Full text
353 ASTRÁGALO. Cultura de la Arquitectura y de la Ciudad, 33-34 (2023). ISSNe: 2469-0503 Attribution-NonCommercial-ShareAlike. Article https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 Received:22-05-2023 | Approved: 22-08-2023 OS BAIRROS DAS CRIANÇAS. O PAPEL DA ARQUITETA NUM LABORATÓRIO URBANO DE MULHERES PARA PROMOVER A PARTICIPAÇÃO INFANTIL NO BAIRRO DO LAGARTEIRO / CHILDREN’S NEIGHBOURHOODS. THE ARCHITECT’S ROLE IN A WOMEN’S URBAN LABORATORY TO PROMOTE CHILDREN’S PARTICIPATION IN THE LAGARTEIRO NEIGHBOURHOOD / LOS BARRIOS DE LOS NIÑOS. EL PAPEL DE LA ARQUITECTA EN UN LABORATORIO URBANO DE MUJERES PARA PROMOVER LA PARTICIPACIÓN DE LOS NIÑOS EN EL BARRIO DE LAGARTEIRO Elena Parnisari FAUP – Faculty of Architecture of the University of Porto, CEAU - Center for Studies in Architecture and Urbanism, Porto, Portugal elena.par[email protected] 0000-0001-6523-7947 RESUMO O artigo desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento em arquitetura de Elena Parnisari pretende apresentar a metodologia aplicada no estudo de caso, evidenciar o trabalho de cooperação desenvolvido entre diferentes atores de distintas áreas disciplinares e a forte componente feminina que o caracteriza, no sentido de promover bairros mais justos e cuidadosos. Com este trabalho pretende-se investigar se é possível formular políticas urbanas mais inclusivas, a partir da exploração da corresponsabilidade em bairros sociais, ao assumir as crianças como indicadores da desigualdade urbana e como determinantes do desenho urbano inclusivo. Entre janeiro e setembro de 2022 foram desenvolvidos dois laboratórios nos bairros de habitação social Lagarteiro e Contumil, Porto, Portugal, através da implementação de oficinas de diagnóstico urbano.Este artigo apresenta o caso específico do bairro do Lagarteiro com nove atividades realizadas, possíveis graças a uma equipa interdisciplinar exclusivamente feminina de académicas, membros de associações e instituições e amigas que aderiram ao projeto, ofereceram o seu trabalho, disponibilidade e cuidado em torná-lo realidade.O projeto visa o envolvimento e a coparticipação das crianças e das suas mães no desenho urbano e das políticas públicas, a fim de criar espaços mais inclusivos para todos os cidadãos, partindo de uma perspectiva cuidadora do espaço público. Os principais resultados do projeto que se querem evidenciar no artigo são a rede que se criou entre instituições locais, solidificada pela solidariedade feminina ao participar num
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 354 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 projeto comum, bem como as respostas obtidas das crianças e a sua consequente emancipação em relação ao tema. Palavras-chave: arquitetura social, cidades amigas das crianças, laboratório urbano, participação, equipa feminina. ABSTRACT The article developed within the framework of Elena Parnisari’s doctoral thesis in architecture aims to present the methodology applied in the case study, to highlight the cooperation work developed between different actors from diverse disciplinary areas and the solid female component that characterises it in order to promote fairer and more caring neighbourhoods. This work investigates whether it is possible to formulate more inclusive urban policies based on exploring co-responsibility in social housing neighbourhoods by assuming children as indicators of urban inequality and as determinants of inclusive urban design. Between January and September 2022, two laboratories were developed in the social housing neighbourhoods Lagarteiro and Contumil, Porto, Portugal, by implementing urban diagnostic workshops. This paper presents the case of the Lagarteiro neighbourhood with nine activities made possible by an all-female interdisciplinary team of academics, members of associations and institutions and friends who joined the project, offering their work, availability and care to make it a reality. The project aims to involve and co-participate children and their mothers in urban design and public policies to create more inclusive spaces for all citizens, starting from a caring perspective of public space. The project’s main results highlighted in the article are the network created between local institutions, solidified by female solidarity when participating in a common project, and the responses obtained from children and their consequent emancipation with the topic. Keywords: social architecture, child-friendly cities, urban laboratory, participation, women’s team. RESUMEN El artículo desarrollado en el marco de la tesis doctoral en arquitectura de Elena Parnisari tiene como objetivo presentar la metodología aplicada en el estudio de caso, destacar el trabajo de cooperación desarrollado entre diferentes actores de distintos ámbitos disciplinares y el fuerte componente femenino que lo caracteriza, con el fin de promover barrios más justos y cuidadosos. Este trabajo pretende investigar si es posible formular políticas urbanas más inclusivas, basadas en la exploración de la corresponsabilidad en los barrios sociales, asumiendo a los niños como indicadores de la desigualdad urbana y como determinantes del diseño urbano inclusivo. Entre enero y septiembre de 2022 se desarrollaron dos laboratorios en los barrios de viviendas social Lagarteiro y Contumil, en Oporto, Portugal, a través de la realización de talleres de diagnóstico urbano. Este artículo presenta el caso específico del barrio de Lagarteiro, con nueve actividades realizadas, que fueron posibles gracias a un equipo interdisciplinar exclusivamente femenino de académicas, miembros de asociaciones e instituciones y amigas que se sumaron al proyecto, ofrecieron su trabajo, disponibilidad y atención para hacerlo realidad. El proyecto tiene como objetivo la implicación y coparticipación de los niños y sus madres en el diseño urbano y las políticas públicas, con el fin de crear espacios más inclusivos para todos los ciudadanos, partiendo de una
