scieee Open visual document viewer

Um período maneirista na obra de John Ford

Carrega, Jorge

Abstract

Desde un contexto histórico, este artículo pretende realizar un análisis formal de la obra de John Ford, con el fin de identificar los orígenes de una estética anticlássica, que marca la filmografía del director entre finales de las décadas de 1920 y 1940, y proponer la existência de un período manierista en la obra de uno de los grandes nombres del cine clásico de Hollywood.

Full text

683 Um pe íodo manei is a na ob a de John Fo d Jo ge Ca ega FCT/CIAC-Uni e sidade do Alga e jo geca ega@ho mail.com Resumo: Pa indo de uma con ex ualização his ó ica, es e a igo p e ende e e ua uma análise o mal da ob a de John Fo d com o obje i o de iden i ica as o igens de uma es é ica an iclássica, que ma cou a ilmog a ía do ealizado en e inais das décadas de 1920 e 1940, p opondo a exis encia de um pe íodo manei is a na ob a daquele que oi um dos maio es cineas as do cinema clássico de Hollywood. Pala as-cha e: John Fo d, cinema de Hollywood, manei ismo, exp essionismo. Resumen: Desde un con ex o his ó ico, es e a ículo p e ende ealiza un análisis o mal de la ob a de John Fo d, con el in de iden i ica los o ígenes de una es é ica an iclássica, que ma ca la ilmog a ía del di ec o en e inales de las décadas de 1920 y 1940, y p opone la exis ência de un pe íodo manie is a en la ob a de uno de los g andes nomb es del cine clásico de Hollywood. Palab as cla e: John Fo d, cine de Hollywood, manie ismo, exp esionismo. 684 1. In odução John Fo d é unanimemen e conside ado um dos maio es cineas as da his ó ia do cinema e o seu nome é hoje sinónimo do wes e n. Con udo, a ob a de Fo d é mais complexa do que a sua lenda pa ece a i ma . Aquele que mui os conside am o cineas a clássico po excelência, ou o pos -G i i h, G i i h, pa a u iliza a exp essão de E han Mo den (Mo den, 1989: 281), assinou ao longo da sua ca ei a um cu ioso ciclo de ob as que denunciam um manei ismo la en e, esul ado da ensão ine i á el en e o modelo es é ico e o mal impos o pelo sis ema de p odução dos es údios de Hollywood e a pulsão c ia i a do p óp io ealizado . 2. Os P imei os Anos John Fo d chegou a Hollywood em 1915, o ano em que D.W G i i h assinou The Bi h o a Na ion, ob a seminal do cinema clássico no e-ame icano, na qual o ealizado a i mou e pa icipado como igu an e (Pea y, 2001:89). A in luência de G i i h sob e oda uma ge ação de pionei os do cinema no e- ame icano es endeu-se na u almen e a John Fo d, ac o que es e econheceu na celeb e en e is a concedida a Pe e Bogdano ich e na qual o ealizado sublinhou igualmen e a in luência exe cida pelo seu i mão F ank, de quem seguiu as pisadas quando em 1917 ealizou o seu p imei o ilme, The To nado (Bogdano ich, 1978: 40). Du an e os p imei os anos de ca ei a, Fo d ap endeu o “o icio” do cinema, ealizando uma sé ie de wes e ns de baixo o çamen o, p oduzidos pela Uni e sal e p o agonizados po Ha y Ca ey. Em 1921, o ealizado assinou um con a o de exclusi idade com William Fox, num sinal de econhecimen o da sua compe ência écnica. Na Fox, John Fo d e e a opo unidade de ealiza o wes e n épico The I on Ho se (1924), com o qual consolidou a sua posição no seio da indús ia de cinema no e-ame icana. A is a in ui i o, Fo d demons ou desde cedo um alen o na u al pa a a composição. Discípulo do classicismo de G i i h, o cineas a desen ol eu um es ilo na u alis a, in luenciado po Thomas Ince (de quem o seu i mão F ank oi assis en e) e que esul ou em g ande medida do ac o de Fo d e ilmado boa pa e dos seus ilmes longe dos es údios de Hollywood (Casas, 2002: 29). Em meados da década de 1920, o ealizado encon a a-se pe ei amen e inse ido no sis ema de p odução dos es údios desen ol endo o seu abalho den o de uma lógica de p odução e um es ilo cinema og á ico que se impuse a como pa adigma da indús ia de cinema de Hollywood. 