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Serm¯ao na sesta feyra de Lazaro em a Santa Casa da Misericordia de Coimbra

Luis da Ascenç¯ao; Casa da Misericordia (Coimbra)

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SERMÃO na sestafeyra lazaro EM A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA de Coimbra: 0 p jur-u DOM LVIS DA ASCENSAM , C<WM g0 Regular de Santa Cruz de Coimbra , Pregador de fua Alteza . N a Qf > . EM COIMBRA, hc m a d e IO SE PH FERREYRA: Anuo de 1672, £ I f \ &vfi m:í r / A \ JL t l/lv rr í / /I O A V' \J 7 i Jx ò. • ':; ' •/ ) .... Ai- <1 V H\ r - "I Cl 0 0 V * 1 < ■ 1 V ». •> -A[\ .. V... cl ' A - - ví ... v- . ■ : ' V ^ Ai -^WAtL ' ' \ v • . ■ l W V * J f A /I «1 Ifi ’ u ,) \i i •a^yiui;. n r-' ?oi «ui 3 .im*WBfP«^;fe*!i»*«r E° ce quem amas mfrmatur. Ioann. il. Azaro amigo.,8e enfermo! Imaginaua eu, q os amigos de Deos eílauão liur.es dos trabalhos do mundo-,& que íuccedia na cafa do Princepe d.a gloria,o que fuccede ordinariaméce na cafa dosReys ^ da terra.Na cafa dosPrincepes da terra de f ° COciIJltia 3 r-ezáo da culpa,os caíligados fad os fler j r *! í0s P n u ^ c gi a d o s faõ os de dentro: por mais gena ^ a ^ e que haja no decreto,fempre ha defgualdados, ae í e cu Ç a õ : fendo o decreto do caftigo pera to- £ a ^jgai e ocftranho.perdoafeao domcftico. geral era o decreto, era que Pharaò ta Sj c aua > que morreflèm todos os filhos dos Ifraclido\ c L ln tu do labemos, que não morreo Moy fés, fenc D e O no rio,& conhecido por filho dos Hebreos: m 0rr T lti ^ s Ht.br torum eft hic, pois porque não Ex0 ^- 9* fé$;d 0 Mo y í 'és, le clle he Hebreo?que mais tem Moy- C *P* z ' Dão m ^ Ue re n i os outros?feos outros morrem,porque A ' ^don rretarn h cmMoyfés?porqueMoyfésfay.aclop- . 0r ^ ^ h ° d aPrinceíàd aqucllcRcyno:i^w i lla Exo • 2 - •Pcr ^\ lllt ln loctmfilij: & baítou entrar clle no Paço, ^ c ar ^ u r e d ° decreto.O ter vida»ou ter mor- ^ p£ ,nao eftcue mais que cm ler Moy fés, ou da * uaraòjcu da cafa de Ifracl; Moyfés da cafa de 0 v iue,comofcforapriuilcgiopcraa vidão lu- Aij gar» gar em q fe mora* Moy fés, que morria por eílranlM viuèo por domeílico. São os decretos,como as ondaS) dcnrro no mar fe formaó, 6c dentro no mar Te q ue ' braójnas prayasdefora dcfcarrega todo o pezo das ondasjnodiluuio vmueríal morrèrão todos aquelle 5 viuenres,que habitauão os dous elementos do ar,&da terraj ficàraó com vida ps peyxes, q habitauão o p r °* fundo, & dilatado elemento dasagoasjSc iílo porqU e * Porque as agoas gouernauão o mundo naquelle tefl 1 ' po,6c pera os peyxes naó he fentença de morte o ó c ' ereto do diluuio> ouueraófe as agoas como poíitic^' perdoarão aos de dentro, caíligarão aos de fora* p eríl os feus o diluuio fpy mar-, pera os eílranhos o mar W diluuioj morraó os homens, que habitaó as Cidadã morrão os brutos, que pizão os montes* morrão a s ? ues, que cortao os ares* mas viuao os peyxes,que dem as agoas, que iílo he o que fuccede no gou^r 11 do mar,iílo he o q fuccede no Paço dos Reys da rc f r ^ mas naó he iílo o que fuccede na cafa do Rey da &°' ria. Na cafa de Dèos ha decreto de morte, 6c ha d ecr ^ to de trabalhos no decreto da morte não fe difp cíl c , com ninguém, porque he decreto comnnim*no todos trabalhos difpenfafe com alguns,porque he ereto particular: mas naquclla igualdade da morte? grande deíigualdade, porque hauendofc de exeC ^r^ em todos, os da cafa de Deos faó os primeyros. ™ quella deíigualdade dos trabalhos ha grande d’ff^ fC L ça> porque hauendo de padecer alguns, os da cala ^ Deos padecem mais; 6c íenaó pergunto. Q^ial ^ primeyro homem morto, que ouuc na terra? & fl, 11 foy o homem mais affligido, q ouuc no mundo? ° ^ mern mais affligido, que ouue no mundo, foy I o 1 5 '. 