scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Uma proposta de formação em serviço de professores em interculturalidade para acompanhar estudantes imigrantes

González Monteagudo, José; Matos de Souza, Rodrigo; Rodrigues, María dos Remédios; Villafañe Fernández, Tulio

Abstract

O quadro teórico desta contribuição baseia-se em estudos de migrações, no paradigma das novas mobilidades, nos contributos da educação intercultural crítica e do multiculturalismo, e na aprendizagem colaborativa. Este texto discute o aumento da migração e da diversidade cultural e consequente o desenvolvimento da educação intercultural no contexto espanhol. Esta situação representa o grande desafio da formação de professores para a promoção de uma educação intercultural inclusiva e crítica. O texto está estruturado em torno das contribuições do projeto europeu Quammelot, que desenvolveu pesquisa, intervenção, formação e boas práticas sobre inclusão educacional e social de estudantes imigrantes e Menores Estrangeiros Desacompanhados, com um foco específico no sistema educacional, na faixa etária de 12 a 18 anos, e nas relações entre escolas, população imigrante e território. O artigo oferece uma revisão da literatura sobre a inclusão de estudantes imigrantes e menores imigrantes nas escolas secundárias. Posteriormente, é apresentada a metodologia inovadora do projeto, descrevendo o curso online destinado aos professores do ensino médio. Finalmente, são comentadas as contribuições do projeto sobre cooperação transnacional, inovação na educação formal, melhoria da formação de professores e visibilidade das necessidades dos atores educacionais sobre inclusão e diversidade.

Full text

A EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUTOS DA INVESTIGAÇÃO _____________________________________________________________________________ 280 UMA PROPOSTA DE FORMAÇÃO EM SERVIÇO DE PROFESSORES EM INTERCULTURALIDADE PARA ACOMPANHAR ESTUDANTES IMIGRANTES José González-MONTEAGUDO Professor na Universidade de Sevilha-US [email protected] Rodrigo Matos-de-SOUZA Professor na Universidade de Brasília-UnB [email protected] Maria-dos-Remédios RODRIGUES Doutoranda na Universidade de Sevilha-US [email protected] Túlio Villafañe-FERNANDEZ Doutorando na Universidade de Sevilha [email protected] Resumo: O quadro teórico desta contribuição baseia-se em estudos de migrações, no paradigma das novas mobilidades, nos contributos da educação intercultural crítica e do multiculturalismo, e na aprendizagem colaborativa. Este texto discute o aumento da migração e da diversidade cultural e consequente o desenvolvimento da educação intercultural no contexto espanhol. Esta situação representa o grande desafio da formação de professores para a promoção de uma educação intercultural inclusiva e crítica. O texto está estruturado em torno das contribuições do projeto europeu Quammelot, que desenvolveu pesquisa, intervenção, formação e boas práticas sobre inclusão educacional e social de estudantes imigrantes e Menores Estrangeiros Desacompanhados, com um foco específico no sistema educacional, na faixa etária de 12 a 18 anos, e nas relações entre escolas, população imigrante e território. O artigo oferece uma revisão da literatura sobre a inclusão de estudantes imigrantes e menores imigrantes nas escolas secundárias. Posteriormente, é apresentada a metodologia inovadora do projeto, descrevendo o curso online destinado aos professores do ensino médio. Finalmente, são comentadas as contribuições do projeto sobre cooperação transnacional, inovação na educação formal, melhoria da formação de professores e visibilidade das necessidades dos atores educacionais sobre inclusão e diversidade. Palavras-chave: migrações, educação intercultural crítica, formação de professores em serviço, educação secundária, estudantes imigrantes. MIGRAÇÃO E DIVERSIDADE CULTURAL Migrantes, viajantes e estudantes internacionais estão dando origem a novas formas de interdependência ao desenvolvimento de corporações transnacionais, ao aumento da diversidade cultural e a formas recentes de cooperação bilateral, regional e global, que estão favorecendo uma crise ainda maior do Estado-nação. Em 