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Instrumento de apoio à gestão financeira de curto prazo

Lima, Mariana Ferreira

Abstract

O presente relatório descreve as principais tarefas desenvolvidas durante o estágio curricular, ocorrido entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 no departamento financeiro da CIN-Corporação Industrial do Norte, S.A. Ao longo do estágio foram desempenhadas várias atividades, onde se destacam a análise e sistematização de despesas em rubricas específicas. A experiência revelou-se enriquecedora, tanto a nível pessoal como profissional, permitindo a aplicação dos conhecimentos adquiridos na área das finanças empresariais. Deste modo, a principal tarefa teve como foco o desenvolvimento de um instrumento em Microsoft Excel, tendo em vista facilitar a separação dos custos de acordo com a sua natureza, variável ou fixa. A gestão financeira de curto prazo é essencial para o sucesso e crescimento sustentável das empresas e, por isso, deve ser constantemente monitorizada e ajustada às condições do mercado, assim como às necessidades específicas de cada organização. Uma vez que os custos fixos têm um impacto direto no efeito da alavancagem operacional das empresas, aumentam a sua exposição ao risco operacional. Deste modo, o instrumento desenvolvido ao longo do estágio, bem como todas as tarefas envolventes, demonstraram ter um impacto positivo na análise financeira integrada da entidade acolhedora.

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Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Mariana Ferreira Lima Instrumento de Apoio à Gestão Financeira de Curto Prazo Maio 2023 Instrumento de Apoio à Gestão Financeira de Curto prazo UMinho|2023 Mariana Ferreira Lima Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão Mariana Ferreira Lima Instrumento de Apoio à Gestão Financeira de Curto Prazo Relatório de Estágio Mestrado em Gestão com Especialização em Gestão Financeira Trabalho realizado sob a orientação da Professora Doutora Sónia Silva e Professor Doutor Artur Rodrigues Maio 2023 ii Direitos de Autor e Condições de Utilização do Trabalho por Terceiros Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do Repositório UM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND h tt p s ://cr ea t iv ec o mm o n s .or g/ li c e n s e s /b y - nc - n d /4 . 0 / iii Declaração de Integridade Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducentes à sua elaboração. Mais declaro que conheço e respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho. iv Agradecimentos Gostava de expressar o meu sincero agradecimento a todas as pessoas que me apoiaram durante o meu estágio na CIN, S.A. Primeiramente, gostaria de agradecer à minha orientadora de estágio, Professora Doutora Sónia Silva, pela orientação, apoio e estímulo ao longo deste processo. Sem a sua orientação, o desenvolvimento deste relatório não teria sido possível. Gostaria também de agradecer a todos os membros da equipa da CIN, S.A. pela sua disponibilidade e ajuda durante o meu período de estágio. Agradeço especialmente à Doutora Paula Macedo pela partilha de conhecimentos e experiências na área de gestão financeira e pelo tempo que dedicou ao longo deste percurso. Além disso, gostaria de agradecer aos meus colegas de estágio, que tornaram esta experiência ainda mais enriquecedora e agradável. Agradeço-lhes pela colaboração e pelo trabalho em equipa ao longo do estágio. Por fim, gostaria de agradecer à minha mãe, ao meu pai e ao meu irmão por estarem sempre presentes no meu percurso académico e por, nunca desistirem de me apoiar e de me incentivar a ser melhor em tudo o que faço. Ainda, agradecer aos meus amigos de longa data e àqueles que foram aparecendo ao longo da minha vida, entre aprendizagens e convívio foi tudo mais fácil com eles. v Sumário Executivo O presente relatório descreve as principais tarefas desenvolvidas durante o estágio curricular, ocorrido entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 no departamento financeiro da CIN-Corporação Industrial do Norte, S.A. Ao longo do estágio foram desempenhadas várias atividades, onde se destacam a análise e sistematização de despesas em rubricas específicas. A experiência revelou-se enriquecedora, tanto a nível pessoal como profissional, permitindo a aplicação dos conhecimentos adquiridos na área das finanças empresariais. Deste modo, a principal tarefa teve como foco o desenvolvimento de um instrumento em Microsoft Excel , tendo em vista facilitar a separação dos custos de acordo com a sua natureza, variável ou fixa. A gestão financeira de curto prazo é essencial para o sucesso e crescimento sustentável das empresas e, por isso, deve ser constantemente monitorizada e ajustada às condições do