Conteúdo interativo para tablets : uma forma inovadora de acessar a informação
Abstract
Este artigo apresenta possibilidades interativas midiáticas aplicadas a conteúdo jornalístico e pedagógico para tablets. O caso abordado é a prática experimental do LabProJor135 sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964 no Brasil. Serão apresentadas soluções para um conteúdo histórico, de forma a pesquisar tecnologias e processos de produção, edição, distribuição de arquivos Folio para produtos em tablets.
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CONTEÚDO INTERATIVO PARA TABLETS:UMA FORMA INOVADORA DE ACESSAR A INFORMAÇÃO Rita de Cássia Romeiro Paulino133 [email protected] Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) Marina Empinotti134 marinaem[email protected] Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) RESUMO Este artigo apresenta possibilidades interativas midiáticas aplicadas a conteúdo jornalístico e pedagógico para tablets. O caso abordado é a prática experimental do LabProJor135 sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964 no Brasil. Serão apresentadas soluções para um conteúdo histórico, de forma a pesquisar tecnologias e processos de produção, edição, distribuição de arquivos Folio para produtos em tablets. Palavras-chave: jornalismo, educação, educomunicação, tablete, iPad 133 Prof.ª Dr.ª Rita Paulino. Departamento de Jornalismo – JOR e POSJOR - Centro de Comunicação e Expressão - CCE –UFSC. 134Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 3Laboratório de Suporte Operacional e Pesquisa a Novos Formatos aos Produtos Jornalísticos do Departamento de Jornalismo (LabProJor) tem como objetivo dar suporte e assessoria para viabilizar os produtos jornalísticos desenvolvidos no Curso de Graduação em Jornalismo da UFSC. http://midiaonline.info/ 319
Introdução Convivemos com um novo meio para comunicar a informação, os tablets-iPad. Paulino (2012) os define como computadores em forma de prancheta, no estilo de computador de mão, com tela sensível ao toque e seguindo os modelos de celulares smartphone. Esses equipamentos concentram possibilidades de mesclar os recursos de visualização de mídia impressa com o lado interativo da mídia online. Os tablets-iPad fornecem uma narrativa diferente de uma revista tradicional. Diferente por ter uma linguagem nova que reúne características da mídia impressa com a mídia digital: conteúdo segmentado, personalizado, portátil, com recursos multimídia, interativos e hipertextuais. “O iPad está revolucionando os modos de produção e os processos de distribuição de revistas digitais e jornais, mas o aparato tecnológico por si só não garante o êxito e a popularização de um novo meio de interação e comunicação.” (PAULINO, 2012) Além da aplicação no segmento jornalístico, este projeto buscou a aplicação de conteúdos interativos na área da Educação. A literatura trata essa união de áreas como Educomunicação, termo que em princípio parece mera junção de Educação e Comunicação, mas na realidade não apenas une as áreas, mas destaca de modo significativo um terceiro termo, a ação. É sobre ele que continua a recair a tônica quando a palavra é pronunciada, dando-lhe assim, ao que parece, um significado particularmente importante. Educação e/ou Comunicação – assim como a Educomunicação – são formas de conhecimento, áreas do saber ou campo de construções que têm na ação o seu elemento inaugural. (SOARES D. 2006). A experiência aqui relatada mostra possibilidades interativas midiáticas para conteúdo jornalístico e didático-pedagógico sobre o Golpe Militar de 1964 no Brasil. Para a consecução dos objetivos é adotada uma abordagem exploratória, a partir da prática experimental proporcionada pelo LabProJor e um levantamento sistemático da literatura e das abordagens correntes no âmbito produção de conteúdo jornalístico e educacional para tablets-iPad. Tablets Apesar da recente explosão no consumo dos tablets-iPad, a ideia não é tão recente quando aparenta. Em 1968, foi criado oDynabook, um computador em forma de caderno feito para crianças. Tinha memória limitada a 500 páginas de texto e a tela era sensível 320
apenas à caneta desenvolvida para ser usada junto ao aparelho. O primeiro modelo de um dispositivo que possa ser denominado tablet segundo os conceitos atuais, principalmente vinculado ao toque, foi o GRiDPad (Figura 1), fabricado pela Samsung para a GRiD Systems Corporation a partir de 1989. Na época, os tablets eram chamados slate computers, ou computadores lousa. Figura 1 - GRiDPad A informática mundial era inundada pela ideia dos personal computers –os computadores deixaram de ser máquinas que ocupavam andares inteiros dos prédios para serem itens facilmente colocados nas residências. O GRiDPad surge para poder ser carregadotambém para o trabalho, embora pesasse dois quilos. Em 1992 a Microsoft apresenta o sistema Microsoft Windows para pen computers(como passaram a ser chamados os slate computers) sem grande sucesso. O crescimento na venda dos pen foi alçado com o lançamento dos aparelhos da Palm (Figura 2) que buscavam servir como agendas eletrônicas, de acordo com o conceito de PDAs (Personal Digital Assistants). 321
