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O lúdico e a consciencialização da sustentabilidade ambiental no desenvolvimento da expressão motora em idade pré-escolar

Dias, Diana Maria Carvalho

Abstract

Neste relatório será apresentado o projeto de intervenção pedagógica implementado em contexto de Creche e Jardim de Infância, no âmbito da Unidade Curricular, Prática de Ensino Supervisionada, inserida no Mestrado em Educação Pré-Escolar da Universidade do Minho. Estes projetos foram desenvolvidos na área da motricidade dando ênfase aos jogos e brincadeiras, pois é a partir deles que as crianças enriquecem a suas destrezas motoras e as capacidades de socialização, comunicação, partilha, entreajuda, criatividade, autonomia e responsabilidade. No entanto, a temática da educação ambiental também está inserida nos dois projetos pedagógicos, uma vez que este é um tópico fundamental e que está presente no dia a dia do ser humano. É por isso importante levar as crianças a refletir e repensar nos seus hábitos e práticas ambientais. Os projetos de intervenção pedagógica centrados nos interesses das crianças, foram idealizados e trabalhados com base nas observações e reflexões diárias inseridas em contexto de creche e jardim de infância. No decorrer da prática interventiva as crianças foram desafiadas a dar as suas opiniões e a participar ativamente na realização de cada atividade de forma a manifestarem as suas curiosidades e a expressarem as suas vontades. O trabalho desenvolvido no decorrer do ano letivo, centra-se na importância da aprendizagem ativa, da observação e da escuta das crianças durante todo o projeto de intervenção pedagógica.

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O lúdico e a consciencialização da Sustentabilidade Ambiental no desenvolvimento da expressão motora em idade pré-escolar Universidade do Minho Instituto de Educação Diana Maria Carvalho Dias novembro de 2021 O lúdico e a consciencialização da Sustentabilidade Ambiental no desenvolvimento da expressão motora em idade pré-escolar Diana Maria Carvalho Dias UMinho|2021 Diana Maria Carvalho Dias novembro de 2021 O lúdico e a consciencialização da Sustentabilidade Ambiental no desenvolvimento da expressão motora em idade pré-escolar Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha Relatório de estágio Mestrado em Educação Pré-Escolar Universidade do Minho Instituto de Educação ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Agradecimentos Terminada esta etapa importante da minha vida, queria deixar um agradecimento especial às pessoas que me acompanharam e apoiaram ao longo deste percurso que me fez crescer a nível pessoal e profissional. Queria agradecer ao Professor Doutor António Camilo Teles Cunha, que me orientou e se disponibilizou a responder a todas as dúvidas que surgiram ao longo deste percurso. Às educadoras, auxiliares e instituições que me receberam e apoiaram ao longo da minha intervenção pedagógica e se disponibilizaram a ajudar-me a enriquecer os meus conhecimentos relativos á prática educativa. Aos meus pais, irmão e namorado que ao longo destes anos me apoiaram, compreenderam e acreditaram que era possível concretizar este sonho. A todos os meus familiares que, mesmo mais distantes, nunca deixaram de me apoiar e de incentivar a continuar este percurso. E um agradecimento muito especial a todas as crianças que me permitiram concretizar todos os projetos que idealizei e me acolheram sempre com muito carinho e tornaram este percurso ainda mais especial. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. v O lúdico e a consciencialização da Sustentabilidade Ambiental no desenvolvimento da expressão motora em idade pré-escolar Resumo Neste relatório será apresentado o projeto de intervenção pedagógica implementado em contexto de Creche e Jardim de Infância, no âmbito da Unidade Curricular, Prática de Ensino Supervisionada, inserida no Mestrado em Educação Pré-Escolar da Universidade do Minho. Estes projetos foram desenvolvidos na área da motricidade dando ênfase aos jogos e brincadeiras, pois é a partir deles que as crianças enriquecem a suas destrezas motoras e as capacidades de socialização, comunicação, partilha, entreajuda, criatividade, autonomia e responsabilidade. No entanto, a temática da educação ambiental também está inserida nos dois projetos pedagógicos, uma vez que este é um tópico fundamental e que está presente no dia a dia do ser humano. É por isso importante levar as crianças a refletir e repensar nos seus hábitos e práticas ambientais. Os projetos de intervenção pedagógica centrados nos interesses das crianças, foram idealizados e trabalhados com base nas observações e reflexões diárias inseridas em contexto de creche e jardim de infância. No decorrer da prática interventiva as crianças foram desafiadas a dar as suas opiniões e a participar ativamente na realização de cada atividade de forma a manifestarem as suas curiosidades e a expressarem as suas vontades. O trabalho desenvolvido no decorrer do ano letivo, centra-se na importância da aprendizagem ativa, da observação e da escuta das crianças durante todo o projeto de intervenção pedagógica. Palavras-chave: Brincadeiras; Crianças; Educação Ambiental; Jogos; Motricidade. vi Playfulness and awareness of Environmental Sustainability in the development of motor expression in preschool age. Abstract This report will present the pedagogical intervention project implemented in the context of Daycare and Kindergarten, within the scope of the Curricular Unit, Supervised Teaching Practice, included in the Master's Degree in Pre-School Education at the University of Minho. These projects were developed in the area of motor skills, emphasizing games, as it is through them that children enrich their motor skills and their abilities for socialization, communication, sharing, mutual help, creativity, autonomy and responsibility. However, the theme of environmental education is also included in the two pedagogical projects, since this is a fundamental topic and one that is present in the daily lives of human beings. It is therefore important to make children reflect and rethink their habits and environmental practices. The pedagogical intervention projects centered on the children's interests were conceived and worked on based on daily observations and reflections inserted in the context of daycare and kindergarten. During the intervention practice, the children were challenged to give their opinions and actively participate in each activity in order to express their curiosities and express their wishes. The work developed during the school year focuses on the importance of active learning, observation and listening to children throughout the pedagogical intervention project. Keywords: Active learning; Children; Envinonmental education; Games; Motricity. vii Índice: Licença concedida aos utilizadores deste trabalho .............................................................................. ii Resumo ............................................................................................................................................. v Abstract ........................................................................................................................................... vi Introdução ........................................................................................................................................ 1 Capítulo I - Enquadramento Teórico ............................................................................................. 3 1. Motricidade........................................................................................................................................... 3 2. Jogos e Brincadeiras ............................................................................................................................. 4 2.1 Jogos .............................................................................................................................................. 4 2.2 Brincadeiras .................................................................................................................................... 6 3. Educação Ambiental: Ecovalores/Reciclagem .......................................................................................... 7 Capítulo II - Contexto e plano geral de intervenção ................................................................... 9 1. Caracterização Geral do Contexto de Intervenção Pedagógica em Creche .................................................. 