scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Vídeos na educaçao escolar; a experiência do vídeo escola em aracaju

Nunes Linhares, Ronaldo

Abstract

El presente artículo es un resumen de una investigación realizada para un Master en Educación de la Universidad Federal de Sergripe (Brasil) y pretende contribuir a reflexionar sobre la utilización del vídeo en la enseñanza.

Full text

VÍDEOS NA EDUCAÇAO ESCOLAR; A EXPERIÊNCIA DO VÍDEO ESCOLA EM ARACACJU Ronaldo Nunes Linhares Universidade Federal de Sergripe (Brasil) El presente artículo es un resumen de una investigación realizada para un Master en Educación de la Universidad Federal de Sergripe (Brasil) y pretende contribuir a reflexionar sobre la utilización del vídeo en la enseñanza. The present article is a summary of an investigation accomplished for a Master in Education of the Federal University of Sergripe (Brazil) and intends to contribute to reflect on the utilization of the video in the teaching DESCRIPTORES: Video, Educación, Proyecto de Inserción de Medios. A presença da imagem na educação escolar, trazida pelos Meios de Comunicação e reprodução (televisão e vídeo), tem proporcionado discussões variadas, principalmente no que se refere às dificuldades da escola atual, espaço social de produção e reprodução de saberes, absorver o prazer, a ludicidade e a complexidade, trazidos pela imagem através, primeiramente da televisão e posteriormente do vídeo cassete. Estas "novas" tecnologias de educação, são disponibilizadas a um espaço cultural fechado, muitas vezes ultrapassado, acostumado a uma visão hierarquizada, maniqueísta e fragmentado do conhecimento que é a escola. Televisão e escola fazem parte hoje do universo sócio-histórico e cultural do homem contemporâneo. Se a escola é um local para onde se canalizam as mais diferentes culturas, os sujeitos dessa escola são telespectadores de muitas horas diárias de exposição à TV e vêem-na com satisfação e prazer, aprendendo com ela e a partir dela, reproduzindo hábitos e costumes culturais. Alem dessa exposição as imagens audiovisuais (televisivas ou cinematográficas), é importante observar que esta, a imagem, sempre fez parte do universo cultural do homem desde muito, e que sua relação com ele é muito mais profunda do que a relação com a escrita, relação esta ampliada com o advento das tecnologias de comunicação. Apesar dessa constatação, as propostas de uso da imagem através da televisão e do vídeo na escola, ocorrem ainda de forma isolada e carregada da visão maniqueista, dividida segundo a classificação tão conhecida do Umberto Eco, entre os "apocalipticos e integrados". Alguns não concordam com a possibilidade da comunicação através da imagem dar à escola agilidade e modernidade no discurso, melhorando as relações comunicacionais entre professor-aluno, escola e comunidade. O presente artigo é um resumo do relatório de pesquisa apresentado para conclusão do Mestrado em Educação da Universidade Federal de Sergipe. Pretendemos contribuir para as reflexões sobre o uso do audiovisual, especificamente o Vídeo, como tecnologia educacional em sala de aula. A partir do recorte de uma realidade específica, criada com a implantação no Estado de Sergipe, do Projeto Vídeo Escola procuramos avaliar as possibilidades de uso da comunicação visual na educação, identificando e analisando grupos de facilidades e dificuldades trazidas pelo Vídeo Escola à prática pedagógica de professores de 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental em escolas da capital. Utilizamos como material de pesquisa, questionário produzido especificamente para este fim, distribuídos a professores, dos turnos matutino e vespertino de 06 escolas da rede estadual, selecionadas dentre aquelas que trabalham com a segunda fase do Ensino Fundamental. Obtivemos 50% dos questionários respondidos. Este material foi trabalhado e analisado, no sentido de nos dar subsídios para o conhecimento da realidade existente na escola após o uso regular das imagens audiovisuais trazidas pelo Projeto Vídeo Escola. Este questionário foi construído, objetivando obter informações sobre: professores e disciplinas que utilizam o projeto; considerações gerais sobre o projeto; possibilidades de uso do Projeto pelos professores; reações referentes às contribuições do Projeto na prática pedagógica cotidiana do professor em sala de aula e por fim as dificuldade e facilidades apontadas pelos professores no uso do Projeto em sala de aula. A implantação do projeto Vídeo Escola em