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Sermam das lagrimas do Apostolo Sam Pedro

Barbosa, Emanuel

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SERMAM DAS Lagrimas DO apostolo s A M PEDRO 0 QVETREGOV Md NO EL BARROZ A na Cidade da Cjttaráa* £om todas as licenças necffíarias ^ EM COIMBRA ■ °^cina de Manoel Diaz ímpreflor da V niueríidaAnno do Senhor de mil &feifcentos & fetema. V Licença Ao Sanão Officio Iftas as informações que fe ouuerao,podefe im¬ primir çftc (ermão, & impreflo tornara pera fe ejl - c ° n f ciir, & fe dar licença pera correr, & íem a tiao correrá, Lisboa i8 de Março de 1670, le> £° de Soufa, btey btdro de Magalkaens. Manoel de Magalbaís de Menefes . % ^erifimo de Lancaflre . w ,Alexandre da S)íua, Francifco Barretto, M a ! C ^ C oprimir. Lisboa, 8 c Cabido Sede Vacante a y°3Me 6 70 . Soupt, Godinko± Licença do Taço, e & pofTa impiimir viftas as licenças do Sanrv . Officio,& Ordinário, 8 c defpoys de imprcíL lisboa ? 5° rne a c ^ a mcza P cra & cottfeii' * taxar. dc6 7 o . deMenefes.‘Lémos. Miranda, Carneyrol /2-i’'é' fyegYejftú foras pmt amare* Mátli. $4. E hüa intença dor fcm lcmire atormcnra1 do, de hua penofa: ancia (em aliuio com¬ batido } quem até agora deamantc nadureza ,dença nauèm no recolher de fuas ac rifl ? J °^ e nc i a s a b ^ a z a d o s incêndios, já desFeyto lagrimas,derretida neue d e a g o a s , fc mani- ^ °^ e ^^bor ao mundo o coraçaó do difcipulo <3 0 e f ^Jí^ Ccnte > do ApoftolomayscontòéfcojQiíáii- (J Cü i c {^ bendo o retiro de hüa folidam confufa, lugar l^ a y 0 ° j 1 búa trifteza, coníagrado a hüa íaudade pera c c r p 0 r lb ^aded° s fufpi r ° s fe determinou aofteregrift\ a ^ rr ‘ b u t o do femimento a prata fina de fuas la¬ çam p "° n ? preço dc íuas lagrimas funda o corat|u e as efperanças defeus merecimeros, porfcftoj. r í^fpiros fia melhora éxecuçam defeus afPfimev 30 ° S ^ uí P , ros cntre os trc Fpaç° s dc íua dor os ? s Pados de (eu dcfuello , concorrendo cm o Uc c laa^ Cyro 0 amar g°^° das lagrimas, com o fua-‘ íiosj K y ' d e f t lnçam dos olhos com osincen3 aia > Vinculados íe admiram hoje no con- ^ay s Coin Ç amde Pedro os extremos de íua natureza c o m o Contr ario s . a íàher o frio da agoa de feus fuípiros or da ehândadc (obre natural, o húmido - c 0 ^ S c ° m o ãrciente cias chamas, afliçam da ah 0 aliuio da natureza , as vozes do coraçam A com DitiUsLdUremitis. T r t haberet li¬ beram fe¬ di locam. Cr fere poflet libenus .. erm. <le f<er,;p. I. 7í'er. fup CAp $8 ! .t, Ora 1 10 D: Içnit, [c, lucr. cora ,ytug. Jer. UI. o* ítwjp: 2 Sermâm das ld?rlmds 3 v o * com o íilencio das lagrimas, ícas lagrimas narn j* 3rt1 mudas vozes, que íern falarem, entaro íe ouocm, pedirem mays merccemjcm proporem cntaoi ^ çam (como nos refere o grande Arnbrofío;) L 4cr J t iacit&Junt preces, Veniam non pofhtUnt y (ed * Cauftm non diennt , isf rntfericarjum ccnfe<jiiu níiiY ftilado o amor pdhs lagrima?, fala em Pedro ° c °^ r. çam