Vídeo-ativismo e Rodas Culturais. (Contra)narrativas audiovisuais e juvenis sobre a violência de Estado
Abstract
Analisamos dois casos de ativismo juvenil da cidade do Rio de Janeiro, Brasil durante 2014-2017: a) o vídeo-ativismo durante a Copa do Mundo FIFA 2014 e; b) as Rodas Culturais (eventos públicos do movimento hip hop) em 2016 e 2017. A partir de uma perspectiva metodológica participante que incluiu métodos digitais, caracterizamos as estratégias político-comunicacionais desenvolvidas e as (contra)narrativas audiovisuais produzidas em relação a ação do estado no espaço público. Como resultados, evidencia-se que ambas das práticas desenvolveram estratégias tecnopolíticas na dinâmica ruas-mídias digitais e utilizaram o audiovisual como formato estratégico para construir (contra)narrativas sobre diversas formas de violência de Estado.
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VÍDEO-ATIVISMO E RODAS CULTURAIS. (CONTRA)NARRATIVAS AUDIOVISUAIS E JUVENIS SOBRE A VIOLÊNCIA DE ESTADO41 VIDEOATIVISM AND RODAS CULTURAIS. AUDIOVISUAL AND YOUTH (COUNTER)NARRATIVES ABOUT STATE VIOLENCE Nunes De Sousa, Ana Lúcia Instituto NUTES, Universidade Federal do Rio de Janeiro [email protected] Carranza Weihmüller, Valentina Instituto NUTES, Universidade Federal do Rio de Janeiro cw[email protected] Resumo: Analisamos dois casos de ativismo juvenil da cidade do Rio de Janeiro, Brasil durante 2014-2017: a) o vídeo-ativismo durante a Copa do Mundo FIFA 2014 e; b) as Rodas Culturais (eventos públicos do movimento hip hop) em 2016 e 2017. A partir de uma perspectiva metodológica participante que incluiu métodos digitais, caracterizamos as estratégias político-comunicacionais desenvolvidas e as (contra)narrativas audiovisuais produzidas em relação a ação do estado no espaço público. Como resultados, evidencia-se que ambas das práticas desenvolveram estratégias tecnopolíticas na dinâmica ruas-mídias digitais e utilizaram o audiovisual como formato estratégico para construir (contra)narrativas sobre diversas formas de violência de Estado. Palavras chave: ativismo, juventudes, narrativas audiovisuais, Rio de Janeiro, violência de Estado Abstract: We analyzed two cases of youth activism in the city of Rio de Janeiro, Brazil during 2014-2017: a) video activism during 2014 FIFA World Cup and; b) the Rodas Culturais (hip hop public events) in 2016 and 2017. From a participative methodological perspective, including digital methods, we characterized the political-communicational strategies and the audiovisual (counter)narratives produced of both cases. As results, it was evident that both practices developed technopolitical strategies in the dynamic streets-digital media, and used audiovisual as a strategic format to build (counter)narratives about various forms of state violence. Key words: activism, audiovisual narratives, Rio de Janeiro, state violence, youth 41 Ambas das pesquisas contaram com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 / Both inquiries were financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001. Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 170
1. Introdução As práticas comunicacionais juvenis que analisamos neste artigo estão localizadas no cenário urbano contemporâneo brasileiro, mais propriamente, a cidade do Rio de Janeiro durante 2014-2017. Nos últimos anos o Rio foi palco de vários mega eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas, Conferência de Juventude Católica, etc.), que colocou a cidade na janela global, atraindo capitais para a “modernização urbana”. Contudo, durante esse mesmo período, políticas repressivas, racistas e excludentes continuaram a determinar a dinâmica sócio-urbana. De fato, no contexto dos mega eventos e posterior a eles, medidas de controle, genocídio e segregação urbana foram “a realidade” da maioria dos jovens do Rio de Janeiro, principalmente aquelas juventudes pertencentes aos setores sociais historicamente racializados e empobrecidos. Apesar disso, como tentaremos reconstruir neste trabalho, muitos e muitas jovens não permaneceram passivos e desenvolveram diversas estratégias comunicacionais para enfrentar as injustas condições de vida e exercer seu direito à cidade e à cultura por meio do ativismo, seja midiático ou artístico-cultural. Nos perguntamos então sobre as estratégias político-comunicacionais e as narrativas que as juventudes cariocas ativistas produziram neste último ciclo de protesto, a fim de caracterizá-las. Especificamente neste trabalho, focamos na análise dessas narrativas, como elas são produzidas e como o estado é representado. Desta maneira, nosso trabalho aborda dois casos específicos de ativismo juvenil durante os últimos anos (2011-2017), caracterizados