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 355 perspectiva cuidadora del espacio público. Los principales resultados del proyecto que se quieren destacar en el artículo son la red que se ha creado entre instituciones locales, solidificada por la solidaridad femenina al participar en un proyecto común, así como las respuestas obtenidas de los niños y su consiguiente emancipación en relación con el tema. Palabras clave: arquitectura social, ciudades amigas de la infancia, laboratorio urbano, participación, equipo de mujeres. 1. INTRODUÇÃO O espaço publico das cidades contemporâneas é definido pela fragmentação social, política e arquitetónica ligado a um processo de privatização (Mela 2014).A cidade tornou-se progressivamente um lugar mais fragmentado e socialmente hierarquizado, os espaços abertos perderam identidade, solidariedade, segurança e relação com os seus habitantes (Sevilla et al. 2021), tornando-se ambientes frágeis. Leave no one behind é o compromisso de todos os Estados Membros da ONU e o tema central da Agenda 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para reduzir as desigualdades e vulnerabilidades da humanidade. Por conseguinte, a investigação parte destes objetivos como motivação e centra-se no objetivo número 10 - reduzir as desigualdades (United Nations), fazendo eco sobre como tornar as cidades mais habitáveis e sustentáveis (Gehl 2010). A cidade está em estado de emergência, o espaço urbano tornou-se um lugar altamente especializado onde os grupos minoritários são os mais afetados pelas desigualdades sócio espaciais: as crianças e os seus cuidadores, os idosos, os deficientes e as mulheres (Tonucci 1996). A distância física entre as casas, os locais de trabalho e os comércios torna as deslocações das mulheres com crianças e dos idosos ainda mais longas e, por isso, menos experienciável ou mais dificilmente percorrível (Boys et al. 1984, 47). No espaço urbano em que vivemos tudo é concebido para servir o modelo androcêntrico (Valdivia 2018). É, portanto, necessário rever o desenho urbano dos lugares onde acontecem as atividades humanas quotidianas, conhecer o contexto geográfico e histórico específico a compreender as condições atuais de urbanidade onde os cidadãos vivem. As cidades, nas últimas décadas, abandonaram as suas características originais de lugar de encontro, de troca, de interação, de atividade livre e de partilha para se tornarem um lugar de separação, de consumo, de segregação e de especialização (Purcell 2014, 151). O parâmetro do cidadão é masculino, adulto e trabalhador, fazendo desaparecer todas as outras categorias que ficaram escondidas em casa ou em locais especializados criados especificamente para elas (Tonucci 1996). O isolamento de que muitas mulheres são vítimas, ao assumirem o trabalho doméstico e o cuidado dos filhos, não é necessariamente aliviado pela mera proximidade de outras mulheres na mesma posição (Boys et al. 1984, 45-46) e é sublinhado ainda mais pela falta de alternativas ao trabalho solitário que se reflete na vivência do espaço público de forma restrita. O planeamento urbano tem uma importância fundamental na vida das pessoas, determinando a configuração dos espaços que constituem o suporte físico dos usos sociais (Ciocoletto 2014, 13-14). A perspectiva de género pode redefinir o urbanismo, tal como se materializa na sociedade capitalista atual, de maneira que os espaços e as atividades relacionadas com a produção do espaço urbano possam considerar o cuidado e adoptar formas de intervenção mais inclusivas (Beebeejaun 2016). A conceção urbana dos lugares tem um impacto explícito no crescimento e na vida diária das crianças de diversas comunidades que desconhecem o seu direito a participar ativamente nos
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 356 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 projetos (Bishop, Corkery 2017), e, dessa forma, contribuir com as suas próprias ideias para esta mudança de paradigma. As crianças são excluídas de programas e de formulações urbanas específicas no âmbito das políticas públicas, uma vez que não geram rendimentos no mercado de trabalho e, portanto, não são consideradas na tomada de decisões (UNICEF 2019).Uma cidade amiga das crianças, onde o domínio urbano deve ligar e acomodar as suas necessidades, é reconhecida como uma necessidade, mas ainda está muito longe de ser aceite por administradores de políticas urbanas e planeadores de projetos urbanos (Srivastava e Echanove 2017). A cidadania e a participação das crianças são temas importantes na política social contemporânea a nível europeu sobretudo na Agenda 2030, já referida, e no New