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Atitudes dos psicólogos portugueses face à Prática Baseada em Evidência (PBE) no contexto das perturbações alimentares e emocionais

Antunes, Inês Carolina Ferreira Fernandes

Abstract

Introdução: Estudos relativos à prática baseada em evidência (PBE) em Portugal são relativamente escassos. No contexto da psicologia o cenário não fica mais favorável, principalmente se falarmos no âmbito das perturbações alimentares. Tentar perceber as atitudes face à PBE é extremamente importante pois isso irá predizer se há maior ou menor probabilidade de implementação de novos tratamentos testados cientificamente, dependendo de diferentes fatores associados. Posto isto, os objetivos de estudo seriam perceber se existe diferença em relação a essas mesmas atitudes em função de algumas variáveis sociodemográficas como o sexo, a idade, e a experiência clinica, e também, testar a existência de possíveis diferenças entre grupos em função da área das perturbações alimentares, do modelo teórico base, e da perceção, por parte do psicólogo/a, do tipo de liderança da organização de saúde onde se insere. Métodos: Para a realização do estudo foi utilizada uma amostra total de 59 membros efetivos da ordem dos psicólogos portugueses (OPP). A tarefa inerente a este estudo foi preencher um questionário online no Google Forms, onde o participante teria de confirmar a sua participação no mesmo, após a leitura do Consentimento Informado, e de seguida preencher um questionário sociodemográfico mais a Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36). Resultados: A atitude dos psicólogos portugueses face à PBE, no geral, demonstrou ser positiva. No entanto, as diferenças foram mais significativas em relação à pontuação total das diferentes subescalas da EAPBE-36. Os resultados mostram diferenças entre psicólogos que utilizam o modelo cognitivo comportamental na sua prática, pequenas diferenças entre as diferentes idades, e ser psicólogo no contexto das perturbações alimentares. Em contraste, não foram encontradas diferenças significativas em função do sexo, experiência clínica, e o tipo de liderança de uma organização de saúde. Conclusão: Apesar dos resultados mistos, este estudo permitiu identificar pequenos fatores que podem constituir-se como barreiras, ou potenciadores, no que toca à implementação da PBE.

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Universidade do Minho Escola de Psicologia Inês Carolina Ferreira Fernandes Antunes Atitudes dos Psicólogos Portugueses face à Prática Baseada em Evidência (PBE) no contexto das perturbações alimentares e emocionais outubro de 2022 Atitudes dos Psicólogos Portugueses face à Prática Baseada em Evidência (PBE) no contexto das perturbações alimentares e emocionais Inês Carolina F. F. Antunes Uminho | 2022 Inês Carolina Ferreira Fernandes Antunes Atitudes dos Psicólogos Portugueses face à Prática Baseada em Evidência (PBE) no contexto das perturbações alimentares e emocionais Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Psicologia Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Paulo Machado ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ iii Agradecimentos Quero agradecer a todos os que contribuíram, cada um à sua forma, para a finalização desta etapa... À minha mãe por todo o apoio que me deu na recolha dos participantes e por nunca deixar que me faltasse motivação... Ao meu pai por ser um exemplo daquilo a que se define a ser uma pessoa determinada... Ao meu namorado por todo o amor, companheirismo e compreensão durante uma das fases mais desafiadoras da minha vida... Ao Dr. Paulo Machado pela sua excelente orientação... Aos meus amigos, em especial à Sara, por me proporcionarem momentos de descontração que também são necessários nesta fase... Aos participantes deste estudo, que perderam um bocadinho do seu tempo para me ajudar e porque sem eles, a realização da dissertação não seria possível... E por fim, agradeço a mim, porque sem mim, este projeto não teria sido concretizado. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. 