peilos olhos. O diferetas lagrimas, aonde os '1 piros farri vozes que moucm-óamoroíosfufpi r oS >^^ d de as lagrimas íarn laços que prendem? bleuit _ • átz o grande Agoftinho, < Véia Dornmumfuurn mâve ; porque Pedro ama, por iíTo Pedro chora, ^ da affeyçam certas coníèquencias as lagrimas, && ^ arrependimento claras cuidencias os íufpiros;lag rr ^ a em conclufam, fufoiros com enirlmria (nm em P* em conclufam,. fufpiros com eòidcncia fam em os efFcytos de fua penitencia. He com tudo per 3 rar, que pera Pedro verter lagrimas de feus mag 1 iro olhos eícolhcfe por lugar mays acomodado ° r Cl ^ do palacio viuaellampadeíua culpa ,dcftinadol a ê^ de (cu dcliâo: nam tra mayor credito em Pedro n rnefmo lugar aonde cometeo a culpa, dar áo delicio fazendo do lugar da abaminaçam d e ^ delido, glonoío cheatrode fua penitencia ,antep°^ do os créditos de fua confifsam aos riícos da P í0 ^ 0f vida? afsim parece o dida a razamdo melhor Í^.J n lí mas o contrario perfuade a mayor fineza derramara lágrimas em cafa doPom ifice # díante ^ âe Sdm Pcilrô, Bí í ?S ^mo Mcftrc> eram lagrimas à vifta a eram em pren Ç 3 fufpiros* porém (aindo fora .Egrejjusforas eram j 0s °lhos dc Chrifto efcondidas* aos olhos domun0 ocultasj Sc fufpiros encubertos, fam lagrimas pera ^ c °sdc mayor pezo/am fufpiros de mayor coníide* . Pedia o Propheta Dauid a Dcos, que lhe ouuiffe Uas Pruras, Sc que lhe entendcfe íeus fufpiros, Pcría . j 4 aitr i b us ptrctye Domintjj? intclhgt clamor em meú, Uc rte Chryfoftomo ; q u e eftes clamores eram as lao dos olhos. Sic yüando Ucrymas ad Dcumfann ^ US * e o tcmpore pupila ocuh nofiri clamat ad ÜomU * m ' Nam cftá a minha duuidâ em as palauras fe outUe •' mèa attri ^ tis p ercl p e Dominó $q eftá o £ ^^ r e ^ rocm as lagrimas fc entenderem, tnielligt lCn r ** n ^«wfNam fam as lagrimas objeóloda pooff > U ^ a tc rial vifiua, nam fam os fufpiros, os que fe p r r ^ l r * primeyro aos olhos? poys que rezam teria o ^ [< C y p c r n p C C j i r a 0 C o s lhe entendcfe aslagri. ^as, ^Q] Pfdbn. f. Chryf. in expofhic PJalm. ^ P l ' c cebde com o entendimento os fufpiros? mas 1'?’ Dãuidnam pedira Deos íhe viíle as lagri* r* i ^ v/- 1* ■ '> nam lhas entendefe , foy o mcfmo a noflo fat ç * c 5 U c °cultalas aos olhos ,fazendoa$ objeófco do cntj) Q Uriei '‘to ) Sc aduatiologo o Propheta, que o mefU C | t Ç r a °cultalque ncccfsitarem logo de mayor ad« Cr a C f nC ' a P cra cabalmente íecowíiderarcm jOmeima c c °ndclas J que neçelhtarem do juyzo pera ferern A 2 . entea- Sermám âds Ugvmas , Mentendidas-, lagrimas entendi das, fufpíros - piros de mayor valor, lagrimas de mayor. coiiU çam.O que nefeios cònfidero os qiie viuendo no * do Heraclycos,affim publicam feias lagrimas, q^ e ' ram nos enganam (eus fufpíros, fuípiros public° s » \ grimas enganofas/poys fó pretendem ^>or ceyraçam de quem as ve , fó (e dam por pagas & neuolcnciadequera as olha. Qnemayorignora* 1 ^ seny.l i .' diffe o Sencea, que biifcar a fama nos