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Reciclagem de resíduos de construção e demolição

Ribeiro, Vítor Manuel Gonçalves

Abstract

A presente dissertação, está integrada no plano de estudos do Mestrado Integrado em Engenharia Civil da Universidade do Minho. Portugal é um país em que o setor da construção civil é caracterizado como responsável pela produção de um volume expressivo de resíduos. Esse volume expressivo, além de provocar consequências negativas ao meio ambiente, proporciona também impactos financeiros nos custos das obras. Quanto ao impacto ambiental provocado e visto o potencial de reutilização e reciclagem dos RCD, estes foram identificados pela EU como fluxo de resíduos prioritários. Tanto Portugal, como Espanha e Grécia, tem uma taxa de reciclagem e reutilização de RCD inferior a 15%, ao contrário da Alemanha, Dinamarca e Holanda que apresentam uma taxa superior a 90%, o que mostra claramente que a Europa no que diz respeito a esta matéria é muito heterogénea (BIO Intelligence Service et al., 2011). Face a esta controvérsia, nesta dissertação procurou-se estudar a reciclagem dos RCD de forma a caracterizá-los e assim encontrar entidades licenciadas para o tratamento dos mesmos, privilegiando uma produção controlada, recurso à triagem, à reciclagem e a outras formas de valorização. Espera-se então, que a importância da reciclagem dos RCD fique cada vez mais vincada entre os intervenientes de forma a diminuir os depósitos ilegais em aterros e consequente redução da extração de materiais naturais.

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Universidade do Minho Escola de Engenharia Vitor Manuel Gonçalves Ribeiro fevereiro de 2022 Reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição Vitor Manuel Gonçalves Ribeiro Reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição UMinho|2022 Vitor Manuel Gonçalves Ribeiro fevereiro de 2022 Reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição Trabalho efetuado sob a orientação do Professor José Cardoso Teixeira Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Engenharia Civil Universidade do Minho Escola de Engenharia ii Direitos de Autor e Condições de Utilização do Trabalho por Terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositório da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii Agradecimentos Chegou ao fim mais uma etapa da minha vida, provavelmente a mais importante até ao momento. Um longo e difícil caminho, repleto de bons momentos, aprendizagens, mas também muitas dificuldades que com a ajuda de algumas pessoas consegui superar. Primeiramente, um agradecimento especial ao Prof. José Manuel Cardoso Teixeira, orientador da presente tese, que com dedicação e sabedoria acompanhou, analisou e corrigiu o desenvolvimento da mesma. Agradeço à minha namorada, Maria João, por estar ao meu lado desde o início desta aventura, nos bons e maus momentos, apoiando-me de forma incondicional. Agradeço à minha família, que sempre me incentivaram a ser melhor a cada dia e que com muito esforço e dedicação me permitiram realizar este sonho. Um especial agradecimento ao meu pai, que me proporcionou a oportunidade de trabalhar em simultâneo na sua empresa de construção civil, podendo assim adquirir experiência e conhecimentos que só a prática permite. Aos meus amigos, agradeço por compreenderem a minha ausência, por terem sempre a preocupação de saber se estava tudo bem e por serem uma fonte de motivação. Um sincero obrigado, Vitor Ribeiro iv Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v Reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição Resumo A presente dissertação, está integrada no plano de estudos do Mestrado Integrado em Engenharia Civil da Universidade do Minho. Portugal é um país em que o setor da construção civil é caracterizado como responsável pela produção de um volume expressivo de resíduos. Esse volume expressivo, além de provocar consequências negativas ao meio ambiente, proporciona também impactos financeiros nos custos das obras. Quanto ao impacto ambiental provocado e visto o potencial de reutilização e reciclagem dos RCD, estes foram identificados pela EU como fluxo de resíduos prioritários. Tanto Portugal, como Espanha e Grécia, tem uma taxa de reciclagem e reutilização de RCD inferior a 15%, ao contrário da Alemanha, Dinamarca e Holanda que apresentam uma taxa superior a 90%, o que mostra claramente que a Europa no que diz respeito a esta matéria é muito heterogénea (BIO Intelligence Service et al., 2011). Face a esta controvérsia, nesta dissertação procurou-se estudar a reciclagem dos RCD de forma a caracterizá-los e assim encontrar entidades licenciadas para o tratamento dos mesmos, privilegiando uma produção controlada, recurso à triagem, à reciclagem e a outras formas de valorização. Espera-se então, que a importância da reciclagem dos RCD fique cada vez mais vincada entre os intervenientes de forma a diminuir os depósitos ilegais em aterros e consequente redução da extração de materiais naturais. Palavras-chave: Construção Civil, Reciclagem, Resíduos de Construção e Demolição. vi Recycling of Construction and Demolition Waste Abstract This dissertation is part of the study plan of the Integrated Master's Degree in Civil Engineering at the University of Minho. Portugal is a country in which the construction industry sector is characterized as being responsible for the production of a significant waste volume. This heavy volume, in addition to causing negative consequences for the environment, has a financial impact on the costs of the works. Considering the environmental impact and the potential for reuse and recycling of C&DW, these were identified by the EU as a priority waste stream. Both Portugal, Spain and Greece have a C&DW recycling and reuse rate of less than 15%, unlike Germany, Denmark and the Netherlands, which have a rate of over 90%, which clearly shows that Europe in terms of this matter is very heterogeneous (BIO Intelligence Service et al., 2011). In view of this controversy, this dissertation sought to study the recycling of C&DW in order to characterize them and thus find entities licensed to treat them, prioritizing controlled production, recourse to sorting, recycling and other forms of recovery. In view of this controversy, this dissertation sought to study the recycling of C&DW in order to characterize them and thus find entities licensed to treat them, prioritizing controlled production, recourse to sorting, recycling and other forms of recovery. Keywords: Construction, Recycling, Construction and Demolition Waste (CDW). vii ÍNDICE 1 - INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1 1.1ENQUADRAMENTO DO TEMA ..................................................................................... 1 1.1.1ENQUADRAMENTO LEGAL APLICÁVEL À GESTÃO DOS RCD .................................... 3 1.1.2RESPONSABILIDADE NA GESTÃO DE RCD ................................................................. 5 1.1.3GESTÃO DE RCD EM OBRAS PÚBLICAS ..................................................................... 5 1.1.4GESTÃO DE RCD EM OBRAS PARTICULARES ............................................................. 5 1.1.5TRANSPORTE ............................................................................................................. 6 1.1.6CERTIFICADO DE RECEÇÃO ....................................................................................... 6 1.1.7LICENCIAMENTO DE OPERAÇÕES DE GESTÃO DE RCD ............................................. 