14 de outubro de 2022, Braga v Atitudes dos Psicólogos Portugueses face à Prática Baseada em Evidência nas Perturbações Alimentares e Emocionais Resumo Introdução: Estudos relativos à prática baseada em evidência (PBE) em Portugal são relativamente escassos. No contexto da psicologia o cenário não fica mais favorável, principalmente se falarmos no âmbito das perturbações alimentares. Tentar perceber as atitudes face à PBE é extremamente importante pois isso irá predizer se há maior ou menor probabilidade de implementação de novos tratamentos testados cientificamente, dependendo de diferentes fatores associados. Posto isto, os objetivos de estudo seriam perceber se existe diferença em relação a essas mesmas atitudes em função de algumas variáveis sociodemográficas como o sexo, a idade, e a experiência clinica, e também, testar a existência de possíveis diferenças entre grupos em função da área das perturbações alimentares, do modelo teórico base, e da perceção, por parte do psicólogo/a, do tipo de liderança da organização de saúde onde se insere. Métodos: Para a realização do estudo foi utilizada uma amostra total de 59 membros efetivos da ordem dos psicólogos portugueses (OPP). A tarefa inerente a este estudo foi preencher um questionário online no Google Forms, onde o participante teria de confirmar a sua participação no mesmo, após a leitura do Consentimento Informado, e de seguida preencher um questionário sociodemográfico mais a Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36). Resultados: A atitude dos psicólogos portugueses face à PBE, no geral, demonstrou ser positiva. No entanto, as diferenças foram mais significativas em relação à pontuação total das diferentes subescalas da EAPBE-36. Os resultados mostram diferenças entre psicólogos que utilizam o modelo cognitivo comportamental na sua prática, pequenas diferenças entre as diferentes idades, e ser psicólogo no contexto das perturbações alimentares. Em contraste, não foram encontradas diferenças significativas em função do sexo, experiência clínica, e o tipo de liderança de uma organização de saúde. Conclusão: Apesar dos resultados mistos, este estudo permitiu identificar pequenos fatores que podem constituir-se como barreiras, ou potenciadores, no que toca à implementação da PBE. Palavras-chave: Perturbações Alimentares (PA); Prática Baseada em Evidência (PBE); Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36); Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP). vi Attitudes of Portuguese Psychologists towards Evidence-Based Practice for Eating and Emotional Disorders Abstract Introduction: Studies on evidence-based practice (EBP) in Portugal are relatively scarce. In the context of psychology, the scenario is not more favorable, especially if we talk about eating disorders. Trying to understand attitudes towards EBP is extremely important as this will predict whether there is a greater or lesser probability of implementing new scientifically tested treatments, depending on different associated factors. That said, the objectives of the study would be to understand if there is a difference in relation to these same attitudes according to some demographic variables such as sex, age, and clinical experience, and also, to test the existence of possible differences between groups depending on the area. of eating disorders, the basic theoretical model, and the psychologist's perception of the type of leadership of the health organization in which he works. Methods: A total sample of 59 permanent members of the Portuguese psychologists' association (OPP) was used to carry out the study. The task inherent to this study was to fill out an online questionnaire on Google Forms, where the participant would have to confirm their participation in it, after reading the Informed Consent, and then fill out a sociodemographic questionnaire plus the Scale of Attitudes towards Practice Based in Evidence of 36 items (EAPBE-36). Results: The attitude of Portuguese psychologists towards EBP, in general, proved to be positive. However, the differences were more significant in relation to the total score of the different subscales of the EAPBE36. The results show differences between psychologists who use the cognitive behavioral model in their practice, small differences between different ages, and being a psychologist in the context of eating disorders. In contrast, no significant differences were found by gender, clinical experience, and the type of leadership in a healthcare organization. Conclusion: Despite the mixed results, this study allowed us to identify small factors that can constitute barriers, or in turn, enhancers, with regard to the implementation of EBP. Keywords: Eating Disorders (PA); Evidence-Based Practice (EBP); Evidence-Based Practice Attitudes Scale of 36 items (EBPAS-36); Order of Portuguese Psychologists (OPP). vii Índice Introdução 8 • O que é a Prática Baseada em Evidência (PBE) e o Tratamento com Base em Evidência (TBE) 8 • Fatores possivelmente associados à implementação da Prática Baseada em Evidência 10 • Estudos da PBE no contexto das Perturbações Alimentares e da Ingestão 12 • Estudos sobre a Prática Baseada em Evidência em Portugal 13 Hipóteses 15 Métodos 15 Procedimento 17 Análise dos dados 17 Resultados 18 Discussão 25 Conclusão 27 Referências Bibliográficas 28 Índice de tabelas Tabela 1. 19 Tabela 2. 20 Tabela 3. 22 Tabela 4. 23 14 Ainda relativamente aos estudos feitos em Portugal sobre os tema das atitudes face à PBE, Camponês (2019) realizou um estudo que permitiu concluir que a grande maioria dos psicólogos/as portugueses dedicam a sua atividade profissional à prática clínica, com uma percentagem de 80%. Relativamente à condução da investigação apenas 18,4% dos psicólogos/as o fazem. Quando questionados acerca do que pode influenciar a sua tomada de decisão na escolha de um tratamento, a maioria referiu ser a “experiência contínua com os clientes e a supervisão/consulta de casos clínicos com colegas” do que propriamente fontes de informação proveniente de artigos científicos. No que toca às áreas de investigação consideradas mais uteis pelos psicólogos/as, a amostra revelou uma maior preferência pelos estudos de casos clínicos. Relativamente às orientações tóricas, psicólogos/as cognitivo-comportamentais apresentaram preferência por fontes de informação diretas/relacionadas à investigação, isto é, concentram-se mais nos resultados da terapia. Os resultados deste estudo também mostraram que 54.8% da amostra de psicólogos/as não é frequentemente influenciado/a pela “investigação e literatura científica de tratamentos empiricamente suportados em psicoterapia” e que aproximadamente 50% dos psicólogos/as também não se sentem frequentemente influenciados pelo o uso de “manuais técnicos de tratamentos em psicoterapia”. Em relação a sistemas de feedback, 70.3% dos psicólogos/as reportaram não utilizar qualquer tipo de sistema. No que diz respeito a este estudo em concreto, o objetivo será comparar os resultados de certos grupos relativamente ao score total da Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36) e das diferentes subescalas consideradas mais relevantes (num total de 12 subescalas, serão testadas apenas 9 subescalas, que correspondem à Abertura, Divergência, Limitações, Adequação, Monitorização, Equilíbrio, Sobrecarga, Apoio Organizacional ), assim como testar algumas correlações. Apesar das diferenças entre certos grupos em relação às atitudes face à PBE já tenham sido testadas em estudos anteriores em Portugal, faz sentido replicar essas comparações neste estudo, uma vez que a amostra utilizada é mais restrita (se restringe somente a psicólogos membros efetivos da ordem dos psicólogos portugueses). Posto isto, o objetivo será o seguinte: correlacionar os anos de experiência ou prática clínica e as atitudes face à PBE; correlacionar a idade com as atitudes face à PBE; testar se existem diferenças entre os sexos relativamente às atitudes face à PBE; testar se existe diferença as atitudes face à PBE entre os psicólogos/as que trabalham com as perturbações alimentares e psicólogos que trabalhem noutras áreas; e testar se os modelos teóricos utilizado na sua prática clínica influencia atitudes desenvolvidas face à PBE. Uma vez que em estudos anteriores, o tipo de liderança de uma organização de saúde em que o psicólogo exerce a sua atividade profissional mostrou ter influência na 15 implementação da PBE, e dado que esta relação ainda não foi testada em Portugal, é também um dos objetivos deste estudo. Hipoteses Posto isto, e segundo os dados encontrados na literatura, foram postuladas as seguintes hipóteses a serem validadas neste estudo: H1: “Psicólogos do sexo feminino estão associados a melhores atitudes face à PBE”; H2: “Psicólogos com menos anos de experiência clínica