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Fabiana Rodrigues Tavares Freitas O Programa Portugal Inovação Social:Estudo de caso sobre a Incubadora Regionalde Inovação Social – IRIS outubro 2020 Uminho | 2020Fabiana Rodrigues Tavares Freitas O Programa Portugal Inovação Social: Estudo de caso sobre a Incubadora Regional de Inovação Social – IRIS Universidade do MinhoEscola de Economia e Gestão
Dissertação de Mestrado Mestrado em Economia Social Trabalho efetuado sob a orientação doProfessor Doutor Jorge Miguel Oliveira Sá Cunha Professora Doutora Maria Cristina Guimarães de Almeida Moreira Universidade do MinhoEscola de Economia e GestãoFabiana Rodrigues Tavares Freitas O Programa Portugal Inovação Social:Estudo de caso sobre a Incubadora Regionalde Inovação Social – IRIS outubro 2020
i DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho
ii DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. Universidade do Minho, 27 de novembro de 2020 Nome completo: Fabiana Rodrigues Tavares Freitas Assinatura:
iii “O Programa Portugal Inovação Social: Estudo de caso sobre a Incubadora Regional de Inovação Social – IRIS” Resumo O crescimento da Economia Social está a criar um ambiente favorável para a formação de um mercado baseado na inovação social e em seus intervenientes. Isto gera uma nova gama de opções para investir e receber investimento. O Programa Portugal Inovação Social é resultado de tal cenário e surge como primeira política de incentivo à inovação social. É o maior exemplo prático colaborativo para o fortalecimento e construção de uma rede de investimentos sociais em Portugal e por isso será o objeto de estudo desta dissertação. Na presente revisão da literatura, a inovação social e a importância dos empreendedores sociais, são conceitos chave para entender as principais engrenagens do referido objeto de estudo. Adicionalmente, serão reforçados o impacto social e a urgência do estabelecimento de metodologias claras, complementares e padronizadas de avaliação/mensuração de forma a que os stakeholders se sintam seguros sobre suas decisões de investimento neste segmento. Além de abordar a necessidade de discussão sobre um indicador que atenda as necessidades de padronização dos resultados da Economia e Inovação Social. Posto isto, será utilizado um dos projetos selecionados para receção de fomento, para a elaboração de um estudo de caso, nomeadamente a Incubadora Regional de Inovação Social - IRIS, projeto piloto na União Europeia. Neste estudo de caso serão dados a conhecer não só as atividades realizadas, mas também os resultados, sendo concomitantemente um exemplo de iniciativa institucional para a potencialização da Inovação Social. Durante toda a dissertação a coerência do Programa Portugal Inovação Social é percebida. O estudo de caso representa concretamente uma iniciativa possibilitada pela congregação de parceiros para geração de impacto e disseminação da Inovação Social. A concretização de novas respostas a problemas não solucionados pela estrutura existente, tendo como base a inovação social, possibilitado pelos instrumentos de fomento
iv ofertados; indicou que o programa objeto de estudo contribui de maneira positiva e disruptiva para a Economia Social e seu ecossistema. Palavras-chave: Economia Social, Inovação Social, Portugal Inovação Social, Incubadora Regional de Inovação Social-IRIS
v “The Portugal Social Innovation Program: Case Study on the Regional Social Innovation Incubator – IRIS” Abstract The growth of the Social Economy is creating a favourable environment for the formation of a market based on social innovation. It creates a new range of options for investing and receiving investment. The Portugal Social Innovation Program is the first policy to encourage social innovation as a result of the scenario described. Nowadays, it is the greatest collaborative example for the strengthening and construction of a network of social investments in Portugal and for this reason it will be the object of study of this dissertation. In this literature revision, social innovation and the importance of social entrepreneurs are key concepts to understand the main gears of the object of study. In addition, the social impact and urgency of establishing clear, complementary and standardized evaluation / measurement methodologies will be reinforced which would make stakeholders more confident about their investment decisions in this sector. In addition, it addresses the need for discussion about an indicator that contributes to standardization of the results of Economics and Social Innovation. One of the selected projects to receive funding, will be used for the preparation of a case study, namely the Regional Incubator for Social Innovation - IRIS, a pilot project in the European Union. In this case study, it will be possible to know not only the activities carried out, but also the results, being an example of an institutional initiative to enhance Social Innovation. Throughout the dissertation, the coherence of the Portugal Social Innovation Program is perceived. The case study concretely represents an initiative made possible by the congregation of partners to generate impact and disseminate Social Innovation. The creation of new responses to problems not solved by the actual system, based on social innovation, was made possible by the promotion instruments offered; indicating that
vi Portugal Social Innovation Program contributes in a positive and disruptive way to the Social Economy and its ecosystem. Keyword: Social Economy, Social Innovation, Portugal Social Innovation, Regional Incubator for Social Innovation-IRIS
13 Capítulo 1. Introdução 1.1 Enquadramento Almeida & Santos (2018) relatam que com todas as mudanças políticas e sociais resultantes do maior acesso à educação e à democracia, entre outros importantes fatores, torna a sociedade civil um agente ativo de transformação. Este fato, faz com a participação e sobretudo ação efetiva da sociedade civil sobre problemas sociais seja cada vez mais presente. “Consolida-se, neste contexto, o papel crescentemente relevante do setor cooperativo e social, frequentemente designado Terceiro Setor ou, segundo tendências mais contemporânea, identificado como setor da Economia Social” (Almeida &Santos, 2018: 445). Tal movimento representa a possibilidade de fortalecer o setor, mas principalmente incentivar a Inovação Social (IS). E é este o tema que será abordado nesta dissertação por meio da análise do Programa Portugal Inovação Social. Este programa corresponde a uma Política Pública que tem como finalidade aproximar as inovações sociais dos recursos e agentes econômicos que possam financiálas. Desde 2008 foi criado um Gabinete de Assessores de Política Europeia (BEPA), para discutir e procurar novas opções para o desenvolvimento da Europa. O trabalho reuniu especialistas de diferentes países e áreas do conhecimento, os quais estruturaram um programa de modernização com base na IS. A crise vivida na época permitiu perspetivar os riscos e as necessidades sociais. Estas remetiam não só ao campo social e às políticas públicas; mas também à formação de um novo mercado baseado em resultados, no impacto social e ambiental e na valorização das ações da sociedade civil. Estes foram os principais fatores que impulsionaram a IS e a integraram na agenda da UE. Em Portugal a ES e os seus componentes passaram a demonstrar resultados, ainda que discretos. Os quais podem ser verificados na Conta Satélite da Economia Social (CSES) de Portugal, auferida em 2016. Esta faz o levantamento da contribuição para a Economia Nacional (EN) das
14 seguintes entidades: Cooperativas, Associações Mutualistas, Misericórdias, Fundações, Subsetores comunitário e autogestionário (SCA) e Associação com fins altruísticos (ACFA). O INEInstituto Nacional de Estatística (2019) disponibilizou um infográfico, Figura nº 1, com os principais resultados da CSES de 2016, objetivando facilitar o entendimento do desempenho da ES auferida naquele ano. Figura nº 1: Conta satélite da economia social 2016 Fonte: www.ine.pt, acedido em janeiro, 27, 2020 Segundo o relatório do INE (2019), responsável pelos estudos da CSES; desde a verificação de 2013, o número de entidades de ES aumentou 17,3%. Isto fez com que os indicadores referentes ao emprego nestas entidades, crescessem acima do observado na EN. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) em 2016 alcançou os 14,6% na ES contrastando com o crescimento de 8,3% na EN. O emprego remunerado representou 8,8% da ES e 7,2% na EN e o emprego total foi de 8,5% na ES e 5,8% na EN, como apresentado na Tabela nº 1, onde as informações acima podem ser melhor analisadas.
15 Tabela nº 1: Comparação indicadores Economia Social x Economia Nacional referentes ao emprego comparados com a medição de 2013 Indicador Economia Social Economia Nacional VAB 14,6% 8,3% Emprego Remunerado 8,8% 7,2% Emprego Total 8,5% 5,8% Fonte: Elaboração própria, cfm. CSES 2016, INE (2019) Acrescenta-se que em 2016, 71.885 entidades de ES foram estudadas, e representaram na economia nacional: • 3,0% do VAB; • 5,3% das remunerações e do emprego total; • 6,1% do emprego remunerado, verificadas em unidades de trabalho Equivalentes a Tempo Completo – ETC, 2016; • a remuneração média nas entidades em questão, correspondia em comparação à média nacional, a 86,3% (segundo o referencial ETC, 2016). Em 2016, os setores mais relevantes para a ES foram a Saúde representando 24,6% do VAB e 32,1% do emprego remunerado e os serviços sociais que geraram 24,3% do VAB e 29,8% do emprego remunerado. Apesar das atividades no âmbito da cultura, comunicação e recreio representarem quase 47% do total de unidades da CSES, expressaram apenas 5,0% do emprego remunerado e do VAB. A comparação internacional da ES tem de ser feita com algum cuidado, pois não há uma padronização nos modelos de mensuração de resultados. Muitos países não têm como base uma CSES e sim as informações das Contas Nacionais. Além disso, os períodos temporais nem sempre coincidem. Com esta ressalva, o INE, comparou o peso do emprego remunerado no total da economia nacional dos países da UE, mesmo não tendo como aferir se todos os países utilizaram como unidade de medida a ETC para validar os dados do emprego remunerado. Segundo os dados de 2014/2015 da CECS, Portugal relativamente ao peso do somatório das
16 remunerações na ES no total da Economia Nacional, posiciona-se um pouco acima da média dos demais países como apresentado na Figura nº 2. Figura nº 2: Peso do Emprego Remunerado da ES no emprego remunerado total da Economia Nacional (2014-2015) Fonte: Conta Satélite da Economia Social (2016), INE (2019). As informações acima foram apresentadas para que os argumentos iniciais desta pesquisa fossem estabelecidos e contextualizados. A ES tem conseguido ganhar cada vez mais espaço e força, não só devido à impulsão originada pela IS, mas também devido à necessidade de encontrar soluções com maior repercussão no campo social e ambiental. 1.2 Objetivo Face a uma mudança de paradigma globalizada, o mercado baseado na IS é uma tendência e em economias mais desenvolvidas uma realidade mais amadurecida. A UE orientou claramente nos documentos preparatórios para Estratégia 2020, como na Proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um Programa da União Europeia para a Mudança e a Inovação Social de 20111, que o países membros incluíssem em suas pautas e políticas públicas o incentivo à inovação social. Portugal 1 A proposição foi a Nº 2011/0270 (COD), E o Regulamento (UE) nº 1296/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de dezembro de 2013, que cria um Programa da União Europeia para o Emprego e a Inovação Social ("EaSI") e que altera a Decisão nº 283/2010/UE que estabelece um Instrumento de Microfinanciamento Europeu Progress para o Emprego e a Inclusão Social (1)
17 foi um dos países que se destacou neste sentido, sendo o primeiro a separar dos recursos do Fundo Social Europeu (FSE), atribuído aos países membros para investimento em desenvolvimento, uma parcela para investimento exclusivo em IS. E este passo foi dado por meio do Programa Portugal Inovação Social. O objetivo principal deste estudo é: • Estudar o Programa Portugal Inovação Social, seu funcionamento e como valoriza a IS em Portugal. Partindo deste objetivo, procurou-se dar resposta à seguinte questão de investigação: • Em que medida o Programa Inovação Social contribui para o estímulo da inovação social em Portugal? 1.3 Descrição dos Capítulos Após o capítulo introdutório, no capítulo 2, apresenta-se a revisão de literatura sobre os conceitos de IS, empreendedorismo social, impacto social e investimentos em impacto. Estes conceitos permitem uma análise do cenário no qual o Portugal Inovação Social está inserido, facilitando a análise crítica de suas ações, assim como do estudo de caso. O capítulo 3 trata da metodologia utilizada para evidenciar tais questões. O presente estudo seguirá uma abordagem qualitativa, baseada na revisão da literatura e estudo de caso. Relativamente à parte prática da dissertação, as ferramentas selecionadas foram o levantamento documental e as entrevistas semiestruturadas, realizadas com a representante da Região Norte do Portugal Inovação Social e com as gestoras da Incubadora Regional de Inovação Social (IRIS), empresa escolhida, por ser beneficiária do objeto de estudo. O capítulo 4 contextualiza Portugal diante ao desafio da IS sendo para esse efeito apresentado o programa Portugal Inovação Social. Em seguida, o capítulo 5 apresenta o estudo de caso baseado na IRIS, descrevendo sua atuação e os principais resultados obtidos bem como uma análise crítica desses resultados. Finalmente, no capítulo 6 apresentam-se as principais conclusões do estudo.
18 Capítulo 2. Revisão de Literatura 2.1 Histórico das Ações de Inovação Social na Europa Historicamente, o conceito de IS está em evolução desde a década de 70 (Martins, 2019:17). No entanto, aqui o conceito e sua perspetiva histórica será limitada aos 20 últimos anos, com foco principal nas políticas públicas de incentivo à IS. Ao iniciar-se um projeto de reestruturação da Europa por meio da Estratégia 2020, foi criada também a Agenda de Renovação Social em 2008, motivada pelos problemas sociais gerados pela crise económica mundial (BEPA, 2011:7). Um novo pensamento deveria ser colocado em prática, soluções para manter o estado de bem-estar social, deveriam ser contruídas com os cidadãos. Uma postura ativa e participativa deveria ser assumida e para isso era necessário incentivar o empreendedorismo e disseminar as práticas e pesquisas em IS. Para tal, foi criado o Programa da União Europeia– União para Inovação, com o estabelecimento do BEPA – Gabinete de Assessores de Política Europeia em 2010. Outro reflexo positivo foi o aconselhamento político da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o papel do empreendedorismo social na reestruturação socioeconómica e na geração de emprego e renda (Maduro et al, 2018: vii). No documento COM/2011/0609 final - 2011/0270 (COD)2 - Proposta de REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que estabelece um Programa da União Europeia para a Mudança e a Inovação Social, esta surge como importante recurso para enfrentamento dos desafios como: “o envelhecimento demográfico, a pobreza, o desemprego, os novos modelos de trabalho e estilos de vida e as expectativas dos cidadãos em matéria de justiça social, educação e cuidados de saúde” (CASES, 2012:10). Tal documento permitiu que o tema fizesse parte das discussões sociais como maneira de colmatar demandas há muito desejadas. Para citar dois 2 https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/ALL/?uri=CELEX:52011PC0609, acedido em outubro 25, 2020.
19 exemplos, uma maior aproximação entre os setores privado, público e terceiro setor e a apresentação de novas perspetivas na solução de necessidades sociais. As lições aprendidas com a Estratégia de Lisboa para o crescimento e geração de emprego, juntamente com a crise financeira, descortinaram fraquezas estruturais e lançaram um novo olhar sobre a dimensão social na Europa. Esta conclusão partilhada no relatório do BEPA (2011: 7), também traz a indicação de que a saída por meio do viés social, com soluções construídas juntamente com a participação da sociedade, remonta o pósguerra quando a Alemanha e Reino Unido arriscam algumas estratégias de respostas sociais inovadoras. Porém, o mercado vigente e a estrutura já estratificada da época, não permitiram ir além. Em 2011, o gabinete BEPA lança o primeiro documento, resultante da reunião com diferentes especialistas e representantes de diferentes setores para discutir esta mudança de paradigma. A partir daí, a UE e a OCDE reforçaram os estudos, geração de informação e construção de estrutura e massa crítica que proporcionassem, o mais breve possível, esta nova realidade em que a IS pudesse mudar também o mercado, desonerando os custos da máquina social. No documento, Estado da União 2012Acelerar a Mudança, item 3.4 de 20123 pode-se observar que a IS já é um item separado do quesito inovação, demostrando que o tema já figurava amplamente nas discussões políticas. Nos anos de 2012\2013 foram criados 25 grupos de pesquisa em diferentes áreas que estabeleceriam as bases da inclusão da IS em cada segmento (Moulaert et al., 2017: 8). As siglas que vemos como instituições que contribuíram para o conceito de IS, nomeadamente TEPSIE, TRANSIT, SIMPACT são exemplos desses grupos de pesquisa que concluíram o trabalho, em sua maioria, em 2016. Em 2013, inicia-se em Portugal o grupo de trabalho que irá determinar as bases para a elaboração de uma política pública para o incentivo às ações 3 Estado da União 2012Acelerar a Mudança, item 3.4 de 2012 Acedido em agosto 15, 2020; disponível em https://eur-lex.europa.eu/legalcontent/PT/TXT/HTML/?uri=CELEX:52013DC0149&from=EN
20 de IS, por meio de instrumentos de fomento inovadores com a participação de diferentes setores do governo, iniciativa privada e sociedade civil, como descrito em Maduro et al. (2018: 15) e Almeida & Santos (2016\2017: 451). Em 2014, o gabinete BEPA lança o relatório com uma avaliação dos dez anos de trabalho, analisando os resultados e abordando a construção de uma economia focada na construção de um ecossistema de investimento e mensuração de impacto. Neste mesmo ano é lançado o programa Horizonte2020, com sua política para o período 2014-2020, transferindo recursos para a ação Portugal2020 que destina parte do Fundo Social Europeu para a iniciativa Portugal Inovação Social, de acordo com publicação de Maduro et al. (2018: 49). Em 2018, na conferência WebSummit realizada em Portugal, a Ministra para o Desenvolvimento Regional, Dr.ª Maria Manuel Leitão Marques, apresenta a Declaração de Lisboa – Inovação Social como um caminho para uma Europa sustentável, resiliente e inclusiva; lançando as bases para os investimentos a serem feitos pela Comissão Europeia no período de 2021 a 2027, com término em 2030. No mesmo evento, Em 2020, estão previstas as últimas chamadas de projetos do Portugal Inovação Social, com prestações de conta a serem entregues em 2023, conforme informação do próprio site do programa4. 2.2 Conceito de IS Na UE um dos principais relatórios que estabeleceram as bases para a discussão do tema e das práticas a serem seguidas à respeito da IS, foi o relatório do gabinete BEPA de 2010, após a conferência de estudo que divulgou como possível conceito de inovação social o desenvolvimento e prática de novas ideias, produtos, serviços ou modelos com o objetivo de atender as demandas da sociedade em criar novas relações ou colaborações (BEPA, 2011: 9). Este direcionamento poderia gerar novas respostas a problemas complexos. A IS é considerada como uma maneira de aumentar o bem-estar social, sendo preciso para isso não só um olhar peculiar sobre 4 https://inovacaosocial.portugal2020.pt/candidaturas/concursos-abertos/, consultado em junho,29, 2020.