2007, as Nações Unidas estimaram que existem 200 milhões de migrantes internacionais, definidos como pessoas que viveram por pelo menos um ano fora do país de nascimento. Isto é aproximadamente 3% das 6,5 bilhões de pessoas do mundo (Castles & Miller, 2009, p. 2-7). É comum diferenciar três perspetivas teóricas e práticas sobre a diversidade cultural: assimilarismo, multiculturalismo e interculturalismo (Besalú, 2002, p. 64-66). O assimilarismo considera a diversidade cultural como um problema e um obstáculo, que se tenta resolver anulando as diferenças. Esta perspetiva concebe a diferença cultural como um déficit. O multiculturalismo é definido com base na prioridade dada ao grupo de pertencimento, a espacialização das diferenças, o reconhecimento do relativismo cultural e a expressão das diferenças no espaço público (Abdallah-Pretceille, 1999, p. 26-28). Levado a seu extremo, o multiculturalismo leva à fragmentação social e educacional. XXIX Colóquio da AFIRSE Portugal 2022 ____________________________________________________________________________________ 281 O interculturalismo, por outro lado, é baseado no respeito, igualdade e tolerância; tem como objetivos "o reconhecimento do pluralismo cultural e o respeito pela identidade de cada cultura; e a construção de uma sociedade plural, mas coesa e democrática" (Besalú, 2002, p. 65). O interculturalismo assume os valores da democracia e da autonomia individual, busca a convergência entre liberdade pessoal e lealdade grupal, promove um mínimo de coesão política e cultural e favorece os processos de mediação cultural (interpretação linguística, interpretação e tradução cultural, assessoria a profissionais e usuários) (Demetrio & Favaro, 2004; Gimeno, 2001). Essas três perspetivas têm conceitos diferentes de identidade e mudanças de identidade. Nós defendemos um conceito de identidade derivado da perspetiva intercultural (Abdallah-Pretceille, 1999; Gimeno, 2001). À medida que as culturas se tornam mais heterogêneas, polifônicas e variadas, as identidades se tornam, consequentemente, mais híbridas. As identidades híbridas surgem da mistura, do diálogo e do conflito entre culturas. A experiência do processo de migração de trabalhadores, estudantes e viajantes implica uma maior autoconsciência da própria identidade. Antes da viagem, havia menos exigências para questionar a identidade de alguém. A migração força o sujeito a refletir, questionar e negociar. A perda dos quadros de referência da vida cotidiana, imersa na cultura aprendida ao longo dos anos, impõe uma acuidade especial para capturar as diferenças de valores, estilos de vida e hábitos entre as sociedades de origem e as sociedades hospedeiras. Este processo é desenvolvido em várias etapas: consciência, consciência do grau de validade da cultura de origem e negociações internas para buscar um novo equilíbrio (síntese das duas culturas, identidade e retiro defensivo na cultura de origem, adaptação e assimilação estratégica da cultura anfitriã, experiência conflitante da diversidade cultural e dificuldade em integrar as duas culturas) (Ochoa, 2011). ALUNOS IMIGRANTES E MENORES ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS (MENAS) Os movimentos migratórios provocaram importantes transformações sociais, às quais o sistema educacional obviamente não tem sido imune. Após este processo migratório, a sociedade passou por várias mudanças. Uma das mais significativas é a incorporação de um grande número de estudantes de diferentes nacionalidades nas salas de aula. Como destacado em vários estudos, "a entrada de estudantes imigrantes nas escolas de espanhol nas últimas décadas, longe do que se acredita, proporciona um valor agregado e uma oportunidade de interagir com mais diversidade de opiniões e visões de nosso ambiente" (Sampé-Compté, Arandia & Elboj, 2012:13). A administração estatal desenvolve programas, projetos e políticas educacionais para atender às necessidades dos estudantes imigrantes, apostando na diversidade como um enriquecimento para todos. Três etapas podem ser distinguidas em resposta à diversidade nas escolas: segregação (até 1960/1970), integração (de 1960/1970 a 1990) e inclusão (a