9 2. Caracterização Geral do Contexto de Intervenção Pedagógica em Jardim de Infância ................................11 Capítulo III - Desenvolvimento e avaliação da intervenção .....................................................15 3. Projeto de Intervenção Pedagógica em Creche .............................................................................15 3.1 Apresentação ................................................................................................................................ 15 3.2 Tema e objetivos do projeto ............................................................................................................ 15 3.2.1 Tema ...................................................................................................................................... 15 3.2.2 Objetivos ................................................................................................................................. 15 3.3 Contexto ....................................................................................................................................... 16 3.4 Enquadramento contextual e teórico – razões das opções tomadas ....................................................16 3.5 Estratégias de intervenção ...............................................................................................................19 4. Avaliação geral do projeto em contexto de Creche ..................................................................................20 5.1 Apresentação do Tema....................................................................................................................21 5.2 Objetivos ....................................................................................................................................... 21 5.3 Enquadramento de Estudo ............................................................................................................. 22 5.4 Estratégias de Intervenção .............................................................................................................. 23 5.5 Calendarização .............................................................................................................................. 24 6. Atividades realizadas no âmbito do projeto em contexto de jardim de infância: .........................................25 6.1 Atividade Nº1 – Pote da Amizade .................................................................................................... 25 6.2 Atividade Nº2 – Jardim Suspenso ................................................................................................... 27 6.3 Atividade Nº3 – Teatralização da lenda e Cestas de São Martinho ..................................................... 29 6.4 Atividade Nº4 – Danças da Lateralidade .......................................................................................... 30 6 objetivo adquirem preponderância e as ações se tornam reversíveis, portanto móveis e flexíveis. O pensamento passa a ser menos egocêntrico e a criança consegue construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a rodeia (sem mistura do real com o fantástico). Por fim, na etapa operatório-formal o pensamento se torna livre das limitações da realidade concreta, o que faz com que a criança consiga trabalhar com a realidade possível além da realidade concreta” (Luiz et al.,2014). Segundo Barbosa e Botelho (2008), em “Jogos e brincadeiras na educação infantil” e de acordo com Piaget “as manifestações lúdicas acompanham o desenvolvimento da inteligência uma vez que se vinculam aos estágios de desenvolvimento cognitivo. Seguindo a ideia mencionada por Negrine de que na teoria piagetiana a assimilação e acomodação são levadas ao equilíbrio no ato da inteligência, é cabível dizer que ao jogar na atividade lúdica infantil a criança assimila novas informações bem como as acomodam nas suas estruturas mentais” (Luiz et al.,2014). 2.2 Brincadeiras É possível afirmar que onde existe uma criança existe brincadeira, isto porque brincar é uma necessidade para qualquer criança. Por outro lado, quando não o observamos é sinal de que algo não está bem. Neste sentido, os jogos e brincadeiras tornam-se, para os adultos que acompanham as crianças, um bom método para identificar sinais de alarme. As brincadeiras proporcionam às crianças a liberdade de se exprimir e expressar as suas motivações e necessidades em explorar o que as rodeia. Estas experiências e estímulos são fundamentais nos primeiros anos de vida do ser humano. Quando as crianças têm a liberdade de brincar torna-se muito prazeroso estes momentos para elas e proporciona-lhes um estímulo à sua imaginação, integração, partilha e diálogo entre os pares. É um facto que brincar oferece muitos benefícios ao desenvolvimento da criança. Deste modo, preservar os jogos e brincadeiras nas escolas é fundamental, uma vez que as crianças não têm a possibilidade de o fazer em casa, devido a fatores de tempo e espaço. No dia a dia o tempo é cada vez mais escasso, os adultos passam a maior parte do tempo no trabalho e as crianças na escola. Nas grandes cidades as crianças vivem em apartamentos sem jardim ou espaços amplos e seguros para poderem brincar no exterior. Estes fatores, consequentes da evolução da vida humana, influenciam muito as atividades e momentos lúdicos que se proporcionam às crianças fora do contexto escolar. Neste sentido, ao longo 7 dos anos, os mais pequenos foram perdendo toda a riqueza e variedade de jogos e brincadeiras que os adultos aprenderam e jogaram nas suas idades. Contudo, é através dos jogos e brincadeiras que as crianças desenvolvem os seus conhecimentos, autonomia, sociabilidade, criatividade e habilidades motoras. Quando as crianças têm a liberdade de se deslocar a espaços amplos, como a rua ou parques, para brincar desenvolvem-se ao nível da motricidade, das emoções, da cultura e da socialização. É de salientar que o brincar deve estar presente no quotidiano de todas as crianças através de brinquedos, jogos, teatros e puzzles. A utilização destes materiais é fundamental para estimular o lúdico e ampliar conhecimentos da cultura lúdica tradicional, com a ajuda e convivência entre as crianças e os adultos. Segundo Vygotsky (1984) cit. por Zanella (1992), quando as crianças criam uma situação imaginária existe sempre regras nessas brincadeiras, porque, a partir do momento em que existe uma situação imaginária esta tem algumas regras de comportamento pelas quais as crianças se orientam e representam nas suas brincadeiras. O mesmo autor afirma que a aquisição do conhecimento ocorre através das zonas de desenvolvimentos: real ou próximo. Segundo o autor, “Zona de Desenvolvimento Real” ocorre quando a criança já adquiriu o conhecimento, enquanto que, “Zona de Desenvolvimento Próximo” só é atingido, inicialmente, com o auxílio de pessoas com mais conhecimentos, isto é, que já o adquiriram. Em continuação, classifica as brincadeiras por fases: na primeira fase a criança começa a distanciar-se do seu primeiro meio social, começa a andar, a falar e a movimentar-se pelo espaço em volta de objetos. A segunda fase é caracterizada pela imitação, quando as crianças copiam as atitudes dos adultos, isto é, aquilo que observam. A terceira fase associa-se às convenções marcadas por regras. 3. Educação Ambiental: Ecovalores/Reciclagem A educação ambiental promove uma reflexão sobre a proteção da biodiversidade, do território, da paisagem e sobre as causas das alterações climáticas. A integração da educação ambiental nas escolas consiste na promoção de valores e na mudança de comportamentos face ao mundo em que vivemos. Esta temática tem como objetivo alertar e preparar as crianças para uma prática de cidadania consciente e informada face às problemáticas ambientais em que vivemos. Posto isto, é de salientar que o educador/professor deve alertar as crianças para a 8 realidade ambiental, de forma a que cada vez mais a sociedade tenha em consideração que os recursos naturais são limitados e que o principal responsável pela degradação é o ser humano. Deste modo, torna-se importante a envolvência e a consciencialização das crianças desde cedo nesta temática, pois eles são a sociedade do futuro e é preciso prepará-los para os danos que foram causados ao longo de décadas pelo ser humano. Por este motivo é pertinente desenvolver atividades que promovam e despertem os mais pequenos sobre boas práticas ambientais. 