0 primeyro morto, que ouue na terra, foy Abel* P 0 > {Q f ri‘ r ae Y r o morto ha defer oinnocente Abel? o mais fd n° ler 0 Í u ^ ° Iob?Sy,que iífo he fer da cat ^ eos ' Qü an d o Deos poem decreto,que morraó f ° n ° s >° Pnmeyro que morre, he o feu mimofo Abel; eos poem decrcco,que padeção alguns,o que mais padece,he o feu amigo Iob.Na ley do mundo primey- *° auia de morrer Caim, & defpois Abel,porque era o mais r - - * - - • • l^eo^fi 010 ^ 0 ^ei, & era ma,s velho Caim: na ley de de D L0U ^ a in hSc morreo Abel, porque no gouerno o ma C OS prec ede primeyro ao caítigoda morte, naõ mas SVe ^ l0 5 mas o mais amigo, naó a mayor idade, te d 3 ma y ° r virtude; pera o naícimento ordinariamémort^r ^ ° ^ u e Ila de íer mao como ^aim 5 P era a cafa d . P r e precede o que foy bom como Abel ; na e fpi P l o 1 os que precedem pera o nafcimento, faó os y è n °Si os que precedem pera a morte, faõ as flores-, V £ 1 a m °rte leuaos judos, ôc deyxa os peccadores, ft r u J Vc n ro leua as flores,& deyxa os efpinhos; o inde o Cnt ° morte h e h^ 3 fouce, dà o feu golpe aon-^ leua ^ p n ^ ° t cm ° s íeus frutos* de modo que a fouce cado OS ^ r Urosc ^ a v ‘ r tu ^ e , ^ cc ^ e y x a o s t r oncos d° P ec ~ e ^Pinl° Vento ^ e ua as ^l° r cs da fancidad^, & deyxa os foi; ^ ?°s da culpa* mas o flores, iffo he fer da cafa do do h ■ iíTo he fer da cafa de Deos.Na ley do müq Ue j U l a de fer caftigado Iudas,& fauorecidoIob,porg° Uer era fiel, & Iudas traydor* porem na cafa,8t no dor,&° ^ e os tratafe com manfidaõ a Iudas tray- De 0s n C ° 1Tl r *8 0fcsa I°b fiel > porque no gouerno de U^çde l 0 ' ^ * medem os trabalhos pclla mayor culpa, Deo,r? c »« a mayor mnoccncia. Como fe diflêra m 0rr de morrer os homens? pois o primeyro, q p 0 j s a> eja ° meu mimofo A bei* haó de padecer algüs, ^Uer ^ U C ma,S P a< ^ e ? a fc .i a ° meu amigo Iob * ha de n ° Ca m po algüa flor, que tenha efpinhos, pois A iij orde- Ordene a natureza,que feja a Rofa.O fermofura cerca' da de efpinhos! O iantidade carregada de trabalho^ Manda Deos , que fejamos amigos dos noííòs contra* rios,Sc Deos parece, que he contrario dos íeus am 1 ' gos> quantos, & quantos annos peregrinou Abrabáo. Quaó leuantada teue a efpada da juftiça fobre leu p e ‘" coço Ifaac! Quantos trabalhos paílou, & quantos a n " nos feruio Iacob! Que inuejas,que fofreo, quantas & deas arraílou Iofeph] De quantos perigos eícapo 11 * quantas perfeguiçoens fofreo Dauid?ComparoiiPeo 5 o efquadraõ de íeus amigos a hum exercito formado-' Ierribilis,vt caftronim acies ordinata : Mas eífe e%^ cito entrará no Cèo vi&oriofo^porèm cà na terra ícfF pee campea dcftroçado> pera alli tem huns banhado? em fanguej aqui eftáo outros cercados de affliçoenS}^ vèm huns carregados de cadeasjeá eftão outros cube r ' tos de açoutes, & todos finalmente eílão carregado 5 de trabalhosjinas iílo he fer do exercito, iflb he íct& cafa de Deos. Na cafa dos Reys da terra ha innocentes de cstítíB 09 Sc faõ os peccadores. Na cafa do Rey do Cèo ha pj c ' cadores do.caftigo,& faó os innocentes: No Paço Reys da terra naõ fe caíligão os peccadores, & P a g por innocencia a culpa, na cafa de Deos caftigãofe ^ juftos, & pafíã por culpa a innocencia, que taó C& como ifto he o amor diuino;àquelle que ama.jheP<J l . mais afflige: Chegou Iacob a braços com Dcos,& d e ^ pois de hüa amorofa luta, fahio Iacob ferido, .