21 o problema a ser resolvido como uma forma inusitada em resolvê-lo. Modificam a realidade social para melhor, mas também incentivam e inspiram a capacidade de agir das pessoas. Em 2013, alguns resultados preliminares das pesquisas encomendadas pela UE e dividida pelos grupos temáticos começaram a ser divulgadas. Por exemplo, o estudo de Jenson & Harrison (2013: 15), destaca três características das IS, de acordo com os grupos de pesquisa: “IS são nova soluções que simultaneamente respondem necessidades sociais e levam a novas ou melhores competências e relações, além de melhor uso de ativos e recursos. Em outras palavras, IS são boas para sociedade e inspiram sua capacidade para agir” (Tepsie - The theoretical, empirical and policy foundations for building social innovation in Europe); “A IS deve ser estruturada para atender um desafio social; desenvolvendo um novo produto, processo, modelo de marketing ou estrutura organizacional, ou ao menos, significantemente melhor” (SelusiSocial entrepreneurs as lead users for service innovation); “IS é um processo onde atores da sociedade civil (empreendedores sociais), desenvolvem novas tecnologias, estratégias, ideias ou organizações para atender necessidades sociais ou resolvê-las” (SPREAD - Social platform on sustainable lifestyles 2050). Por sua vez, Benneworth e Cunha (2015: 512), em sua pesquisa sobre a urgência de um maior envolvimento e transferência de conhecimento entre a Universidade e a Sociedade, conceitua IS como: “Uma inovação social é uma prática socialmente inovadora que proporciona resultados socialmente justos, promovendo o desenvolvimento de soluções inovadoras em comunidades de aprendizagem cruzando fronteiras, criando valor social promovendo o desenvolvimento da comunidade, formando assim, redes colaborativas mais amplas e desafiando as instituições sociais existentes por meio dessa ação colaborativa”. Para os organizadores do Programa Portugal Inovação Social (20165) convencionou-se considerar que a IS: “ocorre quando o processo de empreendedorismo social é bemsucedido, ou seja, quando é gerada uma nova resposta a um problema social, diferenciada das convencionais, que promove a autonomia e gera impacto social positivo, com utilização eficiente de recursos”. 5 https://inovacaosocial.portugal2020.pt/sobre/inovacao-social/
22 De salientar, igualmente, que segundo o Glossário de Inovação Social organizado pela IRIS (2018:5) a IS corresponde ao “desenvolvimento e implementação de uma solução inovadora que resolve um problema social e que apoia o desenvolvimento social e económico. Uma inovação social, idealmente, deve ser de fácil codificação, permitindo o seu crescimento e disseminação.” Agostini et al. (2017: 393) leva ao cabo um estudo cujo objeto é responder como a IS é abordada na literatura científica. O resultado foi listado de acordo com a frequência de ocorrências. Em primeiro aparecem os trabalhos que tratam do conceito, modelos e estudos de caso específicos sobre IS; a seguir estão os trabalhos cuja teoria principal é a responsabilidade social, mas que abordam a IS como sinônimo ou complemento; assim como surgem estudos com o mesmo resultado só que com empreendedorismo social como tema principal; em quarto, estudos que confundem IS com ONGs e por fim estudos que apresentam IS nas palavraschave, mas não abordam o tema. Esta confusão conceitual foi atribuída no estudo ao fato de não haver uma conceituação única de IS e também pelos estudos serem ainda considerados recentes. O processo de construção de uma IS passa por diferentes etapas. Após a identificação do problema a ser resolvido, a primeira etapa é a exploração de ideias e soluções. Passa-se assim à etapa de validação, onde as ideias podem ser testadas com os clientes em direto ou por meio de um protótipo para apresentação. Se forem bem-sucedidas, há um processo de sustentação do novo modelo na fase de implementação talvez como um novo empreendimento ou como uma nova política dentro de uma instituição existente. A etapa final é escalar, ou seja, aplicar em grande escala, para que a nova abordagem tenha um impacto real e se torne parte da norma (UE, 2013: 9). O processo de desenvolvimento de uma inovação social pode ser melhor visualizado na Figura nº3, que representa as etapas mencionadas anteriormente.
29 Figura nº5: Cocriação de valor na interação entre oferta e demanda de Inovação Social Fonte: Elaboração própria, cfr. SIMPACT (2016) O relatório estatístico do SIMPACT (Social Innovation Economic Empowering People) (Wintjes, 2016:4) aborda que o valor social não é um conceito objetivo, só pode ser percebido a partir da interação entre oferta e demanda e também não é estático, varia ao longo do tempo, local e contextos. Por exemplo, os produtos classificados como itens de Comércio Justo, são bastante valorizados nos países mais abastados, porém nos países em desenvolvimento não há cultura de consumi-los. Esta interação é a base para o amadurecimento e consolidação do mercado baseado em IS. No entanto, essa interação e formação de valor não corresponde à realidade conhecida. No mercado tradicional há conhecimento suficiente para entender os movimentos e saber como funciona. No mercado que está se buscando desenvolver com a IS, na maior parte das vezes não há base de comparação para saber como irá se comportar ou oscilar. Por isso, a interação/colaboração entre oferta e demanda e de todos os segmentos envolvidos é tão importante. Assim, torna-se possível desenvolver conhecimento, impulsionar a transferência
30 tecnológica e boas práticas de maneira mais célere para que esta tendência se torne realidade. Maduro et al. (2018:39,40) elencam os itens que ainda devem ser conquistados para a construção de uma infraestrutura sólida neste mercado. Para que um ecossistema seja eficiente o primeiro ponto a ser alinhado deve ser a cultura institucional. Conceitos e princípios harmonizados são fundamentais para evitar ruídos na comunicação. Todos os agentes envolvidos devem ser estimulados a colaborar na criação e disseminação das informações, para que a sociedade perceba valor. A cultura da IS só alcançará escala se: os valores e costumes forem naturalmente acordados, percebidos por diferentes atores e reconhecidos realmente como algo novo e significativo. O sucesso de um ecossistema só é possível caso tenham disponível dados relevantes e fiáveis, tanto para o lado da oferta quanto para a demanda. As informações do mercado devem ser tão diversificadas quanto possível, vinda de diferentes fontes e para diferentes usos. Situação financeira dos provedores de serviços sociais, portefólio de investidores, histórico e desempenho de instituições, impacto de projetos e políticas públicas, são exemplos de informações relevantes. A qualidade das mesmas garante decisões bem-sucedidas e uma reputação positiva crescente. No estágio inicial que este mercado se encontra, a geração de informação confiável e cultura da IS são os primeiros passos, mas para o desenvolvimento e crescimento desejado, serão necessários intermediários. Tal componente é representado por profissionais com habilidades e focados no setor, podendo prover assessoria\consultoria diferenciada para alavancar as iniciativas e tornar o mercado lucrativo para seus componentes. Eles têm um papel fundamental na construção da cultura e na educação do mercado. Posteriormente poderão intervir de maneira mais aprofundada auxiliando nas negociações, avaliação e estruturação de negócios, gestão de risco, monitoramento do desempenho e resultados. Maduro et al. (2018:19) salientam que a agenda de IS está fortemente ligada à estratégia de investimento social, sendo de extrema importância para o apoio instrumental ao setor de ES e sua capacidade de geração de
31 emprego e renda. A este respeito, o investimento em impacto social surge na última década exatamente para estabelecer uma série de princípios, ferramentas e práticas para apoiar a IS. Criando um ciclo de retroalimentação que auxilia no amadurecimento do mercado. Há uma categorização dos níveis deste amadurecimento do mercado os classificando como incipiente, infantil e já consolidado. Portugal faz parte dos cinco países europeus com nível de performance consolidado no mercado de investimento social. Com nota máxima estão Reino Unido, Alemanha e França, imediatamente após estão Portugal e Itália, dados de 2018 (Maduro, 2018: 43-44). Este fato mostra que Portugal tem diversas práticas para partilhar e muitas vezes é citado como inovador em suas estratégias. Almeida & Santos (2017:450) afirmam que a possibilidade de vender produtos ou serviços relacionados à IS, ou negociar resultados de impacto com o setor público e filantrópico vem, desde 2010, consolidando em Portugal este segmento do mercado financeiro, conhecido como de investimento social que já movimenta milhões em todo o mundo. Em 2017, à época da publicação do referido artigo, se somavam 250 mil milhões de dólares investidos globalmente. Este é o caminho para a sustentabilidade das iniciativas de IS, com retornos financeiros atrelados à geração de impacto social e ambiental mensuráveis. 2.3.1. Medindo Impacto Social e a busca por um indicador O relatório BEPA (2014:24) referencia que o sucesso/impacto da IS tem sido por longo tempo baseados em resultados econômicos. Indicadores econômicos são utilizados amplamente para mensurar o desenvolvimento de organizações e países. Porém, no contexto de impacto social, se faz necessário uma perspetiva mais alargada, pois tratam de resultados intangíveis. As consequências ambientais e socioeconômicas devem começar a ser consideradas em primeiro plano para possibilitar um mundo mais sustentável. Para Cunha e Benworth (2020:62,63), uma vez que as IS são dependentes do contexto onde são desenvolvidas, muitas vezes cruzam os
32 limites dos diferentes setores, disciplinas e fronteiras. Tornam-se difíceis de conceituar e de analisar através de um modelo único. Isto dificulta a atribuição de valor e a mensuração de seu impacto. A avaliação de impacto é, na maioria das vezes, realizada por meio de estudos de caso o que prejudica a comparabilidade desses resultados. Há uma urgência em sistematizar o levantamento de impacto das iniciativas de IS, com a finalidade de que as mesmas ganhem maior notoriedade e possam ser valorizadas com base em dados mais claros e inclusivos. Os indicadores são importantes porque ajudam a construir uma base de conhecimento avaliando o que funciona, orientando as decisões de investimento social e moldando as políticas públicas. Mas, embora o propósito da IS seja, tipicamente, a criação de valor social, os atuais indicadores de impacto social não possibilitam uma maior confiabilidade e não traduzem de todo as mais valias das iniciativas. Para avaliar o impacto social são utilizados com frequência recursos de economia financeira. Para que seja possível visualizar as opções utilizadas na academia, no mercado financeiro e nos relatórios de resultado dos próprios projetos de IS etc, encontra-se aqui uma lista: Análise básica de recursos de eficiência, Análise de custo-efetividade, Análise Utilitária de custo, Análise de custo-benefício, Multiplicador local 3, Retorno Social do Investimento (SROI), Correlação de classificação de custo x impacto, Investimento Comunitário Corporativo, Teoria da mudança, Avaliação de impacto realista, Ensaios de controle randomizados, entre outros. Em contraponto, existem modelos praticados pela UNICEF, Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outras instituições que complementam os modelos técnicos econômicos. Estes incluem premissas qualitativas e constituem metodologias já solidificadas e implantadas, baseada na Teoria da Mudança, cujo objetivo é avaliar os resultados esperados, ou seja, a mudança, de acordo com a necessidade percebida como prioritária. Podem citar-se, ainda, outras tantas fontes como a bibliografia disponível no site ISSUELAB8, onde pode-se verificar por volta de 150 modelos de avaliação de impacto, além dos disponíveis no endereço da 8 https://www.issuelab.org/
33 Unicef9, onde estão disponibilizados os 13 volumes da série – Methodological Briefs: Impact Evaluation. No manual de avaliação de impacto do Portugal 2020, versão 2019, encontra-se, também, informação relevante sobre metodologias e indicadores para mensuração de impacto10. Será abordada de forma especial a metodologia utilizada pela IRIS, desenvolvida pelo Social Inclusion Laboratory (SincLab) da Universidade do Porto, utilizada também pelas iniciativas de IS da Área Metropolitana do Porto em seus projetos, Medição de Impacto Social – MIS, baseada no modelo científico de investigação aplicada e verificação de resultados. O que chama atenção nesta metodologia é o fato de extrapolar o objeto fim da intervenção social e considerar os impactos secundários que um projeto de IS podem gerar e incluí-los nas análises de resultados. Na Figura nº 6 podese observar a comparação do método hipotético-dedutivo com a Medição de Impacto Social. Figura nº6: A Medição de Impacto Social enquanto investigação aplicada e sua relação com o método hipotético-dedutivo. Fonte: Serôdio (2018) 9 http://www.unicef-irc.or/Km/IE/, 10 Disponível no endereço: https://www.portugal2020.pt/sites/default/files/orientacoes_para_o_planeamento_e_prep aracao_das_avaliacoes_do_portugal_2020.pdf, consultado em dezembro, 10, 2019.
