Aprender, Brincar, Conquistar - Intervenção Educativa numa Casa de Acolhimento Residencial
Abstract
Relatório de Estágio do Mestrado em Ciências da Educação apresentado à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
Full text
Inês de Vasconcelos Martins APRENDER, BRINCAR, CONQUISTAR INTERVENÇÃO EDUCATIVA NUMA CASA DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL Relatório de Estágio do Mestrado em Ciências da Educação, orientado pela Professora Doutora Maria da Graça Bidarra e apresentado à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra julho de 2022
Inês de Vasconcelos Martins APRENDER, BRINCAR, CONQUISTAR INTERVENÇÃO EDUCATIVA NUMA CASA DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL Relatório de Estágio do Mestrado em Ciências da Educação, orientado pela Professora Doutora Maria da Graça Bidarra e apresentado à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra julho de 2022
“Todos os nossos sonhos se podem realizar, se tivermos a coragem de os perseguir.” Walt Disney
Agradecimentos Ao chegar ao fim de uma das etapas mais importantes da minha vida, só poderia iniciar a redação deste documento por agradecer a quem me permitiu conseguir chegar aqui. À Professora Doutora Maria da Graça Amaro Bidarra, orientadora de estágio, por todo o apoio, dedicação, confiança em mim e nas minhas capacidades. Obrigada por me ensinar que sou capaz de muito mais do que aquilo que eu imaginava. Nada seria possível sem o seu acompanhamento. À Educadora Social do Ninho dos Pequenitos, Doutora Ana Luísa Dinis, que me orientou numa aprendizagem tanto pessoal como profissional, e me concedeu todo o seu apoio, dedicação, disponibilidade e simpatia. Obrigada por me ter permitido crescer e me ter dado exemplos de grande profissionalismo. À Professora Doutora Piedade Vaz-Rebelo, que me impulsionou na partilha de experiências e projetos, acreditando nas minhas capacidades como futura Mestre. Obrigada por estar presente nas minhas conquistas, que não seriam possíveis sem si. Ao meu pai, obrigada por me permitires sempre seguir os meus sonhos, por me apoiares e por acreditares, desde o primeiro dia, que eu era capaz de tudo. Ao Gustavo, que esteve todos os dias ao meu lado, que me suportou em todas as quedas e aplaudiu todas as minhas vitórias. Obrigada por seres o meu porto seguro. À minha amiga Sara, que nunca me deixou desmotivar ou desistir. Obrigada por estares presente desde sempre. À minha amiga e companheira Adriana. Obrigada por toda a força, coragem e confiança. Serás uma profissional incrível. À minha colega estagiária Bruna. Sem ti, sem a tua companhia e sem a amizade que criámos, nada tinha sido igual. À minha família de praxe e às amizades verdadeiras que criei nestes anos, que estiveram ao meu lado em todos os acontecimentos da minha vida universitária. Longe, mas sempre perto. Por fim, e o mais especial, para as crianças que, todos os dias, fossem eles bons ou maus, tiveram sempre o abraço mais especial para dar. Foi graças a vocês que tudo foi tão bonito. A todos os que não pude mencionar, extremamente grata!
Resumo O presente relatório expõe o percurso realizado ao longo do Estágio Curricular, no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, durante o ano letivo de 2021/2022. Neste documento é apresentado um projeto de intervenção na Casa de Acolhimento Residencial (CAR) Ninho dos Pequenitos, tutelada pela associação SORRISO – Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos, integrada nas instalações da Maternidade Bissaya Barreto (MBB), em Coimbra, e uma investigação no âmbito do material didático Poly-Universe. Respeitante ao projeto de intervenção, este pretende promover o desenvolvimento de vários domínios como a linguagem e a construção frásica, a motricidade global e fina e a autonomia das crianças envolvidas. Para tal, e utilizando uma abordagem STEAM (Sciences, Technology, Engeneering, Arts, Mathematics), focada na exploração plástica dos materiais, desenvolveu-se um conjunto de atividades de cariz lúdico-pedagógico, através da aprendizagem das cores, dos animais, das formas geométricas, dos números, da figura humana e dos sentidos. Foi ainda possível interligar estas atividades com vários projetos europeus, como o AutoSTEM, ViduKids e Poly-Universe. No âmbito do projeto Poly-Universe, tornou-se pertinente realizar um estudo de caso, com uma das crianças da Instituição, envolvendo a manipulação do material que lhe está associado. Este estudo teve como principal objetivo analisar a interação de uma criança na faixa etária dos três anos com o material Poly-Universe, tendo por base três objetivos específicos: (1) aprender as formas geométricas simples (círculo, triângulo e quadrado); (2) aprender as cores (amarelo, azul, verde e vermelho); e (3) promover a criatividade, a motivação intrínseca, a atenção e a perceção visual. Palavras-Chave: Casa de Acolhimento Residencial; Educação STEAM; Expressão Plástica; Poly-Universe.
Abstract This report describes the path taken during the Curricular Internship as part of the master’s degree in Educational Sciences at the Faculty of Psychology and Educational Sciences of the University of Coimbra, during the academic year 2021/2022. This document presents an intervention project in the Residential Care Home (CAR) Ninho dos Pequenitos, run by the association SORRISO - Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos, integrated in the facilities of the Maternidade Bissaya Barreto (MBB), in Coimbra, and an investigation within the Poly-Universe teaching material. Regarding the intervention project, it aims to promote the development of several areas such as language and sentence construction, global and fine motor skills and autonomy of the children involved. To this end, and using a STEAM (Sciences, Technology, Engineering, Arts, Mathematics) approach, focused on the plastic exploration of materials, a set of playful and educational activities were developed, through the learning of colors, animals, geometric shapes, numbers, the human figure and the senses. It was also possible to interlink these activities with several European projects, such as AutoSTEM, ViduKids and Poly-Universe. Within the Poly-Universe project, it became pertinent to conduct a case study with one of the children of the institution, involving the manipulation of the associated material. The main objective of this study was to analyze the interaction of a three-yearold child with the Poly-Universe material, based on three specific objectives: (1) learning simple geometric shapes (circle, triangle, and square); (2) learning colors (yellow, blue, green and red); and (3) promoting creativity, intrinsic motivation, attention and visual perception. Keywords: Residential Foster Home; STEAM Education; Plastic Expression; PolyUniverse.
8 Índice Introdução ...................................................................................................................... 15 Capítulo I - Caracterização da Instituição e Projeto de Estágio ............................... 17 1.1 Enquadramento Histórico e Legal do Acolhimento Residencial em Portugal 17 1.2 História, Missão e Valores da Casa ................................................................. 19 1.3 Situação Geográfica, Localização e Recursos ................................................. 20 1.4 Equipa e papel da Educadora Social ............................................................... 22 1.5 Perfil do público-alvo ...................................................................................... 24 1.6 Programa de Acolhimento ............................................................................... 28 1.7 Rotina .............................................................................................................. 30 1.8 Análise das necessidades e áreas de intervenção no âmbito do projeto de estágio 31 Capítulo II - Fundamentação, Planeamento, Implementação e Avaliação das Atividades do Projeto “A Coruja Chegou Ao Ninho” ............................................... 35 2.1 Fundamentação e Enquadramento .................................................................. 35 2.2 Educação STEAM e Expressão Plástica ......................................................... 39 2.3 AutoSTEM, ViduKids e Poly-Universe: Projetos de intervenção em educação 41 2.4 Projeto de intervenção “A Coruja chegou ao Ninho” ..................................... 44 2.4.1 Caracterização do público-alvo ................................................................... 44 2.4.2 Planeamento das Atividades ....................................................................... 45 2.4.3 Implementação ............................................................................................ 48 2.4.4 Avaliação ..................................................................................................... 66 Capítulo III - À Procura da Boa Forma com o material Poly-Universe ................... 85 3.1 Contextualização e Objetivos da Investigação ................................................ 85 3.2 Metodologia .................................................................................................... 85
9 3.2.1 Participante .................................................................................................. 85 3.2.2 Instrumentos ................................................................................................ 86 3.2.3 Procedimentos ............................................................................................. 88 3.3 Análise dos resultados e Reflexão ................................................................... 95 Capítulo IV - Outras Atividades .................................................................................. 97 4.1 Atividades inseridas na dinâmica da Instituição ............................................. 97 4.1.1 Atividades de avaliação e acompanhamento das crianças em ambiente de acolhimento ............................................................................................................. 97 4.1.2 Atividades relacionadas com aniversários e datas comemorativas ........... 100 4.2 Participação em Eventos Científicos e Atividades de Formação e Intervenção 106 4.2.1 Organização e Participação em Eventos Científicos ................................. 106 4.2.2 Atividades de formação e intervenção ...................................................... 108 Considerações Finais ................................................................................................... 112 Referências Bibliográficas .......................................................................................... 114 Apêndices ..................................................................................................................... 117 Anexos .......................................................................................................................... 149
16 necessidades. É ainda neste ponto que se apresenta, de forma geral, o Projeto de Intervenção. O Capítulo II – Fundamentação, Planeamento e Avaliação das Atividades do Projeto “A Coruja chegou ao Ninho”, aborda todas as etapas pelas quais o Projeto passou, desde a sua elaboração e planeamento, até à implementação e avaliação dos resultados alcançados. No Capítulo III – À Procura da Boa Forma com o Material Poly-Universe é apresentada a investigação (que resultou num estudo de caso), com uma das crianças da Instituição, envolvendo a manipulação do material Poly-Universe. No Capítulo IV – Outras Atividades, descrevem-se ainda as atividades em que foi possível participar e colaborar, inseridas na dinâmica da Instituição, e a participação em eventos científicos e em atividades de formação e intervenção. Por fim, apresentam-se as Considerações Finais, bem como as Referências Bibliográficas, Apêndices e Anexos.
17 CAPÍTULO I - CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO E PROJETO DE ESTÁGIO 1.1 Enquadramento Histórico e Legal do Acolhimento Residencial em Portugal Com a implementação da República, nos inícios do século XX, foram estabelecidas políticas de apoio à família que contribuíram para uma mudança das práticas, mantendo-se também medidas para o acolhimento de crianças (Martins, 2014). A Lei de Proteção de 1911 colocou Portugal na vanguarda da proteção de crianças, distinguindo-a assim do adulto e o Direito Penal do Direito de Menores, baseada numa justiça assistencialista e paternalista (Gonçalves & Sani, 2013; Rodrigues, 2019; Vilaverde, 2000). Essa lei faz referência à possibilidade de acolhimento das crianças em instituições sem quaisquer especificações quanto à estrutura, organização e quantidade. Algumas eram orfanatos ou internatos, nos quais, devido sobretudo à pobreza, as famílias deixavam os seus filhos para que lhes fosse assegurada a alimentação e para aprenderem algum ofício (Rodrigues, 2019). Em 1956, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa promoveu a primeira reestruturação do Acolhimento Residencial no distrito de Lisboa (Calheiros, Fornelos & Dinis, 1993; Rodrigues, 2019). Em 1962, surge uma nova lei designada por Organização Tutelar de Menores, com sucessivas revisões. Após um longo período de ditadura em Portugal, a Constituição da República Portuguesa (CRP), de 1976, consagrou que o Estado assegura especial proteção às crianças órfãs, abandonadas ou, por qualquer outra forma privados de um ambiente familiar normal (art.º 69.º, n.º 2). Em 1986, uma nova lei (Decreto-Lei n.º 2/86, de 2 de janeiro) veio regular o acolhimento residencial, defendendo um número reduzido de crianças por instituição, com um ambiente familiar inerente, promovendo o seu desenvolvimento pessoal, assim como a integração social na comunidade (Rodrigues & Barbosa-Ducharne, 2017). Portugal foi um dos primeiros países a ratificar a Convenção dos Direitos da Criança (CDC), adotada a 20 de novembro de 1989 pelas Nações Unidas, assinada em Portugal em 26 de janeiro de 1990, entrando em vigor a 21 de outubro do mesmo ano. A aprovação da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (LPCJP), Lei nº. 147/99, de 1 de setembro de 2001, veio “definir o regime jurídico de intervenção social do Estado e da comunidade no sentido de evitar situações de perigo e de criar medidas de
18 promoção e de proteção, numa abordagem integrada dos direitos da criança e do jovem, por forma de garantir o seu bem-estar e desenvolvimento integral” (Decreto-Lei nº. 164/2019, p. 65). A LPCJP integrou, deste modo, a perceção da CDC, de que o desenvolvimento pleno da criança envolve a concretização de todos os seus direitos (sociais, culturais, económicos e civis), bem como o reconhecimento da mesma como sujeito autónomo de direitos humanos. As medidas de promoção dos direitos e proteção das crianças em perigo, que se encontram em vigor, visam afastar o perigo em que as crianças se encontram, proporcionando-lhes as condições que permitam proteger, promovendo o seu desenvolvimento integral e garantindo a recuperação física e psicológica de crianças vítimas de qualquer forma de exploração e/ou abuso (Art. 34º, LPCJP). Uma destas medidas é o Acolhimento Residencial. Esta medida consiste na colocação da criança aos cuidados de uma entidade que disponha de instalações, equipamento de acolhimento e recursos humanos permanentes, devidamente dimensionados e habilitados, que lhes garanta os cuidados adequados (Art. 49º., LPCJP). De realçar que as instituições de acolhimento podem ser públicas ou cooperativas, sociais ou privadas com acordo de cooperação com o Estado. Esta medida é aplicada por entidades com competência em matéria de infância e juventude (Tribunal e CPCJ), tentando sempre ter por base a reintegração da criança na família de origem ou em meio natural de vida. Se tal não for possível, é necessário preparar a criança para as medidas de autonomia de vida ou de confiança com vista a adoção, nos termos previstos da LPCJP. As Casas de Acolhimento devem estar organizadas em unidades que favoreçam uma relação afetiva do tipo familiar, uma vida diária (personalizada) e a integração na comunidade. Os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto podem visitar a criança, salvo decisão judicial em contrário, e devem sempre fazê-lo dentro dos horários e das regras da instituição em que esta se encontra (Art. 53º., LPCJP). Uma Casa de Acolhimento dispõe necessariamente de recursos humanos organizados em equipas articuladas: • A Equipa Técnica, constituída de modo pluridisciplinar, integrando as valências de psicologia, serviço social e educação, a quem cabe o diagnóstico da situação da criança e a definição do seu projeto de promoção e proteção;
19 • A Equipa Educativa, constituída por auxiliares de ação educativa e de cuidados de crianças; • A Equipa de Apoio, que integra colaboradores de serviços gerais, como a medicina, o direito e a enfermagem. Embora não façam parte do enquadramento legal em matéria de proteção das crianças, demonstram-se instrumentos importantes de trabalho: o Manual de Boas Práticas e o Manual de Gestão de Qualidade das Respostas Sociais, edições do Instituto da Segurança Social, IP. 1.2 História, Missão e Valores da Casa O Ninho dos Pequenitos é uma obra criada na década de 1930 pelo Professor Bissaya Barreto, tendo como principal objetivo a proteção da criança. O edifício na Praça da República, onde agora se encontra a Associação Académica de Coimbra, foi o local das primeiras instalações e, nessa altura, foi criado como um local de internamento de crianças em risco de contágio, por tuberculose da mãe. Em 1963, foi integrado na Obra de Assistência Materno Infantil Bissaya Barreto, atualmente Maternidade Bissaya Barreto (MBB), e em 1988, foi incluído num projeto que se traduziu na criação da Unidade de Intervenção Precoce na Relação Mãe/Filho do Centro Hospitalar de Coimbra – MBB, através da Portaria nº 532/91 publicada no Diário da República (DR) I Série B a 20 de junho de 1991. Posteriormente, em 1990, foram efetuados vários contactos com o Centro Regional de Segurança Social de Coimbra e com a Fundação Bissaya Barreto, que conduziram à celebração de um acordo de cooperação, o qual veio a ser denunciado pela Fundação a 15 de abril de 2004. Em outubro de 2004, foi celebrado um protocolo entre o Centro Distrital de Segurança Social de Coimbra e a SORRISO – Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos, tendo sido atribuída a esta associação a tutela do Ninho. Em 2006, a SORRISO foi constituída como Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), sem fins lucrativos, reconhecida como pessoa coletiva de utilidade pública (DR nº 218, II Série, 13 de novembro de 2006). Atualmente, a SORRISO tem celebrado acordo atípico com o Centro Distrital de Segurança Social de Coimbra, bem como um Protocolo com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.