& Gcnef.cap. co: Tetigit neruumfemoris ejus. Não fey eu, qt* e P 22 . Ut. f. deíle Iacob fahir mais mal tratado das maós de j 111 homem contrario, do que fahio dos braços de hu Deos amigoJPois,Senhor,efle he ovoflo amorPlft^ zem os voflbsbraços?Iíto fazem cllesao feu Iacob^ j? porque o amor, que Deos tem 4 ao homem > exp^j^. U4- tombem pelJos trabalhos , q o homem recebe de Deos: ca k de Deos quem Ieuu os abraços, he o que leua °sgolpç s ; f er jda,& hum achaque leuou íacob dos j ra Ç o s de Deosjpera moílrar que foy fauo retido, ficou ^cob achacado, Claudicabat pede ■ , Pois fe achacou o I ° ann ' I r * 0rcc * a c °b, i'c padeceo o juíto Iob, fe morreo o innoccnte Abel, ceíTè logo a admiração, de que enfermaf- Lazaro: Eccequem amasse. c j 0 * s f c c cílà a admiraçáojde que eíle enfermafle, fen- ^n^^inafcea adm^açáo, de que elle enfermafle, m 0ft ° b ' e . A nobreza, como mais prouida de ali- a t0s » hea.que viue mais izenta de enfermidades. _ Pobreza, como mais cercada de necefsidade, he a e V| u e mais fogeyta às miferias.Se os pobres tiueraõ fe Q lCl j £ e ° pobres,era eíla húa defgraça, q bem te f°- f°frer>mas íobre ferem pobres,ordmariamenp e e n fermoSjtcm a enfermidade hum bem (eu dif- 5111111 ma 0 q ue he, fer muyto amiga de pobres: ft r Jj?pobre manifeííou a necefsidade, que não mo- U 0 r , C j u n tamente a chaga*, íàó os pobres, como asar¬ as r S ecaSj nao hilráo os fruytos, mas rambem cacj 0 ? 10S bichos* Em fim o rico auarento cftaua cerchap aguarias, & o pobre Lazaro eftaua cuberto dc ro ^ a . s > admiração caufa logo,que fendo o noflo Laza- o vejamos hoje enfermo. Hora o certo he,q ha L . c ° s ha occafioens,em que iguala a todos, nem *Bilde* ar ° n ° h r ^jnem Lazaro humildejO Lazaro hu- È CCe Ccn * chagasj o Lazaro nobre tem enfermidades: a was infirmai u r. hann. 11 . ,’° Q robufto Gigante à batalha com o vaíeroíb fentç ^ húa pedra de Duuiddeu na cabeça do Gi- ^ ^oíf ° m c l uc ca h io por terra toda aquclla maquina / /; q 1 ‘ ^Ppareccoa Nabuco húaeftarua de vários >üc fiüiuuio Ima pedra do monte deu nos pès da cflatua. eftatua,com que logo fe arruinou. Pregunto agora: A Proph.Da - pedra de Dauid dà na cabeça do Gigante? A pedra ào nielc.i.Iit . monte dà nos pès da eílatua? porque rezão? Porque pera todos ha ped ras de caftigo na cafa de Deosjha p e ' dra, que dà o golpe nos pès, ha pedra que dà o golp c na cabeça. Pella cabeça fe entendem aquelles, aqu e ITl leuantou a fua fortuna* pcllos pès fe entédem aqucl^ 5 ’ aquem abateo a fua deígraça* & ou fejaes humilde» ° u fejaes illuftre,ou eftejaes leuãtado,ou eftejaes abatida pera todos ha pedra na cafa deDeos: ha pedra,q dà fl° abatido dos pès* ha pedra, que dá no leuantado daC*' beça, t anto poem por terra a pedra do caftigo,que d c f' ce aos pès da eftatua, como a pedra,que fobe á caW* do Gigante. Iguala Deos os montes cornos valles, ^ agoas aífogaó os valles, mas também molhaó os tes. Ouue efpinhos pera os pès de Adam, & tamb^ ouue efpinhos pera a ca beça de Chrifto* Aquelles uiraò de