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Financeirização do mundo e educação

Sodré, Muniz

Abstract

La “financierización” es hoy un nuevo modo de ser de la riqueza en el mundo, que demanda la adecuación de la conciencia, principalmente de la joven conciencia, a esta nueva realidad. En consecuencia, operadores simbólicos de nivel transnacional (OCDE, Banco Mundial, Comisión Europea) se empeñan en poner tal adecuación al servicio de la ideología que busca compatibilizar la formación de la mano de obra y de la ciudadanía con los requisitos neoliberales del imperio de las finanzas. Éste es el destino proyectado para la escolarización en lo que se viene denominando mercado mundial de la educación.

Full text

49 IC - 2012 - 9 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 Resumen La “ inancie ización” es hoy un nue o modo de se de la iqueza en el mundo, que demanda la adecuación de la conciencia, p incipalmen e de la jo en conciencia, a es a nue a ealidad. En consecuencia, ope ado es simbólicos de ni el ansnacional (OCDE, Banco Mundial, Comisión Eu opea) se empeñan en pone al adecuación al se icio de la ideología que busca compa ibiliza la o mación de la mano de ob a y de la ciudadanía con los equisi os neolibe ales del impe io de las inanzas. És e es el des ino p oyec ado pa a la escola ización en lo que se iene denominando me cado mundial de la educación. Abs ac Financializa ion is nowadays a new way o being as ega ds global weal h, making i necessa y o adap public awa eness, especially ha o he young, o his new eali y. As a esul , symbolic ope a o s on a ansna ional le el (OECD, Wo ld Bank, Eu opean Commission) pe sis in allowing his adap a ion o se e he ideology ha seeks o make he aining o he labou o ce and ci izen y compa ible wi h he neolibe al equi emen s o he empi e o inance. This is he planned des iny o o mal schooling in wha has become o be known as he wo ld ma ke o educa ion. Palab as cla e Financie ización, educación, me cado, neolibe alismo Keywo ds Financializa ion, educa ion, ma ke , neolibe alism Conside amos uma ealidade es abelecida o a o de que capi alismo inancei o e comunicação cons i uem hoje, no mundo globalizado, um pa indissolú el. Mas nós nos dispomos aqui a mos a que esse pa en a, há mui os anos, ap oxima -se da educação, com is as a adequa a o mação FINANCEIRIZAÇÃO DO MUNDO E EDUCAÇÃO WORLD FINANCIALIZATION AND EDUCATION LA FINANCIACIÓN EN EL MUNDO DE LA EDUCACIÓN Muniz Sod é (Uni e sidade Fede al do Río de Janei o, B asil) IC – Re is a Cien í ica de In o mación y Comunicación 2012, 9, pp. 49 - 60 50 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 IC - 2012 - 9 Muniz Sod é da consciência con empo ânea e u u a dos jo ens a um no o modo de se da iqueza social e à eme gência de mu ações no me cado de abalho. Pa a começa , o mulamos a hipó ese de que o capi alismo con empo âneo é ao mesmo empo inancei o e midiá ico: inancei ização e mídia são as duas aces de uma moeda chamada sociedade a ançada, essa mesma a que se em apondo o p e ixo “pós” (pós-indus ialismo, pós-mode nidade e c.). Se an es a comunicação e a in o mação, sob a égide da sociedade p odu i is a, podiam se analisadas como “despesa ex a” do capi al, hoje elas êm luga de des aque no p ocesso de unidade do conjun o, como biombo da inancei ização, is o é, de um no o modo de se da iqueza. No âmbi o ge al do neolibe alismo econômico ( eo izado po Hayek), esse modo de se é moldado po uma ideologia p i a is a, que elege como maio es alo es sociais a e icácia p odu i a e o sucesso pessoal. No plano da consciência indi idual, é uma ideologia de lexibilização, de abolição de qualque supos a “ igidez” psíquica. Essa ideologia é pos a em p imei o plano no imaginá io ecnológico e público da iqueza social, ao lado de sua ealidade como mudança de na u eza do sis ema mone á io- inancei o e modus ope andi da co po ação indus ial. Não é uma ideologia ão no a como se pode pensa , pois desde ins do século XIX acompanha a passagem da imagem capi alis a de iqueza como posse de e as e de equipamen os à simbolização da moeda iduciá ia e dos a i os inancei os. Mas são g andes as di e enças en e ago a e o passado, como assinala B aga (1979, p. 196): “Embo