European Bauhaus, bem como nos debates científicos a partir da década de 1960 com Lady Allen of Hurtwood e Colin Ward até o mais recente Tim Gill (Gill 2021). Os direitos das crianças emergiram gradualmente como referências para muitas narrativas políticas nacionais, regionais ou locais, após a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CRC), adotada em 1989. Este documento evidencia a importância de considerar as crianças como atores ativos e competentes nas relações sociais, integrando as suas próprias perspectivas na investigação, enquanto seres independentes dos adultos. Apesar dos pressupostos e das investigações que sustentam estas teorias, uma agenda participativa com as crianças está longe de ser totalmente implementada em todos os ambientes institucionais, contextos sociais ou processos políticos (Sinclair 2004). Embora o movimento das Cidades Amigas das Crianças1 tenha envolvido académicos e tenha sido defendido pelas câmaras municipais, tem tido pouca influência na conceção e planeamento das agendas de trabalho no caso específico de Portugal e, de um modo mais geral, na Europa do Sul, área geográfica de análise em que esta investigação se centra. Contudo, a investigação em curso tem como objetivo provar que ouvir as crianças e permitir a sua participação em momentos de decisão, encorajando organizações e empresas a promover um domínio público mais amigável, é o caminho para uma sociedade mais justa. 2. ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS? As crianças, perdendo as cidades, perderam a possibilidade de experiências necessárias ao seu correto desenvolvimento, como o jogo, a exploração, a aventura. As cidades, perdendo as crianças, perderam a segurança, a solidariedade, o controlo social (Tonucci 1996). Atualmente, parece que os pais não deixam mais os seus filhos brincar no espaço público e interagir com outras pessoas, e esse medo da rua teve origem em casa, na televisão. A criança desloca-se da família para a escola e daqui para as inúmeras atividades de formação complementar, dependentes e vigiadas sob o controle dos adultos (Sarmento, Fernandes, Tomás 2007). O sentido de comunidade está a desaparecer rapidamente. A insegurança real e percebida restringe a presença de menores a lugares institucionalizados, concebidos especialmente para eles. Esta forma de não integração nega a função educativa da cidade, como um lugar de apropriação e pertença. No entanto, o sentimento de proximidade entre cidadãos e as ações livres das crianças 1 Cidades Amigas das Crianças é uma iniciativa, parceria e plataforma de envolvimento liderada pela UNICEF que apoia as cidades e os governos municipais na concretização dos direitos das crianças a nível local. É também uma rede que reúne organizações da sociedade civil, o sector privado, academias, os meios de comunicação social e as próprias crianças que desejam tornar as suas cidades e comunidades mais amigas das crianças. A iniciativa foi lançada em 1996 e expandiu-se a nível mundial.
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 357 podem ser encontradas dentro da unidade do bairro, entendida como uma célula de análise que pode ser replicada para toda a cidade. Apesar das restrições impostas no que respeita à utilização do espaço público e da existência de locais especialmente dedicados às crianças, estas podem ser agentes poderosos na conceção e implementação de melhores ambientes urbanos (Arup 2017, 12). Mas como podemos tornar eficazes as vozes das crianças no seu direito urbano, através da participação em práticas de conceção e planeamento?Ao considerar as crianças como indicadores da desigualdade urbana e como determinantes de um desenho urbano inclusivo, a investigação pretende demonstrar como elas podem tornar-se elementos públicos de ligação e produzir orientações para formular políticas de longo alcance, ao explorar a sua corresponsabilidade nas comunidades urbanas. Assim, as crianças são consideradas como o elemento-chave de um modelo determinado a estabelecer ligações mais empáticas e significativas entre o ambiente construído e os elementos da vizinhança.A cidade que vivemos é a materialização territorial de um modelo social e economicamente injusto (Valdivia 2018), pelo que uma mudança estrutural de paradigma é essencial para terminar com as clivagens ou reduzir as desigualdades sociais e económicas. Este novo paradigma urbano pode reconhecer-se na cidade cuidadora, pensando em cidades que cuidam de nós, que cuidam do nosso ambiente, que nos permitem cuidar de nós próprios e que nos permitem cuidar dos outros (Valdivia 2018). A cidade cuidadora favorece a autonomia das pessoas e permite conciliar as diferentes esferas da vida quotidiana. Os cuidados envolvem não só relações interpessoais mas também relações entre pessoas e lugares (Milligan and Wiles 2010) e neste caso entre as crianças e os lugares vividos por elas. Para uma compreensão dialética e unitária, a investigação pretende analisar a experiência das crianças através de laboratórios, ao sistematizar um conjunto de ferramentas urbanas como instrumento de avaliação da participação infantil, para tornar o conhecimento operacional, reprodutível e adaptável em diferentes contextos. Uma ferramenta aberta para estimular as crianças como cidadãos, utilizadores e criadores, com o objetivo de participar