estão associados a melhores atitudes face à PBE”; H3: “Psicólogos que utilizam o modelo teórico cognitivo-comportamental estão associados a melhores atitudes face à PBE”; H4: “Psicólogos que trabalham para organizações de saúde onde o clima e cultura se caracteriza por saudável, através de uma liderança comunicativa, presente, solidária e para além disso, promove quer a implementação quer programas de treinamento, monitorização e feedback da PBE, estão associados a melhores atitudes face à PBE”. H5: “A experiência clínica está negativamente associada ao desenvolvimento de atitudes positivas face à PBE”; H6: “A idade está negativamente associada ao desenvolvimento de atitudes positivas face à PBE”. Métodos Participantes A amostra utilizada para este estudo totalizou 59 participantes, todos eles membros efetivos da ordem dos psicólogos portugueses, e exercem a sua atividade profissional no âmbito da psicologia clínica e da saúde. Estas duas características mencionadas representavam os fatores de inclusão para a participação neste estudo. Desta forma, a amostra caracteriza-se por uma amostra por conveniência. Para além disso, dos 59 participantes, 25.4% (n=15) são do sexo masculino, e 74.6% (n=44) são do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 22 anos e os 53 anos ( M =39.2; DP =9.2). No que diz respeito à nacionalidade, os 59 participantes têm nacionalidade portuguesa. 16 Instrumentos Questionário Sociodemográfico Neste estudo foi administrado um questionário sociodemográfico onde foi possível recolher informações acerca das seguintes características: nacionalidade; idade; sexo; ano de experiência clínica; o(s) modelo(s) teórico(s) que utilizados na prática clínica; se trabalha ou não numa organização de saúde, e se a resposta for “sim” a esta questão em particular, tentar perceber a cultura e o clima dessa mesma organização na perspetiva do participante; e a verificação de conhecimento da definição da prática baseada em evidência (PBE). No que diz respeito às quatro últimas características mencionadas, foram elaboradas as seguintes questões: relativamente ao tipo de modelo teórico utilizado, o participante teve a possibilidade de escolher mais do uma das opções apresentadas, nomeadamente o modelos CognitivoComportamental; Psicodinâmico/Psicanalítico; Humanista; Fenomenológico/Existencial; Familiar/Sistémico; Interpessoal; Processo-Experiencial; e “nenhuma das opções anteriores”. No que toca aos psicólogos que trabalham para uma organização de saúde, foi-lhes feita a seguinte questão: “Como considera ser a liderança da organização?”, à qual poderiam optar pelas seguintes respostas: a. autoritária, controladora, carente de uma comunicação clara e eficaz e sem iniciativa para a mudança e implementação de novos tratamentos; b. “presente, solidária, com uma comunicação clara e eficaz”; c. “promove a iniciativa para a mudança e a implementação de novos tratamentos”; d. “promove a iniciativa para a mudança e a implementação de novos tratamentos financiado a criação de programas de educação e treinamento”; e. “promove a iniciativa para a mudança e a implementação de novos tratamentos financiando programas de educação e treinamento e posteriormente oferece avaliação, monitorização e feedback na implementação”; “b + c”; “b + d”; e “b + e”( Wolf et al., 2017). Em relação à definição da prática baseada em evidência, foi construída a seguinte questão: “Escolha, qual ou quais das opções considera ser, a melhor ou as melhores para definir a pratica baseada em evidência (PBE)”, à qual os participantes poderiam escolher mais do que uma opção das seguintes: 1. “investigação disponível sobre novos tratamentos cientificamente testados”; 2. “experiência clínica, e competências como psicólogo”; 3. “cultura, valores e necessidades do paciente”; e 4. “o uso da terapia cognitivocomportamental (TCC)”. A resposta correta seria selecionar as três primeiras opções (APA, 2006). Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) traduzida para portuguê s (PT) A Evidence-based Practice Attitude Scale (EBPAS-36) (Rye et al., 2017) é uma escala que permite avaliar a implementação da prática baseada em evidência (PBE), por parte dos profissionais de saúde mental ou de serviços sociais. A EBPAS-36 é uma medida de autorrelato, constituída por 36 itens. Cada item é avaliado pelo participante através de uma escala likert que vai desde 0 a 4, em que 0 corresponde 17 a “não concordo nada” e 4 corresponde a “concordo totalmente”. Além disso, na sua composição esta totaliza 12 subescalas: o Apelo intuitivo da PBE; a probabilidade da adesão da PBE avaliada através dos Requisitos e Abertura a novas práticas; a Divergência entendida entre TBE e a prática clínica atual; as Limitações da PBE; o nível de Adequação da PBE às características idiossincráticas do utente; a perceção negativa da Monitorização ou supervisão; a avaliação do Equilíbrio , isto é, fazer o balanceamento da perceção do profissional acerca das suas competências juntamente com a importância dada pelo mesmo, ao papel da ciência na prática clínica; a Sobrecarga e a sua possível influência na implementação da PBE; o Apoio Organizacional como potenciador ou não da adesão à PBE; e a perceção positiva da receção de Feedback (Aarons, Cafri, & Sawitzky, 2012). Para a contagem do score total da escala, alguns itens têm de ser contabilizados na forma inversa, que é o caso dos itens 4, 5, 7, 8, e 9. Quanto maior for o score da escala total, melhor são as atitudes dos participantes face à PBE, e maior será a probabilidade da sua implementação na prática clínica (Rye et al., 2017). Esta escala foi recentemente validada para a população portuguesa no estudo de Costa (2021), mostrando-se ser adequada e representativa. Procedimento A recolha dos dados foi feita com recurso à internet. Primeiramente construiu-se um questionário online através do Google Forms, e após essa realização o link do questionário foi divulgado através das redes socias como o Linkdin, Facebook e Instagram. Além disso, procedeu-se também à entrega física de um documento que continha um QR Code juntamente com a descrição e propósito do estudo, nas várias clínicas de psicologia situadas no concelho de Braga. Previamente ao preenchimento do questionário, o participante teria primeiramente que aceitar participar no estudo, posteriormente à leitura do Consentimento Informado. Após essa leitura, seguia-se uma questão relativamente ao critério de inclusão para estudo, isto é, se “é membro efetivo da ordem dos psicólogos portugueses (OPP)”, à qual os participantes eram obrigados a responder. Os participantes que não se constituíam como membros efetivos da OPP, o questionário terminava automaticamente, e de seguida o mesmo teria de submeter o formulário. Para os membros efetivos da OPP, ao longo do questionário foram solicitados a responder a questões relativamente a características demográficas, em relação a determinadas variáveis, e por último, foram solicitados também a preencher a escala Evidencebased Practice Attitude Scale (EBPAS-36) traduzida para português (PT). Análise dos dados A análise dos dados foi feita com recurso aos softwares IBM® SPSS® (versão 28) e IBM® SPSS® Amos (versão 28). 18 Antes de proceder para a análise dos dados, primeiramente recodificou-se as seguintes variáveis: os itens 4, 5, 7, 8, e 9, da escala EAPBE-36, fazendo o score inverso de cada item, para posteriormente calcular o score total da escala EAPBE-36; a variável idade, de forma a comparar grupos de diferentes faixas etárias (1. 22-32 anos; 2. 33-42 anos; 3. 43-53 anos); a variável modelo teórico utilizado (1. apenas o modelo CC; 2. mais do que um modelo; 3. nenhum dos modelos apresentados); a variável tempo de experiência clínica (1. 1-15 anos; 2. 16-28 anos) e por último, a variável liderança da organização de saúde (0. em branco; 1. fraca a moderada (a; b; c;); 2. boa a excelente (d; b+c; b+d; b+e;)). De seguida, foi feita o teste para a normalidade dos dados da amostra e a análise descritiva da mesma. Os resultados demonstram que a amostra não segue uma distribuição normal. Posto isto, foram utilizados testes não paramétricos, nomeadamente o teste Mann-Whitney (U) 2 e o teste de Kruskal Wallis (X²(2)) 3 , com o objetivo de explorar a existência de possíveis diferenças entre os grupos em relação ás atitudes face à PBE (idade, sexo, anos de experiência clínica; trabalhar com as perturbações alimentares; modelo teórico utilizado; e tipo de liderança da organização de saúde). Para analisar as correlações entre a idade e as atitudes face à PBE, entre a experiência clínica e as atitudes face à PBE, e