34 A grande diferença da MIS, enquanto investigação aplicada é que ao partir da ação (programa, projeto, iniciativa…) a ser mensurada, já tem o referencial do impacto esperado. A metodologia de estudo envolve observações de campo, entrevistas com o público-alvo e público alcançado – isto é, não apenas o objeto da intervenção, mas todos que são de certa forma atingidos pelos efeitos da intervenção; já considera todos estes fatores no estudo de impacto. Os resultados podem ser assim, melhor percebidos pois há um alinhamento entre expectativa e realidade alcançada ao fim da intervenção. Os outcomes, podem ser mais facilmente detetados uma vez que os aspetos intangíveis já estão considerados. Contribuindo para uma análise imparcial, como o método científico prevê, porém, mais centrada no resultado realmente esperado e se fora ou não alcançado. Amanda Feldman, representante do Impact Management Project (IMP), instituição internacional de colaboração para boas práticas e construção de conceitos e metodologias de gestão de impacto, em palestra proferida no evento “Impacto – a maior oportunidade dos nossos tempos”, promovido pela Área Metropolitana do Porto, 2019; chamou a atenção para o fato de que o impacto social deve fazer parte do planeamento do projeto desde o início. Respondendo em primeiro lugar sobre: qual impacto o projeto ou a empresa quer gerar? Impactos de curto, médio prazo ou impactos sustentáveis. Reforçando que os indicadores verificados devam ser factíveis e decodificáveis por todo o ecossistema. Conforme salientado no relatório BEPA (2014:25) esforços devem ser realizados em criar evidências de que a IS é eficaz nas respostas Societais de maneira sustentável. Com a geração de dados fiáveis sobre os resultados das práticas de IS, a possibilidade de alocação de recursos públicos e a atração de outras fontes de financiamento será mais factível. E nisto a Avaliação de Impacto Contrafactual (AIC) é ponto chave de sucesso. A União Européia publicou em 2013 um guia para auxiliar na aplicação ou contratação da AIC, e na introdução esclarece que tal prática contribui para que o FSE entenda o quão efetivo foi um investimento, dando a saber o que realmente funcionou. UE (2013:9) orienta que para realizá-la é necessário definir um grupo de controlo, tão próximo quanto possa ser, ao grupo
35 (pessoas, PME, território, etc.) objeto da intervenção. Pretende-se comparar os resultados de uma ação, utilizando uma medida ou um instrumento, que possa expressar as diferenças observadas em médias ou proporções entre os valores médios apurados e os valores médios estimados. Outro ponto no qual se atentar é a ideia de que a IS pode tornar as Economias europeias mais competitivas ao gerarem valor na solução dos desafios ambientais e sociais, questões centrais para a sustentabilidade humana (BEPA, 2014:13). Na mesma direção a OCDE (2019:31), enfatiza a importância do rigor na definição de conceitos e sobre o que deve ser considerado investimento em impacto e como solucionar a falta de ferramentas de avaliação internacionalmente comparável. Uma tentativa de resolver esta questão é o GIIRS (Global Impact Investing Rating System), uma organização sem fins lucrativos que cobra uma taxa, de acordo com o porte do negócio social, pelo uso de sua plataforma on line. Seu público alvo são os empreendedores ou fundo de investimentos e utiliza a mesma lógica aplicada ao mercado financeiro, analisando padrões de performance de investimento. “As premissas são: capacidade de acompanhar o desempenho ao longo do tempo, permitir comparação, verificação independente, publicação das memórias de cálculo – metodologias e definições utilizadas e publicação de relatórios e atualização de dados com frequência definida” (Brandão et al., 2014:12). Esta ferramenta tem sido utilizada em maior escala por permitir observar o desempenho do negócio e realizar benchmarking. No entanto, sua capacidade de anunciar os outcomes e resultados de impacto ainda é restrita. Para buscar soluções mais eficientes e rápidas, União Europeia e OCDE (2015: 5) estabeleceram alguns parâmetros para uma discussão justa sobre este assunto. Para que tal trabalho resulte é necessário: assegurar a participação de todos os setores envolvidos incluindo as instituições financeiras e empreendedores sociais; valorizar o trabalho já desenvolvido até aqui que tem obtido resultados e não partir do zero absoluto; apoiar uma matriz de resultados, como um observatório de indicadores aberto para as empresas sociais; garantir políticas de financiamento às empresas de IS; criar uma cultura de mensuração de impacto, disponibilizando recursos e
36 um centro que auxilie e tire dúvidas dos usuários, fornecendo banco de dados em diferentes áreas de intervenção. Espera-se que, com tais medidas, seja possível dimensionar o valor da IS e que a sociedade, governo e demais stakeholders, conheçam o impacto no território, nas comunidades envolvidas e nas demais falhas de mercado supridas pelas iniciativas dos empreendedores sociais e suas equipes. Para além disso, uma vez que a construção de um indicador único pareça inalcançável, sendo o mais provável uma avaliação mista com indicadores econômicos e sociais (quantitativos e qualitativos), como proposto na avaliação de impacto dos projetos do PT202011. 11 Disponível no endereço: https://www.portugal2020.pt/sites/default/files/orientacoes_para_o_planeamento_e_preparac ao_das_avaliacoes_do_portugal_2020.pdf, consultado em dezembro, 10, 2019.
37 Capítulo 3. Metodologia Sílvia & Menezes (2005:20) afirmam que uma pesquisa é realizada quando há falta de informação para responder a um objetivo/problema proposto. Neste contexto e na falta de produção científica em número suficiente sobre o tema escolhido. Propõe-se como objeto principal desta dissertação: • Estudar o Programa Portugal Inovação Social e seu funcionamento. Com propósito de buscar resposta à questão mais específica abaixo: • Em que medida o Programa Inovação Social contribui para o estímulo da inovação social em Portugal? Silva & Menezes (2005:20) orientam ainda para a importância de planear um conjunto de ações baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos. Para tal efeito, o estudo de literatura sobre metodologia de pesquisa apresentou como melhor prática a abordagem qualitativa. A escolha desta abordagem foi fundamentada por argumentos de diferentes autores, entre eles, Freitas & Jabbour (2011) e Yin (2005, 2010 e 2014). O método de investigação escolhido tem como principal vantagem a profundidade e abrangência. Permite ao pesquisador uma triangulação dos dados por meio de múltiplas fontes como entrevistas, observações, análise de documentos, entre outros. Soma-se a isto, o estabelecimento de um relacionamento próximo e sistémico do objeto de estudo, muitas vezes impossibilitado em contexto de pesquisa quantitativa (Freitas & Jabbour, 2011: 9). Alguns outros aspetos se apresentam para orientar esta tomada de decisão como descrito na Tabela nº2.
38 Tabela nº2: Características da abordagem qualitativa Fonte: Elaboração própria, cfr. Freitas e Jabbour (2011:11) Os dados estatísticos poderão ser igualmente utilizados como evidência de resultados e comprovação do sucesso alcançado, nomeadamente, nas apresentações dos outputs do estudo de caso, sem que a essência metodológica seja perdida. Serão utilizadas duas ferramentas técnicas: 1Revisão de Literatura – a partir de material já publicado sobre o assunto, como livros, artigos, periódicos, publicações oficiais de organizações como OCDE, BEPA, União Europeia, entre outros; fontes advindas na sua maioria de material disponibilizado na internet. Este foco será dado principalmente na busca da definição dos conceitos que permeiam a pesquisa e os objetos de estudo. 2Estudo de caso – de acordo com Ventura (2007: 385) este é elaborado, comparativamente a outros métodos de pesquisas, partindo de um número base de questões que procuram esclarecer o como e o porquê do objeto de estudo. Para a realização do estudo de caso apresentado nesta dissertação foram realizadas 4 entrevistas semiestruturadas (três entrevistas com as gestoras da IRIS e uma entrevista com a representante da região Norte do Portugal Inovação Social), visitas à incubadora, participação em ações e análise documental. O guião para a entrevista está no Anexo 1 ssim como a descrição das entrevistas, o que possibilitou a análise qualitativa das informações. Os pormenores da estruturação metodológica serão evidenciados na Tabela nº3, onde está descrito o protocolo de pesquisa.
45 apoio de outros ministros como os da Educação e Solidariedade, Emprego e Segurança Social. Representantes da ES e IS como a UK Finanças Sociais e a Fundação Calouste Gulbenkian, que foi de grande importância com o apoio do Laboratório de Investimento Social (hoje a MAZE). Uniram-se à esta discussão, 20 influenciadores seniores, instituições públicas e privadas, como investidores, bancos, fundações, Escolas de Negócios, consultorias e mais. Maduro et al. (2018:53) relatam que foi acordado ser necessário algumas orientações e princípios que norteassem a construção prática da estrutura da EMPIS e de sua atuação no período que se seguiria (20142020). As orientações foram: i) a otimização, eficiência e impacto gerado pelos recursos públicos; ii) a adoção de modelos de investimento que previssem restituição do capital investido; iii) a combinação de recursos financeiros europeus e nacionais. Os princípios que se reforçariam e complementariam, seriam: a) promover políticas públicas preventivas, ou agir preventivamente com intervenções para impedir o desenvolvimento de riscos sociais e b) promover políticas públicas inovadoras ou intervenções para acabar com problemas sociais específicos e avançar sobre alguns objetivos sociais relacionados a recursos financeiros para alcançar seus resultados. Estas estruturas foram equacionadas e a criação do EMPIS foi formalizada pela Resolução do Conselho de Ministros (RCM), nº73-A/2014, mas ainda houve outras alterações em 2016, 2017 e 2018. Todos os documentos estão disponíveis na internet12. 4.1. Estrutura Portugal Inovação Social Os objetivos principais, relatados em seu sitio na Internet13 são: complementar as respostas sociais já existentes, promovendo a inovação e empreendedorismo social; auxiliar na dinamização e criação de um mercado 12 https://inovacaosocial.portugal2020.pt/, acedido em jul,22,2020 13 Resolução do Conselho de Ministros n.º 74/2016, de 25 de novembro, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 157/2017, de 19 de outubro, e pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 177/2018, de 18 de dezembro.
46 de investimento social, construindo instrumentos de financiamento mais adequados às especificidades do segmento da ES e das Iniciativas de Inovação e Empreendedorismo Social (IIES); criar bases para a sustentabilidade econômica e financeira deste segmento, por meio de capacitações dos atores melhorando os níveis de prontidão das entidades como um todo. É uma iniciativa pública pioneira na Europa, pois Portugal foi o primeiro país a destinar recursos do FSE para investir em IS e fomentar a consolidação do mercado deste segmento. Os 150 milhões de euros destinados ao PIS são para financiar iniciativas pioneiras e experimentar 4 novos instrumentos de financiamento. Em todos os financiamentos concedidos há a participação de pelo menos um investidor social (podem ser entidades públicas ou privadas que acompanham ou cofinanciam os projetos). Os recursos são disponibilizados através de concursos públicos com regiões pré-determinadas e linhas de fomento específicas. Os empreendedores sociais apresentam o projeto de acordo com o solicitado no edital e a comissão técnica de financiamento avalia e delibera sobre os escolhidos. As regiões geográficas escolhidas para o atendimento prioritário pelo PIS foram as Regiões Norte, Centro e Alentejo. Assim, os concursos são direcionados de acordo com as demandas Societais destas regiões, a saber: Inclusão Social, Inclusão digital, Educação, Empregabilidade, Saúde, Envelhecimento ativo e Igualdade de gênero. 4.1.1 – A Equipa A EMPIS é composta por uma comissão diretiva, um secretariado técnico e uma comissão de aconselhamento. A equipa é composta por especialistas experientes em diferentes áreas, isto auxilia na diversidade de opiniões potencializando o ambiente de inovação. Na Figura nº nº 8 apresenta-se o organograma do programa:
47 Figura nº8: Organograma Portugal Inovação Social Fonte: Elaboração própria, cfr. https://inovacaosocial.portugal2020.pt/sobre/equipa/14 e Resolução do Conselho de Ministros n.º 177/2018, de 18 de dezembro15 Ao presidente e sua adjunta, cabem diversas competências, que podem ser consultadas no decreto de constituição ministerial (nota de rodapé 14), salientando-se aqui apenas três: promover a constituição do Fundo para a Inovação Social (FIS), integrando fundos participados com todas as responsabilidades que lhe estão associadas, enquanto financiamento com recurso a fundos europeus estruturais e de investimento; promover e coordenar as ações necessárias à criação e desenvolvimento de um mercado de títulos de impacto social; promover e coordenar as ações necessárias à criação e desenvolvimento de parcerias para o impacto. O secretariado técnico funciona sob a direção do presidente e exerce as competências que por este lhe sejam solicitadas. É integrado a equipa de apoio à gestão com funções de coordenação e gestão administrativa, patrimonial e de recursos humanos, assim como apoio estratégico de 14 https://inovacaosocial.portugal2020.pt/sobre/equipa/, consultado 06, 22,2020 15 Resolução do Conselho de Ministros n.º 177/2018, de 18 de dezembro, consultado 06, 22,2020 Presidente Felipe de Almeida Equipa de apoio à gestão Funções de coordenação e gestão Equipa Técnica de Financiamento Apoio aos concursos e Concessão dos recursos Equipa Técnica de Ativação Supervisores de Campo Adjunta Marta Albuquerque Comissão de aconselhamento Secretário Técnico – Mário Dias Representantes das entidades
48 comunicação. Para isso contam com 12 colaboradores técnicos superiores e um assistente técnico. A gestão dos instrumentos de financiamento compete à equipa técnica de financiamento, assim como, suporte na documentação e a operacionalização dos financiamentos. Além de esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, analisar candidaturas e monitorar a execução dos projetos. Já a equipe técnica de ativação tem o objetivo de dinamizar os contextos locais e regionais de inovação e de investimento social. O intuito é criar uma grande rede colaborativa, envolvendo todos os atores, que disseminem as informações necessárias, divulguem o programa e esclareçam as possibilidades de participação, seja na apresentação de projetos ou no investimento em uma das modalidades existente. Esta ação permite o mapeamento e o monitoramento das iniciativas e de potenciais instituições participantes no âmbito dos apoios disponíveis. A comissão de aconselhamento é formada por membros do governo indicados por diferentes áreas, designadamente: da presidência e da modernização administrativa; da cidadania e da igualdade; das autarquias locais; da justiça; da economia; da educação; do ensino superior; do trabalho, solidariedade e segurança social; da saúde e do desenvolvimento regional. Um representante designado pela Cooperativa António Sérgio para a ES. Três representantes designados pelo Conselho Nacional da ES. Um representante designado por cada uma das comissões de coordenação e desenvolvimento regional. A referida comissão, pode ainda integrar outras entidades ou peritos nacionais e internacionais de acordo com a expertise e sob proposta do Presidente da estrutura de missão. A comissão deve garantir a execução eficiente da iniciativa PIS, nomeadamente deliberando sobre os relatórios de execução, apresentar e debater propostas e aprovar o seu regulamento interno. A participação na comissão não é remunerada. 4.2 Instrumentos de Financiamento A proposta de trazer a IS para um lugar de destaque, além de construir um ecossistema que alinhasse a oferta e demanda destas
49 iniciativas, como menciona Maduro et al. (2018:60), trouxe a responsabilidade de resposta aos desafios e primeiras providências: promover a competitividade e sustentabilidade das entidades de ES; favorecer o crescimento de projetos com impacto e modelos de negócio já testados; disseminar as boas práticas e promover políticas públicas baseadas em resultados comprovados; atrair novos players para o mercado; promover uma cultura baseada em resultados de impacto social no setor público; privilegiar o desenvolvimento das áreas prioritárias. Para viabilizar os instrumentos de financiamento foi necessária a criação de leis que regulassem não só os investimentos em ES, mas também a forma e os fundos a serem utilizados, o que foi realizado por meio das seguintes leis: Resolução do Conselho de Ministros n.º 73-A/2014, Resolução do Conselho de Ministros n.º 74/2016, Decreto Lei nº28/2018. Os quatro instrumentos de financiamento têm em vista Iniciativas de IIES, cujo objetivo maior deve ser buscar solucionar ou atenuar uma demanda social, com olhar na mudança daquela realidade, promovendo transformação com potencial de escalabilidade. Segundo as informações disponíveis no site do programa16, um projeto é uma IIES, quando preenche no mínimo três condições: • Identificação do problema social: a questão é identificável e a vulnerabilidade apresentada é atual ou potencial? • Solução Inovadora: a proposta é suficientemente diferenciada das respostas sociais já existentes? • Potencial de Impacto Social: tem o potencial de atuar positivamente na qualidade de vida ou de desenvolvimento das pessoas que fazem parte do público-alvo? De acordo com a análise do projeto apresentado e do cumprimento dos critérios básicos estes serão enquadrados de acordo com seu nível de maturidade (Figura nº 9) ou aprovado de acordo com o instrumento de financiamento para o qual concorreu. Existe uma progressão entre os 16 https://inovacaosocial.portugal2020.pt/sobre/inovacao-social/, consultado 06,22,2020
50 instrumentos, mas não quer dizer que todos os projetos devem passar pelos diferentes estágios. O viés principal é o potencial de impacto de cada iniciativa. Figura nº9: Estágios de desenvolvimento e adequação aos programas de financiamento Fonte: Elaboração própria, cfr. Maduro, et al. (2018) Os estágios das iniciativas e os instrumentos aos quais podem se candidatar de acordo com sua maturidade e resultados, são: • Estágios 1 – design e validação da solução: apenas para capacitação para o investimento social; • Estágio 2 – modelo de negócio e prototipagem: capacitação para o investimento social, parcerias para o impacto e títulos de impacto social; • Estágio 3 – Ganho de Escala: parcerias para o impacto, títulos de impacto social e Fundo de Inovação Social • Estágio 4 – Disseminação (mercado); Fundo de Inovação Social
51 Além das informações obtidas no site do Portugal Inovação Social, Maduro et al. (2018:56-60) esclarecem com detalhe as particularidades dos instrumentos de financiamento. Com base nas referências citadas, serão apresentadas as linhas de fomento. • Capacitação para o Investimento Social, destinado a apoiar o desenvolvimento das competências organizativas e de gestão das equipas envolvidas na implementação de IIES. A intenção é que as mesmas estejam preparadas para gestão e para receber o fomento. O grande ganho é romper com a dificuldade encontrada pelas instituições sociais de ter acesso à capacitação qualificada e destinada ao seu modelo de negócio, assim como aos especialistas nas diferentes áreas. Com isso, as empresas aumentam o seu nível de prontidão, a possibilidade de sucesso e impacto gerado. Num primeiro momento as iniciativas passam por um diagnóstico possibilitando a construção de um plano de desenvolvimento e capacitação de acordo com suas necessidades e perfil. Este plano deve ser desenvolvido em até 18 meses e poderá incluir até 5 intervenções distintas nas seguintes áreas: modelo de criação de valor; avaliação de impacto; estratégia, parcerias e crescimento; marketing, comunicação e angariação de fundos; liderança; gestão financeira e controle de risco; gestão de operações e tecnologia de informação. O recurso também pode ser utilizado para contratação de mentores ou consultoria. Um grande desafio aqui é realmente o ecossistema de profissionais capacitados (consultores, universidades, microempresas, etc.) para o apoio necessário aos empresários sociais. Felizmente, o PIS vem alterando este cenário com seu incentivo e criação de demanda. Entre as barreiras está o fato de não haver garantia da implementação dos conhecimentos adquiridos. No entanto, a estrutura que está a ser criada impulsionará o uso das boas práticas e acabará por excluir aqueles que não responderem da melhor forma, uma vez que o resultado e impacto não serão evidenciados durante o
52 monitoramento. Com relação ao desembolso referente a esta ação, ocorre da seguinte forma: as iniciativas recebem €5.000, para a realização do diagnóstico e apresentam o resultado, as capacitações a seguir serão liquidadas, mediante comprovativo de realização – por exemplo, um plano de marketing, modelo de negócio, etc. • Parcerias para o Impacto, a grande inovação deste instrumento é criar comprometimento entre a iniciativa com as metas estabelecidas e seu parceiro investidor. Geralmente, os recursos vêm de instituições filantrópicas (instituições públicas ou privadas) que determinam em seus orçamentos anuais uma verba de filantropia a ser investida por um ano. Aqui neste instrumento, o que se quer é modificar tal paradigma e estabelecer um relacionamento de investimento por pelo menos três anos. O parceiro contribuirá com recursos financeiros e nãofinanceiros (como mentoria ou espaço físico, por exemplo) e o PIS garantirá 70% do valor do projeto. Ou seja, o parceiro arca com 30 % do total do projeto. Geralmente, há uma entidade parceira que apresenta o projeto, o parceiro investidor, o PIS e o executor do projeto. Estabelecendo assim uma parceria orientada para a criação de impacto. • Títulos de Impacto Social (TIS), ou Social Impact Bonds Outcome Fund (SIBs). Este talvez seja o instrumento mais inovador para a realidade atual. São títulos de inovação que preveem como condição a participação de entidades públicas. O prêmio é pago de acordo com resultados de impacto social comprovados. Um só instrumento toca em dois pontos de discussão: 1o pagamento de prêmios realizado mediante comprovação dos impactos alcançados e 2o envolvimento de órgãos públicos na vivência desta prática. A intenção é difundir este modelo e garantir financiamento a projetos que apresentem resultados tangíveis, apesar desta modalidade de financiamento representar uma inovação disruptiva no modelo vigente.