6 1.1.8REUTILIZAÇÃO DE SOLOS E ROCHAS ........................................................................ 7 1.2OBJETIVOS ................................................................................................................... 8 1.3MOTIVAÇÃO ................................................................................................................ 8 1.4ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ............................................................................... 9 2 - DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS RCD .............................................................................. 10 2.1CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SUA ORIGEM ................................................................. 10 2.2CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE MATERIAL .................................................... 11 2.3CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE DESTINO FINAL ............................................. 12 3 - GESTÃO DOS RCD ................................................................................................................ 13 3.1TRIAGEM E FRAGMENTAÇÃO DE RCD ....................................................................... 13 3.2UTILIZAÇÃO DE RCD EM OBRA .................................................................................. 13 3.3DEVER DE INFORMAÇÃO ........................................................................................... 13 3.4INFRAÇÕES EM MATÉRIA DE RCD ............................................................................. 14 4 - SOLUÇÕES PARA REAPROVEITAMENTO DOS RCD .............................................................. 16 4.1PRODUÇÃO E DESTINOS DOS RCD ............................................................................. 16 4.2RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DOS RCD ................................................................... 18 4.2.1ELEMENTOS DE BETÃO ....................................................................................... 18 4.2.2MATERIAIS CERÂMICOS ..................................................................................... 21 4.2.3PEDRAS ............................................................................................................... 23 3 e reutilização e as suas operações de recolha, transporte, armazenamento, triagem, tratamento, valorização e eliminação. Existe um grande potencial de reciclagem e reutilização dos RCD, por outro lado, o nível de reciclagem e reutilização de RCD varia muito na EU, sendo inferior a 10% em Portugal e superior a 90% na Holanda (ETC/SCP, 2009). 1.1.1ENQUADRAMENTO LEGAL APLICÁVEL À GESTÃO DOS RCD A legislação respeitante aos resíduos, em Portugal, pode ser destacada nos seguintes documentos:  O DL n.º 73/2011, de 17 de Junho, referente à terceira alteração do DL n.º 178/2006, de 5 de Setembro e transpõe a Diretiva n.º 2008/98/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Novembro de 2008, relativa aos resíduos; O Regime Geral de Gestão de Resíduos a nível nacional encontra-se no DL nº. 178/2006, de 5 de Setembro, transpondo para a ordem jurídica interna a Diretiva nº 2006/12/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de abril, e a Diretiva nº 91/689/CEE, do Conselho, de 12 de Dezembro. Este DL foi alvo de várias alterações o que levou à sua republicação no DL nº73/2011, de 17 de Junho. A republicação acima referida, veio reforçar a promoção da reciclagem de RCD, promovendo novos critérios para que determinados resíduos passem a ter o estatuto de produto. Foi criado o mecanismo de responsabilidade acrescida do produtor tendo em conta o ciclo de vida dos produtos e materiais e não apenas a fase de fim de vida. A responsabilidade do produtor sobre a gestão dos resíduos provenientes dos seus produtos pode ser tratada através da celebração de acordos voluntários entre o mesmo e a APA.  O DL n.º 46/2008, de 12 de Março, republicado pelo DL n.º 73/2011, de 17 de Junho, que estabelece o regime das operações de gestão de RCD. Este decreto veio estabelecer o regime jurídico específico a que fica sujeita a gestão de resíduos resultantes de obras ou demolições de edifícios ou de derrocadas, designados resíduos de construção e demolição, bem como a sua prevenção (APA, 2020). 4 Sendo assim, é previsto que nas empreitadas e concessões de obras públicas, o projeto de execução seja acompanhado de um Plano de Prevenção e Gestão de RCD (PPG), na qual é assegurado o cumprimento dos princípios gerais de gestão de RCD e das demais normas respetivamente aplicáveis constantes do presente DL e do DL n.º 178/2006, de 5 de setembro (APA, 2020). O PPG fica à responsabilidade do empreiteiro da obra, assegurando os seguintes pontos (APA, 2020):  A promoção da reutilização de materiais e a incorporação de reciclados de RCD na obra;  A existência na obra de um sistema de acondicionamento adequado que permita a gestão seletiva dos RCD;  A aplicação em obra de uma metodologia de triagem de RCD ou, nos casos em que tal não seja possível, o seu encaminhamento para operador de gestão licenciado;  Que os RCD são mantidos em obra o mínimo tempo possível, sendo que, no caso de resíduos perigosos, esse período não pode ser superior a 3 meses. Em seguida, mostra-se o modelo do PPG, ao abrigo do nº 6 do artigo 10º do Decreto-Lei n.º 46/2008, de 12 de Março (APA, 2020): 5 Figura 1-Modelo do Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos de Construção e Demolição 1.1.2RESPONSABILIDADE NA GESTÃO DE RCD O DL n.º 46/2008 determina responsabilidades aos donos de obra, como aos empreiteiros e às câmaras municipais. Todos os intervenientes no seu ciclo de vida são responsáveis pela gestão dos RCD. Assim que os resíduos são enviados para um operador licenciado, a responsabilidade passa a ser do mesmo. Nos casos em que que os RCD são produzidos em obras particulares isentas de licença e não submetidas a comunicação prévia, a responsabilidade é da entidade que faz a gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU). 1.1.3GESTÃO DE RCD EM OBRAS PÚBLICAS Ao abrigo do Código dos Contratos Públicos (CPP), é exigido a elaboração de um Plano de Prevenção e Gestão dos RCD (artigo 10.º do DL nº 46/2008). Está consagrado no CPP, tal como no Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação (RJUE) a obrigatoriedade do cumprimento do regime da gestão dos RCD. Passa pelo RJUE, no controlo das operações urbanísticas, a atividade de tratamento de resíduos objeto de licenciamento. 1.1.4GESTÃO DE RCD EM OBRAS PARTICULARES Nas obras sujeitas a licenciamento ou comunicação prévia nos termos do RJUE, o produtor de RCD está obrigado a (artigo 11.º DL n.º 46/2008): 6  Promover a reutilização de materiais e a incorporação de reciclados de RCD na obra;  Assegurar a existência na obra de um sistema de acondicionamento adequado que permita a gestão dos RCD;  Garantir a aplicação de uma metodologia de triagem de RCD ou, quanto tal não seja possível, o seu encaminhamento para operador de gestão licenciado;  Certificar-se que os RCD são mantidos em obra o mínimo tempo possível, sendo que, no caso de resíduos perigosos, esse período não pode exceder os 3 meses;  Cumprir as demais normas técnicas;  Efetuar e manter, conjuntamente com o livro de obra, o registo de dados de RCD. 1.1.5TRANSPORTE O transporte dos RCD está ao abrigo do disposto presente na Portaria n.º 335/97, de 16 de maio, com a exceção do n.º 5,6 e 7 relativos à utilização da guia de acompanhamento de resíduos. O transporte dos RCD deve ser acompanhado de uma guia cujo modelo é definido por portaria do membro do Governo responsável pela área do ambiente. 