partir de 1990) (La Liga Española de Educación, 2017). A partir de 1990, com a chegada da primeira onda maciça de estudantes imigrantes, não houve ações significativas ou programas integrados, mas as necessidades dos estudantes imigrantes foram atendidas através da educação compensatória e os professores foram responsáveis por oferecer uma adaptação quase individualizada (Goenechea, GarcíaFernández & Jiménez-Gámez, 2011). O aumento do número de estudantes imigrantes no sistema educacional espanhol levou ao desenvolvimento de medidas e programas para otimizar o processo de integração (Martínez-Usarralde, LloretCatalá & Céspedes-Rico, 2016). Por volta do ano 2000, as chamadas "salas de aula de idiomas" surgiram na maioria das regiões, nas quais o espanhol foi ensinado aos estudantes imigrantes (Goenechea, García- A EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUTOS DA INVESTIGAÇÃO _____________________________________________________________________________ 282 Fernández & Jiménez-Gámez, 2011). A partir de 2005, as regiões começaram a especificar medidas educacionais para atender aos estudantes imigrantes, seguindo diretrizes semelhantes, já que as regiões têm que respeitar os princípios educacionais básicos, estabelecidos nas leis promulgadas pelo governo central. Com o aumento da imigração, os conflitos às vezes podem aumentar, especialmente se a diversidade cultural for vista como um problema. Para isso, a partir dos centros educacionais, a diversidade cultural deve ser abordada como um valor que proporciona benefícios tanto para os estudantes nativos quanto para os imigrantes: coexistência de culturas diferentes, empatia e respeito pelo que é diferente (Gómez-Jarabo, 2015). Esta situação exige um sistema educacional de qualidade que deve promover a igualdade de oportunidades para todos os estudantes. Os professores, como adultos de referência no centro educacional, devem criar uma boa atmosfera de acolhida e integração na sala de aula. Entretanto, como os estudos sociológicos apontam, os professores muitas vezes desenvolvem atitudes de discriminação e rotulagem social, considerando que os imigrantes são um problema na sala de aula, pois alteram o clima e dificultam o trabalho, deteriorando a qualidade do ensino (Álvarez-Sotomayor, 2015). Esta afirmação não parece correta, uma vez que a imigração não constitui, por si só, um problema escolar. A transição do ensino primário para o secundário é um momento difícil devido à mudança das escolas, ao aumento do número de professores e às maiores exigências acadêmicas. No caso dos estudantes imigrantes, juntamente com todos esses fatores, devemos levar em conta a importância do sofrimento migratório que eles estão vivenciando (Cano-Hila, Sánchez-Martí & Massot-Lafón, 2016). As associações estão fazendo um ótimo trabalho, apoiando as instituições públicas para tornar a igualdade de oportunidades na sala de aula uma realidade. O PROJETO EUROPEU QUAMMELOT: RUMO A UMA EDUCAÇÃO INTERCULTURAL PARA PROFESSORES E ESTUDANTES Quammelot (Qualification for Minor Migrants Education and Learning Open access - Online Teachertraining) é um projeto europeu Erasmus+, dentro do setor escolar. O principal objetivo deste projeto é trabalhar pela inclusão educacional e social dos estudantes imigrantes entre 12 e 18 anos de idade, incluindo os menores de idade não acompanhados (UMM) como foco especial. A estratégia concreta escolhida para atingir este objetivo consiste em conceber, implementar, avaliar e propor de forma sustentável um curso online dirigido aos professores do ensino médio que atendam estudantes de 12 a 18 anos, para formar professores como educadores e tutores de alunos imigrantes, incluindo menores imigrantes desacompanhados, todos nos quatro países parceiros. O projeto foi desenvolvido entre janeiro de 2018 e agosto de 2020. Seis parceiros acadêmicos e não acadêmicos de quatro países europeus (Itália, Grécia, Espanha e Dinamarca) participaram no projeto: Universidade de Florença (coordenação), Itália; Autoridade Educacional Regional da Toscana, Itália; Provincia di Livorno Sviluppo, Itália; Autoridade Educacional da Região da Ática, Grécia; Universidade de