olhos,qu e a P V ^ <kmí Hfüar as l^orimas nas vidas. \Smúns vero faties pro wam captar e trtsutut i & idcrymás a^frobar e t f *“y ^ dlem m co.Sapemi 'vero aliasfcrmifiai cadcre y alids Ytfo^r ‘ ^ MJ. O que difereto andou logo Pedro em ocU J í . , 0 5 / lagrimas, o que entendido em efeonder os ‘ ü P j^- quanto mays affeófou encobrir as lagrimas, tan^ - yor intclligencia deu aos fufpíros, tomaram aS * V Á mas do retiro a caufa de íua eftimafam , o P^ inotiuo de feu valor. Mas ainda corno â mel.m a 1 da,& porq ham de fer os gemidos ocultos da valor,as .lagrimas de hüa (olidam mays bcnem e ^ fera porque fufp ivos á vida fam pezares indiícrcí^ ’ fim o tenho entendido,quando nam fam verdad^j publici flebat. Bfifr. 4. lib. 16. tle breuitate yiu. aliás feriam a melhoi: rethorica do fentimcnco. \ a fclp \ 1 a? porque lagrimas cm publico,quando.euitem a - ta da vaydade,nam fogem do crime da lilonja-^ ^ bem nam, porque quando nam fam fingidas ^ verdade fam fieys teííemunbas. Mas vejamos iiouaíoluçam acatamos melhorcona o intenm.^ ê de S<&M[pedro, t de hua folídam fam lagrimas (êaliuio 3 & aonCa ^grimas nam tem efpcrançás dealiuio,tem ma_valot 3 tem mayor raerecimentóaslagrimas. Da 1 ^ ^ U a s oca f ioens derramou lagrimas a Magdaíe0s * * U a crn caía dó Pharifeu , quando com cilas regou J c s ^ fai querido Mdlre. Lacrymis capit ngwe f c y*** Outra na manhaa daRefurreyçam junto da to . ^ r a * r^nu.meniumjv^âfiotans, B noIbe ^ °l U ai:| d o C l infto a tem a feus pés poftrada nam piío PC Í 8 ^ nCa P e ^ a s ^grimas coroo accyiando os fufg Unt ‘ ore r o naocafiam do fepulcro entam lhe per- ^ z P 0r quc chora. Muherquidpioras* como nam ai *)b ° t 3lKa e f t ] m a $ a m de fuas lagrimas, poys fe cm roi a s a ^ s 0 ° Ca f i°sns eram as lagrimas daMagdalempcCa[a a 0 p íí coraçam,efmahes de feu amor, porq em tei^ 1 ^ifeu tem mayor valor, como na.íepulcura (oft 0 Cíl0r n \ccçcimento as lagrimas? S. loam Chryc u?y e £ 0 n ° sk de íohar a duuida. Qjva língua m . gra* 4 i* Q d^ ^cryma^ & MagdaUnam non [inibam loqui^ ^ta| [ ,XQ ^ C as lagrimas em caía do Pharifeu eram ^ ? rtc v c nidas,que antecipandofe as vozes impeNç s <J U 8° a peta as palauras;na lingoa fe formam as as ^ueyxasjfam as queyxas^ as vozes todo o S r % s as * a g r i m as^ afim, poys ccaííam em que as lar \%tn, l ' a r ri f e vozes pera o aliuio, fò entam té mayor Icro^ roayor merecimento as lagriraas;üo feJ p 0n d e fe formauam qucyxas, quia tulerút Dhm cr gUQteÇh(ifto pella cwh 9 m lierquid floras* A 3 como LUC. 7 , IoATh 11* Cbyfofí. pfaím . Z7. ix Ser má m ias Ugritnks 9 confifte o noíía infortúnio em tam trágico fac ce noscaftigos que juftamente padecem noílas cU i ^ mm confifte noíía niiferia na falta das lagrima s > ^ f confifte noíía dcfgreça em nam ter olhos p era ^ tioílos deluftos. Brune fign<i in Jole , & luná , ca P a ^ ©lhos pera o fentimento offender a vifta pera ^ a culpa , iflo nam hc officio de lagrimas, priedadedeneuoas, que cobrindo