Avaliação de fluxos turísticos: uma proposta de proxy do desempenho
Abstract
No âmbito do desenvolvimento de um modelo para avaliação de segmentos de mercado prioritários em turismo, apresenta-se uma proposta de proxy do desempenho, numa escala cujos registos não dependem da magnitude dos objectos. O índice de dormidas per capita, testado no contexto da união europeia, ainda a 15 estados membros, revela as características pretendidas. Para além disso, procede-se à avaliação do crescimento e das posições relativas dos destinos e das origens, ao estudo da evolução da dispersão relativa dos desempenhos, à análise da tendência e à identificação do sentido da convergência dos fluxos turísticos no seio da união europeia.
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151 AVALIAÇÃO DE FLUXOS TURÍSTICOS: UMA PROPOSTA DE PROXY DO DESEMPENHO Paulo Águas Jorge Costa Paulo Rita RESUMO No âmbito do desenvolvimento de um modelo para avaliação de segmentos de mercado prioritários em turismo, apresenta-se uma proposta de proxy do desempenho, numa escala cujos registos não dependem da magnitude dos objectos. O índice de dormidas per capita, testado no contexto da união europeia, ainda a 15 estados membros, revela as características pretendidas. Para além disso, procede-se à avaliação do crescimento e das posições relativas dos destinos e das origens, ao estudo da evolução da dispersão relativa dos desempenhos, à análise da tendência e à identificação do sentido da convergência dos fluxos turísticos no seio da união europeia. PALAVRAS CHAVES: turismo, desempenho, avaliação de fluxos turísticos, União Europeia ABSTRACT In order to identify the market targets in tourism it is presented a new proxy to assess the tourist flows. The proxy is a component of a model under construction, and uses a scale where the values do not depend on market dimension. The index number of roomnights per capita was tested for eu15 member states and reveals the desired characteristics. In this paper the growth rate and the relative positions of both the destinations and generating countries was assessed, as well as the evolution of the relative performance dispersion, the trend analysis and also the identification of the convergence sign of the touristic flows in the eu15. KEY WORDS: tourism, performance, assessment of touristic flows, European Union 1. INTRODUÇÃO A avaliação sistemática dos mercados constitui um pré-requisito para as decisões de afectação de recursos de marketing dos destinos turísticos aos países emissores. Não obstante essa necessidade, é reduzida a pesquisa efectuada para a avaliação da viabilidade dos segmentos de mercado, assim como para a identificação dos alvos prioritários. A investigação realizada tem privilegiado a utilização de modelos aditivos (ex.: Loker e Perdue, 1992; Wynegar, 1994) e multiplicativos (ex.: Mazanec, 1986a; Rita, 1996), assim como a análise de portfolio (ex.: Henshall e Roberts, 1985; Calantone Mazanec, 1991). Nalguns casos, nomeadamente nos modelos aditivos e multiplicativos, a pesquisa tem sido efectuada sem que se proceda à definição do desempenho.
CITIES IN COMPETITION 152 Com o objectivo de contribuir com novos instrumentos de análise, está em curso um processo de investigação conducente ao desenvolvimento de um modelo para identificação dos segmentos de mercado prioritários em turismo, no qual a definição e estudo do desempenho assume um papel central. Esta comunicação tem por objecto os trabalhos já desenvolvidos relativos à proposta de proxy do desempenho e respectiva operacionalização. Após um conjunto de considerações sobre a avaliação de fluxos turísticos e um olhar crítico sobre os indicadores de desempenho mais generalizados, procura-se dar resposta à seguinte pergunta de partida “É possível expressar a proxy do desempenho numa escala cuja magnitude dos registos não depende da dimensão do objecto?”. 