3. A In luência de F.W. Mu nau Apesa da posição dominan e que ocupa a no me cado mundial, a indús ia de cinema no e-ame icana não e a uma ilha isolada do mundo cinema og á ico e em 1926 o p odu o William Fox decidiu con a a o g ande cineas a alemão F.W. Mu nau, com o obje i o de aumen a o p es ígio do seu es údio. 685 A ob a de F.W. Mu nau e e um impac o eno me no cinema de Hollywood. Com Sun ise (único ilme encedo de um Ósca pela sua con ibuição ex ao diná ia pa a a a e cinema og á ica), Mu nau in oduziu uma es é ica e uma d ama u gia exp essionis as em Hollywood, in luenciando pa icula men e colegas de es údio como Raoul Walsh, F ank Bo zage e John Fo d (Gallaghe , 1986:49-50). Segundo Joseph McB ide, a admi ação de Fo d pelo abalho de Mu nau ez nasce uma amizade en e os dois cineas as e le ou o ealizado no e-ame icano a iaja a é à Alemanha em e e ei o de 1927, endo em is a a p epa ação das ilmagens de Fou Sons, opo unidade que John Fo d ap o ei ou pa a conhece o meio cinema og á ico alemão (McB ide, 2004: 160-161). A in luência de Mu nau na ob a de Fo d é pa icula men e isí el nos ilmes que es e ealizou du an e o pe íodo de ansição do cinema mudo pa a o sono o, especialmen e em Fou Sons, (1928) um e dadei o pas iche da ob a de Mu nau pa a o qual Fo d eu ilizou o cená io da aldeia u ilizado em Sun ise (1927) (Eyman, 2000: 107). Segundo Da id Boxwell, os elabo ados mo imen os de cama a que o ealizado u iliza nes e ilme, o am inspi ados po Sun ise (Boxwell, 2004). Po ou o lado, a pe sonagem do ca ei o ( ep esen ado pelo a o no ueguês Albe G an) oi cla amen e baseada na pe sonagem de Emil Jannings em De Le z e Mann (1924). Mas, pa a além da in luência exp essionis a in oduzida po Mu nau, Fou Sons e ela ainda, segundo Boxwell, a in luência de Eisens ein, pa icula men e isí el nas duas sequências em que Fo d u iliza a mon agem in ele ual pa a, a a és da jus aposição de planos, p oduzi uma c í ica ao mili a ismo enquan o ins umen o de pode das classes dominan es (Boxwell, 2004). Po udo is o, Fou Sons (1928) ep esen a um impo an e momen o de expe imen ação o mal na ob a de John Fo d, no qual assis imos ao encon o do ealizado com uma es é ica eu opeia de a an - ga de, cla amen e dis in a do concei o de ep esen ação na u alis a que domina a o cinema de Hollywood. A in luência de Mu nau na ob a de Fo d emon a a Mo he Mach ee (1927), ealizado imedia amen e an es de Fou Sons, e elogiado pelo p óp io Mu nau (Eyman, 2000: 106-107), e az sen i -se em ob as como Hangman’s House (1928), The Black Wa ch (1929), A owsmi h (1931) e Ai Mail (1932), um ilme de a en u as á eas ealizado pa a a Uni e sal de Ca l Laemmle no qual Fo d e e a opo unidade de abalha pela p imei a ez com Ka l F eund, o p es igiado di e o de o og a ia que colabo ou com Mu nau em De Le z e Mann e Ta u e e F i z Lang em Me ópolis. O encon o com Mu nau e em pa icula a ealização de Fou Sons pa a a FOX, inaugu ou um no o pe íodo na ob a de John Fo d. Se du an e a p imei a década da sua ca ei a o ealizado desen ol eu um es ilo clássico baseado na d ama u gia e mon agem g i i hiana, a pa i de 1927, Fo d assimilou a sensibilidade exp essionis a eu opeia e oscilou cons an emen e en e os dois g andes polos da sua o mação es é ica; G i i h e Mu nau. Pa a Tag Gallaghe , que di ide a ca ei a de John Fo d em dois g andes pe íodos; um an es e um depois de Mu nau, a in luência do cineas a ge mânico oi al que: Fo d’s cinema became o ally s ylized. Whe eas p