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Processamento e regulação emocional: implicações para a compreensão das perturbações alimentares

Câmara, Élio André Franco

Abstract

O presente estudo explora os aspetos neurocognitivos do processamento emocional, focando-se em particular na associação entre regulação emocional e atitudes alimentares numa amostra comunitária. Para tal, foram utilizados instrumentos de autorrelato que avaliam a regulação emocional (controlo de impulsos e aceitação emocional), níveis de ansiedade, depressão e stress, assim como a autocrítica, auto-tranquilização, impulsividade e a perda de controlo alimentar. Foi também utilizada a Emotional Test Battery (ETB), que avalia o processamento emocional através de tarefas de categorização, reconhecimento e recordação emocional. Os resultados indicaram que dificuldades na regulação emocional, particularmente impulsividade e autocrítica, se correlacionam com a alteração dos comportamentos alimentares desregulados. Verificou-se ainda que uma maior capacidade de auto-tranquilização pode facilitar a recordação emocional, sugerindo que a regulação emocional desempenha um papel mediador importante entre o processamento emocional e a disfunção alimentar. Estes resultados contribuem para a compreensão dos mecanismos psicológicos que podem estar alterados nas perturbações alimentares e reforçam a necessidade de intervenções focadas na regulação emocional.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Élio André Franco Câmara Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares outubro de 2024 Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares É lio C â mara UMinho | 2024 Universidade do Minho Escola de Psicologia outubro de 2024 Élio André Franco Câmara Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Psicologia Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Ana Rita Vaz e da Professora Doutora Adriana Sampaio ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos Gostaria de expressar a minha sincera gratidão a todas as pessoas que me apoiaram ao longo desta jornada desafiadora e transformadora. Em primeiro lugar, agradeço às minhas orientadoras, cuja orientação e paciência foram fundamentais para a realização deste trabalho. À minha mãe, pela sua força, carinho incondicional e por nunca deixar de acreditar em mim, mesmo nas horas mais desafiantes. O seu amor e apoio inabaláveis deram-me coragem para seguir em frente. À minha companheira de vida, que foi o meu porto seguro em todos os momentos. O teu amor, paciência e compreensão foram essenciais para que eu pudesse dedicar-me a este projeto. Obrigado por seres a minha inspiração diária e por acreditares em mim em cada passo deste caminho. Aos meus amigos mais chegados, a família que a universidade juntou, que estiveram sempre presentes, oferecendo apoio emocional, motivação e palavras de encorajamento nos momentos mais difíceis. A vossa amizade fez toda a diferença durante este percurso. Por fim, gostaria de agradecer aos meus sogros, pelo carinho e apoio que me ofereceram durante este percurso. A todos vocês, deixo o meu mais profundo e sincero agradecimento. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. ________________________________________________ (Élio André Franco Câmara) v Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares Resumo O presente estudo explora os aspetos neurocognitivos do processamento emocional, focando-se em particular na associação entre regulação emocional e atitudes alimentares numa amostra comunitária. Para tal, foram utilizados instrumentos de autorrelato que avaliam a regulação emocional (controlo de impulsos e aceitação emocional), níveis de ansiedade, depressão e stress, assim como a autocrítica, auto-tranquilização, impulsividade e a perda de controlo alimentar. Foi também utilizada a Emotional Test Battery (ETB), que avalia o processamento emocional através de tarefas de categorização, reconhecimento e recordação emocional. Os resultados indicaram que dificuldades na regulação emocional, particularmente impulsividade e autocrítica, se correlacionam com a alteração dos comportamentos alimentares desregulados. Verificou-se ainda que uma maior capacidade de auto-tranquilização pode facilitar a recordação emocional, sugerindo que a regulação