2. AVALIAÇÃO DE FLUXOS TURÍSTICOS O targeting é a etapa do processo de segmentação que tem merecido menos atenção por parte dos investigadores e que, consequentemente, necessita de maiores aprofundamentos (Sarabia, 1996). O targeting constitui a etapa das escolhas, onde as organizações optam por dar prioridade a determinados segmentos de mercado, em detrimento dos demais (Simkin e Dibb, 1998). A identificação dos alvos prioritários, actividade subjacente ao targeting, tem como pré-requisito a avaliação dos segmentos de mercado. A análise de portfolio tem vindo a ser utilizada como instrumento para o estudo da carteira de segmentos de mercado, nomeadamente de destinos turísticos (ex.: Henshall e Roberts, 1985; Mazanec, 1986b; Papadopoulos, 1989; Calantone e Mazanec, 1991; Mazanec, 1995; McKercher, 1995; Zins, 1999). O principal objectivo é a identificação dos segmentos de mercado com maior potencial. Em nenhum caso a variável de desempenho é ajustada à natureza do objecto. De facto, ao contrário de muitas outras situações, a utilização de variáveis de desempenho em termos absolutos não se afigura o mais aconselhável dado que o volume total é condicionado pela dimensão do território e, sobretudo, pelo número de habitantes. Ou seja, para um determinado nível de desenvolvimento sócio-económico, os grandes países, em termos de território e do número de habitantes, terão, tendencialmente, valores absolutos mais elevados. Taylor et al. (1992), num estudo sobre os principais mercados emissores de fluxos turísticos para a Escócia, utilizam como variável de desempenho o número de visitantes. Para responder à questão: “Porque é que o turismo na Irlanda registou na última década um desempenho segnificativamente melhor do que no Reino Unido?”, Nevin (1995) apresenta e analisa os seguintes indicadores: • Número de visitantes por: • motivo da viagem; • país de origem. • Receitas turísticas por país de origem. • Fluxos internacionais versus fluxos domésticos. • Percepções dos turistas sobre a relação preço-qualidade10. As vendas potenciais constituíam um indicador chave para avaliar mercados muito antes da análise de portfolio ou do modelo de atractividade da indústria11 se terem transformado em instrumentos correntes no planeamento estratégico (Mazanec, 1986b). Em turismo, as chegadas internacionais às fronteiras, as dormidas e as receitas 10 Value for the money. 11 Também designado por modelo das 5 forças de Porter.
NEW TRENDS IN MARKETING MANAGEMENT 153 constituem proxys das vendas, podendo ser utilizadas para medir a importância relativa dos mercados (McKercher, 1995). Devido a diferenças na produção de estatísticas, as dormidas constituem o melhor indicador. Por exemplo, o número de chegadas internacionais às fronteiras, tal como indicado no quadro 1, nem sempre resulta da mesma variável. Dado que nem todos os países têm registos disponíveis do número de turistas entrados, a OMT, com o objectivo de construir um ranking à escala mundial, aceita outras variáveis como indicadores dos fluxos turísticos internacionais, nomeadamente o número de visitantes internacionais e as chegadas de não residentes aos meios de alojamento colectivos (hóspedes). Esta circunstância fragiliza o ranking, pois pode adulterar posições relativas. Deliberamente, o quadro 1 lista 21 países, quando o mais comum é a apresentação dos 10 ou dos 20 primeiros. Esta foi a forma encontrada de explicitar o problema da não comparabilidade das variáveis utilizadas, pois permitiu a inclusão da Rússia. Como se pode verificar, a Rússia desce da 7.ª posição, em 2000, para a 21.ª, em 2002. Trata-se de uma falsa hecatombe, pois a causa para tão abrupta quebra não resulta de eventuais alterações na magnitude dos fluxos turísticos internacionais, mas na mudança de variável, de visitantes, em 2000, para turistas em 2002. Por definição, o número de visitantes é igual ao número de turistas (os que pernoitam) mais o número de excursionistas (os que não pernoitam), pelo que apenas em situações extremas (número de excursionistas igual a zero) o número de visitantes é igual ao número de turistas. O caso da Rússia é ilustrativo das diferenças existentes entre o número de visitantes (21,1 milhões, em 2000) e o número de turistas (7,9 milhões, em 2002). Em 2002, três países do TOP 20, Reino Unido, Hong-Kong e Hungria, continuam a disponibilizar o registo da variável número de visitantes. No caso da Hungria o valor considerado corresponde a metade do número de visitantes. Porém, não há nenhuma regra que defina uma proporção padrão entre o número de visitantes e o número de turistas. No caso do Reino Unido e de Hong-Kong a única certeza é que, pelas razões já anteriormente expostas, o registo apresenta-se sobreavaliado quando comparado com os países que disponibilizam o número de turistas. Relativamente à variável número de hóspedes