Aracaju, ainda não contribui efetivamente, para a mudança da mentalidade com relação a presença destas imagens, trazidas a sala de aula pelo Vídeo e a Televisão, e consequentimente com o questionamento das metodologias utilizadas pelo professor desses meios como tecnologias educacionais. Considerando os dados obtidos e os resultados aqui apresentados, a partir do levantamento das atividades desenvolvidas pelos professores com o uso do Projeto em sala de aula e dos grupos de facilidades (pontos positivos) e dificuldades (pontos negativos), permitem principalmente observar que: A maioria dos professores que usam o projeto, lecionam a disciplina de Português (40%). Entendemos este fato como consequência não só do grande numero de programas da disciplina mas, principalmente por ser esta disciplina de conteúdo mais amplo e interdisciplinar. No que se refere as informações gerais sobre o Projeto na escola, observou-se que a estrutura e a qualidade do material de apoio foi muito importante para a maioria dos professores pesquisados (22%), embora acreditamos ter sido ineficiente como forma de divulgação para toda a comunidade escolar. Como Projeto que se utiliza da comunicação audiovisual e novas tecnologias de comunicação, como a televisão e o vídeo, o numero de professores atingidos por esta forma de divulgação na comunidade pesquisada foi muito pequeno (3,5%), já que a média de utilização dos vídeos em sala pelos professores ficou entre cinco e dez vezes por ano ( 69,7%). A partir do uso dos vídeos em sala percebe-se uma mudança no que concerne ao papel do professor em sala. Mais de 75% dos pesquisados encara seu papel diante do uso do Vídeo como um orientador e facilitador da aprendizagem, preocupado em incentivar a participação e compreensão dos alunos. Nessa perspectiva o professor seria um mediador do processo educativo, o que segundo Gutierréz (1996), condicionaria o uso das tecnologias a quatro aspectos, que são: o desenvolvimento de relações subjetivas, suportes necessários para o desenvolvimento da interlocução no processo; a utopia de uma sociedade melhor, consciente dos riscos a correr mas, acreditando na aventura, imaginação e utopia; dar um sentido ao processo, objetivando assegurar uma meta, e por fim, a crença na produção pedagógica como resultado do processo, que são ao mesmo tempo tangíveis, interrelacionados e participativos. Quanto ao uso do projeto, embora ainda não aconteça de maneira mais ampla, sistemática e planejada, tem contribuído para a melhoria das dinâmicas desenvolvidas em sala de aula pelos professores, principalmente se considerarmos as habilidades que segundo os professores são desenvolvidas pelo aluno a partir do uso do VE, as reações dos alunos frente aos filmes, a percepção de aprendizagem destes alunos e as atividades desenvolvidas pelos professores. No panorama atual da escola, estas variáveis, estão cada vez mais próximas da perspectiva de uso dos meios de comunicação como tecnologia educacional, contribuindo com uma proposta de educação que para Gutierréz (op. cit; 7-11) está voltada para a incerteza, para gozar a vida, para a significação, para a convivência e para a apropriação da história e da cultura. Os professores observam tambem que os alunos reagem muito bem a presença do Projeto em sala, estimulando demonstrações de novas descobertas, emoções e aumento da participação e dos questionamentos. Nesse caso, a comunicação audiovisual contribui incentivando o processo de democratização da escola, a partir do resgate a fala do aluno e da abertura do espaço para as várias linguagens, ampliando as possibilidades de compreender todas as dimensões da realidade, ..."Entendendo a educação como um processo de desenvolvimento global da consciência e da comunicação ( do educador e do educando), integrando dentro de uma visão de totalidade, os vários níveis de conhecimento e de expressão: o sensorial, o intuitivo, o afetivo, o racional e o transcendental ( a integração com o universo) (MORAN, 1996:15)". É importante assinalar que esta busca por uma educação complexa e plural, passa também pela busca de ultrapassar o reducionismo e os exclusivismos de um ou outro meio de comunicação, de uma tecnologia em detrimento da outra. O novo não deve inviabilizar o velho, nem este dificultar o estabelecimento do novo, esse é um processo histórico e cultural, dinâmico, plural e complexo. Este é um espaço para as discussões sobre as dificuldades e facilidades enfrentadas por parte dos professores no processo de utilização do Projeto Vídeo