9 Capítulo II - Contexto e plano geral de intervenção 1. Caracterização Geral do Contexto de Intervenção Pedagógica em Creche O estabelecimento onde realizei a Prática de Ensino Supervisionado é uma instituição particular de solidariedade social que nasceu da associação de um grupo de trabalhadores da unidade fabril. As suas instalações abriram após assinado um protocolo entre a unidade fabril e a autarquia regional em colaboração com o Centro Regional de Segurança Social, com o objetivo de prestar serviços sociais à população. Atualmente esta associação contém creche, jardim de Infância e ATL. A instituição faculta ainda a todas as crianças uma diversidade de atividades extracurriculares como educação física, inglês, música, dança e informática e funciona entre as 7:30h e as 19:30h. O projeto de intervenção pedagógica foi planeado com base num grupo homogéneo com idades compreendidas entre os 2 e os 3 anos e com o apoio da Educadora Cooperante. A sala é constituída por vinte crianças, dos quais seis são raparigas e catorze são rapazes. Este projeto interligou a temática da instituição, a “reciclagem”, e as vontades e curiosidades das crianças. Desta forma atribuí ao projeto o tema “As histórias, movimento (jogos e brincadeiras) e reciclagem”. Nas minhas primeiras observações verifiquei que o grupo já demonstrava muita independência na sua higiene e alimentação, apesar de por vezes ainda pedirem auxílio ao adulto mais próximo. No entanto, esta autonomia era diariamente estimulada nas atividades e rotinas propostas pela educadora. A sala, o espaço e as rotinas estavam organizados segundo a metodologia High Scope , que se apoia na aprendizagem pela ação e no desenvolvimento de práticas educativas que assentem no progresso natural das crianças, encarando estas como seres competentes e promotores ativos do seu conhecimento e desenvolvimento. Esta encontrava-se organizada e com espaços planeados e equipados para responder às necessidades das crianças. A sala era um espaço amplo que dispunha de diversas áreas de desenvolvimento, assim como a área da cozinha, da biblioteca, das construções, dos jogos, dos brinquedos, da expressão plástica e dos momentos de grupo onde se cantava os bons dias, marcava as presenças, o estado do tempo e se fazia a eleição do rei do dia. O fraldário e as camas para a sesta encontravam-se numa sala ao lado onde as crianças mais pequenas, com o auxílio de um adulto, também faziam a sua higiene ao longo do dia. Este espaço dispunha de muita luminosidade devido às janelas de grande dimensão que o compunha. Na porta existia uma vedação para que as crianças não passassem e a sala pudesse estar 10 com a porta principal aberta. Ao nível de equipamentos de aquecimento, esta dispunha de radiadores que mantinham a sala a uma temperatura agradável para o grupo. Nas paredes estavam dispostos grandes placares que serviam para fixar os trabalhos que as crianças realizavam ao longo do ano. A rotina diária, também ela orientada pela metodologia High-Scope , caracterizava-se por momentos de pequeno e grande grupo, englobando o método planear-fazer-rever. A manhã iniciava-se com a canção dos “Bons dias”, seguida das novidades, da eleição do rei do dia, da marcação das presenças e do preenchimento do quadro do tempo. Posteriormente, em roda, cada criança tinha a oportunidade de fazer escolhas individuais e de decidir a área para a qual queria brincar. A educadora fomentava estes momentos de escolha como forma de promover a linguagem, a autonomia e a consciencialização das áreas existentes na sala. Ainda na parte da manhã era realizada uma atividade em pequenos grupos de forma a avaliar as competências que cada criança desenvolvia ou demonstrava já ter adquirido na atividade. Durante a tarde realizava-se as atividades em grande grupo. Uma rotina diária consistente permite às crianças prever o que se sucede de forma a não provocar uma transferência íngreme de momentos e atividades diárias. Nesta perspetiva, o grupo já conhece a rotina do dia o que lhes permite precaverem-se nos momentos de arrumação de material e das áreas, na deslocação para a higiene antes e depois do almoço, nos momentos de sesta, nas atividades de pequeno e grande grupo e nas extracurriculares, facilitando assim a passagem entre estes momentos e potenciando uma sequência suave sem pressões sobre as crianças. A rotina da sala decorria da seguinte forma: 09:00 – 09:30 - Acolhimento da manhã; 09:30 – 10:00 - Jogos e brincadeiras livres; 10:00 – 10:30 - Lanche da manhã; 10:30 – 11:30 – Atividade em pequeno grupo ou individual; 11:30 – 11:45 – Arrumação da sala e higiene pessoal; 11:45 – 12:30 – Almoço; 12:30 – 12:45 - Higienização; 12:45 – 15:00 – Sesta; 15:00 – 15:30 – Momento de grupo em roda; 15:30 – 16:00 – Atividade em grande grupo; 16:00 – 16:30 – Lanche da tarde; 16:30 – 17:00 – Brincadeiras livres; 11 O educador é um auxiliar na promoção de atividades e da autonomia da criança e tem por isso o dever de corresponder às necessidades coletivas e individuais. De forma a poder desenvolver estratégias, o educador precisa de se preparar previamente através de observações, planificações e registos que facilitam a interpretação das ações das crianças. Assim, o educador tem um papel fundamental na planificação e desenvolvimento de um ambiente educativo estimulante e enriquecedor, que favoreçam e respondam às necessidades de cada criança, proporcionando-lhes uma diversidade de oportunidades de aprendizagem. 2. Caracterização Geral do Contexto de Intervenção Pedagógica em Jardim de Infância A sala onde realizei o meu estágio supervisionado e no qual realizei o meu projeto “Motricidade: Jogos e Brincadeiras” era constituída por 12 crianças, das quais 4 eram do sexo masculino e 8 do sexo feminino. Este era um grupo heterogéneo com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos. O projeto de intervenção pedagógica foi implementado numa sala de jardim de infância numa escola básica inserida num contexto predominantemente rural. Esta escola está dividida em jardim de infância, primeiro ciclo e A.T.L. Ao contrário do estágio anterior, nesta sala de jardim de infância, não era empregue nenhum modelo curricular em particular. Após observação e diálogo com a educadora, foi-me transmitido que são adaptados conteúdos de algumas metodologias, aqueles que para a educadora são os mais adequados para o grupo. Devido á situação pandémica atual, tanto a organização do espaço como a elaboração de atividades e trabalhos sofreram algumas mudanças. No entanto, o espaço estava também organizado segundo o modelo pedagógico High-Scope . A sala de jardim de infância era bastante ampla, com janelas nos dois lados da sala ao longo de toda a parede, permitindo às crianças observar o espaço exterior de recreio. Por este motivo, esta era também muito luminosa o que a tornava bastante agradável e cómoda. Este espaço estava organizado por áreas: no centro estavam colocadas as mesas onde as crianças faziam as atividades individuais, em frente estava disposto um quadro de giz e no fundo da sala a mesa redonda de atividades em grande grupo. Nas laterais encontravam-se as áreas da cozinha, dos jogos, das construções, da biblioteca e das experiências. Nesta sala encontrava-se ainda uma área da informática, que consistia numa secretária com um computador e que era utilizada maioritariamente pela educadora, embora estivesse também disponível para as crianças. O grande quadro de giz exposto na sala era também uma área aberta a todas as crianças, onde lhes disponibilizavam diversas cores de giz para brincarem 12 livremente. Ao longo de todas as paredes deste espaço estavam afixados placares para a colocação dos trabalhos que as crianças realizavam no decorrer do ano letivo. O material que a sala disponibilizava às crianças era muito diversificado, o que proporcionava um ambiente educativo muito rico e estimulante para o grupo não só ao nível da motricidade fina, mas também da motricidade grossa. Este era utilizado, sempre que estivesse bom tempo, no espaço exterior para que as crianças usufruíssem do material e o pudessem manipular e experienciar em espaços diferentes, de forma a desafiá-los a ultrapassar determinadas situações/problemas. Este espaço exterior era muito amplo e estava dividido em quatro zonas: a horta, o campo de futebol, o parque (com escorrega, baloiços…) e uma grande área em terra onde se encontram algumas árvores. O grupo em que desenvolvi a minha Prática de Ensino Supervisionado era muito participativo, ativo e dinâmico. As crianças eram muito curiosas e entusiasmavam-se sempre que lhes propunha uma nova atividade. O grupo era muito acolhedor e de fácil conversa, todas as trocas de ideias incluía a participação de todos. Estes momentos tornava-os mais unidos e proporcionava-me uma melhor compreensão acerca dos gostos individuais e coletivos. Desta forma, estes debates permitiram-me propor atividades mais direcionadas com as ideias transmitidas pelo grupo. As crianças já demonstravam ser muito independentes e autónomos na sua higiene pessoal e alimentação, mas também em pequenos momentos do dia, como por exemplo quando vestiam e apertavam a bata sozinhos ou em pares de forma a ajudarem-se mutuamente e sem o auxílio dos adultos. A manhã iniciava-se às oito e quarenta e cinco. À medida que as crianças entravam na sala vestiam a sua bata e sentavam-se na sua cadeira até que o grupo estivesse todo reunido. Com base na lista de presenças e segundo a faixa etária do mais velho para o mais novo, era eleito o chefe do dia. Este pegava na caneta, no desinfetante e no papel e chamava um de cada vez a marcar a sua presença com um “P” e no fim desinfetava o objeto utilizado. Após a marcação das presenças, o “chefe do dia” marcava num quadro elaborado pela Educadora cooperante o tempo, a data e o número de crianças na sala. O quadro dividia ainda rapazes e raparigas de acordo com o símbolo respetivo a cada género, sendo que era também tarefa do “chefe do dia” contar o número de meninas e de meninos e colocar o respetivo número debaixo desses mesmos símbolos. Esta última tarefa foi empregue pela educadora para familiarizar as crianças mais velhas e que vão ingressar no primeiro ciclo, com os sinais de “+”, “- “, “=” e com as representações que simbolizam o sexo feminino e masculino. 