em meios de alojamento colectivo, disponibilizada pela Alemanha, Áustria e Holanda, não é inequívoco o sinal, maior ou menor, da relação com o número de turistas internacionais. Se, por um lado, um turista internacional pode dar origem a mais do que um hóspede, bastando para tal que utilize mais do que uma unidade de alojamento colectivo durante o seu período de permanência no país de destino, por outro lado, pode não dar origem a qualquer hóspede desde que permaneça em formas de alojamento privado (ex.: casa de familiares e amigos, residência secundária ou alojamento alugado a particulares). Assim, a probabilidade do número de hóspedes ser superior ao número de turistas aumenta com a mobilidade do turista no território visitado (com pernoitas em locais distintos) e com a utilização de formas de alojamento colectivo. Em Portugal, em 2001, o número de hóspedes não residentes foi de 6,0 milhões, representando pouco menos de metade dos 12,2 milhões de turistas internacionais (INE, 2002). Posição 2002 País 2002 10^3 2000 10^3 1995 10^3 1990 10^3 1 França (1) 77 012 75 500 60 033 52 497 2 Espanha (1) 51 748 48 201 34 917 34 085 3 Estados Unidos (1) 41 892 50 891 43 317 39 363 4 Itália (1) 39 799 41 182 31 052 26 679
CITIES IN COMPETITION 154 5 China (1) 36 803 31 229 20 034 10 484 6 Reino Unido (2) 24 180 25 191 23 537 18 013 7 Canadá (1) 20 057 20 423 16 932 15 209 8 México (1) 19 667 20 643 20 241 17 176 9 Áustria (3) 18 611 17 982 17 173 19 011 10 Alemanha (3) 17 969 18 983 14 847 17 045 11 Hong-Kong (2) 16 566 13 059 10 200 6 581 12 Hungria (4) 15 870 15 571 19 620 20 510 13 Grécia (1) 14 180 12 500 10 130 8 873 14 Polónia (1) 13 980 17 400 19 215 3 400 15 Malásia (1) 13 292 10 222 7 469 7 446 16 Turquia (1) 12 782 9 587 7 083 4 799 17 Portugal (1) 11 666 12 037 9 511 8 020 18 Tailândia (1) 10 873 9 509 6 952 5 299 19 Suíça (1) 10 000 11 400 11 500 13 200 20 Holanda (3) 9 595 10 200 6 574 5 795 21 Rússia (5) 7 943 21 169 10 290 n.d. (1) Turistas; (2) Visitantes; (3) Hóspedes; (4) Visitantes/2; (5) Visitantes em 1995 e 2000 e Turistas em 2002. Fonte: WTO (2003a,b) Quadro 1: Chegadas Internacionais às Fronteiras por Países Pelo anteriormente exposto, em análises que exijam a comparação entre vários países, a utilização das chegadas internacionais só deverá ocorrer se os valores tiverem origem na mesma variável. Para além do problema associado à medição dos fluxos turísticos internacionais através de diferentes variáveis que não são comparáveis, um ranking com estas características subavalia os países periféricos, como por exemplo Portugal, Grécia e Turquia, em favor dos países centrais, tais como a Áustria, a Suíça, a Hungria, a Polónia, a França e a Alemanha, entre outros. Mas também em países periféricos os números têm que ser lidos com muito cuidado, pois o mesmo valor pode encerrar realidades distintas. Um dos casos mais paradigmáticos é o de Portugal e Grécia. Por exemplo, em 2000, o número de chegadas internacionais é muito próximo, mas as similaridades ficam por aí. De facto, enquanto para Portugal aproximadamente metade dos fluxos têm origem na vizinha Espanha, o mesmo não acontece com a Grécia em relação à Albânia, Macedónia, Bulgária e Turquia. A consequência desta situação é que a Grécia recebe uma maior proporção de turistas de origens mais distantes, os quais efectuam permanências mais longas. Por exemplo, em 2000, as dormidas de não residentes em estabelecimentos hoteleiros e similares na Grécia foi de 46,6 milhões, quedando-se em Portugal por 24,1 milhões (Eurostat, 2004). Ao nível das receitas turísticas internacionais, cuja estatística oficial integra a balança de pagamentos, o problema reside na não ventilação dos dados por tipo de visitante (turista e excursionista). A partir das receitas e das chegadas internacionais às fronteiras pode haver o impulso de calcular o valor das receitas por chegada, a própria OMT apresenta valores por regiões (WTO, 2003b). O indicador receita por chegada pode ser útil para avaliar a capacidade que os destinos têm para captar fluxos económicos. Porém, os dados de base disponíveis não aconselham o seu cálculo. Por um lado, as chegadas nem sempre são avaliadas através da mesma variável, por outro lado, as receitas incluem os gastos dos turistas e dos excursionistas. Assim, estão criadas as condições para a obtenção de valores que não são comparáveis.