caftigo* eftes feruíraõ de exemplo •, n3q u e , caftigo efearmétem os humildes, pois ha efpinhos P c ' ra os pès* nefte exemplo íe defenganem os foberafl 0 * pois ha efpinhos pera as cabeças* Logo fe vemos em cinza a eftatua de hum Monarca, fe vemos ar r l1 . nado em terra o corpo de hum Gigante, ceife a ad^ ração de vermos enfermo em hüa cama o corpo de nobre: Ecce quem amas , infirmatur. . $ Porém fe ceftà a admiraçaódever enfermo n nobre,nafee admiraçaó de ver enfermar hum A mocidade, como mais fortalecida dos efpirir° s? > a que mais reíifteàs enfermidades* Sc como he falta de humores, he a mais liure dos achaques. ^ peftades naó daó nas fontes,daó nos rios* quanto & , agoa,mayortormenta* quanto mais humor, c . achaque. Não fc murcha a flor na manhãa,porq lI y^ r íifte ao foi aquella mocidade mimofa: murchafc a f ^ na tardc 3 p orque ecde ao tempo aquella bizarria caducv ’ & qu e na ó padecendo tormenta os rios nas fontes, ? ue na ° expirando as flores na manhãa, enfermaílè a ^aro na mocidade, grande admiraçaõ! Mas o certo lc >que nem todas as enfermidades vèm com os annoSj la mu ytas enfermidades,que vèm com as culpas.Dous contrários temos de noílà faude* hum he o tempo, ou¬ ço he Deosj o tempo he contrario de noíTa faúde por ^natureza, ou corrompendo os ares, pu malignann os ^mentos, ou multiplicando os annos: jà dando- S aclía q u e s, jà enfermidades , já mortes. Deos he ^. ntr ario de noíTa faúde por noíiás culpas; nòs remeos combates do tempo com varias medicinas, ten UnCa a P Í acam ° s os golpes deDeos com algíía penip ? a - Aos combates do tempo cede a velhice, mas e re f iftir a mocidadejaos golpes de Deos tanto ce- a m o c i d a de, como cede a velhice. üco s Pparecco aqudla aruore foberana a Nabuco, Sc S uc a fhandou cortar no tronco, .& cortar nos ramos: r a eí *ite arborem- > ò J p racidite ramos ejus : E bem,pe- O ^ haó de cortar os ramos, fe fe corta a aruore? c ^‘ • Uor e C ^ e os pretendia era, que fe corta í Fj rquella ar¬ ai^ 5 ^ era moílrar a Nabuco,que fe haiiia de arruynar q U e ^ na 5 c .hia,baftaua que fe cortaíTe a aruore^ pois por aq u ,^° fe haó dc cortar também os ramos? Porque qu Ul ? ari i o r e era figura do Império d’efte, mundo* & to Co ü «os deícmbajnha a efpada de lua juftiça,tan- ^o C I d a ? ella velhice dos troncos, como corta pella hauj a dos.ramos. N a quella aruore hauia tronco, d°sor r c4m ° S ’ h au,a ^ 0 ^ as >^ hauia fruytos, & pera to- Splpe: Ouue golpe pera o Jnucrnp do tronfi ^r^ i0UUC 8°lP c P cra a Primauera das folhas, a-, ouuc golpe pera o Ellio dos ramos: 1 :íe r 4W(?jjouue golpe pera o Outono dos fruy- B tos: de, facilmente fizèraõ recorrer o enfermo a D eoàiB& ce quem amas mfirmatur. A fegunda he,que ha de rer odio, Sc baójha de t er odio: ha de ter odio à enfermidade, & não ha de tet odio ao enfermo* não ha de moleftar ao enferniO) ^ jáCorint . de deftruir a enfermidade. Diz São Paulo, que fefld 0 C ap. 5- Chriílo innocente,o Padre o fizera peccado \ Enfflf cC ' lit, D. catumfecit) parece que não eílá boa efta gramati^' porque fendo Chriílo innocente, hauia de dizer Paulo, que Deos o fizera peccador* mas dizer, op c 0 fez peccado \ Eumpeccatumfecitl Duuida he eíla?