emocional desempenha um papel mediador importante entre o processamento emocional e a disfunção alimentar. Estes resultados contribuem para a compreensão dos mecanismos psicológicos que podem estar alterados nas perturbações alimentares e reforçam a necessidade de intervenções focadas na regulação emocional. Palavras-chave: processamento emocional, regulação emocional, perturbações alimentares, aspetos neurocognitivos. vi Emotional Processing and Regulation: Implications for understanding Eating Disorders Abstract The present study explores the neurocognitive aspects of emotional processing, with a particular focus on the association between emotional regulation and eating attitudes in a community sample. To this end, self-report instruments were used to assess emotional regulation (impulse control and emotional acceptance), levels of anxiety, depression, and stress, as well as self-criticism, self-reassurance, impulsiveness, and loss of control over eating. The Emotional Test Battery (ETB) was also used, evaluating emotional processing through tasks involving emotional categorization, recognition, and recall. The results indicated that difficulties in emotional regulation, particularly impulsivity and self-criticism, are correlated with disordered eating behaviors. It was also found that a greater capacity for self-reassurance may facilitate emotional recall, suggesting that emotional regulation plays an important mediating role between emotional processing and eating dysfunction. These findings contribute to the understanding of psychological mechanisms that may be altered in eating disorders and reinforce the need for interventions focused on emotional regulation. Keywords: emotional processing, emotional regulation, eating disorders, neurocognitive aspects. vii Índice Introdução ..................................................................................................................................................... 9 Metodologia ................................................................................................................................................12 Participantes ...........................................................................................................................................12 Procedimento ..........................................................................................................................................13 Instrumentos ...........................................................................................................................................14 Escala de Dificuldades de Regulação Emocional .................................................................................14 Eating Disorder–15 .............................................................................................................................14 Escala de Depressão, Ansiedade e Stress-21 ......................................................................................14 Escala das Formas do Auto-criticismo e Auto-tranquilização ................................................................15 Subescala “Urgência Negativa” da Urgency, Premeditation, Perseverance, Sensation Seeking...........15 Loss of Control over Eating Scale ........................................................................................................15 Por fim, realizaram as tarefas do Emotional Test Battery ....................................................................16 Análise Estatística ...................................................................................................................................16 Resultados ..................................................................................................................................................16 Discussão ...................................................................................................................................................26 Referências .................................................................................................................................................29 Índice de Tabelas Tabela 1 ......................................................................................................................................................13 Tabela 2 ......................................................................................................................................................18 Tabela 3 ......................................................................................................................................................19 Tabela 4 ......................................................................................................................................................19 Tabela 5 ......................................................................................................................................................19 Tabela 6 ......................................................................................................................................................20 Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 14 informado, e foram assegurados, pelos investigadores, que serão mantidos o anonimato e a voluntariedade da sua participação e que podiam desistir a qualquer momento no decorrer da experiência sem que nenhuma consequência advenha dessa ação. Instrumentos Primeiramente, os participantes responderam a um questionário, com o objetivo de obter os seus dados sociodemográficos e o seu historial alimentar e medicamentoso. Seguidamente, responderam aos instrumentos de autorrelato: Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (EDRE; Gratz & Roemer, 2004; versão portuguesa de Coutinho et al., 2010). É uma medida de autorrelato que avalia as dificuldades de regulação emocional dos indivíduos. É constituída por 36 itens divididos entre 6 fatores: (1) acesso limitado às estratégias de regulação emocional; (2) não aceitação das respostas emocionais; (3) falta de consciência emocional; (4) dificuldade no controlo de impulsos; (5) dificuldades em agir de acordo com os objetivos; e (6) falta de clareza emocional. É respondido através de uma escala tipo Likert de 1 a 5, em que 1 corresponde a “quase nunca” e 5 corresponde a “quase sempre”. Eating Disorder–15 (ED-15; Fairburn & Beglin, 1994; versão portuguesa de Rodrigues et al., 2019). O ED-15 é uma medida de autorrelato constituída por 15 itens organizados em duas subescalas, a Preocupação com a Forma Corporal e a Preocupação Alimentar. Os primeiros 10 itens são avaliados através de uma escala tipo Likert de 7 pontos, em que 0 corresponde a “nada” e 6 corresponde a “sempre”; e os restantes 5 itens, que refletem sintomas de psicopatologia alimentar, são avaliados a partir do relato do número de vezes e número de dias em que o sujeito demonstrou os comportamentos descritos nas afirmações. Este instrumento descreve atitudes alimentares e comportamentos alimentares disfuncionais. A validação para a população portuguesa incluiu uma análise psicométrica rigorosa, que confirmou tanto a consistência interna (com um alfa de Cronbach superior a 0.90) quanto a confiabilidade teste-reteste. Com um ponto de corte de 2.1 na pontuação total, o ED-15 demonstrou boa sensibilidade (0.73) e especificidade (0.73) para discriminar indivíduos com e sem perturbações alimentares na população portuguesa. Escala de Depressão, Ansiedade e Stress-21 (EADS-21; Lovibond & Lovibond, 1995; versão portuguesa de Pais-Ribeiro et al., 2004). A EADS organiza-se em três escalas: Depressão, Ansiedade e Stress, incluindo cada uma delas sete itens. Cada escala inclui vários conceitos, nomeadamente: Depressão - desânimo, desvalorização da vida, auto-depreciação, falta de interesse ou de envolvimento, anedonia e inércia; Ansiedade - excitação do sistema autónomo, efeitos músculo esqueléticos, ansiedade situacional e experiências subjetivas de ansiedade; Stress - dificuldade em relaxar, excitação nervosa, facilmente Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 15 agitado/chateado, irritável/reação exagerada e impaciência. Cada item consiste numa afirmação, que remete para sintomas emocionais negativos. Pede-se ao sujeito que responda se a afirmação se lhe aplicou “na semana passada”. Para cada frase existem quatro possibilidades de resposta, apresentadas numa escala tipo Likert de 4 pontos, em que 0 corresponde a “não se aplicou nada a mim” e 3 corresponde a “aplicouse a mim a maior parte das vezes”. A EADS é dirigida a indivíduos com mais de 17 anos. Escala das Formas do Auto-criticismo e