e iously his mo ies illus a ed s o ies, hey now ell s o ies, a e s o ies: a icula ing emo ions and moods and s a es o he 686 soul and ac ile imp essions o being ali e. Fo d ound cinema could be comple ely poe icized; he disco e ed mo ies migh be a (Gallaghe , 1986:54). No en an o, pa a Lindsay Ande son a in luência de Mu nau esul a ia no o malismo excessi o de ob as como The Black Wa ch (1929): The sel consciousness o he s yle, he o mali y o he g oupings and he nea exp essionism o he ligh ing (wi h a lo o mis , di usion and shoo ing agains ligh ) all play agains spon anei y, na u alness and humo (Ande son, 1999:56). A in luência exp essionis a abso ida pelo cineas a e ela -se ia um elemen o undamen al no desen ol imen o de um conjun o de ilmes ealizados ao longo da década de 1930 e nos quais Fo d in e oga a paisagem social no e-ame icana. A Amé ica con empo ânea de ilmes como A owsmi h (1931), Flesh (1932) Pilg image (1933), Doc o Bull (1933) e The Whole Town’s Talking (1935), é uma sociedade es á ica, isolada e op essi a na qual o indi iduo é í ima de o ças que não consegue con ola e os he óis se ans o mam em sujei os alienados. Segundo Tag Gallaghe : The du y ha o me ly p opelled bold he oes o ge hings done now seems ull o con adic ions; he oes ind hemsel es idiculous and des uc i e, and in u n in ospec i e (Gallaghe , 1986:73). A c ise que o he ói o diano a a essa, pa icula men e en e os anos de 1931 e 1935, cons i ui um e lexo di e o do con ex o de c ise económica e social que os EUA i iam, endência que, aliada ao o malismo as ixian e de ob as como The In o me , nos pe mi e es abelece um cu ioso pa alelismo com o manei ismo his ó ico e suge i a exis ência de um momen o semelhan e na ob a de John Fo d. Em 1933 o ealizado iniciou uma colabo ação como o a gumen is a Dudley Nichols que se eio a e ela decisi a pa a o desen ol imen o de um conjun o de ilmes que e idenciam uma cla a ambição a ís ica, nomeadamen e a a és da adopção de um es ilo isual exp essionis a com o qual Fo d p e endia comunica a subje i idade da na a i a. Nas pala as de Jim Ki ses: Fo d’s pic o ial s yle does e ol e om a silen e a aes he ic g ounded in exp essionism du ing he 1930’s and 1940’s in o a mo e disciplined poe ic ealism. Mo eo e , his ea ly exp essionis in luence is s onges in The In o me , The Long Voyage Home and The Fugi i e, al sc ip ed by Dudley Nichols. Domina ed by an opp essi e use o ligh ing and déco , hese ilms be ay a conscious e o o exp ess inne s a es (Ki ses, 2004: 77). The Los Pa ol (1934) o p imei o ilme de Fo d p oduzido pela RKO, assinala não só o início da colabo ação do ealizado com Nichols mas ambém com Me ian C. Coope , com quem i ia mais a de a unda a p odu o a A gosy Pic u es. Na RKO, Fo d conc e iza a chamada ilogia cél ica, cons i uída po The In o me (1935), Ma y o Sco land (1936) e The Plough and he S a s (1936), adap ações de p es igiadas ob as li e á ias e ea ais às quais o ealizado aplicou uma ecei a o mal de aiz exp essionis a, e cuja composição isual e ela um cla o sen ido pic ó ico, aplicado a uma d ama u gia que, em Ma y o Sco land, apon a a não só pa a a in luência de Mu nau mas ambém pa a a de Jose Von S enbe g. 687 En e os ilmes que ealizou pa a a RKO aquele que maio impac o e e aquando da sua es eia oi The In o me (1935), ob a aclamada pela c í ica, endo alido ao ealizado o seu p imei o Ósca . Nes e ilme, Fo d desen ol eu uma ob a de ca ac e simbólico cujo p oje o o mal ompia cla amen e com o pa adigma clássico de Hollywood. Segundo Lindsay Ande son: A delibe a e aes he ic expe imen , (The In o me ) was abo e all a ilm o p ecise and p e-de e mined s yle; and he s yle was one ha an qui e