificavel da empresa e o valor estimado para o empreendimento por comparacao com riscos de empresas de capital aberto do setor em analise. 3.3.3. O Custo de Capital de Empresas de Capital Fechado Para Mascareñas (2000) há quatro fatores que determinam o custo de capital: as condições econômicas, as condições de mercado, as condições financeiras e operacionais, e a quantidade de financiamento para realizar novos investimentos. Estes fatores, quando analisados conjuntamente, vão compor o risco total de uma empresa. O risco total, por sua vez, pode ser visto sob duas perspectivas: o risco sistemático, o qual se refere à incerteza dos retornos esperados causados pelas oscilações do mercado como um todo, e o risco não sistemático, resultante das características da própria empresa, do setor ou do tipo de investimento. Sob a ótica da Teoria da Carteira, o risco não sistemático pode ser reduzido mediante da diversificação, pois deriva do fato de muitos dos perigos a que uma empresa isolada está sujeita lhe serem específicos, como a ameaça dos concorrentes mais próximos. Já o risco de mercado não se pode evitar por mais que se diversifiquem os investimentos. No entanto, Breadley e Myers (1998), além de outros estudiosos (Edward, 1992; Howitt, 1993; Swad, 1994; Pratt et al., 2000; Reilly e Schweihs, 2000), comentam que a análise do risco não sistemático é muito importante, quando se trata de avaliar uma só empresa. Damodaran (2002) acredita que o proprietário (ou acionista) de uma empresa de capital fechado concentra a maior parte de sua riqueza no seu próprio negócio e assim ele se preocupa com o risco total da atividade e não somente com o risco de mercado. Além disso, para o referido autor, está implícito no uso do beta, a premissa de que o investidor é possuidor de carteira diversificada. Daí, não sendo este o caso, sugere duas maneiras de estimar o custo do patrimônio de uma empresa fechada, pela ótica do CAPM: . acrescentar um ágio ao custo de capital próprio para refletir o maior risco criado pela incapacidade de diversificação do proprietário/investidor; . ajustar o beta para que reflita o risco total e não apenas o de mercado. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 27 Ademais, Cotner e Fletcher (1999) afirmam que proprietários e investidores de pequenos negócios não consideram suas empresas como parte de carteira diversificada, mas precisamente como projeto de capital. Atualmente no Brasil, a taxa básica de juros, taxa SELIC, está na casa de 4,25% a.a. (menor taxa histórica de todos os tempos). Além disso, há fortes indícios e sinais de que esta taxa poderá ser reduzida pelo governo nos próximos meses. Com isso, a maioria dos bancos no Brasil estão oferecendo linhas de crédito a taxas muito atrativas. No projeto em questão, ainda não foi contratado nenhuma linha de crédito e inicialmente os investimentos estão sendo feitos com recursos próprios da Empresa. Além disso, o histórico de captação de recursos da Empresa variam entre 4,5 % a.a. e 8,6% a.a. para os últimos projetos realizados. Outro fato importante é que a taxa básica de referencia de juros no País, a SELIC, está atualmente em 2,25% a.a., a menor taxa histórica. Por esses motivos, através de uma reunião de comitê financeiro, os sócios da Empresa definiram que, para ter estrutura ótima de capital, o custo de capital da empresa terá o valor de 6,5% a.a., taxa essa que envolve o custo do dinheiro no tempo à taxa isenta de risco e mais um prêmio de risco. Esta taxa é utilizada para a avaliação de todos os projetos de investimento da empresa e foi determinada seguindo os tramites processuais acima indicados no seu cálculo, considerando todas as variáveis macroeconómicas relativas a financiamento, inflação e risco da atividade da empresa. Sendo que este projeto de investimento é em uma atividade que se enquadra na atividade central da empresa, o risco do projeto corresponde ao risco da empresa pelo que ao longo de todo o estudo de caso será utilizado o custo de capital de 6,5% e, em consonância, a estimação dos fluxos de caixa será realizada a preços correntes. Abordagem ao Risco O desconhecimento das condices futuras de variabilidade dos parametros envolvidos em um projeto de empreendimento imobilirio podem gerar algumas incertezas ao investidor. Prever, ou tentar medir fatores que levam a mudancas de cenrios torna a tomada de deciso muito mais complexa: Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 28 fato que  diretamente proporcional ao risco. Uma deciso de investimento somente apoiada em informaces advindas de indicadores da qualidade no sustenta certezas, uma vez que os mesmos so extrados de manipulaces em modelos matemticos, dentro de processos de simulaco, conforme expectativas de desempenho do empreendimento, arbitrados no planejamento. (LIMA JUNIOR, 1998, p. 41). Em outras palavras, pode-se dizer que os resultados advindos somente destes indicadores, nao sao plenamente confiaveis, uma vez que tais cenarios referenciais estabelecem apenas hipoteses. Somado ao fato de que o empreendedor no tem o controle do ambiente de mercado e da economia, as quais interferem na operaco. O investidor deve encontrar a combinaco ideal entre risco e retorno, sempre buscando a maximizaco do resultado financeiro de um projeto para um nivel de risco aceitavel. Ou seja, para o projeto de investimento considerado, existirao niveis de risco relacionados as suas probabilidades de retorno. Neste sentido, uma anlise de risco objetiva fundamentalmente quantificar o risco do empreendimento em funco do efeito das variveis-chave sobre o resultado do investimento. Segundo Casarotto e Kopittke (2010, p. 308) sob condices de incerteza existem basicamente tres alternativas para a soluco dos problemas: a) uso de regras de deciso s matrizes de deciso; b) anlise de cenários e sensibilidade: quando no se dispe de qualquer informaco sobre a distribuico de probabilidades; c) simulaco: quando se dispe de alguma informaco para que ela possa transformar a incerteza em risco. No projeto aqui apresentado, no foram utilizadas nenhuma destas anlises de risco, mas so aqui apresentadas a ttulo de conhecimento e sugesto para uma possvel continuaco deste estudo no futuro. 