mercado, assim como às necessidades específicas de cada organização. Uma vez que os custos fixos têm um impacto direto no efeito da alavancagem operacional das empresas, aumentam a sua exposição ao risco operacional. Deste modo, o instrumento desenvolvido ao longo do estágio, bem como todas as tarefas envolventes, demonstraram ter um impacto positivo na análise financeira integrada da entidade acolhedora. Palavras-chave: Custos Fixos; Custos Variáveis; Gestão Financeira de Curto Prazo; Grau de Alavancagem Operacional; Risco Operacional vi Executive Summary This report describes the main tasks developed during the curricular internship that took place between October 2022 and January 2023 in the financial department of CIN-Corporação Industrial do Norte, S.A. Throughout the internship several activities were performed, including the analysis and systematization of expenses in specific items. The experience proved to be enriching, both personally and professionally, allowing the application of the knowledge acquired in the area of corporate finance. Thus, the main task focused on the development of a Microsoft Excel tool, in order to facilitate the separation of costs according to their nature, variable or fixed. Short-term financial management is essential for the success and sustainable growth of companies, and therefore must be constantly monitored and adjusted to market conditions, as well as to the specific needs of each organization. Since fixed costs have a direct impact on the degree of operating leverage of companies, i.e., increase their exposure to operating risk. In this way the instrument developed throughout the internship. as well as all the tasks involved, proved to have a positive impact on the integrated financial analysis of the host entity. Keywords: Fixed Costs; Operating Leverage; Operating Risk; Short-term Financial Management; Variable Costs vii Índice Sumário Executivo ............................................................................................................................... v Executive Summary ............................................................................................................................ vi Lista de Figuras ................................................................................................................................ viii Lista de Tabelas ................................................................................................................................. ix Lista de Abreviaturas ........................................................................................................................... x 1. Introdução ...................................................................................................................................... 1 1.1 Caracterização da empresa acolhedora do estágio ................................................................ 2 1.1.1 Estrutura Organizacional ................................................................................................. 3 1.1.2 Missão e Estratégia ........................................................................................................ 3 2. Propósito do Estágio ....................................................................................................................... 5 3. Enquadramento Teórico ................................................................................................................. 7 3.1 Políticas de Gestão Financeira de Curto Prazo .................................................................... 8 3.2. Sistemas de Informação Financeira: Ferramentas de Suporte à Análise Financeira ............... 9 3.2.1 Da Estrutura de Custos à Exposição ao Risco ................................................................ 10 4 Atividades Desenvolvidas durante o Estágio.................................................................................... 14 4.1 Instrumento Desenvolvido para a Análise de Custos em Relação à sua Natureza: Variáveis e Fixos ............................................................................................................................... 15 4.2 Análise Refinada da Separação dos Custos na sua Parte Fixa e Variável .............................. 19 5. Conclusão e Reflexão Crítica sobre o Contributo do Estágio ........................................................... 22 Referências Bibliográficas ................................................................................................................. 24 viii Lista de Figuras Figura 1: Volume de Negócios da CIN no mundo em 2022 ................................................................. 2 Figura 2: Organograma da CIN ........................................................................................................... 