pela ampla participação de pessoas jovens e pela produção de (contra)narrativas audiovisuais que em diferentes perspectivas denunciaram a agência violenta do estado. Os casos foram: a) o vídeo-ativismo durante a Copa do Mundo FIFA 2014 e; b) as Rodas Culturais (eventos públicos do movimento hip hop) em 2016 e 2017. O vídeo-ativismo é uma das facetas do ativismo midiático digital, que tem se tornado muito popular nos últimos anos. Essa forma de ativismo tem sido uma das mais exploradas internacionalmente durante o ciclo de protestos contemporâneos. Trata-se de uma prática comunicacional e política que articula a ação direta em protestos com a produção audiovisual e técnicas de viralização digital. Durante a Copa do Mundo FIFA 2014, a maior rede vídeo-ativista se estabeleceu na cidade do Rio de Janeiro, a fim de disputar a narrativa sobre os impactos sociais e urbanos dos mega eventos (Sousa, 2017b). As rodas culturais ou rodas de rima, são formas contemporâneas de expressão do movimento hip hop no Brasil. Seu “momento” central é a batalha de rimas no formato freestyle, embora muitas rodas também apresentam outros “momentos”, como apresentações de artistas, musicalização, break dance, passinho, microfone aberto, performances poéticas, etc. Na cidade do Rio de Janeiro, as rodas surgiram em 2009 como uma estratégia do movimento hip hop carioca para, por um lado, manter seus espaços de produção cultural em um contexto de avanço de capital no bairro da Lapa - seu point histórico -; por outro, reterritorializar o movimento, levando-o às favelas e periferias e recuperar seu espírito micropolítico. O Circuito Carioca de Ritmo e Poesia (CCRP) foi a principal organização que impulsionou a proliferação de rodas culturais em várias áreas da cidade (Alves, 2015, 2016). Como indica Alves (2016), essa forma de encontro hip hop multiplicou-se em todo o Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos, coincidindo com o período após os mega eventos. As informações e análises que dialogam nesta comunicação vêm de duas pesquisas realizadas em diferentes momentos, mas que ambas delas tiveram como foco trabalhar junto a coletivos e organizações alternativas de jovens na cidade. Esses grupos juvenis ativistas, por meio de estratégias comunicacionais tecnopolíticas, pretenderam disputar a representação dos fatos, ao mesmo tempo que atuavam no espaço público das ruas deparando-se com o agir violento das forças policiais. As abordagens metodológicas de ambas pesquisas também foram semelhantes quanto à perspectiva qualitativa e participante (Brandão, 2006) e a inclusão de métodos digitais (Rogers, 2009) em páginas de Facebook e canais de YouTube. 2. Metodologia Os desenhos de pesquisa foram baseados na perspectiva participante (Brandão, 2006) e incorporando métodos digitais (Rogers, 2009). Desta maneira, as propostas de pesquisa foram, desde o início, concebidas não apenas como metodologia, mas como um lugar “político”, a partir do qual trabalhar junto às práticas ativistas. A necessidade de incluir métodos digitais surgiu do contato com os próprios agentes no campo pois reconheceu-se a articulação do agir nas ruas com o agir “nas redes”. Tal como foi já problematizado por vários autores (Reguillo, 2017; Rogers, 2013; Toret & @DataAnalysis15m, 2013) o uso das mídias digitais foi um aspecto característico das formas tecnopolíticas que caracterizaram as insurgências e manifestações juvenis do século XXI. Nos casos analisados isto não foi diferente. Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 171
Sobre os métodos digitais, partimos da ideia defendida por Rogers (2009), quem propõe uma abordagem da web como conjuntos de dados que permitem desenvolver processos de imaginação e reflexão sociológica a partir do trabalho heurístico sobre dispositivos on-line. Conforme o autor, esses métodos são experimentais e situacionais, pois são construídos em espaços e dispositivos como páginas web e mídias sociais em Internet, que mudam suas funcionalidades o tempo todo, inclusive podem desaparecer. Neste sentido, o paradigma digital diverge dos anteriores (cyber e virtual) dado que entendem a Internet como uma fonte para a pesquisa social, ou seja, como um espaço conectado dinamicamente com “o mundo off-line”. Tal como indica Rogers (2009), “o principal propósito em pesquisa na Internet é reivindicar o on-line, não só para o estudo da Internet e seus usuários, senão para o embasamento do estudo da cultura e da sociedade com a Internet” (p.38, tradução própria). A Internet se concebe assim, como uma mídia de mídias, que nas suas versões 2.0 e 3.0, vem modificando as configurações comunicacionais tradicionais a partir da apropriação de suportes diversos (textos, áudios, imagens, vídeos) aos quais são incorporadas novas características como a interatividade imediata, a intertextualidade, a portabilidade e a combinação de linguagens (Scolari, 2016). Como mencionamos, dois casos de ativismo juvenil são problematizados neste trabalho. As categorias analíticas estabelecidas para costurar a reflexão foram: a) as estratégias político-comunicacionais desenvolvidas; b) a produção de (contra)narrativas audiovisuais; c) as formas de representar a ação pública das forças estatais. Sobre o vídeo-ativismo durante a Copa do Mundo FIFA, 2014, o trabalho de campo foi realizado entre junho e julho de 2014. A investigação partiu da construção de uma matriz que incluía os dez grupos de vídeoativismo mais ativos na cidade e que funcionavam em rede. Eles foram selecionados considerando o volume de produção e a popularidade nas redes e mídias on-line, bem como o desempenho durante os protestos nas ruas. Os dez grupos foram acompanhados em geral e três deles participaram de um acompanhamento mais aprofundado. Durante o período de trabalho de campo, doze protestos e reuniões de organização e produção foram acompanhados. Nesse período, os grupos ativistas participantes da pesquisa produziram 173 vídeos (91 postados no YouTube e 88 no TwitCasting). Neste trabalho analisamos as características gerais desse conjunto de vídeos focando nos dez vídeos mais populares para caracterizar os processos de produção e os elementos narrativos. No caso das Rodas Culturais, o trabalho de campo e exploração de mídias digitais foi realizado de setembro de 2016 a junho de 2017, participando de dez eventos da Roda Cultural do Pac’stão da favela de Manguinhos, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. A partir da interação no campo, selecionaram-se videoclipes de artistas membros do coletivo organizador que circulavam por plataformas digitais, especificamente Facebook e YouTube. Essas produções foram identificadas como valioso material heurístico a fim de analisar o conteúdo narrativo das rodas. Conjuntamente, a fim de caracterizar o contexto geral do circuito de Rodas Culturais no Estado de Rio de Janeiro, com base na exploração digital, criou-se uma linha de tempo interativa a partir da ferramenta https://www.tiki-toki.com, na qual se localizaram momentos importantes do movimento. Um achado na construção da linha de tempo foi a identificação de episódios que evidenciaram um processo político conflitivo em torno das rodas. Este se manifestou nas tensões entre as estratégias de resistência/legitimação das rodas (por meio de iniciativas legais, organizativas e de manifestação pública) e a repressão/censura por parte dos agentes de “segurança estatal”. Para este trabalho incluímos resultados tanto da análise narrativa dos videoclipes, como dos materiais audiovisuais de registro de censura/repressão das rodas. 3. Juventudes ativistas, estratégias tecnopolíticas e (contra)narrativas audiovisuais Sem querer problematizar os diversos enfoques teóricos e analíticos sobre as relações entre juventudes e política (Mayorga, 2013); ou entrar nas tentativas de classificação dos ativismos brasileiros no século XXI (Scherer-Warren, 2014), definimos ativismos juvenis urbanos de forma ampla, como práticas sócio-políticas, coletivas e engajadas que grupos de pessoas com significativa participação juvenil42 realizam de forma mais ou menos organizada e constante nos interstícios do cotidiano urbano, sendo a cidade o cenário ou o tema de disputa nas suas ações públicas. Neste sentido, junto a Lippard (1984), entendemos que a ideia de ativismo difere da noção tradicional de “militância política”, aquela atrelada a estruturas institucionais e normativas de caráter mais rígido (partidos, sindicatos, agrupações estudantis). As práticas ativistas são mais fluídas e variadas. Servem-se de diversos repertórios de ação e geralmente se articulam ao redor da defesa de direitos e causas específicas. Um dos seus elementos característicos é sua função para além do discurso e a 42 “Jovens” geralmente refere às pessoas das “novas gerações” que têm atingido certa autonomia. No Brasil a legislação vigente considera “jovens” aquelas pessoas entre os 15 e 29 anos de idade (Brasil, 2013) Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 172