do planeamento da cidade. A inovação da investigação em curso decorre da sua determinação em viabilizar o conhecimento através do estudo de caso, desenvolvido sobre experiências metodológicas consolidadas, podendo ser operacionalizado e politizado.Os resultados desta experiência visam exortar os urbanistas, arquitetos e designers a redimensionar e re-imaginar lugares a partir de uma perspectiva diferente. Ao incluir a perspectiva das crianças em programas e formulações de políticas específicas, beneficiaria a saúde, o bem-estar, a economia local, a segurança, a natureza, a sustentabilidade e a resiliência (Unesco 2022).A promoção de bairros equitativos, inclusivos e cuidadores, através de um desenho urbano participativo permite aos residentes cocriar alternativas em contextos de exclusão social. Ao fazê-lo, torna-os inclusivos para todos. 3. O LABORATÓRIO Este trabalho faz parte da investigação de doutoramento em arquitetura desenvolvida na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), desde 2020, por Elena Parnisari “Searching for equitable, inclusive and caring urban neighbourhoods: measuring children’s right to the city through urban design. An urban laboratory in Contumil and Lagarteiro social housing”. O estudo de caso foi desenvolvido no Porto, como um laboratório de ideias e experimentação
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 358 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 realizado em paralelo ao acompanhamento e desenvolvimento de outros projetos tomados como exemplos metodológicos, quer do ponto de vista da análise e estudo da metodologia aplicada pelas instituições, quer ao nível do estágio, estando assim envolvida numa pequena parte destes processos, de forma a perceber exaustivamente como funcionam estas dinâmicas, sobretudo políticas, construindo um olhar crítico sobre o modo como projetos semelhantes podem efetivamente tornar-se realidade, identificando dificuldades e limitações. Não se trata de tornar o projeto de tese abstrato, mas sim de fornecer uma base científica, política e qualitativa para aqueles que desejem utilizar estas experiências como ponto de partida para uma reflexão que procura concretizar uma ação de mudança. O laboratório urbano permite analisar a experiência das crianças através de workshops-piloto desenvolvidos no bairro do Lagarteiro, um bairro camarário da freguesia de Campanhã, Porto, Portugal, com crianças do ensino básico (5-10 anos). O grupo de trabalho integrava cerca de 50 crianças de diversas origens étnicas e parentais, a frequentar diferentes associações em atividades pós-escolares. Estes workshops visaram validar a teoria e a prática do tema de estudo, desenvolvendo atividades de diagnóstico urbano para analisar a falta de inclusão das políticas públicas no contexto urbano do bairro social e promover a participação das crianças no planeamento dessas políticas. As atividades que foram implementadas através da participação direta e cooperação entre várias associações que trabalham no território com a comunidade alvo, e que procuram assegurar um trabalho situado e centrado no espaço público dos bairros, pois, para além dos objetivos da investigação académica pretende-se mapear e garantir um diálogo direto entre as associações que ainda hesitam em trabalhar em conjunto, a fim de criar vínculos. De facto, um dos pontos fortes para o sucesso de tais projetos é precisamente a cooperação e a coesão entre os vários atores que intervêm no mesmo território, que, no caso específico português, é muito fragmentado e individualista. De facto, o projeto das oficinas urbanas no bairro do Lagarteiro permitiu, pela primeira vez, a união das várias associações que trabalham no mesmo território, as quais normalmente desenvolvem programas independentes umas das outras e nunca têm qualquer ponto de encontro para atividades ou festas específicas. A autora teve de criar uma rede de apoio no bairro, criando ligações com as associações presentes, a fim de poder realmente trabalhar com as crianças, tecendo uma relação profissional e de amizade com as principais representantes. As atividades foram desenvolvidas com os seguintes parceiros: Associação Equipa de Rua Oriental da Norte Vida, Projeto Cercar-te no Lagarteiro-E8G Programa Escolhas, Espaço T - Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária, Projeto das Galerias Comunitárias, Ação Educativa do Centro Social do Lagarteiro - Obra Diocesana de Promoção Social, Serviço Educativo da Casa da Arquitectura. Ao longo de nove meses, entre janeiro e setembro de 2022, foram realizados sete workshops no bairro, uma atividade no Serviço Educativo da Casa da Arquitectura em Matosinhos e uma festa/ exposição final no bairro, sempre com o mesmo grupo de cerca de 50 crianças e sempre com o trabalho conjunto de todas as associações. Os laboratórios procuraram promover o pensamento crítico nas crianças como forma de provocar a mudança. Aqueles que seriam tradicionalmente considerados como a população-alvo do projeto são, na realidade, os seus coautores (Leite et al. 2019). O objetivo do projeto não foi pré- -definido, mas sim cocriado pelas crianças em interação, e a metodologia desenvolveu-se durante o processo, dependendo dos resultados de cada atividade e da aquisição das competências necessárias para atingir o objetivo desejado.