1.1.6CERTIFICADO DE RECEÇÃO O operador licenciado para a gestão dos RCD, tem um prazo de 30 dias, para enviar ao produtor um certificado de receção dos RCD recebidos na sua instalação. Deve ainda, ser disponibilizada uma cópia às autoridades de fiscalização sempre que solicitado. 1.1.7LICENCIAMENTO DE OPERAÇÕES DE GESTÃO DE RCD Estão sujeitas a licenciamento as seguintes operações:  Segundo o DL n.º 178/2006, de 5 de setembro:  Armazenagem;  Triagem;  Tratamento;  Eliminação;  Valorização.  Segundo o DL n.º 152/2002, de 23 de maio:  Depósito em aterro. 7 Estão dispensadas de licenciamento (artigo 13.º DL n.º 46/2008):  As operações de armazenamento de RCD na obra durante o prazo de execução da mesma;  As operações de triagem e fragmentação de RCD quando efetuadas na obra;  As operações de reciclagem que impliquem a reincorporação de RCD no processo produtivo de origem;  A realização de ensaios para avaliação prospetiva da possibilidade de incorporação de RCD em processo produtivo;  A utilização de RCD em obra;  A utilização de solos e rochas não contendo substâncias perigosas, resultantes de atividades de construção, na recuperação ambiental e paisagística de explorações mineiras e de pedreiras ou na cobertura de aterros destinados a resíduos (nos termos previstos do artigo 6.º DL n.º 46/2008). 1.1.8REUTILIZAÇÃO DE SOLOS E ROCHAS Os solos e rochas que não contenham substâncias perigosas devem ser reutilizados no trabalho de origem (artigo 6.º do DL n.º 46/2008):  Construção;  Reconstrução;  Ampliação;  Alteração;  Reparação;  Conservação;  Reabilitação;  Limpeza;  Restauro. Os solos e rochas que não sejam reutilizados na respetiva obra de origem podem ser utilizados noutra obra sujeita a licenciamento ou comunicação prévia (nos termos do artigo 1.º do DL n.º 139/89, de 28 de abril):  Na recuperação ambiental e paisagística de explorações mineiras e de pedreiras; 8  Na cobertura de aterros destinados a resíduos;  Em local licenciado pela câmara municipal. 1.2OBJETIVOS O objetivo do presente trabalho é definir e classificar aprofundadamente o tema da reciclagem de RCD com a finalidade de caracterizar e classificar os principais resíduos produzidos na vasta atividade da Construção em Portugal desde a sua origem até ao seu destino final e identificar as entidades nacionais licenciadas a que podem recorrer os produtores nacionais para o tratamento dos mesmos. Com isto, pretende se dar a conhecer e informar, os produtores de resíduos, de todos os processos que devem ser seguidos aquando da produção de RCD e ainda os locais mais apropriados para obter uma correta gestão dos RCD, privilegiando uma produção controlada, recurso à triagem, à reciclagem e a outras formas de valorização de forma que a percentagem de RCD reciclados, reutilizados e valorizados continue a aumentar com o passar dos anos. 1.3MOTIVAÇÃO A motivação para a realização deste trabalho advém do objetivo de poder contribuir para uma maior exploração do tema e para despertar nos produtores de RCD do setor da construção atitudes e comportamentos que protejam o ambiente. O consumo ineficaz de matérias-primas e a falta de prevenção na produção dos resíduos que existe em todo o processo construtivo no setor da construção civil são duas das causas fundamentais do aumento generalizado da produção de RCD, neste setor. Assim sendo, está iminente a importância de estudar parâmetros que permitam avaliar a composição dos materiais, de forma a dar o melhor seguimento aos mesmos, contribuindo assim para uma diminuição da quantidade de RCD impróprios depositados em aterro e consequente redução da extração de agregados naturais e respetivos impactos ambientais. 9 1.4ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO Este trabalho está dividido em 7 capítulos, descritos brevemente como:  Capítulo 1 – Introdução – Pretende-se fazer a contextualização do trabalho de pesquisa.  Capítulo 2 – Definição e Classificação dos RCD – Neste capítulo pretende-se enquadrar o tema dos RCD, envolvendo a definição e classificação dos mesmos, identificar os principais resíduos resultantes de obras de demolição, tal como os materiais suscetíveis de serem reaproveitados e ainda o enquadramento legal e normativo da gestão e valorização de RCD em Portugal.  Capítulo 3 – Gestão dos RCD – Tem se como objetivo, neste capítulo, o enquadramento do tema, englobando a descrição de medidas de prevenção de resíduos, o dever de informação e as infrações cometidas em termos de RCD.  Capítulo 4 – Soluções para Reaproveitamento dos RCD – Pretende-se apresentar várias soluções para o reaproveitamento dos diferentes materiais em função das suas características.  Capítulo 5 – Caracterização Técnica e Operacional dos RCD – Neste capítulo, o objetivo é definir parâmetros de caracterização dos materiais a serem reutilizados quer do ponto de vista técnico, quer sob o ponto de vista operacional. Pretende-se ainda desenvolver processos de avaliação desses parâmetros com o propósito de classificação dos vários materiais.  Capítulo 6 – Empresas Licenciadas – Neste capítulo pretende-se dar a conhecer algumas das várias empresas licenciadas no âmbito dos RCD no distrito de Braga.  Capítulo 7 – Conclusões Finais – Pretende-se apresentar uma síntese geral do trabalho, resumindo as principais conclusões e sugerindo novas linhas de continuação do tema em causa. 10 2 - DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS RCD Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD) tem por definição, de acordo com o DecretoLei nº 178/2006 de 5 de setembro, como os resíduos provenientes de obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição e da derrocada de edificações. Os resíduos podem ser classificados de acordo com a sua origem, tipo de material e quanto ao seu destino final. 2.1CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SUA ORIGEM Por norma, os RCD classificam-se em três tipos conforme a sua origem, nomeadamente resíduos de construção, resíduos de remodelação, reabilitação e renovação e resíduos de demolição (Algarvio, 2009; Ferreira, 2006; Ruivo e Veiga, 2004). Os resíduos de construção são produzidos durante os trabalhos de construção e advém principalmente do sobredimensionamento das quantidades necessárias, de materiais deteriorados, de perdas associadas às técnicas e processos construtivos e de embalagens dos materiais a usar em obra. Estes resíduos apresentam-se em quantidades inferiores em relação aos resíduos de demolição, contudo, apresentam uma variedade muito semelhante. Os resíduos de remodelação, reabilitação e renovação provém de obras de reabilitação e pequenas obras. Contém menor quantidade de resíduos, mas apresentam uma heterogeneidade composicional elevada, tendo assim uma semelhança mais avultada aos resíduos de demolição do que aos de construção. Os resíduos de demolição traduzem o material resultante de trabalhos de demolição e são os que apresentam maior quantidade de resíduos. São essencialmente compostos por material inerte e solos e a sua composição depende do tipo de obra e da seletividade do processo de demolição. 