20 Os valores desta Instituição prendem-se com o objetivo de ser reconhecida como uma IPSS de referência no Distrito de Coimbra, implementando políticas e práticas de referência na qualidade e inovação no acolhimento infantil. Para tal regem-se por um Projeto Educativo que tem “como missão a educação integral das crianças, fomentando o desenvolvimento do respeito por si e pelos outros, bem como pelos valores humanos mais fundamentais. Privilegia a abordagem pluridisciplinar e a intervenção individualizada, visando a promoção e o desenvolvimento global e harmonioso da criança e a sua integração na sociedade” (Projeto Educativo, 2017, p. 7). Com o objetivo de coresponsabilizar e envolver a comunidade no desenvolvimento da sua missão, têm sido estabelecidos protocolos de cooperação com entidades e serviços, bem como, promovidos diversos projetos e iniciativas. 1.3 Situação Geográfica, Localização e Recursos A Instituição localiza-se na Freguesia de Sé Nova, do concelho de Coimbra, mais especificamente nas instalações da MBB, junto à Cruz de Celas. Trata-se de uma zona central da cidade, onde estão localizados uma grande variedade de equipamentos aos níveis da saúde, educação, desporto e lazer. Esta estar integrada nas instalações de uma maternidade representa uma mais-valia para o Ninho dos Pequenitos no âmbito dos cuidados de saúde uma vez que, através da parceria com as equipas médicas e de enfermagem, permite acolher crianças doentes, com deficiências e portadoras de doenças infeciosas que habitualmente mais nenhum centro acolhe. Da mesma forma, a proximidade ao Hospital Pediátrico de Coimbra permite a otimização da qualidade de resposta a este tipo de acolhimentos. No que diz respeito à existência de vários equipamentos ao nível da educação, estes facilitam a integração das crianças em estabelecimentos de ensino, tendo em conta as suas necessidades específicas. Desta forma, foram celebrados protocolos com o Colégio Dandélio, da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Doente Mental de Coimbra (APPACDM); com o Centro Sociocultural de Nossa Senhora de Lurdes; com os Infantários da Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP) e com os Serviços Sociais da Universidade de Coimbra (SASUC). No que diz respeito à descrição estrutural do Ninho dos Pequenitos, podemos dividi-lo por áreas, sendo estas:
21 • Área de dormir (cf. Anexo 1), composta por três quartos (com um total de cinco camas com grades, quatro camas, dois armários para arrumação individual de cada criança e estantes para livros) e uma casa de banho de apoio aos quartos que se encontra adaptada às mesmas (possui dois sanitários, três lavatórios, um chuveiro, uma zona de vestir identificada para cada criança e um muda fraldas com um armário de higiene); • Área do berçário (cf. Anexo 2), onde se encontram seis berços, uma casa de banho composta por um muda fraldas e um armário para a roupa e higiene, e uma sala de atividades vocacionada até aos quinze meses (com piscina de bolas, tapetes de atividades e brinquedos); • Área de salas de atividades, desenvolvida para englobar uma sala de atividades lúdico-pedagógicas, organizada por áreas de interesse das crianças (casinha de bonecas, jogos, trabalhos de expressão plástica, leitura e carros) e uma sala de estar, preparada com um espaço de jogos, livros e brinquedos, e um espaço de entretenimento, com televisão, vídeo e aparelhagem; Figura 1 - Sala de Atividades da Instituição • Área de salas de visitas, que se divide numa sala de visitas para familiares dos bebés composta por um muda fraldas e brinquedos adaptados à faixa
22 etária, e numa sala de visitas das crianças, que com a pandemia foi alterada para uma pequena sala logo à entrada da Instituição, de forma a cumprir com as normas estipuladas pela Direção Geral de Saúde (DGS); • Área de refeições (cf. Anexo 3), que integra uma sala com três mesas redondas, cadeiras para os bebés e dois armários de arrumação e uma copa para empratamento, com frigorífico, fogão, micro-ondas, material de esterilização de biberons e máquina e lavatório de louça; • Área de gabinetes, constituída por um gabinete técnico (com armários para arrumação dos processos individuais das crianças, um computador, material de escritório e três secretárias), um gabinete administrativo (com armários para a documentação relativa à SORRISO e à contabilidade) e um gabinete de apoio e vigilância, onde se encontra o livro de ocorrências, os dossiers com instrumentos relativos ao quotidiano das crianças, os processos clínicos, o placard de informações e a farmácia; • Área de serviços gerais, constituída por uma lavandaria, uma arrecadação de material hoteleiro e uma arrecadação polivalente com estantes e armários; • Área do pessoal, provida de um vestiário com cacifos individuais e uma casa de banho; • Área do recreio, que inclui uma tenda equipada com brinquedos de exterior. Figura 2 – Exterior da Instituição 1.4 Equipa e papel da Educadora Social O Ninho dos Pequenitos dispõe da colaboração de uma Equipa Técnica, organizada de modo pluridisciplinar, constituída por uma Assistente Social (que acumula as funções de Diretora Técnica), uma Educadora Social e uma Psicóloga; de uma Equipa Educativa formada por dez Auxiliares de Ação Educativa; de uma Equipa de Apoio
23 Administrativo e de uma Equipa de Consultadoria Técnica, onde se encontra uma Médica Pediatra e uma Médica Psiquiatra de Infância e Adolescência. Tal está explicado no Organograma da Instituição (cf. Figura 3). Para além disto, ainda existe um acordo com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que permite acesso a profissionais de saúde da MBB. Figura 3 - Organograma da Instituição (Regulamento Interno, 2017) Neste ponto, considero relevante mencionar as funções definidas para o cargo de Educadora Social, sendo elas: a intervenção técnica com caráter educativo e social; a promoção do acolhimento em conformidade com os direitos e deveres, proporcionandolhe a atenção que esse momento particular exige; a elaboração e orientação da concretização do projeto de promoção e proteção, envolvendo a criança desde logo, bem como a sua família sempre que possível; a elaboração dos planos de intervenção individualizados e a promoção da sua concretização; a participação na conceção e elaboração do Plano de Atividades Anual, do Relatório de Avaliação e de instrumentos de trabalho para toda a equipa e a promoção da participação das famílias, estimulando a sua intervenção nos atos e atividades significativas para as crianças (Projeto Educativo, pp 60-61, 2017). Diretora Técnica Equipa Técnica Assistente Social Educadora Social Psicóloga Equipa Educativa Dez Ajudantes de Ação Educativa Equipa de Apoio Administrativa Equipa de Consultadoria Técnica Médica Pediátrica Médica Psiquiatra de Infância e Adolescência
24 1.5 Perfil do público-alvo Esta Instituição tem a capacidade de acolher vinte crianças, tendo acordo estabelecido com a Segurança Social (SS) para quinze. Estas crianças têm idades compreendidas entre os zero e os seis anos, de ambos os sexos, oriundas de contextos familiares disfuncionais e vítimas de maus-tratos. São, deste modo, crianças a quem foi aplicada medida de promoção e proteção pelas entidades competentes para o efeito, Tribunal ou CPCJ. Durante o período de estágio, encontraram-se na Instituição 21 crianças, com idades compreendidas entre um mês e quatro anos, como é possível conferir no Quadro 1, que apresenta as idades e os sexos das mesmas durante o período de estágio. Quadro 1 - Distribuição das crianças acolhidas por idade durante o período de estágio Idades Sexo Feminino Masculino ≤ 1#Mês 0 4 > 1#Mês#e# ≤ 1#Ano 4 2 2#Anos 2 3 3#Anos 1 1 4 Anos 3 0 5 Anos 0 1 Ao longo do período de estágio houve uma flutuação do público-alvo, uma vez que a duração do acolhimento é sempre indefinida, como se apresenta em gráfico (cf. Figura 4).
25 Figura 4 - Flutuação do número de crianças na Instituição ao longo do período de estágio No início do período de estágio (setembro de 2021) encontravam-se na Instituição 11 crianças (7 do sexo feminino e 4 do sexo masculino), com idades compreendidas entre os dez meses e os seis anos de idade. Em janeiro o número aumentou para 13 crianças presentes na Instituição, sendo que o intervalo de idades se alterou passando dos dezanove dias aos quatro anos. Após um mês sem estágio, ao regressar, em março, deparamo-nos com um público-alvo completamente diferente. A maior parte das crianças mais velhas tinham saído com medida de apoio junto aos pais, ficando uma criança de quatro anos, uma de três, duas de dois, e o resto do grupo estava abaixo dos dezoito meses de idade. No fim, em junho, encontravam-se na Instituição 13 crianças (4 do sexo feminino e 9 do sexo masculino), das quais três eram bebés com menos de seis meses, e as restantes dez foram participantes do projeto. Todas as crianças acolhidas estão abrangidas por uma medida de promoção e proteção, atribuída pelas entidades competentes, pois provêm de um contexto familiar disfuncional, nomeadamente pelos fatores de risco expostos na Figura 5, que conduziram à necessidade de serem retiradas aos progenitores. Uma criança pode ser retirada por mais do que um fator de risco. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 setembro janeiro março junho Meninas Meninos
32 Após três meses de observação, e tendo em consideração mais dois instrumentos importantes, as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE) e para a Creche, conduziram à definição de domínios e áreas de intervenção que, de uma forma individualizada, tendo em consideração as características de cada criança, merecem a maior atenção (cf. Figura 7). Figura 7 - Domínios e Áreas de intervenção Tal como já foi referido, é possível verificar que há várias lacunas a serem colmatas no desenvolvimento destas crianças. Deste modo, pretendeu-se desenvolver ao longo do primeiro semestre do ano de 2022, atividades no âmbito da Educação STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts, Mathematics) que, dentro do grande tema escolhido para este ano, “A Floresta”, promoveram o desenvolvimento de várias linguagens, enriquecendo as possibilidades de expressão e de comunicação. O projeto, “A Coruja chegou ao Ninho”, insere-se no tema do Ano de 2022 da Instituição, intitulado “A Floresta” que pretende levar as crianças à descoberta da fauna e da flora, das diferentes espécies de animais que podem encontrar, dos habitats, ecossistemas e preservação dos mesmos. Este projeto pretende também ir ao encontro de Linguagem e Construção Frásica + Motricidade Global e Fina + Autonomia Da Figura Humana Das Cores Dos Sentidos Dos Animais Dos Números Das Formas Geométricas PROMOVER ATRAVÉS DA APRENDIZAGEM
33 vários projetos europeus, como o AutoSTEM, ViduKids e o Poly-Universe. A forma como estes projetos foram incluídos será explicitada no próximo capítulo. O primeiro projeto, o AutoSTEM (AutoSTEM, 2018), prende-se com a construção de autómatos (brinquedos mecânicos, que mexem), e pretende desenvolver nas crianças diferentes competências como a resolução de problemas, o trabalho em grupo, a criatividade, para além dos conteúdos presentes na Educação STEM. O projeto ViduKids (ViduKids, 2020) permite que a criança se torne uma parte ativa do processo de produção de vídeos como uma ferramenta motivadora que ajuda a ilustrar conceitos matemáticos como espaço, números e formas, podendo conectá-las ao seu quotidiano. Por fim, o projeto Poly-Universe (Saxon, & Stettner, 2019) é um jogo de desenvolvimento de habilidades geométricas, criado pelo artista plástico János Szász Saxon. A novidade do Poly-Universe está na simetria “scale-shifting” inerente às suas formas geométricas e num sistema de combinação de cores, que pode ser usado universalmente e impactar o sistema educacional, particularmente no ensino de geometria e combinatória. O projeto “A Coruja chegou ao Ninho “foi planificado semanalmente, havendo uma flexibilidade de datas tendo em consideração as outras atividades e necessidades da Instituição. Convém realçar que, apesar do tema ser “A Floresta”, algumas atividades interligam-se com épocas festivas, como a Primavera, a Páscoa e o Dia da Criança, e com datas marcantes, como o Dia Mundial da Água.
34 Quadro 4 - Cronograma do Projeto de Estágio Cronograma Projeto de Estágio OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN Levantamento de Necessidades A Coruja Maruja e os seus amigos chegaram A Coruja lança um desafio A Casa da Coruja A Coruja e a Primavera A Coruja apresenta a história “O Nabo Gigante” A Coruja e o Coelho da Páscoa As curiosidades da Coruja: A Boa Alimentação As curiosidades da Coruja: Os Números A Coruja e os seus amigos da Floresta As curiosidades da Coruja: As Formas Geométricas A Coruja apresenta a história do “João e o Pé de Feijão” As curiosidades da Coruja: O Corpo Humano As curiosidades da Coruja: Os Sentidos A Coruja leva-nos a passear A Coruja quer levar um quadro do Ninho Mês Atividade
35 CAPÍTULO II - FUNDAMENTAÇÃO, PLANEAMENTO, IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES DO PROJETO “A CORUJA CHEGOU AO NINHO” 2.1 Fundamentação e Enquadramento 2.2.1 Desenvolvimento Infantil e sua avaliação De acordo com a idade das crianças que frequentam a Instituição, torna-se importante considerar as relações/interações entre o desenvolvimento, a aprendizagem e a educação. Tratando-se de processos que têm a sua especificidade é indispensável pensar a sua interação. No domínio do desenvolvimento, destacam-se autores como Piaget e Vigostsky que assumem posições diferentes no que se refere à relação entre desenvolvimento e aprendizagem (Bidarra, 1998; Bidarra & Festas, 2005). Assim, enquanto para Vigotsky (1896-1934) a aprendizagem leva ao desenvolvimento, numa abordagem histórico-cultural, tendo especial relevância a mediação social e a linguagem, para Piaget (1896-1980), a aprendizagem supõe o desenvolvimento de estruturas operatórias, sendo fatores do desenvolvimento cognitivo a maturação física, a interação e transmissão social, o exercício e a equilibração (Bidarra, 1998; Bidarra & Festas, 2005). O construtivismo Piagetiano tem larga influência na área educativa, destacando-se o papel da ação na construção do conhecimento, fundamentando o método da descoberta (Bidarra & Festas, 2005). Piaget procurou descrever o desenvolvimento do conhecimento partindo da observação sistemática e detalhada de crianças. O ser humano para si é uma estrutura dinâmica que se constrói ao longo da vida, passando por fases de desenvolvimento qualitativamente diferentes. Piaget concluiu que o desenvolvimento cognitivo se processa por estádios/etapas qualitativamente diferentes. Segundo a teoria do desenvolvimento cognitivo, existem os seguintes estádios: a) Estádio Sensório-motor (do nascimento até aos dois anos de idade): caracteriza-se através da atividade sensoriais e motoras, o bebé torna-se capaz, de forma gradual, de organizar atividades em relação ao ambiente. A principal aquisição é a permanência do objeto.