3.4.1. Anlise de Cenários No presente estudo usaremos a analise de cenários como método de abordagem ao risco. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 29 “Ferramenta que possibilita a geraco de relatrios com informaces cruzadas, apresentando as variaces mais otimistas at as mais pessimistas e os impactos das variaces nos principais indicadores da qualidade economica e financeira”. (Nicacaio, 2013). Complementando, a Norma Brasileira (NBR) nº 14653-4, criada e aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define Anlise de Sensibilidade como a anlise do efeito de variaces dos parametros do modelo adotado, no resultado da avaliaco.  o estudo do efeito que a variaco de uma varivel pode provocar nos resultados, ou seja, altera significadamente a rentabilidade de um projeto. Portanto, e a ferramenta utilizada para a conversao da incerteza em risco. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 36 informaces sobre: a) população local; b) poder de endividamento; c) tipos de domiclios predominantes. Ainda, segundo dados do Censo (IBGE, 2018), para se ter uma noco do poder de endividamento dos habitantes da regio, foi verificado que o valor do rendimento mdio mensal dos domiclios particulares urbanos,  de R$ 2.848. Parte dessa renda pode ser informal em muitos casos. Rendimento estimado acima da mdia, em comparaco com o restante do Brasil. Com base no valor da renda bruta familiar,  possvel estimar o valor mximo da prestaco do financiamento habitacional, que no pode superar 30% da renda bruta (Caixa Economica Federal, 2016). Portanto, recomenda-se que o comprometimento mximo estimado para a populaco de Campinas representa a quantia de R$ 854 ao mes. Outra informaco relevante  o tipo de domiclio predominante, pois pode representar uma preferencia dos habitantes locais ou restrices relacionadas a hbitos, geografia, legislaco e at mesmo aspectos tcnicos. Conforme grfico percentual do Censo de 2018 do IBGE h uma predominancia de casas, representando 91,3% dos domiclios particulares permanentes. Somado a este fato, o Censo tambm apresenta que 73,3% dos domiclios particulares so prprios e j esto quitados. Embora estes dados possam parecer contraditrios, eles indicam que h boa capacidade de endividamento por parte dos moradores locais. Somado a isto, o fato da localizaco do empreendimento proposto ser em uma ótima regio do bairro e muito procurada na cidade, pode fazer com que os moradores vejam nele um timo negcio para investir ou mesmo realocar suas residencias atuais. Após uma pesquisa no mercado do regional, visualizamos dois principais concorrentes. São eles: O Residencial Bela Aliança e o Residencial Friburgo. Ambos são Loteamentos residenciais de porte e características similares ao Vilas do Rio. Entretanto, em função da pandemia global COVID-19, ambos tiveram a Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 37 suspensão da divulgação e lançamento a mercado. Os valores de preço de vendas a mercado que haviam sido coletados serão adotados como base para os estudos de viabilidade do Vilas do Rio. Mesmo assim, para definico do preco de venda do metro quadrado, tinha sido realizada uma pesquisa das ofertas disponveis na regio, durante os meses de dezembro de 2019 a abril de 2020, atravs da Rede Imobiliária de Campinas e em algumas imobilirias locais. Verificou-se, a mdia dos valores praticados no mercado nos bairros adjacentes. A mdia das 02 principais amostras resultou no valor de R$ 638 por metro quadrado. Através do Quadro de Áreas do Loteamento, demonstrado na figura 7 acima, que indica as reas privadas dos lotes, foi possível calcular o aproveitamento lquido previsto para o empreendimento. A soma resultou em 67.386 m2, o que representa 39,32% da rea total da gleba. Conforme a legislaco exige, o remanescente de 104.011,37 m2 para o sistema virio, que  composto dos canteiros, passeios, pavimento e meio fio e reas pblicas municipais ou pracas. As reas destinadas ao sistema virio, reas pblicas e privativas, descritas no Quadro de Áreas possibilita a projeção das estimativas relacionadas s futuras despesas e receitas. Assim foram atribudos precos para venda do metro quadrado das reas privadas (conforme estudo do mercado tratado anteriormente) e calculado o valor total das receitas ao multiplicar a estimativa do preco de venda por metro quadrado pela rea privativa total. O valor resultante  conhecido no meio imobilirio como Valor Geral de Vendas (VGV). Considerando os valores estimados para venda e comercializaco das reas privadas, calculou-se o VGV atravs da multiplicaco do total de rea privada com o valor de venda unitrio do metro quadrado, chegando-se  quantia de R$ 41.743.391. Atravs da diviso do valor deste valor pelo nmero total de unidades, foi possvel estimar o preco mdio por unidade, o qual foi utilizado nas projeces de vendas do fluxo de caixa. Sendo assim, o valor do preco mdio resultou no valor de R$ 116.928,26 por lote. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 38 Assim, considerando a análise do mercado imobiliário supra descrita e as características do projeto, foram definidas as Premissas de Viabilidade, elencadas abaixo e resumidas na tabela 1 a seguir: - Momento de início do projeto: 01/Janeiro/2020. - Duração do projeto: A Execução das obras do Empreendimento será em 24 meses, momento da entrega dos terrenos aos compradores. Os recebimentos vão até 2038, ou seja 18 anos. Isso porque a Empresa faz financiamento direto ao comprador em até 180 meses (15 anos). - Preço de aquisição do terreno: R$ 29.869.298, pagos através de permuta financeira, ou seja, repasse de uma porcentagem sobre o valor das receitas de vendas, a saber 41,76%, de acordo com a negociação com a Família detentora da propriedade e conforme o contrato celebrado entre as partes. - Comissão: 2% em lotes residenciais (5 lotes) que serão pagas aos corretores que trouxeram a área para a Empresa desenvolver o empreendimento. - Contrapartida EHIS/COHAB: 11 lotes residenciais. Essa contrapartida é uma exigência da Prefeitura Municipal de Campinas que define uma doação de algumas unidades para entidades carentes. Tratase de uma legislação local onde para se aprovar esse tipo de empreendimento, se faz necessário fazer essa doação. - Saldo remanescente a ser comercializado: Unidades a serem comercializadas: 342, sendo 322 lotes residenciais e 20 lotes comerciais. - Preço médio de venda: R$ 653/m²: valor definido conforme pesquisa de mercado. - Financiamento: Prazo de financiamento de até 180 meses. Taxa de juros de 0,95% - a.m. + correção pelo IGP-M. Definido conforme pesquisa de mercado. - Venda em 24 meses, sendo: 35% no lançamento. (A qual será detalhada no 5.6.2, infra, deste trabalho) Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 39 - Comissão Direta: 5% a ser paga aos corretores que irão vender os lotes a mercado. - ITCMD doação contrapartida COHAB - R$ 35.000,00 - Contrato SANASA: R$ 405.713 Adesão subsidiada (EHIS): Valor esse para prover o Empreendimento para abastecimento de água e escoamento de esgoto. - Gestão Administrativa: 2,5% sobre a receita: Taxa destinada a custear a equipe que fará a gestão de todo o Empreendimento. - Gestão de Obras: 6% sobre o custo de obras. - Custo de Obra: R$ 170/m² privativo. - Obras em 43 meses. - Taxa mínima de atratividade / Custo de Capital: 6,5% a.a. Tabela 1: Premissas de Viabilidade (Datas bases, Permuta e Configuração do Empreendimento) Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 40 Nesta etapa, foram estimadas as despesas que impactam diretamente nos cash flows do empreendimento em anlise, conforme tabela 2 abaixo. As despesas aqui descritas que foram computadas nos clculos se referem, a partir de uma viso macro do negcio, a quatro agentes principais de custos, representando os custos de investimentos, de exploração, custos incorridos e todos os investimentos que irão impactar os cash flows, tais como: • Despesas comerciais; • Despesas de obras; • Despesas de Incorporação; • Outras despesas. O Imposto sobre a Transmisso de Bens Imveis (ITBI), é um imposto municipal que é pago sempre que ocorre a transferência de propriedade de im imóvel e  calculado com base na alquota municipal de 3% sobre o valor da compra/venda do imóvel. Os demais itens foram calculados da mesma forma. Quanto s estimativas de custos referentes  execuco da infraestrutura de implantacao necessaria ao loteamento, cabe aqui salientar que todas as despesas foram calculadas com base nos dados historicos e custos unitarios advindos de outros loteamentos realizados anteriormente pela empresa. As despesas restantes foram estimadas da mesma forma, sempre considerando Tabela 2: Resumo Despesas do Empreendimento Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 41 sua respectiva unidade. A distribuico das despesas relacionadas  execuco da infraestrutura foi projetada com o ponto de partida fixado somente a partir do início das vendas do projeto, prevista para o 5° mes, e considerando um prazo de duraco de 40 meses, trmino ao final do 45o mes. Para se aproximar ao mximo da realidade da construco, estas despesas foram alocadas ao cash flow obedecendo a curva de obra previamente estimada. O cronograma de desembolso do custo total em infraestrutura e em todo o projetoo, resultou, portanto, está demonstrado na coluna de saldo, com o montante de desembolso medio conforme a planilha de viabilidade integrante deste trabalho. Este custo com a rea efetivamente aproveitada da gleba resulta em um valor unitrio do custo de execuco da infraestrutura de R$ 170 por metro quadrado, calculados sobre a área vendável do Empreendimento. Dado este que  sempre interessante para anlises e comparaces histricas de custos com empreendimentos semelhantes. Considerando que a empresa atua sob o regime do lucro presumido, que  uma forma de tributaco simplificada para determinaco da base de clculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurdicas que no estiverem obrigadas, no ano-calendario, a apuracao do lucro real, os impostos foram deduzidos a partir do fluxo de caixa consolidado. Uma vez que a empresa venha a apurar um lucro presumido superior a R$ 60.000, no trimestre, deve ainda ser calculado o valor do adicional de Imposto de Renda, aplicando-se a alquota de 10% sobre o excesso. As alquotas incidentes sobre a receita bruta, assim como a base de clculo utilizada, foram s definidas por forca de lei, ou seja: PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tanto a