11 Na Tabela 1 indicam-se o tipo de resíduos, origem e os materiais que são normalmente recuperados. Tabela 1 - Principais origens e tipos de resíduos por tipo de obra na União Europeia (Coelho e Brito, 2010) TIPO DE RESÍDUOS ORIGEM MATERIAIS NORMALMENTE RECUPERADOS CONSTRUÇÃO Solos e rocha, desperdícios de tijolos e outros cerâmicos, restos de betão, aço, madeira, tintas e embalagens. Solos e rochas e betão para enchimentos. REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO Betão, alvenaria, solos e compostos betuminosos. Betão, alvenarias e solos para enchimento. DEMOLIÇÃO Alvenarias, betão armado e betão pré-esforçado, metais ferrosos e não ferrosos, madeira, cerâmicos, plásticos, vidro, produtos de gesso e estuque, ferragens e guarnições e materiais de isolamento. Metais para reciclagem, entulho para enchimentos, ferragens e guarnições para revenda, madeira para reutilização e algumas alvenarias para reaproveitamento. Segundo Ruivo e Veiga, (2004), de 10% a 20% dos RCD resultam das obras de construção, de 30% a 40% resultam de obras de remodelação, reabilitação e renovação e de 40% a 50% resultam de obras de demolição. 2.2CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE MATERIAL Os RCD podem ser classificados em três grupos quanto ao tipo de material: Resíduos Inertes, Resíduos não Inertes e Resíduos Perigosos. Os Resíduos Inertes são aqueles que não sofrem transformações físicas, químicas ou biológicas significativas, logo, não afetam negativamente outros materiais que estejam em contacto de forma a contaminar o meio ambiente ou a prejudicar a saúde humana (Miranda, 2009). Os resíduos inertes correspondem ao betão, materiais cerâmicos, pedra, vidro e metais ferrosos e não ferrosos (Ruivo e Veiga, 2004). Os Resíduos não Inertes são os que não apresentam perigosidade direta para a saúde humana ou para o ambiente. Estes são a madeira, plástico, papel e cartão (Ruivo e Veiga, 2004). 12 Os Resíduos Perigosos são os que apresentam características de perigosidade para a saúde humana e/ou para o ambiente, nomeadamente os identificados na Lista Europeia de Resíduos (Ruivo e Veiga, 2004). 2.3CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE DESTINO FINAL Quanto ao destino final, os RCD podem ser classificados em quatro tipos diferentes (Gonçalves, 2007):  Resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados tais como o betão e as alvenarias;  Resíduos recicláveis para outros destinos como plásticos, papel, cartão, metais, vidros e madeiras;  Resíduos para os quais ainda não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação e que terão o aterro como destino;  Resíduos perigosos, provenientes de construções, demolições, reabilitações ou restauros. Deste modo, existe um modelo relativo aos RCD com o objetivo de nos levar a uma melhor decisão no que diz respeito à prevenção, reutilização/reciclagem ou outro destino deste tipo de materiais. Modelo este, designado por Delft Ladder, dando uma ordem aos resíduos conforme o destino (Hendricks e Janssen, 2003): 1Prevenção; 2Reutilização na construção; 3Reutilização dos produtos; 4Reutilização dos materiais; 5Aplicações úteis; 6Imobilização com aplicação útil; 7Imobilização sem aplicação útil; 8Combustão com aproveitamento energético; 9Combustão; 10Aterro. 19 Figura 3Resíduos de betão reciclados. para valas de tubagens, utilizável na construção de estradas e, em alguns casos, como agregado para produzir betão e produção de componentes de pré-fabricados. Pode-se encontrar, juntamente com os resíduos de betão a reciclar, uma série de substâncias que irão prejudicar a eficiência da aplicação dos agregados reciclados de betão, devido às suas características. Estas substâncias são vistas como contaminantes e os seus níveis têm que ser controlados e limitados com a finalidade de se obter agregados reciclado de qualidade, para aplicações mais nobres, como a produção de betão (Ruivo e Veiga, 2004). A tabela seguinte (Tabela 5) apresentam-se os principais contaminantes que se podem encontrar no material a reciclar (Ruivo e Veiga, 2004). Tabela 5 – Principais contaminantes que se podem encontrar no material a reciclar (Ruivo e Veiga, 2004). CONTAMINANTES NOTAS MADEIRA Os resíduos de betão não deverão conter mais de 10% em termos de volume. Se a estação incorporar um banho de água pode atingirse os 30%. REBOCO COM GESSO, ANIDRITE O reboco de gesso e a anidrite podem expandir-se devido à absorção de água e causar danos na superfície do betão. BLOCOS POROSOS DE ISOLAMENTO OU BETÃO Afetam adversamente a resistência quando usados na 20 COM INTRODUÇÃO DE AR produção do betão. VIDRO A separação do vidro é difícil, pois a sua densidade é próxima da do betão. Pode produzir a reação álcalis-silica e consequentemente deterioração prematura do betão. COMPOSTO DE FERRO, VANÁDIO Provocam a expansão e aparecimentos de manchas. AÇO O aço, proveniente dos restos de armaduras que subsistem nos produtos de demolição, pode provocar o aparecimento de ferrugem, sobretudo se houver também a existência de cloretos. ALUMÍNIO E FRAGMENTOS DE ZINCO Podem causar problemas, se houver possibilidade de libertarem oxigénio. CLORETOS, PLÁSTICOS, MATERIAL REFRACTÁRIO, SOLOS, AREIAS QUIMICAMENTE CONTAMINADAS, RESÍDUOS DE PAVIMENTOS BETUMINOSOS Produção de um betão de baixa durabilidade ou com uma redução dos valores das suas propriedades mecânicas. A fração de agregados reciclados de betão designada por finos (0/4 mm), devido às suas características, apresenta baixos valores de reciclagem e é de difícil aplicação. Por esse motivo, não é aconselhável a sua utilização em betão estrutural, devido ao elevado teor de substâncias lixiviantes como os sulfatos (de gesso e de pasta de cimento), aos contaminantes de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), antimónio (Sb), óleo mineral e, ocasionalmente, chumbo e zinco e também por problemas de granulometria pobre (agregados demasiado ásperos e com elevadas percentagens de argamassa) (ásperos e com elevadas percentagens de argamassa). Para ultrapassar esta contaminação, existem as seguintes opções (Ruivo e Veiga,2004):  Abordagem condicional, ou seja, aplicação em circunstâncias controladas;  Demolição seletiva de chaminés, coberturas com amianto (fibrocimento) e produtos com gesso;  Limpeza. Estes finos de britagem podem ser utilizados na construção de estradas cumprindo o papel de areia (Ruivo e Veiga, 2004). 21 Figura 4RCD de materiais cerâmicos. Tendo em conta o grande volume de utilização do betão na construção, a sua reciclagem e reutilização podem trazer enormes benefícios em termos da conservação dos agregados naturais, redução dos custos de construção, redução no consumo de energia e, de forma ampla, a conservação ambiental e de recursos (Lourenço, 2007). 4.2.2MATERIAIS CERÂMICOS Os materiais cerâmicos que por norma são encontrados nos RCD com maior frequência são os tijolos, telhas, azulejos e porcelanas. Estes materiais podem ser encontrados por inteiro, caso sejam removidos separadamente antes do processo de demolição, mas o mais habitual é que estes se encontrem partidos e misturados com outros resíduos, nomeadamente o betão (Lourenço, 2007). 4.2.2.1TIJOLOS Na construção de edifícios, cerca de 50% do total de material utilizado é atribuído à alvenaria de tijolo. Para a reutilização de alvenaria de tijolo proveniente de demolições, por exemplo, existem várias possibilidades (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004):  Material de enchimento para estradas;  Material de enchimento em valas e tubagens;  Agregados para betão e argamassas;  Agregados para tijolos de silicato de cálcio; 22 Figura 5RCD de materiais britados.  