a os enômenos em cu so assemelhem-se às expansões inancei as que já oco e am na his ó ia do capi alismo, apega - se à abo dagem de que se a a de uma me a epe ição do “ elho” capi al inancei o é algo eo icamen e inco e o, já que o passado não de e mina em e mos absolu os nem o p esen e, nem o u u o”. Es a ad e ência chama a a enção pa a o a o de que, embo a a lógica inancei a (do capi al bancá io às ope ações de gas os públicos) enha sido semp e in ínseca à con igu ação do sis ema capi alis a, há di e enças ma can es na o ma como se ap esen a con empo aneamen e o capi al inancei o. En e an o, essa ca ac e ís ica in ínseca do sis ema dá ma gem às in e p e ações sob e a p esença do capi al em o ma de dinhei o nos p imó dios do capi alismo, de onde se deduz a p esença p imi i a de uma ideologia (desen ol ida pos e io men e) de alo ização da ci culação da iqueza mobiliá ia. É ce o que o pad ão sis êmico da inancei ização ec udesce na segunda me ade do século XX (depois dos anos 60, quando se o na mui o cla o que o p incipal “negócio” dos Es ados Unidos são as inanças), mas as suas o igens são ideologicamen e isí eis em ins do século XIX, inculadas 51 IC - 2012 - 9 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 Financei ização do mundo e Educação às abo dagens sociológicas sob e as ans o mações comuni á ias e as no as composições dos públicos u banos. Daídeco em as p eocupações p á icas e eó icas com a ques ão comunicacional, uma ez que a ci culação de in o mações é imp escindí el no espaço u bano egido po me cado e po democ acia ep esen a i a. Esse ipo de pano ama – eqüen e na mídia po se p es a ao a amen o acusa ó io ou sensacionalis a – az à luz, além da si uação p eocupan e dos sis emas educacionais, a ealidade de uma moni o ação in e nacional do se o . Pela O ganização das Nações Unidas (ONU), po exemplo, ica-se sabendo da exis ência de uma Campanha Global pela Educação (uma coligação in e nacional de o ganizações não-go e namen ais eunidas pela de esa do di ei o à educação), esponsá el pelo ale a (2010) de que a c ise inancei a mundial pa alisou os es o ços que inham sendo ei os na á ea de educação in an il nos países pob es. Depois de analisa os 60 países mais pob es do mundo, essa en idade es ima em 69 milhões o núme o de c ianças o a da escola. Segundo esse ela ó io, ap esen ado a uma eunião da ONU sob e as chamadas Me as de Desen ol imen o do Milênio, se odas essas c ianças pudessem se al abe izadas, ce ca de 171 milhões de pessoas pode iam se e i adas da penú ia.1 Toda essa moni o ação – que é uma conseqüência da en ada em cena, décadas a ás, de o ganismos como o Banco Mundial e a OCDE no uni e so educacional – coincide com o e igo amen o da elha concepção “u ili a is a” da democ acia no bojo da c ise econômica dos anos 70 (quando se cogi a da ees u u ação do se o p odu i o dos países do Cen o capi alis a, p i ilegiando a e o ma do Es ado e a ápida inco po ação de no as ecnologias), ago a sob a denominação de “neolibe alismo”. Es a é uma designação, nem semp e acei a nas hos es acadêmicas, pa a a e são assumida pelo libe alismo econômico após c ise de 70, que e e como após olos dois de en o es do P êmio Nobel de Economia: F ied ich Hayek, o iundo da escola aus íaca de economia, e o no e- ame icano Mil on F iedman, um dos p incipais nomes da escola mone a is a. Famoso po sua in luência na ecupe ação de economias es agnadas, a exemplo da Ingla e a na e a Ma ga e Tha che , F iedman oi impo an e colabo ado de go e nos epublicanos nos EUA (Nixon e Reagan), além de conselhei o do di ado chileno Augus o Pinoche desde 1975. Apesa de se a olado como um dos maio es economis as do século passado, ele é ido como in e io a Hayek no que se e e e à undamen ação eó ica do neolibe alismo. 1 O ela ó io se esquece de explica como se inc emen a a p odu i idade, necessá ia pa a que se passe da penú ia à abundância po meio da educação. Isso dá ma gem à suspei a de que a “penú ia” possa se ão iccional quan o o seu supos o emédio. 