construção de poder, dado que o ativismo supõe geralmente um “envolvimento em ação” nos espaços sociais cotidianos. Assim, o protagonismo ativista se desenvolve geralmente nos espaços e circuitos alternativos, aqueles alheios aos dispositivos hegemônicos de representação e produção cultural e midiática. Atualmente, os ativismos ocupam e se desenvolvem em diferentes contextos. Tal como indicam múltiplos trabalhos sobre juventudes contemporâneas (Dayrell, 2007; Reguillo, 2017; Vommaro, 2015), os setores populacionais juvenis se identificam fortemente com práticas do tipo ativista, formando coletivos em torno a identidades políticas e lutas por direitos. De fato, na cidade de Rio de Janeiro, nos últimos anos, as gerações jovens foram agentes cruciais em diversos conflitos. Sua participação foi notável tanto na expansão dos “coletivos de cultura jovens” (Lopes, 2019) como na formação de coletivos midiativistas em favelas (Canavarro, 2019; Custódio, 2018), na ação dos videoativistas durante os mega eventos (Sousa, 2016) e nas lutas estudantis no último ciclo de ocupações secundaristas (Gomes & Gómez-Abarca, 2018; Sousa & Canavarro, 2018; Weihmüller & Siqueira, 2017). No Brasil, protestos contra a Copa do Mundo da FIFA 2014 foram registrados em todas as regiões do país, tendo principal protagonismo os grupos vídeo-ativstas que usaram o audiovisual como uma ferramenta de luta. Conforme Harding (2001) a prática vídeo-ativista se caracteriza pelo uso do audiovisual como uma ferramenta tática na busca da justiça social, tornando a câmera um poderoso instrumento político. Os equipamentos audiovisuais, também funcionam como proteção a fim de conter a violência policial e documentar abusos e outros comportamentos autoritários e violentos (Wilson & Tanya, 2010). Do ponto de vista ideológico, o vídeo-ativismo entra em cena para ocupar um espaço contra-hegemônico e disputar agendas e versões dos fatos frente às mídias corporativas (Pasquinelli, 2002). Durante o período analisado, os grupos vídeo-ativistas se formaram rapidamente e se multiplicaram em várias cidades. A cidade do Rio de Janeiro concentrou o maior número de grupos organizados especificamente em torno da tarefa de denunciar os protestos pelo audiovisual on-line. A rede vídeo-ativista dessa cidade destacou-se nos seguintes elementos: a significativa participação juvenil, o grande número de grupos formados, a organização em rede, uma alta e rigorosa produtividade e significativa viralização dos vídeos. Nos contextos urbanos, as modalidades de manifestação política juvenil também atingem a esfera artísticocultural, quando os cotidianos dos territórios e dos espaços públicos se tornam lugares perpassados por práticas e discursos que canalizam demandas e problemáticas juvenis de forma estetizada. Como afirma Vommaro (2014 p. 56), são muitos os/as jovens, principalmente dos setores populares e das periferias, os/as que tomam posse da cidade construindo “colectivos y asociaciones que expresan sus formas singulares de participación y compromiso con lo público y con la transformación de la realidad en la que viven”. Estabelecem-se assim, circuitos juvenis de produção de espaços sociais, aqui compreendidos como territorialidades em disputa, nos quais mediações artístico-culturais, entre elas o hip hop, emergem como formas de politização, estetização e apropriação da cidade. Outro elemento característico das formas juvenis contemporâneas de ação coletiva/conectiva relaciona-se com a dimensão comunicacional e o desenvolvimento de estratégias tecnopolíticas. Toret e a equipe DataAnalysis15m (2013) definem a tecnopolítica para além do cyberativismo, sendo um tipo de capacidade organizacional que permite articular as ações nas ruas com as conexões na Internet. Conforme os autores, na dinâmica ruas-mídias digitais, as estratégias tecnopolíticas são capazes de “producir estados de ánimos empoderados y un patrón de autoorganización política en la sociedad red” (Toret & @DataAnalysis15m, 2013, p. 14). Neste sentido, a noção de tecnopolítica é entendida como o “uso tático e estratégico de ferramentas digitais para organização, comunicação e ação coletiva” (Toret & @DataAnalysis15m, 2013, p.20). De maneira mais simples, implica o uso da “red para inventar nuevas formas de acción que pueden ocurrir y dividirse en la red, pero no terminan en ella” (Toret & @DataAnalysis15m, 2013, p.21). A produção e circulação de conteúdos audiovisuais também tem sido um elemento característico das formas contemporâneas de manifestação juvenil. De fato, são as novas gerações “nativas da Internet” as que mais se familiarizam com a produção e consumo de vídeos digitalizados em diversas plataformas. Tal como aponta Sousa (2017b, 2016), as tecnologias digitais permitiram a produção e a circulação de registros fotográficos e audiovisuais com maior facilidade e acessibilidade. Várias telas, aplicativos e conectividade substituíram o audiovisual no formato tradicional e vídeos caseiros ou independentes ocupam as mídia e plataformas online. Essas produções, instaladas como narrativas alternativas − ou (contra)narrativas − disputaram os relatos e sentidos sobre fatos e acontecimentos. Elas também desafiaram a teoria, pois escaparam (ou misturaram) às classificações tradicionais dos gêneros narrativos (documentário, jornalístico, crônico, ficção) sendo as escolhas estéticas também variadas. Assim, a autora afirma que, a partir dos “protestos conectados” característicos das primeiras décadas do século XXI, é possível falar em “narrativas audiovisuais ativistas nas mídias sociais” (Sousa, 2017b), para de pensar nos múltiplos produtos realizados por grupos ativistas que Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 173