CSLL como o IRPJ, e eventual adicional, devem ser pagos trimestralmente, enquanto o PIS e o COFINS tem vencimento mensal. Somados, o PIS (0,65%) e COFINS (3,00%) totalizam 3,65% sobre a receita bruta ou, no caso deste estudo, o VGV. Para o clculo do Imposto de Renda (IRPJ), a base de clculo utilizada foi de 8%, alquota de 15% com o adicional de 10% sobre o excesso. Para a Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 42 Contribuico Social sobre o Lucro Lquido (CSLL), considerou-se a base de clculo em 12% com alquota de 9%. A incidencia de IPTU foi estimada conforme a legislaco municipal atual, e o início do pagamento se dará pelos clientes compradores após o recebimento dos lotes, desde que seja entregue dentro do prazo. Os custos restantes, esto relacionados s despesas com: corretagem, marketing, taxa de administraco, gesto de carteira e gesto de projetos. A corretagem com a venda das unidades, estimados em 5% sobre o valor de venda, esto diretamente relacionadas  efetivaco das mesmas, ou seja, variam de acordo com cada cenrio. No total, o valor desembolsado com a corretagem foram distribudos de acordo com a efetivaco das vendas em cada cenrio. Estimou-se o percentual de 2,5% sobre o VGV para a gesto da carteira de clientes, contemplando nestes a geraco dos contratos de compra e venda, assim como a emisso de cobranca das parcelas do financiamento aos clientes. Com o objetivo de estimar o custo administrativo, 6% do custo em infraestrutura foi destinado  taxa de administraco de obras, o qual foi inserido na planilha de despesas que compoe o cash flow (fluxo de caixa) proporcionalmente conforme sua execucao, ou seja, obedecendo a curva de obra. As despesas em marketing foram estimadas em 3% do VGV, distribudas conforme curva de distribuição adotada nas premissas em 30 parcelas mensais com variações de distribuição de investimento. A tabela 2 acima, demonstra sinteticamente as despesas consideradas no estudo. Definidas todas despesas previstas para a realizaco do loteamento proposto, sendo cada uma com um cronograma de desembolso especfico, conforme pode ser visualizado na planilha de Viabilidade. Nela  possvel ter uma viso global do incio ao trmino dos custos previstos, divididos em etapas principais e alocados do mes 0 ao mes de trmino do projeto, o qual pode variar dependendo da velocidade de vendas, ou seja, do cenrio que est sendo analisado. Estimação dos fluxos de caixa Nesse capítulo, é apresentada a estimação dos fluxos de caixa de Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 43 investimento, de exploração com base nas receitas com as vendas, das despesas e o geral do Empreendimento, essenciais para o estudo de viabilidade. Todas as estimativas são realizadas a preços correntes. 4.5.1. Fluxo de caixa de investimento e de encerramento Conforme descrito anteriormente na metodologia, temos na tabela 3 abaixo, a estimação do fluxo da caixa de investimento do projeto. Esse investimento se faz necessário para que o projeto seja realizado. Temos os investimentos iniciados em 31/12/2019 (Momento zero ou momento incial do projeto) se estendendo até 2023. Engloba as despesas associadas à implementação do projeto e, por conseguinte, os recebimentos pela sua extinção. O seu valor indica o montante das necessidades de investimento do projeto. O valor de aquisição do terreno que será pago faseadamente durante a vida útil do projeto. Face a cada recebimento da empresa será pago à família proprietária do terreno 41,76%. Este aspecto é uma característica do projeto muito relevante na medida em que reduz o risco assumido pela empresa construtora, sendo parte desse risco transferido para a família proprietária. Isto significa que os montantes estimados de pagamento do terreno são decorrentes das estimativas das vendas que se apresentam na seção seguinte. Além do pagamento do terreno temos a descrição das outras despesas de investimento conforme demonstra a tabela 3 abaixo. O fundo de maneio alocado ao projeto, ou seja, investimento no projeto, é o montante necessário para manter a capacidade pagamento da empresa, sendo que existem despesas de desenvolvimento e implantação do projeto que ocorrem previamente aos recebimentos das vendas. Assim, o fundo de maneio foi calculado anualmente e corresponde à diferença entre recebimentos e pagamentos de exploração, o que acontece ano a ano (este é um pressuposto que funciona como proxy e eventualmente sobre-estimará as reais necessidades de fundo de maneio pois assume que todos os pagamentos e recebimentos ocorrem no final do ano. Se fizéssemos a estimação com base em valores mensais este valor seria eventualmente mais baixo mas a aceitação do projeto Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 44 com base nestas estimativas, implicam que realmente o projeto deve ser aceite). Em seguida, temos as tabelas 3 e 4 identificando os fluxos de caixa de investimento com o terreno, obras, investimentos comerciais, incorporação e outros. # Mês/Ano Terreno Liberação da Obra (%) Projetos (R$) Sanasa Contrato Compensaç ão Ambiental Custo de Obra Raso - F1 Casa modelo 3 meses Taxa Administraç ão Obra - F1 Casa modelo 3 meses Custo de Obra Raso - F1 Curva 40m - Curva 40 Meses Taxa Administraç ão Obra - F1 Curva 40m - Curva 40 Meses Obra (16.445.564) (338.397) (380.204) (94.632) (339.814) (20.389) (9.827.922) (589.675) (11.199.902) (26.913.025) 100,00% (341.000) (405.713) (100.700) (343.667) (20.620) (11.111.895) (666.714) (12.990.308) 2019 - 0,00% (281.000) - (11.189) - - - - (292.189) 2020 (525.471) 