52 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 IC - 2012 - 9 Muniz Sod é A es e ul imo se de e a maio pa e das p oposições – acolhidas po di e en es go e nos na década de 80 – no sen ido do encolhimen o do Es ado no campo das polí icas públicas pa a o bem-es a social (concepção do “Es ado Mínimo” ou “Es ado Gua dião”), da neu alidade do Es ado em ace da desigualdade social, do im dos subsídios des inados a a enua as axas de desemp ego, da des egulamen ação dos me cados e, de um modo ge al, da condução de odas as a i idades econômicas pela di a “mão in isí el” do me cado. Os a gumen os polí ico-econômicos de F iedman encon am quase semp e um espaldo mo al no discu so eó ico de Hayek. No ocan e à educação, en e an o, o neolibe alismo ecua de suas posições axa i as quan o ao im das polí icas sociais, ecupe ando o elho ópico da “democ acia u ili a is a”, segundo o qual, ao lado da aplicação das leis, se ia unção o Es ado esponde pelo p o imen o da educação. Regis a-se aí um supos o consenso quan o à ampliação das opo unidades educacionais como um dos a o es mais ele an es pa a a edução das desigualdades. Mas a pa icipação es a al nesse p ocesso se ia limi ada à supe isão ou, no máximo, a di isão das esponsabilidades com o se o p i ado, es imulando semp e a compe ição no me cado, com o obje i o de inc emen a a o e a de se iços de qualidade. Donde, a e ó ica da “educação de qualidade”, en endida como um se iço de al o ní el me cadológico, pos o à li e escolha das amílias pa a os seus ilhos, embo a não haja consenso sob e o que signi icam ealmen e “qualidade” ou “e icácia” em educação. No Chile, que se iu como campo de p o as sul-ame icano do p oje o neolibe al (“ iedmanniano”) de educação – is o é, a aplicação do dogma do equilíb io do me cado à es e a do ensino – chegou-se hoje à conclusão de que o modelo acassou. As e ol as es udan is em meados de 2011 cons i ui am a sínd ome desse diagnós ico. Desse pano de undo global – ema izado na p á ica po ópicos como globalização, passagem da economia indus ial à de se iços, des egulamen ação dos me cados, ans o mação da o ganização do abalho e disseminação das ecnologias da in o mação – se ale a OCDE pa a p econiza uma e o ma p o unda dos sis emas de ensino. A globalização espalda o pe manen e olha in e nacional sob e a educação, al e ando a pe cepção ge al do enômeno, que semp e oi conside ado como uma ealidade essencialmen e nacional. A ealidade mesmo é que o p ocesso educacional s ic o-sensu, al como oi en onizado pelas dou inas adicionais da educação, o na-se a esso ao o denamen o do mundo cen ado na idéia monis a do p og esso capi alis a ilimi ado, que se supõe cul u almen e au o-su icien e po combinação dos a o es ecnologia e me cado. Mas não o p ocesso ins ucional, como oi di o, já que se ia possí el, como isou Hannah A end , ins ui sem educa . Ins ui -se independe da a mos e a é ica eque ida pela educação em seus 53 IC - 2012 - 9 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 Financei ização do mundo e Educação e mos humanis as. Escola, po ou o lado, não é o luga ísico onde acon ece o p ocesso educacional, e sim a o ma cul u al mode na – ao lado de ou as, como a democ acia, o me cado e c. – pelo qual se inco po a conhecimen o. A mode nidade dessa o ma consis e basicamen e em en ende escola como escola ização, sepa ando a ansmissão cul u al de supo es ixos, seja um p édio, um li o ou a esc i a. Enquan o o ma, ela ca ega as ma cas do p ocesso de espacialização e empo alização compa í el com o modo de p odução econômico dominan e. Ou seja, se ela é espaço e empo enquan o o ma, é necessa iamen e espaço- empo p oduzido pa a adequa -se ao ní el de ep odução das o ças p odu i as exis en es. Do mesmo modo que ou as o mas ou ins i uições sociais (embo a não cen adas na unção da ansmissão cul u al), a escola implica um sis ema ope a i o com eg as de uncionamen o especí icas, em ge al he dadas de ins i uições ideologicamen e hegemônicas num de e minado momen o, a exemplo da ig eja. Mas exis e a c ise con empo ânea dessa espacialização, em unção do espí i o da con empo aneidade, de inido po abe u a e in e a i idade. P imei amen e, a abe u a pa a a complexidade do me cado e da ida con empo ânea indica que os p o esso es não são mais as on es únicas de in o mação e sabe . Quan o à in e a i idade, ge ada pelas ecnologias do i ual, a es a que p a icamen e nada é mais linea ou unidi ecional, sob e