3 5 2. Propósito do Estágio Embora a CIN tenha uma estratégia sólida, fruto do seu crescimento económico e financeiro ao longo da sua existência, no decorrer do estágio foram identificados aspetos a melhorar, particularmente no departamento financeiro. Deste modo, um desses aspetos estava relacionado com a gestão financeira de curto prazo. Posto isto, um dos objetivos do estágio visava facilitar, à gestão financeira, o tratamento da informação sobre a natureza variável e fixa de gastos suportados pela atividade industrial e com elevado impacto na sua estrutura de custos, nomeadamente: custos com água, eletricidade e despesas com colaboradores que desempenham funções comerciais. Na formalização do estágio foi-me proposto desenvolver um instrumento que sistematizasse essa informação, com recurso ao software Microsoft Excel . O departamento de Gestão Financeira pretendia que ao estudar o padrão anterior desses gastos, fosse possível efetuar uma divisão da sua natureza entre variáveis e fixos e sistematizar essa informação num instrumento desenvolvido em Microsoft Excel . Deste modo, com base na informação histórica da empresa, classificaram-se todos os gastos previamente mencionados, como fixos ou variáveis, permitindo uma sistematização do padrão desses custos. A partir da observação do quotidiano da empresa e posterior análise do relatório de contas, constata-se que não há uma separação detalhada dos custos como fixos e variáveis. Financeiramente, esta tarefa é importante uma vez que os custos fixos têm um impacto direto no efeito de alavancagem operacional da empresa, isto é, aumenta a sua exposição ao risco operacional. Apesar da natureza variável das rubricas de gastos como a água e a eletricidade, a empresa considera importante clarificar que parte desse custo pode ser, na realidade, considerado como fixo. Ao estudar o padrão de despesas e ao sistematizá-lo fará com que, no futuro, a sua classificação seja mais simples. Relativamente aos custos suportados com os colaboradores com funções comerciais, que dada a sua magnitude são considerados os mais relevantes desta análise, por simplificação, a política da empresa consistia em classificar esses gastos como fixos. No entanto, uma parte desses gastos deve ser considerada como variável, uma vez que é constituída por ajudas de custos, ou seja, deslocações internas e externas, combustível, portagens, alimentação, alojamento, assim como, comissões e prémios relacionados com o volume de vendas. Na realidade, esta análise e divisão de gastos nunca foi efetuada ainda que a empresa possua um departamento de contabilidade de gestão que, consequentemente, reporta ao departamento financeiro. 6 Embora seja, aparentemente, uma tarefa relativamente simples, exige gasto de tempo, implicando revisão e análise de uma quantidade avultada de documentos. Contudo, esta tarefa apresenta valor acrescentado para a empresa acolhedora permitindo, doravante, que essa divisão da natureza do custo, depois do instrumento desenvolvido, seja efetuada numa fração de tempo reduzida. E, dessa forma, o cálculo do seu impacto no grau de alavancagem operacional torna-se automático. Em suma, o principal objetivo deste estágio foi, como anteriormente referido, a criação de um instrumento complementar à separação de custos variáveis e fixos e perceber o seu impacto no risco operacional da empresa. Contudo, ao longo do estágio foram desenvolvidas outras atividades no departamento financeiro, nomeadamente: i) análises, recolhas de dados e atualizações no ERP 2 ; e ii) suporte à migração de uma das subsidiárias da CIN para o ERP utilizado pela maioria das empresas detidas pela CIN. 2 ERP pode ser traduzido para Português como “Sistema integrado de gestão Empresarial”. 7 3. Enquadramento Teórico Hodiernamente, é discutida a ligação inerente entre o crescimento económico e o desenvolvimento financeiro, sendo que para Schumpeter (1959), o desenvolvimento financeiro proporciona o desenvolvimento económico. Os serviços prestados pelos intermediários financeiros como a alocação de poupanças, gestão de risco, estimulam o desenvolvimento económico e tecnológico (King & Levine, 1993), o que se reflete na produção de bens e serviços. Nem sempre a realidade financeira empresarial foi documentada. Nas últimas décadas, e com o intuito de relacionar a contabilidade financeira com a gestão da empresa, essa realidade é documentada através do relatório de gestão. O seu primordial objetivo é procurar relacionar as contas de um determinado período com a atividade que a empresa desenvolveu durante esse mesmo período. Adicionalmente, é também considerado como fonte de planeamento, controlo e obtenção de informações acerca do que se passa na