Auto-tranquilização (FSCRS; Gilbert et al., 2004; versão portuguesa de Castilho & Gouveia, 2011). O FSCRS é uma medida de autorrelato constituída por 22 itens em que é avaliado como os sujeitos pensam e reagem quando eventos na sua vida ocorrem negativamente, particularmente medidas de autocriticismo e autotranquilização. Os indivíduos respondem numa escala tipo Likert de 5 pontos (0 “nada como eu” a 4 “extremamente como eu”). Os itens organizam-se por 3 fatores: (1) eu inadequado; (2) eu tranquilizado; e (3) eu odiado. Questionário de Regulação Emocional (Gross & John, 2003; versão portuguesa de Machado Vaz & Martins, 2008). Medida de autorrelato constituída por 10 itens, avaliados numa escala tipo Likert de 7 pontos, em que 1 corresponde a “discordo totalmente” e 7 corresponde a “concordo totalmente”. Este instrumento é constituído por duas subescalas, projetadas para medir a tendência dos sujeitos em regular as suas emoções: (1) reavaliação cognitiva que integra 6 itens e (2) supressão emocional que integra 4 itens. Subescala “Urgência Negativa” da Urgency, Premeditation, Perseverance, Sensation Seeking (UPPS; Whiteside et al., 2005). A subescala de urgência negativa é uma medida de autorrelato composto por 12 itens em que cada item é cotado segundo uma escala tipo Likert de 4 pontos, em que o 1 corresponde a “concordo completamente” e o 4 corresponde a “discordo completamente”, indicando a opinião que melhor descreve o modo como o sujeito atua ou pensa perante a afirmação apresentada. A subescala de urgência negativa diz respeito à experiência de impulsos na presença de emoções negativas. Pontuações elevadas remetem para um maior envolvimento em comportamentos impulsivos para atenuar as emoções negativas. Loss of Control over Eating Scale (LOCES; Latner et al., 2014). O LOCES é uma medida de autorrelato constituída, na sua versão completa, por 24 itens e por 7 itens, sua versão reduzida, avaliados numa escala tipo Likert de 5 pontos, em que 1 corresponde a “nunca” e o 5 corresponde a “sempre”. Os sujeitos indicam qual das opções melhor se associa à afirmação sobre experiências vivenciadas enquanto estava a comer nos últimos 28 dias. Ambas as versões focam em medir a frequência e intensidade da perda de controlo alimentar. A escala divide-se em três subescalas, Aspetos Comportamentais, avaliam comportamentos como a sensação de não conseguir parar de comer durante episódios de compulsão; Aspetos Cognitivos/Dissociativos, foca-se em estados dissociativos, como a perda de noção da quantidade ingerida; e Aspetos Positivos/Eufóricos, representa sensações de prazer e alívio experienciadas durante o episódio, contrastando com a angústia associada a estes comportamentos Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 16 Por fim, realizaram as tarefas do Emotional Test Battery (ETB; Thomas et al., 2016). Esta bateria inclui 5 tarefas computorizados desenhadas para avaliar a cognição e o processamento emocional dos participantes, no entanto para este estudo apenas foram utilizadas três tarefas. A primeira tarefa, Emotional Categorization Task (ECAT), avalia o tempo de reação dos participantes ao responderem se gostariam de ser referidos de acordo com determinadas características de personalidade positivas (por exemplo, “amável”, “compreensivo”) e negativas (por exemplo, “desonesto”, “pessimista”). A segunda tarefa, Facial Expression Recognition Task (FERT), avalia a perceção das expressões faciais através da exibição de rostos com seis emoções básicas (felicidade, raiva, medo, nojo, tristeza e surpresa) e com níveis de intensidade diferentes para cada emoção, tendo o participante que indicar qual a expressão apresentada pressionando um botão. A terceira tarefa, Emotional Recall Task (EREC), avalia a codificação acidental de estímulos emocionais através de uma recolha surpresa do máximo de palavras que os participantes consigam recordar, apresentadas anteriormente no ECAT. No que concerne ao ETB, é possível analisar os tempos de reação nas respostas ao ECAT e FERT, assim como a precisão de resposta nas três tarefas realizadas. Análise Estatística Os dados quantitativos foram tratados e analisados através do software IBM® SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences; IBM; Armonk, NY) para Windows, versão 29.0. Foi feito