Sermam da pretençam das cadeiras dos filhos do Zebedeo
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SERMAM D A ERETE3STÇAM das cadeiras dos filhos do Zcbedco. PREGADO E M A terceira quarta feira Da Quareíinadefte Anno de 1686. EM: A CAPPELLA REAL — Pelo mui to Reverendo Padre Meílre. Úlio?rí T S T)E ZM AT TOS ^ i°rr a ,^ a g ra d aOrdem deS Jerommo.proff e JJo do T{ectl Conyento de Tdelcm. OFFERECIDO Ao Senhor DE VASCONCELLOS, E SOUSA. LISBOA* lOAO GALRAÓ Anno de 168$. Çm t9f t* s *£ tiwtftf mcejfAriái .
h a yUDHOAO ÍAa ' -.QobsdüS ob aorilft «od o a U 3 ^ 1 • • » Tfl AUO A - Hl 3 3 T A "3 .OQOiyii um***—- r : JA« AJaHílAD A V* _ .. , n ciinmc bl ; 1 .SlffcVi OTbsflobn*-»^ v .. rv-rTV > K 5 AG: iVüYÃ V ■ .«»\*8 4 V^> & ® i* v | Oál 0 3 i U*n 3 0 •inrfn >2 o A -, ..cjjaowooíAV aa °*' * ,a í U O 2 3 •A O a 2 I J eíi.1 jb cnr.A Ò h Aã h D Õ A O í -aü^
J, O A O S B N H O fc PEDRO DE VASCONCELtOS, E SOUSA. . 20ÍÍV-IjXíI GRANDE aceitação, que o Reverendo PiTr! Mathias de Mattos tenf ha annos em efta Corte, & ó geral applaulo,com que eíte Sermão foy recebido cm a Capella Real, me moveoa pedirlhe p era à imprelíàõ o p.rihente P a p el; &cuidando omodo,que tèiia emgranficarlhe a conceffaõ^yç me fez; achei não podia fazei lhe mayor lilon K que offerecello a V. S. pelo muito favor,& honra. £°® qot-y . S.otratta. Qiieita V. S.-rccchcr debaixo de '^«ipaio, & protecção efle4ú pápl‘f>qúe ÍÜ^p^bho e *enderá muito com o {eu patrocínio quem o acreditou * ant °como feu applaufo. Rem quanto com mayoresef- ^ 0 s domefmo' Authbr nab repito a bufear o amparo u" V - S , D e o sN.Senhor,que he o Author de todos os bés, V.S.todosaquellesVquèlhedefejáoos queoak l h eprofpèreo eftado, com âquelks acreícentaque lhe defe jão íeus ci iados. O menor de todos os de V.S. Syhefifè ZÂntmes.
VIRO MAXIME MÉRITO ^ AVUNCCJLOSÜO PERMAXIMB honorifico, vanas Auiicorum poftalationes deludenti. EPIGRAMMA. In teforsftelix cecidit, fortemque mereris, Qutim decor eloquij, doBaquc língua dedit. Aulicolas etenim deludens yana petentes T rtemia magna tenes,cum ríihil ipfe petas. Iam fuperas tedes } cAumque tenere yideris } Qui nullain ter risjure pe tenda probas. Addi&iílimus. Emmanuelde ZMattos Ui telho. In S acra Tbeologia Lkentiatus,
2 )* f * ® ^ du 0 fi lt i mei íms ací d extèram ) ® «««* àd m finifmm fygnotuo. Kefcítisquidpetatis. Matth.20, tJE enganados vivem nas Cortes os pretendentes! Muito alto, & muito poderofo Rey, & Senhor ncflc. Que enga¬ nados vi vem nas Cortes os pretendentes! aflim os cega a *ua ambição,que fem diíferença de tempo pedem, & iem reípeitar occafiaõ pretendemjnaõ ha tempo,que lhes naõ tcnhaõ po P arc ? a fi ç i t o P« ra o & u requerimento,nem occafiaõ, q naõ te,^ taõ r °P Dortuna »P cra a fua pretençaõ. Achaque he efte taõ frequen¬ to, o re j ant ’g° nas Cortes do mundo,que dedous difcipulos de Chrifí* lem,di 2 ° P re ^* cntc Evangelho. Sobia hoje Chiifto pera Jerufaslgutjjn. 'Wrttii.Afcendem lefuslerofelymw i, & por ventura^ do alto de fierbo s a °}} t e >vcnà I o as COrrcs ma is altas daquella Cidade, os palacios fom ° u dao? CUS ErefidenteSjOs edifícios fumptuofos de feus Pontifíces, tod? r 0< * a ” ao P era tr attar com os difcipulos,o como em Jerufalem do a m 0rt e r CntregUe 305 Princc P es dos Sacerdotes, & por elles condena- £ 5: Frfiuthminisjradcturprincipibus Jacerdotum.