con a y o he p edominan ly na u alis adi ion o Ame ican cinema (Ande son, 1999:63). Pa alelamen e ao abalho ealizado na RKO em meados da década de 1930, Fo d p osseguiu a sua colabo ação com a Fox ( ansi ando em 1936 pa a a T.C Fox), es údio onde ealizou um cu ioso ciclo de ilmes de emá ica “ame icana”, como D . Bull (1933), Judge P ies (1934) e S eam Boa Round he Bend (1935) e ob as ão come ciais como Wee Willie Winkie (1937), Fou Men and a P aye (1938) e Subma ine Pa ol (1938), ípicas p oduções de es údio que e elam a ma ca de um p odu o dominan e como Da yl F. Zanuck e ade em inequi ocamen e aos p incípios es é icos e na a i os do cinema clássico de Hollywood. Depois do êxi o alcançado jun o da c í ica e do público po The Los Pa ol (1934) e The In o me (1935), o acasso come cial de Ma y o Sco land (1936) e a in e e ência do es údio na p odução de The Plough and The S a s (1936), le a iam Fo d a abandona a RKO. O ealizado a a essa en ão um pe íodo meno na sua ca ei a in e ompido no inal de 1938 com a p odução de S agecoach. O p oje o de S agecoach (1939) assinalou o eg esso de John Fo d ao wes e n, géne o do qual es e e ausen e desde 3 Bad Men (1926), e uma ez mais o cineas a bene iciou c ia i amen e da colabo ação com Me ian C. Coope , o esponsá el pela sua en ada na RKO, e do apoio de Wal e Wange , um p odu o independen e conhecido na indús ia po pe mi i uma maio libe dade a ís ica aos seus ealizado es. Apesa do es a u o mí ico que ocupa na his ó ia do cinema de Hollywood, S agecoach é uma ob a bem mais complexa do que alguns au o es p e e em admi i , is o po que, apesa do classicismo o diano es a in imamen e associado ao géne o, o p imei o wes e n sono o de John Fo d não es á isen o de con aminações es é icas. De ac o, o ilme que And é Bazin conside ou o exemplo pe ei o do wes e n clássico, no qual Fo d ha ia conseguido o equilíb io pe ei o en e os mi os sociais, a e ocação his ó ica, a e dade psicológica e a emá ica adicional da ealização wes e n 29 (Bazin, 1992: 243), e ela sinais de uma cla a ambiguidade o mal. Tal como em ob as an e io es, Fo d oscilou en e um egis o “ ealis a”, e o çado pelo na u alismo das cenas ilmadas em Monumen Valley, e o exp essionismo melod amá ico das cenas da es ação de caminho e da cidade de Lo dsbu g. Segundo Tag Gallage , o ealizado u iliza es ilos ão di e sos como a mon agem analí ica, com a qual é equen emen e associado, a mon agem exp essi a e o longo plano associado à p o undidade de campo, conc e izando uma usão de es ilos que And é Bazin conside a a an i é icos (Gallaghe , 1986:153). 29 T adução de Ana Mou a. 688 Filmadas com um angulo de cama a baixo que e ela os ec os do cená io, as cenas da es ação de caminho u ilizam a p o undidade de campo e a o og a ia de es ilo exp essionis a pa a aduzi o es ado emocional das pe sonagens. O es ilo desen ol ido po John Fo d e Be Glennon, in luencia ia signi ica i amen e o abalho de O son Welles e G egg Toland no mí ico Ci izen Kane (1941) (McB ide, 2004:300). Pa a M. S. Fonseca, o que su p eende em S agecoach é o modo como a cama a de Fo d queb a a sua adicional ho izon alidade, ganhando os ângulos oblíquos um p edomínio cuja con apa ida é o aumen o de um e hos a alis a (…) (Fonseca, 1997). O êxi o de S agecoach (1939) pe mi iu que o ealizado a ançasse pa a um dos p oje os mais ambiciosos da sua ca ei a. Depois da expe iência ealis a de G apes o W a h (1940), The Long Voyage Home (1940), euniu Fo d pela segunda ez com o p odu o Wal e Wange e o di e o de o og a ia G egg Toland num ilme delibe adamen e “a ís ico” que ga an iu ao cineas a o seu segundo Ósca . Adap ado da ob a de Eugene O’ Neill, The Long Voyage Home (1940), e