53 O Portugal Inovação Social arca com a garantia do pagamento dos títulos e os investidores públicos e privados, juntamente com a iniciativa\projeto definem os impactos a serem alcançados, método de mensuração, marcos críticos, cronograma de desembolso e apresentação da proposta. Esta modalidade necessita de um planeamento financeiro bem estruturado, devido ao fato dos pagamentos faseados serem realizados pela comprovação do impacto e não por execução financeira, podendo gerar um desequilíbrio nas finanças do projeto. A recomendação é que as previsões levem em conta as metas de entregas dos resultados de impacto, gerando lotes de atividades com todos os desembolsos, receitas e os recursos que serão necessários para tais execuções. OS TIS são instrumentos mais utilizados para promover iniciativas que visem uma maior eficiência em áreas prioritárias de política pública, nos domínios do Emprego, Proteção Social, Educação, Saúde ou Justiça; • Fundo para a Inovação Social (FIS), conhecido como o fundo dos fundos sua estrutura foi pensada para garantir crédito a empresas em fase de consolidação ou expansão, mas que muitas vezes não conseguiam a aprovação do crédito, pelo montante necessário ou por falta de garantia ou sustentabilidade financeira que não lhes dava lastro para que reembolsassem os investimentos. O FIS é nomeadamente o primeiro fundo dentro das iniciativas abarcadas pelo FSE que funciona como instrumento financeiro público para o mercado de negócios de impacto social, permitindo diretamente que instituições de crédito e investidores de capital, como Business Angels e Capitais de Risco, apostem em projetos de IIES (ver Tabela nº nº4).
54 Tabela nº 4: Formas de solicitação do FIS Fonte: Elaboração própria, cfr. https://inovacaosocial.portugal2020.pt/financiamento/fundo-para-a-inovacaosocial/ Pode ser solicitado em duas categorias, a primeira é o FIS crédito, voltado para as entidades de ES e PME`s com objetivo de garantir financiamento para suas IIES. Para ser elegível ao recurso é necessário cumprir as contragarantias e garantias das instituições de crédito. As vantagens são o período de carência, a baixa exigência de maturidade da empresa, taxas de juro e prestações colaterais abaixo do praticado no mercado. A segunda categoria é o FIS Capital, planeado para as PME`s que poderão receber coinvestimento de Business Angels, Fundos de Capital de Risco, outras PME`s, Fundações, entre outros. O objetivo principal desta modalidade é trazer tais instituições para beneficiar as PME`s de ES com coinvestimento de capital privado. As mais valias residem em possibilitar a alavancagem de investidores de capital ou quase capital, disponibilizando aos mesmos opções de compra nos 6 primeiros anos. Cabe ainda salientar que este é um fundo autônomo, financiado pelo COMPETE2020 e gerido pela PME Investimentos – Sociedade de Investimento, SA.
85 O relatório de impacto social do Programa Portugal Inovação Social será divulgado após o término do mesmo em 2023. Os resultados parciais, poderão ser acompanhados por meio dos relatórios como o apresentado acima e pelas informações disponibilizadas no site. O Programa Portugal Inovação Social será avaliado de acordo com os seguintes critérios: quais foram os progressos no cumprimento e na concretização dos objetivos; como se deram os contributos intermediários e o contributo efetivo dos programas para o cumprimento do compromisso de Portugal no seio da estratégia do Programa Nacional de Reformas; se houveram consequências das alterações verificadas no contexto de aplicação dos fundos; se foi necessário algum tipo de desenvolvimento do Estado-Membro ao nível da implementação dos programas e da concretização dos seus objetivos; e, por fim, o efetivo contributo dos programas para as dinâmicas de desenvolvimento territorial. Ao conhecer-se o referido Programa, percebe-se que Portugal planeou estrategicamente seu caminho e percurso no incentivo à IS. A escolha de realizar o estudo de caso sobre a Incubadora Regional de Inovação Social - IRIS, reforça a consciência da necessidade de aprofundar o conhecimento dos instrumentos e instituições que auxiliam a construção deste mercado de IS. As incubadoras de IS são consideradas um espaço relevante e protagonista neste processo de disseminação das boas práticas e informação. Para apoiar as mesmas, foi criada uma rede de incubadoras de inovação social com as quais o Portugal Inovação Social promove um encontro anual de troca de informações e técnicas de gestão e lhes dão a possibilidade de crescer nos pontos fortes e buscar apoio para solucionar problemas por meio da colaboração com seus pares.
86 Capítulo 5. Estudo de Caso – Incubadora Regional de Inovação Social (IRIS) Neste capítulo pretende-se conhecer a atuação do Portugal Inovação Social, por meio do modelo de fomento Parcerias para o Impacto, estudando a Incubadora Regional de Inovação Social – IRIS e suas contribuições para a disseminação da IS e construção de uma cultura do impacto. 5.1 Justificativa O conceito de incubadora é amplamente conhecido com relação ao estímulo e apoio ao desenvolvimento de empresas de base tecnológica, à indústria e empresas com fins lucrativos (Cunha, Leite & Polónia, 2020). Para o estudo foi escolhida uma Incubadora de IS, por ser um modelo ainda pouco divulgado, mas com o mesmo potencial incentivador já conhecido. Na área de ES existem dois modelos de incubadoras (Prim, 2017:74,75) Incubadora Social – atua mais comumente com públicos alvo vulneráveis, com foco na geração de emprego e renda, mas não só. Além de proporcionar maior qualidade de vida, auxilia também na capacitação, na produção e socialização de conhecimentos, em uma estrutura de maior colaboração, auxiliando projetos e abordando assuntos de diferentes cadeias produtivas. • Incubadoras de IS – capacitam, promovem o empreendedorismo e a construção de projetos de IS, potenciando as suas intervenções. Em sua maioria, o empreendedor social já vem em busca desse acolhimento, com o comportamento de criar e fazer acontecer uma resposta social, visando à construção de uma iniciativa\projeto\negócio com ou sem fim lucrativos, mas motivados por dar respostas inovadoras a problemas sociais já existentes. Este modelo de incubação tem o potencial de disseminar a cultura do impacto social, além de oferecer um ambiente facilitador de colaboração, transferência tecnológica, interação com diferentes stakeholders e partilha de diversos recursos (em suas diferentes maneiras
87 como equipamentos, serviços, produtos e não só o acesso ao comportamento empreendedor). De acordo com Anholon & Silva (2015:1864), as incubadoras têm algumas características que as diferenciam e por isso, tornam-se locais atrativos para empresas em início ou expansão. As empresas podem ficar incubadas de acordo com um contrato ou de acordo com a conquista de sua maturidade, até o que chamam, graduar-se. As incubadoras, por norma, devem promover capacitações, consultorias ou mentorias específicas para atender as necessidades e diversidade das empresas incubadas; devem ter um modelo de negócio autossustentável e incentivar o mesmo às empresas lá instaladas; funcionam como um grande laboratório de simulação para que as empresas estejam prontas a antecipar-se à realidade do mercado e, por fim, devem criar um grande espaço de colaboração, troca e estabelecimento de parcerias. Estes aspetos são de extrema importância e ganham maior relevância ao tratar-se de uma incubadora regional com a missão de fomentar a parceria entre os municípios da comunidade intermunicipal no contexto da promoção de iniciativas e/ou projetos de IS. Este contexto beneficia toda a trama social. A imagem e marca da IRIS são fixadas, gerando competitividade e aumentando o acesso à informação qualificada e incentivo à economia. 5.2 Ficha Técnica IRIS Nome do Projeto: Incubadora Regional de Inovação Social – IRIS; Áreas de Atuação: Inovação Social nos Eixos: Educação, Comunidade e Incubação; Área Geográfica Abrangida: Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (11 municípios); Instrumento de Financiamento: Parcerias para o Impacto; Período de atuação: 2017-2020; Localização da Incubadora: Portus Park Amarante;
88 A entrevistada nº1, esclareceu o projeto da IRIS e como se dá a participação dos parceiros. A Incubadora surge como projeto piloto, na União Europeia, com o objetivo de promover por meio da IS o desenvolvimento regional. Segundo Francisco de Paula Coelho, Dean do Instituto do Banco Europeu de Investimento19, o objetivo é mobilizar e congregar esforços de parceiros à volta dos empreendedores sociais do Tâmega e Sousa, para encontrar, implementar e alavancar soluções sustentáveis para as questões sociais de um local com potencialidades subutilizadas (Figura nº 12). O IBEI apoia ainda iniciativas europeias para o bem-estar econômico e social dos membros, responsável pelo programa Social Innovation Tournament, o que possibilita a criação de um network e sinergias com parceiros internacionais. Figura nº 12: Mapa Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa Fonte: https://www.linkedin.com/company/cimtamegaesousa/?feedView=images, consultado em junho, 28, 2020 A sede da IRIS é o Instituto Empresarial do Tâmega, em Amarante, administrado pela Portus Park conciliando estrutura, expertise e presença local, além do fato de ter respondido positivamente o desafio de apoiar uma incubadora de IS. Tal parceiro tem um histórico de 20 anos a agregar 19 eib.org/en/press/all/2017-105-eib-institute-and-portuspark-launch-iris-regionalsocial-innovation-incubator-in-amarante-on-19-april, consultado em abril,15, 2020
89 empresas, universidades, financiadores, instituições, entre outros em torno do desejo de promover a competitividade e inovação no Norte de Portugal. Na mesma época o Portugal Inovação Social, abriu edital para o instrumento Parcerias de Impacto na Região Norte. A Portus Park apresentou assim o projeto, que foi aprovado. A expectativa de todos os envolvidos é que com a implantação da IRIS, Amarante e a região do Tâmega e Sousa ganhe o status de referência europeia para iniciativas de empreendedorismo e IS, conforme mencionado no texto de inauguração disponível no site da Portus Park 20. Na Tabela nº8 pode-se visualizar os parceiros que se uniram nessa iniciativa para o impacto e a função de cada um. Tabela nº8: Participação dos Financiadores na constituição da IRIS Instituição Participaçã o Contrapartida Financeira Contrapartida não financeira Portus Park -Associação do Parque de Ciência e Tecnologia do Porto (APCTP) Proponente _ Cessão de espaço, apoio na gestão e contabilidade, prestação de contas para os demais parceiros Instituto Banco Europeu de Investimento Investidor Social 30% do valor do projeto por meio do FSE Especialistas para cursos e mentoria, supervisor para auxílio no desenvolvimento do projeto Portugal Inovação Social Investidor Financiador 70% do valor do projeto - PT2020 /POISE (Programa Operacional de Inclusão e Emprego) Supervisor para auxílio no bom andamento do projeto, rede de apoio das incubadoras 20 http://www.portuspark-network.org/pt/inicio/1/27-instituto-do-banco-europeu-deinvestimento-e-portuspark-lancam-incubadora-regional-de-inovacao-social-em-amarante; consultado em abril, 15, 2020 Fonte: Elaboração própria, cfr. Informação dos sites das instituições citadas
90 5.3 Estrutura IRIS A IRIS foi constituída com o forte propósito de revitalizar a região do Tâmega e Sousa e aumentar sua competitividade por meio da IS. Sua missão é “criar o ecossistema ideal para o desenvolvimento de iniciativas de impacto social que promovam o crescimento da comunidade”21. A visão da incubadora é: “No futuro vemos um mundo onde a IS está presente em todos os setores de atividade. Acreditamos que as respostas inovadoras aos desafios sociais graves são fundamentais para impulsionar uma economia global forte e um mundo melhor”22. Os valores de uma empresa formam uma base sólida e uma bússola moral para as ações e auxiliam nas decisões, uma vez estando fora daquilo que acreditam e postulam. Uma instituição com valores bem definidos constitui um indicador de transparência e competitividade dificultando ocorrências de pressão, principalmente associadas à corrupção. Os valores selecionados pela IRIS foram: valorizar os talentos, trabalhar em rede, saber que a comunidade é base para referenciar as decisões, que impacto e IS são de extrema importância para o fortalecimento do ecossistema da ES e a construção de uma cultura de qualidade e eficiência em IS. A metodologia adotada pela IRIS (Figura nº 13), acredita que a IS é o resultado da motivação de empreendedores com o objetivo de construir soluções sistêmicas e sustentáveis para a resolução de problemas sociais graves considerando a IS como diferencial. A solução destes problemas, em sua maioria complexos, requer a ação de diferentes contextos e setores: público, privado, social e acadêmico. A entrevistada nº1 reforça que tais parcerias contribuem para a construção de um ecossistema de consolidação da IS, sendo de extrema importância as comunidades trabalharem em rede. Os resultados devem ser orientados para criação de valor e de impacto positivo para a sociedade, fechando assim o ciclo de 21 Fonte: https://www.iris-social.org/sobre-a-iris/inovacao-social, consultado em maio, 13, 2020 22 Fonte: https://www.iris-social.org/sobre-a-iris/inovacao-social, consultado em maio, 13, 2020
91 atuação ao alcançar a mais valia para a região onde o projeto\iniciativa está sendo desenvolvido. Figura nº 13: Reflexão estratégica do trabalho em Inovação Social IRIS Fonte: Elaboração própria, cfr. site www.iris-social.org/sobre-a-íris/inovaçãosocial, consultado em abril, 10, 2020 5.3.1 Quem faz a IRIS acontecer? Para que a IRIS funcione de maneira apropriada conta com sua equipa interna e uma rede de colaboração ativa. Estes são os parceiros institucionais, até a data deste estudo: • Vieira de Almeida – Assessoria Jurídica; • PPL – Plataforma de crowdsourcing (ppl.com.pt); • Essência completa - Marketing e Comunicação; • Cuatrecasas – Assessoria jurídica internacional; • RNI – Rede Nacional de Incubadoras e Aceleradoras; • Comunidade Intermunicipal Tâmega e Sousa; •A resolução dos problemas sociais, na sua maioria complexos, •A IS é o resultado da motivação e ação de pessoas, voltadas para soluções sistêmicas e sustentáveis que pretendem contribuir de forma ativa para a resolução de problemas sociais graves. requer a ação de diferentes contextos e setores: social, privado, público e académico. Que contribuem para um verdadeiro ecossistema de promoção da inovação social, O resultado deve ser orientado para a criação de valor e de impacto positivo para a sociedade. Sendo fundamental a ligação às comunidades e o trabalho em rede.