Material para enchimento e estabilização de caminhos rurais;  Revestimento de campos de ténis;  Agregados para produção de peças pré-fabricadas em betão. É preferível reutilizar os tijolos inteiros, do que britá-los e utilizá-los noutras aplicações menos exigentes, mas em grande parte das situações isso não é possível. Quando assim é, os tijolos são processados por britagem para depois seguirem o seu destino final (Ruivo e Veiga, 2004). O destino final dos agregados de alvenaria não deve ser o fabrico de betão betuminoso, visto que, a sua porosidade é elevada e têm baixa resistência. Também não devem ser utilizados em camadas de sub-base de estradas, devido à sua baixa resistência. No fabrico de betão, estes agregados de alvenaria reciclados só podem ser utilizados para classes iguais ou inferiores à classe B22,5, visto que, para classes superiores a qualidade do betão pode ser comprometida pela maior proporção de cimento necessária (Lourenço, 2007). É também possível fazer a aplicação de agregados reciclados no fabrico de betão contendo granulado de polistireno, que é um tipo de betão leve cm maior capacidade de isolamento térmico (Lourenço, 2007). Para a aplicação de agregados de alvenaria reciclados da fração 0/4 mm, um potencial destino é a sua utilização no fabrico de tijolos de barro tradicionais, em substituição do barro, bem como em tijolos de silicato de sódio, em substituição da areia. Para ser utilizada 23 em tijolos, esta fração não deve conter cal para evitar efeitos adversos na resistência, retração durante incêndio, durabilidade e cor (Ruivo e Veiga, 2004). Em Portugal, é constante a reutilização dos fragmentos de alvenaria em bases de pavimentos e para a produção de betonilhas a serem utilizadas em edifícios de pequena dimensão (Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.2.2TELHAS No que diz respeito às telhas, as mesmas podem ser reutilizadas desde que as mesmas sejam manuseadas de forma cuidada de forma a não as danificar. No caso de não ser possível, os resíduos das telhas podem ser processados da mesma maneira que os resíduos de tijolos (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.2.3CERÂMICOS DE REVESTIMENTO Tal como nas telhas e tijolos, se estes materiais se encontrarem intactos, podem ser reutilizados. Caso se verifique o contrário, estes podem ser processados de igual forma dos resíduos de tijolos (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.3PEDRAS Os adornos de alvenaria existentes nos edifícios antigos podem ser limpos e reutilizados em novas construções. Os agregados de alvenaria de pedra que são reciclados podem ser utilizados para (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004):  Restauração e conservação de fachadas de edifícios antigos;  Material de enchimento nos casos em que a alvenaria foi britada e crivada;  Sub-bases de pavimentos;  Agregados para betão novo. 4.2.4VIDRO O vidro é um material reciclável, sendo por isso normal a sua recuperação para integração no processo de fabrico de vidro novo. Porém, sendo o vidro incolor reciclável para certos fins que não o vidro colorido, vidros com cores diferentes não podem ser reciclados 24 conjuntamente, pelo que deve ser feita a sua separação por cores “in situ” (Ruivo e Veiga, 2004). O vidro recuperado também pode ser utilizado como “asfalto cristalino” para a pavimentação em estradas e pistas de aeroportos, tendo sido este material utilizado, com sucesso, no aeroporto Kennedy, Nova Iorque. O “asfalto cristalino” tem a vantagem de prolongar a construção de estradas no inverno, isto porque, esfria mais lentamente do que o asfalto corrente, permitindo assim obter uma compactação adequada mesmo a baixas temperaturas (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004). O vidro reciclado poderá passar igualmente pela sua incorporação no fabrico de isolamento de fibras de vidro, azulejos e ladrilhos. Poderá ainda proceder-se à sua transformação em agregados para a integração em betão ou em sistemas de drenagem (Ruivo e Veiga, 2004). Apesar das possibilidades referidas anteriormente para a utilização do vidro reciclado, existem alguns obstáculos à recuperação do mesmo, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista económico. Isto porque, existe a necessidade de remover materiais contaminantes como metal, plástico e papel e porque existe um elevado custo do vidro reciclado em comparação com a matéria-prima virgem. No entanto, em termos energéticos, o vidro reciclado permite alguma poupança quando comparado com a matéria-prima virgem (Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.5METAIS Os metais são os materiais que mais facilmente podem ser recuperados, reintegrando o seu ciclo de produção sem que se verifiquem perdas nas suas características. Dos materiais metálicos mais correntes na construção destacam-se o cobre, aço, ferro, alumínio, latão e o zinco (Ruivo e Veiga, 2004). O aço, deve preferencialmente ser utilizado de forma direta, no entanto, quando não é possível reutilizar o aço tal como é recolhido, este pode ser reciclado para produzir novo metal (Tam e Tam, 2005). Num âmbito de construção sustentável, a utilização do aço na construção oferece inúmeras vantagens (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004): 25 Figura 6Aço e outros metais retirados do entulho.  Grande parte do material utilizado na construção civil é pré-fabricado e é entregue na obra à medida que é necessário, gerando assim, poucos resíduos.  Devido às suas propriedades magnéticas, é facilmente separado dos outros materiais contidos nos RCD;  É totalmente reciclável, sendo que o mercado de aço reciclável está em expansão na Europa (mais de 40% do aço é produzido a partir de reciclagem de sucata).~ O cobre, o alumínio, o latão e o zinco, gozam das mesmas propriedades, sendo facilmente reintegrados no ciclo normal de produção sem que se verifiquem perdas nas suas características (Lourenço, 2007); Quanto ao alumínio, apesar do seu peso relativo no total dos RCD ainda ser baixo, é um elemento importante tendo em vista a sua reciclagem. Os componentes de alumínio de um edifício demolido não são normalmente considerados resíduos e são habitualmente recuperados, reutilizados ou reciclados, praticamente na sua totalidade (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004). Segundo a European Aluminium Association (EAA), a recuperação quase total do alumínio é exequível porque existe disponível uma quantidade relativamente elevada da sua sucata e esta tem um valor que, na grande parte dos casos, cobre os custos de demolição. Adicionalmente, como a variedade de ligas deste metal na construção civil é diminuta, a sucata de alumínio é boa para fundir e fabricar novas peças. Na europa, o sistema de recolha 26 de alumínio já esta instituído e, devido ao incentivo financeiro que a reciclagem constitui, a tendência é que se continue a desenvolver. A separação do alumínio e outros metais não ferrosos terá que ser feita por processos alternativos aos magnéticos convencionais. A segregação pode então ser feita manualmente ou recorrendo a processos mecânicos como a utilização de um separador de correntes parasitas (Lourenço, 2007). 