Sevilha, Espanha; Videnscentre for Integration, Vejle City, Dinamarca. Nos últimos anos, a chegada de jovens imigrantes à UE, tanto com suas famílias como menores desacompanhados, é um fenômeno social importante, especialmente nos países mediterrâneos. Estes alunos são agora um fator estrutural nas escolas dos países de chegada no sul da Europa, onde permanecem por muito tempo antes de poderem viajar para outros destinos. Eles estão particularmente concentrados no ensino secundário, com 29% deles com menos de 18 anos (Eurostat). XXIX Colóquio da AFIRSE Portugal 2022 ____________________________________________________________________________________ 283 Os professores acham difícil promover sua participação na vida escolar, aprendizado e relacionamentos, resultando em atraso no aprendizado, fracasso escolar e abandono escolar precoce. De fato, o abandono escolar precoce é generalizado entre as crianças de origem imigrante, pois o número de jovens que abandonam a escola precocemente é aproximadamente duas vezes maior do que o das crianças nativas (Bayonne & Andreu, 2018). Neste contexto de mudança, parece que os professores não estão preparados para enfrentar e administrar estes processos e, portanto, precisam de formação metodológica para implementar estratégias de aprendizagem apropriadas. Os objetivos específicos do projeto são: ▪ Fomentar a integração social de estudantes imigrantes e MENA através de práticas de educação escolar inclusiva. ▪ Facilitar aos professores ferramentas atualizadas e eficazes para promover o ensino e o desenvolvimento intelectual de alunos imigrantes e menores de idade nas escolas secundárias. ▪ Criar um curso de formação on-line para "Tutoria e inclusão de menores estrangeiros e MENAS nas escolas secundárias", de 240 horas, para professores. ▪ Favorecer as relações com a rede de instituições e profissionais para o acolhimento e apoio aos imigrantes (educadores, mediadores, famílias, famílias adotivas e lares familiares para MENAS), através de reuniões e grupos de discussão. ▪ Definir métodos operacionais para o acolhimento de estudantes, para a promoção da cidadania ativa e do conhecimento, para estratégias relacionais e para disciplinas básicas (língua estrangeira, matemática, informática), através de práticas de aprendizagem entre pares nos países parceiros ▪ Desenvolver o curso online, com a participação de pelo menos 80 professores do ensino médio, no âmbito dos quatro países parceiros ▪ Disseminar o curso para escolas secundárias nos quatro países parceiros. ▪ Melhorar os resultados da aprendizagem e reduzir o abandono escolar precoce dos estudantes imigrantes. ▪ Suportar e fortalecer as políticas de integração para os imigrantes residentes na União Europeia. O curso online é baseado em boas práticas, métodos e ferramentas compartilhadas entre os países parceiros, para garantir a participação de imigrantes nos países anfitriões europeus. A participação social ativa reduz a marginalização e os conflitos sociais. A figura do "Tutor para a receção e inclusão de menores estrangeiros e MENA nas escolas secundárias" fortalecerá o perfil profissional dos professores e terá funções de apoio aos menores estrangeiros e colegas professores em dificuldade. Assim, professores treinados se tornam um apoio para problemas relacionados à inclusão de menores estrangeiros, métodos de aprendizagem apropriados e estratégias para reduzir o abandono escolar precoce. METODOLOGIA DO PROJETO QUAMMELOT: CURSO ONLINE PARA PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO Quammelot prepara os professores do ensino médio para desenvolver uma educação adaptada às necessidades educacionais dos estudantes imigrantes. A base do projeto é, portanto, a formação contínua de A EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUTOS DA INVESTIGAÇÃO _____________________________________________________________________________ 284 professores, que é considerada um ponto-chave para garantir e tornar efetivo o acesso ao estudo e à integração de estrangeiros. A formação de professores do ensino médio é uma necessidade sentida pelos próprios professores, que neste projeto é desenvolvida através do aprendizado on-line. Isto