36 b) Estádio pré-operatório (dos dois aos sete anos de idade): caracteriza-se por a criança desenvolver um sistema de representação e utilizar símbolos para representar pessoas, lugares e acontecimentos. A linguagem e as brincadeiras imaginativas são normais, sendo a principal aquisição a capacidade de usar símbolos. c) Estádio das operações concretas (dos sete aos onze anos de idade): caracteriza-se pela criança adquirir várias noções lógicas, tais como, a noção do número, desenvolvendo a capacidade de resolver problemas lógicos que incidam sobre aspetos concretos, mas ainda não tem a capacidade de pensar em termos abstratos. d) Estádio das operações formais (a partir dos onze anos de idade): caracterizase pela criança já possuir a capacidade de pensar em termos abstratos, lidar com situações hipotéticas e pensar sobre possibilidades. Nem todos os adultos atingem este estádio (cf. Piaget & Inhelder,1966). Face ao exposto, convém ter em consideração que o processo de desenvolvimento humano é um processo individual, sendo perfeitamente normal e esperado que se registem variações ao nível do desenvolvimento de cada criança. Poderíamos situar as condutas das crianças que frequentam a Instituição nos estádios sensório-motor e pré-operatório, mas torna-se igualmente importante considerar as várias áreas de desenvolvimento, dadas as interações entre desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. Para tal, consideramos importante salientar as fases de desenvolvimento em que se encontra o público-alvo que a Instituição alberga, expondo sumariamente as etapas do desenvolvimento infantil. É nestas idades, nos primeiros anos de vida, que a arquitetura cerebral é moldada, a partir da interação entre a herança genética e influências do meio envolvente da criança (Brant, Jerusalinsky & Zannom, 2000). De acordo com os mesmos autores, e tendo em consideração a natureza individual do processo, pode afirmar-se que os primeiros anos de vida são decisivos no processo de desenvolvimento, sendo que o alcance do potencial depende do cuidado responsivo às suas necessidades. O desenvolvimento pode ser dividido em domínios específicos, como motor, de linguagem, cognitivo e socio-afetivo. De acordo com Brant, Jerusalinsky eZannom (2000), o desenvolvimento motor divide-se em motor fino (e.g. pegar em pequenos objetos) e capacidades motoras amplas (e.g. subir escadas). É um processo contínuo que depende de vários fatores, mas normalmente as crianças começam a andar aos doze meses
37 de idade, subir escadas mantendo-se firme aos dezoito e correm bem aos dois anos. Contudo, e como já referido, a idade para a aquisição destas habilidades varia de criança para criança (e.g. não é por ainda não sobe escadas aos 18 meses, que tem algum problema patológico, pode só ainda não ter adquirido essa competência). A habilidade de compreensão da linguagem precede a habilidade da fala, defendem os autores. A maioria das crianças consegue pronunciar sons simples (e.g. papa) aos doze meses, usar várias palavras e compreender a história que lhes é lida aos dezoito e formar frases de duas ou três palavras com significado aos dois anos. Em média, aos três, consegue manter uma conversa e aos quatro, contar histórias simples e envolverse numa conversa com adultos ou outras crianças. Quando chega aos cinco anos, alcança um vocabulário extenso e variado de palavras. O desenvolvimento cognitivo é o processo que envolve o aparecimento e o crescimento da capacidade de pensar, compreender e, portanto, de aprender. Nas crianças pequenas, este desenvolvimento é avaliado pela observação das aptidões de linguagem, curiosidade e habilidades para resolver dificuldades. Geralmente, aos dois anos, as crianças já entendem o conceito de tempo em termos amplos (e.g. passado é “ontem”, futuro é “amanhã”) e possuem uma imaginação fértil, que lhes torna difícil distinguir o real da fantasia. A compreensão mais correta do tempo acontece por volta dos quatro, quando já percebem que o dia é dividido em manhã, tarde e noite, e podem até conseguir apreciar a mudança das estações. Depois, a partir dos sete anos, as suas capacidades intelectuais tornam-se ainda mais complexas, mas essa faixa etária já não está abrangida por este público-alvo. Por fim, o desenvolvimento socio-afetivo envolve a maneira como a criança socializa e o modo como lida com as suas próprias emoções e desenvolvimento da sua personalidade. Para avaliar a qualidade do seu desenvolvimento, deve-se observar a interação com os pares, em situações do dia a dia. Óbvio que se torna mais fácil de compreender a criança a partir do momento em que esta adquire a fala, bem como o seu estado emocional. Ao planear intervenções educativas com esta população de crianças, é preciso proceder a uma avaliação correta e rigorosa, ponderando possíveis carências e restrições a que podem ter sido submetidas. Nesta avaliação, através da Escala de Avaliação de Competências no Desenvolvimento Infantil, estas podem apresentar níveis de
38 desenvolvimento inferiores à sua idade cronológica, e é aí que recai a intervenção de um/a Educador/a Social. De acordo com a Ordem dos Enfermeiros, a Avaliação do Desenvolvimento é um processo concebido para aumentar o conhecimento e a compreensão das capacidades e competências da criança. Permite observar possíveis alterações ou variações, que por si mesmas dão origem ao aparecimento de certos padrões que, em certas idades, poderão surgir ou confirmar a presença de um diagnóstico de desenvolvimento específico. Pela mesma Ordem, em setembro de 2010, foi publicado um Guia Orientador de Boa Prática em Enfermagem de Saúde Infantil – Promover o desenvolvimento infantil dos 0-5 anos, a Escala de Avaliação de Competências no Desenvolvimento Infantil (SGS), é um dos testes identificados. Esta Escala (cf. Anexo 4) é utilizada nas Consultas de Desenvolvimento de vários hospitais portugueses, incluindo o Hospital Pediátrico de Coimbra, onde as crianças da Instituição são acompanhadas. De acordo com Bellman (2003), esta tem como objetivo: fornecer um método preciso e exato de rastreio do desenvolvimento da criança, desde o seu nascimento até aos cinco anos de idade, permitindo compará-la com o padrão e em diferentes tempos; estabelecer se há atrasos (ou não) de desenvolvimento; fornecer indicadores da natureza do problema e indicar as áreas fortes e as áreas fracas da criança. A SGS foi publicada pela primeira vez em Inglaterra, em 1987, por Martin Bellman e John Cash, que se basearam no teste STYCAR Sequences de Mary Sheridan, publicado em 1976. Posteriormente, em 1996, Martin Bellman, Sundara Lingam e Anne Aukett realizaram uma profunda análise deste documento. Desta revisão surgiu a segunda edição, que incluiu a análise dos itens para garantir a sua correta sequência em paralelo com o processo de desenvolvimento. Desta forma, na Escala de Avaliação de Competências no Desenvolvimento Infantil, 2º Edição (SGS II), os autores preocuparamse em melhorar as instruções de aplicação e em utilizar materiais atuais e atrativos para as crianças. Considerando os seus princípios, julgo de extrema relevância analisar mais profundamente os domínios de competências que esta avalia, sendo estes: • Controlo Postural Passivo (decúbito dorsal, suspensão ventral, puxar para sentar, posição sentada – com apoio); • Controlo Postural Ativo (decúbito ventral, posição sentada – sem apoio e posição de pé); • Competências Locomotoras (movimento e equilíbrio, subir e descer escadas);
39 • Competências Manipulativas (aptidão manual, cubos, desenho e desenho da figura humana); • Competências Visuais (função e compreensão visual); • Audição e Linguagem (função auditiva e compreensão da linguagem); • Fala e Linguagem (vocalização e linguagem expressiva); • Interação Social (comportamento social e brincar); • Autonomia Pessoal (alimentação, higiene e vestir). É ainda possível obter resultados relativamente à área cognitiva a partir de itens relevantes, tais como saber aguardar a vez, inserir-se no jogo imaginativo, explorar as propriedades e possibilidades dos brinquedos, partilhar esses mesmos brinquedos, combinar cores, reconhecer detalhes minúsculos, apontar, procurar os brinquedos escondidos e manipular cubos. Os resultados obtidos possibilitam comparar a idade cronológica (biológica) da criança com a idade corrigida (obtida através do resultado do teste) e compreender se criança se está a desenvolver segundo um padrão normal, ou não. Este teste demora entre dez a vinte minutos a aplicar, e devem ser seguidas as seguintes regras: selecionar as áreas apropriadas para a idade da criança (há áreas com idades limite e portanto não aplicáveis a todas as crianças); não passar exaustivamente por todos os itens (o objetivo é identificar o item mais avançado em cada grupo de capacidades dentro da mesma área); se a qualidade da performance de um item for preocupante, mesmo que a criança o cumpra deve-se marcar “Q” na coluna respetiva; se uma criança falha um item mas para um outro posterior é a pontuação mais elevada que conta. 2.2 Educação STEAM e Expressão Plástica STEAM é um acrónimo para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. Embora exista um corpo crescente de literatura centrada em vários aspetos da educação, "o termo STEAM é tão contestado na sua compreensão como diversificado na sua prática" (Burnard & Gray, 2021). Pode dizer-se que STEAM se refere a uma abordagem educacional que promove o ensino e a aprendizagem integrados através do estudo de fenómenos e tópicos a partir de múltiplas perspetivas. O objetivo principal de combinar várias perspetivas é ir além da educação tradicional baseada no assunto e alcançar ligações cruzadas, inter, multi ou
40 transdisciplinares enquanto se constrói a experiência de aprendizagem. As artes e os processos artísticos contribuem diretamente para a investigação através da criação, execução e ligação de conteúdos e métodos científicos com conteúdos e pedagogias baseadas nas artes. De acordo com Santos (2022), “a abordagem STEAM enfatiza o papel ativo da criança, corresponsabilizando-a no processo de aprendizagem autónomo, integrando o ambiente e os desafios da sociedade, estimulando na resolução de problemas do quotidiano por via do pensamento criativo, critico, arquitetando soluções para questões reais. A apropriação das tecnologias, das artes, do trabalho colaborativo, da metodologia de projeto, do pensamento lógico-matemático, da inteligência emocional, das competências sociais e de comunicação são valorizadas nesta abordagem”. No que diz respeito às artes e às atividades manuais, estas colaboram no desenvolvimento de determinadas áreas do cérebro, não só ao nível de motricidade fina, mas em termos de estímulo global da neuroplasticidade. A implementação desta abordagem com crianças em idade de ensino pré-escolar, permite familiarizar as crianças com a linguagem científica e influenciar, positivamente, o desenvolvimento de conceitos científicos e, consequentemente, do pensamento científico (Andersson & Gullberg, 2014). De acordo com Sousa (2003), a Expressão Plástica, considerada uma atitude pedagógica distinta, não se cinge à criação de obras de arte, mas sim à criança, ao seu desenvolvimento (tanto de capacidades, como de satisfação das suas necessidades). Esta deve ser vista como uma atividade natural, tentando que seja o mais livre e espontâneo possível. A importância da arte no desenvolvimento de crianças institucionalizadas tem vindo a ser reconhecida em políticas públicas portuguesas (Ministério da Educação, 2001) por evocar o jogo, a imaginação, a razão e a emoção, influenciando a forma como crianças aprendem, comunicam e interpretam o contexto em que se inserem. Assim, a componente artística assume um papel fundamental no desenvolvimento da expressividade das crianças e jovens numa esfera pessoal, social e cultural e cada vez mais se reconhece na arte a sua componente educativa, inclusiva e terapêutica.
41 2.3 AutoSTEM, ViduKids e Poly-Universe: Projetos de intervenção em educação Como já referido no capítulo anterior, durante a planificação do Projeto de Intervenção, foram propostos vários desafios com o intuito de incluir atividades ligadas a alguns projetos europeus, como o AutoSTEM, o ViduKids e o Poly-Universe, os quais passo agora a apresentar. Explicitarei também a forma como estes foram introduzidos no projeto. AutoSTEM O AutoSTEM é um projeto Erasmus+, que visa a construção de autómatos como forma de promover a motivação dos alunos para a educação STEM (acrónimo criado como referência a conceitos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática), propondo o desenvolvimento de competências transversais, com acesso a um conjunto de recursos utilizados por profissionais em Educação. O que são autómatos? Autómatos são brinquedos mecânicos, que incorporam a Arte Cinética. Tal como outros artefactos manuais, os autómatos são projetados como dispositivos de comunicação centrados na criança e podem ser definidos como “objetos mecânicos que contam histórias”. Devido à combinação das suas valências, os autómatos apresentam versatilidade de uso na educação. A construção destes brinquedos pode ser adaptada tendo em consideração a faixa etária das crianças, o tema que se pretende tratar e o tipo de movimento que procuramos (simples ou complexo). O projeto AutoSTEM promove uma abordagem interdisciplinar, o que significa que cada autómato permite à criança, não apenas experienciar uma ou mais áreas STEM, mas também descobrir ligações e conexões entre as diferentes disciplinas. Assim, AutoSTEM é perspetivado na "interseção" de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No projeto, o AutoSTEM foi inserido através da atividade intitulada “JellyBird”, que se integra na narrativa “os amigos da Coruja”. Este foi o autómato escolhido porque, para além de se enquadrar no tema da Floresta, revelou-se adequado para ser construído por crianças mais pequenas, e permitir o conhecimento das cores e formas geométricas. Este autómato, para ser construído, precisa de papel e cartão, algo que as crianças estão
48 2.4.3 Implementação Semana 1 - A Coruja Maruja e os seus amigos chegaram As primeiras sessões do projeto foram planeadas como sessões introdutórias ao tema. No início da semana, introduzimos as crianças à mascote criada (cf. Anexo 5), explicando-lhes que, após uma longa viagem, a coruja tinha vindo ao Ninho dos Pequenitos para lhes contar como é viver na floresta. A Educadora Social, durante esta apresentação, lançou o desafio de construir, naquele preciso momento, a história do porquê da mascote se chamar “Coruja Maruja”. O desafio foi aceite e bem-sucedido, resultando numa história diferente, escrita com o auxílio de emojis (cf. Apêndice 1). Quadro 7 - Domínios e Objetivos da Semana 1 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Autonomia Escolher os materiais com que quer pintar; Estar atento/a à história; Interação Social Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Aguardar pela sua vez; Linguagem Adquirir vocabulário inerente ao tema da atividade; Identificar vários elementos associados às tarefas; Compreender conceitos simples; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Responder a perguntas simples; Manipulação Explorar os materiais plásticos. Retomando os objetivos da atividade, fizemos, em conjunto com o grupo, o levantamento das diferentes cores da mascote (castanho – identificação de diferentes tons de castanho, branco, preto, amarelo), da sua forma de locomoção (voo), da constituição do seu corpo (olhos, asas, bico, patas e penas) e das suas rotinas (dorme de dia, vive de noite). As crianças foram muito recetivas à Coruja, quiseram abraçá-la e lembravam-se dela nos dias seguintes, questionando “Onde está a Maruja?”.