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 359 Um ponto-chave do laboratório foi a construção de relações de confiança com as crianças e as mães delas. As mães não foram contactadas diretamente pela autora, mas as associações locais funcionaram como uma ponte de comunicação, para facilitar e acelerar o contacto através de um canal de confiança já institucionalizado. As representantes das associações contactaram pessoalmente as mães das crianças que frequentavam as instalações, explicaram o projeto e as atividades que se desenrolariam ao longo dos meses, e assim pediram a confirmação da participação dos próprios filhos nas datas previamente anunciadas. As mães que iam buscar os seus filhos às instalações recebiam também um folheto com um breve programa dos laboratórios a desenvolver e os contatos da autora, para que, em caso de dúvida ou de quererem saber mais sobre o tema, pudessem contactá-la diretamente. De facto, as mães aceitaram que as crianças participassem nestas atividades, mesmo que estivessem fora do âmbito temático das atividades propostas pelas associações. Também aceitaram que se fizesse um registo fotográfico, vídeo e áudio dos seus filhos, os quais depois se ofereceram para mostrar os seus próprios trabalhos e para serem entrevistados. As próprias mães disponibilizaram-se para entrevistas, para que a autora pudesse ouvir os diferentes pontos de vista sobre a utilização do espaço, a liberdade de utilização, as carências e os pontos fortes, reconhecidos tanto Fig.1. Na penúltima atividade do laboratório, as crianças foram filmadas e fotografadas de cima por um drone enquanto se deslocavam pelo bairro e faziam desenhos à escala dos programas/infraestruturas que gostariam de ver realizados e que surgiram na primeira atividade em que lhes foi perguntado o que gostariam de ter no seu bairro. Bairro do Lagarteiro. Foto de Larissa Ribeiro Cunha, agosto de 2022.
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 360 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 pelas crianças como pelas mães, sabendo que estas últimas tendem a exercer uma ação controladora e protetora em relação aos filhos, limitando a sua liberdade de exploração. Assim, procurou-se compreender quais são as necessidades da criança e da mãe num mesmo território, quais são os pontos fortes valorizados por uma e por outra, bem como os pontos fracos identificados, e como esta percepção difere. 4. A METODOLOGIA A investigação de doutoramento é realizada com base na metodologia investigação-ação participativa, ou seja, uma metodologia prática que se baseia na experiência, no fazer e no criar para aprender. A metodologia, que é utilizada quer na revisão da literatura, quer no enquadramento do tema, quer na escolha dos estudos que servem de referência e suporte à tese, é também utilizada no desenvolvimento do estudo de caso prático e, portanto, na realização do laboratório urbano. O plano de trabalho incluiu a realização de atividades de campo com o objetivo de justificar a teoria e, consequentemente, a bibliografia utilizada como referência para o tema da tese através de ações práticas e da implementação de atividades de diagnóstico urbano com a comunidade alvo, desenvolvendo ao mesmo tempo, uma ferramenta de análise reutilizável e replicável noutros contextos urbanos semelhantes no Sul da Europa. Esta tipologia é específica ao contexto, tendo em conta as condições e os conhecimentos locais (Pain 2004). Os indivíduos, que são o foco do estudo participam como membros da equipa de investigação em todas as atividades sendo, por conseguinte, investigados e investigadores. Este método foi desenvolvido analisando e reunindo metodologias já testadas e aplicadas, que a autora encontrou em ambientes de trabalho anteriores à sua experiência académica, na bibliografia de referência e em experiências em que participou noutros países do Sul da Europa, fora de Portugal, em instituições que trabalham pelo direito das crianças à cidade e que promovem projetos já há vários anos. A investigação se desenvolve com base na interpretação, através da identificação do problema dentro de um contexto social, da recolha de dados relacionados com o problema, da análise e significado dos dados recolhidos, da identificação de possíveis soluções e da ação propriamente dita (Koerich et al. 2009). Esta experiência pretende servir como modelo, do qual se podem retirar ensinamentos sobre como realizar uma análise semelhante em contextos semelhantes, perceber o que pode ser melhorado nessa análise e como utilizar os dados recolhidos. É uma metodologia que, no sentido mais comum, poderia ser traduzida pelo termo mais conhecido de learning by doing, considerando que através da experimentação se delineia mais especificamente a hipótese da tese e os consequentes resultados, num processo de co-participação e co-ideação. A abordagem metodológica começou, primeiramente, por ganhar a confiança das crianças, através de uma percepção inicial abrangente da vida pública no bairro, até alcançar uma escala mais estreita e íntima de relações interpessoais em locais públicos específicos: narração de experiências espaciais e planeamento crítico. As atividades foram planeadas com a dupla função de promover a análise e a recolha de dados para a investigação e, ao mesmo tempo, fornecer ferramentas de reflexão e consciencialização às crianças, introduzindo perspectivas de pensamento e percepção que eram novas para elas. O objetivo inicial destes workshops foi compreender melhor quais são as qualidades e fraquezas de um determinado espaço público para uma determinada utilização, e como melhorar os programas e serviços nele existentes, a partir da perspectiva das crianças.