92 • Banco Montepio, • P. Porto – Politécnico do Porto. Muitas vezes, tais parceiros atuam como infraestrutura e, outras, auxiliam na gestão da incubadora permitindo tornar-se escalável e sustentável. Para além disso, fazem parte da rede colaborativa que faz a IS tornar-se realidade. A equipa gestora da IRIS é extremamente enxuta. É composta pela diretora executiva e das gestoras de inovação e da comunidade. Contam com os promotores, nomeadamente o IBEI, a Portus Park e os cofinanciadores Portugal Inovação Social (PT20202, PO ISE, Comissão Europeia), que auxiliam com suas contrapartidas financeiras, apoio na supervisão, capacitação, mentoria, auxílio na gestão financeira e prestação de contas, cada um de acordo com suas expertises, ressalta a entrevistada 1. Como exposto nos valores da instituição, foi construída uma rede colaborativa de especialistas (Figura nº14) que auxiliam as empresas incubadas nos seus temas de domínio. Atualmente, esta rede inclui 25 profissionais participantes e 47 embaixadores, ou seja, representantes das regiões da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, que auxiliam, após formação específica, a multiplicar a cultura da IS e os programas da IRIS em seus territórios. Existe ainda, uma lista de outros parceiros institucionais, designadamente empresários, escolas, Conselhos Locais de Acão Social, que ajudam na divulgação das ações, multiplicação dos conteúdos e criação de impacto social.
93 Figura nº 14: Quem faz a IRIS acontecer? Fonte: Elaboração própria, cfr. site www.iris-social.org/sobre-a-íris/quemsomos, consultado em abril, 15,2020 5.4 Atuação da IRIS O projeto apresentado e o objetivo inicial seria atuar como uma incubadora regional de inovação social na preparação das empresas da região do Tâmega e Sousa para o aumento da competitividade e implantação de práticas de IS. No entanto, quando a IRIS realizou o diagnóstico local, conforme mencionado pela entrevistada 1, para identificar a presença de conhecimentos e práticas de inovação e empreendedorismo na comunidade, percebeu-se que o território era demasiado carenciado de tais saberes. Para suprir esta necessidade, a gestão da incubadora decidiu realizar um trabalho de base e sensibilização. O público alvo desta primeira fase não seria só os empreendedores com ideias de negócios, iniciativas\projetos ou empresas iniciantes, mas a comunidade em geral incluindo as instituições parceiras e a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa. Notou-se também que até mesmo iniciativas\projetos em andamento desenvolviam e implantavam soluções de IS, porém não havia essa consciência. Equipa - Diretora Executiva, Gestora de Inovação e Gestora de Comunidade Promotores - IBEI, PortusPark \ Co-Financiadores - Portugal Inovação Social, PT2020, PO ISE, UE Especialistas - apoiam os projetos em áreas específicas de acordo com sua expertise Embaixadores - promovem ações de capacitação e apoiam diretamente os projetos no território agindo de forma ativa para a promoção da IS Parceiros - contribuem para a criação de mais impacto social, apoiando a criação e desenvolvimento de iniciativas sustentáveis
94 O diagnóstico e coleta de informações sobre o território, possibilitou o planeamento da estratégia de atuação. Três pilares estratégicos remontam a prática da IRIS: Educação Empreendedora – com o programa Begin Innovation, Educação para Comunidade – com o programa Start Innovation e a Incubação propriamente dita – com o programa Grow Innovation. Estes programas são independentes e acontecem concomitantemente (Figura nº 15) Figura nº 15: Eixos de atividades da IRIS Fonte: Elaboração própria, cfr. https://www.iris-social.org/o-que-fazemos/, consultado em março, 28, 2020 5.4.1 EIXO Educação para inovação socialBegin Innovation Begin Innovation é o nome do programa de educação para IS promovido com crianças e jovens, sendo seu slogan bem elucidativo: “a promover a criatividade para inovar e criar impacto desde cedo”23. Seu público-alvo são alunos do 3º e 4º ano do primeiro ciclo de ensino básico, por já apresentarem uma maior desenvoltura em oralidade e escrita para expressarem suas ideias e participarem das discussões. 23 https://www.iris-social.org/o-que-fazemos/educacao/, consultado em março, 28, 2020 Educação para inovação social Comunidade/ Capacitação Incubação Startups de impacto/Aceleração As ações são concomitantes e independentes
101 que se possa tornar mais concreto algumas perceções sobre as intervenções do eixo acima. 5.4.2 EIXO COMUNIDADE – Start Innovation Com o slogan – Uma comunidade a inovar e a criar impacto, este eixo foi construído como consequência do diagnóstico realizado pela IRIS com o intuito de perceber como era o nível de conhecimento sobre IS na comunidade. Com o resultado muito aquém do esperado o planeamento foi refeito, criando o referido eixo para disseminar os conceitos e ferramentas relacionados à IS. A palavra comunidade representa este desejo de estabelecer parcerias e trabalhar colaborativamente preocupações e soluções transfronteiriças associando empreendedorismo e inovação. Ao alcançar estes resultados, a competitividade da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa teria uma oportunidade de ser reestabelecida e a região beneficiada à médio e longo prazo, criando impacto e cumprindo as metas da IRIS. A já conhecida frase, utilizada geralmente na construção de cooperativas, cabe muito bem aqui – Juntos somos mais fortes. Isto é, sem um trabalho de cooperação e estabelecimento de parcerias o eixo comunidade ficaria esvaziado. Conforme informado pela entrevistada 3, para garantir que os objetivos, fossem cumpridos, três estratégias foram estabelecidas: formação de uma rede de embaixadores, ações de sensibilização\disseminação do trabalho da IRIS na região e capacitação da comunidade. No início era primordial ganhar a confiança dos representantes da comunidade e de seus agentes em diferentes setores. Mostrar-lhes o potencial de contribuição da incubadora para o território. Desta forma, a promoção da IS seria realizada e a construção integrada de projetos seria factível. 5.4.2.1 Rede de Embaixadores IRIS para a Inovação Social A rede de embaixadores, nada mais é que agentes da comunidade estruturados em rede que colaboram com a IRIS e estão comprometidos
102 com a promoção da IS no território. Eles têm um papel fundamental, pois além de conhecerem o terreno, são eles que farão o trabalho chegar às pessoas em seus diferentes municípios. Conforme menciona a entrevistada 3: “... no sentido de junto com os diferentes parceiros estabelecer pontes que permitam o nascer de projetos na área da IS que possam, caso assim o entendam, ser apoiados também na incubação no âmbito do trabalho realizado na IRIS, com a ajuda preciosa dos embaixadores IRIS...”26. Para que estejam aptos a exercerem suas competências e habilidades de embaixadores, os mesmos participam de um BootCamp, realizado em parceria com o IESSBS (Social Business SchoolPorto), ou seja, um treinamento intensivo em trabalho em equipa, teoria, trocas de experiências e ideias, cooperação com o objetivo de dar-lhes ferramentas para elaborarem projetos, visualizarem soluções e buscarem sinergias para viabilizar seus objetivos. Seu slogan resume a filosofia subjacente ao evento de capacitação: O crescimento de amanhã começa hoje. A entrevistada 3, informou que a primeira turma, foi constituída em março 2018, integrava pessoas indicadas pelas câmaras onde foram formados 24 embaixadores. A segunda e terceira turmas, constituídas em setembro de 2018 e fevereiro de 2019, respetivamente, já contaram com indicações da primeira turma de embaixadores e de instituições empresariais, somando 40 participantes e resultando em 23 embaixadores. Hoje são 47 embaixadores nos diferentes territórios a trabalhar. Os embaixadores puderam estar reunidos em dois encontros, o primeiro em setembro 2018 com 15 participantes e segundo em fevereiro de 2019 com 33. Tal oportunidade pode fortalecer o objetivo de promover a IS, construir uma rede sólida de parceiros e viabilizar potenciais projetos pelo estreitamento das relações, conforme relato da entrevistada 3 (ver Figura nº 19). 26 https://www.youtube.com/watch?v=tHmf8nd1lZ0, consultado em setembro, 19 de 2020.
103 Figura nº 19: Resultados eixo comunidade ação com embaixadores Fonte: Elaborado pela autora, cfr. relatórios anuais de atividade 2017\2018 e 2018\2019. O objetivo das ações com os embaixadores é a possibilidade da construção de projetos de IS para problemas que estejam ocorrendo no território e que muitas vezes envolve mais que um território. O compromisso assumido com a IRIS é de juntos cocriarem projetos com pelo menos três ações definidas pelo grupo e implantarem, a fim de mitigarem o problema inicialmente identificado. Durante as interações do grupo formado no BootCamp para execução das ações dos projetos, os embaixadores acionam a incubadora para auxílio no planeamento ou outros tópicos. Quando se faz necessário, a rede de especialistas ou parceiros é acionada para dar resposta às demandas. Esse relacionamento com os clientes é importante pois auxilia na perceção das necessidades de consultoria e capacitação que, porventura, possam não ter sido antecipadas. De acordo com o relatório anual 2018\2019, nomeadamente sobre as ações com os embaixadores, pode-se verificar que, dos 47 embaixadores que assumiram este compromisso, 85% já trabalha, aproximadamente, há 12 anos no território do Tâmega e Sousa. Todos eles consideram que ser embaixador permitiu adquirir conhecimentos sobre IS, contrapondo os 12% iniciais que declararam ter formação prévia sobre IS.
104 Sobre o papel da IRIS, enquanto apoio aos trabalhos realizados pelos embaixadores, 96,3% reconheceram sua importância. E são unânimes em declarar que esta formação permitiu estabelecer novos contactos e melhorar a rede local. As análises dos indicadores disponibilizados pela incubadora IRIS parecem indicar que as ações realizadas para a construção de uma rede de embaixadores alcançaram o objetivo, podendo significar um impacto positivo na autoperceção e empoderamento dos embaixadores para a ação. 5.4.2.3 Capacitação Nesta ação, a IRIS interage com a comunidade abrindo as portas para os participantes de qualquer localidade e indo ao encontro das necessidades dos empreendedores sociais na oferta de temas de interesse ou na sensibilização da sociedade para o tema IS, conforme informado pela entrevistada 3. Na ação de sensibilização, além de algumas palestras de elucidação do trabalho realizado pela IRIS, há uma grande componente de reuniões com empresas, associações, instituições municipais para arregimentação de agentes de inovação nos territórios. Começando pelas ações de sensibilização, é possível verificar a partir dos relatórios de resultados anuais produzidos pela IRIS, que em 2017\2018 foram realizadas 18 ações, com 529 participantes. Entre as ações estão 10 reuniões com os Conselhos Locais de Ação Social (CLAS) e 18 reuniões com empresas e associações do Tâmega e Sousa. Já no período de 2018\2019 as ações de sensibilização foram 37, onde participaram 927 pessoas e 6 reuniões nos CLAS. Sobre as ações de capacitação no ano 2017\2018, 3 workshops de IS foram oferecidos à comunidade e o filme “Quem se importa?” sobre a temática social foi exibido 1 vez. No biênio 2018\2019 a ação de capacitação teve espaço para maior atividade realizando 7 workshops de IS; 7 exibições do filme “Quem se importa?”; 6 conversas sobre IS; 4 WorldCafé onde se discutem desafios da comunidade e 3 Think Tanks na busca de soluções em conjunto e discussões temáticas (ver Figura nº 20).
105 Figura nº 20: Ações eixo comunidade Fonte: Elaboração própria, cfr. relatórios anuais 2017\2018 e 2018\2019 Após as ações de capacitação é realizada pela IRIS uma avaliação de reação, através de formulários eletrônicos, sendo posteriormente encaminhado para o SincLab, mantendo o sigilo do respondente, que traduz os resultados iniciais da ação implementada. No relatório de resultados de 2017\2018, é possível verificar que 64% dos participantes estavam familiarizados com o conceito de IS antes da realização da ação de capacitação. Após a realização desta, toda a turma afirmou conhecer o conceito. 85% dos participantes demonstraram interesse em desenvolver um projeto de IS. No relatório de resultados de 2018\2019, apenas 12% sabiam o significado de IS antes da intervenção, mas após a mesma 100% já reconheceram o constructo teórico; nesta turma apenas 75% afirmou ter vontade de escrever um projeto de IS (ver Figura nº 21). A análise destes resultados permite levantar a hipótese de que a turma com menor conhecimento inicial sobre o conceito de IS, interessou-se menos por investir tempo na elaboração de um projeto ou sobre resolver um problema social com esta perspetiva, justamente pela falta prévia de relação com o tema. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Nº de ações de sensibilização Reuniões com CLAS Reuniões com empresas e Assoc. Workshops de Inovação Filme Quem se Importa Conversas de Inovação Social WorldCafé Think Tanks 2018/2019 2017/2018
106 Figura nº 21: Avaliação de reação das ações de capacitação Fonte: Elaborado pela autora, cfr. relatórios anuais 2017\2018 e de 2018\2019 Por meio do canal do YouTube da incubadora e seus vídeos, foi possível colher alguns depoimentos para auxiliar no entendimento da perceção dos participantes, o que auxilia no acompanhamento e monitoramento da satisfação e impacto gerado, que poderão ser melhor percebido na tabela apresentada no Anexo 4. Da análise destes depoimentos é possível inferir, como um resultado indireto das intervenções, a construção de um novo mindset alinhado com a possibilidade de cooperação. Os depoimentos sugerem que antes, mesmo os funcionários do setor público, ocupando cargos com autonomia para tomada de decisão não viam na IS nem na construção de redes, opções para melhorar a gestão de suas atividades e resultados. Da mesma forma, foi percebido na fala dos representantes da iniciativa privada, descritas no Anexo 4, que os mesmos não acreditavam que o setor público e o terceiro setor pudesse apresentar oportunidades de negócio e alavancagem de soluções. Porém, durante o Bootcamp passaram a perceber esta possibilidade desde que a cocriação e a colaboração dentro de um contexto de IS estivessem presentes. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% Está familiarizado com o conceito de inovação social antes do workshop? Está familiarizado com o conceito de inovação social depois do Workshop? Gostaria de desenvolver um projeto de inovação social? 2017/2018 2018/2019
107 5.4.3 Eixo Incubação e Aceleração - Grow Innovation Incubação e programa de aceleração vocacionados para a IS, com este objetivo traduzido em slogan, a IRIS disponibiliza à Região do Tâmega e Sousa em um único espaço, toda sua expertise e a de seus parceiros em IS. A meta a ser contabilizada para o sucesso do projeto é o número de empresas incubadas. No entanto, os resultados indiretos como a disseminação da cultura de IS, foram necessários para que o objetivo maior fosse alcançado. Este eixo compreende as ações de incubação e de aceleração. Programas independentes, porém, complementares. 5.4.3.1 Incubação Conforme os esclarecimentos da entrevistada 2, a incubação pode funcionar de duas maneiras: residencial, onde a empresa efetivamente está incubada na IRIS em Amarante ou virtual. Hoje todas as empresas incubadas estão enquadradas no modelo não presencial e estão obtendo sucesso da mesma forma. São diversos os motivos que levam a empresa a optar pelo modelo virtual. Pode-se citar, como exemplo, o fato de algumas já terem graduado e mudado para o próprio espaço, mas continuarem recebendo apoio; ou daquelas que precisaram de um espaço maior ao iniciar a etapa de produção ou ainda por não serem da região. Na prática, as dúvidas das empresas são tiradas por e-mail, vídeo chamadas, ligações e reuniões trimestrais (ou quando se faz necessário) para o contato presencial ser mantido. Este eixo envolve os seguintes serviços: • Espaço de Trabalho Partilhado (Coworking) para Empreendedores e Equipas; • Incubação não presencial; • Acompanhamento e mentoria por parte de Equipa Especializada; • Acesso a Rede de Especialistas; • Redes de Parceiros (locais, nacionais e internacionais); • Ações de Formação e Capacitação. O processo de seleção para incubação é permanente, sendo necessário preencher o formulário on line que será analisado pela equipe responsável.