&condcnd'unt eum P er a Ptete ? C ^ C t ^ P° r ta ° aIhe y° P era pedir,& efta ocaíiaõ taõ imprópria te m Po p der: diz o fagrado texto, que na mefma occafiaõ, & no mefmo ^orial ^ llf â ara a _Chníb a maydos filhos doZebedeo, com hum me- . 5 Arfe <JUe P cd, ' a duas padeiras,ou dous aífentos pera feus d ,us filhos, ? a tta nd 0 ^ duofilij mei. Ha maior cegueira! ha maior amb çam! que j a Ç aõj ha l r, ^ ° ° ,1e g 0C * 0 u n l Carnent e importante, qual he o de nolfa <^°cio?q u ; p neftc mundo homens, quefe façaõ pretendentes de outro ^ ,ln Jonos a morte aos ouvidos, condcnabutu eum worfr,quan« tr °duf J U j C S a fi ar as fi° ras ein chorar ptccados, defperdiçemos o té* S ^ C P r C " e n1 re ^ ucl * m entos ' Cegueira grandedchoméa, ambiçam Pie> hof !S de ' ,CeSi ‘ '' C, " Ó ' <; - í: ete nr.-ia 4 ,2c « »que leafíei ■ pÇaõ ni 0 '* , , 3 x l c a (^ eníem efies meus dous filhos, dicut fedeant. Ha pr t . s de ha requerimento menos juftificado» que dous difte,1 da ( n ç ' r .* . >9 u e 1® haviam de pretender hiia Cruz pera morrer, ‘ deiras pera defçançir/ Que pretendam defeanç» A pera ;o aquelles,
Guilk. Pe pi¬ nas E- broict?- fishic. V. x Cuja vccaçaõ era difcorrererçi toáo o mundo,com a prègaçao do EyajSf lho/ Que queiram eftar Tentados em húa caferalquelfes, cuja pretcnçW era tomãremfobre íi os cuidados todos de híia Monarquia? E que imag 1 ' nem os taes pretendentes, que he licito o Teu requerimento,& juílificacM Tua pretençamlExcqui o que paíía peles pretendentes do muAdo;íò c 0 himia diiferénça,que hoje lam muitos, & entam foram somente de us; utfedeanthiduafiitjmei.. Unus‘addsxter<im 3 & unus ad JjniJham in Remai tuo, os lugares,que preten - do, diz a may dos Zebedeos, lam cs da mam direita, '•& eiqtiercFá''ifio v?* Reyno. Mam direita,Sc mam efquerda ? que Te pretenda a mam direis imm dos favores,da graça,Sc da aúfericordia,eíbi havia de Ter teda a ^ cia dos pretendentes^porem que haja nefte mundo,quem pretenda a eíquerd^,ruam dp rigor,da juíliça,Sc dacondenaçaò! Oh queira Deos» n ^ íeja a mam efquerda a ancia da maior parte dos pretendentes! quantos ^ que pretendem males eternos, por pretenderem? quantos que nap ret ^ í çam cia Tua cadeira,folicitam a Tua ruina? quantos na ancia do Teu refjj*: rimento pretendem o leu diferedito? quantos nas dignidades , nos pon^ no governo, moftram que foram pretendentes do inferno? Em fírri pf è ^. dentes de mam efquerda, & unus ad finifiram. E que queira a may dos ^ bedeos,que taes pretendentes tenham aífento noReynode Cfirifíd/ ò£ ° . mo temojque faya cada hum delles com hum defpacho de nefeio, quidpetatis. Neícios.nam fd pela fua cegueira, mas também pela fua F {C fwnpçamj hontem huns pobres pefeadores, remendando as fuasrede^ mando 113 fua barca, trabalha.ndo na fua pefearia, Sc já entrados em prefuinpçam, q cada hum delles fe nam contenta com meriós,que co çadeirajcom tam altivos penfamétos, que sò áfpirarq a lugaresalt ° 5 > 1 / terem entendido,que lugares altos, lcmpre foram tentaçaõ de nefci° s > citis quid,&c. t , Athéqui o moral do themi,delle tê dedufido os miniftros do HW,, lho varias emprefas pera as doutrinas; já houve quem rrefte dia ccU \° as queixas dos mal Uefpachadosjqne na verdade fam queixas dignas Tolaçáo; já quem deu valor aos pretendentes, porque he certo, lie fl e C 0 { rio muito valor pera pedirjeu hoje não ihes quizera dar confolnça 0 ’^ valor.sò ihes quizera dar deíêngmo.Defengano de pretendentes ft ,íl c ^ iumpto do ltrmáo. Todas as pretençõ.*s deite mundo Te reduíem â tre 5j^ neros, ou íaç pre t enções de defeanço, ou.de honra , ou de riqticz a * ^ ç.. tresgeneros de pretensões, achou o Douto Guilhelmo Ebróicenle »' ,,, mides em as palavras do meu thema:iH«/iír bac 3 diz o Douto, ptrivf f *0"'^ fiijsfuisyprinio quietem corporalem , tiinc dixii dic ut fedteint hl duo' fif?J f fecundo b mreuhquu unus addextcrm i & unus adfini/lrAmííitio