Escola como comunicação escolar em sala de aula. A respeito das dificuldades, o professor reforça muito o discurso técnico em detrimento do pedagógico. As dificuldades mais claramente apresentadas, dizem respeito, em sua maioria à questões de ordem administrativas, tipo: falta de espaço, roubo dos aparelhos, falta de assitência técnica entre outros. Se por um lado demonstra a incapacidade do Estado em gerênciar a educação, preparando a escola para sua realidade, por outro, essa preocupação dissimula uma outra, esta estritamente pedagógica. Segundo os dados apresentados são 17 as dificuldades de ordem estrutural apresentadas contra 11 de ordem pedagógicas. Mesmo considerando que as primeiras afetam tambem as segundas, acreditamos também que a solução dos problemas estruturais não contribuirão em grande escala para a melhoria pedagógica. No campo das dificuldades pedagógicas, podemos observar que, todas elas estão, direta ou indiretamente ligadas a formação profissional do educador. O pouco habito, ou nenhum, de leitura dos meios audiovisuais de comunicação voltados para seu uso em sala de aula, não só fortalece o medo das novas tecnologias como inviabiliza para professor a construção de uma nova visão de educação. Uma das evidências encontradas dessa realidade apresenta-se quando o professor afirma relacionar os vídeos do projeto com os conteúdos, integrá-los ao planejamento da escola, embora o índece de professores que não fazem o planejamento coletivo seja de 45%. Alem disso 57,5% afirmam necessitar de diretrizes para o uso do Projeto e 30% não gostam do crescimento de exigências por parte dos alunos com relação a aulas mais dinâmicas e estimulantes enquanto 22% encaram como negativo a excitação dos alunos após a exibição dos vídeos, contra apenas 9,4% que encaram esse fator como positivo para a melhoria da qualidade de suas aulas. A falta de preparação do educador para o leitura e uso dos meios em sala reforça a importância de que este esteja preparado para esses meios de comunicação contemporâneos. A questão da formação de professores em geral tem sido objeto de muitos debates, especialmente no que se refere a presença dos meios em sala, cabendo as Universidades e instituições formadoras de professores uma grande responsabilidade com relação a este aspecto. Menezes (1990) alerta para a importância especialmente da Universidade retomar o seu papel na formação de professores: "É preciso repensar o curso, repensar o conteúdo mesmo, a disciplina, o jeito de ensinar essa disciplina. Como é que podemos manter o licenciado na sala de aula, passivo , ouvindo o professor e depois pretender que, quando ele for professor, vá ter uma postura distinta (MENEZES,in FUSARE, 1990:29)". É esta portanto, uma das principais dificuldades da escola, ante as novas tecnologias da comunicação, visto que elas representam uma evolução histórica e cultural que deve chegar também à escola, exigindo desta uma mudança em seus conceitos sobre aprendizagem e ensino. Cabe à escola, portanto, a responsabilidade por esse processo de transição, permitindo a discussão e aproveitando das novas formas de comunicação social, tão conhecidas pelos alunos, em sala. Para Penteado basta que a escola: "- Aceite partir da realidade do educando, em que a cultura livresca quase não se configura e que é sobretudo caracterizada pela tradição oral e agora televisiva; - Distinga ponto de partida (a realidade do aluno e sua forma de apreensão da realidade) de ponto de chegada (compreensão crítica da realidade). - Recorra como caminho, como método, à utilização da imagem e do diálogo para a realização, para a construção da consciência crítica do educando (PENTEADO,1990:111)." A partir dessa ótica, podemos compreender as diferentes reações provocadas pelos professores quanto as atividades desenvolvidas em sala com o uso de vídeos do Projeto Vídeo Escola. Apesar de relacionarem o debate (15,5%), comentários diversos dos alunos(15,2%) e diálogos (através de conversa informal (0,25)) como facilidades, a grande maioria ainda tem na redação ou produção de textos (26,0%) e desenhos e/ou produção de cartazes (17,5%) como atividades individuais mais usadas, antes ou após os programas do Vídeo Escola. No tocante aos pontos positivos podemos retornar aos elementos democráticos, trazidos a escola pelo vídeo. Como vemos a maioria das atividades privilegiam a experiência dialógica e participativa. Se considerarmos que a televisão é um instrumento que se utiliza do discurso oral, tanto quanto da imagem para