dc luto os 0 cxpulfam toda a graça da vifta : pareçanfe n ° grimas com as do noíío Apoftolo , que ferui° ^ de luftrofagala aos olhos na mayor eícuf idade r folidam expulíaràm as fombras dc feu deliéfco^ ^ Jç fasfovasftente. Cada lagrima de Pedro era hd a 11 ^ feu delióto, Sc {endo muytas as lagrimas, nam ^ wocauam as luzes; quando as luzes íam muy r aS P^ «cm (cu cclypíe os aftros, porém quando asl^ r „ lagrimas nam perdem o luzimento por muyt a s ’^ dem oluzimemo asmays luzes porque viü c r l1 ^ oppofiçam no luzir, nam fe dcsluftram as l° z ^ lagrimas porque fc conformam no rcfplandeccí ftas reyna a fingeleza, naquellas milita a enueja» ^ viuem vnidas porque viuem como proprio, a C l ^ viuem enuejotas porque fe fuftentam do alh e0 > narníò viucm,masdifpendemo que logra ^ de tal modo viuem ,que confumem a matéria ^ fc eftribamj aísim o diéh a rezam , Sc tanfbe^ fira a experiência, porem as lagrimas fo fana l u 2 atfiman^íó íam alentos que dam vida. àe Sdm Tedro] 13 - P c ra confiderar, que dcfcjando a eípofa Santa-, J^dim de fuaalma rccebefeem fy os aílopros do ( ç nt °Auftro,ptimcyi*o recufale as afpiraçcés do Aquic u 4 g * Surge Aíjuilo t & Vent Autier, & pfrfia koriít mtum* a |p Uc n ^°duo teria a cípofa Santa pera ló ter dcfejodos tç ^ ros ^°Auftro } q da viraçam do Aquilo,(e ambos C0 l h °^o officio de afíoprar,porq nam ambos eftos L i° S da cí P o f a? ™ s vejamos a diucrfidade dos ve - \ f t , Pua 6 ^° c ' a r e m o s na cau ^ a daeleyçam.Quando ãfcZí.' U A S ui l ° puiiíícafeo arde nuuens, fica o ceo fere- ^uilofoparido alsopra o vento Auftro logo íe vem agoas :0tus J eííí da d n , l arn asagoas todo o alento das plantas,&:a viP c rdêf° rCS ’ kcanfe as amores murchanfe as flores, do n ° a 8 a t a 3s rozas,nam íe logram os frutos quanUofçcj 1 ^ ' 1 ^ faltamagoas-da mefma forte, fccafe a arp ürc 3 v ^ a , m u rchaíe a flor da idade, perde a roza íua d 0 Ho * l l3m ^ ^°g ram os f fUtos ^ ã S bons obras, quanS r m ia s í3r ^ m ^ a * m a ^ a n C a ^ t a ° cora Ç am com taag 0as S,toc ta a luz vital de húa flor lhe vem a naccr das hg r j ^ t0c ^ a a luz vital de húa alma lhe vem a nacer das ^or p S; Cora Ç a r n tam lagrimas,he alma fem vida,he virç Cni fruto,he flor fem pompa,he roza fem gala, c ad 0 ° n ° l f°fagrado Apoílolo por caufadcíeupeclem frn? a r u o r c feca fé popa, qual defpido tronco c °rno ^ a s ,Cori10 Vara fem flor,como efpinho íéroza # ç C ° r P ° fc vida,pede logo cuidadoíamcte fufpiros | ' ^ a ^ 5 ?,p«a q regando o jardim de feu efpirito reccbcío \lo, 14 Serrrwn âds lagrimas', recebeíe a alma roda a vida das lagrimas. 