combinam imagem e som para contar histórias e torná-las públicas na Internet, a fim de defender certas visões de mundo e enfrentar as narrativas construídas a partir dos poderes hegemônicos. 4. Resultados e discussão A seguir apresentamos alguns resultados de ambas pesquisas conforme as categorias de análise estabelecidas para este texto. Como mencionamos, nossas reflexões surgem do diálogo a posteriori da realização das pesquisas, uma vez que constatamos a presença de aspectos constitutivos semelhantes entre ambos casos de ativismo. Estes aspectos se referem a: a) O contexto urbano de ação: a cidade do Rio de Janeiro, Brasil. b) O perfil dos membros ativistas: principalmente jovens e politicamente engajados nas disputas pelos direitos humanos, culturais e políticos. c) O desenvolvimento de estratégias comunicacionais do tipo tecnopolítico, ou seja, a articulação entre ações diretas nas ruas e nas ações conectadas nas redes. d) O significativo papel das produções audiovisuais para a construção de (contra)narrativas. Neste sentido, focaremos nos pontos c) e d), aprofundando neste último para analisar como nessas narrativas o papel do estado é construído. 5. Ativismos juvenis nas ruas e nas redes Os dois casos que dialogam neste trabalho, desenvolveram, de diferentes maneiras, estratégias tecnopolíticas no sentido que suas ações off-line nas ruas, foram catalisadas a partir da articulação com um uso estratégico dos dispositivos de mídias digitais on-line. Desta forma, a ação conectiva na Internet, repercutiu nas próprias ações na cidade, construindo redes e fortalecendo os coletivos e as ações ativistas. Dez coletivos vídeo-ativistas participaram da pesquisa em 2014, sendo que que 6 deles, emergiram no calor dos protestos pelo “passe livre” em 2013. Sua definição girava em torno da sua atividade políticocomunicacional, do seu midiativismo democrático e popular; independente e alternativo. Lidavam com questões críticas e abordavam perspectivas não consideradas pela grande mídia. Na tabela 1, indicamos esses coletivos e sua produção audiovisual. Tabela 1 – Coletivos vídeo-ativistas e quantidade de vídeos publicados. Youtube e TwitCasting. Junho - Julho 2014. Coletivo Começo no vídeoativismo Página de Facebook (Atualizado nov 2019) Vídeos YouTube TwitCasting Jornal A Nova Democracia 2010 Inativo 28 Mídia Ninja 2013 https://www.facebook.com/MidiaNINJA/ 43 Coletivo Mariachi 2013 https://www.facebook.com/coletivomariachi/ 21 Coletivo Carranca 2013 https://www.facebook.com/coletivocarranca/ 39 Mídia Independente Coletiva 2013 https://www.facebook.com/ midiaindependentecoletiva/ 5 Voz das Ruas 2012-2014 2 Linhas de Fuga 2012-2014 https://www.facebook.com/linhasdefuga/ 11 Coletivo Vinhetando 2012-2014 https://www.facebook.com/vinhetando/ 6 Coletivo Tatu 2013 https://www.facebook.com/coletivotatu/ 9 Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 174
Rio 40Caos 2010 Inativo 2 Fonte: Adaptado de Sousa (2017a). Os grupos analisados não tinham um número fixo de ativistas e na sua maioria estavam formados por entre duas a dez pessoas, alguns deles contando com colaborações ocasionais. O perfil etário dos ativistas era principalmente jovem, entre 18 e 30 anos, com ensino superior, muitos deles provenientes de carreiras ligadas à comunicação, cinema e jornalismo. Embora uma parte já tivesse experiência ativista anterior, para a maioria deles era a primeira vez que usavam uma câmera como ferramenta de ação política. A identidade dos membros não era específica, e geralmente preferiam se identificar com a própria prática de “militância” no ativismo midiático, ou simplesmente, como cidadãos. A rede vídeo-ativista da cidade de Rio de Janeiro em 2014, estava formada por vários atores – grupos, coletivos ou indivíduos que não estavam organicamente ligados a nenhum grupo em particular – que se conheceram e se conectaram através da rua e das redes sociais on-line numa dinâmica off-line,simultânea e multimodal. Cada agente da rede manteve sua independência como sujeito ou grupo, mas na prática, o que foi observado foi uma ação conjunta. A dinâmica de produção dos vídeos implicava etapas de pré-produção, cobertura e registro de