empresa. Por outro lado, a contabilidade analítica faz o registo, análise, controlo e previsão dos custos. Isto significa que os objetivos definidos num dado departamento não são isolados do ecossistema organizacional, mas devem estar alinhados com a estratégia de longo prazo, que passa quase sempre por um contributo positivo da empresa a vários níveis (social, económico, ambiental, etc.) (Pereira Macedo, 2013). A literatura contabilística não é consensual uma vez que também sugere que à medida que o ambiente empresarial muda, a procura e utilização da informação financeira muda, levando ao desenvolvimento de novos métodos contabilísticos (Chen, Li, Xiao, & Zou, 2014). Efetivamente, existe literatura que tenta demonstrar evidência sobre a ligação entre os sistemas económicos e o desenvolvimento de outras variáveis. Os autores Adhikari & Tondlkar (1992) não encontram uma relação significativa entre o ambiente económico e a contabilidade. Por sua vez, Belkaoui (1985) sugere que a contabilidade não se desenvolve num vácuo, mas sim que reflete o ambiente em que se desenvolve. Assim sendo, à medida que as economias se desenvolvem a função social da contabilidade, como sistema de mensuração e comunicação de dados, torna-se cada vez mais importante. 8 3.1 Políticas de Gestão Financeira de Curto Prazo Apesar do propósito deste estágio não estar relacionado diretamente com a gestão de fundo de maneio, é inevitável não referir este tópico. A gestão financeira de curto prazo, muitas vezes conhecida como gestão de fundo de maneio, pode ser caracterizada por seguir uma estratégia conservadora ou agressiva (Neves, 2012). Políticas conservadoras da gestão financeira de curto prazo caracterizam-se pela maior concessão de crédito aos clientes, i.e., com prazos de recebimento mais dilatados, maior investimento em inventários em armazém, para não comprometer a produção, e menores prazos de pagamento a fornecedores para aproveitamento de descontos a pronto pagamento. Em relação às políticas agressivas, estas caracterizam-se por uma certa limitação à concessão de crédito a clientes o que diminui o prazo das contas a receber, restringir os inventários em armazém a níveis mínimos e prazos de pagamento a fornecedores dilatados (Oliveira, 2014). Os gestores precisam de conhecer os gastos e os rendimentos da sua atividade operacional em pormenor, dado que estão associados aos objetivos da empresa (Pereira Macedo, 2013). Esta informação assume um papel crucial na gestão financeira de curto prazo, que se preocupa, fundamentalmente, com a gestão de ativos e passivos de curta duração (Neves, 2012). Enquanto a gestão física de inventários é, normalmente, da responsabilidade do departamento de produção ou de logística, os recebimentos de clientes e pagamentos aos fornecedores faz parte das funções do gestor financeiro (ou do seu departamento). Quando as empresas vendem bens e serviços podem exigir o pagamento antes da entrega, na data da entrega, ou ainda conceder crédito aos seus clientes, permitindo que o pagamento seja efetuado dentro de um prazo estipulado. A decisão de concessão de crédito (conhecido como crédito comercial) constitui um investimento em clientes e tem o principal objetivo de estimular as vendas. No entanto, a má gestão das contas a receber resulta em dívidas incobráveis que reduzem os níveis de rendibilidade e liquidez da empresa (Mendonça, 2018). Já no que respeita aos pagamentos a fornecedores, o crédito comercial constitui uma forma de financiamento acessível (em termos de acesso e de custos), no entanto, o pagamento das compras a pronto pode estar associado a descontos comerciais e o alargamento excessivo deste tipo de crédito pode levantar dúvidas relativamente à reputação do devedor (Leal, Rocha, & Neves, 2022). Neste contexto, o equilíbrio financeiro atinge-se com uma adequada harmonização entre os tempos de transformação dos ativos em liquidez e o ritmo de transformação das dívidas em passivo circulante exigível (Oliveira, 2014). 9 Segundo, Neves, (2012:20), “ A rendibilidade é um imperativo necessário a qualquer empresa que pretenda viver numa economia de mercado, o equilíbrio financeiro é uma condição necessária, mas não suficiente à sobrevivência da empresa” . Dessa forma, é necessária a análise financeira tendo por base um conjunto de técnicas com a finalidade de avaliar e interpretar a situação económica e financeira da empresa. Posto isto, a gestão financeira de curto prazo debruça-se sobre o equilíbrio financeiro, rendibilidade de capitais, crescimento, risco e valor criado pela gestão (Neves, 2012). Deste modo, a análise do equilíbrio financeiro deve ser feita em conexão com as decisões ligadas ao ciclo operacional, de investimento e financiamento (Oliveira, 2014). Espera-se que o gestor financeiro elabore um plano financeiro que permita à empresa atingir os objetivos de produção e vendas, minimizar os custos financeiros e assegurar, assim, a liquidez. Estas decisões financeiras de curto prazo centramse na gestão da tesouraria e na gestão do fundo de maneio sendo um mecanismo essencial para o aumento da rendibilidade das empresas e do seu valor (Mendonça, 2018). 