4.2.6MADEIRA Existem variadas utilizações possíveis para a madeira recuperada, sendo que, a valorização energética e a reciclagem foram identificadas como as duas utilizações mais frequentes e importantes e, quase sempre, competindo entre si. Para além destas duas soluções, a madeira recuperada pode ainda ser reutilizada ou eliminada (deposição em aterro) (Pico, 2008). No que diz respeito aos resíduos de madeira provenientes de cofragens e elementos construtivos, estes podem ser processados do seguinte modo (Ruivo e Veiga, 2004):  Triturada para utilização como material de aterro;  Limpa e transformada em adubo (compostagem);  Transformada para utilização em produtos derivados da madeira (aglomerados de fibras, de partículas ou madeira-cimento);  Elementos de maior dimensão poderão ainda ser transformados em elementos construtivos ou mobiliário. Alguma madeira, como a de pranchas, vigas, portas e estacas, pode ser reutilizada sem a necessidade de tratamento (Ruivo e Veiga, 2004). Estes elementos podem ser reutilizados diretamente ou redimensionados, evitando a utilização de madeira nova ou a utilização de outros materiais (Pico, 2008). A madeira recuperada dos resíduos de construção civil pode ser sujeita a reciclagem ou reutilização para seguir diversos fins (Brito, 2006; Pico, 2008):  Soalhos, portas, caixilhos de janelas;  Painéis de aglomerado de madeira utilizados na produção de mobiliário; 27  Estacas para plantas;  Produção de combustível derivado dos refugos;  Reparação de edifícios rurais;  Material de enchimento para correção de taludes;  Camas para animais na forma de aparas e serradura;  Compostagem;  Incineração com recuperação de energia. Um problema ligado à reutilização da madeira prende-se com o elevado grau de contaminação com outros materiais (pregos, parafusos, metais pesados, tintas) a que normalmente está sujeita. Os pregos e parafusos podem ser recuperados para sucata e podem prever-se estações de tratamento para remoção de tintas (Ruivo e Veiga, 2004). Quanto à utilização do material para produção de energia, se os contaminantes estiverem presentes em quantidades reduzidas, não irão afetar o processo de produção (Pico, 2008). Painéis de aglomerados, madeira forrada com plástico e madeira impregnada (tratada com pressão) são materiais com poucas opções de reciclagem. A madeira pintada, por norma, pode ser processada sem grandes problemas, pois durante a moagem a tinta é separada na forma de partículas e extraída (Ruivo e Veiga, 2004). A madeira pode ainda, em alguns casos, ser debastada ou reduzida em tamanho, processada para papel e cartão e também processada para produção de elementos laminares como painéis aglomerados. Pode, também, ser queimada nas centrais de energéticas alimentadas por carvão se forem instalados queimadores próprios. No entanto para que seja garantida a combustão completa, a madeira deve ser finamente estilhaçada (Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.7PAPEL E CARTÃO O papel e cartão desde que limpos e secos, são recolhidos seletivamente e podem ser reintegrados no fabrico do papel e cartão reciclado. Podem de igual forma integrar o processo de fabrico de material de isolamento à base de celulose. O material residual é alojado em aterros ou incinerado (Ruivo e Veiga, 2004). 28 Figura 7Sistematização dos processos de recuperação e reciclagem de resíduos plásticos (Letras, 2008) Os custos de recolha e transporte tornam por norma a reciclagem destes materiais inviáveis do ponto de vista económico. Um dos meios de desenvolver o uso de papel reciclado é aumentar a cota de mercado de isolamentos com celulose (Ruivo e Veiga, 2004). 4.2.8PLÁSTICOS De acordo com Azapagic et al. (2003), citado por Letras (2008), as opções disponíveis para valorização dos resíduos plásticos são a reciclagem mecânica, a reciclagem química e a recuperação energética (Letras, 2008). A reciclagem deste tipo de resíduos torna-se complicada quando estes se apresentam, como acontece normalmente, combinados com outros materiais formando compósitos, pelo que materiais com diferente constituição interna terão de ter tratamento distinto (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004; Tam e Tam, 2005). No entanto, desde que os resíduos plásticos sejam corretamente separados e se apresentem limpos, podem ser transformados em grânulos e reutilizados na produção de novos produtos plásticos (Ferreira, 2006). Depende de vários fatores a escola da melhor opção para a recuperação dos plásticos, entre os quais, o produto em questão, a sua condição física, o seu grau de contaminação ou idade. Na tabela seguinte comparam-se os diferentes processo de recuperação do plástico tendo em conta o tipo de produto a recuperar (Lourenço, 2007; Ruivo e Veiga, 2004). 35 Tabela 8 - Folha para catalogação dos materiais. DESIGNAÇÃO DO RESÍDUO CÓDIGO LER ORIGEM DO MATERIAL QUANTIDADE (TON) DESTINO DO RESÍDUO Consideram se importantes alguns aspetos a ter em conta no processo para obter uma catalogação mais eficiente e consequente sucesso no reaproveitamento dos materiais (Construction Waste Management: Guide - Methods to Save Money and Resources, 2003):  Estar consciente da hierarquia dos sistemas construtivos para evitar a degradação de materiais e de elementos construtivos em bom estado e com elevado potencial;  Identificar elementos construtivos e materiais antigos com grande potencial económico;  Identificar materiais ou elementos cuja remoção pode pôr em causa a segurança dos intervenientes em obra;  Identificar materiais e elementos que possam ser facilmente reutilizados, como portas, janelas, etc., isto é, que são facilmente escoados;  Identificar materiais que possam ser removidos e separados sem danos;  Identificar os materiais praticamente novos, que podem ser reutilizados facilmente;  Identificar os materiais que contém substâncias perigosas ou contaminados;  Ter mente aberta face ao potencial do material ou elemento em estudo e discutir ideias quanto ao seu aproveitamento. Contaminação O conceito de perigosidade é relativo e pode ser diferido no tempo, isto é, os RCD podem ter na sua constituição materiais que originalmente eram perigosos, ou que se tornaram perigosos por contágio com o ambiente a que foram exposto e por último podem tornar-se perigosos quando são colocados em contacto, ou são misturados com materiais perigosos. 36 Para que o grau de contaminação seja o mais reduzido possível é necessário um apertado controlo de qualidade (Silva, P., 2008). Dimensão A dimensão do material deverá enquadrar-se dentro dos limites estabelecidos conforme a finalidade específica para a qual se destina. Para tal, deverá ser avaliada a dimensão dos materiais, por exemplo, para o caso de aplicação de agregados reciclados em betões e argamassas é necessária uma correta análise granulométrica (Civil, E. 2010). Estado de conservação O estado de conservação deve ser avaliado para determinar a viabilidade do seu reaproveitamento. Caso o material não se apresente danificado pode ser reutilizado diretamente na mesma obra ou ser vendido, mas se estiver danificado isso já não é possível, sendo assim reciclado. A reciclagem terá custos de recolha e transporte e receção associados. Os materiais e elementos construtivos podem ser classificado quanto à sua condição (Silva, P., 2008):  Danificado por completo;  Fraco estado de conservação;  Suficiente estado de conservação;  Bom estado de conservação;  Excelente estado de conservação. O tipo de reaproveitamento escolhido para o material é decidido conforme o estado de conservação do mesmo. Facilidade de limpeza e tratamento Para avaliar se o material deve ser reutilizado, deve-se analisar o processo de limpeza e tratamento quanto ao custo do mesmo. No caso de acarretar custos elevados, deixa de ser viável a reutilização e passa a ser analisada a possibilidade da reciclagem do material, sendo o aterro o destino final caso a reciclagem também não se torne viável (Civil, E. 2010). 