^ iSãoIoaó Crifoftomo julgou por grande. Ora dob^ mos a folha neíla duuida, Sc vamos a cafa de Pil3 c ° s ‘ Propozeíle Preíldente aos Iudcosa Chriílo, Sc p r í guntoulhe, qual querião, que foltaífe* pedirão cll^ J íòltaííeo ladrão, Sc crucificafie a Chriílo: Cructyí' crnci fig e enm • Não me qucy xo dos Iudeos, que o P dem,queyxome de Deos que o permite. Scnlioi> P c ç mitis que concorra voílò filho com hum ladrão,& fique liure o ladrao,&: morra vôíTo filho? fv* agora c tendo eu o texto de São PaulojChriílo não era p cC Q dor, reprefentauao peccado: Enmpeccattitn f eC \ ladrão naõ era peccado, era peccador* áfèim, p ° lS r ordem do decreto de Deos naó ie crucifica o P cc cC , dor,crucifieafe o pcccado*Chriílo reprefentatia 0 cado,o ladrao reprcfcntaua o pcccador* pois pera de ficar liure o ladrao, hafe de crucificar a ChrinW^ raviuero pcccador, não fcha de crucificar o dor, hafe dc crucificar o peccado: Crucijige eu^‘ aqui o queDêos pcrmitio naquella figura, pera cn 1 ^ aos Pregadores a fua obrigação. O Pregador cotfl 0 \ C ' cnfcrmcyro ha de deílruir a doença, não ha de ^ 0 ítar o doente-, ha dc matar o peccado, fem c0 ^Pe' peccador. Em hum lençol reprelcntou Deos a ^ , ... *7 ur° muytos’animais, & mandoulhe, que os matafie: Ucctd enao f ez men ç a ô ^o ] e n ç ol; pois porque naó ^ a, ida raigar o lençol,íè manda matar os animaisppor- T le o lençol reprelèntaua opeccador, & os animais eprefentauão os peccadosj& Deos manda 3 que fe maos peccados,mas não manda, que fe corte o pec- a or i ) ‘ c m fe offender o lençol,fe haó de matar os ani- QQCu C ^ e ' l ™ a P ar abula defta maneyra explij ^hrift 0 efta obrigação:Comparou Chnfto o prè- ° r 30 femeador: Ex ijt qni feminat (eminare> &c. ^ u ca ca f a ac j a ° C ot nparou ao laurador: pois fe compara o prèao L 0rao homem,que femea, porque o não compara qi que laura? porque entre o que laura , Sc o ÇÇ) 1Cm ea, ha efta differença-, o que laura fere a terra co, 1 ° ^ erro do 3 r ado, o que femea aproueyta a terra had° S '^ ra ® s d e tr ' g °> ^ ° ptègador naó ha de laurar, da D V Cniear ’ ha ^ eniear inçando na terra o trigo c orfi llra de Deos,naó ha de laurar, ferindo a terra f° ^ erro da murmuração. Na lauoura temporal l ailo le Pode femear, fem laurar com o arado: Mas na f Crn U r a Ê uangelica bem fe pòde femear a doutrina, mj^lcftar com o ferro: Bem fe pòde curar a enferdna* ^ ern le moleftar o enfermo* afsim o fizera© as pec^j 1 ^ ermc y r a s do nofiò Euangelho: tratàraó bem o pendor, d a ridolhe o nome de amado* tratarão mal o a ° dandolhe o nome de enfcrmidade:£c^ quem U\^ rniatur ' fer C y .^ t o m e d i l a t ey nos peccados de enfermidade: da f e , ClJ c nos peccados da morte, & nos peccados 3q llç || t l , r a. Peando da morte, peccadormortal, he medi ^ U c c ^ ando com pcccado, lhe não bufea o.re- ^0r r c * anto c l ue ^ c não bufea o Medico,hc final que t>e 0s ^ ° doente do corpo-, Tanto que íc não bufea a * c final que morreo o enfermo d’alma: Em o C nofiò noflb Euangelho temos a proua: Enfermou Lazaro? ^ auifáraó as irmaãs aChrifto de fua enfermidade. Moí' reo Lazaro,& não auifáraó as irmaãs de íiia morte. Poisfe a uifáraó que Lazaro enfermou, porque nao auifaõ, que Lazaro morrco? porque efta diftcrença ^ entre o peccador da morte,& o peccador da enferm 1 dade*bufca a Deos o peccador de enfermidade,& bufca a Deos o peccador dc morte, por íílo íe não aPj' fou a Chrifto de Lazaro morto, por ifio fe auiíòn Lazaro enfermo: Ecçe quem amas, infirmai ur. N c l ^ caíra de peccados cahem ordinariamente os pode r jj