eventos e protestos, produção do material filmado e estratégias de viralização nas redes on-line. A pré-produção englobava encontros, que ocorriam horas ou dias antes da intervenção, objetivando planejar com detalhes a ação nas ruas. Nas ações diretas nas ruas e coberturas de protestos, a rede geralmente atuava em bloco. A necessidade de se proteger e a proximidade física nestas ações acabou por fortalecer a rede criando vínculos de coleguismo e amizade. De fato, conforme relatos de campo e testemunhas nas entrevistas, o processo de trabalho ativista viu se fortalecido no sentimento compartilhado de “estar juntos”, criando uma pertença a um “coletivo maior”, mais potente que as intervenções individuais. Esta proximidade se manifestou posteriormente nas mídias digitais, tendo ações conectivas em diversas plataformas e apoiando reciprocamente a viralização dos conteúdos. A rotina de produção implementada pela rede vídeo-ativista analisada pode ser resumida nas seguintes etapas: 1. Etapa 1: Rua 1.1 Filmagem 2. Etapa 2: Montagem 2.1 Seleção das imagens 2.2 Edição em software 3. Etapa 3: Arquivar e divulgar nas redes sociais 3.1 Arquivo no YouTube 3.2 Compartilhamento no Facebook 3.3 Propagação na rede Os vídeos eram gravados, montados, enviados para o YouTube ou transmitidos ao vivo via TwitCasting e depois compartilhados no Facebook. Dessa forma, plataformas de mídias exclusivamente audiovisuais (YouTube e TwitCasting) se articulavam com dispositivos de redes sociais on-line (Facebook) conseguindo que os conteúdos fossem rapidamente viralizados. Conforme o processo relatado, é possível afirmar que a rede-bloco vídeo-ativista se conectava num ciclo conjunto que incluía etapas prévias (chats e reuniões de planejamento e reflexão), durante (participação conjunta nos protestos e outras ações) e após (produzindo e compartilhando os vídeos e nas reuniões organizativas para próximas ações) a ação específica de filmagem dos protestos nas ruas. Entre 2012 e 2014, além dos protestos contra a Copa do Mundo FIFA 2014, muitas outras ações foram realizadas nas favelas da cidade. Nestas situações, a rede vídeo-ativista também atuou de forma conjunta a partir dos convites de líderes comunitários. As ações nas favelas, fortaleceram a rede e evidenciaram posicionamentos políticos sobre qual tipo de ativismo se vislumbrava entre aquela juventude. Sobre outro tipo de práticas ativistas que acontecem nas favelas, abordaremos agora as rodas culturais. Conforme indica Veríssimo (2015) as Rodas Culturais, também conhecidas como “Rodas de Rima”, são iniciativas públicas de manifestação cultural relativamente novas no contexto fluminense e carioca, ligadas Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 175
ao movimento hip hop. Geralmente são promovidas e organizadas por jovens já inseridos no circuito da cultura urbana da cidade e têm o objetivo de gerar um espaço de encontro, expressão, lazer e divertimento entre artistas e público geral. Uma definição de rodas culturais foi incluída no projeto de lei estadual Nº 2799/2017, que retoma a caracterização feita em maio de 2016 pelo Regulamento da Liga das Rodas Culturais da Zona Oeste: “São consideradas Rodas Culturais encontros comunitários de livre manifestação da cultura HIP HOP, realizados em espaços públicos, com periodicidade semanal, quinzenal ou mensal, totalmente gratuitos, sem qualquer restrição à circulação das pessoas e com responsabilidade de transformação do território” (Estado do Rio de Janeiro, 2017). Sendo parte do universo hip hop, as rodas culturais se expressam por meio dos elementos próprios a esse movimento urbano (rap, grafite, break, dj) tendo como principal manifestação o rap no formato de batalhas de rima, ou rima de improviso. Mas também ampliam a inclusão de outras manifestações de arte de rua alternativa e popular (passinho, funk, slam poetry, capoeira, etc.). Os locais onde as rodas acontecem são geralmente espaços públicos e a participação é aberta e gratuita, tanto para os artistas que queiram apresentar seus trabalhos como para o público que esteja a fim de assistir as rodas (Alves, 2016). MC Shaell (2016)43 comenta que as rodas culturais surgiram em 2009 após o incêndio do Centro Interativo de Circo (CIC), - que funcionava numa parte abandonada da Fundação Progresso, na Lapa -, local onde a galera do hip hop carioca se reunia, organizava eventos (entre eles a famosa Batalha do Conhecimento) e interagia com as outras manifestações de arte urbana. Devido ao fechamento do prédio, foi preciso procurar outro lugar para fazer o rap acontecer. Assim, em 2010, a roda de rima da Lapa começou a funcionar embaixo dos Arcos da Lapa. Posteriormente, também em 2010, aconteceu uma reunião na qual se