37 Facilidade de remoção A remoção dos materiais só é viável no caso de ser possível a separação dos mesmo sem que se danifiquem e para isso é importante conhecer a forma como estão ligados. No caso de não ser possível, esta inviabilizada a sua reutilização e deve-se avançar para a sua reciclagem ou aterro (Civil, E. 2010). Possível função a desempenhar O tipo de reutilização que o material venha a ter depende da função que se pretende dar ao mesmo. No caso de se pretender que este venha a ser utilizado para a mesma função, este pode ser reutilizado, caso as suas propriedades ainda se mantenham. No caso de se pretender utilizar o material para uma função diferente da original, o mesmo também pode ser reutilizado (Civil, E. 2010). Quantidade A quantidade total de resíduos vai depender essencialmente do tipo e dimensão da obra. O cálculo da quantidade de resíduos deve ser feito, de acordo com o “Manual Europeu de Resíduos de Construção de Edifícios”, com base em volumes, visto que este procedimento está por norma associado a pequenas incertezas. A acrescentar a isto, deve se, se possível, fazer um balanço diário de resíduos, baseado no tamanho dos contentores e no nível de enchimento dos mesmos, ou ainda, atribuir tarefas específicas relacionadas com os resíduos segundo o volume existente (Civil, E. 2010). Quando se trata de reabilitações e para uma definição mais precisa dos tipos e quantidade de resíduos resultantes, pode-se recorrer à informação que consta nos mapas de quantidades que foram utilizados no concurso/orçamento do projeto de construção. A determinação de quantidade dos diferentes tipos de resíduos é importante, isto porque no caso de quantidades reduzidas, a recolha destes passa a ser considerada economicamente não viável (Civil, P. 2010). Resistência O material resultante das atividades de construção civil, ao ser analisado, constata-se que apesar da heterogeneidade, a grande maioria reveste-se de boa resistência mecânica. No entanto, a utilização destes materiais necessita de estudos sobre o comportamento 38 mecânico, de modo a poder prever-se qual a sua tendência para a degradação (Oliveira,2002). 5.2CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS DO PONTO DE VISTA OPERACIONAL A gestão de RCD em obra carece tanto de um planeamento cuidadoso de separação e de armazenamento em obra como também de um planeamento económico rigoroso, para que seja possível otimizar o tempo consumido e os custos envolvidos nas tarefas de tratamento e recolha de resíduos (Lourenço, 2007). 5.2.1MANUSEAMENTO Para que o processo de reaproveitamento não seja inviabilizado, é imprescindível que se adote um especial cuidado com o manuseamento dos materiais. Este especial cuidado tem como objetivo o facto de não danificar os materiais para que estes possam ser reutilizados e também para que não fiquem contaminados por outros materiais, impossibilitando assim a sua reutilização e acarretando mais custos na reciclagem ou aterro dos mesmos (Civil, P. 2010). 5.2.2SEPARAÇÃO E ARMAZENAMENTO Terminada a identificação dos tipos e quantidades de resíduos produzidos, é necessário determinar o grau de separação dos mesmos, isto é, o número e tipo de diferentes frações de resíduos que devem ser recolhidas separadamente, mais apropriado para a situação em estudo (Projeto WAMBUCO, 2002b). O grau de separação de resíduos está dependente das possibilidades regionais de encaminhamento dos resíduos e respetivos custos, devendo-se proceder a uma análise de mercado para identificar os operadores de resíduos que existem, quais os resíduos que aceitam e em que condições, assim como o tipo de serviços que prestam e preços que praticam (Lourenço, 2007;Projecto WAMBUCO, 2002b). Em obra, o grau de separação dos resíduos deve ser determinado considerando alguns parâmetros (Projeto WAMBUCO, 2002b):  Distribuição de resíduos em diferentes frações ou fluxos;  Espaço necessário para os contentores; 39 Figura 8Acondicionamento temporário de resíduos em diferentes frações.  Exigências de supervisionamento de resíduos;  Métodos de tratamento de resíduos disponíveis;  Organização da gestão de resíduos em obra;  Período de produção de resíduos;  Quantidades dos resíduos por fração;  Tipo de contentores adequados. 5.2.2.1DISTRIBUIÇÃO DOS RCD POR FRAÇÕES A distribuição de resíduos em diferentes frações deve ser feita de acordo com as descrições e códigos de resíduos da Lista Europeia de Resíduos e, dentro de cada um desses grupo, de acordo com os métodos de recolha e valorização ou eliminação a que vão ser sujeitos (Lourenço, 2007). 5.2.2.2QUANTIDADE DE RCD POR FRAÇÃO No caso da quantidade de resíduos de uma determinada fração ser inferior a 2 – 3 m³, exceto no caso dos resíduos perigosos, a sua recolha seletiva é, por norma, considerada economicamente desfavorável, por geral custos relativamente elevados no que diz respeito ao aluguer de contentores e ao respetivo transporte (Projeto WAMBUCO, 2002b). Havendo uma quantidade de resíduos que se justifique e tomando a decisão de proceder, em obra, à recolha seletiva dos resíduos em diversas frações, deve-se ter em conta não só os aspetos económicos mas também os aspetos ambientais associados. Se por um lado, cada tipo de resíduo requer um tipo de contentor próprio, por outro lado, o transporte 40 dos resíduos provoca a emissão de gases poluentes e gastos energéticos. Deve-se então, procurar um equilíbrio entre as vantagens duma separação mais eficaz, que permite um maior reaproveitamento dos resíduos, e o prejuízo ambiental provocado pela mesma, uma vez que uma separação de resíduos mais profunda requer contentores mais pequenos, o que provoca um aumento do número de deslocações necessárias para o seu transporte (Projeto WAMBUCO, 2002b). 5.2.2.3SUPERVISIONAMENTO DOS RCD De forma a garantir uma separação das frações de resíduos mais eficaz, devem ser implementadas medidas de supervisionamento eficazes. A jusante da execução do projeto, deve ser definido quem controla e quem é responsável pela qualidade da separação dos resíduos e quando e em que intervalos de tempo são efetuados esses supervisionamentos (Projeto WAMBUCO, 2002b). Embora o supervisionamento contínuo faça todo o sentido, o mesmo iria exigir a presença de um responsável a tempo inteiro. Para evitar esta presença constante de uma pessoa, que pode ter funções paralelas a desempenhar, a zona dos contentores pode estar acessível apenas algumas horas por dia. No caso da zona dos contentores estar acessível durante o dia todo, o supervisionamento pode ser efetuado em intervalos de tempo, por exemplo, uma vez por dia, não havendo necessidade de contratar alguém para efetuar a tarefa. Em contrapartida, nesta variante existe uma maior probabilidade de mistura e de contaminação de resíduos nos contentores, sendo então necessário, proporcionar aos trabalhadores uma maior motivação e uma melhor informação (Projeto WAMBUCO, 2002b). 5.2.2.4PERÍODO DE PRODUÇÃO DE RESÍDUOS O espaço de tempo que uma fração de resíduos demora a ser produzida é mais um parâmetro que influencia o grau de separação dos resíduos. Os contentores destinados a uma determinada fração de resíduos só deve ser assegurado no estaleiro durante o período de produção dos mesmos, de forma a minimizar os encargos com o aluguer de equipamentos, para otimizar o espaço livre disponível e para evitar a contaminação ou danificação dos resíduos por exposição prolongada a ameaças (Lourenço, 2007; Projeto WAMBUCO, 2002b). 41 Figura 9Exemplo de contentor fechado para armazenamento de resíduos (EuroSeparadora). O desenvolvimento de um mapa cronológico da produção de resíduos permite determinar tanto o número, tipo e dimensão dos contentores necessários, como a necessidade de substituição destes, uma vez esgotada a sua capacidade (Lourenço, 2007; Projeto WAMBUCO, 2002b). 