13 Seguidamente era a hora do lanche, após o qual o grupo deslocava-se para o espaço exterior onde brincava livremente durante pelo menos meia hora, dependendo se havia tarefas pendentes ou não. Posteriormente, às onze e quarenta e cinco, o grupo dirigia-se para a cantina após realizada a higienização. As atividades eram retomadas à uma e meia. Durante este intervalo, entre o almoço e o início das atividades, as crianças ficavam a cargo do A.T.L. Após este tempo de brincadeiras no espaço exterior, as auxiliares questionavam a educadora se o grupo permanecia no exterior ou se os levavam para a sala. Seguido do almoço era planeada uma proposta de atividade em grande ou pequeno grupo com base nas vontades das crianças. Para finalizar, o “chefe do dia” chamava uma criança de cada vez e questionava-a sobre o seu dia, atribuindo-lhe uma cara feliz ou uma cara triste. Esta era uma decisão exclusivamente do chefe do dia. Focando-me nos objetivos estabelecidos no projeto de intervenção pedagógica, procurei explorar as áreas da motricidade fina e grossa, tendo sempre como base a realização de jogos e brincadeiras que não só explorassem estas áreas, mas também que se inserissem no tema da escola: Ecovalores. O estágio permitiu-me observar, refletir, planear e desenvolver uma melhor prática pedagógica, uma vez que a intervenção deve ser sempre refletida e adaptada ao grupo, de forma a estimular as aprendizagens. Segundo Formosinho, “o papel do educador é o de organizar o ambiente e o escutar, observar e documentar a criança para compreender e responder, estendendo os interesses e conhecimentos da criança e do grupo em direção á cultura. A aprendizagem desenvolve-se em encontros culturais de crianças e adultos.” (Formosinho, J. & Formosinho, J., 2013, pág.13). Por este motivo, planeei atividades enquadradas nos registos diários que realizei através das observações e desta forma percecionei a importância que o desenvolvimento da exploração motora trazia para o grupo. Foi, portanto, fundamental a promoção de jogos e brincadeiras, pois são atividades naturalmente positivas e enriquecedores nas rotinas diárias das crianças e que os envolve e auxilia no desenvolvimento de múltiplas competências como a comunicação, o raciocínio lógico e matemático, a autonomia, as relações interpessoais, o conhecimento do mundo e do meio envolvente, a lateralidade, a imaginação e o autoconhecimento. Desta forma, a participação do adulto no desenvolvimento das capacidades motoras da criança são um auxílio insubstituível, até porque quando as crianças se relacionam e brincam com os adultos, o “seu pensamento torna-se mais complexo (…), ampliando os seus recursos de linguagem e de coordenação das suas ações com as dos seus parceiros” (Oliveira, Mello e Vitória,2011, p. 48 cit. por Santos & Farago (2015, pág.116). Este foi mais um dos efeitos observáveis no meu estágio: o impacto 14 do adulto no comportamento das crianças e na forma como estas desenvolviam as atividades que lhes foram propostas. É com base nestas premissas que procurei promover estratégias de desenvolvimento para um grupo de crianças com idades entre os 3-6 anos relativamente às suas capacidades de expressão motora e aos objetivos pré-estabelecidos no plano de intervenção pedagógica. Neste sentido, explorei atividades relacionadas com jogos e brincadeiras, mas também que se relacionem com a temática “Ecovalores” e a situação pandémica atual, que por sua vez leva a ocasiões de isolamento familiar, o que dificulta a promoção e o desenvolvimento de objetivos propostos à faixa etária de cada criança. Assim sendo, todas as atividades elaboradas no decorrer do projeto são possíveis de realizar fora do contexto escolar e com recurso a material reciclável. 15 Capítulo III - Desenvolvimento e avaliação da intervenção 3. Projeto de Intervenção Pedagógica em Creche 3.1 Apresentação O projeto que estrutura Plano de Intervenção Pedagógica insere-se na Unidade Curricular de Estágio do 1º ano do Mestrado em Educação Pré-Escolar – do Instituto de Educação da Universidade do Minho. A Associação tem como tema deste ano, 2020, a “Reciclagem”. 3.2 Tema e objetivos do projeto 3.2.1 Tema O projeto de intervenção pedagógica incorpora-se no domínio da Unidade Curricular de Estágio do 1º ano do Mestrado em Educação Pré-Escolar, e tem como tema: as Histórias, movimento (jogos e brincadeiras) e reciclagem, no contexto de creche (2-3 anos). 3.2.2 Objetivos De forma a sustentar este projeto de intervenção, encimamos alguns objetivos (gerais) que pretendemos concretizar: - Promover o desenvolvimento da autonomia; - Promover as relações interpessoais; - Promover o desenvolvimento da comunicação e da linguagem; - Desenvolver o interesse e compreensão pela literacia; - Desenvolver o raciocínio lógico-matemático; - Promover um maior desenvolvimento da motricidade fina e grossa; - Promover o desenvolvimento da sensibilidade musical; - Desenvolver e valorizar as expressões plásticas; 22  Conhecer as suas capacidades, melhorando o autoconhecimento;  Adquirir conhecimento sobre a lateralidade (esquerda/direita);  Promover o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade;  Desenvolver a entreajuda;  Controlar os movimentos do corpo;  Desenvolver as habilidades motoras;  Executar movimentos de motricidade grossa e fina; 5.3 Enquadramento de Estudo 5.3.1 Enquadramento contextual O projeto de intervenção pedagógica será implementado numa escola, mais concretamente numa sala de jardim de infância. Esta escola está dividida em jardim de infância, primeiro ciclo e A.T.L. A sala em que estou inserida é constituída por 12 crianças das quais 4 são rapazes e 8 são raparigas. Este é um grupo heterogéneo com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos. Este contexto não emprega nenhum modelo curricular em particular, em observação e após um diálogo com a educadora foi-me transmitido que são adaptados conteúdos de algumas metodologias, aqueles que para a educadora são os mais adequados para o grupo. 5.3.2 Enquadramento teórico “O desenvolvimento motor é um subdomínio do desenvolvimento humano” (Rita Cordovil & João Barreiros, 2014, p.5). O desenvolvimento da motricidade é iniciado pelas crianças desde muito cedo através dos estímulos que o quotidiano lhes proporciona. As atividades motoras concretizadas têm de permitir à criança trabalhar em simultâneo o desenvolvimento das capacidades motoras, das coordenativas e de descoberta do seu corpo, que consequentemente despertam o gosto pelo movimento. A motricidade proporciona às crianças qualidade de vida e bem-estar e por isso deve ser estimulado desde cedo. As aprendizagens motoras levam a criança a progredir na aquisição das capacidades de equilíbrio, postura, perícia, manipulação de objetos, convívio e colaboração. Posto isto, a motricidade contribui para o desenvolvimento do corpo e da mente de uma forma coerente. Neste contexto da motricidade emergem os jogos e as brincadeiras. 