3.2. Sistemas de Informação Financeira: Ferramentas de Suporte à Análise Financeira Para a gestão financeira, os sistemas de informação são essenciais uma vez que permitem monitorizar e controlar, com recurso a software e de uma forma eficiente, os recursos financeiros da empresa, melhorando o processo de tomada de decisão. Há uma recorrente oportunidade de melhoria na eficiência e precisão da gestão financeira aquando da implementação de parametrizações informáticas, evitando erros ou uma gestão menos eficiente da empresa. Desta forma, há uma redução substancial no tempo gasto em tarefas manuais, o que fará com que os colaboradores aumentem a sua produtividade, principalmente, em tarefas com maior valor agregado, conduzindo ao aumento da rendibilidade da organização. Para além disso, há uma facilidade em planear financeiramente as atividades da empresa, ou seja, com informações financeiras atualizadas os gestores podem fazer previsões mais fiáveis e assim criar planos financeiros eficazes (Bruns & John, 1975). Para além disso, outra característica associada aos sistemas de informação financeiros está relacionada com o controlo do fluxo de caixa, permitindo à empresa tomar decisões atempadamente, sendo que constitui uma monitorização em tempo real. Adicionalmente, a empresa torna-se mais eficaz na gestão de crédito que concedeu, uma vez que existe uma maior, e mais eficiente, monitorização das contas a receber. 10 Em suma, sistemas de informação permitem um controlo e planeamento financeiro para que a empresa possa antecipar necessidades de financiamento e, dessa forma, gerir de forma mais eficiente os seus recursos financeiros (Bruns & John, 1975). 3.2.1 Da Estrutura de Custos à Exposição ao Risco A contabilidade analítica insere-se, principalmente, na problemática da análise de custos, rendibilidade e desempenho de uma organização. Dessa forma, os gestores, conhecendo os custos dos produtos e serviços, tomarão decisões mais informadas relativas à origem e alocação dos recursos, sendo dessa forma facilitada a oportunidade de redução de custos e o aumento da rendibilidade (Jovanović, Atkinson, Kaplan, Matsumura, & Young, 2012). A análise de custos é a identificação dos gastos associados à produção de produtos e serviços, tais como o custo direto de matéria-prima e mão de obra, bem como os custos indiretos (alugueres, eletricidade, entre outros). Uma outra análise é a da rendibilidade, responsável por entender a lucratividade nos bens e serviços e, ainda, identificar oportunidades de aumento de rendibilidade através de análises como: identificação do ponto de equilibro, margem de lucro, contribuição e custo-benefício. Por fim, a análise do desempenho, refletindo a avaliação do desempenho financeiro da organização e comparando essas métricas com as metas e objetivos inicialmente definidos, podendo constituir uma análise integrada das diferentes divisões, departamentos ou produtos (Jovanović, Atkinson, Kaplan, Matsumura, & Young, 2012). Um desses indicadores, a margem de contribuição, corresponde ao valor da comercialização de bens e serviços após a dedução dos custos variáveis ao preço de venda. Desta forma, indica o lucro bruto que a empresa consegue obter com a venda dos bens e serviços que transaciona, não tendo em consideração os custos fixos da empresa. Este indicador permite aferir a lucratividade dos produtos ou serviços e auxilia a tomada de decisão sobre preços e produção. Para além disso, o ponto de equilíbrio possibilita conhecer o nível mínimo de vendas que é necessário para cobrir todos os custos, variáveis e fixos, e conhecer o ponto a partir do qual o negócio começa a gerar resultados operacionais positivos (Berman, Knight, & Case, 2021). Os custos fixos correspondem, em média, a contratos de fornecimento de bens e prestação de serviços para assegurar o ciclo de exploração da empresa. Por isso, tendem a basear-se na passagem do tempo e não na quantidade produzida e vendida, ou seja, são independentes do volume de produção e invariáveis às flutuações do nível de atividade. São, por norma, considerados na contabilidade como gastos, provocando um aumento da sensibilidade dos resultados. São exemplos de custos fixos: rendas 11 de imóveis, eletricidade, água, seguros, salários e honorários. Ou seja, custos que devem ser pagos mesmo que a empresa não produza ou consiga escoar a sua produção. Contrariamente, os