íòs* faó os íeus peccados peccados de morre,não p e * matéria do peccado, mas pella difficuldade do re# ^ dio. O doente mortal não pode tomar os medicar^ tos*O .peccador poderofo aborrece os medico^ aborrecer os médicos he final de morte. Diz S. E il1 que ha muy tos peccadorcs, que o feu fim he am o lt ’ 3 • Quorum finis eíí interitus q ue peccadores de tpfi ■ . L ” j? f ' feràó eftes? o mefmo Santo o diz: Quos dicebarn jJ' ^ * inimicos Crucis ChriftrtOs peccadores de morte»" Paulo,faó os inimigos da Cruz de Chnfto*& qu c [C . t o fer inimigo da Cruz, p e r a fer hum homem pecca de morte? Dircyíer hum homem inimigo do j u ) ^ de Deos, he temer o feu caftigo* mas fer hunihoi 11 ^ inimigo da Cruz de Chrifto he, aborrecer o fc" medio. Todo o noílb remédio eftà na Cruz de C fto,pois peccador, que aborrece o remédio* p c cca ^ t ^ que he inimigo da Cruz,hc peccador de morte: <Â- rumfinis eft interitus : O enfermo que aborrece 0 medio, como pode cobrar faudcíDifficultofa hca^, de dc hum poderofo, fe o feu mal tras config 0 a \ c recer o feu remédio. No Baptifta eftuiia o remem ^ Hcrodes* & que fez Herodes,fc não matar o BaP fer inimigo do feu rcmcdio?£m fim cra pccea ^ P°derofo,era peccador de morte, qne aborrece o re- ^uio,& jà não buíca o medico \Lazarns mortuus eftl n ? s í l u e re n iedio terà efte peccado de morte?Eu lhe a ° ac bo, fe naó remedio de refurreyçaó: Pera refufc ttarem os mortos do corpo, diz Saõ Páulo, que fe ha ho C ° C ar tr °mbeta, porque pera homens mortos e ? , necc ® n a voz de trombeta, naó bafta vòz de prènaõ° r : ^ era ' Ghriílorefufcitar hoje a Lazaro morto, SranH^ C ou <l lla ^ l u e r vòz, deu hum brado muyto q Q: & xclamauit vúce magna. ra ^ r ce yro,&: vitimo peccado de fepultura, Sz pep u j e ^ 0r dizer, peccado de Religião, Peccador fe- Col ^ 0 be aquelle, que offende a Deos víucndo redev 0i be aquelle que viuendo fora do mundo, que gÍQ. t? u > viue como íe eftiuera no mundo, de que fumay e be o mayor peccado de todos, quantos ha.O Pecado, que ha, he o peccado original como hu n i A c t °dos? E quem cometeo eíte peccado? quem? m rcco ^bido,& hum Adam fechado no Pa- of Cç *.? u wt Adam,que peccou no lugar, cm que Deos deç| c le °j hum Adam,que viueo mal no lugar, aonpe Cça viuer bem; que naó podia nafeer o mayor b(w, 0 j fe não no lugar de mayor virtude. Os outros Porq u i S Pecadores faó filhos de Adam htia fó vez, r ayp 0 Peccado^ que elle cometeo recolhido no Paíbs Cl 'daõ cllcs recolhidos no venrre; Os Rcligio- ‘ifievn ' tld ° r c s faó filhos de Adam duas vezes; A prid 0: - a e n i os no ^Uanto homens, que herdão,fendo recolhi¬ do no p. C ntrc ’ o peccado, que cometeo Adam fechalr nif a ^ ar ‘jyfo,a fegunda cm quanto Rcligioíòs , que f ^c°ihi 1° p arai(ò da Igreja a feu pay Adam: peccador Ck, ç () °> n ° Rraiíb da terra. ^inh 0 ^ l0, ncm liga o mundo, & fuja dç Deos no ca- 0 ftiundojhe digno dc laílimapnas que fuja de C ij Deos, 20 Deos,& figa o mundo no caminho de Deos, hc dign? de caftigo. Que hum homem fuja a Deos viuendo di* uercido nos paílòs do mundo, he grande miferia-, P a S que hum homem fuja de Deos, viuendo fepulrado enrre quatro paredes da cerra, he grande cegueyra. % gto lonas de Deos,que o mandaua prègar a Niniue? ^ foyfe embarcar e Ioppe, & indo nauegando ordcn° l ‘ Deos hüa tormenta, d’aqual refultou que lonas W Jançadoao mar. Náo reparo no caftigo , reparo