108 Com o apoio dos especialistas é definido se a empresa será ou não aceite de acordo com os critérios previamente estabelecidos. Segundo o Relatório de Resultados de 2017-2018, foram realizadas 76 ações de acompanhamento às 20 empresas incubadas. Nesse período, a rede de especialistas era constituída de 25 especialistas permanentes. Caso fosse necessário, especialistas ou mentores provenientes do mercado eram convidados a contribuírem com as empresas. 32 projetos em potencial foram recebidos pela equipa IRIS a fim de analisar a possibilidade de participação. 40% dos projetos incubados participaram das ações da capacitação da incubadora. 80% dos empreendedores sociais consideraram o acompanhamento oferecido pela IRIS bom, acrescentando que contribuiu muito\bastante para o desenvolvimento do projeto. Passando para verificação do Relatório de Resultados 2018-2019 percebe-se um discreto aumento no número de empresas incubadas passando para 25. No entanto, neste período, foram realizadas 449 ações de acompanhamento. 23 reuniões com projetos em potencial foram realizadas e a equipe de especialistas manteve-se em 25, como demonstrado na Figura nº22. Figura nº 22: Ações do Eixo Incubação Fonte: Elaboração própria, cfr relatórios anuais de resultados de 2017\2018 e de 2018\2019, consultado em junho, 26, 2020 A entrevistada 2, informou que em setembro de 2018 (o que também está no relatório deste período) houve um novo tipo de ação que foi a 0 5 10 15 20 25 30 35 Projetos Incubados Rede de especialistas Reuniões com potenciais projetos 2017/2018 2018/2019
109 captação em outras incubadoras e parques tecnológicos, uma vez que por falta de opção, muitos projetos sociais estão inseridos neste contexto de incubadora tradicional. Desta iniciativa resultaram a participação de 131 pessoas nas visitas realizadas ao Brigantia Ecopark (Bragança) e ao TecMaia (Maia). Dentre os temas tidos como prioritários entre os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os estabelecidos pelo Portugal Inovação Social, estiveram incubados projetos nas seguintes temáticas: economia circular, envelhecimento, turismo, ambiente, inclusão social, saúde, educação e agricultura. Para facilitar a leitura utilizaremos a nomenclatura 1ºciclo para os anos 2017-2018 e 2º ciclo para os anos 20182019. Os percentuais relevantes concentraram-se nos temas educação – 45% no 1ºciclo e 31% no 2ºciclo; Saúde com 20% no 1º ciclo e 13% no 2ºciclo; Envelhecimento com 15% no 1º ciclo e 25% no 2ºciclo. Os demais temas tiveram apenas uma ou no máximo duas empresas envolvidas, como apresentado na figura nº23. Figura nº 23: Áreas de atuação dos projetos incubados Fonte: Elaborado pela autora, cfr relatórios anuais de 2017\2018 e de 2018\2019, consultado em junho, 26, 2020 Quanto à origem dos projetos (Figura nº 24), a região do Porto liderou com o maior número de projetos os dois ciclos de incubação 0% 10% 20% 30% 40% 50% 2017/2018 2018/2019
110 2017\2018 com 55% dos projetos inscritos e 2018\2019 com 44%. O território do Tâmega e Sousa teve uma participação no primeiro ciclo com 35% dos participantes e no ano posterior com 25% de presença. Vila Real e Lisboa tiveram o mesmo percentual nos dois ciclos 5% no primeiro e 6% no segundo. A novidade do ciclo de 2018-2019 foi a presença de projetos internacionais em 19%, oriundos de Espanha e Luxemburgo. Figura nº 24: Localização geográfica dos projetos incubados Fonte: Elaboração própria, cfr relatórios de resultados anuais de 2017\2018 e de 2018\2019, consultado em junho, 26, 2020 Para apurar se o resultado do eixo incubação fora significativo seria necessário um levantamento de benchmarking com outras Incubadoras de Inovação Social no mesmo período e condições para entender se o número de empresas incubadas foi satisfatório – o que não é a proposta do estudo de caso. Porém, para esta análise também devem ser consideradas as seguintes variáveis: total desconhecimento do tema, o fato de ser um projeto piloto de Incubadora Regional de Inovação Social (modelo ainda não estabelecido no mercado) e com o desafio de trabalhar uma região com baixas características empreendedoras, além do redireccionamento estratégico inicial e esforço concentrado nas ações de disseminação da cultura de IS. No espaço de julho de 2017 a julho de 2019 as ações realizadas pelo eixo incubação resultaram em 45 empresas incubadas. A altura da entrega 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Porto Tâmega e Sousa Vila Real Lisboa Internacionais 2018/2019 2017/2018
117 Seguidores 109 Seguidores 338 Fonte: Elaborado pela autora, cfr relatórios anuais de 2017\2018 e de 2018\2019, consultado em junho, 26, 2020 A IRIS está presente nas mais populares redes sociais, estabelecendo, ao que parece, uma excelente presença digital. A principal via de comunicação e divulgação da IRIS é representada pelo site que concentra 10 955 utilizadores e pelo Facebook com 4 020 seguidores. É certo que cada tipo de media tem seu público e seu objetivo, porém as que mencionamos aqui podem exemplificar a abrangência e o interesse pelos assuntos e divulgações realizadas pela incubadora e atestam que a IRIS tem o esforço em divulgar a IS. 5.5 Considerações finais sobre o estudo de caso Com a descrição do trabalho realizado e a preocupação de estruturar o território para que os conhecimentos sobre IS fosse um capital social do qual a região do Tâmega e Sousa pudesse se apropriar e multiplicar, parece poder inferir-se que a incubadora atingiu os objetivos propostos para o projeto piloto, conscientes de que ainda há uma longa estrada para a divulgação da IS e de suas possibilidades e benefícios. Outro fator que constitui um resultado importante foi a perceção de que para realizar o trabalho em condições satisfatórias, era necessário criar um conhecimento local sobre o assunto, nos diversos setores e faixas etárias. Isto permitiu que a ação da incubadora fosse bottom-up, ao invés de topdown, de forma colaborativa, com as pessoas que serão responsáveis pela concretização do projeto de IS e não de uma forma impositiva, fato que foi inclusive declarado pela entrevistada 3. Durante as entrevistas com as gestoras da IRIS e com a entrevistada 4, foi possível entender melhor a perceção do público atendido sobre IS e seu impacto na sociedade. Assim, retiram-se as seguintes conclusões: • Foi consenso entre as entrevistadas que é necessário um trabalho de campo para que o conceito seja esclarecido e disseminado, principalmente nas cidades menores e com menos acesso à informação. Isto é de extrema importância pois muitos projetos de IS são desenvolvidos nestes locais sem saber que são iniciativas de IS e sem saber dos apoios a que tem direito.
118 • É preciso considerar que um projeto de IS em uma aldeia pode, à primeira vista não ser considerado como tal, se comparado com uma cidade maior. No entanto, para a comunidade local é sim uma IS. Então o olhar deve estar atento a estes pontos. • O conceito de IS e avaliação de impacto são extremamente recentes e ainda ganhando espaço entre os projetos, iniciativas e empresas. Há de ser feito um esforço para que tais práticas sejam esclarecidas e valorizadas nos diferentes setores: público, privado e social. • A entrevistada 4, nos trouxe o seguinte depoimento: “Quando iniciei trabalhando com inovação (2015), percebi que a sociedade civil ainda não estava sensibilizada para estas questões. Hoje eu percebo que a sociedade já está sensibilizada, eu vou dar o exemplo do Porto, era um município que não estava nada sensibilizado para essa questão. No espaço de um ano, a diferenciação do olhar do município do Porto para as áreas de inovação social, foi absolutamente inacreditável. Tão inacreditável que eu acho que agora com os resultados que vamos ter, o município do Porto será provavelmente o segundo município do país com o maior investimento público em inovação social. Portanto, nós temos uma sociedade mais alerta para as estas questões de inovação social. E até os próprios destinatários, olham para além do que foram alvo, de uma intervenção mais tradicional e convencional, percebem enorme diferenciação que tem nas suas vidas quando integram uma tecnologia inovadora. Isso muda tudo na resolução do seu problema.” O depoimento expõe que é possível a perceção do impacto da IS na sociedade, mas, após conduzir este estudo de caso e ao analisar os relatos das entrevistas, percebe-se que ainda é preciso mais pesquisa para comprová-lo. • Já sobre a perceção das crianças, professores, dos empresários, gestores de projetos\iniciativas e representantes do setor público\privado\social, sensibilizados pela incubadora, entenderam o que é IS e como podem desenvolvê-la de maneira sustentável e que suas iniciativas podem inclusive beneficiar-se das linhas de fomento e programas de incentivo. Tendo considerado assim, o trabalho bemsucedido. Como exemplo de caso de sucesso, uma das embaixadoras e sua equipa desenvolveram um projeto durante o segundo encontro de
119 embaixadores, e candidataram à incubação e hoje o projeto encontra-se incubado na IRIS. Muitos municípios levaram os projetos à frente, alguns cumprindo parte da meta e outros superando, inclusive, conforme relatado pela entrevistada 3. Nestes dois últimos relatos e analisando os depoimentos descritos no estudo de caso, pode afirmar-se que a sociedade percebe o impacto da IS, desde que sensibilizada para tal. Afinal, vê-se o mundo a partir do que se conhece e se não se conhece determinado assunto não é possível valorizálo ou entendê-lo, conforme postulava Jean Piaget em seus estudos sobre desenvolvimento do pensamento. Ao questionar-se a entrevistada nº1, sobre a importância da IRIS para a IS, o futuro das respostas sociais e seu impacto no território, obteve-se o seguinte depoimento: “Não temos essas respostas fechadas, pois só as teremos no relatório final de impacto, mas para já, os dados que temos até o momento leva-nos a pensar que tivemos um impacto muito positivo. Porque não só levamos conhecimento a cerca desta área, como uma vontade maior de cooperação, de trabalho em equipa e de novos olhares perante os problemas sociais e ambientais nestas regiões. O que é muito importante, pois não trabalhamos diretamente os problemas, mas trabalhamos com as pessoas para perceber melhor, conhecer os problemas e as potencialidades do território. E eu digo que essa é a grande alegria da IRIS, as pessoas olhar-nos como um parceiro que traz novos métodos e novos olhares para que depois eles possam trabalhar os desafios que tem em mãos diariamente.” Tal legitimidade, pode-se inferir, que foi alcançada com a flexibilidade de planeamento aplicada logo no início da implantação da IRIS, ao perceberem que sem trabalhar, isto é, educar o território, não alcançariam as metas propostas e não chegariam às iniciativas e empresas sociais. Com o fim do contrato referente às Parcerias de Impacto e do consórcio com as instituições correspondentes, mas com a certeza de que é necessário continuar, buscaram um parceiro com uma localização de mais fácil acesso para um atendimento em maior escala e se estalaram no Porto, em parceria com a P. Porto (Politécnica do Porto) onde já tem mais um
120 espaço para reuniões e treinamentos, que já está a funcionar. Isto contribuirá fortemente para a transição. Os próximos passos ainda estão a ser desenhados, mas agora com o modelo piloto testado e com resultados positivos, a IRIS continuará com sua missão de disseminar e apoiar a IS. Porém, com uma nova estrutura jurídica e alargando seu público para todo o país, o que já vinha sendo feito de maneira discreta. Ao longo destes três anos de projeto, a expectativa do Banco Europeu de Investimento, expressa em sua iniciativa de realizar um projeto piloto de uma Incubadora Regional de Inovação Social, era que a região do Tâmega e Sousa, se apropriasse dos conhecimentos e ferramentas compartilhadas em IS para o resgate de sua competitividade. Este resultado deveria ser expresso pela capacidade de multiplicar conhecimento e formar parcerias em rede que favorecesse o crescimento socioeconómico e contribuísse para uma nova geração pronta para dar respostas efetivas e eficientes aos desafios que se impõe a cada tempo. Com relação a este objetivo, acredita-se que o modelo proposto pela IRIS cumpriu seu papel. Como evidência pode citar-se o alcance de legitimidade e sustentabilidade financeira para continuar com a iniciativa independente dos parceiros cofinanciadores e aplicando o modelo testado no piloto.
121 Capítulo 6. Conclusão Analisando o Programa Portugal Inovação Social, seu funcionamento e como valoriza a IS em Portugal, a presente dissertação de mestrado permitiu confirmar a atuação do mesmo, enquanto impulsionador da IS neste país. A questão de partida, que suportou a investigação foi: em que medida o Programa Inovação Social contribui para o estímulo da inovação social em Portugal? O estudo científico aqui desenvolvido permitiu avaliar as diferentes atividades e contribuições do programa. Ao longo do mesmo, os objetivos propostos foram sendo cumpridos, através da revisão de literatura que analisou o conceito e histórico em Portugal do surgimento do interesse na IS, identificou as características e papel do empreendedor social, a importância da medição de impacto e a constituição de indicadores padronizados, assim como a formação de um mercado que valorize a IS como ativo econômico. Sobre os resultados possibilitados pelas estratégias de fomento desenhadas pelo Portugal Inovação Social, a dissertação apresenta as diferentes oportunidades criadas para que os setores da economia, contribuam para a construção do mercado de IS. De partida, pode citar-se a criação de leis que apoiam os investimentos em empresas de ES, desde empresas recentes até empresas de grande porte. Algo que antes de regulamentado não seria fácil. Crédito para empresas sociais não eram viáveis. As diferentes formas de fomento disponibilizadas (e.g. Capacitação para Inovação Social, Títulos de Impacto, Parcerias para o Impacto, Fundo de Inovação Social) possibilitaram o acesso ao crédito. Como consequência, atraiu investimentos, popularizou a IS e o foco principal, possibilitando novas iniciativas e fortalecendo o terceiro setor. Além disso, implantaram ferramentas tecnológicas para contribuir com a transparência dos investimentos realizados e para que a sociedade pudesse acompanhar as iniciativas apoiadas, a saber: os mapas de inovação (onde se podem ver os projetos por região e tema) e o mapa de financiadores (onde se podem acompanhar o tipo de instituição investidora e o investimento social realizado). Para acompanhar os investimentos do Setor Público nas áreas
122 determinadas como estratégicas e auxiliar no cálculo da viabilidade do projeto, foi disponibilizado a página da internet Onevalue.com. Com o intuito de auxiliar na resposta ao objetivo proposto nesta dissertação, foi realizado um estudo de caso sobre uma das organizações que receberam fomento do Programa Portugal Inovação Social, nomeadamente a Incubadora Regional de Inovação Social – IRIS, que participou, na esfera das Parcerias para o Impacto. A análise da atuação desta incubadora, assim como das entrevistas realizadas, comprovaram a eficácia do modelo de parcerias para o impacto proposto pelo Portugal Inovação Social, tendo este patrocinado em 70% o projeto e, consequentemente, a divulgação da IS e fortalecido o modelo de Incubadora de Inovação Social. O que pode levar à conclusão de que incubadoras de IS parecem ser realmente potencializadoras de impacto e disseminadoras de boas práticas. O Programa Portugal Inovação Social foi lançado com o propósito de, por meio do empreendedorismo social, promover o constante processo de renovação das instituições e da IS, assim como, transformar os cidadãos em agentes de mudança. E isto se espelha ao longo deste trabalho que constitui um estímulo para futuros estudos centrados na avaliação do impacto da IS na economia social portuguesa.
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133 Continuação Guião ( Anexo 1) – Dimensão I 9Qual o perfil de pessoas atendida pela IRIS? Entender o público-alvo da IRIS e por conseguinte o público-alvo do Portugal Inovação Social 10Na sua opinião como a inovação social é percebida pelo público atendido na IRIS? Entender se os objetivos de disseminação da cultura de IS foram alcançados 11Eles percebem o impacto que a Inovação Social pode gerar na sociedade? Entender se os objetivos de disseminação da cultura de IS foram alcançados Dimensão II - Gestão da Inovação (IRIS) Na vertente inovação temos dois projetos: Begin Innovation (Concurso de Ideias Aprendizes de Inovação Social Programa Educativo em contexto escolar) e a Incubação e aceleração de empresas: Grow Innovation. 1. Como foi recebido o programa Begin Innovation pela comunidade? Analisar a vertente de educação para criação do primeiro ciclo, sua aplicação e formato 2. Em quantas instituições foi implantado? Analisar a recetividade ao tema IS e aderência das instituições 3. Quais seriam os principais resultados? Identificar e quantificar os resultados alcançados com tal faixa-etária e que contributos poderiam ter para a disseminação da IS 4. Como funciona o programa de aceleração em inovação social? Entender o programa de aceleração de para empresas de inovação social e como abordavam o tema de IS 5. E o programa de incubação? Sei que vocês implementaram diferentes categorias. Entender como funciona uma incubação de empresas sociais e quais os apoios prestados 6. Como é feita a seleção das empresas que serão incubadas, quais os diferenciais? Distinguir os critérios de seleção e qual peso tem o que se refere à IS 7. A geração de impacto é levada em consideração? Como? Como é considerada a geração de impacto durante a seleção e incubação das empresas 8. Poderia destacar alguns casos de sucesso? Saber se durante o período transcorrido alguma empresa teve um resultado diferenciado, destacando-se
134 Continuação Guião (Anexo 1) – Dimensão II 9. Na sua opinião como a inovação social é percebida? Entender como a IS é percebida pela equipe de campo 10. Na sua área qual o perfil de pessoas atendida pela IRIS? Entender melhor o público atendido nesta temática e por intermédio, entender o público final atendido pelo Portugal Inovação Social 11. Na sua opinião como a inovação social é percebida pelo publico atendido na IRIS? Saber a perceção da gestora sobre o entendimento da IS por parte do seu público alvo 12. Eles percebem o impacto que a Inovação Social pode gerar na sociedade? Pergunta de despiste mudando o termo para impacto social para perceber se o foco final, que é gerar impacto, estava sendo estimulado e mensurado. Dimensão III - Gestão da Comunidade (IRIS) As ações na comunidade envolvem: Rede de Embaixadores IRIS para Inovação Social, Bootcamp Start Innovation , Ações de Capacitação\Formação e Workshops . 1. Pensar comunidade em um dinamizador\catalisador de inovação social é tudo que se espera. Como vocês selecionam as comunidades a serem trabalhadas? Entender o processo de aproximação da comunidade e das instituições e qual foi o critério de escolha para o início do trabalho. 2. As ações de intervenção já foram esclarecidas, mas há um trabalho de campo? Como funciona? Entender se há um trabalho de acompanhamento in loco realizado pela equipe da IRIS diretamente aos projetos atendidos ou instituições da comunidade. 3. Logo me chamou atenção a construção de uma rede de embaixadores, qual o principal objetivo deste programa? Identificar o objetivo da formação de embaixadores IRIS, representantes das comunidades participantes, o porquê esta estratégia foi escolhida e qual seu impacto na disseminação da IS 4.Qual o perfil de pessoas atendida pela IRIS? Saber o perfil das pessoas atendidas por este eixo, uma vez que é bastante abrangente e tentar identificar um público até agora não identificado como alvo do Portugal Inovação Social.