NEW TRENDS IN MARKETING MANAGEMENT 155 Relativamente aos gastos turísticos internacionais per capita verifica-se, naturalmente, uma relação com a dimensão territorial dos países. Assim, nos países de menor dimensão, não periféricos, os residentes realizam com maior intensidade viagens para o estrangeiro, pela simples razão de ser mais perto, o que faz com que os gastos turísticos internacionais per capita sejam mais elevados. Por exemplo, admitindo que os residentes da França e da Áustria realizam igual número de viagens per capita percorrendo idênticas distâncias médias a partir do local de residência habitual, no segundo caso (Áustria) uma maior percentagem dará origem a fluxos turísticos internacionais, apenas, e tão só, por se tratar de um país de menor dimensão territorial. As reservas colocadas à utilização das variáveis chegadas internacionais às fronteiras e receitas turísticas internacionais como proxys das vendas aplicam-se apenas a estudos cross-section. Nos estudos time series não há qualquer restrição à sua utilização, desde que os valores das séries sejam obtidos a partir da mesma metodologia. De facto, vários autores recorrem quer às chegadas internacionais às fronteiras quer às receitas turísticas internacionais no processo de avaliação de mercados. Por exemplo, Rita (1996) sustenta que relacionando proveitos com investimentos de comunicação realiza-se, implicitamente, uma avaliação da atractividade do mercado, embora reconheça que estudos econométricos têm mostrado que a promoção turística, isoladamente, não consegue explicar as receitas turísticas de um país. O mercado turístico, definido por Perdue (1996: 39) como o “conjunto de todos os turistas actuais e potenciais oriundos de um local geográfico específico para um determinado destino”, é muito vasto e diverso sendo necessário identificar e decidir quais são os segmentos de mercado mais atractivos para cada produto turístico e definir o modo como vão ser abordados esses segmentos, nomeadamente no que respeita ao marketing-mix. Ao nível dos conceitos, Mazanec (1986a) apresenta uma contribuição muito significativa ao distinguir entre o volume do mercado turístico total e o volume do mercado turístico relevante. O volume do mercado turístico total é definido como o número total de dormidas, domésticas e internacionais, produzidas pelos residentes de um país. O volume do mercado turístico relevante é um subconjunto do volume do mercado turístico total, sendo constituído pelas dormidas num conjunto de países considerados concorrentes. Por exemplo, o volume do mercado turístico total da Alemanha é o número total de dormidas de residentes na Alemanha realizadas no próprio país (doméstico) e no estrangeiro (internacional). Mas no caso de um determinado destino, por exemplo Portugal, o que se torna relevante analisar é o número total de dormidas de residentes na Alemanha num conjunto de países considerados concorrentes, nomeadamente Espanha, Grécia, Itália e França12. Para uma determinada origem é possível estabelecer um único mercado turístico total mas vários mercados turísticos relevantes, que não são necessariamente mutuamente exclusivos13. 3. PERGUNTA DE PARTIDA E OBJECTIVOS A investigação que se desenvolve decorre da seguinte pergunta de partida: “É possível expressar a proxy do desempenho numa escala cuja magnitude dos registos não depende da dimensão do objecto?” Para além da resposta à pergunta de partida, a investigação prossegue os seguintes objectivos: 12 Um estudo de opinião realizado no Aeroporto de Faro, em 1998, nos períodos da Páscoa (Março/Abril) e do Verão (Julho/Agosto), a uma amostra de 1 911 turistas alemães, permitiu identificar a Espanha (35,2%), a Grécia (17,6%), a Itália (6,6%) e a França (6,3%) como os principais destinos alternativos face a uma hipotética impossibilidade de viajar para o Algarve (Águas et al., 1998). 13 Admite-se que os concorrentes considerados dependam das origens em análise.