Figura 2 – Palm Pilot, lançado em 1997. Atualmente, a possibilidade de conexão com a internet via wi-fi ou 3G tornou o tablet um produto desejado, se não necessário. Dados da norteamericana NPD DisplaySearch136 apontam 2013 como o primeiro ano na história em que a venda de tablets superará a de notebooks. O maior consumo gera maior demanda por conteúdo que possa ser acessado por esses dispositivos: tanto adaptações de impressos e páginas web como produtos pensados especificamente para eles. iPads Anorteamericana Apple não entrou no mercado dos tabletscom o lançamento do iPad, em 2010. Isso ocorreu em 1979, com oGraphics Tablet para Apple II(Figura 3), que, acoplado ao computador Apple II, permitia transferir a imagem feita com a caneta especial peloTablet para a máquina. 136Disponível em http://www.displaysearch.com/cps/rde/xchg/displaysearch/hs.xsl/130107_tablet_pc_market_forecast_to_s urpass_notebooks_in_2013.asp 322
Figura 3 – Graphics Tablet para Apple II. O sistema touchscreen, no entanto, hoje indispensável aos tablets,ganhou força com a entrada doiPhoneno mercado, em 2007. Três anos depois, usando sistema operacional semelhante ao do telefone, apenas com a restrição de não realizar ligações por via telefônica, a Apple lança o iPad.Logo a Google divulga o sistema operacional Android, que dominou o mercado de dispositivos que não são da Apple, por ser compatível a aparelhos de diversas marcas. A Microsoft apresenta o Windows 8, totalmente pensado para interação através do toque. O Jornalismo, naturalmente, tenta se adaptar à nova realidade. Revistas e jornais do mundo inteiro lançam suas versões para tablets e iPads. “No Brasil, praticamente todas as revistas e jornais possuem versão para tablet, algumas pagas, outras não” (AGNER, 2012). As novas possibilidades de uso de conteúdo multimídia e o recurso do toque, que proporciona uma real interação do usuário com o conteúdo, representammarcos que revolucionam os mercados editorial e jornalístico A linguagem dessa mídia envolve a exploração de uma narrativa digital imersiva, mas que mantém a personalidade editorial e gráfica de uma publicação impressa. Essa nova narrativa digital deve instigar o leitor a explorar as páginas, buscar botões, procurar por opções de áudio, vídeo e animações; ou seja se no impresso todas as informações estão à mostra, no tablet, há a possibilidade de ocultar as informações acessíveis apenas pela ação do usuário, que deve procurar ativamente o conteúdo oculto. (PLUVINAGE; HORIE, 2011) 323
Construção de arquivos Folio Para a apresentação do conteúdo referente ao golpe de 1964 aqui trabalhado foi escolhido o formato Folio, ou seja, com apresentação no estilo revista eletrônica interativa, na qual se passam as páginas para avançar no conteúdo. A editoração eletrônica foi feita através do software InDesign, da Adobe, nas versõesmais recentes lançadas até outubro de 2013, CS6 e CSS. Foram também utilizados plug-ins específicos para esses programas, disponibilizados gratuitamente para a Adobe, mas que requerem download posterior à aquisição do software:Folio Producer e Folio Builder. São eles que permitem aspectos interativos na publicação, como botões e animações. A opção pelo uso do Folio produzido pelo InDesign se justifica não somente por permitir a criação dos arquivos sem necessidade de conhecimento em programação, mas também pela integração de objetos estáticos e interativos no mesmo programa, sem o uso do Adobe Flash. Este não e compatível com o iPad, o tablet líder de mercado137.Portanto, pensar arquivos em Flash para tablets, por mais esteticamente refinados que possam ser, significa limitar seu acesso para quase metade dos usuários das tabuletas. O fluxo de trabalho para a criação dos Folios se assemelha aos dos arquivos voltados a impressão, conforme mostra a tabela abaixo. Tabela 1 - Fluxo de trabalho em arquivos Folio Etapa Descrição Criação Diagramação das páginas em InDesign CS5 ou superior. Autoração Inserção de interatividades no próprio InDesign, através de ferramentas como Folio Producer Tools, HTMLStacker, etc. Produção Adicionar metadados e produzir o arquivo final por meio do Folio 137Dados do IDC Worldwide Tablet Tracker de agosto de 2013 indicam que a Apple corresponde a 32,4% do Mercado de tablets, seguida pela Samsung, com 18%. 324