135 Continuação Guião (Anexo 1) – Dimensão III 5 Na sua opinião como a inovação social é percebida pelo público atendido na IRIS? Perceber o acompanhamento e as perceções da equipe da IRIS sobre como o público assimila a IS 6 Eles percebem o impacto que a Inovação Social pode gerar na sociedade? Saber se o público está ciente de seu potencial de impacto social e de seu protagonismo neste processo 7 Pode citar algum caso de sucesso? Busca exemplos e cases de sucesso Dimensão IV – Portugal Inovação Social – Região Norte 1. Como funciona as Parcerias para o Impacto com Incubadoras Sociais? Perceber como eram as parcerias para o impacto e se ocorriam de maneira diferente para incubadoras 2. Como o Programa dimensiona o impacto do trabalho realizado pelas Incubadoras de Inovação Social? Entender se havia uma orientação em particular aos projetos sobre como mensurar impacto. 3. Minha questão da tese busca perceber também como a sociedade sente o impacto da Inovação Social. O Programa monitora isso de alguma forma? Saber como o programa mensura seu próprio impacto e se tem um indicador de como a sociedade percebe os efeitos da IS 4. Há uma estatística da inovação social em Portugal antes e depois do Programa? Identificar se é realizado uma estatística de resultados económicos e sociais antes de depois da intervenção do Portugal Inovação Social 5. Há um ranking dos países que mais investem em Inovação Social e Portugal era em 2018 o 5º, como está este cenário na atualidade e qual órgão responsável por este levantamento, pois não encontrei referências. Achei apenas o volume de subsídios concedidos pela UE, por país, mas não há referência que tal recurso é destinado à Inovação Social Saber as referências das instituições responsáveis pelas verificações de rankeamento dos países com relação ao status de incentivo a IS e como identificar qual parte do FSE está sendo aplicado em IS por país.
136 ANEXO 2 – Transcrição das Entrevistas Questões Iniciais Nome: Liliana Ribeiro Área de gestão: Diretora Executiva – Entrevistada Nº 1 Tempo de colaboração na IRIS: Desde 2017 Dimensão I - Objetivos e Gestão da Incubadora 1-Quais os objetivos principais da Incubadora? A IRIS é uma incubadora de captação de ideias e projetos, e apoio à criação, desenvolvimento e aceleração de iniciativas de inovação e empreendedorismo social. A nossa missão é criar o ecossistema ideal para o desenvolvimento de iniciativas de inovação social que promovam o crescimento da comunidade, porque acreditamos que a inovação social é fundamental para impulsionar uma economia global forte e um mundo melhor. Fonte: https://www.iris-social.org/ 2-A IRIS foi selecionada para o estudo por fazer parte do Programa Portugal Inovação Social. Como foi a organização entre os parceiros? A ideia inicial foi do Instituto do Banco europeu de Investimento, este instituto já atua há muitos anos nesta parte e possui experiência no âmbito do empreendedorismo social em toda Europa, nomeadamente promovem um concurso de inovação social o SIT, que no fundo vai premiar e depois proporcionar ações de capacitação com os projetos em nível europeu. Em função de toda essa experiência na área social o instituto queria criar um projeto piloto em Portugal. Na verdade, queria criar uma Incubadora de inovação social como projeto piloto e escolheu Portugal para o efeito. Entretanto, estiveram a fazer algum trabalho de prospeção, sobre onde ficaria essa incubadora, quem seria o parceiro, pois precisaria de um parceiro português para operacionalizar esta ideia e foi na altura também que surgiram as parcerias para o impacto no âmbito da Portugal Inovação
137 Social. Foi também a partir daí que surgiu esta oportunidade, que tomaram conhecimento da Portus Park, que tem muita experiência na parte de incubação por ser uma associação de parques de ciência e tecnologia, que se revelou o parceiro indicado. Portanto, a ideia partiu do Instituto do Banco Europeu de Investimento. 2.1 A escolha do Tâmega e Souza foi em função da Portus Park estar lá? Não, a Portus Park acaba por ter uma grande representação no Norte do país. A escolha do Tâmega e Souza em particular tem a ver com as necessidades econômicas e sociais daquela região que é uma das regiões mais pobres de Portugal. Nós tínhamos um projeto que procurava resolver, ou estar a apoiar a resolução, ou buscar a minimização dos problemas sociais e ambientais, então fazia sentido que ele surgisse onde houvesse mais problemas sociais e ambientais. Portanto, a escolha do Tâmega e Souza, tem a ver com as características da região e não com as preferências dos parceiros. 2.2 Como foi a proposição do Projeto ao Portugal Inovação Social A Portus Park foi a instituição em Portugal que apresentou a candidatura, pois era a instituição a promover o parceiro e o Instituto entrou como investidor social. Neste modelo de parcerias para o impacto o Portugal Inovação Social, apoia com 70% do valor, mas 30% do valor de investimento tem que vir do investidor social que foi o IBEI. No âmbito da candidatura o papel do Banco é ser o investidor social. 2.3 Vocês prestam conta ao Banco? Nós prestamos conta a Portus Park que presta conta a Portugal Inovação Social e ao banco. A contabilidade do projeto é feita por uma parte da equipa da contabilidade da Portus Park, portanto é o parceiro na contabilidade. 3.Como é dimensionado o impacto social da IRIS, quais os indicadores? Nós temos, nesta fase, porque a IRIS é um projeto piloto, um grande espectro de indicadores. E o objetivo de termos tantos indicadores é recolher o máximo de informações possíveis. O indicador que nos foi
138 pedido inicialmente é o número de projetos apoiados, portanto quantos projetos eram incubados por nós. Decidimos utilizar uma parte do recurso do projeto para contratar um estudo grande junto à faculdade do Porto, referente ao impacto mais abrangente do projeto e este estudo abrange todas as áreas, por exemplo na incubação estuda o andamento do projeto, qual o papel da IRIS nesse desenvolvimento. A diferença é que no eixo do programa educativo fizemos o piloto e um estudo quasi-experimental com um grupo de controle. Onde em um grupo fizemos a intervenção e no grupo controle estudamos os resultados que tiveram. Medimos uma série de atitudes e comparamos os que participaram e os que não participaram. Nos gráficos dos relatórios você pode encontrar os principais indicadores, não estão todos lá pois são imensos, mas os principais estão lá. 4. Quais outros Stakeholders suportam o trabalho da IRIS? Os principais stakeholders são a Portus Park, Portugal Inovação Social e o IBEI. Por questões legais, os logotipos associados ao Portugal Inovação Social devem aparecer em todos os documentos. Mas, não são os stakeholders com os quais temos contato direto. Com relação aos demais parceiros, autarquias, institutos e etc., os relatórios que publicamos on line são suficientes para apresentar os resultados e manter a transparência. 5. Qual o planejamento de curto e médio prazo para a Incubadora? Neste momento estamos a compilar o que fizemos, portanto, a ver o que vale a pena e o que não vale a pena. Já temos algumas entidades que nos procuram para execução de nosso trabalho. Nesta fase além de estarmos a prestar contas de nossas atividades estamos também a preparar aquilo que será a IRIS pós candidatura. Este será o grande foco do nosso trabalho neste primeiro semestre de 2020. A partir deste ano, a IRIS terá autonomia jurídica, isso implicará iniciarmos nosso percurso agora sem financiamento, de uma forma autônoma.
139 6. Como você descreveria a importância da IRIS para a Inovação Social, o futuro das respostas sociais e seu impacto no território? Não temos essas respostas fechadas, pois só as teremos no relatório final, mas para já, os dados que temos até o momento leva-nos a pensar que tivemos um impacto muito positivo. Porque não só levamos conhecimento a cerca desta área, como uma vontade maior de cooperação, de trabalho em equipa e de novos olhares perante os problemas sociais e ambientais nestas regiões. O que é muito importante, pois não trabalhamos diretamente os problemas, mas trabalhamos com as pessoas para perceber melhor conhecer os problemas e as potencialidades do território. E eu digo que essa é a grande alegria da IRIS, as pessoas olhar-nos como um parceiro que traz novos métodos e novos olhares para que depois eles possam trabalhar os desafios que tem em mãos diariamente. 7. A IRIS é uma incubadora Regional, há um projeto de expansão para outras regiões? Isto foi um processo natural, porque nós começamos a abrir as nossas ações de capacitação para toda região norte e todo o país. E percebemos que a maior parte dos projetos vinham do Porto, Braga e outros locais. Então decidimos ir para um local mais central e o Porto dá resposta a isso. Nosso parceiro agora é a P. Porto que nos cedeu o espaço que estamos utilizando hoje no Porto. 8. Qual o perfil de pessoas atendida pela IRIS? Elas são muito diferentes em cada ação. No eixo educação: são crianças e professores; na comunidade nossos parceiros são principalmente as autarquias, ONGs e instituições do setor social e depois nos projetos, temos as empresas, voltadas para o setor lucrativo, outros como associação que se olham não como um negócio mas como uma missão, temos organizações mais maduras que apoiamos, e temos iniciativas que estão a começar e precisam de apoio; já tivemos até pessoas sozinhas que precisavam de apoio. Portanto, não fechamos a porta aos vários modelos de projeto, porque sentimos que temos que conhecer para perceber se poderemos acrescentar valor.
140 9. Na sua opinião como a inovação social é percebida pelo público atendido na IRIS? Passaram a perceber a IS como uma nova ferramenta, de algum modo, porque as pessoas já estavam a trabalhar com a mesma problemática e eles estavam a achar que a única solução era a que eles tinham em mãos. Por meio das nossas abordagens, fomos mostrar que, se calhar, pensar noutras funções, pensar parceiros, outras organizações entre as instituições poderiam resolver os problemas de outras formas, portanto eu diria que é nesta nova abordagem que surge a diferença. 10. Eles percebem o impacto que a Inovação Social pode gerar na sociedade? Intervenção da pesquisadora: Então podemos afirmar que eles percebem o impacto que a IS pode provocar na sociedade. Com a qual a entrevistada concordou. Questões Iniciais Nome: Diana Silva Área de gestão: Gestora de Inovação – responsável pelas ações de educação para inovação e incubação - Entrevistada Nº 2 Tempo de colaboração na IRIS: desde 2018 Dimensão II - Gestão da Inovação (IRIS) Na vertente educação para inovação temos dois projetos: Begin Innovation (Programa Educativo em contexto escolar, sensibilização para participação do programa educativo) e o concurso de Ideias - Aprendizes de Inovação Social. Diana também é responsável pelo Grow Innovation - programa de Incubação e aceleração de iniciativas/projetos. 1Como iniciou seu trabalho na IRIS, quais eram os objetivos? O meu trabalho na IRIS iniciou com o desafio de assumir o eixo da educação, que era um eixo que não existia inicialmente. O desafio era criar um programa educativo. Criamos o Begin Innovation que consiste em levar
141 a inovação social e o conceito de inovação social até as escolas do primeiro ciclo, e depois, entretanto, fomos desafiados a levar para turmas do segundo e terceiro ciclo e secundário e já estivemos até em universidades. Mas, nosso objetivo inicial eram as crianças mais novas do primeiro ciclo, as do 3º e 4º ano que já tem capacidade de escrita e que tem a capacidade de reflexão mais desenvolvida, portanto, foi aí que iniciou a minha colaboração na IRIS, a desenvolver o eixo de educação. 1.1 Você também cuida do Grow Innovation - incubação e aceleração? Sim, o desafio da incubação e aceleração só me foi feito em julho do ano passado (2019) na altura da saída de uma colega. Meu trabalho na IRIS iniciou mesmo pelo eixo da educação. 2Como foi recebido o programa Begin Innovation nas escolas? Nossa atuação foi inicialmente aqui no eixo do Tâmega e Souza, nos 11 municípios do Tâmega e Sousa. Nós começamos por uma ação, íamos uma vez a uma turma durante uma hora e meia, e trabalhávamos com eles o conceito, o que é isto inovação social, quem são os empreendedores sociais, portanto são as pessoas que trabalham num projeto de inovação social, e explicávamos que o mundo está repleto de problemas e que aí que entra a inovação social, percebemos que a receção por parte dos alunos e dos professores estava a ser boa. Perguntavam muitas vezes, bom e agora quando voltam a cá? E então levou-nos a criar um programa, e de uma ação passamos para 6. De uma forma passamos de uma sessão de 1h30 min para 6 sessões de 1h30min, consecutivas. Que idealmente são uma sessão de 1h30min uma vez por semana. E vamos a mesma turma trabalhar de uma forma mais profunda tudo que é inovação social, o que é e o que não é, e tentamos adaptar as características às idades. Depois passamos o que é um empreendedor social e que poderes tem um empreendedor social, pois criamos cinco poderes para um empreendedor social. Os problemas que temos no mundo, até que sejam capazes de criar um projeto para solucionar um problema que percebam no mundo ou na localidade que se inserem.
142 Agora, a entrada nas escolas nem sempre é fácil pois eles já têm bastante projetos e programas que lhe são oferecidos constantemente. Depois de conseguirmos explicar o que é isto inovação social e que benefícios, podem trazer para as crianças, as professoras por norma aceitam e depois por estarmos lá com eles, e elas perceberem efetivamente como tudo se desenrola, somos bem acolhidos, e elas gostam. Isto aparece na avaliação de impacto que está a ser feita ao programa educativo e que foi feita no ano passado, elas percebem a importância e reconhecem o valor do programa até mesmo em comparação com outros programas que já tiveram ou que vão tendo em sala de aula. Portanto, o feedback que vamos tendo quer seja direta ou indiretamente, nas avaliações que vão sendo feitas nas pesquisas, é que as professoras reconhecem o valor do programa. Mesmo assim, nem sempre é fácil entrar nas escolas, porque como disse elas estão superlotadas de programas, de projetos e afins, portanto tem pouco tempo para desenvolver o programa curricular, e às vezes pensam, acham que poderá ser uma perda de tempo. O importante é ir até as escolas e depois que as professoras percebem o que é, que se passa o programa, nos recebem mais facilmente e nos abrem as portas. 2.1 E a sensibilização é direta com as professoras ou passa pela direção? Nós chegamos às escolas, na primeira vez através das camaras municipais, pois são elas que regulam o primeiro ciclo e que lançaram um convite às escolas e às turmas: quem queria receber o programa educativo, portanto nosso elo inicial foi os municípios. Numa segunda fase, já lançamos o convite abertamente, direto para os agrupamentos, ou para as coordenadoras de escolas ou diretoras do primeiro ciclo, e as escolas que estavam interessadas puderam agendar as sessões diretamente connosco, com o diretor de agrupamento, com os coordenadores ou até mesmo com as professoras. Isto depois depende de escola para escola, depende das dinâmicas de cada escola, porque nem toda escola funciona da mesma maneira.