11,65% (45.480) (135.238) (44.756) (343.667) (20.620) (991.181) (59.471) (1.640.412) 2021 (1.634.761) 22,58% (14.520) (202.857) (44.756) - - (2.586.849) (155.211) (3.004.192) 2022 (2.049.670) 27,06% - (67.619) - - - (3.100.219) (186.013) (3.353.851) 2023 (1.809.258) 38,70% - - - - - (4.433.646) (266.019) (4.699.665) 2024 (1.673.845) 0,00% - - - - - - - - 2025 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2026 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2027 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2028 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2029 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2030 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2031 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2032 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2033 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2034 (1.662.171) 0,00% - - - - - - - - 2035 (1.467.162) 0,00% - - - - - - - - 2036 (860.656) 0,00% - - - - - - - - 2037 (270.492) 0,00% - - - - - - - - 2038 - 0,00% - - - - - - - - Data TERRENO OBRA # Mês/Ano Taxa de Administraç ão s/ Carteira Despesas Jurídicas (R$) Aprovaçao - Taxas e Certidões Despachant e Incorporação Outros Investimentos Registro do Loteamento Taxa CPFL ITCMD Escritura(s) Doação(ões) COHAB Escritura(s) Servidão(ões) Escritura(s) Hipoteca(s) Outros (1.788.152) (63.000) (55.000) (15.000) (1.921.152) (87.000) (20.000) (5.000) (43.500) (9.000) (10.000) (33.000) (207.500) 2019 - (43.000) (38.000) - (81.000) (47.000) - - - - - - (47.000) 2020 (52.253) (10.000) (17.000) (15.000) (94.253) (13.333) (20.000) (5.000) (43.500) (9.000) (10.000) (33.000) (133.833) 2021 (111.039) (10.000) - - (121.039) (13.333) - - - - - - (13.333) 2022 (135.713) - - - (135.713) (13.333) - - - - - - (13.333) 2023 (118.673) - - - (118.673) - - - - - - - - 2024 (109.791) - - - (109.791) - - - - - - - - 2025 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2026 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2027 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2028 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2029 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2030 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2031 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2032 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2033 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2034 (109.025) - - - (109.025) - - - - - - - - 2035 (96.234) - - - (96.234) - - - - - - - - 2036 (56.452) - - - (56.452) - - - - - - - - 2037 (17.742) - - - (17.742) - - - - - - - - 2038 - - - - - - - - - - - - - OUTROS INVESTIMENTOS Data INCORPORAÇÃO Tabela 4: Fluxos de caixa de investimento – Incorporação e outros investimentos Tabela 3: Fluxos de caixa de investimento – Terreno e obras Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 45 Tabela 5: Total de Investimento Anual 4.5.2. Fluxos de caixa de exploração 4.5.2.1. Fluxo de caixa da receita com as vendas O projeto assume que todos os lotes são vendidos nos 30 meses iniciais, na cadencia e forma de pagamento que se descreve nas tabelas 6 e 7. Para elaborar a projeco das receitas das vendas, primeiramente foram definidas as condices de pagamento, ou seja, as condices comerciais fornecidas pela empresa para aquisição dos lotes pelos potencias compradores, conforme tabelas 6 e 7 abaixo, onde se apresentam 3 perfis de vendas. Data Vendas Impostos Terreno Obra Incorporação Outros Total 2019 - - - (292.189) (81.000) (47.000) (420.189) 2020 2.667.962 (135.273) (525.471) (1.640.412) (94.253) (133.833) 138.719 2021 5.079.453 (301.567) (1.634.761) (3.004.192) (121.039) (13.333) 4.560 2022 6.002.495 (384.502) (2.049.670) (3.353.851) (135.713) (13.333) 65.427 2023 4.795.255 (305.026) (1.809.258) (4.699.665) (118.673) (2.137.366) 2024 4.457.747 (277.523) (1.673.845) - (109.791) 2.396.588 2025 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2026 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2027 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2028 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2029 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2030 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2031 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2032 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2033 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2034 4.428.651 (274.048) (1.662.171) - (109.025) 2.383.406 2035 3.909.072 (249.239) (1.467.162) - (96.234) 2.096.437 2036 2.293.112 (147.029) (860.656) - (56.452) 1.228.975 2037 720.692 (53.495) (270.492) - (17.742) 378.963 2038 - (249) - - - (249) Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 52 projeto, registrando os fluxos líquidos, antes dos impostos, associados à exploração da atividade relacionada com a implementação do projeto. Tabela 13: Fluxo de Caixa Anual de Exploração 4.5.2.4. Estimativa dos fluxos de caixa anuais totais A tabela 14 a seguir apresenta o valor dos fluxos de caixa anuais correspondentes a todos os fluxos de investimento, exploração e encerramento do projeto. Data Venda de Unidades Terreno Obra Despesas Comerciais Incorporação Outras Despesas Total (Antes dos Impostos) 74.212.298 (26.913.025) (12.990.308) (1.034.881) (1.921.152) (207.500) 31.145.431 2019 - - (292.189) - (81.000) (47.000) (420.189) 2020 2.667.962 (525.471) (1.640.412) (849.352) (94.253) (133.833) (575.360) 2021 5.079.453 (1.634.761) (3.004.192) (139.147) (121.039) (13.333) 166.980 2022 6.002.495 (2.049.670) (3.353.851) (46.382) (135.713) (13.333) 403.546 2023 4.795.255 (1.809.258) (4.699.665) - (118.673) - (1.832.340) 2024 4.457.747 (1.673.845) - - (109.791) - 2.674.111 2025 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2026 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2027 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2028 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2029 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2030 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2031 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2032 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2033 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2034 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - 2.657.454 2035 3.909.072 (1.467.162) - - (96.234) - 2.345.676 2036 2.293.112 (860.656) - - (56.452) - 1.376.004 2037 720.692 (270.492) - - (17.742) - 432.458 2038 - - - - - - - Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 53 Tabela 14: Fluxo de Caixa Anual Total Resultados da Viabilidade A partir das premissas e fluxos de caixa de receitas e despesas abordados anteriormente, apresentados na tabela 14 acima, o resultado do estudo de viabilidade, demostra um VAL de R$ 12.711.777, considerando o custo de capital a 6,5% a.a. Temos a TIR de 39,73% a.a.. Resultados apresentados na tabela 15 a seguir. Saldo VAL 12.711.777 TIR (a.a.) 39,73% IL 4,23 Pay-Back (12/2026) 84º mês Exposição Máxima 47° mês 3.091.447 Tabela 15: Resultados do Estudo de Viabilidade Tendo o resultado do VAL positivo, R$12.711.777, a taxa de Data Venda de Unidades Terreno Obra Despesas Comerciais Incorporação Outras Despesas Impostos Fluxo Anual Total 74.212.298 (26.913.025) (12.990.308) (1.034.881) (1.921.152) (207.500) (4.594.386) 26.551.044 2019 - - (292.189) - (81.000) (47.000) - (420.189) 2020 2.667.962 (525.471) (1.640.412) (849.352) (94.253) (133.833) (135.273) (710.634) 2021 5.079.453 (1.634.761) (3.004.192) (139.147) (121.039) (13.333) (301.567) (134.587) 2022 6.002.495 (2.049.670) (3.353.851) (46.382) (135.713) (13.333) (384.502) 19.044 2023 4.795.255 (1.809.258) (4.699.665) - (118.673) - (305.026) (2.137.366) 2024 4.457.747 (1.673.845) - - (109.791) - (277.523) 2.396.588 2025 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2026 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2027 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2028 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2029 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2030 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2031 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2032 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2033 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2034 4.428.651 (1.662.171) - - (109.025) - (274.048) 2.383.406 2035 3.909.072 (1.467.162) - - (96.234) - (249.239) 2.096.437 2036 2.293.112 (860.656) - - (56.452) - (147.029) 1.228.975 2037 720.692 (270.492) - - (17.742) - (53.495) 378.963 2038 - - - - - - (249) (249) Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 54 rentabilidade do investimento é superior ao custo de oportunidade de capital estimado em 6,5% a.a. Nesse caso, logo se pode concluir que o empreendimento estudado  considerado vivel uma vez que a taxa interna de retorno encontrada de 39,73% a.a.  maior do que a taxa mnima de atratividade definida pela empresa de 6,5% a.a., conforme demonstra a tabela 14 acima. Outro fator importante é o índice de lucratividade, valor presente dos ingressos dividido pelo valor presente dos desembolsos IL = 4,23, que nos mostra a proporco entre o saldo dos valores presentes das entradas e sadas lquidas de caixa do projeto e o investimento inicial está garantindo um bom retorno, acima de 1. A empresa também busca olhar para a exposição máxima, que é o valor de maior investimento no projeto ao longo do tempo, calculada em R$ 3.091.477, no mês 47, de modo que ela possa se programar financeiramente para fazer frente a esse investimento. Cenários A análise do futuro sob a ótica da prospecção de cenários é uma ferramenta gerencial, que visa a minimização de riscos e incertezas inerentes ao mercado em que se insere o negócio. A forma bsica de anlise de hipteses  chamada de anlise de cenrios. Nela, as variaces das estimativas do VAL so investigadas por meio de perguntas do tipo: “e se na verdade, a velocidade de vendas do Empreendimento fosse mais lenta?” ou “e se o custo das obras fosse maior?” Ou “e se o preço de vendas fosse menor que o projetado?”. Podem ser analisados inmeros cenrios, mas seja qual for o nmero de cenrios analisados, tudo o que se descobre so as diversas possibilidades (positivas ou negativas), desta forma, os autores Ross et al. (2013) aconselham a escolher um cenrio pessimista e outro otimista, para alm do cenrio base, o que vou chamar de realista. O cenrio pessimista d-nos o VAL mais pessimista e o otimista nos mostra o limite superior para o VAL. Para determinar o pior cenrio, atribui-se a cada item o valor menos favorvel, isto , valores baixos para itens como unidades vendidas e preco por unidade, e valores altos para os custos. Para o Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 55 cenrio otimista faz-se o inverso. Uma das vantagens desta anlise  que nos d uma ideia do que pode acontecer e ajuda a avaliar o potencial de desastres, porm, no diz se o projeto deve ou no ser realizado. Iremos calcular também um cenário mais realista (base), o que corresponde as expectativas dos acionistas da empresa. A construco de todos os cenrios: base, pessimista e otimista, foram projetadas de acordo com dados e informaces provenientes de