M negrta tubglorU > & àtvitu in domo ejuu Efta molher pêdío tréscoufas; a ynmeira fotdefcauço, por iflb pedio.affentos pera feus doüs filhos;a fegúc A °nm 5 p o r iíTo p»dio os lugares principaes da mam direita,Sc efquerda, a erc eira riqueza por iiíb pedio no Reyno de Chrifto. aonde fuppunha, tudo eraõ riquezas. . Sea eftes tresgeneros íe reduzem todos os defe/oSjSc ancias dos que ne¬ las efta ° P reten dem,ficando P oí minha, conta moflràr, que faõ engaiiolft'he Spretei, ^ es ^ C a rà ferv ^ o o. ferma5.de defenganoa pretendétes. tarà a" ° ^ Ue a autor ^ ac ^ e » 0 q U2 contem o thema , & o de que conf* de M míl c r ia >S u e P era f er proveitofa, he neccfíario, que por intercedam *• aru SantiUima, nos alumee Deos a todos com a lua graça. AVE MARIA. D/V ut fede An t hi duo filij mei. jA pretençaõ que tem hoje com Chri fto a mãy dos filhos do ) r. w " l '6df í r\ 1» ■ > rí n ->c *-<ie rtn /4o oílatlfnC m nna ni*P*- jfirlA ^ piÇlLliydU KjUC ICUI ÜU^C VVii* ViííUlW « UldJ UUJ ÍJIIIUO uu defc a p he de duas cadeiras,ou de dous aílentos , em que pretmde - an ^ F^fã/etfefiíaús filhos; primo pttivit p ro ipfis quietem corpoulemjunc pj lc w fedeant bi duofiLij wr/.Pretençaõ de defcanço,he o que contem ip u j t ^ e * r a clâufuladq memorial feito á Chrifto, 8c a que fe encerra em d ° s memoriaes dos pretendentesdo mundo. Senhor>dizeni muitos PteteuçJeoteSjtemoi trabalhado,temos fervido, queremos agora dcfcãdos j lT ^turif k c * la 'n°s com duas ca Jeüas r pera o defçanço,^ fedeunt,&c , T aõ ^teci • 0 homé o pretender defcáço,em retí ibniçaõ do feu ferviço,$c St etw ^ la diííe o Cicero, quédepois de expor aos trabalhos, ^r do ^ r ?' * n der.os perigos, o que leleguia era a pretençaõ dodefçanço, dia def c ^ ac ^°> & que era raro aquelle, que depois de fervi r naõ preten- ■ Vix.inmútUYflut UboribuiypericuUfque fufceptis mer cedem retu ® r aço ^ n ° nt ^fi(éret. Porem defengano meus pretendçntes:diz o Sencca, ei '°fos fempre le deraõ nas trabalhos,aiuhca pretenderão defos criaõ,os ddeanços os, mataojos trabalhos os aleh- Cii ^*>Hru Cln Ç ° s ° 5 d e f acreditaõ, generofis ânimos labor nmritylaborem [i re- , jwi ejl viri timere fudorem, Nunca preter.dèraô def• alentados; antes em tal requerimento, moftram os feus ‘ l ' 0 , ^it' e Samu * t a kmitaçaõ do feu animo,a pouca generofidade do feu \Q r 05 8 eil e iofos nunca pretenderam affentos, f empre afpiráraó cui- ^ corações, fempre fe deraõ aos trabalhbs, nunca íoli citàraõ V plyQ ‘ ^ a v ‘ f am,que teveIfaias. Vio d ous Íeraphins,qíie eílatytybiti S; fençlo que cada hamdelks tinha íeis azas, A ii f'X Cicero in offic. Seneca epift.jt IfaheS,