CITIES IN COMPETITION 156 Objectivo 1: Avaliação do crescimento e das posições relativas das dormidas registadas (destinos) e geradas (origens) nos Estados Membros da UE-1514. Objectivo 2: Estudo da evolução da dispersão relativa dos desempenhos dos Estados Membros da UE-15, enquanto destinos e enquanto origens. Objectivo 3: Identificação do sentido da convergência/divergência nos fluxos turísticos entre os Estados Membros da UE-15. Objectivo 4: Análise da tendência do desempenho dos Estados Membros da UE-15, enquanto destinos e enquanto origens. 4. DEFINIÇÃO E OPERACIONALIZAÇÃO DA VARIÁVEL DESEMPENHO NO CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO PARA AVALIAÇÃO DE SEGMENTOS DE MERCADO PRIORITÁRIOS Os conteúdos que de seguida se apresentam constituem uma das componentes de um modelo para avaliação dos segmentos de prioritários que se alicerça em cinco eixos: Desempenho; Agrupamento dos Segmentos de Mercado; Agrupamento dos Destinos; Caracterização dos Segmentos de Mercado e dos Destinos; Classificação dos Segmentos de Mercado. A selecção da proxy do desempenho pode depender do objecto de estudo. De qualquer modo, deverá sempre permitir avaliar, em termos gerais, os resultados atingidos pelo destino no conjunto de segmentos em análise e os resultados gerados pelo segmento para o conjunto de destinos em estudo. Constituem potenciais proxies: Número de visitantes; Número de turistas; Número de dormidas; e Receitas/Gastos. Tal como referido anteriormente, as variáveis não devem ser expressas em valores absolutos. Numa primeira fase, os valores absolutos devem ser transformados em valores per capita (valores relativos), tendo como referência a população residente (número de habitantes) do destino/origem em análise. Por fim, procede-se à sua conversão num número índice, tendo como referência o valor per capita do universo em estudo (conjunto de segmentos de mercado e de destinos). 100 / 15 1 ∗= ∑ =iPi Di PiDi IDi em que: IDi é o índice da proxy per capita para o país emissor/receptor i Di é o valor absoluto da proxy registado/gerado no país i Pi é o número de habitantes no país i Para além da aferição do nível de desempenho num determinado momento deve ser avaliada a sua evolução recente. Essa avaliação pode ser efectuada através da análise da tendência da proxy do desempenho, o que exige a disponibilidade de uma série cronológica. 14 Os dados utilizados são relativos a um período em que a União Europeia era constituída por 15 Estados Membros.
NEW TRENDS IN MARKETING MANAGEMENT 157 5. DESEMPENHO DOS DESTINOS E DOS SEGMENTOS DE MERCADO NA UE-15 Do conjunto de variáveis disponíveis pela Directiva Comunitária 95/57/CE, de 23 de Novembro de 1995 (Conselho Europeu, 1995), relativa à recolha de informações estatísticas no sector turismo, recorre-se às dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e similares como proxy do desempenho. A Directiva Comunitária 95/57/CE apenas obriga os Estados Membros à recolha de dados relativos ao alojamento turístico colectivo. De entre estes, a opção pelos estabelecimentos hoteleiros e similares é justificada pelo facto de constituírem a subcategoria de maior importância do alojamento turístico colectivo e de apresentarem o grau de comparabilidade mais elevado em termos de características da oferta entre os vários Estados Membros. Os dados que se seguem têm como unidade o país. Em relação aos destinos, consideram-se as dormidas totais registadas nos estabelecimentos hoteleiros e similares com origem na UE, incluindo o próprio país. Por sua vez, no que concerne aos segmentos de mercado, consideram-se as dormidas geradas nos estabelecimentos hoteleiros e similares da UE, incluindo no próprio país. Como se pode verificar nos quadros 2 e 4, os valores totais das dormidas são iguais para as duas ópticas de observação, destinos e segmentos de mercado (origens). Enquanto no quadro 2 (destinos) os registos de cada linha são declarados apenas por uma entidade, o próprio país, no quadro 4 (origens) cada um dos valores resulta do somatório das observações dos 15 Estados Membros relativamente a cada um dos países em causa. Destino 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Alemanha 159.228.449 159.545.665 163.000.115 171.027.840 181.479.878 181.447.227 Áustria 63.591.071 61.840.981 61.898.487 62.462.103 63.117.096 64.038.822 Bélgica 9.735.472 10.341.682 10.743.585 11.162.329 11.810.426 11.806.209 Dinamarca 6.915.038 6.837.045 6.988.364 6.990.056 7.372.095 7.214.469 Espanha 145.681.075 152.189.507 162.802.081 211.592.893 206.793.304 208.455.734 Finlândia 10.311.448 10.703.064 11.149.374 11.378.773 11.683.547 11.815.417 França 126.681.322 132.323.210 139.238.771 155.668.569 162.899.518 165.239.560 Grécia 39.912.254 45.119.842 46.571.914 50.759.018 52.125.931 52.277.685 Holanda 16.063.054 18.527.000 21.721.699 23.365.000 24.001.714 23.318.000 Irlanda 14.360.463 14.861.215 16.035.239 17.570.922 18.767.000 20.223.193 Itália 182.035.654 178.269.752 183.102.496 187.299.079 201.170.603 206.015.103 Luxemburgo 883.222 937.099 971.706 1.016.400 1.022.544 1.028.169 Portugal 25.789.899 26.878.680 29.432.858 29.673.617 30.394.411 30.332.275 Reino Unido 112.782.394 118.204.070 104.524.376 116.586.884 163.640.883 159.251.128 Suécia 16.756.367 16.861.862 17.872.759 18.415.903 18.863.956 19.136.267 Total 930.727.182 953.440.674 976.053.824 1.074.969.386 1.155.142.906 1.161.599.258 Fonte: Eurostat (2004), dados tratados pelo autor Quadro 2: Dormidas Registadas nos Estabelecimentos Hoteleiros e Similares na UE-15 com Origem na UE-15, por Estado Membro, 1996-2001 Entre 1996 e 2001, e em termos de posições relativas, verifica-se a ascenção da Espanha do 3.º para o 1.º lugar, o que implicou a descida de um lugar da Itália (de 1.º para 2.º) e da Alemanha (de 2.º para 3.º). Por sua vez, a Suécia desce 2 posições, de 9.º para 11.º, por troca com a Holanda (de 10.º para 9.º) e com a Irlanda (de 11.º para 10.º). Nos restantes casos, os países não registam alterações das suas posições relativas.