Producer Service. Distribuição Não foi usada neste trabalho, mas pode ser feita pelo Distribution Service, que hospeda e entrega arquivos Folio para um aplicativo personalizado ou para o Content Viewer no tablet. É interessante destacar que, ao final da etapa de produção, é necessária uma revisão. No entanto, esta deve ser feita em três etapas, para garantir o sucesso do produto planejado. Muito disso se deve às atuais limitações do programa para visualização do que realmente acontecerá quando o arquivo for executado em um tablet, já que está sendo diagramado em um computador. Primeiro, é feita a revisão no próprio software de edição. Depois, a revisão do conteúdo em uma tela virtual, que simula um aparelho tablet na tela do computador (Adobe Content Viewer). Por fim, hospeda-se o arquivo na nuvem e transfere-se para o tablet, onde se pode fazer uma revisão interagindo com o conteúdo da página. Estudo de caso: O golpe de 1964 – 50 anos depois Por golpe militar de 1964se designa o conjunto de eventos que culminaram, no dia 1 de abril de 1964, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Goulart e iniciou o periodo de 21 anos de ditadura militar no Brasil. Em 2014 serão completados 50 anos do golpe, motivando eventos e ocasiões para debatê-lo. O presente Folio se propõe a ser uma base que possibilite a compreensão geral do golpe e do contexto em que ocorreu, possibilitando o debate aprofundado entre alunos do ensino fundamental com seus colegas e professores, além da pesquisa avançada nos tópicos que despertem interesse. Para facilitar o manejo e apoio do tablet sobre a mesa, foi escolhida a orientação paisagem de leitura, com o tablet na horizontal. A resolução usada na confecção do 325
trabalho foi 1024x768 – padrão iPad. As imagens a seguir mostram, página a página, como foi a distribuição do conteúdo pelo Folio. Figura 4 –Três visões da página de abertura com slideshow rodando por trás do título Figura 5 – Primeira página traz instruções de uso O início do conteúdo se dá na página 3, com um contexto histórico da década de 1960. Na figura 6, a figura à esquerda mostra como é a página logo que é aberta, apenas com título, linha fina e figuras. O usuário é convidado a clicar nas figuras e procurar os botões ocultos, que revelam textos e vídeos que ajudam no contexto histórico. 326
Figura 6 – Página antes e depois da interação Figura 7 – Página antes e depois das interações Acima se vê como a página seguinte fica antes e depois das interações. O usuário deve navegar pela galeria de fotos ou pela barra central, com os áudios. As fotos revelam textos sobre os três presidentes mais relevantes para o entendimento político da época. A figura abaixo retrata a página 5, onde é explicada a eleição de 1960. O mapa, inicialmente branco, pode ser navegado para se descobrir quais presidentes e vices foram mais votados em cada estado. A parte inferior direita conta com um slideshow e o box à esquerda apresenta um vídeo. 327
Conclusões Produzir e organizar publicações para tablets ainda é um processo experimental em todas as áreas, do Jornalismo à Comunicação. Com o Folio sobre o golpe de 1964 concluído, parte-se para a parte experimental: entregá-los a alunos do ensino fundamental para que seja usado em sala de aula. A partir dessa experiência, serão avaliados quais recursos interativos funcionaram ou não. A produção do material aqui exposto por dois profissionais em um mês mostra que a produção de conteúdo didático interativo é possível de forma rápida e enxuta, já que não se trabalha aqui com deadline de hardnews, mas com um produto planejado antecipadamente.Quando comparado a um livro didático, o material em tablet leva vantagem por não depender de espaço nas folhas de papel e ter seu custo reduzido. A distribuição via internet também é importante. Quando voltado ao ensino fundamental, como este caso, a preocupação com a familiaridade dos alunos com o material não é tão relevante quanto a capacitação do professor para aproveitá-lo e lidar com possíveis problemas técnicos; a geração atual recebe de forma muito mais intuitiva os tablets. Cabe formalizar formas eficientes de distribuir o material produzido pelas escolas e capacitor professores para recebê-los e tê-los como aliados em sala de aula. Referências A História dos Tablets – viagem no tempo. Portal mundo dos tablets, setembro de 2011. Disponível em http://www.mundodostablets.com.br/artigos/a-historia-dos-tabletsviagem-o-tempo ADOBE. Disponível em: <http://help.adobe.com/pt_BR/digitalpubsuite/using/WS9293e1fb3b977c5c7b1f65ad12f 28224932-7ff6.html>. Acesso em: 15 de abril de 2013. AGNER, Luiz. Usabilidade do jornalismo para tablets: uma avaliação da interação por gestos em um aplicativo de notícias. Anais do 12o. Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador. Natal: UFRN, 2012. AGNER, Luiz, et all. Design de interação no jornalismo para tablets: avaliando interfaces gestuais em um aplicativo de notícias. Anais do 4° Congresso Sul Americano de Design de Interação. 2012. AGNER, Luiz; Avaliação de usabilidade do jornalismo para tablets: interações por gestos em um aplicativo de notícias. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Fortaleza, CE – 3 a 7/9/2012. Disponível em 334
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