( 4 ) fcx aU uniJex aU alteriSb voavaõ com as áuas,que lhe nafciaõ do pei^* duAhs vaUUrit. As azas de fua natureza tem o remontar emfe pellos a^ 5 > oentrrgiremfe aos ventos,o empregaremfe em os vcosj fe eftes Serap* 11 ^ tem feis azas, façaõ as azas o feu officiOjVoem t-odas, & naõ voem fòme 11 te duas, duabus velafanr, & havendo de voar duas, como naõ voaõ as fiípreaw^que cohrem a cabeça,ou as ínfimas, que oeultaõospès, f e,lâ asdua^que na.ícemdo peito? O peito diz Saõ Clemente Alexandrino» . „ morada do coraçaõ j peãus ejl. habitaculmn cordis , pois ainda q lie ^ ^j^ lcs voem as azas íu premas , ainda que deicancem as azas ínfimas , ãS ° f lib^ as quenafccm do peito , naõ haõde ter nunca defcanço, duabus vol Strom. azas que nafcem de grandes corações, nunca emprehendcraõ defcar^j iempre fe empregáraõ noa voos, peitos generoíbs, nunca tiveraõ occi° as luas azas j eftaõ em pé, Serdpbin ftabant , nunca fe fentaõj nunca p ara * nunca delcançao, fempre vo aó t duabus vjoUbánt. Pretendentes do mundo,olhai que quando pretendeis o voflb defc arl v manifeftais a pouca generoíidade de.vóíTò peito; como haõde tér fc fofri 1 * 16 to peraeftarem íèntaJos cm duas cadeiras,aquelles grandes corações»^; pera voarê lhes deu o feu valor grades azas?çomo fe haõde reduzir a°_ ^ Canço de dous affentos, aquellas grandes azas,a quem a maior temp^I u dos ventos dos trabalhos, nunca fe lhe atreveo a impedir os voos? ^ ' 0 pretendentes do merecimento, ja. que tendei tanto valor pera fervir, pretendais cadeiras^ífentos^u defcanços, que ílíohe naõ ter aza* f voar jpretendei o trabalho,& naõ o defcanço, entendendo que pC*^ des corações o íeu melhor defcanço;confifte em o maior trabalho r*ao mifterio,prctendendo hojedous dilcipulos cadeiras pera dcfcançar,^ 5 t ga o Senhor o que pretendem; nejcins quidpetdtis .Negar o que íe p e c * e >. QÍf he o maior tormento pera quem pretende?quem o duvida; pois ^. eíl . 0 (' fedemvos os difcipulos o feu defcanço, Sc vòs concedeislhe o ITia *? r ^ (Jí í ' - 7 r - í v. v \ jd LUàivtuuomv -- . u j mento? Sim. Pera qne faiba o mundo,que como difcipulos meus» ^ reputar o maior tormento, pello melhor defcanço > & por iífo q uan ^a; Pedem cadeiras pera o defcanço,lhes nego o que me pedem, que h e<7 yor tormento^ p£ J o Vifmhando com a fua morte eftava Chrifto em a fua Cruz , ^ pt o5 rompeo em efta myileriofa palavra fltio , tenho fede, muitos dos a . o fC * Padrts,8c lagrados interpretes entenderam efta fede por lede de v e /•. - * - . Joa, . w -, que le padecem . mentos da paixam de Chrifto, foram tormentos máximos. Vterq^-^o r >• ■ wíHiiwj luicim loriuciitos uiaxiuiuj. r»- * í ^ur\\\ fm nuxHfijis inter dofores puj cjuis viu. Logo fc os tormentos q lie ^ jj 3 vi*
1 iav>u padecidoemfüít paíxa rn^ram tõrm*i}tós máximos* «mo fepcde c°mpa(fe Cer j q depois deftes padeçeífe Chriílo tormentos maiores ? sitio D waWa tormenta. Chriílo na Cruz coufeflpu que tinha [tdtfitio , & foi tal ? p ( ^ ® Ir npi e dade dos Iudeos,que a híia fede «taõ penofa lhe negaraõ hfia pouca ^ó.ai t, eagoajSc he tam grande tormento pera quem pretende negamnlheo q. 6 . pede,quç fendo os tormentos da paixsm de Chriílo toimentos máximos, o negaremlhe a Chriílo o q pedia,ainda fe reputa por tormento maior fiiio tnaiora tormenta &ue h^ n p? ar ° ^ ue k P c ^ c he 0 tormento maicr pera quem pretendei reyor to as cadeiras aos diícipulos nefcitis quuipet.aiis, delhe o maq U eco miento,t i l lan ^ 0 cUfiS íblicitaõ o maicr defcanço. pet a que entendam, sonffí * 150 8 encr °fos diícipulos de Chriílo, o feu melhor deícanço fò deve }j 0 1 tlr em o feu maior tormento. Grande pretendente foi Dimas, tam ta ter *dente 3 q ue confiado do favor dos homens.