49 Mais tarde, chegou um pedido da mascote. Sentia-se sozinha e precisava dos seus amigos, os pássaros. Foi aqui que entrou o projeto AutoSTEM. Como já referido anteriormente, este consiste na construção de autómatos, sendo que o JellyBird se tornou numa maneira divertida e envolvente de as crianças serem introduzidas a vários conceitos matemáticos e também conceitos relacionados com os pássaros. Como o grupo era composto por uma faixa etária sem desenvolvimento suficiente para manusear uma tesoura, os moldes do pássaro foram elaborados pelo/a adulto/a. Em pequenos grupos, foi explicado às crianças como é que um corpo de um pássaro é constituído (bico, asas, cauda, corpo), mostrando que, na verdade, até eram parecidos com a Coruja. Individualmente, cada criança pôde optar pela forma como quis pintar o corpo do animal, podendo escolher entre pincel, esponja ou com os próprios dedos. Para as asas, recorremos à colagem de pedaços rasgados de uma revista, promovendo outro tipo de manipulação (cf. Anexo 6). Infelizmente esta atividade não pôde ser finalizada na altura prevista porque se iniciou um surto de COVID-19 na Instituição, e houve a necessidade de abandonar o estágio até uma possível toma da terceira dose da vacina. Semana 2 - A Coruja lança um desafio Quadro 8 - Domínios e Objetivos da Semana 2 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Autonomia Escolher como quer brincar; Explorar um jogo autonomamente; Linguagem Identificar cores e formas geométricas; Adquirir novo vocabulário; Compreender conceitos simples; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Associar formas geométricas a elementos do quotidiano; Responder a perguntas simples; Manipulação Manipular as peças do jogo; Visão Agrupar por tamanho, cor ou forma. Após um mês sem poder regressar ao estágio, finalmente em Março tudo retomou a sua normalidade. Ao regressar, o grupo de crianças era bastante diferente pois cinco
50 crianças tinham recebido medidas de apoio junto aos pais (integração na família biológica), fazendo com que o grupo etário fosse completamente diferente (0 – 3 anos) daquele para o qual tinha sido pensado (2 – 5 anos) e planificado todo o projeto. Isto levou a que fosse necessário alterar o trabalho planeado até ao momento. Como tal, esta semana baseou-se na brincadeira livre com o material PolyUniverse, tentando visualizar como poderia utilizar este material com crianças tão pequenas. Para além da criança de três anos, que posteriormente será mencionada, como participante do estudo de caso, mais nenhuma criança conseguiu manipular o material de maneira apropriada. Por exemplo, as crianças de um ano foram impelidas para o jogo tendo em consideração as suas cores chamativas, mas a sua manipulação consistia em colocar as peças na boca ou atirá-las da esquerda para a direita (cf. Anexo 7). O que, mais tarde, fez questionar que tal poderia também pode ser visto como um treino da sua lateralidade, o que talvez revele uma estimulação diferente com o material. Semana 3 - A Casa da Coruja Quadro 9 - Domínios e Objetivos da Semana 3 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Audição Seguir instruções; Autonomia Utilizar diferentes recursos plásticos; Interação Social Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Linguagem Identificar a árvore e o animal; Adquirir novo vocabulário inerente ao tema; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar novos materiais. Nesta semana, a mascote quis falar com os meninos, pois tinha saudades da sua casa, a árvore. Como esta atividade envolvia um diálogo mais personalizado com cada criança, a atividade foi realizada individualmente. Para explicar os constituintes das árvores, cada criança foi levada à janela, para olhar para as árvores que se encontram no exterior da Instituição (com estava a chover,
51 não foi possível ir com a criança para mais perto), identificando as folhas e o tronco, tronco este que já se encontrava colado na folha, pois como era um ramo verdadeiro, tinha que ser utilizada cola quente. Posteriormente, e utilizando sobras de outros projetos, foi pedido às crianças mais velhas que fizessem “bolinhas verdes” para colarem como folhas da árvore. Os que ainda não tinham desenvolvido esta competência, puderam sentir a textura do material para depois o colar. Como não poderia faltar, solicitou-se às crianças que desenhassem o chão (que seria do ramo para baixo), para se poder abordar as raízes da árvore, mostrando-lhes uma imagem real, para depois colarmos as raízes da nossa árvore com fios de lã. Depois de tudo seco, e de colar com cola quente o ramo onde ficaria pousada a Coruja, foi realizada a carimbagem da mão, como forma de representação do animal (cf. Anexo 8). É curioso que, uma das crianças mais velhas recusou o toque na tinta, precisando de ver os outros a fazer (como que a ganhar a certeza de que não ia acontecer nada de mal) para querer fazer também. As crianças mais novas que tocaram na tinta pela primeira vez sorriram, e ficaram muito curiosas, querendo até saborear. O trabalho final foi afixado no placard da Sala de Atividades. Semana 4 - A Coruja e a Primavera Quadro 10 - Domínios e Objetivos da Semana 4 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Autonomia Estar atento/a à experiência; Escolher os materiais como quer pintar; Interação Social Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Aguardar pela sua vez; Linguagem Identificar vários elementos associados às tarefas; Adquirir novo vocabulário inerente ao tema; Compreender conceitos simples; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar os materiais plásticos. Na semana em que se iniciou a Primavera, festejámos também o Dia Mundial da Água. Nesse sentido, e após pesquisar sobre experiências que envolvessem água e a
52 Primavera, de alguma forma, encontrámos uma que, através da colocação de uma flor fechada num pequeno prato com água, esta desabrocha, mostrando as suas cores. Num primeiro momento foi pedido às crianças que pintassem uma folha A4 com três flores, usando toda a sua criatividade. A única condição era pintarem com canetas de feltro. Depois, num momento um a um, perguntou-se a cada criança qual era a flor com que queriam fazer a experiência e estas foram recortadas (inicialmente o planeado era referir várias espécies de flores, mas com a alteração do público-alvo foi considerado algo supérfluo). Mais tarde, juntando as crianças à volta da mesa, foram colados três pratos com um pouco de água no fundo e pedido que as crianças, com ajuda, dobrassem as pétalas das flores para dentro, de modo a formar um “pequena bola-flor”. Antes de iniciar a experiência, a Educadora Social questionou se alguém sabia o que estava no prato, ao que responderam que era “água”. Esta resposta surgiu como mote de questionar o que sabiam, então, sobre a água, colocando questões de resposta “sim” ou não”: • “A água tem cor?” – “Não” • “A água tem sabor?” – “Não” • “A água é...?” – “Líquida” Apenas uma das crianças respondeu a estas questões. Depois, um a um, foram colocando as suas flores na água, e viram as pétalas a abrir. O fascínio foi geral.
53 Semana 5 - A Coruja apresenta a história “O Nabo Gigante” Quadro 11 - Domínios e Objetivos da Semana 5 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Autonomia Estar atento/a à narração; Experimentar novos sabores; Interação Social Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Aguardar pela sua vez; Linguagem Identificar os vários elementos presentes na história; Adquirir novo vocabulário; Compreender conceitos simples; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar os materiais plásticos. Para esta semana, a história “O Nabo Gigante”, de Aleksei Tolstoi e Levin Kipnis, foi organizada com antecipação, permitindo criar as personagens tridimensionalmente, utilizando apenas figuras geométricas. Esta atividade era para ser colocada em prática com a criança mais velha da Instituição, mas devido a acontecimentos alheios ao projeto, tal não foi possível. Com os animais construídos (seis canários, cinco gansos, quatro galinhas, três gatos, dois porcos, uma vaca e um rato), a história foi narrada, tendo sido adaptada ao contexto da Floresta do qual o projeto advém. Nesse sentido foi referido que o casal presente na história vivia na floresta e eram vizinhos da Coruja, e era esta que queria partilhar com eles a história fantástica do nabo gigante que os vizinhos colheram. Começamos por juntar todas as crianças no tapete da sala de estar e foi iniciada a narração da história. À medida que se iam referindo os animais e as respetivas quantidades ia-se pousando os respetivos animais no tapete e contando ao mesmo tempo que as crianças. Este momento foi também utilizado para desenvolver a contagem regressiva, mostrando que “como se vai até ao seis, também se regressa até ao um”. Quando cada animal era apresentado, eram referidas as suas características e as cores que os identificavam. É de notar que, apesar de um dos objetivos desta sessão ser o reconhecimento das figuras geométricas presentes nas construções dos animais, posso concluir que esta serviu como
54 um estímulo para as crianças contactarem com estes conceitos, para irem aprendendo, assimilando. Após a narração, separamos as sílabas de cada nome dos animais, utilizando a metodologia de bater palmas, levando as crianças a compreender “por quantas partes a palavra é constituída”. Esta mecânica é algo recorrente em todas as atividades realizadas, pois promove a consciência fonológica. Na história foram referidos alguns legumes, como a cenoura, a batata, os cogumelos, as ervilhas e o nabo, que as crianças conheciam como sendo algo normal na alimentação da Instituição. Contudo, e relembrando que as crianças provêm de ambientes negligentes e precisam de ser motivadas e levadas a ter experiências diversificadas num contexto enriquecedor, considerei importante que conhecessem estes alimentos como são na realidade: tocar, experienciar texturas e provar novos sabores. Foi elaborada uma mesa (cf. Anexo 9), com os legumes rodeados das personagens da história e fizemos uma síntese da narração, para prosseguir com a prova dos alimentos. A adesão das crianças a este desafio superou as expetativas. Crianças que normalmente reagem mal, quando colocadas em situações com as quais não se sentem seguras, foram das primeiras a querer experimentar a cenoura e as ervilhas, sem qualquer embaraço. Semana 6 - A Coruja e o Coelho da Páscoa Quadro 12 - Domínios e Objetivos da Semana 6 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Audição Estar atento/a à canção; Interação Social Envolver-se no jogo simbólico; Imitar os outros; Linguagem Identificar o animal e as suas características; Adquirir novo vocabulário inerente ao tema; Verbalizar palavras abordadas; Tentar responder a perguntas simples; Locomoção Explorar o espaço envolvente; Dançar ao som da canção; Manipulação Explorar os materiais plásticos.
55 Tendo em consideração a época festiva que se aproximava, a “Páscoa”, foram planeadas várias atividades, que se interligaram. Começamos a semana com uma conversa em grupo, onde a Coruja falou com os meninos, explicando-lhes que se aproximava uma data especial (alguns já sabiam qual era pois estão inseridos em Creche e Jardim de Infância) e que iam receber uma surpresa de um grande amigo dela, o Coelho. E foi neste momento que mostramos o coelho gigante que tínhamos criado em papel de cenário (cf. Anexo 10), perguntamos se as crianças lhe queriam dar um nome, ao que foi sugerido “O Dentuças”, e assim ficou. Depois disso, as crianças dispuseram-se pela mesa e iniciamos um trabalho de expressão plástica que envolvia ovos da páscoa e creme de barbear (cf. Anexo 11). Foram seguidos os seguintes procedimentos: • Colocar creme de barbear num tabuleiro (uma porção generosa); • Salpicar o creme com tintas de várias cores; • Utilizar um garfo (da cozinha de brincar), em ziguezague, para dar um efeito marmoreado; • Cortar cartolinas em formato de ovo e pressionar para dentro do creme de barbear; • Retirar a cartolina e os excessos de creme; • Deixar secar. Depois de secos, e criando uma distribuição aleatória de laços coloridos, as crianças tiveram que escolher uma caneta à sorte, que iria corresponder à cor do laço a ser colocado no seu ovo marmoreado. Cada criança colou o seu laço e estes ovos foram oferecidos ao “Coelho Dentuças”, ficando expostos na Sala de Estar (cf. Anexo 12). No dia seguinte, iniciamos a construção de coelhinhos com pratos de papel e algodão (cf. Anexo 13), algo a que nem todas as crianças aderiram, pois estranharam a textura do algodão nas suas mãos.
56 Semana 7 - As curiosidades da Coruja: A Boa Alimentação Quadro 13 - Domínios e Objetivos da Semana 7 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Interação Social Estabelecer relações com os pares; Linguagem Identificar os alimentos; Compreender novos conceitos simples; Adquirir novo vocabulário inerente ao tema; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar o material apresentado. Após uma atividade com a estagiária de Animação Socioeducativa, em que construímos a lagarta do livro “A Lagartinha muito comilona” (cf. Anexo 14), e mantendo o mote dos legumes da história do “Nabo Gigante”, foi construído um jogo de encaixe para as crianças perceberem “para onde vai a comida depois de entrar na boca” (cf. Anexo 15). O objetivo desta atividade era ajudar no desenvolvimento das habilidades motoras finas e dar-lhes a conhecer alimentos com os quais nunca tiveram contacto. Para sua a realização, o grupo de crianças reuniu-se à volta da mesa da Sala de Estar e os vários alimentos foram dispostos pela mesa. As crianças começaram logo a identificar alguns deles, os que fazem frequentemente parte da sua alimentação (pera, maçã, cenoura, banana, ananás). Muitos dos outros alimentos eram desconhecidos, mas foram explicados às crianças durante a realização da ação. Cada criança, na sua vez, ouvia o alimento que lhe era pedido e, entre todos os que estavam espalhados na mesa, tinha que o encontrar para alimentar o boneco. As crianças que ainda não conseguiam escolher, tinham uma das crianças mais velhas a escolher, mas eram elas que executavam o movimento de colocar as peças na boca do boneco. A interação das crianças com este jogo foi imediata, tendo algumas crianças superado as expetativas no que diz respeito ao desenvolvimento da pinça perfeita (pega em pequenos objetos entre o polegar e falange distal do dedo indicador). No fim, retiramos todas as peças da barriga e dividimo-las em cima da mesa entre frutas e legumes, explicando às crianças as diferenças entre os dois tipos de alimentos. Chegada à hora de saída, as crianças pediram para continuar a atividade, ficando as
57 Auxiliares responsáveis por gerir o grupo. Esta demonstração de interesse é um bom indício de avaliação positiva em como a atividade foi ao encontro do interesse das crianças. Este jogo também pode ser desenvolvido como um jogo de memória, uma vez que havia duas peças de cada alimento. Semana 8 - As curiosidades da Coruja: Os Números Quadro 14 - Domínios e Objetivos da Semana 8 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Autonomia Focar a sua atenção; Interação Social Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Aguardar pela sua vez; Linguagem Identificar as cores; Usar algumas palavras que identificam os números; Contar até seis; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar novas formas de pintar; Interagir com os materiais apresentados. De forma a promover a motricidade fina com as crianças mais pequenas, foi desenvolvido um jogo de manipulação, envolvendo os números até cinco (o seis era impossível de realizar deste modo), utilizando um pedaço de cartão e tampas de sumos de criança (cf. Anexo 16). A cada número, foi atribuída uma cor (1 - amarelo; 2 - laranja; 3 – vermelho; 4 – roxo; 5 - verde), e esta associação manteve-se durante todas as atividades, adicionando o 6, a azul. Continuando o tema da Lagarta, e a contagem até seis da história do “Nabo Gigante”, foi construída uma pequena ficha para que as crianças pudessem fazer a carimbagem das quantidades, contruindo assim o seu corpo (cf. Anexo 17). Para explicar a noção de quantidade, a Educadora Social ajudou a criar uma dinâmica diferente, com um jogo que as crianças estão habituadas a manipular na Sala de Estar, sendo que foi distribuída uma peça por cada participante, com números do um ao seis. À medida em que íamos avançando, demonstrávamos a forma de representar os números com as mãos e pedíamos a quem tivesse essa peça, que levantasse a mão.
64 • Relva sintética verde; • Bolas de algodão branco; • Espátulas de madeira; • Bolas de esferovite e olhos de plástico; • Esponjas da loiça; • Penas azuis; • Restos de tecido; • Massas espirais grandes amarelas, laranja e verdes; • Arames felpudos de várias cores; • Plástico bolha; • Eva, para a concretização das letras do nome e da coruja. Esta atividade foi, pelo feedback recebido, a que as crianças mais gostaram, estando atentas à interação dos colegas enquanto não era a sua vez, mostrando curiosidade em experimentar o tapete com diferentes partes do corpo (tendo apenas uma criança recusado utilizar os pés), pedindo várias vezes para que esta fosse repetida. No que diz respeito aos conceitos adquiridos, foi possível explorar com as crianças a noção de “duro” e “fofo”, bem como as cores dos diferentes objetos. Semana 14 - A Coruja leva-nos a passear Quadro 20 - Domínios e Objetivos da Semana 14 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Audição Estar atento/a aos sons do exterior; Autonomia Seguir regras simples; Interação Social Estabelecer relações com os pares; Evidenciar curiosidade pelo que o/a rodeia; Brincar em conjunto; Linguagem Identificar os seres vivos; Compreender conceitos simples; Adquirir vocabulário inerente ao exterior; Verbalizar palavras e conceitos abordados; Tentar responder a perguntas simples; Locomoção Explorar o espaço envolvente; Manipulação Explorar os materiais; Visão Agrupar por forma.
65 Estas atividades estavam planeadas para uma semana específica, mas foram acontecendo ao longo do período de estágio. Sempre que possível, dependendo da dinâmica da Instituição, das crianças e das condições meteorológicas, a Educadora Social proporciona passeios pela zona envolve à Instituição. Infelizmente, a atividade das “Lupas do Exterior” (cf. Anexo 28) só foi possível concretizar com três crianças do projeto, com um ano de idade, não possuindo ainda os desenvolvimentos necessários para conseguir agrupar por formas. Semana 15 - A Coruja quer levar um quadro do Ninho Quadro 21 - Domínios e Objetivos da Semana 15 Domínios de desenvolvimento em foco para a criança (segundo a SGS II) Objetivos específicos (A criança deve ser capaz de...) Linguagem Identificar as cores; Verbalizar a cor com que quer pintar; Tentar responder a perguntas simples; Manipulação Explorar o material apresentado com as mãos. Por ser a última atividade, e devido à dinâmica da Instituição, o tempo para a sua concretização foi mais escasso do que aquilo que estava previsto inicialmente. Desta forma, o principal objetivo desta atividade focou-se na capacidade de escolher a cor com que queriam pintar. As crianças que já tinham a linguagem adquirida foram capazes de verbalizar a cor com que queriam carimbar as suas mãos. Às restantes foram oferecidas diferentes cores, tendo selecionado autonomamente através do toque a cor que queriam. O resultado obtido pode ser consultado no Anexo 29.