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 361 A etapa final deste laboratório correspondeu a uma avaliação interna e pública, através de uma exposição nos bairros, de resultados e impactos, com o objetivo de sistematizar um conjunto de ferramentas de análise e leitura urbana como instrumento de avaliação da participação infantil, para tornar o conhecimento operacional, reprodutível e adaptável em diferentes contextos. Ao longo das atividades no bairro, ouvimos e compreendemos o espaço através dos olhos das crianças para construirmos o conhecimento em conjunto. Observámos e registámos a socialização e a cultura das crianças: a relação entre a vida quotidiana das crianças e a escala do bairro.Esta ferramenta de fonte aberta pretendia dar às crianças, enquanto cidadãos, utilizadores e criadores, o poder de participar no processo de construção de cidades, à medida que se tornam conscientes da utilização que fazem dos lugares e dos seus direitos como cidadãos. 5. AS ATIVIDADES DO LABORATÓRIO URBANO O desenvolvimento dos laboratórios caracterizou-se pela sucessão e frequentemente sobreposição de vários métodos de análise e de brincadeiras com as crianças (learning by playing): observar, desenhar, mapear, fotografar, caminhar, storytelling, filmar, explorar, criar, escrever, responder, perguntar. Foram utilizadas ferramentas de diálogo com as crianças através do mapeamento coletivo, da construção de mapas de reconhecimento do território, e da realização de atividades participativas e colaborativas.Os laboratórios seguiram-se com o desenvolvimento de atividades num sentido lógico e de crescimento, que visavam criar uma narrativa para descrever o uso que as crianças fazem do espaço público do bairro. Inicialmente, foi essencial criar laços entre as próprias crianças - algumas das quais não se conheciam devido ao facto de frequentarem diferentes turmas na escola, diferentes associações e viverem em diferentes blocos - e destas com as promotoras do projeto. O objetivo era conhecer, confiar e começar em conjunto um novo caminho de descoberta. As atividades que se realizaram no bairro, algumas tiveram lugar no interior do pavilhão gimnodesportivo do Lagarteiro, onde era necessário estar unido e trabalhar em conjunto, outras nos espaços públicos exteriores do bairro, onde se realizaram atividades com as crianças divididas em grupos. Cada atividade contou sempre com a presença do grupo habitual de cerca de 50 crianças, pelo menos uma representante por associação para ajudar na dinâmica e uma responsável pelo registo fotográfico. As atividades tiveram sempre lugar no horário pós-escolar com uma duração de duas horas. As atividades decorreram de acordo com a seguinte ordem metodológica: 1. Gosto, não gosto, gostaria: identificação dos espaços públicos do bairro (pavilhão gimnodesportivo); 2. Reconhecer o meu bairro: mapeamento e levantamento sensorial (pavilhão gimnodesportivo); 3. Caminhada exploratória: caminhar pelos sítios que gosto e não gosto no bairro (espaços públicos exteriores); 4. Sair do bairro: conhecer as perspectivas dos diferentes espaços públicos em um museu de arquitetura (Casa da Arquitectura);
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 368 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 7. CONCLUSÃO Em conclusão, os resultados aqui apresentados são reflexões embrionárias de um processo de trabalho em progresso que resulta da experiência destes laboratórios, procurando justificar a teoria através da prática. O objetivo foi, portanto, procurar soluções para a falta de inclusão das políticas públicas e do planeamento urbano no contexto do bairro de habitação social que fossem co-concebidas através da cultura da escuta, promovendo espaços de circunstâncias situadas, realçando a ligação entre a atividade lúdica e o projeto espacial. Esta exploração permitiu a ação, defendendo através da demonstração que os investigados devem ser envolvidos no processo de forma ativa: onde os dados, provenientes de uma teoria enraizada, são validados pela própria ação prática. O que se ressalta é que a unidade de análise escolhida - o bairro de habitação social - é um microcosmo de ações e relações onde ainda subsistem experiências de vida comunitária e participativa, e é por isso que esta célula urbana foi escolhida como elemento de análise sobre a qual centrar a investigação, não só especificamente no Porto, mas nos bairros sociais do contexto do sul da Europa. Se este tipo particular de análise fosse produzida num contexto urbano maior (a cidade) teria produzido resultados muito fragmentados, amplos e abertos, menos concentrados e sem conexão entre as partes envolvidas. Portanto, não só a dimensão do bairro social permitiu uma análise muito específica, mas, ao mesmo tempo, surgiram dados sobre a vida cotidiana e o uso do espaço da vizinhança, que se caracterizam por um forte componente de controle mútuo entre os