permite o desenvolvimento de competências transversais e a aplicação de novas metodologias e estratégias de aprendizagem para as disciplinas básicas: língua estrangeira, matemática e ciências da computação. A formação dos professores tenta responder à dificuldade de estabelecer um bom relacionamento com as famílias dos menores e, no caso de menores desacompanhados, com os educadores dos centros para menores ou estruturas similares. As metodologias aplicadas a este projeto são caracterizadas por estas características: ▪ Interatividade, pois permite o ensino à distância por professores que são treinados através do uso das TIC. ▪ Aprendizagem cooperativa, porque através do fórum os professores têm a oportunidade de discutir experiências à distância desenvolvidas em outros contextos e de cooperar na solução de problemas enfrentados por outros professores em outros países europeus. ▪ Tutoria, pois a formação de professores é realizada sob a supervisão de um coordenador de módulo, que estará presente em cada etapa do processo de formação. ▪ Ação-pesquisa, porque os professores inscritos no curso são obrigados a colocar em prática em suas salas de aula o aprendizado que é considerado essencial dentro de cada módulo. ▪ Inovador, supranacional e comparado, pois é o primeiro curso gratuito de ensino à distância traduzido em seis idiomas, para professores do mesmo nível escolar, que é realizado simultaneamente em quatro países europeus, com foco em crianças e estudantes estrangeiros. ▪ Finalmente, é comparativo, pois a construção de cada módulo é realizada em cooperação entre os especialistas dos quatro países participantes do projeto. O curso online segue uma abordagem de ensino à distância e isto promove a conciliação do tempo disponível para os próprios professores. Além disso: ▪ permite que todos os professores sejam treinados, não apenas os professores de línguas estrangeiras ▪ permite o acesso a vídeo aulas ministradas por professores universitários e traduzidas para italiano, francês, grego, inglês, espanhol e dinamarquês ▪ torna possível observar simulações e aplicações de teorias apresentadas através de tutoriais, demonstrações e vídeos de situações reais ▪ permite aprender como resolver problemas em sala de aula e casos individuais ▪ permite avaliar situações de classe e registrá-las. Os módulos de formação foram projetados seguindo os resultados de pesquisa e análise de boas práticas, bem como os resultados de grupos de discussão desenvolvidos com professores e equipes de gestão de escolas secundárias nos quatro países parceiros. Os parceiros desenvolveram os oito módulos de formação, de 30 horas cada um, com uma duração total de 240 horas. O curso estará disponível em inglês, italiano, grego, espanhol e dinamarquês. Os participantes do curso serão avaliados e a aprovação do curso levará a um certificado oficial. XXIX Colóquio da AFIRSE Portugal 2022 ____________________________________________________________________________________ 285 Os módulos foram coordenados pelos diferentes parceiros, de acordo com o seguinte plano Módulo 1: Legislativo (Universidade de Florença, Itália). Módulo 2: Primeira receção e integração inicial (Universidade de Florença, Itália). Módulo 3: Comunicação e Relações Interpessoais (Universidade de Sevilha, Espanha). Módulo 4: Aprendizagem de segunda língua, com base na metodologia CLIL, que defende a manutenção da língua nativa (Autoridade Educacional Regional da Ática, Grécia) Módulo 5: Cidadania ativa (Universidade de Sevilha, Espanha). Módulo 6: Matemática (Autoridade Educacional Regional da Ática, Grécia). Módulo 7: Tecnologia da Informação (Autoridade Educacional Regional da Ática, Grécia). Módulo 8: Atividades práticas, artísticas, estéticas e expressivas (Universidade de Florença) Os parceiros do projeto divulgaram a proposta do curso oferecido pelo projeto. Os professores foram selecionados com base em seu currículo e em suas qualificações acadêmicas. Em cada país, 20 participantes foram selecionados para o primeiro ano de experimentação. Foram realizadas sessões introdutórias com os participantes, mostrando o processo e o suporte tutorial disponível. O curso foi