transmitir uma mensagem e que a presença do aluno frente aos programas provoca reações e emoções das mais diversas, que devem ser aproveitadas e trabalhadas como incentivo não só à fala e ao questionamento, mas à melhoria das relações comunicacionais entre professor-aluno-escola, concluímos que o professor entende esses fatores como importantes para o aproveitamento correto do potencial da imagem trazido à escola pelo Projeto. Essa realidade, não nos impede de observar que, esta visão do professor diante das facilidades trazidas pelo uso do vídeo, carecem ainda de muita reflexão sobre o real papel e das transformação ocorridas a partir de sua prática com o uso desta novas tecnológicas. Entendemos que a pouca experiência e domínio do professor no uso da imagem na escola em muito dificultou um maior e melhor aproveitamento do projeto Vídeo Escola em Aracaju. A experiência do uso dos programas do projeto Vídeo Escola nos Vídeo Postos trabalhados requer uma redefinição da escola que privilegia o código escrito numa sociedade de forte tradição oral e imagetica, impossibilitando dessa forma a elaboração de uma nova pedagogia que Penteado (1991) chama de "Pedagogia da Comunicação" fundamentada na pedagogia Libertaria (Freire) e na Pedagogia Transformadora (Savianni). Ou no uso da Tecnologia educacional como mediadora do processo educativo, a "mediação pedagógica"(Gutierréz, 1996), que propõe uma escola totalmente voltada para a aprendizagem. É sintomático portanto, que os professores pesquisados não tenham considerado como contribuição importante, "a quebra de resistências as novas tecnologias", visto que no item anterior propõem-na como desvantagem a sua própria perplexidade ante a nova linguagem trazida por esta tecnologia. Esta realidade nos impõe uma reflexão sobre a necessidade de se repensar a formação de profissionais de educação voltados para seu tempo. Segere-se portanto uma modernização nas grades curriculares destes cursos, tanto a nível secundário, como principalmente a nível universitário. As Instituições formadoras de educadores não podem continuar ignorando o papel das mídias na construção do universo da criança e sua consequente numa concepção de mundo fortemente influenciada pela presença da imagem enquanto forma de comunicação, apropriação e construção do conhecimento, assim como naquilo que Barbeiro (1997) entende por mediação e resistência a cultura hegemônica. A sociedade contemporânea exige uma nova relação com o saber e uma interação com um novo laço social, que reconheça o outro através de sua inteligência, uma "inteligência coletiva". A educação pode e deve contribuir para a construção dessa nova "engenharia do laço social"(Levy,1998;32) "As inovações tecnológica abrem novos campos de possibilidades que os atores sociais negligenciam ou apreendem sem qualquer determinação mecânica."(...)"Antes de nos engajar as cegas em vias irreversíveis, urge imaginar, experimentar e promover, no novo espaço de comunicação, estruturas de organização e estilos de decisão orientados para um aprofundamento da democracia (Levy. Op. cit. 60)". A construção da cidadania nas sociedades da informação perpassa portanto pela democratização de saberes e a construção de uma inteligência coletiva. Esse processo deve ser capitaneado pelas Universidades, mas carece da participação dos governos Federais, Estaduais e Municipais, enquanto gerenciadores e financiadores das políticas públicas voltadas para a educação. Como responsável pela Educação enquanto processo formal de apreensão do conhecimento e construção e reconstrução da cultura, o Estado deve preocupar-se com as novas tecnologias de comunicação, sua presença na escola e suas reais possibilidades de interferência positiva ou não no processo de melhoria da qualidade da relações comunicacionais na escola. Referências bibliográficas. BARBERO, J. M. (1997): Dos Meios as Mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. FUSARE (1990): Mariazinha de Rezende e, Meios de comunicação na formação de Professores: Televisão e vídeo em questão, São Paulo, (tese de doutorado). GUTIERRÉZ, F. (1996): La Educacion Pedagógica y La Tecnologia Educativa, XXVIII Seminário de Tecnologia Educacional, ABT, Rio de Janeiro. LEVY, P. (1998): A Inteligência Coletiva. São Paulo. Edições Loyola. MORAN, J. M. (1996): Interferência dos Meios de Comunicação no Nosso Conhecimento. XXVIII Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro. PENTEADO, H. D. (1994): Televisão e escola: conflito de cooperação? São Paulo; Cortez.