vários habitantes, o que se traduz na liberdade das crianças de usar os espaços com mais segurança, ao contrário dos bairros da cidade, caracterizados por um maior fluxo de pessoas e infraestruturas, que, por essa razão, são mais desconectados na experiência diária do indivíduo. As crianças dos bairros valorizam os espaços que utilizam e estão conscientes do ambiente protegido em que se encontram, enquanto enumeram as suas deficiências e demonstram vontade de fazer parte dos processos de tomada de decisão para melhorar os seus espaços e funções. O fio condutor de todas estas atividades participativas foi a dimensão lúdica do espaço, entendida como autonomia de movimento na dimensão urbana através do jogo, onde este último assume um valor político: o exercício da liberdade. Enquanto arquiteta e urbanista, Elena Parnisari desenvolveu este projeto com uma abordagem holística ao bairro, atuando como mediadora entre o olhar das crianças e a leitura urbana, através de uma componente de voluntariado ativo e de presença no terreno. Recolheu informações diretamente junto dos participantes, explorando as experiências de infância e de crescimento nestes bairros sociais e realizando um mapeamento institucional das escolas, associações, professores e pais. Os resultados futuros desta investigação visam exortar urbanistas, arquitetos, designers e decisores políticos a redimensionar e re-imaginar os lugares a partir de uma perspetiva diferente seguindo uma metodologia que se funda em princípios de criação coletiva: participação ativa, reflexão e ação, compromisso, partilha de responsabilidades, escuta e visão do todo. AGRADECIMENTOS Este trabalho foi apoiado pela Fundação Portuguesa para a Ciência e Tecnologia (FCT) através da bolsa de investigação individual 2021.06908.BD
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 369 Agradece-se a todas as mulheres que contribuíram para este trabalho cooperativo de janeiro a setembro de 2022, o desenvolvimento da tese, a realização do estudo de caso do laboratório urbano e a redação do presente artigo. As orientadoras de tese: Teresa Calix da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Marta Labastida da Escola de Arquitetura Arte e Design da Universidade do Minho, Lorena Bello Gómez da Harvard University; A associação Equipa de Rua Oriental da Norte Vida: Rosa Vieira coordenadora e técnica de serviço social, Cátia Jesus psicóloga, Liliana Oliveira animadora, Sofia Rodrigues estagiária; O projeto Cercar-te no Lagarteiro-E8G Programa Escolhas e a associação Espaço T-Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária: Sandra Henriques coordenadora, Joana Ribeiro técnica e funcionária, Eva Moreira dinamizadora comunitária; A Ação Educativa do Centro Social do Lagarteiro-Obra Diocesana de Promoção Social: Isabel Vieira diretora, Cristina Figueiredo auxiliar, Paula Mesquita e Ângela Dias educadoras sociais; O projeto das Galerias Comunitárias: Catarina Oliveira dinamizadora; O serviço Educativo da Casa da Arquitectura: Filipa Godinho coordenadora, Ines Riesenberger gestora, Rita Alves assistente-monitora; Amigas e colegas: Larissa Ribeiro Cunha responsável pelo registo fotográfico de todas as atividades realizadas, Catarina Silva e Olga Wardega responsáveis do registo através da gravação e edição de vídeo. 9. REFERÊNCIAS Arup. 2017. Cities Alive. Designing for urban childhoods. London: Arup’s Foresight, Research and Innovation, Integrated City Planning. Beebeejaun, Yasminah. 2016. “Gender, urban space, and the right to everyday life.” Journal of Urban Affairs 39:3, 323-334. doi: 10.1080/07352166.2016.1255526. Bishop, Kate and Linda Corkery. 2017. Designing cities with children and young people beyond playgrounds and skate parks. New York: Routledge, Taylor & Francis Group. Bofill Levi, Anna. 2008. Guia per al planejament urbanístic i l’ordenació urbanística amb la incorporació de criteris de gènere. Barcelona: Institut Català de les Dones. Boys, Jos, Frances Bradshaw, Jane Darke, Benedicte Foo, Sue Francis, Barbara McFarlane, Marion Roberts. 1984. Making space. Women and the man-made environment. London: Pluto Press Limited. Ciocoletto, Adriana, Col lectiu Punt 6. 2014. Espacios para la vida cotidiana. Auditoría de Calidad Urbana con perspectiva de Género. Barcelona: Editorial Comanegra. Gehl, Jan. 2010. Cities for people. Washington DC: Island Press. Gill, Tim. 2021. Urban playground. How child-friendly planning and design can save cities. London: RIBA Publishing. Koerich, Magda, Backes Dirce, Sousa Francisca, Erdmann Alacoque and Alburquerque Gelson. 2009. “Pesquisa-ação: ferramenta metodológica para a pesquisa qualitative.” Revista Eletronica de Enfermagem 11:3, 717-723. doi: 10.5216/ree.v11.47234. Leite, Elvira, Pedro Bandeira, Susana Lourenço Marques, Lucia Almeida Matos, Joana Nascimento, and Sofia Victorino. 2019. Pedagogy of the streets, Porto 1977. Maiadouro: Pierrot Le Fou.