ío pretendia cõDeos, c o elen §unado dos lugares do reyno do murdc 5 q ue pretendia lugar em tamb^^ ^rifto, domine memento mei dum veneris in Rtgnum tuutn ; a tJWl 0a .Pretençaõ nam pedia nunca faltai hnm bem defpncho, bodie me- 0 j a f r,í tn f *radifo, hoje diz Chrifto feras comigo no parai fo j he certo que q u , ram naquelle dia nam enti ou em o Ceo 5 a n t es nelle padeceo a morte, ^aio e o maior tormentosiogo como (e pôde compadecer, que o dia do Luc * 1 J bilis ; ! tç>r:fneI1Co > f e j a pera Dimas o dia do feu paraifo. S. Ambrofio, Utro ^ixot^-^/^^^^^wro/ífíf/Í.AqueHe ladram havia fido hum hemê homem yil> porem depois de convertido, & deíanrojá era g e ~ ^ *\m ía dç f c °mogener.oío a Cruzde fu* pena havia de reputar pella cadeibr.I.^e derçg^SWiajOkifeuimaipr trabalho havia.de ler pera elle o feu maior peenic. %um eri?^ n ° ^ eu torm entó he que havia de coniiílir o feu paraifo, bedie me • 'Sain dq / • ^õq feu valor os pretédentes,que imaginam, que na preten¬ dam f e ea deira, ou do feu aífento confiíje o feu defeanço; o defeanço t ^ 0 >ftn° 1 i,as wdeirajs x alcan.çafenastiiibulaçôesjram em eílar fen- ^eiroofjThaver padecido-o ouro pera fe v;er eílimadoema joya,pri- P r t t ueir 0 i ^° COn ^ °me as fizesjo firo peta fever levantado em a torre, Cs ^a ll ' m incêndio lhe derrete os mctaesja imagun ptra fe ver colo- Pvi m ° a tai >puimt iro o artifíce a çoita a golpes; nam ha defeanço,fem d , Cílí < r ° ^^vcltanem applaufo, fem queíe funde em o perigo; j ! a Ve ftido J Dam P r<icc da da tribi)laçam;o Sol pera nos apparecer ao meio lev a$- a a . C ^ U Z cs 5p r i m eiro nos appartce na madrugada amortalhado erfi í° ° s tron c rV ' 0,e P** 0 ^ 1 0 que fe guarneça de frutos, lhe defpega o inver- * 0f t o a he ° S A nao, primeiro qte ccm defeanço lance aanccra em o a $ ov.tada dos ventos, txp oftaa prrigos 3 çontraíkda de nau- A iij fragios
o> i a d Ti rl£ 3 ucza ^ ie 0 centro, Sc principio de ceda a malclacíe^ porque conforme^ 0 ' moth. Paulo.he a raiz de todos os males. Radix omnium malorum cupidtiaslOhW c.6. bicam de riqueza,arvore arhalc!içoada,que tam profundas raizes tens Iam çado em os corações dos homés/ que de injuftiças? que de efcandalos? q l ,e de peccados tens produzido por frutos? que de troncos pera arderem, f °Í' toda a eternidade em o inferno, fenam tem cortado defta arvore,& nau í e nafeido defta raiz? em fim defejos de riquefas, pretençani de fitfcios, ce '-' , gueira de entendimentos, inquietaçam da vida, enleyo da conçieuciaj ^ morte da alma. Que coufa he todo efte mundo que vemos, fenam bu f l1 hofpital, aonde jazem miferavelmente enfermos os filhos de Adam?M u l " tos enfermam,mas fárarm fò efta doença da ambiçam,he doença,quen aIíl tem cura,he enfermidade de morte. Adoeceo AdairijDavicfiSamPedro^ Magdalena,Judas,& Ananias? ^ daõ da fua inobe3iencia,David dofeu homicidio,SaõPedro do feu tc^ 01> a Magdalena da fua vaidade, todos adoecèram,mas todos faràram. A<k llT< farou da lua inobediencia,porque chorou por muitos annos a fua ci-lp^ David farou do leu homicídio, porque teve hum grande arrependim# 1 * do feu peccado. Sam Pedro farou do feu temor, porque junramente as fuas cobardias fe viram logo as luas" lagrymas. A Magdalena far° u ^ fua vaidade,porque aquelles cabellos.que enredavam ao mundo, llietC | l debayxodospèsde Chrifto; Sò Judas? sò Ananias e nfermam, Matth. faram? fim. Qualjfoy a fu a enfirmidadeem Judas? foy ambiçanideq^ 1 / a 7* to lhe haviam de dar, quid vultis triihidarcÇ^c em Ananias a cobiça L lhe haviam dado :FraudaPit depretio agri, 5c he tanto mais maligna a A&üu midadede ainbiçam,què a de todos os mais peccadcsj que fiarando t 3i y da infermidade dos mais peccados, nam houve remedio, que baíh» í e Pj e fiarar hua enfirmidade de ambiçamj emfim, doença fiem cuiajCnfim 11 de morte, UqueoJefufpendit, audiens An.tnus expiravtt. /g0 í E q”e'endo tam perigofa a enfirmidade da cubiça? tantos os 1 dos ambiciofos?andem tam cheyasas Cortes de’ pretendentes, ções? pretendentes que fiolicitaõ lugares no Reyno,fò por fe verem res de riquezas no mundo? teríto dmtus qttia ui Rcgno tuOj E que n^ 1 ^ pera nos alumear em noífa cegueira,& nos defenganar emnoíla p\ clCíl \\^ ver tantas riquezas metidas debaixo dos pès por tantos catholic oS ‘ rtieadosCDm a luz do Ceo, Sc ainda por tantos gentios fem mais hi 2 ' ^ a razam, quando o exemplo de ver metidas debaixo cfos pes as riq lie2 ‘ heomeyoinaiseíficaz pera defenganar ambições? _ meyo mais eificaz pera defenganar ambições? . ^ Daquella grande hora em que Chrifto fez gloriofa oftentaçao ^ )r,5c da lua humildade: diz S un Joaõ, que pioltrado o Senhor p?* m iniOTilrt: nklBnni,.» __ . ' . I r> 1 i ’ ... il nÇ . »*** . Ioa.ij. ra^niaaiorQfosoblèquios^omeçàra de lavar oj pès aos Diícipuios;,^^
One ChriílolavaíTc t^s pcs a judas ,-.&'qtie ctm èfteUvatorio o cjuiieiíe purificar, & reduzi^; he atfcnt^dp.çntíe os Santo? PadieSj^fagrádos Interpretes* duvido aíEm.Se Chriílo intentava r.édi.- zir a Judas,que myfterio tem ufar mais do lavatorio, que de qualquer cutr °meyo. Se com huma.parabola cenverteo a Da vid? Se.com poucas vo- 2 'Sd e f em baiiaçou aos difei pulos das redes? Se ccm htim per de.olhos le¬ vantou a columna da Igreja, q ue fe havia arruinado por terra? parece que bailava pçra reduzir a Judas,porfehc o Senhor os olhos* çhàmallq com íuas cò hii bradojlpgo como intêta reduzillo co hü lavato- Maítljj ^^^^are.Qual eraopeccado de Judas? era de ambiçam. Ouid vultis f egoeum vobis tradam* E que tinha Chriílo naqmlia hora.em naaos? todas as riquezas, q u e lhe havia dado feu Eternp.Pay : omnut p . * e t P*ler w mmi3ois diz Chrifto-eu quero reduzir a hum ambiciofo? ^B.^nde remedic*lave eu cs pès a Judas ccm minhas mães* porque fe ' ^uunhasmãos tilam todas as riquezas* ver Judas todas as riquezas t>er eUS pé Merà o meyo mais forte pera o reduzir, o remedio mais efticaz L r° p° nv erter:porque ver poílas aos pès as riquezas^e o exemplo mais ^ p Ua ‘ lv o pera defenganar das ambições. 2 ° reií i,oh d iígraça do mundo.que aílim:nos cega a pretençaro da rique- Gl ^ e /azem c s delia todo o noflb emprego,quando de tantos defprelos de tant ^ 0es Aviamos de tirar o ncíTodefengano? Quantos as pretendem co m ° s . t emplos de fe defenganarem? Nam me podereis negar, q foy Sakr ^ j 0 tornem mais labio,que teve o mundo* aquelle mayor íimfhgalitiç 8 L%edosda natureza, aquelle mayor cftadifla nas matérias da ppr o Uv ^‘ ^ C l uc conceito faria Salamam de hum pretendente ambicioloJ Tn° C oni a fua coftumada eloquencia 5 & grande fabedona. yidfn * dtfficilia funt ) & quattumptnitus ignorojviaw colubú fuper urram , p r 0 v . k medio maris,riam aquilU incalnm i & viamvhi