23 “O jogo corre nas veias de cada criança porque é inerente à sua própria condição e, nessa qualidade, veículo tão inesgotável quão imprescindível ao seu processo formativo” (Chateau (1975), cit. por Sarmento, et.al, 2017, p.16). O jogo é um potencial formador educativo para os mais pequenos, ele atua nas competências cognitivas, artísticas, pessoais, linguísticas, sociais, matemáticas e motoras. Por outro lado, o jogo tem também uma componente relaxante para as crianças, quando se deparam com algo que lhes interessa e se concentram nessa tarefa este momento proporciona-lhes uma reação de bem-estar e de descontração. Para além das características referidas, as crianças podem aprender a lidar com os erros e fracassos através do jogo e este apresentar uma finalidade que se pode alterar durante o processo, potencializando diversas emoções. Desta forma, o jogo possibilita que a criança se desenvolva e enriqueça a sua personalidade. “Aceitar a derrota como simples contratempo, a vitória sem embriaguez nem vaidade, essa distanciação, essa derradeira construção no que respeita à própria ação é a lei do jogo. Considerar a realidade como um jogo, ganhar mais terreno a certos costumes sociais que fazem recuar a mesquinhez, a cobiça e o ódio, é praticar um ato de cidadania” (Caillois (1990), cit. por Sarmento, et.al, 2017, p.16). Muito associado ao jogo temos as brincadeiras (“jogos desorganizados”). “A brincadeira é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, sendo realizada através das suas interações sociais, criando assim mecanismos para o surgimento da zona proximal tão importante para o desenvolvimento cognitivo, desenvolvendo a iniciativa, oportunizando a expressão de seus desejos e internalizando assim as regras sociais” (Vygotsky (1988), cit. por Pacagnam, 2013. p. 24). Brincar é onde as crianças imaginam e criam as suas fantasias, põe em prática as suas competências criativas e decidem a sua realidade (Silva, 2018). É nestes momentos que os adultos se apercebem das habilidades das crianças, é aqui que elas expressam os seus sentimentos e emoções e se sentem capazes e confortáveis para libertar o seu mundo interior. 5.4 Estratégias de Intervenção Baseado nos objetivos referidos, as estratégias terão por base princípios pedagógicos que se envolvem com o desenvolvimento da motricidade e a importância do lúdico. No que respeita à dimensão investigativa do Projeto de Intervenção Pedagógica seguirei os princípios da abordagem da InvestigaçãoAção, conforme Coutinho, et.al (2009). No meu ponto de vista, esta é a metodologia mais 24 adequada, visto que possibilita um trabalho contínuo de observação, pesquisa e focalização e enquadra-se numa metodologia qualitativa. A investigação-ação rege-se pelas seguintes características: participativa, colaborativa, prática, interventiva, cíclica, critica e autoavaliativa. Pretendemos de alguma forma considerar/ experienciar estas caraterísticas. No que diz respeito à avaliação, esta permite refletir sobre a nossa prática em contexto levando-nos a questionar se as estratégias implementadas suscitaram nas crianças os objetivos e desejo inicial. De modo a realizar esta avaliação, facultarei à educadora cooperante aos encarregados de educação um documento que me dê permissão para realizar alguns registos fotográficos e de áudio. 5.5 Calendarização Mês Descrição Setembro Imersão no contexto de prática pedagógica. Observação da criança, do grupo e do contexto. Início da construção do portefólio de prática pedagógica. Outubro Compreensão e análise da organização educativa, do seu projeto formativo e da comunidade envolvente. Entrada progressiva na ação integrada e experimentação da rotina educativa. Concretização do plano de intervenção: transformação no âmbito de dimensões pedagógicas específicas. Experimentação da rotina envolvendo planificar, agir e refletir. Novembro Observação e avaliação das aprendizagens das crianças. Reflexão crítica e indagadora da ação pedagógica pessoal. Focalização nas relações com as famílias. Dezembro Experimentação da rotina envolvendo planificar, agir e refletir. Observação e avaliação das aprendizagens das crianças. Reflexão crítica e indagadora da ação pedagógica pessoal. Focalização nas relações com as famílias. 25 O Orientador Supervisor: A Mestranda: ____________________________ ________________________ (António Camilo Teles Nascimento Cunha) 6. Atividades realizadas no âmbito do projeto em contexto de jardim de infância: O projeto Motricidade - Jogos e Brincadeiras iniciou-se no dia 2 de novembro de 2020. De acordo com os objetivos estabelecidos no projeto de intervenção pedagógica, explorei as áreas da motricidade fina e grossa, tendo sempre como base a realização de atividades e jogos que não só explorassem estas áreas, mas que também se inserissem no tema da escola: “Ecovalores” de forma a promover uma atitude mais sustentável. As atividades foram planeadas com base nas observações que realizei ao longo das semanas, compreendi que o grupo manifestava bastante interesse em trabalhos manuais, mas também em jogos e brincadeiras no exterior o que nem sempre era possível. Desta forma procurei conciliar estas duas vertentes com o intuito de promover os objetivos estabelecidos. Devido à situação atual de pandemia, pensei desde o início realizar atividades que na sua maioria fossem possíveis executar em casa tendo em conta o material necessário. Visto já termos estado em isolamento executei jogos, trabalhos e brincadeiras para que, as crianças, em caso de novo isolamento, os pudessem realizar. Todos os jogos e brincadeiras aqui apresentados são possíveis de concretizar fora da escola. 6.1 Atividade Nº1 – Pote da Amizade A presente atividade decorreu ao longo do período até às férias de Natal. Inicialmente refleti sobre as intencionalidades educativas presentes nesta atividade, queria desafiar as crianças a olhar para o amigo e refletir sobre as virtudes e particularidades que observam no dia a dia. As crianças foram, ao longo do período, ditando qualidades e virtudes dos colegas. Estas mensagens foram transcritas para Janeiro Experimentação da rotina envolvendo planificar, agir e refletir. Observação e avaliação das aprendizagens das crianças. Reflexão crítica e indagadora da ação pedagógica pessoal Focalização nas relações com as famílias. 26 papéis e depositadas nos respetivos potes de cada criança, para que cada uma pudesse ler os mesmos na noite de Natal. Posto isto, para esta atividade cada criança trouxe um frasco de vidro de casa. Os frascos foram decorados por elas, utilizando uma diversidade de materiais que lhes foram disponibilizados. Fizeram recortes, delinearam, colaram e pintaram. No final do período, levaram para casa e leram as mensagens em família no dia de Natal. Após a realização desta grande atividade reflito sobre a importância da manifestação de sentimentos no desenvolvimento das relações humanas esta permite também à criança refletir e olhar às particularidades de cada um. Durante esta atividade, considero que as crianças responderam de forma positiva ao desenrolar da mesma, verificando que quando chegava o momento de iniciarmos a atividade as crianças mostravamse sorridentes e entusiasmadas em deixar uma mensagem positiva sobre os amigos. Saliento ainda que a dada altura já era o grupo que me recordava que ainda não tinham ditado as mensagens para o “pote da amizade”, posto isto, considero que estes momentos eram importantes para o grupo e os fazia sentir entusiasmados. Segundo Jesus & Lempke (2015), as brincadeiras estão presentes na vida das crianças desde os primeiros meses e são para elas uma forma de linguagem, de se expressar e de viver (pág.8). “O ambiente escolar e a família contribuem eficazmente para o desenvolvimento integral ao proporcionar às crianças a interação social por meio das inúmeras atividades que favorecem, além do desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento emocional” (Jesus. R, Lempke. N, 2015, pág.13). 27 6.2 Atividade Nº2 – Jardim Suspenso A atividade consistiu na criação de um jardim com diversas plantas e sementes, previamente identificadas e exploradas pela turma, as quais foram plantadas em diversos vasos criados e decorados pelas próprias crianças com recurso a materiais reciclados como garrafas de plástico. Os vasos ficaram suspensos em árvores do recreio e as crianças ficaram responsáveis pela sua preservação. Esta foi uma possível proposta de atividade para as crianças desenvolverem em casa com os familiares e promoverem a reutilização. Inicialmente propus às crianças fazermos a nossa horta suspensa no espaço exterior da escola. Considerei pertinente, desafiá-los a fazermos uma horta sustentada na temática da escola “Ecovalores”. Surgiu por isso a ideia de usarmos garrafas de plástico para utilizarmos como vasos para as plantas e sementes. Num segundo momento desafiei o grupo a explorar e a observar as variadas plantas e sementes que iriam incluir na horta. Consegui, juntamente com a educadora, adquirir uma grande variedade de plantas para que as crianças as pudessem manusear e cheirar de forma a enriquecer esta exploração  Atividade nº1  Figura 1: Colocação da mensagem no pote do amigo Figura 1: Podes da Amizade Figura 3: Embrulho do Pote da Amizade 28  Atividade nº2  Figura 4: Decoração dos Vasos Figura 5: Exploração e plantação das plantas e sementes Figura 6: Exploração e plantação das plantas e sementes Figura 7: Vasos decorados Figura 8: Vasos finalizados Figura 9: Jardim suspenso e identificarem as mesmas pelo aspeto físico e pelo olfato. Incluí sementes e plantas com raiz para que as crianças observassem as diversas fases. Posteriormente o grupo deu cor à sua horta, pintaram e decoraram livremente os seus vasos. Para esta fase o material escolhido pelas crianças foi unânime, as tintas e o glitter. Para finalizar a atividade, foi colocada a corda em cada vaso para o grupo os poderem pendurar na árvore e os preservar. Um dos aspetos de reflexão na implementação desta atividade prende-se com o facto da vontade e do entusiasmo constante que o grupo manifestava em continuar a atividade. Devido a estas manifestações por parte das crianças desafiei-as a realizarem uma horta ecológica em casa com os familiares. Considero que esta é uma atividade que promoveu “Ecovalores” nas crianças e que lhes proporcionou momentos de exploração e de adquirição de competências e conhecimentos ao nível ecológico. 