udo a esc i a, adicional supo e p e e encial da escola. Po ou o lado, a digi alização dos supo es de ansmissão cul u al exace ba a des inculação (que semp e exis iu i ualmen e) en e a escola e qualque supo e ísico do conhecimen o (sala de aula, li o, p o esso e c.), es endendo a possibilidade de escola ização a luga es e empos no os, não aba cados pelas concepções que limi a am a ap op iação do sabe a um espaço imobilizado, com um egime ins i ucional dado pa a semp e e com ba ei as ígidas en e as idades. Des e modo, um a anço écnico como a digi alização – colocado na ó bi a concei ual dos ideólogos (neolibe ais) de um sis ema educa i o mundial – dá ma gem a se concebe a escola ização como um p ocesso he e o ópico e ansge acional, algo, po an o, a se ealiza em qualque luga e em qualque época da ida de um indi íduo. He e o opia: o luga pa a se ap ende pode se qualque um, seja uma emp esa, um hospi al ou In e ne . O sis ema de ensino adicional é de ce o modo abso ido pela o alidade social, que se p e ende “ins u i a” po meio da in o mação gene alizada. Es a pe passa as di e en es ins ancias da ida social, do abalho ao laze . Donde, a ins ução ansge acional: a idade pa a se ap ende ago a se ia oda e qualque uma. Daí, a obsolescência da idéia de educação como uma e apa no p ocesso o ma i o do sujei o e a no idade de pensá-la como uma in e ação pe manen e 54 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 IC - 2012 - 9 Muniz Sod é com os disposi i os de ins ução. A “educação da e cei a idade” encon a ia aí a sua jus i ica i a. A sociedade com iés ins u i o implica, assim, uma ligação isce al da cidadania com as no as o mas públicas de cul u a que, ago a, deixam de cen aliza -se no li o pa a i adia -se po sons e pala as, g aças às ecnologias da comunicação, a odo o espaço social. Quem es á de o a dos no os modos de le e esc e e é ido como excluído do mundo do abalho e da cul u a. Daí, a exigência his ó ica de que a escola ização, cada ez mais necessá ia pa a os pob es (já que os icos azem a sua in eg ação quase que “na u almen e”, g aças ao ambien e amilia e social), se ede ina a pa i de um ho izon e cul u al mais in e a i o, incluindo jo ens e adul os no exe cício de in e ação social cons i uído pelas ecnologias da in o mação e, conseqüen emen e, pelas no as p á icas de esc i a e lei u a. Tudo isso eclama uma e o ma adical dos mé odos de escola ização. Uma e o ma dessa magni ude pode ia chega à conclusão de que já não há mais luga pa a o monopólio de uma única cul u a – a eu opéia – como e e ência cen al dos alo es, uma ez que as expe iências de di e sidade cul u al, azidas à cena pública an o po jo ens como po adul os de di e en es classes sociais, demandam uma exp essão que a escola adicional não pe mi e. Mas a e o ma desenhada no ho izon e neolibe al da ase a ual da globalização “ca ac e iza-se pela dominação de um no o modelo de educação inspi ado po uma lógica econômica de ipo libe al e pela cons ução de uma no a o dem educa i a mundial. Os go e nos ociden ais, as eli es econômicas, as g andes emp esas de comunicação, os di igen es das g andes o ganizações econômicas in e nacionais p opõem em odos os g andes ó uns mundiais um modelo escola con o me as eg as do li e comé cio, as es a égias das g andes emp esas mul inacionais e a ideologia subjacen e” (La al e Webe , 2002, p. 7). Pa a que isso enha oco ido, deu-se uma al e ação no con ex o polí ico-econômico de que depende a egulação social das p á icas o ma i as em sua in e dependência complexa com a o ganização social. Desde a Re olução Indus ial em cabido ao Es ado o ganiza e con ola os sis emas educacionais com o obje i o de inc emen a an o a p odu i idade in e na quan o a compe i i idade in e nacional, endo semp e como pano de undo as dou inas libe ais de o mação de uma cidadania democ á ica. Essa elação en e abalho e educação é uni e sal, mas egida pela pa icula idade que cons i ui a mediação his ó ica o e ecida pelas o mas sociais conc e as, pela composição especí ica das classes sociais. A mediação con igu a-se no espaço público po meio da di usão de discu sos compe en es (cen os de pesquisas, 55 IC - 2012 - 9 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 Financei