66 2.4.4 Avaliação A avaliação do projeto foi realizada através dos métodos de observação direta e participante, com o auxílio de Checklists de observação (cf. Apêndice 2), pretendendo averiguar se os objetivos traçados inicialmente foram atingidos, e das avaliações formais realizadas pela Instituição, utilizando a SGS II. As Checklists subdividem-se em dois grupos, um para as crianças que, aquando do início do projeto, tinham menos de dezoito meses, e outro grupo constituído pelas crianças acima dessa mesma idade. Tendo em consideração o modelo formal de avaliação da Instituição e as fases de desenvolvimento em que as crianças se encontravam, foi considerada necessária esta divisão, por forma a poder avaliar objetivos reais e individualizados. Tendo isto em consideração, torna-se necessário apresentar o total de objetivos para cada semana, tendo em consideração as Checklists criadas (cf. Quadro 22). Quadro 22 - Total de objetivos por semana, tendo em consideração as Checklists Semanas Nº de Total de Objetivos (<18 meses) Nº de Total de Objetivos (>18 meses) Semanas Nº de Total de Objetivos (<18 meses) Nº de Total de Objetivos (>18 meses) 1 5 6 9 5 10 2 5 8 10 5 10 3 4 7 11 6 10 4 5 9 12 7 10 5 4 8 13 6 7 6 6 8 14 6 9 7 5 5 15 3 4 8 5 8 No fim de todas as atividades, foi possível elaborar a avaliação do projeto, detalhando a evolução de cada criança que participou no mesmo, através do número de objetivos alcançados.
67 Criança A • 2 anos de idade • Sexo masculino • Realizou 10 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Está inserida em Creche • Apresenta paralisia cerebral Figura 10 - Número de objetivos atingidos pela Criança A durante o projeto Apesar do projeto não ter sido pensado para situações que envolvem paralisia cerebral, assim que entrou na Instituição (03/22) a criança foi integrada no mesmo, tentando sempre que participasse em todas as atividades da mesma forma que as outras crianças. Desde início mostrou ser uma criança curiosa, capaz de compreender e verbalizar palavras simples e de responder a perguntas de sim ou não. Durante a realização das atividades foi possível perceber que a criança reagia muito positivamente a estímulos musicais, o que se tornou uma forma interessante para promover, junto desta, as diferentes aprendizagens pretendidas. A única atividade que a criança não executou foi a das estradas das formas geométricas, que corresponde à semana 10 (cf. Figura 10). Algo possível de observar durante a realização das diferentes atividades foi o desenvolvimento da autonomia da criança na execução de trabalhos plásticos, sendo capaz de manusear, sem ajuda do/a adulto/a, os diferentes materiais. Esta criança não é avaliada pela SGS II. Como é seguida pela Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) desde o seu nascimento, é avaliada pela escala que a própria instituição utiliza. 0 2 4 6 8 10 12 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
68 Criança B • 4 anos de idade • Sexo feminino • Realizou 13 de 15 atividades do projeto • Beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Está inserida em Jardim de Infância Figura 11 - Número de objetivos atingidos pela Criança B durante o projeto Esta criança, portadora da Síndrome de Bardet-Biedl 3 , esteve inserida no projeto desde o seu início. Foi interessante observar que, ao longo do projeto, a criança foi demonstrando evolução ao nível da compreensão de instruções (numa das atividades foilhe pedido que “desse o dedo”, ao que a criança respondeu com o levantamento do indicador direito) e, apesar da sua inflexibilidade para com o manuseamento da plasticina, foi muito ativa na atividade do slime. As únicas atividades que a criança não realizou (pois não se demonstrou interessada nos materiais) foi a do Poly-Universe e das estradas das formas, que correspondem à semana 2 e 10, respetivamente (cf. Figura 11). No que diz respeito à SGS II, foi possível retirar informação da avaliação dos 48 meses, realizada em março de 2021, e da avaliação dos 60 meses, realizada em março deste ano, já com o projeto a decorrer (cf. Figura 12). 3 Uma doença multissistémica genética rara caracterizada pela associação variável de distrofia da retina, obesidade, polidactilia, anomalias geniturinárias e renais, dificuldades de aprendizagem e hipogonadismo, com um amplo espetro de outras manifestações menores. 0 1 2 3 4 5 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
69 Figura 12 - Avaliações do desenvolvimento da Criança B através da SGS II Nas suas avaliações (que já são menos periódicas devido à sua idade), e tendo em consideração os limites de uma criança com esta síndrome, só seria de esperar que se encontrasse muito abaixo do perfil de desenvolvimento adequado à sua idade cronológica. Deste modo, o que se pretendeu promover acima de tudo foi a motricidade global e fina da criança (tentando que esta conseguisse manipular peças de jogos de encaixe sozinha, por exemplo) a sua autonomia a nível de concentração numa atividade e a manipulação de diferentes materiais. Criança C • 2 anos de idade • Sexo feminino • Realizou 14 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Está inserida em Creche
70 Figura 13 - Número de objetivos atingidos pela Criança C durante o projeto Incluída no projeto desde a primeira semana, esta criança foi das mais interessadas durante todo o decorrer da intervenção. Durante este tempo foi capaz de adquirir novo vocabulário, começando a verbalizar palavras e conceitos simples, sendo capaz de responder a várias perguntas. Nas várias atividades foi capaz de identificar e utilizar diferentes partes do seu corpo, identificar cores, animais e, durante algum tempo, seguir regras e instruções que lhe eram dadas pelos/as adultos/as. A única atividade que a criança não realizou (pois não se demonstrou interessada no material) foi a do Poly-Universe, que equivale à semana 2 (cf. Figura 13). No que diz respeito à SGS II, foi possível retirar informação da avaliação dos 24 meses, realizada em dezembro de 2021, mesmo antes do projeto iniciar, e da avaliação dos 30 meses, realizada em junho deste ano, já com o projeto a terminar (cf. Figura 14). Figura 14 – Avaliações do desenvolvimento da Criança C através da SGS II Na primeira avaliação efetuada (24 meses), foi possível observar que a criança se encontrava dentro de um perfil de desenvolvimento normal para a sua idade cronológica, 0 2 4 6 8 10 12 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
71 estando um pouco aquém no domínio da fala e da linguagem, algo que se tornou um foco para estimular a criança. Seis meses depois, em nova avaliação (30 meses) foi possível verificar que a criança conseguiu adquirir esse domínio no parâmetro correspondente à sua idade, mas que, apesar de um dos grandes focos do projeto ser a manipulação, esta ficou aquém do esperado. É de notar que, durante a realização desta avaliação, a criança esteve sempre bastante inquieta e pouco colaboradora, o que pode justificar esta diferença entre a avaliação e a observação do/a adulto/a. Criança D • 3 anos de idade • Sexo masculino • Realizou 15 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Está inserida em Jardim de Infância Figura 15 - Número de objetivos atingidos pela Criança D durante o projeto A criança deu entrada na Instituição em dezembro, pelo que está inserida no projeto desde o primeiro dia. Na apresentação da Coruja, a criança manifestou-se bastante contente e entusiasmada, tendo abraçado o peluche com muito carinho, algo fora do comum para os comportamentos habituais da criança. A manipulação que a criança realizou do material Poly-Universe tornou-se mote para a realização de uma investigação que será apresentada no Capítulo III. A nível das restantes atividades, a criança correspondeu a todos os objetivos pretendidos a partir do momento em que ganhou mais confiança em si mesma e no/a adulto/a que a guiava neste processo. A sua relação com os pares também melhorou, 0 2 4 6 8 10 12 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
72 estando nas primeiras atividades mais isolada e com medo de realizar certas atividades, que só aceitou fazer depois de assistir à realização das mesmas por parte dos/as colegas. No que diz respeito à SGS II, foi possível retirar informação da avaliação dos 36 meses, realizada em dezembro de 2021, mesmo antes do projeto iniciar (cf. Figura 16). Era suposto ter sido feita a avaliação dos 48 meses, antes do término do período de estágio, mas por motivos inerentes à dinâmica da Instituição, tal não foi possível. Figura 16 - Avaliações do desenvolvimento da Criança D através da SGS II Esta avaliação (que serviu como diagnóstico para levantamento das necessidades), demonstrou que a criança se encontrava num perfil de desenvolvimento entre os 24 e os 36 meses. Os domínios que necessitavam de mais intervenção eram a autonomia, a fala e linguagem e a locomoção. Tendo em consideração que não foi possível realizar nova avaliação para constatar se este perfil de desenvolvimento já ia ao encontro da sua idade cronológica, só podemos referir aquilo que observamos. A criança terminou o projeto a conseguir construir autonomamente puzzles de vinte peças, a reconhecer e a verbalizar os números até dez e o nome de animais de diversos habitats, bem como algumas das suas características. Criança E • 6 meses de idade • Sexo masculino • Realizou 9 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Não está inserida em contexto Pré-Escolar
73 Figura 17 - Número de objetivos atingidos pela Criança E durante o projeto A criança já se encontrava na Instituição aquando do início do projeto, mas só foi inserida nas atividades a partir da quinta semana, quando atingiu os seis meses de idade, um patamar de desenvolvimento suficiente para conseguir corresponder aos objetivos delineados. Em todas as atividades que participou, demonstrou curiosidade pelos estímulos ao seu redor, manifestando interesse por objetos e materiais ainda seus desconhecidos. Para além das atividades inicias, a criança não realizou as atividades com números e com formas geométricas, que correspondem às semanas 8 e 10 (cf. Figura 17). No que diz respeito à SGS II, foi possível retirar informação da avaliação dos três meses, realizada em dezembro de 2021, mesmo antes do projeto iniciar, da avaliação dos seis meses, realizada em março deste ano, que marca a entrada da criança no projeto, e da avaliação dos oito meses, concretizada em maio, já com o projeto a terminar (cf. Figura 18). 0 1 2 3 4 5 6 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
80 Figura 24 - Avaliações do desenvolvimento da Criança H através da SGS II Através das avaliações efetuadas neste período de tempo, é possível verificar que os domínios de desenvolvimento da criança não vão ao encontro da sua idade cronológica. Na avaliação final (24 meses), a criança apresentava um perfil de desenvolvimento entre os 15 (visão, audição, fala, linguagem e cognição) e os 24 meses (locomoção e interação social). Criança I • 2 anos de idade • Sexo masculino • Realizou 13 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Está inserida em Creche
81 Figura 25 - Número de objetivos atingidos pela Criança I durante o projeto Assim que entrou na Instituição (04/22) a criança foi integrada no projeto, participando em todas as atividades da mesma forma que as outras crianças. A criança já tinha muitos conhecimentos adquiridos sobre as cores, os números e os animais aquando da sua entrada. Isso facilitou a sua integração. A criança esteve, em todas as atividades, sempre muito curiosa em relação ao que era para fazer, manipulou sempre os materiais da maneira apropriada, possuindo já habilidade em construir puzzles de vinte peças. Pouco tempo depois da sua entrada no projeto, a criança foi inserida em Creche, o que desenvolveu a sua interação social com os pares. Várias vezes demonstrou preocupação e quis ajudar as crianças mais pequenas a concretizar, também elas, as diferentes atividades. No que diz respeito à SGS II, apenas foi possível retirar informação da avaliação dos 30 meses, realizada em março de 2021, que serviu como avaliação disgnóstica do desenvolvimento da criança (cf. Figura 26). Figura 26 - Avaliações do desenvolvimento da Criança I através da SGS II 0 2 4 6 8 10 12 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
82 Nesta avaliação foi possível constatar que a criança apresenta um perfil de desenvolvimento entre os 24 (manipulação, autonomia e cognição) e os 30 meses (os restantes domínios). Criança J • 1 ano de idade • Sexo feminino • Realizou 7 de 15 atividades do projeto • Não beneficia de acompanhamento pelo SNIPI • Não está inserida em contexto Pré-Escolar Figura 27 - Número de objetivos atingidos pela Criança J durante o projeto Assim que entrou na Instituição (05/22) a criança foi integrada no projeto, participando em todas as atividades da mesma forma que as outras crianças. Durante todas as atividades tentou responder a perguntas simples, utilizando gestos para aquilo que não conseguia verbalizar, foi ativa em todas as atividades plásticas, não demonstrando qualquer tipo de inibição no manuseamento de diversos materiais (por exemplo, durante a pintura sensorial, pintou o seu corpo todo e quando lhe era perguntado “se queria mais tinta”, levantava o pé como a pedir mais). A única avaliação efetuada à criança foi aquando da sua chegada, o que apenas nos fornece uma informação diagnóstica da mesma (cf. Figura 28). Nesta avaliação foi possível perceber que a criança apresenta um perfil de desenvolvimento entre os 24 (locomoção) e os 15 meses (visão, audição, fala, linguagem e cognição). Após observação da interação da criança com as atividades que lhe eram propostas, considera-se que, se a 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10 Semana 11 Semana 12 Semana 13 Semana 14 Semana 15 Objetivos Atingidos
83 criança tivesse participado no projeto desde o início, iríamos observar uma grande evolução nestes domínios que necessitam de estímulos. Figura 28 - Avaliações do desenvolvimento da Criança J através da SGS II De uma forma geral, e tendo em consideração o feedback que íamos recebendo ao longo da implementação do projeto (tanto da equipa, como do público-alvo), este foi bemsucedido. As crianças aderiram bastante ao facto de as atividades serem propostas por um peluche, mostraram interesse em relação a materiais e objetos que eram para elas desconhecidos e foram, a cada semana que passava, mostrando evoluções e que assimilaram os conteúdos que as atividades lhes queriam transmitir. Segundo as nossas observações, as crianças que evoluíram mais foram as de idade superior a 24 meses e que estavam inseridas em contexto pré-escolar, o que evidencia, por um lado, a importância da interação entre estes contextos e, por outro, a uma maior adequação do projeto a esta faixa etária, para a qual foi inicialmente concebido. Ainda assim, podemos identificar alguns aspetos a melhorar e, como tal, consideramos pertinente realizar uma análise SWOT, como avaliação final do projeto (cf. Quadro 23).
84 Quadro 23 - Análise SWOT do projeto Pontos Fortes Pontos Fracos Pertinência dos temas; Dificuldade na avaliação do impacto do projeto nas crianças; Bom domínio de diferentes metodologias; Atividades diferenciadas e lúdicas; Dificuldade em implementar atividades com grupos etários tão distintos. Vínculo afetivo positivo com as crianças. Oportunidades Ameaças Grupo curioso e disposto a colaborar nas atividades; Flutuação das crianças e indefinição da duração do acolhimento; Espaços adequados e preparados para as atividades; Dinâmica de uma Instituição de Acolhimento; Apoio da Educadora Social e da Equipa Educativa. Imprevisibilidade no cumprimento de planificações.