29 6.3 Atividade Nº3 – Teatralização da lenda e Cestas de São Martinho A implementação desta atividade surgiu em diálogo com a educadora cooperante com o objetivo de preparar uma atividade que se inserisse na temática do Magusto que se iria realizar no dia 11 de novembro, quarta-feira. Numa primeira fase, procedi à leitura e exploração da lenda de São Martinho com o grupo e desafiei-os a juntarem-se em pequenos grupos para que preparassem a teatralização da lenda e a representassem para os amigos. Seguidamente, conversei com as crianças sobre a criação das cestas para o magusto da escola. Estas foram pensadas de acordo com a temática da escola “Ecovalores” e desta forma foram criadas a partir de pacotes de leite reutilizados e folhas das árvores que se encontravam no espaço exterior da escola. Assim sendo, as crianças procederam à exploração e recolha de folhas para a decoração das cestas para o magusto escolar. Posteriormente iniciaram a construção das cestas após recortados os pacotes de leite no formato de cesta as crianças decoraram-nas com cola branca e folhas. Depois de terminado este primeiro passo, procedi à leitura e exploração do conto da “Maria Castanha”, seguidamente o grupo iniciou a pintura do/a “Sr/a Castanha” e utilizaram uma diversidade de técnicas e materiais. Primeiramente pintaram a castanha com cotonetes e tinta castanha, esta técnica serviu para que as crianças carimbassem os cotonetes na folha criando uma textura diferente, para a boca fizerem pequenas bolas com papel crepe vermelho e colaram-nas tal como para a parte inferior da castanha que utilizaram papel crepe castanho-escuro, por fim, para o cabelo decidiram utilizar lã, cada um selecionou a cor que queria usar. Concluo que a atividade foi muito positiva e importante para a expressão motora e exploração de diferentes materiais. Foi uma atividade de livre manipulação e exploração de novas técnicas de pintura, uma possível proposta para as crianças realizarem em casa trabalhos manuais sem a utilização de pincéis. Esta tarefa reunião as diversas áreas de desenvolvimento, o domínio da expressão dramática, que envolve também o domínio da expressão motora, o domínio da expressão plástica, da formação pessoal e social uma vez que promoveu a autonomia e o domínio da linguagem e comunicação. 30  Atividade nº3  Figura 10: Exploração e aquisição de folhas no espaço exterior Figura 11: Colagens das folhas nas cestas Figura 12: Colagens Figura 13: Cotonetes e na castanha tinta Figura 14: Pintura da castanha com os cotonetes Figura 15: Castanha decorada com texturas Figura 16: Cestas finalizadas para o magusto escolar 6.4 Atividade Nº4 – Danças da Lateralidade Esta atividade surgiu da minha necessidade em perceber a resposta do grupo a atividades de estímulo à motricidade grossa e aquisição da lateralidade. Inicialmente desafiei as crianças a repetir o esquema que exemplifiquei. O grupo revelou-se interessado e curioso em executar corretamente o jogo da lateralidade. Esta atividade desafiou as capacidades das crianças e desenvolveu a coordenação motora. Através deste jogo, as capacidades rítmicas e de repetição de esquemas inerentes à capacidade de reconhecer os lados direito e esquerdo foram trabalhadas ao som da música. Neste jogo a motricidade grossa (salto), a coordenação, entreajuda e o trabalho em equipa são fulcrais para o objetivo final da atividade. Durante este jogo considero que o grupo mostrou bastante empenho, entusiasmo e concentração, o que suscitou maior interesse e vontade no grupo de continuar a desenvolver a atividade. Este é um jogo desafiante e fácil de realizar em qualquer local, o material necessário para a atividade é simples. 31  Atividade nº4  Figura 17: Salto com os pés Figura 18: Salto com os pés juntos para a direita juntos para a esquerda Figura 19: Pé direito dentro do arco Para a dança da lateralidade utilizei apenas arcos, mas poderiam ser substituídos por cordas, fita cola de cor, cordões de sapatilhas entre muitas outras opções que existam em casa e que permitam delinear o esquema para o jogo. Considero que este jogo se insere na temática “Ecovalores” da escola, pois para o esquema podem ser reutilizados materiais que estejam em desuso. Devido à situação pandémica em que vivemos esta é também uma atividade que pode ser desenvolvida em casa com as crianças e os seus familiares em necessidade de novo isolamento. Esta foi uma atividade que revelou bastante interesse por parte das crianças, uma vez que manifestaram vontade de continuar a jogar as “danças da lateralidade” ao longo do período. Saliento que os objetivos foram também atingidos nesta atividade pois foi possível observar a evolução do grupo na adquirição da lateralidade. “A palavra lúdico refere-se a/ou que tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos. É relativa também à conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte. Por sua vez, diversos teóricos afirmam que a função educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo, seu saber, seu conhecimento e sua compreensão de mundo. Neste sentido, o lúdico não pode ser visto somente como diversão, o seu desenvolvimento facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento“ (Ferreira (1975), cit. por Baía, 2016, pág.94). 38 lhes abordar quatro pintores ao longo da “Semana das Artes”. Os Pintores que selecionei juntamente com a educadora cooperante foram Picasso, Kandinsky, Miró e Mondrian, cujas técnicas ensinámos à turma, que depois replicou as mesmas através dos seus próprios desenhos. Para cada pintor foi utilizado material distinto, de forma a diversificar e promover a exploração de materiais, desenvolver a criatividade, imaginação e autoconhecimento e de estimular a motricidade fina com técnicas de manuseamento diferente. Esta foi uma atividade que surgiu em conversa com a educadora cooperante, inserimos pintores com tópicos já familiares para as crianças. A primeira atividade foi iniciada com o artista Picasso e para ambientar as crianças acerca deste pintor mostrei-lhes alguns quadros do artista. Conforme eles iam observando questionava-os e desafiava-os a partilhar as suas interpretações do que estavam a observar. Seguidamente e após estas primeiras trocas de ideias transmiti às crianças as características mais evidentes nas obras do pintor, a utilização de formas geométricas. De seguida as crianças iniciaram o seu desenho inspirado na obra de Picasso que promoveu o desenvolvimento da motricidade fina, da autonomia, da autoconfiança e das habilidades motoras. No segundo dia da “Semana das Artes” as crianças foram desafiadas a explorar as obras de Kandinsky, a pintura que propus para que servisse de inspiração para a atividade integrava uma diversidade de cores e grandezas. Assim sendo, desafiei as crianças a explorar diversos materiais, cores e objetos de distintos tamanhos. Para as pinturas e experiências das crianças foi necessário papel, tintas, marcadores, lápis de cera, pincéis, guardanapos, frascos de vidro, cotonetes, copos, tampas de cola e tampas de garrafa de água. Por conseguinte, com o material anteriormente mencionado e disposto na mesa, as crianças iniciaram a pintura formando círculos do maior para o mais pequeno ou vice-versa, esta sequência foi realizada tanto com os objetos como com os dedos numa experiência e exploração de cores. No terceiro dia de atividades inerentes à “Semana das Artes” inserimos um novo pintor, Mondrian. No momento de observação das obras do artista desfiei as crianças a refletirem sobre o que havia em comum nas pinturas de Mondrian. As características mais evidenciadas nas obras foram as cores primárias e as formas geométricas. Desta forma desafiei-os a pintar a sua primeira letra do nome inspirados no alfabeto de Mondrian. Para a pintura foram utilizadas as cores primárias tanto em tintas como em lápis de cor. No quarto dia da “Semana das Artes” divulguei o último pintor que iriamos representar, Joan Miró. Inicialmente desafiei o grupo a observar e