inicialmente uma análise exploratória dos dados, com o objetivo de sintetizar as caraterísticas principais dos mesmos. Foram realizadas análises descritivas para caracterizar a amostra do estudo em termos demográficos e variáveis relacionadas com a saúde. Foram realizadas várias análises para examinar as relações entre as variáveis e comparar o desempenho nas tarefas de categorização emocional e reconhecimento facial dentro da mesma amostra. Para explorar as relações entre variáveis contínuas, foram realizadas correlações de Pearson entre o EDRE e o número de respostas corretas nas tarefas ECAT, FERT e EREC; entre o EADS-21 e o número de respostas corretas nas tarefas ECAT, FERT e EREC; entre o FCSRS e o desempenho nas tarefas ECAT, FERT e EREC; e entre os instrumentos de autorrelato e os tempos de reação nas tarefas ECAT e FERT. Para as comparações de desempenho entre emoções e condições, foram utilizados testes t para uma amostra, de modo a comparar o número de respostas corretas no ECAT e EREC, assim como os tempos de reação do ECAT. Foram executadas Análises de Variância (ANOVA) de medidas repetidas para comparar o número de respostas corretas e os tempos de reação para as diferentes emoções do FERT. Resultados Na Tabela 2 são apresentadas as análises descritivas dos instrumentos de autorrelato utilizados Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 17 neste estudo. Os valores do ED-15 indicam que, em média, os participantes do estudo apresentam preocupações relativamente baixas em relação a perturbações alimentares. No âmbito da regulação emocional, especificamente as subescalas “Estratégias” (M = 16.14; DP = 7,79) “Não Aceitação” (M = 11.70; DP = 6.84) e Impulsos (M = 11.32; DP = 5.57), apresentam valores abaixo da média, sendo que o Total (M = 75.26; DP = 28.07) apresenta uma dificuldade moderada. Também na regulação emocional, é possível observar que o resultado da subescala Reavaliação Cognitiva (M = 28.04; DP = 6.66) é acima da média e que na subescala Supressão Emocional (M = 14.34; DP = 5.36), os valores encontram-se dentro da média. Os resultados mostram que os participantes apresentam níveis baixos de Depressão (M = 4.10; DP = 4.59), Ansiedade (M = 3.38; DP = 4.75) e Stress (M = 7.34; DP = 5.03). Observam-se valores abaixo da média nas subescalas Inadequate Self (M = 14.28; DP = 10.03) e Hated Self (M = 3.02; DP = 4.50) e um valor mais elevado na subescala Reassured Self (M = 21.48; DP = 6.69). A subescala Urgência Negativa(M = 2.19; DP = .82), referente à impulsividade, apresenta um valor médio. No que se refere à perda do controlo alimentar podemos constatar valores relativamente baixos nas subescalas Behavioral (M = 1.86; DP = .80), Cognitive/Dissociative (M = 1.15; DP = .35) e Positive/Euphoric (M = 1.77; DP = .89). Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 18 Tabela 2 Análise Descritiva dos Instrumentos de Autorrelato N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Emotional Disorder-15 Preocupação com a Forma Corporal 50 0,00 6,00 1,26 1,50 Preocupação Alimentar 50 0,00 5,25 1,39 1,40 Total 50 0,00 5,40 1,31 1,41 Escala de Dificuldades de Regulação Emocional Estratégias 50 8,00 39,00 16,14 7,79 Não Aceitação 50 6,00 30,00 11,70 6,84 Consciência 50 6,00 24,00 12,48 4,24 Impulsos 50 6,00 29,00 11,32 5,77 Objetivos 50 5,00 25,00 13,88 5,73 Clareza 50 5,00 18,00 9,74 3,41 Total 50 40,00 152,00 75,26 28,07 Escala de Ansiedade, Depressão e Stress-21 Depressão 50 0,00 21,00 4,10 4,59 Ansiedade 50 0,00 20,00 3,38 4,75 Stress 50 0,00 21,00 7,34 5,03 Formas do Auto-criticismo e Auto-tranquilização Inadequate Self 50 1,00 36,00 14,28 10,03 Hated Self 50 0,00 16,00 3,02 4,50 Reassured Self 50 1,00 31,00 21,48 6,69 Questionário de Regulação Emocional Reavaliação Cognitiva 50 9,00 41,00 28,04 6,66 Supressão Emocional 50 5,00 26,00 14,34 5,36 Urgency, Premeditation, Perseverance, Sensation Seeking Urgência Negativa 50 1,08 3,67 2,19 0,82 Loss of Control Over Eating Scale Behavioral 50 1,00 4,29 1,86 0,80 Cognitive/Dissociative 50 1,00 2,50 1,15 0,35 Positive/Euphoric 50 1,00 4,50 1,77 0,89 Brief_original 50 1,00 3,86 1,50 0,67 Total 50 1,00 3,63 1,57 0,59 Emotional Categorization Task (ECAT) O número de respostas corretas relativas a caraterísticas de personalidade com conotação negativa e positiva no ECAT (Tabela 3) varia de modo significativo (t = 3.21; p = 0.002), sendo mais elevado nas respostas associadas a caraterísticas de personalidade com conotação negativa (M = 12.20; DP = 1.40). Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 19 Tabela 3 Teste t para Amostras Emparelhadas: Comparação do Número de Respostas Corretas para Caraterísticas de Personalidade com Conotação Positiva e Negativa no ECAT Nº de Respostas Corretas Caraterísticas Negativas Caraterísticas Positivas t p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Média Desvio padrão Mínimo Máximo 12.20 1.40 7.00 13.00 11.68 1.58 5.00 13.00 3.21 0.002 As diferenças nos tempos de reação entre as respostas negativas e as positivas (Tabela 4) são estatisticamente significativas (t = 4.76; p < 0.001) sendo mais elevado o tempo de reação das caraterísticas de personalidade com conotação negativa (M = 866,14; DP = 296.23). Tabela 4 Teste t para Amostras Emparelhadas: Comparação dos Tempos de Reação para Caraterísticas de Personalidade com Conotação Positiva e Negativa no ECAT Tempo de Reação Caraterísticas Negativas Caraterísticas Positivas t p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Média Desvio padrão Mínimo Máximo 866,14 296,23 268,27 2911,00 789,47 278,76 317,93 2129,78 4.76 <0.001 Facial Expression Recognition Task (FERT) De acordo com a Tabela 5 existem diferenças significativas nas emoções (F = 294.64; p < 0.001). Os resultados sugerem que emoções como felicidade (M = 30.94; DP = 2.49) e surpresa (M = 30.40; DP = 2.68) são as mais facilmente reconhecidas pelos participantes, enquanto emoções neutras (M = 8.90; DP = 1.41) e medo (M = 13.24; DP = 5.80) são mais difíceis de identificar. Tabela 5 ANOVA de Medidas Repetidas: Comparação do Número de Respostas Corretas para Diferentes Tipos de Emoções no FERT Emoção Nº de Respostas Corretas F p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Felicidade 30,94 2,49 26,00 37,00 294.64 <.001 Medo 13,24 5,80 1,00 27,00 Neutro 8,90 1,41 3,00 10,00 Nojo 19,36 3,80 8,00 27,00 Raiva 23,88 3,36 16,00 30,00 Surpresa 30,40 2,68 22,00 36,00 Tristeza 23,58 3,66 16,00 33,00 De acordo com a Tabela 6 verificamos que o tempo de reação ao medo é mais elevado (M = 2331.13; DP = 1081.21), sendo por outro lado menor o tempo de reação a emoção felicidade (M = 1554.20, DP = Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 20 584.64). Os resultados revelam que existem diferenças estatisticamente significativas entre os tempos de reação das várias emoções (F = 143.69; p < 0.001). Tabela 6 ANOVA de Medidas Repetidas: Comparação dos Tempos de Reação para Diferentes Tipos de Emoções no FERT Emoção Tempo de Reação F p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Felicidade 1554,20 584,64 726,11 7532,95 143.69 <0.001 Medo 2331,13 1081,21 815,51 9841,06 Neutro 1634,89 712,73 568,21 8977,16 Nojo 2015,06 896,41 828,00 7921,10 Raiva 1947,79 850,50 291,18 7855,61 Surpresa 1812,42 813,09 209,54 8130,00 Tristeza 1891,78 825,84 475,38 7593,12 Emotional Recall Task (EREC) Verifica-se na Tabela 7, um número significativamente superior de respostas das caraterísticas de personalidade com conotação negativa (M = 3.35; DP = 1.71) comparativamente às respostas das caraterísticas de personalidade com conotação positiva (M = 2.86; DP = 1.58) (t = 2.24; p = 0.030). Tabela 7 Teste t para Amostras Emparelhadas: Comparação do número de respostas corretas de caraterísticas de personalidade com conotação positiva e negativa no EREC Nº de Respostas Corretas Negativas Positivas t p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Média Desvio padrão Mínimo Máximo 3.35 1.71 0.00 9.00 2.86 1.58 0.00 6.00 2.24 0.030 Quanto às respostas erradas, observa-se na Tabela 8, uma diferença significativa entre as respostas associadas a caraterísticas de personalidade com conotação negativa e positiva (t = -2.55; p = 0.014), sendo mais elevado o número de respostas erradas relativas às caraterísticas de personalidade com conotação positiva (M = 1.44; DP = 1.25). Tabela 8 Teste t para Amostras Emparelhadas: Comparação do número de respostas erradas de caraterísticas de personalidade com conotação positiva e negativa no EREC Nº de Respostas Erradas Negativas Positivas t p Média Desvio Padrão Mínimo Máximo Média Desvio padrão Mínimo Máximo 0.92 0.96 0.00 5.00 1.44 1.25 0.00 4.00 -2.55 0.014 Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 21 Relação entre o EDRE e o ECAT, FERT e EREC Conforme observamos na Tabela 9, apenas se verifica uma relação negativa e estatisticamente significativa entre a subescala Impulsos do EDRE e o número de respostas certas no FERT (r = -.289; p =. 