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQuiteta num laBoRatÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomoveR… 370 ASTRAGALO Nº 33-34 | Septiembre / September / Setembro 2023 | Article | ISSN 2469-0503 Mela, Alfredo. 2014. “Urban public space between fragmentation, control and conflict.” City Territ Archit 1:15. doi: 10.1186/s40410-014-0015-0. Milligan, Christine, and Janine Wiles. 2010. “Landscapes of care.” Progress in Human Geography 34:736-754. doi: 10.1177/0309132510364556. Pain, Rachel. 2004. “Social Geography: Participatory Research.” Progress in Human Geography 28:5, 652-663. doi: 10.1191/0309132504ph511pr. Purcell, Mark. 2014. “Possible worlds: Henri Lefebvre and the right to the city.” Journal of Urban Affairs 36: 141-154. doi: 10.1111/juaf.12034 Sarmento, Manuel Jacinto, Natália Fernandes, and Catarina Tomás. 2007. “Políticas públicas e participação infantil.” Educação, Sociedade & Culturas 25:183-206. Sevilla, Juan, Diego Corrochano, Alejandro Gomez-Gonçalves, and Héctor Rato. 2021. “¿Es recuperable la ciudad como espacio para la infancia? Aproximación teórica desde la perspectiva del urbanismo social, participativo y sostenible.” Ciudad y Territorio Estudios Territoriales LIII (207):77-94. doi: 10.37230/CyTET.2021.207.05. Sinclair, Ruth. 2004. “Participation in practice: making it meaningful, effective and sustainable.” Children & Society 18:2, 106-118. doi: 10.1002/chi.817. Srivastava, Rahul and Matias Echanove. “Listening to children could help us plan better cities for all.” Accessed July 13 2023. https://www.thehindu.com/society/listening-to-children-could-help-usplan-better-cities-for-all/article21695928.ece Tonucci, Francesco. 1996. La città dei bambini. Bari: Laterza. UNESCO 2022. “Inclusive and resilient societies: equality, sustainability and efficiency.” Accessed July 13 2023. https://www.unesco.org/en/articles/inclusive-and-resilient-societies-equality-sustainability-and-efficiency UNICEF. 2019. “Child Friendly Cities Initiative.” Childhood education 95:4. doi: 10.1080/00094056.2019.1638706 United Nations. “The 17 goals. Sustainable development.” Accessed July 12, 2023. https://sdgs.un.org/ goals. United Nations (2009) “United CRC nations - The right of the child to be heard.” Accessed July 14 2023. https://www2.ohchr.org/english/bodies/crc/docs/AdvanceVersions/CRC-C-GC-12.pdf Valdivia, Blanca. 2018. “Del urbanismo androcéntrico a la ciudad cuidadora.” Hábitat y Sociedad 11:65-84. doi: 10.12795/HabitatySociedad.2018.i11.05. Valdivia, Blanca. “Towards a paradigm shift: the caring city.” Accessed July 13 2023. https://www.barcelona. cat/bcnmetropolis/2007-2017/en/dossier/cap-a-un-canvi-de-paradigma-la-ciutat-cuidadora/ Ward, Colin. 1978. The child in the city. A case study in experimental anthropology. London: The architectural press. BREVE CV Elena Parnisari (Itália, 1992) é arquiteta e urbanista, doutoranda em arquitetura. Licenciada em Arquitetura pelo Politecnico di Milano (2015), Mestre em Planeamento e Projecto Urbano pelas Faculdade de Engenharia e de Arquitetura da Universidade do Porto (2017), Doutoranda no Programa de Doutoramento em Arquitetura na linha de Dinâmicas e Formas Urbanas (2020), e
elena parnisari https://dx.doi.org/10.12795/astragalo.2023.i33-34.18 371 investigadora do grupo Morfologias Dinâmicas do Território no Centro de Estudos em Arquitetura e Urbanismo (2021). Com a sua investigação de doutoramento pretende investigar se é possível formular políticas urbanas mais inclusivas, partindo da exploração da corresponsabilidade em bairros sociais, assumindo as crianças como indicadores da desigualdade urbana e como determinantes do desenho urbano inclusivo.Medir o direito das criançasà cidade por meio do desenho urbano através de laboratórios participativos. Na sua carreira tem colaborado em projetos de escala urbana, arquitetónica e social principalmente no Sul Global, reconhecendo sempre a importância das comunidades em processos participativos.