l ] 0 tempo duas jornadas fez lonas, fugindo de Deos, ^ por mar,outra por terra, hüa embarcado, outra qu a i r dofeveyo embarcar* pois fe faó dous os caminh 0 ^ porque lonas foge de Deos, hum por terra, outro P° mar, como o caííiga Deos no mar, & o não caftig 3 J l terra? Direy, porque fugir de Deos na terra he cot' tão ordinaria, que jà então o naó caftigaua Deos? nl fugir de Deos no mar, fugir de Deos lonas jà em^ 3 cado, he culpa, que logo Deos jà cntaó caftigaua- Qljp lonas fuja de Deos na cerra, não he muyto,porqU c 1 s fo fazem todos-, mas que lonas embarcado, que í° n < entre quatro taboas, que lonas recolhido no natu°’ lonas Religiofo na nao,defpois de deyxar a terra>c barcado no mar,& recolhido na Religiaó, zwàz ) de Deos; oh q grande culpa digna de tal caftigo! Daniel em Babylonia adore a Deos, como fe eftj 11 ^ em Ierufalem, grande acçaó! Mas que Iudas cm R r . falem venda a Deos, comofe eftiueracm Baby^ 011 grande delito! Porem que remedio terà efte delito? Di remedio por certo. Alem da culpa da Religiá°,-p grande,pella obrigação do cftado, he mayor pcH* ficuldade do remedio. Não ha enfermidade ma** j. curauel,não ha pcccado maisdifficultofode rcI j ie o C ' do que o pcccado da fepulcura, do que a culpa da/j^ J.U .. 21 i’g ! a o. N 0 mefmoEuangelho temos a proua. Pera cuí a r ^hrifto o filho cia viuua ne Naim, bailou hüa paaUra do Senhor: Adolefcensjibidico , furge * porem Lnc cap.j. • ra refufcitar a Lazaro, foraó grandes as circunítanc - C,aS} que precedèrão. Primeyramente o Senhor chof í ' a CY y matus I e f us > defpois afligiofe, turbatus e tJpiritufe logo orou ao Padre, Tater-, gr atlas tibi ^^vltimamente bradou: Clamauit voce magna > V 0 1 s q differença hc eíh? pera refufcitar aquelle moj a * ‘ a hüa fó vòz, Surge ? 6c pera refufcitar a Lazaro ‘^diligencias, chorar,afbgirfe,6c bradar/Sy,porq ^l l ,C: i]c íuoço era peccador morto no mundo, porém fJy Zãr ° era morro na Religião,era amigo deDeos*Lrf- L U s amicus nofter âormiv.zopzWz moço era figura de ^ peccador morto, Lazaro era figura de hum pectro° r ^ e P u ^ a< ^ 0 » & vay tanto de hum peccador a ourçf 5 ? Ue ° peccador do mundo, que ò peccador morto tLp c ? Cao Chrifto logo, Surge-, porém o peccador da t a peccador íepultado,a Lazaro, naó refufciporque cu í ta muyto: cuíla lagrimas, Lacryg iis e fl lefus\ 6c cuíta vozes, Clamauit voce magna: 0 _ Sa qui o q ciifla refufcitar hum Religioíò: Eys aqui (j a P c Ufi ; a refufcitar hum morto fepultado, mas ainpt)h ò l r n ^ ue remédio? q u e remédio?A peccado de fep Ura remedio de feputtura. * **» hum Religiofo na Religião,pois tenha o ref ep j° na Religião* 6c fe não vedc*Eftando Lazaro na ^ p U r a o Senhor lhe difiè que vieífe: Lafareexlfo - ti r ar °‘ s f e Chrifto quer refufcitar a Lazaro, mande tci r a P' c °rpo morto,ou amortalhado, 6 c fóra da fepul- Po r 1C v ^ a » mas darlhe vida na fepultura? Sy, r l le modo fecura o peccado da Rcligiãojdc- Nt° r te ^ tura ° P c cca ^ ° fepultura, na mcfma fe- Ura: Lajarei&c, Ciij Eys Eys aqui fieys, a Lazaro enfermo, a Lazaro Sc a Lazaro fepultado; nem a mocidade o liurou de enfermojnem o iiluftre o izenrou de fer morto; nein amigo de Deos o priuiligiou de fer fepultadoaqui como o remedio daquelle peccado de enrcfj 1 * dade confiftio em bufcar a prefença do medico: p quem amas infirmatur’lEys aqui como o remedio quelle peccado de morte