entre as diferentes subescalas da escala EAPBE-36 (Abertura , Divergência, Limitação, Equilíbrio, Monitorização, e Apoio Organizacional ) foi utilizado o teste de correlação de Spearman . Além disso, foi feita uma análise em relação à consistência interna da Escala de Atitudes face à Prática Baseada em Evidência de 36 itens (EAPBE-36), através do cálculo de alfas de Cronbach. Resultados Estatística descritiva das variáveis em estudo Relativamente aos dados analisados da amostra deste estudo foi observado o seguinte: a média do score total da EAPBE-36 relativa à amostra total é de 72,75. Em relação ao facto de terem especialidade ou trabalhar na área das perturbações alimentares e da ingestão, 49.2% (n=29) respondeu que “sim” a esta questão, e 50.8% (n=30) respondeu que “não”; relativamente ao tempo de experiência clínica ( M =11.17), 69.5% (n=41) indicaram exercer a sua atividade profissional entre 1-15 anos, enquanto que os restantes 30.5% (n=18) indicaram exercer entre 16-28 anos; no que toca ao modelo teórico utilizado na prática clínica, 40.7% (n=24) utilizam apenas o modelo cognitivo-comportamental, em comparação com os restantes 59.3% (n=35) que utilizam mais do que um modelo teórico (incluindo a TCC 4 ), ou não utilizam nenhum dos modelos teóricos apresentados; no que diz respeito a trabalhar 2 Teste para 2 amostras independentes. 3 Teste para K amostras independentes. 4 Terapia Cognitivo-Comportamental. 19 numa organização de saúde, 54.2% (n=32) responderam que “sim” a esta questão, ao contrário dos 45.8% (n=27) dos restantes psicólogos, que responderam que “não”; dentro do grupo de profissionais que trabalham para uma organização de saúde (54.2%), 65.6% (n=21) consideram a liderança da organização “boa a excelente”, em contraste com os restantes 34.4% (n=11) que consideram a liderança da organização “fraca a moderada”; e, por último, no que se refere à definição da PBE, apenas 13.6% (n=8) acertaram na sua correta definição, ao contrário de 86.4% (n=51) dos participantes. Tabela 1 Descrição das variáveis sociodemográficas Psicólogos (N = 59) Experiência Clínica M = 11.17 1-15 anos 69.5% 16-28 anos 30.5% Trabalhar com Perturbações Alimentares Sim 49.2% Não 50.8% Modelo Teórico utilizado Apenas a modelo Cognitivo-Comportamental 40.7% Mais do que um modelo teórico 52.5% Nenhum dos modelos apresentados 6.8% Trabalhar para uma Organização de Saúde Sim 54.2% Não 45.8% Liderança da Organização de Saúde Em branco 45.8% Fraca-a-moderada 18.6% Boa-a-excelente Definição da PBE 35.6% Correta 13.6% Incorreta 86.4% 20 No que diz respeito ao score total da EAPBE-36, relativo a amostra total de psicólogos, foi obtida uma média de 72.75, em que o valor mínimo corresponde a 35 e o valor máximo a 93. No que diz respeito à média, desvio padrão, valor mínimo, e valor máximo do score das subescalas Abertura, Divergência, Limitações, Adequação, Monitorização, Equilíbrio, Sobrecarga, Apoio Organizacional , e Feedback, os resultados encontra-se na tabela abaixo. Tabela 2 Estatística Descritiva da EAPBE-36 Média Desvio Padrão Valor mínimo Valor máximo Abertura 9 2.6 0 12 Divergência 2.42 1.78 0 7 Limitações 2.54 2.58 0 8 Adequação 10.53 2,03 2 12 Monitorização 4.53 1.82 0 9 Equilíbrio 4.15 2.99 0 12 Sobrecarga 1.22 1.75 0 6 Apoio Organizacional 6.64 3.61 0 12 Feedback 9.49 3.17 0 12 Score Total 72.75 11.39 35 93 Nota . Para EAPBE-36 total e respetivas subescalas, N=59. Trabalhar no contexto das perturbações alimentares e atitudes face à PBE Os resultados deste estudo demonstraram que não existem diferenças significativas no score total da escala EAPBE-36, assim como o score total em quase todas as suas subescalas à exceção da subescala da Sobrecarga ( U =623.500; p < .05). Modelo teórico utilizado e atitudes face à PBE No que diz respeito a esta relação, os resultados mostraram que não existem diferenças significativas em relação ao score total da escala EAPBE-36, e em relação ao score total das suas subescalas, à exceção da subescala da Divergência (X²(2)= 9.678; p < .05) e da subescala do Equilíbrio (X²(2)= 7.181; p < .05), entre pelos menos um dos três grupos (psicólogos que utilizam apenas o modelo cognitivo-comportamental; psicólogos que utilizam mais do que um modelo; psicólogos que não utilizam 21 nenhum dos modelos apresentados). Após a análise mais