85 CAPÍTULO III - À PROCURA DA BOA FORMA COM O MATERIAL POLY-UNIVERSE 3.1 Contextualização e Objetivos da Investigação Como já referido no capítulo anterior, houve uma criança que se destacou pela manipulação e ligações que fez com o material Poly-Universe (também já supracitado), que serviu de mote para a concretização de um Estudo de Caso. Este estudo tem como principal objetivo analisar a interação de uma criança na faixa etária dos três anos com o material Poly-Universe, tendo por base três objetivos específicos: (1) aprender as formas geométricas simples (círculo, triângulo e quadrado); (2) aprender as cores (amarelo, azul, verde e vermelho); e (3) promover a criatividade, a motivação intrínseca, a atenção e a perceção visual. O material Poly-Universe já se revelou excelente para o ensino da matemática junto de crianças com idade superior a seis anos, no que diz respeito ao desenvolvimento de hábitos criativos no ambiente escolar. A questão a que este estudo pretende dar resposta consiste em saber se este material é passível de ser utilizado noutros ambientes educativos (como é o caso do Acolhimento Residencial), com crianças a frequentar o Jardim de Infância, com o intuito de tornar a aprendizagem lúdica e divertida. 3.2 Metodologia 3.2.1 Participante Depois de uma brincadeira livre com o material com todas as crianças da Instituição, houve uma criança que demonstrou especial interesse e criatividade no momento do jogo, o que elevou ainda mais o interesse para a concretização deste estudo. O participante, então, acolhido em ambiente de Acolhimento Residencial, é do sexo masculino e aquando do início do estudo tinha três anos de idade, encontrando-se na Instituição há três meses. Estes três meses permitiram a criação de um vínculo afetivo com a criança, levando-a a sentir-se mais confiante e confortável para partilhar a sua criatividade comigo. Os conceitos das formas geométricas e das cores também foram
86 treinados durante esse tempo que fez com que a criança já demonstrasse conhecimentos prévios no início da manipulação do material. 3.2.2 Instrumentos Considerando que se trata de um estudo de caso, a melhor técnica de recolha de dados é a observação. Isto provou ser um instrumento crucial para este estudo porque nos permite saber, de facto, como a ação teve lugar. A observação não só integra a perceção visual, mas também a perceção táctil, olfativa e auditiva. Neste sentido, o investigador qualitativo utiliza os cinco sentidos para recolher informação, que só ganha sentido quando obtida no seu ambiente natural (Flick, 2013). Seguindo esta linha de pensamento, ao longo desta investigação, é utilizada a observação participante e indireta, permitindo assim uma recolha de dados mais precisa. A observação participante permite ao investigador integrar o ambiente sob investigação, "vestindo" o papel de ator social, podendo assim ter acesso às perspetivas de outros seres humanos quando experimentam os mesmos problemas e situações (Amado, 2013). Desta forma, procuramos desenvolver momentos que vão ao encontro dos gostos e interesses da criança, proporcionando assim o desenvolvimento da sua criatividade e motivação. Segundo Flick (2013), a observação participante ocorre a dois níveis: no primeiro, o investigador torna-se participante, ganhando acesso à pessoa e, no segundo, continua a observação, concentrando-se mais no objetivo a ser investigado. Assim, no primeiro plano, tentamos conhecer a criança, ganhando a sua confiança e criando um ambiente seguro e calmo para que ela/ele pudesse expressar as suas opiniões e emoções (é necessário considerar que se trata de uma criança acolhida devido a um Acordo de Promoção e Proteção, pelo que este primeiro contacto se torna crucial). Num segundo nível, implementamos estratégias no desenvolvimento das atividades que estavam de acordo com o que foi observado anteriormente, concentrando-nos no manuseamento do material por parte da criança. A observação indireta foi também um método utilizado, através da captura de fotografias, permitindo o registo das construções da criança ao longo dos momentos, para futura observação e análise. A fotografia tem como objetivo documentar as práticas analisadas, permitindo o confronto com as interpretações em forma de texto, frequentemente percebidas e interpretadas de um ponto de vista específico (Flick, 2013).
87 O papel do jogo no desenvolvimento tem sido amplamente evidenciado nas teorias e pesquisas educacionais (por exemplo, Dárdai, 2022, para o papel da pedagogia do jogo na geometria, Vaz-Rebelo, Bidarra. Santos, no prelo). Depois de rever o lugar do jogo na educação, Dárdai (2022, 53) refere "estes poucos exemplos mostram que o papel educacional do jogo é agora bem conhecido de séculos de experiência. É por isso que a pedagogia do jogo é agora ensinada em todos os estabelecimentos de ensino com educadores de infância, professores do ensino primário e professores; existe uma vasta literatura sobre o assunto e os professores interessados podem aprender sobre o valor educativo dos vários tipos de jogo - movimento, habilidade, desenvolvimento, social, etc. - não só a partir de manuais escolares, mas também através de eventos profissionais nacionais e internacionais, conferências e campanhas.” Em particular, os educadores da primeira infância compreendem a importância da brincadeira no desenvolvimento dos seus filhos. As brincadeiras podem ter diferentes facetas e objetivos. O papel do educador durante o jogo traz a distinção entre jogo livre e jogo dirigido/educativo (Weisberg, Hirsh-Pasek, Golinkoff, Kittredge & Klahr, 2016). Como referido em Vaz-Rebelo, Bidarra e Santos (2022, p. 98) "O jogo livre é espontâneo à medida que as crianças perseguem as suas fantasias criativas. Enquanto, por um lado, a brincadeira livre é dirigida às crianças e sem intervenção dos adultos, por outro lado, a brincadeira guiada tem lugar num ambiente intencional que foi cuidadosamente planeado para estimular e apoiar a curiosidade e criatividade da criança. Enquanto os alunos interagem entre si e com os materiais, os professores observam e registam esta informação para planear os próximos passos. São as crianças que decidem como irão explorar e interagir com os materiais e não os professores. Nas brincadeiras guiadas, as oportunidades de aprendizagem podem ser explicitamente estruturadas, mas a atividade é sempre conduzida pela criança. Uma questão-chave que está, efetivamente, em discussão é, então, como orientar a brincadeira das crianças, qual pode ser o papel dos educadores, a fim de manter o benefício da brincadeira livre e também da orientação direta? Neste âmbito, o jogo guiado surge como uma forma de considerar tanto o jogo livre como a orientação dos educadores e pode ter várias facetas e características (por exemplo, Weisberg, et al., 2016).
88 3.2.3 Procedimentos O primeiro passo para a realização deste Estudo de Caso foi a redação de um Consentimento Informado para pedir autorização para poder realizar estes relatos, à Direção da SORRISO (cf. Apêndice 3). Com este assinado, planeamos fazer a introdução do material em quatro momentos: (1) círculos; (2) quadrados; (3) triângulos; e (4) o “preferido” da criança. Nos momentos iniciais da primeira sessão, foi permitido à criança manusear o material livremente, sem qualquer intervenção por parte do/a adulto/a, promovendo assim o jogo livre e a sua autonomia. Posteriormente, optou-se pelo método de jogo guiado, estruturando as aprendizagens que tinha como objetivos, mas deixando na mesma a criança conduzir a atividade. Nesta vertente, o/a adulto/a é visto como um/a parceiro/a colaborativo/a que cria experiências flexíveis e orientadas para o interesse da criança que estimulam a sua curiosidade natural, o envolvimento ativo e os processos de "sentido" (Fisher et al., 2012). Neste contexto, o/a adulto/a protege a aprendizagem da criança comentando descobertas, brincando com a mesma e criando sequências de aprendizagem com recurso a materiais bem planeados. Todas as sessões foram realizadas na sala de estar da Instituição, num ambiente neutro, seguro e onde a criança estava habituada a estar e a brincar. Foi sempre referido que este era um jogo escolhido para ele, mas que todos podiam brincar e manusear o material, algo que não foi muito bem aceite pela criança no momento da brincadeira. A primeira sessão ocorreu passado três meses da entrada da criança na Instituição, o que permitiu um processo de aproximação regular e sem criar algum stress ou desconforto. O material não foi explicado nem demonstrado antes, a primeira utilização foi apenas jogo livre e utilização de conhecimentos prévios relativos às formas geométricas, às cores, algo que já tinha sido trabalhado com a criança. Inicialmente, começou por juntar as metades de círculos maiores e intermédios, fazendo uma ligação correta com as cores, e quando questionada sobre a construção que tinha feito disse: “Não se vê logo que é uma lagarta?”, o que levou a uma gargalhada conjunta. Foi questionado se sabia que formas geométricas eram estas (com as quais que ele estava a trabalhar) ao que a resposta foi positiva, afirmando que se tratava de “círculos que parecem bolas”.
89 Figura 29 - Primeira construção, "A Lagarta" Durante a realização desta construção, foram explorados os objetivos pretendidos, questionando a criança: • “Já reparaste que juntaste várias cores iguais?”; • “Duas metades juntas dão um...?”, ao que a criança respondeu “Círculo!”; • “Já viste como há círculos de tantos tamanhos diferentes?”. Isto levou a que a criança alterasse a sua construção e fizesse a ligação de ainda mais semicírculos, como se pode ver na Figura abaixo. Figura 30 - Segunda construção, “A Nova Lagarta” Após este momento, e sendo interrogado se havia algo mais que ele poderia construir com os círculos, a criança conectou as peças através do semicírculo maior, tendo
96 novas ligações. De uma forma instintiva, seriou as peças por cores, criou formas imaginárias ou com que pudesse brincar, juntou grandezas de tamanho igual e foi capaz de criar novas figuras geométricas. O Poly-Universe pode ser usado em Acolhimento Residencial, com crianças com idade a partir dos três anos, devido à sua simplicidade, à sua universalidade e ao seu aspeto atrativo com cores vibrantes. A melhor parte deste jogo para a criança foi o facto de não ter qualquer tipo de regras, levando-a a juntar as peças com base no seu próprio critério e a estimular a sua criatividade nas suas montagens/construções. É do conhecimento de qualquer profissional no ramo educativo, que brincar é uma das formas mais importantes de aprender para as crianças. Segundo Piaget (1964), "Quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois a sua interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui”. A partir do brincar a criança expande a sua imaginação, levando-a a criar fantasias imaginativas, podendo começar a compensar as pressões que sofre na realidade das suas vivências. Com este material, é possível promover conhecimentos básicos a partir de situações de jogo informais como a comunicação e as habilidades sociais; a visão espacial; a percepção em parte inteira; o pensamento algorítmico; as habilidades sensoriomotoras; o pensamento sintético e analítico; a seriedade; etc. O Poly-Universe destaca-se assim entre os familiares Lego, jogos de tabuleiro, cubos de madeira e outros jogos lógicos, sendo um jogo que pode ser adaptado a diferentes faixas etárias.
97 CAPÍTULO IV - OUTRAS ATIVIDADES Para além das atividades planificadas e desenvolvidas no âmbito do Projeto de Estágio e de Investigação, foi ainda possível participar e colaborar noutras atividades inseridas na dinâmica da Instituição e da Faculdade, que serão apresentadas em seguida. 4.1 Atividades inseridas na dinâmica da Instituição 4.1.1 Atividades de avaliação e acompanhamento das crianças em ambiente de acolhimento • Conferências Judiciais Ao longo do estágio curricular, foi possível assistir a duas sessões de Conferência Judicial no Tribunal de Família e Menores de Coimbra (uma online e uma presencial) acompanhando a Educadora Social, convocada para participar nestas conferências. • Reuniões e colaboração em atividades inerentes ao contexto Pré-Escolar A Educadora Social tem como função ser Encarregada de Educação das crianças, o que exige a presença em reuniões de acompanhamento tanto com as educadoras, como com as profissionais do SNIPI que acompanham as crianças assinaladas. Para além disso, a Educadora Social participa nas festas comemorativas dos Equipamentos de Ensino e nas atividades realizadas ao longo do ano, trabalhando sempre em articulação com as educadoras. Durante o percurso na Instituição, foi permitido assistir a diversas reuniões (algumas online e outras realizadas em Creches e em Jardins de Infância), onde eram abordados aspetos relativos ao desenvolvimento das crianças, questões que possam gerar preocupação ou conquistas que tenham alcançado. Como referido, nas reuniões de crianças assinaladas ao SNIPI, esteve presente a educadora responsável, podendo discutir também o Plano Individual de Intervenção Precoce (PIIP). • Realização de Relatórios de Acompanhamento Independentemente do tempo de permanência de cada criança em acolhimento, a Equipa Técnica elabora semestralmente um relatório de acompanhamento a ser remetido
98 à CPCJ, ao Tribunal ou à EMAT ou, quando esteja próxima a data da revisão da medida aplicada. Também pode acontecer que qualquer uma destas entidades, solicite informações específicas de cada processo em qualquer altura, mediante a evolução de cada processo. Neste relatório poderão constar propostas de alteração da situação da criança, nomeadamente, alteração do regime de visitas, parecer sobre o projeto de vida, entre outros. • Avaliação do Desenvolvimento das Crianças Foi possível participar em algumas avaliações do desenvolvimento das crianças. Para a realização das mesmas, e já como referido anteriormente, a Instituição recorre à SGS II, que é um instrumento de rastreio do desenvolvimento das crianças dos zero aos cinco anos (Seabra-Santos, Simões, Almiro & Almeida, 2021), utilizado em vários momentos no decorrer do acolhimento da criança. • Elaboração dos Planos Socioeducativos Individuais Sempre com o auxílio da Educadora Social, foi possível participar na elaboração de alguns dos Planos Sócios Educativos Individuais (PSEI) das crianças. Este, como já explicitado no Capítulo I mas relembrando, é um documento técnico, cuja função primordial é facilitar a identificação das ações e sistematizar a intervenção que Instituição pretende desenvolver com determinada criança. Cada projeto é avaliado para constatar se existe progresso no cumprimento dos objetivos propostos. A periodicidade dessa avaliação é definida consoante a natureza de cada projeto. Mediante os resultados obtidos, cada projeto pode ser reformulado com outros objetivos, finalizado ou podem surgir novas áreas de intervenção. • Acompanhamento do processo de uma criança em aproximação à família adotiva Durante o período de estágio foi possível observar e participar no processo de adoção de uma criança. Esta participação consistiu na preparação da semana de aproximação da candidata à criança, pois esta já se encontrava nos dois anos de idade.
99 Antes dessa semana, a candidata enviou um peluche e um álbum com diversas fotos da família e da casa que a esperava. Em conjunto com os elementos da Equipa Técnica, o álbum foi mostrado à criança, levando-a à identificação dos que serão a sua família. No primeiro dia, realizou-se uma reunião com a candidata, a Educadora Social e a responsável da Equipa de Adoção para partilha de informações relativamente à criança. Depois houve a primeira aproximação entre as duas, e foi muito gratificante observar que, através do trabalho que já tinha sido feito com o álbum, a criança se demonstrou à vontade com a candidata. O processo decorreu com a sua normalidade, já explicitada no primeiro capítulo, sendo que, no segundo dia, a candidata pôde dirigir-se à Instituição, brincar com a criança, dar o almoço e preparar para a sexta; no terceiro dia, pôde ir passear com a criança ao exterior, com o apoio de um membro da Equipa Técnica; no quarto dia, a criança pôde passar a noite no alojamento da candidata e, no quinto dia, a criança pôde sair da Instituição. Convém realçar que este processo foi pensado para ser flexível e adaptável, colocando a criança sempre primeiro lugar. • Questionários de Caracterização da Criança pelos Pais Ao longo do estágio, e com a entrada de novas crianças, torna-se necessário realizar atendimentos com os pais de forma a recolher informação sobre a família e dinâmica da mesma. Sendo assim, assistimos a vários atendimentos, com o objetivo de obter respostas ao Questionário de Caracterização da Criança pelos Pais. • Realização do Manual de Acolhimento Tendo em consideração as constantes alterações de regras impostas pela DGS, houve a necessidade de retificar o Manual de Acolhimento Anterior, algo que, com a estagiária de Animação Socioeducativa foi realizado de bom grado.
100 • Programa de Ação Apesar de não ter uma participação ativa nesta atividade, observamos a intervenção da Educadora Social. Este programa é “um documento que procede à identificação do conjunto ações a desenvolver pela SORRISO (entidade gestora da Casa de Acolhimento) e pelo Ninho dos Pequenitos, durante cada ano civil” (Projeto Educativo, 2017, p. 71). É um documento elaborado por todos os membros da Equipa Técnica, em colaboração com os elementos da Direção da SORRISO. • Relatório de Atividades do Ano Da mesma forma que a atividade anterior, a participação neste relatório foi meramente de espetador/a. Este é “o documento em que se encontram descritas todas as atividades que se realizaram na Instituição durante o ano anterior e a avaliação das mesmas, proporcionando uma perspetiva global do serviço que o Ninho dos Pequenitos presta às crianças acolhidas” (Projeto Educativo, 2017, p. 72). O Relatório incluiu a descrição e avaliação de todas as atividades previstas (as que se concretizaram e as que não foram realizadas), bem como outras que não estando previstas foram realizadas no ano em causa. 4.1.2 Atividades relacionadas com aniversários e datas comemorativas • Aniversários Festejar o aniversário das crianças nunca é esquecido pela equipa educativa. Para além dos aniversários das crianças estarem sempre afixados no placard da Sala de Refeições, sempre que uma criança faz anos, o momento é assinalado da forma mais familiar possível, com a entrega de uma prenda e um bolo para todos juntos cantarem os parabéns. • Dia das Bruxas Para comemorar este dia, foi elaborada uma grinalda com as mãos de algumas das crianças, para decorar a porta de entrada. Com recurso a rolos de papel higiénico e outros materiais reciclados, foi possível realizar um trabalho de expressão plástica, que resultou
101 na construção de um morcego, recorrendo também à técnica de carimbagem com batatas para fazer as abóboras. Proporcionamos uma saída temática ao Jardim da Sereia, onde as crianças vestiram fatos alusivos a este dia (capas, chapéus de bruxa, antenas de abóbora, etc.) e puderam brincar pelo jardim, tendo a oportunidade de desfrutar do baloiço inclusivo que ali se encontra. Foi ainda realizado um lanche que proporcionou a que toda a Equipa Educativa, Técnica e crianças, pudessem desfrutar de um pequeno convívio (cf. Anexo 30). • Outono Perto desta altura, numa das saídas com as crianças, fomos apanhando folhas de diferentes formatos e cores que encontrávamos caídas no chão. Mais tarde, começamos por pintar o fundo do trabalho com uma esponja para posteriormente recorremos à carimbagem do braço e mão das crianças (de forma a representar o tronco de uma árvore). Fizemos ainda a carimbagem das folhas, com carimbos de esponja e com carimbos das folhas verdadeiras que tínhamos apanhado de antemão (cf. Anexo 31). Posteriormente, os trabalhos foram expostos para decoração da Instituição. • São Martinho Para comemorar este dia, e promovendo a consciência corporal, as crianças criaram a “Dona Castanha” (cf. Anexo 32), utilizando jornal e outros materiais reutilizados. As diferentes partes do corpo foram nomeadas e relacionadas com o seu próprio corpo, promovendo a sua consciência corporal. Foi ainda promovido um momento de expressão musical com a canção das castanhas, com uma coreografia alusiva ao seu conteúdo. Foram ainda explorados os conceitos de cantar alto, baixo, a gritar e como se estivéssemos a chorar, abrindo também o jogo para as várias emoções. Para terminar o dia, foi realizado um lanche convívio, onde as crianças puderam experimentar castanhas assadas. Este momento foi o magusto do Ninho dos Pequenitos.