constituiu o CCRP e o primeiro cronograma de rodas culturais na cidade. Naquele momento, surgem como pioneiras seis rodas culturais : Bangu (domingo), São Cristóvão (segunda-feira), Botafogo (terça-feira), Copacabana (quarta-feira), Lapa (quinta-feira) e Cantareira (quinta-feira). Como comenta o MC, a roda cultural ampliou o território de ação e visibilidade do hip hop na cidade, pois permitiu chegar a espaços anteriormente não atingidos, ampliando assim o mercado local. A proposta do CCRP era bem simples. Ocupar você um espaço abandonado na sua região, convocar aos amigos que trabalham com arte (com rap, com reggae, com fotografia, com teatro, com dança) e movimentar aquela região ali, aquela praça, vamos por assim dizer, que estava abandona e agora já estava com uma movimentação cultural (MC Shaell, 2016). Essas seis rodas se mantiveram trabalhando juntas até 2012, quando surgiram outras novas: “roda do Méier, de Vila Isabel, a Quarta Under, de São Gonçalo, Pixa, PSK, PLC em Petrópolis...” e também a primeira roda de favela na cidade, a partir da fusão da Roda de São Cristóvão com a roda de Manguinhos, foi o começo da Roda Cultural de Manguinhos e São Cristóvão (MC Shaell, 2016). Nesse mesmo ano, o CCRP foi reconhecido pela prefeitura do Rio de Janeiro, através do Decreto nº 36.20126, que normativa, valoriza e promove oficialmente a iniciativa. Segundo dados gerados pelo projeto de pesquisa “Arte de rua e resistência” (UFF, FAPERJ, CNPq)44 em julho de 2016, haviam aproximadamente 120 rodas culturais espalhadas por todo o território fluminense. O mapa “Rodas Culturais no Rio de Janeiro” (UFF, FAPERJ, CNPq) indica que em julho de 2017, na cidade do Rio de Janeiro a, haviam mais de 50 rodas ativas, muitas delas acontecendo nos territórios das favelas e periferias. 43 O MC Shaell realizou, em 2016, uma série de vídeos, com o #AVERDADESEJADITA. Neles, vai contando questões históricas e de atualidade sobre o hip-hop no Rio de Janeiro. O episódio 2 é dedicado às rodas culturais. Disponível: https://www.facebook.com/sahellofc/videos/1034770139929725/ Acesso: 25 outubro de 2017. 44 https://www.artederuaeresistencia.com.br Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 176
Figura 1 - Mapa da geolocalização das rodas culturais na cidade do Rio de Janeiro, 2016-2017 Fonte: Weihmüller (2017, p. 101 adaptado de Mapa das Rodas Culturais no Rio de Janeiro. UFF, FAPERJ CNPq, https://www.artederuaeresistencia.com.br/mapadasrodas) De acordo com o exposto, podemos pensar a modalidade de produção cultural e ativismo das rodas como um circuito, já que o movimento das rodas se configura como um todo a partir da conexão entre “estabelecimentos, equipamentos e espaços que não mantêm entre si uma relação de contiguidade espacial, sendo reconhecido em seu conjunto pelos usuários habituais” (Magnani, 2002, p. 23). No caso do circuito das rodas culturais, esses usuários são os/as jovens (não exclusivamente) que curtem o hip hop, a cultura de rua carioca. Uma particularidade desse circuito é que ocupa o espaço público numa dupla esfera: por um lado a geográfica-urbana (envolvendo equipamentos e locais materialmente existentes) e, por outro a digital, traçando redes nas plataformas e mídias digitais compostas de locais de fixação (canais de YouTube, páginas de Facebook, sites) e fluxos constantes (usuários e conteúdos que se movimentam na linkiabilidade entre esses fixos). O caso analisado, a roda cultural organizada pelo coletivo Pac'Stão, surge em 2016. Seus eventos continuam ocorrendo ainda hoje, toda segunda-feira, a partir das 19 horas, na praça do PAC, no complexo das Favelas de Manguinhos, zona norte da cidade. O nome “Pac'stão” foi escolhido pelos organizadores para se referir ao clima bélico que se vive nesse espaço urbano, na metáfora com o país Paquistão reconhecido mundialmente como área de conflitos. O “clima tenso” em Manguinhos se relaciona com as políticas de “segurança pública”, no contexto da “guerra contra as drogas” que institui enfrentamentos frequentes entre policiais (civis e militares) e grupos narcotraficantes. Esta situação vem se agravando nos últimos anos, após instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e, especificamente, em 2017, pela maior presença de “operações” militares arbitrárias e genocidas. Além disso a sigla PAC também resume o slogan "Por Amor à Cultura", e mantém a referência especial ao local do evento, a “praça do PAC”. Como a maioria das rodas, é organizada de forma autônoma e autofinanciada pelos/as jovens habitantes das favelas da região, ligados ao hip hop e à produção cultural. Em outubro de 2017, com quase um ano e meio de existência, a Roda do Pac'Stão tinha um papel importante no desenvolvimento da