custos variáveis oscilam consoante o volume produzido e vendido, isto é, em relação ao nível de atividade. São, normalmente, quantificados de forma a estarem diretamente associados à criação de um produto ou prestação do serviço, como por exemplo, os custos de mão de obra por produto, quantidade de matériaprima utilizada, custos de entrega e comissões 3 (Institute, 2020). Tendo em conta esta distinção entre ambos os custos, a falta de clareza na identificação de custos fixos e variáveis pode dificultar a análise do desempenho financeiro da empresa, bem como a avaliação da sua rendibilidade. Por exemplo, se a empresa não conseguir identificar quais são os seus custos fixos e variáveis, não terá uma visão clara dos custos de produção e pode não ser capaz de determinar um preço adequado para os produtos comercializados. Consequentemente, poderá estar a vender produtos a baixo custo o que afetará a sua rendibilidade e liquidez (Hilton, Maher, & Selto, 2006). Algumas das vantagens intrínsecas na separação de custos fixos e variáveis passam por uma maior precisão no custo de produção, permitindo à empresa estabelecer preços mais adequados e competitivos (Berman, Knight, & Case, 2021). Relativamente à rendibilidade, possibilita uma maior clareza, o que irá permitir avaliar o desempenho financeiro da empresa e, desse modo, fazer ajustes necessários para um aumento da lucratividade. A tomada de decisão também é afetada positivamente, uma vez que há a disponibilidade de informação detalhada, podendo proporcionar possíveis investimentos em equipamento ou até mesmo na redução de custos em determinadas áreas, sem que seja afetada diretamente a qualidade do produto (Baker & English, 2011). O impacto dos custos fixos na volatilidade dos resultados de uma empresa é tanto maior quanto maior o peso desses custos na estrutura global de gastos. Estes custos incidem, numa primeira fase, sobre a volatilidade do resultado operacional e, seguidamente, no resultado líquido em consequência da estrutura de financiamento à qual estão associados os gastos financeiros (Almeida, 2016). O risco empresarial (ou risco sistemático) divide-se em risco financeiro e risco operacional (ou económico ou de negócio). O risco financeiro resulta da capacidade futura para remunerar os capitais próprios, em virtude do recurso a financiamento por capitais alheios e à consequente assunção de 3 Consultado em https://www.scu.edu/media/mobi/Fixed-and-Variable-Costs.pdf 12 compromissos na forma de gastos fixos de financiamento (Gama & Torres, 2015). Consequentemente, os custos fixos aumentam com o aumento dos custos financeiros. Por outro lado, o risco operacional está associado à incerteza relativamente à posição dos resultados operacionais e é influenciado pela estrutura de gastos operacionais (Neves, 2012). Para um dado montante de gastos operacionais totais, quanto maior o peso dos gastos operacionais fixos, maior o impacto das oscilações do nível de atividade nos resultados operacionais. Para minimizar o risco de negócio, a empresa tem à sua disposição alguns instrumentos, tais como a política de marketing, designadamente, as promoções e política de comunicação, a negociação com clientes e fornecedores e a utilização de instrumentos derivados, que podem ser úteis na minimização da volatilidade da procura e do custo dos fatores. Por outro lado, a flexibilização da estrutura operacional, privilegiando gastos operacionais variáveis, em detrimento de gastos operacionais fixos, pode contribuir para uma significativa redução do risco operacional (Almeida, 2016). Desta forma, os custos fixos implicam menor flexibilidade financeira da empresa a ajustar-se aos diferentes ciclos económicos, nomeadamente, em caso de recessão económica. Para avaliar essa flexibilidade, recorre-se a indicadores, como o grau de alavancagem operacional. O grau de alavancagem operacional procura medir a variabilidade dos resultados operacionais face às variações ocorridas nas vendas (Gama & Torres, 2015). Este indicador permite avaliar a sensibilidade dos resultados operacionais à variação das vendas. De forma simplista pode ser visto como o rácio entre custos fixos e custos variáveis, o que pode significar que aumentar a alavancagem operacional corresponde a aumentar os custos fixos com o objetivo de reduzir os custos variáveis (Berman, Knight, & Case, 2021). Para Gahlon (1981), a alavancagem operacional afeta o risco sistemático através da margem de contribuição ou dos custos variáveis unitários. Assim sendo, os resultados têm importantes implicações práticas para os gestores financeiros ao estimar o risco de projeto ou de divisão para as decisões de investimento, assim como para os analistas financeiros, dado que permite efetuar uma avaliação