102 • Natal Esta época levou à construção de diferentes atividades com as crianças ao longo do mês de Dezembro. Antes de começar a trabalhar com as crianças, foi realizado o postal de Natal da Instituição (cf. Anexo 33), para envio aos associados da SORRISO e, também, enviado digitalmente para outras entidades, desejando as boas festas por parte do Ninho dos Pequenitos. Na primeira atividade com os/as meninos/as, cada criança, com materiais reciclados, construiu um enfeite para colocar na árvore de Natal da Sala de Estar, sendo que os mais pequenos fizeram o molde da mão para as asas de um anjo (cf. Anexo 34). O jogo das cadeiras foi utilizado como um mote para criar aleatoriedade na atribuição de diferentes formas geométricas pelas crianças. Colocando música de Natal, as crianças correram à volta das cadeiras (havendo uma a menos que o número total de jogadores) e, de cada vez que a música parasse, tinham que se sentar. Quem não se conseguisse sentar, saía fora do jogo e tinha que escolher uma cor (amarelo, laranja, vermelho, roxo, azul, verde), onde estaria escondida uma forma geométrica (círculo, triângulo, quadrado, coração, estrela, losango). Posteriormente, cada criança construiu uma prenda, num trabalho de expressão plástica utilizando a cor e a forma geométrica que lhes teria calhado anteriormente. Estes trabalhos foram utilizados para decoração da entrada da Instituição (cf. Anexo 35). Continuando nos trabalhos de expressão plástica, foi a fez de construírem a sua árvore de Natal. Dessa forma foi deitada sobre a folha uma linhas de tinta verde que as crianças deveriam espalhar com um pincel, numa forma curvilínea. Enquanto secava, as crianças rasgaram pedaços de papel metalizado para representar as bolhas decorativas e cortaram um paralelepípedo em cartolina canelada para colarem como o vaso. Na montagem final, utilizaram ainda fitas prateadas e fizeram a carimbagem do dedo para enfeitar ainda mais as suas árvores (cf. Anexo 36). Ainda para decoração foi elaborado um pai natal gigante, para colocar na Entrada, um boneco de neve para colocar na porta dos Quartos das crianças, uma grinalda com moldes das mãos para colocar na porta da Sala de Refeições e uma árvore de rolos de papel e cápsulas de café para colocar na porta do Gabinete Técnico (cf. Anexo 37).
103 • Festa de Natal A 17 de dezembro de 2021, realizou-se a Festa de Natal do Ninho dos Pequenitos. Esta, em tempos normais, seria aberta a outras Creches e Infantários que colaboram com a Instituição, integrando mais crianças, para além daquelas acolhidas na Instituição. Como a pandemia continua e as restrições idem, a Festa de Natal foi apenas para funcionários e membros da direção. Para começar a festa, tanto as crianças como as adultas se vestiram a rigor, queríamos proporcionar um dia diferente para todos. Começamos por apresentar a dramatização da história “Um beijinho para o Pai Natal” (cf. Apêndice 4), tendo-me a mim como narradora, à estagiária de psicologia como o Pai Natal e à Educadora Social como a personagem da Gabriela. Esta história foi pensada e adaptada para permitir que as crianças também participassem durante a apresentação. Pelo feedback recebido, foi algo bem-sucedido. Faltando ainda algum tempo para o almoço, continuamos a festa cantando músicas de Natal populares com as crianças. O almoço e o lanche também foram especiais neste dia. Tanto as funcionárias, como as crianças da Instituição almoçaram e lancharam todos juntos, levando a um convívio bastante agradável. Após o lanche, e levando as crianças à abertura das prendas, colocamos os sapatos que identificam como seus em cima da respetiva prenda que lhes pertencia, para irem abrir ao pé da árvore, na Sala de Estar (cf. Anexo 38). • Dia dos Reis Este dia começou por ser explicado (de uma forma breve) às crianças para que estas entendessem o conceito do trabalho plástico que iriam realizar de seguida. Este consistiu na colagem do corpo dos reis magos (triângulo mais círculo para a cabeça) e a sua coroa (semicírculo, triangulo e trapézio), sendo que os restantes constituintes do corpo humano foram desenhados pelas crianças, utilizando referências ao seu próprio corpo. Mais tarde, foi colado papel crepe bege no fundo para simbolizar a areia e realizada a carimbagem da mão, como representação de um camelo. Como complemento ao que as crianças fizeram, colamos uma estrela dourada a sair da folha, simbolizando o caminho que estes devem seguir. Foi também possível realizar um lanche temático (cf. Anexo 39).
104 • “Para ti, que és especial!” Tendo em consideração a frequência das crianças em estabelecimentos de ensino, e sabendo que, tanto o Dia do Pai, como o Dia da mãe, são algo abordado nestes contextos, as crianças criaram um postal alusivo ao tema “A Floresta”. No interior do postal, as crianças mais velhas realizaram um desenho livre e os mais pequenos fizeram a carimbagem do seu pé, estando presente uma fotografia de cada um (cf. Anexo 39). No fim da elaboração dos postais, é explicado às crianças que estas poderão oferecer o postal ao pai, à mãe ou a quem quiserem, que sintam que é especial para elas. Caso não consiga expressar a sua opção, o postal é guardado na pasta respetiva da criança. • Primavera Para trabalhar esta estação do ano foi realizado um trabalho de expressão plástica que resultou na construção de flores. Para a sua realização foi necessário preparar uma tinta aguarela azul, com canetas de feltro antigas e água, para as crianças poderem pintar o fundo do trabalho. Posto isto, as crianças pintaram materiais reciclados de vermelho (papoila) e laranja (tulipa) para serem as coras de duas flores, que mais tarde foram coladas na folha, com uns caules verdes e papel celofane a fazer de relva, o que levou a uma brincadeira das crianças porque “podiam ver tudo verde”. Estes trabalhos foram colocados no refeitório, no placard dos aniversários, para decoração (cf. Anexo 40). • Decorações da Casa A Educadora Social propôs a realização de decorações relativas ao tema da Floresta para colocar na Entrada da Instituição. Levando também em ponderação a necessidade de utilização de materiais reciclado, procedemos à concretização de várias árvores recorrendo a rolos de papel e a sacos de compras; restos de cartolinas para construir várias folhas, borboletas, abelhas e caracóis, dois ouriços, um coelho, um veado, um esquilo, uma raposa e cápsulas de café para a colmeia. Após proposta da Diretora Técnica da Instituição, procedemos à continuação das decorações pelo corredor adentro, explorando a Floresta nas diferentes estações do ano.
105 Estes trabalhos são elaborados com o intuito de promover o maior bem-estar das crianças acolhidas e de tornar o espaço em que estas vivem mais acolhedor (cf. Anexo 41). • Laço Azul Coimbra-Prevenção dos Maus-Tratos a Crianças e Jovens A Instituição associou-se à campanha de Prevenção dos Maus-Tratos a Crianças e Jovens. Esta campanha realiza-se em memória daqueles que morreram como resultado de abuso infantil e como forma de apoiar as famílias e fortalecer as comunidades nos esforços necessários para prevenir o abuso infantil e a negligência. Tendo em consideração o símbolo e a cor, pensamos no tema pelo qual nos regemos (A Floresta) e fizemos uma árvore, através de materiais reciclados (cf. Anexo 42). • Páscoa A Páscoa é uma das épocas festivas de que as crianças mais gostam. Para além das atividades já descritas no Capítulo II, construímos cestos para as crianças realizarem a caça aos ovos e uma caixinha de chocolates (para cada um abrir no Domingo de Páscoa. Para tornar o ambiente mais acolhedor, criamos uma mesa à entrada da Instituição com os ovos gigantes para as crianças, amêndoas, bombons e outros donativos recebidos (cf. Anexo 43). • Santos Populares De forma a assinalar os festejos dos Santos Populares, foram desenhados manjericos em plástico bolha, que as crianças pintaram de verde com o auxílio de uma esponja. Para a realização dos vasos, cortamos trapézios em cartolina canelada e, com o auxílio de cada criança, individualmente, foi tudo colado numa folha A3 amarela. Para além disso, com o auxílio da Educadora Social, da Estagiária em Animação Socioeducativa e das auxiliares, criamos quadras personalizadas para cada criança acrescentar ao seu manjerico. Estes trabalhos foram colocados no placard da Sala de Estar, para decoração (cf. Anexo 44).
112 Considerações Finais Como término deste documento, torna-se crucial refletir e analisar as vivências e aprendizagens adquiridas ao longo deste ano letivo, tanto no contexto de Instituição que tão bem nos recebeu, na área da educação social, como em contextos exteriores à mesma, a partir de oportunidades que foram sendo proporcionadas. A área da Educação Social não foi a primeira escolha. Surgiu como uma opção, dada a relutância em estagiar em contexto escolar. Para além disso, foi ainda possível desenvolver atividade de investigação científica, o que originou uma evolução muito maior do que aquela inicialmente imaginada. Se tudo o que foi exposto era aquilo que se expectava no início? Não, mas superou as expetativas de outra maneira. Durante estes nove meses, sentimos que crescemos muito enquanto futura profissional de Ciências da Educação, mas acima de tudo como pessoa. Estar diariamente a aprender com a Equipa Técnica e a Equipa Educativa, como lidar com situações que nos fogem do controlo, ouvir histórias que não imaginávamos possíveis, tentar ser o melhor exemplo para todos/as, é sem dúvida algo que nos faz evoluir na esfera pessoal e que nos torna agentes educativos mais fortes e capazes de gerir situações problemáticas. A Instituição acolheu-nos da melhor maneira possível. O grupo de crianças foi bastante acolhedor e foi fácil criar uma ligação inicial, que com o passar do tempo, originou um vínculo afetivo, que proporcionou o sucesso da intervenção e do projeto “A Coruja chegou ao Ninho”, transmitindo afeto todos os dias. Apesar de várias pedras que foram aparecendo no caminho, conseguimos construir um projeto coerente, com capacidade de estimular as crianças e de lhes transmitir novos conhecimentos. Mas acima de tudo, consideramos que ajudou no desenvolvimento da sua autoestima enquanto crianças capazes de conquistar muito mais. Algo que foi notório durante os primeiros meses de estágio, foi que as crianças manifestavam uma maior motivação intrínseca na realização das tarefas propostas se já possuíssem algum conhecimento prévio sobre o tema. Para além disso, a brincadeira e atividades que lhes permitissem explorar novos materiais foram sempre alvo de maior atenção e curiosidade. É daí que advêm o título deste relatório “Aprender, Brincar, Conquistar”, levando, inicialmente, as crianças a irem assimilando alguns conhecimentos prévios sobre os temas com que, mais tarde, brincam, com a motivação certa para serem bem-sucedidas nas
113 atividades (que, pela forma como foram planeadas, baseavam-se no método de guidedplay, com ênfase na expressão plástica), conquistando esses conhecimentos. Para além do trabalho realizado na Instituição, foi possível participar numa panóplia de momentos pedagógicos, que enriqueceram ainda mais os conhecimentos adquiridos neste ano. As diferentes atividades tornaram possível ampliar as perceções na prática educativa e, acima de tudo, na área científica da educação. A oportunidade de fazer parte de uma equipa que redigiu um artigo científico para uma possível publicação; de partilhar com profissionais as conquistas do estudo de caso; de obter críticas construtivas de entendidos/as na matéria, fizeram com que experiências outrora inimagináveis, fossem tornadas possíveis e enriquecedoras. Consideramos que a maior dificuldade durante este período de estágio foi a dimensão emocional, mais concretamente no controlo das emoções. É fácil apegarmonos às crianças, é difícil chegarmos ao fim do dia e compreendermos que aquela não é a nossa realidade. Qualquer profissional em ambiente de Acolhimento Residencial precisa de trabalhar a sua inteligência emocional. Desta forma, vai construindo um conjunto de habilidades mentais que lhe permite conhecer e perceber as várias emoções, raciocinar e resolver problemas que derivem das mesmas. Questionamos se, durante a formação destes profissionais, não seria importante haver algum tipo de aprendizagem nesta área. No que diz respeito ao contributo de um profissional em Ciências da Educação neste tipo de instituições, foi fácil perceber a importância que tem. Aprender mais sobre a função de um/a Educador/a Social permitiu compreender que é necessário estimular as crianças nestas situações (principalmente numa fase tão importante do seu desenvolvimento), promovendo o seu desenvolvimento integral e pleno, transmitindolhes um ambiente seguro, de interação com os pares, onde podem ser autónomas e construir a sua própria identidade.
114 Referências Bibliográficas Amado, A. (Org.) (2013). Manual de investigação qualitativa em educação. Coimbra: Imprensa da Universidade. Andersson, K. & Gullberg, A. (2014). What is science in preschool and what do teachers have to know to empower children? Cultural Studies of Science Education, 9(2), 275–296. Associação Sorriso (2022). Ninho dos Pequenitos. https://sorriso-ninhodospequenitos.com/index.php/instituicao#verticalTab2 Associação Sorriso (2022). Ninho dos Pequenitos. https://sorriso-ninhodospequenitos.com/index.php/respostas_sociais/item/1 Associação SORRISO. (2015). Estatutos SORRISOAssociação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos. https://sorrisoninhodospequenitos.com/uploads/instituicao_uploads/Estatutos%20da%20Sorris o%202015.pdf Bidarra, M. G. (1998). Avaliação dos problemas de desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem. In N. V. Raposo, M.G. Bidarra & M. I. Festas (Eds.), Dificuldades de desenvolvimento e aprendizagem (pp.88-141). Lisboa: Universidade Aberta. Bidarra, M. G., & Festas, M. I. (2005). Construtivismo(s): Implicações e interpretações educativas. Revista Portuguesa de Pedagogia, 39(2), 177-195. Brant, J, Jerusalinsky, A. & Zannom, C. (2000). Área da saúde da criança. Lisboa: Ministério da Saúde. Diário da República, 1a série-A – no 204. Lei nº. 147/99, de 1 de setembro. (Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo). Diário da República, 1a sérieA – no 193. Lei no 31/2003, 22 de agosto. (Segunda alteração à Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo). Diário da República, 1a sérieno 175. Lei n.o 142/2015, de 8 de setembro. (Terceira alteração à Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo). Diário da República, 1a sérieno 99. Lei n.o 23/2017, de 23 de maio. (Quarta alteração de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo).