omou o o malismo de The In o me (1935). Fo d pa ece subo dina o ilme ao magní ico abalho de o og a ia de G egg Toland que u iliza a p o undidade de campo e os e ei os de luz e de somb as pa a a c iação de uma ob a isualmen e pode osa que con oca a a enção do espec ado não só pa a a beleza das imagens mas ambém pa a o a i ício da sua cons ução. Em cenas como a da empes ade, na qual a água da chu a esco e pela len e, o cineas a e o di e o de o og a ia não só ob êm um magní ico e ei o es é ico como lemb am ao espec ado a p esença da cama a. Nes e sen ido, Fo d e Toland não só exibem o seu i uosismo como queb am o p incípio da in isibilidade que p eside ao cinema clássico de Hollywood. 4. Os Filmes do Pós-Gue a Após a ealização de How G een Was My Valley (1941), Fo d in e ompeu a sua ca ei a em Hollywood pa a pa icipa na Segunda Gue a Mundial. Du an e os anos em que se iu na ma inha dos EUA, assinou um pode oso documen á io, The Ba le o Midway (1942) no qual explo ou no os es ilos cinema og á icos, num mis o de ealismo documen al e ilme de p opaganda que esul a numa ob a algo “imp essionis a” (Gallaghe , 1986: 205-207). Fo d eg essou a Hollywood em e e ei o de 1945 pa a ealiza They We e Expendable (1945), um ilme sob e o es o ço de gue a ame icano no Paci ico, que oscila en e um es ilo semidocumen al e momen os de uma es ilização algo exp essionis a (Gallaghe , 1986: 223). A They We e Expendable seguiu-se My Da ling Clemen ine (1946), que assinalou o eg esso do cineas a ao wes e n e à T.C FOX de Da yl F. Zancuk. Nes e ilme, Fo d e oma o ealismo poé ico que ca ac e iza o “classicismo o diano”, mas eco e igualmen e a um es ilo exp essionis a a a és do qual ap esen a as di e en es ealidades subje i as i idas pelas pe sonagens (Gallaghe , 1986: 225-228). 689 Te minadas as ilmagens de My Da ling Clemen ine, o ealizado uniu es o ços com o amigo Me ian C. Coope e undou a sua p óp ia companhia p odu o a. A p imei a p odução da A gosy Pic u es se ia um p oje o que o ealizado há mui o acalen a a. The Fugi i e (1947), baseado no li o The Powe and he Glo y de G aham G eene, é uma ob a de g ande es ilização isual em que a o og a ia de Gab iel Figue oa dá exp essão ao excesso alegó ico das imagens de Fo d. (Eyman, 1999: 230). O acasso de The Fugi i e, assinalou o im da colabo ação en e Fo d e o a gumen is a Dudley Nichols, mas ambém o abandono da es é ica exp essionis a e o o malismo que ca ac e izou ob as como Fou Sons, The Los Pa ol, The In o me , Ma y o Sco land e The Long Voyage Home, me á o as an desnudas en su d ama u gia como es ilizadas en su isualización (Losilla, 2002: 37). Mas o manei ismo de Fo d não esul a unicamen e da in luência exp essionis a de Mu nau ou do simbolismo que ca ac e iza os ilmes em que colabo ou com Dudley Nichols, G eg Toland e Gab iel Figue oa. Assume ambém uma o ma dis in a e bem mais sub il que se mani es a em especial nos ilmes do pós-gue a. T a a-se de uma endência con empla i a, associada a um ce o pic o ialismo, e cons i ui a ma ca de ilmes como My Da ling Clemen ine (1946) e She Wo e a Yellow Ribbon (1949). Lindsay Ande son oi um dos a os au o es a iden i ica es e sub il exibicionismo o mal quando a p opósi o de They We e Expendable esc e eu: Close-ups, a ec iona e o noble a e held a leisu e; long- sho s a e sus ained long a e hei na a i e ole has been pe o med (Ande son, 1999: 108). Num céleb e a igo que dedicou ao wes e n And é Bazin iden i icou es a endência o malis a em ilmes como My Da ling Clemen ine e Fo Apache, designando-a de “ado no ba oco do classicismo” (Bazin, 1992:244-245). En e os momen os que Bazin conside ou “ado nos” es a iam ce amen e cenas como a do baile da ig