'SMgjj ^r y4S <gr vem ãujíer , Í5f pevfta bortitm meurn. EgfW^ . ^ fieuit. Porem noto eu, que aconueniencia c|^ ed ^ mos nas agoas pera o noflo intento , cíía a defiiculta a duuida pera o difeurfo; dauam as a g ^ vida as flores, porque na doçura lhe conarnuP 1 ^ . o alento, porem qne vida daram ao coraçarfl a S hg rí mas, queíam âmargofas? Jleuie amare? Qp e a iflb< mas por íaudofas cambem íuftencem a vida ifl tfnlm, 41 . Ementou o Propheca Dauid bmrunt ^ meapanes die^ac noãe^ porque eram lagritfias efperança, yuonUmwnUms 6^ appavebo JOomini' mas, que do defabrido das lagrimas da tribnlaçam colhefle Pedro pera fua alma ^ t ^ o Míl.v, a mil» m/mJoe Tiiftfnre.P^ .iifi Nam o percebo;peraqueo manjar fuftente,p" oq 1 ae Ijctv. ' 6 1 Lud. Blffi in ixpl.paf, c.18. Hmt. A~ um Ji- %m ptt. M*àè* 27 fe gofta na boca,& como pode formar fuftefl^^pça he no fabor amargofo? mas ó que eíTa he entre os manjares efpirituaes da alma ,& o S í l ^ do corpo, que o mefmo que he pera a alm a pera os fentidos no fabor defabrido. ^oi cS TeueChriftofede em a Cruz , fitio , ■ tormentos como aduerte Agoftinho. Sítio menta: offerecemlhe os íudeos 0 calix da a ^ Dederuni et bibere vxnum cumftíe mixtum. P \f>' Mntheus, que tanto que ogoíUra ,0 nam ?' ber. Et cum noímt Inbere, das P a J ^ r a jjtf ^ oangclifta eftà nacendo cfta duuida. Se ie Sám feiro] Í! ^gofo como o mcfmo Chrifto deu a entender, P° r q uc o nam quis beber, nolmt btbere. Como já era ^lixdegafto? cumgu(Ufei m Como pode fer fuaue Sc ° c e >oqueem íy he amargofo,& deíabrido? mas ciarae f taare(oluçam,fe bem aduertimos no mefmo teseP°. : P or iffo naefmo ,quc o vinho tnifturado com o p C Cra ^margofo pera a boca, noluu bi(?ere, Hauia de Cl uoce pera o efpirico, CumguHafé f . O que era pera ^ktJtidos defabrido, hauia de fer pera a alma fuaue. ra aa l r nade Ghriftoa que tinha Cede deites tormen- ^ s » púo maior d tormenta. Por líío hauia de goíter deamargores, ctímguftafet, Oquefuauidades fente fç a,no que os fencidos percebem de amargor?nam ^ Um as fuauidadesdocfpiriro , com osgoflos fto T^ 055 » porque fam muyto diferentes os affe0s donde procedem eftesgoftos; huns naccm da eatu r a outros procedem do amor diuino, a huns re- ^° a p e tit e d a natureza a outros goucrna o diétame 1 aonde os obje&os íam differentes no ef- ( 0 C l h c a r , nam fe vnem as potências no rnoucr, por ií- ^°^efm 0 c alix ^ era de gofto pera a alma de Chriluj’ Cu}n g *$*f *s hauiade fer penofo pera o ta&o da di^ 0a > noluit bibere. Nam pode o deíabrido do caQUç^ U C 3 ^ n g oa fendo , vencer o faborofo do goflo* o f a L a ^ r na experimentou,porque de dentro lhe vinha *de ° rj ^ e ^ ora l h e fieaua o delabndç, & efla deaelee ^ av ? porque o Propheu Dauid defejaua tanto as ~ doçuras rlu^o fip. Pjalm.iij. 't/t ml*. fup país. 1 6 SerM4M ias lagrimas] doçuras deftecalixí Calicem falmaris ^cipídm. $ o íí de lé o Cardeal Hugo. Calicem lacrymarum, & t rl * laiioms. Calix de tnbulaçam , calix de amargo^ a grimas. Efta mefma rezam fe verifica hoje cm o n° lagrado Apoftolo , poys no verter de (uas lagd* 11 ^ ' «o chorar de (eus (ufpiros tiraua amargores ? cr * c ( m òlhos.colhia doçuras pera o efpirito, flemt am^ C l ponde Agoftinho. (ima Dominum fuum cdpi* ^ u No amargofo de fuas lagrimas fatisfazia Pedro a de feu coraçam, mitigaua os incêndios