conduzido on-line, avaliando a participação e os resultados com base em testes e exercícios. Após o curso, os professores foram encorajados a colocar em prática o aprendizado desenvolvido. Para este fim, foi elaborado um questionário para documentar as habilidades adquiridas e a forma como elas são colocadas em prática na atividade educacional com os estudantes. Também foi aplicado um questionário aos mediadores, educadores sociais e outros profissionais do setor social, para avaliar o impacto do curso em relação à identidade, aprendizagem da língua do país anfitrião, relações sociais, participação e motivação para a aprendizagem. No final do processo, os professores participantes do curso escreveram um breve relatório sobre os resultados do curso e seu impacto na prática educacional e nos alunos. CONCLUSÕES Nesta seção apresentamos algumas contribuições importantes do projeto Quammelot, na perspetiva de otimizar a inclusão social e educacional dos estudantes imigrantes e sugerindo formas concretas de melhorar a capacidade das escolas de promover e gerenciar a diversidade intercultural, tudo isso em um contexto de redes transnacionais. Não nos referimos aos resultados concretos da formação on-line realizada porque o processamento dos questionários e outras ferramentas aplicadas para avaliar o impacto da formação ainda não foram realizadas. Cooperação transnacional A Quammelot procurou responder ao objetivo da UE de apoiar a inclusão educacional de alunos migrantes e menores estrangeiros não acompanhados, desenvolvendo vínculos e relações de trabalho entre parceiros acadêmicos e não acadêmicos, tais como universidades, autoridades educacionais regionais, municipalidades e associações. A Quammelot trabalhou com o objetivo específico de desenvolver práticas inovadoras no campo da educação no nível secundário (12-18 anos de idade), bem como a transferência de tais práticas entre os países participantes. Nesta linha, o projeto visa desenvolver metodologias e ferramentas inovadoras que possam ser aplicadas e adaptadas em toda a União Europeia. Este projeto tem mostrado uma maneira bem-sucedida de trabalhar em conjunto em uma Europa renovada, abordando a migração e a diversidade a partir de uma perspetiva inclusiva e cooperativa. É claro, de um ponto de vista mais geral, que a A EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: CONTRIBUTOS DA INVESTIGAÇÃO _____________________________________________________________________________ 286 educação se tornará mais internacional, colaborativa e interdependente nos próximos anos. Nossas instituições devem aprofundar esta dimensão se querem ser atores chave no desenvolvimento econômico e no conhecimento inovador necessário para proporcionar melhores condições a todos os cidadãos, tanto na Europa como fora dela. Além disso, este projeto tem implicações globais e transversais, tanto para a Europa quanto para outras áreas geográficas do mundo, pois mostra um modelo de projeto internacional sustentável, que será divulgado e aplicado, uma vez concluído, além dos contextos originais em que foi projetado e desenvolvido. Inovação na educação formal O projeto desenvolveu metodologias e ferramentas para capacitar as instituições de ensino secundário a responderem de forma mais flexível às necessidades específicas de ensino e aprendizagem dos estudantes imigrantes. Por outro lado, nosso foco na formação online de professores representa uma contribuição original para desenvolver um campo de formação e apoio acadêmico que não está muito bem desenvolvido. Este projeto desenvolve pesquisa e formação inovadores no campo da educação secundária, o que está abrindo novas formas de aprofundar no futuro novas abordagens para apoiar as necessidades pessoais e acadêmicas das crianças e estudantes imigrantes, promovendo a continuidade e a conclusão dos estudos. Tornar visíveis e levar em conta as vozes e experiências dos atores educacionais Acreditamos que políticas e práticas educacionais inovadoras terão mais chances de funcionar se os atores educacionais que estão envolvidos no cotidiano das comunidades e escolas locais forem ouvidos, prestando atenção às suas experiências, expectativas e