ização do mundo e Educação colóquios e c.), publicações especializadas, negociações sindicais e mecanismos de in e ação en e emp esá ios e Es ado pa a a p odução de polí icas públicas de educação. A al e ação nesse con ex o – po an o, a mudança nos ma cos egula ó ios da elação en e abalho e educação – o nou-se signi ica i a em meados da segunda me ade do século passado quando o libe alismo clássico cedeu o passo ao neolibe alismo, ca ac e izado pela ul amobilidade dos capi ais inancei os e p essionou no sen ido da p i a ização se iços adicionalmen e a e os ao pode público, como educação e saúde. En e an o, a economia não de ém a cha e ge al pa a a explicação das ans o mações no p ocesso educacional: o impac o do conhecimen o ecnocien í ico, das no as ecnologias da in o mação e da comunicação e dos e ei os das lu as em p ol do di ei o de acesso uni e sal à educação con ibuí am o emen e pa a a ci ada al e ação con ex ual. Na e dade, não é nada no a essa his ó ia de modelo educacional inspi ado po lógica econômica. O conhecimen o e as capaci ações p o issionais se incluem necessa iamen e no capi al cuja ápida acumulação é imp escindí el ao desen ol imen o econômico. Jun amen e com as dou inas humanis as de o mação da cidadania, as escolas, ambém de inidas como agências p o issionais da educação o odoxa ou o mal, uni e saliza am- se na mode nidade em unção das demandas econômicas e ideológicas da o mação capi alis a. A disciplina escola – que já ca ac e izamos como undamen al à mo alidade pedagógica – é um ipo de ep odução da disciplina do abalho com o obje i o úl imo de inculca o conhecimen o écnico necessá io à manu enção do modo de p odução econômico, assim como os alo es esponsá eis pela in eg ação das ideologias que le am à legi imação e à acei ação do me cado. Como em quase udo e e en e à o ganização capi alis a de me cados, os Es ados Unidos o necem, desde o início do século in e, modelos pa a aquilo que alguns au o es chamam de come cialização do p ocesso educacional (com oco no ensino supe io ), podendo-se en ende po isso “um amplo espec o de compo amen os e endências, no adamen e (1) a in luência das o ças econômicas nas uni e sidades (po exemplo, o c escimen o de g aduações e depa amen os em ciências da compu ação); (2) a in luência da cul u a emp esa ial ci cundan e; (3) a in luência dos in e esses da ca ei a do es udan e sob e o cu ículo (po exemplo, mais cu sos ocacionais); (4) es o ços pa a se economiza em in es imen os uni e si á ios (maio con a ação de p o esso es empo á ios) ou pa a se usa mé odos adminis a i os adap ados do mundo dos negócios; (5) en a i as de se quan i ica ques ões uni e si á ias que não ealmen e quan i icá eis, ais como en a exp imi ques ões de alo es em 56 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 IC - 2012 - 9 Muniz Sod é e mos mone á ios”. Mas se pode ambém ci cunsc e e o en endimen o de “come cialização”, como az Bok, “aos es o ços den o da uni e sidade pa a ob e luc o a pa i do ensino, pesquisa e ou as a i idades no campus” (Bok, 2003, p. 3). As aízes no e-ame icanas dessa come cialização es ão ligadas à busca de luc os po meio de a i idades espo i as. Na Uni e sidade de Ha a d em 1906, como ela a Bok (2003), um einado de u ebol de 16 anos de idade inha salá io igual do ei o e o dob o da quan ia paga a um p o esso - i ula . Con o me jus i ica a o ei o And ew D ape da Uni e sidade de Illinois, a uni e sidade “é ques ão de negócio, assim como uma ins umen alidade mo al e in elec ual, e se os mé odos emp esa iais não o em aplicados à sua adminis ação, ela ai queb a ”. Mas já em 1909, o ex-aluno John Chapman queixa a-se de que “os homens que hoje con olam Ha a d são mui o pouco mais do que homens de negócios, di igindo uma g ande loja de depa amen os que o nece educação aos milhões” Ao longo dos empos, não al a am di igen es que en assem eagi ao c escimen o dos p og amas de u ebol, mas o am semp e silenciados pela onda en usiás ica de uma maio ia de es udan es e ex-alunos. Assim, o que há de no o nas p á icas come ciais da educação não é a sua exis ência, e sim as p opo ções sem p eceden es que elas o am adqui indo, especialmen e desde o início da década de 80. Nas úl imas ês décadas, a