CITIES IN COMPETITION 158 No período de 1996 a 2001, todos os destinos registaram um aumento do número de dormidas em estabelecimentos hoteleiros e similares com origem na UE, embora no caso da Áustria tenha sido inferior a 1% (ver quadro 3). Holanda, Espanha, Reino Unido15 e Irlanda obtiveram os crescimentos mais elevados do número de dormidas, superiores a 40%. Destino 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Holanda 100,0 115,3 135,2 145,5 149,4 145,2 Espanha 100,0 104,5 111,8 145,2 141,9 143,1 Reino Unido 100,0 104,8 92,7 103,4 145,1 141,2 Irlanda 100,0 103,5 111,7 122,4 130,7 140,8 Grécia 100,0 113,0 116,7 127,2 130,6 131,0 França 100,0 104,5 109,9 122,9 128,6 130,4 Bélgica 100,0 106,2 110,4 114,7 121,3 121,3 Portugal 100,0 104,2 114,1 115,1 117,9 117,6 Luxemburgo 100,0 106,1 110,0 115,1 115,8 116,4 Finlândia 100,0 103,8 108,1 110,4 113,3 114,6 Suécia 100,0 100,6 106,7 109,9 112,6 114,2 Alemanha 100,0 100,2 102,4 107,4 114,0 114,0 Itália 100,0 97,9 100,6 102,9 110,5 113,2 Dinamarca 100,0 98,9 101,1 101,1 106,6 104,3 Áustria 100,0 97,2 97,3 98,2 99,3 100,7 Total 100,0 102,4 104,9 115,5 124,1 124,8 Fonte: Eurostat (2004), dados tratados pelo autor Quadro 3: Crescimento das Dormidas Registadas nos Estabelecimentos Hoteleiros e Similares na UE-15 com Origem na UE-15, por Estado Membro, 1996-2001 Em termos de origens (segmentos de mercado), de 1996 para 2001, não ocorrem trocas de lugares entre os 10 principais segmentos de mercado e no último lugar (ocupado, naturalmente, pelo Luxemburgo), conforme quadro 4. Nos restantes quatro casos, verificam-se as subidas da Irlanda (de 14.º para 12.º) e de Portugal (de 12.º para 11.º) e as descidas da Finlândia (de 11.º para 13.º) e da Dinamarca (de 13.º para 14.º). Segmento de Mercado 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Alemanha 283.136.474 280.034.013 281.528.057 310.301.196 315.446.487 311.547.127 Áustria 28.400.444 28.694.177 31.542.032 29.346.517 29.993.945 30.408.642 Bélgica 21.609.497 22.206.229 22.873.942 25.194.337 25.504.284 25.048.866 Dinamarca 10.644.266 10.992.682 11.391.470 12.380.206 12.501.837 12.255.873 Espanha 68.178.436 72.035.517 78.363.302 93.103.675 96.610.123 98.756.646 Finlândia 12.204.803 12.531.459 13.036.860 13.515.636 13.732.373 13.816.064 França 115.440.480 116.867.991 121.900.677 135.311.620 142.974.108 145.778.113 Grécia 14.174.909 15.654.207 14.932.791 15.607.219 16.991.749 17.131.012 Holanda 31.659.612 34.669.200 34.971.747 41.370.049 43.347.318 42.559.460 15 A série referente ao Reino Unido denota uma volatilidade excessivamente elevada, a qual poderá, tão só, revelar debilidades do seu sistema estatístico nesta área. As estatísticas oficiais não são infalíveis pelo que não estão isentas de erros, o que poderá ser o caso.