previsional ao risco sistemático das ações ordinárias. Na mesma linha de pensamento, Lev (1974) verificou que existem diferenças no processo de produção que irão afetar os custos fixos e variáveis, sendo que associou essas diferenças aos diferenciais de risco. Especificamente, quanto maior a alavancagem operacional (ou seja, quanto menor o custo variável unitário), maior o risco global e sistemático dos inventários. É também esperado que grandes despesas de capital (CAPEX) associadas a um aumento da alavancagem operacional aumentem o risco dos capitais próprios. Especificamente, o investigador sugere que, se uma empresa experimentar uma 13 mudança significativa na alavancagem operacional, a estimativa de medidas de risco baseadas, exclusivamente, em retornos históricos é inadequada. Dada a sua importância no contexto empresarial, as medidas de risco operacional continuam a ser estudadas na literatura. Por exemplo, o trabalho de Novy-Max (2011) foi alvo de invocação na sua formulação base. O autor derivou e testou as implicações da hipótese de alavancagem operacional, numa análise cross-section dos retornos esperados, onde sugere que as diferenças na indústria em relação ao mercado são impulsionadas por diferenças na intensidade de capital da produção, não estando relacionadas com retornos. Por sua vez, Alaghi (2012) ao estudar o efeito da alavancagem operacional, como variável independente, e o risco sistemático das empresas como variável dependente, concluiu que a alavancagem operacional não tem qualquer efeito no risco sistemático das empresas. Por fim, o estudo de García-Feijóo & Jorgensen (2010), baseado nos modelos teóricos de Carlson, Fisher, & Giammarino (2004), demonstrou uma relação positiva entre o rácio de capitais próprios e a alavancagem operacional. Estes mesmos autores, García-Feijóo & Jorgensen, (2010), sugerem que o principal fator determinante do prémio de valor das empresas é a evolução do risco sistemático associado à atividade de investimento da empresa. Em resumo, o grau de alavancagem operacional mede a sensibilidade nos resultados operacionais face a variações ocorridas nas vendas, o que configura também um indicador da volatilidade operacional (Gama & Torres, 2015). 14 4 Atividades Desenvolvidas durante o Estágio Ao longo do estágio no departamento financeiro da CIN, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, e além do instrumento de apoio à gestão financeira que foi desenvolvido, foram desempenhadas outras atividades no seio da empresa, tais como: • Análise e atualização da percentagem de investimentos em subsidiárias detidas pela CIN Internacional. Assim, foram importados no ERP o valor de aquisição e o ano de aquisição das mesmas; • Recolha e análise das despesas dos veículos detidos pela empresa, tais como as despesas de combustível e alugueres contratualizados na sequência de contratos de locação financeira. A partir dessa informação, procedeu-se à aplicação de taxas de tributação autónoma sobre encargos de viaturas, consoante o valor de aquisição do veículo e as suas características, com a finalidade de se conhecer o valor a ser imputado ao resultado de 2022 para efeitos de tributação autónoma; • Na sequência da migração de uma empresa da CIN Internacional para o software utilizado pela CIN S.A - IFS 4 - foram importados no novo software os processos relativos aos fornecedores. Esta tarefa implicou um contacto direto com os auditores financeiros externos, sendo minha a responsabilidade de toda a informação necessária fornecida; • Análise em detalhe das faturas de água e luz, ou seja, por centro de custo, para perceber todos os gastos financeiros que estavam a ser integrados no software de suporte à gestão financeira. Por fim, e de acordo com o principal objetivo do meu estágio, o contributo mais importante para a organização, e que será detalhado nas próximas secções, está relacionado com a separação de custos na sua componente fixa e variável, informação essa sistematizada em MS Excel , tendo em vista a utilização futura de forma expedita por qualquer colaborador habilitado para o efeito. O facto de a empresa não fazer a separação dos custos como variáveis e fixos leva a um desconhecimento do grau de alavancagem operacional e, consequentemente, do risco operacional ao qual a empresa está ou poderá estar exposta, com efeitos na avaliação da margem de lucro e na tomada de decisões estratégicas relativas ao negócio. 