eja em My Da ling Clemen ine. A cena em ques ão é de al modo insóli a que me eceu o seguin e comen á io de Joseph Mcb ide: Fonda’s igh ly wound, delibe a e mo emen s o e Fo d plen y o “g ace no es”-Fo d lo ed o wa ch Fonda walk and cons uc ed scenes o ha eason-ye he e a e signs o dandyism and cold ana icism in he cha ac e iza ion ha Fo d ea s wi h ambi alence (McB ide, 2004: 435). Nes e, como em ou os casos, o ealizado sujei ou a na a i a ao es ilo, cons uindo a cena em o no de um p eciosismo que nada con ibui pa a o desen ol imen o da his o ia mas com o qual Fo d se delei a, e endo o olha da cama a o empo su icien e pa a chama a a enção do espec ado pa a o e ei o alcançado. O mesmo sucede na cena do alpend e do Ho el em My Da ling Clemen ine, na qual Wya Ea p, sen ado na sua cadei a, execu a um inú il exe cício de equilíb io enquan o obse a o mo imen o local. Na opinião de Sco Eyman: DeMille would ne e ha e had sho a scene in which a man leans back in his chai and spends en seconds balancing on a pos , as John Fo d did in My Da ling Clemen ine, because DeMille didn’ us any scene ha didn’ ad ance he s o y (Eyman, 2010:336). A obse ação de Eyman é impo an e nes e con ex o uma ez que o au o econhece implici amen e que a endência con empla i a que se e i ica na ob a de Fo d es á mui as ezes associada à in odução de momen os que cons i uem e dadei as pausas na na a i a, e que associados a um ce o p eciosismo o mal con a iam um dos 690 p incípios básicos do pa adigma clássico de Hollywood; a in isibilidade do es ilo e a sua o al sujeição às necessidades da na a i a. A in e enção do p odu o Da yl F. Zanuck na pós-p odução e mon agem de My Da ling Clemen ine cons i ui aliás a p o a de que os p eciosismos do ealizado choca am com um conjun o de eg as es é ico- o mais ins i uídas pelo sis ema de p odução de Hollywood, nomeadamen e o p imado da na a i a e a submissão da o ma ao con eúdo. Te minadas as ilmagens de My Da ling Clemen ine, Zanuck assumiu o con olo da mon agem e o denou alguns e akes ( ealizados po Lloyd Bacon) com o obje i o exp esso de, na opinião do p odu o , melho a a con inuidade e e o ça a coesão do ilme (Belhme , 1993: 103-107). Segundo Robe Gi , Da yl F. Zancuk e i ou ce ca de 30 minu os à mon agem de Fo d. As al e ações consis i am essencialmen e na edução de cenas que na opinião do pa ão da FOX se p olonga am excessi amen e. Um caso exempla é o da cena em que a Diligencia chega a Dodge Ci y azendo consigo Clemen ine Ca e e da qual o p odu o eliminou oda uma sequência em que Fo d concen a a uma ez mais a sua a enção nos mo imen os de Fonda/Wya Ea p enquan o es e agua da a que lhe osse azida a sua cadei a a o i a (Gi , 2005). She Wo e a Yellow Ribbon (1949), ealizado po Fo d pa a a sua p óp ia companhia p odu o a, A gosy Pic u es, egis a es a mesma endência em pa icula no desen ol imen o de um es ilo isual que p ocu a ep oduzi a pin u a de F ede ic Reming on (Eyman, 1999: 350). O es ilo con empla i o e pic ó ico do segundo capí ulo da chamada ilogia da ca ala ia con ida os espec ado es a ap ecia em a beleza das paisagens de Monumen Valley e a composição de planos que po di e sas ezes e ocam a ob a de Reming on. Em alguns momen os, o abalho do cineas a e do seu di e o de o og a ia Win on Hoch ap oxima-se de al modo da es é ica eming oniana que quase nos az esquece a na u eza o og á ica do cinema g aças à c iação daquilo que Pascal Boni ze de iniu como o “plano- ableau” (Boni ze , 1985: 17) que cons i ui p ecisamen e um dos elemen os es ilís icos mais ca ac e ís icos do manei ismo. Nas pala as de Sco Eyman, She Wo e a Yellow Ribbon I ’s among he di ec o ’s mos pain e ly mo ies, his way o compensa ing o he ilm’s ex emely loose, ballad –like s uc u e-i ’s no hing mo e han an accumula ion o igne es, some o su passing beau y (Eyman, 1999: 357). O pic o ialismo de Fo d, cla amen e inspi ado pela ob a de a is as no e-ame icanos como Reming on e Russel susci a uma ez mais a compa ação com a ob a de Mu nau, cineas a que em ilmes como Faus (1926), e elou igualmen e uma endência pic o ialis a, in luenciada no seu caso po a is as como Man egna, Ca a aggio, Ve mee e Remb an (Madei a, 2011: 46-49). 