necessidades. Em nosso projeto, isso envolveu o desenvolvimento de grupos focais com diferentes atores educacionais, incluindo professores, gerentes, profissionais de trabalho social e de mediação, famílias de imigrantes e associações. Abordagem narrativa e experiencial As abordagens narrativas estão fazendo contribuições interessantes para a construção de uma teoria educacional e cultural renovada, que está se tornando mais culturalista, contextual e dialógica do que as perspetivas educacionais tradicionais. Este novo cenário intelectual, de pesquisa e acadêmico, no qual o paradigma narrativo está merecidamente ganhando terreno, está bem representado na Quammelot. O uso de metodologias narrativas, artísticas e multimodais foi central para nossa formação de professores do ensino médio, que aplicaram estas abordagens com seus alunos. Essas metodologias se tornaram uma ferramenta chave para que instituições, programas e gerentes criem, promovam, legitimem e comuniquem processos relacionados à inovação, pesquisa e formação, tanto em contextos educacionais formais como comunitários. Questionamento epistemológico Precisamos questionar o tipo de conhecimento e intervenção que será desenvolvido na Europa sobre migração, diversidade e interculturalidade. A crítica política, ideológica e epistemológica do conhecimento é um desafio que enfrentamos quando realizamos pesquisas e intervenções em questões sociais, que têm uma forte carga ideológica e política. Nosso projeto abordou criticamente alguns desses desafios, enquanto tentava ser útil para melhorar as políticas educacionais europeias e contribuir para aumentar as oportunidades de aprendizagem. XXIX Colóquio da AFIRSE Portugal 2022 ____________________________________________________________________________________ 287 REFERÊNCIAS Abdallah-Pretceille, M. (1999). L’éducation interculturelle. Paris: PUF. Álvarez-Sotomayor, A. (2015). El papel del origen nacional y del tiempo de residencia en los etiquetados profesorales de los hijos de inmigrantes en secundaria. Revista de la Asociación de Sociología de la Educación (RASE), vol. 8, 3, 380-395. Besalú, X. (2002). Diversidad cultural y educación. Madrid: Síntesis. Castles, S., Miller, M. J. (2009). The Age of Migration. London: Palgrave. De la Portilla, A., Serra, A., González-Monteagudo, J. (2007). De lo visible a lo invisible. Análisis de los procesos de inserción laboral y las prácticas educativas con menores y jóvenes de origen inmigrante. Sevilla: Fundación Sevilla Acoge. Demetrio, D., Favaro, G. (2004). Didattica interculturale. Milano: FrancoAngeli. Gimeno, J. (2001). Educar y convivir en la cultura global. Madrid: Morata. Goenechea, C., García-Fernández, J. A., Jiménez-Gámez, R. A. (2011). Los dilemas de la atención educativa a los alumnos inmigrantes recién llegados. Estudio comparativo de los modelos andaluz (ATAL) y madrileño (aulas de enlace). Revista de currículum y formación del profesorado, 15(3), 263-278. Gómez-Jarabo, I. (2015). Formación del profesorado para el tratamiento educativo de los conflictos sobre diversidad cultural y de género. Tesis doctoral. Universidad Complutense de Madrid, Madrid, España. Recuperado de: http://eprints.ucm.es/30737/1/T36152.pdf La Liga Española de Educación (2017). Buenas prácticas educativas en integración de migrantes. Madrid, España. Recuperado de: http://ligaeducacion.org/buenaspracticas/wpcontent/uploads/2014/04/BUENAS-PRACTICAS-WEB.pdf Martínez-Usarralde, M. J., Lloret-Catalá, C., y Céspedes-Rico, M. (2016). Lo que hacen mejores las escuelas integradoras de alumnado inmigrante. Pedagogía Social Revista Interuniversitaria, 29, 41-54. Ochoa, C. (2011). Histoires de vie: entre la reconnaissance et la reconstruction. Les chemins de l’identité dans les expériences migratoires et les relations interculturelles. In J. González-Monteagudo (Ed.). Les Histoires de vie en Espagne. Entre formation, identité et mémoire. Paris : L’Harmattan, 139-165. Sampé-Compte, M., Arandia, M., Elboj, C. (2012). Actuaciones educativas que están consiguiendo éxito educativo en centros educativos con alumnado inmigrante. Revista Interuniversitaria de Formación del Profesorado, 73(26,1), 119-132.