experiencias anteriores da empresa. Em todos cenrios, fica ajustado que ocorrer a liquidaco de todas as unidades do empreendimento. Alm disso, para fins de clculo, independentemente do cenrio adotado, os tres fluxos de caixa tem incio pr-fixado em Janeiro de 2020 , sendo que a diferenca temporal entre elas se da com o termino das vendas. Assim, para a presente anlise considerou-se as variveis no cenrio base, que contempla os pressupostos abaixo descritos, bem como os resultados e fluxo de caixa objeto das Tabelas 16 e 17 respectivamente. (i) Para o cenrio Base: Preço de venda do m2 em R$ 653; Custo de obras em R$ 170/m2, Velocidade de vendas em 30 meses. Saldo VAL 12.711.777 TIR (a.a.) 39,73% IL 4,23 Pay-Back (12/2026) 84º mês Exposição Máxima 47° mês 3.091.447 Tabela 16: Cenário Base – Resultados Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 56 Tabela 17: Cenário Base– Fluxo de Caixa No cenário base, temos o resultado do VAL em R$12.711.777, nos mostrando que a taxa de rentabilidade do investimento é superior ao custo de oportunidade de capital que foi estimado em 6,5% a.a. Logo se pode concluir que o empreendimento estudado  considerado vivel uma vez que a taxa interna de retorno encontrada é de 39,73% a.a.  maior do que a taxa mnima de atratividade definida pela empresa de 6,5% a.a., conforme demonstra a tabela 14 acima. Temos um outro fator importante que é o índice de lucratividade calculado IL = 4,23, que nos mostra a proporco entre o saldo dos valores presentes das entradas e sadas lquidas de caixa do projeto e o investimento inicial está garantindo um bom retorno, acima de 1. Por fim, temos a exposição máxima, calculada em R$ 3.091.477, no mês 47, como efeito de controlo e programação financeira para o investimento. (ii) Para o cenrio Pessimista adotamos os seguintes indicadores: Reduzimos o Preço de venda do m2 para R$ 600; Aumentamos o custo de obras para R$ 180/m2, Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 57 Reduzir a velocidade de vendas aumentando o prazo para 40 meses. O Cenário pessimista sugere 67% a mais que o tempo da otimista ou 33% a mais da base, estimando o fechamento de vendas totais das unidades em 40 meses. Culminando assim, no fluxo de caixa e resultados objetos das Tabelas 18 e 19 respectivamente: Saldo VAL 8.189.960 TIR (a.a.) 13,57% IL 1,35 Pay-Back (08/2030) 128º mês Exposição Máxima 47° mês 6.048.261 Tabela 18: Cenário Pessimista – Resultados FLUXO ANUAL VENDA DE UNIDADES TERRENO OBRA DESPESAS COMERCIAIS INCORPORAÇÃO OUTRAS DESPESAS IMPOSTOS SALDO Total 67.841.634 (26.913.025) (13.704.596) (1.034.881) (1.921.152) (207.500) (4.160.157) 19.900.323 Fluxo Indexado 2019 - - (292.189) - (81.000) (47.000) - (420.189) 2020 2.247.797 (525.471) (1.746.052) (849.352) (94.253) (133.833) (113.341) (1.214.506) 2021 4.054.164 (1.634.761) (3.165.490) (139.147) (121.039) (13.333) (236.613) (1.256.219) 2022 4.664.826 (2.049.670) (3.547.158) (46.382) (135.713) (13.333) (290.377) (1.417.807) 2023 4.718.684 (1.809.258) (4.953.707) - (118.673) - (296.903) (2.459.857) 2024 4.095.939 (1.673.845) - - (109.791) - (253.050) 2.059.253 2025 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2026 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2027 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2028 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2029 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2030 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2031 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2032 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2033 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2034 4.069.205 (1.662.171) - - (109.025) - (249.857) 2.048.151 2035 3.640.420 (1.467.162) - - (96.234) - (229.043) 1.847.981 2036 2.454.301 (860.656) - - (56.452) - (153.256) 1.383.937 2037 1.273.458 (270.492) - - (17.742) - (87.239) 897.985 2038 - - - - - - (1.760) (1.760) Tabela 19: Cenário Pessimista - Fluxo de Caixa Para o cenário pessimista, temos ainda o resultado do VAL positivo, calculado em R$ 8.189.960, nos mostrando que a taxa de rentabilidade do investimento é superior ao custo de oportunidade de capital que foi estimado em 6,5% a.a. Também nesse caso pode se concluir que o empreendimento estudado  considerado vivel uma vez que a taxa interna de retorno encontrada Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 58 é de 13,57% a.a.  maior do que a taxa mnima de atratividade definida pela empresa de 6,5% a.a., conforme demonstra a tabela 18 acima. Temos um outro fator importante que é o índice de lucratividade calculado IL = 1,35, ainda nos mostrando a proporco entre o saldo dos valores presentes das entradas e sadas lquidas de caixa do projeto e o investimento inicial está garantindo um retorno, acima de 1. Por fim, a empresa também busca olhar para a exposição máxima, que é o valor de maior investimento no projeto, ao longo do tempo, que nesse caso foi de R$ 6.048.261, quase 2 vezes maior que o cenário base, com o Projeto ainda sendo viável. (iii) Para o cenrio Otimista: Aumentamos o Preço de venda do m2 para R$ 700; Reduzimos o custo de obras para R$ 150/m2, Aumentamos a velocidade de vendas, reduzindo assim o prazo de vendas para 24 meses. A otimista preve o perodo mais rpido de vendas, a qual se estima que ser liquidada ao final do 24º mes, ao passo que a realista preve o final das vendas ao final do 30º mes. Culminando assim, no fluxo de caixa e resultados objetos das Tabelas 20 e 21 respectivamente: Saldo VAL 18.074.373 TIR (a.a.) 113,75% IL 19,90 Pay-Back (12/2021) 24º mês Exposição