de (eu fe já nam he, que com as mefmas lagrimas, q ü fontes de feus olhos lhe corriam apagaua Pedro íedes, mitigaua dous incêndios. A fede que G& . teue na Cruz èntende Saneo Ambrofio, que cra grimas de Pedro; Te fititôPetrereuerure. Ig° a tc tinha Chrifto (ede de dar a vida pcllos hotíi^ 0 5 » ^ das lagrimas de Pedro; nam tinha mayores feus tormentos, do que defejos deftas legrimas,# V -f, que as penas pezauam canto como as lagrimas P ^ ío na Cruz foram iguays cm Chrifto as fedes.^ ^ maior a tormenta, fefitit Ó Petre reuertere • Vcr^ ^ Pedro amargofas lagrimas de (eus olhos, p era q u C 0 as meímas agoasde feus fufpiros apagando ° * l lCC r j <j0 defeu coraçam íatisfaça também a (ede defeu q ü C j 0 IDcftre. 1 e fititó Petre hleuit amare Mascoí* 1 vejo, quedefta tjiinha refoloçam fundada naa^jjf. i5cul< dadedogrande Ambrofio nace húa nam de Sam Pedrâ, >7 |®ldade nefta grande lede de Chrifto fobre as lagri— 3s d c Pedro; poys hc certo que jâ Pedro tinba derraf ad ° lagrimas antes de Chrifto fobir ao alto da Cruz , a gtada,como confta do texto , quando mouido de ( v ' f ta de olhos de feu meftre fahio da cala do Pon1 ce ac horar. Rejpexufetrum egrefíus foras fieuit <<• Poys f e Pedro tinha fatisfeyto á fede de Chrifto ç 0tno diz Santo Ambrolio.quc Chrifto tinha,fede na t ruz das lagrimas de Pedro? fe fttit ó feire. O pare-! pOenam aftauam asprimeyras lagrimas pera fatifazc n a t n grande offençajfoy a culpa de Pedro hum ^lconhe c i m c n t o de feu meftre, Nen neui bominem. j voz conhecer na ocafiam da dcfgraça aquem p" des % to hum grande beneficio, aquem elegeftes í. * a dignidade, aquem deftes o ícr com a honra,que fam °‘ offcn & , nacida da mayor ingratidam? por iíTo tt, i 1Ccc f larias mais lagrimas. Se-jà nam he , que coIjj jdro cra crca d o pera Princepe da lgreja,peral ren cv ° d a Graduas lagrimas, que tal vez emoutroloÜj5»«nbaftantes pera o perdam da culpa, nam ^«cientes aon de o delido auulta pella mayot % • dapeflba, aonde opeccado pcllascircunC* crc ce como monte à vifta de todos,fam neccl1{. s P «a fatisfaçam montes de lagrimas;& daqui cott } C|) ° myftcno, que teue o nofio Apoftolo cm ouçq. Ca ^ lan aj quando pera chegar a íeu meftte e an- ,s ° 0 d asdomar . Mfcjemmn. Peraquecorn q a copia loann.li. Chryf. fer. 77 . ma¬ ré dilueret , qutd neyitio totalitercordidauerat* Cant.i, 18 Scrmam d*s Umm4s f farifa copia das lagrimas aumcntafe montes de ago a ? ; ^ fazendohüa, & ourra fede, ce fkit flsuit am* y e ‘ rém reparo cu que pera as lagrimas apagarem a-fcrte hauiam dc ícr > bebidas as lagrimas, & nam Pedro bebefeas lagrimas, iò nos confia que P c 1 , Q chorafe: Que Pedro tragafe nos fuípiros o afl^ r £ ^ de fuas lagrimas nacidas de feu pezar effeyto °t T , penitenciamas que com as lagrimas que defp^ ] ^ uam os olhos apagafe as chamas que no pcy r ° ^ a £. diam?nouo modo de apagar incêndios/* mas o <] 1 u ím hauia de fer^ (e as lagrimas (e beberam a P a S 3 ^ - foaíède da boca,cm