cultura jovem de Manguinhos. De acordo com os registros de campo e as informações disponíveis na seção de eventos e a linha do tempo de sua página no Facebook, mais de 60 eventos já haviam sido realizados, além da participação ativa em outras iniciativas político-culturais de alcance comunitário. O perfil sociocultural do público e dos artistas das rodas era semelhante. Nossos registros de campo e fotografias disponíveis em redes digitais indicam que os participantes eram predominantemente homens, negros e jovens (entre 12/13 e 20 e tantos anos), habitantes de Manguinhos ou favelas próximas; alguns com escolaridade, outros fora do sistema escolar e também trabalhadores. Apesar da maioria masculina, as Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 177
mulheres também participaram, ainda que numa quantidade significativamente menor, sendo poucas as que se apresentaram como artistas. A “audiência” das rodas se ampliava nas mídias digitais. Em sua página de Facebook, a roda publicava uma quantidade significativa de conteúdos (fotos, vídeos, promoções de eventos). As postagens eram tanto produções próprias como de outros artistas de Manguinhos e outras regiões da cidade. As publicações receberam comentários, curtidas e eram compartilhadas pela rede de quase 2.500 perfis de usuários e páginas de seguidores (dados de junho de 2017, atualmente a Página tem uma comunidade de mais de 3.700 seguidores). Na dinâmica tecnopolítica ruas-mídias digitais, a maneira de produzir os eventos foi central porque permitiram observar como o trabalho off-line e on-line era articulado nas etapas de: 1. Divulgação 2. Realização 3. Registro 4. Circulação e ressignificação digital. O caso da roda do Pac'Stão exemplifica como o ativismo artístico utiliza as estratégias tecnopolíticas para fins específicos. Entre esses objetivos, observamos: - Fazer-se visíveis. Através de eventos na rua, mas também numa variedade de conteúdos digitalizados como vídeos, fotos, textos auto-descritivos, logotipos, slogans, produtos à venda, publicações com posições políticas e identitárias. - Promover eventos. Por meio de anúncios, promoção e registro dos eventos realizados off-line. Folhetos de divulgação, lembretes de textos e vídeos, publicações de registros ou comentários dos organizadores e fãs foram reconhecidas como formas de auto-promoção. - Colaborar na visibilidade de artistas, amigos e colegas das favelas e/ou do hip hop. A página do Facebook também funcionava como vitrine para o trabalho individual de outros artistas ou coletivos, inclusive alguns membros do coletivo organizador. Neste sentido, a Página de Facebook funcionava como uma comunidade digital onde cada um podia postar seu trabalho e também conhecer o trabalho de outros artistas. - Construção de redes. O espaço digital compartilhado, também incluiu eventos e participações em outros âmbitos da cultura (oficinas em escolas e bibliotecas, apresentações em eventos políticos, teatros, centros culturais, poetry slams, outras rodas, etc.). Assim, existia um clima de reciprocidade nos compartilhamentos. 6. O audiovisual como formato (contra)narrativo de registro e denúncia As duas pesquisas aqui comentadas, evidenciaram a escolha pelo formato audiovisual para a construção das (contra)narrativas. Neste sentido, observa-se a potência comunicacional dos vídeos na era da digitalização a partir das facilidades para a produção e distribuição de conteúdos imagéticos e sonoros nas redes e mídias on-line; além do relativo aumento da acessibilidade para a aquisição e manuseio de equipamentos audiovisuais, por exemplo, câmeras integradas a celulares. Por outro lado, o vídeo se apresenta como um suporte de registro exemplar para “captar” e “reproduzir” a realidade tal “como ela acontece”. A eficácia simbólica deste formato atinge principalmente as novas gerações, já familiarizadas com as formas de consumo digital, onde os vídeos, em diferentes gêneros e estéticas, despontam como conteúdos em “tendência”. Durante junho e julho de 2014, os 10 grupos vídeo-ativistas incluídos na análise produziram 173 vídeos, 91 postados no YouTube e 88 no TwitCasting. Sendo coletivos midiáticos, o conjunto de vídeos se caracterizou pela predominância de gêneros jornalísticos. Cada grupo acabou se especializando em um tipo de cobertura, sendo as principais: 1) reportagens jornalísticas em texto, foto e vídeo; 2) vídeo transmitido ao vivo por streaming; 3) advocacy vídeo. Na Tabela 2 apresentamos os dez vídeos que atingiram um maior número de visualizações: Actas del III Congreso Internacional Move.net sobre Movimientos Sociales y TIC 14 y 15 de noviembre de 2019 – Universidad de Sevilla, COMPOLITICAS 178
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