5. Conclusão Se, como a i mou Ismail Xa ie o cinema clássico de Hollywood p ocu ou c ia um simulac o de ealidade a a és da mon agem de um sis ema de ep esen ação que 691 p ocu a anula a sua p esença como abalho de ep esen ação (Xa ie , 2005: pp. 41- 43), en ão uma pa e conside á el da ob a de John Fo d ompeu cla amen e com o chamado pa adigma clássico de Hollywood. A in luência de Mu nau, cujo exp essionismo eio ques iona a cla idade composi i a que cons i uía uma das g andes ca ac e ís icas do cinema de Hollywood, in oduziu na ob a do ealizado uma endência o malis a que ma cou decisi amen e os anos comp eendidos en e 1927 e 1949, pe íodo du an e o qual Fo d sob epôs po á ias ezes a o ma ao ema, masca ando aquilo que que ia dize com a e o ica que u iliza a pa a o dize (Losilla: 2002, 35-42). Nas pala as de Lindsay Ande son: he e is a whole g oup o ilms by Fo d in which unconsciousness o he came a is ha dly possible; in which he pho og aphic s yle is emphasized almos o he poin whe e i becomes an end ins ead o a means (he has ema ked o The Fugi i e: “I jus enjoy mysel looking a i ”); and in which he eali y o wha goes on he sc een has no connec ion wi h i ’s ealism (Ande son, 1999: pp. 85-86). A obse ação de Ande son colide na u almen e com a imagem de John Fo d enquan o expoen e máximo do classicismo de Hollywood, o a is a, na opinião de John Millius, capaz de comunica com o espec ado sem necessidade de qualque a i ício (Redman, 1998). Se é indiscu í el que Fo d assinou algumas ob as do mais pu o classicismo, como The I on Ho se, S eam Boa Round The Bend, D ums Along The Mohawk, Young M . Lincoln, Rio G ande, The Quie Man, The Sun Shines B igh e Mogambo, a e dade é que o cineas a assinou igualmen e ob as ão p o undamen e es ilizadas e au oconscien es como Fou Sons, The In o me , The Long Voyage Home e The Fugi i e, e ou as de uma in igan e ambiguidade o mal como A owsmi h, The Los Pa ol, Ma y O Sco land, The P isionei o Sha k Island , S agecoach e How G een Was My Valley, cujo o malismo e o g au de subje i idade comp ome ia o p incípio da anspa ência que ca ac e iza a o cinema clássico de Hollywood. Na u ilização de elabo ados mo imen os de cama a, de um pic o ialismo con empla i o e da o og a ia exp essionis a, po ezes aliada a um in elec ualismo que eco ia ao simbolismo como elemen o da d ama u gia, es es ilmes cons i uem e dadei as expe iencias o mais que ep esen am uma up u a com a es é ica na u alis a e o p incípio da anspa encia adop ados pelo cinema clássico de Hollywood. Nes e sen ido, conside o que a ob a de John Fo d pode se di idida em ês g andes pe íodos. Um p imei o, que comp eende os anos de 1917 a 1926 e co esponde a uma ase de ap endizagem ma cada pela in luência de G i i h. Um longo segundo pe íodo que comp eende os anos de 1927 a 1949, ma cado pela in luência exp essionis a de Mu nau, e po im, um e cei o pe íodo de plena ma u idade, que ab ange oda a década de cinquen a e e mina em 1966 com a es eia de Se en Women, a ul ima ob a do ealizado . O a, se du an e o p imei o e o e cei o pe íodo da sua ca ei a a ob a de John Fo d co esponde em la ga medida ao chamado es ilo clássico de Hollywood, o segundo,