149 pedíamos que indicassem duas ou três empresas da região com empresários que estivessem abertos e disponíveis a participarem do Bootcamp. Portanto, em setembro o bootcamp foi alargado à malha empresarial e a outros representantes da sociedade que fossem agentes locais. Sempre com o foco na IS. E que depois pudesse continuar o trabalho. Faz sentido que sendo um projeto financiado, que se deixe frutos no território. O objetivo era capacitar essas pessoas que vieram até nós e se formaram embaixadores e eles próprios pudessem aplicar\multiplicar no território. Isso não faz com que a IRIS se diminua, pelo contrário, isso faz com que a IRIS acompanhe as necessidades que forem surgindo. Já tendo sido capacitados e atuando, perceber o que mais eles necessitariam. O programa de capacitação da IRIS é transversal ao eixo todo. A comunidade IRIS como um todo, vão referindo em termos de capacitação o que precisam, precisamente relacionados à temática da IS e implantação de projetos. Nós preparamos um plano de capacitação e as pessoas que se interessassem podiam se inscrever. Em todas as ações de capacitação solicitávamos através de uma ficha que não só avaliassem o curso, mas também que indicassem o que pudéssemos melhorar ou temáticas que pudessem identificar como necessidade. Uma delas por exemplo, e que foi muito bem frequentada, foi avaliação e impacto. Pois, há muito interesse na temática por diversos motivos. 2. As ações de intervenção já foram esclarecidas, mas há um trabalho de campo? Como funciona? Quando estivemos na fase de sensibilização convidamos, mas não impomos. Só faz sentido participar quem está disposto. Muitas vezes a comunidade entra em contato connosco e nos desafia, a propor coisas que se calhar nem tínhamos pensado. E nós vamos cocriando. O importante é deixar claro que não somos nós a estar no território é estar com e isso é capacitar. E quando não temos alguma resposta, pois não temos resposta para tudo, procuramos um parceiro que possa ajudar e colocamos a ideia a caminho.
150 Ir ao território isso depois é dinâmico, depois vamos recebendo desafios, e nos chamam para fazer o que já tínhamos feito para um território diferente, e vamos procurando dar resposta ao que já tinha sido semeado e isso é como uma dança, colhemos de alguns territórios e outros que estavam em pousio passa a ser semeado. 3. Qual o perfil de pessoas atendida pela IRIS? O perfil tem que ser uma pessoa motivada para ação, mas não tem que ter formação nesta ou naquela área específica, pode até estar desempregada, mas que tenha essa vontade de mudar o mundo, que tenha essa habilidade de persistir, fazer parcerias, buscar outras pessoas, convencer outras pessoas a entrar no barco consigo. O eixo da comunidade já diz tudo, o eixo da comunidade é ativar a comunidade é por a comunidade em interação. Os problemas sociais são problemas sociais muito complexos. Portanto, tocam diferentes dimensões. Faz sentido que sejam tratados por um lado multidisciplinar, e por outro lado que sejam multiperspetivas, isto é, as pessoas de diferentes quadrantes trazem garantidamente perspetivas diferentes e essas diferenças são enriquecedoras pois podemos trazer soluções mais robustas, precisamente porque destas diferenças de perspetivas podem surgir a identificação de possíveis falhas ou problemas que podemos encontrar pelo caminho. Quanto mais preparada para a diversidade a comunidade estiver, muito mais preparadas estão para enfrentar os problemas que se colocam. Não estamos aqui a inventar a roda, se calhar, estamos a recuperar formas de estar na sociedade que se foram perdendo, porque, fomos ficando cada vez mais individualistas e para sobreviver, a natureza está a nos dizer isto todos os dias, há de se cooperar. Só sobrevive sobre isso quem efetivamente coopera. 4. Na sua opinião como a inovação social é percebida pelo público atendido na IRIS? 5. Pode citar algum caso de sucesso? Isso não é imediato nem taxativo, uma das embaixadoras, já no segundo encontro, tendo participado do primeiro bootcamp. Com sua equipa de trabalho pensou em um projeto. E, às vezes, esses projetos
151 podem ver a luz do dia ou não. O importante é que as instituições percebam que são capazes de criar um projeto e evoluir. E essa embaixadora, teve a vontade de submeter o projeto ao programa de incubação. Isso é um resultado muito claro e muito direto do que é o nosso trabalho no território. Houve também, já na primeira fornada de embaixadores, identificação de uma série de projetos de IS, que estava ali e ninguém percebia que era um projeto de IS. Eu se tivesse que avaliar alguns desses projetos, teria alguma dificuldade, pois alguns projetos se tivessem no Porto ou em outra cidade maior talvez não fossem caracterizados como projetos de IS, mas como estavam em regiões menores são projetos de IS. Fez-me lembrar de uma ação com jovens em Amarante um workshop de IS para jovens ligados também ao associativismo, portanto, que já tivessem em atividade em associações juvenis e houve um deles que mostrou interesse e nós incentivamos a submeter a sua ideia ao processo de aceleração e foram aceites, são os mais novos, tem 18 anos e agora estão a receber a capacitação. Questões Iniciais Nome: Helena Loureiro Cargo: Representante Região Norte Portugal Inovação Social – Entrevistada Nº4 Dimensão IV – Portugal Inovação Social – Região Norte 1Como funcionam as Parcerias para o Impacto com Incubadoras de Inovação Social? Os nossos instrumentos de financiamento foram montados de acordo com a maturidade o e o ciclo de vida das iniciativas de inovação de empreendedorismo social. O objetivo era perceber se cada iniciativa estava em determinada fase capaz de algo, desde uma boa capacidade de gestão de equipa até uma efetiva demonstração de resultados e já implantados.
152 Isso fez com que nós montássemos as nossas linhas de financiamento neste formato, o que não significa que determinada entidade precise passar por todas as fases de financiamento, mas na realidade de acordo com o nível de maturidade de determinada iniciativa de inovação e empreendedorismo social. As entidades vão encaixando a sua possibilidade de candidatura em função do estado que esta se encontra. Se estamos falando de uma ideia, com uma pequena experiência piloto, ou ainda não está muito madura para inserção no terreno, às tantas faz sentido que a equipa tenha e seja alicerçada na capacitação, para adquirir competências que ainda não tenha, faz sentido que ela participe da capacitação para inovação social. Contudo se esta equipa já tem algum know how e alguma robustez de intervenção no terreno, às tantas, as parcerias para o impacto serão a melhor solução. Ao falar de um projeto que resolve problemas de políticas públicas que tem resultados efetivos de resolução do problema, às tantas, a melhor opção seriam os títulos de impacto social. Portanto, é isso que nós fazemos, já estamos em uma fase que já passamos mais da metade do ciclo da Portugal Inovação Social, estamos no PT 2020, mas termina em 2023. Contudo, tivemos que pensar na programação de como vamos aplicar nossos instrumentos no mercado e do ponto de vista financeiro o que vamos fazer com a verba que ainda nos resta e, portanto, percebemos que não fazia sentido estarmos a alavancar a capacitação para inovação social se as entidades não teriam tempo para uma segunda candidatura, para que o projeto fosse operacionalizado efetivamente no terreno. Assim, não abriremos mais candidaturas para a capacitação. Permitindo que as parcerias para o impacto e os títulos de impacto social, pudessem marcar as ações de capacitação e estas ações seriam acrescidas. 1.2 Como está a execução do valor que foi alocado no Portugal Inovação Social? Nós, neste momento, estamos em feixe, a conseguir ter mais dados ao nível da execução, porque na realidade o primeiro aviso abriu em 2016, portanto estivemos a bem pouco tempo a finalizar a primeira fase e os primeiros projetos. Na verdade, só no fim deste ano 2020, teremos uma
153 visão mais robusta e eficaz da execução dos projetos. Tivemos um prolongamento da data de término de alguns projetos, portanto, só no fim deste ano no início do próximo é que teremos uma ideia efetiva com relação a execução. Com relação aos recursos ainda disponíveis nós tivemos agora uma grande call, com 20 milhões, e as parcerias para o impacto levou 250 inscrições, não esperávamos que tivéssemos tantas iniciativas com vontade de aceder nossos instrumentos de financiamento. Este mês sairão os resultados, mas mostra que precisaremos ir buscar um complemento. 2Como o Programa dimensiona o impacto do trabalho realizado nos projetos? Nas parcerias para o impacto, já pedimos que eles apresentem os resultados que pretendem ter de impacto. E a maioria manda projeção de atividades e já estamos trabalhando para orientá-los para que eles apresentem resultados efetivos de impacto. As entidades são também muito trabalhadas por nós, representantes de terreno, durante as primeiras calls não tínhamos tanto essas preocupações, mas aos poucos vamos sensibilizando para isso. Quando o projeto é aprovado eles já saem com indicadores de impacto. Não houve nenhuma despesa sobre medição de impacto que não fosse considerada elegível pela nossa equipa, pode ter tido algum ajuste se o valor fosse exacerbado, porque as entidades exacerbam um pouquinho o valor, mas na realidade isso para nós é um ponto crucial na intervenção que está a ser feita. Portanto, desde a candidatura isso tem que estar bem alicerçado, não podemos ter resultados só das pessoas que as entidades irão atingir, não queremos apenas os resultados de realização, nós queremos saber qual foi o impacto, e em alguns projetos isso já está a surgir. 3-Indicador único, que sabemos que é um sonho. Hoje passamos pelas avaliações cruzadas de qualitativas e quantitativas, e que eu acredito que é mais positivo pois tem o resultado do impacto com um olhar maior de apreciação. Como fica a avaliação de impacto no programa?
154 No âmbito dos títulos de impacto social não podemos, até pela forma como o instrumento está montado, não podemos permitir que tenham mais que um resultado, nós temos um problema social e vamos resolver a partir desse plano social, à medida que promovemos o emprego, claro que ficarão com maior autoestima, mais alegres. Nos títulos de impacto social não há voltas a dar, alguns até assumem mais que um indicador, mas para nós o que vale é um só. Nas parcerias para o impacto, não é bem assim. Nas parcerias de impacto vamos permitindo alocar mais de um resultado, pois quando se trabalham algumas temáticas sociais fica muito difícil dissociar um resultado do outro. É muito difícil dizer que se a pessoa melhora promoção da autoestima, não vem atrás disso as questões do autoconceito a motivação para vida ativa, todas as inerências que estão alocadas em determinado indicador. E neste caso nós temos estas questões em conta. Eventualmente também, para ser mais fácil a questão da medição de impacto, as entidades selecionam quase um major, mas depois apresentam resultados em quase todos os outros. 3.1 Por exemplo a IRIS tem diversos projetos internos, seria um resultado indireto. No caso da IRIS sendo uma incubadora, o resultado esperado o resultado direto é o número de empresas incubadas. E claro que para chegar a isso, foi preciso trabalhar o território, capacitar e estes são resultados indiretos. Mas, alguns projetos têm resultados diretos mesmo, por exemplo, projetos com questões relacionadas ao sucesso escolar, ou melhor, a questão do absenteísmo, se nosso resultado for a redução de 30% do absenteísmo automaticamente leva ao sucesso escolar. Estes resultados estão em paralelo. O aumento da presença promove o sucesso escolar, os resultados estão ligados. 4 Minha questão da tese busca perceber também como a sociedade percebe o impacto da Inovação Social. O Programa monitora isso de alguma forma? Em termos de avaliação teremos resultados para isso quando as pesquisas estiverem prontas. Com relação a dados não temos respostas
155 para isso. Mas, em termos de perceção, eu trabalhava em uma área muito tradicional, trabalhei na área de promoção social muitos anos para o município, e tinha uma visão da lógica de política pública de intervenção de problemas sociais que é tradicionalmente, tradicional. Portanto, é muito convencional a forma como se trabalha. E no local onde eu estava nós tentávamos melhorar essa compreensão mais existencialista, e íamos implementando o que na altura não sabia, mas agora sei, ações que tinham uma componente muito inovadora, estamos a falar dos anos 2000 a 2015. Quando salto para o mercado, percebi que a sociedade civil ainda não estava sensibilizada para estas questões. Hoje eu percebo que a sociedade já está sensibilizada, eu vou dar o exemplo do Porto, era um município que não estava nada sensibilizado para essa questão, no espaço de um ano, a diferenciação do olhar do município do Porto para as áreas de inovação social, foi absolutamente inacreditável, tão inacreditável que eu acho que agora com os resultados que vamos ter, o município do Porto será o segundo município do país com o maior investimento público em inovação social. Portanto, nós temos uma sociedade mais alerta para as estas questões de inovação social. E até os próprios destinatários, olham para além do que foram alvo de uma intervenção mais tradicional e convencional, percebem enorme diferenciação que tem nas suas vidas quando integram uma tecnologia inovadora. Isso muda tudo na resolução do seu problema. 5 Há uma estatística da inovação social em Portugal antes e depois do Programa? Está sendo realizada junto com a avaliação de impacto. 6 Há um ranking dos países que mais investem em Inovação Social e Portugal era em 2018 o 5º, como está este cenário na atualidade e qual órgão responsável por este levantamento, pois não encontrei referências. Achei apenas o volume de subsídios concedidos pela EU, por país, mas não há referência que tal recurso é destinado à Inovação Social Nós não temos dados efetivamente a isso, nós sentimos que a Portugal Inovação Social, alavancou o mercado de investimento social, e
156 com uma surpresa, que o setor empresarial, o setor privado, começou a perceber uma oportunidade de investimento diferenciada, o que está muito relacionado com o nosso trabalho. Não só em Portugal como no resto da UE. Somo convidados diversas vezes, para diferentes locais, não só para falarmos dos números e fomento do mercado de inovação social, mas o que já estamos a planear para o próximo ciclo 2021/2027. A UE está muito atenta ao nosso trabalho, já fomos convidados e fomos falar sobre nossa experiência em diversos lugares. A Fabiana estava a dizer sobre a medição de impacto, nós estamos realizando uma medição de impacto do nosso próprio trabalho, portanto em 2023 nós vamos ter resultados da forma como nós intervimos na sociedade, não só na intervenção nos projetos, mas nomeadamente nossa intervenção no terreno. Relativamente ao nosso papel, isso vai acontecer e com certeza vamos ter resultados muito significativamente. Com esta avaliação de impacto teremos os resultados de como investimos e os resultados no campo. 7.Como vocês avaliam o resultado das incubadoras? Nós acolhemos muito as nossas incubadoras. As incubadoras são uma situação especial. Nós temos incubadoras de inovação social e incubadoras sociais, portanto, dependendo de seus objetivos, e do seu tipo de trabalho nós vamos tendo um olhar também diferente sobre elas. O único trabalho que formamos uma rede foi com as incubadoras e temos encontros anuais com elas. Portanto, nós fazemos a promoção desses encontros para elas refletirem como estão a trabalhar, e retirarem as mais valias de uma em detrimento de outras, cria-se um grande brainstorming, trocas de ideias, e umas vão agarrando os seus pontos fortes e outras vão resolvendo seus problemas umas com as outras.
157 ANEXO 3: Depoimentos sobre o Programa Begin Innovation Depoimentos Programa Begin Innovation Entrevistados: As crianças participantes do programa Sobre o programa Begin Innovation Competência adquirida “Estivemos a pensar nos problemas de Portugal e do Mundo”. Metodologia “Eu adorei! As aulas foram espetaculares, mas o que eu mais gostei foi o trabalho em equipa.” Importância da IRIS “Foi muito importante a IRIS estar aqui, porque senão não estaríamos a saber nada de inovação social, empreendedorismo social…” Entrevistados: As crianças participantes do programa Sobre Inovação Social Perfil do Empreendedor Social “Aprendemos o que um inovador social faz.” Objetivo da Inovação Social “Se a inovação social não existisse, existiriam muito mais problemas.” Conceito Inovação Social “Para mim, a inovação social são respostas criativas, inovadoras e eficazes que contribuem para um mundo melhor” Entrevistados: Representantes das Entidades Parceiras Sobre o programa Begin Innovation Contribuição para construção de indivíduos mais questionadores e inovadores “É muito importante este tipo de abordagem de projetos com as escolas, pois são realmente os miúdos que tem ideias inovadoras, que estão a pensar fora da caixa, quando ninguém pensou em nada. E são eles que daqui há dez anos estarão, se calhar, nas câmaras, se calhar, no governo e que vão ter soluções aos problemas sociais.” “Acho que estas ideias são para continuar. São realmente de se promover, pois o que nós precisamos são de seres pensantes e seres pensantes que comecem desde a tenra idade.”
158 Entrevistados: Representantes das Entidades Parceiras (continuação) Sobre o programa Begin Innovation Formação de futuros empreendedores sociais “Este tipo de projeto é importante porque as crianças aprendem a ser empreendedoras no futuro, levam aos pais a mensagem que aprendem na escola. E nunca se sabe se estes projetos, mais tarde criam neles um explorador, empreendedor ou um inovador social.” Apoio à uma educação baseada em competências “De fato a inovação é muito importante. A aquisição destas competências não formais é muito importante. Visto que, o ensino préescolar e primário necessitam disto, acho que devemos entusiasmá-los.” Fonte: Elaborado pela autora, cfr. registos em vídeo do programa, Canal IRIS no YOUTUBE: irisincubadora. https://www.youtube.com/watch?v=beF4aQk_exY, https://www.youtube.com/watch?v=I64VnEDoCJU&t=253s, https://www.youtube.com/watch?v=d-7hs5bNX1s