explorar as obras do artista, de forma a identificarem, tal 39 como nas atividades anteriores, as principais características que distinguem Joan Miró dos restantes pintores. Inicialmente conversei com o grupo acerca de Joan Miró, expus às crianças alguns exemplares de obras do pintor. Focando-me no autor e nos seus trabalhos realcei que este recriava mundo de sonho e que o fazia como as crianças, desenhava livremente as suas fantasias e o seu mundo irreal. Posteriormente dei lugar a uma troca de ideias entre as crianças acerca dos restantes artistas que conheceram ao longo da “Semana das Artes”, iniciei esta conversa questionando-os sobre as diferenças entre os quatro pintores e as suas principais características. Esta partilha serviu para relembrar as pinturas que as crianças tinham concretizado e o material que utilizaram para cada uma. No momento seguinte as crianças observaram a pintura que iriam representar de Joan Miró. Mais uma vez desafiei-os a explorar técnicas diferentes de colorir as pinturas e manusear objetos e materiais distintos. Nesta pintura as crianças utilizaram cola, tesoura, fio, lápis de cera e papel celofan (com diversas cores). Para finalizar a “Semana das Artes” elaboramos na sala o “Mural das Artes” com as representações das obras dos pintores realizadas pelas crianças. Esta foi uma sugestão concebida pelo grupo que se mostrava entusiasmado com o resultado da semana. A atividade teve o propósito de responder às sugestões e vontade do grupo, que se revelou sempre muito empolgado nas atividades ligadas às pinturas e de promoção à motricidade fina. Em forma de conclusão da “Semana das Artes” desafiei as crianças a refletir sobre a mesma e a expressar a sua opinião. Iniciei este diálogo inserindo algumas questões com o intuito de promover uma troca de ideias acerca da atividade. Sugeri às crianças que me respondessem a estas questões introdutórias: “Gostaram das atividades que realizamos?”; “Querem conhecer mais artistas?”; “Qual foi o artista que mais gostaram de trabalhar?”. Esta partilha concluiu a atividade centrada nas obras de Picasso, Kandinsky, Mondrian e Joan Miró. Considero que esta atividade pode ser uma opção para os familiares desenvolverem em casa com as crianças. Inserindo novos pintores, podem prosseguir com o que foi iniciado no jardim de infância e introduzir novos materiais que estejam em desuso em casa promovendo assim a temática “Ecovalores”. De realçar que na semana em que realizei esta atividade houve pais que aderiram e realizaram em casa com os filhos pinturas dos artistas abordados no referente dia. 40 41 42 43 44 6.12 Atividade Nº 12 – Circuito Numa fase inicial idealizei o circuito e as suas diversas fases de desenvolvimento. Este exercício fundamentou-se em atividades físicas, com o intuito de promover a motricidade grossa, mas também de incorporar brincadeiras nas várias etapas. Em cada fase observava a capacidade da criança de saltar com os pés juntos, de rastejar, de equilíbrio, de reconhecimento de diferentes cores e números e da flexibilidade. O circuito foi realizado em pares e iniciou-se com o jogo “passo a passo” em que as crianças, com os pés em cima de duas latas e uma corda cada uma, percorreram a distância previamente estipulada. Este jogo pode ser elaborado e posteriormente realizado em casa com material reciclado, como por exemplo latas e cordões de calçado em desuso. Este jogo enriquece a capacidade de coordenação motora nas crianças e de equilíbrio. De seguida passaram para um novo desafio em que tinham de saltar barras de distintos tamanhos sem tocar nas mesmas. Esta etapa, poderia ser substituída em casa por cordas presas em níveis diferentes ou cabos de vassoura e esfregona sustentados em plataformas com diferentes alturas. Esta fase promoveu o desenvolvimento da flexibilidade, das habilidades motoras e do controlo corporal. No momento seguinte, criei a “teia de aranha” em que as crianças teriam de rastejar evitando os sítios mais baixos para que não tocassem na teia. Nesta etapa observei a capacidade das crianças de percecionarem as zonas onde se conseguiam deslocar sem estar em contacto com a teia, promovendo também as aptidões motoras e o controlo corporal. Posteriormente as crianças tinham disposto à sua frente quatro arcos, primeiramente tinham de saltar com os pés juntos para o arco seguinte, de seguida havia uma bola a qual tinham de atirar para dentro do arco que se encontrava à frente e por fim dentro do último arco estavam inseridas várias bolas de cores diferentes que as crianças organizaram por cores. Esta etapa fomentou a autonomia, as competências motoras, tanto ao nível da motricidade grossa como da motricidade fina e os conhecimentos pré-adquiridos pelas crianças com a educadora cooperante. Por fim, as crianças deslocaram-se para uma plataforma onde tiverem de gatinhar e manter o equilíbrio, no fim desta etapa estava disposto um colchão onde realizaram uma acrobacia, mais nomeadamente a cambalhota. Foi possível observar que as crianças já possuíam um elevado nível de controlo corporal e de habilidades motoras. De salientar ainda a possibilidade de realização de um circuito por parte dos familiares em casa, este pode ser elaborado com os mais diversos materiais e 45 objetos existentes no ambiente familiar. Considero que o circuito é um desafio que favorece, promove e desenvolve várias competências nos mais pequenos. Por fim, importa salientar que a atividade do percurso realizado em pares promoveu as relações interpessoais, o desenvolvimento da comunicação, da linguagem, o raciocínio lógico-matemático e o domínio da expressão motora. 46 6.13 Atividade Nº13 – Presépios Numa fase inicial procedi à realização desta atividade em conformidade com os delineados objetivos e a época natalícia em que nos encontrávamos. Deste modo, os presépios foram construídos a partir de paus de madeira e outros materiais recolhidos pelas crianças durante uma atividade ao ar livre no recreio da escola. Estes foram utilizados para dar corpo às figuras e à cabana decorada pelos mesmos. Mais uma vez, compreenderam que é possível fazer atividades com o diverso material que encontramos no nosso dia a dia e dar-lhes uma segunda oportunidade. A atividade passou por diversas fases e sempre que possível tentei inserir na atividade de motricidade fina um passeio ao exterior para promover não só as habilidades motoras, como também procurar e explorar materiais para os trabalhos manuais, de forma a promover a temática “Ecovalores”. 47 6.14 Atividade Nº 14 – Ornamentos Para o desenvolvimento desta atividade foi preparada inicialmente a mesa de trabalho com o material necessário para a preparação da massa de modelar. Seguidamente, as crianças juntaram-se para observar o processo e de seguida cada uma retirou a sua parte e criou o seu ornamento. No momento seguinte cada um retirou uma parte da massa e levou até ao lugar onde elaborou o seu ornamento para a árvore de Natal. Posteriormente foi necessário deixar a secar os ornamentos para que, finalmente procedessem à fase final da atividade, a pintura e decoração. Por fim colocamos o fio em cada ornamento para que no Natal as crianças os pendurassem nas árvores. Em forma de conclusão, realço que esta atividade promoveu o desenvolvimento da criatividade e imaginação, competências de manuseamento e motricidade fina, mas também a exploração de diferentes materiais. Na minha opinião, esta é uma proposta de atividade possível de se concretizar no ambiente familiar com os mais pequenos, necessitando apenas de farinha, sal, água e óleo. 54 Posto isto, considero que a atividade propiciou o desenvolvimento da memorização, a promoção da exploração de diferentes materiais, o desenvolvimento da motricidade fina, da lateralidade e da entreajuda do grupo. 7.2 “O que mudou?” Em conformidade com as observações que estava a realizar e a temática que procurava inserir no projeto de intervenção pedagógica relacionada com jogos e brincadeiras, propus á educadora cooperante a realização do jogo “O que mudou?”. Num primeiro momento dialoguei com o grupo sobre a proposta de atividade, da qual se mostraram disponíveis e curiosos por iniciar. Desafiei duas crianças de cada vez a jogar, uma tinha de trocar objetos que se encontravam na área selecionada pelo grupo e a outra tinha de conseguir identificar os objetos que foram deslocados de sítio. A sala é muito ampla e é constituída por 6 áreas distintas, sendo que o jogo decorreu em três dessas áreas em diferentes momentos. A atividade envolveu duas crianças, uma delas dirigia-se à área selecionada e observava atentamente tudo, posteriormente deslocava-se à sua mesa e fechava os olhos, a outra criança deslocava-se à mesma área e trocava três objetos de sítio. O grupo também foi desafiado a participar no jogo, tinham de descobrir os objetos trocados e responder quando o colega que os estava a identificar pedisse ajuda. Este foi um jogo de estímulo à memória, que promove e desenvolve a entreajuda no grupo. Saliento que esta foi uma atividade de interação entre as crianças, que voluntariamente a adquiriram para as suas rotinas diárias nos momentos de brincadeiras. 