4 Empresa multinacional de software empresarial: ERP utilizado pela CIN S.A. 21 Tal como mencionado, o estudo das rubricas de gastos água, eletricidade e salários colaboradores comerciais foi uma decisão da entidade acolhedora, no entanto, gastos com equipamento básico e reparação de viaturas não deveriam ser considerados fixos todos os meses, ou seja, existe uma variação mensal. Dessa forma, e a título meramente exemplificativo, fossem considerados 80% dos custos relativos a FSE como fixos e 20% como variáveis e, se considerássemos 30% dos gastos com o pessoal variáveis e 70% como fixos o GAO seria de: 𝐺𝐴𝑂 = MB RO = Vendas−(CMVMC +20%FSE+30%Gastos com Pessoal) EBIT = 51 694 639−(30 839 828+1 137 149+2 373 596) 8 259 409 =2,10 (6) Assim, o grau de alavancagem operacional da CIN S.A. desceria de 2,52 para 2,10, o que representa uma descida de 0,43 unidades monetárias na sensibilidade dos resultados operacionais às vendas. Sendo o grau de alavancagem mais elevado quando não há separação de custos, significa que uma análise detalhada em relação à natureza dos gastos garante uma melhor perceção do risco operacional e, consequentemente, do grau de flexibilidade, no que diz respeito a decisões que conduzam à variação do peso dos custos fixos. Por exemplo, se a empresa verificar um aumento do GAO, uma forma de diminuir a alavancagem operacional é subcontratar, também conhecido por atividade de outsourcing , transmitindo parte desse risco para outras empresas especializadas em certos setores (p.e., serviços de atendimento ao cliente). Em conclusão, a divisão da natureza dos custos deveria ser refinada para se melhorar a perceção da precisão nos custos alocados a cada um dos produtos e no posterior preço de venda, assim como melhorada a análise de risco operacional da empresa. A divisão dos custos na sua natureza variável e fixa pode conduzir a uma redução do GAO, o que representa também uma menor exposição dos resultados operacionais à flutuação do volume de vendas em períodos de instabilidade económica. 22 5. Conclusão e Reflexão Crítica sobre o Contributo do Estágio A realização do estágio curricular na entidade acolhedora CIN, S.A. foi uma experiência que se revelou enriquecedora, tanto a nível pessoal como profissional. Se por um lado, durante esses quatro meses de duração do estágio, tive a oportunidade de consolidar muitos dos termos e conceitos aprendidos ao longo de todo o meu percurso académico, por outro lado foi também uma oportunidade de ter a minha primeira experiência no mercado de trabalho. Dessa forma foi importante viver o dia a dia e presenciar todos os desafios com que os profissionais da gestão financeira se deparam, assim como pensar em potenciais soluções e resoluções dos problemas. Com base no enquadramento teórico e na análise da situação financeira da CIN, é possível concluir que a gestão financeira de curto prazo é fundamental para garantir a sobrevivência e o crescimento sustentável das empresas. As políticas de gestão financeira de curto prazo devem ser adaptadas às necessidades específicas da empresa, levando em consideração fatores como o ciclo de caixa, a estrutura de financiamento e o perfil de risco. No caso da CIN, uma análise refinada do seu grau de alavancagem operacional conduz à conclusão que o mesmo diminui com a separação da natureza dos custos em variável e fixa, o que proporciona à empresa uma avaliação com mais precisão do seu grau de flexibilidade operacional. A CIN lançou-me como desafio principal a análise e sistematização de algumas rubricas de gastos – água, eletricidade e custos com colaboradores comerciais – num instrumento que simplificasse a separação da natureza desses gastos em variável e fixa. Desse modo, a contabilização desses gastos ficaria muito simplificada, com a consequente vantagem de facilitar a análise do grau de risco operacional ao qual a empresa está exposta. Assim, conclui-se com base na análise, que ao dividir os custos na sua natureza variável/fixa, o GAO (usado como indicador de risco) diminui, o que representa a diminuição do risco operacional ao qual a empresa está exposta. Por fim, é importante salientar que a gestão financeira de curto prazo deve ser vista como um processo contínuo e dinâmico, que deve ser constantemente monitorizado e ajustado, de modo a estar adequado às mudanças nas condições do mercado e na situação financeira da empresa. De um modo geral as minhas expectativas em relação ao estágio foram correspondidas, assim como todas as tarefas solicitadas pela entidade acolhedora. Entreguei à empresa o instrumento que elaborei em MS Excel para que analisem e testem, de forma a concluir se faz ou não sentido a sua aplicação. Considero que o meu contributo para a CIN S.A. foi positivo. Senti que fui uma mais-valia para 23 a empresa, o que foi facilitado pelo espírito jovem, a partilha de conhecimento por parte dos colegas e a boa disposição aliada ao trabalho em equipa, características que fazem parte da empresa que me acolheu. 24 Referências Bibliográficas Adhikari, A., & Tondlkar, R. (1992). 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