detalhada dos dados, conclui-se que, relativamente aos scores da subescala Equilíbrio psicólogos que, utilizam apenas o modelo CC apresentam uma média de score mais baixa em relação aos restantes grupos; e em relação à subescala Divergência , psicólogos que não utilizam nenhum dos modelos apresentados, apresentam um score médio mais alto, do que os restantes grupos. Idades e atitudes face à PBE Os resultados apresentam a não existência de diferenças significativas entre as diferentes faixas etárias (22-32 anos; 33-42 anos; 43-53 anos) no que toca tanto ao score total da escala EAPBE-36 , tanto para o score total das subescalas, à exceção da subescala da Limitação (X²(2)= 10.101; p < .05). Depois de uma análise mais profunda, concluiu-se que a média dos score da subescala Limitação para psicólogos com idades compreendias entre os 33-42 anos registou-se mais alta (M = 4.13) da que dos restantes psicólogos. Grupos onde não foram encontradas diferenças significativas Relativamente aos grupos segundo o sexo; segundo a experiência clínica; e segundo a liderança da organização de saúde, os resultados demonstram não haver diferenças significativas entre os resultados de cada grupo face aos scores totais da escala EAPBE-36 e suas subescalas. Correlação entre a experiência clínica e atitudes face à PBE Os resultados evidenciam que não há correlação significativa entre a experiência clínica e o score total da escala EAPBE-36 ( rs#= .010; p > .05), e entre a experiência clínica e o score total das suas diferentes subescalas, ou seja, assume-se assim a independência das amostras. Correlação entre a idade e as atitudes face à PBE Relativamente ao score total da escala EAPBE-36 em relação às diferentes idades os resultados não mostram correlações significativas (rs = .333; p >.05), isto é, assume-se a independência das amostras. Em relação à subescala Apoio Organizacional , os dados mostram que existe uma correlação negativa moderada (rs = -.271; p <.05). Isto é, quanto maior for a idade, menor serão os scores relativamente à subescala Apoio Organizacional , e vice-versa. Correlações entre as subescalas da escala EAPBE-36 Em relação às correlações entre as subescalas, foram encontradas correlações positivas significativas/moderadas entre a subescala da Abertura com a subescala da Adequação (correlação significativas); a subescala da Divergência e as subescalas da Limitação e Equilíbrio (correlações significativas); a subescala da Limitação com as subescalas Monitorização , Sobrecarga (correlações moderadas), e Equilíbrio (correlação significativa); a subescala do Equilíbrio com a subescala da 22 Sobrecarga (correlação moderada); a subescala do Apoio Organizacional e a subescala do Feedback ; e uma correlação negativa significativa entre a subescala do Apoio Organizacional e subescala da Monitorização . 23 Tabela 3 Matriz de correlações 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1.Abertura - 2.Divergência -0.064 - 3.Limitação -0.110 0.566** - 4.Adequação 0.404** 0.045 0.051 - 5.Monitorização -0.116 0.125 0.314* -0.101 - 6.Equilíbrio 0.145 0.461** 0.486** 0.207 0.089 - 7.Sobrecarga -0.066 0.168 0.258* -0.100 0.136 0.298* - 8.Apoio Organizacional 0.180 -0.101 -0.076 0.214 -0.341** 0.100 0.165 - 9.Feedback 0.205 -0.182 -0.058 0.098 -0.252 -0.081 -0.092 0.574** - 10. Score Total 0.366** 0.068 0.241 0.444** -0.178 0.391** 0.249 0.712** 0.581** - Nota . A matriz refere-se à escala EAPBE-36. *p < .05; **p < .01 30 11.Kendall, P. C., & Frank, H. E. (2018). Implementing evidence-based treatment protocols: Flexibility within fidelity. Clinical Psychology: Science and Practice, 25 (4), Article e12271. https://doi.org/10.1111/cpsp.12271 12.Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2016/10/07). Ordem dos Psicólogos Portugueses Código Deontológico . Ordem dos Psicólogos Portugueses. https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/web_cod_deontologico_pt_revisao_2016_ 1.pdf 13.Patterson Silver Wolf, D. A., van den Berk-Clark, C., Williams, S.-L., & Dulmus, C. N. (2017). Are therapists likely to use a new empirically supported treatment if required? Journal of Social Work , 18 (6), 666–678. https://doi.org/10.1177/1468017317743138 14.Laurel M. Wallace; Kristin M. von Ranson (2012). 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