8. Avaliação geral do projeto em contexto de jardim de infância “Avaliar o processo e os efeitos, implica tomar consciência da ação para adequar o processo educativo às necessidades das crianças e do grupo e à sua evolução. A avaliação realizada com as crianças é uma atividade educativa, constituindo também uma base de avaliação para o educador. A sua reflexão, a partir dos efeitos que vai observando, possibilita-lhe estabelecer a progressão das aprendizagens a desenvolver com cada criança. Neste sentido, a avaliação é suporte do planeamento” (citado em Direção Geral Da Educação). 55 Em consonância com esta afirmação e refletindo acerca da minha prática pedagógica faço um balanço positivo da intervenção pedagógica desenvolvida através de diversas atividades inseridas no projeto e proporcionadas de acordo com as observações realizadas ao longo das semanas em contexto de estágio. A implementação do projeto de intervenção pedagógica surtiu efeito positivo no grupo, detetei que as crianças, na sua maioria, atingiram os objetivos aos quais me propus promover e desenvolver. Deste modo, considero que o projeto decorreu como planeado, no entanto, existiram ocorrências pontuais em que foram precisos ajustes das atividades devido a situações imprevisíveis. Posto isto, esta experiência de estágio foi muito positiva, desafiante e reflexiva, o ambiente da instituição propiciou o bom desenvolvimento da minha prática pedagógica, a colaboração e cooperação da educadora cooperante foram cruciais para este resultado. No decorrer da implementação de atividades as crianças sempre se mostraram muito participativas, disponíveis, empenhadas e entusiasmadas em todas os desafios que lhes propunha. Estas atitudes que as crianças demonstravam facilitaram muito o desenvolvimento do projeto no decorrer do estágio. É de salientar que este grupo demonstrou sempre uma grande capacidade de entreajuda, memorização, adquirição de conhecimentos e vontade de fazer sempre mais do que aquilo que lhes era proposto. É verdadeiramente gratificante observar a evolução do grupo ao longo deste percurso. Num dos últimos dias em contexto de estágio, enquanto decorria uma das atividades propostas, fui surpreendida por uma criança que me dizia ter gostado de todas as atividades que realizei com eles. No meu ponto de visto, esta foi uma avaliação fundamental acerca das atividades educativas que propus ao grupo, pois tendo partido de uma criança envolvida no projeto proporciona-me uma melhor reflexão e consciencialização acerca das estratégias que procurei desenvolver tendo em conta o contexto em que estava inserida. A profissão de educador de infância é fundamental no progresso da criança e na sua adaptação aos contextos, uma vez que, como educadores proporcionamos momentos para que a criança desenvolva relações afetivas e exprima os seus sentimentos. Ser educador é estar em constante aprendizagem, pois cada contexto é uma experiência e vivência nova que nos desafia a refletir e a adequar as nossas práticas educativas. “A intencionalidade do/a educador/a, que caracteriza a sua intervenção profissional, exige-lhe que reflita sobre as conceções e valores subjacentes às finalidades da sua prática (…) Esta intencionalidade permite-lhe atribuir sentido à sua ação, ter um propósito, saber o porquê do que faz e o que pretende alcançar” (Romão, 2019, pág.16). 56 Importa referir que é fundamental o desenvolvimento da motricidade a partir de jogos e brincadeiras no contexto pré-escolar, é através destes momentos que as crianças aprendem a expressar-se e a desenvolver a linguagem. Os jogos e as brincadeiras contribuem para a formação das crianças, uma vez que, através do lúdico elas aprendem a lidar com as suas emoções, a socializar e a comunicar. Assim sendo, constata-se que os jogos e as brincadeiras possuem um papel fundamental para o desenvolvimento psicossocial da criança, contribuindo e auxiliando a aprendizagem e inclusão na sociedade. Jesus & Lempke, (2015, pág.317) citam Marinho & Vygotsky e destacam que as brincadeiras podem estimular diversas habilidades simultaneamente, de forma lúdica e prazerosa para as crianças, além de contribuir no controlo da agressividade. Tais brincadeiras também proporcionam a aprendizagem, pois no decorrer da atividade a criança interage com o mundo a sua volta e relaciona-se com diferentes pessoas e objetos.” 57 Capítulo IV – Reflexão Geral da Intervenção Os presentes projetos de intervenção pedagógica, que partiram dos interesses e vontades das crianças, foram muito enriquecedores para o meu futuro profissional e pessoal. Durante os estágios em jardim de infância e creche, vivenciei momentos de incertezas sobre a forma como deveria implementar o projeto pedagógico. No entanto, as Educadoras Cooperantes revelaram-se sempre muito disponíveis para me auxiliar. O estágio foi fundamental para observar as práticas educativas realizadas pelas educadoras e aprender com as mesmas a superar momentos imprevisíveis que surgem em contexto. É importante salientar que apesar de todos os desafios a que me propus desenvolver, tive a oportunidade de ter Educadoras Cooperantes, que pela sua formação profissional e pessoal, me proporcionaram estágios muito enriquecedores. Com base nas observações dos seus métodos de intervenção compreendi e vi respondidas muitas das questões que sozinha não conseguiria encontrar respostas. Devido à situação atual de saúde pública, os estágios sofreram algumas mudanças e foram realizados com algumas precauções e imprevistos. Por este motivo, procurei elaborar projetos com atividades que pudessem ser realizadas ou repetidas fora do contexto escolar e centradas na temática da educação ambiental. Uma vez que não foi possível concretizar o projeto de intervenção pedagógica em contexto de creche, devido à situação pandémica atual, torna-se impossível refletir e tirar conclusões sobre o desenvolvimento do mesmo com as crianças. No entanto, é de salientar que uma das conclusões mais visíveis no contexto de jardim de infância ao longo do desenvolvimento do projeto, foi precisamente o contentamento e a curiosidade com que as crianças exploravam e dialogavam ao longo dos desafios que lhes propunha de desenvolvimento e promoção dos jogos e brincadeiras. Foi também possível observar o entusiasmo do grupo no decorrer das atividades propostas, sendo que foi recorrente a partilha, por parte das crianças, de momentos familiares onde nos contavam que realizavam os jogos ou as atividades de estímulo à motricidade nas suas próprias casas. Por este motivo, tomei como concretizado um dos meus objetivos, procurar atividades adaptadas ao grupo em que estava inserida, de forma a proporcionar-lhes momentos divertidos e em que estes se sentissem incentivados e ao mesmo tempo que os levasse a progredir nas suas competências já pré-adquiridas. 58 Pessoalmente, o facto de me focar em atividades que podem ser realizadas em qualquer contexto e apoiadas em valores de incentivo à reciclagem, como por exemplo, o aproveitamento de material que existente em casa e em desuso ou que teria como destino o lixo, permitiu ás crianças aliar o incentivo à consciência ambiental a um momento de diversão com amigos e/ou familiares. A exploração desta vertente suscitou no grupo curiosidade e prazer nas atividades, o que se refletiu nas partilhas e repetição de jogos que as crianças faziam na escola e em casa com a família. Consequentemente estas partilhas promoveram uma interação com os pais, que voluntariamente divulgavam à educadora os trabalhos realizados em casa e auxiliados pelas temáticas desenvolvidas no jardim de infância. Em suma, apesar das muitas atividades, jogos e brincadeiras que desenvolvi, sem dúvida que quem mais aprendeu fui eu, pois as crianças são um mundo gigante de criatividade, sonhos e descobertas, que nos ensinam a ser melhores para connosco e para com os outros diariamente. Sejamos mais como as crianças! 59 Referências Bibliográficas  Almeida, L. (2017). O Jogo, a Motricidade e as Aprendizagens da Criança - Olhares a partir da Escola. Acores: Universidade dos Açores.  Baía, M & Nakayama, L. (2016). A educação ambiental por meio da ludicidade: uma experiência em escolas do entorno do parque estadual do utinga. Brasil. Revista Margens.  Barbosa, S. & Botelho, H. (2008). Jogos e brincadeiras na educação infantil.  Beckert, E.& Trenhago, J. (2016). 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