m adoltfcetitia )0 . S u art^ e S Cou fns dizia Salamam, lhe eram muito difficuhofas, porem a iinljo Emente a nam compreendia,& ignorava. A primeira,o ■ J ca.r ^fi aferpente arraílrandofe pela terra. A fcgunda,o caminho ÈV v 2 vl IIl °i navegando pelo mar. A terceira , o cr.minhó que taz a A- c % lli ? an do p era 0 Ceo. £ a quarta, que confeli.nque.nam a l c a nça, he o rpie faz hum varam na fua adoleltençia* pois que mais íegredos j *J u , u homem na fua adolefcencia, que o camirho da ícf pente,da n ao ^Ú^pcra que comprehendendo Salamam,o caminhoua Aguia, • tp ferpente,nam comprehenda o caminho de hum homemfAõ- Síf? l ° diz: Vum in adohfcenuÀ (ua, diz Haymcn : fiam riu mdi • Havm 0 caminho de hum hemem ajuntando riquezas, & he íegredo kp« c ? ^iComprehender o caminho que leva ucíle mundo, hum luftnem ü iij ambiçio-
Valer. Max. lib-7 E 2 eq. * 7 * Ç14)' . amjictcrôv q te Satam tm, aquelle grande comprehenfor das Coufas CW* ' das, n im foiibeformar comprèhenfaõ em matéria de riquezas; aqit e grande entendimento, que facilitava montes de difficuldades } perdeo 0 c no com pretendentes de ambições, & ultimamente aquelle, a quem n^ efcapáram os maisoccultos fegredoSjConfeflfa que ignorou o caminho hum homarnbiçiofo>,c5 0 íegredo mais oc culto. Et guartumpMittíf ■■ noro . • ' *j e • Que diícurfo pois nos pode convencer, que entendunento nos p° ( perfuadir a que nos entreguemos ás riquezas, 6c nos deixemos arr^^ d is ambições? falvo le fora noíTa muita ignorância % & necedad : nt[f ' quidpetatis.Sò homens neícios } diífe Valerio Máximo,põem a fua çoWÇ na inconíVmciadu fortuna: ex ignor nntu fiu confidentes tn infirmitdttff ' tu> Sc a inda que nam foram inconftantes os benefícios, que os hom cí . cebem das mâos da fortuna; unicamente a riqueza pudera defereverfe F geroglyfíco da inconftancia. Defcreveo Ezequiel a Cidade de Tyro, debayxo da uietaph 0 ^^ humanaoj poslhe todo o náutico aparelho, & fe lerdes o capitulo ^ Ezequid, nam achareis, quefedè huma ancora a efta nao?.p°f s 0 ; ha nao fem ancora? nam hade nunca tomar portoeffca nao? Olhai/* ra he fimbolo da fianeza, geroglyfíco da conftançujefta nao repref e,lt ‘ ^ a Cidade de Tyro,que naquelle tempo era a mais riça, & opi ulenta mas.‘ mundo; pois pera quefaibain os homens, que naõ ha conftanci * 1 " " q uezas da terra; na firmeza, nas opulências do mundo, nao, q l,e nifica a Cidade mais rica , he nao fem firmeza, Sc por iííb,he nii< Matth 16. Aug. de ver Pretendentes de riquezas, ultimo defengano ; nam vos ,,1£ v huiisbens tam perigofos, tam vários, cam inconftan.tès,com as ll< ? 1 je , ‘ domando. Que imoorca ter muita riqueza, fepar eííerefpei t 0 mardes a voíTa alma?7 u idproiefi homini fi umvcifnm mundum lucretd r > ^ ^ vero fiiAdctriwentumpAti.itur} Qiie impor, ta, d i z S. Auguftinho, ter ^// •chea, le a confciencia eftiver vafía? quidprodcsl urc* pleru bouis. fi con r ciential Q i e importa ajuntar thefouros/eos que os ajuntais ‘ " - ■ " s * dlZ v - bis Do ubi furte qútljefvmuvnl Olhay , que nam he mais rico mini rio Maxuno,o que tem mais , f e nam o que fe contenta COtfl tf? fiír. 11 . ylti » 1 ljí ( nos , Ucuples eíl t qui uou miltx poffitet fed moditè defiderat* ( Valer m ~ n c e pretsnçaes das riquezas do mundo, muJemolas em P ie ^ çc' - - 3 L f izer thefa.iros no Ceo. Tbifturi^ateyobis th;(<mros in Ctio- Max lib 5. gneira.' cam pouco cuidado em enthriburar no Ceo , Math. pera fazer, & d:i xir chefour ctantodçfcuidade Deos? fdol 8z tanta P r et ^ J « >uros no mundo! tan.ta.ambiçam de ^ cC >b ° 5 dolatraera Labam, 3 c furtandolhü ‘ feU s t