5.2.2.5TIPO DE CONTENTORES Definidas as frações de resíduos que se devem separar e quais os seus métodos de tratamento, passamos para a determinação, para cada fração de resíduos, do tipo, tamanho e o número de contentores a utilizar. Recomenda-se a consulta de orçamentos, junto das empresas de recolha de resíduos que atuam na região, de forma a comparar preços para os diferentes tipo e tamanhos de contentores, uma vez que o custo de aluguer e transporte de contentores têm uma importância significativa no preço final (Projeto WAMBUCO, 2002b). Na escolha do tipo de contentor deve-se ter em conta a necessidade de estes estarem protegidos contra o uso por parte de terceiros ou contra ações climatéricas, sendo importante, nestes casos, utilizar contentores fechados ou com coberturas próprias. Para além disto, nas frações dos resíduos perigosos, o tipo de contentor a utilizar, tal como a sua recolha, deve obedecer a exigências especiais que podem ser fornecidas pelas autoridades ambientais ou por empresas licenciadas para a sua operação (Lourenço, 2007; Projeto WAMBUCI, 2002b). Os contentores normalmente utilizados em obra para a recolha dos resíduos têm entre 1 – 40 m³, sendo mais comum a utilização de contentores com dimensões de cerca de 7 – 10 m³ 42 Figura 10 - Exemplo de contentores plásticos para armazenamento de lixo comum. por garantirem, uma boa relação entre o espaço ocupado, o custo de transporte e o período de aluguer. Para resíduos que surgem em grandes quantidades num curto espaço de tempo, como o caso de resíduos resultantes da escavação de solos, deve-se avaliar se é mais vantajoso, em termos logísticos e económicos, recorrer a veículos de carga direta ou colocar contentores in situ. Para o lixo comum é adequada a utilização de contentores de lixo próprios de diferentes cores de 240 litros ou 1,1 m³ (Projeto WAMBUCO, 2002b). Os resíduos “leves” (embalagens ou poliestirenos) devem ser recolhidos em “Big-Bags”, que são sacos de plásticos robustos, muito resistentes a cargas e a rasgões e com volumes em 0,5 m³ e 2 m³ que podem ser fixados a poste ou a suportes metálicos. A recolha de resíduos por intermedio dos “Big-Bags” tem a vantagem de não comportar custos de aluguer de contentores e de estes poderem permanecer na obra até ao final dos trabalhos ou até o número de “Big-Bags” acumulados ser suficientemente para garantir um transporte económico. Assim sendo, existe uma otimização dos custos de transporte em comparação com os contentores que requerem veículos próprios em obra e podem ser facilmente deslocados para nova localização em caso de falta de espaço (Projeto WAMBUCI, 2002b). 43 Figura 11 - Exemplo de "Big-Bags" para armazenamento de resíduos. Figura 12Exemplo de placa de sinalização para identificar os resíduos admitidos/não admitidos nos contentores. Os contentores, tal como os “Big-Bags”, devem estar assinalados corretamente com placas identificadoras do resíduo, pelo nome que é conhecido, pelo código LER e, preferencialmente, com fotografias dos resíduos. Este procedimento é crucial para prevenir a mistura acidental de resíduos nos contentores, principalmente para trabalhadores que não saibam ler ou que não saibam a língua portuguesa (Lourenço, 2007). 44 5.2.2.6ESPAÇO PARA OS CONTENTORES O espaço necessário para a colocação dos contentores no estaleiro de obra é um dos parâmetros que também influência o grau de separação dos resíduos (Lourenço, 2007; Projeto WAMBUCO, 2002b). Em primeiro lugar deve-se definir o tipo de recolha que será feita, isto é, se é pretendido fazer a recolha dos resíduos apenas numa zona ou em diversas zonas e ainda, se se pretende determinar uma recolha de resíduos descentralizados dentro do edifício (Projeto WAMBUCO, 2002b). Esta escolha será tomada, de preferência, tendo em atenção as distâncias entre as frentes de trabalho e os locais dos contentores, devendo os contentores estar o mais próximo possível das zonas de produção dos resíduos, para que se possa minimizar o tempo dispensado entre a separação e a recolha dos resíduos, aumentando o grau de aceitação do sistema de recolha por parte dos trabalhadores. A localização dos contentores deve ainda, constar num local onde a grua possa aceder de forma a garantir uma fácil recolha e transporte dos contentores e dos resíduos (Projeto WAMBUCO, 2002b). A elaboração de esquemas e desenhos de implantação são uteis para uma utilização mais apropriada das áreas livres, uma vez que, o espaço necessário para os contentores depende do número de contentores que vão ser necessários em simultâneo na obra (Projeto WAMBUCO, 2002b). Por vezes a área livre disponível é inferior à necessidade de espaço para a colocação dos contentores, logo o grau de separação dos resíduos pode se tornar limitado. Nestes casos, pode-se fazer uma descentralização dos contentores, de preferência para mais perto das zonas de trabalho, ou então reduzir ao tamanho dos contentores (Lourenço, 2007; Projeto WAMBUCO, 2002b). Em demolições, a opção de reduzir ao tamanho dos contentores torna-se difícil, devido às grandes quantidades dos resíduos gerados e porque implica uma maior frequência na recolha dos resíduos, logo, maiores custos de transporte. Assim sendo, apesar dos custos associados ao encaminhamento de resíduos misturados serem, por norma, superiores aos de encaminhamento de resíduos triados, deve ser feito um balanço entre os custos 51 Como se verifica no Capítulo 4, são várias as soluções para o reaproveitamento dos diferentes tipos de resíduos e as principais aplicações de RCD passam muito pela reciclagem dos resíduos de betão, por constituírem a maior fração dos RCD. Numa primeira fase, estes resíduos podem ser utilizados em aplicações de baixo nível de exigência, com ou sem tratamento prévio, como volumes de enchimento ou material para bases de acessos provisórios. Contudo, após a remoção dos contaminantes, britagem e crivagem, estes materiais podem ser utilizados em aplicações de maior exigência. Está também cada vez mais facilitado o acesso a entidades nacionais e internacionais licenciadas para o tratamento de RCD a que podem recorrer os produtores nacionais para o tratamento dos mesmos e no Capítulo 6 estão enunciadas apenas uma pequena percentagem do bolo existente de empresas licenciadas a nível nacional. É importante referir que o reaproveitamento de materiais em grandes obras de reabilitação, é um processo de valorização possível, economicamente viável e com a qual se obtém muito benefícios. Contudo, só é eficiente se se proceder a uma correta e criteriosa caracterização do edifício e dos materiais que o compõem, assim como a uma gestão eficiente dos RCD em obra. Concluindo, ficou bastante patente durante todo o trabalho, a obtenção dos objetivos propostos quer a nível de informação relativa aos resíduos de construção e demolição como também a nível da informação recolhida acerca do processo da reciclagem, reutilização e valorização dos RCD e das empresas licenciadas existentes para dar o melhor tratamento a cada resíduo. Para que o reaproveitamento de materiais em grandes obras de reabilitação seja uma prática corrente em Portugal, ainda há muito a fazer. Como sugestão, ficam registadas algumas ideias para trabalhos futuros:  Reabilitação sustentável;  Exploração de novas e inovadoras formas de reciclagem;  Utilização de materiais e componentes da construção com crescente incorporação de resíduos de construção;  Viabilidade da construção de edifícios recorrendo maioritariamente a materiais usados. 52 8 - BIBLIOGRAFIA Algarvio, D.A.N. (2009). 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