115 Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (s.d.). Teoria do Condicionamento Operante de B. F. Skinner. http://www.mat.uc.pt/~guy/psiedu2/skinner.pdf Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Regulamento dos Estágios no Âmbito dos Mestrados AcadémicosÁrea das Ciências da Educação. https://www.uc.pt/fpce/normas/pdfs/regulamen _Abril.pdf Fisher, K., Hirsh-Pasek, K., Newcombe, N., & Golinkoff, R. M. (2013). Taking shape: Supporting preschoolers’ acquisition of geometric knowledge through guided play. Child Development. 84 (6), 1872–1878. Flick, V. (2013). Métodos qualitativos na investigação científica. Lisboa: Monitor. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). (1990). Convenção sobre os direitos da criança. Martins, I., Bidarra, G., & Vaz-Rebelo, P. (2022). Looking for the good shape in the PolyUniverse material. International Journal of Developmental and Educational Psychology. INFAD Revista de Psicología, 1, 341-350. Ninho dos Pequenitos. (2017). Projeto Educativo: Ninho dos Pequenitos. Consultado em outubro, 2021. Ninho dos Pequenitos. (2017). Regulamento Interno: Ninho dos Pequenitos. https://sorrisoninhodospequenitos.com/uploads/instituicao_uploads/Regulamento%20Interno. pdf Paula Santos, N. (2022). Importância da abordagem STEAM na Educação Pré-Escolar. RELAdEI-Revista Latinoamericana de Educación Infantil, 11(1), 25-32. Piaget, J., & Inhelder, B. (1964). La psychologie de l’enfant. Paris: PUF. Poly-Universe in School Education (2022) PUSE https://puse.education/ Reis, A., Petersson, K.M. & Faísca, L. (2009). Neuroplasticidade: Os efeitos de aprendizagens específicas no cérebro humano. In C. Nunes, & S. Jesus (Eds.), Temas actuais em Psicologia (pp. 11 - 26). Faro: Universidade do Algarve. Saxon, Szász János, 2019. POLIUNIVERZUM, Játékcsalád Művészet+Játék+Matematikai. PowerPoint. Saxon, J. S. & Stettner, E. (Eds.) (2019). Poly-Universe in School Education. Puse MethodologyVisual Experiences Based Mathematics Education http://www.poly-universe.com/puse-methodology/
116 Seabra-Santos, M. J., Simões, M. R., Almiro, P. A., & Almeida, L. S. (2021). Utilização de testes para avaliar crianças dos 0 aos 7 anos: Resultados de um inquérito a psicólogos portugueses (p. 87). Revista Iberoamericana de Diagnostico y Evaluacion Psicologica, 60(3), 81–94. https://www.aidep.org/sites/default/files/2021-07/RIDEP60-Art7.pdf Sousa, A. (2003). A educação pela arte e arte na educação, música e artes plásticas. 3º volume. Lisboa: Instituto Piaget. Vaz-Rebelo, P., Bidarra, G., & Santos, V. (in press). Play, playful learning and guided play. In POLY-UNIVERSE in Teacher Training Education. Methodological study and handbook for pre-service and in-service teachers and students Weisberg, D. S., Hirsh-Pasek, K., Golinkoff, R. M., Kittredge, A. K. & Klahr, D. (2016). Guided Play: Principles and Practices. Current Directions in Psychological Science, 25(3), 177-18.
117 Apêndices Apêndice 1 – História da Coruja Era uma vez uma vez uma !que vivia numa " na floresta. Curiosa como era queria explorar o !. E porque não começar na imensidão do !? Afinal a sua cor favorita até era o ". Enquanto voava, olhou para baixo e viu um # gigante, mas não um # qualquer... era um # de $ ☠! O # do Capitão Gancho! E vocês nem vão acreditar, estava a haver uma grande & no #! A !viu ', (, ), *, +... e percebeu logo que se tratava de uma festa de aniversário. O Capitão Gancho fazia anos! Gulosa como era teve que se aproximar e voou até ao ombro do capitão porque lhe fazia lembrar a sua , na floresta. O capitão, que sempre quis ter um -, olhou para a !com um . e disse: - “Mas que bela companhia que eu arranjei. Vais-te chamar !Maruja!”. Fascinada com o que / e 0, a !cantou, dançou, pulou e comeu que se fartou. Durante muito tempo, a !viajou com o Capitão e os seus amigos piratas. Passaram por muitas aventuras, conheceram novos lugares e fizeram muitos amigos.
118 Tinha muitas saudades de , e apesar de gostar muito do !, sentia falta das suas " com as suas 1 2, os seus ramos confortáveis e troncos fortes... foi assim que decidiu voltar para ,. Despediu-se do seu amigo Capitão Gancho e todos os piratas e à noite (não se esqueçam que as !vêm bem é à noite), quando a 3 estava bem lá no alto e as ✨ brilhavam, a Maruja iniciou a sua viagem de volta à floresta. Quando chegou a , foi logo contar as suas novas aventuras aos seus amigos. O 5, o 6, o 7, os 8, o 9... Então e não é que um dia, a !Maruja, de tão entusiasmada com as suas aventuras, chegou à , da Bárbara e decidiu contar tudo o que existe no seu habitat?
119 Apêndice 2 – Checklists de Observação Checklist (<18 meses) Identificação: Idade: Género (circular) F M Acompanhamento SNIPI (circular) S N Creche Jardim de Infância Não se aplica Atividades Semana 1 - A Coruja e os seus amigos chegaram Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Interagiu com o material apresentado Esteve atento/a à história Tentou responder a perguntas simples Semana 2 - A Coruja lança um desafio Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Escolheu como quis brincar Desenvolveu a sua criatividade Explorou o material apresentado com diferentes partes do corpo Tentou responder a perguntas simples Semana 3 - A Casa da Coruja Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Explorou novos materiais Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Tentou responder a perguntas simples Semana 4 - A Coruja e a Primavera Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Explorou o espaço envolvente Esteve atento à experiência Tentou responder a perguntas simples
120 Semana 5 - A Coruja apresenta a história “O Nabo Gigante” Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Explorou novos sabores e texturas Esteve atento/a à história Tentou responder a perguntas simples Semana 6 - A Coruja e o Coelho da Páscoa Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Prestou atenção à canção Envolveu-se no jogo simbólico Explorou o espaço envolvente Explorou novos materiais Tentou responder a perguntas simples Semana 7 - As curiosidades da Coruja: A Boa Alimentação Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Interagiu com o material apresentado Explorou o jogo de encaixe Estabeleceu relações com os pares Tentou responder a perguntas simples Semana 8 - As curiosidades da Coruja: Os Números Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Interagiu com o material apresentado Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Explorou novas formas de pintar Tentou responder a perguntas simples Semana 9 - A Coruja e os seus amigos da Floresta Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Envolveu-se em jogos simbólicos Brincou ao faz de conta Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Tentou responder a perguntas simples Semana 10 - As curiosidades da Coruja: As Formas Geométricas Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Brincou ao faz de conta Explorou o material apresentado com diferentes partes do corpo Estabeleceu relações com os pares
121 Tentou responder a perguntas simples Semana 11 - A Coruja apresenta a história do “João e o Pé de Feijão” Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Esteve atento/a à história Explorou novos materiais Interagiu com o brinquedo sonoro Estabeleceu relações com os pares Tentou responder a perguntas simples Semana 12 - As curiosidades da Coruja: O Corpo Humano Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Explorou novos materiais Utilizou livremente o corpo para pintar Desenvolveu a sua consciência corporal Desenvolveu a sua criatividade Tentou responder a perguntas simples Semana 13 - As curiosidades da Coruja: Os Sentidos Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Interagiu com o material apresentado Explorou o tapete sensorial Desenvolveu a sua consciência corporal Tentou responder a perguntas simples Semana 14 - A Coruja leva-nos a passear Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Evidenciou curiosidade em relação ao que o/a rodeia Estabeleceu relações com os pares Interagiu com o meio envolvente Tentou seguir regras simples Tentou responder a perguntas simples Semana 15 - A Coruja quer levar um quadro do Ninho Objetivos Sim Não Observações Interagiu com o/a adulto/a Utilizou a mão para pintar Tentou responder a perguntas simples
128 De pé, muito direito, em frente ao Pai Natal, ele diz: - Abracadabra e zás pás catrapás! Com a minha magia, vou encher-te de alegria! Ao Gabriel, apetece-lhe pular de contente. O Pai Natal sorriu-lhe! É um sorriso pequenino, que se transforma num sorriso cansado e desaparece num instante. O Pai Natal, já de tristeza estampada no rosto diz: - Estou demasiado triste para me divertir... Gabriel está desapontado. Ele não é muito bom com a magia. Ele é muito melhor a desenhar! E isso dá-lhe uma ideia! Corre até ao quarto e volta com uma máscara que acabou de fazer. O Pai Natal põe-na e transforma-se num palhaço, um fabuloso palhaço de barba branca. Mas é um palhaço triste, que murmura: - Sabes, meu rapaz, não tenho jeito para fazer palhaçadas... Mas Gabriel acredita que um palhaço, mesmo disfarçado, tem que se mexer e saltar e cantar e dançar. E isso dá-lhe uma ideia! Agarra no velhote triste pela mão e depressa estão a dançar que nem uns doidos. Exausto, o Pai Natal cai no sofá a arfar: - Estou demasiado cansado para dançar! Mas gostava muito de voltar a sonhar como sonhava, quando olhava para a Lua e me perdia nos meus pensamentos. Gabriel fica a pensar nisto um minuto ou dois. Tenta imaginar como é que ele próprio pode olhar para a Lua e perder-se a pensar, sem nunca sair do seu quarto. Gabriel tem uma ideia. “- Claro, é isso mesmo!” Como é que não se lembrou disso antes? Volta ao quarto, sem fazer barulho, e regressa com os braços carregados de livros. Puxa uma cadeira, senta-se, e começa a ler em voz alta. E lê a noite inteira! Ele lê histórias de reis e pastores, de bruxas e bonecas, de lobos e fadas. Não há nada como isto para nos fazer sonhar. Está tão distraído que se esquece de dar ao Pai Natal um grande abraço de despedida. Até se esquece de abrir os presentes. Acaba por adormecer, muito, muito contente. O Pai Natal esteve a ouvir as histórias do Gabriel. A pouco e pouco, voltou a ficar contente, com um grande sorriso nos lábios e um brilhante nos olhos. A sua tristeza desapareceu. Curva-se sobre o menino e dá-lhe um beijo. Depois parte, radiante. Até parece mais novo.
129 Apêndice 5 – Apresentação INFAD
130
131
132
133
134
135
136
137
144
145
146 Apêndice 6 – Poster BBC O BRINCAR GUIADO COM O MATERIAL POLY-UNIVERSE GUIDED-PLAY WITH THE POLY-UNIVERSE MATERIAL I. Martins1, G. Bidarra1, P. Vaz-Rebelo1, V. Santos2 Omaterial Poly-Universe envolve conjuntos de 24 peças de formas geométricas ecores básicas (quadrado, círculo e triângulo), que permitem construções tipo puzzle, transformando-se num jogo geométrico colorido, criado por um artista plástico, János Szász Saxon, que combina a experiência visual com a educação matemática (https://puse.education/). Contudo, apresenta potencialidades que promovem oseu uso em diferentes contextos, numa abordagem multidisciplinar, largando-se a uma educação STEAM. 2º MOMENTO 1º MOMENTO 3º MOMENTO 4º MOMENTO Figura 3 “A Lagarta” Figura 4: “O Parque de Estacionamento” Figura 5: “Os Hexágonos” Figura 6: “A Estrada” POLY-UNIVERSE, BRINCAR GUIADO & EDUCAÇÃO STEAM Figura 2: Exemplo Conjunto Quadrados 1Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação de Coimbra 2Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores, Universidade de Aveiro, Portugal OBJETIVOS Em cooperação com acriança, disponibilizou-se omaterial, tendo introduzido primeiro os círculos, posteriormente os quadrados e por fim os triângulos, guiando a criança na exploração do material.No quarto momento, foi acriança que escolheu com qual das três formas queria brincar. A observação participante e a observação indireta (captura de imagens), permitiram recolher os dados necessários para este estudo. 3 Anos de Idade Sexo Masculino Início do estudo após três meses em Acolhimento METODOLOGIA Neste contexto, utilizou-se este material no ambiente de Acolhimento Residencial, com crianças ao nível do pré-escolar, recorrendo ao brincar guiado, que se tem revelado eficaz nestas faixas etárias (Fisher, Hirsh-Pasek,Newcombe &Golinkoff,2013;Vaz-Rebelo, Bidarra & Santos, in press), com oobjetivo de promover oconhecimento de formas geométricas simples, das cores, bem como apromoção da criatividade, motivação intrínseca, atenção eperceção visual. Optou-se pelo brincar guiado (Guided-Play), ao invés do jogo livre ou de uma atividade com regras, uma vez que em condição de Acolhimento Residencial, o vínculo afetivo torna-se crucial no desenvolvimento das criança. PARTICIPANTE Através da observação participante, foi possível registar, para além do conhecimento das formas ecores geométricas, através da sua nomeação, o desenvolvimento da curiosidade, motivação, atenção epercepção visual, na colocação de peças em série, com base em peças da mesma forma geométrica eformas ampliadas da mesma forma, utilizando um conjunto maior.Desta forma, a curiosidade e o desejo de aprender da criança deram lugar a processos intencionais de exploração do material ede compreensão de diferentes conceitos matemáticos.Foi possível observar uma evolução gradual na manipulação do material, mostrando cada vez mais vontade de fazer/descobrir novas ligações, estendendo a outros tipos de material.Organizou autonomamente as peças por cores, criou formas imaginárias ou com as quais podia brincar, uniu magnitudes de igual tamanho efoi capaz de criar novas figuras geométricas. RESULTADOS Figura 1: Exemplo Elementos Fisher, K., Hirsh-Pasek, K., Newcombe, N., Golinkoff, R. M. (2013).Taking Shape: Supporting Preschoolers’ Acquisition of Geometric Knowledge Through Guided Play. Child Development, 84, 6, 1872–1878. Poly-Universe in School Education (2022) PUSE https://puse.education/ Vaz-Rebelo, P. Bidarra, G., Santos, V. (in press). Play, playful learning and guided play. In POLY-UNIVERSE in Teacher Training Education. Methodological study and handbook for pre-service and in-service teachers and students Este documento foi desenvolvido com o apoio da Comissão Europeia -Projecto Erasmus+ PUNTE 2020-1-HU01-KA203-078810.
147 Apêndice 7 – Planificação Creche e Jardim de Infância Mondego As Formas Geométricas com o ViduKids Descrição As crianças serão divididas em quatro grupos (grupo dos quadrados, grupo dos círculos, grupo dos retângulos e grupo dos triângulos). Em cima de cada mesa estará o “caça formas” correspondente, e as formas geométricas estarão dentro de um saco preto, saco este que estará anexado ao “caça formas”. Deverá ser questionado às crianças se conseguem adivinhar o que se encontra dentro dos sacos, devendo ir retirando e distribuindo pelas crianças que se encontram na mesa. Neste passo será pedido a uma das crianças de cada grupo que faça uma gravação do momento. Posteriormente, será dito às crianças que, através de trocas com os colegas das outras mesas, terão que conseguir obter cada uma das formas disponíveis, conseguindo completar o conjunto círculo-quadrado-retângulo-triângulo. Neste passo será a crianças diferentes que façam uma gravação do momento. Por fim, será pedido que cada mesa crie algo com as formas geométricas que juntaram, podendo ir procurar formas geométricas diferentes no seu espaço envolvente, podendo melhorar assim as suas construções, para criar uma narrativa. Todos os momentos e as narrativas, serão gravadas pelas crianças. Objetivos A criança deve ser capaz de: • Seguir instruções; • Mediar o seu comportamento mediante regras simples; • Reconhecer as formas geométricas; • Compreender o conceito de troca; • Construir uma narrativa; • Gravar e/ou fotografar o seu redor; • Desenvolver a sua criatividade.
148 Calendarização 19/05/2022 Participantes Crianças da Sala dos 4 aos 6 – Creche e Jardim de Infância Mondego Estagiárias Educadora Auxiliar de Ação Educativa Recursos Cartões com formas geométricas Cartolinas com formas Material de gravação Sacos pretos Metodologia Jogo Filmagem Vídeo Diálogo Avaliação Observação direta e participante
149 Anexos Anexo 1 – Área dos Quartos da Instituição
150 Anexo 2 – Área do Berçário da Instituição Anexo 3 – Área do Refeitório da Instituição
151 Anexo 4 – Escala de Avaliação de Competências no Desenvolvimento Infantil
152
153