042). Tabela 9 Correlações de Pearson entre o EDRE e o número de respostas corretas no ECAT, FERT e EREC 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Estratégias 1 Não Aceitação ,765** 1 Consciência ,403** ,423** 1 Impulsos ,808** ,719** ,488** 1 Objetivos ,835** ,568** ,229 ,699** 1 Clareza ,635** ,565** ,697** ,627** ,417** 1 Total ,939** ,853** ,598** ,898** ,804** ,756** 1 Certo ECAT ,093 ,172 -,210 ,102 ,070 -,157 ,052 1 Certo FERT -.149 .012 -.250 -.289* -.147 -.058 -.173 .217 1 Certo EREC ,232 ,166 ,007 ,059 ,240 ,247 ,197 ,065 ,056 1 Relação entre EADS-21 e o ECAT, FERT e EREC Apenas existe correlação significativa entre a subescala Depressão e o número de respostas certas do EREC (r = 0.28; p = 0.049) e entre a subescala Stress e o número de respostas certas do EREC (r = 0.319; p = 0.026) (Tabela 10). Tabela 10 Correlações de Pearson entre o EADS-21 e o número de respostas corretas no ECAT, FERT e EREC 1 2 3 4 5 6 Depressão 1 Ansiedade ,657** 1 Stress ,809** ,746** 1 Certo_ECAT ,189 ,193 ,161 1 Certo_FERT -.117 .072 .000 .217 1 Certo_EREC ,283* ,166 ,319* ,065 ,056 1 Relação entre FCSRS e o ECAT, FERT e EREC Os resultados apresentados na Tabela 11 indicam que o Auto-criticismo, subescalas Inadequate Self e Hated Self , não está significativamente correlacionado com o desempenho nas tarefas do ETB. No entanto, a capacidade de Auto-tranquilização, subescala Reassured Self, apresenta uma correlação positiva com o EREC (r = 0.317, p < 0.05). Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 22 Tabela 11 Correlações de Pearson entre o FCSRS e o desempenho no EACT, FERT e EREC 1 2 3 4 5 6 Inadequate Self 1 Hated Self ,811** 1 Reassured Self -,702** -,797** 1 Certo_ECAT ,113 ,123 -,100 1 Certo_FERT ,071 ,015 ,031 ,217 1 Certo_EREC ,239 ,063 -,166 ,065 ,317* 1 Não houve correlações significativas entre as subescalas do QRE (Reavaliação Cognitiva e Supressão Emocional), a subescala Urgência Negativa da UPPS, o LOCES (total e subescalas), o ED-15 (total e subescalas) e o desempenho nas tarefas ECAT, FERT ou EREC. Relação entre os Instrumentos de Autorrelato e o Tempo de Reação no ECAT Apenas se verificou uma correlação negativa significativa entre a subescala Behavioral do LOCES e o tempo de reação das emoções positivas (r = -0,290; p = 0,041) (Tabela 12). Processamento e Regulação Emocional: Implicações para a compreensão das Perturbações Alimentares 23 Tabela 12 Correlação de Pearson entre os Instrumentos de Autorrelato e os Tempos de Reação no ECAT Emoções Positivas Emoções Negativas Total r p r p r p ED-15 Preocupação com a Forma Corporal -0,005 0,972 -0,093 0,522 -0,160 0,268 Preocupação Alimentar 0,023 0,875 -0,039 0,789 -0,200 0,164 Total 0,006 0,968 -0,075 0,606 -0,181 0,208 EDRE Estratégias 0,010 0,944 -0,019 0,895 -0,011 0,942 Não Aceitação -0,010 0,944 -0,071 0,622 -0,074 0,609 Consciência 0,040 0,781 -0,019 0,895 -0,093 0,520 Impulsos -0,100 0,488 0,117 0,420 -0,048 0,740 Objetivos -0,047 0,747 0,000 1,000 -0,048 0,739 Clareza 0,083 0,567 0,009 0,950 -0,132 0,361 Total -0,014 0,925 0,000 0,997 -0,071 0,625 EADS-21 Depressão 0,087 0,549 0,111 0,442 0,031 0,832 Ansiedade 0,155 0,283 0,202 0,160 -0,044 0,763 Stress -0,082 0,572 0,066 0,650 -0,004 0,977 FSCRS Inadequate Self -0,131 0,364 -0,018 0,903 -0,029 0,843 Hated Sself -0,089 0,537 0,040 0,783 0,004 0,977 Reassured Self -0,074 0,612 0,038 0,795 -0,025 0,861 QRE Reavaliação Cognitiva 0,076 0,600 0,235 0,100 0,072 0,619 Supressão Emocional 0,214 0,137 0,026 0,860 -0,239 0,095 UPPS Urgência Negativa -0,078 0,588 0,061 0,673 -0,112 0,440 LOCES Behavioral -,290* 0,041 -0,143 0,322 -0,123 0,394 Cognitive/Dissociative -0,194 0,177 -0,189 0,188 -0,011 0,941 Positive/Euphoric 0,150 0,298 -0,212 0,139 -0,102 0,483 Brief Original -0,210 0,144 -,286* 0,044 -0,128 0,374 Total -0,197 0,171 -0,186 0,196 -0,134 0,353 Nota **Correlação é significante ao nível 0.01. * Correlação é significante ao nível 0.05. 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