NEW TRENDS IN MARKETING MANAGEMENT 159 Irlanda 8.595.101 8.486.872 10.043.532 11.221.607 12.021.814 13.887.048 Itália 143.039.351 144.276.079 150.058.541 154.451.135 162.586.515 164.813.738 Luxemburgo 1.451.774 1.458.011 1.514.669 1.646.472 1.682.762 1.657.143 Portugal 10.982.094 11.591.476 12.452.147 13.347.943 13.942.198 14.026.455 Reino Unido 156.258.021 168.740.107 164.831.067 189.913.038 238.049.104 240.332.539 Suécia 24.951.920 25.202.654 26.612.990 28.258.736 29.758.289 29.580.532 Total 930.727.182 953.440.674 976.053.824 1.074.969.386 1.155.142.906 1.161.599.258 Fonte: Eurostat (2004), dados tratados pelo autor Quadro 4: Dormidas Geradas pela UE-15 nos Estabelecimentos Hoteleiros e Similares na UE-15, por Estado Membro, 1996-2001 Igualmente no período de 1996 a 2001, todos os segmentos de mercado registaram um aumento do número de dormidas geradas nos estabelecimentos hoteleiros e similares na UE (ver quadro 5). Irlanda (com 61,6%), Reino Unido (com 53,8%), Espanha (com 44,9%) e Holanda (com 34,4%) revelaram-se os países mais dinâmicos, tal como já tinha sido verificado enquanto destinos. Em termos globais, entre 1996 e 2001, o número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e similares na UE geradas pelos Estados Membros cresceu 24,8%, a que corresponde uma taxa de crescimento médio anual de 4,53%. No mesmo período, o PIB da UE registou uma taxa de crescimento médio anual de 2,66%16, o que significa que o dinamismo nos estabelecimentos hoteleiros e similares foi superior ao da restante economia. Segmento de Mercado 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Irlanda 100,0 98,7 116,9 130,6 139,9 161,6 Reino Unido 100,0 108,0 105,5 121,5 152,3 153,8 Espanha 100,0 105,7 114,9 136,6 141,7 144,9 Holanda 100,0 109,5 110,5 130,7 136,9 134,4 Portugal 100,0 105,5 113,4 121,5 127,0 127,7 França 100,0 101,2 105,6 117,2 123,9 126,3 Grécia 100,0 110,4 105,3 110,1 119,9 120,9 Suécia 100,0 101,0 106,7 113,3 119,3 118,6 Bélgica 100,0 102,8 105,9 116,6 118,0 115,9 Itália 100,0 100,9 104,9 108,0 113,7 115,2 Dinamarca 100,0 103,3 107,0 116,3 117,5 115,1 Luxemburgo 100,0 100,4 104,3 113,4 115,9 114,1 Finlândia 100,0 102,7 106,8 110,7 112,5 113,2 Alemanha 100,0 98,9 99,4 109,6 111,4 110,0 Áustria 100,0 101,0 111,1 103,3 105,6 107,1 Total 100,0 102,4 104,9 115,5 124,1 124,8 Fonte: Eurostat (2004), dados tratados pelo autor 16 Taxa de crescimento anual do PIB da UE: 1997/96: 2,5%; 1998/97: 2,9%; 1999/98: 2,8%; 2000/99: 3,5%; 2001/00: 1,6% (Eurostat, 2004). Taxa de crescimento anual das dormidas em estabelecimentos hoteleiros e similares na UE geradas por Estados Membros: 1997/96: 2,4%; 1998/97: 2,4%; 1999/98: 10,1%; 2000/99: 7,5%; 2001/00: 0,6% (Eurostat, 2004).