Máxima 4° mês 908.059 Tabela 20: Cenário Otimista – Resultados Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 59 FLUXO ANUAL VENDA DE UNIDADES TERRENO OBRA DESPESAS COMERCIAIS INCORPORA ÇÃO OUTRAS DESPESAS IMPOSTOS Saldo Total 79.553.765 (26.913.025) (11.561.732) (1.034.881) (1.921.152) (207.500) (4.961.311) 32.954.163 Fluxo Indexado 2019 - - (292.189) - (81.000) (47.000) - (420.189) 2020 3.173.293 (525.471) (1.492.622) (849.352) (94.253) (133.833) (161.629) (83.868) 2021 6.388.272 (1.634.761) (2.681.597) (139.147) (121.039) (13.333) (384.285) 1.414.109 2022 6.407.081 (2.049.670) (2.967.235) (46.382) (135.713) (13.333) (424.667) 770.080 2023 5.140.396 (1.809.258) (4.128.089) - (118.673) - (325.620) (1.241.244) 2024 4.778.595 (1.673.845) - - (109.791) - (299.225) 2.695.734 2025 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2026 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2027 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2028 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2029 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2030 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2031 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2032 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2033 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2034 4.747.405 (1.662.171) - - (109.025) - (295.500) 2.680.708 2035 4.115.616 (1.467.162) - - (96.234) - (265.858) 2.286.362 2036 1.923.778 (860.656) - - (56.452) - (129.351) 877.318 2037 152.681 (270.492) - - (17.742) - (15.670) (151.223) 2038 - - - - - - - - Tabela 21: Cenário Otimista – Fluxo de Caixa Para o cenário otimista, temos o VAL é R$ 18.074.373, nos mostrando que a taxa de rentabilidade do investimento é muito superior ao custo de oportunidade de capital que foi estimado em 6,5% a.a. em comparação aos cenários anteriores. Também nesse caso pode se concluir que o empreendimento estudado  considerado vivel uma vez que a taxa interna de retorno encontrada é de 113,75% a.a.  muito maior do que a taxa mnima de atratividade definida pela empresa de 6,5% a.a., conforme demonstra a tabela 20 acima. O índice de lucratividade calculado IL = 19,90, mostrando a proporco entre o saldo dos valores presentes das entradas e sadas lquidas de caixa do projeto e o investimento inicial está garantindo um retorno, acima de 1. E a exposição máxima, que nesse cenário foi apenas de R$ 908.059, muito inferior aos cenários anteriores. A construco de todos os cenrios: base, pessimista e otimista, foram projetadas de acordo com dados e informaces provenientes de experiencias anteriores da empresa. Em todos cenrios, fica ajustado que ocorrer a liquidaco de todas as unidades do empreendimento. Alm disso, para fins de clculo, independentemente do cenrio adotado, os tres fluxos de caixa tem incio pr-fixado em Janeiro de 2020 , sendo que a diferenca temporal entre elas se da com o termino das vendas. Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 60 5. ANLISE FINAL E CONCLUSES Com a projeco do fluxo de caixa consolidado, foi possvel analisar a viabilidade economico financeira do empreendimento estudado, atravs dos indicadores calculados nos cenrios propostos. Os resultados encontrados são apresentados na tabela 15 . Em uma primeira anlise logo se pode concluir que o empreendimento estudado  considerado vivel uma vez que mesmo no pior caso, cenrio pessimista (Tabelas 18 e 19), a taxa interna de retorno encontrada (13,57% a.a)  maior do que a taxa mnima de atratividade definida pela empresa (6,5% a.a.). Analisando-se o valor atual lquido do negcio, tambm se conclui que h viabilidade, uma vez que o valor  positivo em todos os cenrios considerados no estudo. Como j era de se esperar, o cenrio otimista foi o que apresentou o retorno de investimento mais rpido. Para o cenário base e portanto o mais provável de acontecer, o resultado do empreendimento é VAL é de R$ 12.711.777, conforme mostrado nas tabelas 15 e 16, e representa uma lucratividade bastante atrativa. O VAL acrescenta valor a empresa e por isso o investimento deve ser feito. Um aspecto a ser considerado  o tempo para recuperar o capital investido, que resultou, na mdia dos cenrios estudados, em 6 anos. Isso sem contar o tempo adicional que pode ser somado, proveniente de imprevistos burocrticos, bloqueios de licenciamento por parte de rgos ambientais e interdices de obra por questes trabalhistas. Ao se optar por investimentos j consagrados do mercado financeiro, os investidores tem como principais vantagens, em comparaco ao investimento imobilirio de longo prazo, as facilidades operacionais e possibilidades de liquidez em curto prazo, oferecidas pelo mercado de capitais, entre outras.  importante salientar que neste estudo de caso em particular, a deciso de empreender deve ser embasada analisando-se a qualidade do investimento. Sistemas de planejamento, acima de tudo, devem ser muito bem elaborados, com fases de lancamentos pr-determinadas ao passo que tambm sejam passveis de mudancas e tenham a capacidade de flexibilizar escopos de Projeto: Estudo de Viabilidade de Empreendimento Imobiliário 61 projetos ao longo do tempo, conforme for sendo verificada a taxa de vendas. Deste modo, tendo-se em vista que estes resultados representam apenas ferramentas para auxiliar a tomada de deciso, a avaliaco dos diretores da empresa e indispensavel para a concretizacao do projeto analisado, uma vez que apenas eles tem condices de afirmar se tero condices, por exemplo, de dispor do alto montante estimado de fundo de maneio no pior cenrio previsto.