coníiftio no clamor das ^ zes: Clamauit voce magna: Eys aqui como o rem e do peccado da fepultura confiítio na mcfma fepulfj' Lafare exi foras: E fe ifto vos intimey aos oiu 11 ^ ^ mais efficaz pregador ferey, fe volo propuzer lhos; Sc atè niílo leguircmos ohofib Euangelho. rendo o Senhor perfuadiraqucllcpouo, Sc def efl ^ nar aquella gente com a viíta de Lazaro morto? ^ a viíta de Lazaro fepultado*, mandou tirar a p e gj ‘Tollitelapidem o m o fedifieraàqucllc pouotEy^Ají a mocidade enferma, defenganayuos moços-,Ey s f 0 o iiluftre morto, defenganayuos nobres j Eys* 3 ^ 1 1 ^ amado de Deos fepultado,defenganayuosRcl^ l0 j , 111 porque fe enfermão os moços, que fegurança P ot j ^ ter os velhos? fe morrem os nobrcs;que efperao os ^ mi Ides? E fe fe fepultaó os Religioíòs, que f cr j l peccadorcs? Iflrodiflè Chrifto anrrgamenre a too? Eftados moftrando a figura dc Lazaro, quando rou a pedra; Ilto mais juftifioadamcnte quero cu Y . por a vofibs olhos, correndofe aquella cortina? F ver fe fe mouem vofios coraçocns. Eys alli fieys a noílò amigo Lazaro, eys alli o Mãt cido dc Dcos;///V eftfilhis meus dilcthis: Eys alli a Ut. A. ' ^° r ida mocidade: Ego fumflos campi\ Ey^alh o c iiluftre do mundo: Iefufili ‘Dauid-, E y s nlíi ^naln 1 ^ ao noíTb Lazaro enfermo: A planta pedis r c; them>&ç. Deita forte caminhays, meu Dcos, 122 des 7 r ? i hha * culpas, padecendo minhas enfermida- Porn njlrrnHâtes nojlras ipfe p ortauit. M e lhor Adam, Bp. 2 . cap. f]p 0 ^ U e ^ am quando fahio do Parayíb,trouxe con- 8. cjg. deyxou no Parayfo a aruore da feiendos horf V ° S Melhor Adam, leuais com vo f cc) a culpa ^oè fe p CnS5 ^ a aniore da Cruz. Melhor Noè, porq perdèrí 0 Ur ° lla ^ e n c r o na Arca, quando todos fe y°s cond q ^ a 1 * u r '*° d ? s a g oas i más vòs melhor Noè nòs do dll >* à voflà arca da Cruz, p e r a nos liurar a íubjiidn / ai!l ° do fangtie. Melhor Iíáac,porque Ifaac Vnc m°nte leuou a lenha, mas não perdeo a vi- a lenh a S a! C l í ° r *f a a c haiieis de perder a vida,6c leuais ra s if,r 10r í ac °h, porque Iacob leuantou as va- Vai dos , r ÍOS d ’ a S oa ’ ^òs melhor Iacob íeuaritais a lofe^í 1 1'° do no de fangue. Melhor Iofeph, porque 1T| e lh . t ^ vcn d i d o ,mas defpois foy VifoRey, 6c vòs MejjJ \°í c P^/°^ es vendido, & defpois crucificado. fub l 0 ^ r Moyfés,porqi .ie Moyfés,quando pera morrer Moyf^ s ^onte deyxou avara na arca-, Vòs melhor coft as a ^ U a n d o pera morrer fubis ao monte, leuais às l'eus b> a ara - M elhor Sanfaõ,porque Sanfaó leuou em hre v 0 f |'° S , as P o r t a s pera liurar a vida propria^Vòs fo- ^'diar ° S . 1 0 1 11 hros leuais a porta do Parayfo pera re- 0 báculo Vlda ‘dhea. Melhor Dauid, porque Dauid co ha d ? C om eteo o PhilifteojVòs melhorDauid com ^ c zaf 0 °deflruisa Lucifer. E finalmente melhor m 0 r ^ 0 r c lueL 2 z aro padeceo a fua enfermidade, a Pultii r a Cj ^ a fua fepultura-, Vòs padeceis a noílà fe¬ do QUal* a ll0 ^ a morre, 6c a noílà enfermidade, curande iwr 0 Elifco ccm o lenho dcíla Cruz a amareilra n d o n0íraS a ? oaS3ÔC a enfermidade de noífas culpas W 0 . nc d e Caluario as enfermidades dàiquellc Padicin- ri lan do o mal da aruore da culpa com eílà me- $ 5 ? ” vja cu UUJ V, Urf vw»*. Viiu 11J ífCad o aar u o r c da Vida, curando aquella aruore do u | n £ Cni aruore da Graca: A dquciw vos, &c. h LAVS deo, virginiqve matrl ■ * * ■ 1 T : ' ■ 'V !