as lagrimas íe derramarem > 0 biam os mais íentidos as lagrimas; bebiam os ua que obrauam com a vifla, bebia a bcca o <p c ° com as palauras, b e b i a m os ouuidosfuas peruei 8 0 $ çoens,as maõsa execuçam de fuas obras , b^b^ fentidos porque todo # s íe vníram pera oapetire • 3 5 ^ & efl' tancias porque fe conformaram nos affc&os , tam fe extingue melhor a fede do coraçam * todos os fentidos bebem as lagrimas. Toda de amor abrazada a cípofa Santa, d 1 e ^ 0 , muyto ter dentro dc feu coraçim a feu querid^^;, fo feyco hu ramalhete dc mirra: bafciculus tettus meus rnihi mur x>/e * mea commorabiw** c ^ fcU c o meu reparo cltà em que fabendo a efpofa,<3 a C pofo cra flor,& lnio: Ego fios campi, i ? ^f íwm, fó pera leu coraçam 0 deíeje miría. Q ue lC fí de Sdm 'Pedro. *9 XJ4 - j f 3 toirra que as tnays flores fe nas flores fc enrehv ^ ^P cran Ç as / e nos liriosL as faudades tendo a efc r a a ^ cu cfpoto como flor, chcgaua ao termo de fuas Da Cra . l . : í a V c ndoo cm feü coraram como lírio logíák d 3 U ^° ^ >as fendes* fe nam quando rámalhetolus l ^ l rra Clltarn 0 snnella peraieu coraçam? mj tt ^ lrr * dilcfftás meus. mibi imerybera mea commo - 4y ^ ,rrí , aos liquores da mirra chamam com- ^ t A CntC ^g^ 3 5 » ^ 3 0 ^ 30 hum ramalhete fe cheyf Cl * , 0s 0s ícncidos o logram, 6c cs olhos na viíla , o tU a ~ s ^ueyrar no oifaro , a iingoa no gofto as dc(\ c n ° c ^°^m os íentidos lograrem os liquores cte he omeímo que beberem as lagrit\d 0 s " a ^irra, cujas lagrimas bebiam todos os fen¬ de extinguiras Ceçuras deíeu coraçam,a fe-' çarrj e n a a‘ m a , por iílo tanto defejaua pera íeu cora¬ do cj c f Crna l h e t e de mirra, t anto pretendia ter denffjy >dc i? Cu c P piriro as lagrimas deites liquores. Fafcicu- ^^n-ev ^heya rne.a commorabitur. Todos os ced ^ a S d ,c *a s i Ci Pltn.ül a CUf.ly tà rarn ° S c ^ a c l po íaSanta beberam as lagrimas,que choheram lagrimasíentidas, quando as laíi)a s |" nar ° fam fentidas , nam tem íentido as lagriiUadeha * * ^ enl ^ o n a s f eg r ‘ m a s nam perajepriu ' p iros,mas pera innuir a origem donde pro- ‘Jgrimasj Oquam fentidas foram as lagri5sp artç ^ e d r o ; p 0 y s de caí modo as efpalhou por todas Cb d ei eu corpo/jue bebendo todos os lentidos as out. 3. Líicryma junt.peccA « ti diluum mur.âi piaiteudPeti, 20 Ser mim das lagrimas, as lagrimas que chorauam apagaram os fapiros a ^ de feu coraçam, extinguiram os incêndios de kü 1 c P l rito. Chorem poys, fieys, noílos olhos fuas vayw & chorem as orelhas fuas hfonjas, chore afanwfia locuras, chore ocoiaçam fuas nam leais cntraí) ^ chore a lingoa (uas muimuraçocns, chore 0 S° fuagolodicej chore a mocidade íua lafciuia, c ^° varonil idade fuafoberba , .chore a velhice fuai^P^ ciência, pera que afogados tantos vicios em 0 tantas lagrimas purificadas as potências eniinn u í l ; Çoens de íutpiros alcancemos a graça,que hep c ; nhorda gloria: Ad quam nosperdu» S at Pater > Fi ^ ius * & Spiritus San&us» Amcn. (*)