CITIES IN COMPETITION 166 Conclusões associadas ao Objectivo 3. A concentração dos fluxos é maior à chegada (destinos) do que à partida (origens), podendo-se classificar como convergentes. Apesar da já referida maior disseminação da actividade turística, continua-se em presença de uma especialização pelo lado da oferta. Conclusões associadas ao Objectivo 4. Áustria, Portugal, Luxemburgo, Itália, Finlândia, Dinamarca e Alemanha são os destinos que revelam uma tendência de redução no desempenho. Ao nível das origens, verificam-se situações de sinais opostos. Enquanto Luxemburgo, Alemanha, Finlândia e Itália apresentam uma tendência decrescente, Reino Unido, Irlanda e Espanha denotam sinais de crescimento. BIBLIOGRAFIA Aguas, P., Veiga, C., Santos, A. e Nunes, C. (1998): “Estudo de Opinião sobre o Grau de Satisfação dos Turistas Residentes no Reino Unido, Alemanha, Holanda – Relatório Final – Algarve – Via Aérea – Abril/Maio e Julho/Agosto”, Universidade do Algarve – Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo, não publicado. Berenson, M. e Levine, D. (1986): “Basic Business Statistics: concepts and applications”, 3rd ed., Prentice-Hall, Englewood Cliffs – NJ – USA, Calantone, R. e Mazanec, J. (1991): "Marketing Management and Tourism", Annals of Tourism Research, Vol. 18 (1), pp.101-119. Conselho Europeu (1995): “Directiva Comunitária 95/57/CE do Conselho, de 23 de Novembro de 1995, relativa à recolha de informações estatísticas no sector de turismo”, JO L 291 de 6.12.1995, p.32. Eurostat (2004): “NewCronos”, disponível em http://europa.eu.int/comm/newcronos/reference/display.do?screen=welcomeref&open=/ &product=EU_MAIN_TREE&depth=1&langauge=en, 29/11/04. Henshall, B. e Roberts, R. (1985): "Comparative Assessment of Tourist Generating Markets for New Zealand", Annals of Tourism Research, Vol 12 (2), pp. 219-238. INE – Instituto Nacional de Estatística (2002): “Estatísticas do Turismo”, INE, Lisboa. Loker, L. e Perdue, R. (1992): "A Benefit-Based Segmentation of a Nonresident Summer Travel Market”, Journal of Travel Research, Vol 31(1), pp. 30-35. Mazanec, J. (1986a): "Allocating an Advertising Budget to International Travel Markets", Annals of Tourism Research, Vol 13(4), pp. 609634. Mazanec, J. (1986b): "How to Evaluate a Travel Market. Econometric Modeling vs. Multi-Attribute Decision Making with Management Estimates", Centre des Hautes Études Touristiques - Série C, nº 48. Mazanec, J. (1995): "Análise da Posição Estratégica de Cidades Turísticas: Um Estudo para Lisboa", Revista Portuguesa de Gestão, nº II/III, pp. 83-94. Mckercher, B. (1995): "The Destination-Market Matrix: A Tourism Market Portfolio Analysis Model", Journal of Travel & Tourism Marketing, Vol 4 (2), pp. 23-40. Nevin, M. (1995): "A case study in policy success: the development of the Irish tourism industry since 1985", Journal of Vacation Marketing, Vol 1(4), pp. 363-375. Papadopoulos, S. (1989): "A Conceptual Tourism Marketing Planning Model: Part 1", European Journal of Marketing, Vol 23(1), pp. 31-40. Perdue, R. (1996): "Target Market Selection and Marketing Strategy: The Colorado Downhill Skiing Industry", Journal of Travel Research, Vol 34 (4), pp. 39-46. Rita, P. (1996): "Tourex. Desenvolvimento de um Sistema Pericial para Marketing Turístico", Revista Portuguesa de Marketing, Vol 1(2), pp. 11-27. Sarabia, F. (1996): “Model for market segments evaluation and selection”, European Journal of Marketing, Vol 30(4), pp. 58-74. Simkin, L. e Dibb, S. (1998): “Prioritising target markets”, Marketing Intelligence & Planning, Vol 16(7), pp. 407-417. Taylor, L., Allardyce, M. e Macpherson, N. (1992): "Determining marketing strategies for organizations targeting the European tourist to Scotland", Tourism Management, Vol 13(1), pp. 50-55. WTO – World Tourism Organization (2003a): “Facts & Figures”, disponível em http://www.world-tourism.org, 20/10/03. WTO – World Tourism Organization, (2003b): “Tourism Highlights edition 2003”, disponível em http://www.world-tourism.org, 20/10/03. Zins, A. (1999): “Destination Portfolios Using a European Vacation Style Typology”, Journal of Travel & Tourism Marketing, Vol 8 (1), pp. 1 -23. Wynegar, D. (1994): "Estimating the Potential of International Markets", in Travel, Tourism and Hospitality Research, eds. Ritchie e Goeldner, John Wiley & Sons, New York,pp. 597-606.