busca uni e si á ia de luc o ul apassou a pe i e ia dos campi com seus p og amas a lé icos, le ando o abalho in elec ual a egiões en á eis do conhecimen o como ciências da compu ação, inanças, ges ão emp esa ial, bioquímica e c. No plano das disciplinas adicionais, como se pode cla amen e in e i , a come cialização se desen ol e jun o às ciências di as “du as” ou ou os campos do sabe ligados ao mundo emp esa ial, e não jun o às humanidades. É in e essan e obse a , en e an o, que oda essa mo imen ação no sen ido da p á ica indus ial e come cial não esul a necessa iamen e em conhecimen o imedia amen e ap o ei á el, como egis a Bok (2003): “Com pouquíssimas exceções ( al como Ha y S eenback da Uni e sidade de Wisconsin, que descob iu como en iquece o lei e com i amina D), os cien is as acadêmicos não p oduzi am mui a pesquisa que i esse alo come cial imedia o. Fo a de alguns campos, ais como química e ce os amos da engenha ia, as emp esas não i e am g ande necessidade de busca consul o ias p o issionais”. Po ou o lado, os maciços in es imen os ede ais em pesquisa de base desde o im da Segunda Gue a Mundial (no âmbi o da chamada Gue a F ia, onde se dispu a a supe io idade mili a ) excede am as expec a i as, le ando ao desen ol imen o da bomba de hid ogênio, ao lançamen o de sa éli es no espaço, à colocação de um homem na lua, ao c escimen o da ele ônica e à ascensão da indús ia da compu ação. 57 IC - 2012 - 9 ISSN: 1696-2508 E-ISSN:2173-1071 Financei ização do mundo e Educação Realidade no e-ame icana à pa e, o que há mesmo de no o no capí ulo da me can ilização educacional é a cons i uição p og essi a de um me cado mundial da educação – sob o impulso de o ganizações in e nacionais como a O ganização Mundial do Comé cio (OMC), a UNESCO, o Aco do Ge al sob e o Comé cio dos Se iços (AGCS), o Banco Mundial, a Comissão Eu opéia e a O ganização pa a a Coope ação e o Desen ol imen o Econômico (OCDE) – a despei o do a o de que o ensino ainda pe maneça majo i a iamen e público e nacional num g ande núme o de países. De que cons a exa amen e esse me cado? Segundo La al e Webe (2002, p. 8), “da enda de “p odu os educa i os”, ci culação no mundo dos es udan es que podem paga , c iação de iliais uni e si á ias no es angei o, desen ol imen o do e-lea ning e c.”. Pa a eles, a concepção dominan e da educação nas o ganizações in e nacionais é, ao mesmo empo, libe al e u ili a is a. No p imei o caso, o me cado se e de pa adigma an o pa a a o ganização do sis ema educa i o quan o pa a a modelagem do ensino escola . De inida pela elação en e o e a e p ocu a, a educação ans o ma a escola em emp esa ou em p aça de me cado. No segundo, o u ili a ismo, “que é ao mesmo empo uma dou ina ilosó ica nascida no século dezoi o e um es ado de espí i o mui o di undido nas sociedades ociden ais mode nas, conside a que o indi íduo pe segue e de e pe segui o seu in e esse pessoal em odas as coisas; que as ins i uições sociais e as p essões que as acompanham jus i icam-se apenas pela u ilidade que êm pa a o indi íduo a elas subme ido. O u ili a ismo, sem se eduzi ao domínio econômico, nele encon a, en e an o, um e eno de p edileção” (La al e Webe , 2002, p. 8). Libe alismo e u ili a ismo são, assim, os ins umen os o ganizacionais e ideológicos acionados pelas o ganizações in e nacionais pa a ans o ma a escola num disposi i o de o necimen o de capi al humano pa a emp esas, elegando à obsolescência a dou ina humanis a da educação como o mação in eg ada do homem, do cidadão e do abalhado . Uma ex ensão des a idéia – que em p incípio de e ia a enua o seu ezo economicis a – é o concei o mais ecen e de capi al social, que coloca em p imei o plano os aspec os “sociais” (en endidos como “não econômicos) da exis ência humana. Tais aspec os cons i uem-se basicamen e de no mas e alo es que se p es am à coo denação e icien e dos compo amen os indi iduais. Um pa adoxo compa ece, en e an o, quando se obse a que é a economia quem de ine, no limi e, a o ien ação dessa mo alidade ope a i a. O pa adoxo é mais do que e iden e po que nunca oi ão necessá io como ago a pa a o capi al con ola a imaginação cole i a e a linguagem. Assim é que, pa a Go z (2005, p. 53), a suposição de que possa ha e