0 ò íeusltíolós, & os Teus theícüfo^ram fe queixava da falta dos th efourcs, Gen. j i l^tr °r eilt ^ a a P er< ^ a dcs ídolos, 'curfuratus es Deos tneosl, era Labam, ido» câ m * a ? ent * ° > concorrer do thefoüros çom ídolos, fazia fò eftimgf qua d ° S ic *°* cs > & nenhum caio dos thcfouros; & ncs os ChriíUcs, com^ c °ncorrendo as nofias conveniências, asnoftas ambições, __ T.° no ^lb Deos, deixamos oncflb Deos pcrr.an deixarmos a noíTa anibiçam. íiquezas ^ C k n 8 ano jpretendaura do mundo, olhai que quando folicitais dasriou 5 5 ^ n ?raiso que ptdis, mfittis quid pctaiis. bejamos pretendentes Sencc. do, per^ 6238 ^ 0 ^^^» & nam dos bens dorour-dc, que c o u la.he.efte.ir.un- e P , t 8 , in q UQ ^ ern pfegarnros belle r.cffa«rpreacnçc á tytít &t<hk f l^iffeò SeiJcça, hum no Vt ^ S> xn 9 U9 bellatis, in que regnxdijpomtis; He tqdoefte mundo ReyntK? ne ^ e P°nto fe lançam exércitos; nefte ponto 'fe eftabelecem gtande n ^ t0 ^° 0 m u n d o he hum ponto; as riquezas , que lam huma reis, que fi fte mur d o, que feram? dividi o pente em partes, & achatantan re Caria ^ a ‘ Pois fehc rada teda a riqueza; pornada tanta ancia? de que- - t eil $ arn * Defenganemfe pois todos os pretendentes do'mundo; Reviu iS^òraíh a feu reqi erimente requerimento , quando íbli.ciram riquezas no ^Jirifto: / Tertio divitiaS', quia in Regtio y inogloria, & divitU in *eni todas ° re P re ^ erta( ^ 0 os tres generos de pretençôes, a que fe redur Ul, qu e S aS ^° S P r e t ei: ^ 1 ‘ n t es mundo. Reíumidas em hum memo- ^^de^ 02 boje a mãy des 2«.btdeos nas mães de Chrifto. Pretenditeita as cac it ir as pera o defeanço ; pretençun dos lugares da mam P er a a * r j " el S uei ’da pera a honra; pretençrm no Reyno de Chrifto \utic 2a ' Mulier bdtc petivit triaprof lijs fuis, primo quinem corpora- Unus ** de'***' Du 3 ut f edeailt ^ d* 10 fify mtu Secundò. honorem, quix 3tl °, &lori& t fTítm 3 unus f ,nt fi rAÍtt ' Tnttà diritias, quia in 1 iegno r ° s m ç * &.dipittê in Rtgno ejus ; o que agora refta.heficaremt Conh^*! 3 aS P a ^ aVras 5 que ícbrrm do uma, nefdtis quid pe - Q ^t es . ec ' d a a falíidade deílas pretençôes, defengano de preten-» cn p , , e r n ° nos tom o defeanço , cem a honra , cem a ritti v ‘ d,i tLc jJ n ^° Sue reftas tres pretençôes, em que gaftames a p Q a ' Que’c 0 f l” eircori bidos os tres mryores inimijgos da ncffa al- Su S °lici t a " , a le P retcll fttr defeanço , len . m d;r armas ao crp p 0 C H fe nam 3 ° 1 JJ r ?>* enam entregar ao mundo ?: en.baraçar com a rid e licitam Cd ” * r n ° ^ a ^ ° demon i ° nnindo ? diabo, Sc cor- . c,1 Çam a C ° ntra ^ ^ eme ’^ a n t es préterdentes do mundo. Paliemos 1 pittençam^de Corte^ a Ccrte. Da prçtenç.iõ dc homens, a pic-
a pretender com Deos; da corte do mundo, a CòrÉe do Geo *, porq . teremosòs iViiis ditofosdtfcanços^if, utfedeant, os mais hpnrol^i K re3j unur kd dexteram, & MUs idfintjhdm, os mais glor ioios bens , > a tuo,gloriít>& dtvitk in domo ejus. Sò em o Cep acharemos todos guro o noíTo defcartço-jimmortal a noíTa honra, eterna a nol* ia riqueza; mediante a graça ,penhor certo da eterna gloria, Ad quamnos perducat Sanetiffima Trimtãs- E0,VI%GIN1Ç!UE MAT&